Tese Dou o amen o em Ecologia Humana
No emb o de 2017
Casa Comum da Humanidade
A “Nossa Casa Comum” como uma cons ução ju ídica
baseada na ciência
Paulo Miguel Fe ei a Magalhães
DECLARAÇÕES
Decla o que es a Tese é o esul ado da minha in es igação pessoal e independen e. O
seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e mencionadas
no ex o, nas no as e na bibliog a ia.
O Candida o,
__________________________
Lisboa, 6 de No emb o de 2017
Decla o que es a Tese se encon a em condições de se ap eciado pelo jú i a designa .
A O ien ado a
__________________________
A co-o ien ado a
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Lisboa, 6 de No emb o de 2017
Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios
à ob enção do g au de Dou o em ECOLOGIA HUMANA,
ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o .ª Dou o a I a Mi anda Pi es e
a co-o ien ação da P o .ª Dou o a Alexand a A agão
A p esen e in es igação e e o apoio inancei o da
Fonda ion Luso- F ançaise Elise Senya ich
a a és de uma Bolsa de Dou o amen o.
À Isau a, Abel, Náná, Joana, F ancisco, So ia, Ped o e Ti a.
“Os ilóso os do iluminismo se i am-se de um p ecei o simples, mas apa en emen e
mui o pode oso: Quan o mais capazes o mos de usa a azão pa a en ende mos o
mundo e pa a nos en ende mos a nós p óp ios, mas capazes se emos de molda a
his ó ia à nossa medida. Pa a con ola mos o u u o, é necessá io que nos libe emos dos
hábi os e p econcei os do passado.”
An hony Giddens
Abs ac
Science has shown ha wha is a s ake is no “sa ing he plane ”, bu a he ensu ing
he con inued a ou able s a e o he Ea h Sys em o humani y. Tha means ha a plane
beyond he a ou able s a e canno se e as ou “Common Home”. The eali y is ha ou
plane is no only a geog aphical a ea o 510 million km2. All plane s ha e a geog aphical
a ea, bu only Ea h has a li ing sys em in insically coupled o he physical plane , able
o sus ain li e jus as we know i . F om a legal poin iew, he plane only has an exis ence
as a e i o ial en i y. This one-dimensional ision excludes he mos ema kable and i al
exp ession o na u e - he unc ioning o he Ea h Sys em as he so wa e which suppo s
li e. The Ea h Sys em is a single, global and in angible asse , which inds no basis in he
igidi y o he cu en legal amewo k. Scien i ic knowledge has al eady iden i ied he
indica o s which de e mine he s a e o his Sys em, he so-called “Plane a y Bounda ies”,
which canno be exceeded in o de o ensu e ha he Ea h Sys em emains wi hin he
a ou able s a e - he Sa e Ope a ing Space o Humani y. This quali a i e and
quan i a i e sa e space is in angible and non- e i o ial, and cons i u es ou eal Global
Commons, exis ing wi hin and beyond all bo de s. I s lack o acknowledgemen by
In e na ional Law esul s in i s in isibili y wi hin he communi y o na ions and peoples.
The e o e, i s legal non-exis ence au ho ises i s de egula ed use and consequen agedy
o ou global common asse , educed o he ca ego y o “ex e nali y”.
Legal sciences ha e long acknowledged he exis ence o in angible legal asse s as a
solu ion o p o ec ce ain in e es s o asse s which became ele an o human socie ies.
UNESCO’s in angible cul u al he i age, copy igh s, o he in angible alue o companies
(whe e he alue o in angible asse s is o en excep ionally highe han ha o angible
asse s) a e some examples.
The analogy be ween hese in angible objec s o law and he Ea h Sys em may be
c ucial no only o ep esen he global and indi isible unc ionali y o he Ea h Sys em
in he bosom o he in e na ional communi y, bu also o lend economic isibili y o he
eal alue o he in angible se ices p o ided by ecosys ems and o he ea u es o he
Ea h Sys em (e.g., a mosphe ic and oceanic ci cula ion) in main aining global
biogeophysical and biogeochemical cycles, whose alue is excep ionally highe han he
angible alue o he componen sys ems which p oduce hem.
A signi ican pa o he challenge o “T ans o ming he Wo ld” en ails he possibili y
o making he wo k o he Ea h Sys em isible in socie y, human ac ions, and economic
and inancial ansac ions. Nowadays, he alue o na u e only becomes isible in
inancial ansac ions h ough i s des uc ion and ans o ma ion in o aw ma e ials, as
happens wi h he imbe o o es s.
The objec i e is o pu o wa d a p oposal so ha he a ou able s a e o he Ea h
Sys em as a whole, which is ep esen ed by he cu en geological epoch, he Holocene,
is ecognised as In angible Common He i age o Humani y. The objec i e is o p omo e
his new global legal asse as a “coo dina ion pla o m”, whe e all posi i e and nega i e
ex e nali ies can be agg ega ed and accoun ed o . This new objec o global go e nance
will coexis wi h he legal amewo ks o s a e so e eign ies: one Plane a y
Condominium. The condominium is he only exis ing legal model which is no limi ed
o a di ision o spa ial elemen s, bu also ecognises he exis ence o non-spa ial
unc ional elemen s (e.g.: elec ici y, wa e ), and, o ha eason, is able o ensu e mul i-
le el go e nance aimed a main aining he in eg i y o he building as an in eg a ed whole.
I we use di e en ypes o legal di ision ( unc ional and spa ial) i is possible o ha e
he peace ul coexis ence o wo o e lapping, bu coo dina ed, legal amewo ks wi hin
he same physical space. Wi h he p ope scale adjus men , he heo y which esul s om
his solu ion could ha e p o ound meaning in he legal o ganisa ion o human socie ies
in he wo ho izons hey sha e - he Common Home o Humani y: on he one hand, S a e
ju isdic ions ( e i o ial elemen s) o e which i is possible o apply legal con en ions o
di ision, and, on he o he hand, coupled and o e lapping, he sa egua ding o he
indi isible Ea h Sys em (non- e i o ial elemen s).
The legal ecogni ion o his in angible asse which uni es us all a a global scale is
a s uc u al condi ion o lend isibili y o he i al ac o s which sus ain li e, and o s a
a p ocess in which he pe manen main enance o he Common Home will no be an
economical loss o hose who p o ide common bene i s. This is an oppo uni y o
ans o m peoples and na ions in o subjec s o an ac ual humani y and o achie e
ci iliza ional ans o ma ion, om a communi y o Ea h Sys em exploi e s o a
communi y o Common Home cu a o s and manage s.
Keywo ds: Common He i age o Humankind, In angible Na u e, Ea h Sys em,
Common Home o Humani y, In angible Global Commons, Human Ecology,
En i onmen al Law, Global Go e nance, Plane a y Bounda ies.
Índice
Resumo ...................................................................................................................... 13
Abs ac ...................................................................................................................... 16
Índice .......................................................................................................................... 18
PARTE I ................................................................................................................................ 1
1. Mo i ação e Jus i icação pa a o Tema .......................................................................... 1
2. Me odologia e Obje i os ge ais e especí icos ............................................................... 6
a) Obje i os ge ais ........................................................................................................... 6
b) Obje i os especí icos ................................................................................................... 7
Capí ulo I ............................................................................................................................. 9
Ecologia Humana – A Ciência do Conhecimen o.................................................................. 9
1.1. In odução ................................................................................................................ 9
1.2. Da Te a Incogni a às Ciências do Sis ema Te es e ................................................ 13
1.3. A Ecologia Humana – Uma no a e a no conhecimen o? .......................................... 20
1.4. Uma Ecologia Humana à escala do Sis ema Te es e .............................................. 24
1.5. Uma Ecologia Humana à escala da Humanidade ...................................................... 27
1.6. Uma Ecologia Humana ans- empo al .................................................................... 31
1.7. Ecologia Humana – Uma ciência do An opoceno como cons u o a de sín eses e
soluções ........................................................................................................................ 36
Capí ulo 2 .......................................................................................................................... 40
A Na u eza In angí el ........................................................................................................ 40
2.1. O Pa imónio In angí el como o io de A iadne do An opoceno ............................. 40
2.2. O ganiza a uição cole i a ..................................................................................... 42
2.3. Um sis ema ju ídico baseado numa isão do mundo obsole a ................................. 45
2.4. A desma e ialização do Bem Ambien al .................................................................. 50
2.5 A na u eza in angí el como conexão en e Sis ema Social e Sis ema Te es e. ........ 53
Chap e 3 ........................................................................................................................... 61
Global F ee Ride s ... ......................................................................................................... 61
3.1. T agedy Wi hou Te i o y....................................................................................... 61
3.2. Legal Black Hole ...................................................................................................... 67
3.3. The G ea es Ma ke Failu e.................................................................................... 69
3.4. Global F ee Ride s... Ge I While You Can ............................................................... 70
3.5. A Long Looking-Fo Pe iod....................................................................................... 72
3.6. The Ine i able Global and Mul iple App oach .......................................................... 74
3.7. The Double T agedy and Double Challenge ............................................................. 78
Chap e 4 ........................................................................................................................... 81
A New Objec o Law – A emp o a Legal Cons uc ion ................................................. 81
4.1. A Theo e ical Gap.................................................................................................... 81
4.2. The Legal Nebula ..................................................................................................... 87
4.3. The “Whole” P oblem ............................................................................................. 92
4.4. The So wa e/Ha dwa e Rela ion ............................................................................ 95
4.5. A Space Wi hou Te i o y ....................................................................................... 98
4.6. A Sa e Space Wi hou Te i o y ............................................................................. 101
4.7. F om a Space o Conce ns o a He i age ................................................................ 105
4.8. Holocene S a e as a He i age P o ec ed by Law ..................................................... 106
4.9. An E olu ional Legal Li ing Space .......................................................................... 112
4.10. Applying CHM o he Ea h Sys em ...................................................................... 113
4.11. Conclusion .......................................................................................................... 115
Chap e 5 ......................................................................................................................... 118
Ea h Condominium – A legal model o he An h opocene ............................................ 118
5.1. Poli ical Impossibili y? ........................................................................................... 118
5.2. Two Di e en Le els o he Ea h Sys em, Two Di e en Le els o Human Rela ions
.................................................................................................................................... 120
5.3. A He i age o O ganize Rela ions ........................................................................... 121
5.4. Di ide o O ganize ................................................................................................. 123
5.5. Di ide o Uni e ...................................................................................................... 128
5.6. Symbio ic So e eign y ........................................................................................... 135
5.7. F om Complex o Symbio ic .................................................................................. 138
5.8. Ea h Sys em S ewa dship ..................................................................................... 141
5.9. Final Rema ks ........................................................................................................ 149
Chap e 6 ......................................................................................................................... 150
Ea h Global Challenges P ize: A New Shape ................................................................... 150
6.1. ABSTRACT ............................................................................................................. 150
6.2. MODEL DESCRIPTION ............................................................................................ 153
6.2.1. The Plane a y Condominium model: he concep ual amewo k o a new global
go e nance. ................................................................................................................. 153
6.2.2. Realizing he Plane a y Condominium model ..................................................... 157
6.2.3. Final Rema ks: .................................................................................................... 166
6.3. ASSESSMENT CRITERIA .......................................................................................... 168
6.3.1. Co e Values ........................................................................................................ 168
6.3.2. Decision-making Capaci y ................................................................................... 168
6.3.3. E ec i eness ...................................................................................................... 170
6.3.4. Resou ces and Financing .................................................................................... 171
6.3.5.T us and Insigh ................................................................................................. 173
6.3.6. Flexibili y ............................................................................................................ 174
6.3.7. P o ec ion agains he abuse o powe ............................................................... 174
6.3.8. Accoun abili y .................................................................................................... 175
Chap e 7 ......................................................................................................................... 177
SOS TREATY – Sa e Ope a ing Space T ea y .................................................................... 177
7.1. PREAMBLE ...................................................................................................... 177
7.2. PART 1 – OBJECTIVE ........................................................................................ 182
7.3. PART 2 – FUNDAMENTAL PRINCIPLES .............................................................. 183
7.4. PART 3 - PRINCIPLES GOVERNING THE INTANGIBLE NATURAL SPACE............... 187
PARTE II Common Home o Humani y Su ey ................................................................. 203
8.1. O P oje o .............................................................................................................. 203
8.2. Me odologia da pesquisa ...................................................................................... 204
8.3. Pe il dos En e is ados ......................................................................................... 206
8.4. RESULTADOS ......................................................................................................... 211
8.5. ANEXOS ................................................................................................................ 214
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1. The Holocene - G eenland Ice Shee P ojec (GRIP)
Figu a 2. Plane a y Bounda ies
Figu a 3. Global Commons in he An h opocene
Figu a 4. Ea h Sys em managemen egimes
Figu a 5. Ha dwa e/So wa e ela ion and he Ea h Sys em
Figu a 6. Di e ences be ween Common He i age o Mankind (CHM) and Common
Conce n o Humankind (CCH)
Figu a 7. Compa a i e Analysis o Common He i age o Mankind and Common Conce n
o Humankind
Figu a 8. Fea u es o a possible e olu ion o CHM/CCH o a Common In angible
Na u al He i age o Humankind
1
PARTE I
INTRODUÇÃO
1. Mo i ação e Jus i icação pa a o Tema
Podemos a i ma que o pe íodo de es udos des a ese p olongou-se de o ma con inua
desde 2006. No en an o o mo i o seminal des e p oje o de cons ução de uma a qui e u a
ju ídica mais adequada ao uncionamen o global do Sis ema Te es e e e o igem ainda
an e io men e. Em No emb o de 2002 o aciden e do pe olei o P es ige na cos a galega
pe o da on ei a po uguesa causou uma eno me ma é neg a, que se espalhou desde o
no e de Po ugal a é Vendée em F ança. A é aqui, nada de ealmen e no o ou di e en e
ela i amen e a ou as ma és neg as que in elizmen e oco e am já um pouco po odo
mundo. O momen o iniciado da cons ução de um no o concei o, su ge com a p imei a
eação das au o idades espanholas, quando en am eboca o pe olei o pa a as águas
e i o iais po uguesas, como se o pe óleo passasse apenas a se um p oblema po uguês
e não con inuasse a espalha -se dois lados da on ei a... Analisando os mo i os que es ão
na o igem des a dis uncionalidade ju ídica en e a ealidade ambien al e as cons uções
sociais, que le am a con undi as ep esen ações humanas com a p óp ia ealidade,
pe cebi que a o igem p imá ia des a dis unção se encon a no di ei o e que compe i á em
p imei a linha às ciência ju ídicas encon a soluções de adap ação en e as o mas de
o ganização social e o uncionamen o do plane a que habi amos e que pe encemos.
Tendo pa icipado nas ações de limpeza que à época se ealiza am no no e de
Po ugal, ol ando pa a casa depois de um longo dia de limpeza e eabili ação de a es
oleadas, ao ab i a caixa do co eio encon ei uma con a de milha es de eu os pa a paga ,
ao qual es a a em anexo um o çamen o ela i o aos abalhos de es au ação no meu
condomínio.
2
Pe cebi en ão que a maio ia desse mon an e e a pa a o es au o de janelas que es ão no
espaço in e io do apa amen o dos meus izinhos da en e. Comple amen e in igado,
comecei a es uda a es u u a legal de um condomínio. Quan o mais eu lia, mais se o nou
e iden e que as e e idas janelas não pe enciam ao izinho que possuía a ação onde as
janelas es ão localizadas, mas e am sim comp op iedade de odos os meus izinhos que
habi am o condomínio. Todos nós ínhamos não só uma i ula idade comum sob e aquela
janela e á ios ou os elemen os do p édio, bem como a co esponden e esponsabilidade
compa ilhada pela sua manu enção, uma ez que a inexis ência de manu enção des es
elemen os se i ia e le i na habi abilidade de odo o p édio. Ao es uda em de alhe a
cons ução legal que ce ca a a minha ida diá ia, pe cebi que es a es a a cheia de
signi icados eó icos e possibilidades que ques iona am udo o que me ha ia sido
ensinado na Uni e sidade ... Depois de alguns anos a en a des enda a complexidade
desse modelo, pe cebi que a solução ali p esen e, po que inha su gido como espos a a
uma necessidade da ida eal, nunca inha sido de idamen e dissecada pela dou ina nos
seus múl iplos signi icados e dimensões. Como udo o que não em explicação é
complexo, a dou ina espanhola chama a-lhe mesmo p op iedade complexa. Hoje cada
ez enho mais a ce eza de que a ligação que iz en e a mancha de pe óleo que exis ia
de o ma sob epos a com a linha imaginá ia que sepa a as águas e i o iais e janela
comum no in e io da casa do meu izinho, oi o momen o em que se coloca a em causa
o pa adigma de di isão de sob e o qual se alice ça a a dis unção en e o Sis ema Te es e
e as sociedades humanas, do qual são pa e in eg an e.
O p ocesso de in es igação começa ainda du an e o ano de 2003, dando o igem à
publicação em 2007 do li o, “Condomínio da Te a – Das al e ações climá icas a uma
no a conceção Ju ídica do Plane a”, publicado pela Li a ia Almedina, Coimb a. Em
2016 é publicado “SOS T ea y – Sa e Ope a ing Space T ea y – A New App oach o
Managing Ou Use o he Ea h Sys em, pela Camb idge Schola s Publishing, em pa ce ia
com uma sé ie de au o es nacionais e es angei os, onde o am publicados de o ma
in eg al os capí ulos 3,4,5 e 7 des a ese. Nes a linha de desen ol imen o do p oje o, em
Se emb o de 2017 oi subme ida uma p opos a ao “Global Challenges P ize 2017: A New
Shape – Remodelling Global Coope a ion, que cons i ui o Capí ulo 6 des a Tese.
A linha de in es igação plu idisciplina ealizada du an e es es anos, embo a enha
dado o igem a p o undas e oluções na u ilização e conjugação de ins umen os e
consequen emen e nas soluções encon adas, não deixou nunca de e como esquele o
base as possibilidades o e ecidas pelo modelo do condomínio, que ao im des e pe íodo
3
julgo começa a se des endado na sua complexidade, e o na -se simples e e iden e o
po quê da sua po encialidade.
Pe cebemos en ão que:
1) Num condomínio não exis e apenas uma di isão do espaço. Exis e igualmen e uma
di isão ju ídica uncional ela i a às unções essenciais: a es u u a de es abilidade, os
sis emas de uso comum (água, luz, ele ado es...) e os elemen os uncionais (escadas,
elhado, cobe u as), que es ão sob e o egime de p op iedade comum. Que is o dize que
odos elemen os que assegu am a habi abilidade e uncionalidade do p édio no seu odo,
e sob e quais não é possí el nenhuma ope ação ju ídica de di isão, nem mesmo abs a a,
são comuns. Só pos e io men e a es a di isão uncional, é que se p ocedeu à di isão
ju ídica abs a a dos espaços que i ão se obje o de di ei os de p op iedade p i ada.
2) Es a di isão uncional, o na a possí el que no in e io dos espaços sob e o egime de
p op iedade p i ada, exis issem elemen os e sis emas e que es a am sob e o egime
ju ídico de p op iedade comum. Is o signi ica, que se u iliza mos di e en es de ipos de
di isão ju ídica ( uncional e espacial) é possí el assegu a a coexis ência pací ica de dois
egimes legais sob epos os no in e io do mesmo espaço ísico.
3) Se acompanha mos es a dupla di isão, po um sis ema de con ibu os di e enciados e
equi a i os en e a cada um dos izinhos, com o obje i o de assegu a a ges ão
pe manen e do mesmo p édio ma e ialmen e indi isí el, é possí el ha moniza , concilia
e o na simbio icamen e in e dependen es os in e esses indi iduais e comuns,
endencialmen e opos os e con li uan es.
4) Com a de ida adap ação de escalas, a eo ia que esul a des a solução pode ia e
p o undos signi icados na o ganização ju ídica das sociedades humanas à escala do
plane a - a Casa Comum da Humanidade: po um lado o plane a ísico, geog á ico e
e i o ial sob e o qual é possí el ealiza abs ações ju ídicas de di isão, e po ou o, de
o ma acoplada e sob epos a, o Sis ema Te es e, uno e in angí el, e sob e o qual não é
possí el ealiza nenhuma di isão legal nem de o ma abs a a.
4
5) Es a eo ia, po que pe mi e uma econ igu ação das elações que se es abelecem em
o no da posse e uso de um mesmo bem, (em que a p op iedade p i ada pode coexis i
com a p op iedade comum) pe mi e-nos imagina no as soluções pa a ha moniza as
ensões en e o modelo económico que enal ece a di isão, a au onomia e a libe dade
indi iduais, com a semp e necessá ia ação cole i a pa a assegu a a manu enção do bem
comum global – Um Sis ema Te es e num es ado a o á el, e sob e o qual não é
possí el ealiza nenhum ipo de di isão. Po ou as pala as, o condomínio é um modelo
de o ganização da in e dependência, uma ez que só na p ossecução do in e esse comum,
é possí el assegu a o di ei o de cada um.
Pa indo des a linha de aciocínio, a ma iz me odológica oi ma cada po sucessi as
e apas de ap oximação es a égica a á ias á eas do conhecimen o, in eg ando as duas
abo dagens ideológicas dominan es, que o am a é hoje conside adas opos as e
an agónicas no que diz espei o à es a égia de ges ão de bens comuns. Pa indo das
possibilidades abe as pelo modelo do condomínio, es e p oje o uncionou como uma
pla a o ma de encon o de mui as soluções já encon adas. Como a i mam Almeida e .al.,
(2010.10) “A alência das mac o na a i as ideológicas, que a i ma am a excecionalidade
humana (Dunlap e al., 2002), desde o capi alismo ao comunismo, con on a-se com a
eme gência do discu so ecológico. Es e discu so eabili a a u gência de uma solida iedade
in e ge acional e a ín ima ligação en e a polí ica e a economia, conco endo pa a o
encon o de soluções e de esponsabilidades cole i as. Con udo, se as ques ões ambien ais
globais susci am soluções globais, ou a conc e ização de um la go espec o de
comp omissos in e nacionais, a expe iência humana da exis ência é essencialmen e
enomenológica e associada às o inas da ida quo idiana (Be ge e al., 1985)”.
A descobe a e de inição Sa e Ope a ing Space o Humankind, como espaço
biogeo ísico ela i o à es u u a de concen ações biogeoquímicas do Sis ema Te es e,
e, po an o, como espaço quali a i o não geog á ico, possibili a-nos esse sal o pa a o
global, essa ligação en e o local e global, en e economia e poli ica nas suas dimensões
locais e globais. Reque igualmen e uma eo ien ação da pe ceção do que oi en endido
a é hoje como “Casa Comum da Humanidade”: es e espaço in angí el, ela i o às
condições biogeo ísicas que supo a am o desen ol imen o das sociedades humanas, não
se e e e ao plane a ísico ou ao espaço geog á ico/polí ico, cons i uído pela soma das
di e en es á eas sob ju isdição dos Es ados e das á eas emanescen es. O concei o de Casa
Comum em subjacen e as condições de habi abilidade da Casa na sua o alidade, que
exis em em simul âneo no in e io e ex e io de odas as sobe anias. Nes e sen ido a Casa
11
que exis e pa a além da dimensão e i o ial do plane a e cuja única escala de
uncionamen o é a global. É igualmen e sob a isão ainda dominan e do pa adigma da
di isão, que eme ge um modelo económico que de ende que só o egime de p op iedade
p i ada em associação aos mecanismos de me cado es á ap o a ul apassa a ine i á el
“T agédia dos Bens Comuns” (Ha din 1968), uma ez que nes a linha de aciocínio
apenas as pessoas com p op iedade p i ada se iam mo i adas a p o ege suas e as do
uso des egulado. A odos os ní eis os sis emas de conhecimen o e de o ganização social
o am o ma ados pa a de ini limi es e não pa es comuns. A o ma ação social daqui
esul an e pode-se esumi des a o ma: a) udo o que in e liga e ul apassa on ei as é
socialmen e in isí el; b) pensa global é uma quime a desconec ada da ealidade social;
c) ep esen a socialmen e o global, uma impossibilidade écnica e ca egó ica.
Nes a linha de pensamen o comp eende-se que ainda hoje o que é o comum seja
apenas o emanescen e das di isões ope adas pelas sobe anias ou pela p op iedade
p i ada.
As alhas es u u ais esul an es des a ausência de in e conexões no p óp io sis ema
de conhecimen o e do sis ema e o ganização social, de am o igem a um p ocesso in e no
de e osão, como sequência lógica da incapacidade des es sis emas em explica em
adequadamen e a ealidade na u al e social. O esul ado oi o ala gamen o da “ a alidade”
da lógica da “T agédia do Comuns” a uma ealidade ocul a e “ex e na” - a escala global.
As al e ações climá icas, como enómeno mais isí el de oda a ameaça ao es ado do
Sis ema Te es e, são uma T agédia dos Comuns à escala global – a dis upção dos
mecanismos de supo e da ida - a T agédia Sup ema, nas pala as de Mo in.
No plano ju ídico, como plano es u u al da o ganização das sociedades humanas, es a
e i o ial obsession (Taylo 2016:120), em como exp essão máxima a abs ação ju ídica
de conside a o plane a apenas num plano unidimensional, onde es e co esponde a uma
á ea o al de 510.000.000 de km2 que oi di idida en e as sobe anias e onde os Global
Commons são apenas os emanescen es des as di isões. Es e con inua a se o modelo
único que de e mina o pon o a pa i do qual odas as ealidades são analisadas.
Como a i ma So omenho-Ma ques (1994:17) “O homem age an es de sabe ”. Mas
que quei amos ou não, oi es a sepa ação/o ganização/isolamen o que possibili ou
alcança uma espan osa ede de in o mações sob e o mundo, que nos pe mi e ago a, quase
como obse ado es ex e nos, ques iona odo o caminho já ealizado.
Na posse de an as in o mações pa cela es, podemos ago a ambiciona passa da
in o mação ao conhecimen o do odo e, da um passo decisi o no pe cu so ci ilizacional
12
da humanidade. Pa a isso, é necessá ia uma ope ação, uma conexão en e a complexidade
obje i a da na u eza e a nossa capacidade subje i a de a ep esen a no nosso sis ema
social.
É nes a conjun u a que su ge a Ecologia Humana, que como p óp io nome indica,
p e ende se um espaço de conhecimen o onde as in o mações p o indas de odas as
ciências, na u ais ou humanas, se encon am e de alguma o ma o ma ão um
conhecimen o global e in eg ado.
Mas como é e iden e, um p oje o de cons ui uma ciência uni icado a, num con ex o
social p o undamen e en aizado em conhecimen o espa ilhado, não é a e a ácil.
Embo a seja hoje eco en e a u ilização das pala as in e , ans ou mul idisciplina idade,
a u ilização de pala as po si só não signi ica que esse conhecimen o in eg ado seja uma
ealidade. Em mui os casos, o exe cício de nomeação des as pala as co esponde apenas
a uma p oclamação da necessidade de encon a uma ideia pa a um p oblema ainda não
esol ido, como me odologia que incen i e ao diálogo en e pessoas que o am o madas
em di e en es silos, mas que mui as ezes são incapazes de co e o isco de sai da sua
á ea de especialização, da sua zona de segu ança e c ia um conhecimen o
e dadei amen e in eg ado. A in e , ans ou mul idisciplina idade nasce am como quase-
concei os, em que a sua alidade a ual se encon a como um inegá el e necessá io p oje o
u u o ainda não ealizado.
No en an o, es e de e -se u u o con on a-se ainda hoje com p oblemas de a i mação
ela i amen e às eias das compa imen ações dos sabe es es abelecidos, onde o
“ ansdisciplina ” não encaixa nos modelos de alidação e delimi ação exis en es. Como
I a Pi es e e e, a Ecologia Humana é uma ciência al amen e especializada man endo, ao
mesmo empo, uma isão holís ica, ab angen e e ansdisciplina , condição que a o na
complexa e mesmo di ícil de se de inida (Pi es 2011).
Nes e caminho de a i mação pa a Mcha g (1984: 53) “O p incipal desa io que se
coloca à ecologia humana é da capacidade de sín ese dos p ocessos ísicos, biológicos,
sociais, económicos e cul u ais pa a comp eende as pessoas os luga es, obse a as
elações sis émicas e comen á-las”. Quando o p oje o em causa em como obje i o
in e conec a as in o mações e ans o má-las em conhecimen o, pa ece-nos que não
pode emos aze depende a sua alidação do cabal p eenchimen o do p incípios
es u u ais o mais das me odologias cien í icas he dadas do pa adigma da disjunção -
onde se cons a ou que “os modos simpli icado es do conhecimen o mu ilam mais do que
13
exp imem as ealidades ou enómenos que ela am, e se o na e iden e que p oduzem
mais con usão que escla ecimen o...”(Mo in 1990:7).
Mas o p ocesso de ans o mação da in o mação em conhecimen o é um longo
pe cu so, que po se ine i á el, começou já a se ei o pa cela men e em á ias á eas
cien í icas, en e quais, a que conside amos mais e oluída e de maio ele ância, se á a
das ciências na u ais – as chamadas ciências do Sis ema Te es e - onde a biologia não
es á sepa ada da química, ma emá ica, geologia, paleon ologia, clima ologia ou da ísica.
Os ciclos biogeo ísicos globais, pela sua p óp ia o mulação, são um sinal e iden e da
uni icação dos sabe es na única e e dadei a escala em que podemos ans o ma
in o mação em conhecimen o – a escala global. Es a e olução ine i á el pa a en ende e
ep esen a o “ odo global”, es á ainda longe de possui uma lógica consis en e à escala
das ciências humanas.
1.2. Da Te a Incogni a às Ciências do Sis ema Te es e
Com a isão do P íncipe In an e D. Hen ique oi possí el inicia o p ocesso de
ans o ma a Te a incogni a ( e mo u ilizado na ca og a ia dos séculos XV/XVI pa a
assinala as egiões nunca mapeadas ou documen adas) em Te a conhecida. Es a epopeia
de descobe a culmina de alguma o ma com a iagem de Fe não de Magalhães, onde
pela p imei a ez na his ó ia se pôde ol a ao pon o de o igem sem ol a pa a ás, e se
pe cebeu a o ma e os limi es ísicos da nossa Casa Comum. Sabemos hoje, que es e passo
de gigan e na his ó ia da pe ceção que a espécie humana em do plane a que habi a, e a
apenas ao ní el do espaço geog á ico.
Depois das “Te a Incogni as” e em desapa ecido dos nossos mapas, i emos que
espe a a é à segunda me ade do Século XX pa a pe cebe que pa a além do plane a na
sua dimensão geog á ica, ísica e palpá el, exis ia um sis ema uncional global, cujo o
modo de uncionamen o es a a ainda po descob i . Quando Lo elock pe cebeu, nos
inais dos anos 60 do Séc. XX que os CFC’s emi idos pa a a a mos e a não desapa eciam
no espaço in ini o e acumula am-se nos polos, uma no a ealidade se e elou. De passo
em passo a ciência oi des endando o ní el supe io de in eg ação do Sis ema Te es e,
de in e conexões globais de di ícil de inição.
14
Com o desen ol imen o exponencial das ciências do Sis ema Te es e oco ido nos
úl imos 25 anos e a e olução das obse ações da Te a ealizadas a pa i do espaço, o
sis ema inc i elmen e complexo do plane a que habi amos ans o mou-se numa
ealidade que podemos obse a em empo eal, como espec ado es ex e nos.
Ao jun a mos a in o mação ob ida pa i do espaço com a in o mação ecolhida a
pa i do solo e do gelo (po exemplo a paleon ologia do clima), o nou-se possí el
econs ui a his ó ia da a mos e a e odo o Sis ema Te es e. Ao longo da his ó ia do
nosso plane a, o am mui as as di e en es es u u as de composições químicas da
a mos e a e dos oceanos, que de am o igem a di e en es balanços ene gé icos e
equilíb ios e modinâmicos, que po sua ez esul a am em di e en es es ados do Sis ema
Te es e. O acesso a es a in o mação pe mi iu-nos a comp eende a e dadei a si uação
única que ca ac e izou o pe íodo de es abilidade climá ica dos úl imos 11.700 anos no
Plane a Te a, o chamado o pe íodo geológico do Holoceno.
Se é a pa i de Po ugal que saem mui as das naus nas iagens oceânicas dos
séculos XV e XVI que iniciam o p ocesso de econhecimen o do espaço geog á ico global
da nossa Casa Comum, não deixa de se in e essan e o ac o de a uni icação das ciências
na u ais, e o consequen e p ocesso de deci ação do uncionamen o do sis ema e es e,
e ligações com Po ugal, como a i ma Will S e en, Execu i e-Di ec o do IGBP
(In e na ional Geosphe e-Biospehe e P og am) e edi o p incipal do “Global Change and
he Ea h Sys em” de 2004 (conside ado ainda hoje o es udo mais ab angen e sob e o
Sis ema Te es e) : “In ac , his apidly eme ging knowledge o he Ea h as a single,
in eg a ed sys em also has some in e es ing connec ions o Po ugal. One he i s
concep ualiza ion in he con empo a y e a o he Ea h as a sys em was by James
Lo elock, who used he name “Gaia” (name o he G eek Goddess o Ea h) o he Ea h
Sys em. This, o cou se, is he name o he ci y ha si s ac oss he Dou o Ri e om Po o,
and he combina ion o he win ci ies Po o and Gaia o med he basis o he name o
he coun y as Po ugal.
A guably he mos in luen ial in e na ional scien i ic body in he de elopmen o he
concep o he Ea h Sys em has been he In e na ional Geosphe e-Biosphe e P og amme
(IGBP). In e es ingly, he mos c i ical mee ing o he IGBP Scien i ic Mee ing was held
in 1999 in Es o il, Po ugal
1
. The e he Commi ee de e mined he objec i e, scope and
wo k plan o he p oduc ion o he IGBP syn hesis p ojec , which esul ed in he book
1
h p://www.igbp.ne /download/18.950c2 a1495db7081e131/1416232597277/NL_371999.pd
15
“Global Change and he Ea h Sys em: A Plane Unde P essu e”, s ill one o he bes
syn heses o Ea h Sys em science. The Es o il mee ing also ini ia ed he planning o he
2001 Ams e dam Con e ence, which was he wo ld’s la ges global change scien i ic
con e ence up o ha ime.
The Es o il mee ing also ea u ed an explici link o Fe dinand Magellan and he age
o Po uguese explo a ion. The IGBP Scien i ic Commi ee isi ed he Po uguese
Academy o Sciences in Lisbon, whe e he scien is s had he o une o see he o iginal
na iga ional maps o Fe dinand Magellan, whe e o he i s ime he islands o Japan
appea on a map in he wes e n wo ld.
Inspi ed by his link o he g ea age o global explo a ion, he IGBP Chai man Be ien
Moo e III, as he looked ou o e he A lan ic Ocean om he con e ence oom in Es o il,
challenged he IGBP scien i ic communi y o go ou on hei own oyage o scien i ic
explo a ion o unde s and ou home plane as a single sys em – ou own li e suppo
sys em.
So, om he pe spec i e o Ea h Sys em science, i would be uly i ing o he
Common Home o Humankind o be loca ed in Po ugal, and in Po o in pa icula ”
Como e e ido, es a 14ªª eunião Scien i ic Commi ee do IGBP que deco eu en e os
dias 23 a 27 de Fe e ei o de 1999 no Es o il, es e e na o igem da e olução do concei o
a ançado po Lo elock, que i ia a esul a numa abo dagem in eg ada e plu idisciplina
no âmbi o das ciências na u ais ao Sis ema Te es e como um único odo. Es a e olução
esul ou na p á ica num p ocesso g adual de uni icação das ciências na u ais – que es ão
na base e o igem das chamadas Ciências dos Sis ema Te es e.
Na sequencia da eunião do Es o il, e numa pa ce ia do IGBP e de ou os p og amas
in e nacionais de mudança global, icou decidida a ealização de uma g ande con e ência
em Ams e dão em 2001, que ma cou em de ini i o a o malização des a uni icação
cien í ica. A con e ência p oduziu a his ó ica Decla ação de Ams e dão sob e Ciência do
Sis ema da Te es e, que ep oduzimos aqui:
16
The Decla a ion
2
The scien i ic communi ies o ou in e na ional global change esea ch p og ams - he
In e na ional Geosphe e-Biosphe e P og amme (IGBP), he In e na ional Human Dimensions
P og amme on Global En i onmen al Change (IHDP), he Wo ld Clima e Resea ch P og amme
(WCRP) and he in e na ional biodi e si y p og amme DIVERSITAS - ecognise ha , in addi ion
o he h ea o signi ican clima e change, he e is g owing conce n o e he e e -inc easing
human modi ica ion o o he aspec s o he global en i onmen and he consequen
implica ions o human well-being.
Basic goods and se ices supplied by he plane a y li e suppo sys em, such as ood, wa e ,
clean ai and an en i onmen conduci e o human heal h, a e being a ec ed inc easingly by
global change.
Resea ch ca ied ou o e he pas decade unde he auspices o he ou p og ammes o
add ess hese conce ns has shown ha :
• The Ea h Sys em beha es as a single, sel - egula ing sys em comp ised o physical,
chemical, biological and human componen s. The in e ac ions and eedbacks be ween
he componen pa s a e complex and exhibi mul i-scale empo al and spa ial
a iabili y. The unde s anding o he na u al dynamics o he Ea h Sys em has
ad anced g ea ly in ecen yea s and p o ides a sound basis o e alua ing he e ec s
and consequences o human-d i en change.
• Human ac i i ies a e signi ican ly in luencing Ea h's en i onmen in many ways in
addi ion o g eenhouse gas emissions and clima e change. An h opogenic changes o
Ea h's land su ace, oceans, coas s and a mosphe e and o biological di e si y, he
wa e cycle and biogeochemical cycles a e clea ly iden i iable beyond na u al
a iabili y. They a e equal o some o he g ea o ces o na u e in hei ex en and
impac . Many a e accele a ing. Global change is eal and is happening now.
• Global change canno be unde s ood in e ms o a simple cause-e ec pa adigm.
Human-d i en changes cause mul iple e ec s ha cascade h ough he Ea h Sys em
in complex ways. These e ec s in e ac wi h each o he and wi h local- and egional-
scale changes in mul idimensional pa e ns ha a e di icul o unde s and and e en
mo e di icul o p edic . Su p ises abound.
• Ea h Sys em dynamics a e cha ac e ised by c i ical h esholds and ab up changes.
Human ac i i ies could inad e en ly igge such changes wi h se e e consequences
o Ea h's en i onmen and inhabi an s. The Ea h Sys em has ope a ed in di e en
s a es o e he las hal million yea s, wi h ab up ansi ions (a decade o less)
some imes occu ing be ween hem. Human ac i i ies ha e he po en ial o swi ch he
Ea h Sys em o al e na i e modes o ope a ion ha may p o e i e e sible and less
2
h p://www.igbp.ne /abou /his o y/2001ams e damdecla a iononea hsys emscience.4.1b8ae20512db692 2a6800013
12.h ml
17
hospi able o humans and o he li e. The p obabili y o a human-d i en ab up change
in Ea h's en i onmen has ye o be quan i ied bu is no negligible.
• In e ms o some key en i onmen al pa ame e s, he Ea h Sys em has mo ed well
ou side he ange o he na u al a iabili y exhibi ed o e he las hal million
yea s a leas . The na u e o changes now occu ing simul aneously in he Ea h
Sys em, hei magni udes and a es o change a e unp eceden ed. The Ea h is
cu en ly ope a ing in a no-analogue s a e.
On his basis, he in e na ional global change p og ammes u ge go e nmen s, public and
p i a e ins i u ions and people o he wo ld o ag ee ha :
• An e hical amewo k o global s ewa dship and s a egies o Ea h Sys em
managemen a e u gen ly needed. The accele a ing human ans o ma ion o he
Ea h's en i onmen is no sus ainable. The e o e, he business-as-usual way o
dealing wi h he Ea h Sys em is no an op ion. I has o be eplaced ¬ as soon as
possible ¬ by delibe a e s a egies o good managemen ha sus ain he Ea h's
en i onmen while mee ing social and economic de elopmen objec i es.
• A new sys em o global en i onmen al science is equi ed. This is beginning o e ol e
om complemen a y app oaches o he in e na ional global change esea ch
p og ammes and needs s eng hening and u he de elopmen . I will d aw s ongly
on he exis ing and expanding disciplina y base o global change science; in eg a e
ac oss disciplines, en i onmen and de elopmen issues and he na u al and social
sciences; collabo a e ac oss na ional bounda ies on he basis o sha ed and secu e
in as uc u e; in ensi y e o s o enable he ull in ol emen o de eloping coun y
scien is s; and employ he complemen a y s eng hs o na ions and egions o build
an e icien in e na ional sys em o global en i onmen al science.
The global change p og ammes a e commi ed o wo king closely wi h o he sec o s o socie y
and ac oss all na ions and cul u es o mee he challenge o a changing Ea h. New pa ne ships
a e o ming among uni e si y, indus ial and go e nmen al esea ch ins i u ions. Dialogues
a e inc easing be ween he scien i ic communi y and policymake s a a numbe o le els.
Ac ion is equi ed o o malise, consolida e and s eng hen he ini ia i es being de eloped. The
common goal mus be o de elop he essen ial knowledge base needed o espond e ec i ely
and quickly o he g ea challenge o global change.
A consequência imedia a des e ma co his ó ico oi o ecen e desen ol imen o
exponencial das Ciências do Sis ema Te es e com a sua abo dagem in e disciplina e
global, p opo cionando-nos in o mações sob e a na u eza e os limi es da Época do
18
Holoceno, como o único es ado do Sis ema da Te a que possui, com ce eza, as
condições ecológicas necessá ias pa a supo a sociedades humanas complexas e
con empo âneas.
Com es a no a abo dagem global das ciências na u ais, icou cla amen e demons ado
que o g ande desa io ambien al se á o de man e um es ado ela i amen e es á el e
a o á el do Sis ema Te es e.
Figu a 1. Reco d o δ18O pe mil (scale on le ) om he G eenland Ice Shee P ojec (GRIP) ice co e, a p oxy
o a mosphe ic empe a u e o e G eenland (app oxima e empe a u e ange on oC ela i e o Holocene a e age is
gi en on he igh , showing he ela i ely s able Holocene clima e du ing he pas ca. 10,000 yea s and Dansgaa d-
Oeschge e en s (numbe ed) du ing he p eceding colde glacial clima e (Ganopolski and Rahms o 2001). No e he
ela i e s abili y o empe a u e o he las 11,700 yea s ( he Holocene) compa ed o he ea lie ice age pe iod.
(S e en2016:24)
Es a a i mação signi ica ambém que um Plane a com um Sis ema Te es e o a desse
es ado a o á el, não se e como nossa “Casa Comum”, o que em como consequência
imedia a a des e i o ialização do bem ambien al e a assunção da escala que ai
de e mina odos os p ocessos locais: a escala global.
A comunidade cien í ica en ou esponde ao desa io de en ende e medi es e espaço
quali a i o e quan i a i o, não- e i o ial, in angí el e uncional, desen ol endo o
19
concei o das Plane a y Bounda ies – os limi es do plane a (Plane a y Bounda ies)
(S e en e al., 2015, Rocks öm e al., 2009). Esses limi es são baseados nas p op iedades
in ínsecas do p óp io sis ema e es e e que se de inem a a és de uma combinação de
indicado es (co e d i e s) que no seu conjun o são as ins uções ope acionais in angí eis
que de e minam o modo como o Sis ema Te es e se au o-o ganiza e egula. Po ou as
pala as, es e conjun o de indicado es se á o “código gené ico” do uncionamen o do
sis ema e es e que aduz em núme os as in uições iniciais de Lo elock, desc e endo
o es ado do sis ema e es e, a a és de um conjun o de limi es cien i icamen e
es abelecidos que de inem um es ado do Sis ema da Te es e baseado nos úl imos 11.700
anos – a época do Holoceno - limi es que de emos espei a pa a man e o Sis ema da
Te es e nesse es ado a o á el.
Figu a 2. The cu en s a us o he con ol a iables o se en o he nine plane a y bounda ies. G een zone is he
sa e ope a ing space (below he bounda y), yellow ep esen s he zone o unce ain y (inc easing isk), and ed is he
high- isk zone. The plane a y bounda y i sel lies a he inne hea y ci cle. The con ol a iables ha e been no malized
o he zone o unce ain y (be ween he wo hea y ci cles); he cen e o he igu e he e o e does no ep esen alues
o 0 o he con ol a iables. The con ol a iable shown o clima e change is a mosphe ic CO2 concen a ion.
P ocesses o which global-le el bounda ies canno ye be quan i ied a e ep esen ed by g ay wedges; hese a e
a mosphe ic ae osol loading, no el en i ies and he unc ional ole o biosphe e in eg i y. Sou ce: S e en e al. (2015a).
A comunidade cien í ica denominou es ado a o á el do Sis ema Te es e, como Sa e
20
Ope a ing Space o Humankind. Es e “espaço” de ope ação segu a pa a a humanidade é
global, in angí el, o almen e in e dependen e, indi isí el e, po an o, um inul apassá el
e incon o ná el bem comum. O conjun o des as ca ac e ís icas, o nou-se num dos a o es
que mais desa ia uma o ganização social ainda dominada po uma isão que conside a
que a ges ão de bens comuns esul a numa ine i á el “T agédia dos Bens Comuns”. Na
impossibilidade de di idi o bem, a solução em sido a de en a mino a a dimensão da
agédia sem, no en an o, se p ocede à necessá ia eo ganização in e na das elações
impos a pelo uso compa ilhado de um bem ini o, indi isí el e in angí el. Sabemos hoje
que exis em al e na i as e que em de e minadas condições a ação cole i a é uma
possibilidade.
1.3. A Ecologia Humana – Uma no a e a no conhecimen o?
Ainda que numa ase de consolidação, as ciências do Sis ema Te es e são esul ado do
con on o ine i á el en e a segmen ação pa cela das in o mações ob idas pelas á ias
ciências da na u eza e o sup assis ema da escala global, onde udo in e age e onde nada
exis e de o ma isolada. Po que es a subida de escala é uma ealidade incon o ná el pa a
que se “dissipe as b umas e as obscu idades, que ponha o dem e cla eza no eal, que
e ele as leis que o go e nam” (Mo in 1990:7), ques iona am-se pa adigmas,
desen ol e am-se no as me odologias e no as o mas de pensa pa a cons ui um no o
conhecimen o. Aliás semp e que a e olução écnica ala ga o campo de isão do
conhecimen o e no as ciências su gem, uma sé ie de no as pe gun as e de
eenquad amen os eme gem como consequência na u al. Na á ea das ciências da ida po
exemplo, os no os conhecimen os de am o igem a no os signi icados é icos. Nunes
(2002:12) a i ma mesmo que, "Uma é ica undada na dignidade humana p essupõe,
necessa iamen e, que no os conhecimen os na á ea das ciências biológicas possam
ques iona axiomas conside ados imu á eis, de modo a p opo ciona - a a és de uma
análise in ospe i a pe manen e - uma mudança g adual da isão an opológica do
homem”.
Rela i amen e à Ecologia, ainda an es de se lhe adiciona a pala a humana,
So omenho-Ma ques (1994:16) já a i ma a: “Nessa medida, a ecologia não se limi a a
se mais uma ciência pa icula a adiciona a ou as ciências a ou as ciências pa icula es.
No plano epis emológico, ela su ge essencialmen e como desa io conducen e à
27
1.5. Uma Ecologia Humana à escala da Humanidade
Depois de um longo pe cu so de in es igação empí ica, Elino Os om publica em
1990 o seu li o seminal “Go e ning he Commons” onde explo a de o ma ino ado a
sob e a possibilidade da ges ão dos bens comuns não e mina a almen e numa
“ agédia”. Tendo po base cen enas de es udos ealizados um pouco po odo o mundo,
Os om demons ou que a ges ão pa ilhada de e as, água, lo es as ou pescas, quando
ealizada sob a o ien ação de alguns p incípios básicos que iden i icou, pode esul a num
sucesso pa a odos. A demons ação des a possibilidade é de eno me impo ância e
alcance uma ez que ela des ona a pe spe i a de um modelo económico baseado
exclusi amen e nos li es mecanismos de me cado e p op iedade p i ada, como única
o ma de e i a essa agédia. Es a isão ainda hoje subsc i a pela maio ia dos
economis as, oi na sua essência desenhada e popula izada com um amoso a igo esc i o
po um biólogo, Ga e Ha din 1968, in i ulado: "A T agédia dos Bens Comuns". O
exemplo ap esen ado, que se o nou já um clássico, é o seguin e: numa si uação de uso
pa ilhado de um pas o en e á ios pas o es, nenhum pas o indi idual i á e um
incen i o acional pa a se au o-limi a no uso do pas o comum. Des a o ma, se um dos
pas o es ouxe uma cabeça de gado a mais, os ou os pas o es i ão eagi da mesma
o ma, aumen ando igualmen e o núme o indi idual de cabeças de gado a pas a no
e eno comum e o esul ado se á a sob e-explo ação do pas o e a agédia de odos. Es a
linha de aciocínio implica que só a a és da di isão e a ibuição de p op iedade p i ada
se pode á ul apassa a ine i abilidade da agédia dos comuns, pois apenas as pessoas
com p op iedade p i ada se iam mo i adas a p o ege e a au o-limi a o uso das suas
p óp ias e as. O esul ado inal se ia que a soma o al des es compo amen os
indi iduais i ia se bené ica pa a odos. Acon ece que Ha din e odos os seus sucesso es
de u pa am o concei o de bens comuns ao conside a-lo um egime que apenas pode exis i
num comple o li e acesso, que se ealiza num cená io de ausência de o al eg as, onde
não há limi es pa a a ap op iação do ecu so, nem uma comunidade de inida de usuá ios.
“Bu Ha din and o he s mis ep esen he concep o he commons as an open-access
egime, ope a ing in a ee- o -all scena io whe e he e a e no bounda ies o he g azing
land, no ules o managing i , and no communi y o use s. Howe e , a p ope ly managed
commons has bounda ies, ules, moni o ing o usage, punishmen o ee- ide s, and
28
social no ms. A commons equi es ha , he e be a communi y willing o ac as a s ewa d
o a esou ce (Gau am 2016: 270)”.
O ee- o -all scena io, em cons i uído a base es u u al que supo a a pe spec i a da
in iabilidade da ges ão de bens comuns, e a inexis ência de uma al e na i a consis en e
ao modelo de p i a ização, di isão e mecanismos de me cado pa a e i a a agédia dos
bens comuns. Pa a além des e e o de base, es a análise dominan e, em igualmen e
ocul ado o ac o de exis i em bens sob e os quais não é possí el ealiza nenhum ipo de
di isão, nem mesmo abs a a, nomeadamen e à escala global, onde a agédia dos bens
comuns globais é o sinónimo da Sup ema T agédia.
Nes a escala, pa a além da abo dagem global ao bem, o qual se o nou possí el de ini
a pa i do momen o em que oi iden i icado o Sa e Ope a ing Space o Humankind, é
ambém necessá io de ini a comunidade de in e esses na manu enção do bem comum,
nes e caso o es ado a o á el do Sis ema Te es e. A cons ução de um modelo de ges ão
do uso o ganizado do Sis ema Te es e p essupõe a exis ência de uma comunidade
humana (o conjun o plane á io da Humanidade) in e namen e o ganizada, com o obje i o
de agi como p o e o a do Sis ema Te es e.
Como se es humanos, i emos simul aneamen e em dois ipos di e en es de
comunidades de in e esses: uma ao ní el das sociedades nacionais e ou a ao ní el da
comunidade global. Mas, ao con á io das comunidades nacionais o ganizadas em
e i ó ios, a comunidade global da humanidade não é sujei o de Di ei o In e nacional,
uma ez que não em e i ó io onde basea uma “exis ência” o ganizada como uma
e dadei a comunidade de in e esses comuns. O p incipio da e i o ialidade condiciona
de o ma ans e sal odas as cons uções sociais humanas e nes a ma é ia o pon o de
pa ida a pa i do qual a análise adicional é ei a é que uma comunidade humana
o ganizada p essupõe necessa iamen e a conjugação do elemen o e i ó io com o
elemen o po o, como supo e o iginá io de onde de i a e delimi a da au o idade do pode
polí ico.
Acon ece que à escala da comunidade humana global o " e i ó io" da humanidade é
o plane a, e esse ac o ul apassa o concei o de au o idade e o ganização exclusi amen e
undada num elemen o e i o ial. A humanidade não possui des a o ma um subs a o de
luga do qual de i am consequências ju ídicas, e a pa i do qual se possa basea a
o ganização de comunidade de in e esses comuns de longo p azo, dis in os e
complemen a es dos in e esses de cu o-p azo do Es ados. O p óp io Pa imónio da
Humanidade é em si uma icção ju ídica imp ecisa, uma ez que a humanidade não pode
29
se e dadei amen e i ula de quaisque di ei os, nem seque de ep esen ação, uma ez
que não possui qualque pe sonalidade ju ídica (nacional ou in e nacional). Es es
p oblemas são isí eis, po exemplo, na ges ão in e nacionalizada dos undos Ma inhos
- a chamada Á ea – p e is a pela Con enção das Nações Unidas sob e Di ei o do Ma
(CNUDM e ambém conhecida po Con enção de Mon ego Bay), onde no seu a igo
a igos 136º, se a i ma “A Á ea e seus ecu sos são Pa imónio Comum da Humanidade.”
Es e pa imónio comum é cons i uído pelos e i ó ios dos undos ma inhos
emanescen es das ju isdições ma í imas dos es ados cos ei os, is o é, odas as á eas que
icam pa a além dos limi es das zonas económicas exclusi as. A discussão dou inal sob e
es a ques ão é em si e elado a da agilidade do concei o ju ídico de Humanidade e da
p óp ia icção ju ídica que o p óp io Pa imónio da Humanidade cons i ui. A humanidade
como concei o biológico não encaixa no modelo dogmá ico- o mal da o ganização
e i o ial.
Embo a pa a alguns au o es, como Sadok Belaid (1982:433-39), a quali icação da
Á ea como Pa imónio Comum da Humanidade aduza o econhecimen o da
comunidade humana ou mesmo da humanidade como i ula de um di ei o de p op iedade
cole i o, a g ande maio ia con a ia eemen emen e es a opinião. Es e posicionamen o
undamen a-se com a gumen os que ecaem no ac o da comunidade humana ou a
humanidade não se em sujei os de di ei o, is o é, não só a humanidade não possui
pe sonalidade ju ídica, sendo des a o ma insusce í el de se i ula de quaisque di ei os,
como no ac o da p óp ia ideia de um di ei o de p op iedade cole i a não pa ece
adequada à ca ac e ização do Pa imónio Comum da Humanidade. Em bom igo , a
ci cuns ância dos a igos 136º e 137º apa en emen e a ibuí em à humanidade a
i ula idade de ce os di ei os, não pa ece su icien e pa a conclui a pe sonalidade
in e nacional da humanidade e a ine en e i ula idade das e e idas posições ju ídicas. Se
pa a alguns a inexis ência de no mas na CNUDM sob e a ques ão da pe sonalidade da
Humanidade só pode signi ica a sua não pe soni icação in e nacional e a ine en e
insuscep ibilidade de possui a i ula idade de quaisque di ei os ace à Á ea, pa a ou os,
o que ele a é a p á ica da p óp ia Au o idade que age em nome e no in e esse da
Humanidade, não sendo necessá io pa a al uma menção o mal exp essa de que a
pe sonalidade lhe enha sido a ibuída.
A conside ação da Á ea como Pa imónio Comum da Humanidade só pode se
explicada a a és de uma e dadei a icção ju ídica. Na ealidade, não é a Humanidade
que su ge como sujei o de di ei o in e nacional, mas sim a Au o idade In e nacional dos
30
Fundos Ma inhos. Consequen emen e, só es a pode se i ula de di ei os e es a ads i a
a ob igações, ainda que iccionadamen e se diga agi como ep esen an e da Humanidade.
Uma ce eza, po ém, exis e: o e i ó io subme so que es á sob o egime ju ídico de
Pa imónio Comum da Humanidade unciona como subs a o e i o ial de um sujei o de
di ei o in e nacional (A Au o idade) pelo que es a se assume como i ula de um
e dadei o domínio público sob e o e e ido espaço. Toda ia, a i ula idade do ci ado
espaço con e e à Au o idade, simul aneamen e, o ónus de ge i e explo a os ecu sos da
Á ea em bene ício de oda a Humanidade, endo semp e em is a a sua conse ação pa a
as ge ações u u as (Fialho e .al 2009:10).
Po ou o lado, a Humanidade é eco en emen e mencionada nos ex os dos T a ados
In e nacionais, sem, no en an o, se cla a a o ma da sua ep esen ação, exis ência ou
ap idão pa a se cons i ui como i ula de di ei os. O a se exis e algum comen á io que
possa se ei o quan o à ques ão da Humanidade é que a p óp ia p oblemá ica em si é
e elado a do pa adigma da e i o ialidade como pon o ocal a pa i do qual se analisam
odos os ac os do mundo eal.
Is o é, embo a o conjun o humanidade exis a de ac o, não pode se i ula de di ei os,
mas, no en an o, pode nomea ep esen an es pa a os exe ce a a és dos Es ados... uma
ez que na “(...) impossibilidade de se a ibuída a ep esen ação da Humanidade
di e amen e aos Es ados, com a consequen e c iação de uma en idade in e nacional, po
meio da qual os Es ados o ganizam e con olam as a i idades da Á ea. (Fialho e .al
2009:11)”.
Pe cebe o con ex o legal exis en e é en ão undamen al pa a pe cebe a es u u a da
a ual elação Humanidade-Plane a/Sis ema Te es e e as causas es u u ais que es ão na
base do modelo “não-adap ado” igen e, bem como na inexis ência da uma comunidade
global o ganizada com o willing o ac , con o me mencionado po Gau am, pa a se
possí el a cons ução de uma ação cole i a. Es e con ex o se á ainda um a o
de e minan e pa a o p oblema do enquad amen o ju ídico das ge ações u u as e os seus
po enciais in e esses.
31
1.6. Uma Ecologia Humana ans- empo al
Ou a dimensão a e em con a na análise da elação en e a comunidade humana e o
/Sis ema Te es e, se á pe cebe de que o ma a o ganização des a comunidade es á
adap ada, ou não, pa a acau ela os in e esses das ge ações u u as. A enc uzilhada de
desa ios que se colocam à Ecologia Humana na sua a i mação como ciência in eg ado a,
es endem-se mui o além do desa io cien í ico de cons ução de uma pla a o ma de
conhecimen o que in eg a á ias disciplinas. Se an e io men e analisamos o desa io da
escala do obje o, no sen ido de que é ine i á el abo da o Sis ema Te es e na sua
globalidade, e um ou o desa io ela i o ao sujei o, no sen ido de abo da a Humanidade
como o conjun o de odos os se es humanos, ela i amen e a es e úl imo e emos ainda
que nos deb uça sob e o desa io empo al, no sen ido de pe cebe em que medida o
modelo de adap ação pode ou não assegu a um supo e de ida pa a a con inuidade das
ge ações que ainda não nasce am.
Uma ez que os impac os ealizados no es ado do Sis ema Te es e são cumula i os e
a elação en e causas e e ei os implicam necessa iamen e uma p ojeção de ínculos pa a
o u u o, ab e-se uma sé ie de possibilidades dis in as de abo dagens: a) sob uma ó ica
c í ica es i amen e ju ídica, as elações com as u u as ge ações podem se conside adas
impossí eis, na medida em que es as ainda não exis em, b) sob uma análise económica,
podem ainda se desin e essan es, no sen ido de nada pode em e ibui aos in e esses
ma e iais das a uais ge ações, c) podem ainda se conside ados apenas de e es me amen e
mo ais. Finalmen e, ambém é possí el iden i ica uma ob igação de solida iedade com
as ge ações u u as e que ul apassa a noção egoís a e u ili a is a das ge ações a uais.
Pa a Edi h Weiss (1992:5) “The e a e wo ela ionships ha mus shape any heo y
o in e gene a ional equi y in he con ex o ou na u al en i onmen : ou ela ionship o
o he gene a ions o ou own species and ou ela ionship o he na u al sys em o which
we a e a pa . The human species is in eg ally linked wi h o he pa s o he na u al
sys em; we a ec and a e a ec ed by wha happens in he sys em. We alone among all
li ing c ea u es ha e he capaci y o shape signi ican ly ou ela ionship o he
en i onmen .” Es a isão pode ainda se sus en ada no egime legal de Pa imónio
Comum da Humanidade, como explica Alexand a A agão (1997:31): “Da ideia de
Pa imónio Comum da Humanidade, podem-se e i a duas consequências: p imei o, que
sob e es es ecu sos exis e uma espécie de comunhão, uma sob eposição e um pa alelismo
32
de di ei os absolu os, cuja inalidade é a sa is ação an o de in e esses cole i os como
indi iduais; segundo, que as ge ações a uais os de êm apenas a í ulo iduciá io. A
esponsabilidade iduciá ia das ge ações p esen es pe an e as u u as signi ica que os
ecu sos de em se deixados às u u as ge ações, al como o am encon ados,
p ese ando an o a a iedade como a abundância como ainda a qualidade dos bens”.
Es e de e é exp esso na eo ia da “equidade in e ge acional”: “The second
undamen al ela ionship is ha be ween di e en gene a ions o he human species. All
gene a ions a e inhe en ly linked o o he gene a ions, pas and u u e, in using he
common pa imony o Ea h. The heo y o in e gene a ional equi y s ipula es ha all
gene a ions ha e an equal place in ela ion o he na u al sys em. The e is no basis o
p e e ing he p esen gene a ion o e u u e gene a ions in hei use o he plane (Weiss
1992:6)”.
Apesa des e p incípio da equidade in e ge acional se encon a já p e is o em algumas
Cons i uições, como é o caso da Cons i uição B asilei a
3
onde as ge ações u u as não são
idas apenas como in e essadas, mas an es conside adas e dadei os i ula es de di ei os
em elação ao desen ol imen o e ao pa imónio ambien al, es a “ esponsabilidade de
longa-du ação” le an a á ias di iculdades eo é ico-dogmá icas e ju ídico-dogmá icas
no eco e de um sujei o de di ei os e de elações ju ídicas, nebulosamen e iden i icado
como “ge ações u u as”, con o me ale a Gomes Cano ilho (2003). Es as di iculdades
le am alguns au o es a acen ua que o que es á em causa não se á a i ula idade de di ei os
u u os, mas sim a inclusão dos in e esses das ge ações u u as nos p incípios ma e iais
de a uação polí ico-cons i ucionalmen e ele an es. Ou a co en e da dou ina e e e-se
a es e di ei o na es ei a de econhece um di ei o ao u u o, ou seja, a uma ob igação
ju ídica de p o eção do u u o (Ayala 2004, F ei as, 2012).
Numa lógica es i amen e o mal se á di ícil eco a uma elação ju ídica com o
u u o, no sen ido de se impossí el de ini com p ecisão o sujei o dessa elação u u a.
É com base nes a lógica de aciocínio que Wil ed Becke man (2006) nega a exis ência
de di ei os ou in e esses das u u as ge ações, baseando-se em ês silogismos: (1) às
u u as ge ações – de pessoas ainda não nascidas – não se pode econhece quaisque
di ei os; (2) qualque eo ia de jus iça coe en e implica uma a ibuição de di ei os às
3
Cons i uição da República Fede a i a do B asil – A igo 225º “Todos êm di ei o ao meio ambien e ecologicamen e
equilib ado, bem de uso comum do po o e essencial à sadia qualidade de ida, impondo-se ao Pode Público e à
cole i idade o de e de de endê-lo e p ese á-lo pa a as p esen es e u u as ge ações.” - Cen o de Documen ação e
in o mação, Edições Câma a, B asília, 2012.
33
pessoas. Po an o, (3) os in e esses das u u as ge ações não podem se p o egidos ou
p omo idos sob a es u u a de qualque eo ia de jus iça.
Des a ques ão, em i ude da limi ação impos a pelo p incípio da ep esen ação
democ á ica (quem decide é a a ual ge ação) e de que a esponsabilidade dos go e nan es
que omam decisões hoje é limi ada ao empo das suas idas, Ca la Amado Gomes (2007)
de ende que a solida iedade en e ge ações se a a de um impe a i o me amen e mo al,
que impende sob e a ge ação que em na sua disponibilidade a his ó ia, e po isso assume
esponsabilidades pe an e os indou os — mas es a ob igação não êm um ca ác e
ju ídico.Em conclusão Amado Gomes de ine (2007:108) “a eo ia da solida iedade
in e ge acional, apesa de “emo i amen e suges i a” e “nob e nas suas in enções”, não
consegue ul apassa o limia da ob igação mo al, em i ude dos obs áculos p á icos
[ausência de ep esen a i idade polí ica (dos in e esses) das ge ações u u as], ju ídicos
(inexis ência de mecanismos de impu ação de esponsabilidade das ge ações u u as
ela i amen e às an e io es), cien í icos (impossibilidade de a es a , com absolu a ce eza,
a inocuidade e i e e sibilidade de ce as in e enções ambien ais), sociais (di iculdades:
- de a a a in odução de ino ações ecnológicas que cons i uem uma melho ia aos olhos
da ge ação p esen e; - de explica a necessidade de al e ação ou mesmo eliminação de
hábi os p esen es em nome de hipo é icos in e esses das ge ações u u as) que e es e.”
São es as di iculdades que le a am John Rawls (2008) a a i ma que nós podemos
aze algo pa a a pos e idade, mas ela nada pode aze po nós. Es a si uação é inal e á el,
e po isso a ques ão da jus iça não em à ona. E é po es a azão que o p oblema da jus iça
in e ge acional coloca à eo ia da é ica se e os senão impossí eis es es.
An onio Benjamin (2011) ale a ainda pa a o ac o de as u u as ge ações não pode em
es a isicamen e p esen es nos deba es legisla i os do p esen e, bem como os milhões de
espécies exis en es no plane a, mui as das quais nem seque são conhecidas pela Ciência.
No en an o, mesmo econhecendo a e dade des es ac os, ambém não podemos nega a
ce eza de que as ge ações u u as possui ão exis ência em de e minado momen o
his ó ico, a não se que a ida nes e plane a osse ex in a de uma única ez, si uação na
qual não es a ia opo unidade pa a alguém bene icia da he ança cul u al ou dos ecu sos
plane á ios. Como essa possibilidade não se coloca pa a já, há que ul apassa o pa adoxo,
como a i ma (Weiss 1992:14): “This pa adox assumes he adi ional concep ual
amewo k o igh s as igh s o iden i iable indi iduals. Bu plane a y in e gene a ional
igh s a e no in he i s ins ance igh s possessed by indi iduals. They a e, ins ead,
34
gene a ional igh s, which mus be concei ed o in he empo al con ex o gene a ions.
Gene a ions hold hese igh s as g oups in ela ion o o he gene a ions - pas , p esen ,
and u u e. This is consis en wi h o he app oaches o igh s, including he Islamic
app oach, which ea s human igh s no only as indi idual igh s, bu as " igh s o he
communi y o belie e s as a whole.” They can be e alua ed by objec i e c i e ia and
indices applied o he plane om one gene a ion o he nex . To e alua e whe he he
in e es s ep esen ed in plane a y igh s a e being adequa ely p o ec ed does no depend
upon knowing he numbe o kinds o indi iduals ha may ul ima ely exis in any gi en
u u e gene a ion.”
Es e aciocínio pa e de um p essupos o undamen al, o de se econhece senão a
exis ência das ge ações u u as, a ce eza de que possui ão exis ência em de e minado
momen o his ó ico. Seja esse ac o is o como me a expec a i a, seja como u u o
na u almen e p e isí el. Helena Melo (2002:156), en ende que á ios sen idos êm sido
a ibuídos à exp essão ge ações u u as, que ab angendo as c ianças já nascidas, que
ab angendo apenas os indi íduos, que ab angendo apenas os indi íduos que nasce ão
num u u o mais ou menos emo o. Se pa i mos do concei o de ge ação como “o conjun o
dos indi íduos nascidos mais ou mesmo empo (Malho a 1998:41), cob indo cada
ge ação um pe íodo de ap oximadamen e in e e cinco anos, al signi ica que nes a
abo dagem não exis e uma cla a dema cação en e uma ge ação e a ge ação
imedia amen e a segui ou an e io . Há, an es pelo con á io, um con inuum de ge ações,
que se sucedem e sob epõem no empo. Ainda segundo Malho a (1998:41) “De aco do
com es a aceção, os indi íduos u u os são indi íduos que ainda não exis em, sendo
impossí el de e mina com exa idão quem e quan os se ão. Ju idicamen e são
concep u os, i.e., nasci u os ainda não concebidos cujo o nascimen o u u o se p e ê
como possí el”.
As ge ações u u as se ão assim cons i uídas pelos indi íduos que exis i ão num
de e minado pe íodo da his ó ia da Humanidade, pelos indi íduos humanos u u os.
Giuliano Pon a a (1996:112), en ende que “indi íduos u u os” se ão “ odos aqueles
indi íduos que ela i amen e aos indi íduos exis en es num de e minado pe íodo de
empo , exis i ão de ac o depois de .” Es es indi íduos a ão pa e da “cole i idade ad
in ini um de odos os se es humanos que sucede ão à p esen e ge ação que se encon a
i a” num de e minado momen o da his ó ia. Cada ge ação se á des e modo “um elo
numa cadeia sem im de ge ações que cole i amen e o ma uma comunidade, a Família
da Humanidade” (Agius 1998:7).
35
Apa ece des e modo, o concei o de Humanidade como uma comunidade
in e ge acional, que inclui as ge ações passadas, p esen es e u u as, como uma
“comunidade de se es que olham pa a ás e pa a a en e, que in e p e a o passado à luz
do p esen e, que ê o u u o como nascido do passado” (Agiu, Kim 1998:15). Se o Di ei o
ainda busca um caminho que o ne possí el enquad a ju idicamen e uma comunidade
que exis e no in e io de odas as on ei as e é global, as ciências na u ais já encon a am
o undamen o da unidade biológica da exis ência eal e ac ual des a comunidade global:
“ oda a pessoa, que i a hoje ou no u u o, se encon a elacionada gené ica e
cul u almen e com o es o da comunidade da aça humana” (San os 2001:68). A
Humanidade pode assim signi ica a “ o alidade do géne o humano, o conjun o de odos
os se es humanos que habi am o plane a” (San os 2001:68) ao longo das sucessi as
ge ações. É ambém chegada a ho a de aze coincidi es as ealidades na u ais com a
ealidade cons uída, que econhecendo igualmen e a ac ualidade da exis ência de po os
poli icamen e o ganizados num de e minado e i ó io ju idicamen e delimi ado, não
impliquem necessa iamen e a ocul ação e negação da exis ência de uma comunidade
humana global gene icamen e e empo almen e ligada.
Mas apesa do con ibu o posi i o na de inição de Humanidade susci ada pela
e olução das ciências da ida e pela descodi icação do genoma humano, os p oblemas do
eco e de um sujei o de di ei os e de elações ju ídicas u u as, man êm-se. E é
exa amen e ao ugi de concei os me a ísicos, que John Ralws (2008), con o me já is o,
e oma a discussão do u u o num e dadei o ma co eó ico sob e a esponsabilidade
in e ge acional. T a a-se de uma eo ia que busca o descolamen o de qualque ínculo
ju ídico com o u u o de uma isão me a ísica sob e o mesmo, apoiando-se na noção de
in e esses enquan o a o es decisi os pa a a ação, e a acionalidade como c i é io de
jus iça. Pa e-se assim de um p essupos o empo al elemen a , qual seja, o de cen a o
oco no p esen e e no aio de ação das ge ações i as, ainda que pa a ge a e ei os pa a
as u u as ge ações. Na e dade, como e e e Fens e sei e , (2014) as ge ações u u as
nada podem aze hoje pa a p ese a o ambien e de que ão usu ui , azão pela qual
oda a esponsabilidade (e de e es co esponden es) de p ese ação da ida e da
qualidade ambien al pa a o u u o ecai sob e as ge ações p esen es.
É nes e con ex o, com base no p incípio da solida iedade in e ge acional, em que as
esponsabilidades das ge ações humanas p esen es espondem pe an e um c i é io de
jus iça in e ge acional, ou seja, en e ge ações humanas dis in as, que i emos p ocu a
36
encon a um espaço em que a Ecologia Humana possa se i como uma pla a o ma de
soluções.
1.7. Ecologia Humana – Uma ciência do An opoceno como
cons u o a de sín eses e soluções
O úl imo pe íodo in e glacial ela i o aos úl imos 11.700 anos, co esponde a um
pe íodo de es abilidade climá ica sem qualque p eceden e na his ó ia do Sis ema
Te es e. É o chamado pe íodo geológico do Holoceno. As al e ações que as a i idades
humanas es ão a p o oca na es u u a biogeo ísica do Sis ema Te es e co esponden e
a es e pe íodo, são de al o ma impac an es, que es amos a p o oca uma al e ação nes as
condições a o á eis e a da o igem a uma no a e a geológica - o chamado
"An opoceno"- após o Holoceno. En e os a o es decisi os es ão o g ande aumen o na
população humana, p odução de me ano pelo gado, pesca, o uso de água, al e ações no
uso da e a, a queima de combus í eis ósseis e as emissões de CO2, os plás icos e os
e ilizan es à base de azo o, es ão en e as a i idades humanas que con ibuem pa a, en e
ou as coisas, as al e ações climá icas, a acidi icação dos oceanos e a ex inção de g ande
núme o de espécies, a chamada sex a ex inção. A o alidade dessas a i idades humanas
con ibuí am pa a o ad en o do An opoceno e são já as eá eis nos es a os geológicos
da Te a.
Os mo i os que es ão na o igem da u u a das condições a o á eis e da consequen e
mudança pa a uma no a época geológica es ão p o undamen e en aizados num di ei o
in e nacional comple amen e inadap ado pa a lida com a dimensão global dos bens
comuns. As causas es u u ais des a dis uncionalidade ju ídica são, em nosso en ende ,
essencialmen e duas: a) manu enção de uma abo dagem es i amen e e i o ialis a, em
que os bens comuns globais são apenas os e i ó ios sob an es das di isões polí icas en e
os Es ados, b) manu enção de um di ei o económico in e nacional que conside a como
“ex e nalidades” (posi i as ou nega i as) as al e ações p o ocadas nos ciclos
biogeo ísicos globais. De e e i , que embo a numa p imei a análise es as causas
apa en em uma ausência de elação, a conside ação des es a o es i ais como
“ex e nalidades” encon a a sua azão de se na abo dagem e i o ialis a: po que es es
elemen os não- e i o iais só podem se conside ados “ex e nos” ao e i ó io dos Es ados,
43
in e esses p i ados nos é ap esen ada a a és da conside ação de que a soma da
p ossecução dos in e esses indi iduais ep esen a á a melho o ma da p ossecução dos
in e esses comuns. É nes e con ex o que o “bem ambien e” su ge, e que sendo um bem
global indi isí el e inap op iá el (embo a o seu es ado possa se al e ado pelo uso), não
se p es a a uma uição de oca e alienação, mas sim a uma unção de uição cole i a
(Colaço An unes 1998). Is o é, a a e a de o ganiza a uição do ambien e, nes e caso o
mac o-bem Sis ema Te es e, não pode se ealizada numa lógica de di isão, p op iedade
p i ada e mecanismos de me cado des egulados.
O a, conscien es des a impossibilidade na escala do Sis ema Te es e, um dos
desa ios mais impo an es do An opoceno se á o de anula a an í ese exis en e en e os
dois nos modelos de go e nança de bens comuns: a solução clássica de Ga e Ha din –
di isão, di ei os de p op iedade e mecanismos de me cado pa a e i a a "T agédia dos
Comuns" - e a abo dagem de Elino Os om que es abelece as condições es u u ais
necessá ias pa a que ges ão cole i a seja possí el, esul ando em an agens mú uas pa a
odas os pa icipan es no médio p azo.
À escala de nosso e dadei o Global Common - o Sis ema da Te es e – a u ilização
isolada de uma des as soluções, não é capaz de e a a com p ecisão odos os ac os:
a) As on ei as polí icas das sobe anias cons i uem o supo e es u u al da
o ganização social. Nes e ní el, a solução de di isão de Ha din, pa ece
pe manece álida sem nenhuma al e na i a isí el.
Mas po ou o lado…
b) O es ado a o á el do Sis ema Te es e é um bem in angí el global, no qual não
é possí el ealiza nenhuma ope ação de di isão, nem mesmo abs a a. Nes e
con ex o, os p incípios iden i icados po Os om pa a a ges ão bem-sucedida dos
bens comuns, podem i a se um con ibu o de excecional ele ância pa a a
cons ução de um modelo capaz de assegu a a p ese ação do es ado a o á el
como uma he ança que de e se man ida pa a usu u o das p óximas ge ações.
En ão o desa io que se coloca ao Di ei o é em g ande medida o da cons ução das
condições es u u ais necessá ias pa a o na possí el es a uição cole i a de um bem que
não é susce í el de ap op iação ou di isão, e ao mesmo empo assegu a a manu enção
44
da di isão polí ica e i o ial. Só depois des a o ganização es a ealizada, à escala do bem
em causa - o Sis ema Te es e – se á possí el que o di ei o do ambien e se o na e e i o
– is o é que abandone o seu de ici sis émico de aplicação. Es a des inculação da e en e
p op ie a is a indi idual, e a assunção da ine i abilidade da abo dagem do ambien e como
“bem comum”, insusce í el de di isão ou de qualque o ma de ap op iação indi idual,
i á cons i ui o g ande desa io da cons ução de um modelo social pa a o An opoceno.
Pa a Amado Gomes (2005:24), “O ambien e é um bem de uma comunidade e a sua
dimensão cole i a não pode se pe dida de is a. O di ei o subje i o indicia uma posição
egoís ica, longe da pe spe i a solida is a que de e p esidi à ges ão dos bens ambien ais.
Po isso conside amos que a melho dou ina é aquela que ê no di ei o ao ambien e um
di ei o-de e de u ilização acional dos bens ambien ais.(...) O di ei o ao ambien e,
cons i ui des a ei a, um bom exemplo de um no o ipo de di ei os undamen ais,
e dadei os “di ei os de solida iedade”, “di ei os poligonais” ou “di ei os ci cula es” cujo
con eúdo é de inido pelo in e esse comum,(...)”. O a es a o ganização implica uma
análise das elações c uzadas e não a as ezes opos as, que se exe cem sob e es e bem
de uição cole i a à escala da comunidade humana global. A iden i icação das dinâmicas
humanas de usos com e ei os nega i os e a iden i icação das dinâmicas na u ais que
ealizam bene ícios na manu enção do sis ema comum, são uma a e a base pa a pe cebe
os con eúdos des as elações e pa a pode o ganiza es a uição.
Uma ez que é de odo impossí el aze coincidi a escala do bem “ambien e” com os
limi es dos e i ó ios sobe anos dos es ados, e que o p oblema da de inição do obje o do
di ei o do ambien e pode se ul apassado a a és da de inição do Sa e Ope a ing Space,
exis em nes e momen o as condições necessá ias pa a se da o sal o concep ual na
de inição desse “ambien e salub e” como um no o bem ju ídico, que só pode se
assegu ado à escala do Sis ema Te es e. Po consequência, ao se necessá io
amplia mos a escala do bem, ambém a escala da comunidade em de se ampliada à
o alidade de sujei os que pa ilham o uso do mesmo sis ema, o mando des a o ma uma
e dadei a comunidade de in e esses comuns. Como consequência da impossibilidade de
di isão do bem ambien e, o papel da Ecologia Humana como pon e en e as ciências
na u ais e o di ei o, se á o de es uda e p opo soluções de au o-o ganização, no sen ido
de ha moniza as in e dependências humanas globais que se es abelecem pela mú ua
dependência ela i amen e ao uso de um mesmo Sis ema Comum.
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2.3. Um sis ema ju ídico baseado numa isão do mundo obsole a
No con ex o de um pe cu so his ó ico em que a exis ência humana chegou a se
o mulada como uma ealidade ex e io e au ónoma à na u eza e/ou ecossis ema global,
é na u al que as cons uções sociais sejam ambém um e lexo da his ó ia dessas
mundi isões. Po se a a de um campo do conhecimen o au ónomo e undado em
p incípios e es u u as lógico- o mais p óp ias, as cons uções ju ídicas e le em
ine i a elmen e o posicionamen o on ológico do homem no seio da na u eza. A alo ação
ju ídica do meio ambien e possui uma na u eza cul u al e po isso ende a exp essa uma
condição on ológica an opocên ica. “Po ou as pala as, o meio ambien e somen e oi
in oduzido como supo e á ico e, pos e io men e, como a o ju ídico em i ude de sua
in e nalização pela cul u a humana, ou seja, pela sua ep esen ação lógico- o mal em
no mas ju ídico-ambien ais (Ga cia 2016:90).”
A ansmu ação do “bem ambien e” de supo e ác ico sob e o qual se exe cem
di e en es o mas de ap op iação - di ei os de sobe ania, p op iedade ou de uso - pa a a
consag ação como bem ju ídico au ónomo com alo pe si, é o esul ado do p ocesso
his ó ico da des uição desse p óp io “bem ambien e”, que ans o mou um bem
abundan e e que se pensa a in ini o, num bem escasso e limi ado cuja de e io ação
p o oca sé ios danos às sociedades humanas e ameaça mesmo a sob e i ência da p óp ia
espécie. Es e se á mesmo o mo i o que ans o mou um bem que desde semp e oi
ju idicamen e i ele an e como um “ alo ” humanamen e econhecido. Como explica
Ga cia (2016:88) “A elação do Di ei o com a ealidade, ou seja, do mundo das ideias
(desdob amen o da mani es ação cul u al e é ica humana) com o mundo dos ac os, dá-se
po meio de ínculos p e iamen e es abelecidos ou admi idos pelas no mas. Quando
de e minado acon ecimen o é cons a ado, a oco ência de e ei os ju ídicos depende á de
seu econhecimen o po alguma no ma e a co esponden e a ibuição de consequências
ju ídicas”.
Pa a chega mos ao a ual ní el de ju idicidade, o meio ambien e e oluiu da absolu a
i ele ância ju ídica pa a a consag ação como di ei o e bem undamen al, endo in adido
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um g ande núme o de ex os cons i ucionais po odo mundo. Com uma a iedade
ala gada de exp essões pa a aduzi es e enómeno na u al complexo, a Cons i uição
Po uguesa no seu a igo 66º op ou pelo concei o de um “ambien e sadio e ecologicamen e
equilib ado”. Dado o seu ca ác e sis émico o “bem ambien e” é incompa í el com a
delimi ação e i o ial dos Es ados, deu o igem a que as de inições des e bem usem
eco en emen e concei os inde e minados e de delimi ação imp ecisa. Aliás, a dimensão
sis émica do bem a p o ege oi já pe cecionada no in e io dos p óp ios Es ados, uma ez
que essa é uma ac ualidade inul apassá el: “[...] um Es ado cons i ucional ecológico
p essupõe uma conceção in eg ada ou in eg a i a do ambien e e, consequen emen e, um
di ei o in eg ado e in eg a i o do ambien e. [...] o concei o de di ei o in eg ado do
ambien e [...] apon a pa a a necessidade de uma p o eção global e sis emá ica que não se
eduza à de esa isolada dos componen es ambien ais na u ais (a , luz, água, solo i o e
subsolo, lo a, auna) ou dos componen es humanos (paisagem, pa imónio cul u al e
cons uído, poluição), (Gomes Cano ilho, 2010:8).”
O Sis ema Te es e, embo a pe cecionado e i ido dia iamen e pelos sen idos, oi ao
longo da his ó ia da humanidade um campo é il pa a o inexplicá el, pa a o
desen ol imen o de isões mís icas ou concei os inde e minados. Numa o al ausência
de in o mação sob e as ca ac e ís icas do Sis ema Te es e e dos a o es que de e minam
a seu uncionamen o, não se conhecendo seque a exis ência de um es ado a o á el e de
limi es pa a a sua manu enção, o esul ado ine i á el se ia a sua in isibilidade social e a
sua não conside ação como a o essencial à cons ução de uma o ganização capaz de
p o ege as undações da ida. Não só não se conhecia, como a possibilidade de as
a i idades humanas pode em es a a p o oca uma mudança nes e es ado a o á el e am
ques ões que ul apassa am os limi es hipo é icos do sabe e aze humano. O clima
es á el e o uncionamen o egula dos ciclos da ida e am-nos ap esen ados como dados
p é-adqui idos e imu á eis.
Nes e cená io, onde o complexo e inexplicá el se con unde com o inexis en e, o
mís ico e o sag ado, não e a possí el econhece es e es ado a o á el como um a o da
maio ele ância, e que pudesse se de iní el e in e nalizado como um alo i al pa a a
ida e o ganização das sociedades humanaa.
Acei ando a pe spe i a do di ei o como cons ução humana esul an e do p ocesso
his ó ico-cul u al da nossa espécie, Mosse I u aspe (1999:303) de ine bem ju ídico
como “bem é udo o que pode sa is aze uma necessidade. Um bem ju ídico é odo bem
ma e ial ou ima e ial – de alo económico ou não – que sa is az necessidades do
47
homem”.
Tal condição de e-se à exigência, conside ada básica e elemen a pela eo ia ge al do
di ei o, de que os ac os econhecidos pelas no mas ju ídicas possuam ele ância pa a a
ida humana. Da mesma o ma, aquilo que o conside ado inexp essi o ou i ele an e,
é igualmen e igno ado pelo Di ei o. Es a a e a p imo dial alo a i a, coloca o Di ei o na
posição c í ica de pe manen emen e necessi a de se compa ibiliza com a e olução do
conhecimen o, p ocedendo a uma ein e p e ação da ealidade endo em con a as suas
á ias dimensões e os no os con ex os, e i ando ica p eso a dis o ções cogni i as dos
seus p óp ios dogmas. Conscien es da agilidade de odas as cons uções humanas e da
eno me esponsabilidade que cabe às ciências ju ídicas nes a a e a de in e p e a e
alo a a ealidade conhecida, sabemos que a única o ma de co esponde a es e desa io
se á de es abelece um pe manen e diálogo en e os seus concei os e o seu modus
ope andi, e a e olução do conhecimen o cien í ico e social. Mas nas ciências na u ais,
como nas ciências da ida, odos os a anços são simul aneamen e ge ado es de libe dade
e de no as esponsabilidades: “A aplicação écnica das no as ciências da ida (o conjun o
das chamadas bio ecnologias) ala gou, de o ma inédi a o âmbi o do aze humano;
podemos dize que, pela p imei a ez, na his ó ia da humanidade, o homem dispõe de um
sabe que lhe pe mi e exe ce pode sob e a na u eza, sob e a ida e sob e a mo e, is o é,
sob e o que an igamen e ugia à sua alçada e e a conside ado a alidade ou, de um modo
de e minis a, uma sequência pu amen e casual de acon ecimen os.
No en an o, es e pode , libe ado e ge ado de au onomia, em-se e elado ambíguo e
pe igoso: desencadeia e ei os ex emamen e bené icos e simul aneamen e ações cujas as
consequências pe igosas êm uma dimensão cósmica e mui as ezes i e e sí el. É
jus amen e is o o que nos assus a e inquie a, exigindo-nos pela p imei a ez,
esponsabilidade. De ac o, udo o que nos en ol e pode, hoje, pela p imei a ez,
depende in ei amen e de nós. (Sil a, 2002.10)”
O es udo ecen e sob e as consequências das ações humanas sob e o ambien e, ouxe-
nos a in o mação sob e o uncionamen o do Sis ema Te es e, e esse “ambien e
ecologicamen e sadio” abandonou a condição de concei o inde e minado de con o nos
espaciais e quali a i os ince os, pa a se aduzi no espaço in angí el de segu ança bem
de inido, que não conhece on ei as. Is o é, hoje conseguimos iden i ica quais são os
elemen os que de e minam o uncionamen o do Sis ema Te es e e de que o ma e em
que medida ao al e a mos esses a o es, in e e imos no uncionamen o do sis ema do
qual somos pa e. De ac o, hoje, udo o que nos en ol e, desde o p óp io genoma da
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nossa espécie, ao “código gené ico” do uncionamen o do Sis ema Te es e, udo pode
ealmen e depende in ei amen e de nós. O ac o de e mos p o ocado es as al e ações
aos mecanismos e condições essenciais de supo e da ida, deu-nos acesso a um
conhecimen o que ge ou um eno me pode e uma emenda esponsabilidade à ação
humano no seu odo.
Es a possibilidade eque po pa e do di ei o do ambien e uma in e enção que
ul apassa a sua conside ação como “ amo de di ei o”, e con oca-o pa a uma e olução
que seja capaz de ep esen a uma no a mundi idência em que os elemen os não-
e i o iais que assegu am a condições biogeo ísicas da ida, es ejam no cen o em o no
do quais se egulam as elações que se ealizam en e odos os se es humanos, numa
escala global.
O a, como a i ma Ga cia (2016:89), “A p imei a ques ão a se en en ada pelo Di ei o
Ambien al é o de iden i ica seu obje o p incipal ou cen o de u ela. Em que pese se
possí el ap esen a a espos a “meio ambien e” de manei a ápida e lógica, o que se busca,
e dadei amen e esponde é de qual meio ambien e se es á e e i amen e a ando.” Po
mui o que o bem em causa não se con ine às di isões polí ico-adminis a i as, o ca ác e
global, indi isí el e in e dependen e do es ado uncional a o á el do Sis ema Te es e
é uma ac ualidade inul apassá el. Cons i uindo as undações da ida como a
conhecemos a é hoje, o seu alo é ob iamen e i al, inques ioná el e incon o e so. É o
me a- alo , que assegu a e supo a as condições de ida na Te a, e da p óp ia espécie
humana. Nes e sen ido, como e e e o Acó dão de 02/07/1996 P oc. Nª. 483/96 do
Sup emo T ibunal de Jus iça: “Repa e-se nes e po meno ão simples quan o
incon o e so: se as condições eais le a em à desa iculação dos meios ambien ais que
pe mi am, e e i amen e i e , o di ei o à ida não passa á de uma abs ação eó ica de
cu o p azo. (…).“ Ao não aba ca o “bem ambien e” na sua e dadei a escala, o di ei o
co e o pe igo de ocul a o seu e dadei o sen ido, e o seu de e -se . Nes e acó dão, “o
nosso Sup emo T ibunal de Jus iça, ealiza a di ícil a e a de o ganiza (de o ma
es a égica e p uden e) a passagem de uma in encionalidade espi i ual, um de e -se
pa en e nas no mas cons i ucionais, pa a um "se " ealizado po esse espí i o, e o na -se
num p omo o e e i o do p ocesso his ó ico-cul u al, apon ando o a inamen o da
es a égia de ação, assumindo a dimensão i al do ju ídico no seu sen ido modelado da
ida, pe an e aquela que é conside ada como a p incipal c ise com que a humanidade
alguma ez se de on ou (Magalhães 2005:96).”
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Es a dimensão quali a i a - he heal hiness – do Sis ema Te es e, escapa às
abo dagens ju ídico-dogmá icas adicionais sob e o ambien e, pelo ac o de se
impossí el isola um de e minado ecossis ema, egião ou país, da qualidade do sis ema
global. Is o é, as p incipais ca ac e ís icas do “bem ambien al” são a sua globalidade e
in angibilidade – o Sis ema Te es e é global e indi isí el, e a qualidade do seu es ado
depende da sua es u u a biogeoquímica global, uma ez que es a ai se de e minan e no
uncionamen o dos seus luxos e balanços ene gé icos – os chamados ciclos
biogeo ísicos. Es as ca ac e ís icas ob igam a que a p o eção do ambien e se ala gue à
p o eção de bens in angí eis na u ais, e à escala em que o bem exis e – a global.
O a, o cump imen o da unção modelado a do di ei o e de conc e iza es a passagem
de um de e -se de um ambien e “sadio e ecologicamen e equilib ado”, pa a a cons ução
de uma sociedade humana adap ada ao uncionamen o do Sis ema Te es e e aos seus
limi es, implica uma no a isão do mundo em que esse “bem ambien e” se á mais do que
a soma dos concei os inde e minados p esen es numa ala gada quan idade de
Cons i uições Es a ais e em T a ados In e nacionais. O desa io que o An opoceno coloca
ao Di ei o é o de a a és de um exe cício de in e disciplina idade se o na numa ciência
p omo o a do p ocesso his ó ico-cul u al que le e ao econhecimen o “des e ambien e
sadio e ecologicamen e equilib ado”, como um bem ju ídico na sua e dadei a escala – a
global - e ela i amen e ao seu e dadei o sujei o – a comunidade humana na sua
globalidade.
A ele ância i al do Sa e Ope a ing Space o Humankind, é uma ac ualidade
inul apassá el. Só que es e enómeno ago a conhecido e de inido, não é ainda
socialmen e econhecido po nenhuma no ma, nem a ealização de bene ícios ou danos
no es ado des e bem comum i al é desencadeado a de consequências ju ídicas. A
necessidade da sua in e nalização po pa e da o ganização das sociedades humanas,
pa ece uma e idência. O ac o de es e bem exis i den o e o a de odas as sobe anias,
não pode se um obs áculo ao seu econhecimen o como um enómeno ele an e pa a a
humanidade. Is o é, a pa i do momen o em que de e minado ac o ecológico se o na da
maio ele ância pa a o se humano, é na u al que esse bem que a é ali enha sido
conside ado i ele an e, seja econhecido como bem e ju ídico.
Não só o bem ju ídico é uma cons ução pu amen e humana que exis e num p ocesso
de pe manen e e olução e ape eiçoamen o his ó ico, como ambém lemb a Bosselmann
(2015:61), as cons uções ju ídicas humanas exis en es, não são um alo pe si: “I may
be ime now o emind ou sel es ha he law has no in insic alue, bu is a me e human
50
cons uc in ended o go e n ou sel es in a ci ilized manne . Howe e , wha could be
mo e ci ilized han ca ing o he condi ions ha make human li e possible in he i s
place. I is he e whe e he conce n o he in eg i y o li e as a whole has i s place. And i
is he e whe e a enewed sense o he ule o law mus ha e i s beginning.”
O p incipio de udo, da possibilidade da cons ução de uma ci ilização humana como
a que possuímos hoje dependeu des as condições a o á eis in angí eis que hoje
conseguimos iden i ica e mensu a . E a pa i do momen o que os limi es do plane a do
Holoceno são quan i icá eis, essa in eg idade pode se usada como medida de legalidade
do agi humano.
Is o é, o “bem ambien e” es ado a o á el do Sis ema Te es e, como enómeno
na u al do mundo eal, que an e io men e se apa en a a como imu á el e in ini o cujo o
aze humano e a incapaz seque de o a ingi ou al e a , passou de ju idicamen e
i ele an e e inexis en e, à mais aliosa he ança ecebida pela humanidade da na u eza.
Esse no o bem, esul an e de uma alo ação enunciada po uma no ma ju ídica, i á se
i adiado de di ei os e de e es que de e ão cons i ui a base o ganiza i a do uso egulado
des e bem comum global, da qual pode á eme gi uma no a ha monização das elações
humanas que ago a se ala gam ao global.
2.4. A desma e ialização do Bem Ambien al
O ac o de o es ado a o á el do Sis ema Te es e se , como o p óp io nome indica,
um sis ema, e como al se essencialmen e compos o po elemen os não- e i o iais e
in angí eis, is o é, pelos ciclos biogeo ísicos que se dispe sam e a a essam odo o
plane a, não pode cons i ui um obs áculo in ansponí el à sua quali icação como
enómeno ecológico ju idicamen e ele an e pa a o se humano.
A exis ência de coisas inco pó eas, há mui o que é econhecida pela cul u a humana.
O concei o de coisa inco pó ea e a sua es u u a de de inição buscam as suas o igens na
iloso ia g ega, mais especi icamen e da escola a is o élica: de ac o, A is ó eles diz-nos
que coisas inco pó eas são aquelas que não podem se ocadas. O que pode se pe cebido
com os sen idos é um co pus, uma coisa co pó ea; o que não pode se ocado é uma coisa
inco pó ea, apenas pe ce í el a a és do in elec o. Os ju is as omanos segui am os passos
51
da cul u a g ega, e classi ica am os bens como: es co po ales e es inco po ales.
Segundo Mousou akis (2012:121,122) “Wi h espec o he es in nos o pa imonio (o
es in comme cio), a dis inc ion was d awn be ween co po eal ( es co po ales) and
inco po eal hing ( es inco po ales). The o me e m e e ed o hings ha could be
ouched o pe cei ed by he senses such as a ga men , an ox, a able o a house. The e m
es inco po ales, on he o he hand, deno ed in angible hings no capable o senso y
pe cep ion ha he law ecognizes and p o ec , such a eal and pe sonal igh s. (…)
Because inco po eal objec s could no be physically seized as equi ed o possession o
exis , hey hus could no be acqui ed o ans e ed by any me hod in ol ing he
acquisi ion o ans e o possession.”
Coisas co pó eas são aquelas que pela sua na u eza são do adas de exis ência ísica,
ma e ial, que podem se ocadas, como um e eno, uma casa, e c... . Po ou o lado, coisas
inco pó eas, são aquelas coisas que embo a não possam se ocadas, possuem uma
exis ência abs a a ou ideal, is o é, exis em pa a a lei; como po exemplo, uma he ança,
usu u o ou uma ob igação. Inicialmen e, apenas os di ei os eais e am conside ados es
inco po ales. Pos e io men e, como esul ado de uma lu a lide ada pelos dos in elec uais
do século XVIII, que ei indica am econhecimen o das “ideias” ou “c iações do espí i o
humano”, segundo o p incipio de que a ob a é independen e de qualque ixação ou
ma e ialização (Ascenção 1992.62), os di ei os pessoais o am igualmen e econhecidos
como coisa inco pó ea. O econhecimen o “ob a humana” como coisa inco pó ea, is o é,
de que a ideia pe si, depois de oma o ma no o o ín imo do au o e de se ex e io izada
po qualque meio de o ma que seja possí el se cap ada pelos sen idos, e e o seu
econhecimen o como obje o ju idicamen e ele an e em 1710 a a és da céleb e lei do
copy igh da Rainha Ana de Ingla e a. A a és des a lei o di ei o de ep odução, já não
pe encia em a o dos imp esso es, mas já em a o dos au o es, cons i uindo
simul aneamen e um di ei o pessoal do au o e um no o obje o ju ídico ima e ial. Is o é,
es e no ma i o legal pe mi iu es abelece uma di isão ju ídica en e o di ei o in angí el
do au o e o supo e ma e ial em que a ob a es á g a ada, c iando des a o ma um obje o
ju ídico in angí el – a ideia, a c iação in elec ual do au o . É es a sepa ação, que nos
pe mi e po exemplo, que ao comp a mos um li o apenas adqui amos a i ula idade
sob e o papel e in a que cons i ui o supo e da g a ação da ob a, e não os sob e os di ei os
ela i os à ob a que es á ali g a ada. De ju idicamen e inexis en e a é ao início do Século
XVIII, a ideia in angí el do au o , o nou-se, na opinião dos in elec uais da época, na
“mais sag ada de odas as p op iedades”.
52
Es as soluções écnico-ju ídicas cons i uem alguns dos alice ces es u u ais em que
se baseia a nossa o ganização social. Po exemplo, sem es a sepa ação legal en e a ideia
in angí el de um au o e o supo e angí el onde es a ideia é egis ada, não e ia sido
possí el o desen ol imen o do conhecimen o nem sua disseminação em massa. Mas o
econhecimen o ju ídico de obje os in angí eis não se icou pelo copy igh . O pa imónio
cul u al ima e ial econhecido a a és da UNESCO, ou o alo in angí el das emp esas
em di ei o come cial, onde equen emen e o alo dos a i os in angí eis de uma emp esa
são incompa a elmen e supe io es aos a i os angí eis, são ou os exemplos em que a
necessidade de o ganiza o uso de algo ou a ele ância dos bens em causa, jus i ica am a
busca po no as soluções po pa e do di ei o. Os obje os ju ídicos in angí eis o am um
a o de e minan e de desen ol imen o e um supo e es u u al c í ico na c iação da
ci ilização em que i emos hoje.
A analogia en e esses obje os de di ei o in angí eis e o Sis ema de Te es e igualmen e
in angí el pode ambém se c ucial pa a ep esen a e comp eende a uncionalidade
global e indi isí el do Sis ema da Te es e na nossa sociedade, bem como o alo eal
dos ecossis emas na u ais, onde o alo in angí el dos seus se iços pa a a humanidade é
incompa a elmen e supe io ao alo angí el das in aes u u as na u ais que p oduzem
esses se iços. A ualmen e, po exemplo, o alo das lo es as que são i ais pa a a
manu enção desse es ado a o á el, das nossas idas e as u u as ge ações só se o nam
isí eis nas ansações inancei as e económicas da sociedade a a és da des uição e
ans o mação dessas lo es as em madei a. Na e dade, ambém na na u eza exis em
ou os ipos de pa imónio pa a além daqueles que podem se is os e ocados. Is o ob iga
a pensa o concei o de capi al na u al, não apenas como o espaço e as in aes u u as
ecológicas angí eis, mas a conside a o seu conjun o, como a soma esul an e da
o alidade da in aes u u a ecológica angí el e da o alidade al e ações químicas
biogeo ísicas posi i as que cons i uem os se iços ecológicos globais in angí eis. Fei as
as con as, endo em con a o ca ac e i al des es se iços e a sua escassez, os a i os
in angí eis na u ais e ão uma impo ância mui o supe io aos p opo cionados pelos
ecu sos ísicos angí eis na p odução de bens e se iços.
Es e p ocesso his ó ico é da maio impo ância pa a pe cebe mos como es e p ocesso
de desma e ialização do obje o do di ei o oi um a o es u u al de p o undo signi icado
na cons ução das sociedades mode nas, e como as soluções ju ídicas o ganiza i as são
um a o es u u al dos modelos sociais.
59
d) Hoje possuímos as e amen as cien í icas necessá ias pa a de ini es e bem
na u al in angí el global, e o seu es ado a o á el- o Sa e Ope a ing Space o
Humankind;
e) Po que só a a és do econhecimen o da sua exis ência é possí el es ablece um
egime legal que o ganize o seu uso. Essa é ambém uma condição es u u al
pa a se possí e p omo e a sua manu enção pe manen e;
) Po que o econhecimen o dos se iços de ecossis ema globais p oduzidos pelas
in aes u u as ecológicas como a i os in angí eis é a o ma de in oduzi o
abalho da na u eza nas nossas sociedades sem necessa iamen e implica a
des uição da in aes u u a na u al;
g) Po que o econhecimen o da exis ência da dimensão in angí el da na u eza é
uma condição es u u al pa a cons ui equidade e jus iça nas elações en e os
se es humanos à escala global, e de essa o ma p omo e igualmen e a
adap ação da comunidade humana à o ma de uncionamen o do Sis ema
Te es e;
h) Po que es e econhecimen o é uma condição es u u al pa a cons ui uma
economia de manu enção do Sis ema da Te es e e es au o da nossa Casa
Comum;
i) A u ilização de obje os legais in angí eis no que diz espei o ao Sis ema
Te es e é c ucial pa a o na isí el o que ealmen e impo a e nos une a odos
como uma comunidade global de in e esses i ais in e dependen es e comuns;
j) Po que a cons ução de uma icção ju ídica ela i amen e ao “espaço de
ope ação segu a pa a a humanidade” como um pa imónio comum é ambém a
o ma de cons uímos um “ e i ó io i ual” onde a Humanidade pode á basea
a sua o ganização, e onde os in e esses das ge ações u u as pode ão es a
ep esen ados independen emen e da exis ência ju ídica das pessoas conc e as
u u as que i ão depende da p o eção desses in e esses.
60
Es a p opos a de cons ução de um supo e ju ídico global ela i amen e a um
enómeno na u al ao qual, em nosso en ende , de e se a ibuída ele ância ju ídica, em
como obje i o ansc e e legalmen e a complexidade das conexões en e se es humanos
que se ealizam a a és do uso do Sis ema Te es e. Com a p esença des e no o elemen o
no con ex o do Di ei o In e nacional, de em eme gi um conjun o de di ei os e ob igações
co esponden es, que ob igam a epensa a elação en e odos os po os do mundo.
A ges ão do uso do Sis ema Te es e implica uma "ges ão do sis ema" que anscende
a "ges ão- e i o ial" dos Es ados e em como obje i o p incipal a esponsabilidade pelo
bem comum de odos, incluindo as ge ações u u as e ou as o mas de ida com as quais
compa ilhamos o plane a.
61
Chap e 3
Global F ee Ride s ...
4
“A human being is a pa o a whole, called by us uni e se, a pa limi ed in ime
and space. He expe iences himsel , his hough s and eelings as some hing sepa a ed
om he es ... a kind o op ical delusion o his consciousness.”
Albe Eins ein
3.1. T agedy Wi hou Te i o y
I is now widely accep ed ha clima e change is a “ agedy o he commons” on a
global scale. When a agedy is occu ing simul aneously inside and ou side all bo de s,
i does no comply wi h he p inciple o e i o iali y o ju isdic ions o o no ms. I is a
supe imposed common eali y in all e i o ies, wi hou ha ing a e i o y. Also, in he
dominan iew o “ e i o ial obsession”, exis ing is o ha e e i o y. Being global is no
ha ing e i o y. The unde lying p inciple is he assump ion ha e e y hing ha goes
beyond ou limi s should be conside ed as ex e nal o us – an ex e nali y in he wo ds o
economis s. Pollu ion om an ai c a is an ex e nali y o he economy and when
pe o med ou side he ai space o s a es, i becomes a case o ju is s.
Based on his ision, one can de ine common a eas whe e heo e ically all o humani y
becomes so e eign o e he in e na ional commons ( es communis omnium), in which
he “common” is wha is le o e (open sea, seabed, An a c ica), he emains o wha
could no be seized. Pu eza (1998:26) conside s ha “ he es communis own egime as a
adi ional amewo k o common in e na ional spaces is a sequence a he han an
4
Capí ulo ealizado em co-au o ia com F ancisco Fe ei a.
62
an i hesis o he na ional so e eign y p inciple”. The common is no ha by which i s
na u e and cha ac e is ics is uly common bu wha emains a e app op ia ion.
In he con on a ion be ween his one-dimensional simpli ica ion o he wo ld and he
highly complex and deeply in e connec ed Ea h Sys em, we a e looded wi h mo e
ques ions han answe s: Whose agedy? Whe e does he esponsibili y o ac ing lie?
Who has he ins umen s o ac o he bene i o all? How can we speak abou bene i ing
e e yone i humani y, being global, has no e i o y, a ac ha by i sel gi es ise o i s
legal non-exis ence? Ye , a e he e any o ganized people in a e i o ial poli ical
communi y ha do no belong o humani y? I humani y exis s ma e ially, and is jus one
single amily wi h a common o igin, will i cease o exis jus because i doesn’ exis in
a o mally o ganized poli ical e i o y? Can he concep o so e eign y exis wi hou he
p ospec o an unlimi ed empo al p ojec ion in o he nex gene a ions?
As sophis ica ed as socie ies and hei echnologies can be, he o ganiza ion o social
li e leads us in a iably o he same p ima y ques ions: Wha is mine? Wha is you s?
Wha is common o public, o wha doesn' belong o anyone? Bu he eali y is always
mo e complex han hese simpli ied ope a ions. To he ques ions whose simple solu ions
o sepa a ion se e as esponses, we can add ano he : Wha is simul aneously mine, you s
and e e yone’s in an o e lapping and symbio ic way?
As we will see h oughou his book, he e is no simple answe o his complex
ques ion, especially i we look a p ope y no only as a o m o owne ship o e some hing
bu also as an o ganizing ool o social ela ions. I is a he c oss oads o belonging o all,
owned by no one whe e ‘belonging o’ does no ha e any clea legal de ini ion, and whose
ou come is o en esol ed by eso ing o es nullius. Kiss (1982:122) came e y close o
he essence o he issue when he asked: “How can a good ha belongs o no one be subjec
o a legal egime?” F om his pa adox, and because legal exis ence is inex icably linked
o some o m o "owne ship", eme ges wha was classi ied as he doc ine o “complex
p ope y”.
New ques ions always elici new answe s. Howe e , i is in e es ing o no e ha e en
as we su pass he Ea h’s bo de s and launch in o he conques o space, he same classic
ques ions in a iably a ise. Oos e linck (1996:1), in his a icle “Tangible and In angible
P ope y in Ou e Space”, s a es: “P ope y in space is ce ainly one o he mos impo an
issues o he u u e no only in he con ex o he mo e classical o m o angible p ope y
such as mine als bu also in angible p ope y such as o bi al slo s on he geos a iona y
o bi , equencies, e c.”
63
Only wi h clea and p ecise legal answe s o hese p ima y ques ions migh he e
su ace an elemen o s abili y, wi hou which he cons uc ion o any o ganiza ion is
impossible, and he e o e he cons uc ion o any u u e. T ans e ed om one ea hly
eali y domina ed by e i o ial and angible dimensions, we a e now in ol ed in a spa ial
eali y domina ed by appa en emp iness and he in angible. Al hough wi hin an
en i onmen ha is s ange and canno be 'comp ehended' by ou senses, he abili y o
explo e new esou ces and ca y ou ac i i ies ha open new possibili ies on Ea h c ea ed
he need o in e nally o ganize ou ela ionships conce ning he use o hese new
in angible spaces; he e o e he classical ques ions a ise again, wi h new a ia ions.
The possibili y o egula e he use o ce ain goods in ol es he abili y o i s desc ibe,
measu e, loca e and name hem, and hen o classi y hem. In o he wo ds, in o de o
egula e he use o a ce ain good, we ha e o ha e de ined i .
The legi imacy o a heo e ical cons uc ion always depends on i s explana o y
capaci y o eali y. In Space, unlike on Ea h, he classi ica ion o any legal egime should
ake as i s s a ing poin he eali y o he in insic cha ac e is ics o he goods and no a
p e ious heo e ical cons uc ion la e applied o he goods in ques ion. This p ocess,
whose ini ial impulse is he well-known eali y, was simila o he app oach ca ied ou
by Roman law, which he e o e con inues o be used in Space oday. Acco ding o
Oos e linck (1996:2), “Unde Roman Law, ‘Res’, o hings, a e classi ied in o es
co po als and es inco po ales”. I was in he Roman legal sys em whe e he “emp iness”
o space ound a concep ( es inco po ales) o explain he new eali y o he a eas in
ou e space o lang angian poin s, o bi s including speci ic slo s o ce ain o bi s,
ajec o ies and o ce ain ex ended equency spec um. Bu e en so, “Wi hin es
co po als a ce ain numbe o hings a e excluded om ade ‘ es qua um comme cium
non es ’, no mally e e ed o es ex a comme cium”. Tha is, he e a e o he ea u es
ega ding he na u e o he good i sel ha makes i s ading impossible, and a e essen ial
elemen s in he de ini ion o he legal egime.
This quali a i e app oach o Roman law di e s immedia ely om he cu en app oach
o monis ic simpli ica ion, which is me ely spa ial/geog aphic, be ween he hings ha
a e wi hin he e i o y o s a es and hose ha a e ou side he ju isdic ion o s a es.
Fo Roman law, he es communis omnium a e a ailable o all and canno be owned
by anyone, no e en by a s a e; o example, he ai , ain and lowing i e wa e , he sea
and sho e. The e o e, he o igin o he es communis omnium was no one e i o ial
64
di ision, an abs ac c i e ion whe e he common is only he pa emaining a e
app op ia ions; he good’s in insic quali ies led o he classi ica ion o i s legal s a us.
I is e y in e es ing o no e he dis inc ion be ween sou ce and esou ce in he analysis
o he Roman legal sys em and he cons ain s ha his dis inc ion imposes on he use and
exe cise o p ope y. In p ac ice, he Romans looked di e en ly upon he issue when
conside ing he sea as a whole and when conside ing i s cons i uen s. In he o me case,
hey quali ied i es communis omnium and he la e es nullius. O , in mo e gene al
e ms, “ es communis di e s om es nullius in ha he sou ce o esou ces canno be
app op ia ed bu he esou ces hemsel es a e amenable o app op ia ion. (…) Res nullius
may be subjec o app op ia ion h ough e ec i e occupa ion and he will exp essed by
he (new) owne o exe cise owne ship (co po e e animo)” (Oos e linck 1996:2). The
in insic quali y o he good and he possibili y o i s e ec i e possession, o acqui e
owne ship, we e decisi e in he classi ica ion o he egime applied o i .
The “ocean he whole” was he sou ce, which by i s e y na u e was inapp op iable,
and he ish in i one app op iable esou ce. The ac ha i is inapp op iable and common
o all, and he e o e global, does no necessa ily mean ha i doesn’ exis o ha some o
i s cons i uen s may be physically app op iable.
Tha being said, ano he c ucial p oblem in de ining he use and owne ship egime was
he ea u e o inexhaus ibili y.
These esou ces we e looked a as inexhaus ible and hei app op ia ion was
physically possible and would mo eo e only be pa ial, lea ing hus he possibili y
o o he s o u u e exploi a ion and use o he sea. Hugo G o ius e okes howe e ,
hough b ie ly, he possibili y ha ish could be an exhaus ible esou ce o he sea
bu in his iew his would no al e he legal s a us o he sea as a whole.
(Oos e linck 1996:3)
(…) i i we e possible o p ohibi any o hese hings, say o example, ishing, o
in a way i can be main ained ha ish a e exhaus ible, s ill i would no be possible
o p ohibi na iga ion, o he sea would no exhaus ed by ha use. (G o ius 1916)
The e o e, in summa y, we can pose some ques ions ha a e cen al in de e mining
p ope y egimes: he possibili y o app op ia e he good o o he wise; i he good has an
in- o exhaus ible cha ac e , o be e ye , i he use o he good, wi hou a physical
app op ia ion o i , may o may no lead o he exhaus ion o i . Th oughou he a icle,
65
he au ho , using a heo e ical analogy be ween ocean and space, be ween sou ce and
esou ce, analyses he exis ing legal egime and he op ions whose, in his opinion,
pe o mance is s ill equi ed in he o ganiza ion o he use o his new on ie whe e
na u al in angible esou ces a e also limi ed (as in he spec um o equencies o he
geos a iona y o bi ). As in all a eas in which he law has been called in o ac ion, a p ecise
cla i ica ion o he a ious ypes o owne ship is needed in space oo, in o de o o ganize
he ela ionships es ablished a ound he use o sou ces and esou ces, which, by being
exhaus ible, canno be used acco ding o a ee-access egime.
Syn hesizing he p e ious analysis:
1) Roman law dis inguishes be ween he sou ce ha is no app op iable and he
esou ce ha can be physically app op ia ed;
2) G o ius analyses he exhaus ible o inexhaus ible cha ac e , which is decisi e
in de ining he owne ship egime, access o use o he good;
3) The e a e some uses o he good, al hough no co esponding o a physical
app op ia ion, ha can lead o i s exhaus ion; and
4) In he ou e space law, in angible p ope y is no only con ined o human
in ellec ual p ope y.
Based on his summa y, we ealize ha he e a e also na u al in angible esou ces in
he Ea h Sys em ha can be exhaus ed by some uses, al hough hey can escape ou
senses.
Wi h clima e change and he disco e y ha a s able clima e is no an inexhaus ible
ac o , ha is, he inco po ales biogeophysical condi ions ha de e mine he s a e o he
Ea h Sys em ha e uppe and lowe limi s and he e o e a e exhaus ible, he “owne ship”
o his esou ce is no ealized h ough a physical occupa ion bu a he h ough i s use,
i.e., as a change in he quali a i e s a e o i s inco po eal cha ac e is ics.
One should conside he ecen pe iod o ela i e clima e s abili y co esponding o he
Holocene ( he las 11,700 yea s a e he las ice age), which has been he basis o he
de elopmen o human ci iliza ions ( he his o y o he human species co esponds o a
pe iod o abou 200,000 yea s), as a pa icula ly a ou able s a e o he Ea h Sys em o
ou species and o o he s ha sha e he same ecological condi ions. E e y ime a s a e,
company o an indi idual con ibu es o a change in he biogeochemical condi ions o
his pe iod o s abili y, which has bene i ed all humankind, an “ex e nali y” in he na u al
66
es inco po ales is gene a ed, a ec ing all o he use s o his a ou able s a e as less
esou ce (conside ing he s able s a e o he Ea h Sys em as a esou ce) will be a ailable
o all agen s.
The biogeochemical condi ions ha ensu e a s able clima e and he a ou able
condi ions o he Holocene a e a na u al in angible limi ed esou ce on Ea h. The
a ou able condi ions o he Holocene a ose in an e olu iona y ashion h oughou Ea h's
his o y and i is h ough his e olu iona y p ocess in ol ing he li ing pa o he plane
as well as he geophysical ha , o example, he ela i e concen a ions o gases ha e
emained ela i ely cons an h ough ime. In essence, i is he in eg a ion o he
geophysical p ope ies o he plane wi h he li ing biosphe e ha o ms he in angible
Ea h Sys em, a single global sys em incapable o any legal abs ac ion o di ision.
In he sou ce/ esou ce Roman law pe spec i e o analysis, he sou ce o his a ou able
s a e was he li ing biosphe e and i s in e ac ions wi h he geophysical componen s. In
o he wo ds, he sou ces a e he ecological in as uc u es, and he esou ce he
biogeochemical condi ions o he s a e o he Ea h Sys em.
We ha e been exploi ing a i al esou ce we did no e en know exis ed; no did we
know i i was exhaus ible o inexhaus ible. The s able clima e was, qui e simply, a p e-
acqui ed da a. The possibili y o i being a ec ed by human ac i i y was a hypo hesis ha
did no e en a ise. The only alue we uly ecognized was in he sou ces o his unknown
global esou ce, which was he p ima y ac i a o o hei massi e des uc ion ( o
example, mo e han 80% o he o iginal o es s). This is a new si ua ion in ega d o i s
possible classi ica ion. Fi s , he na u al esou ce is in angible and as such is no
physically app op ia ed. Second, his good does no ecognize land, ai o ocean bo de s.
I e e s o a speci ic biochemical s uc u e o he a mosphe e and o he oceans, and i s
in eg a ion wi h he geophysical p ope ies o he plane wi h he li ing biosphe e ha
o ms he in angible Ea h Sys em. In his espec , aking in o accoun hei cha ac e is ics
and he ways in which hese es inco po ales we e being pe cei ed o e ime, we can
iden i y some simila elemen s in ou possible ca ego ies:
1) Te a Incogni a: The in angible highe le el o in eg a ion o he Ea h
Sys em, because i was unknown, can be conside ed a ue e a incogni a, an
“unknown space”, adi ionally de ined as egions ne e mapped o documen ed.
2) Res Nullius: The change in he biochemical s uc u e a he highe le el
o he Ea h Sys em can be conside ed o ha e been ca ied ou unde he open-
67
access egime condi ion, wi hou ules, and in his sense is a es nullius. A good,
being a es inco po ales and an unknown esou ce, is no sui ed o adi ional
e ec i e occupa ion, ha is, a conscious will o owne ship (co po e e animo).
Howe e , i s use can lead o i s exhaus ion.
3) Te a Nullius: In he Middle Ages, e a nullius was used o de ine
unclaimed o unoccupied e i o ies, usually si ua ed be ween ie doms and used
as dumps o ga bage and deposi s. Al hough in angible and non- e i o ial, he
ac ha pollu ion legally disappea s in he legal inexis ence o he Ea h Sys em
allows us o conside i as a no-man's land, as he place o send was e, and
he e o e an ex e nali y.
4) Res Communis Omnium: The Ea h Sys em is a ailable o all and canno
be app op ia ed by anyone, no e en by a s a e. When his common p ope y
ex ends o all humankind, he goods come o be conside ed as es omnium. They
a e he common he i age o humankind so all human beings, bo h he p esen and
u u e gene a ions, ha e he igh o access hem in a a ou able s a e. Howe e ,
gi en i s cha ac e as an exhaus ible esou ce, i is necessa y o c ea e a legal
amewo k o bo h he use and he bene i s ealized in he common good.
3.2. Legal Black Hole
The “global” is he e o e a new eali y ha is ou side he legal amewo ks buil o
da e. Wi hin exis ing classi ica ions, al hough we can ind some elemen s ha pa ially
adap o his new eali y, he e is no legal asse ha is simul aneously global and es
inco po ales wi h he abili y o e lec he ha m ul changes o he biochemical s uc u e
o his a ou able s a e o he Ea h Sys em. In he same manne , he e is no way o cap u e
o accoun o he bene i s p o ided by ecosys ems in he main enance o a a ou able
s a e and enjoyed by all on a global scale. This new eali y, al eady accep ed and
ecognized by science and clea ly isible om space, s ill emains in isible o he law.
I we ake as a s a ing poin he cu en p e ailing iew ha he common is no by i s
na u e uly common bu wha emains a e app op ia ion, and i o his iew we join he
legal in isibili y o he highe le el o he Ea h Sys em as a whole, wha emains is no
a e a incogni a bu uly an incogni a sine e a.
68
Te a incogni a was he e m used in he 15 h and 16 h cen u ies o ma k unknown
land – he egions ha had ne e been mapped o documen ed. A e e a incogni a had
disappea ed om ou maps and he plane had “become sphe ical”, whe e one could go
back o he poin o o igin wi hou going backwa ds, a i s majo s ep was aken owa ds
ealizing he o e all uni y o he plane a he geog aphical le el o in eg a ion. We had,
howe e , o wai un il almos he end o he 20 h cen u y o ealize ha he plane and i s
ope a ing sys em had mo e han a well-de ined geog aphical, physical and palpable
dimension. A new eali y was e ealed when we disco e ed ha he gases and subs ances
emi ed in o he a mosphe e no only did no disappea in space bu we e also
in e changed wi h he land and he oceans, o ha wha was eleased in o he sea did no
disappea in o an ocean o in ini y. S ep by s ep, science was unco e ing he uppe le el
o in eg a ion o an Ea h Sys em wi h global and complex in e connec ions ha we e
di icul o obse e and de ine. Howe e , despi e hei in angible and sys emic na u e,
hese ela ionships a e no an abs ac abs ac ion. Al hough his highe le el o
in eg a ion equi es an abs ac ion o be conside ed as such and also explained, i is
none heless inc edibly ob ious, based in es inco po ales, ha we a e alking abou a eal
wo ld ha e e yone and e e y hing is pa o .
Acco ding o Melo & Pélisse (2008) we can say ha , he Ea h Sys em is s ill
conside ed o be an uniden i ied legal objec – esul ing in a la ge legal black hole h ough
which i al posi i e lows (bene i s o he s a e o he Ea h Sys em) and nega i e lows
(ha m o he s a e o he Ea h Sys em) “disappea ” as ex e nali ies. I he p inciple o
disjunc ion in na u al sciences “hid e e y hing which connec s, in e ac s, and in e e es”
in law, he pa adigm o di ision “made belie e ha he a bi a y cu o he eal was he
eal i sel ” (Mo in 1990:17). The concep o a “sys em” emphasises he concep o he
medium, ha is, no only he physis as a ma e ial basis bu also a media ion mechanism
o biogeochemical cycles and he modynamics “in which ecip ocal in e ac ions inside
he sys em be ween he amewo k and i s p ocesses con ibu e o he egula ion o
dynamics and he main enance o hei o ganiza ion, in pa icula hanks o eedback
phenomena” (Lé êque 2002:40). This enables a well-de ined cha ac e is ic unc ioning
as a single global complex ecosys em, which in eali y is a li e- suppo sys em o he
en i e biosphe e, including humans, on Ea h. O cou se, he biosphe e i sel is a c i ical
pa o he Ea h Sys em, ully in eg a ed wi h he geophysical componen s o he sys em
i sel .
75
My con en ion is simple: In e na ional Wa e Law, and S a es, will no mee he
“challenges o wa e ” un il he eali y o in e dependence is add essed in i s ull
complexi y. This means ha in e na ional en i onmen al law and in e na ional
wa e law mus become in eg a ed o ea wa e o wha i is: a componen o he
en i onmen . F om his in eg a ion, in u n, mus eme ge a concep o so e eign y
ha e lec s a he han de ies en i onmen al eali y.
Wi h he knowledge we ha e oday o he Ea h Sys em, a di ision be ween he wa e
componen and he o he sys em componen s is no sound bu he s a emen is s ill alid
on he need o so e eign y o e lec he en i onmen al eali y.
I has become ob ious ha solu ions a e necessa y. Wi hin he poli ical amewo k
a chi ec u e o exis ing ins i u ions, we mus conside ha wi hou a new heo e ical
app oach able o suppo a new global pa adigm o he managemen o he commons
wi hin an in e na ional landscape cha ac e ised by he mul iplica ion o e i o ial uni s,
i will be impossible o a oid he e ec s o a congeni al degene a ion.
In his con ex , he p elimina y wo ks conce ning he ecological oo p in , a i s
quan i iable and in eg a ed analysis a a global scale, da e om he beginning o he ’90s
in he las cen u y. I was mo e ecen ly, in 2006, ha he s anda diza ion o his
ins umen has enabled i o e alua e and compa e ac i i ies, coun ies and egions
wo ldwide. The ecological oo p in enables us o measu e he human demand on na u e
and e alua e he a ailabili y o esou ces in a cons ained wo ld ha is becoming mo e
and mo e popula ed.
The oo p in ep esen s bo h he asse side h ough biocapaci y, he plane ’s enewable
esou ces such as biologically p oduc i e land a eas including ou o es s, pas u es,
c opland and ishe ies, and a demand side, wi h humani y’s consump ion o na u al
esou ces.
Upon eaching 2015, he a ge da e o he Millennium De elopmen Goals, he Uni ed
Na ions ook an impo an b oade s ep, adop ing in his same yea he 17 sus ainable
de elopmen goals (SDGs). Conside ed a consequence o he Rio+20 ou come documen
“The Fu u e We Wan ”, an inclusi e and anspa en in e go e nmen al p ocess on SDGs
opened o all s akeholde s, wi h a iew o de eloping global sus ainable de elopmen
goals. Ending po e y and hunge go hand in hand wi h he need o ensu e sus ainable
consump ion and p oduc ion pa e ns; ake u gen ac ion o comba clima e change and
i s impac s; conse e and p omo e a sus ainable use o he oceans, seas and ma ine
76
esou ces; p o ec , es o e and p omo e he sus ainable use o e es ial ecosys ems;
sus ainably manage o es s; comba dese i ica ion; and hal and e e se land deg ada ion
and biodi e si y loss.
The e o e, and wi h a deep desc ip ion o he his o ical applica ion and use ulness o
acking sus ainable de elopmen , new guiding p inciples o assessmen sys em
indica o s a e sugges ed h oughou his book.
Howe e , he ecological oo p in does no accoun o ce ain key h esholds wi hin
ou biophysical sys em, he so-called plane a y bounda ies (S e en e al. 2015a;
Rocks öm e al. 2009) ha co espond o biogeophysical ea u es o he geological pe iod
in he Holocene. This in angible s uc u e ha de ines he a ou able s a e o he Ea h
Sys em is e e ed o by he scien i ic communi y as he “sa e ope a ing space o
humani y”, a space wi hou e i o y, a ue na u al es inco po ales ha is simul aneously
inside and ou side all so e eign ies, ha h ough he cumula i e p essu e o humani y
may d i e he Ea h Sys em o an undesi able s a e.
This new known eali y, his ue en i onmen al g undno m, he e o e, should be he
basis o any posi i e law o gene al accep ance and easonableness (Rakhyun &
Bosselmann 2013). The ULO, uniden i ied legal objec , (Melo & Pélisse 2008), could
now ha e a se o pa ame e s and guidelines ha de ine i s s abili y and exis ence.
While science is key o e alua ing he p og ess owa ds a mo e sus ainable plane , he
daily eali y emb aces long wo ldwide nego ia ions, wi h housands o nego ia o s alking
(mo e han de ining) a se o policies on mul iple dimensions, including he economy,
socie y, he en i onmen , and o he aspec s such as go e nance.
Depa ing om he “cu en sys em o na ion-s a e based go e nance is inadequa e o
ackling such issues as clima e change-induced global wa ming, pandemic diseases and
o he h ea s o human secu i y and p ospe i y”2, his book con eys he idea o an Ea h
Condominium model, and a new global us eeship as a pa adigm shi necessa y o
o e come he di icul ies he Uni ed Na ions has had in he las decades o achie e a be e
and plane a y ou come conce ning di e en en i onmen al- ela ed ma e s. Indeed, he
pe cep ion o in o med ci izens wo ldwide is ha he UN has no been able o deli e he
necessa y commi men s, measu es and ac ions o ackle many o he issues ag eed on
wi hin he sus ainable de elopmen a ea. Howe e , i is comple ely un ealis ic o apidly
change he modus ope andi o his plane a y ins i u ion. E en hough we a e a om he
desi ed goals, one has o ecognize ha he nego ia ions ha e been p og essing wi h some
ele an achie emen s. The al e na i e o bila e al o g oup coun y ag eemen s would
77
inc ease he dic a o ship o he will o a ew coun ies, ex ending he al eady exis ing
unnecessa y di isions.
In ac , he high complexi y o he clima e change issue makes science and echnical
expe ise con eyed h ough he In e go e nmen al Panel on Clima e Change almos as
de e minan as poli ical will.
The ex ensi e accumula ion o nego ia ion knowledge and consensus, including he
signa u e o he Kyo o P o ocol in 1997, wi h all he accesso y mechanisms including he
clean de elopmen mechanism, join implemen a ion, and emission ading be ween
coun ies, in ol ed a huge p ocess o app o al, acking, and moni o ing ha is no
common o o he UN con en ions.
The pa hway whe e long- ozen concep s, such as he so-called “ i ewall” ha has
been di iding coun ies in o wo majo g oups – de eloped and he de eloping, which
ha e been ques ioned since g eenhouse gas emission a ge s ha e had o be applied o a
much la ge numbe o coun ies in he pos -2020 e a, is a pa adigm o c ucial impo ance
ha he nego ia ions a e ying o inally o e come.
The u u e has o inco po a e a combina ion o s a egies, whe e champion coun ies
ha e o lead he way and engage o he coun ies, and whe e mul ila e al nego ia ions ha e
o un old and a leas pa ially mee he objec i es conside ed necessa y o he
minimiza ion o impac s on humani y and ecosys ems. Simul aneously, a new legal
pa adigm whe e he “commons” a e he basis o a new con igu a ion o he ela ionships
be ween he coun ies is i al, and should be implemen ed wi hin a medium o long- e m
pe spec i e in a pa allel bu ac i e p ocess ha should s a as soon as possible. A
p agma ic pe spec i e would be he one ha akes in o accoun he cu en eal poli ic bu
a he same ime acknowledges he huge heo e ical challenge o law o con ey a
a ou able s a e o “heal hiness” o he Ea h Sys em which i is no es ic ed o he
global commons bu also spans ac oss a eas subjec o na ional ju isdic ion (Bo g 2007).
A complemen a y s a egy ha does no s op o close he ongoing nego ia ion
p ocesses bu shi s and in eg a es hem wi hin a new concep ual amewo k is he
challenge emb aced by his book. Only a uly accep ed ag eemen can be bo h binding
and implemen ed and, he e o e, success ul.
78
3.7. The Double T agedy and Double Challenge
The wo k o Ha din gene a ed pessimism a ound he “common”, u ning common
p ope y managemen in o a ailu e. The ailu e deepens when e en hose who genuinely
ca e abou u u e sus ainabili y and he common good come o he conclusion ha he
es ic ion o exploi a ion o he esou ce will lead o a compa a i e economic loss. This
is an al uis ic eeling ha will lead o a sel -elimina ion o he agen s, esul ing om a
na u al selec ion p ocess. This logic is alid no only o he exploi a ion o he esou ce
bu also applies o he bene i s ha can be ealized in main aining/imp o ing he common
good.
In he con ex o he Ea h Sys em, one can designa e he cu en si ua ion as a dual
agedy:
On one hand, he classical agedy o exploi a ion embodied in he des abilisa ion
o he ela i ely s able Holocene s a e o he Ea h Sys em by un egula ed esou ce
exploi a ion and pollu ion;
On he o he hand, and using he Roman Sou ce/ esou ce analysis, as no coun y
will enjoy jus o i sel all he bene i s p o ided om i s own sou ces o he
esou ce (ecological/geophysical in as uc u e) in he s a e o Ea h Sys em
(common esou ce), he e a e no ad an ages in p omo ing ac ions o main ain he
Ea h Sys em in a s able s a e. As he e is no incen i e o indi idual ini ia i es o
main ain o imp o e he sou ces o common good, in he con ex o compe i ion
and legal and economic sho comings in managing a common esou ce, i is no mal
o allow he deg ada ion o he sou ces o sell aw ma e ials o o ob ain o he
economic gains, since he i al bene i s p o ided by he sou ces o he common
esou ce a e wo h ze o as hey a e s ill sha ed by all on a global scale.
The logic o he agedy o he commons is doubly alid o he exhaus ion o he
esou ce and o he des uc ion o he sou ces o he esou ce, “ he ecological
in as uc u e” ha can deli e bene i s o all socie ies. The sho - e m logic will p e ail
unless s uc u al measu es ha ha e he abili y o change hese ini ial condi ions and
gene a e new sys emic collabo a i e e ec s a e implemen ed. The logic o he agedy o
he commons undoub edly depends on a se o assump ions ela ed o he mo i a ion o
79
people ope a ing unde ules go e ning he use o he common and de ining he e y
na u e o he esou ce.
A p agma ic app oach o his dual challenge has o be necessa ily inno a i e. This
implies a s uc u al in e en ion in he amewo k basics o he so e eign in e na ional
sys em, which allows he bene i s achie ed in he s a e o he Ea h Sys em, which
cu en ly economically disappea in o a black legal hole, o ha e economic isibili y
h ough an accoun ing sys em and compensa ion o he “s ewa dship o he Ea h
Sys em”. Fo his s uc u al change o become possible, i is necessa y ha he global
bene i s made by he “common esou ce”, which is he Ea h Sys em in a a ou able s a e,
a e caugh in a global legal ins umen .
Figu e 4. A compa ison o he exis ing and p oposed Ea h Sys em
managemen egimes
Wi h he wo k o Elino Os om and he ecogni ion o he Nobel P ize awa ded o he ,
he commons a e no longe an impossibili y. Fo Os om (2010:28) “ he c ucial ac o
will be a combina ion o s uc u al ea u es ha lead many in ol ed o us each o he ,
and a e willing o ake join ac ion ha adds alue o hei own sho - e m cos s because
bo h see a long- e m bene i o hemsel es and o he s, belie ing ha mos o he s will
comply”. This building o us and ecip oci y, as she claims, equi es s uc u al ea u es.
We a gue ha he i s s uc u al ea u e in o ganizing he collec i e use o a common
esou ce is o de ine he esou ce o be managed, and o ecognize ha i has o exis .
NO OBJECT
FOR GLOBAL
GOVERNANCE
LEGAL INVISIBILITY
OF ECOSYSTEM
SERVICES
NO INSTITUCIONAL EXISTENCE
NO COORDINATION
LEGAL INVISIBILITY OF
INTERCONECTIONS
AND EMERGENCE
PHENOMENA
INCENTIVE
TO EXPLOIT
THE EARTH SYSTEM
EARTH SYSTEM AS RES NULLIUS
TRAGEDY OF COMMONS
LEGAL INVISIBILITY OF
HUMANITY AND
FUTURE GENERATIONS
VITAL FACTORS
AS EXTERNALITIES
NEGATIVE IMPACTS
AS EXTERNALITIES
EARTH SYSTEM AS
INTANGIBLE
COMMON
HERITAGE
OF HUMANKIND
INSTITUCIONAL
COORDINATION OF
THE EARTH SYSTEM USE
SYSTEMIC APPROACH
INCENTIVE
TO REDUCE
EXPLOITATION AND
TO RESTORE
THE EARTH SYSTEM
VALORIZATION
BENEFITS ON THE EARTH
SYSTEM STATE
ACCOUNTING
NEGATIVE
CONTRIBUTIONS
LEGAL VISIBILITY OF
HUMANITY AND FUTURE
GENERATIONS THROUGH
THE COMMON
HERITAGE
ACCOUNTING SYSTEM
MANAGEMENT
CAPTURE OF
BENEFITS ON
THE COMMON
HERITAGE
WITHOUT LEGAL EXISTENCE WITH LEGAL EXISTENCE
80
Once iden i ied, he na u al es inco po ales s a e o he Ea h Sys em, al hough
physically inapp op iable can be managed. Hugo G o ius (1916) howe e de ends an
excep ion: I any pa o hese hings is by na u e suscep ible o occupa ion, i may
become he p ope y o he one who occupies i bu only in so a as such occupa ion does
no a ec i s common use.
Os om (2010:36) also acknowledged ha “i is ob iously much easie o build
solu ions o collec i e ac ion p oblems ela ed o small-scale esou ces han o hose
ela ed o a global common good.” Despi e he magni ude o he challenge, he e is no
o he easible al e na i e. This is he app oach ha we will explo e h oughou his book.
81
Chap e 4
A New Objec o Law – A emp o a Legal Cons uc ion
Le ’s no p e end ha hings will change i we keep doing he same hings. A c isis can be a eal
blessing o any pe son, o any na ion. Fo all c ises b ing p og ess. C ea i i y is bo n om anguish,
jus like he day is bo n om he da k nigh . I ’s in c isis ha in en i eness is bo n, as well as
disco e ies a e made and big s a egies a e c ea ed. He who o e comes c isis, o e comes himsel ,
wi hou ge ing o e come. He who blames his ailu e on a c isis neglec s his own alen and is mo e
in e es ed in p oblems han in solu ions. Incompe ence is he ue c isis. The g ea es incon enience
o people and na ions is he laziness wi h which hey a emp o ind he solu ions o hei p oblems.
The e’s no challenge wi hou a c isis. Wi hou challenges, li e becomes a ou ine, a slow agony.
The e’s no me i wi hou c isis. I ’s in he c isis whe e we can show he e y bes in us. Wi hou a
c isis, any wind becomes a ende ouch. To speak abou a c isis is o p omo e i . No o speak abou
i is o exal con o mism. Le us wo k ha d ins ead. Le us s op, once and o all, he menacing c isis
ha ep esen s he agedy o no being willing o o e come i .
Albe Eins ein
4.1. A Theo e ical Gap
Acco ding o Nie zsche, "The e a e no ac s, only in e p e a ions". This means ha
knowledge o ac s is no subs i u e o hei comp ehension.
The exponen ial inc ease in he knowledge abou he Ea h Sys em does no
necessa ily mean we unde s and i in all i s dimensions, pa icula ly in e ms o all he
consequences his new eali y en ails. S ill, albei somewha unconsciously, he inc easing
abili y o in e ene and change he s a e o he Ea h Sys em as a whole is mo ing us om
he ole o passi e spec a o s owa ds ac o s capable o changing he plo i sel . We a e
now in he d i ing sea (Rocks öm 2014), bu i seems ha despi e ha ing access o he
command cen e, we don' ha e a social o ganiza ion o de ine who and how o use he
“cen al compu e ” (Ma os 2016:28) ha would allow us o conduc ou own beha iou
in espec o Spaceship Ea h (Fulle 1969).
I om a echnological pe spec i e we a e able o o e come and manipula e Spaceship
Ea h a all le els, he c ew doesn' ha e he in e nal o ganiza ion ha allows collec i e
82
ac ion o handle i s ope a ion. We ha e ne e been so ulne able wi h espec o he le el
o social o ganiza ion.
In na u e, whe e mo e emains hidden han is e ealed, he unexplainable “whole” ha
su ounds us has been delinea ed by se s o i es, my hs, belie s and concep s ha
es ablished o de amongs ideas and name he unnameable: Mo he Na u e, Mo he
Ea h, he G ea Machine, goddess Gaia, he law o na u e, li ing space, ecological
space, li e-suppo sys em. They a e all o ms o wha we oday call he Ea h Sys em.
Th oughou he his o y o science, p ope ies and beha iou s o di e en componen s
o he Ea h Sys em ha e been analysed on di e en physical, ma e ial and biological
le els. Howe e , he highe , mo e in angible and di use le els o in e connec ion and
global sys emic in eg a ion emained in ou men al sphe e, hidden as he ue e a
incogni a. E en i labo a o y analyses allow us o in e p e he unseen and inco po eal
cha ac e o na u al phenomena, a p oblem a ises wi h he a emp o comp ehend hem
on a global scale, in eg a ed wi hin he ue sys em, he “whole”. Fo example, ca bon
dioxide (CO2) and i s ole in he biochemical p ocess o pho osyn hesis a e well known,
bu i s e ec s a highe concen a ions in he a mosphe e and he consequences o i s
in e ac ion wi h o he elemen s we e pe cei ed only ecen ly. Nei he he “global” no he
“whole” i in any labo a o y o sui he p ocess o delimi a ion and p ecision equi ed by
legal no ms.
Fi s , human ac i i y ope a es a he lowe le el o he Ea h Sys em (ma e ial,
physical, biological), ha is, a he le el o exploi a ion o esou ces and ecological
in as uc u e. I no only dis u bs he dynamics and in e dependencies a he le el o
ac i i y bu also a a highe le el o he Ea h Sys em, p o oking chemical changes in he
a mosphe e and hyd osphe e, ini ia ing a p ocess o manipula ion o he pa e n o o de .
So, o he i s ime, an h opogenic impac s a ec ed he Ea h Sys em as a whole,
ega dless o whe he hey happened a only he lowe le el o he Ea h Sys em. The
uni ied and in e dependen cha ac e , and he p ope ies o he global sys em, began o
un a el h ough he eedback om he highe le els o in eg a ion o he Ea h Sys em.
Tha ini ia ed an in e p e a ion o he laws o he “whole” which could no be unde s ood
om he beha iou o i s componen s only.
In ac , he ‘whole’ is o ganized om he molecule up o he biosphe e, and a each
le el o in eg a ion, cha ac e is ics eme ge which canno be analysed based only on
mechanisms ha explain lowe le els o in eg a ion. This phenomenon, known as
83
eme gence, co esponds o he appea ance o new cha ac e is ics a combined le els
and which do no exis a he le el o i s cons i u ing elemen s. (Filipe, Coelho &
Fe ei a 2007:125)
The cha ac e is ic beha iou o he whole canno be de i ed, e en in heo y, om he
mos comple e possible knowledge o he beha iou o i s componen s, whe he
conside ed indi idually o in o he combined p opo ions o o ganiza ions.
Eme gence can also be seen as a p ocess in which “spon aneous” o de is displayed
om wi hin he sys em. I is when di e en elemen s a e allowed o combine, ha
hey o m pa e ns and in e ac ions be ween hem. When hey lose hei es ablished
a ional o de , en e ing in o a si ua ion o uns uc u ed chaos, a new s uc u e may
eme ge. (Mille & Swinney 2001:22)
The Ea h Sys em is a complex one wi hin which he e a e di e en le els o
unc ioning and in e ac ion. The pa e n esul ing om millennia o slow in e ac ions
be ween he a ious componen s o he Ea h Sys em p oduced a biochemical s uc u e
co esponding o a single pe iod o clima e s abili y: he Holocene. This spon aneous
eme gence o an o de p oduced eme gen phenomena ha con ibu ed equally o he
consolida ion o ha pa e n o a well-bu e ed s abili y ha wo ks inside an “en elope
o na u al a iabili y” (S e en e al. 2004:336). These ecip ocal in e ac ions o
eleconnec ions, e oac ions and eedbacks led o a complex and dialec ical sys em,
which esul ed in a a ou able condi ion o he de elopmen o human ci iliza ions.
The numbe o such phenomena is immense, and only by an analysis o he
in e connec ions on a global scale can we begin o li he eil o hei inc edible
complexi y. One o he mos in e es ing phenomena, in ha by i s domino e ec i could
be a de e mining ac o in main aining he cu en s a e o he Ea h Sys em, is he
anspo o dus be ween he Saha a and Amazon (NASA & Ga ne 2015). F om he
Saha a dese and, wi h mo e in ensi y, he Bodélé Dep ession in Chad, an ancien lake
ockbed composed o dead mic oo ganisms loaded wi h phospho us, a ound 182 million
ons ( he equi alen o 689,290 semi- ucks ull) o dus a e anspo ed each yea by he
wind, a elling 1,600 miles ac oss he A lan ic, hough some d ops o he su ace o is
lushed om he sky by ain.
Nea he eas e n coas o Sou h Ame ica, a longi ude 35W, 132 million ons emain
in he ai , and 27.7 million ons (enough o ill 104,908 semi- ucks) all o he su ace
84
o e he Amazon basin. I e ilises he basin decisi ely, main aining ha dense g een
mass, which, in u n, wi h i s 600 billion ees and an ex ao dina y sophis ica ed p ocess,
pumps 20 billion ons o wa e daily in o he a mosphe e (la ge ees pump abou 1000
li es/day o wa e ), and injec s 17 billion cubic me es o wa e con aining a high
concen a ion o o ganic ma e in o he ocean (one- i h o all he esh wa e ha eaches
he oceans). Amazingly, dese s a e c ucial o li e in he oceans and global clima e
egula ion. Wi h his dialec ic chain o eme gences, we ealize he in e dependen whole
o he en i e sys em. In i s highe le el o in eg a ion, as s a ed by Hongbin Yu,
5
“This is
a small wo ld … we' e all connec ed oge he ”.
Only ecen ly has isualizing his example become possible, allowing us o
comp ehend he unimaginable po en ial chain o in e connec ions and eleconnec ions on
which we depend, and ha we a e in luencing by inducing changes in he p econdi ions
ha main ain he s a us o he sys em.
The changes in some o he ini ial condi ions in he pa e n o s abili y in he sys em
co esponding wi h he Holocene pe iod, o example he inc ease in CO2 concen a ions
(and consequen changes in hea accumula ion, global he modynamics and eedbacks
p oduced by clima e change), allowed us o “open he book” on he dynamics and
in e dependencies ha occu a he highe le el o he Ea h Sys em.
The G ea Accele a ion3 by he human en e p ise s a ed in he middle o he wen ie h
cen u y wi h an inc ease in he exploi a ion o esou ces and ecological in as uc u es –
“The speeding up o jus abou e e y hing a e he Second Wo ld Wa … some imes
called he G ea Accele a ion… human popula ion has ipled, bu he global economy
and ma e ial consump ion ha e g own many imes as e ” (Hibba d e al. 2006:342). I
c ea ed such undamen al changes in he s a e and unc ioning o he Ea h Sys em ha i
is designa ed as he end da e o he Holocene pe iod and he s a da e o he
An h opocene.
The sunami caused by he changes in he dynamic na u al pa e n is o e whelming
he social and economic sys ems o such an ex en ha i calls o a ques ioning and e-
e alua ion o many o he undamen al ideas upon which he G ea Accele a ion was buil .
Al hough u gen , we ha e no ye been able o go he equi ed dis ance om which o
5
Hongbin Yu, an a mosphe ic scien is a he Uni e si y o Ma yland who wo ks a NASA's Godda d Space Fligh
Cen e in G eenbel , Ma yland, is lead au ho o he s udy abou dus anspo , wi h da a collec ed by a lida
ins umen on NASA's Cloud-Ae osol Lida and In a ed Pa h inde Sa elli e Obse a ion, o CALIPSO, sa elli e om
2007 h ough 2013.
91
1998). Cappelle i (1975) exp esses he o he side o he coin: hey belong " o e e yone
and no one".
Bu he all-encompassing scale o di use in e es s, once again, canno be limi ed o a
single communi y belonging o a pa icula s a e bu only o humani y as a collec i e in
he ans-spa ial dimension, such as “ he en i e human ace, being he combina ion o all
human beings ha inhabi he plane ” (San os 200:68), and in a ans- empo al dimension,
in he sense o he collec i e ad in ini um, including all human beings ha will succeed
he cu en li ing gene a ion a a gi en ime (Malho a 1998:41). Each gene a ion hus
becomes “a link in an endless chain o gene a ions ha collec i ely o ms a communi y,
a human amily” (Agius 1998:7). This has led o a doc ine ha de ends he eme gence
o a new subjec in in e na ional law: humani y; a ue “ e olu ion in social and legal
hough ” (Agius 1998:7).
The combina ion o he “whole” and “e e yone” may be he bigges challenge ha he
law will ace in his cen u y. The unce ain y exis s no only a ound he good in ended o
come unde he law’s p o ec ion bu also a ound he iden i ica ion o he holde s o his
di use good, he e o e he nebula b oadens o he in e na ional dimension.
The UN Gene al Assembly Resolu ion 43/53 P o ec ion o Global Clima e o P esen
and Fu u e Gene a ions o Mankind o 6 Decembe , 1988, wi h a combina ion o lack o
poli ical will and an absence o sui able concep s o de ine a undamen al esou ce, s a e
ha "clima e change on Ea h and i s ad e se e ec s a e a common conce n o mankind".
This solu ion has oo s in concep s such as common in e es , global commons,
in e gene a ional equi y, esponsibili y o igh s, common ecological he i age o
humankind, li e-suppo sys em and “ he awa eness ha he p oblems o ocean space a e
closely in e ela ed and need o be conside ed as a whole” (UNCLOS 1982)
6
. They all
sha e he di icul y o de ining hei o m in a p ecise manne .
So we a i e a a poin whe e all con adic ions and pa adoxes o he legal nebula a e
possible, especially when “p oblem wo ds” blend in o “conce n wo ds” h ough
inde e mina e, me ely desc ip i e, neu al and open concep s. I can easily lead o he
“whole” being synonymous o no hing and nobody. “In e na ional law i sel was (and o
a ce ain ex en emains) ill-equipped o add ess s a e ac i i ies a ec ing nega i ely an
in angible na u al esou ce which spans ac oss and beyond he na ional e i o ies o
s a es” (Bo g 2009:1).
92
4.3. The “Whole” P oblem
The eali y o he “whole” disappea s in he poli ical map o s a e bounda ies.
Howe e , i he “whole” exis s in a highe le el o unc ioning and in eg a ion o he
Ea h Sys em, is i o is i no possible o ep esen his new eali y beyond he s a es?
S a ing om he i s wo elemen s ha ga e ise o s uc u al incompa ibili y,
geog aphic scale and ime scale, which ca ied wi h hem he sub e sion in oduced in o
he law by he "en i onmen ", and ecen de elopmen s in ou knowledge on he
unc ioning o he Ea h Sys em, we will wo k on a possible e olu ion o hese s ill
emb yonic and ine icien o mula ions o legal conce ns om an ac ual ague and
inde e mina e o mula in o an ope a ional legal ins umen , gi ing shape o igh s and
du ies.
Exp essions such as “li e-sus aining sys ems o he biosphe e” (Uni ed Na ions 1992),
“conse a ion o clima e as pa o he common he i age o mankind” (Uni ed Na ions
1988), o ha “ he p oblems o he ocean space a e closely in e ela ed and need o be
conside ed as a whole” (UNCLOS 1982) p esen ed in di e en ex s o in e na ional law
a e hemsel es a emp s o app oach he biogeophysical ounda ions a he basis o he
eme gence o li e and he condi ions ha allowed he de elopmen o human ci iliza ion.
I is clea ha hese me ely desc ip i e concep s a e no oo ed in a se o c i e ia ha
o e he possibili y o measu emen o delimi a ion ha would allow us o de ine a legal
objec ; ha is, o de ine he concep and i s ampli ude, dis inguishing i o all o he legal
goods bu also ma ching he uni a y global eali y o he “en i onmen ”.
The wo d sys em in he e m li e-sus aining sys ems o he biosphe e poin s back o he
empi ical idea o a combina ion o a ious in e ela ed and in e ac ing componen s, ou
o which eme ges a whole ha is mo e han he sum o i s componen s. Howe e , his
e e ence o gene al concep s, wi hou p oceeding o a desc ip ion o c i e ia ha could
be used o delimi a physical space in which he sys em ope a es o he men ion o an
indica o ha p o ides us wi h in o ma ion on he sys em s a e, once again e eals how
unspeci ied concep s ule he en i onmen al nebula.
The ph ase conse a ion o clima e as pa o he common he i age o mankind,
al hough e e ing o he ini ial p oposal o he Mal ese ini ia i e and is included as such
in he ex o his esolu ion o he UN Gene al Assembly, does no e e o a speci ic and
93
pa icula good bu a he o a se o in e connec ed goods ha shape a sys em wi h a
speci ic unc ionali y inhe i ed om Mo he Na u e. This he i age is he in eg a ion o he
geophysical p ope ies o he plane wi h he li ing biosphe e ha o ms a single global
sys em as he esul o an e olu iona y p ocess o in e ac ion.
E en he exp ession whole ca ies wi h i a sys emic idea. I means ha , as in he
p eamble o UNCLOS (1982)
7
whe e he necessi y o manage “ocean space” is
ecognized, i e e s no o he geog aphical and poli ical space made up by he sum o
he di e en a eas o s a e ju isdic ion and high seas bu a he o he necessi y o elabo a e
on p oblems ela ed o he use o he oceans as a whole, aking in o accoun he ocean
en i onmen as an in eg a ed luid ecological sys em. Though s ill empi ical in na u e,
he pe cep ion exis s ha all hese concep s di ec us owa ds he no ion o a sys em. The
ques ion o how we can build a legal concep ela ing o a sys em no ied o any e i o ial
delimi a ion, since in en i onmen al ma e s he sys em is global, emains unanswe ed.
Wha a e hese li e-sus aining sys ems o he biosphe e, he biosphe e being an objec
ha is no con ined o any so e eign y, exis ing bo h in and ou side all so e eign ies? We
can all pe cei e i in ui i ely bu we canno ouch o app op ia e i , e en hough i is
p o oundly ela ed o and dependen on he physical na u e placed unde he ju isdic ion
o he di e en s a es o he plane . Wha is ocean space as a whole, which appa en ly
anscends e e y sea, ocean o ju isdic ion bu does no ma e ialize in a geog aphical
dimension? Wha is his na u al he i age ha belongs o he ime con inuum o all
successi e gene a ions, ca ying wi h i in e es s sha ed wi h he unbo n, and which
should no be mixed wi h he e i o ial space ha belongs o he people amongs whom
hey will be bo n?
The i s jump in o he unknown will ocus on bo h he dys unc ional ela ionship
be ween he educ ionis physicis o biological app oach o law owa ds na u e and he
in angible geophysical eali ies ha de e mine he s a e and unc ioning o he Ea h
Sys em.
I seems o us ha he key o es ablishing o de in ou in e p e a ion, as we cons uc
legal abs ac ions in ega d o na u e, lies in he ecogni ion o di e en analy ical le els.
As So omenho-Ma ques (2006:57) obse es in ela ion o he imma e ial he i age, “i also
ma e s he e o a oid educ ionism o a physicis o biological na u e, we should oday
a oid he epe i ion o an old deba e ha an h ough he 17 h and 18 h cen u ies on he
94
na u e o ma e , as he New onian heo y o he Uni e se was p esen ed. Du ing his
pe iod, he Ca esians ejec ed he heo y o g a i a ional o ce as hey conside ed i
"mi aculous". Fo hem, he ca ego y o ma e ial o ce should always be cha ac e ised by
di ec ansmission h ough physical con ac . We canno make he same mis ake
conce ning he he i age. In ac he e exis o he ypes o he i age beyond hose ha can
be seen o ouched.”
In his sea ch o he en i onmen al legal good, he law has al eady had o ace eali ies
ha go beyond ou senso y capaci y and had he necessi y o b oaden o he no ion o
sys em and ecosys em unc ions, which ha e al eady been ecognized in some legal
o de s, pa icula ly he Eu opean Union (Comissão Eu opeia, 2000). Al hough hese
e olu ions a e a emp s o heo ize eali y and p oduce a mo e adequa e ep esen a ion o
he sys emic cha ac e o en i onmen al goods, we do no ye ha e a concep able o
ep esen he ue scale o hese biogeophysical in e connec ions ha ex ended human
ela ions on a global scale.
We ind ou sel es in a s alema e. On one hand, i we ad ance wi h he sea ch o his
en i onmen al legal good wi hin he geog aphical limi s o s a es, we ob ain an ecological
nonsense,5 ine i ably ampu a ed and dys unc ional. On he o he hand, i we app oach he
Ea h Sys em on i s ue scale o biogeophysical ela ionships, we will collide wi h he
geog aphic delimi a ion o so e eign ies and he lack o he poli ical and legal exis ence
o he en i e Ea h Sys em, and he e o e a i e a a comple ely dys unc ional ela ionship
be ween he Ea h Sys em and he social sys em.
The awa eness o he di e en in e nal dynamic le els o he Ea h Sys em and i s
dependence on he co e d i e s a he o igin o a s uc u al pa e n ha p oduced a unique
pe iod o clima ic s abili y in he his o y o he plane ( he Holocene) could de e mine he
name and de ine wha kind o en i onmen al legal good we a e looking o . I is so ha
he possibili y o accu a ely ep esen ac s and econs i u e, legi imize and he eby make
so e eign y e ol e, as has happened along he cou se o his o y, will only become iable
i we cease o hide he eali y o hese in angible ela ions.
The in angible he i age con ibu es o he unde s anding o he c i ical c oss oads
o con empo a y humani y, shedding ligh on he human condi ion, and on some o
he possible pa hs o hei edemp ion. (So omenho-Ma ques 2006:62)
95
4.4. The So wa e/Ha dwa e Rela ion
De ining and delimi ing he quid o be placed unde he scope o law will equi e he
cons uc ion o legal abs ac ions in acco dance wi h he known eali y o na u e, and
inding solu ions ha ha monise ep esen a ions o na u e wi h hose o he social sys em.
The ac ha he plane , as opposed o many o he s, is no jus a sphe e o ocks and
an a mosphe e o e s us a solid poin o depa u e o ou e lec ion. Ou plane , o bi ing
a ound he sun a a dis ance o 149 million kilome es in an o bi called he habi able
zone,6 c ea ed he necessa y physical condi ions o an ac i e wa e cycle o exis , which
includes he h ee – solid, liquid and gaseous – phases. This wa e cycle enabled he
de elopmen o an inc edibly complex biosphe e, o ming pa e ns o o ganiza ion and
global in eg a ion h ough combined in e nal in e ac ion. Toge he hese pa e ns o m a
me a-sys em.
The need o unde s and his global eali y led o an e olu ion in li e sciences, which
in eg a ed di e en a eas o scien i ic knowledge, c ea ing a con as wi h he educ ionis
endencies o he Ca esian pe spec i e. This p ocess e en ually esul ed in he concep
o he Ea h Sys em ha came o mean “ he sui e o in e ac ing physical, chemical, and
biological global-scale cycles (o en called biogeochemical cycles) and ene gy luxes
which p o ide he condi ions necessa y o li e on he plane ” (Old ield & S e en
2004:7).
Being in dialec ical in e ac ion wi h he bio ic and abio ic in as uc u es, hese
p ocesses unc ion as a se o in angible ope a ional ins uc ions wi h p ope ies ha
de e mine he ways in which he Ea h Sys em sel -o ganizes and egula es i sel , and can
be designa ed as he “p og amme” o he Ea h Sys em. In a b illian heo e ical analogy,
So omenho-Ma ques (2006:59) cla i ies he ela ionship be ween angible and in angible
he i age: "I belie e ha in an ul amode n analogy, we can ead his ela ionship in he
same way ha so wa e and ha dwa e ela e o each o he ." This analogy could in ac be
equally alid on e ealing he ela ion be ween angible in as uc u e ( es co po als) o
he plane and he in angible sys em ( es inco po ales) o physical laws, he modynamics
o biochemis y, o ming in hei combina ion an au hen ic piece o so wa e con aining
he ope a ional ins uc ions ha de e mine he unc ioning s a e o he Ea h Sys em.
96
Figu e 5. The ha dwa e/so wa e ela ion and he Ea h Sys em/plane ela ion
The Ea h Sys em is a e y eal and cons an p esence in ou li es. Howe e , since we
canno see o ouch i , i was hough o be in ini ely abs ac , bu , ecen ly, echnological
e olu ion easily made i isual h ough images cap u ed om space. I hus became an
open book ha has since dazzled us wi h i s high deg ee o in e ac ion.
The eedback we a e ge ing on he s a e o he sys em and cu en echnological
de elopmen s a e allowing us o ead his “book o ins uc ions” ac oss di e en scien i ic
a eas. “Fo he i s ime in his o y, humans ha e knowledge a hei disposal o exe a
powe o e na u e, o e li e and dea h, allowing us o gain con ol o e wha would
p e iously escape ou each, being conside ed a ce ain a ali y o causal chain o e en s”
(Sil a 2002:10).
A he same ime, his po en ial opened up a new ield o oppo uni ies and dange s. In
he case o gene ic in o ma ion, he law was called upon o in e ene, imposing ules and
limi s o human-making (bio-law), and in o ma ion o he human genome was conside ed
he he i age o mankind, e en hough in symbolic meaning only (UNESCO 1997).
The p e ious example shows ha he ecogni ion o objec s o in angible o imma e ial
cha ac e is no new o legal sciences. O he examples a e cul u al he i age, ecognized
97
h ough UNESCO’s In angible Cul u al He i age (UNESCO 2003), he in angible alue
o companies in comme cial law and he in ellec ual p ope y igh s and au ho ship
h ough s a emen s ha es ablish he independence be ween au ho ’s igh s and he
ma e ial suppo o a wo k. Despi e p oblems o de ini ion and delimi a ion, he
impo ance o he alues in ended o be p o ec ed ha e always jus i ied he sea ch o new
solu ions.
Acco ding o Ol ield and S e en (2004:7), he Ea h Sys em consis s o an in e ac i e
a mosphe e, ocean, biosphe e, c yosphe e, and li hosphe e ha o m oge he a comple e
and uni ied sys em wi h cha ac e is ics de ined as ollows.
I deals wi h a ma e ially closed sys em ha has a p ima y ex e nal ene gy sou ce,
he sun.
• The majo dynamic componen s o he Ea h Sys em a e a sui e o in e linked
physical, chemical and biological p ocesses ha cycle ( anspo and
ans o m) ma e ials and ene gy in complex dynamic ways wi hin he Sys em.
The o cings and eedbacks wi hin he Sys em a e a leas as impo an o he
unc ioning o he Sys em as a e he ex e nal d i e s.
• Biological/ecological p ocesses a e an in eg al pa o he unc ioning o he Ea h
Sys em, and no jus he ecipien s o changes in he dynamics o a chemical
sys em. Li ing o ganisms a e ac i e pa icipan s, no simply passi e esponden s.
Human beings, hei socie ies and hei ac i i ies a e an in eg al componen o he
Ea h Sys em, and a e no ou side o ces pe u bing an o he wise na u al sys em.
The e a e many modes o na u al a iabili y and ins abili ies wi hin he Sys em as
well as an h opologically d i en changes. By de ini ion, bo h ypes o a iabili y
a e pa o he dynamics o he Ea h Sys em. They a e o en impossible o
sepa a e comple ely and hey in e ac in complex and some imes mu ually
ein o cing ways.
• Time scales conside ed in Ea h Sys em science a y acco ding o he ques ions
being asked. Many global en i onmen al change issues conside ime scales o
decades o a cen u y o wo. Howe e , a basic unde s anding o Ea h Sys em
dynamics demands conside a ion o much longe ime scales in o de o cap u e
longe - e m a iabili y o he Sys em, o unde s and he undamen al dynamics
o he Sys em, and o place in o con ex he cu en sui e o apid global-scale
98
changes occu ing wi hin he Sys em. Thus en i onmen al and p ognos ic
modelling app oaches a e bo h cen al o Ea h Sys em science.
Now, as we examine his de ini ion o he Ea h Sys em and he enume a ion o i s
cha ac e is ics om he pe spec i e o law, i seems ha many o he p oblems associa ed
he de ini ion o legal en i onmen al objec s a s a e le el ha e hei o igin wi hin hese
cha ac e is ics. The same di icul ies a e aced by in e na ional law. These di icul ies
con e ge in he i s wo p econdi ions (geog aphic scale and ime scale) ha mo i a e
he sub e si e cha ac e o en i onmen al law, as ollows:
• A he s a e le el, he en i onmen was unde s ood as "an au onomous and uni a y
legal good". As such, i became a synonym o di use and inde inable, hus
ende ing he p o ec ion o his good dys unc ional;
• A he in e na ional le el, he compa men alised app oach ha conside ed and
analysed only he dis inc componen s o he Ea h Sys em concealed phenomena
o in e ac ion and eme gence.
The dys unc ion be ween he cu en knowledge o he Ea h Sys em and he law inds
suppo in he pos -2015 De elopmen Agenda o he Uni ed Na ions, and wi hin he
o mula ion o he sus ainable de elopmen goals (SDG). This UN s a egy pu s an
emphasis on “ he need o a cohe en global amewo k o in eg a e exis ing laws ha
would co e hese in e na ional a eas” (UN, 2013). While in e na ional ea ies and
con en ions ela i e o global common goods do exis , he Uni ed Na ions ecognizes ha
“ he amewo ks a e ac u ed, and no comp ehensi e enough o include mode n
conse a ion p inciples o assessmen s” (Ol ield & S e en 2004:7).
4.5. A Space Wi hou Te i o y
The concep o he mos adequa e in e na ional law e m (Shel on 2009) o desc ibe
he cha ac e is ics ou lined by Ol ield and S e en om a legal pe spec i e is he common
conce n o humankind (CCH), which eme ged wi h ega d o he clima e in he UNGA
43/53 (1988) esolu ion (h p://www.un.o g/documen s/ga/ es/43/a43 053.h m). While
his concep is s ill jus a ph ase o e m ha should be unde s ood in a b oad sense,
99
he e o e being inap o se e as ope a ional o no ma i e suppo o an in e na ional
en i onmen egime, Dina Shel on knew o app ecia e he no able inno a ion o his e m
and he p o ound implica ions o i s p emises. Acco ding o Shel on (2009), he concep
in oduces wo undamen al inno a ions in o in e na ional law: he i s ela es o he ac
ha his concep does no make any e e ence o s a es; he second being he absence o
any e e ence o a geog aphically delimi ed a ea, e en hough i is associa ed wi h o he
concep s such as he global commons a eas – he high seas, An a c ica, he seabed and
ou e space – whe e he common he i age o mankind is applied. “Common conce ns a e
di e en because hey a e no spa ial, belonging o a speci ic a ea, bu can occu wi hin
o ou side so e eign e i o y” (Shel on 2009).
In he opening speech o he second mee ing o he G oup o Legal Expe s o examine
he concep o he common conce n o mankind in ela ion o global en i onmen al issues
in Gene a 1991, Mos a a K. Tolba, he di ec o o UNEP a ha ime, asse ed:
I is e y impo an ha he concep o common conce n o mankind is u he
elabo a ed o make i s con en s and scope unde s andable and clea ; i is also
impo an o make su e how his concep can be in e p e ed in he e ms o igh s
and obliga ions o S a es in he p ocess o i s implemen a ion. I is unde s andable
ha , since i is a new concep in in e na ional law and in e na ional ela ions, i
will de elop u he in he nea u u e and i s in e p e a ion gi en oday, will e ol e.
Wi h hese s a emen s, he cen al idea o his concep – ha i s bi h is only i s own
e olu ion– is e ained. I was bo n as a quasi-concep , as a u u e p ojec , a p oclama ion
o he need o ind an idea o an unsol ed p oblem. In o he wo ds, since i s appea ance,
he common conce n is aluable o he no el y i was, and o wha i migh s ill be and
ep esen . I is ce ain abou 30 yea s on ha he UN esolu ion on he common conce n
was he way ound a possible legal s a us o he unique na u e o clima e which is no
es ic ed o he global commons bu spans also ac oss a eas subjec o na ional
ju isdic ion (Bo g 2007). The clima e con inues o be o phaned no o a de ini ion bu o
a legal amewo k o i s exis ence. In he epo o his mee ing (UNEP Sec e a ia ,
1991), i was said:
Du ing he gene al discussion on he concep o common conce n o mankind, he
expe s ei e a ed ha he concep s ill has no legal consequences in e ms o igh s
and du ies. I was s essed ha he concep should no in inge he so e eign igh
100
o S a es and, in his con ex , a poin was aised whe he i is desi able o na ow
down he scope o he concep and i s applica ion and con ine i o global
en i onmen al issues which may cause signi ican ad e se e ec s upon he
en i onmen . I was e-emphasized ha he common conce n concep was no mean
o subs i u e he concep o common he i age. The e was a gene al unde s anding
ha a he cu en s age he common conce n o mankind may se e as guiding
p inciple a he han legal ule.
He iden i ied he ollowing aspec s o he concep o common conce n o mankind
ha equi e u he conside a ion and elabo a ion by legal expe s:
- Possible implica ions o he concep o speci ic obliga ions in he ele an
in e na ional ea ies;
- Implica ion o he human igh o a heal hy en i onmen ;
-Implica ion wi h espec o he issues o equi able bu den sha ing and ai
compensa ion.
Al hough i is made clea he e ha he CCH (common conce n o humankind) was no
in ended o eplace he CHM, he need o his s a emen and i s ein o cemen jus i ies
and subs an ia es he deep connec ion be ween he wo concep s and hei common o igin.
By lis ing he issues ha need u he conside a ion, we conside ha he e is a common
denomina o among he o iginal objec i es o he CHM and he u u e p ojec
implemen a ion o CCH.
Bo h concep s a e he esul o he same ini ial boos o looking o an in e na ional
managemen egime wi h he goal o long- e m en i onmen al p o ec ion h ough new
s uc u es o poli ics and go e nance beyond s a es, wi hou in inging he so e eign
igh s o s a es. Fo all pu poses, he CCH is an emb yonic o m o he non- e i o ial
dimension o he CHM ha ne e came in o being, al hough ha was he mo i a ion and
sou ce o he ini ial boos . In his sense, he CCH ep esen s a la en new legal heo y, a
uni ed and in e dependen global eali y seeking i s oo s in he ancien mo al o e hical
concep s ha uni y humani y in he na u e o he plane i inhabi s.
Bu , unlike he CHM, which s ill had some “speci ic a eas o he Ea h”, emnan s o
he geog aphical di isions, o ancho i s exis ence, he global na u e and es inco po ales
cha ac e o he CCH led o a pe manen ly pos poned u u e. This lack o de ini ion and
107
in e ac ions o med a pa e n, gi ing ise o a combined o ganiza ional "o de ". This
na u al p ocess should be emb aced by humani y as one o he g ea es gi s i ecei ed
om na u e, as i was exac ly hese condi ions ha allowed o he de elopmen o human
ci iliza ions and all he species o he plane ha sha e he same ecological needs.
We a e no able o p o ec his phenomenon o eme gence o eleconnec ions bu we
can p o ec he biogeophysical s uc u es and p ocesses o he s a e o he Ea h Sys em
ha assu e i s main enance. These biogeophysical s uc u es and hei in e nal ela i e
concen a ions o gases a e a gi o humani y ha esul ed om millions o yea s o
in e ac ions a Ea h's his o y scale. These in angible condi ions ha e he highes alue
o humankind. They a e a ue g undno m, whe e o he alues, al eady legally p o ec ed,
and a sys em o o ganiza ion should es ablish i s locus, i s basis o s abili y.
Acco ding o Rakhyun and Bosselmann (2013:283),
This con ex , he plane a y bounda ies amewo k, scien i ically sugges s he
exis ence o a ounda ional en i onmen al p inciple o g undno m, which, o he
pu pose o ou esea ch, can be de ined as a basic no m o bind any go e nmen al
powe . This unde s anding di e s om Kelsen’s de ini ion, and is close o Kan ’s
a gumen ha any posi i e law mus be g ounded in a ‘na u al’ no m o gene al
accep ance and easonableness (Ve nun ) o p e en pu e a bi a iness. The
exis ence o an en i onmen al g undno m, he e o e, es s on he assump ion ha
espec ing plane a y bounda ies is a dic a e o eason (Gebo de Ve nun ) and
gene al accep ance (allgemeine Gül igkei ). Concep ually, a g undno m exis s
independen ly o a legal sys em, bu unde pins legal easoning in he o m o an
in e ence ule.
In his sense we can a gue ha he s a e o he Ea h Sys em co esponding o he
geological pe iod o he Holocene ca ies he meaning o he i age as some hing we need
o conse e in e e yone's in e es . I enables he ecogni ion o a new alue o be legally
p o ec ed as an in e na ional au onomous legal good. “He i age is one idea. I is a
philosophical idea, a legal concep , as is some hing ha we need o conse e” (Sob ino
2012:4).
The e olu ion o he in e na ional communi y, he i al alue o his s a e o he Ea h
Sys em and he he i age dimension de i ed om he need o ansmi i o u u e
gene a ions enable he ecogni ion o some hing highe in scale han a conce n o an
in e es ha should be legally p o ec ed as an au onomous legal good.
108
The e olu ion o a li ing space “conce n” owa ds a common in angible na u al
he i age o humankind as an au hen ic au onomous legal good seems a c ucial concep ual
ad ance o he o ganiza ion o human ela ions, which ha e b oadened o a global scale.
Wi h he scien i ic “sa e ope a ing space”, he legal concep o he li ing space could ha e
a alue ha can be measu ed.
As Sob ino (2012:5) s a ed,
I hink his idea, o being mo e han an idea, mus ins i u ionalize i sel (…) I we
combine he idea o he i age wi h he idea o an in e na ional au ho i y and place
ela i e compe ences on i – no many a e needed, apa om ce ain ones o
es ablish a mul ila e al amewo k o ac ion – I hink ha would esol e many o
he cu en ensions.
The legal concep o he i age can be he locus o ha i al good, he li ing in angible
space, ep esen ed by he sa e ope a ing space, and a he same ime o be he suppo o
a global o ganiza ion.
Wha is ce ain is ha a pu ely o mal legal app oach owa ds he cu en no ion o he
CHM will exclude he main enance o his Ea h Sys em s a e wi hin he biogeophysical
cha ac e is ics o he Holocene. The p o ec ion o a ce ain s a e o he Ea h Sys em can
only be legally amed by p oceeding wi h an axiological and eleological in e p e a ion
a he basis o he legal consec a ion o he CHM and i s subs i u e de i ed concep s.
A id Pa do's ision ha ga e o igin o he concep o CHM in ol ed he pe cep ion
o he “ocean en i onmen as an in eg a ed luid ecological sys em” and he conce n “ ha
con inued, unmanaged use o he wo ld’s oceans would become a se ious h ea o
in e na ional peace and secu i y om he en i onmen al impac o new echnologies, he
mili a iza ion o he sea loo and expanding s a e claims o ju isdic ion o e la ge pa s
o he oceans”.11
To ealize hese objec i es h ough he legal egime o he CHM in ol es
dis inguishing he sys em concep and i s in insic in angible quali y om he e i o ial
and geog aphical app oach o al eady exis ing legal concep s. Bu as Taylo & S oud
(2012, 19) s a e, “A id Pa do (and o he s) conside ed he CHM egime lexible enough
o adap o he eme ging challenges, he disco e y o new esou ces and alues, such as
scien i ic esea ch”.
Depa ing om his app oach, un ealized due o heo e ical and p ac ical
impossibili ies a he ime, we will y o adjus he ini ial in en ions o he CHM o he
109
cu en c i e ia o he in insic uni o he Ea h Sys em. While he a i icial sepa a ion
be ween oceans, clima e and biodi e si y may be necessa y o easons o ask
o ganiza ion, his lowe le el o ope a ion should no conceal he need o in e en ion in
he p o ec ion o biogeophysical condi ions a he highe -le el in eg a ion o he Ea h
Sys em. This in e en ion can be pu in o p ac ice h ough applica ion o in e na ional
s anda ds on he quali y o he Ea h Sys em s a e ealized by he app oach o he
plane a y bounda ies.
None heless, i is o in e es o unde s and ha all he subs i u es and de i ed concep s
g a i a ing a ound he CHM seek o plan a seed o he de elopmen o a no ma i e
amewo k ha o e s al e na i es o go e ning he global common goods, and no only
he a eas and esou ces beyond i s ju isdic ions. So, in o de o he CHM o become an
ope a ional/no ma i e concep , i s objec needed o be de e i o ialised and made o
coincide wi h he ini ial concep s and p emises o mula ed by A id Pa do.
The en i e ange o mo e o less inde e mina e concep s pu sue he same unique end,
he eason o hei exis ence being he absence o ins umen s ha could somehow
cons i u e an objec o in ellec ual ep esen a ion o eali y, in his case he Ea h Sys em
as a whole wi hin a s a e ha suppo s he li ing space. I is he e o e c ucial o unde s and
in de ail he di e ences be ween he concep o CHM and he CCH de i ed om i . Based
on he p oposal o Mu illo (2008), we will compa e hem wi h ecen knowledge
ega ding he sa e ope a ing space o humankind and how hey may be e- amed so as
o co espond o ecen scien i ic e olu ions.
110
TERRITORIAL
SCOPE
CHM
A eas beyond na ional ju isdic ion and i s
esou ces
CCH
A wide scope – applied in he in angible highe
le el, bo h beyond na ional ju isdic ion bu also
wi hin he ju isdic ion o s a es.
SUBJECT SCOPE
CHM
The main ocus is ela ed o he geog aphical a eas
beyond na ional ju isdic ion and i s esou ces.
CCH
Focused in unc ional in angible spaces ha a e a
“conce n” o humani y as whole. A p esen , he
ma e s a e clima e change, species in dange and
conse a ion o biodi e si y.
The in insic in angible ecological quali y does no
exis au onomously on he geog aphical space.
The e o e, he CCH con inues wi hou a clea and
p ecise de ini ion, liable o gene a e igh s and
du ies.
DISTRIBUTIVE
SCOPE
CHM
Equi able sha ing o bene i s.
CCH
Equi able sha ing o bu dens – coope a ion and
p oblem sol ing.
Figu e 6. Di e ences be ween Common He i age o Mankind (CHM) and Common
Conce n o Humankind (CCH)
F om he analysis o di e en pe spec i es o he app oach ha conside s he Ea h
Sys em as a unique sys emic whole wi h in insic limi s ega ding i s s a e, we a e able o
iden i y he ollowing ad an ages and disad an ages.
111
TERRITORIAL SCOPE
The CCH o e s a mo e adequa e
esponse o he cha ac e is ics o he
Ea h Sys em bo h in and ou side
so e eign ies. Bu i has he
disad an age o no ha ing a locus,
unlike he CHM, so i canno be
a ached o a space on which an
o ganiza ion can be buil .
SUBJECT SCOPE
The CHM ca ies he ad an age o
being able o delimi he a ea o
esou ce in ques ion, while he CCH has
a p oblem wi h he in angibili y o he
objec .
DISTRIBUTIVE SCOPE
F om he pe spec i e o he Ea h
Sys em, damages and bene i s, caused
and p oduced upon he Ea h Sys em as
a whole, a e sha ed.
Figu e 7. Compa a i e Analysis o Common He i age o Mankind and Common
Conce n o Humankind
In summa y, we can say ha while one has a locus and does no possess an app op ia e
e i o ial scope, he o he has he app op ia e e i o ial scope bu does no ha e a locus.
In ega d o he dis ibu i e scope, he sum o bo h may adequa ely add ess he
cha ac e is ics o globally sha ed damages and bene i s a he le el o he Ea h Sys em.
In his sense, he combina ion o some o he cha ac e is ics o bo h concep s may
b ing he necessa y ad ances in law and in e na ional ela ions wi h he objec i e o
cons uc ing an ins i u ional a chi ec u e mo e adap ed o he en i onmen al li ing space
in esponse o a collec i e conce n o humani y.
112
4.9. An E olu ional Legal Li ing Space
Bo h concep s o li ing space o he CCH and he sa e ope a ing space o humankind
main ain he common cha ac e is ic o being in angible non- e i o ial spaces ega ding
he biogeochemical condi ions o a ce ain s a e o he Ea h Sys em ha suppo ed
a ou able condi ions o human li e on Ea h. Howe e , hei o igins a e di e en – one
legal, he o he scien i ic. This p imo dial na u e is ound on he le el o he me a-he i age
o cons i uen he i age (So omenho-Ma ques 2006), an in angible na u al he i age ha is
he undamen al basis o he in elligibili y o all o he ypes o angible na u al he i age
al eady known. I is ep esen ed by he p ocesses o li e o he majo ci cula o y elemen
lows, which in a p e ious analogy was e e ed o as he so wa e ela ionship o he
Ea h Sys em.
As a concep , ‘s a e’, which is p o oundly oo ed wi hin e i o ial space, does no
include he global so wa e ha suppo s he li e sys em on Ea h. The ‘sa e ope a ing
space o humankind’, as he bes a ailable in eg a ed piece o scien i ic in o ma ion wi h
he capaci y o elabo a e on eme ging phenomena in a sys emic way, may cons i u e a
keys one o his announced e olu ion. The ques ion hen becomes whe he his scien i ic
ins umen is su icien o ep esen he mul iple eali ies o he Ea h Sys em as a whole
and in an immu able way.
Al hough he e is s ill unce ain y ega ding he quan i ica ion o limi s and he
exis ence o plane a y limi s, hey a e clea and en i ely consis en wi h he science o
complex sys ems. As we canno “aspi e o a immu abili y o physical biological and
chemical elemen s” (Cano ilho 1991:123), i will be necessa y o ope a e pe manen ly on
an e olu iona y lexibili y. The ecological pa adigm is cha ac e ised by complex
p ocesses, which ine i ably engende unce ain y. “I is up o he law o ans o m his
ecological unce ain y in o a social ce ain y” (Mo and 1995:212).
In his sense, his li ing space will always be a scien i ic ep esen a ion o a dynamic
sys em. The e o e, he ins umen used o i s in e p e a ion will also need o be lexible,
dynamic and e ol ing, allowing a dialogue be ween he human species and he Ea h
Sys em ha we a e pa o . The c ea ion o a new in e na ional in angible space, while
ounded in an e e -de eloping science, will ha e o be ounded on a socially cons uc ed
" alue" ha will gua an ee i s exis ence independen om scien i ic e olu ions on he
Ea h Sys em.
113
The impo an hing will be he concep ha he e is an in angible li ing space, bo h in
and ou side so e eign ies. Conside ing p esen scien i ic knowledge, his co esponds o
he sa e ope a ing space o he Holocene, bu he conc e e de ini ion o limi s and
elemen s o be aken in o accoun wi hin his socially cons uc ed space will e ol e along
he line o con inuous, e olu iona y and dynamic knowledge on he Ea h Sys em.
Once again, as Mo in (1990:8) s a es, complex hough “has no in en o eplace he
ambi ion o simple hinking, which is o con ol and domina e he eal. I is a hough
expe imen ha is capable o handling he eal, and nego ia e and en e in dialogue wi h
i ”.
The key will be o ind an ins umen ha ep esen s he known eali y o he Ea h
Sys em, allowing us o en e in dialogue wi h i .
4.10. Applying CHM o he Ea h Sys em
F om he ini ial in en ions and de i ed concep s ha e ol ed om he CHM concep
will esul a new legal objec based on he undamen al sepa a ion be ween he es
inco po ales ela i e o he in angible dimension, quali a i e and unc ional o he Ea h
Sys em (highe le el o in eg a ion), and he es co po als, e e ing o he e i o ial
spaces (land, oceans and a eal space, i.e., he lowe le el o in eg a ion) in which hese
unc ions and quali ies de elop.
In his sense, we ad ance a p oposal o an e olu ion inco po a ing he combined
elemen s o an axiological in e p e a ion o CHM applied o he Ea h Sys em:
• The biogeophysical s uc u e o he Holocene pe iod is pa o he in e na ional
common he i age (pa imony) and he e o e belongs o all humani y in common.
This means i canno be owned, enclosed o disposed o (i.e., app op ia ed) by any
s a e/s o en i y. As a commons i can be used, bu no owned, ei he as p i a e o
common p ope y o ia he claim o so e eign igh s;
• The use o he common he i age amewo k shall be ca ied ou in acco dance
wi h a sys em o coope a i e managemen , o he bene i o all humani y (o
common good). This has been in e p e ed as c ea ing a ype o us ela ionship,
wi h s a es ac ing as us ees o he bene i o all humani y (i.e., o he common
114
good, no o he exclusi e bene i o s a es/p i a e en i ies) including u u e
gene a ions, aking in o accoun he pa icula needs and in e es s o de eloping
s a es (in a-gene a ional equi y);
• The e exis s a pe manen sha ing o damage and bene i s ealized o e he s a e
o he Ea h Sys em. I will be necessa y o cons uc an accoun ing sys em in
o de o accoun o he con ibu ions o each s a e owa ds he desi ed s a e o he
Ea h Sys em, and nex de elop an equi able sys em o de i ed compensa ions o
he di e en uses o he CHM;
• A global en i y should be c ea ed wi h exclusi e unc ions in coo dina ion o
compensa ions and he de elopmen o p ojec s o he main enance o his
common he i age o mankind.
TERRITORIAL
SCOPE
Scope
The Ea h Sys em as a whole – applied bo h
beyond and wi hin he ju isdic ion o S a es.
Fo m o
Rep esen a ion
The highe le el o Ea h Sys em
in eg a ion. The in angible na u e. The well-
de ined s a us o he Ea h Sys em
co esponding o he geological age o he
Holocene.
SUBJECT SCOPE
Scope
Rep esen a ion o a unc ional li ing space
o humani y as whole, in a ans- empo al
dimension. The sa e ope a ing space o
humankind.
Fo m o
Rep esen a ion
Plane a y Bounda ies F amewo k
DISTRIBUTIVE
SCOPE
Scope
Equi able sha ing o bene i s and bu dens
h ough a sys em o compensa ions –
ECOBALANCE
Fo m o
Rep esen a ion
An agg ega ed me ic wi h he abili y o
ep esen he posi i e and nega i e impac s
ealized upon he Ea h Sys em.
115
Figu e 8. Fea u es o a possible e olu ion o CHM/CCH o a Common In angible Na u al He i age o
Humankind
This possible pa hway o he na u al he i age, om he “ma e ially and geog aphically
de inable” o he “imma e ial and in angible”, is simila o he consolida ion o cul u al
he i age. The impo ance o cul u al he i age was consec a ed in UNESCO's Con en ion
conce ning he P o ec ion o Wo ld Cul u al and Na u al He i age in 1972, bu 30 yea s
la e i was acknowledged ha cul u al he i age canno be limi ed o wha can be seen o
ouched, so imma e ial he i age was included in he Con en ion o he Sa egua ding o
In angible Cul u al He i age in 2003.
The ime has now come o in angible na u e o be ecognized as a i al esou ce o
all humankind – a common in angible na u al he i age o humankind.
4.11. Conclusion
I is now ecognized in he cu en doc ine ha in e na ional law is no ye equipped
o handle he ecological goods ha exis simul aneously in and ou side o all s a es. The e
exis s a s uc u al, heo e ical law in he app oach o he global “whole”. This law
ex ends o he ime dimension o he chain o successi e human gene a ions. The global
commons ha e always been (and con inue o be) unde s ood as geog aphical spaces ha
only exis ou side he poli ical bo de s o s a es. Likewise, humani y and i s u u e
gene a ions, despi e being epea edly e e ed o in in e na ional con en ions, do no
possess a legal s a us ha co esponds wi h an e icien p o ec ion.
The global, di use and in angible dimension o a i al good such as a s able clima e,
exis ing bo h wi hin and ou side all s a es, wi h he e ec s o he damage caused upon i
ex ending o e se e al gene a ions, ans o med his adi ional app oach in o an
ecological nonsense. The dys unc ionali y o exis ing legal ins umen s no only has long
since been de ec ed bu has also been he objec o se e al a emp s o build concep s,
which, howe e , a e soon ound o be inope a i e, wi h no legal consequences in e ms
o igh s and du ies.
116
Alongside he inc easing unde s anding o he unc ioning o he Ea h Sys em,
oge he wi h he possibili y o measu e i s s a e h ough he plane a y bounda ies, a gian
leap was aken owa ds he un a elling o he nebula composed o legally ague and
unde ined concep s dissemina ed in na ional and in e na ional legal ex s. In e na ional
Law exp essions such as he common conce n o mankind, common in e es , li e-suppo
sys em, in e gene a ion equi y, ecological in eg i y and sus ainable de elopmen can now
be sus ained by a pa e n o indica o s ha may be used o ansla e and delinea e he lack
o legal de ini ions, opening up new pe spec i es in he cons uc ion o solu ions ha will
o e come he dys unc ionali y be ween he ecological eali y and he exis ing legal
amewo k.
These i al ac o s, ansla ed h ough hese indica o s, as hey a e global and di use,
a e s ill legally non-exis en and conside ed “ex e nal” o social o ganiza ion. They a e
he known economic ex e nali ies, ei he posi i e ( egula ing ecosys em se ices) o
nega i e (pollu ion).
The concep o he common he i age o mankind has s ayed ied o he geog aphical
a eas o poli ical di ision be ween s a es. Un il now, Wo ld He i age has only been
applied o goods ha , despi e hei ou s anding uni e sal alue om an aes he ic o
scien i ic poin o iew, a e ound wi hin he geog aphical a ea o a s a e.
These wo legal concep s (CHM and WH) will possess a g ea e po en ial o
e olu ion owa ds ins umen s capable o p o ec ing his i al and global good, and hei
sum can co e he geog aphical a ea in which he Ea h Sys em ope a es. The Wo ld
He i age has al eady made he shi om angible cul u al he i age owa ds in angible
cul u al he i age. I seems ha we can now ep oduce his pa hway in ega d o he na u al
he i age (A agão 2016). So, being in he possession o a way o ep esen a a ou able
s a e o he Ea h Sys em h ough he s uc u e o biogeochemical concen a ions ha
emained ela i ely s able o e he las 11,700 yea s – he Holocene pe iod – we p opose
he ecogni ion o a well-de ined s a e o he Ea h Sys em as a wo ld na u al in angible
he i age o mankind. This new na u al in angible he i age should be he locus on which
o cons uc a sys em o he managemen and main enance o Ea h Sys em use. Upon
es ablishing ules applying o he use o he Ea h Sys em, we a e also secu ing he
minimum condi ions o he digni y o u u e gene a ions. Bu be o e unde aking
ins i u ional e o m, we need a concep ha allows o a solu ion ha will ill he gap
be ween he heo y unde lying he o ganiza ion o in e na ional ins i u ions and he eali y
o Ea h Sys em dynamics.
123
g ea es jus i ica ion o he legal consec a ion o a well-de ined s a e o he Ea h Sys em
lies.
I one accep s ha he legal ecogni ion o a a ou able s a e o he Ea h Sys em is a
basic s uc u al ac o o he o ganiza ion/ egula ion o he in e nal ela ions o humani y,
a key ques ion emains unanswe ed: Will i be possible o concilia e in a symbio ic way
he exis ence o one global legal suppo ( he legal s a us o Ea h Sys em) wi h he
agmen ed e i o ial so e eign y? Taking as a s a ing poin he wo le els o he exis ing
ela ions, we will y o unde s and which model o es communis is be e able o
accu a ely po ay he ac s: " he common so e eign y, co-owne ship, he
condominium?” (Kiss 1982:122).
5.4. Di ide o O ganize
Taking as a s a ing poin he unique cha ac e is ics o he clima e and he Ea h
Sys em as a whole, and he al e na i es p esen ed by Kiss (1982), i seems ha he
hypo heses o bo h common so e eign y and co-owne ship imply he main enance o he
idea ha he e is a sepa a ion be ween wha is wi hin he bo de s and he es communis,
which co esponds wi h he le o e a eas o he di ision. In his sense, none o hese
models seem o ha e he necessa y cha ac e is ics o be able o deal sa is ac o ily wi h
he p oblem o ac i i ies a ec ing nega i ely an In angible Na u al Resou ce, which
spans ac oss and beyond he na ional e i o ies o S a es (Bo g 2009). This o e lap o
in e es s be ween he p i a e in e es s o s a es and he in e es s o all humani y has an
inhe en condi ion o in e dependence: i is mu ually bene icial o mu ually des uc i e.
The p oblem o econciling seemingly opposing in e es s in a si ua ion o symbio ic
in e dependence is no new o legal sciences, and i was s uc u ed h ough a p i a e law
igu e ha de ines he si ua ion whe e a ma e ially indi isible hing, o a hing wi h a
uni a y s uc u e, belongs o a ious co-owne s whe e each one has p i a e o exclusi e
igh s o owne ship o e de e mined ac ions and a he same ime, a e co-owne s o he
pa s o he building, which cons i u es i s common s uc u e. This ju idical igu e is
known as a condominium.
In o de o his model o ans o m a heo e ical impossibili y in o a solu ion, i was
necessa y o inno a e and no be limi ed by he applica ion o p e-exis ing o ms o
dominium. Once nei he p i a e p ope y no co-owne ship could deal wi h he
ela ionships es ablished h ough he owne ship and use o a ma e ially indi isible
124
building, he condominium was in en ed. Fi s i accep ed he uni a y and indi isible
na u e o a building and hen buil a sys em ha would adap o his seemingly
unsu passable ci cums ance. I a gued agains wha was p e iously conside ed o be
i e u able and c ea ed a model o owne ship ha canno be associa ed wi h any o he
o m o owne ship. As magis a e Luís He nanz Cano (1998:41) says, Spanish
ju isp udence has pe cei ed ho izon al p ope y as “special p ope y” o “complex
p ope y”. I s accu a e designa ions a e clea ly a sign o i s complexi y: “house by
s o eys”, “condominium o s o eys”, “p o indi isio communi ies”, au onomous ac ion”,
and “communi y wi h igh s in em” (Cano 1998: 41). The mo i e o such complexi y is
he coexis ence o appa en ly con adic o y and an agonis ic elemen s, which, i
conside ed supe icially, may c ea e he supposi ion ha he p esence o one implies he
absence o he o he and is ha dly ansla able in he educ i e language o de ini ions.
The u gen need o a solu ion led o one capable o combining wi hin he same
ma e ially indi isible building a sepa a ion ha allows se e al indi iduals o use he same
loo as housing. Addi ionally, i en isages: a) ha each indi idual has a unique igh o
owne ship o a ac ion o he building, making possible he legal ade o hese
p ope ies; b) he exis ence o a sys em o con ibu ions o ensu e he main enance o
sys ems o common use (wa e , elec ici y, ele a o s) and he pa s ha a e legally and
ma e ially impossible o di ide (s ai s, oo , s uc u e, e c.), which mus all be main ained
in a dependable s a e.
The model o he condominium, o complex p ope y, is no a communi y o an
a i hme ic sum o indi idual p ope ies. I is some hing complex ha ele a es he law o
he a o econciling he ex emes, o making symbio ically dependen wha was
appa en ly incompa ible (Magalhães 2007:87).
Al hough wi h some nuances, his heo e ical model has been used ecu en ly
h oughou his o y in in e na ional law, in si ua ions o sha ed i e s, small islands,
e i o ial encla es, e i o ies unde dispu e and in unde ined poli ical si ua ions o e en
a he le el o small communi ies wishing o es ablish access o ce ain esou ces ela ed
o u al ac i i ies. E en he An a c ica T ea y Sys em o 1959 is conside ed by some as a
de ac o condominium (Glennon 1991), since i is no a so e eign e i o y (al hough
a ious na ions claim pa s o i s e i o y as hei own) and p o ides o ing au ho i y o
28 na ions o join ly go e n he a ea. In all, 50 coun ies a e pa o he “condominium”
al hough some conside i a “quasi-condominium” (Hemmings 2014).
125
The use o ci il ju idical ins i u es o igina ing om na ional laws is no new in
in e na ional law. Fo some au ho s i is e en ecommended. Wee aman y (2000:195)
poin s ou ha :
In iew o he speed o p og ess and o echnology, he na ional laws and
in e na ional law should ollow he mo emen and inc ease hei p oduc i e and
adap i e abili y. New concep s and p ocedu es should apidly be sough o con on
he new si ua ions, which a e a esul o echnology’s p og ess. Fo his e ec ,
in e na ional law should i s ly be awa e o all he essen ial adi ions o he
di e en ci iliza ions and adop a mul icul u al a i ude. Nume ous p inciples o
in e na ional law, which will be adop ed in he u u e, may be eleased om he
adi ional ju idical sys ems exis en in he wo ld and h ough which in e na ional
law may ecei e i s s eng h and inspi a ion.
The change om he so law o he ha d law should be accele a ed, hus making
in e na ional law mo e i o adap i sel o he needs o ou ime. Na ional laws will
ake ad an age o he no ms and o he uni e sal pa e ns, which will equally
imp o e he in e nal sys ems.
In he classical app oach, commons managemen is doomed o he a e o he " agedy
o he commons". Ha din’s wo k ans o med a g owing pessimism a ound he
“commons” in o a global scale pessimism, also called by some doc ines as he “ agedy
o he common he i age o mankind" (Shackel o d 2008). I conside s “communal
so e eign y may be seen as a empo a y placeholde ha exis s un il echnology enables
occupa ion o p ope y making i wo hwhile o S a es o asse na ional so e eign y in
he oldes adi ions o he Wes phalian sys em”. In his iew, “es ablishing p ope y
igh s has been commonly seen in he Wes e n wo ld as he solu ion o commons
managemen ; once occupa ion o a e i o y is possible, hen p ope y igh s become
necessa y o ca alyze de elopmen ” (Shackel o d 2008:120). This heads o he s ill-
dominan doc ine ha poin s ou as a unique solu ion he di ision and p i a iza ion o
he good. Howe e , ecological in e dependence has shown ha i is necessa y o de elop
a new heo y o explain phenomena ha do no i in a dicho omous wo ld di ided
be ween indi idual/s a e in e es s and collec i e/humani y in e es s. In an a emp o
de elop legal o economic ins umen s o in ol e collec i e in e es s, he condi ions ha
block a class ac ion o gi e ise o a con lic a e ecognized.
126
In his analysis o he s a egy o con lic , Schelling (1960), winne o he Nobel P ize
o Economics and one o he a he s o he heo y o games, showed ha many social
in e ac ions can be seen as non-coope a i e games ha in ol e bo h common and
con lic ing in e es s. In ac , Schelling sough o consolida e he idea ha almos any
p oblem in ol ing he decisions o mo e han one pe son simul aneously con ains
elemen s o con lic and common in e es . I is in he appa en con adic ion o he
symbio ic ela ionship be ween indi idual and collec i e in e es s (mas e ully de ined by
Kan , “Only in he pu sui o common in e es s can we gua an ee ou indi idual igh s)”4
ha we will y o ein e p e he analyses al eady ca ied ou on he s uc u al pa adox o
hese in e ela ionships, which a e exe cised in an mu ually ad an ageous o m o a ailed
coo dina ion would gi e ise o high cos s o all pa ies (Filipe e al. 2007). The
condominium ans o ms dicho omous dogma in o acciden al u h, and achie es, wi hou
denying he classic solu ion o di ision, he in eg a ion and symbio ic uni ica ion wi h he
common p ope y.
The big news is ha al hough he condominium di ides in o de o o ganize he
di e en asks and esponsibili ies, hese a e ca ied ou no only o de ine dis inc p i a e
p ope ies bu also o dis inguish all p i a e p ope ies om pa s and sys ems ha a e in
a egime o common owne ship. I is p ecisely h ough he dis inc ion be ween di e en
ypes o owne ship o e he same ma e ially undi ided good ha his o m o “complex
p ope y” can ha monise he di e en p i a e and common in e es s, making his o e lap
o p ope ies pe ec ly symbio ic.
Sepa a ion is managed h ough a legal abs ac ion, allowing he exis ence, wi hin each
indi idual ac ion, o elemen s ha appea o be p i a e bu a e ac ually common (e.g.,
main walls, s uc u e, ex e io walls, oo s, wa e dis ibu ion sys em, and elec ici y).
The ope a ion is no jus a me e di ision o spaces bu a di ision wi h quali a i e and
unc ional c i e ia ega ding he in insic na u e o he di e en elemen s in a building.
The c i e ion on which his app oach is based is ha all hose cons i uen and
unc ional elemen s whose lack o main enance implies damage o all owne s o
indi idual p ope ies wi hin he building should be in eg a ed in o he co-owne ship
egime. Tha is, common pa s a e all pa s o a building ha canno be ma e ially
assigned o only one owne , as well as all elemen s and sys ems ha a e decisi e o he
ope a ion and secu i y o he en i e building, obliging all o pa icipa e in hei
main enance.
127
Only h ough a clea iden i ica ion o wha hose elemen s a e and wha is unde
common owne ship is i possible o es ablish a sys em ha ensu es he main enance o
he common pa s oge he wi h he sys ems and se ices ha a e o common in e es . In
o he wo ds, only he p ecise de ini ion o all he elemen s ha a e in co-owne ship will
make possible o assign esponsibili y o he managemen and main enance o such
p ope y, and c ea e a con ibu ion sys em among all he owne s in pu sui o common
in e es s.
The p ocess o his heo e ical cons uc ion was no a concep ual p ocess ha was hen
applied o he good, di iding i a bi a ily. On he con a y, i depa ed om he uni a y
cha ac e o he p ope y, iden i ied he elemen s ha by hei na u e a e essen ial o
main aining he s uc u e and ope a ion o he building, and conside ed as p i a e all hose
spaces and goods whose indi idual owne ship does no pose a p oblem o he uni a y and
unc ional cha ac e is ics o he common good.
This o e lap be ween p i a e in e es and communal in e es s assumes ha e e y
homeowne simul aneously pu sues p i a e p ope y igh s on hei ac ion and co-
owne ship o common elemen s, ha ing he igh and obliga ion o pa icipa e in decisions
conce ning he managemen o common in e es s. “This duali y o igh s – p i a e
owne ship and co-owne ship o common elemen s – will de ini ely ma k he unique and
o iginal cha ac e o his legal model. As in all si ua ions whe e he an i heses ouch and
complemen each o he , he e is a e ile ield o sea ching o app op ia e de ini ions
and explana ions o a eali y ha is complex” (Magalhães 2007:86).
Spanish ju isp udence conside ed i o be an au hen ic mas e piece o legal
cons uc ion a e 1960:
The owne ship o homes by s o eys is an ins i u ion o a complex na u e, whose
ype is he igh o owne ship, bu wi hin i , i cons i u es a class de ached om he
adi ional ones, and i is useless o sea ch o simila i ies o pa ial iden i y since
he e is no communi y because o he p i a e elemen s belonging o a ious owne s;
no does se i ude help o explain he si ua ion o all he common hings, bu me ely
de e mines ela ions which only exis be ween he owne s o wo o mo e s o eys,
bu which a ec e e yone.
As Hang (2003) unde s ands, he mos ele an is he ela ionship be ween indi iduals.
Mo e impo an han any simila i y ega ding he ype o he good o i s scale is he
s uc u e o ela ionships ha a ise a ound he owne ship o use o a pa icula ma e ially
128
indi isible good. In his ega d, also in e ms o he scale o he Ea h Sys em as a whole,
he mos impo an poin o unde s and is he s uc u e o ela ionships es ablished
h ough he common use o he same global and uni a y sys em, he Ea h Sys em, so ha
a legal abs ac ion canno di ide i .
Assuming ha he ecological p oblem is no a mal unc ion o he Ea h Sys em bu
a he a poo adap a ion o human socie y o i s unc ioning, i seems o us ha he pa h
o a possible solu ion, a he han ideological o echno/scien i ic choice, should be a
echnical answe in he social sciences wi h special eso o law. He e we mean law no
as a sys em o sanc ions and p ohibi ions bu a he in i s p io unc ion o o ganiza ion
and egula ion o human ela ions bu widened o a global scale.
5.5. Di ide o Uni e
All spaces ha ha e become accessible o humans h oughou his o y ha e been
subjec o hei legal de ini ion. The possibili y o humani y as a whole o become a
geological o ce capable o changing he s a e o he Ea h Sys em equi es ha he
in angible non- e i o ial space, he li ing space, ep esen ed h ough he co e d i e s o
he s a e o he Ea h Sys em, becomes a sa e space whe e i s use is subjec o o de .
The p oblem a ises because his new space has a new cha ac e , no geog aphical and
e i o ial, dis inguishable and he e o e comple ely dis inc om all o he spaces
p e iously disco e ed, e en when compa ed o space explo a ion whe e he exis ence o
in angible na u al esou ces is al eady ecognized oday. This non-spa ial space is no
ex e nal o he plane bu pa o he Ea h Sys em, and is p esen inside and ou side o all
so e eign y, c ea ing an inex icable link be ween he ac i i ies o s a es wi hin na ional
e i o y and i s e ec s on clima e (...) an unp eceden ed si ua ion in in e na ional law
(Bo g 2007). I is om his o e lap ha he need o in e na ional law inno a ion (P ieu
2012) comes, ega ding he s ill- dominan iew ha ep esen s eali y only unde an op ic
ha wha is common o all humankind a e he emaining a eas o e i o ial poli ical
di isions. A clea dis inc ion be ween his new in angible space and he e i o ial
geog aphical space is only possible h ough he use o he la es scien i ic knowledge on
he unc ioning o he Ea h Sys em as a whole. The possible legal de ini ion o his new
space and he esul ing egula o y o de o i s use cons i u e pe se a change in he
concep ual pa adigm o he in e na ional legal sys em. This inno a ion, because i is
s uc u al, implies a heo e ical amewo k ha allows an o e lapping o legal egimes
129
be ween he es co po ales conce ning he so e eign e i o ial spaces o s a es and he
na u al es inco po ales conce ning he global li ing space, ha is, he quali a i e
dimension o he s uc u e o biogeochemical concen a ions o oceans o he a mosphe e,
which a e global and impossible o di ide by any legal abs ac ion.
I is his o e lap be ween he e i o ial space o so e eign y and he global in angible
space o he li ing space ha equi es cla i ica ion o he ype o es communis be e able
o po ay he eali y whe e angible and in angible spaces o e lap and a ec human
ela ions. The ac ha he sys em is common and indi isible, ha all people ha e equal
access o i and no one is able o exclude any o he om using i , is exposed o all o he s
by i ue o sha ing globally he damages, which in u n also esul in e y di e en uses,
equi es us o look a his deep in e dependence om a legal pe spec i e. E e y hing
becomes e en mo e complex when, o he same easons, he bene i s ealized by he
ecological in as uc u e in he s a e o Ea h Sys em a e equally sha ed by all on a global
scale.
The dis inc ion made by he Roman legal sys em be ween sou ce and esou ce can be
ex emely use ul in cla i ying he s uc u e o he ela ionships esul ing om di e en
uses o he common sys em. As we ha e al eady s a ed, “ es communis di e s om es
nullius in ha he sou ce o esou ces canno be app op ia ed bu he esou ces
hemsel es a e amenable o app op ia ion” (Oos e linck 1996:2).
The a ou able s a e o he Ea h Sys em esul ed om an e olu iona y p ocess
h oughou Ea h's his o y in ol ing he in e ac ions be ween he li ing biosphe e o he
plane and he geophysical pa , ha is, he ecological in as uc u es a e he sou ces o
his a ou able s a e, and ha allowed he de elopmen o human ci iliza ion. The
esou ce is he a ou able in angible s uc u e o biogeochemical concen a ions on he
Ea h Sys em. In o he wo ds, he esou ce eme ged om he in e ac ions o he sou ces.
Con e sely, in his si ua ion, by i s e y na u e, he sou ce is app op iable ( he
ecological in as uc u es a e unde he e i o ial ju isdic ion o s a es) bu no he
esou ce, ha is, he esou ce is dispe sed all o e he plane and i s app op ia ion is
physically impossible, as is any legal abs ac ion o di ision. In his ega d, al hough he
sou ces a e unde s a e ju isdic ion, wi h e i o ial ju isdic ion o e he a eas whe e he
ecological s uc u es exis , he bene i s ealized by hese s uc u es in he s a e o Ea h
Sys em ( esou ce) a e ine i ably common.
On he o he hand, i all s a es use he sys em, all o hem ha e sou ces ha con ibu e
o he main enance o ha a ou able s a e. Howe e , he dispa i y be ween a eas and he
130
pe o mance o di e en ecosys ems on quali a i e and quan i a i e le els gene a e la ge
di e ences be ween s a es wi h ega d o posi i e con ibu ions o he main enance o ha
a ou able s a e. I we add o his disc epancy he di e ences be ween di e en uses, we
all in o a chasm o inequali y.
This eally is a uly new si ua ion in he his o y o in e na ional law, and nei he a
s a e-cen ed so e eign y no communal so e eign y (in an isola ed way) can ead he
ela ionships es ablished h ough he use o he same indi isible common sys em.
The ension gene a ed by he in e dependence o bene i s and ha ms sha ed on a global
scale in a jux aposi ion o in e es s is a complex equa ion ha equi es a complex solu ion,
which does no si well wi h he simpli ied concep o geog aphic e i o ial di ision.
In e ms o buildings, he success o he condominium model was due la gely o he
dual app oach o he in e nal di e en ia ion. I no only used a spa ial c i e ion in o de
o in e nally dis inguish he p i a e spaces o he common spaces bu unc ional c i e ia,
e en wi hin he p i a e spaces, ha iden i ied ce ain elemen s which, due o hei
cha ac e is ics and unc ions, impac ed he sa e y and unc ional uni s o he building.
These would ha e o be ega ded as common since, i he main enance was no p o ided
by he p i a e owne , he damages would be collec i e. By o e lapping di e en legal
egimes (p i a e and co-owne ship) and simul aneous use o spa ial and unc ional
c i e ia, i is possible o ensu e he au onomy o p i a e p ope y symbio ically wi h he
unc ional uni o he building. This dualis ic app oach o he in e nal di e en ia ion o
complex p ope y in espec o buildings can be summa ized as ollows:
Buildings:
a) Space di ision – Di ision o he spaces be ween each p i a e ac ion and di ision
be ween he sum o all he p i a e ac ions and he emaining pa s ha a e
ma e ially indi isible (we e e he e o he s ai s, common co ido s, oo ,
en ance, e c.).
b) Func ional di ision – Non-spa ial di ision, whose c i e ia is he unc ional
cha ac e o he building componen s ega dless o hei loca ion being wi hin o
ou side he p i a e ac ions. Technically, hese componen s a e ma e ially
indi isible, and i is no e en possible o ca y ou a legal abs ac ion o di ision.
In hese si ua ions, hese componen s wi h common unc ions a e mixed wi hin
he p i a e spaces, c ea ing an o e lap o legal egimes. Any a emp o ma e ially
131
o legally di ide hese componen s would esul in he loss o hei unc ionali y
(we e e he e o he building suppo s uc u e, suppo ing walls, wa e supply
sys ems, d ainage, elec ici y sys em, communica ions, e c.).
I he app oach o he legal o ganiza ion o buildings had s ayed pu ely spa ial, all
componen s essen ial o he p ope unc ioning o he building wi hin p i a e ac ions
would be p i a e. Tha means ha he cos o i s main enance would be p i a e bu he
bene i s would ine i ably be collec i e. As a esul , he e would be no main enance o
common unc ional componen s, which could lead o a collec i e agedy. Wi hou
adequa e legal solu ions o he ac ual ci cums ances o buildings, he owns we know
oday, al hough echnically possible, would be a poli ical impossibili y.
The legal amewo k o he condominium is a kind o hyb id p ope y; wi hou denying
he classic solu ion o di ision, i allows he in eg a ion o sepa a e and independen
ac ions wi h he unc ional uni o he en i e building in a symbio ic way. I s legi imacy
was based on i s abili y o e lec he ac s o a complex eali y, and o shape he need o
p ope y, use and main enance o he good h ough an equally complex model o o e lap
o he wo p ope y egimes.
I seems o us ha he g ea inno a ion was he s a ing poin o he analysis: i s ly,
he unc ional uni o he building was aken in o accoun h ough an iden i ica ion o he
s uc u al elemen s ensu ing sa e y and ope a ion, and only a e his ask had been ca ied
ou was he space di ision conside ed, which enabled goods ha a e unde a egime o
common owne ship o exis wi hin he p i a e spaces. I was h ough his in e nal
di e en ia ion ha de ining and delimi ing di e en esponsibili ies, du ies and equi able
con ibu ions o he main enance and p osecu ion o common in e es s we e possible.
This o e lap and coo dina ion o he ope a ions o di ision allowed symbio ically wha
was once a heo e ical impossibili y.
The inadequacy o so e eign y o e lec he eal si ua ion in he wo ld is appa en in
i s inabili y o e lec he in insic ac ual ea u es o he Ea h Sys em as a whole, ea ing
di e en eali ies equally.
I we adap scales and pe o m he same ope a ion on he common home o humani y,
he plane Ea h, we ind an almos pe ec simila i y ega ding he ype o
in e dependencies es ablished by ela ions be ween neighbou s who inhabi a ma e ially
indi isible building wi h a unc ional uni .
132
The g owing disjunc ion be ween he unc ional domain o biogeophysical
in e connec ions and he e i o ial scope o so e eign y has ans o med he classic
Wes phalian app oach in o an ecological nonsense.2 The necessa y e olu ion o he
concep o so e eign y lies in i s abili y o in eg a e he eali y o he exis ence o a
bo de less global common ha is no limi ed o he emaining a eas o so e eign y. And
om his in eg a ion, in u n, mus eme ge a concep o so e eign y ha e lec s a he
han de ies en i onmen al eali y (B unnée 1998). I i is ue ha in e na ional commons
a e h ea ened due o echnological p og ess and inc eased esou ce compe i ion, and o
each he poin whe e “ he in e na ional commons mus hus e ol e o su i e”
(Shackel o d 2008:104), i is equally ue ha all so e eign ies a e also h ea ened by he
"global commons" s ill being subjec o a legal unce ain y and un egula ed use, as is he
case wi h he Ea h Sys em (which includes he clima e).
The solu ion will ine i ably be a legal cons uc ion, and he e o e he echnical choices
o ope a ionalizing a global esponse a e no di e en . These choices can esul in ei he
a global con lic , as a wa o all agains all, o he c ea ion o a pla o m o solida i y, a
o e unne o a globally o ganized socie y.
A new o ganiza ion o global neighbou ly ela ions equi es an app oach wi h he
abili y o e lec he o e lap o hese wo eali ies. Fo his, a dualis ic app oach on a
global scale becomes necessa y, as i akes in o accoun no only he exis ing e i o ial
di ision (whe e global commons a e only he emaining a eas o so e eign y) bu , in an
o e lapped manne , iden i ies he unc ional elemen s esponsible o he s a e o he
Ea h Sys em.
Acco dingly, he co esponding bio-geochemis y s uc u e o he a ou able s a e o
he Holocene pe iod should be iden i ied as he mos impo an common esou ce, which
should be he subjec o a legal de ini ion and be co e ed by a legal sys em egula ing i s
use.
The Ea h condominium would hen be he legal ep esen a ion o a eali y in which
he e is a clea o e lap and mix be ween he angible and in angible dimensions o he
Ea h Sys em. Legally i would be a jux aposi ion be ween he angible e i o ial a eas o
he Ea h Sys em unde he so e eign ju isdic ion o s a es, and he en i e in angible
s uc u e ha mo es h ough he a mosphe ic and oceanic ci cula ion and biogeochemical
cycles ha , oge he , de e mine he mo emen o ene gy and ma e ials h ough he Ea h
Sys em, and on which i is impossible o ca y ou any ype o owne ship o legal
abs ac ion o di ision, and he e o e is uly a common good.
!
!
4!
!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
$
Q10.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!be! he!challenges! ha !a e!likely! o! ace!CHH!in! he!sho -! e m!
and!long! e m?!
2018$$
Cong ess$
Posi ionning$$
Swedish$p ize$
2019$
Consolida ion$o $ he$s uc u e$
Globaliza ion$o $ he$message$
2020$$
$Repu a ion$$
$
Sho - e m:! o! o m!a! eam!buil !on!i s!scien i ic!me i !wi h! e y! a o able!condi ions! o!
wo k!
Long! e m:!buil !a!well!known! epu a ion! ha !will!allow! o!in luence! he!global!decision-
make s!!!
!
!
1!
NAME:%F ancisco%Fe ei a%
INSTITUTION:%ZERO%–%Associa ion% o % he%Sus ainabili y%o % he%Ea h%Sys em%
ROLE%IN%THE%CURRENT%ACTIVITIES%OF%CHH:%%Membe %o % he%Boa 4d%
%
!
Q1.!Wha !is! he!one!main! eason! o !you/!you !ins i u ion! o!suppo !CHH?!
!
Q2.!Wha !is! he!mos !a ac i e! ea u e!o !CHH?!
!
-!The!p ojec !is! ully!in!line!wi h! he!goals!o !ZERO;!
-!The!concep !makes!sense! o!be!discussed!and!implemen ed!and!may!enable! u he !
de elopmen s!a ! he!global!le el;!
-!i !can!be!seen!as!a!complemen a y! amewo k! o!cu en !in e na ional!nego ia ions!o !
en i onmen al!c i ical!issues;!
-!I !enables!di e en !people!and!ins i u ions! o!build!a!new!model!o !unde s anding!and!
possible! uling!o ! he!wo ld;!
-!The!u opian!goal!
-!The!di e se!ins i u ions! ha !may!join!
-!The!inno a i e!app oach!
!
!
2!
Q3.!Wha !do!you! hink!is/!will!be!you ! aluable!inpu ! o! he!es ablishmen !o !CHH?!!
!
Q4.!Do!you!see!you ! ole/!con ibu ion!e ol e!in!CHH! om!wha !i !is!now! o!wha !i !would!be!once!
CHH!is!an!independen !legal!en i y?!I !yes,!could!you!explain! his!in!one!sen ence?!
!
Q5.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine! he!s eng h!o !CHH!as!an!o ganisa ion?!
- The!capaci y! o!c ea e!a!global!e o ! o!implemen !a!new!inno a i e!app oach! o!de ine! he!
ela ionships!be ween!S a es,!communi ies,!o ganisa ions.!
-!To!help! he!bu eauc a ic!p ocesses!in! he! i s !s ages!
-!The!knowledge!o !in e na ional!nego ia ions!
!
-!ZERO!will!concen a e!mo e!in! he!goals!and!discussions!lea ing!i s!bu eauc a ic!
suppo ! ha !is!helping! he!p ojec ! o !now!
!
!
!
3!
Q6.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine!success!o !CHH!in! he!sho - e m!and!in! he!long- e m?!
Q7.!Wha !do!you!see!as! he!single!bigges !challenge! aced!by!CHH! oday?!
- Ge !in e na ional!!ins i u ions,!pa icula ly!coun ies,! o!join!
!
ST:!become!a!legal!en i y!wi h!clea !go e nance! ules!and!objec i es!
LT:! o!be!hea d!by!in e na ional!ins i u ions!and! o!ha e!i s!p oposals!unde aken!by!
S a es;! o!be!conside ed!as!an!in e na ional!c edible!en i y! o! ame! he!wo k!o !
en i onmen al!global!p oblems!!
!
!
4!
Q8.!Wha !a e! he! h ee!main!a eas! ha !CHH!should! ocus!on! o!es ablish!i s!in eg i y!as!an!
independen !globally! epu able!o ganisa ion?!
!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
-!Ha e!ex emely!c edible!and! easible!objec i es!wi h!a!pa hway! ha !makes!sense!and!is!
anspa en ! o !all! he!pa icipan s! ha !may!join!
-!Become!endo sed!by!o he !no able!ins i uions!/!coun ies!
-!Se !up!a! amewo k!o !ac ion! ha !is!inspi a ional!and! ealis ic!
2018(–(G ea (Con e ence(
(
(
2019(–(Se e al(coun ies(and(in e na ional(well-known(and(
c edible(ins i u ions(as(pa (o ( he(CCH(
(
(
2020(–(S a ( o(become(a(pa ne (a ( he(in e na ional(
nego ia ions(le el(
!
!
5!
!
Q10.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!be! he!challenges! ha !a e!likely! o! ace!CHH!in! he!sho -! e m!
and!long! e m?!
ST:! o!ge !a!su icien !numbe !o !in e na ional!membe s! ha !would!suppo ! he! oice!
and!ac ion!o ! he!CCH!
LT:!be! ecognised!in e na ionally!
!
!
1!
NAME:%%%%%%%%%%%%Klaus%Bosselmann%
INSTITUTION:%% Uni e si y%o %Auckland%
ROLE%IN%THE%CURRENT%ACTIVITIES%OF%CHH:%%Co-Chai ,%Scien i ic%Ad iso y%Boa d%
%
!
Q1.!Wha !is! he!one!main! eason! o !you/!you !ins i u ion! o!suppo !CHH?!
!
Q2.!Wha !is! he!mos !a ac i e! ea u e!o !CHH?!
!
CHH!is!applied!Ea h!ju isp udence,!p omo es!a!simple!and!sound!idea!and!complimen s!
similia !ini ia i es! owa ds!ecological!app oaches! o!law!and!go e nance!!I!am!in ol ed!wi h!
(Ecological!Law!and!Go e nance!Associa ion,!Plane a y!In eg i y!P ojec ,!UN!Dialogue!
Ha mony!wi h!Na u e,!eco-cons i u ionalism).!
The!idea!o !Ea h!as!a!scien i ic,!physical,!ecological!and!e hical!whole!is! imely!and!
inc aasingly!popula .!!I ! i s! he!An h opcene!and! he!g owing!conce n! o !long- e m!and!
uly!“global”!go e nance.!CHH’s!mos !a ac i e! ea u e!is!i s!in e disciplina y!app oach,!
i.e.! om!Ea h!scien is s! o!en i onmen al!lawye s!and!–!a !leas !po en ially!–!poli ical!
ins i u ions.!This!makes!CHH!c edible.!
!
!
2!
Q3.!Wha !do!you! hink!is/!will!be!you ! aluable!inpu ! o! he!es ablishmen !o !CHH?!!
!
Q4.!Do!you!see!you ! ole/!con ibu ion!e ol e!in!CHH! om!wha !i !is!now! o!wha !i !would!be!once!
CHH!is!an!independen !legal!en i y?!I !yes,!could!you!explain! his!in!one!sen ence?!
!
Q5.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine! he!s eng h!o !CHH!as!an!o ganisa ion?!
!
Q6.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine!success!o !CHH!in! he!sho - e m!and!in! he!long- e m?!
!
My!expe ise!in!app oaching!law!and!go e nance! om!an!ecological!pe spec i e!( a he !
han! he!o he !way! ound).!The!pa adigm!shi !“ om!en i onmen al!law! o!ecological!
law”!(Oslo!Mani es o)!has! aken!hold!in!mains eam!en i onmen al!law!and!will,!o e !
ime,!change!me hodology!and!di ec ions!o !decision-making!a !all!le els!(global,!
egional,!na ional!and!sub-na ional).!Howe e ,!we!a e! alking!decades!he e,!no !jus !
yea s.!I !is!impo an ! o !!CHH! he e o e! o!appeal! o! hose!in e es ed!in!con ex ual,!long-
e m!decision-making!(global!go e nance!ins i u ions,! hink! anks,! ounda ions,!ci il!
socie y!ne wo ks,!p og essi e!go e nmen al!agencies)! a he ! han!cu en !powe !cen e s!
(big!s a es,!co po a e!and! inance!sec o ).!!
I!see!my! ole!as!an!ad iso !( om!an!social!sciences!and!ac i is s!pe spec i e)!and!
acili a o !be ween!CHH!and!o he !s akeholde s!and!in i ia i es!(see!abo e).!!
I s!in e disciplina y!app oach!and!expe ise!as!men ioned.!CHH’s! eal!(=poli ical)!s eng h!
depends!on! inding!s a egic!allies:!in e na ional!o ganisa ions!(e.g.!UNESCO,!EU!
agencies),!global!NGOs!and!indi idual!go e nmen s!o !go e nmen al!agencies.!Finding!
s ong!allies!will!be!c ucial! o !CHH’s!success.!
!
!
3!
!
Q7.!Wha !do!you!see!as! he!single!bigges !challenge! aced!by!CHH! oday?!
!
The!numbe !and!signi icance!o !s a egic!allies.!In! he!sho - e m:!NGOs,!UNESCO,!
Po uguese!go e nmen .!In! he!long- e m!se e al!p og essi e!s a es!(e.g.!No way,!
Finland,!Ne he lands,!Ge many,!!Mal a,!New!Zealand)!and!UN.!
Funding!is!a!big!challenge.!One!o ! wo!sponso s!may!be!needed! o! un!a!small!
sec e a ia ,!ge !PR!going!and!o ganize!con e ences.!Impo an !s a ing-poin !is!a!mo e!
elabo a e!websi e!(showing!pa ne s,!e en s!and!ways! o!ge !in ol ed).!Any!di icul ies!
associa ed!wi h! unding!a e! o!due! o! he!sho - e m!economic!pa adigm! ha !mos !
unding!isns i u ions!a e!caugh !up!wi h,!bu !should!no !de e !us! om! ying.!Good!ideas!
ake! ime.!The!idea!o !Ea h!as!a!legal!en i y!ce ainly! akes! ime! o!sink!in!and! o!
unde s and!i s!p ac ical! ele ance.!!This!makes!i !impo an ! o!see!CHH!as!an!educa ional!
p ojec ! a he ! han!a!quick! ix! esponse! o! he!p edicamen !o !global!en i onmen al!
deg ada ion.!!
!
!
4!
Q8.!Wha !a e! he! h ee!main!a eas! ha !CHH!should! ocus!on! o!es ablish!i s!in eg i y!as!an!
independen !globally! epu able!o ganisa ion?!
!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
1. Secu e! unding!base.!
2. A ac !c edible!pa ne s!and!allies!(see!abo e).!
3. Run!success ul!con e ences!and!educa ional!ini ia i es!(incl!social!media!).!
2018((((Con e ence:(academic,(bu (in ol ing(poli ical(
ins i u ions.(Es ablish(a(small(sec e a ia .(
(
(
2019((((New(pa ne s:(UNESCO,(go e nmen al(agencies.(
(
2020((((UN-ini ia i e:( e iew(o (SDGs(o (UNGA( esolu ion(
(
!
!
2!
ha !c osses!all!peoples,!cul u es,!and! eligions!in!all!geog aphies!o ! he!plane .!We!can!conside !i !a!
mode n!scien i ic!and!legal! ep esen a ion!o ! he!p e iously!inexplicable!"mo he !na u e".!The! uly!
Common!He i age!o !Humani y.!
!
!
Q3.!Wha !do!you! hink!is/!will!be!you ! aluable!inpu ! o! he!es ablishmen !o !CHH?!!
!
Q4.!Do!you!see!you ! ole/!con ibu ion!e ol e!in!CHH! om!wha !i !is!now! o!wha !i !would!be!once!
CHH!is!an!independen !legal!en i y?!I !yes,!could!you!explain! his!in!one!sen ence?!
!
Q5.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine! he!s eng h!o !CHH!as!an!o ganisa ion?!
!
To!con inue! his!pa h!o ! heo e ical!cons uc ion!and!cons uc ion!o !p ac ical! ools! ha !
allow!us! o!conc e ize! his!e olu ion,!always!main aining! he!p uden !doub !and! he!
humili y!o !lea ning!wi h!e e yone.!
No.!I !e e yine! ill! ha !my!con ibu ion!s ill!being!necessa y,!I!will!con inue!building! he!
home!and! he!concep .!
The!possibili y!o ! he!Common!Humani y!becoming!no !only!a! ocal!poin ! o ! he!exchange!o !
knowledge!be ween!scien is s!o ! a ious!a eas!o !knowledge!bu !abo e!all!a!space!o !shel e ,!
bond,!and!iden i y!o !a!global!ci izenship,!which! equi es!a!Locus!whe e! o!ancho ! he!I s!
exis ence.!I !Common!House! ansla es!in!p ac ical! e ms!in o!a!he i age! ha !uni es!us!all,!
his!new!en i y!can!become! he!space!whe e!common!in e es s!a e!discussed!and!
de eloped,!and!whe e! hese!and! u u e!gene a ions!ha e!an!iden i ica ion!and!belonging.
!
!
!
3!
Q6.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine!success!o !CHH!in! he!sho - e m!and!in! he!long- e m?!
Q7.!Wha !do!you!see!as! he!single!bigges !challenge! aced!by!CHH! oday?!
To!be!able! o!asse !i sel !no !only!as!one!among!so!many!p oposals! o !a!solu ion,!bu ! o!be!
ecognized!as!one! ha !is!p ope ly!g ounded!in!science!and!law,!and!which!has!a!g ea e !ma gin!o !
p og ession!and!abili y! o!explain! he! eali y!in!which!we!li e.!The!one! ha ! ep esen s! he!claimed!
e olu ion!and! ha !is!scien i ically! ealis ic!and!humanly! iable.!
!
!
Sho - e m!-!Cons uc ion!o !an!adminis a i e! eam,! inancial!suppo ,!o ganiza ion!o ! he!
in e na ional!con e ence!wi h!all!necessa y!p omo ional!ma e ial,!and!in e na ional!launch!o !
he!campaign! o ! he! ecogni ion!o ! he! e es ial!sys em!as!a!Wo ld!He i age!Si e.!
!
Medium- e m!-!Recogni ion!o ! he! a o able!s a e!o ! he!Ea h!Sys em!as!a!Wo ld!He i age!
Si e!
!
Long-Te m!-!Cons uc ion!and!ins i u ionaliza ion!o !a!managemen !sys em! o ! he!use!and!
main enance!o ! he! a o able!s a e!o ! he!Te es ial!Sys em,!wi h!economic! isibili y.!
!
!
!
!
4!
Q8.!Wha !a e! he! h ee!main!a eas! ha !CHH!should! ocus!on! o!es ablish!i s!in eg i y!as!an!
independen !globally! epu able!o ganisa ion?!
!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
Funding!
Science!e idence!
Di e si y!os!suppo e s!/s a es!and!indi dual7!associa i e!
2018(majo (con e ence(in(Po o,(in oducing(CHH( o( he(
wo ld(
2019(-(submission(o ( he(Ea h(Sys em(as(common,(
in angible(na u al(he i age( o( he(Wo ld(He i age(
Commission(o (UNESCO((
2020(-(ha e(a(sp eading(base(o (suppo ,(bo h(in(human(
esou ces(and(in( unding,(and(p omo ong( he(e olu ion(o (
he(ESAF(
(
(
(
!
!
5!
!
Q10.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!be! he!challenges! ha !a e!likely! o! ace!CHH!in! he!sho -! e m!
and!long! e m?!
Sho - e m!-!Solid! unding!base!!
Long- e m!–!To!know!always!being!an!elemen !o !p omo ing!and!making!e olu ion,!wi hou !
making!big!dis up ions.!
!
!
!
1!
NAME:%P ue%Taylo %
INSTITUTION:%Uni e si y%o %Auckland%
ROLE%IN%THE%CURRENT%ACTIVITIES%OF%CHH:%%con ibu o % o%one%publica ion%%
%
!
Q1.!Wha !is! he!one!main! eason! o !you/!you !ins i u ion! o!suppo !CHH?!
!
Q2.!Wha !is! he!mos !a ac i e! ea u e!o !CHH?!
!
Q3.!Wha !do!you! hink!is/!will!be!you ! aluable!inpu ! o! he!es ablishmen !o !CHH?!!
CCH!concep ualises! he!p oblems!we! ace!in!a!new!and!compelling!manne .!CCH!has!begun!
he! ask! o ! aming!e hical,!policy!and!legal! esponses!in!a!manne ! ha !(while! e y!
challenging)!has!g ea !me i !and! he e o e!po en ial.!CCH!helps!us! o!communica e!mo e!
e ec i ely!and! he e o e! o!ad oca e!as!a!collec i e.!!
The!collec i e!e o ! ha !we!a e!engaged!in!and! he! ac ! ha !CCH!has!an!in e disciplina y!
pe spec i e!on!global!ecological!go e nance.!In!addi ion,!CCH!is!cu en ly!comp ised!o !
people! om!a! ange!o !di e se!cul u es!–!ie!no !exclusi ely!Anglo/Ame ican.!This!helps!
o ! he!exchange!o !ideas!and!pe spec i es.!
I! hink!I!can!bes !con ibu e! o!discussion!abou !e hical/legal!concep s!and! hei !po en ial!
de elop!policy!and!law.!In!pa icula ,!I!am!able! o!con ibu e! o! he!in eg a ion!o !new!
concep s!o ! he!commons!and!commoning,!wi h!policy!and!law.!My!expe ience!in!
wo king!on!clima e!change!issues!and!law!o ! he!sea!issues!will!also!be!help ul.!
!
!
2!
!
Q4.!Do!you!see!you ! ole/!con ibu ion!e ol e!in!CHH! om!wha !i !is!now! o!wha !i !would!be!once!
CHH!is!an!independen !legal!en i y?!I !yes,!could!you!explain! his!in!one!sen ence?!
!
Q5.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine! he!s eng h!o !CHH!as!an!o ganisa ion?!
!
Q6.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine!success!o !CHH!in! he!sho - e m!and!in! he!long- e m?!
!
I! hink!I!am!bes !able! o!help! h ough! he!communica ion!o ! ole!and!wo k!o !CCH,!and!
h ough!ad ocacy.!!
I s!abili y,! oge he !wi h!o he !e ec i e!pa ne s!wi h!long!s anding!in e na ional!
c edibili y,! o!communica e!a!clea /inspi ing!and!e ec i e!concep ! o !global!ecological!
go e nance.!!
E idence!o !g owing!in e es !and!suppo ! o ! he!ideas!o !CHH.!Pa ne ship!wi h!
o he !o ganisa ions! ha !a e!suppo i e.!A! egula !and!g owing!p o ile!a ! ele an !
in e na ional! o a.!Con ibu ions! om!a!g owing!a ay!o !disciplines.!An!e ol ing!
discou se!abou !ecological! esponsibili ies!a !all!le els:!global,!in e na ional,!
egional,!na ional,!local.!This!would!include!signs!o !mo ing!beyond! adi ional!
legal!and!policy! esponses,!and!a!p epa edness! o! y!ou !no el!concep s,!as!
oppo uni ies!eme ge.!
!
!
3!
Q7.!Wha !do!you!see!as! he!single!bigges !challenge! aced!by!CHH! oday?!
!
Q8.!Wha !a e! he! h ee!main!a eas! ha !CHH!should! ocus!on! o!es ablish!i s!in eg i y!as!an!
independen !globally! epu able!o ganisa ion?!
!
Main aining!momen um!and!ene gy,!wi hou !exhaus ing!key!people.!Keeping! ai h!as! he!
asks!o !CHH! equi e!a!long! e m!pe spec i e.!De eloping!and!main aining!poli ical!
suppo !–!whe e!necessa y!and!help ul.!Ensu ing! ha ! he!mission!o !CHH! emains!
cohe en !and! ocused.!
I!don’ ! eel! ha !I!ha e! he!expe ience/expe ise! o!help ully!answe ! his!ques ion.!
!
!
4!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
$
Q10.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!be! he!challenges! ha !a e!likely! o! ace!CHH!in! he!sho -! e m!
and!long! e m?!
2018$(no e$–$I$would$p obably$add$ he$same$ hings$as$Klaus$
has$he e,$bu $…$in$my$ iew$ he$suppo $o $some$key$na ion$
s a es$and$ hei $leade ship$would$be$c i ical.$They$can$
acili a e$a$willingness$ o$discuss$and$explo e$CHH$ a he $
han$ ea $i $wi h$suspicion$and$dismiss$i .$
$
$
2019$
$
$
Bo h!sho !and!long! e m:!Main aining!momen um/ene gy!and! ocus!while!a ! he!same!
ime! u he !de eloping! he!concep !and!ensu ing!suppo !-!wi hou !des uc i e!
comp omise.!!
!
!
1!
NAME:%Sand a%En ei iço%
INSTITUTION:%Po uguese%Go e nmen %–%Cabine %o % he%Minis e %o % he%En i onmen %
ROLE%IN%THE%CURRENT%ACTIVITIES%OF%CHH:%%Rep esen a i e%o % he%Po uguese%Minis y%o % he%
En i onmen ,%acco ding% o% he%P o ocol%signed%in%15 h%July%2016%
%
!
Q1.!Wha !is! he!one!main! eason! o !you/!you !ins i u ion! o!suppo !CHH?!
!
Q2.!Wha !is! he!mos !a ac i e! ea u e!o !CHH?!
!
The!awa eness!o ! he!need! o! ind!a!new!global!go e nance!model! o!add ess! he!cu en !
h ea s!o ! he!plane ,!namely!clima e!change!and! he!o he !“plane !bounda ies”.!
The!p oposal!o !a!new!global!go e nance!model! ha !may!sol e!all! he!en i onmen al!
ex e nali ies!a !once.!
!
!
2!
Q3.!Wha !do!you! hink!is/!will!be!you ! aluable!inpu ! o! he!es ablishmen !o !CHH?!!
!
Q4.!Do!you!see!you ! ole/!con ibu ion!e ol e!in!CHH! om!wha !i !is!now! o!wha !i !would!be!once!
CHH!is!an!independen !legal!en i y?!I !yes,!could!you!explain! his!in!one!sen ence?!
!
Q5.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!de ine! he!s eng h!o !CHH!as!an!o ganisa ion?!
!
Po ugal!is! he! i s !“s a e”! o!join! his!mission.!We!hope!we!can!help!ei he !by!p o iding!
he!“s a e”! ision!and!by!joining!o he !“s a es”! o!CHH.!
The!de elopmen !o ! he!p ojec !will! equi e!di e en !con ibu ions!o ! he!membe s.!
The!inno a i e!concep .!
!
!
4!
!
Q9.!Wha !do!you!see!as! he!one!impo an !CHH!engagemen !and/o !achie emen !in!!
!
$
Q10.!Wha ,!acco ding! o!you,!would!be! he!challenges! ha !a e!likely! o! ace!CHH!in! he!sho -! e m!
and!long! e m?!
2018$–$majo $con e ence$in$Po o,$in oducing$CHH$ o$ he$
wo ld$$
$
2019$–$submission$o $ he$Ea h$Sys em$as$common,$
in angible$na u al$he i age$ o$ he$Wo ld$He i age$
Commission$o $UNESCO$(i $may$no $succeed$bu $would$a$
emendous$educa ional$endea ou ).$
2020$–$ha e$a$sp eading$base$o $suppo ,$bo h$in$human$
esou ces$and$in$ unding,$allowing$many$mo e$educa ional$
and$legal$ac i i ies$
$
The e!is!one! e y!big!po en ial!challenge!–!i !CHH!achie es!much!highe !s a us!and!
in luence!in!in e na ional! hinking,! he!dominan !wo ld!powe !s uc u es!and!economic!
playe s!will!come!a e !i !and! y! o!disc edi !i .!So!we!need! o! hink!o !whe e! isks!and!
h ea s!lie!as! he!CHH!concep !de elops.!