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O Contributo da Tradição Retórica para o Discurso Persuasivo Publicitário

Abstract

O objetivo desta dissertação é o de investigar sobre o potencial contributo da tradição retórica para o discurso persuasivo publicitário. Por outras palavras, pretendo esclarecer se o conhecimento retórico está circunscrito ao passado histórico ou se tem uma palavra a dizer na atualidade publicitária. Nesse sentido, esta dissertação consiste numa revisão de literatura que procura reunir, analisar e sintetizar o saber de diferentes académicos que trabalharam sobre o tema. Numa fase inicial, esta dissertação explora o contexto histórico da Retórica e da Publicidade, contextualizando o surgimento e evolução destas duas grandes áreas de estudo e atuação, desde a antiguidade clássica até ao presente. De seguida, procede a uma reflexão sobre a forma como ambas as áreas são encaradas no tempo atual, observando como diferentes pensadores as interpretam e definem nos dias de hoje. Após estes dois momentos de contextualização, esta dissertação procede a um exercício de comparação entre os ensinamentos retóricos e as práticas habituais da indústria publicitária, procurando identificar paralelo entre ambos. Nessa fase, é feita uma enumeração e análise dos cânones da retórica clássica, assim como dos principais componentes do processo de conceção do discurso publicitário, procurando identificar similitudes entre ambos. Na fase final deste exercício de comparação, são abordadas as múltiplas figuras de retórica, analisando a essência de cada uma e exemplificando, através de anúncios contemporâneos, como se manifestam, de forma consciente ou inconsciente, na atividade publicitária. De modo a enriquecer este exercício de comparação e exemplificação, são abordadas áreas do conhecimento relevantes para o estudo da imagem publicitária, nomeadamente a Retórica Visual, a Argumentação Multimodal e os Esquemas Argumentativos. Por fim, são perspetivados potenciais estudos a realizar nesta matéria, esperando cimentar as bases para futuros trabalhos de investigação sobre este tema.

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O Contributo da Tradição Retórica para o Discurso Persuasivo Publicitário

Author: Santos, Henrique António Lima
Year: 2023
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/160612/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o_HenriqueSantos_2021104255_Vers%c3%a3oCorrigidaMelhorada.pdf
O Con ibu o da T adição Re ó ica
pa a o Discu so Pe suasi o Publici á io
( e são co igida e melho ada após de esa pública)
Hen ique An ónio Lima San os
Disse ação de Mes ado em
Ciências da Comunicação – Comunicação Es a égica
Maio de 2023
2
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Ciências da Comunicação – Comunicação
Es a égica, ealizada sob a o ien ação cien í ica do p o esso
D . Fab izio Macagno
3
"Es uda um assun o sem uma ap eciação dos seus an eceden es é como e uma imagem em
duas dimensões - não há p o undidade. A His ó ia dá-nos essa p o undidade e uma
comp eensão do po quê das coisas se em como são."
– B ink e Kelley, 1963
4
AGRADECIMENTOS
P imei amen e, gos a ia de ag adece ao P o esso Fab izio, em i ude de oda a amabilidade
que semp e ansmi iu nas suas aulas e pos e io men e na o ien ação des a disse ação. Sem a
sua p o unda gene osidade e espí i o pacien e, não e ia sido possí el passa da p imei a página
des e abalho de in es igação. Mesmo nos momen os mais di íceis, o P o esso soube
di eciona -me com um so iso e uma opinião cons u i a, mos ando se um hábil po ado do
dom da pala a. Em nome de odas as pala as di as, as pala as que semp e icam po dize e
as pala as que po ezes nos al am: o meu ob igado.
Gos a ia ambém de ece um ag adecimen o à P o esso a I one Fe ei a, igu a de no á el
simpa ia en e o nosso co po docen e, po e sido uma impo an e o ça mo i acional no meu
pe cu so académico. Sem a luz con agian e da sua pala a amiga, não se ia possí el e chegado
ão longe.
Na impossibilidade de ag adece a odas as pessoas, amilia es ou amigas, que pa icipa am do
meu c escimen o como pessoa, aluno e p o issional, gos a ia de dedica es a disse ação a odos
os jo ens que, como eu, sac i ica am udo o que inham e conheciam em busca de no as
opo unidades, le i as e/ou p o issionais, nes e elé ico mosaico humano a que chamamos
Lisboa. A odos eles desejo, como a mim me oi desejado: saúde e so e.
5
O Con ibu o da T adição Re ó ica pa a o Discu so Pe suasi o Publici á io
Hen ique An ónio Lima San os
RESUMO
O obje i o des a disse ação é o de in es iga sob e o po encial con ibu o da adição
e ó ica pa a o discu so pe suasi o publici á io. Po ou as pala as, p e endo escla ece se o
conhecimen o e ó ico es á ci cunsc i o ao passado his ó ico ou se em uma pala a a dize na
a ualidade publici á ia. Nesse sen ido, es a disse ação consis e numa e isão de li e a u a que
p ocu a euni , analisa e sin e iza o sabe de di e en es académicos que abalha am sob e o
ema. Numa ase inicial, es a disse ação explo a o con ex o his ó ico da Re ó ica e da
Publicidade, con ex ualizando o su gimen o e e olução des as duas g andes á eas de es udo e
a uação, desde a an iguidade clássica a é ao p esen e. De seguida, p ocede a uma e lexão sob e
a o ma como ambas as á eas são enca adas no empo a ual, obse ando como di e en es
pensado es as in e p e am e de inem nos dias de hoje. Após es es dois momen os de
con ex ualização, es a disse ação p ocede a um exe cício de compa ação en e os
ensinamen os e ó icos e as p á icas habi uais da indús ia publici á ia, p ocu ando iden i ica
pa alelo en e ambos. Nessa ase, é ei a uma enume ação e análise dos cânones da e ó ica
clássica, assim como dos p incipais componen es do p ocesso de conceção do discu so
publici á io, p ocu ando iden i ica simili udes en e ambos. Na ase inal des e exe cício de
compa ação, são abo dadas as múl iplas igu as de e ó ica, analisando a essência de cada uma
e exempli icando, a a és de anúncios con empo âneos, como se mani es am, de o ma
conscien e ou inconscien e, na a i idade publici á ia. De modo a en iquece es e exe cício de
compa ação e exempli icação, são abo dadas á eas do conhecimen o ele an es pa a o es udo
da imagem publici á ia, nomeadamen e a Re ó ica Visual, a A gumen ação Mul imodal e os
Esquemas A gumen a i os. Po im, são pe spe i ados po enciais es udos a ealiza nes a
ma é ia, espe ando cimen a as bases pa a u u os abalhos de in es igação sob e es e ema.
Pala as-cha e: Re ó ica; Publicidade; Pe suasão; Figu as de Re ó ica.

6
ABSTRACT
The aim o his disse a ion is o in es iga e he po en ial con ibu ion o he he o ical adi ion
o he pe suasi e ad e ising discou se. In o he wo ds, i in ends o cla i y whe he he o ical
knowledge is ci cumsc ibed o he his o ical pas o i i has a say in cu en ad e ising. In his
sense, his disse a ion consis s o a li e a u e e iew ha seeks o ga he , analyze, and
syn hesize he knowledge o di e en schola s who ha e wo ked on he opic. Ini ially, his
disse a ion explo es he his o ical con ex o Rhe o ic and Ad e ising, con ex ualizing he
o igin and e olu ion o hese wo majo a eas o s udy and ac ion, om Classical An iqui y o
he p esen . Then, i p oceeds o a e lec ion on how bo h a eas a e seen in he p esen ime,
obse ing how di e en hinke s in e p e and de ine hem nowadays. A e hese wo momen s
o con ex ualiza ion, his disse a ion p oceeds o a compa ison exe cise be ween he he o ical
eachings and he usual ad e ising indus y p ac ices, ying o iden i y pa allels be ween bo h.
In his phase, an enume a ion and analysis o he canons o classical he o ic is made, as well
as he main componen s o he concep ion p ocess o he ad e ising discou se, seeking o
iden i y simila i ies be ween bo h. In he inal phase o his exe cise o compa ison, he mul iple
igu es o he o ic a e add essed, analyzing he essence o each one and exempli ying, h ough
con empo a y ads, how hey mani es hemsel es, consciously o unconsciously, in he
ad e ising ac i i y. In o de o en ich his exe cise o compa ison and exempli ica ion, a eas
o knowledge ele an o he s udy o he ad e ising image a e add essed, namely Visual
Rhe o ic, Mul imodal A gumen a ion and A gumen a i e Schemes. Finally, po en ial s udies
o be ca ied ou on his subjec a e pu in o pe spec i e, hoping o cemen he basis o u u e
esea ch wo k on his subjec .
Keywo ds: Rhe o ic; Ad e ising; Pe suasion; Rhe o ical Figu es.
7
Índice
Capí ulo 1: T adição Re ó ica ............................................................................................................... 12
A Re ó ica Na An iguidade Clássica ................................................................................................ 13
Co ax e Tísias ............................................................................................................................... 14
Pé icles e Demós enes ................................................................................................................... 14
So is as An igos ............................................................................................................................ 14
A is ó eles ..................................................................................................................................... 16
Cíce o e Quin iliano ...................................................................................................................... 17
A Re ó ica Clássica e o Pensamen o Mode no ................................................................................. 17
Capí ulo 2: Como a Re ó ica é Vis a na A ualidade ............................................................................. 19
Capí ulo 3: A Publicidade ..................................................................................................................... 21
A O igem da Publicidade .................................................................................................................. 21
A E olução da Publicidade ............................................................................................................... 21
Os Meios da Publicidade .................................................................................................................. 23
Capí ulo 4: Pe spe i as sob e a Publicidade ......................................................................................... 26
Capí ulo 5: Re ó ica e Publicidade........................................................................................................ 28
A In en io Re ó ica e o P ocesso C ia i o em Publicidade .............................................................. 28
A In ellec io .................................................................................................................................. 30
O B ie ing...................................................................................................................................... 32
1. Os P incípios da Es a égia de Ma ke ing ............................................................................. 32
1.1. Obje i os de Comunicação ................................................................................................ 32
1.2. Público-Al o .................................................................................................................. 34
1.3. Fon e de C escimen o da Ma ca ..................................................................................... 34
2. A Es a égia Publici á ia ....................................................................................................... 35
2.1. Opo unidade pa a a Ma ca ............................................................................................ 35
2.2. O Insigh e as P o as e A gumen os na Publicidade ...................................................... 35
3. A Es a égia C ia i a ............................................................................................................. 38
3.1. Mensagem Essencial ...................................................................................................... 38
A Disposi io e os Cons i uin es do Discu so Publici á io ................................................................. 38
Exo dio .......................................................................................................................................... 39
Na a io......................................................................................................................................... 40
Epílogo .......................................................................................................................................... 44
A Elocu io e as Figu as de Re ó ica na Publicidade ......................................................................... 45
1. Figu as de Adjunção ................................................................................................................. 50
8
1.1. Repe ição ....................................................................................................................... 51
1.2. Simili ude ...................................................................................................................... 51
1.3. Acumulação .................................................................................................................. 56
1.4. Oposição ....................................................................................................................... 56
1.5. Duplo Sen ido ............................................................................................................... 57
1.6. Pa adoxo ....................................................................................................................... 58
2. Figu as de Sup essão ................................................................................................................. 59
2.1. Elipse ............................................................................................................................. 60
2.1.1. Ocul ação .............................................................................................................. 60
2.1.2. Le i ação ............................................................................................................... 60
2.1.3. In isibilidade ......................................................................................................... 61
2.2. Ci cunlóquio ................................................................................................................. 62
2.3. Suspensão ...................................................................................................................... 63
2.4. Dubi ação ...................................................................................................................... 64
3. Figu as de Subs i uição ............................................................................................................. 65
3.1. Subs i uição Idên ica ..................................................................................................... 66
3.1.1. Acen uação ............................................................................................................ 66
3.1.2. Hipé bole ............................................................................................................... 66
3.1.3. Li o e ..................................................................................................................... 67
3.2. Subs i uição po um Elemen o Simila ......................................................................... 68
3.2.1. Alusão ................................................................................................................... 68
3.2.2. Me á o a ................................................................................................................ 69
3.3. Subs i uição po um Elemen o Di e en e ...................................................................... 69
3.3.1. Me onímia ............................................................................................................. 69
3.3.2. Sinédoque .............................................................................................................. 70
4. Figu as de T oca ....................................................................................................................... 71
1.1. In e são ......................................................................................................................... 71
1.2. Homologia ..................................................................................................................... 72
1.3. Assínde o ....................................................................................................................... 73
1.4. Anacolu o ...................................................................................................................... 74
1.5. An ilogia ....................................................................................................................... 75
Capí ulo 6: A Re ó ica Visual ............................................................................................................... 78
A A gumen ação Visual .................................................................................................................... 78
A A gumen ação Mul imodal ........................................................................................................... 79
Esquemas A gumen a i os ............................................................................................................ 81
Quad o analí ico ........................................................................................................................ 82
9
Caso P á ico .............................................................................................................................. 84
Capí ulo 7: No os Desa ios e Fu u os Es udos ..................................................................................... 87
Conclusão .............................................................................................................................................. 90
Re e ências Bibliog á icas .................................................................................................................... 93
16
pla ónica en ol ia o es udo das almas e a ap endizagem de como de ini e di idi de idamen e
uma ques ão nas suas pa es cons i uin es. Mais a de, se á um conhecido aluno de Pla ão, de
nome A is ó eles, o p imei o pensado a desen ol e um co po eó ico sob e a e ó ica
(C owley e Hawhee, 1999).
A is ó eles
Du an e o século IV a.C, A is ó eles ecolheu os li os de e ó ica ou "a es" de e ó ica
que es a am en ão disponí eis, eunindo-os numa ob a chamada Sín ese das A es. Como
es a a in e essado em eo iza es a p á ica, A is ó eles en ou descob i eg as ge ais pa a a
e ó ica que uncionassem em qualque si uação ou con ex o. Enquan o os so is as an igos
ensina am pelo exemplo, A is ó eles op ou po desen ol e p incípios que pudessem se
ansmi idos a u u os es udan es. Ac edi a a se possí el ap ende a discu i no decu so da
expe iência pessoal. No en an o, o dom de a gumen a a a és da expe iência pode ia não se
ão ú il como o es udo dos p incípios da a gumen ação, que A is ó eles a i ma a e
iden i icado ao es uda e ó icos an eceden es. A sua ob a Re ó ica oi undamen al pa a o
es udo e conhecimen o des a p á ica. A sua maio con ibuição pa a o conhecimen o e ó ico
oi o a amen o sis emá ico da in en io – a a e de encon a os a gumen os disponí eis num
de e minado caso. Con ibui ambém pa a o es udo e análise de luga es-comuns, en imemas,
exemplos e máximas, assim como p o as é icas e pa é icas. Embo a o seu abalho possa e
sido in luenciado po e ó icos an eceden es, A is ó eles oi o p imei o pensado a euni o
conhecimen o e ó ico exis en e numa abo dagem sis emá ica (C owley e Hawhee, 1999).
Segundo os his o iado es, alguns exempla es da ob a Re ó ica o am gua dados na
biblio eca de Alexand ia, que oi supos amen e incendiada pelo gene al omano Oc á io
du an e o p imei o século a.C. Não obs an e esse acon ecimen o, es udiosos á abes que inham
abalhado em Alexand ia ha iam c iado cópias, éplicas essas que pe manece am in ac as
du an e a Idade Média. Du an e as C uzadas, os po os eu opeus es abelece am o con ac o com
es udiosos islâmicos, esul ando na in odução des a ob a nas uni e sidades eu opeias du an e
o século XII d.C. Segundo C owley e Hawhee (1999), es a ob a de A is ó eles ecebeu mais
a enção académica du an e o séc. XX do que du an e os seus p imei os dois mil anos de
exis ência. P o a elmen e po essa azão, a eo ia a is o élica da e ó ica é ge almen e o que se
en ende quando um es udioso ou p o esso con empo âneo se e e e à " e ó ica clássica".

17
Seguindo es a análise his ó ica, é possí el a i ma que a con ibuição de A is ó eles
pa a a e ó ica clássica é undamen al, uma ez que o seu abalho oi essencial an o pa a
compila o conhecimen o e ó ico que ad inha de an e io es es udiosos e p a ican es de
e ó ica, assim como cimen a impo an es bases eó icas pa a u u os e ó icos, p a ican es ou
académicos.
Cíce o e Quin iliano
Além da con ibuição helénica pa a a e ó ica, impo a conside a a pa icipação
omana pa a o ape eiçoamen o des a a e, sob e udo pelas mãos de Cíce o, au o das ob as De
In en ione, O a o , Pa li iones O a o iae, Topica e De O a o e. O seu abalho oi
in luenciado pelos ilóso os g egos, especialmen e A is ó eles. Toda ia, pa a C owley e
Hawhee (1999), a e dadei a o ça modelado a da ob a de Cíce o oi a na u eza do Es ado
Romano, nomeadamen e o espei o pela au o idade e pela adição, as suas con ulsões polí icas
e os seus dilemas é icos. Ou a igu a impo an e da e ó ica omana oi Fábio Quin iliano,
au o da ob a Ins i u io O a o io. Pa a C owley e Hawhee (1999), a Ins i u io O a o io é um
impo an e compêndio da an iga eo ia e ó ica, compos o pe o do im do seu desen ol imen o
eó ico. A sua ob a e a de ão econhecido ele o que mui os dos seus ensinamen os o am
lecionados nas escolas omanas.
A Re ó ica Clássica e o Pensamen o Mode no
Segundo C owley e Hawhee (1999), exis em algumas pe inen es di e enças en e a
e ó ica da e a clássica e o pensamen o mode no sob e a e ó ica. Uma dessas di e enças é que
os e ó icos an igos não alo iza am mui o a p o a ac ual, enquan o ac os e es emunhos são
p a icamen e as únicas p o as discu idas na eo ia e ó ica mode na. Os p o esso es an igos
p e e iam usa os a gumen os que ge a am a pa i da p óp ia linguagem e das c enças da
comunidade du an e um p ocesso in elec ual que chama am de "in en io". Eles c ia am e
nomea am mui os desses a gumen os, en e eles luga es-comuns, exemplos, máximas e
en imemas. Ou a di e ença é que os e ó icos an igos alo iza am as opiniões como on e de
conhecimen o, enquan o no pensamen o mode no as opiniões são idas como algo de meno
impo ância. Pa a os e ó icos an igos, as opiniões não ad inham dos indi íduos, mas das
18
comunidades. Como os an igos ac edi a am que as comunidades e am a on e e a azão da
e ó ica, as opiniões e am pa a eles a p óp ia ma é ia da a gumen ação (C owley e Hawhee,
1999).
Uma ou a di e ença en e a e ó ica an iga e a mode na é que os e ó icos an igos
si ua am os seus ensinamen os num de e minado empo e luga , ou seja, num de e minado
con ex o pa icula . Essa pe spe i a de que as condições conjun u ais de e iam in luencia o
a o de composição ma ca um con as e pa a com a p á ica da e ó ica mode na, que p ocu a
abo da as si uações e ó icas como se ossem odas iguais ou p óximas.
Uma úl ima di e ença en e a e ó ica an iga e a mode na diz espei o à pos u a dos
an igos p o esso es em elação à linguagem, na medida em que os e ó icos mode nos endem
a pensa que o seu papel se limi a à comunicação dos ac os. Cíce o, que e a um conhecido
o ado omano, a i mou que os ins do uso da linguagem e am ensina , da p aze e como e ,
mas que o obje i o de discu sa pa a um público e a induzi-lo a acei a ou ejei a um
de e minado pensamen o ou ação (C owley e Hawhee, 1999).
Os pensado es an igos en endiam a u ilidade dos ac os empí icos de o ma di e en e
dos mode nos. Os pensado es g egos e am cé icos sob e os enômenos, nome que da am aos
ac os do mundo ísico, como á o es, ochas, en os ios e demais coisas assimilá eis po ia
senso ial. Coloca am em causa se ais coisas e e i amen e exis iam ou se apenas exis iam
quando pe cecionadas pelos sen idos humanos. A maio ia des es pensado es ac edi a a que a
pe ceção humana dos ac os do mundo ísico en ol ia necessa iamen e alguma dis o ção, uma
ez que os pensamen os, pe ceções e linguagem humana não e am o mesmo que os obje os
ísicos (C owley e Hawhee, 1999).
19
Capí ulo 2: Como a Re ó ica é Vis a na A ualidade
Nas sociedades con empo âneas, a pala a “ e ó ica” nem semp e é posi i amen e
en endida como a “a e da pe suasão”, como um o ício digno de es udo e p á ica. Pelo con á io,
a pala a “ e ó ica” é comumen e pe cecionada como o emp ego supé luo de linguagem
es é ica pa a ado na uma de e minada mensagem dissimulada. Po exemplo, a pala a e ó ica
é associada a p oclamações polí icas p o e idas com o in ui o de dis o ce a ealidade e
manipula os elei o es. Nesse sen ido, a e ó ica é comumen e pe spe i ada como o emp ego
de "pala as azias" ou como o uso de linguagem elabo ada pa a a omissão ou dis o ção da
ealidade (C owley e Hawhee, 1999). Inclusi e, é comum usa -se o e mo “ e ó ica” pa a
desc e e a o a ó ia de ce as igu as polí icas que os en am um pala eado complexo e
ambíguo, e i ando assim comp ome e -se com a decisão X ou a consequência Y.
Mas não oi assim que os e ó icos de ini am a sua p á ica na an iguidade clássica.
Nessa época, a e ó ica e a dignamen e u ilizada pa a oma decisões, esol e dispu as e
media a discussão pública sob e impo an es ques ões daquele empo. A e ó ica e a ida como
undamen al pa a alcança impo an es conclusões quando duas pa es disco da am sob e uma
decisão polí ica, eligiosa, económica ou social. De ce a o ma, o es udo da e ó ica e a
equi alen e ao es udo da cidadania. Os an igos e ó icos ac edi a am que a disco dância en e
os se es humanos e a ine i á el, uma ez que os indi íduos pe cecionam a ealidade de um
modo único e di e en e do seu p óximo. Assumi am ambém que, uma ez que as pessoas
comunicam as suas pe ceções a a és da linguagem, não ha ia nenhuma ga an ia de que as
pe ceções de um indi íduo ossem ansmi idas com p ecisão às ou as pessoas. Além disso, o
ac o de as pessoas di e gi em nas suas opiniões sob e a ealidade, sob e o uncionamen o do
mundo, o na a di ícil pe cebe qual das opiniões di e gen es e a a mais co e a. Nesse sen ido,
a e ó ica exis ia pa a que i essem meios de julga di e en es opiniões, podendo en ão a alia
qual delas e a a mais p ecisa ou aliosa (C owley e Hawhee, 1999).
A necessidade de esol e ques ões de o ma ci ilizada não é exclusi a da an iguidade
clássica, an es pelo con á io, é ambém uma necessidade con empo ânea. A exis ência e
con inuidade das democ acias a uais depende do emp ego da pala a e da oposição pací ica
en e di e en es pon os de is a, ab indo caminho pa a decisões li es e conscien es sob e
g andes emá icas nacionais, pequenas p oblemá icas locais ou a é mesmo simples opções de
consumo. Nas comunidades onde os cidadãos não são coagidos, as decisões impo an es de em
se omadas po meio do discu so. Daí a a ualidade e necessidade do emp ego da e ó ica em
20
odas as es e as de a i idade humana, desde as ques ões polí icas às p e e ências de consumo
(publicidade). Po ou as pala as, as sociedades democ á icas dependem da capacidade
humana de con apo e analisa opiniões di e gen es, de ou i e deba e com o nosso p óximo.
Sob e a impo ância a ual da e ó ica, C owley e Hawhee (1999) de endem que o
conhecimen o e ó ico pe mi e às pessoas pe cebe em quando alguém es á a p o e i maus
a gumen os ou a en a con ence -lhes a oma decisões inadequadas. Uma ez que a e ó ica
pe mi e um melho domínio sob e linguagem, aqueles que a es udam podem melho a alia a
e ó ica emp egue pelos ou os. Assim, aqueles que conhecem a e ó ica podem esqui a -se de
e en uais discu sos e ó icos enganosos. Ao longo da His ó ia, o conhecimen o e ó ico oi
no malmen e de ido pelos mais icos e pode osos. Po ém, na a ualidade, o cidadão comum
pode ap ende a usa a e ó ica de o ma hones a e legí ima, podendo deba e com os seus pa es
de o ma plu al e democ á ica.
Após es e pe inen e enquad amen o da e ó ica clássica no seu empo his ó ico, a
an iguidade clássica, e uma b e e compa ação en e o pensamen o clássico e o mode no sob e
a p óp ia e ó ica, olhemos ago a pa a uma con ex ualização da a i idade publici á ia,
conside ando as suas o igens, a sua e olução his ó ica e os meios de comunicação a a és das
quais consegue chega aos nossos olhos e ou idos.
21
Capí ulo 3: A Publicidade
A O igem da Publicidade
Segundo Tellis e Amble (2007), a publicidade es á p esen e nas nossas idas desde as
p imei as ci ilizações. A publicidade, no seu sen ido la o, enquan o p á ica de di ulgação de
bens e se iços, é um enómeno bas an e an igo, endo su gido espon aneamen e nos me cados
das an igas ci ilizações. Fo mas incipien es de publicidade, ais como placas e sinais em pon os
de comé cio e abe nas, exis iam nas an igas ci ilizações do Egi o, Mesopo âmia, G écia e
Roma. Inclusi e, anúncios pa a bens domés icos e pa a a comp a e enda de esc a os su gem
em egis os esc i os des as ci ilizações an igas. A í ulo de exemplo, ha ia come cian es que
con a a am p egoei os pa a le em anúncios em oz al a, em espaços públicos, ecendo la gos
elogios aos espe i os p odu os/se iços ap egoados.
A publicidade se iu, desde os seus p imó dios, pa a in o ma e pe suadi os
“consumido es”, al como acon ece nos dias de hoje. Não obs an e, a publicidade des a al u a
e a, al como os me cados daquele empo, um enómeno sob e udo local. Is o é, limi ada pelos
pa cos meios de comunicação exis en es na al u a, limi ada pela diminu a gama de p odu os
disponí eis pa a comp a e enda, limi ada pelas poucas ias de comunicação e dis ibuição de
bens e se iços. Em suma, os “anúncios” des a época e am c iados e emp egues em con ex o
local (Tellis e Amble , 2007).
A E olução da Publicidade
O pa adigma edu o do comé cio local se á adicalmen e ans o mado pela e olução
indus ial. En e os séculos XVIII e XIX, a e olução indus ial começou a muda odos os
aspe os da economia, desde os meios de p odução às elações labo ais, passando pelo núme o
de a igos acessí eis às massas. Nessa al u a, a as a maio ia dos camponeses começou a oca
a ag icul u a de subsis ência dos campos pela indús ia ab il das cidades. O céle e
ape eiçoamen o das écnicas de p odução, aliado à expoen e capacidade p odu i a e às
eme gen es ias de anspo e disponí eis (es adas, ias ma í imas, caminhos de e o, e c.)
pe mi iu a expansão dos me cados, ampli icando po sua ez a necessidade e u ilidade da
publicidade. A p odução em massa signi ica a que uma única áb ica, po exemplo, podia
p oduzi com e iciência su icien e pa a que um de e minado p odu o pudesse se

22
come cializado em mui as ou as cidades. Po an o, os me cados não es a am mais
ci cunsc i os à p odução local. Logo, a di ulgação desses bens e se iços ambém não es a a
limi ada ao comé cio local. Além disso, a expansão da imp ensa possibili ou uma dis ibuição
mais ampla das mensagens publici á ias, a a és de olhe os, ca azes e jo nais (Tellis e
Amble , 2007).
Mais a de, segundo MacDonald e Sco (2007), a gue a ci il ame icana (década de
1860) e as gue as mundiais que se segui am (p imei a me ade do século XX) c ia am a
necessidade de p oduzi g andes quan idades de equipamen o mili a em mui o pouco empo.
Es e con ex o his ó ico es imulou o desen ol imen o indus ial dos Es ados Unidos,
es imulando ambém a p odução e dis ibuição de di e en es bens de consumo. Tellis (1998)
suge e que o se iço mili a du an e as gue as moldou p o undamen e as sociedades
ociden ais, uma ez que ago a e am as mulhe es que a a am das comp as, le ando a uma
mudança na p ocu a e na o e a de bens. Tendo de supo a a economia nacional, enquan o a
gue a deco ia em solo eu opeu, as mulhe es ame icanas passa am a e meno disponibilidade
pa a as a e as domés icas, es ando ago a mais dispos as a comp a p odu os p on os a
consumi , como bens alimen a es e peças de oupa, em ez de os p oduzi em casa. Po an o,
a ino ação na p odução, combinada com as esponsabilidades ac escidas e a independência
ago a sen ida pelas mulhe es, c iou a p ocu a de no os p odu os que acili a am a ida, como
máquinas de cos u a, máquinas o og á icas, ele odomés icos e au omó eis.
Pa alelamen e, a publicidade p ocu a a aumen a a p ocu a, a im de abso e o ápido
aumen o da p odução mecanizada (Ne e , 1977). Nes a al u a, uma pe cen agem conside á el
das ecei as de endas passa a a se di ecionada pa a ins publici á ios. A publicidade o na a-
se cada ez mais impo an e, de ido à a iedade de p odu os que compe iam pelo in e esse dos
consumido es. Pa a escolhe , os consumido es p ecisa am de sabe qual o a igo especí ico a
pedi , com base no que lhes pa ecia mais apela i o. Po essa azão, cada a igo p ecisa a se
apela i o e memo á el, ap esen ando um nome sonan e e único, assim como as suas an agens
di e enciado as (Tellis, 1998).
Mais a de, o boom económico do pós-segunda gue a mundial ez com que os
consumido es ecupe assem pode de comp a, especialmen e nos Es ados Unidos e na Eu opa,
à medida que as economias se econs uí am. Logo a segui , chegou a ele isão, acili ando o
acesso ao me cado de massas, o que oi pa icula men e bené ico pa a o desen ol imen o de
ma cas e a in odução de no os p odu os (MacDonald e Sco , 2007). Aliás, a ele isão o nou-
se possi elmen e o meio de comunicação mais conhecido em odo mundo. É quase impossí el
ala de anúncios sem ala da pequena "caixinha mágica”. No en an o, es e não é o p imei o
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nem o úl imo meio de comunicação ou publicidade. Ao longo da his ó ia, os a anços
ecnológicos c ia am ipos de media e no as o mas de alcança e en ol e os po enciais
consumido es. Passemos ago a a uma b e e con ex ualização do su gimen o e e olução desses
meios.
Os Meios da Publicidade
Ou doo : De aco do com Houck (1969) e Be ns ein (1997), e e enciados po
MacDonald e Sco (2007), a publicidade ex e io (ou doo ) como meio de comunicação de
massas e e p o a elmen e início ainda no an igo Egi o, quando o am esculpidas placas de
basal o com hie ógli os que anuncia am leis, dec e os e a isos. Po exemplo, a Ped a de
Rose a, gua dada pelo Museu B i ânico, con ém um egis o de impos os e ou as ob igações do
po o egípcio. Ainda na an iguidade, o go e no omano da a a conhece as suas leis ao público
a a és de insc ições em ábuas e monumen os, u ilizando equen emen e igu as de animais
e obje os pa a chama a a enção dos cidadãos. Mais a de, no séc. XV, su gi am os p imei os
olhe os e ca azes e, 200 anos mais a de, su gi am os ca azes de ex e io (ou doo ), que
apidamen e domina am as uas de Lond es. O p imei o g ande ca az ou doo (mais de 15
me os quad ados) oi a ixado em No a Io que, em 1835, anunciando um espe áculo de ci co.
Inicialmen e, a publicidade ame icana à bei a das es adas e a um enómeno sob e udo local.
Os come cian es locais pin a am sinais e/ou cola am ca azes em mu os e edações pa a cap a
a a enção dos iajan es. Com a in enção da ele icidade em 1879, começa am a apa ece os
p imei os le ei os elé icos, mudando pa a semp e as paisagens u banas. A ualmen e, a
publicidade ou doo é omnip esen e e não é necessa iamen e “ex e io ” no sen ido obje i o do
e mo. A publicidade “ou doo ” ab ange painéis publici á ios nas es ações de me o, nos
au oca os, nos ae opo os, nas casas de banho públicas e a é nas pa agens de au oca o. Além
disso, a ecnologia in o má ica e as e amen as de p odução e edição digi ais pe mi em
ap esen a imagens, es á icas ou em mo imen o, em qualque supe ície.
Jo nais: Na Eu opa, os jo nais começa am a su gi na Alemanha, Ingla e a e F ança
no início do séc. XVII. Na Amé ica, o Bos on Newsle e oi o p imei o jo nal a publica um
anúncio, em 1704, o e ecendo uma ecompensa pela cap u a de um lad ão (Wells e al., 2000).
Na eu opa, a elação en e a publicidade e os media começou com Émile Gi a din, que a i mou
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que de e iam se os anúncios a paga aos jo nais, aquando do lançamen o do jo nal "La P esse",
em Pa is, no ano de 1845. Des a o ma, Gi a din c iou uma elação di e a en e as inse ções
publici á ias, que cob iam pa e dos cus os de p odução do jo nal, e o dec éscimo de cus o po
exempla , democ a izando o acesso ao jo nal e c iando um impo an e meio de exposição pa a
as ma cas (Ve íssimo, 2021). A ualmen e, ce ca de 400 milhões de pessoas comp am
dia iamen e o jo nal e o núme o de lei o es ul apassa os mil milhões de pessoas po dia (Wo ld
Associa ion o Newspape s, 2005).
Re is as: No inal do séc. XIX, a publicidade em e is as ep esen a a dois e ços das
ecei as das edi o as. Nessa al u a, as e is as des ina am-se sob e udo às classes sociais mais
icas e ins uídas, mas en e as décadas de 1880 e 1890 as e is as começa am a cob i os
Es ados Unidos da mesma o ma que a ele isão o eio a aze mais a de. A ualmen e, exis em
e is as pa a odos os gos os e pa a odos os ipos de público, desde con eúdos gené icos que
apelam às massas a é con eúdos de nicho que se em públicos mais especí icos. Nos dias de
hoje, os edi o es das e is as, al como os dos jo nais, eco em às uncionalidades da in e ne
pa a assegu a o c escimen o con ínuo da sua a i idade (MacDonald e Sco , 2007).
Rádio: Nos Es ados Unidos, a ádio e e o seu início na década de 1920, es ando desde
logo associada à publicidade. Após a G ande Dep essão, o p og esso ecnológico o nou a ádio
acessí el a odos os la es ame icanos, azendo da ádio o p imei o meio de publicidade de
massas, possibili ando a ap esen ação de no os p odu os e ma cas (Tellis, 1998). Ao con á io
do que à pa ida se podia p e e , es e meio de comunicação sob e i eu à e olução ecnológica
dos empos, sendo ainda hoje um impo an e meio de comunicação e publicidade. Po exemplo,
quando milhões de pessoas se deslocam pa a o abalho de ca o, é à ádio que eco em pa a
consumi con eúdo (p o a elmen e po se um meio de consumo que não impede a condução),
sendo impac adas pelos equen es spo s de ádio, mui os deles do ados de musicalidade.
Tele isão: O p imei o anúncio de ele isão nos EUA su giu a 1 de julho de 1941,
quando a Bulo a Wa ch Company ap esen ou um anúncio de 10 segundos an es de um jogo de
basebol: "Ame ica uns on Bulo a Time" (MacDonald e Sco , 2007). Rapidamen e se o nou
num meio publici á io de excelência, pe mi indo ansmi i anúncios em ídeo du an e os
in e alos da p og amação ele isi a. A ualmen e, a ele isão con inua a se a maio on e de
ecei as publici á ias a ní el mundial. É p a icamen e impossí el pensa em publicidade sem
e e i a “caixa mágica”. No en an o, o domínio da ele isão no mundo da publicidade em
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indo a se , em pa e, ameaçado, uma ez que ago a é possí el g a a a p og amação ele isi a
e “sal a ” os anúncios.
In e ne /Digi al: De ce a o ma, a in e ne é a no a ele isão, no sen ido em que em
ido um conside á el c escimen o e adesão, es ando ao alcance de oda a gen e. A publicidade
na In e ne começou em 1994, com anúncios de ma cas como a Vol o, a AT&T e a Timex
(MacDonald e Sco , 2007). A in e ne é um excelen e eículo de comunicação, pe mi indo a
in odução de anúncios de múl iplos o ma os (ge almen e em ídeo) num uni e so quase
in ini o de websi es. Inclusi e, a in e ne simula um pouco da publicidade ele isi a adicional,
in e ompendo a isualização de alguns con eúdos digi ais com anúncios cu os. Po ezes,
esses anúncios podem su gi no início dos con eúdos, sendo a sua isualização condição
necessá ia pa a desbloquea o con eúdo. A publicidade na in e ne az-se de di e en es o mas,
desde banne s em websi es, anúncios em ídeo, publicações nas edes sociais, newsle e s no
co eio ele ónico, in luenciado es, e c. Em suma, a in e ne é um mundo em expansão e as
suas possibilidades são imensas, ampliando de igual modo as possibilidades dos publici á ios.
Seguindo es e capí ulo de con ex o da publicidade e su gimen o dos di e en es meios
(media), é possí el deduzi -se que o me cado e a publicidade es ão p o undamen e in e ligados,
uma ez que o desen ol imen o do me cado p omo e o ecu so à publicidade, e a di usão da
publicidade e o ça o c escimen o do me cado. Po ou as pala as, quando os me cados
c escem, a publicidade desen ol e-se. Recip ocamen e, quando a publicidade a ança, os
me cados lo escem. Po an o, é possí el conclui que desde os pequenos endedo es locais a é
às g andes indús ias, os come cian es semp e p ocu a am es a égias pa a p omo e os seus
p odu os e se iços. A ualmen e, a publicidade ocupa um luga omnip esen e nas nossas idas,
podendo se acilmen e encon ada em di e en es meios, como na ele isão, na ádio, no
elemó el, na achada de edi ícios, nas pa agens de au oca o, nos p óp ios au oca os, nas
es adas, no me o, e c. En im, p a icamen e em odo lado, podendo se enca ada como um
complexo a e ac o cul u al (Sco , 1994) ou a é de inida como a a e da sociedade capi alis a
(Williams, 1980).
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O B ie ing
Na indús ia publici á ia, a ecolha e análise in o mação con ibui pa a a mon agem do
chamado b ie ing c ia i o, ambém conhecido po b ie ing, somen e. O uso des e ipo de
anglicanismos é comum na a i idade publici á ia, inclusi e em Po ugal, dado ao ac o des a
indús ia e ganho popula idade em países de língua inglesa, como o Reino Unido e os Es ados
Unidos da Amé ica, e ao ac o des a língua es a associada ao p agma ismo do mundo dos
negócios, endo e mos simples e di e os pa a concei os à pa ida complexos. O e mo b ie ing
é um excelen e exemplo des a endência, sendo usado pa a signi ica um documen o que
sin e iza oda a in o mação pe inen e e necessá ia pa a a p odução de uma es a égia de
comunicação.
Pa a Ve íssimo (2021), o b ie ing con ém ês i ens undamen ais pa a a es a égia de
comunicação:
1. Os p incípios da es a égia de ma ke ing;
2. Os elemen os da es a égia publici á ia;
3. Os elemen os da es a égia c ia i a.
1. Os P incípios da Es a égia de Ma ke ing
1.1. Obje i os de Comunicação
Nes a ase inicial, o publici á io p ocu a de ini quais os obje i os p e endidos na
comunicação. Exis em á ios modelos de de inição e iden i icação dos obje i os de uma
comunicação publici á ia, como os ap esen ados po Baynas e al. (2018), e Ko le e al.
(2017), ha endo á ios pon os de encon o en e es es á ios modelos. Nes a ma é ia,
Ve íssimo (2021) de ende a me odologia c iada po John Rossi e e La y Pe cy (1998, pp.
109-139), a ualizada com a colabo ação de La s Be gk is (Rossi e , Pe cy & Be gk is , 2018,
pp. 94-123), po se a que melho se aplica em con ex o académico.
A a és des a me odologia, Rossi e e al. (2018) de endem que o sucesso de uma
campanha publici á ia depende da e icácia do p ocesso pe suasi o. Po sua ez, pa a que o
p ocesso pe suasi o seja e icaz, é essencial de e mina os obje i os da campanha e basea a
es a égia de comunicação nesses mesmos obje i os. Es es obje i os não são de inidos no
abs a o, mas sim de inidos consoan e o con ex o especí ico em que a ma ca ou espe i o

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p odu o/se iço es ão inse idos, conside ando: o ipo de p odu o/se iço a se p omo ido; o
posicionamen o da ma ca; a posição da ma ca no me cado; a conco ência; o público-al o
p e endido; a elação que o público-al o em com a ma ca; e c.
Os obje i os de comunicação p opos os po Rossi e e al. (2018) são:
a) A pe ceção da necessidade;
b) A no o iedade da ma ca;
c) A a i ude ela i amen e à ma ca;
d) A in enção de comp a;
e) A acili ação da comp a.
Passemos ago a a uma b e e explicação de cada um des es obje i os de comunicação:
C ia a pe ceção da necessidade: es e obje i o esume-se na c iação de a gumen os
que le em o consumido a pe ceciona que o p odu o anunciado se á aquele que i á esol e
um de e minado p oblema ou sa is aze um de e minado desejo.
Con ibui pa a a no o iedade da ma ca: es e obje i o esume-se em coloca a ma ca
no opo das p e e ências do consumido , de modo que, na ho a de escolhe , o consumido op e
pela ma ca em ques ão.
A i ude ela i amen e à ma ca: es e obje i o e e e-se à a aliação global que o
consumido az da ma ca. Logo, esume-se na c iação de a gumen os que con ibuam pa a c ia
uma a i ude a o á el, po pa e do consumido , pa a com a ma ca anunciada.
In enção de comp a: es e obje i o diz espei o à in enção de comp a, esumindo-se na
c iação de a gumen os que esol am quaisque con li os na decisão de comp a, podendo passa
po ações p omocionais que a uem ao ní el do comp a ou não comp a ; comp a ago a ou
comp a depois; comp a á ias unidades ou comp a a quan idade habi ual.
Facili ação da comp a: es e obje i o esume-se na disponibilização de a gumen os de
ca iz in o ma i o, de modo a esponde a e en uais ques ões sob e a ma ca ou o
p odu o/se iço anunciado, como po exemplo o g au de di iculdade de manuseamen o do
p odu o, desconhecimen o do p eço ou dú idas sob e os locais de dis ibuição.
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1.2. Público-Al o
Após a de inição dos obje i os de comunicação, impo a conside a os públicos aos
quais a mensagem publici á ia se á di igida. O conhecimen o das suas necessidades e
aspi ações é essencial pa a a es a égia a gumen a i a. Nesse sen ido, impo a segmen a o
público-al o, ha endo á ias o mas de p ocede a essa segmen ação, nomeadamen e:
a. Segmen ação sociodemog á ica, que conside a a idade, géne o, p o issão,
endimen os, e c;
b. Segmen ação po es ilos de ida, que conside a g upos de pessoas que enham
em comum: alo es, a i idades, in e esses e compo amen os de consumo;
c. Segmen ação compo amen al, que conside a pad ões de compo amen o de
comp a e uso dos p odu os (Baynas , Lend e ie, Lé y, Dionísio e Rod igues,
2018; Nguye, Simkin e Canho o, 2016);
d. Segmen ação geog á ica, que conside a zonas geog á icas onde se encon am
os consumido es (Baynas , Lend e ie, Lé y, Dionísio e Rod igues, 2018);
e. Segmen ação po dimensões psicog á icas, que conside a o consumido ao ní el
das subcul u as e dos mic og upos (Baynas , Lend e ie, Lé y, Dionísio &
Rod igues, 2018; Ko le , Ka ajay e Iwam, 2017).
1.3. Fon e de C escimen o da Ma ca
Ainda no con ex o dos á ios es udos an eceden es à c iação das campanhas
publici á ias, impo a e em con a os es udos que o e ecem in o mação sob e uma po encial
on e de c escimen o da ma ca no me cado. Es es es udos pe mi em iden i ica o mas de a
ma ca c esce no me cado onde a ua. Po no ma, a es a égia de comunicação de e adequa a
mensagem publici á ia a essa opo unidade de c escimen o (Ve íssimo, 2021).
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2. A Es a égia Publici á ia
2.1. Opo unidade pa a a Ma ca
Conside emos ago a a es a égia publici á ia, ase do b ie ing publici á io onde se
iden i ica uma opo unidade pa a a ma ca no me cado em que a ua ou i á a ua (Rossi e , Pe cy
& Be gk is , 2018; Baynas , Lend e ie, Lé y, Dionísio & Rod igues, 2018; Ko le & Kelle ,
2015).
Essas opo unidades, iden i icadas a a és dos es udos de me cado, podem se :
a) Uma ca ac e ís ica única do p odu o/ma ca que possa se alo izada pela publicidade;
b) Uma endência de me cado;
c) Uma al e ação compo amen al associada a g andes mudanças sociais.
2.2. O Insigh e as P o as e A gumen os
Na indús ia publici á ia, um insigh pode se en endido como um a gumen o
comunicacional di e enciado . O insigh pode se alcançado de o ma in ui i a (com base no
p essen imen o, obse ação e ins in o) e/ou de o ma dedu i a (com base na expe iência,
es udos e conhecimen o cien í ico). Quando o insigh su ge de o ma in ui i a, de e se
con i mado po es udos exis en es (Solomon, 2018).
Pa a chega ao insigh (a gumen o di e enciado ), os publici á ios êm de es uda o
p odu o/se iço que ão anuncia , assim como o con ex o e a conco ência exis en es naquele
dado momen o. Quan o maio o g au de conhecimen o sob e os consumido es, melho a
qualidade do insigh alcançado.
T açando um pa alelo en e o insigh publici á io e a e ó ica clássica, Ba hes (1987)
indica que a in en io pa e de duas p incipais ias: uma lógica, que p ocu a con ence e ou a
psicológica (emocional), que p ocu a como e , despe a as emoções. A ia lógica eque
aciocínio, logo eque p o as obje i as que sus en em o a gumen o. Po ou o lado, a ia
psicológica busca uma es a égia a gumen a i a assen e em p o as que a uem sob e as emoções
do audi ó io.
Na e ó ica clássica, a ia lógica, a que p ocu a con ence , em á ios ipos de p o as,
ha endo as p o as écnicas e as p o as não écnicas. As p o as não écnicas, ambém
designadas como ina ís icas, são ine en es à ealidade do obje o, sendo ex e nas ao o ado . São
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a gumen os que não podem se in en ados ou deduzidos. Es as p o as são especí icas da
e ó ica judicial, sendo es as: a ju isp udência, os umo es, as con issões sob o u a,
documen ação classi icada, o ju amen o e os es emunhos (Ba hes,1987).
As p o as écnicas, ambém designadas como a ís icas, são as que podem se
p epa adas pelo mé odo. São abalhadas pelo o ado e dependem do seu pode de aciocínio.
Ba hes conside a-as aquelas que são p epa adas pelo o ado e dependem do seu “pode de
aciocínio”, ans o mando “o ma e ial” em “ o ça pe suasi a” (1987, p. 57).
Segundo Ve íssimo (2021), as p o as de pe suasão o necidas pelo discu so
enquad am-se em 3 ca ego ias:
1) As que esidem no ca á e mo al do o ado (e hos);
2) As que esidem no modo como se dispõe o ou in e (pa hos);
3) As que esidem no p óp io discu so, po aquilo que es e demons a ou pa ece
demons a (logos).
Enquan o as p o as assen es no ca ác e do o ado (e hos) e as nas emoções despe as
pelo o ado nos ou in es (pa hos) se em pa a como e o audi ó io, o logos, de i ado de
a gumen os e dadei os ou p o á eis, p ocu a con ence o audi ó io. Segundo o aciocínio
a is o élico, o logos es á elacionado com o uso da azão e do aciocínio na conceção de um
a gumen o: pe suade pela demons ação daquilo que é e dade ou apa en a se e dade,
consoan e o que é conside ado pe suasi o em cada caso pa icula . Ou seja, a o ça pe suasi a
da p o a es á no p óp io a gumen o (Ve íssimo, 2021).
Na publicidade, a demons ação com base em p o as acionais az-se a a és de
a gumen os que alo izem os p odu os/se iços anunciados, ge ando a pe ceção de uma
necessidade de uso ou expe imen ação. T a a-se de um discu so assen e em apelos acionais,
eco endo à lógica, a p o as p ecisas e a expe iências cien i icamen e comp o adas
(Ve íssimo, 2021). Po an o, é um discu so in o macional, con encendo o po encial
consumido de o ma acional.
Exemplo des a abo dagem acional são os anúncios que:
a) Ap esen am p o as de pe o mance, compa ando o cená io an e io e pos e io ao uso
do p odu o X (an es/depois) ou mos ando esul ados de es es em labo a ó io;
b) Compa am o p odu o/se iço X com ou os p odu os/se iços, mos ando que o
p odu o/se iço anunciado é melho do que a conco ência;
c) Ap esen am a e olução da ma ca ou p odu o/se iço anunciado, mos ando imagens
an eceden es e imagens a uais (do p óp io p odu o/se iço e não do seu uso).
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Analisando ago a as p o as subje i as ou mo ais, as que dependem do como e ,
Ba hes econhece, baseando-se em A is ó eles, a exis ência de uma e ó ica psicológica, mas
de na u eza “p oje ada”, is o é, não “como aquilo que exis e na cabeça do público”, mas “aquilo
que o público julga que os ou os êm na cabeça”. É uma psicologia do eikos, ou seja, do
“ e osímil” (Ba hes, 1987, p. 73). Es as p o as “psicológicas” di idem-se em dois g andes
g upos:
1) A e hé (e hos);
2) A pa hé (pa hos).
Segundo a e ó ica clássica, o e hos co esponde à imagem com que o o ado se
ap esen a, sendo, po exemplo, uma igu a c edí el pa a o ema em causa. T a a-se da o ma
como o o ado con ence o público de que es á quali icado pa a ala sob e aquele ema, e de
como o seu ca á e pode in luencia o audi ó io. Aqui, é o e hos, o ca á e do o ado , que le a
à pe suasão (Ve íssimo, 2021). Segundo o mesmo au o , podemos conside a que a es u u a
a gumen a i a da publicidade assen a no e hos quando os anúncios se ocam na ma ca, no seu
p es ígio, na sua au en icidade e na sua qualidade, já que es as que isam des aca o ca ác e
do emisso (a ma ca), e se á nes a ca ac e ís ica (o ca á e da ma ca) que assen a á a pe suasão.
Além disso, a psicologia da publicidade e ela que a o ça pe suasi a da mensagem publici á ia
es á dependen e da c edibilidade e da con iança que a ma ca ansmi e às audiências (Fennis &
S oebe, 2010; Pe lo , 1993). Pa a alcança es a c edibilidade, os publici á ios de e ão se
capazes de ap esen a a ma ca numa ó ica de au en icidade, compe ência e expe iência,
minimizando quaisque ince ezas em elação ao p odu o/se iço anunciado. Nesse sen ido, é
equen e o ecu so a cená ios ic ícios que ep esen am si uações do quo idiano eal,
e idenciando as i udes da ma ca e dos seus p odu os/se iços (Ve íssimo, 2021).
Também é comum associa a ma ca a um o ado c edí el que a ep esen e. Po exemplo,
quando uma igu a pública é usada num anúncio pa a que o consumido associe as i udes
dessa igu a pública à ma ca anunciada. Reco en e é ambém o ecu so a especialis as que dão
a sua opinião sob e o p odu o anunciado, aconselhando o uso do mesmo. O caso mais e iden e
des a si uação são os anúncios onde as ma cas den í icas eco em a den is as pa a da em
c edibilidade às suas pas as e esco as p omo idas (Ve íssimo, 2021).
Recapi ulando, o discu so e ó ico apela a duas dimensões:
a) Con ence o público com p emissas acionais (logos);
b) Como e a audiência pela c edibilidade do emisso (e hos) e/ou pelas emoções que o
mesmo consegue despe a (pa hos).

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Es as dimensões não são mu uamen e exclusi as, is o é, podem coexis i e se
combinadas. Segundo Ma eus (2018), os discu sos e ó icos mais complexos combinam es as
di e en es p o as, o e ecendo ao audi ó io uma a gumen ação acionalmen e con incen e, mas
ambém emocionalmen e ca i an e, capaz de despe a a espei abilidade.
Logo, é possí el conclui que a publicidade, al como a e ó ica clássica, de i a de duas
g andes ias: uma lógica, que p ocu a con ence , e a ou a psicológica/emocional, que p ocu a
como e , despe ando as emoções. Nesse sen ido, a pe suasão pode á eme gi no discu so
publici á io a a és da ap esen ação de a gumen os acionais (logos) e/ou a a és de apelos às
emoções (pa hos).
3. A Es a égia C ia i a
3.1. Mensagem Essencial
A conceção da mensagem essencial é um pon o i al da es a égia c ia i a. Es a
mensagem essencial é o con eúdo mais impo an e que a publicidade i á ansmi i ao público-
al o, impac ando as suas c enças e in luenciando os seus compo amen os. Es a passa po
ans o ma o insigh (o a gumen o di e enciado ) num concei o de comunicação, cump indo
os obje i os an e io men e mencionados. Pa a que seja e icaz, es a mensagem de e á se cla a
e ácil de comp eende , sendo assimilá el pelo público-al o e e i ando ambiguidades ou
in e p e ações des ian es. Pa a al, o concei o de comunicação de e mani es a uma in enção
(c ia a i udes e compo amen os a o á eis ao obje o anunciado) e ansmi i uma in o mação.
Em suma, isa esponde à seguin e ques ão: o que se p e ende que o público pense ou aça em
elação à comunicação? A espos a a es a pe gun a de e mina á odas as decisões e opções da
es u u a na a i a e dos a gumen os (Ve íssimo, 2021).
A Disposi io e os Cons i uin es do Discu so Publici á io
Ba hes de ende que a disposi io é “a o denação das g andes pa es do discu so” (1987,
p. 76). A disposi io diz espei o ao que de e se di o e como de e se di o, o ganizando os
á ios elemen os do discu so, sendo es es:
1) Exó dio (p oémio, na pe spe i a a is o élica);
39
2) Na a io (na ação);
3) Con i ma io (con i mação ou p o a, na pe spec i a a is o élica);
4) Epílogo (pe o ação).
Nes a disse ação, segui emos a es u u a que di ide a disposi io em ês pa es,
de endida po Fon u bel (2009, p. 139). Nes a es u u a ipa ida, encon amos:
1) A pa e inicial, o exó dio, que p ocu a cap a a a enção e o in e esse da audiência;
2) A pa e in e média, que eúne a na a io e a a gumen a io. A na a io consis e na
exposição do ema e da posição do o ado /ma ca, baseando-se em signi ican es icónicos
e e bais. A a gumen a io consis e em azões/a gumen os que sus en am a ese;
3) A pa e inal, que conclui com um epílogo/apelo ao audi ó io/audiência. Na
publicidade, es e apelo inal con igu a-se na assina u a ou slogan da ma ca, uma ase
sonan e e concisa que sin e iza a p omessa.
Exo dio
Na adição e ó ica, o exó dio diz espei o à pa e inicial do discu so, onde o o ado
p ocu a ca i a a a enção do audi ó io. Nesse sen ido, a disposi io pode começa com um
elemen o que apele ao in e esse do audi ó io. Segundo Ba hes, é o p ocesso de sedução dos
ou in es, em que se en a cap a a a enção do ou in e de imedia o, c iando uma noção de
cumplicidade (Ba hes, 1987). Basicamen e, o exó dio é o elemen o que “p epa a o caminho
pa a que o a gumen o ob enha a e icácia espe ada, ou seja, sua unção é basicamen e a de
chama a a enção e de in oduzi o assun o” (Fe nandez, 2006, p. 161). Em suma, o exó dio
despe a a a enção do público e acili a a assimilação do con eúdo da a gumen ação
É possí el iden i ica exó dios na publicidade, quando a mesma eco e a elemen os
exp essi os ( isuais ou sono os) pa a cap a a a enção do público-al o e di eciona o seu
in e esse pa a o ema que se ai ap esen a .
O exó dio pode se isual, como po exemplo uma imagem su p eenden e, ou um
elemen o ex ual, como po exemplo um headline dispos o na pa e supe io do anúncio,
despe ando a a enção do espec ado pela sua na u eza a aen e e des aque imedia o. O exó dio
pode ambém se sono o, como, po exemplo, os i mos musicais, que su gem no início de um
anúncio em ídeo e que isam despe a emoções na audiência, além de acili a em a
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comp eensão da imagem (Ve íssimo, 2021). Em suma, o exó dio é o p imei o elemen o da
mensagem, sendo esponsá el po cap a a a enção do público.
Na a io
A na a io consis e na exposição das p o as e ó icas e nos ac os e e en es à causa do
o ado (Ma eus, 2018). Sendo, po an o, qualque exposição de ac os elacionada com a causa
e que si a pa a in oduzi os meios a gumen a i os (Ve íssimo, 2021, p.82). Em suma, a
na a io expõe a causa do o ado e in oduz os meios a gumen a i os.
Segundo Ve íssimo (2021), na isão a is o élica, os e en os e am expos os de o ma
obje i a. O assun o e a ap esen ado com o obje i o de de ende ou e ela a ese do o ado . O
modo como se ap esen a am os ac os cons i uía em si mesmo os a gumen os. Em unção da
sua dimensão, a na a io pode se classi icada da seguin e o ma:
a) Explica io – quando se a a de uma comunicação mais de alhada;
b) P oposi io – quando se limi a a um b e e esumo do que ai se expos o;
c) Pe cu sio – quando ansmi e a in o mação da o ma mais ápida possí el (Fe nandez,
2006, p. 192). É nes a o ma mais b e e de na a io que assen a a publicidade.
A na a io é a base de um anúncio, uma ez que é esponsá el po e e a a enção do
expec ado e é nela que se incluem os a gumen os. Po sua ez, os a gumen os podem e um
ca ác e in o macional, como mos a que o p odu o esol e ou e i a um p oblema, ou
ans o macional, quando se ocam nas ecompensas senso iais ou nas elações sociais. Ou
seja, “es es a gumen os e elam-se quando se p omo em as qualidades dos p odu os, quando
se des acam as elações sociais dos a o es que ali e oluem ou quando se e idencia o espaço
cénico em que os desejos podem se sa is ei os.” (Ve íssimo, 2021, p.82).
Segundo a ob a Re ó ica a He énio (2005, Li o 1.12-17), a na a io consis e na
exposição dos acon ecimen os. Pa a que a na a io seja cla a e consiga man e a a enção do
audi ó io, o o ado de e á:
1) Na a com cla eza, o nando a mensagem acilmen e comp eensí el;
2) Segui a o dem c onológica dos acon ecimen os, e i ando a con usão ou dispe são na
exposição;
3) Na a com b e idade, esumindo a in o mação, e i ando a epe ição e dispe são do que
é essencial;
41
4) Almeja a e osimilhança, adequando a mensagem às ci cuns âncias do con ex o em
que discu sa.
T açando um pa alelo com a a i idade publici á ia, ejamos como a na a io se pode
enquad a nes e quad o explicado pelo au o da Re ó ica a He énio:
1) Po no ma, os anúncios são cla os e e iden es, con endo a in o mação essencial e
ele an e pa a quem se di igem. Es a cla eza isa acili a um aciocínio ápido po
pa e do público-al o. A publicidade p ocu a le a a audiência a segui o aciocínio dos
anúncios e a comple a em a in o mação inse ida nos mesmos, cabendo aos ece o es
p eenche as lacunas de signi icação (Aumon , 1990, p. 64).
2) Po no ma, o discu so publici á io ap esen a uma his ó ia, que su ge enquad ada numa
sequência empo al de e en os;
3) Po no ma, as mensagens publici á ias são b e es. O ecu so a mensagens longas
inco e ia no isco de dispe sa a a enção da audiência. Não po coincidência, a maio ia
dos anúncios audio isuais du am en e 20 e 30 segundos.
4) Po no ma, os anúncios ap esen am cená ios e ídicos ou semelhan es à ealidade,
mui as ezes e le indo o quo idiano do cidadão comum. Essa e ossimilhança ambém
é isí el na endência em abo da emas a uais que in e essem ao público-al o;
Além des as especi icidades da na a io que acabámos de enume a , elacionando-as
com a publicidade, na Re ó ica a He énio (2005) é possí el encon a ês ipos de na a io,
sendo es es:
1) O ipo de na a io em que se expõe o sucedido, indicando cada de alhe, incluindo a
p óp ia causa e a base da con o é sia;
2) O ipo de na a io em que o p opósi o é o de acusa , es abelecendo ambém uma
compa ação com o ópico que es á a se discu ido;
3) O ipo de na a io em que se abo dam causas ci is, endo a in enção de ag ada o
audi ó io. Segundo a mesma ob a, es e úl imo ipo de na ação es á di idido em duas
classes:
A p imei a oca-se nas ações e, po sua ez, subdi ide-se:
1.1) Na ábula, em que se na am ações que não são nem e dadei as, nem e ossímeis;
1.2) Na his ó ia, em que se ela am ações que acon ece am, mas em épocas dis an es;
1.3) No a gumen um, em que as ações con adas são alsas, apesa de se em plausí eis.
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di o de o ma simples e di e a. Segundo o mesmo, es a passagem de um ní el ao ou o acon ece
de o ma simé ica e em dois momen os: No momen o da c iação – quando emisso pa e de
uma p oposição simples e a ans o ma numa p oposição mais complexa, usando uma
“ope ação e ó ica” – e no momen o da eceção – quando o audi ó io es i uiu (men almen e)
a simplicidade inicial da p oposição.
Na u almen e, es a ideia de Du and é abs a a, uma ez que a e são simples da
p oposição não é ap esen ada, sendo a sua exis ência apenas suben endida. Não obs an e, es a
noção em uma u ilidade ope acional. Pa a a ilus a , Du and exempli ica com a seguin e
exp essão: “casei com um u so” (1970, p. 71). No sen ido li e al, es a p oposição ansg ide
uma no ma: não é legalmen e acei e casa com um animal. Essa ansg essão desempenha uma
dupla unção: p imei amen e, a imp obabilidade de se eal. Em segundo luga , ale a o ece o
pa a o ac o de não de e con ia no signi icado li e al da p oposição, le ando-o a es abelece
(men almen e) a supos a p oposição inicial: “O meu ma ido é (sel agem como) um u so” ou
“o meu ma ido é sel agem”.
Logo, Du and (1970) ê a e ó ica como uma ansg essão a uma no ma. Pa a es e, oda
a igu a de e ó ica pode se analisada como uma ansg essão dissimulada de uma no ma de
linguagem, de mo al e da ealidade. Nesse sen ido, a publicidade pode encon a na elocu io os
ecu sos necessá ios pa a ansg edi as no mas da linguagem, ge ando ideias publici á ias
o iginais e c ia i as. Du and classi ica as igu as da e ó ica em duas dimensões: a ope ação
e ó ica e a elação e ó ica. Pa a es e, a ope ação e e e-se à o ma da exp essão, aos
signi ican es. Po ou o lado, a elação e e e-se ao con eúdo, aos signi icados.
Segundo Du and (1970), exis em nas ope ações e ó icas duas ope ações básicas e duas
ope ações de i adas. As duas ope ações básicas são:
1. A adição/adjunção, que consis e na adição de um ou mais elemen os à p oposição (a
imagem), incluindo a epe ição: adição de elemen os idên icos;
2. A sup essão, que consis e na emoção de um ou mais elemen os da p oposição (a
imagem).
As duas ope ações de i adas são:
1. A subs i uição, que consis e numa sup essão seguida de uma adição: um elemen o é
emo ido e subs i uído po ou o;
2. A oca, que consis e em duas subs i uições ecíp ocas: são ocados dois elemen os da
p oposição.

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No que oca às elações e ó icas, Du and explica que os elemen os cons i uin es de
uma p oposição “são aqueles que sus en am as elações elemen a es: a análise das igu as da
e ó ica indica á, em simul âneo, quais são os elemen os cons i uin es e quais as elações que
exis em en e eles” (1970, p. 74), conside ando ainda que os elemen os cons i uin es não
incluem “necessa iamen e o conjun o de unidades de signi icação con idas na p oposição, mas
apenas aquelas que o am u ilizadas conscien emen e pelo c iado no seu jogo e ó ico” (1970,
p. 74).
Conside ando a publicidade, os elemen os sob e os quais i á ecai a análise são:
a. O obje o anunciado (p odu o/se iço), o elemen o que in e essa comunica ao
consumido ;
b. As pe sonagens, que in e agem com o obje o anunciado nas encenações publici á ias;
a “ o me” ou “disposição”, que con ém os elemen os acessó ios, como luzes e ou os
ecu sos adicionais.
Segundo Du and (1970), as di e sas combinações dos elemen os p esen es na
publicidade podem se de:
a. Iden idade;
b. Simili ude;
c. Oposição;
d. Di e ença.
O iginando, espe i amen e, os seguin es qua o ipos de ope ações de e ó ica:
a. Adjunção;
b. Sup essão;
c. Subs i uição;
d. T oca.
Em cada uma des as ope ações de e ó ica exis e um conjun o de igu as de e ó ica.
Nesse sen ido, a análise das igu as da e ó ica passa pela iden i icação dos elemen os
cons i uin es (p odu os, pe sonagens e “disposição” – de elemen os no espaço da encenação) e
das elações que exis em en e eles. Es as elações su gem ao ní el da o ma (como os
elemen os se ap esen am na imagem) e ao ní el do con eúdo (ao ní el do signi icado)
(Ve íssimo, 2021).
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Pa a a con inuidade des a disse ação, não se p e ende inco e numa desc ição
excessi amen e complexa ou exaus i a das igu as de e ó ica. P e ende-se sim uma
demons ação que e ele, eco endo a exemplos de anúncios publici á ios, que as igu as de
e ó ica es ão, de ac o, p esen es nas mensagens publici á ias, ainda que de o ma
inconscien e, mos ando a a ualidade do sis ema e ó ico e a sua ele ância pe suasi a. A
Tabela 1 ap esen a uma sín ese desse compêndio desen ol ido po Du and (1970) e,
pos e io men e, po Ve íssimo (2021).
Tabela 1 As igu as da Re ó ica baseadas em Du and (1970) e Ve íssimo (2021)
I emos ago a p ocede a uma b e e explicação de cada uma das igu as de e ó ica
mencionadas, exempli icando cada uma delas com um anúncio publici á io. Es e exe cício de
iden i icação oi ealizado po Du and (1970) e mais ecen emen e po Ve íssimo (2021). No seu
abalho de in es igação, Ve íssimo (2021) ap esen ou um conjun o de exemplos publici á ios
(anúncios) escolhidos po si. Os exemplos publici á ios que se ão ap esen ados nes a disse ação o am
escolhidos pelo mes ando, p e endendo iden i ica neles as igu as de e ó ica mencionadas. Cada
exemplo se á b e emen e analisado, de modo a explica , de o ma pe ce í el, a igu a e ó ica nele
p esen e.
1. Figu as de Adjunção
Como an e io men e e e ido, a ope ação de adjunção oco e quando se adiciona um ou
mais elemen os à p oposição. Es es elemen os podem se iguais, simila es, di e en es ou
opos os en e si. A soma de um elemen o a ou o esul a num conjun o (Ve íssimo, 2021). Es a
ope ação ap esen a as seguin es igu as de e ó ica clássica:
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1.1. Repe ição
A epe ição é um caso pa icula . Es a igu a é ca ac e izada pela p esença de elemen os
di os iguais na mesma imagem. Po exemplo, a p esença, no mesmo anúncio, de á ios
elemen os (p odu o ou pe sonagens) epe idos. Se o elemen o p esen e na imagem é um
de e minado p odu o, a epe ição pode eme e pa a a mul iplicidade de aplicações desse
p odu o anunciado. Se o elemen o p esen e na imagem o a igu a humana, a epe ição pode
eme e pa a a possibilidade desse p odu o pode se usado po di e sos consumido es ou a é
pa a o ac o desse p odu o pode se adap ado pelos di e en es consumido es (Ve íssimo,
2021). Tomemos como exemplo o seguin e anúncio (Figu a 4), onde a epe ição do logo da
McDonald 's em á ios cená ios domés icos eme e pa a a ideia de que a ma ca é capaz de
se i múl iplos consumido es em á ias mo adas di e en es, ap esen ando-se assim como uma
boa opção na ho a de encomenda comida.
Figu a 4 Ligh s On, McDonald’s; Agency: Leo Bu ne UK (2021)
1.2. Simili ude
Inse ida nas igu as de adjunção, a simili ude consis e na combinação dos elemen os:
p odu o, pe sonagens e “disposição”. É possí el iden i ica seis possibilidades que são
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ma cadas po simili udes en e si, e que podem co esponde a signi icações di e en es
(Ve íssimo, 2021).
a) Simili ude de “disposição” e de pe sonagem (uma única), di e en es p odu os -
Ap esen a no malmen e uma única pe sonagem (ou nenhuma pe sonagem), que exibe
á ios modelos de p odu os, ap esen ados de o ma o ganizada e simila . Tal encenação
isa p omo e as a iedades do p odu o e/ou os seus bene ícios pa a o consumido
(Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o seguin e anúncio (Figu a 5), onde uma
única pe sonagem su ge acompanhada de á ios p odu os, po sua ez dispos os de
o ma simila .
Figu a 5 Maybelline, “Make i happen” (2016)
b) Simili ude de “disposição”, um p odu o, di e en es pe sonagens - Ap esen a di e sas
igu as humanas que, numa pos u a idên ica ou semelhan e, consomem o mesmo
p odu o ou ma ca anunciada. A inalidade des e ipo de encenação é a de des aca a
unanimidade dos consumido es na escolha do p odu o/ma ca em ques ão (Ve íssimo,
2021). Tomemos como exemplo o seguin e anúncio (Figu a 6), onde di e en es
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pe sonagens, com pos u as simila es, u ilizam um mesmo p odu o e/ou uma mesma
ma ca.
Figu a 6 Real Beau y, Do e (2004)
c) Simili ude de “disposição”, di e en es pe sonagens e di e en es p odu os - Ap esen a
á ias pe sonagens em pos u as co po ais idên icas/simila es, num cená io
endencialmen e o ganizado. Es a “disposição” das pe sonagens isa a unanimidade
dos di e en es consumido es na escolha daquela espe i a ma ca, mos ando ambém
que a ma ca em p odu os pa a di e sos u ilizado es (Ve íssimo, 2021). Tomemos como
exemplo es e anúncio que se segue (Figu a 7), onde é possí el e i ica -se di e en es
consumido as, dispos as de o ma simila , u ilizando di e en es p odu os de uma
mesma ma ca.
Figu a 7 Dolce Gabbana (2015)

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d) Mesma pe sonagem, um único p odu o e “disposição” di e en e - Ap esen a uma
pe sonagem que exibe os di e en es modos de u ilização de um p odu o e/ou os di e sos
bene ícios pa a o consumido . Pe mi e ap esen a as di e sas ases de p odução do
p odu o anunciado ou as á ias ca ac e ís icas di e enciado as do mesmo (Ve íssimo,
2021). Tomemos como exemplo o seguin e anúncio (Figu a 8) onde se podem e
qua o disposições de uma única pe sonagem a consumi o p odu o du an e uma pa ida
despo i a, eme endo pa a a iqueza ene gé ica do p odu o em exposição e pa a sua
u ilidade em di e en es ases do jogo.
Figu a 8 Ga o ade, Be o e Du ing A e (2010)
e) Única pe sonagem, “disposição” di e en e e di e en es p odu os - Ap esen a uma única
pe sonagem pe an e á ios p odu os de uma mesma ma ca. Tem a inalidade de mos a
a mul iplicidade da ma ca e/ou gama em des aque. Pode ambém mos a as di e en es
aplicações dos di e sos p odu os exibidos (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo
o seguin e anúncio (Figu a 9) onde uma única pe sonagem se encon a odeada de
á ios p odu os, po sua ez ap esen ados em di e en es disposições.
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Figu a 9 Diane on Fu s enbe g, (2015)
) “Disposição” di e en e, pe sonagens di e en es e á ios p odu os - Ap esen a di e sas
pe sonagens, dispos as de o ma pouco o ganizada, u ilizando di e en es p odu os de
uma mesma ma ca. Es a igu a e ó ica em a inalidade de mos a que di e en es
consumido es podem ob e di e en es p odu os de uma mesma ma ca, dando a en ende
que aquela ma ca é a melho opção pa a odos aqueles consumido es (Ve íssimo, 2021).
Tomemos como exemplo o seguin e anúncio (Figu a 10), onde é possí el cons a a a
p esença de múl iplas pe sonagens, dispos as de o ma di e en e e usando p odu os
di e en es de uma mesma ma ca.
Figu a 10 Dolce Gabbana (2014)
56
1.3. Acumulação
Ainda den o das igu as de adjunção, a acumulação é ca ac e izada pela exibição de
mui os elemen os di e en es e pela deso ganização na disposição dos elemen os. Es a igu a
eme e pa a a a iedade e di e sidade de o e a de uma de e minada ma ca. Em suma, eme e
pa a a abundância (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 11),
onde um p odu o é dispos o num cená io apa en emen e caó ico, eple o de igu as de múl iplos
imaginá ios. Es a acumulação pode eme e pa a a ideia de abundância de sabo es e/ou
expe iências que o p odu o exibido pode despe a .
Figu a 11 Some sby, Wo ld o Somme sby (2018)
1.4. Oposição
A a és dos elemen os p esen es na imagem, o discu so publici á io concebe elações
de iden idade e elações de oposição. Nas elações de iden idade, as ma cas agem como se
ossem únicas no me cado, mos ando o seu alo e igno ando a conco ência, como são
exemplo as igu as de simili ude. Já nas elações de oposição, as ma cas p ocu am e a a a
compe ição, exibindo-se a si mesmas numa posição an ajosa. Es a igu a é ma cada po ês
aspe os: pela compa ação en e o p odu o/ma ca anunciado e um conco en e conc e o ou
anónimo, na qual exibe a supe io idade da ma ca anunciada; pela compa ação en e o uso e o
não uso da ma ca, ap esen ado um cená io an es e um depois, com an agens cla as pa a quem
57
u iliza a ma ca; pelo con as e de u ilizado es, ap esen ando no malmen e duas pe sonagens:
masculino/ eminino, mãe/ ilha, ápido/len o, e c. (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo
o seguin e anúncio (Figu a 12), onde uma ma ca ap esen a uma oposição en e aqueles que
usam os seus p odu os e aqueles que não o azem. Aqueles que ainda não o azem são e a ados
de o ma ela i amen e abo ecida e desin e essan e, enquan o os consumido es da ma ca são
ep esen ados com es ilo e en usiasmo. Aqui, a ma ca ap esen a-se como um ins umen o capaz
de libe a o po encial in e io do consumido , pe mi indo a es e passa de um es ilo de ida
banal pa a um modo de ida ousado.
Figu a 12 Old Spice, The e’s a man in he e (2012)
1.5. Duplo Sen ido
Numa imagem, o duplo sen ido dá-se quando o mas idên icas demons am ealidades
dis in as. A sua inalidade é a ep esen ação de um enigma, onde a audiência es á enca egue
de de e a as di e enças en e as imagens, chegando à mensagem do anúncio. Ve íssimo (2021)
exempli ica com os ípicos anúncios cosmé icos que exibem duas mulhe es ex emamen e
pa ecidas, ques ionando o público sob e qual das duas é a mãe. Se essa di e ença é pouco
pe ce í el, pode á signi ica que o p odu o anunciado consegue bons esul ados es é icos.
64
despe a a cu iosidade dos po enciais consumido es, sem nunca escla ece obje i amen e o
enigma.
Figu a 19 BFI, Th ille Season (2017)
2.4. Dubi ação
A sup essão de um elemen o da imagem publici á ia es á ligada a uma oposição de
o ma. Po ém, pode su gi nes a ca ego ia de igu as de sup essão uma igu a ligada à oposição
de con eúdo que nos eme e pa a a censu a de um elemen o da imagem. Ou seja, exis em
elemen os que embo a não es ejam in isí eis ou ausen es da imagem, possam es a
pa cialmen e omi idos num ges o de censu a, em unção de de e minados abus. Po exemplo,
uma mulhe que apa pa cialmen e o seu p óp io pei o, po ques ões de abu sexual, ou um
e ângulo neg o sob e os olhos duma de e minada pe sonagem, po ques ões de abu sob e a
ida p i ada (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o ca az ins i ucional que segue
abaixo (Figu a 20), onde se pode e uma pe sonagem com a boca apada. O elemen o boca
pa ece es a delibe adamen e cobe o pela mão. Logo, a boca não é um elemen o que es á
ausen e ou in isí el na imagem, é sim um elemen o que es á in encionalmen e apado po ou o
elemen o, a mão. A ocul ação do elemen o boca não é suben endido pelo ece o , é isualmen e
exp esso pelo anuncian e, ep esen ando um a o de censu a. Es e a o de censu a (uma mão a
apa a boca da pe sonagem) es á po sua ez associado ao ema cen al da campanha, a

65
iolência domés ica con a idosos, um ema abu na sociedade po uguesa. Podemos inclusi e
in e p e a que a mão que censu a pe ence à p óp ia pe sonagem censu ada, sendo um ges o
de au ocensu a. Nesse sen ido, a mensagem des a campanha passa pela condenação da
ocul ação do c ime de iolência con a pessoas idosas, p omo endo o seu in e so, a denúncia.
Es a mensagem isual é e o çada pelo í ulo do ca az: “Cala é se cúmplice des e c ime”.
Logo, quem quise apa a -se des e c ime de e á aze jus amen e o opos o, ala , denuncia .
Em suma, i a a mão da boca.
Figu a 20 APAV, Dia In e nacional das Pessoas Idosas
3. Figu as de Subs i uição
A di iculdade na comp eensão das igu as de subs i uição eside na ela i a
complexidade em pe cebe como oi e e uada a subs i uição. Não obs an e, segundo Du and
(1970), exis em ês ca ego ias de igu as de subs i uição na imagem publici á ia: a subs i uição
idên ica (em que se subs i ui um elemen o po ou o idên ico), a subs i uição po um elemen o
simila e a subs i uição po um elemen o di e en e.
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3.1. Subs i uição Idên ica
Fazem pa e des a ca ego ia a acen uação, a hipé bole e a li o e.
3.1.1. Acen uação
Consis e no des aque de um de e minado elemen o em elação aos demais. Na imagem
publici á ia, consis e no uso da co pa a des aca o p odu o ou ma ca anunciada (Ve íssimo,
2021). Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 21) onde é possí el isualiza uma
silhue a humana. Nes a silhue a, a zona do na iz es á colo ida de o ma di e enciada,
des acando esse elemen o na imagem, o que po sua ez eme e pa a o p odu o a macêu ico
anunciado e pa a a sua aplicação, nomeadamen e o alí io do na iz en upido.
Figu a 21 G ipex, Take a B ea h (2017)
3.1.2. Hipé bole
Na imagem publici á ia, a hipé bole consis e no exage o da dimensão do p odu o
ela i amen e às pe sonagens, dando des aque e p o agonismo ao p odu o/se iço anunciado
(Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 22), onde é possí el
isualiza um pa de calças desp opo cionalmen e aumen adas em elação à pe sonagem
humana. Es a hipé bole em o in ui o de ealça o papel da ma ca anunciada, nomeadamen e o
de p oduzi bens alimen a es saudá eis que eduzem signi ica i amen e os ní eis de go du a
sa u ada p esen es na die a no e-ame icana.
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Figu a 22 Dow, How o D op a Billion Pounds (2012)
3.1.3. Li o e
In e samen e à hipé bole, consis e na edução do p odu o/se iço exibido na imagem
(Ve íssimo, 2021). Es a diminuição da dimensão do p odu o pode ep esen a de e minadas
ca ac e ís icas posi i as do mesmo. Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 23),
onde é possí el isualiza um pequeno eículo em e idência numa olha p a icamen e em
b anco. A edução da dimensão do p odu o anunciado e ela a comodidade que es e eículo
o e ece p ecisamen e po se pequeno.
Figu a 23 Volkswagen, Think Small (1950)
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3.2. Subs i uição po um Elemen o Simila
A e ó ica clássica o e ece duas igu as de simili ude, uma ao ní el o mal, a alusão, e
ou a ao ní el do con eúdo, a me á o a (Ve íssimo, 2021).
3.2.1. Alusão
Es a igu a de e ó ica da imagem publici á ia consis e na subs i uição de um elemen o
po ou o simila , ao ní el da o ma. Des ina-se a des aca a p esença de um elemen o isual,
nomeadamen e o p odu o, em elação a ou os elemen os, cuja o ma é subs i uída po esse
mesmo elemen o (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 24),
onde é possí el isualiza uma la a de Pepsi num ono de palhinhas, palhinhas essas dispos as
numa o ma que eme e isualmen e pa a o ono da sé ie Game o Th ones. Es a alusão
des ina-se a associa a la a de Pepsi à impo ância/ alo ização da sé ie ele isi a.
Figu a 24 Pepsi, Pepsi Rules The 7 Kingdoms In The Game o S aws (2017)
69
3.2.2. Me á o a
Enquan o a alusão equi ale a uma subs i uição ao ní el da o ma, a me á o a
co esponde a uma subs i uição simila ao ní el do con eúdo da mensagem (Ve íssimo, 2021).
Tomemos como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 25), onde é possí el isualiza um ga o a
pe segui um an ílope. O ga o su ge em subs i uição de um ou o elino que habi ualmen e caça
an ílopes, o leão. Es a subs i uição p ocu a e idencia os bene ícios do p odu o anunciado,
nomeadamen e um p odu o alimen a pa a ga os. Es a me á o a eme e pa a o ac o daquele
p odu o “ o na ” um “pequeno ga o” num “g ande ga o”.
Figu a 25 Whiskas, Big Ca , Small Ca (2013)
3.3. Subs i uição po um Elemen o Di e en e
Na publicidade, es a ope ação e ó ica pode se ca ac e izada pela Me onímia e pela
Sinédoque.
3.3.1. Me onímia
Es a igu a consis e na exibição de um obje o pa a designa ou o. Não obs an e, ao
con á io da me á o a, que es abelece a elação en e duas ideias, a me onímia ap esen a uma
conexão di e a en e os obje os ep esen ados (Ve íssimo, 2021). Po exemplo, a subs i uição
do e ei o pela causa – um isquei o subs i uído po uma chama da mesma o ma –, a subs i uição
da causa pelo e ei o – um paco e de lei e subs i uído po uma aca – e a subs i uição do

70
des ina á io pelo obje o. Pa a exempli ica es a igu a de e ó ica, omemos como exemplo o
anúncio abaixo (Figu a 26), onde um gelado de i ado de lei e é subs i uído pela p óp ia aca,
animal que p oduz o lei e. Es e é um exemplo de subs i uição da causa pelo e ei o. Es a
me onímia eme e pa a a ideia de que aquele p odu o é ealmen e de i ado de lei e de aca.
Figu a 26 Kaku, Pu e Milk Ice C eam (2012)
3.3.2. Sinédoque
A sinédoque ep esen a ou a si uação de uma ope ação de subs i uição. Nes e caso, a
subs i uição da pa e pelo odo ou do odo pela pa e (Ve íssimo, 2021). Tomemos como
exemplo o anúncio abaixo (Figu a 27), onde um pedaço de “bacon” ege a iano su ge como
ep esen ação de odo o hambú gue ege a iano. Ou seja, o odo é subs i uído pela pa e. Ao
exibi aspe os pa ciais des e elemen o (a i a de “bacon” ege a iano) p e ende-se cono a o
global (o hambú gue ege a iano), e es ende a es e a signi icação do de alhe ou da pa e
ap esen ada. Nes e caso, se a i a de “bacon” ege a iano é ex emamen e semelhan e ao bacon
de p o eniência animal, o mesmo pode se pensado da gene alidade do hambú gue
ege a iano, que ambém se á ex emamen e semelhan e ao hambú gue no mal.
71
Figu a 27 Bu ge King, No e e y hing is wha i seems (2022)
4. Figu as de T oca
Segundo Ve íssimo (2021), as igu as de oca são a as na publicidade de ido à
complexidade in e p e a i a que exigem, podendo le a à incomp eensão da mensagem. Pela
mesma azão, são ambém mais complexas de analisa do que as an e io es, uma ez que
eúnem á ios elemen os que podem es a unidos po múl iplas elações.
1.1. In e são
Na in e são, os elemen os da p oposição pe manecem na imagem, mas a o dem é
al e ada. A sua missão é des aca a impo ância desse elemen o (Ve íssimo, 2021). Tomemos
como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 28), onde é possí el cons a a um os o humano
in e ido, des acando o ac o do cabelo es a dispos o na zona da ba ba. Es a in e são se e
pa a salien a a inalidade do obje o anunciado: cuida da ba ba.
72
Figu a 28 Mande u, Flipped (2017)
1.2. Homologia
Segundo Du and, a homologia pode se conside ada uma igu a baseada numa
simili ude de con eúdo, onde o mesmo con eúdo pode á se ap esen ado po di e en es o mas
g ama icais. Nesse sen ido, podemos oma como exemplo o anúncio abaixo (Figu a 29), onde
a pala a “Nu s” em duplo signi icado, nomeadamen e “amendoins” e “co agem”. A a és de
um jogo de pala as homónimas (que se dizem e esc e em de o ma igual, mas êm signi icados
di e en es), é possí el le , em simul âneo, “a anja amendoins” e “a anja co agem”. Nes e
caso, o p odu o anunciado apa en a o e ece ambos.
73
Figu a 29 Snicke s, Ge Some Nu s (2012)
1.3. Assínde o
O assínde o isa al e a a elação exis en e en e os elemen os da imagem de modo a
sup imi as coo denadas da isão do ece o , le ando-o a olha pa a oda a imagem e não só
pa a o elemen o que lhe p ende mais a a enção (Ve íssimo, 2021). Tomemos como exemplo o
anúncio abaixo (Figu a 30), onde pa e das pala as es á pa cialmen e omissa/dis o cida,
ob igando o ece o a pe co e oda a imagem, mais do que uma ez, pa a comp eende a
mensagem do anúncio.
80
No en an o, se conside a mos a de inição clássica de a gumen ação como "um meio
social e e bal de en a esol e , ou pelo menos de lu a con a, um con li o ou di e ença que
su giu ou exis e en e duas (ou mais) pa es" (Wal on 1990, pp. 411), e i icamos que os
anúncios de “código duplo” ep esen am um desa io complexo. Pa a econs ui os a gumen os
que exp essam, é necessá io ecupe a o signi icado que é ansmi ido, nomeadamen e o que
dizem ( e bal e isualmen e).
A análise da "lógica" dos a gumen os p essupõe uma in e p e ação p agmá ica da(s)
mensagem(ns) mul imodal(ais) (Yus, 2008; Fo ce ille e Cla k 2014). Es e ní el p agmá ico
conduz à possibilidade de econs ui os a gumen os e de ecupe a as mensagens
implici amen e ansmi idas como conclusões ou p emissas áci as ( an Eeme en e
G oo endo s 1984; Hi chcock 1998; Wal on e al. 2008; Macagno e Damele, 2013) no
"complexo ac o de ala da pe suasão" (Wal on 2007, pp. 87-90).
De aco do com Macagno e Pin o (2020), a impo ância de analisa a elação en e
di e en es sis emas semió icos em sido cada ez mais econhecida na comunicação e na
a gumen ação (Hall 1969; K ess e Van Leeuwen 2001; K ess e Leeuwen 2006; Kjeldsen 2012).
Em pa icula , a abo dagem da semió ica social ( an Leeuwen 2005) desen ol e e amen as
e mé odos especí icos pa a a in e p e ação de ex os mul imodais.
Segundo Macagno e Pin o (2020), as imagens e os componen es isuais associados à
esc i a não são, po de inição, um a gumen o, uma ez que não o necem um conjun o de
p oposições a pa i das quais se possa e i a uma conclusão (Johnson 2003; Pa e son 2011).
Sem um mé odo cla o de in e p e ação de imagens, a sua adução pa a o mas p oposicionais
co e o isco de se a bi á ia e subje i a, conduzindo assim a p oblemas de iabilidade (G oa ke
2002; Johnson 2003). Com es e obje i o, a combinação das e amen as da in e p e ação isual
com as da análise linguís ica oi desen ol ida em alguns abalhos ecen es (Yus 2008;
Wha on 2009; Fo ce ille e Cla k 2014).
Pa a Macagno e Pin o (2020), as imagens, e em pa icula a combinação dos modos
e bal e isual, podem ansmi i mensagens codi icadas não só e balmen e, mas ambém
a a és de sinais isuais, emblemas e códigos pic ó icos. Em cada con ex o e cul u a, as
imagens isuais podem codi ica in o mações especí icas, que podem depois se en iquecidas,
nomeadamen e a a és de in e ências p agmá icas. Nes e sen ido, as imagens podem se
conside adas como mensagens "codi icadas" não e bais que podem se en iquecidas pelas
mensagens e bais ou, ice- e sa, usadas pa a en iquece as mesmas.

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Esquemas A gumen a i os
Segundo Macagno e Pin o (2020), os anúncios publici á ios são um ipo de discu so
especí ico ca ac e izado pela unção de p omo e um p odu o, nomeadamen e le ando as
audiências (os po enciais consumido es) a comp á-lo (o p odu o ou se iço anunciado). Es a
unção p essupõe a exis ência po encial de uma dú ida ou desconhecimen o ela i amen e à
desejabilidade do p odu o, uma ez que o papel do anúncio é o de "pe suadi as pessoas a
agi em como não agi iam de ou a o ma" (Slade, 2002). O obje i o c ucial des e ipo de
mensagem complexa é in luencia o compo amen o do po encial consumido ("de e comp a
X po causa de Y") a a és da ap esen ação de azões (Polla oli 2013; Rocci e al. 2013). O
discu so publici á io, enquan o es a égia a gumen a i a, pode se ep esen ado e analisado
a a és dos ins umen os da eo ia da a gumen ação e, em pa icula , dos esquemas
a gumen a i os (Wal on e al. 2008).
Os esquemas a gumen a i os são ins umen os capazes de ep esen a a o ma como
uma conclusão é apoiada pelas p emissas a a és de um p incípio de in e ência. Nas pala as
de Macagno e Pin o, “são uma combinação de p emissas abs a as que incluem uma
ca ac e ização mínima das p op iedades semân icas que uma p oposição p ecisa de e pa a
aze pa e des a es u u a, que conduz a uma conclusão que cap a uma ca ego ia de a gumen os
na u ais possí eis” (2020, p.155). Po exemplo, um esquema de a gumen ação a pa i da
opinião de pe i os ap esen a a seguin e es u u a (Wal on e al. 2008):
P emissa 1: A on e E é um pe i o no domínio S que con ém a p oposição A.
P emissa 2: A on e E a i ma que a p oposição A é e dadei a.
(P emissa condicional): Se a Fon e E a i ma que a p oposição A é e dadei a, en ão A de e se
conside ada como e dadei a.
Conclusão: a p oposição A de e se conside ada e dadei a.
De aco do com Macagno e Pin o (2020), mui os a gumen os baseados na au o idade de
uma on e (um den is a, po exemplo) podem se econs uídos como "a gumen os a pa i da
opinião de um pe i o", em que as pala as eais do pe i o e os seus conhecimen os eais (o
domínio de especialização) subs i uem as a iá eis ge ais.
82
Macagno ai ainda mais longe, a i mando que os esquemas de a gumen ação são o
desen ol imen o mode no dos an igos opoi ou loci, os luga es-comuns u ilizados pa a c ia e
analisa a gumen os. Os ópicos o am concebidos como baseados em máximas, ou p incípios
de in e ência na u al, que de i a am dos Tópicos e da Re ó ica de A is ó eles. Es es p incípios
in e enciais o am classi icados em ca ego ias que diziam espei o às " on es", nomeadamen e
os ipos de p emissas ou gene alizações "p incipais" em que se basea a a o ça do a gumen o.
Exis e uma dis inção en e os ópicos in e nos (a gumen os cujas p emissas se baseiam no
assun o em conside ação) e os ex e nos (a gumen os em que a conclusão se baseia na
au o idade de um pe i o, uma es emunha ou a maio ia das pessoas) (B ae 2004).
Uma segunda dis inção impo an e - p agmá ica - de e se ei a en e a gumen os
p á icos e eó icos (Kee e 1996), em que os p imei os o necem azões pa a um cu so de ação,
enquan o os segundos pa a a acei abilidade de uma p oposição.
Segundo Macagno e Pin o (2020), es as dis inções pe mi em a econs ução do
aciocínio subjacen e a um anúncio, começando pela iden i icação do obje i o discu si o
( oma ou in luencia uma decisão) e depois o ipo de p emissas (se meios pa a um obje i o ou
consequências da comp a ou não comp a). Es es a gumen os undamen ais são no malmen e
apoiados po ou os ipos de a gumen os, desen ol endo uma cadeia de a gumen os que
consis e em di e en es passos a gumen a i os elacionados en e si (Wal on 2006, 2007; Rocci
e al. 2013).
Quad o analí ico
Pa a Macagno e Pin o (2020), o anúncio publici á io é dos géne os ex uais mais
complexos, uma ez que o con ex o e a mensagem são ex emamen e elíp icos, eduzidos a
uma ep esen ação isual de um cená io (Kjeldsen 2012) que cons i ui o e eno eme gen e a
se u ilizado pa a a in e p e ação do enunciado esc i o (Kecskes 2008; Kecskes e Zhang 2009).
O géne o da publicidade o nece mais in o mações de base, que podem se esumidas
da seguin e o ma:
a. São u ilizados á ios amanhos de caixas de ex o em que a pa e esc i a é ap esen ada
com le as de di e en es ipos e amanhos pa a despe a a a enção pa a uma pa e
especí ica do anúncio;
b. Elemen os isuais (incluindo imagens) que in e agem dinamicamen e com ou os
elemen os ( equen emen e e bais), con ibuindo pa a a coe ência ex ual;
83
c. Aspe os axiológicos ( alo es) posi i os em elação ao p odu o e à ideia anunciada.
Pa a Macagno e Pin o (2020), além dos aspe os e e idos, impo a ambém isa a
especi icidade da in enção comunica i a pe suasi a des e géne o (publicidade). Po no ma, em
odos os anúncios de p odu os é possí el de e a uma a gumen ação implíci a ou explíci a que
esul a na conclusão inal "Comp e o p odu o X", undamen ada nas p emissas que apon am as
qualidades de X ou as an agens de comp a X (Polla oli, 2013). Nes e géne o ex ual
especí ico, os elemen os isuais não são apenas imagens (Tse onis, 2013): na comunicação
a gumen a i a, é necessá io p es a a enção "não só ao con eúdo, mas ambém à o ma e ao
es ilo". Além disso, na publicidade, os elemen os e bais e isuais de em se analisados em
conjun o pa a uma melho comp eensão da a gumen ação. É ce o que o mam um odo
signi ica i o, mas, pa a e ei os de análise a gumen a i a, es as dimensões de em se
conside adas sepa adamen e, de aco do com a desc ição eó ica ado ada.
Es e é um campo de in es igação e análise ico e complexo. Toda ia, Macagno e Pin o
(2020, p.156) ap esen a um quad o de classi icação de esquema de a gumen ação (Figu a 33),
sendo, a meu e , uma e amen a undamen al pa a melho comp eende es a ma é ia:
Figu a 33 Esquema de A gumen ação (Macagno, 2020, p.156)
84
Caso P á ico
De modo a exempli ica a u ilização dos esquemas de a gumen ação e a mos a a sua
pe inência pa a a análise de anúncios publici á ios, i emos p ocede a uma b e e análise de
um anúncio, enquad ando-o nas e e ências sup aci adas. Nesse sen ido, conside emos o
seguin e anúncio imp esso (Figu a 34) ealizado pela EFI, uma o ganização sem ins luc a i os,
si uada na Índia, que p ocu a sensibiliza a população pa a mudanças de compo amen o
socialmen e esponsá eis. Dada o con ex o empo al em que o anúncio oi publicado, pode á
e sido ealizado a p opósi o da celeb ação do Dia Mundial do Meio Ambien e, e en o
ealizado na Índia, nessa mesma al u a.
Figu a 34 EFI Wo ld En i onmen Day (2018)
85
Conside ando os elemen os isuais que compõem o anúncio, es e ap esen a uma
a a uga ma inha sendo as ixiada po uma palhinha de plás ico. Po sua ez, a palhinha es á a
se suspensa/u ilizada po uma mão humana. Toda a ação deco e sob um undo cinzen o. Pode
e -se ambém no can o in e io di ei o o logó ipo da IFA. São ambém isí eis algumas
e e ências ex uais. Pode le -se no can o supe io di ei o: “Dia Mundial do Meio Ambien e, 5
de junho”. Pode le -se no can o in e io di ei o: #Bea Plas icPolu ion (Vence a poluição
plás ica).
No que oca às igu as e ó icas, é possí el iden i ica nes a imagem a me á o a. Como
e e ido em capí ulos an e io es, a me á o a co esponde a uma subs i uição simila ao ní el do
con eúdo da mensagem. Nes e exemplo, a mo e das a a ugas po e ei o das palhinhas
(con eúdo) es á me a o icamen e ep esen ada po uma mão humana que as ixia a a a uga
com uma palhinha. Ce amen e, es a imagem não co esponde à ealidade obje i a, ou seja, não
é assim exa amen e assim que a ação humana p o oca a mo e das a a ugas. T a ando-se de
uma me á o a, es a imagem p ocu a “mos a ” o impac o que a não eciclagem das palhinhas
causa nas a a ugas. Po no ma, as me á o as são u ilizadas pa a des aca os
bene ícios/ i udes de um de e minado obje o anunciando. Não se a ando de um anúncio
come cial, mas sim de uma campanha de sensibilização, a me á o a aqui é emp egue com uma
inalidade in e sa, nomeadamen e a de ale a pa a as consequências nega i as da não
eciclagem de palhinhas. O uso da me á o a não é ocasional ou a bi á io, cump e a inalidade
es a égica de pe suadi o público-al o (os cidadãos poluen es) a muda os seus
compo amen os. Po se uma ep esen ação g á ica explíci a e inclusi amen e mó bida, es a
me á o a pode á causa maio impac o (se mais pe suasi a) do que uma me a ap esen ação
es a ís ica do núme o de mo es de a a ugas causadas pelas palhinhas ou um dado cien í ico
simila . Po ou as pala as, nes e caso, a ep esen ação me a ó ica supe a a ap esen ação da
ealidade obje i a, cump indo uma inalidade es a égica: pe suadi , p o oca a mudança de
compo amen o.
Rela i amen e ao esquema a gumen a i o, es e anúncio é um a gumen o in e no (como
cons a no quad o de esquemas de a gumen ação), uma ez que a conclusão não é
necessa iamen e baseada numa au o idade ex e na. Há, de ac o, e e ência isual à IFA, mas
essa en idade não é di e amen e in ocada pa a jus i ica a conclusão. Pelo con á io, é o
espec ado que o ma a conclusão baseando-se nas pis as isuais.
Na minha in e p e ação, a a-se de um esquema a gumen a i o de decision making
(uma ez que a conclusão apon a pa a uma decisão), sendo um a gumen om consequences,
uma ez que os elemen os isuais le am a c e que a u ilização de palhinhas/ não eciclagem

86
de palhinhas ma a a a ugas (a alia o esul ado de uma escolha). Logo, di eciona a audiência
pa a o seguin e pensamen o: "se não pa a mos o consumo de palhinhas, amos con ibui pa a
a mo e de a a ugas”. As palhinhas po sua ez podem eme e pa a uma ca ego ia mais
ab angen e, os plás icos desca á eis. Logo, a meu e , a mensagem do anúncio é a seguin e:
“De emos a a o consumo de plás icos desca á eis, caso con á io amos acaba com a ida
ma inha”.
Tendo ealizado es e exe cício p á ico de exempli icação dos esquemas a gumen a i as,
mos ando a impo ância des a á ea de es udo pa a uma melho comp eensão e in e p e ação
da imagem publici á ia à luz do conhecimen o e ó ico, impo a ago a di eciona es a
disse ação pa a o seu úl imo capí ulo an es da conclusão, onde i emos abo da a uais e u u os
desa ios da publicidade e da e ó ica, assim como po enciais es udos a ealiza sob e es a
ma é ia.
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Capí ulo 7: No os Desa ios e Fu u os Es udos
Ago a que i emos na e a digi al, impo a e le i como a adição e ó ica pode se
aplicada à ecnologia a ual, endo em con a que es a ecnologia i e em cons an e p og esso e
mu ação. C owley e Hawhee (1999), ainda no inal dos anos 90, coloca am a ques ão nos
seguin es e mos: o que é que a adição e ó ica pode o e ece aos “cibe e ó icos”? Com es e
neologismo (“cibe e ó icos”), os au o es p e endem cunha os es udan es e p a ican es de
e ó ica na e a “cibe ”, ou seja, no uni e so digi al. Em plena i agem pa a o no o milénio, e a
ainda di ícil p e e os a anços ecnológicos a que i íamos assis i , como o su gimen o dos
sma phones, o apogeu das edes sociais e as mais ecen es ino ações no campo da in eligência
a i icial. Não obs an e, es es dois pensado es já ha iam ocado num pon o i al pa a u u os
es udos sob e a e ó ica: o que êm os a uais e ó icos a ap ende com os an igos, que i e am
num empo mui o an e io à in enção do p óp io compu ado ? Pa a C owley e Hawhee (1999)
a espos a é o imis a, de endendo que os cânones da e ó ica ainda ap esen am u ilidade no
mundo da comunicação digi al, a que eles designa am na al u a de “New Media”. Po “New
Media” en endiam se as o mas de comunicação que combinam ecnologias in o má icas e de
elecomunicação, como as ecnologias baseadas em b owse s, co eio ele ónico e odas as
o mas de meios de comunicação in e a i os. Sob e a adap ação da e ó ica ao empo a ual,
e e em que os p óp ios g egos adap a am mui as ezes as suas abo dagens e di e izes
e ó icas à medida que ansi a am en e o discu so o al e o esc i o. Em suma, quando os media
mudam su gem p eocupações di e en es, dá-se a necessidade de adap a o conhecimen o às
e amen as de que dispomos.
Uma das o mas mais isí eis da pe sis ência da adição e ó ica na e a digi al é a
disposição (disposi io) dos websi es. Pa a C owley e Hawhee (1999), a landing page (página
inicial) de um Websi e, po exemplo, pa ilha ca ac e ís icas comuns com o exo dium, a pala a
de Cíce o pa a designa a p imei a componen e de um discu so. Pa a es es, a página inicial
es abelece o om e o e hos do Websi e a a és da u ilização de ipos de le a e imagens e es ilo
de esc i a. Ce os websi es con êm ligações que pe mi em passa di e amen e de uma página
pa a ou a, ap esen ando um bo ão "seguin e" no can o in e io di ei o da página, p ese ando
assim o es ilo linea do discu so o al e esc i o.
C owley e Hawhee (1999) ão ainda mais longe e de endem que, al como os o ado es
pensam em animações aciais e co po ais, som, e c., os "cibe e ó icos" podem inco po a
ca ac e ís icas digi ais que simulam es as mesmas qualidades. Podem u iliza um a a a (um
ícone animado) pa a "guia " os in e nau as a a és de um Websi e, po exemplo. Podem
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ambém ap esen a clips de som ou imagens (ou ambos, em ídeo) pa a ansmi i um ce o
ipo de e hos ou ap esen a a in o mação de uma o ma apela i a e pe suasi a. As opções de
design disponí eis pa a a comunicação na In e ne são p a icamen e in ini as, incluindo opções
ipog á icas, pad ões e co es de undo, g á icos dinâmicos, imagens em mo imen o, e c.
Duas décadas mais a de, Sa a Balonas (2018) adian a que a Publicidade não é um
anúncio de jo nal nem de Facebook ( ede social), não é um ou doo nem é um olhe o - es es
são apenas os meios onde a Publicidade se pode exp essa . Pa a Balonas (idem), a Publicidade
é uma na a i a assen e nos p incípios da pe suasão e da c ia i idade, podendo se aplicada em
qualque um dos meios enunciados, en e mui os ou os que pode ão su gi . Apesa dos
publici á ios não se e em adap ado de imedia o às possibilidades o e ecidas pela e a digi al,
es a e e e que é possí el no a um ecen e sal o quali a i o nas agências, que passa am a
in eg a ecu sos e compe ências digi ais. Os no os e an igos meios i em hoje numa elação
de in e dependência, no sen ido em que um websi e, po mais a a i o e dis up i o que seja,
não se á isi ado se os po enciais consumido es não i e em conhecimen o do mesmo a a és
de meios “an igos”, como um ou doo ou um anúncio na ele isão. Po ou o lado, os meios
adicionais i e am que se adap a aos no os empos, ap endendo a con i e com o digi al.
Pa a Balonas (idem), a designada complemen a idade o line-online pa ece se a ia mais
sensa a nas es a égias de comunicação.
Apesa da capacidade dos publici á ios em adap a em-se às cons an es mudanças, nem
semp e a dis upção ecnológica é is a como uma opo unidade de c escimen o, sendo mui as
ezes enca ada como uma ameaça à con inuidade da sua p o issão. É a eação de quem ê pa e
do seu abalho se ago a ealizado po uma máquina, ísica ou i ual, de o ma ápida e
p a icamen e exímia. Não obs an e, pa a Balonas (2018), a e olução ecnológica na publicidade
não em de se is a numa ó ica de des uição c ia i a (as máquinas subs i uí em os
publici á ios), mas sim numa pe spe i a de eno ação c ia i a (os publici á ios ap ende em a
abalha com as máquinas). Pa a Balonas, é udo uma ques ão de eno a , epensa e c ia
combinações.
Não obs an e o conhecimen o e expe iência dos au o es sup amencionados, acon ece
que as suas e lexões o am ealizadas an es da e olução ecnológica in oduzida pela
in eligência a i icial. En e o inal de 2022 e meados de 2023, á ias e amen as de
in eligência a i icial êm su gido odos os meses, odas as semanas e a é odos os dias. Eis
alguns exemplos des as e amen as de IA e as suas uncionalidades:
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1. Cha GPT: esponde a pedidos po ex o, como pe gun as ou ins uções, p oduzindo
espos as em ex o de qualque o ma o, incluindo p osa, poesia e a é código de
p og amação.
2. Dall-E: o na pedidos po ex o esc i o em imagens, o og a ias, desenhos, pin u as, e c.
3. Sound aw: ge a música au oma icamen e, usando b e es ins uções sob e o es ilo de
música, os ins umen os "a usa ", o sen imen o p e endido e a du ação da aixa.
4. Deep Nos algia: pe mi e anima imagens es á icas, possibili ando, po exemplo,
“anima ” uma an iga o og a ia de amília, colocando as pessoas a so i e a é can a ,
como se i essem g a ado um ídeo naquele empo.
Es es são apenas alguns exemplos do uni e so de e amen as de in eligência a i icial,
sendo que são lançadas no as e amen as p a icamen e odos os dias. Po se ão ecen e e
ainda “es a a acon ece ”, não exis e um consenso de como es as e amen as i ão impac a as
nossas idas, os nossos abalhos académicos ou a é mesmo o uncionamen o da a i idade
publici á ia. Po ago a, é um campo pouco conhecido e mui o especulado. Inclusi e, es a
mesma disse ação es á a se ealizada enquan o essas e amen as es ão a su gi , ha endo ainda
pouca ou nula li e a u a académica sob e es e assun o e sendo ainda di ícil es uda es e ópico
com igo académico. Toda ia, essa lacuna de conhecimen o cons i ui uma opo unidade de
ap endizagem. Fu u os abalhos académicos pode ão e le i e analisa as possibilidades
o e ecidas pela in eligência a i icial, in es igando como elas se elacionam com a publicidade,
se elas dão (ou não) um no o dinamismo aos cânones da adição e ó ica, se elas expandem
(ou não) a capacidade de in e p e a as imagens publici á ias à luz do conhecimen o e ó ico,
se elas subs i uem a unção dos es udiosos e p a ican es da e ó ica (e da publicidade) ou, pelo
con á io, se elas expandem a capacidade p odu i a desses es udiosos e p o issionais, ab indo-
lhes ho izon es nunca an es is os.
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