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Relatório de estágio em ensino de português como língua estrangeira

Abstract

Este relatório sintetiza o trabalho desenvolvido no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Português como Língua Segunda e Estrangeira, realizado no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas da Universidade de Bolonha, durante o primeiro período do ano letivo 2018/2019, que decorreu entre outubro e dezembro de 2018. A opção por estágio, em detrimento de tese ou projeto, refletiu a necessidade de desenvolver competências didáticas baseadas numa experiência prática que me permitisse ter uma primeira experiência como professora de português como língua estrangeira (PLE). Mais, que me permitisse ter uma primeira experiência como professora tout court, mesmo ciente de que não seria legítimo classificá-la como profissional, tendo em conta as fragilidades de quem se estreia num campo de conhecimento que lhe é totalmente novo. Empenhei-me em conseguir realizá-lo no território italiano, por querer perceber de que modo as semelhanças e os contrastes entre português e italiano podiam ser facilitadores na aquisição da nova língua; também foi fator de decisão a escassez de literatura relativa ao trabalho de PLE centrado em italófonos. Foi meu propósito pôr a tónica no ensino explícito de pronúncia, ainda que incluído numa abordagem mais abrangente, convicta de que podia traduzir-se num ganho significativo na curva de aprendizagem de certos grupos de aprendentes. Esta motivação baseou-se na minha experiência como aluna de línguas estrangeiras, nomeadamente de italiano, e na vontade de perceber de que modo o ensino explícito de pronúncia podia ser eficaz desde o primeiro nível de aprendizagem. Deste modo, durante as sessões didáticas de produção oral de que fui responsável, dei particular atenção a este tópico, tendo desenvolvido uma pequena intervenção didática, mesmo que com diversas limitações formais, resultantes tanto do constrangimento temporal como da minha escassa preparação. Em síntese, o meu principal objetivo foi ter uma primeira experiência didática, com a multiplicidade de inputs resultantes da interação com um grupo de alunos em contexto pedagógico, seguindo-se o escopo específico do ensino de pronúncia.

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Relatório de estágio em ensino de português como língua estrangeira

Author: Rocha, Alda Maria Simões da
Year: 2020
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/93127/1/Relat%c3%b3rio%20de%20est%c3%a1gio%20de%20Alda%20Rocha%20-revis%c3%a3o2.pdf
Rela ó io de Es ágio de Mes ado
em Po uguês como Língua Segunda e Es angei a
Ensino Explíci o de P onúncia
Ve são e is a e melho ada após de esa pública
Fe e ei o, 2020
[Esc e a aqui]
Ag adecimen os
De ia bas a o som bu- o-c á- i-co da pala a “ ela ó io” pa a e o ça a
sob iedade, le ando à sín ese pe ei a exp essa no silêncio. Con a iando a p emissa,
aqui icam, al abe icamen e e a le po qualque deso dem, os meus ag adecimen os:
À Ana, po segu a ainda mais i me nas penosas a essias do dese o;
À Ca ol, po ac edi a pa a além dos limi es da lógica;
À Lúcia, pelo começo de udo, ao pe mi i sabo ea quão p aze oso pode se
ensina uma língua;
À P o . Ana Madei a, pela comp eensão de odos os incump imen os e pela
segu ança a delimi a o caminho;
Ao P o . Robe o Mulinacci, pela paixão con agian e que lhe e oca a língua
po uguesa;
Ao P. e à P., po an o de inspi ado da sua his ó ia, com o seu linguaja adio,
pon o de encon o dos amo es de odas as línguas.
Lemb a -me-ei mui as ezes de ós, especialmen e nos momen os elizes.
Ag adecimen os 6
In odução 1
1. Ca ac e ização da ins i uição de acolhimen o 2
2. Desc ição das a i idades desen ol idas du an e o es ágio 5
3. Enquad amen o eó ico do ensino de p onúncia 7
4. P incipais di e enças onológicas en e o po uguês e o i aliano 12
5. In e enção didá ica 14
5.1 Iden i icação do p oblema 15
5.2 Obje i os 15
5.3 Plano de in e enção 15
5.3.1 Desc ição dos pa icipan es 15
5.3.2 Me odologia 17
5.4 A aliação do impac o da in e enção didá ica 21
Conclusão 23
Re e ências bibliog á icas 25
[Esc e a aqui]
1
In odução
Es e ela ó io sin e iza o abalho desen ol ido no âmbi o do es ágio cu icula
do Mes ado em Po uguês como Língua Segunda e Es angei a, ealizado no
Depa amen o de Línguas, Li e a u as e Cul u as Mode nas da Uni e sidade de Bolonha,
du an e o p imei o pe íodo do ano le i o 2018/2019, que deco eu en e ou ub o e
dezemb o de 2018.
A opção po es ágio, em de imen o de ese ou p oje o, e le iu a necessidade
de desen ol e compe ências didá icas baseadas numa expe iência p á ica que me
pe mi isse e uma p imei a expe iência como p o esso a de po uguês como língua
es angei a (PLE). Mais, que me pe mi isse e uma p imei a expe iência como
p o esso a ou cou , mesmo cien e de que não se ia legí imo classi icá-la como
p o issional, endo em con a as agilidades de quem se es eia num campo de
conhecimen o que lhe é o almen e no o.
Empenhei-me em consegui ealizá-lo no e i ó io i aliano, po que e pe cebe
de que modo as semelhanças e os con as es en e po uguês e i aliano podiam se
acili ado es na aquisição da no a língua; ambém oi a o de decisão a escassez de
li e a u a ela i a ao abalho de PLE cen ado em i aló onos. Foi meu p opósi o pô a
ónica no ensino explíci o de p onúncia, ainda que incluído numa abo dagem mais
ab angen e, con ic a de que podia aduzi -se num ganho signi ica i o na cu a de
ap endizagem de ce os g upos de ap enden es. Es a mo i ação baseou-se na minha
expe iência como aluna de línguas es angei as, nomeadamen e de i aliano, e na
on ade de pe cebe de que modo o ensino explíci o de p onúncia podia se e icaz
desde o p imei o ní el de ap endizagem. Des e modo, du an e as sessões didá icas de
p odução o al de que ui esponsá el, dei pa icula a enção a es e ópico, endo
desen ol ido uma pequena in e enção didá ica, mesmo que com di e sas limi ações
o mais, esul an es an o do cons angimen o empo al como da minha escassa
p epa ação.
Em sín ese, o meu p incipal obje i o oi e uma p imei a expe iência didá ica,
com a mul iplicidade de inpu s esul an es da in e ação com um g upo de alunos em
con ex o pedagógico, seguindo-se o escopo especí ico do ensino de p onúncia.
[Esc e a aqui]
2
Nes e ela ó io, começo po dedica uma b e e no a his ó ica àquela que é
conside ada a mais longe a ins i uição de ensino supe io da Eu opa — a Uni e sidade
de Bolonha —, an es de a ança na ca ac e ização do Depa amen o de Línguas,
Li e a u as e Cul u as Mode nas, onde deco eu a minha expe iência docen e.
Segue-se um sumá io das di e en es a i idades que p eenche am o es ágio.
O capí ulo seguin e é dedicado ao enquad amen o eó ico do ensino de
p onúncia, uma ez que o abalho pedagógico que desen ol i, como já oi a i mado,
e e como obje i o p imo dial a aquisição de p onúncia.
Tendo em con a que o abalho oi o emen e mo i ado pelas p incipais
di e enças onológicas en e o i aliano e o po uguês, dedico-lhes um capí ulo
au ónomo. Ainda que não seja uma desc ição exaus i a, pe mi e pe cebe quão
p o ícuo pode se es e conhecimen o, quando se abalha em uni e sos linguís icos
uni o mes e com pon os de con ac o com a língua de des ino.
O co po mais ex enso do ela ó io es á con ido no capí ulo 5, no qual é ei o um
sumá io de uma pequena in e enção didá ica de ensino explíci o de p onúncia, di idida
em ês expe iências, iden i icadas po A, B e C, pa a cla eza de comunicação.
A inaliza , na conclusão, aço um balanço da minha a i idade como es agiá ia,
e e indo as compe ências que o am e o çadas — ou mesmo adqui idas po an es
se em inexis en es —, assim como as di iculdades com que me con on ei e que se em
de e lexão pa a expe iências u u as.
1. Ca ac e ização da ins i uição de acolhimen o
Conside ada a uni e sidade mais an iga da Eu opa, é acei e que o ensino li e e
independen e das escolas eclesiás icas enha aqui começado em 1088
1
. No en an o, oi
a his ó ia ecen e que o nou o nome da Uni e sidade de Bolonha no símbolo da união
do ensino supe io no espaço eu opeu.
1
www.unibo.i /i /a eneo/chi-siamo/la-nos a-s o ia/luni e si a-dal-xii-al-xx-secolo, consul ado a
20/06/2019
Ou ub o, 2019

[Esc e a aqui]
3
Um passo ele an e oi dado a 18 de se emb o de 1988, du an e a celeb ação
dos 900 anos do nascimen o da ins i uição. Nesse dia, a magní ica Piazza Maggio e
acolhia 388 ei o es de uni e sidades de odo o mundo que subsc e e am a Magna
Ca a Uni e si a um Eu opaeum (1988)
2
, a ualmen e a i icada po mais de 800
ins i uições uni e si á ias. O espí i o da uni e salidade do sabe ica a plasmado nes e
documen o, ea i mando-se a au onomia da uni e sidade e a ligação indissociá el en e
a a i idade didá ica e de in es igação, além da ecusa dos limi es impos os po qualque
on ei a geog á ica ou polí ica.
Dez anos depois, a 19 de junho de 1999, 29 minis os eu opeus, i ula es da pas a
do Ensino Supe io , assina am a Decla ação de Bolonha
3
. E a o início de um caminho de
homogeneidade do ensino uni e si á io eu opeu, p omo endo o in e câmbio de
es udan es e o econhecimen o conjun o das suas habili ações, no que oi comummen e
consag ado como P ocesso de Bolonha. É sob a sua égide que es á o ganizado es e
mes ado, além de se da a coincidência de o es ágio se conduzido p ecisamen e na
alma ma e do ensino ansnacional, a casa que acolheu a decla ação homónima: a
Uni e sidade de Bolonha.
No con ex o a ual, azem ainda mais sen ido es as pala as iniciais, a deixa
anspa ece o idealismo de um ensino eu opeu comum, em con as e e iden e com as
co en es de pensamen o que êm ganhado exp essão nos úl imos anos, em de esa de
um nacionalismo apos ado no ee gue de on ei as.
A Uni e sidade de Bolonha é conside ada a líde eu opeia da mobilidade
in e nacional (E asmus+ 2018)
4
. Nos úl imos dados disponibilizados pela ins i uição,
ela i os ao ano le i o de 2017/18, cons a a-se que 13,6% dos seus es udan es são
in e nacionais, num o al de 86 509 insc i os
5
.
No que espei a ao Depa amen o de Línguas, Li e a u as e Cul u as Mode nas,
onde deco eu es a expe iência didá ica em po uguês, é de sublinha o seu ca ác e
2
h p://www.magna-cha a.o g/ esou ces/ iles/ he-magna-cha a/po uguese, consul ado a 20/06/2019
3
h p://www.magna-cha a.o g/ esou ces/ iles/BOLOGNA_DECLARATION.pd , consul ado a 20/06/2019
4
www.unibo.i /en/uni e si y/who-we-a e/uni e si y- oday/uni e si y- oday, consul ado a 26/06/2019
5
www.unibo.i /en/uni e si y/who-we-a e/uni e si y- oday/uni e si y- oday, consul ado a 26/06/2019
[Esc e a aqui]
4
plu ilinguís ico. A ualmen e es ão disponí eis es udos de alemão, á abe, chinês,
espanhol, inlandês, ancês, holandês, inglês, japonês, pe sa, polaco e usso.
Especi icamen e a língua po uguesa con a com dois docen es do quad o: o
p o esso ca ed á ico Robe o Vecchi e o p o esso associado Robe o Mulinacci,
somando-se no malmen e um p o esso con a ado, pa a o ensino de Lingua e
Linguis ica Po oghese e B asiliana 2, que a ia odos os anos, dependendo das
candida u as ap esen adas
6
, além de dois lei o es, um da a ian e de po uguês
eu opeu (PE) e o ou o de po uguês b asilei o (PB).
A o e a cu icula
7
é cons i uída po Le e a u e Po oghese e B asiliana, ní eis
1, 2, 3, exclusi a da licencia u a de Lingue e Le e a u e S anie e. Já Lingua e Linguis ica
Po oghese e B asiliana, ní eis 1, 2, 3, é comum an o à licencia u a an e io como à de
Lingue Me ca i e Cul u e dell’Asia — e i a-se, no en an o, que es a segunda disciplina é
escolhida ambém po alunos de ou os depa amen os
8
. Me ece uma menção
pa icula o ac o de o p og ama des a cadei a inclui a o e a de aulas de PLE,
habi ualmen e da esponsabilidade de um lei o na i o, podendo se an o de PE como
de PB, dependendo dos semes es e do g au.
Ainda no p imei o g au de es udos e egendo-se pelos mesmos moldes das
e e idas aulas de PLE, exis e a disciplina de Po oghese 1 e 2, na licencia u a de
An opologia, Religioni, Ci il à O ien ali.
No que conce ne ao segundo ní el de es udos, no mes ado de Le e a u e
Mode ne, Compa a e e Poscoloniali, encon amos Le e a u e Po oghese e B asiliana 1
e 2, S o ia della Cul u a Po oghese e Lingua Po oghese e B asiliana; e no mes ado de
Lingua e Cul u a I aliane pe S anie i, Lingua Po oghese e B asiliana.
6
In o mação acul ada po email pelo P o . Robe o Mulinacci
7
Todas os dados e e idos sob e a o e a cu icula es ão disponí eis em www.lingue.unibo.i /a i i a-
dida ica, consul ado a 26/06/2019
8
In o mação acul ada po email pelo P o . Robe o Mulinacci
[Esc e a aqui]
5
2. Desc ição das a i idades desen ol idas du an e o es ágio
As p incipais a i idades consis i am, passe a coincidência da nomencla u a, nas
A i i à In eg a i e di Po oghese. Es as sessões didá icas, da minha esponsabilidade,
unciona am como complemen o das aulas de Lìngua e Linguìs ica Po oghese e
B asiliana, do docen e Robe o Mulinacci, e em es ei a a iculação com as aulas de
Po oghese, da lei o a Filipa Ma os.
Es as sessões de ensino de PLE, a ian e de Po uguês Eu opeu, i e am como
obje i o p incipal unciona como espaço de exe ci ação, pa icula men e de p odução
o al, ela i amen e à ma é ia que oi sendo lecionada em Po oghese, ní el A1.
Deco e am ao longo de 12 sessões, com 1h30 de du ação, endo a assis ência a iado
en e um mínimo de 5 alunos (aula de es eia) e um máximo de 16. Pa ece-me, no
en an o, legí imo a i ma e -se c iado uma e e i a elação pedagógica com 10 dos
pa icipan es, a maio ia dos quais es e e p esen e na o alidade das sessões.
Foi semp e dada uma ên ase pa icula ao ensino de p onúncia, um dos obje i os
cen ais do es ágio. Sendo um uni e so de i alo alan es, o ensino de p onúncia es a a
acili ado pelo seu conhecimen o onológico p é io, bas ando quase semp e oma em
consciência da onologia do po uguês, con as ando-a com a sua língua na i a, e
ambém a pa i de exemplos que os p óp ios alunos ansmi iam an o de ou as
línguas como de diale os. Pa a o aze , oi de e minan e es a sensibilizada pa a as
p incipais di e enças onológicas en e o po uguês e o i aliano.
Po ou o lado, oi pe inen e e em a enção as di e gências g á icas na
ep esen ação de sons idên icos ou quase idên icos, nas duas línguas. Mui as ezes,
pude cons a a se a ep esen ação g á ica a condiciona a p odução o al, em oposição
à acilidade de p onunciação quando a e e ência e a exclusi amen e audi i a. Enume o
no pa ág a o seguin e alguns exemplos pa a o na mais cla o o que acabo de a i ma .
O som [ʎ] que co esponde ao díg a o <lh> (“ alha” [' aʎɐ]) é ep esen ado em
i aliano com <gl> (“maglia” ['ma:ʎʎɐ]) — há uma ligei a di e ença na maio ên ase dada
ao som, di ícil de de e a po um não na i o de i aliano. O som [ʃ] que co esponde ao
díg a o <ch> (“cha e” [ˈʃa. ɨ]) é ep esen ado em i aliano com <sc> (“scia pa” [ˈʃa pa]);
em con apa ida, o g a ema <ch> em i aliano co esponde ao som [k] (“chia e” [ˈkja e]),
[Esc e a aqui]
6
que em po uguês assume duas ep esen ações g á icas: <q> e <c> — es e quando
an ecede <a>, <o> e <u>. Ou o exemplo pode se dado pela consoan e <z>, que em
i aliano pode co esponde aos sons [ s] ou [dz]. No en an o, o som po uguês [z] é
acilmen e econhecido po um i alo alan e, que o usa em pala as como “chiesa”
['kjɛ:za]. Há di e sos exemplos des a na u eza, em que encon amos sons p óximos
en e as duas línguas, mas co espondendo a di e en es g a emas; assim como g a emas
idên icos nas duas línguas que aduzem sons dis in os.
Es es a o es — conhecimen o onológico p é io e di e gências g á icas —
cons i uí am o pon o de pa ida pa a delimi a o abalho a desen ol e , a pa i da
obse ação de na i os de i aliano a ala po uguês em con ex o in o mal. Num segundo
passo, a oca de ideias com o P o . Robe o Mulinacci, o esponsá el pelo es ágio na
ins i uição de acolhimen o, e o çou a minha con icção de que es e pode ia se um
caminho p o ícuo.
Pos e io men e, como dou con a no capí ulo em que desc e o as p incipais
di e enças onológicas en e po uguês e i aliano, consegui iden i ica li e a u a sob e
as di iculdades de p onúncia da ib an e [R] do po uguês, da au o ia de Fulgêncio e
Bas iane o (1998), ainda que enha po base a e e ência pad ão da a ian e de
po uguês do B asil; em i aliano, co esponde a uma ib an e múl ipla al eola . Tinha
ambém conhecimen o p é io de um abalho de Miglio e ai (2017), que assinala a
di iculdade de os ap enden es i alianos de PLE p onuncia em o som [ʃ] quando es á no
inal das pala as. Sensibilizada po es a obse ação, p ocu ei e o ça a pe ceção da
ealização dos sons em unção do con ex o, especi icamen e na ealização do mo ema
de plu al que pode assumi os sons [ʃ], [ʒ], [z].
No decu so das sessões que di igi oi pos a em p á ica uma pequena in e enção
didá ica de ensino explíci o de p onúncia, que desc e o no capí ulo 5.
Em sín ese, ela i amen e à a i idade didá ica, o conhecimen o onológico
p é io dos ap enden es oi usado pa a consolida a aquisição da no a língua,
sublinhando as semelhanças e acen uando os con as es.
Ainda an es de e início o meu con ac o com os alunos, decidi assis i às aulas
de Lìngua e Linguìs ica Po oghese e B asiliana, e Po oghese, ambas com equência
[Esc e a aqui]
13
diale o de Sassa i, no co so, no sa do me idional, no lígu , no oscano (na pala a
“disagio”), assim como em i aliano na pala a de o igem ancesa “ga age”
9
.
Há um ou o som consonan al que se sabe de an emão que o e ece di iculdades
de p onúncia: a ib an e u ula [R] do po uguês pad ão
10
, que, em i aliano pad ão,
co esponde a uma ib an e múl ipla al eola .
A es es sons no os ou quase no os, pa a os quais é p eciso sensibiliza um
i aló ono, é p eciso jun a a o ma pa icula que assume o /l/, que soa como ela izada
an o em inal de sílaba como em inal de pala a, sendo ep esen ada one icamen e
como [ɫ].
Ac esce que /s/ em im de pala a, em i aliano, assume semp e o som [s] de uma
ica i a p é-do so-al eola não ozeada, pelo que /s/ em inal de sílaba exige um eino
especí ico na aquisição de PE. É nesse sen ido a obse ação ei a po Miglio e ai (2017)
que assinala a di iculdade de p onuncia o som [ʃ] quando es á no inal das pala as:
Em i aliano, di e samen e do po uguês, o som da consoan e ’S’ nunca muda quando a
segui se coloca uma ou a consoan e, le ando po isso o i aló ono a não emi i o som
[ʃ] (po exemplo na pala a ‘meus’), mas uma ica i a p é-do so-al eola não ozeada
[s]. (p. 53)
Es e é, aliás, um desa io ambém pa a alan es na i os de ou as línguas, dada a
a iedade de p onúncia da consoan e ica i a que e mina sílaba, que no in e io de
pala a, an es de ou a consoan e, que em inal de pala a, como se pode le no si e
do Ins i u o Camões
11
. De ido ao p ocesso onológico de assimilação, em PE, a
consoan e é uma pala al, [ʒ] ou [ʃ], con o me es eja an es de uma consoan e ozeada
ou não- ozeada (mesmo ['meʒmu], lis a ['liʃ a]). É ealizada como uma ica i a al eola
em inal de pala a, quando an ecede uma ogal (as a mas [ˈa.zˈaɾ.mɐʃ]).
9
h ps://i .wikipedia.o g/wiki/Fonologia_della_lingua_i aliana consul ado em 19/09/2018; in o mação
alidada e complemen ada em con e sa com o P o . Robe o Mulinacci
10
“A consoan e u ula ep esen ada po [R] é a ib an e que se encon a no dialec o-pad ão do po uguês
eu opeu, em que a sua p odução implica a acção da ú ula. Em alguns dialec os exis e uma a ian e den al,
a ib an e múl ipla que se ep esen a po [ ]» (Ma eus e al., p. 1000)
11
h p://c c.ins i u o-camoes.p /cpp/acessibilidade/capi ulo3_1.h ml consul ado em 19/09/2018

[Esc e a aqui]
14
5. In e enção didá ica
O plano de in e enção e le e a já mencionada abo dagem mul issenso ial e
mul icogni i a de Odisho (2007) e a sua conc e ização e le e ambém a expe iência
desen ol ida po Soei o (2010), que usa como e e ência a mesma abo dagem e se
di ige ambém a um uni e so de alan es la ino, deb uçando-se sob e as di iculdades
dos hispano alan es na ap endizagem da p onúncia do espanhol:
“Sabemos que há ou os es ímulos que no p ocesso da ap endizagem da p onúncia
en am em jogo; não é di ícil concebe que a isualização a en a e moni o izada da
a iculação de um som, po exemplo, seja um bom passo pa a uma p odução e icien e
do ap enden e, sendo aqui a isão ulc al na c iação de uma imagem acús ica da
p odução.” (Soei o, 2010, p. 19)
A escolha po es a abo dagem e le e a minha p óp ia expec a i a de e icácia
como ap enden e de línguas es angei as e o ac o de p e e que se ia a mais adequada
a ob e esul ados, apesa de dois g andes a o es de cons angimen o: ní el de
ap endizagem dos alunos (A1) e limi ação empo al da in e enção ( ês sessões com o
in e alo de uma semana).
Baseia-se na compa ação en e o i aliano e o po uguês, desc i a an e io men e.
Incide no con as e en e os sons [ɾ] e [R], exp esso na expe iência A; no con as e en e
o som [ʃ] e [ʒ], exp esso na expe iência B; e na ealização do onema /s/ em inal de
pala a, que em PE pode se p oduzido de ês o mas di e en es, [ʃ], [ʒ], [z],
condicionado pela qualidade do som inicial da pala a que se lhe segue, exp esso na
expe iência C.
Os meus obje i os o am didá icos pe se, que endo com is o dize que as
expe iências i e am como obje i o o me o exe cício pedagógico, sem que
ambicionasse ob e conclusões ex ensí eis a ou os uni e sos de alan es. A escolha dos
sons a eina aduz uma seleção ácil de ope acionaliza . Não oi mo i ada po se a a
de sons que cons i uíssem a p io i obs áculos à comunicação — ques ão de pouca
exp essão em ap enden es de língua na i a i aliana —, nem po se em sons cuja
aquisição se p e ia como mais exigen e, como os sons nasais, al o de eino o a des a
in e enção especí ica. Do mesmo modo, “iden i icação do p oblema” e “di iculdade na
[Esc e a aqui]
15
p odução” e le em uma e minologia ado ada po azões me amen e ope acionais e
que apenas p ocu a exp essa a necessidade do ensino explíci o de p onúncia.
5.1 Iden i icação do p oblema
T a a-se de uma p e isão, endo em con a o que já oi desc i o an e io men e.
Expe iência A — Di iculdade na p odução de [R], inexis en e no epe ó io
onológico da maio ia dos i alianos, com exceção de nalgumas a ian es diale ais.
Expe iência B — Di iculdade na p odução de [ʒ], inexis en e no in en á io
onológico i aliano.
Expe iência C — Di iculdade na p odução do som co e o em inal de pala a —
[ʃ], [ʒ], [z] — ep esen ado pelo g a ema <s>, dependendo da qualidade do som inicial
da pala a que se lhe segue.
5.2 Obje i os
Expe iência A — Consciencialização de que [R] é uma ib an e u ula ; p odução
co e a do som; es abelecimen o do con as e com [ɾ].
Expe iência B — Consciencialização de que [ʒ] é uma ica i a p é-pala al
ozeada; p odução co e a do som [ʒ]; es abelecimen o do con as e com [ʃ].
Expe iência C — Reconhecimen o do con ex o que a e a o som do g a ema <s>
em inal de pala a; p odução co e a dos sons [ʃ], [ʒ], [z], espei ando o con ex o.
5.3 Plano de in e enção
Explicação aos alunos do obje i o da in e enção didá ica e dos passos que a
cons i uem. Toda a me alinguagem é em i aliano, endo em con a que são alunos de A1.
Foi ei o o egis o em ídeo das a i idades de p odução o al, assim como o
egis o esc i o das a i idades de econhecimen o audi i o.
5.3.1 Desc ição dos pa icipan es
São dez alunos, de ní el A1, iden i icados com le as, pa a sal agua da a sua
iden idade. É indicado o sexo, assim como a licencia u a que equen am. Todos êm
[Esc e a aqui]
16
i aliano como língua na i a, e e indo-se as ou as línguas e diale os que con ibuem
pa a o seu conhecimen o onológico, além das línguas na i as dos pais, quando não são
i alianos, com as quais con ac am, mesmo quando ela am e em um conhecimen o
eduzido.
Ap enden es
Sexo
Cu so
Línguas/diale os
A
Feminino (F)
Lingue e Le e a u e
S anie e
alemão, ancês, inglês
B
Masculino (M)
Geog a ia e P ocessi
Te i o iali
inglês, diale o
b esciano
C
M
Lingue e Le e a u e
S anie e
balinês*, indonésio*,
inglês, napoli ano
( a ian e pugliese
oggiana)
*línguas na i as
ma e nas
D
F
Lingue e Le e a u e
S anie e
espanhol, inglês
E
F
Lingue, Me ca i e
Cul u e dell’Asia
alemão, chinês,
espanhol, inglês,
diale o éne o
F
M
Lingue, Me ca i e
Cul u e dell’Asia
espanhol, inglês,
japonês, diale o
b esciano
G
F
Lingue, Me ca i e
Cul u e dell’Asia
chinês, espanhol,
ancês, inglês, diale o
b esciano
H
F
Lingue e Le e a u e
S anie e
alemão, inglês
I
M
Lingue, Me ca i e
Cul u e dell’Asia
chinês, inglês, diale o
salen ino
J
M
Lingue, Me ca i e
Cul u e dell’Asia
á abe*, espanhol,
inglês, japonês, diale o
omanholo
*língua na i a pa e na
[Esc e a aqui]
17
5.3.2 Me odologia
Expe iência A
O obje i o des a expe iência é a consciencialização de que [R] é uma ib an e
u ula , le ando a que haja uma p odução co e a do som, em con as e com [ɾ].
Nomeação de imagens sem qualque p epa ação p é ia. A escolha das pala as
e e em con a a necessidade da sua ilus ação, além da equência equi alen e de
ambos os sons e em posições dis in as. As pala as são as seguin es (11 com som [R],
em posição inicial e posição in e ocálica; 11 com som [ɾ], em posição in e ocálica, em
posição de inal de sílaba den o ou no inal de pala a, e em segunda posição de a aque,
ou seja, de início de sílaba): “ a o”, “ apa iga”, “ca o”, “ca o”, “amo ”, “ elógio”,
“no e”, “ga a a”, “ga o”, “ io”, “ apaz”, “ig eja”, “ alado ”, “ ádio”, “ amo”,
“imp esso a”, “ aque e”, “co uja”, “b aço”, “p a o”
12
.
a) O ien ação cogni i a
Reconhecimen o do p oblema: os alunos cons a am a di iculdade exis en e na
p odução de [R], inexis en e no epe ó io onológico da maio ia dos i alianos, com
exceção de em algumas a ian es diale ais. Iden i icam as pala as que con êm o som
[R] e o som [ɾ].
b) O ien ação cines ésica e p op ioce i a
Eu exempli ico o som [R], posicionando a mão na ga gan a, e o çando a
localização da p odução do som, lendo as pala as da lis a que o con êm: “ a o”, “ca o”,
“ elógio”, “ga a a”, “ io”, “ apaz”, “ ádio”, “ amo”, “ aque e”; ên ase especí ica em
“ apa iga”, e “ alado ” que con êm ambos os sons.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que epi a as pala as com som [R] e sin a,
com a mão na sua p óp ia ga gan a, onde é p oduzido o som [R].
É pedido a cada aluno indi idualmen e que desc e a as sensações de que
consegue oma consciência du an e a p odução do som [R]; á-lo em i aliano.
12
Anexo 1
[Esc e a aqui]
18
Exempli ico o som [ɾ], lendo as pala as da lis a que o con êm: “ca o”, “amo ”,
“no e”, “ga o”, “ig eja”, “imp esso a”, “co uja”, “b aço”, “p a o”.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que epi a as pala as com som [ɾ],
omando consciência de onde é p oduzido es e som, que lhe é amilia , uma ez que az
pa e do in en á io onológico i aliano.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que desc e a as sensações de que
consegue oma consciência du an e a p odução do som [ɾ]; á-lo em i aliano.
Os alunos epe em a lis a de pala as, assinalando com a mão na ga gan a
semp e que es ão a p oduzi o som [R], acen uando a pe ceção ísica da localização do
som.
c) O ien ação audi i a
Leio a lis a de pala as que se segue e os alunos iden i icam as que êm o som
[R], o som [ɾ] ou ambos. “P o esso a”, “ olha”, “p édio”, “ espei o”, “bu o”,
“ udimen a ”, “ azão”, “ i ual”, “ o e”, “g u a”.
d) Ve i icação
Lei u a indi idual de odas as pala as com os sons [R] e [ɾ], an o as da a e a de
nomeação como as do econhecimen o audi i o.
Os dez pa icipan es consegui am econhece o con as e en e [R] e [ɾ], no
econhecimen o audi i o.
Todos os pa icipan es consegui am p oduzi o som [R]. Oi o dos alunos
consegui am es abelece o con as e en e o som [R] e o som [ɾ]. O ap enden e H e o
ap enden e J p oduzi am semp e o som [R], an o nas si uações em que se a a a de
[R], como nas si uações em que e a [ɾ]. Uma no a pa icula pa a o ap enden e H que
usa o som [R] em i aliano, uma ca ac e ís ica com pa icula exp essão na egião de
Pa ma.
Expe iência B
Nomeação de imagens sem qualque p epa ação p é ia. A escolha das pala as
e e em con a a necessidade da sua ilus ação, além da equência equi alen e de
ambos os sons e em posições dis in as. As pala as são as seguin es (10 com som [ʒ],
em posição inicial e posição in e ocálica; 10 com som [ʃ], em posição inicial, posição

[Esc e a aqui]
19
in e ocálica e, em dois dos casos, com duas oco ências, em posição inicial e inal): “já”,
“chá”, “janela”, “chá ena”, “ja dim”, “xa ope”, “jo nal”, “beija ”, “xad ez”, “ajuda ”,
“lixo”, “be ingela”, “b uxa”, “mexe ”, “azulejo”, “caixa”, “peixe”, “anjo”, “joelho”,
“cha es”
13
.
a) O ien ação cogni i a
Reconhecimen o do p oblema: o som [ʒ] não exis e no pa imónio onológico
i aliano, apesa de se do conhecimen o dos alunos a a és do con ac o com algumas
a ian es diale ais e na pala a de o igem ancesa, usada no i aliano, “ga age” [ga'ɾaʒe].
Cons a ação do con as e com o som [ʃ], a a és do exemplo do pa mínimo já/chá.
Iden i icação de pala as i alianas que con êm o som [ʃ].
b) O ien ação cines ésica e p op ioce i a
Exempli ico o som [ʒ], sublinhando, com a mão na ga gan a, a pe ceção de que
há ib ação, daí a a -se de uma consoan e ozeada.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que epi a as pala as com som [ʒ],
omando consciência de onde é p oduzido es e som.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que desc e a as sensações ísicas de que
consegue oma consciência du an e a p odução do som [ʒ]; á-lo em i aliano.
Exempli ico o som [ʃ], sublinhando, com a mão na ga gan a, que não há ib ação,
daí a a -se de uma consoan e não- ozeada.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que epi a as pala as com som [ʃ],
acen uando a pe ceção ísica da localização do som.
É pedido a cada aluno indi idualmen e que desc e a as sensações de que
consegue oma consciência du an e a p odução do som [ʃ]; á-lo em i aliano.
Os alunos epe em indi idualmen e a lis a de pala as.
c) O ien ação audi i a
Leio a lis a de pala as que se segue e os alunos iden i icam as que êm o som
[ʒ] ou o som [ʃ]: “enche ”, “chapéu”, “manje icão”, “bochecha”, “obje o”, “desejo”,
“chão”, “co ajoso”, “bicho”, “jus o”.
13
Anexo 2
[Esc e a aqui]
20
d) Ve i icação
Lei u a indi idual de odas as pala as com os sons [ʒ] e [ʃ], an o as da a e a de
nomeação como as do econhecimen o audi i o.
Os dez pa icipan es consegui am econhece o con as e en e [ʒ] e [ʃ], no
econhecimen o audi i o, assim como es abelece o con as e na p odução o al.
Expe iência C
Lei u a de ases sem qualque p epa ação p é ia: “as casas dos apazes”; “as
casas dos doen es”; “as casas dos aman es”; “os pensamen os p o undos”; “os eus
desejos”, “os olhos boni os”; “os omb os do idos”
a) O ien ação cogni i a
Reconhecimen o do p oblema: o g a ema <s> em inal de pala a em uma
ealização dis in a do i aliano. Em po uguês, pode se ealizado de ês o mas
di e en es, [ʃ], [ʒ], [z], condicionado pela qualidade do som inicial da pala a que se lhe
segue.
Re o ço da iden i icação das ealizações ú eis: e p esen e o onema [ʃ]; an es
de ogal e p esen e o onema [z], o mesmo som da pala a i aliana “casa”, como nos
exemplos “as a es”/“os ou idos”.
b) O ien ação cines ésica e p op ioce i a
Leio as ases, sublinhando a ealização como [z] com o indicado apon ado pa a
os den es:
1. As [ʃ] casas [ʒ] dos [ʒ] apazes [ʃ]; 2. As [ʃ] casas [ʒ] dos [ʒ] doen es [ʃ]; 3. Os
[ʃ] pensamen os [ʃ] p o undos [ʃ]; 4. Os [ʃ] eus [ʒ] desejos [ʃ]; 5. As [ʃ] casas [ʒ] dos [z]
aman es [ʃ]; 6. Os [z] olhos [ʒ] boni os [ʃ]; 7. Os [z] omb os [ʒ] do idos [ʃ]
Cada aluno, indi idualmen e, lê as ases, nas quais es ão des acados a neg i o
os con ex os em que oco e [z], sublinhando a ealização des e onema com o indicado
apon ado pa a os den es.
Os alunos epe em as ases que o am eo denadas e já não êm o neg i o (a
lis a pa a lei u a não em a iden i icação oné ica):
[Esc e a aqui]
21
1. As casas dos doen es; 2. As casas dos apazes; 3. Os olhos boni os; 4. Os eus
desejos; 5. Os omb os do idos; 6. Os pensamen os p o undos; 7. As casas dos aman es
c) O ien ação audi i a
Leio a lis a que se segue, duas ezes cada ase, e os alunos iden i icam os
núme os das ases em que oco e o som [z]; segue-se a e i icação conjun a.
1. Os [z] amo es [ʒ] di íceis [ʃ]; 2. As [ʒ] g andes [ʃ] conquis as [ʃ]; 3. Os [ʒ] bons
[z] amigos [ʃ]; 4. As [z] amizades [z] impo an es [ʃ]; 5. Os [ʒ] nossos [ʃ] planos [ʃ]; 6. Os
[ʃ] pensamen os [ʃ] p o undos [ʃ]; 7. As [ʃ] casas [ʒ] dos [ʒ] doen es [ʃ]; 8. Os [z] olhos
[ʒ] boni os [ʃ]; 9. Os [z] omb os [ʒ] do idos [ʃ]; 10. Os [ʃ] eus [ʒ] desejos [ʃ]; 11. As [ʃ]
casas [ʒ] dos [z] aman es [ʃ]; 12. As [ʃ] casas [ʒ] dos [ʒ] apazes [ʃ]
d) Ve i icação
Lei u a indi idual da lis a de 12 ases.
Todos os ap enden es consegui am le as ases de e i icação, ealizando
co e amen e os sons, com as seguin es exceções:
o ap enden e C, na ase 6. “Os pensamen os p o undos”, p oduziu “pensamen os”
como [pẽ.zɐ.ˈmẽ. uʃ], em ez de [pẽ.sɐ.mˈẽ. uʃ]; o ap enden e D, na ase 8. “Os olhos
boni os”, p oduziu “os olhos” como [uˈs o.ʎuʃ], em ez de [uˈz o.ʎuʃ]; na ase 12. “As
casas dos aman es”, p oduziu “ apazes” como [ʀɐ.ˈpasɨʃ], em ez de [ʀɐ.ˈpazɨʃ]; o
ap enden e H, na ase 8. “Os olhos boni os”, p oduziu “os olhos” como [uˈs o.ʎuʃ], em
ez de [uˈz o.ʎuʃ]; o ap enden e I, na ase 8. “Os olhos boni os”, p oduziu “os olhos”
como [uˈs o.ʎuʃ], em ez de [uˈz o.ʎuʃ]; na ase 9. “Os omb os do idos”, p oduziu “os
omb os” como [uˈs õ.bɾuʃ], em ez de [uˈz õ.bɾuʃ]; na ase 10. “Os eus desejos”,
p oduziu “desejos” como [dɨ.ˈsɐ.ʒuʃ], em ez de [dɨ.ˈzɐ.ʒuʃ]; na ase 11. “As casas dos
aman es”, p oduziu “dos aman es” como [dus ɐ.ˈmɐ‹. ɨʃ], em ez de [duz ɐ.ˈmɐ‹. ɨʃ].
5.4 A aliação do impac o da in e enção didá ica
É impo an e sal agua da que se a ou de uma in e enção com um in e alo
empo al mui o es i o, não pe mi indo po isso legi ima a aquisição de compe ências.
Só a e i icação pos e io de p odução o al em con e sa espon ânea, em con ex o não
condicionado, pe mi i ia a e i a co e a aquisição de p onúncia. Ainda assim, pa ece-
[Esc e a aqui]
22
-me legí imo a i ma que hou e, de ac o, uma omada de consciência dos sons
einados.
Pe mi iu-me ambém cons a a que, mesmo endo em con a as di iculdades de
e i icação dos esul ados, há uma expe iência didá ica que se adqui e com a p óp ia
in e enção.
Su p eende am-me os esul ados da expe iência A, po não e an ecipado que
a aquisição osse ão imedia a. Pude cons a a em ações pos e io es que inha sido
pe ei amen e adqui ida a consciência do som [R], em oposição a [ɾ], incluindo pelo
ap enden e J, que não os dis ingui a na a e a de e i icação.
Foi cu ioso cons a a que os alunos, apesa de consegui em p oduzi os sons sem
os con undi em, e ela am cansaço com a p odução sucessi a do som [ʒ], ao qual não
es ão habi uados.
Es a a cien e de que a expe iência C e a pa icula men e exigen e pa a alunos
de A1. No en an o, e a minha con icção de que, a ando-se de um uni e so de
ap enden es pa icula men e mo i ados pa a a ap endizagem de línguas es angei as,
não se e ela ia um obje i o impossí el e i ia con ibui pa a e o ça a sua consciência
onológica do PE, desde os p imei os momen os de con ac o com a língua.
Con ém sal agua da que, an es des a expe iência, izemos a i idades dedicadas
aos sons nasais, num con ex o lúdico e sem egis o o mal, nas quais e ela am plena
aquisição, com uma única exceção de um ap enden e em elação ao di ongo [ɐ‹w]. Foi
in e essan e cons a a que de imedia o oi o mulada a hipó ese de a di iculdade se
de e ao ac o de se a a de um alan e da egião da Apúlia, no ex emo sudes e do
e i ó io i aliano, mais dis an e de con ac os diale ais com sons nasais. A hipó ese oi
suge ida e discu ida pelos alunos, no que conside o mais um aço e elado do seu
pe il pa icula na ap endizagem de línguas, que e o ça a minha con icção de que o
seu desempenho não é ansponí el pa a ou os uni e sos — p e ejo que com alan es
menos expos os a ou as línguas e menos mo i ados seja necessá io dedica mais empo
às mesmas a e as.
Mesmo endo em con a que hou e sons que não o am co e amen e
p oduzidos na expe iência C, icou consolidada a consciência das di e en es ealizações
[Esc e a aqui]
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Anexo 2
[Esc e a aqui]
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