Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Es udos Ingleses e No e-Ame icanos, ealizada sob a
o ien ação cien í ica do P o . Dou o Miguel Ala cão.
AGRADECIMENTOS
Gos a a de ag adece à minha amília pelo seu apoio mo al du an e a edacção
do p esen e abalho.
Ag adeço ambém ao p o esso Ala cão po e acei ado supe isiona es a
ese, bem como pelos seus conselhos e disponibilidade.
O LEGADO POLÍTICO-JURÍDICO DE SIMON DE MONTFORT SEGUNDO OS SEUS
CONTERRÂNEOS VITORIANOS
JOÃO JORGE CAPELO SOTTOMAYOR SPÍNOLA FERNANDES
RESUMO
Simon de Mon o é is o popula men e como o undado da Câma a dos
Comuns. No en an o, escassas são as ob as que discu em as in e p e ações que os
i o ianos e ec ua am do seu legado polí ico, numa época ica em e o mas
pa lamen a es.
Na p esen e ese, eco emos a ob as de di e en es séculos pa a aça
minuciosamen e a a aliação dos objec i os e da condu a de Mon o , desde o século
XIII a é ao Re o m Ac de 1867, a im de descob i uma possí el e olução. Pelo mesmo
mo i o, discu imos ambém a His ó ia da Câma a dos Comuns du an e o mesmo
pe íodo.
A nossa in es igação le ou-nos a conclui que, não obs an e as c í icas e ozes
e ec uadas a Mon o desde o século XVII a é inais do século XVIII, o conde de
Leices e oi glo i icado pelos i o ianos como um símbolo da ins i uição pa lamen a .
Aliás, a ideia de que Mon o o a comandan e de Robin dos Bosques a ibuiu à igu a
do conde de Leices e um ca ác e quase mí ico. Is o oi um esul ado da his o iog a ia
Whig, adop ada pela as a maio ia dos au o es i o ianos, que conside a a que
Mon o inha lu ado pela es au ação dos di ei os anglo-saxónicos, abolidos após a
conquis a de Guilhe me I.
PALAVRAS-CHAVE: Mon o , Câma a dos Comuns, His o iog a ia Whig,
Pa lamen a ismo inglês.
ABSTRACT
Simon de Mon o is popula ly ega ded as he ounde o he House o
Commons. Howe e , ew a e he wo ks discussing he in e p e a ions he Vic o ians
made o his poli ical legacy, du ing a ime ich in pa liamen a y e o ms.
In he p esen hesis, I shall make use o wo ks om di e en cen u ies o ace
ho oughly he e alua ion made o Mon o 's goals and conduc , om he hi een h
cen u y o he app o al o he Re o m Ac o 1867, in o de o disco e a possible
e olu ion. Fo he same eason, I shall also discuss he His o y o he House o
Commons du ing he same pe iod.
My esea ch led me o conclude ha , despi e he c i icism di ec ed a Mon o
om he six een h cen u y o he end o he eigh een h, he ea l o Leices e was
glo i ied by he Vic o ians as a symbol o pa liamen a y ep esen a ion. In ac , he
idea ha Mon o was commande o Robin Hood p o ided he igu e o he ea l o
Leices e an almos my hical quali y. This was due o he adop ion o Whig
his o iog aphy by he as majo i y o Vic o ian au ho s, who a gued ha Mon o had
ough o Anglo-Saxon igh s, which we e abolished a e William I's conques .
KEYWORDS: Mon o , House o Commons, Whig His o iog aphy, English
Pa liamen a ism.
ÍNDICE
In odução............................................................................................................1
Capí ulo I: Simon de Mon o is o pelos seus con empo âneos........................17
I. 1. Simon de Mon o nas c ónicas do século XIII..................................17
I. 2. Mon o como 'san o' inglês............................................................26
Capí ulo II: O legado de Mon o e a Câma a dos Comuns en e os séculos XIV e
XVIII.......................................................................................................................31
II. 1. A in luência de Mon o nos einados de Edua do I e Edua do II.....31
II. 2. A decadência da epu ação de Mon o ...........................................38
II. 3. A e olução da Câma a dos Comuns...................................................42
Capí ulo III: A igu a de Simon de Mon o no pe íodo i o iano.........................48
III. 1. A pe sonalidade e os objec i os de Mon o segundo os i o ianos...48
III. 2. A anglicização dos ba ões..................................................................55
III. 3. A con ibuição de Mon o pa a a e olução do pa lamen o inglês...63
III. 4. Simon de Mon o , comandan e de Robin Hood?.............................70
III. 5. A his o iog a ia Whig e o Re o m Ac de 1867.....................................74
Conclusão................................................................................................................84
Re e ências Bibliog á icas.........................................................................................87
In odução
Se isi a mos o canal o icial do Pa lamen o Inglês no You ube, encon amos um
ídeo chamado "Simon de Mon o and he Eme gence o Pa liamen ". Nes e úl imo,
emos Mon o (1208?-1265), conde de Leices e , ul ajado com a queb a da
p omessa do ei Hen ique III (1216-1272) de concede o pode a um conselho de 15
ba ões. Mon o p ome e a si mesmo e a Leono de Ingla e a (1215-1275), sua
esposa e i mã do ei, que Hen ique III se ia ob igado a escu a não só os ba ões, mas o
po o in ei o de Ingla e a median e um Pa lamen o (UK Pa liamen , 2014).
A julga exclusi amen e pelo ídeo, Mon o apa en a se um homem
ex emamen e p og essis a e democ á ico, p eocupando-se genuinamen e com a
ep esen ação pa lamen a do po o inglês, aliás, o conde de Leices e é popula men e
conside ado o undado da Câma a dos Comuns. Con udo, os his o iado es de inais do
século XX e do início do século XXI não êm uma imp essão assim ão posi i a de
Mon o . Pa a e idencia es e úl imo ac o, e e i emos a empadamen e as ob as
des es au o es ela i amen e à His ó ia de Hen ique III, Mon o e do Pa lamen o
inglês.
Quando João-Sem-Te a (1199-1216) alece, o seu ilho Hen ique III em apenas
no e anos, pelo que o go e no passa a se da esponsabilidade dos an igos minis os
do mona ca alecido, p incipalmen e do seu jus icia , Hube de Bu gh (1170-1243), e
de William Ma shal (1147?-1219), p oclamado gua dião do ei e do eino. No en an o,
em Julho de 1232, Bu gh é depos o no escaldo de um golpe o ques ado po Pe e des
Roches (?-1238), bispo de Winches e (Wa en, 1987, pp. 172-173). Roches enco aja
Hen ique III a concen a o pode local e cen al no sob inho do bispo, Pe e de Ri allis
(?-1262).1 En e an o, a egência de Roches assumiu um ca ác e despó ico, uma ez
que o bispo se apode ou das e as dos seus inimigos, apesa de al se p oibido na
Magna Ca a. Além disso, ac edi a a-se na al u a que os minis os es angei os de
Hen ique III coope a am odos com Roches. Em 1234, no escaldo de uma gue a ci il
que e e luga em 1233 e de uma ameaça po pa e dos ba ões, o mona ca acaba po
depo Ri allis, Roches e os apoian es des e úl imo. No en an o, a in luência do bispo a
1 Ri allis é e e ido como 'Pe e de Ri aux' em algumas ob as.
1
ní el polí ico nunca abandonou Hen ique III. De ac o, es e úl imo en endia que o
es a u o da co oa inha pe dido a sua dignidade, algo que ele p e endia es au a
(Jobson, 2012, pp. 1-2). Es a ideia não e a a ípica na Eu opa con inen al do século XIII,
a é po que es e úl imo assis iu a uma en a i a de easse ção do di ei o di ino dos eis
de exe ce o seu pode . No en an o, segundo Ca pen e (1996, pp. 76-77), Hen ique III
nunca oi adep o da eo ia do absolu ismo eal, pois um dos p incípios des a úl ima é o
de que o mona ca es á acima da lei (legibus solu us). Con udo, ainda segundo
Ca pen e (1996), a ob a De legibus e consue udinibus Angliae, de Hen y B ac on
(1210?-1268?), en ende que, apesa de o ei não p ecisa de obedece a nenhum
homem, ambém não pode queb a a lei (p.77). Wa en (1987) conco da com
Ca pen e , a i mando que B ac on "had no qua el wi h he p ecep o Roman Law ha
' he p inces's will is law', bu did no see i as a jus i ica ion o au ho i a ianism"
(p.180). Pelo con á io, ainda segundo Wa en (1987), "(...) he king o England could
no make law simply a his own pleasu e: cus om could be changed o new laws
amed only wi h he concu ence o he king and his ba ons" (p.180). De ac o, como
e emos mais adian e, os ba ões acusa am p ecisamen e Hen ique III de desobedece
à Magna Ca a. A en a i a po pa e do mona ca de in alida es a úl ima como
documen o legal e idencia que Hen ique III econhecia que inha de se sujei a às leis
do eino, al como os seus súbdi os.
Inicialmen e, Hen ique III e e algum sucesso em colma a as dí idas da co oa.
Segundo Jobson (2012), "O e hauling he excheque 's audi p ocess o he oyal
accoun s p o ed mode a ely success ul, while he p o i s gene a ed by he gene al
ey e, an i ine an judicial cou ha a elled om coun y o coun y hea ing ci il and
c iminal pleas, enabled he mona ch o discha ge many o his accumula ed deb s"
(p.2). Po ou o lado, Hen ique III designou ês nob es pa a cuida da, e explo a a,
p op iedade égia de o ma e icien e, a im de aumen a o luc o ob ido a a és da
mesma.
Os sucessos inancei os do ei so e am conside a elmen e quando es e in adiu
Poi ou em 1242; no en an o, após coloca impos os aos judeus, a si uação inancei a
do eino es abilizou du an e dois anos. Em 1244, e e início uma gue a na Gasconha e
a de esa des a úl ima esul ou em despesas conside á eis. Assim sendo, o mona ca
2
iu-se o çado a eque e o auxílio inancei o dos ba ões (Jobson, 2012, pp. 3-4).
Segundo Wa en (1987, pp. 174-175), os ba ões de Hen ique III não de em se
con undidos com aqueles que o ça am João-Sem-Te a a assina a Magna Ca a. Os
nob es do empo de Hen ique con e e am es a úl ima numa espécie de con a o
social en e o mona ca e a comunidade do eino. E, de ac o, é mesmo em nome des a
comunidade que os ba ões diziam ala , apesa das suas elações p óximas com o ei.
Aliás, é p ecisamen e de ido à lealdade que os supos os líde es dos ba ões inham
pa a com a co oa que a e olução ba onial e e luga apenas em 1258, mais de duas
décadas após o ei depo Pe e des Roches.
Na e dade, a consul a dos ba ões po pa e dos egen es inha um ca iz
ela i amen e consue udiná io, uma ez que os minis os ingleses i e am de go e na
o eino sem um mona ca desde pelo menos o empo da c uzada de Rica do I (1189-
1199). Es a si uação pe maneceu a é aos úl imos anos do einado de João-Sem-Te a e
eg essou após a mo e des e, de ido à mocidade de Hen ique III. De ac o, po mui o
au oc á ica que i esse sido a egência de Hube de Bu gh, ao menos zela a pelos
in e esses dos ba ões e consul a a-os com alguma egula idade (Wa en, 1987, p. 175).
Knowles (1965, p. 21) conside a Hen ique III um ei gene oso, mas ca en e da
capacidade de p e e as consequências dos seus ac os polí icos. Pa a além de con oca
o Pa lamen o di e sas ezes a pa i de 1240 a im de solici a impos os aos ba ões, o
mona ca a ibuiu ca gos impo an es a amilia es da sua mulhe , Leono da P o ença
(1223?-1291). De ac o, de ido ao descon en amen o com o einado de Hen ique III
po pa e dos ba ões, es es úl imos ecusa am os pedidos inancei os do mona ca
excep o se es e pe mi isse ce as e o mas polí icas que conside a a inacei á eis, uma
ez que e i a am pode à co oa.
Po ou o lado, Hen ique III ambiciona a ecupe a os e i ó ios ange inos
pe didos pelo seu pai em 1204; no en an o, es es p ojec os, pa a além de
dispendiosos, culmina am no acasso. Em 1248, o ei enca egou Simon de Mon o ,
conde de Leices e , de de ende a Gasconha, o único e i ó io ange ino ainda na posse
da co oa inglesa.
3
conde de Leices e e dos ba ões, e ia sido con a os in e esses des es úl imos depo o
mona ca e concede a co oa a Edua do. Assim sendo, Mon o e ia ap o ei ado a
si uação pa a concen a o pode na sua pessoa, o nando-se o iciosamen e no
go e nado do eino. Uma ez que o conde de Leices e se ecusa a a abdica do
pode , quando Edua do escapou aos seus gua das, euniu o ças leais ao ei e ma ou
Mon o na ba alha de E esham de Agos o de 1265 (Knowles, 1965, p.25).
Knowles (1965) desc e e a condu a de Mon o da seguin e o ma:
The a dou wi h which Simon u ged he en o cemen o he P o isions o Ox o d
canno be aken a ace alue. He had played no decisi e pa in d awing up o applying he
ba onial e o ms; owa ds his colleagues in he ba onial go e nmen he was obs uc i e and
ac ious. His in e en ion in English a ai s in 1263 was oppo unis . He used he dis u bances
o ha yea , which we e la gely unconnec ed wi h he P o isions o Ox o d, o seize con ol o
he go e nmen . (...) A e Lewes he exe cised he un es ained powe ha he had denied he
king and by se ing no ime limi o he ope a ion o his p o isional go e nmen , he disclosed
himsel as conce ned p ima ily wi h he con inuance o his own au ho i y. (...) Ha ing su e ed
deeply and epea edly om Hen y's incapaci y and un eliabili y, Simon joined in he ba onial
a emp s o cu b he king's misgo e nmen in he hope o ensu ing o himsel he deciding
oice in a ai s his ambi ion demanded. (p.28)
Tendo concluído es a b e e e ocação da his ó ia e do pe cu so polí icos de
Mon o , p ossegui emos ago a pa a a do Pa lamen o inglês.
O documen o mais an igo com a pala a 'Pa lamen o' é a Chanson de Roland,
esc i a no século XI; no en an o, o e mo é u ilizado pa a designa uma con e sa. Mais
a de, du an e o século XII, as Assembleias em I ália e am chamadas 'pa lamen i'. Em
Ingla e a, a eunião dos ba ões em Runnymede (na qual oi assinada a Magna Ca a)
oi e e ida como um 'pa liamen ' (Mackenzie, 1963, p. 12). No en an o, o e mo não
e a ipicamen e u ilizado pelos ingleses pa a designa uma Assembleia Pa lamen a .
Aliás, segundo T eha ne (1969, p. 27), nem mesmo os c onis as a u iliza am, p e e indo
10
concilium ou colloquium a é 1240. Quem usa Pa lamen um pela p imei a ez é
Ma hew Pa is (1200?-1259), em 1246.
Polla d (1926) e ec ua a seguin e a aliação do su gimen o do Pa lamen o e da
Câma a dos Comuns:
(...) he o igin o pa liamen s mus be aced back o Hen y II a he han o Simon de
Mon o o Edwa d I. I Hen y had no made he king's cou he ma ix o England's common
law, nei he Simon no Edwa d could ha e made i he ma ix o England's common poli ics ;
o a ounda ion o common law was indispensable o a house o common poli ics. Hen y had
made he cou s, held in his palace a Wes mins e , he common eso o all his subjec s
abo e he ank o illeins. By in i ing and a ac ing he e o men om all qua e s o England,
he had gi en hem a common amewo k o hei ideas o law and libe y. He had made
escape om local ammels and ecou se o a na ional oun o ideas a habi wi h his people.
E en du ing he oublesome eign o Hen y III, he king's cou inc eased he numbe o o ms
o w i o judicial p ocess om six y o o e ou hund ed and i y : and e e y new p ocess was
a esh ne e de eloped be ween he mona chy and i s subjec s, a esh means o linking he
b ain wi h he body o he communi y. (...)
He e in he shi e cou s was acqui ed ha habi o common ac ion, and he e was laid
ha ounda ion o public opinion, upon which he house o commons was based. I may be
ha undue s ess has been laid upon he ac ha , while Simon de Mon o summoned he
ci izens and bu gesses o his pa liamen by w i s add essed di ec o he ci ies and bo oughs,
Edwa d I sen he w i s h ough he she i s and had he e u ns made in he shi e cou s. I
was, indeed, mo e han a ques ion o me e machine y, o he common e u n o knigh s o he
shi e and bu gesses in he same shi e cou s emphasized a communi y which was e ained in
he house o commons. Bu he links we e o ged a an ea lie pe iod, and we e made o
s ou e s u han she i s' w i s. (...) Simila ly he e a e g ounds o belie ing ha ci ies and
bo oughs had been ep esen ed a Wes mins e be o e Simon de Mon o issued his w i s and
ha he pe i ions om owns which abound in he ea lies " Rolls o Pa liamen s " had no
sp ung up in a gene a ion ; and again, all ha Simon did was o sys ema ize, and pe haps u n
o poli ical and pa y pu poses, a habi o ep esen a ion ha had long ob ained in he ed ess
o g ie ances and he adminis a ion o jus ice. The i ine an jus ices did no exhaus he
judicial business o he coun ies o he judicial powe s o he king's cou . The e was always he
11
ese e a Wes mins e ; o ap jus ice a i s sou ce he coun ies had o appea by hei
ep esen a i es in he cu ia egis, and he o iginal pu pose o pa liamen , as decla ed on
coun less occasions h oughou he ou een h cen u y, was by means o a join session o he
cou s o ed ess delays and de e mine cases in which he judges we e in doub . (...) The house
o commons was no , in ac , c ea ed ei he by Simon de Mon o o by Edwa d I.
Rep esen a i es o ci ies, and bo oughs a ended he king's cou a Wes mins e o judicial
and inancial pu poses be o e ei he Simon o Edwa d issued hei amous w i s. They came,
indeed, and no as a body o men ; bu hei o ganiza ion in o a "house " o commons equi ed
a g ea deal mo e han he simul aneous summons o shi es and bo oughs issued by Simon
and Edwa d. I g ew up du ing he ou een h cen u y, and i s g ow h is slow and obscu e. The
"Rolls o Pa liamen s " ell us li le abou he house o commons, because hey a e only
conce ned wi h wha is done in pa liamen , and echnically he discussions and o he domes ic
business o he house o commons a e no ansac ed in pa liamen a all. Down o his day he
commons' deba es a e beyond he ken o he cle k o he pa liamen s, an o icial who si s in
wha has come o be called he house o lo ds. In he ou een h cen u y hey we e held in he
e ec o y o he chap e house o he abbey o Wes mins e ; and as la e as he eign o Hen y
VII he commons only "appea " in pa liamen when hey come o hea he opening speech, o
p esen hei Speake o announce by his mou h he decisions hey ha e eached on he
business submi ed o hei app o al. (pp. 36, 110-113)
Na u almen e, a undação do Pa lamen o não oi um enómeno exclusi amen e
inglês. R. H. Lo d (1969) en ende que es as assembleias "usually a ose in ha s age o
poli ical e olu ion when, amid he decay o eudalism, he p ince, engaged in building
up a mo e (...) highly o ganized na ional o e i o ial s a e, (...) el he need o
enlis ing he suppo o he poli ically ac i e classes o he popula ion (...)" (p. 22).
Especi icamen e, se iam mui as ezes p oblemas inancei os que le a iam os mona cas
a con oca Pa lamen os, pois es es úl imos pe mi iam negociações com os demais
senho es eudais.
Segundo João Soa es Ca alho (1989), "As o igens ins i ucionais do Pa lamen o
e ão de se p ocu adas nos an igos Conselhos, nos quais os eis medie ais se
apoia am pa a o na em mais e icaz a sua go e nação e pa a que a sua au o idade
osse espei ada e emida po odas as classes ou es ados do eino" (p. 22). Assim
12
sendo, o Pa lamen o e á nascido "duma necessidade gené ica do di ei o na u al, que
paula inamen e se oi ins i ucionalizando, na p á ica dos ó gãos de apoio ao mona ca,
os quais ão omando consciência das unções polí icas que en ão exe ciam" (p.22).
O p imei o dos Conselhos e e idos oi o Wi enagemo ou 'Assembleia dos
No á eis', que apa en a e -se o nado no ó gão ge al do eino a pa i do século IX.
Con udo, segundo Felix Liebe mann (a pa i de Andy Blunden, 2016, p. 31), o
Wi enagemo e a a mesma ins i uição que o his o iado Táci o (56?-120?) a i ma e
sido undada pelos po os ge mânicos no século I d.C. Assim sendo, es a Assembleia
e á exis ido an es da p óp ia mona quia inglesa.
O Wi enagemo e ia sido um Conselho pode oso, endo inclusi e elei o o ei
Al edo em 871. E nes Ba ke (1996, p.11) a i ma que es a Assembleia e ia po ol a
de 100 memb os, mas que não se ia nem elei a nem ep esen a i a. Reg essando a
Ca alho (1989), es e desc e e as unções do Wi enagemo da seguin e o ma:
(...) os Wi an legisla am com o mona ca, nomea am ealdo men e in es iam bispos;
aziam concessões de e a à Co oa, dec e a am impos os, decidiam sob e a gue a e a paz e
cons i uiam-se em Sup emo T ibunal de Jus iça. Os assun os eligiosos e eclesiás icos e am
ambém deba idos e decididos no Wi enagemo , como ó gão máximo dos anglo-saxões em
odas as á eas do pode . (...) o Wi enagemo saxão oi (...) um alioso an eceden e his ó ico do
Pa lamen o inglês, dada a sua capacidade legisla i a, judicial e ju isdicional (...). Não podemos,
no en an o, a i ma que o Wi enagemo enha sido um ó gão linea do p ocesso e olu i o que
deu o igem es u u al ao Pa lamen o. (...) não de ec amos no Wi enagemo qualque ideia de
ep esen ação adminis a i a ou egional, nem a mínima p eocupação de associa ao Conselho
dos No á eis a opinião de delegados das cidades e dos bu gos. (p.26)
Po sua ez, Blunden (2016, p. 31) en ende que a o ma de o Wi enagemo
chega às suas decisões se chama 'Counsel'. Es e úl imo é desc i o po São Ben o (a
pa i de Blunden, 2016), u ilizando o exemplo dos mos ei os:
13
As o en as any hing impo an is o be done in he monas e y, he abboy shall call he
whole communi y oge he and himsel explain wha he business is; and a e hea ing he
ad ice o he b o he s, le him ponde i and ollow wha he judges he wise cou se. The
eason why we ha e said all should be called o counsel is ha he Lo d o en e eals wha is
be e o he younge . The b o he s, o hei pa , a e o exp ess hei opinions wi h all
humili y, and no p esume o de end hei own iews obs ina ely. The decision is a he he
abbo 's o make, so ha when he has de e mined wha is mo e p uden , all may obey. (p.31)
Assumindo que a desc ição de São Ben o se aplica, de ac o, ao uncionamen o
do Wi enagemo , podemos equipa a o e e ido abade ao ei e os i mãos aos nob es.
O Conselho que, de ac o, an ecedeu o Pa lamen o inglês oi o Magnum
Concilium. Es e oi ins i uído po Guilhe me I (1066-1087) e ocupa a-se, segundo
Ca alho (1989), em "auxilia o ei na ei u a das leis e no julgamen o de causas
le adas ao T ibunal do Rei" (p.27). Ba ke (1996, p. 11) en ende que o Concilium inha
cen enas de memb os, mas que ep esen a a unicamen e os in e esses dos g andes
p op ie á ios de e as.
Segundo Ca alho (1989), é possí el ainda que o chamado Commune Concilium
i esse sido um Conselho o gânico an eceden e do Pa lamen o, ainda que is o seja
discu í el. Seja como o , a exp essão Commune Concilium (que encon amos na
Magna Ca a) pode e e i -se "a um Conselho o gânico nacional (...) aos Conselhei os
do ei (...) às opiniões dos Conselhei os (...)" (p.31).
No en an o, Polla d (1926) en ende que:
Magna Ca a says no hing abou a magnum concilium o i s igh s; i i s consilium is a
council a all, i is a council o which only he g ea e enan s-in-chie we e o ecei e a
pe sonal summons; and his di e en ia ion o summons would enable he c own o
disc imina e mo e o less a will be ween he holde s o a common enu ial quali ica ion. The
inabili y o he ba ons o o mula e an al e na i e cons i u ional p inciple in 1258 educed
hem o he c ude expedien o simply naming he indi iduals who we e o a o ce he council
14
and con ol he king. Thei own leade , Simon de Mon o , was he i s o disce n he
weakness o his scheme, and o se he example o ex ending he anchise in o de o b eak
down an oliga chical opposi ion. The ba onial " a o ce s" migh hemsel es be a o ced by
lesse ba ons, knigh s, and bu ghe s. Simon's pa liamen can ha dly ha e been designed o
any o he objec han he cu bing o he magnum concilium; and Edwa d I had simila g ounds
o making pa liamen a ep esen a i e ins i u ion. The magnum concilium migh be swamped
in pa liamen , and he king's council be hus elie ed o i s independen magna es. (p. 30)
Ba ke (1996) e e e que a undação da Câma a dos Comuns e ia sido
p incipalmen e "acção do ei", que deseja a "escapa à p esença única e indi isí el de
um só co po de senho es eudais" (p.12).
O úl imo Conselho an e io ao Pa lamen o oi a Cu ia Regis, compos o po
nob es especializados em assun os legisla i os, execu i os e judiciais. Segundo
Ca alho (1989), a Cu ia Regis unciona a como um "Conselho de Minis os sob a
p esidência do sobe ano" (p.35). Hen ique I (1100-1135) chegou a ec u a "jo ens
quali icados, sem a ende na selecção à sua o igem, mas sim às suas capacidades"
(Ca alho, 1989, p. 37) a im de a a assun os execu i os.
Os au o es que e e imos colocam a hipó ese de que a condu a de Mon o oi
mo i ada mais po ambição que po in enções democ á icas. Além disso, a undação
do Pa lamen o (e, po ex ensão, a Câma a dos Comuns) apa en a consis i no esul ado
de uma e olução polí ica que e e início mui os anos an es do nascimen o de
Mon o . Assim sendo, cabe-nos pe gun a po que azão o conde de Leices e é
idealizado an o pelo po o inglês como pelo p óp io Pa lamen o.
No p esen e abalho, p ocu a emos aça a e olução da epu ação de Simon
de Mon o , en a izando p incipalmen e o pe íodo i o iano, sendo es a a al u a de
uma sé ie de e o mas pa lamen a es impo an es. Se ia adequado e mina a nossa
in es igação no ano de 1865, 600 anos após a mo e de Mon o , mas con inua emos
a é 1867, pois es e é o ano da p omulgação da 2ª Re o m Law.
No p imei o capí ulo, discu i emos como Mon o é desc i o pelos c onis as
15
seus con empo âneos, bem como a canonização popula des e úl imo. No segundo
capí ulo, abo da emos a o ma como Mon o oi is o desde a sua mo e a é ao
século XIX, bem como o seu legado polí ico a cu o e médio p azo; logicamen e, is o
inclui á ala da e olução da Câma a dos Comuns du an e o mesmo espaço de empo.
Finalmen e, no úl imo capí ulo, discu i emos como o conde de Leices e e os ba ões
e am desc i os pelos i o ianos e como a his o iog a ia da época con ibuiu pa a o
e ei o.
16
Capí ulo I: Simon de Mon o is o pelos seus
Con empo âneos
1.1- Simon de Mon o nas C ónicas do Século XIII
Em e mos ge ais, as c ónicas que e e em as Gue as Ba oniais, pa a além de
escassas, ambém ela am uma sé ie de ou os acon ecimen os nos mesmos anos
des as úl imas. Assim sendo, e e i emos as opiniões dos c onis as que encon ámos
ela i amen e a cada episódio das Gue as Ba oniais po o dem c onológica.
Começando com o episódio da es adia de Mon o na Gasconha, é ní ido que
os c onis as da época não censu a am o conde de Leices e pela sua condu a. Segundo
Pa is (1853):
(...) Simon de Mon o , ea l o Leices e , (...) se sail o subdue he king's enemies in
Gascony. He a i ed in ha p o ince in g ea o ce, a ended by a la ge body o oops, and
supplied wi h a good sum o he oyal money, and a once p oceeded o a ack he king's
enemies, who had ai o ously aised he heel agains him. He subdued Gas on, Rus ein,
William de Solai es, and all he mo e dis inguished nobles o Bo deaux, and beha ed wi h such
b a e y and ideli y ha he dese edly ob ained he p aise and a ou o all he king's iends
(...).
On a i ing a London, he mos u gen ly demanded e ec ual assis ance om he king,
bo h in money and oops, o check he insolence o he ebellious Gascons (...)
They sen wo d o he king ha he (...) ea l was a mos in amous ai o , ha he was
amassing an endless sum o money, which he ex o ed om nobles, ci izens, and plebeians,
spa ing no one, and elling hem ha he king, who was in need and abou o p oceed on a
pilg image, would ecei e i all; bu all o which he usu ped possession o o himsel . In
addi ion o his hey b ough a se ious accusa ion agains him, namely, ha he had summoned
o his councils in a peace ul way ce ain nobles o Gascony who had been mos ai h ul subjec s
o he king, and ha a e ha ing summoned hem, like Sinon, and no Simon, he eache ously
de ained hem, imp isoned hem, and s a ed hem o dea h; and by hese and such-like
17
whispe ed complain s, hey ende ed he ea l an objec o suspicion o he king.
Fluc ua ing hen in a s a e o unce ain y, he suddenly and sec e ly sen in o Gascony
his cle k, Hen y o Wengham, a sub le and p uden man, o make diligen inqui y conce ning
he a o esaid complain s, in o de ha he, he king, migh gain indubi able in o ma ion on he
ma e ; in he same way in which he had o me ly sen Geo ey o Langley o inqui e in o he
p oceedings o Robe Passel e when lying unde suspicion, o sea ch ou wha was sec e in
he ma e - o ind ou a kno on a smoo h cane, and an angle in he ci cum e ence o a ci cle;
bu each inspec o ailed in his sc u iny. The ea l, when he hea d o hese p oceedings, was
g ea ly en aged o a wo old eason, and decla ing his innocence o he king, said, "How is i ,
my lo d king, ha you incline you ea and you hea o he messages o hese ai o s o you
and belie e hose who ha e o en been con ic ed o eache y a he han me you ai h ul
subjec ; and hus ins i u e an inqui y in o my ac ions. To his he king, who was become mo e
calm, eplied, "I e e y hing is clea , wha ha m will he sc u iny do you? Indeed you ame will
beocme b igh e by i ." The ea l hen being humbled, and ha ing made eady o depa o
Gascony, he king, a his en ea y, supplied him wi h a la ge sum o money. The ea l, he e o e,
wi h all has e c ossed he sea, bu in no calm s a e o mind o he pu posed o ake condign
engeance o he inju y done him by such se ious accusa ions. (...)
In he same yea , an e il epo was sp ead agains Simon, ea l o Leices e , and a
se ious accusa ion was laid agains him be o e all he nobles o he ul ama ine p o inces, ha
he had ac ed eache ously o he ai h ul subjec s o his lo d he king o England; ha he had
imp isoned hem and inhumanly slain hem by he swo d, o s a ed hem o dea h; and ha
he had seized possession o hei cas les and lands; so ha he showed himsel o be a he a
c uel usu pe o owns and ci ies, and a b u e-like des oye o man, han a p ese e o he
enan y o his lo d, whom he was endea ou ing o dep i e o his inhe i ance. (pp. 312, 476-
477, 485)
Nes e aspec o, a opinião do monge não se dis ancia da dos his o iado es do
século XXI, nem mesmo quando Pa is (1889), e e indo-se à condu a dos ba ões,
a i ma que " hey made oa h oge he , and came o a i m de e mina ion unde penal y
o an ana hema, ha a his council no one should, on any accoun , consen o any
ex o ion o money o be a emp ed by he king" (p.397).
18
No en an o, William de Rishange (a pa i de Hu on, 1907), em uma isão
mais idealis a dos magna as. Quando e e e as dispu as en e os ba ões, en ende que
es es úl imos de iam lu a pelo bem de Ingla e a: "Hence o he s ha e begun o aise
con en ion in he land, And hose ake sides who ough o join oge he , hand in hand;
No seek hey peace and conco d, bu agains each o he band, Bu how o end he
hings begun hey canno unde s and" (p.99). O c onis a ambém e e e, na mesma
página, o en iquecimen o dos es angei os à cus a dos ingleses: "So languishes ou
common weal, he land is desola e, And o eigne s g ow migh y on he uin o ou
s a e. Ou na i e Englishmen a e sco ned as men o low es a e (...)". Rishange apela a
Mon o (a pa i de Hu on, 1907) pa a sal a Ingla e a: "Ea l Simon, oo, o
Mon o , hou powe ul man and b a e, B ing up hy s ong ba alions hy coun y
now o sa e. Be no dismayed by menaces o e o o he g a e. De end wi h migh
he public cause; naugh else hine own needs c a e" (p. 100). Ve i icamos, assim, que
Rishange conside a a Mon o um he ói co ajoso que sal a ia o eino inglês.
Pa is (1853) a i ma o seguin e:
(...) he king, in he p esence o he nobles, wi h his own mou h, asked o pecunia y
assis ance, passing o e in silence his design o making wa on he king o Sco land. (...) When
he nobles le he e ec o y, he a chbishops, bishops, abba s [sic], and p io s me oge he in
a p i a e place by hemsel es, o delibe a e on he ma e , and a leng h asked he ea ls and
ba ons i hey would ag ee o hei ad ice, in gi ing an answe , and making p o ision in his
case; o which he la e eplied, ha hey would do no hing wi hou he common consen o
he whole communi y. By unanimous consen , he e o e, he e we e chosen, (...) on behal o
he lai y. Ea l Richa d, he king's b o he , Ea l Bigod, Simon de Mon o , ea l o Leices e , and
Ea l W. Ma shall; and on he pa o he ba ons, Richa d de Mon iche and John Baliol, and he
abba s [sic] o S . Edmonds and Ramsey; so ha wha e e hose wel e migh de e mine on,
should be published o all in gene al, and ha no e ms should be o e ed o he king, unless
by gene al consen o all. (pp. 7-8)
Quando Pa is ala da 'whole communi y', en enda-se dos ca alei os e dos
19
o he e ms p ea anged, because he had he king and he whole kingdom in his powe . A
leng h he placed he king o he Romans in he Towe o London, and Edwa d and Hen y, (...)
he placed unde con inemen in he cas le o Do e , aking he king o England abou wi h him
always. Bu wha e e place hey wen o, he was always ecei ed wi h honou , and as a king,
and he ea l showed him e e y kind o espec . (...)
The ea l o Leices e was no con en wi h de aining he king o England in his own
cus ody, bu ook he king's cas les unde his own au ho i y, and a anjed he a ai s o he
whole kingdom a his own will. And wha was a p incipal g ound o o ence was, ha he
claimed en i ely o himsel alone, he p oceeds and p o i s o he kingdom, he ansoms o
p isone s, and o he emolumen s, which ough , acco ding o he e ms o hei ag eemen , o
be di ided equally be ween hem. (...) Mo eo e , Gilbe de ended all he noble knigh s o he
ma sh (...), whom Ea l Simon had by a public edic o de ed o e acua e he kingdom, and
ha ing sen o hem o him, ook hem in o an alliance wi h him. (pp. 350, 352)
Em suma, é necessá io sublinha que a imp essão que os c onis as do século
XIII êm de Mon o e dos ba ões é, em e mos ge ais, bas an e posi i a. A ambição do
conde de Leices e é e e ida an o po Pa is como po Rishange , mas es es au o es
não deixam de elogia a co agem e a con ibuição de Mon o pa a o Pa lamen o.
1.2- Mon o como 'San o' Inglês
Segundo John Law ence (2005), a 'san idade' de Simon de Mon o assumiu
inicialmen e um ca ác e polí ico:
I de Mon o 's sain hood had ecei ed he kind o oyal suppo ha had become
necessa y o success ul canoniza ions in his pe iod, his o ians would ind hemsel es
conside ing which aspec s o he ea l's epu a ion we e use ul enough o he egime o Hen y
III o jus i y he expense o a canoniza ion p ocess. Since he opposi e is he case, and de
Mon o was a dead ebel and his cul was supp essed, any conside a ion o ha
phenomenon mus begin wi h his appeal o he enemies o he king.
26
Fo a ime, he sanc i ied Simon se ed o balance an equally demonized king. (p.101)
Uma ez que, enquan o i o, o conde de Leices e o a o símbolo po excelência
da oposição a Hen ique III, con inuou a exe ce essa unção, após a mo e, como má i
da libe dade inglesa.
É ce o que Mon o e a um homem mui o eligioso. Nem os i o ianos nem os
con empo âneos de Simon de Mon o du idam da eligiosidade do conde. Segundo
Blaaw (1871), "Al hough de Mon o has been ep oached by a mode n his o ian
[Da id Hume] as a eligious hypoc i e, he e is no p oo wha e e o such a cha ge, no
was i e e made in his li e- ime (...)" (p.165). Blaaw (1871) e e e que, an es do início
da ba alha de Lewes, o conde de Leices e "did no omi amids all his ca es ha p aye
and a endance on eligious se ices, which was ema ked as his cons an cus om"
(p.164) Mon o e á con encido os seus soldados a con essa e pedi pe dão a Deus
pelos seus pecados, o que e á le ado o bispo de Wo ces e a p omes e aos mesmos a
ida pa a o Céu caso eles mo essem no campo de ba alha. Além disso, os soldados
e ão colocado uma c uz b anca nas suas oupas, cos ume dos c uzados que, nes e
caso, simbolizou a na u eza sag ada da sua causa.
Segundo a c ónica de Mel ose (a pa i de Hu on, 1907), Mon o a é se
le an a a e se dei a a segundo a on ade de Deus: "he used o ise abou midnigh , a
he wa ning o some ho ologe, which no one hea d sa e himsel , i i be pe mi ed o
desc ibe God's p o idence as an ho ologe, o i ne e ailed him(...) a wax ape was
his ho ologe (...) and God so adjus ed his ape (...)" (pp. 161-162).
Aliás, De Shepis (a pa i de Blaaw, 1871) a i ma que, du an e a ba alha de
E esham, o conde de Leices e ' ough s ou ly like a gian o he libe ies o England" e
que, quando lhe o dena am que se endesse, g i ou "Ne e will I su ende o dogs and
pe ju e s, bu o God alone" (p. 276). Blaaw (1871) e ec ua uma desc ição bas an e
ap o undada do es ado do empo du an e a ba alha:
27
The a mosphe e had been dis u bed du ing he ba le by a iolen s o m o hunde
and hail, accompanied by an ea hquake; and he da kness was so dense in many pa s o he
coun y, ha he p ies s could no see o ead p aye s in hei chu ches. These we e so many
signs o he eady supe s i ion o he people ha hea en sympa hised wi h hei g ie a he
des uc ion o hei champions, while (in he ph ase o he imes) he people o he Lo d we e
in o men . "Wi h a simila eeling an ominous in e p e a ion was now gi en o he appea ance
o a g ea come , which sp ead i s ligh ac oss hal he hea ens du ing se e al mon hs his yea .
No phenomenon o his na u e was emembe ed, and all manne o calami ies we e a ibu ed
o i by a ious pa ies. One ch onicle [Wyke] supposes i o ha e p esaged he ba le o
E esham, ano he obse es wi h much simplici y ha , " hough i may ha e okened many
hings in o he pa s o he wo ld, his one a any a e is ce ain, ha du ing i s h ee mon hs'
du a ion Pope U ban began o be ill exac ly a i s appea ance, and died he e y nigh he
come disappea ed. (p. 281)
De ac o, a mo e iolen a de Mon o oi equipa ada à c uci ixação de C is o.
Além disso, con ou-se na al u a que o pei o do conde não sang ou quando oi
espassado, que os seus memb os de ama am óleos doces e que nenhuma pa e do
seu co po apod eceu. (Law ence, 2005, pp.130-131).
Segundo Blaaw (1871):
As he news o his [Mon o 's] dea h sp ead o e he land he e was a suspension o
mi h, and an uni e sal lamen a ion a ose, un il he sighs we e u ned in o hymns o p aise and
gladness by he nume ous mi acles announced o ha e been e ec ed by his unconque able
i mness and pa ience and pu i y o ai h, and hese ga e hopes o he ea e eco e ing om
he opp ession o he wicked. (p. 287)
Po ou o lado, alguma impo ância de e se a ibuída ao supos o es ado do
empo imedia amen e após a mo e de Mon o . Ma hew Pa is (1854, p. 354) a i ma
que "A he ime o his [Mon o 's] dea h, a s o m o hunde and ligh ning ocu ed,
28
and da kness p e ailed o such an ex en , ha all we e s uck wi h amazemen ." Po
um lado, o alo simbólico da empes ade pode se explicado de ido a um episódio da
ida de Hen ique III. Ainda segundo Pa is (1854):
One day he [king Hen y III] had le his palace a Wes mins e (...) when he sky
became obscu ed and a hunde s o m came on, a ended wi h ligh ning and hea y ain (...).
When he ea l [Mon o ] knew o he king's a i al, he wen joy ully o mee him, and, by way
o com o ing him, said, "Wha do you ea ? The s o m has now passed o e ." To his add ess
he king eplied, no jes ingly, bu se iously and wi h a se e e look, "I ea hunde and
ligh ning beyond measu e; bu , by God's head, I ea you mo e han all he hunde and
ligh ning in he wo ld. (pp. 294-295)
Tomando em conside ação o medo do ei de o ões, a empes ade que e e
luga após a ba alha de E esham pode á e sido is a como uma mani es ação da i a
di ina di igida a Hen ique III. Aliás, segundo Blaaw (1871, p. 288), os p imei os
milag es elacionados com Mon o o am es emunhados pelos seus inimigos.
Quando um mensagei o oi a uma ig eja le a a Lady Ma ilda a cabeça e as mãos do
conde de Leices e , es as úl imas le an a am-se sozinhas e jun a am-se como se o
es o do co po es i esse em o ação.
P e isi elmen e, os milag es acaba am po deixa de a ec a nega i amen e os
inimigos do conde de Leices e e começa am a e um e ei o bené ico no po o inglês.
Reg essando a Law ence (2005, p. 125), a in luência do bispo Robe G osse es e
(1175?-1253) em Mon o e á subsis ido mesmo após o alecimen o do p imei o,
uma ez que, segundo o Libe Mi aculo um, um apaz inicialmen e mudo e ia di o que
o conde de Leices e i ia alece em E esham, não obs an e a ajuda do 'San o Robe '.
Segundo Knowles (1965), mais de 200 milag es o am a ibuídos a Mon o nos
p imei os eze anos após a sua mo e e "All kinds o cu es we e e ec ed: con ulsions,
blindness, dumbness, e en dea h i sel ga e way be o e Simon's powe " (p.6).
29
Em conclusão, al como a i ma Law ence (2005, pp. 135-136), os milag es de
Simon de Mon o , bené icos pa a os seus aliados e eneb osos pa a os seus inimigos,
simboliza am a sanção di ina da causa do conde de Leices e e dos ba ões con a o
go e no de Hen ique III.
30
Capí ulo II- O Legado de Mon o e a Câma a dos Comuns
en e os Séculos XIV e XVIII
2.1- A In luência de Mon o nos einados de Edua do I e Edua do II
Edua do I possi elmen e espe a a que a mo e de Mon o pusesse um e mo
às e ol as ba oniais e à insis ência po pa e dos magna as na obediência à Magna
Ca a; no en an o, escapou po pouco a uma no a gue a ba onial.
Em 1275, ês anos após a co oação de Edua do, es e con ocou a sua p imei a
assembleia pa lamen a , com a p esença de cidadãos3 e ca alei os; es es e iam
con ibuído com apoio mo al e inancei o. Con udo, apesa de Edua do e con ocado
uns in a Pa lamen os em in e e cinco anos, só qua o apa en am e incluído a
pa icipação dos Comuns. (Mackenzie, 1963, p. 17)
Segundo a Sho e Camb idge Medie al His o y (p. 819), a gue a ancesa (que
e e início em 1294), a e ol a galesa e a gue a com a Escócia p ejudica am
signi ica i amen e as inanças do ei. Mesmo no chamado 'Model Pa liamen ', de 1295,
do qual ala emos mais adian e, o auxílio concedido a Edua do oi mui o escasso, e a é
o cle o es a a in e di o, de ido a uma bula de Boni ácio VIII (1235?-1303), de p es a
ajuda ao ei sem o consen imen o do Papa.
Es as di iculdades inancei as le a am Edua do a ins au a o chamado
'male ol ', ou 'mau impos o'. A Sho e Camb idge Medie al His o y desc e e es e
úl imo da seguin e o ma:
(...) a bi a y axa ion on he wool- ade in he sea ch o eady money was s iking a
he in e es s o all sheep- a me s (who we e many, om ea ls o small-holde s) in he
kingdom. This was he hea y male ol on expo ed wool in addi ion o au ho ized cus om. In
1294 and 1297 Edwa d was le ying his male ol by ag eemen wi h he me chan s, as well as
seizing quan i ies o he wool as a loan in o de o ob ain he immedia e p ice o he sales. The
3 Mackenzie u iliza, de ac o, o e mo "ci izens"; con udo, es e úl imo em uma cono ação
excessi amen e democ á ica, uma ez que as o dens sociais mais baixas não podiam pa icipa no
Pa lamen o nes a época.
31
me chan s did no lose o hey passed on he du y, pa ly by enhancing he p ice ab oad,
pa ly- and he e was he s ing- by lowe ing he paymen o he woolg owe a home. (p. 819)
Segundo A nold-Bake , na sua ob a The Companion o B i ish His o y (2007),
Edua do I "channeled wool and hides o a limi ed numbe o po s whe e me chan s
we e elec ed and assigned o buy hem; some we e equisi ioned o he King agains
compensa ion. A hea y ('New') cus om o male ol (5 ma ks pe las o lea he , 3 ma ks
pe sack o wool o 300 wool ells) was le ied (...)" (p. 1169). Na Assembleia
Pa lamen a de Julho de 1297, o mona ca p ome eu eemi i a Magna Ca a em oca
de um auxílio inancei o gene oso; no en an o, os Comuns não o am con ocados
(nem, ão pouco, a maio ia dos nob es). Além disso, Edua do exigiu ecebe 8,300
sacos de lã pa a os ende .
No dia 22 de Agos o, um g upo de ba ões lide ado pelo conde de He e o d
apa eceu no Excheque e p o es ou con a a exigência de impos os sem o
consen imen o dos magna as. Assim sendo, os ba ões solici a am a es i uição dos
bens o necidos à Co oa en e 1294 e 1297, no en an o, o mona ca ecusou o pedido e
deu início à sua expedição à Fland es. Po sua ez, os magna as pe sis i am ao pon o
de a egência não pode con ola em simul âneo a gue a na Escócia, a expedição à
Fland es e o male ol , que ainda podia le a a uma gue a ci il. Po conseguin e, o
egen e, Edua do de Ca na on, u u o Edua do II (1307-1327), assinou a Con i mação
da Magna Ca a e ga an iu que nenhum impos o se ia exigido aos ba ões sem o seu
consen imen o. (P e i é-O on, Sho e Camb idge Medie al His o y, p. 820).
Fala emos ago a dos Pa lamen os Edua dianos. Segundo Michael P es wich
(1988) , é complexo e ec ua uma desc ição apu ada de um Pa lamen o do empo de
Edua do I. A é 1290, os egis os o iciais a amen e e e em as assembleias
pa lamen a es e, mesmo a pa i des a da a, os documen os não desc e em
minuciosamen e udo o que oi di o nos Pa lamen os. Assim sendo, "Opinions ha e
a ied, om a iew ha pa liamen had no exclusi e unc ion o speci ic composi ion,
o he empha ic case a gued by Richa dson and Sayles ha he one essen ial and
cen al unc ion o pa liamen was he dispensing o jus ice by he king o his
32
ep esen a i e" (pp. 441-442). Além disso, sabemos que exis i am assembleias
impo an es, chamadas 'g ea councils', que podiam ou não e as mesmas unções e
os mesmos objec i os que os Pa lamen os.
No que diz espei o ao chamado 'Model Pa liamen ', segundo Mackenzie
(1963), es e e e um ca ác e único en e os Pa lamen os de Edua do I:
The unusual wo ding o he w i s o summons e lec s he u gency o he si ua ion.
Beginning wi h an appeal o he ancien Roman maxim 'Tha which ouches all should be
app o ed by all', he w i s se o h he dange o he ealm in g ea de ail. The composi ion o
he pa liamen was also unusual. No only we e knigh s, ci izens and bu gesses summoned,
bu also, o he i s ime, he ep esen a i es o he lowe cle gy. Subsidies we e g an ed by
he ba ons and knigh s oge he , by he cle gy, and by he ci izens and bu gesses. The
pa liamen o 1295 was in ac he mos ully ep esen a i e ha had e e been called, and was
e iden ly designed o mobilize he whole inancial esou ces o he na ion. Bu whe he his
pa liamen dese es o be called he 'Model' is pe haps doub ul, since less han o y yea s
a e wa ds he ep esen a i es o he in e io cle gy, whose p esence was i s chie claim o
o iginali y, ceased o a end pa liamen s. (p.18)
Ve i icamos assim que Edua do I en ou segui o exemplo de Mon o ao
con oca ca alei os e bu gueses. P e isi elmen e, não oi de ido a um espí i o
democ á ico, mas sim a necessidades inancei as. Seja como o , é em pa e g aças à
con ocação do Model Pa liamen que os ingleses começam a oma consciência do
po encial ep esen a i o do Pa lamen o, bem como da possibilidade de discu i no
mesmo assun os de Es ado.
Chegamos, ago a, ao einado de Edua do II. Segundo Maddico (1970, p. 70),
quando Edua do I aleceu, em 7 de Julho de 1307, os ba ões não exibiam sinais de
descon en amen o com a Co oa; no en an o, em Ab il de 1308, de ido ao mau go e no
de Edua do II, po pouco não oi a ada uma gue a ci il.
É di ícil de ac edi a que o mau go e no de Edua do II se de a à igno ância.
33
Segundo Hen y Falkland (1680):
Edwa d his Fa he , (...) had laid him [Edwa d II] he su e Founda ion o a happy
Mona chy. (...) F om his Conside a ion he leads him o he Sco ish Wa s, and b ings him
home an exac and able Schola in he A Mili a y. (...) He ins uc s him wi h he p ecious
Rules o Discipline, ha he migh uly know how o obey, be o e he came o command a
Kingdom. Las ly, he opens he close o his Hea , and p esen s him wi h he poli ic Mys e ies
o S a e, and eache h him how o use hem by his own Example (...). (p.2)
Apesa da desc ição posi i a de Edua do I po pa e de Falkland, como
pudemos e i ica , a elação do mona ca com os ba ões a amen e oi pací ica.
Reg essando a Maddico (1970), o au o en ende que "The English magna es (...) had
seen hei p i ileges lou ed by Edwa d I in he Quo Wa an o p oceedings, in he c isis
o 1297 and he King's subsequen e asion o he se lemen which esul ed om i ,
and in he C own's policy o ga he ing ea ldoms in o i s own hands (...)" (p. 67). Assim
sendo, se á mais co ec o a i ma que o descon en amen o com a Co oa esul a, pelo
menos em pa e, da incapacidade de Edua do II de lida com os p oblemas
p o enien es do einado do seu pai. Con udo, o maio p oblema oi c iado pelo p óp io
Edua do II: o seu a o i ismo po um gascão, chamado Ga es on (1284?-1312).
Ainda segundo Maddico (1970):
The easons o he b each which de eloped be ween he Ea ls and Edwa d and
Ga es on (...) a e well known. (...) The wo p e ious Ea ls o Co nwall had bo h been kings'
sons, and he dead King had in ended o con e he i le on ei he Thomas o Edmund, he sons
o his second ma iage. To gi e i le and lands o a commone and a Gascon ep esen ed a
double dispa agemen o he oyal line, and on his g ie ance he ch onicles a e almos
unanimous. O he ac o s combined o aliena e s ill mo e a nobili y whose espec o he
King's abili y o go e n was apidly dec easing: he exclusion o he ba ons om he King's
councils in a ou o Ga es on, he la e 's con emp o his pee s, he de ea o he Ea ls a he
34
Walling o d ou namen o Decembe 1307, he King's appoin men o him as keepe o he
ealm in Janua y 1308, and his o e whelming a ogance, a e all well-suppo ed ac s. His g eed
and he a ou s which he gained o his iends and ela i es, pa icula ly he F escobaldi,
a on ed he magna es' pocke s as well as hei p ide.
A second and less ob ious eason o he genesis o opposi ion p obably lay in
Edwa d's p ecipi a e e ea om Sco land soon a e his a he 's dea h. (...) Hea y axa ion a
home, inac i i y in Sco land, and a a o i e a cou - his unhappy combina ion, a po en
omen o o ouble h oughou he eign, was al eady p esen a he end o 1307. (pp. 71-72)
Cu iosamen e, podemos cons a a á ias semelhanças en e o con li o dos
ba ões com Edua do II e aquele com Hen ique III: ol amos a e i ica o a o i ismo do
mona ca po um es angei o, impos os conside á eis e um p ojec o es angei o (a
gue a na Escócia), que p ejudica a inancei amen e o eino, sem ha e qualque
i ó ia que compensasse as pe das.
Os ba ões ambém não podiam usa os ibunais con a Ga es on, mas
encon a am ou a solução (Maddico , 1970):
(...) hey ound in hei own oa hs o allegiance, which bound hem o suppo he
es a e o he C own. I was in he enuncia ion o his doc ine and in he elabo a ion o he
dis inc ion be ween he C own and he King's pe son ha he eal no el y o he decla a ion
lay. Ga es on had unde mined he C own's es a e in a numbe o ways- enume a ed bu
wi hou example- and he was he e o e judged and condemned by he magna es. The King was
bound o espec hei decision, o by his co ona ion oa h he had p omised o keep he laws
which he people would choose. (p. 82)
De ac o, segundo Mille (1960), o einado de Edua do II oi uma época
undamen al da His ó ia do Pa lamen o, na medida em que "i was du ing his ime ha
he magna es began o cap u e he pa liamen a y ibunals as one means o
neu alizing he in luence o he oyal minis e ial g oup" (p.21).
35
Bu hough ha House de i ed i s exis ence om so p eca ious and e en so in idious
an o igin as Leices e 's usu pa ion, i soon p o ed, when summoned by he legal p inces, one
o he mos use ul, and, in p ocess o ime, one o he mos powe ul membe s o he na ional
cons i u ion; and g adually escued he kingdom om a is oc a ical as well as om egal
y anny. Bu Leices e 's policy, i we mus asc ibe o him so g ea a blessing, only o wa ded by
some yea s an ins i u ion, o which he gene al s a e o hings had al eady p epa ed he
na ion. (...)
The iolence, ing a i ude, y anny, apaci y, and eache y o he Ea l o Leices e , gi e a
e y bad idea o his mo al cha ac e , and make us ega d his dea h as he mos o una e e en
which, in his conjunc u e, could ha e happened o he English na ion; ye mus we allow he
man o ha e possessed g ea abili ies, and he appea ance o g ea i ues, who, hough a
s ange , could a a ime when s ange s we e he mos odious, and he mos uni e sally
dec ied, ha e acqui ed so ex ensi e an in e es in he kingdom, and ha e so nea ly pa ed his
way o he h one i sel . His mili a y capaci y and his poli ical c a we e equally eminen : he
possessed he alen s bo h o go e ning men and conduc ing business: and hough his
ambi ion was boundless, i seems nei he o ha e exceeded his cou age no his genius; and he
had he happiness o making he low populace, as well as he haugh y ba ons, co-ope a e
owa ds he success o his sel ish and dange ous pu poses. A p ince o g ea e abili ies and
igou han Hen y, migh ha e di ec ed he alen s o his nobleman ei he o he exal a ion o
his h one, o o he ood o his people: bu he ad an ages gi en o Leices e by he weak and
a iable adminis a ion o he king, b ough on he uin o oyal, and p oduced g ea con usion
in he kingdom, which howe e , in he end, p ese ed and ex emely imp o ed na ional libe y
and he cons i u ion. His popula i y, e en a e his dea h, con inued so g ea , ha hough he
was excommunica ed by Rome, he people belie ed him o be a sain ; and many mi acles we e
said o be w ough upon his omb. (pp. 522, 525-526)
Podemos, assim, conclui que as imp essões ela i as à pe sonalidade e ao
legado 'democ á ico' de Mon o se o na am cada ez mais nega i as en e os
séculos XIV e XVIII.
2.3- A E olução da Câma a dos Comuns
42
Segundo Polla d (1926), exis e ainda no século XIII uma ce a ambiguidade
ela i amen e ao que cons i ui um Pa lamen o. O au o a i ma que " he ga he ings
con oked by hese so-called 'pa liamen a y' w i s we e no pa liamen s; and he
mee ings called pa liamen s in he olls we e no summoned by he w i s o which he
name has since been gi en" (p. 47). Assim sendo, os 'w i s o pa liamen ' apa en am
não indica a exis ência de uma Assembleia Pa lamen a ; no en an o, ambém exis iam
os chamados 'Rolls o Pa liamen '. Polla d (1926) desc e e es es úl imos a a és de
uma queixa e ec uada em 1280:
The complain is o he delay and incon enience caused o he olk who come o
"pa liamen " by he g ea numbe o pe i ions which migh be deal wi h by he chancello and
jus ices; and he o dinance is ha only pe i ions ha canno o he wise be deal wi h a e o
come be o e he king and his council in pa liamen . The business is legal, hese pa liamen s a e
"pa liamen s o he council", hei essence is oyal and judicial, and he e is li le in common
be ween hem and he occasional ga he ings o enan s-in-chie summoned by special and
gene al w i s in pu suance o Magna Ca a o gi e counsel and consen o demands o aids.
(...) Thei sessions a e egula and no spasmodic; hey do no depend upon he king's inancial
necessi ies; and hey a e held h ee imes a yea . (p. 48)
Podemos, en ão, e i ica que os 'Pa lamen os' e e idos nos Rolls não inham
as mesmas ca ac e ís icas que aqueles con ocados po Mon o .
Quan o ao chamado Model Pa liamen de 1295, Polla d (pp. 54-55) en ende
que es e úl imo oi 'modelo' apenas po con oca na ín eg a o g upo esponsá el pela
decla ação de impos os. No en an o, es e Pa lamen o não oi o p imei o a combina o
a amen o de assun os inancei os e judiciais, que i ia a exis i a pa i de 1298. Pa a
o Pa lamen o de Janei o de 1301, em Lincoln, e i icamos simul aneamen e 'w i s' a
con oca ep esen an es e 'Rolls' a egis a p ocedimen os ju ídicos.
Polla d (1926) a i ma que "While he high cou o pa liamen was he co ec
and o icial desc ip ion o he wo houses in he six een h and se en een h cen u ies,
43
he " h ee es a es" was he mo e popula and inaccu a e designa ion applied o hem
in he eigh een h and nine een h (...)" (p. 61). Na e dade, não se sabe ao ce o se os
' h ee es a es' de e iam ep esen a o ei, os lo ds e os comuns, ou os lo ds espi i uais,
os lo ds secula es, e os comuns. Foi só em 1421 que o Pa lamen o passou a consis i
em " es s a us, idelice , p ela os e cle um, nobiles e magna es, necnon
communi a es dic i egni" (Polla d, 1926, p. 70). No en an o, Polla d (1926) nega que o
Pa lamen o consis isse num sis ema de ês es ados, a i mando que "a sys em o
es a es is buil upon he p inciple, no o na ional, bu o class ep esen a ion; i
sugges s ha a na ion is no one, bu h ee es a es, each wi h an independen will o
i s own, and each en i led o e o na ional p og ess" (p. 77).
No que diz espei o aos Comuns, Mackenzie (1963, pp. 22-23) a i ma que,
du an e o einado de Edua do I, es es e am con ocados apenas quando o ei p ecisa a
de dinhei o ou pa a da o seu assen imen o às decisões omadas ela i amen e a
assun os dos bu gos.
No einado de Edua do II, a p esença dos Comuns passa a se mais equen e e
os ba ões a i mam mais equen emen e que as decisões omadas a o ecem a nação
in ei a. De ac o, segundo Ca alho (1989):
Não oi olun a iamen e ou po acção de qualque inspi ação democ á ica que os
Lo des e o p óp io Rei cede am às exigências dos Comuns. A exis ência o gânica da classe dos
comuns, is o é, ep esen an es das comunidades, de e-se essencialmen e às consequências do
desen ol imen o económico do « e cei o es ado» e ao ac o de os ca alei os, ou o a
ep esen an es dos ba ões, se e em jun ado aos ep esen an es das cidades e dos bu gos pa a
cons i uí em o ag upamen o que se i á designa Câma a dos Comuns a é aos nossos dias.
(p.62)
Polla d (1926) en ende que a ap esen ação de assun os ela i os ao po o não
começou apenas com Mon o e Edua do I. Segundo o au o :
44
Hen y II had h own open he doo s o he cu ia egis o sui o s o all so s- sa e
illeins pleading agains hei lo ds; and no hing in he eco ds o Edwa d I's pa liamen s
sugges s ha he egula in i a ion o sui o s, wi h which a pa liamen always began, was a
no el y. (...) and i is almos ce ain ha knigh s om he shi e did a good deal o
ep esen a i e legal business a Wes mins e be o e hey we e summmoned hi he by w i s.
(...) They we e o come, no me ely wi h such a ying powe s as di e en coun ies migh a
di e en imes choose o gi e hem, bu wi h ull powe o commi all he coun ies alike o
app o al o wha e e p oposals he king and his council migh lay be o e hem (...). (p.111)
A é ao einado de Hen ique VII (1485-1509), os Comuns apa eciam no
Pa lamen o apenas pa a ou i o discu so de abe u a, ap esen a o seu po a- oz e
p onuncia -se sob e as decisões omadas pelos mesmos ela i amen e aos assun os
que lhes compe iam.
Po sua ez, Ca alho (1989) desc e e assim a o ma como os Comuns
ganha am o seu pode :
Quando o ei p ecisa a de dinhei o pa a go e na , eunia o Pa lamen o, pa a pedi
subsídios e, ao mesmo empo, pa a p opo o lançamen o de um no o impos o ou de uma axa
pe iódica. Os Comuns ap o ei a am a opo unidade pa a eque e ao sobe ano, nos p imei os
empos a a és dos ba ões meno es (...) e depois a a és do Speake , uma con apa ida em
di ei os e libe dades, ao mesmo empo que iam consolidando a p á ica, que hoje é um di ei o,
de iscaliza as inanças do Execu i o e de pedi explicações sob e a u ilização das e bas
concedidas. Es e sis ema i á pe mi i aos Comuns discu i planos de go e no, in e indo,
c i icando, iscalizando e suge indo medidas que ica am consignadas em diplomas e
egulamen os pa lamen a es, com inicia i a dos Comuns. (p. 64)
Além disso, ainda segundo Ca alho (1989), os nob es e iam apoiado os
Comuns pelas seguin es azões:
45
1. Po que a g ande insis ência dos Comuns pelo domínio da á ea inancei a i ia e o ça
a causa da lu a dos nob es pela edução dos pode es e das p e oga i as do mona ca.
2. Po que, man endo os Comuns em con li o com o ei, a as a am do mona ca a
possibilidade de os e como aliados na sua oposição às p e ensões dos nob es.
3. Po que sen iam que, des e modo, os Comuns i iam da con inuidade às suas mais
impo an es ei indicações, exp essas na Magna Ca a. (p. 97)
Polla d (1926) en ende que o ca iz obscu o da e olução do papel dos Comuns
se de e a con usões e minológicas:
Ano he cause o obscu i y in he his o y o he house o commons a ises om he
inde e mina e cha ac e o he e minology employed in he "Rolls". By he end o he
ou een h cen u y he e m communi a es o communes implies bo h he knigh s o he shi es
and he ep esen a i es o he ci ies and bo oughs; bu his usage exp esses he esul o a
g adual amalgama ion, and be o e 1350 he wo d is used in di e en senses. Le commun is
used in 1258 o a clique o ba ons; in 1259 communi as bachele iae desc ibes a "ca e" o
a is oc a ic o wa ds. In 1340 les communes de la e e is he ph ase employed o dis inguish
he knigh s o he shi es om he ep esen a i es o he ci ies and bo oughs. In 1343 we ha e
les chi ale s des coun ez e communes, whe e communes seems o mean he own membe s
as dis inc om he knigh s o he shi e; bu in he nex line we ha e p ela z, g an z, e
communes, whe e bo h a e appa en ly included in he common designa ion, and la e on he
same page we ha e, les chi ale s des coun ees e les au es communes. Simila ly in 1332 we
ha e a dis inc ion be ween les chi ale s des coun ez and les gen z du commun. (p. 114)
Sabemos, no en an o, que os Comuns possuíam o di ei o à libe dade de
exp essão desde, pelo menos, 1455. Nes e ano, Si Thomas Yonge (1405-1476)
queixou-se de e sido p eso na To e de Lond es cinco anos an es po discu i um
assun o abo dado no Pa lamen o. Yonge en endia que os Comuns de iam e a
46
libe dade de exp imi as suas opiniões sem medo de punição. Si Thomas Mo e (1478-
1535) chegou a pedi a Hen ique VIII (1509-1547) que pe doasse qualque comen á io
e ec uado na Câma a dos Comuns que pudesse desag ada ao mona ca. Ainda assim,
na p á ica, exis iam ópicos que os Comuns ipicamen e não abo da am na al u a dos
Tudo es, como a eligião ou o comé cio. (Mackenzie, 1963, pp. 34-36)
Jaime I (1603-1625) chegou a p oibi os Comuns de discu i assun os
go e namen ais, ecebendo deles a seguin e espos a (Mackenzie, 1963):
Tha he libe ies, anchises, p i ileges and ju isdic ions o Pa liamen a e he ancien
and undoub ed bi h igh and inhe i ance o he subjec s o England: And ha he a duous and
u gen a ai s conce ning he King, S a e and de ence o he ealm, and o he Chu ch o
England, and he main enance and making o laws, and ed ess o mischie s and g ie ances,
which daily happen wi hin his ealm, a e p ope subjec s and ma e o counsel and deba e in
Pa liamen : And ha in he handling and p oceeding o hose businesses e e y membe o he
House o Pa liamen ha h, and o igh ough o ha e, eedom o speech o p opound, ea ,
eason and b ing o conclusion he same. (pp. 37-38)
Em suma, e i icamos que os Comuns ei indica am explici amen e a libe dade
de exp essão já no início do século XVII. En e an o, a pa i de inais do século XVI, os
Comuns eclamam a independência da sua Câma a, possuindo comple a ju isdição
sob e os seus memb os, os seus mé odos e a sua o ganização. (Polla d, 1926, p. 326)
Ou o di ei o impo an e pelo qual os Comuns lu a am oi a libe dade de puni
'b eaches o p i ilege', is o é, o ensas con a a Câma a; es a p e oga i a pe encia
unicamen e aos Lo ds a é ao empo dos Tudo es. No século XVI, os Comuns
equen emen e mul a am e p endiam quem insul asse a Câma a; con udo, deixa am
de azê-lo a pa i de meados do século XVII.
47
Capí ulo III- A Figu a de Simon de Mon o no pe íodo
Vi o iano
3.1- A Pe sonalidade e os Objec i os de Mon o segundo os
Vi o ianos
Começa emos po discu i a imagem que os i o ianos inham da pe sonalidade
de Simon de Mon o e subsequen emen e desc e e emos as suas in e p e ações da
condu a polí ica do conde de Leices e .
Algo que encon amos em odas as ob as é um pa ág a o elogioso
ela i amen e à pe sonalidade de Mon o . Começando com Blaaw (1871), es e
desc e e o conde de Leices e da seguin e o ma:
a man o so much ene gy and alen in wa and council, ha al hough allied o he King
and bo n ab oad, his acknowledged capaci y and honou o e came hese disad an ages ; and
a a ime when o eigne s we e uni e sally odious and he cou dis us ed, he ba ons and
people o England wi h one acco d anged hemsel es unde his o eign cou ie , as hei
leade o he eco e y o hei na ional libe ies. (p.42)
No en an o, Blaaw ambém ê Mon o como um homem do seu empo,
iolen o e aná ico, ao con á io dos his o iado es con empo âneos do conde. Nas
pala as do au o i o iano (1871):
(...) he [Simon de Mon o ] had an oppo uni y, while an exile om England, o making
his "name e y p ecious o all he bigo s o ha age" (as Hume ema ks) by his ba ba ous
c usades agains he Albigenses. The c uel ies p ac ised a e well known, bu he ana icism o
he pe iod was widely sp ead, and he me i o ex inguishing he e ics so blinded his
con empo a y his o ian [Pe us Vell. Sa n.], ha e en a e ela ing Simon's o de , a he
cap u e o he cas le o B om, o cu o he noses o a hund ed o he ga ison, and o pluck
48
ou hei eyes, wi h he excep ion o one eye ese ed o a single guide, he immedia ely p aises
him as " he mildes o men". (pp. 43-44)
S ubbs (1906) ambém elogia o conde, e e indo que "Tha he [Mon o ] was
able o (...) h ow himsel hea and soul in o he posi ion o an English ba on,
s a esman, and pa io , is no small p oo o he g ea ness and e sa ili y o his powe s"
(p. 56) Além disso, S ubbs a i ma que o conde e a um homem hon ado e um excelen e
mili a e polí ico, ca ac e ís icas que o o na am na pessoa ideal pa a sal a um po o
op imido.
C eigh on (1876), po sua ez, desc e e Mon o como um he ói do po o:
(...) a man o a e abili y, o keen poli ical o esigh , o lo y pu pose, and o esolu e
mind. Though a o eigne by bi h, he saw mo e clea ly han any na i e Englishman he hidden
genius o he old English ins i u ions. Though ha ed a i s as an alien and an ad en u e , he so
won his way o English hea s ha he people lo ed him as ew men ha e e e been lo ed in
England, and a e his dea h ado ed him as a sain and ma y . The man o whom his is ue
dese es a ulle ecogni ion among England's he oes han he has ye ecei ed. (p.1)
A úl ima ase da ci ação alude ao ac o de que Simon de Mon o e sido
equen emen e demonizado nos séculos XVII e XVIII.
C eigh on (1876) en ende que Mon o "mus ha e been s uck by he powe
and igou o [Empe o ] F ede ic's mind, and by he g ea ness o his plans. Pe haps
wha he hen saw may ha e sugges ed o his mind in la e days he idea o us ing o
he powe o he English owns o o m a basis o opposi ion o oyal y anny (...)" (pp.
29-30).
Po ou o lado, os i o ianos sabiam que Simon de Mon o é equen emen e
acusado de ganância; no en an o, disco dam, culpando an es os ilhos do conde de
Leices e . Blaaw (1871) e e e que "All de Mon o 's sons a e spoken o by se e al
49
ch onicle s as ull o p ide and addic ed o io ous li ing". (p. 267) Aliás, o au o
i o iano (1871, p. 49) a i ma que o conde de Leices e pode ia, a ce a al u a, e sido
in luenciado pelo desejo de e um dos seus ilhos he da a co oa, o que explica ia, de
ce a o ma, o seu casamen o com a i mã do ei. C eigh on (1876) ambém de ende
Mon o , chegando a e e i que "He [Simon] and his sons we e accused o a a ice, o
ex o ion (...). A oyalis ch onicle asse s ha Simon had seized upon eigh een
ba onies. Fo hese cha ges he e seems o be no ounda ion. When Ea l Simon's
possessions we e con isca ed a e his dea h, he e was no unlaw ul boo y ound
amongs hem(...)" (p. 182). Assim sendo, C eigh on en ende que as acusações de
ambição e ganância e ão pa ido p incipalmen e dos c onis as da Co oa. Es e ambém
é o pa ece de Keigh ley (1841), que a i ma que " I we c edi he ch onicle s ad e se
o him [Mon o ] and his cause, his ule was a comple e y anny (...) He seized, hey
say, o himsel he es a es o no less han eigh een o he ba ons aken a Lewes, kep
he ansom o he king o he Romans (...) and ha o all he o he ba ons (...)" (p.
161).
É ce o que P o he o (1877) en ende que o conde de Leices e abusou do a o
do ei. De ac o, no que diz espei o à p imei a que ela en e Mon o e o ei Hen ique
III, o au o e ec ua a seguin e a aliação das condu as de ambos os homens:
The immedia e eason o Hen y's ange (...) is p obably o be disco e ed in he la e
pa o his speech, in which he accuses de Mon o o b ibing he Cu ia, and using his name as
secu i y o ex a agan p omises. The ac o he b ibe y seems undeniable. Paymen o
jus ice, especially a he enal cou o Rome, was so o dina y an ocu ence ha we need no
wonde ha Simon yielded o he cus om. I was a dishonou able ansac ion, doub less, and
has he e o e been conside ed by some w i e s so alien o Simon's cha ac e as o make i
impossible o a ibu e i o him. This es s pe haps ha dly on su icien g ounds. He was no
immacula e, and he job would ha dly ha e been conside ed dishonou able. Fu he , i is likely
enough ha he made mo e use o Hen y's name han he la e liked; hough his would
almos be jus i ied by he a ou in which he s ood wi h he king a he ime, and by he e ms
o his c eden ials, which amoun ed o a gene al assump ion o esponsibili y o he whole
a ai . When de Mon o ailed o ul ill his engagemen s, his c edi o s, I alian moneylende s
50
who ansac ed he Pope's business ab oad, would ha e applied o Hen y, whose su p ise and
indigna ion bu s o h in he way we ha e seen. (pp. 50-51)
Ainda assim, no que diz espei o às acusações de i ania que o am lançadas a
Simon de Mon o aquando da sua es adia na Gasconha, P o he o (1877) conside a-as
sem undamen o:
I is e y p obable, om wha we know o Simons empe , ha he quenched ebellion
sha ply and s e nly ; he was no he man o bea gen ly wi h he open and sec e esis ance he
had o mee ; bu he cas led b igands o Gascony could no be pu down by gen le means, and
we should ha e hea d li le o hese complain s had no he kings suspicious ea d unk in only
oo g eedily all ha he enemies o his g ea lieu enan chose o pou in o i . (p. 94)
Mau ice Powicke (1947) apa en a conco da com es a in e p e ação, a i mando
que o conde, de ido ao seu empe amen o, "did no know how o manage his
empo a y subjec s. He o e ode unwelcome complain s as ac ious, ook no accoun
o he c oss-cu en s which dis u bed Gascon socie y, and ega ded i s endemic
es lessness as a kind o eache y" (pp. 111-112)
Blaaw (1871, p.56), po sua ez, a i ma que o a cebispo de Bo déus e seus
aliados (que ap esen a am a queixa con a Simon) e am aido es condenados; assim
sendo, o ei come eu um e o ao ac edi a neles. De ac o, o conde de Leices e
compa eceu dian e do ei e lemb ou-lhe a sua lealdade pa a com Hen ique III.
S ubbs (1906, pp. 73-74) ambém en ende que é injus o condena Mon o
pela sua condu a na Gasconha, e e indo que o conde encon ou inúme as
di iculdades. Po um lado, con on ou os nob es da egião, que apenas ole a am a
au o idade de Hen ique III " o e ade submi ing o he s onge hand o Lewis IX" (p.
74). Mon o não ecebeu nenhum auxílio do mona ca inglês, nem mili a , nem
inancei o, pelo que e e de cob a impos os aos gascões. S ubbs insinua que o ei e á
51
ei e do Papado, e iam de con a com o apoio do po o inglês. Assim sendo, a im de
incen i a os es ados sociais baixos a jun a em-se à sua causa, os ba ões eco e am
aos ibunais pa a esol e os assun os dos camponeses e egulamen a am o pode
dos she i s (C eigh on, 1876, pp. 102-103).
Adicionalmen e, segundo Blaww (1871):
A e i y yea s' expe ience o he pe ils o which hei p i ileges we e exposed by he
enc oachmen s o he C own, a s onge and mo e endu ing secu i y was now de ised, by
commi ing he ca e o cons i u ional eedom hence o h o he people hemsel es, whose
in e es s hey hus iden i ied wi h hei own. We canno a his emo e dis ance o ime
es ima e all he mo i es ha led o his measu e. To hese ea ly s a esmen such "ma e s may
ha e seemed (...) g ea and glo ious o all he people"; al hough ew a he ime, pe haps no
e en de Mon o , el he ull impo ance o his ad ancing s ep o B i ish libe y. (p. 246)
Segundo Keigh ley (1841), as e o mas decididas no Mad Pa liamen con ocado
no dia 11 de Junho de 1258 o am as seguin es:
The eeholde s o each coun y we e o choose ou knigh s o inqui e in o he
damages commi ed in i unde he oyal au ho i y, and lay hem be o e he council. The
eeholde s we e also o choose each yea he high-she i o each coun y ; he she i s and
he g ea o ice s o s a e we e o gi e in hei accoun s annually, and pa liamen s o be holden
h ice in each yea . To secu e he obedience o pa liamen , i was di ec ed, unde p e ex o
sa ing he membe s ouble and expense, ha wel e pe sons should ep esen hose who
we e o compose he pa liamen , and ha wha e e hese should enac in conjunc ion wi h
he council o s a e, should be iewed as he ac o he whole. One o he i s ac s o he
council was o o ce he king's hal -b o he s o qui he kingdom ; hey hen obliged he ea l o
Wa enne, he mos powe ul man o he king's iends, and his nephew p ince Hen y, and
inally his son p ince Edwa d, now a spi i ed you h o eigh een yea s o age, o ake an oa h o
obedience o he o dinances o he council ; and when in he ollowing yea (1259) Leices e
lea ned ha he king o he Romans was on his e u n, he sen o p ohibi him om landing
58
unless he engaged o ake he oa h also, a manda e which ha p ince ound i necessa y o
obey. (pp. 157-158)
Cu iosamen e, a ní el da imposição de impos os, Mackin osh (1836) c ê que os
ba ões e ão p opos o inúme as e o mas que o am pa a além do es ipulado na
Magna Ca a. Segundo o au o :
I his assembly be supposed o be he same which is es ed wi h he powe o
g an ing supply by he G ea Cha e o John, he cons i u ion mus be hough o ha e
unde gone an ex ensi e, hough un eco ded, e olu ion in he somewha inadequa e space o
only i y yea s, which had elapsed since he capi ula ion o Runnymede : o in he G ea
Cha e we ind he enan s o he c own in chie alone exp essly men ioned as o ming wi h
he p ela es and pee s he common council o pu poses o axa ion ; and e en hey seem o
ha e been equi ed o gi e hei pe sonal a endance, he impo an ci cums ances o elec ion
and ep esen a ion no being men ioned in he ea y wi h John. Nei he does i con ain any
s ipula ion o su icien dis inc ness applicable o ci ies and bo oughs, o which he cha e
p o ides no mo e han he main enance o hei ancien libe ies. P obable conjec u e is all
ha can now be expec ed espec ing he ise and p og ess o hese changes. I is, indeed,
beyond all doub , ha by he cons i u ion, e en as subsis ing unde he ea ly No mans, he
g ea council sha ed he legisla i e powe wi h he king, as clea ly as he pa liamen ha e since
done. Bu hese g ea councils do no seem o ha e con ained membe s o popula choice ;
and he king, who was suppo ed by he e enue o his demesnes, and by dues om his
mili a y enan s, does no appea a i s o ha e imposed, by legisla i e au ho i y, gene al
axes o p o ide o he secu i y and good go e nmen o he communi y. (pp. 239-240)
G een (1874) ambém e e e que o século XIII "had shown bo h he s eng h
and weakness o he Cha e : i s s eng h as a allying-poin o he ba onage, and a
de ini e asse ion o igh s which he King could be made o acknowledge; i s weakness
in p o iding no means o he en o cemen o i s own s ipula ions" (p. 150).
59
No en an o, James Hosne (1903) e e e que os di ei os do 'homem comum'
es a am ga an idos na Magna Ca a:
The G ea Cha e con ains a summing up o he igh s and du ies ha had been
g owing in o ecogni ion, while he na ion was g owing in o consciousness. The Commons a e
joined wi h he Ba ons in he execu ion o he Cha e , and now, o he i s ime since he
o e u n o he old o de , ake pa in he g ea li e o he na ion. (...) The Ba ons main ain he
igh o he whole people as agains hemsel es as well as agains he King. The igh s o
common men a e as ca e ully p o ided o as hose o he nobles; o always when he
p i ilege o he simple eeman is no secu ed by he p o ision which a ec s he high-bo n, an
added clause de ines and p o ec s his igh . (...) No ax is o be exac ed wi hou a g an om
he common council o he ealm; and he sense o he na ion, wi h ega d o he ax, is o be
aken in a duly summoned assembly. (p. 48)
Seja como o , a in e p e ação que os i o ianos e ec uam do legado polí ico e
das in enções dos ba ões é maio i a iamen e posi i a. Blaaw (1871), po exemplo,
elogia a con ibuição dos ba ões pa a a His ó ia pa lamen a , a i mando que " The
ep esen a i e sys em, whose expansion hey [ he ba ons] had encou aged, had aken
oo s ou a hold o be ex i pa ed, and, om his oo emaining unha med, he
b anches o na ional eedom h o e hence o h wi h igo ous enla gemen , s ong in
i s own in luence, upheld by he will and nou ished by he lo e o he people" (p. 283).
Adicionalmen e, Blaaw (1871) e e e que Edua do I, apesa de e ganho a ba alha de
E esham, "was obliged o mally o enounce he claim o allage wi hou he consen
o Pa liamen " e que g ande pa e dos p i ilégios des e úl imo o am comp ados à
Co oa, " he e y ices o oyal y being hus con e ed in o na ional bene i s" (p. 284).
P o he o (1877) e ec ua uma a aliação menos elogiosa, mas ainda assim
posi i a do legado polí ico dos ba ões:
They [The ba ons] had been unable o hold he powe con e ed on hem by Magna
60
Ca a: hey we e s ill unable o hold wha Simon ga e hem; he ook he s ep o enabling hem
o use hei igh by means o ep esen a ion, in o de o d aw ou hei powe and suppo
himsel by i , bu i ga e way unde s ain. S ill he gi augh he ecei e o use his s eng h,
which g ew wi h he desi e o use i : in he nex gene a ion he class was s ong enough, and
he gi g an ed by Simon was enewed by Edwa d o a wo hie gene a ion, and was no aken
away again.
Since hen, he b ead h o he elec o a e has g own, as each successi e class has
g own mo e powe ul. Simon, whe he consciously o unconsciously, o med a pe ec
cons i u ion embodying his p inciple. His cons i u ion died wi h him; bu England, hal
consciously, hal unconsciously, has been ollowing he same di ec ion e e since. (p. 293)
Não obs an e, Bigland (1815) en ende que a in odução dos ba ões meno es no
pa lamen o esul ou não de um espí i o democ á ico, mas sim do cos ume e da
au o idade eal:
F om he ime o he conques , he pa liamen o England had consis ed o he lay and
ecclesias ical ba ons: he people we e conside ed as o no impo ance in a ci il o poli ical
poin o iew. When he P o isions o Ox o d we e d awn up, i is ce ain ha wel e depu ies
we e chosen o ep esen he whole communi y: all hese, howe e , we e ba ons, bu some
conside his as he e a o he in oduc ion o knigh s o he shi e, al hough hei numbe was
a om allowing one o each coun y. A poli ico-his o ical w i e o eminence, hinks ha he
elec ion o coun y membe s was i s es ablished by cus om, and a e wa ds sanc ioned by
oyal au ho i y. He supposes ha he small ba ons inding hemsel es ill able o appea wi h
digni y du ing hei a endance on pa liamen , we e unde he necessi y ei he o wholly
absen ing hemsel es, o o delega ing some o hei numbe , a he common expense, o
ep esen he whole body: ha his kind o elec ion ha ing become cus oma y, a leng h
became egula , as he kings always wished o coun e balance he powe o he g ea ba ons;
and ha hese depu ies, unde he name o knigh s o he shi e, we e in oduced in o
pa liamen in he eign o Hen y III. (p. 237)
61
C eigh on (1876), po sua ez, e e e que os objec i os dos ba ões consis iam
em "To d i e ou he o eigne s who spoiled he land, o ee he Chu ch om
opp ession, o b ing back o de in o he King's inances, and o u n him om oolish
schemes o o eign agg andisemen o good wise e o s a good go e nmen a home
(...)" (p. 168).
No en an o, nem odos os i o ianos pa ilha am es a in e p e ação. John
Linga d (1823), na sua ob a A His o y o England om he Fi s In asion by he Romans,
a i ma que, o iginalmen e, as e o mas do Pa lamen o de Wes mins e de iam e sido
e ec uadas a é ao Na al desse ano (1259), algo que não oco eu. Além disso, Linga d
acusa os ba ões de co upção e abuso do pode :
To sa is y he people, a p oclama ion was issued in he king's name, s a ing he
impo ance o he unde aking, he ime necessa y o ob ain an exac knowledge o he
na ional g ie ances, and he olly o isking he acquisi ion o hei objec by he adop ion o
has y and inconside a e measu es. The u h was, ha he chie s o he pa y we e unwilling o
di es hemsel es o he au ho i y, which hey had usu ped. They dis ibu ed among hei
pa isans all he lay o ices and ecclesias ical bene ices in he gi o he c own; ecei ed he
p incipal pa o he oyal e enue ; and sha ed among hemsel es he p oduce o he
eschea s, wa dships, and ma iages o he king's enan s. (p.168)
G een (1874) conco da com es a a aliação dos ba ões, a i mando que:
G adually he Council d ew o i sel he whole oyal powe , and he policy o he
adminis a ion was seen in i s p ohibi ions agains any u he paymen s, secula o
ecclesias ical, o Rome, in he nego ia ions conduc ed by Ea l Simon wi h F ance, which inally
ended in he peace which pu an end o he incu sions o he Welsh. Wi hin, howe e , he
measu es o he ba ons we e eeble and sel ish. The u he P o isions, published by hem
unde popula p essu e in he ollowing yea , showed ha he majo i y o hem aimed simply
a he es ablishmen o a go e ning a is oc acy. (p.150)
62
Uma ez que não ha ia condições pa a um comp omisso pací ico en e
Hen ique III e os ba ões, ambos os lados decidi am pe mi i que o ei de F ança, Luís IX
(1226-1270), a bi asse en e os mesmos. Apesa de pa ece e iden e que o mona ca
ancês acaba ia po de ol e os pode es odos a Hen ique III, é possí el que os ba ões
i essem p e is o isso mesmo. Segundo C eigh on (1876, p. 135), a pa i da decisão de
Luís IX, passou a se mais ácil do que nunca dis ingui en e o pa ido nacional
(nomeadamen e, o dos ba ões) e aquele que é apoiado pelos es angei os (o de
Hen ique III). De ac o, o mona ca inglês inha o apoio de Luís IX (um ancês), de ido à
decisão do Papa (um i aliano).
Sublinhamos que as opiniões dos i o ianos, pelo menos a ní el da condu a dos
ba ões, são semelhan es às dos au o es do século XXI. Mesmo que os magna as
i essem em boa pa e agido po ambição, as suas queixas são conside adas legí imas
pelos his o iado es.
3.3- A Con ibuição de Mon o pa a a E olução do Pa lamen o
Inglês
Res a-nos discu i como os i o ianos iam a condu a do conde de Leices e a
ní el polí ico. Rela i amen e à supos a en a i a po pa e de Mon o de ascende ao
ono, Blaaw (1871) a i ma que "The e is (...) no ace o such a scheme ha ing been
impu ed o him, e en by his enemies, du ing his li e, and his conduc in p essing o he
ul ilmen o he mise o Lewes down o his dea h, would su icien ly p o e ha he was
con en o sha e wi h o he s he ascendancy acqui ed by his own alen s" (p. 251).
Além disso, o au o i o iano (1871) a i ma que não exis em p o as conc e as de que
Mon o se ap op iou de 18 ba onias no escaldo da ba alha de Lewes, uma ez que
os ela os con empo âneos do conde são demasiado con adi ó ios. Além disso, ainda
segundo Blaaw, a ob a Poli ical Songs o England desc e e Mon o como um homem
comple amen e desin e essado em bens ma e iais.
P o he o (1877) a i ma que, pa a além da con ibuição do conde de Leices e
pa a a e olução do pa lamen o ep esen a i o, é necessá io des aca o papel de
63
Mon o na elabo ação da cons i uição de 1264. O au o i o iano não se poupa a
elogios a es a úl ima, desc e endo-a da seguin e o ma:
So a as i goes i is pe ec ; elabo a e, ye simple ; a cons i u ion, in he ue sense o
he wo d ; ha is, a o m o go e nmen which will s and by i sel , a building so composed as o
exis wi hou any ex e nal assis ance. I shows an ad ance upon he c ude ideas o six yea s
be o e, which would be inexplicable we e we obliged o belie e ha Simon had any bu he
smalles sha e in he planning o he ea lie scheme. The p inciples on which i es s a e almos
p ecisely he same as hose o he cons i u ion unde which England has been go e ned o he
las cen u y and a hal . (p. 289)
No en an o, P o he o (1877) ambém a i ma que é impossí el sabe se a
cons i uição inha ou não ca iz pe manen e. P esumi elmen e, es a ia em igo a é
pelo menos ao im do einado de Hen ique III, mas o seu ilho Edua do I podia e ogá-
la. Adicionalmen e, o au o i o iano conside a que a cons i uição es a a incomple a e
se ia melho ada com a expe iência da legislação. Assim sendo, "We ha e (...) no idea
as o how legisla ion was o be ca ied on, as o he igh o axa ion, wha oice
Pa liamen was o ha e in o eign a ai s, o in he o dina y adminis a ion o
go e nmen ; he e was no p o ision o he egula summons, no de ini ion o he
class o be ep esen ed" (pp. 287-288).
Hosne (1903) a i ma que os Comuns o am inalmen e ep esen ados no
Pa lamen o mon o iano:
A las , in 1264, when Simon de Mon o , a disco d wi h he King, by his ic o y o e
he oyal pa y a Lewes, had become a bi e o he kingdom, he summoned he amous
Pa liamen in which o he i s ime he Commons o England we e ai ly ep esen ed (...). He
was g ea e as an opponen o y anny han as a de ise o libe ies. The e e s imposed on
oyal au oc acy, cumb ous and en angled as hey we e, seem o ha e been an in eg al pa o
his policy; he means he ook o admi ing he na ion o sel -go e nnmen wea e y much
64
he o m o an occasional o pa y expedian , which a longe enu e o indi idual powe migh
ha e led him ei he o de elop o disca d. The idea, howe e , o ep esen a i e go e nmen
had ipened in his hand; and, al hough he ge m o he g ow h lay in he p imi i e ins i u ions
o he land, Simon has he me i o ha ing been one o he i s o see he uses and glo ies o
which i would ul ima ely g ow. (pp. 57-58)
Mackin osh (1836) conco da e a i ma que Simon de Mon o e á
e ec i amen e in oduzido em Ingla e a a ep esen ação popula :
(...) Mon o (...) se he example o an ex ensi e e o ma ion in he ame o
pa liamen , which, hough his au ho i y was no acknowledged by he punc ilious adhe en s o
he le e and o ms o law, was a e wa ds legally adop ed by Edwa d, and ende ed he
pa liamen o ha yea he model o he B i ish pa liamen , and in a conside able deg ee
a ec ed he cons i u ion o all o he ep esen a i e assemblies. I may indeed be conside ed as
he p ac ical disco e y o popula ep esen a ion. (...) summoning a pa liamen , o which he
lowe house was composed, as i has e e since been o med, o knigh s o he shi es, and
membe s o ci ies and bo oughs. (...) The o igin o so happy an inno a ion is one o he mos
in e es ing objec s o enqui y which occu s in human a ai s ; bu we ha e sca cely any posi i e
in o ma ion on he subjec : o ou ancien his o ians, hough hey a e no wan ing in
diligen ly eco ding he numbe and he ac s o na ional assemblies, desc ibe hei
composi ion in a manne oo gene al o be ins uc i e, and ake li le no e o no el y o
peculia i y in he cons i u ion o ha which was called by he ea l o Leices e . (p. 236, 238-
239)
S ubbs (1906) e e e que a ca ac e ís ica mais impo an e do Pa lamen o
mon o iano oi a in odução de ep esen an es dos bu gos. Pa alelamen e, " he
knigh s o he shi e a e no ecognised as ha ing a oice in he choice o ei he elec o s
o counsello s: ye he ac o hei summons o his and he ollowing pa liamen
seems o show ha Simon ega ded hem as an in eg al pa o he na ional council o
pa liamen " (p. 94).
65
C eigh on (1876) disco da da ideia de que Simon de Mon o e olucionou a
cons i uição inglesa, e e indo que "A a g ea c isis o ou na ional his o y i was
na u al ha endencies which had long been g owning up should be clea ly el and
ac ed upon. (...) Ye hough (...) summoning o Pa liamen ep esen a i es o he owns
was no he in oduc ion o a new p inciple (...) i was s ill a s ep o g ea impo ance in
he his o y o he g ow h o Pa liamen " (pp. 177-178). Além disso, o au o i o iano
(1876, p. 106) en ende que, apesa de a condu a dos ba ões no Pa lamen o e sido
di igida po Mon o , es e úl imo nunca pode ia e go e nado al como enciona a,
uma ez que se a a a de um es angei o com um empe amen o que não pe mi ia
oposição.
C eigh on (1876), no en an o, c ê que as in enções do conde de Leices e e am
nob es:
Ea l Simon's i s ca e was o es o a ion o peace and o de h oughou he land, and
a numbe o measu es we e aken o ha end. The Chancello and s uden s o he Uni e si y
o Ox o d we e o de ed o e u n o hei s udies. The No hamp on p isone s we e b ough o
London, and exchanged man o man hose aken a Lewes. I was o bidden o ca y a ms in
he land, and he punishmen o dea h was o ollow any in ingemen o his o de . (pp. 163-
164)
C eigh on (1876, pp. 174-175) en ende ainda que Mon o p ocu a a
es abelece a paz no eino a a és de medidas concilia ó ias, eunindo pessoas de
odas as o dens sociais e e i ando o mais possí el a gue a. Os maio es apoian es do
conde de Leices e pe enciam ao po o e ao cle o.
Não obs an e, Linga d (1823) inha uma opinião pouco posi i a das mo i ações
que le a am Mon o a con oca ep esen an es dos condados e das cidades:
I is gene ally supposed ha he p ojec o summoning o pa liamen he
66
ep esen a i es o he coun ies, ci ies, and bo oughs, g ew ou o ha sys em o policy which
he ea l had long pu sued, o la e ing he p ejudices, and a aching o himsel he a ec ions,
o he people. No had his e o s p o ed unsuccess ul. Men in he highe anks o li e migh
pene a e behind he eil, wi h which he sough o conceal his ambi ion : bu by he na ion a
la ge he was conside ed as he e o me o abuses, he p o ec o o he opp essed, and he
sa iou o his coun y. (pp. 193-194)
G een (1874) culpa os ba ões e não Mon o pelo acasso do Pa lamen o de
Wes mins e :
The cons i u ional es ic ions on he oyal au ho i y, he igh o he whole na ion o
delibe a e and decide on i s own a ai s, and o ha e a oice in he selec ion o he
adminis a o s o go e nmen , had ne e been so clea ly s a ed be o e. Tha hese we e he
p inciples o he man in whose hands ic o y had placed he ealm is plain om he s eps he
immedia ely ook. (...) In Decembe a new pa liamen was summoned o Wes mins e , bu he
weakness o he pa io ic pa y among he ba onage was shown in he ac ha only wen y-
h ee ea ls and ba ons could be ound o si beside he hund ed and wen y ecclesias ics. I
was p obably he sense o his weakness ha o ced Ea l Simon o ling himsel on he owns,
and o summon wo ci izens om e e y bo ough. (p. 153)
É necessá io ei e a que es a isão de Simon de Mon o como símbolo da
libe dade não é pa ilhada pelos au o es do século XXI. Law ence (2005), po exemplo,
em uma opinião mis a do conde, e e indo que "The undamen al impedimen o
unde s anding he ea l's poli ics is ha while he pu sued his own pe sonal ad an ages
h oughou he pe iod o e o m and ebellion, he also suppo ed e o ms ha we e
con a y o he in e es s o he g ea e ba ons, such as himsel " (p. 67). Po sua ez,
Wa en (1987), quando especula como e ia sido o einado de Simon de Mon o ,
a i ma que se es e "could ha e consolida ed his ule a e his iumph in ba le o e he
king a Lewes in May 1264, England migh ha e become like con empo a y Japan wi h
a igu ehead so e eign and he o ali y o powe in he hands o a eudal shogun" (p.
67
This heo y was so pe asi e ha e en he adical To y no elis G.P.R. James accep ed
i , sugges ing ha he 'Whig in e p e a ion' o his o y was endo sed no only by Whigs. In
Fo es Days (1843), James depic s Robin Hood as 'an English yeoman, o a e y supe io mind...
ou lawed, in all p obabili y, o his adhe ence o he popula pa y o he day, and aking a
sha e in he impo an s uggle be ween he weak and y annical, hough accomplished, Hen y
III, and ha g ea and ex ao dina y leade , Simon de Mon o , Ea l o Leices e '. (p. 75)
Seja como o , é ní ido que os i o ianos iam Mon o como um he ói
p og essis a, cujas ideias se encaixa am pe ei amen e na ealidade do século XIX.
Finalmen e, Simon Schama (2009), em A His o y o B i ain, suma iza a si uação da
seguin e o ma:
Nine een h-cen u y his o ians, celeb a ing he epic o English pa liamen a y libe alism,
imagined de Mon o 's assemblies as calmly delibe a i e ins i u ions- he Vic o ian e o m
ac s in medie al d ess- bu in ac Simon's e olu ion ook place amid immense social up oa ,
which, as he c isis deepened, h ea ened o ge comple ely ou o con ol. I was ue,
howe e , ha he pa liamen s o 1265 we e u e ly unlike he old oyal councils, bo h in hei
composi ion and he opics hey deemed p ope o deba e. No only ba ons and chu chmen
delibe a ed on he business o he kingdom, bu also knigh s o he shi e, elec ed by
assemblies o hei pee s, and e en bu gesses om he owns. So a clo h me chan o a Su olk
knigh wi h a ew ac es now go o judge he e ms on which he son o he king migh sa ely
be eleased om cap i i y! This was no ye any hing like a House o Commons, bu i ce ainly
ep esen ed an enla gemen o he poli ical communi y ha , by he s anda ds o eudal and
absolu is Eu ope, was b ea h akingly adical. Wi hou any ques ion i changed England. I
inaugu a ed he union be ween pa io ism and insubo dina ion. (p. 158)
3.5- A His o iog a ia Whig e o Re o m Ac de 1867
Pode su p eende -nos es a mudança algo epen ina ela i amen e a como os
his o iado es a aliam a condu a e as in enções de Mon o . Pa a começa mos a
74
en ende es a e olução, emos de discu i a eo ia do Jugo No mando ( he No man
Yoke). Segundo Ch is ophe Hill (1986), es a úl ima consis e no seguin e:
Be o e 1066 he Anglo-Saxon inhabi an s o his coun y li ed as ee and equal
ci izens, go e ning hemsel es h ough ep esen a i e ins i u ions. The No man Conques
dep i ed hem o his libe y, and es ablished he y anny o an alien King and landlo ds. Bu
he people did no o ge he igh s hey had los . They ough con inuously o eco e hem,
wi h a ying success. Concessions (Magna Ca a, o ins ance) we e om ime o ime ex o ed
om hei ule s, and always he adi ion o los Anglo-Saxon eedom was a s imulus o e e
mo e insis en demands upon he successo s o he No man usu pe s. (pp. 64-65)
Hill (1986) en ende que a eo ia exis e pelo menos desde o século XVI, mas
pode se ainda mais an iga. No século XVII, exis em duas e sões do Jugo No mando:
One s essed he unb oken con inui y o common law, which had ca ied Anglo-Saxon
libe ies in o pos -conques England: he o he , coming om he g oup o adical in ellec uals
a ound Thomas C omwell in he e olu iona y yea s o he Re o ma ion, a acked he whole
exis ing law as an alien imposi ion. Common o bo h e sions was he concep ion o ee
Anglo-Saxon ins i u ions. (pp. 66-67)
Ve i icamos assim a ideia de que as ins i uições anglo-saxónicas e am
'democ á icas', mas que o am abolidas pelos no mandos após a Conquis a de
Guilhe me I. Wal e Bageho (1873), na sua ob a The English Cons i u ion, conside a
es a eo ia pouco p o á el:
I canno p esume o speak o he ime be o e he conques , and he exac na u e e en
o all Anglo-No man ins i u ions is pe haps dubious: a leas , in nea ly all cases he e ha e
75
been many con o e sies. Poli ical zeal, whe he Whig o To y, has wan ed o ind a model in
he pas ; and he whole s a e o socie y being con used, he p eceden s al e ing wi h he
cap ice o men and he chance o e en s, ingenious ad ocacy has had a happy ield. (p. 336)
No en an o, é inegá el que o Jugo No mando enco ajou o pa io ismo das
classes mais des a o ecidas (Hill, 1986):
The No man Yoke heo y appealed o all he unde p i ileged, in he i s ins ance o
he me chan s and gen y who el hei p ope y endange ed by a bi a y go e nmen ,
a bi a y axa ion, and he en o cemen o eudal paymen s.
Bu he No man Yoke heo y also s i ed a p o ounde eelings o English pa io ism
and English P o es an ism. He ein lay i s s eng h. Men ough o he libe ies o England, o
he bi h igh s o Englishmen. (...) William and his successo s "lay as ba s and impedimen s o
he ue na ional in e es " (p. 74).
De ac o, Wal e Bageho (1873), alando da e olução das di e en es classes
sociais, a i ma que "The change in he s a e o he highe classes since he Middle Ages
is eno mous, and i is all imp o emen ; bu he lowe ha e a ied li le, and many
a gue ha in some impo an espec s hey ha e go wo se, e en i in o he s hey ha e
go be e " (pp. 335-336).
Hill (1986) en ende que, na época e olucioná ia do século XVII, exis i am ao
odo qua o in e p e ações di e en es do Jugo No mando:
(1) The Royalis doc ine jus i ying absolu ism by conques was killed by he Ci il Wa ;
bu i s ghos walked he ea h be ween 1660 and 1688, in he pos humous pamphle s o
Filme . (...) (2) [Edwa d] Coke's e sion we may call he Whig in e p e a ion: he common law
was he embodimen o Anglo-Saxon libe ies; once he ep essi e ins i u ions o he mona chy
had been abolished eedom was "by God's blessing es o ed". Fo he common law had
76
adap ed i sel o he needs o a comme cial socie y. Con inui y and he sanc i y o p ope y:
hese we e wha he conse a i e Pa liamen a ians wished o emphasize. The heo y o
su i ing Anglo-Saxon eedom and " he my h o Magna Ca a" a e essen ial o he Whig
in e p e a ion o English his o y. (3) The adical e sion o he Le elle s sugges ed ha he law
i sel legi imized inequali y. They agi a ed o d as ic legal e o m, o he ending o all
p i ileges. Magna Ca a i sel was bu a begga ly hing: p e-Conques equali y could be
eco e ed only by a wide ex ension o he anchise. (...) Some Le elle s based hei demands
on na u al as well as his o ical igh s. (4) Finally, he e was he mos adical g oup o all, he
Digge s, spokesmen o he dispossessed, who ad oca ed a clean sweep o eudal su i als and
he ending o p i a e p ope y in land. Looking bo h backwa ds and o wa ds, hey belie ed
ha ue equali y could be es ablished only by means o an a ack on he ins i u ion o
p ope y as such. Thei aim was " o enew he ancien communi y o enjoying he ui s o he
ea h, and o dis ibu e he bene i he eo o he poo and needy, and o eed he hung y and
clo he he naked. (pp. 92-93)
Ainda assim, a pa i de 1660, as eo ias dos 'Le elle s' e dos 'Digge s'
desapa ece am, bem como a in e p e ação Realis a, sob ando apenas a Whig.
Segundo Filipe Fu ado (2003), a pa i do início do século XIX, os his o iado es
ingleses libe ais (Whigs) p ocu a am "a pa i de e en os e ins i uições conside ados
decisi os no passado, es abelece algo como os elemen os essenciais da nação inglesa"
(p.60).
Vá ios ac o es con ibuí am pa a es a endência. Em p imei o luga , o
pa io ismo passou a se is o como uma a ma da oposição ao go e no. Segundo
Cunningham (1981):
(...) in ha cen u y [eigh een h] pa io ism was he c eed o opposi ion, and owa ds
he end o i he ocabula y and he o ic o pa io ism was becoming he dis inc i e ma k o
ex a-pa liamen a y adicalism. (...)
Righ h ough he i s hal o he 19 h cen u y and in o he second hal adicals
ins inc i ely used a ocabula y o pa io ism, no as an a a is ic su i al om hei eigh een h-
77
cen u y o bea s bu as a cons an ly e o ged ool o opposi ion, and as a means o possessing
he pas . (...)
Thence o wa d, e e y opposi ion o go e nmen in he 18 h cen u y (...) desc ibed i sel
as pa io ic and accused he go e nmen o co up ion. (...)
Wilkes, Ca w igh and he adicals we e aking he a gumen abou pa io ism ou o
he a ena o pa liamen a y poli ics, and claiming ha only a adical e o m o pa liamen i sel ,
only a es o a ion o los igh s, could oo ou co up ion, emo e he h ea o y anny, and
p ese e libe y. The pa io was he adical. (pp. 8-12)
De ac o, pa a os Whigs, a His ó ia consis ia numa sé ie de con li os en e as
pessoas que isa am o p og esso social e aquelas que enciona am a a es e úl imo.
Bu e ield (2002) explica es a ideia da seguin e o ma:
His o ical pe sonages can easily and i esis ibly be classed in o he men who u he ed
p og ess and he men who ied o hinde i (...) he will ind i easy o say ha he has seen he
p esen in he pas , he will imagine ha he has disco e ed a " oo " o an "an icipa ion" o he
wen ie h cen u y, when in eali y he is in a wo ld o di e en conno a ions al oge he , and he
has me ely s umbled upon wha could be shown o be a misleading analogy. (...) he comes o
imagine ha i ep esen s some hing like a line o causa ion. (p. 11)
Indo ao encon o daquilo que Cunningham e e e, os libe ais ingleses
equipa a am o p og essismo ao pa io ismo; po es e mo i o, não se á de es anha
que os Whigs a ibuíssem eno me impo ância à Magna Ca a. Segundo Filipe Fu ado
(2003):
Embo a, na sua g ande maio ia, os his o iado es incluí eis na o ien ação Whig
conside assem p imaciais e, em ce a medida, undado es (...) á ios (...) acon ecimen os (...),
p incipalmen e dois me eciam-lhes uma quase comple a unanimidade: a Magna Ca a e a
78
Re olução de 1688. (...) Nes a o dem de conside ações, con a am não só os condicionalismos a
ela [Magna Ca a] conducen es, mas ambém desen ol imen os mais a dios que es es
his o iado es conside a am es a -lhe de algum modo ligados. Assim, as o igens do Pa lamen o
e a subsequen e e olução des e e am não a o enca adas, enquan o ac o es de inc emen o
das libe dades, como consequências do documen o elu an emen e acei e (e depois ejei ado)
po João Sem Te a. (pp. 61-62)
Seja como o , apesa daquilo que o seu nome indica, es a his o iog a ia não e a
acei e exclusi amen e pelos Whigs. Segundo Jones (2000):
[Lo d] Macaulay was pe sis en ly c i ical o he way in which bo h To ies and Whigs
poli icized his o y by engaging in p eceden -hun ing. His eal hesis was ha 1688 was no an
exclusi ely Whig achie emen , bu ha To ies and Whigs we e able o ac in conce o depose
a y an . Indeed, he impo an hing abou Whig his o y was ha i came o cons i u e a so
o bipa isan o hodoxy, so ha a To y such as William S ubbs had li le di icul y aking i as
he amewo k o his his o ical wo k. (p. 54)
É necessá io sublinha que os Whigs endiam a glo i ica ce as pe sonagens
his ó icas (aquelas que, segundo eles, con ibuíam pa a o p og esso), a ibuindo-lhes
ca ac e ís icas he óicas i o ianas que es as p o a elmen e não possuíam. Hilai e
Belloc (2003) explica es a endência da seguin e o ma:
Whig his o y ook on a ious o ms and nuances. I is no homogeneous, and ha is i s
s eng h. (...) I also p oduced ha e y di e en o m o he o wo ship, o a any a e, o
idola y- he la e Vic o ian legend. Whig his o y made i impossible o he a e age English
educa ed man o unde s and he Middle Ages, sa e as a so o pic u esque pagean which had
no hing o do wi h his own de elopmen . When i ound in he Middle Ages, any hing which
could be wis ed in o some con o ed esemblance o he mode n hings which i p oclaimed,
Whig his o y lied wi hou es ain . Simon de Mon o became in i s hands, no a ehemen ,
79
somewha supe s i ious Ca holic F ench noble, bu an English middle-class P o es an and
e o me . Whigge y did no gi e him hose epi he s bu i implied hem (...). (p. 179)
Bu e ield (2002) conco da com es a explicação, e e indo que "i is pa and
pa cel o he whig in e p e a ion o his o y ha i s udies he pas wi h e e ence o
he p esen ; i has been aken o mean he s udy o he pas wi h di ec and pe pe ual
e e ence o he p esen " (p.11).
Tomando em conside ação a me odologia dos Whigs, podemos en ende o
ascínio dos i o ianos po Simon de Mon o . Es e úl imo e a uma igu a da Idade
Média, que, do pon o de is a dos libe ais, undou a Câma a dos Comuns e pe mi iu
que os ca alei os e os bu gueses i essem ep esen ação pa lamen a . Além disso, al
como imos no subcapí ulo 1.2, o conde de Leices e e a conhecido pela sua de oção
eligiosa, ao pon o de a i ma que a sua causa e a di ina. Os Whigs ecusa am-se a
econhece de ei os na condu a de Mon o , pois es e e a, segundo eles, um pa io a
adical que lu ou pelos di ei os dos ingleses. Po ou o lado, Hen ique III,
independen emen e de qualque aspec o posi i o do seu einado, e a is o como um
i ano de ido ao seu desp ezo pela Magna Ca a.
Culminamos a nossa discussão sob e o pe íodo i o iano com a ap o ação do
2º Re o m Ac . Es e úl imo, conhecido o malmen e como The Rep esen a ion o he
People Ac 1867, a ibuiu o di ei o de o o a indi íduos do sexo masculino da classe
ope á ia, an o em Ingla e a, como no País de Gales.
Segundo Janice Ca lisle (2014), em 1866, o a p opos o po Glads one (1809-
1898) um p ojec o de lei segundo o qual um homem podia o a , caso o alo de
alugue da sua p op iedade osse de £7, em ez de £10, como eza o Re o m Ac de
1832. I onicamen e, uma das maio es c í icas ao p ojec o de lei oi le an ada po
Robe Lowe (1811-1892), um libe al, que a gumen ou que o con olo sob e a Câma a
dos Comuns de ia se man ida pelos icos; além disso, Lowe ac edi a a que já ha ia
demasiadas pessoas sem a in eligência necessá ia pa a se em dignas do di ei o de
o o. Seja como o , o p ojec o acabou po acassa . Em Junho de 1866, o go e no
80
libe al demi iu-se e oi subs i uído po um go e no conse ado , com Benjamin Dis aeli
(1804-1881) no ca go de Chancello o he Excheque .
Ainda segundo Janice Ca lisle, em 1867, Dis aeli a gumen ou que o di ei o de
o o de ia se a ibuído a qualque homem adul o que i esse pago os impos os da sua
esidência. O p ojec o de lei que o polí ico conse ado in oduziu em Ma ço oi
ap o ado em Julho desse mesmo ano, e passou po uma sé ie de emendas, algumas
delas p opos as pelos Whigs. Em e mos p á icos, é p o á el que Dis aeli i esse
p opos o o p ojec o simplesmen e pa a que os To ies ganhassem as eleições
go e namen ais seguin es. No en an o, Bageho (1873) con a que chegou a pe gun a
aos conse ado es "Do you know ha you Conse a i e Go e nmen has b ough in a
Bill a mo e Radical han any o me Bill, and ha i is e y likely o be passed?". (p.
10)
De ac o, a p omulgação do Re o m Ac oi bas an e con o e sa. Richa d Al ick
(1973) en ende que es e oi, inicialmen e, ópico de uma sé ie de deba es de na u eza
ilosó ica:
Fundamen al ques ions o social and poli ical philosophy we e in ol ed, o now he
na ion had o ace squa ely he possible consequences o so b oad a anchise. Al hough some
uppe -class sympa hize s welcomed he de ju e democ a iza ion o B i ain's poli ical
ins i u ions, o he s we e un econciled o wha hey an icipa ed would be he de ac o
consequences. The o me ea o a med e olu ion was now eplaced by a no less anxious
app ehension o ballo -box democ acy. (p. 95)
Realmen e, na In odução à segunda edição da sua ob a The English
Cons i u ion, Wal e Bageho (1873) en ende que "I is oo soon as ye o a emp o
es ima e he e ec o he Re o m Ac o 1867. The people en anchised unde i do no
ye know hei own powe : a single elec ion, so a om eaching us how hey will use
ha powe , has no been e en enough o explain o hem ha hey ha e such powe "
(p.3). Mais à en e, Bageho (1873) e e e mais ap o undadamen e as objecções
81
p incipais à ex ensão do su ágio:
Bu he Re o m Ac o 1867 did no s op a skilled labo ; i en anchised unskilled labo
oo. And no one will con end ha he o dina y wo king-man who has no special skill, and who
is only a ed because he has a house, can judge much o in ellec ual ma e s. The messenge in
an o ice is no mo e in elligen han he cle ks; no be e educa ed, bu wo se: and ye he
messenge is p obably a e y supe io specimen o he newly en anchised classes. The
a e age can only ea n e y scan y wages by coa se labo . They ha e no ime o imp o e
hemsel es, o hey a e labo ing he whole day h ough; and hei ea ly educa ion was so
small ha in mos cases i is dubious whe he , e en i hey had much ime, hey could use i o
good pu pose.
(...)
In plain English, wha I ea is ha bo h ou poli ical pa ies will bid o he suppo o
he wo king-man; ha bo h o hem will p omise o do as he likes i he will only ell hem wha
i is; ha , as he now holds he cas ing o e in ou a ai s, bo h pa ies will beg and p ay him o
gi e ha o e o him. (pp. 9, 16)
Ma hew A nold (1938) conco da com Bageho , en endendo que as massas não
es ão p epa adas pa a a esponsabilidade do su ágio:
Ou masses a e qui e as aw and uncul i a ed as he F ench; and so a om hei
ha ing he idea o public du y and o discipline, supe io o he indi idual's sel -will, b ough o
hei mind by a uni e sal obliga ion o mili a y se ice (...) ha soone han submi o a
consc ip ion he popula ion o ha dis ic would lee o he mines, and lead a so o Robin
Hood li e unde g ound. (p. 76)
Ve i icamos, assim, que a maio p eocupação dos au o es da época consis ia na
possibilidade de as pessoas que ecebe am o su ágio não se em su icien emen e
82
in eligen es ou esponsá eis pa a usu ui des e pode .
Apesa des as objecções, oi a pe spec i a his ó ica i o iana que acabou po
jus i ica a ex ensão do su ágio. Como a i ma Jones (2000):
Whe eas e o m in 1832 had commonly been de ended as a once-and- o -all change
which would a e he need o u he ex ensions o he su age, he assump ion ha
unde lay he deba es o he 1860s was ha he poli ical sys em was almos by de ini ion in a
s a e o pe manen lux. Mos libe al in ellec uals (...) welcomed he b oadening o he poli ical
na ion, no jus because hey belie ed ha u ban wo ke s had demons a ed hei poli ical
ma u i y, bu also because hey held ha he ques ion o e o m had o be conside ed
dynamically. Since man's highe quali ies a e de eloped by being used, he bes way o ensu e
he ci ic educa ion o he wo king class was o gi e hem he o e. (p. 73)
Sublinhamos, no exce o an e io , a ideia de que o sis ema polí ico se
encon a a "in a s a e o pe manen lux", is o é, em cons an e al e ação. Po sua ez,
es as mudanças consis em na e olução da ma u idade polí ica. Es a úl ima só pode
oco e a a és do su ágio. Ve i icamos, assim, uma o ma de pensa mui o
semelhan e àquela na qual se baseia a his o iog a ia Whig, is o é, a ideia de que a
His ó ia consis e numa cons an e ei indicação de di ei os. Sob es e pon o de is a, o
Re o m Ac de 1867 consis e num passo ine i á el a caminho da ex ensão do di ei o de
o o e da ep esen ação pa lamen a .
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