Ca los
Augus o
Ribei o
da
Conceigão
Koonsland
Comé cio
de
Duplos
■■-
Disse agão
de
Mes ado
Faculdade
de
Ciências
Sociais
e
Humanas
Uni e sidade
No a
de
Lisboa
Lisboa
1997
Koonsland
Comé cio
de
Duplos
Mes ado
em
Ciências
da
Comunicagão
O ien agåo:
P o esso
Dou o
José
A.
B aganga
de
Mi anda
índice
Take-1
TakeO
1
Take
1
1.
Neo- angua da
e
Mediagão
1.1.
Missão
c í ica
da
angua da:
pu eza
e
in ansigência
4
1.2.
Pop
ame icana:
quando
a
angua da
e
Ki sch
sãoo
mes o?
10
1.3.
Neo- angua da:
con abando
e
colusão
17
2.
Je
Koons:
ep esen an e
da
angua da
mediá ica?
30
2.1.
Je
Koons:
ele
mesmo
34
ilus agôes
Take2
1980
-
"The
New"
42
1985
-
"Equilib ium"
46
1986-Tuxu y
and
Deg ada ion"
56
"S a ua y"
70
1987-"Kiepenke l"
76
1988-"Banali y"
79
1991
-
"Made
in
Hea en"
90
1992-"Puppy"
111
Take3
3.
Koons
e
o
A ec o
3.1.
Ki sch:
o
bem-amado
das
massas
115
3.2.
Vangua da:
a
apos a
no
sublime
120
3.3.
Koons:
en e
Picasso
e
Repin?
126
Bibliog a ia
141
Take
-1
Pe an e
es e
éc an
ag adego:
Ag adego
a
odos
os
p o esso es
do
Mes ado
de 1994-1996
a
hon a
de
e
sido
um
dos
seus
alunos.
A
decisão
de
me
insc e e
no
Mes ado
de o-a
ao
meu
amigo
e
ex-
p o esso
de
An opologia
de
A e,
José
A.
Fe nandes
Dia:>.
De o-lhe
ambém
a
suges ão
de
alguns
li os.
Ag adego
ao
Femando
San os
que,
ape echado
dos
co hecimen os
in o má icos,
soube
conse a
o
cen o
lôgico
e
mode a
as
pa idas
in empes i as
do
"Je '
.
Jun amen e
com
ele,
â
Síl ia
e
ao
Tiago
po
me
e em
p ocu ado
na
megalôpole
in e né ica
algum
ma ehal
disponí el
sob e
Je
Koons.
Ao
Paulo
e
â
Elizabe e
do
Cen o
de
Documen agåo
do
A .Co
pela
simpa ia
e
p es abilidade
de
ma e ial
espei an e
ao
co pus
desle
abalho.
Ag adego
a
odos
aqueles
que
me
ajuda am
a
pensa
-
e-m
especial,
José
Augus o
Mou ão
-
ou
me
incen i a am
com
o
seu
in e esse
a
assumi
o
objec o
da
minha
ocupaQão.
Ag adego
a
odos
os
li os
com
os
quais
as
minhas
e lexôes
con i e am,
em
encon o
e
desencon o
como
é
de
eg a
na
ida.
En e
á ios
p ocu ei
i
um
pouco
além
do
que
o
me o
sublinhado
de
passagens.
Não
sei
se
os
me eci.
Logo
sabe ei
as
consequências
do
'meu'
ac o.
En e an o,
não
posso
e i a
de
ci a ,
a
es e
p opôsi o,
uma
passagem
de
Me á o a
do
Co agão
e
ou os
ensaios
de
Ma ia
Zamb ano:
"Um
li o,
enquan o
não
se
lê,
é
somen e
se
em
po ê cia,
ão
em
po ência
como
uma
bomba
que
não
es alou.
E
odo
o
li o
e
de
e
algo
de bomba
(...)
Como quem
langa
uma
bomba,
o
esc i o
a emessa
o a
de
si
(...)
o
seg edo
achado.
Não
sabe
o
e ei o
que
ai
causa ,
que
ai
segui -
se
â
sua
e elagâo,
nem
pode
dominá-lo
com
a
sua
on ade.
Mas
isso
é
um
ac o
de
é,
como
pô
uma
bomba
ou
a ea
ogo
a
uma
cidade;
é
um
ac o
de
é,
como
o
langa -se
a
algo
cuja
ajec ô ia
não
é
dominá el
po
nôs."
Ao
meu
o ien ado
José
Augus o
B aganga
de
Mi anda
es ou
g a o
pela
so e
de
o
e
encon ado,
pela
sua
in eligência,
i acidade
e
au ên ica
aleg ia.
Finalmen e,
âqueles
a
quem
dedico
es e
ac o
de
é:
Aos
meus
pais
que
nos
ensina am,
a
mim
e
âs
minhas
i mãs,
a
ac edi a
e a
esis i
na
lu a.
Â
Ana
Paula
po
me
e
escu ado
de
pe o
nos
momen os
de
concepgão
e
de
elabo agão
des e
abalho.
Ao
con á io
de
Rousseau,
posso
dize
que
i e
a
sua
companhia
nos
medi a i os
passeios
de
bicicle a.
De o-lhe
imensamen e
a
elicidade
de
exis i .
Nes es
momen os
inais,
de o-lhe
ainda
o
e
e is o
as
p o as
do
meu
ex o.
Â
minha
ilha
Ma iana
pela
pacien e
espe a.
Te minada
es a
a e a
ol a emos
a
pin a
e
langa
pagagaios
no
céu. P ome ido
é
de ido.
"I 's
a
no-man's
land
ha
a
lo
o
us
enjoy
mo ing
a ound
in,
an:J
he
hing
is
no
o
loose
you sense
o humo ,
because
i 's
only
a ."
(She ic Le ine)
The
goal
is
se ious.
The
way
humo ous.
O
sa cas ic.
O
a
ga e.
E e ybody's
li e
is
wholly
like
ha ,
when
li ed
wi hou
ex emal
coe cion."
(Ki
Schwi e s)
TakeO
TAKEO
Hoje,
desde
os
anos
sessen a,
i emos
a
ins i ucionalizagão
de
odas
as
o mas
de
a e
sub e si a.
0
empo
é
de
dissuasão
-
a
c e
nas
pala as
de
Baud illa d.
A
a e
sub e si a
é
ecebida
em
pompa
nos
luga es
públicos
de
exposigão.
É
ein indicada
no
es a u o
dے
pa imônio
nacional.
Em
ge al,
a e
não
es á
mais
na
si uagão
que
en en ou
nas
épocas
p é-mode nas
( undamen almen e
ao
se igo
da
Ig eja
e
da
Co e)
e
mode na
(onde
ela
se ia
supos a
sob e i e
apesa
da
hos ilidade
e
al a
de
supo e
ins i ucional).
A
si uagão
conjun u al
é-lhe
p opícia:
Es ado,
ins i uigôes
públicas
e
in es ido es
p i ados
sus en am
uma
:ul u a
que,
po
de inigão,
não
pode ia
aze
a
paz
nem
aos
mecenas
nem
ao
público
em
ge al
(pa a
além
do
ac o
de
es a
colabo agão
incen i a
a
h lagão).
Na
con empo aneidade,
o
desa ĩo
que
se
coloca
â
a e
é,
p o a elmen e,
o
de
aze
coexis i
a
sub e sâo
com
a
sub engâo.
Â
ci culagão
dos
alo es
ac escen a-se
ou a
ca ac e ís ica:
a
da
oca
de
papéis
-
os
comissá ios
de
exposiQôes
e
conse ado es,
com
pode ,
de e minam
a
sia
colecgão,
imp imem-lhe
a
sua
pe sonalidade,
pela
escolha,
ap esen agão
e
acc ochage.
Ob êm
uma
libe dade
equi alen e
â
do
a is a:
assinam
as
exposigôes
como
o
a is a
a
sua
ob a.
Ou,
são
os
alis as
que,
espondendo
a
es a
si uagåo,
se
a o am
em
comissá ios
de
e>posigâo.
Há
quem
p oclame
os
seus
eceios
quan o
a
um
e o nc
a
um
no o
academismo.
Ou os há
que
se
dedicam
a
demons a
o
esgo amen o
da
o ga
nega i a
da
a e
mode na
e,
ainda,
a
apon a
os
sinais
de
deg adagão
da
a e
no
Ki sch
ou
no
come cialismo,
a
degene escência
da
a e
angua dis a
na
neo- angua da. Ou os,
mesmo
acei ando o
diagnôs ico,
econhecem,
pelo
con á io,
nes es
empos,
os
sinais de
uma
pôs-his ô ia
pa a
a
a e
e
pa a
os
a is as.
Colocando
de
lado
a
enume agão
de
ou as
possí eis
a iagôes
do
ema
da
"mo e
cla
a e"
(nos
seus
ês
aspec os:
u opia,
Ki sch
e
silêncio)
subsc e emos
c
opinião
de
Pe e
Bu ge
num
pon o:
a
neo- angua da
não é
um
p odu o
de
uma
aigão
â
angua da,
messiânica
ou
e olucioná ia,
mas
sim
c
p odu o
de
condigôes
his ô icas
di e en es
das
que
possibili a am
as
angua das
his ô icas.
De
al
modo
assim
é
que
a
"mo e
da
a e"
é
objec o
de
ges ão
po que
exis e
ins i ucionalizada.
A
a e
es á
mais
ou
menos
ap isionada
num
duplo
jogo
(si uagão
ambígua)
en e
ins au agão
ou
es au agâo
das
adigôes
e
ei e agáo
das
up u as.
In e samen e
a
um
enômeno
de
pola izagâo,
o
consenso
dissemina ia
o
pensamen o
e
es a
cmbiguidade
sa is a ia
as
con adi ô ias
expec a i as
do
público.
A
elagåo
da
neo- angua da
com
a
ques ão
da
mediagão
nas
sociedades
mode nas
é
aqui
cap ada
po
in e médio
de
un
dos
mais
exempla es
ep esen an es
da
neo- angua da
a ís ica.
Je
Koons
é
o
seu
i
É
se -se
cúmplice
da
indús ia
cul u al,
desp ezando
as
esponsabilidades
es é ico-mo ais
de
se
se
a is a
de
angua da.
É
o na -se
agen e
da
homologagâo,
da
p odugâo
maciga
de
simulac os/subs i u os
05
quais,
na
sua
inau en icidade,
são
neu alizan es
do
i ido
e
do
ca ác e
único
do
acon ecimen o.
Na
e dade,
nes a
posigáo
(desespe ada)
não
há
espago
pa a
as
'meias- in as';
as
in engôes
come ciais
e
as
anguaidîs as
são
mconciliá eis.
Ainda
que
não
se
a asse
de coloca
a
a e
au ên ica
como
0
iuga
da
u opia
ou
de
ac edi a
na
angua da
--
enquan o
o ga
polí ica
que
po
si
p ôp ia,
piamen e
c en e
na
o ga
dos
seus
meios
o mais,
osse
capaz
de
le a
po
dian e
a
ans o magâo
da
sociedade
e
do
mundo
-
ha ia,
no
en an o,
que
conse a
a
alidade
do
seu
impulso
aj ên ico
de
c í ica
e
de
dis anciagåo
da
comunidade
eal
(público
ou
massas).
Ha ia
que
a as a
as
ilusôes
da
equagåo
en e
adicalismo
o mal
e
"adicalismo
polí ico.
Ou,
pelo
menos,
e i a que
0
adicalismo
polí ico
osse
alo izado
a
expensas
do
adicalismo
o mal.
Ha ia,
sob e udo,
que
c ia
pa a
uma
classe
di igen e
(no
momen o
em
es a
abandona a,
es a égieamen e,
a
cul u a)
uma
a e
au ên ica,
enquan o
"signo
a is oc á ico
da
al a-cul u a",
'cu ada'
dos
sinais
de
in ecgão Ki sch,
"signo
plebeu
da
a e
e
díi
cul u a
do
ins an e
da
assimilagâo,
da
equi alência
ace
ao
capi al".
Mas
as
duas
p á icas,
angua da
e
Ki sch
ou
mode nismo
e
cul u a
de
massas,
com
ungôes
ão dis in as
quan o
opos as,
de e minam
a
dialéc ica
que
a a essa
a
cul u a
bu guesa.
Elas
es abelecem
dois
modos
dis in os
de
espos a
â
al a
de
uma
base
social
coe en e.
A
cul u a
de
massas
ou
Ki sch
ende
a
conside a
essa
al a
como
um
azio
a
se
p eenchido
com
signos
subs i u os
(uma
condigåo
do
desejo
que
eque e
a
ap op iagâo
de
p á icas
sociais
especí icas
em
imagens-me cado ias
gené icas).
Enquan o
ac o
de
dominagão,
0
Ki sch
é
0
signo
da
op essão,
da
alienagão
e
da
explo agão
das
massas
insensí eis
aDs
alo es
au ên icos
da
cul u a
e
da
a e
bem
como
âs
dis ingôes
en e
bom
e
mau
gos os.
O
seu
domínio
é
0
da
alsa sensibilidade:
"Ki sch
is
ica io
js
and
aked
sensa ions".
Enquan o
ac o
de
desen aízamen o,
0
Ki sch,
desconhecendo
quaisque
on ei as
geog á icas
e
polí icas
dos
países,
uni e saliza-se,
de o ma
a
sensibilidade
dos
seus
consumido es
e
deg ada
as
cul u as
locais.
A
sua
o ga
co ôi
a
adigão
cul u al
madu a
"macaqueando-a"
--
em
"simulac os
deg adados
e
academizados"
-
e
ameaga
a
cul u a
(Popula
ou
de
eli e)
po
e es i
os
seus
p odu os
de
"um
e niz
ce
cul u a".
Clemen
G eenbe g
ecenseia-lhe
algumas
ca ac e ís icas:
0
mecânico
(p e ensão
â
di e enga;
e i amen o
da
di iculdade),
a
ô mula
(ope a
po
ô mulas;
académico;
ei a
pa a
um
me cado
e
um
público
nume oso;
cul u a
da
assimilagâo
ins an ânea
e
de
econciliagão
abjee a
com
0
quo idiano).
A
sua
o ga
é
polí ica
po que
é
a a és
dele
que
0
di ado
(o
ascis a,
0
déspo a),
e icazmen e,
en a
em
con ac o
mediaio
com
0
seu
po o.
7
Ao
in és,
o
mode nismo- o malismo-yang a c/a
ende
a
ans e i
essa
al a
pa a
a
o ma.
A
angua da
e e
a
a e a
de,
em
oposigão
â
sociedade
bu guesa,
in en a
o mas
cul u ais
no as
qie
ossem
adequadas
å
exp essão
des a
sociedade
sem
sucumbi ,
ao
mesmo
empo,
a
dois
pe igos:
nem
âs
di isôes
ideolôgicas
da
di a
nem
â
e en ualidade
de
se em
as
a es
a
jus i ica
es as
mesmas
di isôes.
Se
a
angua da9
oi
semp e,
na
sua
especializagão
e
es anhamen o,
o
signo
do
abandono
da
cul u a
pela
classe
di igen e,
é
ambém
e dade
que, denuncia
G eenbe g,
ela
es á
e
es e e
ligada
his o icamen e
â
o dem
bu guesa
po
"um
co dão
umbilical
de
ou o".
É
a
acgão
iluminada
da
bu guesia,
que
supo a
inancei amen e
a
angua da
no
seu
"des a io"
de
des uigâo
e
o e ece-se-
Ihe,
enquan o
sis ema
cul u al,
pa a
objec o
de
negagão.
Apa en:emen e,
já
nessa
al u a,
a
dupla
ungåo
da
angua da
-
p o ocado a
e
p ese ado a
-
-
deixa a
de
aze
sen ido
excep o
a
sua
capacidade
de media
s
jb-cul u as
e
desloca
o mas
p ole á ias.
A
e dade
é
que
es e
posicionamen o
ga an iu
â
angua da
a
possibilidade
de
ap op ia -se
de
sub-classes
e
de
suas
sub-cul u as
em
p o ei o
da
bu guesia,
nos
in e esses
clo
con ole
social
e
da
p odugáo
de
bens
de
consumo.
Em
e mos
polí icos,
a
angua da
o a a
um
papel
ambíguo,
con adi ô io,
po que
in e mediá io,
aos
seus
a is as.
0
a is a
de
angua da,
al
ilho
p ôdigo,
cump e,
pelo
seu
des io
c í ico,
a
ungáo
de
econdugão
pa a
eciclagem
das
desca gas
sociais
do
capi alismo
ao
e-injec á-las
no
sis ema
p odu i o.
Csbe-lhe,
po
exigência
his ô ica,
o
papel
de
p ese agão
e
de
con inuagâc
dos
al os
pad ôes
e
alo es
da
cul u a
e
da
a e
do
passado.
As
mas.sas
--
um
ag egado
de
homens
unidimensionais,
alienados,
cuja
consciência
é
alsa
-
-
sô
conhecem
uma
única
elagâo
com
o
sis ema
que
os
esc a iza:
essa
elagão
exp essa-se
pelo
seu
consen imen o
no
desempenho
do
papel
de
an oche
ou
de
bôbo. Dian e
da
cui u a
admnis ada
ou
a i na i a
(na
o mulagåo
conhecida
de
H.
Ma cuse),
homogeneizan e,
exle namen e
p oduzida
e
endida
como
« eady-made»
âs
massas,
o
a is a
cema ca-se
e
ele a-se
acima
das
massas.
0
papel
do
a is a
da
angua da
de inia-se,
podemos deduzi ,
po
uma
on ade
de
pu eza
e
in ansigência
absolu a.
Thomas
C ow
in
"Modemism
and
Mass-Cul u e
in
he
Visual
A s"
in
Pollock
And
A .
-The
c ĩ ical
deba e.
Aí,
a
angua da,
o
mode nismo,
a
adigão
da
angua da
é
de inida
como
uma
adicão
que
se
e-in en a,
eno a
e
descob e
ao
iden i ica -se
com
o mas
de
exp essi idade
e
de
exposicão
não
a ís icas
imp o isadas
po
ou os
g upos
sociais
ma ginais
a
pa i
de
me cajo ias
ou o a
des alo izadas
ou
e eme as,
i.e.
o
modemismo
assumi -se-ia
con inuamen e
en ol ido
com
a
cul u a
mediá ica
e
com
os
ma e iais
da
"low
cul u e".
Hou e
a
iden i icacão
de
Baudeai e,
Mane
e
imp essionis as
com
as
p á icas
sociais
de en e enimen o
das
massas
--
uma
p á ica
cons an e
no
modemismo
inicial.
Essas
p á icas
e am
ca ica u adas
ou
ans o madas
em
A cádias
íibs ac as.
Nas
colagens
cubis as
e
dadais as
(K.
Schwi e s)
o
mundo
u bano
apa ece
po
in e médio
dos
seus
agmen os
p osseguindo
na
eno acão
ag essi a
da
endência
decons u i a
da
angua da.
No
Boogie-
Woogieúe
P.
Mond ian
e
nas
ealizacôes
mais
ecen es
(pin u as,
happenings,
assembl.ges)
de
Johns.
Rauschenbe g
e
Wa hol.
Con es a á
es a
a i magão
uma
ou a
que
coloca
o
pôs-modeTiismo
como
a
ase
em
que
as
ba ei as
pa ecem
dissol e -se?
Tal ez
não,
po que
se
exis e
essa
ensão
no
mode nismo,
no
pôs-modemismo
essa
ensão
ende
a
esol e -se
po
um
ab andamen o
en e
os
di os
e mos.
N
Ele
é,
al
qual
gua dião
do
espí i o
da
angua da,
o
sujei o
de
uma
p á ica
de
esis ência
o a
âs
p e ensôes
economicis as
da
indús ia
e
âs
p e ensôes
homogeneizan es
das
sociedades
capi alis as
(con a
as
p e ensôes
de con ole
social
em
p o ei o
da
classe
dominan ei
o a
con a
a
endência
de mo e
da
a e
no
Ki sch
ou
no
academismo
(con a
uma
a e
como
comunicagåo).
In ocamos,
de
passagem,
a
p oximidade
que
a
c í ica
63 Ado no
â
sociedade
de
massas
em
com
as
c í icas
di igidas
â
mesma
sociedade
po
Clemen
G eenbe g
-
e
sem
deseja mos
i
pa a
além
de
uma
simples
in engão
de
uma
ap oximagåo
gené ica
--
nomeadamen e,
na
de esa
de
uma
p á ica
a ís ica
au o-c í ica,
au o- e e encial
e
dis anciada
ou
no
seu
om
pessimis a,
p o a elmen e,
excessi o,
ace
ao
diagnôs ico
de
uma
no a
ealidade,
em
ias
de
ealizagâo,cons i uída
em
ameaga
da
cul u a
e
dos
alo es
humanos10
.
As
no as
condigôes
de
ep odu ibilidacle
idas
po
inconciliá eis
com
as
exigências
(de
c ia i idade,
o iginalidade,
po
exemplo)
indispensá eis
da
a e,
a
apidez
da
di usão
das
mensagens
nos
meios de
comunicagão
pa eciam
cons i ui
um
ac o
de
obsole.cência,
de
banalizagâo
das
imagens.
Os
mass
media
pa eciam
i
no
sen ido
da
exigência
de
mensagens
já
banalizadas
po an o
sem
a
adicalidade
necessá ia
a
uma
ob a
de
a e. Face
â
homologagâo,
â
inau enicidade
e
â
unidimensionalidade
do
homem
mode no,
a
angua da
consi uiu-se
na
sua
dimensão
messiânica.
A
d ama izagão
pe mi iu
c ia
um
-'osso,
uma
on ei a
em
elagåo
å
qual
se
o na a
possí el
a alia ,
julga
e
iden i ica
quais
as
copias/simulac os
em
ci culagåo
no
domínio
global d;a
p odugão
cul u al
de
modo
a
bloquea -lhes
0
caminho
de
usu pagão
dos
oiginais11
.
Embo a
0
diagnôs ico
das
condigôes
his ô icas
seja
álido,
es a
c í ica,
ge almen e,
ao
ende
pa a
a
demasiada
en a izagâo
6o
p ocesso
de
dominagåo12
e,
po
conseguin e,
pa a
a
des alo izagáo
da esis ência
e
uga
quo idianas,
esquecia
que
a
cul u a não unciona
des a
manei a
nem
nenhum
po o
se
compo a
igo osamen e
como
as
massas.
Na
sociedade
Ou os
au o es
pode íam,
ambém,
se
e ocados:
os
de
"esque da",
ã
qual
pe ence ia
o
p ôp io
G eenbe g,
ais
como
I ing
Howe
e
Dwigh
MacDonald;
e
os
de
"di ei a"
como
José
O oga
y
Gasse
e
T.
S.
Elio .
A
classi icacão
dos
au o es
e e idos
é
e i ada
de
High
And
Low.
213,
no a
4".
11
Ado no
e e e-se
ao
Ki sch,
a
p omessa
da
cul u a
de
massas,
como
"mocke y
o
des e".
G eenbe g
aduziu
a
oposicão
en e
a
Al a
Cul u a
e
a
Baixa
Cul u a
po
uma
oposicão
en e
mode nismo
e
cul u a
de
massas.
Uma
dominacão
é ea:
"Capi alis
p oduc ion
so
con ines hem
(consume s),
body
anc
soul.
ha
hey
all
helpless
ic ims
o
wha
is
o e ed
hem."
(Dialec ic
o
En igh enmen
133).
Es a coní a acão
apoia,
po
seu
u no,
uma
c í ica
aos
dominados.
Uma
c í ica
ou
uma
"queixa"
de
aco do
com
as
pala as
de
Wal e
Benjamin:
"Como
se
ê,
no
undo,
a a-se
da
elha
queixa
de
que
as
massas
p ocu am
di e sâo
mas
que
a
a e
exige
ecoihimen o
po
pa e
do
obse ado ."
(Wal e
Benjamin
-
"A
Ob a
de
A e
na
E a
da
Rep odu ibilidade
Técnica":
108-109).
O
sublinhado
é
nosso.
Pe spec i as
como
a
de
Michel
Ce eau
ou
John
Fisk
e c.
são
comple amen.e
con á ias
a
p ognôs icos
de
dese i icagão
nas
o mas
p oduzidas
em
massa.
Fo am
pa a
além
de
mais
ma é ia
de
in e esse
e
ascinio
pa a
os
pos-modemis as
(F ede ic
Jameson,
The
Logic
O
La e
Cap' alism:
2).
Nos
p imei os,
os
es udos
sob e
os
usos
das
ep esen acôes
e
compo amen os
eculados
mass
med/a icamen e
le a am
a
não
desp eza
a
in eligência
e
a
as úcia
dos
dominados
--
ca ac e izados
como
alienados
e
idio as.
.
da
comunicagão
a
ealidade
é
mui o
mais
ma izada.
Há
nela
luga
an o
pa a
a
gene alizagåo
da
massi icagão
ni elado a,
os
e os
do
o ali a ismo,
a
manipulagâo
do
consenso
quan o
pa a
a
mobilidade
e
supe icialidade
da
expe iência.
A
supe icialidade
da
expe iência
aze -se-ia
acompanha
de
um
en aquecimen o
da
nogåo
de
ealidade.
Toda ia,
é.
ambém,
e dadei o
um
consequen e
en aquecimen o
de
oda
a
coacgão.
Pode íamos
ac escen a ,
como
pa ên eses,
que
se
a a
não
ce
um
o al
desapa ecimen o
de
oda
a
coacgão
mas
sim
de
uma
sua
dissolugão
dissuasi a.
1.2.
Pop
ame icana:
quando
a
angua da
e
Ki sch
são
o
mesmo?
A
posigão
es é ica-é ica
e
cul u al
de
Clemen
G eenbe g
is-â- is
a
cul u a
de
massas
ou
Ki sch
("Popula
music,
magazine
illusxa ion
and
academic
a "
e,
al ez,
a
ele isão)
no
ex o
e e ido
em
1.1
oi
susci ada
po
um
in e esse
pela
sociedade
(no
seu
odo)
em
elagão
com
a
a e,
en endendo-as, ambas, enquan o
elemen os
de
uma
cul u a
ac ual.
Esse
posicionamen o
em
elagåo
â
cul u a,
não
so
limi ado
ao
plano
da
es é ica,
oi
al e ado
com
o
seu
ensaio
"Mode nis
Pain ing"
(1961).
De
"A an -ga de
and
Ki sch"
a
"Mode nis
Pain ing"
G eenbe g
pa ece
e
pe dido
qualque
in e esse
pela
cul u a
no
seu
odo deixando
de
se
e e i
â'cul u a
de
massas".
"A an -ga de
and
Ki sch"
e lec i ia
um
" o skismo
elio iano"
-
"Elio ic
T o skysm"
na
exp essão
cunhada
po
T.J.
Cla k13
--
e
e ia con hbuido
como
c í ica
cul u al,
de
o ma
consis en e,
pa a
o
deba e
socialis a
em
No a
lo que,
com
uma
dimensão
his ô ica
impo an e
elacionada
com
o
desen ol imen o
e
consequências
de
um
capi alismo
indus ial14
.
Em
"Modemis
Pain ing"
G eenbe g
p opôe
a
especializagão
pa a
os
a is as
e
pa a
si
no
que
se
e e e
aos
seus
in e esses15.
Na
ealidade,
apos
a
Segunda
Gue a
Mundial,
Clemen
G eenbe g
oma-se
um
c í ico
p o issional
pelo
que
inha
de
se
p eocupa
mais
com a
a e
do
que
com
a
cul u a
no
seu
odo
ou
com a
na u eza
da
cul u a de
massas16.
A
ans o magåo
de
G eenbe g
da
c í ica
social
em
di ecgâo
a
uma
13
No
seu
ex o
"Clemen
G eenbe g's heo y
o
a "
in
Pollock
And
A e
-The
c i ical
deb
_ e.
14
Jona han
Ha is
"Modemism
and
Cul u e
in
he
USA,
1930-1960"
in
Modemism
in
Dis iu e:
55.
A
sé ie
de
abandonos,
des uicôes
ou
descons ucôes
de
con encôes
pic á ica;.
que
Clemen
G eenbe g
desc e e
como
o mando
a
His ô ia
da
Pin u a
Modemis a
deixa am
de
se
ap esen adas
como
sub e sôes
ou
e ol as;
são,
po
ele,
ap esen adas
como
o
es abelecimen o
di;
uma
á ea
de
compe ência
segu a.
A
mesma
a i macão
on olôgica
da
pin u a
como
sendo
de in
da
pelas
suas
necessidades
ou
condicôes
ma e iais,
mínimas,
o mais
que
excluem
qualque
con eúdo
simbôlico.
Concei os
como
cul u a
de
massas
,
massas
,
e
a gumen os
a
p opôsi o
da
cul u a
de
massas
o am
en a i as
pa a
comp eende
uma
ealidade
e
consequências
sociais
dos
pad ôes
de
p oducão
e
consumo.
As
ideias
de
p odugão
social
e
indi idual
necessi am
de
se
e-a aliados,
íimbém,
po que
eles
en ol em
disc iminacôes
e
alo es
p é- o mados
sob e
o
ipo
de
media,
condicôes
de
p oducão
e
elacôes
sociais
de
consumo.
lo
especializagão
na
c í ica
da
a e
pode
se
is o
como
o
p odu o
de
p essôes
g andes
e
de
limi es
ac i os
no
con ex o
do
McCa ismo
e
da
polí ica
da
Gue a
F ia.
A
c í ica
modemis a
elabo ada
po
G esnbe g
e
os
seus
seguido es
nos anos
cinquen a
e
sessen a
oma am-se
uma
p á ica
c escen emen e
ap op iada,
ins i ucionalizada
e
"o icial",
com
e ei o
cúmplice
na
ep esen agão
ideolôgica
de
uma
a e
ame ican.a
abs ac a.
Na
in odugão
de
Al ed
Ba
no
ca álogo
da
"New
Ame ican
Pain ing",
o ganizada
pelo
MOMA
em
No a
lo que,
1959,
as
pin u as
do
Exp essionismo
Abs ac o
são
e a adas
como
"au ônomas"
de
de e minagôes
da
ida
econômica
e
polí ica
da
Gue a
F ia
e,
ao
mesmo
empo,
simbolizando
uma
libe dade
simbôlica,
de
uma
p álca
cul u al
c ia i a,
como
ca ac e ís ica
de
uma
"Amé ica
Li e"
con a
a
ameaga
da
URSS
sob e
as
democ acias
capi alis as
ociden ais17
.
Mas
a
Pop
e
com
ela
ou os
ismos
i iam
complexi ica
o
pano ama
a ís ico
e
elanga ,
em
con a-co en e,
o
deba e
polémico
sob e
a
elagåo
empá ica
da
a e
com
o
sis ema
isual
da
cul u a
de
massas.
É
com
a
Pop
que
e dadei amen e
se
assis e
a
um
en ec uzamen o
com
os
mass
media
e
com
o
me cado-
p incipalmen e
pela
igu a
emblemá ica
da
Pop
ame icana:
Andy
Wa hol.
Assis indo
ao
sucesso
come cial
e
â
academizagão
do
Exp essionismo
Abs ac o,
o
inal
dos
anos
cinquen a,
a
Pop
ame icana
inicia
sob e
aquele
a
descons ugão
das
suas
ca ego ias
humanis as
-
âs
quais
pe ence
o
cliché
:a diamen e
omân ico
do
a is a
--
a
descons ugâo
das
suas
con engôes
e
dos
seus
codigos.
Es a egicamen e,
a
Pop
ame icana,
ao
e
in oduzido
p ocessos
ma e iais,
sé ies
e
ideias
em
subs i uigâo
de
uma
a e
exclusi amen e
undada
na
au o-exp essão
de
um
sujei o
monádico,
i ia
con ibui
pa a
o
comego
do
im
da
hegemonia
do
mode nismo18.
A
eo i.a
e
c í ica
Laune
J.
Monahan
"Cul u al
Ca og aphy:
Ame ican
Designs
a
he
1964
Venice
Biennale"
in
Recons uc ing
Modemism: A
in
New
Yo k,
Pa ís
and
Mon eal
1945-1964
MIT
P ess
Camb idge
Massachuse s,
London,
England
1990.
E a
CockC o
"Abs ac
Exp essionism
--
Weaoon o
he
Cold
Wa ";
Max
Kozlo
"Ame ican
Pain ing
Du ing
The
Cold
Wa ";
F ed
O on
e
G iselda
Pollock
"A an -
ga des
and
Pa isans
Re iewed";
Da id
and
Cecile
Schapi o
"Abs ac
Exp essionism
-
Poli ics
o
A-
Poli ical?"
in
Po lock
And A íe
-
The C i ical
Deba e.
Modemidade:
um
p ojec o
u ôpico
global.
Modemismo
a ís ico:
uma
consequ.ncia
a dia
da
mode nidade.
Não
conside amos
o
sen ido
nega i o
que
o
concei o
"pôs-mode nismc"
possa
e
po
elacão
ao
ou o
concei o
"modemismo".
Na
eo ia
de
F ede ic
Jameson,
o
concei o
pe iodiza
e
co elaciona
a
eme gência
de
um
no o
ipo
de
ida
social
(designada
pelos
e mos
mocemizacáo,
pôs-
mdus nal,
sociedade
de
consumo,
sociedade
mediá ica
ou
do
espec áculo,
ou
capi alismo
mul i-
nacional)
com
no as
ca ac e ís icas
o mais
na
cul u a.
Os
anos
sessen a
são
po
es e
eô ico
conside ados
um
pe íodo
de
ansicão
cha e
no
qual
uma
no a
o dem
in e nacional
(n o-colonialismo
a
Re olucão
Ve de,
a
in o macão
elec ônica
e
a
compu ado izacão)
se
ins ala
e
é
abalada
po
con adi^ôes
m emas
e
pela
esis ência
in ema.
Dois
modos
pelo
qual
o
pôs-modemismo
exp essa ia
a
e dade
p o unda
da
no a
o dem
social
eme gen e
do
capi alismo
a dio:
o
pas iche
e
n
esquizo enia
(F.
Jameson
Pos mode nism
and
Consume
Socie y:
112-113)
Há
ainda
que
con a
com
a
di e enca
en e
'modemismo'
e
'modemizacão'.
Modemizacão
p og esso
mdus ial,
acionalizacão,
e-o ganizacão
da
p oducão
e
adminis acão
ao
longo
de
linhas
mais
e icien es,
elec icidade,
linha
de
mon agem,
democ acia
pa iamen a ,
e c.
A
mlagão
en e/do
mode nismo(s)
e/pa a
mode nizacão
é
umas
ezes
pací ica
e
ou as
ag essi a;
umas
ozes
eplicando
!
I
o malis as
-
a
ideologia
ex aída
dos
esc i os
ensaís icos
de
Gi eenbe g
e
de
Michael
F ied
-
es a
ou
aquela
endência
dominan e
do mode nismo
cul o
que
conquis a a
a
uni e sidade
os
museus,
as
gale ias
de
a e
e
as
undagôes
são
abaladas
p o undamen e.
Ap o ei ando-se
da
dominagão
do
me cado
sob e
a
s e,
a
Pop
ame icana
ence a
a
come cializagåo
explíci a
de
si,
ao
an ecipa
e
explo a
a
sua
p ôp ia
ecupe agáo
pelos
mecanismos
do
me cado.
E
a
deixa
de
anspo a
uma
c í ica
ao
me cado
e
aos
mass
media.
E,
não
se
a ibui
um
papel
de
ans o magão
do
mundo.
A
sociedade
ame icana,
du an e
os
anos
sessen a,
no
auge
do
seu
«sonho»,
oma
consciência
de
i e
sob
a
in luência
-
modelado a
-
dos
mass
media.
A
sociedade
indus ial-mecânica
a inge
a
sua
ase
máxima
de
desen ol imen o
econômico.
São
os
chamados
anos
do
"boo "
quando
a
sociedade
de
consumo
ê
os
seus
me cados
inundados
de
me cado ias
a
baixo-cus o,
num
subs ancial
ni elamen o
"Popuia "
dos
gcs os
e
do
pad ão
de
p odugão
e
qualidade
dos
p ôp ios
objec os.
A
pa
de
um
c escimen o
sem
p eceden es
dos
mass
media
(sob e udo,
c
ele isão)
su ge
um
in e esse
c escen e
pelo
domínio
da
comunicagâo
(o
p op io
McLuhan
o nou-se
o
gu u
na
cena
a ís ica
da
Pop
dos
anos
sessen a).
Nessa
al u a,
nos
Es ados
Unidos,
e i ica-se
a
c iagão
de
colecgôes
de
a e
mode na,
a
c iagão
de
museus
ou
a
sua
ampliagão;
a
c iagâo
de
cen os
comuni á ios
de
a e
e
de
ou as
ins i uigôes
a ís icas;
ins i ui-se
a
sub engåo
das
ac i idades
a ís icas
(Na ional
Endowmen
o
he
A s).
0
boom
econômico,
a
que
já
nos
e e imos,
aliado
ao
econhecimen o
ex e io
da
supe io idade
da
a e
ame icana,
in ensi ica am
o
me cado
e
o
coleccionismo
a ís icos.
Apa en emen e,
a
dis ância
abismal
en e
a
a e
de
angua da
e
a
audiência
e ia
sido
encu ada.
Hou e
uma
cla a
melho ia
da
ida
social
e
econômica
dDs
a is as.
Te á
con ibuído
pa a
que
eles
deixassem
de
se
sen i em
alienados da
sociedade.
A
a e
deixando
de
se
conside ada
uma
ac i idade
ma ginal,
ab e
ao
a is a
uma
possibilidade
de
se
desemba aga
da
imagem
oman ica
em
que
o a
empaco ado.
A
"mís ica
da
alienagåo"
ou
a
do
"bode
expia ôho"
da
sociedade
pe dia
co agåo20
.
Nos
anos
sessen a,
o
se
a is a
os
seus
alo es
e
endências
a a és
da
insis ência
o mal
na
no idade,
ino acão,
a
is o macão
de
elhas
o mas,
iconoclasmo
e apêu ico
e
o
p ocessa
das
no as
(es é icas)
ma a ilhaí.
da
ecnologia
como
ambém
os
á ios
modemismos
cons i ui am
iolen as eaccôes
con a
a
modem
zacão.
Apesa
de
se
p o á el
que
a
eaccão
ag essi a
dos
modemismos
não
osse
an o
con a
as
ecnologias,
alguns
como
o
u u ismo
a é
as
celeb a am,
mas
con a
ome cado.
Enquan o
as
á ias
e sôes
do
pos-
modemismo
pa ilha iam
a
celeb agão
do
me cado.
Pa a
não
menciona mos
Hal
Fos e
"Re-Pos "
no
qual
o
e mo
é
sinônimo
de
plu alismo
e
de
não-
mode nismo.
Exis e
ainda
o
sen ido
de
pôs-modemidade
como
sociedade
da
comunicacão
gene alizada
p opos o
po
Va imo
em
Sociedade
T anspa en e
do
qual
dependemos
pa a
es abelece
nes e
capí ulo
as
elacôes po
nos
in encionadas.
"
Com
as
nocôes
kan ianas
ais
como:
"génio",
"o iginalidade",
"exp essão"
e
"gos o".
"
Du an e
os
anos
sessen a:
"The
en i e
basís
o
a
is
being
ans o med
(...)
Ins ead
o
being,
as
i
used
o
be,
an
ac i i y
o
ebellion, despai
o
sel -indulgence
on
he
inge
o
socie /,
a
is
being
12
passou
a
se
enca ado
como
uma
ca ei a
semelhan e
a
qualq
je
ou a21
.
A
máquina
-
c í icos,
deale s,
museus,
coleccionado es
e
mass
media
-
es a a
bem
oleada.
Alimen ada
e
alimen ando
uma
ânsia
do
no o
e
da
mudanga
sen ida
po
um
público
cul i ado
e
pela
o acidade
de
no os-
icos
coleccionado es
-
alguns
e dadei os
cagado es-de- alen os
-
essa
máquina
ez
do
mundo
da
a e
um
mundo
do
sucesso.
0
suæsso
passa
e ec i amen e
a
se
o
alo
sup emo.
Di íamos
mais:
o
sucesso,
pa a
os
a is as,
deixa
de
se
um
aciden e
pa a
se
um
inciden e
desejado
e
p epa ado.
A
p omiscuidade
dos
museus
com
o
me cado
e com
os
mass
media
(publicidade,
ele isão
e
moda)
--
onde
o
que
e a
no idade
endia
semp e
bem
-
causa am
es a
ans o magão
do
mundo
da
a e
con undido
com a
sua
dimensão
mundana.
A
publicidade
endia
a
con undi -se
com
espei abilidade.
Inaugu agôes
em
gale ias
e
museus,
es as
sociais,
jan a es
e
bailes
de
bene iciência
oma am-se
acon ecimen os
sociais
in.
Alguns
di ec o es
de
museus
e
cu a o s
-
como
alguns
a is as
-
e -se-
iam
o nado celeb idades
mediá icas
(Hen y
Geldzahle )
em
ci culagâo
no
"je -se ".
A
explo agão
des e
ambien e
mediá ico,
nos
seus
aspec os
sociolôgicos, psicolôgicos
e
mi olôgicos,
e á
sido
uma
das
a e as
da
Pop
A .
A
Pop
A
ob ém
um
sucesso
e umban e,
quase
medie_o,
a
ní el
mediá ico
quan o
a
ní el
museolôgico
e
come cial.
Uma
das
causas,
pa a
além
das
já
enunciadas,
e á esidido
na
imp essâo
de
nela
se
aboli
as
on ei as
en e
a
a e
de
eli e
e
a
Popula -u bana
ou
de
massas
(con a-
cul u a).
A
apa ência
de
ime í/a icidade
langada
pela
Pop
di e e
da
desejada
pelo
Exp essionismo Abs ac o;
ela
subs i ui
a
imec//a icidade
do
ac o
de
pin a
po
uma
ou a:
a
do
'imaginá io'.
A
a e
Pop
p opôs
uma
es é ica
da
imanência,
do
apagamen o
da
exp essão,
do
sen i nen o
e
da
pessoalidade.
A
eleigão
da
imagís ica
do
ambien e
isual
ame icano,
da
celeb agão
do
p esen e
e
do
ame ican
way
o
li e
pa ecia
inaugu a
o
comego
de
econciliagâo
da
a e
mode na
com
o
público
como
quem
diz
com a
sociedade de
consumo.
Reconciliagão,
pa a
uns,
pa a ou os
como
G eenbe g,
a
Pop
oi
a
endigão
ao
Ki sch,
a
endigâo
ao
^spí i o
do
me cado;
o
suicídio
da
a e
e
da
cul u a.
Sendo
a
úl ima
das
expe iências
da
Mode nidade,
a
A e
Pop,
jun ando
os
ex emos
angua da
e
Ki sch,
no malized
as
a
p o essional
ac i i y
wi hin
socie y.
Fo
he
i s
ime,
he
a
o me ly
called
angua d
has
been
accep ed
en
masse
and
i s
ideals
o
inno a ion,
expe imen ,
dissen ,
ha e been
ins i u ionalized
and
made
o icial."
(Ha old
Rosenbe g
ci ado
in
I ing
Sandle
Amehcan
A í
O
The
1960s:
no a
51;
103).
As_
p ôp ias
uni e sidades
ame icanas
o na am-se
pa a
os
a is as
con empo âneo.,
em
ocos
de
di usão
e
a ena
de
discussão
de
ideias,
a i udes
e
es é icas
a ins
de
No a
Yo que.
0:î
candida os
a
a is as
se iam
incen i ados
a
o ma em
os
seus
pon os
de
is a
que
desa iassem
ou
con ibuissem
pa a
muda
o
cu so
da
a e.
Uma
delas,
a
mais
p es igiada,
a
Yale,
nos
anos
sessen a
e ia,
pela
di eccão
de
Jack
Twoko
subs i uindo
Joseph
Albe s,
desb a ado
es e
caminho
de
ap oximacão
do
mundo
a ís ico
no a-io quino.
13
"inaugu a"
a
Pôs-Mode nidade.
E,
nessa
ôp ica,
ela
conclui ia
a
a en u a
das
angua das
in emacionais
do
século
XX.
Um
dos
agos
cle
dis ingão
en e
a
Mode nidade
e
a
Pôs-Mode nidade22
esidi ia
no
se^guin e:
em
luga
de
que e
democ a iza
a
a e
de
eli e,
o
pôs-mcde nismo23
p ocu a ia
legi ima
a
cul u a
Popula .
Com
a
Pop
encena-se
a
queb a
da
ensão
ou
a
equi alência
en e
Mode nismo/Cul u a
e
Cul u a
de
massas
ou
en e
es é ica
e
p odu os
de
massa.
Pensemos
em
ob as
ais
como
as
de
R.
Rauschenbe g
nas
quais
em
luga
uma
equi alência
en e
as
imagens
escolhidas
dos
nass
media
ou
da
ealidade
quo idiana
e
as
imagens
da
cul u a,
es abelecendo-se
essa
equi alência
medianie
o
uso
de
p ocessos
mecânicos
de
ep odugáo
os
quais
cons oem
um
plano
comum,
ambíguo24
pa a
ambas
os
ipos
de
imagens.
Enquan o,
em
Robe
Rauschenbe g,
as
imagens
são
mediaôas
pelo
p ocesso de
"pho o-silksc een",
no
caso
das
colagens
co
dadaís a
be linense,
Ku
Schwi e s,
-
pe cu so
na
explo agão
da
in e -
especi icidade
das
a es
-
ha ia
uma
pola izagão
en e
o
"high"
e
"low",
uma
descon inuidade
en e
a
na u eza
ísica
dos
ma e iais.
Raischenbe g'
ao
in és,
coloca á
a
sua
ob a
sob
o
p incípio
da
equi alência
ooe ando
no
in e alo
en e
a
ida
e
a e
o
que
a á
desapa ece
a*
e e idas
pola izagôes
desapa ecidas
po
in e médio
de
écnicas
de
ep odugão
écnica.
A
a e,
pa a
ele,
de e ia
ope a
como
a
ex ensão
do
mundo
p ocedendo
a
uma
jus aposigão
de
elemen os
que
en iquece ia
a
pe cepgão
da
ida
do
obse ado .
Se
em
Rauschenbe g
p esenciamos
a
passagem
do
especí ico
pa a
o
gené ico
--
um
dos
sin omas maio es
da
a e
apôs
a
Segunda
Gue a
Mundial
con o me
Thie y
de
Du e25
-
en ão
na
Pop
e
na
minimal
emos
a
o dem
do
gené ico.
A
o og a ia
in eg ada
pela
Pop,
em
Rauschenbe g
e
Wa hol
-
pa a
ci a
alguns exemplos
u í e os
--
eio
a
se
um
hs umen o
da
indis ingão
en e
a
a e
e a
não-a e;
oi
ela
a
"a ma"
da
des uigão
da
pu eza
do
medium
(exigida
pela
pin u a
modemis a)
e
ez
a
a e
se
encaminha
pa a
uma
p og essi a
hib idez
ou
impu eza.
A
olog a ia
oi,
ainda,
o
ins umen o
ou
meio
pelo qual
os
á ios
objec os
que
o
museu
que
sis ema iza
o
e-in adissem
enquan o
he e ogeneidade
pu a.
Es a
jogada
coloca
não
sô
a
ques ão
da
ex ingão
do
modo
de
p odugåo
adicional
como
ambém
ques iona
as
ein indicagôes
de
au en icidade
de
aco do
com
as
quais
o
museu
de e minou
o
seu
co po
de
objec.os
e
o
seu
O
sen ido
do
e mo
'pôs-mode no'
é
u ilizado
po
Va imo pa a
designa
o
ac o
de
i e mos
numa
sociedade
da
comunicacão
gene alizada,
a
sociedade
dos
mass
media.
*
Vá ios
exemplos
do
pôs-mode nismo
a ís ico:
o o- ealismo,
Andy
Wa hol,
Cage
ou
Robe
Ven u i
em
"Leaming
om Las
Vegas"
--
ob a
em
que
nega
o
mode nismo
a qui ec ônico
enquan o
a qui ec u a
de
eli e,
inadap ada,
em
a o
de
uma
a qui ec u a
sem
a qui ec o,
ou
com
a qui ec o
os an e
disc e o
cjue
é
mais
um
manipulado
de
linguagens
da
sociedade
de
consumo.
O
concei o
de
"Fla bed"
é
ap esen ado
po
Leo
S einbe g
in
O he
C i e ia
(1972)
cujo
exce o
i emos
acesso
median e
a
an ologia
A íin
Theo y
1900-1990:
949-953.
Thie y
de
Du e
The
Monoch ome
and
he
Blank
Can as
,
p.304,
no a
12.
I4
campo
de
conhecimen o
.
A
u ilizagão
da
o og a ia,
ou
os
meios
de
ep odugão
mecånica
(e,
hoje
em
dia,
a
ampliagâo
das
capacidades
de
ep odugão
nos
meios
elec ônicos)
pela
A e
Pop
pe mi i am,
jun amen e
com
a
adopgão
de
ma e iais,
écnicas
e
p ocessos
indus iais
(inco po ando
a
di isão
do
abalho)
pela
A e
Minimal,
sem
qualque
passado
na
a e,
a
passagem
de
uma
a e
especí ica
(com
os
esíduos
das
suas
adigôes)
ou
in e -especi ica,
de
uma
a e
da
mcn agem
de
agmen os,
imagens
e
p ocessos
pa a
uma
a e
gené ica
ei a
de
inco po agåo
dos
elemen os.
Inco po agáo
-
e
já
não
inc us agáo
--
de
elemen os
quaisque
que
eles
sejam;
indos
da
adigâo
da
pin u a
ia
a
ep odugão
écnica
desses
elemen os
(imagens)
ou
indos
co
ambien e
isual
p oduzido
indus ialmen e27
.
A
a e
dos
anos
sessenla
e ia,
de
es o,
não
somen e
a
eme gência
da
o og a ia
comc
meio
de
ep esen agão
-
nos
casos
do
o o ealismo
pic ô ico
ou
escul ô ico
-
mas
em
odas
as
o mas
de
a e
dependen es
da
documen agão
-
"land-a ",
"body-a ",
"s o y
a ",
" ideo"
-
sob e udo,
a
o og a ia
em
com inagão
com
os
e mos
explíci os
do
índice
28
.
A
Pop
ame icana
assumiu
adicalmen e
as
conseqjências
da
apa igão
de
no os
meios
écnicos
sob e
as
o mas
da
a e.
A
côpia29
,
os acisada
da
a e
como
Ki sch
po
Clemen
G eenbe g,
e o nou.
A
A e
Pop
oma
o
luga
da
máquina.
Sob e
a
A e
Pop
insinua-se
as
po encialidades
da
simulagâo
e
o
p es ígio
da
Disneylandia.
A
a e
pa ece
indis ingui -se
da
publicidade
e
do
ma ke ing30
.
Desde
os
anos
sessen a,
■6
D.
C imp,
On
The
Museum's
Ruins:
134.
-
Pela
sua
condicão
indexical,
a
o og a ia
é
compa ada
com
o
eady-made.
Es e
pa al
_lo
es abeleceu-
se
pelo
seu
p ocesso
de
p oducão
a im
ao
do
eady-made.
Es e
p ocesso
equi ale
ao
papel
do
"shi e "
na
linguagem
e bal/não
e bal
(Rosalind
K auss
"No es
on
he
Index
-
Pa
1").
-~
Rosalind
K auss
"No es
on
he
Index
-
Pa
1".
9
A
es e
p opôsi o,
sob e
a
elacão
da
côpia
com
o
o iginal
na
modemidade
--
pa a
_
qual
o
mi o
da
o iginalidade
azia
sen ido
-
Rosalind
K auss
in
O iginal y
o
A an ga de
de ec a
uma
dinâmica
nâo
exclusi a en e
cada
um
dos
e mos.
m
A
a e
Pop
in e essou-se,
assim,
pela
omada
de
emas
e
écnicas
da
a e come cial
-
de p og amas
de
ele isão
e
anúncios,
embalagem,
banda
desenhada,
painéis
publici á ios,
ilnes,
e is as
e
publicidade. A
a e
Pop
ca ac e izou-se
pela
obsessão
pelo objec o
e
pela
sua
ep e
>en acão
li e al,
mecânica
(po
uma
ep esen acão
ac ual
das
coisas)
guiada
po
uma
sensibilidade
ia,
ou
objec i idade
ia
que
le a
a
ans o ma
minimamen e
as
imagens
excep o
as
sués
dimensôes
e
media);
ca ac e izou-se,
ainda,
pelo
cul o
do
no o-em- olha;
po
uma
ên ase
no
es ilo
da
ep esen acão
(coinciden e
ou
mais
ou
menos
baseado
no
ocabulá io
isual
dos
p odu os
de
massa)
e
não
somen e
ao
objec o
de
e e ência
(clichés
an asmá icos,
des ealizados
mais
do
que
e î enciais);
pela
ep oducão
que
dos
objedos
que
das
imagens,
ou
dos
objec os
ans o mados
e
n
imagens
(da
ma e ialidade
do
côdigo;
as
amas
na
pin u a
de
Roy Lichens ein).
A
pa ôdia
do
Exp essionismo
Abs ac o
ope ada
pela
Pop
oi
um
ins umen o
de
descons ucão
das
ideias
igen es
-
do
que
é
ou
sob e
o
que
aze
a e,
das
ideias
co en es
di;
c ia i idade
e
espon aneadade
imp o isacional
do
Exp essionismo
Abs ac o.
T a a-se
de
mos a
ainda
em
que
pon os
a
c í ica
elabo ada
pela
Pop
ao
mo imen o
que
Ihe
an ecedeu
não cons i uiu
a
mbém
uma
boa
manei a
de
o
p olonga
(pa adoxal,
com
ce eza!)
e
po que
não
uma
boa
manein
de
man e
a
hegemonia
ame icana
no
plano
cul u al.
Não
esquece
que
a
pe spec i a
daqueles
qie
ap eciando
a
Pop
a
de ende am
na
base
da
al a
qualidade
das
suas
p oducôes,
o
ize am
sob
um
pon o
de
is a
o odoxo
(High
&
Low:
206).
A
possibilidade
c í ica
da
angua da
pa ece
da
indícios
je
exaus ão
no
momen o
da
Pop
e
a
sua
adicalidade
de
mé odos
não
esconde
no
en an o
o
ac o
de
a;<
bombas
e em
I5
os
ios
genealogicos
com
o
Dada-ísmo
le am
a
que
a
maio
pa e
das
ob as
con empo âneas
a ibuam
um
alo
âs
qualidadeis
es é icas
es anhas
â
a e
adicional
e
â
a e
mode na
(do
Imp essionismo
a é
ao
Su ealismo
e
Abs accionismo
Abs ac o).
A
a e
si ua-se
de
p e e ência
na
on ei a
da
não-a e,
i.e.
na
zona
de
indis ingão
en e
o
juízo
(con adi ô io)
"Is o
é
A e"
e/ou
o
"Is o
não
é
a e".
A
ap op iagão
da
ealidade
não-es é ica
pa a
ins
a ís icos-es é icos
-
das
o mas
e
ma e iais
despe sonalizados
ou
da
idiosinc asia
pessoal
(Beu s-go du a
e
el o,
po
exemplo),
desapa ecendo,
pelo
caminho,
a
nogåo
de
"acabamen o"
e
e elando-se
a
sa is agâo
es é ica
como
da
o dem
da
ap op iagão,
da
in eg agåo
de
ealidades
es e icamen e
mais
ecalci an es
ao
domínio
da
a e
-
implica,
como
já
se
es á
a
e ,
uma
des ealizagão
de
objec os
i iais,
uma
es e izagão
do
mundo.
A
Pop
in oduz
a
o og a ia,
a
publicidade
e
a
po nog a ia
-
odiadas
pelas angua das
pu is as
-
e
ecupe a
o
Ki sch
no
ucamp"31
.
Ela
segue
uma
es a égia
de
in e são
dos
alo es
que
se
exp essa
pe ei amen e
no
"queima
o
que
ado as
e
ado a
o
que
queimas es".
Di o
que
é
ou o
modo
de
se
dize
a
mo e
da
a e.
Roland
Ba hes
a i ma ia
a
seu
p opôsi o:
Ha
cul u a
Popula
do
empo
es á
na
Pop
da al u a
com:
uma
o ca
e olucioná ia
que
con es a
a
a e
e
po
ou o
lado
a
a e
es á
nela
p-esen e
como
uma
o ga
mui o
an iga
que
e ocede,
i esis i elmen e
na
economia
das
sociedades."c
A
adicalidade
sac ííega
da
Pop
oi,
no
en an o,
ambígua.
0
seu
en ol imen o
ambíguo
e
cínico
com o
me cado
e
as
ins i uigôes
da
a e
(a
«colusão»
segundo
as
pala as
de
Baud illa d)
colocou
os
seus
cul o es
numa
oscilagåo
en e
a
a e a
c í ica
da
angua da
ea
sedugáo
do
me cado.
Na
Pop
acon ece
a
supe agâo
ou
o
"esquecimen o
da
c í ica"
-
a
c í ica
es a a
demasiado
p esa
â
lôgica
da
exclusão
ecp oca?
Ela
cons i uiu
uma
ope agáo
simul ânea
de
in eg agåo
e
da
dis aiciagão
po
elagão
â
chamada
sociedade de
consumo
ou
eino
do
simulac o.
Face
âs
no as
no as
condigôes,
os
a is as,
como
A dy
Wa hol,
ence am
um
con abando
gene alizado
que
des igu ou
p og essi amen e,
jun amen e
com
ou os
ac o es,
as
on ei as
an e io men e
aigadas
pelo
modemismo
le ando
âs
úl imas
consequências
a
espi al
da
adicalizagão
explod.do
nas
p ôp ias
mãos
(dos
mais
ingénuos).
C .
Ma y
Kelly "Re iewing
Mode is
C i icism"
in
Bnan
Wallis
(ed)
A í
A e
Modemism:
Re hinking
Rep esen a ion
(1986).
Pala a
an es
conhecida
nos
meios
homosexuais
passou
a
designa
"a
a e
que
conscien e
ou
mconscien emen e
e
sena
sob e
assun os
í olos
e
í ola
sob e
assun os
sé ios"
É
Susan
Son aq
que
em
1964
da
con a
desse
impulso
de
in e são,
co osi a,
que
indo
desd ama iza
o
acesso io
o
secundano,
ope ando segundo
a
ans e ência
ou
o
deslocamen o
do
impo an e
(daquilo
que
em
alo
dos
alo es
ms i uidos,
des uindo
qualque
p e ensão
de
ponde acão
e
de
supenondade
indiscu í el
de
pad oes
sociais,
e icos,
mo ais,
polí icos,
es é icos,
sexuais,
de
bom-senso
ou
de
bom-gos o)
se
cons . uia
em
pa od.a
in e miná el
de
modo
al
a
pe mi i
uma
ampliacão
dos
limi es
_a
a e
'Camp'
designa a
amda
aquilo
que
con e ia
uma
maio
ên ase
no
es ilo
do que
no
on eúdo
e
e a
ca ac enzado
po
um
gos o
desmedido,
deslocado,
pelo
a i icial,
pelo
exage o
(ca ica u al)
e
pelo
não
naiu ai
.
32
Roland
Ba hes,
O
Ôb io
e
o
Ob uso:
169.
16
espí i o
iconoclas a
que
nega,
ejei a
oda
a
o ma
he dada
bem
como
e
ao
mesmo
empo
que
des alo iza
o
objec o
no
qual
a
ideia
se-
inca na,
o
"écla emen "
do
eu;
uma
insc igão
social que
eclama
do
a is a
uma
aculdade
de
adap agão
(encomenda
pública,
in
si u...);
a
solci agão
e
a
conco ência
de
exposigôes
âs
quais
os
a is as
são
supos os
eagi ,
insc e e em-se,
pa icipa em
cons uindo
ob as
mais
aclap adas
â
exigência
do
momen o
do
que
ao
desen ol imen o
da
sua
e lexão
pessoal.)
Os
comen á ios
inesgo á eis,
o
umo
incessan e
e n
edo
das
mani es agôes
a ís icas
(mais
ecen es) pode ão
e en ualmen e
obli e a
a
nossa
expe iência
das
ob as
mas
de modo
nenhum
Ihes
eduz
a
au a44
.
As
ob as
mesmo
não
sendo
is as
são,
pelo
menos,
lidas.
Quan o
mais
lidas
ou
mais
publici adas,
mais
ele an es
se âo
essas
ob as
pa a
o
«mundo da
a e».
Os
media
ope am
as
suas
p ôp ias
escolhas
e
gozam
globalmen e
de
um
p i ilégio
de
in alibilidade.
São
eles
que
go e nam
a
c í ica,
quem
se
e igem
em
ins ância
c í ica,
e
não é
mais
a
c í ica
que
o ien a
as
escolhas
dos
media45
.
(É
o
p ôp io
Koons
que
chega
a
conside a
o
me cado
como
o
g ande
c í ico.)
A
isibiiidcide
é
uma
condigáo indispensá el
ao
sucesso
de
um
a is a
e
da
sua
ob a
no
me cado
e
na
c í ica
de
a e.
0
sucesso
pode
cons i ui
uma
in luência
conside á el
sob e
as
polí icas
de
aquisigâo
pa a
as
colecgôes
de
a e
dos
museus
ou
das
ins i uigôes
públicas
e
p i adas
e c.
mais
in luen es.
Es as
ins i uigôes,
po
sua
ez,
pela
consag agão
da
ob a
in ei a
(ou
pa e
dela)
de
um
a is a,
bene iciam
ambém
de
uma
maio
isibilidade
e
legi imidade.
Quan o
maio
ô
a
isibilidade
e
legi imidade
dessas
ins i uigôes
maio
se á
o
seu
pode
de
in lui
e
a i ica
(mais apidamen e)
as
escolhas
do
me cado.
Maio
se á, ambém,
o
seu
pode
de
in e engão
na
c iagão
e
No
mmimahsmo,
ao
se
e
alo izado
a
expe iência
empo al,
a
expe iência
di ec a
do
espec ado
com
as
ob as,
podemos
e
uma
mo i acâo
cen ada
na
p oblemá ica
benjaminiana
da
au a.
Em
simul âneo,
mani es ou-se
com
o
minimalismo
um
pendo
pa a
a
mediacão
da
ob a
pela
pala a.
O
discu so
e bal
explica,
con e e
o
sen ido
a
uma
ob a
a
qual
se
ap esen a,
cada
ez
mais,
como
es o
aco
ou
es ígio.
To alidade
e
agmen o.
Mediagão
o og á ica
da
ob a
median e
a
qual
ica
ga an ida
a
isibilidade
pública
das
ob as
de
uma
a e
que
p ocede
ao
abandono
dos
luga es
ins i ucionais
em
a o
de
luga es
mais
inôspi os
e
inacessí eis.
A ep oducão
o og á ica
com
in en Ds
documen ais
comecou
a
subs i ui -se
g adualmen e
â
p ôp ia
ob a
e
â
sua
expe iência.
Os
ges os,
sendo
an i-ob a,
são
egis ados
pa a
que
não
sejam
esquecidos.
Desse
modo,
omam-se
docLmen os
e
são'
econhecidos
como
an i-ob a,
i.e.
po
con as e
com
a
nocão
de
ob a.
A
mesma
apo ia:
pa a
que
a
a e
angua dis a
na
sua
e en e
ana quis a, ana íís ica,
possua sen ido
em
de
se
associa
ja
po
oposicão
a
concepcão
adicional
de ob a.
A
in encionada
e eme idade
das
mani es acôes
(mmimal,
land-a
concep ual.e c)
oi,
inicialmen e,
um
ges o
de
ecusa
do
me cado
(inundado
apenas
com
subs i u os!
es os,
sou eni s)
mas
ao
sen i
a
necessidade
da
sua
ep oducão,
ep esen acão,
egis o,
(pa a
e ei os
de
a qui acão)
e
pa a
e ei os
come ciais
eio
a
pe mi i
a
ascensão
da
o og a ia
ao
Bs a u o
de
a e
con a
o
an e io
es a u o
de
ilus acão,
subs i u o,
ins umen o
de
documen acão
da<
ob as
de
a e
Con ibuiu
pa a
a
nossa
consciência
da
impo ância
do
con ex o
na
expe iência
da ob a.
Ma c
Jimenez
em
en e is a
in
A í
P ess
,
n°
171,
Julho/Agos o
1992.
A
uncão
do
ec ân
mediá ico é
dupla:
solici ado
das
emocôes,
an asmas,
da
sensibilidade
e
de
obs áculo
ao
i ido
conc e o
das
suas
expe iências.
Wal e
Benjamin
alou
de
"pe da
p og essi a
da
expe iência
i ida"
o
que
Ma c
Jimenez
aduz
po
"ex incão
p og essi a
da
mimesis",
não
no
sen ido
da
imi acão,
mas
se ia
no
sen ido
de
uma
elacão
quase
empá ica,
sensí el,
sensual
ås
coisas.
MeoVa izadas,
as
nossas
elacôes
com
a
ealidade
e
as
c iacôes
não
são
mais
media as.
2.""
p odugão
-
as
neo- angua das
ecen es
endem
a
abalha
di ec amen e
pa a
(e
sob
o
seu
comando)
as
e e idas
ins i uigôes46
.
A
neæssidade
de
isibilidade
insu la
a
cumplicidade
mú ua
en e
a is as
e
ins uigôes47
--
uma
cumplicidade
que
se
pode
e es i
de
uma
ce a
ensão
(Hans
Haacke).
Ou o a,
a
angua da
o a
o
e úgio
do
messianismo
e
o
signo
de
ebelião.
Hou e a
luga
pa a
o
modelo
do
a is a
maldi o
i"suicida
da
sociedade")
ou
e olucioná io
e
pa a
a
ex e io idade
quase
absolu a
das
angua das
a ís icas
âs
p ôp ias
ins i uigôes.
Os
a is as
mode nos
ou
da
angua da
exigi am
a
libe agão
ea
desalienagão
da
o ga
do
abalho
do
homem
em
ge al.
No
sen ido
o e
do
e mo
o am
as
es emunhas
ao
inacma em
o
p ole a iado.
Es a
on ade
de
emancipagåo
e
desejo
de
desalienagåo
semp e
signi icou
o
seguin e
" odo
o
mundo
é
a is a"
aduzido
em
"Imaginagâo
ao
Pode "
(1968).
0
único
obs áculo
â
ealizagåo
des a
po encialidade:
as
massas.
As
massas
são
incapazes
de
ac ualiza em
es e
po encial
pois
que
elas
es ão
op imidas
alienadas
e
explo adas.
Sô
alguns
a is as
chamados
de
a is as
p o issicnais
sabem
que
a
sua
ocagâo
é
a
de
inca na em
es e
po encial
em
so imen o. As
u opias
mode nas
coincidi am
com
o
desejo
de
libe agâo
da
c ia i idade
pa a
coloca
ao
se igo
das
necessidades
dos
homens,
azendo
ao
alo
de
uso
a
a e.
A
pala a
cha e
p ole á io
ou
ope á io.
A
c ia i icade
(o
mais
pode oso
mi o
modemo48)
é
no
campo cul u al
co esponden e
å
o ga
de
abalho
(no
campo
da
economia
polí ica).
Ve i icando-se,
hoje,
uma
c escen e
indis ingão
en e
o
es é ico
e
o
econômico,
o
s ís ico
e
o
publici á io,
-
in e e ência
e i icada
en e
os
dois
campos
ao
longo
da
modemidade
--
a
neo- angua da
ende
a
me amo osea -se
em
angua da
mediá ica.
A
angua da
passou
a
se
meio
de
p omogão
e
de
inse gåo
social.
A
adicalizagåo
a ís ica
(ou
o
pode
de
negagâo
c í ica
da
a e
con empo ânea)
é
ge ada
e
neu alizada
pelo
me cado
e
peos
di e sos
pode es
da
mediagåo49
.
O
caso
das
Ins alacôes é
um
bom
exemplo
(llya
Kabako ).
A
encomenda
pública
e
pa íena ia
ou
mecena o
emp esa ial
são
os
ins umen os
da
cumplicidade
das
ins i uicôes
com
o
mu do
a ís ico.
O
pe igo
es á
na
cumplicidade
que
se
ge a
apenas
em
a o
de
um
dos
e mos
da
elacão
aumen ando
assim
a
dependência
dos
a is as
em
elacão
ås
ins i uicôes
pa a
sua
consag acão.
Segundo
Thie y
de
Du e,
oi
Joseph
Beuys
o
úl imo
a
b andi
com
con iccão
es e
mi o.
Hal
Fos e
in
Recodings,
p ecisamen e
no
capí ulo
"Be ween Mode nism
and
he
Mddia"
denuncia
a
mediacão
da
a e
mode na
a a és
da
análise
de
cinco
p á icas
a ís icas
(nas
quais
incluiu
"g a i i"
e
neo-exp essionismo). A
mediacão
da
a e
modema
pe mi e,
po
assim
dize ,
o
eg esso
de
igu as
e
es ilos
como
es e eô ipos
(lypes')
e
imagens
Popula es.
Nesse
capí ulo
conside .
as
un ôes
da
angua da
no
passado
e no
p esen e.
Ac escen a íamos ainda
o
alhango
do
concep ualismo
e
do
minimalismo
na
en a i a
de
'boico e'
ao
me cado.
Se
as
ob as
es a am
a edadas
da
expe iência,
mais
pública,
peio
conl á io
os
seus
es ígios
o og á icos
não
deixa am
de
p oli e a
e
alimen a ,
apesa
de
udo,
o
p ôp io
me cado.
Vimos
o
que
acon eceu:
a
opo unidade
pa a
a
o og a ia
.dqui i
um
ou o
es a u o
museolôgico
e
a ís ico
e
deixa
apenas
de
se
o
meio
de
ep oducão.
A
e eme idade
das
mani es acôes
--
apesa
de
in enciona em
a
des uicão,
a
suspensão
da
alimen acão
do
me cado
pa a
que
pudesse
ealiza -se
ex e io men e
ao
p ôp io
sií ema,
sem
nele
deixa
acos
-
conduziu
â
ascensão
da
o og a ia
como
a e
e
não
sô
como
subs i u o
das
ob as
ou
ilus acão
de
um
ex o
explica i o
das
mesmas)
como
con ibuiu
pa a
oma mos
consciência
da
24
Numa
sociedade
da
comunicagão
gene alizada,
na
qua
udo
de e
o na -se
objec o
de
comunicagåo,
as
a es
modemis a50
e
angua dis a
acompanha am
a
es e izagão
da
expe iência
de
dois
modos:
1)
medianie
a
expansão
indisc iminada
do
es é ico51
abso endo
cul u as
não-ociden ais
e
2)
subcul u as
da
cul u a
ociden al.
A
es e izagão
es ando
li e
das
es igôes
da
es é ica
adicional
(das
elhas
ques ôes
do
belo
e
do
eio)
celeb a,
â
sua
on ade,
o
alo
de
oca
/signo.
0
modelo
da
es e izagâo
gene alizada
assemelha-se
ao «museu
imaginá io»52
:
a
uni e salidade
do
belo
é
i ida
como
explíci a
e e ência
a
uma
mul iplicidade
de
nodelos.
impo ancia
do
con ex o
do
qual
eme ge
a
ob a-in e encão
concebida
já
não
pa a
ju a
mas
pa a
assmala
a
sua
di e enca
e
o
seu
con as e
com
o
pa imônio
an e io
em
elacão
ao
qual
se
decla a
mo o
mas sem
o
qual
o
sen ido
das
suas
mani es acôes
es a ia
se iamen e
comp ome ido.
(A
necessidade
de
mediagão
c ia-se
no
minimalismo
em
con aluz
com
a
exigência
des e
jelo
menos
que
é
suplemen ado
pelo
mais
do
ex o.
Te ão
e en ualmen e
pe cebido
que
a
au a
não
oi
exau ida
pela
ep oducão
das
suas
ob as
(mais
p op iamen e
an i-ob as)
e,
pelo
con á io,
å
sua
manei a,
sa is ez
o
me cado
pe mi indo
a
pos e io
e alidacão
do
es a u o
da
o og a ia.)
A
a e
mode nis a
oi,
como
já
imos,
o
luga
de
uma
dis upcão
do
espaco/ empc
eais;
de
uma
comunicacão
de
uma
expe iência
i al
com
dimensão
dis up i a
opondo-se
å
homologai^ão,
â
p oducão
massi a
de
simulac os
pela
indús ia
cul u al,
os
quais
neu alizam
o
i ido
e
o
ca á: e
único
e
de
e en o
do
mundo.
A
a e
angua dis a
oi
o
luga
de
uma
u opia,
de
uma
c enca
de
q
je
a
angua da
ep esen a a
e dadei amen e
uma
o ca
polí ica
po
si
p ôp ia,
capaz
de
conduzi
â
mns o macão
da
sociedade,
do mundo.
A
angua da
dis ancia-se
(ao
ní el
das
linguagens)
e
c i ica
(m.?d/an e
a
c í ica
ideologica?)
a
comunidade
eal
(público
ou
massa)
p opondo
ou
não
uma
ou a comunidade
(Gadame .
Ac ualidade
do
Belo)
um
ou o
mundo.
A
angua da
acalen ou
a
ilusão
de
se
uma
o ca
polí ica
na
medida
em
que
ela ac edi a a
na
e icácia
dos
seus
meios
o mais;
po
ou o
lado
ac edi a
piamen e
que
adicalismo
o mal
encadeia
um
adicalismo
polí ico.
Não
deixou
no
en an o
de
se
em
ce os
momen os
a
celeb acão
da
comunidade
eal;
pensamos
conc e amen e
na
Po .
na
qual
a
sua
celeb acão
( olun á ia
ou
in olun á ia)
da
sociedade
de
consumo
ame icana
pode á,
oda ia
se
is a
como
apa en e
na
medida
em
que
é
mais
uma
celeb acão
e e encial
do
qu<;
p op iamen e
iden i ica ô ia.
Dize
que
a
Pop
az
a
publicidade
da
ida
ame icana
não é
o almen e
ce o.
Publicidade
é
o na
público.
A e
de
exe ce
uma
accão
psicolégica
sob e
o
público
com
ins
come ciais
e
polí icos
O a,
a
a e
Pop,
nenhum
mo imen o
al ez
enha
meios
e
capacidade
de,
po
si
mesmo,
aze
a
c opaganda
do
que
que
que
seja
sem
se
co-adju ado
po
ou as
mediacôes.
A
maio
pa e
das
ob as
do
im
dos
anos
sessen a
con e em
um
alo
âs
qualidades
es é icas
es anhas
â
a e
adicional
e
å
a e
modema
(do
Imp essionismo
a é
ao
Su ealismo
e
lExp essionismo
Abs ac o).
Eles
si uam
a
a e
de
p e e ência,
na
on ei a
da
não-a e,
na
zona
de
i dis incão
en e
juizo
con adi ô io
"Is o
é
A e"
e
"Is o
não
é
A e",
das
o mas
e
ma e iais
despe so alizados
ou
da
idiosinc asia
pessoal
(Beuys). A
nocão
de
uacabamen o''
desapa ece;
a
'sa is acão'
es é
ica o e ecida
é
da
o dem
da
ap op iacão,
da
in eg acão
de
ealidades
es e icamen e
mais
ecalci an es
ao
domínio
da
a e.
A
ep oducão
o og á ica
pe mi iu
ao
Museu,
como
idealidade
de
luga
de
acimulacão
e
de
p ese acão,
a
acessibilidade
e
p omiscuidade
de
ob as
díspa es
med/an e
um
p ccesso
de
des-
con ex ualizacão
e
de
e-con ex ualizacão
que
encon a
pa alelo
na
des-pe spec i acâo
ob ida
pelo
eng andecimen o/ampliacão.
O
«museu
imaginá io»
é
uma
espécie
de
ca álogo
o og á ico
de
de alhes
amphados
e
jus apos os
segundo
a inidades
o mais,
mais
ou
menos
sel agens,
obli e ando
a
di e sidade
das
o igens,
de
amanho,
na u eza
e
ma e iais
di e en es.
A
ap op iacão
da
o og a ia,
po
Wa hol
e
po
Rauschenbe g,
e
a
sua
inco po acão
nas
supe icies
das
suas
elas,
oma am
a
o og a ia
o
ins umen o
da
des uicão
da
au onomia
modemis a
da
pm u a
e
ambem
no
meio
pelo qual
os
á ios
objec os
que
o
museu
que
sis ema iz_
o
e-in adem
enquan o
he e ogeneidade
pu a.
Ce amen e,
es a
jogada
não
sô
coloca
a
ques ão
da
ex ingão
do
modo
de
p oducão
adicional
como
ambém
ques iona
as
ei indicagôes
de
au en icidade
de
aco do
com
as
quais
o
museu
de e minou
o
seu
co po
de
objec os
e
o
seu
campo
do
conhec
men o
(C imp-
1
34).
Comecou
com
eles
a
desin eg acão
das
on ei as
en e
a
a e
e a
não
a e.
Nos
anos
oi en a,
a
a e em
como
uncão
não
a
p oducão
de
imagens
mas
a
ú.
aze
ci cula
as
imagens
já
exis en es
po ela
ap op iadas
(simulacionis as
ame icanos;
«neo-Pop»).
25
Se
â
dimensão
u ôpica
da
angua da
co espondeu
umé
concepgão
uni á ia
e
p og essis a
da
His ô ia,
cujo
p o agonis a
cen al
se ia
o
(ideal
do)
homem
eu opeu
mode no
-
cujas
p opos as
o am
o
"design
gene alizado"
ou
o
esga e
es é ico
da
exis ência
medianie
a
uni icagão
do
belo
com
a
exis ência
(Ma cuse)
-
en ão
a
dimensão
he e o ôpica53
da
neo- angua da
de e
ao
econhecimen o
de
cul u as
di e sas
e
de
sub-
sis emas
in e nos
da
cul u a
ociden al
a
mul iplicagáo
do
belo.
ĩ
é
aqui
que
a
es e izagão
en onca
com
a
ques ão
do
plu alismo
e
com
a
e alidagão
do
his o icismo.
A
e alo izagâo
do
his o icismo
é
indissociá el
do
me cado
de a e
e
de
uma
c ise da
concepgão
uni á ia
da
his ô ia.
De
aco do
com
Pe e
Bu ge
o
plu alismo
a ís ico
em
que
i emos
-
uma
das
p e ensôes
da
neo- angua da
-
e ia
sido
an ecipado pelos
p ôp ios
mo jmen os
da
angua da
ao
e em
ans o mado
a
sucessão
his o ica
dcs
es ilos
e
p ocessos
numa
simul aneidade
do
adicalmen e
di e'so.
Nes e
p ocedimen o
es a ia
a
se
con es ado
o
esquema
his o ico
baseado
na
con inuidade
linea
de
um
es ilo
an igo
pa a
ou o es ilo
ode no
em
p o ei o
de
uma
c í ica
que
p ocede
pela
oposigâo
agonís ica
en e
o
an igo
e
o
no o.
Mas,
nesse
esquema
egis a -se-ia
a
p og essão,
ainda
que
po
sal os,
de
um
es ilo
no o
pa a
um
ou o
mais
no o
numa
escalada
supos amen e
impa á el
do
no o54.
Face
â
sensagão
de
que
apôs
o
Su ealismo
oco e am
apenas
e i als,
ais
como
"laba edas
que
pouco
du am",
em
ez
de
um
g ande
mo imen o
es é ico,
a
ela^åo
en e
a
His ô ia
e
A e
oi
de
algum
modo
queb ada55
em
p o ei o
de
uma
mul iplicidade
não
hie á quica
de
an as
ou as
cons elagôes
possí eis56
.
A
A
passagem
da
dimensão
u ôpica
å
dimensão
he e o ôpica
na
con empo anidade
ica
a
de e -se
aos
seguin es
ac o es:
c ise
da
concepcão
uni á ia
da
His ô ia;
c ise
da
ideia
de
p og esso
e
c ise
do
ideal
do
homem
eu opeu
mode no;
ac o es,
po
sua
ez,
associados
ao
ad en o
dos
meios
de
comunicacão
de
massa
( elema ica),
ao
im
do
impe ialismo
e
do
colonialismo
e
consequen e
independência
dos
po os
colonizados.
A
c ise
da
concepcão
uni ána
da
his ô ia
conduziu
a
uma
e alidacão
do
his oncismo
sendo
que
essa
e alidacão
é
ambém
indissociá el
do
me cado
de
ai e.
Es amos
no
empo
plu alis a
do
«não
impo a
o
quê»
pa a
a
a e.
Os
acon ecimen os
( im
co
colonialismo)
p o oca am
um
ombo
no
ideal
no ma i o
do homem
modemo
eu opeu
iden i icadc
a
essência
do
homem
( osse
eu opeu
ou
não).
4
A
p ôp ia
e são
o malis a
da
angua da
(Clemen
G eenbe g)
conse a ia
de
ce '.a
manei a
es a
c enca
na
con ínua
demanda
do
no o.
Cada
a is a
na
sua
uncão
de
conse acão
e
de
pu i icacão
das
a eses ana
a
bu ila
de
uma
de e minada
manei a
o
seu
p ecioso
diaman e
nu .a
de e minada
di isao.
Te minada
a
a e a,
echa ia,
pa a
semp e,
a
po a
a ás
de
si
e
oma ia
consigc
o
diaman e
e
o
como
(in ansmissí el)
da
bu ilacão.
5
O
que
le a
eô icos
como
Hal
Fos e
e
Benjamin
Buchloh
a
conside a o
uso
gene alizado
do
plágio
como
o
smal
de
ecusa
da
his o icidade
dos
meios
e
dos
ma e iais
a ís icos.
Mas
1
.I ez
seja
mais
posi i o
pensa mos
que
a
nossa
si uacão
es á
elacionada
com
um
no o
diag ama
de
c
cas:
uma
no a
elacão
en e
a
a e
e
o
empo
que
dissol e
a
his ô ia
de
a e
bem
como
uma
no a
elaoão
da
a e
com
o
espaco
que
dissol e
o
museu.
A
his ô ia
de
a e
é
is a
como
epe ô io, in en á io;
há
uma
conc ecão
de
empos
di e sos
no
qual
se
anulam
o
an igo
e
o
no o
oposicôes
com
as
quais
a
p ôp ia
mode nidade
abalha a
e
a a a
de
edesenha
pe manen emen e
o
jogo
de
o cas.
Mas
nem
udo
pode
se
ac uahzá el
ao
mesmo
empo
(Dan o);
dize
que
não
há
uma
his ô ia
de
sei ido
único
não
que e á
signi ica
ausência
o al
de
sen ido.
A
disponibilidade
das
imagens
não
que
dize
que
elas
es ejam
li es
da
his ô ia,
da
ideologia,
de
ou as
p á icas
discu si as
e
de
ins i uicôes.
uO
ecle ismo
his ô ico
do
pos-mode nismo
coloca
å
luz
a
ambi alência
da
ques ão
da
his o icidade;
o
e endo
ecle ismo
é
adical
ou
eaccioná io,
uma
supe acão
p odu i a
con a
a
adigão
au o i á ia
ou
26
exigencia
de
se
se
mode no,
que
ence a a
o
sen ido
de
oposicão
â
adicão,
as
o mas
de
pensamen o
e
cos umes
passados deixou
de
se
exe ce .
Daí
que
aca
sen ido
ap esen a
o
coleccionismo,
como
o
az
Va imo,
como
a
e dade
possí el
da
expe iência
es é ica
da
mode nidade
a angada.
0
uso
do
plágio
pode
se
is o
sob
es e
pon o
de
is a
não
como
um
sin oma
do
esgo amen o
mas
como
o
sinal
de
uma
no a
elacão
com
o
empo
que
a
a e
possui
na
con empo aneidade
e
que
au o es
como
Pe niola
designam
como
"e ei o
egípcio".
Pode íamos
dize
que
se
a a
de
uma
elagão
ans e sal,
oblíqua
com
o
empo
-
seguindo
a
e imologia
de
plagio
.
T a a-se
e
ce o
de
um
ac o
de
exp op iacão
mas
não
é
o almen e
pelo
con áno
uma
deshis o iza ão
í ola
que
congela
a
p ép ia
his ô ia
em
simples
o
ĩdas
eciclá eis
%zTc_oz
z
Eaa,e,on
ideoio9ia
da
Es é ica-
2i2)
<-*
°
^°
d°
^m_%__ z
es au apao
de
odas
as
ca egonas
do
his o icismo
(o iginalídade,
génio,
es ilo
e c)
na
iau a
de
P.casso
nos
anos
o en a
(po
exemplo,
a ado
po
C imp
77»
M-JL.
W"
å
1
acon
ece
l
cus^
de
elas
se em
de
ce a
manei a
pe e idas
e
se
oma em
os
signos
da
ecusa
ca
his oncdade
Es a
an.as.a
so
pode
se
epos a,
essusci ada
po
in e medio
da
conside acão
da
ob
ad a e
como
™*
unica
'
0n9'n,al;
d"°
de
°J, °
mod0'
a
expensas
de
um
P'u aHsmo
de
o iginai
em
e2
de
um
de
cop,as.
0
que
,n,c,almen e
cons i ui a
uma
écnica
ao
se i o
da
c i ica
do
modemismo
e
das
sua_
ThST^
Um
Sína'
d6
de níSSã°
dessa
uncâo
da
c mca
'P""^
°o
modem
Z)
No
undo
dan_;:n^ mS ,unj
a qui o
a
pa i
do
°uai
as
ope aoôes
°ombina,od-
*
-Æ
Te y
Eagle on
sus en a,
po
seu
u no.
que
não
é
possi el
esponde
a
es a
oues ão
do
h, onc,smo
sem
an es
p ooede
ao
exame
da
signi icacão
da
his ô ia
pa a
a
soc edade
bu
q°eså
ZL
T
laH°'
?'3
e e encia ia
a
nis o ia
como
au o idade,
oon.inuidade
e
he á
c e
po
ou. o
ea
nao
podepe de
empo
n,sso.
Tudo
depende
se
es amos
a
conside a
a
dimensão
^imboN^
ou
a
__TZ_
°"a
T
'em,
Um
PaPe'
V6ne á el
na
d,mensao
simbolica
e
con inuam
e
sb e ^a
n
?
EaaTeS
2_1l
,°"
P^ ologias
c uamen.e
p og essis.as
da
dimensão
p odu.i a.
S
iL™
,
,m
C°ncei,°
a
due
al a
aualQue
base
oe
uni«ade
ou
de
aulo-icen idade
nes a
o dem
soaal,
azao
pela
qual
se
oma
di icil
a alia
abs ac amen e
a
o ^a
polí ica
de
se
mexe com
e e
Conbnua
Eagle on
e e indo
a
dis.in?ão
de
W.
Benjamin
en e
hi^ ía
p
op ianen e d a
__
£_9Z
Sen"d°
dana a i a
dũs
despossuidos.
S6
a a és
de
uma
eminiscêncLTellucona ia
____
V
mem°.na
in olun a ia
de
P oos >
se
P°uia
'ibe a
es e
pode
pe igoso
eS™
. ad,?ao,
das
na ah as
da
classe
di igen.e
com
as
quais
es á
m.s.u ada,
e
essusci ;
-la
como
uma
es a.egia
pa a
e ela
o
p esen e
poli ico.
A
nos algia
e olucioná ia
eco a
o
empo
ans e^aîmenTe
queb ando
asua
con inu.dade
azia
e
num
elâmpago
ulminan e
de
co espond
^ciaTuSs a
__Tl7«TT<
^.
d°
"'^
°°m
Um
, a9men o
edimido
da
*is£S£
op in^dos
Is o
em,
segundo
Eagle on
(p.273)
uma
semelhan5a
mui o
supe icial
com
o
ecle ismo
p5s-mcSemi^a
Em
que
d e e
es e
ecle ismo
do
da
mon.agem
con as an e
do
no o
e
do
an ig^
e^
bZ
S
A
ad
9ao
benjam,n,ana
nao
é
uma
his o ia
au ônoma
e
sepa á el
que
lui
silenciosamem.
sob
a
hiSô ia
Hn
n
n
ISen,e'
assomb ando-a
como
u™
'an asma:
ela
é.
pa a aseando
e
ci ando
T
Eagle on
um
ca dap,o
de
cnses
ou
conjun u as
eoo en es
den o
dessa
empo alidade
o icial
d
o ma
qu
a
sub Heza.da
he neneu ica
his o ica
é
sabe
como
queb a
com
a
his ô ia
da
classe
di ig™ e
sem
S
e
pe de '
'un 0
com
ela-
<»
eeu^s
da
adi ão.
Benjamin
no
undo
sus enĩa
;
Sncia
d^
h,s onas
d ie en es
e
con adi o ias
e
que
não
se
a.a
de
as
opô
bina iamen.e
e
de
mann a
s
mp es
O
°°Â_
TSm°
ques l.onũu
audaciosamen.e
as
conceP?ôes
adicionais
da
e dade-
léndeTambém
_Z_.
1
3S
n°C0eS
de
Ve dade
p oduzida
po
seus
ad e sános.
P eso
ambém
as
a nadilha^
deolog,cas
pode osas
do
humanismo
libe al,
de
que
se
p e ende
sepa a ,
que
é
o
q^
355^3
uma
ela9ao
supos amen e
m mseca
en e
e dade
e
desin e esse.
Quan o
aos
e a.os
demaidameme
edu o es
e
elemen a es
das
di e sas
c í icas
é
0
de
imagina em
que
odas
as
id^M as
domZTs
ope am
necessanamen e
com
concei os
de
e dade
absolu os
e
au o-idên.icos
e
qu
e ia
øsla e
um
oque
de
.ex ualidade,
de
descons u9ão
ou
i onia
au.o- e lexi a.
No
undo
as
c i
ca
da
ideo
oa
a
s
ub alonza am
a
complexidade
p op ia
das
ideologias
hegemônicas
do
Ociden e
que
sl
_
Ípazes
de
uhhza
as
mesmas
a nias,
a
ao oi onia
e
au.o- e lexão.
A
escola
de
F ank u
como oub
s
S
do
P°!imH0
T0,
C°nSlde am
aS
'de0l09ias
he9emonicas
do
Ociden.e
baseadas
p in
pa
men e
nå
e dade
apod,c ,ca,
no
s,s ema
o alizado.
na
signi icacáo
anscenden al
na
LndamenLão
me a is.ca,
na
na u ahzaîão
da
con ingência
his ônca
e
numa
dinãmica
eleologica
naamen,a a°
27
um
oubo,
uma
compensacão
pa a
o
que
escasseia
de
um
clos
lados
É
ce o
que
em
sido
con undido
como
uma
al a
de
oz
p ôp ia
de
es ilo
p opno,
unico
e
ma ca
pessoal
(como
deseja
o
a is a
de
angua da)
que
é
conquis ada
e
não
es á
ã
disposicão.
Mas
o
plágio57
conside a
que
udo
es a, ja,
ai;
nao
ha
luga
pa a
in en a
uma
no a
linguagem;
apenas
há
que
epa a
o
ba co
no
al o-ma
e
não
p op iamen e
cons ui
um
no o
ba co
em
,
pieno
al o-ma .
A
expenência
es é ica
dos
úl imos
in e
ancs.
con o me
a imo,
ans o mou-se
de
al
manei a
que
já
não
é
possí el
ê-la
como
pu a
exp essi idade;
a
expe iência
es é ica
é
dada
como
expe iência
da
comunidade
opos a
å
expe iência
como
a aliacão
de
es u u as
Podemos
en ende
o
plagio
como
um
p ocesso
de
eciclagem,
que
é
a
consequência
da
es e izacao
gene alízada
da
expe iência58
e
a
o ma
da
sua
plena
ealizacao.
Es a
eciclagem
(de
modos,
ma e iais,
igu as
e
ges os)
pode
e ec ua -se
po que exis e
algu es
um
luga
da
a qui agåo
da
inlo macão
A
^0
Pe mi e
uma
maio
aP'dez
da
ci culacão
da
in o macão
A
mobjidade
das
modas,
o
museu,
o
me cado
são
os
luga es
da
ci culacão
de
objec os
que
desmis i ica am
a
e e ência
ao
alo
de
uso
e
são
pu os
alo es
d_e
oca
mone á ia
e
ambém
simbôlica
(como
ca ão
de
idenh icagao
de
g upos).
A
mediagão
da
a e
conduziu
auma
si uacão
pa alela
a
da
mediagão
da
his ô ia
e
dos
alo es;
es es
são
mais
uma
azao
pa a
in ocaoão
do
que
p op iamen e
pa a
inca nagão.
A
iis ô ia
e
os
media
ans o ma am-se
em
a qui os59
pa a
"cu -up".
É
nes e
pano ama
que
acon ece
a
omada
de
pala a
de
di e sas
subcul u as
o nadas
objec os
de
comunicacão.
Não
há
que
aze ,
como
nos
suge em
Clemen
G eenbe g
e
Ado no,
a
oposi?ão
agonís ica
en e
um
ce o
ipo
de
a e
( angua da)
e
os
media
(domínio
do
Ki sch)60
.
Não
há
que
e
seque
consa;m enSamen'e
^™"3
*M
^
*
^™
a°
<™»*™™
se
o nou
ela
p opna
um
p odu o
28
medo
dessa
in il agão
mú ua.
0
Ki sch
como
domínio
do
also,
da
côpia
adul e ada,
da
epe icão
do
já
ei o
é
uma
ca ego ia
es é ica
imp egnada
de
um
juizo
es é ico-mo al.
Ela
é
a
ca ego ia
que
se e
pa a
designa aquilo
que
ja
es a
dado
ou
já
sen ido
pa a
o
sujei o
essen i .
É
uma
p ô ese
do
seu
sen imen o,
da
sua
emocão,
do
a ec o
que
possibili a,
ao
sujei o
duas
coisas:
p escindi
de
sen i
quando
deseja
e
p eenche
com
o
já
sen ido
um
acuo
in eno .
E
o
domínio
do
já
sen ido.
0
consumido
do
Ki sch
é
um
also
en nloquo.
A
oz
e
a
ala
não
Ihe pe encem.
Ressoa
nele
uma
ou a
oz
que
ala
po
ele
con an o
que
ele
acei e
o
silenciamen o da
sua
oz
A
oz
p opna
e
ap esen ada
como
uma
possibilidade
de
odos
que
é
descobe a
apés
uma
a e a
á dua
de
bu ilamen o,
de
descobei a
0
que
a
o na
um
abalho
de
e
pa a
poucos.
Os
a is as,
os
poucos
são
os
cnado es
de
no as
linguagens
ou
os
pu i icado es
da
linguagem
da
ibo
A
oz
p opna
em
do
in e io
(inacessí el,
indizí el)
de
um
sujei o
cen ado
Angus iado
e
so ido,
ele
p ojec a
pa a
um
ex e io
uma
oz
que
o
ala
e
o
diz.
Quando
essa
oz
aba ada
não
i ompe
en ão
o
sujei o
é
um
alienado-
oi-lhe
exp opnada
a
linguagem
e
oseu
luga
na
linguagem.
Em
paga
não
e
desp o ido
de
odo
de
uma
espécie
de
alma.
Mesmo
que
ela
possa
se
uma
ilusao,
um
e ei o
de
p es idigi agão
ou
um
simulac o,
o
qu.
impo a
é
qU.î
_& !.æ
melh0
e
uma
sua
aPa ência
que
não
e
nenhuma
na
ealidade.
Quando
o
sujei o
p o oca
o
es aziamen o
no
seu
in e io
e
esse
azio
e
is o
posi i amen e
po
se
p odu o
da
sua
capacidade
de
se
ausen a
(apa en emen e)
de
uma
oz
e
um
es ilo
p ôp ios
<sle
não
se
o na
um
me o
consumido
passi o,
mas
passa
a
se
a
o na
de
um
abalho
de
sub accão
do
eu
(o
caso
de
Andy
Wa hol
é
exempla )
Esse
abalho
de
sub accão,
de
en iloquia,
ealiza-se
pela
in e -posicão
da
oz
imp opna
a
oz
p ôp ia;
nele,
abalha-se
a
indis ingão
en e
a
cz
p ôp ia
e
a
oz
imp opna.
Esse
abalho
con es a
a
ideia
de
uma
i e io idade
con apos a
a
uma
ex e io idade
que
de e
se
encida
e
ul apassada
po
uma
m e iondade
de
um
sujei o
cen ado
sob e
si
e
que
de
ão
cen ado
sob e
si
e
um
sujei o
deso bi ado
da
comunidade;
é
ainda
a
o ma
de
con es a
a
ideia
de
uma
essência
da
in e io idade
sinônimo
da
p ôp ia
pessoa.
Es a
úl ima
lei u a
admi e
a
agmen acão
do
p ôp io
suiei o
Pe mi e ambem
que
a
sua
in e io idade
seja
is a
mais
como
um
ex o
poli onico,
agmen ado,
no
c uzamen o
de
ou os
ex os.
A
in e io idade
é
admi ida
como
uma
cons ucão
pe manen e
(es é ica-mo al
e
social)
e
não
como
uma
essência,
a
se
descobe a,
desen e ada
al
qual.
Mas
o
que
sucede
quando
a
in e io idade
é
niilis icamen e
a i mada
pelos
sinais
da
sua
mexis encia?
Is o
é,
quando
a
oz
imp ép ia
é
ap esen ada
como
a
oz
p opna?
Quando
a
másca a
co esponde
pon o
po
pon o
co n
a
ca a?
n,_UÍ_°
" X""
Um
aC,°
de
obsolescência,
de
banaliza ão
das
imagens
mas
ainla
po aue
as
a '
a
neoaX P IOS
T"
^003™"1
'
^9'"™
dC
menSa9enS
)a
^™«^
^cZ-l
se
a aha,
negah amen e
es e
«consumo»
de
simbolos
a a és
de
,n en<;ão
de
no dades
(ioaos
supe ,c,a,s
como
os
da
moda)
que
não
possui iam
a
adicalidade
necessá ia
a
uma
ob a
<le
a e.
2<J
Quando
ja
nao
se
sabe,
se
é
o
en íloquo
que
ala
e dadei amen e
quando
ja
nao
se
sabe
se
a
oz
imp op ia
é
di e en e
da
ou a
e
já
não
se
sabe
de que
boca
ela
sai?
Quando
deixou
de
exis i
a
ensão
en e
uma
e dade
a
se
des endada
e
uma
men i a
a
se
subs i uída.
Quando
a
e dade
e
a
men i a
deixa am
de
se
e i icá eis.
Quando
em
ez
de
ingi mos
sen i
algo
e
passa mos
a
sen i-lo, pela
o ?a
do
nosso
es o co
e
alen o
de
ingimen o,
dizemos
nunca
ingi
e
se
semp e
e dadei os
al
qual
po que
nao
somos
capazes
de
dize
a
e dade
al
como
nio
sabemos
dize
a
men i a.
Não
sabemos
seque
onde
es á
uma
e
a
ou a
Quando
nos
encon amos
pe i icados
pela
e
na
oz
imp ôp ia.
En ão,
nesse
momen o
deixa
de
se
um
p oblema
a
conquis a
ou
a
pe da
de
uma
oz
p opna.
0
que
con a
é
ma e ializacão
de
uma
qualque
oz
Quando
passamos
a
se
a
caixa
de
essonância,
de
eco,
(sem
possibilidade
de
de e minacao
da
on e)
em
shu le
con ínuo. En amos
aqui
na
le eza
da
n olidade.
E
des e
espago que
Je
Koons
ala.
0
me cado
nao
é
o
luga
da
explo acao
mas
sim
o
da
negociacão.
É
o
luga
adequado
pa a
a i ma
a
au o-celeb acao
de
si
(p ôp io
ou
imp ôp io)
como
uma
ob a
de
a e
ou
como
uma
ma ca.
2.
Je Koons:
ep esen an e
da
angua da
mediá ica?
ZT-^a_^^^l^
eP eSen,ad°
Pe'°
***"
e
*
P-p°S,°
Jimenez)N°S
deSenh°S
anlma<"°S
"^
***
™°'
'
9U3lqUe
ima9em
p0de
se
"dual"lle
coisa"
<J°se
'Tudo
pa a
hoje;
nada
pa a
on em,
nada
pa a
amanhã."
(F ancis
Picabia)
A
un,ca
o ma
de
se
se
seguido
é
co e
mais
dep essa
que
os
ou os."
(F ancis
Picabia)
Koons
ans o ma
a
sua
a e
numa
ob a
de
au o-consag
cão
Faze
do
seu_
nome
ou
da
sua
assina u a
uma
ob a
de
a e
em-lhe
alido
acusacoes
de
se
o a
exclusi amen e
â
pu a
p omogão.
Apa e emen e
a
au a
da
ob a
pa ece
e
sido ans e ida
o almen e
pa a
o
p ôp io
a is a
Ele
e
o
sen ido
inal
da
sua
ob a.
0
seu
co po
(i edu í el
å
ob a
de
a e)
a
sua
ida
sao
sujei as
a
ans o magôes
mediá icas.
As
suas
ob as
e e em-
no
como
au o
e
como
pe sonalidade.
Elas
são
os
seus
ins umen os
de
ce
ebndade
e
sao
ainda
os
meios
de
comunicacão
com
o
seu
público
Pa a
es e
a is a,
o
publico
é
não
somen e
uma
dimensão
impo an íssima
da
a e
mas
o
opico
ulc al
da
sua
es a égia.
Segundo
as
suas
p ôp ias
pala as
epe idas
em
di e sas
ocasiôes,
a
a e
con empo ânea
so e ia
de
um
de ice
de
comunicagâo
ou
de
desa encão
aos
gos os
deseios
e
expec a i as
do
público.
Daí
que
ele
deseje
pa a
a
sua
a e
uma
imp essão
de
amiha idade
e
de
acessibilidade,
ana emizada
pelo
mDde nismo
g eenbe guiano.
.10
Reconhecendo
a
dominagão
con empo ânea
das
condigôes
espec acula es
na
cul u a
e
o
diagnôs ico
de
esgo amen o
do
an e io
pa adigma
da
angua da,
Koons
pa ece
e
agado
pa a
si
un
pe cu so
a ís ico
adequado6
Koons
não
enjei a á
quaisque
opo unidades
de
comunicagão
ou
de
p odugão
de
a engão
mediâ ica.
0
ecoihecimen o
público
e
a
consag agâo
de
uma
ca ei a
dependem g andemen e
dos
disposi i os
de
mediagão.
Assim,
deixa
de
es a
em
causa,
pa a
ele
e
pa a
ou os
a is as
sob
a
designagão
"pôs-modemos":
po
um
lado
o
ecusa
as
condigôes
do
me cado
de
a e,
em
pa icula
do
es a u o
do
objec o
de
a e
ans o mado
em
me cado ia;
po
ou o
lado
o
deseja
agi
di ec amen e
sob e
a
ealidade
po
in e médio
da
a e
-
po
conseguin e,
a
de
que e
a
subs i uigáo
da
ob a
po
um
abalho,
i ualmen e
polí ico,
na
on ei a da
a e
e
da
ida.
Koons
in eg a
na
sua
ob a
as
écnicas
da
«socedade
do
espec áculo»
e
oma
os
mass
media
como
o
modelo62.
Reclama
uma
media
a ,
uma
a e
'pública'63
cujas
condigôes
se iam
a
de
se
global
e
anscul u al.
Es as
condi?ôes
embo a
possam
se
is as
como
um
con a-
golpe
da
a e
â
usu pacão
da
sua
an e io
ungåo
de
mediado a
da
comunidade
pe pe ada
pelos
mass
media
ambém
podem
se
en endidas
como
a
en a i a
da
a e assumi
como
p ôp ia
a
ep odu ibilidade
impu á el,
po
hábi o,
aos mass
media.
Es e
con a-assal o
não
que
signi ica ,
assim
o
en endemos,
a
in e io idade
da
a e
--
masca ada,
mui as
ezes,
al ez,
sob
p e ensôes
de
eli ismo
--
ace
æs
media
con empo âneos,
is o
que
a
a e
não
padece ia
dos
mesmos
cons angimen os
dos
mass
media64
,
mas
a
a i mapâo
da
capacidade
compe i i a
da
a e.
Quan o
aos
modelos
das
suas
ob as,
ele
escolhe
aquilo
que
já
p é-
exis e
-
na
linha
do
eady-made
-
coleccionando
os
exempla es
que
es ão
in es idos
de
um
maio
pode
de
apelo,
de
p o ocagão
da
a e iQão
ou
de
Ac escen a íamos:
um
pe cu so
assen e
na
e icácia
se
bem
que
es a
dependa
ou
possa
depende
em
ce a
medida
da
adequacão
das
jogadas
âs
ci cuns âncias.
Um
ou o
a is a
ame icano,
Hans
Haacke,
cuja
ob a
se
ece
há
mui o
nas
b echas
in e s íciais
do
pode
poh ico
e
economico
m e sec ando
e
des iando
os
mass
media,
ad e e-nos
das
an agens
de
se
oma
a encao
as
o mas
e
linguagem
acessí eis
ao
g ande
público.
Nomeadamen e
a
publicidade
dela
ha ena
que
ap ende
as
écnicas
e
es a égias
da
comunicacão,
as
condicôes
de
elicácia
No
que
diz
espei o
a
sua
elacao
com
os
mass
media,
a
sua
es a égia
habi ual
é
a
de
se i -se
da
o ca
do
ad e sano.
Ou
seja.
o
des io
polí ico
dos
mass
media
se e
sô
pa a mos a
a
u ilizacâo
capciosa
dos
mesmos
pelo
ad e sa io.
Des a
ei a,
uncionando
sob
á ios
ní eis
de
in e pn. acão
e
não
desp ezando
o
pnncipio
do
di e imen o,
Hans
Haacke
con ibui
pa a
a
conside acão
da
o ca
polí ica
de
uma
a e,
menos
eso enca,
que,
com
e icácia,
in e pela
e
az
apelo
ã
so is icagão
do
público
_
Uma
a e
publica
con o me
os
e mos
de
Richa d
Wagne
em
A
A e
e
a
Re olugâo
e
no
en an o
ao
opos a
quan o
aos
meios
emp egues.
A
azão da
di e enga
eside
no
ac o
de
a
a e,
nes es
empos
de
essaca
pos- e olucioná ia,
se
ol a
ao
que
pa ece,
como
acon ecia
no
empo
de
Wagne
pa a
o
deus
do
nosso
empo,
o
dinhei o,
e
pa a
a
eligiâo
do
luc o
pondo
em
odopio
una
"cas a
de
mis i icado es",
em
elocub acôes
sem
im.
Po que
nes es
exis em
impe a i os
con adi ô ios:
con i e
a
banalidade
com
u
ino acão-
a
necessidade
da
di e enca
com
a
da
epe icão
e
ep odu?ão.
Temos
p esen e
a
an agem
da
a e
pode
pe mi i -se
ao
"abo ecimen o"
numa
an í ese
ã
a luência
excessi a
de
in o macão.
^l
adesao
do
publico.
0
uso
pa ôdico
que
az
da
publicidade
nos
seus
pos e s
de
p omocao
a
pa i
de
"Banali y",
a
sua
obsessão
pelo
look,
im
gos o
do
a i icio
e
do
jogo
com
as
apa ências
a es am,
em
nossa
opinião
a
impo ancia
a ibuída
po
ele
aos
disposi i os
de
mediccão
e
'de
legi imacão
das
ob as
e
de
si
enquan o
a is a.
Assim,
como
a
sua
es a egia
amo osa
com
a
mediá ica
Cicciolina,
pa a
acuisicão
de
isibilidade
mediá ica,
a es a
a
impo ância
con e ida
ã
medialidade
Tal
como
os
media
a a -se-ia
de
udo
abso e
pela
a e.
De
o ms
a
que
es a
possa
se ,
simul aneamen e,
o
ins umen o
de
manu encão
dc
seu
pode
como
medium
e
um
ac o
da
sua
c edibilidade.
0
es a u o
ms i ucionalizado
da
angua da
ge a
uma
sensacão de
descon o o
senão
mesmo
a
de
azio
quan o
å
legi imidade
e
se iedade
das
p e ensôes
angua dizan es
das
neo- angua das.
No
en an o,
Je
Koons
não
se
imobiliza
ace
ao
azio.
Acei ando-o,
ans o ma-o
numa
c iance
pa a
mani es a
publicamen e
a
sua
sobe ania
a ís ica
e
celeb a
o
seu
na cisismo.
A
designapão
" angua da
mediá ica"
aplica-se
å
neo- angua da
-
e
ao
a is a
a ado
nes as
páginas
-
que não
desp eza
o
sucessc
come cial
a
endabihdade
dos
seus
p odu os
e
a é
a
educão
da
angua da
a
imagem.
A
ms i ucionalizacão
da
angua da
possibili a
a
explo acão
de
es a egias
de
aquisicão
de
isibilidade
mediá ica
do
a is a
e
da
sua
ob a
sem
os
indicios
de
culpabilizacão
p ôp ios
de
mode nis as
e
angua dis as
Deixa
de
aze
sen ido
a
esis ência,
é
o
im
da
negagão
ou
da
c í ica
do
me cado
(do
alo
de
oca).
A
colusão
dos
a is as
com
as
ins i uigôes
de
legi imagão
é
desca ada,
anspa en e.
0
a is a
econhece
não
es a
mais
isolado
o gulhosamen e
na
a e a
de
de inicão
e
de
de e minacão
do
que
é
a
a e
e,
pa a alem
dis o,
econhece
que,
ao
conside a
a
in e acgão
com
o
cn ico,
com
o
publico
e
o
coleccionado
necessa iamen e
en ende
a
sua
ac i idade
p odu i a
sob
um
p isma
de
ecep i idade
do
me oado
-
ou
seja,
que
conside a
a
possibilidade
de
escoamen o
de
um
de e minado
p odu o^
da
sua
ac i idade.
Daí
que
os
a is as
eco am
de
o ma
sis ema ica
a
mé odos
e
es a égias
pa a
e o ca
a
sua
p ôp ia
posicão
e
p es igio
no
mundo
da
a e.
A
ma ginalidade
e
a
é ica
de
séc i ício
do
a is a
enam
inalmen e
acabado.
E
es e
se ia
um
dos
acos
do
pôs-
modemismo.
A
es e izacão
gene alizada
da
expe iência,
uma
es.pos a
que
se
o nou
iá el
oi
a
es e izacão
dos
seus
ges os
em
ob as,
imagens
e
poses
media icas.
A
es e izacão
gene alizada
engloba
a
a e
com
os seus
compo amen os
sociaís,
o
cul o
das
ede as,
a
o ganizacão
do
consenso
pelos
mass
media.
As
pala as
de
Agamben
a
p opôsi o
da
imagen
O
que
ob iamen e
não
se
pode jamais
ala de
ob a
no
sen ido
adicional.
O
p odulo
ss ia
uma
ob a
o ada
e
planeada
a
con ingênoia,
áe eme idade. á
obsolescência
e
â
mul iplicidade.
.2
Cicciolina
o
qual
oi
ans o mado
em
g ande
no ícia.
No a-se
uma
g adagåo
c escen e;
a
pa i
de
um
gôzo
com
o
joga
com
másca as
e
dis a ces
â
iden i icagåo
de
si
com
qualque
coisa
que
Ihe
poss;a
acon ece
-
mesmo
que
os
acon ecimen os
sejam p o ocados
po
si,
como
o
oi
o
seu
en ol imen o
com
Cicciolina
--
numa
ecep i idade
aosolu a
que
pe ence
a
quem
se
deixa
guia
po
a ec os,
paixôes
e
cap ichos
momen âneos
e
luc a i os
de
algum
modo;
num
ascínio
pela
e e sibilidade
(equidade?)
de
papéis,
po
exemplo,
en e
Cicciolina
e
ele,
ele
que
se
mos a
nas
imagens
em
"Made
in
Hea en"
em
pa cei o
de
Cicciolina
em
a e as
pelas
quais
ela
oi
celeb izada,
ambos
num
comé cio
de
p aze es
cuja
moeda
de
oca
é
a
isibilidade
mediá ica
mú ua;
um
g ande
acon ecimen o
a ís ico
e
mediá ico.
Uma
g adaQão
c escen e
semp e
endo
em
comum
um
mesmo
delí io
ou
ascínio
com a
nega<?ão
de
si,
do
seu
eu-p ôp io
e
com
o
quan o
es a
negagâo
CDmpo a
de
possibilidade
de
se
pode
e-con- igu a
sem
p econcei os.
De
pode
ambém
econ igu a
a
sua
p ôp ia
ida
como
uma
ca ei a.
A
ligåo
do
seu
sucesso
pode
se
esc i a
com
as
mesmas
pala as
com
(|ue
Luciano
Bene on
explica
o
da
Bene on:
a
" al a
de
p econcei os
é
que
explica
o
meu
sucesso"77 .
Mas
há
ainda
uma
ou a
g adacão;
2)
desde
uma
p á ica
de
ap op iagâo
e
de
eady-made
(de
bens
de
consumo
pa a
o
espago
domés ico)
a
uma
p á ica
de
pas iche
3
de
emake
( e e indo
bens de
consumo
imagé ico)
na
qual
se
mis u a
o
ab ico
manual
-
delegado
pa a
a esãos
con a ados
--
com
o
ab ico
ndus ial,
a
exposigão
de
um
disposi i o
de
neu alizagâo
de
di e engas
de
gos o
es é ico
(com
o
uso
de
ago
inoxidá el;
na
linha
anes ésica
do
'eady-made;
ou
com a
sua
pessoa
ao
en ol e -se
com
Cicciolina).
Senjo
que,
em
pa alelo,
o
a is a-emp esá io
como
concep ualizado
das
suas
ob as
enquan o
p odugôes
ou
lances,
ence a
um
p ocesso
de
neu -alizagão
de
esis ências
ou
p econcei os
-
median e
ce as
p o as
como
a
publici agâo
da
sua
«lua-de-mel»
sexual
com
Cicciolina
-
que
pudessem
obs ui
a
ans igu aQáo
con ínua
da
sua
iden idade78
.
É,
es a,
a
es a égia
mais
e icaz
pa a
que
se
espe e
de
alguém
semp e
ou o
desa io,
semp e
ou a
su p esa, ou o
escândalo,
po que
deixa
de
ha e
pa a
esse
alguém
limi es
å
sua
plas icidade
e
es a
pe da
de
consis ência
em semp e
odas
as
hipô eses
de
nos
di e i .
(A
is o
chamamos
algu es
espec acula izaQão
de
si
p ôp io.)
Falamos
de
p econcei os
sejam
eles
de
o dem
es:é ica,
mo al
ou
polí ica
que
pode iam
se
um
obs áculo
ou um
emba ago
sé io
a
essa
ans igu aQåo
con ínua,
azendo-o
«pe de
a
ca a»,
caso
ossem
aídos,
mas
deixam
de
o
se
po que,
po
um
lado,
são
ques iona
dos
na
a e
'
Exp esso,
suplemen o
Economia,
26
Ou ub o
de
1996.
A
his ô ia
de
Pigmalião
a inge
o
p ôp io
escul o
omado
como
escul u a.
uMade
in
Hea en"
pa ece
e-encena
pa odicamen e
es a
his ô ia
a a és
de
Cicciolina.
Nunca
o
caminho
li e
de
p econcei os
oi
o
caminho
abe o
ao
comé cio
com
os
p econcei os.
ĩ.
ans o mando
a
a e
(iden i ĩcando-a
com
o
eino
do
udo
é
possí el)
em
ins umen o,
já
não
pa a
choca ,
mas
pa a
(ao
menos)
su p eende ,
po
ou o
lado,
po que
depois
de
pe didos
não
se
pe de
mais
a
ca .a
pois
deixa
de
ha e
c i é ios
pa a
se
dize
quando
alguém
«pe deu
a
ca a».
Tendo
deixado
de
ha e
en a es
ao
p ocesso
de
apagamen o
de
si,
há
nes a
possibilidade
uma
ap oximagão
ao
que Baud illa d
ala
em
"Ssmiu gia
da
a e
con empo ânea".
Aí
ele
coloca
o
alo
do
ges o
(emblemc
do
es ilo
e
da
pessoalidade)
como
dependen e
da
assina u a
ou
da
cons i uigâo
do
au o ;
enquan o
o
que
az
Koons
é e i a
e
ao
mesmo
empo
mos a
(se indo-se
de
si
como
ma e ial
e
local)
como
não
exis e
anscendência
ou
in e io idade
associada
ao
os o.
As
eses
de
Benjamin
a
p opôsi o
da
ep odu ibilidade
ambém
se
aplicam
ao
os o
do
a is a
e
ao seu
p op io
co po.
Já náo
pa a
p o oca
(a
unpão
da
a e)
a
up u a
ma;;
p oduzi
a
di e enoa,
a
sua
di e enga
ace
a
an as
ou as
exis en es.
3)
do
expos o pode-se
adian a
que
a
ob a
de
Je
Koons
é,
em
ce a
medida,
o
seu
e a o
em
p og esso
como
exp essão
máxima
do
seu
indi idualismo
(se
en ende mos
o
indi idualismo
como
ideolocia mode na
con o me
a
qual
em
nome
da
libe dade
e
da
sua
au onomia
o
indi íduo
de e
ompe
com
a
he e onímia
das
adiQôes
he dadas).
Assim
como
a
a e
da co e
no
einado
de
Luís
XIV
oi
o
e a o
do
pode
absolu o,
de
uma
o alidade
ep esen ada
pelo
Rei-Sol,
hoje,
nos
nossos
dias,
a
a e
é
o
meio
de
au o- ep esen agão
do
indi íduo
num
empo
em
que
o
indi íduo
cump e
as
exigências
da
sociedade
bu oc á ica
(no idade,
no o
pelo
no o,
p odu o
e
não
c iado po que
o
que
sai
das
suas
mãos
não
são
ob as
mas
p odu os
e,
po
conseguin e,
o ados
desde
a
sua
o igem
â
obsolescência)
ao
mesmo
empo
que
esponde ia
â
p e endida
«necessidade
in e io »
de
se
exp essa .
São
ecompensados
aqueles
que
p osseguem
e
con inuam
os
alo es
libe ais.
Os
seus
p odu os
clamam
o
seu
es a u o
de
ins umen o
de
p omogåo
social
do
p ôp io
a is a.
Mas,
é
necessá io
se
p uden e
quan o
ås
conclusôes
des a
a i magåo
an e io ,
conclusôes
do
ipo
"en ão,
o
a is a
é
quem
impo a
mais,
mais
do
que
a
p ôp ia
ob a"(?!).
Koons
gos a
de
se
ep esen a
(nas
en e is as)
iel
aos
alo es
bu gueses
--
uma
p o a
do
seu
cinismo
( en e
a
uma
si uagåo
inelu á el
de
ecupe agão
das
angua das;
da
igu a
do
a is a
«boémio»;
sen indo-se
a
al a
de
di eccionalidade
u ôpica,
de
ôlego
de
eno agåo
ailís ica).
Ele
ocul a á
assim
o
seu
descon o o
ace
â
acomodaQão
â
es é ica
da
me cado ia?
Ocul a á
a
incapacidade
de
se
escapa
ao
pehgo
do
solipsismo
(que
a acou
a
angua da)
mesmo
adop ando-se,
ccmo
ele,
um
ocabulá io
mais
amilia ,
mais
comunica i o
com
o
público
(u ilizando
os
ecu sos
da
sociedade
espec acula )?
Sendo
assim,
não
se
es a á
a
con a ia
uma
das
condigôes
da
angua da
his ô ica:
a
da
ensão
pe manen e
com
o
g osso
do
público,
não educado
na
no a
lincuagem?
Ou as
ques ôes
no
en an o
se
colocam:
o
sucesso
de
um
a is a
40
pode á
signi ica
a
boa
saúde
da
(sua)
a e?
Se
o
que
ele
deseja
é
econquis a
a
e iciência
comunica i a
da
a e
( al ez
osse
melho
ob ê-la
a a és
dos
mass
media),
sal a
a
a e,
sal a
as
massas
( ão
desp ezadas
pelo
eli ismo
angua dis a)
en ão
o
que
ele
p opôe
como
mediedo ,
não
é
a
a e,
mas
a
si
mesmo.
O a
es a
a ibuigâo
a
si
p ôp io
de
seme
han e
a e a
ep oduz
de
ce a
manei a
a
e ô ica
habi ual
da
p opaganda
polí ica
-
«sem
nôs
o
caos»,
o
que
p essupôe
que
quem
não
ac edi a
ou
não
con e e
c édi o
é
con a
a
o dem,
a
necessidade
--
como
es a égia
de
cap u a
de
c edibilidade,
como
a ma
de
um
p ocesso de
mis i icaQåo
apesa
de
joga
pa odica
e
comicamen e
com
as
ideias
adqui idas,
adicionalizadas,
da
a e
mode na.
A
ins i uigão
social
da
a e
apoia -se-ia
como,
de
es o,
o
p ôp io
me cado
somen e
no
p es ígio
de
uma
assina u a?
0
seu
sucesso,
o
seu
cinismo
não
deixa
de
se
uma
ce a
espécie
de
denúncia
ao
apon a
qual
a
ia
disponí el,
ao
mesmo
empo,
que
e o pa
o
sen imen o
de
esgo amen o
e
de
clausu a
ou
sem-saída.
E,
simul aneamen e,
de
queima
a
adigâo
da
a e
mode na
acele ando-lhe
o
seu
im?
Je
Koons
é
uma
espécie
de
con olado
de
á ego
de
objec os,
imagens,
p odu os
e
me cado ias
pa a
o
cí culo a ís ico.
Age
como
um
coleccionado
que
ê
as
coisas
exis en es
no
mundo
como
sejs
modelos.
Modelos
sob e
os
quais
se
exe ce
o
domínio
e
sabe
a esanais
em
a o
da
imi acao
que
e
ecupe ada
nes a
es a égia
como
simula^ão
e
nunca
como
o ma
de
ap oximaQão
â
ealidade
ou
essência
do
mndo.
Agindo
como
coleccionado
esga a
o
que
é
ugi i o
e
ansi ô io
e
sal a
da
ameaga
de
desapa igão.
Sô
que
enquan o
coleccionado ,
ele
simula
os
modelos
quo idianos
e
nâo
aqueles
de
an e io idade
his ô ica
ou
cul u al.
Es es
modelos
sâo
em
si
mesmos
deg adados.
A
sua
eplica<?âo
e
imi agâo
unciona
como
espos a
a
uma
necessidade
de
dis ância
es é ica
-
-
pe mi indo
que
se
possa
e
a
banalidade
--
is-â- is
a
ida
quo idiana
e
ao
mesmo
empo
como
ompe-l'oeil
da
banalidade
(ilusão).
O
banal
adqui e,
pela
imi aQão,
o
mesmo
p es ígio
popula
que
ou o a
e iam
ido
as
idealizagôes
de
pe sonagens
do
passado.
41
is ^^
íp
Jíl
--__
/^mM^.
.&.
jm
c'i^-^m
í.-í'^'-ũ
.
:4
i
^k
*•
DR.
DUNKENSTEIN
-_.-;.
—
~-.~
-
-
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-
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^•» - » .( ~ - :«Ti :wii*:*:'i
»«•»-■
**«-_,
*.-»<*•«■.
«-<-"■«
_
1
»p
•*}**•
Lis a
de
ilus agôes:
1
-
The
New
Je
Koons,
1980
Du a an,
106.7
x
81
.3
x
20.3
cm
2
-
New
Hoo e
Deluxe
Shampoo
Polishe s,
1980-86
T ês
shampoo polishe s,
plexiglas,
luzes
luo escen es
142.2x91.4x38.1
cm
3
-
New
Hoo e
Deluxe
Shampoo
Polishe s,
New
Hoo e
Quik-B oom
New
Shel on
We /D ys
T ipledecke
1981-87
T ês
shampoo polishe s,
ês
aspi ado es,
plexiglas
231.1
x
137.2x71.1
cm
4
-
Po meno
de
Two
Ball
50/50
Tank,
1
985
5
-
Th ee
Ball
To al
Equilib ium
Tank,
1985
Vid o,
ago,
eagen e clo i o
de
sôdio,
água
des ilada,
bolas
de
basque ebol
153.7
x
128.8
x
33.7
cm
6-
D .
Dunkens ein,
1985
Pos e
Nike
emoldu ado,
1
1
5.6
x
80
cm
7-Moses,
1985
Pos e
Nike
emoldu ado,
115.6
x
80
cm
8-Aqualung,
1985
B onze
68.6
x
44.5
x44.5
cm
9
-
Jim
Beam
--
J.B.
Tu ne
Engine,
1986
Ago
inoxidá el
e
bou bon
27.9
x
43.2
x
16.5
cm
10-
Jim
Beam--
J.B.
Tu ne T ain,
1986
Aqo
inoxidá el
e
bou bon
289.6
x
27.9
x
16.5
cm
11
-
S ay
in
Tonigh ,
1986
Ôleo
sob e
ela
124.5
x
121.9
cm
con ian e
--
como
se
o
osseyá naquele
ins an e
--
iesse apenas
cons a a
e
au en i ica
a
ac ualizagåo
dessa
igu a
de a is a que
Koons
a ou
de
"enca na ".
"The
New
Koons"
ep esen a
linguís ica
e
o og a icamen e
a
pe sonalizagão
do
a is a.
Essa
pe sonalizagão
consis e
na
ec iagão
de
si
mesmo
em
coincidência
consigo
numa
indi idualidade
de
sín ese
o mada
po
in e médio
de
signos
dis in i os.
A
imagem
o og á ica
iden i ica,
deíc icamen e,
Koons
enquan o
jo em. Mas,
na
e dade,
o
que
o
í ulo
az
é
ou a
coisa.
0
í ulo
não
iden i ica
a
'pessoa'
e a ada
com
as
suas
di e engas
eais,
exclusi as
-
al
como
a
adigão
ociden al
o jou
a
'pessoa'
como
alo
absolu o
-
mas,
isso
sim,
iden i ica
o
nome-p ôp io,
gené ico,
de
um
p odu o
indus ializado
e
come cializado.
"New
Koons"
em
con ex ualiza
e
implica
o
seu
au o
como
equi alen e
a
mais
um
modelo
de
aspi ado es:
"New Hoo e ".
0
í ulo,
na
elagâo
es abelecida
com
a
imagem,
es azia
a
'in e io idade'
do e a ado.
É
um
bom
comen á io
â
obsessi a
p odugâo
de
di e enga
no
in e io
da
sociedade
de
consumo.
Bas ou,
a
Koons,
mui o
pouco,
pa a
e
o
p aze
de
a i ma
a
sua
pe sonalidade
e-encon ada
-
pa a
se
ele
mesmo
mais
do
que
nunca.
Uma
coisa
é
ce a:
o
oma -se
a
si
p ôp io
como
objec o,
enquan o
me cado ia/signo,
(a
di e enga
uncional
a
joga
com
a
di e enga
es a uá ia)
i á
o na -se
no
seu
pe cu so
uma
cons an e
a
ní el
p omocional,
mediá ico
e
a ís ico.
Sabemos,
pelos
ca azes
de
p omogão
da
exposigâo
indi idual
de
1988,
"Banali y",
ealizada
como
odas
as
ou as
em
ês
cidades
(No a
lo que,
Colônia,
Chicago),
que
ele
não
inclui
qualque
e e ência
ao
í ulo
da
exposigão- ou .
Apenas
são
designadas
da
seguin e
manei a:
"Je
Koons",
mais
a
imagem
ac ual
de
co po
in ei o
e
a
mengão
da
gale ia
de
a e
de
cada
cidade. Cada
o og a ia publici á ia
espei an e
â
exposigão
é
pensada
como
se
de
uma
campanha
publici á ia
ou
elei o al
se
a asse.
Pa a
isso,
eco e
a
odo
o
ipo
de
especialis as
da
imagem
--
ao
o ôg a o
e
es ilis a
de
Michael
Jackson,
po
exemplo.
Assume-se,
na
ealidade,
no
seu
papel
de
a is a,
do a is a- ede a
ou
es ela.
Nesse
plano
ensaia'um
p incípio
de
eciclagem
pe pé ua
pela
indexagão
num
côdigo
de
pe sonalizagão.
Nesse
plano,
como
nos
ad e e
Baud illa d,
a
"pessoa"
como
ins ância
de
de e minagão,
na
sua
"libe dade",
desapa ece
pa a
da
luga
a
um
es ado
de
se
em
mobilidade
que
se
aduz
em
cumplicidade
de
se
se
apenas
e mo
de
" elagôes
múl iplas
de
in e - elagôes mô eis",
ou
seja,
de
se
encon a
na
in e secgão
dos
ou os.
Nesse
espago
in e s icial
ele
p ojec a
sob e
si
igu as
(po
exemplo,
a
do
yuppie- einado
de
animais
ou
a
do
líde
de
uma
classe
de
aula)
en ol idas
em
si uagôes
di e en es
de
«comunicagåo».
Demanda
da
o ogenia
que
as
o og a ias
c iam
e
náo
des endam.
Pois
que,
a
o ogenia
"é
a
aculdade de
se
consegui em
o og a ias
que
ão
mais
longe
do
que
o
objec o
eal"5
.
É
a
aculdade
de
o
o na
numa
mul iplicidade
i ual
de
igu as.
5Michel
Tou nie ,
1986;
11.
4S
No
início
dos
anos
no en a,
ao
lado da
po no-s a
e
depu ada
do
pa lamen o
i aliano,
Cicciolina,
Koons
culmina á
es e
p ocesso.
"Equilib ium"(1985)
uO
capi alismo
sob e i e
o cando
a
maio ia
que
explo a
a
de ini
os
seus
p op ios
in e esses
com
a
maio
mesquinhez
possí el.
Ou o a,
isso
conseguia-se
pela
misé ia
gene alizada.
Hoje,
nos
países
desen ol idos,
es á
a
consegui -se
pela
imposicão
de
um
also
c i é io
do
que
é,
ou
não
desejá el."
(J.
Be ge )
Se
a
an e io
sé ie
de
objec os
consis ia
basicamen e
num
p olongamen o
da
adigâo
do
eady-made,
po
uma
ans e ência
e
e-
con ex ualizagão
de
objec os
indus iais,
no
espago
ins i ucional
da
a e,
a
sé ie
seguin e,
"Equilibhum"
acen uou
ou o
ipo
de
p oblemas.
Ela
em
ea a
p ocedimen os
de
duplicagão
e
de
'indus ializagão'
da
p odugåo
a ís ica
que
ca ac e iza am,
espec i amen e,
a
Pop
A
e
Minimal
A .
Es a
sé ie
necessi ou
dos
se igos
de
especialis as
na
undigåo
das
ob as
-
-
cujos
modelos
são
objec os
p oduzidos
em
sé ie
--
e
dos
conhecimen os
do
ísico,
Richa d
P.
Feynman6
pa a
encon a
um
meio
de
suspende
as
bolas
de
basque ebol
em
água.
Toda
a
p odugâo
des a
sé ie
é,
po
ele,
supe isionada
em
odas
as
suas
e apas.
Je
Koons
con essa
exigi ,
dos
undido es
das
suas
pegas,
a
imi agåo
exac a
e
pe ei a
de
odos
os
aspec os
de
um
objec o-como-
modelo,
inclusi é
daqueles
po meno es
apa en emen e
aciden ais7
-
de ei os
de
ab ico
-
suscep í eis,
po
isso,
de
se em
sup imidos.
A
pa i
des a
al u a,
a é
"Made
in
Hea en"
inclusi é,
cada
um
dos
seus
objec os
pe ence
a
uma
edigão
de
dois
ou
ês
exempla es8
.
Um
po meno :
os
a esãos
podem
assina
as
suas
pegas.
Jocosamen e,
num
ilme
ealizado
em
1992
sob e
si,
comen a
a
p e ensão
dos
seus
a esãos
se
e em
como
os
e dadei os
a is as
quando,
po
compa agâo,
é
ele
quem
o
é,
sendo
o
mais
bem-pago,
o
mais
amoso,
quem
os
expôe
e
se
ap esen a
como
o
p op ie áho
da
p odugão.
A
sé ie
de
ob as
con ocando
o
mundo-do-despo o
desdob a-se
em
ês
sé ies:
In o macão
dada
pelo
a is a
a
An hony
Haden-Gues
in
Je _Koons
Angelika
Mu hesius
(ed),
Colônia
Benedik
Taschen,
1992.
" he
cas
pieces
a e
main aining
he
in eg i y
o
he
objec
o
such
a
deg ee
ha
my
hand,
my
own
physical
in ol emen ,
disappea s.
No hing
is
done
o
al e
he
iewe 's
con idence
in,
o
psycological
pe cep ion
o ,
he
objec .
Any
diminishmen
o
inc ease
o
i s
impe ec ions
would
a ec
i s
abili y
o
con ince
in
he
a ena
o
display;
and
o al
con idence,
o al
con ic ion,
a e
essen ial
i
hese
wo ks
a e
oachie e hei goal."
(Gianca lo
Poli i,
Je
Koons
Flash
A í,
132,
Fe .
Ma .
1987;
161)
8
Ve emos,
no
en an o,
em
"Made
in
Hea en"
eapa ece em
algumas
ob as
de
p o a
única
do
a is a.
46
1a)
uma
sé ie
de
ob as
consis indo
na
ime são
o al
ou
pa cial
na
água
de
bolas
de
basque ebol
a
lu ua em,
ao
mesmo
ní el,
numa
espécie
de
aquá ios;
2a)
pos e s
publici á ios
da
"Nike"
emoldu ados
cujas
ma izes
são
as
o iginais
e
nâo
o og a ias
de
o og a ias9
;
3a)
e-makes10
em
b onze
(sem
pin u a
imi a i a
pos e io 11)
de
ins umen os
de
despo os
sub-aquá icos
(cole e,
ubo
de
espi agâo,
bo ija
de
oxigénio
cole e
sal a- idas,
ba co de
bo acha)
e
bolas
de
basque ebol
ou
de
u ebol
em
b onze,
que,
des e
modo,
pa ecem
ossilizados
na
sua
des uncionalidade.
Des uncionalidade
que
ilus a
e
epe e,
de
ou a
manei a,
o
p ocesso
de
conse agåo
ou
de
p ese agâo
que
imos
ope an e
na
sé ie
de
ob as
"The
New".
Os
aquá ios
pa alelipípedos,
assen es
em
qua o
pés
( o almen e
cheios
de
água
des ilada pa a
a
ime são
o al
das
bolas;
po
me ade
da
sua
capacidade,
pa a
a
ime são
pa cial
--
me ade
--
das
bolas)
são
Em
con aposicão,
å
p á ica
de
e-enquad amen o
de
o og a ias
exis en es
de
a is as
como
She ie
Le ine
ou
Richa d
P ince,
Koons
espei a
a
in eg idade
especi ica
das
imagens
ap op iadas.
Pa a
isso,
a
u ilizacão
das
ma izes
dos
anúncios
é
negociada
legalmen e
com
as
emp esas
publici á ias
-
an o
em
The
Equilib ium"
quan o
em
"Luxu y
and
Deg ada ion".
A
u ilizagão
das
ma izes
é
condicão
necessá ia
pa a
que
as
suas
ob as
espei em
a
iden idade
especí ica
dos
objec os
duplicados.
No
con ex o
de
uma
ob a
cons uída
po
ou os
execu an es,
que
não
o
au o ,
as
ma izes
são
uma
ga an ia
c ucial
na
manu encão
das
in o macôes
espei an es
ao
objec o
a
duplica ;
já
que
elas
são,
em
p incípio,
mais
p ecisas
do
que
os
esbocos
ou
ano acôes.
As
suas
ob as,
a
g ande
maio ia
delas,
são
de e minadas
nume icamen e
(a é
ês
exempla es
de
cada
peca,
no
máximo).
Sob e
es a
p oblemá ica
da
"ma iz",
concei o,
ipos
e
uncôes,
c .
Luis
P ie o
"Le
My he
de
L'O iginal"
em
Gé a d
Gene e
(ed.)
Es hé ique
e
Poé ique.
Pa is,
Seuil,1992.
D
Remakes
ou
ep oducôes
segundo
a
e minologia
de
Luis
P ie o
no
já
mencionado
"Le
My he
de
L'O iginal".
P ie o
es abelece
uma
dis incão
en e
a
copia
e a
ep oducão.
A
côpia
implica
a
omada
de
um
o iginal
como
um
"sinal".
As
in o macôes,
espei an es
â
iden idade
especí ica
(cons ĩ uin e)
da
ob a
a
copia ,
en ol e
semp e
um
ce o
g au
de
in e p e acão
do
copis a.
Es e
escolhe
as
ca ac e ís icas
pe inen es
e
não
pe inen es
de
um
objec o;
a
sua
classi icacão
depende
uma
hipô ese
sob e
os
pa âme os
conside ados
pe inen es
das
ob as
p o indas
de
uma
de e minada
a e.
A
ep oducão,
implicando
o
ap o ei amen o
da
ealizacão
o iginal
de
uma
ob a,
omando-a
como
ma iz,
en ol e
um
g au
mínimo
de
in e p e acão.
Um g au mínimo
in ansponí el,
mui o
embo a,
a
a e a
ique
a
ca go
dos
meios
écnicos
de
ep oducão.
É
que
es es
ambém
uncionam
como
i os
-
sô
que
são
il os,
no
limi e,
endencialmen e
neu os,
na
medida
em
que
numa
ep oducão
se
p ocu a
p oduzi
um
objec o
com
o
máximo
de
ca ac e ís icas
possí eis
do
o iginal.
A
maio
quan idade
de
in o macão
con ida
numa
ep oducão
é
uma
ga an ia
de
que
as
ca ac e ís icas
pe inen es
do
o iginal,
omado
como
meio
ma e ial
pa a
p oduzi
ealizacôes
não
o iginais
(ma iz),
o am
'p opagadas'.
Os
moldes,
os
nega i os
o og á icos,
e c.
são
exemplos
de
ma izes.
Luis
P ie o,
no
im
do
a igo,
essal a
a
indis incão
en e
o iginal
(p odu o
de
uma
in encão:
a
de
um
concei o,
de
uma
iden idade
especí ica
do
objec o
e
não
a
do
objec o
ealizado)
e
ep oducão
g acas
å
so is icacão
dos
ac uais
meios
de
ep oducão
que
pe mi em
a
passagem
da
o alidade
das
ca ac e ís icas
(pe inen es
ou
não)
de
um
o iginal.
A
consequência
lôgica
é,
na u almen e,
a
de
que
as
ep oducôes
podem
se
conside adas
ealizacôes
de
uma
ob a.
É
acei e
como
ealizacão
de
um
objec o
(não
o iginal),
aquela
que
possui ,
e ec i amen e,
a
iden idade
especí ica
cons i uin e
da
ob a.
11
Pensamos
nos
b onzes
pin ados
de
Jaspe
Johns
a
pa i
de
objec os
quo idianos
ealizados
nos
anos
sessen a:
a
la a
de
ca é
Sa a in
com
os
pincéis
sujos
de
«molho»;
as
duas
la as
de
ce eja
Ale.
A
pin u a
dos
ô ulos
â
mão
li e
e
das
manchas
de
in a
sob e
os
pincéis
sob e
as
supe ícies
ocul am
o
b onze
no
qual
as
o mas
dos
objec os
e e idos
o am
undidas.
A
supe ície
pin ada
é
um
signo
como
o
é
o
objec o
duplicado
nou o
ma e ial.
A
duplicacão
de
um
objec o
quo idiano,
em
ou o
ma e ial,
ac escen a
pe enidade
e
uma
ou a
iden idade
ao
objec o-modelo
ou
ma iz.
47
cons uidos
com
os
seguin es
ma e iais:
id o,
ago
pin ado
de
p e o
e
um
eagen e,
clo i o
de
sôdio.
As
suas
dimensôes
eais
a iam,
em
comp imen o,
consoan e
o
núme o
de
bolas
lu uan es.
Esses
anques,
di e enciá eis
das câma as
a den es
dos
aspi ado es,
são
os
luga es
(sub-
aquá icos)
de
ixagão,
do
mo imen o
imobilizado
das
bolas
de
basque ebol.
Neles,
em
luga
a
e acgão
e
a
mul iplicagåo,
po
e lexão,
das
bolas
de
aco do
com
as
posigôes
ela i as
do
obse ado
aos
lados
dos
anques
--
p incipalmen e,
nos
algados
des es
--
e,
em
ungão
da
quan idade
de
água
dos
anques.
A
mul iplicagão
especula
das
bolas,
no
seu
in e io ,
aca e a
a
consequen e
sensagão
de
dila agão
da e dadei a
dimensão
dos
anques.
Quando
as
bolas
es ão
pa cialmen e
ime sas
--
com
o
ní el
de
água
a
di idi
a
me ade
cada
bola
--
apenas,
na
me ade
in e io
do
anque
(abaixo
do
ní el
de
água)
oco e
a
e acgão
e
a
mul iplicagâo
ho izon al
das
me ades
in e io es
de
cada
bola,
numa
e iden e
mani es agão
de
disjungão
ôp ica
das
duas
zonas
do
anque
e
das
pa es
de
cada
bola;
pelo
con á io, quando
es ão
o almen e
ime sas,
dá-se
uma
homogeneidade
dos
enômenos;
ou
seja,
a
mul iplicagâo
i ual
das
bolas,
po
se
in eg al,
não
des ôi
a
pe cepgáo
da
o alidade
de
cada
bola
nem
a
pe cepgão
da
al e agão
ôp ica
da
o alidade
do
aquá io.
Os
í ulos
dos
anques
são
enunciados
pela
seguin e
o dem:
"
(n°
de
bolas)
em
anque
de
equilíb io
o al"
(pa a
anques
o almen e
cheios
de
água)
e
"
(n°
de
bolas)
em
anque
de
equilíb io
50/50"
(pa a
anques
com
água
em
me ade
da
capacidade
do
aquáho).
São
desc igôes
écnicas
que
são
comple adas,
ainda,
pela
e e ência
âs
insc igôes
de
cada
bola
de
basque ebol.
Exemplos:
"Th ee-Ball
50/50
Tank
(Two
D .
J.
Sil e
Se ies,
Wilson
Supe sho )"
(1985)
ou
"Two-Ball
To al
Equilib ium
Tank
(Spalding
D .
J.
Sil e
Se ies,
Wilson
Ag esso )"
(1985).
Modelos
de
equilíb io
ou
simulac os
de
equilíb io,
es es
anques,
não
eme endo
pa a
além
de
si
mesmos,
p opôem
uma
dimensão
alucina ô ia
â
expe iência
pe cep i a
do
obse ado .
Tea ais,
na
elagão
com
o
obse ado ,
pe mi em
que
es e,
po
um
lado,
os
pe ceba
como
me os
--
apesa
de
absu dos
--
anques
com
água
e
bolas
a
lu ua em
e,
po
ou o
lado,
como
me á o as
da
conse agão
de
um
es ado
ísico
de
equilíb io,
pe cep í el
como
imobilidade
e
imponde abilidade pa odoxais.
Cada
anque,
al
como
um
disposi i o
labo a o ial
de
conse agão
biolôgica,
mos a
a
conjugagåo
do
o gânico
e
do
ino gânico,
ou
do
i o
(co 7.o
bola)
e
do
mo o
(como
pa agem
imobilizan e
de
uma
simples
bola),
p ese ada
pa a
além
do
empo
his ôhco12
.
A
imobilizagão
das
bolas,
nesses
anques
n
A
u ilizacão
a ís ica
de
i inas
segue
o
mesmo
p opôsi o
de
musei icacão
do
p esen e,
do
ins an e,
es e ilizando
ou
man endo
imaculados
os
objec os.
Re i a-os
do
ciclo
de
deg adacão,
da
usu a,
pa a
os
e ichiza
como
me cado ia- e iche
ou
como
esou os.
As
caixas-
ou
malas-museu
de
Ma cel
Duchamp
são
um
an eceden e
p o á el
des es
objec os-
monumen os,
como
as
i ines,
que
in eg am,
an ecipando,
o
p ocesso
de
musei icacão
da
ob a
de
um
a is a
mode no.
Enquan o
as
p a elei as
de
Haim
S einbach
uncionam
como
p a elei as
de
con on acão
de
ipos
de
objec os (de
design,
a esanais
ou
Ki sch),
as
i ines
de
Joseph
Beuys
são
4X
de
e acgão,
ge a
no
obse ado
in e p e agôes
e
pe cepgôes
ôp icas
e ôneas
is o
que,
nos
anques
e e idos,
se
e i ica
uma
disjungão-
conjungåo
pe manen e
e
ins á el
en e
o
odo
e
as
suas
pa es;
en e
o
con inen e
e
o
con eúdo;
en e
as
dimensôes
objec i as
dos
objec os
e
as
suas
escalas
disco dan es.
Sô
po
isso
cabe ia,
com
jus iga,
a
es es
anques,
a
denominagão
'modelos de
in e p e agão
pe e sa'.
Os
pos e s
encenam
as
mais
di e en es
si uagôes
comunicacionais
nas
quais
a
ma ca
"Nike"
apa ece
como
chancela
e
p o agonis a
em
pa idade
com
os
ídolos
de
basque ebol.
0
logo ipo, ubíquo
no
can o
supe io
di ei o
de
odas
as
imagens,
apa ece
epe ido
nas
mais
di e sas
escalas,
planos
e
p o undidades
sob
os
mais
di e sos
dis a ces.
Uma
banda
ho izon al,
isualmen e
a iada,
em
que
odas
as
imagens
se
apoiam,
se e
de
supo e
de
insc igão
de
uma
legenda
iden i icado a
do
objec o
o og a ado.
Analogamen e
å
e ec uada
ope agâo
de
e-
ap esen agâo
dos
aspi ado es
e
de
si
p ôp io,
o
a is a
e-in oduz
no
con ex o
gale ís ico
as
o mas
de
p odugåo
igu a i a
da
cumplicidade
en e
publicidade
e
o
despo o,
a
p odugão
de
p es ígio
da
elagão
en e
a
ma ca
de
p odu os
e
o
nome
da
es ela.
Simula
a
equen e
ope agão
de
anexagão
mú ua
da
ma ca
e
da
es ela.
A
aga
neg a
apa ece,
nesses
anúncios,
associada
ao
mundo
do
basque ebol
e,
dessa
manei a,
a
"supo a "
a
p omogåo
da
"Nike".
Medianie
a
publicidade
da
ma ca,
os
ídolos
con ac am
com
o
seu
público;
a a és
dos
ídolos,
a
ma ca
ê
ampliadas
as
possibilidades
de
me cado
mais
o
seu
p es ígio.
Se
o
dispêndio
sump uá io
ansmu a
o
alo
de
oca
economica
em
alo
de
oca
simbôlica
e
em
alo
de
oca-signo
-
como,
aliás,
se
e i ica
no
leilão
de
a e
--
en ão,
podemos
comp eende
a
homologia
en e
as
es elas
do
despo o
(como
alo es-signo)
e
as
ob as de
a e
(supe -
signos).
A
aga neg a,
po
in e médio
das
suas
es elas
do
basque ebol,
apa ece,
na
publicidade,
o a
a
e-enca na
he ôis
mí icos
da
aga
b anca
o a
a
se
uma
sua
enca nagåo
especí ĩca.
Como
exemplo
do
p imei o
caso:
o
pos e
in i ulado
"Moses"
cujas ambíguas
elagôes
en e
a
imagem
e
a
pala a
são
aduzí eis
na
homonímia
"Moses",
o
jogado ,
e
Moses,
a
igu a
bíblica.
As
" a essias"
he ôicas
ealizadas
no
basque ebol
são
a es adas
pela
"Nike"13
ec i icando
a
au en icidade
dos
no os
«deuses»
ou
ídolos14.
Po
isso,
o
nome
"Moses",
localizado
na
banda
ho izon al
in e io
da
imagem,
es á
esculpido
em
má mo e
-
signo
de
imo alidade.
como
museus
(ap op iando
mobiliá io
de
museus
a queo-,
an opo-,
e nolôgicos)
e-a umando,
e-
classi icando
os
es os
das
suas
ac i idades
plu ais.
As
caixas
de
Joseph
Comell:
uma
espécie
de
museu
an ás ico-exis encial.
As
pin u as- e ospec i as
de
Andy
Wa hol.
Jeanne
Siegel
in
A s
Magazine,
Ou ub o
1986
:
"Je
Koons:
unachie able
s a es
o
being".
Koons
associa
as
Nikes,
deusas
mi olôgicas,
ås
se eias
en ado as
enquan o
igu as
da
men i a
pa a
aumen a
a
dimensão
simbôlica
des a
sua
ligacão,
enquan o
a is a.
â
Nike.
Idolo
(Eidôlon
)
e ia
signi icado
an asma
dos
mo os,
espec o
indo
depois
a
signi ica
imagem
ou
e a o.
R.
Deb ay
in
La
Vie
e
Mo
de
l'lmage:
19.
49
Os
campos
de
jogos
não
são
unicamen e
os
luga es
da
mani es acão
do
alen o
e
da
pe o mance
dos
jogado es
mas
são
ainda
os
luga es
da
opo unidade
social.
E
en ão
que
o
alen o
se
mos a
como
o
meio
de
anspo
as
ba ei as
sociais
e
aciais.
Neles,
a
'jus ica'
pa ece
e
sido
aphcada
sem
eceios
nem
a o .
A
uncão
da
"Nike"
pa ece
se
alo a i a
e
con i ma i a,
a
de
es a
aí,
nessas
imagens,
como
p o a
do
bom
uncionamen o
do
sis ema
ame icano;
a
e o ca
os
lapos
a ec i o-
simbolicos
dos
amencanos
inc emen ando-lhes
o
o gulho
na
sua
Nacão
Po
isso,
a
campanha
publici á ia
da
"Nike"
le a
a
cabo
o
« e o ?o
cul u al»
--
en endido
como
o
p ocesso
pelo
qual
os
« ex os»
con i ma iam
as
posicoes
ideologicas
dos
seus
espec ado es,
e-a i mando-lhes
a
sua
pe enca,
enquan o
memb os,
a
um
o ganismo
cul u al
colec i o
e o cando
a
con ianca
des e
em
si
p ôp io
-
cuja
dimensão
é
impo an íssima
pa a
os
meios
de
comunicacão
de
massa,
num
mundo
ac ual
bu oc a izado
e
consumis a.
A
e e ida
campanha,
em
ais
moldes,
publici a á
mais
do
que
os
p odu os
Nike",
um
es ilo
de
ida
ame icano
com
os
seus
mi os
de
sucesso,
cons i uindo
um
painel-de-glô ia,
sob
a
imagem
de
ma ca
"Nike"
Es a
in e p e apão
ideolôgica
da
campanha
publici á ia
não
e á
escapado
ao
p op io
a is a.
A
p eocupacão
de
Koons
pela
dimensão
social
da
a e
icou
exp essa
na
seleccão
que
ez
de
um
ipo
de
campanha
pubhci ana,
mais
elabo ada
como
é
o
caso
da
"Nike".
A
ap op iacão
da
campanha
"Nike"
pe mi iu-lhe,
undamen almen e,
expô
a
so is icacão
e onca
e
es e ica
des a
campanha
publici á ia
e,
ainda,
ocalizá-la
como
disposi i o
espec acula
des iá el
pela
a e.
No
dize
do
a is a
a
pĩĩbHcidade300131
^
a 6
6
indispensá el
como
é
a
da
P opaganda
e
da
"I 's
he
only
way
i
( e e e-se
á
a e)
can
uly
unc ion.
I
a
is
no
di ec ed
owa d
he
socal
becomes
pu ely
sel -indulgen ,
líke
sex
wi hou
lo e
Whe as
,
a
å.
aTôol^
'nhV"6
Sh°CÍal
^^6
3nd
he'P,n9
l0
d6 ine
S0dal
o de '
"'s
wo k^ng
p
ej
as
a
ool o
philosophy,
enhancng
he
qual y
o
indi idual
li e
and
edi ec inq
socal
and
pol ica
a udes.
A
can
de ine
an
indi idua s
aspi a ions
and
goaS
as
o.he
._ lTSo bein:n?nanCe'
^000"
~
^
^™9
^™
M
™
«
ul.imaĩ
s a.es
o
bemg
in
a
mo e
esponsible
way
han
economics
can
because
a
is
conce ned
w, h
philosophy
as
well
as
wi h
he
ma ke place."
,5
"Moses"
es á
odeado
de
bolas
de
basque ebol;
umas,
c a adas
nas
duas
es u u as
con exas
de
madei a
(semelhan e
ao
piso
de
um
ecin o
S°w
m
3
enq"ad
a
ima9em'
de
^ada
lado;
e,
ou as
amon oadas
mn hî
^
P
?
°
í
^
A
SeUS
P6S'
d'Spe SaS'
eS ã°
a^™™
conchas,
buzios
e
es elas
do
ma .
O
céu,
escu íssimo,
ealpado
po
umas
es ias
de
co
a e melhada,
pa a
lá
dos
mon es,
con as a
com
a
cla idade
m ensa
do
pnmei o
plano.
De
pé,
on e
e guida,
Moses
apoia
a
mão
''
Koons
a
Gíanca lo
Poli i,
Flash
A í,
132-
Fe ./Ma .
1987,
161.
>()
esque da
num
bas ão/ a a,
exibindo,
na
mão
di ei a,
uma
bola
de
basque ebol.
En e ga
o
equipamen o
e melho
do
jogo
sob
um
casaco
comp ido,
en eabe o,
a
acen ua -lhe
o
hie a ismo
da
pose
-
e
pe mi indo
a
adequada
de inigâo
do
modelo.
Mais
a en os
â
imagem,
pe cebemos
que
a
con igu agåo
do
bas ão
e o cido
é
a
mesma
daquela
espécie
de
"asa"
es ilizada
que
sublinha
a
pala a
"Nike"
do
logo ipo.
A
alusão
ao
episôdio
bíblico
da
a essia
do
Ma Ve melho
(Êxodo
14,
1-31)
é
e iden e.
Po
in e médio
de
Moisés
-
lemb amo-nos
da
a a
(le an ada)
e
da
mão
(es endida
sob e
o
ma )16
-
mani es a-se
o
pode
di ino
de
di isâo
das
aguas
que
sal ou
a
"pele"
do
po o
is aeli a.
Em
"Moses"
encena-se
es a
passagem
endo-se
ope ado
pa a
al
uma
sé ie
de
subs i uigôes
que
passamos
a
assinala ;
a
a a
é
a
me onímia
do
logo ipo;
a
es u u a
de
madei a
a
subs i ui
as
obedien es
águas
que
o ma amos
mu os
pa a
deixa em
passa
os
is aeli as
em
sêco.
A
sua
a essia
es á
g a icamen e
condensada
no
mo imen o
seguido
pela
es ela desde
a
escu idão
â
luz-
apoiado,
ob iamen e,
na
( a a
ou
cajado)
"Nike".
Es a
auxilia-o
no
seu
caminho;
ga an e-lhe
o
sucesso
e,
no
im,
celeb a
a
sua
i ô ia.
A
legião
de
ado ado es
( al
como
sucedeu
aos
egípcios)
econhece á
o
g ande
ei o
ope ado
(pela
es ela
e
pela
"Nike").
E
não
esquece á
as
pala as
segum es:
Teme ão
o
Senho . Ac edi a ão
nele
e
no
seu
se o
Moisés.
0
"D .
Dunkens ein",
de
pé,
com
uma
ba a
b anca
acima
do
joelho
a
condize
com
as
meias
(abaixo
do
joelho)
e
énis
"Nike",
exibe
as
duas
me ades
sepa adas,
umegan es,
de
uma
bola
de
basque ebol.
Dunkens ein,
con ian e,
apoia
o
pé
di ei o,
em
jei o
de
desa io,
sob e
uma
das
bolas
de
basque ebol
que
o
odeiam.
Esse
ges o
en eab iu
a
ba a
-
"D .
Dunkens ein"
pa ece
não
e á
ajes
meno es
-
e
ez
exibi -se
o
es e oscôpio
que
gua da a
no
bolso
di ei o.
A
di isão
das
bolas,
encenada
como
uma
a e a
ci ú gica
ou
me a
habilidade
de
ilusionismo,
é
ei a
com
um
so iso.
Do
p imei o
ao
úl imo
plano
de
undo,
escu o,
o
espago
é
p eenchido
po
bolas
de
basque ebol.
No
plano
in e médio,
elas
deixam
de
se
e
com
ni idez,
ime sas
num
ne oei o
ou
no
apo
desp endido
das
bolas.
"Dinas ia
da
ua
34":
um
g upo
neg o,
nas
ImediaQôes
de
um
qua ei ão,
es ido
com
equipamen o
a iado
da
"Nike",
é
is o
em
con a-
picado.
Um
elemen o
do
g upo
olha
o
espec ado
de
"al o"
enquan o
alguns
o e ecem
a
mão,
em
jei o
de
con i e
ao
espec ado .
Um
ou o,
no
meio do
"E
o
senho
disse
a
Moisés:
"Po
que
clamas
a
mim?
O dena
aos
ilhos
de
Is ael
que
se
ponham
em
ma cha.
E
u
le an a
a
ua
a a
e
es ende ua
mão
sob e
o
ma ;
di idi-lo-ás
e
os
ilhos
de
Is ael
pene a ao
no
meio
do
ma
a
pé
enxu o.
Eu
endu ece ei
o
co acão
dos
egípcios,
que
en a ão
a ás
deles,
e
eu
se ei
glo i icado
no
a aô
e
em
odo
o
seu
exé ci o,
nos
seus
ca os
e
nos
seus
ca alei os
Assim
econhece ao
os
egipcios
que
eu
sou
o
Senho ,
quando
eu
me
i e
glo i icado
no
a aô
nos
seus
ca os
e
nos
seus
ca alei os."
(...)
"Assim
o
Senho
sal ou
naquele
dia
os
is aeli as
das
mãos
dos
egipcios,
e
Is ael
con emplou
os
egípcios
mo os
na
p aia
do
ma .
Viu
Is ael
o
g ande
ei o
ope ado
pelo
Senho
con a
os
egipcios,
e
emeu
o
Senho ,
e
ac edi ou
nele
e
no
seu
se o
Moisés
n
~
g upo
e endo,
o e ece
a
bola
de
basque ebol
ao
obse ado .
Ao
lado
des e,
há
um
que
indica
com
o
dedo
o
espec ado
escolhido.
A
soiici ude
combina,
sem
con adigão,
com
o
o gulho
os ensi o,
' ibal',
de
um
qua ei ão
subu bano.
A
iolência
la en e,
nas
a i udes,
é
lúdica.
Es á
con olada
po
algumas
eg as
e
pac os
que
ge am
poses,
linguaja es
e
ou os
signos
dis in i os
âo
e iden es
quan o
a
dema ca?ão
de
on ei as
e i o iais
ou
di isô ias
de
um
campo
de
jogo.
Um
dos
elemen os
do
g upo,
â
esque da
da
imagem,
aquele
que
se
inclina
em
di ecgâo
ao
obse ado ,
chamando-o
com
um
ges o
de
mão,
em
um
dos
pés
pa a
o
lado
de
cá
da
enda
no
cimen o
do
campo.
Os
es an es
elemen os
es ão
do
ou o
lado
de
lá
da
enda
que
a a essa
a
imagem
numa
diagonal
descenden e.
Sob e
a
imagem,
abaixo
des a
enda,
es á
esc i o,
a
neg o:
"The
Dinas y
on
34 h
S ee ".
"Jam Session":
duas
equipas
de
basque ebol,
num
campo
de
basque ebol
ao
a -li e,
segu am,
uns,
bolas
de
basque ebol
e
ou os,
ins umen os
musicais
al
como
uma
banda
de
jazz.
0
jazz,
o
basque ebol
enquan o
símbolos
de
excelência
da
neg i ude
são
ca imbados
(consignados)
pela
"Nike".
Jazz,
basque ebol
e
di e são
são
os
elemen os
que
se
ha monizam
nes a
paisagem
ô ida.
Sob e
a
o og a ia
do
g upo,
na
pa e
in e io ,
es á
esc i o
"Jam
Session"
-
num
le e ing
que
o na
as
le as
e melhas
das
pala as
um
pouco
ilegí eis
po
es a em
insu ladas.
0
"Boa d
Room"
es á
sen ado
numa
eno me
mesa
de
euniôes.
A
maio ia
é
neg a.
No
meio
de
um
ecin o
despo i o azio,
a
equipa
sob essai
pelos
a os
escu os
em
con as e
com
os
b ancos
énis
e
b ancas
meias,
"Nike",
calcpados.
As
duas
malas
p e as,
as
quais
os en am
o
logo ipo
minúsculo
"Nike",
dis ibuem-se,
sime icamen e,
pa a
os
lados
ex emos
do
enquad amen o
da
imagem.
Uma
pe ence
a um
b anco;
a
ou a,
a
um
neg o.
As
bolas
de
basque ebol
são
dis ibuídas,
in o mal
e
pon ualmen e,
pelo
chão,
pela
mesa
e
em
seu
edo .
0
chão
do
ecin o
es á
limpíssimo,
a
b ilha .
É
quase
um
espelho.
No
p imei o
plano
des a
o og a ia
de
g upo,
a
sepa a
o
obse ado
da
mesa
do "Boa d
Room",
es á
uma
placa,
no
chão
do
ecin o,
os en ando
a
seguin e
legenda:
"Boa d
Room".
"Sec e a y
o
De ense":
um
execu i o,
b anco,
-
um
dos
poucos
b ancos
des es
pos e s
--
com
a o
p e o,
sen ado
sob e
a
sec e á ia
(pose
em
ês
qua os)
num
gabine e.
A
a es a
da
sec e á ia,
mais
p ôxima
do
obse ado ,
do
lado
da
qual
es á
sen ado
o
jo em
execu i o,
oca
as
ex emidades
do
enquad amen o
la e al
da
imagem.
Os
ons
escu os
são
p edominan es;
em
con as e
com
os
cas anhos
e
os
neg os,
as
co es
i as
dos
emblemas
e
símbolos
saem
ealgadas.
0
jo em apoia
a
mão
sob e
uma
bola
de
basque ebol
no
seu
colo.
Essa
bola
es á
na
mesma
mediana
e ical
de
uma
ou a
bola
que
se
encon a
c a ada
na
pa ede
do
undo,
en ol ida
po
um
anel
e de
com a
seguin e
inschgão: "Sec e a y
O
52
De ense".
Sob e
a
sec e á ia,
ao
seu
lado,
um
globo
e es e
e
um
sapa o
de
énis
em
me al,
na
mesma
linha
ho izon al
da
bola
de
basque ebol
nas
suas
mãos.
Ele
calga
énis
b ancos
"Nike":
o
seu
pé
esque do
assen a
num
ape e
neg o
(gigan e)
que
em
insc i o,
a
e melho
e
em
g ande
dimensão,
o
logo ipo
"Nike".
Duas
bandei as,
a
ame icana
e
a
da
emp esa
"Nike",
po
de ás
da
sec e á ia,
ladeando
o
e e ido
escudo
"Sec e a y
O
De ense"
-
suge em
uma
alianga
en e
o
símbolo-naQão
e
o
da
ma ca;
en e
os
in e esses
come ciais
p i ados
e a
polí ica
de
um
Es ado.
As
bolas de
basque ebol
minúsculas
encimadas
pela
"asa"
do
logo ipo
da
"Nike",
em
me al,
co oam
os
mas os
das
bandei as.
"The
Williams":
dois
homens
de
a o,
de
pé,
enquad ando
a
imagem;
segu am
bolas
de
basque ebol.
Ao
cen o,
uma
mulhe
es á
sen ada
num
cadei ão
dou ado,
de
es ilo,
es o ado
num
ecido
e de
com
bolas
ama elas.
Ela
equilib a
uma
bola
de
basque ebol
sob e
o
seu
dedo
indicado
di ei o.
Os
ês
calcpam
énis
"Nike"
apesa
da
o malidade
das
suas
indumen á ias.
A
ba a
ho izon al,
iden i icando
a
o og a ia
amilia ,
é
uma
simulacpão
de
uma
banda
de
uma
oalha
onde
oi
bo dado
o
nome
da
amília"TheWilliams".
"Si
Sid":
um
jogado ,
n°
4
da
equipa
"Bucks",
so i
e
equilib a
uma
bola
de
basque ebol
na
pon a
do
anela
da mão
di ei a.
Ligei amen e
encos ado,
o
jogado apoia
a
sua
mão
esque da
no
omb o
de
uma
a madu a
elec i icada
na
zona
do
elmo. Não
emos
quem
nela
se
dissimula.
A
sua
pose
é,
no
en an o,
exp essi a:
segu a
pela
cin u a
uma
bola
de
basque ebol
e
inclina,
pa a
a
esque da,
a
cabega,
o
elmo,
dando
mos as
de
es a
a en o
âs
acgôes
do
obse ado .
Os
olhos
des e
obo
são
dois
bu acos de
luz.
E,
é
a
luz,
i adiando
do
seu
in e io
ou
se
e lec indo
na
sua
ca apaga
me álica,
que
o
ans igu a
num
obo
mode no
semelhan e
aos
do
ilme
"Gue a
das
es elas"
de
Geo ge
Lucas.
Da
mul iplicidade
de
igu as
sociais
encenadas
--
o
he ôi
indi idual
e a ado
com
onalidade
bíblica;
o
médico-den is a
azendo
um
núme o
de
magia;
o
g upo
de
amado es
da
ua
34
de
um
bai o
subu bano;
o
execu i o
b anco
em
que
os
símbolos
da
nacionalidade
e
pa io ismo
azem
pa e
de
uma
mesma
combina ô ia;
as
duas
equipas
de
basque ebol
cujos
elemen os,
em
simul âneo,
se
e a am
como
músicos
de
uma
banda
de
jazz
e
jogado es
de
uma
equipa
(ou
ice- e sa)
--
essal a
os
ecu sos
imensos
de
um
discu so
publici á io
que,
pa a
se
ins au a ,
se
se e
qualque
p e ex o.
De
um
discu so
lisonjei o
que,
não
sendo
p imá io,
é
pode osamen e
sedu o
po
se
apoia ,
com
i onia,
no
deslizamen o
de
sen idos.
Não
é
di ícil
cons a a
as
equi alências,
as
emissôes
in e nas
das
pegas
des a
exposiQão.
Sejam:
a
mul iplicagão
das
bolas
e
do
logo ipo
ima
com
a
mul iplicaQáo
das
bolas
eais
ime sas
nos
anques;
a
escul u a
em
me al
do
sapa o
de énis
sob e
a
mesa
do
jo em
de
"Sec e a y
o
De ense"
co esponde
âs
escul u as
em
b onze
(que
ala emos
em
seguida);
a
e aceâo
das
me ades,
ime sas,
das
bolas
nos
aquá ios
esponde
â
di isão
das
bolas
em
"D
Dunkens ein";
o
enômeno,
insôli o,
do
equilíb io
das
bolas,
a um
mesmo
ní el
médio
do
líquido
dos
anques,
impele-nos
a
conjec u a
a
exis ência
de
um
p odu o
químico
injec ado
nelas.
São
semp e
duas
sé ies
pa alelas
de
epe igôes
que pa ecem
isualiza
o
eco,
uma
li ania.
É
es e
disposi i o
de
au ologia,
ope ado
de
uma
comunicagão
au is a
que
eduz
udo
a
uma
simples
sigla,
que
se
assemelha
ao
uncionamen o
dos
mass-media.
As
emakes
em
b onze
con emplam
um
ba co
sal a- idas
de
bo acha
e
seus
espec i os
emos,
e
odo
o
es an e
equipamen o
de
me gulho
enume ado
an e io men e.
Essas
emakes,
po
e em
como
objec os-modelo
objec os
pa a
unciona em
no
meio
líquido,
acabam
po ,
na
sua
des- uncionalidade,
se
e e i em
â
água
(po
ausência
e
po
me onímia)
e
ao
p ocesso
análogo
de
p ese agão
(de mumi icagão)
ope ado
pelos
anques. A
ime são
e
a
lu uagåo
das
bolas
de
basque ebol,
imobilizadas
num
meio
o almen e
di e en e
pa a
que
o am
concebidas,
pe mi e
e
os
anques
como
meios de
isolamen o
e
de
sepa agão.
Ou
seja:
aze
e e ência
aos
espagos
de
despo o
(po
ausência)
e
equi ale
ao
p ocesso
de
p ese agáo
ope ado
pelo
b onze.
Os
objec os
aquá icos
o am
ossilizados
pelo
b onze
pa a
unciona em
inu imen e
num
ou o
plano,
em
sêco:
o
espago
ísico
e
ins i ucional
da
exposigão.
As
bolas,
ex aídas
do
espago
ins i ucional
do
basque ebol, uncionam,
ais
como
bôias
lu uan es,
num
ou o
meio
molhado:
os
aquá ios.
Alego icamen e,
o
luga
ísico
(con inen e)
e
ins i ucional
de
exposiQão
da
a e,
que
ecebe
e
p o ege
os
objec os
de
a e
(con eúdo)
de
odos
os
ou os
que
o
não
são,
pa ece
se
associá el
aos
anques
--
eles
ambém
disposi i os
de
conse apâo
e
de
(au o)-exposigão.
Nesse
espago
de
au o- e lexi idade
da
a e,
os
anúncios
"Nike",
já
neu alizados
na
sua
pe o ma i idade
a a és
da
sua
ans e ência
e
ans igu agão
de
es a u o,
mani es am
a
edundância
e
a
au ologia
do
discu so
publici á io
e
mediá ico.
Os
aquá ios
e
o
b onze
são
os
meios
de
ans igu agão
e
p ese a<?ão
(pela
des uncionalizaQåo
e
descon ex ualizagâo)
dos
objec os
--
a
pa
da
ins i ucionalidade
dos
espagos
de
exposigão
da
a e
que,
des-
uncionalizando
a
publicidade,
a
ans o ma
em
«cená io»
já
p on o
pa a
a
ope agâo
ea al
des es
anques.
Ab i
os
anques
ou
ab i
as
caixas de
plexiglass
que
conse am
os
aspi ado es
"New
Hoo e "
se á
des ui ,
«p o ana »
a
ob a.
Não
há,
em
ambos
os
casos,
me a
suspensão
do
alo
de
uso
do
objec o,
há
mais
do
que
isso,
esga e
e
conse aQão
he mé ica.
Não
há
qualque
e o no:
somen e
p i agão
o nada
isual
e
edob ada
em
objec o
en ol en e.
É
cla o
que,
ambém,
o
eady-made
duchampiano
e i ado
do
ciclo
de
uso
cump ia
es a
condigão
de
esga ado;
oda ia,
pode ia
ha e ,
mesmo
>4
nos
a
única
in o magão
da
o undidade
da
ga a a.
Jus aposigâo
de
e mos
con á ios
na
con adigâo
lôgica
"D y-We ",
ão
do
ag ado
do
a is a,
como
sucedia
em
alguns
aspi ado es
ou
nos
anques
de
equilíb io,
ou
jus aposigão
que
conjuga
uma
sensagão
ôp ica
com
uma
ol ac i a.
0
âmba ,
co
do
líquido,
é
ambém
a
co
do
undo,
p o a elmen e
uma
mesa
-
da
qual
nâo
se
êem
os
limi es.
A
mão
esque da
do
jogado
masculino,
i ompe
do
é ice
esque do
do
anúncio,
po
de ás
da
ga a a
desc i a.
Ele
le an a
algumas
pegas
do
dominô,
escondidas.
Com
os
dedos
da
mão
di ei a,
i ompendo
da
base
da
moldu a,
pa alela
ao
lado
di ei o
da
imagem,
pousados
sob e
as
pegas
que
al am
se
descobe as.
Do
é ice
supe io
di ei o,
as
mãos
de
uma
mulhe ,
unhas
pin adas
em
enca nado
e
com
um
anel
de
diaman es
(?),
de
noi ado
(?),
en ol em
um
copo
de
um,
com
gelo
e
uma
odela
de
limão,
o mando
uma
iângulo.
0
pon o
de
is a
é
do
al o.
Te á
acabado
de
joga ?
0
polega
da
mão
esque da
do
jogado
co a
o
plano
da
imagem
em
diagonal
in oduzindo
a
sensagão
de
p o undidade
a
um
espago
ilimi ado,
conciliado
de
pe spec i as
con adi ô ias.
Sob e
a
cena
ep esen ada,
esc e e-se
em
g andes
le as,
em
b anco,
"Aquí...
Bacca di";
e,
em
le as
minúsculas,
a
p e o,
en e
o
"Aquí...
Bacca di"
el
g an
sabo
Bacca di",
pa alelamen e
â
mão
do
jogado .
As
e icências
que
se
seguem
ao
"Aquí"
ma ca
a
ambiguidade
e
incomple ude
na a i as
da
cena.
As
unhas
e melhas
da
mulhe
espondem
ao
undo
e melho
sob e
o
qual
se
eco a
o
mo cego
de
Bacca di;
o
b anco
das
le as,
das
pegas
de
dominô;
o
undo
quen e
e
luminoso
(d y)
é
complemen a
do
escu o
(da k)
-
ausência
de
luz,
noi e.
Tudo
se
combina,
as
pegas
de
dominô
azem
odas
pa es en e
si.
"F a
Angelico":
duas
pin u as
quase
abs ac as,
de
ons
ala anjados,
a
pa i
de
anúncios do
lico
F a
Angelico.
Um
nome
de
um
p odu o
que
ci a
o
do
ade-pin o
p é- enascen is a?
Uma
pin u a
que
simula
um
ipo
mode no
de
pin u a,
um
monoc omá ico?
Uma
imagem,
com a
insc igâo
"S ay
in
onigh ",
cons a
de
um
g ande-plano
do
in e io
de
um
líquido,
iscoso
e
em
mo imen o.
"S ay
in
Tonigh "
es á
sob epos o
â
imagem,
ao
cen o
e
em
baixo. Não
se
pe cebe
nenhum
con inen e.
0
líquido,
o
con eúdo,
con inua
pa a
o a
do
enquad amen o
ec angula
da
imagem.
Como
se
um
mundo
aquá ico
nos
i esse
subme gido
ou
nos
i esse,
simplesmen e,
oldado
a
isão,
da
p o undidade
do campo
isual,
e
a
audigåo.
"S ay
in
Tonigh '
é
o
con i e
ao
ecolhimen o,
ao
isolamen o
de
si
e
do
ex e io ,
pela
me a
ime são
(inges ão
de)
num
eículo
que
ans o ma
o
co po
do
espec ado
num
ambien e
p i ado,
numa
paisagem
de
alucinagôes.
O
alcool
em
coloca -nos
no
nosso
aquá io,
po oado
de
espec os
de
uma
unidade
u e ina.
A
imagem
do
in e io
de
um
líquido
em
silencioso
mo imen o
e
com
uma
mul iplicidade
de
e lexos,
nas suas
supe ícies,
eme e
pa a
a
qualidade
ins á el
op icamen e
das
supe ícies
61
dos
objec os
e undidos
em
ago
polido.
Liquidez
e
anspa ência
de
um
líquido
coincide,
na
escul u as
em
me al
polido,
a
solidez
e
a
opacidade.
A
ou a
pin u a,
com a
insc igão
"Find
a
quie
able"
cons a
de
um
g ande
plano
de
um
panejamen o
de
p egas
ho izon ais
ocupando
a
o alidade
do
enquad amen o.
Essas
p egas
as
de
uma
mesa
pos a,
mas
podem
se ,
ainda,
as
de
um
lengol.
0
in e io
das
p egas,
o mando
'bu acos'
ou
'sulcos',
são
escu as,
quase
neg as. Uma
mesma
encenagâo
da
memô ia
a ec i a
do
espago
domés ico,
amilia
ou
social,
onde
eina
a
so is icagâo,
o
bom
gos o
e
o
silêncio
apaziguado .
0
impe a i o
"Find
a
quie
Table"
em
a
mesma
posigåo
no
plano
como
a
de
"S ay
in
Tonigh ".
Os
anúncios,
imagem
e
discu so,
ep oduzidos
na
ín eg a,
sob e
elas,
imp essos
a
in as
de
oleo,
são,
na
sua
legibilidade
absolu a,
os
sucedâneos
ac uais
da
pin u a
académica.
Dão
a e
um
mundo
disponi el
ao
consumo
e
â
posse.
Eles
são
os
supo es
de
uma
gue a
de
imagens,
de
ma cas
e
de
mensagens
que
são
secundados
po
uma
compe igâo
econômica
onde
são
encenados
as
igu as
que
supo am
a
mobilidade
social
do
desejo.
É
nelas
que
o
desejo
(dos
consumido es)
se
in es e
e
se
o na
p odu i idade
gene alizada
de
signos
dis in i os
e
emblemas
di e sos
cons i uin es
de
uma
é ica
hedonis a,
da
despesa
g a ui a
ou
de
uma
lúdica
ap op iagão
do
mundo
e
da
ida.
Cons i uem
um
ambien e
e
não
um
espago.
Fazem
pa e
de
uma
linguagem
que
nos
p opôe,
an ecipando,
a
nossa
p ôp ia
me amo ose
eady-made
e
o
p aze
da
nossa
au o-
side agåo.
Es ão
ao
nosso
dispô ;
encenam
a
al a
e
objec o
de
in eja;
azem-nos
econhece
o
seu
pode
no
ac o
de
sen i mos
que
alam
po
nôs.
Pela
comp a,
a
nossa
libe dade
de
escolha
é
a i mada
e
celeb ada;
é
um
luxo
e
um
alo
cul u al
adqui idos.
Po
isso,
o
empo
de
du agâo
das
imagens
publici á ias
é
cu o:
elas
êm
de
se
eno adas
e
eac ualizadas
sob
a
p essão
da
p ocu a-o e a
das
mesmas
e
da
p odugáo-consumo
ge adas.
Elas
consubs anciam
a
ac ualidade
pu a.
On ologicamen e,
são
p ecá ias,
e éme as,
de
cu a
du agão
ou
sujei as
a
um
desgas e
acele ado.
É
o
desgas e
calculado
das
mesmas
que
mo i a
a
sua
p odugåo
in ensi a.
A
ep odugâo
de
anúncios
em
elas,
ans o mando-os
em
quad os,
é
uma
o ma
de
as
conse a
e
de
os
e-ap esen a
como
pin u as.
Es a
si uagão
emon a
a
"The
New"
e
passa
po "The
Equilib ium".
Na
ealidade,
a
ep odugão
dos
anúncios é
ei a
num
ma e ial
di e en e
do
papel
--
colado
sob e
painéis;
no
espago
g á ico
de
uma
e is a
-
implica
uma
descon ex ualizagåo.
São
duas
ope agôes
simul âneas
que
p oduzem
uma
comicidade21
deco en e
medianie
uma
dis anciagão
es é ica
ou
um
consumo
conscien e
dos
mesmos
anúncios.
Ma shall
McLuhan,
a
p opôsi o
dos
e ei os
de
descon ex ualizacão
dos
anúncios
publici á ios:
"Um
anúncio
publici á io
ansplan ado
pa a
o a
do
seu
quad o
habi ual,
é
semp e
comico.
Em
ou os
62
A
in eg idade
das
imagens
publici á ias
é
ga an ida
pela
sua
ep odugáo
maquínica,
p ecisa.
A
ep odugão
ge a
a
imp essão
de
in ac ibilidade
de
es as
imagens.
Elas,
ma e ialmen e,
pa ecem
não
se
adul e á eis
pelo
empo;
são
o
e éme o
e emizado.
A
in eg idade
e
in ac ibilidade
dos
anúncios-pin u as
exp essa
a
objec ualizagâo
das
imagens.
A
ep odugåo
dos
anúncios
conjuga,
pa adoxalmen e,
a
dimensão
ima e ial
das
imagens
publici á ias
com
a
ên ase
na
sua
i ual
conc e izagâo
ma e ial
em
supo es,
adicionais
ou
ecnolôgicos,
bi-
ou
idimensionais.
No
limi e,
es a
ope agão
en a iza
a
disponibilidade
do
mundo
e
das
suas
imagens
â
ep odugåo
e
ci culagåo
mediá icas.
A
a e,
â
semelhanga
dos
mass-media,
unciona ia
al
qual
uma
supe ície
desdob ado a
de
ocas
e
comunicagôes.
A
ope agâo
exe cendo-se
nos
limi es
de
uma
ans e ência
li e al
de
um
objec o
de
um
dado
ci cui o
pa a
um
ou o,
cump e, po
seu
in e médio,
uma
ans o magâo
econômica
e
simbôlica
dos
objec os.
É
uma
ope agão
que
em
luga
na
on ei a
das
coisas.
De
ce a
manei a,
Je
Koons
oscila
en e
se
o
a is a-plagiado
e
se
o
a is a-anuncian e,
no
ci cui o
a ís ico,
de
imagens
publici á ias.
Imagens
cujas
ma izes
o am
objec o
de
uma
negociagâo
econômica
e
ju ídica.
Nes a
exposigâo
a
con usão
en e
a e
e
publicidade
oi
ealizada
e
assumida
enquan o
ges o
de
a e
e
de
comé cio.
Es a
exposigão
consis e
em
emakes
não
sô
de
pin u a
mas
ambém
de
escul u a.
As
escul u as
êm
como
modelos
objec os
uncionais
e
gadge s
elacionados
com
o
consumo
de
alcool.
Alguns
dos
quais
e ão
se ido
objec i os
de
p omogão
de
de e minadas
ma cas
"Bacca a
C ys al
Se "
e
o
"Comboio"
(a
maio
escul u a
em
ago,
quase
dois
me os
de
comp ido).
Es a
ungão
de
p omogão
pa a
que de e minados
objec os
são
des inados
oma-os
simples
p e ex os,
subsidiá ios
de
ou os.
Eles
o nam-
se
em
embalagens
de
embalagens,
em
objec os
en ol ô ios
de
ou os
de ido
ao
exace bamen o
da
lôgica
de
equi alência
que o na
qualque
objec o
uma
o ma
exc escen e,
pa a
mo e
ou
enga a
o
desejo,
uma
o ma
azia.
Esses
objec os-p e ex os
-
com
ou
sem
uncionalidade
eal
-
são
dis ibuídos
como
benesses
ao
consumido
que
adqui i
o
p odu o
da
ma ca
em
p omogão.
Como
se
o
desejo
i esse
de
se
cons an emen e
animado
e
a
sua
a idez
i esse
de
se
saciada
medianie
simulac os
o ados
å
des uigão
mú ua,
â
caco onia.
Es a
ungåo
dá-nos
ambém
uma
uma
ep esen agão
da
pegajosidade
do
desejo,
indi e en e
â
boa
"essência"
ou
alo
uncional
dos
objec os.
A
sua
monumen alizagáo
pelo
e mos,
uma
publicidade
is a
ou
ou ida
conscien emen e
oma-se
cômica.
Os
anúncios
não
são
ei os
pa a
um
consumo
conscien e."
Pou
Comp end e
les
Média:
263
6.1
ago
pode
cons i ui
uma
boa
'denúncia'
(não-c í ica)
das
mo i agôes
inconscien es,
impessoais,
do
desejo.
Je
Koons
ao
aze
éplicas
dos
e e idos
objec os
num
ma e íal
sensí el,
como
o
me al,
a
odas
as
a ian es
de
luz
ambien e
e
â
cons elagåo
de
e lexos,
ans o ma,
cada
um
deles,
em
espelhos
de
de o magão.
Jun e-se
a
es as
qualidades,
as
associagôes
e ichis as
do
ago,
as
quais,
o a
alo izam
os
objec os,
pela
simulagão
do
b ilho
dos
me ais
p eciosos,
o a
con e em
os
a ibu os
-
p ôp ios
de
uma
o ma-ideal
de
p odugão
indus ial
-
de
pe enidade,
exac idão
geomé ica
e
p eciosismo
a
objec os
desca á eis.
Ce amen e,
o
uso
do
ago
inoxidá el
pe mi e
igu a
essa
o ga
sedu o a
dos
objec os
--
a
de
se em
a ac o es
do
nosso
olha .
Ele
em
homogeneiza
uma
di e sidade
de
objec os
seleccioná eis
dos
ex emos
da
escala
social.
Essa
homogeneizagão
em
encena
uma
equi alência
o almen e
dis in a
daquela
(a
lei
do
alo )
que
aniquila
o
desejo
ao
mo ê-lo
pa a
a
compulsi a
subs i uigão
(consumo),
dos
seus
objec os.
Es a
ope agão
de
homogeneizagão
mani es a,
além
disso,
um
modo
de
posse de
objec os
que,
hoje,
são
como
as
imagens
publici á ias;
p o isô ios,
eículos,
sem
peso,
desca á eis.
Imagens
'gasosas'
que
adqui em
um
peso
de
"coisas"
ou
de
co pos
libe os
de
an e io es
condicionamen os
-
com
o
es a u o
de
objec os
únicos.
Es as
emakes
ou
simulac os
de
objec os
banais,
es ão
an o
na
es ei a
concep ual
de
ob as
como
as
"B illo
Box"
de
Wa hol
quan o
na
minimalis a
exempli icá el
pelas
caixas
me álicas
de
Donald
Judd.
Em
que
medida?
As
imagens
de
ma e iais
mediá icos
ou
de
p odu os
quo idianos
são
ão
indus ializá eis
nas
ob as
de
Wa hol
quan o
a
dos
p ocessos
e
ma e iais
de
cons ugâo
indus ial
dos
objec os-especí icos
de
D.
Judd.
Na
e dade,
as
écnicas
de
ep odugão
das
imagens
de
objec os
de
consumo
sob e
caixas
ei as
em
madei a
--
como
as
B illo
Boxes
de
A.
Wa hol
-
escondem
o
ma e ial
do
supo e
da
imagem
imp essa.
Fazendo
coincidi
a
duplicagâo
da
o ma
geomé ica
da
embalagem
com
a
do
ô ulo
da
mesma,
Wa hol
econs oi
um
simulac o.
Um
simulac o
que
se
az
de
adigão
de
supe ícies
en ol ô ias. As
caixas
de
Judd,
pelo
con á io,
exibem
a
li e alidade
das
suas
es u u as,
a
iden idade
indus ial
dos
ma e iais
u ilizados.
Toda ia,
podemos
ap oximá-los
numa
coisa:
ambas
as
es a égias
ocalizam
a
li e alidade;
Wa hol
en a iza
a
li e alidade
das
imagens;
Judd en a iza
a
das
es u u as.
Je
Koons,
quan o
a
nôs,
es abelece
uma
pon e
en e
es as
duas
ias
azendo
com
que
a
li e alidade
do
ma e ial
e
da
es u u a
o mal
dos
objec os
coincida
pa a
a
in ensi ĩcagão
da
sensagão
(ôp ica)
de
e anescência
dos
objec os.
64
As
emakes
em
escul u a,
em
ago
inoxidá el22
,
con endo,
po
ezes,
bebida
alcoolica
he me icamen e
echada
com
um
selo
go emamen al23
,
são
a
de
u ensílios,
gadge s
e
p émios
de
p omogão
de
bebidas
alcoolicas.
Nes as
emakes
obse a-se
a
manu engão
da dimensão
dupla
da
uncionalidade
e
simbolicidade
dos
objec os
'de
pa ida'. Exemplos:
a
ca inha
modelo
Fo d-A;
o
ba
de
iagem
(memô ia
da
in ância
do
a is a),
o
balde de
gelo,
os
p émios
de
p omogão
como
o
conjun o
de
c is al
da
"Bacca a ',
o
comboio
(dos
a
apo )
da
Jim
Beam
(que
ocupa
a
pa e
cen al
da
sala
de
gale ia);
os
á ios
agôes
de
comboios
de
anspo e
de
madei a;
agôes- anques
de
alcool,
de
bagagens
ou
passagei os;
agão
obse a ô io;
odos
são enchidos
de
bou bon.
Excluindo
o
comboio
"Jim
Beam",
odas
as
ou as
emakes são
objec os
de
pequenas
dimensôes.
Eles
con as am
com
a
g ande
dimensão
dos
anúncios-pin u as.
Po
elagåo
å
escala
dos
anúncios,
o
comboio
é
minúsculo.
0
comboio
de
"Jim
Beam"
(com
os
seus
agôes
especí icos)
é
cen al
nes a
exposigão.
É
uma
linha
de
quase
ês
me os de
comp imen o
con ando
com
quase
um
me o
a
mais
de
ca is. Es e
comboio
é
uma
espécie
de
maque e
eduzida
dos
seus
modelos
eais.
0
alcooi,
he me icamen e
echado
no
in e io
des es
modelos
eduzidos,
agôes
ou
locomo i as,
é,
em
simulagâo,
anspo ado
pa a
ou os
en epos os,
cen os
de
enda
a
pa i
dos
quais
es e
alo
é,
no
eal,
ansmi ido
pa a
as
edes
de
comé cio
e
consumo
a a és
das
ca inhas
Fo d
Modelo
A.
0
comboio es á
assen e
sob e
os
ca is.
Ele
pode
desloca -se
ao
longo
dos
mesmos.
0
b inquedo
unciona;
oda.
Pode,
em
imaginagão,
con inua
a
c uza
ex ensôes
geog á icas
e
polí icas
apesa
dos
seus
ca is
es a em
co ados.
A
emp esa
p odu o a
de
Jim
Beam,
langa a
es es
gadge s
em
ce âmica
e
plás ico
(no
caso
do
comboio)
pa a
uma
p omogão.
Tal ez,
«sou eni »
do
passado
da
emp esa;
signo
de
um
passado
emo o
que
é
ans o mado
po
Je
Koons
em
objec o
au á ico
que
conse a
duas
memô ias:
a
memô ia
do
ma e ial,
ago
cono ado
com
a
indus ia
pesada;
e,
a
memô ia
da
o ma
do
medium.
Uma
e cei a
pode
se
ac escen ada;
a
memô ia
de
con en o
de
um
con eúdo
(me cado ia).
22
Koons
jus i ica
a
u ilizacão
do
aco
inoxidá el
pelas qualidades
ísicas
(du eza)
e
ôp icas
(sua
a i icialidade
e
qualidades
e lec o as
p o ocando
a
dis o cão
da
luz)
e
po
es e
ma e ial
cons i ui ,
na
sua
memô ia
u bana
e
mdus ial,
o
luxo
do
p ole a iado.
Os
objec os
de
luxo
são b ilhan es
e
e lec o es:
au á icos.
En e is a
de
Jeanne
Siegel in
A ís
Magazine,
Ou ub o
1986:
"Je
Koons:
unachie able
s a es
o
being".
Nou a
en e is a,
Koons
con essa:
"Polished
objec s
ha e
o en
been
displayed
by
he
Chu ch
and
by
weal hy
people
o
se
a
s age
o
bo h
ma e ial
secu i y
and
Enligh enmen
o
spi i ual
na u e:
he
s ainless
s eel
is
a
ake
e lec ion
o
ha
s age."
(Gianca lo
Poli i
Flash
A
n°
132,
Fe .
Ma .
1987;
162)
23
Como
"sinal"
da
ans e ência
pa a
o
domínio
da
ob a
de
a e
da
bebida,
alcool
( oxico
e
e igem).
(>_
A
eposigåo
no
me cado de
meios
écnicos
an iquados,
ma ca
de
a caísmo,
pela
Jim
Beam
obedece
a
uma
dupla
es a égia
de
um
objec o
se
de
colecgåo
e
o
de
se
uma
me cado ia
que en ol e
ou a.
Es a
musei icagão
é
ampli icada
e
pa odiada
pelo
a is a.
Vejamos:
o
selo
do
go e no
em
a
ungão
de
ce i ica
a
au en icidade
do
p odu o
e
de
sela
o
con inen e.
Nas
no mais
ga a as
de
bou bon
da
Jim
Beam,
o
selo
não
é
impedimen o
de
se
bebe
o
seu
con eúdo.
Ele
ga an e
a
segu anga
e
o
bom
es ado
do
p odu o;
é
uma
p o a
de
con ole
da
qualidade
o iginal
do
p odu o.
Mas,
nos
con en o es
de
Koons,
bebe
o
con eúdo
é
inge i ,
aze
desapa ece
uma
das
subs âncias
componen es
da
ob a.
Po que
pa a
bebe
o
con eúdo
é
necessá io
queb a
o
selo
-
signo
da
cumplicidade
en e
o
a is a
e
a
Jim
Beam.
Es es
comboios,
mais
do
que
meios
de
anspo e
ou
con en o es
ex a agan es
de
bebida,
são
meios
de
bloquemen o
de
um
con eúdo
inconsumí el.
Tal
como
as
caixas-
i ines
dos
aspi ado es,
os
agôes
são
inú eis
câpsulas
do
empo.
0
con eúdo
e
o
con inen e
são
um
sô
indi isí el;
sem
p ego.
Po
essa
azão,
o
líquido
oi
a as ado
do
isí el;
nâo
o
podemos
e
e
emos
de
c e
que
ele
es á
den o
des es
asos24
.
Na
e dade,
são
pa ôdias
da
acumulagåo
e
ese a
de
me cado ias
pa a
um
u u o.
0
a is a
joga
com
uma
oscilagão
pa adoxal
en e
uma
o ma
com
ungáo
e
uma
o ma
sem
ungão;
en e
um
in e io
que
con ém
algo
que
é
usado
(bebido),
mas
inacessí el
po
um
ex e io
que
conse a
e
impede
o
acesso
ao
in e io .
Es a
oscilagão
bloqueia
o
uso
mas
não
bloqueia
o
alo
de
oca.
O
alo
de
oca,
desligado
do alo de
uso,
é
ansmu ado
em
alo
simbôlico.
Assim
como
as
dis ingôes
en e
in e io
e
ex e io
ou
en e
con eúdo
e
con inen e
desapa ecem;
elas
são
dob as
de
uma
mesma
supe ície.
0
balde
de
gelo,
o
se igo
da
Bacca a
ou um
balde
(com
uma
escala
de
medida
no
seu
in e io )
e
o
ba -ambulan e
são
emakes
igo osas
de
-
Em
en e is a
Koons
a
p opôsi o
do
comboio
"Jim
Beam"
a i ma
e -lhe
in e essado
a
ans o macão
des e
objec o
undindo-o
em
aco
inoxidá el,
com
um
acabamen o
espelhado,
mas
ambém
man e
a
"alma"'
('soul',
no
o iginal)
da
peca,
a
qual
e a
o
lico
no
seu
in e io .
Pa a
ecebe
a
alma
a
peca,
apôs
a
undicão,
oi
en iada
â
Jim
Beam pa a
que
cada
agão
osse
cheio
de
Bou bon
e
le asse
o
selo
(lax-
s amp').
Sô
que
a
alma
não
pode
sai
do
aso
e
ele
é
bem
explíci o:
"You
can
d ink
i
and
enjoy
he
bou bon,
bu
you
ha e
killed
he
wo k
o
a
because
you' e
des oyed
he
soul
o
he
piece
when
you
b eak
he
ax-s amp
seal"
(Koons,
ca álogo,
San
F ancisco
Museum
o
Modem
a ,
1992).
A
alma
da
peca
es á
isolada.
A
sua
exis ência
es á
ga an ida
pelo
selo
mas
não
é
isí el.
Pa a
se
isí el
é
necessá io
des ui -se
o
aso.
E
o
aso
é
a
ob a,
a
e dadei a
ob a
de
a e.
A
bebida
apenas
em
alego iza
a
in iolabilidade
da
ob a
de
a e
mani es ando-a
na
sua
pa adoxal
dimensão
simbôlica
e
uncional.
Po que
iola ,
esol endo
o
dilema,
a
ob a
de
a e
é
o ná-la
sô
um
aso
como
an os
ou os,
despejado
do
«seg edo».
Numa
ou a
en e is a,
g acejando,
ad e e
pa a
a
possibilidade
do
e en ual
p o anado
ica
en enado
caso
consumisse
o
lico
do
seu
in e io .
Ainda
no
ca álogo
da
sua
e ospec i a
em
San F ancisco
1992
ele
epe e
a
jus i icacão,
po
nôs
mencionada
na
no a
22,
pa a
a
sua
p e e ência
pelo
aco
inoxidá el
ac escen ando
que:
al
hese
pieces
we e
in
sil e ,
hey
would
be
absolu ely
bo ing.
They
ha e
absolu ely
no
desi e
o
be
in
sil e ;
hey
could
no
communica e
in
sil e ."
66
objec os
usuais25
.
Con inuam
a
unciona ;
pode-se
ab i
e
echa
o
ba -
ambulan e
ou
o
balde
de
gelo.
São,
po
con as e
dos
agôes,
con en o es
azios,
sem
con eúdo.
0
in e io
mesmo
sendo
acessí el
não
os
o na
mais
do
que
pu os
ecep áculos.
Nenhum con eúdo
especí ico
Ihes
oi
des inado
pa a
se
aí
conse ado.
A
publicidade
é, in ulga men e,
nes a
exposigão,
o
con eúdo
de
um
medium
adicional.
Da
pin u a
es a
a
sua
de migáo
objec ual
e
con encional
(o
quad o).
A
bem
dize ,
a
pin u a26
-
um
meio clássico
-
é
ans o mada
em
luga
de
ep odugåo
écnica
da
ep odugão,
em
ep odugáo
de
imagens
ep odu í eis,
gené icas
(pensadas
pa a
alimen a
a
ci culagåo
p odu i a).
A
pin u a,
ans o ma-se
no
canal
de
conse agâo
consag an e
ou
de
comemo agâo
da
publicidade.
Pilhada
no
passado,
pela
publicidade,
a
pin u a
se iu
de
ma e ial
de
au o- alo izagåo.
A
pin u a
oi
eduzida
ao
es e eô ipo
do
pin o
da
imi agão
igu a i a,
en e
ao
seu
mo i o
e
pa odiada
ao
se
ap esen ada
como
um
meio
'an iquado'
de
ep odugâo,
quase
uma
elíquia
his ô ico-cul u al,
elegada
pa a
hobby
e
alo
cul u al.
Choca,
su p eende
ao
se
con ex ualizada
como
quad o.
A
pin u a
inga-se,
aliando-se
ao
que
a
"ma a".
É
o
sen ido
que
e i amos
das
pala as
do a is a:
"I
wan
o
ha e
impac
on
people's
li es.
I
wan
o
communica e
o
he
public
o
as
wide
a
mass
as
possible.
And
he
way
o
communica e o
he
public
igh
now
is
h ough
TV
and
ad e ising.
The
a
wo ld
is
no
e ec i e
igh
now."
A
con apô
a
ou a
a i magåo
ei a
a
um
ou o
en e is ado
que
Ihe
pe gun ou
po que
não
escolhia,
en ão,
os
mass-media
ou
o
cinema
pa a
pode
expandi
o
seu
po encial
de
comunicagâo
pa a
além
dos
ci cui os
come ciais
e
dos
museus
con empo âneos:
"I
don'
in end
o
be
an
a is
who
becomes
a
ilmmake
and
ies
o
ge
in o
a
di e en
a ea.
A
can
be
absolu ely
any hing,
a
can
become
comme cial
ine
a ,
i
can
become
ius
he
ilm
indus y,
i
can
become
any hing.
I
eally
is
he
mos
libe a ing
indus y
o
be
in ol ed
wi h."
25
São
elacioná eis
com
ce as
pecas
(p ecu so as)
da
Pop
inglesa,
nomeadamen e
as
ga a as
de
coca-cola
de Cli e
Bake
(Th ee
Coca
Cola
bo les",
1968)
ou
o
"Ho
Dog
S.
1"
(1965)
de
Colin
Sel
nas
quais
se
exp essa
o
ascínio
pela
c omagem.
Fascínio
que,
pa ilhado
po
ou os
a is as
como
E.
Paolozzi
em
meados
dos
anos
sessen a,
deno a a
um
gos o
pela
sua
pe eccionalidade
e
luminosa
seducão
obse á el
nos
au omô eis
e
ou os
objec os
quo idianos.
26En e is a
de Jeanne
Siegel
in
A ís
Magazine,
Ou ub o 1986;
"Je
Koons:
unachie able
s a es
o
being"
encon a-se
a
jus i icagão
de
Koons pa a
a
ans e ência
das
imagens
publici á ias
em
papel
pa a
pin u a.
O
a is a
e ia
escolhido
a
pin u a,
e
não
a
e-ap esen acão
das
imagens
em
papel
po que
o
papel
ge a ia
uma
sensacão
mais
i eal
e
menos
objec ual
do
que
a
pin u a.
A
objec ualidade
da
pin u a
pe mi i ia
uma
maio
se e idade
e
con on acão
com
o
espec ado .
21
Angelica
Mu hesius
(ed)
1992:
77.
28
The
Powe
o
Seduc ion"
in
A
&
Design,
1990:
48-53.
67
A
pin u a
passa
a
e
a
ungão
de
mediagão
do
alo
a ís ico
das
imagens
publici á ias.
Po
seu
in emédio,
a
publicidade
en a
no
museu29
;
a
pin u a
se e
de
p os íbulo
dos
media30
.
Na
e dade,
e-en a
po que
a
ope agão
de
Koons
não é
inédi a;
a
ap op iagão
da
o og a ia
come cial
já
oi
ope ada
pelo
museu.
Não
se
a a
de
uma
e asão
da
a e
no
eal,
no
sen ido
do
nãoa ís ico
(anos
sessen a).
Não
se
a a
de
uma
ocupagão
sub e si a
dos
media
adicionalmen e
não-a ís icos
(como
o
azem
Jenny
Holze ,
Ba ba a
K uge ).
Se
a
publicidade
pa asi a
os
ou os
media
adicionais
pa a
sua
p ôp ia
publicidade
en ão
há
que
e e e
es a
es a égia
em
a o
da
a e;
há
que
ans o ma
a
consag agáo
da
publicidade
numa
o ma
de
comemo agão
do
es a u o
da
pin u a
e
da
a e.
Há
que
p ocede
a
uma
implosâo
mú ua.
Uma
implosão
mú ua
da
a e
e
da
publicidade
que é
no iciada
pela
a e.
A e
e
publicidade,
ou o a
i econciliá eis
na
sua
oposigåo,
o nam-se
in e -cambiá eis
e,
no
limi e,
indis in as:
a
a e
em
publicidade
e a
publicidade
em
a e.
A
me amo ose
a
que
pudemos
p esencia
nes a
exposigão
diz
espei o
aos
media
adicionais.
Eles
(a
pin u a
e
a
escul u a)
es ão
sa u ados
de
ep odu ibilidade
que
já
não
ep esen a
nem
uma
ameaga
nem
uma
sub e são
da
especi icidade
da
pin u a
de endida
pelos
mode nis as.
Pin u a
e
escul u a
ans o ma am-se
em
meios de
ep odugão
(máquinas
de
ma e ializagåo
de
imagens
quaisque ).
A
pin u a,
passando
a
se
o
luga
da
a qui agâo
das
imagens,
cons i ui-se
num
espago
de
p opagagão
con ígua
imanen e
aos
modelos
de
simulagão
con empo âneos,
num
espago
onde
a
eciclagem
e
ans igu agão
de
si
acon ecem
a a és
de
imagens
publici á ias.
A
supe ície
des as
pin u as
não
é
um
luga
de
uma
isão.
São
a
supe ície
de
ep odugåo
e
ans igu agáo
au á ica
de
imagens
sem
o iginais
--
des inadas
a
ci cula em,
indi e en es
ao
simbolismo do
supo e
ma e ial.
0
que
as
de ine é
a
ubiquidade;
não,
a
ma e ialidade
de
objec os.
A
a e a
de
Koons
é
a
de
ans e i ,
objec ualiza
e
soleniza
a
pe eigåo
écnica
dos
objec os-ma izes.
0
quad o
passa,
pois,
a
se
uma
supe ície
ecep o a
da
adiagâo
de
imagens
e
logo ipos
colec i os.
Uma
supe ície
solenizan e
que
in e e
o
sen ido
de
desapa igåo
i ual
dos
agmen os cap u ados.
Se
é
e dade
que,
nas
nossas
sociedades
dominadas
pela
in o magåo,
a
imagem
ende
a
ul apassa
o
objec o,
dessubs ancializando-o,
en ão,
a
es a égia
de
Koons
c emos
que
em
o
sen ido
de
e-subs ancializa
as
imagens
e a
de
anssubs ancia
os
objec os-imagens
(pu os
dis ibuido es
de
in o magâo).
Ele
es au a,
assim,
uma
ela i a
dis ância
en e
sujei o
e
objec o,
ge a
o
es anhamen o;
epôe
29
Se
bem que
a
publicidade
já
o a
ap op iada
pelo
museu,
ca alogada
e
his o iada.
A
ap op iacão
dela
po
Koons
não
em
absolu amen e
«de
o a»;
a
combinacão
é
ei a
a
pa i
do
in e io
do
museu
ou
aale ia
de
a e.
*
'P os íbulo':
não
sô
como
o
espaco
de
p os i uicão
mas
sob e udo
en endemos
como
o
espaco
de
ole ância.
68
a
o dem
simbolica
dos
objec os.
Subs i ui
a
anspa ência
do
objec o
pela
sua
opacidade.
To na-o
inú il
não
po que
es eja
obsole o,
a uinado
mas
po que
a
sua
pe eigão
uncional
oi
suspensa.
A
sua
eanimagão
á-los
â
dimensão
de
pu as
apa ências.
Eles
su gem
como
uma
síncope
no
ci cui o
inin e up o
de
in o magôes.
Da
Pin u a
icou
o
quad o-objec o;
es a
a
'memo ia'
da
pin u a
que,
ao
inco po a
em
si
a
(ameaga
da)
ep odu ibilidade,
a
sujei a
a
mu agåo.
0
medium
deixa
de
se
"pu o"
e
plasmá el
adqui e
as
p op iedades
de
ep odugôes.
A
ga an ia
da
in eg idade
das
imagens
ep oduzidas
inci a-
nos
ao
exe cício
da
memô ia-hábi o
da
con emplagão
-
no
sen ido
adicional
-
ace
a
uma
pin u a;
passamos
a
e
as
imagens
publici á ias
que,
po
endência,
mo em
mais
o
olha ,
um
elance
em
ez
de
um
ace-a-
ace.
A
bebida
alcoolica
(diônisos),
a
sexualidade
como
ecompensa
adqui ida
pelo
consumo
do
p odu o
alcoolico
publici ado
(a
e o izagão
desen ol ida
pelos
esquemas
mode nos
de
publicidade),
a
ci culagão
de
bens,
me cado ias,
imagens
e
pala as
são,
podemos
conside a ,
meios
de
anspo e.
Es as
ob as
eunidas
num
mesmo
espago
e
empo
de
exposigâo
ge am
no
espec ado
a
sensagão
de
es a
a
p esencia
á ios
egis os
semelhan es
de/em
" oz
o '
(uma
oz
que
o ien a
e
guia
a
na a i a
mas
cujo
co po
náo
es á
p esen e
no
momen o
da
na agåo).
0
e ei o
p o ocado
sob e
os
espec ado es
assemelha-se
ao
de
uma
expe iência
ida
numa
sala
de
espelhos
ou
numa
sala
de
museu
no
qual
se
epe e
slogans
e
imagens
de
p odu os
de
consumo.
0
choque
de
es anheza
ad em
da
indis ingão
en e
pin u a
e
publicidade,
en e
quad o
e
anúncio
publici á io,
en e
gadge s
e
escul u as;
en im,
na
ci culagão
pu a
das
imagens
da
ida
quo idiana,
de
uma
po enciada
es e icizagão
da
banalidade.
Es a
exposigão
cons i ui-se
na
ocasião de
e-ac ualizagão
des es
objec os
publici á ios,
p ocedendo
a
um
in es imen o
simbôlico.
Quase
pode íamos
dize
que
"Luxu y
and
Deg ada ion"
é
uma
ábula
(mo alis a)
sob e
a
a e,
sob e
os
seus
e ei os
de
en ei igamen o
e
seu
pode
de
in oxicagáo
equipa á eis
aos
da
publicidade.
A
comunicagão
(mediá ica)
é
ei a
pa a
domina ,
pe suadi ,
des ia ,
a ai ,
p oduzi
mo imen o
e
ci culagão
de
me cado ias.
A
apa ência
de
luxo,
p oduzida
na
publicidade,
pa a
ge a
o
ascínio
sob e
o
consumido
é
abs aída
e,
dessa
o ma,
es aziada.
O
luxo,
sendo
a
o ma
de
abs acgåo
e
de
pe da
dos
indi íduos
--
na
compe igão pela
posse
de
signos
dis in i os
-
associada
a
um
côdigo
social,
é,
po
es a
exposigão,
ans o mado
em
uma
apa ência
pu a,
sem
qualque
signi icagåo
ou
po ência
de
alienagâo.
6«)
S a ua y
(1986)
"0n
ne
peu
se
déba asse
du
double
sans
le
ma é ialise "
(Regis
Deb ay)
Nes a
exposigão,
as
emakes são
escul ô icas,
exclusi amen e,
em
ago
inoxidá el31
.
Es a
exposigão,
no
seguimen o
das
emakes
escul ô icas
da
exposigão
"Luxu y
and
Deg ada ion"
("lce
Bucke ',
"Pail",
"T a el
Ba ",
"Fishe man
Gol e ",
o
comboio
ou
os
á ios
agôes
da
Jim
Beam
e
"Bacca a
C ys al
Se ")
an ecipa
ce os
aspec os
explo ados
na
exposigão
"Banali y",
de
1988.
Salien amos
a
di e sidade
de
p o eniências
das
o mas
ap op iadas.
Assim
es as
pe encem
que
â
his ô ia
da
a e
(inclusi é,
das
chamadas
'a es
meno es')
que
aos
mass
media
(do
desenho
animado
ou
dos
comic)
e,
inclusi amen e,
que
ao
ipo
de
objec os
usuais
e
uncionais,
que
ao
ipo
de
objec os
deco a i os
(sou eni s,
bibelo s)
classi icá eis
como
"Ki sch"
ou
'pi osos'
ou
b inquedos.
Mas,
nou os
aspec os,
"S a ua y"
é
o
e o no
de
"Luxu y".
Ve i ica-se
em
"S a ua y
uma
ambiguidade,
pe encen e
a
"Banali y",
quan o
å
o igem
de
objec os
que
e e enciam
ou os
objec os
conhecidos
da
His o ia
da
A e.
Alguns
des es
objec os
o am
p o a elmen e
e undidos
a
pa i
de
e sôes
undidas
mais
ipi icadas;
o
que
pode
apon a
a
exis ência
de
uma
ins abilizagâo
iconog á ica.
Todos
es es
objec os,
mui o
di e si icados
en e
si,
são
ni elados
pela
u ilizagão
de
um
mesmo
ma e ial
--
o
ago
-
com
as
suas
cono agôes
do
mundo
indus ial
e
do
design
de
objec os
quo idianos.
Um
mesmo
ca ác e
de
also
luxo
pe ence
a
odos
os
objec os
e-moldados
em
ago.
Mais
p op iamen e,
a
'pele'
dos
objec os
é
e ida
e
conse ada
como
' es ígio'
igidi icado
de
uma
duplicagão,
de
um
simulac o
--
numa
ope agão
co esponden e
å
ei u a
de
uma
másca a
mo uá ia
ou
â
do
mi o
amo oso
undado do
desenho.
Con udo,
o
ago
não
em
a
exclusi a
ungâo
de
homogeneiza
a
apa ência
dos
di e en es
objec os.
Ele
é
ambém
o
ni elado
das
suas
empo alidade
in ínsecas;
o
ope ado
da
in incagâo
e
da
comp essão
de
empos
e
espagos.
É
o
ope ado
de
uma
memô ia
desemba agada
do
passado.
A
esplandecência
des es
objec os,
os
seus
b ilhos,
con e indo-lhes
um
oque
de
p eciosismo,
de e mina-os
na
sua
condigåo
de
apa ências
pu as.
O
ago,
supo e
da
epe igão
das
suas
apa ências,
é
ambém
uma
supe ície
imô el
de
e lexão.
Ela
cap a,
dis o cidos,
a
luz
e
a
mobilidade
dos
clien es-espec ado es
no
espago
da
ins alagâo.
As
supe ícies
c iam
uma
sensagåo
de
in imidade
e
passi idade
no
obse ado
que
é
e lec ido,
dis o cido
e
epelido. Enquan o
supo e
de
uma
ep esen agão,
o
ago
in isibiliza,
de
ce o
modo,
a
'pele'
dos
objec os
duplicados.
Assim,
como
se
o na am
ec ans
de
de olugâo
de
sensagôes
ôp icas
e
cinésicas,
a
o ma
de
cada
um
de
es es
objec os
posa
no
ago.
A
31
C .
no a
22.
7 )
que
em
â
cidade
ende
os
seus
p odu os.
0
ces o
que
anspo a
âs
cos as
con ém
pelo
menos
um
animal
mo o;
um
coelho.
Na
Segunda
Gue a
Mundiai
oi
o
monumen o
que
sob e i eu
ao
Holocaus o...
Ce amen e,
o
ema
não
podia
se
indi e en e
ao
a is a
ame icano40.
A
subs i uigão
da
escul u a
an e io
pela
sua
éplica
não
é
mais
do
que
a
e-
in eg agão
da
mesma
ob a
num
ou o
ci cui o.
Re- enda
do
mesmo
con iscado...
Não
há,
nes a
in e engâo,
uma
econ ex ualizagåo
do
objec o
num
ou o
espago
de
exposigão;
não
hou e
uma
e-localizagáo;
nâo hou e
uma
ansladagâo
da
ob a
pa a
um
ou o
espago;
somen e,
uma
subs i uigão
do
o iginal
em
b onze
po
uma
éplica
nou o
ma e ial dis in o.
A
ob a
é
o mal
e
es u u almen e
a
mesma
e,
no
en an o,
não
é.
Em
e mos
de
molde,
as
duas
ob as
são
e ec i amen e
semelhan es/iguais:
a
ob a
em
b onze
e
em
ago
inoxidá el
pa ilham
as
mesmas
dimensôes
e
ca ac e ís icas
o mais
embo a
se
dis inguam
po
di e en es
ca ac e ís icas
ísicas
dos
espec i os
ma e iais;
o
ago
inoxidá el
polido
e lec e
udo
em
ol a
dis o cido
enquan o
o
b onze
não
e lec e.
É
pelo
ma e ial
subs i uído
que
se
pode
ala
em
no a
oco ência
( empo al)
da
ob a.
Es a
ob a
é
econhecida
pelos
habi an es
de Muns e
como
a
mesma
escul u a
mas
o almen e
di e en e
na
sua
apa ência.
A
es igåo
da
ope agâo
es é ica
â
me a
subs i uigåo
do
ma e ial
de
uma
escul u a
an e io
pe mi e
uma
no a
" isualidade",
uma
no a
" isibilidade"
a
uma
ob a
que
p o a elmen e
já
e ia
me gulhado
na
in isibilidade
da
pe cepgão
dos
seus
espec ado es-
auseun es.
Es a
ope agåo
como
que
es au a
a
escul u a
an eceden e,
a
eno a
e
a
az
de
ol a
ao
olha
in e essado
dos
habi an es
de
Muns e .
Uma
mais- alia
de
popula idade
âquela
que
ela
já
possuia
desde
a
Segunda
Gue a
Mondial.
Passam
de
no o
a e
o
que
já
não
iam.
Renasce
o
seu
in e esse.
O
âmbi o
da
ope agão
a ís íca
é
delimi ado
â
e-
undigåo
do
que
an es
já
lá
es a a.
A
e undi ,
po
conseguin e,
ojá
is o.
0
depois
az
o
mesmo
com
uma
ligei a
modi icagáo
"cosmé ica".
0
depois
é
o
momen o
do
mesmo
epe ido
com
di e enga.
A
mudanga
de
ma e ial
(pa a
ago
inoxidá el)
é
uma
espécie
de
indicado
o mal
que
designa,
denuncia
o
ac o
que sob
"seg edo"
se ia
conside ado ac o
audulen o.
É
como
se
es i essemos
dian e
de
um
caso
es anho:
um
"c iminoso",
a ependido
da
pe eigão
do
seu
p e enso
c ime,
denuncia-se.
Ele
sabe
que
o
seg edo
não
compensa
de
odo,
nes e
ipo
de
casos,
já
que
o
de
Koons,
pela
sua
apa ência,
dos
c omados
dos
ca os
e
mo os,
dos
objec os
de
cozinha
ou
de
design;
ou,
ainda,
das
capacidades
de
me amo ose
daquele
se
híb ido,
ecnolôgico,
do
ilme
Te mina o
«
Judgemen
Day.
Sob e udo,
eco da-nos
a
espec i a
sequência
de
e ei os
especiais
na
qual
uma
supe ície
plana
e
e lec o a,
o mada
pela
ag egacão
de
á ias
bolhas
de
me al
de e ido,
eme ge
do
solo
ecompondo,
g adualmen e
o
co po
do
Te mina o .
Na
ase
de
ecomposicão
de
Te mina o ,
uma
e undicão
sem
molde,
assis imos
a
um
enomeno
escul ô ico
e,
além
disso,
a
um
espec áculo
op ico
ei o
de
e lexos
de
luz
que,
ao
se
e le i em
na
massa
in o me
de
me al,
nos
oma
di ícil
a
de e minacão
da
sua
onma
inal.
40
No
seu
ca álogo
elabo ado
pela
Taschen
Koons
e e e-se
ao
in e esse
po
es a
escul u a,
pela
igu a
ep esen ada
~
impossí el
ac ualmen e
-
da
au o-su iciência
e
pelas
di iculdades
com
que
se
deba eu
no
p ocesso
de
undicão
da
emake
em aco
inoxidá el.
77
c iminoso
( e dadei o
ou
não)
gos a
de
e
econhecido
o
seu
génio.
A
na u eza
des a
in e engåo
é
pa adoxal:
se
po
ela
Koons
se
pode
apaga
enquan o
sujei o-escul o
é,
ambém,
e dadei o
que
o
seu
apagamen o
e ec ua
o
apagamen o
do
sujei o-escul o (desconhecido)
des a
escul u a.
Pa adoxo:
apagamen o
de
um
em
p o ei o
de
ou o;
ou
co-exis ência
de
ambos.
Funciona
um
pouco
como
as
ec iagôes
de
elhos
mes es
da
Pin u a
po
Andy
Wa hol;
aí,
Wa hol,
sob e
a
ep odugão
o og á íca
de
uma
ob a
pic ô ica
céleb e,
imp essa
sob e
ela,
e-colo ia
e
edesenha a
em
con omos
pa alelos
o
mo i o
do
quad o.
Pa ece-nos
que
es a
ope agåo
de
ap op iagão
e
de
e undigão
( emake,
mesmo
no
sen ido
em
uso
no
cinema)
ao
ope a -se
sob e
casos
de
ob as
"meno es"
e e e
a
si uagáo
de
dí ida
(a
de
Koons)
numa
si uagåo
de
suspensão
da
mesma
(i.e.
da
oca).
Como
se
quem
i esse
ei o
a
emake,
o
plágio,
osse
o
único
ganhado -c edo
(medianúo
uma
o ma
meno
ao
azê-la
di e en e
pa a
o
espago
da
a e)
des a
ope agão
(pa a
além
da
p ôp ia
o ma).
0
que
é
bem
di e en e,
quan o
ao
signi ícado,
da
ec iagåo
de
ob as
do
passado
po
a is as
na
sua
elhice
como
Picasso
ou
mesmo
Wa hol.
Es es
já
pe enciam
â
His o ia
da
Pin u a
ao
empo
da
ealizagão
das
suas
ec iagôes.
No im
de
con as,
nem
seque
em
e mos
de
"apagamen o"
se
pode ia
conside a
es a
ope agåo,
pois
que
ela
é
semp e
a
ope agáo
de
um
au o
a
ap op ia -se
de
ou o
au o ,
de
uma
das
suas
ob as.
Pode-se,
isso
sim,
ala
de
um
apagamen o
de
Koons-sujei o-escul o
na
medida
em
que
o
objec o
que
supo a
a
sua
in e engão
não
cons i ui
uma
exp essão
dele,
não
ha endo,
po
essa
azão,
na
segunda
oco ência,
um
escul o
-
po que
não
há
ei u a.
0
que
aqui
se
a a,
como
de es o
no
eady-made
-
o
que,
aqui,
in e essa
e dadei amen e
não
é an o
aquele
objec o
pa icula ,
as
suas
p op iedades
sensí eis
quan o
a
sua
ideia,
a
sua
nogão.
Sob e udo,
o
que
Ihe
in e essa
é
"o
modo
de
ecepgâo
concep ual"
des e
ac o41
.
Como
Becke
em
Tê e
Mo e:
"J'a ais
l'obsession
du
blanc,
non
de
la
couleu ,
mais
de
la
no ion
de
blanc".
No
also
eady-made
joga-se
â
de e minagão
da
ou
å
nogão
de
eady-made;
já
não
é
a
ideia
de
eady-
made,
o
seu
concei o
de
que
o
objec o
se ia
o
seu
supo e
mas
a
ideia
de
que
a
p ôp ia
nogåo,
a
p ôp ia
de e minagão
de
eady-made
pode
e
como
supo e
não
um
objec o
mas
o
p ôp io
sis ema
de
ep esen agão,
is o
é
a
p ôp ia
nogão
de
mimesis,
de
imi agão (das
imagens)42.
A
oscilagão
41
Gé a d
Gene e
in
L'Oeu e
de
L'A ,
Immanence
e
T anscendance,
Seuil,
Pa is,
1994.
42
Reco demos,
a
í ulo
de
ilus acão,
as
la as
de
ce eja,
ep oduzidas
em
b onze,
de
Jaspe
Johns
-
de
que
pode emos
e
como
uma
in luência
pop
sob e
alguma
p oducão
escul ô ica
de
Koons,
nomeadamen e
a
pe encen e
a
"The
Equilib ium",
"S a ua y"
ou
"Kiepenke T.
Coloquemos
as
ob as
de
Johns
soib
e,
de
ce o
modo,
con a
o
ques ionamen o
pic ô ico
da
ep esen acão
clássica
ope ado
po
Mag i e
nas
pin u as
"Ceci
n'es
pas
une
pipe".
O
ac o
de
Mag i e
é
denunciado
do
"seg edo
da
ep esen acão
e
da
sua
descons ucão/ e elacão
(pela
pala a
na
elacão
com
a
imagem).
O
pa adoxo
apa en e,
em
Mag i e,
eside
no
e-conhecimen o
de
uma
ep esen acão
sob
um
ou o
uncionamen o
que
mos a
o
desdob amen o
em
que
se
unda
a
ep esen acão
clássica.
Digamos:
Mag i e
ol a
a
7X
p ôp ia
da
nogão
en e
"ê e
ceci/ne
pas
ê e
ceci"
ope a
em
ambos
os
casos.
Há
uma
espécie
de
apa ia
-
con apos o
ao
ágico
que
Lyo a d
diz
pe ence
â
me a ísica
da
men i a
po que
o
ágico
epousa ia
numa
c enga
--
de ec ada
na
A e
Pop.
Banali y(1988)
0
des io
da
es a égia
do
eady-made,
em
con o midade
a
uma
linha
ap op iacionis a,
é
acen uado
nes a
ase.
Da
mesma
o ma,
as
emakes
não
abso em,
li e almen e,
os
objec os
domés icos
do
quo idiano.
Koons
desloca-se
pa a
o
e i o io
da
c iagáo
de
objec os
a
pa i
de
um
p ocesso
de
mon agem/pas /c/?e
de
objec os
e
imagens
das
mais
di e sas
p o eniências
(da
His ô ia
de
A e,
Publicidade,
media,
b inquedos,
ca ôes
pos ais,
ca oons,
BD)43.
Deu-se,
nes a
exposigåo
a
di e si icagão
da
pale a
c omá ica,
de
ma e iais
(ce âmica,
madei a
polic omada,
id o
e
espelho)
e,
po
consequência,
da
de
écnicas
a esanais.
A
u ilizagão
de
um
imaginá io
o iundo
dos
Shoppings,
de
pos ais
e
e is as
popula es
posiciona
es a
exposigåo
sob
a
algada
da
Pop
A
a
qual
o
au o
conside a
se
o
"mo imen o
de
e o no
ao
objec i o,
a
um
ocabulá io
objec i o"
de
modo
sa is aze
as
necessidades
--
di e são,
en e enimen o,
iden i ícagão
-
das
pessoas.
Co esponde
a
um
e ec i o
desejo
de
assumi
o
público
como
eady-made.
Seduzi
g andes
audiências
é
jus i lcá el
po que,
nas
pala as
do
au o ,
"comunica
o
mais
i o,
o
mais
mediaio,
o
mais
comp eensí el,
não
co esponde
â
desa iculagåo
e
ao
simplismo
ge almen e
a ibuído
ao
ocabulá io
popula ."44
Pa a
cump i
al
exigência
as
imagens
são
ex aídas
de
domínios
dis in os
como
dos
mass-media
-
em
meno
quan idade
da
á ea
do
design
indus ial.
ep esen acão
clássica
sob e
si
mesma.
Johns,
ao
con á io,
"sal a"
es e
momen o
c í ico
no
qual
a
ep esen acão
se
econhece,
pa a
abusando
do
"I ompe-I'oei (como
signo
da
manualidade
ou
mé ie
do
pin o )
es i ui ,
âs
éplicas
em
b onze
das
la as
de
ce eja,
o
es a u o
de
"pele"
que
ecob e
e
esconde
o
ma e ial nob e
(o
b onze).
A
pele,
dizíamos
nás,
é
a
iden idade
come cial
das
di as
la as.
Des a
manei a,
a
iden idade
come cial
não
mos a
se
sô
apa ência
ex e io ,
sem
mais,
e
se
a
apa ência
que
dissimula,
não
o
objec o
eal
(a
essência,
a
o ma),
mas
ou a
apa ência.
Je
Koons,
u ilizando,
como
emos
opo unidade
de
mos a ,
não
já
os
sinais
de
ei u a,
que
cons i uem
o
also
eady-made,
mas
a
mudanca
de
ma e ial,
desloca-se
en e
os
dois,
en e
Mag i e
e
Johns.
A
ei u a
é
pos a
en e
pa ên eses;
é
eady-made.
É
o
ma e ial,
que
se
omando
uma
apa ência,
dessa
manei a,
pe mi e
signi ica
a
des- ealizacão
do
mundo,
a
na u eza
simulacional
da
nossa
ealidade
quo idiana.
O
pa adoxo
apa en e
man ém-se
nos
ês
a is as
e e idos.
O
engana-olhos- ac o-uso
de
Koons
ai
ao
pon o
de
os
objec os
unciona em
com
objec os
eais
e
não
sô
enquan o
imagens
ilusô ias.
43
"When
I
did
The
Banali y
wo k
I
s opped
wo king
wi h
he
objec
as
a
eady-made
and
I
assumed
he
public
as
a
eady-made;
I
jus
pushed
e e y
bu on,
I
emo ed
hei
op ions.
I
I
wasn'
going
o
seduce
he
public
h ough
sexuali y
I
would
seduce
hem
wi h
spi i uali y
and
i
ha
didn'
wo k.
I
would
use
ma e ialism,
and
e en
an
essence
o
o malism."'
(en e is a
do
a is a
a
Ma hew
Collings
po
ocasião
da
exposicão
"A e
Pop"
no
Royal
Academy
e
na
Se pen ine
Galle y;
imp essa
em
A
&
Design
"Pop
A ":
43).
O
desejo
de
apela
mais
di ec amen e
ao
público,
ãs
audiências,
explici a-se
mui o
mais:
"l' e
made
wha
he
Bea les
would
ha e
made
i
hey
had
made
sculp u e.
Nobody
e e
said
ha
he
Bea les'
music
was
no
on
a
high
le ei,
bu
i
appealed
o
a
mass
audience.
Tha 's
wha
I
wan
o
do."
44
A í
&
Design
"A
Pop",
1991
numa
en e is a
de
Ma hew
Collings
a
Je
Koons.
79
As
imagens
e e en es
a
ob as
his ô icas
da
Pin u a
são
sujei as
a
um
p ocesso
de
ni elamen o
que,
ao
indis ingui
as
suas
ma cas
es ilís icas,
nos
az
esquece
a
sua
o igem
não-mediá ica.
Um
bom
exemplo
de
ci agão
dis o cida
é
a
pega
de
S.
João
Bap is a.
Nes a
pega
cheia
de
dou ados,
S.
João
Bap is a,
apon a
com
o
dedo
indicado
o
céu45
-
como
sucede
na
pin u a
de
Leona do
da
Vinci.
Sô
que,
S.
João
Bap is a
es á
ab agado
a
um
po co,
a
uma
c uz
íli o me
e a
um
pinguim.
0
seu
leona desco
so iso
e
jei o
en emininado,
jun amen e
com
os
oques
de
dou ado
espalhados
pelo
seu
cabelo,
pela
pele
de
animal
que
es e,
pelo
ocinho
e
pa as
do
po co,
pela
c uz
e
peio
pinguim,
pode
se
cono ado
de
angelismo
mediá ico
do
banal
-
a
con as a
com a
an e io
cono agâo
de
bea a
pleni ude
da
g aga
di ina.
As
ope agôes
de
pas iche
ão
en ol ê-lo
em
á ios
p ocessos
judiciais46
,
sob
acusagão
de
plágio.
0
caso
mais conhecido:
a
escul u a
em
madei a
polic omada
"S ing
o
Puppies"
ei a
a
pa i
de
uma
o og a ia
de
um
pos al.
Es es
con on os
com
a
jus iga
-
nem
semp e
bem
sucedidos
pa a
o
au o
-
cons i ui am
uma
opo unidade
pa a
o
au o
ei indica
o
di ei o
â
disponibilidade
de
odas
as
imagens
quaisque
que
elas
sejam
--
jus i ícá el
po
um
lado,
al ez,
po
i e mos
numa
sociedade
da
digi alizagão
e,
po
ou o
lado,
po
simpa ia
pôs-modema
pela
ecusa
da
ope acionalidade
do
concei o
de
o iginalidade,
con a
a
ideia
de
au o
como
p op ie á io
das
coisas.
"S.
João
Bap is a"
é
uma
ce âmica
polic omada.
Os
animais
que
já
e e imos,
o
po co
e
o
pinguim,
epe em-se,
na
companhia
do
a is a,
nos
pos e s
publici á ios
e
p omocionais
da
exposigão
-
que
são
qua o.
As
in o magôes
dos
ca azes
p omocionais
são
os
mesmos:
Je
Koons
e
a
indicagão
das
ês
gale ias
em
ês
cidades
-
Colônia,
Chicago,
New
Yo k.
De
ac o,
"Banali y"
inaugu a
a
di e si icagåo
das
igu as
sociais
do
a is a
numa
campanha
de
ipo
elei o al.
Koons
desen ol e
uma
po encialidade
desco inada
na
sua
pega
"The
New
Koons"
na
sé ie
"The
New".
Campanha
pa ôdica
de
campanhas
elei o ais
(onde
o
impo an e
é
con ence /con e e
os
elei o es
alo
de
uma
«manei a
de
se »,
de
um
es a u o
sôcio-mo al),
pois
que
se
a a
de
uma
campanha
peculia :
ela
albe ga
em
si
uma
sé ie
de
campanhas
di e en es
de
um
mesmo
candida o,
di e en es
poses
e
igu as
de
um
mesmo
ac o .
Pa ôdia
de
campanhas
elei o ais;
"jo em
galã"
odeado
de
animais
do
Á ico
ou
he ôi
de
adolescen es
ce cado
de
miúdos
--
uma
u ma
ipo
"Uni ed
Colo s
O
Bene on".
Enquan o
á ias
campanhas
numa
mesma
campanha
ele
45 O
dedo
indicado
e ec o
pode,
não
apenas.
se
elacioná el
com
um
ges o
obsceno
mas,
ambém,
com
o
equilibnsmo
com
a
bola
de
basque ebol
em
dois
dos
pos e s
da
"Nike":
a
mulhe
de
"The
Williams"
e
o
jogado
n°
4
de
"Si
Kid".
46
Em
en e is a
publicada
no
núme o
da
A í
&
Design,
"Pop
A ",
1992,
J.
Koons
alude
aos
se e
p ocessos
elacionados
com
iolagão
de
di ei os
de au o .
Como
acusado
ele
c i ica
as
leis
concemen es
a
esses
di ei os:
"I
don'
belie e
in
he
es ic ion
o
ha
ocabula y.
The
laws
conceming
a
igh
now
a e
o ally
based
on
mode nism,
which
had
a
sho
s o y
in
a
."
(op.
c'i .:
43-44)
80
p opôe
como
odas
as
ou as
a iados
climas
ísicos,
conjun os
de
escolhas
quo idianas,
exp essas
numa
mo ologia,
numa
manei a de
se
es i ,
numa
pose.
47
Ap eocupagâo
excessi a
com
a
imagem
ge al
de
um
candida o
numa
campanha
elei o al
p essupôe
o
econhecimen o
do
pode
de
con e são
das
imagens.
A
conco ência
en e
ma cas
come ciais
é
desdob ada
numa
gue a
de
imagens
de
p odu os,
de
exemplos
e
ei igos
al
como
em
qualque
campanha
elei o al.
0
p oblema
es á,
po
ezes,
segundo
Roland
Ba hes,
em
ende -se
a
escamo ea
a
«polí ica»
(um
co po
de
p oblemas
e
de
solugôes)
em
bene ício
de
uma
«manei a
de
se »,
de
um
es a u o
sôcio-mo al"
-
de
manei a
a
ansmi i
os
môbeis
do
candida o
(não
os
seus
p ojec os),
as
ci cuns âncias
amilia es,
men ais
e
mesmo
e o icas,
" odo
esse
es ilo
de
se
que
ele
é
ao
mesmo
empo
o
p odu o,
o
exemplo
e
o
isco."
48
Mas
se
a
o og a ia
e
os
es an es
mass-media
supôem
-
a
ac edi a
em
R.
Ba hes
-
uma
amilia idade
ou
cumplicidade
do
candida o
com
o
público,
dando
a
le
o
amilia ,
o
conhecido
e
p opondo
ao
(e)lei o
"a
sua
p ôp ia
e ígie,
cla i icada,
enal ecida,
ele ada
sobe bamen e
ao
es ado
de
ipo.
(...)
que
de ine
(...)
a
o ogenia
(....)49n
é
possí el,
ainda,
que
a
con e sâo
a a és
da
p odugáo
de
semelhangas
possa
se
es aziada
de
qualque
con eúdo,
de
qualque
manipulagáo
ideolôgica.
É,
a inal,
o
que
Je
Koons
az
nos
seus
ca azes
p omocionais.
Compa adas
com
as
campanhas
elei o ais
habi uais,
onde
o
elei o
é,
ao
mesmo
empo,
exp esso
e
p omo ido
a
he ôi,
con idado
a
elege -se
a
si
mesmo,
a
in es i -se,
po
delegagão,
no
candida o- ipo,
as
campanhas
de
Koons
são
uma
pa ôdia
in e miná el
da
p odugáo
de
delegagåo.
São
campanhas
sem
uma
mensagem;
es ão
sabo adas,
desde
o
início.
Já
que
são
ealizadas
pa a
se i em
de
di e imen o
e
de
i isão
de
poses,
es ilos
-
p e ensos
eículos
de
uma
au en icidade
--
em
a o
da
olia,
da
a i icialidade
de
déco s
e
a ibu os;
em
a o
de
um
ce o
pendo
pa a
um
in an ilismo
que
conju a
con a
o
es a ismo
do
desencan o
igen e.
Num
dos
pos e s,
o
a is a
az-se
e a a
acompanhado
de
po cos.
Encos a-se
a
um
g ande
po co
e
az
de
baixo
do
b ago
um
mais
pequeno.
Com
o
mesmo
so iso
leona desco
de
S.
João
Bap is a,
Koons
pa ece
e
empu ado
o
po co
maio
pa a
pode
ainda
ica
den o
do
enquad amen o.
É
que
o
po co,
não
comple o,
mesmo
assim
ocupa
a
pa e
cen al
da
o og a ia.
0
pequeno
po co,
anspo ado
po
Koons,
des az
o
sen ido
de
g a e
i alidade
con a
o
ou o
po co.
0
seu
ges o
é
a
de
uma
i alidade
simulada;
é
um
jogo
de
aidades.
O
g ande
po co
pa ece
se
o
e a o
do
a is a:
Pa a aseamos
Ba hes,
"Fo ogenia
Elei o al"
in
Mi ologias:
175.
,s
Ba hes,
op.
cĩ .:
175.
49
Ba hes,
op.
ci .:
175.
si
"I
was
he e
wi h
wo
pigs
(...)
so
i
was
like
b eeding
banali y.
Bu
I
wan ed
o
debase
mysel
and
I
call
mysel
a
pig,
be o e
he
iewe
had
a
chance
o,
so
ha
hey
could
only
hink
mo e
o
me
in
he
u u e."50
A
e e ência
ao
p o e a
S.
João
Bap is a
é
ambígua
como
quase
semp e
as
suas
e e ências.
Mas
podemos
ac edi a
que
S.
João
Bap is a
é,
jocosamen e,
"o
(seu)
símbolo
do
bap ismo
na
banalidade",
uma
ei e agåo
pa odica
do
bap ismo
de
C is o.
E ec i amen e,
que
Céu
nos
é
o e ecido,
assinalado?
0
pos e
do
a is a
com
os
seus
po cos
ep esen a
e
ap esen a
a
sua
di e ida
deg adagão.
0
humo
com
que
a
execu a
pe mi e
ans o ma
uma
me a
ope agåo
de
e a agåo
social,
p opagandís ica,
numa
opo unidade
de
se
ans o ma
em
seu
p ôp io
mediaôo
pa a
o
cí culo
a ís ico
--
a
exemplo
do
que
acon ece
nos
ac uais
" eali y-shows"
ele isi os.
Tem,
no
en an o,
a
an agem
de
se
pa ôdia;
po
isso,
de
assen a
numa
in ensi icagão
do
a i ício,
da
masca ada
å
cus a
da
banalidade.
Es a
ope agão
pode
elucida
um
pouco
o
que
ele
e e e
como
uma no a
ase
do
seu
abalho
ao
e
assumido
já
não
somen e
o
objec o
mas
o
público
como
eady-made^
.
Num
ou o
pos e ,
ap esen a-se
descalgo
e
sen ado.
Ves e
um
oupão
p e o
com
uma
espécie
de
bo dado,
um
b asâo
dou ado
a
azul
e
e melho.
Na
mão
esque da
em
um
anel
azul.
Duas
ocas
--
animais
do
Á ico
que
são
subs i uídos
nou as
pegas
po
pinguins
-
ladeiam-no
e
es ão
co oados
de
lo es. Po
de ás
do
a is a
es á
uma
espécie
de
enda
la anja,
azul
e
b anco- osado,
echada.
A
cena
em
luga
num
espago
in e io /ex e io ,
p o a elmen e
um
ja dim,
com
ege agão
ondosa.
"I
was
eally
abou
assuming leade ship
and
decla ing
mysel
king.
And
e en
hough
he
subjec s
o
his
wo ld
o
mine
may
jus
be
hese
seals,
hese
p o ec o s
o
mine,
I
was
s ill
king
o
my
wo ld."
No
e cei o
pos e ,
Koons
apa ece
es ido
de
neg o
escu o,
camisola
e
calgas
jeans.
No
quad o
e de,
da
escola,
ele,
líde
ou
pedagogo,
com
um
so iso
nos
lábios,
pau de
giz
na
mão,
pa ece sa is aze -se
a
esponde
âs
pe gun as
(da
massa)
dos
alunos,
c iangas
mul i- aciais
com
as
mãos
no
a ,
a
so i em,
de
cos as,
em
p imei o
plano.
No
quad o
e de,
o
'p o esso '
pa ece
e
esc i o
os
seguin es
slogans
os
quais
supomos
se em
o
objec o
da
discussão
ou
de
escla ecimen o
didác ico:
"Banali y
As
Sa iou ",
"Exploi
The
Masses",
"Monumen ali y
"e
ou as
ocul adas.
Koons
en e is ado
po
Ma ew
Collings
in
A í
&
Design
"Pop
A ".
"When
I
did
he
Banali y
Wo k,
I
s opped
wo king
wi h
he
objec
as
a
eady-made
and
I
assumed
he
public
as
a
eady-made:
I
jus
pushed
e e y
bu on,
I
emo ed
hei
op ions.
I
I
wasn'
going
o
seduce
he
public
h ough
sexuali y
I
would
seduce
hem
wi h
spi i uali y
and
i
ha
didn'
wo k,
I
would
use
ma e ialism,
and
e en
an
essence
o
o malism."
(en e is a
de
Ma hew
Collings
na
ocasião da
exposicão
A e
Pop
na
Royal
Academy
e
na
Se pen ine
Galle y,
in
A
&
Design
,
"Pop
A ",
1991:
43).
O
desejo
de
apela
ãs
audiências
(âs
massas)
em
"Banali y"
é
mais
explíci o
nes a
ci acão:
T e
made
wha
he
Bea les
would
ha e
made
i
hey
had
made
sculp u e.
Nobody
e e
said
ha
he
Bea les'
music
was
no
on
a
high
le el,
bu
i
appealed
o
a
mass
audience.
Tha 's
wha
I
wan
o
do"
(s a emen
do a is a
in
Je Koons,
Taschen,
1992:
117)
82
Ou o
pos e :
numa
paisagem
campes e
supos amen e
ao
a
li e,
um
céu
nublado
(a i icial,
manipulado
po
compu ado ),
eco a-se,
e î
bloco,
o
a is a,
um
go ila
com
uma
boca
escanca ada
e
duas
mulhe es.
As
duas
mulhe es
es em
biquinis.
A
mulhe ,
â
di ei a,
de
pe il,
az
um
bolo
de
anos,
c emoso
em
ons
osa
e
b anco.
Ap oxima-se,
olhando
o
a is a
de
soslaio.
0
a is a,
ao
cen o,
de
pé,
com
um
pequeno
bouque ûe
lo es
na
mão,
es ido
de
neg o,
olha
o
obse ado
-
apesa
de
pa ece
conscien e
da
ap oximagão
da
mulhe .
No
meio
das
suas
pe nas, es á
sen ado
um
go ila.
A
cabega
do
go ila
possui
uma
espécie
de
pe uca
dou ada.
A
sua
boca
escanca ada
es á
ao
ní el
do
sexo
do
a is a.
A
ou a
mulhe ,
a
que
es á
sen ada,
å
esque da,
enquan o
aca icia
o
pescogo
do
go ila,
ol a-se,
pa a
a
sua
di ei a,
pa a
ou i
ou
e
algo
que
acon eceu
o a
do
enquad amen o
da
imagem.
Os
ês
pos e s
encenam
elagôes
de
con ole,
de
lide anga
e
de
pode ;
de
apelo
e
de
sedugåo
das
massas
solíci as.
T azem
a
ques ão
da
au o- ep esen agâo
do
a is a,
que
se
iden i ica,
an ecipadamen e,
"como
um
po co";
como
demagogo/p o esso /pedagogo
ou
execu i o/ ip/je
se .
Iden i icando-se
como
po co,
Koons
usa
a
au o-i onia
e
o
cinismo
como
moeda
de
oca.
0
pode
é
po co.
Es as
imagens
são,
no
e dadei o
sen ido
da
pala a,
alego ias
an ecipadas
ou
au o-comen á ios
sob e
a
ecepgåo
das
es a égias
do
p op io
a is a
nos
meios
ins i ucionais
da
a e.
São
acgôes
que
desconce am
e
silenciam;
udo
es á
di o
pelo
p ôp io.
Es es
ês/qua o
pos e s
êm
a
impo ância
de
se em
uma
" éplica"
aos
da
"Nike"
bem
como
aos
da
"Luxu y
and
Deg ada ion".
Não
no
sen ido
de
ep odugâo
das
suas
ca ac e ís icas
o mais,
mas
no
sen ido
em
que
eles
ambém
a i mam
igo osamen e
a
p opaganda
de
um
ce o
es ilo
de
ida
--
da
ep esen agão
da
masculinidade,
da
aga,
do
acesso
a
ou os
es ados
sociais
a
pa i
do
uso
do
despo o
ou
da
a e,
como
azem
Koons
ou
a
classe
ele ada,
pa a
es a égias
de
dis ingåo
e
p omogâo
sociais
--
e
assumem
a
dimensão da
p omogão
e
da
ob a
como
pa e
in eg an e
do
abalho
a ís ico.
Ob iamen e,
que
nesses
pos e s,
a
a i ude
de
Koons
não
pa ilha
da
a i ude
hie á ica
e
on al,
quase
de
sob ance ia
da de
"Moses".
Pelo
con á io,
ele
apa ece
semp e
mui o
solíci o,
p on o
a
ans o ma -se
em
al o
de
a aque,
em
objec o
de
in e oga ô io
e
no
de
p ojecgåo
dos
desejos
hos is,
ou
não,
dos
ou os.
A
p es abilidade
compene ada
em
ans o ma -se
em
objec o
de
comunicagåo,
em
ígu a
i isô ia
do
desejo
alheio
desconce a.
Capacidade,
essa,
que
é
a
de
se
molda
âs
exigências
da
o e a
e
da
p ocu a
de
ep esen agôes;
ao
me cado
dos
desejos.
Talen o
de
se
ec an
do
público;
sensibilidade que
se
apu a
no
caixei o-
iajan e,
no
endedo ,
no
a is a
de
ele isão
ou
no
candida o
polí ico.
Nes a
exposigâo,
o
apa ecimen o
das
escul u as
de madei a
az
a
ap op iagão
do
abalho
a esanal
dos
seus
execu an es.
As
ma cas
isí eis
do
en alhe
e
da
pin u a-colo agão
con a ia
o
que
e a
comum
nas
ĸ~
exposigôes
an eno es.
Sô
que
o
abalho
a esanal,
manual,
apa ecendo
numa
al u a
em
que
e a
e alo izado
nas
endências
a ís icas
A?eo
ou
pôs,
po
se
"alugado",
es abelece
uma
dis ância
ao
alo
da
mão
do
a is a.
Embo a,
esse
abalho
seja
con oladíssimo
em
odos
os
seus
aspec os
de
plani ícagão
e
concepgåo
como
o
p ôp io
não
se
cansa
de
sublinha .
Essa
dis anciagão
da
mão
pe mi e
que
os
a esãos
assumam
como
deles
as
'suas'
pegas.
De
dois
modos:
que eles
se
p ojec em
nelas
e
sin am,
ao
assiná-las,
a
ilusão
de
Ihes
pe ence em.
"Ushe ing
in
Banali y"
(escul u a
em
madei a)
ep esen a
um
po co
com
um
lago
e de
ao
pescogo.
Esg a a a
algo
no
chão.
Vem,
en e an o,
ampa ado
po
dois
cupidos/anjos
e
empu ado
ou
a
se
beijado,
po
uma
c ianga,
com
lu as
p e as
e
uma
i a
e melha
na
es a
-
po
sinal,
é
pa ecido
com
o
p op io
a is a...
Pa ece
e
indo
de
uma
sessão
de
"jogging"
ou,
simplesmen e,
a
es o ga -se
a duamen e
pa a
que
o
po co
a ance
mais
ápido
pa a
a
boca
de
cena.
0
po co,
símbolo
da
banalidade,
é
masco e
secundada
po
igu as
alego icas
e
po
gen e
comum.
Es a pega
é,
al ez,
a
alego ia
da
glô ia
da
banalidade.
"S acked"
(escul u a
em
madei a
polic omada)
um
empilhamen o
de
animais,
uns
po
cima
dos
ou os.
Po
baixo
de odos
es á
um
po co/po ca
esca apachado,
indolen e,
no
chão.
0
po co52
supo a,
sucessi amen e,
uma
cab a
sen ada,
um
cão
pequeno
de
língua
de
o a
e
um
cåo
(de
pé)
ou
å
p ocu a
de
equilíb io
ou
a
chei a
a
cab a
e,
po
im,
um
pássa o
a
ina
no
do so
des e
cáo.
"Win e
Bea s"
(escul u a
em
madei a
polic omada):
um
casal
de
u sos
b ancos,
de
pé
(mui o
pe soni icados)
acenam
um
adeus,
mui o
bem
dispos os.
Dão
as
suas
mãos,
unidos
a
um
co agão
e melho
de
o mas
a edondadas
e
possuindo
em
seu
edo
uma
au éola
a endada.
0
casal
az
â
cabega
um
chapéu
com
um
lago
e melho.
Ela
es e
uma
blusa
azul,
de
gola
ec angula
endada,
com
um
lengo
g ande
e melho
e
uma
saia
olhada
em
ons
de
azul,
ama elo
e
e melho.
Ele
es e
apenas
uma
jaque a
azul
com
umas
lo es
secas
colo idas
ao
pei ilho
-
como
o
cola
da
sua
mulhe
com
uma
ma ga ida
--
e
em
um
lengo
e melho
ao
pescogo.
No
chão,
na
base
des a
escul u a
espalham-se
algumas
pé alas
e
lo es.
As
ca as
des es
u sos,
bas an e
an opomo icas,
po
não
e em
a
pilosidade
e i icá el
nas
pa es
es an es
dos
seus
co pos,
p o ocam
em
nôs
a
imp essão
de
es a em
masca ados
com
peles
de
u sos.
A
e dade
é
que
es e
ipo
de
incong uência
acilmen e
cons a á el
em
b inquedos
ulga es
ao
se em
ampliados
pa a
es a
escala
o na-se
mons uoso.
Podemos
ac escen a
a
ase
seguin e,
pa a
aba a
es a
sensagão:
"mas,
são
simples
mons inhos
amigá eis".
"U so
e
Polícia"
(escul u a
em
madei a):
um
u so
gigan e,
mais
de
dois
me os
de
al u a,
cas anho
alou ado,
pousa
a
pa a
esque da
sob e
o
Há
uma
e são
escul ô ica
des e
po co,
isolado.
84
omb o
esque do
do
minúsculo
polícia.
0
u so
aja
apenas
uma
-shi
de
bandas
ho izon ais
bas an e
colo idas
-
a
pa e
mais
es iden e
da
escul u a
con as a
com
as
co es
mais
escu as
da
a da
do
polícia
e
com
o
seu
pêlo.
Tem
um
lago
ama elo
ao
pescogo.
Descon aído,
o
polícia
segu a
nas
cos as
o
cace e e;
endo
a
sua
mão
di ei a,
espalmada,
pelo
o e
ab ago
do
u so,
con a
o
seu
p ôp io
es ômago.
En e an o,
o
u so
puxa
pa a
si,
amiga elmen e,
o
api o
do
polícia.
0
polícia
olha,
meio
espan ado,
meio
embe ecido,
pa a
os
olhos
esbugalhados
do
ino ensi o
u so
gigan e.
"Naked"
(escul u a
de
po celana):
um
casal
de
c iangas
ab agados,
lado
a
lado,
nus,
obse a
um
bouque
de
lo es.
0
apaz
deliciado
exibe
o
bouque
å
menina,
es endendo-lho
com
a
sua
mão
di ei a.
A
menina
obse a,
ascinada,
as
o mas
in igan es
do
bouque ,
inclina-se
pa a
o
e
de
mais
pe o
e
que
ocá-lo
com
a
sua
mão
esque da.
As
o mas
do
bouque podem
se
desc i as
como
uma
co ola
de
lo es
colo idas
de
cujo
cen o
eme ge
uma
' a a'
um
pouco
mu cha.
P o a elmen e,
o
objec o
de
a engåo
é
não
an o
a
amilia
ges al
quan o
o
mo imen o
de
descida
dessa
a a
e ec a
al
qual
um
alo.
No
châo
es ão
espalhadas
algumas
lo es
maio es
e
semelhan es
âs
do
bouque .
Algumas
dessas
lo es
íca am
sem
algumas
pé alas
e
olhas
( iole as
e
osas).
Po
de ás
das
duas
pe sonagens
e gue-se
do
chão
um
lengol
b anco
-
que
pa ece
ê-los
cobe o
-
epe indo
em
con apon o
o
mo imen o
de
e ecgão
da
' a a'
do
bouque .
Alego ia
da
descobe a
do
co po
e
das
p imei as
explo agôes
sexuais
na
in ância
e
p é-adolescência,
es as
si uagôes
pa ecem
se
uma
ma iz
explica i a
do
ascínio
ou
da
cu iosidade
pela
banalidade.
No
undo,
um
p aze
na
epe igão
da
cena
de
desocul agâo
de
pequenos
seg edos
e
ansg essôes
da
in ância?
A
ce âmica
"Michael
Jackson
and
Bubbles"
(a
maio
escul u a,
em
amanho
na u al,
numa
écnica
de
po celana
p e e ida pelo
ococo)
oca
a
co
na u al
do
can o
e
a
da
sua
masco e,
o
macaco
sen ado
no
seu
egago,
pa a
o
b anco.
Es a
escul u a
oi
execu ada
a
pa i
de
uma
o og a ía
o e ecida
pelo
can o .
A
pele
do
macaco
e
a
do
can o são
semelhan es.
Es a
imagem
escandalosa
do
can o
neg o
que
oca
a
sua
co
po
uma
ou a
da
aga
pode osa,
que
a í ma po
es e
modo
a
não
exclusi idade
acial
de
uma
co ,
cono a
a
posigão
de
odos
aqueles,
independen emen e
das
agas,
que
o
condenam
po
es e
denig i
a
sua
p ôp ia
aga
2
.
Es a
imagem
ap esen a
o
can o
e
o
macaco
ca ac e izados
com
os
mesmos
olhos
p e os
asgados,
com
a
mesma
acen uagão
exage ada
dos
la gos
lábios
e melhos
e
com
a
mesma
co
dou ada
de
Apesa
des a
lei u a
es a
imanen e
å
ob a.
Mas,
na
e dade,
sob e
es e
aspec o
escandaloso
da
mudanca
de
co ,
Koons
ecusa
e
uma
lei u a mo alizan e
a i mando
que
a
me amo ose
ope ada
po
Jackson
e
um
ms umen o
de
comunicacão
com
o
seu
público.
Michael
Jackson
inco po a
a
censu a
e
a
op essao
social
da
aca
neg a.
Esse
ac o
é
polémico,
po
a iadíssimas
azôes:
uma
delas
po
dissol e ,
em
si,
a
pe mencia
dos
cn é ios
aciais
como
dados
incon omá eis
da
iden idade
de
um
mdi iduo.
.5
cabelo
(e
da ba ba
do
macaco);
es idos
com
os
mesmos
a os,
sâo
ap esen ados
como
se es-de-po celana,
-
duplos
um
do
ou o,
ao
pon o
de
quase
não
sabe mos
quem
é
o
al e ego
de
quem
-
objec os-especiais
de
uma
idola ia
que
se
exp essa
nas
lo es
dou adas que
caí am
no
egago
de
Michael
e
do
macaco
e
em
ol a
do
can o
pelo
chão
(base
eco ada
da
escul u a).
Como
se
se
es i éssemos
a
assis i
a
um
momen o
pos e io
a
um
espec áculo
iun al
no
qual
o
can o
concede
uns
ins an es
de
'con í io'
com
o
público.
As
ex a agâncias
e
obsessôes
ligadas
a
um
medo
de
con aminagâo
e
en elhecimen o
são
elemen os
de
uma
imagem
(g o esca)
con adi ô ia
do
can o
já
que
ele
alia
a
candu a
a
uma
inacessibilidade.
E
é
es a
imagem
pública
do
can o
que
alimen a,
exclusi amen e,
o
e a o
idimensional
elabo ado
po
Koons. Uma
imagem pública
que
não
é
al e ada
adicalmen e
como
a
de
Ma ilyn
em
algumas
sé ies
espec i as
de
Andy
Wa hol.
A
dimensão
olumé ica
de
uma
imagem
p oduz
uma
espécie
de
ígu a
de
ce a,
um
simulac o.
Mesmo
as
dimensôes
na u ais
da
igu a
p oduzem
em
nôs
es a
sensagão
con adi ô ia
de
in imidade,
que
acili a
a
iden i ícagão
com
a
ígu a,
e,
em
simul âneo,
de
decepgâo
na
medida
em
que
ela
es á
muda.
0
uso
de
uma
escala
ligei amen e
supe io
â
humana
em
b inquedos
e
ou as
pe sonagens
de
ilme
animado
ge a
uma
sensagåo
descon o á el
quan o
â
nossa
p op ia
escala
is o
que,
p opo cionalmen e,
e -nos-iamos
passado,
sem
nos
da mos
con a,
pa a
uma
dimensão
lilipu iana.
A
explo agão
des a
dis o gão
ou
alucinagão
na
nossa
consciência
quan o
â
nossa
escala
é
bem
ilus ada
na
elagão
en e
o
u so
e
o
polícia
na
pega
"Bea
and
Policeman"
como,
a
da
côpula
en e
um
animal
ic ício
e
uma
mulhe ,
na
pega
seguin e.
"Pink
Pan he "
(escul u a
em
po celana)
em
duas
is as
possí eis
como
"Bus e
Kea on"
sob e
o
seu
pequeníssimo
pônei.
As
duas
is as
possí eis
do
objec o
escul ô ico
são
con adi ô ias
en e
si,
opôem-se
en e
si.
Uma
desmen e
o
que
a
ou a
mos a.
Há
um
jogo
semelhan e
ao
que
sucede
na
linguagem
en e
o
di o
e
nâo
di o,
o
di o
e
o
desmen ido.
Uma
suges ão
de
mas u bagåo,
pa a
o
caso
de
Bus e
Kea on
se
is o
on almen e.
Uma
suges ão
de
coi o
en e
uma
mulhe
lou a
e
a
pan e a
co -de- osa,
quando
es amos
dian e
da
ace
da
pan e a.
A
cena
é
mui o
es anha.
A
mulhe
es á
com
a
pa e
supe io
do
co po
despida;
es á
es ida
com
uma
saia
mui o
jus a,
a ada
e
pa ece-nos
se
uma
miní-saia.
Tem
os
b incos
e
a
pulsei a
dou adas
pos as.
Es á
maquilhada,
e
em
no
cabelo
um
lago
co -de- osa.
Quando
es amos
de
en e
pa a
a
ca a
da
mulhe
emos
que
ela
des ia
o
olha
da
ca a
da
pan e a.
Ela
segu a-a,
como
se
osse
um
simples
e
le e
boneco
de
peluche,
com
a
mão
esque da
enquan o
apa
o
seio
com a
mão
di ei a.
Ela
i a
a
ca a como
se
osse
chamada
po
alguém,
como
se
espondesse
ao
chamamen o
de
alguém.
Responde
so indo,
como
se
es i esse
aleg e
e
ao
mesmo
empo
86
abso gâo
ei a
implica
uma
negociagão,
um
pac o?
P o ei o
do
a is a-
isi an e
e
mensagei o
da
«boa
no a»,
aquele
que
acei a
posa ,
se
objec o
de
desejo,
al
como
Cicciolina.
Nessa
oca,
Koons
ope a
uma
coincidência
de
papéis;
ele
é
o
a is a
e
é
o
seu
p ôp io
modelo.
Enquan o
modelo,
an o
como
o
seu
modelo
eminino,
deixa
de
pode
se
o
oyeu ,
essa
ungão
cabe,
po
in ei o,
ao
espec ado
des as
imagens.
Foi
p eciso
acei a
as
consequências
da
me can ilizagão
do
co po.
Pa a
essa
a e a,
oi p eciso
ans o ma
o
seu
co po
num
medium
de
massas
como
o
ez
Cicciolina.
0
p o agonismo
mediá ico
de
Cicciolina
omou-a
no
e i al,
num
símbolo
pa ôdico
da
libe dade e ô ica
de
1968,
dos
ideais
da
Fes a
e
da
Re olugáo.
Ela
é,
po
isso,
um
dos
símbolos
da
con íscagåo
da
libe dade
e ô ica
e
da
'saúde'
do
sis ema
polí ico
pelos
pode es
do
dinhei o
e
da
publicidade.
Ela
é
uma
espécie
de
e i al
da
p os i u a
libe ina
e
da
e olucioná ia
jus apos as
na
sua
pessoa.
Fazendo
a
conexão
en e
o
luc o
ou
comé cio,
p os i uigåo
(dos
co pos)
e
pomog a ía (das
imagens
dos
co pos),
ela
mani es a,
hila ian e,
o
alhango
da
libe dade
sexual
-
em
se
o
ac o
de
sup essão
do
comé cio
dos
co pos
e
das
imagens.
0
capi al,
na
sociedade
democ á ica
capi alis a,
ao
e
colonizado
a
ida
e ô ica
com
as
suas
leis
do
me cado
e
da
p odugåo
em
massa
e e
como
esul ado
o
inc emen o
dos
negôcios.
Mais
ans o mou
o
e ô ico
num
objec o
de
di ei o
e
de
in es imen o
da
lu a
polí ica.
Subs i uiu
a
paixão,
po
um
econhecimen o
ju ídico-social
de
uma
mo al e ô ica
li e
assen e
na
igualdade
de
di ei os
e
no
espei o
de
uma
condigão
biolôgica
e
social.
Po an o,
nâo
podemos
deixa
de
e
Cicciolina
como
uma
pa ôdia
â
mis u a
de
amo ,
sexo
e
polí ica.
Con ibuem
pa a
es a
imp essão
global
os
seus
ade egos
que
aludem
ao
mundo
da
in ância,
ao
mundo
ege al
pa a
cono a
a
ingenuidade
da
elagão
(p e ensamen e)
mais
na u al
e
e ô ica
do
seu
co po
com
a
na u eza
e
o
mundo
animal.
A
imagem
que
Cicciolina
nos
de ol e
é
a
de
uma
ca ica u a.
0
seu
co po
é
um
ex o
cons uído
de
iques,
pan omimas,
esga es.
0
slogan
eminis a
"bu n
you
b a"
aclamado
nos
anos
sessen a,
é
eduzido
po
Cicciolina
a
me o
s ip- ease.
Sace do isa
do
amo
e
depu ada
do
Pa ido
do
amo ,
ela
é
a
co esã
mediá ica
que
enca na
a
indi e enga
e
inganga
popula es
ao
sis ema
polí ico.
Ela
idicula iza
a
sede
undamen al
do
egime
democ á ico
(o
Pa lamen o)
com a a ma
que
melho
maneja;
a
da
disponibilidade
absolu a
do
seu
co po
a
se
moeda
de
oca.
Não
abdicando
do
p incípio
da
me can ilizagáo
do
seu
co po
e
sexo,
ao
a o a -
se,
publicamen e,
em
mediaúo a
de
con li os
polí icos
in e nacionais
-
medianie
a
p es agão
dos
seus
se igos
sexuais
--
ela
em
idicula iza
a
se iedade
de
quaisque
a gumen os
polí icos. Exemplo:
quando
o e ece
o
seu
co po pa a
p aze
de
Saddam
Hussain
em
plena
Gue a
do
Gol o,
de
o ma
a
demo ê-lo
das
in engôes
belicis as.
A
sua
disponibilidade
pa a
se
objec o,
ca ica u ando
as
longas
e
ãs
negociagôes
diplomá icas,
ope a,
93
pe e samen e,
uma
edugão
mais
adical.
A
diplomacia,
na
sua
a e a
de
mediagão
de
con li os
de
elagôes
in emacionais,
pa ece
se
e a ada
como
um
us an e
"in e cou se"
-
quando compa ada
com a
e sa ilidade
e
simplicidade
do
' ocabulá io'
de
Cicciolina.
Po
isso,
Koons
é
ão
en usias a:
"To
me,
Cicciolina
is
he
E e nal
Vi gin.
She's
been
able
o
emo e
guil
and
shame
om
he
li e,
and
because
o
his
she
is
a
g ea
libe a o ."59
A a és
da
as úcia dela
os
ins umen os
do
pode ,
que
se
oma am
ins umen os
de
ascensão
da
mulhe
no
"mundo-do-homem",
são
li e almen e
des uídos
ou
pa odiados;
ou
seja,
es es
já
não
se em
pa a
nada,
não
em
ím,
nem
em
sen ido.
São
des uídos
e
ans o mados
em
se ido es
do
na cisismo.
A
pomog a ia
em
um
uncionamen o
cu ioso:
nâo
elogia
o
ac i ismo
nem
az
o
elogio
da
iolência,
não
az
o
elogio
do
casamen o
mas
náo
az
o
elogio
do
adul é io.
Um
dos
a ac i os
da
po nog a ia
de eu-se
semp e
ao
ac o
de
cons i ui
uma
con apa ida
âs
es igôes
e
p oibigôes
cons i uin es
dos
côdigos
sociais,
e
de
goza do
ascínio
da
ansg essão.
Toda ia,
a
po nog a ia,
nos
nossos
dias,
es á
gene alizada.
Tudo
oi
já
libe ado.
0
que
Koons
az,
a inal,
é
con inua
a
u ilizagão
do
co po
(des-
sac alizado),
enquan o
ins umen o
de
p opaganda
e
publicidade,
e,
nes a
eduplicagão,
ap esen a
os
"p aze es"
indi iduais
como
mola
da
indús ia,
da
economia
de
consumo
e
da
a e.
"Made
in
Hea en"
cons i ui
uma
homenagem
â
po nog a ia
como
o ma
libe ado a,
mesmo
con a
a
on ade
exp essa
do
a is a:
'Tm
no
in ol ed
wi h
po nog aphy.
I
eally
has
no
in e es
o
me.
I
am
m e es ed
in
lo e
(...)
in
eunion
(...)
in
he
spi i ual,
o
be
able
o
show
o
people
ha
hey
can
ha e
impac
and
achie e
hei
desi es."60
A
lu a
mo al
que
ele
epo a
nas
en e is as
-
"noi es
sem
do mi ,
ul apassa
a
culpa;
ul apassa
odos
os
esc úpulos
mo ais..."
-'-
d ama izando
a
lu a
da
sua
consciência,
en e
a
ep essão
e
o
desejo
(libido),
sô
é
comp eensí el
no
quad o
de
uma
es a égia
de
ma ke ing
que,
ao
essusci a
pa a
a
pomog a ia
o
alo
de
ansg essão
pe dido,
simul aneamen e,
a
culpabiliza
e
desculpabiliza61
.
É
que
a
po nog a ía,
Je
Koons
in
Je Koon.
S.
F ancisco
Museum
o
Modem
A ,
1992.
6,1
Je
Koons
in
op. ci .
É
in e essan e
cons a a
que
a
censu a
das
ep oducôes
de
~*Made
in
Hea en"
em
alguns
li os
da
edicão
da
Tashen
--
Angelika
Mu hesius
(ed.)
Je
Koons,
1992
--
segue
a
mesma
lôgica
dupla.
Numa
colec ânea de
imagens
e ô icas,
as
mesmas
imagens
de
Koons
não
são
censu adas.
94
ligando
maquinalmen e
as
ígu as
do
desejo,
libe a
e
ep ime
com
a
imagem.
Nela,
a
ealidade
o na-se
um
simulac o
e e encial.
As
imagens
de
p aze
os ensi o
em
"Made
in
Hea en"
são
signos
publici á ios
dos
co pos
dos
seus
au o es.
Algumas
delas
são
um
pas iche
das
imagens
mais
banalizadas
de
Cicciolina.
Koons
isi a
enquan o
pe sonagem
o
seu
mundo
imagé ico.
Não
é
a
come cializagão
dos
egis os
de
um
ac o
ín imo
e
p i ado,
a
'ligão'
que,
des as
imagens,
de emos
e e
-
apesa
de
in ui mos,
no
au o ,
um
ascínio
pelo
pode
do
sexo
e
do e o ismo.
É,
sob e udo,
a
de
"Made
in
Hea en"
se
uma
p odugåo
em
es údio
de
uma
si uagão
de
in imidade
simulada,
de
uma
pe o mance
eal
exce ada
de
imagens
exis en es
( emake)
de
Cicciolina.
0
e ei o
de
su p esa
p o ém
do
a is a
se
expô
ao
cômico
de
uma
si uagâo
de
ealizagåo
pública
das
suas
an asias
e
i olidades
mimando
o
es ilo
"Cicciolina".
Desde
"Banali y"
que
a
deg adagåo
da
"pessoa"
se
p ocessa
baseada
na
e e sibilidade
de
sujei o
e
objec o.
"Made
in
Hea en"
consuma
es a
es a égia
a al
de
desapa igão
do
sujei o
em
pu o
objec o
po
meio
de
um
"ce imonial".
É
p odu o
dessa
pulsão
i ônica,
e e ida
po
Baud illa d
em
"Es a égias
Fa ais",
que
se
de íne
como
desejo
de
espec áculo;
como
desejo
do
signo
e
da
sua
i isão
em
ez
do
acon ecimen o
eal
e
das
p op ias
coisas.
Não
há
mais
o
p es ígio
mágico
da
ansg essão
sob
o
capi al.
As
imagens
de
sexo
são
a
ealizagåo
e ena
da
p omessa
do
Pa aíso;
não
há
mais
nem
bem
nem
mal.
"Made
in
Hea en"
é
o
e a o
e
a
publicidade
des e
en aquecimen o
mo al.
É
a
pa ôdia
do
amo
(indissociá el
da
ideia
de
pessoa)
e
do
sexo,
o nando-os,
a
ambos,
em
ce imônias
iniciá icas
da
p omiscuidade
einan e.
A
a en u a
e ô ica
em
"Made
in
Hea en"
une
e
unde
os
dois
ex emos
da
elagão
humana:
o
amo
e
a
polí ica;
a
elagão
pública
e a
p i ada,
a
alco a
e
a
p aga,
o
g upo
e
o
casal.
0
explo a -se
a
si
p op io
( azendo
como
o
p ôp io
capi alis a
que
explo a
o
p ole á io
que
há
em
si)
como
o
explo a -se
os
ou os
(o
p ole á io)
assume,
nes a
sé ie,
odo
o
seu
sen ido
p o undo.
Explo a
os
ou os
quan o
a
si
p op io
é
sujei a -se
a
se
nos
mínimos
aspec os
e
ace as
um
yalo
de
oca,
con e e -se
em
objec o,
em
ene gia,
em
ago,
em
ma ca.
É
um
pac o
pe e so
no
seu
mo alismo.
Os
dois,
Koons
<&
Cicciolina,
são
os
emp esá ios
do
p aze .
O
mes e
de
ambos,
é
o
público.
Tal
como
a
Bene on,
com
o
seu
belo
anúncio
(1996)
de
dois
ca alos
copulando,
eles
azem
da
côpula
uma
me á o a
da
"sociedade
anspa en e".
Pomog a ía62
,
publicidade
e
media
como
única
o ma
a ís ica.
As
di e sas
mani es agôes
mis u am
eady-made
e
e-make.
Seduzindo
os
Pomog a ia"
ou
"e o izacao",
já
que
es amos
a
pensa
na
oposicão
en e
o
"e ô ico"
e
"e ôgeneo"
es abelecida
po
Baud illa d
em
"Pa a
uma
C í ica
da
Economia
polí ica
do
Signo"
e
não
en e
"pomog á ico"
e
"e ô ico".
O
e ô ico
ica
do
lado
do
po nog á ico.
95
mass-media,
es a
sé ie
mani es a
se
mais
do
que
a
ap op iagão
(al e ada
ou
li e al)
da
iden idade
das
imagens
po nog á ícas
já
exis en es
de
Cicciolina63
;
ela
é,
ainda,
a
mos agão
da
au o- e lexi idade
cons i u i a
da
ob a
des e
a is a.
"Made
in
Hea en"
pode
se
en endida
como
a
au o-
monumen alizagão
da
his ô ia
e
da
ob a
de
Koons.
Monumen aliza,
embo a
pela
de isão,
a
eal
ida
do
casal.
De isâo,
ambém,
po que
a
simples
ap op iagåo
da
imagem
de
Cicciolina
impôs
a
inda
ou
«a as amen o»
do
p ôp io
e e en e â
ida
de
Koons;
ou
seja,
nou a
pe spec i a,
Cicciolina
é
mais
uma
ez
uma
simples
imagem
sem
o iginal
(um
simulac o,
na
acepgåo
pla ônica).
Vejamos:
a
imagem
pública
de
lllona
S alle
-
imagem-dis a ce
(Cicciolina),
a
qual
pode ia
esgua da
uma
in e io idade
(lllona)
-
oi,
pa a
Koons,
o
mo o
da
sua
paixão
e
desejo
de
desposamen o.
A
ecicíagem
p opo cionada,
po
es a
sé ie,
não
de ol eu
lllona
a
Cicciolina.
Nem
seque
Ihe
aleu
o
es a u o
adqui ido
de
musa-desposada
e
de
mãe.
Es a
sé ie
ouxe,
isso
sim,
a
sua
me amo ose
absolu a:
a
sua
imagem,
enquan o
Cicciolina,
oi
o
p ôp io
ceno á io64
de
lliona
S alle .
Do a an e,
a
sua
imagem
oi
um
des ino
e
um
cas igo.
0
escándalo
mediá ico
eclodiu
em
meados
de
1990.
An es
um
ano
pela
ocasião
da
exposigâo
"Image
Wo ld"
do
Museu
Whi ney,
Koons
des ina,
pa a
o
mu o
ex e io
da
B oadway,
um
pos e
publici á io
de
um
ilme,
"Made
in
Hea en",
p o agonizado
po
ele
e
Cicciolina.
Os
dois
ep esen am-se
dei ados sob e
uma
simulagão
de
um
ochedo,
dou ado,
e
em
eco e
sob e
uma
pin u a cenog á ica
com
agas
suges ôes
de
nu ens
e
de
espuma
de
ondas
de
água.
Apa en emen e,
os
dois
aman es
são
su p eendidos.
Desse
lei o,
Cicciolina
pende
a
sua
cabega,
com
a
eco en e
ea a
de
lo es
e
os
seus
cabelos
lou os.
De
olhos
echados,
lábios
en eabe os,
delineados
em
ba on
e melho,
Cicciolina
abandona-
se
ao
p aze
ou
ao seu
o po .
Ela
es á
es ida
de
b anco:
sapa os
b ancos
de
acão
al o,
meias
de
ede
com
ligas
a endadas,
um
body-sou ien
a endado
com
alguns
olhos
e
umas
meias-mangas
que
uncionam
como
lu as.
Koons
es á
nu
e
descalgo;
de
olha
lxo,
igia
o
espec ado .
Ele
em
Uma
ou a
de inicão
de
Nagisa
Oshima:
"La
pomog aphie
ne
éside- -elle
pas
dans
le ai
de
mon e
ce
qui
--
bien
que
l'homme
b ûle
de
le
oi
--
es e
cachée?
Je
iens
de
di e
«mon e »
ce
qui
es
cachee,
mais
en
é i é,
ne
ai -on
pas
simplemen
semblan
de
«mon en>?
L'essen iel
de
la
pomog aphie
eside
peu -ê e
dans
le
ai
de
donne
ã
pense
que
l'on
mon e,
de
suggé e
quelque
chose
cachee."
(Féminimasculin
-
Le
Sexe
de
l'A .
Pa is,
Cen e
Geo ges
Pompidou,
1995)
Pa e
das
imagens
des a
exposicão
são
inc i elmen e
semelhan es
com
as
do
ca alogo
e ospec i o
de
Cicciolma
saído
no
me cado
logo
apôs
o
seu
enlace
ma imonial
com
o
a is a
ame icano
no
qual
ou a
cu iosidade,
se
ap esen a a
não
somen e
como
a
musa
de
Koons
mas,
a a és
dele,
malmen e
como
uma
ob a
de
a e.
As
imagens
des e
ca álogo
di e em,
das
emakes
de
Koons
no
aspec o
em
que
o
pa cei o
masculino
não
é
Je
Koons.
A
lei
po nog á ica
da
in e cambialidade
dos
co pos
oi
cumpnda
po ambos.
Ceno á io
(Do
g ego
Keno áphion,
pelo
ia .
ceno aphiu):
monumen o
úneb e
e igido
â
memô ia
de
alguém,
mas
que
não
Ihe
ence a
o
co po.
Kenôs
(g ego),
elemen o
compa a i o:
' azio',
Vácuo'
No o
Diccioná ío
Au élio
da
Língua
Po íuguesa
(2a
Edicão).
Rio
de
Janei o
Edi o a
No a
F on ei a
(1986)
96
o
b ago
di ei o
sob
o
onco
de
Cicciolina
-
pa a
Ihe
salien a
o
pei o
-
e
man ém-se
ligei amen e
inclinado
sob e
ela.
A
publicidade
an ecedeu
"Made
in
Hea en"
--
cujas
ob as
se iam
s ills
desse
llme
p ojec ado
mas
não
ealizado.
A
no ícia
da
odagem
do
ilme
e ia
sido
su icien e
pa a
se
pe cebe
que
o
ilme
se
e ec ua a
no
eal,
indis inguí el
do
eal?
0
escândalo
medíá ico
oi
p epa ado,
is o
é
an ecipado
pela
p odugão
des a
(p imei a
ase
da)
no a
sé ie
de
ob as
"Made
in
Hea en"
des inadas
pa a
a
Bienal
de
Veneza,
Ape o-1990.
Es as
ob as
o am
p oduzidas
pa a
se em
acomodadas
e
ep oduzidas
pelos
mass-media.
Acompanha am
o
happening
e
as
sucessi as
p omogôes
mediá icas
e
mundanas
da
elagão
amo osa
nos
mass
media.
Des inadas
a
e e e em
a
"ene gia"
mediá ica
neles
c iada,
pelo
ai -di e s
do
enamo amen o
e
noi ado
en e
o
a is a
e
Cicciolina,
em
a o
da
ans igu agão
do
a is a
e
da
sua
ob a.
A
p imei a
ase,
ob as
da adas
de
1990,
são
e e ências
a
es e
pos e
de
1989.
P a icamen e,
quase
odas
as
pin u as
escolhem
aquele
undo
de
essonâncias
'cosmicas';
os
mesmos
ade egos
e
a
geni alia
de
Cicciolina,
in a ia elmen e,
expos a;
aquele
ochedo
dou ado.
No
ochedo
dou ado,
pe cebemos
a
ep esen agâo
da
gibôia,
--
ade ego
dos
espec áculos
de
Cicciolina
-
que
p o ege
o
casal.
Sob e
essa
pla a o ma,
eles ensaiam
as
suas
poses
e o icas;
poses
inaugu ais
de
um
no o
mundo,
no
qual
Koons
se
exibe
e
expôe
Cicciolina.
Pin u as
ais
como
"Je
in
posi ion
o
Adam"
ou
"llona
wi h
Ass
up"
são
um
bom
exemplo
disso.
Há
ou os
déco s
mais
ealis as
como
em
"Sil e
Shoes"
e
ou os
cená ios,
mais
an asiosos,
espécie
an asia
Disney
em
osa
e
azul
como
"llona
on
op"
e
"Hand
on
b eas ".
0
enquad amen o
mais
equen e,
nes a
ase,
ca ac e iza-se
po
se
pa alelo
ao
plano
ho izon al
de inido
pelo
ochedo-lei o
ou
o
lei o
co
de
osa,
em
p imei o
plano,
-
âs
ezes,
ele ado
acima
do
ní el
do
olha
do
espec ado ,
-
pa alelo
aos
dois
co pos
dei ados.
Fal a
e e i
que
a
ungão
daqueles
dois
lei os
não
é
sô
pa a
es abelece
uma
pola izagão
en e
os
espagos,
al o
e
baixo,
mas
pa a
ma ca em
um
limi e
espacial
de
sepa agão
dos
co pos
expos os
do
espago
do
obse ado .
Eles
uncionam
como
au ên icas
p a elei as
de
exposigâo
des es
co pos.
Nes a
p imei a
ase,
Koons
e
Cicciolina
ensaiam
poses
e ô icas
em
que
os
seus
olha es
o a
apenas
dialogam
en e
si
o a
explici amen e
com
o
obse ado .
"Je
in
posi ion
o
Adam",
"llona
wi h
ass
up"
e
"Finge s
be ween
he
legs"
mos am
os
dois
p o agonis as
dei ados
sob e
ochedo
e
eco ados
con a
o
undo
cosmico
an e io men e
e e ido
nas
seguin es
acgôes,
espec i amen e:
a)
Je ,
eclinado,
ap esen a
Cicciolina,
dei ada
pa a
o
lado
opos o
ao
de
Koons.
Ambos,
olhos
echados
e
os
os os
de
pe il,
pa ecem
e
uma
97
exp essão
sonhado a.
Ela
apalpa
o
seu
p ôp io
seio
esque do
nu,
de
pe il,
com
a
sua
mão
di ei a
e
apalpa
com a
sua
mão
esque da
-
num
plano
in e médio
ao
espago
do
obse ado
--
a
sua
nádega
esque da.
Koons,
pelo
con á io,
pa ece
baixa
os
joelhos
das
pe nas
de
Cicciolina
de
manei a
a
que
a
nádega
esque da
deixe
e
a
ou a
nádega
sob e
a
qual
ele
em
a
mão;
b)
llona
az
engão
de
dei a -se
sob e
o
co po
de
Koons.
Es á
de
ga as.
Koons
ap oxima-a
com a
mâo
esque da
sob e
a
cin u a
de
Cicciolina.
0
seu
b ago
esque do
desde
modo
in e pôe-se
en e
o
co po
de
Cicciolina
e
o
obse ado
e,
ao
mesmo
empo,
sublinha
a
o undidade
das
nádegas
nuas
da
sua
pa cei a.
Ela
olha
pa a
o
obse ado
e
Koons,
dei ado,
pendendo
a
cabega
pa a
o
seu
lado
esque do,
di ige
o
olha
ao
obse ado - isi an e;
c)
os
dois
es ão
dei ados
pa a
o
mesmo
lado,
as
cabegas
pa a
a
ma gem di ei a
da
imagem.
Cicciolina
i a
a
ca a
na
di ecgâo
do
obse ado ,
de
olhos
echados
e
numa
exp essão
de
delei e.
Soe guendo-
se,
po
de ás
do
onco
de
Cicciolina,
Koons
le an a-lhe
as
pe nas,
lec indo-as
pelo
joelho,
pa a
no a -se
a
nudez
das
suas
nádegas.
0
sexo
de
Cicciolina ica
expos o.
Ela,
ab agada
ao
pescogo
de
Koons,
pousa
os
seus
longos
dedos,
--
po
pudo
ou
po
p aze
-
sob e
o
seu
sexo.
Po ém,
em
"Sil e
shoes" é
ensaiado
um
enquad amen o
di e en e
daquele
habi ualmen e
u ilizado
nes a
sé ie.
0
lei o
ochoso
a
que
aludimos
es á
pa cialmen e
isí el
em
"Sil e
shoes".
Temos
um
pon o
de
is a
ele ado sob e
os
dois
co pos
dei ados
ocupando
o
cen o
da
imagem.
Os
dois
co pos
azem
en e
si
uma
pi âmide
isual.
O
co po
de
Cicciolina
es á
pe pendicula
ao
obse ado ;
em
esco go.
0
de
Koons,
co ado
pela
pa e
in e io
da
imagem
eme ge
o cido,
em
diagonal,
inclinando-se
sob e
ela.
Os
sapa os
dou ados
de
acåo
al o
de
Cicciolina
ocul am
pa e
do
co po
de
Koons.
Po
de ás
deles,
eco a-se
a
cabega
de
Koons
olhando
pa a
o
os o
de
abandono
da
sua
pa cei a.
As
pe nas
de
Cicciolina,
com
meias
de
ede
b ancas,
são
sus en adas,
ao
ní el
dos
joelhos,
pelo
b ago
di ei o
de
Koons
que
aga
uma
linha
ho izon al
ao
ní el
do
lado
di ei o
da
cabega
de
Cicciolina,
pendida
pa a
a
sua
esque da.
As
pe nas
o mam
uma
mediana
cen al,
e ical,
da
imagem
que
se
sob epôe
ao
can o
do
es údio.
A
mediana
e e ida
es á
comp eendida
en e
os
sapa os
dou ados
pon eagudos
e
o
abo
nu
de
Cicciolina
apalpado
pela
sua
mão
esque da
com
longas
unhas
e melhas.
O
nosso
olha
balanga
en e
a
pe cepgâo
da
dinâmica
de
olha es
en e
o
casal,
-
já
que
os
olhos
de
Cicciolina
es ão
echados
pa a
o
espec ado
-
e
o
p imei o
plano
o mado
pelos
acôes
dos
sapa os,
pelas
coxas
e
o
sexo
de
Cicciolina.
Po
de ás
dos
seus
co pos,
são
isí eis
uma
pa e
de
um
escado e
de
madei a;
algumas
pin u as
pa ciais
de
co pos
despidos
( agmen os
das
imagens
des a
sé ie?);
azulejos
b ancos
do
soalho
e
uma
pa e
de
uma
lona
b anca es icada
98
sob e
uma
es u u a
me álica
-
p o a elmen e
a
unciona
como
painel
e lec o
dos
p ojec o es
de
luz.
"Ilona
on
op
( osa
backg ound)"
e
"Hand
on
B eas '
da adas
de
1990
possuem
o
mesmo
undo
p edominan emen e
osa.
Desse
undo,
uma
pin u a
e oca i a
e
an asiosa
a
con as a
com
o
ealismo
o og á ico
dos
co pos,
cho em,
na
nossa
di ecgâo
e
na
dos
co pos
dos
dois
p o agonis as,
umas
penas
b ancas.
Es as
penas
pa ecem
se
a as adas
po
um
en o
que
ab e
as
duas
janelas
b ancas,
de
pa
em
pa ,
e
pa ece
a anca
as
duas
co inas
azuis,
anspa en es,
que
as
ladeiam.
Em
"llona
on
op"
Cicciolina
de
ga as,
com
os
seus
sapa os
al os,
dou ados,
a anga
sob e
o
co po de
Koons
pa a
o
beija .
Es e
não
a
ejei a
mas
pa ece
dis ai -se
com a
p esenga
do
espec ado .
En e
eles
e
o
espec ado
exis e
uma
sé ie
de
bo bole as
a i iciais,
gigan es,
pa ecendo
es oaga
ou
es a
pousadas
sob e
o
lei o
conjugal.
"Hand
on
b eas "
a ia
apenas
nas
posigôes
ela i as
do
casal
e
po
se
em
elagão
â
e e ida
"llona
on
Top"
uma
sua
in e são
simé ica.
Koons
soe gue-se
sob e
o
onco
de
Cicciolina
e
en en a,
di ec amen e,
o
olha
do
obse ado ,
com
a
mão
esque da
a
aga a
o
seio
di ei o
de
Cicciolina.
Cicciolina
dei ada,
com
o
lado
di ei o
do
seu
os o
encos ado
ao
lengol
e
emoldu ado
pelo
seu
cabelo
lou o,
esboga
um
le e
so iso
mi ando
o
obse ado .
A
escul u a
em
madei a
polic omada
expos a
na
Bienal
Veneza
Ape o
azia
pa e
da
selecgão
das
ob as
acima
desc i as.
0
seu
í ulo
"Je
and
llona"
ep esen a,
em
amanho
na u al,
Cicciolina
com
os
seus
ade egos
habi uais:
os
sapa os
al os
dou ados;
as
meias
b ancas
de
ede
a é
å
coxa
com
uma
i a
de
olhos
a
ci cunda -lhe
as
coxas;
o
body-sou ien,
osa
e
azul
pas el,
ainda
não
despido;
as
meias-mangas
e
quase
lu as,
b ancas,
a endadas:
a
ea a
de
lo es;
o
ochedo
a
se i
de
lei o
conjugal
e
a
gibôia
que
emoldu a
o
ochedo. Sob e
o
ochedo,
lo es
espalhadas
em
o no
dos
aman es,
Koons
a anga
nu
sob e
o
co po
de
Cicciolina,
inundado
de
p aze .
Es a,
de
olhos
echados
e
boca
en eabe a,
com
a
cabega
pendendo
do
ebo do
do
ochedo,
impede,
com
a
mão
esque da,
que
a
ea a
de
lo es
caia
da
sua
cabega;
com
a
ou a
mão,
encos a-a
â
sua
p ôp ia
ca a.
A
escolha
da
o ma
po nog á ica,
na
segunda
ase
de
"Made
in
Hea en",
apôs
a
Bienal
de
Veneza,
é
in e essan e
po
duas
azôes
comple amen e
dis in as.
A
sabe :
1a)
usa
a
o ma
pomog á íca
pa a
da
uma
ep esen agâo,
pouco
comum,
das
núpcias;
2a)
deco endo
da
an e io
p ende-se
com
a
na u eza
polémica
e
ambígua
da
po nog a ía,
aqui
a
unciona
como
mediado a
de
uma
expe iência
o odoxa
le ada
a
cabo
na
in imidade
nessa
zona
de
in isibilidade,
o a
de
cena,
po
de ínigão.
Na
pomog a ía
exis em dois
ní eis
em
es ado
cons an e
de
desabamen o
de
<)
um
sob e
o
ou o:
1)
um
ní el
da
ep esen agâo
e
2)
um
ou o
ní el
da
expe iência
i ida.
Asegunda
ase
des a
sé ie
de
ob as
su ge
apôs
o
casamen o
com
Cicciolina.
As
cenas
de
sexo
explíci o
--
o og a ias
que,
e-encenando
o
epe ô io
imagé ico
de
Cicciolina,
são
imp essas
a
in a
de
ôleo
sob e
ela
J
-
con i em
com
as
lo es
å
/a Wal
Disney,
com
os
que ubins
em
ce âmica
e
madei a
polic omada66
e
umas
g andes
bo bole as
a i íciais;
com
os
cães
domés icos
(hie á icos
ou
in o mais,
sali ando)
em
madei a
polic omada;
com
as
escul u as
em
escala
1/1
do
casal
no
ac o sexual
em
madei a
polic omada
e
em
plás ico67
e
com
as
minúsculas
escul u as
em
id o
de
Veneza
mul icolo 68
cons i uindo
uma
espécie
de
ca álogo
idimensional
ac ualizado
do
"Kama-Su a"
(edigåo
e is a
mas
nâo
ampliada).
Po
im,
os
dois
má mo es
b ancos69:
1)
os
bus os
do
casal
(beijando-se);
um
bus o
do
a is a
de
olhos
echados
numa
pose
um
pouco
pe ulan e.
A
po nog a ia
é ans e ida
pa a
a
Pin u a,
e-ap esen ada
como
pin u as
a
ôleo.
0
que
se
ep esen a
nas
imagens
é
a
ans igu agão
do
a is a
em
pa cei o
de
abalho
de
Cicciolina.
De
ac o,
o
que
o
Koons
az é
se i -se
do
seu
p ôp io
co po
como
se
se
a asse
de
um
'ma e ial'
que
em
subs i ui
a
igu a
masculina,
o
pa cei o
sexual
que
apa ece
nas
o og a ias
de
Cicciolina.
A
ope agão
é
o malmen e
semelhan e
â
que
se
e i icou
em
"Luxu y
and
Deg ada ion",
em
"Kiepenke l"
ou
em
"Equilib ium"
com
a
di e enga
de
ele,
des a
ez,
pode
implica -se
igu a i amen e
na
e-
encenagåo
e-ap esen a i a
da
imagé ica
de
Cicciolina.
Se
em
"The New"
imo-lo
insc e e -se
como
um
objec o
de
consumo
("The
New
Koons"),
como
um
alo -signo,
a a és
da
enunciagåo
linguís ica,
en âo
"Made
in
Hea en"
o
a is a
não
sô
e ec i a
o
que
já
aí
p opunha
como
a é
expôe
a
exempli icagâo
da
o ma
da
sua
ans igu agâo
mediá ica
-
o ma,
essa,
que
se
iu
ope an e
nos
anúncios
da
"Nike"
em
"Equilib ium".
Bas ou
a
Koons
e
a
inicia i a
de
ca imba
o
nome
"Koons"
sob e
a
p es agão
de
Cicciolina
pa a
se
ans ígu a .
Tan o
em
"The
New"
quan o
ago a
em
"Made
in
Hea en"
a a-se
da
in ínidade
do
desejo,
a
de
e
o
objec o.
E
esse
desejo
é-o
ambém de
conse agão
-
"conse agão
que
apenas
se
az
ao
con e e
a
coisa
em
sinal
ou
subs i uído
pelo
seu
a qui o"70
-
da
posse
do
objec o.
Posse de
um
objec o
(de
desejo)
sexual
semp e
idealmen e
disponí el
(se
po nog á íco).
Ob iamen e
que
pa a
le a
a
cabo
es a
a e a
e e
de
e
o
consen imen o
e a
colabo agão
do
o ôg a o
'o icial'
de
Cicciolina:
Ricca do
Es as
pepas são
p oduzidas
nos
a edo es
de
Pa is
P oducâo
em
Obe amme gau
(Alemanha)
e
em
O isei
(I ália).
Escul u a
p oduzida
em
Mannheim
(Alemanha).
P oducão
em
Mu ano
(Veneza).
Ambos
p oduzidos
em
Pie asan a.
Lyo a d;
Inumano
148
1
00
Schicchi.
Rica do
é
o
e cei o,
pa a
além
de
nôs,
que
cons i ui
em
espec áculo
a
pe o mance
sexual
de
Koons
&
Cicciolina.
Os
egis os
mos ando
a
pe o mance
e ô ica
en e
os
dois
pode
le a -nos
a
ac edi a
ap essadamen e
no
nosso
papel
de
in usos
quando
o
que
e dadei amen e
se
passa
éque
es es
momen os
de
p e ensa
in imidade
são
mediados
mecanicamen e
e
pelo
o ôg a o
des es
e en os.
Assim,
Rica do
é
o
oyeu
ocul o,
não
explíci o
na
imagem.
A
sua
ausência
unciona
como
in ensi ícado a do
g au
de
ealismo
da
cena
e
de
au en icidade
do
acon ecimen o.
De ido
a
es e
egime,
os
pa cei os,
conscien es
da
sua
ac uagáo
pa a
a
câma a,
o nam-se
em
simul âneo
os
seus
p ôp ios
mediaúo es
eos
mediaúo es pa a
os
obse ado es
des as
imagens.
0
ca ác e
de
epo agem
o og â ica
de
um
acon ecimen o
eal
-
como
o
que
es amos
a
conside a
-
e a
mon agem
desse
acon ecimen o
pa a
a
ealizagåo
da
epo agem,
não
se
esol e
aqui
numa
oscilagão
ou
ai-e- em
en e
ealidade
e
i ealidade,
ausen e
e
p esen e
mas
no
de
uma
o al
dissolugáo
dos
e e idos
e mos.
Não
em
somen e
a
composigão
da
imagem
indica -nos
a
exis ência
nela
de
uma
iagem
pe cep i a
é,
ambém,
a
co eog a ía
sexual
e
dos
olha es
dos
pa cei os
en e
si
e
em
cumplicidade
conscien e
com
o
obse ado -i/oyeu ,
que
nos
pe mi e
pensa
na
exis ência
de
uma
composigão,
p é ia,
do
p ôp io
acon ecimen o.
Logo,
se iam
dois
ipos
de
composigôes
imb incadas
uma
na
ou a;
enquan o
uma,
isa
o
design
do
acon ecimen o,
a
ou a,
pende
pa a
a
conside agåo
do
ipo
de
imagens
do
acon ecimen o,
nos
seus
aspec os
plás icos
e
es é icos.
Das
pin u as
da
p imei a
ase
de
"Made
in
Hea en"
(expos as
em
Veneza)
ås
pin u as
da
sua
segunda
ase
(nupcial)
ealgamos
a
a iagão
do
papel
do
espec ado :
num
p imei o
momen o,
o
espec ado
é
p o ocado
a
se
e
a
ape cebe -se
da
sua
ungåo
de
oyeu ,
o
a is a,
nu,
olha-nos
de
en e,
desa îando-nos,
dei ado
ao
lado
de
Cicciolina
com
o
seu
bem
es udado
esga
de
êx ase
( an o
no
pos e
de
p omogâo
de
"Made
in
Hea en"
como
nas
elas);
num
segundo
momen o,
o
seu
olha
ao
des ia -
se
do
espec ado ,
pa a
se
concen a
apa en emen e
nas
suas
ac i idades
sexuais,
coloca
o
oyeu
numa
posigåo
de
"in uso"
in isí el.
Oespec ado
é
um
oyeu
cons i uído
pelo
p ôp io
a is a
e
pelos
disposi i os
das
imagens
pomog á icas
-
os
quais
pe mi em
uma
maio
possibilidade
de
p ojecgåo
imaginá ia
do
espec ado ,
já
que
o
olha
do
modelo
o a
ela
o a
é
cego
e
quando
é
cego
(dis aído)
é
pa a
melho
inclui
o
espec ado
na
an asia.
Um
ou o
a i ício
e-u ilizado:
há
semp e
uma
colocagåo
es udada
do
sexo
de
Cicciolina,
de
modo
a
que
es e
íque
quase
semp e
ol ado
de
en e pa a
o
espec ado
(po
ezes,
enquad ado
na
imagem
pelas
mãos
de
Koons)
como
se
Iho
o e ecesse
e
mos asse.
Quando
não
oi
possí el,
de ido
ao
ipo
de
pose,
a
sua
boca
en eabe a
é
ealgada
(pelo
olha
de
ĸii
Koons)
como
sua
me onímia
ou
me á o a.
Medianie
a
sedugão
de
Cicciolina,
ele
pôde
ap esen a ,
ou a
coisa
pa a
além
do
p ocesso
da
sua
au o-celeb izagão:
a
celeb idade
ou
a
sua
/ned/alidade
de
Cicciolina.
Ela,
enquan o
emblema
mediá ico,
é
usada
po
Koons
como
um
espelho
que
ai
medusa
os
mass
media.
Um
espelho
que
Ihe
dá
acesso
aos
media,
o
econhecimen o
des es
ao
ans o ma
es a
ope agão
em
no ícia,
medianie
a
explo agåo
da
endência
dos
media
å
au o- e e encialidade
e
( al ez
azão)
do
pode
medusan e dos
media
sob e
as
massas.
0
sexo
apa ece
como
uma
encenagão
des a
usão
en e
sujei o
e
objec o
que
é
ambém
a
das
massas
e
dos
mass
media.
A
agmen agåo
e
ampliagão
de
po meno es
dos
o gãos
geni ais
em
côpula
ci ando
as
écnicas
da
pomog a ia
eco dam-nos,
a
p opôsi o
de
"Made
in
Hea en",
as
o og a ias
de
Man
Ray
que
ilus am
"Qua e
Saisons"
-
em
companhia
de
ex os
de
A agon
e
de
Benjamin
Pé e
--
e
ce os
desenhos
de Picasso.
A
p imei a
ase
de
"Made
in
Hea en"
an ecipa
o
que
se
passa á
na
segunda.
Es a
p e isibilidade
da
na a i a
coloca
a
segunda
ase
como
um
clímax, pon o
de
desenlace
da
sua
elagåo,
mas
um
« aco»
climax.
F aco
clímax
que
az
o
desconce an e
de
uma
si uagáo
a al.
Tudo
se
ai
desen ola
como
p e is o
segundo
um
i ual,
uma
ce imônia,
um
p o ocolo,
o
que
mina,
quan o
a
nôs,
a
elagão
de
ealismo
ou
de
ep esen agåo
que
a
po nog a ia
pode
e .
0
que
na
p imei a
ase
e a
suges ão, exibicionismo,
é,
na
segunda,
a
passagem
å
p á ica,
ans o mando
es a
segunda
e apa
em
desc igâo
do
p aze
mú uo,
dos
signos
de
p aze .
Es e
hipe - ealismo
mina
o
eal,
a
expe iência
i ida
en e
os
dois.
Eles
coloca am-se
sob
o
signo
do
a i ício,
do
also,
da
men i a.
A
a en u a
en e
uma
mulhe
pública
-
me cado ia,
ícone,
a is a,
depu ada
e
mulhe
--
e
um
candida o
a
Casano a
e mina
desocul ando
a
o al
al a
de
mu ualidade
en e
os
dois.
Equidade,
exis e
somen e
no
p aze ,
na
oca
de
p aze es
e
an asias.
Mas,
ele
é
o
emp esá io,
o
capi alis a,
o
au o
das
imagens
em
que
ela
é
con idada
en a .
Ele
é
o
p op ie á io
das
imagens,
de
ce o
modo,
em
duplicado
-
aquelas
que
são
ap op iagôes
das
de
Cicciolina
-
que
são
o
p odu o
de
um
p ocesso
de
uma
con e são
do
que
já
exis e
(pas iche).
Mani es a-se
nes as
imagens
a
condigåo
de
equidade
na
si uagão
de
me can ilizagåo
mú ua.
Há
um
ascínio
pelo
e o ismo,
po
uma
ideia
de
des eg amen o
dos
sen idos;
um
ascínio
pela
ligagâo
com
o
co po,
com
o
desejo,
numa
conquis a-enga e
masculina
eduzido
semp e
ao
es a u o
de
p o as
epe idas
a é
ao
édio:
ejam,
olhem
como
is o
é
e dade
numa
e en e
de
sensacionalismo
pelo qual
oi
c i icado.
Koons
acedeu
â
p o ocagâo
passou
do
olha
ao
ac o;
de
espec ado
a
pa icipan e,
de
ã
a
ídolo.
Ele
oma-se
p odu o
de
imagens
do
deboche
n?ed/an e
o
plágio
de
ou as
imagens.
As
imagens
dele
são
índices;
são
imagens-índice.
Não
há
p op iamen e
im
e
p incípio
(na a i a)
nas
imagens;
côpula,
sodomia,
102
de
que
o
pa ôdico
is o
do
pon o
de
is a
do
não
pa ôdico,
do
sé io
e
do
e dadei o.
Ou
seja,
a a-se
de
um
caso
de
ci culagão
de
másca as
que
nada
que em
dissimula ;
ce amen e,
elas
espan am,
desconce am,
side am
mas
nada
sob
elas
se
esconde
como
um
esou o.
É
nes e
sen ido
que
es as
imagens
são
como
di e idas
pa ôdias.
Es ão
aí,
no
luga
do
azio
ou
apesa
da
ausência.
Não
elucidam,
não
des endam
mis é ios;
no
en an o,
elas
são
enigmá icas
po
se em
ão
assumidamen e
anspa en es.
Pa ôdia
em
segundo
g au
já
que
a
po nog a ia
é
po
si
mesma
uma
ca ica u a,
uma
pa ôdia
do
sexo.
Nie zsche
ambém
a i ma
a
impossibilidade
de
se
dis ingui
o
C is o
do
An i-C is o
a a és
do
que
dizem
po que
ambos
dizem
o
mesmo.
"Made
in
Hea en"
pe mi iu
ao
a is a
ame icano
"ap o ei a "
o
sucesso
mediá ico
de
Cicciolina
e
da
â
sua
pa cei a
de
jogo
a
opo unidade
de
se
ans igu a
em
a e.
A
in odugåo
na
ob a
de
aspec os
biog á ícos
esconde
o
ca ác e
pa ôdico
-
já
e e imos
o
ac o
de
ele
se
sujei a
a
uma
eg a
que
implica
o
seu
co po
na
a e a
de
epe i ,
de
ep oduzi
o
que
as
imagens
de
Cicciolina
mos a am;
po
isso,
ap oximamos
es a
a i ude
a
uma
subs i uigão
do
ma e ial
de
uma
o ma-
objec o
já
exis en e,
já
dado;
ep oduzi
e
manipula
o
já
conhecido,
o
já
dado
(uma
ca ac e s ica
de
odos
os
modelos)
é
a
a e a
do Koons-
ianismo.
A
a e
pa ecendo
o na -se
uma
espécie
de
c ônica
da
ida,
pa ecendo
desapa ece
sob
o
impac o
do
" ai -di en?
-
do
conhecimen o
de
pessoas
comuns
-
nada
mais
az
do
que ans o ma
a
ida,
a
in imidade
e
a
p i acidade
conjugal
numa
ou a
o ma
alsi ícada,
simulada
da
ida.
Vida
e
a e
em
plena
simulagão
jogam
em
al e nância.
Tendo-se
casado
e
di o ciado
de
Cicciolina
e e
mais
do
que
os
de idos
quinze
minu os...
Ago a,
com
a
causa
da
cus ôdia
do
seu
ílho
ganho
a
Cicciolina
em
-
jun amen e
com
ou os
p ocessos
no
ibunal
--
ou os
an os
minu os
a
c édi o.
A a és
dela,
Koons
pode
es ende
o
seu
sucesso
pa a
além
do
cí culo
a ís ico;
pode
ans o ma -se
em
medium
-
medium
não
no
sen ido
de
in e mediá io,
de
mediado ,
de
algo
ou
de
alguém
que
anspa ega
nele
um
con eúdo
--
ans o ma -se
no
luga
da
dissuasão
(da
ob a).
Passando
a
se ,
do a an e,
a
sua
p ôp ia
mensagem.
0
único
acon ecimen o.
Mani es a-se
a
na u eza
pa adoxal
de
uma
media
a e;
de
uma
a e
que
se
ans e e
es a egicamen e
pa a
uma
a e
que
joga
como
(e
não
com)
os
media.
Uma
a e
que
passa
a
se
um
espago
de
simulagão
como
os
media.
(Mas,
a
a e
con empo ânea
não é
já
um
espago
de
simulagão
das
Vangua das?)
E
não
p op iamen e
uma
a e
que
p e enda
ealiza
o
des io
e oiucioná io
dos media.
Não
se
a a
de
uma
a e
que
p e enda
se
po ado a
de
con eúdos;
po ado a
de
uma
c í ica
ou
de
um
elogio.
Pode -se-á
pe gun a
onde
es ão
as
ca ac e ís icas
que
dis inguem
uma
a e
da
simulagão
dos
p ôp ios
media?
Onde
ica
a
di e enga
en e
a
a e
e
os
media,
admi indo-se
que
a
es a égia
de
simulagão
não
se
salda
109
pela
abso gåo
mú ua
o
que
conduzi ia
â
hesi agão
en e
quando
oco e
a
a e
(o
jogo
com
a
a e)
e
quando
se
a a
de
media
(o
jogo
com
o
medium)?
Mas
não
se á
a
con íssão
des e
desejo
polí ico
uma
o ma
de
ocul a
ou
de
o nece
ainda
assim
o
alibi
do
con eúdo
ou
sô
de
o
modo
de
se
uma
a e
da
colusão74
?
Admi amos
a
hipo ese
de
a
a e-da-simulagâo-
como-os- ?eo7a
se
o na
a
al
pon o
indiscemí el
dos
media
que
deixa íamos
de
e
ce ezas
na
iden i ícagåo
do
momen o
em
que
a
a e
e ec i amen e
oco esse
--
e
que,
en ão,
não
soubessemos
dis ingui
o
jogo
mediá ico
com
a
a e
do
jogo
da
a e
como
mass
media.
Que
ca ás o e
pode ia
p o i
se
se
e i ícasse
a
hipô ese
colocada?
P o a elmen e
nenhuma.
0
"u inol"
de
Duchamp
não
é,
pois,
indisce ní el
dos ou os
u inois
do
mesmo
modelo
e,
apesa
disso,
o
u inol
de
Duchamp
é
a e
e
os
ou os,
semelhan es,
con inuam,
ainda,
a
não
se
bap izados
de
objec os
de
a e?
Se
en endêssemos
a
"pseudo- angua da"
(Donald
Kuspi )
não
como
um
desp ezí el
sucedâneo
da
Vangua da
mas
como
o
modo
pa ôdico
â
disposigão
pa a
a
angua da
se
ealiza ?
Sabemos odos
o
quan o
a
angua da,
alando
a
pa i
de
um
luga
da
ebeldia, dependia
de
uma
ideia
omân ica
--
de
um
desejo
de
uma
a e
o al,
de
uma
a e
undida
com,
eligada
å
ida.
Esse
desejo,
no
en an o,
es a a
alice gado
na
a ibuigâo,
å
a e,
de
um
papel
de
modelo pa a
uma
no a
ida. As
angua das
es aí am
as
suas
o gas
nes e
p ocesso
de
in asão
do
espago
da
ida
-o
qual,
ícou,
pa a
alguns,
incomple o
e,
pa a
ou os,
oi
de ini i amen e
acabado.
Daí,
en ão,
o
admi i mos
esse
modo
pa ôdico,
esse
modo
assen e
na
in e são
da
an e io
es a égia:
nele,
ao
in és,
é
a
a e
que
em de
desapa ece ,
jogando
e
apos ando
o
seu
im,
o
seu
p ôp io
im,
como
uma
o ma
de
aspi a
a
ida
ou
de
e e e
a
i o ia
des a
em
sua
p op ia
i ô ia
e,
po
conseguin e,
em
de o a
da
ida
(medianie
demasiada
ida).
E
assim,
a
pseudo- angua da
se ia,
mais
do
que
a
i ô ia
de
uma
angua da
alsi ícada
a
o ma
da
angua da
" inga "
medianie
a
sua
pa icipagåo
no
"jogo-âs- angua das".
Que
es a
se
sus en e,
como
as
ecnologias
da
in o magáo,
da
digi alidade
do
sinal,
pe mi e
aos
a is as
e-ac ualiza em
não-impo a-o-quê
--
o
ococô
ou
o
Ki sch
em
Koons
-
e,
p incipalmen e,
a
es e
a is a
ame icano
an o ma -se
no
medium
da
angua da;
na
i ô ia
mediá ica
da
angua da.
Quando
Je
Koons
diz
" a ei
udo
pa a
comunica "
es á
simplesmen e
a
dize
que
a á
udo
pa a
se
o na
o
cen o
do
jogo,
de
não-impo a-que-jogo,
pa a
dessa
manei a
se
ans o ma
num
medium,
não
impo ando,
se
não
acesso iamen e
a
mensagem
opo una.
"
Vide
Jean
Baud illa d
a
p opôsi o
da
a e
Pop
in
Sociedade
de
Consumo
e
Pa a
uma
C í ica
da
Economia
Polí ica
do
Signo.
Apesa
de
ap esen a
a
a e
Pop
como
uma
a e
da
colusão
ou
do
concluio
-
e
não
a
de
uma
a e
da
dis ância
c í ica
ace
å
lôgica
dos
signos
e
do
consumo
pois
que
ela
a i ma-se
como
a
eco dacão
do
alo
c í ico
anscenden e.
A
in e p e acão
de
Baud illa d
pa ece-nos,
no
en an o,
econhece
o
po encial
c í ico
da
Pop,
ao
esc e e
que
a
a e
Pop
e e
o
mé i o
de
e ela
uas
con adicôes
no
exe cício
ac ual
da
pin u a
e
as
di iculdades
des a
em
enca a
o
seu
e dadei o
objec o."
(Pa a
uma
C í ica
da
Economia
Polí ica
do
Signo;
118)
i
io
Cicciolina
pe mi iu-lhe
amplia
o
seu
pode
de
impac o,
de
expansão,
de
eclosão,
de dissuasão.
Pe mi iu-lhe
a
con e são
em
éc an.
É,
a ínal,
o
objec i o,
a
ínalidade
de
se
o a
å
pe sonalizagâo
publici á ia.
A
ma ca
de
cinismo,
no
en a
domina
e
luc a
com
o
jogo
(pe e sidade
e/ou
sedugão)
não
es a á
mais
explíci o
an es
no
momen o
em
que
ele
deixa
de
sabe
o
que
aze
com
Cicciolina?
E
dela
se
sepa a.
Como
num
golpe
de
ea o,
de
apaga
que
com
o
espec ado
do
mundo-
da-a e
(a
quem
dis ibuía
as
p e ensôes
de
uma
c í ica
å
ideologia
da
es é ica
p ome endo
um
me gulho
eden o
na
banalidade....)
que
com
os
que
es ão
o a
do
cí culo
da
a e
(a
quem
a
exo agão
"Emb ace you
Pas "
se ia
en endida
como
um
elogio)
sepa a-se
simbolicamen e
da
banalidade.
Po que
ao
casa -se
com
Cicciolina,
ele
a i ma
simbolicamen e
a
banalidade.
A
dispu a
pela
cus ôdia
do
ílho,
-
esul an e
da
união
simbôlica
en e
a
a e
e
a
banalidade
-
se ia
a
adugåo,
ao
im
e
ao
cabo,
do
"Tudo
bem.
A ínal
é
udo
apenas
a e."
Koons
a as ou-se
de
Cicciolina
po que
não
oi
capaz
de
a
elege
como
seu
p ôp io
des ino,
de
elege
a
banalidade
como
apos a
em ez
de
a
ans o ma
em
ocasião
de
luc o
e
em
"des a io momen âneo"
de
um
ílho
p ôdigo
....
Con udo,
não
pode ia
deixa
que
osse
seduzido
po
ela.
E,
não
mos ando
sinais
de
endigáo
å
sedugâo
banal,
pôde
exp essa
a
e dadei a
na u eza
dos
seus
p opôsi os
-
o almen e di e sos
daqueles
que
p o e ia
e
p a ica a
sob
a
in luência
do
Amo ,
de
um
casamen o
como
ac o
simbôlico
(inaugu al)
de
uma
es a égia
de
c iagão
de
maio
pa icipagão
(das massas).
Casa -se
com
Cicciolina
ga an iu-lhe
celeb idade
e
o
pode
se
conside ado
-
a
expensas
de
se
um
a is a
-
como
modelo
de
adulagåo
como
Madonna
ou
Michael
Jackson.
A
modi ícagåo
que
al
decisão
impunha
sob e
a
sua
ida
e
as
p essôes
sob e
a
sua
ob a
de em
e
uncionado
como
desa ío.
Pôde
mani es a
como
o
casamen o
com
os
media
não
se
a a
e dadei amen e
de
um
con a o
mas
de
um
pac o;
a
única o ma
de
des io
mú uo
p oduzido
pa a
p o ei o
de
cada
um.
Po im,
mos ou
a
na u eza
insu lá el
do
"amo "
-
daquilo
que chamamos
a
nossa
in e io idade,
a
nossa
p e ensa
p i acidade
-
ao
de ol ê-la
«â
luz»
como
'e ei o
especial',
como
me o
ígu an e
des a
maquinagâo
"ope á ica".
"Puppy"
(1992)
"I
hink
i
would
be
g ea
i
ins ead o
eading
ha
I
am
he
new
inhe i o
o
Wa hol,
somebody
would
w i e
«The
new
Beminiw"
(Koons)
Nas
p oximidades
de
Kassel,
em
1992
e
â
ma gem
da
Documen a
IX
desse
ano
o ganizada
po
J.
Hoe
-
o
a is a
ame icano
e igiu
dian e de
um
palácio
do
século
(?)
de
A olsen,
no
seu
ja dim,
a
ob a
monumen al
de
um
111
pequeno
"puppy"
com
onze
me os
de
al u a
.
Es a ob a
eco eu
aos
ma e iais
seguin es:
lo es
na u ais,
e a,
madei a
e
uma
es u u a
me álica.
Dezasseis
mil
lo es
o am
escolhidas
pelas
suas
ele adas
capacidades
de
egene agão
e
de
esis ência
ao
sol
e
ao
en o que
se
a ia
sen i
du an e
os
qua o
meses
da
exposigåo
da
ob a.
0
in e io
de
"puppy"
e a
como
um
campaná io
de
uma
ig eja;
ei o
em
madei a
e
com
pe il
iangula 76
.
Uma
escul u a
e éme a
que,
conside ando
a
u ilizagão
de
ma e iais
da
na u eza
pode ia
se
associada
ås
mani es agôes
da
"land-
a ",
e oma
algumas
das
ideias
de
exposigôes
an e io es
--
nomeadamen e
"S a ua y",
"Banali y"
e
"Made
in
Hea en".
Sob e udo,
e i ica-se,
de
"S a ua y"
a
"Made
in Hea en",
uma
al e agão
da
escala
dos
an e io es
cåes
domés icos
em
madei a
polic omada.
Um
jogo
de
escalas
em
que
o
agigan amen o
do
cão,
e es ido
de
lo es
al
qual
uma
imagem
de
A cimboldo,
eduz
os
seus
obse ado es,
humanos,
a
uma
escala
lilipu iana.
0
palácio
é
eduzido
a
uma
caso a
e
o
cåo,
dian e
dele,
sen ado
espe a
ocioso
ou
pacien e
mas
a en o.
Os
monumen os
es i e am
semp e
ligados
a
uma
ungâo
comemo a i a. Eles
in es em
e
ma cam,
no
empo,
um
de e minado
luga
de
memô ia.
Con udo,
em
luga
dos ca alei os
e
dos
dis in os,
dos
he ôis,
san os
e
gue ei os
que
cons i uiam,
o
ema
dos
monumen os
de
ou o a,
é
um
cão,
sem
nome, que
é
o
ema
des e
"monumen o"
e éme o
simplesmen e designado
assim:
"Puppy".
Nes e
sen ido,
"Puppy"
p opo ciona
uma
pa ôdia
do
monumen o
monumen alizada.
Um
câo
oi,
mais
p ecisamen e
um
cão
de
peluche,
ans o mado
em
monumen o
e
em
mic o-sis ema
ecolôgico.
Ao
mo i o
do
cão,
objec o
des a
igu agáo,
oi
associado
a
Te a,
o
e i o io,
o
campo
de
lo es
po
onde
o
câo
no malmen e
ci cula
ou
é
is o
i e .
Assim,
pode emos
e
sob
ou a
pe spec i a
es a
me amo ose:
é
o
e i ô io,
o
campo
que
pa ece,
a lnal,
se
e
ans o mado
no
câo,
no
animal
que
o
a a essa,
habi a.
"Puppy"
o nou
indissociá eis,
ocãoea
Te a,
ocãoeo
ja dim.
6
e i ô io,
po
in e médio
de
uma
igu agåo,
deixou
de
se
a
ex ensão
a
pe co e
e
passou
a
se
apenas
a
p esen agâo
da
sua
me amo ose.
0
cåo
agua da
pacien e.
Sen ado.
Como
se
o
ja dim
em
que
a
escul u a
se
e ige
se
ans o masse
numa
espécie
de
ja dim-cão.
Po
isso, podemos
ac escen a
que
o
cáo
de
Koons
"suga"
o
con ex o
cenog á ico
em
que
a
pega
se
conc e iza
e
se
exibe. Uma
si uagåo
análoga
egis amos quando
azíamos
a
análise
o mal
da
pega
"Rabbi '
expos a
em
"S a ua y".
Apesa
75
O
modelo
pode
e ec i amen e
es a
numa
escul u a
em
madei a
polic omada
de
exposicão
"Made
in
Hea en"
cujo
í ulo
é
"Whi e
Te ie ".
No
ideo
de
Ad ian
Sea le
sob e
si,
Koons é
is o
a
explica
aos
emp egados
como
que
que
"Puppy"
seja
deco ado.
Ela
mos a-lhes
uma
imagem
de
uma
mulhe
nua
ime sa
em
ege ais
ou
u as
mul icolo idas
Nes a
al u a
oi
g a ado
pa a
a
ele isão
inglesa
um
p og ama
in ei amen e
dedicado
a
Je
Koons.
Ad ian
Sea ie,
o
seu
au o ,
en e is a
Je
Koons
ainda
casado
com
Cicciolina.
O
p og ama,
e minado
na
inaugu acão
de
"puppy"
na
qual
o
a is a
e
Cicciolina
dis ibuem
os
espec i os
au ôg a os,
mos a
o
in e io de
"Puppy".
112
de,
no
coelho
inoxidá el,
nos
e
despe ado
a
a engâo
a
sua
si uagão
de
espelho
de o man e
do
con ex o
de
exposigâo,
aqui,
pelo
con á io é
a
si uagåo
de
abso gão
conc e a
dos
ma e iais
do
con ex o
que
nos
eclama
conside agâo.
A
abso gão
dos
ma e iais
na u ais
c ia
uma
si uagão
de
camu lagem,
de
a es issemen
do
animal
ou
de
dis a ce.
Es a
si uagâo
pode á
p o oca
o
medo
embo a
se
a e
de
um
animal domés ico
e
apa en emen e
pací ico.
Se
a
"Rabbi "
assinalamos
a
o dem
do
especula ,
epo amos
a
pe enga
de
"Puppy"
â
o dem
da
con iguidade,
da
me onímia
ou
da
sinédoque
do
espago
na u al.
Um
cåo
lo ido
a
gua da
a
en ada
p incipal
do
palácio.
0
palácio
ba oco
ans o mado
numa
caso a.
0
ja dim
é
aqui
não
sô
o
luga
adicional
da
escul u a-cons ugão
e éme a
mas
é
ans o mado
na
p ôp ia
escul u a,
numa
an asia,
que
pode íamos
dize ,
e de.
Numa
an asia
que
em
a
sua
memô ia
no
ascínio
dos
ja dins
da
época
ba oca
ou
nos
ac uais
es i ais
de
lo es
7.
Um
objec o
de
oma ia
mediá ica;
uma
espécie
de
es i al
de
a e.
As
duas
coisas
não
es áo
sepa adas
em
"Puppy":
o malmen e,
a
pega
pode
eme e -nos
pa a
a
adigão
dos
es i ais/ es as
das
lo es,
bas an e
di undidas
na
Eu opa;
o
seu
e ei o
mediá ico
acabou
po
a
o na
num
dos
locais
de
isi a
ob iga ô ia
pa a
aqueles
que
se
desíoca am
a
Kassel.
De
es o,
ela
oi
p epa ada,
planeada
pa a
du a
o
mesmo
empo
que
a
Documen a.
Cons i uiu,
no
plano
mediá ico
um
acon ecimen o
pa asi a
em
elagâo
â
Documen a.
Pa asi ismo
e en ualmen e
o nado
simbiose.
A
demons agão
de
o ga,
bem
sucedida,
de
um
a is a que
se
iu
excluído
da
Documen a
de
199278
.
Se
"Puppy"
ep esen ou
ou
não
a
espos a
de
lu a
lo ida
âs escolhas
do
o ganizado
da
Documen a
nâo
é,
no
en an o,
esse
aspec o
que
nos
in e essa
aqui
ealga
ou
mesmo
con i ma .
Não
que emos
ica
ap isionados
nas
in e p e agôes
que
o
p ôp io
a is a
pôe
a
ci cula
delibe adamen e.
Deixá-lo
gaba -se
dos
seus
p opôsi os,
da
sua
pequena
" e olugâo"
-
é
sô
ou a
a ma
pa a
inc emen a
a
dose
de
escândalo
mediá ico.
(Pa a
quê
ha emos
de
condena
Koons
po
que e
se
is o
a
desen ola
esse
papel
de sa ado
e
de
sedu o ?
quan o
mui o
a
nossa
ques ão,
o
nosso
p oblema
se ia
o
de
a alia
a
qualidade
do
seu
desempenho.
Se ia
ê-lo
na
qualidade
de
pe sonagem
e
não
de
pessoa.)
É
ou a
o ma
de
as
"moscas"
se em
cap u adas,
de
os
comen ado es
p opaga em
a
sua
ob a,
o
seu
pode ,
a
sua
popula idade
po
in e médio
de
pubhcidade g a ui a.
E,
isso
é
uma
ques ão
que
diz
di ec amen e
espei o
aos
p opôsi os
e
âs
es a égias
polí icas
dos
seus
comen ado es,
dos
seus
elogiado es
e
dos
seu
c í icos
mais
e ozes.
Somen e,
a
en a i a
de
Ihe
a ibui em
um
sen ido
me a ô ico
pa a
além
do
alcance
es é ico
-
em
Fazendo
a
on ade
a
Koons,
a
de
se
a ado
como
o
no o
Be nini,
Puppy
pode ia
e ec i amen e
empa cei a
com
as
cons ucôes
"epheme a"
cons uidas
po
Be nini.
Hans
Haacke
e e e,
em
Lib e-échange(e . e isia
a
Bou dieu)
a
opcão
do
o ganizado
da
úl ima
Documen a
de
Kassel
po
ob as
sem
con eúdo
polí ico
di ec o.
lll
algumas
ecensôes
c í icas
-
é
um
índice
segu o
do
g au
de
pe plexidade
po
ela
causado.
Daí
que
não
seja
de
odo
co ec o
ala
des e
acon ecimen o
em
e mos
de
pa asi ismo
já
que
se ia
mais
adequado
que
o
íssemos
de
modo
in e so.
De
ac o,
a
in eligência
do
a is a
oi
enga a
es u u almen e
o
sucesso
mediá ico
do
seu
"Puppy"
com
o
da
Documen a
sem
a
p ejudica ; pelo
con á io,
numa
simbiose
pe ei a,
"Puppy"
con ibuiu
pa a
a
publicidade
des a
úl ima.
"Puppy"
oi
um
episôdio
de
i alidade
e
nâo
de
aniquilagão.
Ainda:
um
símbolo
agonís ico
que
uniu
e
dis ibuiu
as
posigôes
aos
ad e sá ios
(Koons/Hoe )79
.
Um
símbolo
que
no
plano
iconog á ico signi icou
a
ídelidade
conjugal
e
oi
a ibu o
do
cínico.
79
Mas,
a
in e p e acão
de
"Puppy"
como
um
p odu o
exclusi o
de
uma
es a égia
de
pode pode
e
o
mcon enien e
de,
no
plano es é ico,
con ibui
pa a
uma
in e p e acão
edu o a
da
ob a
de
Koons
como
um
me o
e ei o
de
cálculos
ex ínsecos
ã
qualidade
das
suas
ob as.
Pa a
quê
con undi
o
sucesso,
o
e ei o
dessa
es a égia
com
a
única
malidade
do
au o -Koons?
Não
se
inicia
aqui
p ecisamen e
a
in e ência
e
a
ex apolacão
consequen e
pa a
um
juízo
mo al
da
sua
ob a?
Não
p o i á
es e
posicionamen o
da
I i acão"
que
p o oca
o
sucesso
da
sua
es a égia,
do
ipo
de
in e p e acôes
que
az
ci cula
sob e
as
suas
ob as,
como
ins umen os
de
pode ,
de
ascensão?
Koons
coloca
em
p á ica
o
des io
dos
media
que
ao
se
assimilada,
ep oduzida
causa
celeuma.
Rep oducão
que
ge a
a
ep oducão
i al
da
publicidade;
ge ado a
da
publicidade
g â is
â
publicidade
de
choque.
Vejam-se
as
campanhas
da
Bene on,
Mel in
Klein.
Respec i amen e,
ocando
emas
quen es
da
ac ualidade
a a és
de
imagens
choque
--
o
pa o
a
mo e
no
pân ano
de
pe ôleo
(uma
igu agão
da
ca ás o e
ecolôgica),
o
doen e
de
sida
a
mo e no
hospi al,
o
sexo
( igu ado
em
u ensílios
ou
a a és
da
côpula
dos
ca alos),
a
po nog a ia
in an il
acusada
nas
campanhas
de
Klein
--
que
sabemos
se
do
ag ado
e
do
desag ado,
po
que
ambíguas?,
do
público,
das
massas
ascinadas
pelo
seu
p ôp io
espec áculo,
pelo
espec áculo
de
udo,
seja
do
que
ô ,
enquan o
imagem
que
des- ealiza
o
mundo
conduzindo-nos
a
goza
masoquis amen e
dos
signos
da
do
e
da
nossa
capacidade
de
indi e enca.
A
dimensão
escandalosa des e
ipo
de
publicidade
não
é
p op iamen e
o
uso
de
imagens
adicais
pa a
enda
de
p odu os.
O
que
é
p op iamen e
escandaloso
é
que
o
mundo
é
a
on e
e
o
espelho
neu o
des as
imagens;
ou
seja,
o
mundo
é-nos
mos ado
num
p ocesso
de
es e izacão
gene alizada
que
nos
conduz
a
e
o
es é ico
como
domínio
pe encen e
ao
umal"
ou
diabôlico;
que
nos
le a
a
pensa
na
obscenidade
ine en e
â
eu o ia
da
oca
gene alizada
que
a as a
udo
pa a
o
es a u o
de
me cado ias
pa odiando,
pelo
desa io
pe manen e,
a
sensibilidade
humanis a
en edada
na
boa-consciência
e
nos
c i é ios
do
bom
ou
mau
uso
(mo al)
das
imagens
sem
qualque
pon o
de
aplicacão
capaz
de
domina
es as
imagens,
c uas
-
na
sua
dimensão
de
documen o
da
ac ualidade
mundial.
Aliás,
a
adicalidade
des as
imagens
eside
na
possibilidade
de
encena
o
choque
(banalizado)
ao
desencadea
em
cadeia ondas
de
epúdio
mo al
omado
o
mo o
de
publicidade
g a ui a
das
mesmas.
Repúdio
al ez
susci ado
po
um
uncionamen o
inespe ado
da
publicidade
que
an e io men e
dis ibuia
apenas
as
imagens
do
Pa aíso
do
consumo.
E a
a
ase
angélica
e
didác ica
da
publicidade.
Andy
Wa hol
não
ep oduziu
os
aciden es
ia ios,
diá ios,
as
cadei as
elec icas,
a
pa
das
es elas,
dos
p odu os-símbolos
como
Ma ilyn
e
Coca-
Cola?
1
14
Take3
3.
Koons
e
o
A ec o
Que emos
ago a
sob essai
o
papel
undamen al
da
ques ão
do
a ec o
na
ob a
do
nosso
au o .
Quan o
a
nôs,
a
lôgica
a eccional
dis ancia-
o
que
da
ca ego ia
do sublime
que
da
do
Ki sch;
lôgica
que
ope a
nos
mass
media
e
numa
cidade
como
Las
Vegas,
po
exemplo1
.
Pa a
o
aze
eco emos,
ans e salmen e,
â
e lexão
de
Gilles
Deleuze
em
L'
Image-
mou emen
-
Cinema
I
a
p opôsi o
da
"imagem-a eigão"2
.
An es
disso
acon ece ,
p opomo-nos
ol a
ao
ex o
de
Clemen
G eenbe g
que
nos
se iu
de
abe u a
â
p imei a
pa e
des e
abalho.
Fazêmo-lo
po
duas
azôes:
1)
G eenbe g
es abece
a
di e enga
quan o
aos
modos
de
o
camponês
usso
sen i
a
pin u a
de
Repin
e
a
de
Picasso;
2)
essa
di e enga
se i -nos-á
pa a
mos a
que
a
ap op iagão
do
Ki sch
po
Koons
não
coincide
com
os
p opôsi os
de
Repin.
A
elei u a
dos
ôpicos
des e
ex o
é
in e sec ada
com a
lei u a
que
Lyo a d
az
da
angua da
--
como
"apos a"
na
es é ica
do
sublime
ameagada,
hoje
em
dia, pelo
me cado
e
pelos
mass
media.
Há,
pelo
menos,
um
pon o
comum
en e
as
duas
lei u as e e idas:
an o
uma
como
a
ou a
a ibuem
å
angua da
uma
espécie
de
'missão
impossí el'
nas
sociedades
capi alis as
ociden ais.
3.1.
Ki sch:
o
bem-amado
das
massas
Em
"A an -Ga de
and
Ki sch",
G eenbe g
diagnos ica
nas
sociedades
capi alis as
uma
di isão
p o unda
en e
uma
a e
a angada
e
uma
a e
e ôgada,
a
cul u a
de
massas
ou
o
Ki sch.
Apon amos
já
o
ac o
de
a
dialéc ica
g eenbe guiana
-
angua da-mode nismo
e sus
sociedade
de
massas-K/' ec/?
--
ao
e
sub alo izado
ou
omi ido
a
negociagão
incessan e
en e
as
on ei as
das
á eas
ab angidas
pelos
dois
e mos
da
an í ese,
pe mi i
que
a
angua da
osse
ap esen ada
como
a
de enso a
de
uma
ideologia
'a is oc á ica',
ex e io
â
alsa
democ a icidade
do
Ki sch.
Desde
inais
do século
dezano e,
as
elagôes
en e
a
a e
e
o
capi alismo
não
o am
nada
es á eis
nem
pací icas.
0
momen o
de
expansão
e
de
e o go
do
sis ema
capi alis a
ouxe
a
des uigão
âs
o mas
Em
Las
Vegas
a
Tecnologia
de
pon a
e
eéhe
disneylandiana
es ão
indis in as.
Todos
os
es ilos,
odos
os
empos
são
essusci ados
nes e
dese o:
são
imagens
azias
pa a
a
imo alidade.
P op iamen e,
os
pas iches
obedecem
a
uma
in encão
de
econs i ui em,
no
p op io
eal,
um
mundo
de
ilusão,
con o
de
ada,
que
desapa ece
no
eal
-
nada
êm
a
e
com
uma
econs i uicão
his ô ica.
A
a qui ec u a,
os
néons,
a
massa
sono a
de
ozes
a á eis
e
de
máquinas
de
jogo,
as
passadei as
olan es
que
ligam,
en e
si,
os
ho éis-casinos,
com
os
seus
es íbulos,
colunas,
pe is ilos,
isos,
a qui a es
e
escul u as
ec iadas
do
passado
mí ico
ou
cinema og á ico,
ans o mam
a
i ência
em
Las
Vegas
num
eu ô ico
e
con ínuo
a elling
desencadeado
da
pa icipacão
imagina i a
dos
espec ado es.
Não
é
apenas
a
a qui ec u a
que
se
ans o ma
em
supo e
publici á io.
Oco e,
ambém,
o
i -a-se de
nás
em
se es
de
celulôide.
A
misé ia
e
o
ício.
a
pob eza
e
a
sexualidade
são
ma é ia
de
iccão;
deixa am
de
se
^maldicôes'.
Aimagem-a ec o
é
uma
das
qua o
a iedades
de
imagens-mo imen o.
As
es an es
são:
a
imagem-
pe cepcão;
imagem-pulsão
e
imagem-accão.
Ela
es á
en e
a
imagem-accão
e
a
imagem-pe cepcão.
Mas,
a
imagem-a eicão
es á
incluída
na
composicão
das
ou as
imagens-mo imen o.
1
i~
de
coexis ência
e
âs
o mas
igu ais
po
in e médio
das
quais
a
sociedade
comunica a
consigo
p ôp ia.
A
a e,
uncionando
como
a
eligião,
já
cump iu,
ou o a,
essa
ungão
de
econciliagåo
do
odo social
consigo
p ôp io.
Ela
liga a
pa a
que
a
comunicagão
en e
aquilo
que
es i esse
ligado
pudesse
acon ece .
So
que
as
o mas
igu ais
não
esis i am
âs
exigências
de
ep odugáo
do
capi al.
A
a e
mode na,
nascida
sob
o
signo
da
c í ica
da
ep esen agâo
ou
do
" im
da
ep esen agåo"
3
,
deixa
de
e
a
ungão
de
ecupe a
os
a ec os
num
sis ema
de
signos
pe mu á eis.
No
dize
de
Lyo a d,
a
a e
mode na
deixou
de
se
uma
"língua
das
paixôes".
Me amo oseada
em
an i-a e
ou
angua da,
a
a e
mode na
ez
ace
a
en a i as
de
econs i uigåo
da
ungåo
ideolôgica
de
econciliagão
ou
de
uma
pseudo- eligião.
Os
a is as
mode nos
não
podiam
mais
agi
como
se
as
suas
exp essôes
man i essem, ainda,
o
alo
de
econciliagåo
e
de
pa icipagão
a ec i as.
Desde
a
me ade
do
século
XIX,
os
a is as
p e ende am
man e
uma
independência,
uma
decálage
empo al
en e
a
o e a
e a
p ocu a
assis ida
po
uma
c escen e
adicalizagão
da
up u a
em
elagão
âs
expec a i as
do
público.
0
des ino
da
angua da,
in a ia elmen e,
se ia
iden i icado
com
o
de
ansposigåo
da
p imazia
da oca
sendo
semp e,
po
isso,
um
p og ama
de
esis ência;
esis ência
ao
me cado
pela
exclusão
da
angua da
da
comunicagåo-cul u a
de
massas;
esis ência
ao
signo
pela
isengão
de
sen ido,
pela
loucu a;
esis ência
â
sexualidade
ce a
pela
pe e sâo
que
desliga,
da
inalidade
de
ep odugáo,
a
uigâo.
Aqueles
objec os
ou
exp essôes
a ís icas
que
jogassem
um
papel
de
econciliagão,
i essem
ou
não alo
de
oca,
se iam
acusados
de
unciona em
como
momen o
ideolôgico
no
ci cui o
do
capi al.
Nes es
casos,
a
ci culagâo
de
a ec os
e
de
ep esen agôes
pulsionais
cob i ia
uma
ou a
ci culagåo hegemônica"
a
do
capi al.
A
angua da
abandonou
o
papel
de
iden i icagão
desempenhado
an e io men e
pela
ob a
em
elagâo
â
comunidade
dos
des ina á ios.
P ocu ou
e ei os
de
choque.
Aques ão
do
ag ado
do
público
oi
p e e ida.
0
público,
ou o a,
julga a
a
pa i
de
um
gos o
subo dinado
â
adigão
de
um
p aze
pa ilhado.
Os
a is as,
ecusando
con ia
nas
eg as
es abelecidas,
êm
on ade de
eno a
os
meios
de
exp essão,
es ilos
e
ma e iais
(expe imen alismo).
As
condigôes
a ís icas
no
ím
do
século
passado
o am
al e adas;
o
econhecimen o
das
an e io es
ins i uigôes
egulado as
da
pin u a
--
Academia,
Salôes,
C í ica,
Gos o
--
deixou
de
se
c ucial
pa a
o
sucesso
de
uma
ob a
e
de
um
a is a.
0
que acabamos de
a í ma
não
con adiz
as
p incipais
ideias
de
G eenbe g
no
ex o
mencionado.
"A an -Ga de
and
Ki sch"
diagnos ica
uma
c ise
da
cul u a
que
de e
udo
â
exis ência,
no
plano
social
e
polí ico
das
sociedades
capi alis as,
de
uma
endência
pa a
a
ins abilidade
e
'
Lyo a d
Des
Disposi i s
Pulsionnels:
78.
l
ií»
con li ualidade
pe manen es.
É
que,
segundo
ele,
as
sociedades
mais
es á eis
possuiam
uma
maio
capacidade
de
soluciona
as
suas
con adigôes
e
dilui
a
dico omia cul u al.
Vis o
que,
nelas,
os
axiomas
da
mino ia
iluminada
são
pa ilhados
pela
maio ia.
A
maio ia
"ac edi a
supe s iciosamen e"
no
que
a
mino ia,
"com
sobe ba",
ac edi a4.
Nessa
sociedade,
as
massas
sen em
admi agâo
e
espan o
pela
cul u a
e
pelos
seus
mes es5
.
Ao
in e so,
uma
sociedade
ins á el
se ia
p opícia
â
e ol a
e
ao
" essen imen o
do
homem
comum"
con a
a
cul u a.
Esse
essen imen o
anspo a ia
uma
"insa is agão
eaccioná ia
que
se
exp essa ia
po
um
pu i anismo
e
e i alismo"
e,
pio ,
em
ascínio
pelo
ascismo6
.
As
sociedades es a iam
di ididas
en e
o
cul o
da
sensibilidade
e
o
a ango
da insensibilidade.
0
Ki sch,
uma
cul u a
e sa z
ou
de
subs i uigão
pa a
as
massas
u banas,
des e i o ializadas
geog a ica
e
cul u almen e,
acolhe
e
p oduz
insensibilidade.
A
causa
do
seu
luc o
é
a
insensibilidade;
a
insensibilidade
das
massas
que
â
cul u a
adicional-popula
que
âcul u a
genuína.
A
cul u a de
massas
apenas
p o ê
as
necessidades
de
di e imen o.
Fazendo
pa e
in eg an e
do
sis ema
p odu i o,
esul an e
de
uma
écnica
acionalizada
aliada
â
ciência
e
â
indús ia,
a
cul u a
de
massas
ocupa
o
luga
da
cul u a au ên ica.
Ela
man em
e
aumen a
p og essi amen e
os
seus
me cados.
0
Ki sch
escolhe
como
seu
hospedei o
uma
qualque
adigão
cul u al
madu a,
disponí el
enquan o
um
e dadei o
" ese a ô io
de
expe iência
acumulada".
Pa asi a
e
con e so ,
o
Ki sch
ou
cul u a
de
massas
so
pode
deg ada e
empob ece
as
ealizagôes
de
uma
cul u a7
.
Clemen
G eenbe g
chega
a
de ec a
uma
p o unda
cumplicidade
en e
os
sis emas
polí icos
e
o
Ki sch,
conside ando
o
Ki sch
como
o
p odu o
social
de
uma
sociedade
em
desequilíb io.
As
sociedades
capi alis as,
ao
exigi em
"uma
a e
pa a
as
massas",
e
as
sociedades
ascis as
ou
o ali á ias,
ao
cons i ui em
uma
"polí ica
cul u al
o icial",
con e gi iam,
ambas,
na
sa is agão
de
um
mesmo
equisi o:
a
"demagogia".
A
cul u a
das
massas
é,
em
qualque
pa e
do
mundo,
o
Ki sch.
Não
exis e
a
possibilidade
de
um
es ado
capi alis a
ou
o ali á io
se
bem
sucedido
nas
suas
p e ensas
in engôes
de
educa
e
ele a
as
massas.
Habi ualmen e,
os
es ados
lisonjeiam
as
massas
azendo
desce
a
cul u a
a
um
ní el
baixo.
Os
es ados
o ali á ios,
como
o
da
Alemanha
ascis a,
p e e encialmen e
escolhe iam
o
Ki sch
po que
es e
se ia
mais
lexí el
e
pe meá el
â
inoculagão
de
p opaganda
do
que
a
angua da.
4
Clemen
G eenbe g,
op.
ci .
:
25
l
Clemen
G eenbe g,
ibidem.
°
Clemen
G eenbe g,
op.
ci .
30.
"The
p e-condi ions
o
Ki sch,
a
condi ion
wi hou which
Ki sch
would
be
impossible,
is
he
a ailabili y
close
a hand
o
a
ully
ma u ed
cul u al
adi ion,
whose
disco e ies,
acquisi ions
and
pe ec ed
sel -
consciousness
Ki sch
can
ake
ad an age
o
o
i s
own
ends.
I
bo ows
om
'
de ices,
icks,
s a egems,
ules
o
humb,
hemes,
con e s
hem
in o
a
sys em
and
disca ds
he
es ."
(O
i álico
é
nosso)
Clemen
G eenbe g
"A an -Ga de
and
Ki sch":
op.
ci .;
25.
117