Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal da SIC
So ia Inês Co dei o Coelho
Julho, 2017
Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Jo nalismo
2
Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo ealizado sob a o ien ação cien í ica do
p o esso An ónio G anado.
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DECLARAÇÕES
Decla o que es e Rela ó io de Es ágio é o esul ado da minha in es igação pessoal e
independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão
de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia.
O candida o,
___________________________________
Lisboa, 24 de julho de 2017
Decla o que es e Rela ó io se encon a em condições de se ap eciado pelo jú i a
designa .
O o ien ado ,
___________________________________
Lisboa, 24 de julho de 2017
4
“Chamo jo nalismo a udo o que se á menos in e essan e amanhã do que hoje”
And é Gide
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AGRADECIMENTOS
O jo nalismo, mais do que uma p o issão onde se cump em ho á ios e se
exe cem unções, é uma paixão que enho desde o dia em que pe cebi o que
signi ica a se jo nalis a. Desde o dia em que me sen ei pela p imei a ez, en e à
ele isão, ascinada com o abalho, o es o ço e a en ega daqueles p o issionais, que
me con a am o que se passou no dia 11 de se emb o de 2001 nos EUA, que me de am
os pon os de is a a a o e con a a legalização do abo o e que ecen emen e me
mos a am que, po mais e oluídos que quei amos pa ece , ainda somos capazes de
elege pa a p esiden e da maio po ência mundial um homem que, pa a além de
xenó obo e acis a, não espei a a comunicação social.
Desde esse p imei o dia que sei que é is o que que o e odos aqueles que
passa am pela minha ida ao longo des es 23 anos sabem-no. Uns enco aja am, ou os
en a am dissuadi . A odos eles ag adeço ago a. De uma manei a ou de ou a ize am-
me que e se mais e aze melho .
Em pa icula que o ag adece aos meus pais. Po nunca me e em impedido
de segui os meus sonhos. Po me e em enco ajado quando disse que que ia es uda
em Lisboa. Po odo o es o ço, mone á io e emocional, que aplica am nes e mes ado.
Po es a em semp e comigo, mesmo es ando longe. Ao meu i mão, po se semp e
capaz de me aze i , e aos meus a ós, que ao longo da ida me ajuda am a o na -me
naquilo que sou hoje. A oda a minha amília, semp e p esen e.
Faço um ag adecimen o especial às duas pessoas que mais es i e am p esen es
ao longo des a jo nada. Ao meu namo ado, semp e pacien e, comp eensi o e bem-
humo ado. Ob igada po ac edi a es semp e que eu sou capaz, mesmo quando eu
p óp ia não ac edi o, po odo o apoio nas al u as de maio s ess e po me aze es
esquece os p oblemas, como mais ninguém consegue. Ag adeço ambém à minha
colega de casa, de u ma e amiga, que me acompanhou nos momen os de maio
ansiedade, eceio, p eguiça e ne os. Ob igada pelos chás, pelas pausas pa a e sé ies
e po me ou i es semp e que o desespe o alou mais al o. Foi di ícil, mas conseguimos!
Não posso deixa de ag adece a odos aqueles que me acompanha am
du an e os seis meses que es i e na SIC, em pa icula aos meus coo denado es, Ana
6
Luísa Gal ão e Luís Ma çal, po odo o apoio, o ien ação e amizade que semp e
i e am pa a comigo. Ob igada a odos os jo nalis as, p odu o es, epó e es e
edi o es de imagem com quem abalhei e que me ajuda am na minha o mação, al
como aos meus colegas es agiá ios, em pa icula aos Pãezinhos de Deus.
Po úl imo, ob igada a odos os p o esso es que, du an e a licencia u a e o
mes ado, con ibuí am pa a que pe cebesse que é ealmen e is o que que o pa a o
meu u u o. Ag adeço em pa icula ao meu o ien ado , o p o esso An ónio G anado,
pela disponibilidade e apoio ao longo des es meses. Espe o não desiludi .
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Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal da SIC
So ia Inês Co dei o Coelho
Resumo
Com o í ulo “Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal da SIC”, es e ela ó io analisa
a cobe u a mediá ica do c ime, em pa icula no jo nalismo po uguês. P e ende
en ende de que o ma os ó gãos de comunicação abo dam a c iminalidade e a
ap esen am ao público. Pa a al, eco e a uma e isão da li e a u a sob e o ema, à
análise de con eúdo das peças jo nalís icas ansmi idas no P imei o Jo nal da SIC e a
en e is as a jo nalis as, que pe mi i am conclui que a cobe u a do Caso Ped o Dias
oi in ensi a, o que acon eceu po se a a de uma es ó ia o a do comum e com um
ní el de iolência a que os po ugueses não es ão habi uados.
Pala as-Cha e: Caso Ped o Dias; P imei o Jo nal da SIC; Es ágio; C ime;
Sensacionalismo; Media; Valo es-no ícia.
Abs ac
Wi h he i le “Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal da SIC”, his epo analyses
he media co e age o c ime, in pa icula in Po uguese jou nalism. In ends o
unde s and how he media deals wi h c ime and hey i p esen s i o he public. Fo
such, i does a li e a u e e iew abou he heme, analyses he con en o he
jou nalis ic s o ies b oadcas ed by "P imei o Jo nal" o SIC and inishes by p esen ing
se e al in e iews wi h jou nalis s, which concluded ha he co e age o "Caso Ped o
Dias" was in ense because i was an unusual s o y wi h a iolence le el ha
Po uguese people a e no used o.
Keywo ds: Ped o Dias Case; SIC P imei o Jo nal newscas ; In e nship; C ime;
Sensa ionalism; Media; News Values.
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ÍNDICE
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
CAPÍTULO 1 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO .................................................................... 4
1.1. REVISÃO DA LITERATURA ...................................................................................... 4
1.2. VALORES-NOTÍCIA – QUE CRITÉRIOS DEFINEM O QUE É NOTÍCIA? ...................... 5
1.3. COBERTURA MEDIÁTICA DO CRIME E A SUA RELAÇÃO AO SENSACIONALISMO .. 7
1.4. CRIMINALIDADE NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA .............................. 11
1.5. O CRIME NOS TELEJORNAIS ................................................................................. 15
1.6. QUESTÕES ÉTICAS E DEONTOLÓGICAS ASSOCIADAS ÀS NOTÍCIAS DE CRIME.... 19
1.7. INFLUÊNCIA DO JORNALISMO NA PERCEÇÃO SOCIAL DO CRIME ....................... 21
CAPÍTULO 2 – SIC ............................................................................................................ 24
2.1. CARACTERIAZÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO ............................................................ 24
2.2. EXPERIÊNCIA NA SIC ............................................................................................ 25
2.2.1. AGENDA ........................................................................................................ 26
2.2.2. MADRUGADAS .............................................................................................. 27
2.2.3. EQUIPA DE FIM-DE-SEMANA ........................................................................ 28
CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA ........................................................................................ 31
3.1. CASO PEDRO DIAS ................................................................................................ 31
3.2. PERGUNTA DE PARTIDA E OBJETIVOS ................................................................. 33
3.3. RECOLHA E ANÁLISE DA INFORMAÇÃO ............................................................... 34
3.3.1. ANÁLISE DE CONTEÚDO ............................................................................... 36
3.3.2. ENTREVISTAS AOS JORNALISTAS .................................................................. 38
4. RESULTADOS: COBERTURA DA SIC AO CASO PEDRO DIAS ......................................... 40
4.1. ATENÇÃO MEDIÁTICA DEDICADA PELA SIC AO CASO PEDRO DIAS ..................... 40
4.2. FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA O INTERESSE DA SIC ................................ 45
9
4.3. COMO FOI REALIZADA A COBERTURA AO CASO ................................................. 47
4.4. OPINIÃO JORNALISTAS: COBERTURA DA SIC ....................................................... 56
4.5. AUDIÊNCIAS, CONCORRÊNCIA E INFLUÊNCIAS ................................................... 58
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................................... 61
CONCLUSÕES .................................................................................................................. 65
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 68
ANEXO I – CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO JORNALISTA ................................................... 75
ANEXO II – ANÁLISE DE CONTEÚDO ............................................................................... 77
ANEXO III - ANÁLISE DE CONTEÚDO AO CASO PEDRO DIAS .......................................... 89
ANEXO IV – ADJETIVOS POR UNIDADE DE ANÁLISE ..................................................... 105
ANEXO V – RESULTADOS QUANTITATIVOS CASO PEDRO DIAS .................................... 111
ANEXO VI – GUIÃO DAS ENTREVISTAS ......................................................................... 114
ANEXO VII – ENTREVISTA FREDERICO CORREIA ........................................................... 116
ANEXO VIII – ENTREVISTA BENTO RODRIGUES ............................................................ 120
ANEXO IX – ENTREVISTA ISABEL HORTA ...................................................................... 122
ANEXO X – ENTREVISTA ANDRÉ ANTUNES ................................................................... 124
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expos os nos jo nais. Po ezes, pode acon ece que sejam os p óp ios c iminosos a
o na -se celeb idades dada a no o iedade dos seus c imes, e e e a au o a.
A iolência e o con li o são elemen os de des aque po que “p eenchem o
desejo de ap esen a e en os d amá icos da manei a mais g á ica possí el” (Jewkes,
2011, p. 55), sendo is o pa icula men e impo an e pa a a ele isão (G ee , 2017, p.
33).
De en e os di e sos emas que compõem a agenda dos media, a c iminalidade
e a jus iça são idos, segundo Su e e (1998, p. 37-38), como os mais e elado es da
sociedade, uma ez que englobam as noções de bem e mal, de mo alidade, de
conquis a e es u u a sociais.
No en an o, alo es-no ícia como aqueles que dizem espei o ao c ime es ão,
segundo a in e p e ação de Alle n (2002, p. 145), i ados pa a a pa e come cial,
dis anciando-se daquilo que conside a como os c i é ios no iciosos adicionais. No
en an o, segundo o au o , exis e uma necessidade c escen e de e em con a os
alo es-no ícia mais come ciais, is o po que as no ícias “es ão li e almen e à enda”.
1.3. COBERTURA MEDIÁTICA DO CRIME E A SUA RELAÇÃO AO SENSACIONALISMO
Dia iamen e, é possí el e , ou i e le no ícias sob e c ime nos meios de
comunicação social. Isso acon ece po que “o c ime é uma on e de p odução de
no ícias inesgo á el” (Guima ães, 2012, p. 16), endo-se o nado na “mais la ga e
compe i i a á ea do jo nalismo” (Pina, 2009, p. 102).
O po encial d amá ico e emo i o de alguns dos casos é a jus i icação pa a o
in e esse nessas es ó ias pois, segundo Gomes (2011, p. 4), é a a és des a e en e
que se “pe sc u a o lado mais somb io da na u eza humana, acica ando os olha es
mais oyeu is as e exace bando sen imen os”. Pa a além disso, o c ime acaba po se
e ela impo an e do pon o de is a luc a i o, uma ez que “a d ama ização, a
explo ação da agédia humana, quase semp e são ga an ia de audiências e endas”
(Machado & San os, 2008, p. 29).
8
Em alguns casos, exis e uma endência pa a ealiza uma cobe u a exage ada
das no ícias sob e c ime, uma ez que os ó gãos de comunicação op am po ela a as
his ó ias dos alegados c iminosos e espe i as í imas de uma de e minada o ma,
com uma o e ca ga sen imen al associada, alimen ando es e eó ipos de pessoas e
de mi os u banos sob e o c ime (McCombs, 2002, p. 7). A jus i icação eside no ac o
de o c ime e a iolência se e em o nando “obje os, dis ibuídos pelos á ios media
pa a se em p aze osamen e consumidos” (Jewkes, 2011, p. 56).
Os casos c iminais de al o pe fil são equen emen e cons uídos enquan o
es ó ias de “in e esse humano” (Peelo, 2006, p. 168), com po encial pa a exp imi ,
explo a e con e emoções públicas ou sociais. Na e dade, dada a p oli e ação de
mul ipla a o mas nos media, é cada ez mais e iden e a in ensi icação da p essão nos
jo nais pa a ap esen a es ó ias d amá icas que demons em ele ância pa a a agenda
no iciosa, e e em G ee & McLaughlin (2012, p. 152).
Os jo nais que em cap a a a enção das pessoas e acabam po consegui azê-lo
a a és da oposição biná ia en e c iminoso e í ima e com ecu so à adje i ação,
a i ma Fe ei a (2009, p. 20). É a a és dessa ap esen ação dos ac os que, segundo
G ee & McLaughlin (2012, p. 157), oco em os “julgamen os mediá icos”. T a a-se de
uma o ma mul idimensional, in e a i a e de jus iça popula impulsionada pelo
me cado, onde os indi íduos são expos os, julgados e sen enciados no “ ibunal da
opinião pública”.
Apesa de se espe a que as no ícias se limi em a epo a os ac os e a da uma
imagem eal do c ime, nem semp e é isso que acon ece. De aco do com Jewkes (2011,
p. 41), a é o ela o da in es igação mais eco en e mos a que as no ícias de c ime
seguem pad ões di e en es consoan e a ealidade do c ime e a sua ep esen ação nas
es a ís icas o iciais. Segundo a au o a, um dos a o es que in luencia a o ma como as
no ícias de c ime são a adas diz espei o à imagem que os jo nalis as êm da sua
audiência, escolhendo a pa i daí as pala as que pa a eles melho desc e em o
acon ecimen o e a ibuindo um om, podendo se mais sé io, neu o, humo ís ico ou
nega i o, o que oco e com maio equência.
A cobe u a in ensi a e emocionalizada de casos c iminais p opo ciona uma ia
pa a o en ol imen o do público enquan o “ es emunha mediada”, con idando as
9
pessoas a oma pa ido, a iden ifica -se com as í imas e a “expe iencia ” o c ime pa a
consumo pessoal, explica Peelo (2005, p. 23). Pa a o au o , “a cobe u a
sensacionalis a em-se o nado cada ez mais a no ma do que a exceção no que se
e e e à cobe u a mediá ica do c ime”, o que con ibui pa a um “esba imen o das
on ei as en e ealidade e icção” (Machado & San os, 2008, p. 2).
Nos c imes iolen os, em especial nos c imes de na u eza sexual, os de alhes
da ida do au o e da í ima “ganham exp essões supe la i as, mui as ezes
obscu ecendo o p óp io ac o no iciado/julgado”, exis indo um ce o ipo de “in e esse
mó bido, com ca ac e ís icas o emen e mo alis as” (Ca alho & Weige , 2013, p.
261). Pa a além disso, “quan o mais iolen o o o assassina o, maio es se ão os
í ulos” (Gal ung & Ruge, 1999, p. 65).
A capacidade que os media êm de aze a di isão do caso em episódios, a
denominada “se ialização” (Su e e, 1998, p. 74), ambém é uma das ca ac e ís icas da
cobe u a a casos de c ime. À semelhança do que acon ece com con eúdos de
en e enimen o, há um mis é io ela i o às cenas dos p óximos capí ulos,
ma e ializando-se a a és do le an amen o de ques ões, do suspense do esul ado das
pe ícias, dos in e oga ó ios ou de ou as diligências.
T adicionalmen e, segundo Ga cía (2013, p. 235), é ei a uma dis inção en e
jo nalismo de e e ência e jo nalismo sensacionalis a, apon ados como “modelos
an agónicos de aze jo nalismo”. Sepa a-se o jo nalismo que se baseia em c i é ios de
igo e que em semp e p esen e a esponsabilidade de in o ma , de um ou o ipo de
jo nalismo que assen a no en e enimen o e que em como obje o os “assun os mais
banais pa a sa is aze um público menos exigen e”.
No en an o, a ealidade in o ma i a mais emocional do que e lexi a, que
de i a dos p odu os sensacionalis as, acaba ambém po con agia os meios de
comunicação de e e ência (Ga cía, 2013, p. 239). A é os jo nais conside ados mais
c edí eis e sé ios, podem no icia um ac o “de o ma ão chocan e que acabam po
e um momen o sensacionalis a”, e e e Dias (2015, p. 54), ac escen ando ainda que
“a p óp ia i alidade en e os meios ge a uma conco ência, desmedida po ezes, que
conduz ao sensacionalismo”.
10
Pa a Ba os (2002, p. 24), as écnicas u ilizadas pelo sensacionalismo alem-se
da explo ação e manipulação, in ensa e delibe ada, das emoções p imá ias do público,
em ge al induzindo baixo ní el de e lexão c í ica ou in elec ual a espei o dos
enómenos ap esen ados. Po ém, a ideia de que a indús ia cul u al “dá ao público o
que ele que ”, de aco do com Ama al (2005, p. 107), é alsa. Não se a a de uma
a iá el independen e e su ge po uma sé ie de condições sociais e his ó icas,
esponsá eis pela p odução das me cado ias e dos seus consumido es.
A p odução de um no iciá io sensacionalis a, pa a Ama al (2005, p 18),
ex apola o eal e supe dimensiona o ac o, eco endo à in ensi icação, ao exage o e
a he e ogeneidade g á ica. As suas consequências e i icam-se na “p opagação e
pe pe uação de p econcei os, na in ensi icação do so imen o de pessoas di e a ou
indi e amen e a ingidas e a possibilidade de induzi no os c imes” (Ba os, 2002, p.
24).
A p á ica jo nalís ica sensacionalis a “explo a mo almen e o excecional”
(Ca alho & Weige , 2013, p. 269), en a izando emas c iminais ou ex ao diná ios;
con a com a p esença de ma cas da o alidade na cons ução do ex o, implicando uma
elação de quo idianidade com o lei o ; eco e a ma cas senso iais dis ibuídas pelo
ex o, nomeadamen e a u ilização de e bos e exp essões co po ais; u iliza es a égias
edi o iais pa a e idencia o apelo sensacional (manche es, ilus ações, o os com
de alhes do c ime ou agédia); e cons ói uma na a i a com uma es u u a
simpli icado a e maniqueís a (Enne, 2007, p. 71).
Os jo nais de ca iz mais popula “ado am como p io i á ias on es que não êm
o papel de explica o que oco e na sociedade, mas assumem uma unção es emunhal
de au en ica o acon ecimen o ou ge a sensação” (Ama al, 2005, p. 110). As no ícias
des as publicações con êm á ios es emunhos de popula es e acabam po
menosp eza as on es públicas, o iciais ou especializadas. No caso da c iminalidade, é
o peso das on es o iciais no abalho jo nalís ico que colabo a no sen ido de legi ima
o pode ins i uído e apoia o s a us quo (T aquina, 2002, p. 123).
O sensacionalismo “es imula a iolência em i ude da banalização a que os
enómenos da c iminalidade são subme idos” (Ba os, 2002, p. 24) e, pa a além disso,
ele a ce os c iminosos ao es a u o de es elas. To nam-se igu as públicas de g ande
11
p ojeção e des aque nos media. A ep esen ação do c iminoso, cons uída pelos meios
de comunicação, “se á semp e a de um es anho, de um se abje o, in ame, ano mal;
alguém o almen e alheio do co po social que, iolando eg as consensualmen e
acei es, in ade o espaço público e p i ado e come e um a o de ba bá ie” (Ca alho &
Weige , 2013, p. 266).
Em elação às í imas dos c imes, de aco do com G ee (2017, p. 29), o ideal
pa a os media são as í imas p imá ias, ou seja, aquelas que pa icipam di e amen e
no c ime. No en an o, exis em ambém si uações em que as í imas secundá ias se
des acam, nomeadamen e amilia es, amigos ou ou as pessoas elacionadas com a
í ima p imá ia.
Ma opo (2012, p. 221) en a iza a impo ância da exis ência de um es o ço
conjun o en e os jo nalis as e as on es de in o mação pa a que se consiga e i a
ap esen ações sensacionalis as em es ó ias que “p omo em uma pe sonalização e
d ama ização exage adas”, is o po que es imulam o en ol imen o emocional da
audiência em de imen o da in o mação.
Po ugal, segundo Dias (2015, p. 54), ambém apos a numa linha edi o ial
sensacionalis a, embo a de uma o ma mais sub il em compa ação com alguns países
eu opeus. A au o a e e e que alguns jo nais po ugueses são c i icados quan o ao
ipo de jo nalismo p a icado, apon ando como exemplo o Co eio da Manhã.
1.4. CRIMINALIDADE NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA
Po ugal em egis ado ní eis de c iminalidade cada ez mais baixos, endo
diminuído 7,1% em 2016 e a c iminalidade iolen a e g a e ambém egis ou alo es
mais baixos nos úl imos se e anos (Sapo24, 2017
1
), endo sido conside ado o quin o
país mais pací ico do mundo (Obse ado , 2016
2
). No en an o, há casos que nos azem
esquece es es núme os e que ainda hoje agi am as au o idades e a comunicação
social.
1
No ícia sem assina u a, pode se consul ada em: h p://24.sapo.p /a ualidade/a igos/segu anca-
in e na-menos-c imes- iolen os-e-g a es-nos-ul imos-se e-anos;
2
No ícia sem assina u a, pode se consul ado em: h p://obse ado .p /2016/06/08/po ugal-e-o-
quin o-pais-mais-paci ico-do-mundo/;
12
Ma opo (2012, p. 213) e e e o exemplo de casos de maus- a os ísicos
ex emos, abandonos, desapa ecimen os e dispu as pa en ais que se ans o mam em
no ícias de des aque em Po ugal. A maio ia des es casos en ol eu c ianças e as suas
es ó ias passa am a se iden i icados pelos seus nomes, po exemplo o “Caso Joana”
3
,
“Caso Vanessa”
4
, “Caso Esme alda”
5
ou “Caso Maddie”
6
. Nes as si uações, segundo a
au o a, a explo ação sensacionalis a do caso indi idual ocupou um “espaço
desp opo cional compa a i amen e ao deba e sob e as p oblemá icas susci adas
( iolência e negligência amilia , adoção, egulação da esponsabilidade pa en al, en e
ou os)”.
Um dos casos mais mediá icos de semp e em Po ugal oi o Caso Casa Pia, que
en ol eu c ianças í imas de abusos sexuais e igu as impo an es do pano ama
nacional, en e eles polí icos, humo is as e ap esen ado es de ele isão. O caso oi
o nado público em 2002, mas ao longo des es 15 anos em sido no ícia pelos OCS
de ido às condenações e ecu sos pedidos pelos a guidos (SIC, 2016
7
).
No en an o, apesa de mui o mediá ico, es e caso não pa eceu ecebe ,
segundo Ma opo (2012, p. 214), o es o ço necessá io de con ex ualização dos media,
limi ando-se a su gi de o ma e éme a e mais impulsionado pela no o iedade dos
a guidos do que pelo géne o de c iminalidade em ques ão.
Um es udo de opinião p omo ido pela Al a Au o idade pa a a Comunicação
Social (1993, p. 89), di idiu a iolência eiculada pelos media em Po ugal em ês
g upos ipológicos: a iolência ac ual, aquela que mais se ap oxima da iolência eal e
que diz espei o a uma desc ição ou di ulgação de ac os eais iolen os; a iolência de
po meno , ambém ela com uma ligação o e à ealidade, mas com o in ui o de
po meno iza o ac o iolen o, com is a a choca o espec ado ; po im, a iolência
g a ui a, que não implica um undamen o e ídico e ap esen a a iolência sem que
haja uma base lógica e c edí el que o jus i ique.
3
Menina de oi o anos que desapa eceu no Alga e em 2004;
4
C iança de cinco anos assassinada em 2005. O co po oi encon ado no io Dou o po um pescado ;
5
Mãe en ega uma c iança de ês meses à gua da de um casal. Um ano depois, o pai biológico da
c iança pede a gua da da meno , ge ando uma dispu a pa en al mui o mediá ica;
6
Menina de ês anos desapa ece na p aia da Luz, em Po imão;
7
No ícia sem assina u a, pode se consul ada em: h p://sicno icias.sapo.p /pais/2016-07-07-
C onologia-do-p ocesso-Casa-Pia.
13
Apesa de odos os casos acima e e idos e em sido mui o media izados,
hou e um acon ecimen o em pa icula que “ ecebeu a enção mediá ica global sem
p eceden es” (G ee , 2017, p. 30). T a a-se do Caso Maddie, que emon a ao ano de
2007, quando Madeleine McCann, uma menina b i ânica de ês anos, que es a a de
é ias com a amília no Alga e, desapa eceu sem deixa as o. Te á icado a do mi no
apa amen o com os i mãos, enquan o os pais jan a am com amigos num es au an e
a 50 me os de dis ância.
Os p imei os indícios apon a am pa a c ime de ap o. As au o idades a e am
30 me os de cos a, o am ei as esca ações e pe ícias den o e o a de casa e em
au omó eis. No e eno es i e am mais de 300 polícias e, mais a de, as au o idades
b i ânicas acaba am po chega e ajuda nas in es igações. Foi alegadamen e a is ada
em á ios pon os do mundo, mas nenhuma das pis as acabou po se e ela c edí el
(F ei as, SIC, 2017
8
).
Machado & San os (2008, p. 8) e e em que “dos milha es de casos que já
o am no ícia em odo o mundo, é segu o dize que poucos e ão me ecido an as
ho as de emissões ele isi as, em elejo nais, documen á ios, p og amas especiais,
en e is as e ou os o ma os ele isi os”. Um caso como o de Maddie é aquilo a que
se chama um mega-acon ecimen o, o “p o ó ipo do acon ecimen o que eben a nas
edações jo nalís icas e p o oca uma al e ação comple a na o ina, como uma no a
p imei a página, bole ins de no ícia, uma in e upção da p og amação no mal”
(T aquina, 2002, p. 205).
A cobe u a in ensi a que os media ize am a es e caso é ambém explicada,
segundo Cas o (2007, p. 56), pelo ac o de os McCann eco e am a uma es a égia de
comunicação p o issionalizada e expe ien e, que acabou po domina o espaço
no icioso a a és da ealização de en e is as, comunicados de imp ensa e
in o mações p i ilegiadas.
Fo am ei as ep esen ações na imp ensa ace ca dos a o es en ol idos nes e
caso c iminal, ou seja, a amília da í ima, os in es igado es da polícia e os suspei os,
que con ibuí am, segundo Machado & San os (2010b, p. 57), pa a a cons ução
8
Peça de Ped o F ei as, pode se consul ada em: h p://sicno icias.sapo.p /especiais/caso-maddie---10-
anos/2017-05-02-Pais-de-Maddie-con inuam-a-ac edi a -que-a- ilha-es a- i a.
14
popula de es e eó ipos e signi icados simbólicos sob e o sis ema de jus iça, das
p á icas e p ocedimen os de in es igação c iminal e da p óp ia polícia em Po ugal.
É isí el a pe soni icação dos sujei os en ol idos, em pa icula dos pais, “dois
ingleses olhados como ios e pouco emocionais ela i amen e ao pad ão
es e eo ipado dos po os la inos, con ibuindo pa a uma des amilia ização que
possibili a uma ce a obje i icação pelo dis anciamen o” (Machado & San os, 2008, p.
10). Po ou o lado, pode iam ambém se is os como pode osos dado o seu es a u o
social e a ascensão a igu as públicas que oi acon ecendo com o desen ola dos
acon ecimen os.
No Caso Maddie, po o ça da conco ência, odos os ó gãos de comunicação
se sen i am na ob igação de o coloca na sua agenda, mesmo que não exis issem
in o mações no as, o que deu o igem a si uações ca ica as, onde jo nalis as se
en e is a am mu uamen e ace ca do caso, e e e Cas o (2007, p. 157).
Segundo Machado & San os (2010b, p. 58), a cobe u a da imp ensa
po uguesa ao Caso Maddie ado ou duas abo dagens dis in as. Po um lado, e ificou-
se uma pos u a mais dis anciada e e lexi a, que p ocu ou equilib a o di ei o à
in o mação com o necessá io compo amen o é ico do jo nalismo de e e ência. Mas,
po ou o lado, su giu ambém uma abo dagem “popula ” e mais sensacionalis a,
empenhada na cons ução de uma na a i a c iminal.
O caso de Madeleine McCann “ oi cons uído como um d ama público”
(Machado & San os, 2010b, p. 58), sendo que es es d amas podem con ibui
a i amen e pa a o enquad amen o de isões e pe ceções do c ime e da o dem social.
Nes a es ó ia, a a enção po pa e dos media oi “imedia a, massi a e mobilizou
cen enas de jo nalis as e meios écnicos” (Machado & San os, 2008, p. 9)”, endo o
d ama sido cons uído logo numa ase inicial.
Machado & San os (2008, p. 8) ques ionam “como é possí el que um caso que,
obje i amen e, e ao longo de an o empo, não egis ou desen ol imen os palpá eis
no sen ido de a c iança se encon ada, conseguiu man e isibilidade mediá ica ao
longo de an os meses?”. Su e e (1998, p. 72) explica que os casos c iminais mais
mediá icos, à exceção dos que en ol e am celeb idades, o am as es ó ias cons i uídas
15
po um conjun o de ing edien es que pode iam aumen a a cu iosidade e a enção na
al u a da descobe a da si uação e nos momen os mais in ensos, nomeadamen e na
al u a em que os suspei os são de idos.
1.5. O CRIME NOS TELEJORNAIS
A ele isão, dadas as suas ca ac e ís icas es u u ais de ansmissão e de
di usão massi icada, em um maio impac o na p ojeção dos assun os da a ualidade e
na “c iação de uma imp essão gené ica e pouco undamen ada” (Penedo, 2003, p. 94).
Isso acon ece de ido a uma linguagem ele isi a mui o p óp ia, com a possibilidade
do di e o e da in e upção da emissão pa a lança uma no ícia de úl ima ho a,
en a izando um acon ecimen o.
Segundo Jewkes (2011, p. 57), é dada maio c edibilidade às no ícias em
ele isão do que nos jo nais imp essos, is o po que se conside a que são menos
pa ida izadas e o e ecem imagens (em mo imen o) de maio qualidade, po isso
ac edi a-se equen emen e que demons am a ealidade. De aco do com a au o a,
es as imagens são cada ez mais áceis de ob e , nomeadamen e a a és da in e ne ,
edes sociais e pela acilidade com que hoje as pessoas ca egam consigo uma câma a
de o og a a ou ilma , nem que seja a do elemó el.
No en an o, a ele isão es á, segundo G ee (2017, p. 35), p eocupada
essencialmen e com a ques ão isual, em o na a es ó ia num p odu o apela i o.
Es es elemen os isuais acabam po elimina a necessidade de e e i de e minados
po meno es em pala as, pois podem se is os a a és de imagens.
É nesse sen ido que Romes, Jamieson & Aday (2003, p. 89), a i mam que “as
no ícias em ele isão podem molda a pe ceção da ealidade de o ma consequen e”,
is o po que a cobe u a de no ícias sob e c ime acaba mui as ezes po ecai no
sensacionalismo, em pa icula quando se a a de homicídios e iolência. Na e dade,
segundo Ashkins & Sheley (1981, p. 494), a ele isão es á menos p eocupada com a
ele ância no iciosa dos acon ecimen os do que com a ap esen ação de um p odu o
que seja apela i o.
16
A ele isão em, de aco do com Cádima (2010, p. 2), uma unção sensí el que
na in e io ização cole i a do sen imen o de insegu ança ace à iolência, que nos
“mime ismos de compo amen os ag essi os”. Nesse sen ido, a ges ão da in o mação
ele isi a necessi a de se enquad ada po p á icas edi o iais baseadas num
“conhecimen o écnico-cien í ico especí ico e in e disciplina ” sob e es as ques ões.
C imes “espe acula es” (Jewkes, 2001, p. 59) a aem mais a enção po que são
mais a a i os pa a a ele isão. Já c imes que oco em na es e a p i ada ou que não
são al o de esc u ínio público, como a iolência domés ica, abuso de c ianças e idosos,
aciden es de abalho, poluição do ambien e, cola inho b anco, co upção, iolência
do es ado e abuso go e namen al dos di ei os humanos, ecebem menos a enção da
comunicação social, apesa das g a es consequências que azem pa a os indi íduos e
pa a a sociedade.
De aco do com Cana ilhas (2001, p. 59), eco e-se a qua o elemen os pa a
“espe acula ização da no ícia” em ele isão: a seleção de d amas humanos,
p ocu ando-se explo a os sen imen os das pessoas; a epo agem e o di e o, com
is a a ealiza um enquad amen o local, se possí el na ho a do acon ecimen o,
ap o ei ando a emoção o e ecida pelo epó e enquan o es emunha ocula do
acon ecimen o; a d ama ização, a a és do uso de ges os, do os o e da exp essão
e bal pa a emociona ou a é sublinha as imagens que su gem no ec ã; po úl imo, os
e ei os isuais, conseguidos a a és da mon agem e pós-p odução e que pe mi em
manipula o acon ecimen o a a és da seleção das imagens.
Hoje p edominam nas abe u as dos elejo nais as no ícias “choque” (B andão,
2010, p. 41), dos aciden es e ca ás o es, ou seja, os emas que con ibuem pa a uma
e en e de espe áculo que em indo a c esce na in o mação ele isi a. A opção das
pela “in o mação-espe áculo” (Cana ilhas, 2001, p. 53) esul a da in luência do a o
económico. Mais in es imen o exige um aumen o das ecei as publici á ias, que é
consequência do aumen o das audiências. Pa a o consegui é p eciso o na a
in o mação mais apela i a.
Po ou o lado, Cana ilhas (2001, p. 60) ac edi a que “a p obabilidade de um
no iciá io cap a audiências depende da sua capacidade de o e ece uma ealidade
comple a, global e o mais na u al possí el”, daí que o impac o da in o mação esida na
23
Po an o, a pe ceção pública da c iminalidade encon a-se di e amen e
elacionada com a di usão mediá ica de no ícias sob e c ime, pois a o ma como o
público ecebe a in o mação sob e es e géne o de casos não é “ac í ica e passi a”
(Guiben i , Che a & Go jão, 2002, p. 30), sendo que g ande pa e do conhecimen o
sob e o sis ema legal que possuem é passí el de se eiculado pelos media.
24
CAPÍTULO 2 – SIC
Es e ela ó io em como base a expe iência adqui ida du an e seis meses na
Sociedade Independen e de Comunicação (SIC), na á ea do jo nalismo. Nes e capí ulo,
é ei a a ap esen ação da emp esa de acolhimen o, al como uma exposição e e lexão
sob e o pe cu so e expe iência adqui ida ao longo do es ágio.
2.1. CARACTERIAZÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO
A Sociedade Independen e de Comunicação, mais conhecida pela ab e ia u a
SIC, pe ence ao g upo IMPRESA – SGPS, undado e ainda p esidido po F ancisco Pin o
Balsemão, e que a ualmen e de ém 100% do capi al da SIC. A p imei a emissão do
canal oi pa a o a a 6 de ou ub o de 1992, com a ap esen ação a concu so público
a a és da Lei da Tele isão nº 58/904, do egime de licenciamen o ao exe cício da
ele isão.
To nou-se assim o p imei o canal p i ado po uguês, cujo obje i o, segundo
F ancisco Pin o Balsemão, e a ap esen a "um jo nalismo mais independen e, mais
i e e en e, ei o com gen e mais jo em, mais a e ida e, sob e udo, ocando assun os
que no malmen e não e am a ados em ele isão" (Lopes, 2012).
A SIC alcançou a lide ança em maio 1995 e, em junho de 2000, o g upo
IMPRESA é admi ido na Bolsa de Valo es de Lisboa. É a pa i desse mesmo ano que
su gem os p imei os canais emá icos SIC, sendo que o canal in o ma i o da es ação, a
SIC No ícias, nasce em 2001. P esen emen e con a com mais seis canais emá icos (SIC
Ca as, SIC K, SIC Radical, SIC Mulhe , SIC In e nacional e SIC In e nacional Á ica).
A edação da SIC ege-se po um es a u o edi o ial p óp io que de ine a
emp esa como “concessioná ia de um canal p i ado de ele isão, de âmbi o nacional,
cujo p incipal obje o é a di usão de uma p og amação de qualidade e igo
in o ma i o, independen e do pode polí ico ou económico e de qualque dou ina ou
ideologia”. Es á o ganizada po edi o ias (Sociedade, Economia, In e nacional, Polí ica,
Despo o, Cul u a e Agenda) e equipas (P imei o Jo nal, Jo nal da Noi e, Online).
25
A ualmen e, o Conselho de Adminis ação é p esidido po F ancisco Ped o
Balsemão, o di e o de in o mação do canal é Rica do Cos a e o di e o adjun o é José
Gomes Fe ei a. Be na do Fe ão e Ped o C uz são subdi e o es de in o mação da
es ação.
2.2. EXPERIÊNCIA NA SIC
Du an e os seis meses de es ágio, oi possí el adqui i expe iência a á ios
ní eis. Ap endizagem p o issional, mas ambém humana a a és do con ac o com
jo nalis as expe ien es, que me pe mi i am e e en ende a p o issão numa e en e
mui o pessoal, e com on es de in o mação, que pa ilha am his ó ias de ida que me
o na am mais sensí el em elação ao mundo à minha ol a.
Uma ez que es e não oi o meu p imei o es ágio (an e io men e já inha
es agiado no jo nal A Voz de Loulé e na Renascença), a en ada numa edação não oi
uma no idade. Sabia como unciona a, econhecia a p essão na ca a dos jo nalis as a
pouco minu os de i em pa a o a , o s ess de acaba a peça de abe u a e a sensação
de de e cump ido quando se e minam os abalhos mais exigen es.
Mas não deixa a de se no o pa a mim es a numa edação de uma es ação de
ele isão. Imp ensa e ádio são meios de comunicação igualmen e exigen es, mas cujo
mé odo de abalho acaba po se di e en e. Aqui não se abalha sozinho. Há um
iângulo do qual az pa e o jo nalis a, o epó e de imagem e o edi o de imagem.
Todos os é ices des e iângulo são igualmen e impo an es e há que ap ende a
abalha em equipa.
Ou a das g andes pa icula idades da ele isão é a necessidade de alia o ex o
com a imagem. A peça em de aze sen ido e pa a isso é p eciso que aquilo que se diz
e aquilo que se ê es ejam em sin onia, o que nem semp e é ácil. Mui as ezes as
imagens que emos limi am aquilo que que emos dize e é p eciso se capaz de
con o na essa si uação. Daí que o abalho de equipa no e eno, en e o jo nalis a e o
epó e de imagem, seja ão impo an e.
26
2.2.1. AGENDA
A p imei a ase do es ágio consis iu numa passagem de ce ca de dois meses e
meio pela Agenda. Ao con á io do que acon ece nas es an es edi o ias e secções da
edação, na Agenda o oco não é a a ualidade, o p esen e, mas sim o u u o. Que -se
sabe onde ai es a o P esiden e da República (PR) amanhã e quan os dias ai du a a
iagem do p imei o-minis o (PM) na p óxima semana. Tudo em de se de idamen e
con i mado pa a e i a o en io de equipas pa a o e eno desnecessa iamen e.
A equipa da Agenda, na al u a em que iniciei o es ágio, e a compos a pela
coo denado a, Ana Luísa Gal ão, e pelas jo nalis as Isabel San ana, Conceição And ade
e Kelly Ma ins. Po no ma, são apenas dois es agiá ios a in eg a es e g upo, à
exceção da al u a em que en am no os es agiá ios, em que a equipa ica com ês a é
um saia pa a ou a edi o ia.
São os es agiá ios que já es ão na equipa há mais empo que ensinam aos
ecém-chegados a maio ia daquilo que p ecisam de aze , o que no undo consis e em
agenda e en os e p esenças de igu as impo an es. São as jo nalis as quem seleciona
o que de e se agendado, com base nos emails ecebidos e nos akes da Agência Lusa, e
são os es agiá ios quem az as ichas pa a cada acon ecimen o no ENPS (The Essen ial
News P oduc ion Sys em), onde ambém é possí el isualiza os akes das agências
no iciosas (Lusa, APTN, Reu e s e Agence F ance P ess). Os es agiá ios azem ambém
con i mações, quando al a alguma in o mação que não es á p esen e nos emails
ecebidos, po no ma, ia ele one. As únicas con i mações que os es agiá ios não
es ão au o izados a ealiza são as que dizem espei o a igu as do go e no e ao PR.
Pa a além do agendamen o a a és dos emails ecebidos, ambém in o mações
sob e u u os acon ecimen os que sejam di ulgados nos jo nais podem se agendados.
Po no ma, são as jo nalis as quem lê e seleciona aquilo que de e se agendado,
in o mação essa que passa depois pa a os es agiá ios que c iam a icha e a colocam na
espe i a ca ego ia (Sociedade, Polí ica, Economia, Cul u a, In e nacional, Po o,
E emé ides e G e es e Mani es ações).
Ou a das unções mais impo an es dos es agiá ios du an e o empo em que
es ão na Agenda é o a endimen o de ele onemas. Es es podem se das mais a iadas
27
na u ezas. Mui as ezes, as pessoas ligam pa a da conhecimen o de um e en o que
i á deco e , pa a eclama de alguma peça que não enham gos ado, que não
achassem que es i esse bem ei a, ou a é pa a in o ma sob e um inciden e que enha
oco ido. Ou as ezes, e mais equen emen e, as pessoas ele onam pa a expo os
seus p oblemas, com a espe ança de que a SIC seja capaz de ajuda . Du an e a minha
passagem pela Agenda, a g ande maio ia des as “es ó ias” dizia espei o a pessoas que
inham sido despejadas, que diziam e sido despedidas injus amen e ou bu ladas.
Nes es casos, a sensibilidade é mui o impo an e. Cabe a nós, es agiá ios, aze
uma p imei a seleção da in o mação e, na maio pa e dos casos, pe cebemos
imedia amen e que não ai ha e a possibilidade de aze nada em e mos
jo nalís icos. De qualque o ma, é impo an e ou i as pessoas, espei ando-as e
espei ando aquilo que êm pa a nos dize . Po mui o que, po ezes, essas “es ó ias”
sejam as mais insóli as possí el.
2.2.2. MADRUGADAS
Du an e o es ágio, uma das unções a ibuídas aos es agiá ios é o cump imen o
do ho á io das mad ugadas. Um es agiá io e um epó e de imagem pe manecem na
SIC das 00h00 às 06h00 pa a o caso de oco e algum ac o susce í el de se no iciado.
Es a a en o às agências no iciosas, ou i a TSF de ho a a ho a e liga pa a a
p o eção ci il, bombei os e Gua da Nacional Republicana (GNR) são as g andes a e as
desempenhadas du an e es e pe íodo. O obje i o é pe cebe se hou e alguma
oco ência e, caso se con i me, en a pe cebe jun o do epó e de imagem se é
ele an e ou não sai pa a o local. Caso seja um acon ecimen o e dadei amen e
impo an e, como a mo e de um p imei o-minis o ou um a en ado e o is a no
nosso país, é necessá io a isa a Con inuidade, pa a passa essa in o mação em
odapé, e liga pa a um dos di e o es.
Du an e as duas semanas que iz mad ugadas, não oco eu nada de
signi ica i o. Saí apenas duas ezes em epo agem, uma delas pa a um incêndio numa
habi ação, que depois acabou po não se al o de no ícia dada a sua pequena
28
dimensão, e pa a o Es ádio da Luz, numa noi e em que os adep os ica am a do mi
jun o às bilhe ei as pa a consegui ing essos pa a o jogo Do mund x Ben ica.
Na maio ia das noi es, o abalho consis ia em esc e e OFFs
9
sob e
acon ecimen os que es i essem a oco e , em pa icula a ní el in e nacional, pa a
en ia ao coo denado da Edição da Manhã, que chega à edação po ol a das 04h00.
Caso essa in o mação osse de in e esse, cabia-me a mim p epa a os blocos de
imagens que i iam acompanha o OFF. Foi du an e as mad ugadas que i e o p imei o
con ac o com o so wa e de edição Xp i. Na p imei a semana de mad ugadas, que iz
ainda an es de sai da Agenda, como ainda não inha expe iência com es e p og ama,
apenas o u iliza a pa a e i ica se as agências de no ícias inham disponibilizado
imagens. Na segunda semana, po já e algum conhecimen o nes a ma é ia, o am
edi adas imagens pa a OFFs e co ados THs
10
.
2.2.3. EQUIPA DE FIM-DE-SEMANA
A segunda ase do es ágio consis iu na in eg ação na Equipa de Fim-de-Semana
(FdS) du an e ce ca de ês meses e meio. Po no ma, os es agiá ios passam po ês
secções/edi o ias ao longo dos seis meses de es ágio mas, no meu caso, endo em
con a as opções disponí eis na al u a e a boa expe iência que inha ido du an e os
meses an e io es, op ei po ica na Equipa de FdS a é ao inal do es ágio.
Aqui, o abalho é mui o di e en e daquele que é ei o na Agenda, mas ambém
é díspa em elação ao que é ei o nas es an es edi o ias. Quando se p epa a abalho
pa a as edições de im-de-semana, exis e algo que du an e a semana é mui o di ícil de
consegui : empo. A g ande maio ia das peças que iz e am p epa adas du an e a
semana pa a se em emi idas no P imei o Jo nal (PJ) ou Jo nal da Noi e (JN) de sábado
e domingo. A p essão sen ia-a apenas nos ins-de-semana, quando, po exemplo,
chega a de epo agem às 12h00 e inha que edi a uma peça pa a o PJ desse dia.
9
OFF: No ícia mais pequena, lida em di e o pelo pi o , acompanhada po um bloco de imagens
cons uído p e iamen e;
10
TH (Talking Head): Decla ações ei as pa a as câma as de ele isão po uma de e minada pessoa, que
são depois con ex ualizadas e lançadas pelo pi o .
29
Foi aqui que hou e o p imei o con ac o com a esc i a jo nalís ica pa a ele isão
e um ap o undamen o da ap endizagem no que diz espei o ao Xp i e à edição de
imagem. Foi ambém nes a ase que i e con ac o com ou os p og amas, como o
In enio (que a qui a odos os p og amas da SIC gene alis a e es an es canais
emá icos).
Folga a segunda e e ça- ei a e abalha a o es o da semana. A minha o ina
consis ia em, logo na qua a- ei a, pesquisa e en os de po encial in e esse,
eco endo essencialmen e a agendas cul u ais online, e en ia uma lis a de p opos as
ao meu coo denado , Luís Ma çal, e à p odu o a do FdS, Cláudia A aújo. Po no ma,
ecebia espos a no mesmo dia e a pa i daí cabia-me a mim a a de udo o es o.
E e ua os con ac os com a o ganização, combina da a e ho a e ajus a odos os
po meno es. Assim que es a ase es i esse concluída, a isa a a p odu o a e ela
ma ca a no planning (página no ENPS onde es ão p esen es odos os se iços
ma cados pa a um de e minado dia). Po no ma, en a a semp e sabe , an es de
qualque ou a coisa, se a peça se ia pa a sábado ou domingo e se pa a o PJ ou pa a o
JN, pois a du ação da mesma se ia condicionada po es as a iá eis.
Sai em epo agem oi, pa a mim, a pa e mais empolgan e. Es a no local, as
en e is as, pe cebe a pa i daí qual o ângulo que pode ia da ao meu abalho e sai
com a sensação de de e cump ido. Ao chega à edação, ia odas as imagens
ecolhidas, em pa icula à p ocu a de uma o ma o iginal de começa e e mina a
minha peça, e esc e ia o ex o, que e a semp e e is o po um jo nalis a. Dei semp e
oz às minhas peças, num p imei o momen o ainda sob a ap o ação do meu
coo denado , que ou ia a g a ação an es de a ança pa a a edição. Rapidamen e
acabei po me o na au ónoma nesse aspe o.
A edição e a semp e acompanhada po um edi o de imagem. Es a a p esen e
du an e odo o p ocesso, ap esen ando as minhas p e e ências em e mos de imagem
e dando a minha opinião sob e aquilo que de ia se ei o em e mos de som e imagem.
Pa a além de suge i e en os, ui ambém ap esen ando p opos as de emas.
G aças à g ande ece i idade e comp eensão do meu coo denado , i e a possibilidade
de ealiza quase odas, sendo que as únicas p opos as que não a ança am i e am
como causa a al a de empo ou a indisponibilidade das on es. Des aco uma peça que
30
ealizei sob e Baby Led Weaning, um mé odo de in odução de alimen os sólidos aos
bebés com seis meses, um abalho que exigiu alguma in es igação e que oi a peça
mais is a no online du an e esse im-de-semana. Ou as, como O Reg esso do Vinyl e
a In oexclusão, são ambém exemplos de abalhos des a na u eza.
As edições de FdS são mui o ma cadas pelos chamados ai -di e s, peças cujos
assun os não se encaixam nas adicionais edi o ias do jo nal, que são conside adas
mais le es e que são, po isso, ideias pa a as edições de sábado e domingo. E a mui o
po es a lógica que me guia a: “o que que em as pessoas e du an e o almoço de
amília no domingo?”. O meu abalho basea a-se mui o nes e géne o de peças, à
exceção do im-de-semana, quando ha ia no ícias de úl ima ho a, como a en ados
e o is as, incêndios ou a é a mo e de Má io Soa es.
31
CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA
Pa a a ealização des e ela ó io de es ágio, oi escolhido pa a análise um ema
especí ico, a ado jo nalis icamen e pela edação da SIC. Pa a chega às conclusões
p e endidas, o p esen e abalho eco e a mé odos que, segundo Espi i o San o
(2010, p. 11), p ocu am aduzi uma conceção global de planeamen o de uma
in es igação que engloba um caminho ap op iado aos obje i os, meios, esul ados
espe ados e con ex o de implemen ação.
Nes e capí ulo é en ão ap esen ado o ema, explicada a pe gun a de pa ida e
os obje i os e, seguidamen e, a abo dagem me odológica e a escolha e planeamen o
das écnicas de ecolha de dados.
3.1. CASO PEDRO DIAS
Num país pequeno como Po ugal, onde, apesa de udo, os ní eis de
c iminalidade e segu ança es ão a nosso a o , o Caso Ped o Dias, à semelhança do
que acon eceu com Manuel “Pali o” em 2014
11
, coloca mui as dú idas, pe gun as e,
acima udo, mui a cu iosidade. Como é possí el um homem es a desapa ecido
du an e quase um mês sem que as au o idades o encon em? Em pa icula , como
pode e es ado na mesma egião du an e odos aqueles dias, sem nunca e sido
descobe o? T a ou-se de uma e dadei a no ela, que odos dias inha no os capí ulos
e que e minou com um inal que ninguém es a a à espe a.
Tudo começou na mad ugada de 11 de ou ub o de 2016. Dois mili a es da GNR,
du an e uma ação de iscalização numa zona indus ial de Aguia da Bei a, encon am
um indi íduo den o de um eículo pa ado. Esse homem se ia Ped o João Dias, que
acaba po a ingi mo almen e um dos mili a es e ob iga o ou o a guia o ca o-
pa ulha com o co po do colega no po a-bagagens. O eículo só ai pa a cinco
quilóme os depois, numa zona e ma a 50 me os da EN229, onde o mili a
sob e i en e é a ingido po uma bala na ce ical, endo pe dido a consciência. Aco da
mais a de e caminha a é casa de um colega, onde dá o ale a.
11
Manuel Bal aza , conhecido como “Pali o”, ma ou a ia e a mãe e dispa ou con a a ilha e a ex-
companhei a, em 2014. Es e e ugido das au o idades du an e 34 dias.
32
Pouco depois, nessa mesma es ada, Ped o Dias e á dispa ado con a um
casal, que seguia pa a uma consul a de e ilidade, pa a lhes ouba a ia u a. O
homem em mo e imedia a e a mulhe é le ada pa a o hospi al em es ado g a e,
acabando po mo e em ab il des e ano, na sequência dos e imen os. Segui am-se
dias de buscas in ensas sem qualque esul ado. Ped o Dias desapa eceu du an e 28
dias, sem deixa as o.
Es e homem de 44 anos nasceu em Angola, mas i ia em A ouca, no dis i o de
A ei o. De amílias abas adas, em um b e e de pilo o e a população diz que é de
“boas gen es” (Cos a, Sábado, 2016
12
). Di o ciado e com dois ilhos, Ped o Dias es a a
já e e enciado pelas au o idades po c imes com animais p o egidos e oi condenado
a pena suspensa po iolência domés ica con a a mulhe . Ao longo do seu
desapa ecimen o, a polícia oi iden i icando es e homem como pe igoso, io e
calculis a. Os especialis as, ou idos po á ios ó gãos de comunicação, ala am na
possibilidade de se a a de um indi iduo com dis ú bios de pe sonalidade (Fe ei a,
Obse ado , 2016
13
), enquan o uma pesquisa o ense, o denada pelo T ibunal de
A ei o, de endeu que Ped o Dias so ia de sociopa ia, uma psicopa ologia que p o oca
um compo amen o impulsi o e hos il (Jo nal de No ícias, 2016
14
).
Du an e a uga, Ped o Dias oi á ias ezes a is ado pela população, endo
inclusi e sido pe seguido pela GNR no dia 16 de ou ub o, depois de se e escondido
numa casa desabi ada em Moldes e e ag edido e seques ado a ilha da p op ie á ia,
que se deslocou à habi ação pa a aze limpezas, e um izinho que oi a aído pelos
g i os da mulhe . As duas í imas o am encon adas ama adas e amo daçadas ho as
mais a de pelo ilho do izinho, depois de Ped o Dias ol a a desapa ece , des a ez
ao olan e de uma ca inha Opel As a b anca, oubada ao homem que seques ou. A
ca inha é encon ada abandonada no dia seguin e em Ca o Queimado (Vila Real),
com um pa de calças ensanguen adas no in e io .
12
No ícia de Cá ia And ea Cos a, que pode se consul a em:
h p://www.sabado.p /po ugal/de alhe/quem-e-ped o-dias-o-homem-que-con inua-a-escapa -a-
policia;
13
No ícia de Ma a Lei e Fe ei a, que pode se consul ada em:
h p://obse ado .p /2016/10/26/ped o-dias-o-homicida-simpa ico/;
14
No ícia sem assina u a e que não es á disponí el online.
39
da Bei a e Cons an im; Isabel Ho a, edi o a de Sociedade da SIC, á ea di e amen e
elacionada com as ques ões de jus iça e c iminalidade; e And é An unes, coo denado
do P imei o Jo nal, no iciá io em análise.
O obje i o inicial se ia en e is a pessoalmen e os jo nalis as acima e e idos,
à exceção de F ede ico Co eia, is o que é co esponden e e não em esidência em
Lisboa, sendo que, no caso des e, a en e is a oco eu ia ele one. Foi en iado um
email p é io a odos os jo nalis a a pedi en e is a, ao qual apenas And é An unes
espondeu. Quando se deu a deslocação à edação da SIC pa a a ealização da
en e is a ao coo denado do P imei o Jo nal, oi ei a uma abo dagem pessoal aos
es an es jo nalis as que se p e endia en e is a mas que não inham espondido ao
email. Foi possí el en e is a Isabel Ho a, mas Ben o Rod igues não demons ou
disponibilidade pa a esponde pessoalmen e às pe gun as, endo acabado po azê-lo
a a és do co eio ele ónico.
Algumas en e is as i e am de se encu adas, não endo sido possí el segui
po comple o o guião de pe gun as es ipulado. Foi o caso de And é An unes e Isabel
Ho a que, po uma ques ão de al a de empo, não consegui am esponde a odas as
ques ões. Nesses casos, oi ei a uma seleção das pe gun as que mais se di eciona am
pa a a componen e edi o ial (pa a a edi o a de Sociedade) e pa a a o ganização dos
abalhos du an e a cobe u a do caso (pa a o coo denado do P imei o Jo nal).
Tabela 2 – Calenda ização das en e is as
En e is ados
Da a das en e is as
Local
F ede ico Co eia
30 de junho
Po ele one
Ben o Rod igues
5 de julho
Po email
Isabel Ho a
5 de julho
SIC Lisboa
And é An unes
5 de julho
SIC Lisboa
40
4. RESULTADOS: COBERTURA DA SIC AO CASO PEDRO DIAS
Com is a a en ende a o ma como a SIC a ou jo nalis icamen e o caso em
análise, o am elabo adas en e is as e análise de con eúdo, de o ma a comp eende
não só a opinião dos p o issionais en ol idos na cobe u a do caso como ambém
e i ica , na p á ica, quais os c i é ios e abo dagens seguidas. Nesse sen ido, ao longo
des e capí ulo, se ão ap esen ados os p incipais con ibu os dos es emunhos dos
jo nalis as en e is ados e os esul ados da análise às peças sob e o Caso Ped o Dias.
4.1. ATENÇÃO MEDIÁTICA DEDICADA PELA SIC AO CASO PEDRO DIAS
Re elou-se impo an e pa a es a in es igação comp eende qual a a enção
mediá ica que a SIC dedicou a es e caso. Nesse sen ido, é possí el conclui que,
du an e o mês em es udo, o am pa a o a 94 con eúdos sob e o Caso Ped o Dias no
P imei o Jo nal, sendo que os dias 19 e 20 de ou ub o o am aqueles que egis a am
um maio núme o de no ícias, 18 e 10, espe i amen e ( e anexo III, página 89). Es a
si uação e i icou-se po que du an e es es dias a SIC ealizou uma emissão especial,
conduzida po Ben o Rod igues, em di e o das aldeias de Ca o Queimado e
Cons an im, quando Ped o Dias es a a desapa ecido há oi o dias. O P imei o Jo nal oi
conduzido em simul âneo pelo pi o no local, que azia a pon e en e os á ios
epó e es, e o pi o nos es údios da SIC, que conduzia a es an e emissão.
Du an e os ou os dias, há uma média de qua o a seis peças po emissão sob e
o caso, a iando o seu núme o consoan e a exis ência ou não de no os
desen ol imen os ou o su gimen o de ou as no ícias que ma cassem esses dias. Po
exemplo, os dias 15 e 16 de ou ub o (com apenas duas e uma no ícias sob e o caso,
espe i amen e) o am ma cados pela en ega da p opos a do O çamen o do Es ado
pa a 2017 e 18 de ou ub o (com ês peças sob e o caso) oi dia de Conce ação Social.
A é mesmo a 9 de no emb o, dia da de enção de Ped o Dias, que se pode ia espe a
que osse mui o media izada, a incidência de no ícias sob e o caso não oi signi ica i a
(apenas qua o), o que pode á e acon ecido dada a eleição de Donald T ump pa a
p esiden e dos Es ados Unidos da Amé ica (EUA) na noi e an e io , o que dominou o
espaço no icioso. Pa a além disso, o ac o de se e en egado em di e o pa a a RTP e
41
de apenas e em sido concedidos às ou as es ações de ele isão poucos minu os de
imagens, pode á ambém e con ibuído nesse sen ido.
Ao longo do mês de análise, du an e 10 dias não o am ap esen adas no ícias
sob e o caso, o que acon eceu numa ase inal, an es da en ega, quando não exis iam
desen ol imen os no os que jus i icassem o seu su gimen o.
A a enção mediá ica a ibuída pela SIC ao caso cen ou-se no ecu so a di e os
e peças. Regis a am-se 40 di e os e 39 peças, o que co esponde a 43% e 42% do o al
ecolhido. O géne o jo nalís ico menos u ilizado oi a en e is a (2%), endo-se
des acado a p omo (5%) enquan o meio de p omoção de ou os abalhos ( e abaixo
abela 3).
Tabela 3 – Géne o jo nalís ico dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
Géne o Jo nalís ico
Unidades de análise
Pe cen agem
Di e o
40
42,6%
Peça
39
41,5%
P omo
5
5,3%
Repo agem
4
4,3%
OFF
4
4,3%
En e is a
2
2,1%
To al
94
100%
En e os con eúdos p oduzidos pa a o P imei o Jo nal, 37%, i e am en e
1’46’’ – 2’45’’ de du ação, enquan o apenas 29% i e am en e 2’46’’ – 4’45’’, o maio
olume es abelecido no codebook. Exis e con udo uma elação e iden e en e o
géne o jo nalís ico e a du ação dos con eúdos, sendo os di e os, po no ma, maio es.
Do o al de unidades de análise com maio du ação (en e 2’46’’ – 4’45’’), 58% são
di e os e apenas 31% são peças. A epo agem, que se pode ia espe a que i esse
uma du ação supe io , ep esen a apenas 8% do o al. Em elação aos con eúdos mais
pequenos (com menos de 1’45’’), 48% são peças, 22% são di e os e 19% são p omos
(consul a abela 4, página 42). É impo an e ainda e em a enção a ca ego ia
42
“ou os” (6%), que inclui con eúdos com du ação in e io e supe io à es abelecida nas
es an es ca ego ias.
Tabela 4 - Volume dos con eúdos em unção do géne o jo nalís ico
Géne o Jo nalís ico
Volume
To al
Menos de
1’45’’
1’46’’ –
2’45’’
2’46’’ –
4’45’’
Ou os
OFF
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
3
75,0%
11,1%
0
0%
0%
0
0%
0%
1
25,0%
16,7%
4
100,0%
4,3%
Di e o
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
6
15,0%
22,2%
16
40,0%
45,7%
15
37,5%
57,7%
3
7,5%
50,0%
40
100,0%
42,6%
Peça
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
13
33,3%
48,1%
17
43,6%
48,6%
8
20,5%
30,8%
1
2,6%
16,7%
39
100,0%
41,5%
Repo agem
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
0
0,0%
0,0%
2
50,0%
5,7%
2
50,0%
7,7%
0
0,0%
0,0%
4
100,0%
4,3%
En e is a
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
1
50,0%
3,8%
1
50,0%
16,7%
2
100,0%
2,1%
P omo
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
5
100,0%
18,5%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
5
100,0%
5,3%
To al
Núme o de con eúdos
% em Géne o Jo nalís ico
% em olume
27
28,7%
100,0%
35
37,2%
100,0%
26
27,7%
100,0%
6
6,4%
100,0%
94
100,0%
100,0%
43
Quan o à p oeminência dos con eúdos ansmi idos, endo sido um caso mui o
media izado, é ambém na u al que os mesmos enham ecebido luga es de des aque
no alinhamen o do elejo nal. As no ícias de abe u a ep esen am 9% do o al e a
g ande maio ia oi ap esen ada du an e a p imei a pa e, pe azendo 72% dos
con eúdos emi idos. Es as no ícias su gem essencialmen e como segunda ou e cei a
no alinhamen o e em de e minadas si uações, como no dia 12 de ou ub o, as
p imei as qua o no ícias são sob e o caso. Em ou as si uações, e am ap esen ados
con eúdos na p imei a pa e do P imei o Jo nal, ol ando depois no amen e ao caso,
po no ma com um di e o pa a aze o pon o da si uação, na segunda pa e. As
no ícias da segunda pa e do jo nal ep esen am um alo mais baixo, de apenas 14%,
e 5% são no ícias de abe u a depois do in e alo ( e abaixo g á ico 1).
G á ico 1 - P oeminência dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal
O assun o que dominou, no P imei o Jo nal, as no ícias sob e o caso oi as
“buscas”, o que co esponde a 33% do o al. Tendo em con a que Ped o Dias es e e
desapa ecido du an e 28 dias, pa ece jus i icá el que assim seja, is o que, à exceção
que alguns a is amen os que o am oco endo (13%) e de uma necessidade que ia
exis indo de con ex ualiza as pessoas sob e o que ha ia acon ecido nos dias
44
an e io es (12%), a g ande maio ia das peças, di e os e ou os con eúdos isa am da
a conhece as ope ações de busca pa a encon a o p incipal suspei o dos c imes.
A ausência de o ças policiais, mui as ezes e e ida em di e os onde o epó e
demons a a as aldeias dese as, sem a p esença de pa ulhas da GNR, oi ap esen a
em 9% dos casos, alo ambém egis ado com as no ícias sob e a en ega, de enção e
audições no ibunal. Os c imes come idos an es da uga, a ap esen ação do pe il do
suspei o e as í imas (2% cada) e ainda os c imes come idos enquan o es e e
desapa ecido (1%), o am as emá icas menos mencionadas pelos jo nalis as ( e
abaixo g á ico 2).
G á ico 2 – Temá ica dominan e dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
Tendo em con a as emá icas acima e e idas, é possí el ainda di idi a
cobe u a da SIC ao caso de aco do com as localidades onde os c imes e os
a is amen os iam oco endo. No en an o, a e dade é que o am mui as as localidades
que ao longo dos 28 dias se i am en ol idas nes e caso, de al o ma que a ca ego ia
“ou as” é aquela que egis a maio es alo es, com 22% das no ícias. Den o des a
ca ego ia encon am-se aldeias, ilas e cidades como Mangualde (Viseu), Gache (Vila
45
Real) ou Gua da. Po ém, a ila de Aguia da Bei a (Gua da) oi aquela de onde o am
ei os mais di e os e que se iu de base a mais peças, ep esen ado 21% do o al ( e
abela 11, anexo V, página 111). Is o acon eceu po que oi aqui que oco e am os
c imes que mo i a am a uga do suspei o.
Sendo a zona po onde as ope ações policiais iam oco endo bas an e as a,
en ol endo os dis i os da Gua da, Vila Real, Viseu e A ei o, a cobe u a ao caso oi
ei a de aco do com a á ea de cada co esponden e. Segundo explica F ede ico
Co eia, “se o Ped o Dias se espalhasse po á ias zonas, cada zona dizia espei o a um
co esponden e”
16
, ha endo depois uma coo denação en e odos pa a se de ini
quem ala ia sob e os á ios ópicos, nomeadamen e a uga, o medo da população, a
es a égia das au o idades ou as úl imas p o as ecolhidas.
Figu a 1 – In og a ia que ap esen a os locais po onde Ped o Dias e á passado
4.2. FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA O INTERESSE DA SIC
Já que oi possí el apu a o in e esse da SIC nes e caso, o na-se ele an e
pe cebe o po quê, que a o es con ibuí am pa a esse in e esse. Segundo And é
An unes, o mo i o que jus i ica que, numa p imei a ase, haja in e esse nes e caso em
16
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116.
46
a e com o ac o de não se pe cebe exa amen e o que acon eceu. “Quando há um
ce o mis é io em o no de uma his ó ia, quando não se pe cebe imedia amen e o que
acon eceu, is o p ende as pessoas. Mas, em p imei o luga , p ende-nos a nós po que
ambém somos pessoas e que emos pe cebe o que acon eceu”, explica o
coo denado do P imei o Jo nal. Re e e ambém, al como Isabel Ho a, que se a a
de um “c ime iolen íssimo”
17
e que oi de “uma ieza e b u alidade”
18
o a do comum
em Po ugal. F ede ico Co eia classi ica es e como um caso a ípico, onde oco e “uma
espécie de casca a de acon ecimen os”
19
, e e indo que é po esse mo i o que es e
caso se e elou ão in e essan e pa a os media.
Es es emas, o a do comum, são segundo And é An unes “apaixonan es pa a
as pessoas”. Na e dade, oi possí el pe cebe isso a a és dos á ios es emunhos de
popula es, pessoas da egião de Ped o Dias ou daquelas zonas onde se suspei a a que
ele pudesse es a , que o am sendo ap esen adas nas peças e epo agens emi idas.
Ha ia aqueles que não ac edi a am que ele e a culpado e os que não inham dú idas
de que inha sido ele. Aqueles que diziam ha e um exage o da pa e das au o idades
e os que a i ma am e medo que ele apa ecesse e lhes izesse mal. As opiniões
di idiam-se mas odos inham alguma coisa a dize sob e o assun o. Pode dize -se que,
de algum modo, is o e le e aquilo que se passa a em odo o país. Todos inham uma
opinião, nem que osse sob e a a uação das au o idades ou o espan o que e a ele não
se apanhado.
É al ez po isso que as eações, que dos popula es como de ou as igu as,
como psicólogos, o am alo izadas pela SIC, su gindo em 6% dos casos, al como o
e lexo do ambien e que se i ia nes as zonas e onde mui as ezes su giam imagens de
pessoas nas uas a con e sa , dando a en ende que o ema e a Ped o Dias, e que es á
p esen e em 4% das peças ( e g á ico 2, página 44).
17
En e is a Isabel Ho a – anexo IX, página 122;
18
En e is a And é An unes – anexo X, página 124;
19
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116.
47
Figu a 2 - Exemplo de uma das imagens onde su gem popula es
4.3. COMO FOI REALIZADA A COBERTURA AO CASO
Uma ez que oi possí el pe cebe o in e esse da SIC nes e caso, e ela-se
ago a impo an e en ende de que o ma o Caso Ped o Dias oi abo dado. Pa a al, é
ele an e, em p imei o luga , comp eende quem o am os jo nalis as que a a am
es a es ó ia. No o al, 27 jo nalis as ealiza am con eúdos sob e es e caso, sendo que
12 deles são co esponden es e os es an es jo nalis as e pi o s da edação em Lisboa.
Em elação ao o al de con eúdos p oduzidos, 54% são da au o ia de co esponden es,
31% de jo nalis as da edação em Lisboa e 7% o am da esponsabilidade do en iado
especial. Como é possí el e na abela 5 (página 46), o géne o jo nalís ico
ine i a elmen e a ia consoan e a ca ego ia do jo nalis a, pois no que diz espei o aos
di e os, po exemplo, 88% o am ei os po co esponden es e os es an es 13% o am
ei os po Ben o Rod igues, en iado especial, que du an e os dois dias apenas ez
di e os (71%) e en e is as (29%), endo sido o o al de en e is as e e uadas da sua
esponsabilidade. As epo agens ambém o am maio i a iamen e ei as po
co esponden es (75%) e as peças o am os únicos con eúdos p oduzidos em maio ia
pelos jo nalis as da edação em Lisboa (72%), consis indo essencialmen e em
c onologias e desen ol imen os dos úl imos dias, o que é possí el aze não es ando
no local e com o ma e ial ecolhido pelos co esponden es.
48
Tabela 5 – Géne o jo nalís ico em unção do jo nalis a
Jo nalis a
Géne o Jo nalís ico
To al
OFF
Di e o
Peça
Repo age
m
En e is a
P omo
Co esponden e
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
2
3,9%
50,0%
35
68,6%
87,5%
11
21,6%
28,2%
3
5,9%
75,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
51
100,0%
54,3%
Jo nalis a edação Lisboa
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
28
96,6%
71,8%
1
3,4%
25,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
29
100,0%
30,9%
En iado Especial
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
0
0,0%
0,0%
5
71,4%
12,5%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
2
28,6%
100,0%
0
0,0%
0,0%
7
100,0%
7,4%
Pi o
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
2
100,0%
50,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
2
100,0%
2,1%
Sem Assina u a
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
5
100,0%
100,0%
5
100,0%
5,3%
To al
Núme o de Con eúdos
% em Jo nalis a
% Géne o Jo nalís ico
4
4,3%
100,0%
40
42,6%
100,0%
39
41,5%
100,0%
4
4,3%
100,0%
2
2,1%
100,0%
5
5,3%
100,0%
94
100,0%
100,0%
Em ele isão, an o a componen e da imagem como do ex o são impo an es.
Nes e caso em especí ico, no que espei a à imagem, o am á ios os cená ios a que se
eco eu pa a ap esen a es a es ó ia, o que é possí el consul a na abela 12, anexo V,
página 112. Em 29% das si uações, apenas su ge no ec ã o jo nalis a no local, o que
acon ece po que o géne o jo nalís ico mais comum é o di e o e em alguns dos casos
não são ap esen adas ou as imagens pa a além do jo nalis a. Encon a-se semp e
num pon o es a égico, seja ele em en e às au o idades, em mui os casos a madas,
55
G á ico 4 – A o es iden i icados nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
G á ico 5 – Ci ações p esen es nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
56
4.4. OPINIÃO JORNALISTAS: COBERTURA DA SIC
Tendo es ado di e amen e en ol idos na cobe u a des e caso, e elou-se
pa icula men e impo an e pe cebe qual a opinião dos jo nalis as em elação à
o ma como es e caso oi a ado. Nesse sen ido, a u ilização do di e o como meio
p i ilegiado pa a a ap esen ação des e caso di ide os jo nalis as. Isabel Ho a é da
opinião que o núme o de di e os oi excessi o, e e indo que é con a os di e os em
demasia pois ac edi a que não ac escen am nada. Ben o Rod igues diz que se
jus i icou a u ilização do di e o, embo a admi a algumas exceções. No en an o, o
co esponden e F ede ico Co eia comp eende odos os di e os que o am ei os e diz
inclusi e que se i essem sido ei os mais ambém se jus i ica a, is o po que “se o
jo nalis a es á na ua há que explica o que es á a e naquele momen o”
22
.
No en an o, independen emen e da opinião dos jo nalis as, a decisão coube ao
coo denado do P imei o Jo nal, que jus i ica a u ilização eco en e do di e o pelo
ac o de exis i em á ias es ó ias associadas ao caso. “Es amos a ala de uma uga no
empo mui o p olongada, há um ala me social, há pe igo, com um as o de iolência
b u al e onde ha e á um ipo que é um assassino a sangue io, que não que sabe se
as pessoas são inocen es ou culpadas (…) depois emos a es ó ia das í imas, que é
uma his ó ia pa icula men e ágica. Es amos a ala de um casal que inha de uma
consul a de e ilidade. Po ou o lado, a p óp ia es ó ia do Ped o Dias, a amília dele, a
elação con u bada que e e com os izinhos, as au o idades, o que deu o igem a uma
sé ie de ou as pequenas es ó ias”
23
, o que, segundo And é An unes, pe mi iu i
“alimen ando” es e caso.
O ecu so à in og a ia oi ela i amen e eduzido, sendo que 90% das unidades
de análise não con ém mapas ou o og a ias ( e abela 8, página 57). No en an o, uma
das ques ões é icas e deon ológicas le an adas nes e caso diz espei o à di ulgação
das o og a ias das í imas. Rep esen a um alo baixo, apenas 1% das no ícias
ap esen a es as o og a ias, no en an o não deixa de se impo an e analisa es a
si uação. Ben o Rod igues conside a que “não é essencial e ela nomes e sob e udo
22
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116;
23
En e is a And é An unes – anexo X, página 124.
57
o os”
24
, mas Isabel Ho a ac edi a que, nes e caso, não exis e nenhum p oblema na
di ulgação po que as pessoas es ão mo as e po isso não co em pe igo, e e indo
que es a é a é “uma o ma de homenageá-las”
25
.
Pa a além das o og a ias das í imas, a ap esen ação de o og a ias do
suspei o (6%) e mapas com a in o mação e e en e ao possí el pe cu so de Ped o Dias
du an e a uga (2%) ambém su ge nos con eúdos emi idos sob e o caso.
Tabela 8 – In og a ias p esen es nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
In og a ia
Unidades de análise
Pe cen agem
Fo og a ias do suspei o
6
6,4%
Fo og a ias das í imas
1
1,1%
Mapas
2
2,1%
Não con ém in og a ias
85
90,4%
To al
94
100%
Ou as das ques ões mais con o e sas em elação à ação dos jo nalis as e dos
ó gãos de comunicação nes e caso diz espei o à di ulgação das ope ações policiais.
Pode á ques iona -se a é que pon o as in o mações ap esen adas sob e onde as
au o idades se encon a am e á ou não ajudado na uga do suspei o. F ede ico
Co eia diz: “Nunca andámos à en e do suspei o, andámos semp e a ás, logo não
pode íamos condiciona de alguma o ma o abalho das au o idades (…) começámos
o Caso Ped o Dias semp e um passo a ás das au o idades e do Ped o Dias”
26
. Isabel
Ho a ac escen a que o am semp e as au o idades que o nece am a in o mação
di ulgada, e e indo que a GNR dizia onde ia es a e o que o jo nalis a azia e a o na
essa in o mação pública.
24
En e is a Ben o Rod igues – anexo VIII, página 120;
25
En e is a Isabel Ho a – anexo IX, página 122;
26
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116.
58
Isabel Ho a é mui o c í ica em elação ao papel das au o idades nes e caso. Diz
que oi a GNR quem di ulgou que ha ia um homem suspei o dos c imes à sol a e,
pos e io men e, e elou a sua iden idade. “An es mesmo de o indi iduo sabe que
es a a a se p ocu ado, icou a sabe pela comunicação social po que a GNR o
di ulgou”, e e e. Ques iona ainda “como é que as au o idades azem uma coisa
des as? Em ez de es a em p eocupadas em aze as suas diligências e de e um
suspei o, põem logo cá o a, quem sabe a assus a as populações, a iden idade e a
imagem de um indi íduo”
27
. F ede ico Co eia ac escen a que “de e ia e sido ei o, a
pos e io i, um inqué i o igo oso e independen e pa a se pe cebe como oi possí el
chega a es e pon o em que a comunicação social quase apanhou Ped o Dias an es das
au o idades”
28
.
De o ma ge al, os jo nalis as que es i e em en ol idos nes e caso conco dam
que o esul ado inal do abalho ealizado oi o melho que pode iam e conseguido.
Pa a F ede ico Co eia, a comunicação social cump iu o seu abalho da melho o ma.
O mesmo ac edi a And é An unes, dizendo que a SIC, endo em con a as in o mações
que inha disponí eis, conseguiu e um papel pedagógico.
4.5. AUDIÊNCIAS, CONCORRÊNCIA E INFLUÊNCIAS
Sendo a SIC um ó gão de comunicação de e e ência, se ia expec á el que a sua
abo dagem osse o mais igo osa possí el, alo izando o con eúdo em de imen o da
o ma. No en an o, a SIC, como qualque ou a es ação de ele isão, depende
o emen e das audiências. Se o público não assis i , não ai ha e quem quei a
in es i em publicidade na es ação e se isso acon ece não se á possí el sob e i e .
Nesse sen ido, se á que a SIC se deixa in luencia pelo abalho, em alguns casos
sensacionalis a, que é ei o nou as es ações e que ob ém bons esul ados em e mos
de audiência?
De aco do com And é An unes, “in luencia semp e”. Há que es a a en o aos
conco en es, em pa icula quando eles dão uma no ícia p imei o, mas é impo an e
27
En e is a Isabel Ho a – anexo IX, página 122;
28
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116.
59
não deixa que isso condicione o abalho que é ei o. No en an o admi e que a
p essão exis e e que é p eciso não deixa anspa ecê-la den o da edação, aos
epó e es. Pegando em especí ico no caso da CMTV, es ação de ele isão po cabo
com uma linha edi o ial conside ada mais sensacionalis a, F ede ico Co eia diz que o
ó gão de comunicação não eio aze nada de no o em elação àquilo que já e a ei o.
Em elação a es e caso, ac edi a que a SIC ez a cobe u a seguindo a sua linha
edi o ial, independen emen e daquilo que oi ei o nou os OCS. No en an o, pa a
Ben o Rod igues não é a popula ização ou d ama ização dos con eúdos que acaba po
a ai público, e e indo que nes e caso “exis e ine i a elmen e uma busca pelo igo e
c edibilidade, o que cos uma a ai audiências”.
Os esul ados ob idos pela SIC du an e o mês em análise o am conside ados
pelos jo nalis as e pelo p óp io coo denado do P imei o Jo nal como posi i os. No
en an o, a SIC enceu nes e ho á io apenas em 14 dos dias, endo o Jo nal da Uma, da
TVI, encido nos es an es 17 dias
29
. É um esul ado que se pode conside a
equilib ado, apesa da endência nega i a pa a a SIC, po an o a o ma de a amen o
e ap esen ação des e caso acabou po di idi o público, que em ce os dias op a a pela
TVI e nou os pela SIC. Na e dade, nos dias 19 e 20 de ou ub o, que o am dedicados
quase na ín eg a ao Caso Ped o Dias, a SIC pe deu pa a a TVI, o que nos pode le a a
conclui que a cobe u a do caso pela SIC não susci ou an o in e esse como o
espe ado pelo público.
Apesa de a SIC e sido, segundo And é An unes, a “p imei a a chega ” quando
os c imes oco e am, a e dade é que o g ande momen o, aquele que ica na memó ia
de odas as pessoas, acon ece em di e o pa a ou a es ação de ele isão, a RTP. Ped o
Dias en ega-se, na p esença da jo nalis a Sand a Felguei as, e diz es a inocen e.
Segundo e elou mais a de na emissão da RTP, a jo nalis a e á sido con ac ada pela
ad ogada do suspei o com is a a acompanha a sua en ega.
Es a si uação le an a algumas ques ões elacionadas com a o ma como a
emissão oi conduzida e le a-nos a pensa sob e a esponsabilidade que aquela
jo nalis a inha nas suas mãos ao sabe do pa adei o de um alegado homicida e não o
e ela às au o idades. No en an o, os jo nalis as da SIC en e is ados comp eendem a
29
Fon e: G K/CAEM.
60
o ma como udo oi encaminhado. And é An unes diz não e icado “nada chocado”
com o que acon eceu e admi e que, se i esse sido um jo nalis a da SIC a se
con ac ado pela ad ogada, o ó gão de comunicação i ia imedia amen e pa a o local.
F ede ico Co eia diz que ambém o a ia, embo a admi a que conduzi ia as coisas de
manei a di e en e, à sua manei a, al como Ben o Rod igues, que apenas diz que não
ansmi i ia a de enção em di e o.
Isabel Ho a e o ça a ideia de que, acima de udo, es a oi uma decisão
in eligen e da pa e de Ped o Dias. “Ele en ega-se po que es á encu alado e sabe que
aquela é a o ma mais segu a de o aze . T a a-se de um homem que co ia o isco de
le a um i o se apa ecesse jun o da polícia”. Es a si uação em demons a o pode
que hoje a comunicação social em, não só de ansmissão e alcance, mas ambém no
sen ido de se consegui cons i ui como um meio capaz de chega a um c iminoso
an es mesmo das au o idades.
61
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Em espos a ao obje i o “comp eende qual a a enção mediá ica que a SIC
dedicou a es e caso” é possí el conclui que es e oi um caso mui o alo izado pela
es ação, endo eco ido maio i a iamen e ao di e o pa a a sua cobe u a, um géne o
que, à semelhança da epo agem, con ibui, segundo Cana ilhas (2001, p. 59), pa a a
“espe acula ização da no ícia” po que coloca o epó e como es emunha ocula dos
acon ecimen os e le a à “maximização da emoção”. De ac o, o co esponden e
F ede ico Co eia e e e que a u ilização do di e o oi semp e jus i icá el po que, se o
jo nalis a es a a no local, de e ia con a aquilo que es a a a e , o nando-se assim
uma es emunha do sucedido.
Nes e aspe o, o caso e elou con o nos semelhan es ao que acon eceu no Caso
Maddie. Oco eu alguma explo ação des e caso, com di e os em que o jo nalis a
acaba a po não ac escen a in o mação no a, endo sido inclusi e ei a uma emissão
especial du an e dois dias, em di e o do local. Quando Miguel Sousa Ta a es ala dis o,
e e indo-se ao caso da menina desapa ecida, e diz que se op a po coloca a ca a do
jo nalis a no ec ã po que não há mais nada pa a mos a (Cas o, 2007, p. 91-92), az-
nos de alguma manei a lemb a aquilo que acon eceu aqui, sendo que o ac o de 30%
dos cená ios escolhidos ap esen a em apenas o jo nalis a du an e os di e os acaba po
co obo a es a eo ia.
Em elação aos a o es que con ibuí am pa a o in e esse da SIC nes a
his ó ia, os jo nalis as apon am o mis é io ela i o ao que se inha passado e o ac o
de e sido “uma exceção do início ao im”
30
. São emas que, segundo os jo nalis as,
a aem o público e po isso os ó gãos de comunicação ão a ás deles. And é An unes
diz mesmo que es a é uma es ó ia “supe humana” e que “apaixonou as pessoas”. Is o
le a-nos a e le i sob e as noções de in e esse público e in e esse do público que
Jewkes (2011, p.42) ap esen a na sua ob a. Há aqui uma ligação en e es es dois
concei os pois, segundo os jo nalis as, ansmi iu-se a in o mação, a é po que o
obje i o do jo nalis a é semp e in o ma , mas ambém se e e em a enção aquilo que
o público que ia e .
30
En e is a F ede ico Co eia – anexo VII, página 116.
62
Os alo es-no ícia associados a es e caso são a pe iodicidade ou equência, de
que Su e e (1998, p. 61) ambém ala, is o po que oi um caso que se p olongou no
empo e que oi semp e endo no os desen ol imen os, e a consonância, ambém
ap esen ada pelo au o , uma ez que, segundo And é An unes, oi p ecisamen e a
capacidade de ge a no as es ó ias a pa i da es ó ia o iginal que le ou a uma
cobe u a ão exaus i a sob e o caso. O coo denado do P imei o Jo nal diz ambém
que o Caso Ped o Dias “ ez lemb a as sé ies de ele isão”
31
, onde odos os dias ha ia
no os episódios, daí que a capacidade de se ialização seja ou o dos alo es-no ícia
p i ilegiados. A componen e d amá ica, de que G ee (2017, p.33) ala, é aqui e iden e
quando se ap esen a a es ó ia das í imas e ambém quando se e e e o medo das
populações.
Pa a além disso, emos o ac o ób io de es a mos a ala de um c ime, o que,
segundo os au o es es udados, quase semp e é no ícia. Aliás, Ben o Rod igues diz
mesmo que es e caso oi media izado e despe ou de imedia o o in e esse da
comunicação social po que is o é no ícia.
A o ma como os jo nalis as ealiza am a cobe u a ao caso baseou-se em
di e sos a o es. Ve i icou-se uma endência, an o em e mos de imagens como do
discu so u ilizado, pa a in ensi ica a ideia de que as populações inham medo,
es a am assus adas. No discu so isso acon eceu, po exemplo, a a és da u ilização de
ce os adje i os ou exp essões ma can es, o que, segundo Fe ei a (2009, p. 20), é
eco en e nos casos de c ime, con ibuindo em pa icula pa a es abelece uma
oposição en e c iminoso e í ima. Nes e caso, essa oposição não é ão e iden e a é
po que as í imas, apesa de se em e e idas, não o são com a equência com que se
ala do suspei o.
Tendo em con a a cobe u a que oi ei a a es e caso, pode dize -se que aqui
oco eu o enómeno que G ee & McLaughlin (2012, p. 157) denominam de
“julgamen o mediá ico”. Pa indo de udo aquilo que ia sendo ap esen ado pelos
ó gãos de comunicação e a o ma como, po ezes, o suspei o e a ap esen ado como
sendo já culpado, u ilizando po exemplo pala as como “o homicida” ( e anexo IV,
página 105), mesmo que ainda não i esse sido julgado em ibunal, le ou a que as
31
En e is a And é An unes – anexo X, página 124.
63
pessoas o apon assem como o au o dos c imes. Is o pode, de algum modo, in luencia
a ques ão da p esunção da inocência, a que Machado & San os (2010a, p. 9) se
e e em, uma ez que o suspei o passa a se is o como culpado, sem e acesso a um
julgamen o conside ado jus o
No en an o, Ped o Dias acabou ambém po a ingi o al “es a u o de es ela”
que Ba os (2002, p. 24) e e e, pois de ido à media ização do caso, oda a gen e sabia
quem ele e a e nas uas comen a a-se a capacidade de se esconde du an e an o
empo.
A g ande maio ia dos au o es es udados ala do d ama ismo ine en e às
no ícias de c ime. De ac o, nes e caso, ele exis iu, mas não se pode dize que enha
dominado a cobe u a des a es ó ia, su gindo essencialmen e em con eúdos onde as
í imas e os popula es e am as p incipais igu as. É possi elmen e a si uações como
es as que Dias (2015, p. 54) se e e e quando diz que a é os ó gãos de comunicação de
e e ência êm, po ezes, momen os sensacionalis as, que su gem a a és do
es ímulo sen imen al que es á p esen e nos seus abalhos.
Já au o es como Gal ung & Ruge (1999, p. 69-70) alam da incidência de
no ícias nega i as nos elejo nais, a que se eco e pa a chama a a enção do público.
Nes e caso, à semelhança do es udo de Ba os (2010, p. 42), e i icou-se que as
no ícias nega i as assumem um olume ele ado, no en an o as no ícias
essencialmen e ac uais acaba am po domina os con eúdos sob e es e c ime.
No que diz espei o às on es, es a cobe u a acabou po e algumas
limi ações. Em p imei o luga , a g ande maio ia das peças não con ém qualque
ci ação e ninguém ala, o que acaba de algum modo po empob ece o abalho.
Quando isso acon ece, po no ma a a-se do es emunho de pessoas esiden es
naquelas zonas ou que são amilia es do suspei o e nem an o das au o idades
en ol idas na in es igação, embo a T aquina (2002, p. 123) e i a que são as on es
o iciais que legi imam a in o mação. No en an o, o ecu so ao es emunho de
popula es pa ece se eco en e quando se a a da cobe u a da c iminalidade, sendo
que “assumem uma unção es emunhal de au en ica o acon ecimen o ou ge a
sensação” (Ama al, 2005, p. 110), se indo como “ es emunha mediada” (Peelo, 2005,
p. 23).
64
A opinião dos jo nalis as sob e a o ma como a SIC cob iu o Caso Ped o Dias
a ia, no en an o exis e uma ideia que odos pa ilham: oi ei o o melho possí el na
al u a. Ben o Rod igues diz con undo que “es e caso sublinha a impo ância da
bagagem, da es u u a é ica e do bom senso”, elemen os essenciais pa a a cobe u a
do c ime. Em elação, po exemplo, à exposição de o og a ias das í imas Isabel Ho a
diz que essa é uma o ma de as homenagea , ideia que G ee (2017, p. 37) ambém
de ende, embo a e i a que, po no ma, o obje i o dos media seja pe soni ica a do e
a pe da. Embo a Isabel Ho a ac edi e que nes e caso não exis a nenhum p oblema na
di ulgação das imagens, a e dade é que em uma posição mui o di e en e no que se
e e e às o og a ias de meno es, e e indo que nesse caso nunca se de em di ulga as
imagens, seja em que ci cuns ância o . Embo a es as ques ões es ejam p esen es, de
alguma o ma, no Código Deon ológico do Jo nalis a (consul a anexo I, página 75),
Isabel Ho a admi e que es es dilemas é icos e deon ológicos ge am po ezes
discussões acesas den o das edações pois as pessoas êm opiniões mui o di e en es.
Po úl imo, p e endia-se ambém pe cebe se a necessidade de a ai
audiências in luência a o ma como a SIC a ou es e caso e, nesse sen ido, pode-se
dize que sim, embo a não de uma o ma signi ica i a. Como And é An unes e e e, os
ou os ó gãos de comunicação, independen emen e da sua linha edi o ial, in luenciam
de algum modo aquilo que é ei o, em pa icula po que exis e de ac o uma p essão
pa a consegui ní eis mais ele ados de audiência. No en an o, apesa de a SIC e
op ado po abo da o caso, em algumas ci cuns âncias, de o ma mais d amá ica e
com um om nega i o, ealçando os pon os mais chocan es da es ó ia, na g ande
maio ia dos con eúdos emi idos exis e uma endência pa a se em ap esen ados de
o ma neu a e ac ual, o que se enquad a nos c i é ios de igo seguidos pela SIC.
Dias (2015, p. 54) diz que “a p óp ia i alidade en e os meios ge a uma
conco ência, desmedida po ezes, que conduz ao sensacionalismo”. Te á sido po
isso que, em ce as peças, enha oco ido uma ele ação da emoção em de imen o da
azão. Ou en ão es amos simplesmen e a ala de uma es ó ia que é na e dade
d amá ica e emocional e, sendo que os jo nalis as e le em a ealidade, não oi
possí el con á-la de ou a o ma.
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02-Pais-de-Maddie-con inuam-a-ac edi a -que-a- ilha-es a- i am, consul ado a 9 de
julho de 2017.
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INDÍCE DE TABELAS
Tabela 1 - Calenda ização da ecolha e a amen o da in o mação .............................. 35
Tabela 2 – Calenda ização das en e is as ..................................................................... 39
Tabela 3 – Géne o jo nalís ico dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias ....................... 41
Tabela 4 - Volume dos con eúdos em unção do géne o jo nalís ico ............................ 42
Tabela 5 – Géne o jo nalís ico em unção do jo nalis a ................................................ 48
Tabela 6 – Temá ica dominan e em unção do om ...................................................... 52
Tabela 7 – Tipo de a gumen ação p esen e nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias .. 54
Tabela 8 – In og a ias p esen es nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias .................... 57
Tabela 9 – Análise de Con eúdo Caso Ped o Dias .......................................................... 89
Tabela 10 - Adje i os po no ícia .................................................................................. 105
Tabela 11 – Localização dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias ............................... 111
Tabela 12 – Cono ação das imagens em unção do cená io ........................................ 112
INDÍCE DE FIGURAS
Figu a 1 – In og a ia que ap esen a os locais po onde Ped o Dias e á passado ......... 45
Figu a 2 - Exemplo de uma das imagens onde su gem popula es ................................. 47
Figu a 3 – Di e o Mangualde…………………………………………………………………………………….. 49
Figu a 4 - Di e o Aguia da Bei a .................................................................................... 49
Figu a 5 – Fo ças de segu ança du an e o dia…………………………………………………………… 50
Figu a 6 - Fo ças de segu ança du an e a noi e ............................................................. 50
INDÍCE DE GRÁFICOS
G á ico 1 - P oeminência dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias no P imei o Jo nal . 43
G á ico 2 – Temá ica dominan e dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias ................... 44
G á ico 3 – Tipo de enquad amen o/na a i a dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
........................................................................................................................................ 51
G á ico 4 – A o es iden i icados nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias .................... 55
G á ico 5 – Ci ações p esen es nos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias ...................... 55
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ANEXOS
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ANEXO I – CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO JORNALISTA
O Código Deon ológico do Jo nalis a é um documen o ap o ado a 4 de maio de
1993 e que em como obje i o es abelece as eg as e p incípios pelos quais o
jo nalis a se de e o ien a no exe cício da sua unção. As no mas p esen es no código
são as seguin es:
1. O jo nalis a de e ela a os ac os com igo e exa idão e in e p e á-los com
hones idade. Os ac os de em se comp o ados, ou indo as pa es com in e esses
a endí eis no caso. A dis inção en e no ícia e opinião de e ica bem cla a aos olhos
do público.
2. O jo nalis a de e comba e a censu a e o sensacionalismo e conside a a acusação
sem p o as e o plágio como g a es al as p o issionais.
3. O jo nalis a de e lu a con a as es ições no acesso às on es de in o mação e as
en a i as de limi a a libe dade de exp essão e o di ei o de in o ma . É ob igação do
jo nalis a di ulga as o ensas a es es di ei os.
4. O jo nalis a de e u iliza meios legais pa a ob e in o mações, imagens ou
documen os e p oibi -se de abusa da boa- é de quem que que seja. A iden i icação
como jo nalis a é a eg a e ou os p ocessos só podem jus i ica -se po azões de
incon es á el in e esse público.
5. O jo nalis a de e assumi a esponsabilidade po odos os seus abalhos e a os
p o issionais, assim como p omo e a p on a e i icação das in o mações que se
e elem inexa as ou alsas. O jo nalis a de e ambém ecusa a os que iolen em a sua
consciência.
6. O jo nalis a de e usa como c i é io undamen al a iden i icação das on es. O
jo nalis a não de e e ela , mesmo em juízo, as suas on es con idenciais de
in o mação, nem des espei a os comp omissos assumidos, exce o se o en a em usa
pa a canaliza in o mações alsas. As opiniões de em se semp e a ibuídas.
7. O jo nalis a de e sal agua da a p esunção de inocência dos a guidos a é a sen ença
ansi a em julgado. O jo nalis a não de e iden i ica , di e a ou indi e amen e, as
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í imas de c imes sexuais e os delinquen es meno es de idade, assim como de e
p oibi -se de humilha as pessoas ou pe u ba a sua do .
8. O jo nalis a de e ejei a o a amen o disc imina ó io das pessoas em unção da
co , aça, c edos, nacionalidade, ou sexo.
9. O jo nalis a de e espei a a p i acidade dos cidadãos exce o quando es i e em
causa o in e esse público ou a condu a do indi íduo con adiga, mani es amen e,
alo es e p incípios que publicamen e de ende. O jo nalis a ob iga-se, an es de
ecolhe decla ações e imagens, a a ende às condições de se enidade, libe dade e
esponsabilidade das pessoas en ol idas.
10. O jo nalis a de e ecusa unções, a e as e bene ícios susce í eis de comp ome e
o seu es a u o de independência e a sua in eg idade p o issional. O jo nalis a não de e
ale -se da sua condição p o issional pa a no icia assun os em que enha in e esse.
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ANEXO II – ANÁLISE DE CONTEÚDO
Com is a a comp eende de que o ma a SIC ez a cobe u a do Caso Ped o
Dias, o am analisados os con eúdos emi idos no P imei o Jo nal da SIC elacionados
com o caso en e 11 de ou ub o e 11 de no emb o de 2016. O esul ado dessa análise
es á p esen e na abela núme o 9 (página 91) e na abela 10 (página 106), onde es ão
expos as as a iá eis e sub a iá eis em es udo. Os espe i os esul ados o am ob idos
a a és da in odução des es indicado es no Excel e no p og ama SPSS.
CODEBOOK
Es e codebook ou Li o de Códigos é compos o pela de inição dos indicado es
ou a iá eis e sub a iá eis u ilizadas no con olo das unidades de análise, que nes e
caso são odas as peças no iciosas, emi idas no P imei o Jo nal da SIC, que es ão
elacionadas com o Caso Ped o Dias, independen emen e do géne o jo nalís ico.
As a iá eis p esen es nes a análise es ão eunidas em ês g upos dis in os,
elacionados com a Fo ma, Con eúdo e Discu so. Essas mesmas a iá eis podem se
abe as ou echadas, sendo que as abe as não es ão di ididas em ca ego ias,
enquan o as echadas es ão subdi ididas em ca ego ias de espos a. Es as ca ego ias
são iden i icadas a a és de códigos numé icos e podem ou não exclui -se
mu uamen e.
CORPUS DE ANÁLISE
O uni e so em es udo é cons i uído po odas as unidades de análise
e e en es ao Caso Ped o Dias. O co pus é de inido pelos pe íodos empo ais que
deco em desde o desapa ecimen o de Ped o Dias, a 11 de ou ub o, a é ao mesmo dia
do mês seguin e, 11 de no emb o, quando já se inha en egue às au o idades e já
inha sido p esen e a juiz. No o al, con abiliza am-se 94 peças no iciosas emi idas no
meio em análise, o P imei o Jo nal da SIC, p og ama in o ma i o da ho a de almoço.
Todos os con eúdos ansmi idos po es e meio o am isionados, endo como
c i é io de iden i icação as pala as-cha e “Aguia da Bei a” e “Ped o Dias”. As peças
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no iciosas que p eenchem es es equisi os o am de idamen e analisadas, com base
no p ocesso de codi icação abaixo desc i o.
VARIÁVEIS DE FORMA
Es a ca ego ia diz espei o, segundo San os (2009, p. 195), às a iá eis que
p ocu am ap esen a as ca ac e ís icas da unidade de análise que es ão ligadas ao
signi ican e, no domínio da exp essão, sendo ambém conside adas um pon o de
pa ida pa a um melho en endimen o dos con eúdos subs anciais. Nesse sen ido,
e elou-se pe inen e cons ui as a iá eis abaixo ap esen adas.
1. Código Iden i icado (ID)
De inição concep ual: Es a a iá el diz espei o ao núme o de iden i icação da
espe i a unidade de análise, ou seja, da peça no iciosa;
Mé odo de Codi icação: São inse idos núme os aplicados a cada uma das unidades de
análise. A a ibuição des e núme o é ei a endo po base a o dem em que as peças
es ão dispos as no alinhamen o dos di e en es dias em es udo, sendo con abilizadas
c onologicamen e.
2. Da a
De inição Conce ual: Iden i ica a da a co esponden e à emissão da unidade de
análise. É impo an e e em conside ação que o meio em es udo, o P imei o Jo nal, é
um p og ama diá io;
Mé odo de Codi icação: O o ma o da da a a inse i pelo codi icado segue a seguin e
o dem: dia (dois dígi os) e mês (dois dígi os). O ano não é e e ido is o que odas as
peças analisadas são do ano de 2016. A e e ência à da a não é mu uamen e exclusi a,
uma ez que di e en es unidades de análise com a mesma da a de publicação o am
analisadas.
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3. Tí ulo da peça
De inição Conce ual: Es a a iá el consis e na iden i icação do í ulo dado à peça
no iciosa no alinhamen o. É o nome a ibuído pelo jo nalis a ou coo denado pa a
iden i ica a peça, não sendo necessa iamen e aquilo que é ap esen ado no o áculo e
que su ge no ec ã. O í ulo p esen e no o áculo não oi conside ado po exis i , em
mui os casos, mais do que um;
Mé odo de Codi icação: São inse idos os í ulos que são dados pelos jo nalis as às
peças do P imei o Jo nal. T a a-se de uma a iá el abe a, po isso é ao codi icado
que cabe a ansc ição na ín eg a do í ulo da unidade de análise.
4. Volume
De inição conce ual: Es a a iá el iden i ica a du ação da peça no P imei o Jo nal;
Mé odo de codi icação: A a iá el é compos a pelas ca ego ias ap esen adas abaixo. A
cada ca ego ia co esponde um núme o de codi icação, sendo as mesmas
mu uamen e exclusi as.
1 - Menos de 1’45’’;
2 - 1’46’’ – 2’45’’;
3 - 2’46’’ – 4’45’’;
4 – Ou os.
5. P oeminência
De inição Conce ual: Es a a iá el iden i ica a localização da unidade de análise no
alinhamen o do P imei o Jo nal;
Mé odo de Codi icação: A a iá el é compos a pelas ca ego ias ap esen adas abaixo.
A cada ca ego ia co esponde um núme o de codi icação, sendo as mesmas
mu uamen e exclusi as.
1 – Abe u a;
80
2 – Du an e a p imei a pa e;
3 – Abe u a depois do in e alo;
4 – Du an e a segunda pa e.
6. Géne o jo nalís ico da unidade de análise
De inição Conce ual: Va iá el que iden i ica o modelo ou egis o discu si o u ilizado
na cons ução da unidade de análise;
Mé odo de Codi icação: A a iá el é compos a pelas ca ego ias ap esen adas abaixo.
A cada ca ego ia co esponde um núme o de codi icação, sendo as mesmas
mu uamen e exclusi as.
1 – OFF (unidades de análise em que o ex o é lido pelo pi o , embo a isso não
signi ique enha sido esc i o po ele. A imagem do pi o , que po no ma su ge em
p imei o luga , é seguida de imagens e e en es ao caso e a oz do pi o sob epõe-se
às mesmas);
2 – Di e o (o jo nalis a es á no local e ela a os acon ecimen os em empo eal.
No malmen e, a imagem do jo nalis a é acompanhada po ou as imagem do
acon ecimen o, podendo ha e , ao longo do mesmo di e o, di e sas passagem do
jo nalis a pa a o pi o e ice- e sa);
3 – Peça (con eúdo p oduzido pa a da conhecimen o de ac os e
acon ecimen os, acompanhado de imagens. O jo nalis a não em necessa iamen e que
e es ado no local e e es emunhado as si uações desc i as);
4 – Repo agem (con eúdo baseado no es emunho di e o dos ac os e
acon ecimen os. Po no ma, a epo agem é de maio dimensão que a peça);
5 – En e is a (con e sa en e o jo nalis a ou pi o e o en e is ado, que pode
deco e nos es údios da SIC ou no local dos acon ecimen os. O en e is ado e o
en e is ado êm as espe i as posições de inidas, pa a que ique cla o quem esponde
e quem pe gun a);
87
nega i o ace à ep esen ação do p o agonis a. A cada a iá el co esponde um
código, sendo as ca ego ias mu uamen e exclusi as.
1 – Posi i o (quando o p o agonis a é ap esen ado como bem sucedido, no
caso, po exemplo, das o ças policiais, quando há uma i imização do suspei o,
quando as populações não demons am medo de Ped o Dias, en e ou os);
2 – Nega i o (quando o p o agonis a su ge ligado a si uações de insucesso,
nomeadamen e quando se ala da descoo denação das o ças de segu ança, de Ped o
Dias como “c iminoso” e “pe igoso” ou quando se ins ala a ideia de medo das
populações, e c.);
3 – Neu o (quando o p o agonis a es á associado a alo ações posi i as e
nega i as em simul âneo ou a si uações em que as mesmas não exis em).
16. Fo mas de a amen o – Adje i os a ibuídos a Ped o Dias
De inição conce ual: Es a a iá el iden i ica a o ma como Ped o Dias é a ado ao
longo das peças no iciosas pelo jo nalis a, a a és do ecu so a adje i os e excluindo as
si uações em que é ap esen ado pelo p óp io nome;
Mé odo de codi icação: São inse idos os adje i os que acompanham as unidades de
análise. Es a a iá el é abe a, cabendo ao codi icado a ansc ição dos adje i os
p esen es na peça.
No a: Es a é a única a iá el que não es á p esen e na abela 9. Os adje i os po
no ícia es ão p esen es na abela 10 (página 106).
17. Tipo de a gumen ação
De inição conce ual: Va iá el que a alia o ipo dominan e de a gumen ação p esen e
na peça no iciosa. Conside a o ângulo de abo dagem do ema u ilizado pelo au o da
peça pa a da con a da his ó ia;
Mé odo de codi icação: A cada a iá el co esponde um código, que se encon a
ap esen ado abaixo, sendo as ca ego ias mu uamen e exclusi as.
88
1 – Polí ica;
2 – Judicial;
3 – Económica;
4 – Social;
5 – Asse i a;
6 – Ou a.
18. Ci ações
De inição conce ual: Iden i ica as ozes que li e almen e alam na peça, podendo se
iden i icadas a é ês ozes;
Mé odo de codi icação: O codi icado iden i ica o au o da ci ação de aco do com a
lis a de códigos abaixo ap esen ada, que e e como base a ca ego ização da a iá el
núme o 12.
1 – Ped o Dias;
2 – Fo ças policiais;
3 – Popula es;
4 – Go e no;
5 – Pode local;
6 – Familia es e amigos do suspei o;
7 – Ví imas;
8 – O ganizações;
9 – Ad ogados e juízes;
10 – Ou os;
11 – Não exis em ci ações.
89
ANEXO III - ANÁLISE DE CONTEÚDO AO CASO PEDRO DIAS
Nes a abela encon am-se as a iá eis e espe i as ca ego izações
ap esen adas no codebook. À exceção das a iá eis abe as, a ca ego ização das
es an es su ge, em p imei o luga , com o código numé ico que lhes oi a ibuído e,
abaixo, o signi icado do mesmo. No caso da a iá el “Jo nalis a”, abaixo do código
su ge o nome do au o e, na a iá el “A o es”, o p imei o código de cada peça diz
espei o ao p o agonis a. Todas as a iá eis que cons i uem o Li o de Códigos es ão
p esen es nes a abela, à exceção da a iá el núme o 16 ( o mas de a amen o),
p esen e na abela 10.
Tabela 9 – Análise de Con eúdo Caso Ped o Dias
90
91
92
93
94
95
96
103
104
105
ANEXO IV – ADJETIVOS POR UNIDADE DE ANÁLISE
A abela abaixo ap esen ada con ém os adje i os a ibuídos a Ped o Dias nas
peças no iciosas emi idas no P imei o Jo nal da SIC. Diz espei o à a iá el núme o 16
( o mas de a amen o), que em em is a comp eende quais as pala as u ilizadas
pelos jo nalis as pa a iden i ica Ped o Dias e p ocede depois à possí el cono ação das
mesmas. Es a abela con ém ainda ou as pala as, ases ou exp essões, conside adas
o es ou ma can es, e que ambém são al o de análise.
Tabela 10 - Adje i os po no ícia
106
107
108
109
110
111
ANEXO V – RESULTADOS QUANTITATIVOS CASO PEDRO DIAS
Com is a a comp eende como oi ealizada a cobe u a da SIC ao Caso Ped o
Dias, oi ei a uma análise aos con eúdos emi idos no P imei o Jo nal sob e o caso. A
maio ia dos esul ados é ap esen ada no co po do abalho (páginas 40-60), embo a
algumas das abelas sejam aqui expos as po uma ques ão de al a de espaço.
No que espei a à localização onde os di e os, peças e epo agens o am
ealizadas, oi possí el pe cebe que a maio ia deco eu em ou as localidades pa a
além daquelas que o am ca ego izadas (22%). Is o acon ece po que são á ias as
aldeias e ilas po onde se suspei ou que Ped o Dias es i esse, espalhadas pelos
dis i os da Gua da, Vila Real, Viseu e A ei o. Aguia da Bei a (21%) oi um dos locais
mais eco en es uma ez que oi aí que os c imes deco e am, A ouca (11%) ambém
is o se a localidade de o igem do suspei o e Cons an im (11%) po e sido um dos
locais onde oi a is ado. O ou o país, de onde oi ealizada uma peça (1%), oi
Espanha, po Ped o Dias e sido alegadamen e aí a is ado.
Tabela 11 – Localização dos con eúdos sob e o Caso Ped o Dias
Localização
Unidades de análise
Pe cen agem
Aguia da Bei a
20
21,3%
A ouca
10
10,6%
Candal
2
2,1%
Pó oa das Lei as
2
2,1%
Cons an im
10
10,6%
Vila Real
9
9,6%
Ca o Queimado
4
4,3%
Assen o
4
4,3%
Sab osa
5
5,3%
Paços
6
6,4%
Ou as localidades
21
22,3%
Ou os países
1
1,1%
To al
94
100%
112
Os con eúdos ap esen ados no P imei o Jo nal i e am á ios cená ios, sendo
que alguns deles in ensi ica am o medo das populações, enquan o ou os
en aqueciam ou con a ia am essa endência. No o al, 26% das imagens que
in ensi ica am o medo inham como cená ios as o ças de segu ança, 60% das imagens
que en aqueciam esse sen imen o ap esen a am somen e o jo nalis a no local e 50%
das que con a ia am o medo diziam espei o à en ega e de enção do suspei o.
Tabela 12 – Cono ação das imagens em unção do cená io
Cená io
Cono ação das Imagens
To al
In ensi ica
En aquece
Con a ia
Local dos c imes
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
8
80,0%
18,6%
1
10,0%
2,7%
1
10,0%
7,1%
10
100,0%
10,6%
Co pos e ia u as a se em
e i ados
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
3
100,0%
7,0%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
3
100,0%
3,2%
Fune al das í imas
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
2
100,0%
4,7%
0
0,0%
0,0%
0
0,0%
0,0%
2
100,0%
2,1%
Fo ças de segu ança
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
11
84,6%
25,6%
2
15,4%
5,4%
0
0,0%
0,0%
13
100,0%
13,8%
Aldeias/população
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
8
44,4%
18,6%
7
38,9%
18,9%
3
16,7%
21,4%
18
100,0%
19,1%
Locais onde oi a is ado
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
5
45,5%
11,6%
4
36,4%
10,8%
2
18,2%
14,3%
11
100,0%
11,7%
Jo nalis a no local
Núme o de con eúdos
% em Cená io
% em Cono ação das imagens
5
18,5%
11,6%
22
81,5%
59,5%
0
0,0%
0,0%
27
100,0%
28,7%
En ega/ ibunal
119
F.C. – A CMTV su ge depois dos ou os ês canais e, na minha modes a opinião, não
eio aze nada di e en e daquilo que já se azia. Se é ei o em massa, com algum
c i é io, uma linha edi o ial di e en e, isso é uma coisa. Mas aze algo di e en e, no o,
acho mui o di ícil po que já udo oi ei o. Pa a in en a algo no o é p eciso mais do
que c ia uma ele isão. Enquan o co esponden e e ligado a uma casa como a SIC, eu
ac edi o que nós azemos aquilo que em de se ei o, mos amos aquilo que há pa a
e . Se há ou os canais que mos am de manei a di e en e, é a linha edi o ial deles.
120
ANEXO VIII – ENTREVISTA BENTO RODRIGUES
1. Du an e os 28 dias em que Ped o Dias es e e desapa ecido, mui a coisa oi
publicada e mui os jo nalis as se desloca am pa a as uas de Aguia da Bei a e
a edo es. Quais os mo i os que o na am es e caso ão in e essan e pa a os media?
Ben o Rod igues – O ac o ób io de se no ícia.
2. Ben o: Es e e no local du an e dois dias. De que o ma se p epa a um abalho
des a na u eza?
B.R. – Um jo nalis a, sob e udo um pi o , de e es a semp e p epa ado pa a a a
emas da a ualidade, p incipalmen e em acon ecimen os mui o anco ados no di e o.
Mais do que a p epa ação especí ica, es e caso sublinha a impo ância da bagagem, da
es u u a é ica e do bom senso.
3. Fala a-se de um homem que e a capaz de ma a e que es a a à sol a, o que coloca
um ce o medo às populações. Qual é o papel do jo nalis a nes e caso?
B.R. – In o ma , seja qual o o caso.
4. Falou-se bas an e do ac o de Ped o Dias es a semp e “um passo à en e” das
au o idades e chegou a apon a -se a comunicação social como causa disso. Qual é a
sua opinião sob e o assun o?
B.R. - "Falou-se" é um pon o de pa ida débil, seja o deba e sob e cobe u a
jo nalís ica p ejudicial ou sob e ine icácia policial.
5. Só no P imei o Jo nal, o am pa a o a 40 di e os sob e es e caso du an e um mês,
sendo que alguns deles não ac escen a am in o mação no a. Es a explo ação do
caso jus i icou-se?
B.R. - Sim, com algumas exceções.
6. Enquan o p o issional, qual é a sua opinião sob e a en ega ei a em di e o pa a a
RTP?
B.R. – Não e ia ansmi ido em di e o.
7. Se i esse sido o Ben o a ecebe o ele onema da ad ogada de Ped o Dias, o que
a ia?
121
B.R. – Não acei a ia da em di e o.
8. Em algumas das peças sob e o caso, são e elados os nomes e as o og a ias das
í imas. A é que pon o is o é legí imo e po que oi omada es a decisão?
B.R. – Conside o que não é essencial e ela nomes e sob e udo o os.
9. A SIC é conside ada um ó gão de comunicação de e e ência. No en an o, exis e
ine i a elmen e uma busca po audiências. A cobe u a da CMTV in luenciou de
alguma manei a a o ma como a SIC abo dou es e caso?
B.R. - Exis e ine i a elmen e uma busca pelo igo e c edibilidade, o que cos uma
a ai audiências.
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ANEXO IX – ENTREVISTA ISABEL HORTA
1. Du an e os 28 dias em que Ped o Dias es e e desapa ecido, mui a coisa oi
publicada e as uas de Aguia da Bei a e a edo es es a am eple as de jo nalis as.
Quais os mo i os que o na am es e caso ão in e essan e pa a os media?
Isabel Ho a – Ele come eu á ios homicídios, oi um c ime iolen íssimo. Ele ainda não
oi condenado po isso, pa a já é só suspei o, mas de oda a manei a a a a-se de um
indi íduo que es a a desapa ecido e que e a suspei o de á ios c imes iolen os.
2. Fala a-se de um homem que e a capaz de ma a e que es a a à sol a, o que coloca
um ce o medo às populações. Qual é o papel do jo nalis a nes e caso?
I.H. – Os g andes esponsá eis po essa si uação e pelo caso se e o nado conhecido
o am os elemen os da GNR que puse am cá o a a in o mação de que ha ia um
indi íduo que e a suspei o de c imes, coloca am cá o a a iden idade dele. An es
mesmo de o indi iduo sabe que es a a a se p ocu ado, icou a sabe pela
comunicação social po que a GNR o di ulgou. Po isso, an es de mais, o que nos
de e íamos pe gun a é como é que as au o idades azem uma coisa des as? Em ez
de es a em p eocupadas em aze as suas diligências e de e um suspei o, põe logo cá
o a, quem sabe a assus a as populações, a iden idade e a imagem de um indi íduo.
Calculamos que a GNR en endesse, bem ou mal, não endo ha ido mui o aco do com a
Polícia Judiciá ia nesse aspe o, po que eles p esumem que não se a a de um
homicida que apenas ma a de e minada pessoa mas sim quem se ap esen a como
obs áculo à en e dele. Po an o, em p imei o luga de emos ques iona como as
au o idades lidam com is o po que os jo nalis as só ão a ás de uma in o mação que
lhes é o necida di e amen e pela GNR. Quem di ulgou a iden idade dele, p imei o
que udo, oi a GNR e quem e elou odas as suspei as ambém. Eu não sou apologis a
de assus a as populações, mas quem o ez oi a p óp ia GNR.
3. Mas a e dade é que se alou bas an e do ac o de Ped o Dias es a semp e “um
passo à en e” das au o idades e apon a a-se a comunicação social como causa
disso.
I.H. – Pois é, mas o am semp e as au o idades que o nece am a in o mação que
le ou os jo nalis as a di ulga-la. E am eles quem dizia “ amos pa a aqui, amos pa a
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ali” e o que o jo nalis a azia e a o na público essa in o mação que e a o necida
pelas au o idades.
4. Só no P imei o Jo nal, o am pa a o a 40 di e os sob e es e caso du an e um mês,
sendo que alguns deles não ac escen a am in o mação no a. Es a explo ação do
caso jus i icou-se?
I.H. – Eu acho que e e demasiados di e os, em mui os casos não se jus i ica a. Mas
essa é uma decisão que não me cabe a mim, mas sim ao coo denado do no iciá io em
causa. Eu sou con a os di e os em excesso, acho que não se jus i ica, mas mui as
ezes exis em es as di e enças de opinião en e a edi o a de sociedade e os
coo denado es.
5. Enquan o p o issional, qual é a sua opinião sob e a en ega ei a em di e o pa a a
RTP?
I.H. – Ele en ega-se po que es á encu alado e sabe que aquela é a o ma mais segu a
de o aze . T a a-se de um homem que co ia o isco de le a um i o se apa ecesse
jun o da polícia. Nas imagens ia-se a GNR a mada e p on a a dispa a ao p imei o
mo imen o. Es e homem ez o que ez, no a o da en ega, pa a se p o ege e pa a
ga an i a sua segu ança. Foi um a o in eligen e da pa e da de esa.
6. Em algumas das peças sob e o caso, são e elados os nomes e as o og a ias das
í imas. A é que pon o is o é legí imo e po que oi omada es a decisão?
I.H. – Es ão mo as, não es ão em pe igo, po isso não exis e p oblema em di ulga , é
a é uma o ma de homenageá-las. Se se a asse de pessoas que es i essem em
pe igo, pa icula men e c ianças, não se pode ia di ulga . Eu sou con a, em
ci cuns ância alguma, que se di ulgue o og a ias de meno es. Ainda há pouco empo,
quando se deu o desapa ecimen o daquela apa iga de 14 anos, hou e bas an e
discussão sob e a di ulgação da sua iden idade e o og a ia. Na minha opinião não
de e se ei o. Nes e caso não é p ejudicial pa a ninguém, são í imas que já
mo e am.
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ANEXO X – ENTREVISTA ANDRÉ ANTUNES
1. Du an e os 28 dias em que Ped o Dias es e e desapa ecido, mui a coisa oi
publicada e as uas de Aguia da Bei a e a edo es es a am eple as de jo nalis as.
Quais os mo i os que o na am es e caso ão in e essan e pa a os media?
And é An unes – No que diz espei o à SIC, em pa icula a pa e que eu coo deno,
acho que há á ios a o es que con ibuem pa a isso. Em p imei o luga é o não
pe cebe exa amen e o que acon eceu. Quando há um ce o mis é io em o no de
uma his ó ia, quando não se pe cebe imedia amen e o que acon eceu, is o p ende as
pessoas. P ende em p imei o luga a nós po que ambém somos pessoas e que emos
pe cebe o que acon eceu. À medida que a his ó ia se ai desen olando, com o passa
das ho as, pe cebe-se que oi um c ime que e á sido come ido pelo Ped o Dias e que
oi de uma ieza, b u alidade e com um as o de iolência deixado, o que é o a do
comum em Po ugal. Po an o, po um lado é o in e esse em pe cebe o que e á
acon ecido, o mis é io à ol a da his ó ia, e a e dade é que a é hoje ainda não se sabe
o que o mo i ou a come e aqueles c imes, se é que oi mesmo ele a come ê-los.
Po quê an a iolência, po quê a mo e de pessoas inocen es, po que ez aquilo com
os dois gua das da GNR. São emas apaixonan es pa a o público, e isso con i mou-se
depois com as audiências. Po ou o lado, são enómenos de g ande iolência o a do
comum no nosso país.
2. Fala a-se de um homem que e a capaz de ma a e que es a a à sol a, o que coloca
um ce o medo às populações. Qual é o papel do jo nalis a nes e caso?
A.A. – Temos a p eocupação de e um papel pedagógico e anquilizado . No caso
especí ico do Ped o Dias, demos bas an e esse ângulo. Po um lado dá amos as
ci cuns âncias, dizíamos que ele es a a em uga e di ulgá amos a in o mação que
ínhamos na nossa posse. Sabíamos que inha ugido numa ca inha b anca e es a a a
di igi -se pa a ali. Mas, po ou o lado, dizíamos que es a am mon ados pe íme os de
segu ança, que anda am a se ei as pa ulhas e que ha ia uma au ên ica caça ao
homem. Ou seja, en á amos con ibui no sen ido de dize às populações daquelas
zonas “a enção, o Ped o Dias es á aí”, dá amos eco aos apelos que as au o idades
aziam pa a as pessoas não saí em de casa, não ajuda em, pa a e i a que iessem a
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se í imas do Ped o Dias, en ando ambém não con ibui pa a o ala me social. Essa
é uma das nossas unções, en a e um papel pedagógico e de in o ma e não
con ibui pa a o ala me social. Julgo que conseguimos aze isso da o ma que nos e a
possí el. Nem semp e é possí el da melho o ma po que não emos a in o mação
oda e ali e a di ícil po que a in o mação que nos chega a não e a assim an a. Mas
en o em con a a in o mação que ínhamos en ámos aze esse papel o melho que
pudemos. Po um lado, anquiliza-las, dizendo que ha ia mili a es da gua da e que a
Polícia Judiciá ia ambém es a a aí, azendo com que as pessoas não se sen issem
abandonadas, e po ou o lado não con ibui pa a o ala me, dizendo “cuidado, ele
es á à sol a, ele é um louco”. Isso as pessoas já sabiam.
3. Só no P imei o Jo nal, o am pa a o a 40 di e os sob e es e caso du an e um mês,
sendo que alguns deles não ac escen a am in o mação no a. Es a explo ação do
caso jus i icou-se?
A.A. – Isso acon eceu po que há ali á ias his ó ias. Is o é um caso que nos az lemb a
um pouco as sé ies de ele isão, há um spin-o . Aquela his ó ia em an os
componen es, an as í imas e an as ci cuns âncias, algumas delas mis e iosas, que
acabam po e his ó ias de i adas. Se o mos pega no caso, po exemplo, do Pali o,
ambém e e mui as peças e mui os di e os, mas se calha não an os como o Ped o
Dias. Es amos a ala de uma uga no empo mui o p olongada, há um ala me social,
há pe igo, com um as o de iolência b u al e onde ha e á um ipo que é um assassino
a sangue io, que não que sabe se as pessoas são inocen es ou culpadas, is o
pa indo do p essupos o que oi ele. Es amos a ala de um c ime o a do comum.
Depois começamos a conhece alguns po meno es à ol a e que acabam po jus i ica
essas peças e esses di e os. Po um lado, as í imas, que êm uma his ó ia
pa icula men e ágica. Es amos a ala de um casal que inha de uma consul a de
e ilidade. É uma his ó ia supe humana, que nos le a a comp eende ainda menos o
po quê daquelas pessoas e em sido í imas, es a am no local e ado à ho a e ada.
Po ou o lado, a p óp ia his ó ia do Ped o Dias, a amília dele, a elação con u bada
que e e com os izinhos, as au o idades, o que deu o igem a uma sé ie de pequenas
his ó ias. Depois, a pa i do momen o em que é de ido, há ali um p ocesso judicial.
Po an o es amos a ala de um caso que não se pode dize que enha apaixonado as
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pessoas, mas que lhes in e essou, que a aiu a opinião pública, e nós imos isso
a a és dos esul ados que ob i emos. Mas a ou-se de um caso que, sob e udo, oi
p olongado no empo. Todas as his ó ias que não êm uma espos a ób ia, que são um
mis é io pa a a nossa comp eensão, in e essam. Um exemplo que não em mui o a
e , o a ião da Malaysia Ai lines. Foi um mis é io e ainda hoje as pessoas se
in e ogam sob e o que acon eceu. Ago a já o am encon ados uns des oços e já se
começa a pe cebe mais ou menos o que acon eceu, as nossas cabeças já ão
sossegando um bocado. Mas du an e mui o empo ambém se alou daquela his ó ia,
p ecisamen e po se um mis é io p olongado no empo. À medida que amos
esca ando, mas encon ando mais his ó ias e isso pe mi e-nos i alimen ado a his ó ia.
4. Enquan o p o issional, qual é a sua opinião sob e a en ega ei a em di e o pa a a
RTP?
A.A. – Não me choca nada. Vamos supo que inha sido com um jo nalis a da SIC, se
calha caiam-nos odos em cima como caí am à Sand a Felguei as. Isso não diz bem
nem mal de ninguém. Foi uma decisão in eligen e da pa e do Ped o Dias e dos seus
ad ogados, é uma saída segu a e az sen ido. Te uma câma a de ele isão no
momen o em que ele se en ega é e a ga an ia de que ninguém lhe ai aze mal,
ninguém lhe ai da um i o, sob e udo po que ele é suspei o de e mo o, pa a além
de inocen es, o ças da au o idade. Ha ia semp e o medo de ep esália, mas endo ali
uma equipa de ele isão, isso é uma ga an ia que a sua segu ança es á sal agua dada.
Não aço ideia po que e á sido a Sand a Felguei as a se escolhida, pode se um
con ac o an igo da ad ogada, pode se uma elação de con iança que a ad ogada em
com ela de ou os casos. A e dade é que ela em um p og ama, o Sex a às No e, em
que abalha com alguma equência casos des e géne o, po an o a escolha não é o a
do ba alho. Acha a mui o mais es anho se o Ped o Dias se i esse en egado na
p esença do Manuel Luís Gocha, isso não a ia sen ido. Sendo à Sand a Felguei as az
sen ido. Podia e sido ao He nâni Ca alho, à Amelia Mou a Ramos ou à Ana Leal, a
qualque ou o p o issional. Cá, se nós ecebêssemos esse ele onema, é cla o que nós
íamos. Se calha a íamos as coisas de manei a di e en e, mas é mui o ácil olha pa a
as coisas depois e dize o que e íamos ei o, mas nessa ma é ia não julgo ninguém.
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Fo am decisões omadas de pa e a pa e que azem um ce o sen ido. Não ejo isso
com maus olhos.
5. A SIC é conside ada um ó gão de comunicação de e e ência. No en an o, exis e
ine i a elmen e uma busca po audiências. A cobe u a da CMTV in luenciou de
alguma manei a a o ma como a SIC abo dou es e caso?
A.A. – In luencia semp e. Se ia hipóc i a dize que nós igno amos os nossos
conco en es. No caso do Ped o Dias, eu acho que nós chegámos lá p imei o. Uma
coisa é quando uma es ação conco en e da uma no ícia que ainda não emos
conhecimen o. Isso ob iamen e in luencia po que omámos conhecimen o daquela
no ícia a a és de um conco en e eu. Não se ai igno a po que oi dada po um
conco en e, ais ansmi i-la e, se possí el, dá-la melho que os conco en es, é
semp e essa a nossa ob igação e o obje i o, a a as no ícias melho que os ou os.
Depois, no desen ola da no ícia, nós não que emos an o sabe o que o conco en e
es á a aze , seguimos o nosso caminho e a amos as no ícias o melho que
pude mos. Temos essa p essão mas en amos não a anspa ece cá den o, en e os
nossos epó e es, mas es amos ob iamen e a en os a odos os nossos conco en es.
Mas en amos que eles não nos condicionem nem in luenciem, o que é di ícil. Mas
en amos que não acon eça.