scieee Science in your language
[po] (orig)

A representatividade da comunidade negra no jornal Público: Análise da cobertura das mortes de George Floyd e Bruno Candé

Abstract

O presente relatório de estágio pretende identificar e analisar os padrões utilizados na cobertura mediática do jornal Público de acontecimentos que envolvem a comunidade negra. Utilizaremos como estudo de caso a cobertura jornalística das mortes de George Floyd e Bruno Candé no jornal Público durante o período em que realizei o estágio no meio de comunicação, entre 1 julho e 30 de setembro de 2020. A análise surge num contexto de reacendimento do movimento Black Lives Matter, após a morte de Floyd, e o impacto internacional que teve. No caso do Público, não identificámos os padrões de reforço de estereótipos, contextualização negativa e falta de contextualização, mas existe um défice de jornalistas negros e de fontes jornalísticas não brancas.

Read accessible full text

A representatividade da comunidade negra no jornal Público: Análise da cobertura das mortes de George Floyd e Bruno Candé

Author: Ribeiro, Beatriz Cardoso
Year: 2021
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/131198/1/Relat%c3%b3rio%20Est%c3%a1gio%20Beatriz%20Ribeiro%20RUN.pdf
A ep esen a i idade da comunidade neg a no jo nal Público: Análise
da cobe u a das mo es de Geo ge Floyd e B uno Candé
Ve são co igida e melho ada após de esa pública
Bea iz Ca doso Ribei o
Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Jo nalismo
Agos o 2021
Rela ó io de es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo, ealizada sob a o ien ação
cien í ica de Ca la Bap is a
Ag adecimen os
Um g ande ob igada à minha amília pelo apoio du an e os meses dedicados a es e
ela ó io, às amigas e amigos pelas con e sas e lei u as que pa ilhámos e à P o esso a
Ca la Bap is a pela o ien ação e ecomendações essenciais pa a es e esul ado inal.
Ob igada ao Público pela expe iência de es ágio.
Um especial ag adecimen o a odas e odos que en e is ei pa a o ela ó io de es ágio, pela
pa ilha de expe iências pessoais e opiniões essenciais: Ma iama Injai, An ónio Tonga,
Pa ícia Mo ei a, Daniel Sil a, Paula Ca doso e Ana Paula.
Resumo
O p esen e ela ó io de es ágio p e ende iden i ica e analisa os pad ões u ilizados na
cobe u a mediá ica do jo nal Público de acon ecimen os que en ol em a comunidade
neg a. U iliza emos como es udo de caso a cobe u a jo nalís ica das mo es de Geo ge
Floyd e B uno Candé no jo nal Público du an e o pe íodo em que ealizei o es ágio no meio
de comunicação, en e 1 julho e 30 de se emb o de 2020. A análise su ge num con ex o de
eacendimen o do mo imen o Black Li es Ma e , após a mo e de Floyd, e o impac o
in e nacional que e e. No caso do Público, não iden i icámos os pad ões de e o ço de
es e eó ipos, con ex ualização nega i a e al a de con ex ualização, mas exis e um dé ice
de jo nalis as neg os e de on es jo nalís icas não b ancas.
Abs ac
The ollowing pape aims o unde s and how media co e age in Público, a daily newspape ,
ela ing o he black communi y is p esen ed. The case s udy on ocus will be he co e age
o he mu de s o Geo ge Floyd and B uno Candé in Público, conside ing he ime spam o
my in e nship he e om he 1s o July o he 30 h o Sep embe o 2020. This analysis
comes in he con ex o he Black Li es Ma e mo emen esu gence, a e Geo ge Floyd’s
dea h, and i s in e na ional impac . The iden i ied pa e ns on mains eam media co e age
o s e eo ype ein o cemen , nega i e con ex and lack o con ex we e no ollowed by
Público, howe e , he e is a lack o black jou nalis s and non-whi e jou nalis ic sou ces.
Índice
In odução ............................................................................................................................ 1
Capí ulo 1 – O jo nal Público e a expe iência de es ágio .................................................... 5
1.1. Expe iência de es ágio .............................................................................................. 5
1.2 B e e his ó ia do jo nal Público ................................................................................ 7
1.3. O Público no espec o de de inição de media mains eam e media al e na i os .... 11
Capí ulo 2 – A comunidade neg a em Po ugal ................................................................. 14
2.1. A comunidade neg a como mino ia social ............................................................. 14
2.2. O colonialismo po uguês: b e e con ex ualização ............................................... 17
2.3. Racismo em Po ugal: sub il e sis émico ................................................................ 21
Capí ulo 3 – O impac o dos media na ealidade e o consumo de con eúdo di ecionado .. 29
3.1 O impac o dos media na pe ceção da ealidade ....................................................... 29
3.2 As edes sociais e o consumo de jo nais online ....................................................... 30
Capí ulo 4 – Rep esen a i idade da comunidade neg a nos media mains eam ............... 34
4.1 Media e mino ias – Pad ões de ep esen a i idade .................................................. 34
4.2. A comunidade neg a e os media: do Mo imen o dos Di ei os Ci is ao Black Li es
Ma e ............................................................................................................................. 51
4.3. Pad ões de ep esen a i idade da comunidade neg a nos media mains eam
po ugueses .................................................................................................................... 61
Capí ulo 5 – A cobe u a das mo es do B uno Candé e Geo ge Floyd no jo nal Público 71
5.1 Con ex o da análise .................................................................................................. 71
5.2 Análise de no ícias – me odologia ........................................................................... 73
5.3. Ap esen ação de esul ados e análise c í ica ........................................................... 76
Capí ulo 6 – Conclusões .................................................................................................... 89
Bibliog a ia ........................................................................................................................ 93
Anexos ............................................................................................................................. 105

1
In odução
No Ve ão de 2014, um jo em neg o acusado de ouba um maço de abaco e de e ido um
desen endimen o com o uncioná io de uma loja de con eniência oi mo o po um polícia
com seis i os, em Fe guson, Missou i. O assassina o de Michael B own pelo agen e Da en
Wilson eacendeu o mo imen o Black Li es Ma e (BLM) e os mani es an es pa ilha am
nas edes sociais imagens de p o es os pací icos, discu sos emocionados e e lexões sob e
o acismo es u u al nos Es ados Unidos da Amé ica. Os meios de comunicação
mains eam po ugueses pouco ala am do ema e ela a am sob e udo momen os
pa icula men e iolen os dos p o es os. Es a dissonância in igou-me.
Seis anos depois, a 25 de maio de 2020, a mo e de Geo ge Floyd é g a ada e ep oduzida
múl iplas ezes nos mais di e sos ec ãs, desde as edes sociais às ele isões passando pelos
jo nais online. A dissonância en e o que acon eceu no ídeo e a cobe u a mediá ica
jo nalís ica é meno do que em 2014, mas ainda exis e – as análises e comen á ios que
ques ionam se Floyd es a a sob o e ei o de d oga quando oi de ido, o seu cadas o c iminal
e a legi imação da ação do polícia alegando que o de ido pode ia e icado iolen o ambém
exis i am.
Dois meses depois, a 25 de julho de 2020, o a o po uguês B uno Candé é mo o po
E a is o Ma inho depois des e p o e i uma sé ie de insul os acis as e ameaças de mo e
explíci as. Candé não inha an eceden es c iminais e a discussão com E a is o po causa da
cadela da í ima não chegou pa a jus i ica o homicídio – oi ob iga ó ia e pe en ó ia a
necessidade de se ala de acismo em Po ugal, nos media e o a deles.
A expe iência de es ágio no jo nal Público, que em um papel a i o online e uma dis in a
cobe u a jo nalís ica em emas elacionados com os Di ei os Humanos, as discussões
sob e acismo en aizado e nem semp e lag an e nos media e na sociedade que se segui am
às mo es de Floyd e Candé e o in e esse pessoal pela o ma como os media in luenciam a
ealidade e o impac o que al em na i ência de mino ias sociais, culmina am nes a análise.
O p esen e ela ó io de es ágio p e ende a e i como é ep esen ada a comunidade neg a
nos media mains eam po ugueses, analisando especi icamen e a cobe u a das mo es de
Geo ge Floyd e B uno Candé no jo nal Público online, no pe íodo de ês meses de es ágio:
julho, agos o e se emb o de 2020.
2
O ela ó io p e ende e i ica se a cobe u a do jo nal Público coincide com as endências
de ep esen a i idade de mino ias socias nos media mains eam: es e eó ipos,
con ex ualização nega i a, al a de con ex o, linguagem en iesada, al a de
ep esen a i idade quan i a i a e dé ice de ela os na p imei a pessoa – que po
descon iança de sujei os neg os como on es c edí eis, que po a maio ia dos jo nalis as
em Po ugal não se em neg os.
As ca ego ias u ilizadas pa a a análise das peças jo nalís icas são: gêne o jo nalís ico
(no ícia, epo agem, en e is a, e c.), on es consul adas, se o acismo é ema p incipal ou
secundá io, o om p incipal da peça – neu a, denunciado a de acismo, an i acis a ou se
nega o acismo como es u u al e ins i ucional – e quais os ma cado es é nicos u ilizados;
quan as ezes são emp egues e com que p opósi o. Pa a complemen a es es dados, com o
obje i o de comp eende como a comunidade neg a se sen e em elação à o ma como é
ep esen ada, o am ealizadas en e is as a pessoas neg as.
O p imei o capí ulo ela a a expe iência de es ágio no jo nal Público, uma exposição
desc i i a de algumas das peças em que abalhei, o que ap endi e um balanço c í ico de
oda a expe iência. De seguida, é ap esen ada uma b e e his ó ia do jo nal Público e a
o ma como se encaixa no espec o de de inição en e meio de comunicação mains eam e
al e na i o.
O segundo capí ulo ma ca o início da análise a que o ela ó io de es ágio se comp ome e.
Es e é um capí ulo essencialmen e de con ex ualização e escla ecimen o de concei os
ope acionais. Inicialmen e, se á discu ido o po quê de a “comunidade neg a” se
conside ada uma “mino ia social”, de inindo ambos os e mos. Os memb os da
“comunidade neg a” são essencialmen e iden i icados pelas ca a e ís icas eno ípicas que
ap esen am, is o é, numa análise de p incípio de exo-classi icação, po an o, conside ando
alguém neg o a pa i do en endimen o da au o a (Vicen e, 2019, pp. 1-2), ainda que com
base em de inições da comunidade neg a (G ayman-Simpson, 2009). Segue-se uma b e e
con ex ualização his ó ica do acismo em Po ugal e uma análise dos no os concei os
associados ao acismo – como o “ acismo sub il”.
O e cei o capí ulo dedica-se à elação en e os media no iciosos mains eam e a audiência,
especi icamen e à o ma como es es in luenciam a pe ceção da ealidade e como a elação
en e lei o e no ícias se al e ou com o consumo de jo nais online no con ex o de acesso
3
gene alizado às edes sociais - es ando o consumo de no ícias online o emen e
elacionado com as edes sociais como eículo de dis ibuição.
O qua o capí ulo elaciona os capí ulos dois e ês, com o obje i o de apon a e explica
quais as o mas de ep esen a i idade po pa e dos media da comunidade neg a e que
impac o essa cobe u a em na ida da comunidade em sociedade e nos p óp ios indi íduos,
após uma b e e in odução sob e os media e a o ma como e a am as mino ias sociais. A
úl ima pa e oca-se na o ma como a comunidade neg a é, de aco do com a p óp ia,
ep esen ada dos media mains eam po ugueses, com es emunhos ecolhidos a a és de
en e is as.
O quin o capí ulo é dedicado à análise das no ícias publicadas online que compõe a
cobe u a das mo es de B uno Candé e Geo ge Floyd du an e os ês meses – julho, agos o
e se emb o de 2020 – de es ágio no jo nal Público. A análise se á p imei o con ex ualizada
e escla ecidas as ca ego ias u ilizadas pa a al p ocesso. Po im, são expos as as conclusões
e conside ações que esul a am da análise, bem como pis as pa a u u os abalhos.
As conclusões ap esen adas são u o de uma análise p elimina do ema pois a amos a de
no ícias conside ada não é quan i a i amen e ab angen e o su icien e pa a conclusões
de ini i as e, sob e udo, po que conside a peças jo nalís icas ela i as a dois assassina os.
Nes e sen ido, po exemplo, é na u al que os memb os da comunidade neg a su jam como
í imas e mani es an es de o ma in lacionada. A escolha de peças mais gene alis a pode ia
ap esen a esul ados di e en es.
Em elação, conc e amen e, ao impac o des a ep esen a i idade na o ma como o público
pe ceciona a comunidade neg a, pa a chega a conclusões mais sólidas se á necessá ia
u u a pesquisa que, pa a além de analisa con eúdo jo nalís ico, conside e ma e ializações
da eação do público: po exemplo, comen á ios online deixados nas no ícias, en e is as
ou inqué i os.
Um dos g andes desa ios da p esen e análise oi es abelece uma dis inção cla a en e as
no ícias p oduzidas e a opinião pública – especialmen e no ambien e online em que a
elação en e público e no ícias é ão p óxima e imedia a; po exemplo, uma peça de
denúncia de acismo pode po uns se conside ada acis a po uso de linguagem neu a
pe an e um assassina o e pa a ou os uma cobe u a que não cabe ao jo nalis a aze e
acusa o jo nal de “ acismo in e so” ou p ocu a acismo onde não exis e.
4
Es e cons angimen o é igualmen e uma pis a pa a u u a pesquisa e não necessa iamen e
uma limi ação da p esen e análise, sendo que o oco des e ela ó io de es ágio é
comp eende como a cobe u a de no ícias sob e a comunidade neg a em Po ugal é ei a e
não a eação do público.
Pala as-cha e: Rep esen a i idade neg a, Comunidade neg a, Racismo, Jo nal Público,
B uno Candé, Geo ge Floyd.
11
a Hollywood que pa asse de oman iza iolência policial e se ocalizasse an es em
con eúdos an i acis as.
O jo nal Público é um jo nal diá io nacional com signi ica i a ele ância no pa adigma dos
media po ugueses que se dis ingue pela p oximidade aos lei o es e maio ên ase em causas
socias e na cobe u a endencialmen e a o á el a mo imen os sociais. Es as ca a e ís icas
o nam o jo nal um híb ido en e mains eam e al e na i o, uma ca ego ização explo ada
no capí ulo seguin e.
1.3 O Público no espec o de de inição de media mains eam e media al e na i os
Os media incluem qualque meio de ep odução e ap esen ação, ais como os jo nais, as
e is as, a ádio, os ca azes, mensagens de co eio ele ónico, ax e in e ne ” (Kulaszewicz,
2015). O p esen e ela ó io de es ágio dedica-se à análise de con eúdo media jo nalís ico
em o ma o online – incluindo no ícias, c ónicas, ex os de opinião, epo agens e peças
mul imédia.
Um media mains eam é endencialmen e ca a e izado como um meio com uma es u u a
inancei a sólida e p ocesso de omada de decisões e ical, semelhan e a ou as ins i uições
mains eam (Rauch, 2014, p. 2). Os media mains eam êm, equen emen e, o obje i o de
maximiza a audiência e c ia jo nalismo dige í el pelas massas; o que pode esul a em
lei u as biná ias e simplis as da ealidade, excluindo a na a i a de quem não se encon a
en e os p incipais a o es; algo que os media al e na i os en am con a ia com con eúdo
de comen á io e/ou mais explica i o (Kenix, 2011, p. 19).
Os media al e na i os não ap esen am os emas de o ma con encional, exis em numa
lógica não luc a i a (podem luc a , mas o obje i o p incipal não é esse), os p ocessos de
omada de decisão são ei os de o ma ho izon al ou de jo nalis a pa a lei o , o e ece em
cobe u a a emas de nicho e ge almen e de bom om a mo imen os sociais, azem oposição
polí ica e/ou ideológica, são equen emen e c iados po amado es e lo escem sob e udo
g aças a inicia i a p i ada (Rauch, 2014, p.3; Sil a, 2017, p.19).
A maximização do luc o es á igualmen e elacionada com os media mains eam e a as ada
dos al e na i os, bem como a ideia de que exis em maio es cons angimen os em publica
peças de jo nalismo de in es igação em meios mains eam dada a p essão exe cida pelos
inanciado es do meio de comunicação (Kenix, 2011, pp. 20-21).

12
No en an o, es a dis inção não é ão linea assim. As “ o ças omnip esen es” (Kenix, 2011)
que impedem o bom abalho jo nalís ico exis em em qualque o ma o media e os
exemplos de bons abalhos de jo nalismo de in es igação ou com in enção de esc u ínio
exis em nos media mains eam mesmo quando ão con a essas o ças.
1
A ques ão da escala é igualmen e um pon o di e enciado : os media mains eam são
g andes e in luen es e os al e na i os são pequenos e com uma in luência ela i amen e
eduzida; e exis e uma hie a quia a e mos de acesso a on es p i ilegiadas e conside adas
ele an es, na qual os al e na i os se encon am em des an agem (Kenix, 2011, pp. 21-22).
O empo é uma a iá el essencial pa a de ini o que é mains eam e al e na i o nos media,
dependendo do que se conside a a e conside a social e cul u almen e acei e (Kenix, 2011).
Po exemplo, e a comum du an e a epidemia da SIDA nos EUA que a doença osse
e e enciada em jo nais mains eam como o “canc o gay”, algo que a ualmen e se ia
impensá el, pelo menos sem uma jus i icada eação condenado a po pa e do público ge al
e de ou os meios de comunicação.
Embo a os media mains eam e os al e na i os sejam ap esen ados como opos os, á ios
au o es êm a gumen ado que es a é uma isão desa ualizada (A on, 2002; Rauch, 2014).
Em al e na i a, Kenix (2012), ci ado po Rauch, de ine es a classi icação dos media como
um “espec o” no qual alguns meios se ap oximam mais do mains eam ou do al e na i o,
podendo combina elemen os de ambos (Rauch, 2014, p. 4).
Pa a além dos analis as, os consumido es de media al e na i o, quando se au ode inem,
ambém não es ão a ala da mesma coisa: alguns conside am essencial que o luc o não
seja uma p io idade e ou os não o eem com maus olhos desde que o con eúdo con inue a
se con a a co en e; alguns conside am a Fox News um media al e na i o po man e uma
linha ixa de alo es conse ado es e não cede ao plu alismo ca a e ís ico dos media e
ou os conside am o Hu ing on Pos um media al e na i o p ecisamen e pelo mo i o
opos o (Rauch, 2014, p. 14).
A pe spe i a do espec o e das ca a e ís icas mis as, bem como a ideia de que qualque
media é “al e na i a” a ou o o nando a designação “media al e na i a” num oxímo o,
1
O a igo ci ado dá como exemplo as jo nalis as Ba ba a Lake e Wendy Rude man, que ganha am o p émio
Puli ze em 2010 po expo um esquad ão de polícia de na có icos co up o no jo nal Philadelphia Daily
News – que anualmen e en ega o p émio Geo ge Fencl, uma dis inção hon osa concedida a um agen e da
polícia de Filadél ia que ma e ialize os alo es de “compaixão, jus iça e comp omisso cí ico” (Kenix, 2011,
p. 21).
13
como eo iza Downing (2001) ci ado po Rauch (2014) e Kenix (2001), é a isão que mais
se adequa ao jo nal em análise (Kenix, 2001; Rauch, 2014).
Conside ando es e espec o de de inição, o Público encon a-se mais p óximo do
mains eam sendo um dos mais popula es e p e e idos jo nais nacionais e o iginá io de
p o issionais indos de um ou o jo nal bas an e conhecido; pa a além de se inanciado
essencialmen e pela Sonae – inicia i a p i ada, mas não de pequena escala - e e uma
o ganização e ical. Embo a se dis inga pela cobe u a em ma é ia de Di ei os Humanos
e endencialmen e bené ica pa a mo imen os sociais, o Público não é um meio de
comunicação al e a i o, mas an es um meio mains eam “de qualidade” (Connell, 1998;
Gun e , 2015; Vehkoo, 2009-2011).
Um “jo nal de qualidade” não é uma de inição uni o me po "qualidade" se um concei o
al amen e subje i o e dependen e do local e con ex o em que é conside ado (Gun e , 2015;
Vehkoo, 2009-2011).
Os meios de comunicação de qualidade êm como p incipais ca a e ís icas, num campo
eó ico, os p incípios base do jo nalismo: busca pelo in e esse público e dis anciamen o de
in e esse pessoal, e i icação de ac os, esc u ínio do pode e p ocu a man e a sociedade
a en a e capaz de oma decisões conscien es e in o madas (Randall, 2016; Rosens iel,
2014; Vehkoo, 2009-2011). Na p á ica, conside ando o quo idano de uma edação de
jo nal, os meios de comunicação de qualidade ca ac e izam-se po uma o e
con ex ualização das no ícias, sensibilidade social na cobe u a (não explo a a desg aça,
não o ça es e eó ipos, e c.) e uma abo dagem in e nacional e globalizada das no ícias
(Vehkoo, 2009-2010) (Connell, 1998).
Os media mains eam de qualidade são igualmen e de inidos em oposição aos abloide –
que, po sua ez, se ca a e izam pelo impac o isual de menos ex o in o ma i o e mais
í ulos in lama ó ios e imagens ma can es, uma cobe u a mais pe sonalizada e local
(menos in e nacional e global), no ícias mais le es e p io ização de uma espos a
emocional po pa e da audiência e não da explicação acional da in o mação (Conell,
1998, pp. 16-17; Gun e , 2015, p. 388; Vehkoo, 2009-2010, pp. 7-9).
Os jo nais de qualidade e os de abloide, embo a sejam ap esen ados como an agónicos,
su gem numa lógica de ap oximação a e mos de ap esen ação – os jo nais de e e ência
deixa am, na sua maio ia, o o ma o de g andes páginas (b oadshee ) e êm ei o uso
14
signi ica i o da imagem - embo a o con eúdo pe maneça dis in o (Gun e , 2015; Vehkoo,
2009-2010, p. 7)
O Público é, po an o, um meio de comunicação mains eam de e e ência pois e i a
gene alizações e análises ápidas e p io iza uma peça mais comple a ao se o p imei o a
lança a no ícia; não az um uso excessi o de imagens sensacionalis as e não em um oco
desp opo cional em casos c imes; mesmo dando especial a enção ao jo nalismo local e de
p oximidade, es e não se aduz na cobe u a exage ada de agédias e c ime locais.
No con ex o da cobe u a mediá ica de mino ias sociais, o Público se um meio mains eam
de qualidade é uma ca a e ís ica di e enciado a em elação a jo nalismo sensacionalis a: os
meios de comunicação de e e ência endem a aze uma cobe u a mais cuidada e
p o unda, sob e udo pela p ocu a de da uma explicação e con ex ualização e não de c ia
pânico (Vehkoo, 2009-2010; pp- 7-8, 18-22); e os abloides endem a desliza pa a o
es e eó ipo e pa a uma cobe u a desligada da con e sa sob e disc iminações gene alizadas
e implíci as na sociedade.
Capí ulo 2 – A comunidade neg a em Po ugal
2.1. A comunidade neg a como mino ia social
O concei o de mino ia social é de inido po Deb a Me skin (2017) como: “um g upo de
indi íduos que de ém menos au onomia ou con olo sob e á ios aspe os da sua ida e
menos acesso a ecu sos ma e iais do que os memb os do g upo dominan e. Es a al a de
acesso ou acesso comp ome ido p o ém de desigualdades es u u ais ais como: menos
opo unidades de acesso à educação, menos acumulação de iqueza, acesso a se iços de
saúde de meno qualidade e desigualdades de acesso a ep esen ação/de esa legal”
2
(Me skin, 2017, p. 1).
Es a é a de inição ap op iada pa a o p esen e ela ó io de es ágio pois inclui dois pon os
undamen ais pa a a de inição de “mino ia social”: 1. O e mo mino ia não signi ica
necessa iamen e que es as pessoas se encon em em mino ia demog á ica e 2. Os desa ios
2
T aduzido li emen e do o iginal “a g oup o people who ha e less au onomy o con ol o e many aspec s
o hei li es and less access o ma e ial esou ces han do membe s o he dominan g oup. This lack o
cons ained access is la gely based on s uc u al inequi ies such as poo e educa ional oppo uni ies, less
weal h accumula ion, lowe quali y heal hca e, and inequi able access o legal ep esen a ion” em Media
Rep esen a ion: Mino i ies (Me skin, 2017, p. 1).
15
que a a essam não são nem espo ádicos nem ecen es, mas sim es u u ais, p o enien es
de dinâmicas de pode his ó icas e cul u ais.
As di e enças en e os memb os que in eg am a mino ia social e os da cul u a
maio i á ia/dominan e “podem se baseadas em di e enças aciais, é nicas, sexuais, de
géne o, idade, eligião ou qualque ou a que em de e minado con ex o dis inga es es
indi íduos daqueles que de êm e exe cem o pode ”
3
(Me skin, 2017, p. 1).
Pa a de ini “comunidade neg a” de modo a não inco e em p econcei os ou
es igma izações sob e o que al signi ica se á ci ado con eúdo p oduzido po ozes que
de êm não só o igo académico pa a o ap esen a , mas ambém a expe iência i ida pa a
al, is o é, ozes da p óp ia comunidade.
No ensaio “We Who A e Da k . . .” The Black Communi y Acco ding o Black Adul s in
Ame ica: An Explo a o y Con en Analysis (2009), a au o a conclui que o concei o de
“comunidade neg a”, embo a seja equen emen e u lizado como algo com signi icado
uni e sal, di e e den o da p óp ia comunidade
4
.
As de inições mais ap op iadas pa a a p esen e análise, iden i icadas pelo a igo, são: a
comunidade neg a como “en idade isi elmen e dis in a” e como “en idade cul u al” no
sen ido de lhe se a ibuída uma “ isibilidade dis in a” (G ayman-Simpson, 2009).
A comunidade neg a como “en idade isi elmen e dis in a” baseia-se na dis inção em
elação a ca a e ís icas eno ípicas pa ilhadas, nomeadamen e a co da pele
5
(G ayman-
Simpson, 2009, p. 434). A comunidade como “en idade cul u al”
6
, especi icamen e uma
comunidade “ isi elmen e dis in a”, embo a anscendendo a ques ão da co da pele e e e-
se: “aos indi íduos que enham qualque elação de descendência A icana e co de pele
escu a, a i e num mundo/sociedade b anco/a”
7
(G ayman-Simpson, 2009, p. 443).
3
T aduzido li emen e do o iginal “These di e ences om he majo i y cul u e, based on acial, e hnic,
sexual, gende , age, eligious, and o he di e ences, a e used o assign oles, es ablish bounda ies, impose
limi a ions, and ma k hose who a e, in some way, apa om he g oup who is in powe ” em Media
Rep esen a ion: Mino i ies (Me skin, 2017, p. 1).
4
O es udo oi conduzido conside ando uma amos a de 60 pessoas que se iden i icam como “neg o/a”
(“black”): 30 do sexo masculino e 30 do sexo eminino; odos/as com idades en e os 21 e 70 anos.
5
T aduzido li emen e do o iginal “Typically, “Black” e e ences g oup classi ica ion on he basis o sha ed
pheno ypic cha ac e is ics (e.g., da k skin, cu ly hai )” em “We Who A e Da k . . .:” The Black Communi y
Acco ding o Black Adul s in Ame ica: An Explo a o y Con en Analysis (G ayman-Simpson, 2009, p. 434).
6
A de inição de “cul u a” escolhida pela au o a do a igo oi a do an opologis a Cli o d Gee z (1973):
“símbolos pa ilhados, pad ões de signi icado e no mas compo amen ais que são ansmi idas en e ge ações,
den o de um de e minado g upo” (G ayman-Simpson, 2009, p. 442).
7
T aduzido li emen e do o iginal “The e m Black communi y e e s o people o some kind o A ican
16
A comunidade neg a é conside ada uma mino ia social po i e numa sociedade
ins i ucionalmen e acis a. O acismo ins i ucional/ins i ucionalizado eme e pa a a pala a
“ins i uição” que, nes e con ex o, não é necessa iamen e sinónimo de in aes u u a ou local
ísico, mas sim de ins i uições que compõe uma sociedade: Uni e sidade, Família, Sis ema
Penal, Saúde, Polí ica, en e ou as (López, 2013).
Nes e sen ido, o acismo ins i ucional é o esul ado de séculos de elações de pode
baseadas no “p essupos o acis a da seleção e da p o eção do segmen o b anco em
compa ação dos demais segmen os da população” que esul am em disc iminação de
acesso e igualdade de a amen o em á eas “ligadas à educação escola , a sele i idade do
me cado de abalho, a pob eza” (López, 2013, p. 74).
O acismo ins i ucional sublinha que o acismo não é apenas um enómeno ideológico mas
p esen e nas di e sas ins i uições da sociedade, algo ins i ucionalizado de modo a c ia um
pad ão de a amen o desigual nas di e sas ope ações quo idianas; em á eas como a
educação, os se iços ou o me cado de abalho (Kilomba, 2019, p. 79); ins i uições nas
quais o g upo dominan e p e ende con inua como al a a és da imposição de eg as idas
como no mais que lhe pe mi em ins i ucionaliza os seus in e esses (Almeida, 2019).
O jo nalis a Reginaldo Sil a, que esc e e sob e acismo e p i ilégio b anco pa a a Rede
Angola e ou os meios de comunicação, en ende o acismo como na u almen e
ins i ucional: “um sis ema de pode polí ico, económico, social que p i ilegia de e minada
aça em de imen o de ou as – um sis ema que es á c iado pa a p i ilegia um de e minado
g upo acial” (Hen iques J. , 2016, p. 52).
O acismo ins i ucional dis ingue-se do es u u al po o acismo es u u al es a associado
a disc iminações menos cla as, p esen es nas p óp ias es u u as sociais e polí icas
(Kilomba, 2019, p. 79). Se as ins i uições êm a sua a uação condicionada pela es u u a
social de que são pa e e ep oduzem a os disc imina ó ios en ão o acismo es á p esen e
na es u u a como um odo e não apenas nas ins i uições; es e é um ipo de acismo que
exis e na sociedade sem necessi a de in enção pa a se mani es a (Almeida, 2019).
Nes e sen ido, a comunidade neg a é uma mino ia social pois so e des e ipo de
disc iminação ins i ucional e es u u al, is o é, o acismo não é apenas pon ual, in encional
descen wi h da k skin, li ing in a whi e wo ld/socie y.” em “We Who A e Da k . . .:” The Black Communi y
Acco ding o Black Adul s in Ame ica: An Explo a o y Con en Analysis (G ayman-Simpson, 2009).

17
ou di e o, não se esgo a em insul os ou piadas acis as, mas es ende-se po ba ei as
es u u ais que as pessoas en en am po se em neg as.
2.2. O acismo em Po ugal: do Colonialismo ao P esen e
“No conscien e cole i o, a his ó ia dos po os neg os começa com a esc a a u a, po isso,
é comp eensí el que haja p econcei os baseados na co da pele’” (Hen iques, 2016, p. 23),
es a é um dos exce os ecolhidos pela jo nalis a Joana Go jão Hen iques de uma
in e enção em Angola, do ex- u ebolis a ancês Lilian Thu am, pa a o li o Racismo em
Po uguês: O Lado Esquecido do Colonialismo (2016) o iginalmen e uma coleção de
epo agens publicadas no jo nal Público.
Segundo dados do A lan ic Sla e T ade, e ão saído de Angola 5,7 milhões de esc a os
en e 1501 e 1866, e a maio ia dos a ican es e am po ugueses (Hen iques, 2016, pp. 55-
57). O início do á ico de esc a os no A lân ico es á in insecamen e ligado a Po ugal -
oi em 1444, que das ecém-descobe as e as de Á ica Ociden al, o am cap u adas
pessoas e colocadas à enda em Lagos (Ames, 2018).
O p ocesso de colonização po uguês oi de iolência, apa heid, des uição e alineação
o çada da cul u a endógena (Hen iques J. , 2016); embo a cada e i ó io enha ido as suas
pa icula idades que não se ão aqui explo adas em de alhe.
Em Angola ins au ou-se um egime de apa heid na habi ação e se iços públicos. Na
Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, o es a u o de indígena du ou a é ao inal dos anos
1960 e “ inha como obje i o a assimilação” e ga an ia aos assimilados de melho es
opo unidades de acesso a locais endencialmen e b ancos, como escolas (Hen iques J. ,
2016).
Em Cabo Ve de, os locais u iliza am nomes po ugueses e o cabelo como os b ancos; o
país oi o emen e ma cado pelo “mi o da mes içagem”: a ideia de que a sociedade é
o iginalmen e mes iça. Tal esul a na exis ência de ilhas cuja população é conside ada
“mais in elec ual, mais cul a, p óxima da Eu opa”, como a Ilha de Ba la en o, po e em a
pele mais cla a (Hen iques J. , 2016, pp. 112-113) Em São Tomé e P íncipe e Moçambique
encon am-se ela os de si uações de apa heid não o icial e negação do acismo. As oças
em São Tomé e P íncipe aziam lemb a “campos de concen ação” e e am desc i as como
“ áb icas a céu abe o” (Hen iques J. , 2016, p. 159).
18
A ideia de que o po uguês se mis u a a com a população aduz-se, na ealidade, em
his ó ias de iolação sexual e/ou de colonizado es que inham elações sexuais com neg as
e depois p osseguiam com os seus casamen os (Hen iques, 2016, p.150; Vicen e, 2019,
p.18).
Em e i ó io nacional, segundo o his o iado José Tinho ão (1988), ci ado po Vicen e
(2019), a p esença de pessoas neg as em Po ugal da a, pelo menos, ao século XV, como
“consequência social da polí ica de expansão inaugu ada pelos p imei os eis da dinas ia
de A is” (Tinho ão, 1988), azidos pa a a Península Ibé ica na condição de esc a os e
po enciado es da iqueza nacional pelo ou o exis en e no con inen e a icano e como mão-
de-ob a esc a izada (Vicen e, 2019, p. 17).
A associação de pessoas com pele mais escu a a abalho esc a o, a a és de um p ocesso
de obse ação e in e io ização, ez com que a população aduzisse es a ideia pa a a
linguagem comum e as pessoas de o igem a icana ossem ca ego izadas como “p e o/a”;
embo a Tinho ão (1988) a ibua es e p ocesso como pa indo do po o, Vicen e (2019)
e o ça que “a animalização dos neg os e a cons ução de um imaginá io de in e io idade
oi pe mi ida po ins i uições ulc ais como a Ig eja, pelas ins i uições polí icas po uguesas
e ou os de impé ios e pela ciência” (Vicen e, 2019, p. 17).
Com o passa do empo, após qua o séculos de p esença em Po ugal e aumen o do á ico
de esc a os, as pessoas neg as passa am a in eg a ou os se o es da sociedade po uguesa
em luga es de c ença eligiosa, ea o, a i idades ligadas ao can o, dança, ou ada e
in é p e es jun o dos po os a icanos; mas semp e numa lógica de cla a sepa ação en e
neg os e o es o da população, exis indo à ma gem do sis ema ju ídico que não lhes
econhecia iden idade p óp ia - a condição de esc a o e i a a-lhes pe sonalidade ju ídica
(Vicen e, 2019, p. 18).
A condição de esc a o man e e-se em Po ugal a é 1836, após p essão abolicionis a po
pa e da Ingla e a, mas só em 1878 oi dec e ado o im o icial da esc a a u a; es e oi um
p ocesso g adual que con ou inicialmen e com a abolição pa cial da esc a a u a em 1761,
po Ma quês de Pombal, pa a Po ugal e os Alga es, sem o na ilegal e um esc a o, mas
a icá-lo (Vicen e, 2019, p. 18). Os ilhos de esc a os só deixa am de se esc a os à
nascença com a "lei do en e li e" em 1773 e em 1869 Sá da Bandei a dec e ou a abolição
p á ica da esc a a u a em oda a ju isdição po uguesa e "29 de ab il de 1878, consoan e a
lei an e io , se ia o úl imo dia pa a o es ado de esc a idão" (Vicen e, 2019, pp. 18-19).
19
Após a abolição da esc a a u a e da p oibição de á ico de se es humanos, e com a
independência do B asil (1822) e Con e ência de Be lim (1884-1885) e as
“eu emis icamen e chamadas campanhas de paci icação” (Rosas, 2017), Po ugal "so eu
uma g ande p essão pa a a ocupa /coloniza e e i amen e os en epos os come ciais que
de inha na cos a a icana" (Vicen e, 2019, p. 19); uma ocupação que " inha a e sob e udo
com o á ico de esc a os (...) pa a o B asil e, depois de se p oibido, pa a o sul dos Es ados
Unidos, pa a Cuba e pa a á ios des inos do Índico" (Rosas, 2017); es e p ocesso du ou
pouco mais de um século com a independência dos e i ó ios em 1975 (Rosas, 2017;
Vicen e, 2019).
A na a i a pe pe uada de que a colonização po uguesa oi b anda po que o po uguês ao
in és de ma a se mis u a a com a população local é alsa e u ilizada pa a des alo iza a
ligação da His ó ia de Po ugal ao acismo e, consequen emen e, ga an i que não exis e
o ma de que ais desigualdades his ó icas es ejam elacionadas com as a uais.
Em Memó ias da Plan ação: Episódios de Racismo Quo idiano (2019), G ada Kilomba
elaciona di e amen e a a ual negação de Po ugal como um país acis a com a incapacidade
de econhece que o colonialismo po uguês não oi pací ico, econhecendo ao “ acismo
quo idiano” uma “in empo alidade” (Kilomba, 2019, p. 25).
O es udo de olha as elações de pode e in luência da a ualidade como indissociá el dos
esul ados económicos, polí icos e sociais de séculos de colonialismo Eu opeu é a base da
Teo ia Pós-Colonial. Ao in és de op a pela “amnésia colonial” como o ma de esquece o
passado e começa de no o, a análise pós-colonial “ e isi a, elemb a e, mais impo an e,
ques iona o passado colonial” como o ma de olha as a uais o mas de disc iminação
(Gandhi, 1998, pp. 4-5). Tal não signi ica u iliza c i é ios do p esen e pa a analisa o
passado, mas an es econhece que séculos de a amen o di e enciado e iolen o pa a com
pa e da população não su ge desligado das a uais desigualdades e p econcei os.
O es udo dos media numa pe spe i a pós-colonial pe mi e que não seja u ilizada a habi ual
uni e salização do pon o de is a ociden al e sejam conside ados os p ocessos de
descolonização de cada sociedade (Rodny-Gumede, 2020, p. 613), ao in és de isões como
e a a "Á ica" como um bloco homogêneo mais p óximo de uma ealidade imaginada do
que de um local geog á ico di e so (Sco , 2015, pp. 204-206) e ou as o mas au omá icas
de pensa que se desa ualizam num mundo global em mudança (Rodny-Gumede, 2020, p.
622).
20
Pa a além disso, e mais cen al pa a o p esen e ela ó io de es ágio, es a isão pe mi e uma
análise dos meios de comunicação ocalizada no impac o que i e am/ êm em ep oduzi
discu sos de pode e exclui as na a i as daqueles que es ão à ma gem, o nando pa e do
uncionamen o dos media numa o ma de comunicação en e eli es, ealçando que a ação
indi idual dos jo nalis as pode queb a ocasionalmen e es a es u u a, mas sem a des ui
de o ma pe manen e (Rodny-Gumede, 2020, pp. 615-620).
Os media são pa e in eg an e na cons ução de um imaginá io sob e as comunidades
ma ginalizadas, sob e o “ou o” – di e en e de o “Ou o”, que de ém o pode pa a de ini e
ma ginaliza o p imei o (Bill Ashc o , 2007, p. 155).
O psicanalis a Jacques Lacan (1968) de ine o “ou o” como a imagem da c iança quando
se ê ao espelho, no sen ido em que ca ega uma semelhança su icien e pa a es a se
econhece mas dis ância que chegue pa a comp eende que em con olo sob e a imagem
que ê – é es a icção de se o mes e do “ou o” que se o na o oco do ego; no con ex o
pós-colonial, o “ou o” é o colonizado e o sujei o é o impe ialis a ou discu so impe ialis a
que o ma ginaliza a pa i no cen o (Bill Ashc o , 2007, p. 155).
A elação de pode en e o sujei o e o “ou o” pe mi e ao p imei o de ini quem é o segundo,
o “sujei o” em pode e “obje o”, o “ou o”, não. A au o a bell hooks (1989) ci ada po
Kilomba (2019) u iliza os dois e mos numa lógica de espelha quem em o pode de de ini
quem é quem: os sujei os são quem em “o di ei o de de ini a sua p óp ia ealidade, de
es abelece as suas p óp ias iden idades, de nomea a sua his ó ia” (Kilomba, 2019, p. 24)
e os obje os êm a p óp ia his ó ia de inida com base na elação com o sujei o e con ada
po es e.
O con a das na a i as pelo sujei o b anco que de ém o pode o igina es e eó ipos que não
são alea o iamen e a ibuídos, mas sim u ilizados e pe pe uados pa a man e a o dem e o
con o o dos g upos dominan es, os es e eó ipos, ep oduzidos pelos media, ca egam
“sen imen os que es ão p esos a eles. São as o alezas de nossa adição, e a ás de nossas
de esas podemos con inua a sen i -nos segu os na posição que ocupamos" (Lippmann,
2008, p. 97).
Es as imagens e na a i as es e eo ipadas, con adas pelo sujei o b anco sob e o “ou o”,
são ep oduzidas e e o çadas pelos media, que de en e enimen o (Joachim T ebbe, 2017;
Me skin, 2017), que no iciosos (Fakunle, 2016; Kulaszewicz, 2015; The Oppo uni y
Agenda, 2011; To es, 2011).
27
Des e modo, abalhos como a sé ie in i ulada Racismo à Po uguesa (2017) compos a po
seis epo agens sob e o acismo em Po ugal em á eas como o sis ema judicial, o
a endamen o de casa, a condição labo al e a educação, u ilizam como indicado de a i udes
disc imina ó ias a o igem dos sujei os – po ugueses nascidos em Po ugal e cidadãos
indos dos Países A icanos de Língua O icial Po uguesa (PALOP). Nes a in es igação,
os esul ados são e elado es de uma sociedade acis a em odos os se o es conside ados.
A sé ie de epo agens o iginou o li o Racismo no país dos b ancos cos umes (2018).
Em elação ao sis ema judicial po uguês: um em cada 73 cidadãos dos PALOP com menos
de 16 anos es á p eso em con as e com um em cada 736 cidadãos po ugueses da mesma
idade, um alo dez ezes supe io . Conside ando a população masculina, sem dis inção
de aixa e á ia, um cidadão dos PALOP é enca ce ado po cada 37 enquan o um cidadão
po uguês o é po 367 cidadãos. No Po o, uma cidade com pouca população inda dos
PALOP, um cidadão po uguês é duas ezes menos p eso que um cidadão dos PALOP.
As penas endem a se mais pesadas pa a os cidadãos dos PALOP: 6,8% dos eclusos
a icanos cump em a pena máxima em con as e com 3% dos p esos po ugueses. A
dispa idade é mais no ó ia em c imes que implicam in e ação com um agen e de
au o idade: “oi o ezes mais po esis ência e coacção sob e uncioná io; seis ezes mais
po desobediência” indica Alípio Ribei o, p ocu ado e an igo memb o da di eção nacional
da Polícia Judiciá ia.
No me cado de a edamen o exis e uma p e e ência po inquilinos b ancos, algo que se
a ibui à associação da pessoa b anca com es abilidade inancei a e que con ibui pa a a
seg egação das pessoas neg as na pe i e ia de Lisboa: um cidadão dos PALOP eside em
“bai os deg adados e de habi ação social” 7.5 ezes mais do que um po uguês.
A disc iminação no emp ego e i ica-se no p ocesso de con a ação e no local de abalho:
exis em emp esas que não con a am pessoas que enham so aque e, em si uações nas quais
os candida os ap esen am um cu ículo semelhan e e o mesmo ní el de escola idade exis e
uma p e e ência pelo candida o b anco. Os Censos de 2011 demons am que exis em
qua o ezes mais po ugueses em ca gos de che ia em elação a cidadãos dos PALOP.
Na escola a disc iminação começa en e colegas com insul os acis as e, pos e io men e,
na p óp ia ins i uição po pa e dos p o esso es que se mos am su p eendidos quando uma
pessoa neg a em um bom desempenho e/ou descon iam que enha sido ob ido po mé i o

28
p óp io. No ensino supe io , 80% dos alunos dos PALOP segue pelas ias ocacionais
8
–
duas ezes mais que os alunos po ugueses.
O ela ó io mais ecen e da Comissão Eu opeia con a o Racismo e a In ole ância (ECRI)
conclui que as coisas es ão a muda , mas que “há ainda algumas ques ões p eocupan es”
(ECRI, 2018, p. 9). Po um lado, comen á ios abe amen e acis as p o e idos po polí icos
são “ a os e condenados publicamen e” e des aca-se a adoção adequada po pa e das
au o idades de “legislação con a os c imes de ódio em agos o de 2017” - um g upo de
pessoas neg as oi espancado pelos segu anças da disco eca U ban Beach após e em
con es ado e balmen e o pedido de 250 eu os pa a en a , nunca ei o a g upos de pessoas
b ancas.
O ela ó io des aca ainda “uma no a lei an idisc iminação com eg as p og essis as sob e
o ónus da p o a” e a concessão de pode es de in es igação ao Al o Comissa iado pa a as
Mig ações (ACM) e o ala gamen o signi ica i o de compe ências da Comissão pa a a
Igualdade e con a a Disc iminação Racial (CICDR) (ECRI, 2018, p. 9).
Po ou o, o ela ó io conside a a de inição de discu so e c imes de ódio, u ilizada pela
Polícia e pelo Minis é io Público, “demasiado es i a” e ale a pa a a maio ia des es
inciden es não se epo ada às au o idades e que a amen e são aplicadas penas
“dissuaso as” a ameaças a mino ias sociais e a ins i uições sociais, nem a discu sos de
ex ema-di ei a e neonazis online (ECRI, 2018, p. 10).
O ela ó io indica ainda que “o abandono escola das c ianças a odescenden es é ês ezes
maio e exis em cinco ezes menos alunos de o igem a icana na uni e sidade”, o que se
e le e num desemp ego “ele ado” en e os adul os a odescenden es e uma maio
exposição à pob eza e exclusão social (ECRI, 2018, p. 10).
A ERCI ale a ainda pa a “inúme as” acusações “g a es de iolência acis a come ida po
agen es da polícia” pe an e as quais não oco eu qualque ipo de in es igação p o unda e
“nenhuma au o idade euniu sis ema icamen e es as acusações e p ocedeu a um inqué i o
e icaz pa a de e mina se são ou não e dadei as” (ECRI, 2018, p. 10).
8
Os cu sos p o issionais não de e ca ega o es igma de es a em associados a indi íduos com meno es
capacidades académicas, no en an o, es a di e ença coloca em causa a p esença de ozes não b ancas em
luga es de p odução de conhecimen o e in es igação, como a Academia. Tal con ibui pa a um
dis anciamen o ainda mais ap o undado da comunidade neg a do espaço público, pe mi indo que
conhecimen o in luen e, po encialmen e es igma izado e/ou desa ualizado, seja p oduzido e ep oduzido sem
as suas ozes.
29
O ela ó io conclui que uma das consequências dessa iné cia é o “medo e al a de con iança
na polícia, pa icula men e en e as pessoas de o igem a icana” e que casos como o de
agos o de 2017 são “uma si uação g a e de acismo ins i ucional numa unidade da polícia
que é ole ada pela sua hie a quia” (ECRI, 2018, p. 10).
Capí ulo 3 – O impac o dos media na ealidade e o consumo de con eúdo di ecionado
3.1 O impac o dos media na pe ceção da ealidade
Em Public Opinion, Wal e Lippmann (1922) des aca pela p imei a ez “a possibilidade
de que as ca a e ís icas ac uais do mundo, pouco equen emen e es ão elacionadas com
a o ma como as pessoas o pe cecionam e com as c enças que sob e es e c iam”
9
(Weimann, 2000, p. 3) e que al em uma in luência di e a na o ma como as pessoas agem:
“A o ma como o mundo é imaginado de e mina num momen o pa icula o que os homens
a ão” (Lippmann, 2008, p. 38).
Exis em duas g andes eo ias ela i as ao e ei o dos media na ealidade: a eo ia dos
“e ei os de e minan es” (powe ul media) e a eo ia dos “e ei os limi ados” (limi ed e ec s)
(Weimann, 2000, pp. 18-20). A eo ia dos e ei os de e minan es consis e na “noção simples
e, no en an o, popula , que assume que os indi íduos numa sociedade de massas
pe cecionam as mensagens p o enien es dos media da mesma o ma e eagem a es as de
o ma signi ica i a e bas an e semelhan e” (Weimann, 2000, p. 18).
10
Es a e a a eo ia p edominan e nos anos 30 que se in ensi icou com a passagem de uma
sociedade u al de base ag ícola pa a uma sociedade indus ializada e u bana, na i agem
do século XIX pa a o início do século XX, uma al e ação mo i ada pela pe da de supo e
comum num es ilo de ida adicional e o acesso massi icado a o ma os media que
e a a am o mundo de modo quase uni o me pa a a gene alidade da população (Weimann,
2000, pp. 18-19).
Es e pa adigma deixa de o se quando se começa a pe cebe a audiência como uma massa
he e ogénea. A eo ia dos e ei os limi ados p opõe que a audiência é um sujei o, ou á ios
9
T aduzido li emen e do o iginal: “I was Wal e Lippmann’s classical wo k, Public Opinion, i s published
in 1922, ha highligh ed o he i s ime he possibili y ha ac ual ea u es o he wo ld o en ha e li le
ela ion o he pe cep ion and belie s ha people en e ain abou he wo ld.” (Weimann, 2000, p. 3).
10
T aduzido do o iginal: “(…) his simple and ye popula no ion assumes ha indi iduals in a mass socie y
pe cei e messages om media in he same ashion and eac o hem s ongly and e y simila ly." (Weimann,
2000, p. 18).
30
sujei os dis in os en e si, mais complexo do que um me o ece o passi o (Weimann, 2000,
p. 20). O ônus já não es a a apenas no con eúdo, mas sim no seu ece o (Wol , 1999, p.
23).
Os consumido es escolhem os canais de comunicação aos quais se que em expo
(exposição sele i a), como le e in e p e a a mensagem (pe ceção sele i a) e o que e e e
lemb a ( e enção/memó ia sele i a), cons uindo uma no a ealidade que, po sua ez,
in luencia a o iginal (Weimann, 2000, p. 12). É na ase de pe ceção sele i a que se e i ica
"a endência das pessoas pa a adap a as mensagens ansmi idas pelos media às suas
p e e ências" (Weimann, 2000, p. 21). O il o da memó ia ende igualmen e a e e a pa e
do con eúdo que coincide com as c enças e opiniões que já e am do ece o (Lippmann,
2008, p. 115).
O p ocesso de consumo de con eúdo no icioso e a eo ia dos e ei os limi ados e p olongados
são essenciais pa a comp eende como uma ep esen ação es e eo ipada alongada no empo
in luencia a o ma como a audiência pe ceciona memb os de mino ias sociais,
especialmen e po es e se um p ocesso que se alimen a a si p óp io – as imagens e
associações que são is as cons an emen e pelo público são alimen adas pela endência do
público pa a ac edi a nes as na a i as. Es e oi um p ocesso que se in ensi icou com o uso
gene alizado de edes sociais como on es de dis ibuição de no ícias e o seu oco em
con eúdo di ecionado.
3.2 As edes sociais e o consumo de jo nais online
O consumo de jo nais em papel dec esce enquan o o consumo de jo nais online aumen a,
embo a não siga uma p opo ção especi ica. Em Po ugal, 34% dos po ugueses indicou que
a imp ensa esc i a e a a p incipal on e consul ada pa a no ícias nacionais e a e cei a mais
consul ada no ge al, a segui à ele isão (86%) e ádio (35%) (Eu oba óme o, 2020, p. 49).
Os dados do Anuá io da Comunicação 2019 da Obe com, publicado em junho de 2020,
indicam que a enda de jo nais imp essos em Po ugal em caído de o ma sus en ada de
2012 a 2018, com uma queda de ce ca de 800 milhões de cópias endidas em 2012 pa a
ap oximadamen e 403 milhões em 2018 (Obe com, 2020, p. 76).
Embo a o consumo de no ícias online enha aumen ado signi ica i amen e, a p ocu a po
con eúdo especí ico em diminuído. Em ez de u iliza em um mo o de pesquisa pa a
p ocu a con eúdo especí ico ou pa a acede di e amen e a uma página, os u ilizado es
31
espe am que a in o mação enha e consigo - a a és de no i icações ou edes sociais, po
exemplo.
No ela ó io de 2020 da Reu e s e Uni e sidade de Ox o d, com o in ui o de comp eende
a dis ibuição de no ícias na e a digi al, concluiu-se que, na gene alidade dos países
inqui idos, 72% dos u ilizado es consome no ícias a a és de edes sociais, mo o es de
pesquisa, e-mail, no i icações ou ag egado es de no ícias
11
ou ou as o mas conside adas
não adicionais de consumo - des es 72%, 28% começa a busca po no ícias a a és da app
de um jo nal ou de um mo o de pesquisa e 26% ecebe-as a a és das edes sociais; no
en an o, na aixa e á ia dos 18 aos 24, a dinâmica al e a-se: 38% das no ícias êm de edes
sociais e apenas 16% de pesquisa di e a (Nic Newman, 2020, p. 23).
O ela ó io inclui uma análise p é-pandémica e ou a após o su gimen o dos p imei os casos
do no o co ona í us. Es es dados são pa icula men e ele an es pa a o p esen e ela ó io
de es ágio pois ambos os casos em análise oco e am em pe íodo pandémico - Geo ge
Floyd oi mo o po De ek Chau in a 25 de maio de 2020 e B uno Candé oi assassinado
po E a is o Ma inho a 25 de julho do mesmo ano.
Nos úl imos no e anos, es es ela ó ios êm demons ado as edes sociais a ul apassa a
ele isão como maio dis ibuido de no ícias (Nic Newman, 2020, p. 10). Em elação ao
consumo de jo nais, a lei u a em papel dec esceu mais do que o no mal pelos
cons angimen os de deslocação, mas e i icou-se um aumen o subs ancial do consumo
pago po no ícias em jo nais online. O ela ó io conside a “bas an e p o á el” que a
pandemia uncione como acele ado da ansição dos jo nais do papel pa a o digi al (Nic
Newman, 2020, p. 13).
Po ugal oi um dos países iden i icados como caso de c escimen o no núme o de
subsc ições pagas de jo nais online - 10% dos inqui idos paga po esse con eúdo (Nic
Newman, 2020, p. 21). No país, os jo nais imp essos ep esen am a on e p incipal de
no ícias pa a 33% da população po uguesa e 58% op a pelas edes sociais (Nic Newman,
2020, p. 78).
O declínio no consumo de jo nais imp essos não signi ica uma queda no consumo de
jo nais em ge al, dado o hábi o de consumo de jo nais online; sob e udo quando as edes
socias se em de eículo pa a ge a á ego pa a os websi es dos jo nais. O digi al não é
11
Alguns exemplos des es ag egado es de no ícias são a Google News, Apple News ou a Upday (da
Samsung).
32
necessa iamen e uma ameaça pa a os jo nais, mas uma opo unidade pa a se man e em
i os (Fonseca, 2020).
No en an o, es a não é apenas uma ansição de o ma o ísico pa a digi al. O consumo de
no ícias a a és das edes sociais, mesmo que ga an a a sob e i ência dos jo nais online,
não em sem p oblemá icas p óp ias – essencialmen e a c iação de bolhas de in o mação
en iesada e a p opagação de con eúdo also ou imp eciso.
As edes sociais acumulam a acessibilidade da ele isão e ac escem a mo i ação ao
consumo a a és da pe sonalização de con eúdo no icioso, di ecionado a cada u ilizado de
aco do com as ações que execu a: os gos os, as pa ilhas, os comen á ios, os cliques e a é
o empo que passa “a olha ”, com o ec ã pa ado, pa a a mesma publicação (J ., 2017; Pena,
2019; Somaiya, 2014).
Es a dinâmica de in luências é um p ocesso mul idi ecional: o público é in luenciado po
u iliza as edes sociais e a o ma como eage e in e age in luencia o que é p oduzido pelos
media (Mosha a a, 2015). A adap ação dos jo nais online ao con eúdo mais bem
disseminado em edes sociais é legí imo como o ma de aze isi as ao websi e pa a um
en endimen o mais p o undo do assun o ou como o ma de esponde às necessidades mais
p oeminen es do lei o , no en an o, es e nem semp e é o pad ão com mais sucesso nas edes.
As peças jo nalís icas mais pa ilhadas online são as ela i as a desas es e mo es, no ícias
de úl ima ho a, es ó ias eng açadas e peculia es, ex os de opinião p o oca i os e con eúdos
o iginais e dis in i os de de e minado jo nal (Newman, 2011, p. 23)
12
.
Nes a dinâmica de consumo mul idi ecional, a audiência in luencia-se en e si, mesmo sem
in enção. Po exemplo, um u ilizado deixa um comen á io numa peça e o lei o seguin e
lê-a com esse comen á io em men e; nes es casos, é comum que o lei o es abeleça a elação
en e comen á ios ulga es e o ensi os e a p óp ia no ícia, a ibuindo uma cono ação
nega i a ao jo nal ou agência que edigiu à no ícia, ao in és de os julga unicamen e pelo
con eúdo publicado (J ., 2017, pp. 5-6).
Es a úl ima é pa icula men e p eocupan e pois ab e espaço pa a, num con ex o de
exposição p ologada a comen á ios nega i os, o c escimen o do ce icismo em elação ao
con eúdo no icioso, e a en idade que o p oduziu, e uma sob e alo ização da in o mação
ac escen ada po ou os u ilizado es - po encialmen e alsa ou imp ecisa (J ., 2017, p. 10).
12
Pa a es a análise especí ica oi conside ada a ede social Twi e no pe íodo de Janei o a Ab il de 2011.

33
No li o Fáb ica de Men i as: Viagem ao Mundo das Fake News (2019), Paulo Pena,
jo nalis a no Diá io de No ícias e no Púbico, expõe uma sé ie de casos po ugueses de
con eúdo also e/ou manipulado que ganha am ação signi ica i a nas edes sociais e o
negócio que mo i a os c iado es des es. No país exis em mais de 40 páginas/websi es
exclusi amen e dedicados à c iação de no ícias alsas, o a o que acon ece depois do
momen o de c iação – a pa ilha do con eúdo po “mili an es de causas obscu as (na gí ia,
olls), compu ado es p og amados pa a dissemina links a a és de con as alsas (bo s,
diminu i o de obo )” (Pena, 2019, p. 12) e ou os u ilizado es que ealmen e se
iden i iquem com o con eúdo.
Os “pequenos g upos ge almen e excluídos da ‘moldu a’ in o ma i a adicional”
encon am nas edes sociais um can o g a ui o de p oli e ação ideológica que não se ia
acei á el nou o campo, como “simpa izan es nazis, sup ema is as b ancos, nacionalis as
adicais” (Pena, 2019, p. 13). As í imas des as campanhas, icas em con eúdo also, pa a
além de ad e sá ios polí icos, êm sido “os e ugiados, os judeus, os muçulmanos, as
mulhe es, os gays e odos os polí icos que apa eçam desc i os como inimigos da
“iden idade nacional e cul u al”” (Pena, 2019, p. 13)
13
.
Quando a mo i ação é ideológica, e se conside a mos as no ícias como pa e essencial no
p ocesso de omada de decisões in o madas, a si uação é g a e: “Se a in o mação que
emos é alsa, as nossas opiniões se ão ágeis, e quando mui as opiniões se baseiam em
alsidades, em p econcei os, em e os ou alácias, a nossa ida comum – a democ acia –
es á em isco” (Pena, 2019, p. 20).
Concluído, embo a as no ícias alsas não sejam esponsabilidade exclusi a das edes
sociais e conside ando a impossibilidade de desmen i odo o con eúdo also, os meios de
comunicação êm a esponsabilidade de se dis ancia das endências e ícios des e ipo de
con eúdo: ins umen alização de es e eó ipos, al a de con ex ualização e coloca o
desempenho incendiá io de uma no ícia online à en e da qualidade da peça.
13
A mo i ação pa a dissemina con eúdo also nem semp e é ideológica. Conside ando que exis em 40 si es
a c ia men i as em Po ugal e mais de 2,5 milhões de pessoas a consumi-las, o alo que es e núme o de
cliques em pa a os au o es das no ícias, p o enien e de “publicidade di ecionada” é signi ica i o (Pena,
2019, p. 13). Es e ema não se á explo ado em p o undidade no p esen e ensaio, mas não pode ia se deixado
de o a como mo i ação pa a c iação de con eúdo also não necessa iamen e ideológica.
34
Capí ulo 4 – Rep esen a i idade da comunidade neg a nos media mains eam
4.1 Media e mino ias – Pad ões de ep esen a i idade
A exposição p olongada a meios de comunicação mains eam que sigam pad ões de
ep esen a i idade dis o cidos, de o ma in encional ou não, é de e minan e na c iação da
imagem cole i a da mino ia social ep esen ada, especialmen e se es a o
consis en emen e es e eo ipada
14
e/ou o único con ac o que pa e da audiência enha com o
g upo ep esen ado.
O impac o da exposição p olongada aos media oi concep ualizado como a “ eo ia da
cul i ação” (cul i a ion heo y) po Geo ge Ge bne nas décadas de 1970 e 1980 e oca-se
no papel da ele isão, equen emen e colocada ísica e simbolicamen e em luga es de
des aque na ida amilia (Mosha a a, 2015). No en an o, é um e ei o ans e sal a odos
os o ma os media, sob e udo com o c escimen o das edes sociais nas úl imas duas décadas
que o na am o con eúdo mediá ico quase omnip esen e.
O impac o na pe ceção da audiência de e se en endido como "a longo-p azo, indi e o e
cumula i o”, esul an e de associações en e de e minados acon ecimen os e g upos de
pessoas especí icos - um aspe o complexo de espelha em pesquisas pon uais e localizadas
no empo e no espaço (Mosha a a, 2015, pp. 25-27).
O es udo da elação en e a eo ia da cul i ação e a c iação do “ou o” demons a como os
media conseguem c ia uma imagem men al daquilo que ap esen am como “o ou o”,
a a és das imagens es e eo ipadas. (Mosha a a, 2015, p. 32). Es as imagens seguem á ios
pad ões de ep esen a i idade mediá ica com os quais a pa e da população que de ine
quem é “o ou o” não em de se con on a . Es es pad ões são ap esen ados e explicados
abaixo com um oco na comunidade neg a embo a sejam igualmen e e i icá eis na
cobe u a mediá ica de ou as mino ias sociais.
Fal a de ep esen a i idade quan i a i a, con ex ualização nega i a e al a de
con ex ualização ge al
14
A eo ia da cul i ação não o e ece uma de inição de “imagem es e eo ipada”. Nes e caso e ao longo do
p esen e ela ó io conside ámos a de inição de “es e eó ipo” de Deb a Me skin (2017): “c enças
educionis as gene alizadas e unidimensionais” que omam os indi íduos de de e minado g upo como sendo
odos iguais (Me skin, 2017, pp. 2-3).
35
A ma ginalização ou al a de con eúdo alusi o à comunidade neg a ale a pa a a pa e
quan i a i a da ques ão: exis e um núme o ela i amen e eduzido de cobe u a jo nalís ica
de mino ias sociais (Camb aia, 2018; Joachim T ebbe, 2017; Rod igues, 2019; Rose, 2014,
p. 29). Pa a além do p oblema quan i a i o, os es udos ci ados apon am igualmen e pa a a
o ma p oblemá ica des a ep esen a i idade: a con ex ualização nega i a.
O es udo Media Rep esen a ion: Racial and E hnic S e eo ypes (2017) ealça a o ma como
mino ias socias, como os neg os ou la inos, são ep esen ados em p og amas de
en e enimen o de o ma nega i a – como imo ais, com p oblemas amilia es e pessoais ou
pe encen es a um es a o socioeconómico mais baixo (Joachim T ebbe, 2017).
O concei o é, pelo p óp io a igo, anspos o pa a a análise de con eúdo no icioso;
especi icamen e e e indo-se a no ícias sob e e ugiados na Alemanha e à associação do
Islão a e o ismo na Eu opa Ociden al e nos Es ados Unidos da Amé ica.
No es udo The e ec s o news epo alence and linguis ic labels on p ejudice agains
social mino i ies (2019) especi icamen e sob e con eúdo no icioso, o am analisados ês
casos de es udo: a comunidade cigana na República Checa (nega i amen e pe cecionados),
albaneses de Koso o na Suíça, o maio g upo é nico do país (nega i amen e pe cecionados)
e imig an es i alianos na Suíça (posi i amen e pe cecionados).
O es udo conclui que mesmo conside ando apenas uma no ícia nega i a sob e um g upo
mino i á io o impac o na opinião pública sob e essa mino ia se á nega i o e que pe an e
uma no ícia “mis a” (que inco po a cono ações nega i as e posi i as) a eação do público
a amen e é dis in a de uma no ícia com cono ação nega i a (Syl ie G a , 2019). Es a
endência é e elado a do peso que um es e eó ipo nega i o ca ega: quando a no ícia
apa en a se neu a, a in e p e ação ende a desliza pa a aquilo que o lei o já espe a ou i
associado a de e minada mino ia social, sendo que, a ep esen ação de uma mino ia es á
socialmen e imp essa na memó ia cole i a da sociedade (Dijk, 1993, p.108; Höije , 2011).
A si uação ag a a-se quando as no ícias são pa a pa e signi ica i a da população a
p incipal on e de con ac o com uma mino ia (Mosha a a, 2015, p. 23; Philo, 2013, p. 327;
Syl ie G a , 2019; The Oppo uni y Agenda, 2011, pp. 14-28). No en an o, as pessoas que
conhecem alguém da mino ia social ep esen ada e os p óp ios memb os da mino ia social
não es ão imunes à c iação de julgamen os ápidos pa a com os sujei os ep esen ados nos
media, nos quais p oje am as imagens men ais es e eo ipadas que se habi ua am a e
nesses mesmos o ma os (Philo, 2013, p. 329).
36
A con ex ualização nega i a – que e o ça os es e eó ipos enquan o é, simul aneamen e,
po es es e o çada e o nada mais c edí el e legi imada – oco e, pa a suma iza , quando
exis e uma associação desp opo cional en e uma mino ia social e de e minada si uação
pouco a o á el (Me skin, 2017).
Po exemplo, a associação de con eúdo sob e c ime, b u alidade policial ou assal os a
pessoas neg as – que nas no ícias (Fakunle, 2016; Kulaszewicz, 2015; The Oppo uni y
Agenda, 2011, pp. 14-15; To es, 2011; pp. 185-186) que em p og amas de en e enimen o
(Kulaszewicz, 2015; Me skin, 2017) ou a comunidade LGBTI+ associada a no ícias sob e
ag essões da qual é a í ima (Rod igues, 2019).
Em Racism and he Media: A Tex ual Analysis (2015), uma análise de no ícias sob e
homens neg os mo os po polícias b ancos, concluiu-se que o homem neg o nunca é
ep esen ado como alguém que exis e pa a além do c ime que alegadamen e come eu e os
polícias endem a se humanizados a pa i do e a o da pessoa que exis e pa a além
daquele acon ecimen o – c iando um dis anciamen o en e o polícia e aquele momen o e a
pessoa comple a que é (Kulaszewicz, 2015, pp. 34-36).
No caso de Michael B own, um homem neg o desa mado de 18 anos, Da en Wilson, o
polícia que dispa ou con a B own, é desc i o como um p o issional sem nenhuma ação
disciplina e um jo em de doze anos cujo pai oi mo o po um homem neg o; o que
despe a a empa ia do lei o , e B own apenas como suspei o de um c ime (Kulaszewicz,
2015).
Es e ipo de in o mação adicional ao c ime em elação ao homem neg o mo o oi egis ada
em apenas uma das 16 no ícias analisadas, na qual a í ima oi desc i a como alguém com
o sonho de se jogado de u ebol, uma menção, no en an o, seguida de á ios episódios de
insucesso académico e al a de pagamen o da pensão de alimen os (child suppo )
(Kulaszewicz, 2015, pp. 34-35). De odas as no ícias analisadas, em nenhuma os agen es
da polícia o am desc i os como iolen os ou c iminosos, ao con á io das pessoas que
assassina am (Kulaszewicz, 2015, p. 38).
Os media mains eam po ugueses, conside ando especialmen e o jo nal Público, endem
a o e ece uma cobe u a mais neu a do que a li e a u a ela i a aos media no e-
ame icanos suge e. No en an o, mesmo azendo um abalho que do pon o de is a
jo nalís ico p ocu a equilíb io e obje i idade, nem semp e incluem aquilo que alguns
43
A designação do “ou o” e o p econcei o oco em em á ias ins i uições da sociedade, mas
a Imp ensa é iden i icada po Dijk (1991) como “a o ma de comunicação mais c ucial na
ep odução do acismo” (Dijk T. A., 2016), semelhan e a hooks (1995) que os desc e e
como “a maio máquina de p opaganda de sup emacia b anca” (hooks, 1995, p. 116).
A linguagem nos meios de comunicação se e igualmen e pa a p o ege os in e esses da
pa e dominan e da sociedade e pe pe ua desigualdades, como a p o eção das pessoas
b ancas a a és do uso eu emís ico e indi idualizado de exp essões como Jim C ow ou
Uncle Sam pa a iden i ica sis emas de op essão, que anscendem elações in e pessoais,
sem os con on a di e amen e no seu odo (hooks, 1995, p. 108).
Es e é um pad ão que hooks (1995) anspõe pa a os meios de comunicação sob e udo na
ep odução de discu so polí ico que não é abe amen e acis a, mas que usa exp essões pa a
maquilha sen imen os disc imina ó ios, como “Reagan ez ao associa a imagem da mãe
neg a a i e à cus a dos con ibuin es” (hooks, 1995; p. 117) ci ando Edwa d He man. No
con ex o po uguês, And é Ven u a su ge com a exp essão “po ugueses de bem” que
u ilizou no deba e das P esidenciais 2021 com Ma celo Rebelo de Sousa, na qual não di a
ca a e ís icas des as pessoas mas que es ão implíci as no discu so com um odo e
con ex ualizado – Ven u a não p ecisa de dize que es e “po uguês de bem” é b anco.
A linguagem unciona, assim, como um meio de dominação e o ça social, se indo pa a
legi ima elações de pode ; a linguagem não é neu a e ganha pode de aco do com quem
a u iliza e quem de e mina qual o seu uso no mal: nos media, em o pode da pala a quem
se escolhe en e is a ou ci a e quem az es a seleção (Wodak, 2009, p. 312).
Começando pela linguagem u ilizada, um exemplo de como in luencia a ealidade e é po
es a in luenciada é a cobe u a da epidemia AIDS/SIDA. Es a demons a como a linguagem
pode se u ilizada de o ma es igma izan e, negando e idências cien í icas e associando a
doença exclusi amen e à comunidade homossexual, culpabilizando-a pela doença, com
e mos como “o canc o gay” ou “p aga gay”, ou associando a epidemia a um “cas igo
di ino”, como se lê em á ios jo nais dos anos 80 nos Es ados Unidos (Capi anio, 1999).
Em Po ugal, nos úl imos anos, o exemplo mais ma can e e e en e à comunidade
LGBTIQ+, que con ou inclusi e com a in e enção da En idade Regulado a pa a a
Comunicação social (ERC), oi a no ícia do Diá io de No ícias sob e a iolação e o
assassínio de Gisbe a, uma mulhe ans, in i ulada O omance do a eca assassinado
po gunas desalmados.

44
O jo nal explica no p imei o pa ág a o que e a como os jo ens que assassina am Gisbe a
a chama am, no en an o, alida a exp essão como insul o e e i a po encialmen e o oco da
g a idade da si uação, pa a além de despe sonaliza Gisbe a (Rod igues, 2019) e de
aze em uso do p onome e ado (ele/o) que no í ulo que no co po da no ícia – uma o ma
de iolência, mesmo que aciden al, u ilizando a pala a esc i a.
No caso da comunidade neg a, o a igo F om “b u e” o “ hug:” The demoniza ion and
c iminaliza ion o una med Black male ic ims in Ame ica, (2016) Cal in John Smiley e
Da id Fakunle demons am como a linguagem u ilizada pa a desc e e homens neg os
desa mados, que o am mo os pela polícia, como c iminosos é u ilizada pa a
simul aneamen e jus i ica as suas mo es e a as a o caso do esc u ínio legal jus i icado
(Fakunle, 2016).
Es a associação em aízes na his ó ia dos media no e-ame icanos cuja disseminação e
massi icação não dependeu da mão in isí el do me cado li e, mas sim de apoios di e os
do Es ado (To es, 2011). Os media semp e i e am uma elação p o unda com quem
de inha o pode e capi al: a população b anca, algo que esul ou na o ina dis o ção de
e en os con ados semp e da mesma pe spe i a, ida como e dade uni e sal (To es, 2011,
pp. 186-187).
A associação do neg o ao c ime é pe pe uada pelo uso de exp essões como hug que
“des alo iza as idas neg as e pe pe ua a imagem nega i a e cono ação c iminosa, como
o ma de mic o insul o e mic o in alidação (…) es es homens (neg os) são e a ados como
‘bandidos’ ou c iminosos’ pa a que de o ma sub il as suas mo es enham uma jus i icação
que simul aneamen e a as e a culpa das igu as de au o idade esponsá eis po essa mesma
mo e” (Fakunle, 2016, p. 351)
18
.
Os iden i icado es linguís icos são igualmen e u ilizados pa a di idi as pessoas ou
acon ecimen os en e o "bom" e o "mau", de o ma indi e a: na cobe u a do mo imen o
BLM a u ilização de exp essões como hug, de ian ou ace-hus le (o e mo c iado pela
Fox News pa a desc e e alguém que culpa o p i ilégio b anco pelos p oblemas das
pessoas neg as) o am u ilizadas pa a e i a a legi imidade ao mo imen o, colocando-o do
18
No o iginal: “This e m has become he pla o m o dismiss Black li e as less aluable and pe pe ua es a
nega i e and c iminal conno a ion in o ms o mic o-insul s and mic o-in alida ions (…) hese men a e
po ayed as hugs and c iminals o seemingly jus i y hei dea hs while simul aneously shi ing blame away
om law en o cemen .”
45
lado “mau” e quem osse con a, di e a ou indi e amen e, do lado “bom” (Banks, 2018, p.
712).
Alguns au o es (Dijk, 1993; Kulaszewicz, 2015; Wodak, 2009) conside am que a u ilização
do ma cado é nico “neg a/o” (black, no o iginal) pode se conside ada uma mic o
ag essão
19
endo em con a o uso excessi o de iden i icado es aciais ela i os a homens
neg os em compa ação com ou os ma cado es é nico- aciais, especialmen e quando a
menção não é ele an e pa a a peça jo nalís ica e coloca num indi íduo neg o o peso de
ep esen a oda a comunidade – pa icula men e quando u ilizada a exp essão
“comunidade neg a” (Dijk, 1993; Kulaszewicz, 2015).
A linguagem acaba po e le i uma o ma de sup emacia b anca quando se assume uma
pessoa como b anca po de ei o, enquan o as pessoas neg as ou hispânicas êm de se
"nomeadas" e explicadas em oposição ao que se em como dominan e; es a é mais uma das
o mas que con ibui pa a a solidi icação do b anco como uni e sal e de pessoas não
b ancas como "o ou o" (Bonilla-Sil a, 2012).
Rela i amen e à cons ução ásica, es a desempenha igualmen e um impo an e, embo a
sub il, papel na edação de uma peça jo nalís ica, ou em qualque ou a o ma de discu so.
Os usos mais comuns des a e amen a na edação jo nalís ica são coloca a ase na o ma
passi a, e não a i a, pa a a enua a ação do sujei o que se p e ende p o ege ; coloca no
início da ase o que se que des aca sob e udo quando se a a da ação de um sujei o –
sendo que, po no ma de cons ução ásica, o p imei o nome que se lê é aquele que se
ende a associa à ação (Dijk, 1993, p. 104).
No es udo ci ado, é u ilizado o exemplo “Um g upo de jo ens neg os oi assediado po
agen es da polícia” na o ma passi a, em ez da o ma a i a “Agen es da polícia assedia am
um g upo de jo ens neg os” e i ando o sujei o (“agen es da polícia”) do cen o e
conc e ização da ação; ou como exemplo de omissão, pa a p o ege uma ce a en idade:
“Jo ens neg os assediados” (Dijk, 1993, pp. 104-105).
Um exemplo ecen e em Po ugal oi o da Lusa, publicada na e is a Sábado, sob e as
decla ações do CDS-PP à depo ação de Mamadou Ba após o a i is a e ecido c í icas a
Ma celino de Ma a, com um í ulo – Quase 15.000 pessoas exigem depo ação de a i is a
Mamadou Ba - e en ada que ocul am quem mo i ou es a pe ição; algo mencionado no
19
Kulaszewicz de ine mic o ag essão como “ ocas quo idianas de mensagens diminuido as, p oduzidas
conscien e ou inconscien e, di ecionadas a um de e minado g upo de pessoas” (Kulaszewicz, 2015, p. 32).
46
co po da no ícia que p i ilegia as decla ações do CDS-PP e do Chega em elação às do
a i is a e mencionam apenas que o mili a , uma igu a decla adamen e con o e sa, “ oi
de ido e o u ado po elemen os da ex ema-esque da” (Lusa, 2021). Em nenhum
momen o é econhecido o papel con o e so de Ma celino Ma a – em con as e, po
exemplo, com uma no ícia do Diá io de No ícias sob e a mo e do mili a .
O discu so esc i o e epe ido pela maio ia em um impac o signi ica i o no e o ço dos
es e eó ipos p é-exis en es na sociedade, que a ní el mic o em, po exemplo, in e ações
en e g upos mul icul u ais, que a ní el mac o, como na escola (Dijk, 1993; Fakunle,
2016), a a és de de e minadas exp essões e o mas de esc i a que despe am no lei o a
associação a es e eó ipos.
A p esen e análise se á e e uada à luz da análise c í ica de discu so no sen ido em que
conside a quem esc e eu as peças jo nalís icas, as on es consul adas, os ma cado es
é nicos u ilizados e o con ex o em que as peças o am edigidas. Nes e sen ido, não se á
ei a uma análise de discu so de alhada de cada peça a e mos de ocabulá io, cons ução
ásica ou exp essões u ilizadas.
Es a é uma análise que não p e ende ca ego iza de “ acis as” os jo nalis as como
indi íduos, mas apela a uma e lexão sob e o papel que cada um em na cons ução e
manu enção de uma es u u a mediá ica com “ ami icações es u u ais e ideológicas que
eque em uma abo dagem mais undamen al que conside e o papel polí ico, econômico e
sociocul u al da Imp ensa como um odo em sociedades dominadas po pe spe i as
b ancas” (Dijk T. A., 2016, p. xii)
20
. É uma análise que pa e de p oblemas sociais
es u u ais – nes e caso, o acismo - e não das p á icas discu si as em si, mas an es de como
es as ep oduzem as disc iminações da sociedade da qual são pa e (Fai clough, 2001, p.
26).
Fal a de discu so di e o, okenismo e a “ameaça do es e eó ipo”
Pa a além de a amen e pa icipa em nas p óp ias na a i as como on es jo nalís icas, as
mino ias sociais endem a não con a as suas his ó ias como pa e a i a dos media - como
jo nalis as, epó e es ou comen ado es (Rose, 2014; The Oppo uni y Agenda, 2011).
20
T aduzido li emen e do o iginal: “I s s uc u al and ideological ami ica ions equi e a mo e undamen al
app oach, accoun ing o he poli ical, economic and socio-cul u al ole o he P ess as a whole in whi e-
domina ed socie ies” (Dijk T. A., 2016, p. xii).
47
Em 2005, a população la ina, neg a, na i o-ame icana e asiá ica-ame icana compunha
cole i amen e 33% da população o al dos EUA e ocupa a i ualmen e nenhum espaço
nos jo nais diá ios, 8% das es ações de ádio come ciais e 3% das es ações come ciais de
ele isão (To es, 2011, p. 188).
Em Po ugal, embo a não sejam ecolhidos dados é nico- aciais e que a me odologia da
ERC não conside e a p esença de p o agonis as ou on es pe encen es a mino ias é nicas
(Sil a, 2017, p. 23), uma análise empí ica e in ui i a conclui que, em meios de
comunicação mains eam, p a icamen e só exis em jo nalis as b ancos; sal o algumas
exceções (Vicen e, 2019).
Pa a além da eduzida p esença como p o issionais nos media, as pessoas neg as como
on es jo nalís icas são is as com descon iança, especialmen e quando os ela os são sob e
iolência policial (Ma a , 2020). Pedi à sociedade – incluindo aos jo nalis as – que
ques ionem a e são dos ac os o necida pela polícia é i con a a ideia in e io izada de
que es a é uma o ça de segu ança que zela pelo bem da sociedade (Ma a , 2020).
A na a i a da polícia mui o a amen e é ques ionada e ende a é, quando con a ia a da
í ima, a apaga o es emunho con á io; o es emunho da polícia não é is o como o de um
a o subje i o e in luenciado pela sua condição, mas sim como obje i o (Ma a , 2020). A
ideia de que uma e são do mesmo e en o de e se pe o de inques ioná el e a ou a
desca ada é, em si, an agónico com jo nalismo que se diga c edí el; é o opos o de o nece
os dois (ou mais) lados da his ó ia acompanhados de con ex o e de e i icação de ac os.
O caso de Geo ge Floyd, se não i esse sido ilmado e pa ilhado, e ia mui o
p o a elmen e sido a qui ado; conside ando que no ela ó io o icial da polícia
21
o am
omi idos os minu os du an e os quais o polícia De ek Chau in p essionou o joelho con a
o pescoço de Floyd – a causa di e a de mo e e não as “complicações médicas” ci adas pela
polícia de Minneapolis (Ma cus, 2021). Em Po ugal, exis e o caso da esquad a de
Al agide em 2015 inicialmen e epo ado como uma “in asão” da esquad a.
No a igo, publicado na The Wal us, Objec i i y Is a P i ilege A o ded o Whi e
Jou nalis s (2020), a au o a en e is a dois jo ens neg os no e-ame icanos que ela am
21
O ela ó io diz, no o ginal: “He was o de ed o s ep om his ca . A e he go ou , he physically esis ed
o ice s. O ice s we e able o ge he suspec in o handcu s and no ed he appea ed o be su e ing medical
dis ess. O ice s called o an ambulance. He was anspo ed o Hennepin Coun y Medical Cen e by
ambulance whe e he died a sho ime la e .” (Ma cus, 2021).
48
episódios de b u alidade policial e comen am “eu acho que as pessoas ão acha que
es amos a in en a is o”. Foi p ecisamen e essa a si uação com que a jo nalis a se depa ou
de eg esso à edação em To on o: pela p imei a ez em seis anos, ques iona am-na sob e
a possibilidade das on es e em a é dado o nome e ado e, mesmo endo a epó e
con ac ado o depa amen o policial de Bal imo e e o espe i o sindica o pa a con i ma as
acusações (sem espos a), as expe iências ela adas não o am conside adas c edí eis pa a
publicação (Ma a , 2020).
A expe iência i ida de uma pessoa neg a em de se e o çada com es a ís icas ou ou o
ipo de dados complemen a es pa a não se is a com ce icismo, é a o que seja
simplesmen e ida como o ela o de qualque ou a on e – algo con adi ó io com a ideia
de consul a on es que enham expe ienciado acismo e possam, nesse sen ido, se cen ais
pa a a peça jo nalís ica.
Es e ipo de eação mo i a aquilo a que Noelle-Neumann (1974), ci ada po Ca la Bap is a
e Ma isa To es da Sil a, chama de “espi al do silêncio”: “a p essão ac escida que as
pessoas sen em pa a e ai a sua isão quando pensam que es ão em mino ia”, sob e udo
mo i adas pelo medo de exclusão social (Sil a, 2017, p. 13).
Es e é um p oblema que os jo nalis as neg os en en am, embo a possam igualmen e ajuda
a comba e azendo as suas expe iências e igo jo nalís ico pa a a edação; abalhando
idealmen e em peças que não enham di e a ou necessa iamen e a e com acismo, mas
que e ão uma pe spe i a di e en e inco po ada.
No en an o, a exis ência de jo nalis as e epó e es neg os não se á isoladamen e capaz de
des ui imagens media izadas com séculos de exis ência (Rose, 2014, pp. 11-13; The
Oppo uni y Agenda, 2011, p. 47).
Em alguns casos, es a ep esen a i idade pode a é se u ilizada con a a p óp ia comunidade
neg a, quando ins umen alizada como p o a da inexis ência de acismo ins i ucional,
a gumen ando que se a pessoa conseguiu ali chega é po que essas ba ei as “in isí eis”
não exis em mesmo.
A u ilização da neg i ude como a o único de decisão pa a inclui uma pessoa neg a num
luga de pode e não a alo ização da sua expe iência i ida e p o issional é um p oblema
que se ag a a quando es a inclusão é mo i ada pela in enção de o e ece bom nome ao
meio de comunicação e não se e li a no igual a amen o da pessoa no ambien e de

49
abalho; is o é, que seja um a o de inclusão pe o ma i a que não só não esol e o p oblema
como con ibui pa a o esconde (Ma a , 2020; Rose, 2014, p. 13). Es a se ia uma si uação
de okenismo.
O okenismo oco e quando um memb o de uma mino ia social é incluído num g upo de
indi íduos di e en es de si mais iguais en e eles; alguns dos exemplos mais clássicos
incluem o es udan e uni e si á io neg o en e es udan es b ancos, uma pessoa com
de iciência en e um g upo de pessoas sem de iciência ou uma mulhe num g upo de
homens em con ex os labo ais ipicamen e masculinos (Hi sh ield, 2016). Es es indi íduos
em mino ia numé ica, os chamados okens, compõe ge almen e um máximo de 15% do
o al g upo, como de inido no es udo o iginal de Kan e (1977)
22
, au o a ci ada po Yode
(1994), B andl (2011) e Hi sh ield (2016).
Os indi íduos que se encon am nes a si uação de mino ia em ambien es labo ais,
académicos ou ou os, en en am p oblemas de s ess mo i ados pela necessidade de
p o a que são melho es do que o es e eó ipo que lhes es á associado, com o peso de
ep esen a oda a comunidade e possibilidade de es a em a ab i ou echa po as a mais
memb os da comunidade; des e modo, pa e das unções cogni i as (conscien e ou
inconscien emen e) es ão ocupadas com a ideia de que os ou os os pe cecionam em
associação a um es e eó ipo, o que pode a e a as escolhas p o issionais do indi íduo ou o
desempenho em con ex o labo al ou académico (Hi sh ield, 2016; S eele, 2018).
A p essão que expe ienciam, po ezes, p o ém da sensação de que es ão sob um maio
esc u ínio em elação aos colegas; o que pode esul a no aumen o da p essão pa a se em
mais bem-sucedidos pois ac edi am que só assim se ão econhecidos pelo abalho que
ealizam ou acabam po exibi um desempenho abaixo das capacidades eais que de êm
pa a escapa a es e ada desp opo cional (B andl, 2011; Pamela B aboy Jackson, 1995,
pp. 545, 552-553; Yode J. , 1991, pp. 170-180).
A sensação de maio di iculdade ou impossibilidade de p og edi na ca ei a em
compa ação com os colegas em maio ia e o desa io de lida com a sensação de que exis e
uma maximização das di e enças en e si e os colegas e a minimização de semelhanças,
le a à adap ação do compo amen o do oken aos dos g upo maio i á io pa a que a ação
22
O es udo de Rosabe h Moss Kan e é publicado no li o da au o a Men and Women o he Co po a ion
(1977) sob e a expe iência de mulhe es no mundo das endas de uma emp esa que in eg a a a lis a Fo une
500, que eúne as 500 maio es emp esas no e-ame icanas.
50
que desempenha não seja limi ada a um es e eó ipo, o que pode esul a num ce o g au de
dis o ia pessoal (Pamela B aboy Jackson, 1995, p. 545; Yode J., 1991, pp. 170-180).
A p essão que um indi íduo pe encen e a uma mino ia social sen e em elação à
possibilidade de con i ma ou con a ia um es e eó ipo nega i o, como ca a e ís ica
pessoal pe cecionada pelo p óp io ou po e cei os
23
oi cunhada como “ameaça do
es e eó ipo” (A onson, 1995), no o iginal, s e eo ype h ea , em 1995 pelo psicólogo social
Claude M. S eele e Joshua M. A onson no a igo S e eo ype h ea and he in ellec ual es
pe o mance o A ican Ame icans (1995).
Es a ameaça pode se expe ienciada po qualque indi íduo que pe ença a um g upo ao
qual es ejam associados es e eó ipos, não sendo um enómeno exclusi o a mino ias sociais.
Na qualidade de p o esso de psicologia, Claude M. S eele (2018) u iliza o exemplo de
uma eunião escola en e país de alunos e p o esso es pa a ilus a es a si uação: os pais
são neg os e o p o esso b anco, e os pais pensam “se á que es e p o esso consegue
ealmen e e os alen os do meu ilho e se á que ão pega na mínima in ação e ê-lo
como alguém com endências ag essi as? Tenho de es a a en o a isso” e o p o esso es á
a pensa “se á que posso dize alguma coisa ealmen e cons u i a pa a o ilho sem que
seja is o como acis a?” (S eele, 2018)
24
Em pa icula pa a indi íduos pe encen es a uma mino ia social, em con ex o labo al,
exis em ainda p oblemas de desempenho de papéis que eque em uma pos u a au o i á ia
e al a de exemplos que possam segui como modelos semelhan es a si; bem como e em
de lida com possí eis comen á ios disc e os ou di e os sob e os c i é ios de con a ação
ela i os ao pos o de abalho que desempenham (Hi sh ield, 2016).
Embo a o abalho de Kan e (1977) se baseie essencialmen e numa p emissa quan i a i a,
a con inuação da pesquisa no campo do okenismo demons a que es e p oblema anscende
a análise quan i a i a e se p ende especi icamen e com mino ias sociais e não com
memb os de g upos socais dominan es - as disc iminações es u u ais não desapa ecem
num con ex o labo al especí ico - e e o ça que um aumen o quan i a i o de memb os de
uma mino ia num ambien e de g upo maio i á io dis in o pode aumen a a hos ilidade dos
23
T aduzido li emen e do o iginal “S e eo ype h ea is being a isk o con i ming, as a sel -cha ac e is ic,
a nega i e s e eo ype abou one’s g oup” (A onson, 1995).
24
O exemplo começa a se ela ado, no ídeo comple o da pales a, aos 41m30s.
51
colegas po uma sensação de ocupação que ameaça o s a us quo (B andl, 2011, pp. 348,
360; Yode J. , 1991, pp. 184-188).
Des e modo, a inclusão de pessoas neg as em posições ipicamen e ocupadas po b ancos
não é, isoladamen e, uma solução pa a melho ep esen a i idade da comunidade neg a nos
media. No en an o, al não signi ica que consul a on es com expe iência i ida seja
i ele an e ou inconsequen e.
Conside ando a al a de epó e es e jo nalis as neg os em Po ugal (Vicen e, 2019), inclui
pessoas neg as como on es de peças sob e disc iminação acial e de o ma ans e sal nas
no ícias é uma o ma de aze na a i as na p imei a pessoa e jo nalismo mais comple o,
com uma isão menos en iesada da ealidade e ul apassando a abo dagem pós- acial
(colo -blind) de assumi que um b anco ou um neg o a ala de acismo é a mesma coisa.
4.2. A comunidade neg a e os media: do Mo imen o dos Di ei os Ci is ao Black Li es
Ma e
Um pon o de i agem na cobe u a jo nalís ica da comunidade neg a, embo a não com
odos os meios de comunicação, oco eu nos Es ados Unidos da Amé ica nos anos 60
du an e o Mo imen o dos Di ei os Ci is.
A cobe u a do Mo imen o dos Di ei os Ci is, en e 1950 e 1960, é um dos exemplos
econhecidos de como o impac o de uma cobe u a jo nalís ica de mé odo obje i o mas não
neu al impo a pa a mudança eal; ao pon o de se conside ado o momen o a pa i do qual
se começou a o ula a comunicação social de "libe al" e "en iesada" nos Es ados Unidos
- nes e caso, po pessoas b ancas do Sul que a i ma am que os media es a am do lado dos
a i is as pelos Di ei os Humanos, não econhecendo que uma cobe u a equilib ada não
se ia ep esen a i a do que es a a a acon ece pois as pa es en ol idas não es a am em pé
de igualdade; assim, culpa o mensagei o acabou po se uma " espos a e lexo"
(G eenbe g, 2008, p. 167).
O con ex o em que o Mo imen o deco eu con ibui igualmen e pa a uma cobe u a
jo nalís ica isual e, po an o, mais impac an e: a massi icação do consumo de ele isão
começou nos Es ados Unidos nos anos 50 e 60, acompanhando o Mo imen o dos Di ei os
Ci is (Philley, 2012).
Os a i is as do Mo imen o dos Di ei os Ci is não e am alheios à impo ância dos meios
de comunicação e os líde es do mo imen o ambém não (Philley, 2012). Ma in Lu he
52
King ala a, desde as p imei as campanhas, na necessidade de "despe a a consciência da
nação a a és da ádio, TV, jo nais..." e que "sem a comunicação social, pode iam e
icado massac es no Sul po con a . O mundo a amen e ac edi a no ho o das es ó ias da
His ó ia se es as não o em documen adas pelos mass media"; al como Johh Lewis quando
a i mou que "Sem os media, o Mo imen o dos Di ei os Ci is e ia sido como um pássa o
sem asas" (G eenbe g, 2008, p. 174)
25
.
Um dos momen os conside ados de i agem da opinião pública em elação ao Mo imen o
oco eu após a ansmissão ele isi a da p imei a de ês ma chas pelo di ei o ao o o (e
gene alizada al a de di ei os) de Selma a Mon gome y, em pa icula a o e e iolen a
ep essão policial. A ma cha oco eu a 7 ma ço de 1965 e jun ou ce ca de 600 mani es an es
que ma cha am pela pon e Edmund Pe is, em Selma, como o ma de p o es o pací ico, que
o am ag edidos pela polícia (exis iam an os polícias como mani es an es) com bas ões e
gás lac imogéneo. As imagens na ele isão e os ela os nos jo nais não poupa am nas
desc ições, endo cunhado o dia como Domingo Sang en o, Bloody Sunday.
A ep essão policial oi ansmi ida em di e o nas ês g andes es ações ele isi as no e-
ame icanas - NBC, CBS e ABC; es a úl ima in e ompeu a sessão de cinema do ilme
Judgmen a Nu embe g, sob e a Alemanha nazi - a sob eposição en e as imagens causou
um o e impac o nos elespec ado es (Philley, 2012). O público no e-ame icano iu a
b u al ep essão de um p o es o pací ico, num país que inham como seu e democ á ico -
es e oi o momen o em que a gene alidade do país passou a assumi o Sul como mo i o de
e gonha nacional (G eenbe g, 2008, p. 173; Philley, 2012).
As imagens ele isi as e as o og a ias escolhidas pelos jo nais des acam como momen os
que pode iam e caído no esquecimen o se o na am cen ais pa a a anços na conquis a de
di ei os. Alguns des es des aques oco e am:
• A 24 de se emb o de 1955, com o julgamen o da mo e de Emme Till, após J.W.
Milam e Roy B yan e em sido absol idos, po um painel de jú is exclusi amen e
b ancos, pelo assassina o do apaz neg o de 14 anos. Os dois homens e am o ma ido
25
No o iginal: “"F om his ea lies campaigns, he alked o he need o “a ouse he conscience o he na ion
h ough adio, TV, newspape s … as o condi ions ha exis , p og ess being made.” He poin edly spelled ou
his belie ha “public ela ions is a e y necessa y pa o any p o es o ci il disobedience,” no ing, “Wi hou
he p esence o he p ess, he e migh ha e been un old massac e in he Sou h. The wo ld seldom belie es
he ho o s o ies o his o y un il hey a e documen ed ia mass media.” (...) Wi hou he media,” concluded
mo emen leade John Lewis, “ he ci il igh s mo emen would ha e been like a bi d wi hou wings.”
(G eenbe g, 2008, p. 174).
59
Os meios de comunicação c ia am uma dualidade en e os p o es an es, sepa ando-os en e
bons e maus - os bons es a am associados a " alo es neolibe ais de indi idualismo e
esponsabilidade indi idual" e os maus "chama am à a enção pa a o acismo es u u al"
que a e a a a ida dos p óp ios; es a dico omia como o ma de e i a legi imidade ao
mo imen o BLM (g upo dos "maus") oi ans e sal, embo a não exa amen e exp essa da
mesma o ma, a á ios canais de media ideologicamen e dis an es - nes e caso, Fox News,
CNN e New Yo k Times (Banks, 2018, p. 718).
O BLM é um dos casos que ilus a como os meios de comunicação mains eam endem a
não ap o unda a cobe u a de p o es os, não p ocu ando as causas es u u ais dos
mo imen os; mesmo quando o e ecem uma isão ele an e e posi i a do mo imen o es e
acaba po se despoli izado e o nado sensacionalis a. O "pa adigma de p o es o" oi a
o ma mais p óxima de cobe u a jo nalís ica p oduzida pelos jo nais no e-ame icanos
(Bell, 2017; Umamaheswa , 2020).
O "pa adigma do incómodo" (public nuisance) de Di Cicco (2010) oi igualmen e
associado a alguma da cobe u a do mo imen o BLM. Es e oca-se no incómodo e i i ação
que os p o es os azem ao quo idiano daqueles que não pa icipam na ação, sendo
conside ados não pa ió icos e ing a os pa a com o país po es a em a p o es a (Bell, 2017,
p. 723; Umamaheswa , 2020, p. 4).
Numa análise ela i a às mo es de Philando Cas ile e Al on S e ling e i icou-se a quase
cons an e omissão da pessoa neg a cuja mo e inha mo i ado o p o es o e quando os nomes
e am mencionados, a desc ição do e en o que le ou à mo e não exis ia - no The
Washing on Pos , as í imas o am desc i as somen e como "dois homens neg os cuja
mo e oi cap ada em ídeo" (Umamaheswa , 2020, p. 5).
Con a iamen e, a cobe u a do i o eio de Dallas - quando Micah Xa ie Johnson, um ex-
e e ano neg o, dispa ou con a polícias e mani es an es, ma ando seis polícias e dois ci is
- oi bas an e de alhada e c iou uma ligação de causa po associação aos p o es os do
mo imen o BLM. Alguns jo nais incluí am on es a o na es a elação di e a como o che e
da polícia de El Paso a dize que o BLM e a um "mo imen o adical de ódio" e o mayo
de No a Io que na al u a, Rudolph W. Giuliani, a a i ma que se a a a de um g upo
"in insecamen e acis a" (Umamaheswa , 2020, pp. 5-6).
Po ou o lado, os es emunhos de p o es an es, mui os deles di e amen e a e ados pela
desigualdade acial na jus iça, o am p io izados (Umamaheswa , 2020, p. 6) ao in és de

60
obse ado es não pa icipan es, como em casos an e io men e ci ados (Bell, 2017, pp. 725-
726). Em elação às on es, embo a se acuse o BLM de e desc edibilizado as o ças de
segu ança, os ela ó ios o iciais da polícia a amen e não são idos como on es c edí eis
pa a p imei as no ícias e, po isso, bas an e di íceis de con adize pois a na a i a seguin e
su ge semp e na lógica de desmen i o que o iginalmen e se inha como e dade; só quando
su gem ídeos de es emunhas é que começam a se al e adas as na a i as (III, 2016, p.
32).
Numa análise ela i a às mo es de Wal e Sco e Samuel Dubose, o au o chama à a enção
pa a as p imei as no ícias sob e a mo e de Sco e em mencionado p on amen e o egis o
c iminal da í ima e apenas ês dias depois, nou o jo nal, apa ece a menção a queixas
egis adas p e iamen e no pe il do agen e Slage po uso excessi o da o ça; no caso de
Dubose, o au o des aca a escolha de o og a ia pa a pa ilha da no ícia nas edes sociais
dos meios de comunicação - o agen e da polícia so i com uma bandei a dos Es ados
Unidos de undo e ao lado es á uma mugsho do homem que ha ia mo o (III, 2016, pp.
127-130).
Es es pad ões de ep esen a i idade con ibuem pa a a associação de pessoas neg as ao
c ime e pessoas b ancas à inocência e, po ezes, uma co elação en e ambas (III, 2016, p.
27). A elação en e pessoas neg as e c iminalidade oi ep oduzida e assimilada ao pon o
de quando não se menciona a co da pela da pessoa que come eu o c ime é endencialmen e
assumido que é neg a (III, 2016, pp. 30-31).
Assim, conclui-se que os media an o podem unciona como aliados a mino ias socias
como pe pe uado es da disc iminação que es es g upos en en am. O papel dos media a ia
de aco do com demasiados a o es pa a que exis a uma posição ixa que os meios de
comunicação omem em elação à cobe u a de emas que en ol em mino ias socias –
con ex o sociopolí ico, o empo, o mo imen o social em ques ão, quem edige a peça e a é
o p óp io meio de comunicação; os media não são um g upo homogéneo. No en an o,
exis em o mas de cobe u as nas quais êm a esponsabilização de não inco e como as
mencionadas no subcapí ulo 4.1. e explo adas no capí ulo seguin e.
Em Po ugal, o mo imen o BLM, a é ago a, oi algo momen âneo e localizado no empo:
hou e menções cla as ao mo imen o em mani es ações con a os a os acis as come idos
con a Cláudia Simões, Luís Gio anni e Geo ge Floyd (Hen iques, 2020) mas não se
e i icou uma e lexão p o unda gene alizada sob e a des alo ização das idas neg as po
61
pa e da polícia, mesmo com os ale as do ERCI sob e iolência policial acis a, nem sob e
a al a de sensibilidade implíci a pe an e o so imen o das pessoas neg as; dois emas na
génese do mo imen o (Munmun De Choudhu y, 2016; Umamaheswa , 2020).
Embo a a discussão não enha sido p olongada pa a além dos momen os mediá icos de
p o es o, a con e sa sob e acismo exis iu em painéis de deba e ele isi o, ex os de opinião
em jo nais e nas edes sociais. Começou a ala -se do acismo como algo que exis e em
Po ugal e não como algo que “algumas pessoas são”. A discussão exis iu, mas oi ugaz.
No documen á io Olha es sob e o Racismo (2021), lançado pela SOS Racismo pa a os 30
anos de exis ência, as isões sob e o a i ismo an i acis a em Po ugal a iam en e a
pe ceção de melho ia em elação a quem iniciou a lu a em Po ugal em 2007 quando “o
acismo não e a ques ão” e se a i ma a que “não se ai discu i uma ques ão que não exis e”
pa a um momen o em que os mo imen os pedem “mudanças es u u ais”, con a E alina
Gomes Dias da DJASS Associação de A odescenden es; e a ideia de que o país é
an i acis a de o ma pon ual e/ou a é pe o ma i a; como pensa Xullaji, músico e designe
de som (SOS Racismo, 2021).
4.3. Pad ões de ep esen a i idade da comunidade neg a nos media mains eam
po ugueses
O obje i o des e capí ulo é comp eende como é ep esen ada a comunidade neg a aos
olhos da p óp ia, conside ando a impo ância de ela os na p imei a pessoa e analisando-
os de o ma compa a i a aos pad ões iden i icados an e io men e.
A al a de au o es neg os e es udos sob e ep esen a i idade de mino ias sociais nos media
po ugueses o am a p incipal azão pa a conside a es as en e is as como pa e in eg an e
des e abalho.
Os en e is ados o am:
• Ma iama Injai, c iado a de con eúdos an i acis as online com ídeos no You ube
e publicações no Ins ag am onde é conhecida po A oma y.
• An ónio Tonga, a i is a em mo imen os an i acis as como o Em Lu a e
Consciência Neg a.
• Pa ícia Mo ei a, au o a do li o As No as Iden idades Po uguesas que con a a
his ó ia de á ias pe sonagens neg as em papéis não es e eo ipados e nos quais
ge almen e al a ep esen a i idade.
62
• Daniel Sil a, licenciado em Ma ke ing e en e is ado pa a o p og ama SÓQNÃO
da Joana Ma ins pa a a RTP Lab onde alou sob e se neg o em Po ugal.
• Paula Ca doso, undado a da ede digi al A olink e au o a da ma ca de li os
in an is Fo ça A icana; com o mação em Relações In e nacionais e jo nalis a
du an e 17 anos em meios como o Sol e e is a Visão e di e o a em Angola do si e
do No o Jo nal.
• Ana Paula, uma das undado as da Pla a o ma Geni, um local de pa ilha de
expe iências e a i ismo ocado na mulhe b asilei a. É mes e em Ciência Polí ica
e Relações In e nacionais e em um dou o amen o em Ciência Polí ica. A ualmen e
é in es igado a no Ins i u o Po uguês de Relações In e nacionais.
Nas en e is as o am ela ados quase odos os pad ões iden i icados an e io men e: al a
de ep esen a i idade quan i a i a, con ex ualização nega i a e al a de con ex ualização;
e o ço de es e eó ipos e o duplo-e ei o dos media, linguagem com iés; al a de discu so
di e o e algumas expe iências de okenismo.
A cons ução ásica e a ameaça do es e eó ipo o am os únicos pad ões não iden i icados
e a negação do acismo oi um dos pad ões iden i icados que não ha ia sido ca ego izado
na análise do capí ulo an e io .
Paula Ca doso apon a pa a uma al a de ep esen a i idade quan i a i a ge al e dá como
exemplo a não cobe u a de no os meios de comunicação ou p oje os c iados po pessoas
neg as: “Quando saiu a e is a Makeba não hou e nenhuma en e is a com a c iado a e
du an e o empo em que abalhei em jo nalismo semp e que su gia uma no a publicação,
inha cobe u a. Pa a o A olink a única pessoa com quem eu alei oi a Joana Go jão
Hen iques, apesa de se um p oje o único no pano ama nacional mais ninguém do
mains eam me p ocu ou; a é hoje. Toda a cobe u a que i e oi de meios al e na i os e da
RTP Á ica. O me cado que o ganizámos ecen emen e no A olink não e e cobe u a e
há semp e cobe u a de a iados es i ais gas onómicos, po exemplo.”
Quan o à al a de on es neg as em peças jo nalís icas, Ma iama iden i ica-a que nas
no ícias, que em painéis de discussão e apon a pa a o pe igo da gene alização da opinião
de uma pessoa pa a a de oda a comunidade: “Uma coisa que acon ece mui o é quando ão
ala de acismo mon am aquelas mesas em que são só homens b ancos, po an o quem
es u u almen e c iou o p oblema é quem ai ala . Não in e essa i a pessoa neg a dize
o que sen e e sabe sob e acismo. Quando azem um neg o êm endência a escolhe
63
pessoas que alem de o ma sua e e conciliado a pa a usa o clássico “se es a pessoa neg a
acha, odas acham”. Es e oi uma p oblemá ica igualmen e iden i icada po Daniel Sil a.
Sob e a al a de ela os na p imei a pessoa, Paula Ca doso ac escen a: “Como pessoa que
es e e den o do sis ema, i que não há espaço pa a na a i as que humanizem pessoas
neg as. Não se encon a em ela os na p imei a pessoa é um eno me sinal de que pessoas
neg as não são idas como álidas pa a ocupa aquele espaço e no momen o de conside a
uma on e como c edí el, a ques ão é nica es á lá. Não se que mui a melanina nas páginas
po ezes com o a gumen o de “os nossos lei o es êm de se e e ” e is o é ou a camada
de exclusão po que implica que as pessoas neg as não leem.”
A jo nalis a ac escen a que es a al a de on es não b ancas é uma alha mo i ada ambém
pelo imedia ismo do jo nalismo: “Is o ambém acon ece po que no jo nalismo é udo pa a
on em. Nós eco emos à ede [de on es] que já es á c iada. Quando é p eciso ou i um
especialis a ou emos o con ac o e usamos po que sabemos que ai esponde ou
pe gun amos à nossa ol a e alguém na edação nos ai da um con ac o que já az pa e
daquele ci cui o – e nunca se sai daí”. Nes e sen ido, é equen e que pessoas neg as sejam
chamadas à úl ima da ho a “só po que a pessoa decidiu p eenche uma box que es a a
esquecida”, um ela o semelhan e ao de ou as mulhe es neg as esc i o as e a i is as – e ,
po exemplo, (Lo de, 2020, p. 100).
A al a de jo nalis as neg os oi igualmen e iden i icada como pad ão e elacionada com
impedimen os es u u ais de acesso a emp ego pela comunidade neg a, bem como os
desa ios que êm com o se a única pessoa neg a naquele ambien e.
Paula Ca doso desc e e a sua expe iência: “Enquan o i e a ca ei a p o issional, nas duas
edações em que es i e em Po ugal, semp e ui a única jo nalis a neg a – comecei na
e is a Visão e depois in eg ei a equipa undado a do jo nal Sol. Comecei em 2003 num
es ágio na Visão, inha do Cenjo onde ambém e a a única o manda neg a, e sai em 2006
pa a i o Sol e nunca me c uzei com mais nenhuma pessoa neg a [jo nalis a] na edação na
Visão. No Sol, exa amen e o mesmo pano ama. Es e enquad amen o acaba po explica o
es o – se não exis e di e sidade é nico- acial na edação e se os jo nalis as êm a
esponsabilidade de p opo emas e de os deba e e de ende , a pe spe i a que sai das
edações é homogénea: no malmen e b anca e masculina.”
Paula Ca doso des aca a impo ância de jo nalis as neg os nas edações como o ma de
e i a a ep odução de p econcei os implíci os po que mesmo que o jo nalis a b anco não
64
seja acis a “pa e de um luga de olha pa a “o ou o” sem conhece ou e a expe iência
i ida.”
Ma iama ala de si uações que ê de o a: “Não é que jo nalis as neg os não exis am, mas
não es ão nas edações e isso em mui o a e com acesso. Eu já alei dis o com alguns
jo nalis as neg os e po ezes en a pa a uma edação e se neg o implica abalha sob e
acismo e eles não são só aquilo. E depois uma jo nalis a neg a, como a Conceição Quei oz,
em de es a semp e a p o a o seu alo po se neg a; como se não i esse ei o o cu so
como a colega ao lado.”
Paula Ca doso e Daniel Sil a chamam à a enção pa a a al a de pessoas neg as nos espaços
de Opinião. Paula Ca doso comen a: “Uma o ma de e o ça es e eó ipos ambém é exclui
pessoas neg as des es espaços pois não lhes econhecemos esse espaço de in elec ualidade
– isso con inua a c ia no imaginá io cole i o a ideia de que há uns que pensam e êm
opinião e ou os que não.” E Daniel: “Não há in e esse em ou i a nossa his ó ia nem a
nossa pe spe i a po que isso implica ia epensa á ios concei os da sociedade, posições
de pode e a His ó ia. O que me su p eende mais é não exis i em c onis as, nunca se ou e
pessoas neg as simplesmen e a ala em da ida, só são chamadas pa a ala de um ema do
qual não êm culpa que exis a.” Ana Paula ac escen a: “Assumi que as pessoas neg as só
podem ala de acismo ambém é uma p á ica acis a. Não podemos exigi delas que
ca eguem essa esponsabilidade de ala e descons ui o acismo a odo o momen o”.
Pa ícia Mo ei a ealça a impo ância de di e si ica as equipas: “Não só e jo nalis as
neg os como pi o , mas e nos bas ido es. Po que pode se uma mudança de consciência
coloca um neg o num luga de pode , mas ambém pode se uma es a égia pa a a ai
público e é p eciso e o cuidado de ealmen e e as pessoas a abalha a i amen e nos
bas ido es com a equipa e se essa sensibilidade e omada de consciência se man ém aí.”
Daniel Sil a pa ilha a mesma opinião sob e di e si ica odo o ambien e de abalho:
“Mais do que jo nalis as neg os eu gos a ia de e mais pessoas que se ocam na
expe iência de ida das pessoas neg as e quei am expandi o deba e; po que um pi o só
diz no ícias, nós p ecisamos comen ado es, c onis as e deba es 100% acializados pa a
ala em sob e emas especí icos e expandi a discussão. Não bas a o jo nalis a se neg o,
em de se puxa o assun o pa a a en e. Não bas a, mas é um bom p imei o passo.”
Pa a Ana Paula, di e si ica as equipas é igualmen e c ucial como pa e in eg an e de uma
sociedade di e sa: “Eu acho que a ia di e ença po que isso ep esen a a nossa sociedade,

65
na medida em que se a sociedade é di e sa es a di e sidade em de es a em odos os
espaços. A sociedade não é in ei amen e b anca e se há espaços que são en ão é p eciso
e le i sob e isso.”
An ónio Tonga e o ça a impo ância de c esce com exemplos a segui : “É impo an e
uma p esença neg a especialmen e po que, al como eu no inal dos anos 90, p ecisamos
de c esce com e e ências isí eis; p ecisamos de sabe quem somos – po que o sis ema
diz-nos quem somos.”
É nes e sen ido que Tonga ale a pa a a o ma como os media, ao mesmo empo que
in luenciam a o ma como a audiência pensa sob e a comunidade neg a, impac am como
as pessoas neg as pensam sob e si – o que Deb a Me skin (2017) ca ego iza como o duplo
e ei o dos media: “De ce a o ma, os media e o çam e ou as ezes c iam es es
es e eó ipos po que as pessoas abso em uma isão do mundo a a és do que se ê nos
media. Quando és um jo em neg o e ês is o começas a pensa “epa não me posso jun a
com mui as pessoas que is o ainda ai da po ca ia” ou “nós p óp ios não somos de
con iança”. É oda uma na a i a que depois jus i ica a ua posição na sociedade, o nas- e
o eu p óp io polícia; icas mais de ensi o e não eclamas os eus di ei os como pessoa.”
A e mos de linguagem, embo a enha sido, en e an o, escla ecido que se a a a de uma
no a pessoal do jo nalis a, Ma iama e Ana Paula eco dam o episódio da depu ada socialis a
Romualda Fe nandes como ep esen a i o da al a de cuidado em con eúdo que inclui
pessoas neg as e como uma si uação que pode ia e sido e i ada se a equipa de
p o issionais dos media es i esse ale a pa a es e ipo de p econcei os, mesmo que
aciden ais.
A culpabilização da í ima e p o eção do assassino ou a empa ia que se en a c ia com
es e, em con as e com a al a de sensibilidade pa a com pessoas neg as, oi igualmen e
iden i icado pelos en e is ados.
Ma iama e o ça como o oco, após os assassina os, oi di ecionado pa a a í ima neg a e
não pa a o ag esso b anco: “As ezes que se alou do Geo ge Floyd e se colocou a sua
pessoa em ques ão e as ezes em que se alou do polícia… O B uno Candé oi a mesma
coisa, quase ninguém inha is o a ca a do assassino. O que es á aqui espelhado é a
necessidade de p o ege a pessoa b anca.”
66
Pa ícia Mo ei a apon a numa di eção semelhan e: “Ha ia um g ande in e esse em sabe
quem e a o B uno Candé; quem e a a í ima e não o assassino. O E a is o e a desc i o nas
no ícias como um “idoso de 78-79 anos”, puxando o es e eó ipo do “coi adinho do idoso”.
Do ou o lado, ha ia uma p ocu a do que o B uno Candé inha ei o pa a se mo o, “o que
é que se á que esse jo em ez?”, se osse ao con á io e i esse sido o B uno Candé a
come e homicídio oda a gen e ia que e sabe quem e a o assassino e não quem e a a
í ima. Es a in e são de papéis oi um e lexo da sociedade.”
Paula Ca doso ac escen a: “O assassino es a a a se desc i o como um “idoso”, um
aposen ado que inha abalhado no se o da saúde e que inha es ado da gue a do Ul ama .
E a já es a a na a i a pa a en a c ia absol ição a e mos de opinião pública po que é a
imagem de alguém que se calha a é eio da gue a com aumas e que o go e no
negligenciou, um negligenciado da gue a do Ul ama . E o B uno Cande e a o ipo que
não azia nada e anda a ali a pai a nas uas e que anda a a p o oca o senho com a sua
cadela e e á ido um passado com negócios pouco líci os. Num caso em que Candé é mo o
depois de ou i insul os acis as de o ma ão iolen a, a p eocupação de uma sé ie de
media é esca a uncha o passado dele no sen ido de en a legi ima o a o daquela pessoa
que o assassinou.”
Daniel Sil a e i icou uma des alo ização dos assassina os e uma en a i a de
dis anciamen o do acismo p esen e nos a os: “Mais do que qualque coisa, oi uma
cobe u a aca a e mos de quan idade e a e mos de con ex o. No caso do Geo ge Floyd
oi mui o ocada no “ ocês es ão a queima os nossos supe me cados! É p eciso an o? O
que é que se passou?” como se o que acon eceu i esse sido pouco. No caso do B uno oi
mais “is o é uma coisa de uma ez. Ele [E a is o] é maluco, is o não somos nós”, exis e
uma indi idualização do acismo como se não osse um sis ema.”
Ma iama e Tonga eco dam os casos de Cláudia Simões e da esquad a de Al agide como
episódios de negação de acismo a é à úl ima ins ância e exemplos de insensibilidade da
população b anca em ge al pa a com a iolência con a pessoas neg as – algo que
anscende os media, mas não os des esponsabiliza pela exibição de imagens
sensacionalis as sem con ex o.
Ma iama, em elação ao caso de Cláudia Simões, comen a: “Se osse uma pessoa b anca
qualque pessoa e ia icado indignada – ela oi espancada po um bilhe e de au oca o. O
p econcei o começou desde o mo o is a a é ao polícia e passou pelas pessoas que ie am
67
dize “ah, ela me eceu”, só o dizem po que ela é uma mulhe p e a. Eu ou i essa ase
an as ezes e iquei chocada. Se osse b anca a senho a e ia odo o apoio dos media e
es a ia nos p og amas odos da manhã. As epo agens que incluí am Cláudia Simões o am
de uma eno me deslealdade, quem es a a a aze a peça não es a a a aze es o ço nenhum
e que ia mesmo e a a aquela neg a com so aque que não se sabe exp essa bem – po que
isso e o ça o es e eó ipo e isso ende.”
An ónio Tonga ac escen a: “Foi um caso limi e que inha de e puxado discussões sob e o
modelo da sociedade e o papel da polícia e essas discussões não exis i am. Uma pessoa
neg a a quem oi possí el aze uma manob a de UFC, uma mãe, e que ainda assim emos
de á ios se o es impo an es da sociedade, emos pessoas b ancas, comple amen e
indi e en es ou mesmo a a o .”
Nes e sen ido, eco dam igualmen e o episódio da Esquad a de Al agide. Ma iama diz:
“Quando oi na esquad a de Al agide, ambém se en ou de ende os polícias a é à úl ima.
E a linguagem de “in asão” da esquad a se iu ambém pa a c ia uma opinião que se que
que o público enha.” E Tonga conclui: “Es e é um pad ão pa a ou os casos de iolência
con a pessoas neg as em Po ugal – p imei o nega-se a é onde se pode e depois os casos
ou pe dem ele ância ou es ão em dispu a cons an e dos ac os pa a p o a se hou e
ealmen e mo i ação acial”
Um ou o episódio azido pa a a discussão oi o do A as ão na P aia de Ca ca elos.
An ónio Tonga ecomenda o abalho da Diana And inga (2005) E a Uma Vez um A as ão
“que ala sob e como oi cons uída essa na a i a e como os media não são
esponsabilizados pelas no ícias que lançam e pelo peso que isso coloca à comunidade
neg a ou à comunidade cigana – que em ainda menos de esas e é ainda mais conside ada
culpada à pa ida. A no ícia ala a em “suspei os de o igem a icana” e associado a isso
logo “um desaca o, uma es a” e da es a passa logo pa a a ixa po que p on o é aquela
ideia de que somos mesmo assim e não conseguimos es a mui os jun os sem que as coisas
descambem. O caso oi um mo imen o de uga de mui as pessoas e como mui as delas
e am neg as pensou-se “es ão a epe i os a as ões que exis iam no B asil” e depois
passa am uma sé ie de en e is as de pessoas b ancas a dize “ai, co i pela minha ida” e
nenhuma oi oubada.”
E Pa ícia Mo ei a: “Eu lemb o-me de uma no ícia que já oi há anos, em que no icia am
que inha ha ido um a as ão numa p aia. E disse am que e am pessoas acializadas e
68
apa ece am essas imagens. Mas oi só uma si uação de con usão em que as pessoas
começa am a co e . No li o Um P e o mui o po uguês (2017), a au o a ala desse
acon ecimen o e elemb a que no meio dessa con usão es a am ambém pessoas b ancas a
co e , mas que a imagem que apa eceu nas no ícias e a um g upo de neg os a co e e
assumiu-se que e a um a as ão.”
Ou o dos pad ões iden i icados oi a u ilização de ma cado es é nicos quando a pessoa
neg a su gia num con ex o nega i o e o apagamen o quando o con ex o e a posi i o.
Ma iama exempli ica: “Nós só somos po ugueses quando ganhamos coisas po Po ugal
como os a le as – Nelson É o a, Pa ícia Mamona – eles são “bons po ugueses”, mas só
nesses momen os. Ou és po uguês ou és p e o, depende do que es ás a aze .”
O maio esc u ínio e o e o ço de es e eó ipos pelos media pa a com pessoas neg as o am
igualmen e iden i icados e o am dados como exemplos as no ícias sob e Mamadou Ba e a
cobe u a da candida u a de Joacine Ka a Mo ei a.
Ma iama con as a es a cobe u a com a dada a And é Ven u a: “O Mamadou Ba es á
semp e a se di amado pelos media e po quê? Po que é um homem neg o que diz a e dade
na ca a e dói. E expõe mui a gen e en ão é um al o a aba e . Es a campanha massac an e
no a-se mui o nos ex os de opinião. Is o mancha mesmo a imagem dele e há pessoas a
dize que não gos am dele sem sabe bem po quê. A Joacine oi igual, os media ize am
uma campanha ho í el con a ela. Depois exis e o empo de an ena que se dá ao And é
Ven u a e a pessoas como o Má io Machado [ o a das no ícias] que oi a um p og ama em
p ime ime.”
Pa ícia Mo ei a dá igualmen e o exemplo de Joacine como um momen o em que o
esc u ínio oi maio do que a ou os polí icos na mesma si uação e a imagem passada oi
mais nega i a: “Joacine Ka a Mo ei a e a mos ada ao público a a és de imagens
escolhidas em que ela es a a exal ada ou com uma ca a pouco simpá ica. Ha ia um
in e esse pela ida pessoal dela e não pelo p og ama polí ico. As imagens pa eciam
selecionadas a dedo pa a e o ça uma imagem es e eo ipada da mulhe neg a ai osa e
ne osa. Ela es á num espaço onde não é espe ado que ela es eja e ecebe eações pouco
simpá icas. Pa ece que a pessoa neg a não em espaço pa a e o, pa ece que não podemos
e a . Mas odos come emos e os, somos humanos.”
A e mos de e o ço de es e eó ipos, Paula Ca doso iden i ica duas na a i as dominan es
nos media: “Nas edações consegue pe cebe -se que o olha pa a a comunidade neg a em
75
As peças conside adas an i acis as são aquelas que abo dam o acismo como
ins i ucional e es u u al e não as que mencionam e denunciam o a o acis a como
isolado e mo almen e condená el – essas se ão ca alogadas como “denúncia de
acismo”.
• Ma cado es é nicos – O obje i o des a ca ego ia é a e i quais os ma cado es
é nicos u ilizados na peça jo nalís ica – po exemplo, “neg o” ou “a o-ame icano”
– e com que p opósi o.
• Fo og a ia – A análise das imagens u ilizadas p ende-se com a impo ância do
impac o isual do lei o que pode á con ibui pa a o ecalque da imagem men al
au omá ica que em de uma de e minada mino ia social.
Após a ca ego ização, as peças jo nalís icas o am analisadas p ocu ando esponde às
ques ões:
• Quan as no ícias são neu as, an i acis as, denunciado as de acismo ou que negam
acismo?
• Quan as peças incluí am pessoas neg as como on es jo nalís icas? Com que
p opósi o?
• Quan as o am esc i as po pessoas neg as? Quem são? Já alguma ez esc e e am
pa a o jo nal sem se sob e acismo?
• O acismo é quan as ezes ema p incipal e quan as ema secundá io?
• Quan as ezes o am u ilizados ma cado es é nicos e com que p opósi o?
• Que imagens são u ilizadas nas peças jo nalís icas?
Pa a além da análise ge al, o am selecionadas peças jo nalís icas pa a uma análise
indi idual mais p o unda, essencialmen e po dois mo i os: se em di e en es da maio ia
e/ou e em um impac o no lei o e in luência in e na no jo nal – conside ando aqui peças
de jo nalis as que se des acam em de e minado ema ou ex os edi o iais.

76
5.3. Ap esen ação de esul ados e análise c í ica
• Quan as peças jo nalís icas são neu as, an i acis as, denunciado as de
acismo ou que negam acismo?
No ge al, das 100 peças jo nalís icas em análise: 43 o am classi icadas como neu as, 29
de denúncia de acismo, 26 an i acis as e 2 de negação de acismo.
A cobe u a da mo e de B uno Candé oi menos ex ensi a que a dedicada à mo e de
Geo ge Floyd, com 41 peças jo nalís icas e 59; espe i amen e. Es es núme os ão de
aco do com a pe ceção dos en e is ados de que o assassina o de Candé oi pouco alado
na imp ensa – especialmen e conside ando que o mé odo de il agem de no ícias oi o mais
ab angen e possí el: bas a a a menção do nome “B uno Candé” pa a a no ícia se
conside ada pa a análise. Ainda assim, 41 peças jo nalís icas em ês meses com um
dec éscimo signi ica i o apenas no e cei o mês de cobe u a não é uma cobe u a eduzida,
especialmen e conside ando que o empo de a enção ge al dado a um acon ecimen o
ma can e é de apenas se e dias (Owen, 2019).
O núme o de peças associadas ao assassina o de Floyd pode e sido in lacionado pelo
con ex o polí ico p é-elei o al no e-ame icano e pela mo e de Jacob Blake, mo o pela
polícia de Kenosha, Wisconsin, a 23 de agos o de 2020.
A e mos quali a i os, 26 das 100 peças o am conside adas an i acis as e apenas duas
de negação de acismo. As duas peças de negação de acismo o am conside adas como
al pois a i mam que Po ugal não é um país acis a mesmo que não neguem a exis ência
de acismo em elações in e pessoais. Uma oi o ex o de opinião C ime e P econcei o de
An ónio Ba e o em que o au o a gumen a que Po ugal não é um país acis a pois exis em
leis sólidas que não pe mi em al disc iminação (Ba e o, 2020). A ou a oi um ex o de
An i acis as
Neu as
Denúncia
Negação
To al do mês
Candé julho
5
8
8
0
21
Candé agos o
8
3
5
1
17
Candé se emb o
1
1
1
0
3
Floyd julho
3
16
7
1
27
Floyd agos o
8
12
3
0
23
Floyd se emb o
1
3
5
0
9
26 (14+12)
43 (12+31)
29 (14+15)
2 (1+1)
100 – To al de
peças
77
opinião de João Tiago P oença, Iconoclas ia e polí ica: a mo al sem his ó ia, c í ica da
decisão da HBO de con ex ualiza ilmes como E Tudo o Ven o Le ou pa a e i a
p econcei os acis as, uma opinião que não é acis a nem negado a de acismo, mas que
le a o au o a abo dagem pós- acial que e a a o mundo como um luga onde o acismo
exis e apenas de o ma pon ual e que chamá-lo de “‘sis émico’ ou ‘es u u al’” se e pa a
“ epo a ideia de uma o alidade má” (P oença, 2020) sob e o passado.
A no ícia sob e And é Ven u a e o pa ido Chega e em o ganizado uma mani es ação pa a
clama “Po ugal não é acis a” não oi conside ada como “negação de acismo” pois o
jo nal não demons a em qualque pa e da peça jo nalís ica que se alinha com o que es á
a epo a , nem se e i icam sinais de legi ima a mani es ação, po exemplo en e is as a
pa icipan es ou qualque en a i a de alida as ei indicações.
Es as duas o mas de legi imação oco e am nas mani es ações que se segui am à mo e de
B uno Candé; mesmo que a con ex ualização não osse ex ensa, as en e is as a
pa icipan es nos p o es os e não a pessoas de o a queb am a endência do “pa adigma
de p o es o” (Bell, 2017; Umamaheswa , 2020) e pe mi em ela os na p imei a pessoa da
comunidade neg a – embo a nem odas as pessoas que pa icipa am nos p o es os ossem
neg as.
Embo a a cobe u a não enha con ibuído pa a o e o ço dos pad ões de ep esen a i idade
iden i icados, no sen ido de queb a o pa adigma do p o es o, é ele an e olha de o ma
c í ica pa a os 43% de peças jo nalís icas neu as.
No ícias
C ónica/Opinião
Repo agem
Ou os
Candé julho
10
9
2
0
Candé agos o
5
9
2
1
Candé se emb o
2
1
0
0
Floyd julho
21
2
1
3
Floyd agos o
19
1
2
1
Floyd se emb o
9
0
0
0
TOTAL
66
22
7
5
An i acis a
Denúncia de
Racismo
Neu a
Negação de
Racismo
No ícia
0+1+0+2+5+1=9
2+1+1+7+3+5=19
8+3+1+12+11+3=38
0+0+0+0+0+0
78
Os g á icos pe mi em e i ica que a exis ência de uma maio ia de peças jo nalís icas
neu as não se aduziu numa posição ac í ica sob e o ema – sendo que, das 43 peças
neu as, 38 são no ícias (88%), um gêne o jo nalís ico ca a e ís ico pela neu alidade
(Co eia J. C., 2011) e não um o e indicado da omada de posição do jo nal; ao con á io
de peças como ex o de opinião – das quais 11 (50%) o am an i acis as e 8 denunciado as
de acismo.
As no e no ícias an i acis as es ão dis ibuídas de o ma desigual en e os dois
acon ecimen os em análise: 8 são ela i as a Geo ge Floyd e uma a B uno Candé. As
no ícias conside adas an i acis as são as que associa am o acon ecimen o indi idual a uma
sociedade es u u al e ins i ucionalmen e acis a - ep esen ada pelo acon ecimen o
pa icula ela ado, mas que o anscende. Des as oi o, se e menciona am a mo e de Geo ge
Floyd em associação ao acismo e apenas uma inha como ema p incipal a mo e de Floyd,
onde se ez menção à iolência policial desp opo cional con a pessoas neg as nos EUA.
A no ícia Geo ge Floyd pediu aos polícias pa a não dispa a em an es de mo e . “Não
sou má pessoa” esc i a po Hélio Ca alho, e mina com:
“A mo e de Geo ge Floyd às mãos de agen es de au o idade, g a ada e espalhada
pelo mundo, mo i ou uma onda de p o es os pelos Es ados Unidos e pelo mundo,
con a a disc iminação policial con a a comunidade neg a. Os p o es os e oluí am
em á ias pa es do mundo pa a mani es ações con a monumen os e sí ios que
homenageiam igu as associadas ao colonialismo e à esc a a u a”(Ca alho, 2020).
O mesmo pad ão não se e i icou nas no ícias associadas à cobe u a da mo e de B uno
Candé, onde p edominam os ex os de opinião an i acis as: dos 11 ex os de opinião
an i acis as, apenas um é ela i o à cobe u a da mo e de Geo ge Floyd.
Es e con as e é e elado de como é mais ácil e comum nos media mains eam
po ugueses iden i ica e expo si uações de acismo es u u al e ins i ucional nos EUA do
33
Cada pa cela da con a de soma co esponde a um mês de análise, espe i amen e: Julho, Agos o e
Se emeb o sob e Candé e Julho, Agos o e Se emb o sob e Floyd.
C ónica/Opinião
4+5+1+0+1+0=11
5+3+0+0+0+0=8
0+0+0+2+0+0=2
0+1+0+0+0+0=1
Repo agem
1+2+0+1+2+0=7
1+0+0+0+0+0=2
0+0+0+0+0+0
0+0+0+0+0+0
Ou os
0+0+0+0+0+0
0+1+0+0+0+0=1
0+0+0+2+1+0=3
0+0+0+1+0+0=133
79
que econhece a mesma si uação em Po ugal – no caso de Floyd es a in o mação é
conside ada obje i a e cla a o su icien e pa a su gi em o ma o de no ícia e no caso de
Candé eque uma análise e e lexão ese ada pa a os espaços de opinião.
Cu iosamen e, a no ícia an i acis a associada à mo e de B uno Candé oi p ecisamen e a
ap esen ação de uma ca a abe a a pedi ação ao pode polí ico po uguês con a o acismo
e a denuncia a “negação e inacção sis emá icas” como “lei o da impunidade do acismo
que em escalado pa a ní eis a que já nos ínhamos desabi uado” (Lusa, 2020), lê-se na
ci ação da ca a em des aque na en ada da peça “O silêncio é cúmplice.” Ca a abe a
pede acção polí ica pa a comba e acismo em Po ugal.
Em elação a opinião/c ónica, na cobe u a da mo e de B uno Candé, o econhecimen o
do acismo como algo elacionado com o passado colonial e o seu econhecimen o como
um p ocesso his ó ico de dinâmicas de pode es á p esen e em Semeando den es de d agão
de João Figuei edo; e a de esa de que o acismo não é me amen e in e pessoal e pon ual
mas uma ameaça à democ acia e i ica-se em Um ale a, que de ia se ge al de San ana
Cas ilho, onde elemb a, en e ou os casos, o assassina o de Alcindo Mon ei o e o de
Geo ge Floyd.
• O acismo é quan as ezes ema p incipal?
Das 100 peças, 37 abo dam o acismo como ema p incipal: 24 na cobe u a ela i a a
B uno Candé e 13 ela i as a Geo ge Floyd. Embo a em mino ia, quali a i amen e, o
acismo oi a ado como ema p incipal em peças jo nalís icas que pesam no momen o de
esc e e em nome do jo nal: em ambos os edi o iais, iden i icados na amos a conside ada,
o acismo oi ema p edominan e e o acon ecimen o como c ime icou secunda izado –
algo que demons a o econhecimen o de que o assassina o de B uno Candé oi u o de
um p oblema maio do que o a o c iminoso isolado.
No edi o ial B uno Candé Ma ques, 39 anos, ês ilhos de Ana Sá Lopes, a di e o a-
adjun a do jo nal, ao in és de esc u ina o passado de Candé e encon a um mo i o pa a o
assassina o (Fakunle, 2016; Kulaszewicz, 2015), humanizou Candé desc e endo-o como
pai de ês ilhos no í ulo e não hesi ando em chama acis a a quem o ma ou e apelando à
a e ição cuidada de se es e oi ou não um a o acis a, na en ada do ex o: “O assassino de
B uno Ma ques e a um acis a. O caso em de se in es igado a é às úl imas consequências”
(Lopes, 2020).
80
Embo a Ana Sá Lopes essal e que, na al u a da publicação, não es a a p o ada a
mo i ação acial do c ime, des aca as ci ações da amília sob e o c ime, bem como de
Joacine Ka a Mo ei a, Amnis ia In e nacional e SOS Racismo; con as ando es as com as
da PSP e And é Ven u a no Twi e . A au o a conclui:
“A e dade é que não sabemos. Sabemos apenas, segundo in o mação da amília,
que o assassino e a um acis a. Mas emos de sabe se assassinou B uno Candé
Ma ques po causa dos seus p econcei os sob e a co da pele ou se o ez po ou a
azão. Ago a, o empo é da Jus iça e o caso do assassínio às 13 ho as da a de em
Mosca ide em de se in es igado a é às úl imas consequências” (Lopes, 2020).
No sen ido de humaniza a í ima endencialmen e culpabilizada pela p óp ia mo e, de
modo a que ela exis a o a da cena do c ime (Kulaszewicz, 2015), embo a não seja um
edi o ial nem enha como ema p incipal o acismo, des aca-se a sen ida c ónica de Ví o
Belanciano, Ob igado, B uno Candé, que esc e eu pa a a Ípsilon; na qual eco da o homem
que conhecia com base nas poucas ezes em que es i e am jun os, com de alhes que icam
despe am empa ia no lei o como Ne me qui e pas de Jacques B el se a canção p e e ida
de Candé e passagens áceis de isualiza .
Na en ada do ex o, Belanciano ma ca o om da c ónica e não exclui o acismo da con e sa:
“O ódio i ou-lhe a ida. Na ac i idade ea al, com a Casa Con enien e, lu ou po ou os
modos de exis ência, ac edi ando nas hipó eses ans o mado as da a e” (Belanciano,
2020). O acismo, sob e udo a negação des e em Po ugal, su gem a meio do ex o de o ma
mais e iden e.
O edi o ial de Amílca Co eia, di e o -adjun o do jo nal, com í ulo O acismo é um
apêndice na Jus iça, ala do assassina o de Candé como e a o da negação do acimo na
Jus iça po uguesa. O edi o ial esume-se, à semelhança de odos os ex os analisados a é
ago a, seguindo a es u u a da pi âmide in e ida, na en ada da peça: “Um acis a quase
só é condenado em Po ugal se assassina um neg o nas uas do Bai o Al o e pe ence
cla amen e a o ganizações ideologicamen e associadas ao ódio acial.” O p imei o
pa ág a o em o mesmo e ei o, mas é mais cla o em e idencia a p esença de acismo em
es e as da sociedade como a Jus iça:
“Ninguém pode ga an i que B uno Candé es a ia i o se osse b anco. Mas há
quem possa ga an i que es á mo o po se neg o. P e ende a e o ema pa a
debaixo do ape e, com a gene osidade do nosso luso- opicalismo, em sido a

81
p á ica cons an e, pa a e i a o con on o com a nossa incapacidade de in eg a há
á ios séculos po ugueses ciganos ou neg os. Es e exe cício de a es uz é
ans e sal. As condenações que en ol am mo i ação acial são mui o a as na
Jus iça po uguesa e pode ão exis i á ias azões pa a al” (Co eia A. , 2020).
Pa a além do pequeno, mas signi ica i o des aque do acismo como ema p incipal nos
edi o iais, o jo nal chama à a enção pa a o acismo mesmo quando o ema p incipal é ou o.
Es a, a meu e , é uma p á ica posi i a pa a a ep esen a i idade da comunidade neg a pois
demons a que o acismo não exis e apenas quando um a o ex emo e isolado oco e,
pe manecendo na agenda mediá ica.
Um dos exemplos des e ipo de peças é a no ícia As idas neg as impo am na 14.ª edição
do MOTELX, esc i a po Rod igo Noguei a, que di ulga a p og amação do MOTELX, um
es i al de cinema de Te o em Lisboa, onde se des aca, de oda a p og amação, um ciclo
de cinema dedicado ao acismo. Po um lado, es a sé ie de ilmes pode ia não es a incluída
no es i al se Floyd e Candé não i essem sido mo os; po ou o lado, o jo nal pode ia e
escolhido não ocaliza a no ícia nes es ilmes me especí ico.
Num ou o con ex o, a peça Po que é ão di ícil queb a as cadeias de ansmissão na
egião de Lisboa?, esc i a po mim e pela So ia Ne es, menciona como os p o es os BLM
não inham esul ado num aumen o dos casos do no o co ona í us nos locais onde
deco e am; nes e caso, a p eocupação e a desmis i ica um mi o p ejudicial a um
mo imen o legí imo e necessá io man endo o oco da no ícia na co id-19.
• Quan as peças incluí am pessoas neg as como on es? Com que p opósi o?
Do o al da amos a, 30 peças incluí am pessoas neg as como on es jo nalís icas. Es as
on es o am: amilia es das í imas, mani es an es, a i is as an i acis as e igu as
polí icas. Es e é um núme o in luenciado pelo ac o de on es o iciais (polí icos, polícia,
académicos e especialis as, po exemplo) na sociedade po uguesa se em
endencionalmen e b ancos e/ou po se em es as as on es que os jo nalis as êm como mais
acessí eis e que, po sua ez, ecomendam a ou os colegas - o ciclo segue e as on es não
mudam - um p ocesso des acado po Paula Ca doso na en e is a indi idual ealizada pa a
o p esen e ela ó io.
Numa pe spe i a quali a i a de análise dos ela os na p imei a pessoa, o pad ão de
des alo iza es emunhos de pessoas neg as e/ou con apo as expe iências com ou os
82
ac os oi di e amen e con a iado po peças jo nalís icas como Pa ícia, Rica do e
Ma iana não êm o “luxo de não sabe ” o que é o acismo, uma peça mul imédia
acompanhada de ex o que jun a os es emunhos dos ês jo ens sob e se -se neg o em
Po ugal, sem in e upções ou en a i as de explica po eles o que sen em po expe iência
i ida; ou o es emunho cons uído a pa i da en e is a a a i is a Ma iama Injai
(A oma y) in i ulada “As pessoas não acei am que haja uma po uguesa neg a. Começa
aí o nosso sen imen o de não-pe ença” – ambas pa a o P3.
Des acam-se igualmen e as en e is as ei as a mani es an es neg os nos p o es os
an i acis as que deco e am após a mo e de B uno Candé, semelhan es e em pa e
impulsionados pelos p o es os após a mo e de Floyd.
Na epo agem ambien e da mani es ação em Lisboa, esc i a po Joana Go jão Hen iques,
p edominam a ecolha de es emunhos de p o es an es e o des aque de si uações que
e idenciam a exis ência de acismo em Po ugal e a sua elação com a mo e de Candé;
con a iando o “pa adigma do p o es o” (Bell, 2017; Umamaheswa , 2020). Po exemplo,
a ci ação que compõe o í ulo e apa ece mais a de no co po do ex o; o es emunho de Ana
Ca doso de 28 anos, assis en e adminis a i a: “É impensá el que em 2020 oco a um c ime
ão hediondo e é impensá el que haja jus i icações. Exis e mui a gen e acis a e é
impo an e mos a que es amos a os (…) Não é jus o que ce as si uações oco am po
causa da nossa co de pele. Tenho si uações de acismo, mas qualque pessoa aqui em e
isso não de ia oco e . E as pessoas à nossa ol a dizem, ‘mas’. Não há jus i icação pa a
que se des espei e o ou o po causa de uma di e ença” (Hen iques, 2020).
Ou es emunhos como o de Eneida And ade de 27 anos que des aca a lu a cons an e das
pessoas neg as: “Somos neg os e que emos igualdade (…) Po que con inuamos a se
pe seguidos, odiados? Po isso es ou aqui, a sociedade p ecisa de e lec i sob e isso. Não
nos amos cala . Temos que da a oz e mos a que não amos pac ua com isso. Vamos
lu a : se neg o é lu a , se esilien e” (Hen iques, 2020). Ou o es emunho de Mamadou
Ba que elemb a o caso de Alcindo Mon ei o: “um “homem neg o oi mo o po se neg o”.
“Se há 25 anos um homem neg o oi mo o pela sua co da pele [Alcindo Mon ei o] à noi e,
em 2020 há homens neg os que são mo os à luz do dia apenas po se em neg os. Is o em
esponsá eis. É a banalização do acismo, a na u alização do discu so do ódio. Mos a
como o discu so de ódio em consequências p á icas na ida das pessoas” (Hen iques,
2020).
83
A peça ap o ei ou igualmen e pa a elemb a casos semelhan es que le a am as pessoas à
ua: “Es a é a qua a ez que os mo imen os con a o acismo saem à ua es e ano em
Po ugal, depois da mo e de Luís Gio anni, da ag essão de Cláudia Simões, da mo e de
Geo ge Floyd nos Es ados Unidos” (Hen iques, 2020), demons ando que os casos ecen es
de acismo em Po ugal não êm sido poucos mas que a negação do acismo pa ece es a a
diminui conside ando que pa e, embo a eduzida, da população econhece acismo nes es
a os e se mani es a con a essa es u u a. Mamadou Ba oi ci ado nes a mesma peça a ala
p ecisamen e no aumen o de consciencialização pa a a lu a con a o acismo.
Na cobe u a da mani es ação no Po o, na epo agem ambien e esc i a po Ana da Cunha
e ap esen ada no o ma o de o ogale ia com as cap u as de Paulo Pimen a, a au o a des aca
as expe iências indi iduais de uma mani es an e, Ma iana Modes o de 17 anos, que so eu
de bullying na escola po se neg a e os di os nos ca azes que chamam essencialmen e à
a enção pa a a negação de acismo no país: ““A e dade dói, a iolência dói”, “Nós es amos
aqui”, “Nega o acismo é acismo”, “Po ugal, ‘pai incógni o’ do Ul ama ” (Cunha,
2020).
As o og a ias dos mani es an es unidos com ca azes, a di e sidade de pessoas que se
jun a am e os a e os ocados nas imagens ge am empa ia com a audiência – algo con á io
ao e i icado nos pad ões ge ais iden i icados com ocalização desp opo cional na
iolência, embo a nenhuma des as mani es ações enha sido iolen a, pode iam e sido
selecionadas o og a ias de mani es an es ag essi os ou zangados.
Em ambas se no a um om conciliado e de união con a o acismo. Na de Joana Go jão
Hen iques logo na en ada do ex o e com a ci ação comple a da i mã de B uno Candé e no
segundo pa ág a o do co po do ex o: “Es ou a e que não são só os a icanos a jun a em-
se a es a causa. Es á aqui oda a gen e. É mui o impo an e es a mos odos jun os. O meu
pai é po uguês, b anco, a minha mãe é neg a: não que o ódio, só que emos chama a
a enção pa a que omem medidas pa a que is o não ol e a acon ece e se aça jus iça”
(Hen iques, 2020).
Na de Ana da Cunha é a p óp ia que esc e e: “No inal da mani es ação, e gue am-se
punhos no a - b ancos, p e os, de odas as co es -, depois de, semp e que g i ado o nome
“B uno Candé” pelo mega one, odas as ozes se jun a em em uníssono pa a exclama :
“P esen e!”” (Cunha, 2020).
84
A e ocação do om conciliado é bené ica pa a ealça a impo ância de uma lu a conjun a
con a um p oblema que diz espei o a oda a sociedade e em impac os eais no acesso a
igualdade de opo unidades pa a pessoas neg as; po ou o lado, não é um om posi i o
como o ma de e mina a discussão: não bas a cong a ula os a anços ( ancamen e a dios
e que impulsionados à cus a de duas mo es iolen as) e não p ossegui pa a mudança
conc e a.
• Quan as o am esc i as po pessoas neg as? Quem são? Já alguma ez
esc e e am pa a o jo nal sem se sob e acismo?
Das 100 peças, apenas duas o am esc i as po pessoas neg as – Luísa Semedo e Mamadou
Ba, que esc e em ocasionalmen e pa a o jo nal como con idados.
Luísa Semedo é a ualmen e docen e na Uni e sidade Cle mon -Au e gne onde leciona a
cadei a de C iação e Ges ão de Associações e ONG. A esc i o a e académica nasceu em
Lisboa em 1977, ilha de mãe po uguesa e pai cabo- e diano, onde i eu a é aos 24 anos
no Bai o da Se a ina, an es de emig a pa a F ança onde se o nou dou o ada em Filoso ia
pela Uni e sidade Pa is-So bonne, na especialidade Filoso ia Polí ica e É ica (A olink,
2020). Luísa Semedo ganhou p émios po ob as li e á ias publicadas e oi c onis a em
á ios meios de comunicação (A olink, 2020). Semedo é co undado a da Mig acul , um
p oje o de cu ado ia e di ulgação do “en iquecimen o cul u al e social p oduzido pela
mig ação”, desde ilmes a exposições o og á icas passando po conce os.
Luísa Semedo oi, a é e e ei o de 2020, p esiden e do Conselho Regional da Eu opa
(CRE) das Comunidades Po uguesas, ca go do qual se demi iu conside ando “não euni
as condições necessá ias pa a con inua a ep esen a a o alidade das Conselhei as e
Conselhei os” pe an e a imposição p o ocola “de con i e a odas as Depu adas, Depu ados
e pa idos com assen o pa lamen a ” pois inclui And é Ven u a que “ ep esen a um pa ido
que se a aca aos di ei os das mulhe es, das pessoas ciganas, neg as, muçulmanas, das
pessoas LGBT, aos di ei os dos e ugiados, que p opaga inci ação ao ódio, que se a aca de
o ma descomplexada no seu p og ama aos alo es de Ab il, aos sindica os, que em
p e ensões de elabo a mudanças adicais na nossa Cons i uição, de implemen a uma no a
"República" e que ab iga no seu seio ascis as e nazis”; a quem não econhece
“legi imidade” po se “ u o de uma anomalia, de uma alha do nosso sis ema
democ á ico” ac escen ado que “o acismo, o ascismo, o nazismo, o sexismo, a homo obia
91
A maio alha iden i icada na cobe u a jo nalís ica dos assassina os de Candé e Floyd oi
a al a de ela os na p imei a pessoa – que a e mos de on es da comunidade neg as (30%),
que sob e udo a a és de peças esc i as po pessoas neg as (2%).
Embo a es a al a não enha esul ado numa cobe u a es e eo ipada, o jo nal ganha ia na
ecolha de on es na p imei a pessoa e na inclusão de jo nalis as neg os pa a uma cobe u a
a i amen e an i acis a e não apenas neu a. Pa a além disso, como mencionou Ana Paula,
se ia uma edação mais ep esen a i a da sociedade que p e ende in o ma : “A sociedade
não é in ei amen e b anca e se há espaços que são en ão é p eciso e le i sob e isso”.
Paula Ca doso ac escen a: “Es e enquad amen o acaba po explica o es o – se não exis e
di e sidade é nico- acial na edação e se os jo nalis as êm a esponsabilidade de p opo
emas e de os deba e e de ende , a pe spe i a que sai das edações é homogénea:
no malmen e b anca e masculina.”
A di e si icação de on es e jo nalis as neg os pa a colunas de opinião, como suge e Paula
Ca doso, são um p imei o passo conc e izá el e que, na p á ica, i á esul a numa
inco po ação de pe spe i as que pe mi e descons ui es e eó ipos sob e pessoas neg as –
que po se mui o menos p o á el que o p econcei o implíci o apa eça num ex o sob e
acismo, que pa a queb a o p óp io pa adigma de que pessoas neg as apenas esc e em ou
pensam sob e acismo.
Paula Ca doso suge e p io iza : “Há aqui ês eixos que, pa a mim, são undamen ais: a
equipa se di e sa, a o mação pa a a di e sidade e a di e si icação das on es. De
imedia o, di e si icação de on es e do espaço de opinião. A p imei a não é di ícil de se
aze e a segunda é ainda mais ácil pois apenas exige que a di eção con ide pessoas, só
is o e a coisa começa a acon ece . A opinião az oda a di e ença.”
Daniel Sil a p opõe: “Con ex o, empa ia e pa a de e os acon ecimen os como
expec á eis e que hou esse mais opo unidades pa a expandi sob e as coisas ma a ilhosas
que acon ecem den o da comunidade neg a, po exemplo, exis e um p og ama da An ena
3 que se chama Cidade In isí el que explo a p oje os da comunidade – embo a seja
ap esen ado po pessoas b ancas”.
Es as se iam igualmen e o mas de não delega aos jo nalis as neg os a a e a cons an e de
explica aos colegas b ancos como unciona o acismo e como o de em epo a e às on es
jo nalís icas neg as não coloca a esponsabilidade de ala po oda a comunidade; a

92
“ esponsabilidade dos op imidos de explica aos op esso es os seus e os”
35
(Lo de, 2020,
pp. 104-105).
Na p á ica, ecen emen e, no sen ido de p io iza es emunhos na p imei a pessoa, o
Público lançou pa a o P3 Nada con a, mas… da jo nalis a Te esa Abecasis: uma sé ie de
cinco ídeos cu os e dige í eis em o ma o de en e is a com pe missão ao en e is ado
pa a ala da sua expe iência, sem in e upções. A sé ie ap esen a-se como: “Rica do,
Luoheng, Gil, Vanessa e Sama a ap ende am a i e o seu dia-a-dia con o nando os
comen á ios incómodos, as baixas expec a i as e a é mesmo a iolência de uma
comunidade que insis e em julgá-los pela apa ência, pelo so aque ou pela iden idade de
géne o. Tes emunhos na p imei a pessoa. Uma sé ie de cinco episódios pa a e sem
p econcei os e sem "mas".” (Abecasis, 2021).
No campo da opinião, o ecen e meio de comunicação Se en a e Qua o em como c onis a
ixa Paula Ca doso, com a sua coluna de opinião li e, is o é, não dedicada exclusi amen e
ao acismo po imposição do jo nal, Mu uacção.
O A olink, exis indo como p oje o que jun a p o issionais a icanos e a odescenden es
esiden es em Po ugal pa a c ia uma ede de apoio e pa ilha de expe iências e p oje os
da comunidade, c iou o p imei o p og ama de es ágios pa a a o mação de jo nalis as. A
inicia i a oi c iada com os 2200 eu os p o enien es da doação dos di ei os de au o do
li o Racismo no País dos B ancos Cos umes (2018) de Joana Go jão Hen iques
A jo nalis a comen ou ao A olink: “Desde que lancei o li o que o objec i o e a aze uma
doação com as ecei as das endas que só ago a chega am. Da um con ibu o pa a a
o mação de um p o issional numa á ea como os media, onde há ausência de
ep esen a i idade, oi a opção que ez mais sen ido. É uma hon a o A olink e acei ado
es e desa io” (A olink, s.d.).
Es es são apenas alguns exemplos a segui pa a, pelo menos, a enua a al a de ela os de
pessoas neg as na p imei a pessoa e a quase inexis ência de jo nalis as neg os nas edações
dos jo nais mains eam po ugueses.
35
T aduzido li emen e do o iginal: “In o he wo ds, i is he esponsibili y o he opp essed o each he
opp esso s hei mis akes” (Lo de, 2020, pp. 104-105).
93
Bibliog a ia
(s.d.).
Abecasis, T. (2 de Agos o de 2021). Nada con a, mas... Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /p3/nada-con a-mas~
A olink. (2020). De que alamos quando alamos de acismo? Tem a pala a Luísa
Semedo. Ob ido de A olink.
A olink. (s.d.). A olink inaugu a p og ama de es ágios, com bolsa de Jo nalismo. Ob ido
de A olink: h ps://a olink.p /a olink-inaugu a-p og ama-de-es agios-com-
bolsa-de-jo nalismo/
Alabama Public Radio. (25 de Ab il de 2013). How The Media Co e ed The Ci il Righ s
Mo emen : The Child en's Ma ch. Ob ido de Alabama Public Radio:
h ps://www.ap .o g/pos /how-media-co e ed-ci il- igh s-mo emen -child ens-
ma ch
Alexand e, V. (1999). O Impé io e a Ideia de Raça (Séculos XIX e XX). Em J. Vala, No os
Racismos: Pe spec i as Compa a i as (pp. 133-144). Oei as: Cel a Edi o a.
Almeida, S. (2019). Racismo Es u u al, Feminismos Plu ais. São Paulo: Pólen.
Al asheed, M. L. (s.d.). Beyond a echnical bug: Biased algo i hms and mode a ion a e
censo ing ac i is s on social media. Ob ido de The Con e sa ion:
h ps:// hecon e sa ion.com/beyond-a- echnical-bug-biased-algo i hms-and-
mode a ion-a e-censo ing-ac i is s-on-social-media-160669
Ames, P. (6 de Fe e ei o de 2018). Po ugal con on s i s sla e ade pas . Ob ido de
Poli ico: Po ugal con on s i s sla e ade pas
And inga, D. (5 de Julho de 2005). E a uma ez um a as ão. Ob ido de In e ne A chi e:
h ps://a chi e.o g/de ails/E auma ezuma as o
A onson, C. M. (Dezemb o de 1995). S e eo ype h ea and he in ellec ual es
pe o mance o A ican Ame icans. Jou nal o Pe sonali y and Social Psychology,
pp. 797-811. doi:10.1037/0022-3514.69.5.797
Associação Po uguesa pa a o Con olo de Ti agem e Ci culação. (2021). Análise Simples.
Ob ido de Associação Po uguesa pa a o Con olo de Ti agem e Ci culação
(APCT): h p://www.apc .p /analise-simples
A on, C. (2002). News Cul u es and New Social Mo emen s: adical jou nalism and he
mains eam media. Jou nalism S udies, pp. 491-505. Ob ido de
h ps://doi.o g/10.1080/1461670022000019209
Ba, M. (8 de Agos o de 2020). Enquan o o país nega, E a is o ma a. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/08/sociedade/opiniao/pais-nega-e a is o-ma a-
1927396
94
Banks, C. (3 de Ou ub o de 2018). Disciplining Black ac i ism: pos - acial he o ic, public
memo y and deco um in news media aming o he Black Li es Ma e mo emen .
Ob ido de Con inuum - Jou nal o Media & Cul u al S udies:
h ps://www. and online.com/doi/ ull/10.1080/10304312.2018.1525920
Ba e o, A. (2 de Agos o de 2020). C ime e P econcei o. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/02/opiniao/opiniao/c ime-p econcei o-1926669
Belanciano, V. (5 de Agos o de 2020). Beyoncé numa a i mação de i alidade da cul u a
neg a. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/05/cul u aipsilon/no icia/beyonce-a i macao-
i alidade-cul u a-neg a-1927107
Belanciano, V. (2 de Agos o de 2020). Ob igado, B uno Candé. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/02/cul u aipsilon/no icia/ob igado-b uno-cande-
1926496
Bell, J. L. (2017). News media and he acializa ion o p o es : an analysis o Black Li es
Ma e A icles. Ob ido de Equali y, Di e si y and Inclusion: An In e na ional
Jou nal: h ps://www.eme ald.com/insigh /con en /doi/10.1108/EDI-01-2017-
0010/ ull/h ml
Bill Ashc o , G. G. (2007). Pos -Colonial S udies: The Key Concep s Second Edi ion.
Ob ido de h p://s a .uny.ac.id/si es/de aul / iles/pendidikan/else-liliani-
ssmhum/pos colonials udies hekeyconcep s ou ledgekeyguides.pd
Bonilla-Sil a, E. (2012). The in isible weigh o whi eness: he acial g amma o e e yday
li e in con empo a y Ame ica. Ob ido de E hnic and Racial S udies Vol. 35 No. 2:
h ps://www. and online.com/doi/abs/10.1080/01419870.2011.613997?jou nalCo
de= e s20
B andl, M. S. (2011). Race, Gende , and Tokenism in Policing: An Empi ical Elabo a ion.
Police Qua e ly, pp. 344-365. doi:10.1177/1098611111423738
Buala. (s.d.). Mamadou Ba. Ob ido de Buala: h ps://www.buala.o g/p /au o /mamadou-ba
Cabecinhas, R. (2002). Racismo e E nicidade em Po ugal: Uma análise psicossociológica
da homogeneização das mino ias.
Camb aia, C. F. (13 de Julho de 2018). A ep esen ação das mulhe es neg as nos jo nais
imp essos Público (Po ugal) e Folha de São Paulo (B asil). Ob ido de
h ps:// un.unl.p /handle/10362/60399
Câncio, F. (13 de Junho de 2017). Po ugal igno a disc iminação especí ica de neg os.
Ob ido de Diá io de No ícias: h ps://www.dn.p /po ugal/po ugal-igno a-
disc iminacao-especi ica-de-neg os-8558999.h ml
Capi anio, G. M. (1999). AIDS S igma and Sexual P ejudice. SAGE Social Science.
Ame ican Beha io al Scien is , pp. 1130-1147.
Ca alho, H. (4 de Agos o de 2020). Geo ge Floyd pediu aos polícias pa a não dispa a em
an es de mo e . “Não sou má pessoa”. Ob ido de Público:
95
h ps://www.publico.p /2020/08/04/mundo/no icia/geo ge- loyd-pediu-policias-
nao-dispa a em-mo e -nao-ma-pessoa-1927039
Connell, I. (1998). Mis aken Iden i ies: Tabloid and B oadshee News Discou se. Ob ido
de Ja nos - The Public, Jou nal o he Eu opean Ins i u e o Communica ion and
Cul u e: h ps://www. and online.com/doi/abs/10.1080/13183222.1998.11008680
Co eia, A. (2 de Agos o de 2020). O acismo é um apêndice na Jus iça. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/02/sociedade/no icia/ acismo-apendice-jus ica-
1926727
Co eia, J. C. (2011). O admi á el Mundo das No ícias: Teo ias e Mé odos. Co ilhã: UBI
Li os LabCom.
Co eia, M. W. (Se emb o de 2018). Análise compa a i a do Jo nalismo de Ambien e: O
caso do jo nal Público. Ob ido de Uni e sidade Ca ólica Po uguesa - Reposi ó io
UCP:
h ps:// eposi o io.ucp.p /bi s eam/10400.14/27057/3/Rela o io%20es agio%20 i
nal%20-%20Ve s%C3%A3o%20 eposi %C3%B3 io.pd
Cunha, A. d. (1 de Agos o de 2020). Mani es ação con a o acismo: "B uno Candé?",
"P esen e!". Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/01/ o ogale ia/mani es acao-402059
Da id Robinson, D. M. (2020). Why Geo ge Floyd's dea h, COVID-19 inequali y spa ked
p o es s: 'We' e wi nessing his o y'. Ob ido de lohud.:
h ps://eu.lohud.com/s o y/news/co ona i us/2020/06/05/geo ge- loyd-dea h-
co id-19- acial-inequali y-spa ked-p o es s/3143236001/
Da is, A. Y. (1983). The Legacy o Sla e y: S anda ds o a New Womanhood. Em A.
Da is, Women, ace & class. No a Io que: Fi s Vin age Books Edi ion.
Dijk, T. A. (1993). Analyzing Racism Th ough Discou se Analysis: Some Me hodological
Re lec ions. Race and e hnici y in esea ch me hods, pp. 92-134. Ob ido de
h ps://psycne .apa.o g/ eco d/1993-98059-005
Dijk, T. A. (2016). Racism and he P ess. No a Io que: Rou ledge.
DN/Lusa. (10 de Ma ço de 2020). Agen e da PSP suspei o de ag essão a Cláudia Simões
cons i uído a guido. Ob ido de Diá io de No ícias: h ps://www.dn.p /pais/agen e-
da-psp-que- e a-ag edido-claudia-simoes-cons i uido-a guido-11909566.h ml
Domingues, N. (4 de Ma ço de 2020). O Público nasceu há 30 anos e não pensa la ga o
papel. Ob ido de TSF: h ps://www. s .p /po ugal/sociedade/o-publico-nasceu-ha-
30-anos-e-nao-pensa-la ga -o-papel-11885697.h ml
Dye , R. (1999). The Role o S e eo ypes. Ob ido de Media S udies: A Reade , 2nd Edi ion,
Edinbu gh Uni e si y: h p:// howe.pbwo ks.com/ /dye .on.s e o ypes.pd
ECRI, E. C. (2018). Rela ó io da ECRI sob e Po ugal (quin o ciclo de con olo).
Es asbu go. Ob ido de h ps:// m.coe.in / i h- epo -on-po ugal-po uguese-
ansla ion-/16808de7db
96
Edwin Amen a, T. A. (2019). Making Good News: Wha Explains he Quali y o Co e age
o he Ci il Righ s Mo emen . Ob ido de Mobiliza ion: An In e na ional Qua e ly:
h ps://me idian.allenp ess.com/mobiliza ion/a icle-
abs ac /24/1/19/425945/MAKING-GOOD-NEWS-WHAT-EXPLAINS-THE-
QUALITY-OF? edi ec edF om= ull ex
Eu oba óme o. (2020). Media use in he Eu opean Union. S anda d Eu oba ome e 92 -
Au umn 2019.
Fai clough, N. (2001). C i ical Discou se Analysis. Em A. M. Rapley, How o Analyse Talk
in Ins i u ional Se ings (pp. 25-36). G ã-B e anha: Con inuum.
Fakunle, C. S. (20 de Janei o de 2016). F om “b u e” o “ hug:” he demoniza ion and
c iminaliza ion o una med Black male ic ims in Ame ica. Jou nal o Human
Beha io in he Social En i onmen , pp. 350-366.
Fe nández-Kelly, P. (18 de Junho de 2020). A Sociological No e on Geo ge Floyd’s Dea h
and he Pandemic. Ob ido de i ems - Insigh s om he Social Sciences:
h ps://i ems.ss c.o g/co id-19-and- he-social-sciences/socie y-a e -pandemic/a-
sociological-no e-on-geo ge- loyds-dea h-and- he-pandemic/
Fonseca, A. L. (Janei o de 2020). Como se in o ma quem não lê jo nais nem ê ele isão:
O consumo de con eúdos jo nalís icos dos jo ens na e a da Wo ld Wide Web.
Gandhi, L. (1998). Pos colonial heo y: A c i ical in oduc ion. Sydney: Allen&Unwin.
Gilmo e, K. (14 de Fe e ei o de 2014). The Bi mingham Child en's C usade o 1963.
Ob ido de Biog aphy: h ps://www.biog aphy.com/news/black-his o y-
bi mingham-child ens-c usade-1963
Go jão Hen iques, J. (5 de Dezemb o de 2016). Vin e e duas associações de a o-
descenden es queixam-se de Po ugal à ONU. Ob ido de Jo nal PÚBLICO:
h ps://www.publico.p /2016/12/05/sociedade/no icia/xxxx-associacoes-de-
a odescenden es-en iam-ca a-a-onu-a-c i ica -es ado-1753485
G ayman-Simpson, N. (4 de No emb o de 2009). We Who A e Da k...The Black
Communi y Acco ding To Black Ame icans. Jou nal o Black Psychology, pp. 433-
455. Ob ido de
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/282252073_We_Who_A e_Da kThe_B
lack_Communi y_Acco ding_To_Black_Ame icans
G eenbe g, D. (2008). The idea o “ he libe al media” and i s oo s in he ci il igh s
mo emen . Ob ido de The Six ies:
h ps://www. and online.com/doi/abs/10.1080/17541320802457111
Gun e , R. U. (13 de Junho de 2015). Resea ch No e: The Tabloidiza ion o B i ish
Tabloids. Ob ido de Uni e si y o Ba h - The Lib a y:
h ps://jou nals.sagepub.com/doi/10.1177/0267323104045265
Hall, S. (1997). The Spec acle o he "o he ". Em S. Hall, Rep esen a ion: Cul u al
Rep esen a ions and Signi ying P ac ices (pp. 257-277). Lond es: SAGE
Publica ions.

97
Hen iques, J. (2016). Racismo em Po uguês: O Lado Esquecido do Colonialismo. Lisboa:
Tin a da China.
Hen iques, J. G. (2018). Racismo no País dos B ancos Cos umes. Lisboa: Tin a da China.
Hen iques, J. G. (28 de janei o de 2020). Cláudia Simões: Ce idão dos Bombei os
egis ou-a como “ í ima de ag essão”. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/01/28/sociedade/no icia/claudia-simoes-ce idao-
bombei os- egis oua- i ima-ag essao-1901991
Hen iques, J. G. (10 de Ma ço de 2020). Cons i uído a guido polícia suspei o de ag edi
Cláudia Simões na Amado a. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/03/10/sociedade/no icia/cons i uido-a guido-policia-
suspei o-ag edi -claudia-simoes-amado a-1907108
Hen iques, J. G. (31 de Julho de 2020). Mani es ação po B uno Candé: “Exis e mui a
gen e acis a e é impo an e mos a que es amos a os”. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/07/31/sociedade/no icia/mani es acao-b uno-cande-
exis e-gen e- acis a-impo an e-mos a - a os-1926611
Hen iques, J. G. (13 de Maio de 2021). Homicida de B uno Candé con essa c ime:
“Quando i o iso dele em om de gozo pe di a cabeça”. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2021/05/13/sociedade/no icia/-homicida-b uno-cande-
con essa-c ime- i- iso- om-gozo-pe di-cabeca-1962443
Hen iques, J. G. (28 de Junho de 2021). T ibunal condena homicida de B uno Candé a 22
anos de p isão e p o a mo i ação acis a. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2021/06/28/sociedade/no icia/ ibunal-condena-homicida-
b uno-cande-22-anos-p isao-p o a-mo i acao- acis a-1968208
Hi sh ield, L. E. (2016). Tokenism. The Wiley Blackwell Encyclopedia o Race, E hnici y,
and Na ionalism, Fi s Edi ion. doi:10.1002/9781118663202.wbe en199
His o y.com Edi o s. (3 de Fe e ei o de 2010). Mon gome y Bus Boyco . Ob ido de
HISTORY: h ps://www.his o y.com/ opics/black-his o y/mon gome y-bus-
boyco
His o y.com Edi o s. (19 de Ab il de 2021). Emme Till is mu de ed. Ob ido de
HISTORY: h ps://www.his o y.com/ his-day-in-his o y/ he-dea h-o -emme - ill
Höije , B. (No emb o de 2011). Social Rep esen a ions Theo y: A New Theo y o Media
Resea ch. Ob ido de No dicom Re iew 32:
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/313252833_Social_Rep esen a ions_Th
eo y
hooks, b. (1995). Teaching Resis ance: The Racial Poli ics o Mass Media. Em b. hooks,
Killing Rage (pp. 108-119). No a Io que: Hen y Hol and Company, Inc.
III, A. J. (2016). Do Black Li es Ma e in Ame ican Mains eam News Media? Two Case
S udies o Police In ol ed Shoo ings o Black Men Explaining a Racis Media
En i onmen . Ob ido de Theses and Disse a ions Communica ion:
h ps://uknowledge.uky.edu/comm_e ds/52
98
Joachim T ebbe, S. P.-C. (2017). Media Rep esen a ion: Racial and E hnic S e eo ypes.
The In e na ional Encyclopedia o Media E ec s. Ob ido de
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/314712011
Jo ge Vala, D. L. (1999). A Cons ução Social da Di e ença: Racialização e e nicização
das mino ias. Em J. Vala, No os Racismos: Pe spec i as Compa a i as (pp. 145-
167). Oei as: Cel a Edi o a.
J ., E.-J. L. (2017). When News Mee s he Audience: How Audience Feedback Online
A ec s News P oduc ion and Consump ion. Human Communica ion Resea ch.
Ob ido de h ps://academic.oup.com/hc /a icle-
abs ac /43/4/436/4670715? edi ec edF om= ull ex
Kenix, J. L. (2011). The Mode n Media Con inuum. Al e na i e and Mains eam Media:
The Con e ging Spec um. Bloomsbu y Collec ions, pp. 17-39.
Kilomba, G. (2019). Memó ias da Plan ação: Episódios de Racismo Quo idiano. Lisboa:
O eu Neg o.
Kulaszewicz, K. E. (2015). Racism and he Media: A Tex ual Analysis. Ob ido de
h ps://sophia.s ka e.edu/msw_pape s/477/?u m_sou ce=sophia.s ka e.edu%2Fms
w_pape s%2F477&u m_medium=PDF&u m_campaign=PDFCo e Pages
Lippmann, W. (2008). Opinião Pública. Pe ópolis, Rio de Janei o: Vozes.
Lopes, A. S. (27 de Julho de 2020). B uno Candé Ma ques, 39 anos, ês ilhos. Ob ido de
Público: h ps://www.publico.p /2020/07/27/poli ica/edi o ial/b uno-cande-
ma ques-39-anos- es- ilhos-1925940
López, D. F. (2013). Re lexões sob e o concei o de acismo ins i ucional. P á icas de
jus iça e di e sidade cul u al se ies, pp. 73-90. Ob ido de
h p://books.scielo.o g/id/sny5
Lo de, A. (2020). The mas e 's ools will ne e disman le he mas e 's house. Em A. Lo de,
Sis e Ou side (pp. 100-104). Es ados Unidos: Penguin Books.
Lusa. (19 de Junho de 2018). Polícias negam em ibunal ag essões e insul os acis as a
jo ens da Co a da Mou a. Ob ido de Obse ado :
h ps://obse ado .p /2018/06/19/policias-negam-em- ibunal-ag essoes-e-
insul os- acis as-a-jo ens-da-co a-da-mou a/
Lusa. (13 de Agos o de 2020). “O silêncio é cúmplice.” Ca a abe a pede acção polí ica
pa a comba e acismo em Po ugal. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/08/13/sociedade/no icia/silencio-cumplice-ca a-
abe a-pede-accao-poli ica-comba e - acismo-po ugal-1927951
Lusa. (3 de Fe e ei o de 2020). No o di ec o da PSP não iu “qualque in acção” no
ídeo da de enção de Cláudia Simões. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/02/03/sociedade/no icia/no o-di e o -psp-nao- iu-
qualque -in accao- ideo-de encao-claudia-simoes-1902758
Lusa. (17 de Fe e ei o de 2021). Quase 15.000 pessoas exigem depo ação de a i is a
Mamadou Ba. Ob ido de Sábado: h ps://www.sabado.p /ul ima-
99
ho a/de alhe/quase-15000-pessoas-exigem-depo acao-de-a i is a-mamadou-
ba?u m_medium=Social&u m_sou ce=Facebook&u m_campaign=Bo oesSi e&u
m_con en = acebook& bclid=IwAR0IlN ZjQpMRGe03SqAPjY5wYPu7nd4u4G
80DdoRnlO JZxb 3U zHyc8k
Ma celino, V. (28 de Se emb o de 2018). Racismo e o u a na PSP: "E a um cená io de
pânico. Não hou e um único que i esse co ação". Ob ido de Diá io de No ícias:
h ps://www.dn.p /pais/ acismo-e- o u a-na-psp-e a-um-cena io-de-panico-nao-
hou e-um-unico-que- i esse-co acao-9922158.h ml
Ma celino, V. (9 de No emb o de 2018). Racismo na PSP: "Vi o miúdo Miguel no chão e
cinco polícias em cima dele". Ob ido de Diá io de No ícias:
h ps://www.dn.p /pais/ acismo-na-psp- i-o-miudo-miguel-no-chao-e-cinco-
policias-em-cima-dele-10155760.h ml
Ma celino, V. (26 de Junho de 2018). To u a e acismo na PSP: "Sen ia mais medo que
udo. Es a a sozinho". Ob ido de Diá io de No ícias:
h ps://www.dn.p /po ugal/ o u a-e- acismo-na-psp-sen ia-mais-medo-que- udo-
es a a-sozinho-9514820.h ml#media-1
Ma celino, V. (20 de Maio de 2019). Sen ença his ó ica. Oi o agen es da PSP condenados
po ag essões, injú ias e seques o. Ob ido de Diá io de No ícias:
h ps://www.dn.p /pais/co a-da-mou a-oi o-agen es-condenados-po -seques o-e-
ag essoes-10919192.h ml
Ma cus, J. (21 de Ab il de 2021). Ini ial police epo calling Geo ge Floyd’s mu de
‘medical inciden ’ goes i al a e Chau in guil y e dic . Ob ido de The
Independen : h ps://www.independen .co.uk/news/wo ld/ame icas/geo ge- loyd-
police- epo -mu de -b1834832.h ml
Ma a , P. (14 de Se emb o de 2020). Objec i i y Is a P i ilege A o ded o Whi e
Jou nalis s. Ob ido de The Wal us: h ps:// hewal us.ca/objec i i y-is-a-p i ilege-
a o ded- o-whi e-jou nalis s/
Mee ens, T. F. (Janei o de 1995). Sub le and Bla an P ejudice in Wes e n Eu ope.
Eu opean Jou nal o Social Psychology , pp. 57-75.
Me skin, D. (8 de Ma ço de 2017). Media Rep esen a ion: Mino i ies. Ob ido de
h ps://onlinelib a y.wiley.com/doi/abs/10.1002/9781118783764.wbieme0147
Mosha a a, E. (2015). All you Need o Know Abou : The Cul i a ion Theo y. Global
Jou nal o Human Social Science, pp. Volume 15, A igo 8. Ob ido de
h ps://globaljou nals.o g/GJHSS_Volume15/3-All-you-Need- o-Know.pd
Munmun De Choudhu y, S. J. (2016). Social Media Pa icipa ion in an Ac i is Mo emen
o Racial Equali y. Ob ido de Associa ion o he Ad ancemen o A i icial:
h ps://www.ncbi.nlm.nih.go /pmc/a icles/PMC5565729/
Mun o, A. (19 de Fe e ei o de 2021). Shoo ing o T ay on Ma in. Ob ido de Encyclopedia
B i annica: h ps://www.b i annica.com/e en /shoo ing-o -T ay on-Ma in
Nic Newman, R. F. (2020). Reu e s Ins i u e Digi al News Repo 2020.
100
Obe com. (Junho de 2020). Anuá io da Comunicação 2019. pp. 71-103.
Obse ado . (10 de ma ço de 2020). Amado a. Cons i uído a guido agen e da PSP suspei o
de ag edi Cláudia Simões. Ob ido de Obse ado :
h ps://obse ado .p /2020/03/10/amado a-cons i uido-a guido-agen e-da-psp-
suspei o-de-ag edi -claudia-simoes/
Owen, L. H. (25 de Janei o de 2019). A ypical big news s o y in 2018 las ed abou 7 days
(un il we mo ed on o he nex c isis). Ob ido de NiemanLab:
h ps://www.niemanlab.o g/2019/01/a- ypical-big-news-s o y-in-2018-las ed-
abou -7-days-un il-we-mo ed-on- o- he-nex -c isis/
Pacheco, N. (5 de Ma ço de 2018). No p incípio e am ze os. E assim nasceu um jo nal.
Ob ido de Público: h ps://www.publico.p /2018/03/05/sociedade/no icia/no-
p incipio-e am-ze os-e-assim-nasceu-um-jo nal-1805157
Pamela B aboy Jackson, P. A. (Dezemb o de 1995). Composi ion o he Wo kplace and
Psychological Well-Being: The E ec s o Tokenism on Ame ica's Black Eli e.
Social Fo ces, Vol. 74, No. 2, pp. 543-557. Ob ido de
h p://www.js o .o g/s able/2580491
Pena, P. (2019). Fáb ica de Men i as: Viagem ao Mundo das Fake News. Lisboa: Penguin
Random House.
Pe ei a, A. C. (8 de Junho de 2020). De idos mais ês suspei os da mo e de Gio ani.
Golpe a al com pau. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/06/08/sociedade/no icia/de idos- es-suspei os-caso-
mo e-gio ani-b aganca-1919846
Pe ei a, A. C. (5 de Janei o de 2020). PJ não suspei a de ódio acial no caso do jo em
cabo- e diano que mo eu após ag essões. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/01/05/sociedade/no icia/pj-a as a-suspei a-odio-
acial-caso-jo em-cabo e diano-mo eu-apos-ag essoes-1899309
Pe ei a, A. C. (4 de Janei o de 2020). Se á ansladado pa a Cabo Ve de co po de
es udan e ag edido em B agança. Ob ido de Público:
h ps://www.publico.p /2020/01/04/sociedade/no icia/embaixada-cabo- e de-
que -escla ecida-mo e-es udan e-b aganca-1899237
Philley, A. (2012). The Ci il Righ s Mo The Ci il Righ s Mo emen : The P emen : The
Powe o T owe o Tele ision. Ob ido de 3690: A Jou nal o Fi s Yea S uden
Resea ch W i ing: Vol. 2012, A icle 4:
h ps:// ishe pub.sj c.edu/jou nal3690/ ol2012/iss1/4/?u m_sou ce= ishe pub.sj c.
edu%2Fjou nal3690%2F ol2012%2Fiss1%2F4&u m_medium=PDF&u m_camp
aign=PDFCo e Pages
Philo, C. H. (16 de Dezemb o de 2013). The Role o he Media in he Cons uc ion o
Public Belie and Social Change. Jou nal o Social and Poli ical Psychology, pp.
321-336. Ob ido de h ps://doi.o g/10.5964/jspp. 1i1.96
Pi es, F. (10 de Fe e ei o de 2021). A guidos acusados de ma a es udan e em B agança
começam a se julgados. Ob ido de TSF:
107
BRUNO CANDÉ SETEMBRO
ID DATA PARTILHAS ABERTO OU EXCLUSIVO AUTORIA GÉNERO JORNALÍSTICO FONTES CITADAS FONTES COMUNIDADE NEGRA SECÇÃO MARCADORES ÉTNICOS
39 03/09/2020 149 Abe o Agência No ícia En idades Polí icas Não Racismo Nenhum
40 06/09/2020 86 Abe o Assinada Opinião Nenhuma Não Opinião "Neg o" "Neg os"
41 17/09/2020 148 Abe o PÚBLICO No ícia Nenhuma Não Tea o Nenhum
CARATERÍSTICAS MARCADOR ÉTNICO CARATERÍSTICAS PEÇA JORNALÍSTICA FOTOGRAFIA TEMA PRINCIPAL TEMA SECUNDÁRIO TÍTULO
Nenhum Denúncia de Racismo Gené ica Racismo C ime Rede Eu opeia ale a pa a aumen o “mui o p eocupan e” de a aques acis as pela ex ema-di ei a em Po ugal
Denúncia de Racismo An i acis a Nenhum Racismo C ime Semeando den es de d agão
Nenhum Neu o Ca a do ac o A ualidade C ime Recei as de espec áculos e e em pa a a amília de B uno Candé, no dia em que a ia 40 anos

108
GEORGE FLOYD JULHO
ID DATA PARTILHAS ABERTO OU EXCLUSIVO AUTORIA GÉNERO JORNALÍSTICO FONTES CITADAS FONTES COMUNIDADE NEGRA SECÇÃO MARCADORES ÉTNICOS
42 01/07/2020 40 Abe o Agencia e PÚBLICO Fo ogalei a Nenhuma Não Fo og a ia Nenhum
43 02/07/2020 2 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas Não Desemp ego "Neg a" "B anca"
44 03/07/2020 143 Abe o Assinada No ícia Emp esá io (CEO), Emp esa Não Redes Sociais Nenhum
45 04/07/2020 165 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas Não Amé ica Nenhum
46 04/07/2020 106 Abe o Agência e Assinada No ícia Mani es an es, G upos A i is as Sim LGBTI Nenhum
47 04/07/2020 249 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas, Jo nalis a Sim EUA Nenhum
48 05/07/2020 15 Exclusi o Assinada Análise Nenhuma Não His ó ia "Razão neg a" "esc a o neg o"
49 05/07/2020 817 Abe o PÚBLICO No ícia Nenhuma Não Música " o o neg o"
50 05/07/2020 71 Abe o Agência No ícia Jo nais Não EUA Nenhum
51 06/07/2020 652 Abe o Assinada Repo agem Mani es an es, G upos A i is as Sim Vídeo "neg o" "p e os"
52 07/07/2020 323 Abe o Assinada No ícia Mani es an es, G upos A i is as Sim P3 "neg os" "neg a"
53 08/07/2020 1457 Abe o Assinada No ícia Figu as públicas Sim EUA Nenhum
54 09/07/2020 9 Abe o Agência No ícia Fon es p imá ias - ideo igilância Não EUA "a o-ame icano"
55 09/07/2020 91 Exclusi o Assinada No ícia En idades da á ea da saúde Não Co ona í us Nenhum
56 09/07/2020 71 Abe o Assinada C ónica/Opinião Nenhuma Não Opinião "a o-descenden es, cigana e de imig an es"
57 10/07/2020 128 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas Não EUA " ida neg as"
58 12/07/2020 199 Exclusi o Assinada C ónica/Opinião Figu as públicas Não Opinião Nenhum
59 15/07/2020 24 Abe o Assinada No ícia En idades académicas Não His ó ia "neg a"
60 17/07/2020 1 Abe o Agência No ícia En idades despo i as Não Ou as Modalidades Nenhum
61 17/07/2020 891 Exclusi o Assinada En e is a En idades da á ea da saúde Não En e is a-Co ona í us "neg o"
62 18/07/2020 873 Abe o Agência No ícia En idades Polí icas Não Racismo "neg a"
63 19/07/2020 86 Abe o Assinada No ícia Mani es an es, G upos A i is as Sim EUA "neg a"
64 19/07/2020 24 Abe o Agência No ícia Edi o a discog á ica Não Jazz "a o-ame icano"
65 21/07/2020 44 Abe o Assinada No ícia Nenhuma Não Cinema "neg as" "neg os"
66 23/07/2020 26 Abe o Agência No ícia En idades Polí icas Não Mundo "a o-ame icano"
67 24/07/2020 67 Abe o Assinada No ícia Mani es an es, G upos A i is as Não His ó ia Nenhum
68 29/07/2020 13 Abe o Agência No ícia Es a ís icas Não EUA "neg os"
CARATERÍSTICAS MARCADORES ÉTNICOS CARATERÍSTICAS DA PEÇA FOTOGRAFIA TEMA PRINCIPAL TEMA SECUNDÁRIO TÍTULO
Nenhum Neu o Mani es an es Racismo A ualidade Mega ones, ca azes e ses as: há um pa que em No a Io que ocupado po mani es an es
Neu o Neu o Gené ica A ualidade C ime Taxa de desemp ego nos EUA cai pelo segundo mês consecu i o
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo Zucke be g não cede à p essão de anuncian es. Diz que “es a ão de ol a em b e e”
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo T ump u iliza discu so no Mon e Rushmo e pa a in lama di isões nos Es ados Unidos
Nenhum Denúncia de Racismo Mani es an es A ualidade Racismo Ma cha do o gulho LGBT oi cancelada, mas milha es euni am-se em Pa is pa a de ende di ei os e c i ica acismo
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo Num 4 de Julho assomb ado pela co id-19, Donald T ump ins igou a di isão dos ame icanos
Neu o Negação de Racismo Gené ica Racismo A ualidade Iconoclas ia e polí ica: a mo al sem a his ó ia
Neu o Neu o Gené ica Polí ica A ualidade Kanye Wes anuncia candida u a à P esidência dos EUA. É a sé io?
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo Mani es an es de ubam es á ua de Colombo e dei am-na à água em Bal imo e
Denúncia de Racismo An i acis a Gené ica Racismo A ualidade Pa ícia, Rica do e Ma iana não êm o “luxo de não sabe ” o que é o acismo
Denúncia de Racismo Denúncia de Racismo Gené ica Racismo A ualidade Mu al de homenagem a B eonna Taylo ê-se do céu e dá oz a quem não a em
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo Noam Chomsky, S e en Pinke , Ma ga e A wood e F ancis Fukuyama apelam ao “deba e li e” em ca a publicada na Ha pe ’s
Ví ima Neu o Ca a da í ima C ime A ualidade An es de mo e , Geo ge Floyd disse mais de 20 ezes que não conseguia espi a
Nenhum Neu o Gené ica Co ona í us A ualidade Po que é ão di ícil queb a as cadeias de ansmissão na egião de Lisboa?
Ví ima Neu o Mani es an es A ualidade Racismo O Po ugal silencioso
Denúncia de Racismo Neu o Gené ica A ualidade Racismo Black Li es Ma e pin ada em le as ama elas gigan es à en e da T ump Towe
Nenhum Neu o Nenhuma A ualidade Racismo O Ociden e ainda exis e?
P o es o Neu o Gené ica A ualidade Racismo A subs i uição da es á ua de Edwa d Cols on po uma jo em neg a se á empo á ia?
Nenhum Neu o Gené ica A ualidade Racismo Thomas Bach anuncia ecandida u a à p esidência do COI
P o es o Neu o Gené ica A ualidade Racismo “As pandemias mudam a his ó ia e a manei a de i e . O con inamen o pode du a anos”
P o es o Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Mo eu John Lewis, líde do mo imen o dos di ei os cí icos nos EUA
P o es o An i acis a Gené ica Racismo A ualidade Black Li es Ma e : A lu a de John Lewis con inua
Denúncia de Racismo Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo G a ação inédi a de conce o de Thelonious Monk em 1968 é edi ada em álbum
Denúncia de Racismo Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo As idas neg as impo am na 14ª edição do MOTELX
Denúncia de Racismo Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Câma a dos Rep esen an es dos EUA ap o a emoção de es á uas da Con ede ação do Capi ólio
Nenhum An i acis a Gené ica A ualidade Racismo A Vol a ao Mundo em 80 Ca ás o es pa a ala de mo es colec i as, es á uas e monumen os
Denúncia de Racismo Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Apoio a p o es os an i- acismo nos EUA desce mas é ainda maio i á io
109
GEORGE FLOYD AGOSTO
ID DATA PARTILHAS ABERTO OU EXCLUSIVO AUTORIA GÉNERO JORNALÍSTICO FONTES CITADAS FONTES COMUNIDADE NEGRA SECÇÃO MARCADORES ÉTNICOS
69 04/08/2020 147 Abe o Assinado No ícia Jo nais, Imagens de ídeo Nenhuma EUA "neg o" "neg a"
70 06/08/2020 997 Abe o Assinado No ícia Emp esá ios Nenhuma Redes Sociais Nenhum
71 09/08/2020 103 Abe o Público e Agência Fo ogale ia Mani es an es Nenhuma P3/Reu e s Nenhum
72 11/08/2020 769 Abe o Assinado No ícia En idades polí icas Nenhuma Eleições EUA 2020 "neg a" "neg o"
73 12/08/2020 206 Abe o Assinado No ícia En idades polí icas Nenhuma Eleições EUA 2020 "neg a" "neg o"
74 13/08/2020 97 Abe o Assinado No ícia En idade cul u al Nenhuma Ípsilon "neg a"
75 18/08/2020 600 Abe o Assinado No ícia En idades polí icas Sim Eleições EUA 2020 "neg o"
76 18/08/2020 221 Abe o Assinado No ícia En idade cul u al Sim Museus "neg o"
77 24/08/2020 254 Abe o Público No ícia Redes Sociais, Ad ogado Sim EUA "neg o" "neg a"
78 24/08/2020 4738 Abe o Assinado Repo agem En e is ada A oma y Sim Racismo "neg a"
79 24/08/2020 26 Abe o Assinado No ícia A i is as Sim Racismo "neg o" "neg a"
80 25/08/2020 82 Abe o Agência No ícia En idades polí icas Nenhuma Eleições EUA 2020 "neg o"
81 25/08/2020 33 Abe o Agência No ícia Jo nais, Imagens de ídeo Sim Violência Policial "neg o"
82 26/08/2020 5 Abe o Público No ícia En idades polí icas Nenhuma Vídeos "neg o"
83 26/08/2020 62 Abe o Assinado No ícia Jo nais, Imagens de ídeo Nenhuma EUA "neg o"
84 26/08/2020 520 Abe o Público e Agência No ícia En idades polí icas, Ad ogados, Família Sim EUA "neg o"
85 26/08/2020 123 Abe o Agência No ícia En idades polí icas Nenhuma Eleições EUA 2020 "neg o"
86 27/08/2020 185 Abe o Assinado No ícia Jo nais, Imagens de ídeo Nenhuma EUA "a o-ame icano"
87 27/08/2020 51 Abe o Agência No ícia En idades polí icas Nenhuma EUA "neg o" "a o-ame icano"
88 29/08/2020 628 Abe o Público e Agência Repo agem Mani es an es Sim Mul imédia "neg o"
89 29/08/2020 799 Abe o Assinado e Agência No ícia Redes Sociais, Figu as públicas Sim Óbi o "neg o" "neg a" "neg i ude"
90 30/08/2020 28 Abe o Assinada No ícia En idades polí icas, Polícia Nenhuma EUA "a o-ame icano"
91 30/08/2020 91 Abe o Assinada Opinião Nenhuma Nenhuma P3-C ónica "a o-ame icano"
CARATERÍSTICAS MARCADORES ÉTNICOS CARATERÍSTICAS DA PEÇA FOTOGRAFIA TEMA PRINCIPAL TEMA SECUNDÁRIO TÍTULO
Denúncia de Racismo An i acis a Mani es an es C ime Racismo Geo ge Floyd pediu aos polícias pa a não dispa a em an es de mo e . “Não sou má pessoa”
Nenhum Neu a Gené ica A ualidade Racismo Facebook apaga publicação de Donald T ump pela p imei a ez po desin o mação sob e co id-19
Nenhum Neu a Mani es an es A ualidade Racismo O Lama Sem D ama. Em Po land, a paz é man ida com qua o pa as e mui o pêlo
Emancipa ó io? Neu a Gené ica A ualidade Racismo Biden escolhe Kamala Ha is, a p imei a mulhe neg a candida a a “ ice” dos EUA
Emancipa ó io? Neu a Gené ica A ualidade Racismo “Uma excelen e escolha.” Pa ido Democ a a une-se em o no de Biden-Ha is
Denúncia de Racismo An i acis a Gené ica Racismo A ualidade Cu ado a demi e-se: a FLIP “p ecisa de uma cu ado a neg a pa a ein en á-la”
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo Michelle Obama apela ao o o em Joe Biden “como se a ida dependesse disso”
Emancipa ó io? + Denúncia de Racismo An i acis a Gené ica Racismo A ualidade O Museu Guggenheim em ago a um plano pa a comba e o acismo de que é acusado
Denúncia de Racismo Neu a Gené ica A ualidade Racismo P o es os no Wisconsin após homem neg o se baleado nas cos as pela polícia. Gua da Nacional oi mobilizada
Emancipa ó io An i acis a Gené ica Racismo A ualidade “As pessoas não acei am que haja uma po uguesa neg a. Começa aí o nosso sen imen o de não-pe ença”
Denúncia de Racismo An i acis a Gené ica Racismo A ualidade Quem Pode, Pod: especial Black Li es Ma e
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo T ump e os epublicanos pin am um quad o assus ado dos EUA com Joe Biden
Ví ima Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Go e nado de Wisconsin decla a es ado de eme gência. Kenosha p epa a-se pa a e cei a noi e de p o es os
Ví ima Denúncia de Racismo Gené ica Racismo A ualidade Melania T ump: "Nunca açam suposições com base na co da pele de uma pessoa”
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo De ido adolescen e suspei o de e ma ado duas pessoas du an e os p o es os no Wisconsin
Ví ima Denúncia de Racismo Familia es da í ima A ualidade Racismo Jacob Blake, o ame icano neg o baleado pelas cos as po um polícia, “p ecisa de um milag e pa a ol a a anda ”
Ví ima + C iminoso Neu a Gené ica A ualidade Racismo Melania T ump oi a no a de compaixão no conce o apocalíp ico do Pa ido Republicano
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo Ap esen ado da Fox News de ende adolescen e que ma ou dois mani es an es no Wisconsin
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo No auge dos p o es os no Wisconsin, Mike Pence e o ça o discu so da “lei e o dem”
Denúncia de Racismo An i acis a Gené ica Racismo A ualidade Cinquen a e se e anos depois de I ha e a d eam, milha es ma cha am pa a ala de acismo em Washing on
Emancipa ó io An i acis a Gené ica A ualidade Racismo Mo eu Chadwick Boseman, es ela de Black Pan he
Ví ima Neu a Gené ica A ualidade Racismo Um mo o em con on os en e apoian es de T ump e mani es an es an i- acismo em Po land
Denúncia de Racismo An i acis a Nehuma Racismo A ualidade “Fu ebol e polí ica não se mis u am!”
110
ID DATA PARTILHAS ABERTO OU EXCLUSIVO AUTORIA GÉNERO JORNALÍSTICO FONTES CITADAS FONTES COMUNIDADE NEGRA SECÇÃO MARCADORES ÉTNICOS
92 01/09/2020 766 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas, Familia es da í ima Sim EUA "a o-ame icano"
93 03/09/2020 77 Abe o Assinada No ícia Imagens ídeo, Familia es da í ima Sim EUA "a o-ame icano"
94 04/09/2020 39 Abe o Assinada No ícia Jo nais, Polícia Nenhuma EUA "a o-ame icano" "de co "
95 05/09/2020 1047 Abe o Assinada No ícia Es udos Nenhuma Racismo Nenhum
96 10/09/2020 329 Abe o Assinada No ícia En idades Polí icas Nenhuma Amé ica La ina Nenhum
97 12/09/2020 14 Abe o Assinada No ícia A is as Nenhuma Pe o mance Nenhum
98 12/09/2020 54 Abe o Público e Agência No ícia En idades polí icas Nenhuma Colômbia "a o-ame icano"
99 17/09/2020 174 Abe o Assinada No ícia En idades polí icas, es udos Nenhuma EUA "a o-ame icano"
100 23/09/2020 3 Abe o Público e Agência No ícia Ad ogado Sim Violência Policial "neg a" "a o-ame icano"
GEORGE FLOYD SETEMBRO
CARATERÍSTICAS MARCADORES ÉTNICOS CARATERÍSTICAS DA PEÇA FOTOGRAFIA TEMA PRINCIPAL TEMA SECUNDÁRIO TÍTULO
Ví ima Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo T ump de ende adolescen e acusado de ma a mani es an es em Kenosha
Ví ima Denúncia de Racismo Mani es an es A ualidade Racismo Família di ulga imagens de homem neg o que mo eu as ixiado po polícias em No a Io que
Ví ima Neu a Au o idades A ualidade Racismo Suspei o de assassina apoian e de T ump em Po land mo o pela polícia
Nenhum An i acis a Mani es ação Racismo A ualidade Rela ó io conclui que quase odos os p o es os Black Li es Ma e são pací icos
Nenhum Neu a Mani es ação A ualidade C ime “Es ou a su oca .” Assassínio de ad ogado eacende p o es os con a iolência policial na Colômbia
Nenhum Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Pa a que as “a es i as” possam acon ece , é p eciso “es a jun o”
Ví ima Neu a Mani es ação A ualidade C ime Minis o colombiano pede desculpa pela b u alidade da polícia
Ví ima Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo P ocu ado -ge al dos EUA suge e que mani es an es de idos sejam acusados de sedição
Ví ima Denúncia de Racismo Gené ica A ualidade Racismo Apenas um polícia do Ken ucky indiciado e não oi pela mo e de B eonna Taylo