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Doenças transmitidas por vectores em Portugal: nota Informativa

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Doenças transmitidas por vectores em Portugal: nota Informativa

Author: Tavares, António
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2014
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/19861/1/RUN%20-%20RPSP%20-%202014%20-%20v32n2a10%20-%20p.206-207.pdf
www.else ie .p / psp
No a In o ma i a1
Doenças ansmi idas po ec o es em Po ugal
Diseases ansmi ed by ec o s in Po ugal
As doenças in ecciosas associadas a ec o es ansmi idas ao
se humano cons i uem um g upo de doenças com g ande
impo ância clínica, epidemiológica e labo a o ial.
Nes e ano de 2014, o Dia Mundial da Saúde – 7 de Ab il – oi
dedicado às doenças ansmi idas po ec o es.
Hoje assis e-se a uma c escen e globalização das doenças
ansmi idas po ec o es, de ido undamen almen e a cinco
azões:
1 – À globalização do comé cio e do u ismo;
2 – Ao aumen o da mobilidade das populações humanas;
3 – Ao desa i o de uma c escen e e não planeada
u banização;
4 – Às al e ações climá icas e ambien ais;
5 – À de e io ação socioeconómica nos países
desen ol idos.
Há alguns exemplos que podem se ci ados ela i amen e
às duas úl imas décadas:
1 – Em 1996 su gem casos de pessoas in ec adas com o
í us Wes Nile (WN) na Roménia. Em 1999 há uma epidemia
do í us WN nos Es ados Unidos da Amé ica. Em 2010 su gem
casos de WN na G écia. Em 2013, su gem casos au óc ones de
WN na Áus ia, G écia, Hung ia, Roménia, Rússia e Sé ia. Nas
duas úl imas décadas os su os epidémicos do í us WN na
Eu opa e bacia medi e ânica êm indo a aumen a ;
2 – Em 2007 há uma epidemia pelo a bo í us Chikungunya
no no e de I ália (após a in odução e dispe são do mosqui o
ec o Aedes Albopic us);
3 – Na úl ima década hou e casos au óc ones de malá ia
no i i cados em Espanha, F ança, Alemanha, I ália e mais
ecen emen e na G écia (2009-2013);
4 – Po ugal em uma si uação endémica pa a a
Leishmaniose, pa icula men e com 3 ocos ac i os his ó icos
– Alga e, Lisboa e Vale do Tejo e T ás-os-Mon es;
5 – A ecen e epidemia de Dengue na ilha da Madei a em
2012, onde o con olo de ec o es é a es a égia mais e i cien e
pa a a sua p e enção, dado que a si uação e e a e com uma
população do mosqui o Aedes Aegyp i, in oduzida na ilha na
p imei a me ade da década de 2000.
Além disso, pelo ac o de nos anos 40 e 50 do século passado,
o uso maciço de insec icidas e possibili ado o con olo de
mui as des as doenças, ao pon o de no i nal dos anos 60,
mui as des as doenças – com excepção da malá ia em Á ica
– não se em mais conside adas de impo ância p imá ia da
Saúde Pública, en ou-se numa si uação de complacência,
com o desman elamen o de p og amas de con olo, os quais
se eclipsa am, a uma diminuição de ecu sos alocados a es a
ques ão, designadamen e no que se e e e ao in es imen o na
in es igação e ao desapa ecimen o de colegas especialis as
em con olo de ec o es dos se iços com esponsabilidades
em saúde pública. De ac o, e i i ca-se uma escassez ex ema
de en omologis as e pe i os em con olo de ec o es e assis iu-
se, com o al despudo po pa e dos pode es ins i uídos, à
pe da de sabe es nes a ma é ia.
Simul aneamen e assis iu-se a um aumen o da esis ência,
po pa e de á ias espécies de ec o es, a mui as classes de
insec icidas.
Com es e quad o como pano de undo, nas úl imas
duas décadas, mui as doenças com o igem em ec o es
eeme gi am ou dissemina am-se pa a no os espaços
geodemog á i cos do mundo. Es a ameaça pende sob e ce ca
de me ade da população mundial.
Hoje, as doenças com o igem em ec o es con ibuem com
17 % da ca ga global es imada de odas as doenças in ecciosas.
Todos os anos mais de 1 bilião de pessoas são in ec adas
e mais de 1 milhão de pessoas mo em de doenças com
o igem em ec o es incluindo a malá ia, a eb e de dengue, a
schis osomíase, a leishmaniose, a doença de Chagas, a eb e-
ama ela e a i la íase lin á ica.
Es as doenças a ec am as comunidades u banas, pe i-
u banas e u ais, mas p ospe am p edominan emen e en e
os segmen os mais pob es das sociedades e em comunidades
com pio es condições de ida, exace bando a pob eza.
1Alocução do au o como mode ado da Sessão 7 - Doenças ansmissí eis po e o es: o que se sabe, do IV Cong esso Nacional de Saúde
Pública, que e e luga nos dias 2 e 3 de ou ub o de 2014, no Fó um Lisboa.
h p://dx.doi.o g/10.1016/j. psp.2014.11.002
0870-9025/
e po saúde pública. 2014;32(2):206–207
e po saúde pública. 2014;32(2):206–207 207
É uma das si uações de Saúde Pública em que se pode
a i ma que se pob e não é um modo de ida. Se pob e é
um modo de mo e…
E assim, es as pa ologias eg essa am à agenda cien í ica e
polí ica.
Uma igilância clínica, epidemiológica e labo a o ial
in eg ada, com o ecu so às no as ecnologias de in o mação,
pe mi e a adopção de medidas de p e enção adequadas.
Há bons indicado es em Po ugal ela i amen e a esse desa i o:
1 – A exis ência do REVIVE (Rede de Vigilância de Vec o es)
desde 2007 em Po ugal, numa pa ce ia Di ecção Ge al da
Saúde – Ins i u o Nacional de Saúde D . Rica do Jo ge (INSA) –
Adminis ações Regionais de Saúde;
2 – A exis ência de g upos de in es igação líde es na
emá ica das doenças ansmi idas po ec o es, que no
INSA, que no Ins i u o de Higiene e Medicina T opical.
O caminho a pe co e de e passa po qua o ias:
1 – De i nição de uma polí ica de saúde que inclua
uma adequada implemen ação de um con olo in eg ado
de ec o es, a a és de uma u ilização acional, e i caz e
ecologicamen e sus en á el dos ês ipos de abo dagem no
con olo de ec o es e das doenças ansmi idas – os mé odos
de con olo ísicos, químicos e biológicos;
2 – Desen ol imen o de no os mé odos de diagnós ico;
3 – Desen ol imen o de es a égias e apêu icas e de
p e enção mais e i cazes;
4 – Implemen ação de p og amas de sensibilização
comuni á ia, designadamen e com adopção de medidas de
p o ecção indi idual quando necessá io.
A ní el da in es igação em doenças ansmi idas po
ec o es, es a de e cen a a sua ac i idade em duas linhas:
1 – Os desa i os da saúde de iajan es e mig an es;
2 – As doenças eme gen es e mudanças ambien ais e
climá icas.
E deixemo-nos de odeios – são necessá ios undos inancei os
e comp omisso polí ico pa a ês pon os undamen ais:
1 – Aumen a o acesso dos se iços de saúde pública aos
ins umen os pa a con olo de ec o es já exis en es;
2 - O desen ol imen o de ins umen os de diagnós ico e
e apêu icos;
3 – Mais in es imen o na in es igação.
Tenhamos a consciência de que es e é um desa i o à escala
global, em que os go e nos, a a és de mui os dos seus
sec o es, êm uma g ande esponsabilidade, de endo assumi
o comp omisso polí ico de que es e é o empo de se melho a
a saúde e não somen e os se iços de saúde, de assumi em
de i ni i amen e pe an e as populações que go e nam, que
es á na ho a de se comp ome e em com p og amas de base
comuni á ia, a a és dos quais odos nós podemos pe cebe
que, num pleno exe cício de cidadania, a saúde se az em casa
e na comunidade.
É necessá io des aze o mi o de que es as doenças azem
pa e da his ó ia dos países desen ol idos e que na p á ica já
não exis em, e e o ça a comp eensão sob e a necessidade
de uma adequada igilância clínica, epidemiológica e
labo a o ial, p i ilegiando a p e enção, em de imen o da
espos a à eme gência.
An ónio Ta a es*
G upo de Disciplinas/Depa amen o de Saúde
Ocupacional e Ambien al
Escola Nacional de Saúde Pública
Uni e sidade No a de Lisboa
Depa amen o de Saúde Pública da ARSLVT, IP
Lisboa
*Au o pa a co espondência
Co eio ele ónico: an onio. a[email p o ec ed].p