Dependência e acionalidade: um olha de Alasdai MacIn y e sob e a é ica con empo ânea
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção de g au de Mes e
em Filoso ia – Especialização em Filoso ia Ge al, ealizada sob a o ien ação cien í ica de P o esso a
Dou o a Ma a Mendonça.
An ónio Manuel Fe nandes Pe ei a
Lisboa, no emb o de 2021
Dependência e acionalidade: um olha de Alasdai MacIn y e sob e a é ica con empo ânea
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção de g au de Mes e
em Filoso ia – Especialização em Filoso ia Ge al, ealizada sob a o ien ação cien í ica de P o esso a
Dou o a Ma a Mendonça.
An ónio Manuel Fe nandes Pe ei a
Lisboa, no emb o de 2021
1
Ag adecimen os
A elabo ação de uma Disse ação de Mes ado é uma a e a di ícil, com mui os pe calços, que só são
ul apassá eis com o apoio de algumas pessoas que, de ce a o ma con ibuí am pa a a sua conclusão.
Assim, que o mani es a o meu p o undo ag adecimen o a odos os que pe mi i am que es e es udo
osse e e uado des acando os seguin es:
À P o esso a Dou o a Ma a Mendonça, pela qualidade da sua o ien ação, pelo empenho
sucessi amen e demons ado. Pela disponibilidade mani es ada e pelas co eções e suges ões.
Pa ilhando o seu conhecimen o, desen ol endo conside ações c uciais, deb uçando-se com igo
cien í ico e in e esse sob e es e meu abalho, incen i ando-me pe manen emen e.
À minha esposa e aos meus ilhos, pelo apoio incondicional p es ado e po e em ac edi ado semp e
no meu es o ço e no meu empenho. Es i e am semp e ao meu lado, a eles dedico in ei amen e es a
disse ação com uma ímpa e ilimi ada g a idão.
2
RESUMO
O p esen e es udo em como obje i o discu i a dependência e a acionalidade na pe spe i a de
Alasdai MacIn y e u ilizando es es concei os como pon o de pa ida pa a uma no a p opos a pa a a
é ica con empo ânea. Es udou-se a ele ância das conceções de MacIn y e sob a in luência e ên ase
dada às i udes em A is ó eles em Tomás de Aquino. À luz da pe spe i a a is o élico- omis a,
podemos en ende melho a sua posição e c í ica sob e o desen ol imen o do que chamou de p oje o
do iluminismo. Na c í ica que ealizou à mode nidade, MacIn y e a ibui-lhe a esponsabilidade na
deg adação do discu so mo al no mundo ociden al.
Es e es udo examina á mais de alhadamen e os concei os ilosó icos de p á ica, i ude e adição em
MacIn y e como uma na a i a inse ida na his ó ia. O ilóso o pensa que i ude e adição não de em
se sepa adas num discu so mo al sob e a na u eza humana.
Com base no nosso melho conhecimen o a ual, em oposição a uma a i mação a-his ó ica, undamen al,
a i ma-se que a ulne abilidade humana e de iciência são as ca ac e ís icas cen ais da ida humana. As
i udes do econhecimen o da dependência são necessá ias pa a que os se es humanos lo esçam na sua
passagem dos es ádios da in ância pa a a idade adul a e a elhice.
Pala as-cha e: dependência, adição, i ude e ulne abilidade.
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ABSTRAT
This s udy aims o discuss dependence and a ionali y om he pe spec i e o Alasdai MacIn y e,
using hese concep s as a s a ing poin o a new p oposal o con empo a y e hics. We s udied he
ele ance o MacIn y e's concep ions unde he in luence and emphasis gi en o i ues in A is o le
in Thomas Aquinas. In ligh o he A is o elian-Thomis pe spec i e, we can be e unde s and his
posi ion and c i icism on he de elopmen o wha he called he Enligh enmen p ojec . In his c i ique
o mode ni y, MacIn y e blames him o he deg ada ion o mo al discou se in he Wes e n wo ld.
This s udy will examine in mo e de ail he philosophical concep s o p ac ice, i ue and adi ion in
MacIn y e as a na a i e embedded in his o y. The philosophe hinks ha i ue and adi ion should
no be sepa a ed in a mo al discou se abou human na u e.
Based on ou bes cu en knowledge, as opposed o an ahis o ical, undamen al asse ion, i is
asse ed ha human ulne abili y and disabili y a e he cen al ea u es o human li e. The i ues o
dependence a e necessa y o human beings o lou ish as hey mo e om he s ages o childhood o
adul hood and old age.
Keywo ds: dependency, adi ion, i ue and ulne abili y.
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ÍNDICE
In odução 5
Capí ulo I: O pensamen o é ico de Alaisdai MacIn y e 9
1. Ma xismo, C is ianismo e Psicanálise 9
2. A adição a is o élico- omis a 17
3. Depois da i ude, uma no a ase no pensamen o de Alaisdai MacIn y e 19
Capí ulo II: Como chega o se humano a se um aciocinado p á ico 23
1. Vulne abilidade, dependência e independência 23
2. As elações de ecip ocidade 29
3. A i idades do aciocinado p á ico 31
Capí ulo III: O se humano, de aciocinado p á ico a cuidado 35
1. As causas do acasso mo al 35
2. O bem de cada um e o bem comum 37
3. A é ica do cuidado 41
Capí ulo IV: Educação e aciocínio p á ico independen e 46
1. O cuidado, a educação e a manu enção da ida em comum 46
2. A jus a gene osidade e o cuidado 54
3. A elação com os ou os e a o mação do ca ác e 57
4. As capacidades do aciocinado p á ico independen e 61
Conclusão 64
Bibliog a ia 70
5
In odução
A eo ia é ica de Alasdai MacIn y e é singula e assume uma ocação di ícil, pois i á cons i ui -se
como con inuado a da é ica de A is ó eles e de São Tomás de Aquino. As ideias mais undamen ais
que o ilóso o exp essa na ob a Dependen Ra ional Animals: Why Human Beings Need The Vi ues,
são as ideias de ulne abilidade e dependência. Ele pensa a debilidade, o des anecimen o e a
olubilidade do se humano. Todos os indi íduos dependem uns dos ou os pa a consegui em
sob e i e . O se humano é ulne á el e de e a sua sob e i ência aos ou os. A ob a analisada e
es udada ep esen a um es o ço pa a escla ece -se como as i udes podem uma elação com a
biologia. Alasdai MacIn y e assume cla amen e que hou e um imenso e o na é ica e na sua his ó ia,
julga que e a possí el uma é ica independen e da Biologia. A his ó ia da iloso ia mo al igno ou a
dependência e a ulne abilidade. Pensou-se exclusi amen e nos agen es mo ais como sujei os
acionais e saudá eis. Pensou-se ambém nos incapaci ados como “eles”, os “in isí eis” e não no
luga do “nós”. O se humano é dependen e dos ou os na p imei a in ância e na elhice. En e es as
duas e apas da ida o sujei o humano, de ido à possibilidade de con ai uma doença ou e um
aciden e, pode igualmen e ica dependen e de ou os pa a o es o da sua ida. Qualque doença pode
p oduzi dependência, incapacidade e de iciência. Desde Pla ão a é à con empo aneidade que a
dependência e a ulne abilidade não o am pensadas e e le idas iloso icamen e. A ulne abilidade
e a de iciência ou a incapacidade são as ca ego ias mais ulc ais da ida humana. E i a a-se e le i
sob e a incapacidade e a dependência ou sob e qualque dé ice ísico e psicológico po medo ou
incon eniência. Os incapaci ados e os dependen es e am os di e en es de “nós”. Fal ou o
econhecimen o da magni ude e da g andeza da dependência. Exis em á ios emo es que le am a
que se igno e a ulne abilidade e os so imen os. Que consequências e ia pa a a iloso ia mo al a
conside ação da ulne abilidade e do so imen o e enca a o ac o da dependência como dado
undamen al na condição humana? Que i udes o se humano p ecisa de desen ol e , a pa i da sua
condição animal, pa a chega a se um agen e acional e independen e? As i udes podem ajuda -
nos a aze en e à ulne abilidade e à incapacidade? A iloso ia mo al mode na pôs g ande ên ase
na au onomia do sujei o indi idual, um an opocen ismo que endeusou o sujei o humano. Os hábi os
da nossa cul u a a eigada na nossa consciência anspo am-nos pa a um pensamen o po ezes
ac í ico que exp essa uma a i ude de negação da incapacidade, da dependência e da dimensão co po al
da exis ência. A ese da é ica mode na undamen ou o indi idualismo libe al e o ela i ismo é ico da
pós-mode nidade. É undamen al ecupe a a i ude do econhecimen o da dependência. O homem
ca ece de não se a as a dos animais e compa a -se com os eles. O se humano de ia en ende -se
como uma acionalidade animal. A his ó ia humana an es de qualque ou a coisa é a his ó ia na u al
de uma espécie animal, o homem que es á in eg ado no sis ema de classi icação axonómica e
6
nomencla u a de Lineu (Homem: Reino - Animalia; Filo - Cho da a; Classe- Mammalia; O dem -
P ima a; Família – Hominidae; Géne o - Homo; Espécie - Homo sapiens).
É o a e o que dis ingue o se humano das ou as espécies. Con udo, a di e ença en e o se humano
e ou os se es ende a se exage ada. A comp eensão in e p e a i a das ou as espécies de i a do
con ac o com elas e é insepa á el des e con ac o. O econhecimen o da dependência eme e pa a a
di e ença en e azão p á ica dependen e e azão p á ica independen e. A p imei a é p óp ia do homem
e de animais in eligen es não humanos. Já a azão p á ica independen e é apenas p óp ia do homem.
Pa a S. Tomás de Aquino, a azão ( a io) p ocu a um im ( inis). Os ilóso os mo ais êm que
ecupe a as ideias omis as em que as i udes do econhecimen o da dependência são necessá ias
pa a o lo escimen o dos se es humanos. Um bem mo e um agen e a o ien a a sua ação, a a ingi um
im. Alcança um im é alcança um bem. Toda ia, esse bem não é exclusi amen e ex e io , é
p imei amen e imanen e; oi o esquecimen o des a ese que deu início ao p ocesso de exclusão da
i ude do âmbi o da é ica. Tan o no animal, como no se humano exis e uma dis inção p é-linguís ica
elemen a en e o e dadei o e o also.
MacIn y e demons a que é possí el a ibui aos animais ca en es de linguagem um ce o ipo de
c enças. Pode-se comp eende melho os se es humanos se oma mos em con a os ipos de c enças e
compo amen os que pa ilham com ou as espécies de animais in eligen es. En ende-se que as ações
e as c enças humanas se desen ol em a pa i de me as pa ilhadas de adap ação ao mundo e a no as
ealidades e que, em ce a medida, semp e dependem delas.
Pa a Alasdai MacIn y e exis e uma elação essencial en e a é ica con empo ânea e a his ó ia. A
comp eensão das ques ões é icas ealiza-se pe cebendo a his ó ia, os á ios con ex os, ci cuns âncias
e cul u as. T a a-se de uma é ica acional que, no en an o, não igno a o p ocesso de c iação das
emoções. Segundo MacIn y e, as isões posi i is a, indi idualis a e u ili a is a são como os no os
bá ba os pa a o mundo ociden al. Na a ualidade os bá ba os não su gem da pe i e ia da Eu opa, mas
no âmago do elho con inen e. Es es no os bá ba os co oem o espí i o e a mo al das sociedades
ociden ais ecnologicamen e desen ol idas. É o econhecimen o da dimensão uncional do homem
que pode á con a ia o indi idualismo e o u ili a ismo. O indi iduo não pode se sepa ado das suas
unções, dos seus papéis sociais. Um homem em um conjun o de papéis a cump i na sociedade. O
homem de e ap ende a p a ica as i udes. Se educado nas i udes é semelhan e a ap ende a
cump i as unções humanas de o ma co e a. A azão p á ica independen e é consequen emen e a
capacidade de cla i idência. É indispensá el se capaz de a alia as p óp ias azões, pa a que o
homem possa possui algum g au de i udes in elec uais e mo ais. Sem i ude ca ecemos de
ecu sos con a a malícia, a negligência e a men alidade aquisi i a.
7
Numa é ica do cuida dos ou os são necessá ias as i udes e as comunidades i uosas pa a o
desen ol imen o do ca ác e e pa a o lo escimen o das i udes em cada pessoa. Assim, salien am-
se ês ideias p incipais de endidas po Alasdai MacIn y e: a) semelhança e iscos comuns com
memb os de ou as espécies de animais in eligen es; b) a impo ância da i ude no econhecimen o
da dependência; c) incapacidade do es ado nação mode no e da amília mode na pa a conse a em e
ansmi i em de e minadas i udes. É de ex ema impo ância discu i e explica a condição humana,
sabe qual o concei o de na u eza humana, explica o ipo de se que é o homem, a sua índole na u al
– um animal acional dependen e. A iden idade humana é uma iden idade animal, co po al. A elação
en e se es humanos não e i a a cada um es a iden idade. A acionalidade do se humano ca ece da
sua animalidade. O se humano é um co po animal, o desen ol imen o e lo escimen o es á
elacionado com a espécie de animal que é o se humano e não com a supe ação dessa condição. O
homem é um animal, nes a condição desen ol e-se enquan o homem. Reconhece que o homem é
um animal é econhece que em uma es u u a ísica e compo amen al ágil, ulne á el e
dependen e. Tan o isicamen e como psicologicamen e somos ulne á eis a imensas pa ologias. O
homem depende dos ou os. A consciência dessa dependência e a humildade pe an e essa
dependência é que possibili a que cada indi íduo se o ne um agen e acional independen e. O
econhecimen o da ulne abilidade e da dependência demons a que p ecisamos dos ou os pa a
lo esce e pa a se mos capazes de aciocínio independen e. Podemos a i ma que alcançamos a
independência no aciocínio p á ico quando nos baseamos em dois aspe os: consegui uma conceção
adequada de bem e omen a o desen ol imen o das i udes. Como aciocinado es p á icos
independen es ap endemos a aze juízos sob e o bem e a jus i ica ações, pa a além dos desejos. O
homem enquan o humano ocupa um luga na o dem na u al. Pa a alcança o seu “ elos”, o seu im,
p ecisa de a i idades que e á de ealiza em comunidade. Es a comunidade humana e e i a-se no
in e io de uma adição. O homem só pode p ocu a o bem no in e io de uma comunidade.
Na ob a Dependen Ra ional Animals: Why Human Beings Need The Vi ues, Alasdai MacIn y e,
p e ende esponde a es as ques ões undamen ais: a) Qual a impo ância de comp eende mos, o que
os se es humanos êm em comum com indi íduos de ou as espécies de animais in eligen es? b) Que
impac o e ia na é ica con empo ânea se a ássemos os ac os da ulne abilidade e da a lição, assim
como ac os elacionados com a dependência, como cen ais pa a a condição humana? c) Se á
possí el uma é ica independen e da biologia? d) O uso da azão eliga-se pe manen emen e com a
necessidade de in e ação com os demais sujei os da espécie?
Pa a a in es igação que ealizamos ace ca do pensamen o é ico de Alasdai MacIn y e u ilizamos
uma me odologia alice çada na he menêu ica do ex o ilosó ico. P ocu amos escla ece os concei os
essenciais do ilóso o escocês ap esen ados e desen ol idos na ob a Dependen Ra ional Animals:
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O ma xismo pa a o escocês é uma adição esgo ada, pois em di iculdade em en en a os desa ios
colocados pelo socialismo eal. MacIn y e pensou numa é ica no ma i a das i udes. P ocu ou na
sua e lexão é ica pa i da iloso ia de A is ó eles e Tomás de Aquino. Pe en o iamen e a i ma que
o acasso é ico e mo al da sociedade mode na esul a do acasso do iluminismo que com as suas
ideias agmen ou a sociedade. A é ica icou “ e ém” da pe spe i a e de pon os de is a mui as ezes
comp ome idos com ideologias e iloso ias polí icas. A deso dem c iada pelo iluminismo lança a
con empo aneidade numa longa c ise mo al. O incon o mismo do escocês le a-o a uma mo i ação
pa a en a ul apassa a c ise mo al. Aos agmen os e pa es dos esquemas concei uais da
mode nidade al am os con ex os, os undamen os que o iginam signi icados coe en es. Sem os
con ex os não se alcançam acionalmen e c i é ios mo ais obje i os. Na ob a A e Vi ue (2001, p.
15), MacIn y e a i ma que emos simulac os da mo alidade. O e ei o nega i o da agmen ação e dos
simulac os da mo alidade na sociedade oi o su gimen o do indi idualismo mo al, oi chega -se a
uma ce a ana quia mo al, o indi íduo do ado de au onomia mo al pa a decidi sob e qual o bem,
sob e que coisa de e se p ocu ada pela pessoa como o melho , pois não exis em pad ões acionais
pa a undamen a as escolhas.
Os deba es mo ais equen emen e es alam pa a o emo i ismo. Emp egam-se os juízos mo ais não
apenas pa a exp essa sen imen os, mas p incipalmen e pa a p oduzi e ei os nou as pessoas. O
emo i ismo subo dina a a gumen ação às emoções, aos sen imen os e às p e e ências subje i as. O
emo i ismo ap esen a-se como uma eo ia não cogni i a, com uma e ó ica e icaz de que não é
possí el exis i em c enças mo ais obje i as. O emo i ismo acassa edondamen e po aze com que
os juízos mo ais exp essem sen imen os e a i udes con ibuindo pa a o declínio mo al do nosso empo.
No que conce ne à psicanálise de Sigmund F eud, MacIn y e acusa es a eo ia da psicologia do
mesmo e o apon ado nas ciências sociais, o de ans o ma em causa, em encadeamen o au omá ico
das si uações, o que é u o da on ade, ainda que inconscien e. Po ém, o escocês olhou semp e com
simpa ia pa a o médico de Viena, conside ando-o um ilóso o da suspei a, semelhan e aos ilóso os
Ma x e Nie zsche. A sua suspei a, na u almen e, ecai sob e os males do iluminismo.
F eud pode ia e -se como uma e e ência pa a oda a iloso ia do jo em p o esso , embo a de a se
des acado que, quando o p ocu ou, es a a en ol ido em p econcei os e in e esses que não lhe
pe mi iam acei a o abalho do psicanalis a com a maio se enidade. O ienense e a uma munição
p eciosa pa a um an agonismo com o qual, desde meados da década de 1950, MacIn y e se
con on ou. É p eciso en a iza as suas á eas de in es igação, pois naquela ba alha não hou e apenas
posicionamen o pessoal dian e dos p oblemas do momen o, mas ambém o comba e às suas c enças
15
e à sua o mação. MacIn y e di idiu-se en e o âmbi o da sua o mação e as ideias do momen o, além
de a en a pa a os di e en es mé odos de abo dagem dos p oblemas: analí ico, psicanalí ico e dialé ico.
Os empos são uma exibição de emas e mé odos combina ó ios e di e sos, es udados a pa i de uma
p o unda inquie ação e ao i mo de di e en es e en os his ó icos, que o o ça am a epensa
con inuamen e as di e en es ques ões. Não emos nenhum e a o de F eud da década de 1950, um
e a o í ido, cujo epicen o pode iam se as p óp ias p eocupações de MacIn y e, que lhe o am
ansmi idas pelo ienense. Em ez disso, pode le -se a en ada que ele esc e eu pa a a MacMillan
Encyclopedia em 1967, na pa e inal da sua e a " eudiana". An es de aze uma b e e análise,
con ém conhece o luga que F eud ocupou no pensamen o ge mânico, is o pelos olhos de
MacIn y e em 1972, quando p a icamen e ha ia abandonado o in e esse pelo eudismo. Pa a ele, as
cul u as alemã e aus íaca undi am-se numa ede de in e dependências cul u ais e linguís icas, pa a
pode em se es udadas conjun amen e. F eud oi nele e a ado como uma igu a especialmen e
impo an e no campo do pensamen o, odeado po g andes ilóso os como Nie zsche, Husse l ou
Heidegge , que in luencia am eólogos como Ba h e Bul mann. F eud ambém oi con empo âneo
de uma sé ie de ma xis as que MacIn y e desconside a a, nos anos de 1970 com mais ou menos
dissimulação e b ilhou como o undado de uma disciplina no a e ecunda, mais incisi a do que a
sociologia de Max Webe , que, ao mesmo empo, uncionou como um p eceden e pa a a análise
linguís ica do Cí culo de Viena. A igu a de F eud oi, po an o, bem is a e bem pensada, mui o
melho do que a sua eo ia psicanalí ica. O e a o biog á ico de F eud ealizado po MacIn y e em
1972 não é ão di e en e daquele que oi ei o em 1967, em que mos a os clichés mais banais, sem
pode ap ecia nenhum lampejo con unden e, que o escocês ap ecia a. Po ou o lado, se o co po da
desc ição e in e p e ação ideológica o compa ado com o de ou os pensado es, ê-se, po um lado,
quais são os in e esses de MacIn y e e, po ou o, quais são as suas in e p e ações pessoais. Se
olha mos pa a o e be e do Dicioná io MacMillan, o p imei o pon o e e e-se às ideias básicas de
F eud: as dou inas que F eud elabo ou nos anos an e io es a 1915, as ca ac e ís icas epe i i as do
compo amen o ano mal das c ianças em que são econhecidas e desc i as pa a o p imei o empo
adul o, his é ico, obsessi o e dep essi o. O que ha ia de no o em F eud não e a apenas a desc ição
dessas ca ac e ís icas, mas a manei a como ele as desc e ia. Em ez de conside a o compo amen o
mencionado como simplesmen e inú il, de modo que a única a e a do es udioso em psiquia ia é
p ocu a as condições isiológicas p eceden es que podem e o iginado o compo amen o neu ó ico,
F eud a ou o compo amen o neu ó ico como uma o ma de a i idade. É pe inen e pe gun a qual
é o seu signi icado e inalidade. MacIn y e en a iza duas ezes que a no idade de F eud es á na
"desc ição" de alguns compo amen os na u ais e nas manei as que o p óp io F eud usa pa a desc e ê-
los. O jo em MacIn y e não es a a in e essado p incipalmen e na he menêu ica de uma co en e
16
g ossei a de sonhos, mas sim na desc ição das on es psíquicas. Isso é con i mado pela insis ência
nos elemen os e iológicos do compo amen o e condu a humana (obje i os, ações ...). MacIn y e
acen ua que os concei os-cha e em F eud são os seguin es: a ep essão, a sublimação e o p óp io
inconscien e. O que é ep esen ado é o que é dolo oso demais pa a a consciência o man e à is a; o
o ganismo humano, que busca o p aze na u almen e, é con inuamen e o çado a adap a -se à
ealidade social e ísica ex e na. Os impulsos que não conseguem encon a uma saída são,
consequen emen e, des iados po ou os canais; é o que se designa po sublimação. Nem udo o que
é inconscien e é ep imido, uma ez que o inconscien e em os seus p óp ios elemen os dinâmicos, e
an o as ep essões quan o as sublimações são ealizadas de aco do com as leis de ans o mação que
são ina as no inconscien e. O inconscien e é, po an o, uma en idade eó ica, em p incípio
inobse á el, sem a qual as conexões en e a in ância e a ida adul a pe manece iam inin eligí eis.
Des acou-se o p imado do inconscien e sob e os p oblemas concei uais de i ados do ecalque e da
sublimação, uma ez que o inconscien e oi o e dadei o p oblema eó ico que e e consequências
no deba e ilosó ico. A subseção dedicada à psicanálise e e apia explica em que medida o
inconscien e é o g ande desconhecido. O obje i o é pe mi i que o pacien e ecupe e as memó ias
pe didas nas quais es ão en aizados os seus mo i os inconscien es e, assim, e o ne ao pon o em que
o con li o ou a aqueza se ixa am no seu ca á e , de al o ma que mais a de p oduzi am as
de iciências e as neu oses. Isso não é ácil, é necessa iamen e um p ocesso demo ado, po que não há
mo i os ou desejos inconscien es pa a os quais o pacien e não enha um o e desejo inconscien e de
pe manece inconscien e. Po an o, o psicanalis a de e ajuda o pacien e a en en a , comp eende e
supe a as suas p óp ias esis ências. No en an o, quando MacIn y e esc e eu sob e a "ino ação
concei ual" que a psicanálise ep esen a a, ocou-se numa sé ie de ques ões que o in e essa am não
apenas na o dem eó ica, mas ambém na es e a mo al, a sabe , os componen es concei uais das
" azões pa a ação”, os mo i os, desejos e ações inconscien es. Ao ala de mo i os e desejos
inconscien es, F eud o çou-nos a escla ece os concei os de mo i ação e desejo de di e sas manei as.
Desc e e um ce o compo amen o como esul ado de mo i ação inconscien e é inicialmen e
equi alen e a desc e ê-lo no amen e pa a que possamos en endê-lo como uma ação o ien ada pa a
um im e não como um me o mo imen o ísico. Mas, ao a ibui um mo i o ao compo amen o,
es amos a limi a -nos a eesc e ê-lo e a eclassi icá-lo, ou es amos ambém a a i ma uma elação
en e esse compo amen o e uma causa ocul a, o mo i o inconscien e, de alguma o ma iden i icá el
independen emen e do compo amen o? Qual é a elação dos mo i os inconscien es e as nossas
dis inções comuns en e mo i os, azões e causas? O p óp io F eud esc e eu sob e os mo i os
inconscien es como uma espécie de causa, e a c í ica ilosó ica al ez se enha p ecipi ado demasiado
ao supo que es a a indiscu i elmen e e ado.
17
2. A adição a is o élico- omis a
A is ó eles e S. Tomás de Aquino são os ilóso os de e e ência de Alasdai MacIn y e. Es e pensado
em-se empenhado em libe a a é ica da subjugação à iloso ia da linguagem. Fê-lo descons uindo
e, po assim dize , “co ando” a é ica em “pedaços” pa a depois cons ui uma no a é ica alice çada
nos aciocínios independen es dos sujei os mo ais.
Da adição a is o élica, MacIn ay e ai ecupe a a é ica das i udes – a i ude enquan o bem
obje i o e im em si mesmo. O es agi i a conside a o íada: i ude, é ica e acionalidade. Pa a
encon a o undamen o da ação humana é necessá io co a com o emo i ismo que sus en a o
indi idualismo noci o. O emo i ismo e o “exp essi ismo” são eo ias que de endem o juízo é ico
decla ando apenas es ados psicológicos i econciliá eis.
Con udo, ao es uda a é ica na sua ligação à ida há que conside a o desejo humano. A pa i do
desejo o homem cons ói os seus p oje os. An opologicamen e o p oje o é a ma e ialização de uma
in enção, inda de um desejo. Os a gumen os a is o élico- omis as induzem a pensa que não de emos
conside a odos os desejos, pois nem odos são iguais, mas e i ica os que mais impo am na
pe spe i a de uma ida eliz. De emos hie a quiza os desejos como se hie a quizam os alo es. A
hie a quização é ob a da “ph onesis”, segundo A is ó eles, ou da “p uden ia”, na linguagem de S.
Tomás de Aquino.
A opção comuni a is a de MacIn y e eme ge do pensamen o omis a, que se alice ça na de esa de um
bem obje i o. O indi íduo como pa e de um odo: a amília, a izinhança, o abalho / emp ego, o
país.
MacIn y e alo iza a na a i a como possibilidade de ca ego ização é ica das i udes undamen ais,
po possibili a associa a p á ica à eo ia. A é ica pa a o escocês az sen ido na in e dependência da
associação en e a p á ica e a eo ia. Edi h S ein é um exemplo de ilóso a pa a MacIn y e po que
associa a sua eo ia, a busca da e dade, à p á ica de ida, eme sa numa ida coe en e ligada à
e dade.
Em sín ese, pa a A is ó eles e Tomás de Aquino os concei os de adição, p á ica e na a i a são
essenciais pa a a comp eensão do ca ác e humano. Es es concei os se ão ecupe ados po MacIn y e
como modo de cons ução de uma é ica en aizada na ida.
O abandono das eo ias ilosó icas de A is ó eles “deixou cai ” a noção de homem que conside a o
seu “ elos”. MacIn y e na sua a gumen ação ilosó ica não hesi a em c i ica a p e ensão mode na de
cons ui uma é ica uni e sal. Essa obs inação na é ica no ma i a é con a iada pela econ e são da
é ica à “eudaimonia”. O homem jus o é eliz dizia Pla ão (República 353b – 354 a). A elicidade é o
sup emo bem p á ico pa a os homens (A is ó eles, É ica a Nicómaco I 1097 a – b). A é ica le a a
p ocu a incessan emen e o bem que le a à elicidade. É uma é ica que en ende a adição como um
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apelo ao passado que mos a as possibilidades u u as. O bem es á ligado ao se humano, e o mesmo
se passa com os ou os se es humanos, que es ão ligados à comunidade, que ajudam a p ocu a a
elicidade.
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3. Depois da i ude, uma no a ase no pensamen o de Alaisdai MacIn y e
O que é a i ude? É aquilo que ninguém
pode ap ende senão de si mesmo, e que
nunca sabe eis se o osso co ação não
os espondeu de an emão.
Jean-Jacques Rousseau
Pa a MacIn y e a iloso ia mo al he dada do iluminismo e e uma obsessão, p ocu a acionaliza as
ações humanas, descuidando a undamen ação de uma mo alidade, que conside asse os con ex os
his ó icos e sociológicos do homem. Pa ece e iden e que a e lexão mo al no p esen e é a e ada pelos
es ados emocionais das pessoas. Há uma ilusão, uma encenação de agi mo almen e. Cada indi íduo
pode á desen ol e a sua o mação mo al de aco do com as i udes alo izadas indi idualmen e,
mas ambém com aquelas que são escolhas da sua comunidade. A ede inição do concei o de adição
es abelece os pila es pa a a e o mulação da mo alidade. A adição não es á c is alizada ou echada.
A adição é ansmi ida, em seguida assimila a ino ação, é ein e p e ada e ein en ada cul u almen e
e socialmen e.
Na ob a A e Vi ue (2001), MacIn y e e o mulou o concei o de i ude (a e é) a is o élica. O au o
c i icou a mo alidade mode na (iluminismo) e con empo ânea (emo i is a). Pa a que o concei o de
i ude não se a ogue num ela i ismo, em que des ela a sua explicação eleológica das i udes, e
ac escen a o seu desen ol imen o lógico com as p á icas, as na a i as da ida humana e as adições.
A noção de p á ica indica a ope acionalização das i udes em e mos indi iduais, com in enção e
ação. Implica uma sabedo ia p á ica (Ph ónésis). A p á ica en ol e o concei o de “bem”. P ocu a o
bem in e no in ínseco às p á icas e o bem ex e no que é conquis ado de uma plu alidade de o mas.
A na a i a da ida humana demons a como é p ecisa a coe ência no exe cício de di e sas i udes
semelhan es. A na a i a acili a a iden idade pessoal e mo al. A adição elaciona a i ude
indi idual com a i ude comuni á ia, a p ocu a do “bem comum”. A adição que assume a
acionalidade é pe meá el à c í ica. Es a abe u a à azão e à c í ica az com que se con i me o alo
da adição i a.
As i udes es ão co elacionadas com o con ex o das p á icas de cada sujei o que es á in eg ado numa
comunidade. As i udes alimen a ão as qualidades de ca ác e . A i ude é adqui ida como qualidade
humana que capaci a e sus en a o bem in e no. De e mina a na u eza das elações in e pessoais. As
i udes são ainda alo es de e e ência pa a o homem ao con o ma a sua libe dade e a sua ação.
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A ida humana é uma unidade na a i a que se conc e iza numa ida inclusi a e plena de
exclusi idade. Somos au o es e a o es de uma na a i a que se en onca nou as na a i as: cada qual
em a sua na a i a, que c uza com as ou as na a i as.
As elações sociais são o u o de á ias elações humanas exp essas po na a i as. His ó ias pessoais
que cons oem his ó ias comuni á ias. As i udes le am ao c escimen o, desen ol imen o e
ma u ação do se humano. Es e de e passa do es ado de dependência e ulne abilidade ao es ado de
esponsabilidade. O econhecimen o da dependência é um elemen o-cha e pa a o desen ol imen o
da consciência mo al do indi íduo.
A mo al con empo ânea caiu num es ado de deso dem. As á ias eo ias mo ais i alizam en e si,
deixando que a ance o ela i ismo. Ve i icamos no nosso empo uma apa en e p eocupação é ica.
Bas a es a mos a en os ao discu so polí ico, económico, emp esa ial e publici á io. Não há polí ico,
economis a ou emp esá io que não enha uma p eocupação é ica. P ocu a-se que es a disciplina
ilosó ica dê o seu pa ece em odos os campos da ida humana. Da ida amilia à ida p o issional
e à ges ão mo al das opções, cos umes e laze . Das g andes emp esas às decisões polí icas, às á eas
da saúde e ambien e. Apa ecem pa ece es é icos pa a udo e de odo o lado, que êm unicamen e a
u ilidade de ali ia consciências ma cadas pelo sen imen alismo e pelo emo i ismo. Pa ece exis i
uma é ica pa a cada desejo pessoal, p o issional, polí ico ou emp esa ial. A é ica desemboca numa
linguagem incoe en e, agmen ada e deso denada. Nas g andes ques ões é icas do nosso empo, a
linguagem é in ini a, os deba es são in indá eis. A é ica pe de a sua essência, ans o ma-se num
discu so boni o, numa e ó ica, num jogo de linguagem, com li igância, a i mação e con adi ó io. A
impessoalidade e a incomensu abilidade são ca ac e ís icas dos a gumen os é icos que se digladiam
de o ma supe icial.
MacIn y e e e e na ob a A e Vi ue (2001) que mui as exp essões que usamos muda am de sen ido
e de signi icado. As pala as ganha am go du a, no sen ido que ac escen a am camadas de
signi icados à sua e imologia e comp eensão p imo dial. Uma é ica cuja acionalidade é independen e
do con ex o his ó ico e social, sem comp eende a inalidade da na u eza, es á o ada ao acasso.
MacIn y e ao e le i sob e as i udes ale a pa a o ac o de exis i em ês conceções de i ude: a de
A is ó eles, a de Home o e do No o Tes amen o, da Bíblia c is ã que ap esen am conceções di e en es
de i ude. Em Home o e na sociedade he óica, a i ude consis e na pa icula idade da
esponsabilidade. O indi íduo com i udes homé icas e á que exe ce o seu papel social, numa
es u u a social ma cada pela alo ização das i udes. Po ém, as i udes es ingem-se a g upos
sociais ele an es. Pa a A is ó eles, a i ude é a qualidade que dá compe ências ao indi íduo pa a
conquis a o “ elos”, o im, o sen ido especi icamen e humano. Em A e Vi ue (2001), MacIn y e
ad e e que a eleologia não pode se subs i uída po uma e são do es oicismo. As i udes não êm
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que se p a icadas em unção de um bem. Ou ossim, a i ude é o seu p óp io im, a sua mo i ação.
A p á ica da i ude é um im em si mesmo.
Pa a MacIn y e, a c ise da mode nidade em o seu elemen o básico nas p á icas emo i is as, que
con inuam inco po adas no mundo libe al, que con inua a e o ça o ela i ismo como algo que se
sus en a pe manen emen e num modo de es a e na ida social. A si uação em que se encon a a é ica
con empo ânea ca ac e iza-se essencialmen e po um plu alismo supe icial: é o emo i ismo, que se
exp essa em juízos de alo e em juízos mo ais, que não são mais do que p e e ências e exp essões
de a i udes, emoções e sen imen os. Com o emo i ismo, a é ica pe de “equilíb io acional”,
“asse i idade” e o na-se endenciosa e pa cial. A é ica ans o ma-se numa bandei a despida de
e dadei o signi icado – bandei a da é ica - u ilizada po emp esas e associações despo i as, po
p esumi elmen e exis i em boas p á icas de é ica emp esa ial e despo i a. Es a pa cialidade e a
agmen ação de que ala MacIn y e são a causa do uni e salismo, u ili a ismo e ou os modelos
igualmen e acassados. O abandono do modelo a is o élico das i udes e e consequências ne as as
pa a a e lexão é ica. A única al e na i a ao acasso da mode nidade é en a ecupe a a é ica das
i udes no sen ido a is o élico e omis a. Insis e em que as é icas mode nas, de ma iz kan iana,
con a ualis as ou consequencialis as êm-se e elado incapazes de esol e os p oblemas mo ais do
im do século XX e p incípio do século XXI. Alasdai MacIn y e, em A e Vi ue (2001), não se
cansa de chama a a enção pa a as di iculdades das eo ias mo ais ao en en a em os desa ios a uais.
É a pa i des e diagnós ico p eocupan e que edescob e a é ica eleológica.
A his ó ia da iloso ia oi a e ada po uma descon inuidade alsa, com um co e na adição e com o
empolgamen o do iluminismo. A é ica eleológica oi aquela que se a i mou, uncionou e pe du ou,
passando da an iguidade clássica g ega, pelo judaísmo, pelo c is ianismo e pela adição muçulmana.
A ecupe ação de uma é ica eleológica su ge como espos a à é ica agmen ada, es ilhaçada e
des i uída de con ex o, que lhe i a signi icado. Há que e em a enção que os juízos mo ais não são
exp essões que in ocam apenas p e e ências; p ocu am, e de alguma o ma possuem, uma
obje i idade nos con eúdos. Os juízos mo ais não são o esul ado imedia o dos juízos de ac o.
O “concei o uncional” enco aja a que cada um pe ceba o que é bom e o que é o bem. Na é ica
eleológica de Alaidai MacIn y e, as “coisas” uncionam pa a cump i o seu “ elos”, o seu im, o seu
bem. O obje i o do agi humano é o bem. Em sen ido é ico, o homem em de pe cebe que unciona
com a sua na u eza, a “physis”. Como a pa e isiológica do homem em um im, que é o equilíb io
na u al, a saúde, assim como o agi humano êm o seu p óp io “ elos”, a sua p óp ia inalidade, que é
a sua on e de mo imen o, a p ocu a do bem. O “ elos”, es á insc i o na “na u eza cul u al” do homem.
Te um im, é e uma missão, um obje i o, uma unção. O “ elos” do homem é a busca do bem.
Semp e que o homem p ecisa de a i ma a azão da sua ação, eco e ao bem que a ação p opo cionou.
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Há ês ní eis de i udes di e en es: o p imei o ní el pe mi e aos indi íduos alcança p á icas de
bens in e nos; no segundo ní el, si uam-se as i udes que se em pa a o dena a ida humana endo
em is a a ealização do seu p óp io bem e no e cei o ní el si uam-se as i udes que ajudam à
in eligibilidade. MacIn y e undamen a a eo ia das i udes no econhecimen o da iden idade animal
do se humano; agi i uosamen e é agi undamen ado na azão, agi pelas paixões quando es as são
educadas pela azão.
MacIn y e ecupe a des a o ma o e mo “ i ude”. Es e e mo saí a do ocabulá io habi ual da
iloso ia mo al, endo en e edado a iloso ia pela e lexão undada em concei os como de e e
u ilidade. A é ica da i ude agmen a a-se como as iloso ias pós iluminis as e o na a-se azia.
A é ica da i ude p ecisa de uma a mos e a a is o élica. A i ude nasceu na G écia clássica, com
aízes na mi ologia e na agédia g ega. A i ude a a essou o c is ianismo, o islão e conheceu um
ou o g ande momen o com Tomás de Aquino, que in eg a a adição judaico-c is ã. A é ica da i ude
apela à p udência (ph ónesis), uma i ude in elec ual que implica a expe iência i ida. A p udência
p ocu a a sabedo ia e es a diale icamen e az c esce ou aumen a a p udência. Pode dize -se que a
é ica das i udes assumiu uma ipla exp essão: p é-mode na, mode na e pós-mode na. Não é uma
moda, mas uma adição con ínua e i a.
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Capí ulo II: Como chega o se humano a se um aciocinado p á ico
1. Vulne abilidade, dependência e independência
O homem não passa de um caniço,
o mais ágil da na u eza; mas é um caniço pensan e.
Pascal, Blaise, Pensamen os
A lei u a da ob a Dependen Ra ional Animals: Why Human Beings Need The Vi ues (1999) de
Alasdai MacIn y e, az a no idade de pensa a condição humana como es ando imp egnada de
ulne abilidade. A humanidade é um dos elemen os da na u eza, su gindo o homem como se ágil.
O calo , o io, empes ade os ou os se es humanos, e se es não humanos são uma ameaça cons an e,
expondo cla amen e a ulne abilidade humana. Pe cebemos que algumas ca ac e ís icas da
ulne abilidade undam-se nas ideias de agilidade, ince eza, so imen o, delicadeza, acasso e
dependência. MacIn y e (1999, p.15) e e e que a maio ia dos homens padece de alguma doença
g a e num ou nou o momen o da sua ida. O homem é con ingen e e du an e a sua ida es á
desp o egido pois não se libe a da possibilidade de adoece . É e iden e que a doença é uma das
exp essões da ulne abilidade. Es a é uma incapacidade que domina a ida humana. A pala a
ulne abilidade em do la im “ ulnus”, que signi ica “ e ida”. Te uma e ida é pe manen emen e
es a expos o, ica à me cê de qualque pe calço azido pelo desen ola da ida. A agilidade é
ine en e ao se mos homens. Pla ão, no li o VII da República, a a és da alego ia da ca e na ala-
nos da agilidade dos homens1. De emos aos ou os a nossa sob e i ência, p imei o na in ância e
depois nou as ases da ida. A incapacidade ísica e in elec ual em g aus, e cada um de nós encon a-
se num de e minado ní el. O ambien e amilia , os la es e os hospi ais são luga es de ulne abilidade.
As doenças, as en e midades, as demências, as múl iplas incapacidades são si uações de
ulne abilidade. Es a ambém nos eme e pa a a si uação de não pode . A on ade de pode ou
domínio de Nie zsche e á que da luga ao não pode , à ausência de capacidade, aqueza e
ins abilidade. O homem de e á acei a o so imen o e o acasso, mas não há luga pa a uma negação
de si mesmo, pois é com a acei ação dos elemen os de abnegação que lhe su gi á o sen ido da ida.
É impossí el con ola ou egula odos os momen os pe co idos no deco e da ida humana.
_____________
1 Pla ão, República li o VII. Condição humana: O homem é p isionei o desde a in ância.
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dependência, eunindo a i udes de econhecimen o da impo ância de se sabe necessi ado, de ecebe ,
mas com uma azão p á ica, capaz de da , de se solidá io, pa icipa i o e colabo ado na cons ução
do “ou o” e da sociedade. A ideia de ecip ocidade ou mu ualidade - as pessoas sabem mu uamen e
- esul a no apa ecimen o do econhecimen o da necessidade da dependência mú ua, du an e o
p ocesso de desen ol imen o p á ico. Nem semp e as pessoas de que dependemos êm as i udes
conside adas necessá ias pa a o desen ol imen o e o alecimen o da nossa azão p á ica
independen e. Há ambien es de dependência mú ua pouco a o á eis à p omoção da azão p á ica
independen e A dialé ica de da e ecebe co esponde às eais necessidades das pessoas nas di e sas
ases da ida. To namo-nos aciocinado es p á icos independen es a a és de um conjun o de elações
com as pessoas. Ao c esce , o indi íduo dá mais do que ecebe mas, quando chega à e cei a idade,
p ecisa de ecebe mais do que dá. A capacidade de a alia e jus i ica azões su ge do
desen ol imen o de elações de ecip ocidade pa a com os ou os. O econhecimen o da dependência
de um pa a com os ou os, ans o ma-se no econhecimen o como es eio pa a a independência.
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3. A i idades do aciocinado p á ico
Pa a que o se humano não se limi e a desen ol e as suas capacidades animais e chegue a
desen ol e a capacidade de aciocinado p á ico independen e necessi a dos ou os. O se humano
só é capaz de chega a se aciocinado p á ico a a és das suas elações com os ou os. Há que
escla ece que o se humano, apesa de anscende algumas das suas limi ações, não se sepa a
in ei amen e daquilo que em em comum com os animais. O co po humano é um co po animal, com
in eg idade de um co po animal. O homem em endências e inclinações biológicas pa a a au o-
p ese ação. A iden idade humana em um undamen o co po al, ainda que não seja só co po al. A
elação com os ou os p ocu a de ini -se como p eponde an e ao espei a a iden idade animal. O
aciocinado p á ico necessi a de man e elações que es imulem a capacidade de desen ol e ,
modi ica ou epudia os seus p óp ios juízos p á icos.
O aciocinado p á ico e á que paula inamen e elimina as causas de incompe ência. Pa a isso p ecisa
dis ancia -se su icien emen e dos desejos. Se capaz de julga os desejos de uma pe spe i a ex e na.
Os pais de uma c iança de en a idade en en am di iculdades, quando êm o p opósi o de ans o ma
as c ianças dependen es em aciocinado es independen es. Os aciocinado es p á icos que enham
capacidade e compe ência êm de chega às suas p óp ias conclusões e assumi as co esponden es
esponsabilidades.
Pa a que a c iança seja um aciocinado p á ico independen e, não de e a ua pa a sa is aze os
adul os, mas a ua pa a aze aquilo que é melho pa a ela, inclusi e aquilo que não é de ag ado de
alguns adul os. O con li o e a c ise são essenciais pa a a c iança se o na independen e, an o dos
seus p óp ios desejos como da in luência excessi a dos adul os. O con li o não pode á se des u i o.
É mais uma habilidade necessá ia que de e se ap endida. No início, o con li o é is o não como uma
disco dância de pe spe i as, como uma si uação em que a on ade do ou o se o na um obs áculo
pa a aze o que se deseja. O econhecimen o da dependência é a cha e da independência. É a
dependência que pe mi e a consciência de si mesmo. Assim, MacIn y e sus en a que uma condição
pa a se o na um aciocinado p á ico independen e, é o con ibu o dos ou os; ambém é decisi o
que nalguma ase da ida a c iança ge e con li os com aqueles com quem ap ende, de manei a a
consegui au onomiza -se. A con iança absolu a que uma c iança em nos adul os libe a as
aculdades c ia i as, men ais e ísicas que se exp essam como num jogo. Resul a desse jogo, um
sen ido pa a alcança um g au cada ez maio de independência no desempenho do aciocínio p á ico.
A c iança não deixa de execu a as suas a e as e missões de manei a in an il, con udo a sua
in eligência o nece as condições pa a que enha um aciocínio p á ico independen e que i á con e i
um maio sen ido de esponsabilidade às suas ações. É o aciocinado p á ico independen e que
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ans o ma a sua mo i ação, que na sua o igem mo em de azões ex e nas, con e endo-as em azões
in e nas, A azão p á ica independen e exis e quando se acei a que se depende dos ou os de di e sas
manei as a é ao é mino da ida, pelo que o desen ol imen o da azão p á ica independen e implica
uma elação de cuidado. Na in ância o namo-nos independen es como aciocinado es quando
ap endemos a dis ancia mos dos p óp ios desejos e pe gun amos se esses desejos “aqui” e “ago a”
são os melho es. É impo an e en ende os desejos e e i ica se são bem o denados e in o mados
pela azão. A c iança deixa o es ado animal, p imá io a uando com azão, passa a uma condição
especi icamen e humana. O se humano ins i ui-se como um aciocinado p á ico quando adqui e
capacidade pa a desliga -se do imedia o e dos seus p óp ios desejos. Desen ol e a capacidade de
pode com ealismo imagina u u os di e en es, dis in os e possí eis e a disposição pa a econhece
á ias modalidades do bem e de aze e dadei os juízos p á icos. O se humano necessi a das i udes
mo ais e in elec uais pa a chega a se um aciocinado p á ico independen e, esponsá el e capaz de
escolhe po si mesmo en e as dis in as opções que se ap esen am. Quando a pessoa se con e e num
aciocinado independen e, o que acon ece á na ida de um adul o, não supe a uma g ande pa e das
elações an igas de dependência. O se humano ans o ma-se em aciocinado p á ico po meio de
uma se ie de elações com as ou as pessoas conc e as e capazes de da -lhe aquilo que necessi a. Um
elemen o essencial do pleno lo escimen o do se humano é o exe cício do aciocínio p á ico
independen e. Pa a o seu lo escimen o os se es humanos necessi am de elações sociais. A
incapacidade de aciocina com solidez no plano da ação é uma g a e incapacidade e ambém é um
de ei o que ocasiona a al a de independência no aciocínio. Um aciocinado p á ico independen e
em que se capaz de o e ece aos ou os uma explicação in eligí el do seu aciocínio, ainda que não
seja necessá ia uma explicação eó ica. De aco do com a pe spe i a a is o élica, o aciocínio p á ico
é po sua na u eza um aciocínio e e uado jun o com ou os, ge almen e no núcleo de um conjun o
de e minado de elações sociais. A a és das elações sociais, cada pessoa alcança e ecebe apoio
pa a se man e na condição de aciocinado p á ico independen e. Pa a que uma pessoa lo esça
enquan o se humano é necessá io que a sua ida in ei a se o ganize de al modo que pode á pa icipa
com algum g au de êxi o nas a i idades p óp ias do aciocinado p á ico independen e. Há que se
sensí el ao ac o de que o exe cício da azão p á ica independen e é impe ei o, po que é condicionado
pela his ó ia de cada pessoa. T a a-se da dico omia dinâmica que exis e en e dependência e
independência. Só o indi íduo que em consciência da sua dependência e ulne abilidade se pode á
o na num aciocinado p á ico independen e. A acionalidade é um assun o de ele ada
con li ualidade. Há á ias acionalidades. A acionalidade es á alinhada com as á ias eo ias da
men e. É possí el escla ece o p oblema da acionalidade den o da eo ia da men e. MacIn y e
assinala a al a de aco do na polí ica, na jus iça e na mo al a pa i de um denominado comum, a
acionalidade. Na linguagem da mo alidade a ualmen e obse a-se uma deso ien ação acen uada. A
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linguagem é ica a ual é um conjun o de agmen os que sob e i em a um discu so mo al en e an o
desapa ecido. A base da mo alidade não pode se a acionalidade. MacIn y e ealça dois aspe os
impo an es: a di iculdade em encon a es a égias de aco do acional pa a eduzi con li os mo ais.
É que a base da mo alidade não pode se a acionalidade, po que se e ia de demons a uma
acionalidade única. MacIn y e desc e e a ligação en e mo al, acionalidade e eo ia da men e. Uma
mo al cons uída sob e o modelo ca esiano da men e di icilmen e é sensí el à ida em comunidade
e às adições. Pa a se con i ma , o aciocinado p á ico independen e emque econhece bens e
sepa a -se dos desejos. Escla ece MacIn y e: Temos indicado que uma das p imei as causas de
incompe ência pa a o aciocínio p á ico é a incapacidade pa a se dis ancia su icien emen e dos
desejos, pa a se capaz, quando seja necessá io, de julga esses desejos um pon o de is a ex e no.
Suge i que isso ge almen e é o esul ado de uma incapacidade pa a se o na su icien emen e
independen e daquelas ou as pessoas de quem se dependeu, p imei o pa a o sus en o du an e a
in ância e depois pa a a iniciação do p ocesso do aciocínio p á ico.7
O aciocinado p á ico independen e é capaz de a alia as azões pa a a ação como boas ou más,
undamen a-se nessa a aliação pa a escolhe como agi . A c iança desde o início da sua ida ap ende
a dis ancia -se de seus desejos e a aliá-los. Ao consegui as compe ências do aciocinado
independen e p á ico, o se humano consegui á lo esce e a ingi o seu “ élos”8, o animal dependen e
humano necessi a dos ou os e das i udes. O lo escimen o só se ealiza pela ope acionalização das
i udes do econhecimen o de dependência e do aciocínio independen e. O lo escimen o es á ligado
ao concei o de bem. O aciocínio p á ico desen ol e-se endo em is a o lo escimen o humano e a
ealização da melho ação a se ealizada. O aciocinado p á ico independen e alcança os bens
ine en es ao que é p óp io da sua condição, median e o econhecimen o da sua iden idade animal e
da sua ulne abilidade e dependência. As a i udes como aciocinado p á ico são decisi as pa a que
o se humano chegue a se e dadei amen e um aciocinado p á ico. Essas a i idades são aquelas
que o homem em com os ou os, com os g upos, com a sociedade. Como e i icamos acilmen e ao
con empla a nossa ida e as idas dos ou os, há acon ecimen os que nos “caem em cima”, sem que
__________
7 MacIn y e, A. Animales Racionales y dependien es, 1999. P. 101. Ya hemos indicado que una de las p ime as causas
de incompe ência pa a el azonamien o p ác ico es la incapacidade pa a dis ancia se su icicien emen e de los deseos, pa a
se capaz, cuando sea necessá io, de juzga esos deseos desde un pun o de is a ex e no. He suge ido que ello suele se el
esul ado de una incapacidade pa a independiza se lo bas an e de aquellos o as pe sonas de quienes se há dependido,
p ime o pa a el sus en o du an e la in ância y luego pa a la iniciación en el p ocesso del azonamien o p ác ico.
8 Télos: Comple ude, im, inalidade. O élos é o bem, o bem sup emo, e daí a causa inal de odo o Kosmos.
34
nada se possa aze : acon ecimen os pessoais (aciden es, doenças, mo e) ou acon ecimen os
obje i os (ca aclismos, gue as, pandemias…). O que podemos aze é da -lhes sen ido. In eg á-los
na his ó ia pessoal e cole i a, acei ando-as numa das a i idades do aciocinado p á ico. É o alen o
e a cla i idência pa a a alia as azões que os ou os a ançam pa a jus i ica uma de e minada ação
e, ambém, as azões que nos damos pa a jus i ica as nossas ações. Pa a nos o na mos i ula es de
aciocínios au ónomos, capazes da azão p á ica independen e, necessi amos de es abelece , desde o
momen o do nascimen o a é à ase adul a, laços p o undos de dependência cul u al e comuni á ia.
.
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Capí ulo III: O se humano, de aciocinado p á ico a cuidado
1. As causas do acasso mo al
Quis b inca quando disse que ninguém é mau ou culpado po que
cada qual em uma jus i icação acional pa a o seu compo amen o. É
udo culpa da isiologia da desones idade!
Lambe o Ma ei, Elogio da ebeldia, p.111
Inquie os pa a p ocu a undamen a uma “ azão” pa a o agi humano, os ilóso os das luzes
desin e essa am-se pela undamen ação da é ica que conside asse as condições sociais e his ó icas
dos sujei os é icos. Es a ausência e e como consequência o acasso mo al. Hoje, o nosso agi dá-
nos a ilusão de agi mos mo almen e, mas a mo alidade es á de ce o modo condicionada po es ados
emocionais que impedem a impa cialidade e a isenção do pensamen o no que conce ne a ques ões de
mo al. A ambição do p oje o iluminis a em cons ui um edi ício sólido da é ica, como base pa a as
“ elações mo ais” caiu po e a. Ao e e i -se ao acasso mo al, MacIn y e cons a a que a mo alidade
a ual é um simulac o, um ensaio do que de e ia se a e dadei a mo alidade. A coleção de agmen os
mo ais incoe en es em a sua génese na iloso ia mo al mode na que deu g ande en ase à au onomia
do indi íduo. Chegou-se ao absu do de e mos an as iloso ias mo ais como indi íduos. É bas an e
incisi o MacIn y e quando escla ece que: A iloso ia mo al mode na pôs uma g ande en ase na
au onomia do indi íduo, na sua capacidade pa a o mula eleições independen es, o qual é
comp eensí el e co e o.9 O acasso mo al oi e o çado pelo ela i ismo e pelo indi idualismo, na
sua e são ex ema, passando a um egoísmo doen io. Pa a o ilóso o que es udamos, o acasso mo al
indi idual de i a dos ícios de ca ác e de uma pessoa, mas ambém dos sis emas de ei uosos de
elações sociais. Como explici a MacIn y e: Essas injus iças êm duas o igens di e en es. Uma é o
acasso mo al indi idual, que su ge dos ícios do ca ác e de uma pessoa. O ou o encon a-se nos
e os sis emá icos de uma se ie conc e a de elações sociais em que se inse em as elações de
ecip ocidade.10 Como A is ó eles e Tomás de Aquino, o ilóso o anglo-saxónico en ende que
____________
9 MacIn y e, A. Animales Racionales y dependien es, 1999. P. 23. La iloso ia mo al mode na ha pues o un g an
én asis en la au onomia del indi iduo, en sua capacidad pa a o mula elecciones independien es, lo cual es
comp eensible y co ec o.
10 MacIn y e, A. Animales Racionales y dependien es, 1999. P. 122. Esas injus icias ienen dos o ígenes di e en es.
Uno es el acasso mo al indi idual, que su ge de los ícios del ca ác e de una pe sona. El ou o se halla en los
e o es sis emá icos de una se ie conc e a de elaciones sociales en que se inse an las elaciones de ecip ocidade.
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os concei os de adição e na a i a da ida humana são essenciais pa a a comp eensão do ca ác e
humano, dando a opo unidade a cada indi íduo de p ocu a os p incípios da acionalidade que da ão
sen ido e o o ien a ão as suas decisões. É indispensá el elimina o sen imen alismo, que é como o
sinal de acasso mo al. O sen imen o sem o guia da azão ans o ma-se em sen imen alismo,
sen imen os deso ien ados e deso denados que ma cam o pensamen o, le ando a compo amen os
i acionais. A é ica de e á analisa o que os meus sen imen os me dizem, o que es á ce o ou e ado.
Se a é ica osse uma ques ão de sen imen os, des ia a-nos de p incípios e alo es, como o espei o e
a lealdade. P ecisamos da é ica pa a a alia os nossos sen imen os. Com e ei o, a adição e a na a i a
da ida humana azem esul ados posi i os an o pa a o indi íduo como pa a a comunidade onde se
inse e e onde i e. To namo-nos é icos na elação com os ou os. Nos elacionamen os, somos é icos
quando econhecemos o ou o. Cada indi íduo desen ol e a sua iden idade no in e io das á ias
comunidades em que se in eg a.
37
2. O bem de cada um e o bem comum
Uma cons an e nas ciências sociais em sido a ce eza de que a al a de é ica, ou di e amen e o seu
enca ce amen o, em sido um a o undamen al na cons ução da si uação a ual.
Con empo aneamen e, á ios ilóso os da á ea da iloso ia da mo al, publica am abalhos em que
ale am pa a as lacunas da é ica con empo ânea. Po es a azão, a aje ó ia in elec ual de Alasdai
MacIn y e con ém o duplo alo de o e ece uma possibilidade eó ica sob e a ' ida boa' e pa a ela, e
de azê-lo, ede ine concei os básicos das ciências sociais. Em Dependen Ra ional Animals: Why
Human Beings Need The Vi ues (1999) como em A e Vi ue, (2001) MacIn y e ompe com a
adição do discu so que coloca o indi íduo an es do social e ele a a azão humana, a au onomia, a
um plano in ocá el. Ao mesmo empo, p opõe-se co igi clichês, p econcei os e a i udes p óp ias da
iloso ia mo al ociden al, que se dis anciou da biologia do se humano, inco endo em g a es e os,
que de e minam pos ulados e óneos. O discu so que impe a le a mesmo ao esquecimen o dos
sabe es da biologia. Em p imei o luga , concen a-se no que, pela sua na u eza animal, os humanos
compa ilham com memb os de ou as espécies animais in eligen es, embo a lhes al e a linguagem.
O exemplo escolhido pa a o compa a com os humanos é o dos gol inhos, exemplo que mos a não
só que é álido a ibui a algumas espécies animais "in enções e azões pa a agi ", mas ambém que
o se humano, nos seus p imó dios como agen e acional, se encon a numa condição mui o
semelhan e e que a iden idade humana é en ão, e con inua a se pe manen emen e, uma “iden idade
animal”. Po isso, é a a és da biologia que MacIn y e in eg a a his ó ia humana den o da his ó ia
na u al e conside a que uma é ica sepa ada da biologia é impossí el. Em segundo luga , o au o
de ém-se na ulne abilidade e na de iciência que es ão acopladas ao se humano. Re u a os possí eis
a gumen os sob e a au onomia e independência do se humano, pois, ao longo da sua exis ência, o
se humano p ecisa á con inuamen e de ou os se es humanos pa a consegui desen ol e -se.
Na p imei a in ância ou na elhice, du an e pe íodos de lesão ou na possibilidade la en e de uma
doença ísica ou men al, o se humano p ecisa dos ou os. Além disso, somen e po meio dos ou os,
os pais, os p o esso es e os u o es que ensinam du an e a p imei a in ância, o se humano chega a
o na -se um agen e acional e independen e. O desen ol imen o do nosso aciocínio e ação é icos
alcança-se apenas como memb os da nossa espécie comp o adamen e dependen e. Começamos po
ac edi a e acei a o que nos oi ensinado como ce o e e ado e, só mais a de, se emos capazes de
julga po nós mesmos, não sem o consequen e a do mo al. Po an o, não exis em pon os de pa ida
li es de p essupos os. No início da sua exis ência, e ambém na elhice, o se humano es á longe
daquele se au ónomo e acional que cons uiu o Iluminismo. E, à medida que se a as a desse ideal,
ap oxima-se da sua condição animal. O se humano não necessi a apenas de ou os se es humanos
pa a desen ol e as suas aculdades acionais, mas, econhecendo o seu ca ác e eminen emen e
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social e a sua dependência, ambém os bens que deseja se encon a ão numa ede de in e ação mú ua.
O cosmos de MacIn y e é uma ede de dependências na qual só o se humano depende dos ou os
pa a a ealização do bem comum, mas ambém depende de ou os indi íduos conc e os pa a alcança
g ande pa e dos bens indi iduais.
Assim, o econhecimen o da dependência é a cha e pa a a independência. A acionalidade
independen e, pa a MacIn y e, eque o complemen o das i udes do econhecimen o da
ulne abilidade e da dependência: o agi i uoso começa mesmo an es da ação. A conclusão de um
aciocínio p á ico sólido e e icaz é a ealização de uma ação: aquela que acaba sendo o melho que
um de e minado agen e pode aze em de e minadas ci cuns âncias. O aciocínio que le a à ação de e
pa i de p emissas sob e os bens que es ão em jogo em de e minada si uação, bem como sob e os
danos e iscos que os ameaçam.
Iden i ica na p á ica os ope ado es que es ão em jogo numa ou nou a si uação e as ameaças que
pai am, e encon a nesses ope ado es p emissas pa a um aciocínio cuja conclusão se á a ealização
de uma ação jus a, supõe e ela o ipo de a i ude que ca ac e iza as i udes. MacIn y e a gumen a
com a jus iça, sem cai na mise icó dia, sob e a necessidade de p o ege e se solidá io não só com os
mais acos, mas com odos os demais. Depois de lança as bases sob e a animalidade do se humano,
o au o p opõe-se a de e mina o que signi ica lo esce pa a o se humano como um animal acional
ulne á el e dependen e e que qualidades de ca á e são necessá ias pa a ecebe dos ou os o que se
p ecisa. Recebe pa a da aos ou os o que é necessá io e ecebe deles. A ideia de lo esce é
ambi alen e, em sen idos di e sos.
A ce a al u a, o au o em de eco e à sua equipa ação com o “ elos” humano pa a que a sua
cono ação ganhe consis ência, mas de início o “ elos” equipa a-se às noções do “bem i e ”, em que
as elações sociais se ão a única manei a de a ingi o obje i o da ida boa. Relações sociais que,
necessa iamen e, de em es a imp egnadas de i ude. Pa a lo esce , p ecisamos an o das i udes
que pe mi em ao se humano ope a como aciocinado p á ico independen e e esponsá el, quan o
daquelas que nos pe mi em econhece a na u eza e o g au de dependência em que cada um se
encon a em elação aos ou os. A aquisição e o exe cício dessas i udes só são possí eis na medida
em que se pa icipe de elações sociais ecíp ocas, que são elações sociais egidas, e em pa e
de inidas, pelas eg as de di ei o na u al, necessá ias pa a alcança o bem comum, em que se conside a
que nem o me cado, nem o es ado, nem a amília mode na podem c ia o ipo de associação polí ica
e social capaz de man e e ansmi i as i udes necessá ias ao lo escimen o humano. Pa a con ibui
pa a o lo escimen o ge al e não ge a descon o o, as elações de me cado de em es a inse idas em
elações não me can is, em elações de ecip ocidade imp e is as.
Po sua ez, os bens públicos p opo cionados pelo Es ado-nação, embo a necessá ios e impo an es,
não de em se con undidos com o bem comum, que eque uma iden i icação comuni á ia segundo
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as i udes do econhecimen o da dependência. A amília, no en an o, não é au ossu icien e, de modo
que o bem comum de uma amília só pode se alcançado no p ocesso de ob enção dos bens comuns
da comunidade a que pe ence. Idealmen e, é em pequenas comunidades es u u adas po edes de
ecip ocidade, nas quais os indi íduos compa ilham um ce o conjun o de comp omissos mo ais, que
as a i idades de seus memb os (em busca do bem comum) são moldadas pela acionalidade p á ica e
onde as ações são ealizadas. Es as ações êm uma g ande dose de gene osidade. A jus a gene osidade
é uma azão mais que su icien e pa a acudi e ajuda , pa a con ibui pa a alcança o p óp io bem.
Expe imen a-se a esponsabilidade em ali ia uma necessidade u gen e e impe iosa. A jus a
gene osidade es á á ma gem de odo o cálculo. Não se pode espe a uma p opo cionalidade exa a
en e o que se dá e o que se ecebe. A pa i da ideia de edes gene osas de ecip ocidade, MacIn y e
desen ol e um esquema de pequenas comunidades ime sas em comunidades maio es, e conside a
que essas pequenas uniões de in e ação de em se o oco de análise, e o pon o de pa ida pa a expandi
o bem comum a no os ní eis.
A análise compa a i a das di e sas ca ac e ís icas das comunidades que inco po am edes de
ecip ocidade pode ajuda -nos a iden i ica melho as elações de ecip ocidade que já exis em nas
comunidades que habi amos e ambém ajuda -nos a descob i a exis ência de um econhecimen o
compa ilhado do bem comum, al ez um econhecimen o maio do que ínhamos an e io men e. A
análise de MacIn y e é um bom exe cício pa a epensa os alo es undamen ais da exis ência humana
ou desen ol e um aciocínio axiológico. No en an o, o que es á subjacen e ao li o é a ausência de
c i é ios, ou a impossibilidade de de ini com consis ência os alo es undamen ais que in e êm no
deba e. MacIn y e pa ece abusa dos concei os de "bem" e de "bem comum" ao ap esen a as suas
ideias sem econhece a impe eição humana como uma condição ine en e. Embo a po ezes
econheça a possibilidade da impe eição, o se humano não pa ece so ê-la excessi amen e e
con inua a p ocu a o 'bem' e o 'bem comum', que po ezes mais pa ece um alo es á ico anco ado
na he ança na u al. O se humano é equen emen e eduzido ao se social. A ideia de u opia é a é
ecupe ada: en a i e com as p óp ias no mas da u opia é u ópico, embo a signi ique ejei a os
obje i os económicos do capi alismo o az. Dian e da ideia de i e com as eg as da u opia, não se
sabe onde es a ia o es ado-nação ou como se ia o me cado. Também não es á cla o quais são as
consequências pa a o lo escimen o humano. Não há um “ elos” de inido, e al ez seja impossí el
de ini-lo, mas po ezes o lo escimen o humano é ap esen ado como um es ádio supe io , como uma
sín ese. Con udo MacIn y e não abdica da possibilidade de inco po a a exis ência i uosa nas nossas
comunidades. A conjun u a con empo ânea pa ece exigi esse es o ço.
O bem é aquilo que bene icia o se humano. O bem ans o ma -se-á em bom, que MacIn y e (1999,
p.84) ipi ica de aco do com a seguin e classi icação: o bom lad ão, o bom pas o e o bom se humano.
O p imei o sen ido de bom a ibui-se po e olução a algo como meio. Habilidades e opo unidades
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Capí ulo IV: Educação e aciocínio p á ico independen e
1. O cuidado, a educação e a manu enção da ida em comum
Aquilo que não acila não em solidez
Valdimi Holan
MacIn y e quando p oblema iza a educação, a ibui-lhe um papel c ucial pa a a sociedade, pois a
educação em uma elação imedia a com a capacidade de adqui i i udes. A iloso ia da educação
desen ol ida po MacIn y e p ocu a uma saída pa a a c ise em que se encon a a ualmen e a
educação. Es a c ise e e a sua o igem no exp essi ismo, que sus en a que os juízos no ma i os são
mo i ados po desejos e paixões. A mo al da mode nidade capi alis a u ilizou o modelo exp essi is a
(MacIn y e A. 2016, p.200). Embo a o ilóso o b i ânico não desen ol a uma iloso ia da educação
sis ema izada, nas suas ob as é e iden e o seu empenho na cons ução de uma é ica da educação.
Os cu ículos hoje ainda são esul ado do p oje o iluminis a do consequencialismo, que con e e
au o idade aos mo alis as, admi indo exclusi amen e a exis ência de uma azão conclusi a. Po ém,
MacIn y e não de ende e o mas cu icula es p o undas, mas que a educação ecupe e a descobe a
do sen ido de comunidade e o concei o de adição. É p eciso ensina em cada disciplina o que se á
necessá io pa a um especialis a, mas ambém ensina a oma decisões indi iduais e cole i as.
Na escola uma c iança pode á adqui i i udes, p incipalmen e o ma a consciência de que as
i udes que ão azendo pa e do seu ca ác e se de em às pessoas dos quais dependeu, pais, a ós,
educado es, p o esso es, agen es de saúde e c. A jus a gene osidade, segundo MacIn y e, é uma
i ude que ul apassa odo o calculismo, uma ez que não se pode espe a uma p opo cionalidade
exa a en e o que é dado e o que é ecebido. Exis e uma elação complexa en e o cuidado e a educação
que se ecebe e o cuidado e a educação que se de e. A esse espei o, de em se obse ados dois
aspe os mui o di e en es: po um lado, as pessoas de quem algo de e se ecebido e de quem
p o a elmen e se á ecebido, quase nunca se ão as mesmas que o ecebe ão; e, nesse mesmo sen ido,
não é possí el calcula o que se de e da , com base naquilo que se ecebeu. Po ou o lado, ainda que
se diga que não há cálculo, a es e espei o, po ém, em nome da jus a gene osidade, pode-se ala de
um cálculo p uden e que implica diligência pa a ob e , economia pa a poupa e c i é ios pa a disce ni
o que se dá. Numa comunidade onde a jus a gene osidade é uma das i udes undamen ais, os
pad ões de jus iça es abelecidos de em se consis en es com o exe cício des a i ude.
Co ela i amen e, não se pode esquece que as i udes de "da " co espondem às de " ecebe " e que,
pa a man e elações nas quais seja possí el da sem mesquinhez e ecebe com dignidade, cabe aos
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pais e educado es eina nes e ipo de a i udes an o as c ianças como os jo ens, pois se es e exe cício
não o minis ado na educação, pode-se cai na "incapacidade de ecebe " como se ia o caso de
alguém que se sen e en e gonhado de e de ecebe a o es dos ou os. Com esse pensamen o pode-
se co e o isco de chega ao limi e não só de eco da o que se deu, mas de esquece o que se ecebeu
e sen i -se além do bem e do mal, numa a i ude de au ossu iciência dian e dos ou os. Pa a assumi
uma a i ude humana em elação às i udes de da e ecebe , a p imei a coisa a e em men e é que
sem a consciência da dependência não se pode i a nenhuma lição que ajude a pessoa a lo esce ,
pois a pessoa só se á gene osa se soube ecebe com g a idão, se, ao ecebe , se sen iu alo izada
pelos ou os e soube econhece o que ecebe da sua amília, escola, abalho, amigos e elações
come ciais, en e ou os. Quem sabe alo iza o que ecebe como um p esen e es a á quali icado pa a
da com genuína gene osidade, e pa a da não só as coisas, mas pa a da o econhecimen o, o ca inho,
o espei o, a admi ação e o amo .
Quem dá nes a pe spe i a não é a ugan e, não humilha, não az mal a quem ecebe, mas comp eende
que da , é pa ilha com aleg ia. Quem consegue agi assim o na -se-á um e dadei o amigo “que
sabe da sem se lemb a e ecebe sem se esquece ”. Dian e da g andeza da g a idão, não podemos
esquece que do ou o lado es á a i ude da paciência dian e daqueles que, a nosso e , não
espondem na medida em que de e iam. Dian e disso, emos que pe cebe que as elações de
ecip ocidade não co espondem à jus iça comu a i a – dou- e an o e espe o ecebe na mesma
medida. É o caso de ica aco dado pelo ou o - seja pa en e, amigo, cônjuge - e sen i que, quando
p eciso, não ecebo dessas pessoas a conside ação a e uosa ou a a enção su icien e que espe a ia
ecebe . Quem es á cien e des a possibilidade e se p epa a com es a i ude, e á a capacidade de não
desanima pelo desp ezo e sabe á da p o as da sua g andeza e ap eço. Concluindo, pode-se a i ma
que as elações comuni á ias in o madas pela “jus a gene osidade” incluem elações que en ol em
a e o, econhecem a hospi alidade com es anhos, inco po am odos aqueles com necessidades
u gen es e ex emas, e econhecem os memb os passi os de edes de ecip ocidade com a consciência
de que qualque um pode ia e sido o a e ado. A hospi alidade é um de e que implica as inclinações
na u ais, pos o que de e exe ce -se com diligência e desin e essadamen e. Nessas elações, não se
de e esquece que a ação oge a qualque cálculo po que não há p opo cionalidade en e o que é dado
e o que é ecebido, e po úl imo que essas i udes que pe mi em a cons ução e manu enção de
elações ecíp ocas de em inclui a i ude de ecebe com dignidade.
Mos a g a idão a quem nos dá exige co esia pa a com quem dá com pouca elegância e paciência
pa a com quem não consegue se su icien emen e gene oso. A o mação mo al é um desa io que não
pode se adiado. MacIn y e ilumina de o ma magis al di e sos emas da ida do se humano, semp e
com o obje i o de cons ui uma sociedade mais humana que, segundo ele, se á possí el a a és da
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o mação de aciocinado es p á icos independen es. Um desses aspe os co esponde à educação mo al
das c ianças e jo ens da nossa sociedade a ual, educação mo al que não pode se conside ada como
uma ques ão isolada do con ex o o ma i o da pessoa, mas é uma dimensão que de e se in eg ada
no desen ol imen o ísico e psicológico da pessoa humana. Dian e dessa a e a, começa ei po aze
uma alusão ao que signi ica educa em ge al, pa a depois ap o unda o aspe o mo al segundo a isão
de MacIn y e. A educação é um meio de o mação in eg al do se humano. Se a educação é o meio
insubs i uí el na o mação do se humano, podemos pe gun a o que signi ica educa ? As ci ilizações
mais an igas en ende am que educa o homem - o “zoon poli ikon” de A is ó eles -, em po obje i o
inse i-lo no seu meio, e imp imi nele aquelas no as ca ac e ís icas da comunidade que o ecebeu, de
al modo que a educação decide o des ino ex e no e a es u u a in e na e espi i ual de odo o se
humano. Nesse sen ido, não se a a de concebe a pessoa como ece o ou agen e passi o que acolhe
os dados e ica o ma ado. A pessoa mais do queadape a -s ao ambien e, em que se memb o a i o
duma comunidade, em que em a esponsabilidade de ab i o seu espí i o, pa a que jun o com os
esponsá eis di e os do a o educa i o, seja conduzido ao e dadei o bem. Es a ação só é possí el
g aças à ede de elacionamen os de que nos ala MacIn y e. Se educa , no seu signi icado la ino
“educe e”, signi ica lide a , o ien a , eina ou ins ui , en ão o a o educa i o é um p ocesso de
assimilação da cul u a a que se pe ence e no qual se adqui em ap endizagens, cos umes, adições e
alo es, e cujo obje i o é o ma se es ín eg os a pa i de um desen ol imen o ha monioso nos
aspe os in elec ual, é ico, co po al e emocional. Nes e sen ido, islumb a-se com mais cla eza a
sublime missão de descob i e p omo e o desen ol imen o das po encialidades indi iduais e sociais
p esen es no homem, pa a o conduzi ao que é supe io e ele ado, combinando o eó ico com o mo al.
Na en a i a de o ma plenamen e a pessoa, não se pode igno a a elação in ínseca en e educação
e cul u a, pois é po meio da educação que a cul u a se ansmi e e assimila.
A i ude é ensiná el. A educação em um papel decisi o como p omo o a do desen ol imen o
in eg al do educando. A educação é uma a i idade in encionalmen e exe cida sob e o
desen ol imen o psicológico e da pe sonalidade. Os alunos são in luenciados pelos meios de
comunicação social e pelas edes sociais que, po ezes, exp essam alo es, compo amen os e
a i udes de con li o com aquilo que é ensinado na escola. Os educado es em ge al de e ão se modelos
daquelas i udes que necessi amos pa a c esce i uosamen e. A p óp ia escola es á a o na -se uma
ins i uição bu oc á ica, que não p omo e nenhuma p á ica e dadei a. A p óp ia ges ão escola o na-
se uma hie a quia de ge en es bu oc á icos. A bu oc a ização das men es, dos agen es educacionais é
um g a e p oblema educacional, po que a bu oc acia ai desumanizando g adualmen e.
De e-se lemb a que o e mo cul u a em do la im “cul us”, cul i o da e a, e que analogicamen e
se e e e ao cul i o do espí i o. Po meio da cul u a o homem exp essa-se, oma consciência de si
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mesmo, econhece-se como um p oje o inacabado, ques iona as suas p óp ias conquis as, busca
incansa elmen e no os signi icados e c ia ob as que o anscendem. Nesse sen ido, não se pode
esquece que ao nasce o se humano se encon a num mundo que não escolheu nem planeou e que
p ecisa se acolhido e econhecido pa a se socializa . Além disso, eque e e ências con iá eis e,
acima de udo, linguagens adequadas pa a se ins ala na sua comunidade, pa a humaniza o seu meio
ambien e. É assim que, g aças à cul u a, e a pa i da ins alação no quo idiano, se dá a acei ação e o
econhecimen o do mundo simbólico e social onde a na u eza do p óp io se se a ualiza e se
ape eiçoa. A a i mação de que o se humano es á inacabado ganha o ça quando signi ica que ele é
um se ini o, que p ecisa de se a ualiza e de da signi icado ao que lhe oco e ao longo da sua ida.
Os ilhos ecebem cuidados e educação pa a que possam se aciocinado es p á icos independen es,
com pe ei a independência. E é aqui que a educação mo al cump e a a e a de acompanha o p ocesso
o ma i o de c ianças, adolescen es e mesmo adul os pa a se o na em e e i amen e aciocinado es
p á icos independen es.
A e lexão macin y iana sob e ques ões de mo al e biologia e as possí eis elações en e elas o nam-
se pe inen es e decisi as pa a uma no a educação. O ilóso o en ou des enda o sen ido da ação
humana no campo gené ico, a pa i da conside ação da dependência como um aço de iden idade da
espécie humana, da qual passa a ques iona -se sob e quais as consequências pa a a iloso ia mo al de
conside a o ac o da ulne abilidade e a lição, e o ac o da dependência como ca ac e ís icas
undamen ais da condição humana (MacIn y e, 1999, p.18). Aliás, na base dessa ques ão es á a
obse ação do au o quan o à esis ência em inco po a a dimensão da co po eidade da exis ência,
que se mani es a po meio de enómenos como a de iciência ou a dependência. Pa indo da associação
en e humanidade e animalidade, MacIn y e oma á como pon o de pa ida o econhecimen o da
condição animal do se humano pa a, a pa i daí, inicia o seu caminho de desen ol imen o das
i udes, p ecisamen e das i udes ípicas de animais acionais e dependen es. Se ão en ão essas
i udes as que nos pe mi em en en a a ulne abilidade, a de iciência e a p óp ia dependência com
is a ao desen ol imen o de um se humano acional e independen e, cujos aços de dependência,
acionalidade e animalidade de em se comp eendidos nas suas elações ecíp ocas. (MacIn y e,
1999, 19). Essa ên ase é comp eendida em compa ação com a ase macin y iana de que o se humano
não em simplesmen e um co po, mas é o seu co po. (MacIn y e, 1999, 20). O discu so mode no
apa ece como o opos o des a posição, já que se unda no p imado da au onomia como uma
ca ac e ís ica mui o pa icula e po enciado a do humano. Como comp eende , en ão, uma abo dagem
em o no do cuidado como exp essão do se humano? Es ando a dependência undada nas condições
de ulne abilidade e / ou a lição, MacIn y e a gumen a á que o discu so sob e as escolhas li es e
independen es do se humano, como sinal de que possui as i udes, é o co ela o cons i uído po
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aquelas i udes ine en es ao econhecimen o da dependência, equisi o indispensá el pa a a plena
comp eensão do desdob amen o do humano do ado de acionalidade. Em ambos os casos, sejam as
i udes da independência ou as da dependência, se á necessá io e um subs a o cujo con eúdo seja
de e minado po um ce o ipo de elações sociais e uma ce a conceção do bem que possibili e a
coexis ência e a a iculação de ambas.
O au o a gumen a á en ão que nem o mode no es ado-nação nem a amília podem cump i essa
unção de apoio. Ce amen e, é isí el a p eocupação do au o com a a gumen ação em o no de odas
as ques ões le an adas po essas ques ões, al como em elação à jus i icação de ce as decisões ou
p e e ências. Nesse sen ido, e aludindo à condição de supe io idade do se humano em e mos de sua
acionalidade, MacIn y e des aca que ele é capaz de e le i sob e os seus mo i os g aças ao uso da
linguagem, não se limi a a e mo i os é capaz de o ien a causalmen e o compo amen o, mas endo
azões pa a supo que um conjun o de conside ações e não ou o o e ece ealmen e azões numa
si uação pa icula (MacIn y e, 1999, 78). O cuidado apa ece na ob a de MacIn y e, com mui o mais
cla eza do que nou os au o es, associado undamen almen e à ideia de ajuda, seja em condições de
doença ou de iciência. Nesse caso, o cuidado isa e i a o so imen o causado po uma si uação de
de iciência ou, quando ela já es eja p esen e, isa con a com a colabo ação necessá ia pa a i e .
Nesse con ex o, um elemen o ma can e dessa con igu ação é a a i mação macin y iana de que odos
nós, de uma o ma ou de ou a, emos uma ce a de iciência, mas as di e enças esidem no g au e na
du ação da mesma.
Dian e duma doença ou duma de iciência, os cuidados desen ol idos de em semp e esgua da a
exp essão do se humano como aciocinado p á ico au ónomo e in e subje i amen e inculado a essa
condição, que ele pode econhece ambém nos demais, p oduzindo uma in e ação ma cada pela
ecip ocidade. Dessa pe spe i a, en ão, a de iciência ou doença nunca de e se aduzida em a o es
de disc iminação ou a amen o des espei oso da condição humana. A o ma de a a com espei o
es e aciocinado p á ico independen e é capaz de imagina u u os possí eis al como o es o dos
seus pa es, sendo ele an e que es a capacidade possa se e dadei amen e implan ada na sociedade
e não seja es ingida pela dependência deco en e da de iciência. Pelo con á io, o au o des aca á a
o ma como a sociedade enca a es a si uação e como p o ege esse di ei o de p oje a a p óp ia ida.
Po isso, econhece-se que o eal signi icado da de iciência depende não só da pessoa com de iciência,
mas ambém dos g upos sociais a que pe ence. (MacIn y e, 1999, 93). Da mesma o ma, de e-se
no a que, como bom a is o élico que é, MacIn y e en a iza á a necessidade de p omo e as i udes
e a é ala á especi icamen e de i udes do cuidado, como aquele conjun o de disposições que de em
anda de mãos dadas com o desen ol imen o de i udes em ambos os aciocinado es p á icos
independen es.
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Desse modo, um aciocinado des e ipo eque , pa a chega a se al, o desen ol imen o de um ce o
ipo de ida em que as i udes do cuidado e do ensino o am omen adas de al o ma que o le a am
a alcança aquela posição de au onomia, que nas pala as de MacIn y e, conduz a um " lo esce "
humano. Assim, e á de ap ende ace ca do bem comum, adqui indo um conhecimen o p á ico,
comba endo a incapacidade pa a sepa a desejos e dis ancia -se deles, pa a os julga e p opo ciona
um adequado conhecimen o de si mesmo. A ques ão en ão gi a á em o no do ipo de elações sociais
que de e iam apoia o lo escimen o dos homens, as ca ac e ís icas de ais ambien es de ligação.
Desse modo, quando se diz que um indi íduo ou um g upo lo esce, diz-se algo mais do que apenas
que eles êm de e minadas ca ac e ís icas, embo a lo esce signi ique semp e lo esce em i ude
de ecebe um de e minado conjun o de cuidados como exp essão de humanidade (MacIn y e, 1999,
83). A aquisição das i udes não eque uma educação especial, mas p incipalmen e a inclusão nas
p á icas da sociedade. Pa a a cons i uição de aciocinado es p á icos au ónomos, se á necessá io que
as suas elações de cuidado, p incipalmen e na in ância, enham em men e i udes como a audácia e
a paciência da co agem, a jus iça na dis ibuição das a e as e o elogio, a empe ança exigida pela
disciplina, a in eligência i a de ca á e a á el, en e ou os. MacIn y e a i ma que os educado es êm
de possui , nalguma medida, os hábi os que eles p óp ios que em inculca nos educandos (Mo a,
2012). Educa pelo exemplo ou po modelos de excelência que en endem que a educação em aízes
ama gas e u os doces (A is ó eles).
Da mesma o ma, as i udes exp essam-se numa ede de elações na qual a sua ap endizagem se
dá, sendo necessá io o apoio, da pa e dos sujei os cuidado es, na conc e ização de de e minadas
capacidades, nomeadamen e: a alia , modi ica ou ejei a os seus p óp ios juízos p á icos; pe gun a
o que se conside am boas azões pa a agi e se são ealmen e boas azões; desen ol e a capacidade
de imagina ealis icamen e possí eis u u os al e na i os, pa a que possam escolhe acionalmen e
en e eles; dis ancia -se dos desejos, a im de indaga acionalmen e sob e o que é necessá io pa a
busca o p óp io bem aqui e ago a e o ien a desejos e, se necessá io, eeducá-los pa a alcança o
bem (MacIn y e: 1999, p. 101). Tudo isso acaba á aduzindo-se na ealização pelos aciocinado es
p á icos independen es de ce as ações, com ele ância em elação ao con ex o em que são ealizadas
e com uma len e c í ica pa a ê-las como al. Associado a is o, ou o elemen o in e essan e nes a
con igu ação da noção de cuidado é o ca ác e ecíp oco que lhe é ine en e, exp esso a a és da
dico omia indissociá el «cuida » e «se cuidado», a qual p essupõe que é ele an e p omo e as
i udes mo ais dessa a e a pa a que os indi íduos sejam capazes de desen ol e da melho manei a
possí el a a e a de cuida os ou os, alcançando assim um compo amen o i uoso que ul apassa o
me o cump imen o de no mas.
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Com e ei o, a a és das elações que se es abelecem en e os se es humanos, mui as delas ma cadas
pelo cuidado, an o o cuidado como aquele que é cuidado, especialmen e na ase da in ância,
desen ol em ambém um p ocesso de au oconhecimen o que é undamen al pa a se o na em
aciocinado es p á icos independen es. Dian e disso, o p ocesso de au oconhecimen o nunca oco e
de o ma a omizada ou monológica, mas semp e em elação e diálogo com ou os que con ibuem
pa a a con o mação da p óp ia iden idade, o a co igindo, o a e o çando ce os elemen os
cons i u i os. Consequen emen e, quando uma pessoa passa a conhece -se bem, é semp e uma
conquis a compa ilhada. Nesse sen ido, um aspe o ele an e em o no da ci ada dico omia es á
elacionado com o ac o de que, em g ande pa e, o desen ol imen o das i udes mo ais é esul ado
da elação de dependência que se es abeleceu nalguns pe íodos da ida dos se es humanos, po
exemplo, na in ância. Isso signi ica que os adul os ou aciocinado es p á icos independen es já
e mina am com a dependência? A espos a de MacIn y e é cla a: de alguma o ma, ce os g aus de
dependência es a ão semp e p esen es, não apenas em e mos de exigi cuidado dos ou os, mas
ambém na o ma de p ecisa que os ou os aciocinem em e mos p á icos.
Nas escolas emos que a as a a agmen ação e a expansão do emo i ismo, deco en es da al a de
jus i icação acional do agi humano. A escola con empo ânea não pode se a escola libe al que p ega
a neu alidade do pensamen o e das ações. A ilusão da libe dade dos educandos e dos es udan es
di igindo-os pa a obje i os de me cado que p ocu am o consumo desen eado e o alcance de bens
indi iduais e quan i a i os. Na escola, a acionalidade o na-se pouco ele an e quando não se
conseguem aco dos acionais en e a comunidade educa i a. O que in e essa é man e a bu oc acia
escola , ce i ica sabe es especí icos pa a se cump i a escola idade ob iga ó ia. Uma escola
agmen ada, com p o esso es o mados em uni e sidades agmen adas, se e apenas pa a p oduzi
especialis as, sem quaisque comp omissos com a ida e com o bem úl imo de uma sociedade.
Pa a que a escola ealize a sua missão u ge acaba com a alsa neu alidade comunicada pelo
libe alismo. Os es udan es êm que me gulha em eo ias e c enças que se desen ol e am
his o icamen e. A escola não pode igno a o ideal humano, a adição humanis a. A escola não é só
um sí io de aco dos, mas ambém de discussões e deba e. Assim, a escola não é apenas um luga de
consensos e de negociações, mas sim um luga de u u as, onde se omen a a libe dade de p o esso es
e alunos. Na libe dade nasce o comp omisso. Uma libe dade que não pode se apenas o mal, mas
em de se eal. P o esso es são os o ganizado es de deba es, desencadeiam con li os in elec uais e
con li os cul u ais sis ema izados.
O a, se se econhece que a dependência é uma condição p óp ia do se humano, se á ambém
pe inen e desen ol e em elação a ce as i udes do econhecimen o da dependência, que implicam
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um equilíb io en e gene osidade e jus iça. Nes e sen ido, o au o aça á um conjun o de
ca ac e ís icas p incipais em o no da o dem polí ica e social, como quad o capaz de sus en a e
p omo e es as i udes ine en es à dependência, pa a as quais de em se sa is ei as ês condições
undamen ais, a sabe : se exp essão das decisões polí icas de pensado es independen es que
delibe am acionalmen e sob e ques ões de ele ância pa a a comunidade polí ica; e pad ões de
jus iça consis en es com o desdob amen o da jus a gene osidade, como uma de suas i udes
undamen ais; que não haja espaço nas delibe ações apenas pa a aciocinado es p á icos
independen es, mas ambém pa a aqueles que não sejam capazes de especi ica essa condição. Nesse
caso, eles podem e ep esen an es no momen o da delibe ação.
Em suma, a educação em que con ibui pa a ul apassa a deso dem mo al da sociedade. Con a ia
o agi indi idualis a, egoís a, passional e emo i o, sem p eocupação com o bem comum.
A al a de al uísmo e esponsabilidade no agi dos indi íduos é jus i icada com códigos pessoais e
demasiado indi idualismo nas ações. Os deba es ealizados na comunidade con empo ânea, não são,
em seu en ende , mais que simulac os e imaginação ilusó ia, sem esol e as ques ões mo ais, sem
ap esen a nenhuma solução mo al. Pe an e o pano ama a ual, MacIn y e ap esen a a educação mo al
o ien ada pa a as i udes que implicam a p á ica, a na a i a e a adição. A na a i a da ida
ap esen a o indi íduo na o alidade de ida, em odos os aspe os: abalho / p o issão, amília /
a e i idade, ida pública / ida polí ica e c. As escolas são comunidades é icas onde se adqui em os
ensinamen os pa a desen ol e ou as comunidades é icas exis en es na sociedade ci il.
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2. A jus a gene osidade e o cuidado
Pa a MacIn y e não é possí el comp eende uma mo al ou uma é ica sem a comp eensão da época
his ó ica que as o iginou, pelo que não há possibilidade de uma é ica sem uma his ó ia da é ica.
Como não é possí el uma iloso ia sem a his ó ia da iloso ia. Como Nie zsche, o ilóso o do ex emo
no e do Reino Unido en ende que é impossí el pe cebe a mo al ampu ando as ques ões mo ais dos
seus con ex os e ci cuns âncias. O homem como sujei o mo al es á si uado, imbuído e condicionado
pelas ci cuns âncias e pelos laços in isí eis que o ama am a uma comunidade e a uma de e minada
adição. Julga que é possí el c ia com abs ações um homem uni e sal, com habilidade pa a se
libe a das amas e ci cuns âncias da sua ida e di o ciado da comunidade e da adição, é o mesmo
que ecusa a e idência do p og esso his ó ico e da di e enciação cul u al e social. A sociedade
ociden al a ual es á expos a a uma no a ba bá ie, que se encon a, no âmago da Eu opa. Temos que
a i ma , como Tomás de Aquino, que não se podem p e e i os bens ex e io es aos bens in e io es.
Da p e e ência aos bens ex e io es e abandona as i udes, azendo p e alece uma é ica
indi idualis a, é um e o g a e pa a a humanidade. cabe pe gun a se o pessimismo que se encon a
no inal da ob a de 1981, A e Vi ue, de MacIn y e es á-se a conc e iza nes e início do século XXI
Pa a ence e con a ia o indi idualismo, o exp essi ismo e o emo i ismo u ge ol a à é ica
a is o élica e omis a. A jus a gene osidade é uma i ude que Alasdai MacIn y e ac escen a à lis a
de i udes de A is ó eles e Tomás de Aquino. Pois é uma i ude que aglu ina em si a i ude da
mise icó dia, da empe ança e da p udência. A jus a gene osidade dá compe ências aos indi íduos
pa a agi em a a o dos ou os memb os da comunidade com quem se elacionam e igualmen e com
os desconhecidos. Ele a-se, ul apassando os limi es da comunidade e a i mando-se como um
modelo de sociabilidade em que o indi íduo an es de de ini o seu bem conc e o, iden i ica os
p óp ios bens da comunidade. Gene osidade jus a, po que nem udo o que é gene oso é jus o e nem
udo o que é jus o pode á se gene oso.
Como indica MacIn y e, nessa a e a é ica é necessá io p omo e as i udes do econhecimen o da
dependência; i udes que não podem se concebidas a pa i da oposição macIn y iana en e o
compo amen o in e essado do me cado e o homem al uís a e bene olen e, pois isso nos impedi ia
de e o ipo de ações em que os bens solici ados não são mais meus do que dos ou os, nem mais
dos ou os do que meus, mas são bens comuns, au ên icos, como os bens das edes de ecip ocidade.
Mas, a que i udes pa icula es MacIn y e se e e e ao aze a ansição en e o se humano sem
educação e o aciocinado p á ico independen e? Passa da dependência, da aculdade de aciocínio
de pais e p o esso es, a se aciocinado es p á icos independen es só é possí el po meio das i udes
a is o élicas de e acidade, co agem, mode ação e jus iça; e de ou as que o es agi i a igno a, e que
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são jus amen e aquelas que pe mi em a pa icipação em edes de ecip ocidade, a sabe , as i udes
da jus a gene osidade. Comp eende esse ipo de i udes é a cha e pa a encon a o caminho do
lo escimen o. Podemos pe co e o caminho es udando sepa adamen e a i ude da "jus iça" e a
i ude da "gene osidade", mas MacIn y e az-nos e que isso é insu icien e, pois é possí el uma
pessoa se gene osa sem se jus a ou ambém da -se o caso de alguém que é jus o sem se gene oso.
É po isso que, pa a man e as elações de ecip ocidade, a i ude ou i udes adqui idas de em e
aspe os de jus iça e de gene osidade. Consequen emen e, é mui o signi ica i o que MacIn y e enha
azido da língua laco a o e mo ‘Wancan ognaka’ (MacIn y e: 1999, p.142), e mo que engloba
jus amen e os dois aspe os que não podem al a na comp eensão desse ipo de i ude.
Wancan ognaka designa a i ude de indi íduos que econhecem as suas esponsabilidades com
espei o à amília imedia a, a amília ex ensa e à ibo e mencionam a gene osidade que um indi íduo
de e a odos os que ambém a de em ele. É uma i ude especial, pois ao e e i - se ao que é de ido,
se não o cump ido, a jus iça al e a-se; mas como o que é de ido não pode se medido, se não o
exe cida, al a a gene osidade.
Pa a uma melho comp eensão das i udes da jus a gene osidade, MacIn y e eco e a S. Tomás,
que, pa indo do es udo das i udes, o e ece a sua aliosa con ibuição. S. Tomás começa
obje i ando o ac o de que a libe alidade az pa e da jus iça. Pa a isso, ele dis ingue as ob igações
que são de jus iça absolu a e aquelas que são da decência e que a libe alidade exige, ações que são
de ac o jus as pe an e os ou os e que pe encem ao mínimo do que é de ido aos ou os. Dessa o ma,
o que ca ac e iza o indi íduo libe al é da mais do que a jus iça exigi ia que ele desse. Po ou o lado,
é signi ica i o que, ao e e i -se à bene olência, S. Tomás sus en e que numa mesma ação há á ios
aspe os, que pe mi em exempli ica di e en es i udes. Vamos supo que uma pessoa dá
incondicionalmen e a ou a o que ela p ecisa com alguma u gência, em conside ação ao ou o como
um se humano em necessidade, po que é o mínimo que lhe é de ido e po que, ali iando a a lição
do ou o, ele ambém ali ia a sua p óp ia a lição com a do dos ou os. Analisando o exemplo
an e io , ao da incondicionalmen e po conside ação ao ou o como se humano, esse indi íduo es á
a agi po ca idade; sendo o mínimo que se pode da , age-se com jus iça, e ao ali ia a a lição do
ou o es á-se a exe ce a compaixão.
Dessa o ma a pessoa es a ia a agi com libe alidade, com a bene icência da ca idade, com jus iça e
com espí i o compassi o. A p opósi o da i ude da mise icó dia, à qual MacIn y e ese a um luga
especial, S. Tomás a i ma que, embo a enha o seu undamen o na i ude eológica da ca idade, é
uma i ude secula e, como al, em um luga mui o especí ico en e as i udes em ge al. Concebe-
a como a do pela a lição de ou em na medida em que é conside ada sua, seja pela amizade com
quem so e, seja po que se econhece que se pode ê-la. A mise icó dia, en ão, implica econhece
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O a, o ânsi o po essas e apas en ol e a aquisição da linguagem como e eno sob e o qual se
es u u a a exis ência, o que implica uma sé ie de capacidades que en am em jogo pa a que o uso da
linguagem possa e sen ido. Exis em ês aspe os cen ais des e p ocesso complexo. Em p imei o
luga , o sal o inicial pa a a possibilidade de a alia as azões pa a agi de uma o ma ou de ou a como
boas ou más, sal o que en ol e a ap endizagem da c iança sob e ou os bens e sob e os pe igos e
di iculdades que os en ol em.
Nes a ase, exis em ameaças ao desen ol imen o das capacidades linguís icas e a alia i as das
c ianças: a al a de um es ímulo adequado da a i idade ce eb al, o a aso men al, o au ismo, e c. O
segundo aspe o é a ans o mação dos desejos e paixões à medida que a c iança c esce. Pode
acon ece , en e an o, que al ans o mação não se alcance de o ma adequada, o que le a ia a um
aciocínio p á ico de icien e.
Como já se sabe, a p esença de ou os indi íduos é uma pa e undamen al do p ocesso de
lo escimen o dos se es humanos como aciocinado es p á icos. MacIn y e menciona os dois papéis
cen ais que ou as pessoas podem desempenha nes e p ocesso. Po um lado, são ou os indi íduos
que p opo cionam os ecu sos mais básicos (cuida , alimen a , es i , educa , ensina , ep imi ,
aconselha ) que ga an em a exis ência dos mais ágeis (como c ianças e de icien es). Po ou o lado,
cada um pa icipa de uma ede de elações sociais que sus en a o ânsi o de cada no o indi íduo em
di eção ao es ado de aciocinado p á ico independen e. É impo an e no a que uma a e a
undamen al de cada aciocinado p á ico independen e é colabo a na manu enção desse ecido
social, pois é a base de uma sé ie de bens elacionados com a possibilidade de alcança o
lo escimen o do se humano, que po sua ez p essupõe uma ce a comp eensão compa ilhada das
possibilidades p esen es e u u as.
Po isso, um aspe o cen al da ansição da in ância pa a a condição de aciocinado p á ico é o
desen ol imen o de uma consciência sob e o u u o, de al o ma que seja possí el imagina boas
al e na i as em elação ao lo escimen o humano, po exemplo, a aliando as consequências de
qualque decisão omada no p esen e. Essa habilidade undamen al pode, no en an o, se ameaçada
po es ições do ambien e social da c iança. No caso da pessoa com de iciência, essa si uação pode
se mais c í ica, pois é mui o p o á el que aqueles que es ão ao seu edo acei em essa condição sem
islumb a o mas de supe á-la. O eal signi icado da de iciência depende não só da pessoa com
de iciência, mas ambém dos g upos sociais a que pe ence.
As ês dimensões, que se elacionam mu uamen e de manei as complexas, são pa e essencial de um
p ocesso de desen ol imen o único; uma alha numa dimensão i á ge a ou e o ça uma alha em
63
qualque uma das ou as duas. O a, como essa ideia de lo escimen o humano é undamen al, ou seja,
em qualque con ex o cul u al o se humano lo esce quando a inge a condição de aciocinado
p á ico, é necessá io sabe qual é a excelência de um aciocinado p á ico pa a sabe qual o melho
modo de ida. Po ou as pala as, de em-se conhece as i udes do aciocínio p á ico independen e.
Nes a pon o, MacIn y e econhece que es a conclusão é a mesma a que chegou A is ó eles, o que o
le a, pe an e os seus c í icos, a explici a que al conclusão p essupõe, sem demons a , a
supe io idade da isão a is o élica. Dian e disso, o au o passa a p opo que a demons ação de al
supe io idade eme ge uma ez e minada a in es igação que pa e de ce os p essupos os, pois no
inal ab e-se à possibilidade de explica e ospe i amen e po que azão uma in es igação bem
conduzida pode ia ado a alguns pon os de pa ida, mas não ou os . Essa espos a a uma possí el
c í ica ambém é de na u eza a is o élica.
64
Conclusão
O homem social é demasiado aco pa a
pode passa sem os ou os, p ecisa de udo
desde o momen o do seu nascimen o a é ao da
sua mo e e, ico ou pob e, não consegui á
sob e i e se não ecebesse nada de ou em.
Jean-Jacques Rousseau
A ob a Dependen Ra ional Animals. Why Human beings Need he Vi ues é a an epenúl ima de
Alasdai MacIn y e. Es e pensado em con ibuído exempla men e pa a o deba e ilosó ico da
con empo aneidade, à ol a da dimensão mo al do agi e das p á icas humanas.
Alasdai MacIn y e é sem dú ida um dos ilóso os mo ais mais o iginais e con o e sos das úl imas
décadas. Possuindo um sen ido c í ico o e e uma linguagem ilosó ica con unden e, ele o nou-se,
desde a publicação de A e Vi ue (1981), um dos mais ama gos censo es da mode nidade. De ac o,
pa a o ilóso o escocês, a ci ilização mode na es a ia me gulhada numa si uação i e e sí el de
agmen ação espi i ual, causada no ní el da al a cul u a pela ejeição da noção clássica do “ elos”
como o eixo a iculado de modos de se e p á icas comuns. O g ande e o do ociden e, apon ado pelo
nosso au o , oi a as a -se daquela pode osa adição de pensamen o mo al da É ica a Nicómaco. Nas
duas ob as que publicou, nos anos seguin es, Whose Jus ice? (1988) e Th ee Ri al Ve sions o Mo al
Inqui y (1991), MacIn y e de endeu a alegada supe io idade acional des a adição na cha e
he menêu ica da dialé ica a is o élica, con a ou as co en es da iloso ia p á ica, o iluminismo
escocês, libe alismo p ocedimen al, pós-mode nismo de inspi ação nie zschiana, en e ou os,
assumindo cada ez mais cla amen e a in luência da é ica omis a. No li o, Dependen Ra ional
Animals. Why Human beings Need he Vi ues, o au o concen a o seu a gumen o na á ea que mais
p eocupa os c í icos de sua ob a, a an opologia ilosó ica.
Finalmen e, MacIn y e o e ece uma e lexão explíci a e cuidadosa sob e a sua conceção da na u eza
humana, que ele conside a a base de qualque desen ol imen o da acionalidade p á ica. O ilóso o
escocês es á con encido de que uma das de iciências mais sé ias da iloso ia mo al, pa en e na é ica
iluminis a, mas ambém no p og ama ilosó ico abe o po A e Vi ue, consis e em inicia e lexões
sob e os assun os humanos assumindo a exis ência de um agen e acional já einado, com as suas
habilidades delibe a i as e pe ce i as plenamen e cons i uídas, ap o e bem dispos o pa a a a e a
ilosó ica ealmen e ele an e, ou seja, a cons i uição dos p incípios o ien ado es da jus iça, a
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es u u a do juízo mo al, ou a e lexão sob e o signi icado das i udes no con ex o de uma ida. Os
p ocessos o ma i os de aquisição das compe ências de disce nimen o, a aliação e sensibilidade
mo al o am deixados de lado na e lexão. A i ência da ulne abilidade, p óp ia e alheia, como
ala anca de juízo e de comp omisso oi excluída das pesquisas ilosó icas, apesa dessa
ulne abilidade cons i ui um aço dis in i o da condição humana, ão cen al quan o a capacidade
de adqui i uma linguagem pa a a gumen a .
Vulne abilidade e dependência são dimensões ine i á eis da ida dos homens. Assim, po exemplo,
a i ma MacIn y e, odo o se humano es á po encialmen e expos o a so e de de iciência ex ema, é
possí el que mais cedo ou mais a de p ecise de alguém que seja um segundo eu e ale em seu nome
13. O es udo dos alo es elacionados à ulne abilidade humana e à in e dependência incula o
pensamen o de MacIn y e a ou as co en es ilosó icas impo an es na eo ia mo al e na eo ia
polí ica a uais. Em pa icula , es abelece conexões com os desdob amen os eminis as da é ica do
cuidado p esen es nas pesquisas de Ca ol Gilligan e Angelika K ebs. As abo dagens a is o élicas da
é ica da agilidade, es ão cen adas nas elações en e a acionalidade p á ica e a o una como
ca ego ia mo al e com as iloso ias neo-hegelianas de econhecimen o. O que é in e essan e, e o que
é no o, na abo dagem de MacIn y e é a manei a de en a nessas á eas emá icas, a in uição ilosó ica
a pa i da qual se desen ol em as e lexões sob e de iciência, jus iça e laços sociais. A sua hipó ese
consis e em a i ma que desconside amos, na iloso ia p á ica, a inescapá el animalidade da na u eza
humana.
Que a conquis a do lo escimen o de nossa espécie passe po en en a a nossa condição de animais
dependen es e ulne á eis é uma ca ac e ís ica que compa ilhamos com mui os animais não
humanos. Começando com o caso do compo amen o dos gol inhos, que MacIn y e ap esen a ao
con as a pesquisas ecen es no campo da biologia e da zoologia, o nosso au o p ocu a es abelece
elemen os de con inuidade e semelhança en e o animal humano e ou as espécies animais às quais
econhecemos ce o g au de in eligência. Se obse a mos a en amen e as modi icações no
____________
13 MacIn y e, A. Animales Racionales y dependien es, 1999, p. 164: “Pues o que odo se humano se halla
po encialmen e expues o a su i una discapacidad ex ema,es posible que a de o emp ano necessi e a alguien que
sea un segundo yo y que hable en su nomb e”.
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compo amen o de ce os animais dian e de ce os es ímulos sub is, podemos conclui que é possí el
a ibui a essas espécies, pelo menos num sen ido me a ó ico, c enças ou a capacidade de agi de
aco do com in enções num ní el que se quali ica como p é-linguís ico. À ma gem do ca á e
e en ualmen e polémico des a eo ia, a in enção do au o pa ece cla a: se as di e enças en e o
compo amen o humano e o do animal não humano esidem na maio complexidade, ligada às
dimensões da língua e da cul u a, isso não signi ica que não possamos es abelece , de uma o ma
ge al e esquemá ica, ce os pad ões de lo escimen o e ida plena. Se podemos aze isso no caso dos
animais, pode íamos azê-lo a é ce o pon o no caso do homem. A segunda na u eza do se humano,
cul u almen e o mada enquan o alan e de uma língua, a isa MacIn y e, é um conjun o de
ans o mações pa ciais, mas apenas pa ciais, da sua p imei a na u eza animal. Essa a gumen ação já
anuncia as conside ações eleológicas de inspi ação a is o élico- omis a, ca egadas de uma sé ie de
a i mações me a ísicas que, ao menos à p imei a is a, não encon amos em A e Vi ue ou nas ob as
seguin es. Vemos nos animais acionais e dependen es uma espécie de con e sa dupla em cla a
ensão. De um lado, a pe spe i a do enomenólogo, que desc e e as a i idades humanas a pa i de
seu p óp io dinamismo, do pon o de is a de um agen e ime so em ais a i idades. Mas, po ou o
lado, MacIn y e pa ece ala da o mação e do compo amen o do se humano a pa i do esquema
concep ual do essencialismo, pa a o qual o homem é mais um quê do que um quem: os seus apelos
con ínuos à lei na u al pa ecem inclina -se no equilíb io des a segunda di eção. É e dade que an o
A is ó eles quan o Tomás de Aquino o am simul aneamen e enomenologis as da p áxis e
in es igado es p eocupados em ap eende as ca ac e ís icas essenciais do humano, mas a iloso ia
p á ica con empo ânea es o çou-se po e i a o uso de um ocabulá io essencialis a pa a a a de
ques ões é icas. Cu iosamen e, a a i ude da iloso ia p á ica con empo ânea p e ende e e i -se ao
p óp io A is ó eles, pa a quem o conhecimen o sob e os assun os humanos não é p op iamen e
“epis eme”, mas mode ação (So ósine). Reco damos a insis ência de Hannah A end de que somen e
uma di indade pode ia p onuncia -se, dada a sua ausência de ínculos com as o mas da ida a i a,
sob e a na u eza humana. Os homens só podem ala dos modos de se a pa i de nossa condição de
agen es ini os. Embo a pa a o nosso au o an o os gol inhos quan o os chimpanzés compa ilhem
com o homem o cul i o de laços sociais e o econhecimen o da ulne abilidade da ida, apenas o se
humano, como um animal linguís ico e his ó ico, em a capacidade de se o na um aciocinado
p á ico independen e, is o é, um agen e li e que de ine o sen ido de suas ações e, em ge al, da sua
ida, em diálogo e in e ação c í ica com ou os memb os de sua comunidade. Es e é o caso
p ecisamen e po que não é possí el especi ica o que é o bem p óp io do homem, mas an es disce ni
sob e uma hie a quia possí el e lexí el de á ios bens em si uações conc e as.
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A o mação do ca á e e do bom senso é essencial pa a que cada um se o ne um aciocinado p á ico
independen e: es a é uma o ma de “paideia” em cuja dinâmica somos impe sc u a elmen e
dependen es uns dos ou os. Aqui, no amen e, eapa ece a ele ância das i udes e da ede de laços
comuni á ios no p óp io ce ne da acionalidade p á ica. O econhecimen o da dependência é a cha e
pa a a independência, mesmo a c í ica à p óp ia comunidade, como uma ase supe io da capaci ação
da i ude, é uma p á ica social. Po meio dessa “paideia”, o agen e ap ende a econhece e a alia
in ensamen e os bens comuns, incluindo-os, se o o caso, en e seus bens p i ados, bem como a
conside a e lexi amen e os seus desejos imedia os. Essa ap endizagem en ol e os agen es em edes
de ecip ocidade que chamam a a enção pa a o ac o humano da dependência, a ulne abilidade de
ida e a si uação de de iciência; ao mesmo empo, essas ci cuns âncias são um con i e ao deba e
sob e os p incípios do a amen o jus o e do que MacIn y e chama i udes do econhecimen o da
dependência. O au o des aca que esses aciocínios p essupõem uma disposição a e i a básica, a
p ojeção empá ica, que é especialmen e ele an e nos casos de de iciência dos que so em lesão
ce eb al, ou so e am de iciência mo o a g a e ou são au is as, de odos, e que le a a dize : pode ia
e sido eu. O in o únio dessas pessoas pode ia e sido de qualque um, a so e deles pode ia e sido
de ou o.
O a gumen o de MacIn y e eco da a é ica da compaixão de Hume; mos a que, ao in és de se um
sen imen o supos amen e na u al, se e e e a uma disposição é ica o jada in e subje i amen e. É
nes e pon o que a i ude da jus a gene osidade en a como um alo é ico-polí ico de impo ância
p imo dial nas elações humanas den o das comunidades. Não se a a simplesmen e de jus iça, pa a
a qual as elações de dis ibuição de bens e cuidados são simé icas e a é impessoais. O
econhecimen o da dependência, agilidade e de iciência eque assime ia no cuidado e um
comp omisso com aqueles se es humanos especí icos de quem nada oi ecebido, os de icien es,
c ianças, u u os memb os de nossas comunidades, es anhos, e c. A jus a gene osidade unciona
como uma i ude nas elações ace a ace, mas, no plano polí ico, exige ambém a p esença de
ins i uições e no mas que a obse em na es e a pública. As ins i uições e eg as de em se o esul ado
do consenso da comunidade e as análises c í icas, po sua ez, o esul ado do deba e en e pensado es
p á icos independen es en ol idos na pa icipação ci il e na busca compa ilhada de bens comuns.
Os de icien es de e iam se ep esen ados po ou os memb os da comunidade. MacIn y e insis e em
que os bens comuns compa í eis com a jus a gene osidade e com as i udes do econhecimen o da
dependência não podem se alcançados pelo ipo de associações ca ac e ís icas da mode nidade: nem
pela amília bu guesa, nem pelo es ado mode no. A lógica imanen e ao es ado mode no é pe meada
pela azão ins umen al, a lu a dos in e esses económicos e a compe ição pelo pode . A a i idade
polí ica o nou-se uma ques ão de me cado ias es angei as, onde a capacidade de negocia ou
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pa icipa na omada de decisões é condicionada pelo dinhei o. As es u u as go e namen ais e os
pa idos polí icos a uam independen emen e dos cidadãos comuns e das suas expec a i as. MacIn y e
não se deb uça sob e o eno ado in e esse pelas ins i uições da sociedade ci il, em i ude do seu
po encial “e hos” pa icipa i o: seu peculia pessimismo a esse espei o di e encia-o dos au o es
"cí ico- epublicanos" que de endem o exe cício das i udes públicas nas sociedades democ á icas.
Em con as e com o a gumen o conse ado ípico, pa a o qual o slogan “menos ação de cidadania e
mais ida amilia ” se omou como uma espécie de pad ão de ba alha, MacIn y e conside a que a
amília não é uma associação au ónoma e au ossu icien e, que possa p escindi das elações
comuni á ias e da busca dos bens comuns pa a alcança os p óp ios bens in e nos. Daí deco e,
assinala, que a qualidade de ida no seio de uma amília depende em g ande medida da qualidade das
elações dos seus memb os com ou as ins i uições e associações: o local de abalho, a escola, a
pa óquia, o clube despo i o, o sindica o, as aulas de educação de adul os e assim po dian e.
Os bens p óp ios da ida amilia só podem se alcançados na medida em que as c ianças, os pais e
ou os memb os adul os da amília ap endam a econhece como seus os bens ine en es às p á icas de
ais ins i uições e associações. MacIn y e não pode se acusado de e uma de oção ac í ica da
comunidade, como mui os oposi o es do chamado “comuni a ismo” p ecipi adamen e suge em: ao
con á io, o au o insis e em que quando al am as i udes da jus a gene osidade e da delibe ação
comum, as comunidades es ão semp e expos as a se em co ompidas pela es ei eza, a complacência,
o p econcei o con a es anhos e po uma a iedade de de o mações, incluindo as de i adas do cul o
comuni á io. Analisa as suas espe anças pa a essas pequenas comunidades: escolas, consul ó ios
médicos, despo os e clubes de discussão, e c.
O abalho de MacIn y e é consis en e com o p og ama é ico- ilosó ico delineado nos seus li os
an e io es. Ap esen a nuances especialmen e in e essan es ao in oduzi a ques ão da de iciência na
discussão da iloso ia p á ica, bem como a i ude da jus a gene osidade como um “co e i o” da
jus iça. Também o e ece no as azões pa a en a jus i ica o seu ce icismo pa icula em elação ao
libe alismo polí ico e à cul u a mode na em ge al. MacIn y e é um au o incisi o e p o ocado , que
em nenhum momen o enuncia ao jogo li e de a gumen ação e polémica. No en an o, a sua mudança
conce ual do neo-a is o elismo pa a um omismo mais adical susci a dú idas. O seu ecu so à
conceção eológico- ilosó ica de uma lei na u al pa a explica as i udes não ai acompanhado po
uma a gumen ação de alhada sob e o mo i o de al apelo, o que é in igan e num mundo académico
e público pelo menos ela i amen e secula . Nalguns li os o nosso au o de endeu a é ica das i udes
como pa e de uma adição pa icula de pensamen o animado po boas azões, p emissas que o am
capazes de esol e as á ias anomalias eó ico-p á icas e inconsis ências de ou as adições i ais
ais, como o Iluminismo ou a genealogia mo al “nie zschiana”. O apelo a es a o ma de lei na u al
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não pa ece su icien emen e a gumen ado e ge a pe plexidade. En e ou as coisas, não pa ece se
in ei amen e compa í el com o ema de que a nossa iden idade humana, incluindo nossa capacidade
de pensa e busca a e dade, é ma cada pela agilidade e pela ini ude.
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