Nº Aluno: a50868
Os meios de comunicação na o mação da opinião pública sob e as
mig ações no medi e âneo: Os casos de Ceu a e Melilla
Lo ena Pamplona Nascimen o Gonçal es
Disse ação de Mes ado em Mig ações, In e -e nicidades e T ansnacionalismo
O ien ado a: P o esso a Dou o a Dulce Pimen el
No emb o de 2019
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Mig ações, In e -e nicidades e T ansnacionalismo, ealizada sob a o ien ação cien í ica
da P o esso a Dou o a Dulce Pimen el
“Aquilo que oi c iado como ins umen o de democ acia di e a, não de e se
con e ido em mecanismos de op essão simbólica”
Pie e Bou dieu, 1997. Sob e a Tele isão.
Ag adecimen os
Ag adeço, em p imei o luga , a minha amília que me p opo cionou a
opo unidade de c uza on ei as e i e de pe o um enômeno que deseja a an o
comp eende . Se ao mesmo empo imig an e e es udan e de mig ações é um exe cício
á duo de conhecimen o.
Ag adeço, ambém, po e a opo unidade que poucos e ão no meu país e po se
capaz de econhece o p i ilégio que me oi concedido em es a aqui.
Gos a ia de dedica especial ag adecimen o a P o esso a Dulce Pimen el pela
a enção e supo e ao longo des e p ocesso. Ob igada po se semp e solíci a e
enco ajado a ace às minhas di iculdades e con a empos.
Ag adeço a odos os que idos amigos iz em Po ugal que ao longo des a jo nada
es i e am ao meu lado e ize am com que a dis ância de casa e daqueles que amamos se
o nasse menos di ícil.
Ag adeço aos meus amigos do B asil que mesmo dis an es, se azem p esen es
nos momen os que p eciso e me enco aja am a ence a es e ciclo pa a ab i ma gem a
u u as opo unidades.
A odos, meu mui o ob igada.
RESUMO
O obje i o do p esen e es udo é analisa o papel da mídia na o mação da opinião pública
sob e as mig ações no medi e âneo com o es udo de caso do jo nal El País e suas
publicações sob e a o a en e Ma ocos e Espanha, mais especi icamen e, em Ceu a e
Melilla no ano de 2018. A a és do mé odo de análise de con eúdo de Ba din, a pesquisa
mos ou os p incipais emas abo dados no ano de 2018 pelo jo nal bem como o modo que
os mig an es são expos os.
Pala as-cha e: Análise de con eúdo; mídia; opinião pública; El País; Ceu a; Melilla.
ABSTRACT
The aim o his s udy is o analyze he ole o he media in shaping he public opinion on
Medi e anean mig a ions wi h he case s udy o he newspape El País and i s
publica ions abou he mig a ion ou e be ween Mo occo and Spain, mo e speci ically, in
Ceu a and Melilla in 2018. Based on Ba din’s me hod o con en analysis, he esea ch
showed he main opics add essed in 2018 by he newspape as well as he way mig an s
a e exposed.
Keywo ds: Con en Analysis; media; public opinion; El País; Ceu a; Melilla
Sumá io
INTRODUÇÃO.................................................................................................................1
Capí ulo I – Mig ações e mídia: p oblema ização, obje i os e mé odos...........................7
1.1 P oblema......................................................................................................................7
1.2 Concepção do es udo...................................................................................................8
1.2.1. Obje i os..................................................................................................................8
1.2.2 Mé odo......................................................................................................................9
1.2.2.1 Quad o de ope acionalização.................................................................................9
1.2.2.2 Opção Me odológica............................................................................................12
1.3 Re isão eó ica ...........................................................................................................12
Capí ulo II - Os mu os do Medi e âneo: o his ó ico da cons ução das ba ei as de Ceu a
e
Melilla..............................................................................................................................19
2.1 O igem das on ei as.................................................................................................20
2.2 His ó ia con empo ânea .............................................................................................21
2.2.1 Análise dos aco dos sob e mig ações en e Espanha e Ma ocos.............................25
2.2.2 Dados da imig ação i egula a a és de Ceu a e Melilla,
2018.................................................................................................................................31
Capí ulo III - A abo dagem midiá ica sob e a o a en e Ma ocos e Espanha..................34
3.1 Fon es e limi ações da in o mação publicada no jo nal El País du an e 2018.............35
3.2 Resul ados da análise de con eúdo..............................................................................38
Capí ulo IV - A pe cepção da imig ação: e olução da opinião pública eu opeia e
espanhola a a és de dados do Eu oba óme o (Eu os a ) de 1996 a 2018........................49
Conside ações Finais .......................................................................................................63
Bibliog a ia
Anexos
SIGLAS E ACRÔNIMOS
CEE – Comunidade Económica Eu opeia
CETI - Cen o de Es ancia Tempo al de Inmig an es (Cen o de Es adia Tempo á ia de
Imig an es)
FRONTEX - Agência Eu opeia da Gua da de F on ei as e Cos ei a
ONG - O ganização não-go e namen al
ONU - O ganização das Nações Unidas
TEDH - T ibunal Eu opeu dos Di ei os Humanos
UE - União Eu opeia
1
In odução
“A mig ação em si é um enômeno mul i ace ado, e sua
combinação com o mundo complexo da comunicação mode na acaba
po p oduzi um gigan esco e apa en emen e caó ico conjun o de
ealidades in e a i as, como uma máquina cujas eng enagens es ão
odas in e ligadas e dependendo uma da ou a pa a abalha
co e amen e, sem - como mui as ezes acon ece is emen e - ica
p eso em um beco sem saída sociopolí ico.” (Jacomella, 2010, p.13)
A mídia – jo nais, ele isão, ádio e in e ne - possui papel cen al na in o mação
do público ace ca dos a os que oco em no mundo, especialmen e sob e assun os que a
audiência não possui conhecimen o especí ico ou expe iência. Po sua ez, a audiência
o na-se mais dependen e e/ou con ian e nos canais aos quais acessa pa a busca
in o mações. Is o não signi ica que o público não possua senso c í ico a espei o do que
ecebe, mas a ques ão cen al aqui é que a mídia em o pode de de ini a agenda de
deba es, azendo a enção do público aos emas que escolhem (Happe , Philo, 2013,
p.321).
Do mesmo modo, o p ocesso de cons ução do con eúdo midiá ico possui ex ema
ele ância nos deba es públicos ace ca das mig ações nes e século. A opinião pública az
pa e do p ocesso de desen ol imen o das polí icas mig a ó ias, em especial, na União
Eu opeia que se pau a em p incípios democ á icos pa a c iação de seus sis emas
egula ó ios – o que ag ega impo ância ao papel da sociedade ci il e opinião pública na
cons ução des as polí icas.
Nas décadas de 1980 e 1990, os países desen ol idos in ensi ica am seus es o ços
em o no do con ole de luxos mig a ó ios a a és do es abelecimen o de aco dos, como
é o caso do Aco do Schengen (1985), implemen ado em 1995 pela União Eu opeia, e o
T a ado de Ams e dam (1997) e mais ecen emen e a Agenda Eu opeia pa a a Mig ação
(2015) que desen ol e am as polí icas de asilo pa a a egião. Apesa des es es o ços, há
uma pe cepção na opinião pública, como a gumen a Cas les (2004), de que as mig ações
es ão o a do con ole.
O que de a o se obse a é uma a ian e mais ep essi a em elação ao
es ei amen o dos con oles on ei iços e o discu so de que as aízes dos p oblemas que
le am à mig ação de em se sanadas em sua o igem (Cas les, 2008).
No ano de 2010, o núme o es imado de mig an es gi a a em o no da casa de 214
milhões de indi íduos, um aumen o de 58 milhões em elação ao ano de 1990. Des es 58
2
milhões, 76 po cen o e am nascidos no Hemis é io Sul. Em 2010, os mig an es
in e nacionais já co espondiam a 3,2 po cen o da população mundial. As egiões
desen ol idas e am an i iãs de ao menos 60 po cen o des es mig an es, sendo os Es ados
Unidos o maio an i ião a é en ão com 20 po cen o (42,8 milhões) e, em seguida, a
Eu opa (ONU, 2010).
Após o ano de 2010, dada a p oximidade geog á ica en e a egião com maio
ní el emig a ó io (Á ica) e a Eu opa, as a enções públicas eu opeias ol a am a da
des aque às mig ações, seja no meio acadêmico, nas al e ações das polí icas mig a ó ias
ou nos meios de comunicação, em especial, de ido à c ise no Medi e âneo e ao aumen o
do núme o de mig an es e e ugiados após o es opim da chamada P ima e a Á abe
1
nos
países do No e da Á ica e O ien e Médio, dando des aque, ao caso da Sí ia, que se
encon a em gue a ci il desde en ão (Ma celino, 2012).
Uma das p incipais o as a uais conec a T ípoli, na Líbia, com a ilha de
Lampedusa, na I ália – que chamou a enção do público aos casos de mo e po nau ágio
de milha es de e ugiados que se a iscam a a a essa o Medi e âneo em emba cações
ilegais
2
(AI, 2013). Os mig an es u ilizam-se das o as ma í imas que conec am Líbia,
Ma ocos, Egi o e A gélia às ilhas g egas e i alianas. Ou o pe cu so com al o luxo é o
e es e, u ilizando-se das cos as u ca e espanhola
3
.
Apenas no ano 2017, es ima-se a en ada de ap oximadamen e 179 mil indi íduos
na Eu opa pelas o as do Medi e âneo
4
. A al a p esença de imig an es nos países
desen ol idos ociden ais em p oduzindo uma plu alidade cul u al e em p o ocado uma
econ igu ação das imagens e ep esen ações dos “ou os” (es angei os; imig an es)
(Cogo, 2001, p.12). A midia ização des as expe iências acaba po cons ui
1
“P ima e a Á abe” como é no malmen e ci ada no uso popula e na mídia, aqui en e aspas de ido à
elu ância de alguns au o es em denomina a onda de p o es os oco idos no Médio O ien e a pa i de 2010
como “p ima e a”, pois es a se dá de ido a uma alusão à P ima e a dos Po os (1848) que oco e am na
Eu opa Cen al e O ien al, pa alelismo que não se adequa à onda de p o es os con empo ânea nos países
á abes.
2
Es ima-se que 19.000 mig an es mo e am na a essia do Medi e âneo desde 2013. Disponí el em:
h ps://www.in omig an s.ne /en/pos /20055/mig an -dea hs-19-000-in-medi e anean-in-pas -6-yea s
Acessado em: 10/11/2019
3
Anexo I – Labo a ó io de Demog a ia e Es udos Populacionais (UFRJ). 2014. As Pe igosas Ro as de
Mig ação pa a En ada na Eu opa. Disponí el em: h p://www.u j .b /ladem/2014/09/23/as-pe igosas-
o as-de-mig acao-pa a-en ada-na-eu opa/ Acesso em: 30/11/2017
4
5 OIM. 2017. Mig a ion Flows o Eu ope - Recen T ends 2017. Disponí el em:
h p://mig a ion.iom.in /eu ope/ Acesso em: 16/12/2017
9
espanhol ace ca do ema das mig ações, em pa icula , sob e a o a que conec a Ma ocos
à Espanha.
A a és da análise de um dos p incipais jo nais diá ios espanhóis – El País – em
ma é ias elacionadas com mig ações no eixo Ma ocos/Espanha p opomos aze uma
análise de con eúdo de mídia sob e os luxos imig a ó ios em Ceu a e Melilla du an e o
ano de 2018.
Conside ando o aci amen o dos con oles on ei iços e i icado nos úl imos anos
nas on ei as da I ália e G écia, “po as de en ada” nas p incipais o as mig a ó ias do
Medi e âneo, a o a de Ceu a e Melilla ol ou a se mui o p ocu ada.
O p opósi o aqui se á comp eende de que modo a mídia em a capacidade de
o ma a opinião pública e, p incipalmen e, de ini agendas de deba e, ao c ia imagens
sob e o enômeno mig a ó io.
A mídia em adqui indo cada ez mais espaço na sociedade mundial e
ans o mando o modo como os indi íduos se elacionam, o mam suas ideias e de inem
os deba es públicos. Com amanha in luência, o na-se necessá io es uda o seu papel,
analisa e pesquisa o modo como es as edes de in o mações in luenciam o deba e
público e o mam as opiniões indi iduais ace ca de de e minados emas.
Consequen emen e, dada a ecen e c ise e a p essão mig a ó ia sob e a Eu opa,
analisa a elação en e ambos – mídia e mig ações – o na-se ex emamen e ele an e
pa a comp eende a o mação de opiniões públicas de países ecep o es e is o da á as
bases pa a, u u amen e, consegui mos analisa os mo i os que espaldam polí icas
públicas e o modo como a sociedade ecep o a i á ecebe es es indi íduos. A opinião
pública que an ecede a chegada des es imig an es mui o in luencia á no modo como es es
se ão acolhidos pela sociedade ecep o a.
1.2.2 Mé odo
1.2.2.1 Quad o de ope acionalização
A im de esponde ao ques ionamen o cen al des e abalho se á ei o,
p incipalmen e, uma análise quali a i a de ma e iais midiá icos. A seleção p opos a
co esponde ao p incipal jo nal espanhol, o El País, e sua pla a o ma online.
10
A seleção do pe iódico oi ei a endo po base quesi os de maio popula idade e
acesso diá ios, uma ez que quan o maio o núme o de lei o es, maio audiência e,
consequen emen e maio p opagação das len es usadas pa a a cons ução dos con eúdos.
No caso da Espanha, es a ís icas
10
de 2016/2017 mos am que o jo nal imp esso
Ma ca possui o maio núme o de lei o es diá ios (ap oximadamen e dois milhões) e o El
País é o segundo em lei o es de jo nais imp essos (ce ca de 1,1 milhões) e o p imei o em
acessos à pla a o ma online, seguidos do jo nal Diá io AS, com ap oximadamen e 1
milhão de lei o es.
A endendo a que an o a Ma ca quan o o Diá io AS são jo nais espo i os, não
se ão selecionados pa a o p esen e abalho, sendo mais ap op iado a seleção do El País,
pela maio i agem in e na e ambém po que é um jo nal com la go acesso de lei o es
online a ní el mundial.
Selecionada a on e p imá ia de con eúdo de mídia u iliza-se aqui como base um
guia p opos o po Jacomella (2010, p.20-21), ci ado na e isão eó ica des e abalho, com
quinze ques ões que auxiliam a ope acionalização da análise de con eúdo des e jo nal
sob e o ema p opos o:
1. Quan os a igos elacionados ao e en o/mig ação são publicados em
um dia? [classi icado em ela ó ios de no ícias, comen á ios,
en e is as, análise, ca as dos lei o es, ou os]
2. Em que seção do jo nal eles são publicados? [classi icados em
página inicial, p imei as páginas (2-6), páginas pos e io es, páginas de
comen á ios, páginas de ca as dos lei o es, páginas locais]
3. As manche es são sensacionalis as ou esc i as de o ma na u al?
4. Quem é ci ado? Quan as ezes? [classi icado em polí icos ou
uncioná ios (in e nacionais, nacionais, locais), ONGs (in e nacionais,
nacionais, locais), acadêmicos ou pesquisado es (in e nacionais,
nacionais), cidadãos (mig an es, nacionais), esc i o es ou jo nalis as
(in e nacionais, nacionais, local)]
5. Quando os mig an es são ci ados, quais í ulos / da as são
o necidos? [classi icado em p imei o nome, nome de amília, idade,
nacionalidade, í ulo de es udo, ou os (componen es amilia es,
abalho, e c.)]
6. Qual po cen agem do a igo é p a icamen e dedicada a in o ma a
oz dos mig an es? [classi icado - con ando a pa cela das linhas - em
0- 25%, 26-50%, 51-75%, 76-100%]
7. Se a oz dos mig an es es i e ep esen ada, é acializada (ou seja,
co esponden e a es e eó ipos: o abalhado ilegal, a p os i u a, e c.)?
8. Quan o aos a igos que alegadamen e de em da oz aos mig an es,
em que pa e da página eles são publicados? [classi icado na abe u a,
pa e de can o, pa e do meio, pa e in e io ]
10
The S a is ics Po al. 2017. Numbe o daily eade s o he leading newspape s in Spain in 2016/2017 (in
1,000 eade s). Disponí el em: h ps://www.s a is a.com/s a is ics/436643/mos - ead-newspape s-in-spain/
Acesso em: 15/12/2017
11
9. No que diz espei o aos an eceden es do e en o cen al, quais
in o mações écnicas/con ex o é o necido? [classi icado na cidadania
de mig an es, s a us legal de mig an es, a os e núme os sob e sua
p esença em país de des ino, a os e núme os de seu país de
p o eniência, quad o legal]
10. São on es de a os e núme os, especialmen e es ima i as, ci ados?
Se sim, quais?
11. Quais á eas semân icas são p edominan es na cobe u a, quando se
ol am a desc ição do papel dos mig an es na sociedade? [classi icado
em en iquecimen o / u ilidade, no malidade, p oblema / pe igo,
eme gência / medo, c iminalidade] Pa a cada á ea, ci e as pala as e a
sua equência de uso.
12. Em que o ma o idioma es á enquad ado? [classi icado em
escolhido pelo esc i o ou ci ado quando usado pelas on es]
13. Exis e uma p esença de e mos dep ecia i os, ou seja, de inições
ou pala as ou exp essões es e eo ipadas ou acis as? Raça ou e nia são
en a izadas desnecessa iamen e a a és de "signi ican es de aça"
(pala as ou o os)? [classi icado em sim ou não]
14. Os e mos de exclusão são usados? Os mig an es são de inidos
como o a da lei ou ilegais, clandes inos, em oposição aos "cidadãos
locais"? [classi icado em sim ou não]
15. Em que ca ego ização a i a ou passi a cai o "mig an e" e a ado
no a igo e em que medida? [classi icado em plena í ima, an o í ima
quan o in aso , o almen e in aso ]
Visando esponde ao obje i o cen al e a endo-se ao empo de pesquisa
disponí el, es e quad o de ope acionalização oi eadap ado às seguin es ques ões que
se ão espondidas no e cei o capí ulo:
1. Quan os a igos elacionados ao e en o ( o a mig a ó ia de Ma ocos a
Espanha) o am publicados no ano de 2018? [classi icados em oi o p incipais ca ego ias
que se ão dispos as no e cei o capí ulo]
2. Quais são os p incipais emas mais abo dados? [qual ca ego ia é mais
con inuamen e expos a/abo dada?]
3. As manche es são sensacionalis as ou esc i as de o ma na u al?
4. Quando os mig an es são ci ados, quais as pala as mais usadas pa a desc e ê-
los? [imig an es; sem papéis; clandes inos; i egula es; e ugiados]
5. Os e mos de exclusão são usados? Os mig an es são de inidos como o a da
lei ou ilegais, clandes inos, em oposição aos "cidadãos locais"? [classi icado em sim ou
não]
7. São on es de a os e núme os, especialmen e es ima i as, ci ados? Se sim,
quais?
12
8. Em que ca ego ização a i a ou passi a cai o "mig an e" e a ado no a igo e
em que medida? [classi icado em plena í ima, an o í ima quan o in aso , o almen e
in aso ]
1.2.2.2 Opção Me odológica
Dada a seleção de um jo nal pa a o p esen e abalho, se ão u ilizados mé odos de
análise de con eúdo quali a i os e quan i a i os. U iliza-se aqui como base eó ica as
me odologias de análise de con eúdo de Ba din (1977), a pe spec i a eó ica sob e a in e -
elação en e mídia e mig ações de Happe e Philo (2013) e a aplicação do quad o de
ope acionalização c iado po Jacomella (2010).
A abo dagem quali a i a pe mi e ambém de ini os a gumen os disponí eis no
discu so público sob e o ema das mig ações. Pos e io men e, são analisados os ex os de
mídia do jo nal selecionado pa a pe cebe quais os a gumen os mais u ilizados nas
no ícias que gi am em o no das mig ações sob e a o a en e Ma ocos e Espanha,
especi icamen e, nos e i ó ios de Ceu a e Melilla, e como são abo dados.
P e endemos pe cebe quais são u ilizados ocasionalmen e e quais ocupam uma
posição dominan e – p esen e em manche es, enunciados de en e is as ou edi o iais. O
obje i o des a abo dagem é pe cebe de que modo a no ícia é o ganizada de modo a
legi ima alguma ideia cen al sob e as mig ações nes a o a.
“Es a pe spec i a quali a i a en ol e a análise de alhada de emas cha es nas
manche es e o ex o de no os p og amas e a igos de jo nais. Examina-se a
p e e ência dada a ce os a gumen os quando exal ados po jo nalis as ou são
epe idas ezes usados ou ci ados nas no ícias.” (Happe , Philo, 2013, p.323)
A análise quan i a i a se á ei a a a és da ecolha de dados a im de ge a medidas
obje i as, o nando possí el o uso de écnicas es a ís icas analí icas que in eg em a análise
de con eúdo quali a i a do obje o de es udo. A ecolha de dados e e e-se a 2018, ano em
que se obse a um e o no do aumen o do luxo mig a ó io na egião.
1.3 Re isão eó ica
Conside ando as di e sas dimensões do enômeno mig a ó io, o obje i o cen al
des e es udo é analisa o papel dos meios de comunicação na o mação da opinião pública
sob e as mig ações no Medi e âneo en e Ma ocos e Espanha – em especial os casos de
Ceu a e Melilla.
13
É necessá io chama a a enção pa a a impo ância de analisá-las como um
p ocesso sociológico que en ol e não só polí ica, mas ambém um p ocesso de elações
in e pessoais, in e cul u ais e de ep esen ações iden i á ias nos con eúdos de mídia. Ou
seja, analisa o modo como a midia ização do enômeno e as escolhas de ep esen ação
das iden idades de imig an es pelos c iado es de con eúdos midiá icos acabam po o ma
en endimen os na ecepção/ audiência que, po sua ez, a e am ou legi imam as polí icas
mig a ó ias.
A análise de con eúdo é uma écnica que em ganhando espaço nos es udos
sociológicos de abo dagem quali a i a. Após a ecolha de ma e ial, o mesmo de e passa
po uma análise mais de alhada que ai além dos dados es a ís icos. O olha e obse ação
do pesquisado quan o aos dados ecolhidos pe mi em a comp eensão do que es á po ás
dos discu sos cole ados, sejam eles em jo nais, en e is as, discu sos polí icos, ca as,
ela ó ios o iciais, ilmes, en e ou os.
A concei ualização da análise de con eúdo, pode se
concebida de di e en es o mas, endo em is a a e en e
eó ica e a in encionalidade do pesquisado que a desen ol e,
seja ado ando concei os elacionados à semân ica es a ís ica
do discu so, ou ainda, isando à in e ência po meio da
iden i icação obje i a de ca ac e ís icas das mensagens
(Webe , 1985; Ba din, 1977). Salien a-se o ca á e social da
análise de con eúdo, uma ez que é uma écnica com in ui o
de p oduzi in e ências de um ex o pa a seu con ex o social
de o ma obje i a (BAUER; GASKELL, 2002).
11
Es e mé odo oi in oduzido pelo cien is a polí ico e eó ico das comunicações,
Ha old Doyai Laswell (1927), como um modo sis emá ico de analisa con eúdos de mídia
em sua análise de p opagandas e os seus e ei os nas pessoas nos anos 1920. An es des e
mé odo, os es udos de comunicação analisa am o que e a p oduzido na mídia, mas
negligencia am o papel dos indi íduos que o ma am ou ecebiam as in o mações
(Abaza i; Mahshid, 2017).
Em 1948, Laswell publicou um a igo in i ulado “Building and Func ioning
Communica ions in Socie y” no qual de iniu ês papéis dis in os (Abaza i; Mahshid,
2017):
- O papel do moni o amen o ambien al (papel das no ícias): se
alguém que i e em uma ida social escolha uma manei a mais
ap op iada na a i idade social e assuma a esponsabilidade pessoal e
pública com plena consciência, ele (ela) de e semp e es a cien e dos
e en os que oco em semp e. É a mídia de massa que de e moni o a
11
Sil a, And essa H.; Fossá, Ma ia I.T. 2015. Análise de Con eúdo: Exemplo de Aplicação da Técnica pa a
a análise de dados quali a i os. Quali as Re is a Ele onica, ol 17, n.1.
14
as pessoas e no i icá-las de e en os sociais, po que não há como
obse a e expe imen a odos os e en os pa a as pessoas. Po an o, a
mídia de e in o ma apidamen e as pessoas sob e o cená io global.
- C iação e desen ol imen o da solida iedade social dos indi íduos
(papel da in e p e ação e o ien ação): Com base no segundo papel, a
necessidade de comple a as no ícias, analisá-las e in e p e á-las e
p omo e a o ien ação ge al da opinião pública. Aqui, a mídia de massa
de e es a cien e da necessidade de in e p e ação e análise de no ícias
e, com a ajuda da opinião pública, p opo cionam solida iedade,
a iliação de indi íduos e os a ai pa a a pa icipação polí ica.
- T ansmissão do pa imônio cul u al (papel educacional): o e cei o
papel da mídia de massa é en a ajuda a ans e i o pa imônio
cul u al da sociedade das ge ações an e io es pa a as ge ações u u as.
Po que oda ge ação p ecisa usa as expe iências da ge ação an e io , e
os disposi i os de mídia de massa guiam a ge ação con empo ânea,
escolhendo os alo es e c i é ios cul u ais da ge ação passada. Nes a
unção, ce os c i é ios são conside ados pa a a ans e ência do
pa imônio cul u al.
De aco do com o mé odo de Laswell, o modelo básico das comunicações em
massa consis e em cinco elemen os: i) Quem c ia? ii) Qual mensagem ele passa? iii)
A a és de qual canal? i ) Pa a quem? ) E, qual o e ei o no ecep o ? (Abaza i; Mahshid,
2017 apud Laswell, 1948). Ou seja, a ideia p incipal baseia-se no a o de que a mídia
p oduz seu con eúdo com o obje i o de impac a um ecep o .
A con ibuição de Laswell oi essencial pa a que se comp eendesse que as
elações en e os indi íduos em sociedade são baseadas na comunicação e que a mídia
possui um papel essencial na ans o mação das c enças e compo amen os des es
indi íduos. Em seu es udo sob e as p opagandas, concluiu que a mídia possui um amplo
papel polí ico pe suasi o e que as p opagandas possuem in luência sob e as ações
humanas, pois manipulam o imaginá io dos indi íduos (Abaza i; Mahshid, 2017).
A análise de con eúdo ganhou maio popula idade com Lau ence Ba din em sua
publicação L’analyse de con enu (1977) e oi le ada como mé odo de análise a di e sas
á eas acadêmicas, não apenas nos es udos de comunicação.
A concei ualização da análise de con eúdo, pode se concebida de
di e en es o mas, endo em is a a e en e eó ica e a in encionalidade
do pesquisado que a desen ol e, seja ado ando concei os elacionados
à semân ica es a ís ica do discu so, ou ainda, isando à in e ência po
meio da iden i icação obje i a de ca ac e ís icas das mensagens
(Webe , 1985; Ba din, 1977). Salien a-se o ca á e social da análise de
con eúdo, uma ez que é uma écnica com in ui o de p oduzi
in e ências de um ex o pa a seu con ex o social de o ma obje i a
(BAUER; GASKELL, 2002).
12
A écnica de análise de Ba din (1977) possui ês e apas (ANEXO I):
12
Sil a, A.H.; Fossá, M.I.T. 2015 apud Ba din, 1977; Webe , 1985; Baue e Gaskell, 2002.
15
1) P é-análise - lei u a ge al do ma e ial cole ado, seleção do co pus (documen os
ele an es espei ando-se a homogeneidade, ep esen a i idade e pe inência),
o mulação de hipó eses e indicado es de análise;
2) Explo ação do ma e ial - cons ução das ope ações de codi icação do ma e ial
selecionado, de inição de eg as de con agem, classi icação em ca ego ias simbólicas ou
emá icas. O obje i o des a ase é ca ego iza as mensagens dos ex os, alas, discu sos
cole ados.
3) In e p e ação do ma e ial - analisa os con eúdos das ca ego ias c iadas e
compa á-las a im de in e i os aspec os comuns e di e en es en e elas e a sua ele ância
pa a o es udo p opos o.
O mé odo de Ba din ainda é amplamen e usado, mas ambém so eu adap ações
ao longo dos anos. Sob e es e aspec o, o p esen e abalho se basea á na análise de
con eúdo de Ba din, mais ol ada às e apas do p ocesso de análise, jun amen e a ou as
ó icas eó icas ele an es pa a a comp eensão do obje o de es udo e que se ão abo dadas
adian e.
Di e sos au o es disse am sob e os e ei os/impac os da mídia na ecepção
incluindo uma sé ie de a iá eis, mas es e abalho se p opõe oca no modo como a mídia
cons ói seu con eúdo, p opõe agendas de deba e e ep esen ações.
Sob e es e aspec o, McCombs e Shawn (1972) c ia am a chamada “ eo ia do
agendamen o”, que pa e da hipó ese de que a mídia de e mina a agenda de deba es
públicos ao salien a em seus con eúdos alguns emas em de imen o de ou os. Es a ideia
é ele an e, pois chama a a enção pa a o a o de que nem semp e a mídia induzi o público
a pensa de ce o modo, como abo da Laswell, mas em g ande sucesso em de ini sob e
o que o público i á pensa e deba e .
A eo ia do agendamen o oi um a anço nas pesquisas sob e o papel da mídia, mas
exclui a iá eis impo an es, como a ques ão das len es que são usadas pa a ap esen a
ais con eúdos. Pa a sana es e p oblema, pos e io men e, o concei o de enquad amen o
complemen a a an e io ao abo da não só o modo como a mídia dá ên ase a ce os emas,
mas como ela ap esen a ais emas (Po o, 2003). Is o é, ac escen a-se aqui um segundo
ní el de análise de cons ução de con eúdo ele an e pa a pe cebe a escolha de
pe spec i a u ilizada po de e minado canal de mídia pa a ap esen a um ópico.
16
Ambas as pe spec i as eó icas são essenciais pa a analisa o obje o em ques ão
nes e abalho – a mídia espanhola e o modo como es a expõe a p essão mig a ó ia nas
on ei as en e Espanha e Ma ocos nos encla es de Ceu a e Melilla.
Associando o obje o ao que oi abo dado acima, o na-se essencial cole a
in o mações sob e o modo como as mig ações são publicadas em jo nais, em que
momen o o ema oma ele ância e como o jo nal ap esen a o ema – que ideias são
colocadas, as ep esen ações que são u ilizadas, en e ou os aspec os que se ão abo dados
mais adian e a a és das me odologias de Happe e Philo (2013) e Jacomella (2010).
Exis em au o es que ap esen am abalhos ele an es sob e es a ques ão, como
Denise Cogo (2001) que deba e a impo ância de se olha pa a o p ocesso sociológico do
enômeno. A con ibuição de Cogo chama a a enção pa a a comum ep esen ação dos
imig an es na mídia como ameaças à p óp ia iden idade nacional dos países ecep o es.
Em e e ência a Ma c Augé (1998), Cogo abo da o modo como a apidez de ci culação
das in o mações acaba po apaga o exo ismo e a dimensão mí ica do es angei o, azendo
com que “os ou os” pe cam p i ilégios an igos e o nem-se mo i o de “medo” po
es a em demasiadamen e p óximos.
Mais além, Cogo explici a dois ieses comumen e u ilizados pela mídia global
pa a expo a igu a dos imig an es – um iés que ende à i imização do sujei o e ou o
que ende à c iminalização. Cogo u iliza casos dis in os do que se á analisado nes e
abalho, po an o, cabe á a es a análise pe cebe se no caso da Espanha há ambém uma
endência a es es dois ieses ou se há, possi elmen e, um no o iés.
A ele ância de se analisa a cons ução do con eúdo de mídia sob e as mig ações
e as len es que es a u iliza pa a expo o ema se de e à gama de e ei os que pode causa
em di e sas dimensões – polí ica, econômica ou social. S ephen Cas les (2004), po
exemplo, ao deba e o p ocesso de c iação das polí icas mig a ó ias, des aca o papel da
mídia global.
Den e di e sos pon os a ados pelo au o , a pe cepção pública de que as
mig ações es ão o a do con ole de ido à ecepção de in o mações que le am a es e
en endimen o é con adi ó ia aos inúme os es o ços iniciados desde a década de 1980 na
Eu opa Ociden al.
O au o des aca a ele ância das dinâmicas sociais en e na i os e imig an es como
componen e signi ican e à o mação das polí icas mig a ó ias, assim como o papel da
17
globalização e o modo a a és do qual a mídia global expõe os p óp ios países
desen ol idos de o ma idealizada, o que ge a a a i idade aos indi íduos de ou as pa es
do mundo.
No que conce ne às me odologias de análise da in e - elação en e mídia e
mig ações, os au o es Happe e Philo (2013) chamam a enção pa a o a o de que o
con eúdo de mídia oi, ge almen e, analisado em sepa ado de seu e ei o na ecepção,
enquan o que, uma explo ação das elações en e ambos se az impo an e pa a alcança
conclusões e e i as sob e o papel da mídia na o mação de c enças e en endimen os e,
consequen emen e, na ans o mação compo amen al e o mação de polí icas públicas
e e i as.
Happe e Philo (2013) a gumen am que no caso da cobe u a de mídia das
mig ações, alguns p essupos os es ão p esen es no co ação da p odução de no ícias, como
a de que um g ande núme o de imig an es cons i ui uma “ameaça” – e, po an o, os
ela ó ios midiá icos no malmen e gi am em o no des a p e oga i a, azendo com que
an o en e is as como seleção de imagens e a p óp ia in o mação expos a abalham pa a
legi ima um a gumen o como oco cen al.
Assim, e como explici ado an e io men e, em elação ao caso dos luxos
mig a ó ios en e en e Espanha e Ma ocos o na-se necessá io analisa de que modo é
ei a a ep esen ação dos imig an es na mídia – obse a con eúdos, semân ica u ilizada
pa a de ini a expe iência mig a ó ia, dados expos os e julgamen os mo ais.
Há ambém um impo an e embasamen o eó ico explo ado po Happe e Philo
(2013) que oi, p e iamen e, bem explici ado po Se gei Tchakho ine (1940), que é a
e icácia da exposição con ínua a discu sos epe i i os expos os pelos meios de
comunicação. No caso de Tchakho ine, a p opaganda polí ica, enquan o Happe e Philo
expõem a c iação de polí icas públicas e e i as, pois es as p essupõem a acei ação da
in o mação pelo público – no a igo exempli icam a a és das campanhas cons an es em
o no do uso do cin o de segu ança nos au omó eis.
Os abalhos são impo an es pa a analisa o modo como es e eó ipos e
ep esen ações con ínuas de imig an es na Eu opa na mídia acabam po o ma o aspec o
ala mis a e mui as ezes de i imização ou c iminalização des es na opinião pública.
Finalmen e, o abalho de Gab iela Jacomella (2010) o na-se indispensá el pa a
es a pesquisa, uma ez que az uma len e que pe mi e a es u u ação da me odologia de
18
pesquisa a qual busca medi e analisa os dados cole ados sob e o enômeno mig a ó io e
sua elação com a mídia.
“A mig ação em si é um enômeno mul i ace ado, e sua combinação
com o mundo complexo da comunicação mode na acaba po p oduzi um
gigan esco e apa en emen e caó ico conjun o de ealidades in e a i as, como
uma máquina cujas eng enagens es ão odas in e ligadas e dependendo uma da
ou a pa a abalha co e amen e, sem - como mui as ezes acon ece
is emen e - ica p eso em um beco sem saída sociopolí ico” (Jacomella,
2010, p.13).
Jacomella p opõe o guia me odológico - expos o na me odologia des e capí ulo - que
inclui um ques ioná io acili ado da ope acionalização da análise do con eúdo de mídia
o qual se á u ilizado pa a analisa o obje o p opos o nes e p oje o.
A au o a, a a és des e guia, pe mi e uma in es igação que inclui odos os
aspec os mencionados pelos ou os au o es: o agendamen o, o enquad amen o, a
ep esen ação do imig an e, a exis ência ou não de julgamen os mo ais, a seleção de
imagens e, mais além, pe mi e pe cebe se no con eúdo expos o há abe u a pa a a
exp essão da oz dos p óp ios mig an es – a o que Denise Cogo ambém chama a
a enção.
Expos o aqui o embasamen o eó ico e a me odologia a se u ilizada, o p óximo
capí ulo busca á con ex ualiza o his ó ico dos encla es de Ceu a e Melilla e como se deu
a cons ução das on ei as nes es e i ó ios. Também, ap esen a á as mudanças que
a e a am a polí ica mig a ó ia, a egião e a elação en e Espanha e Ma ocos após a
en ada de Espanha na União Eu opeia.
25
desmo i ado a imig ação de indi íduos de ou os países, em especial, la ino ame icanos,
o país não deixou de se a a i o pa a mig an es da Á ica Ociden al.
É impo an e menciona que as au o idades ma oquinas ambém possuem um
papel signi ica i o no con ole mig a ó io des as on ei as. A im de cump i os aco dos
in e nacionais ei os com Espanha e União Eu opeia sob e mig ação i egula , o país
passou a aze um con ole in e no nas zonas u banas desde 2011, em especial, em bai os
de Raba e Salé, Casablanca, Fez e Tange , assim como, nos acampamen os de imig an es
que se o mam ao longo das mon anhas p óximas às ce cas de Ceu a e Melilla (Lopez-
Sala, p.181).
2.2.1 Análise dos aco dos en e Espanha e Ma ocos sob e a mig ação
Como abo dado no i em an e io , a elação en e Ma ocos e Espanha ganhou
no os con o nos após a en ada de Espanha na CEE. O país e e de se adequa aos
egulamen os do no o bloco ambém em ma é ias ligadas à mig ação. Nes a seção, se ão
mencionados os pon os mais ele an es pa a es e es udo de caso den e os aco dos en e
ambos os países.
Pa a es a análise, é imp escindí el ci a o Regulamen o (CE) n.o 574/1999 do
Conselho
16
, de 12 de Ma ço de 1999, o qual p e ê quais os países/nacionalidades que
de em se de en o es de is o pa a anspo em as on ei as dos Es ados-memb os.
O a igo 6 dispõe:
(6) Conside ando que, em casos especiais que jus i iquem a abe u a
de excepção ao p incípio da ob igação de is o, os Es ados-memb os
pode ão isen a des a ob igação de e minadas ca ego ias de pessoas, de
aco do com o di ei o in e nacional público ou com o cos ume;
No caso de Espanha e Ma ocos, de aco do com o egulamen o, a dispensa de
is o i á a ia em unção dos aco dos en e o país memb o e o e cei o. Dado is o, apenas
ma oquinos de en o es de passapo es diplomá icos es ão isen os du an e 90 dias de is o
pa a en ada na Espanha.
Em ma é ia de imig ação i egula , em sua p é ia, o egulamen o dispõe:
16
Comunicação da Comissão no ambi o da aplicação do Regulamen o (CE) n.o 574/1999 do Conselho, de
12 de Ma ço de 1999, que de e mina quais os países e cei os cujos nacionais de em se de en o es de is o
pa a anspo em as on ei as ex e nas dos Es ados-Memb os. Disponí el em:
h ps://publica ions.eu opa.eu/en/publica ion-de ail/-/publica ion/87 b5c97-5d0c-4a95-8d76-
c80587741ba3/language-p Acessado em: 12 de Julho de 2019.
26
(3) Conside ando que os iscos elacionados com a segu ança e com a
imig ação ilegal de em se idos p io i a iamen e em con a na
elabo ação da lis a comum; que, além disso, as elações in e nacionais
dos Es ados-memb os com países e cei os desempenham igualmen e
o seu papel;
Mais adian e:
(7) Conside ando que, dadas as di e enças en e as egulamen ações
nacionais aplicá eis aos apá idas, aos e ugiados que bene iciem
o icialmen e desse es a u o e às pessoas i ula es de um passapo e ou
de um documen o de iagem emi ido po uma en idade ou au o idade
e i o ial que não seja econhecida como Es ado po odos os Es ados-
memb os, es es pode ão decidi da ob igação de is o quan o a essas
ca ego ias de pessoas, quando essa en idade ou au o idade e i o ial
não cons e da ci ada lis a comum;
Ao analisa ambas p é ias é possí el conclui que a exis ência de di e en es
egulamen ações nacionais aplicá eis pa a a expedição de um is o de i a da
supe posição de eg as e co esponden e sob eposição des as nos Es ados-memb os, o
que esul a em uma maio di iculdade na li e ci culação de pessoas (Palacios, M., 2018,
p.456).
Sob e a si uação dos apá idas e e ugiados econhecidos como ais e ob igação
de is o pa a a p imei a en ada no e i ó io (n.o 2 do a igo 2.o) - aspec o c ucial pa a
o obje o de es udo do p esen e abalho - é impo an e essal a que Espanha exige o is o
ob iga ó io pa a ambos os casos, mas o egulamen o não de ine o concei o de e ugiado
econhecido e ci a a condição apenas nes es dois pon os.
“2. Os Es ados-memb os de e mina ão se os apá idas e os e ugiados
que bene iciem o icialmen e des e es a u o icam sujei os à ob igação de is o.”
O p oblema dos e ugiados es á di e amen e ligado às iolações dos di ei os
humanos. No malmen e, deba e-se a elação de ambos como causa da condição de e úgio
e não do necessá io esgua do desses di ei os em odo o p ocesso de solici ação de asilo.
A consequência é o que obse amos a ualmen e: milhões de pessoas que buscam e úgio
e asilo como aqueles que en am a a essa as ce cas de Ceu a e Melilla, casos não
solucionados e uma apa en e in isibilidade desses sujei os po não dispo em de cidadania.
Sob e es e úl imo pon o, é essencial menciona que g ande pa e des es imig an es
que en am a a essa os encla es não possuem a consciência de que podem cump i as
ca ac e ís icas de pessoas e ugiadas p e is as em ma é ias de di ei o in e nacional, em
especial, na Con enção Rela i a ao Es a u o dos Re ugiados que oi ap o ado desde 1951
e ampliado em 1957 pelas Nações Unidas. Dado a c ise na Sí ia, boa pa e des es ac edi a
que o ca á e de e ugiado é concedido “apenas aos sí ios”.
27
Além disso, di e sos deba es le an ados po ONG e acadêmicos apon am a
con o é sia exis en e na ca ego ização de pessoas p esen e no egulamen o a qual acaba
po con a ia a p óp ia Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos que p e ê que
“Todos os se es humanos nascem li es e iguais em dignidade e di ei os” (A igo 1o).
A Decla ação dispõe em seu a igo 14 que “ oda a pessoa sujei a a pe seguição
em o di ei o de p ocu a e de bene icia de asilo em ou os países”. Logo em seguida, no
A igo 15, dispõe que “ oda pessoa em di ei o a uma nacionalidade.” Mais além, a
Con enção de 1951 (ACNUR, 2016b) e o P o ocolo de 1967 es abelecem p incípios
básicos di e amen e elacionados aos p incípios de di ei os humanos o nando cla a a
elação en e e ugiados e di ei os humanos, como segue:
1. O p incípio basila de non- e oulemen (não-de olução) isa jus amen e
p o ege o indi íduo da possí el ci cuns ância de o u a, maus a os ou
penalizações desumanas e deg adan es no país de o igem.
2. Os A igos 3º e 4º a am ambém, espec i amen e, do p incípio da não
disc iminação ao eque en e de asilo e da concessão de libe dade eligiosa.
Assim como, a Decla ação de Ca agena p e ê a iolação maciça dos di ei os
humanos como ca ac e izado a da si uação de e ugiado, demons ando o ínculo
en e o di ei o dos e ugiados e os di ei os humanos.
3. O p incípio do In Dubio P o Re ugiado isa a concede o eque en e de asilo
o bene ício da dú ida.
A di iculdade de se aze espei a as ob igações que os Es ados signa á ios se
incula am a a és das con enções é obje o de p eocupação e demons a suas alhas. Uma
das con adições obse ada nas espos as dadas aos e ugiados é o a o de que o p óp io
egime que esgua da es es indi íduos ob iga os Es ados a da em supo e adequado
àqueles que já se encon am em seu e i ó io, mas não os ob iga a p o ege os e ugiados
que es ão o a dos seus limi es e i o iais (Sadeeh, Eguchi, 2016).
Sob e os úl imos pon os mencionados, cabe menciona os es emunhos de
de olução nas alas de Ceu a e Melilla e as p oibições de passagem de indi íduos que
possuem í ulos de esidência em países eu opeus, mas são negados a en ada pela dú ida
da e acidade dos documen os. Es es a os ão con a os aco dos in e nacionais assinados
28
po países-memb os da União Eu opeia e já ende am di e sas penalidades à Espanha
en e ao T ibunal Eu opeu de Di ei os Humanos (TEDH)
17
.
P imei o, os p o ocolos assinados pela Comissão Eu opeia de Di ei os Humanos
(CEDH) p oíbe a expulsão cole i a de es angei os, assim como, os aco dos acima ci ados
em ma é ia de e úgio. Em segundo luga , a Comissão de ende o di ei o a um ecu so ou
a um ecu so e e i o: a CEDH en ende que as expulsões (de oluções) impedem que os
imig an es enham acesso a qualque ecu so em i ude do qual eles pode iam e en iado
sua queixa às au o idades compe en es e ob e uma a aliação igo osa e minuciosa do seu
pedido de asilo an es de se em de ol idos. Po es as azões, em mais de um caso abe o
en e ao TEDH os solici an es i e am de se compensados pela Espanha e o país e e
que a ca com os cus os legais (HUDOC, 2017).
Conside ando que os aco dos en e países e cei os e Es ados-Memb os se
sob epõem ao Regulamen o acima mencionado, essal a-se aqui o Aco do en e o Reino
de Espanha e o Reino de Ma ocos ela i o à ci culação de pessoas, ao ânsi o e à
eadmissão de es angei os en ados ilegalmen e, assinado em Mad id em 13 de Fe e ei o
de 1992
18
.
Es e aco do em o obje i o de ea e minimiza o luxo mig a ó io clandes ino
en e Ma ocos e Espanha. Ele é compos o po ês capí ulos e 16 a igos os quais dispõem
sob e: I) Readmissão de Es angei os; II) T ânsi o pa a a expulsão de es angei os e; III)
Ou as disposições;
Como analisa Palacios (2018), es e aco do possui di e sas alhas quando le ado
pa a a p á ica. De aco do com o Capí ulo I, ambos Es ados quando solici an es de
expulsão de um imig an e que e e en ada clandes ina, de em ma e ializa uma pe ição
o mal pa a a de olução. O maio exemplo p á ico pode se obse ado nos imig an es que
se escondem nas mon anhas de Ma ocos enquan o agua dam um momen o pa a sal a os
mu os. As de oluções ei as imedia amen e sem qualque pe ição e a moni o ação da
polícia ma oquina des es imig an es coagindo os g upos a se mo e em dos
acampamen os nas mon anhas mos am ni idamen e que na p á ica nem semp e o aco do
é cump ido (p.458).
17
Disponí el em: HUDOC- Eu opean Cou o Human Righ s. 2017 -
h ps://hudoc.ech .coe.in /eng#{%22 ull ex %22:[%22spain%20 e ugee%22],%22i emid%22:[%22001-
177683%22]} Acessado em: 15 de Julho de 2019
18
Agencia Es a al Bole ín O icial. Disponí el em: h ps://www.boe.es/busca /doc.php?id=BOE-A-1992-
8976 Acessado em: 15 de Julho de 2019.
29
O a igo 3o dispõe sob e os casos nos quais ambos os países não possuem
ob igação de eadmi i es angei os. Es e a igo deixa cla o que nacionais de países que
azem on ei as com ambos os Es ados não ob iga o iamen e se ão passí eis de
eadmissão. Es e a igo o na ob iga ó io o is o pa a es es imig an es, o que não condiz
na maio ia dos casos com a ealidade que i em, uma ez que con am com edes
clandes inas pa a a a essa as o as desde seus países a é o Ma ocos e Espanha.
A igo 3
Não há ob igação de eadmissão:
a) Pa a nacionais de Es ados e cei os que enham on ei as comuns
com o Es ado eque en e;
b) Pa a es angei os que enham sido au o izados a pe manece no
e i ó io do Es ado eque en e após a sua en ada ilegal;
c) Pa a os es angei os que, no momen o da sua en ada no e i ó io do
Es ado eque en e, possuam um is o ou uma au o ização de esidência
concedidos po esse Es ado ou que, após a sua en ada, enham ob ido
is o ou au o ização de esidência;
d) Pa a pessoas a quem o Es ado solici an e enha econhecido o s a us
de e ugiado de aco do com a Con enção de Geneb a de 28 de julho
de 1951.
Mais uma ez é possí el obse a a con adição des as cláusulas median e a
Decla ação Uni e sal de Di ei os Humanos e o p óp io Es a u o dos Re ugiados,
a ualizado pela Con enção de Geneb a de 1967 que inclui ou as limi ações geog á icas
não p e is as na con enção de 1951 a única ci ada no aco do acima.
Mais adian e, no Capí ulo II, a igo 6, ambos os Es ados conco dam que
es angei os de países e cei os pode ão se acei es pa a ânsi o em seus e i ó ios an e
a expulsão caso es ejam assegu adas a iagem e admissão no país de des ino.
Mais uma ez, o exemplo p á ico das de oluções con adiz o a igo ci ado.
Também dispõe que, median e a ejeição de en ada no país de des ino, o eque en e
de e á se imedia amen e eadmi ido o que, na p á ica, não oco e e subme em es es
es angei os a uma si uação de “limbo ju ídico” de di ícil esolução (Palacios, p.460).
Ainda no Capí ulo II, o a igo 8 dispõe os casos nos quais o ânsi o pa a expulsão
pode á se negado, en e eles, no caso de isco de so e maus a os no país de des ino.
Fa o es e que é eco en e en e es es imig an es, em especial, de ido a si uação que se
encon am com as edes que azem o deslocamen o clandes ino dos mesmos e da polícia
que busca impedi suas ansições. No ge al, o e o no des es imig an es os coloca em
uma si uação de ulne abilidade no país de o igem (Palacios, p.462).
30
Finalmen e, ainda sob e os aco dos i mados en e Espanha e Ma ocos, é c ucial
menciona o Regime Especial de Ceu a e Melilla (Lei O gânica 4/2000, de 11 de Janei o,
sob e os di ei os e libe dades dos es angei os em Espanha e a sua in eg ação social
19
).
Es e egime, que possui apenas ês cláusulas na disposição adicional décima,
deixa cla o que es angei os que en em a a essa ao e i ó io espanhol de o ma ilegal
pode ão se ejei ados e de ol idos espei ando as no mas de di ei os humanos
in e nacionais o que po sua ez é con adi ó io.
As cláusulas dispõem:
1. Os es angei os que são de ec ados na linha de on ei a de
dema cação e i o ial de Ceu a ou Melilla ao en a ul apassa os
elemen os de con enção de on ei as pa a a passagem i egula
pode ão se ejei ados/as, a im de impedi a sua en ada ilegal em
Espanha;
2. Em qualque caso, a ejeição se á ealizada espei ando os
egulamen os in e nacionais de di ei os humanos e p o ecção
in e nacional de que a Espanha az pa e.
3. Os pedidos de p o eção in e nacional de e ão se
o malizados nos locais au o izados pela nos pos os on ei iços e se ão
p ocessados de aco do com as disposições da egulamen ação em igo
em ma é ia de p o eção in e nacional.
O con eúdo p e is o no Aco do coloca em ulne abilidade os di ei os humanos
des es imig an es e não ga an e o o al espei o dos aco dos assinados pela Espanha em
ma é ia de p o eção aos e ugiados (Palacios, 2018).
No en an o, como mencionado p e iamen e, is o que Espanha cump e os
equisi os de um Es ado-memb o da União Eu opeia e a p óp ia UE p e ê a sob eposição
de aco dos in e nacionais en e países e cei os, os aco dos acima ci ados são os que
egem, de a o, a ma é ia de mig ação en e ambos países e essal am a peculia idade dos
encla es nes e con ex o.
Ainda que os aco dos busquem ea ou elimina a imig ação i egula , a p óxima
seção ap esen a dados da imig ação na egião e mos a que as limi ações impos as po
ambos os Es ados não deses imulam o luxo mig a ó io nos encla es.
19
Disponí el em:
h p://www.ex e io es.gob.es/Po al/es/Se iciosAlCiudadano/In o macionPa aEx anje os/Documen s/L
EY%20ORG%C3%81NICA%2042000%20DE%2011%20DE%20ENERO.pd Acessado em: 15 de Julho
de 2019
31
2.2.2 Dados da imig ação i egula a a és de Ceu a e Melilla, 2018
De aco do com os dados ap esen ados no ela ó io sob e imig ação i egula do
Minis e io del In e io da Espanha de 2018
20
, 570 imig an es chega am a Ceu a a a és
de emba cações ma í imas e 918 imig an es a Melilla, um aumen o signi ica i o em
elação ao ano an e io no qual en a am, espec i amen e, 257 e 678 imig an es
i egula es.
A a és de ias e es es, no ano de 2018, o am con abilizadas 1.979 en adas
i egula es em Ceu a e 4.821 em Melilla. No caso de Ceu a, não hou e uma al e ação
signi ica i a no núme o de en adas, no en an o, no de Melilla hou e um aumen o de
1.000 indi íduos em elação ao ano an e io .
Es es dados mos am que o luxo em aumen ando paula inamen e nos úl imos
anos. As en adas a a és de emba cações po Ceu a i e am um aumen o pe cen ual de
121,8% de um ano pa a o ou o e, a a és de Melilla, um aumen o de 35,4%. Mais além,
se le a mos em conside ação o o al de en adas a a és dos ou os pon os de a essia
(as Caná ias e as cos as Balea es) o aumen o o na-se cla o: em 2017, hou e a en ada de
21.971 indi íduos a a és de emba cações e 6.800 ia e es e, enquan o em 2018, o am
57.498 de en adas ia ma í ima e 6.800 ia e es e (Ceu a e Melilla). Um aumen o de
161,7%, o que mos a que a es a égia de a essia po ma em sido a mais usada po
es es imig an es e no o al ep esen ou mais do dob o de en adas em elação ao ano
an e io .
A a és da ia e es e, hou e um aumen o médio, conside ando ambas as
cidades, de 16% em compa ação a 2017.
Ao analisa os dados do Minis e io del In e io , é possí el assinala que o peso de
Ceu a e Melilla no luxo de imig ação i egula na Espanha é eduzido em elação aos
ou os pon os de acesso, pois ep esen am jun as apenas 12,89% do núme o o al de
en adas i egula es no país.
Os núme os o iciais do go e no espanhol di e gem em uma pequena ma gem
daqueles cole ados pelo ACNUR
21
em 2018. De aco do com os dados cole ados pela
Agência da ONU, hou e um aumen o de 170% nas en adas de imig an es i egula es na
20
Minis e io del In e io , Gobie no de España. Disponí el em:
<h p://www.in e io .gob.es/documen s/10180/9654434/24_in o me_quincenal_acumulado_01-01_al_31-
12-2018.pd /d1621a2a-0684-4aae-a9c5-a086e969480 > Acessado em: 01 de Junho de 2019.
21
UNHCR, 2019. Spain Sea and Land A i als Janua y - Decembe 2018 Repo . Disponí el em:
h ps://da a2.unhc .o g/en/documen s/de ails/67552 Acessado em: 09 de Junho de 2019.
32
Espanha em 2018 e 8.178 en adas pelas o as de Ceu a e Melilla, um aumen o de 13%
em elação ao ano an e io .
No en an o, ao analisa mos ambos os ela ó ios, an o do Go e no espanhol
quan o do ACNUR, é possí el ei e a que o núme o de en adas de imig an es i egula es
em Espanha em c escendo signi ica i amen e desde 2016 (ANEXO IV).
Uma análise demog á ica ei a pelo ACNUR, mos a que 86% dos imig an es que
en a am em Ceu a em 2018 e am p o enien es da A gélia e Guiné e os ou os 14%
di ididos em mino ias p o enien es de Ma ocos, Cama ões, Gâmbia, Cos a do Ma im,
Mali, Senegal, Se a Leoa, en e ou os. Po ou o lado, Melilla ap esen ou um maio
núme o de en adas de nacionalidades como a Sí ia ep esen ando 30% das en adas,
Pales ina e Guiné (com 10% cada), Tunísia (9%) e os demais p o enien es de Mali,
Iêmen, A gélia, Bu kina Faso, Ma ocos, en e ou os.
De a o, o dado que se al e ou mais d as icamen e e que es á di e amen e
elacionado com a comoção midiá ica se e e e ao núme o de mo es e desapa ecidos
du an e os aje os. Es e pa âme o mos a que apenas de 2017 pa a 2018 hou e um
aumen o de 280%. Em 2017, o am con abilizados 208 desapa ecimen os e mo es,
enquan o em 2018, 811 (Minis e io del In e io , 2018).
A ONG APDHA (Associação P ó-Di ei os Humanos de Andaluzia) em seu
balanço mig a ó io na on ei a sul
22
(2017) chama a enção à ep essão exe cida pelas
medidas de con ole on ei iço que em sido aci adas e que de odo modo não
conseguem ea o mo imen o de imig an es i egula es em di eção à Espanha
ni idamen e c escen e.
A ONG denuncia a iolação dos di ei os humanos em seu ela ó io, em especial,
as medidas de epa iamen o
23
nas on ei as de imig an es que já ha iam ul apassado a
on ei a as quais i e am consequências ao go e no espanhol en e ao Sis ema Eu opeu
de P o eção aos Di ei os Humanos (T ibunal Eu opeu de Di ei os Humanos -TEDH).
Apenas em 2018, a Espanha oi condenada em oi o casos en e ao TEDH.
Tendo comp eendido e obse ado nes e capí ulo o con ex o his ó ico e as elações
a ní el de polí ica mig a ó ia en e Espanha e Ma ocos, o p óximo capí ulo se dedica á
22
APDHA. Balance Mig a o io F on e a Su 2017. Disponí el em:
h ps://www.apdha.o g/balancemig a o io17/ Acessado em: 01 de Julho de 2019.
23
“De oluciones en Calien e”
33
a ope acionalização da me odologia de análise des e abalho, a im de esponde às
ques ões cen ais aqui p opos as.
34
CAPÍTULO III - A abo dagem midiá ica do El País sob e a o a en e Ma ocos e
Espanha
Como ap esen ado no capí ulo an e io , a en ada da Espanha na União Eu opeia
e e consequências di e as nas al e ações das polí icas que egem as on ei as en e
Espanha e Ma ocos, em especial, nos encla es de Ceu a e Melilla dado a exis ência de
e i ó io espanhol em Á ica.
Mais além, endo em is a que com o aci amen o dos con oles on ei iços nas
on ei as da I ália e G écia nos úl imos anos, p incipais o as mig a ó ias do
medi e âneo, a o a de Ceu a e Melilla ol ou no amen e a se mui o p ocu ada.
Nes e con ex o, o luxo c escen e de mig an es pela o a de Ceu a e Melilla ouxe
a ona o ema de mig ação e e úgio à opinião pública nacional e in e nacional. Os deba es
ace ca das on ei as e mu os como solução à p essão imig a ó ia ol a am pa a o campo
midiá ico e acadêmico.
O ala me social que a mídia i ia alimen a na sociedade espanhola com o medo de
in asão e a a alanche de g upos de imig an es en ando pula a ce ca em busca de pa aíso
p ome ido pode ia se conside ado como um meio indi e o pa a jus i ica essas polí icas
policiais e segu ança.
Dado is o, o p opósi o aqui se á comp eende de que modo a mídia expõe es e
con ex o e ema dia iamen e, a conside a que a mesma em a capacidade de o ma a
opinião pública e, p incipalmen e, de ini agendas de deba e, c ia imagens sob e o
enômeno mig a ó io como abo dado no embasamen o eó ico des e abalho.
Con o me expos o na concepção de es udo no p imei o capí ulo, selecionou-se o
jo nal El País de ido ao maio alcance do seu con eúdo, is o que é o jo nal mais lido da
Espanha a ás apenas do jo nal Ma ca de con eúdo espo i o.
Com base no mé odo de Ba din (1977) e no quad o de ope acionalização de
Jacomella (2010), mencionados no p imei o capí ulo des e abalho, com algumas
al e ações do quad o o iginal endo em is a o obje i o des a pesquisa e o empo dispos o,
se ão examinadas as seguin es ques ões:
1. Quan os a igos elacionados ao e en o ( o a mig a ó ia de Ma ocos a
Espanha) o am publicados no ano de 2018? [classi icados em oi o p incipais ca ego ias
que se ão dispos as mais adian e]
41
Den o des a subca ego ia, o am codi icadas 11 no ícias que ocam basicamen e
em in o ma sob e a ep essão i ida po a i is as que de endem os di ei os dos
e ugiados no Ma ocos e sob e os mo imen os e p o es os o ganizados po indi íduos
no Ma ocos à a o do di ei o de emig a a Espanha.
c) Colunas opina i as e deba es: Es a subca ego ia possui quan idade
signi ica i amen e supe io às ou as duas - 45 den e as 60 no ícias des a ca ego ia são
opina i as ou en ol em deba es sob e a imig ação com a pe spec i a do au o .
É necessá io assinala que, ao obse a o co pus ge al, é den o des a subca ego ia
que se encon am a maio ia das no ícias que inalmen e concedem oz aos imig an es.
Mais além, es as no ícias mesmo ao concede maio oz aos imig an es,
con inuam a u iliza da comoção do lei o a a és dos aumas, iscos de uma a essia e
a i imização, a exemplo:
“Es amos lis os pa a mo i en la u a”
“Pe de el dine o o mo i en la u a, ya sea en el desie o o en
las aguas… es amos ísica y psicológicamen e lis os pa a odo
es o", dice, "somos muy conscien es de los iesgos”.
30
“Eu opa paga pa a que nos mal a en”
Ma uecos in ensi ica las ba idas pa a de ene a los mig an es
que iajan hacia España
31
Como abo da C awley e al (2016, “as ozes dos mig an es são mais
equen emen e ap esen adas em es u u as humani á ias e de in eg ação, onde podem
se desc i as como í imas”.
A baixa p esença ou o al ausência de ozes de mig an es como on es na mídia
pode p i a o público de uma comp eensão mais complexa e di e enciada dos p oblemas
elacionados à mig ação. E, ao mesmo empo, ambém pode e consequências nega i as
pa a a in eg ação dos imig an es, no que ange o bem-es a e a segu ança pessoal dos
mesmos, bem como, a c iação de um sen imen o de pe encimen o.
d) Apenas ês des as 45 no ícias de cunho opina i o endem a uma isão
des a o á el à ecepção dos imig an es. Ainda assim, es a isão é ma cada mui o mais
pela p eocupação em con e a imig ação a a és do desen ol imen o das egiões que
30
El País. Es amos lis os pa a mo i en la u a. 21 de Agos o de 2018. Disponí el em:
h ps://elpais.com/in e nacional/2018/08/21/ac ualidad/1534846010_292875.h ml Acesso em: 30/09/2019
31
El País. Eu opa paga pa a que nos mal a en. 08 de Se emb o de 2018. Disponí el em:
h ps://elpais.com/poli ica/2018/09/08/ac ualidad/1536425018_696457.h ml Acesso em: 30/09/2019
42
endem à mig ação o çada e des e modo p e eni o deslocamen o de an os indi íduos
em busca de melho es condições.
Nadie me ece nada:
“También susc ibo lo de que el inmig an e debe some e se a las leyes
y usos
del país de acogida. Y cuando me dicen que la capacidad de abso ción
de
inmig an es iene un lími e, asien o. Es e dad. No odos los a icanos
caben
en Eu opa. No odos los ame icanos del su caben en la Amé ica del
no e.”
Em ge al, as colunas opina i as ambém enquad am os imig an es i egula es
como í imas, não ão além das di iculdades que en en am es es indi íduos. Não há
mui as colunas que abo dem quaisque consequências bené icas da chegada de imig an es
ad indos de Á ica a a és des a o a.
(4) Meno es, indocumen ados e e ugiados:
Como mencionado na ca ego ia (2), a exposição con ínua des e ipo de con eúdo
pela mídia busca como e e i imiza os indi íduos e ugiados. Reco e a imagens de
c ianças, sejam mo as ou em so imen o, ge am maio sensibilidade na opinião pública.
Sob e es a ca ego ia, oi possí el a e i que 85% das no ícias codi icadas ocam
na di iculdade dos meno es e ugiados em ob e supo e es a al ou na pe da des e supo e,
po exemplo, ao comple a em os 18 anos e ica em sem espaldo.
Incluem ambém meno es que mo em na a essia, con eúdo que c ia impac o
p o undo na opinião pública desde a publicação do caso de Aylan Ku di
32
que mudou os
umos dos deba es públicos sob e os e ugiados mundialmen e.
Den e aquelas que a am da inacessibilidade ao supo e do go e no espanhol,
boa pa e chama a enção aos pedidos de epa iamen o e de olução de meno es ao
Ma ocos.
Os ou os 15% das no ícias ocam na di iculdade que es es meno es en en am no
acesso à educação. Repo am casos de c ianças imig an es sem documen os que não são
acei as em escolas ou casos de c ianças que mesmo acei as possuem um endimen o
32
Alan Ku di oi um menino sí io de ês anos que mo eu a ogado numa p aia da Tu quia em Se emb o de
2015. As o os do momen o em que o co po da c iança oi encon ado na cos a u ca e a imagem onde um
agen e da polícia u ca ecolhe seu cadá e o am la gamen e ep oduzidas mundo a o a, ge ando uma
in inidade de c í icas e discussões ace ca da g ande c ise. Disponí el em:
h ps://p .wikipedia.o g/wiki/Alan_Ku di
43
signi ica i amen e in e io às ou as c ianças. Nes e g upo, odas as no ícias dão maio
oz aos imig an es.
(5) Con ole on ei iço, de ecção e epa iamen o de i egula es: É nes a
ca ego ia que o ca á e de “c iminalização” das expe iências imig a ó ias é obse ado.
Ainda que a linha edi o ial do El País (Espanha) busque impac a o lei o com um
con eúdo mais ol ado denuncia as de oluções (de oluciones en calien e) e
epa iamen os, como desc e e Cogo (2001), há uma “pos u a de consen imen o da mídia
sob e ep esen ações "policialescas" dos Ou os, es angei os” ep oduzidas
p incipalmen e em jo nais es angei os de g ande ci culação, como El País ou New Yo k
Times.
Nomeados como ilegais, clandes inos, i egula es, e ugiados,
depo ados, os imig an es são al os de uma seman ização nega i a e
"policialesca" que inclui in ole ância, iolência, desemp ego,
isolamen o, p econcei o, pob eza, condenação, iscalização,
depo ação, expulsão, á ico ou de enção. Os í ulos de algumas das
ma é ias mapeadas suge em a ên ase em uma "c iminalização" em que
os imig an es, embo a cheguem a ocupa a posição de sujei o,
apa ecem, na maio ia das ezes, como "pacien es" ou
"expe imen ado es" das ações de "ou os", ge almen e as au o idades
ou os apa a os policiais. (Cogo, 2001)
Subdi idiu-se es a ca ego ia em duas subca ego ias: 1) Con ole e policiamen o:
ocam nas de oluções, de ecção de i egula es e epa iamen os; 2) De ecção,
epa iamen o e de oluciones en calien e: ocam no policiamen o das on ei as, casos de
iolência da polícia on ei iça e deso dem na igilância das on ei as.
Na subca ego ia con ole e policiamen o, com meno quan idade de publicações
(13 no ícias das 39 codi icadas na ca ego ia), são no ícias que em g ande pa e usam
e mos como “limbo”, “deso dem”, “ iolência” pa a desc e e o con ole on ei iço em
Ceu a e Melilla que acabam po passa a ideia de que o policiamen o na on ei a é
ex emamen e deso ganizado, iolen o e que ambas as pa es so em demasiada p essão.
Na segunda subca ego ia, po sua ez, p edominam os e mos “expulsão” e
“de oluciones en calien e”. Rep esen am a maio ia das no ícias sob e as on ei as de
Ceu a e Melilla e buscam denuncia /chama a enção aos casos de imig an es que
a a essam as ce cas e são de ol idos ao Ma ocos.
(6) In o mação ge al sob e os luxos mig a ó ios: nes a ca ego ia, como desc i o
an e io men e, es ão as no ícias de cunho in o ma i o a espei o de ela ó ios e dados
44
cole ados pelo go e no, ONU e demais o ganismos in e nacionais sob e a oscilação dos
luxos da o a en e Espanha e Ma ocos.
A a és dela, especialmen e, analisa-se o ques ionamen o 7 do quad o de
ope acionalização - são on es de a os e núme os, especialmen e es ima i as, ci ados? Se
sim, quais?
Ao odo 28 no ícias o am codi icadas e, no ge al, é possí el pe cebe um eo de
ala mismo p esen e nas manche es quan o aos núme os ap esen ados nesses ela ó ios.
São ci ados ela ó ios do Minis é io del In e io , ACNUR, dados ob idos po ONG’s, po
exemplo, e as manche es u ilizam uma semân ica que eme e à “c ise” e “p oblema”
mig a ó io.
Como abo da Cogo (2001), “as ci as são ou o dos disposi i os e ó icos
eco en es na cobe u a sob e a imig ação no campo midiá ico”. Acabam po se i
menos pa a guia uma comp eensão sob e um enômeno de ca á e sociocul u al e po
con ibui mais pa a a p odução de um ambien e que " epousa sob e a ins alação do
pânico".
A la ga incidência de índices e axas es a ís icas
ganha e o ço com o p edomínio das on es o iciais
con ocadas a ala sob e a imig ação, em de imen o do
esga e das ozes e das expe iências p o agonizadas pelos
a o es sociais no "mundo i ido" da imig ação, de aco do com
a endência obse ada nas mídias analisadas.
33
Con o me os echos de no ícias a segui :
El du o ánsi o de los mig an es po el pu ga o io
ma oquí
Las llegadas a Eu opa de subsaha ianos sin papeles po la u a
occiden al aumen an pese a las penu ias del paso po
Ma uecos
34
La llegada de inmig an es ba e su éco d en España
El Minis e io del In e io compu a 41.594 en adas
i egula es, supe ando las ci as de 2006
35
España supe a a I alia en llegadas de inmig an es po ma
33
Cogo, 2001, p.22-23
34
El País. 19 de Julho de 2018. El du o ánsi o de los mig an es po el pu ga o io ma oquí. 19 de
Julho de 2018. Disponí el em:
h ps://elpais.com/in e nacional/2018/07/19/ac ualidad/1532003567_066558.h ml
35
El País. 03 de Ou ub o de 2018. La llegada de inmig an es ba e su éco d en España. 03 de Ou ub o
de 2018. Disponí el em: h ps://elpais.com/poli ica/2018/10/03/ac ualidad/1538568850_790110.h ml
45
En lo que a de año, 18.016 pe sonas alcanza on las cos as
españolas a a és del Medi e áneo, en e a las 17.827 que
llega on a I alia
36
(7) Causas e consequências sociais da imig ação i egula en e Ma ocos e
Espanha: dado as codi icações cole adas do El País em 2018, pe cebe-se uma ên ase
mui o meno nes e aspec o. Apenas 17 no ícias ao longo do ano cen aliza am es e ema
e a a és de uma subca ego ização no a-se que ao a a das causas/mo i ações que le am
es es indi íduos a mig a , o jo nal oca essencialmen e na elação en e desen ol imen o
e mig ação o çada (12 no ícias), incluindo aqui ambém o p ocesso de uga de cé eb os
de jo ens, a exemplo das no ícias a segui :
Hamb e y mig ación o zada: elación y soluciones
En 2017, 821 millones de pe sonas su ían hamb e en el
mundo, 37 millones más que en 2014:
El hamb e como ac o de causa y e ec o de los
desplazamien os de población
37
La us ación que expulsa de Ma uecos a los jó enes
La ci a de ma oquíes que c uza on el Medi e áneo
occiden al es e año casi dobla a la
egis ada en 2017
Quan o ao es an e das no ícias, poucas ocam nas consequências sociais (sejam
elas posi i as ou nega i as) pa a a Espanha, mos ando que es e não é o obje i o do jo nal
quan o ao ema das imig ações.
(8) Ação das má ias e edes de con ole dos luxos mig a ó ios: inalmen e, ainda
que seja a ca ego ia com menos codi icações den e as obse adas - apenas 12 no ícias -
é impo an e no a que a exposição des e ema na mídia ambém en ol e o ca á e de
c iminalização das expe iências imig a ó ias.
Ao uni a p opo ção de no ícias expos as po es a ca ego ia às ou as que ambém
possuem ca ac e ís icas simila es, é possí el pe cebe o eo “policialesco” u ilizado pela
mídia em o no das imig ações, como mencionado po Cogo (2001).
Es as o am as in e ências e in e p e ações obse adas a a és das codi icações
ei as do ma e ial ecolhido. Pa a além das ca ego izações, a im de esponde algumas
36
El País. 2018. España supe a a I alia en llegadas de inmig an es po ma . Disponí el em:
h ps://elpais.com/poli ica/2018/07/17/ac ualidad/1531855916_995446.h ml
37
El País. 6 de No emb o de 2018. Hamb e y mig ación o zada: elación y soluciones. Disponí el em:
h ps://elpais.com/elpais/2018/11/05/3500_millones/1541445110_698880.h ml
46
das ques ões p opos as pelo quad o de ope acionalização, buscou-se ambém uma análise
semân ica, como já b e emen e mencionado em algumas das conclusões acima.
Fon e: elabo ado pela p óp ia au o a.
Logo, a pa i des a cole a de dados é possí el conclui em elação aos
ques ionamen os 4 e 5 do quad o de ope acionalização que:
4. Quando os mig an es são ci ados, quais pala as são mais usadas pa a desc e ê-
los? [imig an es; sem papéis; clandes inos; i egula es; e ugiados]
Os mig an es da o a en e Ma ocos e Espanha são majo i a iamen e a ados pelo
El País po “imig an es” (685 menções ao e mo), “ e ugiado(s)” (281 menções ao e mo)
e “i egula (es)” (201 menções) em oposição ao pouco uso dos e mos “clandes ino(s)”
(35) e “sem papéis” (49).
5. Os e mos de exclusão são usados? Os mig an es são de inidos como o a da
lei ou ilegais, clandes inos, em oposição aos "cidadãos locais"?
Majo i a iamen e, não. Os e mos mais u ilizados, como abo dado na ques ão
an e io , são “imig an es”, “ e ugiados” e “i egula es”. Te mos mais dep ecia i os são
menos u ilizados pelo jo nal, ainda que exis a, sim, em meno escala no con eúdo. Quan o
ao uso dos e mos em oposição aos cidadãos locais, acaba po se eco en e, ca ac e ís ica
e iden e na abo dagem da expe iência mig a ó ia con empo ânea pela mídia.
Nes e aspec o, é possí el obse a a necessidade dos jo nais de di e encia as
expe iências mig a ó ias en e a “mig ação simples” - que ab ange e ugiados,
i egula es, clandes inos, e c - em oposição ao que au o es chamam de mig ação
47
“so is icada” - a qual é ep esen ada no malmen e à uma semân ica mais b anda, po
exemplo, “expa iados”.
No caso do El País, pe cebe-se que a di e enciação en e cidadãos locais é ei a,
mas em oposição ao e mo “imig an e” em maio p opo ção, o qual e i a uma
ca ac e ização mais pejo a i a e é conside ado pelo público um e mo mais uni e sal, mas
ao mesmo empo não ca ego iza es es indi íduos como e ugiados.
Além dos e mos usados pa a desc e e es es indi íduos, oi ei o ambém uma
análise de pala as usadas pa a desc e e a expe iência mig a ó ia que ma cam a
cobe u a do El País.
Como já mencionado nas in e ências da ca ego ia Ope ações de Resga e e Riscos
na T a essia, há uma exposição con ínua das mo es nes e aje o (362 menções) que não
só é u ilizada pa a maio comoção pública quan o acaba po c ia o ca á e de i imização
des es imig an es, como abo dam di e sos au o es (Cogo, 2001; C awley, 2016), e ge a
um enquad amen o baseado na dualidade “ í ima- ilão”.
Do mesmo modo, oi incluído ambém na análise a exp essão “c ise mig a ó ia”
pos o que no ícias e a i mações que a am sis ema icamen e a ques ão mig a ó ia como
uma “c ise” e o çam uma isão xeno óbica de que o mig an e ou es angei o em ge al
é um p oblema a se esol ido (ACNUR, 2019). A de inição des es luxos como c ise
não só eduz a complexidade des e enômeno, como ealça o ala mismo p esen e na mídia
sob e o ema.
Sob e es a linha, e o na-se aqui ao ques ionamen o 3 do quad o de
ope acionalização -“As manche es são sensacionalis as ou esc i as de o ma na u al?” -
e, dado o que já oi abo dado an e io men e e manche es ci adas, é possí el pe cebe o
sensacionalismo das manche es nas no ícias de di e sas ca ego ias - chamam a enção à
ensão, so imen o e, po exemplo, ca ac e izam a o a como “pu ga ó io”:
“Un sal o masi o a la alla de Ceu a ag a a la ensión
mig a o ia en el Su ”
38
“T ampa mo al en el Ta ajal”
39
“Su imien o inú il”
40
38
El País. 26 de Julho de 2018. Un sal o masi o a la alla de Ceu a ag a a la ensión mig a o ia en el Su .
Disponí el em: h ps://elpais.com/poli ica/2018/07/26/ac ualidad/1532631290_854478.h ml
39
El País. 16 de Janei o de 2018. T ampa mo al en el Ta ajal. Disponí el em:
h ps://elpais.com/elpais/2018/01/16/opinion/1516124615_764843.h ml
40
El País. 08 de Junho de 2018. Su imien o inú il. Disponí el em:
h ps://elpais.com/elpais/2018/06/08/3500_millones/1528410760_336456.h ml
48
“El du o ánsi o de los mig an es po el pu ga o io
ma oquí”
41
Finalmen e, concluindo a análise do g á ico, inclui-se o e mo “ e o ismo” a im
de analisa se a ideia do enômeno mig a ó io es a ia ainda a elada ao e o ismo como
oco eu, po exemplo, após os a aques de 11 de Se emb o, e oi possí el pe cebe a
co elação a a és dos Eu oba ôme os da época que se ão is os no capí ulo a segui .
41
El País. 19 de Julho de 2018. El du o ánsi o de los mig an es po el pu ga o io ma oquí. Disponí el
em: h ps://elpais.com/in e nacional/2018/07/19/ac ualidad/1532003567_066558.h ml
49
Capí ulo IV - A pe cepção da imig ação a a és dos dados do Eu oba ôme o
(Eu os a )
Após a análise de dados ad indos da cole a de ma e ial do El País no ano de 2018
no úl imo capí ulo, es e capí ulo se dedica á a obse a a e olução da pe cepção sob e a
imig ação pelos eu opeus em compa ação à espanhola de aco do com as pesquisas
cole adas pelo Eu oba ôme o
42
.
Se á ap esen ada uma e olução ace ca da opinião pública sob e as imig ações
a a és de dados cole ados dos Eu oba ôme os desde 1996, da a da cons ução dos mu os
de Ceu a e Melilla, a é 2018 a im de compa á-los e con ex ualizá-los com o que oi
concluído na análise de con eúdo do e cei o capí ulo.
O Eu oba óme o é ei o desde 1973, encomendado po ins i uições eu opeias e
ealizado em odos os Es ados-memb os da UE. “A análise dos esul ados o nece uma
in o mação minuciosa sob e as endências e a e olução da opinião pública sob e as
ques ões eu opeias, an o a ní el nacional como a ní el sociodemog á ico”.
43
A im de con ex ualiza o obje o de es udo des e abalho, compa a os esul ados
ob idos pela análise dos ma e ias midiá icos nos anos de 1996 e 2018 com as sondagens
o iciais em ma é ia de opinião pública na Eu opa, em especial, na Espanha, es a seção se
dedica á a analisa os dados cole ados nos Eu oba óme os desde 1996 sob e o ema das
mig ações.
Es as en e is as são ei as p esencialmen e em cada p ima e a e ou ono a a és
de uma análise de dados ans e sais ( epea ed c oss-sec ion).
4.1 E olução da opinião pública eu opeia sob e as mig ações de 1996 a 2018
A inicia po 1996, ano de cons ução dos mu os de Ceu a e Melilla, é impo an e
menciona que o ema da imig ação possui uma única ci ação nas sondagens do
eu oba ôme o daquele ano que condiz com o con ex o i ido pela UE e Espanha naquele
momen o.
Como abo dado em capí ulos an e io es, a en ada da Espanha supunha o
cump imen o de p é- equisi os de admissão. A União Eu opeia es a a naquele momen o
42
Eu oba óme o. Disponí el em: h p://www.eu opa l.eu opa.eu/a -you -se ice/p /be-
hea d/eu oba ome e
43
idem
50
deba endo se de e ia ha e uma polí ica mig a ó ia comum sob epondo as nacionais ou
se cada Es ado-memb o de e ia e au onomia sob e o ema.
Não coinciden emen e, a sondagem de 1996 inclui o ema da imig ação apenas
nes a ques ão: “Des as 19 á eas, quais conside a que a União Eu opeia de e e o pode
de decisão?” A imig ação e e opinião pública di idida, no en an o, de maio ia a a o
de uma polí ica comum da UE sob e o ema: 54% dos en e is ados conco da am,
enquan o 41% disco da am.
Es a mesma ques ão oi abo dada na maio ia dos Eu oba ome os a é 2014, com
exceção dos anos em b anco no g á ico (G á ico II) abaixo, os quais ap esen a am ou os
emas nes e ques ionamen o.
É in e essan e obse a a e olução da opinião pública nes e sen ido que desde
2006 se mos ou di idida quan o ao papel que a União Eu opeia de e exe ce sob e as
mig ações, mas que em 2004, não coinciden emen e, e e seu ápice de ap o ação dos
eu opeus.
O ano de 2004 oi um ano ma cado pela p eocupação com o desemp ego e a
economia e os demais emas acaba am po ecebe meno a enção dos cidadãos eu opeus
e maio posi i idade em elação ao papel que a UE inha exe cendo sob e ou os assun os,
como a imig ação.
Mais além, de aco do com o Eu oba ôme o, es e oi um ano em que os eu opeus
i e am uma melho pe cepção do papel desen ol ido pela União Eu opeia sob e os
emas de segu ança e de esa uma ez que, desde 2001 e os a aques de 11 de Se emb o, os
emas e o ismo e a manu enção da paz e segu ança egional ganha am em as a maio ia
a a enção pública nes e ano a é 2003 quando o desemp ego e si uação econômica
sob essaí am-se nos deba es públicos.
57
maio impo ância a essa ques ão, jun amen e com a Áus ia (52%), a Bélgica (45%) e
Reino Unido (44%). Mas esse p oblema ambém ganhou e eno signi ica i o na F ança
(33%, +9) e na Eslo áquia (20%, +9)” (Eu oba ôme o 76, 2011).
Es a pola ização começou a se e ela p incipalmen e a espei o da conco dância
com uma polí ica comum eu opeia pa a as imig ações. Po exemplo, a pa i de 2011, seis
países passa am a di e gi signi ica i amen e da endência ge al da Eu opa, que ainda
inha a maio ia dos en e is ados a a o de que decisões sob e imig ação ossem omadas
em conjun o na UE (60%, con a 36% - omada de decisão nacional).
Es es seis países incluíam países nó dicos (71% na Finlândia, 57% na Dinama ca
e 55% na Suécia), Reino Unido (66%), Áus ia (64%) e Es ônia (56%), onde uma maio ia
absolu a de as pessoas pesquisadas a i ma am p e e i que decisões sob e imig ação
ossem omadas pelo go e no de seu p óp io país.
No início de ou ub o de 2013, um ba co que anspo a a mig an es a undou na
cos a da ilha i aliana de Lampedusa, causando a mo e de mais de 360 pessoas
47
. Es a
agédia mudou ab up amen e os deba es na UE sob e a polí ica eu opeia de imig ação e
ele ou a p eocupação com o ema à qua a posição no Eu oba ôme o des e ano
(Eu oba ôme o 80, 2013).
Logo, em 2014, as no as p io idades da Comissão Eu opeia o am anunciadas
pelo P esiden e-elei o du an e o seu discu so ao Pa lamen o Eu opeu em 15 de julho de
2014. As dez á eas polí icas de p io idade inclui iam á eas elacionadas a “Emp ego,
C escimen o, Jus iça e Mudança Democ á ica”, sendo o oi a o pon o “uma no a polí ica
pa a as mig ações”.
O Eu oba ôme o 82 (2014) mos ou que as p eocupações em o no das
imig ações con inua am a c esce :
A endência c escen e de p eocupações com a imig ação
egis ada em pesquisas dos Eu oba ôme os an e io es con inuou no
inqué i o do ou ono de 2014 (18%, +3 pon os pe cen uais desde a
p ima e a de 2014, +6 desde o ou ono de 2013 e +11 desde o ou ono
de 2011). Os eu opeus ago a classi icam a imig ação como a e cei a
ques ão mais impo an e que o país en en a (Eu oba ôme o 82,2014).
Nes e ano, a imig ação passou pa a o p imei o luga como ema de maio
p eocupação em Mal a, Reino Unido e Alemanha, c esceu subs ancialmen e pa a os
47
El País. 03 de Ou ub o de 2013. Disponí el em:
h ps://elpais.com/in e nacional/2013/10/03/ac ualidad/1380791363_913633.h ml? el=mas Acessado em:
25/10/2019
58
cidadãos da Dinama ca e Suécia e se o nou a segunda ques ão mais ele an e pa a os
países o a da zona do eu o.
Pa adoxalmen e, es e Eu oba ôme o concluiu que a maio ia dos eu opeus se
opunham à imig ação de pessoas de o a da UE e apoia am uma polí ica comum de
mig ação, enquan o 52% e am a a o da imig ação in e na en e países-memb os.
As opiniões a o á eis em elação à imig ação ex acomuni á ia e am
p edominan es em cinco Es ados-Memb os com maio ia absolu a na Suécia (72%), onde
os en e is ados se des acam o emen e dos demais eu opeus e uma maio ia ela i a na
Espanha (48% e sus 42%).
No amen e, a p incipal ques ão do Eu oba ôme o sob e o ema das mig ações
ol ou à ideia de “lu a con a a imig ação ilegal”:
Os eu opeus que em in ensi ica a lu a con a a
imig ação ilegal. Há um amplo consenso sob e a necessidade
de in ensi ica a lu a con a a imig ação ilegal de o a da UE.
82% dos en e is ados pensam que medidas adicionais
p ecisam se omadas, enquan o 13% disco dam e 5% não
exp essa am opinião.
Pelo menos dois e ços dos eu opeus compa ilham dessa
opinião em odos os Es ados-Memb os, com as pon uações
mais al as na G écia (96%), Mal a (96%), Chip e (93%), I ália
(91%) e República Tcheca (90%). A União Eu opeia é is a
como endo um papel cen al na lu a con a a imig ação ilegal
(Eu oba ôme o 82, 2014).
No caso da Espanha, o Eu oba ôme o de 2014 mos ou uma maio ole ância e
ecep i idade quan o a imig ação ex e na. No que diz espei o à imig ação de pessoas de
ou os países memb os da UE, 64% dos espanhóis se mos a am a o á eis e 27%
disco da am.
Ademais, desde 1996 a 2015 a opinião pública eu opeia em sua maio ia seguiu a
a o de uma polí ica comum sob e as imig ações, como obse ado no g á ico II, com
exceção dos anos 2002, 2003, 2005 e 2012 que não possuem dados p esen es, pois os
Eu oba ôme os não incluí am especi icamen e es a ques ão.
Em 2015, dados do Eu oba ôme o 84 mos a am um c escen e oco sob e as
imig ações, com um aumen o de se e pon os pe cen uais en e o ou ono de 2012 e o
ou ono de 2015 como é possí el obse a no g á ico III (Eu oba ôme o 84, 2012). Nes e
ano, a imig ação se o nou a p incipal p eocupação nacional dos en e is ados, ao mesmo
59
ní el do desemp ego
48
. Apenas os anos 2002 e 2003 obse a am uma p eocupação mais
al a com o ema das imig ações em compa ação a 2015.
A imig ação se o nou a p incipal p eocupação nacional em 12 Es ados-Memb os
(em compa ação com qua o na p ima e a de 2015), lide ada pela Alemanha (76%),
Mal a (65%) e Dinama ca (60%) (Eu oba ôme o 84, 2015).
Ainda co elacionados, não só a imig ação assumiu o p imei o luga (58% na
média ge al eu opeia) em 27 Es ados-memb os, como o e o ismo subiu pa a a segunda
posição ambém com 25% na média ge al. A única exceção oi Po ugal, no qual a
p incipal p eocupação des e ano o am as inanças públicas (38%).
Es e esul ado es á di e amen e elacionado à eme gência do deba e sob e a c ise
dos e ugiados que passou inclusi e a se mencionada nos Eu oba ôme os.
A c ise dos e ugiados demons a a necessidade que os países
da União Eu opeia possuem em abalha jun os. Oi o em cada dez
espanhóis (81%) são a a o de uma polí ica eu opeia comum de
mig ação, enquan o a ní el eu opeu 68% são a a o e a é 24% con a.
Esses núme os são es á eis em elação aos cole ados no inal de 2014
pa a o caso espanhol, mas são um pouco mais c í icos en e odos os
cidadãos eu opeus (o apoio a essa polí ica cai 3 pon os pe cen uais no
ní el da União Eu opeia como um odo). (Eu oba óme o 86, España.
2015)
É impo an e menciona ambém que nes e ano a opinião pública eu opeia se
mos ou em sua maio ia des a o á el à imig ação de pessoas de o a da UE (59% na
média ge al). po ou o lado, no caso da Espanha, a maio ia mos ou uma opinião
a o á el (53%) em compa ação com um e ço (38%) que a i mou se des a o á el. Mais
além, 84% dos espanhóis conco da am que o país de e ia ajuda os e ugiados.
Não coinciden emen e, como mencionado no e cei o capí ulo, oi em 2015 que o
menino sí io Aylan Ku di oi encon ado mo o às ma gens de uma p aia na Tu quia e
sua o o oi massi amen e publicada na mídia in e nacional. Es e con eúdo ge ou impac o
p o undo na opinião pública e mudou os umos dos deba es públicos sob e os e ugiados,
o que é possí el e e le ido no Eu oba ôme o des e ano quando a imig ação assumiu a
p imei a posição nos 27 Es ados-memb os.
Em 2016, a imig ação caiu dois pon os na média ge al dos eu opeus, dando espaço
pa a a p eocupação com a in lação, saúde, segu ança social e pensões quando
ques ionados sob e o seu maio p oblema pessoal. Ainda assim, pe maneceu na segunda
posição na média ge al de 26% sob e a mesma ques ão, ci ada po um a cada qua o
48
ANEXO VI
60
eu opeus. A imig ação con inuou como p eocupação pessoal majo i á ia na I ália, dado a
p essão mig a ó ia nas suas on ei as, subindo 14 pon os em elação ao Eu oba ôme o
an e io ( o alizando 42% dos en e is ados).
Po ou o lado, quando pe gun ados qual a maio ques ão en en ada pela União
Eu opeia como odo, a imig ação e o e o ismo con inua am nos p imei os luga es ainda
que enham caído em pe cen ual (imig ação, 45% e e o ismo, 32% na média ge al).
Po an o, a mig ação, em pa icula , a in eg ação de e ugiados, con inuou o
g ande p oblema não esol ido da Eu opa. Nesse sen ido, mais da me ade (56%) dos
eu opeus se mos a am des a o á eis à imig ação de pessoas de o a da União Eu opeia.
Di e en e do pon o de is a mos ado pelos espanhóis, que em 52% dos casos se
mos a am a o á eis a es e ipo de imig ação (Eu oba óme o 88 España, 2016).
Mais uma ez o Eu oba ôme o 88 ques ionou aos en e is ados se a União
Eu opeia de e ia “lu a ” con a a imig ação e 86% dos en e is ados conco da am que,
sim, es a e a uma ques ão que necessi a a maio es ações.
Em 2017, as p incipais p eocupações a ní el eu opeu con inua am a se a
imig ação (39%) e o e o ismo (38%) quando solici ados a iden i ica os p incipais
p oblemas que a União Eu opeia en en a a no momen o.
A ní el nacional a p eocupação com o desemp ego caiu alguns pon os, mas seguiu
como a p incipal p eocupação des es indi íduos, e ambém ab iu espaço pa a a
p eocupação com a in lação . No en an o, pa a a Alemanha, Áus ia e Bélgica a
imig ação con inuou em p imei o luga .
A imig ação oi a p incipal ques ão en en ada pela União Eu opeia, de aco do
com os en e is ados em 14 Es ados-Memb os, mas oi mencionada mui o menos em
Po ugal (20%), Espanha (26%) e C oácia (29%).
Nes e ano, em 17 de Agos o, a Espanha so eu com os a en ados em Ba celona
49
assumidos pela o ganização Es ado Islâmico. Ainda que es es e en os no malmen e
a e em di e amen e a opinião pública, o Eu oba ôme o nes e ano não obse ou uma
mudança d ás ica nas p eocupações dos espanhóis e a imig ação e e uma acei ação
posi i a na Espanha: ês em cada qua o espanhóis (72%) a i ma am se a o á eis à
imig ação in e na en e os memb os da UE e 58% se mos a am a o á eis à imig ação
49
El País. 17 de Agos o de 2017. Un a en ado e o is a en Ba celona p o oca al menos 13 mue os.
h ps://elpais.com/ccaa/2017/08/17/ca alunya/1502982054_017639.h ml Acessado em: 05/11/2019
61
de países o a da UE. O Eu oba ôme o de 2018
50
, nes e momen o, o na-se c ucial pa a
a análise do obje o de es udo des e abalho. Nes e ano, o Eu oba ôme o ealizou
en e is as com 32.600 pessoas esiden es nos países memb os, dos quais 1.011 da
Espanha, com uma população de 15 anos ou mais.
No que ange a pesquisa sob e os emas mais ele an es pa a os espanhóis e a
si uação econômica, den e as 14 opções ap esen adas, a imig ação ganhou maio
impo ância nes e ano subindo pa a a qua a posição como ema de maio p eocupação
com 19% dos en e is ados.
Como mos ado no capí ulo II, a c escen e p eocupação dos espanhóis com a
imig ação se de e ao aumen o do luxo de en ada de imig an es de modo i egula nos
úl imos anos na Espanha.
As en adas a a és de emba cações po Ceu a i e am um aumen o pe cen ual
de 121,8% de um ano pa a o ou o e, a a és de Melilla, um aumen o de 35,4%. Mais
além, se le a mos em conside ação o o al de en adas a a és dos ou os pon os de
a essia (as Caná ias e as Cos as Balea es) o aumen o o na-se cla o: em 2017, hou e a
en ada de 21.971 indi íduos a a és de emba cações e 6.800 ia e es e, enquan o em
2018, o am 57.498 de en adas ia ma í ima e 6.800 ia e es e (Ceu a e Melilla). Um
aumen o de 161,7%, o que mos a que a es a égia de a essia pelo ma em sido a mais
usada po es es imig an es e ap esen ou mais que o dob o de en adas no esul ado o al
em elação ao ano an e io .
A a és de ias e es es, hou e um aumen o médio, conside ando ambas
cidades, de 16% em compa ação à 2017.
A ní el eu opeu, o Eu oba ôme o 92 (2018) mos ou que a imig ação (21% dos
en e is ados) seguiu em segundo luga como ques ão mais p eocupan e pa a a União
Eu opeia a ás apenas do desemp ego (23%).
Um dos aspec os des acados na pesquisa ace ca das mig ações diz espei o à
polí ica comum eu opeia. Ce ca de 9 a cada 10 espanhóis (ap oximadamen e 86%) es ão
a a o de uma polí ica eu opeia comum em ma é ia de mig ações em compa ação a 69%
do esul ado ge al eu opeu, es a ís ica que pe manece es á el desde o Eu oba óme o de
2016.
50
Pa lamen o Eu opeu. Eu oba ome o S anda d 2018. Opinión Publica en la Unión Eu opea, Espanha.
Disponí el em: h ps://ec.eu opa.eu/spain/si es/spain/ iles/s 90_-_ epo _ epes_-_ 110219_limpia_.pd
Acessado em: 30/09/2019
62
Quando ques ionados sob e a con ibuição dos imig an es ao país, 58% dos
espanhóis a i mam que con ibuem mui o pa a a Espanha enquan o 34% disco da. Mais
além, sob e a si uação dos e ugiados uma maio ia de 79% conco da que o país de e
ajudá-los, um esul ado ainda maio que o ge al eu opeu (69%).
Finalmen e, enquan o a maio ia dos eu opeus se coloca con a a imig ação de
indi íduos de o a da União Eu opeia (53%), a Espanha mos a uma maio ia a a o com
57%.
Tendo em is a a análise de con eúdo ei a no e cei o capí ulo do jo nal El País,
o mais lido da Espanha, e os esul ados ob idos pelo Eu oba ôme o 92 sob e a opinião
pública espanhola em 2018 é possí el pe cebe em ce a medida que es es dados
condizem com aquilo que é deba ido na mídia.
Como abo dado no capí ulo an e io , “as ci as são ou o dos disposi i os
e ó icos eco en es na cobe u a sob e a imig ação no campo midiá ico” e azem
a enção ao ema no deba e público. A exposição con ínua dos dados que mos am o
aumen o do luxo de mig an es na o a Ma ocos-Espanha de 2017 pa a 2018 coincidem
com o aumen o da a enção ol ada às imig ações pelos espanhóis en e is ados no
Eu oba ôme o.
Mais além, a inclusão da ideia de c ise mig a ó ia nos Eu oba ôme os desde
2014, mui o abo dada pela mídia, ambém e idencia a c escen e p eocupação obse ada
nas pesquisas desde es e ano com o ema das mig ações, em especial, de e ugiados no
Medi e âneo.
63
Conside ações inais
Como expos o na in odução des a pesquisa, a mídia – jo nais, ele isão, ádio e
in e ne - possui papel cen al na in o mação do público ace ca dos a os que oco em no
mundo, especialmen e sob e assun os que a audiência não possui conhecimen o
especí ico ou expe iência. Po sua ez, a audiência o na-se mais dependen e e/ou
con ian e nos canais aos quais acessa pa a busca in o mações.
Conside ando o a ual con ex o de c escimen o do luxo mig a ó io en e Ma ocos
e Espanha, e a impo ância da análise do con eúdo da mídia ace ca das mig ações, o ema
des a pesquisa oi escolhido com o obje i o cen al de aze ao deba e acadêmico uma
análise sob e o papel da mídia espanhola na o mação da opinião pública sob e as
mig ações, especialmen e sob e a o a de Ceu a e Melilla.
Buscou-se analisa de que modo é e a ada a p essão mig a ó ia nas on ei as
espanholas e qual o papel da mídia na cons ução da opinião pública espanhola em o no
das mig ações con empo âneas, em especial, de um país que é o e cei o maio ecep o
de luxos o iundos de Á ica.
O obje i o des as indagações e a analisa o con eúdo midiá ico ace ca do ema de
modo a pe cebe quais discu sos, deba es, in o mações, ep esen ações são u ilizadas pa a
e a a o enômeno mig a ó io na egião.
Apesa do aumen o mode ado na imig ação a a és de Ceu a e Melilla ou o peso
pouco signi ica i o em núme o de imig ação i egula em compa ação às a uais p incipais
o as mig a ó ias (I ália e G écia), es e ema ol ou à ona nos meios de comunicação e
ob e e des aque na agenda polí ica de Espanha.
No e cei o capí ulo, es a análise se o nou plausí el a pa i da u ilização do
mé odo de Ba din (1977) o qual oi execu ado em ês e apas (ANEXO I):
1) P é-análise - lei u a ge al do ma e ial cole ado, seleção do co pus (documen os
ele an es espei ando-se a homogeneidade, ep esen a i idade e pe inência),
o mulação de hipó eses e indicado es de análise;
Nes a e apa, a seleção do co pus oi concluída em 329 no ícias publicadas ao
longo de 2018, espei ando-se a homogeneidade, ep esen a i idade e pe inência.
2) Explo ação do ma e ial - cons ução das ope ações de codi icação do ma e ial
selecionado, de inição de eg as de con agem, classi icação em ca ego ias simbólicas ou
64
emá icas. O obje i o des a ase oi ca ego iza as mensagens dos ex os, alas, discu sos
cole ados.
Na explo ação do ma e ial, oi o ca ego ias o am c iadas pa a análise de aco do
com os con eúdos mais abo dados ao longo de 2018 pelo El País sob e a o a mig a ó ia
de Ma ocos a Espanha:
1) Polí ica de imig ação a di e en es escalas: es a ca ego ia engloba odas aquelas
no ícias de ca á e in o ma i o sob e no os aco dos polí icos in e nacionais sob e
as mig ações, aco dos sob e o ema en e Espanha e Ma ocos, bem como, as
polí icas en e Espanha e União Eu opeia pa a a con enção do luxo mig a ó io e
no ícias que abo dem os deba es en e a o es es a ais da Espanha, Ma ocos e UE
a espei o das mig ações.
2) Ope ações de esga e de imig an es e iscos na a essia: no ícias que enham
con eúdo ol ado a ela a as ope ações de esga e na o a do Ma ocos à Espanha,
os pe igos que se ap esen am na a essia, ela os sob e mo es, e imen os,
desapa ecimen os e as en a i as de sal o em g upos de imig an es nas alas de
Ceu a e Melilla.
3) Pe cepções e a i udes sob e a imig ação - populismos, a i ismos e deba es: es a
ca ego ia, inalmen e, engloba as no ícias que enham cunho opina i o sob e as
imig ações des a o a ou que a em di e amen e sob e a onda an i-imig a ó ia
populis a na Eu opa ou que ap esen em casos de a i ismos a a o dos
e ugiados/imig an es i egula es.
4) Meno es, indocumen ados e e ugiados: no ícias que abo dam a acessibilidade ao
supo e es a al, bem como à in eg ação social, seja ela, a educação, saúde e
mo adia.
5) Con ole on ei iço, de ecção e epa iamen o de mig an es em si uação
i egula : no ícias que in o mem sob e policiamen o nas ce cas e no ma ,
ope ações policiais (exclui-se aqui as ope ações de esga e), de ecção de
imig an es em si uação i egula nos Cen os de Es adia Tempo á ia pa a pos e io
julgamen o e epa iamen o, bem como, expulsões e “de oluciones en calien e”.
6) In o mação ge al sob e os luxos mig a ó ios: no ícias de cunho in o ma i o a
espei o de ela ó ios e dados cole ados pelo go e no, ONU e demais o ganismos
in e nacionais sob e a oscilação dos luxos da o a en e Espanha e Ma ocos.
65
7) Causas e consequências sociais da imig ação egula en e Ma ocos e Espanha:
no ícias que abo dem um con ex o ge al econômico, social e polí ico em elação
às p incipais mo i ações que in luenciam o g ande luxo de imig an es de Á ica
pa a a Espanha e no ícias de mesmo cunho que abo dam as consequências pa a a
sociedade espanhola com a chegada des es indi íduos.
8) Ação das má ias e edes de con ole dos luxos mig a ó ios: no ícias que expõem
o me cado ilegal de enda de is os, alsos, edes que ope am a a essia em
emba cações i egula es e a logís ica de chegada à Espanha, ope ações judiciais
que in es igam documen os as edes de con ole dos luxos mig a ó ios
i egula es.
3) In e p e ação do ma e ial - análise dos con eúdos das ca ego ias c iadas e
compa á-las a im de in e i os aspec os comuns e di e en es en e elas e a sua ele ância
pa a o es udo p opos o.
Nes e pon o, o am concluídas as espos as ao quad o de ope acionalização
p opos o na me odologia des e abalho, como segue:
1. Quan os a igos elacionados ao e en o ( o a mig a ó ia de Ma ocos a
Espanha) o am publicados no ano de 2018? [classi icados em oi o p incipais ca ego ias
que se ão dispos as no e cei o capí ulo]
Fo am publicadas 329 no ícias ao longo de 2018 sob e a o a mig a ó ia de
Ma ocos a Espanha no El País, codi icadas de aco do com a seguin e abela:
2. Quais são os p incipais emas mais abo dados? [qual ca ego ia é mais
con inuamen e expos a/abo dada?]
Os p incipais emas abo dados pelo El País no ano de 2018 sob e as imig ações
en e Espanha e Ma ocos o am no ícias sob e (1) Polí ica de imig ação a di e en es
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escalas - 64 no ícias, (2) as Ope ações de Resga e e iscos na a essia - 63 no ícias,
seguidos po uma pequena di e ença po (3) Pe cepções e a i udes sob e a imig ação:
populismos, a i ismos e deba es - 61 no ícias. Es es são os emas p edominan es no ano,
ep esen ando mais da me ade (56,84%) das no ícias publicadas em 2018.
3. As manche es são sensacionalis as ou esc i as de o ma na u al?
Foi possí el pe cebe o sensacionalismo e ala mismo das manche es nas no ícias
de di e sas ca ego ias des a pesquisa - chamam a enção à ensão, so imen o e, po
exemplo, ca ac e izam a o a como “pu ga ó io”.
Nes e aspec o, oi obse ado ambém o cons an e uso das ci as - o uso cons an e
de dados de ela ó ios do go e no, ONU e ONG’s que, como abo da Cogo (2001), acabam
po se i menos pa a guia uma comp eensão sob e um enômeno de ca á e
sociocul u al e po con ibui mais pa a a p odução de um ambien e que " epousa sob e
a ins alação do pânico". Elas e i am do con ex o a oz dos imig an es e azem maio
ala mismo ao ecep o .
4. Quando os mig an es são ci ados, quais as pala as mais usadas pa a desc e ê-
los? [imig an es; sem papéis; clandes inos; i egula es; e ugiados]
Após uma análise semân ica do con eúdo selecionado, conclui-se que os
mig an es da o a en e Ma ocos e Espanha são majo i a iamen e a ados pelo El País
po “imig an es” (685 menções ao e mo), “ e ugiado(s)” (281 menções ao e mo) e
“i egula (es)” (201 menções) em oposição ao pouco uso dos e mos “clandes ino(s)” (35)
e “sem papéis” (49).
5. Os e mos de exclusão são usados? Os mig an es são de inidos como o a da
lei ou ilegais, clandes inos, em oposição aos "cidadãos locais"? [classi icado em sim ou
não]
Majo i a iamen e, não. Os e mos mais u ilizados, como abo dado na ques ão
an e io , são “imig an es”, “ e ugiados” e “i egula es”. Te mos mais dep ecia i os são
menos u ilizados pelo jo nal, ainda que exis a, sim, em meno escala no con eúdo. Quan o
ao uso dos e mos em oposição aos cidadãos locais, acaba po se eco en e, ca ac e ís ica
e iden e na abo dagem da expe iência mig a ó ia con empo ânea pela mídia.
7. São on es de a os e núme os, especialmen e es ima i as, ci ados? Se sim,
quais?
73
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Disponí el em: h ps://da a2.unhc .o g/en/documen s/de ails/67552 Acessado em: 09 de
Junho de 2019.
74
ANEXOS
ANEXO I - Desen ol imen o de uma análise pelo mé odo de Ba din (1977)
Fon e: Sil a, And essa H.; Fossá, Ma ia I.T. apud Ba din, 1977. Desen ol imen o de uma
análise. p.5
75
ANEXO II - Mapa Plazas de Sobe anía Espanha
Fon e: Las on e as in e nacionales de España en Á ica: Melilla. 2016. Miguel A.
Acos a Sanchez. Uni e sidad de Cádiz. Mad id. Edi o ial Reus SA.
76
ANEXO III
Fon e: La e is a Il Mulino. 2015. Ceu a e Melilla.
ANEXO IV
Imig an es in e cep ados nas o as ma í imas * indo pa a a Espanha (1999-2013)
_____ Ro a A icana-Ociden al ______ Ro a Medi e ânea-Ociden al
Fon e: Ana Lopez-Sala, 2015, p. apud Minis e io del In e io .
77
ANEXO V
78
ANEXO V
ANEXO VI
Fon e: S anda d Eu oba ome e 84. Public opinion in he Eu opean Union. Au umn 2015. Disponí el em:
h ps://ec.eu opa.eu/comm on o ice/publicopinion/index.c m/Resul Doc/download/Documen Ky/71806