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Textos, contextos, eu e o outro

Abstract

O estudo que agora se apresenta baseia-se no facto incontornável de que a aprendizagem das línguas proporciona momentos de abertura ao mundo, numa sociedade em permanente mudança, onde se entrecruzam interesses opostos que problematizam a vida pessoal e social dos indivíduos. O ensino das línguas, a materna e as estrangeiras, neste caso o Português e o Espanhol, possibilita uma interação, cooperação e negociação entre o “eu” e o “outro”, capazes de os aproximar em termos de comunicação e de Cidadania. Para tal, o estudo comporta uma apresentação, a qual se baseia na exploração didática de possíveis textos, cujos contextos, textualmente representados, permitem orientar os alunos para uma reflexão sobre as problemáticas humanas e sociais, a fim de potenciar a observação do mundo e a compreensão da importância da cooperação. Para o cumprimento deste objetivo contribuem os conceitos de cidadania, identidade e Competência Comunicativa Intercultural, na medida em que é através dos mesmos que se desenvolve a comunicação entre o “eu” e os “outros” e eu e o mundo e se reconhecem / aceitam as diferenças. Do ponto de vista da didática das línguas, propõe-se um possível percurso de operacionalização da abordagem da LE e LM associado a um modelo que liga receção e produção, com o duplo propósito de desenvolver nos alunos a necessária competência linguística e comunicativa, tendo como pano de fundo situações comunicativas verosímeis, ligadas à interação dos alunos com a sua realidade.

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Textos, contextos, eu e o outro

Author: Jorge, Rute Marina Rosado da Luz
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/27098/1/RELAT%c3%93RIO%20RUTE%20JORGE-FINAL.pdf
1
Tex os, Con ex os, “eu” e o “ou o”
Ru e Ma ina Rosado da Luz Jo ge
Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Ensino de Po uguês e de
Língua Es angei a, no 3º ciclo do Ensino Básico e Ensino
Secundá io, na á ea de especialização de Espanhol
Ve são co igida e e i icada após de esa pública.
Se emb o de 2017
Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Mes ado em Ensino de Po uguês e de Espanhol no 3º Ciclo do
Ensino Básico e no Ensino Secundá io, ealizado sob a o ien ação cien í ica das P o esso as
Dou o as An ónia Cou inho e Noémia Jo ge e da P o esso a Dou o a Bea iz Mo iano.
AGRADECIMENTOS
Nes e momen o de conclusão do ela ó io que se p olongou nos úl imos ês meses, gos a ia
de exp essa o meu mais since o econhecimen o a odos os que con ibuí am pa a a sua
ealização:
Às P o esso as Dou o as An ónia Cou inho e Noémia Jo ge pelo acompanhamen o e
o ien ação do abalho de in es igação, pelo igo cien í ico, pela disponibilidade e pela
amizade.
Ag adeço ambém à P o esso a Dou o a Bea iz Mo iano, pela p esença cons an e ao
longo des es abalhos de mes ado, pelas c í icas, pelos comen á ios e pelas suges ões.
Ao Ag upamen o de Escolas de Al alade e à Escola Secundá ia Pad e An ónio Viei a,
que pe mi iu a ealização da P á ica de Ensino Supe isionada de Espanhol.
Ag adeço à Di e o a do Ag upamen o de Escolas, D a. Dulce Chagas, aos alunos (e
espe i os Enca egados de Educação) das u mas 7.º1, 7.º2 e 9.º1.
Também não pode ia deixa de ag adece às minhas colegas de es ágio.
Que o ag adece a Deus pelas mui as ho as de cho o e de anquilidade ao mesmo empo, à
amília e amigos, pelo apoio dado. Um ag adecimen o especial à minha mãe, Ma ia, ao
meu pai, Joaquim, ao meu a ô, Joaquim Ped o, e ao meu io-a ô, Manuel Rosado, que
me ensina am que só na escola pode emos ab i os nossos ho izon es.
RESUMO
TEXTOS, CONTEXTOS, “EU” E OS “OUTROS”
RUTE MARINA ROSADO DA LUZ JORGE
O es udo que ago a se ap esen a baseia-se no ac o incon o ná el de que a ap endizagem
das línguas p opo ciona momen os de abe u a ao mundo, numa sociedade em pe manen e
mudança, onde se en ec uzam in e esses opos os que p oblema izam a ida pessoal e social
dos indi íduos. O ensino das línguas, a ma e na e as es angei as, nes e caso o Po uguês e
o Espanhol, possibili a uma in e ação, coope ação e negociação en e o “eu” e o “ou o”,
capazes de os ap oxima em e mos de comunicação e de Cidadania.
Pa a al, o es udo compo a uma ap esen ação, a qual se baseia na explo ação didá ica de
possí eis ex os, cujos con ex os, ex ualmen e ep esen ados, pe mi em o ien a os alunos
pa a uma e lexão sob e as p oblemá icas humanas e sociais, a im de po encia a
obse ação do mundo e a comp eensão da impo ância da coope ação.
Pa a o cump imen o des e obje i o con ibuem os concei os de cidadania, iden idade e
Compe ência Comunica i a In e cul u al, na medida em que é a a és dos mesmos que se
desen ol e a comunicação en e o “eu” e os “ou os” e eu e o mundo e se econhecem /
acei am as di e enças.
Do pon o de is a da didá ica das línguas, p opõe-se um possí el pe cu so de
ope acionalização da abo dagem da LE e LM associado a um modelo que liga eceção e
p odução, com o duplo p opósi o de desen ol e nos alunos a necessá ia compe ência
linguís ica e comunica i a, endo como pano de undo si uações comunica i as e osímeis,
ligadas à in e ação dos alunos com a sua ealidade.
PALAVRAS-CHAVE: Tex os, Con ex os, Cidadania, Iden idade, Compe ência
Comunica i a In e cul u al.
ABSTRACT
TEXTS, CONTEXTS, THE “SELF” AND THE “OTHERS”
This s udy is based on he inescapable ac ha lea ning languages p o ides momen s which
b oaden he s uden ’s ho izons abou he wo ld in a socie y o pe manen change, in which
opposi e in e es s in e sec , which p oblema ize he pe sonal and social li e o indi iduals.
Lea ning languages, ei he he mo he ongue o o eign languages, in his case Po uguese
and Spanish, enable an in e ac ion, a coope a ion and a nego ia ion be ween he “sel ” and
he “o he ” which a e able o b ing hem close in e ms o communica ion and ci izenship.
In ha sense, he s udy comp ises a p esen a ion o he possible ex s which con ain he
con ex s ha enable a guidance o he s uden s o a e lec ion abou he human and social
p oblema ics which allow hem o obse e he wo ld and unde s and he impo ance o
coope a ion.
The concep s o Ci izenship, Iden i y and In e cul u al Communica i e Compe ence
con ibu e o accomplish his goal. I is h ough hese concep s ha he e is de eloped he
communica ion be ween he “sel ” and he “o he ”, he “sel ” and he “wo ld” and how
di e ences a e ecognized and accep ed.
Taking in o accoun he pe spec i e o language didac ics, a possible pa h o make
ope a ional he app oach o he o eign language and mo he ongue is p oposed. This model
connec s ecep ion wi h p oduc ion wi h he double pu pose o de eloping he s uden s’
necessa y linguis ic and communica i e compe ence. I is based on au hen ic
communica i e si ua ions associa ed wi h he in e ac ion o he s uden s wi h hei eali y.
Keywo ds: Tex s, Con ex s, Ci izenship, Iden i y, In e cul u al Communica i e
Compe ence

Índice
In odução............................................................................................................................. 1
I. Fundamen ação eó ica ..................................................................................................... 3
1.1. Concei os nuclea es ....................................................................................................... 3
1.1.1. Cidadania e Iden idade ............................................................................................... 3
1.1.2. Compe ência Comunica i a In e cul u al (CCI) ........................................................ 8
1.1.3. Tex os e Con ex os ................................................................................................... 11
1.2. Documen os o ien ado es do Ensino ........................................................................... 15
1.2.1. Pe il dos Alunos pa a o século XXI ........................................................................ 15
1.2.2. Quad o Eu opeu Comum de Re e ência (QECR) .................................................... 16
1.2.3. P og amas de ensino de Po uguês e de Espanhol ................................................... 17
II. P á ica de Ensino Supe isionada (PES) – Espanhol .................................................... 18
2.1. Opções me odológicas................................................................................................. 18
2.2. Ca ac e ização da PES ................................................................................................ 25
2.2.1. Ca ac e ização da en idade acolhedo a .................................................................... 25
2.2.2. Pe il dos alunos / u mas ......................................................................................... 25
2.3. Análise da PES ............................................................................................................ 26
2.3.1. Unidade didá ica: Ac i idades de iempo lib e ......................................................... 26
2.3.2. Unidade didá ica: En mi ciudad ............................................................................... 30
2.3.3. Unidade didá ica: Tie a, solo hay una .................................................................... 34
III. P opos a de pe cu sos didá icos – Po uguês ............................................................... 35
3.1. Opções me odológicas................................................................................................. 35
3.2. “A pesca da Baleia”, de Raul B andão (7.º ano) ......................................................... 38
3.3. C ónica de D. João I (Capí ulos XI e CXV), de Fe não Lopes (10.º ano) ................. 43
Conclusões ......................................................................................................................... 49
Bibliog a ia......................................................................................................................... 52
ANEXOS ............................................................................................................................ 56
Anexo I – Plan de unidad didá ica (U.D.) Ac i idades de iempo lib e 2016/17 ............... 57
Anexo II – Tabulei o de jogos adicionais e con empo âneos .......................................... 59
Anexo III – Ca ões pa a a a i idade dos jogos adicionais e con empo âneos ................ 60
Anexo IV – Nomes de jogos ( e e so dos ca ões an e io es) ........................................... 61
Anexo V – Ques ioná io elação “eu” e o(s) “ou o(s)” ..................................................... 62
Anexo VI – Emoções e sen imen os .................................................................................. 63
Anexo VII – T abalhos esc i os sob e a cu a-me agem “Cue das” ................................. 64
Anexo VIII – Compe ência Comunica i a In e cul u al (By am, 1997) ........................... 65
Anexo IX – T abalhos de alunos publicados no jo nal da escola O Taga ela ................... 66
Anexo X - Plan de unidad didác ica (UD) En mi ciudad ................................................... 67
Anexo XI – Exe cícios sob e a UD En mi ciudad.............................................................. 70
Anexo XII – Léxico sob e se iços e a i idades da U.D. En mi ciudad ............................ 71
Anexo XIII – Modelo de ex o sob e “O meu bai o”, cedido pela p o esso a es agiá ia . 72
Anexo XIV – T abalhos de alunos sob e a a i idade inal da U.D. En mi ciudad............. 73
Anexo XV – Pin u as sob e se iços e in aes u u as ....................................................... 75
da cidade de Mad id (And eia Rebelo) .............................................................................. 75
Anexo XVI – T abalho de g upo: iaja e conhece a cidade de Mad id: ......................... 81
“eu” e o“ou o” ................................................................................................................... 81
Anexo XVII – Plan de unidad didác ica (UD) Tie a, solo hay una ................................. 82
Anexo XVIII - Exe cícios sob e o p esen e do conjun i o – ............................................. 84
conselhos sob e p á icas sus en á eis ................................................................................. 84
Anexo XIX – Fo og a ias de p á icas sus en á eis ............................................................ 86
Anexo XX – “A pesca da baleia”, de Raul B andão .......................................................... 87
Anexo XXI – “As Baleias”, de Robe o Ca los ................................................................. 89
Anexo XXII – “A Pesca da baleia”, de Raul B andão ....................................................... 90
Anexo XXIII – Plani icação de 10.ºano ............................................................................. 96
Anexo XXIV – A C ise de 1383/85 ................................................................................... 98
Anexo XXV – C ónica de D. João I (Capí ulo XI), de Fe não Lopes .............................. 99
Anexo XXVI – C ónica de D. João I (Capí ulo CXV), de Fe não Lopes ....................... 104
Índice de igu as
Figu a 1 – Modelo de Compe ência Comunica i a In e cul u al, segundo By am (1997) .. 9
Figu a 2 – Esquema-sín ese da abo dagem p opos a pa a Espanhol ................................. 19
Figu a 3 – Quad o pa a p og amação de aulas baseado em alo es e a i udes ................. 20
Figu a 4 – Exemplo de uma unidade didá ica sis émica .................................................... 21
Figu a 5 – Mic o-compe ências da exp essão esc i a ......................................................... 23
Figu a 6 – Esquema-sín ese da abo dagem p opos a pa a Po uguês ................................ 37
1
In odução
O p esen e ela ó io combina os esul ados da P á ica de Ensino Supe isionada da
á ea de Espanhol, língua es angei a, que e e luga na Escola Secundá ia Pad e An ónio
Viei a, em 2016-17, e os conhecimen os adqui idos ao longo de 12 anos de expe iência
p á ica, no âmbi o do Po uguês, língua ma e na.
Pa a a escolha do ema, Tex os, Con ex os “eu” e o “ou o” con ibuí am as
ap endizagens no âmbi o das disciplinas de Didá icas de Po uguês e Didá ica de Espanhol,
ealizadas no ano ansa o, o ien adas pa a uma abo dagem mais a ualizada do ensino das
línguas. Con ibuí am ambém algumas pe spe i as sob e as cons an es mudanças do
mundo e a di iculdade, sob e udo da pa e dos jo ens, em comp eendê-las e acei á-las. Com
e ei o, a sociedade a ual p oduz, de o ma c escen e, si uações de insegu ança que
conduzem à inadap ação dos jo ens e ao desequilíb io social e amilia , le ando a si uações
ex emas pa a as quais a única espos a pode se , em mui os casos, o isolamen o ou a
iolência. O a, o ensino é, a pa da amília, o luga p i ilegiado pa a a ecupe ação de
ce ezas, de segu ança, pa a a ansmissão de emoções e de compo amen os posi i os que
a enuem a ins abilidade.
Mais do que isso, a escola é ambém o luga onde se c uzam conhecimen os sob e o
mundo, sob e a ida, sob e cada um de nós e sob e os ou os. É nela que o jo em ap ende a
conhece -se, ace à g ande di e sidade de “ou os” que de e ap ende a conhece e a acei a .
Po ém, apesa das mui as en a i as da escola na ansmissão de alo es de coope ação,
solida iedade e espei o, en e ou os, podemos dize que ainda não o am alcançados os
esul ados que co espondem ao in es imen o ei o pelas comunidades educa i as, isí el
nos p oje os educa i os e no Plano Anual de A i idades. O des espei o e a iolência
pe manecem p esen es nas escolas e pa ecem con inua a se a espos a mais comum.
Des a o ma, o p esen e ela ó io p e ende delinea um possí el pe cu so de abalho,
pa indo da impo ância das línguas enquan o supo e da comunicação en e di e en es
cul u as e en e di e en es indi íduos, em que o eixo p incipal é um p ocesso de
consciencialização da impo ância que alguns alo es êm na nossa ida e na sociedade em
ge al. São, assim, p opos os alguns ex os e os espe i os con ex os que possibili am essa
abo dagem, no âmbi o das p opos as cu icula es, espe i amen e pa a o 7.º, 9.º e 10.ºanos
de escola idade, idades em que os adolescen es e jo ens a a essam momen os mais
p oblemá icos.
8
do “ou o”, con ibuem pa a a ela i ização e o dis anciamen o, o iginando uma possí el
mudança de a i udes e de pon os de is a.
De es o, as elações de pe ença são undamen ais pa a a consolidação da iden idade.
Po isso, a o mação de g upos escola es ou ex aescola es, em unção de in e esses ou
ocações comuns, con ibuem pa a o i ica as elações de pe ença e, po an o, a o ecem
a possibilidade de se desen ol e um p ocesso de iden idade, pa a além de um con ac o com
ou as ealidades e expe iências capazes de ala ga a mundi idência do sujei o. Tal como
nos indica o documen o o ien ado Pe il dos Alunos pa a o século XXI, um dos p incípios
egulado es é o de que cabe “à escola o de e de do a os jo ens de conhecimen o pa a a
cons ução de uma sociedade mais jus a e pa a agi em sob e o mundo enquan o bem a
p ese a ” (p. 8).
Es e úl imo aspe o, o conhecimen o do mundo, le a-nos a ou o concei o que, na ó ica
des e ela ó io, julgamos essencial: o concei o de Compe ência Comunica i a In e cul u al.
1.1.2. Compe ência Comunica i a In e cul u al (CCI)
Segundo By am (1997), comunica não é apenas uma oca de in o mação alheia à
cul u a do in e locu o , mas sim uma ação que em como obje i o o es abelecimen o de
elações en e pessoas de iden idades cul u ais di e en es, pelo que p essupõe o sabe
in e agi com indi íduos de Iden idades cul u ais e sociais complexas.
Des a o ma, o ensino de uma língua es angei a e de uma língua ma e na implica a
acei ação do “ou o”, com base na obse ação e na escu a das di e enças e das semelhanças,
de o ma a espei á-lo, sem, oda ia, o acul u a . Pa a que al oco a, By am p opõe um
modelo de Compe ência Comunica i a In e cul u al (CCI). Es e é cons i uído po cinco
dimensões, como podemos e no quad o a segui ep esen ado:

9
Figu a 1 – Modelo de Compe ência Comunica i a In e cul u al, segundo By am (1997)
Adap ado de By am, 1997 (p. 34)
A p imei a dimensão é denominada sa oi s, que consis e nos p odu os
3
e p á icas
que se e i icam na nossa cul u a e na cul u a do in e locu o . Além disso, es a ambém diz
espei o a conhecimen os sob e p ocessos de in e ação social e indi idual. São es es sabe es
que se em de pon e en e as duas cul u as e, po conseguin e, no caso da Língua Es angei a
(LE), se ão es es que de e ão se obse ados como pon o de pa ida pa a o es abelecimen o
da comunicação.
A segunda é designada sa oi ê e e engloba as a i udes in e cul u ais que, po sua
ez, implicam cu iosidade e abe u a em elação a ou as cul u as. Também implica uma
p edisposição pa a ela i iza os nossos p óp ios alo es, compo amen os e c enças, sendo
uma o ma de e i a o e nocen ismo. Com e ei o, segundo Campà (2011), pa a que os
alunos desen ol am a CCI nas aulas de LE, o na-se necessá io que es es se
consciencializem das suas a i udes em elação a ou as cul u as, em elação às di e enças e
semelhanças sob e a cul u a do “ou o” e ainda que a aliem de o ma c í ica a cul u a do
in e locu o . Tal ac o en ol e p á icas le i as que conduzam a um dis anciamen o do
ap enden e ace à sua p óp ia cul u a: ap eciação de luga es comuns sob e essa cul u a,
como ela é is a do ex e io , en e ou as abo dagens, sem que o aluno sin a essas
abo dagens como in e io ização da sua cul u a. Nes e âmbi o, ambém Fe nández (2003)
conside a que o con ac o en e di e en es cul u as, o in e esse em supe a as di iculdades e
o p óp io conhecimen o são a i udes posi i as pe an e o p ocesso de ap endizagem. De
3
Hanley (1999), no a igo “Beyond he Tip o he Icebe g: Fi e S ages Towa d Cul u al Compe ence”,
publicado em Reaching Today’sYou h, 3 (2) baseia-se na “me á o a do icebe g” pa a ilus a as di e en es
camadas de cul u a e u iliza o e mo “Cul u a supe icial”, ou seja, aquela que é mais isí el pa a designa
p odu os cul u ais – po exemplo, li e a u a, música, monumen os, a e ac os cul u ais e gas onomia.
10
es o, um dos con ibu os undamen ais pa a es a discussão é o de Himmelmann (2003),
segundo o qual as seguin es “a i udes mo ais/ a e i as” são imp escindí eis pa a a aquisição
de conhecimen o e pa a o en ol imen o a i o nos p ocessos democ á icos que conduzem à
uni e salidade dos alo es ine en es às di e en es cul u as:
 accep ance o he ule o law, sea ch o jus ice, ecogni ion o equali y and equal ea men in a wo ld
ull o di e ences;
 ecogni ion o he impo ance o peace, absence o iolence, and he pa icipa o y and cons uc i e
esolu ion o social con lic s and p oblems;
 us in democ a ic p inciples, ins i u ions and modes o ac ion and alo isa ion o pa icipa o y
ci izenship;
 ecogni ion o plu alism in li e and in socie y, espec o o eign cul u es and hei con ibu ion o
human de elopmen ;
 alo isa ion o mu uali y, co-ope a ion, us and solida i y and he s uggle agains acism, p ejudices
and disc imina ion;
 aking ac ion in a ou o he p inciples o sus ainable de elopmen as a balance be ween socie al
and economic g ow h and he p o ec ion o he en i onmen . (pp. 159-160)
Em suma, que em LE, que em Língua Ma e na (LM) só há uma ia possí el pa a e i a o
p econcei o social e essa passa pela abo dagem democ á ica e plu alis a da cul u a, com os
p incípios enunciados po Himmelmann, baseados na coope ação e na cons ução da paz e
da igualdade. Não há cul u as dominan es nem cul u as in e io es. Tal de e se a pe spe i a
do docen e de LE e LM, compe indo-lhe alida e alo iza odas as cul u as p esen es na
sua sala de aula.
A e cei a e qua a dimensões enquad am-se nas compe ências in e cul u ais: sa oi
comp end e e sa oi app end e. Enquan o a p imei a consis e na capacidade de in e p e a
um e en o ou documen o de uma ou a cul u a, explicá-lo e elacioná-lo com e en os ou
documen os da p óp ia cul u a, in e agindo de o ma comp eensi a e conscien e com a
cul u a do “ou o”; a segunda é a capacidade pa a adqui i no os conhecimen os sob e uma
cul u a e aplica esses no os conhecimen os, compe ências e a i udes em si uações de
comunicação eal. Segundo Spi zbe g & Changnon (2009), o e mo compe ência pode á
ainda e ou as in e p e ações, como se e i ica na seguin e ci ação:
Compe ence has been a iously equa ed wi h unde s anding (e.g., accu acy, cla i y, co-
o ien a ion, o e lap o meanings), ela ionship de elopmen (e.g., a ac ion, in imacy), sa is ac ion
(e.g., communica ion sa is ac ion, ela ional sa is ac ion, ela ional quali y), e ec i eness (e.g., goal
achie emen , e iciency, ins i u ional success, nego ia ion success), app op ia eness (e.g., legi imacy,
accep ance, assimila ion), and adap a ion. (p. 6)
Assim, a a és de uma a i ude de comp eensão e de in e p e ação, o na-se mais ácil pa a
o aluno comunica , e e i amen e, de o ma in e cul u al, e le indo sob e expe iências
di e en es da sua e c iando mudanças cogni i as, compo amen ais, en e ou as.
11
A quin a dimensão é a da consciencialização cul u al c í ica, que é designada po
sa oi s’engage . Es a consis e na a aliação c í ica de pe spe i as, p á icas e p odu os na
p óp ia e nou as cul u as ou países, com base em c i é ios especí icos. Es a dimensão de e
le a o aluno a pensa de o ma e lexi a sob e a sua cul u a e a do “ou o”, o que lhe pe mi e
alcança um no o pa ama de in e ação comunica i a, ao con ibui de manei a posi i a pa a
a ida social, cul u al, e não só, com a sua isão pessoal, já ela i izada, em unção do
abalho ealizado nas dimensões an e io es.
A língua assume um papel cen al no desen ol imen o de odas es as dimensões. De
ac o, é a a és dela – conc e izada em ex os –, que comunicamos e que nos elacionamos
com os ou os. Nesse sen ido, o na-se pe inen e e le i ainda sob e as noções de ex o e
de con ex o.
1.1.3. Tex os e Con ex os
A pala a ex o é polissémica. Segundo Cassany e al. (2008), o ex o pode cons i ui
um enunciado e bal o al ou esc i o que esul e numa si uação comunica i a. Pa a
Be na dez (1982), o ex o é uma unidade linguís ica com uma unção eminen emen e
comunica i a, p agmá ica, na qual se alo izam o con ex o e os in e locu o es e es á
es u u ada de aco do com as eg as g ama icais de uma de e minada língua.
Além disso, os ex os são p oduzidos no seio de de e minada a i idade social,
o ganizando-se em classes (po exemplo, os géne os de ex o) e obedecendo a eg as
es u u ais e linguís icas ine en es aos modelos po eles seguidas. Nesse sen ido, B oncka
(1997) conside a que odos os ex os são p oduzidos no âmbi o das di e sas es e as em que
se o ganizam as a i idades humanas (sociais e de linguagem), desde a li e á ia à das
in e ações quo idianas, passando pela académica-cien í ica e pelas inúme as a i idades
p o issionais, po exemplo. O mesmo au o ac escen a que qualque ex o e le e, em e mos
de in aes u a ge al, pelo menos uma das seguin es a i udes enuncia i as (ou modos
enuncia i os): na a e expo , e e indo ainda que o enunciado / ex ualizado se pode
implica , ou não, naquilo que diz ou esc e e. Daí esul am qua o ipos de discu so dis in os:
discu so in e a i o (expo implicado), discu so eó ico (expo au ónomo/não implicado),
ela o in e a i o (na a implicado) e na ação (na a au ónomo/não implicado).
4
A
explo ação didá ica dos modos de enuncia (expo ou na a ) pode con ibui pa a a
4
Como e e ido po Cou inho e Jo ge (2017), de ido à sua na u eza enuncia i a, es a o ma de pe spe i a
os ex os pode á encon a pa alelo com a eo ia dos modos li e á ios (na a i o, d amá ico, lí ico),
p econizada po A is ó eles.
12
ap endizagem das línguas, no sen ido em que possibili a não só a cons ução de uma
iden idade na a i a, indi idual e social, como ambém pe mi e e le i sob e a ealidade.
5
Po ou o lado, como diz Fa ia em Ma eus e al. (2003, p.58), “o enunciado
anspo a pa a o plano e bal o jogo de elações implicadas no conhecimen o e na in e ação
social em que é p oduzido”. Pa a al con ibui o ac o de as línguas se em undamen almen e
u ilizadas pa a ins sociais, pelo que o ex o, en endido como uma unidade global de
comunicação que exp essa uma ideia ou a a de um de e minado assun o desen ol ido de
o ma coe en e, com a necessá ia coesão, em semp e como e e ência a si uação
comunica i a conc e a em que oi p oduzido, ou seja, o con ex o. Po ém, a noção
p i ilegiada – associada aos alo es – é a de con ex o ep esen ado no ex o (enquan o
uni e so de e e ência) e não con ex o de p odução (si uação conc e a em que o ex o oi
p oduzido). Vejamos, en ão, o que é o con ex o.
Numa si uação comunica i a há pelo menos um enunciado, um alan e e um ou in e,
que usam o mesmo código linguís ico pa a comunica em num dado con ex o si uacional.
Po ém, pa a Ma eus e al. (p. 81), a noção de con ex o como si uação ísica e social é
insu icien e, dado que exis em “ou as dimensões de con ex o, ais como a o es ex a-
si uacionais, de na u eza sociolinguís ica que en ol em odo um conjun o de sabe es
an e io es, bem como o p óp io ambien e compo amen al em que os in e locu o es se
encon am”. Po es a azão, a es u u a con ex ual esul a de uma in e ação que é, em
p imei a ins ância, dinâmica. Van Dijk (1998) desc e e o con ex o como uma sequência de
“mundos-es ados” que não pe manecem idên icos no empo, mas mudam. Pa a es e au o ,
o con ex o se á uma sucessão de acon ecimen os com um es ado inicial, es ados in e médios
e es ado inal, com um conjun o o denado de deí icos de “aqui-ago a” e abs ações
elacionadas com a “pe o mance” dos alan es, o sexo, a idade, as di e enças sociais e
diale ais.
O con ex o acaba po se ambém um conjun o de ope ações en ol idas na
ans e ência do modelo men al do sujei o, an es de es e se exp imi na o ma conc e a da
ase (esc i a ou o al) com a inalidade de enquad a as unidades linguís icas (co ex os) nos
enunciados que as p ecedem ou sucedem num ex o. Nesse sen ido, Valen im & Lejeune
(2009) conside am que “O con ex o é a condição de in e p e ação do enunciado. Digamos
que cada sequência de e mina o ipo de con ex o que, po sua ez, unda a sua in e p e ação
e, po an o, a sua a ualização como enunciado” (p. 5). Podemos, assim, in e i que o
con ex o é baseado no conhecimen o eal dos alan es. Po ém, como lemb a Bakh in (apud
5
Pa a o Espanhol é de conside a ainda o ex o dialogal, pela sua p oximidade com a abo dagem
comunica i a, mé odo mais a o á el à p á ica de uma língua es angei a.
13
Co eia e Ribei o, 2012) é necessá io conside a que o con ex o inclui a ideologia o icial (o
conhecimen o uni o memen e acei e numa dada á ea do sabe ) e a do quo idiano – que se
dá em de e minada época e em de e minado g upo social, ou seja, cada campo de
c ia i idade ideológica, em o seu p óp io modo de se o ien a pa a a ealidade e de a
modi ica . Po an o, cada campo de a i idade e de comunicação humana em os seus modos
pa icula es de ep esen a e de e a a o mundo. Logo, conside ando o ema do p esen e
ela ó io, o na-se isí el a complexidade dos a o es que en ol em a escolha dos ex os e
dos con ex os pa a ilus a a elação do “eu” com o “ou o”, an o em língua ma e na como
em língua es angei a.
Em p imei o luga , os con ex os que condicionam a elação do “eu” com o “ou o”
en o mam ques ões elacionadas com os alo es em igo numa dada sociedade (a chamada
ideologia o icial de Bakh in). Es es não são necessa iamen e os mesmos pa a odos os
alunos, se pensa mos na sociedade mul icul u al da globalização em que i emos. Além
disso, a ideologia do quo idiano não ap esen a os mesmos con o nos, já que as cul u as de
o igem são di e en es e, apesa do p ocesso de acul u ação, os hábi os e as adições
con inuam a o igina di e en es pad ões do quo idiano, em zonas de g ande p esença da
população mig an e.
Como es abelece , pois, um equilíb io en e a(s) cul u a(s) e os con ex os dos ex os
mobilizados pa a as aulas ( endo em con a, ainda, as limi ações impos as pelos p og amas
cu icula es que, sabemos, condicionam as escolhas do p o esso e são iguais de no e a sul
e nas ilhas, de inindo a lei u a de de e minadas ob as, em de imen o de ou as)?
Vejamos. A cul u a pode se de inida, segundo Ma sumo o (1997, apud Rubin &
Menze , 2013) como “o conjun o de a i udes, alo es, c enças e compo amen os
compa ilhados po um g upo de pessoas, ansmi ido de uma ge ação pa a ou a” (p. 1).
Tendo em is a que os nossos alunos podem ap esen a aços cul u ais de di e sos países,
onde encon a o núcleo aglu inado de uma ação pedagógica o ien ada pa a a comp eensão
e espei o pela al e idade sem se abdica da iden idade? Uma das possí eis espos as p ende-
se com a seleção de ex os que en ol am alo es, ou seja, no mas de compo amen o
implíci as que são necessá ias pa a i e em sociedade de o ma ha moniosa e pací ica.
Es es podem se enca ados como undamen os é icos / espi i uais que o mam
a consciência humana. Logo, a ou a espos a possí el pa a es a ques ão p ende-se com uma
ou a cons a ação que é a uni e salidade dos alo es que de inem os p incípios e p opósi os
undamen ais pa a a sob e i ência e con i ência humanas. Se nos abs ai mos das
di e enças cul u ais, que não são, necessa iamen e, impos as pelos alo es, podemos
conclui que a coope ação, a amizade, a bondade, a solida iedade e a hones idade, en e

14
mui os ou os, são qualidades alo izadas em qualque país ou egião. O a, algo que os
ex os nos ap esen am é, undamen almen e, um conjun o de con ex os em que o uni e so
do au o se enquad a no âmbi o de um ou de á ios des es alo es
6
.
Es a noção de con ex o, esul an e das in o mações si uacionais que acompanham o
ex o e do modo como as ideias se encadeiam no discu so, é a que nos con ém em e mos
des e ela ó io e a que nos pode le a a iden i ica as e e ências his ó icas, sociais, cul u ais
e amilia es que p e endemos mobiliza pa a a p opos a des e abalho, numa elação mui o
es ei a en e p odução e in e p e ação. A noção de ex o como um p odu o acabado, cuja
descobe a de um signi icado único é o obje i o mais angí el das aulas de línguas, não é a
que mais nos con ém, no âmbi o des e ela ó io, já que, jus amen e, se p e ende ealça o
que az de um ex o o odo que o seu au o nos p opõe, cons uído a pa i de de e minadas
es a égias discu si as, cuja escolha é cla amen e in encional e é semp e p odu o a de
sen idos. Ou seja, o ex o é en endido como uma unidade dinâmica complexa, da qual nos
in e essa analisa o modo como oi p oduzida, já que a ecupe ação dos e ei os de sen ido e
das es a égias linguís icas que o con igu am pe mi e ao lei o /aluno uma ap op iação do(s)
sen ido(s) do ex o e da in enção comunica i a do au o na sua esc i a.
O a, as es a égias p odu o as de sen ido, depois de ecupe adas, conduzem a uma
ap eciação dos seus e ei os e c iam um espaço de ação e de in e ação, onde se en ec uzam
o mundo do ex o e o do lei o , numa elação dialé ica que p opicia o conhecimen o ou
( e)conhecimen o des e úl imo, no espelho que é o uni e so na a i o do ou o, o au o . Não
é um pe cu so ácil, mas pode se es e o caminho pa a c ia um uni e so de eceção
idealmen e c iado pelo lei o , na con on ação das suas expe iências de ida com as
expe iências de lei u a.
6
Como diz Paul Ricœu , na sua Teo ia da In e p e ação (2009), i emos no “ empo” e, po isso, a solução
encon ada pa a a icula a nossa expe iência empo al é a p óp ia na a i a. A a és do dis anciamen o e
da igu ação é possí el encon a no io da na a i a o luga do “eu” no mundo e descob i mesmo o mundo,
conside ando que, como aquele au o a i ma, odos os discu sos, incluindo o iccional, possuem as mesmas
ma cas ideológicas que se in il am po odo o conhecimen o. De es o, ambém pa a Michel Foucaul
(1996) o discu so é uma cons ução de ca ac e ís icas sociais e o con ex o do discu so analisado é u o de
uma sociedade que cons i ui a base de oda a sua es u u a e do sen ido do p óp io discu so. Podemos,
assim, a i ma que nos Tex os se desen ol em Con ex os, não apenas os Con ex os linguís icos associados
à p odução de um enunciado (lexicais, ónicos, sin á icos e semân icos) mas ambém si uacionais, ligados
ao espaço / empo da mensagem e aos seus locu o es e in e locu o es.
15
1.2. Documen os o ien ado es do Ensino
Um es udo que abo da os ex os e con ex os acili ado es da o mação in eg al dos
alunos, em e mos de cons ução da iden idade e da al e idade, não pode deixa de e le i
os p og amas em igo e alguns p incípios o ien ado es da cons ução dos mesmos, como
são, no caso do Ensino Po uguês a ual ( endo em con a as disciplinas de Po uguês e de
Espanhol), o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (2017), o Quad o
Eu opeu Comum de Re e ência – QECR (2001), o P og ama e Me as Cu icula es de
Po uguês pa a o Ensino Básico – PMCPEB (2015), P og ama e Me as Cu icula es de
Po uguês do Ensino Secundá io – PMCPES (2014) e P og ama de Espanhol (1997).
1.2.1. Pe il dos Alunos pa a o século XXI
No Pe il dos Alunos pa a o século XXI, a compe ência de elacionamen o
in e pessoal su ge como uma das o ien ações ans e sais a odas as disciplinas, com o eo
que a segui se ap esen a.
Os alunos jun am es o ços pa a a ingi obje i os, alo izando a di e sidade de pe spe i as sob e as
ques ões em causa, an o lado a lado como a a és de meios digi ais. Desen ol em e man êm elações
di e sas e posi i as en e si e com os ou os (comunidade, escola e amília) em Con ex os de
colabo ação, de coope ação e in e ajuda. Resol em p oblemas de na u eza elacional de o ma pací ica,
com empa ia e com sen ido c í ico. Os alunos en ol em-se em con e sas, abalhos e expe iências
o mais e in o mais: deba em, negoceiam, aco dam, colabo am. Ap endem a conside a di e sas
pe spe i as e a cons ui consensos. Relacionam-se em g upos lúdicos, despo i os, musicais,
a ís icos, li e á ios, polí icos e ou os, em espaços de discussão e pa ilha, p esenciais ou à dis ância.
Como se e i ica nes a passagem, há uma p eocupação da u ela em abalha , jus amen e,
a componen e in e - elacional e a aquisição de alo es de pa ilha e de socialização, o que
alo iza a pe inência e a a ualidade do ema do p esen e ela ó io.
As implicações p á icas des e documen o o ien ado eme em-nos pa a um conjun o
de ações elacionadas com a p á ica docen e e que são de e minan es pa a o
desen ol imen o do pe il dos alunos, is o da pe spe i a que emos indo a desen ol e .
Eles são a abo dagem dos con eúdos de cada á ea do sabe , associando-os a si uações e
p oblemas p esen es no quo idiano da ida do aluno ou no meio sociocul u al e geog á ico
em que se inse e, a o ganização do ensino p e endo a expe imen ação de écnicas,
ins umen os e o mas de abalho di e si icados que p omo am in encionalmen e, na sala
de aula ou o a dela, a i idades de obse ação, ques ionamen o da ealidade e in eg ação de
sabe es, a o ganização e desen ol imen o de a i idades coope a i as de ap endizagem,
o ien adas pa a a in eg ação e oca de sabe es, a omada de consciência de si, dos ou os e
do meio a a és da ealização de p oje os in a ou ex aescola es.
16
Po ém, pela sua no idade e eo , o Pe il dos Alunos pa a o século XXI me ece-nos
mais algumas conside ações. Educa pa a um pe il de compe ências como a c ia i idade, o
pensamen o c í ico, a esolução de p oblemas, a omada de decisão, a comunicação, a
colabo ação, a li e acia no uso e no acesso à in o mação, a in es igação e pesquisa, a
li e acia mediá ica, a cidadania digi al, as ope ações e concei os em Tecnologias da
In o mação e Comunicação (TIC), a lexibilidade e adap abilidade, a inicia i a e au o-
o ien ação, a p odu i idade, a lide ança e esponsabilidade é o que se p e ende com es e
documen o. T a a-se de o ma pessoas au ónomas e esponsá eis, cidadãos a i os, capazes
de aze ace à complexidade da sociedade a ual e à cons an e mudança de pa adigmas que
se ão colocando, nos domínios da ecnologia, do conhecimen o, da o mação e da
emp egabilidade. Tal le a-nos a uma ques ão, bas an e pe inen e. Como a aliamos es e
pe il de saída, como a aliamos o desen ol imen o das compe ências e o seu esul ado inal
e com que ins umen os o azemos, especi icamen e nos ní eis de escola idade in e médios
e no inal? Es a ope acionalização i á, mui o p o a elmen e, le an a a ques ão da
quan i icação das a i udes e alo es dos alunos, implíci os maio i a iamen e nos abalhos
dos alunos? O a, es a possibilidade em apenas e o ça a impo ância do ipo de abo dagem
que se p opõe nes e abalho, azendo da lei u a e da esc i a, colabo a i a ou não, e da
escolha de ex os e de con ex os que mobilizem alo es que p opiciam o desen ol imen o
das compe ências elencadas no documen o, um p ocesso undamen al pa a se alcança em
ais obje i os.
1.2.2. Quad o Eu opeu Comum de Re e ência (QECR)
A impo ância do QECR no ensino de uma língua es angei a pe mi e da a conhece
a di e sidade de uma cul u a, os seus cos umes, as suas elações de iden idade e de pe ença,
sendo no caso do espanhol, uma cul u a a explo a , a a és da compa ação com ou as
cul u as, nomeadamen e a po uguesa. Nes e sen ido, a ap endizagem de uma LE em como
obje i o desen ol e o aluno de o ma holís ica, ou seja, não só de o ma linguís ica, como
ambém nas suas elações sociais e com o mundo que o en ol e. Assim, podemos cons a a
que es as elações que sociais que com o mundo es ão p esen es an o no QECR como no
modelo de CCI de By am (1997), já ap esen ado na Figu a 1. O p imei o p ende-se mais
com a cul u a isí el, ou seja, com p odu os, po exemplo, se iços públicos, elações de
pa en esco, espaços públicos da cidade e do bai o, a i idades de empo li e (jogos
adicionais/a uais)
7
. Já o segundo engloba an o p odu os, como p á icas cul u ais,
7
No en an o, ambém se podem e i ica a i udes, c enças e alo es.œ
17
nomeadamen e a i udes e compo amen os. Po sua ez, a obse ação e o conhecimen o da
cul u a do país de o igem e da cul u a-al o pe mi em ao aluno e i ica semelhanças e
di e enças en e as duas. Já o sa oi app end e/ ai e de By am (1997) elaciona-se com a
seguin e compe ência do Ma co Comum Eu opeu de Re e ência pa a as línguas (MCER):
“La sensibilidad cul u al y la capacidad de iden i ica y u iliza una a iedad de es a égias
pa a es ablece con ac o con pe sonas de o as cul u as” (p. 102). Es a compe ência ambém
p essupõe a capacidade que o aluno em de se adap a a ou as cul u as, coincidindo com as
compe ências heu ís icas de descobe a e de análise do QECR. Além disso, a a és des a
compe ência, o aluno pode desen ol e múl iplos papéis, diálogos in e cul u ais, sabe
ela i iza a p óp ia cul u a e a dos ou os, es ando es a compe ência, po sua ez,
elacionada com o sa oi ê e. Exis e uma coincidência en e as a i udes e os alo es
in e cul u ais p econizados po By am, en e ou os, e pelo QECR. Em suma, o Quad o
Eu opeu Comum de Re e ência p e ê nas compe ências ge ais da ap endizagem de uma LE,
o desen ol imen o da CCI, ainda que de uma o ma ligei amen e mais limi ada do que a
que é p econizada po es e au o . Assim, oma-se como pon o de e e ência o Capí ulo V do
QECR (2001), “Capacidades Ge ais”, ans e salmen e, em di e sos sub emas: o
conhecimen o do mundo, o conhecimen o sociocul u al, a consciência in e cul u al, as
capacidades in e cul u ais e a compe ência de ealização, pa a além da compe ência
exis encial, ou seja, as compe ências básicas de in e ação social e de e lexão essenciais
pa a a cidadania in e cul u al.
1.2.3. P og amas de ensino de Po uguês e de Espanhol
O desen ol imen o de compe ências e alo es ocupa um luga de ele o no a ual
PMCPEB (2015), assumindo-se como con eúdos p og amá icos explíci os a abalha no
domínio da Educação Li e á ia desde o 6.º ano de escola idade: uni e sos de e e ência e
alo es (6.º ano); alo es cul u ais (7.º ano; alo es cul u ais e é icos (8.º ano) e alo es
cul u ais é icos, es é icos, polí icos e eligiosos (9.º ano). O ele o dado à ques ão dos
alo es es á espelhado nos p óp ios obje i os do p og ama do Ensino Básico, com des aque
pa a “ap ecia c i icamen e a dimensão es é ica dos ex os li e á ios, po ugueses e
es angei os, e o modo como mani es am expe iências e alo es” (p. 5).
A ques ão dos alo es pode se conc e izada em a iculação com as compe ências da
exp essão o al e esc i a. De en e os desc i o es de desempenho que ope acionalizam es es
con eúdos e que são ap esen ados na secção das Me as Cu icula es, podem des aca -se,
pa a o p esen e ela ó io, no 7.º ano: “ econhece alo es cul u ais p esen es nos ex os” (EL
24
A endendo ao ac o de os alunos de 7.º ano es a em numa ase de iniciação à língua,
as in e ações p opos as o am simples, o ien adas pa a o quo idiano imedia o dos alunos,
p i ilegiando as elações sociais, a a és de uma abo dagem o al e esc i a sob e os seus
modos de es a , de agi e de se implica nas a i idades de empo li e. Tal pe cu so isou o
au o-conhecimen o e a obse ação do ou o, ac o que é isí el nas a i idades p opos as, da
unidade Ac i idades de iempo lib e, das quais se salien a o jogo de pe gun a- espos a
(Anexo V). Nes e con ex o, p ocu ámos engloba o espei o e a coope ação necessá ios à sã
con i ência du an e as a i idades lúdicas sem con li os, nem iolência. A língua em,
adicionalmen e, se i es e p opósi o, is o que con ibui com o léxico que designa os jogos
adicionais e os a uais e com ou as es u u as linguís icas pa a que os alunos se possam
p onuncia sob e o modo como con i em com os ou os. De es o, o con ex o dos jogos,
sob e udo dos adicionais, p opo ciona uma ap endizagem de adições que cons i uem
peças da memó ia uni e sal (jogo da macaca, sal a à co da, en e ou os).
De igual modo, a escolha da segunda unidade En mi ciudad p essupõe um
conhecimen o do ambien e geog á ico, social e cul u al dos alunos. A escolha des e ema
e e em is a p opo ciona aos alunos ex os e a i idades elacionadas com alguns concei os
como o de cidadania, pa a que os alunos omassem consciência da impo ância do meio em
que se i e pa a se conhece em e se in eg a em melho (Anexos XII a XV).
Rela i amen e ao 9.º ano, o desen ol imen o do ema des e ela ó io le ou à escolha
do ema Tie a solo hay una, po nos pa ece impo an e a implicação dos alunos na
conse ação do meio ambien e, ap oximando-nos do concei o de s’engage já an e io men e
explo ado, a a és de a i idades em que a língua oi u ilizada pa a ap ende e ansmi i
alo es de cidadania ambien al. Es e con ex o e ela-se como um dos mais ele an es no
mundo mode no se conside a mos os impe a i os de sob e i ência e de sus en abilidade do
nosso plane a (Anexo XIX).
Se e le i mos sob e os pe cu sos p opos os, é possí el conclui que oi dada
p imazia aos conhecimen os (sa oi s), às a i udes (sa oi ê e) e uma das compe ências
in e cul u ais (sa oi comp end e) de By am (1997). Tal opção p ende-se, em p imei o
luga , com o ac o de os conhecimen os sob e a cul u a al o se em essenciais pa a o diálogo
in e cul u al; em segundo luga , pelo ac o de o con ac o com cul u a do “ou o” e a sua
condu a ace a es a pode desen ol e no aluno a a aliação c í ica que, elabo ada de o ma
posi i a, pode le a ao espei o, à comp eensão e à ole ância da cul u a e da sociedade al o
– assim, os alunos podem desen ol e -se e en ol e -se nas pe spe i as e nos desa ios cujas
ca ac e ís icas passam a conhece po con as e ou po semelhança; em e cei o luga , es a

25
compe ência p ende-se com a capacidade de comp eensão e de associação en e a cul u a
al o e a cul u a do p óp io aluno.
2.2. Ca ac e ização da PES
A PES ealizou-se na Escola Secundá ia Pad e An ónio Viei a, em Al alade, no ano
le i o de 2016-17, sob o ien ação do docen e João Paio. Dos ês pe íodos, o p imei o oi
de obse ação das aulas des e docen e, das quais oi possí el e i a algumas suges ões de
abo dagem comunica i a. Fo am concedidos doze blocos de 90 minu os, dis ibuídos en e
o 7.º e o 9.º ano. Es es empos o am u ilizados pa a a aplicação dos ecu sos elabo ados,
o iginando as p oduções em anexo – plani icações, es es e ma e iais o am ealizados e
ap esen ados ao o ien ado .
No âmbi o do Plano Anual de A i idades (PAA), oco eu a pa icipação no jo nal da
escola, in i ulado O Taga ela, com a publicação de alguns abalhos de alunos.
2.2.1. Ca ac e ização da en idade acolhedo a
T a a-se de uma escola adicional, si uada num bai o de classe média, que ecebe
ambém alunos de eguesias limí o es, o que o igina uma população mui o he e ogénea.
As salas de aula es ão bem iluminadas e equipadas com dois quad os sin é icos e um
compu ado com in e ne e p oje o . O ambien e de abalho é pací ico, ha endo algumas
u mas mais u bulen as, mas sem o igina em p oblemas compo amen ais.
2.2.2. Pe il dos alunos / u mas
No âmbi o da PES de Espanhol, abalhámos com ês u mas, duas de 7.º ano (7.º1 e o
7.º2) e uma de 9.º ano (9.º1).
A u ma do 7.º1 e a compos a po in e e qua o alunos, alguns p o enien es de países
es angei os, os quais, al como os alunos po ugueses, es a am a ap ende a língua
Espanhola pela p imei a ez. As suas o igens e am, a sabe : os Es ados Unidos da Amé ica,
a No uega, a China e a Tailândia. Desde o início que i emos a p eocupação de da a
conhece a es es alunos o léxico e as especi icidades dos emas, a a és da mediação do
po uguês, dado que pa a eles as di iculdades e am ac escidas. Po isso, op ámos po
leciona odas as compe ências, a im de amplia o seu léxico em Po uguês e em Espanhol,
a a és de di e en es ex os com con ex os ilus a i os que pe mi issem a aquisição da língua
(imagens, ídeos, ex os esc i os e o ais, en e ou os). Apesa do desa io, oi uma
26
expe iência in e essan e, du an e a qual se p ocu ou, no deco e das aulas, p opo ciona aos
alunos os sa oi s, o sa oi comp end e e o sa oi ai e. Assim, in e agindo de o ma
g adual, os alunos econhece am alo es, aos quais o am sensí eis, a a és da obse ação
do mundo e do posicionamen o sob o pon o de is a do “ou o”. É cla o que o g au de
exigência não oi ão ap o undado, como se ia de espe a pa a os alunos po ugueses, mas,
a a és das suas pa icipações o ais, mo i ação e en usiasmo, omos “queb ando o gelo” –
si uação que, nas línguas, sob e udo na exp essão esc i a é di ícil de ul apassa , mas que
a enuamos com a p opos a de abo dagem de pequenos ex os (em de imen o da explo ação
de ex os longos). Po úl imo, gos a íamos de salien a que nes a u ma, es es alunos, pelas
azões já indicadas, necessi a am de um acompanhamen o indi idual e cons an e.
No que diz espei o à u ma do 7.º2, es a e a cons i uída po dezasse e alunos. Es es
man inham laços de união mais o es do que a u ma an e io , le ando a uma dinâmica de
g upo, po ezes len a, mas mais equilib ada em e mos de esul ados ace ao
desen ol imen o do p ocesso de sa oi s comp end e e de sa oi ai e. Es a u ma
pa icipa a o almen e de o ma dinâmica, depois de se em a i ados alguns conhecimen os,
a a és de a i idades lúdicas de seu in e esse, nomeadamen e nas Ac i idades de iempo
lib e.
Quan o à u ma do 9.º1, que incluía um aluno com di iculdades de locomoção e de
dicção, o i mo e a mais pausado. No en an o, apesa de e abalhado com es es alunos
apenas em dois blocos de 90 minu os, es es pa ece am mo i ados, pa icipa i os, algo
exube an es, uma ez que odos, incluindo o aluno já e e ido an e io men e, gos a am
mui o de i a dú idas e de demons a udo o que inham ap endido a é ali. Os alunos o am
espei ado es e cump i am as a e as p opos as.
2.3. Análise da PES
2.3.1. Unidade didá ica: Ac i idades de iempo lib e
As aulas de 7.º ano de Espanhol deco e am en e 14 de no emb o de 2016 e 16 de maio
de 2017. Às u mas do 7.º1 e do 7.º2 o am aplicadas ês unidades didá icas, das quais
apenas abo da emos a segunda e a e cei a. Os p incipais emas do p og ama de espanhol
abo dados nes e abalho pa a o 7.º ano de escola idade são as elações humanas e a
o ganização social, nomeadamen e a amília (desc ição ísica e psicológica); as elações de
pa en esco; a elação “eu” e o “ou o”. Os agmen os escolhidos elacionam-se com o
abalho desen ol ido nas unidades didá icas de espanhol pa a o 7.º ano in i uladas
27
Ac i idades de iempo lib e e Mi ciudad, e pa a o 9.º ano Tie a, solo hay una. Des a o ma,
man i emos uma elação em e mos de concei os ais como o abalho em equipa, a
solida iedade, as emoções e o meio ambien e, a im de le a os alunos a comp eende , a
acei a e a consciencializa em-se ela i amen e aos ou os.
Também abalhámos ou os con eúdos e compe ências/capacidades: jogos
adicionais/a uais; sen imen os/emoções elacionados com o dia de São Valen im (a i udes
e compo amen os posi i os e nega i os); a exp essão de opinião pessoal e a pe suasão do
ou o; a dialé ica “eu” e o “ou o” pa a da a conhece concei os como a amizade, o abalho
em equipa, a ajuda, a coope ação, a solida iedade, a supe ação de di iculdades indi iduais;
o meio em que se i e (ca ac e ização ísica e social de um bai o, do meu bai o e da minha
elação com os ou os); se iços, in aes u u as de anspo es elacionados com o concei o
de cidadania. Po sua ez, o ema do p og ama de Espanhol, abo dado nes e abalho pa a o
9.º ano de escola idade, oi a educação ambien al (a na u eza e o meio ambien e).
A segunda unidade didá ica lecionada ao 7.º2, in i ulada Ac i idades de iempo lib e (c .
plani icação – Anexo I), inicialmen e elabo ada no âmbi o da unidade cu icula de Didá ica
do Espanhol I, inha como obje i o explo a a elação “eu” e o “ou o”, e alguns concei os
ais como a amizade, a ajuda, o abalho em equipa, a coope ação, a solida iedade e a
supe ação de di iculdades indi iduais. Es e ema é e e ido no P og ama de língua
es angei a – Espanhol – 3.º ciclo – iniciação (1997), inse indo-se na emá ica das elações
humanas: o empo li e.
Pa a in oduzi es a unidade do plano de aula, o am elabo ados ca ões com imagens
de jogos adicionais (Anexo II a IV) e ou os com o espe i o nome. Além disso,
ap esen ámos um abulei o, no qual os alunos inham de associa as imagens ao espe i o
léxico. O g upo “ u ma” mos ou-se bas an e in e essado com a a i idade, uma ez que,
apesa da aixa e á ia, os alunos se lemb a am dos jogos mais an igos em po uguês,
mos ando mui a cu iosidade em sabe os nomes em espanhol. A a és da imagem e da
esc i a, os alunos a i a am os seus conhecimen os p é ios que, po sua ez, inham
adqui ido a a és de expe iências i idas na sua in ância. Assim, ambém a o alidade oi
exe ci ada, uma ez que odos inham que e e i o nome dos jogos. De seguida, esc e e am
o nome dos jogos nos seus cade nos e a a e a seguin e consis iu em aze pe gun as (Anexo
V) sob e as elações en e “eu” e os “ou os” a pa i de ou os ca ões. Es a a e a pode
conside a -se como uma a i idade de azio de in o mação, dado que dois alunos êm
in o mação di e en e sob e um mesmo assun o e êm de aze pe gun as um ao ou o pa a
ica em com o mesmo conhecimen o. Nes a a i idade, apesa de demons a em os seus
28
conhecimen os apenas de o ma o al, os alunos o am le ados a e le i sob e es a emá ica,
o que con ibuiu pa a uma maio consciencialização sob e as elações amilia es e de
amizade. Além disso, es a emá ica ambém pe mi iu da a conhece ou as classes de ex os
(iconog á icos e não só), sendo “un pa imonio común alioso que hay que p o ege y
desa olla ” (Consejo de Eu opa, 2002, p. 60).
Dado que es a unidade oi iniciada em e e ei o e o ní el dos alunos e a de iniciação
(A1, segundo o QECR), não ob i emos e lexões c í icas g a adas ou esc i as. Es e
exe cício implica a uma ma u idade e alguma subje i idade que de e ia e sido conduzida
de uma o ma mais con olada, ou seja, p opo cionando-lhes ópicos e mais a e as
in e médias ou a i idades-pon e que os le assem a es e pensamen o c í ico.
Pa a desen ol e es a unidade ela i amen e aos concei os de coope ação, en eajuda ou
solida iedade, ainda oi ealizada uma a i idade pa a elaciona emoções e sen imen os com
as de inições adequadas, a im de se consciencializa em de a i udes e de compo amen os
do quo idiano, os quais mui o di icilmen e são adqui idos em âmbi o escola (Anexo VI),
demons ando uma cidadania pa icipa i a, de o ma a que os alunos in e agissem uns com
os ou os, ela i izando compo amen os e alo es, ha endo uma ap oximação ao sa oi
ê e. Pa a ap o unda a elação “eu” e o “ou o”, pedimos aos alunos que isualizassem uma
cu a-me agem in i ulada Cue das. Apelámos à a enção dos alunos pa a a p oblemá ica da
de iciência mo o a e o modo como a p o agonis a en ou, a a és da sua c ia i idade e
empa ia, in eg a o colega na comunidade escola com jogos adicionais e/ ou a uais. Cada
aluno esc e eu um ex o de opinião sob e a cu a-me agem, onde lhe o am dados alguns
ópicos pa a cons ui o seu discu so.
No Anexo VII des acamos alguns pequenos ex os p oduzidos pelos alunos e ocados
na e lexão sob e a amizade e a in e ajuda – e como esse ac o mudou a ida de Ma ía e de
Nicolás. A í ulo exempli ica i o, ejamos o seguin e ex o:
A pe spe i a c í ica oi a o á el ela i amen e àquilo que lhes oi pedido, embo a, na
sua aixa e á ia, não i essem conseguido ap o unda e undamen a com ou os a gumen os
a pa i do ídeo. Es a a e a ap oxima-se do sa oi s’engage , dado que os alunos
mani es a am a sua opinião sob e um p odu o de uma ou a cul u a, embo a es a
p oblemá ica seja uni e sal. Além disso, os concei os expos os podem le a os discen es a
29
compo a em-se de o ma semelhan e a Ma ía, en ando in eg a colegas com de iciências
mo o as. O P og ama de Língua Es angei a – Espanhol – 3.º Ciclo – Iniciação (1997)
p econiza uma educação pa a a comunicação com base em alo es o espei o pelo(s)
ou o(s), o sen ido da coope ação, da Cidadania e da solida iedade.
Es es exe cícios desen ol idos pa a o sé imo ano de Espanhol – Iniciação ambém
podem se ealizados numa LM adequadamen e à aixa e á ia e ao g upo u ma,
nomeadamen e no que diz espei o à a e a inal, que consis iu num ex o de opinião
o ien ado com ópicos, a im de que os alunos pudessem esc e e os seus no os Tex os de
o ma coe en e e c ia i a. No en an o, na maio pa e dos ex os não se e i icou um
dis anciamen o c í ico e o iginal do ex o modelo o necido no quad o aos alunos. Uma das
azões p ende-se com o ní el de iniciação e como ac o de os alunos “a isca em” pouco
num ex o c iado e elabo ado po eles p óp ios em con ex o de sala de aula. Apenas a ase
de ex ualização oi acompanhada pela p o esso a es agiá ia, semp e que os alunos inham
dú idas, azendo suges ões quan o à esc i a e quan o ao léxico a u iliza . A esc i a
colabo a i a pe mi iu, sob e udo, aos alunos um maio conhecimen o, companhei ismo e
solida iedade, concei os e alo es que es ão na base do ema des e ela ó io.
No Anexo VII, os ex os selecionados espondem aos ópicos elabo ados, a im de
conduzi os alunos a um ex o de opinião. Gos a íamos de des aca a ma u idade dos alunos
ela i amen e à simbologia da pulsei a de co das, a qual pa a uns signi ica “amis ad y
compasión”, e pa a ou os, a a-se de um “ ecue do” de Nicolás. Es as opiniões
demons am que os alunos o am sensí eis às aulas sob e as emoções/compo amen os
elacionados com o “eu” e o “ou o” e ambém o am sensí eis à p oblemá ica da di e ença,
des acando a simbologia da pulsei a de co das como um c onó opo, ou seja, segundo
Bemong e al. (2010), no concei o de c onó opo, o empo é ema izado nos obje os. Is o
signi ica que Ma ía, quando e a c iança, gua dou a pulsei a, mas man e e a mesma no seu
pulso, sendo que passados in e anos, lemb a-se da memó ia de Nicolás. Tal como e e imos
no capí ulo I, o p esen e es á esc i o pelas memó ias do passado, al como cada um de nós
em a sua na a i a e memó ias biog á icas.
Ainda no âmbi o do concei o de cidadania, ealizou-se uma a i idade publicada no
jo nal da escola (Anexo IX), na qual os alunos inham que implica -se, ou seja, coloca -se
na “pele” de um animal e esc e e um anúncio pa a se em ado ados. Segundo as pala as
de Fonseca (2012), a um momen o de empa ia com de e minada pe sonagem, o au o , e,
nes e caso os alunos quando se colocam na “pele” do ou o, êm de mos a um ce o
dis anciamen o ela i amen e à pe sonagem, a im de que a sua cons ução seja c ia i a,
única e comple a. Des a o ma, os alunos e ela am en usiasmo e sa is ação pela a i idade

30
e i am os seus abalhos expos os no jo nal, sendo desde cedo p epa ados pa a a exposição
pública de o ma c ia i a e posi i a. Tal como nos conduz Cassany e al. (2008) com a sua
a i mação de que “La escuela iene que colabo a en la p epa ación indespensable de niños
y jó enes pa a i i en el mundo p esen e y u u o, donde la in o mación, la comunicación
y la ecnología son cada día más impo an es” (p. 521).
2.3.2. Unidade didá ica: En mi ciudad
Nes a unidade (Anexo X), abalhada com o 7.º1, começámos po p oje a o ídeo
Visi ando mi pueblo, no qual os alunos i e am a opo unidade de isualiza imagens de
uma po oação inglesa chamada Sha nb ook. Es a po oação, localizada na zona les e de
Ingla e a, a no e de Lond es, é ap esen ada po um p o esso de o igem espanhola. Es e
mos a aos alunos a localidade e os seus se iços públicos. Des a o ma, os alunos conhecem
léxico ela i o ao espaço u bano, uma ez que no ídeo es ão esc i as em espanhol as
pala as mais impo an es. Os alunos ambém con ac am com o pon o de is a do ou o
ela i amen e a uma cidade que não e a a sua.
Como e e imos ao ap esen a as noções de ex o e con ex o, o con on o com a
di e ença e o diálogo com o ou o pe mi em oco e si uações de comunicação eal,
ela i amen e às quais obse a e comp eende o ou o signi ica nas pala as de Bakh in
“uma condição ine en e ao se humano” (apud Fonseca, 2012, p. 108).
O manual Pasapalab a 7, de Mo ei a e al. (2012), ado ado pela escola em causa,
possui uma plan a de uma cidade imaginá ia de amanho A2, a qual oi u ilizada e colada
no placa d da sala, pa a comple a o léxico ela i o à cidade. Fo am colocadas simples
ques ões aos alunos pa a que es es iden i icassem os se iços e as in aes u u as de
anspo es.
Assim, os discen es exe ci a am a sua comp eensão o al e a exp essão/in e ação o al.
Po im, esc e eu-se o léxico no quad o e aduzi am-se algumas pala as desconhecidas a
ní el oné ico e mo ológico que, a segui , os alunos passa am sob a o ma de glossá io pa a
os seus cade nos. Hou e uma boa in e ação com os alunos, uma ez que es es pe gun a am
po ou as pala as que ainda desconheciam, a im de comunica sob e es e ema. De
seguida, oi dis ibuído um pequeno ex o sob e o bai o ba celonês “El Ensanche”, o qual
ap esen a a a es u u a a qui e ónica da cidade e alguns adje i os associados aos nomes, o
que con ibuiu pa a ala ga o léxico dos alunos. Des a o ma, pediu-se aos mesmos pa a
aze em dois exe cícios. O p imei o consis ia na compa ação de Sha nb ook com o bai o
“El Ensanche”, no que diz espei o àquilo que cada um deles inha ou não. No segundo
31
exe cício, de am-se alguns ópicos, con o me podemos e no anexo XI, e os alunos inham
de desc e e o seu bai o.
Es e exe cício pode ia e sido iniciado com a p é- isualização de di e en es bai os de
Lisboa e com o p óp io bai o da p o esso a es agiá ia, o que não acon eceu, mas
gos a íamos, ainda assim, de suge i es a p é-a i idade como uma p opos a pa a u u as
aulas.
Des a o ma, como des aca Fonseca (2012), a elação en e o “eu” e o luga a que
pe ence pode i além de uma simples on ei a geog á ica, ou seja, essa elação pode
desencadea ou não uma abe u a à mudança, assumindo-se como uma complexidade
i encial de aspe os cul u ais, de cos umes ípicos de uma de e minada cul u a em con on o
com ou as e de aspe os económicos, en e ou os. Assim, o p imei o exe cício é
undamen al, po e como obje i o compa a dois bai os mui o di e en es um do ou o.
Des a o ma, os alunos i e am a opo unidade de obse a duas ealidades/luga es dis in os,
inse idos em Con ex os di e en es, e comp eendê-los sob o seu p óp io pon o de is a
enquan o obse ado es do mundo. Dis ibuiu-se uma icha ( e anexo XII), na qual os
discen es inham de esc e e “hay” ou “no hay” em cada bai o, chamando a si os con eúdos
léxicos, g ama icais e cul u ais e abalhando-os, ou seja, aquilo que By am (1997) chama
de sa oi ê e e sa oi app end e.
Rela i amen e ao úl imo exe cício, p oje ámos um ex o esc i o pela p o esso a
es agiá ia como modelo (Anexo XIII), pa a que os alunos comp eendessem o exe cício de
esc i a a pa i dos ópicos que o am dados. Sabemos que es e é um abalho de esc i a um
pouco con olado. No en an o, apesa de os alunos es a em no 7.º ano, o exe cício exige um
pensamen o c í ico, um dis anciamen o e uma análise ela i amen e ao p óp io mundo dos
alunos e ao mundo que os en ol e, nem semp e áceis de ap eende .
Ainda de modo a cen a mo-nos no nosso ema, o e e ido exe cício (Anexo XI)
inha como obje i o abalha não só os con eúdos p og amá icos, como ambém
desen ol e a sensibilidade que os alunos pode iam esc e e a a és das suas i ências
expe ienciais, uma ez que nos a edo es de Lisboa e a é den o da cidade, os bai os que a
compõem são na maio ia mul icul u ais. Nes es con i em pessoas de di e en es luga es,
com di e en es cos umes e c enças.
Assim, nes a unidade, al como na unidade an e io , p ocu amos ansmi i aos
alunos alguns alo es, como o espei o pelo “ou o”, a solida iedade, a con i ência en e
odos, colocando-nos numa pe spe i a “de o a” e de obse ação do mundo, que nes e caso
é um mic ocosmos: o bai o. Pa a a ealização des e exe cício, os sa oi s, o sa oi ê e e o
32
sa oi comp end e são pos os em p á ica numa pe spe i a mais subje i a: a da expe iência
i ida e con ada po cada aluno.
Apesa de se em alunos de 7.º ano de Espanhol iniciação, es es demons am aquilo
que exis e nos seus bai os e a elação, nem semp e ácil e ha moniosa, com os seus
izinhos. Des e modo, podemos e e i que os con eúdos o am no ge al ap eendidos, ainda
que alguns Tex os mos em algumas inco eções. No en an o, a desc ição da elação “eu” e
o “ou o” não oi desen ol ida como gos a íamos pois, pa a isso, se iam necessá ias mais
aulas, a im de desen ol e no amen e as emoções e os compo amen os com base nou os
exe cícios, uma ez que alguns alunos e e em uma con i ência di ícil e pouco ha moniosa
nos bai os onde i em, bem como elações humanas complexas com a sua izinhança.
Tal como já oi e e ido no pon o 2.2.2. da PES é necessá ia uma abe u a à
mudança, ao con on o de ideias, deba es e uma omada de consciência de que i e em
comunidade implica conhece o ou o sob di e en es aspe os. É ainda impo an e e e i que
exis e uma complexidade i encial de aspe os cul u ais, de cos umes ca ac e ís icos de uma
de e minada cul u a em con on o com ou as, de aspe os económicos e sociais, en e ou os.
Uma das p opos as que gos a íamos de pode e desen ol ido ao longo da PES se ia
demons a , a a és de di e en es ex os e de di e en es con ex os, si uações do quo idiano
de ou os alunos de ou os países, como Espanha ou de ou os con inen es, en e eles a
Amé ica La ina, con on ando-os pa a di e en es i ências, mo i ações e necessidades.
Assim, numa p imei a ase, os alunos di idi -se-iam em g upos de ês e escolhe iam um
ema ou sub ema pa a con e sa com os seus u u os amigos como: a escola, a amília, os
seus empos li es (jogos adicionais e ou a uais), as his ó ias in an is que mais gos a am
de le , en e ou os. Numa segunda ase, a íamos uma escolha de uma escola de um país,
a a és de uma o ação, e en a íamos en a em con ac o com os alunos dessa escola com
a ajuda do p o esso o ien ado e da Ins i uição que nos acolhe ia. Des a o ma, pensamos
que se ia bas an e p o ícuo comunica a a és de um blog e a é com a ajuda do Skype, se
osse possí el, pois es a íamos mais p óximos uns dos ou os do pon o de is a isual. A
in enção se ia comunica o almen e e po esc i o, a a és de géne os ex uais e supo es
di e sos, de o ma a conhece ealidades dis in as. É cla o que os alunos se iam incen i ados
a comunica e a i a p o ei o ela i amen e àquilo que o ou o em de di e en e e de
desconhecido, pa a que an o os alunos po ugueses como os alunos do g upo al o pudessem
in e agi en e si. Des a o ma, os alunos pode iam comp eende melho o ou o, não
sen indo sen imen os de epulsa ou choque mul icul u al.
O úl imo exe cício que não oi ealizado em sala de aula, embo a es i esse
plani icado, se ia um exe cício de consolidação de oda a unidade. Assim, como é e e ido
33
no Pe il dos Alunos pa a o Século XXI, no pon o 5 (Compe ências-cha e), p essupõe-se
que os discen es ao longo do seu pe cu so académico (1) en endam “a impo ância da
in eg ação das á ias o mas de a e nas comunidades e na cul u a”, (2)” comp eendam os
p ocessos p óp ios à expe imen ação, à imp o isação e à c iação nas di e en es a es, an o
em elação ao pa imónio cul u al ma e ial e ima e ial, como à c iação con empo ânea” (p.
16).
A p opósi o des e úl imo exe cício, as pin u as ealizadas pela colega e pin o a
And eia Rebelo (Anexo XV) i e am como obje i o não só p omo e a e lexão sob e as
elações in e pessoais, como ambém da a conhece no os ma e iais, onde a a e associada
à ealidade cons i ui egis os de aspe os sociocul u ais, le ando os alunos a inspi a em-se
nelas pa a ealiza o exe cício p op iamen e di o. Nele solici a a-se a pa icipação dos
alunos em g upos de qua o. Dois se iam u is as e os es an es dois in e p e a am o papel
de na i os da cidade de Mad id (um jo em e uma senho a de idade). A segui , pedia-se aos
alunos pa a man e em as mesas da sala sem obje os e coloca ia pin u as que ep esen am
se iços e in aes u u as que já inham sido abalhadas em aula (Anexo XV). Des e modo,
a a és da obse ação e da c ia i idade, an o os alunos que ep esen am o papel de u is as
como os na i os e iam de coloca -se na pele do “ou o” e d ama iza uma si uação
hipo é ica, dialogando en e si (Anexo XVI).
O obje i o des e exe cício se ia ansmi i alo es, a a és da obse ação do mundo
(cidade de Mad id), conhece o “ou o” pedindo in o mações sob e aspe os cul u ais como
museus, o nome das uas, e p á icos como os meios de anspo es, hospi ais e ou os
se iços. É cla o que os diálogos p essupunham uma plani icação p é ia das ideias que,
den o de cada g upo, os alunos podiam discu i e negocia , em unção de ópicos o necidos
pela es agiá ia. Esses diálogos se iam co igidos en e os memb os do g upo com a ajuda
da p o esso a ao ní el mo ológico, sin á ico e p agmá ico (no cump imen o das ó mulas
de a amen o adequadas à idade do in e locu o ). Com is o, ambém es amos a con ibui
pa a incu i nos alunos alo es ela i amen e ao pa imónio cul u al, ma e ial e ima e ial.
Além disso, cada g upo podia aze , com a au o ização dos enca egados de
educação, p odu os cul u ais como música, a e ac os e gas onomia pa a desen ol e ainda
mais a a i idade. Toda a comunidade escola es a ia con idada, a a és de pequenos
con i es ealizados pelos p óp ios alunos. Vi e -se-ia, assim, uma si uação de comunicação
eal, em que os ex os e o discu so p oduzido se i iam necessidades comunica i as dos
alunos, no seu quo idiano, (os con i es). Po úl imo, a p o esso a es agiá ia a ia uma
g a ação da d ama ização, median e a au o ização p é ia do di e o e dos enca egados de
educação, a qual se ia p oje ada e comen ada em sala de aula. Nes e caso, a a -se-ia de
40
3.1. De que o ma é que essas sensações nos dão conhecimen o da a i ude do na ado pe an e o
mundo que obse a?
4. Com base nas in o mações ex uais, elabo a a icha écnica da baleia, median e os seguin es
ópicos: ca ac e ís icas ísicas, psicológicas, alimen ação, o ganização social e hábi os.
5. Obse a o pa ág a o 11 “O ma desmaia…” e ansc e e ês ecu sos exp essi os que
con ibuam pa a salien a no ex o a beleza e ha monia da manhã, an es da na ação dos momen os
de pesca.
5.1. Po que azão a manhã e á sido desc i a pelo na ado de o ma a ansmi i as sensações de
beleza e ha monia?
5.2. Indica duas consequências posi i as e duas nega i as sob e a caça da baleia.
Com o exe cício 2, p e ende-se que os alunos comp eendam os alo es empo ais
eiculados pelos enunciados, sem se menciona em as noções e minológicas. Também se
p ocu a des aca a impo ância das exp essões de localização espácio- empo al na
p og essão da na a i a e a impo ância dos a o es (indi iduais e cole i os). Os es an es
exe cícios pe mi em aos alunos iden i ica em a imagem de um animal sel agem, magní ico
e pode oso que é obje o de iolência e de explo ação po pa e do homem. Pe mi em ainda
comp eende a p óp ia elação en e os ilhéus – que é de união –, de coope ação e de
solida iedade, mesmo quando se ins ala o caos e a ince eza na caça à baleia. A pa i des as
ques ões, os alunos são con on ados mais uma ez com o ac o de que só com o abalho
em equipa é que se conseguem ul apassa obs áculos, quase in ansponí eis. Além disso,
adje i os quali ica i os ais como “go du oso”, “ é ido” ou ases como “…po oda a pa e,
nas ped as esco egadias e na água azul, é eb as, ca caças boiando e es os
ensanguen ados que chei am a pod e que esandam” demons am o ímpe o da des uição,
o g o esco na imagem do esqua ejamen o das baleias e a ca ábase, ou seja, a descida ao
mundo in e nal, que é a p óp ia mo e. Es a úl ima é, pa adoxalmen e, ge ado a de ida.
16
São, assim, abalhadas ideias undamen ais do ex o, a sabe , a lu a pela sob e i ência,
o compo amen o e as ações das pe sonagens cole i as no espaço ilha e o d ama das baleias,
ideias essas que le am os alunos a amilia iza em-se com o ema des e capí ulo e com o
con ex o: ilhas → pesca baleei a → ca ni icina. Com e ei o, a p esença da população como
pe sonagem cole i a dinamiza a imagem de uma sociedade que i e dessa pesca e os alunos
podem in e i-lo, a a és dos adje i os que es e exce o ap esen a, sob e os juízos de alo
implíci os no seu uso.
No exe cício seguin e, baseado na in e ação p o esso / g upo u ma, p ocede-se à
iden i icação de blocos ex uais que pe mi am chega à segmen ação do ex o. Dado que
16
Não podemos esquece que o exce o de Raul B andão in eg a uma iagem pelos Aço es, em que o
desconhecido, o mis e ioso da i ência nas ilhas aço ianas, em 1926, e a maio i a iamen e igno ado pelos
po ugueses que i iam no con inen e.

41
es e é um ex o que eco e ao modo na a i o (na classi icação de A is ó eles), suge imos
que a segmen ação seja ei a com base nos modos de ap esen ação da na a i a (desc ição,
na ação, diálogo, e lexão/comen á io) e que seja undamen ada com a análise das ma cas
ex uais mais usuais em cada um desses modos, sem se eco e a me alinguagem
excessi a): desc ição (localizado es espaciais que deno am di e en es planos de obse ação;
e bos “se ” e “es a ” en e ou os e bos es a i os; p esen e e p e é i o impe ei o do
indica i o; adje i ação; analogias com ou as ealidades, a a és de ecu sos exp essi os
como a compa ação e a me á o a); na ação ( e bos de ação no p e é i o pe ei o ou mais
que pe ei o do indica i o); e lexão / comen á io (p esença de adje i os e ecu sos
exp essi os com alo ap ecia i o, de gene alizações, exempli icações, de e bos de
opinião, de conec o es a gumen a i os).
Des a abo dagem conjun a, esul a á a capaci ação dos alunos pa a uma análise mais
ab angen e que le a à cons ução do modelo es u u al des e ex o especí ico. Tal pe mi i á,
como já imos an e io men e, e i ica que a mac oes u u a des e ex o apon a pa a a
al e nância en e momen os de desc ição, e lexão e na ação. Resol ido o exe cício, os
alunos es ão ap os a conclui que a es a égia do enunciado passou po in e cala as
obse ações ap eendidas isualmen e, ou a a és de conhecimen os an e io es, com
momen os de e lexão/comen á io sob e os ac os obse ados, acabados de exempli ica , o
que não só con e e ealismo à sua esc i a, como ambém acen ua a sua mensagem sob e a
lu a dos pescado es, i emedia elmen e p esos, na sua condição de ilhéus, en e a ca ni icina
p a icada sob e as baleias e a sua p óp ia subsis ência.
A pa i do abalho de lei u a e, uma ez iden i icados os á ios momen os da na a i a,
pode -se-ia ainda desen ol e uma a i idade com o obje i o de des aca a pos u a do
enunciado ace à ealidade obse ada. Pa a isso, analisa -se-iam os mecanismos ex uais
usados pelo enunciado nos momen os de e lexão, passí eis de ansmi i em alo es a
ecusa e/ou a ado a .
17
P ocessa -se-ia, pois, um le an amen o dos alo es implíci os nos
17
Numa a i idade des e ipo, pode -se-iam e em con as os seguin es aspe os: os adje i os de cono ação
posi i a (manhã delicada) e nega i a (go du oso, ba acão é ido); o con as e en e a beleza da na u eza e
o ho o da mo e p a icada po mão humana; as gene alizações (“As baleias são es úpidas”, “O que ale
7. Di ide o ex o em blocos, endo em con a:
a) Momen o de desc ição;
b) Momen o de e lexão/comen á io;
c) Momen o de na ação.
7.1. Po que azão o na ado in eg a á o na ado momen os de e lexão/comen á io na na a i a?
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p ocessos de esc i a, nas e lexões (o ho o da ca ni icina, a inocência e a imidez das
baleias, a beleza da na u eza em es ado pu o, a impo ância do cole i o e do abalho
coope a i o, a solida iedade en e o g upo homens e o g upo baleias e o pon o de is a
cla amen e condena ó io da pesca da baleia) que pode ão se explo ados e/ou deba idos,
an es de pode em i a se mobilizados pa a o a o de esc i a. A a i idade a p opo , nes e
úl imo domínio, não só econ igu a o modelo desc ição / na ação / e lexão como implica
uma mudança de pe spe i a enuncia i a, em que o aluno mos a a sua obse ação do mundo,
do pon o de is a das suas expe iências pessoais.
18
Como a i idade de pós-lei u a, e oma-se a a i idade inicial (escu a a i a da canção
“As baleias”, de Robe o Ca los), dinamizando-se uma ecolha de ideias-cha e do ex o,
eme endo-se pa a as que o am iden i icadas na lei u a da canção: sob e i ência, libe dade,
cole i idade, comunidade, ma ança, ex inção…
Dando con inuidade à abo dagem me odológica p opos a no esquema da Figu a 6
da página 37, e depois de iden i icado o modelo de ex o (a i ude enuncia i a baseada no
na a , in e calando momen os de desc ição / na ação e e lexão), p opomos a sua
econ igu ação numa composição esc i a com uma es u u a ap oximada. De igual modo, a
emá ica a p opo incide sob e as ques ões que le am a uma a i ude e lexi a dos alunos,
susce í el de con ibui pa a a sua o mação pessoal e cí ica nes e domínio:
Con a uma his ó ia em que a ação do homem a o eça a sob e i ência de um ou á ios animais,
salien ando a impo ância da ação cole i a. Segue as e apas:
1. Deba e as uas ideias sob e o assun o com os memb os do eu g upo (2 a 3);
2. Plani ica a o ganização do ema e do ex o, de aco do com a abela abaixo:
Tabela de plani icação do ex o
In odução
Desen ol imen o
Conclusão
DESCRIÇÃO
Desc e e um ambien e
na u al em es ado
sel agem, onde se ai
passa a ua his ó ia, a pa i
NARRAÇÃO
- Pensa nas pe ipécias que ão con ibui
pa a o desen ol imen o da ação da ua
his ó ia:
REFLEXÃO
Conclui o eu ex o indicando
como e minou a ua his ó ia
e elabo a uma pa e de
e lexão sob e o di ado “a
é que a baleia é um bicho mui o ímido”); as ap eciações (“É um espe áculo majes oso encon a pela
manhã um bando de baleias”); o uso do p onome inde inido “ udo” pa a exp imi a ideia do cole i o; o
uso do plu al em “homens”, “populações”, “baleei os”, “ame icanos” pa a exp imi a ideia do abalho
cole i o; o uso de deí icos pessoais, espaciais e empo ais, que con e em mais c edibilidade ao sujei o
enunciado , em unção da sua p esença e conhecimen o da pesca (“o Pico passa a meus olhos po di e en es
g adações”; “C eio que hoje só os ba cos dos Aço es a caçam pelo p ocesso p imi i o”; “Lá de cima…”,
“Vejo daqui a iada de casas.”).
18
Des a o ma, podemos conside a o compo amen o da comunidade como um abalho em equipa,
ap oximando-nos do modelo da CCI, segundo By am, sob e udo, no sa oi s.
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3. Redige o eu ex o (com a i ação de oda a in o mação que ob i es e na ase da lei u a).
4. Re ê e a alia c i icamen e o eu ex o ( iz a in odução, iz pa ág a os, ca ac e izei as
pe sonagens e ambien es, e c.); compa a o eu ex o com o do eu colega pa a e i ica es
se es ão ambos de aco do com o que oi solici ado.
5. Reesc e e o eu ex o, azendo as al e ações que conside a es pe inen es.
de um dado pon o de
obse ação. C ia
pe sonagens indi iduais e
cole i as, desc e endo-as.
(Exemplo: um g upo de homens encon a
um animal e ido; o animal comunica
com os ou os da sua espécie, e c)
- Não e esqueças de que em de ha e
obs áculos a ul apassa que ão se
supe ados pela ação conjun a dos
homens ou dos animais.
união az a o ça”, sem e
esquece es de e coloca na
pele do se que saiu encido.
Localizado es espaço- empo ais e o ganizado es ex uais
Ce o dia de Ve ão…
Há mui os anos…
Na se a da Es ela…
No plane a de…
No al o do mon e… / Mais adian e…
No meio da cla ei a…/ Jun o ao
penhasco…
Quando… / Enquan o…
Naquele momen o… / Pouco depois…
Subi amen e…/ De epen e… /
Inespe adamen e…
En ão…
Em p imei o luga …
Em segundo luga …
Po um lado… / Po ou o
lado…
Finalmen e… / Concluindo…
Espe a-se que o uni e so na a i o con ocado pelos alunos con enha implici amen e
o epúdio pela explo ação dos animais, a alo ização do es o ço cole i o e, mesmo, alguns
juízos de alo , na pa e da e lexão. A a aliação de um al abalho p essupõe,
na u almen e, um i em de a aliação das a i udes que o ex o p oduzido e le e, o que
a amen e oco e nas nossas escolas e não cos uma aze pa e dos c i é ios de co eção dos
exames nacionais
19
.
3.3. C ónica de D. João I (Capí ulos XI e CXV), de Fe não Lopes (10.º ano)
Es a a i idade em como eixo de abalho os capí ulos XI e CXV da C ónica de D.
João I, de Fe não Lopes e des ina-se ao 10.º ano. Em anexo, pode ão se consul adas a
plani icação de a i idades (Anexo XXIII) e os ecu sos u ilizados na ope acionalização
(Anexos XXIV a XXVI). A escolha des e au o , já jus i icada em 3.1., p ende-se sob e udo
com o eixo emá ico da exp essão do cole i o e a sua con ibuição pa a a o mação dos
alunos.
19
Na P o a Final de Po uguês do 9º ano (2017,1.ª Fase), os alunos cons oem um ex o sob e uma igu a
pública que admi am. Ao jus i ica em a sua admi ação, icam implíci os alo es que não chegam a se
conside ados pelos c i é ios de a aliação. O a, gos a de uma can o a po que “ az mui o dinhei o” não é a
mesma coisa que admi a ou a que se despoja de udo o que em.
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C ónica de D. João I (Capí ulo XI)
Rela i amen e ao Capí ulo XI, como a i idade de p é-lei u a, suge e-se a
dinamização de um exe cício de comp eensão o al que se des ina a acili a a abo dagem do
con ex o his ó ico da e olução de 1383-85. A a i idade encon a-se in eg almen e
ap esen ada no Anexo XXV e é cons i uída pelas seguin es ases: 1) Lei u a em oz al a do
ex o “A c ise de 1383-85 (pelo p o esso ); 2) Tomada de no as pelos alunos; 3)
O ganização de no as em o ma de ex o; 4) Lei u a e e o mulação das no as em ex o.
Com es a a i idade, p e ende-se amilia iza os alunos com o con ex o his ó ico
subjacen e ao ex o de Fe não Lopes, ap o ei ando-se ambém pa a eina a a enção e
comp eensão des es, enquan o ou in es, e ainda enquan o p odu o es de ex os esc i os a
pa i de ex os o ais.
Segue-se a explo ação do í ulo do capí ulo XI da C ónica de D. João I (“Do
al o oço que oi na cidade cuidando que ma a am o mes e, e como ali oi Ál o o Pais e
mui as gen es com ele”), espe ando-se que os alunos comp eendam que se a a de um í ulo
com unção esuma i a e que nele es a á sin e izado o assun o do capí ulo.
Explo ado o í ulo, p ossegue-se com a lei u a in eg al do capí ulo, escla ecendo-se
dú idas ela i as ao léxico e às es u u as sin á icas e le ando os alunos a e le i em sob e
a e olução da língua. A lei u a é ei a em oz al a, de o ma aseada e comen ada, endo em
con a cada um dos momen os em que se es u u a o ex o, de aco do com o quad o abaixo:
Momen os do ex o
Ques ões
Respos as (com base em
elemen os ex uais)
1.º momen o
P opagação da mensagem
(ll. __ a __)
- Qual a unção do Pajem do Mes e?
- Qual o obje i o da mensagem?
2.º momen o
A chegada do po o
(ll. __ a __)
- Qual a azão da adesão do po o ao
mo imen o?
- Que eações e e o po o à chegada aos
Paços?
3.º momen o
A saudação do Mes e
(ll. __ a __)
- Quais os sen imen os exp essos pelo po o
quando iu o Mes e?
- Que opinião é que o po o em sob e a
ainha?
4.º momen o
A pa ida do Mes e
(ll. __ a __)
- Que inha o Mes e conseguido,
e e i amen e, ealiza ?
A análise ex ual p op iamen e di a em como obje i o le a os alunos a e le i sob e
a es u u a in e na do ex o (exe cício 1), os mecanismos linguís icos u ilizados pelo
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na ado pa a desc e e o eal e comen a esse mesmo eal (exe cício 3) e exis ência de
agen es indi iduais e cole i os (exe cício 3).
Conside ando a es u u a do ex o, e as ca ac e ís icas do es ilo de Fe não Lopes,
espe a-se que os alunos comp eendam o dinamismo da na a i a e a exp essi idade
desc i i a do au o , a sua en a i a de en ol e e seduzi o alocu ó io, le ando-o a ica
imbuído do espí i o e olucioná io e da acei ação da ação pa ió ica do Mes e. Também se
espe a que comp eendam a impo ância da ação cole i a de odos e da p óp ia pe sonagem
“po o” pa a o sucesso da omada dos Paços da Rainha. Con o me e e ido an e io men e,
segundo o modelo de CCI p opos o po By am, ambém aqui podemos e e i a dimensão
do sa oi s, dado que conhece a ação cole i a do po o implica uma amilia ização com as
p á icas e compo amen os de um g upo social. Além disso, os g upos, que po ugueses
que cas elhanos, e idenciam, a a és do seu compo amen o solidá io, alo es como a
lealdade, a união, a coope ação, en e ou os.
Es e pe cu so didá ico é concluído com uma a i idade de esc i a, que em como
pon o de pa ida a ap op iação do modo enuncia i o (na a i a) e a e lexão sob e o con ex o
ine en es à lei u a li e á ia.
Imagina que és um epó e e, al como Fe não Lopes, assis is e a acon ecimen os in ulga es que
en ol e am a mo imen ação de massas, seja num desa io de u ebol, numa mani es ação ou num
conce o (en e ou as possibilidades).
Elabo a um ela o mui o ealis a (de 80 a 100 pala as) sob e a(s) cena(s) a que assis is e,
e idenciando ambém os eus pensamen os e eações, sem esquece de in oduzi alo es como o
companhei ismo, a acei ação da di e ença, a solida iedade e a in e ajuda, pa a além dos ecu sos
es ilís icos adequados.
Com es e exe cício, p e ende-se que os alunos ep oduzam um ex o em que p edomina
um a o de na a implicado (na 1.ª pessoa do plu al e do singula ), o ganizado em di e en es
momen os (como na C ónica de D. João I) e onde simul aneamen e se encon e ex ualizada
a impo ância da obse ação do mundo, da eação dos ou os, o egis o dos juízos de alo
dos ou os e dos seus p óp ios e ainda, a impo ância do cole i o, numa ansposição das
i ências do passado pa a o p esen e.
Como an e io men e, p opõe-se aqui o uso de uma abela de plani icação do ex o. Mais
uma ez se chama a a enção pa a a a aliação des e ipo de exe cício que de e á con empla
a pa e do con eúdo, já que hou e nele um al in es imen o.

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Tabela de plani icação do ela o
Ao segui em um plano, com o de alhe p opos o, com as ações enuncia i as já
colocadas e pensadas em unção da p og essão ex ual, os alunos omam consciência da
impo ância de pensa p imei o no que ão dize , quando e como ão dize . Es e p ocesso
pe mi e-lhes ganha eino pa a uma p og essi a au onomia que le e ao desen ol imen o
das capacidades linguís ico- ex uais, ao mesmo empo que adqui em um “sa oi ai e”
baseado numa mobilização de di e sos “sa oi s”, como é o caso do uso dos a iculado es
necessá ios à coesão e coe ência do ex o p oduzido.
C ónica de D. João I (Capí ulo CXV)
Rela i amen e ao segundo agmen o da C ónica de D. João I, de Fe não Lopes,
in i ulado “Pe que guisa es a a a çidade co egida pe a sse de emde , quamdo el ei de
cas ella pos çe co sob ella” (Anexo XXVI), suge e-se a lei u a em oz al a de pa es do
exce o, pa a aseadas, e um exe cício sob e léxico, o qual consis e em que os alunos
encon em as o mas a uais das pala as indicadas (Exe cício 1). Es e exe cício em como
obje i o acla a possí eis dú idas de ocabulá io e eina a comp eensão de ocábulos
no os a a és do con ex o em que su gem.
De seguida, p opõe-se um exe cício de análise da es u u a do ex o (Exe cício 2), a
im de que os alunos comp eendam as ideias p incipais e a o ma como a cidade de Lisboa
oi de endida pelos po ugueses, quais os g upos sociais que es i e am en ol idos e a
In odução
Desen ol imen o
Conclusão
- Iden i ica cla amen e o
e en o que ais ela a
com indicações espaço-
empo ais e com um
comen á io ge al sob e o
que sen is e ao assis i ao
mesmo.
- in oduz uma sequência desc i i a do ambien e que se i ia,
da mo imen ação dos a o es/agen es (cole i os e
indi iduais);
- ca ac e iza os segmen os sociais ep esen ados no eu ela o;
- de ine as pe ipécias p incipais (di idindo-as em momen os
dis in os)
- ap esen a-os conjun amen e com as imp essões que delas
e i es e;
- in oduz sensações audi i as, isuais, ol a i as, á eis, de
mo imen o ou ou as;
- u iliza compa ações exp essi as, enume ações e me á o as.
- Conclui o eu ex o
indicando como e minou o
e en o;
- Re i a conclusões sob e
as azões que mo i a am
essa mo imen ação de
massa;
- Ap esen a a ua
pe spe i a c í ica,
mos ando como udo
pode ia e co ido melho .
Exemplos de localizado es espaço- empo ais e de conec o es
No dia…
Há dois anos…
Ce a ez…
No ci co…
Na iagem de inalis as…
Na ila da en e… / Mais adian e…
No meio da cla ei a…/ Jun o ao penhasco…
Quando… / Enquan o…
Naquele momen o… / Pouco depois…
Subi amen e…/ De epen e… / Inespe adamen e…
En ão… Mais a de
Conside ando que…
Pa ece e iden e que
Além disso…
De ac o…
Salien o ainda…
Finalmen e… /
Concluindo…
47
impo ância do abalho em equipa pa a o esul ado inal, o qual e a de ende Lisboa das
opas de Cas ela. Assim, os alunos e iam de delimi a no exce o os momen os que lhes
são p opos os. Des a o ma, com a explici ação de cada momen o, os alunos comp eendem
melho o sen ido do ex o: den o das mu alhas da cidade, cada g upo social inha uma
unção, emoções e eações que exp essam um sen imen o cole i o de união e de concó dia.
Es es exe cícios o nam-se impo an es pa a a análise do capí ulo, uma ez que o c onis a,
a a és de acon ecimen os ac uais, con e e e osimilhança à p óp ia na a i a.
A comp eensão do sen ido global do ex o é complemen ada com uma segunda
a i idade (Exe cício 3), que incide no p eenchimen o de um mapa ou esquema conce ual,
sob e a o ganização do ce co, que os alunos, em abalho de pa es, p eenchem com pala as-
cha e ou exp essões ex uais, a im de consolida ideias. Depois da co eção da icha, com
a pa icipação dos alunos, ap esen a-se a co eção p oje ada no quad o.
Com es es dois exe cícios espe a-se que adqui am uma maio capacidade de análise
ex ual e de sín ese, ao mesmo empo que explo am mais de alhadamen e o agmen o
ex ual, nos seus ópicos, nas suas di e enças, na sua hie a quização, nas suas pa es
cons i u i as.
Ao longo do ex o, o sujei o enunciado assinala de e minadas qualidades e alo es
p esen es na ação conjun a dos in e enien es na p epa ação do ce co, de o ma elogiosa,
pela o ma conscien e como odos colabo am. Po essa azão, p opõe-se uma abo dagem
dos mecanismos linguís icos que ealizam ex ualmen e esse elogio, isando uma
ap op iação dessas qualidades e desses alo es, implíci os em de e minadas exp essões
(Exe cício 4).
Ainda ela i amen e ao ema e assun o do ex o e, pa a uma consciencialização dos
alunos ela i amen e aos alo es implíci os na elação do cole i o e nos p ocessos
es ilís icos pa a o exp imi , são elabo adas duas ques ões de undo, a desen ol e o almen e:
5. Ap esen a elemen os ex uais que demons em o pon o de is a do na ado sob e os esul ados
da ação cole i a an o do lado dos cas elhanos como dos po ugueses, exp essas no úl imo
pa ág a o des e exce o.
5.1. Re e e as conclusões des e ipo de o ganização p econizado pelo Mes e de A is.
Passando do ní el mac o ex ual pa a um ní el mic o ex ual, elegem-se pa a abalho
de obse ação e análise a coesão e e encial e in e ásica (sem se eco e ao excesso de
me alinguagem). São, assim, p opos os os Exe cícios 4 e 5, que incidem especi icamen e na
iden i icação de elações semân icas (adição, oposição, causa, empo, consequência) e a
48
iden i icação de e e en es (de quem se ala, do que se ala?), ou seja, a g amá ica é aplicada
à comp eensão do ex o.
Passando da Lei u a pa a a Esc i a e pe spe i ando a Lei u a como pon o de
pa ida pa a essa mesma esc i a – enquan o modelo ex ual passí el de
ep odução/adap ação e enquan o ex ualização de alo es e a i udes –, como a i idade inal,
p opõe-se à u ma a ealização de um ex o esc i o en e 180 a 240 pala as, no qual os
alunos, depois dos exe cícios ei os e co igidos em sala de aula, e ão de se posiciona na
pele do “inimigo”, ou seja, dos cas elhanos, pa a obse a o ambien e den o das mu alhas,
de um no o pon o de is a, a aliando o ânimo dos po ugueses.
És um espião ao se iço do Rei de Cas ela e de D. Bea iz. Fos e incumbido de ela a o modo como
en as e na cidade de Lisboa, in eg ando no ela o comen á ios sob e a o ma es á o ganizada a de esa
den o das mu alhas. Redige o eu ela o (na 1.ª pessoa) e des ina-o ao Rei.
Es a úl ima a i idade pe mi e aos alunos coloca em-se em sin onia com um pon o
de is a que lhes é es anho, mas que e ão de comp eende e de espei a (sa oi ê e e
sa oi comp end e), dando assim o ma ao seu conhecimen o e obse ação do mundo e dos
“ou os”. Des e modo, com es e exe cício de esc i a, os alunos êm de implica -se na 1.ª
pessoa e de a alia c i icamen e compo amen os e a i udes em elação ao “ou o”.
Recon igu am ainda um con ex o, que abso e am do ex o abalhado na aula, mas que é
semp e passí el de en iquecimen o com a in e p e ação pessoal do no o obse ado ,
conside ando a sua mundi idência e expe iências pessoais. Finalmen e, os alunos podem
ainda desen ol e , de o ma c ia i a, a sua capacidade de desc ição, na ação e de
a gumen ação, a a és de um discu so que e idencie alo es de cidadania, num no o ex o
sob e o ex o o iginal.
49
Conclusões
A p esen e e lexão p ocu a á sin e iza o essencial do abalho de in es igação que deu
o ma ao ema do ela ó io e que pe mi iu desen ol e p opos as de ensino elacionadas
com os aspe os eó icos abo dados. Como é na u al, ambém e le e um pe cu so o ma i o
e p o issional que, sendo único, conduz a abo dagens pessoais do ensino da língua ma e na
e da língua es angei a. Pa a além de uma es adia de um ano em Poi ie s, como Assis en e
de Po uguês e de Cul u a Po uguesas, no Liceu Jean Moulin e no Collège Louise Michel,
a ligação à mul icul u alidade passou ambém po di e sas expe iências le i as com alunos
de ou as nacionalidades, do 2.º Ciclo do Ensino Básico ao Ensino Secundá io. Es a
expe iência le i a e de ida le ou à comp eensão da necessidade de possui e desen ol e
conhecimen os eó icos sob e o ensino do Po uguês pa a es angei os, pelo que oi
ealizada uma pós-g aduação em Po uguês como Língua Es angei a pela Uni e sidade
No a de Lisboa, em 2010. Tudo is o, e o econhecimen o da impo ância do ensino das
línguas na o mação in elec ual, ans e sal e holís ica dos alunos, le ou à escolha do ema
des e ela ó io. Espe amos e salien ado o in e esse, a pe inência e a a ualidade des e,
a a és dos concei os e alo es mobilizados, conside ando as polí icas educa i as que se
desenham a ualmen e no ho izon e.
Po isso, espe amos ambém e ap esen ado algumas ias pa a a in e enção da
escola, designadamen e do ensino das línguas, nos aspe os compo amen ais e emocionais
dos alunos, de o ma a capaci á-los pa a uma ação in e en i a, cí ica e solidá ia no mundo.
É jus amen e es e o p oblema a que o ela ó io p e ende da al e na i as, con ex ualizadas
es as nos p og amas de ensino e undamen adas pelas didá icas de ambas as línguas, a
ma e na e a es angei a. Ou seja, p ocu ámos delinea um io condu o que ope acionalize
a ap endizagem de LE e LM num mesmo pe cu so que englobe os mesmos concei os
p opos os no p esen e ela ó io.
Po um lado, o concei o de cidadania, cuja impo ância é ulc al no Pe il dos Alunos
à Saída da Escola idade Ob iga ó ia, ecen emen e homologado e pos o em p á ica já no
p esen e ano le i o, concei o que nos anspo a pa a a isão iden i á ia de um “eu”
con on ado com o mundo e com a al e idade como possí eis opo unidades de alcança o
conhecimen o p óp io. Po ou o lado, o modelo de abo dagem comunica i a p opos o po
au o es como By am, segundo o qual os alunos passam po di e en es p ocessos de in e ação
que os le am ao esul ado inal do sa oi s’engage implicando-se, nes a ase, com uma
a i ude c í ica e in e en i a. A língua é, en ão, en endida como endo a inalidade de c ia
si uações que possibili em ao aluno o desen ol imen o da compe ência comunica i a, pelo
56
ANEXOS

57
Anexo I – Plan de unidad didá ica (U.D.) Ac i idades de iempo lib e 2016/17
P o eso a o ien ado a de la acul ad FCSH: Bea iz Mo iano P o eso o ien ado : João Paio
P o eso a en p ác icas: Ru e Jo ge
OBJETIVOS
GENERALES
OBJETIVOS
FUNCIONALES
EXPONENTES LINGÜÍSTICOS
CONTENIDOS
GRAMATICALES
CONTENIDOS LÉXICOS
CONTENIDOS
SOCIOCULTURALES
Familia iza el alumno
con el léxico sob e los
sen imien os /
emociones
Habla de
sen imien os /
emociones
Comunica de o ma
ase i a
-------------------------
Familia iza el alumno
con el léxico sob e
ac i idades de iempo
lib e
De ini sen imien os /
emociones
--------------------------------
Exp esa opinión
Amo / en idia/ e nu a / insegu idad
es …
El dueño le da un o den / una pa ada
/ un ca iño / lo empuja / pone música
…
---------------------------------
Sal a a la comba, juga a la ayuela,
escucha música, baila , juga al
escondi e inglés…
(No) Me gus a po que ….
Me despie a aleg ía, is eza,
e nu a…
La pulse a de cue da es un ecue do
de su amigo.
(No) Recomiendo es e co o
po que…
P esen e de
indica i o
----------------------
P esen e de
indica i o
Ve bo Gus a
Léxico ela i o a
sen imien os / emociones
Léxico sob e Ac i udes/
Compo amien os
Posi i os: espe a ,
esponsabiliza ,
comp ende , acoge ,
ayuda .
Nega i os: insul a ,
echaza , ep ende ,
desp ecia , duda
--------------------------------
Léxico ela i o a
ac i idades de ocio y
juegos adicionales
Co ome aje El bu o
ozudo,
h ps://www.you ube.com/w
a ch? =hepIiFKG54Q
(4:30), consul ado el
12/03/2017
El O o y Yo - Ac i udes/
Compo amien os
T abajo en equipo
-----------------------------
Juegos adicionales y
con empo áneos
Video – co ome aje
“Cue das”(11 minu os) de
Ped o Solís, 2013
h ps://www.you ube.com/w
a ch? =gYq Q wqDj8,
consul ado el 10/02/2017
58
Comp ende mensajes
a a és de sopo es
audio isuales
Valo a una película/
un co ome aje
Sabe in e ac ua con
los compañe os
Esc ibi un mensaje a
un amigo exp esando
u opinión sob e el
co o
O aciones
ad e biales causales
(… po que…)
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Anexo II – Tabulei o de jogos adicionais e con empo âneos
60
Anexo III – Ca ões pa a a a i idade dos jogos adicionais e con empo âneos
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Anexo IV – Nomes de jogos ( e e so dos ca ões an e io es)

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Anexo V – Ques ioná io elação “eu” e o(s) “ou o(s)”
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Anexo VI – Emoções e sen imen os
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Anexo VII – T abalhos esc i os sob e a cu a-me agem “Cue das”
65
Anexo VIII – Compe ência Comunica i a In e cul u al (By am, 1997)
By am, 1997 (p.73)
72
Anexo XIII – Modelo de ex o sob e “O meu bai o”, cedido pela p o esso a es agiá ia
Mi ba io es á ubicado en Al e ca.
A mí me gus a mi ba io, po que es p ecioso. Hay un pa que lleno de pa os. Mis ecinos son
un encan o de pe sonas. Es á lleno de iendas muy in e esan es y p ác icas, po ejemplo una
la ande ía, una ienda de opa, dos supe me cados y una in o e ía. Hay dos pa adas de
au obús, una boca de me o ce ca, hay una es ación de en un poco lejos de mi casa.
En mi ba io hay pe sonas de di e en es luga es: musulmanes, chinos, indios, a icanos y odos
nos lle amos muy bien. Es un ba io mul icul u al y las pe sonas ienen di e en es cos umb es.
Es a mañana he is o a los niños jugando con sus pad es y ambién he is o a algunas pe sonas
haciendo las comp as.

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Anexo XIV – T abalhos de alunos sob e a a i idade inal da U.D. En mi ciudad
74
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Anexo XV – Pin u as sob e se iços e in aes u u as
da cidade de Mad id (And eia Rebelo)
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81
Anexo XVI – T abalho de g upo: iaja e conhece a cidade de Mad id:
“eu” e o“ou o”
En g upos de cua o ais a elegi un monumen o/espacio de la ciudad de Mad id. Haced una
búsqueda en In e ne sob e su ubicación y los posibles medios de anspo e que se pueden
coge pa a llega has a allí.
Den o de cada g upo ais a desa olla los siguien es oles:
- dos amigos u is as;
- a quien se pide di ecciones, medios de anspo e, monumen os, es au an es,
biblio ecas;
- deci si os gus a i i en Mad id?¿Po qué?
Pa a esc ibi el diálogo que ais a ep esen a en e odos, debéis segui las pau as de es e
guion:
- Sois dos amigos u is as y habláis sob e lo que hay pa a isi a en la ciudad
que es áis isi ando;
- Decidid lo que os gus a más;
- P egun ad p ime o a un jo en de Mad id (le a áis de ú) la di ección y el/los
medio/s de anspo e pa a llega has a allí;
- P egun ad a una seño a mayo de Mad id (la a áis de us ed) sob e
monumen os, es au an es, biblio ecas o algo más in e esan e desde el pun o
de is a cul u al y a ís ico;
- Tenéis que ansmi i ues a opinión sob e lo que eáis;
- ¡ojo! Tenéis que ayuda a una seño a mayo , mos ando solida idad y espe o.
88
- Reconhece e conhece
classes de pala as (G 22.1)
- Redigi ex os com coe ência
e co eção linguís ica (E 12
2.3.4.)
- Esc e e ex os di e sos (E
16.2)
- Re e os ex os esc i os (E
17.2)
G amá ica
- Ma cas ex uais
aspe o pe e i o,
impe e i o e
du a i o
- Exp essões de
localização espácio-
empo al (ad é bios
e locuções
ad e biais)
Esc i a
- Plani icação
- Tex ualização
- Re isão
- Reesc i a
G amá ica (língua em uso)
- Obse ação, iden i icação das
es u u as linguís icas p esen es no
ex o
Esc i a p ocessual
- P odução de um ex o (na a i o,
com momen os de desc ição e de
e lexão) na 3ª pessoa, e le indo a
impo ância do cole i o, seguindo as
ases da esc i a (plani icação,
ex ualização, e isão, eesc i a)
Tex os
p oduzidos
pelos alunos
20`
45`

89
Anexo XXI – “As Baleias”, de Robe o Ca los
As baleias
Não é possí el que ocê supo e a ba a
De olha nos olhos do que mo e em suas mãos
E e no ma se deba e o so imen o
E a é sen i -se um encedo nes e momen o
Não é possí el que no undo do seu pei o
Seu co ação não enha lág imas gua dadas
P a de ama sob e o e melho de amado
No azul das águas que ocê deixou manchadas
Seus ne os ão e pe gun a em poucos anos
Pelas baleias que c uza am oceanos
Que eles i am em elhos li os
Ou nos ilmes dos a qui os
Dos p og amas espe inos de ele isão
O gos o ama go do silêncio em sua boca
Vai e le a de ol a ao ma e à ú ia louca
De uma cauda expos a aos en os
Em seus úl imos momen os
Relemb ada num o éu em o ma de a pão
Como é possí el que ocê enha co agem
De não deixa nasce a ida que se az
Em ou a ida que sem e luga segu o
Te pede a chance de exis ência no u u o
Muda seu umo e p ocu a seus sen imen os
Vai e aze um e dadei o encedo
Ainda é empo de ou i a oz dos en os
Numa canção que ala mui o mais de amo
Seus ne os ão e pe gun a em poucos anos
Pelas baleias que c uza am oceanos
Que eles i am em elhos li os
Ou nos ilmes dos a qui os
Dos p og amas espe inos de ele isão
O gos o ama go do silêncio em sua boca
Vai e le a de ol a ao ma e à ú ia louca
De uma cauda expos a aos en os
Em seus úl imos momen os
Relemb ada num o éu em o ma de a pão
Não é possí el que ocê supo e a ba a
E asmo Ca los e Robe o Ca los, “As baleias”, Robe o Ca los (1981)
h ps://www.google.p /sea ch?q=le a+de+musica+as+baleias+ obe o+ca los&oq=as+baleias+le a+ obe o
+ca los&gs_l=psy (consul ado em 02-07-2017)
h ps://www.you ube.com/wa ch? =E4B9LbuSxPY (consul ado em 02-07-2017)
90
Anexo XXII – “A Pesca da baleia”, de Raul B andão
Ficha de abalho – Po uguês, 7.º ano
G upo I – Comp eensão de ex o li e á io na a i o
“A Pesca da Baleia”
Lá de cima do polei o o igia e gueu-se de sal o, deu sinal de baleia à is a com o búzio e odos
Os homens desa a am a co e pa a as canoas. Nas Lajes, nou o dia, saía o en e o dum baleei o mo o
no ma , quando do Al o da Fo ca anuncia am o bicho. Ia udo compungido – ia a mulhe compungida e
os pescado es compungidos, o pad e, o sac is a, a c uz e a caldei a – iam aqueles homens udes e
isnados em passo de caso g a e e a os de e a Deus – e logo a ma cha compassada pa ou
ins an aneamen e e muda am ins an aneamen e de a i ude: icou só o pad e com o la im engasgado e o
caixão no meio da ua, e os ou os, en odilhados, le a am o sac is ão, de abalada, a é à p aia. Baleia!
baleia!... Deixam um casamen o ou um en e o em meio, um con a o ou uma penho a, as es emunhas
e a jus iça, e co em desespe ados a a ea à baleia. No Cais do Pico e nas Lajes ninguém se a as a da
p aia. Es ão semp e à espe a do sinal e com o ou ido à escu a, os homens nos campos, as mulhe es nos
caseb es. E enquan o alam, comem ou abalham, lá no undo emói semp e a mesma p eocupação. São
ão apaixonados que a é es e chei o ho í el, que az náuseas e que se en anha na comida e no a o, lhes
chei a semp e bem.
- Baleia! Baleia!
E oda a população acode aos ba cos. Vejo daqui a iada de casas à bei a da es ada, o cais de
emba que com o go du oso ba acão de madei a, udo neg o, en umado e é ido, e po oda a pa e, nas
ped as esco egadias e na água azul, é eb as, ca caças boiando e es os ensanguen ados que chei am
a pod e que esandam.
- Nosso Senho á com eles!
- Nosso Senho lha dê sem pe igo! – dizem as mulhe es.
- O pão do meu José ai na canoa – g i a ou a, deb uçada pa a os homens que empu am o ba co
a oda a p essa.
- E aquela canoa não la ga?
- Es á à espe a do ancado .
Já um g upo de elhos, com a mão enconchada sob e os olhos, esp ei a pa a o la go, a e se
descob e os esguichos de apo que o bicho es olga.
O ma desmaia, mais e é eo que o céu, diluindo pouco e pouco no azul o doi ado das nu ens.
Uma luz di usa es emece no a epio da supe ície. É uma manhã delicada – um pedaço de céu azul-
cla o que se não dis ingue do ma azul-cla o. Ao undo apo es espa sos, à di ei a locozinhos b ancos
po cima de S. Jo ge, e pa a o la go pas adas g ossas e imó eis que a p imei a luz da manhã ilumina.
Acolá um a apo de né oa emb ulhou-se na água dum azul quase cinzen o e não a la ga: o Faial, a
dis ância, é uma mancha anspa en e, e o Pico passa a meus olhos po di e en es g adações, desde o
azul nascido ao iole a. Né oas p endem-se aos calhaus neg os, aos mon es d amá icos, ou de e em-
se de epen e na água em ápidos chu ei os. No céu há um azul en e as nu ens ão ensaboado que
mal se dis ingue, um azul en e nu ens azuis es endidas, com in e s ícios mais cla os, e logo po cima
pequenos es a os amon oados... Mas udo is o des anecido, udo is o a a és da neblina quase a
desapa ece . É uma manhã pa a se espi a , de aga inho. O ma é ainda neblina, o céu odo neblina;
só anda algum azul mis u ado ao b anco e alguma luz que se coa pelas nu ens...
A canoa oga suspensa na a mos e a e ou as lá ão adian e à o ça de emos. Duas iça am as
elas... Um ba co des es é quase um mó el, ao mesmo empo delicado e esis en e, mui o bem
cons uído de ábuas le es de ced o, p egadas com ca ilhas de b onze sob e as ca e nas de ca alho
ame icano – esguio como um peixe e le e com uma casca, pa a esco ega sob e as águas. Me em-
lhe den o se e homens, o a pão e a lança, pa a a aca um bicho cuja massa pode se a aliada em cem
oneladas, e que, depois de e ido, se i a às ezes con a as canoas e a é con a na ios do seu amanho.
Ainda a semana passada um cachalo e eduziu um ba co a cisco e ma ou ês homens, pondo-se de
pé no ma com a boca abe a cheia de den es de palmo1. O que ale é que a baleia é um bicho mui o
91
ímido. Pode, com o leque da cauda, cob i e aba a uma canoa – e udo a assus a. São poucas as que
a acam, mesmo depois de e idas; mas há machos soli á ios que chegam a a e e -se com na ios
maio es do que eles, me endo-os no undo à ocinhada. As baleias elhas isolam-se pela di iculdade
em encon a pas o que lhes chegue: mas igam no ma incessan emen e como bois a pas a na e a.
As no as iajam em g upos de in e e in a. É um espec áculo majes oso encon a pela manhã um
bando de baleias, es olgando pelas en as – é um espec áculo do p incípio do mundo... Um pouco
de neblina – ma azul!... Lá ão com o do so de o a e lançando de quando em quando um esguicho
de água apo izada. De epen e, quase ao mesmo empo, mos am os abos e me gulham, eme gindo
mais longe os lombos luzidios a esco e ... E uma coisa que az pa a o co ação, é um quad o imenso
e duma escu a ex ao diná ia.
Pas am. Seguem semp e a mesma o a à p ocu a das ca nes gela inosas que de o am; dos
ce alópodes, lulas e pol os, que se lhes pegam e as sugam, en e b aços que as en ol em e açoi am,
semp e mas igando coisas esb anquiçadas a esco e -lhes da boca. São os g andes de o ado es dos
mons os que na água glauca espe am a p esa como sacos co oado de en áculos, moles e ho í eis,
mo endo à ol a da mi a a co oa de ép eis.
Isoladas ou em g upos, seguem a sua o a a é à Á ica, eg essando pelo mesmo caminho.
Espe am-nas os baleei os e pe seguem-nas, chegando a pon o de se em escassas no a quipélago e só
eapa ecendo depois que os ame icanos abandona am a pesca, e os óleos mine ais subs i uí am o óleo
animal, que é emp egado hoje nos ins umen os de p ecisão. Nos úl imos empos ol a am mui os
cachalo es aos Aço es: num dia i cinco na baía do Po o Pim, no Faial, cinco bichos de e o zincado,
ba ba ana cu a e g ossa e cauda ho izon al apa ada ao meio como a cauda da ando inha. Pus-me a
olha pa a aqueles mons os descon o mes e maciços, de cabeço a quad angula , que é o e ço do
co po e onde não há nada que p es e. Na baleia não é a ba iga que é maio e mais g ossa – é a cabeça;
daí pa a baixo ai a edondando e diminuindo a é à cauda, ho izon al, eno me e luzidia. Os olhos
pequeninos é p eciso p ocu á-los, po que mal se dis inguem da pele, e in elizmen e pa a elas, es ão
colocados de o ma que só êem pa a os lados. Os baleei os chegam-se acilmen e pela cauda – a
ques ão é não aze ba ulho – po que êm o ou ido mui o ino e ou em pela pele: sen em a g ande
dis ância: qualque uído insóli o as pe u ba, icando a eme de sus o, a é que se lemb am de ugi .
Na en e da cabeça icam os bu acos pa a es olga : ali não en a a pão, a pele é mui o du a; e po
baixo ab e a queixada em o ma de bico com g andes den es, que, quando echa a boca, en am em
ca idades da maxila supe io .
Es e bicho inocen e e es úpido quase semp e do me ou dige e à ona de água, ine e como um
saco cheio... Só depois que lhe i ab i a cabeça, melancia p e a descon o me e oda de b anco osado
pelo lado de den o, é que comp eendi bem a baleia. Debalde lhe p ocu ei o miolo. No luga dos
miolos em um líquido, espe mace e, que dá doze a quinze ba is do melho óleo. Nem é p eciso
e ê-lo: es á p on o a se i nos anques do casco. Po isso se deixa apanha ...
Os baleei os sabem logo se é g ande ou pequena pelo empo que demo a à supe ície das águas;
a espécie a que pe ence, po que as há que só espi am po uma en a. Conhecem quando ai
me gulha , po que mos am p imei o a eno me cauda agi ando-a o a da água; e se são pequenas,
po que andam em bandos e aos sal os, al é a sua agilidade. Con am que a mãe, acompanhada pelo
ilho, que nasce logo com qua o ou cinco me os de comp ido, é mais ácil de subjuga , chegando o
ambaque (baleia p e a) a deixa -se ma a quando lhe apanham o pequeno: bas a e i-lo ao pé do abo
e puxá-lo pa a o bo e. A mãe já não o la ga e p e e e, se não pode ugi com ele me ido debaixo da
asa, que a acabem às lançadas. Que dize : es a coisa mons uosa e zincada, com óleo na cabeça, não
só come e dige e, não só do me e dige e – é capaz de e nu a e sac i ício.
C eio que hoje só os ba cos dos Aço es a caçam pelo p ocesso p imi i o, que é mui o mais
pe igoso. Os ame icanos usam um canhão especial e ainda não há mui o que g ande núme o de ba cos
se ausen a am das cos as da Amé ica po la gos pe íodos, na egando pelo No e do Chile ou nas
egiões ci cumpola es, onde a baleia encon a o pas o de que se nu e no ma cheio de o ganismos
in ini amen e pequenos, no ma só alimen o, em o mação como as nebulosas. A baleia é apanhada,
suspensa, co ada e de e ida em g andes caldei ões que umegam a bo do. Essa a an esma besun ada,
edo en a e essumando óleo, odo o dia na ega, omi a umo, e chei a que olhe, e mais se pa ece
com um açougue ambulan e que com um ba co. Tudo lá den o é pegajoso e esco egadio. Os
gancho os le an am pedaços de baleia, me endo-os nos caldei ões, onde e em e e e em. À ol a
agi am-se homens engo du ados a é à alma, en e laba edas, bando de a en u ei os de oda a espécie,
equipagem de acaso, malaios e chineses, esco egadios como o na io, ca anguejola que ai co endo
92
odos os ma es onde se encon a a baleia. No al o dos mas os, em duas ba icas, os igias
incessan emen e a p ocu am na água com óculos, enquan o ou os mexem e emexem os caldei ões,
ou, em ábuas ama adas ao cos ado, co am, içam, despedaçam as banhas do bicho.
E is o nunca mais cessa: o na io enche o ma de edo e de sangue e lá den o a ca e a de e e
sem cessa , me gulhada em umacei a, que o en o não dispe sa – não pode – ou pe segue semp e,
ma ando semp e, como se a sua missão osse suja a g ande pu eza do oceano. O umo pesado e go do
en ol e o na io ensanguen ado, que se des aca na manhã delicada ou no poen e odo de oi o. E mesmo
de noi e, sob a ma a ilha das es elas, aquilo e melheja e a de, queimando ca ne e umegando
semp e. E chei a cada ez pio ...
O ma cinzen o com espaços lisos dum cinzen o doi ado e le indo a co das nu ens, e ao undo,
quase ocando o céu, uma g ande supe ície oda azul... Vem o bando po aí abaixo num azul que é
azul e ação. Vêm odas do oceano glacial como se iessem da on e da ida. E sen em a elicidade
inconscien e da escu a que as odeia, da água azul nascendo em jo os sob e jo os, que lhes
comunica ene gia, ib ando odas com ela. Não êm uma a e, uma iloso ia, um negócio a a a .
Vi em pela pele, i em com a água que i e. Vêm aos sal os unidas e co ando o g ande ma , nas
manhãs b umosas, nas a des de oi o, imensas como o uni e so e odas de oi o, nos dias de
empes ade, que se ize am pa a dança à ona das ondas u ando o cachão b anco e i o – ou o
cachão ao longe – ou nas a des de ma calmo, c iadas de p opósi o pa a boia e do mi , no oceano e
no mundo odo azul, que ambém ado mece e epousa. Um bicho isolado bóia. Do me ou dige e.
Pa ece um penedo escu o à lo das águas... Um ah! Es amos nas p imei as ho as da ida. A cla idade
espelha-se e esco e no do so escu o e molhado. O ba co ap oxima-se sem uído, o a poado à
p oa, com o a pão e guido e segu o nas duas mãos, i me nos pés e na a i ude de a emesso. É um
e o com se en a e cinco cen íme os e dois me os de cabo. Ao lado, no ba co, ai a lança, que é
maio , pa a acaba es e mons o do amanho dum p édio. Mas o homem imp essiona-me ainda mais
que a baleia: é emendo, de pé, minúsculo, com a ida no olha e nas mãos. No ba co es á udo calado
e ansioso, ninguém diz pala a inú il: homens, ba co, a poado e a pão, udo em o mesmo co po e a
mesma alma. São se e, dominados pela ação, espassados pelo a e po es e chei o que pene a pela
boca e pelos po os, ge ado de ene gia – é um se único, só ne os e on ade, à caça do mons o e
com uma pon a de pe igo que seduz – sem ala do negócio, que é excelen e. Todos ganham: uma
baleia dá mui o óleo e o óleo dá mui o dinhei o. Às ezes dá âmba . Mas há p incipalmen e a
necessidade de ma a , de lu a (numa ida que é mais monó ona do que em qualque ou a pa e –
duas ezes monó ona pelo ma que os ci cunda e pelos mon es que os en aipam), de ence as
con a iedades e os pe igos – sen imen o com aízes no mais p o undo da alma humana.
São se e cou os secos, decididos, e alguns deles la ados pelas ugas e com b ancas na cabeça,
e o ancado mola de aço p on a a dis ende -se, concen ando oda a ene gia no olha e nos músculos.
Espe am – ele o momen o de lança o a pão, os ou os o de a as a em a canoa no mesmo impulso
combinado. É um momen o único.
Já ou as canoas se ap oximam... Mas, an es que lhe i em a baleia, o ancado lança o e o. O
bicho em um momen o de hesi ação e su p esa, como o ou o quando lhe c a am as banda ilhas, o
que pe mi e ao ba co des ia -se num golpe de emos, an es de se aba ado na cauda ou en ol ido no
edemoinho das águas. Não há um segundo de dú ida ou um mo imen o also. A baleia me gulha
en e agas, com o isco de os a as a pa a o undo, e le a-os, numa elocidade de exp esso, pelo
ma o a, po que aquela g ande massa é duma agilidade espan osa. – La ga! La ga! La ga a manilha!
– E lá ão no cu so, en e as águas asgadas, no g ande sulco abe o com iolência, omando en o na
linha.
As ou as canoas icam a e na ios. Às ezes há balbú dia: odos os ba cos que em anca a
mesma baleia e di igem-se-lhe pela cauda, pela cabeça, pelos lados; já em acon ecido a eme e em
às cegas sob e o bicho, encalha em-lhe no lombo e me e em-lhe o a pão na cabeça. Ou as ezes um
ancado impacien e, endo ugi -lhe a p esa, a i a o e o po cima do ba co que es á mais pe o da
baleia pa a a ouba . É o que eles chamam anca pa a queb a .
- La ga! La ga!
A baleia me gulhou. Co e ago a a linha de manilha ame icana, mui o bem en olada den o de
duas selhas, e os homens, pálidos e imó eis, com o co ação do amanho duma pulga, espe am. A
baleia pode desapa ece du an e in e minu os. Um deles em nas mãos, pa a se não co a , um pano
chamado nepa, po onde a co da passa e pelo moi ão, pau salien e à p oa, que chega a aze umo
com o a i o. Às ezes a linha acaba-se quando a baleia me e mui o pa a o undo. Se es á ou o ba co
93
pe o, o nece- lhe mais linha, senão a baleia pe de-se: êm de co a a manilha ou são a as ados pa a
o abismo.
- Lá ai a a ça! – exclamam.
A a ça é o im da linha, e é com pena que eles a eem acaba -se. Passam a pon a de mão em
mão, a é ao úl imo ipulan e, que só a la ga com desespe o.
- Lá ai a a ça!
Pio é quando a baleia, e ida, se a i a ao ba co. Dei a-lhe a boca e dilace a-o, ol ando-se depois
pa a os homens, de boca abe a como as e as. No ou o dia, as canoas que assis iam a es e d ama
que iam lancea o bicho en u ecido, mas os ou os, nadando, be a am da água: Ó homens, não
a ancem, que ela ma a-nos aqui a odos!
Em ge al a baleia me gulha, em à ona an es que se acabe a linha, e o que ela mos a p imei o
é o ocinho, pa a es olga . Ap oximam-se e dão-lhe uma lançada ao pé da asa pa a a sang a em.
Me gulha, eapa ece, esgo am-na e êm-na ce a quando começa a esguicha sangue pelas en as. Que
isão de espan o en a nesse momen o naquela cabeço a ? Há baleias que conseguem escapa e não
esquecem – meses depois a i am-se aos baleei os. Dão-lhe mais lançadas numa ozea ia de iun o.
– É nossa! É nossa!... – Do co po, dos pulmões, do co ação, saem jo os e melhos. Vomi a.
Enca niçam-se os homens. En ão aquela g ande massa oscila, ado na e mo e numa pas a de sangue...
Do al o do mon e o igia em guiado a canoa, acendendo oguei as pa a os di igi com o umo
– pa a a di ei a, pa a a esque da, pa a o la go – a é encon a em o bicho, e oda a população em e a
seguiu ansiosa o espe áculo.
- Já a ea am as elas!
- T ancou a baleia! T ancou a baleia!
- Foi o mes e F ancisco que ancou a baleia.
- Ai, se oi o meu homem que ancou a baleia, é hoje um dia de S. Ped o! E o g i o co e de
casa em casa pela po oação.
- T ancou a baleia! T ancou a baleia!
Fal a o pio ; al a aze o bicho pa a e a, o que le a ho as, le a o dia. Às ezes, as canoas são
a as adas pa a mui o longe e é p eciso puxa a baleia a eboque pa a a cos a. E segue o es o: al a
decepá-la, co a -lhe a man a em pedaços pa a de e e nas caldei as. Compõe-se a canoa, le a-se ao
e ei o o a pão odo o cido. Os cais esco egam besun ados, o ba acão dei a um umo pegajoso e
é ido; no ma bóiam ca caças pod es; po oda a pa e há ossos de baleia e ipas in o mes. Lá de
den o, da cozinha in e nal, saem ba o adas, cla ões e umacei a. As po oações esandam a go du a,
po que a é o ogo das caldei as se alimen a com é eb as e o esmos de baleia. A gen e passa e ê
uma cabeço a escu a abe a a machado ou um mons o es endido com homens em cima, que o
e alham com o e o la go encabado num pau, enquan o ou os, cheios de go du a e de sangue,
emexem nos in es inos, onde às ezes se encon a uma o una. Duma que i mo a no Cais do Pico
inham e i ado in a quilos de massa escu a, âmba , que alia mui os con os de éis. Po oda a pa e
asilhas ensebadas, ba is de óleo, mon ões de ossos, esíduos de lenha e oucinho b anco co ado em
bocados. Um guindas e i a da água um eno me pedaço de baleia. Mais chei o, mais umo, naquele
açougue mons uoso. Mais a um... Os homens mal se dis inguem, lá no undo do ba acão imundo,
emexendo com g andes colhe es nos caldei ões, e ou os ca egam man as de banha a esco e
go du a. Cla ões e melhos e azulados (é o óleo que a de e a ca ne que echina) iluminam igu as
es anhas. A é o ma es á esca la e.
Ve de e neg o, e de e cinzen o, en e o esmos neg os. Vida p odigiosa de né oas, cla ões
agos e espa sos, in as delicadas que se en anham umas nas ou as, e às ezes um pedaço de ma
azul-cinzen o que me p ende e ascina. Mas não me sai dos olhos a pos a go da de ca niça e o chei o
a a um não me la ga o na iz, nem aquele na io besun ado que co e o ma , deixando um as o de
umo e de sangue...
B andão, R. (1987). As ilhas desconhecidas – no as e paisagens. Lisboa: Edi o ial Comunicação.
1. A baleia não em den es – os cachalo es êm den es na maxila in e io . A baleia i e nas egiões ci cumpola es e os cachalo es em águas
épidas, p ocu ando as ochas esca padas.
1. Demons a a impo ância do apa ecimen o da baleia, conside ando a eação cole i a
da população quando a sua chegada é anunciada.

94
1.1. Jus i ica po pala as uas es a eação cole i a.
2. P eenche o quad o que se segue com base em exp essões ex uais que se encon am no
p imei o pa ág a o.
Localização
espacial
Pe sonagens
indi iduais
Pe sonagens
cole i as
Ações das
pe sonagens
2.1. Menciona que ideia exp ime o p edomínio da e cei a pessoa do plu al nos e bos que
acabas e de egis a .
2.2. Das pe sonagens que iden i icas e, quais e pa ecem i a se as p o agonis as do ex o?
Po quê?
3. Indica as sensações ( isuais, ol a i as e á eis) exp essas no 3.º pa ág a o e os e ei os
que delas podemos e i a .
3.1. De que o ma é que essas sensações nos dão conhecimen o da a i ude do na ado pe an e
o mundo que obse a?
4. Com base nas in o mações ex uais, elabo a a icha écnica da baleia, median e os
seguin es ópicos: ca ac e ís icas ísicas, psicológicas, alimen ação, o ganização social e
hábi os.
5. Obse a o pa ág a o 10 (“O ma desmaia…”) e ansc e e ês ecu sos exp essi os
que con ibuam pa a salien a no ex o a beleza e ha monia da manhã, an es da na ação
dos momen os de pesca.
5.1. Po que azão a manhã e á sido desc i a pelo na ado de o ma a ansmi i as sensações
de beleza e ha monia?
5.2. Indica duas consequências posi i as e duas nega i as sob e a caça da baleia.
6. Di ide o ex o em pa es, endo em con a:
a) Momen os de desc ição;
b) Momen os de e lexão/comen á io;
c) Momen os de na ação.
6.1. Po que azão o na ado in eg a á o na ado momen os de e lexão/comen á io na
na a i a?
95
G upo II – P odução esc i a
Con a uma his ó ia em que a ação do homem a o eça a sob e i ência de um ou á ios animais,
salien ando a impo ância da ação cole i a. Segue as e apas:
1. Deba e as uas ideias sob e o assun o com os memb os do eu g upo (2 a 3);
2. Plani ica a o ganização do ema e do ex o, de aco do com a abela abaixo:
Tabela de plani icação do ex o
3. Redige o eu ex o (com a i ação de oda a in o mação que ob i es e na ase da lei u a).
4. Re ê e a alia c i icamen e o eu ex o ( iz a in odução, iz pa ág a os, ca ac e izei as
pe sonagens e ambien es, e c.); compa a o eu ex o com o do eu colega pa a e i ica es
se es ão ambos de aco do com o que oi solici ado.
5. Reesc e e o eu ex o, azendo as al e ações que conside a es pe inen es.
In odução
Desen ol imen o
Conclusão
DESCRIÇÃO
Desc e e um ambien e
na u al em es ado
sel agem, onde se ai
passa a ua his ó ia, a
pa i de um dado pon o de
obse ação. C ia
pe sonagens indi iduais e
cole i as, desc e endo-as.
NARRAÇÃO
- Pensa nas pe ipécias que ão
con ibui pa a o desen ol imen o da
ação da ua his ó ia:
(Exemplo: um g upo de homens
encon a um animal e ido; o animal
comunica com os ou os da sua espécie,
e c)
- Não e esqueças de que em de ha e
obs áculos a ul apassa que ão se
supe ados pela ação conjun a dos
homens ou dos animais.
REFLEXÃO
Conclui o eu ex o
indicando como e minou a
ua his ó ia e elabo a uma
pa e de e lexão sob e o
di ado “a união az a o ça”,
sem e esquece es de e
coloca na pele do se que
saiu encido.
Localizado es espaço- empo ais e o ganizado es ex uais
Ce o dia de Ve ão…
Há mui os anos…
Na se a da Es ela…
No plane a de…
No al o do mon e… / Mais adian e…
No meio da cla ei a…/ Jun o ao
penhasco…
Quando… / Enquan o…
Naquele momen o… / Pouco depois…
Subi amen e…/ De epen e… /
Inespe adamen e…
En ão…
Em p imei o luga …
Em segundo luga …
Po um lado… / Po ou o
lado…
Finalmen e… /
Concluindo…
96
Anexo XXIII – Plani icação de 10.ºano
Plani icação de Po uguês
C ónica de D. João I de Fe não Lopes - Capí ulos XI e CXV
Docen es da FCSH: P o ª D a. An ónia Cou inho e P o ª D a. Noémia Jo ge Aluna es agiá ia: Ru e Jo ge
Ano le i o 2016 / 2017 Aulas p e is as: 3 aulas de 90’
DESCRITORES DE
DESEMPENHO
DOMÍNIOS E
CONTÉUDOS
ATIVIDADES / ESTRATÉGIAS
RECURSOS /
MATERIAIS
AVALIAÇÃO
TEMPO
- In e p e a ex os o ais de
di e en es géne os (O 1.4)
- Regis a e a a a
in o mação (O 2.1, O 2.2)
- Faze in e ências (O11.4).
- Explici a a es u u a do
ex o: o ganização in e na
(L 7.3)
- Reconhece alo es
cul u ais, é icos e es é icos
mani es ados nos Tex os
(EL 15.1)
- Mobiliza in o mação
adequada ao ema (E12.2).
- Redigi um ex o
es u u ado que e li a uma
plani icação, e idenciando
um bom domínio dos
mecanismos de coesão
ex ual (E 12.3 – a., b. e c.)
O alidade
Tomada de no as
Lei u a / Educação
Li e á ia
- A i ude enuncia i a:
na a
- Blocos ex uais:
desc ição, na ação
- Ca ac e ís icas do
es ilo de Fe não Lopes
- CCI: obse ação do
eal; coope ação
Esc i a
- Plani icação
- Tex ualização
- Re isão
P é-lei u a
- Audição de um ex o
- Tomada de no as
- O ganização das no as em ex o;
- Re isão e e o mulação dos Tex os
- Relação en e o ex o p oduzido e o
í ulo do capí ulo XI
Lei u a
- P epa ação pa a a comp eensão da
linguagem do ex o: p eenchimen o de um
glossá io;
- Lei u a o al e esolução dos exe cícios
p opos os na icha de abalho, po e apas
Esc i a p ocessual
- Elabo ação de um ela o implicado (1.ª
pessoa), uma epo agem esc i a,
e le indo a impo ância do cole i o;
seguindo as ases da esc i a (plani icação,
ex ualização, e isão, eesc i a)
Tex o pa a locução
(“A C ise de 1383-
85”)
Anexo XXIV
Ficha de abalho
(C ónica de Fe não
Lopes, cap. XI)
Anexo XXV
Tex os
p oduzidos pelos
alunos
Obse ação di e a
Tex os
p oduzidos pelos
alunos
1ª e 2ª aulas
20`
40`
30’
97
- Explici a a es u u a do
ex o: o ganização in e na
(L 7.3)
- Explici a o sen ido global
do ex o, undamen ando (L
7.5)
- Reconhece alo es
cul u ais, é icos e es é icos
mani es ados nos Tex os
(EL 15.1).
- Explici a a es u u a do
ex o: o ganização in e na
(L 7.3)
- Explici a o sen ido global
do ex o, undamen ando (L
7.5)
- Reconhece alo es
cul u ais, é icos e es é icos
mani es ados nos Tex os
(EL 15.1).
- Mobiliza in o mação
adequada ao ema (E12.2).
- Redigi um ex o
es u u ado que e li a uma
plani icação, e idenciando
um bom domínio dos
mecanismos de coesão
ex ual (E 12.3.)
- Dis ingui mecanismos de
cons ução da coesão
ex ual (G18.2).
Lei u a / Educação
Li e á ia
- A i ude enuncia i a:
na a
- Blocos ex uais:
desc ição, na ação
- Ca ac e ís icas do
es ilo de Fe não
Lei u a / Educação
Li e á ia
- A i ude enuncia i a:
na a
- CCI: A co agem, a
lide ança, a con iança, o
dinamismo, a idelidade,
o empenho
Esc i a
- Plani icação
- Tex ualização
- Re isão
G amá ica
- Localizado es espácio-
empo ais
- Conec o es
Lei u a
- Lei u a exp essi a de pa es do ex o,
seguidas de pa á ase
- Resolução da icha de abalho, de o ma
g adual (delimi ação dos momen os
p incipais do ex o; co eção das
p opos as dos alunos, com
undamen ação; p eenchimen o de um
mapa conce ual, em abalho de pa es,
com pala as- cha e ou exp essões
ex uais; esolução dos es an es
exe cícios)
- Conclusão do abalho de lei u a e
análise do capí ulo
- Sis ema ização inal: e lexão o al sob e
o sen ido global do capí ulo (a uação do
Mes e de A is e do po o; pon o de is a
do na ado )
Esc i a p ocessual
- Elabo ação de um ex o na 1ª pessoa, um
ela o esc i o, e le indo a impo ância da
in e ajuda do cole i o, seguindo as ases
da esc i a (plani icação, ex ualização,
e isão, eesc i a)
G amá ica (língua em uso)
- Aplicação de conhecimen os
g ama icais) no ex o esc i o
Ficha de abalho
(C ónica de Fe não
Lopes, cap. CXV)
Anexo XXVI
Ficha de abalho
(C ónica de Fe não
Lopes, cap. CXV)
Anexo XXVI
Obse ação di e a
Obse ação di e a
Tex os
p oduzidos pelos
alunos
3ª e 4ª aulas
90`
5ª e 6ª aulas
30`
15’
45’
104
Anexo XXVI – C ónica de D. João I (Capí ulo CXV), de Fe não Lopes
G upo I – Comp eensão de ex o li e á io na a i o
Capí ulo CXV
Pe que guisa es a a a cidade co egida pe a se de ende , quando el-Rei de Cas ela pôs ce co
sob ’ela.
Nem uũ alamen o de e mais izinho see des e capi ulo que ha ees ou ido1, que poe mos logo
aqui b e emen e de que guisa es a a a cidade, jazendo el-Rei de Cas ela sob ’ela; e pe que modo
poinha em si gua da o Mees e, e as gen es que den o e am, po nom ecebe dano de seus ẽmigos;
e o es o ço e ou eza2 que con a eles mos a om, em quan o assi es e e ce cada.
Onde sabee que como3 o Mees e e os da cidade soube om a iinda del-Rei de Cas ela, e
espe a om seu g ande e pode oso ce co, logo oi o denado de ecolhe em pe a a cidade os mais
man iimen os que ha e podessem, assi de pam e ca nes, come quaes que ou as cousas. E iam-se
mui os aas lizi ias4 em ba cas e ba ees, depois que San a em es e e po Cas ela, e dali agiam mui os
gaados mo os que salga om em inas, e ou as cousas que eze om g ande açalmamen o5; e
colhe om-se den o aa cidade mui os la ado es com as molhe es e ilhos, e cousas que iinham; e
dou as pessoas da coma ca d’a edo , aqueles a que p ougue6 de o aze ; e deles7 passa om o Tejo
com seus gaados e bes as e o que le a pode om, e se o om con a8 Se u al, e pe a Palmela; ou os
ica om na cidade e nom quise om dali pa i ; e aes i hou e que pose am odo o seu, e ica om nas
ilas que po Cas ela oma om oz9.
Os mu os odos da cidade nom ha iam mingua de boom epai amen o10; e em se een a e se e
o es que ela eem a edo de si, o om ei os o es ca amanchões11 de madei a, os quaes e am bem
o necidos d’escudos e lanças e da dos e bees as de o no, e dou as manei as com g ande a ondança
de mui os i a ões12.
Ha ia mais em es as o es mui as lanças d’a mas e bacine es13, e dou as a madu as, que
eluziam an as que bem mos a a cada ũa o e pe si que abas an e e a pe a se de ende . Em mui as
delas es a om oõs14 bem acompanhados de ped as, e bandei as de sam Jo ge, e das a mas do eino
e da cidade, e dou os alguũs senho es e capi ães que os poinham nas o es que lhes e am
encomendadas15.
E o denou o Mees e com as gen es da cidade que osse epa ida a gua da dos mu os pelos
idalgos e cidadãos hon ados16; aos quaes de om ce as quad ilhas17 e bees ei os e homẽes d’a mas
pe a ajuda de cada uũ gua da bem a sua. Em cada quad ilha ha ia uũ sino pe a epica quando al
cousa issem, e como18 cada uũ ou ia o sino da sua quad ilha, logo odos ijamen e co iam pe a
ela; po quan o aas ezes os que iinham cá ego das o es iinham espaça 19 pela cidade, e
leixa om-nas encomendadas a homeẽs de que mui o ia om; ou as ezes nom ica om em elas
senom as a alaias; mas como da om aa campãa20, logo os mu os e am cheos, e mui a gen e o a.
[…]
E nom emba gando21 odo is o, o Mees e que sob e odos iinha especial cuidado da gua da e
go e nança da cidade, dando seu co po a mui b e e sono, eque ia22 pe mui as ezes de noi e os
mu os e o es com ochas acesas an e si, bem acompanhado de mui os que semp e consigo le a a.
Nom ha ia i neuũs e ees23 dos que ha iam de ela , nem al a que esqueecesse cousa do que lhe
osse encomendado; mas odos mui o p es es a aze o que lhe manda om, de guisa que, a odo
boom egimen o que o Mees e o dena a, nom mingua a a ondança de igosos24 execu o es.
De iin a e oi o po as que há na cidade, as doze e am odo o dia abe as, encomendadas a boõs
homẽes d’a mas que iinham cuidado de as gua da ; pelas quaes neũa pessoa, que mui o conhecida
nom osse, ha ia d’en a nem sai , sem p imei o sabe em ce o po que azom ia ou iinha; e ali

105
a e essa om paos com a oado pe a do mi os que al cuidado iinham, po de noi e see em deles
acompanhadas, e neuũ malicioso see a e ido de come e neuũ e o.
E dalgũas po as iinham ce as pessoas de noi e as cha es, po azom dos ba ees que aes ho as
iam e iinham d’aalem com igo e ou os man iimen os, segundo leedes em seu loga ; ou as cha es
apanha a25 uũ homem cada noi e de que o Mees e mui o ia a, e eendo p imei o como as po as
ica om echadas, lhas le a a odas aos Paaços onde pousa a. […]
Na ibei a ha ia ei as duas g andes e o es es acadas26 de g ossos e alen es paos, que o Mees e
manda a aze an e que el-Rei de Cas ela eesse, po de ende o comba o da ibei a; e e am ei as
des27 onde o ma mais longe esp aia a aa e a jun o com a cidade. E ũa oi caminho de San os, a
undo28 da o e da a alaia con a aquela pa e, onde en endeo que el-Rei poe ia seu a eal29; ou a
eze om no ou o cabo da cidade jun o com o mu o dos o nos da cal con a o moes ei o de San a
Cla a; as quaes e am d’es acadas dob adas e assi bas as, que neuũ de ca alo podia passa pe elas, e
am pouco os homeẽs de pee sem p imei o sobindo pe cima da al u a dos paos, que lhe see ia g a e
cousa de aze ; e an e as o deẽs30 das dob adas es acas ha ia espaço sem ped a dei ada, em que uũ
ba el podesse cabe sem emos, pos os a a és, se comp isse31 de se ali colhe .
Nom leixa om os da cidade, po see em assi ce cados, de aze a ba acãa32 d’a edo do mu o
da pa e do a eal, des a po a de San a Ca e ina, a aa o e d’Al o o Paaez, que nom e a ainda ei a,
que see iam dous i os de bees a; e as moças sem neuũ medo, apanhado ped a pelas he dades,
can a om al as ozes dizendo:
Es a é Lixboa p ezada,
mi á-la e leixá-la.
Se quise des ca nei o,
qual de om ao Andei o;
se quise des cab i o,
qual de om ao Bispo,
e ou as azões semelhan es. E quando os ẽmigos os o a 33 que iam, e am pos os em aquel cuidado
em que o om os ilhos de Is ael, quando Rei Se ges34, ilho de Rei Da io, deu lecença ao p o e a
Neemias que e ezesse os mu os de Je usalem; que gue eados pelos ezinhos d’a edo , que os nom
alçassem, com ũa mão poinham a ped a, e na ou a iinham a espada pe a se de ende ; e os
Po ugueeses azendo al ob a, iinham as a mas jun o consigo, com que se de endiam dos ẽmigos
quando se abalha om35 de os emba ga , que a nom ezessem.
As ou as cousas que pe eenciam ao egimen o da cidade, odas e am pos as em boa e igual
o denança; i nom ha ia nẽuũ que com ou o le an asse a oido nem lhe empeecesse pe alen osos36
excessos, mas odos usa om d’amiga el conco dia, acompanhada de p o ei o comuũ.
Ó que emosa cousa e a de ee ! Uũ am al o e pode oso senho como el-Rei de Cas ela, com
an a mul idom de gen es assi pe ma come pe e a, pos as em am g ande e boa o denança, ee
ce cada am nob e cidade! E ela assi Gua necida con a ele de gen es e d’a mas com aes
a isamen os37 po sua gua da e de ensom! Em an o que diziam os que o i om, que am emoso
ce co de cidade nom e a em memo ia d’homeẽs que osse is o de mui longos anos a á aquel empo.
Fe não Lopes, C ónica de D. João I (Tex os escolhidos),
ap es. c í ica de Te esa Amado, Sea a No a/Comunicação, 1980 [pp. 000-000]
1. Nem uũ alamen o de e mais izinho see des e capi ulo que ha ees ou ido: e e ência ao capí ulo an e io ,
em que se desec e eu o acampamen o cas elhano. 2. ou eza: a oi eza, co agem. 3. como: logo que. 4. lizi ias:
lezí ias; e as que se encon am nas ma gens dos ios. 5. açalmamen o: abas ecimen o. 6. p ougue: ag adou.
7. deles: alguns. 8. con a: em di eção a. 9. oz: pa ido. 10. epai amen o: o i icação. 11.
ca amanchões:cobe u as. 12. i a ões: se as g andes.13. bacine es: peças de a madu a pa a p o ege a
cabeça. 14. oõs: peças de a ilha ia que a emessa am ped as. 15. encomendadas: con iadas à sua gua da.
106
16. hon ados: de boa ca ego ia social; bu gueses. 17. quad ilhas: locais da mu alha onde es a am os igias.
18. como: logo que. 19. espaça : espai ece ; olga . 20. campãa: sino. 21. não emba gando: não obs an e. 22.
eque ia: isi a a. 23. e ees: ebeldes; soldados que al a am à chamada, desobedien es. 24. igosos:
diligen es; ápidos. 25. apanha a: ecolhia. 26. es acadas: ce cas ei as de es acas. 27. des: pe o; jun o. 28. a
undo: po baixo. 29. a eal: a aial; acampamen o. 30. o deẽs: ilei as. 31. se comp isse: se osse necessá io.
32. ba acãa: mu o ex e io da o aleza. 33. o a : es o a . 34. Rei Se ges: Xe xes, ei da Pé sia. 35.
abalha om: p ocu a am; se es o ça am. 36. alen osos: p o ocados pelo desejo imode ado. 37.
a isamen os: p epa a i os; de esas.
1. A C ónica de D. João I encon a-se esc i a em Po uguês medie al. Iden i ica as
o mas do Po uguês Con empo âneo a que co espondem as seguin es pala as:
ou eza (l. 6) → ________________
ba ees (l.10) → _________________
mingua (l. 17) → _______________
cá ego (l.30) → _______________
guisa (l.37) → _________________
bas as (l.53) → ________________
2. O ex o é cons i uído po qua o momen os.
2.1. Delimi a-os, no ex o:
1.º momen o: “Man imen os”
2.º momen o: “De esa”
3.º momen o: “Reações”
4.º momen o: “Obse ação do cole i o”
3. Foca a ua a enção na in o mação ap esen ada ao longo do capí ulo.
3.1. Comple a o esquema, mos ando de que o ma o ce co es a a o ganizado:
107
Cole i o
Coope ação ll. 26-57
Exé ci o de Cas ela l.77
Es ado dos mu os l.17
A mas l.19
Gua da dos mu os l.26
O ganização da gua da l.26
Disposição da gua da
l.26
Classes Sociais ll.27-61
-
-
-
-
A o ganização do Ce co
CERCO
De esa
Comunicação
Man imen os
“ ecolhe em” l. 8
“ agiam” l.10
“salga om” l.11
“colhe am” l.12
Reações
Gen es l.29-32
Mes e l.33
108
4. Foca a ua a enção no compo amen o das pe sonagens.
4.1. Comple a a abela com alguns dos seguin es nomes que se adequem às qualidades
e idenciadas em cada exce o: co agem, lide ança, con iança, dinamismo, idelidade,
diligência, empenho, sabedo ia e obediência.
“es o ço” e “ ou eza”
(l.6)
“logo odos ijamen e
co iam pe a ela”
(ll.29-30)
“ igosos execu o es”
(l.38)
“leixa om-nas
encomendadas a
homeẽs de que mui o
ia om” (l.31)
“o Mees e que sob e
odos iinha especial
cuidado da gua da e
go e nança da cidade”
(ll.33-34)
 Qualidades / Valo es
 Qualidades / Valo es
 Qualidades / Valo es
 Qualidades / Valo es
5. Ap esen a elemen os ex uais que demons em o pon o de is a do na ado sob e os
esul ados da ação cole i a an o do lado dos cas elhanos como dos po ugueses,
exp essas no úl imo pa ág a o des e exce o.
5.1. Re e e as conclusões des e ipo de o ganização p econizado pelo Mes e de A is.
G upo II – P odução Esc i a
És um espião ao se iço do Rei de Cas ela e de D. Bea iz. Fos e incumbido de ela a o
modo como a cidade de Lisboa es á o ganizada pa a a de esa den o das mu alhas. Redige o
eu ela ó io / ela o (na 1ª pessoa), pa a ap esen a es ao Rei.