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Determinantes de saúde mental dos imigrantes a viverem em Portugal

Abstract

INTRODUÇÃO: O número de migrantes ao redor do mundo continua a crescer e Portugal tornou-se um país receptor de pessoas. A migração tem sido associada a uma maior vulnerabilidade à doenças e a outros problemas de saúde, incluindo as perturbações mentais. De acordo com o Projeto Global Burden of Diseases, apoiado pelo Banco Mundial e pela Organização Mundial de Saúde, as perturbações mentais são tão graves como as patologias cardiovasculares e respiratórias, devido à incapacidade que provocam. Face a esta maior vulnerabilidade a que os imigrantes estão expostos, este estudo tem como objetivo identificar a proporção de imigrantes que reportam perturbações mentais e descrever os fatores associados. MÉTODOS: Um estudo observacional transversal foi conduzido entre outubro de 2008 e maio de 2009. O método de amostragem utilizado foi o snowball (bola de neve). A amostra foi constituída por 1375 imigrantes oriundos do Brasil (38%), dos países Africanos de língua oficial portuguesa (32,5%) e dos países da Europa Oriental (29,5%), residentes em Lisboa, Portugal. Os dados foram coletados através de um questionário estruturado, aplicado por entrevistadores treinados. O modelo da regressão logística foi utilizado para identificar os fatores associados à depressão e à ansiedade e stress. Os coeficientes estimados foram interpretados através do odd ratio e para cada um foram apresentados intervalos de confiança a 95%. RESULTADOS: A idade média dos participantes é de 35,74 anos. Do total, 51,1% são do sexo feminino. O principal motivo para emigrar, referido por 41,5% dos indivíduos, prende-se com questões económicas, o que pode caracterizar a imigração como sendo laboral. A depressão é reportada por 13,7% dos imigrantes, percentagem que se mantém semelhante nas três comunidades, Africana (12,3%), Brasileira (14,7%) e do Leste (13,8%). Em relação ao género, a depressão é mais evidente entre as mulheres (16,5%). A presença de ansiedade e stress é reportada por 39,3% dos imigrantes, sendo eles 40,5% Africanos, 41,9% Brasileiros e 34,4% do Leste. Esta perturbação também é mais evidente entre as mulheres (44,8%). Para além do género, outros determinantes de saúde mental foram identificados; ocupação profissional, cansaço psicológico, solidão e ansiedade. CONCLUSÕES: A presença de ansiedade e stress é mais reportada do que a depressão. Estas duas perturbações mentais estão mais presentes entre as mulheres e são estatisticamente significativas em relação à saúde mental dos imigrantes, o que causa alguma preocupação, face a maior vulnerabilidade a que eles estão expostos. O processo de migração deve ser saudável e produtivo, através da promoção e educação para a saúde. Por isso, é necessário pensar em políticas e estratégias de acção que minimizem os danos causados na sociedade e no próprio imigrante, devido à incapacidade que estas perturbações provocam e do impacto que têm na vida diária das pessoas. Para além disso, deve-se promover a investigação científica na área da saúde mental, para que se obtenham resultados de maior qualidade, uma vez que a população em estudo é de difícil acesso.

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Determinantes de saúde mental dos imigrantes a viverem em Portugal

Author: ANASTÁCIO, Patrícia Marinheiro
Publisher: Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Year: 2012
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/49839/1/Patr%c3%adcia%20Anast%c3%a1cio%20-%20Determinantes%20de%20Sa%c3%bade%20Mental%20-%20CD.pdf
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Uni e sidade No a de Lisboa
De e minan es de Saúde Men al dos Imig an es a Vi e em em
Po ugal
Pa ícia Ma inhei o Anas ácio
Disse ação pa a a ob enção do g au de mes e em Saúde e
Desen ol imen o, especialidade em Saúde e Pob eza.
(JUNHO, 2012)
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Uni e sidade No a de Lisboa
De e minan es de Saúde Men al dos Imig an es a Vi e em em
Po ugal
Pa ícia Ma inhei o Anas ácio
En e mei a Licenciada
Disse ação pa a a ob enção do g au de mes e em Saúde e
Desen ol imen o, especialidade em Saúde e Pob eza.
(JUNHO, 2012)
O ien ado a: P o esso a Dou o a Sónia Dias
Co-o ien ado a: P o esso a Dou o a Ma ia do Rosá io Oli ei a Ma ins
3
DEDICATÓRIA
Dedico es e abalho em memó ia do meu a ô Pa ício Fe nandes Ma inhei o. Uma
pessoa especial que me ajudou e me ensinou mui o du an e oda a sua ida. Um
exemplo de homem abalhado , gene oso e amigo. Um se humano simples e aleg e,
que pa iu deixando o meu co ação cheio de boas eco dações.
4
AGRADECIMENTOS
Ag adeço a Deus pela minha ida, aos meus pais, Te esa e Alexand e, po me e em
educado, aos meus a ós, Ma ia da G aça, I ene, Pa ício e Ananias, po me e em
mos ado o lado mais doce da ida, aos meus i mãos, Paulo e Luciana, po me e em
ensinado a compa ilha , à minha segunda mãe, Ma ia Apa ecida, pela e nu a e
amizade, aos meus amigos, simplesmen e po eles exis i em, à Nina, minha cadela, iel
amiga e companhei a, po se e p i ado de an os passeios e b incadei as, du an e a
elabo ação des a disse ação.
Aos meus doen es, nomeadamen e aos que so em ou so e am algum ipo de
pe u bação men al e que me incen i a am a segui o caminho da in es igação, a im de
con ibui pa a a sua melho inse ção na sociedade.
Não pode ia esquece -me dos p o esso es/ educado es, desde a p imá ia a é ao p esen e.
Ob igada ambém aos que ac edi a am em mim e me emp ega am. A odos que me
apoia am, di ec a ou indi ec amen e. Um ag adecimen o especial à En e mei a Ana
C is ina P a a, cujo apoio oi essencial pa a a conclusão do 1º ano cu icula do
Mes ado em Saúde e Desen ol imen o, quando i e a opo unidade de abalha com
pessoas especiais; Lu des Ne o, Rosa Fe ei a, Te esa Rosa e Ví o Ma ques.
Mui o ob igada ambém à P o esso a Dou o a Sónia Dias e à P o esso a Dou o a Ma ia
do Rosá io Oli ei a Ma ins, o ien ado a e co-o ien ado a des a disse ação, à Inês
Rod igues, colabo ado a do IHMT e à Sand a Aze edo, colabo ado a da Di isão
Académica do IHMT.
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RESUMO
DETERMINANTES DE SAÚDE MENTAL DOS IMIGRANTES A VIVEREM
EM PORTUGAL
Pa ícia Ma inhei o Anas ácio
INTRODUÇÃO: O núme o de mig an es ao edo do mundo con inua a c esce e
Po ugal o nou-se um país ecep o de pessoas. A mig ação em sido associada a uma
maio ulne abilidade à doenças e a ou os p oblemas de saúde, incluindo as
pe u bações men ais. De aco do com o P oje o Global Bu den o Diseases, apoiado
pelo Banco Mundial e pela O ganização Mundial de Saúde, as pe u bações men ais são
ão g a es como as pa ologias ca dio ascula es e espi a ó ias, de ido à incapacidade
que p o ocam. Face a es a maio ulne abilidade a que os imig an es es ão expos os,
es e es udo em como obje i o iden i ica a p opo ção de imig an es que epo am
pe u bações men ais e desc e e os a o es associados.
MÉTODOS: Um es udo obse acional ans e sal oi conduzido en e ou ub o de 2008
e maio de 2009. O mé odo de amos agem u ilizado oi o snowball (bola de ne e). A
amos a oi cons i uída po 1375 imig an es o iundos do B asil (38%), dos países
A icanos de língua o icial po uguesa (32,5%) e dos países da Eu opa O ien al
(29,5%), esiden es em Lisboa, Po ugal. Os dados o am cole ados a a és de um
ques ioná io es u u ado, aplicado po en e is ado es einados. O modelo da eg essão
logís ica oi u ilizado pa a iden i ica os a o es associados à dep essão e à ansiedade e
s ess. Os coe icien es es imados o am in e p e ados a a és do odd a io e pa a cada
um o am ap esen ados in e alos de con iança a 95%.
RESULTADOS: A idade média dos pa icipan es é de 35,74 anos. Do o al, 51,1% são
do sexo eminino. O p incipal mo i o pa a emig a , e e ido po 41,5% dos indi íduos,
p ende-se com ques ões económicas, o que pode ca ac e iza a imig ação como sendo
labo al. A dep essão é epo ada po 13,7% dos imig an es, pe cen agem que se man ém
semelhan e nas ês comunidades, A icana (12,3%), B asilei a (14,7%) e do Les e
(13,8%). Em elação ao géne o, a dep essão é mais e iden e en e as mulhe es (16,5%).
A p esença de ansiedade e s ess é epo ada po 39,3% dos imig an es, sendo eles
40,5% A icanos, 41,9% B asilei os e 34,4% do Les e. Es a pe u bação ambém é mais
e iden e en e as mulhe es (44,8%). Pa a além do géne o, ou os de e minan es de saúde
men al o am iden i icados; ocupação p o issional, cansaço psicológico, solidão e
ansiedade.
CONCLUSÕES: A p esença de ansiedade e s ess é mais epo ada do que a dep essão.
Es as duas pe u bações men ais es ão mais p esen es en e as mulhe es e são
es a is icamen e signi ica i as em elação à saúde men al dos imig an es, o que causa
alguma p eocupação, ace a maio ulne abilidade a que eles es ão expos os. O p ocesso
de mig ação de e se saudá el e p odu i o, a a és da p omoção e educação pa a a
saúde. Po isso, é necessá io pensa em polí icas e es a égias de acção que minimizem
os danos causados na sociedade e no p óp io imig an e, de ido à incapacidade que es as
pe u bações p o ocam e do impac o que êm na ida diá ia das pessoas. Pa a além
disso, de e-se p omo e a in es igação cien í ica na á ea da saúde men al, pa a que se

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ob enham esul ados de maio qualidade, uma ez que a população em es udo é de
di ícil acesso.
PALAVRAS-CHAVE: de e minan es, saúde men al, dep essão, ansiedade, s ess
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ABSTRACT
DETERMINANTS OF MENTAL HEALTH OF IMMIGRANTS LIVING IN
PORTUGAL
Pa ícia Ma inhei o Anas ácio
INTRODUCTION: The numbe o mig an s a ound he wo ld has been g owing and
Po ugal became a ecei ing coun y. Mig a ion has been associa ed o a highe
ulne abili y o diseases and o he heal h p oblems, including men al diso de s.
Acco ding o he P ojec Global Bu den o Diseases, suppo ed by he Wo ld Bank and
he Wo ld Heal h O ganiza ion, men al diso de s a e as se e e as ca dio ascula and
espi a o y pa hologies, because o he disabili y i causes. Conside ing he g ea e
ulne abili y o which immig an s a e exposed, he aim o his s udy is o iden i y he
p opo ion o immig an s who epo men al diso de s and desc ibe he associa ed
ac o s.
METHODS: An obse a ional c oss-sec ional s udy was conduc ed be ween Oc obe
2008 and May 2009. A snowball sampling me hod was used and he sample was
cons i u ed by 1375 immig an s om B azil (38%), A ican Po uguese-speaking
coun ies (32,5%) and Eas e n Eu opean coun ies (29,5%), who esided in Lisbon,
Po ugal. Da a we e collec ed h ough a s uc u ed ques ionnai e applied by ained
in e iewe s. Two s epwise logis ic eg essions we e conduc ed o iden i y which
ac o s we e associa ed wi h dep ession and anxie y and s ess. Bo h o hem we e
es ima ed by calcula ing odds a ios and 95% con idence in e als.
RESULTS: The pa icipan s' a e age age is 35,74 yea s. O he o al, 51,1% a e emale.
The main eason men ioned by 41.5% o indi iduals o emig a e is ela ed o economic
issues, which may cha ac e ize immig a ion as being labo . Dep ession is epo ed by
13,7% o he immig an s, a pe cen age ha emains simila in he h ee communi ies,
A ican (12.3%), B azilian (14.7%) and om Eas e n coun ies (13.8%). In ela ion o
gende , dep ession is mo e e iden among women (16.5%). The p esence o anxie y and
s ess is epo ed by 39,3% o he immig an s; 40.5% A ican, 41.9% B azilian and
34.4% om Eas e n coun ies. This condi ion is also mo e e iden among women
(44.8%). Apa om gende , o he de e minan s o men al heal h we e iden i ied;
occupa ion, psychological a igue, loneliness and anxie y.
CONCLUSIONS: The p esence o anxie y and s ess is mo e epo ed han dep ession.
These men al diso de s a e mo e p e alen among women and a e s a is ically
signi ican in ela ion o men al heal h o immig an s, which causes some conce n,
gi en he g ea e ulne abili y o which hey a e exposed. The mig a ion p ocess should
be heal hy and p oduc i e, h ough he p omo ion and heal h educa ion. I is he e o e
necessa y o conside policies and ac ion s a egies in o de o minimize damage on
socie y and he immig an himsel , due o he inabili y i causes and he impac i has in
he mig an s’ daily li es. Fu he mo e, i should p omo e scien i ic esea ch on men al
heal h in o de o ob ain highe quali y esul s, once he popula ion being s udied is
di icul o each.
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KEYWORDS: de e minan s, men al heal h, dep ession, anxie y, s ess
9
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO
11
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
14
2.1 O p ocesso mig a ó io
2.1.1 Mig ação em Po ugal
2.2 A saúde men al
2.2.1 Pe u bações de saúde men al
2.3 Os de e minan es de saúde men al nos imig an es
2.3.1 Desa ios i idos pelos imig an es
2.3.2 Pe u bações de saúde men al nos imig an es
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3. MATERIAL E MÉTODOS
31
3.1 Objec i os
3.2 Ca ac e ização do es udo
3.3 População e amos a
3.4 Amos agem
3.5 Ins umen o de ecolha de dados
3.6 P ocedimen os de colhei a de dados
3.7 Análise de dados
3.8 Conside ações é icas/legais e con li os de in e esse
31
31
31
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35
36
4. RESULTADOS
37
4.1 Ca ac e ização da amos a
4.1.1 Es a ís icas desc i i as
4.1.2 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po comunidades
4.1.3 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po sexo
4.1.4 Ca ac e ização do pe il mig a ó io po comunidades
4.1.5 Ca ac e ização do pe il mig a ó io po sexo
4.1.6 Ca ac e ização do pe il de saúde men al po comunidades
4.1.7 Ca ac e ização do pe il de saúde men al po sexo
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44
45
16
Na maio ia das ezes, as pessoas mig am pa a melho a em o seu bem-es a (S illman,
McKenzie, Gibson, 2009). Os imig an es nem semp e es ão a p ocu a apenas de um
abalho imedia o, mas sim de si uações que possam p opo ciona uma melho
qualidade de ida, jun amen e com melho es possibilidades pa a eles e seus ilhos
(Ca a, 2005).
Di e en es eo ias explicam as mig ações in e nacionais, como po exemplo a eo ia da
a ação e expulsão (Fe nandes, Nunan, Ca alho, 2011). Nes e caso, as condições
económicas, sociais e polí icas de um país endem a a ai a população ou a expulsá-la.
O exceden e de mão-de-ob a, consequen e do c escimen o populacional, a al a de
opo unidades económicas, a desigualdade das endas e a pob eza são conside ados
a o es de expulsão, enquan o a demanda po abalho, as boas opo unidades
económicas e a libe dade polí ica são a o es de a ação (Fe nandes, Nunan, Ca alho,
2011).
Con o me e e ido po Ca ballo, Di ino e Ze ic (1998), as condições encon adas no
país de acolhimen o in e e em com o p ocesso de mig ação. Po exemplo, em 2009, a
Alemanha e a o país da UE com uma das leis de acesso aos cuidados de saúde mais
es i i as pa a os mig an es i egula es, os quais só podiam se a ados em si uações de
eme gência, ou co iam o isco de se em imedia amen e depo ados. Os p o issionais da
á ea da saúde pode iam se mul ados se p es assem cuidados a es es indi íduos. Mesmo
assim, em Be lim há uma clínica que p es a assis ência a mig an es i egula es, mas
poucos são os casos egis ados de p oblemas elacionados com a saúde men al
(Cas añeda, 2009).
En e an o, alguns países do sul da Eu opa, en e eles Po ugal, con am com uma
di e sidade de boas p á icas, en e as quais des acam-se a acessibilidade aos se iços de
saúde, inclusi amen e dos mig an es i egula es, sendo que a Saúde Pública e o di ei o à
saúde são alo es assumidos (Padilla, Po ugal, 2007).
2.1.1 Mig ação em Po ugal
Em Po ugal, os luxos mig a ó ios su gi am a pa i dos anos 50 pa a o B asil e pa a os
Es ados Unidos da Amé ica, e acen ua am-se em meados dos anos 70, como
consequência do im do egime di a o ial e dos ele ados luxos emig a ó ios pa a a
Eu opa, que se ize am sen i a pa i dos anos 60 (San os, 2004). Os luxos imig a ó ios

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nes e país su gi am nos anos 80, com a independência das ex-colónias po uguesas,
a ingindo o seu auge a pa i dos anos 90 com a imig ação o iginá ia do B asil e,
pos e io men e, dos países do les e da Eu opa (San os, 2004).
A é ao im da década de 90 os imig an es e am o iundos p incipalmen e dos países
a icanos e ala am o po uguês. Desde o ano 2000, apesa do c escimen o de
imig an es b asilei os, o aumen o mais signi ica i o em sido dos países do les e
eu opeu (Pusse i, 2010a).
Con o me os esul ados p o isó ios do Censos 2011, Po ugal con inua a se um país de
imig ação (INE, 2012). A população es angei a a i e em Po ugal legalmen e, a 31
de Dezemb o de 2011, e a de 445.262 indi íduos (Ben o, Ma ins, Sousa, 2011).
Obse a-se um ligei o dec éscimo do s ock da população esiden e de 1.97%, ace ao
ano p eceden e (Ben o, Ma ins, Sousa, 2011). En e an o, es es dados apon am pa a um
g upo impo an e de indi íduos que em c escendo e que de em se es udados pois, de
aco do com o Se iço de Es angei os e F on ei as, em 1999 ha ia menos da me ade de
imig an es, apenas 191.143 (SEF, 2011).
Como nacionalidades mais ep esen a i as dos imig an es a i e em em Po ugal em
2010 su gem o B asil, Uc ânia e Cabo Ve de, sem que se e i iquem al e ações em
e mos das p incipais nacionalidades, ace ao ano an e io (Ben o, Ma ins, Sousa,
2011).
Os imig an es o iundos do B asil man êm-se como a comunidade es angei a mais
ep esen a i a, com um o al de 119.363 esiden es (26,81%), man endo a endência de
c escimen o sus en ado, que oco e desde o início do século. A Uc ânia pe manece
como a segunda comunidade es angei a mais ep esen a i a (49.505 - 11,12%), seguida
de Cabo Ve de (43.979 - 9,88%) (Ben o, Ma ins, Sousa, 2011).
A dis ibuição e i o ial da população es angei a e idencia uma concen ação
p edominan e na zona li o al do país, com des aque pa a os dis i os de Lisboa
(189.220), Fa o (71.818) e Se úbal (47.935), coincidindo com as á eas onde se
concen a pa e signi ica i a da a i idade económica nacional (Ben o, Ma ins, Sousa,
2011). A maio concen ação dos imig an es na á ea me opoli ana de Lisboa man em-
se em e idência con o me e e ido po Pusse i no ano an e io (2010a).
18
O es abelecimen o da comunidade B asilei a em Lisboa oco e em duas ases dis in as.
A p imei a, en e meados dos anos 80 e ins dos anos 90, e inco po a uma ele ada
p opo ção de p o issionais quali icados e população não a i a (Malhei os e .al.,2007).
Na segunda ase, após 1999, os imig an es são jo ens, em sua maio ia de classe média-
baixa e jus i icam a sua mig ação a a és de azões económicas, desemp ego e baixos
salá ios. A ualmen e inse em-se no me cado de abalho em se o es como a cons ução
ci il, o comé cio ou as a i idades domés icas; um indicado de uma imig ação mais
labo al, uma ez que Lisboa é o me cado de abalho mais dinâmico e di e si icado do
país (Malhei os e .al.2007).
No que se e e e à comunidade da Eu opa de Les e, após a queda da co ina de e o, na
década de 90, os cidadãos da ex-União das Republicas Socialis as So ié icas, incluindo
milha es de uc anianos, mig a am pa a países ociden ais economicamen e
desen ol idos, na p ocu a de condições de ida mais a o á eis (Ma ques e .al., 2010).
O seu mo imen o mig a ó io, súbi o e in enso ao longo dos p imei os anos do século
XXI (Ma ques e .al., 2010), ca ac e iza-se po imig an es maio i a iamen e do sexo
masculino, em idade a i a, e que mig am pa a Po ugal p incipalmen e po mo i os
económicos. En e an o, a maio ia ob ém abalhos pouco ou nada quali icados, com
posições p o issionais in e io es àquelas ocupadas no país de o igem (Ma ques e .al.,
2010).
Quan o à comunidade A icana, nomeadamen e Cabo Ve de, du an e o úl imo meio
século, o p ocesso mig a ó io cabo- e diano ap esen a ês ases dis in as (Góis e .al.,
2008). A p imei a ase oco e nos anos 60, an es da independência de Cabo Ve de,
quando Po ugal equisi a mão-de-ob a na cons ução ci il e ob as públicas, pa a
subs i ui os po ugueses que ha iam emig ado pa a países como a F ança. A segunda
ase oco e após a independência do país, nos anos 70, com o epa iamen o de milha es
de colonos po ugueses, os quais passam a abalha na cons ução ci il e ob as públicas
ou na adminis ação pública po uguesa/ se iços ligados ao Es ado po uguês,
con o me a sua quali icação (Góis e .al., 2008).
A e cei a ase, da imig ação labo al, em início nos anos 80, e é ma cada po um o e
p edomínio de luxos in e nacionais de abalho e po um p ocesso de eag upamen o
amilia (Góis e .al., 2008). A inse ção económica dos homens oco e na cons ução
ci il e a das mulhe es nos se iços pessoais e domés icos (Góis e .al., 2008).
19
2.2 A saúde men al
De aco do com a O ganização Mundial de Saúde (OMS) a saúde men al e e e-se a uma
ampla gama de a i idades di e a ou indi e amen e associadas a componen e do bem-
es a men al incluído na sua p óp ia de inição de saúde, "Um es ado de comple o
desen ol imen o ísico, men al e bem-es a social, e não me amen e a ausência de
doença" , e elaciona-se com a p omoção do bem-es a , a p e enção, o a amen o e a
eabili ação de pessoas a e adas po ans o nos men ais (WHO,2012a).
A saúde men al é conside ada pa e in eg an e da saúde ge al e não de e se enca ada
como uma en idade em sepa ado. Ela e le e a in e ação en e a pessoa e o meio que a
odeia, e so e in luência de uma gama de a o es como géne o, idade, es ado ci il,
e nicidade e ní el socioeconómico (Viana, 2008). A saúde men al é conside ada uma
p io idade pa a a Saúde Pública e é c ucial pa a o bem-es a das pessoas e das
sociedades (Viana, 2008).
A á ea da saúde men al é a mais ab angen e da saúde, pois pe co e ans e salmen e
odos os p oblemas de saúde humana, do indi idual ao social, não ha endo nenhum
ou o campo de in e enção em que es a ques ão seja ão pa en e. Es a ca ac e ís ica
esul a da sua elação in ínseca com um dos de e minan es undamen ais da saúde, os
compo amen os, subjacen es aos es ilos de ida (San os, 2006).
O p oblema de saúde men al é um dos maio es p oblemas globais de saúde, sendo a
p e alência das pe u bações psiquiá icas de 30% (San os, 2006). Es ima-se que, no
mundo, ce ca de 450 milhões de pessoas so am de alguma pe u bação men al. Es udos
ambém suge em que um em cada qua o eu opeus so eu ou so e á de alguma
pe u bação de saúde men al, pelo menos uma ez ao longo da sua ida (Eu opean
Comission, 2004).
O p ojec o Global Bu den o Diseases, supo ado pelo Banco Mundial e pela OMS, e e
como obje i o es abelece uma medida que pe mi isse a alia o peso e e i o de 107
pa ologias, conside ando simul aneamen e a mo alidade e a mo bilidade de cada uma
delas (Gusmão e .al., 2005). As pa ologias men ais omb eiam em g a idade com as
pa ologias ca dio ascula es e espi a ó ias. Em Po ugal, em 1990, a dep essão unipola
majo já e a a segunda causa de DALY (Disabili y-Adjus ed Li e Yea ). Um DALY é
conside ado um ano de ida pe dido com saúde à cus a sob e udo da incapacidade que
20
p o oca e do impac o que em na ida diá ia das pessoas. P e ê-se que em 2020 es a
pa ologia cons i ua a p incipal causa de DALY nos países ociden ais e a segunda a ní el
mundial (Mu ay, Lopez, 1996).
Em odo o mundo, as pe u bações men ais são esponsá eis po uma média de 31% dos
anos i idos com incapacidade, alo que chega a índices de ce ca de 40% na Eu opa
(Minis é io da Saúde, 2007). Os cus os dos p oblemas elacionados com a saúde men al
nos es ados memb os da UE a iam en e 3 a 4% do p odu o in e no b u o (Eu opean
Opinion Resea ch G oup, 2003).
Con o me ci ado pelo Minis é io da Saúde de Po ugal (2007), em que dez das
p incipais causas de incapacidade, cinco são pe u bações psiquiá icas.
As pe u bações dep essi as e ansiosas são doenças com maio p e alência nos países
mais desen ol idos, em compa ação com os chamados países do Te cei o Mundo. Is o
pode á se comp eendido pelo maio s ess a que as pessoas, p incipalmen e as que
i em nos cen os u banos, es ão sujei as (A onso, 2004). De aco do com Linde
(2009), a dep essão e a ansiedade são a segunda causa de anos de ida pe didos en e
jo ens dos 15 aos 44 anos, em odo o mundo.
Um es udo ealizado em seis países eu opeus, incluindo Po ugal, p ocu ou compa a a
p e alência das p incipais pe u bações men ais; dep essão majo , ansiedade e sínd ome
do pânico (King e .al., 2008).
As p e alências mais al as o am encon adas no Reino Unido e em Espanha, e as mais
baixas na Eslo énia e na Holanda. Em Po ugal, a p e alência pa a dep essão é 24,3% e
pa a a ansiedade é 10,6%, sendo ambas mais equen es en e as mulhe es (King e .al.,
2008).
2.2.1 Pe u bações de saúde men al
De aco do com a OMS, as pe u bações men ais incluem uma g ande a iedade de
p oblemas, com di e en es sin omas, ge almen e ca ac e izadas po uma combinação
de pensamen os ano mais, emoções, compo amen os e elacionamen os com os ou os.
Exemplos disso são a esquizo enia, a dep essão e os ans o nos associados ao uso de
d ogas (WHO,2012b).
21
A is eza é um sen imen o no mal quando su ge pe an e um ce o es ímulo, po
exemplo, a eco dação do ani e sá io de um amilia alecido. Ela é uma emoção
desag adá el desencadeada po uma si uação de pe da. Mesmo nes as si uações, oco e
uma p opo cionalidade na sua in ensidade e du ação. A is eza no mal pouco epe cu e
no endimen o social, p o issional e in elec ual da pessoa, ou pelo menos não causa
g ande incapacidade (A onso, 2004, Co dei o, 2002).
Segundo A onso (2004), embo a o diagnós ico da dep essão seja clínico, ele nem
semp e é e iden e. Po ezes é di ícil de ini os limi es da no malidade e da doença. É
po esse mo i o que, a ualmen e na psiquia ia eco em-se a c i é ios clínicos com uma
o e componen e desc i i a, al como acon ece nos manuais de classi icação de doenças
men ais mais u ilizados In e na ional Classi ica ion o Disease (ICD 10) e Diagnos ic
and S a iscal Manual o Men al Diso de s (DSM IV) (Viana, 2008, A onso, 2004).
No indi íduo dep imido, a sua is eza ap esen a-se com uma g ande in ensidade, é
g a e, p o unda, pe sis en e e de longa du ação. A dep essão in e e e
signi ica i amen e com a ida do indi íduo em á ias á eas, nomeadamen e na
a i idade p o issional, no endimen o in elec ual e nas elações in e pessoais,
conduzindo-o a um isolamen o social p og essi o (A onso, 2004). Es es indi íduos
expe ienciam se e as limi ações no seu uncionamen o ísico e social, mui o pio es do
que aqueles que so em de doenças c ónicas, como hipe ensão a e ial, p oblemas
co ona ianos e pulmona es (Takeuchi e .al. 1998).
Os p incipais sin omas ap esen ados pelos indi íduos dep imidos são humo dep imido,
pe da do in e esse e capacidade pa a sen i p aze , diminuição da ene gia e cansaço
ácil, al a de a enção e concen ação, incapacidade pa a oma decisões, ideias de culpa
ou de inu ilidade, baixa au o-es ima, ideias pessimis as quan o ao u u o, diminuição do
ape i e e pe da de peso, al e ações do sono e ideias de au o-ag essão ou suicídio
(A onso, 2004).
Apon am-se um conjun o de a o es de isco pa a a dep essão: sexo eminino, mulhe es
casadas, homens i endo sozinhos, idade comp eendida en e os 20 e os 40 anos,
his ó ia de pe das pa en ais an es da adolescência, his ó ia amilia de dep essão,
pue pé io, ausência de um con iden e, acon ecimen os i ais nega i os e esidência em
á ea u bana (Co dei o, 2002).

22
De aco do com Co dei o (2002), o ICD 10 e o DSM IV classi icam as expe iências
es essan es em ês g upos: pe u bação ou eação aguda ao s ess ( espos as imedia as
e b e es a um s ess súbi o e in enso num indi íduo sem qualque pe u bação
psiquiá ica), pe u bação pós-s ess aumá ico ( espos a p olongada e ano mal a uma
ci cuns ância ex emamen e in ensa) e pe u bação da adap ação ( espos a mais g adual
e p olongada a al e ações es essan es na ida da pessoa).
As si uações de s ess mais equen es são as de pe igo ou ameaça po um lado e as de
sepa ação ou pe da po ou o. Pe an e uma si uação de pe igo ou ameaça su ge uma
eação emocional de medo ou ansiedade e pe an e uma si uação de sepa ação ou pe da
su ge uma eação emocional de dep essão (Co dei o, 2002).
De aco do com Ga cia-Campayo e Ca illo (2002) nem semp e é ácil di e encia as
en e midades psíquicas p é ias daquelas p oduzidas pelo p óp io p ocesso mig a ó io.
Acei a-se que o s ess es eja aumen ado nos imig an es du an e os p imei os dois anos,
e que pos e io men e diminua a é alcança os alo es iniciais (Ga cia-Campayo,
Ca illo, 2002).
A pe u bação da adap ação exp essa as eações psicológicas en ol idas na adap ação a
no as ci cuns âncias, como po exemplo, uma mudança de país (Co dei o, 2002).
Os sin omas p esen es nos indi íduos que i enciam expe iências es essan es incluem
ansiedade, p eocupação, concen ação diminuída, insónia, dep essão, i i abilidade,
sen imen os de des alo ização, anedonia, palpi ações e emo . O e i amen o e a
negação es ão p esen es, podendo su gi compo amen os his iónicos ou ag essi os,
compo amen os suicidá ios, ou ainda abuso de álcool ou óxicos (Co dei o, 2002).
A ansiedade é um p ocesso complexo, ca ac e izado po uma sequência de e en os
cogni i os, a e i os, compo amen ais e isiológicos, que são despole ados po
es ímulos ansiogénicos ex e nos e/ou in e nos, sendo que a pessoa pe cebe e in e p e a a
si uação de aco do com expe iências an e io men e i enciadas (Ab eu, Tolle i, 2006).
T a a-se de um es ado emocional equen e, no mal e ú il pa a a sob e i ência, pois
pe mi e à pessoa es a mais ale a pa a os pe igos. No en an o, passa a se pa ológica
quando é desp opo cional à si uação que a desencadeia (Ab eu, Tolle i, 2006).
23
O es e eó ipo do imig an e como pessoa ágil do pon o de is a men al, com um
ele ado isco de desen ol imen o de pa ologias psiquiá icas es á ainda mui o p esen e.
Um psiquia a espanhol, D . Joseba Acho egui, e e e que a expe iência mig a ó ia es á
indissolu elmen e ligada à eme gência da pa ologia men al, e c iou uma no a ca ego ia
diagnós ica, a Sínd ome de Ulisses, ou Sínd ome do S ess Múl iplo e C ónico Ligado à
Mig ação (Pusse i, 2010b).
Es a sínd ome é uma doença psicológica p o ocada pela solidão, o sen imen o de
acasso, a du eza da lu a diá ia pela sob e i ência, e o medo e a al a de con iança nas
ins i uições (Ca a, 2005, Pusse i, 2010b). Nasceu em di e a elação ao endu ecimen o
p og essi o das polí icas mig a ó ias e o nou-se imedia amen e uma eme gência de
Saúde Pública. Milha es de casos já o am diagnos icados e o Pa lamen o Eu opeu es á
a apoia a in es igação sob e es a doença e a possibilidade de incluí-la na p óxima
edição do DSM IV (Pusse i, 2010b).
2.3 Os de e minan es de saúde men al nos imig an es
Um desa io especí ico que as mig ações êm azido é o ema da saúde dos mig an es, o
qual ambém em sido menos explo ado. Escasseia a in o mação no que se e e e não só
à epidemiologia como a ou os aspec os ele an es da saúde dos mig an es,
nomeadamen e os de e minan es de saúde, o es ado de saúde e o acesso aos cuidados de
saúde (Padilla, Po ugal, 2007).
Pa a a OMS, os de e minan es sociais de saúde são as condições nas quais as pessoas
nascem, c escem, i em, abalham e en elhecem, incluindo o sis ema de saúde. Es as
ci cuns âncias são moldadas pela dis ibuição do dinhei o, do pode e dos ecu sos, os
quais são po sua ez in luenciados pelas polí icas locais. Es es de e minan es são
esponsá eis pela maio ia das di e enças no es ado de saúde obse ado em cada país e
en e eles (WHO, 2012c).
Algumas in es igações e indicado es de saúde disponí eis pa ecem apon a pa a que os
mig an es ap esen em uma maio ulne abilidade a doenças ou a ou os p oblemas de
saúde, inclusi e ao ní el da saúde men al (Dias, Gonçal es, 2007). Ce os es udos
suge em que as populações imig an es se encon am em maio isco de i a so e de
pe u bações men ais, nomeadamen e dep essão, esquizo enia e s ess pós- aumá ico
(Ca a, 2005, Madde n, 2004, He mansson, Timpka, Thybe g, 2002, Fox e .al., 2001).
24
Há mui os es udos os quais suge em que a mig ação a e a a saúde men al, pois en ol e
mudanças de longo alcance em p a icamen e udo que odeia o indi íduo; a die a, as
elações amilia es e sociais, o clima, a língua, a cul u a e a posição social (S illman,
McKenzie, Gibson, 2009, Ca a, 2005).
A mig ação p o a elmen e o nou-se um dos de e minan es mais impo an es da saúde
global e do desen ol imen o social (Ca ballo, Di ino, Ze ic, 1998). Segundo alguns
au o es, o p ocesso mig a ó io cons i ui em si um ac o de isco (Pusse i, 2010a).
O p ocesso mig a ó io é um p ocesso he e ogéneo, ca ac e izado po ês ases:
p epa a ó ia, de mig ação e pós mig ação, no qual nem odos os mig an es en en am
expe iências semelhan es an es ou depois da mig ação (Bhug a, 2004).
No con ex o da mig ação e saúde, o impac o da imig ação na saúde e os de e minan es
p esen es em cada ase do p ocesso mig a ó io a iam com o ipo de mig ação (legal/
i egula , olun á ia/ o çada), o ambien e global do país de o igem, ânsi o e
acolhimen o, as polí icas de imig ação adop adas no país de chegada, as condições de
acolhimen o ou o con a o man ido com o país de o igem (Dias, Gonçal es, 2007).
Du an e a ase inicial do p ocesso mig a ó io, poucos são os p oblemas de saúde, pois o
mig an e cos uma se jo em e os indi íduos jo ens são os que mais acilmen e mig am
e que es ão em maio isco de desen ol e em uma doença men al, po ém com maio
capacidade pa a se adap a em a ela (Bhug a, 2004).
De aco do com Fue es e Laso (2006), os de e minan es da saúde dos imig an es
de i am da al a de acesso a um abalho egula , da si uação i egula de esidência, da
habi ação em zonas de isco social ele ado, da di iculdade de acesso aos se iços
sani á ios, da baixa escola idade, da al a de in o mação e dos p oblemas de
comunicação elacionados com o idioma e com as di e enças é nico-cul u ais.
Ou os de e minan es da saúde men al dos imig an es são ci ados po G an e .al. (2004)
como o isco que o indi íduo já possuía pa a desen ol e um dis ú bio ao ní el da
saúde men al, os modelos de imig ação, a mo i ação pa a a imig ação e as condições
encon adas no país de acolhimen o.
25
Pa a além disso, o s ess p olongado associado a i egula idade exace ba os iscos na
saúde em conjun o com ou as a iá eis como acessibilidade, capacidade de paga pelos
cuidados de saúde e on ade de p ocu a os mesmos (Cas añeda, 2009).
Es udos ealizados em Espanha ap esen am alguns a o es de e minan es da saúde
men al dos imig an es: ins abilidade p o issional e económica, ma ginalização cul u al e
social, alienação da amília, p essão pa a en ia dinhei o pa a a amília que icou no
país de o igem, disc iminação acial e al a de documen ação legal (Ca a, 2005).
Ac edi a-se que os imig an es ap esen em maio es axas de dep essão e de ans o nos
da ansiedade do que os g upos com idên icas ca ac e ís icas sociodemog á icas no seu
país de o igem ou no país an i ião. A p incipal azão de e-se aos p ocessos de
adap ação e às di iculdades ambien ais ligadas à emig ação (Fue es, Laso, 2006,
Ga cia-Campayo, Ca illo, 2002).
Todo aquele que mig a expe iencia uma pe da a e i a. A dep essão pode su gi des a
pe da. A o igem da dep essão mui as ezes pode es a associada a um sen imen o de
ap isionamen o e de o a. Indi íduos que se sen em p esos po um abalho e
opo unidades sociais limi adas no seu país de o igem podem se o na dep essi os
quando su gem no as opo unidades no país de acolhimen o (S illman, McKenzie,
Gibson, 2009).
Os imig an es olun á ios escolhe am essa jo nada na espe ança de melho a em a sua
si uação económica bem como como o u u o. Pa a eles, a mig ação é uma opo unidade
que ale o s ess e o sac i ício supo ados (Po ochnick, Pe ei a 2010).
Alguns au o es suge em que os indi íduos que ealmen e desejam imig a podem e um
meno isco pa a desen ol e dep essão do que aqueles que mig am in olun a iamen e
(Ho ey, Maganã, 2002). De aco do com Po ochnick e Pe ei a (2010), es es indi íduos
ap esen am meno es axas de sin omas ansiogénicos.
Apesa da ulne abilidade a que os indi íduos es ão expos os du an e o p ocesso
mig a ó io, o e ei o da mig ação na saúde é con udo con o e so. Algumas
in es igações suge em que nem semp e os mig an es, quando compa ados com as
populações de acolhimen o, ap esen am pio es indicado es de saúde (Dias, Gonçal es,
2007). Nes e sen ido, o enómeno do mig an e saudá el apon a pa a o a o de alguns
32
ao a o de que a in o mação disponí el sob e a população imig an e em Po ugal não
possibili a a a cons ução de uma amos a ep esen a i a des a população. Além disso,
es a écnica de amos agem pe mi e acede a alguns subg upos da população que de
ou a o ma se ia di ícil ou impossí el localiza , como imig an es i egula es (A kinson,
Flin 2001, Sadle e . al., 2010). Começa-se po seleciona um indi íduo de in e esse
que depois ecomenda ou os indi íduos, e assim po dian e, aumen ando a dimensão da
amos a (Ma oco, 2007). Es e mé odo em sido econhecido como sendo iá el quando
se p ocu a es uda populações de di ícil acesso (A kinson, Flin 2001, Sadle e . al.,
2010).
Os c i é ios de inclusão u ilizados são não e nascido em Po ugal (imig an e de 1ª
ge ação) ou e nascido em Po ugal e se ilho de imig an es (imig an e de 2ª ge ação) e
e en e 18 e 70 anos de idade.
Nes e p ocesso es i e am en ol idas o ganizações go e namen ais e não
go e namen ais, pa a além de associações de imig an es das comunidades B asilei a,
A icana e de países da Eu opa de Les e, as quais colabo a am com a equipa de
in es igação, iden i icando e ec u ando pa icipan es. A pa icipação des as en idades
oi undamen al pa a ga an i o en ol imen o das comunidades e pe mi i uma maio
adesão dos imig an es ao es udo.
O g upo inicial de indi íduos a quem se aplicou o ques ioná io indicou pos e io men e
ou os indi íduos das suas comunidades, eco endo às suas edes elacionais. Es e
p ocesso oi epe ido sucessi amen e, le ando ao c escimen o da amos a.
3.5 Ins umen o de ecolha de dados
O ins umen o u ilizado na ecolha de dados oi um ques ioná io es u u ado, com
pe gun as echadas. O ques ioná io abo dou ca ac e ís icas sociodemog á icas,
ca ac e ís icas do pe il mig a ó io e ques ões sob e saúde men al. Incluiu os seguin es
i ens e espec i as opções de espos a:
 Sexo
Feminino, masculino
 Es ado ci il
Casado ou em união de a o; sol ei o; di o ciado/ sepa ado; iú o; não sabe

33
 Escola idade
Nenhum, não sabe le , nem esc e e ; nenhum, mas sabe le e esc e e (sabe
assina ); 1º ciclo; 2º ciclo; 3º ciclo; secundá io; cu so p o issional; licencia u a;
mes ado; dou o amen o; não sabe/ não esponde
 Religião
Ca ólica; o odoxa; p o es an e/e angélica; judaica; muçulmana; sem eligião,
ou a; não sabe/ não esponde
 Nacionalidade
Po uguesa; es angei a; dupla nacionalidade; apá ida; não sabe/ não esponde
 País de o igem
Angola; Cabo Ve de; Guiné-Bissau; Moçambique; São Tomé e P íncipe; ou os
países a icanos; B asil; ou os países ame icanos; Bielo ússia; Bulgá ia;
Moldá ia; Roménia; Rússia; Uc ânia; ou os países do Les e; Po ugal; ou os
países; não sabe
 Comunidade
A icana; B asilei a; do Les e Eu opeu
 Tempo de pe manência em Po ugal
 Si uação adminis a i a
Regula ; não em a si uação egula izada; em p ocesso de egula ização
 Como eio pa a Po ugal
Sozinho; acompanhado
 P esença de pessoas conhecidas quando chegou à Po ugal
Não; sim
 P incipal mo i o pa a deixa o país de o igem
Mo i os económicos; mo i os p o issionais; pa a es uda ; eag upamen o
amilia ; mo i os polí icos e eligiosos; o ien ação sexual; po causa de um
con li o a mado; po mo i os de saúde; a inidades com o país; ou os
34
 Ocupação p o issional
Emp egado; desemp egado; e o mado; es udan e; abalhado -es udan e; a e as
domés icas (na sua p óp ia casa); ou a; não sabe
 Pe cepção de endimen os do ag egado amilia
Mui o insu icien es; insu icien es; su icien es; mais do que su icien es
 P esença de ansiedade e s ess
Não; sim
 P esença de dep essão
Não; sim
 Sensação de cansaço psicológico ( is eza, desmo i ação e dep essão)
Nunca; com pouca equência; com mui a equência
 Sensação de ansiedade
Nunca; com pouca equência; com mui a equência
 Sensação de solidão
Nunca; com pouca equência; com mui a equência
De modo a es a o ins umen o e odos os p ocedimen os de ecolha de dados oi
ealizado um p é- es e com cada uma das comunidades em es udo: B asilei a, A icana
e de países da Eu opa de Les e. O ques ioná io oi aplicado a 15 imig an es, 5 de cada
um dos g upos, e pos e iomen e analisado e discu ido em g upo ocal com cada
comunidade.
O p é- es e ao ques ioná io pe mi iu a alia o con eúdo, a o mulação, a o denação e a
du ação da sua aplicação. A análise dos esul ados do p é- es e conduziu à
ees u u ação do ques ioná io e à elabo ação de no as e sões, que ol a am a se
analisadas e discu idas pela equipa do p oje o. A pa icipação e o en ol imen o das
comunidades no p é- es e pe mi i am a cons ução de um ques ioná io acessí el e
adequado à população em es udo.
35
3.6 P ocedimen os de colhei a de dados
Os ques ioná ios o am aplicados po indi íduos das comunidades einados pa a o
e ei o. Es es en e is ado es e am maio i a iamen e o iundos das comunidades em
es udo, ecebe am o mação especí ica no sen ido de os capaci a pa a a ecolha de
dados, o que oi undamen al pa a assegu a a mo i ação pa a a ealização da a e a e o
igo dos dados ecolhidos.
Foi desen ol ido um p o ocolo pa a a ecolha de dados especi icando odos os
p ocedimen os a cump i , po o ma a ga an i um igo oso con olo da qualidade do
p ocesso de ecolha de dados.
O consen imen o in o mado oi ob ido, ga an indo-se o anonima o dos pa icipan es e a
con idencialidade dos dados.
3.7 Análise dos dados
A análise es a ís ica dos dados oi ei a com ecu so ao so wa e S a is ical Package o
he Social Sciences, e são 19.
Ap esen a-se inicialmen e a média, o des io pad ão e a mediana das a iá eis
quan i a i as con ínuas pa a a amos a o al e a média po ca ego ia de cada uma das
a iá eis dependen es.
U iliza am-se duas a iá eis dependen es nes e es udo, ambas quali a i as disc e as
medidas em escala nominal:
 Dep essão (y1= 1, em dep essão; y1= 0, caso con á io)
 Ansiedade e s ess (y2= 1, em ansiedade e s ess; y2= 0, caso con á io)
Com o objec i o de compa a as a iá eis ca egó icas des e es udo e pa a conhece a
sua associação com cada uma das a iá eis dependen es, eco eu-se ao es e do Qui-
Quad ado. Pa a um p- alue < 0,05 conside a-se ha e e idencia que sus en e a
associação en e as a iá eis.
O modelo da eg essão logís ica oi es imado pelo mé odo da máxima e osimilhança e
incluiu como a iá eis explica i as as a iá eis que ap esen a am associação com cada
uma das a iá eis dependen es.
36
O es e de Wald, ou es e de signi icância indi idual (p- alue < 0,05) oi u ilizado pa a
a e igua a associação en e a a iá el dependen e e cada uma das a iá eis
independen es, e iden i ica as a iá eis que explica am de o ma signi ica i a cada um
dos modelos.
Os coe icien es es imados o am in e p e ados a a és do odd a io (OR). A azão de
odds é uma medida de associação a qual ep esen a uma boa ap oximação do isco
ela i o. Pa a cada OR é ap esen ado o In e alo de Con iança a 95% (IC 95%).
A qualidade de ajus amen o de cada um dos modelos oi ob ida a a és da cu a ROC, a
qual e le e a capacidade de classi ica co ec amen e os indi íduos pe encen es à
ca ego ia dos sucessos ou dos insucessos.
3.8 Conside ações é icas/ legais e con li os de in e esse
Não oi necessá io solici a pedido o mal ao Comi ê de É ica do IHMT, uma ez que
es e pedido oi subme ido aquando do p ojec o “A i udes e ep esen ações ace à saúde
e doença e acesso aos cuidados de saúde nas populações imig an es: em di ecção a
se iços de saúde amigos dos imig an es”.
A au o a conside a não ha e con li os de in e esse na ealização des e es udo.
37
4.RESULTADOS
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
4.1.1 Es a ís icas desc i i as
A idade média dos pa icipan es é de 35,74 anos, com um des io pad ão de 11,67 anos e
mediana igual a 33 anos. Em elação ao empo de pe manência em Po ugal, a média é
de 7,77 anos, com um de sio pad ão de 8,11 anos e mediana igual a 6,06 anos (Quad o
4.1.1).
Quad o 4.1.1 – Es a ís icas desc i i as: média, des io pad ão e mediana
Média
(anos)
Des io Pad ão
(anos)
Mediana
(anos)
Idade (n=1371)
35,74
11,67
33
Tempo de
pe manência em
Po ugal (n=1323)
7,77
8,11
6,06
A idade média dos indi íduos que esponde am não e ou nuca e ido dep essão desde
que es ão a i e em Po ugal é de 35,32 anos, enquan o que a idade média dos
indi íduos que so em ou já so e am es e ipo de p oblema é de 38,25 anos.
Rela i amen e ao empo médio de pe manência em Po ugal, os indi íduos que i em
no país há 8,83 anos epo am dep essão, e os indi íduos que i em há 7,59 anos ainda
não a epo a.
Quan o aos indi íduos que esponde am não e ou nuca e ido ansiedade e s ess
desde que es ão a i e em Po ugal, a idade média é de 35,55 anos, enquan o que a
idade média dos indi íduos que so em ou já so e am es e ipo de p oblema é de 35,87
anos.
Rela i amen e ao empo médio de pe manência em Po ugal, os indi íduos que esidem
no país há 7,59 anos epo am ansiedade e s ess, e os indi íduos que esidem há 8,08
anos não as epo am.

38
4.1.2 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po comunidades
Do o al da amos a, 703 são do sexo eminino (51,1%) e 672 são do sexo masculino
(48,9%). Na comunidade A icana, 57% são do sexo eminino, enquan o nas
comunidades B asilei a e do Les e, 50,5% e 53,3%, espec i amen e, são do sexo
masculino. Rela i amen e ao es ado ci il, a maio ia dos imig an es são casados ou
sol ei os. Nas comunidades A icana e B asilei a, 58,1% e 46,4%, espec i amen e, são
sol ei os, ao passo que na comunidade do Les e 60,2% são casados. Quan o à
escola idade, 33,6% do o al da amos a comple ou o secundá io. A maio ia dos
A icanos (23,8%) e dos B asilei os (46,2%) comple a am o secundá io. En e an o,
32,7% da comunidade do Les e possui uma licencia u a. A eligião ca ólica é mais
p a icada pelas comunidades A icana (73,2%) e B asilei a (53,1%) e a eligião
o odoxa é mais p a icada pela comunidade do Les e (80,4%).
Quan o à nacionalidade, a maio ia dos imig an es, são es angei os (86%). Apenas 4,2%
possuem dupla nacionalidade. Obse a-se um p edomínio da nacionalidade po uguesa
na comunidade A icana (27,3%). No que se e e e ao país de o igem, a comunidade
A icana é em sua maio ia o iunda de Cabo Ve de (43,2%) e a comunidade do Les e é
maio i a iamen e compos a po imig an es indos da Uc ânia (51%). Rela i amen e à
si uação adminis a i a, a maio ia dos imig an es i e em Po ugal de o ma egula
(74,3%), si uação que p edomina nas comunidades A icana (82,9%) e do Les e
(85,8%). En e os B asilei os, 58,2% i e de o ma egula , 26,1% es á em p ocesso de
egula ização e 15,7% i e de o ma i egula .
Quan o à ocupação p o issional, 65,4% dos imig an es es ão emp egados e 18,4% es ão
desemp egados. En e as ês comunidades, as que ap esen am mais imig an es
emp egados são a comunidade B asilei a (72,4%) e a do Les e (75,3%). Na comunidade
A icana, 27,5% dos imig an es es ão desemp egados. No que se e e e à pe cepção de
endimen os, an o os A icanos (53%) quan o os imig an es do Les e (46,9)
conside am-na insu icien e, ao passo que 56,8% dos B asilei os conside am-na
su icien e (Quad o 4.1.2).
39
Quad o 4.1.2 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po comunidades
A icanos
% (n=447)
B asilei os
% (n=523)
Les e
%(n=405)
To al
%
Sexo (n=1375)
Feminino (n=703)
Masculino (n=672)
57
43
49,5
50,5
46,7
53,3
51,1
48,9
Es ado Ci il (n=1370)
Casado/ em união de ac o (n=636)
Sol ei o (n=592)
Di o ciado/ sepa ado (n=110)
Viú o (n=32)
35
58,1
2,9
4
45,6
46,4
7,3
0,8
60,2
22,6
14,7
2,5
46,4
43,2
8
2,3
Escola idade (n=1344)
Nenhum, não sabe le nem esc e e
(n=38)
Nenhum, mas sabe le e esc e e (n=19)
1º Ciclo (n=89)
2º Ciclo (n=133)
3º Ciclo (n=196)
Secundá io (n=452)
Cu so P o issional (n=148)
Licencia u a (n=240)
Mes ado (n=25)
Dou o amen o (n=4)
8,5
3,8
13,7
15
26
23,8
1,8
6,5
0,9
0
0
0,4
5,2
12,5
10,9
46,2
5,4
16,9
2,3
0,4
0
0
0,3
0,3
6,1
27,9
29,8
32,7
2,4
0,5
2,8
1,4
6,6
9,9
14,6
33,6
11
17,9
1,9
0,3
Religião (n=1337)
Ca ólica (n=633)
O odoxa (n=316)
P o es an e/ E angélica (n=181)
Judaica (n=1)
Muçulmana (n=26)
Sem eligião (n=102)
Ou a (n=78)
73,2
0
5,7
0,2
4,6
11,7
4,6
53,1
0
29,1
0
0
8,5
9,3
11,2
80,4
2
0
1,5
2
2,8
47,3
23,6
13,5
0,1
1,9
7,6
5,8
Nacionalidade (n=1367)
Po uguesa (n=133)
Es angei a (n=1176)
Dupla nacionalidade (n=58)
27,3
68
4,7
0,2
95
4,8
2,8
94,3
3
9,7
86
4,2
País de o igem (n=1372)
Angola (n=76)
Cabo Ve de (n=193)
Guiné-Bissau (n=48)
Moçambique (n=15)
São Tomé e P íncipe (n=56)
Ou os países a icanos (n=6)
B asil (n=523)
Bielo ússia (n=4)
Moldá ia (n=88)
Roménia (n=29)
Rússia (n=61)
Uc ânia (n=205)
Ou os países do Les e (n=12)
Po ugal (n=53)
Ou os países (n=3)
17
43,2
10,7
3,4
12,5
1,3
0
0
0
0
0
0
0
11,9
0
0
0
0
0
0
0
100
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
21,9
7,2
15,2
51
3
0
0,7
5,5
14,1
3,5
1,1
4,1
0,4
38,1
0,3
6,4
2,1
4,4
14,9
0,9
3,9
0,2
40
A icanos
% (n=447)
B asilei os
% (n=523)
Les e
% (n=405)
To al
%
Si uação adminis a i a (n=1344)
Regula (n=998)
Si uação não egula izada (n=129)
Em p ocesso de egula ização (n=217)
82,9
6
11,1
58,2
15,7
26,1
85,8
5,6
8,7
74,3
9,6
16,1
Ocupação p o issional (n=1364)
Emp egado (n=892)
Desemp egado (n=251)
Re o mado (n=34)
Es udan e (n=82)
T abalhado -es udan e (n=44)
Ta e as domés icas na sua casa (n=20)
Ou as (n=41)
48,3
27,5
6,8
8,1
5
1,6
2,7
72,4
15
0,4
6,7
2,5
1,5
1,5
75,3
12,8
0,5
2,8
2,3
1,3
5,3
65,4
18,4
2,5
6
3,2
1,5
3
Pe cepção de endimen os (n=1318)
Mui o insu icien e (n=150)
Insu icien e (n=601)
Su icien e (n=560)
Mais do que su icien e (n=7)
15,4
53
31,4
0,2
3,7
38,5
56,8
1
17
46,9
35,8
0,3
11,4
45,6
42,5
0,5
4.1.3 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po sexo
Tan o as mulhe es quan o os homens são em sua maio ia casados, 46% e 46,9%
espec i amen e (p- alue < 0,05). Em ambos os sexos o ní el de escola idade
p edominan e é o secundá io, concluído po 29,8% das mulhe es e 37,6% dos homens
(p- alue < 0,05) . A maio ia das mulhe es, 52%, e homens, 42,5%, pe ence à eligião
ca ólica (p- alue < 0,05).
Quan o à nacionalidade, mulhe es (86%) e homens (86,1%) são em sua maio ia
es angei os. En e an o, es es alo es não são es a is icamen e signi ica i os (p- alue >
0,05). As mulhe es são em sua maio ia o iundas do B asil (36,9%), de Cabo Ve de
(17,5%) e da Uc ânia (13,8%). Os homens ambém são em sua maio ia o iundos do
B asil (39,3%), de Cabo Ve de (10,4%) e da Uc ânia (16,1%). Es es esul ados ambém
não são es a is icamen e signi ica i os (p- alue > 0,05) . A maio ia das mulhe es
pe ence às comunidades A icana, 36,3%, e B asilei a, 36,8%, e a maio ia dos homens
pe ence à comunidade do Les e, 39,3% (p- alue < 0,05).
Rela i amen e à si uação adminis a i a, mulhe es e homens i em em sua maio ia de
o ma egula , 78,1% e 70,2% espec i amen e (p- alue < 0,05). Tan o a si uação não
egula (12,7%) quan o a espe a pelo p ocesso de egula ização (17,1%) é mais e iden e
en e os homens. No que se e e e à ocupação p o issional, a maio ia das mulhe es
41
(64,8%) e dos homens (66%) es ão emp egados (p- alue < 0,05). En e an o, 15,9% das
mulhe es e 21% dos homens es ão desemp egados. Em ambos os sexos a pe cepção de
endimen os é insu icien e, 45,4% nas mulhe es e 45,7% nos homens. Po ém, es es
alo es não são es a is icamen e signi ica i os (p- alue > 0,05) . (Quad o 4.1.3).
Quad o 4.1.3 Ca ac e ização do pe il sociodemog á ico po sexo
Feminino
% (n=703)
Masculino
% (n=672)
To al
%
p- alue
Es ado Ci il (n=1370)
Casado/ em união de ac o (n=636)
Sol ei o (n=592)
Di o ciado/ sepa ado (n=110)
Viú o (n=32)
46
40,6
9,3
4,1
46,9
46
6,7
0,4
46,4
43,2
8
2,3
0,000
Escola idade (n=1344)
Nenhum, não sabe le nem esc e e
(n=38)
Nenhum, mas sabe le e esc e e (n=19)
1º Ciclo (n=89)
2º Ciclo (n=133)
3º Ciclo (n=196)
Secundá io (n=452)
Cu so P o issional (n=148)
Licencia u a (n=240)
Mes ado (n=25)
Dou o amen o (n=4)
4,5
2,5
6,6
9,8
12,7
29,8
9,5
22,3
2
0,4
1,1
0,3
6,7
10
16,6
37,6
12,6
13,2
1,7
0,2
2,8
1,4
6,6
9,9
14,6
33,6
11
17,9
1,9
0,3
0,000
Religião (n=1337)
Ca ólica (n=633)
O odoxa (n=316)
P o es an e/ E angélica (n=181)
Judaica (n=1)
Muçulmana (n=26)
Sem eligião (n=102)
Ou a (n=78)
52
22,4
12,2
0,1
1,6
5,7
6
42,5
24,9
14,9
0
2,3
9,7
5,7
47,3
23,6
13,5
0,1
1,9
7,6
5,8
0,011
Nacionalidade (n=1367)
Po uguesa (n=133)
Es angei a (n=1176)
Dupla nacionalidade (n=58)
10,3
86
3,7
9,1
86,1
4,8
9,7
86
4,2
0,737
País de o igem (n=1372)
Angola (n=76)
Cabo Ve de (n=193)
Guiné-Bissau (n=48)
Moçambique (n=15)
São Tomé e P íncipe (n=56)
Ou os países a icanos (n=6)
B asil (n=523)
Bielo ússia (n=4)
Moldá ia (n=88)
Roménia (n=29)
Rússia (n=61)
4,7
17,5
4
0,6
5,3
0,1
36,9
0,1
5,6
1,4
4,7
6,4
10,4
3
1,6
2,8
0,7
39,3
0,4
7,3
2,8
4,2
5,5
14,1
3,5
1,1
4,1
0,4
38,1
0,3
6,4
2,1
4,4
0,939
48
A p esença de dep essão é epo ada po 13,7% dos indi íduos en e is ados.
Ao analisa mos a a iá el explica i a ocupação p o issional dos imig an es a i e em
em Po ugal, um imig an e e o mado em uma p obabilidade cinco ezes maio de e
dep essão (OR=5,267), quando compa ado com um imig an e emp egado, ajus ando
pa a as ou as a iá eis. Também um imig an e com ou a ocupação p o issional em
uma p obabilidade ês ezes maio de e dep essão (OR=3,37), quando compa ado
com um imig an e emp egado, ajus ando pa a as ou as a iá eis. En e an o, a
p obabilidade de um imig an e abalhado es udan e e dep essão é in e io em 0,14
(OR=0,14) a de um imig an e emp egado, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
Rela i amen e à a iá el explica i a ansiedade e s ess, um imig an e que em ou já
e e es es sin omas desde que es á a i e em Po ugal em uma p obabilidade onze
ezes maio (OR=10,995) de e dep essão, do que um imig an e que não e e e es es
sin omas, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
Quan o à a iá el explica i a cansaço psicológico, o imig an e que e e e cansaço
psicológico com mui a equência em uma p obabilidade ce ca de qua o ezes maio
(OR=3,879) de e dep essão, quando compa ado com um imig an e que nunca e e e
al sin oma, ajus ando pa a as ou as a iá eis. Já o imig an e que e e e cansaço
psicológico com pouca equência em uma p obabilidade duas ezes maio (OR=2,154)
de e dep essão, quando compa ado com um imig an e que nunca e e e al sin oma,
ajus ando pa a as ou as a iá eis.
Po im, a a iá el sensação de solidão mos a-nos que um imig an e que e e e al
sensação com mui a equência em uma p obabilidade duas ezes maio (OR=2,007)
de e dep essão, quando compa ado com um imig an e que nunca e e e al sensação,
ajus ando pa a as ou as a iá eis. Pa a o imig an e que e e e sensação de solidão com
pouca equência, a p obabilidade de e dep essão é uma ez e meia maio (OR=1,536)
quando compa ado com um imig an e que nunca e e e al sensação, ajus ando pa a as
ou as a iá eis.

49
G á ico 1 – G á ico da cu a ROC pa a a dep essão
A á ea abaixo da cu a ROC, pa a a a iá el dependen e dep essão, é igual a 0,837
(83,7%), o que signi ica que o modelo ap esen a uma boa capacidade de disc iminação
(G á ico 1).
50
4.3 MODELO DE REGRESSÃO LOGÍSTICA ESTIMADO PARA A PRESENÇA
DE ANSIEDADE E STRESS EM IMIGRANTES A VIVEREM EM PORTUGAL
Quan o à a iá el dependen e ansiedade e s ess, os esul ados suge em ha e
associação signi ica i a en e es a e o sexo, eligião, dep essão, cansaço psicológico,
sensação de ansiedade e sensação de solidão (Quad o 4.3).
Quad o4.3 Tes e do Qui-Quad ado pa a a a iá el ansiedade e s ess
Va iá el ca egó ica
p- alue
Sexo
0,000
Religião
0,050
Dep essão
0,000
Cansaço psicológico
0,000
Sensação de ansiedade
0,000
Sensação de solidão
0,000
Uma ez mais, eco endo às a iá eis acima mencionadas e aplicando o modelo da
eg essão logís ica (Quad o 4.3.1), as a iá eis que se e ela am signi ica i as pa a
explica o modelo o am sexo, dep essão, cansaço psicológico e sensação de ansiedade
(p- aleu < 0,05).
Quad o 4.3.1 – Reg essão logís ica pa a a ansiedade e s ess
B
Sig.
OR
IC 95%
Sexo
Masculino
-0,342
0,008
0,710
[0,553-0,913]
Dep essão
P esen e
2,393
0,000
10,946
[6,993-17,133]
Cansaço Psicológico
Ausen e
Pouco equen e
Mui o equen e
0,904
1,005
0,000
0,000
0,000
2,470
2,732
[1,584-3,853]
[1,683-4,434]
Sensação de ansiedade
Ausen e
Pouco equen e
Mui o equen e
0,797
1,613
0,000
0,003
0,000
2,218
5,019
[1,303-3,775]
[2,901-8,648]
Cons an e
0,000
0,091
A p esença de ansiedade e s ess é epo ada po 39,3% dos indi íduos en e is ados.
Ao analisa mos a a iá el explica i a sexo, a p obabilidade de um imig an e do sexo
masculino e ansiedade e s ess é in e io em 0,71 ezes (OR=0,71), quando
compa ado com um imig an e do sexo eminino, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
51
Rela i amen e à a iá el explica i a dep essão, um imig an e que em ou já e e es es
sin omas desde que es á a i e em Po ugal em uma p obabilidade onze ezes maio
(OR=10,946) de e ansiedade e s ess, do que um imig an e que não e e e es es
sin omas, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
Quan o à a iá el explica i a cansaço psicológico, o imig an e que e e e cansaço
psicológico com mui a equência em uma p obabilidade ce ca de ês ezes maio
(OR=2,732) de e ansiedade e s ess, quando compa ado com um imig an e que nunca
e e e al sin oma, ajus ando pa a as ou as a iá eis. Já o imig an e que e e e cansaço
psicológico com pouca equência em uma p obabilidade ce ca de duas ezes e meia
maio (OR=2,47) de e ansiedade e s ess, quando compa ado com um imig an e que
nunca e e e al sin oma, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
Po im, a a iá el explica i a sensação de ansiedade mos a-nos que um imig an e que
e e e al sensação com mui a equência em uma p obabilidade cinco ezes maio
(OR=5,019) de e ansiedade e s ess, quando compa ado com um imig an e que nunca
e e e al sensação, ajus ando pa a as ou as a iá eis. Pa a o imig an e que e e e
sensação de ansiedade com pouca equência, a p obabilidade de e ansiedade e s ess é
duas ezes maio (OR=2,218) quando compa ado com um imig an e que nunca e e e
al sensação, ajus ando pa a as ou as a iá eis.
52
G á ico 2 – G á ico da cu a ROC pa a a ansiedade e s ess
A á ea abaixo da cu a ROC, pa a a a iá el dependen e ansiedade e s ess, é igual a
0,754 (75,4%), o que signi ica que o modelo ap esen a uma capacidade de
disc iminação acei á el (G á ico 2).
53
5. DISCUSSÃO
O p ocesso mig a ó io con inua a c esce em Po ugal desde os anos 80 (San os, 2004).
A ualmen e, a imig ação é mais labo al e concen a-se maio i a iamen e em Lisboa,
onde o me cado de abalho é mais dinâmico e di e si icado (Malhei os e .al., 2007).
Po ugal é um país que ecebe imig an es de á ias comunidades, nomeadamen e
A icana, B asilei a e de países do Les e.
A comunidade cons i uída pelos imig an es o iundos do B asil é a comunidade mais
ep esen a i a da amos a em es udo (38%). A comunidade A icana ep esen a 32,5%,
com des aque pa a Cabo Ve de (14,1%) e a comunidade de países do Les e ep esen a
29,5%, sendo a Uc ânia o país com mais imig an es (14,9%).
Es es dados são consis en es com o pe il dos imig an es a i e em em Po ugal,
con o me ci ado po Ben o, Ma ins e Sousa (2011), em que o B asil, Uc ânia e Cabo
Ve de o am as nacionalidades mais ep esen a i as em 2009 e 2010.
A idade média dos pa icipan es des e es udo é de 35,74 anos, o que e le e o pe il dos
imig an es em Po ugal, os quais são em sua maio ia jo ens e es ão em idade a i a
(Malhei os e .al., 2007, Ma ques e .al., 2010, Góis e .al., 2008). Es e pe il man ém-se
em ou os países com mig ação maio i a iamen e labo al.
Do o al da amos a, os imig an es do Les e são aqueles que possuem maio g au de
escola idade, 32,7% são licenciados. En e an o, eles ob êm abalhos pouco ou nada
quali icados, com posições in e io es àquelas ocupadas no país de o igem (Ma ques
e .al., 2010), o que al ez possa explica o a o de, em sua maio ia, pe cebe em os
endimen os au e idos como sendo insu icien es (46,9%).
Mais da me ade dos imig an es es á emp egada (65,4%). A inse ção económica des es
imig an es oco e p incipalmen e na cons ução ci il, no comé cio e nas a i idades
domés icas (Malhei os e .al., 2007, Ma ques e .al., 2010, Góis e .al., 2008).
Os esul ados ob idos nes e es udo apon am como p incipal mo i o pa a emig a as
ques ões económicas (41,5% do o al), seguidas pelo eag upamen o amilia (11%).
Con o me e e ido po Malhei os e .al. (2007) os imig an es B asilei os jus i icam a sua
mig ação a a és de azões económicas, desemp ego e baixos salá ios. Também os

54
imig an es da Eu opa de Les e mig am p incipalmen e po mo i os económicos
(Ma ques e .al., 2010). Enquan o os imig an es A icanos, nomeadamen e os o iundos
de Cabo Ve de, mig am em busca de abalho e pa a eag upamen o amilia (Góis
e .al., 2008).
Den e as duas pe u bações men ais analisadas nes e es udo, dep essão e p esença de
ansiedade e s ess, a dep essão é epo ada po 13,7% dos imig an es e a p esença de
ansiedade e s ess é epo ada po 39,3% dos imig an es. Um es udo ealizado po King
e .al. (2008) em seis países eu opeus, incluindo Po ugal, encon ou alo es de
p e alência di e en es pa a a dep essão (24,3%) e pa a a ansiedade (10,6%). Es a
di e ença pode se explicada pelo a o de a população es udada não se compos a apenas
po imig an es, e os imig an es es udados ep esen a em apenas 3% do o al da
população po uguesa (King e .al., 2008).
Um es udo ealizado nos EUA examinou a p e alência de pe u bações men ais em
2554 imig an es la inos (Aleg ía e . al., 2007); 79,08% são jo ens a i os, com idades
comp eendidas en e os 18 e os 49 anos.
Con o me e e ido an e io men e, a dep essão é epo ada po 13,7% dos imig an es
en e is ados (n=184), pe cen agem que se man ém semelhan e nas ês comunidades,
A icana (12,3%), B asilei a (14,7%) e do Les e (13,8%). Em elação ao géne o, a
dep essão é mais e iden e en e as mulhe es (16,5%) do que en e os homens (10,7%).
A p esença de ansiedade e s ess é epo ada po 39,3% dos imig an es en e is ados
(n=529). A p esença de ansiedade e s ess é epo ada po 40,5% dos A icanos, 41,9%
dos B asilei os e 34,4% do Les e. Es a pe u bação ambém é mais e iden e en e as
mulhe es, 44,8%, do que en e os homens, 33,4%.
Des a o ma, obse a-se uma maio p e alência das pe u bações men ais en e as
mulhe es. Es es dados ão de encon o com os esul ados ob idos em um es udo
ealizado nos EUA com imig an es la inos (Aleg ía e . al., 2007), o qual es ima que a
p e alência de pe u bações men ais pa a homens e mulhe es é de 28,1% e 30,2%,
espec i amen e.
55
A á ea da saúde men al é a á ea mais ab angen e da saúde, pois pe co e
ans e salmen e odos os p oblemas de saúde humana, do indi idual ao social, não
ha endo nenhum ou o campo de in e enção em que al seja ão pa en e (San os, 2006).
Es a ca ac e ís ica esul a, en e ou os a o es, de uma elação in ínseca com um dos
de e minan es undamen ais da saúde, os compo amen os, subjacen es aos es ilos de
ida (San os, 2006). Po es e mo i o, o p ocesso mig a ó io pode cons i ui em si um
a o de isco (Pusse i, 2010a) pa a saúde men al dos imig an es. Nes e con ex o,
di e en es de e minan es de saúde men al podem se obse ados.
Os de e minan es de saúde men al iden i icados nes e es udo são a dep essão, a p esença
de ansiedade e s ess, o sexo, a ocupação p o issional e a sensação de cansaço
psicológico, solidão e ansiedade.
Alguns des es de e minan es ão de encon o ao e e ido po Viana (2008); a saúde
men al e lec e a in e ação en e a pessoa e o meio que a odeia, e so e in luência de
a o es como géne o e ní el socioeconómico. A ins abilidade p o issional e económica
(Ca a, 2005), a baixa escola idade e o s ess (Fue es, Laso, 2006) são ou os
de e minan es de saúde men al iden i icados.
Os de e minan es da dep essão são ocupação p o issional, ansiedade e s ess, cansaço
psicológico e sensação de solidão.
Alguns dos a o es de isco pa a a dep essão, e e idos po Co dei o (2002), são
iden i icados nes a amos a como de e minan es da dep essão; idade comp eendida
en e os 20 e os 40 anos (a idade média dos indi íduos que epo a am a p esença de
dep essão é de 38,25 anos) e sensação de solidão (homens i endo sozinhos e ausência
de um con iden e).
Os achados des e es udo apon am uma p obabilidade in e io em 0,29 ezes dos
es udan es e em dep essão, quando compa ados com os indi íduos emp egados. No
en an o, no es udo de Bhug a (2004) é e e ida uma cla a elação en e a saúde men al e
a pe o mance académica, ou seja, uma maio axa de dep essão e ansiedade en e os
es udan es es angei os.
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Nes e es udo, o imig an e e o mado em uma p obabilidade cinco ezes maio de e
dep essão, quando compa ado com um imig an e emp egado. En e an o, não se
encon ou qualque es udo com esul ado semelhan e. Um imig an e que e e e sen i -se
sozinho com mui a equência, em uma p obabilidade duas ezes maio de e
dep essão, quando compa ado com um imig an e que nunca sen e-se sozinho.
Os de e minan es da ansiedade e s ess são sexo, dep essão, cansaço psicológico e
sensação de ansiedade.
Pa a Ga cia-Campayo e Ca illo (2002) o s ess es á aumen ado nos imig an es du an e
os p imei os dois anos de esidência no país de acolhimen o, e pos e io men e diminui
a é alcança os alo es iniciais. Po ém, na amos a em es udo, o s ess ainda é epo ado
pelos indi íduos que esidem no país há ce ca de se a anos e meio. Con udo, não há
dados que compa em a p esença e in ensidade de s ess aquando da chegada a Po ugal,
com o pe íodo em que os imig an es o am en e is ados.
Nes e es udo, a p obabilidade de um imig an e do sexo masculino so e de ansiedade e
s ess é in e io em 0,71 ezes, quando compa ado com um imig an e do sexo eminino.
Es es esul ados es ão de aco do com o e e ido na li e a u a. Con o me Bhug a (2004),
a incidência de pe u bações men ais é maio nas mulhe es. Uma possí el azão pode
es a elacionada com o a o de a decisão de mig a se dos homens e as mulhe es
apenas os segui em. Na amos a em es udo, 62,3% dos homens e 55% das mulhe es
ie am pa a Po ugal sozinhos. De aco do com a UNFPA (2006), o núme o de mulhe es
que imig am sozinhas em indo a aumen a , o que de e se ido em con a pelos países
de acolhimen o, pois equen emen e os imig an es do sexo eminino ap esen am
maio es iscos pa a a saúde.
Nes e es udo, o indi íduo que so e de dep essão em uma p obabilidade ce ca de onze
ezes maio de e ansiedade e s ess, quando compa ado com um indi íduo que não
em dep essão. Si uação semelhan e oco e com o indi íduo que so e de ansiedade e
s ess. A p obabilidade des e indi íduo e dep essão é ce ca de onze ezes maio ,
quando compa ado com um indi íduo que não so e de ansiedade e s ess. Es es
esul ados ão de encon o ao e e ido po Bhug a (2004); os sin omas da ansiedade
podem acompanha os sin omas da dep essão.
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Es e esul ado ambém é consis en e com o esul ado obse ado po Po ochnick e
Pe ei a (2010). Pa a jo ens la inos, imig an es de 1ª ge ação, a i e em nos EUA, os
a o es es esso es do p ocesso mig a ó io aumen am o isco des es jo ens
desen ol e em dep essão e ansiedade.
A sensação de ansiedade pode oma con a do mig an e, po es e se sen i sob s ess.
Es e s ess pode es a associado aos á ios desa ios i idos pelos imig an es, como as
di e enças encon adas no no o meio-ambien e, di e en e cul u a e es ilos de ida (Dias,
Gonçal es, 2007), bem como pelo desgas e psicológico causado pela saudade do país de
o igem (Ca ballo, Di ino, Ze ic, 1998).
A população em es udo é compos a po imig an es esiden es na egião de Lisboa e que
epo am de o ma signi ica i a a p esença de dep essão e de ansiedade e s ess.
Segundo A onso (2004), as pe u bações dep essi as e ansiosas são mais p e alen es
nos países mais desen ol idos. Is o pode á se comp eendido pelo maio s ess a que as
pessoas que i em nos cen os u banos es ão sujei as.
O cansaço psicológico oi iden i icado como de e minan e das duas pe u bações
men ais em análise. O imig an e que e e e cansaço psicológico mui o equen e em
uma p obabilidade ce ca de qua o ezes maio de e dep essão e uma p obabilidade
ce ca de cinco ezes maio de so e de ansiedade e s ess, quando compa ado com um
indi íduo que nunca e e e al sin oma. Em um es udo ealizado em Espanha, a adiga é
um dos sin omas mais equen es nos imig an es com p oblemas de saúde men al
(Ca a, 2005).
A si uação adminis a i a i egula é um dos de e minan es de saúde men ais ci ados po
di e sos au o es. A i egula idade o na os imig an es mais ulne á eis à explo ação
labo al, pode limi a a capacidade pa a exe ce em seus di ei os, como o acesso aos
cuidados de saúde, e es igma iza-os em elação aos demais memb os da sociedade
(Cas añeda, 2009, Dias, Gonçal es, 2007, Fue es, Laso, 2006, Ca a, 2005). En e an o,
a si uação adminis a i a i egula não oi iden i icada nes e es udo como de e minan e
da saúde men al dos imig an es. Dos imig an es en e is ados, 16,1% e e em es a em
p ocesso de egula ização e apenas 9,6% e e em es a a i e em Po ugal de o ma
i egula .
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