“O P oje o da G aciosa”: Cons ução e Descons ução de
um Sonho Expansionis a de D. João II no No e de Á ica
And é Filipe Se a Ing ês
Disse ação de Mes ado em His ó ia
Especialização em His ó ia Mode na e dos Descob imen os
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em His ó ia, ealizada sob e a
o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Alexand a Pelúcia.
AGRADECIMENTOS
An es de mais gos a ia de deixa um p o undo e especial ag adecimen o à
minha amília. Sem os meus pais e o seu apoio incondicional nada dis o se ia possí el.
Apoia am-me desde semp e e de am-me a opo unidade de segui o meu p óp io
caminho, caminho esse que culminou com a opo unidade de es uda His ó ia e de
es a aqui hoje, a esc e e es as linhas. Ao meu i mão e à sua mulhe que, embo a
longe de Po ugal, semp e me acompanha am e apad inha am o meu pe cu so. À Ana
que es e e ao meu lado em odos os momen os e que me ajudou a ul apassa odas
as ad e sidades que su gi am ao longo do caminho.
Um ob igado especial à minha ilus e o ien ado a, a P o esso a Dou o a
Alexand a Pelúcia, po e acei e a o ien ação des a disse ação. Pela ajuda na escolha
do ema, pelo enco ajamen o, po me e semp e di ecionado pelo caminho ce o e
po odo o es o ço e disponibilidade. Foi um caminho di ícil, mas a con iança que a
P o esso a deposi ou em mim oi essencial à elabo ação des e abalho. Po udo is o,
um p o undo ob igado.
A odos os p o esso es da escola que me acompanha am e que me ajuda am a
chega a é aqui. A odos os p o esso es da FCSH-NOVA, da Licencia u a e do Mes ado,
que me ajuda am a c esce , an o a ní el pessoal como escola , e que con ibuí am
pa a que chegasse aqui hoje.
A odos os amigos que me ize am companhia ao longo des a caminhada
soli á ia e que o na am odos os dias melho es.
Um mui o ob igado.
“O P oje o da G aciosa”: Cons ução e Descons ução de um Sonho Expansionis a de
D. João II no No e de Á ica
And é Filipe Se a Ing ês
RESUMO
No einado de D. João II oi p oje ado um ambicioso plano expansionis a no
No e de Á ica, que acabou po se ma e ializa , em 1489, na cons ução de uma
o aleza na ilha da G aciosa, no cu so do io de Lucos. Pa a esse e ei o, na p imei a
me ade do ano o am p epa adas e en iadas duas a madas que isa am a edi icação
da es u u a mili a . No en an o, o am á ios os p oblemas que su gi am e que
puse am em causa o p oje o da G aciosa, des acando-se o le an amen o de um
g ande exé ci o po pa e de Mulei Xeque, sul ão de Fez, e o ce co impos o à posição
po uguesa. Po sua ez, pa a desce ca a posição po uguesa na G aciosa, D. João II
p ocedeu ao en io de mais homens, ba cos e a mas, mas sem g ande esul ado is o
que o ce co não oi queb ado. O impasse no con li o, que agudizou o desgas e sen ido
que po muçulmanos que po c is ãos, le ou a que se i masse um aco do de éguas
en e ambos. Nesse aco do o am eno adas as ma izes do que ha ia sido decidido
nas pazes de 1471, en e D. A onso V e o sul ão de Fez.
Ainda que não enha pe se e ado, o episódio da G aciosa cons i ui um
impo an e ma co no p oje o expansionis a de D. João II no No e de Á ica. A a és da
análise exaus i a de on es e bibliog a ia p ocede-se ao es udo do mui as ezes
negligenciado episódio da G aciosa, o que pe mi e o seu enquad amen o e a sua
econs i uição, ha endo ainda luga pa a a e lexão ace ca das consequências do
mesmo, an o a cu o como a longo p azo, pa a a p esença po uguesa em Ma ocos.
Pala as-cha e: Expansão Po uguesa, Gue a, No e de Á ica, D. João II, G aciosa.
“The G aciosa’s P ojec ”: Cons uc ion and Descons uc ion o an Expansionis
D eam o D. João II in No h A ica.
And é Filipe Se a Ing ês
ABSTRACT
Du ing he eign o D. João II an ambi ious expansionis p ojec was designed in
No h A ica. In 1489 i was accomplished wi h he building o a o ess a G aciosa
island, in he downs eam o he i e Lucos. The e o e, du ing he i s hal o he yea
wo a madas we e d a ed and shipped o build he mili a y s uc u e. Howe e , a
se ies o unexpec ed e en s jeopa dized he G aciosa p ojec , among hem he
ga he ing o a la ge a my by he Mulei Sheikh, sul an o Fez, and he siege imposed on
he Po uguese s onghold. Meanwhile, o educe he Po uguese s onghold in
G aciosa, D. João II sen mo e oops, boa s and weapons, al hough wi hou much
success, since he siege was no b oken. Because o he ongoing con lic , which
wo sened he wea and ea el by bo h Muslims and Ch is ians, a uce ag eemen
was signed be ween he wo. Wi hin he same ag eemen , he e ms o he peace
ag eemen o 1471 be ween A onso V and he Sul an o Fez we e enewed.
No wi hs anding he ac ha i was no pe se e ed, he G aciosa episode is a
majo miles one wi hin he expansionis p ojec o D. João II in No h A ica. Th ough
an ex ensi e analysis o di e en sou ces and bibliog aphic ma e ial, he o en
unde es ima ed episode o G aciosa con inues o be s udied, hus p o iding a
his o ical amewo k and his o ical econs i u ion, as well as an oppo uni y o ponde
on i s consequences, bo h in he sho and long e m, conce ning he Po uguese
occupa ion in Mo occo.
Keywo ds: Po uguese O e seas Expansion, Wa , No h A ica, D. João II, G aciosa
Island.
INDICE
I - In odução ............................................................................................................ 1
II – Con ex ualização His ó ica e Polí ica do P oje o da G aciosa no einado de D.
João II .................................................................................................................... 10
a) De Ceu a à G aciosa - A expansão ma oquina no séc. XV .............................. 10
b) A polí ica no e a icana no einado de D. A onso V ........................................ 17
c) A ideia de C uzada na época de D. João II ........................................................ 21
d) O einado d’O P íncipe Pe ei o e a sua polí ica expansionis a ........................ 25
III - O P oje o da G aciosa ....................................................................................... 33
a) Obje i os e escolha do local.............................................................................. 33
b) 1º Expedição: Fundação da Vila e Fo aleza .................................................... 39
c) 2º Expedição – A A mada de La ache............................................................... 46
d) Algumas emba cações in e médias en iadas à G aciosa ................................ 56
e) 1º Soco o da G aciosa ..................................................................................... 58
) 2º Soco o da G aciosa ..................................................................................... 72
IV - Pazes, abandono e des uição da o aleza ....................................................... 86
V - O acasso e as epe cussões da G aciosa ........................................................... 94
VI – Os Homens da G aciosa ................................................................................. 101
VII – Conclusão ..................................................................................................... 119
FONTES E BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 123
Anexos ................................................................................................................. 130
Anexos Iconog á icos ............................................................................................ 209
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AN/TT – A qui o Nacional/To e do Tombo
cap./caps. – Capí ulo/capí ulos
coo d. – Coo denação
di . – Di eção
doc. – Documen o
ed. - Edição
ig. – Figu a
l./ ls. – ólio/ ólios
séc./sécs. – século/séculos
ol. – olume
1
I - In odução
A p esença po uguesa no No e de Á ica - balizada empo almen e en e a
conquis a de Ceu a, em 1415, e o abandono de Mazagão, em 1769 - ep esen a um
momen o undamen al no desen ol imen o da his ó ia de Po ugal e do Impé io
po uguês. É po isso necessá io es uda e e le i sob e es e p ocesso da expansão
po uguesa pa a en ende não só oda a dinâmica polí ica, económica e social do
eino, do impé io, e do p óp io p ocesso expansionis a, mas ambém comp eende a
es u u a dos mecanismos que os go e na am, e a complexidade social dos que aziam
pa e do seu go e no. Felizmen e, a his o iog a ia po uguesa em sido p olixa no
es udo do e e ido p ocesso e são publicados em ce a abundância os abalhos
cien í icos que o abo dam. Nes e sen ido, no p esen e abalho i emos es uda e
analisa um episódio que consis iu na cons ução, de esa e abandono de uma o aleza
e ila, ao qual se deu o nome de G aciosa, em 1489, pe o da oz do io de
La ache/Lucos. Apesa de es e episódio his ó ico se pouco alo izado pela
his o iog a ia po uguesa, a a és do seu es udo pe cebemos que ma cou o emen e
a polí ica expansionis a ma oquina no einado de D. João II e, além disso, in luenciou
o p óp io u u o da p esença po uguesa no No e de Á ica. O episódio da G aciosa
inse e-se, com cla eza, no âmbi o bélico da expansão po uguesa nes a egião, e sob e
es e assun o gos a íamos de sublinha o meu in e esse pessoal ela i amen e a odas
as ma é ias de na u eza bélica na Idade Mode na. Com e ei o, é meu obje i o
especializa -me e ap o unda os meus conhecimen os em elação àquela que é a
minha ma é ia p edile a: a Gue a. A Gue a es á p esen e ao longo da His ó ia do
Homem, moldando-a e sendo um dos p incipais mo o es do desen ola da mesma, daí
a sua impo ância. Os con li os bélicos são au ên icos ma cos his ó icos ep esen ando
semp e consequências, di e as ou indi e as, pa a um de e minado con ex o social,
polí ico e económico. Além do mais, desde semp e me deslumb ei com o pe íodo que
engloba a expansão po uguesa e, aliando es a ma é ia ao meu in e esse pessoal pela
emá ica da gue a, com os episódios mili a es que nela deco e am, com especial
a enção aos que ao No e de Á ica dizem espei o.
2
Pos o is o, indo ao encon o do ema cen al do p esen e abalho, o pe íodo
de análise no qual nos oca emos se á o séc. XV, o p imei o séc. des e longo pe íodo
de ocupação po uguesa na egião no e a icana. São imensas as ob as a que
podemos eco e pa a melho comp eende o assun o. Começa emos en ão pelos
es udos de ca ác e ge al. A lei u a da ob a A Expansão em Ma ocos (1989), do
his o iado Da id Lopes, que pe ence a uma his o iog a ia mais an iga da p imei a
me ade do séc. XX, em conjun o com a lei u a da ob a No a His ó ia da Expansão
Po uguesa: A Expansão Qua ocen is a (1998), di igida po An ónio Hen ique Rod igo
de Oli ei a Ma ques e Joel Se ão, his o iado es mais a uais, ajudam-nos a en ende ,
numa ó ica ge al, a in e enção da co oa no No e de Á ica e os á ios episódios que a
ma ca am. Aqui incluem-se as pazes celeb adas em 1471 en e Mulei Xeque e A onso
V e o que com elas icou es abelecido, essencial pa a pe cebe a si uação polí ica em
Ma ocos no einado de D. João II, e a cons ução da o aleza de G aciosa. Também as
ob as de An ónio Dias Fa inha, Po ugal e Ma ocos no Século XV (1990) e Os
Po ugueses em Ma ocos (1999), expõem de uma o ma ge al a his ó ia da p esença
po uguesa no No e de Á ica, bem como as ca ac e ís icas geog á icas, polí icas,
eligiosas e sociais desse mesmo espaço, ac o impo an íssimo pa a con ex ualiza o
episódio da G aciosa. O capí ulo “No e de Á ica” de An ónio Fa inha em His ó ia da
Expansão Po uguesa: A Fo mação do Impé io, olume I (1998), di ecionada po
F ancisco Be hencou e Ki i Chaudhu i, o e ece-nos um pano ama ge al ace ca da
expansão po uguesa em Ma ocos e das mais impo an es in e enções da co oa
po uguesa. Po úl imo, gos a a de e e i a ob a do p o esso João Paulo Oli ei a e
Cos a, His ó ia da Expansão e do Impé io Po uguês (2014), em que é ei o um es udo
ge al da expansão po uguesa e que nos pe mi e olha de o ma ampla pa a esse
mesmo pe íodo.
No que a es udos especí icos conce ne são a iados os emas ela i os ao No e
de Á ica que são abo dados pela his o iog a ia po uguesa. Po ém, oca -nos-emos
nos es udos essenciais à ealização des a disse ação, ou seja, ao es udo do episódio
da G aciosa (1489).
Já no ema da Gue a, á ea undamen al à comp eensão des e ema, são
impo an es as seguin es ob as/es udos: A implan ação da Cidade Po uguesa no
9
Es ando o plano desenhado e odas as in o mações sob e o local ecolhidas, e a empo
pa a conc e iza o planeado. A a és da lei u a de á ias Fon es, nomeadamen e
Documen os Inédi os de Ma ocos: Chancela ia de D. João II (1943), o ganizado po
Possidónio Ma eus La anjo Coelho, das c ónicas de D. João II e das ob as de Anselmo
B aancamp (1915) e Tomás Ga cia Figue as (1941) se á possí el aze uma
econs i uição de odas as a madas que pa i am do eino com des ino à o aleza de
G aciosa. En e elas incluem-se: a a mada pionei a que inha como obje i o a sua
cons ução, e as a madas que iam como auxílio con a o ce co muçulmano. Des a
o ma, se á ei a uma econs i uição ela i a ao núme o e ipo de emba cações, o seu
capi ão/mes e, o núme o de homens que nelas iam e a quan idade de man imen os
que ca ega am.
In elizmen e, de ido à al a de documen ação ace ca do desemba que dos
p imei os po ugueses no local e do p ocesso de cons ução p op iamen e di o, se á
mui o di ícil cons ui uma na a i a sob e a ma é ia. Po esse mo i o, o oco da
na a i a se á essencialmen e o ce co impos o pelas o ças mili a es do ei de Fez e as
á ias a madas de auxílio en iadas pela co oa.
O di ícil momen o que os po ugueses i iam po se encon a em odeados po
muçulmanos, lançou na co e de D. João II a discussão sob e o abandono da inacabada
o aleza de G aciosa. Além disso, deba ia-se sob e se o mona ca po uguês de e ia ou
não in e i pessoalmen e com a passagem de um exé ci o nacional pa a o No e de
Á ica. Tendo is o em men e, se á ei a uma análise dos deba es que se le an a am,
bem como das opiniões que dele su gi am, endo como lei u a base as c ónicas de Rui
de Pina e Ga cia de Resende. Depois, dedica emos um capí ulo ao es udo e desc ição
dos di e sos p o agonis as do p oje o da G aciosa, onde se p ocu a á es abelece
quem e am es es Homens e po que e am eles os escolhidos pa a es e ipo de
emp eendimen os. P ocu a emos assim delinea , a pa i dos pe is indi iduais de cada
um des es homens, os aços comuns que os ca ac e izam. Po úl imo, cabe á ainda
analisa o cessa dos con li os en e po ugueses e as o ças de Mulei Xeque, inclusi e
a con i mação das pazes de 1471 e seu signi icado pa a a polí ica expansionis a de D.
João II.
10
II – Con ex ualização His ó ica e Polí ica do P oje o da G aciosa no
einado de D. João II
a) De Ceu a à G aciosa - A expansão ma oquina no séc. XV
No início do séc. XV, Po ugal en ou numa no a ase da sua exis ência. Essa
no a ase seguiu uma o ien ação polí ica que isa a uma expansão ex aeu opeia, o
que i ia a al e a o desen ol imen o do eino e da p óp ia His ó ia. A e e ida
expansão e e como p imei a en e de in e enção o No e de Á ica, endo o início
da explo ação da cos a ociden al a icana deco ido, em boa pa e, de in e esses
associados ao con li o en e as gen es da C uz e do C escen e. Fo am, jus amen e, os
Descob imen os Po ugueses e, mais a de, a expansão de ou as po ências eu opeias
que inicia am a descompa imen ação do mundo, con ibuindo assim pa a uma
au ên ica e olução
2
. Ao in és, a in e enção po uguesa no No e de Á ica, apesa de
cons i ui uma no idade no con ex o da His ó ia do eino, não co espondeu à
p imei a ez que se obse ou uma expansão a pa i da Eu opa con a domínios
muçulmanos. O mo imen o das C uzadas, en e os inais do séc. XI e os meados do
séc. XIII, é que con igu ou o p imei o p ocesso do géne o. E, se conside a mos
es i amen e o e i ó io no e a icano, ambém e emos de assinala que, ainda no
séc. XII, deco e a uma expansão no manda na egião das a uais Líbia e Tunísia.
Es i e am en ão em causa o comba e do co so muçulmano inciden e sob e a
No mandia e o es abelecimen o de con ac os come ciais com as ca a anas que nes a
egião passa am. Embo a enham sido mais a de econquis adas pelos muçulmanos,
nes e p ocesso o am omadas pelos c is ãos as cidades de Sousse, S ax, Gabès e
Mahadiya. Fica, po isso, demons ado que a conquis a de Ceu a em 1415 e o início do
p ocesso expansionis a po uguês em Ma ocos não é uma no idade aos olhos dos
Eu opeus, mas an es uma sequela, com mais sucesso, de expansões an e io es
3
.
2
COSTA, João Paulo Oli ei a e, «The Beginnings o he Po uguese O e seas Expansion», in MATTOSO,
José (di .), The His o iog aphy o Medie al Po ugal (c. 1950-2010), ed. Ma ia de Lu des Rosa, Be na do
Vasconcelos e Sousa & Ma ia João B anco, Lisboa, Ins i u o de Es udos Medie ais, 2011, p.591.
3
THOMAZ, Luís Filipe, “Le Po ugal e L’A ique au XVᴱ Siecle: Les Debu s de L’Expansion” in A qui os do
Cen o Cul u al Po uguês, ol. XXVI, Fundação Calous e Gulbenkian Lisboa-Pa is, Cen e Cul u el
Po ugais, 1989, pp.162-163.
11
Pos o is o, podemos conside a duas en es p incipais no que à polí ica
expansionis a diz espei o. P imei o, e i icamos uma expansão polí ica e mili a no
No e de Á ica, que e e como ma co inicial a conquis a da cidade ma oquina de
Ceu a, em 1415. Depois, oi p omo ida uma expansão ma í ima que isa a a
explo ação do A lân ico e da cos a ociden al a icana.
A expansão po uguesa e e, na sua o alidade, e endo em con a oda a
ex ensão e i o ial e o espaço empo al que englobou, a pa icipação de odos os
es a os da sociedade po uguesa. “Desde os p imó dios, idalgos, gue ei os, clé igos,
me cado es, condenados, esc a os e ma inhei os, en e ou os, con i e am a bo do
das ca a elas e das naus que sulca am os ma es, e nas colónias, ei o ias e o alezas
que o am sendo undadas ou conquis adas.”
4
. Ainda assim, no que oca ao apa elho
adminis a i o e bu oc á ico necessá io ao go e no do eino e do impé io ul ama ino,
apenas pa icipou a nob eza. No en an o, endo em con a essa ci cuns ância, podemos
dize que den o des e apa elho adminis a i o ha ia uma ce a di e sidade de o igens
den o do e e ido cí culo social. T abalha am, po an o, nes e apa elho, memb os da
nob eza das mais a iadas o igens e impo âncias, com uma eno me di e sidade de
unções e especializações.
Fala da pa icipação de oda a sociedade po uguesa no p ocesso de Expansão
implica e e i os bene ícios que des a pa icipação esul a am. Faze pa e e coope a
nes e p ocesso signi ica a e a opo unidade de ascende socialmen e e en iquece ,
em ní eis a iá eis, pa a odos os es a os da sociedade lusa. Es a ascensão e
en iquecimen o oco ia mui as ezes a oco de equen es e p olongadas ausências
do eino, o que, nalguns casos, esul a a num im ágico que punha im à ida de
mui os po ugueses
5
.
No p esen e abalho oca -nos-emos no b aço a mado da expansão que se ez
sen i , a a és de uma expansão polí ica e mili a , no No e de Á ica. Embo a, na sua
maio ia, ep esen asse uma au ên ica emp esa mili a apoiada pela nob eza
po uguesa, que ia nes e espaço um palco pa a se p omo e , não de emos
4
COSTA, João Paulo Oli ei a e, “A Nob eza e a Expansão: Pa icula idades de um enómeno social
complexo” in A Nob eza e a Expansão: Es udos Biog á icos, COSTA, João Paulo Oli ei a e (coo d.),
Cascais, Pa imonia, 2000, p.13.
5
Ibidem, p.15.
12
negligencia o seu lado come cial e eligioso. Se, po um lado, a ob enção de no as
p aças em Ma ocos azia no os me cados locais luc a i os ao alcance dos
come cian es po ugueses, que de ou a o ma se iam de di ícil alcance, po ou o,
es a expansão ep esen a a a con inuação da Reconquis a pa a além do es ei o de
Gib al a , que p e endia le a o C is ianismo a e as que ou o a já inham es ado
inculadas à eligião em causa, sob a égide do Impé io Romano.
Rela i amen e às po encialidades do No e de Á ica, a Co oa es a a conscien e
do pode e p es ígio que es e e i ó io lhe podia aze
6
. Foi, aliás, esse um dos
mo i os pelo qual D. João I conquis ou Ceu a e iniciou a expansão po uguesa – a
necessidade de alcança p es ígio, an o a ní el nacional, como in e nacional,
pe mi indo a legi imação da no a dinas ia einan e em Po ugal. A expansão no No e
de Á ica oi, no undo, um p oje o expansionis a assumido pelos mona cas da dinas ia
de A iz: começando no einado de D. João I, com a conquis a de Ceu a; con inuado
pelo seu ilho, D. Dua e, einado ma cado pelo desas e de Tânge de 1437; a ingindo
um pon o al o no que oca à ex ensão e i o ial no einado de A onso V; e
p osseguido ambém po D. João II, einado em que oco eu o episódio da G aciosa.
Es e úl imo, embo a com poucos esul ados posi i os, con inuou a p omo e uma
expansão no e a icana e, pela p imei a ez na his ó ia do eino, oi planeada a
cons ução de uma o aleza no in e io ma oquino
7
.
Pa alelamen e ao que oi di o an e io men e, a Co oa p ocu a a um palco
geog á ico onde pudesse canaliza a o ça e a on ade bélica da nob eza. Após a
conquis a da po oação de Fa o, em 1249, a eia gue ei a da nob eza es a a
ci cunsc i a ou a con li os in e nos (exemplo: gue a ci il en e D. Dinis e seu ilho,
u u o D. A onso IV), que em nada e am a o á eis à es abilidade do eino, ou a
con li os ex e nos espo ádicos (exemplo: Gue as Fe nandinas). Além disso, hou e
pa icipação pon ual no con li o con a os muçulmanos o a do espaço geog á ico
po uguês, ao lado de Cas ela, como oi o caso da Ba alha do Salado, em 1340, no
6
CRUZ, Abel dos San os, A Nob eza Po uguesa em Ma ocos no Século XV (1415-1464), Po o,
Uni e sidade do Po o, 1995, p.23.
7
CRUZ, Ma ia Augus a Lima, “Os po ugueses em Ma ocos nos séculos XV e XVI” in His ó ia dos
descob imen os e expansão po uguesa, Au élio De Oli ei a, Ma ia Augus a Lima C uz, e all, Lisboa,
Uni e sidade Abe a, 1990, p.90.
13
einado de D. A onso IV. Po ém, após as éguas de 1411 com Cas ela, que punham im
aos con li os ela i os à c ise de 1383-1385, a nob eza iu a sua eia gue ei a limi ada.
E a, po isso, necessá io à Co oa p ocu a um espaço pa a onde se pudesse
pe manen emen e canaliza a o ça bélica em ques ão, de o ma a que,
simul aneamen e, não p ejudicasse a es abilidade do eino
8
. Assim sendo, a expansão
em Ma ocos ep esen a a pa a os memb os des a o dem social um palco mili a pa a
onde podiam di eciona a sua on ade bélica, e onde se podiam exibi com o in ui o de
ob e p o ei os e hon as (ainda in imamen e ligados ao espí i o ca alei esco da Idade
Média), que de ou a manei a di icilmen e consegui iam ob e
9
. Nes e con ex o,
obse amos como exemplo de ascensão social o caso da amília Meneses, no séc. XV.
Os memb os des a amília dis ingui am-se ao se iço da Co oa no No e de Á ica,
pe mi indo a consolidação da sua posição e o ganho de no os p o ei os e hon as
10
. O
No e de Á ica, e a nes e sen ido, « e eno de eleição pa a a a i idade dos pode osos
que ali p ocu a am ob e êxi os que a i massem a sua capacidade mili a , a de oção à
Ig eja e a dedicação ao se iço eal», sendo um luga p i ilegiado pa a a p omoção
na u al da expansão de Po ugal du an e os sécs. XV e XVI
11
.
Ma ocos ganhou en ão uma g ande impo ância no que oca à o mação
mili a da jo em nob eza po uguesa. Pa a as p aças po uguesas e am en iados os
jo ens nob es pa a ap ende em a a e da gue a, se indo assim como uma au ên ica
escola mili a
12
. O No e de Á ica azia, des e modo, pa e do Cu sus Hono um
13
des es homens. Mais a de, com o i a da a enção da Co oa pa a O ien e, Ma ocos
con inuou a se “… pa a mui os como uma p imei a zona de ap endizagem da gue a e
8
RODRIGUES, Ví o Luís Gaspa , «Techniques e p a iques mili ai es po ugaises au Ma oc: Adap a ions
e inno au ées», in Po ugal e o Mag ebe: Ac as do 4º Colóquio de His ó ia Luso-Ma oquina,
Lisboa/B aga, CHAM FCSH-UNL/UA/CITCEM/ICS UM, 2011, p.75.
9
JUNQUEIRO, Cla a, “Ma ocos na polí ica expansionis a po uguesa (1481-1578)” in His ó ia de
Po ugal, José He mano Sa ai a (di .), ol. 2, Lisboa, Publicações Al a, 1986, p.493.
10
COSTA, João Paulo Oli ei a e, Ma e Nos um. Em Busca de Hon a e Riqueza, Lisboa, Temas & Deba es
– Cí culo de Lei o es, 2013, p.97.
11
CRUZ, Abel dos San os, op. ci ., p.289.
12
CRUZ, Ma ia Augus a Lima, “O mo imen o da Expansão. Ri mos e sen idos. Es a égias polí icas de
ocupação.” in His ó ia dos descob imen os e expansão po uguesa, Lisboa, Uni e sidade Abe a, 1990,
p.87.
13
Pala a de o igem la ina que designa a o pe cu so sequencial das magis a u as omanas exe cidas
pelos aspi an es a polí icos an o du an e a República Romana como os dois p imei os séculos do
Impé io Romano. Nes e caso, o e mo adap a-se à ealidade po uguesa e e e e-se ao p ocesso de
o mação e, mais a de, às unções exe cidas po um nob e.
14
como sí io ideal onde se de ia exe ci a a excelência nas a mas, a capacidade de
comando e lide ança e a ap endizagem de écnicas de gue a.”
14
.
Du an e a p esença po uguesa em Ma ocos, e i icou-se, quase de o ma
pe manen e, uma ince eza no que oca às dema cações de on ei as en e os
espaços de in luência c is ão e muçulmano. Es e a o e a ap o ei ado po ambas as
ações, que se gladia am insis en emen e pelo con olo e i o ial. Do lado po uguês
e am pon ualmen e p omo idas algumas campanhas mili a es, que isa am an o a
expansão e i o ial, como a ob enção de bene ícios económicos (ca algadas em
e i ó io inimigo), ainda que, du an e a maio pa e do empo os po ugueses se
dedicassem apenas à de esa das suas p aças. Po ou o lado, na u almen e, a ação
muçulmana inha uma a i ude o ensi a em elação às p aças c is ãs em con inen e
a icano, p omo endo ambém ca algadas jun o às p aças po uguesas e, algumas
ezes, pondo ce co às mesmas
15
. Além disso, a inde inição nas dema cações
e i o iais a o ecia igualmen e uma mobilidade pa icula e uma in e ação en e
c is ãos e muçulmanos, que e am mais complexas do que as in e ações que exis iam
num clima pu amen e de gue a
16
.
Ao longo do séc. XV, os mona cas po ugueses op a am po ado a uma
es a égia polí ico-mili a que consis ia na ocupação de p aças- o es es a égicas
p óximas ao li o al do No e de Á ica
17
. Com es as ocupações p e endia-se que, além
dos bene ícios económicos ine en es ao saque da po oação e aos no os me cados que
se ab iam, hou esse um con olo mais e icaz da na egação de emba cações no
Es ei o de Gib al a e um comba e e icien e con a o co so muçulmano
18
. Com o
passa do empo o obje i o des a ocupação ma oquina ans o mou-se num desejo
de ocupa e conquis a de ini i amen e es e espaço geog á ico
19
. Os po ugueses
14
VICENTE, Paulo, A Violência na C onís ica sob e Ma ocos nos Séculos XV a XVI: Rep esen ações e
Vi ências, Lagos, Câma a Municipal de Lagos, 2009, pp.116-117.
15
Ibidem, pp.107-108.
16
Ibidem, p.107.
17
Os po ugueses soube am es uda , com exceção de algumas si uações (incluindo o episódio da
G aciosa), a geog a ia das cidades e ilas ma oquinas e como melho ap o ei a a sua posição. Pa a
esse e ei o conquis a am as p aças em locais-cha e e o imiza am ao máximo a de esa das mesmas.
18
DIAS, Ped o, A A qui ec u a dos Po ugueses em Ma ocos. 1415-1789, Coimb a, Li a ia Mine a
Edi o a, 2000, p.14.
19
RODRIGUES, Vi o Luis Gaspa , "O ganização Mili a e P á icas de Gue a dos Po ugueses em
Ma ocos no Século XV, P incípios do século XVI: Sua Impo ância como modelo e e encial pa a a
15
o am bene iciando de con li os in e nos em Ma ocos e de algum caos a ní el polí ico
e adminis a i o. Toda ia, os po ugueses o am igualmen e p ejudicados em ce as
ocasiões pela união en e os á ios g upos muçulmanos no e a icanos, que punham
de lado as suas di e enças pa a comba e o inimigo comum, os c is ãos
20
.
No e-se que, no con ex o das explo ações a lân icas mais a sul, ambém se
op ou po ocupa pon os es a égicos (que possibili a am um ce o con olo mili a e a
p á ica do comé cio), já que a ela i a mobilidade das populações locais e a sua o e
esis ência às incu sões po uguesas não pe mi iam uma e dadei a ocupação
21
. Nes a
lógica, ambém a dimensão demog á ica do eino in luencia a di e amen e a espe i a
capacidade mili a , já que um meno núme o de habi an es signi ica a ambém um
meno núme o de homens disponí eis pa a a gue a. Com e ei o, os ecu sos humanos
de Po ugal in luencia am a o ma como o eino se p oje a a no No e de Á ica.
A endendo à escassa população po uguesa, a Co oa eme eu-se assim à conquis a
inicial de pon os es a égicos que pe mi iam uma de esa ácil - com pequenas
gua nições - e p óximos do ma
22
.
Como ala emos de seguida, a cos a ma oquina oi palco de á ias
expe imen ações no que oca à a qui e u a mili a e à p óp ia o ma de aze gue a.
Nes e espaço o am ealizados á ios le an amen os de es u u as mili a es de
madei a, de mais ápida cons ução de ido ao ma e ial usado (em ez de ped a)
23
.
O a, um ápido le an amen o de uma es u u a de madei a acas elada da a pouco
empo às populações locais, hos is à p esença po uguesa, pa a se o ganiza em e
p omo e em uma o e esis ência a esse p oje o. Po ou as pala as, es a p á ica de
cons ução com madei a signi ica a um ápido con olo e e i o do local que, na sua
Expansão Po uguesa no O ien e" in Anais de His ó ia de Além-Ma , A u Tedo o de Ma os (di .), Nº2,
Cen o de His ó ia de Além-Ma , FCSH, Uni e sidade No a de Lisboa, 2001, p. 159
20
VICENTE, Paulo, op. ci ., p.118.
21
OLIVEIRA, Luis Filipe, «A expansão qua ocen is a po uguesa: um p ocesso de ecomposição social da
nob eza» in 1383-1385 e a C ise Ge al dos Séculos XIV/XV. Jo nadas de His ó ia Medie al, Lisboa,
His ó ia & C í ica Lisboa, 1985, p.201.
22
DOMINGUES, F ancisco Con en e, «A Gue a Mode na», in No a His ó ia Mili a de Po ugal, Manuel
Themudo Ba a a e Nuno Se e iano Teixei a (di eção), ol. 2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2004, pp. 50-52
23
Como i emos e mais a segui , além do exemplo da G aciosa, são exemplo des e uso de madei a em
cons uções mili a es além-ma a cons ução da do cas elo da ilha de A guim, em 1451, e do de São
Jo ge da Mina, em 1482.
16
essência, ep esen a a a di e a emanação de pode po pa e da Co oa
24
. “Ao lado do
na io e do canhão, a o aleza ocupa o e cei o é ice do iangulo em que assen ou a
adical ans o mação da a e da gue a conhecida a pa i dos séculos XV e XVI.”
25
. As
o alezas o am assim um ma co impo an e de p esença e e i a po uguesa, que
ep esen a am um meio de a i mação e con olo pe manen e. Es as es u u as
mili a es consis iam po isso no p incipal ma co da expansão po uguesa nos espaços
ul ama inos.
No que à expe imen ação mili a diz espei o, apesa de se p a ica uma gue a
gue eada e pouco ino ado a ao ní el á ico
26
, es e espaço oi palco de es es e de
p á icas a ilhei as po pa e dos mili a es
27
. Nes e sen ido, impo a elemb a que oi
en e os sécs. XIV e XVI que se desen olou a chamada Re olução Mili a , com a
in odução do uso da a ma de ogo na Eu opa. Es e pe íodo ca ac e izou-se pelo
p ocesso de hib idização en e o uso mis o de a mas mode nas (a ilha ia) e de a mas
medie ais (como a espada e lança), al como o es au o de á icas e es a égias
mili a es com inspi ação na a e mili a clássica (G écia An iga, Impé io Romano). No
caso po uguês, de ido à ausência do eino em g andes con li os in e nacionais em
solo eu opeu, ao longo do pe íodo e e ido, hou e uma maio demo a no que oca à
adoção des as mesmas ino ações, po ém elas iam acon ecendo e chegando ao eino.
Di -se-á que, em Po ugal es a Re olução Mili a demo ou a chega , especialmen e em
e i ó ios ul ama inos sob a alçada da Co oa, como o No e de Á ica
28
. Nes e espaço,
impo a e o ça que, ao mesmo empo que se man inha a p á ica da gue a
gue eada e dos “golpes de mão”, ia sendo in oduzido o uso de a mas de ogo, em
especial de g ande po e (canhões)
29
.
24
BOIÇA, Joaquim M. F., “As p aças po uguesas do li o al ma oquino” in Ma ocos-Po ugal, Po as do
Medi e âneo: Colóquio, o ganização Gabine e das Relações In e nacionais do Minis é io da Cul u a,
Lisboa, 2001, p.72.
25
DOMINGUES, F ancisco Con en e, «A a e da gue a», in No a His ó ia Mili a de Po ugal, Manuel
Themudo Ba a a e Nuno Se e iano Teixei a (di eção), ol. 2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2004, p.164.
26
Uma o ma de aze a gue a simples e medie al que consis ia mui o na o ça, co agem e ousadia dos
comba en es.
27
DOMINGUES, F ancisco Con en e, «A Gue a Mode na», in No a His ó ia Mili a de Po ugal, Manuel
Themudo Ba a a e Nuno Se e iano Teixei a (di eção), ol. 2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2004, p.50.
28
FEIO, Gonçalo Coucei o, A Gue a no Renascimen o: O ensino e a ap endizagem mili a es em Po ugal
e no Impé io - De D. Manuel I a Felipe II, Lisboa, A Es e a dos Li os, 2018, p.36.
29
Ibidem
17
b) A polí ica no e a icana no einado de D. A onso V
Pa a melho comp eende o einado de D. João II e a sua a uação polí ica no
No e de Á ica é undamen al pe cebe p imei o o con ex o polí ico e económico em
que es e ecebeu o eino de Po ugal. Ou seja, pa a comp eende o einado do
P íncipe Pe ei o emos p imei o de ecua ao einado de seu pai, D. A onso V, e expo
as p incipais linhas polí icas do seu go e no. “T a ou-se de um p ojec o que só se
comp eende cabalmen e se o en ende mos como a ob a ha moniosa de pai e ilho,
ambos i manados no desejo de a i ma Po ugal em Ma ocos e no ma .”
30
.
Em elação à polí ica expansionis a d’O A icano, no que ao No e de Á ica
conce ne, obse amos um pon o al o da p esença po uguesa em Ma ocos. Du an e o
seu einado, imos a in luência po uguesa c esce na egião com a conquis a de á ias
p aças ma oquinas: Alcáce Cegue (1458), A zila e Tânge (1471), sem esquece o
a aque seguindo de pilhagem a Ana é (1468). Nes a ma é ia, impo a oca mo-nos na
conquis a da cidade de A zila, em 1471
31
. O a, nessa al u a, Mulei Xeque, senho de
A zila que aspi a a se sobe ano no No e de Á ica, punha ce co à cidade de Fez
32
.
Ap o ei ando es a c ise que se i ia em Ma ocos, D. A onso V, acompanhado pelo
he dei o ao ono, u u o D. João II, passou com um pode oso exé ci o, acima de in e
mil homens e quase cinco cen enas de na ios ao No e de Á ica, dei ando ce co à
cidade de A zila
33
.
Des e ce co icou a memó ia da mo e de dois impo an es idalgos
po ugueses: o conde de Ma ial a, D. João Cou inho, e o p imei o conde de Monsan o,
30
COSTA, João Paulo Oli ei a e, “A a i mação de uma po ência ma í ima (1455-1494)” in His ó ia da
Expansão e do Impé io Po uguês, João Paulo Oli ei a e Cos a (coo d.), 1ª ed., Lisboa, A Es e a dos
Li os, 2014, p.62.
31
Pa a melho en endimen o des e episódio mili a ecomenda-se a lei u a de DIAS, Paulo, A conquis a
de A zila pelos Po ugueses – 1471, Lisboa, FCSH, 2015
32
BRAGA, Paulo D umond, “A expansão no No e de Á ica” in No a His ó ia da Expansão Po uguesa: A
Expansão Qua ocen is a, Joel Se ão e A. H. de Oli ei a (di .), ol. II, Lisboa, Edi o ial Es ampa, 1998, p.
279.
33
PINA, Rui de, C ónica de D. A onso V, cap. CLXIII: “De como El-Rei le ou consigo o P incipe seu ilho, e
como emba ca am e com que gen e e o a”, ol. III, Lisboa, (s. n.), 1904, p. 59 e COSTA, João Paulo
Oli ei a e, “D. A onso V” in Dicioná io da Expansão Po uguesa 1415-1600, F ancisco Con en e
Domingues (di .), 1ª ed., 1º ol., Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2016, p. 37 e DIAS, Paulo, A conquis a de
A zila pelos Po ugueses – 1471, Lisboa, FCSH, 2015, pp.12-80.
18
D. Ál a o de Cas o
34
, que mo e am a comba e b a amen e os inimigos da é c is ã.
Após a en ada na cidade e a conquis a de odas as secções da mesma, no dia 24 de
agos o de 1471
35
, D. A onso V o ou na mesqui a de A zila (que oi ans o mada em
ig eja após a ocupação) e lá a mou D. João II como ca alei o. Foi assim a p imei a
pa icipação do P íncipe Pe ei o no p ocesso expansionis a po uguês, que esul ou
numa g ande i ó ia das o ças lusas.
Após a submissão de A zila, a população de Tânge acabou po abandona a sua
cidade
36
. Podemos jus i ica es e abandono com o ac o de es a população es a
odeada de p aças leais à Co oa po uguesa, que endo is o dize que, em caso de
a aque, os de enso es de Tânge di icilmen e consegui iam aguen a a sua posição.
Após e conhecimen o do sucedido, o ei po uguês en iou pa e da sua hos e à
cidade ecém abandonada e ocupou-a sem qualque esis ência. Po udo is o, da
conquis a de A zila e da consequen e ocupação de Tânge esul ou a assina u a de
éguas, po in e anos, en e o mona ca po uguês e Mulei Xeque. Comp eende a
assina u a des as éguas é undamen al pa a pe cebe mos o ambien e ma oquino
em que se inse iu o p oje o da G aciosa, pois se ia ainda sob es e ambien e de ela i a
paz que D. João II p omo e ia a cons ução da di a ila e o aleza, no lei o do io de
La ache.
As éguas o am assinadas pe o do Rio Doce, a no e de A zila, onde os
ep esen an es das duas ações conco da am com uma in e upção do con li o po
in e anos
37
. Nes e aco do, o u u o sul ão de Fez
38
econhecia a sobe ania po uguesa
sob e as cidades de A zila e Tânge , bem como de odas as po oações não
amu alhadas nos e mos des as cidades, incluindo a po oação de La ache
39
. O limi e
des a in luência po uguesa chega a e mina a pe o da cidade de Alcáce -Quibi ,
34
D. Ál a o de Cas o oi pai de D. João de Cas o, 2º Conde de Monsan o, que pa icipa á no p oje o da
G aciosa.
35
PINA, Rui de, C ónica de D. A onso V, cap. CLXV: “De como a illa oi en ada, e o P incipe oi a mada
ca allei o, e mo e am o conde de Ma ial a, e o conde de Monsan o e ou os”, ol. III, Lisboa, (s. n.),
1904, p.61.
36
LOPES, Da id, His ó ia de A zila du an e o Domínio Po uguês: 1471-1550 e 1577-1589, Coimb a,
Uni e sidade de Coimb a, 1924, p.53.
37
LOPES, Da id, A Expansão em Ma ocos, s.e., Lisboa, Edi o ial Teo ema/O Jo nal, 1989, p.26.
38
Mulei Xeque o na -se-ia sul ão de Fez, em 1471, após en ada na cidade com o mesmo nome
39
Embo a a po oação de La ache seja abandonada em 1471 pelos seus habi an es, após a conquis a das
cidades de A zila e Tânge , acabou po nunca se po oada pelos po ugueses.
25
mo i os, é possí el a i ma que a gue a con a os muçulmanos du an e o einado em
ap eço se enquad a a pe ei amen e numa adição mais ampla da c is andade
61
.
d) O einado d’O P íncipe Pe ei o e a sua polí ica expansionis a
En amos assim no einado de D. João II, mona ca que desenhou e ma e ializou
a cons ução de uma o aleza e ila pe o da oz do io de La ache, episódio al o des e
es udo, em 1489. No amen e, é necessá io conside a mos de uma o ma ge al o seu
einado pa a melho en ende em que pa âme os oi es e p oje o aplicado, p oje o
es e que ma ca á o u u o da expansão no e a icana no einado do P íncipe Pe ei o.
Em p imei o luga , impo a descons ui mos a ideia ul apassada de que o
einado de D. João II ep esen ou uma comple a o u a polí ica com o que oi ei o no
einado de seu pai. Seguindo es a linha de aciocínio, é e ado oma mos po ce a a
ideia de que D. A onso V oi uma espécie de ei submisso aos ideais c uzadís icos que
se aziam e le i na expansão ma oquina e que, po ou o lado, negligenciou quase
po comple o o b aço ma í imo da expansão po uguesa. Ob iamen e, não impo a
aqui discu i no amen e o einado e as polí icas d’O A icano, po ém, é undamen al
pe cebe mos que os dois einados não o am assim ão dis an es um do ou o no que
oca às dou inas e polí icas p omo idas. De aco do com a opinião de Luís Filipe
Thomaz, não se de e exage a o alcance da oposição en e a on ade e p oje o
expansionis a de D. João II e A onso V. Segundo es e au o , é e ado eduzi a polí ica
a icana de A onso V à conquis a e i o ial, e a do P íncipe Pe ei o ao impe ialismo
come cial ma í imo
62
. Pa a Luís Filipe Thomaz, a p incipal di e ença é que a polí ica de
D. João II oi “… mais p uden e, mais ealis a e, sob e udo, menos exclusi a, po que
pa e in eg an e de um ho izon e es a égico bem mais as o.”
63
. Nes e sen ido,
podemos sim a i ma que D. João II he dou um eino “di e en e”, num mundo
“di e en e” daquele que o seu pai inha ecebido. Po es e mo i o, e iden emen e que
61
COSTA, João Paulo Oli ei a e, “A nob eza e a expansão: Pa icula idades de um enómeno social
complexo” in A Nob eza e a Expansão: Es udos Biog á icos, João Paulo Oli ei a e Cos a (coo d.), Cascais,
Pa imonia, 2000, p.16.
62
THOMAZ, Luís Filipe F. R., "O P ojec o Impe ial Joanino (Ten a i a de in e p e ação global da polí ica
ul ama ina de D. João II)" in Cong esso In e nacional Ba olomeu Dias e a sua Época. Ac as, ol. I, Po o,
Uni e sidade do Po o – Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses,
1989, p.91.
63
THOMAZ, Luís Filipe F. R., De Ceu a a Timo , s.e., Lisboa, Di el, 1994, p.159.
26
a polí ica do P íncipe Pe ei o oi já di e en e da d’O A icano, sendo es a uma polí ica
impe ial mais ab angen e do que a an e io .
No einado de D. João II, du an e a década de 1480, a campanha expansionis a
ma í ima ganhou mais e eno na polí ica eal
64
, e sob epôs-se cada ez mais à polí ica
expansionis a no No e de Á ica, deixando es a úl ima pa a uma posição secundá ia
65
.
Aos olhos do no o mona ca, o u u o do eino e do impé io p oje a a-se no oceano
A lân ico e no comé cio a icano. Inicia a-se, po an o, uma mudança no oco nacional
polí ico e pa a isso e a canalizado cada ez mais o es o ço da Co oa. Mas deixemos as
explo ações a lân icas pa a quem delas melho pe cebe, e oquemo-nos na igu a de
D. João II e na sua polí ica expansionis a no No e de Á ica, palco das ações em
es udo.
An es de mais, é undamen al e le i mos sob e o c escimen o, a
ap endizagem, e o ca ác e de D. João II, que o am o emen e in luenciados pela
expe iência e i ência pessoal do einado de seu pai e da polí ica que o mesmo
aplicou. Das i ências pessoais naquele pe íodo podemos des aca a pa icipação na
conquis a de A zila, em 1471, com apenas 16 anos de idade, acompanhando o seu pai
nes e emp eendimen o mili a e acabando po se a mado ca alei o
66
. Além disso, em
1474/1475, quando o con a o de Fe não Gomes expi ou, o u u o ei, apenas com 20
anos de idade, assumiu a di eção do comé cio e de oda a polí ica expansionis a e
ma í ima da Co oa
67
. Po es es mo i os, podemos a i ma que D. João II começou
desde cedo a ap imo a as suas qualidades de lide ança e go e no. Tais qualidades
ize am dele um dos mais impo an es mona cas po ugueses e possibili a am,
ap o ei ando as bases es u u ais mon adas no einado de seu pai, a cons ução do
Impé io Po uguês. Se, po um lado, D. João II adqui iu desde jo em as capacidades
pa a lide a a expansão ma í ima po uguesa, a é à passagem do Cabo da Boa
Espe ança, em 1488, e à ão desejada chegada ao Índico, po ou o lado, a sua
64
FONSECA, Luís Adão da, op. ci ., pp.85-86.
65
THOMAZ, Luís Filipe F. R., De Ceu a a Timo , s.e., Lisboa, Di el, 1994, pp.26-27.
66
PELÚCIA, Alexand a, “D. João II” in Dicioná io da Expansão Po uguesa 1415-1600, F ancisco Con en e
Domingues (di .), 1ª ed., ol.2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2016, p.612.
67
BOXER, C. R., O Impé io Ma í imo Po uguês – 1415-1825, Lisboa, Edições 70, 1992, p.45. e FARINHA,
An ónio Dias, Po ugal e Ma ocos no século XV, ol. I, Lisboa, Faculdade de Le as da Uni e sidade de
Lisboa, 1990, p.165.
27
pa icipação na conquis a de A zila, em 1471, e idenciou o sen imen o c uzadís ico, e
a on ade de expandi a in luência po uguesa no No e de Á ica que já ha ia na sua
pessoa. Além disso, não podemos desassocia es a ida do en ão he dei o ao ono a
A zila do espí i o ca alei esco ão ca ac e izan e do séc. XV e da p óp ia “imagem de
ma ca” da Dinas ia de A is
68
. Se, po um lado, e a uma o ma de mos a o seu alo ,
não só pe an e o seu pai e ei de Po ugal, como ambém de odo o eino, po ou o,
cump ia com a adição dos mona cas e in an es des a dinas ia em pa icipa em e/ou
se em a mados ca alei os em solo no e a icano. Po úl imo, não nos podemos
esquece ambém que, enquan o p íncipe, D. João II pa icipou e lide ou pa e do
exé ci o po uguês na ba alha de To o, em 1476
69
. Nes e sen ido, podemos supo que,
além de uma ap endizagem mili a e de lide ança em campo de ba alha, D. João II
ap endeu e ganhou on ade, à semelhança do seu pai, de in e e i na polí ica ibé ica.
Es a on ade culmina ia com o casamen o do in an e D. A onso, seu ilho, com D.
Isabel de Cas ela, ilha mais elha dos Reis Ca ólicos, em 1491.
Fo am es es os p incipais episódios que ma ca am o c escimen o de D. João II
an es de ecebe de ini i amen e a Co oa, em 31 de gos o de 1481, com 26 anos de
idade. Nes a da a, con o me o cos ume dos eis de Po ugal, oi p oclamado em Sin a
como mona ca po uguês
70
. Iniciamos, des a o ma, a discussão sob e a polí ica
omada pelo P íncipe Pe ei o a é 1489, da a de cons ução da o aleza da G aciosa.
Quan o à polí ica in e na do eino, o jo em ei assumiu apidamen e uma
a i ude o ensi a con a a al a a is oc acia do eino, “… le ando a cabo uma no a
ideologia polí ica e um p o ocolo espei an e às elações en e o pode ci il e o
eclesiás ico, endo como p incipais p io idades o e o ço da sua au o idade pessoal e a
68
PELÚCIA, Alexand a, “D. João II” in Dicioná io da Expansão Po uguesa 1415-1600, F ancisco Con en e
Domingues (di .), 1ª ed., ol.2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2016, p.612.
69
Embo a a in e enção enha ep esen ado uma de o a polí ica e demons asse a incapacidade de
Po ugal em p ossegui o con li o pela dispu a do ono cas elhano, no que ao ní el mili a diz espei o,
D. João II conseguiu alcança a i ó ia ao de o a o exé ci o ad e sá io e ao azê-lo e i a pa a a cidade
de Samo a. Ainda no con ex o da Gue a de Sucessão de Cas ela (1475-1479), o P íncipe Pe ei o ica
enca egue do go e no do eino de ido à ausência de D. A onso V que es a a em campanha em Cas ela.
Já em 1477 subiu mesmo ao ono, a 11 de no emb o, após a b e e abdicação de seu pai, esignando,
po ém, a unção a 15 de no emb o do mesmo ano após o eg esso d’O A icano ao eino. – FONSECA,
Luís Adão da, “A polí ica in e na. A egência. O p og ama égio: aspe os polí icos, económicos e
mili a es” in D. João II, 1ª ed., Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2005, pp.42-121.
70
RESENDE, Ga cia de, C ónica, Vida e ei os d’el- ey Dom João segundo, cap. XXII: “Da mo e d’ el- ey
Dom A onso, e de como o p incipe oy alçado po ey”, Lisboa, s.n., p.30.
28
cen alização do Es ado.”
71
. Além de subme e apidamen e a nob eza à au o idade
eal ao impo -lhe um no o ju amen o de idelidade, le ou a cabo um p ocesso de
e isão e con i mação de í ulos e p i ilégios. Des a o ma, a nob eza ica a,
inequi ocamen e, sob o pode e alçada da Co oa.
Po ém, hou e esis ência a odo es e p ocesso po pa e da nob eza mais o e
e conse ado a, sendo es a ação lide ada po D. Fe nando II, duque de B agança
72
.
Toda es a esis ência, aliada à descon iança de que es e duque oca a
co espondência e p e endia alia -se os Reis Ca ólicos, culminou no episódio em que o
duque de B agança oi culpado de aição e, po isso, decapi ado em É o a, sendo
odos os seus bens con iscados pela Co oa. Nes e episódio impo a e e i que as duas
igu as que denuncia am a oca de in o mação en e o duque de B agança e os
mona cas do eino izinho o am os i mãos Jusa e: Pe o e Gaspa . Es e úl imo, como
e emos mais adian e, se ia um dos p o agonis as do p oje o da G aciosa, lide ando a
p imei a a mada a i ao io de La ache.
No No e de Á ica, Ma ocos con inuou a aze pa e da agenda polí ica da
Co oa
73
, oda ia com uma a enção di e en e da do einado an e io . Se no einado de
D. A onso V a expansão ma oquina ocupou um luga de des aque na polí ica
expansionis a po uguesa, no einado do P íncipe Pe ei o, embo a ainda com
impo ância, es a deixou-se subo dina po ou os amos da expansão. Ou seja,
Ma ocos deixou de se o cen o da a enção polí ica e o nou-se uma espécie de
pla a o ma subsidiá ia aos in e esses económicos que su giam com as explo ações
a icanas a lân icas. Não obs an e, independen emen e das azões que o mo i a am,
D. João II e a um p íncipe de A is e, como “manda a a adição”, o mona ca mos ou
on ade e p osseguiu com a expansão no e a icana. Es a on ade de p ossegui a
emp esa ma oquina cons a ou-se a a és de duas polí icas omadas pelo mona ca
que, embo a di e en es, es ão imensamen e ligadas.
71
CAMARÃO, Lígia, Es udo à C ónica de D. João II e Miscelânea po Ga cia de Resende, Lisboa, ISCTE,
s.d., p.12.
72
NEWITT, Malyn, A His o y o Po uguese O e seas Expansion, 1400-1668, Reino Unido,
Rou ledge Publishe , 2005, p.47.
73
LOPES, Da id, A Expansão em Ma ocos, s.e., Lisboa, Edi o ial Teo ema/O Jo nal, 1989, p.17.
29
Em p imei o luga , a Co oa po uguesa, a a és da p á ica da diplomacia,
p ocu ou ao ní el in e nacional ob e pa a si o di ei o sob e a ocupação e conquis a de
Ma ocos, al como os bene ícios a ele ine en es
74
. Es e ac o mos a cla amen e a
dou ina de que D. João II não negligencia a, de odo, o b aço a mado da expansão.
Nes e sen ido, Po ugal p ocu ou ob e do Papado bulas de C uzada
75
que a o eciam
a p omoção da gue a em Ma ocos. Cabe sublinha ainda um impo an e momen o
du an e o einado de D. João II. Ap o ei ando o con ex o da ascensão, em 1484, de
Inocêncio VIII como no o sumo pon í ice, o mona ca po uguês mandou, em 13 de
junho de 1485, uma embaixada a Roma compos a po Ped o de No onha, mo domo-
mo da Casa Real, Vasco Fe nandes de Lucena, juiz da Casa do Cí el, e Rui de Pina,
sec e á io do ei
76
. Es a embaixada inha como obje i o p es a a obediência do
mona ca po uguês ao no o papa e ob e do papado bulas que p omo essem a
c uzada con a o No e Á ica. Nes e ano, g aças a es a embaixada, Po ugal conseguiu
ob e a concessão de uma bula de c uzada (Bula Ca issimus in Ch is o), que a ualiza a
a legi imação de c uzada po pa e da Co oa
77
. Já em 1486, D. João II ob e e a Bula
O hodoxae idei em que, mui o esumidamen e, o am concedidos bens iscais á
Co oa e endimen os da p óp ia Ig eja pa a que o ei p omo a a c uzada no No e de
Á ica
78
.
Ainda no con ex o da diplomacia p omo ida pela Co oa, é impo an e e e i a
impo ância do a ado de To desilhas, em 1494, na ma é ia em ques ão, e do que
icou de inido nes e a ado. Além da de inição do amoso me idiano a 370 léguas a
oes e de Cabo Ve de, que di idia as á eas de in luência en e as Co oas de Po ugal e
de Cas ela, oi es abelecido o di ei o de Po ugal sob e a conquis a de Ma ocos. Nes a
74
PELÚCIA, Alexand a, “D. João II” in Dicioná io da Expansão Po uguesa 1415-1600, F ancisco Con en e
Domingues (di .), 1ª ed., ol.2, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2016, p.613.
75
THOMAZ, Luís Filipe F. R., "O P ojec o Impe ial Joanino (Ten a i a de in e p e ação global da polí ica
ul ama ina de D. João II)" in Cong esso In e nacional Ba olomeu Dias e a sua Época. Ac as, ol. I, Po o,
Uni e sidade do Po o – Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses,
1989, p.91.
76
FONSECA, Luís Adão da, op. ci ., p.81.
77
Ibidem, p. 82
78
“Bula de Inocêncio VIII, O hodoxae idei” in Descob imen os Po ugueses. Documen os pa a a sua
His ó ia, João Ma ins da Sil a Ma ques (o g), ol. III, Lisboa, Ins i u o de Al a Cul u a, 1944-1971, pp.
303-316. e BRAGA, Paulo D umond, “A Expansão no No e de Á ica: A polí ica ma oquina de D. João II”
in No a His ó ia da Expansão Po uguesa: A Expansão Qua ocen is a, A. H. de Oli ei a (coo d.), ol. II,
1ª ed., Lisboa, Edi o ial Es ampa, 1998, p.290. e FARINHA, An ónio Dias, Os Po ugueses em Ma ocos,
Lisboa, Ins i u o Camões, 1999, p.27.
30
ó ica, no a ado de To desilhas oi con i mado o que já es a a de inido no T a ado de
Alcáço as, em 1479, is o é, os Reis Ca ólicos econheciam a exclusi idade po uguesa
na conquis a do eino de Fez. Ainda nes a ma é ia, “Cas ela econhecia o undamen o
dos di ei os po ugueses ao domínio da cos a a icana e das ilhas a lân icas, com
excepção das Caná ias, e comp ome ia-se a impedi que os seus na u ais, ou
na egado es es angei os, p epa assem nos po os cas elhanos na ios de comé cio
pa a aqueles luga es, sal o no caso de pa a isso possuí em au o ização exp essa do ei
de Po ugal.”
79
.
Em segundo luga , ainda que não enha ol ado a Ma ocos, D. João II
con inuou a lu a pelo aumen o da in luência po uguesa na egião. Nes e p isma,
impo a p imei o e e i a subo dinação de duas p aças muçulmanas à sobe ania
po uguesa no sul de Ma ocos, sendo elas as cidades de Azamo (1486) e Sa im (1488)
que se en ega am olun a iamen e à au o idade po uguesa
80
. Es as duas cidades
es a am longe dos pode es cen ais do No e de Á ica (Fez e Ma aquexe) e, po isso,
e am poucos os apoios que ecebiam con a os a aques c is ãos. De modo a
sob e i e em, acaba am po se “o e ece ” a D. João II e solici a am a sua sobe ania e
p o eção. Em 1486 e 1488, o am es abelecidos con a os en e as cidades de Azamo
e Sa im e a Co oa Po uguesa, em que os seus habi an es comp ome iam-se a paga
dez mil sá eis po ano e a ab i em o seu me cado aos po ugueses
81
. Po ou as
pala as, Po ugal ia a sua in luência e i o ial a c esce com es as duas cidades, no
en an o, na p á ica, a a a-se de um aco do come cial bené ico com es as duas
cidades. Pa a esse e ei o, o am c iadas ei o ias nes as p aças e nelas pe maneciam
uma pequena gua nição e uncioná ios que p omo iam a a i idade come cial.
No que oca ainda à emp esa ma oquina no einado do P íncipe Pe ei o, no
que diz espei o a in e enções mili a es, emos e e ência a ês campanhas, embo a
de pequeno/médio po e, que o am p omo idas em e i ó io ma oquino.
79
ALBUQUERQUE, Luís de, “T a ado de To desilhas” in Dicioná io de His ó ia de Po ugal, Joel Se ão
(di .), ol. VI, Po o, Li a ia Figuei inhas, 1984, pp.175-176.
80
COSTA, João Paulo Oli ei a e, “A A i mação de uma Po ência Ma í ima” in His ó ia da Expansão e do
Impé io Po uguês, João Paulo Oli ei a e Cos a (coo d.), , 1ª ed., Lisboa, A Es e a dos Li os, 2014, p.75.
81
BRAGA, Paulo D umond, “A Expansão no No e de Á ica: A polí ica ma oquina de D. João II” in No a
His ó ia da Expansão Po uguesa: A Expansão Qua ocen is a, A. H. de Oli ei a (coo d.), ol. II, 1ª ed.,
Lisboa, Edi o ial Es ampa, 1998, p.287.
31
E iden emen e es as campanhas o am p omo idas com o apoio do Papa a a és das
já e e idas bulas de c uzada. Em 1487, O P íncipe Pe ei o en iou uma a mada,
lide ada po Diogo Fe nandes de Almeida, mon ei o-mo do Reino, compos a po 30
na ios. Es a a mada desemba cou em Ana é e nela iam ce ca de 150 ca alei os e um
con ingen e de 1000 homens de in an a ia, compos o po espinga dei os, bes ei os e
lancei os e mui os ou os olun á ios
82
. Du an e es a campanha o am ei os 400
ca i os muçulmanos e ce ca de 900 mo os. No ano seguin e, em 1488, o mona ca
po uguês ol ou a en ia uma pequena expedição compos a po ce ca de 150
ca alei os e 1000 apeados, comandados po Fe não de Masca enhas, capi ão dos
gine es. Após chega em a A zila, em colabo ação com a gua nição da di a cidade e
ambém da cidade de Tânge , coo dena am a aques e azias à zona de Alcáce Quibi ,
e após a sua en ada numa pequena p aça mal de endida pelos muçulmanos,
cap u a am 300 mou os e mui os espólios de gue a.
83
Nem em 1491, com o
su gimen o de uma c ise dinás ica de ido à mo e do p íncipe D. A onso, he dei o
di e o ao ono, es e espí i o c uzadís ico se desmo onou. A mando do ei, Fe nando
de Meneses omou a cidade de Ta ga e nela incendiou uma pequena a mada de 25
na ios que es a ia ali es acionada e cap u ou 300 mou os
84
.
Se é ce o que se deu con inuidade às campanhas mili a es ma oquinas no
einado d’O P íncipe Pe ei o, ambém é ce o que desde cedo, c esceu na Co e
po uguesa uma oposição em elação à p esença po uguesa nes a egião. Na C ónica
da Conquis a de Ceu a, Zu a a e e e que logo após a conquis a de Ceu a hou e á ias
igu as que suge i am o abandono da mesma, no en an o, o am em maio núme o as
que quise am a pe manência po uguesa na p aça
85
. Além do mais, na al u a em que
oi en iada uma ca a de B uges pelo in an e D. Ped o, duque de Coimb a, pa a D.
Dua e, na al u a ainda p íncipe he dei o, em 1426, obse amos que o in an e se
e e e à cidade de Ceu a como “muy bom sumydoi o de gen e de uossa e a e da mas
82
BRAGA, Paulo D umond, op.ci ., p.290.
83
Ibidem, pp.290-291.
84
RESENDE, Ga cia de, C ónica dom João II e miscelânea, cap. CXI: “Da omada de Ta gua e Camice”,
Lisboa, 1942, pp.143-146.
85
ZURARA, Gomes Eanes de, C ónica da Tomada de Ceu a, cap. IIII: “Como ell ey e e comselho do que
a ia da çidade”, Lisboa, Li a ia Clássica de A. M. Teixei a, 1942, pp.187-195.
32
e de dinhei o”
86
. Ce amen e, D. Ped o não de endia o abandono po uguês des a
p aça, como podemos cons a a na mesma ca a que ecomenda a o e o ço da sua
o denação. Toda ia, há um econhecimen o de que a manu enção de Ceu a e a um
peso eno me pa a o eino de Po ugal.
Apesa de o mona ca po uguês p ossegui e da a enção ao p oje o
ma oquino he dado de seu pai, D. João II in es ia a maio pa e do seu empo e o ças
à expansão ul ama ina, semp e com o obje i o de chega à Índia e descob i o eino
de P es es João. Pelas mais a iadas azões, a polí ica expansionis a do mona ca
po uguês inha como p incipal obje i o a ingi o O ien e
87
. Nes e sen ido,
enume emos as p incipais linhas polí icas no einado d’O P íncipe Pe ei o, al como L.
F. Thomaz as de iniu: p imei o, numa ó ica de isão es a égica mais ala gada, a
p epa ação écnica de emp esas u u as a a és de in es igações as onómicas e
ma í imas, como po exemplo no sul do A lân ico; segundo, a p ocu a pela explo ação
do comé cio nas cos as a icanas, que le ou à sua o ganização e, aumen ando a
in luência po uguesa na egião, à cons ução de S. Jo ge da Mina; e cei o, a
con inuação do en io de emba cações à cos a ociden al a icana que isa am a sua
explo ação; qua o, o en io de homens ao O ien e, como Pe o da Co ilhã e A onso da
Pai a, com o in ui o de ecolhe in o mações sob e es a egião e com isso localiza a
ão desejada India; quin o, a en a i a de pene ação no in e io de Á ica, an o po
obje i os polí icos - encon a o eino de P es es João, ou seja, encon a um aliado na
gue a con a os in iéis -, como ambém po obje i os come ciais - es abelece
con ac os diplomá icos com os po en ados do ou o-; sex o, a c is ianização de po os
a icanos que unciona am como uma espécie de “bolsa de a ” c is ã em e i ó io
maio i a iamen e hos il à p esença po uguesa, como po exemplo a c is ianização da
egião do Congo, em 1491; sé imo, o desen ol imen o de uma a i idade diplomá ica
que, não só p ocu ou ese a pa a os po ugueses an o o di ei o de ocupa e de
explo a os e i ó ios descobe os du an e o p ocesso expansionis a, como ambém o
acesso es i o à á ea ma í ima necessá ia à explo ação ma í ima e à comunicações
86
PEDRO, DOM, “Ca a que o j an e dom ped o emujou a el ey de B ujas” in MORENO, Humbe o
Baque o, Ca a de B uges do In an e D. Ped o, Biblos .XXVIII, 1952, p.22.
87
FARINHA, An ónio Dias, Po ugal e Ma ocos no Século XV, ol. I, Lisboa, s.n., 1990, pp.166-167.
33
en e e i ó ios além-ma e me ópole ( a ados de Toledo, em 1481 e To desilhas,
em 1494)
88
.
Não obs an e a impo ância de odas as linhas polí icas enunciadas, D. João II
p omo eu a cons ução da o aleza e ila da G aciosa, em 1489, a quinze quilóme os
da oz do io de La ache
89
. T a ou-se de um episódio mili a que se inse e no con ex o
da expansão po uguesa no No e de Á ica e que p e endeu esponde a odas as
necessidades ine en es à p óp ia expansão: conquis a e i o ial, no os me cados,
de esa con a a pi a a ia muçulmana e expansão eligiosa. T a a-se, assim, de um
e en o his ó ico que além de aze pa e da expansão po uguesa, como já oi di o,
pe encia ainda ao ambien e c uzadís ico que ainda se azia sen i no séc. XV.
III - O P oje o da G aciosa
a) Obje i os e escolha do local
No capí ulo an e io izemos uma b e e análise à con ex ualização do einado
d’O P incipe Pe ei o e concluímos que, compa a i amen e aos seus an ecesso es,
p omo eu uma polí ica pouco in ensa e escassas o am as inicia i as que p omo eu
em solo ma oquino, o nando Ma ocos numa egião subsidiá ia da emp esa
ma í ima. No en an o, D. João II não negligenciou, de odo, a polí ica expansionis a no
no e de Á ica e es a con inuou a me ece a a enção da Co oa po uguesa. Foi nes e
ambien e expansionis a que, em 1489, su giu o p oje o que p e endia o le an amen o
de uma o aleza no No e de Á ica como o maio e mais impo an e episódio
expansionis a do einado d’O P íncipe Pe ei o. No undo, es e p oje o ep esen ou
uma e dadei a en a i a de aumen a a in luência da Co oa po uguesa em Ma ocos
que, segundo as pala as de Luís Adão da Fonseca, ez pa e de “… um ambicioso plano
88
THOMAZ, Luís Filipe F. R., "O P ojec o Impe ial Joanino (Ten a i a de in e p e ação global da polí ica
ul ama ina de D. João II)" in Cong esso In e nacional Ba olomeu Dias e a sua Época. Ac as, ol. I, Po o,
Uni e sidade do Po o – Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses,
1989, pp.91-96.
89
CRUZ, Ma ia Augus a Lima, “Os po ugueses em Ma ocos nos séculos XV e XVI” in His ó ia dos
descob imen os e expansão po uguesa, Au élio De Oli ei a, Ma ia Augus a Lima C uz, e all, Lisboa,
Uni e sidade Abe a, 1990, p.90.
34
de in ensi icação da p esença po uguesa em Ma ocos.”
90
. Em pa alelo com es e
episódio mili a de 1489, ize am pa e des e plano a subjugação da cidade de Azamo ,
em 1485-1486 e a expedição a Ana é, em 1487
91
. Joaquim Ve íssimo Se ão de ende
que es e impulso expansionis a, na década de 1480, não ep esen a a
e dadei amen e uma polí ica mili a , mas an es uma expansão da in luência ao ní el
polí ico e come cial
92
. Já Luís Adão da Fonseca conside a que, exce uando a obediência
da cidade de Azamo a D. João, es e impulso expansionis a co espondia, na sua
maio ia, a inicia i as de ca iz mili a
93
.
Após a análise do p oje o da G aciosa, é do meu en endimen o que es e
episódio se a ou de uma au ên ica expedição mili a que, à semelhança de ou os
episódios ela i os à expansão po uguesa em Ma ocos, p ocu a a alcança que
obje i os de ca iz mili a , que obje i os de ca iz económico/come cial e eligioso.
Cabe po isso pe cebe quais e am os obje i os des a campanha, e quais os bene ícios
que dela podiam ad i pa a a Co oa po uguesa. Em p imei o luga , o le an amen o de
uma o aleza no local escolhido ep esen a ia um aumen o signi ica i o do pode io
mili a e polí ico da Co oa na egião, azendo pa a a in luência po uguesa odas as
e as ci cundan es e odas as po oações que nelas se encon a am. Es a no a
es u u a mili a se i ia, assim, como local de emanação de pode da Co oa, e de
de esa dos in e esses da mesma. Em segundo luga , a G aciosa se i ia, após o é mino
das pazes de 1471, de base de ope ações mili a es con a impo an es po oações
ma oquinas da egião
94
. Nes e g upo de po oações des aco as impo an es cidades de
Alcáce -Quibi e Mequinez
95
, sedes de o es g upos de esis ência à p esença
po uguesa no No e de Á ica. Em e cei o, a cons ução de uma es u u a mili a na
con luência en e os ios Lucos e Mocazim se i ia como pos o de con olo à pi a a ia
que pa ia das cidades do in e io ma oquino e que assedia a a cos a ociden al
90
FONSECA, Luís Adão da, op. ci ., p.83.84.
91
SERRÃO, Joaquim Ve íssimo, His ó ia de Po ugal, Vol. IV, Lisboa, Edi o ial Ve bo, 1978, p.109.
92
Ibidem, p. 109
93
FONSECA, Luís Adão da, op. ci ., p.84.
94
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.74.
95
ROSENBERGER, Be na d, “Le Po ugal e l’Islam Magh ebin (XVe-XVIe Siècles)” in His oi e du Po ugal -
His oi e Eu opéenne. Ac es du Colloque, Pa is, 22-23 Mai 1986, s.e., Pa is, Fonda ion Calous e
Gulbenkian-Cen e Cul u el Po ugais, 1987, pp.69-70.
41
Como podemos obse a , a a mada e a cons i uída po um o al de qua o
a o eias, sendo que a escolha des e ipo de emba cação pa a es a expedição de e-se
a dois p incipais a o es. P imei o, as a o eias acili a am o anspo e de odos os
ma e iais e homens necessá ios à cons ução, já que essa se ia a sua p incipal
unção
122
, e segundo, es a a mada ainda não e ia qualque obje i o exclusi amen e
mili a . Que is o dize que, apesa da ób ia p esença de mili a es nes a a mada e de
122
P., J. A. R., “Ta o eia” in Dicioná io de His ó ia dos descob imen os po ugueses, Luís de Albuque que
(di ,), ol. II, Lisboa, Cí culo de Lei o es, ano, pp.1013-1014.
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Nº de Homens
Obse ações
2
Ta o eia
Uma pa e de
2/3 de Biscoi o
e a inha pa a
4 meses
30
T anspo a a
ma e iais
necessá ios
pa a a
cons ução da
ila e o aleza
de G aciosa
3
Ta o eia
Uma pa e de
2/3 de Biscoi o
e a inha pa a
4 meses
30
T anspo a a
ma e iais
necessá ios
pa a a
cons ução da
ila e o aleza
de G aciosa
4
Ta o eia
Uma pa e de
2/3 de Biscoi o
e a inha pa a
4 meses
30
T anspo a a
ma e iais
necessá ios
pa a a
cons ução da
ila e o aleza
de G aciosa
1 Fon e: FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es
& C. a, 1915, pp.29-31.; e Anexo 1.
42
equipamen os bélicos pa a de esa dos po ugueses em caso de a aque, a p incipal
unção des es homens se ia o le an amen o das undações da o aleza e ila da
G aciosa
123
, e simul aneamen e a p epa ação do local pa a a chegada da segunda
expedição. Es e segundo g upo expedicioná io ep esen a ia sim a e dadei a e e e i a
ocupação po uguesa da ilha
124
.
In elizmen e, não sabemos em qual des es na ios i ia Gaspa Jusa e, nem
quem se iam os capi ães das es an es 3 a o eias. No en an o, emos conhecimen o
de que no momen o da saída, se ap esen a am nes a a mada um conjun o de 120
homens, di ididos igualmen e pelas 4 emba cações. Mais a de, aquando da passagem
pela cidade de A zila, jun a am-se mais 40 homens (20 a ca alo e 20 a pé), azendo um
o al de 160 homens à chegada da expedição à ilha de G aciosa, no io Lucos
125
. Nes e
g upo de 160 homens, i iam ce amen e mui os mes es, ped ei os, ap endizes,
se en es, a qui e os e mili a es necessá ios à cons ução e de esa do luga . Com eles
i iam odos os man imen os indispensá eis pa a sua subsis ência, e odos os
ma e iais/ e amen as necessá ios à cons ução e pe manência no luga . Con amos
en e esses ma e iais: ma é ias-p imas como a ped a e a madei a abalhada, a cal
126
,
algumas a mas e a ilha ia pa a a de esa da sua posição, e ou as e amen as
necessá ias à cons ução
127
. Como se ia habi ual nes e ipo de emp eendimen os, é
possí el que ambém se enham le ado pa es p é- ab icadas da p óp ia o aleza,
123
Ac edi a-se que es as se iam as ins uções dadas a Gaspa Jusa e já que, po mais que ossem
a o á eis as in o mações das sondagens ei as em anos an e io es, e po mais a o á el que se
deduzi a a si uação, não pa ece possí el que com apenas 160 homens osse possí el le an a a
o aleza, edi ica a ila e de endê-la de possí eis a aques muçulmanos. - FIGUERAS, Tomás Ga cia, op.
ci ., p.9.
124
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.9.
125
Anexo 1 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , pa a en ega ao
moço da es eba ia e despensei o das a o eias que o di o senho manda ao io de La ache, 17 de
Fe e ei o de 1489, To e do Tombo. Co po C onológico, pa e II, mac. 2.º, doc. 3.
126
No séc. XV, um pouco como na Idade Média, os ma e iais mais impo an es pa a a cons ução de
in aes u u as mili a es se iam a ped a (de can a ia ou não), a cal (com is a à p odução de al ena ia), a
água, a madei a, a a eia e a e a. - MONTEIRO, João Gou eia, Os Cas elos Po ugueses dos inais da
Idade Média – P esença, pe il, conse ação, igilância e comando, Lisboa - Coimb a, Edições Colib i –
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a, 1999, p.191.
127
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, pp.74-75.
43
como po exemplo can os, po as, e ou as peças mais sólidas que acele a am a
cons ução da ob a
128
.
Podemos a e i a pa i da Tabela 1, que a a mada oi p o ida de man imen o
pa a os qua o meses que es a am inicialmen e planeados. Segundo o mandado de 17
de e e ei o (Anexo 1), es a a p og amado que o abas ecimen o da a mada se izesse
essencialmen e a a és de biscoi o, mais especi icamen e 186 quin ais e 2 a obas e
meia des inados aos 120 homens que pa i am do eino, mais 17 quin ais e meio pa a
os es an es 40 homens que se jun a am em A zila. Es a p o isão oi en egue a
Jacome Dias, almoxa i e dos o nos de biscoi o de Lisboa, a 25 de e e ei o, no
en an o, Jacome apenas ecebeu dois e ços do biscoi o do que o a inicialmen e
de e minado, ou seja, 129 quin ais, 3 a obas e 4 lib as de biscoi o. Simul aneamen e,
o ou o e ço oi sa is ei o em a inha «pa a e esco enquan o es i e em no io»
129
.
Foi, assim, es a a quan idade de man imen o que Gaspa Jusa e e os seus homens
le a am consigo pa a emp eende os abalhos de le an amen o da ila e o aleza.
De ido à al a de documen os, pouco se sabe sob e a chegada des a expedição
ao local escolhido pa a a cons ução. Do seu aje o sabe-se que ez uma pa agem em
A zila, p o a elmen e a única, onde se jun a am os 40 homens acima e e idos.
Chegada a expedição à ilha G aciosa, começa am os p epa a i os pa a a undação da
o aleza. No amen e, à al a de on es que o desc e am, cabe ao his o iado deduzi e
explica , de o ma mais ealis a possí el, odo o p ocesso de cons ução. Es ou em c e
que as esca ações necessá ias o am a p io idade inicial, dado que e a impe a i o
mon a as undações de ped a e cal dos mu os e ou os ipos de o i icações. Onde al
não oi possí el, op ou-se pela cons ução de ou o ipo de de esas, ais como a
esca ação de alas e o le an amen o de o es paliçadas de madei a
130
. Também é
p o á el que, de ido aos assédios de ibos locais, se enha op ado po mon a
anquei as al as de o ma a p o ege os abalhado es
131
. Os abalhos iam assim
128
DIAS, Ped o, A A qui ec u a dos Po ugueses em Ma ocos. 1415-1789, Coimb a, Li a ia Mine a
Edi o a, 2000, p.18., pp.17-18.
129
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.8.
130
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.75.
131
DIAS, Ped o, A A qui ec u a dos Po ugueses em Ma ocos. 1415-1789, Coimb a, Li a ia Mine a
Edi o a, 2000, p.18., p.17-18.
44
p og edindo, com alguma p essão. Consoan e a necessidade de ob enção de mais
ma é ias-p imas, os po ugueses p ocu a iam e usa iam os ecu sos na u ais que
encon assem no local. Nes e sen ido, a a és de um es udo a queológico ei o em
1940/1941, e onde se pensa e descobe o as uínas da G aciosa, descob iu-se que na
cons ução des a o aleza o am usados ma e iais omanos que se encon a am no
local, o que nos le a a ac edi a que ali se encon a a algum ipo de o i icação mais
an iga, nomeadamen e omana
132
.
Podemos assumi que o cas elo a se cons uído se ia um ipo de o i icação
mis a, possuindo algumas ca ac e ís icas ainda medie ais e ou as mais mode nas,
p óp ias do desen ol imen o das a mas de ogo do séc. XV
133
. Quan o à sua plan a, é
possí el a i ma que se ia quad ada ou e angula
134
, à semelhança do cas elo da ilha
de A guim, cons uído em 1461, e do de São Jo ge da Mina, em 1482, “(…) que
consis ia num bloco quad ado de uns 25 m de lado e mu os (…) de quase 3 m de
espessu a, odeado po um osso, com pá io ao cen o…”
135
. Na maio ia da sua
es u u a usou-se madei a
136
, um ma e ial de cons ução mui o usual nes e ipo de
emp eendimen os ao longo da his ó ia do Impé io Po uguês
137
. Nos ângulos onde se
jun a am os panos de mu alha, e guiam-se o es al as do adas de onei as pa a a
p á ica do i o asan e, onde se iam colocadas as peças de a ilha ia azidas pela
132
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.22.
133
Nos e i ó ios ul ama inos es a ansição ecnológica, mili a e a qui e ónica oi mais len a, azendo
com que es a ase in e média se desen ol esse p incipalmen e a pa i dos elemen os medie ais. -
NUNES, An ónio Lopes Pi es, O Cas elo es a égico po uguês e a es a égia do cas elo em Po ugal,
Lisboa, Di eção do Se iço His ó ico Mili a , 1988, p.57.
134
DIAS, Ped o, A A qui ec u a dos Po ugueses em Ma ocos. 1415-1789, Coimb a, Li a ia Mine a
Edi o a, 2000, p.18.
135
MOREIRA, Ra ael, “A época manuelina” in, Po ugal no Mundo: His ó ia das o i icações po uguesas
no mundo, Ra ael Mo ei a (di .) Lisboa, Publicações Al a, 1989, p.103.
136
De ido às suas qualidades na u ais, ao longo dos séculos XV e XVI, a madei a oi u ilizada pa a
ápidas cons uções de cas elos como espos a à necessidade de domínio e e i o um pouco po odo o
Impé io Po uguês. E a, des e modo, que os obje i os es a égicos de ocupação ápida de e i ó ios
al os da emp esa mili a e am cump idos. – SILVA, José Cus ódio Viei a da, “A qui ec u a em madei a
na expansão po uguesa” in A A qui ec u a Mili a na Expansão Po uguesa, Comissão Nacional pa a as
Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses (au o ), Po o, Cas elo de S. João da Foz, 1994, p.27.
137
No que oca ao uso da madei a, a cos a ma oquina oi um e i ó io p i ilegiado de expe imen ação.
O uso des e ma e ial, pe mi ia uma ápida cons ução de imponen es edu os o i icados, sendo eles
um meio pa a conquis a ou ocupa , de o ma ulminan e, um local. SILVA, José Cus ódio Viei a da,
“A qui ec u a em madei a na expansão po uguesa” in A A qui ec u a Mili a na Expansão Po uguesa,
Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses (au o ), Po o, Cas elo de
S. João da Foz, 1994, p.27.
45
a mada
138
. Também na mu alha oi imp o isado um ada e onde os de enso es
podiam dispa a do al o e, no lado de o a, esca ado um osso pa a a asa /impedi o
a anço do inimigo e de qualque ipo de equipamen o de ce co
139
.
É p o á el que cedo se enha começado a no a a insalub idade do local, is o
que o núme o de po ugueses à adoece oi aumen ando
140
. Aqui, impo a pe cebe
que, ao longo da his ó ia do Impé io Po uguês, e a no mal a exis ência de uma al a
mo alidade de abalhado es nes e ipo de emp eendimen os. Fa o es como a apidez
necessá ia a es e ipo de p oje os, o g ande núme o de ho as de abalho, o escasso
empo pa a descanso, o acionamen o dos man imen os (que mui as ezes e a
necessá io de ido à sua escassez), e as di e enças climá icas con ibuíam pa a es a
mo alidade. Ag a ando a si uação, na ilha da G aciosa jun a a-se ainda a
insalub idade do local que e a p opícia à con ação da doença malá ia
141
.
Es ando odas as undações inalizadas e iniciados os abalhos de
le an amen o dos mu os e dos edi ícios da o aleza, pouco mais oi o abalho que os
po ugueses consegui am adian a naquele momen o. Se, po um lado, Gaspa Jusa e
adoeceu g a emen e e icou incapaz de lide a a con inuação das ob as
142
, po ou o,
desde cedo se sen iu uma esis ência local po pa e dos muçulmanos, sendo egula es
os assédios ao local. Com o passa do empo mais mou os se jun a am pa a a apalha
os abalhos, e mais es o ço inham os po ugueses de canaliza pa a o seu comba e.
Es a am assim eunidos um conjun o de a o es que a asa am imenso o p og esso da
cons ução, o nando-se es e um p oblema p a icamen e i esolú el
143
.
Pouco mais se sabe ou se pode esc e e sob e es a expedição. Podemos
deduzi que os po ugueses ce amen e con inua am na de esa do local e, ao i mo
que consegui am, no p og esso das ob as. Imagino que, com o aumen o da p essão
138
DIAS, Ped o, A A qui ec u a dos Po ugueses em Ma ocos. 1415-1789, Coimb a, Li a ia Mine a
Edi o a, 2000, pp.17-18.
139
Ibidem
140
BRAGA, Paulo D umond, “A Expansão no No e de Á ica: A polí ica ma oquina de D. João II” in No a
His ó ia da Expansão Po uguesa: A Expansão Qua ocen is a, A. H. de Oli ei a (coo d.), ol. II, 1ª ed.,
Lisboa, Edi o ial Es ampa, 1998, pp. 291-292.
141
Ibidem
142
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.75.
143
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.30.
46
muçulmana sob e a posição po uguesa, maio e a o desejo dos homens pela chegada
da 2ª a mada. No en an o, ainda e iam de espe a ce ca de ês meses pa a que o seu
“desejo” osse inalmen e conc e izado. No eino, já ha ia conhecimen o des as
hos ilidades muçulmanas e já se sabe ia que o io de La ache, em ce as al u as do
ano, não se ia na egá el pa a odo o ipo de emba cações. A meu e , é possí el
imagina que se sen i ia algum eceio ela i amen e à si uação, po ém, ambém
ac edi o que a p epa ação da 2ª expedição ge a a na Co e uma espe ança de que se
pudesse a enua , pelo menos, o p oblema da hos ilidade local.
Po im, e dando um sal o empo al, impo a escla ece que na e cei a dezena
de julho, Gaspa Jusa e já es a a de eg esso ao eino. A a és de uma ca a do dia 23
de julho, sabemos que o ei não es a a descon en e com a p es ação des e capi ão na
G aciosa, pois de ou a o ma não lhe e ia sido cedida uma pensão de 30.500 eais e a
alcaida ia-mo de A is
144
.
c) 2º Expedição – A A mada de La ache
Ainda nos inícios de ma ço, acaba a de pa i do eino a pequena o a de
Gaspa Jusa e umo à G aciosa e logo se começa a a p epa a a 2º expedição. A ida
des a expedição, à qual se decidiu da o nome de A mada de La ache e que e a
comandada po D. Ped o de Cas elo B anco, ep esen a ia a de ini i a ocupação
po uguesa do local. Di o is o, olhemos a seguin e abela pa a melho pe cebe a
cons i uição da A mada de La ache. Salien o que nes a a mada oi ambém João
Rod igues de Sousa, 1º capi ão da Fo aleza de G aciosa nomeado po D. João II, que
i ia subs i ui o empo á io capi ão Gaspa Jusa e e, na u almen e, e mina a
cons ução da ila e o aleza e o ganiza a sua de esa.
144
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.9.
47
Tabela II: A a mada de D. Ped o de Cas elo B anco
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Nº de Homens
Obse ações
1
Fus a S. João
Pa ão Pe o
Vaz
20 dias
43 Homens
2
Ca a ela S.
An ónio
Mes e Rod igo
Anes
15 dias
T ipulação do
ba co mais 30
ca pin ei os e 2
se ado es ao
cuidado de
Fe nando
Al a es
3
Albe oça San a
Ca a ina
Capi ão Al á o
Bo elho /
Mes e
Ba olomeu
Rod igues
15 dias
30 homens
4
Ca a ela San a
Ma ia da P aça
Mes e
Gonçalo
Gonçal es
Falulo
15 dias
T ipulação do
ba co mais 20
ped ei os e 6
bomba dei os a
ca go de
Gonçalo Coelho
5
Na io S. Ped o
Capi ão Fe não
Se ão / Mes e
An ão T igo
15 dias
30 ma inhei os,
30 bes ei os e
10 sapado es
48
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Nº de Homens
Obse ações
6
Ta o eia Rainha
Mes e Ma im
Mendes
20 dias
8 homens
7
Na io Ci ne del
Rei
Mes e
Gonçalo A onso
15 dias
30 ma inhei os,
30 bes ei os e
10 sapado es
8
Ca a ela de D.
Ped o de
Cas elo B anco
Capi ão D.
Ped o de
Cas elo B anco
(Capi ão da
A mada) /
Mes e And é
A onso
15 dias
Pelo menos 6
homens do
Conde
Foi nes a
emba cação
que
p o a elmen e
e á ido João
Rod igues de
Sousa que D.
João II nomeou
capi ão
daquela
o aleza
2 Fon e: FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es
& C. a, 1915, pp.31-35.; Anexos 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; 10; 11.
Podemos e i ica que a A mada de La ache e a cons i uída po um o al de 8
emba cações – 2 na ios, 3 ca a elas, 1 us a, 1 a o eia e 1 albe oça
145
. Ao con á io da
expedição de Gaspa Jusa e, e i icamos a exis ência de di e en es ipos de
emba cações, de meno e de maio po e, o que se jus i ica pela na u eza da p óp ia
missão. O seu ca ác e ocupacional e mili a ob iga a ao uso de emba cações mais
especí icas, p incipalmen e do ipo mili a . Além disso, não só ha ia uma necessidade
de anspo e de um maio núme o de homens e de apa elhos de gue a, como
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, pp.30-31.
49
ambém e a necessá io, mais uma ez, o anspo e de ma é ias-p imas e
man imen os.
No que oca à sua ipulação, a A mada de La ache e a cons i uída po um o al
de 285 homens, de a iadas p o issões, es ando, pelas azões acima e e idas,
logicamen e dis ibuídos de o ma i egula pelas elas po ugueses. Não dispomos de
in o mações comple as sob e a ipulação de ês das emba cações, sendo elas as
ca a elas San o An ónio, San a Ma ia da P aça, e a do p óp io D. Ped o de Cas elo
B anco. Pa a lide a es es homens oi nomeado como capi ão-mo da a mada D. Ped o
de Cas elo B anco, almi an e do eino. Na mesma ca a ela que o capi ão-mo i ia “(…)
João Rod igues de Sousa, que D. João II nomeou capi ão daquela o aleza…”
146
. Ainda
em elação à ipulação, é obse á el que e am bem di e sas e dis in as as unções dos
homens. Encon amos nes as emba cações homens com unções di e amen e
elacionadas com a cons ução, a sabe , os sapado es (20), ped ei os (20), ca pin ei os
(30) e se ado es (2), bem como com unções elacionadas com a a i idade bélica,
designadamen e os bes ei os (60) e bomba dei os (6). Se ans o ma mos es es
núme os em dados pe cen uais, cons a amos que 25,3% da ipulação es a a
di e amen e elacionada com a á ea da cons ução, enquan o que os ou os 23,1%
com a á ea mili a . Des a o ma, sob a a ce ca de 51,6% da ipulação da a mada que
e a compos a po ma inhei os, c iados, e homens cuja unção não é conhecida de
o ma p ecisa. No en an o, ce amen e que es es 51,6% e iam a e as mis as,
ajudando an o na cons ução como na de esa do luga .
Passamos ago a à análise da quan idade de abas ecimen o que es a a mada
le ou pa a a subsis ência dos seus homens. Como podemos e na abela, cada
emba cação le a ia algum man imen o, su icien e pa a sa is aze as necessidades da
ipulação du an e a iagem. A a és de um mandado de 18 de Maio de 1489 (Anexo
2), sabemos que a us a S. João, em que ia como pa ão Pe o Vaz, oi abas ecida pa a
20 dias, com 12 quin ais e 2 a obas de biscoi o. A ca a ela S. An ónio (Anexo 3), a
albe oça San a Ca a ina (Anexo 4), a ca a ela San a Ma ia da P aça (Anexo 5), o na io
S. Ped o (Anexo 6), o na io Ci ne del Rei (Anexo 8) e a a o eia Rainha (Anexo 7) o am
146
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.32.
50
mandados p o e de biscoi o a 20 de Maio. Des as seis emba cações, as p imei as
cinco o am p o idas de biscoi o pa a 15 dias, com as espe i as quan idades: 6
quin ais, 2 a obas e 4 lib as; 4 quin ais, 10 a obas e 4 lib as; 4 quin ais, 1 a oba e 8
lib as; 15 quin ais, 1 a oba e 3 lib as; 15 quin ais, 1 a oba e 4 lib as. Já a Ta o eia
Rainha oi p o ida pa a 20 dias com a quan idade de 2 quin ais e 1 a oba do mesmo
alimen o. Po úl imo, a ca a ela em que ia D. Ped o de Cas elo B anco e João
Rod igues de Sousa oi al o de o dem de abas ecimen o a 22 de Maio de 1489 (Anexo
11), endo sido abas ecida pa a 15 dias, com a quan idade de 1 quin al, 1 a oba e 6
lib as de biscoi o.
Além des a quan idade de man imen o, a a és de um mandado de 21 de maio
(Anexo 9), sabemos que, nes a a mada, oi ambém p epa ada uma quan idade de
qua ocen os e cinquen a quin ais de biscoi o, e uma quan idade desconhecida de
a inha. Es a quan idade oi en egue a Dinis de Sousa que, além de capi ão da gua da
eal, es a a enca egue, no eino, de ecebe e p epa a a logís ica dos dinhei os e
man imen os que iam nes a a mada. Es e alimen o se ia pa a man imen o de odos
os homens que na al u a es a am na G aciosa, incluindo os homens da a mada de
Gaspa Jusa e que ainda es a iam no local
147
.
A A mada de La ache pa iu do eino nos úl imos dias de maio, depois do dia
22. Não ha endo in o mações p ecisas ace ca do dia em que chega am, apenas é
possí el a e i que no dia 20 de junho já es a iam na G aciosa
148
. É conhecido que em
junho, es a iam na o aleza quinhen os homens (Anexo 12): 160 homens que
segui am na expedição de Gaspa Jusa e; 285 que segui am na a mada de D. Ped o de
Cas elo B anco; e, um conjun o de 6 homens (5 e ei os e o seu mes e, Gonçalo Gil)
p o enien es de uma das emba cações da a mada de La ache, da qual se sabe a sua
exis ência a a és do mandado de 22 de Maio (Anexo 10). O lei o pode á pe gun a -
se após umas b e es e lexões a i mé icas que, mesmo com es es núme os, al a iam
ce ca de qua en a e no e homens pa a pe aze o e e ido o al de quinhen os
homens. É impo an e elemb a mos que não emos o núme o dos ma inhei os das
147
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.10. e FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos
anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es & C. a, 1915, pp.33-34.
148
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.10.
57
junho (Anexo 12). Po ém, não é uma ce eza, pois o o al de biscoi o p esen e nes as
duas emessas pe azem um o al de quinhen os e oi en a e no e quin ais
165
.
No dia seguin e, a 24 de junho (Anexo 13), en ega am-se a Vasco Ca nei o,
moço da es ibei a do Rei, po con a de ou os quinhen os quin ais, mais duzen os e
cinco quin ais de biscoi o, com o in ui o de os le a à ila de Lagos e en ega a João
Gonçal es Ba e ias, almoxa i e da mesma ila. O es o des as cinco cen enas de
quin ais oi mandado en ia a 3 de julho de 1489 (Anexo 14). Nes e mandado oi
o denado que Jacome Dias en egasse a João Co dei o, mes e e dono do na io
Espí i o San o e esiden e em Se úbal, duzen os e no en a e cinco quin ais de biscoi o
e que es e, po sua ez, os anspo asse pa a o Alga e, aí os en egando a Gonçal es
Ba e ias. Con udo, e sem que saiba ao ce o qual a azão, da quan idade aco dada
apenas o am en egues duzen os e no en a quin ais. Po úl imo, a 6 de julho (Anexo
15), oi o denado que se en egasse a Fe não Gonçal es, a mei o e esiden e em
Lisboa, qua ocen os e sessen a e ês quin ais, duas a obas e qua o lib as de
biscoi o pa a que es e, po sua ez, os izesse chega a Dinis de Sousa
166
.
Ainda sob e João Co dei o e o seu na io Espí i o San o emos e e ências
documen ais sob e a sua p esença na G aciosa. No dia 20 de julho (Anexo 16), D. Diogo
Fe nandes de Almeida, en ão capi ão da o aleza, pe mi iu ao dono da ca a ela
Espí i o San o e à sua ipulação, compos a po seis homens, que eg essassem ao
eino, pois não e am ali necessá ios. Po isso, no dia 21 do mesmo mês (Anexo 17),
ob e e “ ecibo” de João de Ba os, que a ua a em nome do seu pai, Diogo de Ba os,
con ado do Alga e de Além-ma , po e en egado a quan ia de biscoi o acima
e e ida. Ainda sob e o esiden e de Se úbal, c ê-se que e á sido ele a le a a ca a
edigida pela comissão dos ês ca alei os, e des inada ao ei, con endo as
desanimado as in o mações sob e a si uação da G aciosa e sob e o ce co ape ado dos
muçulmanos, incluindo o seu obje i o de co a as comunicações do eino com a
o aleza
167
. Da mesma o ma, é p o á el que enha sido a bo do de uma des as
emba cações que João Rod igues de Sousa, capi ão da o aleza, enha ol ado pa a
165
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.34.
166
Ibidem, pp.34-35.
167
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.11.
58
Po ugal. A e dade é que se o capi ão icasse na o aleza mo e ia po al a de
médicos e de a amen os necessá ios pa a a sua saúde
168
.
O conhecimen o sob e a ida e e o no ao eino des as cinco emba cações
pe mi e-nos, de ce a o ma, calcula ap oximadamen e o bloqueio comple o po
pa e do exé ci o muçulmano. Ac edi amos que, du an e es e pe íodo, pelos
mo imen os de en ada e saída des as emba cações da G aciosa, o exé ci o
muçulmano não e ia ainda bloqueado o io. A p imei a des as emba cações de e e
saído do eino pouco depois do dia 21 de maio, enquan o o úl imo ba co a sai da
G aciosa de ol a ao eino oi o na io Espí i o San o, de João Co dei o, po ol a do dia
21 de julho. Temos assim uma janela de ês meses em que sabemos que o io ainda
não es a ia bloqueado à ci culação po uguesa. Não que is o dize que o exé ci o
muçulmano já não es i esse pe o da o aleza, po ém, ce o é que o le an amen o da
es acada ainda não e ia sido ealizado. Pos o is o, apon amos essa ação pa a depois
do dia 21 de julho.
e) 1º Soco o da G aciosa
A ca a ela Espí i o San o, le ando a ca a que desc e ia a si uação da G aciosa,
chegou ao eino. Não exis e nenhum documen o que nos mos e o dia exa o em que
isso sucedeu, ainda assim, podemos baliza empo almen e en e o im de julho e
inícios de agos o. Es a ca a desc e e ia odas as di iculdades sen idas pelos
po ugueses, is o é, não só mos a a que a posição po uguesa es a a em isco, de ido
à cons an e p essão do exé ci o muçulmano, mas da a con a da possibilidade de os
inimigos impedi em a ci culação no io a a és da cons ução de uma ba ei a.
P o a elmen e o ei já e ia mui as des as in o mações, e po isso já es a ia a p epa a
uma a mada de soco o com des ino à G aciosa
169
. No en an o, o ala mismo que es a
mensagem ouxe ez com que a sua p epa ação e abas ecimen o ossem ap essados.
Sob e es e assun o pa ece-nos impo an e e e i que e a p o á el que exis isse uma
espécie de linha de co eio en e o eino e os homens que es a am na G aciosa, onde
168
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.35.
169
Ibidem, p.37.
59
ci cula am no ícias ace ca do p oje o ma oquino. Indo de encon o ao que oi di o, ao
longo das c ónicas de D. João II, Rui de Pina e Ga cia de Resende ão a i mando que o
ei já sabia de alguma das in o mações e p oblemas da o aleza e es a a p on o a agi
sob e elas. Além da co espondência ei a a a és das emba cações in e médias que
o am en iadas pa a abas ece a o aleza, é p o á el que es a linha de co eio
uncionasse ambém a a és de emba cações que es a am na G aciosa, e que e am
mandadas de ol a ao eino. Não nos esqueçamos que, na e cei a dezena de julho,
Gaspa Jusa e, capi ão da 1º a mada, já es a a de eg esso ao eino. Em suma,
sabemos que e am ocadas in o mações en e a Co e, em Ta i a, e os homens que
es a am no io Lucos, e oi g aças no seguimen o des a co espondência que se iniciou
a p epa ação a 1º a mada de soco o.
Es a a mada de soco o se ia a p imei a de duas esquad as en iadas à G aciosa,
e e ia como obje i o p incipal ompe o ce co muçulmano e con inua a ob a da
o aleza
170
. Sob e es e assun o os c onis as Rui de Pina e Ga cia de Resende a i mam
que D. João II ponde a a já, caso osse possí el ompe o ce co e e i a os
po ugueses, des ui e abandona a o aleza
171
. No en an o, como a i mam An ónio
Manuel Láza o e Ma ia Augus a Lima C uz, es a ideia não passa a disso mesmo, uma
ideia que ainda não inha sido discu ida se iamen e
172
. Isso p o a que, como i emos
e de seguida, nes as emba cações oi en iado um conjun o de se ido es com
p o issões elacionadas com a cons ução, o que se ia impensá el se nessa al u a já se
i esse decidido o seu abandono e des uição. Con inua a em cima da mesa o plano
inicial do p oje o: a cons ução da ila e o aleza.
Rela i amen e à a mada de soco o, podemos cons a a a a és dos mandados
de abas ecimen o conhecidos (Anexos 21; 22; 24; 26; 27; 28; 30; 33; 36; 37) que a sua
p epa ação deu-se en e os dias 26 de julho e 13 de agos o. Pa a capi ão da a mada oi
escolhido Ai es da Sil a, cama ei o-mo do ei e pessoa da sua o al con iança.
Con udo, não ha endo e e ência em nenhum dos mandados, Anselmo B aamcamp
170
PINA, Rui de, op. ci ., cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, pp.76-77.
171
Ibidem, p.77.
172
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.87.
60
F ei e p e e iu pensa que e á sido o amoso T is ão da Cunha, capi ão de uma das
emba cações, a capi anea a a mada, a ibuindo a um engano de Rui de Pina a
indicação do nome de Ai es da Sil a.
173
. Po ém, en e as Ca as de Pe dão, ou o gadas
po D. João II a homens que o am ao soco o da G aciosa, encon amos e e ências
explíci as a Ai es da Sil a como capi ão da a mada. A í ulo de exemplo, passo a ci a
uma delas: “… que se segui a a a mada que eze amos pe a o ce quo da G açiosa, em
a qual nos elle o a se i e se esp e e a no li o dos omiziados pe nós ho denado,
segundo isso mesmo e pode iamos pe asinado e ce idam d’Ai es da Sil a, capi am
da dic a a mada…”
174
.
Ainda sob e es a a mada, impo a ambém salien a que é deba ida a hipó ese
de as emba cações que o am nes e soco o e em sido mais do que aquelas
a ualmen e conhecidas
175
. Po isso, e iden emen e que as emba cações e e idas ao
longo des e capí ulo são apenas as que são po nós conhecidas. Repa emos na
seguin e abela pa a melho conhece es a p imei a a mada de soco o.
Tabela III: A P imei a A mada de Soco o
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
1
Ca a ela San a
Ma a
Capi ão Diogo
Figuei a /
Despensei o
João Dias
Biscoi o pa a
20 dias, mais
duzen os e
no en a e seis
quin ais
29 homens
173
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.38.
174
Anexo 62 - Ca a de pe dão a Be naldes Anes. Chancela ia D. João II, Li o XVII, l. 12, 25 de Janei o
de 1490.
175
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.39.
61
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
2
Ca a ela " do
Capi ão T is ão
da Cunha"
Capi ão T is ão
da Cunha /
Despensei o
Manuel Nunes
Biscoi o pa a
20 dias
45 homens
Se á nes a
emba cação
que Ai es da
Sil a, capi ão-
mo des a
a mada,
emba cou
3
Ca a ela "do
Capi ão
Gonçalo
Figuei a"
Capi ão
Gonçalo
Figuei a /
Despensei o
João de Al es
Biscoi o pa a
20 dias
14 homens
4
Albe oça
G aciosa
Pa ões A onso
Domingues e
An ão Ma ins
Biscoi o pa a
20 dias
25 homens
5
Ca a ela "de
Jo ge
Mealhei o"
Capi ão Jo ge
Mealhei o /
Despensei o
C is ó ão Lopes
Biscoi o pa a
20 dias
14 homens de
ipulação e 30
ma inhei os
6
Emba cação
"de Es e ão de
Cas o"
Capi ão
Es e ão de
Cas o
Biscoi o pa a
20 dias
43 homens
7
Ca a ela "de
Rui Mendes e
Gonçalo
Mendes"
Capi ão Rui
Mendes e
Gonçalo
Mendes /
Despensei o
An ão de Gá
Biscoi o pa a
20 dias
50 homens de
ipulação
62
Tipo e Nome
Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
8
Ca a ela "de
Ai es Co eia"
Capi ão Ai es
Co eia /
Despensei o
João Noguei a
Biscoi o pa a
20 dias
100 homens
9
Ca a ela "de
Fe não Se ão"
Capi ão Fe não
Se ão
Biscoi o pa a
20 dias
30 homens
3 Fon e: FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es
& C. a, 1915, pp.37-42.; e Anexos 21; 22; 24; 26; 27; 28; 30; 33; 36; 37.
Como podemos obse a , es a esquad a se ia compos a po pelo menos 9
ba cos, sendo eles 7 ca a elas, 1 albe oça e uma emba cação. Como e e ido
an e io men e, é p o á el que a a mada osse compos a po um maio núme o de
emba cações do que o que é a ualmen e conhecido. Segundo as pala as de Tomás
Ga cia Figue as: “Exis e la imp esión de que la expedición es a a compues a po mayo
núme o de ba cos, de los que has a aho a no se han encon ado no icias.”
176
. Foca -
nos-emos, po o a, no que é po nós conhecido. É no ó io que a maio pa e da
a mada e a compos a po ca a elas, pois, além de se em o pináculo da ecnologia
na al, e am na ios mais ap os pa a a gue a e pa a a missão a que es a am
des inados. Ac esce ainda que a escolha des e ipo de emba cação pode á e icado a
de e -se à necessidade de anspo a um maio núme o de homens e de apa elhos de
gue a.
No que à ipulação diz espei o, pa i am um o al de 380 homens. Não emos
in o mações e e en es às suas unções, mas além de se en es e abalhado es,
mui os des es homens es a iam ligados ao amo da gue a e es a iam p epa ados e
a mados pa a o comba e con a os mou os. A a és da análise dos anexos 18, 19, 20,
23, 25, 29, 31, 32, sabe-se ainda que, além des e g upo de 380 homens, i iam nes a
expedição mais 429 homens. Toda ia, não sabemos em que emba cações o am, daí
su gi em as suspei as de que es a a mada e ia um maio núme o de elas. Ace ca
176
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.14.
63
des as 429 almas pe cebemos que es a iam di ididos em dois g upos p incipais: um
g upo de duzen os e in e e dois homens, em que duzen os pe enciam a Pe o Jusa e,
alcaide-mo de A aiolos e i mão do nosso capi ão Gaspa Jusa e (Anexo 20), e in e e
dois de Luís de B i o, mo gado de San o Es ê ão de Beja e S. Lou enço de Lisboa
(Anexo 23); ou o g upo de duzen os e se e homens de á ias o igens, nomeadamen e,
cinquen a bes ei os a mando do anadel João Al a es (Anexo 18), in e e qua o
sapado es do campo de Mondego, do anadel Diogo Dias (Anexo 19); in e e se e
homens de Alcobaça, do quad ilhei o Es e ão Gonçal es (Anexo 25), doze b acei os de
Coimb a e Sal a e a, do quad ilhei o Lopo Fe nández (Anexo 29); doze homens de
Cascais, do quad ilhei o João Pi es (Anexo 31); eze homens de Palmela; no e homens
de Vila F anca, sessen a de San a ém, de Ma im Anes da Fo nei a e Diogo Eanes
(Anexo 32)
177
. Com e ei o, a a és dos mandados ela i os ao soco o sabemos que
iaja am pelo menos 809 homens, sendo que Anselmo não e i a a hipó ese de e em
ido mais pessoas nes a expedição is o que dos 809 e e idos, 472 co espondiam a
abalhado es e se en es (Anexo 23)
178
. Con i ma-se, des e modo, a ese de endida
po An ónio Manuel Láza o e Ma ia Augus a Lima C uz: a p esença de homens
elacionadas com a cons ução nes a a mada de soco o az supo que o abandono e
des uição da o aleza ainda não es a ia decidida.
No e-se que, nas ca as de pe dão dadas en e 1490 e 1491, po D. João II
179
,
e i ica-se a p esença de alguns nomes que e ão umado à G aciosa. Es es
documen os co espondem à con i mação do que o a de e minado pela publicação
de um pe dão ge al e e en e a homiziados que iam se i a Co oa nes a a mada
180
,
publicação essa que in elizmen e não chegou a é aos dias de hoje. Temos acesso, no
en an o, a algumas das e e idas ca as de pe dão de D. João II, co espondendo as
mesmas aos Anexos 62 a 78 da p esen e disse ação. A a és delas sabemos que es es
indi íduos i am a sua pena se eduzida, ou a é mesmo pe doada na sua o alidade,
177
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.39.
178
Ibidem, p.40.
179
Ca as de Pe dão p esen es em COELHO, P. M. La anjo, Documen os Inédi os de Ma ocos:
Chancela ia de D. João II (1943), ol. I, Lisboa, Imp ensa Nacional de Lisboa, 1943
180
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.87.
64
udo po e em pa icipado no auxílio à G aciosa. G aças a es as ca as emos ambém
conhecimen o de alguns nomes de homiziados pa icipan es, a sabe : Be naldes Anes,
escudei o, mo ado em Se úbal (Anexo 62); Fe não Nunes, mo ado na Ilha da Madei a
(Anexo 63); Lou enço Es aço, abelião, mo ado em Ou ique (Anexo 64 e anexo 73);
João Tenó io, la ado , mo ado em A andida, e mo de To es Ved as (Anexo 65);
João A onso, sapa ei o, mo ado em Sou e (Anexo 66); Gonçalo O ei o, mo ado em
Loulé (Anexo); Lopo Vaz, escudei o de Lopo de Sousa (Anexo 68); Rui Caldei a, mo ada
em Nisa (Anexo 69); A onso Fe nandes, mo ado na Ilha da Madei a (Anexo 70); Rui
Fe nandes, mo ado em Es emoz (Anexo 71); Ga cia Tabo da, mo ado em Fa o
(Anexo 72); João Vaz Ousel, ca alei o, mo ado na Ilha da Madei a (Anexo 74); Jossepe
Guedelha, alcaide de judia ia de Lisboa (Anexo 75 e Anexo 78); Ma im Pousado,
escudei o, mo ado em Fa o (Anexo 76); Vasco Pousado, mo ado em Fa o (Anexo 77).
Podemos assim epa a que nes e soco o pa i am homens o iginá ios um
pouco de odo o eino e das mais di e sas p o issões, desde simples la ado es a
alcaides da judia ia de Lisboa. Além disso, con i ma-se que na época em es udo, à al a
de um exé ci o pe manen e, p ocedia-se, não só ao usual p ocesso de ec u amen o
da população, mas ambém ao “ ec u amen o” de condenados. Em oca do seu
se iço, se -lhes-ia eduzida a pena, e em ce os casos, concedido o pe dão.
Se, po um lado, emba ca am nes a a mada 809 homens de o igem mais
humilde, po ou o, ambém sabemos que eng ossa am es e con ingen e alguns
idalgos. Do que os mandados nos deixam apu a , sabemos que na ca a ela da qual
e a capi ão T is ão da Cunha, segui am João Mendes de Oli ei a, adminis ado do
mo gado de Oli ei a, no e mo da cidade de É o a; Fe não de Albuque que, i mão
mais elho de A onso de Albuque que, u u o go e nado da Índia; os i mãos Co eia:
Diogo, Pe o e Paio, mais alguns «ou os idalgos que ã ao soco o da g açiossa»
181
.
Nou as emba cações o am Luís de B i o, mo gado de San o Es ê ão de Beja e S.
Lou enço de Lisboa (Anexo 23), Pe o Jusa e, alcaide-mo de A aiolos (Anexo 20), Rui
181
Anexo 24 – Mandado de João Rod igues do conselho do ei e seu con ado -mo , a Jácome Dias pa a
en ega a Manuel Nunes, despensei o da ca a ela em que ai po capi ão T is ão da Cunha, soco e a
G aciosa, 14 quin ais de biscoi o pa a man imen o de 45 homens que ão na di a ca a ela, 29 de Julho
de 1489, To e do Tombo. Co po C onológico, pa e II, mac. 2.º, doc. 28.
65
de Ab eu, alcaide-mo de El as
182
e D. João Manuel, u u o cama ei o-mo de D.
Manuel I. Sob e es e úl imo idalgo, não exis e nenhum egis o sob e a sua p esença
na a mada (documen os e c ónicas incluídas). No en an o, g aças ao Cancionei o Ge al,
de Ga cia de Resende
183
sabemos que es e umou à G aciosa. Nas pala as de Anselmo
B aamcamp F ei e, es e idalgo se ia um jo em de in e e an os anos, um poe a doce
pa a quem a ida ha e ia de se mui o cu a, pois apenas i eu mais no e anos
184
.
A a és dos Commen a ios de A onso d’Alboque que capi ão ge al &
goue nado da India, ob a publicada po B ás de Albuque que, em 1557, chega-nos a
in o mação de que A onso de Albuque que, u u o go e nado da Índia, ambém e á
es ado e lu ado nes a expedição
185
. No en an o, Anselmo B aamcamp F ei e a i ma
que du ida desse ac o e undamen a a sua posição a a és de uma ca a de A onso de
Albuque que a D. Manuel I
186
. Nes a ca a o u u o go e nado da India e e e-se à
si uação que se i eu na G aciosa pa a aseando o seu io, D. Vasco de A aíde: «lemb a
me, senho , ho que dezia o P ioll do C a o meu io a el Rei, que Deus aja, que en a am
na G aciosa xxx mill homens, e nos nunca nos podemos ajum a es mill, po que
quam os em a am, am os sayam doem es, a o a os alecidos; e já os lá enho is o
esp i o nas ca as passadas»
187
. Ou seja, segundo a in e p e ação de Anselmo
B aamcamp F ei e, A onso de Albuque que em conhecimen o des as in o mações
a a és do es emunho do seu io, e não po que lá es e e. Di o is o, a sua opinião é
182
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.41.
183
RESENDE, Ga cia de, Cancionei o ge al, Lisboa, s.e., 1516 disponí el online em:
h ps://pu l.p /12096/1/index.h ml#/1/h ml
184
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.41.
185
ALBUQUERQUE, B ás de, Commen a ios do g ande Dalboque que capi ão ge al que oi das Indias
O ien aes em empo do mui o pode oso Rey D. Manuel o p imei o des e nome, Pa e IV, cap. L: “Donde
p ocede es e excelen e Capi ão A onso Dalboque que, e cujo ilho oi: e como gas ou sua mocidade a é
i a p imei a ez à India.”, Lisboa, Regia O icina Typog a ica, 1774, p.255.
186
PATO, Raymundo An ónio de Bulhão (di .), Ca as de A onso de Albuque que, Tomo I, Ca a XXV –
1513 – No emb o 30, Lisboa, Academia Real das Sciencias de Lisboa, pp.122-134. e FREIRE, Anselmo
B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es & C. a, 1915,
pp.VI-VII
187
PATO, Raymundo An ónio de Bulhão (di .), op. ci ., p. 126.
66
que al ez enha ha ido con usão en e A onso de Albuque que e o seu i mão ais
elho, Fe não de Albuque que, que e e i amen e oi à G aciosa
188
.
A meu e , em meados do séc. XVI, e pe sis indo a memó ia ecen e da
“de o a” po uguesa em 1489, não me pa ece p o á el que B ás de Albuque que
men isse em elação à pa icipação do seu pai no p oje o da G aciosa. Além disso,
se ia es anho que o u u o go e nado da Índia, es ando ele no eino e sendo ele um
e e ano de ou as campanhas mili a es no No e de Á ica, não osse escolhido pa a
pa icipa no soco o à G aciosa. Pe du a, po isso, a dú ida se A onso de Albuque que
e á ou não pa icipado nes e episódio mili a .
No que ao abas ecimen o diz espei o, a a és dos mandados de 26 de julho a
13 de agos o (Anexos 18-37), sabemos que es es ba cos o am, embo a com di e en es
quan idades, abas ecidos pa a in e dias. A a és de um mandado de 28 de Julho de
1489 (Anexo 22) sabemos que a ca a ela San a Ma a, capi aneada po Diogo Figuei a,
oi abas ecida com 9 quin ais de biscoi o pa a sa is ação dos 29 homens que nela iam.
Além des a quan ia, e a a és de um mandado com a mesma da a (Anexo 21),
sabemos que le a a mais 296 quin ais e 6 lib as de biscoi o. Es a quan idade de
biscoi o se i ia ambém, mui o p o a elmen e, pa a a sa is ação dos homens que já lá
se encon a am.
A 29 de Julho (Anexo 24) oi mandada abas ece a ca a ela de T is ão da Cunha
com 14 quin ais de biscoi o, pa a sa is ação dos 45 homens que lá iam. No dia seguin e
(Anexo 26), oi o denado o abas ecimen o da Ca a ela “do Capi ão Gonçalo Figuei a”
com 4 quin ais e meio de biscoi o pa a os 14 homens que anspo a a. Já em 31 de
Julho (Anexo 27; Anexo 28) oi mandado o p o imen o da Albe oça G aciosa e da
ca a ela de “Jo ge Mealhei o”, endo a p imei a ecebido 8 quin ais e meio de biscoi o
e a segunda 15 quin ais. Dias mais a de, a 4 de Agos o (Anexo 30), João Rod igues
o denou o abas ecimen o da emba cação “de Es e ão de Cas o” com 13 quin ais de
biscoi o pa a a manu enção dos 43 homens que nela iam. A ca a ela em que iam como
capi ães Rui Mendes e Gonçalo Mendes oi mandada abas ece , a 5 de Agos o (Anexo
33), com a quan idade de 20 quin ais, 13 a obas e 4 lib as e meia de biscoi o pa a
188
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.VI.
73
Tabela IV: A Segunda A mada de Soco o
Tipo e Nome
da Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
1
Ca a ela D.
João De Cas o,
2º Conde de
Monsan o"
Capi ão D. João
de Cas o /
Mes e Gonçalo
Dias
10 dias
100 homens
2
Emba cação
"de Lisua e de
And ade"
Capi ão
Lisua e de
And ade /
Despensei o
João
Fe nandes?
10 dias
40 homens
Exis e a dú ida
se João
Fe nandes se ia
ealmen e o
despensei o do
na io
3
Ca a ela
Pesca esa
Capi ão
Fe nand'Ál a es
/ Mes e
Vicen e
Rod igues
10 dias
22 homens
Numa des as 4
emba cações
ambém i ia D.
Ped o de
No onha
4
Na io
Madanela
Capi ão B ás
Ál a es
10 dias
64 homens
Numa des as 4
emba cações
ambém i ia D.
Ped o de
No onha
5
Na io San a
Ma ia
Capi ão Tomás
Fe nandes
10 dias
101 homens
Numa des as 4
emba cações
ambém i ia D.
Ped o de
No onha
74
Tipo e Nome
da Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
6
Ca a ela "de
Pe o Lopes"
Capi ão Pe o
Lopes
10 dias
35 homens
Numa des as 4
emba cações
ambém i ia D.
Ped o de
No onha
7
Na io “del Rei”
(p o a elmen e
pe ence ia à
co oa)
Capi ão
An ónio de
Ab eu
10 dias
30 homens
8
Ca a ela "de
Pe o da Sil a"
Capi ão Pe o da
Sil a /
Despensei o
Rod igo A onso
10 dias
74 (66+8)
homens
9
Na io "de
A onso
Fe ei a"
Capi ão A onso
de Fe ei a /
Despensei o
João Dias
10 dias
80 homens
10
Galé “del Rei”
(p o a elmen e
pe ence ia à
co oa)
Pa ão Ma im
Vicen e
10 dias
40 homens
11
Ca a ela de
Sesimb a
Capi ão Lopo
Vaz Tinoco
10 dias
30 homens
12
Ca a ela
Bempos a
Capi ão Ál a o
Soa es / Mes e
João Ma ins
10 dias
34 homens
75
Tipo e Nome
da Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
13
Ca a ela "de
Vicen e Vaz"
Capi ão e
senho io
Vicen e Vaz
10 dias
40 homens
14
Ca a ela de
"Es é ão
Co eia"
Capi ão
Es é ão Co eia
10 dias
40 homens
15
Na io "de D.
Jo ge de Eça"
Capi ão D.
Jo ge de Eça /
Despensei o
João Lou enço
10 dias
29 homens
16
Emba cação
"de Pe o da
Pai a"
Capi ão Pe o
da Pai a ou
João de
F ei as* /
Despensei o
João de
F ei as*
10 dias
76 homens
Exis e a dú ida
se Pe o da
Pai a se ia o
capi ão da
emba cação e
se João de
F ei as o seu
despensei o
17
Ca a ela "de
Vasco Ma ins
de Gá"
Capi ão Vasco
Ma ins de Gá /
Despensei o
Dua e Lopes
10 dias
45 homens
18
Na io
Despensei o
Despensei o
João Gonçal es
10 dias
Ce ca de 68
homens
19
Na io Galego
Despensei o
João Gonçal es
10 dias
Ce ca de 68
homens
76
4 Fon e: FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in To es
& C. a, 1915, pp.43-49.; e Anexos 34; 35; 39; 40; 41; 42; 43; 44; 45; 46; 47; 48; 49; 52; 53; 54; 56; 57; 58.
Como podemos obse a , a a mada se ia cons i uída po um o al de in e
ba cos: dez ca a elas, duas emba cações, se e na ios e uma galé. No en an o, sob e
es a ma é ia, Anselmo B aamcamp F ei e a i ma que se ia ce o que nes a a mada
ossem mais ba cos
208
. Es ou em c e que es a hipó ese se jus i ica pela exis ência de
ês mandados (Anexos 50; 59; 60) e e en es ao abas ecimen o de uma emba cação,
e a um conjun o de bes ei os além daqueles que es ão p esen es na abela. Assim
sendo, concluímos que não só o núme o de emba cações se ia maio , como ambém o
núme o de homens a bo do da a mada, con i mando-se a i mação de B aamcamp
F ei e. Po o a, impo a oca mo-nos nas in o mações que nos são dados pelos
documen os, e mais adian e e oma emos es a a iação de núme os.
Baseando-nos nos documen os e e en e à a mada, sabemos que nela o am,
pelo menos, 1085 homens
209
. Os mandados não nos pe mi em iden i ica as suas
unções especi icas, no en an o, sendo o seu obje i o p incipal ompe o bloqueio
muçulmano e libe a os po ugueses, é mui o p o á el que mui os des es homens
es i essem di e amen e ligados à p á ica da gue a. No e-se que, além de homens,
es as emba cações anspo a iam ambém uma g ande quan idade de a mas de ogo
pa a aze ace à esis ência mou a no io Lucos. Po udo is o é acilmen e in e í el
que es a se ia a maio de odas as a madas en iadas à G aciosa, o que es á
di e amen e elacionado com a p óp ia na u eza soco is a da mesma.
208
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.48.
209
Ibidem
Tipo e Nome
da Emba cação
Capi ão /
Mes e
Man imen o
Núme o de
Homens
Obse ação
20
Ca a ela "de
Ped o Ál a es"
Capi ão Ped o
Ál a es /
Despensei o
João Gonçal es
10 dias
Ce ca de 68
homens
77
Ainda sob e es es homens, emos algumas in o mações ace ca das suas o igens
e a quem pe enciam. Assim, no Na io “del Rei”, os in a ipulan es pe enciam a
F ancisco Lopes, i mão do amoso Fe não Lou enço, Tesou ei o e ei o da Casa da
Guiné
210
. F ancisco Lopes e a um homem ico do eino, e seguia no na io capi aneado
pelo seu sob inho, An ónio de Ab eu. Na Ca a ela de Pe o da Sil a, dos se en a e
qua o homens, ês pe ence iam a Lopo Mendes Vasconcelos. Os homens que iam na
ca a ela de D. João de Cas o, e nas ou as capi aneados po Vicen e Vaz e Es ê ão
Co eia e am da gen e do p óp io conde de Monsan o. Pe azia-se, des e modo, um
o al de duzen os e qua en a e qua o homens acos ados a D. João de Cas o. Já nos
na ios Despensei o e Galego e na ca a ela de Ped o Ál a es iam um o al de duzen os
e cinco homens que pe enciam a D. João de Almeida, 2º conde de Ab an es e edo
da azenda
211
. Ainda sob e os na ios Despensei o e Galego, os mandados não nos
mos am com cla eza sob e quem se iam os seus capi ães ou despensei os, e, po esse
mo i o, não es amos ce os se se iam ou não aqueles e e idos na abela.
Nos mandados não encon amos e e ência aos homens que Gaspa F u uoso,
his o iado po uguês do séc. XVI, diz e em ido ao soco o da G aciosa.
Possi elmen e, es es homens não o am o malmen e egis ados como pa e
in eg an e do soco o
212
, is o é, não es ão p esen es em nenhum dos documen os
ela i os ao abas ecimen o da a mada. Segundo es e his o iado , da Madei a oi
en iado um conjun o de 800 homens, pe encen es a Simão Gonçal es da Câma a,
ilho do capi ão-dona á io do Funchal
213
. Tal asse ção e ela g a es inconsis ências, o
que nos le a a ques iona a e acidade dos ac os que Gaspa F u uoso desc e e. Em
p imei o luga , é a i mado que es es homens es i e am na G aciosa g ande pa e do
In e no, algo que se ia impossí el já que nesse momen o do ano a o aleza já e ia
sido abandonada. Em segundo luga o núme o de homens en iados po Simão
210
PIMENTEL, Ma ia do Rosá io, “A expansão ul ama ina e a lógica da gue a jus a” in O eino, as ilhas e
o ma oceano, João Paulo Oli ei a e Cos a e A elino de F ei as de Meneses (coo d), olume I, Lisboa e
Pon a Delgada, Cen o de His ó ia de Além-Ma & Uni e sidade dos Aço es, 2007, pp.304-305.
211
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, pp.42-48.
212
Ibidem
213
FRUTUOSO, Gaspa , Saudades da e a, Li o II, Pon a Delgada, Ins i u o Cul u al de Pon a Delgada,
1998, p.96.
78
Gonçal es da Câma a pa ece-nos ancamen e exage ado pelo his o iado
214
. Embo a
se admi a a possibilidade de e em ido mais homens na a mada, o núme o o icial de
ipulan es que os documen os nos deixam apu a é de 1085, pa ecendo-me pouco
p o á el que de um só local, nes e caso da ilha da Madei a, i essem sido en iados
oi o cen enas de indi íduos. A isco-me a dize que é possí el que es es homens não
enham pa ido em nenhuma das a madas sup aci adas, mas enham chegado ao
eino no con ex o da o ganização do exé ci o que D. João II decidiu euni pa a i em
soco o da G aciosa, assun o que i emos a a mais adian e. A hipó ese que a anço é
ambém de endida po Ma ia C uz e An ónio Manuel Láza o: “Respondendo ao apelo
lançado pelo ei, e á sido nes a al u a que o capi ão-dona á io do Funchal, João
Gonçal es da Câma a, di o o Po inha, aco eu ao Alga e…”
215
, endo sido ecebido
pessoalmen e em Ta i a po D. João II
216
.
À semelhança das an e io es, nes a expedição de soco o iam alguns nob es e
idalgos do eino. Como já oi acima mencionado, de maio impo ância iam D. João De
Cas o, 2º conde de Monsan o, e D. Ped o de No onha, senho do Cada al,
comendado -mo da O dem de San iago e mo domo-mo de D. João II
217
. A mando do
mo domo-mo , na ca a ela Pesca esa, na ca a ela capi aneada po Pe o Lopes e nos
na ios Madalena e San a Ma ia, i ia um g upo de duzen os e in e e dois homens que
pe enciam à sua casa
218
.
De meno impo ância o am ambém algumas igu as como Lisua e And ade,
capi ão de uma emba cação da a mada, nomeado edo -mo das a ilha ias e
a mazéns do eino, en e 1480 e 1487; Pe o da Sil a, cunhado de A onso de
Albuque que, que o a na a mada como capi ão de uma das ca a elas, sendo memb o
do conselho eal de D. João II e alcaide-mo de Po o de Mós desde 1486; A onso de
Fe ei a, capi ão de um na io, que azia pa e do conselho eal e e a simul aneamen e
214
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, pp-88-89.
215
Ibidem, p.88.
216
Ibidem
217
A sua p esença nes a a mada é p o ada pelo mandado de 13 de Ou ub o de 1489 (Anexo 62) em que
se lhe o dena a en ega de 3 quin ais, 3 a obas e 13 lib as de biscoi o que ica am po en ega an es da
sua ida à G aciosa.
218
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, pp.42-48.
79
ca alei o da O dem de San iago; D. Jo ge de Eça, ambém capi ão de um na io, e
alcaide-mo de Muja, endo mais a de pe encido ao conselho eal de D. Manuel;
Pe o da Pai a, que al ez osse como capi ão da emba cação em que ia, e que e a
ca alei o da casa do Rei e esou ei o-mo da Casa de Ceu a e luga es de Além Ma ,
desde 1487
219
.
Além des es homens, o am no comando de algumas emba cações ou as
igu as de meno ele o cuja p esença ale a pena e e i . Como capi ães dos na ios
Madalena e San a Ma ia e da ca a ela Pesca esa o am Fe nand’Ál a es, B ás Ál a es
e Tomás Fe nandes, odos escudei os de D. Ped o de No onha. Também pe encen e à
casa do Mo domo-mo , oi como capi ão de uma ou a ca a ela o seu c iado Pe o
Lopes. No Na io “del Rei” ia An ónio de Ab eu que, como já oi di o an e io men e, e a
sob inho de F ancisco Lopes, homem ico do eino, e de Fe não Lou enço, que se ia à
da a Tesou ei o e ei o dos T a os da Guiné. Como pa ão da Galé “del Rei” oi Ma im
Vicen e. Segundo Anselmo B aamcamp F ei e, é possí el que es e Ma im Vicen e
osse o pilo o de Lagos a que D. A onso V se e e e, num eque imen o ao in an e D.
Hen ique, como bom se ido . Lopo Vaz Tinoco e Ál a o Soa es, capi ães das Ca a elas
Sesimb a e Bempos a, e am escudei os do Conde de Monsan o. Vicen e Vaz e Es é ão
Co eia, e am po sua ez capi ães das ca a elas em que iam, e ambém pe enciam à
casa de D. João De Cas o, 2º Conde de Monsan o. Como capi ão de uma ou a
ca a ela oi Vasco Ma ins de Gá, escudei o idalgo da casa eal, e homem que
pe ence ia a uma amília in ensamen e ligada aos e i ó ios do além-ma . Po úl imo,
como despensei o dos na ios Despensei o, Galego e da Ca a ela “de Ped o Ál a es” ia
João Gonçal es, escudei o de D. João de Almeida, Conde de Ab an es
220
.
Cons a amos que hou e uma g ande adesão da a is oc acia po uguesa à causa
da G aciosa, incluindo ambém memb os pe encen es à mais al a nob eza i ula do
eino. De salien a que es es idalgos se iam gen e de g ande p oximidade a D. João II
e, po isso, ambém à polí ica expansionis a no No e de Á ica, possuindo alguns deles
uma impo an e unção nos apa elhos adminis a i os do além-ma e na
adminis ação da Casa Real. Alguns des es icos-homens já pe enciam a amílias
219
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, pp.42-48.
220
Ibidem
80
in imamen e ligadas ao p ocesso expansionis a, como po exemplo D. João De Cas o,
2º conde de Monsan o, cujo pai, D. Ál a o de Cas o, alece a no ano de 1471, na
conquis a de A zila. A es as igu as p incipais dedica ei um dos p óximos capí ulos do
p esen e abalho.
Passemos à análise da 2º a mada de soco o. É do nosso conhecimen o que
es a oi abas ecida, em Lisboa e no Alga e, pa a dez dias, e que es es abas ecimen os
o am ei os en e 8 de agos o – p imei a no ícia sob e o p o imen o da ca a ela do
capi ão-mo – e 5 de se emb o de 1489. A 8 de agos o o am mandadas p o e de
biscoi o a ca a ela de D. João De Cas o, 2º Conde de Monsan o (Anexo 34), e a
emba cação de Lisua e de And ade (Anexo 35). A p imei a ecebeu 16 quin ais e 2
a obas e meia, pa a sa is ação dos 100 homens que nela iam, e a segunda 6 quin ais e
3 a obas de biscoi o, pa a os seus 40 ipulan es. No dia 14 oi o denado o
abas ecimen o da ca a ela Pesca esa (Anexo 39), do Na io Madanela (Anexo 40) e do
na io del Rei (Anexo 42). Es es o am, espe i amen e, o necidos com 5 quin ais e 1
a oba e meia de biscoi o; 10 quin ais e 3 a obas de biscoi o; 5 quin ais de biscoi o. O
na io San a Ma ia ambém oi mandado p o e , a 14 de agos o, com 13 quin ais, 2
a obas e meia e 4 lib as de biscoi o (Anexo 41), po ém es a quan idade se ia apenas
pa a 81 dos homens que nela iam. A 21 de agos o (Anexo 58) oi mandado p o e com
o es o do biscoi o (3 quin ais e 1 a oba) pa a os es an es 20 homens.
A ca a ela de Pe o da Sil a oi mandada abas ece nos dias 15 (Anexo 43) e 21
de agos o (Anexo 57) com 10 quin ais e 3 a obas de biscoi o mais alguma quan idade
de pão, inho, ca ne, pa a 66 dos homens, e mais 3 quin ais e meio de biscoi o, pa a os
es an es 8 homens. No dia 17 o am o denados os abas ecimen os do na io de
A onso Fe ei a (Anexo 44), da galé del Rei (Anexo 45), da ca a ela Sesimb a (Anexo
46), da ca a ela Bempos a (Anexo 47) e, po úl imo, do Na io de D. Jo ge de Eça
(Anexo 48). Es as emba cações o am espe i amen e munidas com 13 quin ais e 1
a oba de biscoi o; 10 quin ais; 5 quin ais; 5 quin ais, 2 a obas e 10 lib as de biscoi o;
4 quin ais e 3 a obas de biscoi o. A 18 de agos o (Anexo 49), oi mandado abas ece a
ca a ela de Vicen e Vaz com 6 quin ais e 2 a obas e meia de biscoi o, pa a os 40
homens que nela iam. No dia seguin e (Anexo 52) já se o dena a p o e a ca a ela de
Es ê ão Co eia com 6 quin ais e 2 a obas de biscoi o pa a os seus 40 ipulan es.
81
As ês emba cações que inham como despensei o João Gonçal es (na io
Despensei o, na io Galego e ca a ela de Ped o Ál a es) o am mandadas p o e de
biscoi o, a 19 de agos o de 1489 (Anexo 53), com 34 quin as e meia a oba de biscoi o,
pa a man imen o dos 205 homens que pe enciam ao conde de Ab an es. Pa ece-me
e iden e que, al como os 205 homens es a iam di ididos en e as 3 emba cações,
ambém es a quan idade de biscoi o es a ia. Po úl imo, a 20 de agos o (Anexo 54), oi
abas ecida a emba cação de Pe o da Pai a, com 12 quin ais e meio pa a os seus 76
ipulan es, e, a 21 de agos o (Anexo 56), a ca a ela de Vasco Ma ins de Gá com 7
quin ais, 1 a oba e 15 lib as de biscoi o pa a os 45 homens que nela iam.
Além des e abas ecimen o pa a 10 dias de odas as emba cações, são po nós
conhecidas ou as quan idades de biscoi o que se des ina am à sa is ação des a
a mada. Segundo um mandado de 18 de agos o (Anexo 51), oi o denado a Jácome
Dias que, além dos se ecen os quin ais de biscoi o já dados a Gonçalo Dias (Anexo 38),
en egasse em Ta i a mais ezen os quin ais, des inados a quem D. João II indicasse,
azendo assim um o al de mil quin ais de biscoi o. A c ença de B aamcamp F ei e é de
que es a quan idade de man imen os se des ina a aos na ios que se apa elha am no
Alga e
221
.
A a és de um ou o documen o, há no ícia de mais um na io que oi en iado
pa a a G aciosa. Foi es e um na io apa elhado em Lisboa, endo como mes e Ál a o
Gonçal es, galego de nascimen o, e nele e am le adas peças de a ilha ia. Num
mandado de 5 de se emb o (Anexo 60), obse amos que, pa a sua despesa e
man imen o, a e e ida emba cação ecebeu um quin al de biscoi o. Não emos a
ce eza se es a se ia ou não alguma das emba cações e e idas na abela. Tenhamos
em men e que, ela i amen e a algumas das emba cações, não emos a ce eza de
quem se ia o seu capi ão ou despensei o. Além disso, di e en emen e das
emba cações que es ão p esen es na abela, cujos abas ecimen os o am ei os po
Jácome Dias, es e mandado oi eme ido po um al Diogo B andão. Nes e sen ido,
penso que a exis ência des e documen o seja uma das azões que le ou Anselmo
221
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.48.
82
B aamcamp F ei e a sublinha a possibilidade de e em ido mais ba cos na a mada
222
.
Dize ainda que, nos mandados e e en es ao dia 18 e 31 de agos o, exis em
e e ências a um conjun o de cen o e in a e oi o bes ei os da câma a que pa i am na
expedição. Es es mili a es ecebe am man imen os po duas ocasiões: uma a 18 de
agos o (Anexo 50), quando o am p o idos, cem deles, com 16 quin ais de biscoi o,
pa a 10 dias, e ou a a 31 de agos o (Anexo 59), quando se de am 6 quin ais e 1 a oba
de biscoi o pa a sa is ação, po 10 dias, dos es an es in a e oi o bes ei os. Lide ando
es e pequeno con ingen e mili a oi F ancisco Po oca ei o, anadel-mo do eino
desde 1476
223
. Nes es documen os não são e e idos os ba cos em que es es bes ei os
i iam, o que nos le a a ponde a duas opções possí eis: ou o am numa das
emba cações p esen es na abela, o que julgo se pouco p o á el; ou o am numa
ou a emba cação não iden i icada, con ibuindo assim pa a a possibilidade de e em
ido na a mada um núme o maio de na ios.
A pa i dos mandados ela i os ao abas ecimen o des e segundo soco o,
podemos de ini empo almen e a sua pa ida depois do dia 5 de se emb o (Anexo
60), úl ima da a em que sabemos que ainda es a ia em águas do eino. Sob e o seu
e o no, Anselmo B aamcamp es abelece o limi e máximo a 13 de ou ub o, a i mando
que os po ugueses já es a iam de ol a nessa da a
224
. Indo ao encon o do que o
his o iado a iançou, impo a e e i que a 13 de ou ub o (Anexo 61) oi mandado
en ega a D. Ped o de No onha, idalgo que oi à G aciosa, 3 quin ais de biscoi o “…
que lhe ica am po paga des a hida da mada em que o a oy pe a illa g aciosa (…)
que lhe ica am po paga …”. Que is o dize que, D. Ped o de No onha já es a ia de
eg esso ao eino, e mui o p o a elmen e o es o da a mada e de odos os
po ugueses ambém.
Ao chega à oz do io Lucos, a a mada de D. João de Cas o e ia o obje i o
an e io men e assinalado: em conjun o com a a mada de Ai es da Sil a ompe o ce co
e sal a os po ugueses. No en an o, como i emos e no p óximo capí ulo, não hou e
qualque ipo de con li o en e po ugueses e muçulmanos. Em ez disso, a chegada
222
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.48.
223
Ibidem, pp.48-49.
224
Ibidem, p.49.
89
o aleza
239
. No que oca às on es ma oquinas, apenas Leão A icano e al-Ka āsῑ se
p onunciam a es e espei o. Con o me o que é di o po ambos, a p incipal azão que
possibili ou a e acuação po uguesa da G aciosa, segundo os pa âme os já
assinalados, oi o pagamen o de uma g ande quan idade de dinhei o po pa e de
Ai es da Sil a aos muçulmanos
240
. O a, exis e, uma ez mais, um choque de
in o mação en e as c ónicas c is ãs e muçulmanas, que esul am de na a i as
dissiden es. Pa a odos os e ei os, p ocedeu-se à e acuação dos po ugueses, que se
conc e izou en e a segunda quinzena de se emb o e a p imei a quinzena de
ou ub o
241
.
Enquan o ep esen an e de D. João II no io de La ache, Ai eis da Sil a acei ou,
empo a iamen e, a p opos a, e man e e éguas com os mou os a é in o ma o
mona ca po uguês da mesma. Não sabemos como es a in o mação chegou ao eino,
mas é p o á el que enha sido en iada a a és de alguma das emba cações que
es a am no io. Es a p opos a oi ob iamen e mui o bem ecebida pelo ei. Se, po um
lado, ecupe a a a sua gen e, que e a o que mais deseja a, po ou o, o aco do não
excluía a ocupação de cidades/ ilas no no e de Á ica que se en egassem à
au o idade de D. João II. A a és de uma ca a eal di igida à cidade de É o a, no dia 4
de se emb o (Anexo 81), podemos conclui que nesse dia já se inha pleno
conhecimen o das éguas igen es na G aciosa e da p opos a de aco do ei o po
Mulei Xeque. Nes a ca a o mona ca po uguês di ige-se «aos juízes e eado es
p ocu ado e homeens boos da sua çidade d euo a» pa a explica a si uação que se
es a a a i e na o aleza, pa a expo a acei ação das pazes p opos as po Mulei
Xeque, e pa a ag adece oda a ajuda e es o ço da cidade alen ejana.
Concluindo que o melho se ia acei a a p opos a de Mulei Xeque, D. João II
en iou uma comissão à G aciosa que le a a a o dem eal de acei ação
242
. Es a
comissão e a cons i uída po ês idalgos da con iança do ei, sendo eles Rui de Sousa,
239
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.78.
240
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel, “A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.91.
241
Ibidem
242
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.20.
90
almo acé-mo e mei inho-mo do eino, D. A onso de Mo oz, mes e de Alcân a a e
Diogo da Sil a, que depois oi conde de Po aleg e
243
.
Segundo o que es á egis ado nas c ónicas, a paz oi assinada en e Mulei
Xeque e Ai es da Sil a, ep esen an e eal no local, em 27 de Agos o de 1489
244
na
localidade de Xamez (Tchemmich), luga in e médio en e a desembocadu a do io de
La ache e a o aleza de G aciosa. A mesma comissão que ie a ao eino a isa o
mona ca da p opos a do ei ma oquino, acompanhou Ai es da Sil a nes e dia. Pa a
con i mação e espei o des e assen o o am ocados e éns en e as duas pa es
245
,
a o mui o comum nes e ipo de si uações. Assim, o am econ i mados odos os
e mos das pazes de 1471 e os mou os le an a am inalmen e o ce co. Es ando o ce co
le an ado, os po ugueses que es a am na G aciosa abandona am a o aleza e
jun a am-se à o a de Ai es da Sil a e de D. João de Cas o. Consigo le a am odas as
azendas, a ilha ias, ca alos e a mas, e udo o mais que na o aleza inham.
Es a a assim concluído o episódio da G aciosa, e odos os po ugueses
en ol idos no p oje o ol a am inalmen e ao eino. À espe a dos homens es a a o ei,
em Ta i a, que lhes dedicou algumas pala as e lhes ag adeceu mui o a sua lealdade.
Além disso, embo a enha acassado, oi lou ado o g ande es o ço e on ade que
es es inham deposi ado no p oje o
246
.
A es e assun o cabe ade eça uma e lexão sob e um aspe o pa a o qual o
his o iado Anselmo B aamcamp F ei e nos chamou a a enção. B aamcamp F ei e
ecusa-se a acei a o dia 27 de agos o de 1489 como a da a o icial da assina u a do
a ado de paz. O au o jus i ica es a sua posição pelo ac o de que, se Ai es da Sil a
não saiu do eino an es do dia 13 de Agos o, úl ima da a conhecida do abas ecimen o
des a a mada, e a pouco p o á el que desse mesmo dia a é 27 de Agos o, da a da
243
RESENDE, Ga cia de, C ónica de Dom João II e miscelânea, cap. LXXXII: “De como el Rey de e minou
de hi em pessoa, e do que disse a dom Ioam de B anches.”, Lisboa, Imp ensa Nacional-Casa da Moeda,
1973, p.126.
244
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.78. e RESENDE, Ga cia de, C ónica de Dom João II e miscelânea, cap. LXXXII: “De como el
Rey de e minou de hi em pessoa, e do que disse a dom Joam de B anches”, Lisboa, Imp ensa Nacional-
Casa da Moeda, 1973, p.126.
245
Ibidem
246
PINA, Rui de, C ónica de D. João II, cap. XXXVIII: “Fundamen o e im da G aciosa”, Lisboa, Publicações
Al a, 1989, p.78.
91
assina u a da paz, se desen olassem odos os acon ecimen os an e io men e alados:
desde a p opos a de Mulei Xeque, éguas, consul a do ei po uguês, en io da
comissão eal pa a con i ma , e a assina u a do di o aco do. Simul aneamen e, a saída
da a mada de D. João de Cas o, 2º Conde de Monsan o, con ibui ambém pa a a
exis ência des a dú ida. Nes a lógica, e a pouco p o á el o en io de uma segunda
a mada de soco o à G aciosa se as con i mações das pazes já es i essem i madas.
São, po an o, es as as duas azões que le am Anselmo B aamcamp F ei e a não
ac edi a que es e e en o oco e a no dia 27 de agos o. Com e ei o, o his o iado
de ende que, nes a da a, assinalou-se an es o es abelecimen o das éguas en e Ai es
da Sil a e Mulei Xeque, an es de se a isa o ei sob e a p opos a de paz. Segundo es a
lógica, o aco do de ini i o en e as duas pa es, já com a ap o ação eal, e a e acuação
da ila e o aleza o am ei os, ap oximadamen e, en e 15 de se emb o e os
p imei os dias de ou ub o
247
.
Pe gun amo-nos ago a sob e qual se ia o e dadei o obje i o da 2º a mada de
soco o, já que se sabia da p opos a de Mulei Xeque e das éguas empo á ias en e
as duas ações. Mui o p o a elmen e, es ando já es a a mada a se p epa ada ou a é
quase p on a a pa i aquando da chegada des as no ícias à Co e, D. João II e á
ap o ei ado es es na ios pa a en ia a sua delegação à G aciosa. De ou a pe spe i a,
mas que complemen a a an e io , podemos a i ma que o en io des a a mada e de
mais mili a es a ia pa ece , aos olhos dos mou os, que Po ugal pode ia e e ia
capacidade pa a p olonga o con li o. Po ou as pala as, se i ia como o ma de
in imida Mulei Xeque e o seu exé ci o, azendo com que o aco do osse mais ácil e
bené ico pa a o eino po uguês
248
.
Não sabemos, po isso, a da a ce a em que o icialmen e oco eu a assina u a
das pazes, mas emos conhecimen o dos e mos e do con ex o em que o am
assinadas. Após a assina u a, p ocedeu-se en ão ao abandono da ila e o aleza a que
os po ugueses dedica am an o abalho, es o ço e a é, em ce os casos, as p óp ias
247
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, p.49.
248
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.21 e CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A
polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de
Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa,
FCSH/CHAM, 2019, pp.87-88.
92
idas. Dize ainda que é p o á el que os de enso es enham abandonado a G aciosa,
nas emba cações que es a am no lei o do io de La ache, en e a segunda quinzena de
se emb o e 13 de ou ub o
249
.
Não emos qualque in o mação que p o e o seguin e, mas, es ando a o aleza
abandonada, é mui o p o á el que Mulei Xeque enha o denado a sua o al
des uição. Es a a i mação assen a no ac o de se em poucos os es ígios e os aços
da es u u a da G aciosa que nos chega am a é hoje. Além disso, Be na do Rod igues,
mili a e au o de Anais de A zila, passa a á ias ezes pelo local da G aciosa, en e
1525 a 1545, e não conseguiu localiza nem encon a qualque es ígio da
o aleza
250
.
Impo a ago a pe cebe mos que, a ualmen e, a localização da o aleza da
G aciosa é ainda discu ida pelos his o iado es. Di e em, po isso, as opiniões dos
his o iado es que se dedicam ao es udo des e p oje o e sob e es as á ias opiniões,
Ma ia Augus a Lima C uz e An ónio Manuel Láza o azem um excelen e abalho no
que oca à sua compa ação
251
. Sucin amen e, “… as p opos as apon am pa a duas
soluções: um local p óximo da oz do io e ou o, mais pa a mon an e, a caminho de
Alcáce Quibi .”
252
. Anselmo B aamcamp F ei e apoia a ese apon ada po Leão
A icano que suge e que a G aciosa oi cons uída pe o da embocadu a do io de
La ache, a uma légua de dis ância
253
. Já Da id Lopes, «… numa no a inse ida na sua
edição dos Anais de A zila» apoia o que é es emunhado po Be na do Rod igues
de endendo, assim, que a o aleza oi cons uída mais no in e io ma oquino,
ap oximadamen e a 3 léguas de dis ância da mesma embocadu a do io
254
. Es a úl ima
249
FREIRE, Anselmo B aamcamp, Expedições e A madas nos anos de 1488 e 1489, Lisboa, Li a ia Fe in
To es & C. a, 1915, pp.27-28.
250
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.22.
251
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, pp.92-94.
252
Ibidem, p.92
253
Ibidem
254
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.92.
93
ese é seguida po mui os ou os au o es, en e eles des aquemos An ónio Dias
Fa inha
255
, Jo ge Co eia,
256
e, embo a não o a i me di e amen e, Ga cia Figue as
257
.
No es udo Expedición de los po ugueses al Río de La ache y undación de la
o aleza de «la G aciosa», en el Lukus (1489) – Da os pa a su Es udio, de Ga cia
Figue as, e e e-se a ealização de uma campanha a queológica, em 1940 e 1941, no
decu so da qual, na opinião do au o , e iam sido encon ados os es os da o aleza
da G aciosa, sendo a sua localização a é esses anos desconhecida
258
. Nes a campanha
e ão sido encon adas algumas pa es dos seus mu os e, a a és de esca ações,
e eladas algumas das suas undações. Foi a a és dessas undações que se conseguiu
“ econs i ui ” o mu o pon uado egula men e po balua es semici cula es, de plan e
em U, e o eões
259
. Segundo es e es udo a queológico, é ambém possí el con i ma
que ce as pa es da o i icação não o am e minadas. Como oi e e ido no capí ulo
ace ca da p imei a expedição en iada à G aciosa, o am u ilizados na cons ução da
o aleza ma e iais omanos que já se encon a am no local da cons ução, o que
e ela que, nesse mesmo espaço, já e iam exis ido ou as es u u as mili a es. Sob e
es as esca ação de 1940 e 1941 oi publicada a Memo ia po la Jun a Supe io de
Monumen os His o icos y A is icos del Po ec o ado
260
, no en an o, es e ela ó io
nunca chega ia a e a luz do dia.
Ma ia Augus a Lima C uz e de An ónio Manuel Láza o admi em que, a
localização apon ada po Ga cia Figue as, e pelos abalhos a queológicos de 1940 e
1941 como sendo a e dadei a localização da G aciosa, pode se a mais iá el
261
.
Con udo, es es his o iado es asse e am que, a conclusão que esul a des e abalho
a queológico de que es as uínas pe ence iam à o aleza da G aciosa ca ece de um
255
FARINHA, An ónio Dias, Os Po ugueses em Ma ocos, Lisboa, Ins i u o Camões, 1999.
256
CORREIA, Jo ge, Implan ação da Cidade Po uguesa no No e de Á ica: Da omada de Ceu a a
meados do século XVI, 1º Edição, Po o, Faculdade de A qui e u a da Uni e sidade do Po o, 2008.
257
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.92.
258
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., pp.22-23.
259
CORREIA, Jo ge, Implan ação da Cidade Po uguesa no No e de Á ica: Da omada de Ceu a a
meados do século XVI, Po o, Faculdade de A qui e u a da Uni e sidade do Po o, 2008, pp.320-321.
260
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., pp.22-23.
261
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019, p.99.
94
maio núme o de p o as pa a es a de idamen e sus en ada. Po um lado, es a
conclusão assen a num conjun o de “… esca ações emp eendidas po Césa Luis de
Mon albán y Mazas, a queólogo cujo ela ó io nunca iu a luz do dia, sem que
saibamos se o am encon ados ma e iais que con i mem uma iden i icação pa a a
qual apenas conco em algumas o og a ias e um c oquis de es u u a esca ada.”
262
.
Po ou o, não há uma iden i icação conc e a dos es ígios encon ados e
econhecidos como sendo os da o aleza em ques ão. E, po im, sublinhemos que
aquilo que é desc i o pelo es udo a queológico, não coincide com o que é a i mado
po on es coe as da al u a
263
.
V - O acasso e as epe cussões da G aciosa
Na sua essência o p oje o da G aciosa ep esen a a uma on ade in ínseca de
D. João II de p ossegui o expansionismo po uguês no No e de Á ica. A cons ução
de uma o aleza e ila naquele local especí ico p e endia esponde a dois obje i os
di e en es: o come cial/económico e o mili a /polí ico. Embo a limi ados pela
quan idade de in o mação que as nossas on es nos p opo cionam, es udámos e
analisámos nos capí ulos an e io es oda a con ex ualização do episódio, o seu
p ocesso de cons ução, o bloqueio impos o aos po ugueses e a assina u a de pazes e
abandono da o aleza. Impo a ago a, no p esen e capí ulo, analisa mos, de uma
o ma ge al, odo es e p oje o e as consequências do seu acasso.
Comecemos en ão po apon a as á ias azões que con ibuí am pa a o
insucesso des e p oje o e que, como consequência, le a am a que a maio po ência
ma í ima da al u a abdicasse da sua de esa e manu enção. Em p imei o luga , embo a
se enham ealizado á ias missões de econhecimen o do io de La ache, pa ece
mui o p o á el a al a de qualidade des e mesmo econhecimen o. Se, po um lado, se
pensou que a ilha da G aciosa se ia um local pouco p opício a doenças, po ou o lado
omou-se o io como na egá el du an e odo o ano pa a emba cações de g ande
po e. Nes e pon o, julgo que um maio es o ço no que oca à explo ação do local
262
CRUZ, Ma ia Augus a Lima; Láza o, An ónio Manuel,“A polí ica Ma oquina de D. João: A p opósi o
do episódio da G aciosa” in A Península Ibé ica e o No e de Á ica – (séculos XV a XVII). His ó ia e
Pa imónio, Jo ge Co eia e And é Teixei a (coo d.), Lisboa, FCSH/CHAM, 2019,, p.94.
263
Ibidem
95
conjugado com o en io de mais emba cações pode ia e e i ado os p imei os
ans o nos que os po ugueses sen i am ao chega ao local. Toda ia, ac edi o
ambém que a p esença de es ígios de o i icações an igas no local em que se
cons uiu a o aleza, es ígios esses que o am u ilizados pelos p óp ios po ugueses,
podem e induzido em e o os esponsá eis pelo econhecimen o, le ando-os a
oma em o luga como segu o.
Pode -se-á ainda conside a que, habi uados ao eno me sucesso de an igos e
semelhan es p oje os como a cons ução dos cas elos da ilha de A guim, em 1461, e
São Jo ge da Mina, em 1482, al ez os po ugueses pudessem es a excessi amen e
con ian es. Es e excesso de con iança aliado à ideia de que os muçulmanos pouco
a iam con a a sua posição e abalhos (de ido às pazes que igo a am desde 1471),
pode e le ado a algum ipo de negligência no que oca à p epa ação da p imei a
expedição. Nes e sen ido, o sucesso da p imei a ase des e p oje o – expedição
pionei a de Gaspa Jusa e e o le an amen o das undações da o aleza – e a
essencial pa a o bom umo do emp eendimen o. No en an o, a esis ência local e a
inda de um eno me exé ci o muçulmano sob e a inacabada es u u a mili a
po uguesa le a am a que, apesa da mui a e b a a esis ência dos de enso es, a
manu enção da posição e do p oje o se enham o nado insus en á eis. Assinale-se
que a Co oa, que embo a se enha es o çado po en ia a madas de soco o e
man imen os pa a a G aciosa, endo já em p epa ação um exé ci o, não chega a
e e i a a passagem a Á ica. Pelo con á io, à p imei a opo unidade de es abelece
um aco do com Mulei Xeque, p ocedeu-se à con i mação das pazes de 1471.
Na p á ica, a con i mação des as pazes não ep esen ou nenhuma pe da di e a
pa a Po ugal, já que udo se man e e como es a a an e io men e e odos os
po ugueses, a mas e man imen os eg essa am sal os ao eino. Po ém, no que
conce ne ao ní el ideológico não podemos a i ma o mesmo. A e i ada da gua nição
po uguesa da o aleza ep esen ou uma e dadei a de o a no que oca à ideologia
expansionis a no einado de D. João II, ainda que o mona ca po uguês enha admi ido
ao Papa Inocêncio VIII que o insucesso da G aciosa e a apenas um con a empo na sua
96
ão desejada polí ica ma oquina
264
. A e dade é que, no einado do P íncipe Pe ei o,
depois de 1489, não hou e nenhuma ou a expedição mili a de ele o nes e espaço
geog á ico. Te mina a, des e modo, o p oje o joanino de c ia , na zona de A zila, um
o e núcleo de p esença po uguesa
265
. Nes e einado cessa a, assim, o sonho da
conquis a de Ma ocos que, embo a não osse o único oco da sua polí ica
expansionis a, con inua a a se alo izado pelo P íncipe Pe ei o.
O insucesso da G aciosa e idenciou a debilidade po uguesa ela i amen e às
inicia i as mili a es o a do alcance da o ça na al. A p imei a en a i a de cons ução
de um cas elo a as ado das águas do ma , no in e io No e A icano, acabou numa
de o a da posição po uguesa
266
. Como no a Jo ge Co eia, “deco en e da al a de
isão es a égica que ha ia negligenciado a ap op iação ísica de La ache e da
inadequação do c i é io de escolha geog á ica pa a a implan ação da no a o aleza,
Po ugal iu impossibili ada a opo unidade de limi ação de Fez ao oceano. Pelo
con á io, assis iu à as ixia, em poucos meses, da sua p imei a en a i a de undação
de uma ila/ o aleza no No e de Á ica.”
267
. Todo es e episódio mos ou a
incapacidade lusa de ocupa e e i amen e um e i ó io do in e io a icano, ainda que
isso não enha sido impedimen o, em einados u u os, pa a no as en a i as de
ocupação, como po exemplo o p oje o de Mamo a, em 1515. Podemos, po isso,
oma a cons ução des a o aleza como uma espécie de “lição” aos po ugueses que,
de ce a o ma, pode e ajudado a de ini a o ma de desen ol imen o do Impé io
Po uguês. Is o é, es e p oje o mos ou aos po ugueses que as suas alências
consis iam no le an amen o de encla es cos ei os (com ca ac e ís icas mili a es e
come ciais) jun o às quais se encon a a a maio o ça do Impé io: o pode io na al
po uguês.
A a és de uma análise mais p o unda, sabemos ambém que o p oje o da
G aciosa in luenciou di e amen e o u u o da cidade de La ache e da p óp ia p esença
264
WITTE, Cha les Ma ial de, «Une le e inédi e du Roi Jean II au Pape Innocen VIII su l’A ai e de
G aciosa» in STVDIA – Re is a semes al, Nº1, Janei o de 1958, pp.90-100.
265
FONSECA, Luís Adão da, op. ci ., pp.85-86.
266
COSTA, João Paulo Oli ei a e, “A a i mação de uma po ência ma í ima (1455-1494)” in His ó ia da
Expansão e do Impé io Po uguês, João Paulo Oli ei a e Cos a (coo d.), Lisboa, A Es e a dos Li os, 2014,
p.76.
267
CORREIA, Jo ge, op.ci ., pp.320-321.
97
po uguesa no No e de Á ica. Nes a lógica, a ocupação da cidade de La ache,
abandonada pelos muçulmanos em 1471, nunca oi uma p io idade pa a a co oa. Em
ez da sua ocupação, como já sabemos, a Co e desenhou an es a cons ução de uma
o aleza no lei o do io de La ache, ap oximadamen e a 15km da sua oz. Es a opção
po pa e da Co oa coloca a em e idência uma ousada en a i a de ocupa uma
posição mais o ensi a em elação às p aças muçulmanas ma oquinas. Nes e sen ido,
se a cons ução da o aleza ep esen a a a ma e ialização di e a da on ade
expansionis a no einado de D. João II, o seu abandono e possí el des uição
ep esen a am, po sua ez, um e ocesso nes a mesma on ade expansionis a. Di o
is o, e concluindo que es e episódio in luenciou di e amen e o puzzle polí ico da egião
e o u u o da p esença po uguesa na egião, es a-nos en ende o po quê.
Já an es do séc. XV, La ache ha ia sido um impo an e polo come cial com
ou os po os, inclusi e einos c is ãos
268
. Po ém, após o episódio da G aciosa es a
cidade ganhou oda uma no a impo ância no que ao ní el es a égico-mili a dizia
espei o. Embo a es i esse den o da zona de in luência e ju isdição po uguesa, Mulei
Xeque o denou imedia amen e a sua ocupação, de o ma a con ola a ci culação pelo
io, con olo que e a ambém p e endido pelos p óp ios po ugueses. Além disso, es a
cidade o nou-se num in enso cen o de assal os con a cidades po uguesas que,
segundo os ex os da al u a, nunca oi mais do que um co il de pi a as
269
, cuja
a i idade aumen ou após o abandono de A zila em 1550. A ocupação de La ache oi
ambém acompanhada pelo le an amen o de um conjun o de panos de mu alha e
es u u as de ensi as, que ga an iam a sua de esa con a possí eis o ensi as c is ãs
270
.
Sob e La ache esc e e-nos Valen im Fe nandes, p o a elmen e em 1507, na sua
iagem/es udo à cos a a icana, de Ceu a a é Cabo Não. De aco do com a sua
desc ição, na en ada do io de La ache, os mou os inham um cas elo o e (cidade de
La ache) com mui as bomba das e emba cações pa a a de esa do io
271
.
268
O comé cio de La ache de e e sido mui o impo an e na p imei a me ade do séc. XV, pois Zu a a
decla a que e a al ândega de g ande pa e da Ba ba ia - GODINHO, Vi o ino Magalhães, op.ci ., p.252.
269
GODINHO, Vi o ino Magalhães, op.ci ., p.230.
270
FIGUERAS, Tomás Ga cia, op. ci ., p.22.
271
GODINHO, Vi o ino Magalhães, op.ci ., p.244.
98
No seguimen o do alhanço da G aciosa e da ocupação de La ache, Po ugal
ia-se impedido de ci cula no io com o mesmo nome, o que à pa ida nos a ia
pensa que o p oje o da G aciosa oi um eno me e o polí ico, que pôs em causa a
possibilidade da conquis a e e i a de Ma ocos pelos po ugueses. Con udo, pa ece-
nos an es que a cons ução da o aleza não oi um e o polí ico em si, já que se
co esse bem se ia mui o a o á el à p esença po uguesa na egião, mas an es um
p oje o isioná io que acabou po acassa e po pô em causa a p esença po uguesa
no No e de Á ica. O a a aplicação do p oje o da G aciosa no io de La ache, mos ou
ao sul ão de Fez a agilidade que o abandono e cedência da cidade de La ache a D.
A onso V, em 1471, ep esen a a pa a o seu domínio. En endamos que o abandono de
La ache, e a consequen e al a de p o eção da en ada no io pelos muçulmanos,
pe mi ia aos po ugueses que chegassem ao in e io pelo mesmo io, ameaçando de
mais pe o as p aças do se ão ma oquino. Po ou as pala as, a cons ução da
o aleza da G aciosa e idenciou de o ma di e a a agilidade mou a ela i a ao
abandono da di a cidade.
Po udo is o, e como já oi di o, a cidade de La ache oi ocupada pelo sul ana o
de Fez. Como consequência da ocupação, o eino po uguês pe deu de ini i amen e o
acesso ao io de La ache e a opo unidade de ob e os bene ícios que p e endia com o
le an amen o da o aleza. E am eles os já abo dados no início do p esen e abalho: o
comba e aos a aques de pi a as que saiam do in e io ma oquino, o ap o ei amen o
de me cados locais que bene icia am o comé cio po uguês na egião e o uso de uma
base de ope ações mili a es que possibili a ia, após o expi a das pazes de 1471, uma
u u a a i ude o ensi a em elação às duas cidades muçulmanas izinhas, Alcáce -
Quibi e Mequinez.
Rela i amen e à p esença po uguesa no No e de Á ica, a ocupação de
La ache pelos mou os ouxe consequências. No séc. XVI, oi a a és do io de La ache
que o No e de Á ica o omano lançou um g ande núme o de a aques co sá ios, an o
con a as emba cações nacionais como con a as p aças po uguesas na cos a
a lân ica. Fo am es es mesmos a aques, em conjun o com assédios mili a es
e es es, que le a am ao abandono de algumas p aças ma oquinas po pa e da
Co oa. A es e p opósi o, he e ia de sublinha Be na do Rod igies: “(…) pois emos
105
g upo social essencial à c iação e ascensão do Impé io Po uguês, endo se ido de
base de apoio ao mona ca e ao p ocesso de cen alização do pode eal
292
.
Sob e D. Ped o de Cas elo B anco, capi ão da segunda a mada, pouco mais
sabemos além dos dados que nos são o necidos pelo XI olume da ob a Nobiliá io de
Famílias de Po ugal. Du an e a sua ida, D. Ped o de Cas elo B anco oi senho do
mo gado de Cas elo B anco
293
e, mais a de, no einado de D. Manuel I, pe enceu ao
Concelho Real
294
. E a ilho de Nuno Vaz de Cas elo B anco, e casou-se com D. Mécia
Casco, ilha de Rui Casco, alcaide-mo e senho da po agem de A is
295
. Des e
casamen o nasce am dois ilhos: D. Ped o de Cas elo B anco e D. Ana de Cas elo
B anco
296
.
No con ex o do episódio da G aciosa, D. Ped o de Cas elo B anco oi como
capi ão-mo da 2ª expedição, a mada que ep esen a a a e dadei a ocupação do
local da o aleza em cons ução. Além dos 285 homens que nela iam, não nos
esqueçamos que a bo do oi ambém João Rod igues de Sousa, 1º capi ão e e i o da
o aleza e ambém p o agonis a do p esen e capí ulo.
O senho de Cas elo de B anco pe encia, po an o, à nob eza i ula do eino.
Além disso, D. Ped o de Cas elo B anco e a da con iança da Co oa, não só po que inha
pe encido ao Concelho Real de D. Manuel, mas ambém po que O P íncipe Pe ei o
lhe con ia a po in ei o a lide ança da 2º expedição, que como sabemos inha uma
imensa impo ância pa a o p oje o da G aciosa.
Dando seguimen o aos capi ães das a madas en iadas, chegamos ago a a Ai es
da Sil a, capi ão da 1º a mada de soco o, que o a en iada pa a desce ca a o aleza,
e impo an e igu a no cessa do con li o e na assina u a das éguas. Ai es da Sil a e a
um idalgo po uguês u o do casamen o de João da Sil a e de D. B anca Cou inho
297
.
292
TEIXEIRA, And é Pin a, “Nuno Fe nandes de A aíde, O Nunca es a quando capi ão de Sa im” in A
Nob eza e a Expansão: Es udos Biog á icos, COSTA, João Paulo Oli ei a e (coo d.), Cascais, Pa imonia,
2000, pp.164-165.
293
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da Sala de Sin a, ol. III, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade
de Coimb a, 1930, p.220.
294
GAYO, Felguei as, op.ci ., ol. XI, p.16.
295
Ibidem
296
Ibidem
297
GAYO, Felguei as, op.ci ., ol XXVII, pp.14-15.
106
Es a igu a oi um impo an e ca alei o da O dem de San iago e é mui o p o á el que
1475 enha sido o ano em que es e se o nou cama ei o-mo do p íncipe he dei o, o
u u o D. João II. Após a mo e de seu pai, Ai es da Sil a he dou o senho io de Vagos,
o nando-se, assim, o espe i o 5º i ula
298
. Sem que enhamos conhecimen o do ano,
casou-se com D. Guioma , ilha de D. Ga cia de Cas o, senho do Paúl, e de D. B i es
da Sil a
299
.
Em 1483, com a denúncia da conspi ação de Fe nando II, duque de B agança,
com os Reis Ca ólicos, oi ele que, em É o a, p endeu o di o duque
300
. Além disso,
acompanhou semp e de pe o a ida do mona ca po uguês e do p íncipe D. A onso.
Em 1490, oi uma igu a de ele o nas es as do casamen o do p íncipe e, em 1491,
es e e p esen e no momen o da mo e do mesmo. Conseguimos assim pe cebe que
es e e a, de ac o, um idalgo da cla a con iança do mona ca, pois de ou a o ma não
e ia ei o pa e da ida mais p i ada do ei. Mesmo após a mo e do P íncipe Pe ei o,
Ai es da Sil a con inuou a e um papel a i o na Co e. No einado de D. Manuel, Ai es
da Sil a oi p esiden e do Senado de Lisboa e 2º Regedo da Casa da Suplicação
301
.
Numa missão diplomá ica que o le ou a Ingla e a, oi ei o Ca alei o da Ja e ei a pelo
mona ca inglês
302
.
Des a o ma, não só pela mui a con iança e econhecimen o pessoal, mas
ambém pela expe iência na p á ica da gue a con a os muçulmanos no No e de
Á ica que nos é e e ida po Luís Adão da Fonseca
303
, Ai es da Sil a oi escolhido pa a
lide a a 1º a mada de soco o à G aciosa. Du an e odo o episódio do ce co, e mais
a de, du an e a assina u a das pazes, oi ele o escolhido pa a se o ep esen an e de
D. João II na G aciosa. E a, logicamen e, uma pessoa da con iança do mona ca e
me ecedo de al posição.
Po úl imo, chegamos ago a a D. João de Cas o, 2º Conde de Monsan o e
capi ão da 2º A mada de Soco o. Pa a o es udo des e idalgo impo a ecua mos uns
298
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.219.
299
GAYO, Felguei as, op.ci ., ol XXVII, pp.14-15.
300
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.219.
301
GAYO, Felguei as, op.ci ., ol XXVII, pp.14-15.
302
Ibidem
303
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.85.
107
anos, a é à ida do seu pai, D. Ál a o de Cas o, de modo a p ocede mos a uma b e e
análise à o igem do condado de Monsan o e a sua doação a seu pai.
Em 21 de maio de 1460, D. A onso V c iou o condado de Monsan o, e en egou-
o, a a és de uma ca a, a D. Ál a o de Cas o, que na al u a já e a senho de Cascais e
cama ei o-mo d’O A icano
304
. Nes a ca a oi doado a D. Ál a o de Cas o o senho io
da ila, que incluía a alcaida ia-mo do seu cas elo, bem como a ju isdição cí el e
c iminal, e os pad oados. Es a doação apenas e a álida du an e o pe íodo de ida do
bene iciado. No en an o, numa ou a ca a, da ada de 20 de Maio de 1464, es e í ulo
oi cedido po ju o e he dade a D. Ál a o de Cas o, sendo depois, no dia 8 de
Dezemb o do mesmo ano, ou o gada uma ou a ca a que pe mi ia a D. João de
Cas o, após a mo e de seu pai, sucede ao mesmo e he da o í ulo do di o
condado
305
. Tal sucessão acon eceu após a mo e de D. Ál a o de Cas o, na conquis a
da cidade de A zila, em 1471
306
, endo D. João de Cas o ecebido de ini i amen e o
condado de Monsan o nesse mesmo ano
307
.
Sabemos que o 2º conde de Monsan o casou com D. Ma ia de Meneses, ilha
de D. Dua e de Meneses, conde de Viana. O ano de 1496 é dado como o p o á el
pa a a oco ência de sua mo e, não endo deixado qualque descendência di e a.
Nes e sen ido, em ab il des e mesmo ano, o am con i mados os senho ios de Cascais
e Monsan o à sua i mã, D. Joana de Cas o
308
. Es a sucessão de D. Joana de Cas o
de e-se ao ac o de que, além de não e deixado descendência, o seu único i mão, D.
Jo ge de Cas o, ambém ha ia alecido na lu a no No e de Á ica, em Tânge .
Es e oi, po an o, o homem escolhido pa a lide a a 2º A mada de Soco o
pa a a G aciosa que, como já alámos an e io men e, e ia uma unção mais
diplomá ica e in imida ó ia do que p op iamen e um obje i o de auxílio aos si iados.
Damos po inalizado o es udo ela i o aos capi ães das di e en es a madas que
o am en iadas à o aleza da G aciosa du an e odo o episódio. Sublinhemos, po ém,
304
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. II, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade
de Coimb a, 1927, p.88.
305
Ibidem
306
DIAS, Paulo, op.ci ., p.103.
307
Ibidem, p.105.
308
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. II, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade
de Coimb a, 1927, p..88.
108
que es as qua o igu as não o am os únicos p o agonis as a i em ao No e de Á ica
e es idos de au o idade eal pa a comanda os po ugueses. Com e ei o, deslindemos
que ou as igu as e ão ido impo ância no emp eendimen o em es udo, mais
especi icamen e na capi ania da o aleza em si.
João Rod igues de Sousa deslocou-se à G aciosa como o elei o po D. João II
pa a 1º capi ão da o aleza, e com a missão de lá comanda a ope ação em cu so. Es e
idalgo e a ilho p imogéni o de Rui de Sousa, um dos memb os da comissão que oi
en iada à G aciosa pa a se assina em as pazes (D. Ma inho de Cas elo B anco e
Fe nando Ma ins Masca enhas o am os ou os dois ca alei os en iados nes a
comissão). João Rod igues de Sousa, oi u o do p imei o casamen o de seu pai com
D. Isabel de Sequei a e, como ca alei o de San iago e ca alei o dos gine es, des acou-
se ao se iço da Co oa e do Impé io Po uguês
309
. Em 1476 sabe-se que já e a casado
com D. Ma ga ida Fogaça, donzela da Excelen e Senho a (Joana de T as âma a, 2º
mulhe de D. A onso V).
Em 1494, Rod igues de Sousa acompanhou o seu pai a Cas ela pa a negocia o
a ado de To desilhas
310
. Du an e es as negociações oco eu um peculia episódio em
que o 1º capi ão da G aciosa imp essionou imenso a ainha D. Isabel. Indo ao encon o
dos Reis Ca ólicos, numa p aça da ila cas elhana de A é alo em que acon ecia uma
co ida de oi os, um dos oi os di igiu-se a ele e, des emido, man e e a sua posição.
Ti ando apenas o capuz, João Rod igues de Sousa sacou da sua espada e num só golpe
co ou a cabeça do animal
311
. Es e episódio é demons a i o do quão des emido e
con ian e João Rod igues de Sousa e a, sendo es as ca ac e ís icas e ap idões
cla amen e ú eis an o pa a o exe cício da unção de capi ão da o aleza de G aciosa,
como ambém pa a o se iço da Co oa Po uguesa.
Já no einado de D. Manuel, es e idalgo ecebeu os senho ios de Sag es e a
comenda, alcaida ia-mo e capi ania de Nisa, em 1497, e, em 1510, o nou-se gua da-
309
RESENDE, Ga cia de, C ónica de Dom João II e miscelânea, cap. LXXX: ”Do que el- ey disse po Dom
Joam de Sousa”, Lisboa, Imp ensa Nacional-Casa da Moeda, 1973, p.119.
310
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. I, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade de
Coimb a, 1921, p.214.
311
RESENDE, Ga cia de, C ónica de Dom João II e miscelânea, cap. LXXX: ”Do que el- ey disse po Dom
Joam de Sousa”, Lisboa, Imp ensa Nacional-Casa da Moeda, 1973, p.119.
109
mo do mesmo mona ca
312
. Po ém, oquemo-nos no einado de D. João II. O seu pai,
Rui de Sousa, e e semp e uma impo an e e o e posição na Co e Real, an o de D.
A onso V, como d’O P íncipe Pe ei o. Em 1490, enunciou o seu luga de almo acé-
mo em a o de João Rod igues de Sousa, que oi con i mado po ca a de 5 de
e e ei o desse mesmo ano
313
. Ainda em 1490, g aças à c iação de no os í ulos
nobiliá quicos po pa e de D. João II, João Rod igues de Sousa ob e e a designação
mais dis in a de “Dom”
314
, passando en ão a se e e ido como D. João de Sousa
315
. D.
João de Sousa somou a es es í ulos o í ulo de comendado de Fe ei a e de Al alade,
sendo ambos os luga es pe encen es à O dem de San iago
316
. Pa ece-me a isado dize
que es e conjun o de me cês e í ulos doados a D. João de Sousa, em 1490, mos am
que o idalgo caí a nas boas g aças do mona ca po uguês, p o a elmen e pela sua
boa p es ação (den o dos possí eis) na G aciosa. To na-se e iden e que, apesa da
de o a po uguesa, igu as hou e que se des aca am, e que endo ido uma boa
p es ação o am econhecidas pelo posi i o se iço p es ado à Co oa.
Como já sabemos, o idalgo sup aci ado oi, em 1489, à o aleza de G aciosa,
no No e de Á ica, pa a se i a Co oa capi aneando a mesma. A sua chegada à
pequena ilha do io Lucos ep esen ou o im do p o isó io comando de Gaspa Jusa e.
De ido à al a de documen os, nada sabemos sob e o que ez ou como lide ou os
po ugueses que es a am no local. Pa ece-nos que, ob iamen e, de ido à sua o igem
idalga e às suas ca ac e ís icas e ap idões, que os enha lide ado com mui a
compe ência. Ac edi o que, se não osse pelo seu adoecimen o na o aleza, e ia
icado na G aciosa como capi ão du an e mais empo. Dize po im, que o u u o
alcaide-mo de Nisa acabou po alece a 16 de dezemb o de 1513, du an e o einado
de D. Manuel I, não deixando descendência
317
.
312
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. I, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade de
Coimb a, 1921, pp. 214-215.
313
AN/TT, Chancela ia de D. João II, Li . 17.°, l.40.
314
Vemos es a designação a se usada pela p imei a ez po João Rod igues de Sousa numa ca a de 28
de Fe e ei o de 1490 – AN/TT, Chancela ia de D. João II, li . 17.°, l. 129.
315
PELÚCIA, Alexand a Ma ia Pinhei o, Ma im A onso de Sousa e a sua linhagem: a eli e di igen e do
Impé io Po uguês nos einados de D. João III e D. Sebas ião, Lisboa, FCSH-UNL, 2007, p.75.
316
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.182.
317
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. I, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade de
Coimb a, 1921, p. 215
110
Após João Rod igues de Sousa, o peso da capi ania da G aciosa caiu sob e D.
Diogo Fe nandes de Almeida, que se o nou, assim, 2º capi ão da o aleza. D. Diogo
Fe nandes de Almeida e a ilho do 1º conde de Ab an es, D. Lopo de Almeida, e,
ecebendo o ca go de p io do C a o em 1487, oi ambém um impo an e idalgo do
einado d’O P íncipe Pe ei o. Casou-se apenas uma ez na sua ida, endo-se unido
ma imonialmen e com Ignes Velles de A onches
318
. Além disso, es e idalgo oi
alcaide-mo de To es No as, mon ei o-mo de D. João II e pe encia ainda ao
Conselho Real do mona ca
319
.
No con ex o do episódio da G aciosa, D. Diogo Fe nandes de Almeida o nou-se
no 2º Capi ão da G aciosa, mas, con a iamen e ao seu an ecesso (João Rod igues de
Sousa), oi “escolhido” pa a es e ca go a a és de um “jogo de so e”. Os documen os
não são escla ecedo es ace ca de que “jogo de so e” e á sido esse, mas ac edi o que
pudesse se um mecanismo de escolha alea ó ia. Assim sendo, en e Fe não Ma ins
Masca enhas, D. Ma inho de Cas elo B anco e D. Diogo Fe nandes de Almeida, os ês
ca alei os en iados à G aciosa (en e 23 de junho e 20 de julho) pa a a e igua a
si uação local, a so e sob e quem ica ia com a lide ança da ope ação caiu sob e D.
Diogo Fe nandes de Almeida, que subs i uiu o en ão adoecido capi ão da G aciosa, D.
João de Sousa.
Além de e pa icipado no episódio de 1489, D. Diogo Fe nandes de Almeida
dis inguiu-se em á ias ocasiões no p ocesso expansionis a no No e de Á ica. É
sabido que, em 1487, es e idalgo lide ou uma expedição mili a à cidade de Ana é,
compos a po 35 na ios e po um exé ci o de 150 ca alei os de eli e e um con ingen e
de 1000 homens, incluindo in an a ia, espinga dei os e bes ei os. O seu obje i o
passa a po puni a população de Ana é, que pe encia à egião da Enxo ia, po se e
e ol ado con a o seu senho , Mulei Be ageja, pa en e do sul ão Mulei Xeque, e que à
al u a man inha com D. João II uma elação de paz e amizade
320
. Nes a ope ação,
apesa de sen idas algumas di iculdades iniciais no desemba que das o ças, o am
ei os ca i os ce ca de 400 mou os, esul ando ambém 900 mo os do lado
318
GAYO, Felguei as, op. ci ., ol. II, p.74.
319
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., pp. 84-85 e GAYO, Felguei as, op. ci ., ol. II, p.74.
320
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.84.
111
ad e sá io, o que ep esen ou uma sé ia de o a pa a as populações muçulmanas
locais
321
.
Fei a à análise aos capi ães das a madas e aos capi ães que capi anea am os
homens do lado de den o da o aleza, passemos ago a ao es udo de ou as igu as
que ambém i e am um papel undamen al no desen ola do episódio da G aciosa.
Comecemos, en ão, po es uda as duas igu as que, além de D. Diogo Fe nandes de
Almeida, ize am pa e da comissão eal en iada à G aciosa pa a a e igua a in enção
do exé ci o muçulmano.
A p imei a igu a que cabe des aca é Fe nando Ma ins Masca enhas. Es e
senho oi um impo an e idalgo po uguês e igu a mui o p óxima de D. João II. Além
de e sido senho de La e e Es epa, alcaide mo de Mon emo -o-No o e Alcáce do
Sal, comendado de Mé ola (O dem de San iago), es e idalgo oi capi ão dos gine es
d’O P íncipe Pe ei o e, em 1496, já no einado de D. Manuel I, ecebeu a me cê de
“Dom”
322
. Es e senho e a ilho de Nuno Vaz Masca enhas, an igo comendado de
Amodô a
323
, e casou-se, ao longo da sua ida, po duas ezes. O p imei o casamen o a
se celeb ado oi com D. Violan e, ilha de D. Al á o Vaz de Almada, conde de
Ab anches, e o segundo com D. Violan e Hen ique, ilha de Fe não da Sil ei a, egedo
do eino
324
.
De ido à ensão que se i ia no início do einado de D. João II, esul an e da
conspi ação do duque de B agança e dos Reis Ca ólicos, em 1483, o mona ca
po uguês c iou uma gua da pe manen e à pessoa do ei. Pa a lide a es a co po
mili a O P íncipe Pe ei o escolheu Fe não Ma ins Masca enhas, pois além de
pe ence ao Conselho Régio, e a mu o iel e da mui a con iança pessoal do
mona ca
325
. Pensa-se ambém que, pela mesma al u a, es e idalgo oi nomeado como
capi ão dos gine es, co po mili a que inha como missão p o ege a ida e a pessoa do
ei. Nes e caso, subsis em dú idas sob e a sua nomeação, pois apesa da ca a que o
nomeia pa a es e úl imo ca go da a de dia 20 de agos o de 1484, ha ia já documen os
321
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.84.
322
GAYO, Felguei as, op. ci ., ol XVIII, p.79.
323
Ibidem
324
Ibidem
325
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p .89.
112
do ano an e io que lhe a ibuíam essas mesmas unções
326
. Assim sendo, Fe não
Masca enhas, comanda a não só a gua da eal de D. João II, como comanda a
ambém a o ça mili a dos gine es, ambas unções de imensa impo ância
elacionadas com a p o eção do mona ca.
Temos conhecimen o de que, em 1488, Fe não Ma ins Masca enhas
comandou, po duas ezes, ope ações mili a es em solo ma oquino. A p imei a delas
oi a que es e idalgo passou com um conjun o de cen o e cinquen a ca alei os a seu
mando. Es e g upo pe encia à já e e ida gua da de D. João II, mos ando assim que
es e disposi i o mili a não se des ina a apenas à sal agua da do mona ca po uguês,
mas ambém a ope ações mili a es além-ma . Os di os 150 ca alei os e Fe não
Masca enhas, que o am anspo ados em 30 na ios, desemba ca am em A zila e
nes e local o am e o çados com homens pe encen es à gua nição des a cidade e à
de Tânge . Des a p aça pa i am pa a o in e io ma oquino e a aca am e saquea am
os campos pe encen es à cidade muçulmana de Alcáce -Quibi . Ao e mina em a sua
missão, eg essa am à cidade de A zila e consigo ouxe am duzen os e cinquen a
ca i os e mui as cabeças de gado
327
.
A segunda ope ação de que emos conhecimen o, ambém ela execu ada em
1488, oi planeada com o in ui o de ali ia as di iculdades que se aziam sen i sob e as
p aças po uguesas da egião e nas incu sões que se ealiza am ao in e io
ma oquino. Que is o dize que os po ugueses começa am a sen i di iculdades na
de esa dessas mesmas p aças e a é nas incu sões que se p omo iam, pois, embo a se
conside assem bem-sucedidas, es as i ó ias e am ob idas com g ande cus o a ní el
humano. Foi nes e con ex o que se p epa ou en ão um g ande con ingen e mili a
compos o po quinhen os ca alei os e mil de in an a ia, bes ei os e espinga dei os,
lide ado po Fe não Ma ins Masca enhas, com o obje i o de ali ia es a p essão.
Toda ia, o conhecimen o dos muçulmanos ace ca des e emp eendimen o le ou a que
a sua p epa ação osse cancelada e que apenas osse en iada uma pequena o ça
mili a . Já em e i ó io no e a icano, essa pequena o ça mili a oi e o çada po
homens pe encen es a gua nições locais, p o a elmen e as de A zila e Tânge (que
326
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p .89.
327
Ibidem, p.90.
113
e am as p aças que mais es a am a so e com a p essão mou a), e nes e espaço
p omo e am incu sões e ca algadas
328
.
Po an o, oi es e Fe não Ma ins Masca enhas que oi escolhido pa a i em
conjun o com D. Diogo Fe nandes de Almeida e Ma inho de Cas elo B anco a e igua
a si uação da o aleza G aciosa: um idalgo da con iança do mona ca, com mui a
expe iência mili a e, mais impo an e, com imensa expe iência no que oca à
p esença e sob e i ência no No e de Á ica.
O e cei o e úl imo memb o da comissão oi D. Ma inho de Cas elo B anco, o
p imei o conde da ila de Po imão. Es e idalgo nasceu em Lisboa, em 1461, e e a
ilho de Gonçalo Vaz de Cas elo B anco, 1º senho da Vila No a de Po imão, e de
B i es Valen e
329
. Não emos conhecimen o sob e quando oco eu o enlace, mas es e
idalgo casou-se com Mécia de No onha, ilha de João Gonçalo da Câma a, 2º capi ão
dona á io do Funchal
330
. Des e casamen o nasce am ês ilhos: D. João, D. Gonçalo,
que mais a de lhe sucede ia no í ulo, e D. F ancisco
331
.
D. Ma inho de Cas elo B anco oi nomeado edo da azenda em 1480 e,
desde 1485, da a em que seu pai ecebeu i ula u a de “Dom”, passou a se me ecedo
do mesmo í ulo
332
. No ano 1495, po on ade de seu pai, assumiu a ges ão da Vila
No a de Po imão, como ambém de ou os bens que a sua amília possuía na egião
do Alga e
333
. Em 1500, de ido ao alecimen o do seu pai, D. Ma inho ecebeu
de ini i amen e odos os í ulos, ca gos e me cês de que aquele bene icia a, incluindo
a ges ão da Vila No a de Po imão. Apesa da e e ida ila e ecebido ca a de Fo al a
28 de maio de 1504, e de se p ome ido a D. Ma inho o í ulo de conde de Vila No a,
apenas em 1514 se ia ei o 1º conde do e e ido luga
334
. Dize ambém que, es a
igu a ixou-se na Co e e assumiu uma posição de al a impo ância como uncioná io
328
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.84.
329
SAMPAIO, José Rosa, O 1º Conde de Po imão, D. Ma inho de Cas elo B anco (1461-1531), Po imão,
s.n., 2006, p.7.
330
GAYO, Felguei as, op. ci ., ol. XI, p.18.
331
SAMPAIO, José Rosa, op. ci ., p.7.
332
FREIRE, Anselmo B aamcamp, B asões da sala de Sin a, ol. I, Coimb a, Imp ensa da Uni e sidade de
Coimb a, 1921, p.193.
333
SAMPAIO, José Rosa, op. ci ., p.7.
334
Ibidem, p.8.
114
égio
335
. D. Ma inha i ia a alece , em 1531, no seu palácio do Limoei o, na cidade de
Lisboa
336
, e sabemos, a a és da sua lápide, que es e acompanhou o seu pai na Gue a
da Sucessão Cas elhana, nas ba alhas de To o, o que azia dele um homem com
expe iência na a e da gue a
337
.
En im, D. Ma inho de Cas elo B anco oi um homem in luen e e expe ien e em
á ios domínios, endo se ido qua o eis di e en es: “(…) edo da Fazenda de D.
A onso V, D: João II e de D. Manuel (luga que he dou de seu pai), ascende ia depois a
cama ei o-mo do P íncipe e depois ei D. João III, enca go de eno me impo ância na
época, pois da a assen o no conselho do ei.”
338
. No con ex o do p oje o da G aciosa,
se iu como um dos ês ca alei os que ize am pa e da comissão eal en iada (en e
23 de junho e 20 de julho) pa a a e igua a si uação
339
.
Po im, dedica ei algumas linhas do p esen e capí ulo ao es udo de duas
igu as que, po azões dis in as, e embo a não enham ido um papel in loco na ação
do p oje o, me ecem se ci adas pela sua ele ância. A p imei a des as duas igu as é
D. Ped o de No onha, um impo an e idalgo do eino de Po ugal que nasceu pe o do
ano de 1442. Foi senho do Cada al, comendado -mo da O dem de San iago e
mo domo-mo de D. João II
340
. Es e idalgo oi u o da elação amo osa en e B anca
Dias Pe es elo e o amoso Ped o de No onha, a cebispo da cidade de Lisboa, en e
1424 e 1452
341
. Além disso, o seu pai e a ne o de D. Fe nando I, úl imo ei da dinas ia
a onsina, o que lhe con e ia uma ce a ances alidade eal
342
. Em 1463, casou-se com
D. Ca a ina de Tá o a, ilha de Ma im de Tá o a, an igo epos ei o-mo e mei inho-
mo de D. A onso V
343
. Des e casamen o esul a am ês ilhos, sendo eles Ma inho de
No onha, u u o senho de Cada al, Hen ique de No onha e Guioma de No onha
344
.
335
SAMPAIO, José Rosa, op. ci ., p.7.
336
Ibidem
337
Ibidem, p.9.
338
Ibidem
339
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., pp.84-85.
340
GAYO, Felguei as, op. ci ., ol. XXI, pp.136-137.
341
Ibidem, p.136.
342
FONSECA, Luís Adão da, op.ci ., p.189.
343
GAYO, Felguei as, op. ci ., ol. XXI, pp.136-137.
344
Ibidem
121
conselho p omo ida pelo mona ca, decidiu-se que D. João II passa ia ao No e de
Á ica com um exé ci o com o obje i o de esol e a si uação. Tal decisão pa iu
essencialmen e da on ade do ei, is o que a sua passagem con a ia a quase odos
os dize es dos conselhei os. No seguimen o des a decisão do Rei, Mulei Xeque chegou
à en e com uma p opos a de éguas, a o que oi al o, nas on es po uguesas e
ma oquinas, de di e en es assunções. Pa a as on es ma oquinas, as éguas o am
mo i adas po uma ebelião na egião da Enxo ia; já pa a as on es po uguesas
esul a am do eno me desgas e que o exé ci o muçulmano inha so ido no ce co. O
mona ca po uguês, que já deseja a e en a a a e i ada po uguesa do local,
ap o ei ou uma segunda a mada de soco o, que es a a a se p epa ada no eino, e
en iou uma comissão à G aciosa com o obje i o de discu i e acei a as éguas
p opos as pelo sul ão ma oquino. Fo am, des e modo, econ i madas as pazes de
1471, assinadas à da a po Mulei Xeque e D. A onso V, e na sequência desse a o
ouxe am-se de ol a os po ugueses que es a am na G aciosa, e concomi an emen e
a mas e ou os despojos mili a es.
É ce o que a assina u a das pazes di ou o im do episódio da G aciosa, po ém
as consequências des e des echo p olonga am-se, ma cando p o undamen e a
p esença po uguesa na egião. P on amen e, o sul ana o de Fez ocupou a cidade
po uá ia de La ache, jun o à con luência do io Lucos, e le an ou um pano de
mu alhas pa a a p o ege . Es a ocupação aduziu-se numa pe da conside á el pa a a
Co oa po uguesa, que ia se -lhe e i ada uma p aça que, embo a se encon asse
abandonada, ica a na sua zona de in luência. O a, o eino po uguês ia o seu acesso
ao se ão ma oquino se in e di o, sendo o io Lucos mais impo an e io do sul ana o
de Fez. Po conseguin e, ia a possibilidade de in e di a o co so muçulmano nas
p aças po uguesas no No e de Á ica se in iabilizada. No e-se que a não ocupação
po uguesa da cidade de La ache e ia epe cussões conside á eis, sendo a é
esponsá el, segundo Be na do Rod igues, pelos a aques do co so o omano às p aças
po uguesas em Ma ocos, no séc. XVI.
Po im, a iscamo-nos a dize que, de ce o modo, o episódio da G aciosa
açou o ine i á el ado da p esença po uguesa no No e de Á ica. Ainda que a
in luência da Co oa em Ma ocos enha pe se e ado, e se enha a é e i icado uma
122
idade dou ada no einado de D. Manuel I, a e dade é que não ol ou a se possí el
es anca a pi a a ia muçulmana que luía pelo io Lucos. Aliás, essa pi a a ia
en aqueceu pe manen emen e a p esença po uguesa, sendo o au ên ico “calcanha
de Aquiles” do eino po uguês em e as ma oquinas. Conside e-se que es es e ei os
sucedâneos e iam sido e i ados com a ocupação da cidade de La ache, ou a é mesmo
com o sucesso do P oje o da G aciosa.
123
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130
Anexos
Anexo 1 – Mandado de João od igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , pa a
en ega ao moço da es eba ia e despensei o das a o eias que o di o senho manda
ao io de la ache, 186 quin ais e 2 a obas e meia de biscoi o pa a man imen o da
gen e.
17 de Fe e ei o de 1489
Jacome diaz Almoxz i e dos o nos do bizcoi o delRey nosso senho e o sc ipuã
de seu o içio Johã Rod iguez do consselho do di o senho e seu con ado moo os
mãdo de sua pa e que de qual que bizcoi o que eue des / des e en eges a jacome
diaz moço da es jbei a do di o senho e despensei o das a o eas que o di o senho
mãda ao Rjo de la ache em que ay po capi ã gaspa Jusa e /. Cen o e oy en a e sseis
qujn aes E duas a o as e meia de bizcoi o que lhe mando da e en ega que lhe
mõ a de a e de oda a gen e que ay nes as iiij° a o eas de seu man imen o dos
qua o meses que lhe sã o denados de lla es a em. o qual bizcoi o he que mõ a nos
dous e ços da ssoma que lhe mõ a da e po quan o ho ou o e ço pe a
comp imen o da di a Soma que lhe mõ a /. lhe he dado em a inha /. que o di o
senho lhe mãdou da pe a Re esco emquan o es eue em no Rijo. / E como lhos
en ega des cob a es es e mãdado e seu conhecimen o e mãdo aos con ado es do
di o Senho que olos leuem em con a ei o em lixboa a xbij de eue ei o 89 //.
E des e bizcoi o em a cada a o ea dos dous e ços de xxx homes que nela ã
Rbj quin aes ij a obas x lib as – E mays xbij quin aes meio que mo a aos R a homens
que am de ij da zila – a sabe – xx de ca alo e xx de pee de man imen o de huum
mes / pe a cada huma a o ea – Joham Rod iguez.
Clxxxbj quin aes ij a obas e meia de bizcoy o a Jacome dijaz despensey o das
a o eas pe a la ache.
Cxxix quin aes iij a obas iiij lib as.
Eu Jacome diaz / despensei o das di as a o eas / Conheço que Receby do di o
Jacome diaz almoxa i e / pe es e mandado des a ou a pa e sc ip o / Cen o e ijn e
E noue quin aes es a obas qua o lib as de bizcoi o // E po que assy he a ue dade
137
Anexo 8 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias, almoxa i e dos o nos do biscoi o em Lisboa, pa a en ega a Gonçalo
A onso, mes e do na io Ci ne que ai ao io de La ache com os man imen os da
a mada, 15 quin ais, 1 a obas e 4 lib as de biscoi o pa a man imen o de 20 homens
que ão no di o na io.
20 de Maio de 1489
Jacome diaz e c Mandouos que dees e en eges a gonçalo a onso mes e do
naujo ci ne delRej noso senho que ay nes a a mada ao Rio de la ache leua os
mã jmen os quinze quin aes j a oba iiij lib as de bizcoi o que lhe mãdo da pe a
mã jmen os de xb dias pe a a pasajem pe a lxx homes que le a no di o naujo . a sabe .
xxx bes ei os xxx ma ean es x allado es E es o a ezã de xxbij° lib as de bizcoi o po
mes a cada hum homem E como lho en ega des cob ay es e mãdado e seu
conheçimen o e mãdo aos con ado es do di o Senho que olos leuem em con a sp i o
a xx de mayo 89 – Joham Rod iguez.
Eu gonçalo a onso Con esso que Receby do di o Jacome diaz os di os xb
quin aes j a oba iiij° lib as no sob e di o mandado con heudos E po que he ue dade
assijney es e conheçimen o no di o dia mes e e a – gonçalo a onso.
bizcoy o xb quin aes j a oba iiij lib as.
Ibidem, doc. 13
Anexo 9 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias, almoxa i e dos o nos do biscoi o em Lisboa, pa a en ega a Diniz de
Sousa, ecebedo dos dinhei os e man imen os que ão na a mada ao io de La ache,
450 quin ais de biscoi o que lhe mon a ha e do man imen o da gen e que ai ao
di o io e do empo que lá es i e .
21 de Maio de 1489
Jacome Diaz e c. Mandouos da pa e delRej noso Senho que dees e en egues
a denjs de Sousa Reçebedo dos dinhei os e man imen os que am nes a a mada ao
138
Rio de la ache po mãdado do di o Senho /. qua oçen os e çinquoen a quin aes de
bizcoi o que lhe mon a da e de mã jmen o des a gen e que o a ay e es a no Rio de
la ache do empo que la hades a po que ho mays lhe he dado em e jnha E como lhos
en ega des cob ay es e mãdado e seu conheçimen o e mãdo aos con ado es do di o
Senho que olos leuem em con a scp i o a xxj de majo de 1489//. Pe a conp imen o
de man ijmen o de es meses .s. no di o bizcoi o e a inha – Joham Rod iguez – Denis
de Soussa.
Sejam ce os os que es e conhecimen o i em como dinjs de sousa conheçeo e
con essou Reçebe de Jacome Diaz almoxe i e dos o nos qua o çen os e cimquoen a
quin aaes de bizcoi o pe a di a a mada e po e dade lhe oy ei o es e po mym diogo
Jacome a xxij de mayo de iiijᶜ lxxxix – Diogo Jacome.
dinis de sousa bizcoj o iiijᶜ L quin aes.
Ibidem, doc. 14
Anexo 10 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias pa a en ega a Gonçalo Gil, mes e dos 5 e ei os que ão na a mada
pa a o io de La ache, 1 quin al e 6 lib as de biscoi o pa a seu man imen o.
22 de Maio de 1489
Jacome diaz /. day e en egay a gonçalo gill mes e dos cinquo e ei os que ã
nes a a mada en ãdo ele bj ./. hum quin al bj lib as de bizcoi o que lhe mãdo da e
en ega pe a mã jmen o deles .b. de xb dias pe a a pasajem E cob ay es e e seu
conheçimen o e mãdo aos con ado es delRej noso senho que olos leuem em con a
scp i o a xxij de mayo 89 // - Joham Rod iguez.
Eu gonçalo gil conheço e cõ eso que eçeby de Jacome diaz o di o bizcoy o
cõ eudo em es e mãdado e po e dade asijnej aquj no sob edi o dia – Gonçalo + gil.
bizcoy o hum quin all bj lib as.
Ibidem, doc. 15
139
Anexo 11 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias pa a en ega a D. Ped o de Cas elo B anco que ai po capi ão da
a mada do io de La ache, 1 quin al, 1 a oba e 6 lib as de biscoi o pa a seis homens
que le a.
22 de Maio de 1489
Jacome diaz / en egay a dõ ped o de cas elb ãco ou a seu ce o Recado /. que
ay po capi ã des a a mada / hum quin al huma a oba bj lib as de bizcoi o pe a
mã jmen o de xb dias pe a bj homes seus que leua e cob aj es e e seu conheçimen o e
mãdo aos con ado es delRej noso Senho que olos leuem em con a ei o em lixboa a
xxij de mayo 89.// - Joham Rod iguez.
Eu and e a onso mes e da ca auela de dom ped o de cas elb ãco dygo que
eçeby es e bizcoy o con eudo em es e mãdado e po e dade asyney aquj pe mjnha
mãe – and e a onso.
a and e a onso de bizcoy o j quin al huma a oba bj lib as.
Ibidem, doc. 16
Anexo 12 - Mandado de João Rod igues do conselho do ei e seu con ado -mo , pa a
Jácome Dias, almoxa i e dos o nos do biscoi o, en ega a João Rod igues, mes e da
ca a ela T indade, 139 quin ais pa a a o aleza de La ache.
23 de Junho de 1489
Jacome Diaz Almoxa i e dos o nos do bizcoy o delRej nosso senho / e ao
scp iuã de oso o içio Mando os que dees e en egues a Joham Rod iguez mes e da
ca auela indade que ay ao Rio de la ache com man jmen os Çen o e yn a e no e
quin aes de bizcoi o que lhe mando En ega pe a leua a di a o eleza / o qual
bizcoy o he dos b quin aes que sam o denados pe a mã jmen o dos bᶜ homens de iiij°
meses /. que am des a na di a o eleza E como lhos en ega des cob ay es e e seu
conheçimen o e mãdo aos con ado es que olos leuem em con a ei o em lixboa a xxiij
140
de junho 89 – o quall a ede os conheçimen o de denjs de sousa a quem o ade
en ega pe a os se leuado em con a – Joham Rod iguez.
Conheçeo e con esou Joham Rod iguez mes e e senho io da ca auela indade
que Reçebeo de Jacome diaz almoxa i e dos o nos / es es Çen o e in a e no e
quin aes de bizcoj o e es o pe a leua a g aciossa e aze a conheçimen o de denjs de
sousa como lhos en ega / ei o no di o dia mes e e a – Joham Rod iguez.
Joam Rod jguez cxxxix quin aes de bizcoy o.
Ibidem, doc. 17
Anexo 13 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , pa a
Jácome Dias en ega a Vasco Ca nei o, moço da es eba ia, 205 quin ais de biscoi o.
24 de Junho de 1489
Jacome Diaz almoxa i e dos o nos do bizcoi o delRej nosso Senho em es a cidade de
lixboa Johã Rod iguez do consselho do di o senho e seu con ado moo os mando
que de qualque bizcoi o que eue des / dees e em egues a asco ca ney o moço da
es jbei a do di o senho dozen os e cinquo quin aes de bizcoi o dos bᶜ quin aes que
ham de hij a lagos po mandado do di o senho e am de se en egues a Joham
gonçaluez ba eujas almoxa i e do di o senho em o di o lagos /. E como lhe
en ega des os sob e di os ijᶜ b quin aes de bizcoi o Cob ay es e mãdado e seu
conhecimen o e conhecimen o do di o Johã gonçaluez como hos Reçebeu de os pe o
di o asco ca ney o e po odo mãdo aos con ado es que olos leuem em con a ei o
em lixboa a xxiiij de junho 89 // - Joham Rod iguez.
Eu asco ca nei o digo que he e dade que eçeby de Jacome diaz almoxe i e dos
o nos do bizcoy o duzen os e cinquo quin aes de bizcoy o cõ eudos em es e mãdado
do Senho con ado mo ej o a xxbj dias de Junho da di a e a – asco ca ney o.
a asco ca ney o ijᶜ b quin aes de bizcoj o.
Ibidem, doc. 18
141
Anexo 14 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo ,
pa a Jácome Dias en ega a João Co dei o, mes e do na io San o Espí i o, 290
quin ais de biscoi o pa a da ao almoxa i e da ila de Lagos.
3 de Julho de 1489
Jacomo Diaz almoxa i e dos o nos do bizcoy o delRej nosso Senho em es a
cidade de lixboa Joham Rod iguez do conselho do di o Senho e seu con ado moo os
mando que de qualque bizcoy o que eue des dees e en egues a Joham co dey o
mes e e senho jo do naujo san o esp i o /. Mo ado em se u all / dozen os e no en a
e çinquo quin aes de bizcoy o que lhe mando da e en ega pe a leua a illa de
laguos e en ega a Joham gonçal ez ba eujas almoxa i e de lagos / pe a conp imen o
da copia dos bᶜ quin aes que ho di o Senho mãdou que lhe en iase po que os CCb
quin aes em ja Reçebidos pe asco ca ney o moço da es ebei a que daqui oy em
hum naujo cõ o di o bizcoy o /. E como lhe odo en ega des cob ay es e mãdado e
seu conhecimen o e asy conhecimen o do di o Joham gonçal ez ba eujas que ho di o
mes e os aze a e com odo mãdo aos con ado es que olos leuem em despesa
scp i o a es de Julho 89 // - Joham Rod iguez.
E pos o que no di o mandado aça mençam de ij LRb quin aes nom Recebeo pe
elle mais que ijᶜ LR quin aes.
a Joham co dej o ijᶜ LR quin aes.
Ibidem, doc. 19
Eu joham co dei o mes e e senho yo da ca auella chamada san o sp i o de
Se uual Conheço E con esso que Receby de jacome diaz almoxa i e dos o nos do
bizcoi o delRey nosso Senho // duzen os E noueen a quin aes de bizcoi o // E po que
assy he a ue dade lhe dey es e conhecimen o pe mym assijnado Em lixboa Em iiij° dias
do mes de Julho de 1489 ãnos – Joham co dei o.
Ijᶜ LR quin aes.
Ibidem, doc. 21
142
Anexo 15 - Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , pa a
Jácome Dias en ega a Fe não Gonçal es, a mei o, 463 quin ais, 2 a obas e 4 lib as
de biscoi o pa a da ao ecebedo dos man imen os.
6 de Julho de 1489
Jacome diaz almoxa i e dos o nos do bizcoy o delRej nosso senho em es a
cidade de lixboa e ao scp i am de osso o içio Joham Rod iguez do conselho do di o
senho e seu con ado moo os mando que de quallque bizcoy o que eue des dees
e en egues a e nã gonçal ez A mey o mo ado em es a Cidade que ay ao Rio de
la ache qua ocen os e sasen a e es quin aes ij a obas e qua o lib as de bizcoy o o
qual he pe a leua a illa da g açiossa e en ega a denjs de sousa Recebedo dos
mã imen os da jen e que es a em ella ./ do qual denjs de sousa o di o e nã gonçaluez
os aze a conhecimen o e pe es e mãdado e conheçimen o do di o denjs de sousa e
do di o e nã goncaluez pe odo mãdo aos con ado es que olos leuem em con a ei o
em lixboa a bj de Julho 89 // - Joham Rod iguez.
uay aa ecadacã e ha de aze ce idão de denjs de sousa &.
Conheçeo e con esou e nã gonçal ez a mey o con eudo em es e mãdado
Reçebe do di o jacome diaz almoxa i e os iiijᶜ lxiij quin aes duas a obas iiij° lib as de
bizcoy o em es e mandado con eudos E po an o asyney aqui em o di o e mes e e a –
e nã gonçaluez.
De e nã gonçaluez a mey o / iiijᶜ Lxiij quin aes ij a obas.
Ibidem, doc. 20
143
Anexos 16 e 17 – Recibos de João de Ba os em como ecebeu po Diogo de Ba os,
con ado no Alga e, de João Co dei o, mes e da ca a ela San o Espí i o, 290
quin ais de biscoi o e de João Co dei o, mes e da ca a ela San o Espí i o de Se úbal,
em como ecebeu de Jácome Dias 290 quin ais de biscoi o.
20 de Julho de 1489
Dom dioguo e nandez dalmeyda capi ã po el Rey noso Senho da sua ila
g açiosa aço sabe que eu dou liçença a Joham co dey o mes e de huma ca auela de
se uuell chamada san e esp i o que se a pe a po ugall po que nõ he aqui neçeca ja
a elle e bj pesoas da ca auela ei o na g açiosa aos xx dias de julho de 1489 – dõ dioguo
e nandez dalmeyda.
Ibidem, doc. 21
21 de Julho de 1489
eu yam de ba os dygo que he e dade que Reçeby po dioguo de ba os mey
pay cõ ado em es e Regno do alga e ./ de yam co dey o mes e da ca a elha san o
esp i o doçen os e no en a quyn aes de byscoy o e po que asy he yz e asyney es e
pe mym na ylla g açeosa a xxj de julho de 1489 – Yoam de ba os.
Ibidem, doc. 21
Anexo 18 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo ,
pa a en ega a João Ál a es, anadel dos 50 bes ei os que ão a soco o da G aciosa,
16 quin ais de biscoi o pa a man imen o dos bes ei os.
26 de Julho de 1489
Jacome diaz // Mando os que dees e en egues Joham alua ez anadell des e L
bes ei os que o a am ao ssoco o da g açiossa / dezaseys quin aes de bizcoy o que
lhe mando da a en ega pe a man jmen o dos di os L bes ei os de xx dias pe a o
maa a ezã de ij a obas po mes a hum homem E como lhos en ega des cob ay es e
mãdado e seu conheçimen o e mãdo aos con ado es que olos leuem em con a ei o
em lixboa a xxbj de julho 89 // - Joham Rod iguez.
144
Eu Joham alua ez conheco que eceby do sob e di o odo o con eudo em Es e
mandado con eudo acjma Escp i o he po e dade lhe dey Es e pe mym asynado
ey o aos xxbj dias de Julhos de iiijᶜ lxxxix ãnos – Joham alua ez.
bizcoy o xbj quin aes.
Ibidem, doc. 22
Anexo 19 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias, almoxa i e dos o nos do biscoi o em Lisboa, pa a en ega a Diogo
Dias, anadel dos alado es do campo do Mondego, 8 quin ais, 1 a oba e 5 lib as de
biscoi o pa a man imen o de 124 alado es.
27 de Julho de 1490
Jacome diaz almoxa i e dos o nos do bizcoj o delRej noso Senho em es a cidade de
lixboa E ao escp iuã de oso o icijo a que es e o mos ado Joham Rod jguez do
conselho do di o Senho e seu con ado moo os mãdo que dees E en egues a dioguo
diaz anadell dos allado es do canpo do mondego pe a elle E xxiiij allado es biij°
quin aes e huuma a oua e cinquo lib as de bjzcoy o que lhe mando da pe a
man imen o de xx dias E es o pe a es a hida E de como lhos en ega des cob a ees
delle es e meu mãdado e seu conheçimen o E pe udo mãdo aos con ado es do di o
Senho que ollos leuem em despesa ei o em lixboa a xxbij dias do mes de julho
homas diaz o ez E a iiijᶜ lxxxix ãnos – Joham Rod iguez.
Eu dioguo diaz anadel dos di os uallado es Conheço que Receby do di o Jacome diaz /
o di o bizcoi o em o ssob edi o mandado / con heudo E po que he ue dade assijney
es e conhecimen o no di o dia mês e e a. – dioguo + diaz.
bizcoy o biij quin aes j a oba b lib as.
Ibidem, doc. 23
145
Anexo 20 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias pa a en ega a Gonçalo Anes, despensei o da gen e de Ped o Juza e,
66 quin ais e 3 a obas de biscoi o pa a man imen o de 200 homens que ão na
a mada pa a soco o da ila da G aciosa de La ache.
27 de Julho de 1489
Jacome diaz almoxa i e dos o nos do bizcoy o delRey nosso Senho em es a
cidade de lixboa E ao escp iuam de osso o icijo a que es e o mos ado Joham
Rod iguez do conselho do di o Senho e seu con ado moo os mando que dees E
en egees a gonçalo ãnes despensei o da gen e de pe o jusa e sasen a e seis quin aes
es a ouas de bizcoy o que lhe mando da pe a man jmen o de xx dias de ijᶜ
homeens que o a leua nees a a mada pe a pe a o soco o da di a illa g aciosa de
la ache e de como lhos en ega des cob a ees delle es e meu mãdado e seu
conheçimen o E pe odo mãdo aos con ado es do di o senho que ollos leuem em
despesa ei o em lixboa a xxbij dias de Julho homas diaz o ez E a iiijᶜ lxxxix ãnos –
Joham Rod iguez.
Eu gonçalo ãnes despensej o de pe o Jusa e conheço e ou o go que Receby de
Jacome diaz almoxa i e do dj o Senho lx e bj quyn aes e es a obas de byzcou o e
po que js o he e dade lhe dej es j pe [mim] asynado ei o em ljsboa aos xxbiij° dias
de julho e a de mjll e iiijᶜ lxxxbiiij anos – gonçalo ãnes.
bizcoy o lxbj quin aes iij a obas.
Ibidem, doc. 27
Anexo 21 – Recibo de João Dias, mes e da ca a ela San a Ma a, em como ecebeu
de Jácome Dias, almoxa i e dos o nos do ei, 296 quin ais e 6 lib as de biscoi o pa a
le a a La ache.
28 de Julho de 1489
Eu Joham diaz mes e E ssenho yo da ca auella / San a ma a Con esso que
Receby de jacome diaz almoxa i e dos o nos do bizcoi o delRey nosso Senho //
146
duzem os E noueen a E sseis quin aaes /E sseis lib as de bizcoi o // pe a os leua a
lla ache pe mandado de joham Rod iguez con ado moo // E po que assy he a
ue dade lhe assijney es e conhecimen o pe mym em lixboa a xxbiij° dias do mês de
julho de 1489 ãnos. – Joham diaz.
Ijᶜ LRbj quin aes.
Ibidem, doc. 24
Anexo 22 – Mandado de João Rod igues, do conselho do ei e seu con ado -mo , a
Jácome Dias pa a en ega a João Dias, despensei o da ca a ela em que ai po
capi ão Domingos Figuei a a soco o da G aciosa, 9 quin ais e meio de biscoi o pa a
man imen o de 29 homens.
28 de Julho de 1489
Jacome diaz almoxa i e dos o nos do bizcoy o delRey nosso senho Joham
Rod iguez do consselho do di o Senho e seu con ado mo os mãdo que de qual que
bizcoy o que eue des pe a sua despesa de osso o içio dees e en egues a Joham diaz
despensey o da ca auella em que diogo iguei a ay po Capi ã ao soco o da g açiosa
po mãdado do di o senho no e quin aaes e meio de bizcoy o que lhe mando da e
en ega pe a mã jmen o de xxix homens que ã no di o naujo de xx dias a ezã de ij
a obas po mês a hum homem E como lhos en ega des cob ay es e mãdado e seu
conheçimen o e mãdo aos con ado es que olos leuem em con a ei o em lixboa a
xxbiij de Julho 89 & - Joham Rod iguez.
Eu Joham diaz // Conheço que Receby do di o Jacome diaz o di o bizcoi o em o
ssob e di o mandado con heudo E po que assy he a ue dade assijney es e
conheçimen o pe mym no di o dia mês e e a. – Joam diaz.
bizcoy o ix quin aes meio.
Ibidem, doc. 25