Resumo
A abe u a ao público do Museu Calous e Gulbenkian, em Ou ub o de 1969, esul-
ou de um longo p ocesso de p og amação, iniciado em Julho de 1956, alice çado
no abalho con inuado de uma equipa ixa, in o mado pelo con ibu o ines imá el
de um nume oso conjun o de consul o es pe manen es e de consul o es pon uais.
O p esen e a igo esul a da in es igação desen ol ida no âmbi o da nossa disse -
ação de mes ado em Museologia e Pa imónio, no qual, com base na análise de um
conjun o de documen os de p og amação do Museu Calous e Gulbenkian, p ocu á-
mos iden i ica os con ibu os de Ma ia José de Mendonça e de Geo ges-Hen i
Ri iè e pa a a génese da exposição pe manen e daquele Museu. Geo ges-Hen i
Ri iè e, en ão di ec o do ICOM, oi, a pa i de 1958, consul o pe manen e da Fun-
dação Calous e Gulbenkian, na á ea da museologia. Pa a es e b e e a igo ecupe-
ámos, daquele es udo académico, um conjun o de p opos as de p og amação pa a
o Museu Calous e Gulbenkian pa en es em cinco ela ó ios de consul o ia ( ês deles
inédi os) assinados po Ri iè e. Sabemos hoje, que umas não passa iam pa a a p o-
g amação de ini i a do edi ício do Museu, enquan o ou as cons i uí am con ibu-
os di ec os dessa pe sonalidade maio da museologia do século XX, ma cando, na
sua génese, a p og amação da exposição das gale ias públicas do Museu. •
Abs ac
The opening o he Calous e Gulbenkian Museum, in Oc obe 1969, esul ed om
a long p ocess o p og amming, begun in 1956, oge he wi h he wo k o a eam,
in o med by a p iceless con ibu ion o a numbe o pe manen consul an s and em-
po a y consul an s.
The p esen a icle is he p oduc o an in es iga ion which was de eloped in he con-
ex o ou mas e ’s hesis in Museum S udies and He i age, in which, based on he
analysis o se e al p og amming documen s o he Calous e Gulbenkian Museum, we
ha e ied o iden i y he con ibu ions o Ma ia José de Mendonça and Geo ges-Hen-
i Ri iè e, hen di ec o o he ICOM who was also om 1958 he pe manen consul-
an o he Calous e Gulbenkian Founda ion, in he a ea o museum s udies. Fo his
b ie a icle we ha e eco e ed, om ha academic s udy, a numbe o p oposed p o-
g ammes o he Calous e Gulbenkian Museum belonging o i e consul an epo s
( h ee o which unpublished) signed by Ri iè e. We know oday ha some did no go
h ough o he de ini i e p og amme o he Museum, while o he s we e di ec con-
ibu ions o his g ea pe sonali y o 20 h cen u y museology, who ma ked he exhi-
bi ion p og amme o he public galle ies o he Museum. •
pala as-cha e
P og amação museológica
Museu Calous e Gulbenkian
Geo ges-Hen i Ri iè e
key-wo ds
Museum p og amming
Calous e Gulbenkian Museum
Geo ges-Hen i Ri iè e
Um museu-monumen o:
o p o agonismo decisi o
de José de Aze edo Pe digão
A exposição pe manen e do Museu Calous e Gulbenkian (MCG) cons i ui um dos
eixos de iden idade ins i ucional da Fundação Calous e Gulbenkian (FCG). Desde a
génese des a Fundação, em-se man ido uma iden i icação en e o Museu e a expo-
sição pe manen e desse museu. Em g ande pa e da documen ação de p og amação
po nós es udada, essa exposição su ge eco en emen e iden i icada como “museu”,
e is o apesa de a e en e de p og amação exposi i a empo á ia do Museu Calous e
Gulbenkian se mui o dinâmica.2
A colecção de a e que es á no ce ne des e museu3 oi eunida po Calous e Gulben-
kian (1869-1955) e legada pelo coleccionado à undação po ele ins i uída no seu
es amen o. As decisões ela i as à p og amação e à ges ão da colecção êm cabido
in ei amen e aos adminis ado es da Fundação, dado que no es amen o do bene-
mé i o milioná io são inexis en es e e ências di ec as a qualque museu. José de
Aze edo Pe digão (1896-1993) oi consul o ju ídico de Calous e Gulbenkian,
du an e os eze anos em que es e cidadão a ménio e inglês i eu em Po ugal
GEORGES-HENRI RIVIÈRE
NA GÉNESE DO MUSEU
CALOUSTE GULBENKIAN.
CONTRIBUTOS PARA O ESTUDO DA COLABORAÇÃO
ENTRE O MUSEÓLOGO FRANCÊS
E A FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN1
SOFIA LAPA
Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH/UNL,
linha de Museum S udies.
Bolsei a de Dou o amen o da FCT
(SFRH/BD/65696/2009).
1Pa a o es udo do ema do p esen e a igo o am
undamen ais as ob as:
Sede e Museu Gulbenkian.
Ensaios
(Ca álogo da Exposição e CD ROM) com
concepção e coo denação cien í ica de Ana Tos ões
(Ma ço 2006) e
Fundação Calous e Gulbenkian.
Os Edi ícios
(Li o e DVD), da mesma au o a (De-
zemb o 2006). A in es igação que es á na base
des e a igo con ou ambém com o imp escindí el
apoio di ec o da p o esso a dou o a Ana Tos ões,
ao disponibiliza -me o acesso a documen ação eu-
nida no âmbi o da p epa ação da exposição e das
publicações da FCG a ás e e idas.
2Desde a abe u a do MCG ao público, em Ou u-
b o de 1969, a p og amação de exposições empo-
á ias em sido ma cada po o que pode se desig-
nado de
e ei o comemo a i o
, azendo coincidi
as da as de inaugu ação com da as em que se co-
memo am ani e sá ios do nascimen o ou da mo -
e de Calous e Gulbenkian, da c iação o icial da
FCG, ou da inaugu ação do Museu. VID.: www.mu-
seu.gulbenkian.p : “exposições passadas”.
3A Colecção do Museu Calous e Gulbenkian é o -
mada po “6440 peças”. IN.: FCG, 1981, 80.
89
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
(1942-1955), oi seu execu o es amen á io, e
us ee
, conjun amen e com Ke o k
Lo is Essayan (gen o de Gulbenkian) e com Lo d Radcli e (que, logo em 1956, na
sequência da decisão de localiza a sede da undação em Lisboa, ecusa ia exe ce
aquelas unções). Pe digão e Essayan o am igualmen e escolhidos po Gulbenkian
como adminis ado es i alícios da FCG. P esiden e do Conselho de Adminis ação4,
José de Aze edo Pe digão (JAP) oi o p o agonis a decisi o na de inição de uma ideia
de museu-monumen o a Calous e Gulbenkian, alidando um p og ama museológico
e o p ojec o a qui ec ónico que o eio supo a .
A 20 de Junho de 1956, na p imei a sessão o icial da FCG5, JAP anunciou a c iação “ime-
dia a” de “qua o ó gãos de consul a, es udo e in o mação” da FCG: o “conselho de
bene icência”, o “conselho das belas a es”, o “conselho da educação” e o “conselho da
in es igação cien í ica” (Pe digão, 1960, 33), escla ecendo que “esses conselhos se ão
o mados po um núcleo de pessoas das mais expe imen adas e das mais conhecedo-
as da gene alidade dos p oblemas p óp ios de cada um dos e e idos amos de ac i i-
dade da Fundação. Inicialmen e cons i uídos po um núme o limi ado de pessoas,
pode ão, oda ia, com a conco dância do conselho de adminis ação, ag ega a si, pa a
o es udo de ce os p oblemas pa icula es, especialis as nacionais ou es angei os.”
(Pe digão, 1960, 33). E assim eio a sucede . Nos eze anos que du ou o p ocesso de
p og amação, p ojec o e cons ução dos edi ícios do museu e da sede (edi ícios di ec-
amen e elacionados en e si), as equipas esponsá eis po esse p ocesso o am
so endo e o mulações em e mos da sua composição, sob e udo no sen ido de um ala -
gamen o do núme o de colabo ado es, passando os “ó gãos de consul a, es udo e
in o mação”, inicialmen e designados “conselhos”, a se designados po “se iços”.
Logo em Se emb o de 1956, no seio do “Se iço de P ojec os e Ob as” (SPO), oi
c iado o “G upo de abalho de p og amação das ins alações do museu e sede da
Fundação Calous e Gulbenkian”, endo ido como coo denado es o engenhei o Luís
de Guima ães Loba o (LGL), que di igia o SPO, e Ma ia José de Mendonça (MJM)
(1905-1976), en ão conse ado a e ec i a do Museu Nacional de A e An iga.
O engenhei o Loba o o a chamado em 1956, po Pe digão, pa a da o seu pa ece
sob e o local da edi icação da sede e do museu da FCG na cidade de Lisboa, ag e-
gando a si a colabo ação dos ês elemen os da sua equipa do “Gabine e de Es u-
dos U banos” da Câma a Municipal de Lisboa: o engenhei o Hipóli o Raposo e os
a qui ec os Jo ge So o-Mayo e José da F ança Somme Ribei o (1924 – 2006)
(Tos ões, 2006 b: 42-43). Es e úl imo a qui ec o, eio a se um dos p incipais p o-
agonis as da mon agem
de ini i a
da exposição pe manen e, pa en e ao público ao
longo de in a anos, en e Ou ub o de 1969 e Ou ub o de 1999.6O p ocesso de
escolha de um luga pa a cons ui os edi ícios da sede e do museu e o pa que da
FCG icou esol ido em Janei o de 1957.7A aquisição do Pa que de San a Ge u-
des, à Palha ã, oi o malizada nos Paços do Concelho, a 30 de Ab il de 1957 (Tos-
ões, 2006 b: 52).
Ma ia José de Mendonça in eg ou o p imei o núcleo du o da p og amação do Museu
da FCG. Em Se emb o de 1956, iniciou a sua colabo ação com a FCG, ligando-se
4José de Aze edo Pe digão p esidiu ao Conselho
de Adminis ação da FCG a é 1985 (da a em que
comple a a já 93 anos de idade).
5No deco e do p imei o ano após a mo e de Ca-
lous e Gulbenkian, JAP deu o ma ju ídica à FCG,
sendo os Es a u os des a ins i uição publicados no
Diá io da República
a 18 de Junho de 1956 (Dec e-
o-Lei 40 690, 18 Julho 1956). Mas o p ocesso de
pleno econhecimen o in e nacional do di ei o da
FCG à he ança legada po C. Gulbenkian só icou
concluído em 1958, sendo en ão os colabo ado es
dos “Se iços” in eg ados num quad o de pessoal.
VID.: SPO, Luís de Guima ães Loba o,
Rela ó ios
de ac i idade de No emb o de 1956 a Junho de
1958,
2 de Junho de 1958, pág. 1. A.FCG.
6 De ido a uma necessá ia mode nização écnica
do edi ício do Museu, a gale ia de exposição pe -
manen e es e e ence ada po um pe íodo de
quase dois anos, en e Ou ub o de 1999 e Junho
de 2001. O guião o iginal des a exposição, man-
ido du an e o longuíssimo manda o da di ec o a
Ma ia Te esa Gomes Fe ei a (1969-1998), em
ambém sido man ido sob a ac ual di ecção do
Museu, assumida po João Cas el-B anco Pe ei a,
em 1999. Mas, se du an e o pe íodo de ence a-
men o não se p ocedeu a uma ep og amação da
exposição pe manen e do Museu, o am, ainda
assim, in oduzidas al e ações museog á icas sig-
ni ica i as. VID.: Lapa, 2009 (policopiado), 33-40.
O es udo da exposição pe manen e do Museu Ca-
lous e Gulbenkian cons i ui o eixo p incipal da in-
es igação de Dou o amen o em His ó ia da A e
– especialização Museologia e Pa imónio A ís i-
co que p esen emen e desen ol emos, com a
o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ra-
quel Hen iques da Sil a. O A qui o da Fundação
Calous e Gulbenkian (AFCG) conse a documen-
ação cujo o es udo, p e emos, pe mi i á e o ça
a excepcionalidade do abalho de p og amação
museológica des a ins i uição cinquen ená ia.
7VID.: SPO – Luís de Guima ães Loba o, Memo-
ando sob e a localização ins alações da Sede e
Museu da Fundação Calous e Gulbenkian. 13 de
Janei o de 1957. Documen o assinado po L. G.
Loba o. Da ado. 8 págs. AFCG.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
90 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
di ec amen e que à á ea da p og amação do Museu que à da p og amação de expo-
sições empo á ias. É da sua au o ia o documen o que lançou as p imei as linhas de
p og amação do Museu da Fundação Calous e Gulbenkian ( ela ó io da ado de
Dezemb o 1956)8. Nessa p imei a “concepção ge al do museu”, su ge a pe spec i a
de que o edi ício do museu que iesse a se cons uído pudesse se um edi ício que
“e ocasse o espí i o do Coleccionado ”. Po ém, nesse documen o, em que Ma ia José
de Mendonça ap esen a as linhas ge ais pa a “ ans o ma uma colecção pa icula ,
aliosíssima mas mui o he e ogénea, num museu”9, de ende ambém explici amen e
que a o ganização da exposição pe manen e não de e ia i a unciona como um
espelho do que o a a o ganização/a umação dada po Calous e Gulbenkian à sua
colecção no palace e pa isiense em que i eu.10 Pa a essa exposição, MJM p e ia
uma selecção das “melho es ob as de a e” da colecção, o ganizadas segundo um c i-
é io geog á ico e c onológico. A pa i de No emb o de 1956, passou a con a com
colabo ação di ec a da jo em conse ado a Ma ia Te esa Gomes Fe ei a e do o ó-
g a o Má io de Oli ei a. Foi sob a di ec a coo denação de Mendonça que se p oce-
deu ao in en á io da colecção de a e e oi ela a p incipal esponsá el pelo “esboço
do P og ama do Museu” (Junho 1957). Nes e documen o, elabo ado seis meses
depois do ela ó io inaugu al a ás e e ido, MJM p opôs que o museu osse o gani-
zado em ês g andes “sec o es”: An iguidades p é-clássica e clássica; A e do P ó-
ximo, do Médio e do Ex emo O ien e; e A e Ociden al. Cada um des es sec o es
es a a di idido em “núcleos” ipológicos.11 Com a c escen e especialização do a-
balho ligado à p og amação do Museu e das exposições empo á ias, oi decidida, em
Se emb o de 1957, a c iação do “Se iço de Belas-A es e do Museu”.12
Au o a do p og ama da exposição “A Rainha D. Leono ” [VID. a igo de Leono de Oli-
ei a nes e núme o da RHA], endo ido uma pa icipação, pon ual, na e is a
Coló-
quio. Re is a de A es e Le as
(Ma ço de 1959), Ma ia José de Mendonça oi ambém
quem supe isionou g ande pa e do p ocesso de ans e ência da colecção Gulben-
kian pa a Po ugal13 e oi co-au o a da e são inal do “P og ama do Museu”, ap e-
sen ado pelo Conselho de Adminis ação às equipas de a qui ec os con idadas pa a
desen ol e em p opos as de edi ícios pa a a sede e o museu da FCG. Em 1960, ainda
pa icipou nas p imei as discussões com Geo ges-Hen i Ri iè e, ela i as à ase de p o-
g amação museológica elacionada com a elabo ação do p ojec o do edi ício, o ien-
adas já pa a a e isão e ap o undamen o da p opos a que saiu encedo a do
concu so. Es a in ensa colabo ação, de quase cinco anos, e minou em Dezemb o de
1960, depois de Mendonça e is o acei e o seu pedido de demissão da FCG. 14 Com
a saída de MJM, o “Se iço de Belas A es e Museu” oi di idido em dois se iços au ó-
nomos: o “Se iço de Belas A es” e o “Se iço de Museu”. Ma ia Te esa Gomes Fe -
ei a, en e an o p omo ida a conse ado a-che e, passou a assegu a a coo denação
do “Se iço de Museu”. À semelhança do “Se iço de Belas-A es e do Museu”, o
“Se iço de Museu” e e duas unções undamen ais: a p og amação de ini i a do
u u o Museu e a o ganização de exposições empo á ias. Enquan o se p og ama a e
edi ica a, na Palha ã, o Museu, impo an es núcleos da colecção eunida e legada po
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
8Es e ela ó io oi anexado ao Memo ando sob e a
ac i idade do g upo de p og amação das ins ala-
ções do museu e sede da Fundação Calous e Gul-
benkian, 15 de Janei o de 1957. Des e ela ó io
apenas conhemos as passagens ci adas po JAP
no
Rela ó io do P esiden e
. VID.: Pe digão, 1961,
122-126.
9JAP ap esen ou o p imei o ela ó io de MJM o -
mulando a seguin e ques ão: “Como ans o ma
uma colecção pa icula , aliosíssima mas mui o he-
e ogénia, num museu?”, IN.: Pe digão, 1961, 123.
10 “Calous e Gulbenkian adqui iu os imó eis que
depois ans o mou no palace e da A enida de Ié-
na, 51, en e 1923 e 1924, palace e que, a é se i-
xa em Po ugal, oi a sua p incipal esidência. An-
es habi a a, o a em Pa is, no Quai d’O say, o a
em Lond es, em Hyde Pa k Ga dens. Só a pa i de
1927 Calous e Gulbenkian pôde começa a euni
na bela mo adia da a enida de Iéna as suas colec-
ções”. IN: Pe digão, 1969, 179.
11 VID.: FCG [Ma ia José de Mendonça], Ins ala-
ções da Sede e Museu. Esboço de p og ama, Ju-
lho de 1957, 33 págs. [da ado de Julho de 1957,
não assinado]. AFCG.
12 “Inicialmen e c iados apenas pa a a cons ução
da Sede e do Museu, os Se iços o am desdob a-
dos em Se emb o de 1957 em Se iço de P ojec-
os e Ob as e Se iço de Belas A es e Museu.” IN.:
SPO, Luís de Guima ães Loba o, Rela ó ios de ac-
i idade de No emb o de 1956 a Junho de 1958,
2 de Junho de 1958, 1. AFCG.
13 Em 1958 oi adqui ido pela FCG o an igo Palácio
do Ma quês de Pombal, em Oei as. Depois de con-
cluídas as ob as de conse ação do edi ício se ecen-
is a, o am pa a ali ans e idas odas as peças da
Colecção de Gulbenkian, indas de Pa is, de Lon-
d es e de Washing on. A ans e ência da Colecção
icou concluída em Junho de 1960. VID.: Pe digão,
1975: 9.
14 Segundo cons a num documen o da au o ia de
Ma ia Te esa Gomes Fe ei a, ci ado po Ana Tos-
ões, Ma ia José de Mendonça ap esen ou o seu
pedido de demissão em No emb o de 1960. VID.:
Tos ões, 2006 b: 260, no a 23. O Ca álogo da ex-
posição
Tableaux de la Collec ion Gulbenkian
, o -
ganizada pela FCG, em Ou ub o de 1960, na an-
iga esidência pa isiense do Coleccionado , oi já
da esponsabilidade do “Se iço de Museu”, sob a
coo denação de MTGF. VID.: FCG, 1960, [I].
91
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
Gulbenkian o am expos os em Lisboa (MNAA, 1961-62; 1963), no Po o (Museu
Soa es dos Reis, 1964) e em Oei as (no an igo Palácio Pombal, 1965-1969).15
Desde Ou ub o de 1969, com a abe u a do MCG ao público, ce ca de um sex o da
colecção do Museu em es ado expos o em pe manência, di e sos núcleos êm sido
expos os empo a iamen e, e a es an e pa e man ém-se gua dada nas ese as.16
Os consul o es pe manen es
Geo ges-Hen i Ri iè e na génese
do Museu Calous e Gulbenkian
Em 1956, no âmbi o do p ocesso de es udo da localização em Lisboa do luga de cons-
ução da sede e do museu da FCG, os a qui ec os Ca los Ramos (1897-1969) e Keil do
Ama al (1910-1975) começa am a assegu a uma consul o ia pe manen e à FCG. Em
inais de 1958, no âmbi o do p ocesso de consolidação e conclusão da p og amação
necessá ia ao concu so pa a os edi ícios da sede e do museu da FCG, inicia am um a-
balho de consul o ia pe manen e jun o da undação o museólogo e di ec o do In e -
nacional Comi ée o Museums/Conseil In e na ional des Musées (ICOM), Geo ges-Hen i
Ri iè e17, e os a qui ec os Leslie Ma in, F anco Albini e William Allen.
Pelo menos ao longo de um pe íodo de seis anos, en e 1958 e 1963, Geo ges-
-Hen i Ri iè e desen ol eu uma colabo ação di ec a com a FCG. Como e á su gido
15 Sob e as cinco exposições empo á ias da colec-
ção do MCG ealizadas an es da abe u a da expo-
sição pe manen e des e museu, VID.: Lapa, 2009
(policopiado), ol. 2, anexo 4.
16 Na nossa disse ação de Mes ado p ocu amos
iden i ica as g andes a iações do ace o da ex-
posição pe manen e do MCG, en e a da a de
abe u a ao público, em 1969, e 2007 (limi e c o-
nológico dessa nossa in es igação académica).
VID.: Lapa, 2009 (policopiado), ol. 1, 9-14.
17 G.-H. Ri iè e pa icipou di ec amen e na c iação
do ICOM, o ganismo c iado em 1947, sob a égide
da UNESCO, subs i uindo o O ice in e nacional des
musées (o gão da Socié é des Na ions) que o a
c iado em 1926, sob p opos a de Hen i Focillon.
Ri iè e assegu ou a di ecção do ICOM en e 1948
e 1966, man endo-se “conselhei o pe manen e”
a é à sua mo e, em 1985.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
FIG. 1 - Maque a ap esen ada em 1960 pela equipa
encedo a do concu so de concepção a qui ec ónica
ge al dos edi ícios da sede e do museu da Fundação
Calous e Gulbenkian.
©José Manuel Cos a Al es.
92 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
es e con i e a Ri iè e? Em 1958, os a qui ec os Somme Ribei o e Jo ge So o Mayo
“ i e am opo unidade de isi a em Pa is o no o edi ício da UNESCO e de examina
os no os p ojec os dos museus do Ha e e de Pa is (A es e T adições Popula es)”.18
A endendo à da a do “
Rela ó io de ac i idade de No emb o de 1956 a Junho de
1958
”, no qual es a iagem su ge e e ida (o ela ó io da a de 2 de Junho de 1958),
pode coloca -se a hipó ese de e sido na sequência desse p imei o con ac o di ec o
en e os dois a qui ec os do SPO e o museólogo ancês, que es e úl imo eio a se
con idado pa a colabo a com a FCG como consul o . Ce o é que “em Se emb o de
1958 [Ri iè e] es e e em Lisboa, a con i e da Fundação, [...] pa a o e ei o de com ele
se discu i em as bases do p og ama do museu, e logo nessa p imei a isi a se e i i-
cou quan o a sua colabo ação podia se ú il”. (Pe digão, 1961: 126).
A 24 de Janei o de 1959, es a a concluído o “P og ama das ins alações da sede e
Museu da Fundação Calous e Gulbenkian” que se i ia de base pa a a elabo ação das
“p opos as de es udo e concepção ge al dos edi ícios da sede e do museu da FCG”,
no âmbi o do concu so que eio a en ol e as ês equipas de a qui ec os, con ida-
das pela FCG (Tos ões, 2006 b., 83). Guima ães Loba o desc e eu a pa icipação de
Ri iè e no abalho que conduziu à conclusão do “P og ama”, a i mando que es e
“ap eciou e discu iu po meno izadamen e as bases da p og amação do Museu, con-
i mando a jus eza dos c i é ios seguidos, [...] endo apenas aconselhado, den o do
seu pon o de is a, alguns ace os museog á icos de po meno ”.19
Visi as a museus es angei os
Ri iè e, que inha uma longa p á ica de abalho museal e que, po ia do ICOM, con-
ac a a com nume osos p o issionais, aconselhou os p og amado es dos edi ícios da
sede e do museu da FCG a isi a em museus in e nacionais, nomeadamen e “museus
i alianos” cuja museog a ia o a ecen emen e eno ada20, e “museus ingleses, pa a
aspec os écnicos especí icos”.21
Es a salu a p á ica de p epa a -se pa a a
in enção
de um p ojec o conhecendo edi-
ícios com unções a ins, p ojec ados po ou os a qui ec os, não e a no idade en e
os a qui ec os po ugueses. Keil do Ama al, em 1945, isi a a os EUA pa a es uda
á ios edi ícios que pudessem p epa á-lo pa a o p ojec o do Palácio da Cidade, des-
inado ao Pa que Edua do VII, em Lisboa. (Tos ões, 2006 b, 41). Mesmo na ge ação
an e io , p ecisamen e a de Ca los Ramos (consul o pe manen e da FCG, como
sabemos), ambém o a qui ec o Co inelli Telmo (1897-1948), econhece a a impo -
ância de “ e a ale aquilo de que imos ep oduções”, e e indo-se, nomeada-
men e, a uma sé ie de museus holandeses que isi ou em 193522, p ecisamen e
num momen o em que p epa a a o p og ama pa a o Museu de A e Con empo ânea,
a cons ui em Lisboa.23
Conhecemos cinco ela ó ios de Ri iè e, pe encen es ao a qui o da FCG, que docu-
men am di ec amen e a sua ligação à p og amação do Museu da FCG. Sendo docu-
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
18 IN.: Luís de Guima ães Loba o, Rela ó io de ac-
i idade de No emb o de 1956 a Junho de 1958,
2 de Junho de 1958. Ci ado IN.: Tos ões, a.(2006):
CD-ROM, Ca álogo, capi ulo 2 - O p ocesso. 1956-
-1958, 14. Segundo Ana Tos ões, na sua passagem
po Pa is, es es dois a qui ec os “con ac am com
Geo ges-Hen i Ri iè e”, endo mesmo “ce a-
men e [sido] acompanhados po Geo ges-Hen i
Ri iè e.” VID.: Tos ões, 2006 a: CD-ROM: Ca álo-
go, capi ulo 2 - O p ocesso. 1956-1958, 14.
19 IN.: SPO – Luís de Guima ães Loba o, Apon a-
men o – P og ama das ins alações da sede e Mu-
seu da Fundação Calous e Gulbenkian, 24 de Ja-
nei o de 1959, pág. 5. AFCG A e e ência à
in e enção do museólogo consul o da FCG su -
ge nos pon os 11.,12. e 14. des e documen o.
20 Ri iè e de ia es a a e e i -se aos p ojec os de
F anco Albini nos ês museus de Géno a: no Mu-
seo del Teso o di san Lo enzo (1952-56), no Pa-
lazzo Bianco (em cu so desde 1950, e inalizada
em 1962); e no Palazzo Rosso (em cu so desde
1952, e inalizada em 1962). VID.: www. onda-
zione ancoalbini.com
21 IN.: SPO – Luís de Guima ães Loba o, Apon a-
men o – P og ama das ins alações da sede e Mu-
seu da Fundação Calous e Gulbenkian, 24 de Ja-
nei o de 1959, 5. AFCG.
22 Pa a um “ esumo do pe cu so da iagem, com
indicação de locais e edi ícios isi ados, a pa i da
co espondência en iada à amília e gua dada no
espólio Co ineli Telmo”. VID.: Ma ins, 1995 (po-
licopiado), Vol. II: 327- 335.
23 Es e museu si ua -se-ia jun o ao Pa lamen o.
VID.: Ma ins, 1995 (policopiado), Vol. 1, 234, no-
a 32. Mui o ecen emen e, Nuno G ande, na sua
ese de Dou o amen o, ecupe a es a in o mação,
de endendo se “su p eenden e” a plan a que
Co inelli Telmo p e ia pa a o Museu de A e Con-
empo ânea a cons ui no e eno la e al ao Palá-
cio de S. Ben o, onde hoje exis e um pequeno ja -
dim: “não só po que o edi ício indiciado pelo
documen o [di ulgado e desc i o po Ma ins,
1995, ol. 1, 234] se ap oxima ipologicamen e da
desc ição que desen ol emos sob e o chamado
“modelo MOMA” - gene alizado na concepção
dos museus de a e nos EUA e na Eu opa do II
Pós-Gue a – mas sob e udo po que se a as a cla-
amen e do p ojec o de MAC que C is ino da Sil a
acaba ia po desen ol e pa a a P aça do Impé io,
em 1943.” IN.: G ande, 2009 (policopiado), 91-92.
93
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
men os de consul o ia, os ela ó ios de Ri iè e êm como p incipal objec i o in o ma
uma p á ica, obedecendo a uma es u u a que o na cla o esse p opósi o. Cada
assun o a a a su ge inse ido numa g elha emá ica p e iamen e ap esen ada. E cada
ema é abo dado a a és de um ex o objec i o, desc i i o, sin é ico. Os cinco
ela ó ios es udados24 o am elabo ados en e Ma ço de 1960 e Ma ço de 196325,
co espondendo ao pe íodo do p ocesso de p og amação, que se iniciou com a a a-
liação das p opos as ap esen adas no concu so de a qui ec u a p omo ido pela FCG,
e que e minou an es do início da cons ução do edi ício do Museu.
A « lexibilidade da p opos a dos a qui ec os
A houguia-Cid-Pessoa (Ma ço 1960)
No p imei o ela ó io, endo já como base de abalho a p opos a a qui ec ónica que
eio a se encedo a do concu so, Ri iè e a ança com um conjun o de aspec os que
gos a ia de e in oduzidos na p opos a a qui ec ónica dos a qui ec os Rui A hou-
guia (1917-2006), José Pessoa (1919-1985) e Ped o Cid (1925-1983).
Ri iè e a ibui o eno me ag ado que sen iu ao desen ol e es e seu abalho, sob e-
udo, ao ac o de e podido con a com uma equipa de abalho na FCG, des acando
em mais de uma ocasião o p o issionalismo de Ma ia José de Mendonça: “Son esp i
logique, son é udi ion é endue, sa sensibili é, sa gen illesse on a o isé mes e o s”.
(Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 2). E explici a que as “suges ões” sob e a exposição pe -
manen e, ap esen adas na segunda pa e des e ela ó io, esul a am das e lexões con-
jun as que pôde desen ol e , du an e a sua es ada em Lisboa: “Les échanges de ues
auxquels j’ai pu p océde du an mon séjou , les é lexions qui l’on sui i me pe me -
en de p ésen e à ce suje , quan au musée, les sugges ions qu’on a li e. Je le ais
dans la plus g ande modes ie, le meilleu de ce que j’a ance e enan à Mlle de Men-
donça e à son ema quable e o p épa a oi e” (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 13 e 15).
24 Ti e apenas acesso pa cial aos documen os que
aqui es udo, a á ios al a a ex o, e a odos al-
a am os anexos g á icos.
25 Os ela ó ios de consul o ia elabo ados po
Geo ges-Hen i Ri iè e es ão da ados: (1.º ela ó-
io) 11-15 de Ma ço de 1960; (2.º ela ó io) 13 de
Ab il de 1962; (3.º ela ó io) 11 de Se emb o de
1962, com e isão em Ou ub o desse ano; (4.º e-
la ó io) 23 No emb o de 1962; e (5.º ela ó io) 24
de Ma ço de 1963. Es es documen os são indica-
dos no co po des e a igo como: Ri iè e, 13 Ab il
1962; Ri iè e, 11 Se emb o 1962; Ri iè e, 23 No-
emb o 1962; e Ri iè e, 24 Ma ço 1963, espec i-
amen e. VID. e e ências comple as dos cinco e-
la ó ios de Ri iè e na Bibliog a ia, nes e a igo.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
FIG. 2 - Na p imei a e são da maque a do edi ício do Museu (maque a de es udo, 1960) p opunha-se que a exposição pe manen e ocupasse dois pisos do edi ício. O piso supe io ,
exclusi amen e dedicado à a e eu opeia, e ia uma iluminação na u al, zeni al e la e al, associada à iluminação a i icial. Na achada i ada ao g ande lago p opunha-se uma janela
con ínua (na e são de ini i a, op ou-se po cinco al as janelas, que com duas ou as en adas de luz na u al, iluminam o núcleo 4 - A e do O ien e Islâmico). ©José Manuel Cos a Al es.
94 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
As p opos as ela i as aos aspec os museog á icos ap esen adas nes e p imei o ela ó-
io de Ri iè e esul a am ambém das con e sas idas com o a qui ec o F anco Albini que,
como Ri iè e, es e e em Lisboa nesses cinco dias de Ma ço de 1960: “Mon excellen ami,
M. F anco Albini é ai celui des deux a chi ec es conseille s a ec lequel je me suis ou é
en con ac pendan mon séjou . En p ésence des ques ions conc è es que nous posai
la mise en aleu des obje s de musée, il m’a mani es é, une ois de plus, sa echnici é
echaussée d’inspi a ion c éa ice”. (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 1).
Vamos de e -nos no pon o V. da segunda pa e des e ela ó io. Es e pon o, que a a
das “gale ias da exposição pe manen e”, é in oduzido com a indicação de que o a
ei a uma e o mulação do “P og ama” de Janei o de 1959: “Nous a ons é é amenés,
Mlle de Mendonça e moi, à en isage un ce ain emaniemen de ce e pa ie du
p og amme”. (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 15). To na emos a es a ques ão.
Ri iè e o ganiza a e lexão sob e as gale ias de exposição pe manen e em seis emas
ou assun os: 1. P incípios; 2. Selecção; 3. Plano ac ualmen e suge ido; 4. Á eas; 5.
Rigidez - lexibilidade; 6. Pô em p á ica o p og ama de ap esen ação.
P incípios da exposição pe manen e
Des aca emos, mui o b e emen e, o que de endeu Ri iè e em elação a cada um
des es assun os. Quan o aos “P incípios” da exposição pe manen e, Ri iè e de endia
que se de ia (a.) “acen ua o ca ác e didác ico da exposição”, mas sem pa a isso se
necessá io “desen ol e indisc e amen e o apa elho documen al”. Es e p incípio es a-
ia, desde logo, assegu ado pelos c i é ios geog á ico e c onológico seguidos na dis-
posição dos objec os da colecção nas gale ias. Es a ap esen ação c onológica
pe mi i ia (b.) “e oca sob e udo o clima o iginal da colecção”, na medida em que
ap oxima ia a pin u a, a escul u a e o desenho das chamadas a es aplicadas, ap oxi-
mando-se do que Ri iè e designa a de “unidades ecológicas”26 e, a enuando, assim,
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
26 “Les “uni és écologiques” ce son des ensem-
bles p ésen en ous les obje s d’un lieu pa icu-
lie , els qu’ils é aien dans leu con ex e na u el
(le ba eau de Be ck, l’a elie d’un ou neu su
bois, une o ge du Quey as, un in é ieu de B as-
se B e agne...). Leu econs i u ion dans le musée
a nécessi é un igou eux a ail scien i ique de e-
pé age, démon age- emon age des oeu es, con-
ai emen aux é oca ions nos algiques e olklo-
iques p ésen ées dans d’au es ins i ui ions
muséales à l’époque.”. IN.: www.musee-a p.
Concei o ca o a Ri iè e, uma das ma cas da sua
museologia, as “unidades ecológicas” o am pos-
as em p á ica que no musée des a s e adi ions
populai es (a p) que em á ios ou os museus
anceses (os designados, p ecisamen e, “eco-mu-
seus”) em cuja p og amação exposi i a o di ec o
dos a p pa icipou di ec amen e.
95
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 3 – P imei a e são da maque a do edi ício do Museu, 1960. Nes a maque a de es udo p opunha-se já uma g ande janela na achada i ada a oes e (abe u a es a que, na e são
de ini i a, pe mi e uma on e de iluminação na u al do núcleo 10 – “A es Deco a i as. F ança. Século XVIII”). Uma segunda abe u a eio a se c iada nes a achada (a do núcleo 15
– “Pin u a e Escul u a. F ança. Século XIX”). © José Manuel Cos a Al es.
“o ambien e clássico dos museus de a e”. (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 16). Es a deci-
são in oduziu, de ac o, um ac o de ep og amação que, pensamos, es á na génese
do único núcleo da exposição que cons i ui uma a ian e ao p og ama esboçado po
Ma ia José de Mendonça, o “Núcleo 10 - A es deco a i as. F ança. Séc. XVIII”.
Os dois ou os p incípios e ocados po Ri iè e p endem-se di ec amen e com a con-
se ação. Assim, de e -se-ia (c) e em con a, pa a os ag upamen os p e is os, a
maio ou meno eacção dos objec os à luz na u al ou a i icial, icando p e is a a
o a i idade de alguns núcleos e, (d.) admi ido o impe a i o da conse ação ísica,
de e ia se dada p e e ência à luz na u al, e o çada em caso de necessidade po luz
a i icial. A ques ão da iluminação das gale ias de exposição eio a se p o unda-
men e deba ida. Nes e ela ó io, Ri iè e de ende: “Rien ne au la lumiè e du jou
pou la pein u e. Dans les limi es du aisonnable, une communica ion a ec le pay-
sage ex é ieu es souhai able”. (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 16).
Quan o à (2.) “Selecção” do ace o da exposição pe manen e, a e a da esponsa-
bilidade do conse ado , de endo es e aconselha -se com os especialis as das á ias
á eas de colecção, Ri iè e elogia o abalho adop ado po Mendonça: “Le Conse a-
eu en isage de me e au poin ses choix à l’aide de conseils des meilleu s expe s.
Je ne puis que souligne l’in é ê de ce e mé hode”. (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960,
16). Ri iè e az o pon o da si uação ela i amen e à selecção do ace o, aconse-
lhando o pedido de consul o ia especializada pa a á ias ou as á eas da colecção.
O (3.) “plano” de exposição en ão suge ido e o ça a “as ês subdi isões undamen-
ais do P og ama: An iguidades, O ien e, Ociden e.” Podendo, assim ambém ixa -se
“as p incipais zonas de epouso” (Ri iè e, 11-15 Ma ço 1960, 20). Da lei u a des e
pon o V.3 podemos conclui que:
– Em Ma ço de 1960, Geo ges-Hen i Ri iè e e Ma ia José de Mendonça p e iam que
a exposição pe manen e do MCG se o ganizasse em ês pa es: An iguidade P é-
-clássica e Clássica; O ien e; e Eu opa, sendo ixado um o al de dezano e ag u-
pamen os de objec os: ês g upos nas “An iguidades”, dois no “O ien e” e ca o ze
no “Ociden e”. Como sabemos, na p og amação de ini i a, a exposição pe ma-
nen e i ia a o ganiza -se não em ês, mas em dois amplos ci cui os, em que o p i-
mei o in eg a as “An iguidades” (P é-Clássica e Clássica) e o “O ien e” (Tu quia e
A ménia, P óximo O ien e, Médio O ien e e Ex emo O ien e), e o segundo oda
a a e da “Eu opa”; Na mon agem de ini i a, a exposição con a ia com dezasse e
núcleos (seis no p imei o ci cui o e os es an es onze no segundo ci cui o).
Tendo em con a o que i ia a se a p og amação de ini i a, conside em-se os seguin-
es aspec os:
– A cla eza que aqui é de endida a a és de uma di isão em ês g andes pe íodos c o-
nológicos ai pe de -se na p og amação de ini i a;
– Os ês ag upamen os de objec os da “p imei a pa e” e am menos di e si icados
(sob e udo o da colecção de a e g ega que en ão apenas in eg a a a numismá ica);
– No “O ien e”, no ag upamen o que espei a ao “Islão”, ha ia uma cla a o ien ação
geog á ica, que eio a pe de -se na p og amação de ini i a;
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
96 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
ia p a icamen e in o mação disponí el sob e esses objec os. Es es dois aspec os
de e iam di e encia a museog a ia seguida nes a gale ia daquela que se p e ia pa a
as gale ias públicas: “Dans les gale ies publiques du Musée, les che s d’œu e e la
leu des sé ies de la collec ion Gulbenkian se déploie on à l’aise, en p og ession
ch onologique e selon ou es les essou ces de l’a muséog aphique, en ue de
l’éduca ion e de la délec a ion du public”. (Ri iè e, 13 Ab il 1962, 8)
Po úl imo, e a ambém aconselhada a exis ência de uma “sala de consul a”, de acesso
condicionado a núcleos especí icos da colecção do Museu, onde es a iam acessí eis as
sé ies de manusc i os, imp essos e desenhos – objec os sob e papel, po an o – e, e en-
ualmen e, um conjun o de moedas g egas. (Ri iè e, 13 Ab il 1962, 8-9).
Em sín ese, segundo es a p opos a de Ab il de 1962, os espaços de ap esen ação das
peças da colecção do Museu di idi -se-iam segundo um c i é io de acessibilidade. Às
“gale ias públicas” - co esponden es ao espaço de exposição pe manen e do museu
(piso supe io ) – e ia acesso odo o público. Já a “sala de exposições empo á ias”,
a “gale ia de es udo” e a “sala ou gabine e de consul a” (localizados no piso in e-
io ) se iam “ó gãos semi-públicos do museu” com unção de exposição, e acesso
sujei o a au o ização p é ia. As “gale ias públicas”, a “gale ia de es udo” e a “sala de
consul a” e iam como ace o exclusi o peças da colecção do MCG. A “sala de expo-
sições empo á ias” pode ia, ocasionalmen e, ap esen a peças de ou as colecções.
As supe ícies p opos as po Ri iè e pa a cada uma dessas ês zonas semi-púbicas
pe mi em ambém pe cebe a impo ância que o museólogo lhes econhecia: a “sala
de exposições empo á ias do Museu” con a ia com uma á ea ap oximada de 144 m2;
a “gale ia de es udo”, com ce ca de 390m2, ocupa ia um espaço mais de duas ezes
e meia maio do que o da “gale ia de exposições empo á ias do Museu”, e a “Sala
de Consul a” e ia uma á ea de ce ca de 114 m2, co espondendo, assim, a uma á ea
ligei amen e meno (menos 40m2) do que a da “sala de exposições empo á ias do
Museu”. (Ri iè e, 13 Ab il 1962, 6).
Consul as a especialis as esul a am num aumen o
signi ica i o do ace o da exposição pe manen e
(Se emb o de 1962)
Rela i amen e aos “se iços do Museu”, salien amos o desapa ecimen o do “se iço
educa i o”, cuja in odução na p og amação o a elici ada po G. H. Ri iè e no seu
ela ó io de Ma ço de 1960.
O e cei o ela ó io de GHR é um “ ela ó io de e isão ao [ ela ó io] de 13 de Ab il
1962”39 e es á di idido em duas pa es: (I.) P og ama e (II.) P ojec o.
De e -nos-emos aqui no “P og ama”. Na sín ese in odu ó ia a es a p imei a pa e do
ela ó io, GHR a i ma que, sal o algumas excepções que pode iam so e al e ações
de de alhe de ec á eis du an e a ealização, a p epa ação do p og ama das gale ias
ou, nou os e mos, a escolha das ob as a ap esen a , podia se conside ado acabado.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
103
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
39 Na olha de os o do e cei o ela ó io do Ri iè-
e oi dac ilog a ado no can o supe io di ei o:
“Lisbonne, le 11 sep emb e 1962”. E na úl ima o-
lha, quase em im de página, oi dac ilog a ado:
“Re : Oc ob e, 1962”. VID.: Ri iè e, 11 Se emb o
1962, 1 e 9.
Es e ac o ica a a de e -se: (a.) aos es udos dos especialis as en e an o consul a-
dos: Ch is ianne Noblecou (Egip ologia), An oine e Hauccheco ne (a es do
Japão), Jean Adhema (es ampas), Jean Po che (iluminu a e a es do li o), Pie e
P adel (escul u a do Ociden e) e Cha les S e ling (pin u a e desenhos do Ociden e);
(b.) à elabo ação pela conse ado a-che e e suas colabo ado as, de ela ó ios das
consul as p es adas pelos di e sos especialis as.
Os g andes capí ulos do p og ama o am man idos: an iguidade, a es do O ien e, a es
do Ociden e e, no in e io des es capí ulos, pe manecia o desen ol imen o c onológico
desde há mui o adop ado. O impo an e ac o no o oi o aumen o, po ezes de o ma
conside á el, do núme o de ob as escolhidas. (Ri iè e, 11 Se emb o 1962, 11)40
Na p og amação inal, como sabemos, a exposição pe manen e i ia a o ganiza -se
em dois “ci cui os”. O p imei o “ci cui o” engloba a a e das an iguidades P é-clás-
sica e Clássica e a a e do P óximo, Médio e Ex emo O ien e, ag egando dois “capí-
ulos” que em Se emb o/Ou ub o de 1962 su giam ainda di ididos.
Esse ci cui o con a á com seis núcleos, o mesmo núme o que se p e ia nes e ela ó io
pa a os dois p imei os “capí ulos” do museu. No en an o, obse e-se o seguin e: (a.)
em Se emb o de 1962 p e ia-se que o capí ulo An iguidades eunisse a “a e neo-assí-
ia” (o u u o núcleo 3 – A e da Mesopo âmia), o “Egip o” (o u u o núcleo 1 – A e
Egípcia) e a “G écia” (o u u o núcleo 2 – A e G eco-Romana). As al e ações ge ais que
ie am a e i ica -se dizem espei o, po um lado, à sucessão des es ês núcleos, e po
ou o, ao ala gamen o da secção da “G écia” à a e omana; (b.) no capi ulo “a e do
O ien e” p e iam-se ês secções: “Islam”, “China” e “Japão”. Como sabemos, a “a e
do O ien e Islâmico” cons i ui á o ace o do u u o núcleo 4; se á c iado um núcleo de
“a e a ménia” (o núcleo 5 “A e a ménia”); e a a e da China e a a e do Japão se ão
englobadas num único núcleo (o núcleo 6 “A e do Ex emo O ien e”).
Quan o ao segundo ci cui o, o da “A e Eu opeia”, que nes e ela ó io de Se emb o/
Ou ub o de 1962 co esponde ao capí ulo “A es do Ociden e”, es a am p e is os oi o
g upos, enquan o que na exposição pe manen e de ini i a con a á com onze núcleos.
As ca as esc i as a 16 de No emb o de 1962, po Guima ães Loba o, ao a qui ec o
F anco Albini e ao a qui ec o Willliam Allen, e o çam o que emos e i icado ela i a-
men e à esponsabilidade de Ri iè e no p ocesso de p og amação do MCG: “Dea
Albini, he a chi ec s a e de eloping a inal design o he ch onological display o A
Collec ions o he Museum. I seems ha hey ha e achie ed wha was s ongly ecom-
mended by Geo ges-Hen i Ri iè e, wi hou comp omising he a chi ec u al o he
s uc u al design o he building. [...]”41 e “Dea Bill, he e has been some delay in he
a chi ec s wo k o ind he igh solu ion o he Museum design. Fo una ely a inal
solu ion has been a i ed a . I seems ha i only needs a inal checking and con i -
ma ion om Ri iè e. [...] I seems ha a e all, he museog aphic p oblems ha e been
sol ed and he s uc u al and ai condi ioning designs ha e been se led, in hei basic
lines which enables us o in oduce he inal ligh ing and acous ical designs. [...]”.42
O quin o ela ó io de GHR,, da ado de 24 Ma ço 1963, esul ou de uma “ oca de
pon os de is a” com LGL, os a qui ec os Somme Ribei o e So o Mayo e os a qui-
40 Com base nas in o mações cons an es nes e e-
la ó io de G.-H. Ri iè e, elabo ámos um quad o
em que iden i icamos os consul o es e as al e a-
ções in oduzidas na p og amação da exposição
pe manen e na sequência das suas consul as.
VID.: Lapa, 2009 (policopiado), ol. 1, 170-171.
41 IN.: Luís de Guima ães Loba o, Co espondên-
cia en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Con-
sul o F anco Albini, 16 de No emb o 1962.
42 IN.: Luís de Guima ães Loba o, Co espondên-
cia en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Con-
sul o William Allan, 16 No emb o 1962.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
104 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 8 – Plan a do Piso 2 do edi ício do M.C.G. (não
da ada). E a nes e piso do edi ício do Museu que
Geo ges-Hen i Ri iè e p opunha que se c iassem as
ês á eas, de acesso semi-público, di ec amen e
elacionadas com a in es igação da colecção do museu:
a «Gale ia de es udo», a «Sala de consul a»
e a «Gale ia de exposições empo á ias».
©José Manuel Cos a Al es.
ec os Ruy A houguia, Ped o Cid e Albe o Pessoa. Nele o museólogo ancês dá
con a do “es ado de a anço do P ojec o do Museu da Fundação Calous e Gulben-
kian”. Es e documen o oi es u u ado em no e pon os: (1.) “S uc u es e ame
géné ales de l’édi ice; (2.) Eclai age; (3.) Collec ions d’é ude; (4.) Exposi ions em-
po a ies; (5.) Labo a oi es; (6.) Dis ibu ion des se ices e des magasins; (7.) Plan
e équipemen de la gale ie d´é ude; (8.) Plan e équipemen des gale ies ni eau III;
(9.) E hno-musicologie du Po ugal” (Ri iè e, 24 Ma ço 1963, 1).
Ro a i idade do ace o da exposição pe manen e
(Ma ço de 1963)
Nes e ela ó io, Ri iè e de endeu que a pa e da colecção ese ada ao es udo e
ensino osse dis ibuída pela exposição pe manen e – da mesma o ma que aconse-
lha a no ela ó io de No emb o de 1962 – e pela gale ia de es udo. Es a úl ima ica-
ia di ec amen e ligada a dois se iços que mui o lhe pode iam se ú eis: a “sala de
ca alogação” e a “sala de abalho do Se iço de Colecção”. P e ia ambém que a
selecção das ob as de segunda escolha, a se em expos as nas gale ias de exposição
pe manen e, osse o a i a. Des e modo pe mi i -se-ia a di ulgação do maio núme o
possí el de objec os da colecção do museu, habi ualmen e conse ado nas ese as.
Es amos em Ma ço de 1963 e o museólogo exp essa a on ade de discu i com a con-
se ado a-che e a p og amação da gale ia de es udo. P e endo que al discussão
pudesse i a oco e em Maio desse ano, Ri è e pede que a conse ado a elabo e
uma lis a dos objec os que, no seu en ende , de e iam aí se expos os. Mesmo que
enham indo a discu i , a ideia de uma “gale ia de es udo”, como sabemos, i ia a
se abandonada na p og amação de ini i a do MCG.
Ri iè e in o ma que as maque as do edi ício inham sido al e adas de aco do com os
“melho amen os” que em No emb o de 1962 inham sido “p e is os como sendo
possí eis de in oduzi ”. Como esul ado das indicações dadas pelos especialis as,
cujo pe íodo de consul a e mina a em Ma ço de 1963, as conse ado as pude am
epensa a p og amação. Ri iè e planeia pode discu i , numa p óxima inda a Lisboa,
as ques ões su gidas em esul ado dessas consul as. Suge e, como passo seguin e,
começa a es uda , com a conse ado a, o equipamen o das gale ias de exposição
pe manen e. Conclui o ela ó io cons a ando que desde a sua passagem pela Fun-
dação, qua o meses an es, mui o abalho o a desen ol ido, que do “lado da
a qui ec u a”, que do “lado da conse ação” (Ri iè e, 24 Ma ço 1963, 6).
Como enuncia a logo no í ulo des e ela ó io - “Rappo su l’é a d’a ancemen du
p oje du musée de la Fonda ion Gulbenkian” – Ri iè e não se ocupou da P og ama-
ção do museu (po não e podido euni -se com MTGF43).
No inal de Ab il de 1963, es á-se ainda em pleno abalho de p og amação do museu.
P ocede-se ainda à análise de soluções exis en es nou os museus, soluções essas que
possam in e essa pa a oma decisões de ini i as em elação ao desenho do MCG.
43 No inal des e ela ó io, Ri iè e lamen a não e
podido euni com Ma ia Te esa Gomes Fe ei a,
dado que a conse ado a-che e se encon a a in-
disponí el na da a em que o museólogo se deslo-
cou a Lisboa. VID.: Ri iè e, 24 Ma ço 1963, 6.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 9 – Plan a do Piso 3 do edi ício do M.C.G.
(não da ada). Piso sub e âneo em que es ão
localizados se iços de apoio ao Museu e à Biblio eca.
©José Manuel Cos a Al es.
Numa ca a esc i a po Guima ães Loba o a William Allen, da ada de 11 de Ab il, o
engenhei o in o ma o consul o da FCG de que o a qui ec o Albe o Pessoa e o enge-
nhei o Hipóli o Raposo (SPO) p epa am uma isi a a Ingla e a na úl ima semana
desse mês: “[...] I hink i would be e y use ul i Raposo isi ed he Na ional Gal-
le y o discuss ligh ing p oblems wi h he cu a o s and Assis an s. The same hings
applies o he secu i y ins alla ions. In case he e is ime a ailable i migh be in e s-
ing o Raposo o isi he Vic o ia and Albe Museum and ha e a look a hei pho-
og aphic and echnical labo a o ies in o de o collec hei p esen commen s and
ad ice...”.44 E a 23 de Ou ub o de 1963, o di ec o do Se iço de P ojec os e Ob as
esc e ia a William Allen in o mando-o de que: “[...] I is now en isaged o s a nex
mon h wi h he de ini e P ojec o he museum. [...]”.45
Desde o seu p imei o ela ó io di ec amen e elacionado com a a aliação das p opos-
as a qui ec ónicas do museu e sede, a é ao úl imo ela ó io de que emos conheci-
men o, elabo ado num momen o em que se inaliza o p ojec o a qui ec ónico,
Ri iè e, eco en emen e, elogiou a qualidade da lexibilidade o e ecida pela de ini-
ção base do edi ício concebido pela equipa A houguia-Pessoa-Cid. Vimos como, no
ela ó io de Ma ço de 1960, esse oi, aliás, um dos p incipais c i é ios pa a conside-
a o “es udo de concepção ge al dos edi ícios da sede e do museu” des a equipa
como o que me ecia se seleccionado como encedo .
De ac o, pensando ago a apenas nas gale ias de exposição pe manen e do Museu,
não osse a lexibilidade do p ojec o base, e di icilmen e pode iam e sido solucio-
nadas duas ques ões ão es u u ais como a da iluminação na u al – que no ela ó-
io de Ma ço de 1963, es a a ainda p e is a se la e al e zeni al – e a da cons i uição
do ace o dessa exposição – que, como ago a sabemos, so eu em Se emb o de 1962
um aumen o conside á el. Po úl imo, lemb emos que o piso supe io do edi ício do
museu, um eno me ec ângulo de 90 x 30 me os pon uado sime icamen e po dois
44 IN: Luís de Guima ães Loba o, Co espondência
en iada a William Allen, 10 de Ab il de 1963, [1].
45 IN: Luís de Guima ães Loba o, Co espondência
en iada a William Allen, 28 de Ou ub o de 1963, [1].
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FIG. 10 – De alhe da g ande i ina cen al das
po celanas chinesas (núcleo 6 – A e do Ex emo
O ien e) da maque a de es udo da exposição
pe manen e do Museu C. Gulbenkian.
©So ia Lapa, Ou ub o 2009.
pá ios in e io es e a que se acede po um gene oso á io, o e eceu aos p og amado-
es da exposição pe manen e a lexibilidade necessá ia pa a pode em ensaia múl i-
plas soluções de mon agem.
Ri iè e e a um p og amado mui o exigen e. Ape cebemo-nos que semp e que su ge
um assun o que, no seu en ende , eque a opinião de um especialis a, o museólogo
p o ela a conclusão da p og amação. Ri iè e insis iu na necessidade da FCG consul-
a um conjun o de especialis as na á ea da conse ação e es udo das á ias secções
da colecção do museu e oi indicando as pessoas conc e as a quem de e iam eco -
e . Pode á ambém e ido in luência na decisão de a FCG adop a uma p á ica de
ap esen ação de exposições de núcleos da colecção, como o ma de p epa ação
pa a a ul e io mon agem da exposição pe manen e e de, pa alelamen e, i di ul-
gando jun o do público, essa colecção. Com e ei o, as duas p incipais linhas de
di ulgação da colecção da FCG du an e o pe íodo de p og amação e cons ução do
Museu o am a da p og amação de exposições empo á ias e a da publicação de ca á-
logos46 e de a igos em publicações pe iódicas.
Ri iè e e e uma esponsabilidade di ec a na qualidade do guião o iginal da exposi-
ção pe manen e do Museu Calous e Gulbenkian, qualidade essa que, de endemos,
em pe mi ido que o Conselho de Adminis ação da Fundação o enha man endo,
quase inal e ado, ao longo dos úl imos 40 anos. Mas uma das p incipais ma cas au o-
ais da museologia de GHR não passa ia, no caso do Museu Calous e Gulbenkian, de
conselho documen ado nos ela ó ios de consul o ia. Essa ma ca oi in oduzida em
Ab il de 1962 e es a a di ec amen e elacionada com a p og amação dos espaços
“semi-públicos” do museu e com a alo ização da unção in es igação, enquan o
alência di ec amen e associada às exposições da colecção. •
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46 Vá ios dos especialis as que p es a am consul-
o ia pon ual à p og amação do Museu, colabo a-
am ambém di ec amen e na elabo ação dos ca-
álogos das exposições empo á ias, p og amadas
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(policopiado), ol. 2, anexo 4, 8-14.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 11 – Plan a do Museu Calous e Gulbenkian
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P ojec o e Cons ução
.
TOSTÕES, Ana.
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, Lisboa: FCG, Dezemb o 2006. Inclui DVD -
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MUSEUS E INVESTIGAÇÃO
108 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
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SPO - Luís de Guima ães Loba o, Rela ó ios de ac i idade de No emb o de 1956 a Junho de 1958, 2 de
Junho de 1958, 5 págs..
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LOBATO, Luís de Guima ães. Co espondência en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Consul o Wil-
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LOBATO, Luís de Guima ães. Co espondência en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Consul o F anco
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LOBATO, Luís de Guima ães. Co espondência en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Consul o Wil-
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LOBATO, Luís de Guima ães. Co espondência en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Consul o Wil-
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LOBATO, Luís de Guima ães. Co espondência en e o Engenhei o Guima ães Loba o e o Consul o Wil-
lian Allen 28 Ou ub o 1963, 2 págs.
GEORGES-HENRI RIVIÈRE NA GÉNESE DO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN
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