Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais,
especialização em Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação
cien í ica do P o esso Auxilia Tiago Mo ei a de Sá, da Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa
À minha Família, de duas e de qua o pa as.
AGRADECIMENTOS
Que o ag adece aos meus amilia es e amigos, que me apoia am du an e odo o
p ocesso de desen ol imen o des a disse ação, que me mo i a am a segui em en e mesmo
quando o desespe o ganha a e eno no meu espí i o e quando o caminho pa ecia demasiado
o uoso pa a con inua a palmilha .
Que o ag adece aos meus “i mãos de qua o pa as”, cujo ânimo mui as ezes me ez
e a luz ao undo do únel e cujas b incadei as e companhei ismo o am essenciais pa a
ali ia a p essão e aze dissipa aquela nu em neg a que nos momen os mais di íceis eima
em pai a sob e as nossas cabeças.
E que o deixa um especial ag adecimen o ao meu o ien ado Tiago Mo ei a de Sá, po
e que ido con inua a acompanha -me mesmo depois de o p ocesso de desen ol imen o da
disse ação e demo ado mais empo do que o p e is o.
A odos, deixo- os a minha e e na g a idão.
Es ados Unidos e Rússia no pós-Gue a F ia: a cons ução de no as
dinâmicas polí icas e elacionais, ou como um “degelo” ímido ap oximou
Oes e e Les e
Uni ed S a es and Russia in he pos -Cold Wa : he cons uc ion o new
ela ional and poli ical dynamics, o how a imid “ hawing” b ough Wes
and Eas close oge he
Filipe Tiago Pimen el Rações
Mes ando em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais, especialização em Relações
In e nacionais, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de
Lisboa
Resumo
Com o im da Gue a F ia, os Es ados Unidos i am a sua posição de p oeminência no
sis ema in e nacional se consolidada e o am in es idos do papel de “comandan e” da o dem
in e nacional libe al que eme giu da conclusão do con li o. Do ou o lado do oceano
A lân ico, o an igo ad e sá io inha sido dissol ido, dando luga a uma cons elação de no os
países independen es, en e os quais a Rússia de des aca a, empenhada em i a a página do
seu passado so ié ico e cons ui um no o caminho, em di eção à democ acia e à
libe alização económica.
No âmbi o de um no o conjun o de ci cuns âncias, Es ados Unidos e Rússia
p ocu a am de ini os seus no os papéis no sis ema in e nacional: um que ia a i ma -se
como po ência mundial incon es á el; o ou o p ocu a a legi imação in e nacional e
econhecimen o como o he dei o único e legí imo da União So ié ica.
A pa da de inição de no as iden idades, Es ados Unidos e Rússia p ocu a am queb a
o gelo que du an e décadas impossibili ou boas elações en e os dois países e encon a bases
comuns de en endimen os e pe ceções que se issem de supo e ao desen ol imen o de
dinâmicas de coope ação e a é de pa ce ia, em ma é ias ão impo an es pa a os Es ados
Unidos como o comba e à p oli e ação de a mas nuclea es.
Es e abalho p e ende aze à luz as no as dinâmicas elacionais en e os Es ados
Unidos e a Rússia e comp eende qual o luga de uma no a Rússia pós-so ié ica no
pensamen o no e-ame icano de polí ica ex e na, com especial en oque nas ques ões da
expansão da NATO pa a Les e e da desnuclea ização da Uc ânia.
PALAVRAS-CHAVE: Es ados Unidos, Rússia, pós-Gue a F ia
Abs ac
Wi h he end o he Cold Wa , he Uni ed S a es saw hei posi ion o p ominence in
he in e na ional sys em be consolida ed e we e es ed o a ole o “commande ” o he
in e na ional libe al o de ha eme ged om he ending o he con lic . On he o he side o
he A lan ic ocean, he o me ad e sa y had been dissol ed, gi ing ise o a cons ella ion o
new independen coun ies, among which Russia s ood ou , commi ed o u ning he page o
i s so ie pas and building a new pa h, owa ds democ acy and economic libe aliza ion.
In he con ex o a new se o ci cums ances, he Uni ed S a es and Russia sough o
de ine hei new oles in he in e na ional sys em: one wan ed o asse i sel as he
unques ionable wo ld powe ; he o he sough in e na ional legi imiza ion and ecogni ion as
he only legi ima e hei o he So ie Union.
Along wi h he de ini ion o he new iden i ies, he Uni ed S a es and Russia sough o
b eak he ice ha o decades had made impossible de ise o good ela ions be ween he wo
coun ies and sough o ind sha ed bases o unde s andings and pe cep ions ha would
suppo he de elopmen o dynamics o coope a ion and e en pa ne ship in ma e s so
impo an o he Uni ed S a es such as he igh agains he p oli e a ion o nuclea weapons.
This wo k in ends o shed ligh on he new ela ional dynamics be ween he Uni ed
S a es and Russia and unde s and he place o a new pos -so ie Russia in he ame ican
hinking o o eing policy, wi h special emphasis on he NATO enla gemen o he Eas and
he denuclea iza ion o Uk aine.
KEYWORDS: Uni ed S a es, Russia, pos -Cold Wa
Índice
In odução .......................................................................................................... 1
Es ado da A e .................................................................................................... 4
I. Uma no a es u u a do sis ema in e nacional ........................................... 6
II. O im da Gue a F ia: momen os de ans o mação e o no o sis ema
in e nacional ................................................................................................... 9
II.1 Ana quia in e nacional e a p eeminência no e-ame icana ................. 15
III. Bill Clin on: con inuidade e lide ança no mundo pós-Gue a F ia ..... 27
IV. “En ol imen o e Ala gamen o”: a es a égia dos EUA pa a o pós-
Gue a F ia .................................................................................................... 29
V. Es ados Unidos e a Rússia: a anços, ecuos e uma elu ância cau elosa
……………………………………………………………………………...33
VI. O degelo: Es ados Unidos e Rússia, de inimigos a pa cei os
coope an es ................................................................................................... 35
VII. Expansão da NATO pa a Les e, a ques ão nuclea e as elações EUA-
Rússia ............................................................................................................ 43
VII.1 Expansão da NATO pa a Les e e a di usão da democ acia ............. 44
VII.2 A ques ão nuclea : coope ação en e Es ados Unidos e Rússia pela
não-p oli e ação ......................................................................................... 65
VII.3 A negociação nuclea ila e al: Es ados Unidos, Rússia e Uc ânia 69
Conclusão ........................................................................................................ 83
Re e ências bibliog á icas ............................................................................... 88
1
In odução
O p esen e abalho em po obje i o comp eende as al e ações oco idas nas dinâmicas
elacionais en e os Es ados Unidos e a Rússia du an e a p esidência de William Je e son
Clin on e pe cebe de que o ma os Es ados Unidos pe spec i a am e in e agiam como o
an igo ad e sá io do Les e eu opeu.
P e ende-se lança luz sob e alguns aspe os do pós-Gue a F ia e das elações en e Es ados
Unidos e Rússia que não são no malmen e idos em conside ação nas análises des as
dinâmicas. Es e abalho p ocu a explo a a o ma como os Es ados Unidos olha am pa a a
Rússia e comp eende o signi icado po de ás das suas ações e as suas mo i ações pa a com
a po ência de Les e. O obje i o cen al é a e i icação da ese de que a animosidade que
pau ou as elações en e Es ados Unidos e Rússia du an e a Gue a F ia des aneceu-se e deu
luga a um no o modelo elacional, ca ac e izado po en a i as de ap oximação en e Oes e
e Les e, po coope ação ao ní el nuclea e secu i á io, ao mesmo empo que os Es ados
Unidos man inham-se hesi an es em pe mi i que a Rússia osse e e i amen e in eg ada na
comunidade das g andes nações democ á icas, p e e indo man ê-la na pe i e ia.
Pa a esse im, começou-se po c ia um quad o eó ico do im da Gue a F ia – das causas e
dos e ei os –, passando depois pa a a cons ução de uma con ex ualização eó ica do sis ema
in e nacional e das dinâmicas que lhe es ão ine en es no momen o da dissolução da União
So ié ica e do su gimen o de uma no a o dem in e nacional.
Es e quad o eó ico sus en a-se na co en e cons u i is a da disciplina das Relações
In e nacionais, conside ando que é a escola que melho es á equipada pa a analisa e
comp eende as dinâmicas e mo i ações subjacen es às ações dos Es ados Unidos pa a com
a Rússia.
É colocada em causa a ideia de William Wohl o h, Michael Cox e G. John Ikenbe y de que
o im da Gue a F ia o iginou um sis ema in e nacional unipola , es abelecendo-se como mais
p ecisa a conceção de uma es u u a “uni-mul ipola ” a ançada po Samuel Hun ing on
(1999), colocando o ên ase do su gimen o de um sis ema in e nacional compos o po uma
2
supe po ência odeada de á ios complexos egionais, e que in e agem numa base de
in luências ecíp ocas.
Es abelecendo a es u u a e o consequen e uncionamen o do sis ema in e nacional do pós-
Gue a F ia, passa-se en ão pa a a de inição do ambien e in e nacional que se i á de pano
de undo pa a o desempenho da polí ica ex e na de Bill Clin on.
É analisado, de o ma ab angen e, o im da Gue a F ia e são apon adas algumas possí eis
causas pa a a dissolução do bloco comunis a so ié ico, adicada na pe meabilidade des e
úl imo às ideias, p incípios e alo es da comunidade de nações democ á icas ociden ais.
Ainda, são iden i icadas as ês g andes ans o mações do sis ema in e nacional que o am
p opiciadas pelo im do con li o bipola e c ia am as condições à eme gência de uma no a
o ganização in e nacional.
Des a ei a, p ocu a de ini -se a no a iden idade dos Es ados Unidos já não endo como
con apon o a União So ié ica, es abelecendo-se um conjun o de o ien ações que guia ão a
polí ica ex e na da po ência no e-ame icana no pós-Gue a F ia.
Ca ac e izando a iden idade pós-Gue a F ia dos Es ados Unidos, é possí el es abelece um
pon o de pa ida pa a a análise das elações en e Washing on e Mosco o, com especial
des aque pa a a o ma como os Es ados Unidos pe cecionam o an igo ad e sá io e no o
pa cei o de coope ação em ma é ias como o comba e à p oli e ação nuclea .
Numa ase pos e io , são analisadas as Es a égias de Segu ança Nacional da Adminis ação
Clin on, de o ma a en a pe cebe os in e esses e mo i ações dos Es ados Unidos na no a
e a, se indo essa análise de ampa de lançamen o pa a a análise do luga da Rússia na
polí ica ex e na no e-ame icana.
Com as no as dinâmicas elacionais es abelecidas, são iden i icados dois momen os
essenciais pa a a elação en e Es ados Unidos e Rússia: a expansão da NATO pa a Les e e
a desnuclea ização da Uc ânia.
Es es são dois momen os-cha e que ajudam a p ecisa a de inição da isão dos Es ados
Unidos pa a a Rússia e pa a o espaço pós-so ié ico. Além disso, são c uciais pa a pe cebe
a é que pon o a Rússia é ainda conside ada pelos Es ados Unidos como um ad e sá io, apesa
decla ações de memb os do go e no de Clin on que indicam que a Rússia é um pa cei o
3
es a égico e que a e o ma democ á ica do país é a p io idade de opo da polí ica ex e na
no e-ame icana.
Po im, é ei o um balanço da a uação dos Es ados Unidos nos dois momen os acima
e e idos, p ocu ando pe cebe se o am seguidos os melho es caminhos ou se exis iam
ilhos que melho se i iam os obje i os açados.
10
Independen emen e das á ias pe spe i as que possam exis i ela i amen e ao que causou o
im da Gue a F ia (que enha sido de ido à o ça dos Es ados Unidos da Amé ica e polí icas
ex e nas ag essi as ou descon iadas das in enções da URSS; que enha sido de ido ao
p og ama de e o mas ope acionalizado po Mikhail Go bache pa a ap oxima a União
So ié ica do Ociden e, pa a e e e a c ise económica in e na e sal a o comunismo; que
enha sido de ido à ei indicações independen is as que ameaça am o con olo de Mosco o
sob e as epúblicas so ié icas) (Sá, 2014), o modelo de in e ação bipola de na u eza
compe i i a que ca ac e izou a quase o alidade da segunda me ade do século XX e minou
com a dissolução da União So ié ica e com o e o ço da posição in e nacional dos Es ados
Unidos, que, sem o oponen e comunis a, assumiu um papel de p eponde ância inques ioná el
no sis ema in e nacional, concen ando em si capacidades ma e iais que não e am possí eis
de iguala po qualque ou o país no mundo, nem po nenhuma possí el coligação
in e go e namen al.
É, con udo, impo an e salien a que o es a u o in e nacional de ele o que o im da Gue a
F ia in es iu sob e os Es ados Unidos e a econhecido pela chamada comunidade das nações
democ á icas ociden ais. O não- econhecimen o po pa e dos aliados da p oeminência dos
Es ados Unidos no sis ema in e nacional pós-Gue a F ia e a al amen e imp o á el,
conside ando que as a inidades e bases comuns de alo es e in e esses pa ilhados mi iga iam
g andes esis ências e que os aliados iam no pode e nas capacidades es a égicas no e-
ame icanas um escudo p o e o con a o que a adminis ação de Bill Clin on eio a chama
de backlash s a es, países que ejei a am ou não se econheciam na o dem in e nacional
libe al e os p incípios que a en o ma am.
Foi a anuência das po ências eu opeias que pe mi iu aos Es ados Unidos man e du an e
an os anos o ças mili a es no “ elho con inen e”, além de que os eu opeus não inham
azões pa a ejei a a p esença no e-ame icana, ainda pa a mais num momen o de p o unda
ans o mação iden i á ia, polí ica e económica da Eu opa de Les e, p ocessos que pode iam
e caído na uína e ei o a Rússia e e e pa a um egime au oc á ico que coloca a a
segu ança eu opeia, bem como os in e esses dos Es ados Unidos, em isco.
É impo an e e e i que a Gue a F ia cons i uiu um modelo de con on o que di e gia dos
que en o ma am a P imei a e a Segunda Gue a Mundiais, não apenas po que não se a ou
11
de um con on o di e o en e as o ças mili a es dos con endo es, mas ambém po que a sua
conclusão «não se ez no campo das a mas», mas sim pela «conce ação diplomá ica en e
os dois i mãos inimigos» (Gaspa , 2016, 7) . Ademais, ao con á io dos an e io es dois
con li os mundiais, o inal da Gue a F ia não p opiciou ans o mações adicais no ecido
do sis ema in e nacional – a supe io idade dos Es ados Unidos oi consolidada e o polo
so ié ico desapa eceu, dando luga a 15 países ecém-independen izados – nem le ou a uma
queb a com as ins i uições in e nacionais do pós-Segunda Gue a Mundial, endo-se
obse ado a manu enção e o e o ço dessas en idades, de que é exemplo a O ganização do
T a ado do A lân ico No e (NATO) e o papel que i á desempenha , p incipalmen e às mãos
dos Es ados Unidos, na ede inição da segu ança eu opeia e nas elações com a no a Rússia
de Bo is Iél sin.
No en an o, apesa dos aços de con inuidade e i icados, o inal da Gue a F ia cons i uiu,
pe se, um momen o de ans o mações impo an es ao ní el do sis ema in e nacional que,
embo a não sejam de índole adical, não de em se negligenciadas. Podem se des acadas
ês (Gaspa , 2016). A p imei a oco eu ao ní el da dis ibuição das capacidades. Com o
desapa ecimen o da União So ié ica, os Es ados Unidos saí am do con li o bipola como o
único e dadei o polo de pode num sis ema in e nacional que ago a se ca ac e iza a pela
p eponde ância excecional de uma supe po ência, odeada de sis emas in e nacionais
egionais que se o ma am um pouco po odo o mundo. Depois da Gue a F ia, os Es ados
Unidos de inham capacidades ma e iais (pode es mili a , económico e ecnológico) que não
e am possí eis de iguala , e mui o menos supe a , po qualque ou o país no mundo, nem
seque po alguma e en ual coligação in e go e namen al que se i esse o mado. Po ou o
lado, os Es ados Unidos es a am na posse de “ca apul as ideológicas” que lhes con e iam
uma capacidade sem p eceden es pa a di undi os seus alo es libe ais – democ acia
plu alis a, globalização dos me cados e p imado do di ei o – ao ní el plane á io. É de
sublinha que a dimensão des e alcance e a possí el median e as es u u as in e nacionais
que ma ca am o inal da Segunda Gue a Mundial, que se man i e am mesmo depois de 1991
e que espelha am cla amen e os alo es de endidos pelos Es ados Unidos. Falamos, po
exemplo, de ins i uições como a ONU, a NATO ou o GATT (Aco do Ge al sob e Ta i as e
Comé cio).
12
A segunda g ande ans o mação oi a subs i uição de uma es u u a sis émica bipola
exclusi a po uma es u u a híb ida uni-mul ipola (Hun ing on, 1999, 36), em que
pa alelamen e à o mação de uma supe po ência p oli e ou a o mação de múl iplos sis emas
elacionais de âmbi o egional nos quais os países in e agiam en e si numa de e minada
ci cunsc ição egional do globo e, com base em iden idades e in e esses sin ónicos ou
di e gen es, cons i uíam as suas p óp ias ins i uições e dinâmicas num sis ema in e nacional
egional, com is a, sob e udo, à conquis a de independência polí ica e económica ace aos
Es ados Unidos.
Tendo em conside ação que os Es ados Unidos e am o único país que ealmen e inha
in e esses a ní el global (po enciados po inigualá eis capacidades ma e iais e uma o e
índole ideológica), es es sis emas egionais su gi am um pouco po odo o mundo: Amé ica
do Sul, sudes e asiá ico, Á ica do Sul.
Assim, a concen ação excecional de capacidades num só país e a acompanhada, no no o
sis ema in e nacional, po á ios sis emas in e nacionais egionais, na sua maio ia de
na u eza coope a i a ao ní el económico e secu i á io, no seio dos quais e a ago a possí el
o su gimen o de po ências de âmbi o egional, algo que du an e o con li o bipola não oi
possí el. Des a ei a, o no o sis ema in e nacional e a cons i uído po dinâmicas ao ní el
in e nacional, em que os Es ados Unidos man inham uma posição de ele o ace às ou as
g andes po ências mundiais, e po dinâmicas ao ní el egional, em que e a possí el a
exis ência de modelos elacionais mul ipola es. A es a conjugação sis émica Samuel
Hun ing on apelidou de “sis ema uni-mul ipola ” (Hun ing on, 1999, 36). Sob e a
cons i uição dos sis emas in e nacionais egionais, Ca los Gaspa sus en a que «A
in ensidade das in e ações secu i á ias, as e e ências iden i á ias e as es u u as ins i ucionais
conjuga am-se com a ascensão de no as g andes po ências no quad o dos espaços egionais
pa a de ini a no a dinâmica do sis ema unipola » (Gaspa , 2016, 19).
Pode íamos a é i mais longe, ca ac e izando es a coexis ência de dois ní eis in e ce an es de
sis emas in e nacionais como um “ecossis ema polí ico diádico de in luências ecíp ocas”,
conside ando que os sis emas egionais não exis iam o a da es e a de ação ou de in luência
da supe po ência que e am os Es ados Unidos, cujas ações e am, po sua ez, in luenciadas
pelas dinâmicas idiossinc á icas dos sis emas egionais a im de cons ange o su gimen o de
13
uma po ência com capacidades pa a desa ia o seu p óp io es a u o de supe po ência ou pa a
coloca em causa a segu ança dos países insc i os na zona geog á ica em ques ão. In e esses
globais e capacidades pa a p ojeção a ní el plane á io pe mi iam a Washing on «a bi a a
compe ição e os con li os en e as po ências eme gen es ao ní el egional e in e - egional»
(Gaspa , 2016, 19).
Embo a Ca los Gaspa a i me que os Es ados Unidos desempenha am es e papel de
in e mediá io assegu a em que nenhuma des as po ências egionais conseguia adqui i o ça
ma e ial su icien e pa a en a sub e e a es u u a do sis ema in e nacional e, po
conseguin e, coloca em causa – ainda que em e mos p á icos isso osse i ualmen e
inconc e izá el – o es a u o in e nacional dos Es ados Unidos, as mo i ações no e-
ame icanas ão além da pu a ealpoli k e dos cálculos de pode . Como é comp o ado pela
a uação dos Es ados Unidos no p ocesso de desnuclea ização da Uc ânia e da ans e ência
de a mas nuclea es das ex- epúblicas so ié icas pa a a Rússia, o obje i o de Washing on não
e a somen e impedi que uma g ande po ência pudesse eme gi dos sis emas in e nacionais
egionais e ameaça o seu es a u o no sis ema in e nacional. Se assim osse, os Es ados
Unidos e -se-iam opos o à ans e ência de a mas nuclea es pa a a Rússia e ao seu
econhecimen o in e nacional como o único legí imo he dei o da União So ié ica e ao seu
econhecimen o egional como única po ência nuclea na Eu opa de Les e.
O papel de in e mediá io dos Es ados Unidos em como p incipal obje i o aplaca con li os
que possam ex a asa a es e a egional de o igem e deses abiliza ou as egiões onde os a
po ência no e-ame icana possa e in e esses a p o ege e que ica iam ameaçados.
A e cei a g ande ans o mação e i icou-se ao ní el polí ico-ideológico. A Gue a F ia
icou ma cada po uma incada di isão ideológica en e os dois blocos compe ido es que
p econiza am dois modelos de o ganização in e nacional díspa es: de um lado es a a a
aliança das democ acias ociden ais libe ais lide ada pelos Es ados Unidos; do ou o o bloco
das epúblicas socialis as so ié icas lide ado pela URSS. Os dois campos de endiam
conceções uni e salis as do sis ema in e nacional inconciliá eis, que, aliadas à pe ceção do
ou o lado como um inimigo que p ocu a a sub e e a es abilidade in e nacional, cons i uiu
um a o indispensá el pa a o p olongamen o do con li o bipola . Con udo, com o inal da
Gue a F ia, o polo comunis a deixou de e a p eponde ância de ou o a, desequilib ando a
14
balança ideológica a a o dos Es ados Unidos, o que ez p e alece no sis ema in e nacional
os alo es libe ais de endidos pela aliança ociden al.
O im des e hia o ideológico o nou possí el a ha monia polí ica e ideológica in e nacional.
Con udo, c eio que pode á se excessi o e es a ans o mação enquan o a «homogeneidade
polí ica» (Gaspa , 2016, 20) do sis ema in e nacional, de endo an es e -se es a mudança
como uma con e gência ideológica, is o que a eme gência de no os sis emas in e nacionais
egionais mos a-nos que alguns países exe ciam p á icas que não se enquad a am nos
alo es de endidos pelos Es ados Unidos, como a China ou a Rússia. Não obs an e o ac o
de o modelo libe al democ á ico ociden al e passado a se «a e e ência indispensá el da
legi imidade in e nacional» (Gaspa , 2016, 20), ainda exis iam alguns países que esis iam
em ado a es es p incípios e que p ocu a am as suas p óp ias on es de legi imidade no
âmbi o dos sis emas in e nacionais egionais.
Não podemos ambém sub alo iza o ac o de que o im da Gue a F ia ez com que o modelo
dico ómico “libe alismo-comunismo” deixasse de se a única o ma possí el de e o mundo.
O im da bipola idade esul ou na concen ação sem p eceden es de capacidades ma e iais
num único polo, mas de emos ambém e em con a que a ans o mação da es u u a do
sis ema in e nacional oi acompanhada pelo ompimen o dos cons angimen os ideológicos
que ha iam ag ilhoado an os países aos alo es das po ências compe ido as, que apenas
ap esen a am duas escolhas: libe alismo ou comunismo. Po isso, o inal da Gue a F ia ab iu
as po as ao su gimen o da di e si icação cul u al, algo que de e emos en ende como um
ac o co obo ado pelo su gimen o dos sis emas in e nacionais egionais que e idencia am
a inidades cul u ais e ideológicas especí icas, possibili ando a con e gência de in e esses e
iden idades e cons i uindo «sis emas secu i á ios “coope a i os”, nos quais os Es ados se
iden i icam posi i amen e uns com os ou os de o ma a que a segu ança de um é en endida
como a esponsabilidade de odos» (Wend , 1992, 391).
Além disso, a queb a do jugo so ié ico na Eu opa de Les e deu o igem a á ios países que,
ao inal de décadas de op essão e condicionamen o, uma ez mais es a am no comando dos
seus p óp ios des inos e da cons ução das suas p óp ias iden idades e in e esses. Es a no a
con igu ação egional es e e na aiz de con li os é nicos en e países que eclama am
unidade nacional e econhecimen o in e nacional no ácuo deixado pela União So ié ica.
15
Apesa da p eponde ância dos alo es libe ais ao ní el mac o, g ande pa e dos países da
Eu opa de Les e não inha qualque legado de expe iência democ á ica que os pudesse
o ien a no mundo pós-so ié ico, acabando po degene a em di adu as xenó obas que
pe pe a am massac es é nicos em nome da de esa da in eg idade nacional.
Uma ez mais, não de emos olha o pós-Gue a F ia enquan o um momen o de
“homogeneização polí ica”, mas sim como uma “con e gência ideológica” en e mundos
an es sepa ados po mu os e isões incompa í eis. De emos e o pós-Gue a F ia como uma
ap oximação, sim, mas nunca como uma iden i icação absolu a, pois o im do con li o bipola
iluminou a di e sidade cul u al que an es es a a ocul a pela o ça dos dois blocos
conco en es.
Ana quia in e nacional e a p eeminência no e-ame icana
De um pon o de is a cons u i is a, a ana quia do sis ema in e nacional é uma es u u a
cons uída pelas e apenas exis indo no âmbi o das in e ações en e os Es ados, ca ac e izadas
pela coope ação ou pela compe ição, e p essupõe um es ado de ausência de uma au o idade
sup anacional que enha capacidade e legi imidade pa a sup imi a sobe ania dos Es ados e
aze p e alece a sua p óp ia on ade. Apesa de a na u eza aná quica do sis ema
in e nacional pode se conside ada um pon o de ela i o consenso en e as p incipais escolas
de pensamen o eó ico das Relações In e nacionais, a chegada dos Es ados Unidos ao es a u o
de supe po ência num sis ema mul ipola izado con ida-nos a uma e lexão: se á possí el
man e a ana quia num sis ema in e nacional dominado po uma supe po ência que pode
in e i globalmen e de o ma a di undi os seus alo es e a aplaca dissensos que possam
coloca em causa o seu es a u o? Es a é uma ques ão que nos de emos coloca quando
olhamos pa a o inal da Gue a F ia.
Tan o a escola ealis a como a escola libe al olham o mundo endo como pano de undo a
conside ação de que o sis ema in e nacional é ine en emen e aná quico e que condiciona os
Es ados a agi em egois icamen e em con o midade com os seus p óp ios in e esses e
desígnios. Além disso, ambas as escolas a i mam que a ana quia in e nacional p opicia o
16
con li o, embo a ealis as e libe ais di i jam ela i amen e ao g au de in luência que a
ana quia em sob e as ações dos Es ados.
No en an o, como se pode e i ica , an o os ealis as como os libe ais não o am capazes de
p e e o im da Gue a F ia (Wal , 1998, 32), e êm algumas di iculdades em explicá-lo, o
que, po si só, e idencia as agilidades des as co en es eó icas. Po ou o lado, o
cons u i ismo de ende que a Gue a F ia e a um modelo de expec a i as e conhecimen os
pa ilhados en e dois agen es – Es ados Unidos e União So ié ica – e que, al como odas as
cons uções sociais, apenas exis ia no con ex o de um p ocesso de in e ação, ou seja,
enquan o ambos os agen es con inuassem a agi em con o midade com esse modelo. A pa i
do momen o em que os polos con li uan es deixa am de se e enquan o inimigos mo ais
incon o ná eis, os conhecimen os e expec a i as pa ilhados en e os dois polos
ans o ma am-se, azendo os dois países abandona em o modelo de in e ação bipola de
na u eza compe i i a, e minando, assim, a Gue a F ia.
Depois da Segunda Gue a Mundial, os Es ados Unidos ica am inequi ocamen e numa
posição de supe io idade es a égica, embo a numa escala meno do que a posição que
consegui am assumi com o im do con li o bipola . Uma supe io idade não apenas
ela i amen e ao conco en e comunis a mas ambém ela i amen e aos seus aliados
eu opeus. Depois de duas gue as in ensas e sang en as que ge a am milhões de í imas
mo ais, con e e am a ace da Eu opa num museu de uínas e o am a ais pa a as economias
do “Velho Con inen e”, os Es ados Unidos assumi am o papel de lide ança das democ acias
do Ociden e, ocupando um luga que em empos idos es i e a nas mãos do Reino Unido.
Com o inal da Gue a F ia, com uma no a in luência no mundo e apoiados pelas po ências
eu opeias ( ela i amen e e ei as dos impac os das Gue as Mundiais), os Es ados Unidos
c ia am uma no a o dem in e nacional à sua imagem e semelhança. Essa no a o dem inha
o seu oco cen ípe o na Amé ica do No e e, de aco do com G. John Ikenbe y, e a «uma
o dem cons uída em o no do ap o isionamen o ame icano de segu ança e bens públicos
económicos, eg as e ins i uições mu ualmen e aco dadas, e p ocessos polí icos in e a i os
que dão aos Es ados uma oz na condução do sis ema» (Ikenbe y, 2005, 137).
Mas há que pe cebe a polí ica ex e na dos Es ados Unidos, nos anos imedia amen e depois
do im da Gue a F ia, pau a a-se po um “en ol imen o sele i o”, ou selec i e engagemen ,
17
nos assun os in e nacionais. Es a pos u a espelha a uma es a égia de in e encionismo
comedido, que inha como obje i o p incipal a con enção de despesas na á ea da De esa e
concen a es o ços em geog a ias e egiões que ealmen e caiam na es e a dos in e esses
i ais dos Es ados Unidos. No en an o, é impossí el disco da que a o dem i mada com o
im da Gue a F ia e a de na u eza mul ila e al e pa icipa i a, embo a essa pa icipação
es i esse ese ada às democ acias es abelecidas da Eu opa ociden al e aos Es ados Unidos.
Essa he mi icidade só oi ealmen e ompida em 1999, quando a Polónia, a Hung ia e a
República Checa passa am a aze pa e da NATO como memb os e e i os.
Os Es ados Unidos saí am do pe íodo da Gue a F ia enquan o um país sem i al em ma é ia
de o ça ma e ial (mili a , económica, ecnológica), o que lhe con e iu á ias an agens,
nomeadamen e ao ní el da in e enção além- on ei as, da negociação com ou os países e
do cump imen o dos aco dos in e nacionais. Apesa de conside a que a o dem cons i uída
pelos Es ados Unidos o na a impossí el a c iação de um impé io no e-ame icano, de ido,
po exemplo, aos cons angimen os ao pode codi icados no di ei o in e nacional e em
ins i uições como a ONU ou a NATO, Ikenbe y econhece que «as massi as an agens de
pode da Amé ica ealmen e dão à o dem um pendo hie á quico» (Ibid.). O au o , pa idá io
do libe alismo, chega mesmo a a i ma que a hegemonia é um géne o de o denamen o
in e nacional hie á quico.
Ademais, o papel de “polícia do mundo” que in es iu os Es ados Unidos da legi imidade pa a
in e i no es angei o semp e que a o dem in e nacional libe al – imbuída dos alo es que
cons i uem o ma e ial gené ico dos p óp ios Es ados Unidos – es i esse ameaçada po o ças
que a p ocu assem sub e e , é um que mais nenhum ou o país inha capacidade (ou on ade)
pa a desempenha e um que pode á e colocado o sis ema in e nacional no caminho da
hie a quia.
No en an o, há quem conside e que o inal da Gue a F ia e o desapa ecimen o da ameaça
so ié ica eio plan a a semen e da deso ien ação no deba e sob e a polí ica ex e na no e-
ame icana na no a e a.
Em 1992, Alexande Wend a i ma que, sem o modelo elacional de compe i i idade
es a égica bipola dado pela Gue a F ia pa a de ini as suas iden idades, os Es ados Unidos
e a Rússia «pa ecem ince os ace ca de quais de em se os seus “in e esses”» (Wend , 1992).
18
Es a é uma análise pa ilhada po S ephen Wal , que conside a que «os Es ados Unidos gozam
de emenda in luência mas êm pouca noção sob e o que aze com o seu pode ou a é sabe
que g au de es o ço de em empenha » (Wal , 2000, 65). A is o o au o chama de “o pa adoxo
cen al da unipola idade”.
Vis as bem as coisas, du an e décadas as polí ica ex e na dos Es ados Unidos inha um único
oco, a União So ié ica. Com o desapa ecimen o desse elemen o o ien ado , e conside ando
ambém que o im da Gue a F ia chegou como uma su p esa pa a os no e-ame icanos e pa a
os seus aliados ociden ais, não é de es anha que se ins alasse algum g au de con usão nos
co edo es da Casa B anca e em Washing on em ge al.
Po ém, a i ma que os Es ados Unidos não sabiam o que aze pa ece-me uma conclusão um
pouco ebuscada, conside ando que exis ia um obje i o mui o cla o: cimen a o es a u o de
supe po ência e di undi po odo o mundo os p incípios libe ais. Pe an e es a cons a ação
não se de e in e i que os Es ados Unidos ado a am um pos u a in e nacionalis a messiânica.
De e, sim, in e p e a -se que os Es ados Unidos que iam amplia a es e a de países que se
egiam pelos mesmo alo es e p incípios sob e os quais assen a a a o dem in e nacional
libe al que nasceu do im da Segunda Gue a Mundial, que passou pela Gue a F ia e que se
consolidou com o im da União So ié ica. Pa a alcança esse obje i o e demons a a o ça
do libe alismo sob e o comunismo, os Es ados Unidos inham de, acima de udo, en a
con e e a Rússia numa democ acia que se ap oximasse o máximo possí el dos modelos
seguidos pelas democ acias consolidadas do Oes e eu opeu.
As dinâmicas de egionalização ambém são impo an es pa a melho se pe cebe que não
exis ia p op iamen e uma deso ien ação dos Es ados Unidos, mas an es um in e encionismo
sele i o nos assun os de além- on ei as.
Com a dissolução da União So ié ica e a consequen e conclusão do con li o bipola ,
começa am a su gi complexos egionais de na u eza secu i á ia e económica, como na
Amé ica do Sul ou na Ásia-Pací ico. Es as es u u as egionais cong ega am países de uma
mesma dimensão geog á ica e p ocu a am ap o unda elações económicas e de segu ança,
bem como p omo e a au onomia da egião ace às ins i uições do hemis é io ociden al,
dominadas pelos Es ados Unidos.
19
Es as dinâmicas o na am-se mais isí eis com o im da Gue a F ia, que di idiu o mundo
em dois g andes blocos con li uan es, p a icamen e eclipsando os egionalismos.
Pos o is o, no pós-Gue a F ia encon amo-nos pe an e um sis ema in e nacional lide ado
pelos Es ados Unidos que é odeado po múl iplos sis emas in e nacionais egionais. Os
Es ados Unidos, sem o al o único que ha iam ido du an e os úl imos 50 anos pa a di eciona
as suas a enções e es o ços, de ine uma polí ica ex e na mul i u cada, ou seja, que em á ios
al os, e não apenas um. Po isso, o que alguns omam como sendo con usão ou deso ien ação
é, na ealidade, me a dispe são de a enções, que se ocam em ques ões egionais ao in és de
num só pon o geog á ico.
Na Eu opa ociden al, a sin onia iden i á ia e de in e esses en e os Es ados Unidos e os países
eu opeus, complemen ada pela incapacidade económica e polí ica da Eu opa pa a lide a a
cons i uição de uma no a o dem in e nacional pós-Gue a F ia e a é mesmo pa a ga an i a
sua p óp ia segu ança, ize am com que os aliados eu opeus dessem a Washing on “ca a
b anca” pa a o ques a a no a o dem e pa a in e i em odos os cená ios in e nacionais em
de esa da o dem in e nacional libe al, a uando como juiz de dispu as egionais e mi igando
con li os que possam coloca em causa a segu ança e a es abilidade da egião. Esse papel
pode se e i icado du an e o p ocesso de desnuclea ização da Uc ânia, em que os Es ados
Unidos agi am como in e mediá io en e Kie e Mosco o, que não se en endiam
ela i amen e aos e mos da ans e ência pa a a Rússia as a mas nuclea es que a Uc ânia
inha no seu e i ó io.
A conjugação de odos es es a o es ez dos Es ados Unidos, no inal da Gue a F ia, uma
espécie de en idade sup anacional de ac o. No inal da Gue a F ia, Washing on inha uma
capacidade inigualá el de in luência nas polí icas in e nas de ou os países. Es a capacidade
ica, desde logo, e idenciada na capacidade que os Es ados Unidos i e am pa a apoia as
e o mas económicas e polí icas na Rússia, mesmo quando a oposição a Bo is Iél sin
eclama a o e o no do comunismo impe ialis a. Ou o exemplo, é o papel desempenhado
pelos Es ados Unidos nas negociações sob e a desnuclea ização da Uc ânia, em que, a a és
de assis ência inancei a e p essão polí icas, a Adminis ação Clin on conseguiu assegu a
que as a mas nuclea es uc anianas he dadas da URSS e am desman eladas ou en egues à
26
e lexos desse e aimen o es a égico no e-ame icano no es angei o, e ao mesmo empo é
uma o ma de os Es ados Unidos consegui em man e a sua in luência em egiões c uciais
pa a os in e esses no e-ame icanos, de co a despesas com ope ações e des acamen os em
egiões de meno impo ância pa a a sua segu ança e de não cai , pelo menos absolu amen e,
na desg aça da opinião pública nem dos epublicanos do Cong esso. «A es a égia de Clin on
é uma de hegemonia a baixo cus o, pois essa é a única que o po o ame icano es á mais
inclinado pa a apoia » (Wal , 2000, 79).
Compa a i amen e ao seu an ecesso Geo ge H. W. Bush, o p esiden e democ a a Bill
Clin on ope ou eduções não negligenciá eis ao ní el dos gas os da De esa. Du an e a sua
p esidência, Clin on gas ou ce ca de menos 75,6 biliões de dóla es em De esa do que o
epublicano que o an ecedeu no ca go, o que deno a um e aimen o es a égico da no a
Adminis ação.
Es a endência de edução da despesa com a á ea da De esa es á cla amen e pa en e nas duas
p imei as es a égias de segu ança nacional da Adminis ação Clin on, cuja essência adica
nos concei os de engagemen e enla gemen . Nes es documen os es a égicos, a Casa B anca
sublinha que implemen ou uma sé ie de medidas, como po exemplo as eduções de
a mamen o p e is as nos aco dos START, pe mi em con e os gas os e eduzi o chamado
es ablishmen mili a e canaliza os ecu sos inancei os pa a dinamiza ou as indús ias não
mili a es.
27
III. Bill Clin on: con inuidade e lide ança no mundo pós-Gue a F ia
A 20 de janei o de 1993, William Je e son Clin on, de cos as pa a a achada oes e do
Capi ólio, oma a posse enquan o 42.º P esiden e dos Es ados Unidos da Amé ica e como o
p imei o che e de Es ado no e-ame icano a se elei o depois do inal da Gue a F ia. Clin on
inha nas mãos o pode pa a de ini a no a iden idade da maio po ência mundial e pa a
de ini o seu papel no âmbi o da comunidade das nações.
No discu so inaugu al do seu p imei o manda o, Bill Clin on decla ou que «A nossa
democ acia não de e apenas se a in eja do mundo mas o mo o da nossa p óp ia ein enção»
(Clin on, 1993). O ecém-elei o p esiden e da maio po ência mundial do pós-Gue a F ia
econheceu que o desapa ecimen o da ameaça so ié ica pôs im a «uma elha o dem» e que
«o no o mundo é mais li e». Po ém, o Che e de Es ado es a a cien e de que o mundo que
esul ou do inal da Gue a F ia e a ambém «menos es á el» e que o é mino do con li o
bipola «e idenciou elhas animosidades e no os pe igos», algo que, aos olhos do p esiden e
no e-ame icano, ob iga a a uma só conclusão: «a Amé ica de e con inua a lide a o mundo
que em an o con ibuímos pa a cons ui » (Ibid.).
Ao longo de odo o discu so pode cons a a -se a epe ição da pala a enewal (“ eno ação”
em po uguês, de aco do com o dicioná io da Camb idge Uni e si y P ess) ou de a ian es,
num o al de oi o ezes. É possí el pe cebe que os Es ados Unidos en en a am um
momen o de ede inição do seu luga no sis ema in e nacional e da sua iden idade, que já não
e a cons uída endo a URSS e o bloco comunis a como con apon os. Ao longo de décadas,
a ameaça do expansionismo so ié ico inha se ido de pe missa pa a a p eponde ância dos
Es ados Unidos no comba e ao comunismo e à União So ié ica, is o que apenas Washing on
inha capacidades ma e iais que lhe pe mi ia aze en e a Mosco o e obs aculiza as suas
ambições impe ialis as e expansionis as.
Assim, na mad ugada de uma no a es u u a do sis ema in e nacional, Clin on ea i ma a a
impo ância de se em os Es ados Unidos a oma as édeas da cons ução do no o mundo,
icando semp e à cabeça de odas as mesas de negociações, de o ma a pode p o ege os seus
in e esses nacionais e in e nacionais, bem como pa a pode aplaca quaisque en a i as de
sub e são da sua posição no sis ema in e nacional do pós-Gue a F ia.
28
No que oca à o ma como os Es ados Unidos i iam in e i no es angei o, o discu so não
en a a em po meno es, apenas indicando que «Quando os nossos in e esses i ais o em
desa iados ou a on ade e a consciência da comunidade in e nacional o am ameaçadas, nós
agi emos, a a és da diplomacia pací ica quando possí el, com a o ça quando necessá io»
(Clin on, 1993).
Fo am escassas as e e ências a países es angei os. É impo an e no a que não hou e
qualque e e ência di e a à União So ié ica ou à Rússia (apenas ao comunismo, pala a que
é e e ida duas ezes ao longo de oda a in e enção) nem aos países independen es
esul an es da dissolução do bloco comunis a de Les e, endo Clin on apenas e e ido o Gol o
Pé sico e a Somália pa a lou a o abalho desen ol ido pelas o ças mili a es no e-
ame icanas nessas egiões do mundo. Tal ez enha sido o obje i o de Clin on oca as
a enções dos no e-ame icanos e dos aliados no u u o, no pós-Gue a F ia, i ando a página
do con li o bipola .
29
IV. “En ol imen o e Ala gamen o”: a es a égia dos EUA pa a o pós-
Gue a F ia
A mesma escassez de e e ências à Rússia, a he dei a de ac o da União So ié ica, não é
obse á el na Es a égia de Segu ança Nacional dos Es ados Unidos publicada em julho de
1994 pela Casa B anca. Es a é a p imei a Es a égia de Segu ança Nacional da p esidência
de Bill Clin on, e es abelece o posicionamen o dos Es ados Unidos no mundo pós-Gue a
F ia.
Pa a o pós-Gue a F ia, a Adminis ação Clin on desen ol eu uma es a égia de
“En ol imen o e Ala gamen o”, ou Engagemen and Enla gemen na língua inglesa o iginal.
Es a é uma es a égia que em como obje i o cimen a a supe io idade es a égica dos Es ados
Unidos num sis ema in e nacional que não es á mais sob a somb a da ameaça de um con li o
nuclea , em que as ambições e aios de ação dos an igos i ais es ão ci cunsc i os a dimensões
egionais e em que não exis e mais a necessidade pa a que os Es ados Unidos dispensem
ecu sos nacionais – cada ez mais pa cos – pa a es ende p o eção aos aliados e ou os
go e nos companhei os de a mas da Gue a F ia.
Ademais, es a es a égia de "En ol imen o e Ala gamen o" isa c ia uma base jus i ica i a
pa a a con inuação da p esença de o ças mili a es no e-ame icanas no es angei o, mesmo
depois do desapa ecimen o da ameaça so ié ica - algo que exige o obus ecimen o do
o çamen o da De esa e o aco do de ambos os pa idos no Cong esso - e pa a a expansão do
que a Adminis ação Clin on chama de «comunidade das nações democ á icas», algo que é
essencial à consolidação da o dem in e nacional libe al e dos alo es no e-ame icanos no
ex e io , bem como ao obus ecimen o da economia dos Es ados Unidos e à c iação de
emp ego a a és do acesso a cada ez mais me cados es angei os.
Bill Clin on omou a lide ança dos Es ados Unidos num momen o de ela i a in ulga idade
do sis ema in e nacional: a União So ié ica ha ia desapa ecido, os Es ados Unidos es a am
na posse de capacidades – an o ma e iais como ideológicas – que não conseguiam se
i alizadas po nenhuma ou a g ande po ência e a sua in luência polí ica es endia-se da Ásia-
Pací ico ao con inen e eu opeu.
30
No en an o, sem a ameaça da URSS pa a es abelece o no e da sua bússola de polí ica ex e na,
Clin on, al como se ia de espe a , eo ien ou as p io idades da Casa B anca: edução da
p esença mili a no es angei o e concen ando-a em egiões-cha e (como a Ásia-Pací ico e
a Eu opa); maio oco nas ques ões in e nas, como a edução do dé ice no e-ame icano e a
escassez de emp egos; o alecimen o do modelo de o denamen o in e nacional de na u eza
libe al que b o ou do inal da II Gue a Mundial e que se conseguiu conse a , na sua essência,
depois do inal do con li o bipola en e a União So ié ica e os Es ados Unidos.
A Es a égia de Segu ança Nacional de 1994, a p imei a di ulgada pela no a Adminis ação
democ a a, es ipula ês g andes obje i os: o alecimen o das o ças mili a es de o ma a que
os Es ados Unidos possam in e i ápida e acilmen e nas egiões de maio in e esse
nacional; e i alização da economia e abe u a de me cados ex e nos; p omoção da
democ acia além- on ei as, com is a ao aumen o do núme o de países democ á icos. Pa a
Clin on, es es ês mac o-obje i os es ão in imamen e in e ligados e são mu uamen e
capaci ado es, na medida em que «Nações segu as êm maio p opensão pa a apoia o
comé cio li e e man e es u u as democ á icas. Nações com economias em c escimen o e
o es laços come ciais êm maio p opensão pa a se sen i segu as e abalha em p ol da
libe dade. E Es ados democ á icos êm meno p opensão pa a ameaça os nossos [dos EUA]
in e esses e maio p opensão pa a coope a com os EUA com is a a da espos a a ameaças
à segu ança e a p omo e o desen ol imen o sus en á el» (The Whi e House, 1994, i-ii).
Clin on sublinha a indispensabilidade sem p eceden es da lide ança dos Es ados Unidos, cuja
igilância e p esença além- on ei as são conside adas o ga an e da es abilidade in e nacional
e a p o eção das democ acias con a as ameaças que as p e endem sub e e e que adqui em
no as o mas no pós-Gue a F ia (como o e o ismo, a deg adação do meio ambien e,
ambições e isionis as po pa e da China e da Rússia e a disseminação de a mamen o com
capacidades de des uição de massas).
Pa a conse a a sua pe inência no ea o in e nacional e pa a jus i ica a con inuação da
p esença das suas o ças mili a es no es angei o, os Es ados Unidos p ecisam de decla a a
sua lide ança como a única linha de de esa das democ acias ace às ameaças que, embo a já
não i essem a ca a do comunismo, p oli e a ão sem a in e enção de Washing on.
31
No P e ácio da Es a égia de Segu ança Nacional de 1994, Clin on a i ma que, apesa de os
Es ados Unidos já não en en a em a ameaça so ié ica do passado, «ainda subsis e um leque
de no os e elhos desa ios secu i á ios que a Amé ica de e ende eça à medida que nos
ap oximamos de um no o século» (The Whi e House, 1994, 1).
Clin on sublinha a necessidade da lide ança no e-ame icana da no a o dem in e nacional e
o seu papel indispensá el enquan o ga an e da es abilidade in e nacional. A Adminis ação
no e-ame icana ac edi a que o im da Gue a F ia não exige uma e i ada dos Es ados Unidos
dos assun os in e nacionais.
Os Es ados Unidos p e endem exe ce uma «diplomacia p e en i a» (The Whi e House,
1994, 5), a a és do apoio às democ acias, de assis ência económica, da p esença de o ças
mili a es no e-ame icanas no es angei o, de con ac os en e o ças mili a es e de
negociações mul ila e ais.
Con udo, a lide ança e en ol imen o dos Es ados Unidos é condicional, de endo Washing on
canaliza os seus es o ços e ecu sos pa a assun os que digam di e amen e espei o aos
in e esses no e-ame icanos e que nos quais a sua a uação possa ealmen e aze a di e ença.
A p omoção da democ acia – ou, po ou as pala as, o apoio ao desen ol imen o e
consolidação de democ acias de me cado – é um dos lados do iângulo que dá co po à
p imei a es a égia de segu ança nacional a qui e ada pela Adminis ação Clin on. Es e apoio
concen a-se, sob e udo, na «p ese ação de p ocessos democ á icos em Es ados
democ á icos eme gen es essenciais, incluindo a Rússia, a Uc ânia e os ou os no os Es ados
da an iga União So ié ica» (Ibid.).
O aumen o da es e a dos países com egimes democ á icos, es e a essa encabeçada po
Washing on, é is o como um elemen o indispensá el à segu ança nacional no e-ame icana.
Os Es ados Unidos a i mam es a empenhados em concede apoio à ansição económica e
polí ica nas an igas epúblicas comunis as, em ma é ia de cons i uição de ins i uições de
democ á icas e de abe u a de me cados. «Todos os in e esses es a égicos da Amé ica (...)
são cump idos a a és do ala gamen o da comunidade das nações democ á icas e de me cado
li e» (The Whi e House, 1994, 19-20).
32
Apesa de assumi a lide ança do desen ol imen o da no a o dem pós-Gue a F ia, os
Es ados Unidos econhecem que não conseguem alcança os seus obje i os unila e almen e,
e sublinham a impo ância de solução coope a i as e mul ila e ais e da nu ição de « elações
du adou as com aliados e ou as nações amigas» (The Whi e House, 1994, 6).
Mas es a a i mação da indispensabilidade da con e gência de es o ços in e go e namen ais
pa a assegu a a segu ança cole i a con as a com a decla ação de que «pa a dissuadi a
ag essão, p e eni a coe ção de aliados ou go e nos amigos e, em úl ima ins ância, ence a
ag essão caso ela oco a, nós [Es ados Unidos] p ecisamos de p epa a as nossas o ças pa a
en en a es e ní el de ameaça, p e e encialmen e em conce o com os nossos aliados, mas
unila e almen e se necessá io» (The Whi e House, 1994, 7). O binómio unila e alismo-
mul ila e alismo é e iden e nes a es a égia de segu ança nacional, e pode á ad i do ac o
de os Es ados Unidos deseja em conduzi a no a o dem in e nacional enquan o a única
supe po ência mundial, ao mesmo empo que econhecem a necessidade de um e aimen o
es a égico que de e á da luga a um en ol imen o mais sele i o e a necessidade de
pa ilha em essa lide ança (bem como os cus os associados) com os países aliados e go e nos
amigos, que, em ce as ci cuns âncias e em ce as ques ões, podem es a melho capaci ados
pa a a ua .
A in e enção dos Es ados Unidos em ques ões além- on ei as es á, acima de udo,
dependen e dos in e esses nacionais. Só quando os «in e esses i ais ou de sob e i ência»
es i e em sob ameaça, «o uso da nossa o ça se á decisi o e, se necessá io, unila e al» (The
Whi e House, 1994, 10). Nos es an es casos, em que a ameaça aos in e esses nacionais não
seja ão p emen e, os Es ados Unidos a ua ão cau elosamen e, median e um en ol imen o
mili a sele i o.
No que oca à ação mul ila e al, mais especi icamen e, a Adminis ação Clin on assegu a que
os Es ados Unidos p ocu a ão, semp e que possí el, o apoio dos aliados. Po ém, em ma é ias
que digam espei o di e amen e aos in e esses dos aliados, os Es ados Unidos exigem que os
aliados assumam um papel mais p eponde an e e mais a i o nas inicia i as conjun as.
33
V. Es ados Unidos e a Rússia: a anços, ecuos e uma elu ância
cau elosa
Com o colapso da União So ié ica, os Es ados Unidos p ecisam de ajus a os seus
impe a i os secu i á ios de o ma a acomoda em as epúblicas que esul a am da dissolução
do bloco comunis a de Les e.
A Adminis ação Clin on econhece que «o u u o da Rússia é ince o» e que os no os
Es ados independen es «es ão a expe iencia dolo osas ansições económicas e polí icas»
(The Whi e House, 1994, 1). Pa a in eg a es es países ecen emen e independen izados na
eia do sis ema in e nacional libe al ociden al, a O ganização do T a ado do A lân ico No e
(NATO) é uma peça essencial da es a égia de expansão da comunidade das democ acias.
Assim, em janei o de 1994, uma cimei a da NATO con ocada po Bill Clin on ap o ou as
Pa ce ias pa a a Paz (P P), um mecanismo de coope ação mili a e polí ica que isa
ap oxima as an igas epúblicas so ié icas e comunis as de Les e das democ acias do
Ociden e, sem, con udo, in eg á-las comple amen e na Aliança A lân ica como memb os
e e i os. O documen o es a égico indica que, en e janei o e julho de 1994, 21 países
ade i am às P P, incluindo a Rússia.
Não sendo uma in eg ação p op iamen e di a na NATO, as P P são uma o ma de
ala gamen o da comunidade das democ acias, a a és da in eg ação pa cial dos an igos
memb os do Pac o de Va só ia na NATO. Clin on a i ma que as P P são meio caminho
andado pa a a in eg ação e e i a na NATO, cuja expansão é um obje i o cla o dos Es ados
Unidos. Con udo, não se p e ende com as P P cindi uma ez mais a Eu opa em dois blocos,
mas sim «ala ga a es abilidade, a democ acia, a p ospe idade e a coope ação secu i á ia a
uma mais ampla Eu opa» (The Whi e House, 1994, 22).
O obje i o é ga an i a es abilidade, a segu ança, a libe dade e a democ acia do con inen e
eu opeu, pa a que, conjun amen e com os Es ados Unidos, seja possí el «man e a paz e
p omo e a p ospe idade» (The Whi e House, 1994, 21).
Adicionalmen e, os Es ados Unidos ac edi am que a cons i uição de ins i uições
democ á icas nas an igas epúblicas comunis as é a melho o ma de da espos a «ao
34
nacionalismo ag essi o e aos ódios é nicos despole ados pelo im da Gue a F ia»(The Whi e
House, 1994, 23). É impo an e no a que, não su p eenden emen e, o apoio dos Es ados
Unidos à ansição democ á ica na Rússia e na es an e ex-URSS depende da manu enção do
comp omisso des es países pa a com o espei o dos di ei os dos seus cidadãos, dos di ei os
dos seus países izinhos, dos di ei os das mino ias ab angidas pelas suas on ei as e,
na u almen e, pa a com o en aizamen o da democ acia nos seus e i ó ios. «Em mais
nenhum lado é o sucesso da democ acia mais impo an e pa a nós [Es ados Unidos] do que
nes es países» (Ibid.).
Pa a os Es ados Unidos, a democ a ização da Rússia é uma ques ão de segu ança, nacional e
in e nacional, conside ando que a dissolução da União So ié ica despole ou a disseminação
de a mamen o nuclea na Eu opa de Les e. A Adminis ação Clin on a i ma que as ações
conce adas en e os Es ados Unidos, a Rússia, a Uc ânia e os ou os Es ados da an iga URSS
(nomeadamen e a Bielo ússia e o Cazaquis ão) são essenciais pa a mi iga a p oli e ação de
a mamen o nuclea e pa a assegu a o cump imen o dos aco dos in e nacionais que o am
assinados sob e es a ma é ia.
Os Es ados Unidos conside am que as a mas de des uição massi a (nuclea es, biológicas e
químicas), bem como os meios pa a o seu lançamen o, são a maio ameaça à sua segu ança
e à segu ança dos seus aliados e go e nos amigos.
Os Es ados Unidos ambém p e endiam que a Uc ânia en egasse à Rússia as ogi as nuclea es
que inha em sua posse, a a és da implemen ação de um Aco do T ila e al, sendo, po isso,
compensada pela Rússia.
A um empo, Washing on de endia a necessidade de edução quan i a i a – e e en ual
enúncia – das a mas de des uição massi a e sublinha a que conse a ia um a senal
su icien e pa a dissuadi ou os de aze em uso das suas a mas de des uição massi a. Po
ou as pala as, os Es ados Unidos decla a am-se no di ei o de possui um dissuaso nuclea
em p ol da es abilidade e segu ança in e nacionais, a im de man e uma supe io idade
es a égica ace, po exemplo, à Rússia, a segunda maio po ência nuclea do pós-Gue a F ia.
35
VI. O degelo: Es ados Unidos e Rússia, de inimigos a pa cei os
coope an es
Com o inal da Gue a F ia, os Es ados Unidos, ago a sob a lide ança de Bill Clin on, o
p imei o p esiden e no e-ame icano elei o no mundo que eme giu depois do é mino do
con li o bipola , assumem como p incípio basila da sua es a égia de polí ica ex e na, e endo
como pano de undo a ince eza do sucesso da ansição democ á ica pós-comunis a, a
in iabilização de um po encial con li o ci il na Rússia, he dei a da União So ié ica e, ao
mesmo empo, uma po ência nuclea .
Com a ans o mação do an igo ad e sá io so ié ico em pa cei o in e nacional –
nomeadamen e na á ea da con enção da p oli e ação de a mamen o nuclea e de mísseis –,
Clin on sen e-se cada ez mais p essionado, an o pelas eli es polí icas de Washing on como
pela p óp ia população, pa a muda o oco da Casa B anca pa a as ques ões in e nas, que ao
ní el económico, que social, abdicando do emp eendedo ismo além- on ei as e de
inicia i as in e nacionais. Com o des anecimen o do p incipal mo e pa a o in e encionismo
no e-ame icano – a con enção do inimigo comunis a no Les e da Eu opa –, a Casa B anca
acaba po coloca o pendo da sua a uação nas ques ões domés icas, p ecisamen e na al u a
em que os Es ados Unidos su gem como o p incipal ga an e da es abilidade in e nacional.
Não obs an e, é p eciso e p esen e que Clin on de endia que os Es ados Unidos p ecisa am
de con inua en ol idos no ex e io (engagemen ), embo a de o ma mais sele i a e
disc iminada, e de apos a no o alecimen o das suas o ças mili a es, com o im de a a
ameaças e, «quando necessá io», pa a in e i e de o a os inimigos. «Enquan o a Amé ica
se econs ói in e namen e, nós não ugi emos dos desa ios nem alha emos em ap o ei a as
opo unidades des e no o mundo» (Clin on, 1993).
A p imei a Es a égia de Segu ança Nacional que emanou, em 1994, da Casa B anca depois
do im da Gue a F ia, deixa, no en an o, cla as algumas con inuidades ace à polí ica ex e na
do an e io p esiden e, Geo ge W. H. Bush. A linha de con inuidade é acilmen e obse á el
no que diz espei o ao ala gamen o e ap o undamen o da comunidade de Es ados
democ á icos e de economia de me cado, não osse a pala a enla gemen , ou ala gamen o,
um dos lados do binómico escolhido po Clin on pa a de ini em poucas pala as o espí i o
42
Em julho de 1997, no âmbi o do Conselho do A lân ico No e, em Mad id, a Hung ia, a
República Checa e a Polónia são con idadas a in eg a a NATO e pela p imei a ez eúne-
se o Conselho Pe manen e Conjun o NATO-Rússia. Con udo, Iél sin decide ica de o a do
encon o, conside ando que um dos pila es undamen ais da polí ica ex e na ussa é a
conside ação de que a NATO é «a p incipal ameaça à segu ança da Rússia» (Gaspa , op. ci .
271).
A gue a na p o íncia sé ia do Koso o se e ambém pa a ilus a que as elações en e a
Rússia e a NATO, e consequen emen e os Es ados Unidos, não é pací ica nem acon ece de
igual pa a igual. Sem ob e um manda o do Conselho de Segu ança das Nações Unidas, a
Aliança A lân ica inicia uma campanha de bomba deamen os aé eos da Sé ia, um egime
socialis a aliado da Rússia, uma ação que Mosco o ce amen e e ia in iabilizado caso
i esse sido delibe ada em sede p óp ia e no con ex o mul ila e al do Conselho de Segu ança,
onde a Rússia em assen o enquan o memb o pe manen e e pode de e o de ini i o.
Iél sin en ende es e a aque unila e al da NATO como a queb a do p incípio da in iolabilidade
das on ei as que ca ac e iza a a o dem in e nacional do pós-Gue a F ia, e não poupou
c í icas à Aliança no escaldo do a aque. Não obs an e, a Rússia não ai deixa que es e
pe calço obs aculize a conquis a de uma posição de ele o no ea o in e nacional, e es a á
ao lado das o ças mili a es ocupan es da NATO na p o íncia secessionis a sé ia.
Po ém, o a aque aliado à Sé ia se i á de p e ex o pa a a con e gência da Rússia, da Índia
e da China na condenação da ação da NATO e na ei e ação do ca ác e absolu o do p incípio
da in iolabilidade da sobe ania dos Es ados. Com a ex ensão da NATO pa a Les e, a Rússia
p ocu a i ma uma posição de ele o jun o das po ências asiá icas e a i ma a sua
p eeminência no espaço que ou o a o a p eenchido pelas epúblicas socialis as leninis as
sob o comando de Mosco o.
43
VII. Expansão da NATO pa a Les e, a ques ão nuclea e as elações EUA-
Rússia
Du an e os p imei os anos que segui am no encalço do inal da Gue a F ia, as elações en e
os Es ados Unidos e a no a Rússia icam pau adas po um “degelo”, ela i amen e àquilo
que inha sido o elacionamen o en e Washing on e Mosco o so ié ica, uma elação na qual
pesa am décadas de i alidade, con on o ideológico, esg ima e ó ica e demons ações de
o ça.
Num mundo pós-Gue a F ia, os cen os dos dois an igos blocos con li uan es pa ecem
p ocu am uma ap oximação mú ua, a a és, po exemplo, da edução de a mas de des uição
massi a e de mísseis ou da coope ação. De e, no en an o, sublinha -se que es a ela i a, e
bas an e elu an e, con e gência dos Es ados Unidos e da Rússia em ce as ma é ias acon ece
po que, po um lado, Washing on p ocu a a consolida uma posição de p eeminência a ní el
in e nacional e uma p ojeção global sem obs áculos le an ados pelo sucesso da URSS, e
po que, po ou o lado, Mosco o p e endia es abelece , e e econhecido in e nacionalmen e,
o seu es a u o como p incipal po ência eu oasiá ica, numa en a i a de não cai na somb a
cada ez maio da China no ea o egional asiá ico.
Exis em dois a o es que, da minha pe spec i a, cons i uem-se como undamen ais na
cons ução do no o quad o elacional en e os Es ados Unidos e a Rússia nos anos que se
seguem ao im da Gue a F ia a 8 de dezemb o de 1991, com a assina u a da decla ação
ipa ida en e Rússia, Uc ânia e Bielo ússia: a expansão da NATO pa a Les e e os aco dos
de não p oli e ação e a coope ação no comba e ao nuclea . A pa des es elemen os, é
igualmen e impo an e e i ica os “a anços e ecuos” na elação en e os dois países, que
ad êm dos a o es an e io men e mencionados.
Pa a os Es ados Unidos, o ala gamen o da Aliança A lân ica às no as democ acias do espaço
pós-so ié ico é, a um empo, essencial pa a p o ege os in e esses do país, pa a consolida a
p esença do ociden e no les e eu opeu, pa a e ea e en uais ímpe os expansionis as da
Rússia e pa a in iabiliza a eme gência de uma po ência egional que possa i a e
capacidade pa a coloca em ques ão as ins i uições in e nacionais impulsionadas pelos
44
Es ados Unidos e que, po conseguin e, auxiliam a po ência no e-ame icana a di undi os
seus alo es e a en aiza , à escala plane á ia, a sua in luência, polí ica, mili a , económica e
ideológica.
Expansão da NATO pa a Les e e a di usão da democ acia
No dia 4 de ab il de 1949, 12 países assina am o T a ado do A lân ico No e e o maliza am
a c iação uma aliança polí ica e mili a que unia duas ma gens de um oceano pa a aze en e
ao expansionismo so ié ico, que se conside a a se uma ameaça c escen e que coloca a em
xeque os p incípios, o modus i endi e as ins i uições que saí am da Segunda Gue a Mundial
e que e am as ped as-angula es da chamada “o dem libe al in e nacional” o ien ada pelos
Es ados Unidos.
A O ganização do T a ado do A lân ico No e, ou NATO, na sigla inglesa, passa a se a
p incipal pla a o ma de de esa das democ acias ociden ais e de comba e aos ape i es
impe ialis as so ié icos. Con udo, o im da Gue a F ia, adicado na dissolução da União
So ié ica, le ou académicos e polí icos a ques iona a alidade da con inuação da NATO,
conside ando que a sua aison d’ê e se ha ia des anecido. Assim, com o im do con li o
bipola en e Es ados Unidos e Rússia, Washing on – a pa das suas democ acias aliadas do
hemis é io ociden al – inha de p ocu a jus i ica a manu enção de uma ins i uição que
pa ecia já não e p opósi o. Com is a à ealização desse desígnio, su gem, po exemplo, as
Pa ce ias pa a a Paz e a missão do p esiden e Bill Clin on de ala gamen o da «comunidade
de nações democ á icas», ou, po ou as pala as, a es a égia de enla gemen .
Em se emb o de 1993, An hony Lake, conselhei o de segu ança nacional do p esiden e Bill
Clin on en e 1993 e 1997, ez um discu so na Uni e sidade Johns Hopkins, em Washing on
DC, in i ulado F om Con ainmen o Enla gemen (Da Con enção ao Ala gamen o), du an e
o qual ap esen ou a isão da no a adminis ação democ a a pa a a polí ica ex e na dos
Es ados Unidos no mundo pós-Gue a F ia.
A isão da adminis ação pode se esumida numa ase p o e ida po Lake: «O sucesso de
45
uma dou ina de con enção em de se uma es a égia de ala gamen o – ala gamen o da
comunidade mundial de democ acias de me cado li es» (Lake, 1993). O conselhei o de
segu ança nacional a i ma a que a segu ança dos Es ados Unidos es á di e amen e
dependen e dos egimes de ou os países, pelo que o ala gamen o da comunidade de países
democ á icos ia necessa iamen e aumen a a segu ança dos Es ados Unidos no mundo.
Lake a i mou ambém que a NATO p ecisa a de se ede ini e assumi um papel mais
ab angen e no no o sis ema in e nacional, co endo o isco de pe de apoio público e de cai
na i ele ância.
Quan o à Rússia, Lake mos a-se espe ançoso ela i amen e ao p ocesso de e o ma
democ á ica que o país ab açou, elemb ando, con udo, que ainda exis iam esis ências po
pa e da eli e bu oc á ica he dada da União So ié ica e que ainda de inha alguma in luência
em Mosco o.
O discu so de An hony Lake demons a que a Adminis ação Clin on que econs ui as
elações com a Rússia, azê-la pa a o seio do uni e so das democ acias ociden ais e aze do
país um pa cei o em ma é ias de segu ança e de es abilidade eu opeias.
Ce ca de dois meses após o discu so de Lake, o Sec e á io de Es ado Wa en Ch is ophe ,
ambém em Washing on DC, ai um pouco mais longe no que diz espei o à Rússia, mas
semp e com cau ela no que oca a aze comp omissos e ao alcance dos mesmos. O en ão
che e da diplomacia no e-ame icana decla a que, pa a Adminis ação Clin on, «ajuda a
ga an i o sucesso» (Ch is ophe , 1993) das e o mas na Rússia é a p io idade da polí ica
ex e na no e-ame icana. No en an o, ansmi e a ideia de que es a ans o mação pós-
comunis a em di eção à democ acia não é uma ce eza absolu a, a i mando, em om
condicional, que «Se o po o da Rússia o bem-sucedido na sua lu a he oica pa a cons ui
uma sociedade li e e uma economia de me cado» (Ibid.), os Es ados Unidos pode ão mi iga
uma ameaça nuclea , co a nas despesas no se o da De esa, alcança no os me cados e
conquis a um no o pa cei o pa a coope ação em assun os de âmbi o global e egional.
Sob e a NATO, al como An hony Lake, Ch is ophe apela aos aliados pa a ein en a em a
o ganização, pa a lhe da em um no o p opósi o, ago a que a União So ié ica já não igu a a
como única e g ande ameaça à segu ança e in e esses dos Es ados Unidos.
46
Um ano após e omado posse, Bill Clin on, em janei o de 1994, con oca uma cimei a da
NATO que ap o a a c iação das Pa ce ias pa a a Paz (P P), um p og ama de inicia i a no e-
ame icana que, embo a não enha sido concebido como uma ia ápida de in eg ação de
no os memb os na Aliança A lân ica mas sim como uma ia acili ado a, isa e o ça a
coope ação polí ica e mili a en e as democ acias ociden ais e os an igos Es ados so ié icos
ou que es a am sob domínio comunis a. A Casa B anca conside a que as P P são
ins umen os essenciais «pa a assegu a que a NATO es á p epa ada pa a da espos a aos
desa ios des a e a à segu ança eu opeia e ansa lân ica», ao mesmo empo que isa se uma
pla a o ma de ap oximação dos no os países do an igo espaço so ié ico ao es o da Eu opa
(The Whi e House, 1994, 5). Des a o ma, Washing on p e endia con o na a possí el, mas
al amen e p o á el, obsolescência de uma es u u a de coope ação mili a e polí ica que
pode ia não mais e luga na ealidade de um mundo pós-Gue a F ia. No en an o, os Es ados
Unidos não se podiam da ao luxo de deixa cai po e a um ins umen o ão alioso de
di usão dos seus p incípios, alo es e pode io mili a como e a a NATO, pelo que a sua
p ese ação e a essencial pa a a manu enção de um es a u o de supe po ência e pa a pode
man e uma capacidade de p ojeção à escala global.
Também em 1994, Bill Clin on anuncia a em Va só ia, na Polónia, a Inicia i a de Va só ia,
um p og ama da Adminis ação no e-ame icana, ge ido pelos depa amen os de Es ado e de
De esa, cujo obje i o e a p es a assis ência às no as democ acias que su giam na Eu opa
cen al e de Les e, de o ma a colocá-las em con o midade com os equisi os exigidos pa a
in eg ação na NATO. Po ou as pala as, a Inicia i a de Va só ia pe mi ia aos Es ados
Unidos “molda ” os no os Es ados democ á icos nascidos do im da Gue a F ia, aos
p incípios basila es da o dem in e nacional libe al, lide ada pelos Es ados Unidos e pelas
nações do ociden e.
Ainda em 1994, Clin on sublinha a o seu comp omisso pa a com o ala gamen o da NATO,
a i mando que as P P são uma boa o ma de os aspi an es a no os memb os demons a em
que pa ilham dos alo es da Aliança e que es ão de e minados a in eg á-la. Con udo, o
p esiden e no e-ame icano assegu a que a u u a expansão da NATO não em como obje i o
«desenha uma no a linha na Eu opa mais pa a Les e» (The Whi e House, 1994, 22) - algo
que se pode en ende como uma e e ência à “co ina de e o” e ao Mu o de Be lim – mas
47
sim ga an i que ou os países eu opeus possam pa ilha dos alo es p omo idos e
de endidos pela NATO. Aos olhos do Sec e á io de Es ado Wa en Ch is ophe , o p og ama
da Pa ce ias pa a a Paz «Não exclui nações e não o ma no os blocos», «i ia desempenha
um papel impo an e no p ocesso e olu i o de expansão da NATO» e « e le e a nossa [do
go e no Clin on] o e c ença de que os mo imen os e o mis as na Eu opa de Les e de em
se o alecidos pela expec a i a de coope ação secu i á ia com o ociden e» (Ch is ophe ,
1993).
Os Es ados Unidos que em ea i ma a cen alidade da NATO no mundo do pós-Gue a F ia,
nomeadamen e na Eu opa, onde conside am que a colabo ação da Rússia é essencial pa a
e i a que a gue a e o con li o a mado eg essem, uma ez mais, ao “ elho con inen e”. As
in e enções das o ças mili a es das p incipais po ências eu opeias, dos Es ados Unidos e da
Rússia (o chamado G upo de Con ac o, c iado em ab il de 1994) nas gue as dos Balcãs oi
essencial pa a con i ma a indispensabilidade da o ganização no que diz espei o à esolução
de con li os e à p e enção de gue as às po as da Eu opa, cujos países cons i uin es não êm
os meios nem a con e gência su icien e de in e esses e opiniões que lhes pe mi am oma um
decisão conjun a e e icaz ela i amen e à segu ança do con inen e.
Mesmo depois da assina u a do Aco do de Paz de Day on, a 14 de dezemb o de 1995, que
pôs e mo ao massac e é nico esul an e do con li o en e a Sé ia e a Bósnia, a NATO omou
a dian ei a da Fo ça de Implemen ação (IFOR) do cessa - ogo.
Os p óp ios Es ados Unidos decla am que, no mundo pós-Gue a F ia, «a missão da NATO
es á a e olui » e que as o ças da Aliança A lân ica êm desempenhado «um papel c ucial no
auxílio à ges ão de con li os é nicos e nacionais na Eu opa» (The Whi e House, 1994, 22).
Em 1995, o núme o de países in eg an es das P P chega a aos 27. Nesse mesmo ano, a NATO
p epa a a-se pa a da início a negociações com os países das P P sob e a e en ual in eg ação
e e i a na Aliança. A Adminis ação Clin on conside a que a NATO con inua á o pila -
mes e do en ol imen o dos Es ados Unidos na Eu opa e «a ped a-angula da segu ança
ansa lân ica» (The Whi e House, 1995, 37).
Con a iamen e ao p imei o documen o es a égico de segu ança nacional emi ido pela Casa
B anca em 1994, o que oi publicado em 1995 deixa abundan emen e cla o que os Es ados
48
Unidos es ão al amen e de e minados a conse a a ele ância da NATO, a i mando que es a
semp e oi mais do que «uma espos a ansi ó ia a uma ameaça empo á ia» (Ibid.) e
jus i icando a sua con inuidade com o ac o de a sob e i ência das democ acias eu opeias –
an igas e ecém- o madas – depende em disso. «É po isso que a sua missão [da NATO]
pe du a, mesmo depois da Gue a F ia se e o nado pa e do passado» (Ibid.).
O p esiden e Clin on es á con ic o de que o ala gamen o da NATO não se a a mais de uma
ques ão de “se” mas sim de uma ques ão de “quando”. Assim, em se emb o de 1995, os
memb os da Aliança concluem uma p imei a ase do p ocesso de expansão da NATO, com
a inalização de um es udo que p e ende de ini as condições de in eg ação de no os
memb os. T ês meses depois, e a anunciada a segunda ase do p ocesso, que e ia início em
1996 e que e ia como obje i o começa con e sações bila e ais en e a NATO e memb os
das P P, que desejem in eg a e e i amen e a Aliança, sob e as condições de in eg ação.
Em maio de 1995, num encon o no K emlin, os p esiden es Clin on e Iél sin aco da am que
a in eg ação de no os memb os na NATO só de e ia acon ece depois de 1996, ano de
eleições p esidenciais nos Es ados Unidos e na Rússia, depois de Bo is Iél sin e , no início
da con e sa, começado po pedi a Clin on pa a adia a é ao i a do milénio pa a começa a
expandi a NATO. A es e pedido de adiamen o, Clin on disse a Iél sin que o p ocesso de
ala gamen o não se ia acele ado e que se ia me ódico e ponde ado, e
espondeu que se Iél sin lhe es a a a pedi pa a ab anda o p ocesso de expansão a NATO
e ia de «con inua a dize que não» à en ada da Rússia na Aliança A lân ica. Caso Iél sin
i esse aquiescido à expansão da NATO pa a Les e, pode ia e pe dido as eleições pa a a
sua oposição, algo que deixa ia ambém Washing on sem um in e locu o amilia na Rússia
e se ia p ejudicial pa a os in e esses no e-ame icanos em ma é ia de expansão da
comunidade de nações democ á icas. Du an e a eunião, Iél sin diz sen i humilhação com os
planos de expansão da NATO pa a pe o das on ei as ussas e mos a-se indignado pelo
ac o do Pac o de Va só ia e sido dissol ido ao passo que a NATO, que se iu de inspi ação
pa a o Pac o de Va só ia, con inua a a i a e caminha a em di eção às delimi ações da
Fede ação Russa. Clin on mos a de e minação no ala gamen o da NATO e diz que não ai
ecua , e ins a o homólogo usso a acili a a cons ução de elações bila e ais en e a NATO
e a Rússia.
49
Em dezemb o de 1995, as eleições pa a a Duma se i am pa a demos a que o espí i o do
comunismo ainda pai a a sob e a Rússia e que as e o mas democ á icas que ha iam sido,
a é à al u a, ealizadas não e am necessa iamen e i e e sí eis.
Os Es ados Unidos ac edi am que a expansão da NATO pa a Les e é undamen al pa a
assegu a a paz numa egião do mundo da qual b o a am con li os de g andes dimensões e
ca as o ismo. Washing on p e ende “empu a ” pa a Les e as on ei as da comunidade de
Es ados democ á icos, p ocu ando impedi não só a essu gência de au oc acias e egimes
di a o iais que possam deses abiliza o con inen e eu opeu e ge a o con li o, mas ambém
aumen ando a sua p óp ia es e a de in luência – polí ica, mili a e económica – do ou o lado
do A lân ico.
Clin on não que que a expansão pa a Les e seja is a po Mosco o como uma p o ocação,
e que que a NATO e a Rússia desen ol am uma « elação saudá el» (The Whi e House,
1995, 38), c iem uma pla a o ma de pa ilha mú ua de p eocupações e que sejam dois
elemen os impo an es e en ol idos na segu ança eu opeia.
Con udo, o Sec e á io de Es ado Ch is ophe , em janei o de 1995, na Uni e sidade de
Ha a d, deixa um ecado a Mosco o e a Bo is Iél sin sob e a a uação da Rússia na Chechénia.
O che e da diplomacia no e-ame icana conside a que a a uação das o ças mili a es ussas
sob e as demons ações secessionis as em sido excessi a e pode us a o p ocesso de
ans o mação democ á ica e coloca em xeque a in eg ação da Rússia no o dem
in e nacional do pós-Gue a F ia. «O que nós [Es ados Unidos] não que emos e é a Rússia
num con li o mili a que e ode a e o ma e ende a isolá-la [a Rússia] na comunidade
in e nacional» (The Whi e House, 1995). O Sec e á io de Es ado no e-ame icano apelou ao
go e no usso pa a da cessa as hos ilidades e da início a um «p ocesso de econciliação»,
le ando em linha de con a «as isões do po o da Chechénia e a necessidade de lhes
p o idencia assis ência humani á ia», no que pode se en endido como uma inclinação,
ainda que en a i amen e elada, pa a o espei o pela au ode e minação dos po os, algo que
se osse, nes e caso pa icula , abe amen e p oclamado pela Adminis ação Clin on coloca ia
em isco as eno adas elações en e Washing on e Mosco o.
O con li o na Chechénia ge ou alguns dissabo es no seio da Adminis ação Clin on e c iou
50
um sé io dilema: de e iam os Es ados Unidos con inua a apos a numa ap oximação da
Rússia ao ociden e, deixa o país esol e os seus p óp ios p oblemas in e nos, mesmo que
isso signi ique lag an es iolações de di ei os humanos? Ou de e ia Washing on apoia a
secessão chechena e a isca o p og esso das e o mas polí icas e económicas da Rússia?
William G. Hyland a i ma (Hyland, 1999, 100) que, no início, a eação da Casa B anca oi
ela i amen e b anda, p ocu ando escuda -se a ás de uma pos u a que de endia que os
assun os in e nos de em se esol idos pelo p óp io país. No en an o, à medida que o con li o
ecebia uma c escen e cobe u a po pa e dos meios de comunicação social, o p esiden e
Clin on oi sendo cada ez mais c í ico da a uação ussa na Chechénia e apela a, com
eno ado igo , à expansão da NATO como ga an e da es abilidade e segu ança eu opeias,
independen emen e da oposição de Mosco o.
Ao longo da sua p esidência, Bill Clin on con inua a e a NATO como a coluna e eb al
da de esa e segu ança da Eu opa, e esses impe a i os secu i á ios, à len e de Washing on, só
podem se ga an idos se a p esença e in luência da Aliança A lân ica o em expandidos pa a
Les e, aos países que an es se encon a am sob o domínio do cen o comunis a so ié ico de
Mosco o. Ao ab igo da es a égia da Adminis ação no e-ame icana, plasmada na Es a égia
de Segu ança Nacional de 1997, o no o lema da NATO pode ia encon a -se no P e ácio
des e documen o es a égico: «Países que ou o a o am nossos ad e sá ios ago a podem
o na -se nossos aliados» (The Whi e House, 1997, 2).
Em 1997, Bill Clin on ea i ma a que e a do in e esse dos Es ados Unidos cons ui uma
pa ce ia o e en e a NATO e a Rússia que o neça as bases pa a a pa ilha de conhecimen os
«e, quando possí el, pa a a ação conjun a sob e desa ios secu i á ios comuns e que con ibua
pa a a pa icipação a i a de uma Rússia democ á ica no sis ema de segu ança eu opeu pós-
Gue a F ia» (Ibid.).
Pa alelamen e, o p og ama das Pa ce ias pa a a Paz con inua a se um ins umen o de g ande
impo ância no p ocesso de ala gamen o da NATO pa a a Eu opa de Les e e uma o ma de
man e a Rússia en ol ida no p ocesso, sem, com isso, deixa que a Rússia – ou mesmo a
Uc ânia, país com o qual ambém a NATO que e o ça as suas elações bila e ais – açam
pa e da Aliança enquan o memb os e e i os.
51
A con e são da Rússia num Es ado democ á ico e que se baseie nos p incípios da aliança das
nações ociden ais da economia de me cado, do espei o pelos di ei os humanos e pela
libe dades de imp ensa e de exp essão é, pa a os Es ados Unidos, um elemen o indispensá el
da de ida in eg ação do he dei o da União So ié ica na comunidade in e nacional e pa a se
econhecido pelos memb os da NATO e po Washing on como um país com o qual seja
possí el colabo a em ques ões ão ulc ais no mundo pós-Gue a F ia, como o comba e à
p oli e ação de a mas de des uição massi a e à p odução e u ilização de a mas químicas e
biológicas. Es a isão da Casa B anca adica no concei o de “paz democ á ica” de Immanuel
Kan , que de ende que a gue a en e democ acias é al amen e imp o á el, conside ando
bases de alo es e in e esses comuns que não só a uam como dissuaso es de con li os
a mados in e pa es, como o nam escassas as p obabilidades do su gimen o de p á icas que
possam susci a a ag essão.
A Casa B anca ac edi a que «É mais p o á el que os go e nos democ á icos coope em uns
com os ou os con a ameaças comuns e enco ajem o comé cio li e e abe o e o
desen ol imen o económico – e é menos p o á el que açam a gue a ou iolem os di ei os
dos seus po os» (The Whi e House, 1995, 5). Na pe spe i a no e-ame icana, é undamen al
p omo e a democ acia em odo o mundo e que cada ez mais países abandonem egimes
au oc á icos e caminhem em di eção aos p incípios democ á icos. Só assim, a gumen a a
po ência no e-ame icana, é possí el o na o mundo mais segu o. O a, conside ando que
Mosco o e a an es o cen o de um país, de uma união – ainda que sob coação mili a – de
países, que sup imia as libe dades dos po os que ab angia no seu e i ó io e que se pau a a
po um egime di a o ial, a ap oximação às democ acias do ociden e e a i ualmen e uma
impossibilidade p á ica. Con udo, com o im da Gue a F ia, com a dissolução da União
So ié ica e com a eme gência da Rússia como o no o cen o de pode e legi imidade no
espaço pós-so ié ico, que p o essa a a libe dade polí ica, a abe u a da economia, a
anspa ência go e namen al e a pa icipação pública na cons ução do no o país, a
con e gência en e os dois an igos polos ad e sá ios do con li o bipola a igu a-se possí el,
ainda que ela i amen e pouco p o á el, mas possí el. E essa ap oximação acon ece á no
quad o da NATO, a aliança das nações democ á icas do ociden e e a angua da da
democ acia ace ao impe ialismo do Les e.
58
i a a página, anseia po conquis a uma posição de ele o no sis ema in e nacional, à
semelhança da posição ocupada pela an ecesso a URSS. No en an o, a b aços com uma
ansição democ á ica pós-comunis a, sem p eceden es ou exemplos passados a se i em de
No e, ma cada po a anços e ecuos, com a o mulação de uma no a a qui e u a económica
mais abe a aos me cados e in es imen os es angei os e à inicia i a p i ada, com a
ins i ucionalização de libe dades indi iduais e polí icas an es o emen e ep imidas e
condenadas, a Rússia de Bo is Iél sin que ia sen a -se “à mesa dos g andes”, de aze pa e
das g andes decisões e ações emp eendidas pelas g andes po ências ociden ais e se is a
como um pa , se econhecida como o legí imo he dei o da União So ié ica em odos aspe os.
Con udo, os espí i os da co upção e da opacidade polí ica que ca ac e iza am o apa elho
comunis a so ié ico con inuam a assomb a Mosco o, mesmo depois da dissolução da
URSS; a ansição do modelo de cen alização económica pa a um mais abe o e lexí el c ia
sé ias issu as na capacidade de subsis ência da no a Rússia e o na o p ocesso de
ans o mação mais u bulen o.
Em súmula, o inal pací ico e diplomá ico da Gue a F ia não ez, pe se, quaisque i o iosos
ou quaisque encidos. Con udo, as ci cuns âncias que ad ie am da conclusão do con li o
bipola pe mi i am c ia um quad o de condições que ize am dos Es ados Unidos uma
supe po ência de aspi ações e p ojeção à escala global, e da Rússia uma po ência de segundo
ní el e essen ida dessa posição, à ma gem das g andes ins i uições in e nacionais
mul ila e ais que de inem a o dem in e nacional libe al do mundo do pós-Gue a F ia.
O ala gamen o da NATO pa a Les e, designadamen e a in eg ação da Polónia, da Hung ia e
da República Checa ( odos memb os do an igo Pac o de Va só ia) em 1999, man e e-se,
du an e oda a p esidência de Bill Clin on, como um a o de c ispação nas elações en e os
Es ados Unidos e a Rússia.
Os Es ados Unidos aziam depende a segu ança e de esa da Eu opa da p esença da NATO
e, po associação, da p esença mili a no e-ame icana no con inen e. William G. Hyland,
que se iu no conselho de segu ança nacional do p esiden e Ge ald Fo d e especialis a em
ques ões elacionadas com a Rússia, a i ma (Hyland, 1999, 94) que os países que eme gi am
da dissolução da União So ié ica não con ia am que a Rússia espei asse a sua au onomia e
independência e iam na in eg ação na NATO um escudo con a e en uais incu sões indas
59
de Mosco o.
Hyland explica que os Es ados-Memb os da União Eu opeia mais a ociden e não es a am
dispos os a ab i a o ganização aos no os países de Les e, o que azia da NATO o único
quad o ins i ucional de in eg ação e desen ol imen o das no as democ acias. Nes e sen ido,
o au o c i ica a insis ência da Adminis ação Clin on em aplica o p og ama das Pa ce ias
pa a a Paz, que acusa de se um “limbo”: os países não es a am nem o a nem den o da
NATO e não exis ia qualque p e isão pa a uma o al in eg ação na o ganização, o que
causa a g ande ansiedade aos aspi an es a memb os e e i os.
Vale a pena elemb a que Clin on não azia quaisque enções de cons ui um no o mu o
na Eu opa, a as ando-o de Be lim pa a as po as da Rússia, podendo, em eação de Mosco o
e das eli es polí icas e nacionalis as, coloca em isco as e o mas que e am emp eendidas
pelo go e no de Iél sin. O ui do p ocesso de ansição democ á ica não es a a nos planos
de Washing on, que que ia, pelo con á io, o sucesso da ans o mação, de o ma a
es abelece uma elação de bases comuns com a no a Rússia, uma na qual os Es ados Unidos
pudessem sabe com o que con a , em ez de es a em cons an emen e a medi a sob e as
in enções do ou o lado.
Segundo Hyland, oi S obe Talbo , que abalhou na Sec e a ia de Es ado de Wa en
Ch is ophe e e a especialis a nas elações en e os Es ados Unidos e os no os Es ados
independen es de Les e, quem es e e po de ás des a abo dagem de não p o ocação da
Rússia, com o desenho de uma no a di isão na Eu opa. A admissão da Polónia, da Hung ia
e da República Checa pode ia aze isso mesmo. Aos olhos de Mosco o, a in eg ação des es
países, an igos aliados p óximos do an igo go e no comunis a so ié ico, enquan o memb os
e e i os pode ias se conside ada um a o de p o ocação e aze cai po e a o p ocesso
ans o macional da Rússia e ainda e epe cussões ao ní el das no as democ acias nas
imediações do país, que de inha capacidades nuclea es e ia a NATO como uma ameaça aos
seus in e esses e a é à sua sob e i ência.
Ao con á io de An hony Lake, Talbo e a uma das ozes den o da adminis ação no e-
ame icana que ejei a a a expansão imedia a da Aliança A lân ica, a gumen ando que se os
Es ados Unidos le assem a an e o plano de expansão da NATO a isca am um con on o
60
com a Rússia. Po isso, as Pa ce ias pa a a Paz su gem como um es ágio in e médio, en e a
exclusão e a in eg ação, pe mi indo aos países do an igo espaço so ié ico uma ap oximação
ao ociden e, onde p ocu a am ga an ias de segu ança e es abilidade, adiando, assim, pa a
u u o ince o a expansão da Aliança A lân ica e, quem sabe, a ú ia de Mosco o.
Conside ando a pos u a ela i amen e a o á el da Rússia sob e as Pa ce ias pa a a Paz –
p og ama a que se jun ou em 1994 – Hyland de ende que os Es ados Unidos de e iam e
insis ido com a expansão p op iamen e di a, «em ez de a as a o assun o com o es anho
caso das P P» (Hyland, 1999, 98). Fac o e a, con udo, que as Pa ce ias pa a a Paz pe mi iam
aos Es ados Unidos alicia pa a a comunidade das democ acias ociden ais países que an es
e am aliados p óximos da Mosco o so ié ica, echa o hia o en e a es e a da democ acia e
o an igo espaço so ié ico, deixa cla o que a expansão da NATO es a a em cima da mesa e
não sai ia de lá, mesmo pe an e as ansiedades de Iél sin, que ecea a que a ap oximação da
NATO das on ei as da Rússia ene gizasse a oposição e colocasse em isco a sua posição.
Mas há que acei a que o p olongamen o do es a u o de “Pa cei os pa a Paz” lança a algumas
suspei as e e icências ace ca do igo do comp omisso dos Es ados Unidos pa a com o
e o ço da Aliança A lân ica com a admissão de no os memb os. Além disso, a hesi ação em
admi i imedia amen e a Polónia, a República Checa e a Hung ia e a is a po alguns como
uma o ma cla a de não an agoniza a Rússia e de, de alguma o ma, espei a os pedidos de
adiamen o ei os a Clin on po Iél sin (Ibid.).
Apesa da e são o icial da Adminis ação Clin on se uma que indica que a Rússia se
posicionou a o a elmen e ace às Pa ce ias pa a a Paz e a in eg ação de an igos aliados de
Mosco o na comunidade das nações democ á icas do ociden e, a e dade é que Bo is Iél sin
sen iu es a en a i a elada de expansão pa a Les e como eacende das chamas de elhas
inimizades. O p esiden e usso ecea a que o ala gamen o da NATO, a a és das P P ou de
in eg ação e e i a, podia isola a Rússia e aze desce sob e a Eu opa uma “paz ia”,
ac escen ando que «É uma ilusão pe igosa supo que os des inos de con inen es e da
comunidade mundial em ge al podem, de alguma o ma, se ge idos a pa i de uma única
capi al» (Williams, 1994).
Na isão de Bill Clin on, a e a do pós-Gue a F ia se ia pau ada pelo aumen o do núme o de
61
países sob egimes democ á icos. Con udo, Clin on pa ecia alienado do ac o de a His ó ia,
al como a expe iência, e am ins umen ais na cons ução de Es ados democ á icos. Os
Es ados Unidos que iam en aiza os p incípios que no eiam a o dem in e nacional libe al
saída do con li o bipola , igno ando que a democ acia nunca ha ia encon ado exp essão na
Rússia, que as libe dades que as nações do ociden e quase que oma am po ga an idas e am
não mais do que p incípios es anhos e mui a ezes con adi ó ios daquilo que ha ia sido a
expe iência do país e das suas eli es go e nan es, quase que gene icamen e codi icados pa a
ecea em es es no os alo es que lhes chega am do Oes e. E alo es que não mais e am do
que a exp essão plane á ia e ilimi ada de um i al de décadas. O a, colocado es e cená io,
não se ia su p eenden e que as e o mas polí icas e económicas apoiadas po Washing on
ossem ecebidas em Mosco o com ce icismo e a é anco – al ez não an o pelo K emlin,
mas pelas eminiscências da classe bu oc á ica que ha ia dominado no cen o so ié ico.
Em e ospe i a, não deixa de se e iden e a ambiguidade dos Es ados Unidos ela i amen e
à eal in eg ação da Rússia na ida in e nacional, não apenas na es e a egional eu o-asiá ica.
Os Es ados Unidos que iam uma Rússia democ á ica, que se egesse pelos mesmos p incípios
que os seus aliados, que osse in eg ada nas ins i uições in e nacionais mul ila e ais que
cons angessem os seus lampejos expansionis as e mui o possi elmen e saudosos do impé io
de ou o a, que osse mais p e isí el e acilmen e an ecipá el. Uma Rússia democ á ica
con i ma a a i esis ibilidade dos alo es e p incípios ociden ais e sublinha a o ca á e
ilimi ado do alcance dos Es ados Unidos. E a aqui que esidia o eal in e esse dos Es ados
Unidos na ansição democ á ica pós-comunis a da Rússia. Mas a elu ância da
Adminis ação Clin on em execu a esse desígnio pode e es ado na o igem dos a anços e
ecuos da democ a ização da Rússia. Ao hesi a em aze da Rússia um e dadei o pa cei o
egional, pa a não ala de um pa cei o à escala global, Washing on e i a a igo à ma cha
democ á ica do an igo ad e sá io, deixa a o p esiden e Bo is Iél sin numa posição
comp ome edo a ace à oposição nacionalis a que ganha a cada ez mais o ça no país e
ab ia mão de uma coope ação que podia não só e o ça a Aliança A lân ica – e aqui não
en o na discussão ace ca da iabilidade de uma NATO com a Rússia como memb o e e i o,
embo a a Polónia, a República Checa e a Hung ia enham sido admi idos e a aliança
pe maneceu – mas ambém aze chega a democ acia às po as da China e da Co eia do
No e. «O ala gamen o da NATO se ia p o a elmen e o ei o geopolí ico mais signi ica i o
62
de Clin on. Não obs an e, cons ui a segu ança eu opeia sem, ou con a, a Rússia não
esul ou em qua o séculos» (Hyland, 1999, 106).
A expansão da NATO pa a Les e oi um p ocesso que de e ia e sido, desde o p imei o
ins an e, acompanhado de pe o po e pa icipado pela Rússia. As di e enças en e es es dois
blocos e am ainda bas an e g andes e p o undas demais pa a se em negligenciá eis no
p ocesso de ap oximação en e ociden e e Rússia, isso é i e u á el. Mas a ans o mação
democ á ica ussa inha o po encial pa a aze do país um pa cei o indispensá el em ma é ias
de segu ança e in eg ação eu opeias.
Mas o p ocesso de expansão da Aliança A lân ica oi conduzido como uma ope ação
p o oca ó ia da Rússia, que oi semp e deixada à ma gem dos p ocessos de omada de
decisão que ealmen e e iam impac o na Eu opa de Les e e no espaço pós-so ié ico. Não
podemos se , al como a adminis ação no e-ame icana o não oi, naï s ao pon o de acha
que a ma cha da NATO pa a Les e não i ia susci a oposição po pa e de Mosco o. Os
Es ados Unidos es a am cien es disso, mas decidi am – al como oi di o po á ios memb os
do go e no – a ança com o p ocesso de ala gamen o independen emen e das eclamações
da Rússia, pois os Es ados Unidos, com o inal da Gue a F ia, bene icia am de um
sen imen o de i ual omnipo ência e omnip esença, e não conside a am es a de modo
algum cons angidos pela Rússia, apesa do país se uma po ência nuclea .
A expansão da NATO oi amplamen e deba ida nos de adei os anos do milénio passado.
Na u almen e, soa am ozes con a e ozes a a o da expansão (Rei e , 2001). Do lado a
a o , e a de endido que a admissão de no os memb os, designadamen e de países do an igo
espaço de in luência so ié ica e comunis a, i ia aze maio es abilidade ao les e eu opeu,
pois dissuadi ia a Rússia de a en a con a a in eg idade e i o ial e au onomia polí ica dos
seus an igos sa éli es; que a p obabilidade da exis ência de con li os en e memb os da NATO
e a eduzida, conside ando que os países in eg an es espei a am as mesmas eg as; e que o
ala gamen o da NATO i ia di undi os p incípios democ á icos e eduzi a p obabilidade da
eclosão de con li os na Eu opa de Les e, endo em con a que é imp o á el que as democ acias
a em gue as en e si. Do lado opos o, os que de endiam que a NATO não de e ia admi i
no os memb os indos de Les e a gumen a am que a expansão da Aliança A lân ica pode ia
coloca em isco as elações en e a Rússia e o Ociden e, in iabiliza a coope ação com a
63
Rússia em ma é ias c í icas como o comba e à p oli e ação nuclea e a ges ão de con li os
nos Balcãs, e aze ecua a Rússia pa a uma posição de au o-de esa pe an e a pe ceção da
expansão como um a o de ag essão e azê-la me gulha no ul anacionalismo.
Dan Rei e a gumen a que a expansão da NATO sob a p emissa da di usão da democ acia
não oi ainda de idamen e analisada e que é p eciso pe cebe se ealmen e a expansão da
NATO e a di usão dos p incípios democ á icos sob e os quais oi cons uída a o dem
in e nacional libe al podem, ou não, se duas aces de uma mesma moeda. O au o posiciona-
se do lado dos c í icos do ala gamen o da NATO pa a a Eu opa de Les e enquan o elemen o
undamen al e condição sine qua non pa a a p omoção da democ a ização dos no os Es ados
e pa a a es abilidade egional. Rei e a i ma que a in eg ação da Polónia, da Hung ia e da
República Checa na NATO não e e qualque impac o na democ acia nes es países e que os
aliados de e iam, isso sim, oca os seus es o ços em apoia a União Eu opeia como
p omo o a da democ acia, «uma abo dagem com maio p obabilidade de omen a a
democ a ização e menos p obabilidade de aliena a Rússia» (Rei e , 2001, 42).
Ademais, Rei e c ê que, depois da Gue a F ia, a Rússia não demons ou quaisque in enções
de econs ui o elho impé io so ié ico, embo a enham exis ido algumas ozes
ul anacionalis as que exp essa am esse desejo. O au o a i ma que a Rússia não deu sinais
de ag essão con a países que se enham candida ado a luga de memb o e e i o da Aliança
A lân ica, ac escen ando que as o ensi as mili a es e as ameaças da Rússia o am di igidas a
países ou egiões o a da NATO, como a Uc ânia, a Chechénia ou o Koso o. No en an o,
es a a i mação pa ece não coaduna -se com a ese que o mesmo Rei e de ende de que o
ala gamen o da NATO enquan o meio de dissuasão de possí eis ag essões ussas é uma
an agem «dúbia» (Rei e , 2001, 46). Não obs an e, a essência do a gumen o de Rei e
man ém-se i me, de que apesa dos eceios iniciais, a democ acia na Rússia conseguiu
aguen a -se, al ez não com an a o ça e solidez como as democ acias ociden ais, mas
impediu a ascensão ao pode de nacionalismos ex emis as que e iam ei o da Rússia um
e dadei o inimigo dos Es ados Unidos e o ociden e. Ainda, uma en a i a de es au ação do
impé io so ié ico se ia algo impensá el pa a no momen o de ansição da Rússia pa a a
democ acia, endo em con a que a descen alização da economia e as polí icas de
libe alização inham deixado o país num es ado de ulne abilidade que o na a inexequí el
64
a ecupe ação de e i ó io além on ei as in e nacionais.
Complemen a men e, a expansão da NATO pa a Les e não e a sinónimo de di usão e
en aizamen o da democ acia na Eu opa o ien al. Apesa de se um Es ado democ á ico se
p é- equisi o ob iga ó io pa a in eg a a NATO – algo que, de e eco da -se, só passou a
acon ece a pa i de 1995 –, nada ga an ia a impossibilidade de e ocesso ou con e são em
au oc acia nem ão pouco a expulsão do país da aliança caso essa ans o mação oco esse,
al como acon eceu com Po ugal ou a Tu quia.
Di o is o, o ala gamen o da NATO, ao con á io do que de endiam os memb os do go e no
de Clin on, pode ia e p o ocado mais danos do que emendos, sendo que pode á p o oca
a ag essão po pa e de Mosco o a uma pe cecionada ameaça exis encial e in iabiliza as
elações de coope ação en e o ociden e e a Rússia, em ques ões como o comba e à
p oli e ação de a mamen o nuclea .
A NATO, sob o ien ação dos Es ados Unidos, op ou po in eg a apenas ês no os memb os
na aliança em 1999, na p imei a ase de ala gamen o da NATO no pós-Gue a F ia. É ambém
p eciso no a que a escolha dos países a in eg a na aliança dependeu não apenas de a o es-
cha e, como a cons ução de ins i uições democ á icas, a libe alização polí ica e económica,
o p imado da Lei e o espei o pelos di ei os humanos. Nes a escolha pesa am bas an e
ques ões geopolí icas, conside ando que os Es ados Unidos não que iam cai no e o de
ins iga uma eação belige an e da Rússia com o p ocesso de expansão da NATO, embo a
quisessem ma ca uma posição de supe io idade ace ao an igo ad e sá io da Gue a F ia.
Po isso, é que, po exemplo, os países bál icos não passa am a in eg a a Aliança A lân ica
logo em 1999, jun amen e com a Polónia, a Hung ia e a República Checa. O eceio de
p o oca a Rússia pesou mais do que o a o democ á ico, o que des i ua um pouco o
obje i o da expansão da NATO como meio de di undi a democ acia e aumen a o núme o
de Es ados democ á icos no mundo (Rei e , 2001, 66). «É p o á el que a UE [União
Eu opeia] seja igualmen e, senão mesmo mais, e icaz do que a NATO na democ a ização da
Eu opa de Les e, sem os cus os ou os iscos geopolí icos associados ao ala gamen o da
aliança», explica Dan Rei e (Rei e , 2001, 67).
65
A ques ão nuclea : coope ação en e Es ados Unidos e Rússia pela não-p oli e ação
Na elação pós-Gue a F ia en e os Es ados Unidos e a Rússia, a ques ão do a mamen o
nuclea é de ex ema impo ância e in luência, designadamen e no conce nen e à edução
quan i a i a des as a mas pelo mundo o a, à cen alização em países com es u u as de
con olo minimamen e obus as e ela i amen e e i icá eis e ao comba e pa a impedi que
es es engenhos des uição massi a cheguem às mãos de o ganizações e o is as e de edes
c iminosas.
Nos anos que imedia amen e segui am o inal da Gue a F ia em 1991, os Es ados Unidos,
conside a am a edução dos a senais nuclea es dos dois an igos polos con li uan es da Gue a
F ia uma das g andes p io idades da polí ica ex e na no e-ame icana no mundo pós-
so ié ico. A Adminis ação Clin on ac edi a a que «As inicia i as de con olo de a mas e de
não-p oli e ação são um elemen o essencial da nossa es a égia de segu ança nacional pa a
aumen a a segu ança em casa e além- on ei as» (The Whi e House, 2000).
As negociações en e Washing on e Mosco o pa a a edução de a mas nuclea es começa am
mesmo an es das duas g andes po ências e em conhecido o im do con li o bipola . Em 1963,
os Es ados Unidos e a União So ié ica, jun amen e com o Reino Unido, já ha iam chegado
a um aco do ela i amen e à p oibição de es e nuclea es na a mos e a, no Espaço e debaixo
de água, con e gindo ambém na necessidade de es abelece es ições pa a os es es
nuclea es sub e âneos. Des es consensos saiu o Limi ed Tes Ban T ea y, que ambém p e ia
que Washing on e Mosco o es abelecessem uma linha de comunicação di e a en e si pa a
e i a em con li os aciden ais esul an es de es es. Cinco anos depois, em 1965, é assinado o
T a ado de Não-P oli e ação (TNP), que uma ez mais jun a Mosco o e Washing on, bem
como a F ança, o Reino Unido e a China, aos quais é a ibuído o es a u o de Es ados nuclea es,
sendo edada a possibilidade de ou os possí eis signa á ios adqui i em capacidades
nuclea es. Com o começa da no a década e com a dé en e en e Es ados Unidos e União
So ié ica, su ge os aco dos SALT – S a egic A ms Limi a ion T ea y – dois aco dos en e
Es ados Unidos e União So ié ica que em como p opósi o eduzi os a senais es a égicos
dos dois países. No en an o, as negociações no âmbi o dos SALT não e ela am se mui o
e icazes, pois o p esiden e no e-ame icano Jimmy Ca e in iabilizou a a i icação do SALT
66
II como e aliação pelo papel desempenhado pela URSS na gue a do A eganis ão, que opôs
os a egãos apoiados po Mosco o aos mujahideen apoiados po Washing on.
Com a queda dos SALT, chegam o p imei o START – S a egic A ms Reduc ion T ea y,
ap esen ado pelo p esiden e no e-ame icano Ronald Reagan em junho de 1982. Os Es ados
Unidos p e endem eduzi os seus s ocks de ogi as nuclea es pa a 6.000 e pa a 1.600 os
mísseis de en ega.
Na cimei a de Reiquia ique, em ou ub o de 1986, os p esiden es Reagan e Mikhail
Go bache chegam quase a um aco do pa a elimina as suas capacidades nuclea es o ensi as
num espaço de 10 anos, mas os dois líde es não conseguem chega a um consenso sob e as
limi ações que de iam se aplicadas ao desen ol imen o e es e de sis emas an imísseis.
É no dia 8 de dezemb o de 1987, po im, que os Es ados Unidos e a União So ié ica
conseguem alcança um aco do no que diz espei o à e e i a edução de a mamen o nuclea .
Assim, Reagan e Go bache assinam o T a ado sob e Fo ças Nuclea es de Médio Alcance,
que es ipula a eliminação de mísseis nuclea es e a- e a de médio alcance, o que ab ange
os no e-ame icanos Pe shing II e os so ié icos SS-20. O aco do es abelece ainda medidas
de e i icação do cump imen o dos e mos aco dados.
O START I é assinado em julho de 1991 pelo p esiden e Geo ge H. W. Bush e po Go bache ,
es ando es ipulada a sua en ada em igo no dia 5 de dezemb o de 1994.
À luz dos no os comp omissos assumidos em ma é ia de edução de a mamen o e de não-
p oli e ação nuclea , o Senado no e-ame icano ap o a a lei Nunn-Luga , em 1991, que p e ê
a c iação de um p og ama de Redução Coope a i a de Ameaças e a a ibuição de apoio
inancei o e écnico aos an igos países so ié icos, de o ma a que es es possam, da o ma
mais segu a e e icaz, ge i em e desman ela em os seus a senais nuclea es, he dados da URSS.
A coope ação bila e al en e Es ados Unidos e Rússia con inua a desen ol e -se e a
o alece -se ao longo da úl ima década do milénio. Em maio de 1992, a Uc ânia, a
Bielo ússia e o Cazaquis ão assinam o P o ocolo de Lisboa, passando a aze pa e do
START I e comp ome endo-se a des ui as a mas nuclea es que de êm nos seus e i ó ios
ou a en egá-las à Rússia.
67
Em janei o de 1993, as negociações en e Washing on e Mosco o sob e edução de
a mamen o nuclea dão mais um passo em en e, com os dois an igos ad e sá ios da Gue a
F ia a assina em o START II, que p e ia a edução dos espe i os a senais pa a en e 3.000
a 3.500 ogi as. O START II oi a i icado pelo Senado no e-ame icano em janei o de 1996
e pela Rússia em ab il de 2000, mas nunca en ou em igo , pois em 2002 a Rússia e i a a-
se do aco do como medida e alia ó ia con a a saída dos Es ados Unidos, em junho e pela
mão de Geo ge W. Bush, do aco do sob e Mísseis An i-Balís icos.
Em janei o de 1995, o Sec e á io de Es ado Ch is ophe a i ma que a Adminis ação Clin on
es á empenhada pa a com a «ex ensão inde inida e incondicional do T a ado de Não-
P oli e ação», que ca ac e iza como «um dos mais impo an es a ados de odos os empos»
(Ch is ophe , 1995, 84).
Na cimei a de Helsínquia, em ma ço de 1997, Clin on e Iél sin conco dam com as linhas
ge ais do START III, eduzindo pa a 2.000 o núme o de ogi as nuclea es es a égicas
ope acionais, o que equi ale ia a um co e de 80% dos a senais da Rússia e dos Es ado
Unidos, compa a i amen e aos máximos a ingidos du an e a Gue a F ia.
Na Es a égia de Segu ança Nacional de 2000, a Adminis ação Clin on a i ma que, pa a
ga an i que es as eduções não se iam e e idas, o START III p e e ia mecanismo de
anspa ência dos in en á ios de a mas nuclea es de ambas as pa es e a eliminação desses
mesmos a mamen os. Do encon o saiu ambém um en endimen o en e os p esiden es
Clin on e Iél sin ace ca da necessidade de se ope acionaliza em medidas de anspa ência e
de c iação de o alecimen o de con iança en e os dois países no que diz espei o a mísseis
de c uzei o nuclea es de longo alcance lançados po ma e a sis emas nuclea es á icos.
A Adminis ação Clin on em da con inuidade aos es o ços emp eendidos pelo go e no
an e io de Geo ge H. W. Bush no que diz espei o às negociações com a Rússia pa a a
edução dos a senais nuclea es dos dois países e à desnuclea ização da Uc ânia, aspec o que
se a igu a como undamen al na de inição dos no os es a u o e iden idade da Rússia no
sis ema in e nacional pós-Gue a F ia.
Dados do Na u al Resou ces De ense Council, u ilizados num ela ó io (Wool , 2018)
ende eçado aos memb os do Cong esso no e-ame icano e ealizado pelo Cong essional
74
esul ados e am de conside á el ele ância pa a o país.
O sen imen o ge al da adminis ação no e-ame icana e a de que a Uc ânia inha de se
desnuclea izada. Nesse sen ido, os Es ados Unidos es a am dispos os a assumi um papel de
in e mediá io en e a Rússia e a Uc ânia du an e as negociações. Pa a “adoça ” as
con e sações, a Adminis ação Clin on es a a dispos a a a ibui assis ência inancei a à
Uc ânia – a a és do p og ama Nunn-Luga – assim que os país começasse a desman ela as
suas a mas nuclea es.
No começo do p ocesso de desman elamen o das a mas, o Minis o da De esa uc aniano,
Kos yan yn Mo ozo , suge iu aos Es ados Unidos que a Uc ânia e e ia uma pa e do a senal,
os mísseis balís icos in e con inen ais SS-24. O Sec e á io da De esa Les Aspin a isou o
homólogo uc aniano que isso se ia bas an e a iscado e que pode ia a e a nega i amen e as
elações com a Rússia, além de que i ia in iabiliza a assis ência inancei a dos Es ados
Unidos à Uc ânia pa a ealização do desman elamen o.
Em julho de 1993, enquan o es a am em Tóquio pa a uma cimei a do G-7, Clin on e Iél sin
eúnem-se e aco dam, po suges ão do p esiden e usso, que a p esença dos Es ados Unidos
no p ocesso de desnuclea ização da Uc ânia se ia bas an e an ajoso, pelo que de e ia se
um p ocesso ipa ido (Talbo , 2002).
Obse ando de pe o o desen ola das negociações bila e ais en e a Rússia e a Uc ânia, os
Es ados Unidos hesi a am em en ol e -se demasiado no p ocesso, agua dando expec an es
que esul asse numa Uc ânia não-nuclea .
No en an o, o bila e alismo usso-uc aniano pa ecia não es a a su i g andes e ei os, a aze
essu gi alguns incómodos his ó icos e a coloca em isco o p ocesso de desnuclea ização.
Conside ando que o obje i o e a eduzi ao máximo o núme o de Es ados nuclea es no an igo
espaço so ié ico, a Adminis ação Clin on decidiu assumi um papel mais pa icipa i o nas
negociações, que passa am a e pa es in e essadas.
Em ou ub o de 1993, o Sec e á io de Es ado Wa en Ch is ophe iaja a é Kie , onde ecebe
ga an ias do p esiden e K a chuk de que a Uc ânia es á empenhada na desnuclea ização e no
cump imen o dos e mos es ipulados no P o ocolo de Lisboa de 1992, que ainda não inha
75
sido a i icado pelo pa lamen o uc aniano, a Rada. Os ep esen an es elei os da população
uc aniana, na al u a em que o START I e o P o ocolo de Lisboa e am discu idos no
pa lamen o, exigiam al e ações aos documen os, al e ações essas que deixa am os Es ados
Unidos de pé a ás. Is o po que os uc anianos que iam que, ao con á io da absolu a
desnucle a ização, a Uc ânia man i esse 48% das ogi as nuclea es e 64% dos mísseis (Pi e ,
2011). O a, es as exigências dei a am po e a o obje i o dos p óp ios aco dos e das
negociações que es a am em cu so. Con udo, K a chuk assegu a a Clin on p eocupado que
o go e no uc aniano con inua iel aos comp omissos assumidos.
À luz das ei indicações dos elemen os da Rada uc aniana, os Es ados Unidos p ocu a am
assegu a os ussos de que Kie con inua a empenhada em segui com o p ocesso e
desman elamen o e de ans e ência de a mas nuclea es so ié icas pa a a Rússia.
A 14 de janei o de 1994, os p esiden es Clin on, Iél sin e K a chuk assinam, em Mosco o, a
Decla ação T ila e al, em que a Uc ânia se comp ome ia com a o al desnuclea ização – que
a a és da desa i ação de a mas nuclea es, que a a és da sua ans e ência pa a a Mosco o
– e em in eg a o T a ado de não-P oli e ação o mais apidamen e possí el, em oca de
assis ência inancei a e ga an ias de segu ança po pa e dos Es ados Unidos e da Rússia.
As ga an ias secu i á ias o e ecidas ao go e no uc aniano no âmbi o da Decla ação T ila e al
são ei e adas pelo Memo andum de Budapes e, assinado a 5 de dezemb o de 1994 pelo io
em conjun o com o Reino Unido. Com es e documen o, os signa á ios econheciam e
comp ome iam-se a espei a a sobe ania e as on ei as e i o iais da Uc ânia (A ms Con ol
Associa ion, 2017).
O p ocesso de ans e ência nuclea da Uc ânia pa a a Rússia a ancou, ainda que não
linea men e, logo em 1992, e só se deu po concluído qua o anos depois, em junho de 1996,
quando os úl imos dois comboios com ogi as nuclea es chega am à Rússia indas de Kie
(Pi e , 2011).
Na “ques ão nuclea uc aniana”, os Es ados Unidos desempenha am um papel de
signi ica i a impo ância pa a ga an i que a Uc ânia ab ia mão do seu a senal nuclea e
acei asse uma solução de comp omisso com a Rússia a im de se em sal agua dadas as
ga an ias secu i á ias e polí icas po pa e de Washing on e Mosco o, que Kie conside a a
76
se em absolu amen e necessá ias pa a assegu a a sua independência e au onomia.
A a uação dos Es ados Unidos passou po exe ce p essão sob e o go e no uc aniano pa a
aze igo a o START I e o P o ocolo de Lisboa, bem como po assegu a a Rússia de que
Kie es a a empenhada no p ocesso de desnuclea ização, impedindo, des a o ma, uma
possí el (ainda que não mui o p o á el) saída da Rússia das con e sações ila e ais e
bila e ais.
O e iden e in e esse dos Es ados Unidos em aze chega a bom po o as negociações es á
adicado no obje i o de Washing on que e ga an i a es abilidade da Eu opa de Les e e dos
aliados no con inen e, bem como os seus in e esses na egião. Caso a Uc ânia i esse
conseguido le a a an e as ei indicações exp essas pela Rada de man e pa e do a senal
nuclea que he dou da União So ié ica e de a i a pa a da a ince a a in eg ação no T a ado
de Não-P oli e ação, os Es ados Unidos pode iam e icado pe an e uma si uação de al o
isco no Les e eu opeu. Uma Uc ânia nuclea não pe mi i ia à Rússia alcança o ele o
egional pelo qual ansia a e e ia de se ob igada a pa ilha o es a u o de po ência nuclea
egional. O a, aqui as ques ões his ó icas não podem se colocadas de lado. Du an e séculos
a Uc ânia iu a sua au onomia op imida pela Rússia e, mais a de, pela União So ié ica. Se ia
de espe a que a ecupe ação da sua independência despole asse na Uc ânia uma pos u a
de ensi a e a colocasse em “modo de sob e i ência”, pe an e uma izinha Rússia que ainda
conside a a se uma ameaça à sua au onomia e sobe ania.
Po sua ez, a Rússia, descon en e com o ac o de a Uc ânia se e ecusado a hon a os
comp omissos assumidos em ma é ia de desnuclea ização e ans e ência de a mamen o pa a
Mosco o, sen i -se-ia ameaça po pa ilha on ei as com um Es ado nuclea que lhe
gua da a anco his ó ico e ela i amen e ao qual mui os ussos sen iam descon en amen o
po ac edi a em que a Uc ânia é pa e in eg an e da Fede ação Russa.
Num clima de al a ensão, em que ambos os lados se pe cecionam mu uamen e como
inimigos e ameaças exis enciais, e os ca as ó icos podem acilmen e se come idos, u o
de in e p e ações e óneas de ações e mo imen os. Pa a que os iscos de uma gue a nuclea
na Eu opa de Les e pudessem se minimizados numa ealidade em que exis issem duas
po ências nuclea es na egião, e ia que exis i en e a Uc ânia e a Rússia uma base pa ilhada
77
de expec a i as, in e esses e alo es, que no easse as suas ações e as suas in e p e ações das
ações e eações do ou o. Mas al não se e i ica a nos anos que imedia amen e segui am o
im da Gue a F ia, em que a con usão, a deso ganização e a descon iança g assa am no
espaço pó-so ié ico. A Rússia p ocu a a conquis a o es a u o de única legí ima he dei a da
União So ié ica e do seu a senal nuclea , algo que conside a a se essencial pa a se
econhecida pelas g andes nações mundiais como um pa , ainda que de p ojeção egional. Se
a Uc ânia insis isse em man e uma o ça es a égica, o desejo da Rússia se ia obli e ado, o
que pode ia desencadea uma sé ie de con li os e con on os en e os dois países que
deses abiliza ia oda a egião da Eu opa de Les e, di undi -se-ia pa a os países do ociden e e
a e a ia os in e esses dos Es ados Unidos.
Do pon o de is a de Washing on, e a essencial ga an i que a Rússia e a o único país do ado
de pode nuclea na Eu opa de Les e, conside ando que se ia um exe cício de an asia espe a
a o al desnuclea ização da zona. A é po que exigi que a Rússia abdicasse da sua o ça
es a égica ce amen e ge a ia sen imen os de humilhação e pode íamos ica pe an e o
mesmo conjun o de ci cuns âncias que le a am à Segunda Gue a Mundial.
A p essão exe cida pelos Es ados Unidos sob e a Uc ânia oi mais do que uma me a ques ão
de jus iça pa a com a Rússia. Ao de ende em que a Rússia e a o único he dei o legí imo dos
a senais nuclea es da União So ié ica, os Es ados Unidos es a am ambém – senão mais do
que qualque ou a coisa – a es ende uma mão abe a à Rússia, em sinal de abe u a e
coope ação, ago a que Mosco o demons a a pa ilha dos alo es libe ais de endidos pela
comunidade das nações democ á icas do Oes e.
Na Eu opa de Les e, a Adminis ação Clin on p io iza a as elações com a Rússia acima das
elações com qualque ou a ex- epública so ié ica, o que e a comp eensí el do pon o de
is a es a égico. A Rússia, mais do que a Uc ânia, inha capacidade, se assim quisesse, pa a
semea o caos na egião e a é mesmo no con inen e, pelo que e a a Rússia que igu a a no
opo da lis a de p io idades de polí ica ex e na da egião, e não a Uc ânia, embo a alguns
memb os do go e no no e-ame icano de endam que os Es ados Unidos de em desen ol e
boas elações bila e ais com a Uc ânia a im de se i de con a-peso pa a a Rússia. En im,
es a abo dagem não é p op iamen e in alí el nem b ilhan e, conside ando os pesos ela i os
da Rússia e da Uc ânia. O omen o da democ acia em ambos os países se ia a abo dagem
78
mais e icaz, conside ando que se se aumen a e cimen a a base de alo es e in e esses
pa ilhados bem como o diálogo e a coope ação en e a Uc ânia e a Rússia a p obabilidade
de um con li o de lag a en e os dois países se á meno .
De emos ambém e em conside ação que, pa alelamen e às negociações de
desnuclea ização, e a deba ida ambém a expansão da NATO pa a Les e. Ao exe ce p essão
sob e a Uc ânia pa a abdica do a senal nuclea e, po conseguin e, econhecendo a Rússia
como a única legí ima po ência nuclea na egião da Eu opa de Les e, os Es ados Unidos
en iam um sinal cla o à Rússia: “a Gue a F ia e minou e, com ela, ambém a nossa
inimizade. É empo de se mos pa cei os p óximos”. Além disso, não nos esqueçamos que a
expansão da NATO pa a Les e deixa a a Rússia bas an e descon o á el, embo a
Washing on enha assegu ado, uma e ou a ez, que o obje i o da expansão e a ga an i a
es abilidade e segu ança eu opeias e não e a an agoniza a Rússia. O apoio no e-ame icano
à ans e ência das a mas nuclea es pa a a Rússia p ocu a a ei e a essa pos u a de
coope ação e de não-p o ocação. Mas, al como em odos os p ocessos comunica i os e
elacionais, a pe ceção, ainda que inco e a, das in enções do ou o é essencial pa a o
en endimen o e acei ação da mensagem. Conside ando que a expansão da NATO pa a Les e
acabou po acon ece sem que enha sido acompanhada de um no o con li o en e os Es ados
Unidos e a Rússia, podemos in e i que o sinal dos Es ados Unidos oi bem in e p e ado e
de idamen e acei e pelo an igo ad e sá io.
Em 1993, o eó ico John Mea sheime c i ica a (Mea sheime , 1993) o p esiden e Bill
Clin on po insis i na desnuclea ização da Uc ânia, a i mando que a Uc ânia p ecisa de um
dissuaso nuclea pa a impedi que a Rússia se apode e do e i ó io do país izinho. Além
disso, Mea sheime dizia ainda que a Uc ânia nunca i ia ans e i as suas a mas nuclea es
pa a a Rússia e que os Es ados Unidos e os seus aliados nada pode iam aze pa a con o na
esse ac o. O empo acabou po p o a que a eo ia de Mea sheime es a a e ada e que se
basea a pu amen e em cálculos de polí ica de pode , algo que não e e em con a o ní el de
empenhamen o dos Es ados Unidos nem os es o ços diplomá icos en idados pela
Adminis ação Clin on, nem a on ade da Uc ânia em es ei a laços com os Es ados Unidos,
e ecebe con apa idas inancei as, que oi o que em úl ima ins ância, le ou a Kie a acei a
as condições do START I e do P o ocolo de Lisboa.
79
Pa a Mea sheime , a segu ança eu opeia se ia o alecida no momen o em que odas as
g andes po ências da egião – incluindo a Alemanha e a Uc ânia – i essem os seus p óp ios
a senais nuclea es pa a e ei os de dissuasão e odos os ou os países ossem não-nuclea es.
Um cená io que deixa ia o mundo à bei a da ca ás o e, conside ando que o isco de um
a aque e a é mesmo de uma gue a nuclea aciden al se ia aumen ado exponencialmen e,
independen emen e do ní el de segu ança dos a senais. Aciden es acon ecem e a His ó ia
es á eple a de exemplos. Não e a uma solução iá el.
Na ou a pon a da mesa es á S e en Mille (Mille , 1993), que de ende exa amen e o opos o
de Mea sheime : a Uc ânia de e abandona as suas a mas nuclea es. O au o conside a que
as a mas nuclea es não são necessa iamen e sinónimo de es abilidade e de paz, mesmo
pe an e a gumen os que de endem que a ausência de con li o en e os Es ados Unidos e a
União So ié ica na Gue a F ia comp o am que a dissuasão nuclea unciona. Mille
a gumen a que as condições que possibili a am a inexis ência de con li o du an e a Gue a
F ia são amplamen e di e en es das condições do pós-con li o bipola e da ques ão nuclea
uc aniana.
Pa a S e en Mille , o dissuaso nuclea uc aniano nunca se ia um mecanismo iá el, nem
que seja pelo simples ac o de que a dissuasão só unciona se os lados po encialmen e
con li uan es conside a em que os ad e sá ios êm capacidade pa a des e i golpes de
signi ica i a o ça e não êm capacidade su icien e pa a esponde em con o midade. O a, as
a mas nuclea es da Uc ânia nunca unciona iam como um dissuaso c edí el e e icaz, na
medida em que o impac o que e iam sob e a Rússia é bas an e in e io ao impac o que a
Rússia e ia sob e a população e o e i ó io uc anianos. «As a mas nuclea es podem e
con ibuído pa a a paz du an e a Gue a F ia, mas isso não é ga an ia de que elas e ão o
mesmo e ei o em condições d ama icamen e di e en es» (Mille , 1993, 70).
Vol emos ao en ol imen o dos Es ados Unidos na ques ão nuclea uc aniana. Exis e ainda
um ou o elemen o que de e se ido em conside ação na análise das mo i ações no e-
ame icanas. O ala gamen o da NATO – ou as expec a i as de expansão, na al u a em que o
p ocesso de desnuclea ização es a a em desen ol imen o – a as a ia as on ei as da
o ganização pa a a Polónia, a Hung ia e a República Checa, ês países mui o p óximos da
Uc ânia, p incipalmen e no caso da Polónia, is o que pa ilham on ei as.
80
Se a Uc ânia i esse conseguido, al como e a on ade de mui os no país e o a dele, man e
uma o ça nuclea es a égica, a NATO passa ia a aze on ei a com um Es ado nuclea que
não azia pa e da aliança e que, do ou o lado, pa ilha a on ei as com a Rússia. Es e
cená io se ia pau ado po uma g ande ins abilidade e uma eno me ensão na egião e coloca ia
a Uc ânia numa posição ainda mais p ecá ia do que se não possuísse quaisque a mas
nuclea es, “en alada” en e a Rússia e a NATO.
Conside ando as a inidades cul u ais, linguís icas e his ó icas en e a Uc ânia e a Rússia, a
possibilidade de Mosco o en a ecupe a o que mui os conside am se um e i ó io
legi imamen e usso podia e consequências d ás icas no con ex o de uma Uc ânia não
nuclea . Com uma Uc ânia nuclea , a possibilidade de um e en o de p opo ções dan escas
ica ia à dis ância de um b aço. Em espos a a uma in asão e en a i a de anexação, o go e no
de Kie al ez se sen isse inclinado em p essiona o p o e bial “bo ão nuclea ”,
desencadeando um sé ie de e en os que le a iam ao desas e à escala plane á ia.
Po isso, a in e enção dos Es ados Unidos e dos aliados oi undamen al pa a e i a os
cená ios acima desc i os, que são apenas alguns en e mui os que pode iam se imaginados,
mas não menos possí eis com a combinação ce a de a o es. Imagine-se uma anexação da
península da C imeia pela Rússia no con ex o de uma Uc ânia nuclea .
Apesa de John Mea sheime acusa Bill Clin on de segui uma polí ica e ada ace à ques ão
da desnuclea ização da Uc ânia, ac o é que a conce ação diplomá ica e os con ac os ao mais
al o ní el en e os Es ados Unidos, a Rússia e a Uc ânia o na am possí el o esul ado ob ido.
A esis ência da Uc ânia em man e a ma nuclea es e ia sido d ás ica, a saída de Mosco o
do p ocesso negocial não e ia sido melho . Mas a a uação dos Es ados Unidos oi
ins umen al pa a man e a coesão do io negocial e pa a se consegui alcança o aco do
desejado, pelo menos, po duas das pa es en ol idas.
Podemos ambém suge i que os Es ados Unidos inham odo o in e esse em aze a ança a
causa da Rússia no caso da desnuclea ização uc aniana, conside ando que uma Rússia
sa is ei a com os esul ados do p ocesso de ans e ência de a mas nuclea es e, po
conseguin e, com a con i mação do seu es a u o enquan o única po ência nuclea na egião
da Eu opa de Les e, pode ia sen i -se mais dispos a a acei a , ainda que com eclamações, a
81
expansão da NATO pa a Les e sem que disso esul asse o es ilhaça das elações en e a
Rússia e o ociden e e o e en ual e ocesso da inimizade que ca ac e izou as úl imas décadas.
Es a decisão da Adminis ação Clin on baseou-se em cálculo es a égico. Se icasse do lado
da Uc ânia – cuja e o ma polí ica e económica pode ia se bas an e mais acilmen e
alcançá el do que no caso da Rússia – a isca a inco e na i a de Mosco o, o que pode ia
i ompe num con li o na Eu opa de Les e e dei a po e a os a anços que inham sido
alcançados em ma é ia de edução de a senais nuclea es.
No en an o, se du an e o p ocesso negocial os Es ados Unidos i essem omado a inicia i a
de c iação de um quad o mul ila e al que ealmen e c iasse as condições necessá ias pa a
echa o hia o que con inua a a exis i en e Les e e Oes e e que p omo esse uma es u u a
de expec a i as e en endimen os dos quais ambos os lados pudessem e dadei amen e
pa ilha , o isco de con li o na Eu opa de Les e pode ia se conside a elmen e eduzido.
Dessa o ma, da -se-ia espos a à necessidade de diálogo e de pa icipação da Rússia na
comunidade in e nacional, e não se p ocu a a uma ap oximação com a Rússia a a és dos
conselhos de coope ação da NATO, ou seja, a a és de uma o ganização que oi c iada como
b aço a mado das democ acias ociden ais con a Mosco o.
Em 1998, p a icamen e a meio do segundo e úl imo manda o do p esiden e Bill Clin on, a
sucesso a de Wa en Ch is ophe na lide ança da diplomacia no e-ame icana, Madeleine
Alb igh , a i ma que os Es ados Unidos con inuam empenhados na coope ação com a Rússia
em ma é ia de comba e à p oli e ação de a mas nuclea es, apon ando como p io idade dos
Es ados Unidos a edução dos a senais nuclea es, a eliminação de plu ónio pa a u ilização
em bombas e a obs aculização da di usão de ecnologias que sejam u ilizadas no
desen ol imen o de a mas nuclea es e de mísseis. Mas ao mesmo empo a Sec e á ia
Alb igh a ança que os Es ados Unidos es ão a desen ol e sis emas de de esa an i-mísseis,
o que indica a elu ância da po ência no e-ame icana em cai na en ação de pensa que odas
as ameaças à sua segu ança podem se aplacadas po aco dos bi- ou mul ila e ais de edução
de a mas de des uição massi a.
No que oca à edução des e ipo de a mamen o, os Es ados Unidos exigem mais da Rússia
do que deles p óp ios. Que is o dize , que, apesa de os aco dos START p e e em eduções
82
iguais pa a ambos os lados, exis e «um p ocesso de edução assimé ica dos a senais
es a égicos das duas g andes po ências» (Gaspa , 2016, 268).
Pa alelamen e aos p ocessos de edução de a mamen o, os Es ados Unidos, no papel que
assumi am – e econhecido pelos aliados – de ga an e da es abilidade in e nacional, insis em
em man e uma o ça es a égica que a ue como dissuaso de ag essões po pa e de países
que não se e ejam na o dem in e nacional libe al do pós-Gue a F ia. Uma ez mais, os
Es ados Unidos ado am uma pos u a de supe io idade – mo al, al ez mais do que
exclusi amen e es a égica – e uma elu ância es a égica ela i amen e à Rússia, à qual
exigem es o ços mais p o undos de diminuição da sua o ça nuclea , po en u a numa
en a i a de, aos olhos de Washing on, ga an i maio es abilidade e um mais o e sen imen o
de segu ança na Eu opa, is o que as a mas nuclea es de um país que há poucos anos
ep esen a a uma ameaça exis encial aos p incípios e alo es imp essos nas sociedades
ociden ais se ão semp e mais ameaçado as do que as a mas nuclea es de um país que se
posiciona como aliado e comandan e de o dem in e nacional. As g andes po ências do pós-
Gue a F ia es ão mais dispos as a acei a que o a senal no e-ame icano seja maio do que o
da Rússia, e menos inclinadas a acei a o in e so, conside ando que as a inidades cul u ais,
de alo es e de in e esses, bem como as bases de expec a i as pa ilhadas, são maio es en e
os Es ados Unidos e os es an es países da es e a democ á ica ociden al, do que en e es es
úl imos e a Rússia ou qualque ou o país do an igo espaço so ié ico.
Obse ando a His ó ia é ácil apon a os e os e a ança al e na i as. Mas o passado se e
pa a ilumina o u u o e al ez dos e os se possam ex ai ap endizagens essenciais pa a que
possamos e i a con li os e a é mesmo mi iga ao máximo a sua p obabilidade de oco ência.
83
Conclusão
A p esidência de Bill Clin on icou ma cada pelo degelo das elações en e dos dois an igos
ad e sá ios da Gue a F ia e c iou á ias opo unidades de omen o da coope ação en e
Washing on e Mosco o. A Adminis ação Clin on e a ma cadamen e pa idá ia da
p io ização da Rússia na polí ica ex e na no e-ame icana e conside a a que o sucesso da
ansição democ á ica pós-comunis a da Rússia e a do in e esse dos Es ados Unidos e a é
uma ques ão de segu ança nacional e de es abilidade eu opeia.
Po ém, nem udo o am osas. A abo dagem no e-ame icana à expansão da NATO pode ia
e sido desas osa pa a as elações en e os dois países, que ainda sa a am e idas há não
mui o empo ei as pelo ou o lado. A insis ência dos Es ados Unidos ala ga as on ei as da
Aliança A lân ica a ês an igos memb os do Pac o de Va só ia (Polónia, Hung ia e
República Checa) e pa a as po as da Fede ação Russa podia e ecebido uma espos a du a
po pa e de Mosco o. Num encon o en e dos dois p esiden es na capi al da Rússia, Bo is
Iél sin ha ia di o a Bill Clin on que a expansão da NATO pa a Les e pode ia se enca ada
pelo po o usso como uma p o ocação e que de e ia se adiada pa a o i a do milénio. Mas
o líde no e-ame icana mos a a-se i edu í el nas suas in enções, apenas concedendo que
o início da expansão da NATO osse adiada pa a depois de 1996.
Apesa de os Es ados Unidos conside a em que o p og ama das Pa ce ias pa a a Paz oi um
sucesso e que pe mi ia uma coope ação mais es ei a en e os países do an igo espaço
so ié ico e a comunidade das democ acias ociden ais, ac o é que es a e a uma “meia-
medida”, uma espécie de limbo em que os países aspi an es a memb os e e i os da aliança
pe maneciam, inde inidamen e, pois os Es ados Unidos a i ma am que as Pa ce ias pa a a
Paz não e am uma ia ápida de admissão de no os memb os, mas an es de uma o ma de os
candida os euni em as condições necessá ias pa a se em conside ados po enciais no os
memb os.
A Rússia e a um des es “pa cei os pa a a paz”. Apesa de a NATO e sido c iada sob e o
desejo das democ acias do ociden e e em uma linha de de esa e comba e a i o da ameaça
comunis a so ié ica de Les e, Iél sin não se coibia de a i ma que gos a ia que a Rússia
izesse pa e da aliança, algo que pode á pa ece um pa adoxo aos olhos de mui os. Mas a é
90
Lue , Ashley. (2017). «Uk aine, Nuclea Weapons, and Secu i y Assu ances A a Glance».
A ms Con ol Associa ion.
Mille , S e en E. (1993). «The Case Agains a Uk ainian Nuclea De e en ». Fo eign A ai s
72 (3): 67-80.
Mea sheime , John. (1993). «The Case o a Uk ainian Nuclea De e en ». Fo eign A ai s
72 (3): 50-66.
Hun ing on. Samuel. (1993). «I No Ci iliza ions, Wha ? Pa adigms o he Pos -Cold Wa
Wo ld». Fo eign A ai s 72 (5): 186-194.
WENDT, Alexande (1995), “Cons uc ing In e na ional Poli ics”, In e na ional Secu i y
(20), pp.71-81
WENDT, Alexande (1992). “Ana chy is wha s a es make o i : he social cons uc ion o
powe poli ics”. In e nacional O ganiza ion 46 (2): p. 391.
Clin on, William J. (1993). «Inaugu al Add ess». Disponí el em
h p://www.p esidency.ucsb.edu/ws/?pid=46366.
Doughe y, Jill, Bli ze , Wol (1997). “Clin on, Yel sin Mee in Finland”. CNN. 20 de Ma ço.
Consul ado a 12 de se emb o de 2018, 15h10. Fon e:
h p://edi ion.cnn.com/ALLPOLITICS/1997/03/20/clin on.summi /
WILLIAMS, Daniel (1994). Yel sin, “Clin on Clash O e NATO’s Role”. The Washing on
Pos . 6 de Dezemb o. Consul ado a 12 de se emb o de 2018, 14h22. Fon e:
h ps://www.washing onpos .com/a chi e/poli ics/1994/12/06/yel sin-clin on-clash-o e -
na os- ole/19b7b3a1-abd1-4b1e-b4b2-
362 1a236ce9/?no edi ec =on&u m_ e m=.3ca190e287d3
KIELY, Eugene (2016). “Clin on O e s a es Nuclea Achie emen ”. Fac Check.O g. Fon e:
h ps://www. ac check.o g/2016/04/clin on-o e s a es-nuclea -achie emen /. Consul ado a:
17/09/2018, 17h41