Disse ação
de Mes ado em Es udos Po ugueses
A He ança de A Esc a a Isau a
(P equela e Sequela)
Isabel Ma ia Es ibei o Peneda Seoane
Ab il de 2018
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“Andábamos sin busca nos, pe o sabiendo que andábamos pa a encon a nos.”
― Julio Co áza , Rayuela
Ao meu A ô.
Te quie o pa a siemp e.
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AGRADECIMENTOS
A p esen e Disse ação de Mes ado em Es udos Po ugueses oi um capí ulo da
minha ida que apenas é possí el de se encon a concluído , g aças ao es o ço e p esença
de odos os que comigo de pe o lida am e con i e am .
Mui o se passou em mais de um ano le i o , mui o mudou .
Eu inclusi é, o meu Mundo, sob e udo.
À minha amília , po que aqui chegámos.
À Ca la Pinelo Ma iz , o meu Reino só oi possí el de se e gue po causa dela.
De o-lhe udo o que sou hoje e aquilo que ainda se ei.
Ao P o esso Abel Ba os Ba is a , po que pegou em mim, e al como p ome eu ,
não mais la gou . Es a i ó ia é conseguida só e somen e sob e a sua o ien ação.
A odos os que coexis i am comigo e me de am g andes momen os de aleg ia ,
ai a , is eza , wha e e … :
Tudo o que chega , chega semp e po uma azão.
Fe nando Pessoa
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A He ança de A Esc a a Isau a
(P equela e Sequela)
Isabel Ma ia Es ibei o Peneda Seoane
PALAVRAS-CHAVE: A Esc a a Isau a ; Esc a a Mãe ; Be na do Guima ães;
Colinialismo ; B asil ; Esc a a u a ; Raça ; P econcei o ; Amo ;
KEYWORDS: A Esc a a Isau a ; Esc a a Mãe ; Be na do Guima ães; Colinialism ;
B azil ; Sla e y ; Race ; P ejudice ; Lo e;
RESUMO : A Esc a a Isau a (1875) , ob a esc i a po Be na do Guima ães em pleno
pe íodo Colonialis a no B asil, con a a his ó ia de uma esc a a b anca que em a se
conside ada mais bela e desejada do que qualque ou a Mulhe do seu empo.
Esc a a Mãe (2016), uma eleno ela b asilei a da a ualidade , na a po sua ez a his ó ia
da mãe de Isau a, du an e a sua ju en ude . Con ando o seu pe cuso pa a alcança a
libe dade e o di ei o a ama um Homem de es a u o social di e en e do seu.
A p esen e disse ação i á analisa as di e enças e semelhanças en e ambas as he oínas,
descodi icando alguns dos mais bem ocul ados p econcei os de uma cul u a e época de
p econcei o e seg egação acial.
RESUME: The oman ic li e a y wo k, A Esc a a Isau a (1875), w i en by Be na do
Guima ães du ing he B azilian Colonialism pe iod, ells he s o y o a whi e sla e, which
becomes mo e powe ul and desi ed han any o he Woman o he ime.
Esc a a Mãe (2016), a ecen B azilian soap ope a, ells Isau a´s mo he ad en u es,
du ing he you h, in o de o each he eedom and igh o lo e a di e en s a us Man.
The p esen Mas e Deg ee disse a ion will analyse he di e ences and simila i ies
be ween hese wo he oines, decodi ying some o he mos well occul ed hough s om a
acis cul u e and epoch.
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ÍNDICE
In odução…………………………………………………………………………….P.8
Cap I - A igu a da Esc a a : o Pon o de Pa ida ;
I.I – Juliana e Isau a : Duas ge ações , uma His ó ia ……………………………...P.12
(No qual se ap esen am as p o agonis as das duas his ó ias , se abo da a elação en e
Romance e Teleno ela e se es abelecem pon os de encon o in e a es)
Cap II – Senho e Esc a o : Pode s. Jus iça
II.I – As elações en e Esc a a e Senho ……………………………………….P.19
(As elações de Mãe e Filha com os seus algozes e ca ascos : He ança amilia e
cul u al )
II.II – A Senzala e a Casa G ande em di e en es pos u as pe an e o Pode : exemplos
e pe sonagens das di e en es his ó ias……………………………………………P.28
(Abo dagem das elações en e esc a os e seus Senho es em ambas as his ó ias e
con ex os. Mucamas e Sinhás . Esc a os e Senho es.)
II.III – A no a Sociedade B asilei a : as á ias posições do libe o e do esc a o
den o da hie a quia………………………………………………………………P.39
( O pensamen o Abolicionis a den o das di e en es ob as ; iden i icação de di e en es
es a os sociais na eleno ela e na ob a li e á ia )
Cap III – O Amo na Sociedade de 1800 : de Maldi o a He ói ;
III.I – Miguel e Ál a o : o p opósi o Abolicionis a………………………………P.54
( Compa ação dos pa cei os de ambas as he oínas omân icas , seus p opósi os , ca á e
e ideais. O Abolicionismo e seus p opósi os ; a eal mo i ação dos he óis pa a a sua
a uação e paixão )
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III.II – Figu as c uciais do an i -amo e da iolência em ambos os
en edos………………………………………………………………………………P.69
( As pe sonagens de Osó io e Ma inho , Leôncio , Fe nando Almeida e Ma ia Isabel
como o mas de con as e ao Amo ; pon os comuns e in e esses des es indi íduos em
ambos os en edos e o seu con ibu o pa a o desenlace da his ó ia )
III .III – Ação , mo e e agédia nas duas no elas…………………………………P.80
( A ep esen ação da mo e como uma o ma de a ingi um de e minado ideal na
li e a u a - Geo ge Luckáks , Teo ia do Romance (1920) ; exemplos des e con ex o em
ambos os casos no elís icos e a ados)
Cap . IV – Conhecimen o e Sociedade em p ole do Amo ;
IV.I – Á ila e Ge aldo : Le as e Leis em p ole de um bem
maio …………………………………………………………………………………P.87
( Os di e en es papéis das Le as e das Leis em ambos os en edos ; ca a e ização dos
seus pe sonagens - ipo e sua unção no desenlace das suas p óp ias his ó ias )
IV.II – Viagem e uga : e elação e descobe a……………………………………P.93
( O desenlace dos omances a a és da deslocação dos seus pe sonagens ; o con ibu o
da mudança pa a os indi íduos que buscam espos as e no os umos ) .
Conclusão……………………………………………………………………………P.98
Bibliog a ia………………………………………………………………………P.102
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In odução
Be na do Guima ães (1825/1827(?) – 1884) oi o au o de uma das ob as
omân icas de maio impo ância e ama pa a o B asil do pe íodo Colonialis a , - a se
abo dada nes e p oje o - , que é A Esc a a Isau a (1875).
Nascido em Ou o P e o, oi c iado no seio de uma amília de posses e
conhecimen os , sendo ilho de João Joaquim da Sil a Guima ães, c í ico e memb o da
A cádia B asilei a e de Cons ança Guima ães .
Be na do i ou o cu so de Di ei o em São Paulo , endo p imei amen e
desempenhado as unções de juiz em Ca alão (Goiás) , o que cons i uiu um pe íodo
pa icula men e u bulen o da sua ida , cheio de in empé ies de ido ao ca á e libe al e
e olucioná io do ju is a , endo chegado inluci é a se des i uído do p esen e ca go
de ido a disco dâncias com o pode local!
A i ulo de cu iosidade , Luana Ba is a na sua disse ação : G ande é o pode do
empo : colação en e es emunhos de O Semina is a , de Be na do Guima ães
(2012) , - indica -nos o mo i o des a oco ência , sendo ela causada pelo ac o de
Guima ães , num dia de julgamen o , e libe ado onze p esos, con a iando a decisão da
es an e au o idade local , e po isso ,acabando po se punido pelo P esiden e da
p o íncia com op ejuízo a pe ca da unção .
De no a po ém , que inúme os casos como es e se epe i am ao longo da ida do
au o :
Subs i uindo o juiz de di ei o licenciado , con ocou uma sessão de ju y e absol eu onze
éos , sendo a sessão classi icada como “jubilèo”. O p esiden e da p o incia demi iu-o do ca go
de delegado de polícia , a bem do se iço publico , e ez com que o juiz e ec i o eassumisse o
ca go .(...). So eu, po seu u no , o omancis a minei o , mui as pe seguições , inclusi e um
p ocesso c ime , em que a p óp ia de esa oi conside ada como um p imo li e a io .
MOTA ( 1921 ) P. : 112- 113 apud BATISTA ; P.17/18 .
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De en o de um ca á e e ideologia bas an e in o mal pa a a sua época , o
magis ado elabo ou ainda um as o géne o de composição li e á ia , (que em géne o de
p osa , que em o ma de poesia) , cuja na u eza di e gia en e a sá i a e a c í ica social ,
p e endendo choca e ale a os seus lei o es an o pa a as ealidades ocul as do quo idiano,
como pa a os e os come idos no passado .
Segundo uma in es igação biog á ica esumida do au o po mão de Ednaldo
Gomes ( in es igado Dou o ado em Teo ia e His ó ia Li e á ia na Uni e sidade Es adual
de Campinas ) , oda a unção que o mesmo esc i o ealiza a enquan o c í ico li e á io,
cump ia com o desejo de ob e uma maio libe dade ace aos ideais Eu opeus que se
ins ala am epe idamen e na cul u a B asilei a , endo -se o nado , po isso mesmo,
pe cu so de mo imen os conhecidos da li e a u a : o Indianismo , Na u alismo e
Realismo :
No B asil, o sal o empo al de um classicismo po uguês pa a um oman ismo ancês
impediu o desen ol imen o de uma o iginalidade nacional; po conseguin e, o nosso se ilismo
cons i uiu e úgio pa a os espí i os es é eis e medíoc es; con udo, pa a o es udioso minei o ha e ia
duas possí eis saídas pa a a e ilização da inspi ação nacional: o nosso passado – a aça ex in a
– e o nosso p esen e – a aça dominado a. GOMES , Ednaldo. Be na do Guima ães , o
c í ico. Uni e sidade Es adual de Campinas . P.4.
Concluímos com udo is o , que , em Guima ães , o Homem e o Esc i o acaba am
po con undi -se di e sas ezes ao longo da ida , indo e ela -se o Homem de Leis,
como um eda o exempla nos casos pessoais e momen os decisi os pelos quais passa ,
p oduzindo ex os que ma cam a His ó ia da Li e a u a B asilei a de al o ma que o
imo aliza am a é aos empos de hoje.
O omance de A Esc a a Isau a (1875) é um dos mais amosos exemplos des e
géne o , sendo uma ob a que oca nos pon os ulc ais do Abolicionismo e da men alidade
acis a e colonialis a , omando como he oína uma esc a a que lu a pelos seus ideiais e
libe dades, e po ilão, aquele que é p ecisamen e o seu dono e Senho .
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Se á pois de p e ê que os papéis que an o Juliana , como sua ilha , ( en am)
desempenha nas duas no elas , seja o de descon ução des e mesmo es igma social ,
lu ando não apenas pela sua libe dade de se içais ace às injus iças p opo cionadas pelo
seu empo , como pela sua dignididade de Se es Humanos, impondo-se como Mulhe es
com on ade p óp ia e desejos numa sociedade que é egida po Homens !
A ealização pessoal des as duas igu as passa, pois, pela i ência da expe iência
amo osa que as p ende e cap u a e e namen e , conseguindo a a és dela a libe ação ace
à e dadei a condição de esc a idão em que ambas se encon am .
A ela i a impassibilidade com que as duas pe sonagens pa ecem ambém so e
os cas igos que su gem pelas mais a iadas injus iças , con i mam ainda a p esença de
uma cul u a pa ia cal e machis a , que impõe a se en ia ao géne o eminino :
- Ama-me, e é essa idéia que ainda mais me mo i ica !... De que nos se e esse amo , se
nem ao menos posso e a o una de se sua esc a a e de o, sem emédio, mo e en e as
mãos do meu algoz... GUIMARÃES. (1875). P.72 .
Vejam que se a mulhe do homem amado signi ica se sua esc a a. Po mais que o
na ado quisesse apenas da um sen ido omân ico ao e mo esc a a, ele es á semp e
ca egado da acepção nega i a pe passada pelo egime esc a oc a a impe ialis a: esc a o é
alguém que es á absolu amen e sujei o a ou em. A mulhe , de ce a o ma, é esc a a de seu
p óp io sen imen o pelo homem e, pos e io men e, se az esc a a na subse iência do sag ado
ma imônio, u o do sis ema pa ia calis a. É nesse sen ido que Isau a ap esen a-se
duplamen e colonizada; esc a izada pelo sis ema e, ao mesmo empo, pelos pa âme os da
sociedade pa ia cal.
De aco do com Zolin (2000), a c í ica eminis a mos a, ao longo da his ó ia li e á ia, o
a o eco en e de ob as canônicas que ep esen am a mulhe em es e eó ipos cul u ais, ais
como: a mulhe mege a, a mulhe sedu o a e imo al, a mulhe anjo semp e p on a a se
sac i ica pelos ou os. Há á ios exemplos em nossa li e a u a. Que emos des aca o ipo
cul u al ep esen ado po Isau a, a mulhe como anjo, inde esa e capaz de sac i ícios em a o
dos que a ce cam. É in e essan e no a que a essa ep esen ação adicional da mulhe subjaz
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uma cono ação posi i a, pois não o ende aos p incípios no eado es do pa ia calismo,
enquan o que os es e eó ipos de sedu o a, pe igosa, imo al ou mege a semp e ouxe am uma
cono ação nega i a; demons am as lu as, in e io es ou ex e io es, no in ui o de se li a das
ama as da in e io idade a que o sis ema pa ia cal elegou a mulhe . CARNEIRO. (2004).
De no a , no en an o , algumas di e enças en e mãe e ilha… .
Juliana em um pe cu so dis in o do de sua ilha , sendo que ao se uma he oína
mais consis en e , a sua ida so e um maio núme o de a ibulações e in empé ies .
É iden i icada mais acilmen e como sendo uma esc a a , não ocul ando an o a
sua condição como Isau a pelo om da pele e aços ísicos , oda ia sendo , po sua ez,
ambém ela dis in a das es an es Mulhe es pelo seu génio e beleza , bem como dos
demais esc a os e seus semelhan es . Algo que a o na exó ica o su icien e pa a não passa
despe cebida aos demais colonos.
Tal como no caso da pe sonagem de Guima ães , es a Esc a a Mãe , di e sas
ezes sucede na sé ie sendo assediada e/ ou ag edida pelos ilões p incipais da ama
( Comendado Almeida e Ma ia Isabel) , sendo que , po ém, demons a -se di e sas ezes
decidida a ugi e escapa do so imen o injus o que lhe é impos o ; enquan o que no
omance de 1875 , podemos e uma he oína is e com a si uação pela qual se ê ob igada
a passa , mas que acaba po se pe mi i a so e nas mãos dos seus algozes e a silencia -e
pe an e uma qualque o dem ou ges o dado po es es.
Isau a demons a assim uma maio dependência de odos os que a possam domina ,
conc e izando -se apenas e únicamen e consoan e a p esença e / ou ausência des e mesmo
ac o . É pois, um pe ei o exemplo de submissão eminina , es ando demasiado ligada
aos alo es e cos umes p edominan es na época , e acabando po depende (mais que sua
mãe) , de uma igu a masculina que a o ien e e a guie pa a odos os p ocedimen os a oma
quando pa e em busca da sua p óp ia elicidade:
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Isau a é, sem dú ida, um e a o da mulhe do século XIX, um se subo dinado aos
pa âme os sociais igen es, que não busca no deco e do omance, se li a das co en es que a
p endem a uma es u u a alienan e, p e endo an es, se libe a da condição que a az apenas uma
esc a a no sen ido li e al da pala a , que é o jugo de Leôncio. No en an o, a única o ma legal
de libe a Isau a de Leôncio é a ema ando-lhe os bens em dí ida, o que sendo ei o po Ál a o
az Isau a passa de p op iedade de Leôncio pa a possessão de Ál a o. (Idem).
Já no caso Juliana - como i emos mais à en e abo da - , não oco e nunca uma
aquisição da sua pessoa po qualque Homem , o que a isen a de oda e qualque
obje i icação e o na-a po isso iel à sua posição e c ença, alcançando um im de Mo e,
como pode ia sucede a qualque ou a esc a a , ou Mulhe da sua época, após da à luz.
Des a o ma , o p opósi o inal da libe dade cons i uí o obje i o mais ca o na ida
de qualque esc a o , acabando aqui po se e elado da pe sonalidade dos que po ele
lu am , e indo assim , ao longo des a mesma análise, e ê -se nos passos que ambas as
p o agonis as dão em busca do seu luga no Mundo .
As amizades e os en ol imen os pessoais de cada he oína se ão ainda a aliados
como o ma de se descob i odo o Uni e so an ás ico que se encon a aqui en ol ido de
ambos os lados , e sepa ado po séculos de exis ência.
Be na do Guima ães, o Homem e o Au o , e sob e udo a men alidade do seu
século , se ão ambém aqui dissecados , dando-se assim azo a econhece o p econcei o
calado que esidia nas men alidades daquele empo , do qual é p o a a o ma como a
esc i a de uma ob a que apa en emen e é um “Hino à Libe dade” dos Neg os e esc a os
da al u a, pode ambém ela e ela algumas con adições bas an e densas e ocul as den o
da linguagem e a os que enca ce a.
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Cap II – Senho e Esc a o : Pode s. Jus iça
II.I – As elações en e Esc a a e Senho
(As elações de Mãe e Filha com os seus algozes e ca ascos :
He ança amilia e cul u al )
Sendo an o Isau a como Juliana o p olongamen o da His ó ia de oda uma ida
e pe cu so da esc a a u a à libe ação , ambém as suas i ências e elações es abelecidas
com os es an es elemen os se acabam (po ezes) assemelhando.
Um dos melho es exemplos disso , es á na elação de ambas as esc a izadas com
os seus Senho es :
- Tan o o Comendado Almeida como o seu ilho Leôncio são uma mesma
con inuação da imagem do Homem bá ba o e dominado , que ousa oma udo o que
deseja pela o ça , indo mani es a es e papel de domínio sob e udo na elação
es abelecida com o elemen o eminino.
Em ambos os dis in os en edos oco em assim pe cu sos de uga e/ ou de lu a
en e uma esc a a e o seu Senho , como o ma a escapa à líbido e in enções imp óp ias
do sexo masculino.
Isau a oge com seu pai Miguel ao en ende em ambos que se ia impossí el e i a
um des echo de iolência enquan o es a es i esse sujei a às o dens de Leôncio , al como
sucede di e sas ezes com Juliana, que po sua ez acaba po necessi a escapa mais
que uma ez da Fazenda onde semp e i eu pa a um qualqu ou o sí io ou Quilombo,
como o ma de e i a desenlaces a ais po pa e que do Comendado , que de Ma ia
Isabel.
No en an o, es es p ocessos me ecem um es udo mais de alhado da sua
oco ência , como o ma dis ingui en e duas mulhe es dis in as , que são mãe e ilha.
- Isau a , com a sua pe sonalidade submissa e echada , acaba po apenas come e
semelhan e deli o uma única ez, ugindo com o seu pai pa a a cidade de Reci e.
Uma ez nes a no a cidade , não p ocede apenas dando um no o desenlace à ação
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da his ó ia , como ainda se pe mi e ainda a inicia um no o u u o ao conhece Ál a o ,
o seu u u o ma ido e libe ado de cá ce e.
Nes e mesmo a o clandes ino, há ainda que salien a que o maio “deli o” a se
de ac o come ido pela esc a a , é o de oma uma iden idade alsa , endo-se ob igada a
esconde a sua e dadei a condição social , e o nando -se numa esc a a p ocu ada
de ido ao anúncio ei o po Leôncio em odos os Es ados.
Já Juliana oma ou os des inos e medidas du an e o seu pe cu so , não se
ausen ando semp e na companhia de alguém , nem endo a con eniência de e semp e
um plano de uga es u u ado.
Em Esc a a Mãe (2016), es a p o agonis a acaba po come e as suas ugas po
uma ques ão maio i á iamen e de au o-sob e i ência , sendo que oda ia , ca ega já
mui as ezes consigo as ma cas de iolência de seus inimigos con a si . Juliana oge do
Engenho do Sol an o po in es idas sexuais us adas de Almeida , como pelos maus
a os in ligidos pelos ciúmes amo osos e doen ios de Ma ia Isabel , sua ou a dona e
Sinhá .
A uga, no caso des a pe sonagem, é mais um modo de e i a a p óp ia Mo e do
que um modo de escapa apenas a uma e en ual iolação , dado que se o Comendado
ainda pa ece e alguma compaixão pela sua submissa , já a sua cunhada ê em Juliana
uma i al desde o início da ida. O ódio de Ma ia Isabel pela esc a a , bem como os seus
planos e a dis, acabam ambém po mui as das ezes pe mi i aos dois aman es - Miguel
e Juliana - , a as a em -se da ida da Casa G ande e e le i em ace ca do que desejam pa a
as suas p óp ias idas , endo -se como indi íduos donos de si mesmos e não como
p op iedades sem escolha.
Po aqui podemos cons a a que Isau a (ao con á io de sua mãe) oma o
p o agonismo ideal dado a um obje o de desejo , sendo conduzida , uma ez mais, ao
es a u o eminino que e a dado na época a odas as Mulhe es . Os mo i os da sua uga e
ainda a p esença cons an e de companhia masculina nes e ipo de momen os, são os
elemen os p imá ios na cons ução da sua pe sonalidade , le ando-a a um o ma o
medíoc e na sua iden idade . Enquan o que no caso de Juliana , es a mesma ca a e ís ica
21
oma as p opo ções de uma lu a e ba alha diá ia pela ida e pelos Di ei os Humanos , que
lhe ainda são con inuamen e negados pelos seus Supe io es!
(Re) omando ago a a p oblemá ica dos ilões , Fe nando Almeida e o seu ilho
Leôncio azem ambos udo o que es i e ao seu alcance como modo de possui as suas
esc a izadas , o a negando a al o ia des as a qualque cus o, o a in imidando e
ameaçando -as com b u alidade e iolência .
Em Esc a a Mãe (2016) , Juliana chega mesmo a expe imen a a do do chico e
e dos es an es cas igos g aças a Fe nando Almeida , que ao con á io de sua ilha , sob e
o jugo de Leôncio , apenas e le e episódios de pu o medo e emo de ido às ameaças
mui as mais ezes p o e idas do que cump idas.
O pe sonagem do” Comendado Pai “, é assim, uma igu a macab a e egoís a:
que delínea aços de mal adez, luxú ia , ambição e al a de esc úpulos , usando de uma
aca educação dada po uma bu guesia alida pa a explica odos es es de ei os e alhas.
Es e pe sonagem sucede ainda odeado po di e sos géne os de a i idades , que
seja no go e no da sua Casa e Engenho , como ainda na en a i a de subi ao pode local
e lei , ep esen ando os Homens Bons da Coma ca da ila de São Sal ado .
As elações de Fe nando encon am -se bas an e bem desc i as e ep esen adas
nes a película ele isi a , ha endo a é espaço pa a lhe da um his o ial amo oso com uma
dança ina de abe na , e a é com a sua pé ida cunhada e a espe i a esc a a des a .
De modo a undamen a oda es a ausência de ca á e , é ainda e a ada a
pe spe i a amilia do pe sonagem , de o ma bas an e icamen e e ca ica u ada , ao e
como mãe a “Ba onesa de Ba angalha” , Dona U aca . Es a cómica e sa cás ica íu a ,
ambém ela ambiciosa e sem g andes esc úpulos , é o elemen o que acaba po con e i
ida e animação jocosa à pe sonalidade do seu ilho , es ando à is a odos os de ei os,
e os e alsa mo alidade de uma sociedade an iquada na pele des a nob e alida.
22
Já em A Esc a a Isau a (1875) , Leôncio , ilho de Fe nando Almeida, apa ece
como uma c iança mimada , a quem nada e a negado po incen i o do p óp io pai .
Filho único de um casamen o po in e esse , es e no o Comendado e Senho ,
pa ece e ido busca no exemplo pa e no oda a sua o ça e medida , igno ando oda ia a
educação esme ada e p eocupações de sua mãe, uma Sinhá espei á el e cheia de i udes .
O ca á e des e mesmo Homem/ Menino é nos dado ambém nas duas peças
( ele isi a e li e á ia), e elando uma in ância ma cada pela p esença de se os na sua
ida , e sob e udo, esc a as , como o ma de cump imen o dos á ios ipos de desejos
que um u u o Dono de Engenho pode e .
Po sua ez, em Esc a a Mãe (2016), Leôncio apa ece apenas ep esen ado na
in ância , endo já nessa idade b incadei as e a i udes de au o idade pa a com os esc a os
da azenda, e no en an o , compo ando-se de o ma adequada aquando e somen e na
p esença de Juliana .
Já na ob a de Be nado Guima ães , es a pe sonalidade sucede como um jo em
ecém-casado, que após us a odas as en a i as de u u o que os seus pais lhe
o e ecem , ica dono e Senho de odo o Engenho , endo como p incipal p eocupação a
sedução de Isau a , e pouco mais .
De o ma a explica alguns des es compo amen os pa a com as se içais po pa e
dos dois ilões ( ambém eles Pai e Filho), diz -nos Gilbe o F ey e (1900-1987) em Casa
G ande e Senzala (1933), o po quê de uma ão g ande obsessão do b anco dominado
pela sua se a de co escu a .
O sociólogo b asilei o iden i ica nes e mesmo compo amen o, epe ido ao longo
dos séculos po odo o B asil , um passado his ó ico no qual a igu a da esc a a começa
po se a p imei a Mulhe a se dada a conhece a uma c iança b anca :
(…) em udo o que é exp essão since a de ida , azemos quase odos a ma ca da
in luência neg a. Da esc a a ou sinhama que nos embalou. Que nos deu de mama . Que nos deu
de come , ela p óp ia amloegando na mão o balão de comida. Da neg a elha que nos con ou as
p imei as his ó ias de bicho e de mal -assomb ado. Da mula a que nos i ou o p imei o bicho-de-
pé de uma cocei a ão boa. Da que nos iniciou no amo ísico e nos ansmi iu , ao ange da cama
23
-de- en o, a p imei a sensação comple a de homem. Do muleque que oi o nosso p imei o
companhei o de b inquedo. (...)
É e dade que as condições sociais do desen ol imen o da classe supe io b asilei a nos
an igos engenhos de açúca do B asil , (…) - do menino semp e odeado de uma neg a ou mula a
ácil- al ez expliquem po si sós , aquela p edileção . FREYRE , Gilbe o .(1977). Casa
G ande e Senzala.P.286.
Todo es e egime esc a oc a a de seg egação acial e es a i icação dos
indi íduos acaba sendo p opício ao assédio ; sis ema es e que ambém segundo a ob a de
F ey e , se inicia com hábi os azidos pelos colonos po ugueses e p a icados em Po ugal
pa a com os esc a izados a icanos e mais a de , com os índios b asilei os :
Não há esc a idão sem dep a ação sexual. É da essência mesma do egime. Em p imei o
luga , o p óp io in e esse económico a o ece a dep a ação , c iando nos p op ie á ios de homens
imode ado desejo de possui o maio núme o possí el de c ias. Joaquim Nabuco colheu num
mani es o esc a oc a a de azendei os as seguin es pala as , ão icas de signi icação : “ a pa e
mais p odu i a da p op iedade esc a a é o en e ge ado ” .
Fo a assim de Po ugal , de onde a ins i uição se comunicou ao B asil , já opulen a de
ícios . (…).
En e esses esc a os os senho es a o eciam a dissolução pa a “ aumen a em o núme o
de c ias como quem p omo e o ac éscimo de um ebanho . “ Den o de semelhan e a mos e a
mo al , c iada pelo in e esse econômico dos senho es , como espe a que a esc a idão – osse o
esc a o mou o , Neg o , índio ou malaio – a uasse senão no sen ido da dissolução , da libidinagem ,
da luxú ia ? O que se que ia e a que os en es das mulhe es ge assem. Que as neg as p oduzissem
muleques. Idem. P. 314-315.
F ey e indica , po an o, o compo amen o do elemen o dominado como sendo
o p imei o a e ela dep a ação; en endendo que o Neg o A icano pouco ou nada e ela
pe an e es udos quan o a um ní el de a i idade sexual ele ado , ou como endo sido
seque o p imei o a co ompe libidinosamen e a sociedade b asilei a :
Não e a o Neg o , po an o , o libe ino : mas o esc a o a se iço do in e esse econômico
e da ociosidade olup uosa dos senho es. Não e a a “ aça in e io ” a on e de co upção , mas o
abuso de uma aça po ou a. Abuso que implica a em con o ma -se a se il com os ape i es da
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odo-pode osa. E esses ape i es es imulados pelo ócio – pela “ iqueza adqui ida sem abalho”,
diz o e e ido D . Be na dino ; pela “ociosidade” ou pela “p eguiça”, di ia Vilhena; po
conseguin e , pela p óp ia es u u a econômica do egime esc a oc a a. Ibidem. P.318
Tal compo amen o de libe inagem e de concubina o, e a ambém um dos
g andes ocos de ansmissão de doenças da época , acabando es as po se eícula em no
sen ido do b anco pa a o Neg o , in e ando e con agiando senzalas in ei as com es i pes
de sí ilis e gono eia ; sendo ainda que mui os dos g andes nomes da sociedade da época
igu am en e es es mesmos agen es pe cu so es e con aminado es .
Também em ambas as his ó ias , - P equela e Sequela - , os ilões e elam es e
mesmo géne o de endência , se indo-se de “p esas” in e io es às suas a o i as de en e
as esc a as, apesa de se encon a em comp ome idos e casados com damas espei á eis .
O ca á e angelical das cobiçadas, é assim uma ez mais acen uado , ha endo aqui
ine en e um g ande jogo en e sedução e esis ência mo al .
As cons an es p o ações de esis ência à i ude das esc a as de “boa índole”,
coloca-as num plano mais ele ado que as suas congéne es que acilmen e se en egam a
seus manda á ios.
No e -se , no en an o , que numa sociedade pa ia cal como a que é e a ada , se á
a Mulhe a culpada po odos es es pe calços , is o se o Homem um Se dis in o des a ,
que es a ia mo al e in elec ualmen e acima da sua capacidade de aciocínio e
desce nimen o.
A en ando no amen e ao abalho de Helena Ca nei o , a au o a ci a e e ências
que a i mam e sido no modelo da es u u a do Engenho e do seu Senho , que a cul u a
das cidades e da p óp ia sociedade B asilei a acabou po se undada.
Es a hie a quia , po sua ez , assen a na igu a de um único manda á io , que
exe ce unções sob e os es an es ,não sendo con a iado e p o egendo -se com os e mos
e compo amen os p óp ios de um elemen o Masculino pode oso e dominan e :
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Com elação ao B asil e à li e a u a b asilei a, como é o caso da análise suge ida po es e
abalho, é in e essan e essal a que o pa ia calismo e e ca á e dominan e no po o b asilei o.
Segundo Holanda (1995) al elemen o e e sua o igem no meio u al, onde o pode se concen a a
de o ma absolu a no senho de engenho, que e a a au o idade máxima. A pa i de en ão, passou-
se a ac edi a que o pa ia calismo o necia o melho modelo de i ência e ha monia social.
CARNEIRO, Helena . (2004).
Como espos a a es a pe soni icação , se á ambém impo an e e i ica nes e
mesmo capí ulo , que an o Isau a como Juliana são elemen os in eg an es do Feminismo ;
que se na p imei a, se e ela numa ase p imi i a , p a icamen e inexis en e , na segunda
é e le ido num es ádio mais madu o, e acilmen e mais isí el .
Isau a ,sendo uma pe sonagem de 1875, e le e ainda a mudez como
ca ac e ís ica p incipal da sua pe sonalidade .
Quan o maio é a incapacidade de eação po pa e da pe sonagem, na de esa da
sua p óp ia pessoa e dos seus alo es , maio a audácia e pe sis ência do seu Senho sob e
si :
Na e dade, não pe cebemos em Isau a es e con on o em elação a Leôncio. O que é
possí el islumb a são pequenos ocos de esis ência pela sua condição, po ém ainda e es idos
de um emo quase mo al em se ebela con a o sis ema no qual nasceu e oi c iada. A ala de
Isau a pa ece es abelece uma up u a en e a esc a a e a mulhe . Mos a-se submissa como
esc a a, nada clamando pa a si, e demons ando pode supo a qualque silêncio.
En e an o, como mulhe , uma oz lhe su ge pa a suplica que seu co po não seja u ilizado
pa a “ ins impu os”. Idem.
A en ando ago a no caso p opo cionado po Esc a a Mãe (2016) , a sua
p o agonis a apa ece como sendo uma mulhe mui o mais ousada do que a sua ilha.
Que seja po ca a e ís icas ísicas (como a co da pele) , como pela psicologia que
lhe é ine en e , Juliana e ela uma pe sis ência e lu a mui o maio es que as exis en es em
Isau a, no sendo a as as ezes que é is a ag edindo , ugindo ou ipos ando aos seus
ag esso es !
32
c uelmen e à esc a a Juliana po es a ousa a é nisso se supe io a sua Sinhá ao os en a
o amo de um po uguês mais ag adá el e cul o que qualque ou o sujei o da ila de São
Sal ado .
A ilã consegue po isso come e os mais a ozes c imes de iolência sob e uma
ou a Mulhe , chico eando e impondo a sua p esença sob e a da he oína , Juliana, e
en ando oma o luga da esc a a nas elações sociais e pessoais da i al.
O plano amilia e sen imen al da p o agonis a é assal ado pela Sinhá mal ada da
eleno ela quando es a en a domina pela o ça e pelo acismo a esc a a nas suas
a i idades e quo idiano, sendo que o modo de ida de Juliana sob amanho os acismo é
ealmen e compa á el com a desc ição an e io de F ey e, na qual sem a meno culpa, as
í imas das Sinhás mal -amadas e in elizes e am as subal e nas , a adas de o ma
animalesca po es as e o nando -se nos seu en e enimen o pa a a uma o ina de édio e
desilusões com a ida .
Ci ando Anselmo da Fonseca , o sociólogo indica -nos uma ez mais a conclusão
e des echo des e an igo p ocesso : “ (…) se egosijão em sob e ellas [as esc a as] exe ce
na es ei eza do la , e ea y annia , nes as condições a ligen issimas: po que as ic imas
são ob igadas a es a cons an emen e ao lado , e a i e ao pé do algoz.” Ibidem.
P.333/334.
Em Esc a a Mãe (2016) , al como em mui as his ó ias de Senho es e de seus
subo dinados , os esc a os são po isso a ele ação dos e dadei os he óis de ca á e e
espí i o , ep esen ando o ça , génio e beleza supe io es à de seus donos e lu ando po
uma sob e i ência diá ia de um modo que os deixa ainda mais salien es, ace a odas as
injus iças e o u as pelos quais passam.
Há medida que es as mesmas si uações injus as ão deco endo , é de salien a
assim, o pode dos Neg os e a o-descenden es em consegui em man e -se iéis e
ín eg os ao que ealmen e são , agindo de aco do com alo es e sen imen os bas an e
supe io es aos de seus Senho es.
33
Exis em po ém , elações opos as às de inimizade acima desc i as , que na
elação amilia dos Senho es e a é mesmo en e a Casa G ande e a Senzala , ha endo e
endo exis ido ambém casos de mui o maio con iança e ecip ocidade en e se os e seus
donos.
Veja -se nis o o exemplo de Juliana e da sua elação com Te esa (a i mã mais
no a de Ma ia Isabel e amiga de in ância da esc a a) , que acaba con a iando an o o
pad ão da época de io dis anciamen o e a o en e esc a a e Sinhá , como ainda e ela
ou a ace a da His ó ia da sociedade b asilei a colonial , na qual o elacionamen o en e
di e en es posições e condições esul ou em ha mónico aco do e amizade en e ambas as
pa es .
Te esa ep esen a pois, a ace a pu a e bondosa da Sinhá : agindo de modo
bene olen e em odas as si uações e compondo um pa que con as a com Ma ia Isabel e
sua mucama Ismé ia .
Sendo assim , o pa Te esa e Juliana ep esen am a bondade e ideal , que da
esc a a que da sua dona , enquan o as ou as duas ca ica u am o que de pio se pode ia
e naquela época en e as duas classes.
A elação das p imei as é po isso o palco de p o as de amizade e in imidade
e dadei as , con endo es a mesma his ó ia algumas das mais ca ica as si uações que
ealmen e se chega am a passa no con ex o indicado , nomeadamen e na con idência
en e amigas no campo amo oso e numa i mandade mui o maio que a do p óp io sangue .
Te esa em Esc a a Mãe (2016) ama ou o Homem, que é o a da escolha de seus
pais (Guilhe me), e que al como Romeu e Julie a é de amília opos a à sua po an igas
que elas amilia es , acabando a jo em Sinhá po apenas e somen e con a com Juliana
pa a pode co esponde -se com o seu amado e com ele chega a ugi , ainda que sem
sucesso… :
É ce o que nem semp e os pais o am obedecidos nas suas escolhas de noi os pa a as
34
ilhas. As adições e e em casos , a os , é e dade , de ap os e ugas omân icas. (…) Neles
igu a a semp e um Neg o ou mucama – cúmplice do ap o ou da ap ada: Neg o ou mucama
que e a cos ume al o ia -se. Com a cumplicidade de espe a mucama é que ugiu , em
Pe nambuco, po ol a de 1860, boni a moça da amília C… Oco eu a uga bem na éspe a de
seu casamen o com ilus e bacha el da escolha dos pais. Es es o e ece am logo ao noi o
ludib iado a mão de ou a ilha , que oi imedia amen e acei a. De modo que o casamen o ealizou
-se anquilamen e , sem ou o inciden e que o pe u basse.
Sabe -se que de eno me p es ígio alcança am as mucamas na ida sen imen al das sinhazinhas .
Pela neg a ou mula a de es imação é que a menina se inicia a nos mis é ios do amo .
A mucama esc a a [obse ou no meado do século XIX o omancis a Joaquim Manuel
de Macedo , o céleb e au o de A Mo eninha ], embo a esc a a , é ainda mais que o pad e
con esso e do que o médico da donzela ; po que o pad e con esso conhece -lhe apenas a alma ,
o médico , ainda nos casos mais g a es de al e ação de saúde , conhece -lhe impe ei amen e o
co po en e mo , e a mucama conhece -lhe a alma an o quan o o pad e e o co po mais que o
médico. Ibidem. P.335/336.
Tan o Juliana como Ismé ia e elam no deco e da eleno ela se em conhecedo as
dos seg edos e pe sonalidade das suas Sinhás , apoiando -as e o nando -se no espelho
daquilo que cada uma delas é.
Ou o exemplo p esen e nes a p odução ace ca da mesma o ma de
elacionamen o, es á no pa o mado po Bá Teixei a e Filipa , a ilha mais no a do
Co onel Quin iliano ; e ainda em ou os e mos e p opo ções, na elação en e lacaio e
Senho a que é a de Sapião com a libidinosa Ba onesa U aca , bem como o caso da
Condessa Ca a ina e do seu se o Tozé.
Já na Esc a a Isau a (1875), onde de ido ao pequeno elenco p esen e no li o ,
se assis e acilmen e a es e desenlace de p oximidade/ i alidade en e se os e Senho es,
é no elacionamen o de Mal ina e Isau a , que se em a ocupa o espaço que e a ou o a
p eenchido pela mãe de Leôncio com a esc a a, o ien ando a Senho a a sua se a e
p eocupando -se com o seu bem es a .
35
Mal ina , é ambém ela o espelho de Isau a e da sua beleza ex e na e in e na ,
padecendo no en an o de um ma imónio com um homem que mal conhece e que o a
escolhido pa a si po sua amília.
O posicionamen o des a mesma igu a ace à au o idade do ma ido e à sua elação
de co dialidade e amabilidade pa a com a esc a a e ela, uma ez mais, o compo amen o
posi i o que algumas Senho as sabiam e em elação aos seus subo dinados:
Toda ia Mal ina e a linda, encan ado a mesmo, e pos o que aidosa de sua o mosu a e
al a posição, ansluzia-lhe nos g andes e meigos olhos azuis oda a na i a bondade de seu co ação.
(...)
Gozas da es ima de eus senho es. De am - e uma educação , como não i e am mui as
icas e ilus es damas que eu conheço. És o mosa e ens uma co linda , que ninguém di á que
gi a em uas eias uma só go a de sangue a icano. Bem sabes quan o minha boa sog a an es de
expi a e ecomenda a a mim e a meu ma ido. Hei de espei a semp e as ecomendações daquela
san a mulhe , e , u bem ês, sou mais ua amiga do que ua senho a.
(…) Mas não e a lijas, minha Isau a ; eu e p o es o que amanhã mesmo e ás a ua libe dade;
deixa Leôncio chega ; é uma e gonha que uma apa iga como u se eja ainda na condição de
esc a a . GUIMARÃES , Be na do . P. 18/19/20.
Mal ina é , assim sendo, al como se encon a e le ido no caso das pe sonagens
Te esa e Juliana de Esc a a Mãe (2016 ), a i mã que o des ino cede a Isau a após lhe e
sido i ada a mãe ado i a que e a a sua dona e an iga Senho a , acabando po se o na
ambém ela numa imagem do passa dos empos sob e a men alidade das ge ações
a is oc á icas de Senho es de Engenho que con ola am o B asil .
Apesa de nes e mesmo cená io se encon a em di e enças que con inuem a a as á-
las socialmen e , exis em ainda semelhanças e mo i os su icien es pa a que se en endam
mú uamen e :
Mal ina , que , apesa da sua aidade a is oc á ica, inha alma cândida e boa , e um
co ação bem o mado , não pôde deixa de concebe logo desde o p incípio o mais i o in e esse
e e na a eição pela ca i a Isau a. E a com esse e ei o de índole ão bondosa e aguei a, ão dócil ,
modes a e submissa que , apesa de sua g ande beleza e incon es á eis do es de espí i o,
conquis a a logo ao p imei o encon o a bene olência de odos.
36
Isau a o nou -se imedia amen e, não di ei a mucama a o i a , mas a iel companhei a ,
a amiga de Mal ina, que , a ei a aos p aze es e passa empos da co e , mui o olgou de encon a
ão boa e amá el companhia na solidão que ia habi a .
- Po que azão não libe am essa menina? - dizia ela um dia à sua sog a. - Uma ão boa
e in e essan e c ia u a não nasceu pa a se esc a a . - Idem. Pg.25.
Es e mesmo compo amen o de de esa e bene olência, apesa de e undamen o
na a uação an e io men e ida pela mãe do ilão ( sua sog a), que endo -se apiedado da
mãe de Isau a pela o u a que o seu p óp io ma ido exe ce a sob e es a , acaba po que e
à jo em como uma ilha do espí i o , a ando-a como sua p óp ia descenden e , deno a ,
uma ez mais , o idealismo esc a oc a a ocul o po Guima ães sob e a igu a de Amo
ma e no .
Sob essái nes a cena p incipalmen e a in ansigência da Sinhá do Engenho em
cede a al o ia à esc a a enquan o a du ação de sua ida ; sendo ambém is o uma amos a
do pensamen o de posse e de obje i icação que a jo em ansmi ia aos mais pode osos
pelos seus a ibu os :
- O medo e eceio de pe de uma igu a ão bela , quan o in e essan e como a de
Isau a , é o que de e dade domina a sua “adoção” , sendo que a sua educação esme ada
acaba sendo um peso ainda maio a a o da sua p isão , ao concede -lhe p endas que a
o nam numa p esa ainda mais a a aos olhos da sociedade colonialis a . I ónicamen e e
já no seu im de ida, amanha consciência le a -a inalmen e a , po mais que gos ando
de sua p o egida , não se ela mesma em pessoa a da -lhe a ão p ome ida al o ia .
Es e mesmo pensamen o se á (não po acaso) o mesmo que inci a a Leôncio a
con o na os úl imos desejos de sua mãe , endo desde cedo ap endido o alo que aquela
c ia u a ep esen a a pa a odos ao seu edo .
A en e-se , ago a , nes a mesma no ela oi ocen is a à exis ência de compe ição
en e esc a os pela a enção e pode :
- O caso da “compe ição” en e Isau a e Rosa co esponde , nes a pe spe i a , ao
exemplo an es ci ado en e Juliana e Ismé ia.
37
Rosa , é pois, a mula a que se e as on ades de seus senho es sem se impo a
em pe de a dignidade e hon a ace aos a o es e bene ícios que pode a anca des es.
O ac o de acei a o na -se aman e de Leôncio du an e a en a ju en ude , e ao
e i ica a pe ca do in e esse des e pa a com ela em a o de Isau a, o na -a uma
pe sonagem il e mesquinha , que não se limi a a dize o que pensa e sen e, como ambém
ainda lança a discó dia en e es an es elemen os que a odeiam ; p e endo semp e lança
a imagem de Isau a na lama e apon a de ei os na sua pu eza e i ude :
- E o que mais me ece aquela impos o a? - mu mu ou a in ejosa e malé ola Rosa.
- Pensa que po es a se indo na sala é melho do que as ou as, e não az caso de
ninguém . Deu ago a em namo a os moços b ancos, e , como o pai diz que há de o a ela , pensa
que é uma g ande senho a. Pob e do senho Miguel!… Não em onde cai mo o , e há de e pa a
o a a ilha ! - GUIMARÃES , Be na do. P. 45.
Em duas pala as o lei o ica á in ei ado do mo i o dessa male olência de Rosa . Não
e a só pu a in eja ; ha ia aí alguma coisa de mais posi i o , que con e ia essa in eja em ódio
mo al. Rosa ha ia sido de há mui o amásia de Leôncio, pa a quem o a ácil conquis a , que não
lhe cus ou ogos nem ameaças. Desde que , po ém, inclinou -se pa a Isau a , Rosa icou
in ei amen e abandonada e esquecida. A gen il mula inha sen iu -se c uelmen e e ida em seu
co ação com esse desdém , e , como e a maligna e inga i a, não podendo inga -se de seu senho ,
ju ou desca ega odo o peso de seu anco sob e a pessoa de sua in eliz i al. Idem . P. 47.
Também a compe ição en e Sinhá e subo dinada é e a ada po Be na do
Guima ães nes a peça li e á ia , omando pa a isso (ainda que disc e amen e) , uma ez
mais o exemplo da elação en e Isau a e Mal ina.
Nes e passo impo an e de e i a ol a pa a a his ó ia , Mal ina acaba sendo
con encida pelo seu ma ido da en a i a de sedução de Isau a sob e ele , acabando po se
e ol a injus amen e con a a esc a a , e ao mesmo empo, pe doando -a , ace à
pe spe i a consolado a de casamen o a anjado que Leôncio en a a impo -lhe ao uni-la
a Belchio , o ja dinei o de o mado.
Sem g ande no idade , o elemen o eminino cede aqui aos cíumes e acaba sendo
38
iludido pelo e dadei o ilão da His ó ia , que uma ez mais po se Homem, udo
manipula ao seu edo :
Mal ina, moça ingênua e c édula, com um co ação semp e p openso à e nu a e ao pe dão,
deu pleno c édi o a udo quan o ap ou e a Leôncio in en a não só pa a jus i ica suas al as
passadas, como pa a p edispo o compo amen o que dai em dian e p e endia segui .
Na qualidade de esposa o endida i i a a-se ou o a con a Isau a, quando su p eende a
seu ma ido di igindo-lhe alas amo osas; mas o seu anco ia-se amainando, e se des anece ia de
odo, se Leôncio não iesse com alsas e alei osas in o mações a ibui -lhe os mais o pes
p ocedimen os. Mal ina começou a sen i po Isau a desde esse momen o,
não ódio, mas ce o a as amen o e desp ezo, mesclado de compaixão, al qual sen i ia po ou a
qualque esc a a a e ida e mal compo ada. GUIMARÃES , Be na do P. 111
Sem maio su p esa se á pois a a i ude de Mal ina , aquando das de adei as
pala as de Ál a o , quando chega a empo de sal a Isau a e de o a Leôncio. A jo em
esposa cai impo en e pe an e um cená io de pe dição e banca o a de sua amília , icando
mais pe u bada que nunca com a pe ca de bens que e am os seus , e ao oma noção do
que a espe adali em dian e , des a ez já sem um í ulo , ou nome ao qual se aga a :
- Ó que e gonha!.., que op ób io, meu Deus! - exclamou Mal ina, deb uçando-se a uma
mesa, e escondendo o os o en e as mãos.
(…)
- Leôncio! Leôncio!... onde ais! - exclamou Mal ina p ecipi ando-se pa a ele; mal,
po ém, ha ia ela chegado à po a, ou iu-se a explosão a oado a de um i o.
- Ai!... - g i ou Mal ina, e caiu edondamen e em e a.
Leôncio inha-se eben ado o c ânio com um i o de pis ola.
GUIMARÃES, Be na do. P. 126/127.
39
II.III
A no a Sociedade B asilei a :
As á ias posições do libe o e do esc a o den o da hie a quia
( O pensamen o Abolicionis a den o das di e en es ob as ; iden i icação de di e en es
es a os sociais na eleno ela e na ob a li e á ia )
Nes a ase da disse ação i emos ago a abo da de o ma mais po meno izada
algumas das o mas que os esc a os da p esen e época inham pa a se e gue em social e
pessoalmen e do es a u o da esc a idão.
A a és dos exemplos que cedidos pela eleno ela , ou pelo omance em causa ,
ais casos ilus am o econhecimen o social de alguns dos esc a izados pela sociedade
con o me es es demons assem e algum mé i o , (ou mesmo a é caso a a és do alcance
de elações co diais com elemen os mais pode osos do que eles p óp ios).
Veja -se aqui especialmen e e a ada a ligação ocul a en e Ismé ia e a Condessa
Ca a ina , cujo pe cu so em Esc a a Mãe (2016) é inciado ao e ela -se como sendo uma
condessa de aça neg a , que subiu na ida a a és de um ma imónio com um indi íduo
inglês , que po sua ez , ao omá-la como sua legí ima esposa, a e i a dos pesa es do
ca i ei o.
Es a mesma Mulhe é assim al o do in e esse ge al de odos os que a odeiam ,
alcançando um p es ígio e espan o bas an e a ul ados na ama no elís ica ao consegui
conquis a o espei o e admi ação po pa e de di e sos elemen os impo an es da Vila de
São Sal ado . Toda ia, o seu p incipal p opósi o,- al como o de mui os ex- esc a os
da al u a- , acaba sendo o de euni -se com a sua i mã mais no a pe dida e a as ada de si
pelo á ico humano.
I mã es a que se em a e ela se Ismé ia , a esc a a maldosa que conspi a com
seus Senho es con a Juliana .
40
A í ulo de in e esse , de e se e e ido que a pe sonagem de Ca a ina ci a o
cu ioso e e ídico exemplo de D. Ana F ancisca Ube ali , que endo sido uma an iga
esc a a , conseguiu po ém conquis a o seu luga na sociedade angolana a a és de um
ma imónio bas an e an ajoso .
A lindo Manuel Caldei a az -nos na sua ob a Esc a os e T a ican es no Impé io
Po uguês (2013) , a na ação do episódio em que o médico Geo ge Tams conhece, numa
es a em Luanda en e 1841-1842, uma neg a , dona de a ul ados bens e de um ele ado
es a u o : is o e -se casado com Ca los Ube ali (médico sa do , deg edado em Luanda
que pos e io men e acaba po en e eda na á ea do comé cio e á ico de esc a os em
Angola) .
Sendo ambém es a pe sonagem his ó ica uma iú a, é ácil en ende que e á
icado como a p incipal adminis ado a dos bens do alecido, he dando po isso a sua
o una e econs i uindo a sua ida em o no do que oi ou o a o seu p incipal o men o:
Tendo alecido nos ins do ano de 1839 , Ca los Ube ali deixou à esposa , além do apelido , a
expe iência, os con ac os come ciais e um pa imónio ap eciá el , que incluía á ios na ios que
anda am no á ego ansa lân ico . D. Ana F ancisca soube endibiliza a he ança ecebida .
CALDEIRA, A lindo Manuel. (Junho de 2013). Esc a os e T a ican es no Impé io
Po uguês. P. 288.
Con udo , não se ica po aqui a lis a de elemen os que acabam po se a as a da
esc a idão apesa da co .
Veja -se ainda o caso de Kamal , noi o de Luena e u o ou “pai” de Juliana .
Es e indi íduo começa po se um esc a o a quem são b u almen e e i ados odos
os bens e amília , e sob e udo , a quem é e i ada a possibilidade de conc e ização pessoal
pela sepa ação a udo o que lhe e a que ido . Sendo pe seguido desde o início da his ó ia
pelo Fei o Osó io , e endo sido endido pa a ou as á eas e locais após a sua cap u a e
nascimen o de Juliana, es e Homem acaba po e o na ao sí io onde sabe pode i a
encon a a “ ilha” pe dida , e a da um des echo eliz àquela que oi o u o de uma an iga
agédia .
41
Ao eg essa , es e indi íduo não só se ap esen a dis in o de qualque ou o Neg o,
(en e gando oupas e ajes de um es a u o social ele ado) , como ambém e ela
conhecimen os mais p o undos e sólidos do que aqueles que se azem sen i na pequena
ila de São Sal ado , acabando , g aças a isso , po se o na no de música das amílias
icas e abas adas da colónia , en e as quais a do p óp io Comendado Fe nando Almeida!
Tal como Ca a ina , Kamal p e ende es i ui uma ligação pe dida de ido à
injus iça humana , o que cons i ui uma causa maio e um Des ino a que ambos se en egam
sem olha a meios, sendo de no o en ol idos no sis ema escla agis a e a iscando a é
pe de a sua al o ia consoan e as lu as a que se en egam .
No e -se que na época e a bas an e comum um libe o pode se acilmen e
enganado ou í ima de qualque a mação cujo obje i o osse o ná-lo esc a o
no amen e.
1
En amos ago a no pon o de discussão quan o à pe spe i a que os
con empo âneos de Guima ães inham do Abolicionismo .
Em A Esc a a Isau a (1875) , é apenas em Reci e que a p o agonis a conhece
gen e ilus e e de boas amílias , ambém solidá ia com os ideias Abolicionis as. Ao que
Guima ães os desc e e con o me as ideias da época, como sendo indi íduos algo biza os
e excên icos, embo a do ados de g andeza de espí i o e pensamen os ilosó icos que os
e elam de uma cul u a mui o maio do que a sociedade que os en ol e :
- Aquele Senho Ál a o semp e é um excên ico, um esquisi o; udo quan o é no idade o
1
E a mui o equen e que os juízes e uncioná ios esponsá eis pelo cump imen o da lei nem
seque p ocu assem p o as pa a condena um indi íduo de ascendência a icana . O caso do
esc a o An ônio Fe nandes, condenado sem p o as a se o u ado po uma acusação de
assassina o simplesmen e po se uma “pessoa il e um esc a o” , já oi desc i o em ou a ob a.
A pessoa de co li e es a a igualmen e sujei a a se í ima des e ipo a bi á io de jus iça.
RUSSEL-WOOD , A.J.R.Esc a os e Libe os no B asil Colonial.(2005). P.109
48
O en e o e eló io do co po não é ilmado nem seque e elado na eleno ela ,
dando a imp essão de uma injus iça ainda maio que é come ida con a a Mulhe e Mãe
que emos assen e como sendo a pe sonagem mais impo an e da ama.
Quan o ao que sucede aos es an es elemen os após es a ocasião , a p odução
ele isi a mos a-nos o seu p ossegui na ida quo idiana , ha endo ago a no as elações
e dinâmicas en e as pe sonagens e sendo ambém no á el no úl imo episódio que alguns
elemen os mais pe i é icos e não ão co e os quan o Juliana conseguem , po seu u no ,
alcança um inal bem mais ag adá el que es a , como é o caso de Ismé ia , cuja busca
po uma e dadei a amília e luga de ab igo acaba sendo bem sucedida , encon ando -
se ago a a é mesmo li e do egime esc a oc a a e jun o da sua i mã biológica.
Toda ia, nem nes e momen o a solida iedade com a causa neg a deixa de se
maio que a elicidade do espe ado pe an e a aleg ia da ilha de Miguel e Juliana ,
ol ando a eleno ela a aze depa a -nos com o caso de um des echo eliz em mui os
ou os pa a os quais a jus iça pa ece não chega .
A si uação social do B asil , de um modo ge al , é ainda ( apesa de já mais
di e enciada ) a da exis ência de esc a a u a , es ando po ém a no a p o agonis a Isau a
li e de odo esse cons angimen o , e dando -se a en ende com a sua elicidade , uma
onda de mudança que se encon a a chega jun amen e com o seu exemplo.
A p eocupação com o cole i o e o meio social é assim uma das ca a e ís icas do
nosso século , alando es e des echo dado em ele isão dessa mesma necessidade.
Já Be na do Guima ães , com o es anho im que az le na sua ob a-p ima , acaba
ecendo apenas a sua p eocupação p incipal em o no do bem -es a da sua “mulhe -
anjo” , que é Isau a : exal ando exace badamen a as qualidades de alguém que mal se
iden i ica com os da sua p óp ia he ança cul u al.
Es a a i ude de acismo dis a çado co esponde à di e enciação o al en e a aça
49
b anca e a neg a , e ainda a uma es a égia de con olo das massas in e io es pelas
supe io es , algo que oi o que na e dade semp e a ou a ascenção de ida dos
esc a izados .
Russell- Wood az-nos ela os de como es as ci cuns âncias domina am o B asil
colonial , es ando condicionadas a uma men alidade mais di idida e es a i icada g aças
a uma op essão da camada mais pode osa, ace à sua in e io :
Deu -se mui a impo ância ao ac o de que ais ensões e dissidências impedi am que os
indi íduos de ascendência a icana alassem com uma oz comum . Hou e nume osas ins âncias
em que a al a de conco dância com um líde ou um plano de ope ações oi decisi a , esul ando
no acasso de um le an e ou e ol a. O econhecimen o desse di isionismo oi explo ado pelos
b ancos pa a a enua po enciais p oblemas e Vilhena oi apenas um de en e á ios obse ado es
que no a am que o es ímulo do con li o en e indi íduos de ascendência a icana con ibuía pa a
a manu enção do equilíb io en e a população de co , nume icamen e maio , e os b ancos na
Amé ica po uguesa . RUSSEL- WOOD. P. 129.
Tan o a eleno ela como a ob a omân ica são exemplos des a passagem ,
e elando que e a a al a de bases e de conhecimen os a g ande inimiga do Neg o nes e
pe íodo. A Isau a de Guima ães , po possí elmen e econhece -se como sendo mais
p óxima dos seus Senho es que dos seus “ colegas “ de ca i ei o , acaba po se e ugia
numa uga indi idual , dedicada única e exclusi amen e à sua pessoa ; sendo , po isso,
deixada de o a de qualque hipó ese de le an e ou mo im po pa e dos esc a os e
esc a as que com ela man êm elações.
Não é sem algum sen ido (além da já conhecida in enção de p essiona e seduzi ) ,
que na ob a li e á ia , as ameaças de i adas dos encon os de Leôncio com Isau a ,
oco em quando poucos elemen os da Fazenda es ão ao seu edo , ainda que sendo uma
si uação do conhecimen o ge al de odos.
Veja-se o caso do cas igo que é in ligido à esc a a , quando o seu Senho a coloca
a ia , e con udo ob iga as es an es esc a as a sai do local onde se encon a am an es
po causa des e mesmo encon o e a e a , dados ago a somen e a Isau a.
50
Apesa dos poucos p o es os de solida iedade sol ados po uma das iandei as,
con a a má so e de Isau a , nunca oco e uma a i ude de de esa p á ica da sua colega .
Mesmo após se p o e i em insul os con a o sis ema , a a és do epúdio à igu a do ei o
e do pai de Leôncio , Isau a é abandonada pelas suas companhei as sem a mínima
possibilidade de discussão , dando a imp essão que a inal , es e não é o seu se o e / ou
meio.
And é , o esc a o de den o de casa , ambém nada az ou p o e e que possa i em
seu auxílio , dando a imp essão de que es á semp e além dos pode es de odos es es
indi íduos Neg os , o auxílio da bela ca i a.Seja po sabe em que es a se á semp e a
p esa p e e ida do seu Senho , como po sabe em se a sua condição in e io à da
p o agonis a :
(…) Que mal e ez a pob e Isau a, aquela pomba sem el, que com se o que e, boni a e
ci ilizada como qualque moça b anca, não é capaz de aze pouco caso de ninguém?... Se ocê
se pilhasse no luga dela, pachola e a e ida como és, ha ias de se mil ezes pio .
(…) Não obs an e po ém oda essa modés ia e humildade ansiuzia-lhe, mesmo a
despei o dela, no olha , na linguagem e nas manei as, ce a dignidade e o gulho na i o,
p o enien e al ez da consciência de sua supe io idade, e ela sem o que e sob essaía en e as
ou as, bela e donosa, pela co eção e nob eza dos aços isionômicos e po ce a dis inção nos
ges os e ademanes. Ninguém di ia que e a uma esc a a, que abalha a en e as companhei as,
e a oma ia an es po uma senho a moça, que, po desen ado, ia a en e as esc a as. Pa ecia a
ga ça- eal, alçando o colo ga boso e al anei o, en e uma chusma de pássa os ulga es. (…).
Nes e momen o ou em-se as badaladas de uma sine a; e am ês pa a qua o ho as
da a de; a sine a chama a os esc a os a jan a . As esc a as suspendem seus abalhos e
le an am-se; Isau a po ém não se mo e, e con inua a ia .
- En ão? - diz-lhe Rosa com o seu a esca ninho, - ocê não ou e, Isau a? são
ho as; amos ao eijão.
- Não, Rosa; deixem-me ica aqui; não enho ome nenhuma. Fico adian ando
minha a e a, que p incipiei mui o a de.
- Tem azão; ambém uma apa iga ci ilizada e mimosa como ocê não de e
51
come do caldei ão dos esc a os. Que que e mande um caldinho, um chocola e?...
- Cala essa boca, aga ela! - b adou a c ioula elha, que pa ecia se a p io a daquele
ancho de iandei as. - Fo e lingüinha de íbo a!... deixa a ou a sossega . Vamos, minha
gen e.
As esc a as e i a am-se odas do salão, icando só Isau a, (…) GUIMARÃES , Be na do.
P. 45/46/47/48.
Ah! meu Deus! - pensa a ela; nem aqui posso acha um pouco de sossego!... em oda
pa e ju a am ma i iza -me!... Na sala, os b ancos me pe seguem e a mam mil in igas e en edos
pa a me a o men a em. Aqui, onde en e minhas pa cei as, que pa ecem me que e bem, espe a a
ica mais anqüila, há uma, que po in eja, ou seja lá pelo que o , me olha de e és e só a a
de achincalha -me. Meu Deus! meu Deus!... já que i e a desg aça de nasce ca i a, não e a
melho que i esse nascido b u a e dis o me, como a mais il das neg as, do que e ecebido do
céu es es do es, que só se em pa a ama gu a -me a exis ência?
(…)
E que e impo a isso? eu es ou bem sa is ei a aqui.
- Qual!... não ac edi o; não é aqui eu luga . Mas ambém po ou a banda es imo bem
isso.
- Po quê? - Po que, en im, Isau a, a ala - e a e dade, gos o mui o de ocê, e aqui ao
menos podemos con e sa mais em libe dade...
- De e as!... decla o- e desde já que não es ou dispos a a ou i uas libe dades.
- Ah! é assim! - exclamou And é odo en unado com es e b usco desengano. - En ão a
senho a que só ou i as inezas dos moços boni os lá na sala!... pois olha, minha cama ada, isso
nem semp e pode se , e cá da nossa laia não és capaz de encon a apaz de melho igu a do que
es e seu c iado. – Idem. P.48/49
Como e i icamos nes e mesmo passo , os p óp ias esc a os e colegas de Isau a
a olham como sendo dis in a delas , endo noção do quão in e io pa ecem se , ado ando
pa a al a p óp ia pe spe i a dosb ancos , ace a es a mesma isão da sua aça.
Isau a , ambém ela se compo a como uma Sinhá , sabendo no seu ín imo que é
po e ão melho aspe o e a ibu os que se e ela como sendo supe io às suas congéne es.
Da con e sa de And é e Rosa emos da boca de dois esc a os dis i os a e elação
52
do que ealmen e se pensa sob e a posição de Isau a , e odo o ap eço acis a em que ela
é ida , ace ás suas di e enças en e os Neg os.
I ónicamen e ou não , odos a sabem se melho e mais digna que qualque ou o
esc a o , es ando habi uada a um a amen o que semp e o a melho que o cedido aos
es an es.
Seja po hábi o ou po gos os , Isau a é ainda semp e nos ap esen ada como sendo
uma b anca en e os Neg os , e que nunca acei a menos que es e p i ilégio. Apesa de se
consen i a ebaixa ace ás humilhações e a e as á duas que lhe dedica Leôncio , no seu
ín imo , a p o agonis a sen e-se exada e en e gonhada po se encon a pe an e a
hipó ese de se encon a com elemen os ão mais “abaixo” na hie a quia social
colonialis a.
Desde a necessidade de se isola das es an es companhei as , à inibição de se
en ol e amo osamen e com qualque um dos da sua cas a , odos os compo amen os de
Isau a se elêm na sua necessidade de se a ada como uma Senho a , desp ezando po
isso (e ainda que inconscien emen e), aos es an es se içais que com ela acabam po
p i a .
Uma ez mais , a o ma como o compo amen o de Isau a é condicionado po
uma conceção acis a de sociedade é a e dadei a essência da ob a de Guima ães ,
e elando uma he oína omân ica que apenas em colegas de ca i ei o e não e dadei os
amigos , po lhes se ão supe io .
As condicionan es que a o nam ão maio que qualque ou a esc a a impedem -
na assim de ob e que o espei o o al dos da sua classe , que uma seque amizade simples
e e dadei a como apa ece ep esen ada no caso de Juliana . Que mesmo endo
p e enden es en e as á ias classes sociais , cul i a boas elações com bas an es
elemen os ao longo de oda a eleno ela Esc a a Mãe (2016).
Além de se a ada como igual en e os es an es ca i os , es a mula a consegue
ainda o seu ca inho e espei o , sendo que mesmo que hajam de e minados elemen os
dispos os a con a ia a sua in eg ação ace à in eja que a mesma lhes dispe a , mui os
53
ou os con am com ela jun o a si pa a melho supo a em o jugo da esc a a u a .
A p o agonis a des a sé ie ece ainda ou a noção de ascenção social , dis in a da
que é passada pela sua ilha na p equela li e á ia do século XIX .
Não apenas a a és da sua beleza , mas ambém a a és da sua candu a e
pa icipação na ida cole i a , oco e uma conside ação a o á el ace ca des a
pe sonagem , que acaba azendo -a sucede -se ao longo da eleno ela , e ealiza -se de
á ias o mas além das da Libe dade pessoal e sen imen al.
A conquis a de um e dadei o ma imónio , supe io ao de odos os que a odeiam ,
e a lu a e supe ação que e ela e ace às con a iedades que lhe co em e ão
sucedendo ,dão azo a que odos a ejam como a he oína que a sua ilha jamais consegui á
se na desc ição dada po Guima ães .
A complexidade da pe sonagem é assim mui o maio na ecen e eleno ela , dando
p o undidade e consis ência à igu a de Juliana , bem como à do es an e elenco, que se
ma e ializa com emoções e noções e dadei as em o no das elações humanas que
coexis em com a p o agonis a , oco endo assim mesmo a é a ele ação cole i a ace à
posição de ca i os e subal e nos.
54
III
O Amo na Sociedade de 1800 : de Maldi o a He ói
III.I – Miguel e Ál a o : o p opósi o Abolicionis a
( Compa ação dos pa cei os de ambas as he oínas omân icas , seus p opósi os ,
ca á e e ideais. O Abolicionismo e seus p opósi os ; a eal mo i ação dos he óis pa a
a sua a uação e paixão )
Ál a o su ge na ob a de Be na do Guima ães enca ando a pe sonagem de um
jo em ico e excên ico pa a a sua época e nação , que acaba po con a ia os alo es e
cul u a dependen es da esc a a u a como meio de uncionamen o e subsis ência .
Não eceia , pois , an o o julgamen o e condenação sociais, assim como não
e ela g ande e maio in e esse pelo dinhei o e s a us que lhe con e em a hie a quia em
Reci e.
Mesmo quando se em a ape cebe da condição de Isau a da o ma mais
escandalosa e ul ajan e possí el na noi e do baile (g aças à e elação e ul ima o ei os
po Ma inho ) , es e he ói con inua a es ima e ama a sua musa , de endendo os mo i os
pelos quais es a e ia ugido do seu ca i ei o e in e cedendo a seu a o con a udo e
odos :
(…) É já um escá nio da -se o nome de di ei o a uma ins i uição bá ba a con a a qual
p o es am al amen e a ci ilização, a mo al e a eligião . Po ém , ole a a sociedade de um senho
i ano e b u al , le ado po mo i os in ames e e gonhosos , enha o di ei o de o u a uma ágil
e inocen e c ia u a , só po que e e a desdi a de nasce esc a a , é o equin e da cele adez e da
abominação .
(…) – E que me impo am os cí culos da al a sociedade , uma ez que sejamos bem -
acolhidos no meio das pessoas de bom senso e co ação bem- o mado? Demais , enganas e
comple amen e, meu Ge aldo. O mundo co eja semp e o dinhei o , onde que que ele se ache.O
ou o em um b ilho que deslumb a e apaga comple amen e essas p e endidas nódoas de
nascimen o. Não nos al a ão nunca , eu e a ianço , o espei o nem a conside ação social ,
enquan o não nos al a o dinhei o. GUIMARÃES , Be na do P. 92 e 94.
55
Po sua ez , na eleno ela Esc a a Mãe (2016) , o pe sonagem de Miguel e ela
se um indi íduo cujas iden idade du idosa e posição social acabam po o deixa menos
conside ado hie á quicamen e que o an e io p o agonis a.
Miguel enquad a -se numa mesma busca pela o igem e iden idade que a de Juliana ,
sendo ambém que o po uguês não deixa de desp eza a esc a a u a , e po isso lu a de
odas as o mas possí eis ao seu alcance pa a da a libe dade : que à sua amada , que a
odos os ou os esc a os que supo am a pena de um sis ema acis a e desigual .
Ainda que a sua o una amilia enha sido ei a à cus a do á ico neg ei o, o
he ói esol e abdica da sua p óp ia he ança pa a consegui a paz consigo mesmo e a
p oximidade com Juliana , sendo que ainda que o seu Amo enha a conhece um inal
ágico , o p o agonis a nunca i á deixa de lu a pela libe dade dos esc a os , a começa
pelo o caso da sua ( u u a) ilha , a qual ai acompanhando de pe o e de longe sob e o
cus o de odo e qualque abalho e cas igo , o seu c escimen o e desen ol imen o ,
auxiliando -a mais a de a ugi do seu Senho , Leôncio.
O Amo su ge no en edo des as duas no elas como sendo o p incipal agen e
esponsá el pelas ações humanas e in e ações dos pe sonagens en e si .
É pois , uma o ça capaz de des uição ou união , indo e ela o ca á e das suas
“ í imas” à medida que a ação e en edo se desen olam.
A a és des es mesmos dois pe sonagens masculinos, inse e-se a an a i a de
exp essão do Abolicionismo - o mo imen o que o já e e ido es udioso , Joaquim Nabuco
(1849-1910), nos az enção de ap esen a na sua ob a , O Abolicionismo (1883).
Es e mesmo mo imen o começou po se (an es de um ag egado polí ico) uma
me a co en e de opinião, a qual acabou po e e ei o den o de nume osos g upos
pa idá ios como o ma de os le a a iun a sob e os seus i ais.
56
Di e sos libe ais chega am mesmo a o a pela ideia Abolicionis a em ez do seu
pa ido , assim como mais a de alguns dos an igos conse ado es e epublicanos
começam po op a comba e pela libe dade dos esc a os, em ez da sua an e io isão
pa idá ia :
A simples subo dinação do in e esse de qualque um dos mesmos pa idos em elação ao
in e esse da emancipação neg a, bas a pa a mos a que o pa ido abolicionis a - quando su gi -
há de sa is aze um ideal de pá ia mais ele ado, comp eensi o e humano, do que o de qualque
dos ou os pa idos já o mados ; os quais são odos mais ou menos sus en ados e ba ejados pela
esc a idão. - (NABUCO, J. O Abolicionismo .(1883). P. 6)
Nabuco na a ainda e sido em 1879/80 o p imei o mani es o cole i o no
Pa lamen o pela emancipação dos esc a os , sendo len a a omada de consciência e
libe dade de exp essão ace ao p oblema social em causa .
Em ambas as his ó ias a adas na p esen e disse ação, é assim , acilmen e
cons a á el odo o con li o en e os elemen os que e am (ou não) con a a libe ação dos
Neg os, sendo que na eleno ela Esc a a Mãe (2016) , po exemplo, chega -se inclusi e
a ela a á ias ezes o ema da libe ação po meio da o ça.
Fosse es a sucedida a a és de mo ins de esc a izados, e/ ou da uga dos
pe sonagens injus içados.
Compa ando ago a os pe is de Miguel e Ál a o, há que salien a e des aca em
ambos os pe sonagens, a o ma como os he óis de endem aquilo em que ac edi am ,
ha endo po isso espaço pa a a en a no modo como a eleno ela a ual con e iu à igu a
de Miguel ( com base em uma jus i icação sólida e c edí el ) , uma boa dis inção ace a
uma sociedade que lhe é opos a em c enças e alo es ; des oando assim i memen e da
jus i icação e a gumen os dados pelo apaixonado Ál a o de1875 , ao de ende a causa da
libe dade de Isau a .
57
Segundo a já ci ada análise de Figuei edo (1968), Be na do Guima ães e le e
nes e indi íduo um pad ão de alo es pu amen e baseado no Amo que ele sen e pela
apaixonada, des oando dos ideiais Abolicionis as de endidos da al u a po azões e
ques ões mais sen imen ais do que acionais .
Es e pe sonagem é (à p imei a is a) um en usias a do mo imen o Abolicionis a,
mas que apenas coincide com a sua c ença po que o az de modo impulsi o e ené gico,
omando a i udes que apidamen e mani es em a sua o ma de pensa e ideais , e dando
azo a que a sociedade que o odeia o eja como um “se biza o“, deixando oda ia essa
mesma mani es ação en e e uma ce a debilidade que é cons a ada quando Ál a o
de ende as suas posições numa qualque con e sa ou deba e impo an es:
(…) o abolicionismo, como dou ina social consen âneo, é apenas um "elemen o de
ca á e " em Ál a o; o que impo a pa a es e, no undo, é a libe ação de Isau a, nunca a lu a pela
libe ação de uma classe, op imida. E o lei o a en o a ingi á a ela i a uni e salidade de que
alamos, apenas quando a anca a másca a dessa pe sonagem-clichê, e in ui a inau en icidade
da posição po ela assumida. –FIGUEIREDO , L.A. (1965). P. 317/18.
No p imei o ano , enquan o pai a a pelas al as egiões da iloso ia do di ei o , ainda achou
algum p aze nos es udos académicos; mas quando e e de emb enha -se no in incado labi in o
dessa á ida e en adonha casuís ica do di ei o posi i o , seu espí i o eminen emen e sin é ico
ecuou en as iado , e não e e ânimo de p ossegui na senda ence ada. Alma o iginal , cheia de
g andes e gene osas aspi ações , ap azia -se mais na indagação das al as ques ões polí icas e
sociais , em sonha b ilhan es u opias , do que em es uda e in e p e a leis e ins i uições ,que ,
pela maio pa e , em sua opinião só inham po base e os e p econcei os os mais absu dos.
GUIMARÃES , Be na do. P. 65.
64
A e dade , oda ia , chega da o ma mais dolo osa e e gonhosa possí el , como
que que endo uma ez mais oma a oz de um Senho a quem Isau a de e a sua p óp ia
ida e a quem come e g a e injú ia .
A he oína acaba sendo denunciada como uma me a esc a a o agida da al u a o
se ia , so endo g a e e gonha em local público e de con luência ge al.
Ma inho oma aqui as ezes de capa az e ei o de Fazenda pa a aze chega ao
lei o uma noção p óxima do que e a a caça ao esc a o, dando-se pa a al à cap u a de
Isau a , um de e minado p eço .
Po sua ez , a p o agonis a sen e uma ez mais a apelidação de esc a a , e
se en e , mo i o pelo qual se sen e exada e humilhada , chegando inclusi é a des alece
no meio do cená io desc i o :
(…) la gando o b aço de Ál a o , co eu a ele , lançou-se -lhe nos b aços , e escondendo
o os o em seu omb o :
- Que op ób io , meu pai ! – exclamou com oz sumida e a soluça . – Eu bem es a a
p essen indo!... (…).
(…) A ase a al – “ es a senho a é uma esc a a !” – p o e ida em oz al a po Ma inho ,
ansmi ida de g upo em g upo , de ou ido em ou ido , já ha ia ci culado com inc í el cele idade
po odas as salas e ecan os do espaçoso edi ício. (…)
Aniquilada de do e de e gonha , Isau a , e guendo em im o os o , que a é ali i e a
semp e deb uçado e escondido sob e o seio de seu pai , ol ou -se pa a os ci cuns an es , e
ajun ando as mãos con ulsas no ges o da mais iolen a agi ação:
- Não é p eciso que em oquem – exlcamou com oz angus iada . – Meus senho es e
senho as , pe dão! Come i uma in âmia , uma indignidade impe doá el!... Mas Deus me é
es emunha , que uma c uel a alidade a isso me le ou. Senho es , o que esse homem diz é e dade.
Eu sou … uma esc a a !...
O os o da ca i a cob iu -se de li idez cada é ica , como um lí io cei ado pendeu -lhe a
on e sob e o seio , e o donoso co po desabou (…) .
Uma esc a a ! … Essas pala as , soluçadas no pei o de Isau a como o es e o do a anco
65
ex emo, mu mu adas de boca em boca (…) , como o ugi sinis o das lu adas da noi e pela
g enha de úneb e a o edo. – Ib. P. 86/87.
Dian e des e cená io , emos uma ideia de uma Isau a , que se an es desdenha a
de odos os que a econheciam como a esc a a de Mal ina e dela se en a am em ão
ap oxima , ago a , num local no o e po onde passa po anónima, conside a a é e oma
as suas mesmas ul ajan es unções po alguém que ape cebe-se se capaz de ê-la como
mais que uma se içal!
A impo ância da imagem e a necessidade de uma ele ação de es a u o dão -se
aqui a conhece de uma o ma ocul a , mas ainda assim pa en e em odo o episódio
an e io men e desc i o.
A incoe ência que ep esen a a o caso de uma esc a a , ainda que bela , equen a
uma es a da al a sociedade b asilei a , é ap esen ada pelo ho o e choque com que odos
os elemen os ( do mais baixo ao mais ele ado ) pa ecem ica ao ou i a e elação de
Ma inho.
A p óp ia Isau a acei a , ace a amanha acusação, eme e -se à sua posição
o iginal como o ma de acalma o ambien e em sua ol a , e (quem sabe) , a é de não
pe de a es ima de Ál a o , ao desculpa -se pela sua a i ude e alsa en idade ap esen ada .
No es an e omo da his ó ia , o he ói enamo ado oma no caso da sua amada um
bom mo i o pa a o e a a sua p o eção e in luência , des acando-se assim uma ez mais ,
a necessidade que Isau a pa ece e de uma igu a p o e o a masculina :
Isau a e Miguel , g aças à aliosa in e enção de Ál a o , con inuam a habi a a mesma
pequena cháca a no Bai o de San o An ônio. Já não lhes sendo possí el pensa em ugi pa a
mais longe nem ocul a em -se , ali se conse am po conselho de seu p o e o , espe ando o
esul ado dos passos que es e se comp ome e a a da em a o deles , po ém semp e na mais
angus iosa inquie ação , como Dâmocles 1 endo sob e a cabeça aguda espada suspensa po um
io.
Ál a o ai quase odos os dias à casa dos dois o agidos , e ali passa longas ho as
en e endo-os sob e os meios de consegui a libe dade de sua p o egida e p ocu ando con o á-los
66
na espe ança de melho des ino. – Id. P.89.
A p óp ia pe ceção que Guima ães dá ao amado de Isau a , azendo -o conside a -
se se a única o ma possí el que es a em de sal ação no Mundo , pe mi e assim e e
uma imagem de aca consis ência e pe sonalidade na jo em esc a a , azendo -a do início
ao im uma Mulhe incomple a e incapaz de se sabe de ende sem o seu pa cei o po
pe o.
A masculinidade oma con a des e omance de uma o ma a oz pa a o lei o mais
in o mado e pa a o espe ado a ual , endo nes a o ma de Amo uma incapacidade ocul a
de ealização pessoal e idealização eminina. Ál a o demons a bem a paixão que em
pela esc a a como sendo o p incipal p e ex o pa a a ua em seu a o , sendo o seu p óp io
amigo Ge aldo um elemen o con a es a elação ão insa is a ó ia aos olhos da sociedade:
Eu não dou cou o nem capelo a uma esc a a; p o ejo um anjo e ampa o uma í ima
inocen e con a a sanha de um algoz.Os mo i os que me impelem e as qualidades da pessoa po
quem dou esses passos nobili am o meu p ocedimen o e são bas an es pa a jus i ica -me aos olhos
de minha consciência.
- Pois bem, Ál a o; aze o que quise es; não sei que mais possa dize - e pa a demo e -
e de um p ocedimen o que julgo não só imp uden e como , a ala - e com since idade , idículo
e indigno da ua pessoa.
Ge aldo não podia dissimula o descon en amen o que lhe causa a aquela cega paixão ,
que le a a o amigo a a os que quali ica a de bu lesco desa ino e loucu a inquali icá el. Po isso ,
longe de auxiliá-lo com seus conselhos e indica -lhe os meios de p omo e a libe ação de Isau a ,
p ocu a a com odo o empenho demo ê-lo daquele p opósi o , pin ando o negócio ainda mais
di ícil doque ealmen e o e a. De bom g ado , se lhe osse possí el , e ia en egado Isau a , a seu
senho somen e pa a li a Ál a o daquela e í el maldição que o ia p ecipi ando na senda das
mais idículas ex a agâncias . Id.. P.99
67
A isão indigna e ul ajan e com que o p óp io companhei o do he ói omân ico
eage ace aos sen imen os exp essos pelo seu amigo , são ambém uma o ma de espelha
melho ainda a desconside ação ida pela classe le ada e cul a do B asil Colonialis a ace
aos esc a os e a odos os elemen os que se encon assem abaixo dela.
O desin e esse e a al a de a enção que Ge aldo mani es a ainda li emen e pa a
com a causa de Isau a o nam -na uma ez mais ulga e apenas uma en e mui as ou as
esc a as e Mulhe es que na sua época se aziam des espei a sucessi as ezes po
Senho es e Homens que sob e elas i essem qualque ipo de pode , sendo que po a
p óp ia he oína se is a como um me o obje o com dono e lei de inida sob e si mesma ,
a on ade do bacha el e ad ogado é a de en ega amanha pe sonalidade à o igem ,
e i ando quaisque danos pa a a sua p óp ia classe e cí culo de amigos ín imos.
Po ou o lado , e segundo ainda a desc ição dada po Be na do Guima ães na
ci ação acima ansc i a , Ál a o pa ece pe dido nos seus sen imen os po Isau a , a pon o
de cai em amanha dissonância com alguém que lhe e a já um conhecido de longa da a e
ão p óximo quan o Ge aldo.
A es anheza com que ambos es es Homens dis oam en e si , anspa ece des e
modo a in iabilidade de sal ação no caso de Isau a , endo Leôncio a lei do seu lado . De
al o ma é es a no idade que apenas as emoções pode iam aze le a o he ói apaixonado
a come e uma ousadia amanha como a de dispu a um o éu com ou o seu semelhan e .
Ge aldo , não sem alguma i onia , apa ece á ias ezes desc i o como sendo o
indi íduo esponsá el po “es abiliza ” Ál a o nas suas excen icidades , o que acaba
ambém po con e i ao p o agonis a uma imagem de pouco aciocínio lógico e o dem
in elec ual ao he ói.
I ónicamen e , no caso de Esc a a Mãe (2016) odos os companhei os de Miguel
pa ecem in e cede a a o da sua paixão po Juliana , igno ando qualque ipo de
es anheza que a elação en e um homem li e e uma esc a a possa aze , mesmo que
sendo de Amo e dadei o.
68
Apesa de nes e caso especí ico , pa ece se Guima ães quem acaba po e a a
uma e dade que lhe e a amilia daquele século , con inua a es a do lado da a ualidade
a capacidade de e a a um sen imen o e uma c ença po o al, não ha endo elemen os
que (apesa de Abolicionis as) desc eiam an o da causa que de endem em p ole de uma
paixão ou sen imen o indi idual que nu am ace a ou a pessoa , nem uma disco dância
ão g ande en e dois sujei os, que sendo bons amigos como os exempli icados pelo
omance d 1800, an o des oam ace a um dado p oblema bem ca a e ís ico da sua cul u a
habi ual… .
69
III.II – Figu as c uciais do An i -Amo e da iolência em ambos os en edos
( As pe sonagens de Leôncio , Fe nando Almeida, Osó io e Ma inho e Ma ia Isabel
como o mas de con as e ao Amo ; pon os comuns e in e esses des es indi íduos em
ambos os en edos e o seu con ibu o pa a o desenlace das his ó ias )
Tal como no an e io caso ci ado dos papéis desempenhados pelos he óis/ amados
em ambas as his ó ias , bem como da en ol ência que ob êm dos es an es elemen os que
com eles se en ol em e elacionam , de em se ambém aqui analisadas as igu as dos
n i-he Hóis de ambos os en edos.
Começamos assim pelos p incipais ilões , sendo eles :
- o Comendado Fe nando Almeida , e seu ilho Leôncio ;
- o ambicioso dela o Ma inho, cujo co esponden e se encon a no a ican e de
esc a os Osó io ;
- a pe sonagem da c uel Sinhá, Ma ia Isabel , (apenas conhecida da p odução
ele isi a de 2016).
Fe nando Almeida é e a ado em Esc a a Mãe (2016) como sendo um indi íduo
io e calculis a , mal amado e seden o de pode . Faz de udo pa a ob e um bom
casamen o e pe manece na posse do Engenho da amília de sua esposa (Te esa) , não se
impo ando pa a al de semea o medo e a do po en e os seus subo dinados .
Se á pois exemplo de i ania e compo amen o i ano a se epe ido pos e io men e
po Leôncio , seu ilho único e he dei o legí imo , que o epe i á na paixão libidinosa po
uma esc a a dis in a das suas congéne es .
Es e pe sonagem e a do seu sucesso , se ão ambos ap esen ados na ob a do século
XIX pelo au o de A Esc a a Isau a (1875) , como elemen os b u ais , come edo es de
cas igos e mé odos de subjugação ísica e psicológica :
70
Isau a e a ilha de uma linda mula a , que o a po mui o empo a mucama a o i a e a
c iada iel da esposa do comendado . Es e , que como homem libidinoso e sem esc úpulos olha a
as esc a as como um se alho à sua disposição, lançou olhos cobiçosos e a den es de lascí ia
sob e a gen il mucama. Po mui o empo esis iu ela às suas b u ais solici ações; mas po im e e
de cede às ameaças e iolências. Tão o pe e bá ba o p ocedimen o não pôde po mui o empo
ica ocul o aos olhos de sua i uosa esposa , que com isso concebeu mo al desgos o. 2
(…)
Expeliu com imp opé ios e ameaças o bom e iel ei o , e sujei ou a mula a a ão udes
abalhos e ão c uel a amen o , que em b e e a p ecicipi ou no úmulo, an es que pudesse acaba
de c ia sua en a e mimosa ilhinha. GUIMARÃES , Be na do. P. 24/25
(..) eu sabe ei gela a ebulição desse cé eb o escaldado . Esc a a ebelde e insensa a , não
e ás mãos nem pés pa a pô em p á ica eus sinis os in en os. Olá , And é – b adou ele e api ou
com o ça no cabo do seu chico e . (…).
- And é – disse-lhe es e com oz seca e b e e - , aze-me já aqui um onco de pés e
algemas com cadeado. Idem. P. 57.
Só depois de casado , Leôncio , que an es disso poucas e b e es es adas ize a na casa
pa e na , começou a p es a a enção à ex ema beleza e às g aças incompa á eis de Isau a. Pos o
que lhe coubesse em so e uma linda e excelen e mulhe , ele não se ha ia casado po amo ,
sen imen o esse a que seu co ação a é ali pa ecia absolu amen e es anho. Casa a -se po
especulação , e , como sua mulhe e a moça e boni a , sen i a apenas po ela paixão , que se cea a
no gozo dos p aze es sensuais e com eles se ex ingue. (…) . Mas nem po isso desis ia de sua
esloucada emp esa, po que , em im de con as – pensa a ele - , Isau a e a p op iedade sua , e ,
quando nenhum ou o meio osse e icaz , es a a -lhe o emp ego da iolência. Leôncio e a um
digno he dei o de odos os maus ins in os e da b u al de assidão do comendado . – Ibidem. P.
26.
71
A men i a , a luxú ia e uso desmedido da ambição , são ambém usuais nes e
géne o de Senho es / ilões , endo desde o início um pe il ma cado po semelhan es
a i udes e planos , ais como: alcança g andes do es a a és de casamen os sem amo ,
u ilizando do pode e da in luência de suas no as amílias pa a alcança os seus in en os.
Na eleno ela Esc a a Mãe (2016) es a mesma desc ição e ca a e ís icas são
ambém uma cons an e a se isualizada no casamen o po in e esse de Almeida e Te esa ,
elação es a em que a bondosa Sinhá é mui as ezes mal a ada e humilhada an o pelo
ma ido como pela sua maliciosa i mã , sendo apenas a ligação en e ma ido e mulhe ,
um negócio combinado de modo aos mais ambiciosos domina em o Engenho do Sol e
man e em a p op iedade na linhagem do Comendado e sua amília.
Juliana acaba assim so endo assédio cons an e po pa e do pe sonagem que é o
seu no o Senho , man endo no en an o, uma elação amigá el com Te esa e conseguindo
semp e escapa às dep a ações de Fe nando Almeida.
A pe sonagem da jo em esposa do Comendado é ainda ela al o de algum
in e esse e ele o nes a análise , is o se ga an ida a a és da sua ágil saúde e desde o
início da ama ele isi a ap esen a -se como a i mã mais debili ada, que de e se casada
o mais dep essa possí el , de modo a e i a ica sol ei a .
O im me amen e ep odu o e casei o ao qual Te esa pa ece es a desde cedo
con inada , é ambém ele , um bom indica i o do modo de pensa da época e da o ma de
obje i icação a que es a am sujei as as p óp ias Senho as de al a classe , indo se des e
casamen o que Leôncio se á u o.
72
Po ém , ao abo da a igu a bene olen e da Sinhá b asilei a , o na-se impe doá el
não oca no caso da maldosa i mã des a mesma pe sonagem , Ma ia Isabel .
Es a c uel e pe igosa dama, é pois a i mã mais elha de Te esa, que sen indo-se
ca ece de a e o e a enção desde c iança pelas mais di e sas causas , - (en e as quais , o
acolhimen o de Juliana na sua amília e a a enção que lhe e a dedicada po es a) ,- i á
en a aze de udo pa a mina o que de mais p ecioso possui a se içal :
- o seu elacionamen o com Miguel, o seu g ande Amo .
Tal pe sonagem, consegue ainda supe a a do p óp io Comendado Almeida
pelos equin es da sua mal adez , que não chegam seque a pe mi i con empla alguns
dos elos mais o es que compõem as emoções Humanas , en e os quais : o Amo de uma
mãe pelo seu ilho , laços de sangue e de amília , ou qualque ipo de sen imen o pu o .
Po isso mesmo, chega inclusi é a en ol e -se com o seu p óp io cunhado , como
o ma de oma pa ido nos seus planos de ingança con a o pa he óico (Miguel e
Juliana) , pe u bando odos os que com ela se elacionam e come endo di e so ipo de
a ocidades , en e as quais : abandona a sua ilha ilegí ima em p ole de um in e esse
maio da sua pa e ; p ejudica a sua i mã e mãe em momen os de g ande a lição , e chega
a é mesmo a ma a o p óp io pai e ia , consoan e a sua in omissão nos planos que a ilã
em em men e .
Apesa de a p esen e ob a li e á ia não con e nenhuma pe sonagem a pa da des a
Sinhá , são- nos dados de e minados egis os semelhan es a a és da lei u a do episódio
do baile em Reci e , no qual obse amos a con e sa de de e minadas damas que se
encon am despei adas ao se em deixadas pa a segundo plano ace à beleza de Isau a .
Em ão , e eco endo a a gumen os ú eis e supé luos , acabam po denuncia a
in eja que sen em da pos u a da o agida (bem como dos seus a ibu os ísicos) , sendo
que é quando a esc a a é descobe a e enxo alhada em público , que a sua opinião i á
ecai sob e as di e enças sociais que as abonam pa a se aze em dis ingui :
73
(…) Pa ece uma ma u a que nunca pisou em um salão de baile ; não acha , dona Rosalina?
- Sem dú ida !... E ocê não epa ou na oile e dela?...Meu Deus ! … Que pob eza! A
minha mucama em melho gos o pa a se aja . (…) .
(…) o senho Ál a o já me inha dado no ícias dela , dizendo que e a um assomb o de
beleza. Não ejo nada disso ; é boni a , mas não an o que assomb e.
(…)
-Se não osse aquela pin a neg a que em na ace , se ia mais supo á el.
(…)
- Ah ! Pe dão , minha amiga; não me lemb a a que ocê ambém em na ace um
sinalzinho semelhan e ; esse de e as ica - e mui o bem , e dá - e mui a g aça; mas o dela , se bem
epa ei , é g ande demais ; não pa ece uma mosca , mas sim um besou o que lhe pousou na ace. .
GUIMARÃES , Be na do. P. 64/65.
(…) Com que ca a ica iam an as belezas de p imei a o dem , an as damas das mais
dis in as jea quias sociais , ao sabe em que aquela que as ha ia suplan ado a odas , em o musu a ,
donai e, alen os e g aças do espí i o , não e a mais que uma esc a a ! (…) En e an o em mui as
delas o c uel desapon amen o po que acaba am de passa não deixa a de se mesclado de um
ce o con en amen o ín imo , (…).Es a am ingadas mas humilhadas , mas ambém ingadas.
Quan o às que inham espe anças ou p e ensões ao amo de Ál a o – e não e am poucas - , essas
exal a am de júbilo ao sabe em do caso, e o nob e mancebo o nou -se o al o de mil desapiedados
apodos e pilhé ias.
- E que mau ! Te á ao mesmo empo mulhe e al ez uma boa cozinhei a !
Idem. Pg. 88.
Isau a con as a assim com os alo es de uma eli e eminina desp o ida de
nob eza de ca á e , e al a de senso , e elando ainda que mesmo sendo apenas uma me a
esc a a , possui qualidades mais pu as que as das es an es Sinhás , o nando -se po isso
mais an ás ica e o mosa do que es as .
80
III .III – Ação , mo e e agédia nas duas no elas
( A ep esen ação da mo e como uma o ma de a ingi um de e minado ideal na
li e a u a - Geo ge Luckáks , Teo ia do Romance (1920) ; exemplos des e con ex o em
ambos os casos e a ados) .
Vis o exis i odo es e leque de ilões e he óis em ambas as amas , exis e ambém
uma elação causa-e ei o en e os a os p a icados po eles , e con o me cada ipo de
in enção .
Des e modo , se explica an o o inal (maio i a iamen e) eliz que ecebem os
bons em ambas as no elas , como as iolências e us ações com que os maus se depa am
já p óximo do im das his ó ias.
A mo e , cabe aqui no malmen e como cas igo inal ou um modo de a ingi -se a
e e nidade.
Em o no da ecen e eleno ela , é nas pe sonagens de Osó io , Ma ia Isabel e
Juliana que se encon am as p incipais “ í imas” des e p opósi o.
Juliana acaba po mo e como uma he oína , sendo a sua causa de mo e, a azão
que a a á iun a a si e à sua lu a; enquan o que as dos es an es elemen os ci ados ,
de ido ao seu ca á e medíoc e , os a ão apenas se esquecidos e apagados com o passa
do empo … .
Já em Esc a a Isau a (1875) , Guima ães ece apenas e únicamen e a mo e do
ilão cen al – Leôncio – , is o se ele o elemen o que man ém a é ao im um desejo
mó bido de ingança , nunca chegando a muda de posição ace a sen imen os e ideais
mais pu os ap esen ados pelos es an es elemen os.
De no a , oda ia , que o ilão da Sequela acaba po se puni a si p óp io,
suicidando -se : a i ude es a que e ela a aniquilação da p óp ia ida em p ole de uma
pe sonalidade que des oa das demais; sendo po isso conside ada uma ação in e io à
dignidade Humana , indicado a da agilidade men al e mo al do pe sonagem, e que po
81
isso mesmo de e se condenada .
Comp o a es a mesma ese , a ideia de endida pelo c í ico húnga o Bahk in (1895-
1975) : “ Um dos p incipais emas do omance é jus amen e o ema da inadequação de
um pe sonagem ao seu des ino e à sua si uação. O homem ou é supe io ao seu des ino
ou é in e io à sua humanidade" .
3
Pa a Lukács , ( ilóso o ambém ele húnga o) , o cole i o social ma ca a
pe sonagem que é desc i a em qualque ob a , sendo que uma ez es ando a peça li e á ia
con a o seu pe sonagem , oco e uma ação que le a o sujei o a p ocu a os alo es que
ê al a em na sua cole i idade . Toda ia , apesa da comunidade acaba po esmaga não
a as ezes os que buscam a sua e dadei a en idade , o(s) he ói (s) acabam po se
supe io iza ace ao cole i o , descob indo -se e omando consciência de si p óp ios.
Es es mesmos p ocessos de cons ução do omance li e á io podem se aplicados
a ambas as no elas aqui em es udo.
Juliana, é e a ada em Esc a a Mãe (2016) como uma esc a a que a de se
ape cebe da sua in eliz o igem , mas que busca concilia a sua p óp ia he ança cul u al
com uma ida eliz e desp eocupada, que semp e lhe oi p opo cionada na azenda do
Engenho do Sol , o local que a acolheu desde ecém -nascida.
Miguel , é po sua ez ambém aqui ap esen ado como o he ói que busca o seu
passado , p ocu ando aze jus iça pela mo e dos pais em condições que lhe e am a é ali
desconhecidas, e acabando po se deixa enle a po uma lu a maio que a sua , que é a
da abolição da esc a a u a .
Já em 1875, Be na do Guima ães ecia a his ó ia de uma he oína esc a a, que
apesa de e nas suas o igens e passado amilia uma e í el aqueza , lu a a pelos
seus p óp ios alo es e hon a , en en ando ( ainda que sem g ande b io ou con icção)
oda uma sociedade de Senho c uéis e de assos pa a pode se eliz.
3
ci . Ana Ma ia Rugel. Jan./Junho de 2013. In Re is a de Es udos do Discu so.
82
E a de espe a , segundo es a lógica ,que os a os mais le ianos de um odo ossem
cas igados , enquan o os indi íduos jus os , ossem bene iciados a a o do seu con ibu o
pa a a elicidade cole i a .
Com es e p ocesso sucede-se ainda a e olução e au o-conhecimen o que os
pe sonagens ganham de si mesmos , mudando cons an emen e à medida que come em a
sua ap endizagem .
O social ep esen a assim um mé odo pa a a ingi um im e ele a cada
pe sonalidade no auge do seu pe cu so pelo bem , ou pelo mal :
Bakh in en oca jus amen e a p odução de Dos oiés ki, endo aí, a pa i da a qui e u a
poli ônica, em que somen e pelo e no cole i o, os he óis en am em con a o com a o alidade
plu idiscu si a do mundo, uma saída pa a a coisi icação do se humano e pa a o esga e da
o alidade he e ogênea. Idem.
Toda es a es u u a e o ganização, são po isso ípicos do Romance e da sua o ma ,
con endo, desde p o agonis as que se ecusam a cede a uma sociedade di ado a , a é a
uma his ó ia cujos pe sonagens es ão em pe manen e e olução e au o-descobe a de si
p óp ios.
O e o , a do e a pe sis ência de uma iden idade que lu a po se man e ace ás
ad e sidades , são algumas das ma cas omân icas que ca a e izam a o ma e obje i o
nas duas no elas:
Mundo con igen e e indi íduo p oblemá ico são ealidades que se condicionam uma á
ou a. Quando o indi íduo não é p oblemá ico , os seus ins são- lhe dados numa e idência
imedia a e o mundo cujo edi ício oi cons uído po esses mesmos ins pode opo -lhes
di iculdades e obs áculos no caminho da sua ealização, mas sem nunca o ameaça com um sé io
pe igo in e io . (…) LUKÁCS , Geo ge. 1920. Teo ia do Romance. P. 87.
A en ando assim na ob a de Lukács , emos a desc ição des e aço da
pe sonalidade do he ói , que age e que se deixa le a pelo Idealismo Abs a o , endo na
83
Na u eza em seu edo o que al a co igi , e conside ando como sua missão p incipal a
conc e ização des a mudança.
Acaba -se assim po se da o igem a uma o ça maio que aquela que e a a
jáconhecida de odos, supe ando-se a é mesmo e po ezes, a al En idade Di ina, à qual
o Homem enquan o se mo al de e ia sujei a –se.
Oco e en ão um ape eiçoamen o e e olução do pe sonagem ao longo de odo
es e p ocesso, g aças á ad e sidade con a a qual o mesmo lu a :
(…) Po que o encu amen o da alma de i a p ecisamen e do ac o de ela se
demoníacamen e possuída po uma ideia ele ada em se pos a como só e única , como habi ual
ealidade . O con eúdo e a in ensidade de semelhan e compo amen o de em po an o
simul aneâmen e , exalça a alma a é ao sublime (…) e e o ça no que ela em de g o esco a
con adição en e a ealidade imaginada e a ealidade do ac o : (…) Idem. P. 111.
No meio de udo is o , e de odos os acon ecimen os que se ão ecendo , é ainda
uma das unções do omance con e um elenco que condiga com a ação do seu he ói ou
he oína , acabando po o aze molda ou eagi consoan e a condu a que ele ou ela ai
endo ao longo de oda a sua ação na his ó ia .
Tan o Juliana como Isau a acabam po se inse i nes e géne o de ex o ,
condicionando a sua pe sonalidade con o me os e en os que lhes sucedem ex e io men e ,
ou conseguindo elas mesmas al e a os ac os de que dispõem em seu edo em unção da
sua pe sonalidade ou desejos :
(…) a alma do he ói é imó el , calma e acabada em si mesma como um ob a de a e ou
uma di indade ; mas, no mundo ex e io , essa espécie de se não pode exp imi –se senão a a és
das a en u as inadequadas que , de ido a esse ence amen o maníaco em si mesmo , não possuem
em si mesmas nenhum pode de e u ação , e do isolamen o da alma , sua au onomia de ob a de
a e , e ainda do co e não somen e de oda a ealidade ex e io , mas do mesmo modo de udo o
que , nela mesma , escapa ás p isões do demónio . Assim o máximo de sen ido adqui ido pela
expe iência i ida o na –se o máximo de não –senso : a sublimidade o na-se loucu a ,
monomania. Idem. P.113.
84
A con a iação do ambien e em edo acaba po o igina assim o elenco , indo
es e al e a –se ainda con o me as ideias e obje i os que os seus pe sonagens ão
conseguindo alcança e de ini : que pa a si p óp ios , que pa a os es an es que com
eles se elacionam .
No caso dos ilões e sujei os de ca á e du idoso, es a si uação ealiza –se a a és
de lógica in e sa à do he ói do omance , lu ando po man e os ac os e ambien e que
lhes con êm , e con a iando a ação do bem .
Des a o ma se a a a ba alha en e Abolicionismo e a esc a a u a em ambas as
amas : Ma ia Isabel e Osó io acabam po e as suas idas us adas pela inadequação
em que caem e a incapacidade em eagi pe an e a ad e sidade que simboliza a igualdade
de aças . A sua mo e unciona nes e caso como um des echo pa a o qual es ão adados
pelas suas p óp ias pe sonalidades , al como Leôncio .
Já Almeida e Ma inho passam despe cebidos nas es an es ases das no elas e
logo após e em in e e ido no inal que se á o das p o agonis as.
A sua ação limi a -se assim a conc e iza oda uma passagem que necessi a de
oco e na ida de Juliana e de Isau a pa a que es as alcancem a sua p óp ia gló ia.
Po aqui se pode e ela o im que espe a um de e minado pe sonagem segundo a
lógica do Romance, e segundo o compo amen o que es e ap esen a no deco e da sua
p óp ia pe sonalidade e unção no ex o.
Expliquemos ago a como o des echo da ida de um pe sonagem pode se um
passo essencial pa a a ele ação do omance e conc e ização do seu obje i o .
No caso de Juliana , a pe sonagem acaba po se í ima da sua p óp ia co agem e
g andeza de ca á e , alcançando com o seu inal ágico a ele ação de uma mensagem a
ansmi i aos es an es elemen os.
Lukács explica es e passo da eleno ela de o ma a exempli ica o pensamen o
do século XIX - e a colonialis a e de ex emo acismo- , o que acaba con e indo a culpa
ao sis ema polí ico dominan e. O mo e p incipal da mo e no Romance é o conhecimen o
85
que a dada pe sonagem e á alcançado no inal da sua ida , sendo is o álido an o pa a
a igu a da esc a a - he oína , como do seu ca asco e elemen o oposi o :
O p ocesso assim explici ado como o ma in e io do omance é a ma cha pa a si do
indi íduo p oblemá ico , o indi íduo p og essi o que – a pa i de uma obscu a sujeição à
ealidade he e ogénea pu amen e exis en e e p i ada e p i ada de signi icação pa a o indi íduo –
o le a a um cla o conhecimen o de si .Uma ez conquis ado esse conhecimen o de si , pa ece -
lhe que o ideal assim descobe o se inse e como sen ido na imanêcia des a; mas con udo é
necessá io que seja abolida a dissociação en e o de e -se , e mesmo no luga onde se desen ola
esse p ocesso , na ida do omance, nunca ela pode á desapa ece . Só se pode alcança um óp imo
de ap oximação , uma i adiação mui o p o unda e in ensa do homem pelo sen ido da ida.
(Ibidem. P. 90)
É e dade que es ados de alma e e lexão são elemen os cons i u i os da cons ução pa a
a o mação omanesca . Mas a sua signi icação o mal em p ecisamen e po causa o ac o de
neles o sis ema de ideias egulado as , que es á na base de qualque ealidade, pode e ela -se e
ecebe o ma pela sua medi ação e, po consequência ,ao ac o de man e em uma elação posi i a
-seja ela p oblemá ica e pa adoxal – com o mundo ex e io . Quando não são pa a eles mesmos
senão o seu p óp io im , o seu ca ác e não poé ico es ala com o ça , dissol endo oda e qualque
o ma . (Ibidem . P. 132 )
A omada de consciência do im de uma lu a (que no undo ep esen a o p óp io
pe cu so e mo i o de ida do pe sonagem ), é assim o mo e p incipal pa a a sua pa ida
do elenco .
O ágico im que o algoz e Senho de Isau a põe a si mesmo e le e mui o des a
explicação , con endo a sua mo e aços da sua pe sonalidade sanguinolen a e um
signi icado p óp io do pensamen o esc a oc a a :
- Senho – b adou Leôncio com os lábios espuman es e os olhos des ai ados – , aí endes
udo quan o possuo ;pode sacia sua ingança , mas , eu lhe ju o , nunca há de e o p aze de e -
me implo a a sua gene osidade .
(…) Leôncio inha -se eben ado o c ânio com um i o de pis ola.
GUIMARÃES , Be na do. P. 127.
86
O ilão acaba po mo e da o ma como i eu e segundo as suas p óp ias c enças
e p e e ências ; sendo que é ao se ape cebe da libe dade de um se in e io e da
e i a ol a que le ou no jogo da ida , que pe de a sua posição de dono au o i á io e
pe e so , passando a se um indi íduo aco encu alado.
A posição que passa a ocupa deixa de assim de se supe io , sendo impedido de
con inua a desempenha a unção de Comendado e dono da azenda , pa a se o na
passa an es um me o se o .
Conhecendo ainda Leôncio e a sua pe sonalidade , chega-se à conclusão de que
al ca á e de di ícil con o no e educação p e e e assim aniquila -se a muda em o no
das ci cuns âncias dadas, ganhando a his ó ia ou o pa ama de ele o com es e
acon ecimen o.
Em Esc a a Mãe (2016) , Juliana apa ece -nos como alguém que con a udo e
con a odos semp e consegue subsis i … a é deixa no Mundo a ma ca do seu Amo e
sua his ó ia , que é na e dade oda a sua essência numa ou a pessoa : Isau a!
Ao e -se assim impedida de i a se li e com a no a amília que acaba po
cons i ui com Miguel , a pe sonagem cede pe an e os elemen os que lhe são ad e sos.
Tendo já cump ido a sua missão na ob a, pode ago a pe mi i que um no o começo se
eça a pa i do pon o em que a sua his ó ia deixa de exis i , dando o igem a um “no o
olha ” sob e as mesmas ques ões que ou o a e á en en ado , e con inuando uma lu a
an iga na ge ação seguin e à sua .
A his ó ia de Isau a começa , pois , a pa i do momen o em que es e mesmo im
oco e , ma cando -se assim um no o começo e obje i o a aça em o no do ema da
conquis a da libe dade , que se an es não em a oco e comple amen e e nos pa âme os
p e endidos pelos he óis da his ó ia ,de e o çosamen e se conc e iza ago a .
Ou não ossem as ca a e ís icas e a ibu os da ilha de Juliana es a em cada ez
mais p óximas das de seus Senho es !
87
Cap . IV - Conhecimen o e Sociedade em p ole do Amo
IV.I – Á ila e Ge aldo : Le as e Leis em p ole de um bem maio
( Os di e en es papéis das Le as e das Leis em ambos os en edos ; ca a e ização dos
seus pe sonagens - ipo e unção dos espe i os no desenlace das duas his ó ias )
P equela e Sequela que compõem aqui as his ó ias de Juliana e Isau a , são ambas
conhecidas po e le i em pa e da sociedade da época, con endo pa a al ex a os e ela os
de elações humanas ( an o ísicas quan o psíquicas), e es abelecendo assim a ligação
en e a icção e a ealidade do século XIX , pleno pe íodo Colonialis a no B asil.
Esc a a Isau a (1875), mos a- nos pa e da es u u a hie á quica e legisla i a
do B asil a a és da igu a do Dou o Ge aldo - um ilus e ad ogado de Reci e, cujas
capacidades e unções são bas an e econhecidas na sociedade que in eg a.
Já na eleno ela Esc a a Mãe ( 2016 ) , Miguel con a com a amizade não de um
dou o em leis ou ciência , mas sim de um le ado e cul o p o esso de nome Á ila - cujos
obje i os e c enças são bas an e mode nos pa a a época , e que al como Miguel , ousa
en en a odo um egime au o i á io de inimigos pode osos e socialmen e acima de si ,
pa a de ende as suas c enças e con icções .
Tan o numa como nou a his ó ia , a eco ência aos pa cei os iéis e hones os , de
sabedo ia supe io à dos es an es elemen os , acaba po ( en a ) pe mi i ao he ói
apaixonado o acesso a um pa ama mais jus o e equilib ado de pensamen o , de modo a
aze en e (ou mesmo a é a jus i ica ) ,o modo de pensa de a uma sociedade
emb u ecida e pouco cul a , na qual o p econcei o e o snobismo são as ca ac e ís icas mais
comuns.
No en an o, odo o p ocesso de es u u ação das pe sonagens obedece a um
esquema p óp io de ele o pa a a his ó ia à qual pe encem , sendo que o con ibu o do
seu ca á e pode á con ibui em pequenas e impo an es o mas pa a guia e/ou al e a o
umo da ação da his ó ia.
88
Po exemplo , o ca á e cau eloso e pensa i o de Ge aldo são qualidades p óp ias
a um homem de leis , sabedo do modo de uncionamen o da sociedade que in eg a e
capaz de joga com as mesmas em de esa daquilo em que ac edi a .
Po es e mesmo mo i o , aconselha semp e Ál a o a desis i de um
emp eendimen o ão louco e pe igoso como o de en a libe a Isau a :
- E onde espe as encon a p o as ou documen os pa a p o a as alegações que azes?
(...)
- Pondo de pa e a insolência ,se nada ens de alioso a ap esen a em a o da libe dade
da ua p o egida , ele em o incons es á el di ei o de eclama e ap eende a sua esc a a onde que
que se ache .
(…)
- É bela a ua iloso ia e digna de eu nob e co ação ; mas que que es? As leis ci is , as
con enções sociais são ob as do homem , impe ei as , injus as , e mui as ezes c uéis. (…) .
GUIMARÃES , Be na do. A Esc a a Isau a. P. 92 e 93.
A consciência da jo nada a emp eende pelo amigo , dá azo a que o in elec ual
p e i a man e a sua posição a o ecida e e ê os seus conhecimen os, do que abdica
deles em a o da paixão e sen imen os que a e am o pa cei o . O conselho em a o de
uma ação que bene icie o papel e epu ação do amigo se ão semp e os p imei os a se em
p o e idos nes e mesmo caso , sendo que es a pe sonagem apela i amen e a um domínio
e con enção do Amo ace à lei e sociedade.
Po ém , é g aças à o ça do amo de Ál a o po Isau a , que o bacha el acaba po
e us ada a en a i a de chama à azão alguém cujo co ação acaba de se omado; não
deixando , po ém , de se desag adá el e ude ace a uma opinião que des oa la gamen e
da sua :
G aças aos cuidados e conselhos daquele ão solíci o quan o in eligen e amigo , a do de
Ál a o oi se o nando mais calma e esignada . Po suas exo ações , Ál a o chegou mesmo a
con ence -se de que o melho pa ido que lhe ica a a oma , nas di íceis conjun u as em que se
acha a, e a p ocu a esquece -se de Isau a.
- Todo o es o ço que ize es – dizia -lhe o amigo – em a o da libe dade de Isau a se á
89
ema ada loucu a , que não e á ou o esul ado senão en ol e - e em no as di iculdades ,
cob indo - e de idículo e de humilhação. (…) . Pois bem: as seguin es se ão ainda pio es , eu e
assegu o ,e e a ão i olando de abismo em abismo a é ua comple a pe dição. Idem. P. 123.
Já no caso do p o esso Á ila , o companhei o de Miguel em Esc a a Mãe (2016),
depa amo-nos com um indi íduo um an o ou quan o di e en e do Ge aldo desc i o po
Guima ães .
Que po mo i os p o issionais , ou pessoais , Á ila é o opos o do ca ác e do
an e io homem de leis .Ainda que sendo p o esso , e á chegado a pe mi i que os seus
sen imen os se in e pusessem en e a sua ida e ca ei a , en ol endo -se logo no início
da eleno ela com a sua pupila , a ilã Ma ia Isabel , o que dá azo a oda uma sé ie de
pe ipécias , incluindo uma g a idez indesejada den o de uma amília da classe mais al a
da ila local.
Toda ia, o P o esso man ém -se ao lado do p o agonis a , que conside a seu
amigo e companhei o de c enças e ideologias , indo pa ilha com es e dos planos e
in enções de libe a Juliana, e ajudando-o a des aze odas as pa anhas e planos que os
ilões enham gua dados pa a o casal apaixonado.
A elação en e ambos es es Homens é de apoio e auxílio mú uo , es ando ambos
em pé de igualdade a ní el social , an o pelos seus de ei os como pelas suas capacidades.
A e en e legal e a lí ica são po isso dois mundos opos os e dois lados dis in os
da mesma ques ão que an o eleno ela como omance azem ao público. Raça e
sociedade , amo e p econcei o , analisados segundo pe spe i as e pe sonalidades
dis in as.
Ge aldo, é sem dú ida a oz ia da azão e do mundo ci ilizado e con o á el .
Es abilizado na hie a quia injus a e mesquinha da qual é pa e , esigna-se po isso
mesmo à opinião comum, al como qualque memb o espei á el des a es u u a;
p ese ando po isso , acima de udo mais, o seu nome e posição.
96
A iagem, em sen ido me a ó ico, pode se con undida com a p óp ia exis ência humana.
Em e mos con encionais, pode íamos ques iona : o que é a ida senão uma « iagem», mais ou
menos longa, mais ou menos g a i ican e, mais ou menos so ida, de que somos os p incipais
p o agonis as, desde o pon o de pa ida que é o nascimen o, a é ao momen o de chegada
consubs anciado na mo e e que é, não po acaso, designada de «úl ima iagem»? E ainda, aqui,
pode íamos equaciona e dis ingui a mo e ísica da «mo e» em ida, semp e que o sujei o se
en ega à mágoa e à do , numa a i ude de enúncia à p óp ia ida, que o desencan ou e que o ez
so e . Idem. P.116
Po es as mesmas azões, encon amos an o nas iagens e o as omadas pelos
pe sonagens enunciados, como nos casos em que de e minado ans o no os ob iga a
desloca , um mo i o pa a uma no a his ó ia e um no o umo den o das aje ó ias que já
conhecíamos.
Como exemplo des e mesmo p opósi o , emos ainda a “de adei a iagem “ de
Juliana , que oco e após o nacimen o de Isau a e seu ap o em Esc a a Mãe (2016).
A p o agonis a ao emp eende a busca pela ilha desapa ecida , dá po inalizada a
jo nada com a sua mo e no inal da eleno ela.
Quan o ao ípico assun o de uga à esc a a u a que em sendo emp eendido pelos
esc a os e p o agonis as em ambas as icções , emos na ob a de Guima ães a iagem
come ida po Isau a e Miguel de modo a escapa ao pe igo exe cido e simbolizado po
Leôncio.
O inal des a mesma jo nada coincide ainda com o desmasca a da esc a a ugida ,
sendo que é no eg esso a casa e ao mesmo Engenho e Senho que a ize am so e , que
se p ocessa o é mino da ida do ilão , des a ez g aças a uma no a o a emp eendida
po Ál a o , que se encon a decidido a lu a pelos seus p óp ios obje i os e con a a isão
ígida e conse ado a que o e ia em Reci e.
97
Es a inicia i a , que é no undo a mudança de espaço ísico num ela o li e á io ,
age de o ma a simboliza uma o u a com o que é a o ina habi ual do omance, dando
assim azo a que no as pe ipécias , descobe as e a é pe sonagens su jam .
Numa análise em om de con e sação o ganizada pela e is a digi al do P og ama
de Pós- G aduação em Le as da Pon i ícia Uni e sidade Ca ólica do Rio G ande do Sul
( PUCRS) , em -se alguma análise do mesmo con ex o dado :
(…) a iagem cons i ui um dos emas mais an igos e equen es das á ias li e a u as, e
se man ém po que ap esen a a capacidade de exp essa não apenas ela os sob e o deslocamen o
ísico, mas engloba oda uma ep esen ação simbólica do mo imen o men al e in elec ual e da
p óp ia ida.
Obse em-se, po exemplo, algumas das mais amosas epopeias, da An iguidade ao
início da e a mode na – a Odisseia, Beowul , Je usalém libe ada, Os Lusíadas. Em odas elas a
saga do homem, a conquis a, o a o undado das nações es á plasmado em a os que exigi am o
deslocamen o no espaço e a co agem da lexibilidade do pensamen o. PINTO MINUZZI , Lua a ;
THEOBALD , Ped o .( Jul/ Dez. 2014) . Ap esen ação do Dossiê : Viagem e Li e a u a.
O é mino do p esen e es udo coincide com a enume ação de casos li e á ios e do
sen ido de iagem que lhes é dado , impo ando em odos eles o sen ido e o cu so que o
pe sonagem oma e ai endo como o ma de e olui e de conhece -se a si p óp io.
Em li e a u a , o Des ino que acaba po se dado aos elemen os que compõem a
ação ex ual , não é pois o oco mais impo an e da His ó ia , mas sim o seu desenlace e
en ol imen o com o aje o pe co ido .
A iagem acaba sendo odo um meio pa a alcança um im ; seja esse o p e endido
pelo iajan e , ou uma de iação daquele que inicialmen e es e p ocu a a .
A mudança na u al e espon ânea acaba po se assim equipa ada na ob a à
oco en e na ida eal , ha endo espaço pa a que o lei o e / ou espe ado se possa
elaciona e en ol e emocionalmen e com o ex o e os sujei os nele ca a e izados.
98
Conclusão
No inal des a análise compa a i a, o na -se indispensá el conc e iza o obje i o
com que ambas as ob as ocadas o am edigidas .
Do a gumen o da eleno ela Esc a a Mãe (2016), chega – nos a mensagem de
Amo impossí el e supe ação dos obs áculos le an ados po uma sociedade acis a do
século passado, enquan o que da pa e do omance colonialis a A Esc a a Isau a (1875) ,
emos um p opósi o Abolicionis a açado po um au o que mesmo a i mando-se
de enso da causa dos Neg os , acaba po con e ele p óp io os p econcei os e dilemas
ípicos da sua época, ans e indo-os pa a a sua mundialmen e amosa p o agonis a ,
Isau a , ambém ela uma esc a a!
Em ambos os en edos , alguns a o es como : a ca a e ização dos pe sonagens, a
sua idelidade aos ela os e con ex os de uma época passada , eple a de b u alidades e
agédias e injus iças, bem como a qualidade imagé ica e cinema og á ica que é usada nos
dois con ex os dis in os , pe mi i am que se conseguissem dis ingui os a gumen os
u ilizados a a o e con a a Abolição , e qual a sua es u u a e o ma .
Se no caso do li o de Be na do Guima ães nem semp e encon amos uma
espos a con incen e o su icien e pa a comp eende não só um século como , sob e udo ,
os seus elemen os e a necessidade de mudança que o au o an o dizia deseja , na
eleno ela que cons i ui a sua P equela, a en a i a de libe ação e au onomia de uma
mes iça esc a izada e u o de um c ime e sis ema desumano, pe mi i am ao di e sos
media que a classi icassem como a e elação do ano nes e mesmo se o , conquis ando
alguns êxi os de enome , ais como : P émio Ex a de Tele isão (2016) e Seoul
In e na ional D ama Awa ds (2017), na ca ego ia de Se ial- D ama .
4
Passado e p esen e unem -se a a és da conciliação dos dois en edos , sendo que
é a luz azida pelos empos a uais sob e o modo de i e e pensa do século XIX , que
4
In o mação e i ada da página web da Wikipedia dedicada à eleno ela :
h ps://p .wikipedia.o g/wiki/Esc a a_Mãe#P êmios_e_indicações
99
pe mi e -nos en ende e concilia es a ealidade ão dis in a pa a a maio ia e in elizmen e
ainda exis en e que é a da esc a a u a e á ico de Se es Humanos .
Face a es a compa ação en e as his ó ias de uma mãe e uma ilha que, po
mo i os de o ça maio , acabam po nunca se conhece ealmen e , nem ampouco
con i e no mesmo espaço, chegamos a um consenso de maio g au ace ca do que e a
impo an e an es e ago a pa a as di e en es ge ações .
Se Isau a age sob e o domínio masculino em odos os seus undamen os e
escolhas , nunca alcançando uma libe dade e dadei a e indi idual po es a semp e
ligada a um pe sonagem masculino que a o ien e ou guie , Juliana az à luz ou os ges os
e p eocupações dis in os dos de sua ilha, indo lu a de odas as o mas possí eis e
inimaginá eis a uma simples esc a a pa a ob e o que deseja , e alcançando no Des ino
inal , que é a Mo e , uma ele ação e supe ação des es mesmos obs áculos .
Ainda sob e o p e ex o de e olução das he oínas aqui e a adas , a men alidade
Humana e as elações que são obje o de es udo e análise nes a disse ação são ambém
elas esquad inhadas… . Sen imen os , desejos , c enças e emoções acabam sendo um
leque de e en os que se e de modo a in ei a o lei o e espe ado num cí culo que ec ia
a sociedade escla agis a da al u a , alcançando pa a al o ca á e e pe sonalidade de odo
o géne o de pe sonagens e classes sociais que a compunham .
A a és ambém dos a anços e di e enças que a nossa p odução no elís ica deu à
P equela daquele que é conside ado o omance po excelência da Li e a u a Român ica
B asilei a , podemos no a um maio cuidado com a ealidade , e um a amen o menos
iccioso dos acon ecimen os no mais do B asil do século XIX .
Desde a o es como: o Des ino que é a ibuído às pe sonagens , a é ao encon o
com dados his ó icos sucedidos ealmen e na época , a conciliação des as duas o mas
dis in as de icção, pe mi em a um es udioso e in e essado pela época Colonialis a , uma
in ei ação de ac os e possibilidades que e am banais pa a aquele empo.
A espe ança , como é pois assim espe ado, acaba sendo uma das ca a e ís icas e
alo es mais pe meá eis des as duas ob as , e elando se a g ande condu o a e
100
mo i ado a das ações das duas esc a as e mos ando a essência do que e a se -se um
simples e me o subjugado naquele sis ema e es u u a social .
Esc a a Mãe (2016) usa o seu conhecimen o a ual de o ma a p oje a an o o
passado , como o u u o . Repensando o que se ia aze a men alidade libe al a uma
sociedade es a i icada e conse ado a e alo izando, po isso, não apenas as cenas de
iolência e b u alidade , - (que demons a a ingi em an o Homens como Mulhe es ,
independen emen e da sua índole e condição), - como ainda e ela alguns dos lados mais
ma can es da ida em sociedade daquela época : e le indo os hábi os e cos umes de
quem inha de agi segundo as con eniências da sua al u a, de o ma a se pe mi i
sob e i e e se acei e numa sociedade como aquela.
Já A Esc a a Isau a (1875) , de ido a se uma no ela an e io à sua P equela,
p oduzida pe an e uma mesma ealidade que lhe e a semelhan e , acaba po con e uma
es u u a pad onizada e ecida com os p econcei os da ideologia b anca acis a , ocando
-se mais no Des ino que é dado à pob e e injus içada p o agonis a , do que no que e a
ealmen e pensado e ei o numa sociedade como a da sua al u a.
“ Be na do Guima ães não ugiu à eg a: são plenamen e isí eis suas aspi ações,
quando se oma con ac o com seu mais di ulgado omance. Toda ia, após sua lei u a, não
se consegue ap eende a ealidade social de uma época; o choque en e o esc a o e o
senho de e a dá luga ao choque en e indi íduos isolados (...) “ – (FIGUEIREDO.
L.A. Conside ações A Respei o da Esc a a Isau a. P.6.)
Finalmen e , es as en a i as de ep esen ação e ca a e ização emininas se em
ambém como a ual e a ação de um empo que já oi , pa a um empo que i á ; guiando
-nos pa a o que que emos que seja ( ou não ) o u u o da Mulhe no Mundo em que
i emos.
101
Apesa de a consciência Humana já se ou a em g ande pa e dos países , ainda
hoje assis imos a mui as si uações de in e io ização e des espei o pelos Di ei os Humanos,
sejam es es ei os em unção de a o es dis in os en e si , como : a co da pele ; o sexo ;
a idade ; as unções e posição social , e c.
É assim de g ande impo ância e con ibu o pa a a nossa e olução enquan o
Cidadãos Globais e indi íduos acionais , a in e ação com es e mesmo p oblema , a
esolução do con li o de in e esses e daquilo que se encon a de ac o a incomoda , e a
acei ação pa a p e eni a desc iminação em o no daquilo que é di e en e.
To na-se pois , impo an e que indi íduos de o mação supe io e com educação
pa a quad os de ele o ( Relações In e nacionais ; Ciência Polí ica ; Sociologia e Di ei o ,
e c.) econheçam den o de ob as ão conhecidas quan o a que deu o igem a es a
Disse ação de Mes ado , os alo es e lu as que le a am an as “Isau as” e “Julianas” a
coexis i em em silêncio du an e á ios séculos ; bem como o mo i o pelo qual
pe sonagens des e géne o alcança am (e con inuam a alcança ) an o sucesso . Que em
1900 , que em pleno século XXI .
O Feminismo e a emancipação da Mulhe na cul u a ma cada pelo pode pa ia cal
se á assim semp e o mo i o p incipal de exis ência de lu as como a de es as pe sonagens ,
indo de encon o a uma educação a a o da Libe dade e Igualdade.
102
Bibliog a ia
- ALMEIDA , Suely Souza Co dei o de; 13 de Ou ub o de 2009.OS DOIS LADOS DA
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