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Promover uma cultura de segurança em cuidados de saúde primários

Abstract

RESUMO - A qualidade de resposta do sistema de saúde português, na perspetiva do cidadão, está ainda longe de alcançar um nível razoável de satisfação, contribuindo para tal uma deficiente cultura de segurança nos serviços de saúde portugueses e em particular nos cuidados de saúde primários, onde esta temática não tem sido incluída nas prioridades de quem organiza e presta este tipo de cuidados. O presente artigo apresenta uma revisão de literatura sobre o tema da cultura de segurança nas organizações de saúde, fundamentando a pertinência da sua implementação nos cuidados de saúde primários.

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Promover uma cultura de segurança em cuidados de saúde primários

Author: Mendes, Carla Maria Ferreira Guerreiro da Silva,Barroso, Fernando Fausto Margalho
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2014
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/106095/1/RUN%20-%20RPSP%20-%202014%20-%20v32n2a09%20-%20p197-205.pdf
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
www.else ie .p / psp
A igo
de
e isão
P omo e
uma
cul u a
de
segu anc¸a
em
cuidados
de
saúde
p imá ios
Ca la
Ma ia
Fe ei a
Gue ei o
da
Sil a
Mendesa,b,∗
e
Fe nando
Faus o
Ma galho
Ba osoc,d
aComissão
de
Qualidade
e
Segu anc¸a/Comissão
de
Segu anc¸a
do
doen e,
Ag upamen o
de
Cen os
de
Saúde
Lisboa
Cen al,
Unidade
de
Saúde
Familia ,
Lisboa,
Po ugal
bDepa amen o
de
En e magem,
Escola
Supe io
de
Saúde
da
C uz
Ve melha
Po uguesa,
Lisboa,
Po ugal
cComissão
de
Qualidade
e
Segu anc¸a
do
Doen e/G upo
de
Indicado es,
Audi o ia
e
Risco
Clínico,
Cen o
Hospi ala
de
Se úbal,
Se úbal,
Po ugal
dDi isão
de
Segu anc¸a
do
Doen e,
Depa amen o
da
Qualidade
na
Saúde,
Di ec¸ão
Ge al
da
Saúde,
Lisboa,
Po ugal
in o mação
sob e
o
a igo
His o ial
do
a igo:
Recebido
a
24
de
se emb o
de
2013
Acei e
a
24
de
junho
de
2014
Pala as-cha e:
Cul u a
de
segu anc¸a
Segu anc¸a
do
doen e
Cuidados
de
saúde
p imá ios
e
s
u
m
o
A
qualidade
de
espos a
do
sis ema
de
saúde
po uguês,
na
pe spe i a
do
cidadão,
es á
ainda
longe
de
alcanc¸a
um
ní el
azoá el
de
sa is ac¸ão,
con ibuindo
pa a
al
uma
de icien e
cul u a
de
segu anc¸a
nos
se ic¸os
de
saúde
po ugueses
e
em
pa icula
nos
cuidados
de
saúde
p imá ios,
onde
es a
emá ica
não
em
sido
incluída
nas
p io idades
de
quem
o ganiza
e
p es a
es e
ipo
de
cuidados.
O
p esen e
a igo
ap esen a
uma
e isão
de
li e a u a
sob e
o
ema
da
cul u a
de
segu anc¸a
nas
o ganizac¸ões
de
saúde,
undamen ando
a
pe inência
da
sua
implemen ac¸ão
nos
cuidados
de
saúde
p imá ios.
©
2013
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Publicado
po
Else ie
España,
S.L.U.
Todos
os
di ei os
ese ados.
P omo ing
a
Cul u e
o
Sa e y
in
P ima y
Heal h
Ca e
Keywo ds:
Sa e y
Cul u e
Pa ien
Sa e y
P ima y
Heal h
Ca e
a
b
s
a
c
The
quali y
o
Po uguese
heal h
sys em
esponse
om
he
pe spec i e
o
he
ci izen,
is
s ill
a
om
achie ing
a
easonable
le el
o
sa is ac ion,
con ibu ing
o
ha
a
poo
sa e y
cul u e
in
he
Po uguese
heal h
se ices
and
pa icula ly
in
p ima y
ca e
whe e
his
issue
has
no
been,
o
da e,
included
in
he
p io i ies
o
hose
who
o ganizes
and
p o ides
his
ype
o
ca e.
This
a icle
p esen s
a
e iew
o
he
li e a u e
on
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subjec
o
sa e y
cul u e
in
heal hca e
o ganiza ions,
basing
he
ele ance
o
i s
implemen a ion
in
p ima y
ca e.
©
2013
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Published
by
Else ie
España,
S.L.U.
All
igh s
ese ed.
∗Au o
pa a
co espondência.
Co eio
ele ónico:
cgue ei [email p o ec ed]
(C.
M.
F.
G.
d.
S.
Mendes).
h p://dx.doi.o g/10.1016/j. psp.2014.06.003
0870-9025/©
2013
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Publicado
po
Else ie
España,
S.L.U.
Todos
os
di ei os
ese ados.
198
e
p
o
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a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
In oduc¸ão
O
ema
da
segu anc¸a
do
doen e
o nou-se,
nas
úl imas
2
déca-
das,
uma
ques ão
cen al
nas
agendas
de
mui os
países
da
Eu opa
e
um
pouco
po
odo
o
Mundo.
Reconhece-se
que
a
mudanc¸a
pe manen e
das
condic¸ões
de
abalho
(doen es
mais
complexos,
o ac¸ão
de
p o issionais,
e oluc¸ão
ecnoló-
gica
pe manen e),
associada
a
um
ní el
de
exigência
cada
ez
maio
dos
u ilizado es
do
sis ema
de
saúde,
pode
ameac¸a
o
uncionamen o
da
melho
equipa
e
a
excelência
do
melho
p o issional.
Des a
o ma,
os
aspe os
elacionados
com
a
segu anc¸a
do
doen e,
enquan o
componen e
cha e
da
qua-
lidade
dos
cuidados
de
saúde,
êm
assumido
uma
c escen e
p eocupac¸ão
pa a
as
o ganizac¸ões
de
saúde,
pa a
os
deciso es
polí icos,
pa a
os
p o issionais
de
saúde,
cuja
p incipal
missão
consis e
na
p es ac¸ão
de
cuidados
com
ele ado
ní el
de
e e i-
idade,
e iciência
e
baseados
na
melho
e idência
disponí el,
como
pa a
os
u en es
e
suas
amílias
que
desejam
sen i -se
con ian es
e
segu os1.
Con udo,
a
in es igac¸ão
em
segu anc¸a
do
doen e
não
em
ainda,
na
opinião
de
á ios
au o es,
a
a enc¸ão
me ecida
ou
desejá el.
Encon a-se,
de
uma
o ma
ge al,
a
da
os
seus
p i-
mei os
passos,
sendo
que,
numa
g ande
pa e
dos
países,
se
ca a e iza
po
se
agmen ada
e
pouco
alo izada2–4.
Po
ou o
lado,
se
a
maio ia
das
in es igac¸ões
ealizadas
se
êm
concen ado
nos
cuidados
hospi ala es,
a
e e i idade
e
a
segu anc¸a
nos
cuidados
de
saúde
p imá ios
(CSP),
onde
oco em
odos
os
dias
milhões
de
a endimen os
na
União
Eu opeia
(UE)5,
êm
ecebido
menos
a enc¸ão6,
o
que
o na
o
escasso
conhecimen o
cien í ico
sob e
segu anc¸a
do
doen e
em
CSP
p ecioso
pa a
a
de inic¸ão,
no
imedia o,
de
p io idades
de
in e enc¸ão
nes e
con ex o.
Pa a
a
elabo ac¸ão
des e
a igo
eco eu-se
à
consul a
e
aná-
lise
de
uma
ex ensa
li e a u a
nacional
e
in e nacional
sob e
o
ema,
com
o
p incipal
obje i o
de
e idencia
a
ine i abili-
dade
de
p omo e
uma
cul u a
de
segu anc¸a
nas
ins i uic¸ões
de
saúde
em
ge al
e
nos
CSP
em
pa icula .
(In)Segu anc¸a
do
doen e:
um
dos
p incipais
p oblemas
de
saúde
pública
do
século
XXI
A
de inic¸ão
de
alguns
concei os
cha e
sob e
segu anc¸a
do
doen e
o na-se
um
impo an e
equisi o
pa a
uma
melho
comp eensão
sob e
o
ema,
p incipalmen e
pa a
quem
se
es á
a
inicia
nes a
á ea
de
conhecimen o.
Com
alguma
equência
con undem-se
ou
u ilizam-se
como
sinónimos
e mos
como
inciden e,
e o,
e en o
ad e so,
que
na
ealidade
assumem
signi-
icados
cla amen e
di e en es.
A
O ganizac¸ão
Mundial
de
Saúde
(OMS)
de ine
Segu anc¸a
do
Doen e
como
«a
educ¸ão
do
isco
de
danos
desnecessá-
ios
elacionados
com
os
cuidados
de
saúde,
pa a
um
mínimo
acei á el»7,
pois
a
e idência
em-nos
demons ado
que
os
e os
são
uma
cons an e
da
p á ica
de
cuidados
de
saúde
e
oco em
em
qualque
ase
do
p ocesso
de
cuidados.
Um
e o
é
a
« alha
na
execuc¸ão
de
uma
ac¸ão
planeada
de
aco do
com
o
desejado
ou
o
desen ol imen o
inco e o
de
um
plano»7.
São,
po
de inic¸ão,
não
in encionais
e
podem
mani es a -se
po
p á ica
da
ac¸ão
e ada
(comissão)
ou
po
não
consegui
p a ica
a
ac¸ão
ce a
(omissão),
que
seja
na
ase
de
planea-
men o
ou
na
ase
de
execuc¸ão.
Um
e o
pode
da
o igem
a
um
inciden e,
de inido
como
um
«e en o
ou
ci cuns ância
que
pode ia
esul a ,
ou
esul ou,
em
dano
desnecessá io
pa a
o
doen e»7,
assumindo
a
designac¸ão
de
inciden e
com
dano
ou
e en o
ad e so,
quando
o
doen e
é
lesado.
Os
e en os
ad e sos
podem
se
ag upados
em
oco ências
elacionadas
com
o
p o issional,
com
os
p ocedimen os
e
com
o
sis ema.
Nas
oco ências
elacionadas
com
o
p o issional
encon amos,
po
exemplo,
as
quedas
do
doen e,
a
in ec¸ão
hospi ala ,
as
úlce as
de
p essão,
os
e os
de
adminis ac¸ão
de
medicac¸ão
e
u ilizac¸ão
de
equipamen os
e
ma e iais.
Os
exemplos
de
si uac¸ões
elacionadas
com
os
p ocedimen os
podem
se
os
mesmos,
modi icando
apenas
a
o ma
como
é
ealizada
a
in e enc¸ão,
pois
o
obje i o
do
p ocedimen o
não
é
co e amen e
planeado.
As
oco ências
elacionadas
com
o
sis ema
dependem
de
a o es
ins i ucionais,
o ganizacionais
e
dos
ecu sos
ma e iais
e
equipamen os
disponí eis8.
Segundo
Ashid9,
p o a elmen e
os
e en os
ad e sos
são
a
maio
causa
de
mo alidade
e
mo bilidade
em
odo
o
mundo.
As
alhas
ao
ní el
da
segu anc¸a
do
doen e
podem
e
di e -
sas
implicac¸ões,
en e
as
quais:
a
pe da
de
con ianc¸a
po
pa e
dos
u en es/doen es
nas
o ganizac¸ões
de
saúde
e
seus
p o-
issionais,
com
consequen e
deg adac¸ão
das
elac¸ões
en e
ambos;
o
aumen o
dos
cus os
sociais
e
económicos,
a iando
a
sua
dimensão
na
azão
di e a
dos
danos
causados
e
da
casuís-
ica
dos
mesmos;
e
a
educ¸ão
da
possibilidade
de
alcanc¸a
os
esul ados
(ou comes)
espe ados/desejados,
com
consequên-
cias
di e as
na
qualidade
dos
cuidados
p es ados10,11.
Des acam-se
como
p incipais
cus os
económicos,
sociais
e
pessoais
o
aumen o
de
dias
de
in e namen o,
a
educ¸ão
de
p odu i idade,
o
so imen o
e
desgas e
emocional
pa a
o
doen e
e
amília
e,
em
úl ima
consequência,
a
mo e,
como
de am
a
conhece
alguns
dados
publicados
há
ce ca
de
12
anos
pelo
Ins i u e
o
Medicine,
a a és
do
ela ó io
«To
e
is
human:
building
a
sa e
heal h
ca e
sys em».
Já
nessa
al u a
es ima a-se
que
nos
Es ados
Unidos
mo iam
anualmen e
en e
44-98
mil
ame icanos
de ido
a
danos
deco en es
dos
cuidados
de
saúde
e
não
da
sua
doenc¸a,
implicando
uma
ele ada
pe cen agem
de
axa
de
mo alidade,
compa a i amen e
supe io
à
a ibuída
ao
VIH-Sida,
canc o
da
mama
ou
aciden es
de
iac¸ão12,13.
Simul aneamen e,
no
Reino
Unido,
o
ela ó io
«An
o ganiza-
ion
wi h
a
memo y»
e ela a
que
no
se ic¸o
nacional
de
saúde
exis iam
850.000
e en os
ad e sos
po
ano,
com
cus os
de
2
biliões
de
dóla es
em
dias
de
in e namen o
adicionais
e
que
as
in ec¸ões
hospi ala es
cus a am
1
bilião
de
lib as,
sendo
15%
delas
p e ení eis14.
Em
Po ugal
não
exis em
dados
disponí eis
em
elac¸ão
a
es a
ma é ia,
no
en an o,
se
se
conside a
como
hipó ese
que
os
nossos
hospi ais
êm
a
mesma
iabilidade
dos
seus
con-
géne es
ame icanos,
se ia
possí el
es ima
en e
1.300-2.900
mo es
anuais
em
consequência
de
e os
come idos
pelos
p o-
issionais
de
saúde15.
Po
es e
mo i o,
em-se
assis ido
ecen emen e
a
um
mo i-
men o
c escen e
no
sen ido
de
alo iza
a
in es igac¸ão
nes a
á ea
(pa ien
sa e y
esea ch)
e
ambém
na
necessidade
de
desen ol e
e
a alia
o
impac o
de
soluc¸ões
ino ado as
que
possam
ac escen a
alo
em
e mos
de
ganhos
clínicos,
soci-
ais
e
económicos.
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
199
De
en e
os
emas
p io i á ios
na
in es igac¸ão
em
segu anc¸a
do
doen e
des acam-se:
o
conhecimen o
epidemi-
ológico
( equência,
causas,
ipologia
e
impac o)
dos
e en os
ad e sos
e
o
desen ol imen o,
implemen ac¸ão
e
a aliac¸ão
de
soluc¸ões
ino ado as.
O
obje i o
subjacen e
a
essas
2
linhas
de
in es igac¸ão
consis e
em
ob e
conhecimen o
que
possi-
bili e
a
diminuic¸ão
do
isco
e
consequen emen e
po encia
a
segu anc¸a
do
doen e
e,
simul aneamen e,
com
base
na
ans-
e ência
desse
conhecimen o
moni o iza
ac¸ões
de
melho ia
e
apoia
as
omadas
de
decisão
(polí ica
e
clínica)
a
ní el
local,
egional,
nacional
e
in e nacional.
Segundo
a
OMS6,
a
e idência
sob e
segu anc¸a
do
doen e,
apesa
de
mui o
incipien e,
es á
signi ica i amen e
a
con-
ibui
pa a
a
c escen e
comp eensão
das
múl iplas
o mas
em
que
os
cuidados
podem
i
a
se
comp ome idos.
Não
obs an e,
pa a
p e eni
e/ou
e i a
os
e en os
ad e sos
é
undamen al
conhecê-los,
an ecipá-los
e,
quando
oco em,
no i icá-los,
discu i-los,
pa ilhá-los
e
ap ende
com
eles.
Um
dos
sis emas
mais
comuns
de
in o mac¸ão
de
segu anc¸a
baseia-se
no
ela o
olun á io
e
con idencial
des as
oco ên-
cias
ou
de
qualque
p eocupac¸ão
de
segu anc¸a
de e ada
no
abalho.
Es e
ela o
em
como
obje i os,
po
um
lado,
aumen-
a
a
sensibilidade
aos
e os
e
iscos
ine en es
ao
ipo
e
local
de
abalho,
po
ou o
lado,
a a és
da
in es igac¸ão
local
do
inciden e
e
da
análise
de
á ios
inciden es
ag egados
ge a
in o mac¸ão
ú il
pa a
co igi
as
agilidades
iden i icadas16.
A
implemen ac¸ão
de
um
sis ema
des e
ipo
implica
que
as
o ganizac¸ões
de
saúde
se
no eiem
pelos
p incípios
de
uma
cul u a
de
segu anc¸a
que
o ne
odas
as
a i idades
de
cuidado
aos
u en es/doen es,
desde
a
en ada
a é
à
saída
do
sis ema,
segu as
e
edu o as
do
isco
de
so e
e en os
ad e sos17.
Uma
cul u a
de
segu anc¸a
é
essencialmen e
uma
cul u a
onde
odos
es ão
conscien es
do
seu
papel
e
da
sua
con ibuic¸ão
pa a
a
o ganizac¸ão
e
são
esponsá eis
pelas
consequências
das
suas
ac¸ões.
Conside ando
o
que
e e e
a
Heal h
Consume
Powe house,
a
qualidade
de
espos a
do
sis ema
de
saúde
po uguês,
na
pe spe i a
do
cidadão,
es á
ainda
longe
de
alcanc¸a
um
ní el
azoá el
de
sa is ac¸ão18,
con ibuindo
pa a
es e
ac o
uma
de icien e
cul u a
de
segu anc¸a
nos
se ic¸os
de
saúde
po u-
gueses
e
em
pa icula
nos
CSP,
onde
es a
emá ica
não
em
sido,
a é
à
da a,
sis ema icamen e
incluída
nas
p io idades
de
quem
o ganiza
e
p es a
es e
ipo
de
cuidados.
Não
podemos
con inua
na
ilusão
de
que
os
u en-
es/doen es
deixa ão
de
se
lesados
pelos
nossos
cuidados
se
nada
ize mos
po
isso.
A
melho ia
da
segu anc¸a
do
doen e
eque
ine i a elmen e
mudanc¸a,
on ade,
es o c¸o,
mui a
pe -
sis ência,
com
implicac¸ões
conc e as
na
p á ica
clínica.
Segu anc¸a
do
doen e:
a
ealidade
hospi ala
e
nos
cuidados
p imá ios
de
saúde
Os
es udos
desen ol idos
sob e
es a
emá ica
êm
sido
un-
damen ais
pa a
o
conhecimen o
da
dimensão,
na u eza
e
(em
ce a
medida)
do
impac o
dos
e en os
ad e sos
em
di e sos
países.
Apesa
das
especi icidades
des es
es udos
di icul a em
as
compa ac¸ões
ou
eplicac¸ões
em
múl iplos
con ex os,
a
e dade
é
que
a
maio ia
ap esen a
conclusões
simila es19.
De
aco do
com
a
Comissão
das
Comunidades
Eu opeias
(CCE),
na
UE
8-12%
dos
doen es
in e nados
são
í imas
de
e en os
ad e sos,
7,5-10,4%
êm
eac¸ões
ad e sas
a
á macos
e,
des as,
28-56%
são
e i á eis20.
Uma
ecen e
e isão
sis emá ica
da
li e a u a
sob e
a
oco ência
de
e en os
ad e sos
em
hospi ais
de
países
desen ol idos4apon a
pa a
uma
axa
de
incidência
que
a ia
en e
os
3,7
e
os
16,6%.
Os
au o es
concluí am
ambém
que
nos
doen es
em
que
se
con i mou
e en o
ad e so
o
pe íodo
de
in e namen o
p olongou-se,
em
média,
10-12
dias
e
que
40-70%
do
seu
o al
e am
p e ení eis
ou
e i á eis.
Em
Po ugal,
a
e dadei a
dimensão
e
as
consequências
associadas
às
alhas
na
segu anc¸a
dos
doen es
es á
longe
de
se
conhecida,
con o me
icou
subjacen e
na
p imei a
eu-
nião
sob e
in es igac¸ão
em
segu anc¸a
do
doen e,
p omo ida
pela
OMS
em
conjun o
com
a
UE,
ealizada
no
Po o
em
2007.
São
á ios
os
a o es
que
con ibuem
pa a
es a
ealidade,
nomeadamen e
a
ausência
de
o ien ac¸ões
ge ais
e
especí i-
cas
que
ha monizem
as
ac¸ões
a
desen ol e
no
sen ido
de
analisa
as
causas
e
consequen emen e
diminui
ou
elimi-
na
as
alhas
que
podem
desencadea
a
oco ência
de
e en os
ad e sos;
o
p edomínio
de
uma
cul u a
de
culpabilizac¸ão
e
os acismo
pe an e
as
alhas
e
as
suas
po enciais
consequên-
cias,
em
de imen o
de
uma
cul u a
de
análise
e
ap endizagem
a
pa i
das
mesmas;
in o mac¸ão
escassa,
inadequada
e
de
di ícil
ob enc¸ão21,
di icul ando
o
conhecimen o
dos
a o es
subjacen es
à
causalidade
dos
e en os
ad e sos
e
em
ge al
das
alhas
na
segu anc¸a
do
doen e,
assim
como
a
subu ilizac¸ão
do
sis ema
nacional
de
no i icac¸ão
dos
e en os
ad e sos;
esumindo,
a
al a
de
uma
es a égia
nacional
explíci a
e
con-
sis en e
pa a
es a
p oblemá ica,
à
semelhanc¸a
do
que
já
exis e
em
países
como
o
Reino
Unido,
Dinama ca,
Suécia,
No uega,
Aus ália,
en e
ou os22.
Po
ou o
lado,
a
in es igac¸ão
nes a
á ea,
em
Po ugal,
encon a-se
ambém
a
da
os
p imei os
passos.
O
es udo
in i ulado
«Segu anc¸a
do
doen e:
e en os
ad e sos
em
hospi ais
po ugueses:
es udo
pilo o
de
incidência,
impac o
e
e i abilidade»22 é
al ez
um
dos
mais
impo an es
nes e
domínio.
Os
seus
esul-
ados
indicam
uma
ealidade
não
mui o
di e en e
da
que
oi
desc i a
em
es udos
simila es
ealizados
em
á ios
países
da
Eu opa
(Ingla e a,
F anc¸a,
Espanha,
Dinama ca,
Suécia
e
Paí-
ses
Baixos),
nos
Es ados
Unidos
da
Amé ica,
na
Aus ália,
no
Canadá,
na
No a
Zelândia
e
no
B asil.
O
e e ido
es udo,
eali-
zado
em
3
hospi ais
públicos
da
egião
de
Lisboa,
e e
po
base
a
in o mac¸ão
con ida
nos
p ocessos
clínicos
de
uma
amos a
de
1.669
doen es
in e nados
du an e
o
ano
de
2009.
Os
esul-
ados
des e
es udo
apon am
pa a
uma
axa
de
incidência
de
e en os
ad e sos
de
11,1%,
com
um
in e alo
de
con ianc¸a
de
95%
(9,6%;
12,6%).
Rela i amen e
ao
seu
impac o,
cons a ou-se
a
p esenc¸a
de
dano,
incapacidade
ou
dis unc¸ão
pe manen e
em
5,7%
dos
casos
e
em
10,8%
oco eu
óbi o.
Ce ca
de
53%
das
si uac¸ões
de
e en os
ad e sos
o am
consi-
de adas
e i á eis
e
em
58,7%
dos
casos
hou e
p olongamen o
do
pe íodo
de
in e namen o,
com
um
alo
médio
de
10,7
dias22.
Con udo,
se
conside a mos
que
a
in es igac¸ão
sob e
segu anc¸a
do
doen e,
elacionada
com
os
cuidados
de
saúde
hospi ala es,
se
encon a
na
p imei a
in ância
a
ní el
in e -
nacional
e
a
da
os
p imei os
passos
a
ní el
nacional,
a
200
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
elacionada
com
os
CSP
é
ainda
menos
desen ol ida
na
UE,
encon ando-se,
numa
ase
inicial,
em
Po ugal.
De
uma
manei a
ge al,
pa ece
exis i
a
pe cec¸ão
de
que
nos
CSP,
pelo
ac o
de
se
um
ambien e
do ado
de
baixa
ec-
nologia,
a
segu anc¸a
do
doen e
não
cons i ui
um
p oblema.
Na
ealidade
a a-se
de
uma
ideia
e ada,
mais
ainda
se
conside a mos
que
na
UE
oco em
dia iamen e
milhões
de
a endimen os
em
CSP.
No
Reino
Unido,
ce ca
de
750.000
u en es
po
dia
eco -
em
ao
seu
médico
de
amília,
na
Alemanha
ealizam-se
1,5
milhões
de
a endimen os
po
dia
nos
CSP5e
em
Po ugal
ealiza am-se,
no
ano
de
2010,
um
o al
de
23.212.118
consul-
as
de
clínica
ge al
e
amilia ,
o
que
ep esen a
uma
média
de
89.277
consul as
po
dia
e
2,3
consul as
po
habi an e
po
ano,
alo
ela i amen e
supe io
ao
núme o
de
consul as
de
espe-
cialidades
ealizadas
em
con ex o
hospi ala
(15.752.669)
no
mesmo
pe íodo23.
Es es
dados,
po
si
só,
undamen am
o
ac o
das
ins i uic¸ões
de
CSP
se em,
à
semelhanc¸a
dos
hospi ais,
locais
p opícios
à
oco ência
de
inciden es.
Makeham
e
al.24 ealiza am
uma
e isão
sis emá ica
da
li e a u a
sob e
es udos
publicados
na
á ea
da
segu anc¸a
do
doen e
em
CSP.
Concluí am
que,
nos
países
desen ol idos,
exis e
uma
p e alência
de
inciden es
elacionados
com
a
al a
de
segu anc¸a
em
CSP
de
4-24%
e
que
ce ca
de
45-76%
des es
são
e i á eis.
Nes a
e isão,
alguns
dos
es udos
anali-
sados
a alia am
a
equência
ela i a
dos
ipos
de
inciden es
que
oco em
mais
equen emen e
em
CSP,
apon ando
pa a
26-57%
elacionados
com
e os
no
diagnós ico,
7-52%
elaci-
onados
com
o
a amen o
(p esc ic¸ão
de
medicac¸ão),
9-56%
com
os
aspe os
adminis a i os/o ganizacionais
e
5-72%
com
e os
de
comunicac¸ão
(en e
equipa
e
en e
p o issionais-
-u en es/doen es).
Em
elac¸ão
às
consequências
des es
inciden es,
70-76%
ep esen a am
quase
e en os
(inciden e
que
não
alcanc¸ou
o
doen e);
13%
esul a am
em
e en os
sem
danos
(inciden e
que
chegou
ao
doen e
mas
não
esul ou
em
danos
disce ní-
eis);
17-39%
esul ou
em
dano
pa a
o
doen e
e
4%
esul ou
em
mo e,
o
que
ep esen a
uma
pe cen agem
ele ada
pa a
uma
consequência
ão
g a e.
A
es e
espei o,
alguns
au o-
es
e e em
que
os
e en os
ad e sos
medicamen osos
que
oco em
em
ambula ó io
são
mais
a ais
do
que
aqueles
que
oco em
no
ambien e
hospi ala ,
po que
os
doen es
em
ambula ó io
não
são
moni o izados
de
pe o
pelos
p o issio-
nais
de
saúde25,26.
Um
ou o
es udo
desen ol ido
no
Reino
Unido
co obo a
com
a
maio ia
dos
esul ados
an e io men e
ap esen ados.
Es e
es udo
suge e
que
naquele
país
exis em
en e
37-600
inci-
den es
po
dia
nos
CSP
e
que
a
gene alidade
dos
inciden es
pode
se
classi icada
em
4
á eas
p incipais:
o
diagnós ico,
a
p esc ic¸ão,
a
comunicac¸ão
en e
os
p o issionais
e
os
u en-
es/doen es
e
aspe os
o ganizacionais.
Embo a
a
possibilidade
de
e o
seja
g ande,
o
es udo
e e e
ainda
que
50%
não
êm
nenhuma
consequência,
20%
não
são
clinicamen e
ele an-
es
e
30%
o iginam
dano
pa a
o
doen e,
sendo
que
um
e c¸o
des es
úl imos
esul a
em
consequências
g a es,
incluindo
a
mo e5.
O
es udo
APEAS27,
ealizado
em
Espanha
e
que
e e
como
obje i os
melho a
o
conhecimen o
sob e
a
magni ude,
impac o
e
anscendência
dos
e en os
ad e sos
em
CSP
e
aumen a
o
núme o
de
p o issionais
en ol idos
na
cul u a
de
segu anc¸a
do
doen e,
en e
ou os,
e elou
que,
num
uni-
e so
de
96.047
doen es
e
452
p o issionais,
se
iden i ica am
18,63
‰
(po
mil)
e en os
ad e sos.
Gene alizando
os
esul-
ados,
os
au o es
concluí am
que,
po
ano,
7
em
cada
100
cidadãos
pode iam
se
a e ados
po
um
e en o
ad e so
elacionado
com
os
cuidados
de
saúde,
esul ado
bas an e
signi ica i o
endo
em
con a
o
núme o
de
con a os
que
os
u en es/doen es
es abelecem
po
ano
com
as
unidades
de
CSP
em
odo
o
mundo,
con o me
já
demons ado.
Em
Po ugal,
salien amos
a
inicia i a
ealizada
pela
Rede
Médicos
Sen inela,
em
2005,
que
p ocedeu
à
no i icac¸ão
olun-
á ia
de
e en os
ad e sos
oco idos
nos
cen os
de
saúde.
Es e
es udo
e e
como
obje i os
iden i ica
o
ipo
e
ca a e ís icas
de
e en os
ad e sos
que
oco em
nes as
unidades
de
saúde,
de e mina
a
sua
axa
de
incidência
e
desen ol e
ins u-
men os
de
p e enc¸ão
e
educ¸ão
de
e en os
ad e sos
nes e
con ex o.
Apesa
de
p o issionais
al amen e
mo i ados
pa a
a
no i icac¸ão,
apenas
28%
dos
médicos
pa icipan es
no i icou
ao
longo
de
um
ano
um
ou
mais
e en os
ad e sos,
num
o al
de
208
no i icac¸ões.
Es e
es udo
concluiu
que
mesmo
em
médicos
al amen e
mo i ados
os
e en os
ad e sos
não
es ão
en aizados
como
episódios
de
ale a
pa a
a
melho ia
da
p á-
ica
clínica
e
educ¸ão
dos
iscos
pa a
os
doen es,
pelo
que
o
desconhecimen o
da
sua
equência
e
ca a e ís icas
deixa-nos
agilizados
pe an e
a
sua
p e enc¸ão17.
Apesa
da
li e a u a
in e nacional
e
nacional
consul-
ada
se
unânime
ao
conclui
que
exis e
ainda
um
longo
caminho
a
pe co e ,
que
na
p oduc¸ão
de
mais
e idência
que
na
u ilizac¸ão
de
abo dagens
me odológicas
(pa adigmas,
mé odos
e
écnicas)
que
pe mi am
ca a e iza
com
maio
igo
e
consis ência
es a
p oblemá ica
no
con ex o
dos
CSP,
bem
como
de e mina
a
obus ez
e
alidade
dos
esul ados
alcanc¸ados24,
ambém
o na
e iden e
que
as
ques ões
elaci-
onadas
com
a
segu anc¸a
do
doen e
(ou
a
al a
dela)
em
CSP
cons i uem
um
p oblema
majo ,
à
semelhanc¸a
do
que
acon-
ece
em
con ex o
hospi ala
e,
como
al,
necessi ando
de
uma
adequada
e
u gen e
in e enc¸ão.
A
p oduc¸ão
g adual
de
conhecimen o
sob e
es a
ma é ia
em
uncionado
como
ala anca
pa a
o
desen ol imen o
de
algumas
inicia i as
e
polí icas
in e nacionais
e
nacionais
com
o
obje i o
de
con ibui
pa a
a
p e enc¸ão
des a
p oblemá ica.
Inicia i as
e
polí icas
de
saúde
in e nacionais
e
nacionais
sob e
segu anc¸a
do
doen e
A
OMS
mobilizou-se
em
elac¸ão
à
emá ica
da
segu anc¸a
do
doen e
em
2002,
na
55aAssembleia
Mundial
da
Saúde.
Após
es e
e en o,
inicia am-se
os
abalhos
de
desen ol imen o
da
axonomia
in e nacional
em
segu anc¸a
do
doen e
com
o
p i-
mei o
ela ó io
em
2003
e
em
2004
é
c iada
a
p imei a
edic¸ão
da
Alianc¸a
Mundial
pa a
a
Segu anc¸a
do
Doen e,
ol ada
pa a
o
desen ol imen o
de
polí icas
e
p á icas
em
p ol
da
segu anc¸a
do
doen e
pa a
odos
os
países
memb os
da
EU28.
Em
2005
ealizam-se
á ias
con e ências
in e nacionais
sob e
segu anc¸a
do
doen e,
das
quais
se
des aca
a
Con e ên-
cia
Eu opeia
«Segu anc¸a
do
doen e
–
o ná-la
uma
ealidade!»,
de
onde
su giu
uma
p opos a
de
abalho
conjun o
com
a
OMS
no
sen ido
de
c ia
um
banco
de
soluc¸ões
pa a
a
UE
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
201
di igido
a
es a
p oblemá ica
e
de
onde
emana am
á ias
ecomendac¸ões,
como
po
exemplo,
di ulga
boas
p á icas
nes a
á ea;
a
u ilizac¸ão
de
no as
ecnologias;
a
ealizac¸ão
de
egis os
ele ónicos
de
doen es;
a
inclusão
dos
aspe os
da
segu anc¸a
na
ap endizagem
(básica
e
pós-básica)
dos
p o is-
sionais
de
saúde
e
a
implemen ac¸ão
de
p oje os
sob e
es a
emá ica
ao
ní el
das
unidades
de
cuidados,
pa a
que
os
p o-
issionais
de
o ma
abe a
e
e icien e
consigam
lida
com
as
si uac¸ões
de
e o
e
omissões29.
Em
2009
são
conhecidas
as
Recomendac¸ões
do
Conselho
Eu opeu
sob e
a
segu anc¸a
dos
doen es,
incluindo
a
p e enc¸ão
e
o
con olo
de
in ec¸ões
associadas
aos
cuidados
de
saúde.
Ainda
nes e
ano,
a
Alianc¸a
Mundial
pa a
a
Segu anc¸a
do
Doen e
publica
o
ela ó io
écnico
inal
da
Es u u a
Conce-
ual
da
Classi icac¸ão
In e nacional
sob e
Segu anc¸a
do
Doen e,
aduzido
pa a
Po uguês
pela
DGS
em
2011.
Es a
es u u a,
apesa
de
não
se
ainda
uma
classi icac¸ão
comple a,
é
o
pon o
de
pa ida
pa a
melho a
p og essi amen e
uma
comp een-
são
in e nacional
conjun a
de
e mos
e
concei os,
pe mi indo
a
desc ic¸ão,
compa ac¸ão,
medic¸ão,
moni o izac¸ão,
análise
e
in e p e ac¸ão
da
in o mac¸ão
de
segu anc¸a
do
doen e7.
A
pa
des as
inicia i as
e
um
pouco
po
odo
o
mundo,
o am
sendo
c iadas
á ias
agências
especializadas
nes e
assun o:
a
Na ional
Pa ien
Sa e y
Founda ion,
a
Ame ican
Socie y
o
Heal h
Sys ems
Pha macis s,
a
Aus alian
Pa ien
Sa e y
Founda-
ion,
a
Na ional
Coo dina ing
Council
o
Medica ion
E o
Repo ing
and
P e en ion,
en e
ou as.
Todas
es as
o ganizac¸ões
êm
em
is a
um
obje i o
comum
–
melho a
a
segu anc¸a
dos
u iliza-
do es
dos
se ic¸os
de
saúde
e
consequen emen e
melho a
a
qualidade
dos
cuidados
de
saúde
em
ge al.
No
âmbi o
dos
CSP,
des acamos
uma
das
mais
impo an es
inicia i as
in e nacionais
que
isa
aumen a
o
conhecimen o
sob e
a
segu anc¸a
do
doen e
nes e
con ex o.
T a a-se
do
p o-
je o
eu opeu
LINNEAUS,
coo denado
pela
Eu opean
Socie y
o
Quali y
in
Heal hca e.
Es e
p oje o,
em
uncionamen o
desde
2009,
con a
com
a
colabo ac¸ão
de
á ios
países
eu opeus,
nomeadamen e
Ingla e a,
Dinama ca,
Holanda,
Alemanha,
Espanha,
G écia,
Áus ia,
Polónia
e
Escócia.
A
sua
p incipal
inalidade
é
c ia
uma
ede
de
p o issionais
e
in es igado es
pe i os
em
segu anc¸a
do
doen e
den o
da
UE.
Os
obje i os
des e
g upo
de
abalho
consis em,
essencial-
men e,
em:
a.
desen ol e
uma
axonomia
de
inciden es
em
CSP
comum
aos
di e en es
países
da
Eu opa
–
oi
elabo ado
um
docu-
men o
p elimina ,
com
base
numa
e isão
sis emá ica
sob e
sis emas
de
classi icac¸ão
já
exis en es,
adap ado
às
ca a e ís icas
dos
CSP
e
subme ido
a
um
g upo
de
especia-
lis as
in e nacionais
que
elabo a am
ecomendac¸ões
sob e
o
seu
con eúdo
e
es u u a30,
não
endo
sido
a é
à
da a
publicada
a
sua
e são
inal;
b.
implemen a
um
sis ema
uni e sal
de
ela o
de
e en os
ad e sos
no
âmbi o
dos
CSP,
ainda
em
cons uc¸ão;
c.
p omo e
a
in es igac¸ão
com
base
em
me odologias
que
pe mi am
compa a
esul ados;
d.
en ende
os
aspe os
elacionados
com
a
lide anc¸a
e
cul-
u a
de
segu anc¸a
nas
ins i uic¸ões
de
CSP
da
Eu opa
–
nes e
momen o
um
g upo
de
abalho
dedica-se
a
a alia
os
ins umen os
exis en es
que
pe mi am
a alia
a
cul u a
de
segu anc¸a
nos
CSP,
pa a
que
possam
se
aplicados
em
di e en es
con ex os
eu opeus.
Um
exemplo
é
o
MaPSaFT,
AHRQ
Medical
O ice
Su ey
on
Pa ien
Sa e y,
que
é
um
ins u-
men o
que
pe mi e
medi
a
cul u a
o ganizacional
no
que
diz
espei o
a
segu anc¸a
do
doen e
em
CSP,
encon ando-
-se
a
se
es ado
po
um
g upo
de
in es igado es
do
p oje o
LINNEAUS,
na
Polónia;
e. iden i ica
mé odos
que
pe mi am
en ol e
os
u en-
es/doen es
nas
inicia i as
de
segu anc¸a.
Na
ealidade
o
doen e
é
o
único
que
es á
p esen e
em
odos
os
momen-
os
do
p ocesso
de
cuidados,
is o
é,
desde
a
en ada
a é
à
saída
do
sis ema.
Pa e-se
do
p incípio
que
es ando
de i-
damen e
in o mado,
a
sua
pa icipac¸ão
pode
se
i al
pa a
que
o
e o
clínico
não
acon ec¸a;
.
iden i ica
e
di ulga
boas
p á icas
elacionadas
com
a
ap endizagem
de
e os
e
e en os
ad e sos
e
desen ol e
e amen as
pa a
a
melho ia
da
segu anc¸a
do
doen e
que
possam
se
usadas
po
odos
os
países
pa cei os5;
A
ní el
nacional,
a
segu anc¸a
do
doen e
ambém
não
em
sido
indi e en e
às
mais
ecen es
polí icas
de
saúde.
O
Despacho
n.◦14.223/2009
ap o a
a
Es a égia
Nacional
pa a
a
Qualidade
na
Saúde
e
de e mina
que
«Consolidadas,
que
es ão,
a
cobe u a
e i o ial
e
a
uni e salidade
da
p es ac¸ão
de
cuidados
de
saúde,
os
desa ios
da
qualidade
e
da
segu anc¸a
su gem,
em
p imei o
plano,
como
uma
das
p incipais
p io i-
dades
do
sis ema
de
saúde
po uguês»31.
Em
Fe e ei o
de
2009
é
c iado
o
Depa amen o
da
Quali-
dade
in eg ado
na
DGS,
compe indo-lhe,
en e
ou as,
a
unc¸ão
de
c ia
e
coo dena
a i idades
e
p og amas
de
p omoc¸ão
da
segu anc¸a
do
doen e,
incluindo-se
aqui
a
sua
esponsabili-
dade
pelo
desen ol imen o
do
a ual
P og ama
Nacional
de
Ac edi ac¸ão
das
ins i uic¸ões
do
Se ic¸o
Nacional
de
Saúde,
que
se
a a
de
um
p ocesso
o mal
de
assegu a
a
p es ac¸ão
de
cuidados
de
saúde
segu os
e
de
ele ado
ní el
de
qualidade32.
Nes e
p ocesso
de
busca
da
excelência/ac edi ac¸ão,
as
ins i uic¸ões
de
saúde
po uguesas
candida as
i am-se
ob i-
gadas
a
uma
mudanc¸a
na
sua
cul u a
o ganizacional,
na
medida
em
que
no as
p eocupac¸ões
su gi am,
como
po
exemplo,
a
ges ão
do
isco,
que
passou
a
aze
pa e
dos
obje i-
os
da
o ganizac¸ão,
c iando-se
depa amen os
pa a
a
mesma,
com
equipas
p óp ias.
Apesa
da
exis ência
des a
base
legal
e
no ma i a,
em
Po ugal,
o
núme o
de
ins i uic¸ões
de
saúde
ac edi adas
es á
aquém
do
desejá el
e
é
p a icamen e
inexis en e
em
CSP.
Segundo
dados
do
INE,
em
2010
exis iam
em
Po ugal
127
hospi ais
públicos
e
376
cen os
de
saúde,
com
um
o al
de
1.225
unidades/ex ensões23.
Dos
p imei os,
15
o am
ac e-
di ados
a é
ao
p esen e
e
dos
segundos
apenas
3
Unidades
de
Saúde
Familia
(USF)
(USF
de
Valongo;
USF
Da undo,
em
Algés-
-Oei as,
e
USF
G ão
Vasco,
em
Viseu)
o am
ac edi adas
pelo
modelo
o icial
do
Minis é io
da
Saúde
designado
po
Agencia
de
Calidad
Sani a ia
de
Andalucía33.
Es a
ealidade
demons a
a
exis ência
de
uma
de icien e
cul u a
de
qualidade
e
con-
sequen emen e
de
segu anc¸a
nas
o ganizac¸ões
de
saúde
em
Po ugal.
Não
obs an e,
a
Missão
pa a
os
CSP
–
Plano
es a égico
2010-201133,
conside a
como
obje i os
p imo diais
a
a in-
gi :
cuidados
de
saúde
de
qualidade
pa a
odos
os
cidadãos;
ecompensa
pelas
boas
p á icas
p o issionais
e
e iciência
e
sus en abilidade
do
sis ema
de
saúde.
Es ão
de inidos

202
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
5
eixos
que
se
en endem
como
essenciais
pa a
a
consolidac¸ão
e
conclusão
da
a ual
e o ma
dos
CSP,
dos
quais
des aca-
mos
o
Eixo
II
–
Go e nac¸ão
clínica
e
de
saúde
que
«ab ange
á ios
aspe os
da
conduc¸ão
de
um
se ic¸o
de
saúde
como
a
e e i idade
clínica,
a
audi o ia
clínica,
a
ges ão
do
isco,
a
sa is ac¸ão
do
u en e
e
o
desen ol imen o
de
compe ências
dos
p o issionais»,
assumindo
como
obje i os
es a égicos
a
«Iden i icac¸ão
e
implemen ac¸ão,
de
o ma
sis emá ica,
de
boas
p á icas
clínicas
e
ges ão
do
isco
em
odo
o
ACES»33.
Nes e
âmbi o,
assume
pa icula
impo ância
a
in e enc¸ão
dos
Con-
selhos
Clínicos
e
de
Saúde
dos
ACES,
ecen emen e
a ualizada
pelo
Dec e o
Lei
n.◦253/2012
de
27
de
no emb o,
que
de ine
que
es e
ó gão
de e
assegu a
que
odos
os
p o issionais
do
ACES
se
o ien am
pa a
a
ob enc¸ão
de
ganhos
em
saúde,
ga an-
indo
a
adequac¸ão,
a
segu anc¸a,
a
e e i idade
e
a
e iciência
dos
cuidados
de
saúde
p es ados,
bem
como
a
sa is ac¸ão
dos
u en es
e
dos
p o issionais.
Apesa
de
es a
e o ma
e
indo
coloca
a iados
desa ios,
conduzindo
a
uma
in ospec¸ão
e
capacidade
de
au oanálise,
au o e lexão
e
c í ica
sob e
uma
cul u a
de
segu anc¸a
do
doen e
e
sob e
a
qualidade
dos
cuidados
de
saúde,
e i ica-se
ainda
um
longo
caminho
a
pe co e ,
como
ambém
demons-
a
a
a aliac¸ão
do
Plano
Nacional
de
Saúde
(PNS)
2004-2010,
ei a
pela
OMS34,
que
iden i ica
que
á eas
undamen ais
como
a
ques ão
da
sus en abilidade
do
sis ema
de
saúde,
os
ecu sos
humanos
e
a
qualidade
e
segu anc¸a
dos
cuidados
não
o am
obje o
de
a enc¸ão
nes e
PNS.
A
p omoc¸ão
de
uma
cul u a
de
segu anc¸a
do
doen e
não
pode
po
isso
se
uma
a i idade
pa alela
dos
p og amas
minis-
e iais,
dos
pa ág a os
es a u á ios
das
ins i uic¸ões
de
saúde,
dos
o ganig amas
dos
ges o es
e
a é
das
bases
de
dados
dos
esponsá eis
do
isco,
mas
sim
a
base
de
abalho
pa a
oda
a
p á ica
clínica.
O
desen ol imen o
de
uma
cul u a
de
segu anc¸a
em
ge al
e
nos
CSP
em
pa icula
é
sem
dú ida
um
dos
mais
impo an es
desa ios
que
se
coloca
aos
p o issionais
de
saúde
no
imedia o.
O
desen ol imen o
de
uma
cul u a
de
segu anc¸a
em
cuidados
de
saúde
p imá ios:
o
ela o
olun á io
de
inciden es
O
concei o
de
cul u a
de
segu anc¸a
mais
amplamen e
u ili-
zado
é
o
da
Comissão
de
Segu anc¸a
e
Saúde
do
Reino
Unido,
que
de ine
cul u a
de
segu anc¸a
como
o
p odu o
de
alo-
es,
a i udes,
compe ências
e
pad ões
de
compo amen o
indi iduais
e
de
g upo,
os
quais
de e minam
o
comp o-
misso,
o
es ilo
e
a
p o iciência
da
ges ão
de
uma
o ganizac¸ão
saudá el
e
segu a.
Segundo
es a
Comissão,
o ganizac¸ões
com
uma
cul u a
de
segu anc¸a
posi i a
ca a e izam-se
po
uma
comunicac¸ão
undada
na
con ianc¸a
mú ua,
a a és
da
pe cec¸ão
comum
da
impo ância
da
segu anc¸a
e
do
econhe-
cimen o
da
e icácia
das
medidas
p e en i as35.
O
Council
o
Eu ope/commi ee
o
minis e s
econhece
a
neces-
sidade
de
p omo e
a
segu anc¸a
do
doen e
como
um
p incípio
undamen al
dos
sis emas
de
saúde;
que
os
mesmos
p in-
cípios
de
pa ien
sa e y
se
aplicam
igualmen e
aos
cuidados
p imá ios,
secundá ios
e
e ciá ios,
al
como
ou os
aspe os
dos
cuidados
de
saúde,
como
a
p omoc¸ão
da
saúde,
p e enc¸ão,
a amen o,
en e
ou os36.
Não
obs an e,
no
anking
das
20
á eas
p io i á ias
sob e
segu anc¸a
do
doen e,
pa a
os
países
desen ol idos,
des aca-
-se,
segundo
a
OMS,
«a
cul u a
de
segu anc¸a
do
doen e
pouco
en aizada»28,37.
Con udo,
quando
se
ala
em
segu anc¸a
dos
u en es/doen es
suben ende-se
que
es amos
pe an e
um
concei o
p agmá-
ico
e
bem
delimi ado,
supos amen e
ácil
de
iden i ica ,
analisa
e
p opo
mudanc¸as
no
sen ido
da
sua
educ¸ão
ou
eliminac¸ão.
A
ealidade
ap esen a-nos
algumas
pa icula i-
dades,
que
o nam
di ícil
a
sua
abo dagem
nas
o ganizac¸ões
de
saúde
em
ge al
e
nos
CSP
em
pa icula .
Es e
ac o
de e-
-se,
essencialmen e,
à
complexidade
das
o ganizac¸ões
de
saúde,
ao
ca á e
mul i a o ial
das
si uac¸ões
que
es ão
po
de ás
das
alhas
de
segu anc¸a
(ou
seu
desconhecimen o)
e,
não
menos
impo an e,
à
sensibilidade
do
ema38 ou
sob e
o
ema.
Rela i amen e
à
p imei a
ques ão,
é
comum
e e i
que
a
gene alidade
das
o ganizac¸ões
de
saúde
se
ca a e iza
po
se em
sis emas
de
g ande
complexidade
de ido
a
á ios
a o-
es,
dos
quais
se
des acam:
i)
os
seus
p incípios
de
equidade,
uni e salidade,
acessibili-
dade;
ii)
as
ca a e ís icas
das
a i idades
e
p ocessos
que
desen ol-
em,
ais
como
um
conjun o
de
écnicas
de
diagnós icos
e/ou
e apêu ica
de
complexidade
ecnológica
a iá el
e
ealizadas
em
con ex os
com
inúme as
pa icula idades;
iii)
o
ac o
de
es a em
inse idas
num
me cado
impe ei o
onde
a
imp e isibilidade
da
p ocu a
é
uma
cons an e;
i )
do adas
de
pouco
pode
de
decisão,
com
expe a i as
po
ezes
mui o
ele adas,
associado
a
si uac¸ões
de
agilidade
ísica,
emocional,
psicológica
e
social;
)
as
ca a e ís icas
dos
seus
p o issionais
com
o mac¸ão
mui o
especí ica;
habi uados
a
uma
o e
componen e
do
abalho
em
equipas
mul idisciplina es;
desen ol endo
uma
a i idade
in ensa
e
numa
á ea
em
cons an e
e oluc¸ão
écnica
e
cien í ica.
Nas
ins i uic¸ões
de
CSP
ac esce
aos
a o es
an e io men e
ap esen ados
a
exis ência
de
uma
o ganizac¸ão
ainda
mais
he e ogénea
quando
compa ada
com
os
hospi ais,
onde
a
p es ac¸ão
de
cuidados
se
desen ol e
na
comunidade
e
nos
di e en es
locais
de
ida
dos
u en es,
con ex os
mui o
pa i-
cula es
e
di íceis
de
con ola ,
como
são
exemplo
a
escola
e
o
local
de
abalho.
Es a
ques ão
em
ambém
implicac¸ões
sob e
o
segundo
aspe o
que
di icul a
a
abo dagem
da
segu anc¸a
dos
doen-
es
nos
CSP:
o
ca á e
mul i a o ial
das
si uac¸ões
que
es á
po
de ás
das
alhas
de
segu anc¸a,
que
associado
à
escassa
p oduc¸ão
de
e idência
nes a
á ea
di icul a
o
seu
conheci-
men o.
Em
elac¸ão
à
e cei a
ques ão
sob e
a
sensibilidade
do
e
sob e
o
ema,
impo a
e e i
que
a
segu anc¸a
do
doen e
em
subjacen e
uma
ideia
de
«iden i ica
e os
pa a
puni
culpados»,
o nando-se
po
isso
uma
á ea
mui o
sensí el
e
pouco
a a i a
à
colabo ac¸ão
dos
p o issionais.
Os
p o issio-
nais
de
saúde
não
são
p epa ados
na
sua
o mac¸ão
pa a
lida
com
os
e os,
p incipalmen e
po que
es es
são
associados
a
sen imen os
de
incapacidade,
culpa,
e gonha
e
incompe ên-
cia,
além
do
medo
de
sanc¸ões
legais,
é icas
e
sociais.
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
203
Po
ou o
lado,
a
sensibilidade
pa a
com
o
ema
(ou
a
sua
al a)
pode
cons i ui
uma
impo an e
di iculdade
à
sua
abo -
dagem,
con ibuindo
pa a
isso
a
alsa
pe cec¸ão
de
que
o
ipo
de
cuidados
de
saúde
p es ados
nos
CSP
são
do ados
de
g ande
simplicidade
e
de
pouca
ecnologia
e
só
po
isso
a
segu anc¸a
não
cons i ui
um
p oblema5.
Podemos
assim
conclui
que
c ia
uma
cul u a
de
segu anc¸a
é
um
abalho
á duo
e
não
acon ece
au oma ica-
men e.
Alguns
au o es
e e em
a
necessidade
de
exis i em
3
subcomponen es
undamen ais
pa a
o
seu
desen ol imen o,
qualque
que
seja
o
con ex o
onde
os
cuidados
são
p es ados.
São
eles:
i)
a
exis ência
de
uma
cul u a
de
epo e;
ii)
a
exis ência
de
uma
cul u a
jus a;
iii)
a
segu anc¸a
aze
pa e
dos
obje i os
es a égicos
da
ins i uic¸ão4,15,39,40.
Maamoun41 ap esen a
uma
pe spe i a
in e essan e
sob e
os
p og amas
de
segu anc¸a
do
doen e,
e e indo
que
es es
são
alice c¸ados
em
4
pila es,
designados
pelos
4
Cs:
mudanc¸a
na
Cul u a;
Colhei a
de
dados
a a és
de
um
sis ema
de
ela-
ó ios
de
inciden es;
Cálculo
de
iscos
pa a
os
doen es
e
audi o ias
Clínicas.
Es es
pila es
es ão
sus en ados
em
3
a i-
idades
essenciais:
a
engenha ia
dos
a o es
humanos,
a
comunicac¸ão
e icaz
e
a
educac¸ão
da
equipa
pa a
a
segu anc¸a
do
doen e.
Nes a
ó ica,
concluímos
que
a
segu anc¸a
não
se
pode
cen-
a
numa
pessoa,
num
equipamen o
ou
num
se ic¸o.
Ela
eme ge
da
in e ac¸ão
de
odos
os
componen es
de
um
sis ema.
Melho a
a
segu anc¸a
depende
da
comp eensão
e
análise
dessa
in e ac¸ão.
Uma
análise
cuidada
dos
a o es
desencadean es
do
e o
mos a
que
uma
sé ie
de
inciden es,
mesmo
numa
p á ica
segu a,
mas
in luenciados
pelo
ambien e
de
abalho
e
pela
en ol en e
o ganizacional,
podem
p oduzi
um
mau
esul-
ado.
Des a
o ma
o
e o
humano
de e
se
enca ado
de
2
modos
di e en es:
o
do
indi íduo
e
o
da
o ganizac¸ão.
A
abo dagem
do
sis ema
le a
em
conside ac¸ão
o
con ex o
em
que
os
e os
oco em,
p econizando
que
os
indi íduos
são
alí eis
e
que
odas
as
o ganizac¸ões,
incluindo
aquelas
de
excelência
em
segu anc¸a,
i ão
con i e
com
uma
ce a
axa
de
e os.
Assim,
es a
abo dagem
de ende
se
p e e í el
muda
o
sis ema,
de
o ma
a
o ná-lo
mais
segu o,
do
que
muda
as
condic¸ões
humanas42.
A
abo dagem
do
sis ema
em
sido
de endida
como
a
mais
e e i a
pa a
eduzi
o
e o
e
a
oco -
ência
de
inciden es.
A
sua
implemen ac¸ão
eme e
pa a
a
p omoc¸ão
de
uma
cul u a
de
iabilidade15,
que
se
ca a e iza
pela
ges ão
do
inespe ado,
das
oscilac¸ões,
dos
inciden es
e
das
elac¸ões
in e pessoais.
Os
inciden es
oco em
de
o ma
imp e is a
e
pe u bam
o
desen ol imen o
no mal
do
sis ema.
A
ges ão
des es
e en-
os
passa
pela
sua
iden i icac¸ão,
egis o,
análise,
discussão
e
p e enc¸ão,
numa
cul u a
de
esponsabilidade
e
não
de
culpabilizac¸ão.
Nas
o ganizac¸ões
com
um
pad ão
de
al a
iabilidade,
como
de e iam
se
exemplo
as
o ganizac¸ões
p es ado as
de
cuida-
dos
de
saúde,
o
egis o
do
e o
com
base
numa
pe spe i a
de
ap endizagem
de e
se
incen i ado
como
uma
a i ude
p o-
a i a
p e en i a
e
sis emá ica
de
oda
a
equipa
de
saúde,
pela
ap endizagem
que
daí
ad ém
e
sob e udo
pela
mais-
- alia
que
a
o ganizac¸ão
adqui e,
e i ando
a
sua
eco ência
e
aumen ando
a
c edibilidade
da
o ganizac¸ão
e
dos
seus
p o is-
sionais.
Po ém,
a
di iculdade
dos
p o issionais
em
no i ica
associa-se
p incipalmen e
ao
medo
de
punic¸ão39,43,44 e
ao
des-
conhecimen o
sob e
o
obje i o
eal
da
no i icac¸ão45.
Des a
o ma,
e o c¸a
o
conhecimen o
da
equipa
de
saúde
sob e
segu anc¸a
do
doen e
a a és
da
o mac¸ão,
assumindo
que
o
e o
em
saúde
exis e
e
é
ine en e
à
p es ac¸ão
de
cui-
dados,
comp eende
os
ipos
de
inciden es,
suas
causas
e
consequências;
não
puni
o
p o issional
en ol ido;
man e
o
anonima o
dos
en ol idos
e
e i a
que
as
in o mac¸ões
sob e
os
e en os
ad e sos
sejam
u ilizadas
pa a
ac¸ões
c iminais,
o na-se
essencial
pa a
a
exis ência
de
uma
e dadei a
cul-
u a
de
segu anc¸a
do
doen e
nas
o ganizac¸ões
de
saúde,
onde
o
desen ol imen o
de
um
sis ema
de
no i icac¸ão
de
e en-
os
ad e sos
assume
pa icula
impo ância,
sob e udo
ao
ní el
da
iden i icac¸ão
e
es abelecimen o
de
es a égias
de
p e enc¸ão
dos
e en os
ad e sos39.
Pa a
que
um
sis ema
de
egis o
de
inciden es
uncione
ade-
quadamen e
é
necessá io:
•
desen ol e
uma
cul u a
de
esponsabilizac¸ão
e
não
de
culpabilizac¸ão;
•
análise
dos
inciden es
com
ên ase
no
sis ema
e
não
no
indi-
íduo;
•
ela o
cen ado
na
oco ência,
man endo
pa a
ins
es i os
de
no i icac¸ão
o
anonima o;
•
incu i
a
au opa icipac¸ão
de
e en os
ne as os
e
pe mi i
semp e
o
e o no
de
in o mac¸ão
pa a
es imula
a
co ec¸ão
e
a
melho ia
p e enindo
no as
oco ências
de
isco
–
epe i
e os
não
é
cons ui
expe iência;
•
simpli icac¸ão
do
sis ema
de
ela o:
«poucos
i ens,
mas
undamen ais,
simpli icac¸ão
do
egis o
e
ansmissão,
em
suma,
melho ia
na
comunicac¸ão»46.
Uma
comunicac¸ão
abe a
sob e
os
p oblemas
elaciona-
dos
com
a
segu anc¸a,
um
abalho
de
equipa
e icaz/e icien e
e
o
apoio
dos
líde es
o ganizacionais
no
es abelecimen o
da
segu anc¸a
como
uma
p io idade
são
impo an es
ca ac-
e ís icas
da
cul u a
de
segu anc¸a
do
doen e.
Ou
seja,
oda
es a
na u eza
mul idimensional
sob e
a
cul u a
de
segu anc¸a
mos a
que
é
necessá io
in e i
em
di e sas
dimensões9.
Em
Po ugal,
a
segu anc¸a
do
doen e
e
a
no i icac¸ão
e
esoluc¸ão
de
e en os
ad e sos,
mais
do
que
uma
necessidade,
de e
ans o ma -se
numa
o ina
e
não
na
excec¸ão.
É
u gen e
implemen a
mudanc¸as
que
p omo am
es a
cul u a
e
o nem
odas
as
a i idades
de
cuidado
aos
doen es,
desde
a
en ada
a é
à
saída,
segu as
e
edu o as
do
isco
de
so e
e en os
ad e sos.
Ao
ní el
dos
CSP
es e
p ocesso
é
ainda
mais
u gen e,
dado
que
a
maio ia
das
in e enc¸ões
se
em
cen ado
nos
cuidados
de
saúde
hospi ala es.
Deseja elmen e,
a
implemen ac¸ão
de
um
sis ema
de
moni o izac¸ão
e
de
p e enc¸ão
de
e en os
ad e sos
ao
ní el
dos
ACES
de e ia
se
conside ado
um
indicado
de
boas
p á i-
cas
e,
p o a elmen e,
no
u u o,
um
a o
de
con a ualizac¸ão
com
os
seus
clien es
di e os:
os
cidadãos17.
204
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
Conclusão
Num
pe íodo
de
aumen o
exponencial
das
expe a i as
e
das
exigências
dos
cidadãos
a
ma gem
de
acei ac¸ão
do
insucesso
é
mui o
pequena,
pelo
que
alhas
na
segu anc¸a
não
são
ole a-
das
nem
ão
pouco
comp eendidas,
o
que
aliás
se
suben ende
se
se
i e
em
con a
que
as
alhas
na
á ea
da
saúde
podem
esul a
em
danos
g a es
ou
a é
mesmo
em
mo e,
an o
em
con ex o
hospi ala
como
em
CSP.
Nes e
úl imo
con ex o,
oco em
dia iamen e
milhões
de
a endimen os
em
oda
a
UE,
po ém
o
clien e
nem
semp e
se
ap esen a
na
condic¸ão
de
doen e,
o
que
não
elimina
a
pos-
sibilidade
do
mesmo
se
í ima
de
uma
si uac¸ão
de
al a
de
segu anc¸a
na
p es ac¸ão
dos
cuidados
de
saúde,
con a iando
a
alsa
pe cec¸ão
de
que
nos
CSP,
po
se
um
ambien e
do ado
de
baixa
ecnologia,
a
segu anc¸a
do
doen e
não
cons i ui
um
p oblema!
Ine i a elmen e
os
e os
exis em,
que
elaciona-
dos
com
os
p o issionais
que
elacionados
com
o
sis ema.
São
uma
cons an e
na
p á ica
clínica
e
podem
oco e
em
qualque
ase
do
p ocesso
da
p es ac¸ão
de
cuidados.
Des a
o ma,
oi
nosso
obje i o
na
elabo ac¸ão
des e
a-
balho
e idencia
a
ine i abilidade
de
p omo e
uma
cul u a
de
segu anc¸a
nas
ins i uic¸ões
de
saúde
em
ge al
e
nos
CSP
em
pa icula ,
endo
em
con a
que
es a
emá ica,
no
segundo
con ex o,
se
encon a
num
ní el
de
desen ol imen o
mui o
in e io
em
elac¸ão
ao
p imei o.
No
âmbi o
da
ecen e
e o ma
dos
CSP,
ealc¸amos
a
in e enc¸ão
dos
Concelhos
Clínicos
e
de
Saúde
dos
ACES,
que
de em
a ua
como
p omo o es
de
p á icas
e
desempenhos
p o issionais
segu os,
e e i os
e
de
ele ada
qualidade,
e,
po
isso,
incen i a
e
acili a
o
desen ol imen o
de
p oje os
locais
na
á ea
da
segu anc¸a
do
doen e.
A
ocul ac¸ão
do
e o
é
po
si
só
um
e en o
ad e so.
A
sua
p e enc¸ão
é
sob e udo
um
p oblema
de
mudanc¸a
de
a i ude
e
de
cul u a5,
mo i o
pelo
qual
a
segu anc¸a
do
doen e
não
é
uma
p oblemá ica
indi idual
nem
de
uma
ca ego ia
p o issional,
mas
de
um
p ocesso
que
en ol e
uma
ans o mac¸ão
a
ní el
ins i ucional.
É
es a
ans o mac¸ão
que
que emos
p omo e
nas
nos-
sas
ins i uic¸ões
de
saúde,
pelo
que
espe amos
que
a
in e p e ac¸ão,
análise
e
e lexão
ap esen adas
nes e
a igo
possam
se
um
impo an e
con ibu o
pa a
es a
impo an e
missão.
Con li o
de
in e esses
Os
au o es
decla am
não
ha e
con li o
de
in e esses.
b
i
b
l
i
o
g
a
i
a
1.
Wo ld
Heal h
O ganiza ion.
Quali y
o
ca e:
A
p ocess
o
making
s a egic
choices
in
heal h
sys ems.
Gene a:
WHO;
2006.
2.
Wo ld
Heal h
O ganiza ion.
Wo ld
Alliance
Fo
Pa ien
Sa e y.
Resea ch
o
pa ien
sa e y:
Be e
knowledge
o
sa e
ca e.
Gene a:
WHO;
2008.
3.
Ba es
DW,
La izgoi ia
I,
P asopa-Plaizie
N,
Jha
AK.
Global
p io i ies
o
pa ien
sa e y:
Resea ch
p io i y
se ing
wo king
g oup
o
he
WHO
Wo ld
Alliance
o
Pa ien
Sa e y.
BMJ.
2009;338:1242–4.
4.
Jha
AK,
P asopa-Plaize
N,
La izgoi ia
I,
Ba es
OW.
Pa ien
sa e y
esea ch:
An
o e iew
o
he
global
e idence.
Qual
Sa
Heal h
Ca e.
2010;19:42–7.
5.
Eu opean
Socie y
o
Quali y
in
Heal hca e.
P ojec
LINNAEUS:
A
classi ica ion
sys em
o
ad e se
e en s
in
heal hca e.
[In e ne ].
Lime ick:
The
Eu opean
Socie y
o
Quali y
in
Heal hca e;
2009.
[ci ado
20
Ou
2012].
Disponí el
em:
h p://www.esqh.ne /www/abou /p esen a ions/ iles/ olde
1227273021/P ojec
LINNAEUS
-
A
classi ica ion
sys em
o
ad e se
e en s
in
heal hca e.pd
6.
O ganizac¸ão
Mundial
da
Saúde.
Cuidados
de
Saúde
P imá ios:
ago a
mais
que
nunca:
ela ó io
mundial
de
saúde
2008.
Lisboa:
Minis é io
da
Saúde;
2008.
7.
Po ugal.
Minis é io
da
Saúde.
Di ecc¸ão
Ge al
da
Saúde.
Es u u a
conce ual
da
classi icac¸ão
in e nacional
sob e
segu anc¸a
do
doen e.
Lisboa:
Di ec¸ão
Ge al
da
Saúde;
2011.
8.
Ha ada
M,
Ped ei a
M,
Pe e lini
M.
O
e o
humano
e
a
segu anc¸a
do
pacien e.
São
Paulo:
A heneu;
2006.
9.
Ashid
J.
Summa y
o
he
e idence
on
pa ien
sa e y.
Gene a:
Wo ld
Heal h
O ganiza ion;
2008.
10.
Wo ld
Heal h
O ganiza ion.
Pa ien
sa e y
s udy:
Rapid
assessmen
me hods
o es ima ing
haza ds:
Repo
o
a
WHO
wo king
g oup
mee ing.
Gene a:
WHO;
2002.
11.
Wea s
WR.
O ganiza ion
and
sa e y
in
heal h
ca e.
Qual
Sa
Heal h
Ca e.
2004;13
Suppl
II:10–1.
12.
Be wick
D.
The
science
o
imp o emen .
JAMA.
2008;299:1182–4.
13.
Kohn
LT,
Co igan
JM,
Donaldson
MS.
To
e
is
human:
Building
a
sa e
heal h
sys em:
A
epo
o
he
Commi ee
on
Quali y
o
Heal h
Ca e
in
Ame ica.
In:
Ins i u e
o
Medice.
Washing on,
DC:
Na ional
Academy
P ess;
2000.
14.
U.K.
Depa men
o
Heal h.
An
o ganiza ion
wi h
a
memo y.
London:
The
S a iona y
O ice;
2000.
15.
F aga a
J,
Ma ins
L.
O
e o
em
medicina:
pe pec i as
do
indi íduo
da
o ganizac¸ão
e
da
sociedade.
Coimb a:
Almedina;
2004.
16.
Lage
M.
Segu anc¸a
do
doen e:
da
eo ia
à
p á ica
clínica.
Re
Po
Saúde
Pública.
2010;10:11–6.
17.
Ribas
MJ.
E en os
ad e sos
em
cuidado
de
saúde
p imá ios:
p omo e
uma
cul u a
de
segu anc¸a.
Re
Po
Clinica
Ge al.
2010;26:585–9.
18.
Ribei o
JM.
Saúde:
a
libe dade
de
escolhe .
Lisboa:
G adi a;
2009.
19.
Mendes
W,
T a assos
C,
Ma ins
M,
No onha
J.
Re isão
dos
es udos
de
a aliac¸ão
da
oco ência
de
e en os
ad e sos
em
hospi ais.
Re
B as
Epidemiol.
2005;8:393–406.
20.
Comissão
das
Comunidades
Eu opeias.
Comunicac¸ão
da
Comissão
ao
Pa lamen o
Eu opeu
e
ao
Conselho
sob e
a
segu anc¸a
dos
doen es,
incluindo
a
p e enc¸ão
e
o
con olo
de
in ecc¸ões
associadas
aos
cuidados
de
saúde.
B uxelas:
Comissão
das
Comunidades
Eu opeias;
2008.
21.
Sousa
P,
U a
AS,
Se anhei a
F.
In es igac¸ão
e
ino ac¸ão
em
segu anc¸a
do
doen e.
Re
Po
Saúde
Pública.
2010;10:89–95.
22.
Sousa
P,
U a
AS,
Se anhei a
F,
Lei e
E,
Nunes
C.
Segu anc¸a
do
doen e:
e en os
ad e sos
em
hospi ais
po ugueses:
es udo
pilo o
de
incidência,
impac e
e
e i abilidade.
Lisboa:
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Uni e sidade
No a
de
Lisboa;
2011.
23.
Ins i u o
Nacional
de
Es a ís ica.
Dados
es a ís icos.
Base
de
dados.
Saúde.
Acc¸ão
desen ol ida.
[In e ne ]
Lisboa:
Ins i u o
Nacional
de
Es a ís ica,
2010.
[ci ado
12
Dez
2012].
Disponí el
em:
h p://www.ine.p /xpo al/xmain?xpid=INE&xpgid=ine
base
dados&con ex o=bd&selTab= ab2
24.
MaKeham
M,
Do ey
S,
Runciman
W,
La izgoi a
I,
On
behal
o
he
Me hods
&
Measu es
Wo king
G oup
o
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WHO
Wo ld
Alliance
o
Pa ien
Sa e y.
Me hods
and
measu es
used
in
e
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d
e
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ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
4;3
2(2):197–205
205
p ima y
ca e
pa ien
sa e y
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Resul s
o
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li e a u e
e iew.
Gene a:
WHO;
2008.
25.
Júnio
D,
Siquei a
J,
Tenó io
da
Sil a
D,
Almeida
L,
Ba os
da
Sil a
W,
Sousa
P,
e
al.
E o
medicamen oso
em
cuidados
de
saúde
p imá ios
e
secundá ios:
dimensão,
causas
e
es a égias
de
p e enc¸ão.
Re
Po
Saúde
Pública.
2010;10:40–6.
26.
Pey on
L,
Ramse
K,
Hamann
G,
Pa el
D,
Kuhl
D,
Sp abe y
L,
e
al.
E alua ion
o
medica ion
econcilia ion
in
an
ambula o y
se ing
be o e
and
a e
pha macis
in e en ion.
J
Am
Pha m
Assoc.
2010;50:490–5.
27.
Minis e io
de
Sanidad
y
Consumo.
Es udio
APEAS:
es udio
sob e
la
segu idad
de
los
pacien es
en
A ención
P ima ia
de
Salud.
Mad id:
Minis e io
de
Sanidad
y
Consumo;
2008.
28.
Wo ld
Heal h
O ganiza ion.
Wo ld
Alliance
o
Pa ien
Sa e y.
Gene a:
WHO;
2008.
Fo wa d
p og amme
2008-2009.
29.
O dem
dos
En e mei os.
Segu anc¸a
do
doen e
17.
Lisboa:
O dem
dos
En e mei os;
2005.
30.
Klempik
K,
Ho mann
B,
Ge lech
FM.
Pa ien
sa e y
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classi ica ion
in
p ima y
ca e:
P elimina y
ecommenda ions
o
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expe
ad iso y
g oup.
Gene a:
Wo ld
Heal h
O ganiza ion;
2010
[ci ado
20
Ou
2012].
Disponí el
em:
h p://www.equip.ch/ iles/55/19
klemp
ecommenda ions.pd
31.
Despacho
n◦14223/2009.
DR.
2aSé ie.
120
(2009-06-24).
24667-24669.
P ocede
à
ap o ac¸ão
da
Es a égia
Nacional
pa a
a
Qualidade
na
Saúde.
32.
Po a ia
n.◦155/2009.
DR.
2aSé ie.
28
(2009-02-10).
Al e a
as
Po a ias
n.◦s
644/2007,
de
30
de
Maio,
que
es abelece
a
es u u a
nuclea
da
Di ecc¸ão-Ge al
da
Saúde
e
as
compe ências
das
espec i as
unidades
o gânicas,
646/2007,
de
30
de
Maio,
que
ap o a
os
Es a u os
da
Adminis ac¸ão
Cen al
do
Sis ema
de
Saúde,
I.P.,
e
660/2007,
de
30
de
Maio,
que
ixa
o
núme o
máximo
de
unidades
o gânicas
lexí eis
e
a
do ac¸ão
máxima
de
che es
de
equipas
mul idisciplina es
da
Di ecc¸ão-Ge al
da
Saúde.
33.
Po ugal.
Minis é io
da
Saúde.
Missão
pa a
os
Cuidados
de
Saúde
P imá ios.
Re o ma
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios:
plano
es a égico
2010-2011.
Lisboa:
Minis é io
da
Saúde;
2010.
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Wo ld
Heal h
O ganiza ion.
E alua ion
o
he
na ional
heal h
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o
he
Commi ee
o
Minis e s
o
membe
s a es
on
managemen
o
pa ien
sa e y
and
p e en ion
o
ad e se
e en s
in
heal h
ca e.
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Commi ee
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Minis e s.
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in e en ions
a e
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opinião
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