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Continuidades musicais. Estudo de relações e continuidades ao nível formal e dos conteúdos melódico-rítmicos, entre o repertório musical das Cantigas de Santa Maria de Alfonso X e os vilancetes do Cancioneiro Musical do Palácio (MS-II-1335)

Abstract

Esta dissertação teve objectivo investigar a existência de continuidades musicais entre as Cantigas de Santa Maria e os vilancetes do Cancionero musical de Palacio (MS-II-1335) através da utilização de uma base de dados, a Lisbon Cantigas de Santa Maria Database, que permite a pesquisa no repertório das Cantigas de Santa Maria de padrões rítmicos e linhas melódicas. Esta tese demonstra a existência dalgumas continuidades musicais: a nível formal com a presença de uma forma musical característica das cantigas, o rondel andaluz; a nível rítmico com a presença de padrões rítmicos particulares que estão presentes em ambos os repertórios; a nível melódico com a presença de um contrafactum. De facto, essas continuidades relacionam-se com a continuação de uma tradição musical local que serviu de fonte de parte dos elementos musicais utilizados em ambos os períodos históricos.

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Continuidades musicais. Estudo de relações e continuidades ao nível formal e dos conteúdos melódico-rítmicos, entre o repertório musical das Cantigas de Santa Maria de Alfonso X e os vilancetes do Cancioneiro Musical do Palácio (MS-II-1335)

Author: Araújo, Rui Alexandre Fernandes de
Year: 2020
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/99550/1/Tese%20-%20post%20defesa_capa.pdf
Con inuidades musicais. Es udo de elações e con inuidades ao ní el o mal e
dos con eúdos melódico- í micos, en e o epe ó io musical das Can igas de
San a Ma ia de Al onso X e os ilance es do Cancionei o musical de Palacio
(MS-II-1335)
( e são co igida)
Rui A aújo
Tese de Dou o amen o em Ciências Musicais - Musicologia His ó ica
Maio de 2019
Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au
de Dou o em Ciências Musicais - Musicologia His ó ica, ealizada sob a o ien ação cien í ica
de Manuel Ped o Fe ei a
Apoio inancei o da FCT e do FSE no âmbi o do III Quad o Comuni á io de
Apoio com a e e ência SFRH/BD/48776/2008
Es a disse ação não oi edigida segundo o No o Aco do O og á ico da
Língua Po uguesa de 1990 como publicado no Diá io da República nº 193 I - Sé ie A.
i
Ag adecimen os
Es a disse ação oi ei a du an e alguns dos melho es momen os da minha
ida mas ambém em alguns dos pio es. Dedico a minha ese aos meus ilhos, Ana-
Doina e Ioachim Dinis e à memó ia dos meus pais, Dulcídio e Ana. Ag adeço ao meu
o ien ado , Manuel Ped o Fe ei a, que semp e me ajudou, mesmo pa a além de
qualque ob igação, ajuda essa mui o impo an e an o a ní el pessoal como
p o issional; espe o um dia consegui chega ao seu ní el cien í ico de excelência.
Que ia ambém ag adece a Má io Viei a de Ca alho, que semp e me apoiou e com
o qual, apesa das di e enças de idade e de es a u o, semp e sen i que pode ia ala
de o ma abe a e anca, endo um ou ido amigá el e comp eensi o pa a com os
meus desaba os. A mui as ou as pessoas que o ag adece , p incipalmen e aquelas
com as quais me c uzo (ou c uzei) quase dia iamen e no CESEM. Um g ande ab aço e
ob igado a Paula Gomes Ribei o e a Paulo Fe ei a de Cas o (es e úl imo, usei o em
« a pas» so is icadas e diplomá icas), pela in a iá el boa disposição; ambém a João
Ped o d’Al a enga, pelo seu apoio p o issional e pessoal; ao sec e a iado, an o
ac ual como passado, compos o po uma equipa an ás ica, al amen e p o issional (e
ap esen á el), a Ve a e a C is iana (ac uais), a Ma iana (passado) e a minha cama ada
de a mas Zuelma, semp e disponí el pa a uma ga galhada, a quem desejo mui a
so e pa a o seu p ojec o de dou o amen o, espe ando que não demo e an o como
o meu. Finalmen e, dedico uma pala a especial a Pa ícia Bea iz Co eia, que com a
sua gene osidade e amo , odos os dias me acompanha, ampa a e inspi a.
ii
Con inuidades musicais. Es udo de elações e con inuidades ao ní el o mal e dos
con eúdos melódico- í micos, en e o epe ó io musical das Can igas de San a
Ma ia de Al onso X e os ilance es do Cancionei o musical de Palacio (MS-II-1335)
Rui A aújo
PALAVRAS-CHAVE: Música an iga, Can igas de San a Ma ia, Cancione o
musical de Palacio, Vilance e, Paleog a ia e Edição Musical.
Es a disse ação e e objec i o in es iga a exis ência de con inuidades
musicais en e as Can igas de San a Ma ia e os ilance es do Cancione o musical de
Palacio (MS-II-1335) a a és da u ilização de uma base de dados, a Lisbon Can igas
de San a Ma ia Da abase, que pe mi e a pesquisa no epe ó io das Can igas de
San a Ma ia de pad ões í micos e linhas melódicas. Es a ese demons a a exis ência
dalgumas con inuidades musicais: a ní el o mal com a p esença de uma o ma
musical ca ac e ís ica das can igas, o ondel andaluz; a ní el í mico com a p esença
de pad ões í micos pa icula es que es ão p esen es em ambos os epe ó ios; a
ní el melódico com a p esença de um con a ac um. De ac o, essas con inuidades
elacionam-se com a con inuação de uma adição musical local que se iu de on e
de pa e dos elemen os musicais u ilizados em ambos os pe íodos his ó icos.
iii
Musical Con inui ies. The S udy o Fo mal and Melodic-Rhy hmic Rela ions
and Con inui ies, be ween he Musical Repe oi e o he Can igas de San a Ma ia
o Al onso X and he Vilance es o he Cancionei o musical de Palacio (MS-II-1335)
Rui A aújo
KEYWORDS: Ea ly Music, Can igas de San a Ma ia, Cancionei o musical de
Palacio, Vilance e, Paleog aphy and Musical Edi ion.
This disse a ion in es iga es musical con inui ies be ween he Can igas de
San a Ma ia and he ilance es o he Cancione o musical de Palacio (MS-II-1335) by
using a da abase, he Lisbon Can igas de San a Ma ia Da abase, which pe mi s
elec onic sea ching o hy hmic and melodic pa e ns in Can igas de San a Ma ia. I
demons a es ha he e a e some musical con inui ies: a he o mal le el gi en he
p esence o a sha ed musical o m cha ac e is ic o he songs, he Andalusian
ondeau; by he use o peculia and cha ac e is ic hy hmic pa e ns ha a e p esen
in bo h epe oi es; a he melodical le el by he exis ence o a con a ac um.
Howe e , hese con inui ies poin o a ela ion wi h a local musical adi ion
s emming om an ea lie adi ion ha se ed as he basis o some musical
elemen s used in bo h.
i

Índice
Lis a de Ab e ia u as.................................................................................................... iii
Índice das ab e ia u as dos Manusc i os................................................................ iii
Manusc i os ou è es........................................................................................ iii
Manusc i os obado ...........................................................................................ix
Manusc i os das Can igas de San a Ma ia...........................................................ix
Manusc i os do epe ó io poé ico enascen is a Ibé ico...................................ix
Manusc i os com epe ó io poé ico galego-cas elhano en e 1350-1450..........x
Manusc i os epe ó io li ú gico...........................................................................x
In odução......................................................................................................................1
Capí ulo I - Es ado da ques ão: Con inuidades musicais en e as Can igas de San a
Ma ia de Al onso X e os ilance es do Cancionei o musical de Palacio (MP4)..............5
I.1 - Visões sob e a p oblemá ica das con inuidades musicais e adições o ais......6
I.2 - Ques ão da exis ência de uma adição musical en e as CSM e os ilance es
do MP4....................................................................................................................12
I.3 - Con inuidades o mais......................................................................................20
I.4 - Con inuidades í micas.....................................................................................25
I.5 - Con inuidades li e á ias....................................................................................37
I.6 - Con inuidades melódicas.................................................................................42
Capí ulo II - Elemen os do epe ó io ou è e nas Can igas de San a Ma ia.............44
II.1 - Re isão da li e a u a sob e in luências de á ios epe ó ios nas CSM..........44
II.2 - De inição de concei os pa a a análise musical compa a i a...........................46
II.3 - Análise musical compa a i a T ou è e – CSM na LCSMDB.............................51
II.4 - Me ci claman - CSM 15..................................................................................57
II.5 - Qui bien eu Amou s - CSM 196.....................................................................62
II.6 - D’amou s qui ma olu - CSM 424.....................................................................68
II.7 - De ine amou - CSM 86...................................................................................71
Capí ulo III - Análise de pad ões de acen uação na lí ica galego-po uguesa a dia e
na lí ica galego-cas elhana en e 1340-1450...............................................................76
III.1 – A lacuna de on es musicais em galego-po uguês e cas elhano no
epe ó io dos sécs. XIV e XV...................................................................................76
III.2 – A me odologia da análise acen ual do epe ó io poé ico............................79
III.3 – A análise acen ual dos poemas do Co pus poé ico Galego-Cas elhano........82
III.4 – A análise acen ual nas canções do Lib o de buen amo ................................91
Capí ulo IV - Um caso de dupla in e ex ualidade en e a CSM 304 e a sequência
No is cedun e e a do Codex de Las Huelgas (Hu 56)..............................................109
IV.1 – Relações en e o epe ó io sac o-li ú gico e as CSM.................................110
IV.2 – Análise do pad ão melódico comum en e a CSM 413 e a sequência No is
cedun e e a.........................................................................................................114
Capí ulo V - O quodlibe MP4h-517 Po las sie as de Mad id e a CSM 79...............127
Capí ulo VI - Análise das co espondências musicais en e as Can igas de San a Ma ia
e os ilance es do MP4...............................................................................................137
VI.1 - Selecção do co pus musical..........................................................................137
VI.1.1 - O Cancionei o musical de Palacio (MS-II-1335) - MP4.........................142
VI.2 - Selecção dos elemen os musicais................................................................143
VI.3 - Análise e es udo das co espondências o mais en e as CSM e os ilance es
do MP4..................................................................................................................150
VI.4 - Co espondências melódicas mais o es....................................................157
VI.4.1 - CSM 366 A que en nossos can a es – So ell enzina, enzina..................157
VI.4.2 - CSM 137 Semp ’ acha San a Ma ia azon e dadei a – Pues que ya
nunca os eis...................................................................................................161
VI.4.3 - CSM 91 A Vi gen nos dá saud’ – Viejo malo en la mi cama.................164
VI.4.4 - CSM 208 Aquele que ena Vi gen – Daca bailemos, Ca illo...................167
VI.5 - Co espondências melódicas médias...........................................................172
VI.5.1 - CSM 244 G an de ei ’ é que mal enna – Pues que yanunca os eis. 172
VI.5.2 - CSM 379 A que de ende do demo San a Ma ia do Po o – O o al
misacan ano......................................................................................................174
VI.5.3 - CSM 296 Quen aa Vi gen san a – T is eza quien a mi os dio.............178
VI.5.4 - CSM 346 Com’ a g and’ en e midade – Vues os amo es e seño a.....181
i
VI.5.5 - CSM 203 Quen polo amo de San a Ma ia – Y has ju a Menga...........184
VI.5.6 - CSM 208 Aquele que ena Vi gen – Viejo malo en la mi cama..............186
VI.6 - Co espondências melódicas mais acas....................................................189
VI.6.1 - CSM 300 Mui o de e ia ome semp ’ a loa – Ved comad es que dolencia
..........................................................................................................................189
VI.7 - Conclusão sob e co espondências melódicas............................................193
VI.8 - Co espondências í micas...........................................................................194
VI.8.1 - O pad ão 3+3+2....................................................................................196
VI.8.2 - 1º e 2º modo í mico com 3º e 4º compac o.......................................201
VI.8.3 - Pad ões quiná ios.................................................................................205
VI.8.4 - Pad ão L-B-B-L, com p e ixo/su ixo do 1º (L-B) ou 2º modo (B-L)........211
VI.9 - Conclusões sob e co espondências í micas..............................................214
Capí ulo VII - Conside ações inais.............................................................................215
Bibliog a ia..................................................................................................................221
Anexos..............................................................................................................................
Anexo 1 - Lis a epe ó io de ou è es.................................................................254
Anexo 2 - Análise acen uação lí ica Galego-Cas elhana 1350-1450.....................260
Anexo 3 - Análise acen uação LBA.........................................................................290
Anexo 4 - Lis a dos ilance es u ilizados nas pesquisas na LCSMDB.....................325
Anexo 5 - Exemplos de CSM com o pad ão 3+3+2................................................331
Anexo 6 - Exemplos de ilance es com o 1º e 2º modo í mico e com o 3º e 4º
compac o...............................................................................................................336
Anexo 7 - Exemplos de ilance es com o pad ão L-B-B-L, com p e ixo/su ixo do 1º
(L-B) ou 2º modo (B-L)...........................................................................................351
Anexo 8 – Co espondências melódicas acas.....................................................360
Anexo 9 - Lis a de Tabelas......................................................................................373
Anexo 10 - Lis a de Exemplos Musicais.................................................................375
Anexo 11 - Lis a de Figu as....................................................................................381
ii
Lis a de Ab e ia u as
CI Can us Index
CANT Can o ales
CMDB Can us Manusc ip Da abase
CSM Can igas de San a Ma ia
GCDB Global Chan Da abase
LBA Lib o de Buen Amo
LCSMDB Lisbon Can igas de San a Ma ia Da abase
OxCSMDB Ox o d Can igas de San a Ma ia Da abase
TMDB T oubadou Melodies Da abase
Índice das ab e ia u as dos Manusc i os
Manusc i os ou è es
(as siglas indicadas são u ilizadas po Raynaud/Spanke)
a Roma, Biblio eca Apos olica Va icana, Reg. La . 1490
B Be ne, Bu ge biblio hek, MS 231
K Pa is, Biblio hèque de l’A senal, MS 5198
L Pa is, BnF . . 765
M Pa is, BnF . . 844
N Pa is, BnF . . 845
O Pa is, BnF . . 846
P Pa is, BnF . . 847
R Pa is, BnF . . 1591
T Pa is, BnF . . 12615
iii
Capí ulo I - Es ado da ques ão: Con inuidades musicais en e
as Can igas de San a Ma ia de Al onso X e os ilance es do
Cancionei o musical de Palacio (MP4)
Es e capí ulo e á como p opósi o o escla ecimen o do pon o da si uação nos
es udos académicos que se cen em na ligação, elação e con inuidade en e a
canção medie al ibé ica e a canção enascen is a ibé ica, nomeadamen e, en e as
Can igas de San a Ma ia (do a an e e e idas como CSM) e os ilance es
enascen is as. Num p imei o subcapí ulo deb uça -nos-emos sob e a p oblemá ica
musicológica das con inuidades musicais nas adições o ais, e e indo, que a
co en e que de ende essa exis ência de uma o ma quase c is alizada ( olclo ismo
de aiz oi ocen is a), que o cep icismo mais mode no que assume que udo se
ans o ma pa a além de oda a possibilidade de econhecimen o, con ex ualizando
essa discussão pa a o pe íodo a se analisado, nos séculos XIV-XV, quando as
ans o mações polí icas-sociais-económicas-cul u ais não e am ão adicais e
ac u an es como nos pe íodos mode no e con empo âneo. Nos subcapí ulos
seguin es examina emos em de alhe os abalhos académicos que explo am a ideia
de que exis i á uma pon e musical en e as CSM e os ilance es enascen is as e
dis ingui emos os di e sos pa âme os ( o mais, í micos, li e á ios e melódicos) em
que se pode ão mani es a algumas con inuidades his ó icas.
5

I.1 - Visões sob e a p oblemá ica das con inuidades musicais e adições
o ais
A ques ão da u ilização de e mos como « adição musical» em dado azo a
di e sas discussões académicas, p incipalmen e a pa i de meados do séc. XX,
quando se começou a coloca em causa o pa adigma do olclo ismo, ao de ende a
ideia que as comunidades mais emo as (p incipalmen e as u ais) não es a iam
con aminadas pelas co en es a ís icas u banas/in e nacionais, e es a iam ainda
p esen es elemen os de um passado ou pa imónio cul u al comum, ge almen e
ligado a uma noção de iden idade local, egional ou nacional, p ese ados de o ma
quase p is ina2. A isão do olclo ismo é uma isão es á ica, pa indo do p incípio que
essas comunidades emo as e isoladas es ão, de ce a o ma, p o egidas de possí eis
con aminações es anhas a essas « adições» locais.
Em oposição a es a ideia, desen ol eu-se uma ou a em que as sociedades
humanas es ão em con ínua mudança e ans o mação. Assim, se ia impossí el e
um islumb e de quais se iam as p á icas cul u ais no passado, pois esse passado já
es a ia pe dido pa a semp e, no p esen e3.
A nossa posição ela i amen e à ques ão es a á en e es es dois pólos. O se
humano não é es á ico, as cul u as ans o mam-se e abso em con inuamen e
no os elemen os, mas exis em dados que nos pe mi em a i ma que a noção da
exis ência de linhas de con inuidade cul u al não é absu da nem idícula desde que
se obse em ce os equisi os, como a exis ência de es abilidade social e cul u al.
Aliás, do pon o de is a sociocul u al, exis em cla amen e con inuidades en e o
2 Pa a uma uma exposição do con ex o e p oblemá ica do olclo ismo e da musicologia compa a i a
em inais do século XIX e na segunda me ade do século XX e : Alan P. MERRIAM, «De ini ions o
'Compa a i e Musicology' and 'E hnomusicology': An His o ical-Theo e ical Pe spec i e»,
E hnomusicology, ol. 21 nº 2, 1977, pp. 189-204; Oská ELSCHEK, «Ideas, P inciples, Mo i a ions
and Resul s in Eas e n Eu opean Folk-Music Resea ch» in Compa a i e Musicology and
An h opology o Music: Essays on he His o y o E hnomusicology (eds.: B uno Ne l, Philip V.
Bohlman), Chicago, Chicago Uni e si y P ess, 1991, pp. 91-109.
3 Pa a a p oblemá ica do concei o da mudança musical e : John BLACKING, «Some P oblems o
Theo y and Me hod in he S udy o Musical Change», Yea book o he In e na ional Folk Music
Council, ol. 9, 1977, pp. 1-26.
6
pe íodo das CSM e inais do séc. XV e inícios do séc. XVI na Península Ibé ica, assim
como acon ecimen os que ma cam uma no a ealidade, como as iagens de
descobe a ma í ima.
O abalho do e nomusicólogo omeno, Cons an in B ailoiu, é um exemplo de
um es udo que en a encon a um elemen o musical comum a odas as cul u as
humanas, na sua o ma mais a á ica e p imo dial, u ilizando pa a al uma melodia
adicional ussa e um abalho compa a i o de di e sas melodias de á ias cul u as4.
Nesse es udo o au o conclui exis i um momen o du an e o que ele chama a «p é-
his ó ia» da música, em que o modelo melódico e a compos o apenas po ês no as5
e es a limi ação impede a classi icação de qualque melodia com es as ca ac e ís icas
como nacionais ou exclusi as de qualque cul u a6. Con udo, uma melodia que se
es u u a de o ma cla a sob e es es ês sons adqui e a ca ac e ís ica de objec o
a ís ico (musical) au ónomo7.
Cabe ambém e e i uma isão mais ca ac e ís ica do pa adigma da p imei a
me ade do séc. XX (in luenciada pelo pa adigma do e olucionismo biológico aplicado
às sociedades humanas), aqui ilus ada po um a igo de Paul Collae que
conside amos p oblemá ico, pois uma das possibilidades a en adas pa a a explicação
da exis ência de elemen os musicais semelhan es nas músicas adicionais e e idas
no í ulo do a igo (espanhola, húnga a, búlga a e geo giana) se ia uma p o á el
mig ação dos chamados pelo au o po os dolicocé alos eu o-asiá icos algu es na
An iguidade mais emo a. Esses po os es a iam na base da população au óc one da
Espanha (Península Ibé ica?), Bulgá ia e o cen o do Cáucaso8. Qualque
undamen ação ou e e ência da exis ência da possibilidade de uma adição musical
ala gada an o ao ní el geog á ico como c onológico, eco endo a elemen os que
e elam se em in luenciados po eo ias de i adas de um pensamen o « acial» do
4 Cons an in BRAILOIU, «Conce ning a Russian Melody» in P oblems in E hnomusicology, Camb idge,
Camb idge Uni e si y P ess, 1984, pp. 239-89.
5 C. BRAILOIU, «Conce ning a Russian Melody», p. 284.
6Ibidem.
7Ibidem.
8 Paul COLLAER, «No es conce nan ce ains chan s espagnols, hong ois, bulga es e géo giens»,
Anua io Musical, ol. 9, 1954, pp. 153-60.
7
se humano, me ecem, na nossa opinião, se em olhados com g ande cep icismo e
p udência e podem ac i a um sinal de ala me quan o ao con eúdo desse abalho
académico. No en an o, a p oblemá ica não de e se igno ada e se nos oca mos em
aspec os mais especí icos des e a igo, exis em pon os que me ecem se
mencionados: um, é uma ca ac e ís ica í mica obse ada no epe ó io e e ido. A
essa ca ac e ís ica Collae denomina mé ica bakchios, a al e nância en e o i mo
iâmbico e ocaico (b e e-longa, longa-b e e), que conside a se uma o ma í mica
medi e ânica a caica9. Ele p essupõe que es e ac o é u o não de uma ansmissão
mais ecen e das melodias, mas sim sob e i ência de uma ca ac e ís ica de uma
cul u a medi e ânica milena 10. Ou o elemen o e e ido po es e au o é a
esiliência de uma es u u a melódica ligada a um géne o musical especí ico, a
canção de embala . Sus en a a ideia de que mesmo nas cul u as mais so is icadas, a
canção de embala es á semp e associada a um meio p imi i o, a um ipo a caico11. A
esse ipo de canção associa ambém um pe cu so melódico, a im ao géne o
c omá ico como de inido pelos eó ico g egos da An iguidade12. Embo a o es udo de
Collae enha o seu in e essan e, a sob e i ência de elemen os ca ac e ís icos
musicais a é ao séc. XX que e lec em uma e en ual cul u a medi e ânica ances al,
(já que a es u u a melódica desc i a é alheia aos es ilos his o icamen e
documen ados e pode po an o se -lhe a ibuída na u eza p é-medie al), o modelo
pelo qual explica esse ac o não nos pa ece se o mais plausí el, seja po coloca de
pa e qualque possibilidade de in luência ou mudanças cul u ais mais ecen es
como explicação pa a al ac o (a melodia pode ia e al ez encon ado a a és da
diáspo a se a di a o ipo de di usão ala gada e uso uncional que o am obse ados),
9 P. COLLAER, «No es conce nan ce ains chan s», p. 154.
10 Ibidem.
11 A ideia o iginal não pa ece se de Collae mas de Ma ius Schneide . Collae nes a secção do seu
a igo e e e duas publicações, uma de Ma ius Schneide e a ou a de Cu Sachs, mas nas
ci ações que u iliza não iden i ica cla amen e as on es. Apesa disso, a pa i do con ex o pode-se
pe cebe que o au o p o á el da ci ação é Ma ius Schneide . P. COLLER, «No es conce nan
ce ains chan s», p. 155.
12 P. COLLAER, «No es conce nan ce ains chan s», p. 154.
8
seja pelo ac o de o modelo eó ico u ilizado (explicação a a és de elemen os
aciais) se , nos dias de hoje, de alidade du idosa.
Qual é en ão o signi icado de « adição musical» numa pe spec i a
e nomusicológica mais ecen e? Du an e o séc. XX o am os e nomusicólogos que se
deb uça am de o ma mais consis en e sob e o concei o de adição musical, embo a
em sen ido amplo e em cul u as ex a-eu opeias. Uma p opos a a e e , se á a
capacidade e a e iciência de a a és da canção (e da música em ge al) ansmi i as
bases (a ec i as, polí icas, eligiosas e económicas) cul u ais de uma sociedade ou
comunidade, ao longo de um espaço geog á ico e empo al, sendo que a música
se ia uma espécie de «cimen o da memó ia»13 que o na ia possí el essa
ansmissão14. Conside amos impo an e es a e lexão, pois o ma e ial musical
analisado é, na sua essência, um conjun o de can igas (ou canções u ilizando o e mo
mais usual), e são essas can igas que pode ão e lec i , ou não, a exis ência de
con inuidades musicais en e os dois pe íodos. O impo an e é escla ece a é que
pon o podemos espe a a exis ência dessa con inuidade.
Man le Hood no seu a igo de 1959 conside a15, num p imei o momen o,
e ada a equipa ação en e adição o al e a ideia de p ese ação, no sen ido em que
nada muda ao longo do empo e que o objec i o do in es igado se esume a
p o ege e sal agua da um pa imónio. Visão es á ica, no nosso en ende . O au o
p e e e coloca em discussão duas ca ego ias pa a a música dependen es em g ande
pa e de uma ansmissão o al, a de «ingenious music» e «cul i a ed music»16. A
p imei a e e e-se a um géne o de música que não passa po um p ocesso conscien e
de au oc í ica, em um ca ác e ingénuo e espon âneo. A segunda a um géne o mais
«cul o» cujo p ocesso c ia i o é elabo ado conscien emen e de o ma a melho a e
13 Exp essão nossa.
14 Da id B. COPLAN, «E hnomusicology and he Meaning o T adi ion» in E hnomusicology and
Mode n Music His o y (eds.: S ephen Blum, Philip V. Bohlman, Daniel M. Neuman), U bana and
Chicago, Uni e si y o Illinois P ess, 1991, pp. 35-48 [p. 45].
15 Man le HOOD, «The Reliabili y o O al T adi ion», Jou nal o Ame ican Musicological Socie y, 12,
1959, pp. 201-09.
16 M. HOOD, «The Reliabili y o O al T adi ion», p. 201.
9
e ina o objec o musical17. A ques ão undamen al é que a es abilidade da adição
o al p esen e na «ingenious music» depende da es abilidade da sociedade onde ela
exis e. Enquan o não exis i nenhuma p essão ex e io nessa cul u a, a adição o al
se á es á el e abso e á e in eg a á as mudanças que su gi ão de o ma na u al18.
Exis e en ão uma elação en e a es abilidade sócio-cul u al e a con inuidade de uma
adição musical. Hood de ende ambém ou o pon o impo an e a capacidade
de ensi a da «cul i a ed music», a i mando que a «ingenious music» é mais ágil
ace a p essões ex e nas, como oi an e io men e di o, a «cul i a ed music», po e
uma maio consciência dos seus p óp ios elemen os, e á uma maio capacidade de
esis i a in luências ex e nas19. Ques ionamos: se á que essa es abilidade da adição
o al ambém de e mina a es abilidade da adição esc i a?20. T anspondo es as
e lexões de Man le Hood pa a o ema des a disse ação, as con inuidades musicais
en e o epe ó io das CSM e os ilance es enascen is as ibé icos, podemos
conside a dois ní eis in e elacionados: as composições esc i as pode ão se
in eg adas naquilo a que Hood chama «cul i a ed music», ou seja, ap esen am-se
com uma consciência do seu p óp io alo a ís ico, apesa de in eg adas num
con ex o social e cul u al especí ico. Po ou o lado, bebem numa adição o al que
subsis e e e olui de manei a ingénua. Na e dade, as CSM não chegam a cons i ui -se
como adição esc i a o a do âmbi o da co e al onsina21, e apa en emen e não são
e e ência a ís ica conscien e aquando da eme gência, no século XV, do ilance e
poli ónico co ês, pelo que a adição esc i a in e cala se esume à eu ilização de
o mas poé icas do mesmo ipo e as con inuidades musicais a iden i ica eme em
la gamen e pa a modelos melódico- í micos comuns, sus en ados pela ansmissão
o al.
17 Ibidem.
18 M. HOOD, «The Reliabili y o O al T adi ion», pp. 201-2.
19 M. HOOD, «The Reliabili y o O al T adi ion», ( . n. 15), pp. 203-5.
20 M. HOOD, «The Reliabili y o O al T adi ion», p. 208.
21 Manuel Ped o FERREIRA, «The Medie al Fa e o he Can igas de San a Ma ia: Ibe ian Poli ics Mee s
Song», Jou nal o he Ame ican Musicological Socie y, ol. 69 nº 2, 2016, pp. 295-353.
10

Res a sabe se há alguma me odologia álida que pe mi a analisa
semelhanças musicais em adições musicais de pe íodos dis in os. Pacholczyk
p e ende demons a e alida uma me odologia que pe mi e aça algumas
conclusões sob e uma adição musical no passado a a és da análise de adições
ac uais, colocando a ques ão na semelhança en e as sui es musicais á abes de
Ma ocos e da zona da Caxemi a, na on ei a en e o Paquis ão e a Índia22. Pa a essa
in es igação se álida de e se ealizada em ês ases: iden i icação das
ca ac e ís icas musicais semelhan es; es abelece quais os con ac os cul u ais na
zona geog á ica em análise; in e p e ação e con on ação com as on es ex uais
exis en es23. Na ansposição des es p incípios pa a o ema de es udo des a ese,
pode emos conside a o pe íodo enascen is a como a adição «ac ual» e o pe íodo
medie al como a adição do passado. Como o espaço geog á ico é o mesmo e
disco emos sob e a mesma cul u a mas em pe íodos c onológicos di e en es, se á
impo an e conside a nes a disse ação o p imei o e o e cei o pon os. A
iden i icação dessas ca ac e ís icas em comum ealiza -se-á ao longo des e capí ulo
de uma o ma ge al, e nos capí ulos seguin es de o ma mais elabo ada. Pacholczyk
conside a igualmen e impo an e de ini de o ma mais especí ica quais os
elemen os que são mais es á eis na análise das ca ac e ís icas musicais em comum,
a i mando que a es u u a musical é o elemen o mais esis en e a so e al e ações
ao longo do empo (e num g au in e io a execução musical) e que o ní el de
especi icidade das ca ac e ís icas encon adas na análise suge em uma ansmissão
a a és dos agen es cul u ais, em ez de uma o igem ou desen ol imen o
au ónomo24.
22 Joze M. PACHOLCZYK, «Ea ly A ab Sui e in Spain: An In es iga ion o he Pas h ough he
Con empo a y Li ing T adi ions», Re is a de Musicología, ol. 16 nº 1, 1993, pp. 358-66.
23 J. M. PACHOLCZYK, «Ea ly A ab Sui e in Spain», p. 359.
24 J. M. PACHOLCZYK, «Ea ly A ab Sui e in Spain», pp. 359-60.
11
I.2 - Ques ão da exis ência de uma adição musical en e as CSM e os
ilance es do MP4
Discu indo sob e o ema des a disse ação com di e sos musicólogos,
essal ou equen emen e a con icção adqui ida (mas nunca analisada em
p o undidade) de que exis e uma con inuidade na adição musical local (ou
pode emos dize ibé ica?) en e o epe ó io medie al peninsula e as peças musicais
mais ca ac e ís icas do Renascimen o, os ilance es. Es a posição pa ece se uma
consequência da con icção gene alizada na con inuidade empo al das adições
o ais. Na e dade, já no séc. XVI exis e uma e e ência a uma « adição» musical
popula na publicação de F ancisco Salinas, que na úl ima pa e da sua ob a, ao
expô a eo ia í mica, u iliza como exemplos p á icos ilance es que designa como
popula es25. Es e ac o e ela que já no pe íodo a se es udado ha ia uma
consciência, pelo menos po pa e de alguns composi o es e eó icos, da exis ência
de um epe ó io de o igem au óc one, que pa ilha a uma sé ie de ca ac e ís icas
musicais que pe mi iam aze essa iden i icação de uma o ma cla a. O p oblema que
se coloca é a alidação ou ejeição es a noção a a és de uma in es igação ealizada
com os c i é ios cien í icos mode nos.
In en ámos po an o uma ecolha exaus i a dos es udos musicológicos cujo
objec o de es udo pode ia es a di ec amen e (ou em alguns casos indi ec amen e)
elacionado com o ema des a disse ação. A maio pa e dos abalhos e e idos não
incide especi icamen e sob e o es udo das elações en e a música das CSM e o
epe ó io do MP4, mas o am incluídos uma ez que os seus con eúdos con êm
in o mação conside ada ele an e pa a es a disse ação. Po exemplo, o es udo de
Miguel Manzano26 sob e o cancionei o de Encina é ele an e, de ido à e lexão
25 F ancisco SALINAS, Sie e lib os sob e la musica, (ed. Ismael Fe nández de la Cues a), Mad id,
Alpue o, 1983, p. 591 (Li o VI Cap. XIII), na edição o iginal: De musica lib i sep em, Salamanca,
1577, pp. 338-9.
26 Miguel MANZANO, «Hay aíces popula es en las Composiciones de Juan del Encina?», La Ob a
Musical de Juan del Encina, Salamanca, Cen o de Cul u a T adicional - Dipu ación P o incial de
Salamanca, 1997, pp. 17-26.
12
elabo ada po es e au o sob e uma pe spec i a co en e ao longo do século XX na
musicologia espanhola, baseada na con icção que exis e uma adição musical
popula que se man e e desde a Idade Média (CSM) e o Renascimen o (MP4 e
Encina). Tal e lexão é impo an e já que ques iona a alidade dessa p emissa e
coloca em discussão pon os que conside amos se em impo an es, ajudando-nos a
pensa em que medida podemos ealmen e, e com a de ida alidade cien í ica,
a i ma a exis ência de con inuidades musicais.
No início do século XX, no Cancione o Popula Español do musicólogo ca alão
Felipe Ped ell, aça cla amen e uma linha di ec a en e a música medie al ibé ica e a
do MP427. Nes a publicação, Ped ell seguindo o espí i o do olclo ismo, aça a
con inuidade do que ele a i ma se a canção popula a dois ní eis. Um dos ní eis
se ia o meio di ec o, ou seja, a c iação con ínua, i a e eno ada a a és do «po o»
[ ad. nossa], e o indi ec o, «la adopción de la canción [popula ] po el a is a en la
ob a de a e (...)»28.
No úl imo caso, a ligação en e o epe ó io medie al e o Renascimen o pode se
analisada (e e en ualmen e comp o ada) com o ecu so aos documen os musicais29.
Ped ell de ine en ão uma linhagem nas on es musicais ibé icas, desde os códices
ma ianos (e A onso X), passando pelas on es da lí ica medie al galego-po uguesa,
com o Cancionei o da Ajuda, da Va icana, e da Biblio eca Nacional (an e io men e
Colocci-B ancu i), chegando ao MP4, e e indo que os composi o es p esen es no
MP4 ( ecolhidos pelos compilado es desse cancionei o) e lec em nas suas
composições o es ilo musical das co es a is oc a as desse pe íodo, u ilizando como
p incipal géne o o ilance e (que pa a Ped ell, co ec amen e, não em elação
nenhuma com o mad igal i aliano enascen is a, ecusando desse modo qualque
in luência ex e na eu opeia no ilance e). Es a posição em, no meu en ende , como
27 Felipe PEDRELL, Cancione o musical popula español, Ba celona, Edi o ial de Música Boileau, ols. I,
II e III, 1918 (1958, eimp. 2003).
28 F. PEDRELL, Cancione o musical popula español, p. 26.
29 P esume-se que Ped ell assume aqui uma de inição mais ex ensa da noção de documen o
musical, is o é, conside a se em documen os musicais não apenas as on es com no ação musical
esc i a mas ambém on es que pode iam se i pa a a ansmissão de um epe ó io, mesmo
sem e em no ação musical, como os cancionei os poé icos do século XIV.
13
objec i o e o ça a con icção na exis ência de uma co en e local ans e sal aos
séculos, que co e pa alelamen e à in odução de co en es ou es ilos musicais ex a-
ibé icos. Ao e e i a u ilização de can a es ou can a cillos30 nos ilance es do MP4,
cujos emas são escolhidos e ex aídos da canção popula , Ped ell conside a esse
ac o como uma ca ac e ís ica da escola espanhola, conside ando-o algo que a
dis ingue das ou as escolas eu opeias, e e indo p incipalmen e Juan del Encina
como o que melho assimilou nas suas ob as as ca ac e ís icas da canção popula ,
embo a e i a p incipalmen e os ilance es de «en ada» [ ad. nossa] e «saída»
[ ad. nossa] das suas églogas31.
Resumindo, o abalho de Ped ell inse e-se no pa adigma do olclo ismo que
assume a sob e i ência e con inuidade de ca ac e ís icas ances ais em di e sas
p á icas (sendo uma delas a música) popula es (p incipalmen e nos meios mais
a as ados das u bes) de uma o ma quase p is ina. Como se o epe ó io que exis e
den o de uma adição popula se isse como um espelho pa a um passado
longínquo. Não cabe den o do âmbi o des a disse ação ealiza quaisque e lexões
sob e es es p essupos os; o impo an e se á apenas e ela de o ma sucin a quais as
p emissas exis en es na análise de Ped ell pa a melho en ende as suas a i mações e
conclusões e enquad a con ex ualmen e a sua isão sob e es e assun o. Ped ell não
oi o único a conside a que ha ia uma adição musical na Península Ibé ica que
liga a o pe íodo medie al ao Renascimen o (e a é ao século XX).
Ribe a na sua publicação de 1927, La musica a abe y su in luencia en la
española32, supõe a exis ência de uma adição musical na Península Ibé ica que
pe co e á ios séculos, mas coloca a ónica na cul u a á abo-andalusa. Nes e li o,
Ribe a sin e iza g ande pa e dos seus pon os de is a expos os já na sua edição de
1922 do códice To das CSM 33. Vol a emos ao assun o mais adian e, no subcapí ulo
sob e con inuidades í micas. Ribe a e e e a opinião de Ra ael Mi jana, o qual,
30 Exp essão de Ped ell.
31 F. PEDRELL, Cancione o musical popula español, ( . n. 27), pp. 26-27.
32 Julian RIBERA, La musica a abe y su in luencia en la española, Mad id, Mayo de O o, 1985, (1927).
33 Julian RIBERA, La Musica de Las Can igas : Es udio sob e su o igen y na u eza con ep oducciones
o og a icas del ex o y ansc ipcion mode na, Mad id, Real Academia Española, 1922.
14
Segundo Pacholczyk, êm que se espei adas duas condições pa a que al es udo
compa a i o seja álido: que exis a uma expec a i a azoá el que a adição hoje
es udada possa e lec i a adição num pe íodo mais a as ado, ou anspondo pa a o
ema des a disse ação, que os elemen os músico- o mais (e po ex ensão ou os
elemen os musicais) enascen is as possam e lec i p á icas musicais medie ais. A
segunda condição epo a-se à exis ência de semelhanças ao ní el da o ma (do
i elai das CSM pa a o ilance e) e al ez ou os elemen os musicais57.
Como oposição à hipó ese que a música á abe enha sido on e de alguma
in luência na música á abe-andalusa ou na música medie al ibé ica podemos
des aca o a igo de 1946 de Ma ius Schneide como um dos melho es exemplos
dessa eacção con a a ese de Ribe a58. Reco endo a um ipo de discu so que na
época e a ans e sal ao discu so académico-cien í ico, onde a ques ão acial e a o
elemen o que dis inguia as di e sas cul u as, Schneide a i ma que não exis e (ou é
mui o du idosa) essa in luência po que não encon ou nenhum es ígio na música
medie al ibé ica (CSM), nas suas análises musicais compa a i as u ilizando ecolhas
e nog á icas, de quaisque indícios de música á abe no seu sen ido mais «pu o», ou
seja, a música dos po os nómadas da península a ábica dos sécs. VII-VIII59. Se
e i a mos oda a bagagem de ca ác e du idoso da ques ão acial, subs i uindo
e en ualmen e subs i uindo o e mo « aça» pelo «cul u a», podemos conside a que
essa c í ica não é na e dade nenhuma p o a de que não enha exis ido in luência da
cul u a á abe na cul u a medie al ibé ica, pois se ha ia algo que ca ac e izasse a
cul u a á abe du an e a sua expansão e consolidação e a a capacidade de abso e ,
in eg a e ansmi i elemen os das cul u as com as quais se ia depa ando, ossem
eles elemen os das cul u as pe sa, sí ia, bizan ina, be be e ou hispânica.
Um ou o a igo ele an e e que en a demons a que as con inuidades
o mais são impo an es pa a de e mina uma ligação de ac o, é o es udo de Leo
Plencke s de 1993, onde se sus en a a ideia de que é a a és da análise e
57 J. PACHOLCZYK, «The Rela ionship Be ween he Nawba», ( . n. 55), p. 7.
58 Ma ius SCHNEIDER, «À p opósi o del in lujo á abe: ensayo de e nog a ía musical de la España
medie al», Anua io Musical, 1946, ol. 1, pp. 31-141.
59 M. SCHNEIDER, «À p opósi o del in lujo á abe», p. 60.
21

compa ação da es u u a poé ico-musical en e a es u u a mais eco en e das CSM
e da sana’i da Algé ia, que o au o conside a se uma descenden e di ec a da
muwaxxah andalusa, que podemos encon a uma p o a cla a da ligação en e o
epe ó io ma iano e a cul u a á abe-andalusa60.
Fac o ele an e pa a es a disse ação es á nes a e lexão que espelha o que
oi e e ido an e io men e nes e capí ulo sob e Man le Hood. Segundo es es
in es igado es, é de ac o possí el e ec ua um abalho compa a i o en e pe íodos
his ó icos di e en es, desde que se consiga es abelece com um g au azoá el de
ce eza, que as adições musicais e am es á eis e que ealmen e exis em elemen os
e ca ac e ís icas musicais com um ní el de semelhança su icien emen e ele an es
en e as duas (ou mais) adições a se em analisadas. Assim Pacholczyk ao analisa a
nawba ma oquina e, p incipalmen e os conjun os de canções (sana’i) pe encen es
à nawba , encon a pon os de semelhança ao ní el da o ma musical com as o mas
ixas do epe ó io o ado esco (nomeadamen e o i elai)61. De ac o, não exis iam
on es musicais na al u a em que o a igo oi esc i o que possam indica qual a
di ecção da in luência, se oi do espaço c is ão pa a o muçulmano, ou ice- e sa62.
Con udo e apesa do con eúdo des e a igo es a o a do pon o de is a c onológico
do ema des a disse ação, expusemos uma me odologia pa a o ipo de análise
compa a i a sob e a qual se i á cen a uma pa e impo an e des e abalho.
A ques ão da con inuidade das o mas musicais de e se o elemen o onde é
mais no ó io a exis ência de uma ligação en e o epe ó io das CSM e dos ilance es
enascen is as. De ac o, desde os p imei os es udos sob e as CSM que a simili ude
da o ma musical mais eco en e das mesmas (o i elai) com a o ma musical dos
ilance es em sido colocada como um sinal cla o de uma ligação ou con inuidade
en e os dois pe íodos e es ilos musicais.
Um ac o que é essencial e e i é a in odução das o mas ixas no séc. XIII na
música ociden al eu opeia. Es a ques ão es á in imamen e ligada, segundo Ribe a,
60 Leo J. PLENCKERS, "The Can igas de San a Ma ia and he Moo ish Muwashshah: Ano he Way o
Compa ing Thei Musical S uc u es", Re is a de Musicología, ol. 16 nº 1, 1993, pp. 354-7.
61 J. PACHOLCZYK, "The Rela ionship Be ween he Nawba», ( . n. 55) pp. 7-13.
62 J. PACHOLCZYK, "The Rela ionship Be ween he Nawba», p. 13.
22
com a música andaluza e o ien al (mais an iga do que a eu opeia), já que ambas as
adições u ilizam as mesmas es u u as écnicas e poé icas, es ando essas es u u as
e lec idas na música ancesa em o mas como o ondeau [e o i elai]63.
A u ilização do zajal é ida ambém como uma das ligações com a adição
lí ica á abe-andalusa, expondo alguns exemplos conc e os de ilance es no MP4
(T es mo illas me enamo am), com a suspei a de que ainda exis em elemen os
musicais da música á abe no MP464. Ribe a, no capí ulo inal, aça a ligação da
música do MP4 com as CSM, ao a i ma : «Las melodias del Cancione o de Palacio nos
si en pa a conoce las de las Can igas, compues as dos o es siglos an es»65.
Anos após a publicação de Anglés, oi edi ado no México o Cancione o de
Upsala, po Mi jana, Pope e Gay66. No es udo in odu ó io de Isabel Pope67, es a
elabo a uma análise da es u u a o mal poé ico-musical dos ilance es poli ónicos
enascen is as. Pope aça ambém uma linha de con inuidade en e as CSM e o
ilance e enascen is a. Quan o à es u u a o mal a exis ência do es ibillo (com 2, 3
ou 4 e sos), a mudanza (in odução de ma e ial con as an e) e a uel a ( epe ição
in eg al ou pa cial do ma e ial do e ão) segue um esquema o mal ca ac e ís ico
pe encen e a uma adição peninsula , com um ca ác e popula ou popula izan e68.
Es e esquema é u ilizado an o nas CSM como nas peças do MP4 (que Pope iden i ica
como o Cancione o de Ba bie i), sendo que nas CSM a epe ição do e ão é
cla amen e iden i icada, enquan o que no MP4 essa indicação es á ausen e. Na
uel a enascen is a, a epe ição do e ão é quase semp e pa cial e mais simples que
nas CSM, as quais mos am a consciência es é ica do au o medie al, na sua in enção
em c ia di e sas elabo ações ela i amen e a essa secção da can iga69.
63 J. RIBERA, La musica a abe, ( . n. 32), p. 185.
64 J. RIBERA, La musica a abe, p. 157.
65 J. RIBERA, La musica a abe, p. 178.
66 Ra ael MITJANA, Isabel POPE & Jesús Bal y GAY, Cancione o de Upsala, México, El Colégio de Mexico,
1944.
67 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, pp. 15-41.
68 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, p. 15.
69 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, p. 25.
23
O apa ecimen o das o mas ixas na música ociden al na Idade Média ( i elai,
ondeau, lauda) es á ligado, segundo Pope, à al e nância na execução en e um
solis a e um co o, o que indica uma execução esponso ial das canções70.
Pa a Pope, exis e um elemen o que liga as CSM com o epe ó io
enascen is a, como o são algumas das peças do Llib e Ve mell de Mon se a (que
ela coloca no séc. XIV), onde se encon am o que conside a os p imei os ilance es
poli ónicos, S ella splendens e Ma iam ma em71. A di e ença das peças do Llib e
Ve mell com as CSM es a á no ca ác e mais “e udi o” des as úl imas, enquan o que
as peças ca alãs e elam um undo mais popula , e idenciando a pa icipação da
comunidade na li u gia72.
Pope coloca-se na mesma linha de Anglés no que diz espei o à ques ão da
in luência da música á abe-andalusa. Re e e o abalho de Ribe a e o ac o da
exis ência do zajal pode indica uma ligação com o ilance e, pelo menos do pon o
de is a poé ico. A ausência de on es musicais desse pe íodo, o na p oblemá ica a
sus en ação da posição de Ribe a, pelo simples ac o de não ha e ma e ial melódico
que possa se u ilizado pa a con on a com o epe ó io medie al. De ido a es a
ci cuns ância, a au o a de ende a ideia de que se iam as o mas lí icas la inas a base
pa a as o mas ixas das canções medie ais. Apesa desse ac o, Pope admi e algum
pon o de con ac o en e a cul u a á abe e a c is ã, p incipalmen e no que diz espei o
ao ins umen á io e p á icas de execução73, inclusi e algumas melodias74.
Resumindo, nos ilance es do séc. XVI desaguam oda uma sé ie de adições
e p á icas poé ico-musicais ibé icas, desde a adição li ú gica (conduc i, sequências)
como a popula (zajal e a cul u a á abe-andalusa, emas como a se ana), adição
ancesa ( o mas ixas como indicação da execução co al/ esponso ial).
70 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, ( . n. 66), p. 17.
71 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, p. 32.
72 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, p. 33.
73 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, p. 28. Pope indica como on e pa a es a a i mação as
iluminu as das CSM, as e e ências a ins umen os á abes no LBA e as melodias indicadas como
á abes po Salinas no seu De musica lib i sep em, além de alguns ilance es exis en es no MP4,
como o T es mo illas m'enamo an, . 16.
74 MITJANA, POPE & GAY, Cancione o de Upsala, pp. 27-28.
24
Dez anos mais a de, a au o a sup aci ada publica ia um a igo dedicado à
análise da o ma do ilance e75. Na úl ima pa e do mesmo, após e ei o um es udo
mais sis emá ico das o mas dos ilance es exis en es no MP4, esc e eu uma secção
sob e a his ó ia da o ma poé ico-musical do ilance e, desde a Idade Média. É nes e
pon o que uma ez mais Pope e e e a ligação en e as CSM, a poesia lí ica do séc.
XIV-XV e o pe íodo enascen is a. Apesa das géneses do ilance e ( illancico) e da
can iga (canción) e em sido no mesmo pe íodo, a di e ença es á em que o ilance e
man e e semp e uma elação p óxima com a adição popula e o al. Essa
ca ac e ís ica é isí el a a és da u ilização po San illana de e ães de canções
popula es nos seus poemas, sendo depois glosados consoan e um es ilo mais e udi o
e a ís ico. Tal ac o pode ambém implica a impo ação de melodias de ca ác e
popula 76. Apesa de não exis i música nas on es do séc. XIV e XV, Pope indica mais
uma ez as CSM como uma on e essencial pa a o es udo das o mas poé ico-
musicais do séc. XIII, já que a esmagado a maio ia des e epe ó io enquad a-se
pe ei amen e nos modelos o mais analisados pa a os ilance es poli ónicos
enascen is as na p imei a pa e do a igo77.
I.4 - Con inuidades í micas
Como já oi e e ido an e io men e, exis e a e e ência a uma « adição»
musical popula no abalho de F ancisco Salinas, que na úl ima pa e da sua ob a, ao
expô a eo ia í mica, u iliza como exemplos p á icos ilance es que designa como
popula es78. Deb uça -nos-emos mais adian e sob e es es exemplos em maio
p o undidade.
75 Isabel POPE, «Musical and Me ical Fo m o he Villancico», Annales musicologiques, ol. 2, 1954,
pp. 189-214.
76 I. POPE, «Musical and Me ical Fo m o he Villancico», p. 207.
77 I. POPE, «Musical and Me ical Fo m o he Villancico», pp. 208-9.
78 F. SALINAS, Sie e lib os sob e la musica, ( . n. 25), p. 591.
25
An es de se inicia a exposição dos di e sos es udos sob e as possí eis
con inuidades í micas en e as CSM e os ilance es, conside amos undamen al
ap esen a p e iamen e uma isão sin é ica das di e sas eo ias ou co en es de
análise í mica das CSM, que é segu amen e bem mais polémica e de in e p e ação
mais di ícil do que a no ação mensu al p esen e nos ilance es enascen is as.
Nes e pon o e à semelhança de ou os subcapí ulos, iniciamos es a discussão
com o abalho de Ribe a. Pa a ele os pad ões í micos que conside a exis i nas CSM
êm o igem na música á abe, de inidos pelas acen uações í micas indicadas pela
no ação musical. Ribe a admi e a exis ência de i mos de pad ão e ná io e biná io79.
A g ande maio ia das publicações sob e a música á abe que Ribe a e e e igno am
comple amen e, segundo a sua opinião, a pa e his ó ica. Es e es udioso in e p e a a
no ação das CSM endo com base o códice de Toledo, e elabo a uma abela com os
pad ões í micos á abes po ele de inidos, compa ando-a com os modos í micos
anceses80; con udo, as suas on es não apa ecem cla amen e iden i icadas81.
Pad ões í micos e co espondência com os modos í micos como
iden i icados po Ribe a82:
1º e 2º modo = 1º e 2º Rámel
3º e 4º modo = 1º e 2º Taquil
5º modo = Hezech
6º modo = Maju í
A p oblemá ica da me odologia de Ribe a na in e p e ação da música das
CSM, oi conside a que as igu as musicais nas CSM ep esen am não di e enças de
du ação, mas sim de in ensidade:
79 J. RIBERA, La musica de las Can igas, ( . n. 33), passim.
80 J. RIBERA, La musica de las Can igas, p. 111.
81 Manuel Ped o FERREIRA, «Ry hmic pa adigms in he ‘Can igas de San a Ma ia’: F ench e sus A abic
p eceden », Plainsong and Medie al Music, ol. 24 nº 1, Ab il 2015, p. 3 (n. 7).
82 J. RIBERA, La musica de las Can igas, p. 111.
26

La p ime a en a i e ue la de segui el mé odo simplis a de da alo cons an e
a la misma igu a de no a. Pe o és e no dió esu ado cons an e a la misma igu a
de no a. E a el mismo que o os habían in en ado an es aplica , sin éxi o; de
modo que se opezó con los mismos obs áculos. Había que pa i de o a
hipó esis. Se me ocu ió en onces que las dis in as igu as de las no as, en ez
de indica dis in a du ación, indicaban dis in a in ensidad83.
Es a in e p e ação le ou-o a conside a que o que es á expos o na no ação
musical se á, no undo, a ep odução de combinações de di e en es pe íodos
í micos e pad ões í mico-acen uais. Tendo-se ecolhido esses pad ões pode -se-ia
aça co espondências en e os pad ões descobe os nas CSM e os pad ões
exis en es na a adís ica musical eu opeia da época que coincida com os au o es
o ien ais84.
Um exemplo de ansc ição í mica ei a po Ribe a é a sua con e são da
no ação musical de punc um-punc um-punc um oblongo em semicolcheia-colcheia-
colcheia com pausa, equi alen e ao 4º modo í mico. Mas as ansc ições de Ribe a
não são consis en es. Apa en emen e ele alo iza, de o ma ge al, a acen uação do
ex o/pala a e é a pa i daí que aplica os modos í micos. Po exemplo, as CSM que
ele desc e e como segundo aquil de e iam se como o 4º modo, mas nos exemplos
e e idos (CSM 74, 10 en e ou as) Ribe a in e e o pad ão, que passa a se colcheia
pon uada - semicolcheia - colcheia de ido, ao que pa ece, à acen uação da pala a.
Colocamos a possibilidade de Ribe a e al e ado o pad ão í mico endo em con a o
que ele conside a a se indicado na música como in ensidade ou acen uação, ou
al ez, pa a além da no ação, a a enção ao ex o e à p osódia(?); o p oblema eside
na sua inconsis ência me odológica. Ap esen amos de seguida alguns exemplos da
ansc ição musical de Ribe a pa a e ei os de compa ação da in e p e ação í mica
83 J. RIBERA, La musica a abe, ( . n. 32), pp. 181.
84 J. RIBERA, La musica a abe, pp. 181-82.
27
com ou as ansc ições. A in e p e ação melódica de Ribe a é bas an e discu í el
de ido ao ac o de ele aplica os p incípios do onalismo às melodias das can igas.
Exemplo 1 – J. RIBERA, La musica de las Can igas, p. 160, H. ANGLÉS, La música de las
Can igas, ol. II – T ansc ipción, p. 76. Re ão da CSM 6885.
O e ão, al como Ribe a o ansc e eu, é quase idên ico à in e p e ação de
Anglés, e coloca quase semp e bem (na nossa opinião) os acen os í micos e ex uais.
Anglés e Ribe a esol e am de o ma di e en e a in e p e ação í mica na cadência
do e ão, o que implica uma colocação di e en e do ex o nas duas ansc ições
musicais. Ribe a esol eu a cadência igno ando o pad ão que iden i icou; ambém
in e p e ou inco ec amen e a plica. O momen o p oblemá ico na e são de Ribe a
su ge na es o e, exac amen e po que Ribe a apa en emen e igno ou o sis ema que
u ilizou no e ão ao cola uma das igu as (punc um oblongo) à ligadu a inicial e
o nou o pad ão i econhecí el, como podemos obse a no Exemplo 2, a segui .
85 Ribe a não coloca o ex o da can iga na sua ansc ição musical, mas po uma ques ão de
coe ência na edição decidimos ac escen a o ex o en e pa ên esis ec os em odos os exemplos
com ansc ições de Ribe a que u ilizamos nes a disse ação. Na e são musical de Anglés, o
após o o colocado na pau a indica, segundo a sua in e p e ação, uma sepa ação en e duas
ases musicais.
28
Exemplo 2 – J. RIBERA, La musica de las Can igas, p. 160 (es o e da CSM 68), Pau a
in e io : Edição diplomá ica das CSM86, CSM 68 (códice To).
Exemplo 3 - J. RIBERA, La musica de las Can igas, pp. 127-8. Re ão da CSM 10. Pau a
in e io : Edição diplomá ica das CSM87, CSM 10 (códice To). Re ão da CSM 10.
86 A edição diplomá ica das CSM es á disponí el em o ma o digi al. Manuel Ped o FERREIRA (di .), ,
Lisboa, Cen o de Es udos de Sociologia e Es é ica Musical, 3 ols. ( ol. I – Códice de Toledo, ol. II
– Códice ico, ol. III – Códice dos músicos), 2017, edição bilingue (PT-EN),
<h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-diploma ica/>. Pa a es e
exemplo, e des a edição o ol. I - Códice de Toledo, p. 75 [acedido a 9/1/2019].
87 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ol. I - Códice de Toledo,
p. 15. [acedido a 9/1/2019].
29
No exemplo 3 Ribe a não segue de uma o ma consis en e nas duas ases
musicais o pad ão í mico (colcheia pon uada - semi-colcheia - colcheia) po ele
iden i icado logo na p imei a ase.
Exemplo 4 - J. RIBERA, La musica de las Can igas, pp. 158-9, H. ANGLÉS, La música de
las Can igas, ol. II – T ansc ipción, p. 75. Re ão da CSM 67.
No exemplo 4 podemos e que, po ezes e apesa da inconsis ência da
in e p e ação musical de Ribe a, a sua e são não é mui o di e en e da de Anglés que
cos uma se bas an e mais consis en e e iá el, e as semelhanças são an o do pon o
de is a melódico como í mico, com as di e enças a e lec i em o modelo onal que
Ribe a aplica na melodia da can iga.
Um ou o elemen o que se á ele an e e e i quan o às obse ações de
Ribe a é a ques ão dos aços na no ação musical. Ad oga a possibilidade de alguns
30
e dade é uma ca ac e ís ica í mica bas an e equen e na música enascen is a
ibé ica. Fe ei a indica uma sé ie de ilance es de Encina onde es e pad ão su ge115.
I.5 - Con inuidades li e á ias
Um dos abalhos essenciais sob e o ilance e é o li o de An onio Sánchez
Rome alo116, em que analisa ap o undadamen e di e sas ques ões, como as suas
o igens e como posiciona o ilance e na p oblemá ica da poesia popula e/ou
adicional. Con udo, o seu abalho cen a-se exclusi amen e na ques ão poé ica,
deixando de pa e a ques ão da ansmissão do epe ó io musical. Apesa disso,
conside amos se impo an e e e i aqui alguns pon os impo an es da sua análise,
nomeadamen e quando expõe de o ma bas an e cla a as di e sas posições, desde o
séc. XIX a é à da a do seu li o, sob e o que signi ica poesia popula , adicional,
escola popula , e c.
Rome alo aça p imei amen e uma linha desde a úl ima ge ação
o ado esca ibé ica e os ilance es do MP4, ao a i ma que du an e a segunda
me ade do séc. XV su gem nos cancionei os de Baena e San illana á ios poemas
com um es ilo e língua mui o di e en es da adição lí ica medie al, po se em mais
cu os e simples117. Já na abela al abé ica do MP4, as can igas com o mesmo es ilo
poé ico es ão iden i icadas cla amen e como ilance es118.
115 M. FERREIRA, «Rhy hmic Pa adigms», ( . n. 98), p. 20, Si hab á en es e bald és, MP4 . 108 -109,
Le an a Pascual, MP4, . 110 , Nue as e ago, ca illo, MP4 . 200 -201, Quién e axo, ca alle o,
MP4 . 202 -203, EH1 . 85 -86, Un’amiga engo he mano, MP4 . 203 -204 , EH1 . 84 -85,
Pues amas, is e amado (a ibuição discu í el), MP4 . 252 . Manuel Ped o Fe ei a e e e
ambém a exis ência des a ca ac e ís ica em alguns omances ibé icos enascen is as. Veja-se:
Thomas BINKLEY e Ma gi FRENK, Spanish Romances o he Six een h Cen u y, Blooming on, Indiana
Uni e si y P ess, 1995, 14-5, 26, 80-1 ci ado po M. FERREIRA, «Rhy hmic Pa adigms», no a 64, p.
18.
116 An onio Sánchez ROMERALO, El illancico (Es udios sob e la lí ica popula en los siglos XV y XVI),
Mad id, G edos, Col.: Biblio eca Románica Hispánica - II Es udios y Ensayos, 1969.
117 A. ROMERALO, El illancico, pp. 12-13.
118 A. ROMERALO, El illancico, p. 19.
37

As di e en es e sões do ilance e Enemiga le soy, mad e e a ibuições de
au o (no MP4 em como au o Juan de Espinosa e depois como anónimo), e elam
que o ex o ci cula a, baseado e undamen ado numa adição. A música e as glosas
se iam ac escen os elabo ados pelos poe as e músicos li e a os, adap ando esse
epe ó io às exigências mais es i as dos seus meios cul u ais. Rome alo não coloca
a possibilidade da música pode se ansmi ida da mesma o ma. A ausência de
es emunhos documen ais an e io es ao úl imo e ço do séc. XV indica
necessa iamen e a p esença de uma ci culação den o duma adição o al, pa alela à
adição lí ica o ado esca mais cul a. Es a é a posição de Menéndez Pidal [1919],
onde aça uma linha de con inuidade aos ní eis das emá icas, das pe sonagens,
o mal e exp essi o en e as can igas de amigo e os ilance es enascen is as119.
En ão o que se ia o ilance e? Juan del Encina a i ma que ilance e é apenas
o e ão inicial, a es o e se ia a glosa, copla, pés e uel as. O exemplo escolhido pa a
exempli ica es a noção é o quodlibe «Po las sie as de Mad id» a ibuído a
Peñalosa, que con ém 4 ilance es e um ex o la ino120, sendo ilance e apenas o
e ão inicial que es á p esen e em 4 ozes, em luga da u ilização mais comum que
iden i ica como ilance e oda a unidade do poema, an o o e ão como as
glosas/es o es.
Ao longo da in odução, Rome alo analisa á a mé ica do ilance e (desde os
p imei os exemplos), e en a demons a o ca ác e popula ou popula izan e dos
ilance es. No MP4 e e e o T es mo illas me enamo am, onde o e ão em o igem
na adição popula e a glosa e lec e a in e enção do poe a mais cul o. A i ma
igualmen e a exis ência de ilance es co eses inspi ados no es ilo popula .
Rome alo coloca em oco a ques ão da elação do ilance e com a poesia
popula ou popula izan e. Es a ques ão não em sido in e p e ada de o ma
uni o me ao longo do empo. Co a ubias no seu Teso o de la lengua cas ellana
[1611], de ine cla amen e o e mo illanescas (assim como os ilance es) como
canções dos ilãos can adas du an e os seus empos de ócio, sepa ando mesmo es e
119 A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), pp. 22-23.
120 A. ROMERALO, El illancico, pp. 26-27.
38
e mo da illanella de in luência i aliana. Pa a ele, os ilance es e illanescas são
c iações o iginá ias do meio popula (sem o de ini exac amen e), sendo que os
co esãos não se coibi am em imi a essas canções, ec iando-as ao gos o dos meios
sociais mais ele ados121.
Pa a a co en e poé ica do séc. XIX, não se a a de indi íduos pe encen es a
uma classe social (o al e cei o es ado) que compõem canções. A ques ão é colocada
a um ou o ní el, mais abs ac o, da exis ência de uma en idade, o Po o, em que o
epe ó io popula (e alando aqui de epe ó io como um e mo ge al, desde di ados
popula es, con os, i uais, canções, e c…), se ia uma mani es ação colec i a
espon ânea de oda uma cul u a pa ilhada e i ida, com aízes numa adição
secula 122.
Toda es a dou ina olclo is a oi negada no início do séc. XX com a eacção
an i- omân ica: o Po o ec ia a, imi a a ou (nalguns casos) egu gi a a os es ilos e
modelos dos cen os cul u ais mais ep esen a i os. A base des a c í ica an i-
omân ica cen a-se na hipe alo ização do indi íduo enquan o a is a/c iado , ou
seja, não é possí el uma exis ência de uma consciência/en idade comum, pois oda a
ob a c iada é u o de uma pessoa/da a/local especí ico123.
Pa a C oce, con inua a alo ização do indi íduo quando ala sob e o concei o
de poesia popula . Pa a ele, o au o des a poesia é semp e alguém com uma
educação ou p epa ação li e á ia (seja em que g au o ) que e e con ac o com uma
i ência elacionada, segundo C oce, com a es e a do “Po o”, a sua simplicidade,
ingenuidade de sen imen os e pensamen os. A adição o al é um p ocesso con ínuo
de ansmissão e ans o mação em á ias camadas sociais124.
Menéndez Pidal en a aça uma posição in e média en e es es dois pon os,
en e a “c iação” colec i a do oman ismo e a pos u a indi idualis a do séc. XX.
Menéndez Pidal p e e e a exp essão « adicional» pa a aze essa pon e. A poesia
adicional se ia ao mesmo empo indi idual, po que su ge num indi íduo (assim
121 A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), p. 90.
122 A. ROMERALO, El illancico, p. 91.
123 A. ROMERALO, El illancico, pp. 92-93.
124 A. ROMERALO, El illancico, pp. 93-95.
39
como as eelabo ações dos ma e iais poé icos), mas ambém colec i a, pois exis em
di e sos colabo ado es e pa icipan es na sua génese. É na eelabo ação do
ex o/can o que es á p esen e o ca ác e adicional, possí el apenas no que ele
chama Po o-Nação. Exis e uma dialéc ica en e o jog al (no sen ido de c iado
o iginal) e o Po o (aquele que ecebe o ma e ial e o eelabo a/ ans o ma) 125: «(...) el
é mino "popula " pasa aho a a designa simplesmen e un p ime es adio en el
p oceso de di ulgación de un can o»126.
É a assimilação desse can o po uma comunidade ala gada que o iden i ica
como um pa imónio comum e que de ine o que é o adicional127. Segundo
Menéndez Pidal o p ocesso cons a de ês ases,: a c iação indi idual/canção
o ado esca/li e á ia; canção popula e a canção adicional128.
Em seguida, e e imos o concei o de escola popula , p opos o po Baldi129,
que Rome alo de ine como a pe cepção que exis e nos p ocessos de eelabo ação e
de adição poé ica um pa imónio comum pe encen e a uma comunidade,
elemen o esse que pe mi e as di e sas ans o mações, ou a ian es sejam
inco po adas nesse pa imónio sem des oa em.
Señala Baldi cómo en el concep o de eelabo ación o de adición ha de
admi i se un elemen o de "comunidad", que es lo que pe mi e el en ec uce de
a ian es sin que las a ian es desen onen130.
Pa a Rome alo é o es ilo poé ico o elemen o essencial na de e minação do
que pe ence, ou não ao que denomina íamos poesia popula . A adição lí ica
popula é de e minada pela he ança e ep odução de o ma in ui i a de um es ilo. A
125 A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), pp. 96-97.
126 A. ROMERALO, El illancico, p. 97.
127 A. ROMERALO, El illancico, p. 98.
128 A. ROMERALO, El illancico, p. 100.
129 Veja-se Se gio BALDI, «Sul conce o di poesia popola e», Leona do, ol. 5, 1946 (s. pp.) e S udi sulla
poesia popola e d’Inghil e a e di Scozia, Roma, 1949, pp. 41-65 ci ado po A. ROMERALO, El
illancico, ( . n. 116), no a 29, p. 99.
130 A. ROMERALO, El illancico, p. 100.
40
di e ença en e as di e sas escolas popula es é u o das di e enças de es ilo,
causadas pela deslocação do empo e do espaço131.
Rome alo az uma dis inção en e a génese da a iedade no omance e no
ilance e: no omance pode se apenas uma ques ão de memó ia, de incapacidade
de e enção; num ilance e as al e ações podem se in encionais, ou seja, um
p ocesso de ec iação do ma e ial132.
A adição do omance é a ansmissão do mesmo omance, mesmo que seja
al e ado ou ans o mado. Na lí ica passa-se algo di e en e, de ido à sua pequena
dimensão. A al e ação do ma e ial p o oca um p ocesso c ia i o, já não é a mesma
can iga mas sim a sua mu ação em algo no o, o que é ansmi ido são os luga es
comuns, mo i os, elemen os o mais, ou seja, ó mulas. A adição lí ica não é uma
con inuidade inin e up a, mas a ansmissão dum es ilo. Essa adição lí ica pa ilha
o uso dessas ó mulas gené icas, que podem es a p esen es em di e sos g aus,
conscien e ou inconscien emen e.
A canção lí ica adicional ep esen a «un p oceso colec i o de c eación de
es ilo.» O ilance e é a canção «popula » do Renascimen o133.
Os elemen os que unem as can igas de amigo (galego-po uguesa) aos
ilance es (cas elhanos) se iam134: ao ní el dos emas poé icos - a oz eminina, o
ca ác e amo oso e a pe da, a igu a da mãe como con iden e; ao ní el das o mas
poé icas - analogias nas exp essões sob e o sen imen o e o pa alelismo; ao ní el das
a inidades ge ais - a p oximidade geog á ica, cul u al, his ó ica, social e a exis ência
de pon os de con ac o en e as duas cul u as.
Rome alo e e e a can iga (que designa como ilance e) «Al alba enid» como
o melho exemplo da ligação en e as duas adições, unindo o cas elhano com o
a qué ipo da can iga pa alelís ica galego-po uguesa135. O mesmo au o indica a
possibilidade de exis i em simul aneamen e duas adições pa alelís icas: uma sem o
131 A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), pp. 199-120.
132 A. ROMERALO, El illancico, pp. 122-124.
133 A. ROMERALO, El illancico, p. 125.
134 A. ROMERALO, El illancico, p. 316.
135 A. ROMERALO, El illancico, p. 325.
41
ilance e (aqui no sen ido de ep esen a o e ão inicial) como indica a adição
se a di a, e ou a com o e ão inicial, como as «ja chas» pa ecem mos a 136.
I.6 - Con inuidades melódicas
Nes e sub-capí ulo a e lexão de Pe e Je e y sob e os possí eis meios de
ansmissão o al de um epe ó io, p incipalmen e do pon o de is a melódico, é
pe inen e137. Embo a o oco do seu abalho seja o can o g ego iano, podemos
anspo as ques ões po ele le an adas pa a o ema des a disse ação. O pon o
p incipal e e ido pelo au o é a ques ão da u ilização de ó mulas melódicas que se
podem analisa compa a i amen e, ou seja, a é que pon o podemos conside a e
de ini de o ma igo osa o que é uma ó mula melódica138. A ques ão mais ele an e
pa a o nosso abalho de compa ação melódica é pe cebe a é que pon o o con o no
e a es u u a melódica podem se indica i os de uma ligação en e duas melodias.
Je e y e e e a análise de Cowde y, que ap esen a emos com maio de alhe no
capí ulo seguin e139.
O a igo de P eciado publicado na Re is a de Musicología impulsionou es a
disse ação140, onde iden i ica numa das ozes do quodlibe p esen e no MP4, Po las
sie as de Mad id ( . 217 ) de F ancisco de Peñalosa, a ase melódica do início do
e ão da CSM 79, de uma o ma li e al, que ao ní el melódico que ao í mico. No
capí ulo V es a ques ão se á analisada de o ma mais ap o undada. Po ém, exis em
mais alguns indícios, embo a escassos, de que algumas melodias das CSM enham
136 A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), p. 339.
137 Pe e JEFFERY, Re-En iosioning Pas Musical Cul u es: E hnomusicology in he S udy o G ego ian
Chan , Chicago, Uni e si y o Chicago P ess, 1992.
138 P. JEFFERY, Re-En iosioning Pas Musical Cul u es, pp. 87-92.
139 P. JEFFERY, Re-En iosioning Pas Musical Cul u es, pp. 101-02.
140 Dionisio PRECIADO, «Pe i encia de una melodía de Las Can igas en el “Cancione o Musical de
Palacio”» in Ac as del Cong eso “España en la Música de Occiden e” (eds.: Emilio Casa es Rodicio,
Ismael e nández de la Cues a, José Lopez-Calo), Mad id, Ins i u o Nacional de las A es Escénicas
y de la Música – Minis é io de Cul u a, 1987, ol. I, pp. 95-9.
42

sob e i ido nou os epe ó ios. Um exemplo é o e e ido, de o ma mui o
supe icial, po Judi h Cohen ao compa a a CSM 153 com dois omances se a di as
mui o pos e io es à can iga141. Um ou o caso mais ecen e se á a co espondência
en e a CSM 419 e a melodia popula ca alã, «La cançó del Llad e»142.
O abalho de Judi h E zion e Susana Weich-Shahak é ele an e na
demons ação de como um epe ó io se pode ansmi i ao longo do empo e po
um espaço geog á ico amplo143, ao analisa em que ipos de co espondências
melódicas exis em en e os omances ibé icos enascen is as e os omances
se a di as ecolhidos du an e o séc. XX, endo em con a elemen os como a
es abilidade e a a iabilidade melódicas.
141 Judi h R. COHEN, «A Reluc an Woman Pilg im and a G een Bi d: A Possible Can iga Melody
Su i al in a Sepha dic Ballad», Bulle in o he Can iguei os de San a Ma ia, ol. 7, 1995, pp. 85-
88.
142 Josep CRIVILLÉ I BARGALLÓ, «Algunas monodías medie ales y sus in e elaciones con melodías
adicionales ca alanas», Nassa e – Re is a A agonesa de Musicología, ol. 19, 2003, pp. 177-
194.
143 Judi h ETZION, Susana WEICH-SHAHAK, «The Spanish and he Sepha dic Romances: Musical Links»,
E hnomusicology, ol. 32 nº 2, 1988, pp. 1-37. Ve ambém das mesmas au o as: «The Music o
he Judeo-Spanish Romance o: S ylis ic Fea u es», Anua io Musical, ol. 43, 1988, pp. 221-55.
43
Capí ulo II - Elemen os do epe ó io ou è e nas Can igas de
San a Ma ia
II.1 - Re isão da li e a u a sob e in luências de á ios epe ó ios nas CSM
Desde há um século êm-se ealizado abalhos de in es igação sob e as
on es musicais das CSM144. Nos anos 20 do século passado, Julián Ribe a não só
en e iu in luências á abes na música das CSM, como p opôs que a cul u a á abe e a
a sua ma iz, posição que se e elou bas an e con o e sa, como já oi e e ido no
capí ulo an e io 145. No seu abalho monumen al sob e as CSM, Anglés cen ou-se
p incipalmen e na análise da no ação musical (nos códices do Esco ial, E e T)
ejei ando qualque ligação à cul u a islâmica e, em al e na i a, p ocu ou demons a
o en aizamen o das CSM na cul u a ociden al eu opeia, an o sac a como secula ,
indicando algumas ap op iações li e ais melódicas (con a ac a) 146. Na edição das
CSM ei a po Anglés es á inse ido um ensaio de Hans Spanke que consubs ancia
algumas elações en e as CSM e os obado s p incipalmen e a a és das o mas
musicais das canções (canso, ballade, i elai, ondeau, lai) e da mé ica poé ica147.
Mais ecen emen e Manuel Ped o Fe ei a es udou os aspec os paleog á icos e
in e p e a i os da música das CSM, bene iciando de um conjun o de in es igações
sob e a música á abe que não es a am disponí eis an e io men e; o au o chegou à
conclusão que exis em de ac o elemen os da música á abo-andaluza nas CSM,
nomeadamen e na exis ência da o ma musical de ondel andaluz e de pad ões
í micos não coinciden es com os da adição ancesa, mas documen ados em
âmbi o islâmico148.
144 Es e capí ulo já oi pa cialmen e publicado numa e são an e io : «T ou è e Elemen s in he
‘Can igas de San a Ma ia’» in Musical Exchanges, 1100-1650: Ibe ian Connec ions (ed.: Manuel
Ped o Fe ei a), Kassel, Reichenbe ge /CESEM, 2016, pp. 69-86.
145 J. RIBERA, La musica de las Can igas, ( . n. 33); La musica a abe, ( . n. 32); La música de la jo a
a agonesa. Ensayo his ó ico, Mad id, Ins i u o de Valencia de Don Juan, 1928; Za agoza, Lib e ía
Ce eza, 2003 (2ª edição); «La Música Andaluza an igua y su in luencia», Bole ín Musical, ano II -
n° 14, 1929, pp. 1-4.
146 H. ANGLÉS, La música de las Can igas, ( . n. 42), passim.
147 Hans SPANKE, «Die Me ik de Can igas», em H. ANGLÉS, La música de las Can igas, pp. 189-235.
148 M. FERREIRA, «Andalusian Music», ( . n. 98); «Indícios de con ac os poé ico-musicais en e a
cul u a o ado esca e a cul u a á abo-andalusa», Xa ajîb: Re is a do Cen o de Es udos Luso-
44
Os abalhos de Is ael J. Ka z e de Manuel Ped o Fe ei a ac escen a am,
ela i amen e a Anglés, mais in o mação ace ca da in luência da música sac a nas
CSM149. Zol án Fál y, F ancisco O oz e An oni Rossell, en e ou os, cen a am-se nas
elações com o epe ó io dos obado s da Occi ânia150. Con udo, as elações com o
epe ó io do no e de F ança pouco êm sido analisadas, com excepção de alguns
es udos sob e a elação das CSM com o epe ó io do ou è e Gau ie de Coinci. Nos
anos 30, Te esa Ma ullo es udou a elação dos con eúdos poé icos dos Mi acle de
Nos e Dame de Coinci e as CSM, chegando à conclusão de que não o am os li os
de Coinci a on e p incipal pa a as CSM151, opinião pa ilhada igualmen e po Wal e
Me mann152. Apesa da pe inência des es es udos, é necessá io sublinha que es as
conclusões são baseadas na análise ex ual, excluindo-se qualque análise musical.
Á abes, Sil es: Cen o de Es udos Luso-Á abes, nº 2, 2002, pp. 107-113; Aspec os da Música
Medie al no Ociden e Peninsula , ol. 1: Música palaciana, Lisboa, Imp ensa Nacional - Fundação
Calous e Gulbenkian, 2009, pp. 113-19; «Rondeau and i elai: he music o Andalus and he
Can igas de San a Ma ia», Plainsong and Medie al Music, ol. 13 nº 2, 2004, pp. 127-40.
149 Is ael J. KATZ, «Higinio Angles and he Melodic O igins o he ‘Can igas de San a Ma ia’: a C i ical
O e iew», Al onso X o Cas ile he Lea ned King (1221-1284). An In e na ional Symposium, (eds.:
F ancisco Má quez Villanue a, Ca los Albe o Vega), Camb idge - Mass., Depa men o Romance
Languages and Li e a u es o Ha a d Uni e si y, 1990, pp. 46-75. Manuel Ped o FERREIRA, «The
In luence o Chan on he ‘Can igas de San a Ma ia’», Bulle in o he Can iguei os de San a Ma ia,
ols. 11-12, 1999-2000, pp. 29-40.
150 F ancisco J. OROZ, «Melodie p o enzali nelle ‘Can igas de San a Ma ia’», Tex -E ymologie.
Fes sch i ü H. Lausbe g zum 75 Gebu s ag, S u ga , F anz S eine , 1987, pp. 134-147. Paolo
CANETTIERI, «Il con a ac um galego-po oghese di un desco occi anico”» in Ac as del III Cong eso
de la Asociación Hispánica de Li e a u a Medie al (Salamanca, 3 al 6 de oc ub e de 1989, (ed.:
Ma ia Isabel To o Pascua), Salamanca, Depa amen o de Li e a u a Española e Hispanoame icana
- Uni e sidad de Salamanca, 1994, pp. 209-17. Paolo CANETTIERI, Ca lo PULSONI, «Pa a un es udio
his ó ico-xeog á ico e ipolóxico da imi ación mé ica na lí ica galego-po uguesa. Recupe ación
de ex os obado escos e o ei escos» in Anua io de Es údios Li e a ios Galegos, s.l., Galaxia,
1994, p. 11-50; «Con a ac a galego po oghesi» in Medioe o y Li e a u a. Ac as del V Cong eso
de la Asociación Hispánica de Li e a u a Medie al (ed.: Juan Pa edes), G anada, Se icio
Publicaciones de la Uni e sidad de G anada, ol. 1, 1995, pp. 479-97. Zol án FÁLVY, «La Cou
d’Alphonse le Sage e la musique eu opéene», S udia musicologica, ol. 25, 1983, pp. 159-70;
Medi e anean Cul u e and T oubadou Music, Budapes , Akadémiai Kiadó, 1986, pp. 30-43.
An oni ROSSELL, «L’in e melodici à come gius i icazione delle imi azioni me iche nella lí ica
obado ica» in Ve o i e pe co si ema ici nel medi e aneo omanzo, (ed.: Fab izio Beggia o,
Sabina Ma ine i), Roma, Ed. Rubbe ino, 2002, pp. 33-42; «Una nuo a in e p e azione
in e melodica e in e es uale della li ica galego-po oghese» in La li ica galego-po oghese. Saggi
di me ica e musica compa a a, Roma, Ca occi, 2003, pp. 167-222; Li e a u a i música a l’eda
mi jana: Lí ica, Ba celona, DINSIC Publicacions Musicals, 2004; «La composición de las ‘Can igas
de San a Ma ía’: Modelos e imi aciones», in Ac as do VII Cong eso In e nacional de Es udos
Galegos. Mulle es en Galicia. Galicia e os ou os pobos da Península. Ba celona, 28-31 de maio de
2003 (eds.: Helena González Fe nández, Ma ía Xesús Lama López), Ba celona, Ediciós do Cas o-
AIEG/Filoloxía Galega - Uni e si a de Ba celona, 2007, pp. 1233-44. Disponí el em:
<h p://dialne .uni ioja.es/se le /lib o?codigo=328977> [acedido a 6/12/2017].
151 Te esa MARULLO, «Osse azioni sulle ‘Can igas’ di Al onso X e sui ‘Mi acles’ di Gau ie de Coincy»,
A chi um Romanicum, ol. 18, 1934, pp. 495-539.
152 Wal e METTMANN, «Os ‘Mi acles’ de Gau ie de Coinci como on e das Can igas de San a Ma ia» in
Es udos Po ugueses: Homenagem a Luciana S egagno Picchio, Lisboa, Di el, 1991, pp. 79-84.
45
Manuel Ped o Fe ei a, em 2001153 a aliou as elações musicais en e as can igas de
loo e a lí ica o ado esca galego-po uguesa e, ela i amen e à p oblemá ica das
co espondências musicais en e os Mi acles de No e Dame de Gau ie de Coinci e
as CSM, apon ou algumas inconsis ências na publicação de Jacques Chailly na sua
p e ensão em e ela semelhanças nos con eúdos melódicos en e es es dois
epe ó ios154. Es a publicação de Chailly se iu de base pa a um a igo de F édé ic
Billie 155 que apa en emen e não iden i icou a p oblemá ica das compa ações
melódicas ealizadas po Chailly en e Gau ie de Coinci e as CSM; de ac o, quando
Billie e e e qualque elação en e os Mi acles de Coinci e as CSM u iliza semp e
como base as ansc ições de Chailly. No en an o, o con ibu o mais signi ica i o
des e au o es á na ap esen ação de uma sé ie de elações melódicas ele an es
en e os Mi acles e o epe ó io li ú gico e dos ou è es. Mais ecen emen e, o
a igo de Disal o e Ge mán az uma análise compa a i a mais consis en e e sólida
en e os epe ó ios musicais de Coinci e das CSM156, embo a os au o es a i mem
que, em ce os casos, as co espondências seguem a mesma es u u a musical que
os ons salmódicos. Nes es casos, podemos assumi que essas co espondências são,
p o a elmen e, u o da u ilização de um modelo melódico comum, a salmodia157.
II.2 - De inição de concei os pa a a análise musical compa a i a
O objec o do nosso es udo são as CSM e os ilance es do MP4, e a nossa
análise musical baseia-se em es udos compa a i os das suas ases musicais. An es
de da mos início essa análise, se á impo an e de ini uma sé ie de concei os
153 Manuel Ped o FERREIRA, «A inidades musicais: as can igas de loo e a lí ica p o ana galego-
po uguesa», in Memó ia dos A ec os — Homenagem da Cul u a Po uguesa a Giuseppe Ta ani,
Lisboa, Colib i, 2001, pp. 187-205; e ambém do mesmo au o : Aspec os da Música Medie al, ( .
n. 153), pp. 71-87 [78].
154 Jacques CHAILLY, Les chansons a la Vie ge de Gau ie de Coinci (1177[78]-1236). Édi ion musicale
c i ique a ec in oduc ion e commen ai es, Pa is, Heugel e Cie, 1959, pp. 44-46, 118-20 ci ado
po M. FERREIRA, «A inidades musicais», ( . n. 28), p. 195.
155 F édé ic BILLIET, «Gau ie de Coinci es -il un composi eu ?» in Gau ie de Coinci: Mi acles, Music
and Manusc ip s, Tu nhou , B epols, 2006, pp. 127-47.
156 Rossi GERMÁN, Aníbal San iago DISALVO, «El o ado y la osa: Huellas de las ‘chansons’ ma ianas
Gau ie de Coinci en las ‘Can igas de San a Ma ía’ de Al onso X», Medie alia, ol. 41, 2009, pp. 42-
59.
157 R. GERMÁN, A. DISALVO, «El o ado y la osa», p. 49.
46
a Roma, Biblio eca Apos olica Va icana, Reg. La . 1490175
B Be na, Bu ge biblio hek, MS 231
K Pa is, Biblio hèque de l’A senal, MS 5198176
L Pa is, BnF . . 765177
M Pa is, BnF . . 844178
N Pa is, BnF . . 845179
O Pa is, BnF . . 846180
P Pa is, BnF . . 847181
Q Pa is, BnF . . 1109182
R Pa is, BnF . . 1591183
T Pa is, BnF . . 12615184
U Pa is, BnF . . 20050185
V Pa is, BnF . . 24406186
W Pa is, BnF . . 25566187
X Pa is, BnF n. a. . 1050188
Seleccionou-se o ma e ial melódico a se analisado ex aindo as p imei as
duas ases melódicas de cada canção disponí el, e inse iu-se na base de dados um
incipi ex enso de cada ase. Dado que o mo o de pesquisa da base de dados
p ocu a de o ma li e al os pad ões melódicos e in e ala es inse idos, escolheu-se o
ma e ial melódico mais es á el de uma peça que podia ci cula em di e en es
e sões, co esponden e ao início da canção. Na análise musical das
co espondências melódicas encon adas i emos em con a em o dem de
175 <h ps://digi. a lib.i / iew/MSS_Reg.la .1490> [acedido a 16/12/2019].
176 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b550063912/ 1.image> [acedido a 16/12/2019].
177 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b8454670d/ 1.i em> [acedido a 16/12/2019].
178 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b84192440/ 2.image> [acedido a 16/12/2019].
179 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b6000955 / 2.image> [acedido a 16/12/2019].
180 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b6000950p/ 2.image> [acedido a 16/12/2019].
181 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b9059072z> [acedido a 16/12/2019].
182 <h ps://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b8454666h.image> [acedido a 16/12/2019].
183 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b9059062k. =musique.langPT> [acedido a 16/12/2019].
184 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60007945. =musique.langPT> [acedido a 16/12/2019].
185 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60009580> [acedido a 16/12/2019].
186 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b84386028. =musique.langPT> [acedido a 16/12/2019].
187 <h ps://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b54002413d> [acedido a 16/12/2019].
188 <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b530003205/ 2.image> [acedido a 16/12/2019].
53

impo ância: a posição na ase musical (incipi ou não); a p oximidade ela i a do
pe cu so e con o no melódico; elemen os melódicos mais ca ac e ís icos como a
posição dos semi ons ou sal os in e ala es como qua as, quin as (como exemplo); a
modalidade das ases musicais ou da peça.
O Exemplo 5 que se segue apesa de não e co espondências com as CSM, é
ele an e pa a demons a a exis ência de á ias e sões melódicas pa a uma única
canção de ou è e. A canção A la douço d’es é (RS 1754) encon a-se a ibuída nas
on es com no ação musical a Chas elain de Couci (M) e Blondel de Nesles (K, N, X).
Segue-se a ansc ição das p imei as duas ases musicais, edição nossa .
54
Exemplo 5 - P imei as duas ases da canção A la douço d’es é (RS 1754).
Fon e: N, . 41
Fon e: X, . 78
Fon e: P, . 149 (es a ase é idên ica em N e X)
Fon e: V, . 105
Fon e: O, . 2
Fon e: T, . 158
A e são mais es á el des a canção pa ece es a p esen e nas on es N, X e P,
seguida pela e são nas on es O e T. Cu iosamen e, a e são em V é comple amen e
dis in a das ou as. Assim, es a canção ap esen a qua o e sões di e en es da
p imei a ase melódica, e seis e sões da segunda ase. No Exemplo 5 os exce os
melódicos pesquisados na base de dados es ão indicados en e pa ên esis ec os. As
pesquisas são ealizadas semp e com o pa âme o in e ala pa a conside a a
possibilidade de ansposições de modo: p imei o, p ocu ando co espondências
55
li e ais, em seguida apenas o pe cu so melódico-in e ala pa a as melodias que
con enham uníssonos.
Ap esen a emos em seguida os qua o exemplos que apa en am se os mais
ele an es. Em elação ao epe ó io de ou è es ecolhe am-se odas as melodias
exis en es nas on es musicais189 e, pos e io men e, ealizámos uma análise musical
dos incipi de cada on e e iden i icámos as di e sas e sões melódicas de cada
canção190. Analisou-se em seguida os incipi de cada e são melódica na base de
dados LCSMDB. Con udo es a base de dados ap esen a apenas as co espondências
li e ais pa a cada pad ão que se inse e. Compe e ao in es igado de ini es a égias
pa a encon a os esul ados que e idenciem ou o ipo de semelhança como, po
exemplo, pesquisa po con o nos melódicos e i ando os uníssonos quando es es
exis am. Ap esen a emos nos qua o exemplos musicais os esul ados ob idos na
pesquisa da LCSMDB que e a am uma e são melódica de chanson mais p óxima
de uma can iga. As ansc ições musicais dos exemplos ap esen am as ases
musicais comple as, an o da canção de ou è e analisada, como da can iga. Nas
nossas ansc ições musicais, as no as b ancas ep esen am as i gas na no ação
musical o iginal, as no as p e as os punc a, as ligadu as e conjun u as. A no a com
um amanho meno ep esen a a plica. E i ámos qualque in e p e ação í mica do
epe ó io ancês e das suas co espondências melódicas.
189 Veja-se o Anexo 1.
190 Uma e são melódica pode su gi em á ias on es dis in as. Acon ece quando um g upo de
on es ap esen a uma melodia idên ica (ou mui o p óxima) dessa canção.
56
II.4 - Me ci claman - CSM 15
Canção ou è e RS 671
- Mé ica do ex o191: 10
- Esquema da ima: abab aacc
- Fo ma musical: ABAB CDEF
- As on es musicais que ap esen am a e são melódica mais p óxima da CSM
são O, R e V (apesa de em V a canção es á anspos a um om acima).
Ap esen a-se na ansc ição seguin e a melodia da on e R uma ez que a
ase musical comple a é a mais p óxima da can iga.
CSM 15 (To 33)192
- Mé ica do ex o193: Re ão: 9’ 9 9’ 9; Es o e: 9’ 9 9’ 9 9’ 9 9’ 9
- Esquema da ima: nAnA | bcbcbcba [de aco do com a OxCSMDB194]
- Fo ma musical: ABAB'| CDCD ABAB' [análise nossa]
Rela i amen e à análise compa a i a ex ual pode obse a -se que os
esquemas mé icos são quase equi alen es, ha endo uma coincidência pa cial no
comp imen o dos e sos decassilábicos. Na can iga a análise poé ica e elou a
manu enção do i mo acen ual na nona sílaba, mas com os e sos al e nando en e
no e e dez sílabas.
191 A mé ica do ex o, esquema da ima e a o ma musical pa a odos os exemplos u ilizados das
canções de ou è es são baseados em H. SPANKE, G. RAYNAUD, Bibliog aphie des Al anzösischen
Liedes, ( . n. 171), passim.
192 Todas as sinopses dos milag es desc i os nas CSM p esen es nes a disse ação podem se
acedidas na OxCSMDB. O milag e desc i o na can iga apa ece p e iamen e numa canção de
Gau ie de Coinci (Un my acle op me illeuz, / Qui les p inces op o gilleuz) sendo um dos
milag es ma ianos com maio ci culação. Uma lis a das colecções onde es á p esen e es e milag e
pode se acedida no seguin e local: <h p://csm.mml.ox.ac.uk/index.php?
p=poemda a_ iew& ec=15> [acedido a 2/12/2017]. Es e milag e passa-se na an iga cidade de
Cesa eia (Tu quia) quando o impe ado omano Juliano ejei ou de o ma insul uosa uma o e a
de S. Basílio Magno e p ome eu des ui o mos ei o e a cidade de Cesa eia. Mais a de, S. Basílio
Magno ado meceu aos pés de um al a de S. Ma ia e num sonho ela di igiu-se-lhe e p ome eu-lhe
que puni ia o impe ado pela sua o ensa e blas émia. Na mesma isão con ocou S. Me cú io que
en ão ma ou o impe ado de uma o ma bas an e d amá ica e, após aco da , S. Basílio Magno
a es ou a e acidade da isão que inha ido. Além disso um ilóso o sí io, Mes e Líbano,
con i mou a mo e do impe ado numa ba alha con a os Pe sas da o ma como inha sido
desc i a na isão. Após es e es emunho o ilóso o oi bap izado.
193 Ve adian e a sinopse do milag e desc i o na CSM.
194 Em: h p://csm.mml.ox.ac.uk/index.php?p=poemda a_ iew& ec=15 [acedido a 11/08/2017].
57
Me ci claman , Chas elain de Couci (RS 671), Fon e: R, . 122 e CSM 15 (To 33)
Exemplo 6.1 – 1ª ase RS 671 e 1ª ase do e ão da CSM 15 (To 33).
Exemplo 6.2 – 2ª ase RS 671 e 2ª ase do e ão da CSM 15 (To 33).
Examina emos os esul ados ob idos na canção Me ci claman e a CSM 15
(CSM 33 em To), Todolos san os que son no ceo (Exemplos 6.1-6.2). Aqui p esen es
es ão as p imei as duas ases musicais da chanson e da can iga. O con o no
melódico não é pa icula men e ca ac e ís ico, ha endo um a sup a la na pa e
supe io da melodia. A maio pa e do con o no melódico é idên ico em ambas as
canções e ases, mas os inais são bas an e di e en es: a can iga e mina a p imei a
ase com um sal o de quin a descenden e pa a C-u , enquan o a chanson acaba com
um F-u , que pa ece se o eixo melódico des a melodia (mas só na chanson é uma
inalis). Na segunda ase, o con o no e a secção inal são bas an e semelhan es em
ambas as peças, a sílaba inal começando com um A-mi. Des a o ma, podemos
a gumen a que exis em algumas co espondências in e essan es: ambas as canções
começam com duas ases melódicas consecu i as bas an e semelhan es e na
segunda ase as cadências inais são igualmen e pa ecidas. Con udo, emos que
conside a a exis ência de uma cadência in e na bas an e di e en e en e as peças, e
sob e udo o ac o da segunda ase, em ambos os casos, se somen e uma a ian e
da p imei a.
58

Exis e uma co espondência musical da canção ancesa RS 671 com uma
ou a canção de ou è e, Bon Rois Thibau , RS 943 (Fon es: M, . 72 ; N, . 10 -11; X,
. 43; O, . 126). Nas on es musicais de RS 943 e idencia-se uma maio p oximidade
melódica da on e O com as on es M, P e X da RS 671. As on es N e X de RS 943
e elam uma e são melódica mais p óxima da e são exis en e na on e R da RS
671, cuja melodia oi analisada na co espondência com a CSM 15 (To 33). As
co espondências da chanson RS 943 com a can iga apa en am su gi apenas na
pa e do e ão, à semelhança da RS 671. No en an o an o na chanson RS 943 como
na can iga exis e um sal o melódico en e a secção inicial (ABAB na chanson e o
e ão da can iga) e a ase melódica seguin e. Em ambas, es a ase az pa e da
secção o mal que in oduz ma e ial melódico con as an e.
Bon Rois Thibau (RS 943), Fon e: X, . 43 e CSM 15 (To 33)
Exemplo 6.3 – Final da ase B e início da ase C da canção ou è e e 1ª ase da
es o e da CSM.
Como podemos obse a no exemplo acima, é o sal o ascenden e de quin a
(sol- é- é) que az a ligação en e o inal da ase B e o início da ase C da canção. O
é é a no a mais aguda de oda a canção, seguidamen e a melodia segue pa a um
egis o in e io embo a não imedia amen e. Se examina mos cuidadosamen e a
es o e da CSM, começa com um é agudo após um sal o de oi a a a pa i da úl ima
no a da ase an e io . Es e sal o en e es as secções em ambas as peças pode á
e en ualmen e ep esen a uma co espondência, se conside a mos a p obabilidade
de uma ansmissão o al além da esc i a. O copis a quando ano a a a can iga no
pe gaminho pôde u iliza ou a on e esc i a, mas pode u iliza ambém a sua
59
memó ia (ou a de ou a pessoa)195. A memó ia audi i a pode ia e e pa a es a
secção apenas o que é mais ca ac e ís ico, ou seja, o sal o in e ala pa a uma zona
aguda, mas não necessa iamen e com uma quin a mas an es com uma oi a a, algo
que não é in equen e. O con o no melódico ge al em algumas semelhanças em
ambas as peças, mas não são su icien es pa a a i ma uma co espondência, embo a
se le a mos em con a os meios p o á eis de ansmissão do epe ó io, al ez
possamos especula i amen e in e i algo mais.
Podemos igualmen e ques iona -nos sob e a possibilidade da ci culação des a
melodia num con ex o mais as o do epe ó io monódico medie al. Pa a al,
eco eu-se às e amen as digi ais disponí eis que pe mi em pesquisa pad ões
melódicos em pa e do epe ó io. Exis em ês e amen as que êm indexadas uma
pa e do can o li ú gico monódico medie al em la im: Global Chan Da abase
(GCDB)196, Can us Index (CI)197 e Can us Manusc ip Da abase (CMDB)198. Re e imos
ambém uma e amen a cen ada no epe ó io obado esco: T oubadou Melodies
Da abase (TMDB)199. As pesquisas são semp e ealizadas p ocu ando nas bases de
dados o incipi melódico comum en e a can iga e a chanson da p imei a ase (a é
dez no as, excluindo no as epe idas e aciden es), pa a se de e mina se exis em
oco ências. Em caso a i ma i o, i emos aze uma análise musical pa a nos
ce i ica mos se o es an e pe cu so melódico do cân ico con ém algum g au de
semelhança ele an e. Pa a além do mais, ambém oi ido em con a o con ex o
li ú gico das oco ências200.
195 Amelia E. Van VLECK, Memo y and Re-C ea ion in T oubadou Ly ic, Be keley, Uni e si y o
Cali o nia P ess, 1991, p. 48-49.
196 O GCDB é uma base de dados que pe mi e pesquisa melodias e ex os no can o g ego iano
numa selecção de on es medie ais e edições mode nas <h p://globalchan .o g/index.php>.
197 O CI é um ca álogo de ex os e melodias de can o sac o monódico pa a o O ício e Missa. A
exis ência de um único núme o e e ido como “Can us ID” associado a cada cân ico pe mi e a
in e ligação de di e sas bases de dados online a a és desse núme o no CI
<h p://can usindex.o g/>. Es a base de dados o e ece uma e amen a que pe mi e pesquisa
pad ões melódicos nas melodias pe encen es a ca álogos publicados com can o monódico sac o
<h p://can usindex.o g/melody>.
198 O CMDB é uma base de dados que pe mi e consul a o can o sac o monódico em la im em mais
de 140 on es <h p://can us.uwa e loo.ca/>. Es a base de dados o e ece uma e amen a que
pe mi e pesquisa pad ões melódicos em algumas das on es indexadas
<h p://can us.uwa e loo.ca/melody>.
199 O TMDB é uma base de dados que pe mi e pesquisa melodias e ex os em odo o epe ó io
obado esco. <h p://www. oubadou melodies.o g/>.
200 Encon ou-se no sub-capí ulo seguin e uma co espondência com uma melodia de an í ona que
nalgumas on es es á associada a uma es a ma iana.
60
Na pesquisa ealizada com o incipi do exemplo 6.1, oi encon ada no CI uma
co espondência com a an í ona O quan a plenus g a ia associada à es a de S. Ben o
(Can us ID: 203559)201. En e os manusc i os disponí eis no CI que êm a música
ano ada pa a es e cân ico, a co espondência melódica mais p óxima é com a e são
exis en e em D-Mbs Clm 4305202. No en an o, as ou as on es disponí eis no CI
pouco di e em do pon o de is a melódico. A análise musical compa a i a en e a
chanson, a can iga e a an í ona (u ilizando como on e musical da an í ona o D-Mbs
Clm 4305) pe mi e iden i ica uma maio p oximidade en e a an í ona e a chanson,
es ando o e ão da can iga mais p óximo da canção ancesa do que a an í ona.
Figu a 1 - D-Mbs Clm 4305, . 50, an í ona O quan a plenus g a ia, Can us ID: 203559.
201 Ve : <h p://can usindex.o g/id/203559> [acedido em 24/10/2017]. Não oi encon ado nenhum
esul ado no TMDB. Apesa de e encon ado uma co espondência do pad ão melódico
pesquisado na GCDB no mesmo cân ico, nessa base de dados não é o necida in o mação sob e a
on e da música da an í ona.
202 Manusc i o benedi ino com a da a de 1459, p o enien e dum mos ei o da zona de Augsbu go. O
epe ó io des e manusc i o es á elacionado com a adição da co e papal e com a e o ma de
Melk. <h p://can us.uwa e loo.ca/sou ce/123683> [acedido em 24/10/2017]. A an í ona pode
se is a em: <h p://www.uni- egensbu g.de/Fakul ae en/phil_Fak_I/Musikwissenscha /can us/
mic o ilm/clm4305/images/050.jpg> [acedido a 6/12/2017].
61
Exemplo 6.4 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção ancesa Me ci calman (RS
671, on e R), 1ª ase do e ão da CSM 15 ( e são de To 33) e o incipi da an í ona O
quan a plenus g a ia.
Con udo, como o con o no melódico é bas an e comum no modo de á, com
p og essões melódicas po g aus conjun os em a co, as a inidades en e as ês peças
não são conclusi as.
II.5 - Qui bien eu Amou s - CSM 196
Canção ou è e
- Mé ica do ex o: 7
- Esquema da ima: a'b'a'b'a'b'a'b' CC
- Fo ma musical: ABAB CDEFGH
- A on e musical que ap esen a a e são melódica mais p óxima da CSM é a
on e R203.
203 Exis em ambém mais duas e sões melódicas des a canção. A mais es á el encon a-se p esen e
nas on es K, M, N, O, P, U, X e a ou a nas on es T e a.
62
Exemplo 8.2 – 2ª ase da RS 1664 e a 2ª ase do e ão da CSM 424.
Os exemplos ap esen ados acima dizem espei o à canção D’amou s qui m’a
olu e à can iga II de Jesus do códice de Toledo, Pois que dos eys nos o senno ,
ano ada no apêndice das Fes as de C is o após o g upo p incipal das can igas no
mesmo códice. O con o no melódico é bas an e semelhan e em ambas as canções,
começando com um uníssono em D-lá, mas mais uma ez com um inal di e en e, a
can iga com um F-u , a canção ancesa com um A-mi. A segunda ase da chanson
inicia-se com uma íade ascenden e. Na can iga es e mo imen o melódico não é ão
cla o, mas podemos assumi que a p imei a e cei a es a á a se o namen ada com
uma no a de passagem G- é; mais uma ez os inais são di e en es, a can iga com um
lá e a canção com um é. De ac o, es e ipo de início com uníssonos não é in ulga
em ambos os epe ó ios, mas a combinação do uníssono com o con o no melódico
e o início ca ac e ís ico da segunda ase apon a pa a algum ipo de elação.
Es e exemplo não de i ou de uma pesquisa na LCSMDB a pa i des a canção
mas de uma pesquisa ei a com os incipi de uma chanson di e en e, cujos esul ados
apon a am pa a es a can iga. A análise musical compa a i a le ou a desca a alguma
co espondência ele an e en e es as duas peças. No en an o os uníssonos em A- é
no início da melodia soa am amilia es, le ando-nos a p ocu a uma canção de
ou è e com o mesmo início e que i esse um pe cu so melódico simila .
Na pesquisa ealizada nas bases de dados disponí eis pa a o epe ó io
monódico sac o medie al e pa a os obado s, depa ámos com uma co espondência
com o incipi de uma canso, Tan ai su e longuamens g eu a an de Gaucelm Faidi
(T obado R, . 46)213.
213 Es e manusc i o é da ado de ce ca de 1300, com p o eniência na P o ença. Con ém di e sos
poemas de obado es, com no ação musical em algumas das canções e em a co a BnF . .
22543. Ve in o mações sob e es a on e na seguin e hipe ligação:
<h p://a chi ese manusc i s.bn . /a k:/12148/cc12389 >. Pa a acede à digi alização do
manusc i o e : <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60004306>. Pa a acede à imagem onde se
69

Figu a 3 - BnF . . 22543, de alhe do . 46, canção de obado Tan ai su e
longuamens g eu a an, (Fon e: T obado R).
encon a a ansc ição da chanson na TMDB u iliza a seguin e hipe ligação:
<h p://www. oubadou melodies.o g/melodies/167059R> [acedido em 25/10/2017]. Pa a e a
digi alização da chanson acede : <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60004306/ 105.i em>
[acedido a 11/12/2017].
70
Exemplo 8.3 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção occi ana Tan ai su e
longuamens g eu a an (Fon e: T obado R), 1ª ase da canção ancesa D’amou s qui
ma olu, (RS 1664, Fon e L) e a 1ª ase do e ão da CSM 424.
A p oximidade é mais e iden e en e a can iga e a chanson, a canso em um
exceden e de duas sílabas po e so, es ando mais dis an e duma hipo é ica elação
en e es as ês peças.
II.7 - De ine amou - CSM 86
Canção ou è e RS 407
- Mé ica do ex o: 10
- Esquema da ima: abab baab
- Fo ma musical: ABAB CDEF
- Nas on es consul adas a e são melódica é bas an e consis en e em odos
os manusc i os214.
214 Em T a melodia es á anspos a uma 5ª acima.
71
CSM 86215
- Mé ica do ex o: 11
- Esquema da ima: AA | bbba
- Fo ma musical: AB| A'A' AB [análise nossa]
Quan o à análise ex ual, a co espondência é ela i a, po que apesa de a
mé ica dos e sos não se idên ica, é bas an e p óxima, endo a chanson 10 sílabas e
a can iga 11 sílabas.
De ine amou , Thibau de Champagne, (RS 407, indexada como De bone amou ),
Fon e: M . 68 (= . 12 com incipi ex ual De bone amou ) e CSM 86.
Exemplo 9.1 – 1ª ase da RS 407 e 1ª ase do e ão da CSM 86.
Exemplo 9.2 – 2ª ase da RS 407 e 2ª ase do e ão da CSM 86.
Es e exemplo é bas an e in e essan e, ela i amen e às suas semelhanças e às
di e enças. A p imei a ase da can iga inicia-se com um mo imen o melódico
ascenden e comum no sex o modo e que se encon a acilmen e nas CSM. Esse
mo imen o es á ausen e na canção, mas o es o da ase é su icien emen e
215 A na a i a des e milag e, que e e bas an e ci culação, em como local o Mon -Sain -Michel na
No mandia em F ança, desc e endo o sal amen o milag oso po San a Ma ia de uma pe eg ina
que es a a g á ida, e que ao en a i pa a o e mi é io icou p esa nas ma és sob o isco de
a ogamen o. Com a a lição começa am as do es do pa o mas a in e enção da Vi gem, após os
ogos da mulhe g á ida, le a am a que se sal asse e desse à luz um apaz que ap esen ou depois
no mos ei o como a p o a do milag e.
72
semelhan e no con o no melódico e nos inais de ase. A can iga e mina com um D-
é in e io e a canção com um G-sol supe io ; embo a di e en es, ambas
co espondem a um inal ou e . Assim ambas as duas peças azem a ligação com a
ase seguin e a a és de g aus di e en es: a canção ancesa com uma qua a
descenden e, enquan o a can iga op a pela con inuidade melódica. De emos
salien a a segunda ase é a que e ela uma maio semelhança en e a can iga e a
canção ou è e, com a can iga o namen ando alguns dos in e alos ( e o início e o
inal) mas seguindo de pe o o modelo ancês, e ambas as melodias inalizando com
uma cadência galicana em D- é. Apesa das suas di e enças, a p oximidade ge al
en e as melodias é no á el. Podemos ac escen a igualmen e o ac o da canção
ancesa epe i as duas p imei as ases (es u u a musical: ABABCD...), e o início da
es o e da can iga é mui o semelhan e à p imei a ase do e ão (es u u a: AB| A’A’
AB), apesa das ases melódicas seguin es se em bas an e dis in as.
Exis e ambém uma e são de ocional ma iana des a canção, Vi e ous ens
e chascun jo mo i (RS 1431, música em V, . 148); de alhe na Figu a 1. Tal como se
pode obse a , inicia-se com um mi- a, que jus i ica o bemol edi o ial no exemplo
9.1.
Figu a 4 - De alhe das p imei as duas ases da chanson RS 1431, e são de V, . 148.
73
Nas pesquisas ealizadas nas bases de dados oi encon ada uma
co espondência musical com o incipi de uma canso, Neus ni gla z ni plueyas ni anh
de Pei e Vidal216.
Figu a 5 - BnF . . 22543, de alhe do . 64 , Neus ni gla z ni plueyas ni anh (Fon e:
T obado R).
Exemplo 9.3 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção occi ana Neus ni gla z ni
plueyas ni anh (Fon e: T obado R), 1ª ase da canção ancesa De ine amou (RS
407, Fon e M) e a 1ª ase do e ão da CSM 86.
216 Sob e es a on e e n. 213. Pa a acede à ansc ição da chanson na TMDB:
<h p://www. oubadou melodies.o g/melodies/364030> [acedido em 25/10/2017]. Pa a o
acsímile com a chanson acede : <h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60004306/ 142.i em>
[acedido a 11/12/2017].
74

A mé ica da canso é oc ossilábica. A análise musical e ela uma g ande
p oximidade en e a p imei a ase da canso e a da can iga. Con udo a
co espondência es inge-se à p imei a ase, le ando a uma alo ização de uma
e en ual in luência da chanson sob e a can iga.
Nenhum dos exemplos ap esen ados pode á se conside ado de o ma
ca egó ica como caso de con a ac um nas CSM de uma canção de ou è e. As
co espondências melódicas não êm um g au de p oximidade su icien e que nos
pe mi a a i ma uma ligação di ec a en e ambos os epe ó ios. As semelhanças
encon adas pa ecem indica acima de udo uma ligação indi ec a de ido ao es ilo
melódico da época, as linhas melódicas que se mo imen am po g aus conjun os,
num con o no em a co, os sal os de e cei a no início de algumas ases, o ipo de
cadências u ilizadas e a u ilização de co das de eci ação, como no exemplo com a da
canção D’amou s qui ma olu e a CSM 424. Todos es es elemen os são comuns a um
idioma melódico da época que ci cula ia de o ma mais ou menos consis en e.
Apesa disso, dos exemplos ap esen ados ele a emos dois com maio p obabilidade
de ep esen a em alguma elação di ec a en e os epe ó ios, alamos o segundo e
o e cei o exemplos, Qui bien eu Amou s - CSM 196 e D’amou s qui ma olu - CSM
424. O ac o de neles exemplos a co espondência aba ca as duas p imei as ases
pode á indica algo mais do que uma coincidência, pois o início da canção se ia um
dos elemen os que es a ia mais p esen e na memó ia do copis a ou de quem
es i esse a ansmi i a melodia no momen o da sua ansposição pa a o manusc i o.
75
Capí ulo III - Análise de pad ões de acen uação na lí ica
galego-po uguesa a dia e na lí ica galego-cas elhana en e
1340-1450
O objec i o des e capí ulo p e ende de e mina a a és da análise acen ual
na lí ica galego-po uguesa a dia e na lí ica galego-cas elhana en e 1340-1450 a
exis ência de pad ões acen uais que possam in e i quais as o mas musicais
hipo é icas desse epe ó io. Es a análise en a p eenche a lacuna de on es
musicais nesse epe ó io no pe íodo es udado e c ia uma hipo é ica pon e en e as
o mas das CSM e os ilance es do MP4.
III.1 – A lacuna de on es musicais em galego-po uguês e cas elhano no
epe ó io dos sécs. XIV e XV
O p ojec o de A onso X das CSM oi suspenso em inais do séc. XIII, como
podemos con i ma pelo es ado inacabado do códice F217 (que se ia a con inuação do
códice T ou códice ico), com iluminu as incomple as e a exis ência de pen ag amas
sem no ação musical. Algo de semelhan e sucede com o Cancionei o da Ajuda, o
único cancionei o medie al com lí ica galego-po uguesa conse ado em Po ugal,
da á el do início do séc. XIV. Um dos á ios quesi os que se colocam no âmbi o des a
disse ação se á como es uda a ques ão da ansmissão das o mas musicais
ca ac e ís icas da lí ica galego-po uguesa e das CSM a é ao Renascimen o Ibé ico.
Exis e uma lacuna de on es musicais des e epe ó io (ou num es ilo p óximo)
du an e os séculos XIV e XV, com a excepção duma única on e musical com
217 Pa a e mais in o mação sob e es e manusc i o e : Wal e METTMANN, Can igas de San a Ma ía,
Mad id, Cas alia, 3 ols., 1986; Las can igas de San a Ma ía de Al onso El Sabio. Edición acsímil
del códice II,I,213 de la Biblio eca Nazionale, Flo encia, Mad id, Edilán, 2 ols., 1989-91.
76
epe ó io em e náculo (occi ano e ca alão) e la im nes e pe íodo. Es a on e, o
Llib e Ve mell de Mon se a 218 da a de inais do séc. XIV, con ém que peças
monódicas que poli ónicas, embo a es as úl imas enham sido inse idas já no séc.
XV u ilizando a o ma musical mais comum nas CSM, o i elai219. Tal ac o le a-nos a
p ocu a ou as on es que possam se u ilizadas com uma me odologia p óp ia de
o ma a en a escla ece da exis ência ou não da con inuidade das o mas musicais e
quais as suas ca ac e ís icas. Op ámos po u iliza o epe ó io poé ico em galego-
po uguês a dio ou em galego-cas elhano do séc. XIV e XV.
Os c i é ios de selecção das on es dos poemas o am dois: a c onologia, já
que os poemas e iam de se da ados, com um azoá el g au de ce eza, no pe íodo
en e 1350-1450, ap oximadamen e e a ele ância de elemen os que pode ão
po encia a exis ência de uma ligação com o epe ó io an e io , como a u ilização de
o mas poé icas zajalescas (que são a quase o alidade das o mas poé icas nas CSM)
e a con inuidade de uma adição lí ica galego-po uguesa, numa ase em que ao
longo do séc. XIV é no ó ia a ascensão do cas elhano como língua poé ica,
dispu ando a hegemonia com o galego-po uguês. Essa mudança e lec e igualmen e
uma ansição es ilís ica, com o abandono g adual do es ilo lí ico a is oc a a
o ado esco em a o de um es ilo mais humanis a e in luenciado pela linguagem
alegó ica de Dan e, no as ealidades polí ico-cul u ais com a consolidação do eino
po uguês com o seu oco do na expansão ma í ima e o g adual des anecimen o
polí ico da Galiza e de Compos ela, no as ealidades sociais com a ans o mação
len a mas eal de uma sociedade eudal pa a uma sociedade bu guesa220. Um dos
e lexos dessa mudança ge al g adual é a escola poé ica galego-cas elhana en e
1350-1450.
218 Ma ica men GÓMEZ, La música medie al en España, Kassel, Reichenbe ge , 2001, pp. 265-72. Da
mesma au o a e : El Llib e Ve mell: Can os y danzas de ines del Medioe o, Mad id-Ciudad de
México, Fondo de Cul u a Económica, 2017.
219 Peças com o ma musical do i elai: S ella Splendens a 2 ., Ma iam ma em a 3 .,
Inpe ay i z/Ve ges ses pa a 2 ., Ad mo em es inamus (monódica).
220 Rica do POLÍN, Cancionei o Galego-Cas elán (1350-1450): 'Co pus' lí ico da decadencia, A Co uña,
Semina io de Es udos Galegos, 1997, pp. 21-23
77
O Lib o de buen amo 221 oi a p imei a on e poé ica a se es udada que se
enquad a a den o dos c i é ios es abelecidos. Es a ob a, a ibuída a Juan Ruiz e/ou
A cip es e de Hi a é ansmi ida po ês manusc i os que da am a elabo ação da
ob a na p imei a me ade do séc. XIV. Na a uma sé ie de episódios, sob e udo de
ca ác e amo oso de um pe sonagem que p e ende se sé io. No en an o, u ilizou-se
pa a a análise acen ual não o co po p incipal poé ico na a i o, mas sim as canções
inse idas ao longo do co po poé ico p incipal222. Es a opção p ende-se com o ac o do
ca ác e mais lí ico dessas canções ap esen a em uma maio p obabilidade de
p ese a em as suas ca ac e ís icas acen uais ex uais mais p óximas de uma
ealização musical e a ap esen ação duma es u u a zajalesca. Em seguida,
ealizámos uma selecção no co pus poé ico exis en e em á ias on es segundo os
dois c i é ios acima e e idos. Pa a essa selecção a con ibuição de Rica do Polín
sob e a lí ica galego-cas elhana en e 1350 e 1450 oi de e minan e223. Além des as
221 A edição base dos ex os dos poemas u ilizada pa a a análise acen ual oi: Juan Ruiz/A cip es e de
Hi a, Lib o de buen amo (ed.: Albe o BLECUA), Mad id, Ca ed a, col. Le as Hispanicas, 2001 (5ª
edição). Fo am ambém consul adas as seguin es edições: Juan Ruiz, Lib o de buen amo (ed.:
Joan COROMINAS), Mad id, G edos, 1973 ( eimp.), Lib o de buen amo (ed.: Raymond S. WILLIS),
P ince on, P ince on Uni e si y P ess, 1972. Na abela com a análise acen ual dada no Anexo 3
colocamos em no a de odapé as di e enças en e a edição base de Blecua e as edições
consul adas de Co ominas e Willis.
222 Coloca emos a lis a comple a das canções em que se ez a análise acen ual, com a indicação de
página e nume ação das unidades es ó icas da edição base. A análise comple a es á disponí el no
Anexo 3. Gozos de San a Ma ía, pp. 15-21, nºs. 20-43; De lo que con esçió al A cip es e con
Fe and Ga çía, su mensaje o, pp. 39-40, nºs. 115-120; Cán ica de se ana, pp. 233-37, nºs. 959-
971; Cán ica de se ana, pp. 242-44, nºs. 987-992; Cán ica de se ana, pp. 245-48, nºs. 997-1005;
Cán ica de se ana, pp. 253-57, nºs. 1022-1042; Del di ado qu’el a cip es e o eçió a San a Ma ia
del Vado, pp. 258-59, nºs. 1046-1048; De la pasión de Nues o seño Ihesu Ch is o, pp. 259-65,
nºs. 1049-1066; Gozos de San a Ma ía, pp. 424-29, nºs. 1635-1648; De cómo los [e]scola es
demandan po Dios, pp. 430-32, nºs. 1650-1660; Del A e Ma ía de San a Ma ía, pp. 432-35, nºs.
1661-1667; Cán ica de loo es de San a Ma ía, pp. 435-40, nºs. 1668-1683; [Can a a la Ven u a],
pp. 441-42, nºs. 1685-1689; [Can a de ciegos], pp. 449-54, nºs. 1710-1728.
223 A edição base pa a os ex os dos poemas u ilizada na análise acen ual oi: R. POLÍN, Cancionei o
Galego-Cas elán (1350-1450), ( . n. 220). Pa a consul a oi u ilizado: Rica do POLÍN, A poesía lí ica
galego-cas elá (1350-1450), San iago de Compos ela, Uni e sidad de San iago de Compos ela-
Biblio eca de Di ulgación, 1994. Foi u ilizada igualmen e pa a consul a: B. DUTTON, El cancione o
del siglo XV ( . n. 1), que es á disponí el online no Cancione o Vi ual, com a seguin e u l: <h p://
cancione o i ual.li .ac.uk/main-page.h m>. A análise comple a es á disponí el no Anexo 2. As
on es de onde o am e i ados os poemas são: MP4 (Cancione o Musical de Palacio, Co a: MS-II-
1335), PN1 (Cancionei o de Baena, BnF Esp. 37), SA7 (Cancionei o de Palacio, Biblio eca
Uni e si á ia de Salamanca, Co a: 2653), SA8 (Cancionei o do Ma quês de San illana, Biblio eca
Uni e si á ia de Salamanca, Co a: 2655), MH1 (Cancionei o de Galla do, Real Academia de
His ó ia, Mad id, Co a: ms. 2-7-2). Os poemas seleccionados pa a a análise acen ual o am (com a
78
an mui e mosa senno , 7 (2) 4
non me pud’ al 4 (4)
e de g an cui a pa i . 7 4
Con en su e 4 2 4
es e pessa que eu he, 7 1 4
sin ben a e , 4 (2) 4
pois que an o a ané. 7 3 [5]
Boa senno , 4 1 4
depois que os eu sé, 6 2 (4)
so o én mo al 4 1 (3) 5
dolo si os non i . 6 2 (4)
Non os e ei 4 (2) 4
po os que e g and ben, 6 4
ca os amei, 4 4
mui mas que o a en. 6 (2) 4
Boa senno , 4 1 4
si o e des po ben, 6 3
pois soi leal 4 (2) 4
ós mandade-me gua i . 7 3
Análise: Um exemplo di e en e do an e io , em que o pad ão egula su ge no
início da 1ª, 2ª e 3ª es o e (2-4; 4; 4) e no 5º e so (1-4), enquan o os inais das
es o es demons am uma maio i egula idade na acen uação.
Tabela 4 - Análise acen ual do PN1 313233
Tex o Mé ica Análise acen ual
PN1 313
De quien cuido e cuidei 7 3 (5)
a e ben, si cob a ia 7' 2 (4)
plaze do que dessejei 7 2 (4)
233 <h p://cancione o i ual.li .ac.uk/AnaSe e ?
du on+0+s a .an +ms=PN&sms=1&i em=314&en y=ID0533#PN1314ID0533> [acedido a
23/12/2017].
85

sol’ un dia? 3' 3
Sol’ un dia de cuida 7 3 (5)
meu co açon non se pa e, 7' 4
desejando o luga 7 3 (5)
o non poso a e pa e. 7' 3
Po que soy en o a pa e 7' 2 5
apa ado de quien sei, 7 3 (5)
en aques o cuida ei 7 3 [5]
si e ia. 3' 3
Si e ia minna cui a 7' 3 5
en algund enpo pa ida, 7' 4
onde dela su o mui a 7' 1 3 5
ja en aques a pa ida. 7' 4
Pensando en mina pa ida, 7' 2 4
cando se a o d’o hei, 7 1 4
meu co eu non di ei 6 (4)
quen se ia.
3'
3
Quen se ia que sobejo 7' 3 (5)
meu co açon a o men a, 7' 4
e o co po con dessejo 7' 3 (5)
su io e su e o men a? 7' 2 4
Cando eu ui en o men a 7' 1 (4)
de amo , nunca çessei 7 3 4
de loa a quien loei 7 3 (5)
oda ia. 3' 3
Análise: Es a can iga e ela um compo amen o semelhan e ao exemplo
an e io , o pad ão egula su ge no início da 1ª, 2ª e 3ª es o e (3-5; 4; 3-5), os inais
da 1ª e 3ª es o e ambém ap esen am um pad ão (3-5; 3), aqui sendo p e isí el
de ido à o ma zajalesca do poema. Es e con as e de pad ões do início das es o es
ambém es á p esen e no e ão, embo a com uma sequência ligei amen e di e en e:
86
Pad ões (Pad ão A: 3-5; Pad ão B; 4)
Re ão: ABBA
Es o e: ABA
Tabela 5 - Análise acen ual do PN1 561234
Tex o Mé ica Análise acen ual
PN1 561
Quien po Dios se enpob eçe 7' (3) [5]
en es e mundo que i e, 7' 2 4
e despues lo leal si e, 7' 3 6
en iqueçe. 3' 3
En iqueçe de iqueza 7' 3 5
qu’es pa a sienp e du able, 7' 2 4
mui in ini a, es able 7' 4
e mui qui a d’escu eza; 7' 3
el Senno de la g andeza 7' 3 (5)
e mui g and pe donado , 7 (3) [5]
que a ningund su se ido 7 3 [5]
non alleçe. 3' 3
Non alleçe ningund dia, 7' 3
qu’es i me sin mudamien o, 7' 2 (4)
quien le da egualamien o 7' (3) [5]
ai amigos! az ollia, 7' 3 (5)
qu’el Senno de la g andia 7' 3 (5)
nunca o o pa nin a á, 7 1 3 (5)
e quien lo con adi á 7 (2) [4]
ensandeçe. 3' 3
Ensandeçe e es mui loco 7' 3 (5)
quien de al locu a en inge, 7' (3) 5
mal se is e, mal se çinge, 7' 3 (5)
e mue e de poco en poco. 7' 2 5
234 <h p://cancione o i ual.li .ac.uk/AnaSe e ?
du on+0+s a .an +ms=PN&sms=1&i em=561&en y=ID1683#PN1561ID1683> [acedido a
23/12/2017].
87
Yo, amigos, non lo oco 7' 3 (5)
po o o san o nin san a, 7' 2 4
pues que odo’l mundo ‘span a 7' 3 5
su g andeçe. 3' 3
Análise: Nas ês es o es podemos epa a na es abilidade de um pad ão (3-
5), mas que cu iosamen e oi al e ando a sua posição na es o e ao longo das
mesmas. Em conclusão, es e pad ão é es u u an e nes e poema, al e nando com
ou o (2-4) menos equen e e mais i egula na sua posição.
Tabela 6 - Análise acen ual do PN1 29235
Tex o Mé ica Análise acen ual
PN1 29
He coles que hedi ico 7 1
la çibda muy pode osa 7' 3 [5]
su alma ssea gozossa 7' 2 4
que al çibda o deno 7 (2) 4
po seuilla demos o 7 3 [5]
en su muy al o ssabe 7 (2) 4
que se a ie de nobleze 7 3 [5]
po julio que la poblo 7 2 (5)
Con ssabe E pode io 7' 3 [5]
es os doss la o dena on 7' 1 (3) [5]
& los que en ella pobla on
7'
(2)
4
ue p oeza & muy g an b io 7' 3 (5)
içio & p ez & amo yo 7' 1 (3) [5]
leal ança & lindo amo 7 3 5
syenp e byue syn pauo 7 1 3 (5)
ybe as del su g an yo 7' 2 (5)
235 O ex o des e poema oi e i ado do si e Cancione o Vi ual que u iliza a edição de Du on como a
base pa a os ex os aí inse idos. B. DUTTON, El cancione o del siglo XV, ( . n. 1).
<h p://cancione o i ual.li .ac.uk/AnaSe e ?
du on+0+s a .an +ms=PN&sms=1&i em=29&en y=ID1173#PN129ID1173> [acedido a
23/12/2017].
88
Fas a oy non es sabida 7' 1 (3) (5)
en el mundo al çibda 7 3 (5)
nin a n con al P opieda 7 (4)
de an os bienes conplida
7
2
4
abondada E guaneçida 7' 3 [5]
de yn yni os plaze es 7' 4
lynpieza son sus a e es 7' 2 (5)
de loo es Bas ezida 7' 3 [5]
Qualquie noble ey que iene 7' 2 3 (5)
po suya an noble joya 7' 2 5
deuenla quien quie lo aya 7' 1 (4)
mucho on a que assy conuiene 7' 1 3 5
ca quien leal a Man yene 7' (2) 5
mucho deue a ma a illa 7' 1 3 [5]
sse p eçiado pues seuilla 7' 3 (5)
des o g an pa e le iene 7' 1 4
Análise: Es a can iga em a eco ência de um pad ão nas p imei as ês
es o es, no 2º, 3º e 5º e sos. A ausência de uma es u u a zajalesca em como
consequência os inais das es o es e em semp e es u u as acen uais di e sas.
Tabela 7 - Análise acen ual do SA7 264236
Tex o Mé ica Análise acen ual
SA7 264
Pois po a o , çie o sei, 7 4 5
ha odo ome o mello , 7 2 4
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Vejo un ome en endido, 7' 1 3 [5]
236 <h p://cancione o i ual.li .ac.uk/AnaSe e ?
du on+0+s a .an +ms=SA&sms=7&i em=264&en y=ID2630#SA7264ID2630> [acedido a
23/12/2017].
89
sa io, de bon sen imien o, 7' 1 (4)
e si non é a o ido, 7' (2) (4)
ha mui poco con açamien o. 8' 3 [5]
E pois al con açamien o 7' (2) [4]
ya m’a én a o po lei, 7 3 5
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Ca o o o neçio, udo; 7' 1 3 5
si a o po seu lo p iso, 7' 3 (5)
odos o dan po en iso 7' 1 (4)
e dizen qu’es mui sesudo. 7' 2 (5)
Quien a o en po escudo 7' 3 (5)
iene el mundo, iene el Rei, 7 1 3 5
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Quando en a ia o a! 7' 1 (3) 5
de quien a o dá so’sp i o, 7' (2) 4
non cessa quien no ado a 7' 2 (4)
o quien maldiz o bendi o. 7' (2) 4
Donde eu epi o, 5' 1 (3) 5
e e ençia le da ei, 7 3 (5)
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Análise: Nes a can iga, a epe ição do mesmo pad ão de acen uação (3-5; 2-
4; 35) e lec e a p esença da uel a no inal da es o e, indicando a ei e ação do
ma e ial ex ual e p o a elmen e do ma e ial melódico. No início da es o e exis e
igualmen e um pad ão (1-3-5; 2-4) no 1º e so e 3º e sos que se epe e, suge indo
a exis ência de uma es u u a mudanza- uel a nes a can iga. Podemos en ão
conside a que o copis a ao esc e e es e poema e ia, na memó ia, a can iga na sua
o ma poé ico-musical.
90

III.4 – A análise acen ual nas canções do Lib o de buen amo
Tabela 8 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 33-39
Tex o Mé i
ca Análise acen ual
Vi gen, del Çielo eína, 33 7' 1 4 7
e del mundo melezina, 7' 3 [5] 7
quié asme oí , 4' 1 4
que de us gozos aína 7' 4 7
esc i a yo p osa digna 7' 2 5 7
po e se i . 4 4
Dezi e he u aleg ía 34 7' 2 (4) 7
ogándo e oda ía, 7' 2 5 7
yo pecado , 4 4
que a la g and culpa mía 7' (3) 5 7
non pa es mien es, Ma ía, 7' 2 4 7
mas al loo . 4 4
Tú sie e gozos o is e: 35 7' 2 4 7
el p ime o, quando esçebis e 9' 3 5 [7] 9
salu açión 4 4
del ángel, quando oís e 7' 2 4 7
«A e, Ma ía»; conçebis e 8' 2 4 [6] 8
Dios, sal açión. 4 4
El segundo ue conplido 36 7' 3 (5) 7
quando ue de i nasçido 7' 1 (3) (5) 7
e sin dolo ; 4 4
de los ángeles se ido, 7' 3 7
ue luego conosçido237 6' 2 (4) 6
po sal ado . 4 4
Fue el u gozo e çe o 37 7' 4 7
quando ino el luze o 7' 1 3 (5) 7
a demos a 4 4
237 Co ominas: « ue ë luego conosçido».
91
el camino e dade o 7' 3 [5] 7
a los eyes, conpañe o 7' 3 [5] 7
ue en guia . 4 4
Fue u qua a aleg ía 38 7' 3 [5] 7
quando e dixo, Ma ía, 7' 1 4 7
el G abïel 4 4
que el u ijo e ía 7' 4 7
e po señal e dezía 7' 4 7
que ie a a él. 4 2 (4)
El quin o ue de g and dulço :39 8 2 (4) (6) 8
quando al u ijo seño 8 1 4 7
is e sobi 4 1 4
al çielo, a su Pad e Mayo , 8 2 5 8
e ú incas e con amo 8 (2) 4 (6) 8
de a él i . 4 (4)
Análise: Es e é o p imei o exemplo do LBA a ibuído ao Acip es e de Hi a,
p esumi elmen e Juan Ruiz. Quan o à disposição das ases, o pad ão é apoiado pela
análise acen ual, dois e sos seguidos de um hemis íquio. O pad ão do hemis íquio
man êm-se, com uma excepção, ao longo da maio pa e da canção, a é à es o e 39
(a canção e mina na es o e 43). O pad ão dos e sos a ia, o que pode á indica
uma es u u a musical em que a melodia dos mesmos se á dis in a nos dois e sos,
podendo as melodias se em adap adas aos di e sos pad ões acen uais, mas endo o
hemis íquio a unção de e ão ou ema e cadencial. Uma o ma musical hipo é ica:
A B C/ D E C/... (no caso de hemis íquio se e ão), ou A B cauda/C D cauda/...
Tabela 9 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 1668-1672
Tex o Mé ica Análise acen ual
M[i] aglos muchos aze[s] 1668 6' 2 4 6
Vi gen sienp e pu a,238 5' 1 3 5
agua dando los coi ados 7' [1] 3 (5) 7
92
de dolo e de is u a; 7' (1) 3 (5) 7
el que loa u igu a 7' (1) 3 (5) 7
non lo dexas ol idado: 7' (1) 3 [5] 7
non ca ando su pecado, 7' (1) 3 (5) 7
sál aslo de ama gu a. 7' 1 (4) 7
Ayudas al inoçen e 1669 7' 2 (4) 7
con amo muy e dade o; 7' (1) 3 [5] 7
al que es u se ido 7 (1) (3) [5] 7
bien lo lib as de lige o: 7' (1) 3 (5) 7
non le es alleçede o 7' (1) (3) [5] 7
u aco o sin dudança; 7' (1) 3 (5) 7
guá dalo de malandança 7' 1 (4) 7
el u bien g ande, llene o. 7' (2) 4 7
Reína, Vi gen, mi es ue ço, 1670 7' 2 4 7
yo só pues o en al espan o, 7' 3 5 7
po lo qual a i bendigo, 7' (1) (3) (5) 7
que me gua des de queb an o; 7' (1) 3 (5) 7
pues a i, seño a, can o, 7' (1) (3) 5 7
ú me gua da de lisión, 7 (1) 3 (5) 7
de mue e e de ocasión, 7 2 7
po u ijo, Jhesú san o. 7' (1) 3 7
Yo só mucho ag a iado 1671
7'
3
[5]
7
en es a çibdad seyendo:
7'
2
5
7
u aco o e gua da ue e 7' (1) 3 5 7
a mí lib e, de endiendo; 7' 3 [5] 7
pues a i me encomiendo, 7' (1) (3) (5) 7
non me seas desdeñosa: 7' (1) 3 [5] 7
u bondad ma a illosa 7' (1) 3 [5] 7
loa é sienp e, se iendo. 7' 3 4 7
A i me encomiendo239, 1672 6' (2) 6
Vi gen san a Ma ía240: 6' 1 3 6
la mi coi a ú la pa e, 7' (1) 3 (5) 7
ú me sal a e me guía 7' (1) 3 (5) 7
e me gua da oda ía, 7' 3 5 7
238 Co ominas: « azes Vi gen sienp e pu a».
239 Co ominas: «A i yo me encomiendo».
240 Co ominas e Willis: «o Vi gen san a Ma ía».
93
pïadosa Vi gen san a, 7' 3 5 7
po la u me çed que es an a, 7' (1) (3) 5 7
que dezi non la pod ía. 7' (1) 3 5 7
Análise: Nes a canção ma iana, exis e um pad ão que se man êm ao longo da
mesma, semp e no meio da es o e. O pad ão mais es á el é 1-3-5 nos 3º, 4º, 5º e 6º
e sos, podendo deduzi -se que a es abilidade acen ual indica a epe ição da mesma
melodia, pois como as es o es êm oi o e sos a epe ição melódica pode ixa o
pad ão poé ico-acen ual e essa es abilização pode e lec i um p ocesso de
memo ização da canção. Po ou o lado, essa condição não signi ica á
necessa iamen e a epe ição melódica, mas apenas a exis ência de um pad ão como
esul ado do es ilo poé ico e po necessidade de memo ização.
Tabela 10 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 1673-1678
Tex o Mé ica Análise acen ual
San a Vi gen escogida, 1673 7' 1 3 [5] 7
de Dios Mad e muy amada, 7' 3 (5) 7
en los çielos ensalçada, 7' (1) 3 [5] 7
del mundo salud e ida. 7' 2 5 7
Del mundo salud e ida, 1674 7' 2 5 7
de mue e des üimien o, 7' 2 [5] 7
de g açia llena conplida, 7' 2 4 7
de coi ados sal amien o: 7' (1) 3 [5] 7
de aques e dolo que sien o 7' 2 5 7
en p esión sin me esçe ,
7
(1)
3
[5]
7
ú me deña es o çe 7 (1) 3 [5] 7
con el u de endimien o. 7' (2) [4] 7
Con el u de endimien o, 1675 7' (2) [4] 7
non ca ando mi maldad 7 (1) 3 (5) 7
nin el mi me esçimien o, 7' (1) (3) 7
mas la u p opia bondad: 7 (1) 4 7
que con ieso en e da 7 (1) 3 (5) 7
94
Figu a 8 - De alhe do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo non en u a, . 217.
101

Figu a 9 - De alhe da edição de Anglés do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo no en
u a249.
249 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 74.
102
Exemplo 10 – Nossa edição do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo non en u a, .
217.
Análise: Es e exemplo é mui o semelhan e ao an e io : a mesma o ma
musical ( ondel andaluz), o mesmo es ilo poé ico e o mesmo es ilo poli ónico. A
di e ença es á no núme o de ozes (qua o).
103
A a és da análise acen ual, suge e-se a seguin e disposição o mal:
Re ão
1º : A; 2º : B; 3º : A (ou A’)
Es o e
1º e 2º : A; 3º : A; 4º : B; 5º : A (ou A’)
O e ão con ém 3 e sos dos quais apenas o segundo e so (mais cu o) em
um pad ão acen ual dis in o. De ac o a ase musical no e ão não segue a du ação
da ase poé ica: o segundo e so ainda az pa e da p imei a ase musical (A), em
ez de se B. É cu ioso que o pad ão acen ual do 3º e so do e ão ei e a o pad ão
do 1º e so. Na e dade, o incipi da ase musical B é semelhan e à ase A (mi- a-
sol), mas a es u u a melódica da ase comple a jus i ica, na nossa opinião, a sua
ep esen ação com uma iden idade melódica dis in a.
No início da es o e os p imei os ês e sos, con ando com a epe ição do
p imei o, a ei e ação do pad ão acen ual do e ão ( e sos 1 e 2) é acompanhada, na
p á ica, pela ase musical B que co esponde ao pad ão do e so 3 do e ão. No
en an o, é necessá io essal a -se que es e pad ão es á p esen e em pa e na ase A
(início). Ve i ica-se que os pad ões acen uais do ex o e a o ma musical são
au ónomos, po ém a análise acen ual indica a exis ência de dois pad ões dis in os,
suge indo a p esença de duas ases musicais dis in as, o que de ac o sucede.
104
Tabela 13 - Análise acen ual do ilance e MP4 - 259b Al al a enid, . 5250
Tex o Mé ica Análise acen ual
MP4 259
Al al a enid, buen amigo, 8' 2 5
al al a enid. 5 2 5
Amigo, el que yo más que ia, 9' 2 (5)
enid al al a d’el dia. 7' 2 4
Amigo, el que yo más ama a, 9' 2 (5)
enid a la luz d’el al a. 7' 2 (5)
Amigo el que yo más que ia, 9' 2 (5)
enid a la luz d’el dia. 7' 2 (5)
Venid a la luz d’el dia, 7' 2 (5)
non aiais conpannia. 6' 3
Venid a la luz d’el al a, 7' 2 (5)
non aigais g an conpanna 6' 3
250 <h p://cancione o i ual.li .ac.uk/AnaSe e ?
du on+0+s a .an +ms=MP&sms=4b&i em=259&en y=ID3876#MP4b259ID3876> [acedido a
22/12/2017].
105
Figu a 10 - De alhe do ilance e MP4 - 259b Al al a enid, . 5.
106

Figu a 11 - De alhe da edição de Anglés do ilance e MP4 - 259b Al al a enid251.
Análise: Es e exemplo é ligei amen e di e en e dos exemplos an e io es, pois
a es u u a poé ica suge e um es ilo mais p óximo da can iga d’amigo252. Os pad ões
acen uais são mais semelhan es, e lec indo uma p oximidade maio das ases
melódicas. Os pad ões de acen uação são bas an e semelhan es (2-5) ao longo dos
seis dís icos, excep uando o segundo. A o ma musical é a seguin e:
251 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 1), ( .
n. 40), p. 10.
252 Na edição de Anglés do MP4 es a peça es á iden i icada como um ilance e e a sua edição em
no ação mode na ambém e lec e essa opção. No en an o, p oponho uma o ma al e na i a pa a
es a composição, mais p óxima do es ilo da can iga d’amigo da lí ica medie al galego-po uguesa,
onde exis em di e sos exemplos de poemas em dís icos. Se ia uma o ma musical AB|A’A’ B, em
que no inal da es o e apenas o e so «Al al a enid» se ia epe ido, esul ando num ondel
ancês assimé ico, pois não exis e a epe ição in eg al do e ão. Também podemos conside a a
exis ência de um ondel ancês comple o se conside a mos que exis e a epe ição in eg al do
e ão, AB|A’A’ AB, sendo es a a opção de Anglés.
107
1º dís ico
1º : A; 2º : B (es e e so de ac o é um hemis íquio)
2º dís ico
1º : A’; 2º : A’
Assim, podemos p opo que a o ma p e endida pode ia se algo semelhan e
a AB| AA’ (B) em que apenas o hemis íquio co esponden e a B («Al al a enid»)
e ia a unção de e ão, em ez dos dois p imei os e sos.
Os pad ões de acen uação que o am e elados pelas análises ealizadas ao
longo des e capí ulo não pe mi em aça o mesmo ipo de conclusões de Manuel
Ped o Fe ei a e S ephen Pa kinson, ela i amen e ao epe ó io poé ico da lí ica
galego-po uguesa medie al. De ac o, a escassez de pad ões egula es que
pe mi issem de e mina uma o ma musical pode se explicada pela di e ença do
es ilo poé ico no epe ó io dos sécs. XIV-XV que abandona am de o ma g adual o
pa alelismo mais es i o da lí ica galego-po uguesa que po encia a a ligação en e
os pad ões de acen uação e a o ma musical. A análise dos exemplos musicais não
pe mi e aça uma conclusão de ini i a de ido ao seu núme o eduzido, mas pode
indica a não exis ência de uma elação e iden e en e o pad ão de acen uação e a
o ma musical.
108
Capí ulo IV - Um caso de dupla in e ex ualidade en e a CSM
304 e a sequência No is cedun e e a do Codex de Las
Huelgas (Hu 56).
A in es igação académica iden i icou uma possí el elação in e ex ual en e a
CSM 413 e a sequência ma iana do Codex de Las Huelgas, No is cedun e e a253. O
Codex de Las Huelgas (Hu-56) é a única on e musical des a sequência. T a a-se de
um manusc i o em pe gaminho, com 170 ólios, com sinais e iden es de e sido
u ilizado equen emen e. O Hu-56 é um dos mais impo an es manusc i os com
música poli ónica em Espanha, esc i o em inícios do séc. XIV. O seu epe ó io é
compos o po peças poli ónicas (140) e monódicas (45), em la im e de ca ác e
sac o254. En e as peças monódicas em la im de ca ác e sac o exis em in e p osas
(ou sequências), onde se encon a a sequência ma iana No is cedun e e a.
U ilizando como pon o de pa ida a in es igação de Rossi e Disal o sob e a elação
in e ex ual en e a CSM 413 e a sequência ma iana do Hu-56, No is cedun e e a,
es e capí ulo p e ende de e mina a possibilidade da exis ência de mais elações
en e o epe ó io das CSM e a sequência No is cedun e e a.
O mos ei o de San a Ma ia La Real, conhecido como Las Huelgas, é um
mos ei o cis e ciense eminino si uado na pe i e ia do cen o his ó ico de Bu gos,
cuja ligação com a amília eal cas elhana es a ia p esen e desde a sua undação.
A onso VIII de Cas ela e a sua esposa Leono , ilha de Hen ique II de Ingla e a,
unda am-no em 1187, ob endo a iliação a Cis e em 1199. Foi u ilizado po di e sas
ezes como local de epouso de memb os da amília eal e nele ambém se
253 Ge mán ROSSI, Aníbal San iago DISALVO, «La can iga IIIa de las Fies as de San a Ma ía ("Tod '
aques e mund ' a loa de e ia") y la secuencia No is cedun e e a: Filiaciones ex uales y
musicales en e las Can igas de San a Ma ía y el Códice de Las Huelgas», Oli a , nº 11, 2008, pp.
13-26.
254 Higinio ANGLÉS, El Codex Musical de Las Huelgas: Musica a eus dels segles XIII-XIV, Ba celona,
Ins i u d’ Es udis Ca alans-Biblio eca de Ca alunya, 3 ols. [I - In oducció; II - Facsímil; III -
T ansc ipció], 1931, ol. I, pp. 128-31. Sob e es e manusc i o e : Nicolas BELL, The Las Huelgas
Music Codex: A Companion S udy o he Facsimile, Mad id, Tes imonio, 2005.
109
ealiza am ce imónias o iciais. Além disso, as abadessas do mos ei o e am
no malmen e p o enien es das amílias eais. O mos ei o de Las Huelgas e a um dos
mos ei os mais icos e impo an es do eino de Cas ela, e e ido di e sas ezes nas
CSM, e quase semp e endo como p o agonis as na na a i a a amília eal, sendo
ób ia a ligação pessoal na CSM 122, onde é desc i o um milag e com a in an a
Be enguela, i mã de A onso X, que se o nou ei a no mesmo mos ei o. No Hu-56
exis em igualmen e e e ências a pessoas ligadas ao mos ei o, como po exemplo um
planc us dedicado a uma abadessa, e e e ências a úmulos do seu pan eão eal,
indicando de o ma incon es á el a elação do manusc i o com o di o mos ei o.
U ilizando como pon o de pa ida a in es igação de Rossi e Disal o, es e
capí ulo p e ende de e mina a possibilidade de exis i em mais elações en e o
epe ó io das CSM e a sequência No is cedun e e a.
IV.1 – Relações en e o epe ó io sac o-li ú gico e as CSM
A elação en e as CSM e o epe ó io sac o-li ú gico em sido objec o de
di e sas in es igações ao longo do empo. Manuel Ped o Fe ei a ez uma sín ese e
lei u a c í ica da bibliog a ia que se deb uça sob e a in luência do can o li ú gico nas
CSM, expondo qual o es ado da ques ão à al u a255. Em seguida, Rossell es udou as
elações en e os modelos musicais li ú gicos e as CSM, ocando-se em e ela
pad ões musicais comuns que se iam usados na c iação musical das can igas256.
Anglés, na sua edição das CSM257, oi o p imei o a suge i uma elação en e as
255 Manuel Ped o FERREIRA, «The In luence o Chan on he ‘Can igas de San a Ma ia’», Bulle in o he
Can iguei os de San a Ma ia, XI-XII, 1999-2000, pp. 29-40. T adução po uguesa em: Manuel
Ped o FERREIRA, Aspec os da Música Medie al, ( . n. 153), pp. 258-67.
256 An oni ROSSELL, «Las Can igas de San a Ma ía (CSM) y sus modelos musicales li ú gicos, una
imi ación in e ex ual e in e melódica», in Li e a u a y c is iandad. Homenaje al p o eso Jesús
Mon oya Ma ínez (eds.: Manuel José Alonso Ga cía, Ma ía Luisa Dañobei ia Fe nández e An onio
Ra ael Rubio Flo es), G anada, Uni e sidad de G anada, 2001, pp. 403-12.
257 H. ANGLÉS, La música de las Can igas, ( . n. 42), passim.
110
Exemplo 12.2 - Es u u a CSM 304269.
Ambas as can igas êm a o ma musical usual das CSM, o i elai, embo a com
pequenas a iações: a CSM 304 com a o ma ABAB’|CDCD’ ABAB’ é um i elai
simé ico e a CSM 413 com a o ma AB|CB’ AB é um i elai cíclico270.
De seguida, ap esen a emos um quad o sinóp ico com as ês peças, CSM
413, CSM 304 e a sequência.
269 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ( . n. 86), ol. III - Códice
dos músicos, p. 327 <h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-
diploma ica/> [acedido a 9/1/2019].
270 Manuel Ped o FERREIRA, «Jog ais, con a ac a, o mas musicais: cul u a u bana nas Can igas de
San a Ma ia», Alcana e – Re is a de Es udio Al onsíes, ol. 8, 2012-2013, pp. 48- 49.
117

Exemplo 13 - Quad o sinóp ico: CSM 413, CSM 304 e a Sequência No is cedun
e e a.
Nes e quad o sinóp ico podemos obse a como oco e a semelhança en e
as ês peças. As can igas são azoa elmen e p óximas, sendo a CSM 413 mais
esquemá ica e a CSM 304 com um pe cu so melódico mais expandido. Na segunda
ase es ão mais p óximas a sequência e a CSM 413, mas no pe cu so ge al melódico
a CSM 304 e a sequência êm uma maio p oximidade do que a CSM 413 e a
sequência.
Podemos le an a ês hipó eses pa a explica es as co espondências. Uma,
a hipo é ica elação di ec a com o Hu-56, mas es e manusc i o não pode se a on e
pa a a melodia da can iga, pois é bas an e pos e io . A segunda hipó ese se ia a CSM
413 a on e pa a a can iga pos e io , elabo ada numa ase a dia do p ojec o
118
al onsino271, mas es a dependência é con es ada pelo ac o do início do e ão da
CSM 304 es a mais p óximo da p imei a ase da sequência do que a CSM 413. A
e cei a e úl ima explicação pa ece es a elacionada com a exis ência da
in e ex ualidade e ansla io en e ambas as can igas, is o que es e ipo de
eap o ei amen o in e no de ma e ial poé ico e melódico oco e di e sas ezes nas
CSM, como e e e Colan uono ao obse a a ligação en e a CSM 227 e 325, 316 e
379, 53 e 35, 293 e 297272. No en an o, no caso aqui ap esen ado não se man ém a
es u u a poé ica como nos exemplos an e io men e ci ados po Colan uono. Apesa
de as can igas e em a mesma es u u a melódica e concei o poé ico, a mé ica é
di e en e, como podemos e de seguida:
Es u u a mé ica CSM 413:
Es o e: 11’ 11’ 11’ 11’
Re ão:11’ 11’
Nº es o es: 6
Rima: AA | bbba
Es u u a mé ica CSM 304:
Es o e: 7’ 7’ 7’ 7’ 7’ 7’ 7’ 7’
Re ão:7’ 7’ 7’ 7’
Nº es o es: 5
Rima: AA | bbba
Res a explica uma possí el elação des as duas can igas com a sequência
No is cedun e e a. A li u gia cis e ciense não admi e sequências, pelo que a
271 M. FERREIRA, «The S emma o he Ma ian Can igas», ( . n. 268), p. 96.
272 Ma ia Inco ona a COLANTUONO, «L’in en o in e es uale della ‘T ansla io’ melodica nelle ‘Can igas
de San a Ma ía’», Medie alia: Re is a de Es udios Medie ales, ol. 16, 2013, pp. 81-90.
119
sequência No is cedun e e a em o igem no ex e io do mos ei o de Las Huelgas273.
De ac o, a sequência apa ece a es ada sob e udo em on es li ú gicas de Se ilha274,
mas a e são do Hu-56 é a única on e da música des a sequência. A elação en e a
mesma e um con ex o ligado às can igas em Se ilha (local onde as CSM o am
elabo adas) pode á es a na pessoa de Dona B anca de Po ugal, ilha de A onso III
de Po ugal e de D. Bea iz, es a úl ima ilha ilegí ima de A onso X. Dona B anca de
Po ugal de e e acompanhado a sua mãe quando es a iajou pa a Se ilha em 1282
e lá i eu pe o de A onso X, acompanhando-o no úl imo ano da ida du an e um
dos pe íodos mais di íceis, com o c escen e de e io amen o ísico e a pe ca do pode
polí ico de ido ao con li o com o seu ilho, o u u o Sancho IV. Dona B anca
pe maneceu em Cas ela após a mo e do a ô ma e no e oi nomeada senho a do
Mos ei o de Las Huelgas po Sancho IV, onde es á sepul ada275. Colocamos a
possibilidade de um clé igo que inha con ac o com a adição li ú gica da Ca ed al
de Se ilha, e acompanhado a comi i a de D. B anca pa a Bu gos e, de alguma
o ma, e in e ido na in odução da sequência no Hu-56. A exis ência de
in e ex ualidade en e es as ês peças pa ece en ão se a hipó ese mais p o á el.
Concluindo, podemos e aqui um exemplo de como um dos meios p incipais de
ansmissão de epe ó io no pe íodo medie al, a memó ia en e ecida com a
o alidade, e se ido no caso das CSM como uma e amen a de polí ica cul u al, ao
eu iliza ma e ial melódico e poé ico pe encen e a um con ex o li ú gico- o mal,
colocando-o num con ex o de de oção pessoal e, possi elmen e no plano da
in enção, de de oção popula .
273 Exis em p o as ci cuns anciais que subs anciam a hipó ese de que o Codex de Las Huelgas e á
sido esc i o ou encomendado especi icamen e pa a o Mos ei o. No en an o o manusc i o em si
pode á e sido p epa ado nou o local já que não exis em indícios que con i mem o mos ei o
como um cen o de p odução de manusc i os. Ve N. BELL, The Las Huelgas Music Codex, ( . n.
254), pp. 37-39.
274 Analec a Hymnica Medii Ae i, XXXVII: Sequen iae Inedi ae. Li u gische P osen des Mi elal e s aus
Handsch i en und F ühd ucken, ed. Clemens Blume, Leipzig, O. R. Reinsland, 1901, pp. 81-82.
275 Manuel GARCÍA FERNÁNDEZ, «La polí ica in e nacional de Po ugal y Cas illa en el con ex o
peninsula del a ado de Alcañices: 1267-1297. Relaciones diplomá icas y dinás icas», Re is a da
Faculdade de Le as, ol. 15-2, 1998, p. 909 n. 19, p. 910. G ande Enciclopédia Po uguesa
B asilei a, Lisboa-Rio de Janei o, ol. 5, s.d., s. . «B anca (D.)», p. 22, col. 1-2.
120
De o ma a pe cebe se o pad ão melódico da sequência se ia pa e de
alguma adição li ú gica ou de ou o epe ó io musical, o am ealizadas pesquisas
nas bases de dados online, à semelhança do que oi ei o no Capí ulo 2 sob e o
epe ó io de ou è es276. Su gi am ês esul ados, sendo dois deles
su icien emen e ele an es pa a os analisa mos em maio de alhe277. O p imei o
esul ado aqui analisado oi ob ido a a és de uma co espondência com a pesquisa
do pad ão melódico na TMDB278, da canso de Raimon de Mi a al, A penas say do(n)
map enh, T obado R, . 87279. Ap esen amos de seguida uma imagem do ólio onde
se encon a a mesma, des acando a e melho as secções melódicas onde exis em as
co espondências (p imei a e e cei a ase, a segunda ase é quase idên ica à
p imei a) e um quad o sinóp ico com as CSM 413 e 304, a sequência e a canso.
276 A in o mação elacionada com es as bases de dados online sob e a monodia sac a medie al es ão
desc i as no Capí ulo II, ( . ns. 196, 197, 198, 209).
277 A ou a co espondência deu como esul ado o cân ico P ope es u enia empus, esponsó io
associado ao o ício do 3º domingo do Ad en o. Ve a in o mação sob e es e cân ico em:
<h p://can usindex.o g/id/007438> [acedido a 26/1/2018]. Nas on es analisadas disponí eis no
CI, a on e P-BRs A qui o da Sé Ms. 032, em uma e são melódica bas an e p óxima do pad ão
melódico. Ve aqui in o mação sob e es a on e: <h p://pemda abase.eu/sou ce/2902> [acedido
a 26/1/2018]. Pa a e a imagem do cân ico analisado acede :
<h p://pemda abase.eu/image/33032> [acedido a 26/1/2018]. Es a e são melódica ambém
exis e em ou as on es manusc i as onde su ge o cân ico. No en an o, com uma análise musical
mais de alhada, ape cebemo-nos de que o pe cu so modal é dis in o, pois é um e a dus plagal,
enquan o que o pad ão melódico da sequência e das can igas es á em e a dus au ên ico.
278 A in o mação elacionada com es a base de dados online sob e o epe ó io obado es á desc i a
no Capí ulo II, ( . n. 199).
279 Pa a e in o mação sob e es a on e e n. 213. Pa a e o acsímile da canso acede :
<h p://gallica.bn . /a k:/12148/b 1b60004306/ 185.i em> [acedido a 13/12/2017]. Pa a e a
edição disponí el na TMDB acede : <h p://www. oubadou melodies.o g/melodies/406007R>
[acedido a 13/12/2017]. O ex o des a canso es á disponí el em:
<h p://www. oba .o g/ oubadou s/ aimon_de_mi a alh/ m6.php> [acedido a 6/3/2019].
121
Figu a 13 – Canso A penas say do(n) map enh, Fon e: T obado R - BnF . . 22543, .
87 (de alhe). Des acado a e melho as secções melódicas onde es ão as
co espondências.
122

Exemplo 14 - Quad o sinóp ico: Sequência No is cedun e e a, CSM 413, CSM 304 e
a canso A penas say.(a 3ª e 4ª ase são p a icamen e idên icas à 1ª e 2ª), on e da
canso: T obado R - BnF . . 22543, . 87.
A cons ução modal das qua o peças é semelhan e na medida em que as
p imei as ases es abelecem uma e cei a sol-si e só pos e io men e se es abelece a
quin a supe io que de ine o modo au ên ico. No en an o, numa análise mais
de alhada, podemos ape cebe mo-nos que o pe cu so melódico da canso es á mais
p óximo das can igas do que da sequência, p incipalmen e na compa ação da quin a
123
e sex a ases da canso com a segunda ase do e ão da CSM 413 e da p imei a
ase da es o e da CSM 304, com um con o no mais melismá ico ocando-se nas
no as é e dó, enquan o a sequência em um es ilo melódico mais silábico. Em jei o
de conclusão, embo a não se possa a i ma de o ma de ini i a a exis ência de uma
elação di ec a e iden e en e as peças nes e exemplo, no en an o, exis em indícios
que podem e ela uma p oximidade ela i a en e a canso e as can igas.
A segunda co espondência melódica encon ada e aqui analisada deu-se
com uma e são melódica do Hino Is e con esso domini sac a us (Can us ID:
008323)280, que ap esen a emos de seguida uma imagem, des acando a e melho as
secções melódicas onde exis em as co espondências e um quad o sinóp ico com as
CSM 413 e 304, a sequência e o hino.
280 A e são melódica analisada do hino Is e con esso domini sac a us (cân ico incluído nas Véspe as
do Comum dos Con esso es) encon a-se em: <h p://can usindex.o g/melody/mSTA212>
[acedido a 1/2/2018], onde indica es a p esen e na on e F-Pn Sain e-Gene iè e 113, . 175.
Exis e acesso online a imagens de alguns ólios des a on e, es ando ausen e o ólio que
p e endemos <h p://www.calames.abes. /pub/ms/BSGA10168> [acedido a 29/1/2018].
Ag adecemos à nossa colega Océane Boudeau po nos e o necido as imagens do ólio 175, aqui
ap esen ado. Ve ambém sob e es e hino: Analec a Hymnica Medii Ae i, LI: Thesau i Hymnologici
Hymna ium. Die Hymnen des Thesau us Hymnologicus H. A. Daniels und ande e Hymnen-
Ausgaben, (ed. Clemens Blume), Leipzig, O. R. Reinsland, 1908, pp. 135-36.
124
Figu a 14 – Hino Is e con esso domini sac a us (Can us ID: 008323). Fon e: F-Pn
Sain e-Gene iè e 113, . 175 (de alhe e des acado a e melho).
125
Exemplo 15 - Quad o sinóp ico: Sequência No is cedun e e a, CSM 413, CSM 304 e
o hino Is e con esso domini sac a us (Can us ID: 008323). Fon e: F-Pn Sain e-
Gene iè e 113, . 175.
Na análise compa a i a, embo a o início da p imei a ase do hino enha um
pe cu so semelhan e ao pad ão melódico das CSM e da sequência, a cadência do
inal da p imei a ase melódica des e é bas an e di e en e. U iliza a zona aguda em
o no do é (pen aco de sol- é) do modo e a dus au ên ico, enquan o que as ases
melódicas das ou as peças e minam em o no da inalis. A segunda ase, es a
plebs cujus celeb a pe o bem, apesa de inicia no e aco de sol-dó, de ac o, ao
longo do seu pe cu so cen a-se de o ma mais acen uada na zona plagal do modo,
dis inguindo-a cla amen e da segunda ase do pad ão melódico, que se cen a na
zona mais aguda. Es a análise e ela que as co espondências musicais encon adas
de i am da u ilização do mesmo modo, sendo que a es u u a melódico-modal das
ases é di e en e, o nando-se pouco p o á el qualque ligação en e as
CSM/sequência e es a e são melódica do hino.
126
Encina no MP4 e nem odos es a em inse idos na p imei a camada do manusc i o,
somen e nes a secção exis e uma o ganização des es ilance es segundo uma
ipologia de inida pelo p óp io Encina no 96JE, embo a não siga de o ma li e al o
ag upamen o dos ilance es. O úl imo ilance e des a secção no 96JE, Dime, Juan,
po u salud, es á indicado no . 195 na abela al abé ica no início do MP4, mas
ausen e po aze pa e da lacuna en e os ólios 157 e 195, hoje pe didos. É a úl ima
peça pe dida iden i icada que pe ence a es a lacuna, p ecedendo es a secção dos
ilance es de Encina no MP4. Com a inclusão des e ilance e, ha e ia 9 en e 12
peças dos ilance es pas o is de Encina nes a secção do MP4, e o çando assim a
possibilidade des e ag upamen o se mais do que casual290.
O e ecemos aqui duas explicações pa a es e ac o: uma, que as pessoas
en ol idas na p imei a elabo ação des e manusc i o, o(s) copis a(s) ou o(s)
compilado (es), e em ag upado es as peças in encionalmen e com uma consciência
cla a des as peças aze em pa e de um subg upo den o da ob a de Encina, ou seja,
da exis ência de uma unidade concep ual des as peças. Es a consciência não implica,
po si só, uma unidade codicológica ou um ag upamen o especí ico no manusc i o,
mas nes e caso udo nos le a a c e que não é um ac o casual mas in encional es e
ag upamen o dos ilance es pas o is de Encina no MP4. Es a ca ac e ís ica pode
e lec i um conhecimen o e alo ização do abalho de Encina po pa e do
pas o , Le an a, Pascual, le an a, Nue as e ayo, ca illo, Daca, bailemos, ca illo, Una amiga
engo, he mano, Ped o, bien e quie o, Quién e axo, ca alle o, Ya soy desposado, Ay, is e,
que engo, Ya no quie o se aque o, Dime, Juan, po u salud.
290 B. DUTTON, El Cancione o del Siglo XV, ( . n. 1), ol. 2, pp. 531-32. Es as peças hoje pe didas do
MP4, segundo Du on, azem pa e da p imei a camada de elabo ação do manusc i o. Lis a das
peças indicadas na abela que pe ence iam à lacuna: De eni buen ca alle o ( . 157), De ue a
mani edes ( . 158), Dime is e co açon ( . 159), Po las sie as de Mad id ( . 159), No quie o que
me consien a ( . 160), Mo ales son los dolo es ( . 161), Mo ales son los dolo es ( . 162), Damo es
mi cuidado ( . 163), Dexaldes mad e ( . 164), Queda eis mi bien ( . 165), Pa a que que eis que biba
( . 166), Repas emos el ganado ( . 167), Pues mapa a de i amo ( . 168), Del odo me eon seño a
( . 169), Todol iempo de mi ida ( . 170), Es la ida que enemos ( . 171), Mi pelig osa pasion ( .
172), Nunca çessa an mis ojos ( . 173), Pues al u o como os ( . 173), Yo ui a pa is ap ende ( .
175), Ba ba ba çe eneçen ( . 178), P opiñan de melion ( . 179), A la pue a es a pelayo ( . 181),
Una egezuela del ba io ( . 182), Amo quiso que os quisesse ( . 184), Po muy dichoso se en ( .
184), Mas pie de de lo que piensa ( . 185), Niña y iña ( . 186), Dis enos seño al Rey ( . 187),
Quexome is e de mi ( . 188), Si me enda des comad es ( . 189), No me pesa del mo i ( . 190),
Tieneme po os seño a ( . 191), Que ha e yo sin en u a ( . 192), Que ap o echa mi se i os ( .
193), Vos seño a en buena e ( . 194), Dime juan po u salud ( . 195).
133

compilado e do copis a, e lec ido aliás pela quan idade de ob as do mesmo au o
no MP4; a segunda e úl ima explicação se ia que o compilado ou o copis a i essem
ido acesso às peças que i iam inclui no MP4 ag upadas já dessa o ma a pa i de
uma on e, ou á ias on es hipo é icas, que pode iam se copiadas de um e en ual
cancionei o com os ex os e a música de Encina, pelo menos des e subg upo, senão
mesmo on es associadas ao p óp io Encina, e u ilizadas como eposi ó io das suas
composições podendo e sido po sua ez igualmen e u ilizadas na edição do 96JE.
Vol ando ao ilance e Ya soy desposado e ao ac o des e se um ilance e
pas o is no 96JE, é impo an e menciona uma e e ência sob e o ac o des e g upo
de peças e uma maio p obabilidade de se o iginá io de um con ex o ligado ao
meio popula de ido ao seu ca ác e ús ico291. No en an o, a e e ência baseou-se
apenas na análise ex ual e poé ica, sem e ido em con a o elemen o musical. De
ac o, es e é um aspec o p esen e na g ande maio ia dos es udos que se ocam na
ques ão da exis ência ou ausência de elemen os popula es no epe ó io p o ano
des e pe íodo, e pa icula men e em Encina, analisando apenas os con eúdos
ex uais e deixando de pa e os musicais. Miguel Manzano analisou a ques ão da
exis ência ou não de aços pe encen e a uma adição musical popula na música
de Encina292. O au o aça uma sé ie de conside ações cau elosas no que diz espei o
a uma endência co en e nos es udos musicológicos, mas nunca analisada a undo.
Essa endência p opõe o ac o da música que oi ecolhida em inais dos séc. XIX -
p incípios do séc. XX e iden i icada como adicional/popula , ep esen a a música
adicional/popula dos sécs. XV-XVI. Segundo Manzano, essa ligação não pode se
es abelecida de o ma ca egó ica, embo a conside e que possam exis i em
elemen os musicais que con inuem ao longo dos séculos, mas nada ob iga a que os
291 Magdalena ALTAMIRANO, «Lo popula en los " illancicos pas o iles" de Juan del Encina» in Palab a e
imagen en la Edad Media. Ac as de las IV Jo nadas Medie ales (México, 25-29 de ene o de 1993)
(eds.: A. González, L. Von de Walde Moheno), México, Uni e sidad Nacional Au ónoma de
México, 1995, p. 340. Na no a 3 des e a igo a au o a aça uma dis inção de ca ác e nos emas
poé icos dos ilance es de Encina en e o bucólico (mais idealizado e bucólico) e o ús ico (mais
ealis a e c u), conside ando que es e úl imo ca ác e é o p esen e nos ilance es pas o is de
Encina.
292 M. MANZANO, «Hay aíces popula es», ( . n. 26), pp. 17-26.
134
composi o es «e udi os» u ilizem os elemen os mais iden i ica i os de uma
hipo é ica adição293. No undo, o au o põe em descobe o a p oblemá ica de que é
uma posição nacionalis a que subs ancia a a i mação ca egó ica da exis ência dos
elemen os da música popula (ou seja, local) na música enascen is a p esen e nos
cancionei os. Manzano p opõe en ão que se de a ealiza um es udo sob e a ques ão
da música adicional/popula em Encina e po ex enso no pe íodo enascen is a,
com um maio a as amen o c í ico, de inindo essa posição em qua o pon os294: O
p imei o deb uça-se sob e o es ilo cul o de Encina, e lec indo as écnicas comuns na
composição poli ónica na época, seja quando u iliza um es ilo mais elabo ado ou um
es ilo mais simples e homo ónico; o segundo, ao a i ma que nenhuma das
ca ac e ís icas musicais que chamamos hoje popula es eja p esen e na ob a de
Encina, embo a exis am algumas peças no MP4 que êm essas ca ac e ís icas mas
nenhuma delas é a ibuída a Encina295; e cei o, o ac o dalgumas peças de Juan del
Encina apa en a em aços melódicos popula es, mesmo que enham so ido
al e ações de ido à poli onia296; no qua o e úl imo pon o, Manzano de ine quais são
as ca ac e ís icas musicais popula es que apa en am e em sido imi adas na música
de Encina. Essas ca ac e ís icas são as seguin es: o i mo biná io 6/4 de subdi isão
e ná ia297, que segundo o au o é um dos mais equen es na adição musical
popula a é aos nossos dias, p incipalmen e nos can os de baile (exp essão dele),
su gindo numa boa pa e do epe ó io de Encina mui as ezes combinado com a
subdi isão biná ia (3+3 e 2+2+2); as passagens melódicas que u ilizam a epe ição
293 M. MANZANO, «Hay aíces popula es», p. 21, pp. 25-26.
294 M. MANZANO, «Hay aíces popula es», pp. 23-24.
295 As peças do MP4 que segundo Manzano se enquad am numa ca ac e ização popula são: De
monçón ená el mozo, Ved comad es, Dale, si le das, Quien al áa bol pone, D'aquel ai e laco,
Dindi indin.
296 As peças de Juan del Encina são: Oy comamos y bebamos, Si ab á en es e bald és, Ped o, i bien e
quie o, Tan buen ganadico. Algumas delas o am e e idas po Ma ius Schneide como con endo
aços da música popula adicional, e des e au o : «Exis en elemen os de música popula en el
Cancione o Musical de Palácio?», Anuá io Musical, ol. 8, 1953, pp. 177-192.
297 De ac o, Manzano e e e o compasso e ná io 6/8 de ag upação biná ia (exp essão dele), que
c emos se um e o. Além disso, Manzano ao ala de seguida das hemíolas, indica o compasso
3/4, mas se conside a mos a exis ência de dois ipos de subdi isões, uma e ná ia e ou a biná ia
na mesma peça, pensamos se mais co ec o a u ilização pa a es e epe ó io do compasso 6/4,
sendo a mínima pon uada e a mínima simples as unidades de empo espec i amen e.
135
li e al ou pa cial de um mesmo pad ão298; as melodias que pa ecem inicia em-se a
meio de uma ase melódica, sem um início lógico e cla o (como o Oy comamos e o
Queda e, ca illo)299; as peças que con enham ex os que en am imi a um supos o
dialec o popula 300.
Como conclusão des e capí ulo podemos dize que, pelo menos na secção do
MP4 en e os ólios 199 e 217, uma boa pa e dos ilance es pe encen es à p imei a
camada são quase a o alidade dos ilance es pas o is publicados po Juan del Encina
no seu Cancionei o de 1496. Es e ac o pode se indica i o da possiblidade da
exis ência duma consciência po pa e de quem pa icipou na elabo ação dessa
camada no MP4 da ele ância desse sub-géne o de ilance es, ag upando-os de
o ma in encional ou em al e na i a, os copiou já ag upados dessa o ma a pa i de
uma ou a on e, u ilizada pa a a elabo ação do MP4.
298 O au o e e e es a ca ac e ís ica como passagens em os ina o. de inindo-a como a epe ição de
um mesmo inciso (exp essão dele).
299 Manzano designa-as como melodias de ipo semi-ci cula .
300 Es as peças, segundo Manzano, são An onilla es desposada, Daca baillemos, Nue as e ayo
ca illo, Ped o y bien e quie o, Queda e ca illo, Tan buen ganadico e Ya soy desposado, quase
odos ilance es pas is. Conside a o úl imo ilance e con e maio es p obabilidades de e
o igem num con ex o popula .
136
Capí ulo VI - Análise das co espondências musicais en e as
Can igas de San a Ma ia e os ilance es do MP4
Nes e capí ulo ap esen a emos de o ma de alhada a análise compa a i a das
co espondências melódicas e í micas ele an es en e a nossa selecção dos
ilance es do MP4 com as CSM, ob idas a a és da LCSMDB.
VI.1 - Selecção do co pus musical
Foi necessá io cons i ui pa a a nossa análise um co pus musical den o dos
ilance es do MP4, de onde se i iam ex ai os elemen os musicais ( ases melódicas
e pad ões í micos) pa a a pesquisa na LCSMDB. O MP4 é o cancionei o musical
ibé ico enascen is a com o maio núme o de ilance es inse idos em á ios
momen os c onológicos e com á ios ipos de peças, desde monodia à poli onia,
música sac a a p o ana, ibé ica e ex a-ibé ica301.
A selecção das peças pa a a nossa in es igação cen ou-se nos ilance es do
MP4, po á ias azões: a p imei a, po que são canções em idiomas ibé icos
301 Sob e es a on e e : H. ANGLÉS, La música en la co e de los Reyes Ca ólicos, ( . n. 40), passim. J.
ROMEU FIGUERAS, La música en la co e de los Reyes Ca ólicos, ( . n. 284), passim. Emilio ROS-
FÁBREGAS, The Manusc ip Ba celona, Biblio eca de Ca alunya, M. 454: S udy and Edi ion in he
Con ex o he Ibe ian and Con inen al Manusc ip Edi ions. (Volumes I and II), ese de
dou o amen o, G adua e Facul y in Music-Ci y Uni e si y o New Yo k, ol. I, 1992, pp. 196-205,
e ambém do mesmo au o : «Manusc ip s o Polyphony om he Time o Isabel and Fe dinand»
in Companion o Music in he Age o he Ca holic Mona chs (ed.: Tess Knigh on), Leiden, E. J. B ill,
2017, pp. 404-68. Angel Manuel OLMOS, La ansmission o ale de la polyphonie en F ance e en
Espagne pendan le XVème e XVIème siècles: Essai d’in e p é a ions phililogiques de la no a ion
de la musique en langue e naculai e, ese de dou o amen o, Uni e si é Pa is IV-So bonne, Junho
de 2006, pp. 55-68, e ambém do mesmo au o : «En o no al Cancione o Musical de Palacio y
cancione o Musical de Sego ia. Análisis de su o igen y u ilidad», Nassa e, ol. 28, 2012, pp. 43-
66.
137
(cas elhano e po uguês); a segunda, po que é um epe ó io que em emas an o
sac os como p o anos, seguindo uma di e sidade de ipologias; a e cei a, po que os
ilance es cons i uem a g ande pe cen agem do epe ó io exis en e nesses
cancionei os; e inalmen e a qua a, de ido à p oximidade das suas o mas musicais
com as CSM. O ilance e é, no undo, o he dei o ou con inuado da can iga medie al.
O e mo ilance e ( illancico em cas elhano e ilance e em ca alão e po uguês) é
aqui u ilizado na sua acepção mais ge al pa a designa uma canção poli ónica em
e náculo, ge almen e a ês ozes e cuja es u u a o mal é compos a po duas
pa es, o es ibilho ou e ão, e a es o e po duas secções, a mudanza onde su ge
ma e ial melódico con as an e e a uel a onde exis e uma epe ição comple a ou
pa cial do ma e ial melódico do e ão. Juan del Encina iden i ica o e mo ilance e
com a pa e do e ão (com dois ou ês e sos) que e ia o igem numa canção ou
num p egão popula , e a es o e se ia a glosa que expandi ia o ema do e ão. Nes a
disse ação u ilizamos a de inição de Encina como base, es endendo a selecção do
epe ó io u ilizado pa a as canciones (em po uguês can igas) de 4 ou mais ases
melódicas no e ão302. Todas es as ca ac e ís icas podem po encia a p obabilidade
de se encon a em co espondências dos ilance es com o epe ó io das CSM. A
selecção inal dos ilance es, dos quais i iam se e i ados os pad ões melódicos e
í micos pa a inse i na LCSMDB, baseou-se nos seguin es c i é ios: o p imei o, e em
uma o ma musical co esponden e a uma o ma musical exis en e nas CSM; o
segundo, a exis ência no ilance e de um g au de semelhança a um es ilo musical
p óximo de um egis o popula izan e. Es e úl imo c i é io me ece aqui uma
exposição mais de alhada. De ac o, não exis e uma homogeneidade musical
302 Miguel Ángel PÉREZ PRIEGO, Ob a Comple a de Juan del Encina, Mad id, Fundación José An onio de
Cas o, 1996, p. 21. Pa a a de inição de ilance e e ambém: A. ROMERALO, El illancico, ( . n.
116), passim; Vicen e BELTRAN, La canción adicional: Ap oximacion y An ologia, Ta agona,
Ediciones Ta aco, 1976, «De zéjeles y dansas: o ígenes y o macíon de la es o a con uel a»,
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Li e a u a en iempos de Juan del Encina (ed.: J. Guja o Ceballos), Salamanca, Uni e sidad de
Salamanca, 1999, pp. 27-53; Manuel MORAIS, Vilance es, Can igas e Romances do século XVI,
Lisboa, Fundação Calous e Gulbenkian-Se iço de Música, 1986, pp. x -xx ; Isabella TOMASSETTI,
Mil cosas iene el amo , ( . n. 53), pp. 10-46.
138

es ilís ica dos ilance es exis en es no MP4, que ap esen am uma imagem bas an e
iá el das ca a e ís icas es ilís icas do ilance e dos inais do séc. XV a é à década de
1530. Uma pa e conside á el dos ilance es exis en es no SV1303 an e io es ao MP4,
e elam a exis ência de um es ilo poli ónico mais elabo ado, u ilizando um
con apon o mais lo ido, es ilo esse in luenciado pela poli onia anco- lamenga.
Assim, de endemos a exis ência de uma meno p obabilidade desses ilance es do
SV1 e ela em con inuidades musicais com as CSM, do que os ilance es com
ca ac e ís icas mais homo í micas exis en es no MP4. O que se p e ende é a
compa ação de ases melódicas e pad ões í micos e, po an o, u iliza ases
musicais comple as. Supondo que há melodias p eexis en es p o enien es de uma
adição musical local, a sua u ilização num ilance e com um es ilo poli ónico mais
simples, é um indica i o que a sua econ igu ação poli ónica seja mínima, que ao
ní el melódico, que ao í mico, ou pelo menos, essa econ igu ação seja em g au
meno do que no es ilo imi a i o, implicando necessa iamen e um a amen o
ha mónico mais homo í mico, em que a cons ução poli ónica se limi a a c ia um
acompanhamen o pa a uma oz p incipal. Na selecção inal dos ilance es do MP4 e
po que o c i é io p incipal é o es ilís ico, decidiu-se ac escen a algumas peças que
se enquad am o a da de inição de ilance e segundo Juan del Encina, como sejam as
peças com qua o e sos no e ão que es e au o designa como canción, mas que
conside amos, a a és da sua análise musical, pode em aze pa e do conjun o
u ilizado nas pesquisas. Pa a além de se e ealizado a selecção das peças a a és do
es ilo poli ónico mais simples, assumiu-se igualmen e a opção de c ia uma
dema cação baseada no egis o das peças, de ca ác e popula izan e, com a
u ilização de um e ão cu o, em de imen o de peças de ca ác e co ês, de e ão
longo. Aliás, o p óp io e mo ilance e não e ia uma de inição cla a na época304.
303 Pa a mais de alhes sob e es a on e e : Juan RUIZ, «La di ícil ansición hacia el Renacimien o»,
His o ia de la música en España e Hispanoamé ica, ol. I: De los o ígenes has a c. 1470 (ed.:
Ma ica men Gómez), Fondo de Cul u a Económica, Mad id, 2009, pp. 319-65; Ma ica men GÓMEZ,
«El enace del epe o io lí ico español», His o ia de la música en España e Hispanoamé ica, ol.
II: De los Reyes Ca ólicos a Felipe II, ( e no a an e io ), pp. 21-161.
304 Ve A. ROMERALO, El illancico, ( . n. 116), pp. 34-42.
139
Ap esen amos de seguida um exemplo dum ilance e (nossa edição musical)
do MP4, T es mo illas m'enamo an, . 16, que conside amos se o modelo
pa adigmá ico de um ilance e de ca ác e popula izan e ao ní el es ilís ico, de inido
pelo âmbi o eduzido das ozes, a homo i mia quase pe manen e, com apenas
alguns momen os de con apon o lo ido nas cadências, mas que seguem a ó mula
usual cadencial do con apon o305. Es e exemplo se e como demons ação das
ca ac e ís icas es ilís icas dos ilance es seleccionados como o co pus musical
pesquisado na LCSMDB.
305 Ve ambém sob e es e assun o a bibliog a ia e e enciada na no a 302 e J. RIBERA, La musica
a abe, ( . n. 32), p. 157.
140
Exemplo 17 - MP4b-263 T es mo illas m'enamo an, . 16. Nossa edição musical.
141
VI.1.1 - O Cancionei o musical de Palacio (MS-II-1335) - MP4
O Cancione o Musical de Palacio é um manusc i o que se encon a
ac ualmen e na Biblio eca Real do Palácio Real de Mad id, com a co a MS-II-1335.
Tem como dimensões 210x150mm e con ém 261 ólios em papel, com ês
nume ações. Apesa de não aze pa e do âmbi o des a disse ação ealiza mos um
abalho ap o undado sob e es e manusc i o, e e i emos algumas in o mações
sob e es a on e baseadas em e e ências bibliog á icas. A in es igação de Angel
Olmos indica a o igem des e manusc i o elacionada com a casa do Almi an e de
Cas ela em inais do séc. XV na cidade de Medina de Rioseco, pe o de Valladolid306. A
ligação a es a úl ima cidade é e o çada, segundo o au o , pela exis ência des e
manusc i o num in en á io de 1623 ealizado pelo biblio ecá io da Biblio eca do
Conde de Gondoma e igualmen e Duque de Medina de Rioseco, da sua esidência
em Valladolid, onde se man e e a é à enda do espólio da Biblio eca ao ei Ca los IV
e à asladação dos bens pa a a Biblio eca do Palácio Real de Mad id em 1806. No
en an o, Emilio Ros-Fáb egas307 mais ecen emen e ejei a a possí el o igem do
manusc i o de endida po Olmos e a eo ia ap esen ada po Romeu Figue as e
Higínio Anglés de que o manusc i o e ia sido p oduzido na co e do ei Fe nando V,
o Ca ólico, no início do séc. XVI308. Es e au o a a és da análise das ma cas-de-água
p esen es no MP4 e das indicações esc i as no p óp io manusc i o, p opõe que a
compilação do manusc i o oi bas an e mais agmen ada do que se pensa a,
de endendo a hipó ese da o igem do MP4 se em Salamanca, pe íodo em que Juan
del Encina es e e ao se iço do Duque de Alba em inais do séc. XV309, hipó ese es a
de endida po Ba bie i aquando da sua edição do MP4310.
306 A. OLMOS, «En o no al Cancione o Musical», ( . n. 301), pp. 43-66, e ambém La ansmission
o ale de la polyphonie en F ance e en Espagne, ( . n. 301), pp. 55-68.
307 E. ROS-FÁBREGAS, «Manusc ip s o Polyphony», ( . n. 301), pp. 404-68.
308 E. ROS-FÁBREGAS, «Manusc ip s o Polyphony», pp. 417-18.
309 E. ROS-FÁBREGAS, «Manusc ip s o Polyphony», p. 424.
310 E. ROS-FÁBREGAS, «Manusc ip s o Polyphony», pp. 416-17.
142
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253
Anexos
254
MP4 259
Al al a enid, buen amigo, 8' 2 5 8
al al a enid. 5 2 5
Amigo, el que yo más que ia, 9' 2 (6)
enid al al a d’el dia. 7' 2 4
Amigo, el que yo más ama a, 9' 2 (6)
enid a la luz d’el al a. 7' 2 (5)
Amigo el que yo más que ia, 9' 2 (5)
enid a la luz d’el dia. 7' 2 (5)
Venid a la luz d’el dia, 7' 2 (5)
non aiais conpannia. 6' 3
Venid a la luz d’el al a, 7' 2 (5)
non aigais g an conpanna 6' 3
PN1 15
Ben aja minna en u a 7' 2 4
que pe deu escu idade, 7' 3 [5]
que me demos ó beldade 7' [3] 5
an acabada e pu a. 7' 4
Po un na anjal andando 7' [3] 5
i es a donas e donzelas, 7' 2 3 5
odas de amo alando; 7' 1 (3) 5
mas a mais e mosa delas 7' (3) 5
i pode osa en co du a, 7' 4
b iossa en hones ade; 7' 2 (4)
mui g an enpo ha, en e dade, 8' 3 (5) 8
que non i al e mosu a. 7' (3) [5]
Algunas das que anda an 7' 2 (4)
en a o a ebellando, 7' 3 [5]
en endi que po aza an 7' 3 [5]
261

de mi, que es a a mi ando 7' (2) 4
a mui linda c ia u a, 7' 3 [5]
delei ossa cla idade, 7' 3 [5]
daquela que con bondade 7' 2 (4)
ençe a odas de apos u a. 7' 3 (5)
Desque i que en endian 7' (3) 5
minna g an coi a sobeja, 7' 1 (3) 5
e que odas en engian 7' 3 5
con a mi con g an en eja, 7' 1 (3) (5)
non quis delas a e cu a 7' 1 3 5 6
po ogi de ealdade, 7' 3 [5]
e ui e con omildade 7' (3) [5]
mui ga ida ca adu a. 7' 3 [5]
Po me pa i de conquis a 7' 4
ui-me achegando do es a a 7' 1 4
a mui amo osa is a, 7' (2) 5
e ido que is e anda a; 7' 2 5
epondio-me con mesu a 7' [1] 3 (5)
que a ie g an piedade 7' 3
de mi, que po lealdade 7' (2) (4)
su ia al ama gu a. 7' 2 (4)
Eu ui logo conquis ado, 7' 3 [5]
si Deus me ponna consello!, 7' (2) 4
e non ejo po meu g ado 7' 3 (5)
o a luz nin o o espello, 7' 1 (3) 5
sinon su gen il igu a 7' 2 5
sin ninguna c ueldade, 7' 3 [5]
que de mia g an soidade 7' 3 (5)
mui as ezes he olgu a. 7' 1 3 (5)
PN1 18
C uelda e ocamen o 7' 3 [5]
con is eza me conquiso, 7' 3 (5)
pois me lexa quen me p isso, 7' 3 (5)
ja non sei anpa amen o. 7' (3) [5]
262
Non ha g an enpo pasado 7' 4
que ui p esso en seu pode 7' 3 (5)
de Amo , que po seu g ado 7' 3 (5)
me mandó obedesçe 7 3 [5]
dona de mui g an alia, 7' 1 (4)
acabada en co essia, 7' 3 [5]
a quen si o oda ia 7' 3 [5]
e loé sin alimen o. 7' 3 [5]
Mui os i que la se ian 7' 1 (3) (5)
e se en e se i án; 7 2 [5]
o os i que maldizian, 7' 1 (3) [5]
maldizen e maldi án 7 2 [5]
a mi po que ui ossado 7' (2) 4
de loa su al o es ado; 7' 3 5
mas ago a, mal pecado! 7' 3 (5)
ejo o o mudamen o. 7' 1 3 [5]
Cuido se , po lealdade, 7' 1 (3) [5]
de minna senno ben quisso, 7' 2 5
mas bejo, po c ueldade, 7 2 [5]
mo meu co açón conquiso. 7' (2) 5
poe én maldigo en u a 7' (2) 4
a quen ob a demesu a, 7' 3 [5]
pois an linda c ia u a 7' 3 [5]
ol idó su alabamen o. 7' [1] 3 [5]
Pe o g an cui a o çada 7' 1 4
me az dize quan o digo: 7' (2) 4 5
Deus ensalçe a mui o on ada 7' 3 5
e con onda o mal amigo! 7' 3 (5)
Es o digo eu po quen 7 1 3 (5)
non deseja o meu ben; 7 3 (5)
pois me mal ca an po én, 7 4
mo ei sin me esçimen o. 7' 2 [4]
PN1 24
Bi a semp e ensalçado 7' 1 3 [5]
o amo ma a illoso, 7' 3 [5]
263
po el qual sin duda oso 7' (3) 5
dezi que so enamo ado. 7' 2 [5]
Amo , Es o ço e Ven u a 7' 2 4
en conco dia sin e ança, 7' 3 (5)
odos es con g an mesu a 7' 1 (3) (5)
gua nesçe on minna lança; 7' [1] 3 5
Amo me deu espe ança, 7' 2 (4)
Es o ço, noble ossadia, 7' 2 4
Ven u a, que al mundo guia, 7' 2 5
me az ama e amado. 7' (2) 4
Desque me i gua nesçido 7' 1 (4)
de a nes de al alia, 7' 3 (5)
ome de o mundo nasçido 7' 1 4
non o o an a aleg ia. 7' 2 4
Longe de oda olia, 7' 1 4
i an e os ollos meus 7 2 5
una ossa que is Deus 7 1 3
e mosa de al o es ado. 7' 2 5
Cando ben mi ei su ges o, 7' 1 (3) 5
seu ala e nob e isso, 7' 3 5
lindo os o cla o, ones o 7' 1 3 5
ai e, luz de pa aiso; 7' 1 (3) (5)
en on quis, e ela quisso, 7' 2 5
que uesse seu se ido ; 7' 2 (4)
es a enno po senno , 7 1 3 (5)
de o o ben non he cuidado. 7' 3 5
Es a sienp e se a ei 7 1 3 6
e jamais pa i ei 7' 3 (5)
minna en ençion complida; 6 3 6
o a enna mo e o ida 7' 1 [3] 5
non a ia o a mudança, 7' 1 3 5
pois can o con leal ança 7' 3 5
e non po ol gassallado. 7' 2 (4)
e non po ol gassallado. 7' (2) (4)
Ja odo ben pensamen o 7' 2 (4)
se a semp e en aquela 7' 2 3 (5)
264
que pe seu me esçimen o 7' (3) [5]
chaman odos linda es ela. 7' 3 5
Si es dona o donzela, 7' 3 (5)
po mi non se a sabido, 7' (2) 5
as a el ma se abenido 7' 1 (3) 5
e eu ledo e mui pagado. 7' 3 (5)
PN1 25
Ai que mal aconsellado 7' (3) [5]
us es, co açon sandeo, 7' 1 [3] 5
en ama a quen ben c eo 7' 3 [5]
que de ós non ha cuidado! 7' (3) (5)
Po meu mal, ossa po ia 7' [3] 4
o en o mundo començada; 7' 3 [5]
non çesades noi e e dia 7' 3 5
des oi osa mo ada. 7' [1] 3 4
Voso penso non al nada 7' 1 3 (5)
en ama que ós non pensa; 7' 3 (5)
non os ejo o a de ensa 7' 3 5
sinon mo e, mal pecado! 7' 2 3 (5)
Co po, non desespe edes 7' 1 (3) [5]
que çedo plaze ajades, 7' 2 5
mas se id e non cansedes 7' 3 [5]
de loa a quen loades; 7' 3 [5]
que ela en an as bondades, 7' 4
al o b io e e mosu a, 7' 1 3 [5]
que po su noble mesu a 7' 4
non se edes ol idado. 7' 3 [5]
Co açon is e, ben ejo 7' 1 3 4
que buscades minna mo e, 7' 3 5
pois pensades an sobejo 7' 3 (5)
en linda es ella de no e. 7' 2 4
Ai, que c uel an o e! 6' 4 6
Si ella po én se ensanna, 7' 2 (5)
265
de be i mais en Espanna 7' 3 (5)
jamais non se ei osado. 7' 2 5
Co po, non emaginedes 7' 1 (3) 5
de a e mal nin con enda 7' 3 (5)
po loa a quen sabedes, 7' 3 (5)
inda que ela en enda; 7' 1 4
mais poned osa azenda 7' 3 4
en pode de deus de amo , 7 3 (5)
e non ajades pa o 7 4
si o des leal p o ado. 7' 2 5
Co açon, pois ós que edes 7' [1] 3 (5)
que eu bi a en o men o, 7' 3 (5)
eu mo ei mas ós i edes 7' 3 (5)
sin ningun aco imen o; 7' 3 [5]
mais de meus ollos me sen o 7' 4
que po mi e po ós mo án 7 (5)
e jamais nunca e an 7 3 4
bon pa esçe acabado. 7' 4
PN1 26
T is e soy po la pa ida, 7' 1 (3) (5)
que se o a de aqui pa e 7' 3 (6)
meu senno , que mui sin a e 7' 3 (5)
del su amo soy conque ida. 7' 3 [5]
Todo el mundo ben en enda 7' 1 3 (5)
que non poso leda se , 7 3 5
as a que possa en ende 7 4
mais no as des a azenda; 7' 2 4
ca se ai minna bi enda 7' 3 4
en esqui a maginança, 7' 3 [5]
con delei ossa espe ança 7' 4
as a e la su enida. 7' (3) (5)
O a ai longe de aqui 7 1 4
quen meu co açon deseja; 7' [3] 5
po minna coi a sobeja 7' 2 4
266

enpo ha que enpo pe di. 8 1 (3) 5 8
Senno Deus, que me esçi 7 2 4
ben ob ando a meu pode , 7 3 (5)
que po un solo plaze 7 4
he pessa oda mi ida? 7' 3 4
Mui al o Rei de Cas ella, 7' 2 (4)
es o çado en g an alo , 7 3 (5)
meu he mano, meu senno , 7 3 (5)
ós oid minna que ella 7 3 4
e judga a mi po ella: 7' 3 (5)
osa me çed seja a al 7 1 4 5
que non passe an o mal, 7 3 5
pois non so nin ui allida. 7' (3) (5)
PN1 27
Pois me non al, 4 4
boa senno , po os se i 7 3 5
su endo mal, 4 2 4
quei o po ós mo i . 6 1 (4)
Amé- os eu 4 2 4
an de a incado amo , 7 4
que non soi meu 4 (2) 4
nin de o a, ai pecado !, 7 3 [5]
Desque os i, 4 1 4
an mui e mosa senno , 7 (2) 4
non me pud’ al 4 4
e de g an cui a pa i . 7 (3) 4
Con en su e 4 2 4
es e pessa que eu he, 7 1 4
sin ben a e , 4 (2) 4
pois que an o a ané. 7 3 [5]
Boa senno , 4 1 4
depois que os eu sé, 6 2 (4)
so o én mo al 4 1 (3) 5
dolo si os non i . 6 2 (4)
Non os e ei 4 4
po os que e g and ben, 6 4
267
ca os amei, 4 4
mui mas que o a en. 6 (2) 4
Boa senno , 4 1 4
si o e des po ben, 6 3
pois soi leal 4 (2) 4
ós mandade-me gua i . 7 3
PN1 33
Loado sejas, Amo , 7 2 4
po quan as coi as padesco, 7' 2 4
pois non ejo a quien o esco 7' 1 3 5
odo enpo es e meu co . 8 1 3 5 8
Eu i enpo que bi ia 7' 3 (5)
en lindez e sin pessa , 7 3 (5)
ado ando noi e e dia 7' 3 5
lo que non poso ol ida . 7 (3) 4
Fo una ui as ona 7 2 5
a ca e a de a en u a, 7' 1 3
que non es nin ue segu a, 7' (3) (5)
nin se a en un eno . 7 3 (5)
Non me quexo de i ago a, 7' 3
Amo , si padesco mal, 7 2 5
pues me dis es po senno a 7' 3 (5)
noble is a angelical, 7 1 3 [5]
Non me quexo de i ago a, 7' 3
e se e sin dudamen o, 7' 3 [5]
mague que su o o men o 7' 2 4
onge, sin aze e o . 7 1 (3) 5
Amo , sejas ensalçado, 7' 2 3 5
pues me mandas e se i 7 4
buen pa esçe acabado 7' 4
en abla e en ei . 7 3 (5)
Bien me puedo en engi 7 3 [5]
que amé gen il igu a; 7' 3 5
mas si ella de mi non cu a, 8' 3 (6) 8
mue o so yo, pecado . 7 1 (4)
268
Amo , semp e oi dezi 7 2 3 5
que calquie que e se iese 7' 3 5
de ie mui ledo be i 8 2 5 8
po g an coi a en que se iese. 7' 3 (5)
Can o si po es o uese, 7' 1 (3) 5
yo me pongo en eu pode , 7 3 (5)
que si me esço én pe de , 8 (2) 4 (6) 8
u sejas meu judgado . 7 2 (4)
PN1 43
Amo osso isso angelical, 9 3 5 9
soy p esso en ues o pode ; 8 2 5
que ede ós me çed a e 8 2 (4) 6
de minna cui a desigual. 8 2 4
Desque os i, noble senno , 1 5 8
nunca iz’ sinon pensa 7 1 (3) 5
en os se i , e sin dubda 8 (2) 4 (6)
jamas en quan o bi o o . 8 2 4 6
Si osa me çe non me al, 8 2 5
eu mo é sin allesçe ; 7 3 [5]
po én os plega de que e 8 (2) 4 (6)
que eu non passe an o mal. 8 (2) 4 6
Vós me pusis es en p ision 8 4 (6)
do eu non posso sali , 7 (2) 4
senno a, sin os ali , 7 2 (4)
osso se ei e de o a non. 8 1 4
Vossa nobleza seja al 8 1 4 6
en me que e ben esponde , 8 (2) 4 [6] 8
que meu co possa pe de 7 (2) 4
dolo e g an cui a mo al. 7 2 4
PN1 44
Visso enamo oso, 5' 1 [3]
duele- e de mi, 5 1 3
269
pues bi o pensoso 5' 2
desseando a i. 5 1 [3]
La u e mosu a 5' (2)
me puso en p ision, 5 2
po la qual en u a 5' (3)
del mi co açon 5 (2)
nos pa e is u a 5' 2
en oda sazon; 5 2
po én u igu a 5' (2)
m’en is eçe assi. 5' 3
Todo el mi cuidado 5' 1 (3)
es en e loa , 5 (2)
qu’el ienpo passado 5' 2
non posso ol ida ; 5 2
a as aguissado 5' 2
de mi e menb a , 5 (2)
pues sienp e de g ado 5' 2
leal e se i. 5 2
Es oy cada dia 5' 2 3
is e sin plaze ; 5 1 (3)
si an solo un dia 5' 3
e pudiesse e , 5 3
yo con o a m’ia 5 4
con u pa esçe , 5 (2)
po én cob a ia 5' (2)
el bien que pe di. 5 (2)
PN1 251bis
E po Deus, senno a, non me ma edes, 10' (3) 5 (7) 10
qu’en minna mo e non gana edes. 9' 2 4 (6) 9
Mui sin in in a e mui sin desden 9 (2) 4 (6) 9
os amei sienp e mas que a o a en, 10 3 4 (6) 8 (10)
e si me ma ades po os que e ben, 11 (2) 5 (8) 10
a quen os desama, que le a edes? 10' (2) 5 (7) 10
270
de nunca meu co açon 7 2 (4)
pa i de mi. 4 2 4
A Deus, can os ben ama on 8 (2) (5)
e ama án! 4 4
A Deus, can os ben ala on 8 (2) (5)
e ala án! 4 4
A Deus, can os ben se i án 8 (2) (5)
de bon alen! 4 (2) 4
que eu non que o se i ninguen 8 3 6
po can o i. 4 2 4
A Deus, amigos, senno es 7' (2) 4
que mui o amei! 4 2 4
A Deus, os obado es 6' (2) [4] 6
con quen obei! 4 (2) 4
que ja non digo nin di ei 8 (2) 4 (6)
nin mal nin ben, 4 (2) 4
que o o camino me con en 8 4 (6)
oma d’aqui. 4 2 4
A Deus, mundo enganado ! 8 (2) 3 [5]
que ja me ou 4 (2) 4
pa a Deus Noso Senno 7 1 (3) 4
que me chamou; 4 4
e i -me hei o m’El mandou 8 2 (4) 8
sin más a da , 4 (2) 4
que non me co en mo a 7 (2) 5
ja más en i. 4 (2) 4
PN1 315
O a me con en es e mundo lexa 11 1 (3) 5 6 8
pois que su o coi as e mui [...] 3 5 (8)
A la mais e mosa de quan as eu i 11 (3) 5 8
ame-la mui o e, po g an mal de mi, 11 2 5 (8)
e non sei po que allesçio-me assi 11 (3) (5) 8
[lacuna]
277

Mui poco de ienpo du ó meu plaze 11 2 5 8
e maldi o seja quen me o ez pe de . 11 3 5 (7) (9)
Ai, la mi senno a de bon pa esçe , 11 (3) 5 (8)
con la osa g açia me oy des e a ! 11 3 5 (8)
PN1 560
Vi gen, lo d’ espina, 5' 1 (3) 5
sienp e e se i, 5 1 (3) 5
san a cosa e digna, 5' 1 3 5
uega a Dios po mi. 5 1 (3) 5
E es sin dudança 5' 1 (3) 5
mui pe e a e san a, 5' 3 5
la u omildança 5' (2) 5
en el mundo non ha an a. 7' 3 (5) 7
De u alabança 5' (2) 5
la Iglesia can a, 5' 3 5
meu co se le an a 5' (2) 5
bendizendo a i. 5 3 5
Pa is e, Senno a 5' 2 5
mui sin co upçion, 5 (2) 5
san a e es ago a 6' 1 5
do los san os son. 5 3 5
Vi gen, a i ado a 6' 1 (4) 6
el mi co açon, 5 (2) 5
con g and de oçion 5 (2) 5
e obedesco a i. 6 4 6
PN1 561
Quien po Dios se enpob eçe 7' (3) [5]
en es e mundo que i e, 7' 2 4
e despues lo leal si e, 7' 3 6
en iqueçe. 3' 3
En iqueçe de iqueza 7' 3 5
qu’es pa a sienp e du able, 7' 2 4
278
mui in ini a, es able 7' 4
e mui qui a d’escu eza; 7' (2) 3
el Senno de la g andeza 7' 3 (5)
e mui g and pe donado , 7 (2) (3) [5]
que a ningund su se ido 7 3 [5]
non alleçe. 3' 3
Non alleçe ningund dia, 7' 3
qu’es i me sin mudamien o, 7' 2 (4)
quien le da egualamien o 7' (3) [5]
ai amigos! az ollia, 7' 3 (5)
qu’el Senno de la g andia 7' 3 (5)
nunca o o pa nin a á, 7 1 3 (5) 8
e quien lo con adi á 7 (2) [4]
ensandeçe. 3' 3
Ensandeçe e es mui loco 7' 3 (5)
quien de al locu a en inge, 7' (3) 5
mal se is e, mal se çinge, 7' 3 (5)
e mue e de poco en poco. 7' 2 5
Yo, amigos, non lo oco 7' 3 (5)
po o o san o nin san a, 7' 2 4
pues que odo’l mundo ‘span a 7' 3 5
su g andeçe. 3' 3
PN1 565
Con en-me bi e 5 2
is e, mui penado, 5' 1 (3)
pues desanpa ado 5' [3]
bi o oda ia. 5' 1 [3]
Po bien que se i 5 (2)
a una lo d’al u a, 6' 2 (4) 6
la mue e des i 5 2
eo sin mesu a; 5' 1 (3)
po én digo assi: 5 (2) 3
«pues non he en u a, 5' (3)
quie o i mo e 5 1 (3)
a an alongado 5' 2
279
de la que, cuidado!, 5' (2)
me çed a endia». 5' 2
Si de u e dad 5 1 3
a mo e menb a es, 5' 2
a as g and bondad 5 2
si non me ma a es. 5' 2
A e piadad, 5 2
non me desanpa es, 5' [3]
pues en u pode 5 (3)
bi o enca çelado, 5' 1 [3]
e si he buen donado 5' (2) (4) 6
es a senno a mía. 6' 1 4 6
El mi co açon 5 (2)
mui g a es cuidados 5' 2
ha oda sazon, 5 2
que po i son dados. 5' (3)
Po es a azon, 5 2
los enamo ados 5' [3]
non me que an e 5 3
po el mi pecado; 5' (2)
pues, Amo , de g ado 5' 3
dá-me aleg ia. 5' 1 [3]
SA7 130
Ai, cui ado, ago a sien o 7' 3 5
que po mi mal conoçi 7 (2) (4)
an o bien como pe di 7 1 4
po cob a al pe dimien o. 7' 3 [5]
Los mis dias ya pasa on 7' 3 (5)
en que yo be i solia 7' (3) 5
con plaze e aleg ia 7' 3 [5]
odo ‘l ienpo que du a on. 7' 1 3 (5)
Pues non sé anpa amen o, 7' (3) [5]
loado seas, Amo , 7 2 4
que A Deus, minya boa senyo 7 (2) 3 (5)
ue causa de mi o men o. 7' 2 (5)
280
Ho dena quie o mi ida, 7' 1 [3] 4
pues so pues o en al cuidado, 7' 3 (5)
que mo i de o, cui ado, 7' 3 4
o aze ida pe dida; 7' 3 4
E se a pues o [...]: ? 3 4
Ruisenyo eo- e quexoso; 7' 3 4
Amo c uel e b ioso, 7' 2 4
a a po mi conplimien o. 7' 2 (4)
Ya non puedo mas du a 7 3 (5)
es a ida padesçiendo, 7' 1 3 [5]
e pues mue o asi bi iendo, 7' 3 5
bi o me quie o ‘n e a , 7 1 4
e se a el en e amien o 7' [4]
Ca i o de minya is u a; 8' 2 5 8
Pues me allesçio en u a, 7' [3] 5
cob i á mi monimen o. 7' 3 [5]
SA7 160
Bien di e d’ Amo , 5 3
pues que me le ez 5 (3)
queda des a eç 5 2 3
po seu se ido . 5 (2)
En us nau on ade 5' (2)
d’ Amo me pa i , 5 2
e al, en e dade, 5' (2)
nunca o se i . 5 1 (3)
De se i he azon 6 3 6
sin a e gala don 6 3 6
de minya senyo . 5 3
O Amo me diso 5' 3
un dia alando, 5' (2)
si me plaçe ia 5' (2)
ama de seu ando. 5' 2
Vi moça e mosa, 5' 2
gen il, g açiosa, 5' 2
281
de ina colo . 5 2
SA7 264
Pois po a o , çie o sei, 7 4 5
ha odo ome o mello , 7 2 4
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Vejo un ome en edido, 7' 1 3 [5]
sa io, de bon sen imien o, 7' 1 (4)
e si non é a o ido, 7' (2) (4)
ha mui poco con açamien o. 8' 3 [5] 8
E pois al con açamien o 7' (2) [4]
ya m’a én a o po lei, 7 3 5
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Ca o o o neçio, udo; 7' 1 3 5
si a o po seu lo p iso, 7' 3 (5)
odos o dan po en iso 7' 1 (4)
e dizen qu’es mui sesudo. 7' 2 (5)
Quien a o en po escudo 7' 3 (5)
iene el mundo, iene el Rei, 7 1 3 5
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
Quando en a ia o a! 7' 1 (3) 5
de quien a o dá so’sp i o, 7' (2) 4
non cessa quien no ado a 7' 2 (4)
o quien maldiz o bendi o. 7' (2) 4
Donde eu epi o, 5' 1 (3) 5
e e ençia le da ei, 7 3 (5)
po an o eu c ida ei: 7 2 (4)
ai, a o ! Ai, Deus, a o ! 7 3 (5)
SA7 321
Pues me o donde cuidoso 7' 4
soy çie o, siemp e se e, 7 2 4
es a canzion can a é, 7 1 4
282

que me se a cono oso: 7' 4
T is e mui pensoso 5' 1 (3) 5
siemp e be i é. 5 1 [3] 5
Tan o cui ado sin plaze 8 1 4 (6) 8
quien e e oy que me pa o, 7' 2 (4)
de males is ezas a o, 7' 2 5
sepa que so en su pode 7 1
del Amo sienp ’ enganioso, 7' 1 3 4
po que con azon di e: 7 2 4
E mui deseioso 5' (2) 5
do que ja pasé. 5 (3) 5
Bien como desespe ado 7' 2 [4]
en iendo de camina , 7 2 (5)
pues que non puedo cob a 7 4
ningun bien po mi pensado; 7' 2 (5)
e di e, pues o denado 7' 3 [5]
as, Amo , de me ma a : 7 3 (5)
Tienpo pasado 4' 1 4
non es d’ol ida . 5 (2) 5
Pa o-me luego ago a, 7' 1 4
e lo que pod e aze , 7 4
en que pueda conplaze 7 3 [5]
a ós, mi bien e senyo a, 7' (2) (4)
como quie non me colo a 7' 1 (3) (5)
al azon a mi en ende : 8 3
Con minya senyo a 5' 2 5
solia bi e . 5 2 5
SA8 69
Po ama non saibamen e, 7' 3 [5]
mais como louco si en e, 7' 2 4
hei se ido a quen non sen e 7' 3 (5)
meu cuidado. 3' 3
Nen jamais que sen i 6 3 6
minna cui a, 3' 3
283
que po meu g and mal padesco, 7' (4)
la qual non posso so i , 7 (2) 4
an o he mui a! 3' 1 4
Pe o ejo que pe esco 7' 1 3 (5)
e non sei po qu’ ensandesco, 7' (3)
e meu co açon consen e 7' (2) 5
que moi a como inoçen e, 8' 2 4
nom culpado. 3' 3
Ben se ia que si esses, 7' 3 (5)
ai co açom! 4 4
e bi esses aballado, 7' 3 [5]
si po se i a endesses 7' 4
bom guala dom 4 4
dos u men os que ha passado. 8' 3 (5) 8
Mais ejo, po meu pecado, 7' 2 (4)
que semp e som padesçen e 7' 2 (4)
e nunca bom con inen e 7' 2 (4)
hei achado. 3' 3
MH1 280
Si dos ojos ejo 5' 3
que me ai nemiga, 5' (3)
con en que le diga 5' 2
mi desejo. 3' 3
A en u a -m’ é 5 [2]
en alguna o a, 5' 3
e i e u sé 5 3
que ella mo a, 4' 2 4
e di e: «Senno a, 5' 3
la ues a beldad 5 2
me az, po e dad, 5 (2)
mal sobejo». 3' 3
E desque l’ eu dixe 6 2 (4) 6
odo o meu mal, 5 1
ma e-me se que , 5 1
que non me én cal; 5 (2) 4
284
que a mi mas me al 5 (2)
mo e ayun ado, 5' 2
que be i penado 5' 3
allen Tejo. 3' 2 3
E, po a en u a, 5' (2)
enoja -se ha 5 3
de aques a is u a 5' 2
que a mi dá, 4 4
o me o na á 5 (2)
po seu se ido ; 5 (2)
e, si asi o , 5 (2)
ben pe ejo. 3' 3
PN1 28
F uen e de g an ma a illa 7' 1 (4)
ja dyn de dulçe olo 7 2 4
mo ada de Enpe ado 7 2
yca e mosa baxilla 7' 1 4
digan es o po seuilla 7' 1 3 (5)
obado es E poe as 7' 3 (5)
pues que synos & plane as 7' 3 (5)
lo sos ienen syn manzilla 7' 3 (5)
En ella los elemen os 7' 2 (4)
agua ie a uego & ay e 7' 1 3 5
son yquezas & donay e 7' 3 (5)
içios & abondamien os 7' 1 (3) [5]
loo es Ensalcamien os 7' 2 [4]
sean dados yo lo mando 7' 1 3 (5)
al sanc o ey don e ando 7' 2 (4)
pues gano ales çimien os 7' 2 4
Mo a deue En pa ayso 7' 2 3
quien gue eando como os 7' 4
gano an ycos eso os 7' 2 4
& an a ie a en p ouiso 7' 2 4
es a çibda que de yso 7' 1 4
se a en el mundo llamada 7' 2 5
285
la muy bien a en u ada 7' (2) [4]
a quien dios bien quie e & quisso 7' (2) 5
Cla yda E dysc eçion 7 3 [5]
es ue ço E cable ya(!) 7 2 (4)
g an lynpieza & loçania 7' 3 [5]
mo a en su poblacion 7 1 (4)
pues aze deue mençion 7 3 4
odo el mundo en e da 7 1 4
de an pe ec a çibda 7 (2) 4
& de su cos elaçion 7 (3) [5]
PN1 29
He coles que hedi ico 7 1
la çibda muy pode osa 7' 3 [5]
su alma ssea gozossa 7' 2 4
que al çibda o deno 7 (2) 4
po seuilla demos o 7 3 [5]
en su muy al o ssabe 7 (2) 4
que se a ie de nobleze 7 3 [5]
po julio que la poblo 7 2 (5)
Con ssabe E pode io 7' 3 [5]
es os doss la o dena on 7' 1 (3) [5]
& los que en ella pobla on 7' (2) 4
ue p oeza & muy g an b io 7' 3 (5)
içio & p ez & amo yo 7' 1 (3) [5]
leal ança & lindo amo 7 3 5
syenp e byue syn pauo 7 1 3 (5)
ybe as del su g an yo 7' 2 (5)
Fal a oy non es sabida 7' 1 (3) (5)
en el mundo al çibda 7 3 (5)
nin a n con al P opieda 7 (4)
de an os bienes conplida 7 2 4
abondada E guaneçida 7' 3 [5]
de yn yni os plaze es 7' 4
lynpieza son sus a e es 7' 2 (5)
de loo es Bas ezida 7' 3 [5]
286
Fue el u gozo e çe o 37 7' 4
quando ino el luze o 7' 1 3 (5)
a demos a 4 4
el camino e dade o 7' 3 [5]
a los eyes, conpañe o 7' 3 [5]
ue en guia . 4 4
Fue u qua a aleg ía 38 7' 3 [5]
quando e dixo, Ma ía,
7'
1
4
el G abïel428 4 4
que el u ijo e ía429 7' 4
e po señal e dezía 7' 4
que ie a a él. 4 2 4
El quin o ue de g and dulço : 39 8 2 (4) (6)
quando al u ijo seño 8 1 4
is e sobi 4 1 4
al çielo, a su Pad e Mayo , 8 2 5
e ú incas e con amo 8 (2) 4 (6)
de a él i . 4 4
Non es el ses o de ol ida : 40 8 (2) 4
los discípulos ino alunb a 430 9 3 6
con espan o; 4 3
ú es a as en ese luga , 9 3 6
del çielo is e y en a 7 2 4
Spí i u San o431. 4' 1 4
Es e sep eno non ha pa : 41 8 1 4 (6)
quando po i quiso enbïa 9 1 5
Dios u pad e, 3' 3
al çielo e izo puja , 8 2 5
con él e izo assen a 7 2 4
como a Mad e. 3' 1 3
Seño a, óy al pecado , 42 8 2 (4) [6]
428 W: «que G abïel».
429 W: «dixo que jesú e ía».
430 W, C: «diciplos».
431 W, C: «Sp i u San o».
293

que u ijo, el Sal ado , 7 3 [5]
po nós diçió 4 (2) 4
del çielo, en i mo ado ; 7 2 (4)
el que pa is e, blanca lo , 8 4 6
po nós mu ió. 4 (2) 4
Pecado es non abo escas, 43 8' 3 (5)
pues po ellos se me escas 7' 3 (5)
Mad e de Dios; 4 1 4
an 'él connusco pa escas, 7' (2) 4
nues as almas le o escas, 7' 1 3 (5)
uégal po nós. 4 1 4
Mis ojos non e án luz, 115 7 2 (4) 6
Pues pe dido he a C uz. 7 3 (5)
C uz c uzada, panade a, 116 7' 3 [5]
omé po en ende[de] a, 7' 2 [4]
omé senda po ca e a 7' 2 3
como andaluz432. 5 1 5
Coidando que la a ía, 117 7' 2 (5)
díxielo a Fe and Ga çía 7' 1 5
que oxiése la ple esía 8' 3 (5)
e uese plei és e duz. 7 2 5
Díxome que•l plazia de g ado, 118 9' 1 (4) 6
e izose de la C uz p i ado433: 9' 3 (5)
a mí dio umia sal ado, 7' (2) 5
él comió el pan más duz. 7 3 (5)
P ome iól po mi consejo 119 7' 3 (5)
igo que enía añejo 7' 1 (3) 5
e p esen ól un conejo 7' 4
el aido also, ma uz. 7 3 4
Dios con onda mensaje o 120 7' 3 [5]
an p es o e an lige o! 7' 2 (5)
432 W: «como az' el andaluz», C: «como haz el andaluz».
433 W: « izose de la C uz p i ado».
294
Non med e Dios al coneje o434 8' 2 (4) [6]
que la caça ansí aduz! 7 3 5
Passando una mañana 959 7' 2 4
el pue o de Malangos o, 7' 2 [5]
sal eóme una se ana 7' 2 4
al asoman e de un os o435: 7' 4
"Fademaja", diz, "donde andas436? 8' 3 6
Qué buscas qué deamandas437 7' 2 4
po aques e pue o angos o?" 7' 3 5
Dixle yo a la p egun a: 960 7' 1 (3) (5)
"Vome azia So osal os438." 7' 1 4
Diz: "El pecado e ba un a 8' 4 (6)
en abla e bos an b a os, 7' 3 4
que po es a encon ada, 7' 3 [5]
que yo engo gua dada, 6' 3
non pasan los omnes sal os." 7' 2 5
Pa óseme en el sende o 961 7' 2 5
la gaha, oín [e] heda: 7' 2 5
"A la he", diz, "escude o, 7' (3)
aqui es a é yo queda 7' 2 5
as a que algo me p ome as; 7' 1 (5)
po mucho que e a eme as439, 7' 2 (4)
non passa ás la e eda." 7' 4
Díxele yo: "Po Dios, aque a440, 962 7' 1 (5)
non me es o es mi jo nada: 7' 3 (5)
uel e e dame ca e a, 7' 2 4
que non ax pa a i nada." 7' 4
Ella diz: "Dende e o na, 7' 1 4
po Somosie a as o na, 7' 4
que non a ás aqui passada." 7' 3 5
434 W: «Non med e Dios coneje o».
435 W, C: «al asoman e del os o».
436 W, C: «"Hadedu o", diz, "donde andas?».
437 W, C: «Qué buscas o qué deamandas».
438 W, C: «Vome pa a So osal os».
439 W, C: «po bien que e a eme as».
440 W, C: «Dixle yo: "Po Dios, aque a».
295
La Cha a endïablada, 963 7' 2 [4]
que San Illám la con onda!, 7' 4
a ojome la cayada 7' 3 (5)
e odeóme la onda, 7' 4
ena en óme el ped e o441, 7' 4
diz: "Pa el Pad e e dade o442, 7' 3 [5]
ú me paga ás oy la onda!" 8' 5
Fazia nie e e g aniza a; 964 7' 2 3 [5]
díxome la Cha a luego, 7' 1 5
ascas que me amenaza a: 7' 1 (3) [5]
"Págam', si non e ás juego." 7' 1 (4) 6
Díxel yo: "Pa Dios, e mosa, 7' 1 (3) (5)
dezi os he una cosa: 7' 2 5
más que ía es a al uego." 7' 3 5
Diz: "Yo e le a é a cassa, 965 7' (2)
e mos a e he el camino443, 7' 3 (5)
aze e he uego e b asa, 7' 2 4
da e he del pan e del ino; 7' 1 (4)
alaúd!, p ome me algo, 7' 3 5
e ene e he po idalgo; 7' 3 (5)
buena mañana e ino!" 7' 1 4
Yo, con miedo e a ezido444, 966 7' 3 [5]
p ome il una ga nacha 7' 3 4
e mandél pa a el es ido 7' 3 4
una b oncha e una pancha; 7' 1 3 5
ella diz: "D'oy más amigo, 7' 1 (3) (5)
anda acá, e e conmigo, 7' 1 3 5
non ayas miedo al escacha." 7' 2 4
Tomome ezio po la mano, 967 8' 2 5
en su pescueço me puso 7' (2) 4
como a çu ón li iano 7' 1 4
e le om la cues a ayuso445: 7' 3 5
441 W, C: «enaben ó el ped e o».
442 W: «"Pa el Pad e e dade o».
443 W, C: «demos a e he el camino».
444 W: «Yo, con miedo a ezido».
296
"Habedu o, non e espan es, 7' 3 (5)
que bien e da é qué yan es, 7' (2) 5
como es de la sie a uso446." 7' 1 5
Pússome mucho aína 968 7' 1 4
en una en a con su enho o; 8' 2 4
diome ogue a de enzina, 7' 1 4
mucho gaçapo de so o 7' 1 4
buenas pe dizes asadas, 7' 1 4
ogaças mal amassadas 7' 2 (4)
e buena ca ne de cho o; 7' 2 4
de buen ino un qua e o, 969 7' 3 (5)
man eca de acas mucha, 7' 2 5
mucho queso assade o, 7' 1 3 [5]
leche, na as e una ucha; 7' 1 3
dize luego: "Habedu o, 7' 1 3
comamos d'es e pan du o; 7' 2 4
después a emos la lucha." 7' 2 4
Desque ui un poco es ando447, 970 7' 1 (3) 5
uime desa i iziendo; 7' 1 [4]
como me i a calen ando, 7' 1 [5]
ansí me i a son iendo; 6' 2 6
o eóme la pas o a, 7' 3 (5)
diz: "Ya, conpañón! Ago a 7' (2) 5
c eo que o en endiendo." 7' 1 (4)
La aque iza a iessa 971 7' 4
diz[e]: "Luchemos um a o; 7' 1 4
lié e e dende ap iesa, 7' 1 4
desbuél e e de aqués ha o." 7' 2 6
Po la muñeca me p iso, 7' 4
o e de aze quan o quiso448: 8' 1 4 5
c ee que iz buen ba a o. 7' 2 (4)
445 W: «le om la cues a ayuso».
446 W: «como es de sie a uso.».
447 W: «Desque ui poco es ando».
448 W: «o e de e quan o quiso».
297
Sienp e se me e ná emien e449 987 8' 1 (4) 6
d'es a se ana alien e, 7' 4
Gadea de Rio ío. 6' 2 (4)
A la ue a d'es a aldeã, 988 7' 3
la que aqui he nonb ado, 7' 4
encon éme con Gadea, 7' 3 (5)
acas gua da en el p ado; 7' 1 3 (5)
yo•l dixe: "En buena o a sea 9' (2) 5
Ella me espuso: "Ea! 7' 1 (3) 5
La ca e a as e ado 7' 3 (5)
e andas como adío?" 7' 2 4
"Radío ando, se ana, 989 7' 2 4
en es a g and espessu a; 7' 2 (4)
a las ezes omne gana 7' 3 5
o pie de po a en u a; 7' 2 (4)
mas, quan o es a mañana, 7' 2 4
del camino non he cu a, 7' 3 (5)
pues os yo engo, he mana, 7' (2) 4
aqui en es a e du a, 7' 2 4
ibe a de aques e io450." 7' 2 5
Ríome como espuso 990 7' 1 4
la se ana an sañuda; 7' 3 (5)
desçendió la cues a ayuso, 7' 3 5
como e a a e uda; 7' 1 3 [5]
díxo: "Non sabes el uso 7' 1 4
cómo•s doma la es muda? 7' 1 3 (6)
Quiçá el pecado e puso451 7' 4
esa lengua an aguda. 7' 1 3 (5)
Si la cayada e enbío ...!" 7' 4
Enbïóme la cayada 991 7' 3 (5)
aqui, ás el pes o ejo452, 7' 2 (4)
ízome i la cues alada, 7' 1 (4)
de ibóme en el allejo; 7' 3 (5)
449 W: «Sienp e e me e ná emien e».
450 W: « ibe a de es e io».
451 W, C: «Quiçá el diablo e puso».
452 W, C: «dióme ás el pes o ejo».
298

dixo la endïablada: 6' 1 (3)
"Así api[o]lan el conejo453; 7' 2 4
soba ' é", diz, "el al a da 7' 2 (4)
si non e pa es del ebejo: 8' (2) 4 6
lié a e, e e, sandío!" 7' 1 4
Hospedóme e diome ianda454 992 7' 3 5
mas esco a me la izo; 7' 4
po que non iz quan o manda, 7' 2 5
diz: "Roín, gaho, en e nizo! 8' 4
Como iz loca demanda 7' 1 4
en dexa po i el aque izo! 8' 3 [6]
Yo• mos a é, si non ablandas, 8' 4 (6)
como se pella el e izo 7' 1 4
sin agua e sin oçío." 7' 2 (5)
Do la casa del Co nejo 997 7' 3 (5)
p ime dia de selmana, 7' 2 3 (5)
en comedio del allejo, 7' 4
encon é una se ana 7' 3 4
es ida de buen be mejo 7' 2 (4)
e buena cin a de lana455; 7' 2 4
díxele yo ansí: "Dios e sal e, he mana456." 10' 1 5
Diz: "Qué buscas po es a ie a?457 998 8' 3 6
Cómo andas descaminado?" 8' 1 3 [5]
Díxele yo: "Ando la sie a458 7' 1 4
do que ia cassa de g ado459." 7' 3 5
Ella dixo: "Non lo ye a 7' 1 3 (5)
el que aquí es cassado: 7' 4
busca e alla ás ecabdo. 7' 1 [3] 5
"Mas, pa ien e, ú e ca a 999 7' 3 (5)
si sabes de sie a algo." 7' 2 5
453 W, C: «"Así empiuelan conejo».
454 W: «Dïóme ella ianda».
455 W, C: «e buena co ea de lana».
456 W: «díxele: "Dios e sal e, he mana."».
457 W: «"Qué buscas po es a ie a?».
458 W, C: «Dixle yo: "Ando la sie a».
459 W, C: «do me casa ía de g ado.».
299
Yo•l dixe: "Bien sé gua da ma a, 8' 2 (5)
e yegua en çe o ca algo460; 7' (2) 4
sé el lobo cómo se ma a: 7' 2 4
quando yo en pos él salgo, 7' 1 (3) (5)
an es lo alcanço qu'el galgo. 7' 1 4
"Sé muuy bien o nea acas 1000 7' (3) 6
e doma b a o no illo, 7' 3 4
sé maça e aze na as 7' 3
e aze el od ezillo, 7' 3 [5]
bien sé gui a las aba cas 7' (2) 4
e añe el ca amillo, 7' 3 [5]
e ca alga b a o po illo461. 8' 4 5
"Sé aze el al ibaxo 1001 7' 3 [5]
e so a a qualquie muedo, 7' 3 6
non allo al o nin baxo 7' 2 4
que me ença, segund cuedo; 7' 3 6
quando a la lucha me abaxo, 7' 1 4
al que una ez a a puedo, 7' 4 6
de íbol, si me denuedo462." 7' 2 (4)
Diz: "Aquí a ás casamien o 1002 7' 3 5
al qual ú demandudie es: 7' (3) [5]
casa me he de buen alen o 7' 2 (5)
con igo, si algo die es: 7' 2 5
a ás buen en endimien o." 7' 2 [4]
Díxele yo463: "Pide lo que quisie es, 9' 1 4 (6)
e da e he lo que pidie es464." 7' 2 (5)
Diz: "Dame un p endede o 1003 7' 2 (4)
que sea de be mejo paño465, 8' 2 (4) 6
e dame un bel pande o 7' 2 (5)
e seis anillos de es año, 7' (2) 4
un çama ón disan e o, 7' 4
ga nacho pa a en e el año; 8' 2 4 6
460 W, C: «yegua en çe o ca algo».
461 W, C: «ca alga b a o po illo».
462 W, C: «de íbol yo, si me denuedo».
463 W, C: «Díxele: "Pide lo que quisie es,»
464 W, C: «e da e he lo que m' pidie es».
465 W: «sea de be mejo paño».
300
e no m' ables en engaño. 8' (2) (4) (6)
"Dam' ça çillos e he illa466 1004 7' 3 (5)
de la on bien eluzien e, 7' 3 [5]
e dame oca ama illa467 7' 2 4
bien lis ada en la uen e; 7' 3 (5)
çapa as as a odilla468; 7' 2 4
e di á oda la gen e: 7' 3 4
Bien casó Menga Llo ien e!" 7' 3 4
Yo•l dixe: "Da e he esas cosas 1005 9' 3 5
e aún más, si más comides, 7' (3) (5)
bien loçanas e e mosas; 7' 3 (5)
a us pa ien es conbides, 7' (2) 4
luego agamos las bodas; 7' 1 4
e es o non lo ol ides469, 7' 2 (4)
que y a o po lo que pides." 7' 2 (4)
Ce ca la Tablada 1022 5' 1 (3)
la sie a passada, 5' 2
alléme con Alda 5' 2
a la mad ugada. 5' (2)
En cima del pue o, 1023 5' 2
coidéme se mue o 5' 2
de nie e e de io, 5' 2
e d'ese oçío 5' 2
e de g and elada. 5' (3)
[Ya] a la decida 1024 5' (2)
di una co ida, 5' 2
allé una se ana 5' 2 3
e mosa, loçana 5' 2
e bien colo ada. 5' (2)
Dixe yo a ella: 1025 5' 1 (3)
466 W, C: «"Dam' ça ciellos e he illa».
467 W, C: «e dame oca ama iella».
468 W, C: «çapa as as a odiella».
469 W: «e es o non ol ides».
301
"Omíllome, bella." 5' 2
Diz: "Tú que bien co es 5' (2)
aquí non e engo es: 5' 2
anda u jo nada." 5' 1 (3)
Yo•l dix: "F io engo 1026 5' 3
e po eso engo 5' 3
a ós, e mosu a: 5' (2)
que ed, po mesu a, 5' 2
oy da me posada." 5' 2
Díxome la moça: 1027 5' 1
"Pa ien e, mi choça, 5' 2
el que en ella posa 5' 3
conmigo desposa470 5' 2
o dam g and soldada471." 5' (3)
Yo•l dixe: "De g ado, 1028 5' 2
mas yo só cassado 5' (3)
aquí en Fe e os; 5' 2
mas de mis dine os 5' (3)
da os he, amada." 5' 1 (3)
Diz: "T o a conmigo." 1029 5' 2
Le óme consigo 5' 2
e diom buena lunb e, 5' 3
como es de cons unb e472 5' 1 (3)
de sie a ne ada. 5' 2
Diom' pan de cen eno, 1030 5' (3)
iznado, mo eno, 5' 2
e diom ino malo, 5' 3
ag illo e alo, 5' 2
e ca ne salada. 5' 2
Diom queso de cab as: 1031 5' 2
"Fidalgo", diz, "ab as 5' 2
ese blaço e oma 5' 1 3
470 C: «conmigo s' desposa».
471 W: «o me da soldada», C: «o dame soldada».
472 W: «como e a cons unb e».
302
Con cla os encla a on 1065 6' 2 [4]
las manos e pies d'él, 6 2 (5)
la su se abeb a on 6' 3
con inag e e iel; 6 3
las llagas que•l llaga on 6' 2 (4)
son más dulçes que miel 6 3
a los que en Él a emos 6' (2) (4)
espe ança sin pa . 6 3
En c uz ue po nós mue o, 1066 6' (2)
e ido e llagado, 6' 2 (4)
e después ue abie o 6' 3
de ascona su cos ado: 6' 2 (4)
po es as llagas çie o 6' 2 4
es el mundo sal ado; 6' 3
a los que en Él c eemos, 6' (2) (4)
Él nos quie a sal a . 6 3
Mad e de Dios glo ïosa, 1635 6' 1 (4)
Vi gen San a Ma ía, 6' 1 3
ija e leal esposa 6' 1 4
del u ijo Mexía, 6' 3
ú, Seño a, 3' 3
dame ago a, 3' 3
la u g açia oda o a, 7' 3 5
que e si a oda ía. 7' 3 5
Po que se i e cobdiçio, 1636 7' 1 4
yo, pecado , po an o 6' 4
e o esco en se içio 7' 3
los us gozos, que can o; 6' 3
el p ime o 3' 3
ue çe e o 3' 3
ángel a i mensaje o 7' 1 4
del [E]spí i u San o 6' 3
Conçebis e a u Pad e; 1637 6' 3
ue u goço segundo 6' 3
quando lo pa is e, Mad e: 7' 1 (3) 5
309

sin dolo salió al mundo 6' 3
[lacuna]
qual nasçi[s] e 3' 3
[lacuna]488 3' 3
bien a al emaneçis e, 7' 3 5
i ge[n] del san o mundo. 6' 1 4
El e çe o, la es ella 1638 6' 3
guió lo Reyes, po o 6' 2 4
enie on a la luz d'ella 7' 2 (5)
con su noble heso o, 6' 3
e lauda on 3' 3
e ado a on, 3' 3
al u ijo p esen a on 7' 3 [5]
ençienso, mi a, o o. 6' 2 4
Fue u aleg ía qua a 1639 6' 4
quando o is e mandado 6' 1 3
de la he mana de Ma a 7' 4
que e a esuçi ado 6' [3]
u ijo duz, 4 2 4
del mundo luz, 4 2 4
que is e mo i en c uz, 7 2 5
que e a le an ado489. 6' 2 [4]
Quando a los çielos sobió, 1640 7 1 4
quin o plaze omas e; 6' 1 4
el ses o, quando enbió 6 2 4
Espí i u San o, gozes e490; 8' 2 5
el sep eno 3' 3
ue más bueno: 3' 3
quando u ijo po i eno491 8' 1 4 (6)
e al çielo pujas e. 6' 3
Pído e me çed, Glo iosa: 1641 7' 1 5
sienp e, oda egada, 6' 1 3
que me seas pïadosa, 7' 3
488 C: « al i is e».
489 W: «a que e a le an ado», C: «que ó e a le an ado».
490 C: «San o Esp i o, gozes e».
491 C: «do u ijo po i eno».
310
aleg e e pagada; 6' 2 (4)
quando a judga , 3 1 3
jüizio da 3 1 3
Jhesú inie , quie me ayuda 9 2 4 5 [7]
e se mi abogada. 6' (3)
Todos bendigamos 1642 5' 1 [3]
a la Vi gen San a, 5' 3
sus gozos digamos 5' 2
e su ida, quan a 5' 3
ue, segund allamos 5' 3
que la es o ia can a, 5' 3
ida an a. 3' 1 3
El año dozeno, 1643 5' 2
a es a donzella, 5' 2
ángel de Dios eno492, 5' 1
[lacuna]493
Vi gen bella. 3' 1 3
Pa ió su ijuelo, 1644 5' 2
qué gozo an maño!, 5' 2
a es e moçuelo, 5' 2
el ezeno año; 5' 3
eys enie on lluego 5' 3
con p esen e es año494 5' 3
ado allo495. 3' 3
Años ein a e es 1645 5 1 3
con Ch is o es ido; 5' 2
quando esuçi ado es496, 8 1 [3] 6
qua o goço ue conplido497; 7' 1 3 (5)
quin o, quando Jhesús es498 7 1 3 6
al çielo sobido 5' 2
e lo ido. 3' 3
492 C: «ángel de Dios bueno».
493 C: «bendicho es u seno/ eluzien e es ella».
494 C: «da p esen e es año».
495 W: «a ado allo», C: «e ado allo».
496 C: «do esuçi ado es».
497 C: «el qua o goço es conplido»
498 C: «quin o, do Jhesús es».
311
Ses a aleg ía 1646 5' 1 [3]
o o ella, quando, 5' 1 3
en su conpanía 5' 2
los diçípulos es ando499, 7' 3
Dios allí enbía 5' 3
[E]spí i u San o 5' 2
alunb ando. 3' 3
La ida conplida 1647 5' 2
del ijo Mexía, 5' 2
nue e años de ida 6' 1 3
bi ió San a Ma ía500; 6' 2 3
al çielo ue subida, 6' 2 (4)
qué g and[e] aleg ía 5' (2)
es e día! 3' 1 3
Gozos ue on sie e 1648 5' 1 3
e años çinquaen a501 5' 2
e qua o çie amen e502 6' 2 [4]
o o ella po cuen a. 6' 1 3
De iéndenos sienp e 5' 2
de mal e de a uen a, 5' (2)
Vi gen gen a! 3' 1 3
Todos los ch is ianos 1649 5' 1 (3)
a ed aleg ía 5' 2
señalada503; 3 3
en aques e día504: 5' 3
nasçió po sal a nos505 5' 2
de San a Ma ía506 5' 2
co onada507. 3' 3
499 W, C: «los diciplos es ando».
500 W: «o o San a Ma ía», C: «bi ió más Ma ía».
501 W: «años çinquaen a», C:«e años çinquaen a e».
502 C: «qua o çie amen e».
503 W, C: «nació po sal a nos».
504 C: «de San a Ma ía».
505 C: «a quien co onamos».
506 C: «en aques e día».
507 W:«en nues a allía», C: «el Mexía».
312
Seño es, da al escola 508 1650 8 2 (4)
que os iene demanda 509. 7 3 [5]
Da limosna o açió[n]; 1651 7 3 (5)
a é po ós o açión, 7 2 (4)
que Dios os dé sal açión; 7 (2) (4)
que ed po Dios a mí da . 7 2 (4)
El bien que po Dios eçie des, 1652 7' (2) (5)
la limosna que a mí die des, 7' 3
quando d'es e mundo salie des, 8' 1 5
es o os á de ayuda . 7 1 (4)
Quando a Dios die des cuen a 1653 7' 1 5
de los algos e de la en a510, 7' 3
escusa os ha de a uen a 7' 3 (5)
la limosna po Él a 511. 7 3
Po una açión que dedes512, 1654 7' 2 5
ós çien o de Dios omedes 7' 2 (5)
e en pa aíso en edes: 7' (2) 5
ansí lo quie a Él manda ! 7 2 4 (6)
Ca ad que el bien aze 1655 7 2 (5)
nunca se ha de pe de : 7 1 (4)
pode os ha es o çe 7 2 (4)
del In ie no, mal luga . 7 3 (5)
Seño es, ós da a nós, 1656 7 2 (4)
escula es pob es dos. 7 3 5
El Seño de Pa aíso, 1657 7' 3 [5]
Ch is os, an o que nos quiso513 7' 1 3 (5)
que po nós la mue e p iso: 7' (3) 5
ma á onlo los jodiós. 7 2
508 C: «Seño es, al escola ».
509 C: «da que os iene demanda ».
510 W,C: «de los algos e la en a».
511 W, C: «la limosna e po Dios a ».
512 W, C: «Po una açión que m' dedes».
513 W, C: «a c is ianos an o quiso».
313
Mu ió Nues o Seño 514 1658 6 2 3
po se nues o sal ado ; 7 3 [5]
dadnos po el su amo , 7 1 (4)
si Él sal e a odos ós! 7 3 5
Aco da os de su es o ia, 1659 8' 3 6
dad po Dios en su memo ia, 7' (3) (5)
si Él os dé la su glo ia, 7' (2) (4)
dadnos limosna po Dios! 7' 1 4
Ago a, en quan o bi ie des, 1660 7' 2 5
po su amo sienp e dedes, 7' (2) 4 5
e con es o escapa edes 7' 3 [5]
del In ie no e de su os. 7 3 (5)
A e Ma ía, glo iosa, 1661 7' 2 4
Vi gen san a, p ecïosa, 7' 1 3 [5]
cómo e es pïadosa, 7' 1 3 [5]
oda ía! 3' 1 3
G açia plena, sin manzilla, 1662 7' 1 3 (5)
abogada, 3' 3
po la u me çed, Seño a, 7' (3) 5
az es a ma a illa515 6' 2 [4]
señalada: 3' 3
po la u bondad ago a 7' (3) 5
guá dame oda o a 6' 1 4
de mue e e goñosa, 6' 2 [4]
po que loe a i, e mosa, 7' 1 3 (5)
noche e día. 3' 1 3
Dominus ecum, es ella 1663 7' 1 4
esplandeçien e516, 4' [2] 4
[lacuna]517
ca adu a muy bella518, 6' 3
514 W, C: «Mu ió el Nues o Seño ».
515 W: « az aques a ma a illa».
516 W: « esplanden e», C: « esplenden e».
517 C: «melezina de cuidados».
518 C: «ca adu a mucho bella».
314

eluzien e, 3' 3
sin manzilla de pecados, 7' 3 (5)
po los us gozos p eciados519 7' (2) 4
e pido, i üosa, 6' 2 [4]
que me gua des, linpia osa, 7' 3 5
de ollía. 3' 3
Benedi a u, on ada 1664 7' 3 (5)
sin egualeza520, 4' 4
siendo i gen conçebis e, 7' 1 3 [5]
de los ángeles loada 7' 3
en al eza: 3' 3
po el ijo que pa is e, 7' 3 (5)
po la g açia que o is e,521 7' 3 (5)
o bendicha lo e osa!522, 7' 3 (5)
ú me gua da, pïadosa, 7' 3 [5]
e me guía. 3' 3
In mulie ibus escogida, 1665 8' 3 [5]
San a Mad e, 3' 1 3
de ch is ianos anpa ança, 7' 3 [5]
de los san os bien se ida; 7' 3 (5)
e u Pad e 3' 3
es u ijo sin dubdança: 7' 3 (5)
o Vi gen, mi iança!523, 6' 2 (4)
de gen e maliçiosa, 6' 2 [4]
c üel, mala, sobe iosa, 7' 2 3 [5]
me des ía. 3' 3
E benedic us uc us, olgu a524 1666 9' 4 6
e sal amien o525 4' 4
del linaje umanal, 7 3 [5]
que i as e la is u a526 7' 3 (5)
e pe dimien o527, 4' 4
519 W: «po us gozos p eciados».
520 W: «sin egüeza».
521 C: «po la g açia que o is e, ó».
522 W, C: «bendicha lo e osa!».
523 C: «Vi gen, la mi iança!».
524 W: «benedic us uc us, olgu a», C: «benedic us uc us, olgu a é».
525 C: «sal amien o», W: «sal ación».
526 C: «que i as e la is u a é».
315
que po nues o esqui o mal 7 3 5
el dïablo, suzio al, 7 3 5
con su ob a engañosa, 7' 3 [5]
en cá çel pelig osa528 6' 2 [4]
ya ponía. 3' 3
Ven is ui, san a lo 1667 6 1 4
non añida: 3' 3
po la u g and san idad, 7 4
ú me gua da de e o , 7 3 (5)
que mi ida 3' 3
sienp e siga en bondad, 7 1 3 (5)
que me esca egualdad 7 3 [5]
con los san os, muy g açiosa529, 7' 3 (5)
en dulço ma a illosa, 7' 3 [5]
o Ma ía! 3' 3
M[i] aglos muchos aze[s]530 1668 6' 2 4
Vi gen sienp e pu a531, 5' 1 3 5
agua dando los coi ados 7' 3 (5)
de dolo e de is u a; 7' 3 (5)
el que loa u igu a 7' 3 (5)
non lo dexas ol idado: 7' 3 [5]
non ca ando su pecado, 7' 3 (5)
sál aslo de ama gu a. 7' 1 (4)
Ayudas al inoçen e532 1669 7' 2 (4)
con amo muy e dade o; 7' 3 [5]
al que es u se ido 7 (3) [5]
bien lo lib as de lige o: 7' 3 (5)
non le es alleçede o 7' (3) [5]
u aco o sin dudança; 7' 3 (5)
guá dalo de malandança 7' 1 (4)
el u bien g ande, llene o. 7' (2) 4
Reína, Vi gen, mi es ue ço, 1670 7' 2 4
527 C: «pe dimien o», W: «pe dición».
528 W: «su cá çel pelig osa».
529 W: «con los san os, g açiosa».
530 C: «Mi aglos muchos Ma ía».
531 C: « azes Vi gen sienp e pu a».
532 W, C: «Al inocen e ayudas».
316
yo só pues o en al espan o, 7' 3 5
po lo qual a i bendigo, 7' (3) (5)
que me gua des de queb an o; 7' 3 (5)
pues a i, Seño a, can o, 7' (3) 5
ú me gua da de lisión, 7 3 (5)
de mue e e de ocasión, 7 2
po u ijo, Jhesú san o. 7' 3 6
Yo só mucho ag a iado 1671 7' 3 [5]
en es a çibdad seyendo: 7' 2 5
u aco o e gua da ue e 7' 3 5
a mí lib e, de endiendo; 7' 3 [5]
pues a i me encomiendo, 7' (3) (5)
non me seas desdeñosa: 7' 3 [5]
u bondad ma a illosa 7' 3 [5]
loa é sienp e, se iendo. 7' 3 4
A i me encomiendo533, 1672 6' (2)
Vi gen San a Ma ía534: 6' 1 3
la mi coi a ú la pa e, 7' 3 (5)
ú me sal a e me guía 7' 3 (5)
e me gua da oda ía, 7' 3 5
pïadosa Vi gen san a, 7' 3 5
po la u me çed que es an a, 7' (3) 5
que dezi non la pod ía. 7' 3 5
San a Vi gen escogida, 1673 7' 1 3 [5]
de Dios Mad e muy amada, 7' 3 (5)
en los çielos ensalçada, 7' 3 [5]
del mundo salud e ida. 7' 2 5
Del mundo salud e ida, 1674 7' 2 5
de mue e des üimien o, 7' 2 [5]
de g açia llena conplida, 7' 2 4
de coi ados sal amien o: 7' 3 [5]
de aques e dolo que sien o 7' 2 5
en p esión sin me esçe , 7 3 [5]
ú me deña es o çe 7 3 [5]
con el u de endimien o. 7' (2) [4]
533 C: «A i yo me encomiendo».
534 W, C: «o Vi gen San a Ma ía».
317
Con el u de endimien o, 1675 7' (2) [4]
non ca ando mi maldad 7 3 (5)
nin el mi me esçimien o, 7' (3) [5]
mas la u p opia bondad: 7 4
que con ieso en e da 7 3 (5)
que só pecado e ado; 7' (2) 5
de i sea ayudado 7' 3 [5]
po la u i ginidad. 7 (3) [5]
Po la u i ginidad 1676 7 (3) [5]
que non ha conpa açión, 7 (3) [5]
nin o is e egual ad 7 3 [5]
en ob a e en ençión; 7 2 (4)
conplida de bendiçión, 7 2 (4)
pe o non só me esçien e, 7' 1 (4)
enga a i, Seño a, en mien e 7' 1 (3) 5
de conpli mi pe içión. 7 3 [5]
De conpli mi pe içión, 1677 7 3 [5]
como a o os ya conplis e, 7' 1 3 (5)
de an ue e en açión 7 3 [5]
en que só, coi ado, is e; 7' (3) 5
pues pode as e o is e535, 7' 3 (5)
ú me gua da en u mano: 7' 3 (5)
bien aco es muy de llano 7' 3 (5)
al que quie es e quisis e. 7' 3 (5)
Quie o segui 1678 4 1 4
a i, lo de las lo es, 6' (3)
sienp e dezi 4 1 4
can a de us loo es; 6' 2 (4)
non me pa i 4 4
de e se i , 4 (2) 4
mejo de las mejo es. 6' 2 (4)
G and iança 1679 3' 3
he yo en i, Seño a; 6' (2) (4)
la mi espe ança, 5' (2) 5
en i es oda o a: 6' (2) 4
535 C: «pues as pode e o is e».
318
Anexo 4 - Lis a dos ilance es u ilizados nas pesquisas na LCSMDB
Fo ma Vilance e567 Obse ações
A | BBA •MP4i-522 Reyna e Mad e de Dios, . 12 (monodia)
•MP4c-283 Yo con os, seño a, . 13
AA’ | A’A’AA’ •MP4c-279 Ti ’allá, que non quie o, Alonso, . 4
•MP4g-499 En a Mayo y sale Ab il, . 52
AA’ | A’AAA’ •MP4 -360 Lo que demanda el ome o, . 246bis
AA' | BCBCAA' •MP4 -360 Ha Pelayo, qué desmayo, Aldoma , . 58
AB | AAAB •MP4 -347 No quie o se monja, no, . 6
•MP4a-186 Ped o, y bien e quie o, Encina, . 199
•Meus olhos an pe lo ma e, . 299
AB | BBAB •MP4c-281 G i os da an en aquella sie a, Alonso, . 10
•MP4b-265 No se puede llama e, Encina [a ibuição],
. 34
•MP4 -348 Mi mal po bien es enido, Badajoz, . 38
•MP4c-285 Minno amo , dexis e ay, . 44
•Aquí iene la lo , seño as, . 52
•MP4 -357 Más quie o mo i po e os, Encina, . 55
•MP4 -362 Muchos an de amo he idos, . 59
•MP4a-86 Los sospi os no sosiegan, Encina, . 100 -101
•MP4a-91 Oy comamos y bebamos, Encina, . 105 -106
•MP4c-290 Lo que queda es lo segu o, Escoba , . 129
•MP4a-134 D'aquel ai e laco y ce ino, Laga o, .
147 -148
•MP4k-542 Meu na anjedo no en u a, . 217
•MP4a-234 No puedo apa a me, . 245
•MP4 -488 Po os, mal me iene, niña, . 251
•MP4d-321 Tan buen ganadico, Encina, . 280
•Llue e menudico, . 281
•MP4k-548 Viejo malo en la mi cama, Sedano, . 301
AB | B'B'AB •Niña, e guídeme los ojos, . 66 [mesmo ex o que o
MP4d-312 no . 50, mas a música é di e en e]
•MP4 -397 Todos due men co açón, Baena, . 105
AB | CCAB •MP4b-260 Pánpano e de, To e, . 8
•MP4c-282 T is esa, quien a mí os dió, Alonso, . 12
•MP4c-284 De monçón enía el moço, . 8
•MP4c-287 Mano a mano los dos amo es, . 46
•MP4 -352 Pa i , co açón, pa i , Encina, . 47
567 Com a sigla a ibuída po Du on quando exis e.
325

•MP4d-312 Niña, e guídeme los ojos, Peñalosa, . 50
•Cucú, cucú, cucucú, gua da no lo seas ú, F[e nandes],
. 62
•T is eza, quien a mí os dió, . 68
•MP4 -373 Quién os a ía de lle a , . 69 -70
•MP4 -375 O bendi a sea la o a, Gab iel, . 71 -72
•MP4 -376 Ved, comad es, qué dolencia, Millán, . 73
•MP4 -379 Que bien me lo eo, Salcedo, . 76
•MP4 -383 Que bien me lo eo, . 81
•MP4 -387 Ell amo que me bien quie e, Ponce, . 85
•MP4a-97 Pa is esos, mis amo es, Encina, . 111
•MP4a-111 Desciende al alle, nina, . 125
•MP4a-119 Callen odas las galanas, Laga o, . 132 -
133
•MP4a-124 No he en u a, mezquino yo, . 137 -138
•MP4a-138 No íe nadie en amo , To e, . 150
•MP4a-183 No abuena engas, Menga, . 197
•MP4a-185 Paguen mis ojos, pues ie on, Encina, .
198
•MP4 -467 Si mi seño a me ol ida, Aldoma , . 209
•MP4a-197 Más ale oca , Encina, . 209 -210
•MP4 -468 No desmayes, co açón, Mondéja , . 209
•MP4 -473 De mi dicha no se spe a, Peñalosa, . 220
•MP4e-339 No quie o que nadie sien a, . 225
•MP4b-275 O o al misacan ano, . 253
•Al Seño c uci icado, . 262 -263
•MP4 -492 Todos an de amo he idos, Mila e, . 263
•MP4a-251 A cángel San Miguel, Baena, . 268 -269
•MP4 -496 Ya no quie o a e plase , Vale a, . 286 -
287
AB | CCDB •Mi espe ança, . 263 -264
AB | A'A'AB •MP4c-280 Rod igo Ma ines, . 8
•MP4b-263 T es mo illas m’enamo an, . 16
•MP4b-264 T es mo icas m’enamo an, Fe nandes, . 16
•MP4c-286 Sol sol gi gi a b c, Alonso, . 45
•MP4 -389 Pensad o a'n al, . 87
•MP4 -390 Mi en u a, el caballe o, Mena [ . 88]
•MP4a-94 Si ab á en es e bald és, Encina, . 108 -109
•MP4a-120 La ida y la glo ia, . 133
•MP4 -425 Paséisme ao ' allá, se ana, Escoba , .
140 -141
•Paséisme ao ' allá, se ana, . 141
•MP4a-143 Pues que ya nunca nos eis, Encina, . 195
326
•MP4a-195 Ay is e, que engo, Encina, . 207 -208
•MP4 -469 Si la noche es eme osa, . 210
•MP4e-343 No me le digáis mal, mad e, Alba, . 259
•MP4k-545 Alla se me ponga el sol, Ponce [ . 282]
AB | CCCAB •MP4b-261 Nues o bien y g an consuelo, . 10
•MP4b-262 So ell enzina, enzina, . 13
•MP4 -351 Las mis penas, mad e, Escoba , . 43
•MP4 -363 Cucu, cucu, cucucu, Encina, . 60
•MP4a-95 Vues os amo es é, seño a, Encina, . 109 -
110
AB | CDCDAB •MP4a-121 De os se i oda mi ida, . 134 -135
•MP4a-125 Buen amo , no me déis gue a, . 138
•MP4a-184 El que ige y el egido, Encina, . 197 -198
•MP4a-188 Nue as e aigo, Ca illo, Encina, . 200 -
201
•MP4a-189 Daca, bailemos, Ca illo, Encina, . 201 -
202
•MP4a-191 Un´amiga engo, he mano, Encina, .
203 -204
•MP4a-193 Ya çe adas son las pue as, Encina, .
205 -206
•MP4 -471 Mi ida nunca eposa, . 214
•MP4a-203 Ya soi desposado, Encina, . 215 -217
•MP4a-205 He mi año quie o se , Encina, . 218 -219
•MP4c-30 No quie o ene que e , . 252
•Pues amas, is e amado 568, (a ibuído a Encina), .
252
•Vos mayo , os mejo , Baena, . 260 -261
•Glo ia se[a] al glo ioso Rey, . 264
•MP4a-252 Pues es mue o el Rey del çielo, . 269 -
270
•MP4c-309 Anago a se m’an oja, . 287 -288
ABC | DEDEABC •MP4e-328 O a sus! Pues que ansí es, Escoba , . 50 -
51
•MP4a-228 Pa a e me con en u a569, . 54
•MP4 -359 Es an al a la ocasión, . 57
•MP4 -370 Yo c eo que no os dió Dios, Mena, . 67
•MP4 -378 Pues i o en pe de la ida, Peñalosa, . 75
•MP4 -388 Que más biena en u ança, Millán, . 86
568 Le a de Juan del Encina, 96JE-133, . 93. Na edição musical de Lee e Jones es e ilance e es á no
Apêndice musical, como uma a ibuição a Encina, e R. JONES & C. LEE, Poesía Lí ica y Cancione o
Musical, ( . n. 386), p. 367.
569 Exis em ês e sões des e ilance e no MP4. A e e ida aqui é a e são anónima.
327
•MP4e-330 A los baños del amo , . 87
•MP4d-314 Qué desg aciada sagala, Baena, . 99
•MP4a-85 No iene ado mis males, Encina, . 99 -100
•MP4g-502 Ya mu ie an los plase es, Ga cimuñoz, .
102
•MP4a-88 Ninguno çie e las pue as, Encina, . 102 -
103
•MP4a-89 Con a e quie o mis males, . 103 -104
•MP4a-90 Pues que no os doléis del mal, . 104 -105
•MP4a-228 Pa a e me con en u a, Ponçe, . 106
•MP4a-92 Ca illo, muy mal me a, . 106 -107
•MP4a-96 Le an a Pascual, le an a, Encina, . 110
•MP4c-292 Nues 'ama, Muinguillo, Escoba , . 134
•MP4c-293 Olládeme, gen il dona, . 139
•MP4c-294 Amigo Mingo Domingues, . 140
•MP4 -427 En las sie as donde engo, Aldoma , . 146
•MP4 -429 Remedio pa a e i , Mondéja , . 148
•MP4a-141 Gasajado ienes, Mingo, Mila e, . 153 -
154
•MP4a-142 Mi mue e con a la ida, . 154
•MP4a-187 Andad, pasiones, andad, Laga o, . 199 -
200
•MP4 -464 Qué dolo más me dolie a, Peñalosa, . 206
•MP4a-200 Quéda e, Ca illo, adiós, Encina, . 212 -
213
•MP4 -472 Aleg aos, males esqui os, Peñalosa, . 214
•MP4a-202 Desidme, pues sospi as es, Encina, . 214 -
215
•MP4a-204 An onilla es desposada, Encina, . 217 -
218
•MP4a-206 Razón, que ue ça, Encina, . 219 -220
•MP4a-207 Ya no spe o qu'en mi ida, Encina, . 220 -
221
•MP4a-209 Remediá, seño a mía, . 222
•MP4a-213 Unos ojos mo enicos, . 225
•MP4a-226 Aquel ca alle o, mad e, . 227
•MP4c-300 Pásame po Dios, a que o, Escoba , . 232
•MP4 -478 Seño a, después que os i, Millán, . 233
•MP4a-223 Pues que ues o desamo , . 235
•MP4 -481 No enéis la culpa os, Mondéja , . 238
•MP4a-227 Alza la oz, p egone o, . 239 -240
•Si dolo su o sec e o, Millán, . 247
•MP4b-271 O qué ama an ga ida, To o, . 249
328
•MP4b-274 Co açón is e, so id, Escoba , . 251
•El día que y a Pascuala, Escoba , . 254
•O o bien si a os no engo, . 258
•El que al seño a iene, Encina, . 261
•MP4g-510 A e, Vi go, g a ia plena, . 264
•MP4 -487 Oyan odos mi o men o, Mena, . 264
•MP4g-511 O is e, qu'es oy penado, Ponce, . 266
•MP4a-250 Ya no quie o ene e, Encina, . 267 -268
•MP4a-249 A quién de o yo llama , Encina, . 266 -
267
•MP4g-512 Es as noches a an la gas, . 269
•MP4a-256 Dí, po qué mue es en c uz, . 273
•MP4a-257 En e odos los naçidos, . 274
•MP4d-324 Ya no enéis mal que da me, . 282
•MP4k-546 Teme oso de su i , Millán, . 293
ABC| BCBCABC •MP4c-310 Dios e sal e, C uz p eçiosa, . 283 -284
•MP4d-327 Todos los bienes del mundo, Encina, .
286 -287
Va ian e do
ondel
andaluz
ABC | ACACABC •MP4a-194 A dónde ienes las mien es, . 206 -207
•MP4a-255 Ay, San a Ma ía, T oya, . 272
ABCD |
AEAEABCD
•MP4a-196 Y has ju a, Menga, . 208 -209
ABCD |
EFEFABCD
•MP4a-4 Dama, mi g ande que e , Móxica, . 5 -6
•Mi que e an o os quie e, En ique, . 19 -20
•MP4a-15 Pues que jamás ol ida os, Encina, . 20 -21
•MP4a-16 Po las g acias que éneis, Mad id, . 21 -22
•MP4a-17 Damos g acias a i, Dios, To e, . 22 -23
•MP4a-19 Amo que con g an po ía, . 24 -25
•MP4a-20 En el se icio de os, . 25 -26
•MP4a-25 Al dolo de mi cuidado, Gijón, . 29 -30
•MP4a-26 Ruego a Dios que amando mue as, Gijón, .
30 -31
•MP4a-28 Pelig oso pensamien o, To e, . 32 -33
•MP4a-29 Mo al is u a me die on, Encina, . 33 -34
•MP4a-37 Malos adalides ue on, Badajoz, . 41 -42
•MP4a-38 Plega a Dios que alguno quie as, . 42 -43
•MP4e-331 Alza la oz, p egone o, . 88
•MP4 -420 Aleg ia, Aleg ia, Ponçe, . 133
•MP4g-506 La bella malma idada, Mena, . 136
•MP4a-221 Gen ilomb e enamo ado, . 233
•MP4c-307 Ado ámos e, Seño , To e, . 275
•MP4h-521 F ançia, cuen a u ganançia, Ponce, .
329
289 -290
•MP4c-311 Ado ámos e, Seño Dios, To e, . 289 -290
•MP4k-549 Al dolo que sien o es año, Millán, . 303
ABCD |
EFGHABCD
•MP4a-23 Gen il dama, non se gana, Co nago, . 27 -
28
ABCDE |
FGFGABCDE
•MP4a-41 Quien e i lib e desea, . 45 -46
•MP4a-58 Muy c ueles oses dan, . 63 -64
330

Anexo 5 - Exemplos de CSM com o pad ão 3+3+2
Exemplo 37 - CSM 9 (T)570.
O pad ão í mico da can iga apa en a se e ná io, con udo exis em alguns
indícios que seja 3+3+2+2; exis em pon os que coincidem en e E/To e en e T/To.
Nes e exemplo odas as ases são compa í eis com o pad ão pesquisado, excep o a
1ª ase da es o e, icando po escla ece se o ac us é um punc um di isiones ou
uma pausa de b e e.
570 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ( . n. 86), ol. II - Códice
ico, p. 13. <h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-diploma ica/
> [acedido a 16/11/2018].
331
Exemplo 38 - CSM 213571.
O pad ão des acado pode se 2+3+3+3+3, mas exis em di e sas possibilidades
de in e p e ação í mica.
571 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ( . n. 86), ol. III - Códice
dos músicos, p. 236. <h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-
diploma ica/> [acedido a 16/11/2018].
332
Exemplo 39 - CSM 221572.
O pad ão í mico des acado pode se in e p e ado como 2+3+3+3, mas
de e minando a exis ência de anac use, sendo que a ase no inal do e ão e no
inal da es o e (mudanza) pode se in e p e ada como 2+3+3+2+2.
572 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ( . n. 86), ol. III - Códice
dos músicos, p. 244. <h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-
diploma ica/> [acedido a 16/11/2018].
333
Exemplo 40 - CSM 57 (E)573.
Nes e exemplo o pad ão pode se in e p e ado como 3+3+2+2 conside ando
a exis ência de uma anac use, nas p imei as ases do e ão, mas es ando algumas
dú idas ela i amen e à sua in e p e ação í mica.
573 M. FERREIRA, A No ação das Can igas de San a Ma ia: Edição Diplomá ica, ( . n. 86), ol. III - Códice
dos músicos, p. 75. <h p://cesem. csh.unl.p /a-no acao-das-can igas-de-san a-ma ia-edicao-
diploma ica/> [acedido a 16/11/2018].
334
Figu a 30 - MP4c-292 Nues ’ama, Minguillo, Escoba , . 134580.
580 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), pp. 3-4.
341

Figu a 31 - MP4c-294 Amigo Mingo Domingues, . 140581.
581 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), pp. 15-16.
342
Figu a 32 - MP4a-188E Nue as e ago, ca illo, Encina, . 200 -201582.
582 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), pp. 51-52.
343
Figu a 33 - MP4a-191 Un'amiga engo, he mano, Encina, . 203 -204 583.
583 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 54.
344
Figu a 34 - MP4a-194 Adonde ienes las mien es, . 206 -207584.
584 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 59.
345
Figu a 35 - MP4a-205 He mi ano quie o se , Encina, . 218 -219585.
585 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 77.
346

Figu a 36 - MP4c-300 Pásame po Dios, a que o, Escoba , . 232586.
586 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 99.
347
Figu a 37 - MP4 -488 Po os, mal me iene, niña, . 251587.
587 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 135.
348
Figu a 38 - Pues amas, is e amado 588, [Encina], . 252 589.
588 Es e ilance e não es á iden i icado no índice de Du on como pe encen e ao MP4, embo a es eja
iden i icado como pa e do co pus de Encina no 96JE ( . 93).
589 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 137.
349
Figu a 39 - MP4k-545 Alla se me ponga el sol, Ponce, . 282590.
590 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 181.
350
Figu a 46 - MP4 480 Domingo que nue as ay, Gab iel, . 237: L B B L (L B L)597.
597 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 109.
357

Figu a 47 - MP4b 272 Al çedaz çedaz, A. de To o, . 249 : B B L (L B L)598.
598 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), pp. 131-32.
358
Figu a 48 - El dia que y a Pascuala, Esco a , . 254 , Escoba : L B B L (B L L B L)599.
599 H. ANGLÉS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, (Cancione o Musical de Palacio, ol. 2), ( .
n. 40), p. 140.
359
Anexo 8 – Co espondências melódicas acas
Exemplo 42 - Es o e da CSM 383 - Re ão do ilance e MP4c-281 G i os da an en
aquela se a, . 10.
Esquema poé ico-musical da can iga:
Tex o
Es o e: 15' 15' 15' 15'
Re ão: 15' 15'
Rima: AA|bbba
360
Música
Fo ma: AB|CC AB
Esquema poé ico-musical ilance e:
Tex o
Es o e: 8’ 8’ 8’ 8’
Re ão: 9’ 8’
Rima (es o e| e ão): aA|bbbA
Música
Fo ma: AB|BB AB
Romeu Figue as a i ma que o e ão do ilance e é uma canção pa alelís ica e
que a sua popula idade se comp o a pela sua p esença no Teso o de Co a ubias,
com a indicação de se um can a an igo. Ma eus Flexa o elho ambém a a es e
e ão na ensalada La caça. No en an o pa a Figue as a melho p o a da
popula idade des e e ão es á na ecolha de Lei e de Vasconcellos de um can a
pa alelís ico, sendo que es e can a é de ca ác e de ocional ma iano600.
Análise: Na CSM o mo i o inicial das ases é mui o semelhan e ( e cei a é- á
no e ão; e aco de é-sol na es o e), mas a p oximidade melódica no início das
ases su ge en e a es o e da CSM e a p imei a ase do e ão do ilance e, em que
o aseado se desen ol e no mesmo e aco de, sendo que na peça enascen is a a
melodia es abelece uma co da de eci ação em sol inalizando com uma e cei a
descenden e á- é. Rele an e é o ac o de a p imei a me ade da ase do e ão da
CSM ambém e um pe cu so semelhan e à segunda ase do e ão do ilance e. A
análise melódica po si só é insu icien e pa a indica alguma ligação en e es as duas
600 J. ROMEU FIGUERAS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, ( . n. 284), ol. 3-B, p. 253. Ve
ambém Ca olina Michaëlis de VASCONCELOS, Cancionei o da Ajuda, Edição c i icada e comen ada,
ol. II – In es igações Bibliog á icas, Biog á icas e His ó ico-Li e á ias, s.l., Max Niemeye , 1904,
pp. 878, 936-37.
361
peças. Mas exis em mais alguns elemen os que se á impo an e e e i . Um deles é,
mais uma ez, a ques ão o mal. Temos no ilance e um esquema o mal de ondel
andaluz, o que implica que no e ão do ilance e es á já expos o odo o ma e ial
musical e ambém se epe e a ligação com o espaço cul u al á abo-andalusa. Assim
pode emos pensa que no ilance e hou e uma espécie de sob e i ência
esquemá ica de uma es u u a melódica exis en e nos inícios em duas secções das
ês secções es u u an es da CSM (sendo que a e cei a – a uel a com a
eexposição do e ão - epe e a p imei a secção). Tal pode á indica a exis ência da
con inuidade de um esquema melódico simples das CSM (onde os modelos
melódicos são mais ex ensos) pa a os ilance es, p o a elmen e pela u ilização do
mesmo modo. Ou o elemen o impo an e é o ac o de o ilance e e como ema
poé ico uma se anilla, que é um opoi equen e nas peças enascen is as e
ge almen e associados a um es ilo popula izan e.
Nas pesquisas e ec uadas nas ou as bases de dados o am encon ados
alguns esul ados mas nenhum ele an e601.
Sinopse da can iga: Em Siguënza, um bispado abas ado, ha ia uma mulhe
dedicada a S ª Ma ia, que se desloca a mui as ezes à an iga ig eja dedicada à
Vi gem naquela cidade. Tan o a mulhe como a sua ilha desejam aze uma
pe eg inação pa a e o San o Sepulc o em Je usalém. Pa a al con a a am um guia
e pa i am em pe eg inação. A iagem le ou-as a mui os locais di e en es e a iagem
no ma oi anquila po que os en os es a am a o á eis. Fo am p imei o pa a Ac e
e depois pa a o Sepulc o. Depois de isi a em di e sos locais onde inha es ado
C is o, eg essa am a Ac e. Aí desloca am-se pa a o po o e emba ca am num na io.
A ilha subiu p imei o a escada, mas a sua mãe ao segui-la caiu à água. Ao cai , a
mulhe chamou pela Vi gem da ig eja an iga em Siguënza. S ª Ma ia eio soco ê-la,
601 Na GCDB o pad ão pesquisado oi e-mi- a-sol- a- e. Segue uma abela com os esul ados da
pesquisa do ex o no Can usIndex. Na Can o ales o esul ado da pesquisa do mesmo pad ão oi o
cân ico Rubum quem ide a que é uma An í ona associada à es a da Assumpção de Ma ia ou à
Ci cuncisão do Senho . Fon es: - MPCANT/44 . 44 -45 (séc. XVII), Assumpção de Ma ia; -
MPCANT/52 . 69 -70 (séc. XVIII-XIX), Ci cuncisão do Senho ; - MPCANT/73 . 30-31 (séc. XVI),
Assumpção de Ma ia. No CI o mesmo ex o es á associado a ou a adição melódica.
362

ouxe-a pela água e pô-la em segu ança. Todos os que es emunha am p os a am-se
e ag adece am a S ª Ma ia. Ao eg essa à sua cidade, a mulhe ez no enas na
ig eja.
Exemplo 43 - Es o e da CSM 367 – Re ão do ilance e MP4a-194 A donde ienes las
mien es, . 206 -207.
Esquema poé ico-musical da CSM
Tex o
Es o e: 10' 10' 10' 10'
Re ão: 10' 10'
Rima: AA|bbba
Música
Fo ma: AB|CC AB
363
Esquema poé ico-musical ilance e:
Tex o
Es o e: 7’ 7’ 7’ 7’ 7’ 7’ 7’
Re ão: 7’ 7’ 7’
Rima (es o e| e ão): naa|bcbccaa
Música
Fo ma: ABC|ACAC ABC
A e são do ilance e, segundo Romeu Figue as, no MP4 é a única comple a
des e anónimo, de ca ác e bucólico e amo oso602.
Análise: Exis em ês e sões des e ilance e, odas di e en es do pon o de
is a musical, duas no MP4 e uma no PS1. No MP4 es ão duas e sões nos mesmos
ólios mas colocadas em momen os di e en es. Du on no seu índice coloca uma
e e ência única apesa de se em pe encen es a camadas di e en es, MP4a-194603. A
mais an iga az pa e da camada inicial do manusc i o (que é a e e enciada po
Du on), mas é a e são colocada pos e io men e no e so do . 207 que em a
co espondência com a CSM aqui analisada. A e cei a e são exis en e em PS1
ambém é dis in a des as duas e sões e apenas monódica.
Do pon o de is a o mal a CSM é um i elai simé ico enquan o que o
ilance e u iliza uma o ma um pouco biza a, que podemos elaciona com um
ondeau, já que na mudanza u iliza duas das ês ases do e ão mas po ou o lado
es a econ igu ação o mal não ap esen a uma dis inção cla a do pon o de is a
o mal en e a iden idade das ases do e ão e a iden idade melódica da mudanza.
Podemos suge i uma denominação como um ondeau i egula .
Quan o à análise melódica emos que e e i p imei o que a co espondência
oco e com uma ansposição de qua a en e as duas peças. As co espondências
602 J. ROMEU FIGUERAS, La Música en la Co e de los Reyes Ca ólicos, ( . n. 284), ol. 3-B, p. 397.
603 B. DUTTON, El Cancione o del Siglo XV c. 1360-1520, ( . n. 1), ol. 2, pp. 537-38.
364
su gem na secção inicial e inal da ase do e ão do ilance e, sendo que aqui
excepcionalmen e é a ase do ilance e que em uma maio ex ensão. De ido à
cu a ex ensão das co espondências pode íamos dize que é i ele an e es e caso.
Mas po ou o lado de ido à es u u a o mal do ilance e, é exac amen e es e o
pad ão que su ge epe idamen e ao longo da peça enascen is a. Essas duas ases
são en ão as ases es u u an es do pon o de is a melódico no ilance e.
Ou o elemen o que pode á se in e essan e é o ac o da CSM es a , como
ou os exemplos an e io es, e uma na a i a elacionada di ec amen e com Al onso
X, ao na a um milag e onde ele es á en ol ido pessoalmen e ao lhe a ibui um
cu a milag osa a uma doença que ele so eu du an e uma es adia em Alcana e
(Pue o de San a Ma ia).
Nas pesquisas ealizadas nas ou as bases de dados não de am esul ados.
Sinopse da can iga: Al onso X oi e a ig eja que ele cons uiu na Anadaluzia,
San a Ma ia do Po o [Alcana e], que es a a odeada po uma mu alha e o es,
como e a o mais indicado naquela zona on ei iça. Essa iagem oi ealizada após o
ei e so ido uma doença g a e em Se ilha, iagem di ícil de ido ao mau empo.
Quando o ei iaja a pelo ma , as suas pe nas incha am de al o ma que ele não se
podia calça . Além disso, a pele ab iu-se e e eu um luído ama elo. Apesa des a
doença, o ei insis iu em con ia em S ª Ma ia e não i ia adia a iagem. Ele chegou à
ig eja numa sex a à noi e e ez igília no al a de S ª Ma ia. Quando os clé igos
can a am as ma inas, o inchaço das pe nas desapa eceu e ecupe ou da doença. O
ei e a sua comi i a lou a am à Vi gem.
365
Exemplo 44 - Re ão da CSM 281 – Re ão do ilance e Mi espe ança, os sois digna,
. 263 -264.
Esquema poé ico-musical da CSM
Tex o
Es o e: 15 15 15 15
Re ão: 15 15
Rima: AA|bbba
Música
Fo ma: AA|BB CA (ABAB|CDCD EFAB)
Esquema poé ico-musical do ilance e:
Tex o
Es o e: 7’ 7’ 7’ 7’
Re ão: 3’ 7’
Rima (es o e| e ão): aa|bbba
Música
Fo ma: AB|CCDB
366
Anexo 9 - Lis a de Tabelas
Tabela 1.1 - Acen uação secundá ia num monossílabo...............................................81
Tabela 1.2 - Indicação de acen uação secundá ia num polissílabo.............................81
Tabela 2 - Análise acen ual do PN1 18.........................................................................83
Tabela 3 - Análise acen ual do PN1 27.........................................................................84
Tabela 4 - Análise acen ual do PN1 313.......................................................................85
Tabela 5 - Análise acen ual do PN1 561.......................................................................87
Tabela 6 - Análise acen ual do PN1 29.........................................................................88
Tabela 7 - Análise acen ual do SA7 264........................................................................89
Tabela 8 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 33-39.....................................91
Tabela 9 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 1668-1672.............................92
Tabela 10 - Análise acen ual do LBA, unidades poé icas 1673-1678...........................94
Tabela 11 - Análise acen ual do ilance e MP4 - 285 Minno amo , dexis e ay, . 44...96
Tabela 12 - Análise acen ual do ilance e MP4 - 542k Meu na anjedo non en u a, .
217..............................................................................................................................100
373

Tabela 13 - Análise acen ual do ilance e MP4 - 259b Al al a enid, . 5..................105
Tabela 14 - Co espondência en e as o mas musicais das CSM e dos ilance es e
can igas seleccionados do MP4 (no o al de 181)......................................................155
Tabela 15 - CSM com incidências nos pad ões í micos 3+3+2..................................198
Anexo 1 - Lis a epe ó io de ou è es......................................................................255
Anexo 2 - Análise acen uação lí ica Galego-Cas elhana 1350-1450..........................260
Anexo 3 - Análise acen uação LBA.............................................................................290
Anexo 4 - Lis a dos ilance es u ilizados nas pesquisas na LCSMDB..........................325
374
Anexo 10 - Lis a de Exemplos Musicais
Exemplo 1 – J. Ribe a, La musica de las Can igas, p. 160, H. Anglés, La música de las
Can igas, ol. II – T ansc ipción, p. 76. Re ão da CSM 68...........................................28
Exemplo 2 – J. Ribe a, La musica de las Can igas, p. 160 (es o e da CSM 68), Pau a
in e io : Edição diplomá ica das CSM, CSM 68 (códice To)..........................................29
Exemplo 3 - J. Ribe a, La musica de las Can igas, pp. 127-8. Re ão da CSM 10. Pau a
in e io : Edição diplomá ica das CSM, CSM 10 (códice To). Re ão da CSM 10...........29
Exemplo 4 - J. Ribe a, La musica de las Can igas, pp. 158-9, H. Anglés, La música de
las Can igas, ol. II – T ansc ipción, p. 75. Re ão da CSM 67......................................30
Exemplo 5 - P imei as duas ases da canção A la douço d’es é (RS 1754).................55
Exemplo 6.1 – 1ª ase RS 671 e 1ª ase do e ão da CSM 15 (To 33).......................58
Exemplo 6.2 – 2ª ase RS 671 e 2ª ase do e ão da CSM 15 (To 33).......................58
Exemplo 6.3 – Final da ase B e início da ase C da canção de ou è e e 1ª ase da
es o e da CSM.............................................................................................................59
Exemplo 6.4 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção ancesa Me ci calman (RS
671, on e R), 1ª ase do e ão da CSM 15 ( e são de To 33) e o incipi da an í ona O
quan a plenus g a ia....................................................................................................62
Exemplo 7.1 – 1ª ase da RS 1655 e 1º ase e ão CSM 196....................................63
375
Exemplo 7.2 – 2ª ase da RS 1655 e 2º ase e ão CSM 196....................................64
Exemplo 7.3 – Compa ação en e as ês e sões da CSM 15 nos ês códices...........65
Exemplo 7.4 - 4ª ase da RS 1655 ( on e R) e 2ª ase da es o e da CSM 196...........66
Exemplo 7.5 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção ancesa Qui bien eu
Amou s, (RS 1655, Fon e R), 1ª ase do e ão da CSM 196 (E) e o incipi da an í ona
Cum ex glo iae Ch is us...............................................................................................67
Exemplo 8.1 – 1ª ase da RS 1664 e 1º ase do e ão da CSM 424..........................68
Exemplo 8.2 – 2ª ase da RS 1664 e a 2ª ase do e ão da CSM 424........................69
Exemplo 8.3 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção occi ana Tan ai su e
longuamens g eu a an (Fon e: T obado R), 1ª ase da canção ancesa D’amou s qui
ma olu, (RS 1664, Fon e L) e a 1ª ase do e ão da CSM 424...................................71
Exemplo 9.1 – 1ª ase da RS 407 e 1ª ase do e ão da CSM 86..............................72
Exemplo 9.2 – 2ª ase da RS 407 e 2ª ase do e ão da CSM 86..............................72
Exemplo 9.3 – Quad o sinóp ico com a 1ª ase da canção occi ana Neus ni gla z ni
plueyas ni anh (Fon e: T obado R), 1ª ase da canção ancesa De ine amou (RS
407, Fon e M) e a 1ª ase do e ão da CSM 86..........................................................74
Exemplo 10 – Nossa edição do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo non en u a, .
217..............................................................................................................................103
376
Exemplo 11 - Quad o sinóp ico sequência No is cedun e e a – CSM 413..............113
Exemplo 12.1 – Es u u a da CSM 413.......................................................................116
Exemplo 12.2 - Es u u a CSM 304.............................................................................117
Exemplo 14 - Quad o sinóp ico: Sequência No is cedun e e a, CSM 413, CSM 304 e
a canso A penas say.(a 3ª e 4ª ase são p a icamen e idên icas à 1ª e 2ª), on e da
canso: T obado R - BnF . . 22543, . 87...................................................................123
Exemplo 15 - Quad o sinóp ico: Sequência No is cedun e e a, CSM 413, CSM 304 e
o hino Is e con esso domini sac a us (Can us ID: 008323). Fon e: F-Pn Sain e-
Gene iè e 113, . 175.................................................................................................126
Exemplo 16 – Quad o sinóp ico do Can us do e ão ilance e MP4a-203 Ya soy
desposado, . 215 e da quin a oz do ilance e MP4h-517 Po las sie as de Mad id,
. 217 .........................................................................................................................128
Exemplo 17 - MP4b-263 T es mo illas m'enamo an, . 16. Nossa edição musical.....141
Exemplo 18 – Compa ação da análise o mal da oz supe io do e ão do ilance e
MP4b-263 T es mo illas me enamo an, . 16 (a de Romeu Figue as em cima e a nossa
em baixo, edição musical: H. Anglés, La Música em la Co e de los Reyes Ca ólicos,
ol. I, pp. 29-30)..........................................................................................................154
Exemplo 19 - Re ão do ilance e MP4b-262 So ell enzina, enzina, . 13 e 1ª e 2ª ase
da es o e da CSM 366...............................................................................................157
377
Exemplo 20 - Re ão do ilance e MP4b-262 So ell enzina, enzina, . 13/1ª e 2ª ase
da es o e da CSM 366/1ª e 4ª ase da canso Tan ei qu’es ab joi p e z me ma ...160
Exemplo 21 - Re ão do ilance e MP4a-143 Pues que ya nunca os eis, Encina, .
195 e início da 1ª e 2ª ase da CSM 137.................................................................161
Exemplo 22 - Re ão do ilance e MP4k-548 Viejo malo en la mi cama, Sedano, . 301
e a 2ª ase do e ão e es o e da CSM 91................................................................164
Exemplo 23 - Re ão do ilance e MP4a-189 Daca bailemos, Ca illo, Encina, . 201 -
202 e o e ão da CSM 208.........................................................................................167
Exemplo 24 - Quad o sinóp ico com a edição melódica e í mica do e ão do
ilance e MP4a-189 Daca bailemos, Ca illo, Encina, . 201 -202 e a 2ª ase do e ão
e 3ª ase da es o e da CSM 208...............................................................................171
Exemplo 25 - Re ão do ilance e MP4a-143 Pues que ya nunca os eis, Encina, .
155 e a 1ª e 2ª ase da es o e da CSM 244............................................................172
Exemplo 26 - Re ão do ilance e MP4b-275 O o al misacan ano, . 253 e a 1ª e 2ª
ase da es o e da CSM 379......................................................................................174
Exemplo 27 - Re ão do ilance e MP4c-282 T is eza quien a mi os dio, . 12 e o
e ão e 1ª e 2ª ase da es o e CSM 296..................................................................178
Exemplo 28 - Re ão do ilance e MP4a-95 Vues os amo es e seño a, . 109 -110 e a
1ª e 2ª ase da es o e da CSM 346..........................................................................181
378

Exemplo 29 - Re ão do ilance e MP4a-196 Y has ju a Menga, . 208 -209 e a 1ª e
2ª ase da es o e da CSM 203..................................................................................184
Exemplo 30 - Re ão do ilance e MP4k-548 Viejo malo en la mi cama, Sedano, . 301
e o e ão e as p imei as ês ases da es o e da CSM 208......................................186
Exemplo 31 - Re ão do ilance e MP4 -376 Ved comad es que dolencia, Millán, . 73
e o e ão da CSM 300................................................................................................189
Exemplo 32 - Re ão do ilance e MP4 -376 Ved comad es que dolencia, Millán, . 73/
Re ão da CSM 300/1ª e 2ª ase da canso de Pei e Vidal, Nuls hom no po d’amo
gandi .........................................................................................................................192
Exemplo 33 - Compa ação í mica en e CSM 100 (em cima)/2ª ase e ão da oz
supe io do ilance e MP4a-47 Mi libe ad en sosiego (em baixo), nossa edição
musical........................................................................................................................195
Exemplo 34 - CSM 249, des acado a e melho a incidência do pad ão 3+3+2.........199
Exemplo 35 - CSM 361, des acado a e melho a incidência do pad ão 3+3+2.........200
Exemplo 33 - O pad ão quiná io na CSM 17 em To. Des acado a e melho o pad ão
pesquisado.................................................................................................................207
Exemplo 34 - O pad ão quiná io na CSM 17 em E.....................................................208
Exemplo 35 - O pad ão quiná io na CSM 17 em T......................................................209
379
Exemplo 36 - CSM 397 (=192). Des acado a e melho a secção onde se encon a o
pad ão pesquisado.....................................................................................................210
Exemplo 37 - CSM 9 (T)..............................................................................................331
Exemplo 38 - CSM 213................................................................................................332
Exemplo 39 - CSM 221................................................................................................333
Exemplo 40 - CSM 57 (E)............................................................................................334
Exemplo 41 - CSM 238................................................................................................335
Exemplo 42 - Es o e da CSM 383 - Re ão do ilance e MP4c-281 G i os da an en
aquela se a, . 10.......................................................................................................360
Exemplo 43 - Es o e da CSM 367 – Re ão do ilance e MP4a-194 A donde ienes las
mien es, . 206 -207..................................................................................................363
Exemplo 44 - Re ão da CSM 281 – Re ão do ilance e Mi espe ança, os sois digna,
. 263 -264.................................................................................................................366
Exemplo 45 - Es o e da CSM 243 – Es o e do ilance e MP4a-189 Daca bailemos,
Ca illo, . 201 -202.....................................................................................................368
Exemplo 46 - Re ão e es o e da CSM 61 – Re ão e es o e do ilance e MP4b-275
O o al mi a, . 253....................................................................................................370
380
Anexo 11 - Lis a de Figu as
Figu a 1 - D-Mbs Clm 4305, . 50, an í ona O quan a plenus g a ia, Can us ID: 203559
......................................................................................................................................61
Figu a 2 - E-Sau Ms 2637, de alhe do . 103, an í ona Cum ex glo iae Ch is us, Can us
ID: 201042....................................................................................................................67
Figu a 3 - BnF . . 22543, de alhe do . 46, canção de obado Tan ai su e
longuamens g eu a an, (Fon e: T obado R)................................................................70
Figu a 4 - De alhe das p imei as duas ases da chanson RS 1431, e são de V, . 148.
......................................................................................................................................73
Figu a 5 - BnF . . 22543, de alhe do . 64 , Neus ni gla z ni plueyas ni anh (Fon e:
T obado R)...................................................................................................................74
Figu a 6 - De alhe do ilance e MP4 - 285c Minno amo , dexis e ay, . 44..................97
Figu a 7 - Edição musical de Anglés do ilance e MP4 - 285c Minno amo , dexis e ay,
. 44...............................................................................................................................98
Figu a 8 - De alhe do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo non en u a, . 217......101
Figu a 9 - De alhe da edição de Anglés do ilance e MP4k-542 Meu na anjedo no en
u a............................................................................................................................102
381
Figu a 10 - De alhe do ilance e MP4 - 259b Al al a enid, . 5.................................106
Figu a 11 - De alhe da edição de Anglés do ilance e MP4 - 259b Al al a enid......107
Figu a 12 - Sequência No is cedun e e a, Hu-56, . 40-40 (de alhe das p imei as 2
ases melódicas)........................................................................................................112
Figu a 13 – Canso A penas say do(n) map enh, Fon e: T obado R - BnF . . 22543, .
87 (de alhe). Des acado a e melho as secções melódicas onde es ão as
co espondências.......................................................................................................122
Figu a 14 – Hino Is e con esso domini sac a us (Can us ID: 008323). Fon e: F-Pn
Sain e-Gene iè e 113, . 175 (de alhe e des acado a e melho)...............................125
Figu a 15 - De alhe do ilance e MP4a-203 Ya soy desposado, . 215 .....................128
Figu a 16 - De alhe do quodlibe MP4h-517 Po las sie as de Mad id, . 217 ........129
Figu a 17 - MP4b-263 T es mo illas m'enamo an, . 16.............................................144
Figu a 18 - T es mo icas m'enamo an, A. Fe nandes, . 16........................................145
Figu a 19 - Luys de Na áez, Los seys lib os del Delphín de musica de ci as pa a añe
ihuela, 1538 [início da di e encia Y la mi cin a do ada]. Voz p incipal a e melho. 147
Figu a 20 - Vilance e BC1b-121 Y la mi cin a do ada, . 190. Des acamos a e melho
na imagem a oz p incipal que co esponde à oz a e melho na di e encia...........148
382