do Sen ido: obse ações sob e Pos u a,
ca og a ia de deus-Meno em agimen o
(agi +pensamen o)
Ana Ca a ina Oli ei a B i o Real
Disse ação
de Mes ado em Ciências da Comunicação
Ramo Comunicação e A es
Junho 2017
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Ciências da Comunicação, amo Comunicação e A es, ealizada sob a o ien ação
cien í ica de Síl ia Pin o Coelho.
Sê con á ia à insensibilidade. Vê.
Alguém e espe a ou em si espe a
Que en im chegues. O diálogo ai
(Se quise des) ai anspo sen i-
Dos. A sono idade oco e á numa
Dimensão o a do alcance dos ol-
Ha es (po ão humilde), a en as a
Es uda os ma izes oco idos nos
Vossos os os. Se o empo o que
En e ós nasce , esse ins an e não
Tem medida no p esen e seguin e.
Quem hesi ou em en e do encon o
Não hesi ou. P essen iu-lhe a ma é ia
Mais sensí el e espe ou.
Ma ia Gab iela Llansol
a C, en idade mís ica
DO SENTIDO: OBSERVAÇÕES SOBRE POSTURA
CARTOGRAFIA DE DEUS-MENOR EM AGIMENTO (AGIR+PENSAMENTO)
CATARINA REAL
RESUMO
A p esen e disse ação co esponde ao ajec o de pensamen o ope ado en e o con ac o
p imei o com a ob a de Ma ia Gab iela Llansol e a p opos a de nomes-a ec o como Pos u a,
Sen ido e deus-Meno , que se espe am e como con ibu o pa a a longa con e sa sob e is o
de exis i mos jun os ou de pode mos ainda e ec i a uma poé ica colec i a que nos dê um
chão comum é il.
A disse ação não é sob e ela, mas com ela.
PALAVRAS-CHAVE
encon o, ulgo , a ec o, desejo, con e sa, ab aço, boni o, pos u a, sen ido, deus-meno ,
linguagem, co po, imagem
ABSTRACT
The p esen disse a ion acks he hinking pa h be ween my i s con ac wi h Ma ia Gab iela
Llansol's wo k and he p oposal o he a ec ion-names Pos u e, Sense and Mino -god. These
wo ds wish o con ibu e o he long and ongoing con e sa ion abou us li ing oge he and
also o con ibu e o a possible collec i e poe ics ha can p o ide us a e ile common g ound.
This disse a ion is no abou he , bu wi h he .
KEY-WORDS
mee ing, glow, a ec ion, desi e, con e sa ion, emb acemen , beau y, pos u e, sense, language,
mino -god, body, image
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO E O EU_______________________________________________________1
2. OBSERVAÇÕES SOBRE POSTURA______________________________________________7
2.1. NOME-AFECTO________________________________________________________7
2.2. ESTRANHA REVELAÇÃO DO É O QUE É_____________________________________9
2.3. SOBRE A VIOLÊNCIA DO PERGUNTAR_____________________________________19
2.4 .OBJECTO-ENGRAMA___________________________________________________25
2.5. PROPOSTA DE UM P____________________________________________________29
2.6. EXPERIÊNCIA DE UM ESTADO___________________________________________41
3. DEUS_MENORIDADE______________________________________________________49
4. CONCLUSÃO____________________________________________________________57
5. BIBLIOGRAFIA / EVENTOS / WEBGRAFIA_____________________________________________60
INTRODUÇÃO E O EU
Caminhei po alguns lados. Um dia caí de mui o al o.
Aliás, ape cebi-me de que caí no mui o al o. Mui o al o o nou-se ealmen e um luga
de habi a .
Mais a de, ape cebi-me po lei u as pa alelas que inha en ado num Encon o, e que,
po ia das dú idas, um Encon o inha ambém en ado em mim. (A conjugação das duas ias
é possi elmen e a expe iência do Fulgo em ida.)
O ab i dos meus olhos - mui as ezes is o como um es ado eb il e deli an e de
paixão – deu-se nesse Encon o e ez-me mui o que e cons ui Fulgo es pa a Ou os caí em.
Demo ou algum empo a é pe cebe que os objec os deixados no mundo se em, a maio ia
das ezes, apenas pa a man e a es abilidade da es u u a e das solidões indi iduais1.
Demo ou-me mais empo comp eende (comp eende , que é assimila no co po e não só
pe cebe ) que en e eles es á a mais nob e ma é ia: as elações (en e as coisas).
Nes e empo de pe cepções e comp eensões, e po o a de espe ança e desespe ança
num i mo que me ape cebo mui o elacionado com a c iação, ui le an ando e baixando os
olhos. Quando os ocei no chão, encon ei os meus deuses. E, apesa de, po ex ensão (ou
especulação), is o pode se aplicá el, os meus deuses não e am a calçada, nem o alca ão.
Repa ei nos caminha es. À medida que o meu olha subia e descia, epa ei nas mãos,
epa ei nos mo imen os. Repa ei nos omb os. Ou seja, olhei pa a os omb os duas ezes. E,
em ping-pong, olhei as pessoas. In e essei-me po pessoas.
Demo ou mais algum empo – e um empo que se demo a ainda – a pensa o
pensamen o de que e abalha pessoas como quem abalha o ba o (em modelação).
Dedicadamen e, com pa cimónia, es abelecendo uma elação de oque, de sensibilidades:
ap eendendo com as mãos não só o ma e ial, mas a elação que emos de e (uma elação que
não é de o ça, mas de espei o) pa a que le emos o que as nossas mãos pa em a descob i -
cons ui ao melho po o.
Se me demo ou empo a pensa que os objec os se em a es u u a le a-me ainda
empo a indaga se as pessoas se ão a sal ação da es u u a que nos é impos a pela es á ica
1 “as paixões são deixadas a es a icidade dos objec os mudos onde não há p ojecção, só e e ências. é pa a
isso que
se p oduzem objec os: pa a man e a es abilidade da solidão. Os olá eis se -pessoa não se equilib am uns nos
ou os: é
ombo con ínuo esse ac edi a “ (Real, Ca a ina. 2017. p.14)
1
solidão. Se há um caminho – pleno na possibilidade do ombo – onde se descub a ainda mais
nob e ma é ia: as elações (en e as pessoas).2
Não se á demais dize que não enho um in e esse manipula i o. E que o meu in e esse
é sem esão mas pleno de desejo. 3,4
Nes e encon a um in e esse que me p ende ainda o olha , a Von ade e a pessoa oda; e
no c ia de uma poé ica de comp eensão e análise ainda em cons ução, que p ocu a o en e
( al ez um nome a iá el de elação), i aços de Boni o. Iden i iquei-os na capacidade de
eme gi e não de ime são. Uma capacidade de inclusão pa a cima.
Os Encon os com o Boni o são mui o pode osos. Sem dú ida agi am, simplesmen e
po exis i em, oda a es u u a. Foi aí que pensei as Pos u as.
Ine i á el que oda a ma é ia-pessoa di i ja e assim, com ela, ambém oda a
possibilidade e, - an e io a é - disponibilidade pa a o Encon o.
Há Pos u as que êm Boni o den o, ou melho di o; há Pos u as (que é a
especi icidade-da-pessoa-ma é ia-em-acção-no-mundo) com um Sen ido Boni o. Es e Sen ido
é o mais p óximo da o a- u u a dessas Pos u as. Uma mis u a en e o seu de i -ou as-
pos u as e o caminho que pe co em (o solo e ec i o que pisam) nesse o na em-se.
Tudo is o se ia cla o se o Boni o só se alojasse em pessoas.
2 “Sabedo ia pode se que seja se mais/ es udado em gen e do que em li os.” (Ba os. 2016. p.357)
3 O meu in e esse é da mesma na u eza do poema llansoliano.
“Há sexo en ol ido? Há_ espondo, a quem imagina a pujança sob e essa o ma de p aze . Mas, pa a o poema,
não há.
Não há, en ão, sexo en ol ido? Há. Pa a o poema é inconcebí el não ha e um co po humano que o não supo e.
Essa é, di ia, a sua conjec u a. Encon a á semp e um humano. Simplesmen e, não o econhece. Não me
econhece. O que que o dize é que
não nasce de uma al a
ou de uma ca ência,
nem da al a de uma ca ência. Passa como exp essão de uma aleg ia pu a, como um cola que se queb a,
e ê as suas pé olas ilin ando a ola pelo chão da oz,
elozes po pa i do luga onde es a am ligadas po uma o ça uni i a de g ande posse.
O sexo de le que que e es á ce o de encon a
não se á possessi o,
po que libe a -se da posse é o seu mo imen o. Nem nasce á de um qualque impulso de i alidade. O poema é
sem esão e pleno de desejo. Mas sem o desejo de se pô em cima de mim ou seque de me aze .
Pleno de desejo? Sim, é o que mais deseja. Encon a o co po que, en im, o esc e a nes a oz. O ex o.”
(Llansol, 2000. pp 17-18. ên ases meus)
4 “Mas nunca se ez um desejo com não- on ades. Não que e se subjugado é uma p oposição nula. Em
con apa ida, qualque agenciamen o exp ime e az um desejo cons uindo o plano que o o na possí el e,
o nando-o possí el, e ec ua-o. O desejo não es á ese ado a p i ilegiados; não es á ão-pouco ese ado ao
êxi o de uma e olução. É em si mesmo p ocesso e olucioná io imanen e. É cons u i is a, de modo algum
espon aneis a. Como qualque agenciamen o é colec i o, ele p óp io é um colec i o; é e dade que qualque
desejo é um assun o do po o, ou um assun o de massas, um assun o molecula .” ( Deleuze e Pa ne . 1966. p.119)
E en ão dize “pleno de desejo” ca ega uma mui a Von ade, colec i a, de colec i o. Von ade de Von ade.
2
O p imei o Encon o, o que iniciou es a desc ição, no qual en ei e que en ou em
mim, oi com um li o. O Li o das Comunidades. Po isso du an e an o empo pensei que
es e Fulgo só e a possí el nas pala as, po que como dizia Manoel de Ba os “Só as pala as
não o am cas igadas com/a o dem na u al das coisas./As pala as con inuam com os seus
deslimi es.” (Ba os, 2016, p 357).
Só depois de a paixão se ins ala em pe manência nos meus olhos me Encon ei com
pessoas. Só a pa i das pessoas pensei a Pos u a, o Sen ido e a meno idade dos deuses, que
se ia um pa icula caso de Pos u a-Sen ido p opícia a inunda de paixão olhos alheios,
i adia ulgo e desis i do pode do opo.
Deuses do chão, do plano comum que nos une odos, co pos.
Tal ez o au o não es eja mo o no li o. Tal ez seja esse – o esquício de pessoa que
inunda os li os (e que não é, de odo, um aço de au obiog a ismo) – que me pe mi e ala
da Pos u a de ce o li o, e do seu espec i o Sen ido (aqui mais acilmen e aplicá el se
pensa mos o p óp io mo imen o do le – conjun o de pala as de indo lei u a).
Ou al ez ainda, odo o en e seja pessoa su icien e.
En ão e objec os deixados no mundo não são en es su icien es?
Ce amen e essa pon a da na ação não a a a em nó. Olhei pa a ás e i que a Pos u a
que azia mudou no caminho e que não mais sei dize se não se ia o eu-pessoa o opaco que
in iabiliza a o ulgo de se es abelece em encon os. Ainda assim mais elu an e nos modos5
de elação que es abeleço com objec os po encialmen e es á icos (E en ão o li o, não é um
objec o po encialmen e es á ico? O li o, embo a objec o, é po encialmen e mo imen o. O
li o de ém lei u a na ac i ação do mo imen o que con ém em si. O lei o exe ce o seu
músculo de lei u a ao ac i a o mo imen o con ido no li o.) posso dize que já i e
Encon os ancos com alguns. Já, ce amen e, econheci Boni o a objec os. Quando o
Encon o se es abelece in ei o, ainda assim, é um Fulgo especial.
É quando se cai de mui o al o (ou seja, po aciden e, e não po disponibilidade pa a a
queda) e o mui o al o cai em nós, que sabemos que nos c uzamos com a meno idade do
deuses.
É no mui o al o que caí que os deus-Meno esidem, po ago a.
5 A exp essão modos de elação é ecupe ada de Fe nanda Eugénio (c Eugénio, 2016).
3
palco. Há a Paula que é a Paula, o Vasco que é o Vasco, e que desenha um cená io. Algu es
apa ece o que pa ece se um Calde e alguém es á mal dispos o e alguém (e a o Raimundo)
di ige um uba ão insu lá el em o no das, mui abalhosas de se em mon adas, colunas de
co ina. Não há pa agens e não há silêncio: não há imagem con empla i a, não há delei e de
es e a, não há nudez, não há... não há... in e esse. É o que é, absolu amen e, e sem in enção
ou a de se o que não é. Ou seja, se o que é, é o in e esse pa icula de um espec áculo que é
o que é: é o pon o dele p óp io. Não é um eixo pa a nada ex e io , não se ap esen a como uma
me á o a, não em uma in enção, não em um assun o: ou, que pa a udo is o, se em a ele
p óp io. Com mui o – ou udo, ou apenas - do que é chamado “con e sa de ci cuns ância”
(aqui, con e sa de uma ci cuns ância c iada e dada a e ): é o que é, um ea o que é um
ea o, ac o es que são ac o es, um palco que é um palco. Tudo mui o absolu amen e es anque
no o ma o. Um ex o – que é um ex o de hoje, esc i o po José Ma ia Viei a Mendes e
in i ulado Is o – que é di o. Um ex o que não em e não possui ele ância poé ica ou li e á ia
(e amos assumi que, a é ce o pon o, a ele ância poé ica e li e á ia é consensual – o
mo imen o do ex o esponde á a es e also-pon o) e que oça, po en u a, o abo ecimen o.
Tudo sem g andes a iações, udo anunciado: o ex o en egue ao espec ado , que pode
a ança no empo e le a en e, elemb a a ci cuns ância an e io que e a con e sada. É
possí el a dis acção – “o que é que amos jan a ?” “Es á calo aqui” “Lis a de a e as pa a a
p óxima semana:...” que acompanha o i mo do p óp io espec áculo - sem pe de o “ io a
meada” po que não há io a se desenlaçado, só meada ap esen ada in ei a, como um p esun o
em p ocesso de se umado.
A expe iência des a peça, p ecisamen e po es a anunciada al a de in e esse, e e um
e ei o demo ado em mim. Ou, melho dizendo, a comp eensão (e comp eende , uso-o no
sen ido do ab aço: em que se comp eende um co po quando ambém o ocamos e o deixamos
oca -nos) deu-se po ex ensão no empo. O seu empo eal19 oi demo ado, medindo em
empo no ma i o, sendo que nes e caso a elação dessa a ec ação (p é-a ec o) comigo (e o
pelo menos en e pa es – é algo não mui o aduzí el. Resul a de uma linguagem (ou de um pensa a inado com
um ce o modo, mais do que uma linguagem) comum que não encon a um pa alelo de comp eensão na
linguagem esc i a. Em pa alelo a “é in e essan e”, “Pa ece- me bem” é possi elmen e a exp essão mais
comummen e usada no ensino a ís ico sem que o seu signi icado consiga ealmen e encon a um sinónimo que
o con enha ou iden i ica as p emissas que lhe dão o igem.
19 “João Fiadei o explica o mé odo de composição em empo eal como e amen a que isola os milésimos de
segundo que deco em en e o momen o em que somos es imulados po algo, em que há uma inclinação na
di ecção de algo que nos a ec a e o momen o em que agimos pe an e essa coisa que nos a ec a, o momen o em
que ma e ializamos um a ec o seja po uma pala a, um ges o, e c. Aquilo a que Fiadei o chama o « empo
eal» é o empo que ai do momen o em que se é a ec ado a é ao momen o em que nos elacionamos com
esse a ec o.“ (Coelho , 2016, p. 202. ên ases meus).
10
ice- e sa já con ido no e mo elação) oi ambém sendo cons uída len amen e (e aqui a
passagem da a ec ação ao a ec o, do a ec o ao encon o, em delay). Depois do espec áculo
anuí: sim. é o que é... e? Comple amen e dis an e de pe cebe que o meu e..? inal e a
p ecisamen e o pon o de impo ância do que es a ia ali a se p opos o. Não há e...? Só há é. O
que é.
Is o – com o seu wis ed double bind: o ex o e o que o ex o é (o que é) – demo ou-se
em mim. Demo ou a ealmen e oma no meu co po (inco po a , o na Pos u a) es e is o.
Sim, as coisas são o que são. Mui o embo a a con e sa seja sob e um qualque objec o em
cena, ou uma si uação da ida de qualque um dos pe sonagens (que são ac o es de eles
p óp ios, como nos acon ece a cada momen o do nosso i e : quando somos pos os em
si uação, ou em si uações a iá eis, assumimos uma a ian e da nossa p óp ia pe sonagem),
sen e-se a mu abilidade dos é: os objec os mexem-se e deixam de se o que são pa a se em o
que não e am, mas que ago a são, inco po ando (ou o nando cla o) os seus espec i os
de i es, que nos são dados a e . Is o, anspos o pa a uma é ica e pa a o p óp io ac o de
pensa , é mui o iolen o. É iolen o po que põe em causa, de uma o ma absolu amen e
di ec a e simples, o i isó io luga de onde se exis e mui as ezes: a angús ia, mui as ezes
associada a uma p e ensão de g andeza e a uma sensação de al a. O mo imen o de acei ação-
ac i a – e não só di a, mas exe cida – conduz (num sen ido lógico, que nis o da ida, é semp e
bom não assumi ce ezas) a esse es ado de não angús ia. Como diz Paula (a pe sonagem
Paula que Paula Sá Noguei a é) a de e minada al u a: “Eu es ou a bebe chá po an o es ou a
bebe chá.” Po quê ques ioná-lo, quando uma e idência? Ainda Paula – po en u a a igu a
mais exempla des e ce ne é o que é do espec áculo :
“PAULA: Pa a quê?
SÓNIA: Pa a quê o quê?
PAULA: Pa a que é que e in e essa pensa nisso? Já is e o que é que e a es a es a pensa
nisso pa a udo aquilo em que ocas?
SÓNIA: É demen e. É um e iche. Eu não enho nada con a e iches.
PAULA: Eu acho que é pa alisan e.”
(Mendes, 2016, p. 16)
Sim, pa a quê “pensa nisso”. E nes e nisso en am na u almen e as p óp ias
assumpções de coisas que não alem o empo de se em pensadas. Ninha ias. Mas quais
se iam, en ão, as coisas ce as e as coisas não-ce as a se em pensadas?
11
A minha esis ência du an e esse empo eal enunciado, pa ilhada e discu ida com
quem a endi ao espec áculo (e es a pa e da pa ilha e discussão é impo an e nes a
comp eensão20), e a que p ecisamen e as coisas são (- Ce o.) mas são ambém o que não são.
Es a a, pa a consegui comp eende o olha que Is o é uma T agédia suge ia, equi ocada na
dimensão de uma exclui a ou a, ludib iada pelo apa en e abo ecimen o po onde me e a
dada a e a e idência pos u al do que e a dado: É O QUE É. Pon o absolu o, conc e o.
Es a a ainda pa a pe cebe como é que is o pode ia se ambém não-se -uma- esignação
(como combina o não pensa nisso e o pensa ainda), po que e a o que os meus olhos iam na
expe iência po dige i : um pos ulado, uma ep esen ação de um es ado de esignação mui
comum da con empo aneidade – as coisas são o que são. E p on o. Não há “nada a aze ”.
Es a esis ência – con essamen e ul apassada - c eio-a elacionada com uma ideia de
expec a i a, embo a aqui não de um pon o de is a o mal e/ou disciplina (que encon a ia a
sua o mulação plena no “o que é is o? Is o não é ea o”) mas sob e udo do pon o de is a
concep ual, ou é ico-es é ico: pa a quê cons ui al a de in e esse? Falando sob e expec a i a
do pon o de is a canónico, Viei a Mendes, como espos a a con inuação do abalho nesse
sen ido - o de não se segui po expec a i as (alheias) - diz que a única o ma se á da menos
impo ância (que al ez seja um sinónimo de “não pensa nisso”):
“Da menos impo ância aquilo que sabemos o que é, aquilo que conside amos se em as nossas
ideias de ea o, de li e a u a, do que é uma pessoa. Se i e mos consciência de que a ideia que
enho de ea o es á baseada numa adição, numa sé ie de coisas que me são di as, daquilo que
são as minhas on ades de o ganiza o mundo, en ão consigo ela i iza a impo ância dessas
ideias, logo, es ou a e consciência de que o ea o é uma ce a coisa po que eu que o que seja.
Se hou e uma pessoa que me diga que o ea o pode se ou a coisa, ambém é álido. De
epen e, pe cebemos que aquilo não é na u al ou essencial, e começamos a pe cebe que é
assim po que eu que o que seja assim, mas já e emos noção de que aquilo não é um obje o
echado.”
(Mendes, en e is a 2016, ên ase meu)
E aqui pa ece esponde ao limbo das coisas se em e não se em: “a coisa (e aqui
pode -se-ia na u almen e dize coisa- ea o) é a coisa” é ambém di e en e de “a coisa é a
coisa”, di o nou a boca. Diz Paula a de e minada al u a do espec áculo:
“PAULA: É uma ou a coisa qualque .
20 Um dos Encon os que ma ca am ecen emen e a minha pos u a e ab i am a minha ampli ude de
comp eensão e disponibilidade deu-se com uma das pessoas com quem i o espec áculo e em quem i
ca ac e ís icas pos u ais mui o pa icula es, que se coadunam com es e “é o que é” das coisas, anspos o pa a
Sen ido (pos u a em acção/mo imen o).
12
SÓNIA: Mas ambém não se e pa a nada.
PAULA: Há de se i pa a alguma coisa. Isso ago a depende de i, não depende do objec o. É
como um ma elo. Só se e pa a ma ela se u p ecisa es de ma ela .
SÓNIA: Ai isso é assim?
PAULA: En ão não é? Uma chá ena é uma chá ena se se i pa a u bebe es alguma coisa,
senão não é uma chá ena.”
En ão aqui pe cebemos in ei amen e o é o que é (in insecamen e ligado com o é o que
não é): uma chá ena é uma chá ena. Uma chá ena ambém é uma não-chá ena. Ou ainda,
uma chá ena ambém não é uma chá ena. Tudo pa ilha de um ca ác e obse a i o e/ou
si uacional: conc e o – no que do conc e o se opõe a expec a i a das coisas.
Viei a Mendes pa ece ambém dialoga com o po quê de cons ui al a-de-in e esse
(uso o e mo, pela explicação inicial, mas cla amen e ao longo do ex o ele pe de o seu
sen ido). O in e esse, no caso des e espec áculo, se ia de o dem di e en e ao in e esse
inicialmen e enunciado e, na linha de pensamen o de Be gson (Deleuze, 2004), na u ezas
di e en es não podem se compa adas21: cons ui po aqui é ambém ab i o limi e, es en a
o o ma o es anque, ainda que em o ma o es anque (den o da máquina ac o - ex o-palco a
i aliana).
Sob e a ideia de expec a i a, e e e indo-se a sua p óp ia poé ica, diz Fiadei o que
“a expec a i a c ia uma espécie de comp omisso, ou con a o, an es do acon ecimen o. E
embo a não possamos ugi dela, po que, de ce a manei a, nós o ganismos sociais
sus en amos mui as das nossas elações a pa i das expec a i as que emos e que pensamos
que os ou os êm de nós e que os ou os êm deles p óp ios e po aí o a. A e dade é que o
meu abalho é sob e p e e i não e expec a i a. Não que dize que eu desis a, ou que
abandone a ideia de elação com o mo imen o que se di ige pa a algum luga , mas p i ilegio
não me comp ome e . O que não que dize que não seja uma pessoa comp ome ida com o
mundo e com as coisas. Mas p e i o não me comp ome e p e iamen e, ou seja, po
an ecipação. Po an o, na minha elação com seja o que o , em qualque escala, o que exis e é
sob e udo uma elação com um abalho de iden i ica sinais que me pe mi am e , ou não,
con iança na elação que es ou a desen ol e com alguma coisa, ou alguma pessoa, algum
21 “Temos a endência de pensa em e mos de mais e de menos, is o é, de e di e enças de g au ali onde há
di e enças de na u eza. Só podemos eagi con a essa endência in elec ual susci ando, ainda na in eligência,
uma ou a endência, c í ica. Mas de onde em, p ecisamen e, essa segunda endência? Só a in uição pode
susci á-la e animá-la, po que ela eencon a as di e enças de na u eza sob as di e enças de g au e comunica a
in eligência os c i é ios que pe mi em dis ingui os e dadei os p oblemas e os alsos. Be gson mos a bem que a
in eligência é a aculdade que coloca os p oblemas em ge al (o ins in o se ia sob e udo uma aculdade de
encon a soluções). Mas só a in uição decide ace ca do e dadei o e do also nos p oblemas colocados, p on a
pa a impeli a in eligência a ol a -se con a si mesma.” (Deleuze, 2004. pp.13-14).
13
pensamen o ambém. E depois, uma ez apaziguada essa ques ão, a pa i daí é só es a
p esen e com o que enho.” (Fiadei o apud Coelho, 2015, p.274 , ên ases meus)
Embo a de poé icas e linhagens de pensamen o dis in as (Cão Sol ei o, João Ma ia
Viei a Mendes, Vasco A aújo e João Fiadei o), es a ideia de não e expec a i a, mas ao
mesmo empo não desis i de um mo imen o de u u o (expec a i a se á isso, espe a algo de
um oco e – um espe áculo, um compo amen o, uma si uação – u u o) e es a conscien e da
obse ação e a pa i daí “só es a p esen e com o que enho” elucidam mui o bem o “é o que
é” (que é a inal é o que é e é o que não é), que pa e des a acei ação de condições sem se
coloca no espaço da esignação. O es ado de a enção, pa e da p á ica de João Fiadei o e do
seu abalho com Fe nanda Eugénio no And_Lab (2011-2014), passa mui o po es a acei ação
das coisas: o na as condicionan es, condições. E, ainda Paula, que en e o seu discu so-
monólogo mais ou menos e bo ágico, me pa ece a melho en endida nis o de as coisas
se em o que são:
“PAULA: (...) e é só is o. Is o não que dize que seja menos do que ou a coisa. Não é nada
disso. Po que isso de dize que é poucochinho ou que sou eu a eduzi o mundo ao meu mundo
e coisas assim, isso é uma es upidez. Isso é es a es semp e a supo que há uma coisa maio a
que não ens acesso, que há uma coisa maio que há de chega um dia ou que só alguns
conseguem e , isso não exis e. É só is o. (…)” (Mendes, 2016, pp17-18)
Foi demo ado ambém o en endimen o de que a acei ação não em de se sinónimo de
uma esignação p esen e mas de algo que se ia como que uma po ência neu al: nem nega i o
nem posi i o (o es ado) nem esignado e que é semelhan e a passagem de condicionan e a
condição. Ve ido em exemplo: Vi emos no ago a22, ce o. Ago a é p ecisamen e o que é. Não
o que iden i icamos, o que emos (isso se ia já um qualque de i do mesmo ago a).
Iden i icamos p oblemas e qualidades. E o ago a ambém os é (ou con ém-nos). O ago a é
p oblemas e qualidades (quali ica ai já além da exp essão das coisas se em: po que o se ,
engloba a exis ência. Mas a exis ência não engloba o se .23). Ou seja, o ago a se o que é não
22 Na u almen e que escolho um exemplo de coisidade bas an e pa icula (o que, sendo jus a, o se iam odos):
o empo, a du ação, a mo e anunciada de um ago a que é enquan o exis e, coloca es e elação do “é o que é” em
c uzamen o com ou as p oblemas pos u ais que me in e essam ambém pensa e ealça, na imagem da coisa, o
seu e éme o es ado de ansição.
23 No capí ulo ese ado ao “Se , Exis ência e Pensamen o”, no seu “Pequeno Manual de Ines é ica”, Alan
Badiou, deixa decla ado na enume ação:
“e) se e exis ência
Sob essas elações, a do um e do dois, a dos ex emos da idade e a dos sexos, as somb as a es am não o se , mas
a exis ência.
O que é a exis ência, e o que a dis ingue do se ?
A exis ência é o a ibu o gené ico daquilo que em capacidade de pio a . O que pode pio a exis e. <Pio a > é a
modalidade ac i a de qualque exposição ao e do olho esbugalhadamen e abe o e a essumação das pala as.
Essa exposição é exis ência. Ou, al ez, mais undamen almen e, exis e o que se deixa encon a . O se exis e
14
pode pio a , po que é apenas. Já o ago a se p oblemas, pode ganha uma escala de alo . Ou
seja, o ago a – que é um se – é o único se que o ago a é. Mas o ago a ambém exis e, pa a
além de se . E nessa exis ência – que é es a, de Is o - , podemo-nos encon a com (nes e caso
se ia sob e udo possí el encon a mo-nos em) e aí – po que ainda humanos24 – c ia uma
elação que se não de expec a i a, pelo menos de p ojecção u u a (uma ez que es a
capacidade de i e en e empos passado-p esen e- u u o é uma ca ac e ís ica
in insecamen e humana) sem que isso comp ome a a acei ação da coisa: é o que é.
E como é que es e mo imen o de acei ação não se o na uma pos u a es óica (acei a a
ua ida: não e como as, não e desiludas)? Po exclui uma condu a de i ude.25 Acei a ,
ealmen e e exclui a punição. Diz Paula “Nós somos o que somos. Não emos de se nada. A
e idência é essa.”. Apesa de as coisas se em o que são (:as coisas), al não in alida que o
nosso se o que somos, po que somos o que somos, não se modele. Ou seja, con a iamen e a
oposição poé ica de Ca los de Oli ei a: “Acei o a minha ida / Ou mexo(...)26” o mexe não é
nega a acei ação da ida, nem po en u a se á uma acei ação – no sen ido p óp io do e mo-
dize -se que as coisas são o que são. Há apenas um ca ác e cons a a i o e, po en u a,
“ab aça i o”, ao não se coloca no luga da angús ia (que se ia o de ques iona “po quê(??)
que as coisas são assim?”). A imagem do ab aço27 – já usada - é mui o ele an e aqui: Dois
co pos (-pessoas) que se acei am mu uamen e. (a beleza do e bo e ges o ab aça , na sua
signi icação plena, exige uma ecip ocidade. Não ab aço sozinha; ab açamo-nos.) Sem que
quando es á na manei a do encon o.” (Badiou, 1998, pp. 129-130).
A í ulo de di agação – ou de ap esen ação da mu abilidade das pala as - é cu ioso con on a es e poema de
F ançois Vol ai e sob e Ba uch Espinoza (que az uso do Se e do Exis i ):
“ E en ão, um pequeno judeu com na iz g ande e pele pálida,/Pob e mas sa is ei o, ensimesmado e
ese ado,/Um espí i o sub il mas azio, menos lido do que celeb ado,/Escondido sob e o man o de Desca es, o
seu p o esso ,/Andando com passos cuidadosos ap oxima-se do g ande Se :/Desculpe-me, diz ele, alando
num sussu o,/ Mas eu julgo, aqui en e nós, que o senho não exis e de odo.” (Vol ai e apud Joaquim
Ca alho, 1992, p. 288, ên ases meus).
24 E quan o a is o, pode-se du ida ainda: “É uma de duas coisas: ou aqueles que es ão em Alepo não são
conside ados humanos, ou já não es am humanos no mundo pa a e o que se passa.”, desaba a o e ugiado
Osama Ka a “ - pode le -se na publicação do jo nal Público de 15 de Dezemb o de 2016 – sen ença
(ob iamen e que em si uação) que me deixou ale a pa a o is o de se mos humanos.
25 “ É empo de e mina es a ca a, mas p imei o enho de paga a po agem! “O começo da cu a é a
au oconsciência do e o”. C eio que Epicu o em oda a azão ao dize is o. De ac o, quem não em consciência
de e a , não pode que e emenda -se. An es da co ecção de e su gi a noção do e o. Ce os indi íduos há que
se gabam dos seus ícios: como imagina que pode pensa em cu a -se gen e que oma os p óp ios de ei os como
i ude? Po isso mesmo, an o quan o possas, acusa- e, mo e p ocessos a i p óp io. Começa po aze es an i i
p óp io o papel de acusado , depois o de juiz, só depois o de ad ogado de de esa; e uma ez po ou a aplica uma
pena a i mesmo!” (Séneca, 2014, p. 106. ên ases meus).
26 “(...)Acei o a minha ida?/Ou mexo no candeei o, /des io-o alguns cen íme os/na mesa, al e o/as elações
das coisas,/a inal ão ágeis/que o simples des io/dum objec o pode/ ompe o equilíb io?/Pego no ele one/e
g i o ao p imei o/desconhecido: ou es-me?/(…)“ (Oli ei a, 1995, p. 30).
27 “Não uma imagem jus a, mas jus amen e uma imagem” Deleuze apud Goda d
15
is o seja uma ejeição do meu Eu, que ab aça, nem do Eu-Ou o, que igualmen e ab aça. É o
que é e ainda nos colocamos na posição de Encon o (encon amo-nos no ab aço) ao
exis i mos o que somos.
O pensamen o sob e a inco po ação eal do é o que é (em esumo: é, apenas) le ou-me
a dois pon os dis in os. Po um lado, a di iculdade em pe gun a (di ago: qual se á a dis ância
exac a de pe gun a a ques iona ?). Po ou o lado, ao que signi ica ia – ao ní el da Pos u a - a
inco po ação des e es ado de acei ação-ac i a do mundo. Quan o a di iculdade de pe gun a –
que não é uma di iculdade de p ocu a mas a de a icula (como se gaguejasse an es da
p óp ia língua28)-, começo po uma desc ição da di iculdade de um início pa a a ança melho
(a ança com um oco, embo a sabendo o isco de en a na ia igno an e especializado –
e mo de Boa en u a Sousa San os [1987, p.88] que a in es igação po pon os dema cados
implica) com a p esen e pensacção (c . Eugénio, 2014) . Se ha ia já iden i icado g andes
a ec os com que que ia abalha , ou que que ia le a a abalhos, ha ia uma elu ância em
es en á-los pa a e melho (disseca um ex o de Llansol como se disseca uma ã pa eceu-
me pouco ap op iado). Aí assumi – o nei mani es o - que as in e ogações e am acas de
ma a magia: “Po que é que chegas e ão a de?”, “O que é que es ás a aze ago a?”, “Onde
es ás?”, “O que es ás a pensa ?”, “Como é que es ás assim es ido?”. As pe gun as êm um
quê de acusação. Fal a de con iança nas elações. Que ia unda um en e eu-a ec o que
i esse dessa con iança (e que i esse numa elação, que é a ec i a): ac edi o em i. Es a
pode ia se a ca a- esumo a odos os Encon os que i e em ida. “Meu ca o, Ac edi o em i,
Ca a ina”. Es e não-ques iona que assumi ambém como Pos u a-p óp ia – e que oi esul ado
da b echa29 que Is o é uma T agédia me deu a e – encon a um pa alelo em Fiadei o, quando
es e diz que man ém na somb a os a ec os, encon ando es a égias de es udo dos a ec os sem
olha di ec amen e pa a eles, pa a não os des ui .30 Não que endo des ui a ec os, e po que
odas as pe gun as me pa eciam g andes demais (ou pequenas31 o su icien e pa a “não pensa
nisso”), inclusi e um úl imo “Como?” a que es i e en ada. Assumi que um “como” e a
bas an e. “A solução pa a o p oblema es á na p óp ia o mulação do p oblema” (Wi gens ein
apud Mendes, 2017, em en e is a.). Como é o que é. É uma não-ques ão na medida em que
28 Es e an es es á em es abelecimen o de elação com Deleuze, quando es e ala de um encon a de um gaguejo
den o da p óp ia língua, com o sen ido de encon a um es ilo. Um dize p óp io, mas absolu amen e necessá io:
e en ão, não um so aque mas um gaguejo. (Deleuze e Pa ne . 2004. p.14).
29 Te mo que ou ouba a Eugénio e Fiadei o, 2013, p. 3.
30 Coelho, 2015, p. 277
31 Uso pequenas e g andes pa a ala de ques ões mas c eio que es a iam num limi e pa adoxal de escala.
Pequenas-g andes.
16
ambém é uma ques ão. Deleuze diz que as ques ões êm de se elabo adas po nós “com
elemen os indos de oda a pa e”(2004, p. 11) pa a que enhamos alguma coisa a dize , se no
las colocam não emos g ande coisa a esponde , em g ande pa e po que o sis ema pe gun a-
espos a é apenas um alimen a de dualismos. Es e como obse a i o – a ques ão-não-ques ão
que abdiquei de o mula – le a-me ao segundo pon o cha e do pensa es e espec áculo: como
é que se exp essa ia, ao ní el da Pos u a, a inco po ação des e es ado de acei ação-ac i a.
Como odos os pon os sepa ados: jun os o mam uma linha que, não só os une, mas os
a a essa (como uma ilus ação da dupla-cap u a deleuziana). Inco po a a acei ação-ac i a do
é o que é se ia assumi uma pos u a c í ica que não usasse acas mas ab aços como poé ica.
“Não mais odia se pode a quem se comp eende”33. Ape cebi-me do po encial de c iação de
elicidade (boa pos u a ou não angús ia) no não ques iona po ques iona , no caminha pa a
uma comp eensão: de como? (pe gun a que in e liga ia odos os ocábulos pensados a se em
e lec idos, ou e lec idos a se em pensados) que passa ia a: como. E es e como não é uma
pe gun a ine e (sem po ência de mo imen o, ou em es ado de is eza) ou uma in e ogação
silenciosa mas um lida com que usa os ab aços e a con e sa como e amen a e assim:
como.34 e não como?, que a ia consigo o po encial bélico do con on o “assim não”, “assim
sim”.
Gonçalo M Ta a es esc e e “É bom no a que, mui as ezes, dize : essa ase é um
absu do é, a inal, dize : eu não que o pensa sob e essa ase, ou: eu não que o pensa essa
ase.”(2013, p. 235). Ou seja, i e nos “achismos” (eu acho que “essa ase é um absu do”)
é inco po a uma ecusa, in iabiliza o es ado de disponibilidade pa a o Encon o. Que é o que
Viei a Mendes, nas suas pala as, diz numa ou a en e is a:
“(...)Po isso me i i a an o os que dizem “es e ex o é uma po ca ia, aquele espec áculo é uma
po ca ia”. Eu espondo, ai é? En ão po quê? E en o aze aquela pessoa e quem ela es á a se
naquele momen o pa a que comece a desloca o p oblema do espe áculo pa a si p óp ia.
Boa so e!
Sim, é mui o di ícil, mas é mais jus o na elação en e nós e um obje o. Quando as pessoas
dizem “ ea o é is o” es ão a exclui -se a si p óp ias enquan o pessoas que podem a ibui
signi icado as coisas, es ão a pa i de uma ideia essencial como se não i essem
33 “Não mais odia se pode a quem se comp eende:/ Assim, en o chega ao âmago das almas. / Pa ecemo-nos
an o! E su p eso descub o / No co ação dos maus algo de bem que p ezo / E a é no meu desp ezo alguma pa e
deles./ Po isso desp eza não ouso a nada: o ódio / Nenhum luga em mim cedeu pa a o desdém; / Nada é il sob
os céus, pois nada em ão exis e.” (Ca alho apud Guyau, 1992, p. 493).
34 “E a a o ma de a i ma , pe gun ando / como i e sem essa di e ença en e os deuses e os homens? / Um
ab aço uni e salmen e e dadei o. “ (Llansol, 1993, I).
17
esponsabilidade e i esse de se o espe áculo ou o ex o a dize -lhes o que êm de pe cebe .
Como se o mundo osse um dicioná io... “(en e is a com C is ina Pe es, 2016. ên ases meus)
To na Pos u a o é o que é, é um caminho pa a uma meno idade: o luga p opício a
eme gência da c iação de mundo, e a um es ado de aleg ia (em oposição a angús ia e is eza):
segundo Damásio, a neu obiologia da emoção e do sen imen os p opõe que a aleg ia nos
conduz a um lo esce c iado . É ambém o que apon am como necessá io Eugénio e Fiadei o
no ex o-mani es o “O Encon o é uma Fe ida” (2013, p. 3): “é p eciso abdica das espos as,
la ga a obs inação po se de ini o que as coisas 'são', o que 'signi icam', o que 'que em dize ',
o que ' ep esen am'.” po que “Isso só se e pa a angus ia . Não se e pa a mais nada. Se e
pa a ica es a pensa que e es á a al a qualque coisa pa a se es u p óp io. Mas não ale a
pena. Tu p óp io não exis es.”(Mendes, 2016, pp. 20-21) “Tu p óp io” se ia pa e dessa
obs inação po de ini e ca ego iza . Só há um u que és u, não um “ u p óp io”.
Fig. 1 - Fo og ama do ilme “Pickpocke ”, Robe B esson (1959).
Apesa de o ilme se em ancês, pa eceu-me um eliz acaso a legenda se inglesa. A
exp essão “ ha 's how i is”, acen ua o om do que é di o: mui o mais clínico. É o que é em
um ca ác e menos de ini i o e es á ico. Tal ez o seja. De pa ece a apa en a , há uma b echa.
18
O o na pos u a es e “ ha 's how i is” ou “é o que é”, az consigo a enúncia a uma
iolência, a do pe gun a . As obse ações con inuam pelo SOBRE A VIOLÊNCIA DO
PERGUNTAR.
Como um exemplo, não de má-pos u a – po que is o ca ega ia o om p imei o do
julgamen o mo al -, mas de uma pos u a an agónica a da meno idade, encon a-se o apon a
do dedo. O b aço sobe, icando ligei amen e a queado pa a baixo, não chegando a a ingi o
ângulo de no en a g aus com o co po que o sus en a, mas ainda es endido, a mão que a é aí
o a igualmen e es endida, como que saudando, echa sob e si mesma qua o dos dedos. Sob a
o indicado , es endido, acusado : u. Es e ac o de isolamen o de um co po – do exe cício de
pode de uma pos u a pe an e ou a – é uma es a égia iolen a de não ab aça e, de
segmen ando, exclui . Seja o que o . Apon a-se o que é es anho, o não no ma i o, sem uma
consciência e e sa de que nenhum indicado que se le an a pe an e alguém (um co po, uma
pessoa, uma pos u a, uma coisa) é ou o que não a excepção (a no ma é uma icção
gene alis a e con emos em nós semp e uma po ência de meno idade). O apon a do dedo es á
co elacionado com o ac o iolen o de ques iona : a necessidade de isolamen o pa a a on a .
A exigência de uma espos a, de uma a i mação. As p óp ias pala as – o dize , o o mula
qualque pos ulado – êm em si es a po ência de con on o: a de se em a i ma i as, mesmo
quando não o são.
Ainda que num sen ido di e en e do que o coloca a quan o ao ci cunsc e e , mas
ainda assim pe inen e pa a o disco e sob e a iolência; Albe o Pimen a, no p imei o
episódio de “A A e de Se Po uguês”, sé ie ealizada po Jo ge Lis opad pa a a RTP em
1978, em humo ís icos modos, e ela es a iolência do mui po uguês “quem é?” e as
ami icações que es e apon a do dedo – quem é aquele ou quem é es e – em. Quem é?
Signi ica não só sabe o nome, mas uma in inidade de in o mação: sabe apenas. Quem? O
que az, de onde em, qual a iliação, onde abalha... Não nos bas a e o quem, conhece o
quem. Temos de o sabe . Essa iolência de sabe (quando é que sabemos?, ou seja, qual o
limi e in e io da pe gun a quem é? Qual se á a pa e de que abdica emos pa a delinea , po
espos a, quem X é?), po pala as, em da iolência do pe gun a .
Complemen a Pimen a com “com os cães é mais simples, a ejam-se e sabem udo o
que que em sabe uns sob e os ou os” p ecisamen e po já não pe gun a em, po não
o mula em uma espos a e possuí em apenas essa in o mação de se econhece em es es
(es a em): são o que são. Cães. Cães de especí ico-chei o. Também Llansol econhece nos
19
o ma = con eúdo). No en an o não nos pode emos esquece , nes e ela o, da uncionalidade
do objec o sapa o e da uncionalidade da pa e do co po pé – que em dian e se á igualmen e
conside ado objec o.
O pé, como apoio do co po, é um dos luga es onde a pos u a co po al se o na isí el:
desalinhamen o da coluna, joelhos i ados pa a den o, laxidão das a iculações, pescoço al o,
cos as di ei as – odas es as a iá eis ísicas ganham exp essão – digamos pe sonalidade – no
co po do pé (como nos ou os co pos que o co po con ém). Nes a mis u a do pé com o sapa o,
a pe sonalidade do pé – exempla da pos u a co po al do indi íduo – en ola-se com a pos u a
social: equen o os meus sapa os como meio de anspo e? Sou seden á io? F equen o
mul idões? Pisam-me equen emen e? …?
A pos u a do co po mis u a-se com a pos u a do indi íduo pa a de e mina o uso do
sapa o (ob iamen e que se simpli icam algumas ques ões po o a, pa a a ança com imagens
e pensamen o sob e es a egulação).
En ão, duas pessoas dis in as usam (e es e uso como imos assimila pos u a do co po
com pos u a do indi íduo) dis in amen e o seu espec i o pa de sapa os. Nes e p ocesso de
uso – que é empo al, ou seja, os sapa os gas am-se po ia do seu uso no empo - o empo
assimila o uso po pa e de uma pos u a co po al que se ai mu ando pelo en elhecimen o
(embo a aqui possa se pouco ele an e) e, sob e udo, po uma pos u a social: o desgas e
assimila a memó ia do ajec o pessoal do indi íduo du an e o pe íodo de ida do sapa o.
A a és da eng enagem de pos u a co po al com o espaço en e o pé e o sapa o, que lhe
pe mi e, ao pé, um ce o espec o de libe dade de mo imen os – esul a a pos u a co po al
inal. Ou seja: o sapa o alimen a a pos u a e a pos u a alimen a o desgas e do sapa o.
O desgas e do sapa o, o esul ado inal do uso, é, pois, luga de memó ia de uma
i ência pos u al. En ão, quan o se começa a: duas pessoas dis in as usam dois pa es de
sapa os ambém eles dis in os, mui a coisa e a di a.
To nando a ec o o luga do objec o sapa o, como no ma ou es u u a egulado a, das
quais simul aneamen e pos u as se alimen am e são alimen adas, Vicen e (2016) congela O
uso (um empo pa icula de uso) – o nando objec o o espaço desse diálogo ( al ez discussão
seja um e mo mais jus o).
Usando o sapa o, desgas ado pela dis in a pos u a que o usou, como molde,
simul aneamen e omam o ma a Pos u a e o Tempo. Ou, Pos u a e Tempo (e alamos de
26
pa icula es pos u as e empos) são o ma, e dão-se a e num ou o peso: o do gesso, ma e ial
la e al da Escul u a (como disciplina), no malmen e usado na p epa ação do que se iam as
ob as inais. O molde – pe dido, uma só ez eplicá el – ala a ez da sua pa icula idade:
nem uma só ez mais se ia possí el cons ui o empo e a a iação daquela pos u a naquele
sapa o. A expe iência indi idual não é eplicá el, o co po en elhece, os caminhos pe co idos
mudam, os pés de o mam-se e as modas dos sapa os al e am-se.
Nes a mesma ob a – que se ap esen a pelo í ulo de objec o-eng ama I e II
( espec i amen e um e ou o pa de usos) – e emos ainda de conside a : a especi icidade do
espaço de p odução e ap esen ação (a ob a é esul ado de um pe íodo de esidência), os seus
acabamen os e o í ulo.
Es as escul u as o am p oduzidas em esidência a ís ica numa cidade (Cle mon -
Fe and) que es es sapa os nunca ha iam conhecido (e não chega am a conhecê-la). Pisado
solo ancês, os sapa os i a am molde, e ou os sapa os conhece am e inco po a am as uas.
O abalho ap esen ado nessa mesma cidade – a pos u a que se ap esen a e ida em objec o –
não a con empla, não a possui, como que a i mando: chegamos aqui assim. Quando aqui
chegamos ínhamos des e luga de Pos u a, ago a que saímos, ainda não nos conseguimos
pensa .
O luga de exposição – a sala da casa – oi ambém o luga de esidência. Os sapa os
eplica am o seu es a -na-sala, quando não em uso pos u al, mas em descanso indi idual: os
eus aqui, os meus ali. Quando me sen o no so á, um sapa o oa ans e salmen e pela sala, e
aí pousa, jun o ao aquecedo . Aí pe ence o eu im de pos u a e começa o luga da pos u a
p óp ia da pos u a-es agnada-congelada do sapa o.
Um pa de pos u a eng axada, ou o pa de pos u a en elhecido com e niz deco a i o
que imi a o c aclé ce âmico. Um quase lemb e e: lemb em-se que es e o na p esen e é,
ambém e já, o na also: da uma ma e ialidade a pos u a, assumi-la como di a, da -lhe
Imagem (como me á o a) é des azê-la, inibi-la, desimpulsioná-la. Assumi : a alsidade do di o
e o deco a i o do dize dando-lhe um co po, que não lhe pe ence, mas que é um co po also,
necessá io, pa a ainda se di o “deco ei- e a pos u a”.
Sob e o í ulo, esc e e-me o a is a:
“Eng ama é uma eo ia da á ea da neu opsicologia sob e memó ia(...). Em eo ia eng ama é
uma o ma do cé eb o gua da in o mação, é uma al e ação no cé eb o que é consequência de
es ímulos ex e nos combinados com a ua p óp ia in o mação gené ica.(…). A o ma como
27
segu as a esco a po exemplo é uma consequência da ua cons i uição ísica e de odas as
ezes que la as e os den es, o eu co po "ap endeu" a azê-lo daquela o ma. Assim como o
anda , co e . Uma manei a ácil de pe cebe o eng ama é quando ele desapa ece... Po
exemplo, quando alguém so e um AVC e pe de a capacidade de anda pode-se dize que uma
das consequências dos danos ce eb ais causados pelo AVC oi a pe da do eng ama
co esponden e ao anda , que es a ia alojado no cé eb o dessa pessoa, e que ago a em que
li e almen e eap ende a anda ou seja cons ui um no o eng ama.
Qualque écnica eque a cons ução de um eng ama.
Uma epe ição insis en e de uma acção le a a essa al e ação ce eb al, ambém al ez po isso
seja mais ácil ap ende es alguma coisa enquan o o eu cé eb o ainda es a em
desen ol imen o. Ou, po exemplo, pa a um jogado de hóquei ap ende a joga gol e, po
pode adap a as semelhanças e assim não e que cons ui a memó ia do ze o(...).” (Vicen e,
2016, em e-mail a mim ende eçado)
O que alimen a um co po de acções e pensamen o? A possibilidade de pensamen o é
ambém a possibilidade de mo imen os e de acumulação de “es a es”. Todo esse conjun o – o
luga au o e he e o cons uído do si – se á um possí el deslimi e ( ecupe ando a exp essão de
Manoel de Ba os) de Pos u a.
Não só como base, mas como apoio cons i u i o, And é Lepecki (2011, p. 47) ala-nos
de uma “polí ica do chão”, exp essão que ai ecupe a de Paul Ca e , e que co esponde ia a
um “a en a agudo as pa icula idades ísicas de odos os elemen os de uma si uação, sabendo
que essas pa icula idades se co o ma am num plano de composição en e co po e chão
chamado his ó ia“. Lepecki pega nes a “polí ica do chão” pa a pensa a dança e o modo de
di e en es chãos sus en a em – e egula em - di e en es danças, num p ocesso de au o-
cons i uição (en e dança e chão e chão e dança) con ínua.
Não só as danças es ão em cons i uição no chão. Todo o anda de um co po, como
ambém Lepecki analisa quan o a a qui ec u a das cidades e ao egulamen o co eog á ico que
es e exe ce c iando ilusões de neu alidade/ci culação li es, cons ói-se pa indo das
possibilidades de um exis i de um chão pa icula , mesmo que não u bano; a ma e ialidade
(um chão de e a, de cimen o, de a eia, com el a, uma es ada), a inclinação (desce uma ua
exige um anda di e en e de subi uma ua). E as a iações de con inuidade que nos o e ecem:
se subo em con ínuo um chão de cimen o ou se sigo um caminho que em modo al e nado sobe
e desce e passa de a eia a alca ão. Ou se pá o. Pa a numa es ada de alca ão ou pa a num
chão de el a e a di e ença pos u al que isso aca e a. Toda a consis ência do chão a ec a
ambém o anda , o co po, e é ambém, en ão, cons i uin e de uma pos u a. Mas não só pelas
28
di e enças ísicas que um pa a ca ega em di e en es chãos, pa a é di e en e em di e en es
chãos: pa a a meio de uma au o-es ada – um chão alca oado ese ado ao mo imen o
ápido de eículos – é necessa iamen e um ac o que ca ega uma consciência de si, po que em
no ma – e po p e isão ácil de uma consequência – pa a não se ese a as au o-es adas.
Pa a , como anda , em di e en es chãos, é cons i uin e en ão de uma Pos u a: ca ega uma
é ica consigo, algo que ai além de uma inconsciência ou de uma necessidade (pa a po es a
cansado, pa a po que me enganei no caminho), inco po ando-as (po que um ges o polí ico é
ambém uma necessidade): uma sel -awa eness que o co po en o ma e in o ma (daí o sapa o
como Imagem).
Também a ideia de eme gência é impo an e como pensamen o de possibilidades de
pos u a, mesmo nes e anda in o mado pelo chão que pisa. Ou seja: ab i caminho (de
pensamen o e de andamen o, que is o de i mo e de cons ução de um espaço i mado é
exe cício polí ico de au o e he e o egulação) é ambém possí el. Quando Richa d Long, em
“A Line Made by Walking“ (1967), anda pa a a en e e pa a ás num campo de el a, ab e
espaço pa a a e a se no amen e o chão: eme ge uma no a possibilidade de pos u a:
cons ói-se o chão de ab igo. Se eu sal a con inuamen e no empo numa es ada de alca ão,
encon o no amen e a possibilidade de a e a se o meu chão a eme gi . A calçada po uguesa
desgas a-se com o uso – com o uso que as pessoas lhe dão, com a equência com que habi am
esse luga de passagem- ua - , dando luga a esco egadias quedas.
Es as possibilidades especula i as dão a e a quão não longe dis ância es á a
aculdade de “c ia chão” - um chão ísico – po deslocação, esca ação, acumulação,
sedimen ação... - mas um chão que ambém po se ísico, po se o ma e ma é ia, é coisa. A
coisa que o chão é, e a sua pe missão de mudança pela Von ade, pelo exe cício de uma
Pos u a, pe mi em a modelação – ou egulação modelado a – do espaço es anho que o i e
ocupa nas nossas idas. A deus-meno idade, que es as obse ações p e endem i a
ca og a a , é a poé ica de cons ução de um chão é il. A e ilidade i á das Pos u as
exe cidas (ou acolhidas ou escolhidas), dos Sen idos inculados, eiculados.
Sob e a PROPOSTA DE UM P pa a es e es ado (la en e) do pensa Pos u a. O p capi ula
ca ega consigo o om-in ensidade da p opos a. A es e nome, a es e P, se de em es as
obse ações.
A nomeação p essupõe semp e uma mo e (ou ideia de mo e), um sabe enunciado de
29
um im, po que se a iscou a ança o nome.41 É um es ado complicado, es e, de i e apenas
da e na ansposição pa a um nome e de mo e -lhe (uma mo e pa ilhada, daí a es anha
conjugação). Con lui em segmen os algo que pe ence ao empo (um empo de T capi ula ): o
pensa . É um golpe bas a do. É necessá io aze dança os nomes que se eng enam - que são
espelho das Ideias - pa a o na jus a a p esen i icação (e não ep esen ação, que se epudia á
em dian e) de não-co pos42, pessoas. O pensamen o, po que humano, em duas pe nas.43
E a Pos u a – o nome e a Ideia que Pos u a é, sendo - sabe que essas duas pe nas são
não só a ami icação de um onco comum (o pensamen o em duas pe nas e dez dedos) mas o
po encial de enlace e_ou de acele ação e ab andamen o. Como os ecidos - ecedu a - ambém
os dedos se enlaçam em ama: encon am mãos a quem se jun am e ansmi em ene gia em
luxo. É o luga onde não só a Pos u a se pa ilha (ganha no os donos - e donos aqui ejei a a
noção de posse, mas pe manece com a pe ença) mas onde igualmen e se imiscui. Se á o seu
es ado de pe plicação, nome p opos o po Deleuze, pa a aze mo e (nomea ) o “es ado
dis in o e coexis en e da Ideia”: as Ideias são sendos alimen ados pelo con ex o, pelo exe cício
de si, pela pa ilha de espaço com ou as... As Ideias, que são semp e ideias-em- ida, ideias
em mo imen o, em mo imen o de de i . O plasma pode ia se uma imagem pa a pe plicação.
Aliás odo o sangue - desde a cons i uição ao seu es ado de eículo, de ansmisso e inclusão
numa máquina de máquina (o co po) - é bas an e pode oso pa a pensa Ideias. A é po que, não
o nando in isí el a abs acção, são-no.
Fo ma de es a não é Pos u a. Pos u a é o que compo a o de i animal deleuziano (no
41 É mui o exigen e es e p ocesso de nomeação que não só ap essa a mo e, como ence a a ida. E, ainda
assim, nomeando a é Nomea e dadei amen e – po eme a mo e da nomeação úl ima-, a conc e ização (de
uma Ideia?) exige es e Nome exclamado, nado-mo o de mo imen o. Tem que se i e o absolu o pa adoxo: só
se i e ealmen e o que se mo e absolu amen e. Esc e e, em elação com o di o, Llansol:
“Damos nomes ao que somos jun os, econhecendo que o Amo é o seu único nome, mas ememos dizê-lo pa a
não ap essa a mo e.
Não somos daqui, não somos es angei os aqui, nem aqui nos sen imos em exílio. O luga do nosso nascimen o
es a á connosco a é ao im. E, mesmo isso, não o dizemos abe amen e.
Sabemos que nada é indi e en e no nosso encon o e dadei o de pessoas. Mas é ão g ande o que se anuncia que
p e e imos cala o que emos anunciado. O nosso encon o é o iginal, p o é ico e único. Faz pa e das o igens,
insc e e-se num desígnio que ul apassa em mui o os aman es en ol idos e, no en an o, en ol e apenas os que
oca am en e si essa pala a.”. (Llansol 2000, pp. 286-87)
42 não-co pos, como em di e en e de co pos (ins alação da di e ença na negação, seguindo a linha deleuziana).
Co pos emanam já o chei o anunciado da mo e. Os cadá e es. ?-co pos pode ia se uma possibilidade. “de ?
co pos, pessoas”. Co pos p oblema izados. Explicando a iloso ia de Deleuze, José Gil, eco a-lhe as pala as
“A Di e ença não é o nega i o, pelo con á io, é o não-se que é a Di e ença: e e on, não enan ion. É po isso que
o não-se de e ia an es esc e e -se (não)-se , ou, melho ainda, ?-se . Acon ece, nesse sen ido, que o in ini i o,
esse, designa menos uma p oposição do que a in e ogação a qual a p oposição é supos a esponde . Es e (não)-
se é o Elemen o di e encial em que a a i mação, como a i mação múl ipla, encon a o p incípio da sua génese.”
(Deleuze apud Gil, 2008, p. 49)
43 í ulo da disse ação de Cos a (2016)
30
co po-consciência) – sou a p esa? Sou o p edado ? - Algo e_ou complemen a ao “Toma
Consciência” :: não oma consciência. An es de uma omada de consciência, há já a
consciência a se omada44 (como o mo imen o).
Como me coloca pe an e ____x____ se ia uma pe gun a a coloca a posição. Há
objec o, há posicionalidade : ma é ia de posições. Como me elaciona com ___x___ se ia
uma pe gun a a coloca ao modo da elação. Que pe gun a, en ão, coloca a Pos u a? A que é
que ela esponde? Po que não é em elação com ou o (nem que ou o-eu-mesmo), é o
in ínseco da minha possibilidade: o co po que em uma o ma, um sis ema (ou um
maquinismo), um anda , ges os, delicadezas, sensibilidades e in ensidades em po ência, o
co po que em ou acumula ambém memó ia. E que em assimiladas eacções e ap endizagens
no ma i as.
Esc e e Llansol:
“Eu nasci pa a acompanha a oz, azê-la pe co e um caminho. De um lado a ou o do
pe cu so, não sei o que exis e, o caminho caminha,
eu deslumb o-me quando o empo se suspende,
e me pe mi e pa a a con empla o espaço sem empo. Como, de es o, é e iden e, não i e
in enção de concebe -me. Dei comigo já sen ada no qua o das somb as com uma pe spec i a
de descida aos in e nos dian es dos olhos. Ninguém es a a a al u a de ecebe -me, nenhuma
elação e a exac a pa a me o na equilib ada, ou ú il. No qua o das somb as a luz en a a a
jo os po duas g andes janelas de sacada mas eu habi a a aí, não ul apassa a o limia do
co edo que possuía uma passadei a de oleado neg o e b ilhan e po que, diziam, ha ia um
an asma acoco ado a en ada e que, a inal, nada mais e a do que, a ce as ho as do dia, o
olume u ilan e do sol no oleado. Descob i que se, em ez de me concen a na somb a do
co edo , me dei asse de cos as a olha a mancha u ilan e, o meu olha pode ia ealiza o
caminho in e so da luz e pousa no amo mais al o da á o e e ap ende com es a a p oduzi
clo o ila – a p imei a ma é ia do poema.
Essa pos u a, no en an o, o nou-me malc iada. Eu de e ia c esce na di ecção do co edo , e
es a a a c esce na di ecção da á o e. Es i e quase a da ou idos a essa oz humana que
insis ia que eu es a a a c esce mal. E, de ac o, e a uma pos u a es anha. O meu co po
pe manecia dei ado,
no chão do qua o,
enquan o o meu olha ap endia a aze poemas. Com o empo, como se ia aquele co po,
44 Já não o e bo, mas o mo imen o num começo:
“No começo e a o mo imen o.
Não ha ia epouso po que não ha ia pa agem do mo imen o. O epouso e a apenas uma imagem demasiado
as a daquilo que se mo ia, uma imagem in ini amen e a igada que a ouxa a o mo imen o.” (Gil, 2001, p. 13)
31
sepa ado da poesia, ou com es a apenas a b o a do seu olha ? Tan o mais que, lá do al o, o
poema ia udo de cima e quase nada ia do que se passa a em baixo, a ol a do seu co po,
não sen ia a do que es e sen ia, a sua al a de espaço e de mo imen o,
a p essão ex e io que o impelia a en a no co edo e se menina,
esc e ia apenas que esse mal e a uma me á o a.” (Llansol, 2000, pp. 11-12)
A consciência do en o no o na p esen e a Pos u a. Se Pos u a é uma au o- egulação
cons an e e cons an emen e. Es a no mundo, agi com o chão, com o a , com a en ol ência.
Sabe que somos, mas que não somos ainda. Que exis imos. Que já exis imos, ambém, mas
não exis imos ainda. Não como uma al a de ac ualidade, mas com uma cons an e
ac ualização: a combinação do co po – que nasce com a Voz, que a consciência acompanha –
com o olha que o ul apassa (como de es o, bem o coloca Llansol quan o as suas p óp ias
incong uências quan o ao exis i no mundo ísico e no mundo da esc i u a)
Ainda assim, e mesmo podendo não o deseja , es amos já em posição.
A posição co po al, a posição geog á ica, a posição polí ica, odas os desdob amen os
de uma mesma posição: uma coo denada de espaço que não só nos localiza, mas nos de ine
po localização. Um engenho ca og á ico ou uma ca og a ia maquínica que nos impede a
não pe ença, e nos limi a a não- on ade de (es a em) posição: as aplicações do ele one
pe gun am-nos se que emos pa ilha a nossa localização, as edes sociais pe mi em-nos
ma ca os pon os po onde passamos (ou suge em-nos que os ma quemos), o uso do
mul ibanco pe mi e-nos pe cebe a dis ibuição geog á ica dos nossos gas os. O con o de
Bo ges, ganha uma ou a dimensão hoje, onde os mapas já não são coinciden es com impé ios
e p o íncias, mas a escala se in e eu, e ac escen ou-se mo imen o aos pon os: a ca og a ia é
de escala in e sa. Com o e i ó io a “pe de e eno” pa a a in o mação que se condensa
sob e as di e en es geog a ias num mapa só. Mas ão somen e o co po – que julgámos nosso -
nos exige a assumpção45: dei ado, de pé, sen ado, de ensi o, p ó-ac i o.. e é se e amen e
egulado pela p óp ia a qui ec u a do mundo (espaço cons uído pa a se mos). O co po dá-nos
is o, de se mos au oma icamen e e eno, “Te eno con enien emen e dispos o pa a nele se
es abelece uma o ça, sus en a um a aque, e c”46. Po que em posição, somos bélicos.
Os en amos um luga . Felizmen e há mo imen o. O mo imen o exis e como uma o ça que
con a ia – ou assim o pode – es a belicidade de se mos: há uma agilidade no mo e que
45 O uso des e e mo não é inocen e; não só assumi como ele a : assumi uma e icalidade ex ema: ele ação
46 "posição" (mili a ), in Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa.
32
imp ime a nossa decisão quan o a cons ução de mundo. Obse emos os ga os. Ágeis,
u i os, sedu o es. I edu i elmen e Boni os, com o seu encan o de p edado dócil, com o
pa adoxo em si de es a em em posição e de se mo e em eloquen es, em es ica es. Dão-nos a
imagem do co po como linguagem que assimila udo: o es a em posição, a impossibilidade
de uma mudez ou de um da -a-lei u a e ó ica de um pon o, combinado com uma
impossibilidade de lei u a po que em mu ação cons an e, absolu a, mesmo que pa ados. Ainda
que pa ados, em mo imen o. Ainda que ine es (pelo medo, pela angús ia, pela in elicidade)
ilegí eis, mesmo que pa ecendo p on os a p o e i uma p imei a pala a47. Mesmo do mindo.
Mesmo assumindo a posição ulne á el do do mi : ainda em mo imen o, em p o undo
desaco do com um con olo e lei u a absolu a (es a, da aís a), que não ou a que a in uída.48
Sob e a Pos u a como uma pa icula idade do sujei o humano e a sua ans e salidade
ao objec o e ao mundo (- a pos u a das coisas - que soa a um anunciado pa adoxo, mas que é
apenas uma dedicação da pos u a humana a elas mesmas e não elas p óp ias, em i o, a
assumi em um luga de pos u a); podemos conside a não só o homem com as suas aízes a
c esce em po den o dos luga es que ocupam (penso a cadei a em que me sen o mas penso
ambém com a cadei a em que me sen o, po isso a é ce a medida a p óp ia cadei a é o meu
pensamen o e é modelado a da minha pos u a, assim como a minha pos u a é a pos u a dela,
na medida em que ela é já ambém o meu co po [-de-pensamen o], e a molda- o ma-de o ma-
e o ma) mas ambém as p óp ias noções de linguagem e co po-linguís ico, que é o nosso,
humano (is o se á mais ou menos inegá el, embo a não seja um co po exclusi amen e
linguís ico).
Quan o ao homem a c esce po den o das coisas, con e indo-lhes po ex ensão
pos u as ( ico e icen e a aplica o capi ula P nes a si uação), há uma imagem li e á ia que me
pa ece pe inen e e oca . Em “A Máquina de Joseph Walse ” de Gonçalo M. Ta a es (2004),
Walse conec a-se de al o ma com a sua máquina de abalho, que quando o ho á io labo al
acaba (depois de mui os mo imen os epe i i os) e a máquina se desliga, Walse pe cebe que
ele não se desliga ambém (ou mo e) mas p ecisa de sen i a sepa ação – e a o ça que a
pa agem exige – puxando uma mesa de abalho, pa a ealmen e comp eende que ele não é a
máquina com que exe ce mo imen os ao longo do dia e pode , de ce a o ma, pode começa
o seu ajec o de pensamen o (que é ambém um ajec o de co po, e que, na junção, de
pos u a) indi idual ou agenciado, anspos o, p ojec ado nou os objec os-coisa. Ex a asando
47 Agamben, 1985, p.112
48 Sob e in uição: Be gson, 1927 e Deleuze, 1966.
33
o p óp io li o e a na a i a nele implíci a, pode ia especula se igualmen e a máquina, den o
do seu pensamen o maquínico sen e ambém necessidade de sen i a pa agem de mo imen o
pa a pode e lec i sob e a condição de pa agem (ou se esse pensamen o se á o p óp io
pensamen o do ab andamen o de uma eng enagem... o descon inua não é ab up o, al como
os mo imen os de consciência exige uma sub ileza pa a que a mudança possa se assimilada.
O que acon ece ia se, mais do que Walse , a p óp ia máquina não pe cebesse a sua condição
de pa agem? - e is o pode ia se ilus ado numa alha écnica de mecanismos ou de
mo imen os pos u ais de Walse , enquan o p ojec o de pos u a na máquina).
Ainda Walse , na sua elação com objec os-coisa do mundo, es abelece uma elação
pa icula – que az uma ou a e en e, ou pe spec i a, que pode á se
pensada/p oblema izada nes e pensamen o sob e a pos u a das coisas, mas igualmen e da
in luência – ou p ojecção - das coisas (das coisas a pensa em?) na Pos u a. E aqui ala-se de
uma possibilidade de pensa a in e são de Pos u a-coisa a se p ojec ada na Pos u a-pessoa.
Walse , ao longo dos anos, desen ol eu uma capacidade – que é ísica, muscula , mas
ambém, al como odo o mo imen o pensado ou no o, uma ampli ude da capacidade de
pensamen o (e aqui agimen o aplica-se) – de iden i ica com p ecisão pequenos
(especi icamen e com menos de dez cen íme os) objec os me álicos. Is o de e-se a sua
colecção. Colecção de objec os me álicos de menos de dez cen íme os. Apa e odas as
pa icula idades da na a i a e do p óp io pe sonagem – es a capacidade que ele desen ol eu
pode se pensada como uma possibilidade de capacidade que os objec os de menos de dez
cen íme os lhe de am a e . Como se o chamassem. A ealidade passa a se ans o mada
pelos objec os me álicos de menos de dez cen íme os, po que a pe spec i a de Walse sob e
eles – ou sob e uma paisagem com ou sem eles – a ia ou é de di e en e na u eza o seu e
esses objec os e o e objec os ou os, ainda que me álicos, ainda que pequenos. Hou e um
p ocesso de assimilação do mecanismo égua nos olhos, e da p ecisão, que ago a lhe olda não
só a isão, mas oda a Pos u a. Po que a Pos u a in eg a ambém – e a isca ia o sob e udo –
es as a ec i idades especí icas de um co po-pensamen o e de um pensamen o-co po exis i em
no empo. O a, se Walse adqui iu ca ac e ís icas pa icula es de isão e se o seu pensa se
desloca ambém em pa icula es de i ações nesses de aneios de coleccionado – oda a sua
Pos u a oi al e ada pelos objec os me álicos de menos de dez cen íme os.
Tal ez, depois des e passo a passo pela a ec i idade pa icula de Walse , se consiga
le melho a capacidade de a cadei a se p ojec a na Pos u a. Ainda que, de ce o modo, a
34
cadei a seja já u o de uma p ojecção de uma ou a (ou á ias) pos u as an e io es (quem a
pensa - a cons ói - a desenha...).
Sob e a Pos u a como pa icula idade ambém ela linguís ica – o mo imen o de
p oblema ização pode á se semelhan e ao dos objec os-coisa. Com, al ez, a di e ença de se
uma coisa que nos em como uma po encialidade no co po: não podemos ugi . (Ob iamen e
que não podemos ambém ugi de ou os agenciamen os maquínicos, que sejam o colo da
mãe [ al ez o p imei o exemplo de cadei a, ou de cama, pa a o nosso co po], ou o alimen o)
No en an o, pa ece que es e enómeno de se mos linguagem no nosso co po (ainda que
inicialmen e apenas em po ência, ou em po ência do que signi ica linguagem), é ambém pa e
do ne oei o que nos dá a e a nu em que Pos u a é.
Se á mais ou menos simples assimila que a linguagem molda a o ma como i emos.
Bas a -nos-ia, no limi e, imagina odas as elações in e pessoais sem discu so, o mundo sem
nenhuma pala a esc i a. Se pode á se mais simples pensa mos o silêncio da p óp ia pala a
em oz - uma ida de mudos – imagina a imagem de mundo sem a pala a egulado a: a lei
(que é a lei da sinalé ica, da indicação, da o ien ação de caminho) ai mui o além de pensa a
p óp ia p opos a polí ica do ana quismo, mas um modo de mundo que não há luga de se
imaginado, po se undamen almen e pa alelo. (Como i e de a ec os plenos que não
eiculados pela linguagem? Possi elmen e a pa i de ou os meios que o anspo assem nas
suas deambulações). Pensa os caminhos sem indicação de o a, os luga es sem nome. As
pessoas sem capacidade de se chama em (de se o na em nome – de as pala as con e em essa
a ec i idade pessoal que é e nome – imagine-se o nome de alguém amado, como o
p onunciá-lo é e oca mais do que uma pala a, um e mo, um nome – que é p óp io mas
igualmen e egis o de uma colec i idade - , mas um es ado: um luga , uma casa). Nes e
exe cício, consegue pe cebe -se que o p óp io co po ci cula ia de uma o ma di e en e. Po
exemplo, na cidade: na cidade odas as pos u as se iam diame almen e opos as, po que os
caminhos que se pe co em nos são indicados e o denados po um u banismo ambém ele
linguís ico. Pensando num luga isolado, onde (ainda) não p oli e a a pala a esc i a como
mandamen o, ou como manda ó io da acção, e onde ainda o silêncio se pode escu a .
(pa adoxizo – escu a o silêncio - e e oco John Cage com o seu exempla “4'33''” [1952])
Como in eg a aqui, a linguagem, a Pos u a? Mesmo no e mo, habi ando o que pode ia se um
silêncio-luga , a po ência da linguagem em nós exe ce um pode compo amen al. Nas
colhei as can a-se, e não só a en oada oz nos une-pos u a, como o di o se assimila ao aze ,
35
Há pouco de encon o ecíp oco: apesa de o Objec o – como passa ei a denomina , de
uma o ma gene alis a e um pouco ac í ica, oda a ob a mos ada den o des e con ex o de
exposição (ao in és de ou os modelos, como os das a es do espec áculo ou do cinema) – se
da a e como es ado congelado de um aze ou como ilus ação de uma ideia (dependendo
das poé icas e mui o das duas linhagens – p ojec ual ou p ocessual) ou seja, como é dado a
e pa a o encon o com o Ou o – o isi an e – as posições não pa ecem iguala -se. O objec o
não decide o empo de se deixa e , não decide quando se esconde, mesmo que, em si, o
p óp io objec o se esconda. O objec o es á no sí io de dominação. O pode é exe cido po
quem ê e decide: dedico empo, não dedico empo. Pá o, ando. Gos o, não gos o. Tudo
pa ece encon a -se numa unila e alidade es anha: o a is a pensa, p oduz, execu a – udo ao
mesmo empo ou aseadamen e – uma ob a esul an e é ap esen ada: es á ica ou não (a ob a),
é dada a e com a es a icidade p óp ia da cons ução de uma cidade. Assim, a exposição é
pa alela ao u banismo: a delineação do espaço, a melho ia da ci culação.
Pe gun o-me, mui as ezes, se quem isi a exposições não ap ecia esse momen o de
pode : de decidi : pá o, a anço. A quem dedico o empo?
Es ou em du idança – que é um es ado do du ida mais pe icli an e - que aqui se
possa unda um encon o jus o. É p eciso que os olha es se c uzem no mesmo ins an e: que
de epen e me possa o na ão imó el como a p óp ia imobilidade do Objec o: possa não
julga , só omá-lo, acei á-lo na sua exis ência e da -lhe a possibilidade de ab i a b echa em
mim, al como eu, ainda em eminiscência do meu pode de espec ado que se emancipou (c .
Rancié e, 2009), posso ab i a b echa nele. Com e idas abe as um no ou o, a indi e ença
com que nos pode íamos c uza é inú il: já nos encon amos.
Tal ez e adamen e, mas ando desac edi ada, an o des a disponibilidade pa a
dedicação de empo como no pode e_pa ado (que ol e a pa a o Ou o) do Objec o. Ou
melho , não do objec o mas da sua es a icidade – ou da sua po ência de não-Sen ido: Sen ido
com S capi ula , no seguimen o do que ap esen o como sendo Sen ido e não como abnegação
de uma e idência: udo signi ica, sendo ou exis indo. Tal ez e adamen e ambém, ando
encan ada com as pessoas, se ainda hou e humanos no mundo.
Encan ada é ealmen e o e mo ce o: assimila o encan o, a sedução, o ma a ilhamen o
e o en usiasmo. Há o mulações que me deixam apenas uma paixão nos olhos como esquício
de uma espe ança de mundo (como se, não ha endo humanos-en es não hou esse um mundo
possí el, mas uma impossibilidade de mundo.): como indi e ença pe an e um olha que
42
p ocu a ou o olha (?); como indi e ença pe an e duas mãos que conhecem o caminho pa a
se em jun as (?); como ecusa um beijo? Diz Ba os que “Sabedo ia pode se que seja se
mais/ es udado em gen e do que em li os.” (Ba os, 2016, p. 357).
En ão como e ainda um objec o a ís ico que não seja apenas p opagação do sis ema
(do capi al ou do pode – numa an í ese que não comp eendo ainda e que Má io de Sá-
Ca nei o condensa num e so de “Manucu e” “Que esc e em, mas êm pa ido polí ico” [Sá-
Ca nei o, 2007, p. 37] e que o inc í el humo lúcido de Paul La a gue ilus a com o sexo da
co esã:
“Em e dade os digo: a co esã é mais que ida ao nosso Deus do que o dinhei o do accionis a
ao inancei o; ela é a ilha bem-amada, aquela que en e odas as mulhe es obedece mais
docilmen e a sua on ade. A co esã a ica com algo que não se pode pesa nem medi , com
uma coisa ima e ial que escapa as sag adas leis da oca: ende amo , al como o me ceei o
ende sabão e elas, e o poe a ende ideal. Mas ao ende amo , a co esã ende-se, con e e ao
sexo da mulhe um alo . O seu sexo pa icipa assim nas qualidades do nosso Deus, o na-se
numa pa cela de Deus, é Capi al. A co esã inca na Deus.” [La a gue, 1996, pp. 46-47]
) mas ma que, ainda que indele elmen e, a pele? Que nos queime o os o como um
beijo so ido, que nos ab ace ainda - ou esbo e eie (embo a aqui, acile).
Em Junho e Julho abalhei du an e dois meses em Guima ães, como assis en e de uma
a is a (aqui, de ine-se a is a pelas alíneas da sociologia, e não pa indo de um julgamen o do
que se á, ou não se á a e e, po aí, o que se á, ou não se á um a is a). No undo – e como
ilus ação o mais iel da minha na a i a - , pa icipei enquan o ope á ia, numa máquina-
sis ema a ís ico. Se a is a (e es abeleço um pa alelo en e o mundo-a es- isuais com ou os
mundos a ís icos, mais ou menos pa alelos, seguindo-me mui o pelas enunciações de Howa d
Becke em “Mundos da A e” [1982]) hoje signi ica já compac ua com um ce o exis i –
aze exposições, mos a -se, é pa e do p ocesso. Nem que, no limi e, apenas seja po que
“Esc e e e não publica é um ac o e o çado de solidão” (Llansol, 2013, p. 154).
A in ensa expe iência da labu a despe ou em mim a la ência de esis ência: o que
signi ica hoje, hoje e ainda, e hoje de no o, es e aze se apenas pa a ac escen a uma
es ilizada beleza (num sen ido mui o la o e ques ioná el) ao mundo? Po quê ac escen a
objec os ao mundo, ainda que eles possam con e em si esquícios de uma on ade de pensa
que, no caso, se ia an e io (ou seja, compac uan e com um aze pós-concep ual: p ojec ual.
Penso p imei o, execu o depois.).
43
O que signi ica ainda exe ce uma es é ica, se es a não esul a de e e ec i a uma é ica53
– uma on ade ímpa de de i mino ia po excelência?
Angus iada com uma apa en e i esolução (como es a den o e es a o a? Como
acei a e exe ce mudança? Como c ia objec os com pensamen o e não da a luz nados-
mo os que apenas pe pe uam um sis ema de oca?), isi ei uma exposição. A exposição, de
a es plás icas, e a num espaço – desconhecido pa a mim a é en ão – chamado SOL PELE,
que é o diminu i o do e so “O sol acei a a pele pa a ica ”, do poe a ima anense João
Almeida. Um a is - un-space, como é ulga ago a chama -lhes: um espaço p og amado po
um a is a que não em ou o p opósi o que não da a e (se á que da a e di e e de expô
ou mos a ?) pensamen o a ís ico. Um ainda espaço de libe dade, seja lá que a ec os es a
pala a despe a hoje.
Ao chega ui ecebida po ês en es: um homem – o Max, um cão – que em o sexo
o o na nomeação p imei a (uma cadela): a Fá ima, e um ga o – o Zé. Uma bela íade – que
se ap esen a a como uma amília - se ap oximou da po a, me con idou a en a como um
amigo nos con ida a en a em sua casa, com uma e nu a de desconhecidos de longa da a.
Deu-se um Encon o.
53 Em “En e-modos. Um jogo d e-pe gun as a ol a do Modo Ope a i o AND”, documen o esc i o a pa i da
i ência de um cu so o ganizado pelo AND_Lab Cen o de In es igação em A e-Pensamen o & Polí icas de
Con i ência, esc e e Fe nanda Eugénio (ên ases meus): “En im, as coisas pa a acon ece em é po que oma am
o ma. Elas se pe - o ma am. Pe o ma , uma das manei as pelas quais podíamos abo da isso, se ia esse aze -
o ma ou en a -na- o ma. En ol e á semp e um ges o, uma omada de posição de um agen e, um aze . Mas há
doses, di e en es g adações de in e e ência, que pode emos dis ibui num con inuum que ai do manuseamen o
su icien e a máxima manipulação e desejo de con ole. Pe o ma pode, na sua mínima e são, se quase só
cump i uma po ência que já lá es eja naquilo que oi mapeado e, en ão, quase que esse pe em uma dimensão
de pe aze , de pe co e , de ci cunda ou ci cunsc e e pa a, po adensamen o, jun a -se ao o ma – e assim
e e ua e da co po... Se assim o , aquilo que se pe - o ma se á aquilo que p ecisa acon ece , o que o mais
jus o na elação com o que já lá es a a. E o a o se á meno , meno izado em au o ia. Ou seja, sem a imposição de
uma di eção que enha, po exemplo, de um epe ó io es é ico em pa icula . Em ez disso, se á uma escu a
disponí el as condições e a o es de si uação, um deixa -se a e a pelo que é possí el e p eciso a cada ez – se á
isso que i á dispa a o p ocesso da pe - o mance. Um abalho a pa i dos a e os e desapegado de con ola os
e ei os explici a á e acen ua á um uncionamen o que começa po pe co e o p oblema, po en a em co-
passionamen o com o alheio e, só depois, e po que se cump iu enquan o pe cu so (sem sal a e apas, sem
p essupo , mas indo de posição em posição, de pe o em pe o ), chega a pe o ma qualque coisa. Chega a
o ma; não já começa po ela. Chega à o ma se á o mesmo que dize : chega a uma es é ica eme gen e de
uma é ica. É ób io, po que quando se en a em acon ecimen o é po que ambém se en a em o ma: aquilo udo
que e a o ça se ins ancia, se pe o ma. Mas se es amos a p a ica uma é ica da su iciência, o desejo de con ola
essa o ma inal dá luga a um engajamen o no p óp io dob a-desdob a elacional, a uma a e ação sus en ada,
que ai cuidando dos e ei os eme gen es, sem se ocupa de ge a , ela p óp ia, qualque e ei o. Po que não é
p eciso ‘causa ’ – e nem há empo ou espaço pa a isso – quando se es á dedicado ao consequencia dos
acon ecimen os.”.
Es e exce o, cla o que em emissão pa a uma p á ica – um modo ope a i o – p a icado no AND_LAB
p oblema iza ou desdob a a p oblema ização que enuncio: como ainda deseja con ola (exe ce uma es é ica ao
in és de exe ce uma é ica do qual pe - o ma uma es é ica)?
44
Vi a exposição condicionada po um ab aço (me a ó ico) que me ha ia sido dado. A
exposição – de Felícia Teixei a e João B ojo, uma dupla de jo ens a is as do Po o –
me ece ia po si só um capí ulo: de uma pob eza que emon a a a e po e a, e de um discu so
implicado a ec i amen e chama a-se “Almoço de T abalhado es” e di igia-se a si uação em
que o p óp io espaço de exposição se encon a a (uma an iga áb ica de co umes
desocupada, ago a espaço de es údios, que co e o isco de se demolida pa a a cons ução de
um – desnecessá io – pa que de es acionamen o), pensando-a, num om de da -a- e e menos
de oma -posição.
O ex o, esc i o pelos a is as e que passo a ansc e e , de ão desc i i o, ab e-nos a
po a e deixa-nos en a :
“Segunda- ei a
2 de Maio de 2016
Um dia a segui ao dia do abalhado que es e ano coincidiu com o dia da mãe.
“Es ão con idados pa a um almoço de abalhado es na áb ica. :) a é já”
A en ada, em dia de abe u a ao público, é ei a po um pa que de es acionamen o.
Ha ia sol.
A oz com eijão e cou e.
Maçãs que sabem a maçã.
No inal, caminhámos pelo qua ei ão.
Na iela ao lado, que an igamen e se unia a da áb ica, ha ia um le ei o indicando se uma
ga agem de au omó eis.
En ámos.
“Aqui não há nada pa a e . Só pa edes!
Que em dei a is o udo abaixo e cons ui um pa que de es acionamen o público.
Mas a é e , a câma a aqui não manda nada!” ”
A exposição – que da a a e o espaço, mais do que se en a a impo nele – e a de
uma pob eza absolu amen e en e necedo a: alguém se deb uçou sob e o espaço e disse: o
impo an e és u. E oi. Apenas uma imagem – supõe-se que desse almoço de abalhado es
que o ex o anuncia (e que, em con e sa, pude sabe que se e e ia ao almoço pa a que ele
p óp ios – abalhado es a is as – o am con idados, pelo Max, na áb ica que é ago a o
espaço de exposição) e algumas linhas ama elas pin adas no chão. As linhas são a ma cação
de ês luga es de es acionamen o e, não osse a es anheza daquele luga se acedido apenas
45
po escadas, pa eciam pe ence -lhe. A iluminação, ab il, pode ia mui o bem coaduna -se
com um pa que de es acionamen o. A imagem, pob emen e imp essa, e di idida po uma
g elha, com as ma cas do seu p ocesso: uma imagem maio imp essa em pequenas po ções
A4. Is o apenas. Como in e enção pe mi e que a iqueza do espaço: o cimen o que es á
achado e que a linha ama ela acen ua, as janelas cujos id os es ão eneg ecidos pelo pó e que
lhe dão uma luz especial no im de a de... udo isso: é a exposição. “Imi a a uma ins alação./
Mas penso que seja um desobjec o a ís ico.” (Ba os, 2016, p. 349).
Es a exposição deu-me algumas luzes sob e o caminho a pensa : ou seja, caminho a
pe co e com pensamen o. O encan amen o de onde im depois de a e – em ensão opos a
com o es ado de desilusão que me in adia ao se engolida pelo sis ema ab il em que me
encon a a - modela a a minha p óp ia Pos u a: insis ia em empu a -me os omb os pa a cima
e a le an a -me os olhos pa a ho izon es com-possí eis com es e sis ema de as ixia ecíp oca
(p oduzo, engulo p odução, abso o p odução, abso em p odução, ep oduzo p odução,
p oduzo) – c esceu uma espe ança qualque . Nessa espe ança, e nou os luga es pa alelos,
ge mina am – ainda como concei os, que depois desen ola am pa a nomes-a ec o –
deus_Meno e deus_Meno idade.
Passado uns empos, o mesmo Max que me ecebeu e com quem con e sei
demo adamen e como amigos de longa da a a eencon a em-se, con ac ou-me com o con i e
a que expusesse no Sol Pele. O con i e e a sob e udo baseado na empa ia ecíp oca, no
mo imen o ge ado na con e sa, mas ambém – e sob e udo – nos silêncios. Um con i e que
inha do silêncio. E a já uma base absolu amen e posicionada pa a que o pensamen o se
desen ol esse po ou o caminho que não es e mesmo en e o con i e e a p óp ia
pe sonalidade do espaço: despojado, since o54. Na al u a do con i e, ma u a a-se ainda uma
eacção (que se en a po eme gência e não po u gência – mas agindo ainda no luga do
quen e) a es a lógica de p odução a ís ica: ha ia qualque coisa de obsceno em p oduzi
objec os, qualque coisa de epulsa em pensa dá-los a e , ainda que se man i esse o p aze
na ei u a (na a esania). Como ap esen a uma exposição sem objec os, com encon os
e dadei os e jus os, com since idade e azendo jus iça a oda a si uação enunciada
an e io men e?
Como é que se abdica, e ainda no luga de au o , de um pode con inuando ainda no
54 A his ó ia da pala a since o: sin ce a; Sem Ce a. No undo, iqueza. Uma exp essão escul ó ica que no
undo ilus a a iqueza de um mecenas. Escul u as que são unicamen e de ped a má mo e, sem alhas, sem
e oques de ce a. Uma memó ia da pala a que az a iqueza pa a um plano de impo ância-signi icação.
46
luga de quem “lança a p imei a ase”? (Tal ez) pa indo de uma pos u a da p imei a ase
lançada que p e ende ab aça quem em e não imp egna de alheamen o quem isi a.
Cons ui casas pa a se mo a em: casas pa a pensamen o, casas pa a a ec os ou casas pa a
co pos. E dessas casas esul a em imagens, e não das imagens esul a em as casas. O melho é
começa pelo essencial, e não pelo cap icho.
Com essa Von ade de ejeição de algo a se is o, mas um desejo la en e de con e sa:
de unda um luga de con e sa, encon o (…) en ópico, apa eceu como isso: um espaço de
con e sa; o mesmo espaço de con e sa que já e a o Sol Pele an es de eu habi a , expondo(-
me), nele mas comigo den o. Con e sa oi a exposição. No espaço, apenas cadei as, so ás,
almo adas ins aladas. As mesmas que es a am já no espaço, com uma con igu ação que lhes
suge i. Comecei a pensa : qual a posição das cadei as se i essem co pos den o, como é que
as cadei as podem es a na la ência-po ência de uma con e sa, an es mesmo de es a em, ou
depois mesmo de deixa em de es a ? Pequenos g upos, espaços p óximos, algumas e am
desleixadas, ou as ia-se que se a uma am no im. E assim começou uma imagem que
en a a não se me á o a. Não ha ia nada a se is o, que não ocupado ambém. Deseja a da
a e o encon o possí el que não só a ene gia daquele espaço p opicia a mas que pode em
semp e, no exis i .
E a uma co eog a ia em po ência, uma encenação p imei a, po que não há inícios que
não ou os que os alsos (es amos semp e no meio). Uma co eog a ia que começa a se
apon ada, e que na con inuidade do empo-uso, das pessoas e das elações e das con e sas lá
undadas, se ans o ma e o na i as as po ências: as cadei as des egulam-se pa a se
egula em i as. Quando a disposição se al e a: é na memó ia da dis ibuição que se gua dam
os mo imen os da con e sa. Con e sa-pala a, con e sa-co pos.
Con e sa não az ce o den o, embo a possa aze consigo uma maio ou meno
disponibilidade pa a que con e sa le e a encon os undamen almen e e dadei os –
p o ícuos, undado es – mas con e sa , enquan o ac o, não az assun o, não az ema, não
az e dade, po azões em pa alela semelhança ao es a de pé se já es a em mo imen o.
Também não ha ia luga pa a que se não alhasse, ou pa a que se alhasse (acho que
no limi e, os opos os de escala se unem em cí culo): odo o e o é acei e na p opos a, al ez a
p opos a seja alha inclusi e: alha uma expec a i a, do que é (uma exposição), do que pode
(uma exposição-con e sa). Falha pa a com um sis ema ins alado, que é um sis ema de
expec a i as, embo a plu ais.
47
Chá, bolachas e duas publicações – que e sam sob e os undamen os da p opos a e
que, como as cadei as, p e endem ap esen a -se como início also pa a que encon emos o
meio-conjun o (o chão) - pa a se em le adas pa a casa, pensando que o e a pode ca ega no
ges o um início gene oso. Um encon o no Sol, em dias de chu a.
Nas publicações, uma delas in i ulada “COLISEU/ uma i ência pé ida e de boni o/
(apon ações e conside ações)” e a ou a “ odo o ajec o, um oubo de caminho” pode le -se
“Sob e is o de es abelece encon os de Es capi ula es
ou de i e mos jun os
ou de e mos um Sen ido colec i o
ou de con e sa mos
ou de es abelece mos um plano comum
ou ainda ou os ous que são semelhan es em di e gência
eu nunca soube bem dize e oubei semp e mui as pala as. Às ezes sin o- me um ci ado -
independen e, e a condição i ónica a anha-me. Es ego-me, como os ga os nas e as, pa a
e i a o chei o in enso da i onia do meu co po-de-pala as. Às ezes aga o-me a o ça, que se
edob a no mul iplica po mui as ozes; na con e sa (ou en e, ou elação ou encon o),
apaixono-me de no o.” (Real, 2017)
ou
“é p eciso ainda e que
o luga do ou o é onde exis imos odos.” (Real, 2017)
Também o p óp io í ulo da exposição pa iu de ês Encon os undamen ais (ao meu
pensa , a cons i uição – ac i a – da minha p óp ia Pos u a): ês Encon os undamen ais,
de am-me e sos undamen ais, in i ula am o meu agi , no Aqui que a exposição cons uía, e
que es es encon os alimen a am, mesmo que não compa ilhando um mesmo espaço ísico,
mas um espaço la o em que a ene gia inha ambém deles. Dob ei, po isso, os possí eis
encon os em ês ( ês ene gias) que conjuguei numa mesma Pos u a-eu-pessoa, p esen e no
espaço como p opos a de início.
A amizade é um es ado undamen al de alimen o de pensamen o: o es ado a ec i o,
ca inhoso, que es a ca ega, ca ega de sen ido as pala as, os discu sos, as con e sas. As
elações – ambém as linguís icas - es abelecem-se num es ado de p o undidade. Amizade não
é em ex ensão, é caminha pa a o in e io . E po que a p opos a de exposição en a a localiza -
se num além supe ície, es e í ulo – í ulo que é semp e um anúncio de alguma coisa – que ia
48
azê-la den o. Po que is o de se a amizade, as elações em ida a se em mais impo an es do
que o mundo echado de qua o pa edes das exposições que de em pensa / se pensadas pode
ainda agi a ac i amen e o mundo – mesmo que somen e um mundo indi idual – ida-a e.
Po que é que es a expe iência de exposição e de abalho é impo an e pa a es e
con ex o de ala dos nomes-a ec o Pos u a, Sen ido e deus_Meno ? A on ade de cons ui
mundo é ele an e, na u almen e. Mas além essa mesma ele ância indi idual, de um
cons ui mundo-colec i o (no í ulo, na on ade do Ou o que em, na pa ilha, na con e sa,
na amizade) e a uma en a i a au o-conscien e de assumi uma Pos u a meno . Ou, pelo
menos, desassumi uma pos u a de maio idade. Inco po a as di ec i as iden i icadas de uma
meno idade, pa a que odo es e is o, e o ulgo com que o desc e o e o olho, e me apaixono de
no o pela sua in ensidade (deus-Meno ), o conseguisse ca ega ambém. Se meno como um
p ojec o é ealmen e uma p opos a es anha. Con a ia em g ande pa e o es ado in ui i o que
é e uma Pos u a. No en an o, podemos ainda caminha num ce o sen ido, decidi g ande
pa e das nossas escolhas. Se -meno pode se e ec i ado. Se -meno pode se uma e ec i a
mudança de mundo. Tal ez o luga de inícios seja p ecisamen e nes es luga es, onde se
ensaiam pensamen os. Onde se expe imen a, pa a se pode es a , possibilidades.
O exe cício de um pensamen o luído e sem ama as es á icas (não podemos supô que
o homem não em aízes que o ligam an o ao mundo como as das á o es, que se ligam e
alimen am da e a – mas podemos oma como exemplo o caso da palmei a-andan e Soc a ea
exo hiza) pode se omado como a ca ac e ís ica de DEUS_MENORIDADE. Ca ac e ís ica
ca ega a ca ego ização den o, e deus-meno idade não é uma ga e a, mas um aço. Uma
nu em, que não se aga a mas exis e, que lui en e es ados e se econs ói nas o mas.
Diz Deleuze, alando a pa i da sua expe iência de es udan e, “His o icamen e
cons i ui-se uma imagem do pensamen o, chamada iloso ia que impede as pessoas de pensa ”
(Deleuze, 2004, p. 24) - po que a his ó ia da iloso ia uncionou semp e como um ep esso -
o agen e do pode - de pensamen o (no o i o e mo en e) “como é que ocês que em pensa
sem e em lido Pla ão, Desca es, Kan e Heidegge , e o li o de al ou al sob e eles?”
(ibidem). E assim pe pe uou-se na iloso ia – apesa de não se já a sua his ó ia o ep esso ,
mas se e em consecu i amen e ocupado ou os desse papel - um pensamen o es anque, que
alimen a a a máquina-es ado, e que eme ia a um silêncio de pensamen o (de o mulação ou
de possibilidade de eme gência) os que o a des a. A disciplina semp e oi uma p isão. Ou - a
p isão semp e oi uma disciplina. Po que disciplina – o na disciplinado – é an es de mais e
49
sob e udo, um exe cício de pode .
Ainda Deleuze, alando do seu luga , exp essa o seu encan o po au o es que embo a
pa e da mesma his ó ia ep esso a da iloso ia lhe pa eciam ugi em mui os ou odos os
sen idos. Espinosa oi al ez a maio a ec ação e a ec o de Deleuze – segundo o di o em “O
Abecedá io de Deleuze” (1994), conjun o de en e is as en e an o emo ido do you ube –
onde ele desc e ia o seu p ocesso de abalho algu es como uma pesquisa mui o in ensa e
especí ica da qual depois se esquecia, após e minado o li o, após echa o esul ado.
Esquecia-se de udo, de odos. Menos de Espinosa. Espinosa sabia de co (exe cendo jogos
linguís icos di íceis de aze in ei os ao po uguês – c . De ida, 2003).
Tal ez aqui se ale igualmen e de uma meno idade de deuses, como a p e endo p opo
(embo a aqui aplicada di ec amen e a au o es, pensado es, a agi em den o da iloso ia):
Maio es (deuses) que ci culam den o e apa e, ex a asando, sendo enegados e
indisciplinados. E con inuamen e e em os seus cul os, os seus ado ado es. Os seus amado es.
Os amigos u u os llansolianos. E den o des a amizade, diz ambém Llansol, que se diz “(...)
que Fe nando Pessoa é um g ande poe a po uguês, mas eu, i endo a obse á-lo, não
encon o o g ande, mas o humano que me a ai / o humano de alguém.”(Llansol, 2015, p. 97).
Essa humanidade no alguém, que é uma amizade po linhagem que se es abelece, az a
meno idade den o, e não uma g andeza como ca ego ia. “A anquem-me es a g andeza! / -
P a que me sonha a beleza ,/ Se a não posso ansmig a ?...” exul a em pa adoxo Sá-Ca nei o
(2007, p. 18) , no seu limbo de on ade de possuição e de não possuição pa a almeja um
conhecimen o do ou o, que es á semp e a meio, que pode á apenas – e semp e - se uma
in uição de um conhecimen o e de um oque. As mãos – como os olhos que ca egam as
paixões, e a paixão- ulgo - são um se impo an e no que dizem no seu mu ismo. Sob e es e
conhecimen o – a ec i o – que se elaciona com o conhecimen o de Espinosa po Deleuze
es á ambém p esen e, ainda com Sá-Ca nei o, em “Con issão de Lúcio”, “uma icção do
a ec o como símbolo do conhecimen o” (Ma ins, 1998, p. 141), endo ambém p esen e que
es a ideia de comunicação - e sob e udo quando se ala de uma comunicação a ec i a, que
se á luga de um conhecimen o p o undo do Ou o, da ida - não pode almeja um odo
echado, mas um ínculo em es ado de luidez. Den o des a elação en e Lúcio e Rica do “a
iden i icação en e eles ep esen a a impossibilidade da comunicação no p óp io ins an e em
que ela se pe az. A iden i icação e ela-se a ídica. A comunicação absolu a imobiliza a
passagem da ene gia comunica i a.”. (ibidem) O encon o no mesmo pon o az com que as
50
linhas pe cam a sua ajec ó ia. “É que só a dispe são do idên ico con a, só ela é complexa e
p odu i a – a in e secção de imagens, a sob eimp essão, a mul i ocagem.” (ibidem). Há
espaço pa a nos pensa mos no espaço da ques ão: “como da um mu o na mesa sem da um
mu o e, no limi e, sem ha e mesa?”.
É pa indo de ce as singula idades pos u ais (quando, em ida, que o desc e e algum
compo amen o e_ou coisa que não en a numa ca ego ia de iden i icação ácil, u ilizo a
pala a “especí ico” como em “aquela pessoa em um humo mui o especí ico”; “ em um
compo amen o mui o especí ico”; “um sabo especí ico”), as que não encon am imagem que
não nelas mesmas, que o exe cício no mundo de um encan amen o a-pode oso (ou seja, o a
de uma escala de pode ) o na ascínio o en o no de uma exis ência. Exis i ascínio o na
possí el o deslumb amen o pelo exis en e, desmi i icando o édio, pa a que se possa queda
em mo imen os posi i os de co-c iação (a ís ica, ou não. Pense-se que exis i é já, em sen ido
linea , cons ui um caminho indi idual, e po que isso-is o da c iação é o cons ui do p óp io
caminho – ao in és de segui um plano possí el ao qual nos encaminham essas en idades
mís ico-op esso as que são as sociedades). Cons ui ascínio é ainda cons ui espaço pa a
que a eme gência do Boni o (e dos olhos que o conseguem ainda e ) se undem, c esçam e
lo esçam, num c esce que p oli e a num sis ema de ep odução semelhan e ao das plan as,
ou seja, que em de agencia a ep odução em ac o es conjec u ais que lhe são não ex e io es
mas con empo âneos e de pe ença a um mesmo eículo-sis ema. Há um con ibu o pa a que o
Boni o se ins ale: que é o se um pon o de um plano. Encon a ou os pon os é a exigência
pa a que se descub a qual o plano.
O que é o Boni o do mundo não pode se uma ques ão. O Boni o do mundo não em
um objec o exp esso: Boni o do mundo é um en e da elação; um modo de posi i idade
imp esso não só nas coisas que são as coisas, como nas coisas que são além-coisas, como no
en e coisas. Llansol em “O Azul Impe ei o”, esc e e que a sua maio esponsabilidade é
con ibui pa a que o li o seja um se . Llansol, ao o na um li o um se , ab e caminho pa a
que o Boni o seja agilizado, pa a que se agencie em ou os (em p imei o lei o es, em po ência
legen es, e em possibilidade amigos u u os). E que em ou os, se desdob e em ou os.
P oli e ando possibilidades de se es que azem da meno idade um es ado múl iplo. “Nasce
demo a a o empo de cons i uição de um mínimo possí el p eciso / e quando eu i esse
encon ado uma ase simples, mas não sozinha, o ex o li o e ia começado seu umo
ex ual.” (Llansol, 2015, p. 75). O umo , al como o eco, é um es ádio de p opagação: o
51
apenas eu não pesquise mas obse e o exis i (e há an o pa a pensa nesse mo imen o
mínimo de coloca os olhos).
Cla o que a linguagem se u a a dize an o – da escala do pa o a escala do pode - o
que pode ia ela con a os es a es ambi alen es do mundo: que ansladação imp óp ia!
En ão, al como ela (linguagem), assumo o meu luga de cons ução o en e : en e a
minha exis ência e o mundo: en e os meus olhos e os meus objec os: en e a minha idade e a
minha época: en e a cul u a pop de que não posso ugi ( al como não posso ugi da
linguagem – e de uma linguagem em uso p óp ia do meu pe cu so) e objec os que não
sabe iam, jamais, p onuncia le iandade.
É daqui que eu alo. E se a mim, que me sou, ainda me su p eende come gomas e
depois le Séneca, ou comê-las enquan o leio é possí el que a um Ou o que não pa ilha o
meu espaço de en e-coisas seja ainda mais i isó io o que peço no momen o des a des_lei u a
– poé ica a que me subme i. Que se engula udo: assimile-se mesmo, engolindo.
Inco po ando. Po que já não como? mas como apenas. E come az a boca a ás, a boca que
emi e g unhidos, onoma opeias quando em io, a boca que beija, a boca que so e, a boca
que cospe, a boca que diz, a boca que se desdob a em bocas e bocas, a iculadas com ou as
bocas, que se desdob am em bocas de bocas.
Pon os de comp eensão:
–Não in e ogação não signi ica ac í ica mas subs i uição do po quê pelo como, que
é ans e i a ag essão pa a a comp eensão das exis ências: não es ou a p ocu a da
o igem de po que acei ei que an es de uma O igem há ou a O igem. A ideia de
limi e ap oxima-se mui o a de o igem nos seus p oblemas. O quê ? E de epen e
exige-se um echa de possibilidades como se o mundo não osse e osse udo e
nada ao mesmo empo. (Ac edi o com o co po e com as pala as e com o co po de
pala as no es ado pa adoxal das coisas).
–Pos u a é um concei o-a ec o que es á a se ansmi ido po pala as, mas pode ia
op a po uma ou a ia pa a se exp esso. Pos u a em do co po. Pos u a em de
linhagem. Pos u a em de um ce o es a .
–Sen ido é ambém um concei o-a ec o, que agencia a Pos u a com o empo – não
necessa iamen e o empo no ma i o, mas um empo de andamen o. Sen ido
ca ega consigo o luga de habi a – que as ezes não é uma casa.
58
–deus_Meno idade é um es ado de Pos u a exal ado, dono de encan amen o não-
op essi o, não incula i o. Pode oso no que em de admi á el – e essa capacidade
de se desdob a em ado amen os eme e a uma eligiosidade ou a um mis icismo
que é uma ligação a algo que não é maio , apenas p ecioso. Meno po que assume
o mínimo como luga de acção, a pob eza que az uma não os en ação consigo,
um es ado que é ambém um luga pa a ou os habi a em. Se po ado des as
ca ac e ís icas ( odos os en es o podem) em um e ei o de posi i idade (b ilho) no
caminho: ca ega uma luz.
59
BIBLIOGRAFIA
AGAMBEN, Gio gio. Ideia da P osa (1985). ad. João Ba en o. Lisboa: Edições Co o ia,
1999
ANDRADE, Ca los D ummond de. An ologia Poé ica. Al agide: Publicações Dom Quixo e,
2001
BADIOU, Alain. Pequeno Manual de Ines é ica (1998). ad. Ma ina Appenzelle . São Paulo:
Es ação Libe dade, 2002
BARRENTO, João. Na Dob a do Mundo – Esc i os Llansolianos. Lisboa: Ma iposa Azual,
2008
--- A Pala a T ans e sal. Lisboa: Edições Co o ia, 1996
--- Umb ais. Lisboa: Edições Co o ia, 2000
---- Uma Se a no Co ação do Dia. Lisboa: Edições Co o ia, 1998
BARRENTO, João e Al. T ans-dize . Llansol adu o a, aduzida, ansc iada. O g. João
Ba en o e Ma ia E el ina San os. Lisboa: Ma iposa Azual, 2014
BARROS, Manoel de. Poesia Comple a (2010). Lisboa: Relógio D'Água, 2016
BARTHES, Roland (1953). No os Ensaios C í icos seguidos de O G au Ze o da Esc i u a.
T ad. Heloysa de Lima Dan as. São Paulo: Edi o a Cul ix, 1974
--- O P aze do Tex o (1973). ad. J. Guinsbu g. São Paulo: Edi o a Pe spec i a, 1987
BECKER, Howa d. Mundos da A e (1982). T ad. Luís San Payo. Lisboa: Li os Ho izon e,
2010
BERGSON, Hen i. Ensaio sob e os Dados Imedia os da Consciência (1927). T ad. João da
Sil a Gama. Re . Vic o Sil a. Lisboa: Edições 70, 2011
BRANDÃO, Fiama Hasse Pais. Can os do Can o. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 1995
BOHM, Da id. On Dialogue.
CARDOSO, Miguel. Ví e es. Lisboa: Tin a da China, 2016
60
--- Pleno Emp ego. Lisboa: Douda Co e ia, 2013
CASTRO, E nes o de Melo e. IN-NOVAR. Lisboa: Plá ano Edi o a, 1977
--- En e o Rigo e o Excesso: Um Osso. Po o: Edições A on amen o, 1994
--- Resis ência das Pala as. Lisboa: Plá ano, 1975
CELAN, Paul. Não Sabemos Mesmo o Que Impo a (1952). T ad. Gilda Lopes Enca nação.
Lisboa: Relógio D'Água, 2014
CESARINY, Má io. Manual de P es idigi ação (1981). Lisboa: Assí io&Al im, 2008
DAUMAL, René. A Gue a San a (1940). T ad. An ónio Ba ahona. Lisboa: Assí io&Al im,
2002
--- A G ande Bebedei a (1938). ad. Lu des Júdice. Lisboa: Dois Dias Edições, 2016
--- O Mon e Análogo. ad. Lu des Júdice. Lisboa: Vega, 1992
DAMÁSIO, An ónio. Ao Encon o de Espinosa. Mem Ma ins: Publicações Eu opa-Amé ica,
2003
DELEUZE, Gilles. Di e ença e Repe ição (1968). ad. Luiz O landi e Robe o Machado e .
Manuel Dias. Lisboa: Relógio D'Àgua Edi o es, 2000
--- Nie zsche (1965). ad. Albe o Campos. Lisboa: Edições 70, 2014
--- O Be gsonismo (1966). São Paulo: Edi o a 34, 2004
---“Um Mani es o de Menos”, in Sob e Tea o: Um Mani es o de Menos: O Esgo ado (1979).
Rio de Janei o: Jo ge Zaha Edi o L da., 2010
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Mil Planal os (1972). ad. Ra ael Godinho. Lisboa:
Assí io e Al im, 2007
--- (1991) “Pe cep o, a ec o e concei o”, in O que é a iloso ia?. Lisboa: Edi o ial P esença,
1992
--- O An i-Édipo (1972). ad. Joana Mo aes Va ela e Manuel Ma ia Ca ilho. Lisboa: Assí io
e Al im, 2004
61
DELEUZE, Gilles e PARNET, Clai e. Diálogos (1966). ad. José Gab iel Cunha. Lisboa:
Relógio D'Água Edi o es, 2004
DERRIDA, Jacques. Che cos' è la poesia? (1922). T ad. Os aldo Sil es e. Coimb a: Angelus
No us, 2003
ESPINOSA, Ben o de. É ica (1677). ad. Joaquim de Ca alho, Joaquim Fe ei a Gomes e
An ónio Simões. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 1992
EUGÉNIO, Fe nanda e al. “En e-modos. Um jogo d e-pe gun as a ol a do Modo
Ope a i o AND” (documen o esc i o a pa i da i ência de um cu so o ganizado pelo
AND_Lab Cen o de In es igação em A e-Pensamen o & Polí icas de Con i ência). Re is a
U dimen o nº27. Dezemb o: 96-123. Flo ianópolis, 2016
EUGÉNIO, Fe nanda e FIADEIRO, João. O Encon o é Uma Fe ida (exce o da con e ência-
pe o mance Secalha idade). Lisboa: Cul u ges , 2012 ( e em: h p:// e-al.o g/sob e-
and_lab/o-encon o-e-uma- e ida/ )
FAZENDA, Ma ia José. Dança Tea al. Lisboa: Edições Colib i, 2007
FARIA, Daniel. Poesia. Lisboa: Assí io&Al im, 2012
FIADEIRO, João. I Am He e. Lisboa: Cen o Cul u al de Belém, 2004
GIL, José. O Impe cep í el De i da Imanência. Sob e a Filoso ia de Deleuze. Lisboa:
Relógio D'Água Edi o es, 2008
--- Mo imen o To al. ad. Miguel Se as Pe ei a. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 2001
---Cemi é io dos Desejos. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 1990
GREINER, Ch is ine. O Co po – Pis as pa a Es udos Indisciplina es. Coimb a: Annablume
Edi o a, 2012
GUNN, Thom. A Des uição do Nada e Ou os Poemas. ad. Ma ia de Lou des Guima ães.
Lisboa: Relógio D'Água: 1993
HATHERLY, Ana. In e aces do Olha : um An ologia C í ica, uma An ologia Poé ica. ed.
José Vicen e. Lisboa: Roma Edi o a, 2004
HELDER, He be o. Pho oman on&Vox. Lisboa: Assí io&Al im, 1995
62
HOLDERLIN, F ied ich. Dio ima. Sin a: Cola es Edi o a. (sem in o mação de da a)
KVENDSETH, Gab iel Johann. Xul u e: The Book o Quoe y. Oslo: Gab iel Johann
K endse h, 2015
LAFARGUE, Paul. A Religião do Capi al. T ad. Célia Hen iques e Vi o Sil a Ta a es.
Lisboa: &ETC, 1996
LEPECKI, And é. Co eopolí ica e Co eopolícia. ILHA ol 13, no1 Jan./Jun.: 41-60. New
Yo k: 2011.
LEVINAS, Emmanuel. To alidade e In ini o (1980). ad. José Pin o Ribei o. Re . A u
Mou ão. Lisboa: Edições 70, 2016
LISBOA, An ónio Ma ia. Poesia. Lisboa: Assí io&Al im, 2008
LISPECTOR, Cla ice. Todos os Con os. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 2016
LLANSOL, Ma ia Gab iela. Onde Vais, D ama-Poesia?. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es,
2000
--- Holde , de Holde linn. Sin a: Cola es Edi o a, 1993
--- O Raio Sob e o Lápis (1991). Lisboa: Assí io e Al im, 2004
--- O Li o das Comunidades. Po o: Edições A on amen o, 1977
--- Fini a. Lisboa: Edições Rolim, 1987
--- A Res an e Vida. Lisboa: Relógio D'Água, 2001
--- O Jogo da Libe dade da Alma. Lisboa: Relógio D'Água, 2003
--- Um A co Singula - Li o de Ho as II. Lisboa: Assí io&Al im, 2010
--- Lisboaleipzig (1994). Lisboa: Assí io&Al im, 2014
--- O Azul Impe ei o - Li o de Ho as V. Lisboa: Assí io&Al im, 2015
--- Os Can o es de Lei u a. Lisboa: Assí io&Al im, 2007
--- A den e Tex o Joshua. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 1998
--- Na Casa de Julho e Agos o. Lisboa: Relógio D'Água, 2003
63
--- Os P egos na E a. Lisboa: Edições Rolim, 1962
--- Um Falcão no Punho (1985). Lisboa: Relógio d'Água, 1998
--- Nume osas Linhas – Li o de Ho as III. Lisboa: Assí io&Al im, 2013
--- Pa asce e. Lisboa: Relógio D'Água, 2001
--- O Começo de Um Li o é P ecioso. Lisboa: Assí io&Al im, 2003
LOPES, Adília. Dob a – Poesia Reunida. Lisboa: Assí io&Al im, 2014
LOUPPE, Lau ence. Poé ica da Dança Con empo ânea (1997). ad. Ru e Cos a. Lisboa:
O eu Neg o, 2012
LOUYS, Pie e. O Sexo de Le de Bíli is (1894). T ad. Ma ia Gab iela Llansol. Lisboa:
Relógio D'Água, 2010
MANTERO, Ve a. A Dança do Exis i . Belém: Cen o Cul u al de Belém, 1999
MENDES, José Ma ia Viei a. A oios – Diá io de um Diá io. Lisboa: Dois Dias Edições,
2015
--- Despe a da P ima e a, uma T agédia de Ju en ude. ( ad. do ex o de F ank Wedekind
pa a o espec áculo homónimo dos Tea o P aga) Lisboa: Edição Tea o P aga, 2017
--- Is o. Tex o pa a o espec áculo “Is o é uma T agédia” de Cão Sol ei o e Vasco A aújo.
Lisboa: Edição Tea o Municipal Ma ia Ma os, 2016
MOLDER, Ma ia Filomena. Ma é ias Sensí eis. Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 1999
MONTAIGNE, Michel. Ensaios (1580). T ad. Rui Be and Romão. Lisboa: Relógio D'Água
Edi o es, 2016
NIETZSCHE, F ied ich. Assim Fala a Za a us a (1883). T ad. Al edo Ma ga ido. Lisboa:
Babel, 2015
--- O An ic is o (1895). ad. Ta a es Fe nandes. Mem Ma ins: Publicações Eu opa-Amé ica,
2003
--- Ecce Homo (1908). ad. A u Mou ão. Lisboa: Edições 70, 1989
64
OLIVEIRA, Ca los. O Ap endiz de Fei icei o. Lisboa: Li a ia Sá da Cos a Edi o a, 1995
PIMENTA, Albe o. Ainda Há Mui o Pa a Faze . Lisboa: &ETC, 1998
--- O Desencan ado . Po o: 7 Nós, 2011
--- O Silêncio dos Poe as (1978). Lisboa: Edições Co o ia, 2003
--- que la ei as na lo es a. Po o: 7Nós, 2010
–- Labi in odon e (1972). Po o: 7Nós, 2013
PINTO, Diogo Vaz. Anonima o. Lisboa: &e c, 2015
POUND, Ez a. ABC da Li e a u a (1934). T ad. Augus o de Campos. São Paulo: Edi o a
Cul ix, 2006
--- Do Caos à O dem. T ad. Luísa Campos e Daniel Pea lman. Lisboa: Assí io&Al im, 1983
RANCIÉRE, Jacques. Emancipa ed Espec a o (2008). ad. G ego y Elli o . Lond es: Ve so,
2009
--- A Pa ilha do Sensí el: Es é ica e Polí ica (2000). ad. Mónica Cos a Ne o. São Paulo:
Edi o a 34, 2009
--- O Des ino das Imagens (2003). T ad. Luís Lima. Lisboa: O eu Neg o, 2011
REAL, Ca a ina. Coliseu. Guima ães: publicação do au o , 2017
RÉGIO, José. Cân igo Neg o – An ologia Poé ica. O g. Luís Ad iado Ca los e Val e Hugo
Mãe. Vila No a de Famalicão: Quasi Edições, 2005
RIBEIRO, An ónio Pin o. 2017. “ Canções pa a uma Fes a” disponí el no olhe o do conce o
homónimo. Lisboa: edição Tea o Municipal S. Luiz, 2017
SÁ-CARNEIRO, Má io de. Poemas. ed. Fe nando Cab al Ma ins. Lisboa: Assí io&Al im,
2007
–- A Con issão de Lúcio (1914). ed. Fe nando Cab al Ma ins. Lisboa: Assí io&Al im, 1998
SANTOS, Boa en u a de Sousa. “Seis Razões Pa a Pensa ”. Re is a Lua No a nº54.
Janei o:15-23. São Paulo, 2001
65
--- Um Discu so Sob e as Ciências (1987). São Paulo: Co ez, 2008
--- “Pa a uma Sociologia das Ausências e uma Sociologia das Eme gências”. Re is a C í ica
de Ciências Sociais 63, Ou ub o: 237-280. Coimb a, 2002
SENA, Jo ge de. A A e de Jo ge de Sena. Ed. Jo ge Fazenda Lou enço. Lisboa: Relógio
D'Água, 2004
SÉNECA, Lúcio Aneu. Ca as a Lucílio. T ad. J.A. Segu ado e Campos. Lisboa: Fundação
Calous e Gulbenkian, 2014
SILVA, Paulo Cunha e. O Luga do Co po: Elemen os pa a uma Ca og a ia F ac al (1996).
Lisboa: Ins i u o Piage , 1999
STILES, K is ine (ed.). Theo ies and Documen s o Con empo a y A . Cali o nia: Uni e si y
o Cali o nia P ess, 2012
TAVARES, Gonçalo M., B e es No as sob e as ligações (Llansol, Molde e Zamb ano).
Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 2009
--- A las do Co po e da Imaginação. Al agide: Edi o ial Caminho, 2013
--- A Máquina de Joseph Walse . Lisboa: Caminho, 2004
TAVARES, Vi o Sil a (ed.). Achas Re olucioná ias:STRINDBERG – pequeno ca ecismo
pa a uso da classe in e io ; MALEVITCH, Kazimi – A p eguiça como e dade e ec i a do
homem; OSWALD John – O Go e no do Po o. ad. Cecília Hen iques e Vi o Sil a Ta a es.
Lisboa: &ETC, 1999
WHITEHEAD, Al ed No h. Simbolismo (1927). ad. A u Mou ão. Lisboa: Edições 70,
1987
WITTGENSTEIN, Ludwig. T a ado Lógico-Filosó ico (1922) – In es igações Filosó icas
(1953). ad. M.S. Lou enço. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 2015
TESES ACADÉMICAS CONSULTADAS
COELHO, Síl ia Pin o. Co po, Imagem e Pensamen o Co eog á ico. Tese de Dou o amen o
em Ciências da Comunicação, especialidade Comunicação e A es. Uni e sidade NOVA,
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2015
66
--- O Espinho de Kleis e a Possibilidade de Dança -Pensa . Disse ação de Mes ado em
Ciências da Comunicação, Cul u a Con empo ânea e No as Tecnologias. Uni e sidade
NOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2010
COSTA, José. Um Pensamen o Com Duas Pe nas. Rela ó io de P ojec o de Mes ado em
Pin u a. Uni e sidade do Po o, Faculdade de Belas A es, 2016
MADALENO, Tiago. Clepsid a – Imagem, Documen o e Acção. Rela ó io de P ojec o de
Mes ado em Pin u a. Uni e sidade do Po o, Faculdade de Belas A es, 2016
SILVA, Susana Mendes. A Pe o mance Enquan o Encon o In imo. Colégio das A es.
Uni e sidade de Coimb a, 2011
EVENTOS (espec áculos, con e ências, conce os):
ARAÚJO, Vasco e SOLTEIRO, Cão. Is o é uma T agédia. Lisboa: Tea o Municipal Ma ia
Ma os, 2016
BALSECA, Ad ian. The Skin o Labou . Lisboa: Gale ia Mad agoa, 2017
BALDAIA, Diogo. Mi agem Meus Pu os. Lisboa: Cinema Ideal, 2017
BENDER, Adelhyd, e al. C acking he Code. Cu ado ia An onia Gae a. Lisboa: Apple on
Squa e, 2016
BLAUFUKS, Daniel. Ten a i a de Esgo amen o. Lisboa: Gale ia Ve a Co ês, 2016
BRESSON, Robe . Pickpocke . Visualização on-line, en e an o in e ompida
BROJO, João e TEIXEIRA, Felícia. Almoço de T abalhado es. Guima ães: exposição no
SOL PELE, 2016
CALDAS, Miguel Cas o. Se Eu Vi esse Tu Mo ias. Lisboa: Cul u ges , 2016
CASTRO, Lou des. Álbum de Família. Lisboa: Cul u ges , 2016
CHAIGNAUD, F ançois e BRÉBANT, Ma ie-Pie e. SYMPHONIA HARMONIAE
CAELESTIUM REVELATIONUM. Inse ido na Boca Bienal. Lisboa: Tea o Municipal de São
Ca los, 2017
CINZAS, Volúpia das. Lisboa: Zé dos Bois, 2017
67