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O Legado Político-Jurídico de Simon de Montfort segundo os seus Conterrâneos Vitorianos

Abstract

Simon de Montfort é visto popularmente como o fundador da Câmara dos Comuns. No entanto, escassas são as obras que discutem as interpretações que os vitorianos efectuaram do seu legado político, numa época rica em reformas parlamentares. Na presente tese, recorremos a obras de diferentes séculos para traçar minuciosamente a avaliação dos objectivos e da conduta de Montfort, desde o século XIII até ao Reform Act de 1867, a fim de descobrir uma possível evolução. Pelo mesmo motivo, discutimos também a História da Câmara dos Comuns durante o mesmo período. A nossa investigação levou-nos a concluir que, não obstante as críticas ferozes efectuadas a Montfort desde o século XVII até finais do século XVIII, o conde de Leicester foi glorificado pelos vitorianos como um símbolo da instituição parlamentar. Aliás, a ideia de que Montfort fora comandante de Robin dos Bosques atribuiu à figura do conde de Leicester um carácter quase mítico. Isto foi um resultado da historiografia Whig, adoptada pela vasta maioria dos autores vitorianos, que considerava que Montfort tinha lutado pela restauração dos direitos anglo-saxónicos, abolidos após a conquista de Guilherme I.

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O Legado Político-Jurídico de Simon de Montfort segundo os seus Conterrâneos Vitorianos

Author: Fernandes, João Jorge Capelo Sottomayor Spínola
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/58222/1/O%20Legado%20Pol%c3%adtico-Jur%c3%addico%20de%20Simon%20de%20Montfort%20segundo%20os%20seus%20Conterr%c3%a2neos%20Vitorianos.PDF
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Es udos Ingleses e No e-Ame icanos, ealizada sob a
o ien ação cien í ica do P o . Dou o Miguel Ala cão.
AGRADECIMENTOS
Gos a a de ag adece à minha amília pelo seu apoio mo al du an e a edacção
do p esen e abalho.
Ag adeço ambém ao p o esso Ala cão po e acei ado supe isiona es a
ese, bem como pelos seus conselhos e disponibilidade.
O LEGADO POLÍTICO-JURÍDICO DE SIMON DE MONTFORT SEGUNDO OS SEUS
CONTERRÂNEOS VITORIANOS
JOÃO JORGE CAPELO SOTTOMAYOR SPÍNOLA FERNANDES
RESUMO
Simon de Mon o é is o popula men e como o undado da Câma a dos
Comuns. No en an o, escassas são as ob as que discu em as in e p e ações que os
i o ianos e ec ua am do seu legado polí ico, numa época ica em e o mas
pa lamen a es.
Na p esen e ese, eco emos a ob as de di e en es séculos pa a aça
minuciosamen e a a aliação dos objec i os e da condu a de Mon o , desde o século
XIII a é ao Re o m Ac de 1867, a im de descob i uma possí el e olução. Pelo mesmo
mo i o, discu imos ambém a His ó ia da Câma a dos Comuns du an e o mesmo
pe íodo.
A nossa in es igação le ou-nos a conclui que, não obs an e as c í icas e ozes
e ec uadas a Mon o desde o século XVII a é inais do século XVIII, o conde de
Leices e oi glo i icado pelos i o ianos como um símbolo da ins i uição pa lamen a .
Aliás, a ideia de que Mon o o a comandan e de Robin dos Bosques a ibuiu à igu a
do conde de Leices e um ca ác e quase mí ico. Is o oi um esul ado da his o iog a ia
Whig, adop ada pela as a maio ia dos au o es i o ianos, que conside a a que
Mon o inha lu ado pela es au ação dos di ei os anglo-saxónicos, abolidos após a
conquis a de Guilhe me I.
PALAVRAS-CHAVE: Mon o , Câma a dos Comuns, His o iog a ia Whig,
Pa lamen a ismo inglês.
ABSTRACT
Simon de Mon o is popula ly ega ded as he ounde o he House o
Commons. Howe e , ew a e he wo ks discussing he in e p e a ions he Vic o ians
made o his poli ical legacy, du ing a ime ich in pa liamen a y e o ms.
In he p esen hesis, I shall make use o wo ks om di e en cen u ies o ace
ho oughly he e alua ion made o Mon o 's goals and conduc , om he hi een h
cen u y o he app o al o he Re o m Ac o 1867, in o de o disco e a possible
e olu ion. Fo he same eason, I shall also discuss he His o y o he House o
Commons du ing he same pe iod.
My esea ch led me o conclude ha , despi e he c i icism di ec ed a Mon o
om he six een h cen u y o he end o he eigh een h, he ea l o Leices e was
glo i ied by he Vic o ians as a symbol o pa liamen a y ep esen a ion. In ac , he
idea ha Mon o was commande o Robin Hood p o ided he igu e o he ea l o
Leices e an almos my hical quali y. This was due o he adop ion o Whig
his o iog aphy by he as majo i y o Vic o ian au ho s, who a gued ha Mon o had
ough o Anglo-Saxon igh s, which we e abolished a e William I's conques .
KEYWORDS: Mon o , House o Commons, Whig His o iog aphy, English
Pa liamen a ism.
ÍNDICE
In odução............................................................................................................1
Capí ulo I: Simon de Mon o is o pelos seus con empo âneos........................17
I. 1. Simon de Mon o nas c ónicas do século XIII..................................17
I. 2. Mon o como 'san o' inglês............................................................26
Capí ulo II: O legado de Mon o e a Câma a dos Comuns en e os séculos XIV e
XVIII.......................................................................................................................31
II. 1. A in luência de Mon o nos einados de Edua do I e Edua do II.....31
II. 2. A decadência da epu ação de Mon o ...........................................38
II. 3. A e olução da Câma a dos Comuns...................................................42
Capí ulo III: A igu a de Simon de Mon o no pe íodo i o iano.........................48
III. 1. A pe sonalidade e os objec i os de Mon o segundo os i o ianos...48
III. 2. A anglicização dos ba ões..................................................................55
III. 3. A con ibuição de Mon o pa a a e olução do pa lamen o inglês...63
III. 4. Simon de Mon o , comandan e de Robin Hood?.............................70
III. 5. A his o iog a ia Whig e o Re o m Ac de 1867.....................................74
Conclusão................................................................................................................84

Re e ências Bibliog á icas.........................................................................................87
In odução
Se isi a mos o canal o icial do Pa lamen o Inglês no You ube, encon amos um
ídeo chamado "Simon de Mon o and he Eme gence o Pa liamen ". Nes e úl imo,
emos Mon o (1208?-1265), conde de Leices e , ul ajado com a queb a da
p omessa do ei Hen ique III (1216-1272) de concede o pode a um conselho de 15
ba ões. Mon o p ome e a si mesmo e a Leono de Ingla e a (1215-1275), sua
esposa e i mã do ei, que Hen ique III se ia ob igado a escu a não só os ba ões, mas o
po o in ei o de Ingla e a median e um Pa lamen o (UK Pa liamen , 2014).
A julga exclusi amen e pelo ídeo, Mon o apa en a se um homem
ex emamen e p og essis a e democ á ico, p eocupando-se genuinamen e com a
ep esen ação pa lamen a do po o inglês, aliás, o conde de Leices e é popula men e
conside ado o undado da Câma a dos Comuns. Con udo, os his o iado es de inais do
século XX e do início do século XXI não êm uma imp essão assim ão posi i a de
Mon o . Pa a e idencia es e úl imo ac o, e e i emos a empadamen e as ob as
des es au o es ela i amen e à His ó ia de Hen ique III, Mon o e do Pa lamen o
inglês.
Quando João-Sem-Te a (1199-1216) alece, o seu ilho Hen ique III em apenas
no e anos, pelo que o go e no passa a se da esponsabilidade dos an igos minis os
do mona ca alecido, p incipalmen e do seu jus icia , Hube de Bu gh (1170-1243), e
de William Ma shal (1147?-1219), p oclamado gua dião do ei e do eino. No en an o,
em Julho de 1232, Bu gh é depos o no escaldo de um golpe o ques ado po Pe e des
Roches (?-1238), bispo de Winches e (Wa en, 1987, pp. 172-173). Roches enco aja
Hen ique III a concen a o pode local e cen al no sob inho do bispo, Pe e de Ri allis
(?-1262).1 En e an o, a egência de Roches assumiu um ca ác e despó ico, uma ez
que o bispo se apode ou das e as dos seus inimigos, apesa de al se p oibido na
Magna Ca a. Além disso, ac edi a a-se na al u a que os minis os es angei os de
Hen ique III coope a am odos com Roches. Em 1234, no escaldo de uma gue a ci il
que e e luga em 1233 e de uma ameaça po pa e dos ba ões, o mona ca acaba po
depo Ri allis, Roches e os apoian es des e úl imo. No en an o, a in luência do bispo a
1 Ri allis é e e ido como 'Pe e de Ri aux' em algumas ob as.
1
ní el polí ico nunca abandonou Hen ique III. De ac o, es e úl imo en endia que o
es a u o da co oa inha pe dido a sua dignidade, algo que ele p e endia es au a
(Jobson, 2012, pp. 1-2). Es a ideia não e a a ípica na Eu opa con inen al do século XIII,
a é po que es e úl imo assis iu a uma en a i a de easse ção do di ei o di ino dos eis
de exe ce o seu pode . No en an o, segundo Ca pen e (1996, pp. 76-77), Hen ique III
nunca oi adep o da eo ia do absolu ismo eal, pois um dos p incípios des a úl ima é o
de que o mona ca es á acima da lei (legibus solu us). Con udo, ainda segundo
Ca pen e (1996), a ob a De legibus e consue udinibus Angliae, de Hen y B ac on
(1210?-1268?), en ende que, apesa de o ei não p ecisa de obedece a nenhum
homem, ambém não pode queb a a lei (p.77). Wa en (1987) conco da com
Ca pen e , a i mando que B ac on "had no qua el wi h he p ecep o Roman Law ha
' he p inces's will is law', bu did no see i as a jus i ica ion o au ho i a ianism"
(p.180). Pelo con á io, ainda segundo Wa en (1987), "(...) he king o England could
no make law simply a his own pleasu e: cus om could be changed o new laws
amed only wi h he concu ence o he king and his ba ons" (p.180). De ac o, como
e emos mais adian e, os ba ões acusa am p ecisamen e Hen ique III de desobedece
à Magna Ca a. A en a i a po pa e do mona ca de in alida es a úl ima como
documen o legal e idencia que Hen ique III econhecia que inha de se sujei a às leis
do eino, al como os seus súbdi os.
Inicialmen e, Hen ique III e e algum sucesso em colma a as dí idas da co oa.
Segundo Jobson (2012), "O e hauling he excheque 's audi p ocess o he oyal
accoun s p o ed mode a ely success ul, while he p o i s gene a ed by he gene al
ey e, an i ine an judicial cou ha a elled om coun y o coun y hea ing ci il and
c iminal pleas, enabled he mona ch o discha ge many o his accumula ed deb s"
(p.2). Po ou o lado, Hen ique III designou ês nob es pa a cuida da, e explo a a,
p op iedade égia de o ma e icien e, a im de aumen a o luc o ob ido a a és da
mesma.
Os sucessos inancei os do ei so e am conside a elmen e quando es e in adiu
Poi ou em 1242; no en an o, após coloca impos os aos judeus, a si uação inancei a
do eino es abilizou du an e dois anos. Em 1244, e e início uma gue a na Gasconha e
a de esa des a úl ima esul ou em despesas conside á eis. Assim sendo, o mona ca
2
iu-se o çado a eque e o auxílio inancei o dos ba ões (Jobson, 2012, pp. 3-4).
Segundo Wa en (1987, pp. 174-175), os ba ões de Hen ique III não de em se
con undidos com aqueles que o ça am João-Sem-Te a a assina a Magna Ca a. Os
nob es do empo de Hen ique con e e am es a úl ima numa espécie de con a o
social en e o mona ca e a comunidade do eino. E, de ac o, é mesmo em nome des a
comunidade que os ba ões diziam ala , apesa das suas elações p óximas com o ei.
Aliás, é p ecisamen e de ido à lealdade que os supos os líde es dos ba ões inham
pa a com a co oa que a e olução ba onial e e luga apenas em 1258, mais de duas
décadas após o ei depo Pe e des Roches.
Na e dade, a consul a dos ba ões po pa e dos egen es inha um ca iz
ela i amen e consue udiná io, uma ez que os minis os ingleses i e am de go e na
o eino sem um mona ca desde pelo menos o empo da c uzada de Rica do I (1189-
1199). Es a si uação pe maneceu a é aos úl imos anos do einado de João-Sem-Te a e
eg essou após a mo e des e, de ido à mocidade de Hen ique III. De ac o, po mui o
au oc á ica que i esse sido a egência de Hube de Bu gh, ao menos zela a pelos
in e esses dos ba ões e consul a a-os com alguma egula idade (Wa en, 1987, p. 175).
Knowles (1965, p. 21) conside a Hen ique III um ei gene oso, mas ca en e da
capacidade de p e e as consequências dos seus ac os polí icos. Pa a além de con oca
o Pa lamen o di e sas ezes a pa i de 1240 a im de solici a impos os aos ba ões, o
mona ca a ibuiu ca gos impo an es a amilia es da sua mulhe , Leono da P o ença
(1223?-1291). De ac o, de ido ao descon en amen o com o einado de Hen ique III
po pa e dos ba ões, es es úl imos ecusa am os pedidos inancei os do mona ca
excep o se es e pe mi isse ce as e o mas polí icas que conside a a inacei á eis, uma
ez que e i a am pode à co oa.
Po ou o lado, Hen ique III ambiciona a ecupe a os e i ó ios ange inos
pe didos pelo seu pai em 1204; no en an o, es es p ojec os, pa a além de
dispendiosos, culmina am no acasso. Em 1248, o ei enca egou Simon de Mon o ,
conde de Leices e , de de ende a Gasconha, o único e i ó io ange ino ainda na posse
da co oa inglesa.
3
conde de Leices e e dos ba ões, e ia sido con a os in e esses des es úl imos depo o
mona ca e concede a co oa a Edua do. Assim sendo, Mon o e ia ap o ei ado a
si uação pa a concen a o pode na sua pessoa, o nando-se o iciosamen e no
go e nado do eino. Uma ez que o conde de Leices e se ecusa a a abdica do
pode , quando Edua do escapou aos seus gua das, euniu o ças leais ao ei e ma ou
Mon o na ba alha de E esham de Agos o de 1265 (Knowles, 1965, p.25).
Knowles (1965) desc e e a condu a de Mon o da seguin e o ma:
The a dou wi h which Simon u ged he en o cemen o he P o isions o Ox o d
canno be aken a ace alue. He had played no decisi e pa in d awing up o applying he
ba onial e o ms; owa ds his colleagues in he ba onial go e nmen he was obs uc i e and
ac ious. His in e en ion in English a ai s in 1263 was oppo unis . He used he dis u bances
o ha yea , which we e la gely unconnec ed wi h he P o isions o Ox o d, o seize con ol o
he go e nmen . (...) A e Lewes he exe cised he un es ained powe ha he had denied he
king and by se ing no ime limi o he ope a ion o his p o isional go e nmen , he disclosed
himsel as conce ned p ima ily wi h he con inuance o his own au ho i y. (...) Ha ing su e ed
deeply and epea edly om Hen y's incapaci y and un eliabili y, Simon joined in he ba onial
a emp s o cu b he king's misgo e nmen in he hope o ensu ing o himsel he deciding
oice in a ai s his ambi ion demanded. (p.28)
Tendo concluído es a b e e e ocação da his ó ia e do pe cu so polí icos de
Mon o , p ossegui emos ago a pa a a do Pa lamen o inglês.
O documen o mais an igo com a pala a 'Pa lamen o' é a Chanson de Roland,
esc i a no século XI; no en an o, o e mo é u ilizado pa a designa uma con e sa. Mais
a de, du an e o século XII, as Assembleias em I ália e am chamadas 'pa lamen i'. Em
Ingla e a, a eunião dos ba ões em Runnymede (na qual oi assinada a Magna Ca a)
oi e e ida como um 'pa liamen ' (Mackenzie, 1963, p. 12). No en an o, o e mo não
e a ipicamen e u ilizado pelos ingleses pa a designa uma Assembleia Pa lamen a .
Aliás, segundo T eha ne (1969, p. 27), nem mesmo os c onis as a u iliza am, p e e indo
10

concilium ou colloquium a é 1240. Quem usa Pa lamen um pela p imei a ez é
Ma hew Pa is (1200?-1259), em 1246.
Polla d (1926) e ec ua a seguin e a aliação do su gimen o do Pa lamen o e da
Câma a dos Comuns:
(...) he o igin o pa liamen s mus be aced back o Hen y II a he han o Simon de
Mon o o Edwa d I. I Hen y had no made he king's cou he ma ix o England's common
law, nei he Simon no Edwa d could ha e made i he ma ix o England's common poli ics ;
o a ounda ion o common law was indispensable o a house o common poli ics. Hen y had
made he cou s, held in his palace a Wes mins e , he common eso o all his subjec s
abo e he ank o illeins. By in i ing and a ac ing he e o men om all qua e s o England,
he had gi en hem a common amewo k o hei ideas o law and libe y. He had made
escape om local ammels and ecou se o a na ional oun o ideas a habi wi h his people.
E en du ing he oublesome eign o Hen y III, he king's cou inc eased he numbe o o ms
o w i o judicial p ocess om six y o o e ou hund ed and i y : and e e y new p ocess was
a esh ne e de eloped be ween he mona chy and i s subjec s, a esh means o linking he
b ain wi h he body o he communi y. (...)
He e in he shi e cou s was acqui ed ha habi o common ac ion, and he e was laid
ha ounda ion o public opinion, upon which he house o commons was based. I may be
ha undue s ess has been laid upon he ac ha , while Simon de Mon o summoned he
ci izens and bu gesses o his pa liamen by w i s add essed di ec o he ci ies and bo oughs,
Edwa d I sen he w i s h ough he she i s and had he e u ns made in he shi e cou s. I
was, indeed, mo e han a ques ion o me e machine y, o he common e u n o knigh s o he
shi e and bu gesses in he same shi e cou s emphasized a communi y which was e ained in
he house o commons. Bu he links we e o ged a an ea lie pe iod, and we e made o
s ou e s u han she i s' w i s. (...) Simila ly he e a e g ounds o belie ing ha ci ies and
bo oughs had been ep esen ed a Wes mins e be o e Simon de Mon o issued his w i s and
ha he pe i ions om owns which abound in he ea lies " Rolls o Pa liamen s " had no
sp ung up in a gene a ion ; and again, all ha Simon did was o sys ema ize, and pe haps u n
o poli ical and pa y pu poses, a habi o ep esen a ion ha had long ob ained in he ed ess
o g ie ances and he adminis a ion o jus ice. The i ine an jus ices did no exhaus he
judicial business o he coun ies o he judicial powe s o he king's cou . The e was always he
11
ese e a Wes mins e ; o ap jus ice a i s sou ce he coun ies had o appea by hei
ep esen a i es in he cu ia egis, and he o iginal pu pose o pa liamen , as decla ed on
coun less occasions h oughou he ou een h cen u y, was by means o a join session o he
cou s o ed ess delays and de e mine cases in which he judges we e in doub . (...) The house
o commons was no , in ac , c ea ed ei he by Simon de Mon o o by Edwa d I.
Rep esen a i es o ci ies, and bo oughs a ended he king's cou a Wes mins e o judicial
and inancial pu poses be o e ei he Simon o Edwa d issued hei amous w i s. They came,
indeed, and no as a body o men ; bu hei o ganiza ion in o a "house " o commons equi ed
a g ea deal mo e han he simul aneous summons o shi es and bo oughs issued by Simon
and Edwa d. I g ew up du ing he ou een h cen u y, and i s g ow h is slow and obscu e. The
"Rolls o Pa liamen s " ell us li le abou he house o commons, because hey a e only
conce ned wi h wha is done in pa liamen , and echnically he discussions and o he domes ic
business o he house o commons a e no ansac ed in pa liamen a all. Down o his day he
commons' deba es a e beyond he ken o he cle k o he pa liamen s, an o icial who si s in
wha has come o be called he house o lo ds. In he ou een h cen u y hey we e held in he
e ec o y o he chap e house o he abbey o Wes mins e ; and as la e as he eign o Hen y
VII he commons only "appea " in pa liamen when hey come o hea he opening speech, o
p esen hei Speake o announce by his mou h he decisions hey ha e eached on he
business submi ed o hei app o al. (pp. 36, 110-113)
Na u almen e, a undação do Pa lamen o não oi um enómeno exclusi amen e
inglês. R. H. Lo d (1969) en ende que es as assembleias "usually a ose in ha s age o
poli ical e olu ion when, amid he decay o eudalism, he p ince, engaged in building
up a mo e (...) highly o ganized na ional o e i o ial s a e, (...) el he need o
enlis ing he suppo o he poli ically ac i e classes o he popula ion (...)" (p. 22).
Especi icamen e, se iam mui as ezes p oblemas inancei os que le a iam os mona cas
a con oca Pa lamen os, pois es es úl imos pe mi iam negociações com os demais
senho es eudais.
Segundo João Soa es Ca alho (1989), "As o igens ins i ucionais do Pa lamen o
e ão de se p ocu adas nos an igos Conselhos, nos quais os eis medie ais se
apoia am pa a o na em mais e icaz a sua go e nação e pa a que a sua au o idade
osse espei ada e emida po odas as classes ou es ados do eino" (p. 22). Assim
12
sendo, o Pa lamen o e á nascido "duma necessidade gené ica do di ei o na u al, que
paula inamen e se oi ins i ucionalizando, na p á ica dos ó gãos de apoio ao mona ca,
os quais ão omando consciência das unções polí icas que en ão exe ciam" (p.22).
O p imei o dos Conselhos e e idos oi o Wi enagemo ou 'Assembleia dos
No á eis', que apa en a e -se o nado no ó gão ge al do eino a pa i do século IX.
Con udo, segundo Felix Liebe mann (a pa i de Andy Blunden, 2016, p. 31), o
Wi enagemo e a a mesma ins i uição que o his o iado Táci o (56?-120?) a i ma e
sido undada pelos po os ge mânicos no século I d.C. Assim sendo, es a Assembleia
e á exis ido an es da p óp ia mona quia inglesa.
O Wi enagemo e ia sido um Conselho pode oso, endo inclusi e elei o o ei
Al edo em 871. E nes Ba ke (1996, p.11) a i ma que es a Assembleia e ia po ol a
de 100 memb os, mas que não se ia nem elei a nem ep esen a i a. Reg essando a
Ca alho (1989), es e desc e e as unções do Wi enagemo da seguin e o ma:
(...) os Wi an legisla am com o mona ca, nomea am ealdo men e in es iam bispos;
aziam concessões de e a à Co oa, dec e a am impos os, decidiam sob e a gue a e a paz e
cons i uiam-se em Sup emo T ibunal de Jus iça. Os assun os eligiosos e eclesiás icos e am
ambém deba idos e decididos no Wi enagemo , como ó gão máximo dos anglo-saxões em
odas as á eas do pode . (...) o Wi enagemo saxão oi (...) um alioso an eceden e his ó ico do
Pa lamen o inglês, dada a sua capacidade legisla i a, judicial e ju isdicional (...). Não podemos,
no en an o, a i ma que o Wi enagemo enha sido um ó gão linea do p ocesso e olu i o que
deu o igem es u u al ao Pa lamen o. (...) não de ec amos no Wi enagemo qualque ideia de
ep esen ação adminis a i a ou egional, nem a mínima p eocupação de associa ao Conselho
dos No á eis a opinião de delegados das cidades e dos bu gos. (p.26)
Po sua ez, Blunden (2016, p. 31) en ende que a o ma de o Wi enagemo
chega às suas decisões se chama 'Counsel'. Es e úl imo é desc i o po São Ben o (a
pa i de Blunden, 2016), u ilizando o exemplo dos mos ei os:
13
As o en as any hing impo an is o be done in he monas e y, he abboy shall call he
whole communi y oge he and himsel explain wha he business is; and a e hea ing he
ad ice o he b o he s, le him ponde i and ollow wha he judges he wise cou se. The
eason why we ha e said all should be called o counsel is ha he Lo d o en e eals wha is
be e o he younge . The b o he s, o hei pa , a e o exp ess hei opinions wi h all
humili y, and no p esume o de end hei own iews obs ina ely. The decision is a he he
abbo 's o make, so ha when he has de e mined wha is mo e p uden , all may obey. (p.31)
Assumindo que a desc ição de São Ben o se aplica, de ac o, ao uncionamen o
do Wi enagemo , podemos equipa a o e e ido abade ao ei e os i mãos aos nob es.
O Conselho que, de ac o, an ecedeu o Pa lamen o inglês oi o Magnum
Concilium. Es e oi ins i uído po Guilhe me I (1066-1087) e ocupa a-se, segundo
Ca alho (1989), em "auxilia o ei na ei u a das leis e no julgamen o de causas
le adas ao T ibunal do Rei" (p.27). Ba ke (1996, p. 11) en ende que o Concilium inha
cen enas de memb os, mas que ep esen a a unicamen e os in e esses dos g andes
p op ie á ios de e as.
Segundo Ca alho (1989), é possí el ainda que o chamado Commune Concilium
i esse sido um Conselho o gânico an eceden e do Pa lamen o, ainda que is o seja
discu í el. Seja como o , a exp essão Commune Concilium (que encon amos na
Magna Ca a) pode e e i -se "a um Conselho o gânico nacional (...) aos Conselhei os
do ei (...) às opiniões dos Conselhei os (...)" (p.31).
No en an o, Polla d (1926) en ende que:
Magna Ca a says no hing abou a magnum concilium o i s igh s; i i s consilium is a
council a all, i is a council o which only he g ea e enan s-in-chie we e o ecei e a
pe sonal summons; and his di e en ia ion o summons would enable he c own o
disc imina e mo e o less a will be ween he holde s o a common enu ial quali ica ion. The
inabili y o he ba ons o o mula e an al e na i e cons i u ional p inciple in 1258 educed
hem o he c ude expedien o simply naming he indi iduals who we e o a o ce he council
14
and con ol he king. Thei own leade , Simon de Mon o , was he i s o disce n he
weakness o his scheme, and o se he example o ex ending he anchise in o de o b eak
down an oliga chical opposi ion. The ba onial " a o ce s" migh hemsel es be a o ced by
lesse ba ons, knigh s, and bu ghe s. Simon's pa liamen can ha dly ha e been designed o
any o he objec han he cu bing o he magnum concilium; and Edwa d I had simila g ounds
o making pa liamen a ep esen a i e ins i u ion. The magnum concilium migh be swamped
in pa liamen , and he king's council be hus elie ed o i s independen magna es. (p. 30)
Ba ke (1996) e e e que a undação da Câma a dos Comuns e ia sido
p incipalmen e "acção do ei", que deseja a "escapa à p esença única e indi isí el de
um só co po de senho es eudais" (p.12).
O úl imo Conselho an e io ao Pa lamen o oi a Cu ia Regis, compos o po
nob es especializados em assun os legisla i os, execu i os e judiciais. Segundo
Ca alho (1989), a Cu ia Regis unciona a como um "Conselho de Minis os sob a
p esidência do sobe ano" (p.35). Hen ique I (1100-1135) chegou a ec u a "jo ens
quali icados, sem a ende na selecção à sua o igem, mas sim às suas capacidades"
(Ca alho, 1989, p. 37) a im de a a assun os execu i os.
Os au o es que e e imos colocam a hipó ese de que a condu a de Mon o oi
mo i ada mais po ambição que po in enções democ á icas. Além disso, a undação
do Pa lamen o (e, po ex ensão, a Câma a dos Comuns) apa en a consis i no esul ado
de uma e olução polí ica que e e início mui os anos an es do nascimen o de
Mon o . Assim sendo, cabe-nos pe gun a po que azão o conde de Leices e é
idealizado an o pelo po o inglês como pelo p óp io Pa lamen o.
No p esen e abalho, p ocu a emos aça a e olução da epu ação de Simon
de Mon o , en a izando p incipalmen e o pe íodo i o iano, sendo es a a al u a de
uma sé ie de e o mas pa lamen a es impo an es. Se ia adequado e mina a nossa
in es igação no ano de 1865, 600 anos após a mo e de Mon o , mas con inua emos
a é 1867, pois es e é o ano da p omulgação da 2ª Re o m Law.
No p imei o capí ulo, discu i emos como Mon o é desc i o pelos c onis as
15

seus con empo âneos, bem como a canonização popula des e úl imo. No segundo
capí ulo, abo da emos a o ma como Mon o oi is o desde a sua mo e a é ao
século XIX, bem como o seu legado polí ico a cu o e médio p azo; logicamen e, is o
inclui á ala da e olução da Câma a dos Comuns du an e o mesmo espaço de empo.
Finalmen e, no úl imo capí ulo, discu i emos como o conde de Leices e e os ba ões
e am desc i os pelos i o ianos e como a his o iog a ia da época con ibuiu pa a o
e ei o.
16
Capí ulo I: Simon de Mon o is o pelos seus
Con empo âneos
1.1- Simon de Mon o nas C ónicas do Século XIII
Em e mos ge ais, as c ónicas que e e em as Gue as Ba oniais, pa a além de
escassas, ambém ela am uma sé ie de ou os acon ecimen os nos mesmos anos
des as úl imas. Assim sendo, e e i emos as opiniões dos c onis as que encon ámos
ela i amen e a cada episódio das Gue as Ba oniais po o dem c onológica.
Começando com o episódio da es adia de Mon o na Gasconha, é ní ido que
os c onis as da época não censu a am o conde de Leices e pela sua condu a. Segundo
Pa is (1853):
(...) Simon de Mon o , ea l o Leices e , (...) se sail o subdue he king's enemies in
Gascony. He a i ed in ha p o ince in g ea o ce, a ended by a la ge body o oops, and
supplied wi h a good sum o he oyal money, and a once p oceeded o a ack he king's
enemies, who had ai o ously aised he heel agains him. He subdued Gas on, Rus ein,
William de Solai es, and all he mo e dis inguished nobles o Bo deaux, and beha ed wi h such
b a e y and ideli y ha he dese edly ob ained he p aise and a ou o all he king's iends
(...).
On a i ing a London, he mos u gen ly demanded e ec ual assis ance om he king,
bo h in money and oops, o check he insolence o he ebellious Gascons (...)
They sen wo d o he king ha he (...) ea l was a mos in amous ai o , ha he was
amassing an endless sum o money, which he ex o ed om nobles, ci izens, and plebeians,
spa ing no one, and elling hem ha he king, who was in need and abou o p oceed on a
pilg image, would ecei e i all; bu all o which he usu ped possession o o himsel . In
addi ion o his hey b ough a se ious accusa ion agains him, namely, ha he had summoned
o his councils in a peace ul way ce ain nobles o Gascony who had been mos ai h ul subjec s
o he king, and ha a e ha ing summoned hem, like Sinon, and no Simon, he eache ously
de ained hem, imp isoned hem, and s a ed hem o dea h; and by hese and such-like
17
whispe ed complain s, hey ende ed he ea l an objec o suspicion o he king.
Fluc ua ing hen in a s a e o unce ain y, he suddenly and sec e ly sen in o Gascony
his cle k, Hen y o Wengham, a sub le and p uden man, o make diligen inqui y conce ning
he a o esaid complain s, in o de ha he, he king, migh gain indubi able in o ma ion on he
ma e ; in he same way in which he had o me ly sen Geo ey o Langley o inqui e in o he
p oceedings o Robe Passel e when lying unde suspicion, o sea ch ou wha was sec e in
he ma e - o ind ou a kno on a smoo h cane, and an angle in he ci cum e ence o a ci cle;
bu each inspec o ailed in his sc u iny. The ea l, when he hea d o hese p oceedings, was
g ea ly en aged o a wo old eason, and decla ing his innocence o he king, said, "How is i ,
my lo d king, ha you incline you ea and you hea o he messages o hese ai o s o you
and belie e hose who ha e o en been con ic ed o eache y a he han me you ai h ul
subjec ; and hus ins i u e an inqui y in o my ac ions. To his he king, who was become mo e
calm, eplied, "I e e y hing is clea , wha ha m will he sc u iny do you? Indeed you ame will
beocme b igh e by i ." The ea l hen being humbled, and ha ing made eady o depa o
Gascony, he king, a his en ea y, supplied him wi h a la ge sum o money. The ea l, he e o e,
wi h all has e c ossed he sea, bu in no calm s a e o mind o he pu posed o ake condign
engeance o he inju y done him by such se ious accusa ions. (...)
In he same yea , an e il epo was sp ead agains Simon, ea l o Leices e , and a
se ious accusa ion was laid agains him be o e all he nobles o he ul ama ine p o inces, ha
he had ac ed eache ously o he ai h ul subjec s o his lo d he king o England; ha he had
imp isoned hem and inhumanly slain hem by he swo d, o s a ed hem o dea h; and ha
he had seized possession o hei cas les and lands; so ha he showed himsel o be a he a
c uel usu pe o owns and ci ies, and a b u e-like des oye o man, han a p ese e o he
enan y o his lo d, whom he was endea ou ing o dep i e o his inhe i ance. (pp. 312, 476-
477, 485)
Nes e aspec o, a opinião do monge não se dis ancia da dos his o iado es do
século XXI, nem mesmo quando Pa is (1889), e e indo-se à condu a dos ba ões,
a i ma que " hey made oa h oge he , and came o a i m de e mina ion unde penal y
o an ana hema, ha a his council no one should, on any accoun , consen o any
ex o ion o money o be a emp ed by he king" (p.397).
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No en an o, William de Rishange (a pa i de Hu on, 1907), em uma isão
mais idealis a dos magna as. Quando e e e as dispu as en e os ba ões, en ende que
es es úl imos de iam lu a pelo bem de Ingla e a: "Hence o he s ha e begun o aise
con en ion in he land, And hose ake sides who ough o join oge he , hand in hand;
No seek hey peace and conco d, bu agains each o he band, Bu how o end he
hings begun hey canno unde s and" (p.99). O c onis a ambém e e e, na mesma
página, o en iquecimen o dos es angei os à cus a dos ingleses: "So languishes ou
common weal, he land is desola e, And o eigne s g ow migh y on he uin o ou
s a e. Ou na i e Englishmen a e sco ned as men o low es a e (...)". Rishange apela a
Mon o (a pa i de Hu on, 1907) pa a sal a Ingla e a: "Ea l Simon, oo, o
Mon o , hou powe ul man and b a e, B ing up hy s ong ba alions hy coun y
now o sa e. Be no dismayed by menaces o e o o he g a e. De end wi h migh
he public cause; naugh else hine own needs c a e" (p. 100). Ve i icamos, assim, que
Rishange conside a a Mon o um he ói co ajoso que sal a ia o eino inglês.
Pa is (1853) a i ma o seguin e:
(...) he king, in he p esence o he nobles, wi h his own mou h, asked o pecunia y
assis ance, passing o e in silence his design o making wa on he king o Sco land. (...) When
he nobles le he e ec o y, he a chbishops, bishops, abba s [sic], and p io s me oge he in
a p i a e place by hemsel es, o delibe a e on he ma e , and a leng h asked he ea ls and
ba ons i hey would ag ee o hei ad ice, in gi ing an answe , and making p o ision in his
case; o which he la e eplied, ha hey would do no hing wi hou he common consen o
he whole communi y. By unanimous consen , he e o e, he e we e chosen, (...) on behal o
he lai y. Ea l Richa d, he king's b o he , Ea l Bigod, Simon de Mon o , ea l o Leices e , and
Ea l W. Ma shall; and on he pa o he ba ons, Richa d de Mon iche and John Baliol, and he
abba s [sic] o S . Edmonds and Ramsey; so ha wha e e hose wel e migh de e mine on,
should be published o all in gene al, and ha no e ms should be o e ed o he king, unless
by gene al consen o all. (pp. 7-8)
Quando Pa is ala da 'whole communi y', en enda-se dos ca alei os e dos
19
o he e ms p ea anged, because he had he king and he whole kingdom in his powe . A
leng h he placed he king o he Romans in he Towe o London, and Edwa d and Hen y, (...)
he placed unde con inemen in he cas le o Do e , aking he king o England abou wi h him
always. Bu wha e e place hey wen o, he was always ecei ed wi h honou , and as a king,
and he ea l showed him e e y kind o espec . (...)
The ea l o Leices e was no con en wi h de aining he king o England in his own
cus ody, bu ook he king's cas les unde his own au ho i y, and a anjed he a ai s o he
whole kingdom a his own will. And wha was a p incipal g ound o o ence was, ha he
claimed en i ely o himsel alone, he p oceeds and p o i s o he kingdom, he ansoms o
p isone s, and o he emolumen s, which ough , acco ding o he e ms o hei ag eemen , o
be di ided equally be ween hem. (...) Mo eo e , Gilbe de ended all he noble knigh s o he
ma sh (...), whom Ea l Simon had by a public edic o de ed o e acua e he kingdom, and
ha ing sen o hem o him, ook hem in o an alliance wi h him. (pp. 350, 352)
Em suma, é necessá io sublinha que a imp essão que os c onis as do século
XIII êm de Mon o e dos ba ões é, em e mos ge ais, bas an e posi i a. A ambição do
conde de Leices e é e e ida an o po Pa is como po Rishange , mas es es au o es
não deixam de elogia a co agem e a con ibuição de Mon o pa a o Pa lamen o.
1.2- Mon o como 'San o' Inglês
Segundo John Law ence (2005), a 'san idade' de Simon de Mon o assumiu
inicialmen e um ca ác e polí ico:
I de Mon o 's sain hood had ecei ed he kind o oyal suppo ha had become
necessa y o success ul canoniza ions in his pe iod, his o ians would ind hemsel es
conside ing which aspec s o he ea l's epu a ion we e use ul enough o he egime o Hen y
III o jus i y he expense o a canoniza ion p ocess. Since he opposi e is he case, and de
Mon o was a dead ebel and his cul was supp essed, any conside a ion o ha
phenomenon mus begin wi h his appeal o he enemies o he king.
26

Fo a ime, he sanc i ied Simon se ed o balance an equally demonized king. (p.101)
Uma ez que, enquan o i o, o conde de Leices e o a o símbolo po excelência
da oposição a Hen ique III, con inuou a exe ce essa unção, após a mo e, como má i
da libe dade inglesa.
É ce o que Mon o e a um homem mui o eligioso. Nem os i o ianos nem os
con empo âneos de Simon de Mon o du idam da eligiosidade do conde. Segundo
Blaaw (1871), "Al hough de Mon o has been ep oached by a mode n his o ian
[Da id Hume] as a eligious hypoc i e, he e is no p oo wha e e o such a cha ge, no
was i e e made in his li e- ime (...)" (p.165). Blaaw (1871) e e e que, an es do início
da ba alha de Lewes, o conde de Leices e "did no omi amids all his ca es ha p aye
and a endance on eligious se ices, which was ema ked as his cons an cus om"
(p.164) Mon o e á con encido os seus soldados a con essa e pedi pe dão a Deus
pelos seus pecados, o que e á le ado o bispo de Wo ces e a p omes e aos mesmos a
ida pa a o Céu caso eles mo essem no campo de ba alha. Além disso, os soldados
e ão colocado uma c uz b anca nas suas oupas, cos ume dos c uzados que, nes e
caso, simbolizou a na u eza sag ada da sua causa.
Segundo a c ónica de Mel ose (a pa i de Hu on, 1907), Mon o a é se
le an a a e se dei a a segundo a on ade de Deus: "he used o ise abou midnigh , a
he wa ning o some ho ologe, which no one hea d sa e himsel , i i be pe mi ed o
desc ibe God's p o idence as an ho ologe, o i ne e ailed him(...) a wax ape was
his ho ologe (...) and God so adjus ed his ape (...)" (pp. 161-162).
Aliás, De Shepis (a pa i de Blaaw, 1871) a i ma que, du an e a ba alha de
E esham, o conde de Leices e ' ough s ou ly like a gian o he libe ies o England" e
que, quando lhe o dena am que se endesse, g i ou "Ne e will I su ende o dogs and
pe ju e s, bu o God alone" (p. 276). Blaaw (1871) e ec ua uma desc ição bas an e
ap o undada do es ado do empo du an e a ba alha:
27
The a mosphe e had been dis u bed du ing he ba le by a iolen s o m o hunde
and hail, accompanied by an ea hquake; and he da kness was so dense in many pa s o he
coun y, ha he p ies s could no see o ead p aye s in hei chu ches. These we e so many
signs o he eady supe s i ion o he people ha hea en sympa hised wi h hei g ie a he
des uc ion o hei champions, while (in he ph ase o he imes) he people o he Lo d we e
in o men . "Wi h a simila eeling an ominous in e p e a ion was now gi en o he appea ance
o a g ea come , which sp ead i s ligh ac oss hal he hea ens du ing se e al mon hs his yea .
No phenomenon o his na u e was emembe ed, and all manne o calami ies we e a ibu ed
o i by a ious pa ies. One ch onicle [Wyke] supposes i o ha e p esaged he ba le o
E esham, ano he obse es wi h much simplici y ha , " hough i may ha e okened many
hings in o he pa s o he wo ld, his one a any a e is ce ain, ha du ing i s h ee mon hs'
du a ion Pope U ban began o be ill exac ly a i s appea ance, and died he e y nigh he
come disappea ed. (p. 281)
De ac o, a mo e iolen a de Mon o oi equipa ada à c uci ixação de C is o.
Além disso, con ou-se na al u a que o pei o do conde não sang ou quando oi
espassado, que os seus memb os de ama am óleos doces e que nenhuma pa e do
seu co po apod eceu. (Law ence, 2005, pp.130-131).
Segundo Blaaw (1871):
As he news o his [Mon o 's] dea h sp ead o e he land he e was a suspension o
mi h, and an uni e sal lamen a ion a ose, un il he sighs we e u ned in o hymns o p aise and
gladness by he nume ous mi acles announced o ha e been e ec ed by his unconque able
i mness and pa ience and pu i y o ai h, and hese ga e hopes o he ea e eco e ing om
he opp ession o he wicked. (p. 287)
Po ou o lado, alguma impo ância de e se a ibuída ao supos o es ado do
empo imedia amen e após a mo e de Mon o . Ma hew Pa is (1854, p. 354) a i ma
que "A he ime o his [Mon o 's] dea h, a s o m o hunde and ligh ning ocu ed,
28
and da kness p e ailed o such an ex en , ha all we e s uck wi h amazemen ." Po
um lado, o alo simbólico da empes ade pode se explicado de ido a um episódio da
ida de Hen ique III. Ainda segundo Pa is (1854):
One day he [king Hen y III] had le his palace a Wes mins e (...) when he sky
became obscu ed and a hunde s o m came on, a ended wi h ligh ning and hea y ain (...).
When he ea l [Mon o ] knew o he king's a i al, he wen joy ully o mee him, and, by way
o com o ing him, said, "Wha do you ea ? The s o m has now passed o e ." To his add ess
he king eplied, no jes ingly, bu se iously and wi h a se e e look, "I ea hunde and
ligh ning beyond measu e; bu , by God's head, I ea you mo e han all he hunde and
ligh ning in he wo ld. (pp. 294-295)
Tomando em conside ação o medo do ei de o ões, a empes ade que e e
luga após a ba alha de E esham pode á e sido is a como uma mani es ação da i a
di ina di igida a Hen ique III. Aliás, segundo Blaaw (1871, p. 288), os p imei os
milag es elacionados com Mon o o am es emunhados pelos seus inimigos.
Quando um mensagei o oi a uma ig eja le a a Lady Ma ilda a cabeça e as mãos do
conde de Leices e , es as úl imas le an a am-se sozinhas e jun a am-se como se o
es o do co po es i esse em o ação.
P e isi elmen e, os milag es acaba am po deixa de a ec a nega i amen e os
inimigos do conde de Leices e e começa am a e um e ei o bené ico no po o inglês.
Reg essando a Law ence (2005, p. 125), a in luência do bispo Robe G osse es e
(1175?-1253) em Mon o e á subsis ido mesmo após o alecimen o do p imei o,
uma ez que, segundo o Libe Mi aculo um, um apaz inicialmen e mudo e ia di o que
o conde de Leices e i ia alece em E esham, não obs an e a ajuda do 'San o Robe '.
Segundo Knowles (1965), mais de 200 milag es o am a ibuídos a Mon o nos
p imei os eze anos após a sua mo e e "All kinds o cu es we e e ec ed: con ulsions,
blindness, dumbness, e en dea h i sel ga e way be o e Simon's powe " (p.6).
29
Em conclusão, al como a i ma Law ence (2005, pp. 135-136), os milag es de
Simon de Mon o , bené icos pa a os seus aliados e eneb osos pa a os seus inimigos,
simboliza am a sanção di ina da causa do conde de Leices e e dos ba ões con a o
go e no de Hen ique III.
30
Capí ulo II- O Legado de Mon o e a Câma a dos Comuns
en e os Séculos XIV e XVIII
2.1- A In luência de Mon o nos einados de Edua do I e Edua do II
Edua do I possi elmen e espe a a que a mo e de Mon o pusesse um e mo
às e ol as ba oniais e à insis ência po pa e dos magna as na obediência à Magna
Ca a; no en an o, escapou po pouco a uma no a gue a ba onial.
Em 1275, ês anos após a co oação de Edua do, es e con ocou a sua p imei a
assembleia pa lamen a , com a p esença de cidadãos3 e ca alei os; es es e iam
con ibuído com apoio mo al e inancei o. Con udo, apesa de Edua do e con ocado
uns in a Pa lamen os em in e e cinco anos, só qua o apa en am e incluído a
pa icipação dos Comuns. (Mackenzie, 1963, p. 17)
Segundo a Sho e Camb idge Medie al His o y (p. 819), a gue a ancesa (que
e e início em 1294), a e ol a galesa e a gue a com a Escócia p ejudica am
signi ica i amen e as inanças do ei. Mesmo no chamado 'Model Pa liamen ', de 1295,
do qual ala emos mais adian e, o auxílio concedido a Edua do oi mui o escasso, e a é
o cle o es a a in e di o, de ido a uma bula de Boni ácio VIII (1235?-1303), de p es a
ajuda ao ei sem o consen imen o do Papa.
Es as di iculdades inancei as le a am Edua do a ins au a o chamado
'male ol ', ou 'mau impos o'. A Sho e Camb idge Medie al His o y desc e e es e
úl imo da seguin e o ma:
(...) a bi a y axa ion on he wool- ade in he sea ch o eady money was s iking a
he in e es s o all sheep- a me s (who we e many, om ea ls o small-holde s) in he
kingdom. This was he hea y male ol on expo ed wool in addi ion o au ho ized cus om. In
1294 and 1297 Edwa d was le ying his male ol by ag eemen wi h he me chan s, as well as
seizing quan i ies o he wool as a loan in o de o ob ain he immedia e p ice o he sales. The
3 Mackenzie u iliza, de ac o, o e mo "ci izens"; con udo, es e úl imo em uma cono ação
excessi amen e democ á ica, uma ez que as o dens sociais mais baixas não podiam pa icipa no
Pa lamen o nes a época.
31

me chan s did no lose o hey passed on he du y, pa ly by enhancing he p ice ab oad,
pa ly- and he e was he s ing- by lowe ing he paymen o he woolg owe a home. (p. 819)
Segundo A nold-Bake , na sua ob a The Companion o B i ish His o y (2007),
Edua do I "channeled wool and hides o a limi ed numbe o po s whe e me chan s
we e elec ed and assigned o buy hem; some we e equisi ioned o he King agains
compensa ion. A hea y ('New') cus om o male ol (5 ma ks pe las o lea he , 3 ma ks
pe sack o wool o 300 wool ells) was le ied (...)" (p. 1169). Na Assembleia
Pa lamen a de Julho de 1297, o mona ca p ome eu eemi i a Magna Ca a em oca
de um auxílio inancei o gene oso; no en an o, os Comuns não o am con ocados
(nem, ão pouco, a maio ia dos nob es). Além disso, Edua do exigiu ecebe 8,300
sacos de lã pa a os ende .
No dia 22 de Agos o, um g upo de ba ões lide ado pelo conde de He e o d
apa eceu no Excheque e p o es ou con a a exigência de impos os sem o
consen imen o dos magna as. Assim sendo, os ba ões solici a am a es i uição dos
bens o necidos à Co oa en e 1294 e 1297, no en an o, o mona ca ecusou o pedido e
deu início à sua expedição à Fland es. Po sua ez, os magna as pe sis i am ao pon o
de a egência não pode con ola em simul âneo a gue a na Escócia, a expedição à
Fland es e o male ol , que ainda podia le a a uma gue a ci il. Po conseguin e, o
egen e, Edua do de Ca na on, u u o Edua do II (1307-1327), assinou a Con i mação
da Magna Ca a e ga an iu que nenhum impos o se ia exigido aos ba ões sem o seu
consen imen o. (P e i é-O on, Sho e Camb idge Medie al His o y, p. 820).
Fala emos ago a dos Pa lamen os Edua dianos. Segundo Michael P es wich
(1988) , é complexo e ec ua uma desc ição apu ada de um Pa lamen o do empo de
Edua do I. A é 1290, os egis os o iciais a amen e e e em as assembleias
pa lamen a es e, mesmo a pa i des a da a, os documen os não desc e em
minuciosamen e udo o que oi di o nos Pa lamen os. Assim sendo, "Opinions ha e
a ied, om a iew ha pa liamen had no exclusi e unc ion o speci ic composi ion,
o he empha ic case a gued by Richa dson and Sayles ha he one essen ial and
cen al unc ion o pa liamen was he dispensing o jus ice by he king o his
32
ep esen a i e" (pp. 441-442). Além disso, sabemos que exis i am assembleias
impo an es, chamadas 'g ea councils', que podiam ou não e as mesmas unções e
os mesmos objec i os que os Pa lamen os.
No que diz espei o ao chamado 'Model Pa liamen ', segundo Mackenzie
(1963), es e e e um ca ác e único en e os Pa lamen os de Edua do I:
The unusual wo ding o he w i s o summons e lec s he u gency o he si ua ion.
Beginning wi h an appeal o he ancien Roman maxim 'Tha which ouches all should be
app o ed by all', he w i s se o h he dange o he ealm in g ea de ail. The composi ion o
he pa liamen was also unusual. No only we e knigh s, ci izens and bu gesses summoned,
bu also, o he i s ime, he ep esen a i es o he lowe cle gy. Subsidies we e g an ed by
he ba ons and knigh s oge he , by he cle gy, and by he ci izens and bu gesses. The
pa liamen o 1295 was in ac he mos ully ep esen a i e ha had e e been called, and was
e iden ly designed o mobilize he whole inancial esou ces o he na ion. Bu whe he his
pa liamen dese es o be called he 'Model' is pe haps doub ul, since less han o y yea s
a e wa ds he ep esen a i es o he in e io cle gy, whose p esence was i s chie claim o
o iginali y, ceased o a end pa liamen s. (p.18)
Ve i icamos assim que Edua do I en ou segui o exemplo de Mon o ao
con oca ca alei os e bu gueses. P e isi elmen e, não oi de ido a um espí i o
democ á ico, mas sim a necessidades inancei as. Seja como o , é em pa e g aças à
con ocação do Model Pa liamen que os ingleses começam a oma consciência do
po encial ep esen a i o do Pa lamen o, bem como da possibilidade de discu i no
mesmo assun os de Es ado.
Chegamos, ago a, ao einado de Edua do II. Segundo Maddico (1970, p. 70),
quando Edua do I aleceu, em 7 de Julho de 1307, os ba ões não exibiam sinais de
descon en amen o com a Co oa; no en an o, em Ab il de 1308, de ido ao mau go e no
de Edua do II, po pouco não oi a ada uma gue a ci il.
É di ícil de ac edi a que o mau go e no de Edua do II se de a à igno ância.
33
Segundo Hen y Falkland (1680):
Edwa d his Fa he , (...) had laid him [Edwa d II] he su e Founda ion o a happy
Mona chy. (...) F om his Conside a ion he leads him o he Sco ish Wa s, and b ings him
home an exac and able Schola in he A Mili a y. (...) He ins uc s him wi h he p ecious
Rules o Discipline, ha he migh uly know how o obey, be o e he came o command a
Kingdom. Las ly, he opens he close o his Hea , and p esen s him wi h he poli ic Mys e ies
o S a e, and eache h him how o use hem by his own Example (...). (p.2)
Apesa da desc ição posi i a de Edua do I po pa e de Falkland, como
pudemos e i ica , a elação do mona ca com os ba ões a amen e oi pací ica.
Reg essando a Maddico (1970), o au o en ende que "The English magna es (...) had
seen hei p i ileges lou ed by Edwa d I in he Quo Wa an o p oceedings, in he c isis
o 1297 and he King's subsequen e asion o he se lemen which esul ed om i ,
and in he C own's policy o ga he ing ea ldoms in o i s own hands (...)" (p. 67). Assim
sendo, se á mais co ec o a i ma que o descon en amen o com a Co oa esul a, pelo
menos em pa e, da incapacidade de Edua do II de lida com os p oblemas
p o enien es do einado do seu pai. Con udo, o maio p oblema oi c iado pelo p óp io
Edua do II: o seu a o i ismo po um gascão, chamado Ga es on (1284?-1312).
Ainda segundo Maddico (1970):
The easons o he b each which de eloped be ween he Ea ls and Edwa d and
Ga es on (...) a e well known. (...) The wo p e ious Ea ls o Co nwall had bo h been kings'
sons, and he dead King had in ended o con e he i le on ei he Thomas o Edmund, he sons
o his second ma iage. To gi e i le and lands o a commone and a Gascon ep esen ed a
double dispa agemen o he oyal line, and on his g ie ance he ch onicles a e almos
unanimous. O he ac o s combined o aliena e s ill mo e a nobili y whose espec o he
King's abili y o go e n was apidly dec easing: he exclusion o he ba ons om he King's
councils in a ou o Ga es on, he la e 's con emp o his pee s, he de ea o he Ea ls a he
34
Walling o d ou namen o Decembe 1307, he King's appoin men o him as keepe o he
ealm in Janua y 1308, and his o e whelming a ogance, a e all well-suppo ed ac s. His g eed
and he a ou s which he gained o his iends and ela i es, pa icula ly he F escobaldi,
a on ed he magna es' pocke s as well as hei p ide.
A second and less ob ious eason o he genesis o opposi ion p obably lay in
Edwa d's p ecipi a e e ea om Sco land soon a e his a he 's dea h. (...) Hea y axa ion a
home, inac i i y in Sco land, and a a o i e a cou - his unhappy combina ion, a po en
omen o o ouble h oughou he eign, was al eady p esen a he end o 1307. (pp. 71-72)
Cu iosamen e, podemos cons a a á ias semelhanças en e o con li o dos
ba ões com Edua do II e aquele com Hen ique III: ol amos a e i ica o a o i ismo do
mona ca po um es angei o, impos os conside á eis e um p ojec o es angei o (a
gue a na Escócia), que p ejudica a inancei amen e o eino, sem ha e qualque
i ó ia que compensasse as pe das.
Os ba ões ambém não podiam usa os ibunais con a Ga es on, mas
encon a am ou a solução (Maddico , 1970):
(...) hey ound in hei own oa hs o allegiance, which bound hem o suppo he
es a e o he C own. I was in he enuncia ion o his doc ine and in he elabo a ion o he
dis inc ion be ween he C own and he King's pe son ha he eal no el y o he decla a ion
lay. Ga es on had unde mined he C own's es a e in a numbe o ways- enume a ed bu
wi hou example- and he was he e o e judged and condemned by he magna es. The King was
bound o espec hei decision, o by his co ona ion oa h he had p omised o keep he laws
which he people would choose. (p. 82)
De ac o, segundo Mille (1960), o einado de Edua do II oi uma época
undamen al da His ó ia do Pa lamen o, na medida em que "i was du ing his ime ha
he magna es began o cap u e he pa liamen a y ibunals as one means o
neu alizing he in luence o he oyal minis e ial g oup" (p.21).
35
Bu hough ha House de i ed i s exis ence om so p eca ious and e en so in idious
an o igin as Leices e 's usu pa ion, i soon p o ed, when summoned by he legal p inces, one
o he mos use ul, and, in p ocess o ime, one o he mos powe ul membe s o he na ional
cons i u ion; and g adually escued he kingdom om a is oc a ical as well as om egal
y anny. Bu Leices e 's policy, i we mus asc ibe o him so g ea a blessing, only o wa ded by
some yea s an ins i u ion, o which he gene al s a e o hings had al eady p epa ed he
na ion. (...)
The iolence, ing a i ude, y anny, apaci y, and eache y o he Ea l o Leices e , gi e a
e y bad idea o his mo al cha ac e , and make us ega d his dea h as he mos o una e e en
which, in his conjunc u e, could ha e happened o he English na ion; ye mus we allow he
man o ha e possessed g ea abili ies, and he appea ance o g ea i ues, who, hough a
s ange , could a a ime when s ange s we e he mos odious, and he mos uni e sally
dec ied, ha e acqui ed so ex ensi e an in e es in he kingdom, and ha e so nea ly pa ed his
way o he h one i sel . His mili a y capaci y and his poli ical c a we e equally eminen : he
possessed he alen s bo h o go e ning men and conduc ing business: and hough his
ambi ion was boundless, i seems nei he o ha e exceeded his cou age no his genius; and he
had he happiness o making he low populace, as well as he haugh y ba ons, co-ope a e
owa ds he success o his sel ish and dange ous pu poses. A p ince o g ea e abili ies and
igou han Hen y, migh ha e di ec ed he alen s o his nobleman ei he o he exal a ion o
his h one, o o he ood o his people: bu he ad an ages gi en o Leices e by he weak and
a iable adminis a ion o he king, b ough on he uin o oyal, and p oduced g ea con usion
in he kingdom, which howe e , in he end, p ese ed and ex emely imp o ed na ional libe y
and he cons i u ion. His popula i y, e en a e his dea h, con inued so g ea , ha hough he
was excommunica ed by Rome, he people belie ed him o be a sain ; and many mi acles we e
said o be w ough upon his omb. (pp. 522, 525-526)
Podemos, assim, conclui que as imp essões ela i as à pe sonalidade e ao
legado 'democ á ico' de Mon o se o na am cada ez mais nega i as en e os
séculos XIV e XVIII.
2.3- A E olução da Câma a dos Comuns
42

Segundo Polla d (1926), exis e ainda no século XIII uma ce a ambiguidade
ela i amen e ao que cons i ui um Pa lamen o. O au o a i ma que " he ga he ings
con oked by hese so-called 'pa liamen a y' w i s we e no pa liamen s; and he
mee ings called pa liamen s in he olls we e no summoned by he w i s o which he
name has since been gi en" (p. 47). Assim sendo, os 'w i s o pa liamen ' apa en am
não indica a exis ência de uma Assembleia Pa lamen a ; no en an o, ambém exis iam
os chamados 'Rolls o Pa liamen '. Polla d (1926) desc e e es es úl imos a a és de
uma queixa e ec uada em 1280:
The complain is o he delay and incon enience caused o he olk who come o
"pa liamen " by he g ea numbe o pe i ions which migh be deal wi h by he chancello and
jus ices; and he o dinance is ha only pe i ions ha canno o he wise be deal wi h a e o
come be o e he king and his council in pa liamen . The business is legal, hese pa liamen s a e
"pa liamen s o he council", hei essence is oyal and judicial, and he e is li le in common
be ween hem and he occasional ga he ings o enan s-in-chie summoned by special and
gene al w i s in pu suance o Magna Ca a o gi e counsel and consen o demands o aids.
(...) Thei sessions a e egula and no spasmodic; hey do no depend upon he king's inancial
necessi ies; and hey a e held h ee imes a yea . (p. 48)
Podemos, en ão, e i ica que os 'Pa lamen os' e e idos nos Rolls não inham
as mesmas ca ac e ís icas que aqueles con ocados po Mon o .
Quan o ao chamado Model Pa liamen de 1295, Polla d (pp. 54-55) en ende
que es e úl imo oi 'modelo' apenas po con oca na ín eg a o g upo esponsá el pela
decla ação de impos os. No en an o, es e Pa lamen o não oi o p imei o a combina o
a amen o de assun os inancei os e judiciais, que i ia a exis i a pa i de 1298. Pa a
o Pa lamen o de Janei o de 1301, em Lincoln, e i icamos simul aneamen e 'w i s' a
con oca ep esen an es e 'Rolls' a egis a p ocedimen os ju ídicos.
Polla d (1926) a i ma que "While he high cou o pa liamen was he co ec
and o icial desc ip ion o he wo houses in he six een h and se en een h cen u ies,
43
he " h ee es a es" was he mo e popula and inaccu a e designa ion applied o hem
in he eigh een h and nine een h (...)" (p. 61). Na e dade, não se sabe ao ce o se os
' h ee es a es' de e iam ep esen a o ei, os lo ds e os comuns, ou os lo ds espi i uais,
os lo ds secula es, e os comuns. Foi só em 1421 que o Pa lamen o passou a consis i
em " es s a us, idelice , p ela os e cle um, nobiles e magna es, necnon
communi a es dic i egni" (Polla d, 1926, p. 70). No en an o, Polla d (1926) nega que o
Pa lamen o consis isse num sis ema de ês es ados, a i mando que "a sys em o
es a es is buil upon he p inciple, no o na ional, bu o class ep esen a ion; i
sugges s ha a na ion is no one, bu h ee es a es, each wi h an independen will o
i s own, and each en i led o e o na ional p og ess" (p. 77).
No que diz espei o aos Comuns, Mackenzie (1963, pp. 22-23) a i ma que,
du an e o einado de Edua do I, es es e am con ocados apenas quando o ei p ecisa a
de dinhei o ou pa a da o seu assen imen o às decisões omadas ela i amen e a
assun os dos bu gos.
No einado de Edua do II, a p esença dos Comuns passa a se mais equen e e
os ba ões a i mam mais equen emen e que as decisões omadas a o ecem a nação
in ei a. De ac o, segundo Ca alho (1989):
Não oi olun a iamen e ou po acção de qualque inspi ação democ á ica que os
Lo des e o p óp io Rei cede am às exigências dos Comuns. A exis ência o gânica da classe dos
comuns, is o é, ep esen an es das comunidades, de e-se essencialmen e às consequências do
desen ol imen o económico do « e cei o es ado» e ao ac o de os ca alei os, ou o a
ep esen an es dos ba ões, se e em jun ado aos ep esen an es das cidades e dos bu gos pa a
cons i uí em o ag upamen o que se i á designa Câma a dos Comuns a é aos nossos dias.
(p.62)
Polla d (1926) en ende que a ap esen ação de assun os ela i os ao po o não
começou apenas com Mon o e Edua do I. Segundo o au o :
44
Hen y II had h own open he doo s o he cu ia egis o sui o s o all so s- sa e
illeins pleading agains hei lo ds; and no hing in he eco ds o Edwa d I's pa liamen s
sugges s ha he egula in i a ion o sui o s, wi h which a pa liamen always began, was a
no el y. (...) and i is almos ce ain ha knigh s om he shi e did a good deal o
ep esen a i e legal business a Wes mins e be o e hey we e summmoned hi he by w i s.
(...) They we e o come, no me ely wi h such a ying powe s as di e en coun ies migh a
di e en imes choose o gi e hem, bu wi h ull powe o commi all he coun ies alike o
app o al o wha e e p oposals he king and his council migh lay be o e hem (...). (p.111)
A é ao einado de Hen ique VII (1485-1509), os Comuns apa eciam no
Pa lamen o apenas pa a ou i o discu so de abe u a, ap esen a o seu po a- oz e
p onuncia -se sob e as decisões omadas pelos mesmos ela i amen e aos assun os
que lhes compe iam.
Po sua ez, Ca alho (1989) desc e e assim a o ma como os Comuns
ganha am o seu pode :
Quando o ei p ecisa a de dinhei o pa a go e na , eunia o Pa lamen o, pa a pedi
subsídios e, ao mesmo empo, pa a p opo o lançamen o de um no o impos o ou de uma axa
pe iódica. Os Comuns ap o ei a am a opo unidade pa a eque e ao sobe ano, nos p imei os
empos a a és dos ba ões meno es (...) e depois a a és do Speake , uma con apa ida em
di ei os e libe dades, ao mesmo empo que iam consolidando a p á ica, que hoje é um di ei o,
de iscaliza as inanças do Execu i o e de pedi explicações sob e a u ilização das e bas
concedidas. Es e sis ema i á pe mi i aos Comuns discu i planos de go e no, in e indo,
c i icando, iscalizando e suge indo medidas que ica am consignadas em diplomas e
egulamen os pa lamen a es, com inicia i a dos Comuns. (p. 64)
Além disso, ainda segundo Ca alho (1989), os nob es e iam apoiado os
Comuns pelas seguin es azões:
45
1. Po que a g ande insis ência dos Comuns pelo domínio da á ea inancei a i ia e o ça
a causa da lu a dos nob es pela edução dos pode es e das p e oga i as do mona ca.
2. Po que, man endo os Comuns em con li o com o ei, a as a am do mona ca a
possibilidade de os e como aliados na sua oposição às p e ensões dos nob es.
3. Po que sen iam que, des e modo, os Comuns i iam da con inuidade às suas mais
impo an es ei indicações, exp essas na Magna Ca a. (p. 97)
Polla d (1926) en ende que o ca iz obscu o da e olução do papel dos Comuns
se de e a con usões e minológicas:
Ano he cause o obscu i y in he his o y o he house o commons a ises om he
inde e mina e cha ac e o he e minology employed in he "Rolls". By he end o he
ou een h cen u y he e m communi a es o communes implies bo h he knigh s o he shi es
and he ep esen a i es o he ci ies and bo oughs; bu his usage exp esses he esul o a
g adual amalgama ion, and be o e 1350 he wo d is used in di e en senses. Le commun is
used in 1258 o a clique o ba ons; in 1259 communi as bachele iae desc ibes a "ca e" o
a is oc a ic o wa ds. In 1340 les communes de la e e is he ph ase employed o dis inguish
he knigh s o he shi es om he ep esen a i es o he ci ies and bo oughs. In 1343 we ha e
les chi ale s des coun ez e communes, whe e communes seems o mean he own membe s
as dis inc om he knigh s o he shi e; bu in he nex line we ha e p ela z, g an z, e
communes, whe e bo h a e appa en ly included in he common designa ion, and la e on he
same page we ha e, les chi ale s des coun ees e les au es communes. Simila ly in 1332 we
ha e a dis inc ion be ween les chi ale s des coun ez and les gen z du commun. (p. 114)
Sabemos, no en an o, que os Comuns possuíam o di ei o à libe dade de
exp essão desde, pelo menos, 1455. Nes e ano, Si Thomas Yonge (1405-1476)
queixou-se de e sido p eso na To e de Lond es cinco anos an es po discu i um
assun o abo dado no Pa lamen o. Yonge en endia que os Comuns de iam e a
46
libe dade de exp imi as suas opiniões sem medo de punição. Si Thomas Mo e (1478-
1535) chegou a pedi a Hen ique VIII (1509-1547) que pe doasse qualque comen á io
e ec uado na Câma a dos Comuns que pudesse desag ada ao mona ca. Ainda assim,
na p á ica, exis iam ópicos que os Comuns ipicamen e não abo da am na al u a dos
Tudo es, como a eligião ou o comé cio. (Mackenzie, 1963, pp. 34-36)
Jaime I (1603-1625) chegou a p oibi os Comuns de discu i assun os
go e namen ais, ecebendo deles a seguin e espos a (Mackenzie, 1963):
Tha he libe ies, anchises, p i ileges and ju isdic ions o Pa liamen a e he ancien
and undoub ed bi h igh and inhe i ance o he subjec s o England: And ha he a duous and
u gen a ai s conce ning he King, S a e and de ence o he ealm, and o he Chu ch o
England, and he main enance and making o laws, and ed ess o mischie s and g ie ances,
which daily happen wi hin his ealm, a e p ope subjec s and ma e o counsel and deba e in
Pa liamen : And ha in he handling and p oceeding o hose businesses e e y membe o he
House o Pa liamen ha h, and o igh ough o ha e, eedom o speech o p opound, ea ,
eason and b ing o conclusion he same. (pp. 37-38)
Em suma, e i icamos que os Comuns ei indica am explici amen e a libe dade
de exp essão já no início do século XVII. En e an o, a pa i de inais do século XVI, os
Comuns eclamam a independência da sua Câma a, possuindo comple a ju isdição
sob e os seus memb os, os seus mé odos e a sua o ganização. (Polla d, 1926, p. 326)
Ou o di ei o impo an e pelo qual os Comuns lu a am oi a libe dade de puni
'b eaches o p i ilege', is o é, o ensas con a a Câma a; es a p e oga i a pe encia
unicamen e aos Lo ds a é ao empo dos Tudo es. No século XVI, os Comuns
equen emen e mul a am e p endiam quem insul asse a Câma a; con udo, deixa am
de azê-lo a pa i de meados do século XVII.
47

Capí ulo III- A Figu a de Simon de Mon o no pe íodo
Vi o iano
3.1- A Pe sonalidade e os Objec i os de Mon o segundo os
Vi o ianos
Começa emos po discu i a imagem que os i o ianos inham da pe sonalidade
de Simon de Mon o e subsequen emen e desc e e emos as suas in e p e ações da
condu a polí ica do conde de Leices e .
Algo que encon amos em odas as ob as é um pa ág a o elogioso
ela i amen e à pe sonalidade de Mon o . Começando com Blaaw (1871), es e
desc e e o conde de Leices e da seguin e o ma:
a man o so much ene gy and alen in wa and council, ha al hough allied o he King
and bo n ab oad, his acknowledged capaci y and honou o e came hese disad an ages ; and
a a ime when o eigne s we e uni e sally odious and he cou dis us ed, he ba ons and
people o England wi h one acco d anged hemsel es unde his o eign cou ie , as hei
leade o he eco e y o hei na ional libe ies. (p.42)
No en an o, Blaaw ambém ê Mon o como um homem do seu empo,
iolen o e aná ico, ao con á io dos his o iado es con empo âneos do conde. Nas
pala as do au o i o iano (1871):
(...) he [Simon de Mon o ] had an oppo uni y, while an exile om England, o making
his "name e y p ecious o all he bigo s o ha age" (as Hume ema ks) by his ba ba ous
c usades agains he Albigenses. The c uel ies p ac ised a e well known, bu he ana icism o
he pe iod was widely sp ead, and he me i o ex inguishing he e ics so blinded his
con empo a y his o ian [Pe us Vell. Sa n.], ha e en a e ela ing Simon's o de , a he
cap u e o he cas le o B om, o cu o he noses o a hund ed o he ga ison, and o pluck
48
ou hei eyes, wi h he excep ion o one eye ese ed o a single guide, he immedia ely p aises
him as " he mildes o men". (pp. 43-44)
S ubbs (1906) ambém elogia o conde, e e indo que "Tha he [Mon o ] was
able o (...) h ow himsel hea and soul in o he posi ion o an English ba on,
s a esman, and pa io , is no small p oo o he g ea ness and e sa ili y o his powe s"
(p. 56) Além disso, S ubbs a i ma que o conde e a um homem hon ado e um excelen e
mili a e polí ico, ca ac e ís icas que o o na am na pessoa ideal pa a sal a um po o
op imido.
C eigh on (1876), po sua ez, desc e e Mon o como um he ói do po o:
(...) a man o a e abili y, o keen poli ical o esigh , o lo y pu pose, and o esolu e
mind. Though a o eigne by bi h, he saw mo e clea ly han any na i e Englishman he hidden
genius o he old English ins i u ions. Though ha ed a i s as an alien and an ad en u e , he so
won his way o English hea s ha he people lo ed him as ew men ha e e e been lo ed in
England, and a e his dea h ado ed him as a sain and ma y . The man o whom his is ue
dese es a ulle ecogni ion among England's he oes han he has ye ecei ed. (p.1)
A úl ima ase da ci ação alude ao ac o de que Simon de Mon o e sido
equen emen e demonizado nos séculos XVII e XVIII.
C eigh on (1876) en ende que Mon o "mus ha e been s uck by he powe
and igou o [Empe o ] F ede ic's mind, and by he g ea ness o his plans. Pe haps
wha he hen saw may ha e sugges ed o his mind in la e days he idea o us ing o
he powe o he English owns o o m a basis o opposi ion o oyal y anny (...)" (pp.
29-30).
Po ou o lado, os i o ianos sabiam que Simon de Mon o é equen emen e
acusado de ganância; no en an o, disco dam, culpando an es os ilhos do conde de
Leices e . Blaaw (1871) e e e que "All de Mon o 's sons a e spoken o by se e al
49
ch onicle s as ull o p ide and addic ed o io ous li ing". (p. 267) Aliás, o au o
i o iano (1871, p. 49) a i ma que o conde de Leices e pode ia, a ce a al u a, e sido
in luenciado pelo desejo de e um dos seus ilhos he da a co oa, o que explica ia, de
ce a o ma, o seu casamen o com a i mã do ei. C eigh on (1876) ambém de ende
Mon o , chegando a e e i que "He [Simon] and his sons we e accused o a a ice, o
ex o ion (...). A oyalis ch onicle asse s ha Simon had seized upon eigh een
ba onies. Fo hese cha ges he e seems o be no ounda ion. When Ea l Simon's
possessions we e con isca ed a e his dea h, he e was no unlaw ul boo y ound
amongs hem(...)" (p. 182). Assim sendo, C eigh on en ende que as acusações de
ambição e ganância e ão pa ido p incipalmen e dos c onis as da Co oa. Es e ambém
é o pa ece de Keigh ley (1841), que a i ma que " I we c edi he ch onicle s ad e se
o him [Mon o ] and his cause, his ule was a comple e y anny (...) He seized, hey
say, o himsel he es a es o no less han eigh een o he ba ons aken a Lewes, kep
he ansom o he king o he Romans (...) and ha o all he o he ba ons (...)" (p.
161).
É ce o que P o he o (1877) en ende que o conde de Leices e abusou do a o
do ei. De ac o, no que diz espei o à p imei a que ela en e Mon o e o ei Hen ique
III, o au o e ec ua a seguin e a aliação das condu as de ambos os homens:
The immedia e eason o Hen y's ange (...) is p obably o be disco e ed in he la e
pa o his speech, in which he accuses de Mon o o b ibing he Cu ia, and using his name as
secu i y o ex a agan p omises. The ac o he b ibe y seems undeniable. Paymen o
jus ice, especially a he enal cou o Rome, was so o dina y an ocu ence ha we need no
wonde ha Simon yielded o he cus om. I was a dishonou able ansac ion, doub less, and
has he e o e been conside ed by some w i e s so alien o Simon's cha ac e as o make i
impossible o a ibu e i o him. This es s pe haps ha dly on su icien g ounds. He was no
immacula e, and he job would ha dly ha e been conside ed dishonou able. Fu he , i is likely
enough ha he made mo e use o Hen y's name han he la e liked; hough his would
almos be jus i ied by he a ou in which he s ood wi h he king a he ime, and by he e ms
o his c eden ials, which amoun ed o a gene al assump ion o esponsibili y o he whole
a ai . When de Mon o ailed o ul ill his engagemen s, his c edi o s, I alian moneylende s
50
who ansac ed he Pope's business ab oad, would ha e applied o Hen y, whose su p ise and
indigna ion bu s o h in he way we ha e seen. (pp. 50-51)
Ainda assim, no que diz espei o às acusações de i ania que o am lançadas a
Simon de Mon o aquando da sua es adia na Gasconha, P o he o (1877) conside a-as
sem undamen o:
I is e y p obable, om wha we know o Simons empe , ha he quenched ebellion
sha ply and s e nly ; he was no he man o bea gen ly wi h he open and sec e esis ance he
had o mee ; bu he cas led b igands o Gascony could no be pu down by gen le means, and
we should ha e hea d li le o hese complain s had no he kings suspicious ea d unk in only
oo g eedily all ha he enemies o his g ea lieu enan chose o pou in o i . (p. 94)
Mau ice Powicke (1947) apa en a conco da com es a in e p e ação, a i mando
que o conde, de ido ao seu empe amen o, "did no know how o manage his
empo a y subjec s. He o e ode unwelcome complain s as ac ious, ook no accoun
o he c oss-cu en s which dis u bed Gascon socie y, and ega ded i s endemic
es lessness as a kind o eache y" (pp. 111-112)
Blaaw (1871, p.56), po sua ez, a i ma que o a cebispo de Bo déus e seus
aliados (que ap esen a am a queixa con a Simon) e am aido es condenados; assim
sendo, o ei come eu um e o ao ac edi a neles. De ac o, o conde de Leices e
compa eceu dian e do ei e lemb ou-lhe a sua lealdade pa a com Hen ique III.
S ubbs (1906, pp. 73-74) ambém en ende que é injus o condena Mon o
pela sua condu a na Gasconha, e e indo que o conde encon ou inúme as
di iculdades. Po um lado, con on ou os nob es da egião, que apenas ole a am a
au o idade de Hen ique III " o e ade submi ing o he s onge hand o Lewis IX" (p.
74). Mon o não ecebeu nenhum auxílio do mona ca inglês, nem mili a , nem
inancei o, pelo que e e de cob a impos os aos gascões. S ubbs insinua que o ei e á
51
ei e do Papado, e iam de con a com o apoio do po o inglês. Assim sendo, a im de
incen i a os es ados sociais baixos a jun a em-se à sua causa, os ba ões eco e am
aos ibunais pa a esol e os assun os dos camponeses e egulamen a am o pode
dos she i s (C eigh on, 1876, pp. 102-103).
Adicionalmen e, segundo Blaww (1871):
A e i y yea s' expe ience o he pe ils o which hei p i ileges we e exposed by he
enc oachmen s o he C own, a s onge and mo e endu ing secu i y was now de ised, by
commi ing he ca e o cons i u ional eedom hence o h o he people hemsel es, whose
in e es s hey hus iden i ied wi h hei own. We canno a his emo e dis ance o ime
es ima e all he mo i es ha led o his measu e. To hese ea ly s a esmen such "ma e s may
ha e seemed (...) g ea and glo ious o all he people"; al hough ew a he ime, pe haps no
e en de Mon o , el he ull impo ance o his ad ancing s ep o B i ish libe y. (p. 246)
Segundo Keigh ley (1841), as e o mas decididas no Mad Pa liamen con ocado
no dia 11 de Junho de 1258 o am as seguin es:
The eeholde s o each coun y we e o choose ou knigh s o inqui e in o he
damages commi ed in i unde he oyal au ho i y, and lay hem be o e he council. The
eeholde s we e also o choose each yea he high-she i o each coun y ; he she i s and
he g ea o ice s o s a e we e o gi e in hei accoun s annually, and pa liamen s o be holden
h ice in each yea . To secu e he obedience o pa liamen , i was di ec ed, unde p e ex o
sa ing he membe s ouble and expense, ha wel e pe sons should ep esen hose who
we e o compose he pa liamen , and ha wha e e hese should enac in conjunc ion wi h
he council o s a e, should be iewed as he ac o he whole. One o he i s ac s o he
council was o o ce he king's hal -b o he s o qui he kingdom ; hey hen obliged he ea l o
Wa enne, he mos powe ul man o he king's iends, and his nephew p ince Hen y, and
inally his son p ince Edwa d, now a spi i ed you h o eigh een yea s o age, o ake an oa h o
obedience o he o dinances o he council ; and when in he ollowing yea (1259) Leices e
lea ned ha he king o he Romans was on his e u n, he sen o p ohibi him om landing
58

unless he engaged o ake he oa h also, a manda e which ha p ince ound i necessa y o
obey. (pp. 157-158)
Cu iosamen e, a ní el da imposição de impos os, Mackin osh (1836) c ê que os
ba ões e ão p opos o inúme as e o mas que o am pa a além do es ipulado na
Magna Ca a. Segundo o au o :
I his assembly be supposed o be he same which is es ed wi h he powe o
g an ing supply by he G ea Cha e o John, he cons i u ion mus be hough o ha e
unde gone an ex ensi e, hough un eco ded, e olu ion in he somewha inadequa e space o
only i y yea s, which had elapsed since he capi ula ion o Runnymede : o in he G ea
Cha e we ind he enan s o he c own in chie alone exp essly men ioned as o ming wi h
he p ela es and pee s he common council o pu poses o axa ion ; and e en hey seem o
ha e been equi ed o gi e hei pe sonal a endance, he impo an ci cums ances o elec ion
and ep esen a ion no being men ioned in he ea y wi h John. Nei he does i con ain any
s ipula ion o su icien dis inc ness applicable o ci ies and bo oughs, o which he cha e
p o ides no mo e han he main enance o hei ancien libe ies. P obable conjec u e is all
ha can now be expec ed espec ing he ise and p og ess o hese changes. I is, indeed,
beyond all doub , ha by he cons i u ion, e en as subsis ing unde he ea ly No mans, he
g ea council sha ed he legisla i e powe wi h he king, as clea ly as he pa liamen ha e since
done. Bu hese g ea councils do no seem o ha e con ained membe s o popula choice ;
and he king, who was suppo ed by he e enue o his demesnes, and by dues om his
mili a y enan s, does no appea a i s o ha e imposed, by legisla i e au ho i y, gene al
axes o p o ide o he secu i y and good go e nmen o he communi y. (pp. 239-240)
G een (1874) ambém e e e que o século XIII "had shown bo h he s eng h
and weakness o he Cha e : i s s eng h as a allying-poin o he ba onage, and a
de ini e asse ion o igh s which he King could be made o acknowledge; i s weakness
in p o iding no means o he en o cemen o i s own s ipula ions" (p. 150).
59
No en an o, James Hosne (1903) e e e que os di ei os do 'homem comum'
es a am ga an idos na Magna Ca a:
The G ea Cha e con ains a summing up o he igh s and du ies ha had been
g owing in o ecogni ion, while he na ion was g owing in o consciousness. The Commons a e
joined wi h he Ba ons in he execu ion o he Cha e , and now, o he i s ime since he
o e u n o he old o de , ake pa in he g ea li e o he na ion. (...) The Ba ons main ain he
igh o he whole people as agains hemsel es as well as agains he King. The igh s o
common men a e as ca e ully p o ided o as hose o he nobles; o always when he
p i ilege o he simple eeman is no secu ed by he p o ision which a ec s he high-bo n, an
added clause de ines and p o ec s his igh . (...) No ax is o be exac ed wi hou a g an om
he common council o he ealm; and he sense o he na ion, wi h ega d o he ax, is o be
aken in a duly summoned assembly. (p. 48)
Seja como o , a in e p e ação que os i o ianos e ec uam do legado polí ico e
das in enções dos ba ões é maio i a iamen e posi i a. Blaaw (1871), po exemplo,
elogia a con ibuição dos ba ões pa a a His ó ia pa lamen a , a i mando que " The
ep esen a i e sys em, whose expansion hey [ he ba ons] had encou aged, had aken
oo s ou a hold o be ex i pa ed, and, om his oo emaining unha med, he
b anches o na ional eedom h o e hence o h wi h igo ous enla gemen , s ong in
i s own in luence, upheld by he will and nou ished by he lo e o he people" (p. 283).
Adicionalmen e, Blaaw (1871) e e e que Edua do I, apesa de e ganho a ba alha de
E esham, "was obliged o mally o enounce he claim o allage wi hou he consen
o Pa liamen " e que g ande pa e dos p i ilégios des e úl imo o am comp ados à
Co oa, " he e y ices o oyal y being hus con e ed in o na ional bene i s" (p. 284).
P o he o (1877) e ec ua uma a aliação menos elogiosa, mas ainda assim
posi i a do legado polí ico dos ba ões:
They [The ba ons] had been unable o hold he powe con e ed on hem by Magna
60
Ca a: hey we e s ill unable o hold wha Simon ga e hem; he ook he s ep o enabling hem
o use hei igh by means o ep esen a ion, in o de o d aw ou hei powe and suppo
himsel by i , bu i ga e way unde s ain. S ill he gi augh he ecei e o use his s eng h,
which g ew wi h he desi e o use i : in he nex gene a ion he class was s ong enough, and
he gi g an ed by Simon was enewed by Edwa d o a wo hie gene a ion, and was no aken
away again.
Since hen, he b ead h o he elec o a e has g own, as each successi e class has
g own mo e powe ul. Simon, whe he consciously o unconsciously, o med a pe ec
cons i u ion embodying his p inciple. His cons i u ion died wi h him; bu England, hal
consciously, hal unconsciously, has been ollowing he same di ec ion e e since. (p. 293)
Não obs an e, Bigland (1815) en ende que a in odução dos ba ões meno es no
pa lamen o esul ou não de um espí i o democ á ico, mas sim do cos ume e da
au o idade eal:
F om he ime o he conques , he pa liamen o England had consis ed o he lay and
ecclesias ical ba ons: he people we e conside ed as o no impo ance in a ci il o poli ical
poin o iew. When he P o isions o Ox o d we e d awn up, i is ce ain ha wel e depu ies
we e chosen o ep esen he whole communi y: all hese, howe e , we e ba ons, bu some
conside his as he e a o he in oduc ion o knigh s o he shi e, al hough hei numbe was
a om allowing one o each coun y. A poli ico-his o ical w i e o eminence, hinks ha he
elec ion o coun y membe s was i s es ablished by cus om, and a e wa ds sanc ioned by
oyal au ho i y. He supposes ha he small ba ons inding hemsel es ill able o appea wi h
digni y du ing hei a endance on pa liamen , we e unde he necessi y ei he o wholly
absen ing hemsel es, o o delega ing some o hei numbe , a he common expense, o
ep esen he whole body: ha his kind o elec ion ha ing become cus oma y, a leng h
became egula , as he kings always wished o coun e balance he powe o he g ea ba ons;
and ha hese depu ies, unde he name o knigh s o he shi e, we e in oduced in o
pa liamen in he eign o Hen y III. (p. 237)
61
C eigh on (1876), po sua ez, e e e que os objec i os dos ba ões consis iam
em "To d i e ou he o eigne s who spoiled he land, o ee he Chu ch om
opp ession, o b ing back o de in o he King's inances, and o u n him om oolish
schemes o o eign agg andisemen o good wise e o s a good go e nmen a home
(...)" (p. 168).
No en an o, nem odos os i o ianos pa ilha am es a in e p e ação. John
Linga d (1823), na sua ob a A His o y o England om he Fi s In asion by he Romans,
a i ma que, o iginalmen e, as e o mas do Pa lamen o de Wes mins e de iam e sido
e ec uadas a é ao Na al desse ano (1259), algo que não oco eu. Além disso, Linga d
acusa os ba ões de co upção e abuso do pode :
To sa is y he people, a p oclama ion was issued in he king's name, s a ing he
impo ance o he unde aking, he ime necessa y o ob ain an exac knowledge o he
na ional g ie ances, and he olly o isking he acquisi ion o hei objec by he adop ion o
has y and inconside a e measu es. The u h was, ha he chie s o he pa y we e unwilling o
di es hemsel es o he au ho i y, which hey had usu ped. They dis ibu ed among hei
pa isans all he lay o ices and ecclesias ical bene ices in he gi o he c own; ecei ed he
p incipal pa o he oyal e enue ; and sha ed among hemsel es he p oduce o he
eschea s, wa dships, and ma iages o he king's enan s. (p.168)
G een (1874) conco da com es a a aliação dos ba ões, a i mando que:
G adually he Council d ew o i sel he whole oyal powe , and he policy o he
adminis a ion was seen in i s p ohibi ions agains any u he paymen s, secula o
ecclesias ical, o Rome, in he nego ia ions conduc ed by Ea l Simon wi h F ance, which inally
ended in he peace which pu an end o he incu sions o he Welsh. Wi hin, howe e , he
measu es o he ba ons we e eeble and sel ish. The u he P o isions, published by hem
unde popula p essu e in he ollowing yea , showed ha he majo i y o hem aimed simply
a he es ablishmen o a go e ning a is oc acy. (p.150)
62
Uma ez que não ha ia condições pa a um comp omisso pací ico en e
Hen ique III e os ba ões, ambos os lados decidi am pe mi i que o ei de F ança, Luís IX
(1226-1270), a bi asse en e os mesmos. Apesa de pa ece e iden e que o mona ca
ancês acaba ia po de ol e os pode es odos a Hen ique III, é possí el que os ba ões
i essem p e is o isso mesmo. Segundo C eigh on (1876, p. 135), a pa i da decisão de
Luís IX, passou a se mais ácil do que nunca dis ingui en e o pa ido nacional
(nomeadamen e, o dos ba ões) e aquele que é apoiado pelos es angei os (o de
Hen ique III). De ac o, o mona ca inglês inha o apoio de Luís IX (um ancês), de ido à
decisão do Papa (um i aliano).
Sublinhamos que as opiniões dos i o ianos, pelo menos a ní el da condu a dos
ba ões, são semelhan es às dos au o es do século XXI. Mesmo que os magna as
i essem em boa pa e agido po ambição, as suas queixas são conside adas legí imas
pelos his o iado es.
3.3- A Con ibuição de Mon o pa a a E olução do Pa lamen o
Inglês
Res a-nos discu i como os i o ianos iam a condu a do conde de Leices e a
ní el polí ico. Rela i amen e à supos a en a i a po pa e de Mon o de ascende ao
ono, Blaaw (1871) a i ma que "The e is (...) no ace o such a scheme ha ing been
impu ed o him, e en by his enemies, du ing his li e, and his conduc in p essing o he
ul ilmen o he mise o Lewes down o his dea h, would su icien ly p o e ha he was
con en o sha e wi h o he s he ascendancy acqui ed by his own alen s" (p. 251).
Além disso, o au o i o iano (1871) a i ma que não exis em p o as conc e as de que
Mon o se ap op iou de 18 ba onias no escaldo da ba alha de Lewes, uma ez que
os ela os con empo âneos do conde são demasiado con adi ó ios. Além disso, ainda
segundo Blaaw, a ob a Poli ical Songs o England desc e e Mon o como um homem
comple amen e desin e essado em bens ma e iais.
P o he o (1877) a i ma que, pa a além da con ibuição do conde de Leices e
pa a a e olução do pa lamen o ep esen a i o, é necessá io des aca o papel de
63

Mon o na elabo ação da cons i uição de 1264. O au o i o iano não se poupa a
elogios a es a úl ima, desc e endo-a da seguin e o ma:
So a as i goes i is pe ec ; elabo a e, ye simple ; a cons i u ion, in he ue sense o
he wo d ; ha is, a o m o go e nmen which will s and by i sel , a building so composed as o
exis wi hou any ex e nal assis ance. I shows an ad ance upon he c ude ideas o six yea s
be o e, which would be inexplicable we e we obliged o belie e ha Simon had any bu he
smalles sha e in he planning o he ea lie scheme. The p inciples on which i es s a e almos
p ecisely he same as hose o he cons i u ion unde which England has been go e ned o he
las cen u y and a hal . (p. 289)
No en an o, P o he o (1877) ambém a i ma que é impossí el sabe se a
cons i uição inha ou não ca iz pe manen e. P esumi elmen e, es a ia em igo a é
pelo menos ao im do einado de Hen ique III, mas o seu ilho Edua do I podia e ogá-
la. Adicionalmen e, o au o i o iano conside a que a cons i uição es a a incomple a e
se ia melho ada com a expe iência da legislação. Assim sendo, "We ha e (...) no idea
as o how legisla ion was o be ca ied on, as o he igh o axa ion, wha oice
Pa liamen was o ha e in o eign a ai s, o in he o dina y adminis a ion o
go e nmen ; he e was no p o ision o he egula summons, no de ini ion o he
class o be ep esen ed" (pp. 287-288).
Hosne (1903) a i ma que os Comuns o am inalmen e ep esen ados no
Pa lamen o mon o iano:
A las , in 1264, when Simon de Mon o , a disco d wi h he King, by his ic o y o e
he oyal pa y a Lewes, had become a bi e o he kingdom, he summoned he amous
Pa liamen in which o he i s ime he Commons o England we e ai ly ep esen ed (...). He
was g ea e as an opponen o y anny han as a de ise o libe ies. The e e s imposed on
oyal au oc acy, cumb ous and en angled as hey we e, seem o ha e been an in eg al pa o
his policy; he means he ook o admi ing he na ion o sel -go e nnmen wea e y much
64
he o m o an occasional o pa y expedian , which a longe enu e o indi idual powe migh
ha e led him ei he o de elop o disca d. The idea, howe e , o ep esen a i e go e nmen
had ipened in his hand; and, al hough he ge m o he g ow h lay in he p imi i e ins i u ions
o he land, Simon has he me i o ha ing been one o he i s o see he uses and glo ies o
which i would ul ima ely g ow. (pp. 57-58)
Mackin osh (1836) conco da e a i ma que Simon de Mon o e á
e ec i amen e in oduzido em Ingla e a a ep esen ação popula :
(...) Mon o (...) se he example o an ex ensi e e o ma ion in he ame o
pa liamen , which, hough his au ho i y was no acknowledged by he punc ilious adhe en s o
he le e and o ms o law, was a e wa ds legally adop ed by Edwa d, and ende ed he
pa liamen o ha yea he model o he B i ish pa liamen , and in a conside able deg ee
a ec ed he cons i u ion o all o he ep esen a i e assemblies. I may indeed be conside ed as
he p ac ical disco e y o popula ep esen a ion. (...) summoning a pa liamen , o which he
lowe house was composed, as i has e e since been o med, o knigh s o he shi es, and
membe s o ci ies and bo oughs. (...) The o igin o so happy an inno a ion is one o he mos
in e es ing objec s o enqui y which occu s in human a ai s ; bu we ha e sca cely any posi i e
in o ma ion on he subjec : o ou ancien his o ians, hough hey a e no wan ing in
diligen ly eco ding he numbe and he ac s o na ional assemblies, desc ibe hei
composi ion in a manne oo gene al o be ins uc i e, and ake li le no e o no el y o
peculia i y in he cons i u ion o ha which was called by he ea l o Leices e . (p. 236, 238-
239)
S ubbs (1906) e e e que a ca ac e ís ica mais impo an e do Pa lamen o
mon o iano oi a in odução de ep esen an es dos bu gos. Pa alelamen e, " he
knigh s o he shi e a e no ecognised as ha ing a oice in he choice o ei he elec o s
o counsello s: ye he ac o hei summons o his and he ollowing pa liamen
seems o show ha Simon ega ded hem as an in eg al pa o he na ional council o
pa liamen " (p. 94).
65
C eigh on (1876) disco da da ideia de que Simon de Mon o e olucionou a
cons i uição inglesa, e e indo que "A a g ea c isis o ou na ional his o y i was
na u al ha endencies which had long been g owning up should be clea ly el and
ac ed upon. (...) Ye hough (...) summoning o Pa liamen ep esen a i es o he owns
was no he in oduc ion o a new p inciple (...) i was s ill a s ep o g ea impo ance in
he his o y o he g ow h o Pa liamen " (pp. 177-178). Além disso, o au o i o iano
(1876, p. 106) en ende que, apesa de a condu a dos ba ões no Pa lamen o e sido
di igida po Mon o , es e úl imo nunca pode ia e go e nado al como enciona a,
uma ez que se a a a de um es angei o com um empe amen o que não pe mi ia
oposição.
C eigh on (1876), no en an o, c ê que as in enções do conde de Leices e e am
nob es:
Ea l Simon's i s ca e was o es o a ion o peace and o de h oughou he land, and
a numbe o measu es we e aken o ha end. The Chancello and s uden s o he Uni e si y
o Ox o d we e o de ed o e u n o hei s udies. The No hamp on p isone s we e b ough o
London, and exchanged man o man hose aken a Lewes. I was o bidden o ca y a ms in
he land, and he punishmen o dea h was o ollow any in ingemen o his o de . (pp. 163-
164)
C eigh on (1876, pp. 174-175) en ende ainda que Mon o p ocu a a
es abelece a paz no eino a a és de medidas concilia ó ias, eunindo pessoas de
odas as o dens sociais e e i ando o mais possí el a gue a. Os maio es apoian es do
conde de Leices e pe enciam ao po o e ao cle o.
Não obs an e, Linga d (1823) inha uma opinião pouco posi i a das mo i ações
que le a am Mon o a con oca ep esen an es dos condados e das cidades:
I is gene ally supposed ha he p ojec o summoning o pa liamen he
66
ep esen a i es o he coun ies, ci ies, and bo oughs, g ew ou o ha sys em o policy which
he ea l had long pu sued, o la e ing he p ejudices, and a aching o himsel he a ec ions,
o he people. No had his e o s p o ed unsuccess ul. Men in he highe anks o li e migh
pene a e behind he eil, wi h which he sough o conceal his ambi ion : bu by he na ion a
la ge he was conside ed as he e o me o abuses, he p o ec o o he opp essed, and he
sa iou o his coun y. (pp. 193-194)
G een (1874) culpa os ba ões e não Mon o pelo acasso do Pa lamen o de
Wes mins e :
The cons i u ional es ic ions on he oyal au ho i y, he igh o he whole na ion o
delibe a e and decide on i s own a ai s, and o ha e a oice in he selec ion o he
adminis a o s o go e nmen , had ne e been so clea ly s a ed be o e. Tha hese we e he
p inciples o he man in whose hands ic o y had placed he ealm is plain om he s eps he
immedia ely ook. (...) In Decembe a new pa liamen was summoned o Wes mins e , bu he
weakness o he pa io ic pa y among he ba onage was shown in he ac ha only wen y-
h ee ea ls and ba ons could be ound o si beside he hund ed and wen y ecclesias ics. I
was p obably he sense o his weakness ha o ced Ea l Simon o ling himsel on he owns,
and o summon wo ci izens om e e y bo ough. (p. 153)
É necessá io ei e a que es a isão de Simon de Mon o como símbolo da
libe dade não é pa ilhada pelos au o es do século XXI. Law ence (2005), po exemplo,
em uma opinião mis a do conde, e e indo que "The undamen al impedimen o
unde s anding he ea l's poli ics is ha while he pu sued his own pe sonal ad an ages
h oughou he pe iod o e o m and ebellion, he also suppo ed e o ms ha we e
con a y o he in e es s o he g ea e ba ons, such as himsel " (p. 67). Po sua ez,
Wa en (1987), quando especula como e ia sido o einado de Simon de Mon o ,
a i ma que se es e "could ha e consolida ed his ule a e his iumph in ba le o e he
king a Lewes in May 1264, England migh ha e become like con empo a y Japan wi h
a igu ehead so e eign and he o ali y o powe in he hands o a eudal shogun" (p.
67
This heo y was so pe asi e ha e en he adical To y no elis G.P.R. James accep ed
i , sugges ing ha he 'Whig in e p e a ion' o his o y was endo sed no only by Whigs. In
Fo es Days (1843), James depic s Robin Hood as 'an English yeoman, o a e y supe io mind...
ou lawed, in all p obabili y, o his adhe ence o he popula pa y o he day, and aking a
sha e in he impo an s uggle be ween he weak and y annical, hough accomplished, Hen y
III, and ha g ea and ex ao dina y leade , Simon de Mon o , Ea l o Leices e '. (p. 75)
Seja como o , é ní ido que os i o ianos iam Mon o como um he ói
p og essis a, cujas ideias se encaixa am pe ei amen e na ealidade do século XIX.
Finalmen e, Simon Schama (2009), em A His o y o B i ain, suma iza a si uação da
seguin e o ma:
Nine een h-cen u y his o ians, celeb a ing he epic o English pa liamen a y libe alism,
imagined de Mon o 's assemblies as calmly delibe a i e ins i u ions- he Vic o ian e o m
ac s in medie al d ess- bu in ac Simon's e olu ion ook place amid immense social up oa ,
which, as he c isis deepened, h ea ened o ge comple ely ou o con ol. I was ue,
howe e , ha he pa liamen s o 1265 we e u e ly unlike he old oyal councils, bo h in hei
composi ion and he opics hey deemed p ope o deba e. No only ba ons and chu chmen
delibe a ed on he business o he kingdom, bu also knigh s o he shi e, elec ed by
assemblies o hei pee s, and e en bu gesses om he owns. So a clo h me chan o a Su olk
knigh wi h a ew ac es now go o judge he e ms on which he son o he king migh sa ely
be eleased om cap i i y! This was no ye any hing like a House o Commons, bu i ce ainly
ep esen ed an enla gemen o he poli ical communi y ha , by he s anda ds o eudal and
absolu is Eu ope, was b ea h akingly adical. Wi hou any ques ion i changed England. I
inaugu a ed he union be ween pa io ism and insubo dina ion. (p. 158)
3.5- A His o iog a ia Whig e o Re o m Ac de 1867
Pode su p eende -nos es a mudança algo epen ina ela i amen e a como os
his o iado es a aliam a condu a e as in enções de Mon o . Pa a começa mos a
74

en ende es a e olução, emos de discu i a eo ia do Jugo No mando ( he No man
Yoke). Segundo Ch is ophe Hill (1986), es a úl ima consis e no seguin e:
Be o e 1066 he Anglo-Saxon inhabi an s o his coun y li ed as ee and equal
ci izens, go e ning hemsel es h ough ep esen a i e ins i u ions. The No man Conques
dep i ed hem o his libe y, and es ablished he y anny o an alien King and landlo ds. Bu
he people did no o ge he igh s hey had los . They ough con inuously o eco e hem,
wi h a ying success. Concessions (Magna Ca a, o ins ance) we e om ime o ime ex o ed
om hei ule s, and always he adi ion o los Anglo-Saxon eedom was a s imulus o e e
mo e insis en demands upon he successo s o he No man usu pe s. (pp. 64-65)
Hill (1986) en ende que a eo ia exis e pelo menos desde o século XVI, mas
pode se ainda mais an iga. No século XVII, exis em duas e sões do Jugo No mando:
One s essed he unb oken con inui y o common law, which had ca ied Anglo-Saxon
libe ies in o pos -conques England: he o he , coming om he g oup o adical in ellec uals
a ound Thomas C omwell in he e olu iona y yea s o he Re o ma ion, a acked he whole
exis ing law as an alien imposi ion. Common o bo h e sions was he concep ion o ee
Anglo-Saxon ins i u ions. (pp. 66-67)
Ve i icamos assim a ideia de que as ins i uições anglo-saxónicas e am
'democ á icas', mas que o am abolidas pelos no mandos após a Conquis a de
Guilhe me I. Wal e Bageho (1873), na sua ob a The English Cons i u ion, conside a
es a eo ia pouco p o á el:
I canno p esume o speak o he ime be o e he conques , and he exac na u e e en
o all Anglo-No man ins i u ions is pe haps dubious: a leas , in nea ly all cases he e ha e
75
been many con o e sies. Poli ical zeal, whe he Whig o To y, has wan ed o ind a model in
he pas ; and he whole s a e o socie y being con used, he p eceden s al e ing wi h he
cap ice o men and he chance o e en s, ingenious ad ocacy has had a happy ield. (p. 336)
No en an o, é inegá el que o Jugo No mando enco ajou o pa io ismo das
classes mais des a o ecidas (Hill, 1986):
The No man Yoke heo y appealed o all he unde p i ileged, in he i s ins ance o
he me chan s and gen y who el hei p ope y endange ed by a bi a y go e nmen ,
a bi a y axa ion, and he en o cemen o eudal paymen s.
Bu he No man Yoke heo y also s i ed a p o ounde eelings o English pa io ism
and English P o es an ism. He ein lay i s s eng h. Men ough o he libe ies o England, o
he bi h igh s o Englishmen. (...) William and his successo s "lay as ba s and impedimen s o
he ue na ional in e es " (p. 74).
De ac o, Wal e Bageho (1873), alando da e olução das di e en es classes
sociais, a i ma que "The change in he s a e o he highe classes since he Middle Ages
is eno mous, and i is all imp o emen ; bu he lowe ha e a ied li le, and many
a gue ha in some impo an espec s hey ha e go wo se, e en i in o he s hey ha e
go be e " (pp. 335-336).
Hill (1986) en ende que, na época e olucioná ia do século XVII, exis i am ao
odo qua o in e p e ações di e en es do Jugo No mando:
(1) The Royalis doc ine jus i ying absolu ism by conques was killed by he Ci il Wa ;
bu i s ghos walked he ea h be ween 1660 and 1688, in he pos humous pamphle s o
Filme . (...) (2) [Edwa d] Coke's e sion we may call he Whig in e p e a ion: he common law
was he embodimen o Anglo-Saxon libe ies; once he ep essi e ins i u ions o he mona chy
had been abolished eedom was "by God's blessing es o ed". Fo he common law had
76
adap ed i sel o he needs o a comme cial socie y. Con inui y and he sanc i y o p ope y:
hese we e wha he conse a i e Pa liamen a ians wished o emphasize. The heo y o
su i ing Anglo-Saxon eedom and " he my h o Magna Ca a" a e essen ial o he Whig
in e p e a ion o English his o y. (3) The adical e sion o he Le elle s sugges ed ha he law
i sel legi imized inequali y. They agi a ed o d as ic legal e o m, o he ending o all
p i ileges. Magna Ca a i sel was bu a begga ly hing: p e-Conques equali y could be
eco e ed only by a wide ex ension o he anchise. (...) Some Le elle s based hei demands
on na u al as well as his o ical igh s. (4) Finally, he e was he mos adical g oup o all, he
Digge s, spokesmen o he dispossessed, who ad oca ed a clean sweep o eudal su i als and
he ending o p i a e p ope y in land. Looking bo h backwa ds and o wa ds, hey belie ed
ha ue equali y could be es ablished only by means o an a ack on he ins i u ion o
p ope y as such. Thei aim was " o enew he ancien communi y o enjoying he ui s o he
ea h, and o dis ibu e he bene i he eo o he poo and needy, and o eed he hung y and
clo he he naked. (pp. 92-93)
Ainda assim, a pa i de 1660, as eo ias dos 'Le elle s' e dos 'Digge s'
desapa ece am, bem como a in e p e ação Realis a, sob ando apenas a Whig.
Segundo Filipe Fu ado (2003), a pa i do início do século XIX, os his o iado es
ingleses libe ais (Whigs) p ocu a am "a pa i de e en os e ins i uições conside ados
decisi os no passado, es abelece algo como os elemen os essenciais da nação inglesa"
(p.60).
Vá ios ac o es con ibuí am pa a es a endência. Em p imei o luga , o
pa io ismo passou a se is o como uma a ma da oposição ao go e no. Segundo
Cunningham (1981):
(...) in ha cen u y [eigh een h] pa io ism was he c eed o opposi ion, and owa ds
he end o i he ocabula y and he o ic o pa io ism was becoming he dis inc i e ma k o
ex a-pa liamen a y adicalism. (...)
Righ h ough he i s hal o he 19 h cen u y and in o he second hal adicals
ins inc i ely used a ocabula y o pa io ism, no as an a a is ic su i al om hei eigh een h-
77
cen u y o bea s bu as a cons an ly e o ged ool o opposi ion, and as a means o possessing
he pas . (...)
Thence o wa d, e e y opposi ion o go e nmen in he 18 h cen u y (...) desc ibed i sel
as pa io ic and accused he go e nmen o co up ion. (...)
Wilkes, Ca w igh and he adicals we e aking he a gumen abou pa io ism ou o
he a ena o pa liamen a y poli ics, and claiming ha only a adical e o m o pa liamen i sel ,
only a es o a ion o los igh s, could oo ou co up ion, emo e he h ea o y anny, and
p ese e libe y. The pa io was he adical. (pp. 8-12)
De ac o, pa a os Whigs, a His ó ia consis ia numa sé ie de con li os en e as
pessoas que isa am o p og esso social e aquelas que enciona am a a es e úl imo.
Bu e ield (2002) explica es a ideia da seguin e o ma:
His o ical pe sonages can easily and i esis ibly be classed in o he men who u he ed
p og ess and he men who ied o hinde i (...) he will ind i easy o say ha he has seen he
p esen in he pas , he will imagine ha he has disco e ed a " oo " o an "an icipa ion" o he
wen ie h cen u y, when in eali y he is in a wo ld o di e en conno a ions al oge he , and he
has me ely s umbled upon wha could be shown o be a misleading analogy. (...) he comes o
imagine ha i ep esen s some hing like a line o causa ion. (p. 11)
Indo ao encon o daquilo que Cunningham e e e, os libe ais ingleses
equipa a am o p og essismo ao pa io ismo; po es e mo i o, não se á de es anha
que os Whigs a ibuíssem eno me impo ância à Magna Ca a. Segundo Filipe Fu ado
(2003):
Embo a, na sua g ande maio ia, os his o iado es incluí eis na o ien ação Whig
conside assem p imaciais e, em ce a medida, undado es (...) á ios (...) acon ecimen os (...),
p incipalmen e dois me eciam-lhes uma quase comple a unanimidade: a Magna Ca a e a
78
Re olução de 1688. (...) Nes a o dem de conside ações, con a am não só os condicionalismos a
ela [Magna Ca a] conducen es, mas ambém desen ol imen os mais a dios que es es
his o iado es conside a am es a -lhe de algum modo ligados. Assim, as o igens do Pa lamen o
e a subsequen e e olução des e e am não a o enca adas, enquan o ac o es de inc emen o
das libe dades, como consequências do documen o elu an emen e acei e (e depois ejei ado)
po João Sem Te a. (pp. 61-62)
Seja como o , apesa daquilo que o seu nome indica, es a his o iog a ia não e a
acei e exclusi amen e pelos Whigs. Segundo Jones (2000):
[Lo d] Macaulay was pe sis en ly c i ical o he way in which bo h To ies and Whigs
poli icized his o y by engaging in p eceden -hun ing. His eal hesis was ha 1688 was no an
exclusi ely Whig achie emen , bu ha To ies and Whigs we e able o ac in conce o depose
a y an . Indeed, he impo an hing abou Whig his o y was ha i came o cons i u e a so
o bipa isan o hodoxy, so ha a To y such as William S ubbs had li le di icul y aking i as
he amewo k o his his o ical wo k. (p. 54)
É necessá io sublinha que os Whigs endiam a glo i ica ce as pe sonagens
his ó icas (aquelas que, segundo eles, con ibuíam pa a o p og esso), a ibuindo-lhes
ca ac e ís icas he óicas i o ianas que es as p o a elmen e não possuíam. Hilai e
Belloc (2003) explica es a endência da seguin e o ma:
Whig his o y ook on a ious o ms and nuances. I is no homogeneous, and ha is i s
s eng h. (...) I also p oduced ha e y di e en o m o he o wo ship, o a any a e, o
idola y- he la e Vic o ian legend. Whig his o y made i impossible o he a e age English
educa ed man o unde s and he Middle Ages, sa e as a so o pic u esque pagean which had
no hing o do wi h his own de elopmen . When i ound in he Middle Ages, any hing which
could be wis ed in o some con o ed esemblance o he mode n hings which i p oclaimed,
Whig his o y lied wi hou es ain . Simon de Mon o became in i s hands, no a ehemen ,
79

somewha supe s i ious Ca holic F ench noble, bu an English middle-class P o es an and
e o me . Whigge y did no gi e him hose epi he s bu i implied hem (...). (p. 179)
Bu e ield (2002) conco da com es a explicação, e e indo que "i is pa and
pa cel o he whig in e p e a ion o his o y ha i s udies he pas wi h e e ence o
he p esen ; i has been aken o mean he s udy o he pas wi h di ec and pe pe ual
e e ence o he p esen " (p.11).
Tomando em conside ação a me odologia dos Whigs, podemos en ende o
ascínio dos i o ianos po Simon de Mon o . Es e úl imo e a uma igu a da Idade
Média, que, do pon o de is a dos libe ais, undou a Câma a dos Comuns e pe mi iu
que os ca alei os e os bu gueses i essem ep esen ação pa lamen a . Além disso, al
como imos no subcapí ulo 1.2, o conde de Leices e e a conhecido pela sua de oção
eligiosa, ao pon o de a i ma que a sua causa e a di ina. Os Whigs ecusa am-se a
econhece de ei os na condu a de Mon o , pois es e e a, segundo eles, um pa io a
adical que lu ou pelos di ei os dos ingleses. Po ou o lado, Hen ique III,
independen emen e de qualque aspec o posi i o do seu einado, e a is o como um
i ano de ido ao seu desp ezo pela Magna Ca a.
Culminamos a nossa discussão sob e o pe íodo i o iano com a ap o ação do
2º Re o m Ac . Es e úl imo, conhecido o malmen e como The Rep esen a ion o he
People Ac 1867, a ibuiu o di ei o de o o a indi íduos do sexo masculino da classe
ope á ia, an o em Ingla e a, como no País de Gales.
Segundo Janice Ca lisle (2014), em 1866, o a p opos o po Glads one (1809-
1898) um p ojec o de lei segundo o qual um homem podia o a , caso o alo de
alugue da sua p op iedade osse de £7, em ez de £10, como eza o Re o m Ac de
1832. I onicamen e, uma das maio es c í icas ao p ojec o de lei oi le an ada po
Robe Lowe (1811-1892), um libe al, que a gumen ou que o con olo sob e a Câma a
dos Comuns de ia se man ida pelos icos; além disso, Lowe ac edi a a que já ha ia
demasiadas pessoas sem a in eligência necessá ia pa a se em dignas do di ei o de
o o. Seja como o , o p ojec o acabou po acassa . Em Junho de 1866, o go e no
80
libe al demi iu-se e oi subs i uído po um go e no conse ado , com Benjamin Dis aeli
(1804-1881) no ca go de Chancello o he Excheque .
Ainda segundo Janice Ca lisle, em 1867, Dis aeli a gumen ou que o di ei o de
o o de ia se a ibuído a qualque homem adul o que i esse pago os impos os da sua
esidência. O p ojec o de lei que o polí ico conse ado in oduziu em Ma ço oi
ap o ado em Julho desse mesmo ano, e passou po uma sé ie de emendas, algumas
delas p opos as pelos Whigs. Em e mos p á icos, é p o á el que Dis aeli i esse
p opos o o p ojec o simplesmen e pa a que os To ies ganhassem as eleições
go e namen ais seguin es. No en an o, Bageho (1873) con a que chegou a pe gun a
aos conse ado es "Do you know ha you Conse a i e Go e nmen has b ough in a
Bill a mo e Radical han any o me Bill, and ha i is e y likely o be passed?". (p.
10)
De ac o, a p omulgação do Re o m Ac oi bas an e con o e sa. Richa d Al ick
(1973) en ende que es e oi, inicialmen e, ópico de uma sé ie de deba es de na u eza
ilosó ica:
Fundamen al ques ions o social and poli ical philosophy we e in ol ed, o now he
na ion had o ace squa ely he possible consequences o so b oad a anchise. Al hough some
uppe -class sympa hize s welcomed he de ju e democ a iza ion o B i ain's poli ical
ins i u ions, o he s we e un econciled o wha hey an icipa ed would be he de ac o
consequences. The o me ea o a med e olu ion was now eplaced by a no less anxious
app ehension o ballo -box democ acy. (p. 95)
Realmen e, na In odução à segunda edição da sua ob a The English
Cons i u ion, Wal e Bageho (1873) en ende que "I is oo soon as ye o a emp o
es ima e he e ec o he Re o m Ac o 1867. The people en anchised unde i do no
ye know hei own powe : a single elec ion, so a om eaching us how hey will use
ha powe , has no been e en enough o explain o hem ha hey ha e such powe "
(p.3). Mais à en e, Bageho (1873) e e e mais ap o undadamen e as objecções
81
p incipais à ex ensão do su ágio:
Bu he Re o m Ac o 1867 did no s op a skilled labo ; i en anchised unskilled labo
oo. And no one will con end ha he o dina y wo king-man who has no special skill, and who
is only a ed because he has a house, can judge much o in ellec ual ma e s. The messenge in
an o ice is no mo e in elligen han he cle ks; no be e educa ed, bu wo se: and ye he
messenge is p obably a e y supe io specimen o he newly en anchised classes. The
a e age can only ea n e y scan y wages by coa se labo . They ha e no ime o imp o e
hemsel es, o hey a e labo ing he whole day h ough; and hei ea ly educa ion was so
small ha in mos cases i is dubious whe he , e en i hey had much ime, hey could use i o
good pu pose.
(...)
In plain English, wha I ea is ha bo h ou poli ical pa ies will bid o he suppo o
he wo king-man; ha bo h o hem will p omise o do as he likes i he will only ell hem wha
i is; ha , as he now holds he cas ing o e in ou a ai s, bo h pa ies will beg and p ay him o
gi e ha o e o him. (pp. 9, 16)
Ma hew A nold (1938) conco da com Bageho , en endendo que as massas não
es ão p epa adas pa a a esponsabilidade do su ágio:
Ou masses a e qui e as aw and uncul i a ed as he F ench; and so a om hei
ha ing he idea o public du y and o discipline, supe io o he indi idual's sel -will, b ough o
hei mind by a uni e sal obliga ion o mili a y se ice (...) ha soone han submi o a
consc ip ion he popula ion o ha dis ic would lee o he mines, and lead a so o Robin
Hood li e unde g ound. (p. 76)
Ve i icamos, assim, que a maio p eocupação dos au o es da época consis ia na
possibilidade de as pessoas que ecebe am o su ágio não se em su icien emen e
82
in eligen es ou esponsá eis pa a usu ui des e pode .
Apesa des as objecções, oi a pe spec i a his ó ica i o iana que acabou po
jus i ica a ex ensão do su ágio. Como a i ma Jones (2000):
Whe eas e o m in 1832 had commonly been de ended as a once-and- o -all change
which would a e he need o u he ex ensions o he su age, he assump ion ha
unde lay he deba es o he 1860s was ha he poli ical sys em was almos by de ini ion in a
s a e o pe manen lux. Mos libe al in ellec uals (...) welcomed he b oadening o he poli ical
na ion, no jus because hey belie ed ha u ban wo ke s had demons a ed hei poli ical
ma u i y, bu also because hey held ha he ques ion o e o m had o be conside ed
dynamically. Since man's highe quali ies a e de eloped by being used, he bes way o ensu e
he ci ic educa ion o he wo king class was o gi e hem he o e. (p. 73)
Sublinhamos, no exce o an e io , a ideia de que o sis ema polí ico se
encon a a "in a s a e o pe manen lux", is o é, em cons an e al e ação. Po sua ez,
es as mudanças consis em na e olução da ma u idade polí ica. Es a úl ima só pode
oco e a a és do su ágio. Ve i icamos, assim, uma o ma de pensa mui o
semelhan e àquela na qual se baseia a his o iog a ia Whig, is o é, a ideia de que a
His ó ia consis e numa cons an e ei indicação de di ei os. Sob es e pon o de is a, o
Re o m Ac de 1867 consis e num passo ine i á el a caminho da ex ensão do di ei o de
o o e da ep esen ação pa lamen a .
83
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