A impo ância da iden idade na a i a.
A on ei a en e hos ilidade e hospi alidade, no âmbi o
do Gues book P ojec .
Aline Da zé Sampaio
Disse ação de Mes ado em Ciências da Comunicação em
Cul u as Con empo âneas e No as Tecnologias
Janei o, 2018
Aline Da zé Sampaio
Nº 47446
A impo ância da iden idade na a i a.
A on ei a en e hos ilidade e hospi alidade, no âmbi o do Gues book P ojec .
O ien ado a: Ma ia Lucília Ma cos
Janei o, 2018
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au
de Mes e em Ciências da Comunicação em Cul u as Con empo âneas e No as Tecnologias
ealizada sob a o ien ação cien í ica da p o esso a dou o a Ma ia Lucília Ma cos.
Ag adecimen o
É com sen imen o eal do signi icado da pala a GRATIDÃO que ca ego o econhecimen o
e a emoção pelas opo unidades às expe iências i idas, aos conhecimen os adqui idos e
pessoas que ize am e/ou azem pa e de um pouco ou de udo isso. G a idão é uma
espécie de dí ida, é um que e ag adece a ou a pessoa po e ei o algo mui o bené ico
pa a ela. Dessa o ma ag adeço...
À minha amília: aos meus pais, semp e p esen es espi i ualmen e, me ensinando
cons an emen e a impo ância de ama e se amado de o ma e é ea e su il, po ém
p o unda. Aos meus pad inhos Jaci a e Paulo, semp e igilan es e p esen es. Aos meus
i mãos Luiz Augus o e Felipe: amo , amizade, união. Aos Sampaio, ob igada!
À amília B o as pelo acolhimen o, supo e, incen i o e amo .
Minha g a idão e amo aos amigos, aos meus Amigões (Gus a o e Ad iana) e à minha amiga
e “mola p opulso a”, que me ez começa essa jo nada, Ma iana Adeoda o.
E a minha nob e o ien ado a, p o esso a Ma ia Lucília Ma cos, pela con iança e pela sua
doce e sábia condução.
RESUMO
O p esen e abalho em como obje i o abo da a na a i a como uma expe iência
comunicacional, capaz de p omo e ínculos en e iden idades e di e enças, an o nos
con ex os cogni i os quan o a e i os. Esses con ex os encon am-se in ínsecos na
al e idade das elações en e indi íduos e suas in e ações cul u ais nas on ei as da
hos ilidade e hospi alidade. Se á es udado o exemplo do p oje o Gues book P ojec
1
, com
o obje i o de in e liga e con on a os concei os abo dados, demons ando o
es ei amen o de ínculos es é ico-a e i os do a o na a i o em sua elação
comunicacional com a al e idade, den o do p essupos o de que o a o de con a uma
his ó ia não é apenas a ação de in o ma algo pa a alguém. O desen ol imen o do ema
se á conje u ado no con ex o da na a i a inse ida nos es udos de comunicação, no âmbi o
de uma he menêu ica na a i a.
Pala as-cha e: al e idade, cul u a, hos ilidade e hospi alidade, iden idade, na a i a.
ABSTRACT
The aims o his s udy app oach na a i e as a communica ional expe ience, capable o
p omo ing links be ween iden i ies and di e ences, bo h in he cogni i e and a ec i e
con ex s. These con ex s a e in insic in he o he ness o he ela ions be ween indi iduals
and hei cul u al in e ac ions in he on ie s o hos ili y and hospi ali y. I will be s udied
he example o he “Gues book P ojec ”, wi h he objec i e o in e connec ing and
con on ing he concep s app oached, demons a ing he e ining be ween aes he ic-
a ec i e bonds o he na a i e ac in i s communica ional ela ion wi h he al e i y, unde
he assump ion ha he ac o s o y elling is no jus he ac ion o elling some hing o
someone. The de elopmen o he heme will be conjec u ed in he con ex o he na a i e
inse ed in he s udies o communica ion, wi hin he amewo k o a na a i e
he meneu ics.
Keywo ds: al e i y, cul u e, hos ili y and hospi ali y, iden i y, na a i e.
1
h p://www.gues bookp ojec .o g/
SUMÁRIO
1. In odução ......................................................................................................................... 6
2. Me odologia ...................................................................................................................... 7
3. O Gues book P ojec .......................................................................................................... 9
4. Iden idade ........................................................................................................................ 12
4.1. Iden idade e Rep esen ação ..................................................................................... 16
4.2. Iden idade Cul u al e Nacional
4.2.1. Iden idade Cul u al ............................................................................................ 20
4.2.2. Iden idade Nacional ........................................................................................... 25
4.3. Iden idade e Di e ença.............................................................................................. 28
4.4. Iden idade Na a i a ................................................................................................. 33
5. Na a i a .......................................................................................................................... 35
6. F on ei as ......................................................................................................................... 41
7. Hos ilidade e Hospi alidade ............................................................................................. 42
8. Conside ações Finais ....................................................................................................... 47
9. Bibliog a ia ....................................................................................................................... 51
10. Anexos ................................................................................................................... 54
6
1. INTRODUÇÃO
Vi emos em um mundo alice çado po his ó ias. His ó ias que nos con ex ualizam
socialmen e em agmen os cul u ais de classe, gêne o, sexualidade, idade, e nia, aça,
nacionalidade, ocação, es ilo de ida. His ó ias que cons oem quem somos, cons oem
nossa cul u a, iden idade e ambém di e enças. Pa a Ge bne (1999: 9), as his ó ias nos
o e ecem modelos de con o midade ou al os pa a a ebelião. Elas ecem a eia sem emenda
do nosso ambien e cul u al
2
. Richa d Kea ney (2002: 80-81) esc e e que his ó ias
3
o iginam-
se de es ó ias de al o ma que as comunidades his ó icas
4
“são esponsá eis pela o mação
e ( e) o mação de sua p óp ia iden idade”. Nesse con ex o, Ma ino (2016) ci a que,
segundo Ge bne (1999):
(...) o a o de con a his ó ias es á semp e ligado a uma pe spec i a elacional:
con amos his ó ias uns pa a os ou os, no sen ido de es abelece na a i as comuns
que nos pe mi am es abelece não apenas quem somos, mas ambém quem não
somos. (p. 44).
As na a i as nos le am à pe cepção e en endimen o de que a iden idade e a di e ença não
são c iações do mundo na u al ou de um mundo anscenden al, mas do mundo cul u al e
social em que são a i amen e e cons an emen e p oduzidas. Somos nós que as ab icamos
den o de elações cul u ais e sociais. A iden idade aqui é is a como um p ocesso
elacional, uma ques ão de comunicação, ou seja, é o esul ado da in e ação de mensagens
de pessoas e cul u as. Dessa in e ação cul u al, os indi íduos ão de inindo sua iden idade,
ge ando o es anhamen o deco en e da in e ação com o “di e en e” que ai ajuda o
2
T adução p óp ia
3
his ó ia (com h minúsculo): Julgamen o das ações humanas a a és dos empos; memó ia que a pos e idade
man ém de um a o oco ido no passado; na a i a, ge almen e c onológica, de a os eais ou iccionais,
elacionados a um assun o ou pe sonagem; T ama de ações numa na a i a; en edo.
His ó ia (com H maiúsculo): conjun o de a os ou acon ecimen os ele an es, oco idos no passado da
humanidade, des acando-se época, local e dados impo an es; Es udo cien í ico ela i o ao passado de um
po o, nação, pe íodo ou indi íduo, a pa i de dados documen ais; Na ação de a os passados ela i os à
o igem e e olução de uma a e, ciência ou qualque ou a á ea de conhecimen o.
Es ó ia: na a i a de o igem popula , ansmi ida pela adição o al;
4
Pa a Kea ney (2002: 80) comunidades his ó icas são cons i uídas pelas his ó ias que seus in eg an es con am
pa a si mesmos e pa a os ou os.
7
sujei o a se pe cebe a a és da al e idade. A iden idade e a al e idade se o nam, assim,
um a qué ipo do espaço on ei iço. E é a a és desses elemen os que su ge a di e ença,
o nando a on ei a um luga de al e idade, que conquis a en oques no os, ace à
ans o mação social que so emos pelo p ocesso de mundialização em cu so e do
mul icul u alismo na sociedade.
A na a i a como a o de con a his ó ias es á ambém ligada à ação de pa ilha algo com
ou as pessoas. O a o na a i o, o con a uma his ó ia, é uma manei a, ambém, de
pe cebe o a o comunicacional como uma o ma de encon o com o ou o. Ma ino (2016:
46) desc e e o ínculo da na a i a ao segmen o social, em que o exe cício de na a “é uma
i ência a e i a com o mundo que se ai na a ”, ou seja, um ins umen o de inculação que
é cons i uído an o po linhas cogni i as quan o a e i as, “que pa ece se um dos elemen os
cen ais de qualque na a i a: a possibilidade de c ia um ínculo com o ou o a pa i de
uma his ó ia compa ilhada não deixa de se uma das o mas de es abelecimen o de uma
elação com o ou o”.
2. METODOLOGIA
O p esen e abalho u ilizou a me odologia de pesquisa quali a i a documen al, aplicando
o mé odo de e isão de li e a u a. Foi ag egado como al o exempli icado o p oje o
Gues book P ojec , di igido po Richa d Kea ney, com o obje i o de in e liga e con on a
os concei os das bibliog a ias es udadas. Fundamen ado no concei o de que a pesquisa
bibliog á ica u iliza-se de dados ou de ca ego ias eó icas an e io men e já abalhadas
(Medei os e Tomasi, 2008: 57), o abalho é ealizado com base nos egis os disponí eis,
p oceden es de documen os publicados, como li os, eses, disse ações, pesquisas an e io es,
a igos em pe iódicos cien í icos e c. Sendo essas e amen as, as p incipais on es a se em
consul adas pa a a elabo ação da e isão bibliog á ica (Se e ino, 2007: 122).
Segundo Minayo (2007: 22), a me odologia de pesquisa quali a i a é p oduzida den o de
um uni e so de signi icados, aspi ações, c enças, alo es, mo i os e a i udes que não
podem se eduzidos à ope acionalização de a iá eis, po se e e i em a um espaço mais
8
p o undo das elações, p ocessos e enômenos. Em se a ando da pesquisa quali a i a
documen al, Godoy (1995: 21-22) explica que nesse con ex o, a pala a “documen os”
p ecisa se comp eendida de o ma mais ampla, pois podem inclui ma e iais esc i os,
es a ís icas e elemen os iconog á icos. Documen os esses, que segundo a au o a, podem
se conside ados “p imá ios” (ge ados po pessoas que pa icipa am di e amen e do
acon ecimen o es udado) e “secundá ios” (cole ados po pessoas que não p esencia am o
e en o no momen o da sua oco ência). Na pe spec i a elucidada, a pesquisa documen al
pode aze con ibuições impo an es no es udo de alguns emas,
Conside ando que a abo dagem quali a i a, enquan o exe cício de pesquisa, não se
ap esen a como uma p opos a igidamen e es u u ada, ela pe mi e que a
imaginação e a c ia i idade le em in es igado es a p opo abalhos que explo em
no os en oques (Godoy, 1995: 21).
O desen ol imen o desse abalho oi iniciado a pa i do in e esse em emas ligados a
p odução da iden idade cul u al, comunicação e al e idade. Po meio de e isão da
li e a u a, a pesquisa, p imei amen e, en e edou pa a o es udo da na a i a como um dos
elemen os cen ais e in ínsecos da ação comunica i a; como uma e amen a capaz de
p omo e ínculos en e sujei os que a uam ecip ocamen e e econhecem o ou o na
elação de al e idade, no p ocesso de cons ução da iden idade e di e ença. No deco e
dos es udos oi possí el delinea o obje o do abalho de pesquisa, unindo os elemen os de
es udo iniciais com os que o am ag egados ao longo do pe íodo de pesquisa, ais como:
di e ença, econhecimen o, pe encimen o, hos ilidade e hospi alidade, empa ia. Dessa
o ma, o es udo oi ocado no con ex o da na a i a na sua ele ância como p omo o a de
ínculos en e iden idades e di e enças nos âmbi os cogni i os e a e i os, que a uam no
p ocesso de al e idade das elações en e indi íduos e suas in e ações cul u ais nas
on ei as da hos ilidade e hospi alidade, o con li o em con e sa.
A inse ção do Gues book P ojec como expe iência su ge a pa i da busca po um modelo
que pudesse se u ilizado como ins umen o de explanação e compa ação com o es udo
eó ico, e assim, amplia e en iquece o obje o de pesquisa. A decisão da escolha pelo
Gues book P ojec oco eu de ido se um p oje o que u iliza a na a i a como e amen a
15
Em cons an e andamen o e ansição, no inal do século XX, as sociedades passam po
p ocessos de mudanças es u u ais e ins i ucionais que e le i am no sujei o “descen ado”.
Kegle e F oehlich (2012: 956) explicam que:
As sólidas localizações em classes, e nias, gêne o e nacionalidade, p óp ias da ase
social di ada pelo capi alismo o dis a, passam a ans o ma -se em paisagens
agmen adas, plu ais e híb idas. Os ó ulos es anques de ep esen ação podem
uni -se em unção de uma no a iden idade, ag upando o que an es e a dis anciado
pela classi icação e es abilidade.
O sujei o “descen ado” agmen a-se em ace as de iden idades, po ezes, is as como
con adi ó ias ou não esol idas em “con o midade subje i a com as necessidades obje i as
da cul u a”, o nando-se mais a iá eis e p o isó ias (Hall, 2005: 12). Esse sujei o assume
ou a ‘ oupagem’ com uma iden idade is a como não ixa, classi icado como sendo plu al,
ou ainda, como iden i icações que e iam o ca á e p o isó io, em cons an e de i . Nesse
sen ido, a concepção do sujei o é is a como con adi ó ia e ansi ó ia.
Assim, em ez de ala da iden idade como uma coisa acabada, de e íamos ala
de iden i icação, e ê-la como um p ocesso em andamen o. A iden idade su ge não
an o da pleni ude da iden idade que já es á den o de nós como indi íduos, mas de
uma al a de in ei eza que é “p eenchida” a pa i de nosso ex e io , pelas o mas
a a és das quais nós imaginamos se is os po ou os. (Hall, 2005: 39)
Ma ino (2010: 34) desc e e que a iden idade se con ex ualiza como “es u u a dinâmica,
elacionando-se diale icamen e com o co idiano no sen ido pa adoxal de se man ê-la em
plena ans o mação”. Ao se mos a de o ma “pe ei amen e ób ia e exa a”, a iden idade
c ia a ilusão de se algo es á ico. En e an o, logo é diluída dian e de si uações con on adas
que le am a deses u u ação da iden idade po algum a o ex e no que a ans o ma.
Ve i ica-se que na iden idade não exis e homogeneidade. Tomaz Tadeu da Sil a (2000: 76)
delineia que a iden idade não é acabada, de ini i a ou anscenden al. Mas sim, uma
p odução, um e ei o, algo in en ado, um elemen o em cons ução na a i a, elacional,
uma pe o mance. Assim como a i ma Bauman (2005: 21) ao desc e e que a iden idade
“nos é e elada como algo a se in en ado, e não descobe o; como al o de um es o ço, um
‘obje i o’”. Além do mo imen o, da ans o mação, pe cebe-se, ambém, a sua possí el
16
ins abilidade, agmen ação, inconsis ência e con adições. Hall (2005: 12-13) o mula a
iden idade como uma “celeb ação mó el” na qual é o mada e ans o mada
con inuamen e em elação às o mas pelas quais somos ep esen ados nos sis emas
cul u ais que nos odeiam, E G egolin (2008: 88) e o ça ao a i ma que “es amos, o empo
odo, subme idos a mo imen os de in e p e ação/ ein e p e ação que cons i uem
discu si amen e as iden idades”.
4.1. IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO.
A composição de uma “iden idade” pode en ol e um ex enso núme o de con ex os, que
são/es ão inse idos num conjun o i o de elações simbólicas e sociais. Os sis emas
classi ica ó ios si uam como essas elações são o ganizadas e di idas. Na di isão social, po
exemplo, onde se es abelecem elações de in e câmbio cul u al, social e polí ico, pode-se
cons a a pelo menos dois g upos em oposição: “nós e eles” (Woodwa d, 2000: 14). Dessa
o ma, as p á icas de agmen ações e desigualdades sociais ganham sen ido po meio dos
sis emas simbólicos ca ego izados e o ganizados, que inse idos em sis emas classi ica ó ios,
p opo cionam as o mas de sup essão e classi icação de alguns g upos. Essa dis inção
de e mina papéis em que cada sujei o é posicionado na es u u a social de pode e em uma
ep esen ação den o dela. A ep esen ação, desc i a po Bauman (2005: 18), é
comp eendida pelas “p á icas de signi icação e sis emas simbólicos” pelos quais o sujei o
se posiciona. Ou seja, o que dá sen ido ao que somos e a nossa expe iência se esul a po
ia dos “signi icados p oduzidos pelas ep esen ações”. No p ocesso de o mação da
iden idade, Woodwa d (2000: 8) suge e que sua cons ução é p oduzida em si uações
pa icula es no empo, e seu sen ido se dá a a és da linguagem e dos sis emas simbólicos
pelos quais as iden idades são ep esen adas. “A ep esen ação a ua simbolicamen e pa a
classi ica o mundo e nossas elações no seu in e io ”. Assim, po se em posicionadas
nos/pelos sis emas de ep esen ação, a o mação das iden idades e a ge ação de
signi icados es ão in imamen e inculadas, e po esse mo i o não de em se aladas
sepa adamen e.
17
A con ínua e ansi ó ia p odução iden i á ia nos/pelos sis emas de ep esen ação le a Hall
(1996: 68) a suge i que, em ez de ado a a iden idade como e en o consumado a se
ep esen ado pelas “no as p á icas cul u ais”, de e íamos conside á-la, possi elmen e,
“como uma ‘p odução’ que nunca se comple a, que es á semp e sendo cons uída in e na e
não ex e namen e à ep esen ação”. A e nia, co , gêne o, o ien ação sexual, condição ísica,
eligião, idade, nacionalidade, o igem social, cul u al e econômica, con icção polí ica, ní el
hie á quico, ou qualque ou o a o de di e enciação indi idual e c, são o mas de
ep esen ação que cons oem e cons i uem o sujei o, não apenas em uma iden idade, mas
em iden idades mul i ace adas.
Um dos documen á ios publicados no websi e do Gues book P ojec , oi ilmado na cidade
on ei iça de Londonde y/De y (anexo 2), si uada no No e da I landa, onde o io Foyle
di ide ísica e simbolicamen e a comunidade. O ídeo oi p oduzido po qua o es udan es:
dois i landeses e dois b i ânicos, com o in ui o de explo a a sepa ação pessoal, social,
polí ica e geog á ica na his ó ia da cidade. Na cu a-me agem, in i ulado In Peace Apa
13
,
duas es udan es - uma p o es an e e ou a ca ólica - ocam uni o mes escola es, que são
ca ac e izados pelas co es e de (I landa) e azul (Ingla e a), e caminham jun as pela cidade.
A p opos a dessa cena é delinea e expe imen a o e ei o da exposição das elações
simbólicas das co es, bandei as e uni o mes, que são ep esen ações pode osas da
di e ença en e i landeses e ingleses. No início da ilmagem os es udan es na am sem
iden i ica uns aos ou os:
We ha e come oge he o make his ideo. O he wise we p obably would ha e
ne e me . We come om opposi e sides o he i e . We go o di e en schools and
li e sepa a e li es. Al hough we a e se en een yea s old, we ha e had li le con ac
wi h people om he o he side o communi y. We a e simila in many ways, bu
wo o us a e P o es an and wo o us a e Ca holic. In ou coun y, ha is an
impo an di e ence. A e you ying o sepa a e us? Guess who’s who? Ha e you
al eady chosen us? Wha i we ell you ou names? These uni o ms label us as
13
h p://gues bookp ojec .o g/in-peace-apa /
18
being di e en . So wha i we swapped? Would i be like swapping li es? To walk
in each o he ’s shoes?
14
No p imei o momen o ansco e a cena da oca de uni o mes, onde a i landesa es e a
oupa azul e a inglesa o uni o me e de. As duas se olham, se admi am, se es anham e
dialogam exp essando o sen imen o que êm ao se e em es idas em co es ocadas:
Inglesa - Oh my God I appea di e en ! Oh my God
I landesa - I like his!
Inglesa - Oh, I don’ sui g een. Hang on, le me see.
I landesa - Nobody sui s g een! I ’s ok. I eel like I go o boa ding school o
some hing. I looks like a Hogwa s uni o m. I like his. I could ge
used o his.
Inglesa - You don’ like g een, on?
I landesa - No.
Inglesa - I like i .
I landesa - no, you don’ . You don’ ha e o p e end ha you like i . Do I like you?
Inglesa - You like me.
I landesa - Yeah… You look Ca holic.
Inglesa - Yeah. I look Ca holic. ( isos)
- I pu i on he e and she was all, “Oh my God, you look no mal!”
I landesa - Do you hink I could go up own like his he e? I’d lo e o see people’s
esponse i I walk abou own.
Inglesa - Would he e be a di e ence?
I landesa - Oh my God. The e wouldn’ be, would he e?
Inglesa - I would lo e o see i you el in imida ed walking ou he own in my
uni o m. Like, i people ga e you a di y look in my uni o m.
Ao caminha pelas uas da cidade i landesa, as alunas con e sam en e si e en am imi a o
so aque uma da ou a, expe imen ando a sensação de descobe a do ou o, da elação de
14
T ad. p óp ia: Nós nos eunimos pa a aze esse ídeo. Caso con á io, p o a elmen e nunca nos
encon a íamos. Nós iemos de lados opos os do io. Nós amos pa a di e en es escolas e i emos
idas sepa adas. Embo a enhamos dezesse e anos de idade, i emos pouco con a o com pessoas do
ou o lado da comunidade. Somos semelhan es de mui as manei as, mas dois de nós são p o es an es
e dois de nós são ca ólicos. Em nosso país, essa é uma di e ença impo an e. Você es á en ando
nos sepa a ? Adi inha quem é quem? Você já nos escolheu? E se nós lhe disse mos o nosso nome?
Es es uni o mes nos o ulam como sendo di e en es. E se nós oca mos? Se ia como oca idas?
Pa a anda nos sapa os uns dos ou os?
19
al e idade. Em seguida a i landesa desc e e o sen imen o de es a sob “p essão” ao se em
obse adas pelos ou os nas calçadas, po es a es ida com um uni o me azul, inglês.
A cu a-me agem e idencia uma his ó ia de iden idades iden i icadas p imei amen e po
suas nacionalidades: a inglesa e a i landesa. Iden idades que ganham sen ido po meio de
ep esen ações exp essas pela linguagem (We a e simila in many ways, bu wo o us a e
P o es an and wo o us a e Ca holic) e sis emas simbólicos (co es e emblemas dos
uni o mes escola es e c). Di e enciações que dão supo e à manu enção de on ei as en e
o ‘eu’ e o ‘ou o’. As on ei as conduzem a ques ões sob e o pode da ep esen ação e
alguns signi icados que são elei os ao p e e i em ou os. Na isão de Woodwa d (2000: 18-
19), odas as ações de signi icação que ge am signi icados, implicam elações de pode que
de inem, inclusi e, “quem é incluído e quem é excluído”. A cons ução de posicionamen os
ge ada pelos sis emas de ep esen ação e pelos discu sos o e ece aos indi íduos as o mas
de como se posiciona e ala . É o que, em pa e, Hall classi ica como “posições de
enunciação”, nas quais as p á icas de ep esen ação en ol em cons an emen e as
“posições de onde se ala ou se esc e e”:
Todos nós esc e emos e alamos desde um luga e um empo pa icula es, desde uma
his ó ia e uma cul u a que nos são especí icas. O que dizemos es á semp e “em
con ex o”, posicionado. (Hall, 1996: 68)
Assim como Taylo (1998: 50) suge e o “dialogismo” como um elemen o undamen al da
condição humana, is o que, pa a o au o , as “linguagens necessá ias” que au o de inem o
nosso eu, não são ob idas sem an es se mos conduzidos a elas “po in e ação com as
linguagens daqueles com quem con i emos". Sendo assim, de aco do com a cul u a na qual
es á inse ido, o sujei o se adequa em um sis ema i o de elações sociais e de pa imônios
simbólicos his o icamen e compa ilhados, p omo endo a con e gência de ce os alo es
en e in eg an es de uma sociedade.
20
4.2. IDENTIDADE CULTURAL E IDENTIDADE NACIONAL
4.2.1. Iden idade Cul u al
Na análise sob e cul u a e iden idade, Ka ja F óis (2004) ela a sob e a de i ação e a o igem
do ocábulo ‘cul u a’, p oceden e do e bo em la im cole e, que signi ica cul i a -
elacionado ao cul i o da e a. A au o a explica que,
p o a elmen e, a elação anímica com a na u eza como pa âme o pa a a
comp eensão do mundo ez com que o e mo ag ícola passasse a aduzi , ambém,
os pad ões de compo amen o e de elacionamen o dos homens. Passou-se a
designa de cul u a udo que aludisse a no mas, eg as e con eúdos sociais
cul i ados pelo homem. (p. 2)
Bauman (2005), en e an o, suge e que a inse ção da pala a ‘cul u a’ em nosso
ocabulá io oco eu dois séculos a ás, ansmi indo, con udo, um signi icado an ônimo ao
de “na u eza”. No luga da aiz do seu concei o, o am assumidas as ca ac e ís icas
humanas que eme em em oposição aos elemen os da na u eza, conside adas como
“p odu os, esíduos ou e ei os cola e ais das escolhas dos se es humanos”, que p oduzidos
pelo homem, é possí el, eo icamen e, de se em desca ados po ele (p. 67).
Vis a, po an o, a pa i de “pad ões de elacionamen o e compo amen o social”, a cul u a
pode se conside ada como algo que “p opicia os meios pelos quais podemos da sen ido
ao mundo social e cons ui signi icados” (Woodwa d, 2000: 41). Nesse con ex o, cada
cul u a cons ói seus sis emas pa ilhados de signi icação e mon a suas o mas p óp ias de
dis ingui e classi ica o mundo. Po meio da es u u ação de sis emas classi ica ó ios são
p oduzidos ins umen os e signi icados que uma sociedade, a a és de algum senso comum,
classi ica as coisas com in ui o de man e ce a o dem social. Dessa o ma, pe cebemos que
os sis emas simbólicos de ep esen ação se ap esen am como ansmisso es que dão
sen ido às p á icas e às elações sociais e os sis emas classi ica ó ios exp imem como são
o denadas e segmen adas as elações sociais.
A ep esen ação é en endida, assim, como um p ocesso cul u al que molda e nomeia as
iden idades indi iduais e cole i as. E po meio dos sis emas simbólicos que as undamen a
21
– em alguns momen os – iabiliza espos as de ques ões do “se ” (quem sou eu?) ou “ o na
a se ” (o que eu pode ia se ?, quem eu que o se ?). Rela i o ao p ocesso cul u al e aos
sis emas simbólicos na concepção da iden idade, Ma ino (2010: 12) desc e e que a cul u a
de cada indi íduo es á elacionada à a ibuição concedida à iden idade a pa i de um
“conjun o de conhecimen os an e io es que emos pa a iden i ica a pessoa ou obje o
quando olhamos pa a ele”. Ou seja, a cul u a iabiliza a cons ução de uma iden idade a
pa i da composição de “uma mensagem dizendo ‘es e sou eu’ pa a as ou as pessoas”, e
se capaz, ambém, de aze uma lei u a de ou as pessoas e “decodi ica as mensagens que
elas en iam em e mos de iden idade”.
Hall (1996: 68) suge e que a iden idade cul u al pode se pensada de duas manei as. A
p imei a si uação se con igu a na “cul u a pa ilhada”: as iden idades cul u ais ecoam em
uma comunidade a a és de expe iências his ó icas e códigos cul u ais comuns e
pa ilhados. Com base em um passado cons oem-se o sen ido de pe ença e ep esen ação
de es abilidade da cul u a e omen a-se a ideia de uma comunidade compos a po um po o
“ e dadei o e uno”. Em In Peace Apa (anexo 2) é possí el pe cebe essa si uação quando
o locu o na a que
Al hough his is a small ci y, many impo an e en s ha e aken place he e. I is a
long s o y, and i is w i en on he walls. Decisi e momen s in ou coun y’s his o y…
a place whe e people ha e aken a s and… e en s which s ill esona e oday. A
his o y o con lic and esis ance ha e shaped he ab ic o he ci y and i s people,
leading us o whe e we a e oday
15
.
A segunda si uação – com uma isão di e en e – é pe cebida no sen ido que anscende o
empo, o luga , a his ó ia e a cul u a; que busca ei indica an o a “ques ão de ‘se ’ quan o
de ‘se o na , ou de i ’”. Nesse pensamen o, a iden idade pe ence ao passado, en e an o,
ambém, ao u u o. Ou seja, não se pode a i ma com p ecisão sob e “uma expe iência, uma
iden idade”, sem que não haja a conco dância da “exis ência de up u as e descon inuidades”.
15
T ad. P óp ia: Embo a es a seja uma cidade pequena, mui os e en os impo an es oco e am aqui. É uma
longa his ó ia, e es á esc i a nas pa edes. Momen os decisi os na his ó ia do nosso país... um luga onde as
pessoas oma am posição ... e en os que ainda essoam hoje. Uma his ó ia de con li o e esis ência moldou a
es u u a da cidade e seu po o, di ecionando-nos a onde es amos hoje.
22
Po de i a em de alguma pa e de his ó ias, as iden idades so em ans o mações
cons an es e subme em-se ao cons an e “jogo” da cul u a, da his ó ia e do pode . A
iden idade cul u al en e di e en es nações subme e-se a pa âme os his ó icos
pa icula es de cada po o, que Woodwa d (2000: 11) suge e es a si uada em um “pon o
especí ico no empo”. Pa a a au o a, as ei indicações são es abelecidas pelas iden idades
a a és do “apelo a an eceden es his ó icos”.
A he hea o ou ci y’s s o y a e i s his o ic walls and Ri e Foyle. O e he yea s
ou ci y’s name has changed and g own, and g own. I is also known as he Walled
Ci y. I is amous o i s walls, bu in many ways his i e has become ou bigges
wall symbolizing he di ide be ween ou people… I ish agains B i ish, Ca holic
agains P o es an , g een agains blue
16
(In Peace Apa ).
Assim sendo, a iden idade cul u al possui aspec os elacionados à nossa pe ença a cul u as
é nicas, aciais, linguís icas, eligiosas, egionais, nacionais e/ou his ó icas. E a o mação de
ma cações do pe encimen o ajuda na cons ução da Iden idade e c ia um elo a alo es
idos como p o undos e imemo iais. Que ambém, con udo, cons ói on ei as. Nessa
pe spec i a, Ma ino (2010) exempli ica que:
se e uma iden idade é ambém econhece as on ei as dos g upos nos quais se
es á inse ido, é possí el no a que esse “ aze pa e” signi ica, no co idiano, gos a
des a ou daquela oupa, ou i um ou ou o ipo de música, le alguns li os e ou os
não. (p. 14)
Na busca po e e ências de pe encimen o, o sujei o c ia um disposi i o discu si o que
auxilia na cons ução da Iden idade e da di e ença. Nesse p ocesso, a iden idade (o eu) e a
di e ença (o ou o) es ão en ol idas na lu a de pe encimen o pelos ecu sos his ó icos
( adição, amília), simbólicos ( oupas, in e esses, eligião, a uagens e c) e ma e iais. As
iden idades a a essam po di isões p o undas e di e enças in e nas, sendo ‘uni icadas’
apenas a a és do exe cício de di e en es o mas de pode cul u al. Bauman (2005: 44)
16
T ad. P óp ia: No co ação da his ó ia da nossa cidade es ão as suas mu alhas his ó icas e o io Foyle. Ao
longo dos anos, o nome da nossa cidade mudou e c esceu e c esceu. Também é conhecida como a Cidade
Mu ada. É amosa po seus mu os, mas, em mui os aspec os, es e io o nou-se o nosso maio mu o que
simboliza a di isão en e nosso po o... I landês con a B i ânico, Ca ólico con a P o es an e, e de con a
azul.
23
conside a que a iden idade a o ece dimensões di isi as e di e enciado as, ca ac e izando-
se como um pode oso a o na segmen ação. A a és de polos hie á quicos, onde exis em
aqueles capazes de o ma e desa icula suas iden idades ela i amen e à sua p óp ia
on ade. E do ou o lado, aqueles nos quais lhes são negados a possibilidade de escolha da
iden idade, “op imidos po iden idades aplicadas e impos as po ou os”.
Em is a disso, JC Mo eno (2014: 29) esume que a iden idade es á co elacionada à
ep esen ação da cul u a de um ou mais g upos humanos. Ou seja, os indi íduos cons oem
a(s) iden idade(s) a a és das ep esen ações median e expe iências i idas, com as
p emissas de “quem são” e de “quem podem ou desejam se ”. Assumem, assim, seus
múl iplos sujei os sociais que são “compa ilhados, a ibuídos e au o a ibuídos”. Além
dessa cons ução, há ambém, a conjunção com inúme os elemen os o necidos pela
biologia, his ó ia, mecanismos de pode , memó ia cole i a, geog a ia e c. O au o con e e
à iden idade peculia idades de se “essencialmen e con li i a, en ol endo in e ação social,
a e os, au oes ima e jogos de pode ”. E a classi ica como
uma ca ego ia social discu si amen e cons uída, exp essa e pe cebida po
di e en es linguagens: esc i as, co po ais, ges uais, imagé icas, midiá icas. Mais
incisi amen e do que a noção de cul u a, a iden idade implica a p odução de
discu sos po ado es de signos de iden i icação (Mo eno, 2014: 7-8).
Ou a cu a me agem do Gues book P ojec , Wa Le e s: o kill o o kiss
17
(anexo 3),
ilus a bem os concei os ci ados acima. O ídeo p oduzido po jo ens cineas as na cidade
Vuko o , u ilizam a ep esen ação da esc i a pa a abo da con li os é nicos. Vuko a é uma
cidade si uada no les e da C oácia onde i em jun os c oa as e sé ios. Uma cidade que
ainda em ecen e em suas memó ias a ocupação sé ia e a Gue a da Independência da
C oácia de 1991, em que cen enas de soldados e ci is c oa as o am massac ados - e mui os
ou os exilados - pelas o ças sé ias. Uma cidade de um nome, duas línguas e duas
comunidades e nicamen e di ididas:
This is how C oa s w i e he wo d gues (gos ). And his is how he Se bs w i e he
wo d gues (гост). Howe e , hey bo h p onounce he same way. C oa s use
17
h p://gues bookp ojec .o g/wa -le e s- o-kill-o - o-kiss/
24
La ina e and Se bs use Cy illic w i ing. All hose languages ha e wo di e en
names, bu he e is a e y small di e ence be ween he wo. And he people who
speak hese languages unde s and each o he pe ec ly. This is a s o y abou he
ci y Vuko a . A ci y whe e Vuko a is w i en bo h in La ina e and Cy illic
(Bykobap). A ci y, whe e C oa s and Se bs li e oge he . Who is he gues ? And who
is he hos ?
18
O documen á io na a sob e as cica izes da Gue a deixadas na memó ia dos mo ado es
de Vuko a , e como a esc i a se o nou símbolo desse con li o é nico: pa a os mo ado es
sé ios, a esc i a ci ílica ep esen a a p ese ação e esga e de suas o igens cul u ais e
nacionais. Pa a os c oa as, ela esga a lemb anças dolo osas da sang en a ocupação e dos
c imes de gue a. Há, ambém, os depoimen os de dois cidadãos en ol idos
p o issionalmen e com a esc i a: Nikola, um jo nalis a sé io que esc e e pa a os únicos
jo nais em Vulko a que são o almen e esc i os em ci ílico. E Ma ea, uma assis en e de
uma Uni e sidade c oa a, que usa a esc i a la ina e explica a elação emocional do po o
c oa a com a esc i a ci ílica.
Nikola - These newspape s whe e I wo k ha e been issued in Vuko a o 7 yea s.
They a e w i en en i ely in Se bian and in Cy illic sc ip . They a e p ima ily
w i en o he Se bian communi y in his a ea wi h an in en o p ese e he Se bian
language and he Cy illic sc ip . This was ou in en ion long be o e all his in
Vuko a s a ed
19
.
18
T ad. p óp ia: É assim que os c oa as esc e em a pala a con idado (gos ) E é assim que os sé ios esc e em
a pala a con idado (гост). No en an o, ambos se p onun am do mesmo jei o. Os c oa as usam a la inica e
os sé ios usam a esc i a ci ílica. Todas as línguas êm dois nomes di e en es, mas há uma di e ença mui o
pequena en e as duas. E as pessoas que alam essas línguas se en endem pe ei amen e. Es a é uma his ó ia
sob e a cidade de Vuko a . Uma cidade onde Vuko a es á esc i o em la ino e ci ílico (Bykobap). Uma cidade
onde os c oa as e os sé ios i em jun os. Quem é o con idado? E quem é o an i ião?
19
T ad. p óp ia: Es es jo nais em que abalho êm sido publicados em Vuko a há 7 anos. Eles são esc i os
in ei amen e em sé io e na esc i a ci ílica. Eles são esc i os p incipalmen e pa a a comunidade sé ia nes a
á ea com a in enção de p ese a a língua sé ia e a esc i a ci ílica. Es a oi a nossa in enção mui o an es
de udo isso e começado em Vuko a .
31
A his ó ia de Lydie e Robe es á inse ida em um cená io que mos a duas iden idades
di e en es, dependen es de duas posições nacionais sepa adas po u bulências sociais e
polí icas: a dos congoleses e uandeses. A iden idade é ma cada pela di e ença, que
dis ingue que se congolês é se um não- uandês. Iden idades que “adqui em sen ido po
meio da linguagem e dos sis emas pelos quais são ep esen adas” (Woodwa d 200: 8).
[In e i le: Wha does Congo ep esen o you?]
LK: The Democ a ic Republic o he Congo is my coun y. I g ew up he e. I was
bo n he e. I is he coun y o my ances o s. I is my o igin. I is my iden i y.
[In e i le: Wha does Rwanda ep esen o you?]
RM: Rwanda… I lo e Rwanda. Apa om being my coun y, he coun y whe e I
was bo n, Rwanda is a coun y whe e people a e eally ha d wo ke s. A Coun y
whe e… people p ese e hei digni y.
Po se elacional, a iden idade es abelece po meio da di e ença uma ma cação simbólica
ela i amen e a ou as iden idades. A a és de e mos com ‘pesos’ desiguais, esses
dualismos p omo em ínculos es ei os de elação de pode . Homi Bhabha (1998: 83)
esc e e que nessa elação
já não es amos dian e de um p oblema on ológico do se , mas de uma es a égia
discu si a do momen o da in e ogação, um momen o em que a demanda pela
iden i icação o na-se, p ima iamen e, uma eação a ou as ques ões de
signi icação e desejo, cul u a e polí ica.
Pa a o au o , a u ilização ambi alen e de “di e en e”, em que, “se di e en e daqueles que
são di e en es az de ocê o mesmo”, le a o inconscien e a exp essa a es u u a da
al e idade como “uma somb a ama ada do adiamen o e do deslocamen o”. Dessa o ma,
não é a iden i icação dada ao Eu nem ao Ou o, mas a pe u bado a dis ância es abelecida
en e os dois que cons ói a imagem da al e idade. Sendo assim, Bhabha (1998: 76-77)
a i ma que a ques ão da iden i icação é semp e a cons ução de “uma imagem de
iden idade e a ans o mação do sujei o ao assumi aquela imagem”. E, po an o, a
ei indicação da iden idade, ou melho , “se pa a um Ou o” aca e a a “ ep esen ação do
sujei o na o dem di e enciado a da al e idade”.
32
LK: The i s ime I came in Rwanda was in 2010.
I emembe I was e y a aid! So a aid. Wi h all ha was said abou Rwanda by
ha ime, my ea was jus i ied. I wen in Rwanda o isi my u u e husband’s amily
as by ha ime my husband and I we e engaged. Be o e we lea e Congo, ou amily
and some iends old us — gosh, hey old us all kinds o ho o s. In Rwanda, don’
alk oo much. They’ e mean people. Don’ alk on a bus. Don’ look a Rwandans
in hei eyes o he wise you will be a es ed. Don’ do his! Don’ do ha !
RM: E en I was a bi a aid, especially on how I would beha e.
LK: My b o he and I we e communica ing only by small mo emen s because we
hough i we alked oo much we would be a es ed. Bu when we a i ed a my
husband’s house, i was he opposi e o wha we had in mind. We ound a peace ul
amily wi h gi ls and women. We we e so wa mly welcomed ha my b o he and I
asked ou sel es is his a Congolese amily? I was so good and du ing he h ee
days we spen wi h my husband’s amily hings we e a he simple o us.
Hall (1996: 70) quali ica a di e ença como p o unda. Ela posiciona os indi íduos “a um só
empo, como iguais e di e en es”. C ia on ei as que con inuamen e são eposicionadas em
“ elação a di e en es pon os de e e ência”. É capaz de (des)quali ica comunidades e/ou
sujei os nos limi es ex emos, às “bo das” do mundo me opoli ano, como ma ginais,
subdesen ol idos, pe i é icos: os “Ou os”. E essa “di e ença” é insc i a nas di e enças
cul u ais e sociais independen emen e, ou não, da on ade dos indi íduos que assumem
essas iden idades no g upo social no qual es ão inse idos.
Quando discu imos o ou o, equen emen e ocalizamos o mas di e en es de
al e idade como se elas es i essem sepa adas de nossa consciência e iden idade.
En e an o, al e idade implica um p ocesso cogni i o (e, mui as ezes, ideológico)
que se mani es a den o do sujei o e consequen emen e den o da sociedade. Vis o
que a al e idade es á na aiz das gue as, do acismo e da disc iminação, é
impe a i o que ela seja econcei ualizada. (Pa e son, 2007, p. 15)
33
4.4. IDENTIDADE NARRATIVA
A pala a comunicação, segundo Sousa (2006: 22), em sua aiz e imológica na pala a
la ina communica ione que, po sua ez, em o igem na pala a commune, ou seja, comum.
Em la im, communica ione signi ica pa icipa , pô em comum ou ação comum. Desse modo,
o au o explica que comunica é “ elaciona se es i en es e, no malmen e, conscien es
(se es humanos), o na alguma coisa comum en e esses se es, seja essa coisa uma
in o mação, uma expe iência, uma sensação, uma emoção e c”. Nesse sen ido, obse a-se
que a comunicação nos pe mi e aden a numa ede de elações sociais, em que é possí el
iden i ica e enquad a suas p á icas, diálogos, na a i as, discu sos. O a o de comunica
possibili a que os indi íduos in e ajam uns com ou os a a és de pensamen os e
linguagens, mas não de o ma comple a. Co eia (2004: 11) esc e e – ampa ado no
en endimen o de comunicação em Al ed Schu z (1973) – que a comunicação p o oca a
p odução de uni e sos de signi icados comuns que possibili am o a o de comp eende e se
comp eendido. Essas ações oco em em i ude de um p ocesso de c iação mú ua, em uma
aje ó ia na qual é cons uída uma ideia pa ilhada da ealidade. Sob esse aspec o, Ma ino
e Ma ques (2015: 16) esc e em que as in e ações comunica i as são e idenciadas como
ocasiões em que in e locu o es u ilizam e/ou p oduzem a linguagem, com o im de
“p oduzi em en endimen os sob e algo no mundo obje i o, social e subje i o”. Assim sendo,
esses en endimen os não são es abelecidos apenas pelo acional, mas ambém,
cons i uídos pela emoção e pela a e i idade que en ol em sen imen os e pensamen os
pessoais. É ambém po in e médio da linguagem que o indi íduo es u u a o pensamen o
e p omo e-se au o de si mesmo, espondendo ao ou o. Se cons uindo e se econs uindo
po meio da p esença de um ou o.
A subje i idade engloba pensamen os e sen imen os conscien es e inconscien es que
o mam nossa comp eensão sob e “quem nós somos”, sob e o nosso eu. En e an o, sendo
o indi íduo um se social, essa subje i idade é i enciada em um con ex o social na qual a
linguagem e a cul u a dão signi icado às expe iências que o indi íduo em de si mesmo, e
que, na posição de sujei o, assume uma iden idade (Woodwa d 2000: 55). Seguindo essa
linha, G egolin (2008: 92) a i ma que o sujei o é um p odu o his ó ico de p á icas discu si as
34
nas quais lhe a ibuem posições subje i as, o nando-se, assim, uma cons ução incessan e
no in e io da his ó ia. O que é possí el pensa que a o mação da iden idade é ambém
ge ada pela e na linguagem, semp e cons uída e localizada em um luxo de discu sos
cul u ais. Essas p á icas discu si as o denam o que se pode dize em uma época e quem
pode ocupa a posição de sujei o nos enunciados que cons i uem de e minadas p á icas. A
au o a menciona na análise de discu sos p opos a po Foucaul (1978), “nem udo pode se
di o, nem de qualque ins ância e nem po qualque um”. Que o se humano acessa a si
mesmo a a és de sabe es, comunica-se a a és de sis emas simbólicos, c ia po meio de
écnicas de p odução e domina os ou os e a si po ia de elações de pode .
Hall (1996: 69) ambém comen a que as iden idades cul u ais êm his ó ias. En e an o,
como udo o que é his ó ico passa po cons an es ans o mações e po algum passado
signi ica i o, as iden idades es ão sujei as ao sucessi o “jogo” da his ó ia, da cul u a e do
pode “que nos posicionam, e pelas quais nos posicionamos, nas na a i as do passado”.
Nessa pe spec i a, a iden idade pode se is a aqui como uma ques ão de comunicação. O
p ocesso in e subje i o de comunicação e a composição das iden idades são omen ados
cons an emen e po in e ações e códigos ( ansmisso es simbólicos de signi icados), que se
p ocessam na in e ação de mensagens en e pessoas e cul u as, ais como, c enças,
linguagem, alo es mo ais, p á icas i uais, ce imônias e his ó ias da ida diá ia. Nesse
en oque, a iden idade pode se en endida como “algo que se p oduz, ans o mando-se em
uma mensagem, eelabo ada po ou a pessoa” (Ma ino, 2010: 11), em uma elação de
al e idade. Essas mensagens azem pa e do p ocesso de cons ução cons an e da
iden idade, pois implicam no modo como o sujei o ai decodi ica as ou as mensagens que
chegam a é ele. De ini uma iden idade es á, assim, associada às na a i as que são
elabo adas em elação à ealidade indi idual e/ou cole i a, is o é, associada à o ma como
se explica o mundo, os c i é ios que cada indi íduo ou sociedade u iliza pa a de ini as
si uações e pessoas.
Ma ino (2010: 7) a i ma que as na a i as comunicam aquilo que somos e comunicam uma
ep esen ação de nós mesmos. Segundo Kea ney (2002: 4), quando se pe gun a a alguém
‘quem ocê é’, a pessoa con a sua es ó ia numa condição p esen e, po ém, à luz do passado
de memó ias e p ospecções u u as. Assim, o locu o p omo e um senso de si mesmo, como
35
uma iden idade na a i a coe en e, que pe manece ao longo de sua ida. Ou seja, é c iado
um discu so den o de uma his ó ia. Mas não uma his ó ia na ín eg a, com uma na a i a
e dadei a em que são con ados odos os a os de nossa ida. Po ém, a ‘nossa’, com o
en endimen o de um discu so selecionado e e guido po nós pa a ep esen a um ‘eu’
dian e dos ou os (Ma ino 2010: 7).
Os discu sos de iden idade, cons uídos em seus a iados a o es, êm seu começo pela
memó ia. “Sem a memó ia não há amas na a i as, não há discu sos sob e o p esen e”
(Ma ino 2010: 7). E idencia-se, po an o, que a o mação desse discu so é p omo ida pelas
na a i as do passado, com o auxílio da memó ia, que se elacionam com as possibilidades
de comunicação do p esen e e p ojeções u u as. O que demons a que a iden idade
na a i a es á ligada à empo alidade.
A iden idade, como is o, é algo que se desen ol e a pa i dos discu sos que
de inem as on ei as simbólicas de quem se é a pa i de um passado e um p esen e,
esponsá eis, igualmen e, po ensaia um p oje o de u u o. Iden idades são
ca ac e ís icas comp eendidas a pa i de discu sos undado es, esponsá eis po
de ini as na a i as de um passado o nado p esen e, que o jus i ica e legi ima
(Ma ino 2010: 56).
5. NARRATIVA
A na a i a e idencia-se como um a o essencialmen e comunica i o (Kea ney, 2002: 5). O
a o de na a é algo e e i amen e compa ilhado com o ou o, sendo, po an o, um ínculo
comunicacional po excelência. Essa a i ma i a é possí el se pe cebida em Benjamim (1994:
213) quando conside a que “quem escu a uma his ó ia es á em companhia do na ado ;
mesmo quem a lê pa ilha dessa companhia”. E em Ma ino (2016: 46) quando suge e uma
elação da na a i a ao segmen o social, em que o a o na a i o, o con a uma his ó ia é
ambém uma manei a de pe cebe o a o comunicacional como uma o ma de encon o com
o ou o. Na concepção de Ge bne (1999), as his ó ias que con amos são um dos p incipais
a o es na o mação dos ínculos en e pessoas e, po essa azão, undamen ais na o igem
de comunidades e sociedades (apud Ma ino 2016:42). Ademais, o exe cício de na a é,
36
ambém, uma i ência a e i a com o mundo que se ai na a , ou seja, um ins umen o de
inculação, que é cons i uído an o po linhas cogni i as quan o a e i as. Numa pe spec i a
eó ica ela i a à a i idade cogni i a, Vygo sky abo da que o cogni i o e o a e i o são duas
dimensões humanas insepa á eis, p oduzidos pelo seu in e - elacionamen o e in luências
mú uas. (Mungioli, 2002: 53).
A pala a ‘na a i a’ de i a do e bo ‘na a ’, cuja e imologia p o ém do la im na a e, que
eme e ao a o de con a , ela a , expo um a o, uma his ó ia. Kea ney (2002: 3) esc e e
que o a o de con a his ó ias az pa e de nossa condição humana e que as his ó ias são o
que azem nossa ida ale a pena i e . O au o suge e que exis e um econhecimen o
pe manen e de que a nossa exis ência é ine en emen e na a i a. Esse econhecimen o
em desde os p imó dios da ci ilização ociden al - a pa i da descobe a g ega de que a
ida humana (bios) é signi ica i amen e in e p e ada de ação (p axis). Seguido po
A is ó eles, o p imei o a desen ol e uma posição ilosó ica a a és de sua Poé ica,
enunciando que a a e de con a es ó ias é o que nos p opo ciona um mundo
compa ilhá el. A é os mais ecen es es udos e eo ias que desc e em a exis ência da
empo alidade na a i a (p. 5).
A na a i a, como a o de con a his ó ias, em boa pa e dos casos, es á ligada à ação de
compa ilha algo com ou as pessoas. Kea ney (2002: 129) diz que A is ó eles iden i ica o
pad ão p é-na a i o à medida que pe cebe que a exis ência humana é uma ida de ‘ação’.
Essa ação é semp e mo ida com is as a um im - mesmo que esse im seja em si mesmo.
Nesse cená io, o indi íduo - como agen e - es á cons an emen e p e igu ando seu mundo
em in e ação com o ou o. E quando - po meio dessa ação - acon ecimen os o ui os
ans o mam-se em his ó ia, e esses se azem memo á eis no deco e do empo, se
e e i am como agen es comple os de uma his ó ia. Esse p ocesso de o na -se his ó ico
en ol e uma ansição signi ica i a no luxo de e en os em uma comunidade social ou
polí ica. Assim, o au o a i ma que o econhecimen o de qualque p ocesso his ó ico oco e
na medida em que pode se econ ado.
Con a his ó ias semp e oi a a e de con á-las de no o, e ela se pe de quando as
his ó ias não são mais conse adas. (...). Quan o mais o ou in e se esquece de si
37
mesmo, mais p o undamen e se g a a nele o que é ou ido. Quando o i mo do
abalho se apode a dele, ele escu a as his ó ias de al manei a que adqui e
espon aneamen e o dom de na á-las. Assim se eceu a ede em que es á gua dado
o dom na a i o. (Benjamim, 1994: 205)
Pa a B une (1991: 4), nossas expe iências e memó ias de acon ecimen os humanos são
o ganizadas, p incipalmen e, na o ma de na a i as. Na enomenologia con empo ânea, a
na a i a é comp eendida como uma ação que ma ca, o ganiza e escla ece a expe iência
empo al. Assim, o mo imen o de coo dena uma exis ência, de modo que não seja
dispe sada com o passa do empo, az do a o de con a es ó ias esponsá el po humaniza
o empo, ans o mando-o a pa i de uma passagem impessoal de momen os
agmen ados em um pad ão, um en edo, um my hos. O en elaçamen o possí el do
passado, p esen e e u u o pode se conside ado um dos a o es mais impo an es nas
desc ições da empo alidade do my hos (Kea ney, 2002: 131). Nesse mo imen o,
conscien e ou inconscien e, é possí el desc e e nossas idas como um luxo de e en os
que se a inam pa a cons i ui uma ação que é ao mesmo empo cumula i a e o ien ada.
Duas ca ac e ís icas impo an es de qualque na a i a.
Ma ino (2010: 38), em consonância com Kea ney (2002), esc e e que a na a i a é uma
das p incipais a i idades humanas. Das o mas mais di e sas es amos cons an emen e
econs uindo a ealidade como um discu so, c iando um ecido na a i o, simbólico e
imaginá io, po meio do compa ilhamen o ei o pela comunidade de um empo e um
espaço.
Bu no ma e how dis inc in s yle, oice o plo , e e y s o y sha es he common
unc ion o someone elling some hing o someone abou some hing. In each case
he e is a elle , a ale, some hing old abou and a ecipien o he ale. And i is
his c ucially in e subjec i e model o discou se …
23
. (Kea ney, 2002: 5)
Kea ney (2002: 129) ac edi a que oda ida humana é uma exis ência em busca de uma
na a i a, pois cada ida já é, desde semp e, uma es ó ia explici a que se es o ça pa a
23
T ad. p óp ia: Mas não impo a o quão dis in a no es ilo, oz ou en edo, cada es ó ia compa ilha a unção
comum de alguém dizendo alguma coisa a alguém sob e algo. Em cada caso, há um con ado , um con o, algo
di o sob e e um des ina á io do con o. E é es e modelo c ucialmen e in e subje i o do discu so...
38
descob i um pad ão pa a lida com a expe iência de caos e con usão. A p óp ia ini ude do
se humano é cons i uída pelo seu início, no nascimen o, e inal, com a mo e. Essa condição
nos p omo e uma es u u a empo al, que nos le a a p ocu a e e ências ele an es do
nosso passado (memó ia) e que nos di ecionam pa a o u u o (p ojeção). Dessa manei a, o
au o a i ma que nossas idas são p é- e lexi as e p é-conscien es no que diz espei o ao
começo, meio e im – po ém, nem semp e nessa o dem. Ou seja, são con inuamen e
in e p e adas em si mesmas, pois, de ce a o ma, nossa exis ência já es á p é- açada,
mesmo an es de conscien emen e p ocu a mos uma na a i a em que possamos
einsc e e nossa ida como his ó ia de ida.
Paul Ricoeu concei ua a na a i a como ações mimé icas as quais nos iabilizam en a em
con a o com o mundo. Em busca do en endimen o da elação en e empo e na a i a,
Ricoeu expande o concei o a is o élico de mimese a di e enciando em ês ca ego ias
( íplice mimese). Esses ês empos mimé icos são undamen ados pelas mimesis I, na
p e igu ação do mundo p á ico, i ido, po ém ainda não explo ado pela a i idade poé ica,
em que pede pa a se con ado; a mimesis II, con igu ação do ex o no a o de na a , em que
esse mundo já imp egnado de p é-na a i idades, o e ece e e ências pa a o a o de
cons ução poé ica; e a mimesis III, e igu ação da nossa exis ência em uma a i idade de
lei u a, do a o de como e o namos do ex o na a i o à ação. Com base nessas p emissas,
Kea ney esc e e que
This is why we insis ha he ac o mimesis in ol es a ci cula mo emen om
ac ion o ex and back again – passing om p e igu ed expe ience h ough
na a i e ecoun ing back o a e igu ed li e-wo ld. In sho , li e is always on he
way o na a i e, bu i does no a i e he e un il someone hea s and ells his li e
as a s o y. Which is why he la en p e igu ing o e e yday exis ence calls ou o a
mo e o mal con igu ing (my hos-mimesis) by na a i e ex s
24
(2002: 133).
24
T adução p óp ia: É po isso que insis imos que o a o de mimesis en ol e um mo imen o ci cula da ação
ao ex o e ice- e sa – passando po expe iência p e igu ada a a és da na a i a econ ando de ol a pa a
um e igu ado mundo da ida. Em suma, a ida es á semp e no caminho pa a a na a i a, mas ela não chega
lá a é que alguém ouça e con e essa ida como uma es ó ia. É po isso que a p e igu ação la en e da exis ência
co idiana chama pa a uma con igu ação mais o mal (my hos-mimesis) de ex os na a i os.
39
A pa i dessa c ença, Kea ney de ende que uma ida econ ada es imula a abe u a de
pe spec i as a é en ão inacessí eis à pe cepção comum, sinalizando uma ex apolação a
poé ica dos mundos possí eis. Esses mundos que auxiliam na complemen ação e
ecomposição de nossas elações e e enciais no mundo-da- ida exis en e, an es do a o de
econ a . Ao nos expo às no as possibilidades de se , e igu amos nosso co idiano “de se
no mundo". E no momen o em que eg essamos do mundo na ado pa a o mundo eal,
en iquecemos a nossa sensibilidade e ampliamos nossos en endimen os. Nesse sen ido, o
au o conclui que é possí el a i ma que a mimese comp eende an o um li e jogo de icção
como uma esponsabilidade pa a a ida eal. Assim, em ce as condições de sen ido, pode
se que uma icção desc e a de o ma “bem sucedida” e nos sensibilize a expe imen a
nossa p óp ia ida de manei a semelhan e, numa e ossimilhança à “ e dade” na a i a.
Essa condição suge e que di e ença “en e icção na a i a e na a i a e dadei a não é ão
ób ia quan o o senso comum e o uso nos az c e ” (B une , 1991: 12). Pa a Kea ney (2002:
131), o pode de ec iação mimé ica man ém uma ligação en e a icção e a ida, ao empo
que ambém admi e sua di e ença.
É o que a i ma Ma ino (2016: 45) quando esc e e que o a o de na a , “se po um lado é
di igido a uma ex e io idade, po ou o lado não pode se sepa ado de uma in e io idade
que de e ap eende , an e io men e, os elemen os do que se á con ado”. Isso signi ica que,
uma his ó ia só pode se con ada ao passo que o e en o que se á con e ido em elemen os
dessa his ó ia, seja comp eendido e ap endido pelo agen e que i á na á-lo. E essa
ap eensão oco e exclusi amen e em con o midade com os modos de conhece de cada
indi íduo que, po ém, não são exclusi amen e dele, mas p oduzido ao longo de sua ida,
de seus elacionamen os, de sua aje ó ia indi idual e den o da sociedade. Em suma, o
a o de na a acon ece a pa i do que o indi íduo sabe. Con udo, esse sabe es á
di e amen e ligado às condições que cada um em pa a conhece a ealidade. Condições
essas, que cons oem na men e o jei o como se ai comp eende o mundo e como ele se á
con ado pa a os ou os. Além disso, pelo a o de que as his ó ias p ocedem de his ó ias,
e i ica-se de al o ma, que as comunidades his ó icas são esponsá eis pela cons i uição
e econs i uição de sua p óp ia iden idade. Assim como uma pessoa não consegue man e -
se cons an e ao longo da passagem do empo his ó ico, nem ão pouco, pe manece iel a
40
suas p omessas e con enções. A não se que se enha alguma eco dação mínima de onde
se em, e de como se eio a se o que se é. Nes e sen ido, a iden idade é memó ia. Ou seja,
o passado es á semp e p esen e. (Kea ney, 2002: 80-81).
Kea ney chama a enção, po ém, sob e na a i as his ó icas, em que o nam polêmica a
ques ão da mimese. Ele explica que as na a i as his ó icas de endem que seus ela os se
e e em a coisas que ealmen e acon ece am, ao con á io das de icção.
Independen emen e de quão a iadas e con es adas possam se as in e p e ações do que
acon eceu. Na a i as his ó icas não e iam uncionalidade como a His ó ia, se não
hou esse algumas e acidades de decla ações en ol idas. O au o a i ma que
His o y and ic ion, in sum, bo h e e o human ac ion, bu hey do so on he basis
o dis inc e e en ial claims. Whe e ic ion discloses possible wo lds o ac ion,
his o y seeks g osso modo o comply wi h he c i e ia o e idence common o he
gene al body o science
25
(2002: 135).
En e an o, o au o em aco do com pensamen os de Ricoeu , pon ua que mesmo que haja
a p esunção de na a o passado como ele ealmen e acon eceu, ainda assim, ha e á a
lacuna do igu al do ‘como’. Ou melho , pa a Kea ney, a na a i a his ó ica nunca é li e al.
Ela é semp e - pelo menos em pa e – igu a i a, na p opo ção em que ab ange o a o de
con a con o me uma seleção ce a, sequenciada, posicionada em en edo e pe spec i a.
Con udo, a na a i a p ocu a se e dadei a.
Do que já oi expos a a é aqui, o a o in e essan e a pe cebe é que é po meio das
na a i as que emos conhecimen o de boa pa e do que sabemos. En e an o, não
es amos p esen es na g ande maio ia dos acon ecimen os – an o his ó icos como
co idianos - que nos são ansmi idos. Isso nos le a a en ende que nosso conhecimen o do
mundo é, de ce a manei a, de “segunda mão” (Ma ino, 2016: 44). Nesse aspec o,
ampa ado em B une (1991), Ma ino esc e e que essas na a i as são esponsá eis, a é
ce o g au, po de ini o que cada indi íduo i á conhece ou deixa de conhece sob e a
ealidade, assim como o quan o “o que” e “como” de conhecimen o lhe se á ansmi ido.
25
T ad. p óp ia: His ó ia e icção, em suma, ambos se e e em à ação humana, mas eles o azem com bases de
ei indicações e e enciais dis in as. Onde a icção e ela mundos possí eis de ação, a his ó ia p ocu a, a
g osso modo, cump i os c i é ios de e idências comuns ao co po ge al da ciência.
47
pe manen es. Não há ga an ias no e hos da hospi alidade, pois ele es á semp e somb eado
pela hos ilidade, que é o seu duplo. O au o a i ma, po an o, que a hospedagem de ou os
– es angei os, es anhos, imig an es, e ugiados – é uma a e a con ínua. Nunca um a o
consumado. E isso az pa e do es o ço do Gues book: econhece que a hospi alidade é
semp e uma lu a com hos ilidade. O ape o de mão é o p imei o ges o da ci ilização; isso
implica o e ece uma mão abe a pa a uma mão abe a ao in és de alcança uma espada.
O p opósi o em enco aja os jo ens a es a no Gues book é pa a que eles comecem
con ando suas his ó ias a pa i da inimizade. Mas ambém ou i em-se como inimigos em
uma oca mú ua de his ó ias. Esse p ocesso es imula uma no a ge ação a econhece seus
aumas ansge acionais e pe cebe como eles a e am os con li os p esen es en e
comunidades onde hou e lu as his ó icas. Esse enco ajamen o em como obje i o a união
a a és de elhas his ó ias que in o mam his ó ias de iolência e gue a, pode em i a se
o na em uma no a his ó ia. Uma ansmu ação da inimizade em empa ia. O sugimen o de
no as na a i as que possibili am a c iação de his ó ias al e na i as possí eis. O Gues book
ac edi a que esse es o ço em busca da manu enção da paz somen e se o na possí el
quando se é capaz de iden i ica e econhece os aumas ocul ados pela di isão. E a cu a
desses aumas, pa a Kea ney, pode oco e a a és da ala, do a o de na a . Ao abo da
essas e idas ep imidas, ambas as pa es podem eclama ei indica e e e suas his ó ias,
p omo endo a oca. Esse p ocesso de oca le a os dois en ol idos, p imei amen e, a
econhece em-se como hos es – inimigos. Em seguida, a a és do econhecimen o do ou o
em si mesmo, ambos os lados o nam-se con idados, hóspedes um do ou o po meio de
um p ocesso ecíp oco e in e so. Pa a Kea ney (2017:10), sem e isa os ciclos
ansge acionais de a uação epe ida, po epe ição compulsi a de e idas e e os
inco e os, não pode ha e um segundo mo imen o pa a esc e e e eesc e e cica izes.
Es e mo imen o do impossí el pa a o possí el é o ges o inaugu al de odas as ci ilizações.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Es a disse ação de mes ado assumiu como obje i o abo da a na a i a como uma
expe iência comunicacional, no âmbi o de uma he menêu ica na a i a, capaz de p omo e
48
ínculos en e iden idades e di e enças, an o nos con ex os cogni i os quan o a e i os.
Con ex os esses encon ados in insecamen e na al e idade das elações en e indi íduos e
suas in e ações cul u ais nas on ei as da hos ilidade e hospi alidade. E com in ui o de
ilus a os concei os abo dados, oi inse ido o Gues book P ojec como exemplo.
Nesse cená io oi comp eendido a na a i a como pa e da condição humana. Pe cebemos
que po meio dela podemos p ese a conhecimen os, adições, cos umes, c enças,
con enções de uma sociedade numa de e minada época. É ambém a a és da na a i a
que buscamos comp eende a p óp ia essência, “quem eu sou”. Quando se con a a p óp ia
es ó ia, ocê con a a sua condição p esen e à luz do passado de memó ias e an ecipações
u u as. Nessa ação se c ia um senso de si mesmo como uma iden idade na a i a, que
pe du a e é coe en e ao longo da ida. A na a i a oi abo dada aqui como o a o de
coo dena uma exis ência que, em caso con á io, se ia espalhada ao longo do empo.
Dessa manei a, con a his ó ias pode se di a pa a humaniza o empo, que ans o ma um
e en o impessoal, agmen ado em um pad ão, um en edo, um my hos. Como no dize de
Kea ney, oda ida es á em busca de uma na a i a. E como oda ida em sua ini ude, isso
p o oca uma es u u a empo al, onde p ocu amos algum ipo de impo ância em e mos
de e e ências de ol a pa a o nosso passado (memó ia) e um encaminha pa a o nosso
u u o (p ojeção).
Cada ação de con a his ó ias en ol e um na ado , uma his ó ia, um ou in e e um mundo
eal ou imaginá io. Ou seja, alguém dizendo alguma coisa a ou o alguém sob e algo. As
his ó ias iabilizam a pa ilha de é ica de um mundo comum com os ou os em que eles
azem pa e. O a o de na a é algo e e i amen e compa ilhado com o ou o, sendo,
po an o, um ínculo comunicacional po excelência. O i mamen o de uma elação de
comunicação necessi a o econhecimen o do ou o como uma al e idade a se
comp eendida. É no mundo social e cul u al - na elação en e ‘nós’ e ‘eles - que se cons ói
a iden idade. Nesse mo imen o, a al e idade e iden idade são insepa á eis, is o que, ao
a ibui alo à di e ença é que se p oduz a al e idade. Assim, a iden idade é is a como um
p ocesso elacional e in e subje i o, como o esul ado da in e ação de mensagens de
pessoas e cul u as. Nas o mas de ida, cos umes e cul u as cons oem-se as on ei as que
se o nam um a o condicional nas elações e iden idades dis in as. A al e idade, p esen e
49
nessa linha imaginá ia, e idencia a ideia de di e ença en e o ‘eu’ e o ‘ou o’, que de e mina
papéis em que cada sujei o é posicionado na es u u a social de pode e nas ep esen ações
den o dela.
A ualmen e inse idos em um mundo globalizado, ansnacional e cada ez mais híb ido
cul u almen e, o es ei amen o das elações en e ‘nós’ e ‘eles’ es á expos o a um
in e miná el in e câmbio, oca e expe imen ação de econhece e se econhecido,
acolhe e se acolhido pelo ou o. Nomeamos e somos nomeados. Podemos i a se um
hóspede ou um hospedei o; um se es anho, um es angei o. C iamos o ‘inimigo’ a pa i
de um es ado di e gen e com o ou o daquilo que azemos, desejamos, dizemos ou
pensamos. O es anhamen o é inega elmen e a ma ca undan e desse encon o/con on o
com o ou o. O opos o ambém pode oco e quando o es anhamen o é subs i uído pelo
acolhimen o do ou o, do amigo.
Rea i mando o dize de Pa e son (2007), quando discu imos o ou o ce amen e nos
depa amos com o mas di e en es de al e idade. É como se elas não izessem pa e de
nossa consciência e iden idade. A al e idade, con udo, en ol e um p ocesso cogni i o – e
po ezes, ideológico - que se exp essa den o do sujei o e, consequen emen e, den o da
sociedade. Dessa manei a, a al e idade es á na aiz das gue as, do acismo e da
disc iminação. O que nos le a a e lexão da impo ância de epensá-la p o undamen e e
econside a seus posicionamen os. Tal ez e le i a pa i da comp eensão de que as
di e enças ão semp e exis i . E mais: de que se mos di e en es não nos o nam opos os.
Podemos se indi íduos com di e en es his ó ias de ida, o igem, pensamen os, hábi os,
expe iências, línguas, gos os, opiniões, en e an o, nunca opos os. Somos odos iguais
como se es humanos, uma única aça. Po ém, não idên icos, pois emos múl iplas es ó ias
e manei as de se . E e o çando a a és do dize de Kea ney, ao esumi um pensamen o
de Ricoeu em sua ala "le semblable" como o pa adoxo do Es angei o: di e ença não
apaga semelhança mais do que qualque semelhança apaga di e ença.
Indo um pouco além das análises dos concei os já expos os nes e abalho, a comunicação
expõe ques ões na cons ução dialógica de iden idade e al e idade. Uma delas é e le i
sob e as condições de adequação “sensí el e lexi a do ou o, de manei a que seja possí el
50
não apenas ‘ e o mundo’ com os olhos da al e idade, mas en ende , em pe spec i a
dialógica, os modos de sen i a ealidade cons i uídos – e cons i uin es – dessa al e idade”
(Ma ino e Ma ques, 2015: 36). Ou melho , a impo ância de pensa que o i mamen o de
uma elação de comunicação eque o econhecimen o do ou o a pa i de uma al e idade
a se comp eendida, mais do que explicada. É um pensa e sen i a pa i do ou o “como
manei a de comp eende melho o sen i , o i e e o pensa de si mesmo”. A busca em
p omo e o sen ido da comunicação como um “compa ilha ”, pe mi e ou e oca um
en ol imen o pa a além do cogni i o.
Re e en e às ações do Gues book P ojec e analogias com es udos expos os nes e abalho,
podemos pe cebe no P oje o que, a a és das his ó ias que os jo ens ocam e in en am
jun os, são a adas ques ões de iden idade na a i a (cul u al e nacional), di e enças e
al e idade, inse idas no p ocesso elacional, in e subje i o e his ó ico, que en ol em linhas
cogni i as e a e i as. As in e ações de mensagens e cul u as ocadas en e eles, po meio
de ela os da i ência a e i a com o mundo na ado, êm como in ui o p omo e a ideia de
que, se é possí el aze uma no a his ó ia na imaginação, en ão é possí el, ambém azê-la
na ealidade, em um en endimen o e no a a aliação sob e as on ei as c iadas. Como as
jo ens inglesa e i landesa, no ideo In Peace Apa (anexo 2), o am capazes de se imagina
ocando iden idades, en ão elas podem imagina aze isso na ida eal. É o ac edi a que
a solução não es á apenas na polí ica, na o ma legal ou na economia, mas ambém na
poé ica. Pa a o Gues book, a imaginação é ão necessá ia quan o a lei e uma cons i uição.
A cons ução de um no o e hos exige uma oca de na a i as dos e imen os so idos
du an e décadas e séculos em gue as eligiosas, mili a es, nacionais. Um auma
ansge acional que é p eciso se econhecido pa a ul apassa ações e pensamen os que
êm sendo epe idos de di e sas o mas. E essa mudança – pa a o P oje o - es á no pode
e apêu ico das his ó ias, as na a i as de cu a. A ans o mação da inimizade em empa ia,
da hos ilidade em hospi alidade, não acon ece po con a p óp ia, sem o in e câmbio
na a i o. É p eciso his ó ias de sucesso, bem como de his ó ias de auma e gue a.
Se nas escolas, al ez, osse pe mi ido segui essa mesma linha, onde as pessoas pudessem
aze e ala de suas e idas ou iden idades he dadas com elas, se ia possí el c ia
opo unidades de econhece ais di e enças em uma pedagogia de oca de na a i as que
51
possibili em emi i um diálogo genuíno he menêu ico in e cul u al, in e é nico,
in e eligioso (Kea ney 2017: 13). Essa oca de na a i as en e jo ens de di e en es
iden idades eligiosas, é nicas e cul u ais se iam capazes de econhece que a pessoa ao
seu lado é ão humana quan o eles.
Finalizando, es e abalho buscou con ibui pa a o es udo sob e a impo ância da
iden idade na a i a, on ei a en e hos ilidade e hospi alidade, endo na a i a como uma
expe iência comunicacional, capaz de p omo e ínculos en e iden idades e di e enças,
an o nos con ex os cogni i os quan o a e i os. Dada a ele ância e ab angência dos
assun os abo dados, conside amos que há ainda bas an e e eno pa a se pe co e e
in es iga no âmbi o eó ico e no plano p á ico da ida.
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10. ANEXOS
Os anexos 1, 2 e 3 o am ansc ições p óp ias.
Os anexos 4 e 5 o am a qui os ex aídos do websi e do Gues book P ojec .
Anexo 1
RICHARD KEARNEY INTRODUCES GUESTBOOK PROJECT
T ansc ip (ENG)
The Gues book P ojec
Exchanging S o ies – Chaging His o ies
The Gus book P ojec is an ongoing c ea i e expe imen in hospi ali y and econcilia ion
ounded 2008 by I ish philosophe Richa d Kea ney. The aim o he Gues book P ojec is
encou age young people om con lic ed communi ies o change his o ies by exchanging
s o ies.
Video
Richa d Kea ney
28
:
Le me begin wi h a s o y: in he 1980s, a he heigh o he oubles in No he n I eland, I
was in i ed as a young p o esso o philosophy in I eland o come o De y, a e y di ided
ci y a he ime, and mode a e a wo kshop be ween Republican and Loyalis pa amili a y
p isone s. Du ing he wo kshop, one o he Republican p isone s old how one nigh he was
asleep in his bed, when a g oup o Loyalis pa amili a ies b oke in o he house, bound and
ga ed him blind olded him, h ew him in o he boo o a ca and d o e him o a ba n ou side
o De y Ci y. They s apped him o a chai and he was abou o be sho , and be o e he
was, he asked i he could smoke a las ciga e e. And his assassin consen ed, ga e him a
ciga e e. And as he smoked he ciga e e, he old he s o y o how he had become in ol ed
in he Republican iolen mo emen . He old o how his g and a he had been b u ally
o u ed and assassina ed, o how his a he had been inca ce a ed, o how his o he had
been a ne ous b eakdown and become an alcoholic, o how his b o he had been
kneecapped and maimed o he es o his li e. And he wen on un il he inished his
ciga e e. And when he had, he wai ed o he gun o go o . Bu i didn’ . The e was no
sound, no mo emen . He wai ed o i e minu es… en minu es… i een minu es… wen y
minu es, s ill no sound. E en ually he managed o ee himsel , u ned a ound, and he e
was nobody he e. The ba n was emp y and he walked home. And when he inished
speaking in he wo kshop, ano he man s ood up, a Loyalis pa amili a y p isone , and he
said “I was ha assassin. And would ha e sho you, bu I couldn’ shoo you because when
I hea d you s o y I ealized i was my s o y”.
I was e y s uck by his exchange and by he impossible hospi ali y and empa hy ha had
anspi ed in ha oom. And só a numbe o yea s la e , I se up a p ojec called Gues book
P ojec in Bos on College, whe e we an o e a numbe o yea s a se ies o in e disciplina y
semina s, con e ences. We published se e al books and jou nal issues, we held an
in e na ional poe y and music es i al, we se up an in e na ional blog si e based on he
heme o hos ing he s ange . Based on he ac ha in mos Eu opean languages, he
wo d o gues and o enemy is he same: Xenos in G eek, Hos is in La in, gi ing ise o
bo h hos ili y and hospi ali y, same oo , Gues in Ge manic languages and so on. And he
28
h p://gues bookp ojec .o g/who-we-a e/
pu pose o he p ojec is o y o unde s and how and why and when his impossible ac o
wage o hospi ali y can ake place. When cycles, his o ical cycles o iolence and e enge
and hos ili y gi e ise o ha mi aculous momen o hos ing he s ange . And, a second
s o y han comes o mind ha is always e y much in o med ou p ojec is ha o chancing
you a m. This go back o 1942, when a g ea ci il wa was waging I eland and he Ea l o
Kilda e, Gea óid Mó Fi zge ald, hounded and e en ually besieged he Ea l o Bu le in he
Dublin ca hed al. And a one poin , he said o himsel , his mus end. This can’ go on, his
endless cycle o bloodle ing and engeance. So he asked he Ea l o Bu le o cu a hole
in he doo , and he said, “I’m going o ake o my a mo , and I’m going o s e ch my ba e
a m h ough he hole in his doo and you can ei he cu i o o you can shake my hand. I
you cu i o , he wa con inues. I you shake my hand, he wa ends”. He chanced his a m,
and he Ea l o Bu le shook his hand and he wa ended.
These wo s o ies a e abou ha impossible ac o he enemy becoming he gues . And
wha we’ e ying o do wi h he Gues book a he momen is o ex end he p ojec beyond
an academic, in e disciplina y exchange, o a mo e global ini ia i e whe e we in i e young
people om di e en sides o di ided ci ies and communi ies h oughou he wo ld: De y-
Londonde y in No he n I eland, Mes o ic in he Balkans, Je usalem in he Middle Eas ,
Ki kuk, Dokdo, Johannesbu g and o he s, whe e young people can engage in a wo k o
c ea i e imagina ion, whe e ins ead o jus elling s o y, hey make and emake His o y.
And hey do i in he ollowing way: using e y basic lip came as and iPhone and edi ing
equipmen on hei compu e s, young people (as only young people o his gene a ion can)
a e in i ed o b eak he cycle o ansgene a ional wounding, and e enge, and iolence.
By making li le mo ies, 4-5 minu es in wo s ages: he i s whe e hey ell hei espec i e
s o ies o hu , won edness, hos ili y, and hen in a second momen , and his is eally whe e
he Gues book P ojec come in o i s own, hey ein en oge he , om he ing edien s o
hei di ided his o y, he Ba le o he Boyne o he siege o he wall o De y o he Ba le
o Koso o o he siege o Je usalem, hey ein en a new s o y se in con empo a y imes
whe e he old cycle o iolence is o e come wi h a new s o y.
And ou hope is ha wi h an awa d announced in 2015, we will be encou aging and in i ing
young people wi h he mos basic echnological means o make mo ies, and send hem o
us, we pos hem on ou websi e whe e people in e ac in e na ionally and engage in
dialogue, and hen we in i e he winne s o Bos on whe e we announce he awa d.
Video
This is how C oa s w i e he wo d gues (gos ). And his is how he Se bs w i e he wo d
gues (гост). Howe e , hey bo h p onounce he same way. C oa s use La ina e and Se bs
use Cy illic w i ing. All hose languages ha e wo di e en names, bu he e is a e y small
di e ence be ween he wo. And he people who speak hese languages unde s and each
o he pe ec ly.
This is a s o y abou he ci y Vuko a . A ci y, whe e Vuko a is w i en bo h in La ina e and
Cy illic (Bykobap). A ci y, whe e C oa s and Se bs li e oge he .
Who is he gues ? And who is he hos ?
Nikola is a young Se b li ing in Vuko a . He is a jou nalis wo king in o Se bian
newspape s. The only newspape s in C oa ia p in ed comple ely in Cy illic.
Nikola - These newspape s whe e I wo k ha e been issued in Vuko a o 7 yea s. They
a e w i en en i ely in Se bian and in Cy illic sc ip . They a e p ima ily w i en o he Se bian
communi y in his a ea wi h an in en o p ese e he Se bian language and he Cy illic
sc ip . This was ou in en ion long be o e all his in Vuko a s a ed.
This is a oo age aken in Sep embe 2013. Vuko a ’s s ess a ised on bilingual boa ds
we e pu in on o he s a e ins i u ions. They claim ha is eally c ime, eminds hem o
he Se bian A my who killed many o hei ellow ci izens du ing he las wa . And so, w i ing
ha has exis ed o cen u ies became he symbol o a new e hnic con lic .
(w i en on he wall: b ing la in w i ing back)
Ma ea – I seems o me ha he media is cons an ly d agging us o he pas , o he pa s o
he pas ha we ha e been ying o o e come. Bu when you a e eminded o i , all he
ime he pas comes o li e again.
Ma ea is a C oa ian Uni e si y assis an li ing in Vuko a . She uses La in w i ing and
explains he emo ional ela ionship o C oa ian people owa ds Cy illic w i ing.
Ma ea – I need o know whe e I li e. As C oa s, who li e ou side o C oa ia mus also adap
o he place whe e hey li e. Cy illic is un o una ely no only a sc ip , because s ill b ings
up pain ul memo ies om 1991.
In 1991 when Iugusla ia ell apa Vulco a ell unde Se bian occupa ion. Thousands o
people we e killed in a bloody wa and nea ly all we e exiled om hei ci y. Now wen y
yea s la e , o C oa ian people li ing in Vuko a , Cy illic w i ing has again become a
symbol o occupa ion and wa c imes.
Ma ea – The e a e s ill missing pe sons. People a e s ill sea ching and mou ning a e hem.
This somehow emains unsaid. We do wan o build ela ionships, bu no while hese hings
emain unsol ed. Whe e a e hese people? How come some s ill don’ ha e g a esi es
whe e one can ligh a candle? Someone ce ainly knows… I ’s no possible o so many
people o ha e jus anished.
Nikola – I u ns ou ha e e yone knows, e en we who we e child en a ha ime, know
whe e he missing pe sons a e and ha we don’ wan o ell. And ha all he Se bs a e
c iminals who now walk a ound he ci y. I u ns ou ha he e a e no people who did no
pa icipa e in he wa , and ha hose who did pa icipa e in he wa mus ha e commi ed
a c ime.
Be o e he wa he people o Vuko a denied di ide hemsel es in o Se bs and C oa s. All
child en wen o school oge he . All child en lea n bo h he La inica and Cy illic w i ing.
Nikola and Ma ea we e bo h exiled du ing he wa in hei own ime and when hey came
back hey bo h ound ou ha hey no longe go o he same school.
Ma ea – we did see each o he occasionally. We would un in o each o he while changing
shi s a school. Bu o he con ac was made and we didn’ hang ou oge he
Nikola – we didn’ e en ake he same way o school. La e I ound ou om some C oa s
ha hei pa en s we e elling hem “ he Se bs ake his ou e when e u ning om school.
Don’ go ha way”. The e is a playg ound wi h wo sandboxes nex o my home and child en
no old enough o go o p eschool call hese sandboxes – Se bian and C oa ian sandbox.
And whe e could hey ha e lea ned his o he han a home?
These wo ds unde s andable o bo h he Se bs and he C oa ians (unemploymen ,
hopelessness, po e y, unce ain y). These a e he p oblems hey bo h sha e
unemploymen and unce ain y. Bu s ill i seems as hough bo h pa ies ha e mo e easons
o con on each o he a he han o wo k oge he owa d p og ess.
Ma ea – Di ision exis s, pe haps no e e ywhe e, bu you mo e o less know which ca es
you should o should go. So I go o he ca es whe e my iends go, and hose a e ca es
whe e C oa s go.
Nikola – he ques ion o he use o Cy illic is no a ma e o my pe sonal need. I is a ma e
o p inciple. The ques ion is whe he o no we (Se bs) a e ecognized as ci izens he e.
Sca s o wa a e isible on he ou side, on acades and buildings. The wa e owe , a
symbol o wa s ill emains in uins ollowed by g enades and sh apnel. Bu deep sca s
emain people who li e in Vuko a .
Ma ea – I hink ha hose who hink soundly do no emphasize he sc ip o any igh s
abo e wha is mos necessa y: o li e peace ully and build Vuko a as a place whe e a
some poin e e y hing will unc ion be e .
Nikola – I packed my bags a numbe o imes, bu somehow I always come back. I eel i
as my own ci y. When I was ab oad, whene e someone asked me whe e I was om, I
said yes, I am om Vuko a , om C oa ia.
Uno dina y houses hough a di e en kind o ma king be ound. Ma ks o ha ed in he o m
o g a i i.
Bu one day someone ans o med he g a i i. “Ubi” in Se bian and C oa ian i means o
kill. Bu i you add jus one le e i o ms a comple ely new wo d: “ljubi”. And he message
om ‘kill a Se b’, now becomes ‘kiss a Se b’ (Ljubi S bina). C ea ing a new con lic be ween
“ hose wan o kill” and “ hose wan o kiss”.
Anexo 4
T
HE
ARMENIAN
G
ENOCIDE
: AN
E
XCHANGE
OF
N
ARR
A
TIVES
T
a
n
s
c
i
p
a
n
d
T
a
n
s
l
a
i
o
n
s
(
E
N
G
)
The A menian Genocide: An Exchange o Na a i es (2015) is a Gues book P ojec p oduced by
Richa
d
y
and
Sheila
Gallaghe
as
pa
o
“Exchanging S o ies: Changing
His o ies”
Pa icipan s
Em ah Al ındiş & Na ine Ka ape yan
English T ansc ip
Mu ay Li lejohn
This documen has been p o ided by he Gues book P ojec , an in e na ional
p ojec
c
on e sa ion commi ed o ans o ming hos ili y in o hospi ali y, enmi y in o empa hy, and
con lic
in o
The A menian Genocide: An Exchange o
Na a i es
was p oduced as pa o he
Gues book P ojec ’s ‘Exchanging S o ies - Changing His o ies’ ini ia i e,
c
ea ing oppo uni ies
o young people om communi ies ha ha e been pola ized by eligion, ace, e hnici y, o
cul u e o come oge he o ade s o ies and make sho ideos.
W
o king wi h peace
o ganiza ions, communi y a g oups, inno a i e schools and cul u al wo ke s
om
a eas
o
n
by
con lic
and injus ice.
Fo mo e in o ma ion on he Gues book P ojec , please isi
gues bookp ojec .com
THE ARMENIAN GENOCIDE
An Exchange o Na a i es
2015 ma ks he hund ed h anni e sa y
o he A menian Genocide
Na ine Ka ape yan, an A menian law
s uden and Em ah Al ındiş, a Tu kish
schola alk abou hei espec i e
na ional iden i ies and pe spec i es on
genocide .
In
he wake o his
exchange, hey a e wo king oge he
on p ojec s o he 2015
Cen ena y Commemo a ion o he
A menian Genocide.
EA: Wha does a Tu k mean o you?
NK: G owing
up
eally, I couldn’ eally
pinpoin wha a Tu k was o me. I li ed
in a egion called A a a which li e ally
was on he bo de o Tu key. And we
could
ac ually in he mo nings, hea
he mo ning call o p aye . We we e so
close. I li ed in A menia ill I was abou
eigh . I had ne e me a Tu k, didn’
know any hing abou a Tu ks, excep
ha hese a e people ha in a way we
do ea , and we’ e neighbo s. I
emembe dis inc ly I was in he nin h
g ade lea ning abou he holocaus . I
wen home and alked abou he
holocaus
wi h
my pa en s, and hey
said, well he e is he A menian
Genocide as well and i is qui e simila .
I was he i s ime ha we ac ually
alked. My pa en s ne e eally wan ed
o
alk abou i . And his was ac ually
a
ound he ime ha compu e s
became household hings and I
emembe goggling images o hings
and I emembe I came ac oss a lo o
images and pic u es. In my mind I
hough , jus because I had
no
hea d
abou i and ha my pa en s
didn’
alk
abou i , and my g andpa en s
didn’
ell me any hing abou i , I hough ha no
one else knew abou i . And he e i was,
such
a
new hing.
I s a ed bu ning h ough ou ink ca idge
saying ha I had o p in ou all o hese
pic u es, and I ha e o p ese e i . No one
knows abou his. I ha e o sha e his; I
ha e o ell people abou his. I know
ha
sounds so silly now hinking abou i .
Bu
ha eeling was so dis inc ha I ha e o
p ese e
his piece
o
his o y.
How was i o you? How did you lea n
abou
he
A menian
Genocide?
EA: When I was g owing up I had no idea
ha he e we e A menians in Tu key, I hink
un il I was 16 o so. In ou
o
ffi
cial his o y
hey old us ha he e we e A menians and
ha hey collabo a ed wi h Russia du ing he
Fi s Wo ld, and hey be ayed us and in he
Wa , hey killed us and we killed
hem, and
hey le o we displaced hem.
I hink un il 16 yea s old, and I s a ed
o
become in e es ed in poli ics and I s a ed o
ead abou his o y om uno icial sou ces
and I s a ed o see ha he e we e
A menians and had some hing happened o
hem. I was li ing in Izmi , a ci y ha was so
mul icul u al, he e we e G eeks, A menians,
Jews and Tu ks, and hen I hink H an Dink
was one o he main igu es in Tu key who
old us, augh us many hings abou he
A menian issue in his newspape A gos, and
I was eading wha he was w i ing abou .
And so I was lea ning mo e and mo e abou
he displacemen , and I was no su e i i was
a displacemen o genocide bu by eading
him I lea ned ha he e was a genocide. And
one day on he i s page o A gos, we saw
ha he s epdaugh e o A a ü k was
A menian. This news caused many
p oblems o him (H an Dink), and a 16
yea -old ascis boy killed him in he
middle o Is anbul - and no jus wi h
his li e,
bu
wi h his dea h, i augh us
a lo abou he
A menian
issue
NK: The e we e a lo o hings a ound
me ha one I lea ned abou he
A menian genocide made much mo e
sense. My g andpa en s we e no
able o speak A menian well. Bu on
he o he hand hey spoke pe ec
Tu kish, and I had he sense ha
Tu ks we e eally kind o he bad guys.
They used he wo d ‘Tu k’ as an insul .
He e I had my g andpa en s speaking
pe ec Tu kish and ye hey we
e
s uggling o speak A menian, my
na i e language, wi h me. And o me
ha was always s ange, i jus didn’
make any sense. Bu once I inally
asked my pa en s abou my own
amily his o y, I lea ned
ha
my amily
had led om Tu key, and inally had
se led in Sy ia, whe e hey li ed as
i
hey we e A abs, because hey we e
s ill a aid ha i hey had spoken
A menian o augh hei child en
A menian, ha people would iden i y
hem as A menian. They saw ha as
being a a ge . And so when hey
inally ese led in A menia hey had
o
lea n A menian as a new o eign
language.
EA: So when hey each us in ou
school sys em o be p oud o being a
Tu k in
Tu key – A leas ill he las decade
hey assumed ha anyone who is
li ing in Tu key is Tu kish. Tha is
wha we we e hinking as a young
boys, I hough
ha
we we e all Tu ks.
So his is how we g ew up. Then when
I came o 15 o 16 yea s old, I s a ed
o ealize ha he e a e some o he
people a ound us. The e a e Ku ds, G eeks
and A menians in Is anbul. I s a ed o
ealize ha he e we e no jus one
colo
bu
he e a e many
di e
en colo s. And ha
he e we e e en mo e colo s be o e in
o
u
his o y.
And so, a e he assassina ion o H an
Dink - and as I old you, hey use he
‘A menian’ wo d as a cu se in Tu key as
well, a e H an Dink was killed because
o
his ideas, hund eds o housands
o
Tu kish
people wen o he s ee s, ook
o
he
s ee s - i was like a d op o ea s was ying
o clean he s ee s o Is anbul o all o his
na ionalis poison. We had a banne in he
on o he ma ch saying ‘All we a e
A menians and all we a e H an .’ I hink
i
was a e y impo an new momen in ou
his o y ha hund eds o housands
o
people ook o he s ee s and said ‘we a e
A menians’. I hink also ha his was a way
a
lso
o
apologize.
NK: F om you pe spec i e why does he
Tu kish go e nmen con inue denying he
A menian genocide? And how do you eel
a
bou
ha ?
I hink ha he Tu kish people and he
Tu kish go e nmen ha e
di
ff
e
en easons
o denying his p oblem. I do no hink
ha
my mo he o a he s ha e e en ead
some hing abou he A menian genocide.
They ha e no idea wha had happened. My
g andpa en s we e bo n a e he genocide
and I am no su e ha hey eally
know w
ha
had happened in
T
u key
.
And in e ms o he
Tu kish s a e, hey ha e economical
easons and hey ha e
poli ical
easons ha
hey deny. I hink ha wha we ha e o do,
as A menians and Tu ks, o he Tu kish
ci izens in Tu key, we ha e
o
igh o jus ice,
because I hink ha his as a jus ice issue.
The Tu kish s a e has
o
apologize o wha
had happened in 1915, and also gi e he
s olen p ope ies back
o
he A menian
people. And also open he bo de and
p o ec he A menian he i age in
Tu key. My g and a he is om
E zu um. He was elling us ha when
he was a
child,
hey we e a g oup o
child en ha wan ed
o
go somewhe e
a om hei illage, and hey we e
h owing s ones h ough he walls o
he Chu ch. They we e mosaics. I
ne e hough as a child, “ok who we e
hey going o Chu ch?” I ne e asked
his
ques ion as a child. Bu i was an
A menian Chu ch and hey we e
going o h ow hese s ones. O
cou se he was an innocen child, and
hey we e des oying he A menian
he i age. And so I eel he shame o
his. And as a Tu kish ci izen I will y
o
apologize by igh ing o jus ice in
Tu key…
o
o
jus ice.
NK: So, we jus me oday, and his
e y b ie expe ience has been
emendous
o
me. I ha e only me a
e y ew Tu ks he e and he e, and
e e y ime ha jus kind
o
impac s me,
and I ealize ha my unde s anding o
wha a Tu k is, is e y limi ed. And I
ha e me so many g
ea
people who
ha e sha ed hei s o ies and hei
his o ies as well, and ha has en iched
my ou look and i has helped me o
g ow as a pe son, because I hink we
ha e o ac i ely y o lea n abou
o he s as well. As much as Tu ks don’
know abou he A menian Genocide, I
hink, some imes as equally, we as
A menians ha e o make a g ea e
e
ff
o
o each ou o o he Tu ks and
y o lea n om hem as well, and
unde s and hei pe spec i e, and
ha ing o deal wi h his e y
di
ffi
cul
pa h, and
c
oming
o
e ms
wi h
his da k
pas .
I wan o hank you o being he e
oday.
Thank you
.
EA:
I jus wan o ell you as an A menian
iend... in he las i e yea s we ha e
s a ed o ha e commemo a ions in Is anbul,
Anka a, Izmi , Diya bakı Amed abou he
A menian Genocide. So mo
e
people a e
going o he s ee s alking abou his, mo e
books a e published, and he e a e mo e
b a e people alking abou his issue. I hink
his is he solu ion. The dialogue be ween
Tu ks and A menians will be he issue and
he igh o jus ice in A menia and Tu key
o whe e e we a e.
T
his is he key
o
all
he
p
oblems.
Anexo 5
BECAUSE I LOVE HER
T ansc ip (ENG)
Because I Lo e He (2016) is a Gues book P ojec p oduced by Boy Pasha as pa o “Exchanging
S o ies: Changing His o y”
31
Pa icipan s Lydie Wa idi Kone & Robe Mu ami a
English T ansla ion Boy Pasha
31
h p://gues bookp ojec .o g/because-i-lo e-he /
BECAUSE I LOVE HER
Lydie Wa idi Kone: Good Mo ning, good
e ening.
My name is Lydie Wa idi Kone. I’m 28 yea s
old. And I am Congolese and I am ma ied o
Robe Mu ami a who is a Rwandan. I has
been almos i e yea s now since we a e
ma ied and God has blessed us wi h wo
li le child en, wo li le gi ls.
Robe Mu ami a: My name is Robe
Mu ami a.
I am Rwandan. I li e he e in Gisenyi. I am
ma ied. I ha e wo daugh e s. I am a
eache o his o y in a high school.
[In e i le: Wha does Congo ep esen o
you?]
LK: The Democ a ic Republic o he Congo
is my coun y. I g ew up he e. I was bo n
he e. I is he coun y o my ances o s. I is
my o igin. I is my iden i y.
[In e i le: Wha does Rwanda ep esen o
you?]
RM: Rwanda… I lo e Rwanda. Apa om
being my coun y, he coun y whe e I was
bo n, Rwanda is a coun y whe e people a e
eally ha d wo ke s. A Coun y whe e…
people p ese e hei digni y.
[In e i le: Whe e did you mee ?]
LK: We me a Uni e si y in Kinshasa. I was
s udying philosophy and he was doing
heology. He wan ed o become a p ies .
RM: Yeah, I emembe I was in school in
Kinshasa in he Democ a ic Republic o he
Congo. I was s udying heology a he
Ca holic Uni e si y o Kinshasa. Fi s o all,
when I was old ha I would go con inue my
s udies in Congo I was a aid. I was
wonde ing how I would be li ing he e
conside ing he di icul ela ionships
be ween he people o Congo and o Rwanda.
I didn’ know how
I would beha io when I will be he e in
Congo. I had o dissimula e my iden i y. So I
was in oducing mysel as a Congolese om
he p o ince o No h Ki u as he popula ions
o ha p o ince sha e a lo o cul u al
simila i ies wi h he people o Rwanda. So, in
o de o li e in Kinshasa, I had o dissimula e
my iden i y. And, when I a i ed in Kinshasa,
I wen a he same uni e si y as Lydie who, a
li le bi la e became my wi e. You know, he
i s ime I saw he , apa om he ac ha I
had a c ush on he , I asked mysel , how will
I e eal my eal iden i y o he ? Because she
eally wan ed o know me mo e. She kep
asking bu his was eally challenging o me.
I was wonde ing, i I le he know ha I am a
Rwandan, is she going o accep me? Wha
would he eac ion be?
Lydie: I didn’ know ha he was a Rwandan.
I didn’ know ha . I hough he was a
Congolese.
RM: When ou ela ionship became s onge
I inally decided o clea ly ell he ha I was a
Rwandan. Immedia ely she wen like
[ges u es being aken aback] wha ? A e you
a Rwandan? I said yes, I am a Rwandan.
LK: How would I ge id o his Rwandan?
How will I ell my mo he and my pa en s ha
I ha e a boy iend, a u u e iancé who is a
Rwandan? Okay, he is a Rwandan. A e he
said ha , he wan ed o know i I would
con inue wi h ou ela ionship. I said yes, bu
ac ually I lied…anyway, I couldn’ di ec ly say
no— ok, we a e done and i ’s o e , no! I was
p epa ing mysel o s op his ela ionship
a e wo days, o le us say a week. I will
ce ainly pu an end o his ela ionship
because I didn’ wan any p oblem wi h my
amily. Especially no because o a Rwandan.
Bu , a e a week, ou ela ionship became
s onge . I announced o my amily, my
pa en s. I old hem ha I ound a iancé. My
mo he ’s i s ques ion was wha ibe is he
om? Tha ’s when he bombs exploded.
A Rwandan? Wi h my daugh e ? Ne e !