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i!
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Fo mação de P o esso es de Língua Po uguesa no
Ensino Supe io em Tianjin/China: As P á icas
Pedagógicas no Con ex o Mundial da Globalização
Hu Jing
"
Tese de Dou o amen o em Ciências da Educação
O ien ado a: P o ª. Dou o a Ma ia do Ca mo Viei a da Sil a
"
Fo mação de P o esso es de Língua Po uguesa no
Ensino Supe io em Tianjin/China: As P á icas
Pedagógicas no Con ex o Mundial da Globalização
Hu Jing
Tese de Dou o amen o em Ciências da Educação
na Educação, Sociedade e Desen ol imen o
Ou ub o, 2018
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ii!
Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au
de Dou o em (designação da á ea cien í ica do dou o amen o), ealizada sob a
o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia do Ca mo Pe ei a de Campos
Viei a da Sil a.
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iii!
DECLARAÇÕES
Decla o que es a ese é o esul ado da minha in es igação pessoal e
independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão
de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia.
O candida o,
____________________
Lisboa, 24 de ou ub o de 2018
Decla o que es a ese se encon a em condições de se ap eciado pelo jú i a
designa .
O(A) o ien ado (a),
____________________
Lisboa, 24 de ou ub o de 2018
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i !
Ao meu amo .
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AGRADECIMENTOS
Finalizada uma e apa pa icula men e impo an e da minha ida, não pode ia deixa
de exp essa os since os ag adecimen os a odos aqueles que me apoia am di e a ou
indi e amen e pa a conc e ização des e sonho.
Ao meu pai, Hu Wenbo, pelos diálogos semp e es imulan es e pelas pala as de
comp eensão e incen i o; à minha mãe, Bai Lijuan, po se uma mãe ão gene osa e
dedicada e pelo seu amo incondicional.
A odos os meus amilia es que, com os seus apoios em momen os c uciais,
con ibuí am de modo ão signi ica i o pa a le a es a ese a bom po o, mui o
ob igada.
À minha o ien ado a, P o esso a Dou o a Ma ia do Ca mo Viei a da Sil a, pela
dedicação ao meu abalho, pelo es ímulo ao c escimen o p o issional, pelo apoio nas
escolhas da ida académica e pelo incen i o, paciência e con iança que me dou ao
longo dos ês anos.
Ao P o esso Dou o An ónio Domingos, pelas dú idas escla ecidas na de esa da
minha monog a ia e pelo enco ajamen o e c ença nas minhas capacidades.
À P o esso a Dou o a Ma iana Gaio Al es, pela disponibilidade cons an e e pelo
apoio que me dou pa a ul apassa as di iculdades encon adas ao longo do abalho.
Ao P o esso Dou o F ancisco Peixo o, pelo que me ensinou e pela ajuda no início da
in es igação.
Ao P o esso Dou o Ca los Ceia, pela pa ilha do seu eno me sabe e da sua as a
expe iência.
À P o esso a Dou o a Inocência Ma a, pelo apoio e incen i o na minha disse ação de
mes ado, que ab iu a janela pa a a minha in es igação de dou o amen o.
Aos meus colegas de abalho na Faculdade de Línguas Es angei as da Uni e sidade
Nankai, China, po odo o apoio e colabo ação p es ados ao longo dos ês anos do
meu es udo no dou o amen o, em especial: D . Yan Guodong, D . Du Weihua e
p o esso a Jiao Yan ing.
À p o esso a Cheng Cuicui, pelo incen i o e mo i ação em con inua o meu caminho
de es udo no dou o amen o.
À p o esso a Zhang Hanzi e à p o esso a Yan Qiao ong, pelo apoio semp e mos ado.
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i!
A odos os p o esso es e alunos que pa icipa am olun a iamen e na in es igação
empí ica, sem os quais não se ia possí el a sua ealização.
À Embaixada de Po ugal em Pequim, pelas suas aliosas e imp escindí eis
in o mações.
Aos colegas do Dou o amen o, especialmen e, Zhao Jionghao e Luís An unes, amigos
e companhei os, pela o ça e o imismo nos momen os mais di íceis des a caminhada.
Aos meus amigos, po es a em semp e p esen es, mesmo à dis ância, nos melho es e
pio es momen os des a iagem, pa icula men e a Diana Maia, Ma alda Moço e Sun
Chunyue.
A odos, en im, ei e o a minha e e na g a idão.
Mui o ob igada!
!
ii!
RESUMO
Na China, desde 2005, e i ica-se uma g ande demanda da ap endizagem do
po uguês. Com e ei o, a o mação de p o esso es de po uguês des aca-se como um
a o de e minan e. A o mação docen e na China em sido, no en an o, ques ionada e
c i icada, en ol a pelo discu so da necessidade de e o ma do ensino e das p á icas
pedagógicas. Es a ques ão de e se comp eendida no plano es u u al e conjun u al da
sociedade pa a se e i a o isco de agmen a a ealidade e isola o p ocesso do
conjun o do mo imen o da sociedade.
Nes e con ex o, o p esen e abalho cen a-se no es udo da o mação de p o esso es de
língua po uguesa (LP) no con ex o da globalização, discu e p incipalmen e a
o mação de p o esso es de LP na China, com o obje i o de con ibui pa a a
elabo ação de p opos as de ação que p omo am uma p á ica pedagógica mais
conscien e, que possibili e o esga e da dimensão quali a i a na o mação de
p o esso es de LP, supe ando as agilidades exis en es no p ocesso de ensino e de
ap endizagem a uais da LP.
Os obje i os ge ais da in es igação são dois:
1. Analisa os p ocessos de o mação de p o esso es e do ensino e ap endizagem da
LP em Tianjin/China a iculando-os com o enómeno da globalização;
2. Con ibui pa a uma melho ia dos p ocessos de ensino e de ap endizagem da LP,
adequados às necessidades da sociedade global.
A abo dagem me odológica u ilizada é uma me odologia mis a, quali a i a e
quan i a i a, com ecolha de dados p imá ios ealizada a a és de ques ioná ios,
en e is as e obse ação di e a, que pe mi iu a con i mação e/ou e u ação das
hipó eses le an adas.
Pala as-cha e: Fo mação de p o esso es; P á icas pedagógicas; Globalização;
Ensino do Po uguês na China.
!
iii!
ABSTRACT
In China, since 2005, he e is a g ea demand o Po uguese educa ion. In ac , he
aining o eache s o Po uguese s ands ou as a de e mining ac o . Teache aining
in China has been ques ioned and c i icized, su ounded by he discou se o he need
o e o m o eaching and pedagogical p ac ices. This ques ion mus be unde s ood in
he s uc u al and conjunc u e plane o socie y in o de o a oid he isk o
agmen ing he eali y and isola ing his p ocess om he whole mo emen o
socie y.
In his con ex , he p esen wo k ocuses on he s udy o he aining o eache s o
Po uguese in he con ex o globaliza ion, mainly discusses he aining o eache s o
Po uguese in China, wi h he aim o con ibu ing o he elabo a ion o p oposals o
ac ion o a mo e conscious pedagogical p ac ice, ha allows he eco e y o he
quali a i e dimension in he aining o eache s o Po uguese, and o e coming he
weaknesses exis ing in he eaching-lea ning p ocess o Po uguese.
The gene al objec i es o he esea ch a e wo:
1. To analyze he p ocesses o eache aining and eaching and lea ning o
Po uguese in Tianjin/China by a icula ing hem wi h he phenomenon o
globaliza ion;
2. To con ibu e o an imp o emen o p ocesses o eaching and lea ning o
Po uguese, which is sui ed o he needs o he global socie y.
The me hodological app oach used is a mixed me hodology, quali a i e and
quan i a i e,!By unde aking ques ionnai e, in e iew and di ec obse a ion, we
comple e he collec ion o ini ial da a. This me hod enables us o ha e a mo e
ex ensi e esea ch pe spec i e, wi h obse a ion o a ious si ua ions, o a i m o
nega e ou esea ch hypo hesis.
Keywo ds: Teache aining; Pedagogical p ac ices; Globaliza ion; Teaching
Po uguese in China.
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ix!
摘要
自2005 年以来,中国对葡萄牙语教学的需求日益增加,葡萄牙语教师培训问题
亦成为一个关键因素。然而,一直以来,中国教师的培训问题都受到关注和质疑,
特别是围绕教学改革和教学实践等方面的问题。教师培训问题必须结合社会结构,
在社会层面上加以理解,避免与现实脱节,将培训过程与整个社会动态分裂开来。
因此,本论文的重点是在全球化背景下对葡萄牙语教师的培训进行研究,主要研
究中国葡语教师的培训问题,旨在为制定更有效的葡萄牙语教学实践做出贡献,
提高葡萄牙语教师培训质量,克服当前葡语教学过程中存在的弱点。
本研究的总体目标有两个:
1. 通过联系全球化现象,分析天津/中国的葡语教师培训过程和和葡语教学过
程;
2. 为改进适应全球社会需要的葡语教学过程做出贡献。
我们采用的研究方法是混合研究方法,定性和定量分析法。通过问卷调查、访谈
以及直接观察法完成原始数据搜集。这种研究方法使我们可以在更宽广的研究视
角下,通过对各种情况的观察,肯定或否定我们的研究假设。
关键词:教师培训,教学实践,全球化,中国葡语教学
!
x i!
LISTA DE FIGURAS
Figu a 1: Resumo de qua o pa adigmas de o mação de p o esso es (Zeichne ,
1983).............................................................................................................................78
Figu a 2: Sín ese do pe cu so de in es igação empí ica............................................172
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1
In odução
As úl imas décadas ca a e iza am-se po um eno me in e esse no es udo de
línguas es angei as e pelo apa ecimen o de no as p opos as me odológicas a ní el
mundial, isando a melho ia do p ocesso de ensino e de ap endizagem des as
disciplinas. Na China, desde 2005, e i ica-se uma g ande p ocu a pela ap endizagem
do po uguês. Com e ei o, o ensino do po uguês na China es a a limi ado a ês
uni e sidades, po ém, a ualmen e, encon a-se implemen ado num o al de in a e ês
uni e sidades, com mais de mil jo ens chineses a equen a em licencia u as em
po uguês, e um núme o idên ico p ocu a ap ende a língua em cu sos in ensi os,
minis ados po escolas p i adas. Na China con inen al, uma média de 300 alunos po
ano o mam-se na Licencia u a em Língua e Li e a u a Po uguesas. A ideia que
p eside é a de que ap ende po uguês é uma ga an ia de emp egabilidade.
A o mação docen e na China em sido ques ionada e c i icada e en ol a
semp e po um discu so que apela à necessidade de e o ma do ensino e das p á icas
pedagógicas. Na China con inen al, há 134 docen es a leciona po uguês no ensino
supe io que se ca ac e izam po se um co po mui o jo em, 63% (n=84) dos
p o esso es são chineses1 e êm p oblemas de o mação. Os p o esso es e os alunos
chineses êm ainda ca a e ís icas pa icula es que, em g ande pa e, é de inido pela
especi icidade des a nação, pelo que podemos dize que a sabedo ia ilosó ica da
China es á consubs anciada nes a pala a: "ha monia". Na China, os alunos não es ão
habi uados a desa ia a au o idade do p o esso ; o p o esso con inua a se o
p o agonis a de aula; como consequência, eles são no malmen e excelen es em
g amá icas, mas acos no que diz espei o à compe ência comunica i a. A maio
pa e dos p o esso es de língua po uguesa (LP) são mes es e dou o andos, o seu
empo de se iço docen e si ua-se en e os 5 e os 10 anos, as expe iências de ensino e
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
1 Os dados p o êm do li o Uma língua pa a e o mundo: Olhando o Po uguês a pa i de Macau,
de Ca los And é (2016). De ido às mudanças no núme o de uni e sidades que o e ecem cu sos de
língua po uguesa e à mig ação de p o esso es de língua po uguesa, os dados ainda es ão a muda .
!
2
os modelos de o mação que possuem êm p incipalmen e de Macau, Po ugal, B asil
ou de ou as expe iências de ensino de línguas es angei as.
A ques ão da o mação de p o esso es de e se comp eendida no plano
es u u al e conjun u al da sociedade pa a e i a o isco de agmen a a ealidade e
isola o e e ido p ocesso do conjun o do mo imen o da sociedade. Nessa pe spe i a,
é impo an e comp eende que o p ocesso de globalização é pa e do caminho de
cons ução, consolidação e ees u u ação da p óp ia sociedade.
O g ande desa io que se impõe hoje aos p o esso es de po uguês em
Tianjin/China si ua-se na comp eensão das ans o mações que o mundo globalizado
az pa a o conhecimen o, al e ando de o ma signi ica i a as polí icas, as es u u as e
as p á icas educa i as. Com o ad en o das ecnologias da comunicação e in o mação
(TIC), é essencial os cidadãos saí em da escola p epa ados pa a exe ce a sua
cidadania na sociedade globalizada. Assim, o ensino de LP de e con empla esse
con ex o de sociedade em que os alunos es ão inse idos e, pa a isso, a o mação de
p o esso es de e se edi ecionada não apenas pa a os aspe os adicionais de ensino
da língua, mas ambém pa a as no as necessidades do uso da língua que ci cula nos
meios sociais.
Den o des e con ex o, o p esen e abalho cen a-se no es udo da o mação
docen e na sua es i a elação com o con ex o sociopolí ico, económico e cul u al da
sociedade con empo ânea. Com es e abalho azemos à discussão a o mação de
p o esso es de LP e o ensino des a língua no ensino supe io em Tianjin/China, com o
obje i o de con ibui pa a a elabo ação de p opos as de ação pa a uma p á ica
pedagógica mais conscien e, que possibili e o esga e da dimensão quali a i a na
o mação de p o esso es de LP pa a o ensino supe io , supe ando as agilidades
exis en es no p ocesso de ensino e de ap endizagem a uais de LP.
No deco e da elabo ação des a ese de dou o amen o p e endemos a ingi
dois obje i os ge ais e no e especí icos.
No que conce ne aos obje i os ge ais, conside ámos impo an e pe cebe a
!
3
globalização enquan o enómeno pa a, depois, passa pa a uma análise mais
especí ica que culmina á com a nossa con ibuição pa a o desen ol imen o da
o mação de p o esso es de LP, e pa a as co esponden es p á icas pedagógicas e um
ensino de qualidade de LP no ensino supe io em Tianjin/China.
Os obje i os especí icos inse em-se nos obje i os ge ais e p ocu am abo da
os aspe os que conside amos mais impo an es elacionados com a emá ica em
análise.
Assim, de inimos os seguin es obje i os ge ais e especí icos:
Obje i os ge ais:
1. Analisa os p ocessos de o mação de p o esso es e do ensino e
ap endizagem de LP em Tianjin/China a iculando-os com o enómeno da
globalização.
2. Con ibui pa a uma melho ia dos p ocessos de ensino e de
ap endizagem de LP, adequados às necessidades da sociedade global.
Obje i os especí icos:
1. Ap esen a o enómeno da globalização e os seus e ei os no campo
educa i o;
2. Analisa o ensino e a ap endizagem do po uguês no con ex o da
globalização;
3. Ca a e iza a o mação dos p o esso es em Tianjin/China;
4. Analisa os p og amas já implemen ados, des acando as suas an agens e
des an agens na p á ica;
5. Re le i sob e a ans o mação das abo dagens do ensino e da
ap endizagem de LP;
6. P opo no os pa adigmas de ensino e de ap endizagem de LP;
7. Con ibui pa a a supe ação de agilidades exis en es no ensino de LP
!
4
no ensino supe io .
Pa a al, en ámos esponde às pe gun as de pesquisa que se seguem:
1) De que manei a o ensino supe io consegui á esponde aos equisi os da
compe ição global e se i de apoio à cons ução de um Es ado que p epa e
indi íduos a i os, compe en es e in o mados, uma ez que no con ex o da
globalização a educação não pode se dissociada?
2) Pe an e o desen ol imen o das no as ecnologias, que e o mas
implemen a pa a e i a a au o-as ixia de i ada de um desen ol imen o his ó ico da
o mação dos p o esso es assen e em modelos já exis en es?
3) Nos con ex os do ensino e do uso de po uguês como língua es angei a
(PLE), quais as exigências e as expe a i as pa a o exe cício p o issional de PLE?
4) Quais são as necessidades comunica i as em Po uguês pa a uma plena
inse ção social e escola ?
5) O que de em a uni e sidade e os p o esso es aze pa a p opo ciona as
condições necessá ias pa a o desen ol imen o das compe ências linguís icas dos
alunos?
6) Como se de em o ganiza as ap endizagens, que me odologias e
es a égias de em se p i ilegiadas pa a o sucesso educa i o dos alunos?
7) Que no as abo dagens aplicadas ao mul ilinguismo e ao
mul icul u alismo?
8) Quais são as agilidades no ensino e ap endizagem de LP no ensino
supe io ? A azão ou azões da sua exis ência? Como as ul apassamos?
9) Qual o papel do p o esso nes e con ex o? Que conceção de p o esso
em ou ep oduz? Que pe il de p o esso de LP?
A emá ica des e abalho é de impo ância social na medida em que se
cons i ui necessá ia à o mação con ínua e conscien e dos docen es nessa á ea.
Jus i icamos a sua impo ância de ido ao ac o de con ibui com a á ea de
!
5
in es igação da Educação e da Linguís ica Aplicada - o mação de p o esso es e
o mação de p o esso es de LP. Po isso, a nossa e e ência eó ica não só incide
sob e a especi icidade da língua, mas ambém sob e os de e minan es his ó icos que
in o mam a o mação de p o esso es e a p á ica pedagógica.
Pa a a ingi os ins p opos os nes e abalho ado ámos o mé odo quali a i o e
quan i a i o, uma me odologia mis a. Pa a da con a dos p ocedimen os na ealização
da pesquisa, os passos o am obse ados e ela ados em seis capí ulos.
No p imei o capí ulo, ap esen ámos uma isualização do con ex o globalizado
e educa i o, e do ensino supe io na globalização. Inicialmen e, julgámos necessá ia
uma e lexão sob e o con ex o da globalização, que es á ci cunsc i o às coope ações
come ciais, às elações in e nacionais e às ecnologias da in o mação. Nes a
pe spe i a, a educação ambém não pode desin eg a -se do enómeno. Como a
globalização implica que o Es ado esponda aos equisi os da compe ição global, a
educação só consegui á se i de apoio à cons ução de um Es ado quando o capaz
de p epa a indi íduos a i os, compe en es e in o mados.
Na China, o ensino supe io em sido conside ado como o sec o es a égico
de e minan e no conjun o do sis ema educa i o, des acando-se o seu con ibu o pa a o
desen ol imen o do sis ema cien í ico e ecnológico nacional. Ao admi i -se que a
sociedade a ual es á em cons an es mudanças, incluindo al e ações cul u ais, sociais,
económicas e polí icas, é p eciso conside a os e ei os dessas ans o mações pa a o
exe cício da docência no ensino supe io .
O segundo capí ulo consis e na o mação dos p o esso es. P imei o, julgámos
necessá ia uma e isão sob e o desen ol imen o his ó ico des e bloco emá ico, a im
de e uma comp eensão dos concei os undamen ais. A segui , ap esen ámos os
modelos exis en es de o mação de p o esso es que se êm p o ado desmo i ado es.
No en an o, pe an e o desen ol imen o das no as ecnologias, podemos p e e uma
e olução pa a es a au o-as ixia.
No e cei o capí ulo ap esen ámos a análise do ensino e da ap endizagem do
!
6
Po uguês como Língua Segunda (L2), especialmen e as abo dagens da g amá ica
adicional e comunica i a do ensino, p e endendo con ibui pa a uma e lexão
didá ica e me odológica sob e es e p ocesso. Tendo como base o en endimen o de que
o p o esso de língua po uguesa não de e es ingi a sua p á ica pedagógica ao
simples a o de ensina a le e a esc e e , é p eciso ambém con ibui pa a o
desen ol imen o das múl iplas linguagens, inclusi e no con ex o in o macional e
ecnológico em que o aluno es á inse ido. É nes e con ex o que su ge es e capí ulo.
O qua o capí ulo consis e na desc ição da me odologia u ilizada no Es udo
Empí ico, com a ap esen ação de p ocedimen os da pesquisa, pa icipan es,
ins umen os u ilizados e p ocedimen os de análise. Pa a a pesquisa de campo, o am
selecionadas oi o uni e sidades de Tianjin e de Pequim com licencia u a em LP, com
a pa icipação de cen o e no en a alunos e in e p o esso es, com o obje i o de ob e
elemen os pa a análise e e lexão.
No quin o capí ulo, ap esen ámos a análise dos dados e das in o mações que
o am ob idos a a és dos ques ioná ios, das en e is as e das obse ações ealizadas
em sala de aula. Em elação aos ques ioná ios, desen ol emos uma in es igação que
apon a pa a os p essupos os eó icos e me odológicos ado ados pelos sujei os
pa icipan es da pesquisa pa a que sejam con on ados com os dados ob idos du an e
as obse ações ealizadas em sala de aula. Du an e as obse ações, p ocu ámos
iden i ica a a iculação en e eo ia e p á ica docen e em consonância com a conceção
de linguagem sócio-in e a i a e os p essupos os eó icos de endidos nes a pesquisa.
Po im, ap esen ámos as conside ações ge ais e e lexões sob e os esul ados
ob idos, apon ando no os ques ionamen os no sen ido de da con inuidade e
ap o undamen o ao ema.
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7
Capí ulo I - O Ensino Supe io no Con ex o da Globalização
In odução
A globalização, luxo ans e sal das on ei as de p odu os e de capi al, a e a
odos os âmbi os da sociedade. É uma denominação que a p io i não e ela a sua
essência e, po an o, pode se en endida de á ias o mas. Em alguns con ex os
adqui e um signi icado de e iche, em ou os apon a pa a uma ca ás o e ge ado a de
inúme as c ises e angús ias, em ins i uições e sujei os (Fe ei a, 2004).
A globalização pode se di idida em qua o co en es his ó icas. Segundo
E in e Smi h (2008), a p imei a co en e his ó ica da globalização acon eceu po
ocasião da ascensão do Impé io Romano. Enquan o os g egos se dedica am à
iloso ia em suas cidades e ilhas, os omanos a icula am o seu sis ema legal,
di undiam o uso da moeda e p o egiam o comé cio con a as in es idas dos pi a as. A
segunda globalização deu-se nos séculos XIV e XV, com o ing esso do mundo
ociden al na e a dos g andes descob imen os ma í imos. Foi nesse pe íodo que, pela
p imei a ez, se alou e dadei amen e em globalização da economia. A e cei a
globalização e e luga no século XIX, no inal das gue as napoleónicas (Ba alha de
Ma engo em 1800, Ba alha de Aus e li z em 1805, Ba alha de Jena em 1806, Ba alha
de F iedlândia em 1807, Expedição pa a a Rússia em 1812, Ba alha de Leipzig
em1813 e Ba alha de Wa e loo em 1815). Nesse empo, o libe alismo sob epujou o
me can ilismo e começou a ganha espaço à democ acia polí ica (Tomas, 2008). A
qua a e a ual globalização passou a oco e logo após a Segunda Gue a Mundial e
acele ou-se bas an e com o colapso do socialismo em 1989 (queda do Mu o de Be lim)
e 1991 (queda da União So ié ica). G aças à e olução da elemá ica, essa
ecupe ação da endência sob e a globalização é ca a e izada pelo apa ecimen o de
o ganizações in e nacionais (ONU, OMC, Bi d, e c.), pela o mação de blocos
!
8
egionais, como a União Eu opeia, pelo eno me su o de expansão das emp esas
mul inacionais, pelo c escimen o do comé cio in e nacional e pela in e ligação dos
me cados inancei os.
Com o colapso do socialismo (na Eu opa de Les e, em 1990, e na União
So ié ica, em 1991) eduzi am-se as ba ei as come ciais e aumen ou o luxo de
in es imen os pa a a Eu opa O ien al. A China começou a ab i -se come cialmen e a
pa i de 1978, sendo, a ualmen e, o segundo país que mais abso e capi ais
es angei os e o e cei o país que mais in es e no es angei o, de aco do com o Wo ld
In es men Repo 2016. A g ande cli agem en e o capi alismo e o socialismo pa ece,
em e ospe i a, uma “gue a ci il” den o do Ociden e, já que an o o libe alismo
quan o o ma xismo são c iações da cul u a ociden al. O ma xismo chinês e o de
ou os países asiá icos possuem ca a e ís icas cul u ais p óp ias. Daí pode mos dize
que os u u os con li os não se ão mais en e sis emas socioeconómicos, como os da
Gue a F ia, mas en e ci ilizações (Hun ing on, 1993).
O a ual p ocesso da globalização o nou-se mui o mais ápido, mais
in ensamen e acele ado, com a e olução nas comunicações e mesmo com o maio
a anço dos meios de anspo e em ge al. Também o nou-se mais ab angen e,
en ol endo não só comé cio, p odução e capi ais, mas ambém se iços, a e e
educação.
No campo educacional, os cons an es emp eendimen os, es udos e publicações
das o ganizações in e nacionais cump em um papel decisi o na no malização das
polí icas educa i as nacionais, es abelecendo uma agenda que ixa não apenas as
p io idades, mas igualmen e as o mas como os p oblemas se colocam e equacionam,
e que cons i uem uma o ma de ixação de um manda o.
Que as o ganizações in e nacionais como as polí icas es ão a molda a agenda
educacional e a dissemina p á icas educa i as globais. Os ela ó ios do P og ama
In e nacional de A aliação de Es udan es - PISA - da OCDE (O ganização pa a a
Coope ação e Desen ol imen o Económico), que a alia e compa a as compe ências
adqui idas po alunos de 15 anos numa ampla gama de países, exe ce nos go e nos
!
9
uma p essão su il, mas ao mesmo empo mui o e icaz, pa a que modi iquem os seus
sis emas educa i os. Es e, inclusi e, em ge ado modelos de e e ência, como o da
Finlândia, que mui os go e nos êm p ocu ado imi a . A p óp ia OCDE, po meio de
pe iódicos como o Pisa em Foco, ambém ecomenda aos países quais as p á icas e as
polí icas que podem le a ao sucesso educa i o omando como base os esul ados da
p o a. Os países que le am cuidadosamen e os desa ios des es ela ó ios, como
Po ugal, êm en ado melho a a sua educação po meio da qualidade e equidade.
A globalização ge a um no o pa adigma em elação ao espaço e ambém
e idencia as ques ões de ca á e cul u al, e as línguas, de aco do com Wol on (2006),
que são as po ado as de isões do mundo e que se em como ins umen os de
comunicação com o mundo ex e io . Desse modo, a aquisição de uma segunda língua,
de aco do com o au o , não oge à con igu ação que esul a da globalização, ac o que
explica a exis ência de um bilinguismo ho izon al - a a-se de aquisição de uma
língua do mesmo s a us -, e um bilinguismo e ical - aquisição de uma língua com
si uação supe io .
Ou o enómeno polí ico-linguís ico elacionado com a globalização, apon ado
po Cal e (2002), é o que o au o chama de “X- onias”, ou seja, a c iação de g andes
conjun os em o no de uma língua, po exemplo: a anco onia, ep esen ada pela
O ganização In e go e namen al da F anco onia (OIF); a hispano onia, ep esen ada
pela O ganização de Es ados Ibe o-ame icanos (OEI); e a luso onia em o no da
Comunidade dos Países de Língua Po uguesa (CPLP). O obje i o é p omo e as
espe i as línguas. Além disso, a con igu ação geopolí ica mundial em blocos exige a
de inição do s a us de uma língua. O a ado que o icializou a c iação da União
Eu opeia es ipulou ambém que as seis línguas o iciais dos países memb os ossem
o icializadas. Esse núme o aumen a com a en ada de no os países memb os.
A língua po uguesa é uma das línguas de mais ápido c escimen o nes e
momen o; ep esen a um c escimen o do mul ilinguismo de modo ge al e das g andes
línguas do mundo em pa icula , pelas ca a e ís icas da a ual es a égia das o ças
p odu i as, com g andes implicações pa a as mudanças no pad ão da go e nação
!
16
Apesa das apa en es semelhanças, en e a CEMC e a AGEE, co espondem a
p oje os mui o di e en es. A CEME mos a a exis ência de um ní el de ecu sos
cul u ais pa ilhados sob e o qual a maio pa e dos sis emas educa i os se baseiam,
enquan o que a AGEE abo da es e ema pa a de e mina como é que os es ados
in e p e am e espondem a uma agenda comum que es á a se impos a aos sis emas
educa i os. Po ém, al en endimen o e á de conside a que a o ma, a subs ância e o
es a u o dos guiões se al e am quali a i amen e. São, po exemplo, mais es i os no
seu âmbi o, mais explíci os e equen emen e sujei os à imposição, não passando pela
adoção olun á ia. Is o é decisi o pa a comp eende a di e ença en e as duas
abo dagens.
A AGEE in oduz no as ideias sob e a na u eza das o ças globais e sob e
como elas ope am e a ibui es as ans o mações à mudança da na u eza das o ças
sup anacionais, não es ando os alo es cul u ais uni e sais e os guiões imunes às
o ças da globalização, económica, polí ica e cul u al. Assim, o en endimen o da
elação educação e globalização, no con ex o de mudanças es u u ais, o na-se
complicado, sendo necessá io explici a como as ideias mudam e como a o ma se
p ocessa.
Não podemos a as a a educação da dimensão económica, mas pe cebe como
o neolibe alismo, como modelo hegemónico, não se limi a à a i idade económica,
a inge odos os sec o es da ida humana, especialmen e a educação que deixa de se
en endida como um bem social e passa a um p odu o come cial, p esen e na agenda
da globalização neolibe al a pa i do concei o de qualidade e da ideia de educação
pa a odos.
Mendes e Galego (2009) con i mam que as modi icações oco idas nos
sis emas educa i os são consequen es de uma agenda globalmen e es u u ada,
cons uída na in e seção en e os e ei os da economia capi alis a e os ma cos
explica i os nacionais, em que os p ocessos de globalização se desen ol em
nacionalmen e e sup anacionalmen e.
!
17
Assim sendo, a in es igação em educação não pode limi a -se à p á ica da sala
de aula na sua es u u a cu icula de con eúdos, mas às dimensões das polí icas
educa i as e suas o mas de go e nação, o que en ol e inanciamen o e egulação. A
con igu ação da elação en e a globalização e a educação pe mi e a i ma que a
educação semp e se cons i ui como um pon o de discussão na o mulação das
polí icas nacionais e in e nacionais, e como um elemen o de con olo e emancipação,
que pelo Es ado, que pelos mo imen os o ganizados da sociedade ci il (An unes,
2002).
Nes e con ex o, a di usão de cul u a global na o mação dos indi íduos e a
acei ação de ideias ex e nas no sis ema educa i o nacional cons i uem uma es a égica
polí ica mais ampla, que se liga à p ocu a de uma hegemonia económica, polí ica,
cul u al e ideológica, a im de o alece a posição de lide ança impe ialis a na o dem
mundial. Como salien a Teodo o (2007), as p oposições de o denamen o da educação
com is a ao alinhamen o do capi alismo global p ocessam-se a pa i de polí icas
egulado as, seja nos países dependen es, seja nos países cen ais hegemónicos
di igidas ao p incípio da lógica me can ilis a.
De aco do com o au o , no campo da educação, é possí el iden i ica
p ocessos de con e gência com as polí icas in e nacionais, con e gência de que
esul a polí icas idên icas assumidas po pa idos ideologicamen e di e en es, bem
como a p odução de um discu so homogéneo jus i icado pela incon o nabilidade da
necessidade de mode nização que p ome e a ap oximação dos países do cen o.
Discu sos como o da alo ização das compe ências, da a aliação ex e na, da
deses a ização das escolas, ou da egulação social e idenciam uma
in e nacionalização p og essi a das polí icas. A endência de essigni icação da
unção social das Ins i uições de Ensino Supe io (IES) sob a lógica me can ilis a
alas a-se no con ex o da globalização, a ingindo a odos sob di e en es ações.
O p ocesso de in e nacionalização da educação supe io não é um enómeno
inédi o na his ó ia da educação. Ele em o seu ma co inicial em 1945, na Eu opa, e
su ge como uma necessidade da econs ução dos países des uídos pela Segunda
!
18
Gue a Mundial, com o obje i o de o e ece assis ência écnica pa a o
desen ol imen o com bases em aco dos cul u ais e cien í icos, mobilidade es udan il
e bolsas de capaci ação (Wi , 2008).
Tendo como obje i o p o e soluções pa a os desa ios e coloca em
mo imen o um p ocesso de e o ma p o unda na educação supe io mundial, a
UNESCO con ocou a Con e ência Mundial sob e a Educação Supe io em 1998 em
Pa is. As Decla ações e os Planos de Ação nela ado ados, cada qual p ese ando as
suas especi icidades, assim como o p óp io p ocesso de e lexão desen ol ido na
p epa ação pa a es a Con e ência, são le ados em con a diligen emen e na p esen e
Decla ação e a ela são anexados.
A Decla ação Mundial sob e Educação Supe io no Século XXI: Visão e Ação
(Pa is, 1998) ea i mou o a gumen o de que uma educação supe io desp o ida de
ins i uições de pesquisa adequadas, pa a o ma a massa c í ica de pessoas
quali icadas e cul as, não pode ia assegu a a nenhum país um desen ol imen o
endógeno genuíno e sus en á el, nem pode ia eduzi a dispa idade que sepa a os
países pob es e em desen ol imen o dos países desen ol idos.
A Con e ência e o çou a discussão sob e a in e nacionalização da á ea da
educação supe io , que é en endida como uma das o mas e icazes com que os países
podem en en a os desa ios da globalização. As o ien ações p o enien es des a
Con e ência e idencia am a necessidade de pa ilha o conhecimen o, es abelece a
coope ação in e nacional e a comp eensão de que as TIC podem o e ece
opo unidades di e enciadas pa a eduzi as dispa idades egionais. Desde en ão, a
UNESCO desempenhou um papel c ucial no desen ol imen o da coope ação
in e nacional ao ní el da educação supe io , essal ando assim o ca á e de
in e nacionalização das polí icas educa i as.
A Con e ência en a izou, ainda, a p esença da dimensão da
in e nacionalização nos planos de es udo e nos p ocessos de ensino e de
ap endizagem no ensino supe io , que de e se incluída como ema p io i á io das
agendas go e namen ais. Es a a gumen ação es á con o me com a de esa assumida
!
19
pela UNESCO que isualiza, nesse enómeno, a possibilidade pa a p omo e a jus iça
e a equidade social.
Segundo S alli ie i (2004), a coope ação in e ins i ucional ca a e iza-se po se
undamen a em condições que esul a iam numa eal coope ação e,
consequen emen e, em bene ícios en e os pa cei os. As condições ele an es nesse
p ocesso são conside adas como o econhecimen o dos a o es que p o agonizam a
coope ação, o seu comp ome imen o com os modos de coope ação, o e e i o
planeamen o no in ui o de p ecisa os obje i os, as a i idades, os p azos de execução,
os quais de e ão se igo osamen e cump idos, além do p ocesso de a aliação das
ações p opos as e implemen adas.
A ualmen e, há mudança subs ancial no concei o de coope ação in e nacional.
En endido, inicialmen e, como uma on e de inanciamen o ex e na assume, ago a,
uma ca a e ís ica mais ampla, em que a coope ação de e se con e e em uma
e amen a pa a a in e nacionalização dos sis emas de educação supe io , com
polí icas mais a i as, incluindo emá icas e p io idades egionais. Isso o na-a cada
ez mais um meio pa a o desen ol imen o ins i ucional, en ol endo a i idades
conjun as en e as uni e sidades, con igu ando-se com uma in eg ação com
inalidades ecíp ocas.
Resumindo, a u ilização da coope ação in e nacional pode omen a o
bem-es a social e o alece as capacidades nacionais. As sociedades do
conhecimen o são sociedades em ede, g aças ao ap o ei amen o pa ilhado da
in es igação cien í ica en e países, que p opiciam uma melho omada de consciência
dos acon ecimen os mundiais. Po an o, a c iação de edes nos cen os de
conhecimen o e o ap o ei amen o comum da in o mação pe inen e pela comunidade
académica e cien í ica podem ab i no as pe spe i as no âmbi o público do
conhecimen o.
De aco do com os documen os da UNESCO (1998, 2009), a
in e nacionalização da educação supe io não de e esumi -se apenas à coope ação
in e nacional es abelecida en e os países, que pe seguem um bene ício comum e não
!
20
consegui iam de o ma isolada a ingi esse obje i o. De e se is a, essencialmen e,
como a inse ção de uma dimensão in e nacional ou in e cul u al em odos os aspe os
da educação e da pesquisa. Essa conceção é ado ada, em ge al, pela UNESCO, uma
ez que comp eende um p ocesso ans o mado no âmbi o da educação supe io ,
possibili ando o en en amen o das ques ões le an adas po uma conjun u a polí ica e
socioeconómica complexa.
Pos e io men e, essa conceção de in e nacionalização oi a i icada pela
Con e ência Mundial sob e Ensino Supe io , in i ulada “As No as Dinâmicas do
Ensino Supe io e Pesquisas pa a a Mudança e o Desen ol imen o Social”, ealizada
pela UNESCO, em 2009, em Pa is. No i em in i ulado “In e nacionalização,
Regionalização e Globalização”, ea i mou que a coope ação in e nacional na
educação supe io de e ia es a baseada na solida iedade, no espei o mú uo, na
p omoção de alo es humanís icos e no diálogo in e cul u al. En a izou, igualmen e,
que as IES em o no do mundo assumi iam uma esponsabilidade social de ajuda no
desen ol imen o, po meio da c escen e ans e ência de conhecimen os c uzando
on ei as, e abalhando pa a encon a soluções comuns isando p omo e a
ci culação do sabe . Como suges ão pa a esse desa io, suge e-se a o mação de edes
de uni e sidades in e nacionais, as pa ce ias pa a pesquisa e o in e câmbio de
es udan es e p o issionais.
A in e nacionalização na á ea da educação é um p ocesso complexo po se
inse i num amplo con ex o das polí icas públicas e, po an o, sem uma cla a
de inição dos seus obje i os. No con ex o a ual de globalização, a in e nacionalização
da educação ambém apa ece com uma no a pe spe i a, ou seja, o en endimen o de
que a educação é um se iço, e de e se is a como uma me cado ia, de endo se
egulada pelo me cado, o que le a a educação a pe de a sua dimensão de di ei o
humano, po an o, uni e sal e de esponsabilidade do Es ado.
Em 1995, a O ganização Mundial de Comé cio (OMC) de endeu es e
a gumen o e, no âmbi o do Aco do Ge al de Comé cio de Se iços, ap esen ou uma
p opos a de inclusão da educação como se iços. Segundo Sil a, Gonzalez e B ugie
!
21
(2008), a OMC es abelece qua o campos em que se pode ia p ocede à
in e nacionalização dos se iços educacionais:
a) O e a ans on ei iça. Quando o se iço c uza a on ei a, sai de um país
pa a se consumido em um ou o. Nessa ca ego ia, es a iam p og amas de o mação
ou capaci ação o ganizados, na o ma p esencial ou à dis ância, e a implan ação de
sis emas de a aliação, e c.;
b) Consumo no ex e io . Rep esen a a o ma mais comum de comé cio na
educação, incluindo a mig ação de es udan es, p o esso es, pesquisado es,
in e essados em pa icipa em cu sos de cu a ou longa du ação, cu sos à dis ância e
anquias de cu sos;
c) P esença come cial. Caso em que o o necedo c uza a on ei a,
es abelece-se e in es e num país es angei o. Isso acon ece quando as uni e sidades
c iam cu sos ou ins i uições em países es angei os;
d) Mo imen o empo á io de pessoas ísicas. Quando o o necedo c uza a
on ei a na o ma de um deslocamen o de pessoas ísicas, con igu a-se como o
deslocamen o de p o esso es e ou os p o issionais da á ea da educação, na condição
de pales an es, p o esso isi an e, pesquisado e consul o .
Pe cebida como um concei o que ab ange, além da coope ação in e nacional
no sen ido geog á ico da a i idade, al e ações in e nas nas o ganizações, no que se
e e e aos p og amas de mobilidade de p o esso es e alunos, anquias de cu sos,
educação on-line, es udos in e nacionais, en e ou os, c ia-se, desse modo, no as
exigências pa a as IES. A in e nacionalização da educação supe io con igu a-se
como uma das endências que em despe ado um ex ao diná io in e esse dos á ios
países na década de 1990, po que, nessa dinâmica, a educação nos seus á ios ní eis e
modalidades passa a se conside ada um se iço in e nacional possí el de se
come cializado como um bem de me cado.
A União Eu opeia, com is a à sua inse ção nesse p ocesso de
in e nacionalização, e islumb ando o en á el comé cio que pode ia ad i dos
!
22
se iços educacionais, emp eendeu uma inicia i a pionei a no sen ido de c ia um
espaço educacional comum e e i aliza a educação supe io . Dessa o ma, os
minis os da Educação de F ança, Alemanha, I ália e Reino Unido, eunidos no ano de
1998, em Pa is, endo como p essupos o a espos a aos equisi os de uma sociedade
em mudança, assina am a “Decla ação de So bonne”, momen o em que se p oje a a a
cons ução de um Espaço Eu opeu de Ensino Supe io (EEES).
Em 1999, os minis os da educação eu opeus assina am ou o impo an e
documen o, a “Decla ação de Bolonha”, isando a cons i uição, a é 2010, do EEES. A
conc e ização do EEES oi anunciada no dia do ani e sá io da década do P ocesso de
Bolonha, em ma ço de 2010, du an e a Con e ência Minis e ial de Viena. O
es abelecimen o de um EEES é uma es a égia da globalização que es á ocalizada nos
mo imen os de capi ais, na in o mação, na ecnologia, e que se expande pa a a
mobilidade de ecu sos humanos especialmen e de al a quali icação, dema cando uma
ans e ência in e nacional de ecnologias e conhecimen os.
Segundo An unes (2009), o modo ins i uído no P ocesso de Bolonha
ep esen a uma o ma ino ado a de aze polí icas educa i as, em que os go e nos
de inem os comp omissos em ó uns sup anacionais, a i icados pelas ins i uições
nacionais, que dão adesão legí ima à ausência de p ocessos ins i ucionalizados. O
P ocesso de Bolonha em como obje i o aumen a a p odu i idade e a a a i idade
dos países eu opeus no campo educacional, associando a isso p á icas de
ap endizagem con ínua e a supe ação de ba ei as bu oc á icas. Nes e sen ido,
podemos a i ma que as e lexões e a aliações em o no dos p ocessos implemen ados
na Eu opa, com o in ui o de expandi e da maio qualidade à educação a ní el
supe io , êm colocado como p io idade o ca á e económico dessas inicia i as.
A pa i da Decla ação de Bolonha, da Es a égia de Lisboa e do Mé odo
Abe o de Coo denação (MAC), a União Eu opeia essigni ica a unção social das
IES sob a lógica me can ilis a no con ex o da globalização e impulsiona e o mas
educa i as nacionais que se alas am a é a ingi em odos sob di e en es ações. O
MAC, em pa icula , es abelece á eas p io i á ias comuns de in e enção no campo da
!
23
economia, educação, o mação, p o eção social, pob eza, ambien e, ecnologias e
in es igação.
A es e espei o, Teodo o (2010) essal a que:
O MAC in oduz uma o u a nos mecanismos que a é en ão cons i uíam a o ma de ge i
os p ocessos de ans e ência de compe ências pa a a União Eu opeia e que, em ce as
á eas, nomeadamen e as de polí ica social, cons i uem o chamado mé odo comuni á io
(MC). Es e baseia-se numa in eg ação pelo di ei o sob a o ma de di ec i as e de
egulamen ação eu opéias, em que a União de ém o pode de legisla e de sanciona . (p.
69)
Pelo con á io, a Amé ica La ina, com his ó icos p ocessos de a aso
educacional na sua di e sidade egional e cul u al, expande os sis emas educa i os,
especialmen e o supe io , sob a lógica da p i a ização, con a iando os p incípios da
ex ensão de opo unidades e igualdade de acesso p esen e nas lu as pela libe dade.
Segundo Teodo o (2010), a globalização neolibe al ge a o mulação nas polí icas
educa i as com in e enção, di e amen e, na economia polí ica de inanciamen o
educa i o; na inculação en e educação e abalho e com a c iação de medidas de
excelência académica in e nacional pa a o sis ema educacional. Nessa pe spe i a, o
desa io eside em analisa como se p ocessam no campo do sis ema educa i o do
ensino supe io ais in e enções, pois são pe ce í eis em odo o mundo, embo a
oco am sob di e en es o mas.
Assim sendo, podemos dize que em p e alecido, no co en e p ocesso de
in e nacionalização da educação, a pe spe i a da OMC que ê, na in e nacionalização,
a possibilidade de me cadização da educação, embo a se encon e nos documen os da
UNESCO uma abo dagem que e idencia uma dimensão de jus iça e equidade social.
Po ou o lado, es e início do século XXI é o momen o em que o O ien e
despon a. O ápido desen ol imen o económico da Ásia desde a Segunda Gue a
Mundial, que começou com Japão, Co eia do Sul e Taiwan, passou po Hong Kong e
Singapu a e inalmen e ixou-se na China e na Índia, al e ando o equilíb io do pode
!
24
na economia mundial e, logo, na geopolí ica. Todas as nações eme gen es do O ien e
econhecem a impo ância de uma mão-de-ob a bem educada como meio de
c escimen o económico e en endem o impac o da in es igação como um es ímulo
pa a a ino ação e a compe i i idade. Nos anos 1960, 1970 e 1980, a p io idade do
ensino supe io nos p imei os países eme gen es da Ásia - Japão, Co eia do Sul e
Taiwan - oi aumen a a pe cen agem da sua população com acesso ao ensino
pós-secundá io. O seu oco inicial oi expandi o núme o de ins i uições e as
ma ículas; esul ados imp essionan es o am alcançados.
A si uação da China e da Índia é ainda mais ambiciosa. Ambas as po ências
eme gen es almejam expandi a capacidade dos seus sis emas de educação supe io , o
que a China em ei o d as icamen e desde 1998. Mas, simul aneamen e, ambas
ambém aspi am c ia um núme o limi ado de “uni e sidades de classe mundial”, que
ocupem posições en e as melho es. T a a-se de um obje i o ambicioso, mas a China,
em pa icula , em a on ade e os ecu sos pa a o ná-lo possí el. Esse desejo é
pa ilhado po ou os países da Ásia e po algumas nações do Médio O ien e icas em
ecu sos.
O sis ema educa i o chinês passou po á ios es ádios de desen ol imen o: a)
ado ou o modelo ígido usso na década de 1950; b) passou pelo pe íodo de
" enascimen o", no início dos anos 1960; c) i eu o dano desas oso du an e a
Re olução Cul u al de Mao Tsé Tung, en e 1966-1976. O a ual sis ema educa i o
chinês oi o mado en e 1977 e 1980 sob as polí icas e o mis as do go e no Deng
Xiaoping. A educação básica chinesa consis e em 12 anos, di idida em 6 de educação
p imá ia e 6 de educação secundá ia. Des es, 9 anos de educação são compulsó ios, 6
anos de educação p imá ia e mais 3 anos de “junio high school”. A educação chinesa
é conside ada, de manei a ge al, mui o compe i i a. As admissões em odos os ní eis
de educação, a pa i da “sénio high school” aos p og amas de dou o amen o, são
ei as com base no desempenho em exames de admissão. O mais amoso des es é o
“Na ional College En y Examina ion” que de e mina quem e á acesso à
educação/ensino supe io .
!
25
A admissão ao ensino supe io é ealizada po meio do al amen e compe i i o
Na ional College En y Exam (em chinês é
高考
, o ma de esc i a oné ica é Gaokao)
que é ei o odos os anos po milhões de es udan es do ensino secundá io. Em 2010,
10 milhões de jo ens conco e am pa a pouco mais de 5 milhões de agas no ensino
supe io ocacional e na g aduação uni e si á ia. Quase 1,2 milhão de bacha éis
ecém-g aduados ealiza am exames pa a se em admi idos em uma das 360 mil agas
nos cu sos de mes ado.2
Os dados e elam a impo ância do Gaokao, que é o exame decisi o da ida
académica dos es udan es chineses e pode decidi o sucesso e o alhanço de uma ida.
O Gaokao em sido obse ado como um dos exames mais di íceis no mundo pelas
médias in e nacionais. Pe an e essa p essão e os equisi os do exame, a ida
quo idiana dos alunos do ensino secundá io cen a-se p incipalmen e em
memo ização e epe ição, em ez de e lexão e ino ação. No malmen e, os alunos
chineses são conside ados como es udan es mui o es udiosos e abalhado es. O
sis ema educa i o na China de e mina que as abo dagens pedagógicas omadas pelos
p o esso es são mais adicionais do que comunica i as, sendo uma g ande di e ença
en e a China e o Ociden e.
Desde que a China começou a es abelece o sis ema de economia de me cado
socialis a, o p incípio da o e a e da p ocu a oi ado ado na educação. A ideologia da
educação como um ins umen o da polí ica p ole á ia, que acabou na e a Mao Tse ung,
oi subs i uída pela conceção sin e izada no ela ó io da 16ª Con enção do Pa ido
Comunis a Chinês de 1997:
A educação é a base pa a o desen ol imen o da ciência e ecnologia e p epa ação de
alen os, desempenhando o p incipal e ab angen e papel na mode nização. (...) A
educação de e ade i se indo à cons ução da mode nização socialis a e à pessoa, e
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2 Dados do Minis é io da Educação da China, 2013.
!
32
população escola cada ez mais he e ogénea, e a missão de capaci a odos e cada um
pa a lida e eagi , de modo adequado, às no as e in ensamen e di e enciadas
condições do me cado de emp ego e de abalho.
Pa a e i ica mos as mudanças no ensino supe io , e e imos alguns dos
abalhos especializados p ocu ando de ende a ideia de que nes e sec o oco e uma
mudança no modo de egulação que se aduz, nes e caso, pela ansição de um
modelo de con olo es a al pa a um modelo de supe isão es a al. Pa a S oe , Co esão
e Co eia (2001), é es e modelo que em sido designado como modelo de supe isão
pelo es ado. A igência des e modelo em conduzido à ap o ação de leis de
au onomia que êm ans e ido pa a as ins i uições os de alhes da aplicação das
polí icas de ensino supe io , bem como a ges ão co en e.
Nes e con ex o, com a isibilidade social e a impo ância polí ica c escen es
que oi adqui indo ao longo dos anos 1980, a a aliação ans o mou-se num dos eixos
es u u an es das polí icas educa i as (A onso, 1998). A a és dela p ocu a-se
compa ibiliza exigências ela i amen e con adi ó ias: as que êm a e , a é ce o
pon o, com um ela i o aumen o do pode de egulação do Es ado e aquelas que
deco em de uma lógica mais ol ada pa a o me cado ou pa a a au o egulação
ins i ucional.
A es e p opósi o, Seixas (2001), que em abalhado as ques ões ela i as ao
ensino supe io , esc e e:
A ans o mação do papel do es ado não implica, no en an o, uma diminuição do seu
pode . A p incipal con adição do es ado a aliado eside exac amen e na ên ase
simul ânea, po um lado, na des egulação e na au onomia ins i ucional, e, po ou o, no
desen ol imen o de um co po egula ó io condicionando a acção ins i ucional. (p. 217)
Em sín ese, como p ocu ámos e e i b e emen e nes e pon o, es ão hoje em
cu so es a égias di e enciadas pa a a ede inição do papel do es ado que é p eciso
analisa em p o undidade de modo a pe cebe as suas implicações especí icas no
campo das polí icas educa i as. Há ambém caminhos que es ão a se cons uídos e
!
33
soluções que es ão a se p opos as que con êm ensões e dilemas di íceis de esol e ,
sob e udo quando a lógica da egulação se sob epõe à lógica da emancipação.
En e an o, igno ando as no as e elhas o odoxias, ainda exis em expe iências
em cu so que con inuam a da sen ido a lu as sociais e a polí icas públicas em o no
de p oje os emancipa ó ios. Sendo assim, e sem esquece que há dimensões da
globalização que podem possibili a e po encia ações con a-hegemónicas,
pode emos ap o ei a melho o ac o de que a educação es á sujei a ainda a uma
globalização de baixa in ensidade pa a não desis i mos de lu a po polí icas
educa i as mais jus as e democ á icas, como e i icou S oe (2001) no seu abalho.
No li o T ansnacionalização da Educação: da c ise da educação à
“educação” da c ise, Co esão e S oe (2001) coloca am duas g andes ques ões que
es u u am o con eúdo do li o: 1) a ques ão da elação en e educação e egulação; 2)
e a ques ão da elação en e educação e emancipação.
Ace ca da elação en e educação e egulação, p ecisamos de e oma o ema
sob e a egulação da educação pelos me cados educa i os. Re omando o ema da
egulação da educação pelos me cados educa i os, Robe son, Bonal e Dale (2001)
analisam o que designam po “GATS (Gene al Ag eemen on T ade in Se ices) e a
indús ia de se iços educa i os”. De endem es es ês au o es que, no âmbi o de
GATS, a educação é econce ualizada como uma emp esa, os se iços educacionais
são essigni icados como ocá eis a a és do me cado.
A ualmen e, não é ácil encon a um sis ema educa i o público que não
sa is aça as condições mínimas necessá ias pa a se cobe o pela OMC. Is o é, a
exis ência de um mecanismo de me cado na manei a como os se iços de educação
são ap esen ados ao público. A aplicação de GATS à educação pa ece implica o
seguin e: um quad o de ob igações e a acei ação da ideia da a i idade educa i a como
uma me cado ia po encialmen e susce í el de oca. Em esumo, se o GATS osse
aplicado aos di e en es sec o es da educação, o esul ado se ia o im de uma sé ie de
ba ei as que p o egem a na u eza da educação pública e a na u eza pública da
educação.
!
34
Po ou as pala as, o sec o p i ado es a ia em condições de mina o
uncionamen o público dos se iços educa i os desa iando os monopólios
go e namen ais. Robe son, Bonal e Dale (2001) concluem que
[...] a a és de GATS es ão c iadas as condições pa a descon ex ualiza a ac i idade
educa i a da sua posição ins i ucionalizada como bem público desme cado izado,
ob igando-a a assumi um luga nos me cados globais. (p. 15)
Basicamen e, é um p ocesso complicado de ep og amação e
e e i o ialização da a i idade educa i a, de uma elocalização do p óp io p ocesso
educa i o. Es e p ocesso, que desloca, pelo menos em pa e, a egulação do ní el do
es ado-nação pa a o ní el sup anacional, su ge como uma ca a e ís ica cen al das
implicações p incipais pa a o campo educa i o do capi alismo lexí el.
A elação en e educação e emancipação o na a coloca a ques ão da elação
en e o sujei o e o eal: emancipação que dize domina ou ge i a mudança social.
Ball (2001) de ende que
[...] um luxo ins á el, desigual, mas apa en emen e impa á el, de ideias de e o ma
in imamen e elacionadas es á a pe mea e a eo ien a os sis emas educa i os, com
his ó ias mui o di e en es e si uadas em locais social e poli icamen e di e sos. (p. 1)
Compa ado com a educação da adição de bem-es a público cen ado no
es ado, es a educação desen ol e-se a a és de ecnologias polí icas baseadas na
ilogia “me cado, ges ão e pe o ma i idade”. Pe o ma i idade, sus en a Ball (2001),
é uma ecnologia, uma cul u a e um modo de egulação. Nes e sen ido, as mais
ecen es e o mas da educação cons i uem um p ocesso de egulação, um eículo pa a
a mudança social e cul u al e, mais especi icamen e, mecanismos pa a e o ma os
agen es educa i os.
Assim, cons i uem um meio pa a al e a o que signi ica se p o esso : o
p o esso o na-se, segundo Ball (2001), num sujei o emp eendedo . Na base des e
p ocesso es á a me cadização do conhecimen o, no âmbi o da qual “empenho,
disce nimen o e au en icidade” (Ball, 2001, p. 15) são lidos a a és da pe o mance.
!
35
Os a gumen os o am discu idos no abalho de Be ns ein (2008), que cla i ica o que
acon ece com as modalidades pedagógicas quando a sua base social muda, ou seja, o
que é que signi ica pa a a pedagogia o desen ol imen o do capi alismo lexí el.
Nes e caso, é necessá io p es a a enção a um no o modelo que Be ns ein
(2008) designa po “pe o mance gené ica”. Pa a o au o , a pe o mance gené ica
econ igu a o local de econ ex ualização, eduzindo a au onomia ela i a da educação
e assegu ando o con olo pelo es ado. A pe o mance gené ica eque uma
modalidade pedagógica que p epa a aquele que ap ende pa a o abalho e a ida, que
es á baseada numa iden idade p oje ada pa a o a em ez de uma iden idade i ada
pa a den o, e que concebe o abalho e a ida na base do cu o p azo. A modi icação
de um modelo de compe ência pa a o de pe o mance esul a do ac o de que o
conhecimen o encon a-se ligado aos hábi os da no a classe média e não
necessa iamen e ao abalho e à ida.
No abalho de Magalhães e S oe (2002), es a ideia oi designada de
conhecimen o especí ico, i ado pa a as necessidades do me cado, como h oughpu
pa a ca a e iza um conhecimen o que passa simplesmen e pelo indi íduo
colocando-o no me cado de abalho sem minimamen e o o ma . Pa a assegu a es a
econ igu ação do campo de econ ex ualização pedagógica, de ende Be ns ein (2008),
o es ado aco da economia global p ecisa de um es ado o e pa a o campo
pedagógico.
A es e p opósi o, Magalhães e S oe (2002) esc e em:
Pa a eduzi as con usões que a noção de compe ência pa ece aze , emos indo a
analisa o deba e sob e polí icas educa i as nacionais e i ando en a na discussão
ace ca do ca ác e mais ou menos es i o, das compe ências a c ia pelo p ocesso de
o mação escola . Temos p ocu ado cons ui um con inuum heu ís ico em que
pedagogia e pe o mance cons i uam os ex emos. (...) Quando colocamos aqui as
di e en es p opos as de manda o pa a o sis ema educa i o, a na u eza polí ica des as
pa ece mais bem explici ada. (p. 49)
!
36
Numa sociedade o almen e pedagógica, a educação escola pa ece e mui a
da sua ele ância bas an e con inada à unção de ac edi ação e de a ibuição de
diplomas. Como consequência da c escen e e lexi idade social e indi idual, é a
escola que é colocada nos guiões que os indi íduos azem pa a a sua ida e não ao
con á io, como de alguma o ma sonha am mui os pedagogos mode nos. Segundo
Beck (1992), a capacidade pa a cada um escolhe , man e e jus i ica as suas p óp ias
elações sociais e opções de ida não é a mesma em e pa a odos, mas uma
capacidade ap endida que depende das o igens sociais e amilia es especiais.
Pa a ga an i a in eg idade des a secção, é necessá io e e as polí ica
educa i as e a sua dimensão in e nacional, incluindo abo dagens eó icas ele an es.
Recen emen e, a in luência de o ganismos in e nacionais sob e polí icas nacionais de
educação oi explicada a pa i de dois concei os em pa icula (Ama al, 2006): o
p og ama de pesquisa neoins i ucionalis a com o concei o de isomo ia e o concei o
de ex e nalização. Segundo Ama al (2010), a abo dagem neoins i ucionalis a
concen a-se na di usão e nos e ei os de modelos cogni i ocul u ais e de eg as
ins i ucionalizadas sob e o compo amen o social. E o concei o de ex e nalização
inse e uma isão dialé ica nos p ocessos de in e nacionalização e a iação
in e nacional, e e indo-se ao concei o de in e upção da au o e lexi idade po meio
da ex e nalização às si uações mundiais.
A pa i dos anos 1970, exis em á ios abalhos eó icos nas ciências sociais
que conside a am o in e esse nas ins i uições como elemen os cen ais pa a a
comp eensão de p ocessos sociais, como sejam os de: Meye , Rami ez e Boli (1987);
Rami ez e Soysal (1992). Os abalhos desse no o ins i ucionalismo são ma cados po
uma isão c í ica dos modelos de ação social e o ganizacional, nos quais agen es
au ónomos seguem as suas p e e ências e in e esses como uma acionalidade i es i a.
Uma das pesquisas mais impo an es é a chamada wo ld poli y- esea ch. Os
neoins i ucionalis as usam o e mo wo ld poli y (Meye , 1987) num sen ido amplo:
“uma ex ensa o dem cul u al, que em suas o igens explici amen e nas sociedades
ociden ais” (Meye , 1987, p. 41).
!
37
Wo ld poli y ambém inclui pad ões cul u ais como indi idualização, no mas
de jus iça de ca á e uni e sal, capacidade de ação olun á ia e au o-o ganizada, bem
como cosmopoli ismo. A di usão desses p incípios de o ien ação e de es u u as é o
obje o de es udo dessa linha eó ica. Essa abo dagem coloca o seu oco sob e
p ocessos de adap ação e ein e p e ação de elemen os ex e nos ao sis ema, po
exemplo uma de e minada polí ica pública p opagada po agen es in e nacionais. O
P ocesso de Bologna pode ilus a o ipo de análise a se ei o a pa i desse ideá io
eó ico.
Os elemen os mencionados acima o mam a base sob e a qual um egime
in e nacional de educação pa ece es a su gindo. Eles acaba am po se conside ados
uni e sais no deco e dos dois úl imos séculos. A ualmen e, pa ecem es a sendo
usados como base pa a o mas especí icas de polí icas educa i as, em pa icula nas
linhas neolibe ais. Os deba es a uais sob e a e o ma dos sis emas de educação
indicam in e nacionalmen e um ní el ele ado de simila idade. As linhas ao longo das
quais são discu idas e implemen adas as e o mas são p a icamen e as mesmas em
escala global: mudança do oco, o pa adigma da e iciência e e icácia, descen alização
da ges ão, a in odução de mecanismos de me cado, a aliação e benchma king das
ins i uições, são alguns dos elemen os das e o mas e polí icas educa i as na maio
pa e dos países.
Um egime in e nacional de educação é o esul ado da dinâmica de in e ação
en e elemen os cogni i os e no os agen es em no os con ex os sociais. No plano
cogni i o, obse amos a di usão mundial de p incípios de acionalidade. Vá ios
au o es eem nesses p incípios uma endência global de cien ização, que pode se
in e p e ada como uma en a i a de disciplina e acionalização das ince ezas c í icas
das ambien es sociais mode nas (Meye , 2006). Há di e en es a iculações dessa
endência: acionalização cien í ica baseada no ipo de conhecimen o passí el de
legi imação em sociedades mode nas - neu o e com base em especialização.
Isso pode se e i icado nos es o ços de p odução de conhecimen o causal
sob e p ocessos educa i os, mas ambém na polí ica educa i a baseada em e idências.
!
38
Nessa ó ica, esse de e se o ipo de conhecimen o a se p oduzido em uni e sidades,
as quais são cada ez mais is as como cen os de excelência, p incipalmen e as
públicas (Meye , 2006). Racionalização de p ocessos po meio da in odução de
p og amas de ges ão ecnológica e simulação de me cado li e são exemplos bem
co en es dessa acionalidade. Também há uma e são social dessa acionalidade, a
qual pode se obse ada na cons an e ema ização de inclusão, qualidade, assim como
u ilidade pa a a sociedade e o indi íduo (Rami ez, 2009).
Os âmbi os sociais nos quais a polí ica educa i a é o mulada e implemen ada
ambém muda am. A au o desc ição das sociedades mode nas como sociedades da
in o mação, do conhecimen o, economia do sabe ambém in luenciam a o mulação
polí ica de educação. Uma das implicações mais isí eis é a ema ização de educação
como a iá el económica, capi al humano, a o na conco ência in e nacional, en e
ou os.
Assim, podemos conclui que um egime in e nacional é uma o ma de
egulação social. Dois elemen os são cen ais ao hipo é ico egime educa i o aqui
discu ido. O p imei o é um egime semân ico que consis e em me á o as e e ó ica
económica, em ge al neolibe al. Num discu si o ho izon al, esse egime ixa a
acionalidade ao longo da qual discussões sob e educação e, consequen emen e, a
o mulação de polí icas educa i as acon ece. A análise de con eúdo do discu so dos
p incipais documen os sob e polí ica de educação de o ganismos in e nacionais e da
polí ica educa i a nacional da Eu opa e da China apon am pa a esse egime discu si o.
O segundo elemen o é um consenso en e os agen es da polí ica educacional em no as
o mas de go e no público, mais bem ca a e izadas po uma a enção ocal na e icácia,
na e iciência e, em consequência, no esul ado económico, independen emen e dos
seus esul ados pa a planeamen os pedagógicos, uma o ien ação que já se pode
iden i ica en e os o ganismos in e nacionais en ol idos na polí ica educa i a
in e nacional.
!
39
1.4 - O ensino e a ap endizagem do po uguês no con ex o da
globalização
A língua cons i ui o ins umen o de comunicação po excelência. Mas, mais do
que isso, é um modo de se e um modo de es a . A língua possibili a ao homem
conhece , medi a e discu i o mundo ao seu edo ; pe mi e comp eende o ou o
a a és de pala as bem como ansmi i os seus conhecimen os.
Uma ca a e ís ica essencial da linguagem humana é a sua elação com o ou o.
No ala de cada um dep eende-se as ealidades dos seus mundos. A pala a em o
pode de uni gen es, pa ilha cul u as, ansmi i conhecimen os e uni ealidades
di e en es. De aco do com Pe ei a (2003), a língua e a cul u a dos po os são
“ e e ências i as e in ocá eis do nosso se no mundo, po essência dialógico, que
em de ei indica o sen ido humano e solidá io do e mo ‘globalização’ ou
‘mundialização’ que, desde os ins da década de 80, in adiu não só a ciência, mas
ambém a linguagem do nosso quo idiano” (p. 33).
Pa a os po os que alam po uguês, ul apassada a época da dominação
colonial, ep esen a uma ga an ia undamen al de iden idade. Num mundo
p og essi amen e global e compe i i o, a a i mação da indi idualidade e a esis ência
à massi icação o nam-se cada ez mais di íceis e necessá ias.
Tem-se egis ado um in e esse c escen e pela língua po uguesa, sendo o
po uguês ensinado em mui os países. A ualmen e, a língua po uguesa é uma das 23
línguas o iciais da União Eu opeia e a língua adminis a i a e de abalho de 27
o ganizações in e nacionais, incluindo, po exemplo, a Comunidade dos Países de
Língua O icial Po uguesa (CPLP), o Me cosul, a União La ina ou a Fede ação
In e nacional de Fu ebol (FIFA).
Apesa da sua p ojeção g adual, a língua po uguesa pode en en a alguns
desa ios de ido ao seu s a us como língua de comunicação in e nacional. Na Amé ica
!
40
La ina, com ce ca de 190 milhões de alan es, o po uguês coexis e com g andes
comunidades de alan es de espanhol. Na Eu opa, um con inen e mul ilingue, o
po uguês con a apenas com ce ca de doze milhões de alan es, incluindo as
comunidades emig an es. Na Ásia, é língua o icial somen e em Timo -Les e e Macau.
E em Á ica, a pa do ac o de mui as línguas na i as coexis i em com o po uguês, o
inglês e o ancês são línguas com uma p ojeção o e e conco en e nesse con inen e.
No con ex o a ual da ida in e nacional, o econhecimen o da dimensão
polí ica da língua, mesmo pa a as nações es abilizadas, e a sua ele ância no domínio
económico impõem uma e lexão ap o undada que pe mi a es abelece obje i os
cla os e uma es a égia adequada pa a os a ingi . Aliás, nunca pe dendo de is a que a
língua, pela na u eza das coisas, é semp e cul u a.
O desempenho do seu papel de comunicação, an o no meio polí ico como no
económico, eque uma a ualização cons an e que a o ne uncionalmen e capaz de
ansmi i as no as ideias e os no os conhecimen os cien í icos. O idioma ca ece
ambém de di usão su icien e que jus i ique a sua escolha como eículo de
comunicação, como segunda língua. Se o núme o de alan es, que como p imei a
língua, que como segunda, o diminu o, o seu in e esse polí ico e económico passa á
a se pequeno.
A mode nização do idioma, o aumen o da e icácia do ensino a es angei os
com inc emen o do núme o de p o esso es e de escolas cons i uem ias
indispensá eis pa a a ealização do g ande deside a o de o na o po uguês uma das
p imei as línguas ancas do Ociden e.
O ensino da língua po uguesa em sen indo o o e impac o da globalização,
sendo a sua aquisição conside ada cada ez mais indispensá el pa a a comunicação
com ou os países. Uma pa e de ap enden es supe alo izam a cul u a de Po ugal e
desp ezam a sua p óp ia, de al modo que, pa a esses, se alan e de po uguês
signi ica ansmi i ao mundo uma imp essão posi i a dian e do mundo, ac o que
com equência não co esponde à ealidade desse ap enden e.
!
41
A globalização ge a um no o pa adigma em elação ao espaço e ambém
e idencia as ques ões de ca á e cul u al, e as línguas, de aco do com Wol on (2006),
que são as po ado as de isões do mundo que se em como ins umen os de
comunicação com o mundo ex e io . Cal e (2002) iden i ica consequências
linguís icas no con ex o da globalização: algumas línguas passa em a desempenha
á ios i ens de unções.
Desse modo, a aquisição de uma segunda língua, de aco do com o au o , não
oge à con igu ação que esul a da globalização, ac o que explica a exis ência de um
“bilinguismo ho izon al” que, nas pala as de Cal e (2002, p. 135), “ a a-se de
aquisição de uma língua de mesmo s a us; e um ‘bilinguismo e ical’, aquisição de
uma língua com si uação supe io ”.
Ou o enómeno polí ico-linguís ico elacionado com a globalização apon ado
po Cal e (2002) é o que ele chama de “X- onias”, ou seja, a c iação de g andes
conjun os em o no de uma língua, po exemplo: a anco onia, ep esen ada pela
O ganização In e go e namen al da F anco onia (OIF), a hispano onia ep esen ada
pela O ganização de Es ados Ibe o-ame icanos (OEI) e a luso onia em o no da
Comunidade dos Países de Língua Po uguesa (CPLP), cujo p opósi o é p omo e as
espe i as línguas.
Além disso, a con igu ação geopolí ica mundial em blocos exige a de inição
do s a us de uma língua. O a ado que o icializou a c iação da União Eu opeia
es ipulou ambém que as seis línguas o iciais dos países memb os ossem
o icializadas; esse núme o aumen a com a en ada de no os países memb os. O
Me cosul (Me cado Comum do Sul), bloco que ab ange os países da Amé ica do Sul,
é uma en a i a de muda o s a us das línguas po uguesa e espanhola, de
supe cen ais pa a hipe cen ais, pa a que, desse modo, uma iden idade sul-ame icana
seja c iada (Cal e , 2002). Desse modo, no con ex o da globalização, es ei a-se a
elação en e ap endizagem de segunda língua e me cado de abalho.
A língua po uguesa des aca-se cada ez mais pela sua ele ância em e mos
demog á icos e polí icos. Falada em 8 países e po mais de 250 milhões de pessoas,
!
48
possa en en a posi i a e e icazmen e os desa ios que se ap esen am. Em p imei o
luga , cump e-nos dize que ao “p o esso no o” se exige cumula i a e
equilib adamen e qualidades é icas, in elec uais e a e i as. Delas depende a o mação
global dos seus alunos. É seu de e ajudá-los a in eg a -se e a comp eende o mundo
que os odeia, do ando-os dos sabe es necessá ios à esolução de p oblemas que i ão
en en a , an o no p osseguimen o de es udos como na ida p o issional e social.
Cump e-lhe es imula o p aze de ap ende e o gos o da descobe a, no espei o pelas
di e enças de i mo dos alunos, p omo endo o desen ol imen o da au onomia.
Espe a-se que os saiba o ien a no uni e so complexo dos alo es que enquad am as
mode nas democ acias, encon ando “o jus o equilíb io en e adição e mode nidade”
(Cunha, 1996, p. 132).
Além disso, o p o esso em de con inua e e namen e jo em, em de c ia e
in en a a cada momen o; não pode deixa a as a -se pela o ina e pela adiga. Sem o
en usiasmo do p o esso mui o di icilmen e os alunos encon a ão p aze no que a
escola em pa a lhes o e ece .
Embo a de uma o ma sucin a, p ocu ámos apon a algumas das ca a e ís icas
conside adas undamen ais pa a o esboço de um pe il do “p o esso no o”, das
ca a e ís icas comuns a qualque docen e. É empo ago a de conside a mais
a en amen e a especi icidade do p o esso de Po uguês. Não p e endemos com is o
dize que ais ca a e ís icas são exclusi as do p o esso de Po uguês, mas é sob e es e
que es amos a e le i nes e es udo. Cada um a alia á o seu pe cu so, assumindo como
suas as ecomendações que conside a pe inen es pa a pode a ingi plenamen e cada
um dos se e “mandamen os” do p o esso de Po uguês do século XXI: conhece e
domina a língua; es imula as compe ências comunica i as; p a ica me odologias
a i as e di e si icadas; egula o p ocesso de ensino e de ap endizagem; ge i as
di e sidades e as di e enças; en ol e -se em dinâmicas de g upo e p omo e a
mudança (P oje o Po uguês 2002).
Conside ando a o mação con ínua como meio indispensá el pa a a p odução
da mudança, a ibuímos ao p o esso a esponsabilidade de ge i o seu p óp io
!
49
pe cu so de o mação e de o adap a às necessidades sen idas no seu quo idiano
labo al, p oje ando-se pa a o u u o. Nes e con ex o, o domínio e a u ilização das
no as ecnologias assume especial ele ância, dada a sua impo ância em odos os
sec o es de a i idade social.
A o mação pedagógica an o dos auxilia es de ação educa i a como do
pessoal adminis a i o como ainda dos p o esso es de e á cons i ui p eocupação dos
ó gãos de che ia que, na impossibilidade de o conc e iza em pelos seus p óp ios
meios, de e ão aze diligências no sen ido de as consegui . Educa os alunos
acon ece em odo o espaço escola e não apenas den o da sala de aula.
A o mação de p o esso es em de se uma o mação de qualidade. Depois da
ase de adap ação dos docen es à necessidade de acumulação de c édi os, ac edi amos
que os cen os e ins i uições de o mação comecem a es a em condições de exigi e
de con ola uma o mação de qualidade, a a és de mecanismos de a aliação
adequados e idedignos.
!
50
Capí ulo II - In es igação sob e Fo mação de P o esso es
In odução
A ualmen e p ocu amos não só uma maio obje i idade a a és de écnicas de
obse ação sis emá ica e de in es igação aplicadas à ca a e ização e ao diagnós ico de
si uações pedagógicas, como ambém p ocu amos uma omada de consciência da
si uação po pa e do es agiá io, u ilizando p ocessos de au oscopia e mesmo de
mic oensino e simulação. Es as duas úl imas écnicas ambém podem inse i -se
na u almen e den o de uma me odologia de aquisição de capacidades, an o no plano
da comunicação como no da elação.
Na maio pa e dos países ociden ais e na China, ainda coexis em di e sos
ipos de sis emas. Embo a nos limi emos aos aspe os o mais dos sis emas, o que
ealmen e os dis ingue são os obje i os a que es ão subo dinados. Se á a pa i desses
obje i os que se o ganiza á o modelo de o mação, o qual se de ini á mais pelos seus
con eúdos do que pelas suas o mas. O es a u o e a unção do p o esso na sociedade,
as inalidades da educação e do ensino e a ideologia igen e cons i ui ão o modelo de
conc e ização dos obje i os que subo dina ão e i i ica ão os sis emas de o mação.
Reco de-se mesmo que as Cons i uições de mui os países explici am as inalidade que
de e ão o ien a odo o sis ema educa i o.
Na nossa in es igação, como se ia impossí el in en a ia os abalhos
ealizados nos úl imos anos, limi a -nos-emos a des aca ês linhas:
1. A p imei a linha de in es igação isa de ini c i é ios de compe ência de
p o esso , po que oda a o mação p essupões pad ões de e e ência;
2. A segunda linha de in es igação em como campo de pesquisa o
aluno-p o esso ;
!
51
3. Ou a linha de in es igação ca a e iza-se po uma abo dagem
longi udinal e incide sob e a e olução das a i udes e dos compo amen os dos
p o esso es ao longo da o mação inicial e con ínua.
P imei o, con ém escla ece os concei os básicos. O pa adigma, segundo
Zeiche (1983), é “uma ma iz de c enças e p essupos os que moldam o mas
especí icas de o ganiza e ealiza a o mação de p o esso es” (p. 22). Essa de inição
oi ac escen a po Almeida Filho (2004), ao de ini pa adigma como um modelo
exempla com que se o na a a e a cien í ica de concebe , es uda e a icula uma
o dem de enómenos.
Zeichne (1983) iden i ica qua o pa adigmas sob e a o mação de p o esso es
e os classi ica em: a) compo amen alis a; b) pe sonalis a; c) adicional-a esanal; e d)
baseado na pesquisa. Mui os in es igado es e es udiosos pa ilham as mesmas ideias
de Zeichne (1983) em elação aos di e en es pa adigmas de o mação de p o esso es,
embo a azendo nomencla u as di e en es pa a classi icá-los.
Re e indo-se à o mação de p o esso es a ual, Almeida Filho (2004) ap esen a
ês dimensões o mado as: 1) como p o issional que a ende a exigências e
expe a i as co en es; 2) que pensa, que se au o-a alia como e lexi o e que ece
umos de supe ação; e 3) que é chamado a ensina sob o signo pós-es u u alis a6 da
abo dagem comunicacional. Em suma, espe a-se que sejam o mados p o esso es de
línguas p o issionalmen e compe en es, e lexi os e comunicacionais.
No caso dos p og amas de o mação de p o esso es de línguas, o pa adigma
a ual é o comunica i o ou comunicacional, possuindo as suas aízes eó icas
alice çadas no pa adigma e lexi o de Schön (1995, 2000), Zeichne (1995) e Nó oa
(1995, 2007).
Conside amos as posições do au o pe inen es pa a uma p opos a de o mação
de p o esso es de línguas, pois ao p o esso de língua, no con ex o a ual, é exigida
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
6 Pós-es u u alismo e e e-se ao mo imen o in elec ual desen ol ido na Eu opa no início a é me ade
do século XX, que de endia que a cul u a humana pode se en endida a a és da es u u a - modelada
pela língua - que di e encia a ealidade conc e a da abs ação de ideias.
!
52
compe ência p á ica e eó ica, compe ência na língua que i á ensina
(linguís ico-comunica i a) e consciencialização dos alo es polí icos e ideológicos
en ol idos na p á ica de ensino e ap endizagem de uma LE.
É opo uno ci a os pa adigmas de o mação de p o esso es de línguas
ap esen ados po Ca alcan i e Lopes (1991). Segundo esses linguis as, en e a década
de 70 e 80 do século passado eme gi am dois pa adigmas nos p og amas de o mação
de p o esso es de língua es angei a: o compo amen al e o de habilidades especí icas.
O pa adigma compo amen al alo iza o compo amen o do p o esso e a sua
e icácia na ap endizagem dos alunos, enquan o que o pa adigma de habilidades
especí icas dá ên ase ao conjun o de habilidades e écnicas que o p o esso possui. O
papel do p o esso nes a pe spe i a é domina conhecimen os e ansmi i-los.
É possí el dep eende dos pa adigmas de o mação de p o esso es de LE,
ap esen ados po Almeida Filho (2004), Ca alcan i e Lopes (1991), a g ande
impo ância dada à ase do p é- eino, que co esponde ao pe íodo an e io ao
ing esso do aluno no cu so de o mação uni e si á ia. No que diz espei o a esse
assun o Viei a-Ab ahão (2002) decla a que:
a pesquisa em ensino e ap endizagem em demons ado que o conhecimen o p é io
exe ce um papel pode oso an o na comp eensão como na ap endizagem. Em se a ando
de p o esso es em o mação, esses azem pa a a uni e sidade, explíci a ou
implici amen e, uma isão de educação, de ensino e ap endizagem, de sala de aula, de
papéis de p o esso e aluno, de li o didá ico e c., que, sem dú ida, in luencia ão suas
lei u as da eo ia e da p á ica, assim como suas ações em sala de aula. (p. 60)
A au o a ainda essal a que essas c enças são cons uídas ao longo da sua
i ência como ap enden es em ins i uições que equen a am an es de chega à
uni e sidade e, ambém, no p óp io cu so uni e si á io. Assim, a p opos a a ual pa a
os p og amas de o mação de p o esso es de LE, di e en emen e de ou as p opos as,
consis e em conside a as conceções p é ias do aluno-p o esso , pois como lemb a
!
53
Wallace (1991), as pessoas não en am em si uações de o mação com a “men e azia”
ou com a i udes neu as.
Vinculado à discussão ace ca dos modelos de o mação de p o esso es de LE,
Wallace (1991) classi ica-os em: a ís ico, ecnicis a e e lexi o. A ualmen e, o
modelo de o mação de p o esso es de LE es á o ien ado pelo p incípio da o mação
do p o issional e lexi o. Schön (2000) p opõe os concei os de conhece -na-ação,
e lexão-na-ação, e lexão sob e-a-ação e e lexão-sob e-a- e lexão-na-ação como
ações que p omo em desen ol imen o p o issional.
Embo a a o mação e lexi a seja ge almen e acei e na a ualidade (C andall,
2000; Pimen a, & Ghedin, 2002; Gimenez, 2004; Cook-Sa he , & Youens, 2007)
como pa adigma que in o ma p og amas de ensino e ap endizagem e de o mação de
p o esso es, alguns au o es, incluindo Pimen a (2002), Se ão (2002), Zeichne (1990),
ecomendam cau ela quan o à ap op iação impensada de e lexão como modelo de
o mação de p o esso es.
De o ma ge al, podemos a i ma que odo e qualque modelo ap esen a não
somen e con ibuições, mas ambém alhas. Po an o, equisi a a in es igação e a
explo ação de no os pa adigmas da época.
Na a ualidade, as no as TIC ab em-se no as possibilidades à educação,
exigindo uma no a pos u a ao educado . A in eg ação do abalho com as no as
ecnologias no cu ículo, como e amen as, exige uma e lexão sis emá ica ace ca de
seus obje i os, de suas écnicas, dos con eúdos escolhidos, das g andes habilidades e
seus p é- equisi os.
Na década de 1980, su giu o e mo “Tecnologia Educacional”. A elemá ica
cons i ui um meio de ele an es possibilidades pedagógica, já que não se limi a a uma
disciplina, pe mi e a in e e a plu idisciplina idade, possibili a uma educação global.
Como o p o esso em o papel cen al no desen ol imen o do p ocesso de
cons ução do conhecimen o de alunos, de e basea -se no domínio das écnicas
ecnológicas e p incipalmen e na isão c í ica e conscien e da ecnologia. Assim
!
54
sendo, aco do com Sampaio e Lei e (2011), o p o esso p eciso de so e uma
al abe ização ecnológica, pa a que possa ap ende con ínua e c escen emen e e, usa
c i icamen e as médias exis en es no ambien e escola e na sociedade.
Os no os meios da o mação de p o esso es são o pon o cha e pa a a
mode nização do ensino: o ma um p o esso au ónomo, não um ece o de
in o mações p é-moldadas, epe ido de modelos es á icos na sua a uação p o issional
(Kenski, 2008; Gomes, 2013). Des a o ma, o aluno não se limi a aos adicionais
de e es escola es: ele passa a se o sujei o da cons ução dos p óp ios conhecimen os,
a a és da e lexão c í ica, deixando, assim, de se um agen e passi o no p ocesso.
Como esul ado da in es igação, espe amos que o nosso abalho possa
con ibui pa a a o mação de p o esso es de línguas, em p ocesso inicial ou em
se iço, pa a que os p o esso es de línguas no século XXI sejam esponsá eis po
ece a ede do desen ol imen o indi idual e cole i o.
!
55
2.1 - Linhas ge ais da in es igação
A o mação de p o esso es ocupa um luga cen al em oda a p oblemá ica
educa i a, pondo em jogo uma mul iplicidade de a o es que exigem abo dagens
me odológicas di e si icadas e pe spe i as in e disciplina es.
Sendo em p imei o luga um p oblema polí ico, a o mação de p o esso es
implica uma conceção de sociedade e um p oje o de u u o. Enquan o p oblema social,
a o mação mobiliza dados p o enien es de á ias ciências como a Sociologia, a
Economia, a Demog a ia. Como p oblema pedagógico, a o mação de agen es de
ensino implica uma de inição de obje i os educa i os, de es a égia, de c i é io de
a aliação e de p e isão. Mobiliza ainda os dados p o enien es de odas as ciências da
Educação, e le indo necessa iamen e o seu es ado de desen ol imen o.
De aco do com Ga cía (1999) apud Bas os e Na di (2008), a o mação de
p o esso es
...é a á ea de conhecimen o, in es igação e de p opos as eó icas e p á icas que, no
âmbi o da Didác ica e da O ganização Escola , es uda os p ocessos a a és dos quais os
p o esso es - em o mação ou em exe cício - se implicam indi idualmen e ou em equipa,
em expe iências de ap endizagem a a és das quais adqui em ou melho am os seus
conhecimen os, compe ências e disposições, e que lhes pe mi e in e i
p o issionalmen e no desen ol imen o do seu ensino, do cu ículo e da escola, com o
objec i o de melho a a qualidade da educação que os alunos ecebem. (p. 26)
Com elação a essa ideia, Fe y (1991) ap esen a a pe spe i a de que a
o mação de p o esso es di e encia-se de ou as a i idades de o mação em ês
dimensões: a a-se de uma o mação cien í ica e pedagógica; é um ipo de o mação
p o issional; e, é uma o mação de o mado es, o que en ol e a o mação de
p o esso es e a sua p á ica p o issional.
!
56
No en an o, no es ádio a ual de desen ol imen o das á ias ciências, não é
ainda possí el elabo a um sis ema de o mação in eg almen e assen e em bases
cien í icas. Po isso, a in es igação em o mação de p o esso es em-se ca a e izado
não só pelas abo dagens de aspe os limi ados aos p oblemas, mas ambém às
en a i as de abo dagens globais. Assim, a in e ação e a mul iplicidade dos a o es
que in e êm numa si uação de o mação o nam di ícil isola esses a o es e
comp o a expe imen almen e a sua in luência.
Ou o aspe o impo an e que a in es igação ai en en a é a de inição de
c i é ios obje i os de a aliação (Es ela, 1977). Po exemplo, como a alia a e icácia
de uma o mação dada ao p o esso . É e iden e que em de se a a és da sua a uação
na escola e na sala de aula e, sob e udo, a a és dos e ei os do seu ensino, o que
p essupõe uma de inição p é ia e o econhecimen o de c i é ios obje i os de e icácia
e de compe ência de p o esso . No en an o, mesmo que es e p oblema enha a se
esol ido, não é possí el isola a ação pedagógica do p o esso das a iá eis
sociopsicológicas, ou isola a ação de o mação dou as a iá eis sociopsicológicas
ine en es ao p o esso e ao meio p o issional em que se inse e.
Pela complexidade des es e dou os p oblemas que se põem à nossa
in es igação, comp eendemos que os esul ados da in es igação ei a ao longo dos
úl imos qua en a anos não es ejam em p opo ção com os es o ços despendidos.
A in es igação em sido pa icula men e in ensa nos Es ados Unidos, donde
i adiou pa a a Eu opa Ociden al. Esse mo imen o liga-se não só a uma polí ica
educa i a, mas ambém ao ape eiçoamen o das me odologias de in es igação sob e o
compo amen o humano (Es ela, 1977). Assim, o in e esse dedicado à ap endizagem
encon a a sua con apa ida pedagógica no in e esse dedicado ao ensino. A
iden i icação dos a os de ensino, a de e minação de pad ões de compo amen os dos
p o esso es, a elação en e o modelo de ensino e o compo amen o da classe, o
isolamen o de algumas a iá eis, são alguns aspe os da in es igação sob e o ensino
que e ão ine i á el incidência na o mação de p o esso es.
!
57
Como se ia impossí el in en a ia os abalhos ealizados nos úl imos anos,
limi a -nos-emos a des aca ês linhas de in es igação:
1. A p imei a linha de in es igação isa de ini c i é ios de compe ência de
p o esso , po que oda a o mação p essupões pad ões de e e ência;
2. A segunda linha de in es igação em como campo de pesquisa o
aluno-p o esso ;
3. Ou a linha de in es igação ca a e iza-se po uma abo dagem longi udinal
e incide sob e a e olução das a i udes e dos compo amen os dos
p o esso es ao longo da o mação inicial e con ínua.
Na p imei a linha de in es igação, pa a de ini um bom p o esso , p ocu amos
iden i ica os aços de pe sonalidade que ap esen am co elação com o êxi o
p o issional. O es udo de Hen iquez (1988) ele a que ap idão de p o esso não se
isola com a si uação de ensino, as boas ap idões desen ol em-se “du an e a o mação
p o issional e g aças a ela” (p. 4). Segundo Co esão (1982), pa ece impo an e que o
p o esso seja capaz de eo iza as suas p á icas e de as comunica aos ou os, assim
como in e i na escola, de o ma a es imula a in e ação com a comunidade.
Pe enoud (2001) a i ma que “um p o esso não é apenas um conjun o de
compe ências. É uma pessoa em elação e em e olução” (p. 15). Pe enoud (1999)
e e e, ainda, que a cons ução da compe ência eque “ap ende a iden i ica e a
encon a os conhecimen os pe inen es” (p. 22).
Alguns in es igado es, como Jensen (1951) e Leles (1963), p ocu a am de ini
c i é ios de compe ência baseando-se na obse ação dos compo amen os dos
p o esso es e eco endo a di e en es me odologias. Jensen (1951) de e mina alguns
equisi os c í icos pa a a p o issão docen e. Qualidades como au odomínio,
impa cialidade, espí i o democ á ico, ligam-se à e icácia p o issional, enquan o que a
impaciência, a pa cialidade, o au o i a ismo, a al a de o ganização no abalho es ão
ligadas à ine icácia. Leles (1963) u iliza a écnica dos inciden es c í icos pa a de ini
!
64
de eedback. O emp ego sis emá ico do eedback como a o de mudança do
compo amen o em sido obje o de á ias in es igações que põem em ele o a sua
impo ância.
Vá ios in es igado es como Lina d (1974) conhecem especialmen e os e ei os
de eedback dado pela imagem ideo ape. As in es igações ealizadas conco dam
ge almen e na a i mação do seu alo , sob e udo se ao eedback da imagem se jun a
o eedback dado po colegas ou pelo supe iso . Os e ei os a e i os p o ocados pela
con emplação da p óp ia imagem êm sido pos os em e idência po á ios
in es igado es. Es a in es igação insis e na necessidade de uma p epa ação
psicológica dos indi íduos sujei os à au oscopia, pois a isão da imagem ílmica de si
p óp io põe em jogo oda a pe sonalidade, podendo o igina auma ismos escusados.
Ou o meio de u ilização sis emá ica do eedback é p opo cionado pelas
g elhas de obse ação do compo amen o. As g elhas de obse ação êm a an agem
de se pode em emp ega em qualque si uação não exigindo mais do que o eino dos
obse ado es. No caso do es ágio, os obse ado es podem se os supe iso es e os
p óp ios colegas desde que sejam einados na obse ação, o que em si mesmo é já
um meio ex ao diná io de o mação. A u ilização das g elhas não só es u u a e a ma
a obse ação, como pe mi e uma de inição mais cla a dos obje i os da lição e um
diagnós ico da a uação do p o esso e do compo amen o da u ma.
Na medida em que odos os sis emas de obse ação eiculam implíci a ou
explici amen e modelos pedagógicos, pa ece-nos impo an e a discussão p é ia desses
modelos com os es agiá ios, de modo a que o sis ema u ilizado es eja de aco do com
as conceções e obje i os pedagógicos li emen e acei es. O alo pedagógico da
elabo ação de ins umen os de obse ação pela equipa de esponsá eis e es agiá ios,
de aco do com obje i os p e iamen e de inidos, em sido pos o em ele o po
in es igado es como Be baum (1975) e Piola (1973).
Sabemos que os e ei os a e i os do eedback dado a a és das g elhas de
obse ação não êm sido ão es udados como os da imagem. Enquan o que os
es agiá ios sem expe iência ou com eduzida expe iência p o issional ecebiam o
!
65
eedback numa a i ude de cu iosidade e de desejo de descobe a de si, alguns
es agiá ios já com uma ce a expe iência mani es a am sinais de ansiedade e de
p eocupação e casos hou e em que e a e iden e que as g elhas de obse ação punham
em causa uma imagem p o issional já c is alizada.
Além de uma p epa ação psicológica p é ia da pessoa obse ada, a
expe iência de e se acompanhada po pessoas com o mação psicológica e
pedagógica, capazes de in e i e de concede o apoio adequado se o necessá io.
Pensamos que a “psicologia da a es uz” não é solução pa a ninguém, embo a
insis amos na necessidade des es p ocessos de o mação se em só u ilizados po
pessoas p epa adas pa a o aze em. Todo o p ocesso de o mação de e começa
logicamen e pela o mação de p o esso es.
!
66
2.2 - Sis emas de o mação de p o esso es em países da Eu opa
e na China
A ualmen e, na China e nos países da Eu opa, os p incipais sis emas de
o mação ag upam-se do seguin e modo: o mação uni icada, o mação in eg ada,
o mação al e nada e o mação em se iço (Liu, 2007; Rod igues, 2010; Wang,
2010).
Segundo os ês au o es acima, a es a égia é omada como a o ganização de
meios isando a ealização ope acional dos obje i os de inidos no modelo, endo em
conside ação o ap o ei amen o de ecu sos e a supe ação de limi ações. As p incipais
es a égias são: a iculação dialé ica da eo ia e da p á ica, in odução g adual na
si uação p o issional, p epa ação em equipa, in es igação e p ocessos de eedback de
a i udes e compo amen os.
Nem semp e é possí el aze co esponde sis emas e es a égias, pois num
mesmo sis ema podem-se u iliza es a égias di e en es. Po ou o lado, con ém
acen ua que a g ande ans o mação que se em ope ando na o mação se ealiza
mais ao ní el das es a égias do que p op iamen e no plano o mal dos sis emas. É
mesmo possí el encon a mos sis emas adicionais quan o à o ma aplicando
es a égias inculadas a obje i os e modelos de o mação a uais (Rod igues, 2010).
Es a si uação cons i ui, aliás, um p ocesso no mal de ans o mação dos sis emas,
p ocesso ge almen e len o pelo peso ins i ucional a que o sis ema se encon a sujei o.
Assim é que, na maio pa e dos países ociden ais e na China, ainda coexis em
di e sos ipos de sis emas.
No en an o, embo a nos limi emos aos aspe os o mais dos sis emas, o que
ealmen e os dis ingue são os obje i os a que es ão subo dinados (Es ela, 1997). É a
pa i desses obje i os que se o ganiza o modelo de o mação, o qual se de ine mais
pelos seus con eúdos do que pelas suas o mas. O es a u o e a unção do p o esso na
sociedade, as inalidades da educação e do ensino e a ideologia igen e cons i uem o
!
67
modelo de conc e ização dos obje i os que subo dinam e i i icam os sis emas de
o mação. Mesmo que as Cons i uições de mui os países, como Po ugal e a China,
explici am as inalidades que de em o ien a odo o sis ema educa i o.
Além disso, a c iação de um sis ema de o mação obedece no malmen e a uma
plani icação ge al do sis ema educa i o onde a p ospe i a desempenha um papel
impo an e. As p e isões sob e a demog a ia escola , sob e a o e a e a p ocu a da
ca ei a docen e, sob e a e olução do sis ema educa i o e da sociedade em ge al se ão
alguns dos elemen os de e minan es das ca a e ís icas dos sis emas de o mação de
p o esso es. Po exemplo, o modelo de o mação de p o esso es do ensino secundá io
e supe io , elabo ado no ano 2006 pela Uni e sidade No mal de Pequim, assen a a as
suas bases na na u eza do ensino e nos papéis que o p o esso de e ia desempenha
nes a época. Pelo con á io, o modelo da Uni e sidade de Si acusa a i ma a a
ince eza do u u o: logo o p o esso de e se o mado pa a uma au o- eno ação
con ínua, de modo a pode adap a -se e a e um papel a i o nas “ ans o mações que
não deixa ão de oco e no mundo da educação” (Cla ke, 1977, p. 121).
Na medida em que os sis emas de em con e meios de au o- egulação, a
a aliação con ínua dos obje i os, das es a égias, dos p ocessos e dos esul ados le a
na u almen e a in oduzi al e ações e a a ualiza soluções. Daqui esul a que as
ealizações possam a as a -se dos esquemas p e is os ou que as soluções sejam
híb idas. Ou as ezes os sis emas exis en es esul am da e olução de an igas
es u u as (Es ela, 1977). Po an o, nem semp e é ácil a classi icação do sis ema em
uso. Assim a classi icação aqui ap esen ada dos sis emas de o mação ep esen a
apenas um es o ço de o denação e de cla i icação de uma g ande di e sidade de
dados.
Passamos, en ão, a desen ol e alguns aspe os dos di e sos sis emas de
o mação. P imei o é a o mação uni icada, ou p ecisamen e, a o mação de
in eg ação. Po um lado, os sis emas de in eg ação ap esen am um conjun o de
disciplinas de ca á e cien í ico e pedagógico que se em pa a p epa a os p o esso es
pa a os di e sos g aus de ensino, po ou o, in eg am os aspe os pedagógicos e
!
68
cien í icos numa única ia de o mação. Segundo Damasceno e Sil a (2006), a
o mação uni icada ge almen e e e e-se ao p imei o aspe o.
Embo a o sis ema enha p á ica gene alizada, sob essaem as expe iências
ealizadas na Alemanha, na Finlândia, na China. Sob e es e pon o, diz Klein (1976):
Es es sis emas uni icados subs i uem a es u u a e ical da o mação dos p o esso es
po ipos de o mação homogénea e escalonados pa a os p o esso es de di e en es g aus.
(...) O que é de uma impo ância essencial é o ca ác e que co esponde di e amen e ao
obje i o undamen al dos sis emas de ensino uni icado dos países socialis as. (p. 24)
A o mação uni icada ep esen a uma o ma de u ilização acional de ecu sos
humanos e ma e iais, já que se em indo a espalha a endência de p opo ciona
o mação de ní el supe io aos p o esso es de odos os g aus de ensino.
Quando à o mação in eg ada, o modo como se conc e iza ap esen a
impo an es a iações, an o no plano o mal, como no dos con eúdos da p óp ia
in eg ação. Po ou as pala as, os modelos que o sis ema de o mação in eg ada
podem implica es ão en o mados pelo adicalismo da pe spe i a da in eg ação
assumida pelas ins i uições de o mação. Em sín ese, ou se a a de um p oje o de
u u a com a o mação an e io ou de um comp omisso que p e ende aze a passagem
da o mação adicional pa a a o mação numa ase ce a.
Em mui os países, como os EUA, es a o mação igo a há bas an e empo.
Medei os (1970) dá disso es emunho na sua ob a, e e indo-se ao sis ema de
o mação ame icano e a algumas das uni e sidades que o p a icam. A au o a e e e-se
a qua o ní eis de in eg ação:
1. In eg ação dos ecu sos disponí eis da uni e sidade no meio escola e no meio
social, com p og amas e mé odos adap ados aos meios sociocul u as;
2. In eg ação de odas as disciplinas e écnicas em unção de uma pe cepção mais
e icaz, mais humana e mais p o unda da elação pedagógica;
3. In eg ação simul ânea e sucessi a de odas as ases e aspec os da ap endizagem e
da o mação do u u o mes e;
!
69
4. In eg ação dos objec i os imedia os e dos objec i os a longo p azo. (p. 79)
Es es qua o ní eis de in eg ação e elam que o concei o pode se u ilizado de
modo la o, en ol endo desde aspe os de in eg ação social do cen o de o mação a é à
in e pene ação meio-cen o de o mação, em o dem à o mação con ínua do
p o esso . No en an o, é o segundo ní el que nos impo a e e , is o é, o da o mação
p op iamen e di a. Também aqui a noção de in eg ação é ge almen e omada em dois
sen idos:
1. In eg ação dos elemen os da o mação de o dem cien í ica e pedagógica;
2. In eg ação da p á ica e da eó ica.
À ol a des as duas o mas de in eg ação le an a-se oda uma p oblemá ica
complexa, obje o de discussão e de omadas de posição adicais e con empo izado as
com as adições da o mação.
Po um lado, Segundo Es ela (1977),
o p oblema da in eg ação da o mação cien í ica e pedagógica em-se ei o sen i mais
agudamen e nos países da Eu opa Ociden al de ido ao peso da adição uni e si á ia que
semp e se alheou da o mação dos p o esso es, p eocupando-se unicamen e com a
p epa ação cien í ica das disciplinas minis adas. Esse ac o eio e o ça a ideia de que
o p o esso é essencialmen e ansmisso do sabe e que bas a sabe bem pa a comunica
bem. (p. 27)
Simplesmen e a conceção do sabe que es á implíci a nes a posição e a
conceção da unção do p o esso adap am-se mal às ealidades a uais. As
ans o mações socioeconómicas no con ex o globalizado ouxe am no as
necessidades ao ec u amen o de docen es. “A concepção dogmá ica de um sabe ei o
é subs i uída pela concepção de um sabe em e olução, a concepção disciplina dá
luga à in e disciplina idade e um no o espí i o cien í ico se ai o mando” (Es ela,
1997, p. 27).
!
70
Es as conceções êm implicações e iden es na conceção de ensino, exigindo
uma mudança adical da a i ude do p o esso . Po um lado, um ensino de massas, a
abe u a da escola e a pa icipação c escen e dos alunos exigem uma ans o mação
dos papéis que o p o esso é chamado a desempenha . “O p o esso deixa de se o
gua dião dos alo es adicionais pa a se agen e in luenciado de um p ocesso de
ans o mação social” (Es ela, 1997, p. 28). Consequen emen e, exige-se uma
ans o mação dos obje i os e dos mé odos de o mação.
Não bas a a compe ência cien í ica no campo da disciplina a ensina ,
ala gam-se os con eúdos cu icula es: as á ias Ciências da Educação, a Sociologia, a
Filoso ia da Educação, passam a aze pa e da compe ência cien í ica de um
p o esso . A compe ência da comunicação e da elação pedagógica exigem que a
o mação p o issional seja um p ocesso de desen ol imen o ha mónico a a és da
elação com ou ou os: a o mação é essencialmen e um p ocesso de socialização.
A p epa ação p o issional exige a aquisição de compe ências a iadas, a
conquis a de uma a i ude cien í ica e de hábi os de pesquisa. Os mé odos de
in es igação educacional começam a e um luga impo an e nos planos de o mação.
Ou o p oblema que se coloca é o do peso cu icula das di e en es á eas
disciplina es. As soluções ado adas não são uni o mes, a iando na u almen e com os
obje i os de o mação p e iamen e de inidos e com os p oje os e es a égias c iados
pa a os conc e iza (Ma ques, 2006). De um modo ge al, podemos dize que as
Ciências da Educação ocupam en e um e cei o e um segundo do o al das ho as de
o mação, com concen ação di e en e con o me os anos do cu so.
A o ganização cu icula , de modo a assegu a a in eg ação p e endida, é ou o
dos p oblemas impo an es le an ados po um sis ema de o mação in eg ada. As
soluções ambém são a iadas, ca a e izando-se pelo seu g au de igidez ou de
lexibilidade. Con inuamos a encon a a o ganização adicional, cons i uindo as
di e sas ma é ias disciplinas ob iga ó ias pa a odos os alunos e escalonando-se em
unidades de empo. A no a de in e disciplina idade pode se dada pela eunião das
!
71
disciplinas a ins em á eas do sabe e po uma coo denação ge al ou pode se dada pela
noção de p oje o, à ol a do qual se o ganizam os sabe es.
Nes a al u a, em mui os países, como Po ugal e a China, o ganizam se as
a i idades em c édi os ou unidades de alo a ob e num empo p ede e minado,
ga an indo-se assim uma maio maleabilidade dos cu ículos e a possibilidade de um
ce o g au de indi idualização. Em á ias uni e sidades po uguesas e chinesas
p e alece a o ganização em módulos, cons i uídos po pequenas unidades de ensino
ou a e as de e minadas a ealiza em dado empo (Liu, 2007; Rod igues, 2010). Cada
módulo de e explici a os obje i os, p é- equisi os, condições de expe iência e de
execução, ma e ial usado, ní el, empo e o ma de a alização. Pode in eg a -se den o
de um sis ema de c édi o e cons i ui uma o ma de ga an i a indi idualidade do
ensino.
Po ou o lado, a in eg ação da eo ia e da p á ica em o obje i o de supe a o
esquema dualis a da o mação adicional, em que a p á ica su ge como uma me a
aplicação da eo ia, dela desligada c onológica e espacialmen e. Se a o mação de e
incidi p incipalmen e no plano das a i udes e dos compo amen os como meio de
e o mulação e de coe ência do discu so pedagógico, impõe-se que sejam
es abelecidas as condições necessá ias a uma dialé ica e icaz da eo ia e da p á ica.
As es a égias es abelecidas a iam e essa in eg ação pode se pe ei a, su gi a
pa i do p imei o ano do cu so ou só nos anos inais. No sis ema de o mação da
China, po exemplo, a in eg ação em luga no úl imo ano de cu so, a a és de dois
pe íodos de es ágio al e nados com pe íodos de a i idade no cen o de o mação, onde
se de e aze a e lexão sob e o es ágio an e io e p epa a o seguin e.
Um ela ó io da OCDE (1970) ecomenda-o exp essamen e e, em mui os
países, no a-se a exis ência de p á icas que ão nessa di eção. Também na China, em
algumas escolas de o mação, os alunos êm p á icas em se iços sociais pa a que
possam obse a pessoalmen e di e en es con ex os sociais e possam assim
comp eende melho as elações en e a escola e a sociedade (Wang, 2010).
!
72
Em ou os países, como em mui as escolas inglesas e ame icanas, as alunos
en am em con a o com o meio escola a pa i do p imei o ano. Com e ei o, o na-se
necessá io que os alunos elabo em g adualmen e no os sis emas de codi icação e de
descodi icação pa a que possam começa a ap ecia as si uações escola es sob o pon o
de is a do p o esso .
De aco do com esse ela ó io da OCDE (1970), os meios mobilizados são
a iados: obse ação espon ânea de si uações escola es, oca de imp essões com os
p o esso es, ealização de abalhos de in es igação no e eno. A segui , os
alunos-p o esso es começam a assumi pequenas esponsabilidades: ajuda aos
p o esso es na p epa ação de ma e ial didá ico, o ien ação do es udo em pequenos
g upos, animação cul u al em a i idades ci cum-escola es.
No a-se que a p óp ia noção de p á ica pedagógica so eu uma e olução.
Deixou de se ci cunsc e e à lição de ensino, mui o p a icada nas escolas do
magis é io, ou às lições dadas em si uação de es ágio. Como no am S one e Mo is
(1973), es e concei o de p á ica pedagógica nega ou limi a a pe sonalidade do
es agiá io assim como limi a os pad ões de compo amen o e as expe iências
obse adas, po excelen es que sejam; esul a numa endência pa a o conse an ismo
e o adicionalismo e unciona con a a expe imen ação e a ino ação.
O no o concei o de p á ica pedagógica deco e de uma análise obje i a das
a e as de ensino e das in e ações na classe, da de e minação de obje i os, dos
conhecimen o e das compe ências a adqui i pelo p o esso e pelo aluno. Segundo a
pe spe i a de S one e Mo is (1973), a p á ica pedagógica aduz-se p incipalmen e
pelo domínio de modelos de ensino, pela sua expe imen ação e a aliação. Numa
pe spe i a beha io is a di e en e, o eedback é sis ema icamen e u ilizado como
p ocesso egulado do compo amen o dos p o esso es na elação pedagógica,
implicando a e e ência a uma eo ia de ensino ou a um de e minado modelo.
Em qualque caso, a noção de p á ica pedagógica p essupõe uma no a a i ude
cien í ica e obje i a ace à ealidade pedagógica e exige a aquisição, po pa e do
p o esso , de compe ências p ede e minadas. Assim, ala ga-se o concei o de p á ica
!
73
pedagógica que passa a inclui a i idades a iadas ais como a obse ação, o
diagnós ico e a a aliação de si uações escola es, o eino na obse ação da aula po
meio de sis emas de in e ação e bal e ges ual e in e p e ação dos esul ados, a
au oscopia, o mic oensino e a simulação. Es as p á icas cons i uem um elo en e a
si uação de p o esso e a si uação de aluno de um cen o de o mação e de em
o nece os ins umen os de ação e o eino necessá io pa a que os p imei os con a os
com a classe não sejam auma izan es, nem pa a o p o esso p incipian e nem pa a os
alunos. Uma ez iniciada a expe iência de p o esso , elas cons i uem meios de
ape eiçoamen o e de omada de consciência de si em si uação.
Além dos elemen os e e idos e dos exemplos ci ados, a o mação in eg ada
encon a-se em igo p a icamen e em odos os países e oluídos no aspe o educa i o.
En e es es, des acamos os sis emas de o mação desen ol idos nos países da Eu opa
e na China.
A o mação em egime de al e nância é um modelo de in eg ação das
a i idades p o issionais no p ocesso de o mação. A es a égia seguida é a da
al e nância de pe íodos de abalho na ins i uição de o mação com ou os de
a i idade p o issional em si uações eais. Assim sendo, isa o ien a a o mação de
aco do com um p oje o elabo ado a pa i de uma ealidade e expe imen ado a a és
dessa mesma ealidade. Mesmo que se enha usado mais es e modelo em ações de
o mação con ínua e de a ualização de p o esso es, é cada ez mais u ilizado na
o mação inicial.
Fo malmen e, o modelo não ap esen a di iculdades de conc e ização, se os
aspe os ins i ucionais o em de idamen e acau elados. Ao ní el das modalidades de
conc e ização é que os p oblemas se põem, pois se “ o único e dadei o p essupos o
pa a a al e nação, pa a os es abelecimen os de o mação, é deixa espaços em banco
nos cu sos onde se ão me idos os pe íodos de abalhos dos alunos” (Malglai e, 1975,
p. 122), as o mas de conc e ização pode ão i desde:
!
80
classi icações ei as po esses es udiosos que se dedicam especi icamen e à o mação
de p o esso es de línguas es angei as, is o que é o obje o do p esen e abalho.
Viei a-Ab ahão (2002), po exemplo, discu e ês conceções de o mação
inicial de p o esso es, classi icadas po Richa ds (1998), com base em di e en es
conceções de ensino: a) conceção de ensino como ciência e pesquisa; b) conceção de
ensino como eo ia e iloso ia; e, c) conceção de ensino como a e ou a esana o.
A conceção de ensino como ciência e pesquisa “ ê o ensino como um ipo de
a i idade in o mada, alidada pela pesquisa cien í ica e undamen ada pela
expe iência e pela in es igação empí ica” (Viei a-Ab ahão, 2002, p. 62). Nesse
con ex o, é papel do p o esso ga an i com a sua p á ica a alidação das eo ias e dos
esul ados das pesquisas. Nes e caso, odas as a i idades desen ol idas nos cu sos de
o mação são no eadas pelas pesquisas cien í icas e pelas eo ias.
Segundo Viei a-Ab ahão (2002), o que ge almen e acon ece nos cu sos de
o mação de p o esso es é a eleição de uma única conceção de ensino como co e a,
sendo as demais conside adas incompa í eis. Nesse momen o, cons a amos a
dissociação en e eo ia e p á ica, den o do p óp io cu so. O p o esso , ao elege uma
conceção de ensino como sendo a única pe inen e, es á ce o de que os seus alunos
oma ão igualmen e pa ido po ela, des i uindo-lhes o di ei o de descob i o seu
p óp io es ilo de ensina du an e a sua expe iência didá ica. Segundo Viei a-Ab ahão
(2002),
O conhecimen o é cons uído po meio da e lexão sob e os p oblemas eais encon ados
e po meio de eo ias que se azem necessá ias pa a a comp eensão e busca de soluções.
(...) Conside amos necessá io que o aluno-p o esso enha acesso a eo ias e p incípios,
a esul ados e écnicas de in es igação, a es a égias e écnicas de ensino, mas que os
mesmos não sejam ap esen ados de o ma imposi i a e dogmá ica, como e dades
únicas e aplicá eis a qualque con ex o. (p. 65)
O e cei o aspe o e e e-se à p á ica do aluno-p o esso , não impo ando a
eo ia a ela subjacen e. O aluno é le ado a descob i o seu p óp io es ilo de ensina ,
!
81
po meio de ações, ge almen e imi ações de bons p o issionais que são bem sucedidos
na p á ica.
Con o me as ap esen ações an e io es, esses ês aspe os, quando
adequadamen e en ocados nos cu sos de o mação de p o esso es, con ibuem
signi ica i amen e pa a a o mação de p o issionais implicados na p á ica,
esponsá eis pelas suas escolhas eó icas e, consequen emen e, no seu desempenho
p á ico enquan o p o issionais do ensino.
Vinculado à discussão ace ca dos modelos de o mação de p o esso es de LE,
Wallace (1991) es abelece ês ipos de modelos: a ís ico, ecnicis a e e lexi o.
O modelo a ís ico, conhecido como modelo c a (Zeichne , 1983), a esanal
(Paquay, & Wagne , 2001) ou modelo do p o esso mago (Al e , 2001), isa a
o mação do p o esso como um app en iceship, ou seja, p ocesso de ap endizagem
cons uído po meio da obse ação e da imi ação, e de uma sé ie de en a i as e e os
das écnicas de ensino de um mes e expe ien e (Zeichne , 1983). O conhecimen o
p o enien e da expe iência do p o esso o mado ocupa um luga p i ilegiado acima
dos sabe es eó icos (Al e , 2001). O p o esso o mado , nes e p ocesso, desempenha
o papel de conselhei o, on e de dicas de écnicas de ensino es adas ao longo da sua
p á ica pedagógica.
O modelo ecnicis a ambém conhecido como acionalidade écnica (Schön,
2000), undamen a a p á ica de ensino do p o esso , e, consequen emen e, a sua
o mação, nos esul ados de es udos cien í icos. Segundo Wallace (1991), a aplicação
da ciência é uma eação às abo dagens não-cien í icas ou écnicas mí icas na
o mação de p o esso es, uma ez que os p oblemas em elação ao ensino podem se
esol idos cien i icamen e.
Po im, o modelo e lexi o le a em con a a combinação do modelo a ís ico
com o das ciências aplicadas, dando mesma ele ância an o à expe iência quan o à
base cien í ica da p o issão.
!
82
A ualmen e, o pa adigma de o mação inicial p esen e na maio ia dos cu sos
de o mação (Wallace, 1991) es á o ien ado pelo p incípio da o mação do
p o issional e lexi o. Schön (2000) p opõe os concei os de conhece -na-ação,
e lexão-na-ação, e lexão sob e-a-ação e e lexão-sob e-a- e lexão-na-ação como
ações que p omo em desen ol imen o p o issional. Ou os au o es, como Zeichne
(1996) e Manen (1977), êm p opos o á ias pe spe i as no que diz espei o à e lexão
e ensino e lexi o. Segundo Zeichne (1996), a e lexão é a ipologia a pa i da eo ia
cogni i a, que isa à e lexão pelos p o esso es como écnica, p á ica ou c í ica.
Em e mos ge ais, no que diz espei o à o mação de p o esso es de LE, o
obje i o da e lexão é o ma p o esso es capazes de ques iona o seu con ex o,
analisa as o igens e consequências das suas ações (Zeichne , 1983) e con on a a
eo ia com a ealidade da p á ica, con ibuindo assim pa a o a anço de conhecimen o
sob e o p ocesso de ensino e de ap endizagem po meio da eo ização das si uações
i idas (Paquay, & Wagne , 2001).
Calde head e Ga es (1993) de alham o que os p og amas que ado am um
modelo e lexi o de o mação de p o esso es isam:
1. capaci a os p o esso es pa a analisa , discu i , a alia e muda a sua
p á ica de ensino po meio de uma abo dagem c í ica;
2. p omo e a e lexão dos p o esso es sob e os con ex os polí icos e
sociais em que abalham, ajudando-os a econhece que o ensino é social e
poli icamen e si uado e que a sua a e a de ensina de e en ol e uma ap eciação e
análise desse con ex o;
3. capaci a os p o esso es pa a a alia em as dimensões mo al e é ica
implíci as na p á ica de sala de aula, incluindo a análise c í ica das suas p óp ias
c enças sob e o seu concei o de bom ensino;
4. enco aja os p o esso es a se o na em mais esponsá eis pelo p óp io
c escimen o p o issional;
!
83
5. acili a o desen ol imen o, pelos p o esso es, das suas p óp ias eo ias e
p incípios de p á ica de ensino, a im de pode em in luencia as di eções u u as da
educação e assumi em um papel mais a i o nas omadas de decisão sob e a educação.
Embo a ab anja á ios ní eis de e lexão, a alidade e a aplicabilidade de ais
ideias a di e en es con ex os necessi am se pensadas cuidadosamen e. Como salien a
Zeichne (1994, p. 15), “p ecisamos de e mui o cuidado nas impo ações de eo ias
desen ol idas em um con ex o cul u al pa a ou o con ex o”.
No campo da o mação de p o esso es de LE, oi suge ido que a e lexão seja
pa e an o da o mação inicial quan o da o mação con ínua (Wallace, 1991; Richa ds,
& Lockha , 1996). Wallace (1991), numa en a i a de aplica o concei o de o mação
e lexi a de p o esso es ao âmbi o de ensino e ap endizagem de línguas, p opõe um
modelo que, segundo ele, “de e aba ca o que denomina de conhecimen o ecebido e
conhecimen o expe iencial” (idem, p. 12). O p imei o desc e e os dois ipos de
conhecimen o ecebidos pelos alunos du an e a o mação - undamen ados na ciência
ou não. São concei os, esul ados de pesquisas, eo ias e habilidades econhecidas
como pa e da compe ência p o issional dos p o esso es. O segundo e e e-se ao
conhecimen o adqui ido na p á ica da p o issão (p o esso em se iço) e pela
obse ação e p á ica de ensino (aluno em o mação inicial). Nes e modelo,
conside a-se a ase inicial da o mação do p o esso , pois ambém é momen o de
cons ução do conhecimen o que o aluno le a pa a a segunda ase da o mação.
Wallace (1991) ainda ca ego iza cinco ipos de a i idades que podem se
desen ol idas den o e o a da sala de aula. A p imei a ca ego ia inclui a i idades
cuja inalidade é cole a e analisa dados, ais como obse ação de aulas ao i o,
aulas g a adas e análise de ansc ições de aulas. A segunda ca ego ia é compos a de
a i idades de planeamen o, como c iação de plano de aula, seguida po a i idades de
p á icas como mic oensino colabo a i o ou indi idual. As ês úl imas ca ego ias são
a iações de es ágio supe isionado, no qual o aluno a icula em p á ica eal de ensino,
na o ma de egência indi idual, com um colega ou em g upo.
!
84
Pa a Wallace (1991), o p o esso o mado é conside ado como supe iso e
colabo ado nesse p ocesso. Po um lado, compe e ao p o esso o mado
desempenha o papel mais p esc i i o de especialis a, de en o do conhecimen o que,
necessa iamen e, az pa e da o mação, e de au o idade que di eciona o p ocesso das
a i idades de inidas jun o com os alunos. Po ou o, o p o esso o mado é
co-cons u o do conhecimen o na medida em que ou e, obse a, ano a, analisa,
conside a e a alia o desempenho dos alunos discu indo o mesmo em sé ies de
diálogos e discussões pa a a e lexão na ação e e lexão sob e a ação.
Embo a a o mação e lexi a seja ge almen e acei e na a ualidade (C andall,
2000; Pimen a, & Ghedin, 2002; Gimenez, 2004; Cook-Sa he , & Youens, 2007)
como pa adigma que in o ma p og amas de ensino e ap endizagem e de o mação de
p o esso es, alguns au o es, incluindo Pimen a (2002), Se ão (2002), Zeichne (1990),
ecomendam cau ela quan o à ap op iação impensada de e lexão como modelo de
o mação de p o esso es.
Con o me ap esen adas acima, são mui as as nomencla u as dadas aos
modelos de p og amas de o mação de p o esso es, o que Pé ez-Gómez (1998)
esume em qua o pe spe i as básicas pa a a comp eensão das conceções sob e a
o mação e o desen ol imen o p á ico da ação docen e: a) pe spe i a académica; b)
pe spe i a écnica; c) pe spe i a p á ica; e d) pe spe i a da econs ução social, sendo
dois modelos de o mação: da acionalidade écnica e da acionalidade p á ica.
Em sín ese, a o mação de p o esso es de LE não pode se sepa ada da
o mação p o issional ( écnica) e da o mação in elec ual (cul u al),
incon es a elmen e necessá ias aos p o esso es de hoje. Os p o esso es de LE do séc.
XXI de em, além de domina o con eúdo (linguís ico e li e á io) da língua que ensina,
mas ambém ap ende conhecimen os eó icos da in e disciplina idade ou da
ansdisciplina idade.
É a o á el ci a mos aqui um concei o de Bou dieu (1994) - capi al cul u al.
Esse capi al cul u al só pode se o na p odu i o a a és do seu capi al social, ou seja,
do conjun o das elações que o p o esso es abelece com a sua ede social. Assim
!
85
sendo, pa a se um bom p o esso , não é su icien e domina simplesmen e o con eúdo
da sua á ea de a uação, mas ambém sabe o que az com aquele con eúdo, decide a
o ma como de e se ansmi ido o conhecimen o que adqui e e, den o de uma
pe spe i a mais madu a, “ em a consciência de que o conhecimen o se cons ói e se
oca e que não se conside a p on o e acabado com a colação de g au” (Pe enoud,
2000, p. 21). É impo an e os p o esso es oma em uma pos u a e lexi a dian e das
suas p á icas.
Po an o, a o mação dos p o esso es de LE de e se cada ez menos ocada
na acumulação do conhecimen o e cada ez mais cen ada no seu desen ol imen o
c í ico e e le i o, na cons ução da sua au onomia, que os le e a p ocu a os melho es
caminhos e as melho es soluções na sua p á ica quo idiana. Como Nó oa (2007)
a i ma:
A o mação do p o esso é, po ezes, excessi amen e eó ica, ou as ezes
excessi amen e me odológica, mas há um dé ici de p á icas, de e le i sob e as p á icas,
de abalha sob e as p á icas, de sabe como aze . É desespe an e e ce os
p o esso es que êm genuinamen e uma eno me on ade de aze de ou o modo e não
sabem como. Têm o co po e a cabeça cheios de eo ia, de li os, de eses, de au o es,
mas não sabem como aquilo udo se ans o ma em p á ica, como aquilo udo se
o ganiza numa p á ica coe en e. Po isso, enho de endido, há mui os anos, a
necessidade de uma o mação cen ada nas p á icas e na análise dessas p á icas. [...] Não
é a p á ica que é o mado a, mas sim a e lexão sob e a p á ica. É a capacidade de
e le i mos e analisa mos. [...] Es e é um eno me desa io pa a p o issão, se quise mos
ap ende a aze de ou o modo. (p. 14)
Pelo que ica expos o concluímos que há necessidade de elabo a
cuidadosamen e modelos de o mação p o issional di igidos a p o esso es de
línguas/cul u as es angei as que espondam ao desa io de o ma p o esso es c í icos
e e lexi os. No en an o, em de ha e a consciência de que nenhum modelo é pe ei o,
pelo que ado a um pa adigma de o mação a p io i ou baseada apenas em “modismo”
!
86
(Lopes, 1996), pode o na -se mui as ezes inadequado e, po an o, exigi a
in es igação e a explo ação de no os pa adigmas da época.
!
87
2.4 - No as ecnologias e expe imen ação de no os meios de
o mação
Hoje em dia, es ão disponí eis mui os ecu sos ecnológicos, e a endência é
pa a que eles aumen em, que ob iga a uma a ualização cons an e. Com as no as TIC
ab em-se no as possibilidades à educação e exige-se uma no a pos u a do educado .
As ecnologias mais a ançadas podem se usadas pa a c ia , expe imen a e
a alia p odu os educacionais, cujo obje i o é p omo e no os pa adigmas na
educação, adequados à sociedade de in o mação pa a ajus a os alo es humanos,
ap o unda as habilidades de pensamen o e o na as p á icas pedagógicas mais
pa icipa i as e mo i an es (Dowbo , 1993).
Nes e sen ido, é p eciso o ma “no os” p o esso es pa a a ua nes e ambien e
elemá ico, em que a ecnologia se e como mediado do p ocesso de ensino e de
ap endizagem. Além disso, com a pene ação das no as ecnologias, no as o mas de
ap ende e de ealiza o abalho pedagógico são necessá ias e undamen ais.
Na década de 1980, su giu o e mo “ ecnologia educacional”, sendo
usualmen e elacionado ao uso de médias disposi i os na educação e a “...inse ção do
compu ado no p ocesso de ensino-ap endizagem de con eúdos cu icula es de odos
os ní eis e modalidades de educação” (Valen e, 1999, p. 32).
O acesso às edes de compu ado es in e cone adas à dis ância pe mi em que a
ap endizagem oco a equen emen e no espaço i ual. Com a u ilização de edes
elemá icas na educação, a conexão en e alunos e p o esso es é mais es ei a,
a o ecendo o desen ol imen o de abalhos com oca de in o mações en e escolas,
es ados e países, pe mi indo que o p o esso abalhe melho o desen ol imen o do
conhecimen o. Segundo To es (1996), a u ilização de edes elemá icas é uma das
espos as que se baseia na in e disciplina idade e numa educação global:
!
88
O cu ículo globalizado e in e disciplina con e e-se assim em uma ca ego ia capaz de
ag upa uma ampla a iedade de p á icas educa i as que se desen ol em nas aulas e é
um exemplo signi ica i o do in e esse po analisa a o ma mais ap op iada de
con ibui na melho ia dos p ocessos de ensino e ap endizagem. (p. 46)
A elemá ica cons i ui um meio de ele an es possibilidades pedagógicas, já
que não se limi a a uma disciplina, pe mi e a in e e a plu idisciplina idade,
possibili ando uma educação global.
A escola é um espaço p i ilegiado de in e ação social, ao mesmo empo, de e
in e liga -se e in eg a -se nos demais espaços de conhecimen o exis en es na
a ualidade, de ende Mo an (2000), inco po a os ecu sos ecnológicos e a
comunicação ia edes, pe mi indo aze pon es en e conhecimen os e o na -se um
no o elemen o de coope ação e ans o mação.
Des a o ma, a escola assegu a que o seu papel social es eja ligado à ealidade
ecnológica. Em ais condições, o p o esso em que pensa em se um p o issional
docen e c í ico-cons u i o, c ia i o, capaz de enca a os desa ios da sociedade a ual e
globalizada. “A no a exigência educacional eque um p o esso capaz de aco da sua
didá ica à no a ealidade p esen e na sociedade, a endendo a mode na manei a de
adqui i conhecimen os, de in o ma -se e comunica -se” (Galdino, 2014, p. 12).
A escola pode assim desempenha a sua esponsabilidade social quando os
seus docen es es ão dispos os a cap a , comp eende e ope a na educação as no as
linguagens dos meios de comunicação ele ónicos e das ecnologias (Souza, &
Manhães, 2007). Po ou as pala as, o docen e é pa e pa icipan e na cons ução das
es u u as de pensamen o dos seus alunos.
Como se sinalizou an e io men e, a in o má ica e os média não podem mais
se sepa ados do ambien e escola . Os docen es que que em a ua com c ia i idade,
c i icidade e o máximo de possibilidades pa a a melho ap endizagem dos seus alunos
de em inse i nas suas p á icas pedagógicas a u ilização de ecu sos mode nos. Como
Beh ens (2007) a i ma:
!
89
esses p ocessos me odológicos p ecisam de inclui o no o cená io ecnológico
disponí el que possibili e o acesso à in o mação e a p odução do conhecimen o. Os
ecu sos ecnológicos quando bem u ilizados a se iço da ap endizagem são
possibilidades didá icas e o ma i as. Assim, uma p á ica pedagógica ino ado a inclui
p opos as que pe mi am desen ol e as no as ecnologias da in o mação e da
comunicação no sen ido de amplia os ecu sos de ap endizagem. (p. 450)
Assim sendo, a escola passa a se um luga mais in e essan e que p epa a o
aluno pa a o seu u u o, pois a ap endizagem cen a-se nas di e enças indi iduais e na
capaci ação do aluno pa a o ná-lo um usuá io independen e da in o mação, capaz de
usa á ios ipos de on es de in o mação e meios de comunicação ele ónica.
Es a in eg ação das ecnologias nas escolas em á ios obje i os, segundo
Sampaio e Lei e (2011):
a) di e si ica as o mas de a ingi o conhecimen o;
b) se es udadas, como obje o e como meio de se chega ao conhecimen o, já que azem
embu idas em si mensagens e um papel social impo an e;
c) pe mi i ao aluno a a és da u ilização da di e sidade de meios, amilia iza -se com a
gama de ecnologias exis en es na sociedade;
d) se em desmis i icadas e democ a izadas. (p. 74)
Mas pa a que es a in eg ação em con ex o de sala de aula seja p odu i o, o
p o esso de e e cla o pa a si o papel das ecnologias enquan o ins umen os que
ajudam a cons ui a o ma de o aluno pensa . Assim, o g ande desa io é escolhe
en e an as in o mações as in o mações signi ica i as, aquelas que depois de
comp eendidas e analisadas c i icamen e enham a con ibui pa a o con ex o
o ma i o do aluno.
O p o esso de e po an o se c í ico em elação às suas p á icas pedagógicas e
domina o uso da ecnologia. De e ainda conside a que as ecnologias são
e amen as que auxiliam na cons ução do conhecimen o, do aciocínio e
!
96
cons oem e adicionam os conhecimen os dos p o esso es a no os es ilos pedagógicos
pau ados pela conexão, que em empo eal, que em comunidades i uais.
O no o p o esso é conside ado como mediado do conhecimen o, ap enden e
pe manen e, um o ien ado , um coope ado cu ioso, sensí el e c í ico, como e e e
Gado i (2003), que muda a elação ensino-ap endizagem. O aluno chega à escola
pa a anspo a com o p o esso um mundo e uma ca ga de in o mações que
ul apassam o âmbi o es ei o da amília, ansmi idas pelos meios de comunicação.
Assim sendo, ensina já não é ans e i conhecimen os, mas c ia possibilidades pa a
a p odução e a cons ução dos alunos.
Nes e sen ido, os alunos não se limi am aos adicionais de e es escola es,
passam a se sujei os da cons ução dos p óp ios conhecimen os, a a és da e lexão
c í ica, deixando, assim, de se agen es passi os no p ocesso. Su ge, en ão, o no o
aluno: sujei o da sua o mação, cu ioso, au ónomo, mo i ado pa a ap ende ,
disciplinado, o ganizado e solidá io.
Con o me Cos a (2003), a mode nidade da educação eque mecanismos pa a
o ma p o issionais que não são mais simplesmen e epe ido es de es u u as
cunhadas, pa a os ans o ma em se es ideológicos, c í icos e abe os em en e de
no os conhecimen os e que se adap am aos ac os e às si uações, p ocu ando soluções
po seu p óp io p opósi o. Cos a (2003) ainda essal a que:
Se ocê não esga a o p o esso , não esga a a escola. Se o p o esso não é incluído,
como ele pode ajuda a p omo e a inclusão? Temos que aze do magis é io uma
p o issão alo izada, po que é a p o issão mais impo an e dessa sociedade do
conhecimen o, onde a ap endizagem é c ucial. O p o esso é o p o issional es a égico,
ele é o p o issional dos p o issionais, é nele que começa a se iedade e a dignidade do
país. (p. 69)
Segundo Lé y (1999), o cibe espaço, as comunidades i uais, a pa ilha
i ual, as bases de dados on-line são in e mediá ios do mundo a ual. Em elação à
polí ica educa i a, o au o chama a a enção pa a a expe iência de no as p á icas que
!
97
assegu em a cons ução de conhecimen os e ap endizagens sob o ien ação cole i a.
Nes e sen ido, des aca: “com esse no o supo e das TIC eme gem géne os de
conhecimen o inusi ados, c i é ios de a aliação inédi os pa a o ien a o sabe , no os
a o es na p odução e a amen o dos conhecimen os” (p. 167).
Pa a Cos a, Fagundes e Ne ado (1998), o uso da ecnologia de e p epa a o
p óp io p o esso pa a i e a expe iência de mudanças no ensino que ele ai
p opo ciona aos seus alunos. Em elação à aplicação dessa ecnologia, as au o as
abo dam dois aspe os:
1. ela é semp e ansi ó ia, em i ude do seu con ínuo desen ol imen o, o
que ai exigi uma p ocu a con ínua de a ualização;
2. a aplicação dessas no as ecnologias pode p opo ciona as mudanças de
pa adigma na educação, o que signi ica passa da o mação de pessoas passi as,
limi adas e dependen es que so em os p ocessos, pa a a o mação de cidadãos a i os,
c ia i os, au ónomos e esponsá eis, que colabo am nos p óp ios p ocessos de
desen ol imen o e de ap endizagem con ínua em que es ão en ol idos.
Um aspe o impo an e da inse ção das TIC na educação é a u ilização da ede
elemá ica. Valen e (2003) explicou que, quando o p o esso in e age com os seus
alunos em sala de aula na u ilização da in o má ica, é possí el ge a indagações e
p oblemas que o p o esso não em condições pa a os esol e . Dian e dis o, a ede
elemá ica pode p opicia o “es a jun o” do especialis a com o p o esso , i enciando
coope ações (Valen e, 2003, p. 6).
Resumindo po Valen e (2003), “o p o esso ecebe as ideias e en a colocá-las
em p á ica, ge ando no as dú idas, que pode ão se esol idas com o supo e do
especialis a” (p. 5). Com isso, es abelece um ciclo no qual o p o esso man em o
p ocesso de ealização de a i idades ino ado as, ge ando conhecimen o sob e como
desen ol e essas ações, mas com o apoio de especialis as.
Pa a Kenski (2008), ap esen a-se como necessá io pa a os docen es a
o mação écnica pa a o uso das no as o mas de comunicação e não somen e a
!
98
o mação pedagógica e c í ica “pa a o desen ol imen o de p oje os educacionais de
aco do com os mais no os pa adigmas e eo ias educacionais” (p. 125). O desa io é
p oduzi mudanças pa a uma no a men alidade, um no o olha sob e a educação em
uma no a ealidade ecnológica.
No en an o, há p oblemas na in eg ação das ino ações ecnológicas no
ambien e de sala de aula. Bas os (2010) iden i ica alguns desses p oblemas ao a i ma
que:
A o mação de docen es pa a o uso das TIC no p ocesso de ensino-ap endizagem é uma
ques ão ecen e na Amé ica La ina e oco e com o amadu ecimen o dos p ocessos de
mode nização ecnológica das escolas. G ande pa e dos o mado es de docen es na
egião seque es á no g upo dos chamados “imig an es digi ais”, is o é, não i e am a
opo unidade de se habili a à adoção das no as ecnologias anos após sua p óp ia
o mação docen e e no exe cício p o issional em escolas desp o idas dessa ecnologia.
Mui os con inuam, de ac o, à ma gem das ino ações. G ande pa e - al ez a maio ia
dos docen es em exe cício nas escolas p imá ias e secundá ias não ap endeu os
udimen os do uso das no as ecnologias e mui o menos suas aplicações educacionais
du an e a o mação. (p. 43)
Na e dade, as escolas êm-se mode nizado de o ma g ada i a, mas alguns
p o esso es, po mo i os di e sos, ainda não acompanha am essa mode nização. Esse
ac o le a-nos a c e que o cu ículo da o mação inicial dos p o esso es ainda é
adicional, e e icen e ace às ino ações educa i as. Esse adicionalismo ge a,
ambém, uma con adição na elação en e a eo ia e a p á ica, is o que a ealidade da
sala de aula az à ona a u gência quan o ao uso de me odologias dinâmicas e
ino ado as, que acompanhem o i mo das ans o mações sociais e ecnológicas que
a ingem as sociedades e os alunos. De aco do com Bas os (2010), conside ando as
disciplinas o ma i as, o empo dedicado ao ema das ecnologias ainda é ín imo.
Segundo Peck e Tucke (1970), um sis em app oach, que ab ange o eino da
obse ação das in e ações na aula, o mic oensino e as écnicas labo a o iais de
modi icação do compo amen o, pode se i como um no o meio de o mação.
!
99
Segundo os au o es, a obse ação das in e ações cons i ui um es o ço de
análise e de a aliação das comunicações que se es abelecem en e o p o esso e os
alunos. Inicialmen e cen ados no compo amen o do p o esso , os sis emas de
obse ação endem a cen aliza -se cada ez mais nos compo amen os dos alunos.
Sis emas como o de Good e B ophy (1970) pe mi em obse a simul aneamen e o
compo amen o dos p o esso es e dos alunos, pe mi indo a obse ação das di e enças
do compo amen o do p o esso em elação a cada aluno. Possibili ando o egis o e
iden i icação dos a os e unções de ensino, os sis emas de obse ação são
ins umen os de análise e de diagnós ico da ação pedagógica.
Se o ensino pode se de inido como a cadeia de in e ações que se es abelecem
en e o p o esso e os alunos, a cha e de uma ação pedagógica adequada es á na
capacidade de obse a , de diagnos ica , de p e e e de a alia os esul ados da ação.
A a i ude do p o esso na aula não de e se undamen almen e di e en e da do
cien is a que obse a os enómenos, elabo a as hipó eses e as subme e à p o a de
expe iência.
Po isso, o eino dos p o esso es na obse ação da aula em o maio alo
o ma i o, sensibilizando-os às eações dos alunos e c iando hábi os de obse ação e
de análise que ul apassem o campo das imp essões subje i as e globais. Exis em
mesmo sis emas de obse ação que p e eem a sua u ilização nes e domínio, como o
de Spaulding (1970) e Hun e (1970). Expe iências já ealizadas êm mos ado a
supe io idade em mui as dimensões de g upos de es agiá ios einados na obse ação
sob e os g upos de con olo subme idos à p epa ação adicional (Peck, & Tucke ,
1970).
Uma pedagogia de inspi ação beha io is a u iliza sis ema icamen e o e o ço
como undamen o de uma pedagogia do êxi o. Po an o, a in es igação nes e campo
incide sob e dois aspe os dis in os: écnicas pedagógicas de e o ço do
compo amen o dos alunos e écnicas de e o ço dos compo amen os do p o esso ,
em elação a obje i os ope acionais bem de inidos.
!
100
Em 1969, B own e Ba clay, u ilizando sis ema icamen e o e o ço no eino de
ce as compe ências, encon a am uma co elação en e o e o ço ecebido pelo
p o esso e a capacidade dele u iliza o e o ço em si uações pedagógicas. No en an o,
a u ilização des as écnicas no campo da o mação de p o esso es em sido es i a:
po um lado, p essupõe a adesão a um quad o conce ual neobeha io is a bas an e
ígido; po ou o, a ansposição de si uações labo a o iais pa a a sala de aula le an a
p oblemas me odológicos e epis emológicos nem semp e áceis de esol e .
O mic oensino é o encon o de um mé odo e de um ins umen o ao se iço da
o mação em ge al e da o mação de p o esso es em especial. O mé odo consis e em
decompo o a o pedagógico em compo amen os e compe ências que se ão
obse ados, discu idos, ensaiados, dominados. O ins umen o é o ideo ape que o na
possí el, en e ou os, o es udo ap o undado da amos a ou dos modelos de
compo amen o e compe ências a adqui i .
O mic oensino pode se u ilizado na pe spe i a beha io is a de eino de
compo amen o, mas pode se u ilizado em pe spe i as mais humanis as. Com e ei o,
o mic oensino em sido econhecido como um meio ó imo pa a o p o esso domina
modelos de ensino, adqui i hábi os de análise, oma consciências das si uações
escola es e, o que é mais impo an e ainda, oma consciência de si p óp io em
si uação. O mic oensino su ge assim pa a o p o esso como um meio de pesquisa de
um es ilo pessoal de ensino.
O mic oensino es á ge almen e ligado a ou os meios de o mação: g elhas de
obse ação, dinâmica de g upos, simulação. A simulação é uma écnica com la ga
aplicação em odos os domínios de o mação p o issional e que em indo a se cada
ez mais usada na p epa ação de docen es. Na de inição de B oadben (1971),
a simulação é uma ep esen ação de di e en es a iá eis o ganizadas em elação análoga à que
oco e num sis ema, na u al ou a i icial. Uma ez es abelecidas as elações ou condições, o
disposi i o esul an e pode se is o como um modelo da ealidade, susce í el de in e ação e
manipulação. (p. 4)
!
101
Va iando mui o no seu g au de so is icação, as écnicas de simulação ão
desde os modelos p obabilís icos elabo ados com o auxílio do compu ado a simples
jogos como a ep esen ação de papéis.
O campo de aplicação da simulação na o mação de p o esso es é mui o as o,
podendo isa obje i os mui o di e en es. Já imos que a simulação pode es a ligada
ao mic oensino, pode ambém liga -se ao emp ego dos sis emas de obse ação,
p e endo alguns deles exe cícios de mic o-simulação. Ou os in es igado es, como
Bu ie (1971), cons a am as ca ências de mui os p o esso es quando en am iden i ica
e in e p e a as a iá eis da si uação, explo a al e na i as, oma uma decisão e
a alia as consequências da ação. A simulação pode cons i ui um meio de le a o
p o esso a supe a es as lacunas. Assim, po exemplo, o ma e ial de simulação
elabo ado po Ke sh (1971) é cons i uído po uma sé ie de ilmes e in o mações sob e
episódios ep esen ando si uações de aula, pe an e os quais o p o esso é con idado a
eagi . O eedback da sua espos a é dado pela p ojeção de ou o ilme mos ando as
consequência mais p o á eis da solução p opos a.
A simulação é ainda usada como meio de a aliação de a i udes, como meio de
omada de consciência e de modi icação do compo amen o e da a i ude, como meio
auxilia do ensino da pedagogia.
Além dos p ocessos de o mação acabados de menciona , exis em ou os que
ão p ocu a o seu undamen o na psicossociologia e em conceções não-di e i as.
Alguns p og amas de o mação cen am os seus obje i os na p epa ação pa a a
elação pedagógica. Os p ocessos u ilizados são a dinâmica de g upos, os g upos de
base, o psicod ama, o sociod ama, o eino em écnicas sociomé icas.
Ou a pe spe i a in e essan e é a o mação em equipa como p epa ação pa a o
ensino pela equipa de p o esso es. O ensino pela equipa de p o esso es é uma o ma
de o ganização pela qual os p o esso es decidem pô em comum ecu sos, in e esses e
especializações, com is a a elabo a e execu a um esquema de abalho con o me às
necessidades dos alunos e aos ecu sos da escola (Wa wick, 1971).
!
102
O ensino pela equipa de p o esso es p e ende se uma o ma de
ap o ei amen o acional dos ecu sos ma e iais da escola e das compe ências dos
docen es. Com e ei o, cada p o esso em ge almen e campos especiais de in e esse
den o da sua disciplina, ha endo aspe os em que a inge um ní el mais ele ado de
especialização. Assim, se um p o esso é mais compe en e em ci ilizações medie ais
ou em ou as á eas, se á ele o enca egado de o ganiza a sessão que euni á odos os
alunos do mesmo ní el. É e iden e que es e ensino exige es u u as mui o lexí eis,
um planeamen o cuidadoso das a i idades e da u ilização de ecu sos e,
e iden emen e, uma o mação adequada dos p o esso es que e ão de supe a o seu
indi idualismo habi ual e de c ia uma a i ude coope a i a.
Pa a conclui , podemos dize que a o mação p o issional dos p o esso es
exige o domínio de um sabe cien í ico no campo das disciplinas a ensina e no campo
das Ciências da Educação, mas exige ambém uma écnica, um sabe - aze
undamen ado, susce í el de aquisição e de ape eiçoamen o.
Es ando longe de pensa que o domínio de écnicas de ensino é su icien e pa a
aze de qualque pessoa um bom p o esso , julgamos que os no os meios de
o mação cons i uem uma espos a adequada pa a mui os p oblemas pos os pela
o mação. Eles podem se u ilizados de modo di e en e e pos os ao se iço de
conceções pedagógicas mais a iadas.
Os no os p ocessos de o mação o nam possí el a aquisição de ins umen os
eó ico-p á icos especí icos da unção docen e, o nando acessí el ao es agiá io o que
os p ocessos adicionais di icilmen e o neciam: consciência das si uações e
consciência de si em si uação, p ese ando simul aneamen e o que a o mação
adicional mui as ezes nega a - o di ei o à p óp ia pe sonalidade.
Po ém, pa a a mudança pa adigmá ica acon ece , é p eciso que os docen es
abso am ao máximo o con eúdo das o mações con ínuas e apliquem na sua p á ica
pedagógica o que ap ende am. An es disso, o p o issional de educação necessi a de
mais opo unidades pa a se capaci a , com o apoio de ido dos ó gãos de con olo e
das uni e sidades. O p o esso p ecisa ainda de e a opo unidade de se desen ol e
!
103
no âmbi o pessoal e de abalho, eunindo-se com os seus pa es e e le indo, semp e,
sob e no os caminhos possí eis (Webe , 2011). A pa i daí, p á icas pedagógicas
ino ado as apa ece ão e alunos c í icos, e lexi os e c ia i os su gi ão.
!
104
2.5 – Explo ação do pa adigma con empo âneo pa a a
o mação de p o esso es de línguas
Desde os p imó dios dos anos 1980, a especialização dos p o esso es
o nou-se uma endência mundial7, ap esen ando exigências mais ele adas aos
p o esso es e à o mação docen e. A ealidade exige que os p o esso es não só sejam
expe ien es e p o issionais insubs i uí eis, mas ambém iquem com a p ocu a
p o issional ao longo da ida. Isso eque g andes mudanças nas ins i uições de
o mação de p o esso es.
Ao espei o do pa adigma con empo âneo de o mação inicial de p o esso es,
á ios es udiosos como Schön (1995), Zeichne (1983), Gi oux (1997), S enhouse
(1975), Con e as (2002), en a izam o elemen o decisi o - p o issional e lexi o, que
é en ol ido não só em uma o mação écnica, mas em opo unidades de i encia
expe iências, colocando em p á ica os seus conhecimen os.
Os au o es a i mam que a discussão sob e a o mação inicial de p o esso es
concen a-se p incipalmen e no pa adigma e lexi o, cujo obje i o p incipal é o ma
o u u o p o esso a se ques ionado e di igen e nas suas ações pedagógicas.
En e an o, de aco do com Zeichne (2003), esse ipo de o mação, embo a seja
o malmen e con emplado na maio ia dos p oje os pedagógicos do cu so, nem semp e
em a ga an ia da sua conc e ização. Nes e sen ido, Zeichne (2003) classi ica qua o
aspe os que êm in iabilizado a conc e ização da o mação na pe spe i a e lexi a.
O p imei o aspe o diz espei o à in luência do modelo e ó ico, que es á
a aigado nos p og amas de o mação e não ompe com a acionalidade écnica. Esses
p og amas e o çam a posição de me o execu o do o mado e de e minam o que os
alunos-p o esso es de em aze no p ocesso de o mação inicial, limi ando, assim, a
sua descobe a do conhecimen o a a és da ação. O segundo aspe o apon ado po
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
7 Em 1986, as equipas de Ca negie e de Holmes êm emi ido dois ela ó ios impo an es: A Na ion
P epa ed: Teache s o he 21s Cen u y e Tomo ow’ Teache s, que p opuse am a especialização de
p o esso es como o obje i o da e o ma da educação e do desen ol imen o p o issional de p o esso es.
!
105
Zeichne (2003) é que nem odas as o mações iniciais de p o esso es a endem às
exigências con empo âneas, ace ao dis anciamen o que eo ia e p á ica man êm en e
si. O e cei o aspe o e e e-se à ên ase dada à e lexão indi idual do p o esso ,
desconside ando as suas condições sociais e a in luência do ambien e de abalho. Po
úl imo, en ende-se que a e lexão indi idual do aluno-p o esso de e se conside ada
como uma p á ica social em ambien e de in e ação social e não isoladamen e. As
decisões sob e educação não de em se omadas po um p o esso indi idualmen e,
mas se em e le idas, na cole i idade, le ando-se em con a os aspe os sociais,
económicos e polí icos.
Nessa pe spe i a, Beh ens (2006) e Mo aes (2004) a gumen am que as ideias
mencionadas cons i uem o denominado pa adigma da complexidade ou eme gen e
que, segundo Cap a (2002) e Mo in (2001), es á undado na ó ica de uma educação
e lexi a, in e en i a e po consequência ans o mado a, sus en ado pela conceção
de o alidade e pela in e conexão de múl iplas abo dagens.
Assim sendo, a o mação de p o esso es assume um ca á e menos
con empla i o e mais in e a i o, desdob ando-se num p ocesso pe manen e que
p i ilegia a in e enção, a c í ica, a cu iosidade e a in es igação na cons ução de
ensino e ap endizagem. Como esul ado, exige que os p ocessos ul apassem a me a
eciclagem, eque quali icação con ínua.
A pa i desse p essupos o, a cono ação do e mo “ o ma ”, pa a Beh ens
(2007, p. 448), “pode e le i um p ocesso cons u i o no qual os p o esso es
encon am espaços pa a a p epa ação como p o issionais que p ecisam de a ua na
docência com um pa adigma ino ado ”. No en an o, a ua na docência com um
pa adigma ino ado signi ica en en a ince eza, incons ância e ins abilidade no
p ocesso de o mação.
A o mação inicial do p o esso , du an e e no inal do p ocesso, segundo
Beh ens (2007), p ecisa de inco po a na sua me odologia:
1. conhecimen o das no as ecnologias e da manei a de aplicá-las;
!
112
compe ência p á ica e eó ica, compe ência na língua que ai ensina e
consciencialização dos alo es polí icos e ideológicos en ol idos na p á ica de ensino
e ap endizagem de uma língua es angei a.
F anco e Al a enga (2012), endo como undamen ação básica o modelo
p opos o po Almeida Filho (2002, 2004), e o çam a impo ância do
desen ol imen o de cinco compe ências pa a ensina línguas: a compe ência
linguís ico-comunica i a, a compe ência implíci a, a compe ência eó ica, a
compe ência aplicada e a compe ência p o issional.
Pa a comple a as ideias de Almeida Filho (2004), é a o á el ci a os
pa adigmas de o mação de p o esso es de línguas ap esen ados po Ca alcan i e
Lopes (1991). Segundo esses linguis as, en e a década de 70 e 80 do século XX,
eme gi am dois pa adigmas nos p og amas de o mação de p o esso es de língua
es angei a: o compo amen al e o de habilidades especí icas.
O pa adigma compo amen al alo iza o compo amen o do p o esso e a sua
e icácia na ap endizagem dos alunos, enquan o que o pa adigma de habilidades
especí icas dá ên ase ao conjun o de habilidades e écnicas que o p o esso possui. O
papel do p o esso nes a pe spe i a é domina conhecimen os e ansmi i-los.
É possí el en ende os pa adigmas de o mação de p o esso es de LE
ap esen ados po Almeida Filho (2004), Ca alcan i e Lopes (1991): a g ande
impo ância dada à ase do p é- eino que co esponde ao pe íodo an e io ao ing esso
do aluno no cu so de o mação uni e si á ia. No que diz espei o a esse assun o
Viei a-Ab ahão (2002) decla a que:
a pesquisa em ensino-ap endizagem em demons ado que o conhecimen o p é io
exe ce um papel pode oso an o na comp eensão como na ap endizagem. Em se a ando
de p o esso es em o mação, esses azem pa a a uni e sidade, explíci a ou
implici amen e, uma isão de educação, de ensino-ap endizagem, de sala de aula, de
papéis de p o esso e aluno, de li o didá ico e c., que, sem dú ida, in luencia ão suas
lei u as da eo ia e da p á ica, assim como suas ações em sala de aula. (p. 60)
!
113
Po an o, a p opos a a ual pa a os p og amas de o mação de p o esso es de
língua es angei a, di e en emen e de ou as p opos as, consis e em conside a as
conceções p é ias do u u o-p o esso , pois como nos lemb a Wallace (1991), as
pessoas não en am em si uações de o mação com a “men e azia” ou com a i udes
neu as. Dessa o ma, desconside a as expe iências que esses alunos azem, cons i ui,
segundo Viei a-Ab ahão (2002), uma ba ei a pa a a mudança nas suas conceções
básicas, ou seja, ideias, c enças, alo es e p incípios.
Se espe amos que o p o esso de línguas no século XXI seja o p o esso que
ajuda a ece o desen ol imen o indi idual e cole i o e que saiba maneja os
ins umen os especí icos dos no os empos, são necessá ias mui as pesquisas em
no as ecnologias da in o mação, modelos cogni i os, in e ações en e pa es,
ap endizagem coope a i a, que o ien am a o mação de p o esso es no seu
desen ol imen o e o e ecem alguns pa âme os pa a a a e a docen e nes a pe spe i a.
!
114
Capí ulo III - Con ibuição das Teo ias e Es udos na Á ea do
Ensino e da Ap endizagem do Po uguês Língua Es angei a
In odução
A ualmen e, os a anços ecnológicos pe mi em uma maio ci culação de
in o mação en e os po os e a sua in e ação po meio da língua. Conside amos que
igno a a in luência dos a anços ecnológicos na p á ica diá ia de ensino e
ap endizagem de línguas, is o que a maio ia das escolas chinesas e eu opeias possui
labo a ó ios ecnológicos, é p i a o aluno do p aze da descobe a. Nesse sen ido, as
e amen as ecnológicas êm pe mi ido que pessoas de di e en es pa es do mundo
comuniquem com mais acilidade, possibili ando um p ocesso in e cul u al e
a o ecendo o p ocesso de ensino e de ap endizagem de línguas.
Pa a Vasconcelos (1982), desde que as línguas mode nas passa am a aze
pa e do cu ículo, a disc epância en e obje i os, p og amas, me odologia e o mação
de p o esso es em sido uma cons an e. As mudanças nos mé odos de ensino de língua
po uguesa são e lexo de mudanças eó icas da na u eza da linguagem e da sua
ap endizagem. Hoje, o Po uguês é uma das línguas mais es udadas no mundo.
Concomi an e à e olução his ó ica e à e olução do ensino de língua
es angei a, mudanças oco e am ace ca das eo ias da ap endizagem, que
in luencia am di e amen e na elabo ação de mé odos e de écnicas de ensino de
línguas, inclusi e a do po uguês. Cien e dessas mudanças e das suas implicações,
Nunan (1989) e B own (1994) classi ica am a e olução his ó ica do ensino de LE no
cená io in e nacional, e é com base nas suas ideias que ap esen amos ais e oluções.
Após anos de ensino de línguas, ol ado pa a a aquisição de conhecimen os
ace ca da es u u a da língua, hou e uma e olução nos anos se en a do século XX.
!
115
Nesse pe íodo, a Eu opa iu eme gi as p imei as mani es ações da abo dagem
comunica i a. Con ém escla ece que as abo dagens humanis a, na u al e
comunica i a su gi am da pesquisa de inúme os es udiosos pela melho o ma de
ensina , e de ido à decadência da abo dagem adicional que, du an e séculos,
ca a e izou as p á icas de ensino e ap endizagem de línguas es angei as.
A abo dagem adicional, segundo Viei a-Ab ahão (2002), oca o
desen ol imen o da compe ência linguís ica do ap endiz. Vinculados a essa
abo dagem, são desen ol idos o mé odo g amá ica- adução e o mé odo audiolingual.
A abo dagem humanis a p io iza o desen ol imen o a e i o e cogni i o do
ap endiz. Vinculados à abo dagem humanis a su gem os mé odos: silencioso,
comuni á io ou do aconselhamen o, sugges opedia, espos a ísica o al. Impo a
essal a que os p essupos os dos mé odos humanis as o am impo an es pa a o
es abelecimen o das bases eó icas do mo imen o comunica i o.
A abo dagem na u al coloca o oco no signi icado e não na o ma, obje i ando
p omo e habilidades comunica i as básicas, desde o início do p ocesso de ensino e
de ap endizagem de línguas.
Po im, a abo dagem comunica i a p opõe, ao in és de p ocedimen os
p é-es abelecidos pa a uma p á ica pedagógica, p incípios no eado es. Assim, a
abo dagem comunica i a em po obje i o desen ol e compe ência comunica i a,
po meio de a i idades cujo im seja a comunicação o al e esc i a.
De ido à ab angência da p esen e pesquisa, cuja ele ância é an o pa a as
pesquisas em educação quan o em linguís ica aplicada, duas g andes á eas icas e
impo an íssimas pa a a o mação e a uação do p o esso de língua po uguesa,
ap esen amos, de seguida, as ca a e ís icas das abo dagens e mé odos de ensino que
eme gi am na análise e na discussão dos dados ecolhidos. P e endemos, ao discu i
as abo dagens de ensina e ap ende línguas e os mé odos elacionados a cada uma,
undamen a as discussões ace ca de como os p o esso es de língua po uguesa es ão
sendo o mados e a pa i de que p incípio o seu abalho é no eado.
!
116
Pa a inaliza o capí ulo, discu imos o luga da eo ia e da p á ica nos
p og amas de o mação de p o esso es de língua po uguesa. Pelo ac o de
conside a mos esse assun o c ucial no desen ol imen o da p esen e pesquisa,
azemos uma e isão da li e a u a especí ica sob e essa ques ão, p ocu ando
in e p e a como a eo ia e a p á ica são a iculadas nos p og amas a uais de o mação
de p o esso es de língua po uguesa, no sen ido de desen ol e as múl iplas
compe ências exigidas a esse p o issional.
P imei amen e, con ém escla ece o concei o de compe ência, is o que esse
e mo em sido al o de inúme os es udos e que, segundo Claus (2005), em se ido de
es eio pa a a elabo ação de eo ias sob e as p á icas.
Chomsky (1965) de ine compe ência como um conhecimen o sob e a língua,
ou seja, uma habilidade linguís ica ligada ao se humano. Nessa e en e, Hymes
(1991) ap esen a uma noção mais ampla de compe ência, o concei o de compe ência
comunica i a que inclui a compe ência linguís ica e a sociolinguís ica. Po
compe ência linguís ica, o au o en ende eg as de g amá ica implíci as e explici as, e
compe ência sociolinguís ica consis e no conhecimen o das eg as de uso da língua
em si uação de in e ação.
Impo a essal a que os concei os de compe ência ap esen ados no p incípio
e e iam-se às capacidades e conhecimen os do alan e-ou in e. Po an o, Almeida
Filho (2002, 2004) p opõe um modelo com cinco compe ências do p o esso de
línguas: a implíci a, a linguís ica-comunica i a, a eó ica, a aplicada e a p o issional.
A compe ência implíci a é conside ada pelo au o como básica, o mada po c enças,
a i udes e expe iências adqui idas pelo con a o com ou os p o esso es. A
linguís ico-comunica i a possibili a a a uação do p o esso em si uações de
comunicação emp egando a língua-al o. A eó ica é cons i uída po conhecimen os
adqui idos po meio de lei u as sob e os p ocessos de ensina e ap ende línguas
conhecidos em eo izações de au o es e pesquisado es.
A o mação eó ica e a o mação p á ica êm ganhado g ande dimensão na
á ea da Linguís ica Aplicada nos úl imos anos. Di e sos in es igado es êm dedicado
!
117
es udos em um ou mais aspe os das compe ências dos p o esso es e ace ca da elação
que man êm en e si. Os esul ados dessas pesquisas apon am pa a a exis ência de
lacunas en e o desejá el e o eal na p á ica de ensino de p o esso es. O conhecimen o
eó ico oi assinalado nas pesquisas como p ecá io po pa e dos p o esso es em
se iço e de ido à o mação inicial insu icien e, pelo que os p o esso es, du an e o
exe cício das suas a i idades, p ocu am caminhos al e na i os pa a a sua p á ica, sem
o mínimo de e lexão.
Pa a pesquisado es como Almeida Filho (2004) e Viei a-Ab ahão (2002), os
p o esso es não de em apenas ap ende a u iliza o conhecimen o eó ico como apoio
à sua p á ica, de em ambém ap ende a a alia al conhecimen o de modo c í ico.
Nesse sen ido, Viei a-Ab ahão (2002) ac escen a que “a ap endizagem, po meio da
obse ação, da eo ia e da p á ica de sala de aula, quando adequadamen e en ocados
nos cu sos de licencia u a aumen am as chances de o ma p o issionais engajados na
p á ica” (p. 71).
Nes e capí ulo, discu imos as con ibuições das eo ias e es udos na á ea
p á ica de ensino e o mação de p o esso es de línguas e, no p óximo capí ulo,
ap esen amos a me odologia ado ada pa a a in es igação, os caminhos pe co idos
pa a a cole a e pa a a análise dos dados, e inalmen e, a ca a e ização dos ambien es
(uni e sidades e escolas) e sujei os en ol idos na pesquisa (p o esso es e alunos).
!
118
3.1 - His ó ia do ensino de língua po uguesa em Tianjin/China
As elações sino-po uguesas podem se as eadas a é 500 anos a ás. Desde a
chegada de Jo ge Ál a es em 1514 à Ilha de Lingding e da consolidação da
adminis ação po uguesa em Macau, a China e o mundo lusó ono pa ilham um
passado e abalham no sen ido de cons ui um u u o a a és de uma es ei a
coope ação.
Na China, após a undação da República Popula da China em 1949, deu-se
uma g adual apos a no ensino de algumas línguas es angei as. É undamen al
comp eende que o ensino de Po uguês Língua Es angei a (PLE) na China se inse e
den o de uma polí ica ala gada de ensino de línguas es angei as, mo i ada po
azões conjun u ais. Pa a comp eende mos a si uação do ensino de línguas
es angei as na China, de emos ob iga o iamen e olha pa a a sua posição, que mais
abe a, que mais echada, pe an e o es o do mundo e, em pa icula , o Ociden e. Mao
e Min (2004) desc e em assim es e mo imen o:
O ensino de línguas es angei as na China a a essou uma sé ie de mudanças
impo an es e passou po mui os al os e baixos desde 1949. Como já suge imos, essas
mudanças e le em, em pa e, a adição do pêndulo educa i o da China de balança
en e a an iga c ença de que a p o iciência em línguas es angei as é ú il pa a a
mode nização da China e o semp e p esen e medo - po ezes, na on ei a com a
xeno obia - de que as línguas es angei as podem ep esen a ideologias que
con adizem di e amen e ou comp ome em a p óp ia ideologia do PCC (Pa ido
Comunis a Chinês). (p. 329)
No que diz espei o ao ensino de línguas es angei as na China desde 1949, de
aco do com Lam (2005), pode-se es abelece ês g andes épocas: an es, du an e e
depois da Re olução Cul u al, que oco eu de 1966 a 1976, ano da mo e do líde da
e olução Mao Zedong. Se ia p ecisamen e a eclosão da Re olução Cul u al que
po ia im à p imei a (e cu a) ase do ensino de PLE na China.
!
119
Foi p eciso espe a a é 1960, em Pequim, pa a despon a o icialmen e o
p imei o cu so de po uguês no Ins i u o de Radiodi usão da China, a ual
Uni e sidade de Comunicações da China (CUC), aquando do es abelecimen o o mal
do Depa amen o de Línguas Es angei as (Ran, 2006 ; Yan, 2008). Segundo Yan
(2008), dos in e e ês alunos do p imei o cu so, com qua o anos de du ação, odos
o mados em língua ussa, dezoi o concluí am a licencia u a. O cu so oi o ien ado
pela p o esso a b asilei a Ma a Mazozini. A é 1966, es e ins i u o con a ou ainda
mais dois p o esso es b asilei os, um angolano e um po uguês e ab iu uma no a
u ma em 1964 e duas u mas em 1965, com ce ca de in e alunos cada (Li, 2012).
En e an o, o Ins i u o de Línguas Es angei as de Pequim, hoje Uni e sidade
de Es udos Es angei os de Pequim (UEEP), ab iu em 1961 um cu so de cinco anos
de língua po uguesa, endo dois alunos do cu so de espanhol, o mados no Ins i u o
de Radiodi usão da China, como os seus p imei os p o esso es (Yan, 2008). De
aco do com Li (2012), no ano an e io , inha sido já abe o um cu so in ensi o, mas
não cu icula , com a du ação de dois anos e meio, no qual en a am dez alunos, odos
o mados em língua ussa.
Um ano depois do im da G ande Re olução Cul u al, em 1977, o exame
nacional de acesso ao ensino supe io ol ou a se egula izado, po o dem de Deng
Xiaoping, p oje is a da e o ma e da abe u a da China. Foi nesse mesmo ano que se
c iou o cu so de Licencia u a em Po uguês no Ins i u o de Línguas Es angei as de
Xangai (a ual Uni e sidade de Es udos In e nacionais de Xangai), comple ando-se o
io de uni e sidades que o e ece am cu sos de po uguês na China du an e o século
XX. Du an e os in e e oi o anos seguin es, se iam apenas ês as únicas ins i uições
com o e a de PLE no ensino supe io chinês.
Com o es abelecimen o das elações diplomá icas en e a China e Po ugal
(1979) e o e o no da sobe ania de Macau ao Go e no Chinês (1999), as ocas
económicas e come ciais en e a China e Po ugal, e ou os países de língua o icial
po uguesa, êm aumen ado conside a elmen e, azendo com que os indi íduos que
são conhecedo es da língua po uguesa sejam mui o p ocu ados na China, pa a se
!
120
pode esponde melho às necessidades do me cado.
Ran (2006) escla ece, a es e p opósi o, que en e as décadas de 1970 e 1990 a
língua po uguesa “e a p incipalmen e ensinada isando o seu uso na á ea da
diplomacia na China con inen al” (p. 4), um pa adigma que apenas mudou em inais
da década de 1990, e sob e udo a pa i de meados de 2000, quando a “ap endizagem
do po uguês passou duma necessidade me amen e polí ica pa a um ins umen o ú il e
impo an e pa a en a no mundo lusó ono, nomeadamen e na á ea da economia” (p.
4). Como a China ap o unda ainda mais o in e câmbio e a elação com o mundo
lusó ono, a língua po uguesa é mui as ezes chamada “língua de ou o”.
Assim, a o e a de PLE aumen a de o ma p a icamen e desen eada na China,
mudando o pano ama da o e a cu icula d as icamen e. O que encon amos
a ualmen e é um uni e so documen ado de 33 IES que o e ecem um p og ama
cu icula de Língua e Li e a u a Po uguesas, que ep esen a um ac éscimo de 30
uni e sidades nos úl imos 15 anos.
De ac o, os cu sos de PLE na China êm assumido á ias o mas, desde
licencia u as de qua o anos a disciplinas opcionais em uni e sidades e ins i u os
supe io es, passando po cu sos in ensi os o e ecidos po ins i u os de línguas
p i ados.
No caso do ensino supe io , os cu sos de po uguês êm essencialmen e
seguido os p og amas ado ados no ensino de ou as línguas es angei as, em especial
do espanhol, ha endo a é casos em que a adminis ação dos cu sos de po uguês cabia
inicialmen e ao depa amen o de espanhol (Zhang, 2010). Es a si uação le ou a que os
p og amas uni e si á ios de ensino do po uguês sigam, na sua essência, um modelo
comum a ou as línguas eu opeias e, em e mos es u u ais, em pouco se dis ingam
des as, o que possibili ou uma eno me apidez na c iação dos cu sos e pe mi iu
con o na a al a de docen es e de ma e iais su icien es e de qualidade.
Em e mos da dis ibuição geog á ica, podemos cons a a uma concen ação
signi ica i a na capi al da China, onde exis em oi o ins i uições. A imagem que se
!
121
segue ilus a a geog a ia do ensino de po uguês na China con inen al (18
p o íncias/municípios):
Imagem 1: Dis ibuição geog á ica do ensino de po uguês na China con inen al8
Podemos obse a que as cidades que possuem IES com cu sos de po uguês
que con e em g au académico se espalham especialmen e pelo les e da China, onde se
localizam as cidades mais desen ol idas.
Cen amo-nos em Tianjin, uma das maio es e mais impo an es cidades da
China. A é 2017, o ensino de PLE em Tianjin limi ou-se a uma só uni e sidade - a
Uni e sidade de Es udos Es angei as de Tianjin (UEET). Em ma ço de 2017, a
Uni e sidade de Nankai (NKU) ab iu o cu so de Licencia u a em Língua e Li e a u a
Po uguesas, queb ando a unicidade. Ao longo dos anos, Tianjin em o mado ce ca
de mil alen os de LP, incluindo es udan es da o mação cu a nos cen os de
o mação.
Nas duas uni e sidades de Tianjin, equen emen e encon amos nos dois
p imei os anos des es cu sos uni e si á ios cadei as de o mação de capacidades
undamen ais, como Lei u a In ensi a (es udo da g amá ica do po uguês a a és da
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
8 Imagem disponibilizada pela Embaixada de Po ugal em Pequim, em Se emb o de 2017.
!
128
O mé odo g amá ica- adução en a iza que o aluno en ende a es u u a e as
eg as da língua a a és da aplicação e da dedução lógica e in elec ual. Nesse con ex o,
a elação en e p o esso e aluno é e ical, o p o esso em o pode decisi o no
p ocesso de ensino e de ap endizagem. A sua unção es á ligada à ansmissão de
de e minado con eúdo, ou seja, a o ma é mais impo an e que a comunicação
(La sen-F eeman, 2000). En e an o, a aquisição dos conhecimen os de g amá ica
pa ece-nos melho a a és de uma manei a di e si icada com possibilidade de amplia
o acesso aos enómenos cul u ais dos países lusó onos, sendo capaz de comp eende
as es u u as da língua de o ma au ên ica, não dependendo somen e das eg as
g ama icais.
Pa a comp eende melho como se aplica o mé odo g amá ica- adução,
desc e emos, de seguida, uma aula de po uguês que obse ámos em Ou Na Cen o
de Educação onde a educado a ado ou esse mé odo.
A aula começou po o aluno le um ex o em po uguês no li o de a i idades.
O ex o ouxe in o mações a espei o do u ismo de Po ugal. Cada aluno oi
chamado a le algumas linhas. Quando e minou a lei u a, a p o esso a pediu pa a que
aduzissem o ex o. A p o esso a auxiliou os alunos na adução de ocábulos no os.
Ao e mina a lei u a e a a i idade de adução, a p o esso a pe gun ou se ha ia
alguma dú ida. Um ou ou o aluno le an ou ques ões ace ca de ocábulos no os e
ecebeu explicação po pa e da p o esso a em língua ma e na. Não ha ia mais
dú idas, a p o esso a pediu que os alunos espondessem à in e p e ação do ex o que
su gia no inal da unidade. A p o esso a espondeu à p imei a pe gun a da
in e p e ação como exemplo e, en ão, os alunos começa am a abalha
indi idualmen e. Uns minu os depois, a p o esso a ce i icou-se de que odos inham
e minado a a i idade e começou a aze a co eção. A co eção oi ei a um a um. Se
a espos a es i esse inco e a, a p o esso a escolhia um ou o aluno pa a esponde ou
da a di e amen e a espos a co e a.
A aula mos a que, no con ex o do mé odo g amá ica- adução, as habilidades
dos alunos são desen ol idas descon ex ualizadas, o que Gómez (1998) conside a um
!
129
modelo de p ocesso-p odu o de ensino, “o ensino (p ocesso) é obse ado e con olado
pelo p o esso e a ap endizagem (p odu o) es á sob esse con olo” (p. 37).
Toda ia, a língua é um conjun o de hábi os condicionados e adqui idos po
meio de um p ocesso de es ímulo e espos a (Lado, 1967; Le a, 1988). Dessa o ma,
a aquisição da língua de e se um p ocesso mecânico de o mação de hábi os, o inas
e au oma ismos.
O p ocesso de ap endizagem sob o mé odo audiolingual é baseado na
o mação de hábi os (ou i e epe i ) e o uso o al em p imei o do que a esc i a na
língua-al o. Segundo es e mé odo, a aquisição das es u u as da língua é en a izada,
mas as eg as são induzidas em diálogos man idos du an e a aula. A c ença é de que
os alunos ap endem a língua numa sequência na u al: ou i , ala , le e esc e e .
Nes e con ex o, as aulas são semp e o ien adas po lições e li os e não
dependem mui o das habilidades c ia i as do p o esso . Os alunos são enco ajados a
copia modelos e a man e diálogos i os a a és de a i idades de audição e epe ição.
Há in e ação en e p o esso -aluno e aluno-aluno, mas a maio pa e do empo o
p o esso di ige as a i idades, pois o seu papel é pô em p á ica uma écnica o ien ada
po li os didá icos.
Pa a Moul on (1966), exis em cinco p incípios linguís icos que undamen am
o mé odo audiolingual: a) língua é a ala, não a esc i a; b) uma língua é um conjun o
de hábi os; c) ensine a língua, não a espei o dela; d) uma língua é aquilo que os seus
alan es na i os dizem não o que alguém acha que de am dize ; e e) as línguas são
di e en es.
Apesa de os alunos consegui em aze comunicação em LE desde o início do
p ocesso de ensino e de ap endizagem, alguns linguis as, como B own (1994),
conside am esse mé odo limi ado, po que a ap endizagem signi ica i a não oco e po
meio do mé odo audiolingual, sendo desen ol ida uma ap endizagem mecânica.
Toda ia, o mé odo audiolingual ouxe ino ações impo an es pa a o ensino de
línguas, algumas das quais são al amen e e e i as em qualque cu so de língua
!
130
es angei a. O uso de ecu sos audio isuais e de exe cícios de subs i uição es u u al
são um bom exemplo. Embo a não seja ão popula como na década de cinquen a do
séc. XX, o mé odo audiolingual ainda é usado po um g ande núme o de cu sos de
idiomas numa e são e is a.
3.2.2 - Abo dagem humanis a
O pe íodo en e a década de 50 a 80 do século XX oi o mais signi ica i o na
his ó ia das abo dagens e mé odos (Viei a-Ab ahão, 1994). Na década de 50 e 60,
su giu o mé odo audiolingual, que deu luga à abo dagem comunica i a em 1970.
Nesse mesmo pe íodo, ou os mé odos a aí am seguido es. Den e os que su gi am,
de emos ci a os elacionados com a abo dagem humanis a: o mé odo comuni á io, o
mé odo silencioso, o mé odo espos a ísica o al e o mé odo suges opédico.
Segundo Viei a-Ab ahão (1994), a abo dagem humanis a possui duas
ca a e ís icas undamen ais:
1) a g ande impo ância é dada, na mesma p opo ção, aos aspe os a e i os e
cogni i os do ap enden e;
2) a base eó ica pa a a ap endizagem de línguas es á cen ada mais na
Psicologia do que na Linguís ica.
A abo dagem humanis a, po meio dos seus mé odos, en ou abo da a
impo ância de a o es psicológicos no sucesso dos ap enden es de língua e, dessa
o ma, segundo B own (2000), é ino ado a e e olucioná ia compa ando com a
abo dagem adicional. A abo dagem humanis a pode se conside ada a p imei a
en a i a de elabo a um pensamen o mode no em que o homem é o cen o de udo,
um se digno e que alo iza a na u eza e se coloca como pa e dela.
As écnicas de ensino ado adas na abo dagem humanis a en am mis u a o que
o ap enden e sen e, pensa, sabe, com o con eúdo que es á a ap ende na língua-al o.
Acompanhando os posicionamen os de Richa ds e Rodge s (2004), nas écnicas
humanis as há um en ol imen o o al do ap enden e, incluindo as emoções, os
!
131
sen imen os e os conhecimen os linguís icos. F ei e (1990), mais ci ado e es udado na
abo dagem sociocul u al como um educado isioná io, em a sua base de pensamen o
na abo dagem humanis a, num ensino li e de imposições.
3.2.3 - Abo dagem comunica i a
Ao longo da his ó ia, á ios mé odos e abo dagens o am desen ol idos, cada
um dos quais com a sua p óp ia isão sob e o que é língua e qual é a melho manei a
de se ensinada e ap endida (Richa ds, & Rodge s, 1986; Le a, 1988). Dessa o ma,
um g upo de es udiosos começou a o ma a base do ensino comunica i o de línguas.
Segundo o linguis a e an opólogo Hymes (1973) e o linguis a uncional
Halliday (1973), os alunos não es ão a ap ende comple amen e em si uações eais,
pois não conseguem comunica -se na língua es udada. A abo dagem comunica i a
de ende que a unidade básica da língua é o a o comunica i o ao con á io da ase. O
mais impo an e passa a se o signi icado e não a o ma. A compe ência comunica i a
é o obje i o e não a memo ização de eg as. Pa a que essa compe ência oco a,
a i ma-se que de em se usadas si uações do dia-a-dia dos alunos, pa a que eles
consigam ap ende as o mas g ama icais pe cebendo que es as possuem u ilidade e
podem se usadas no quo idiano.
Ca doso (2004) a gumen a que exis em ês explicações pa a o ensino
comunica i o. Em p imei o luga , o ensino comunica i o de línguas em como
obje i o a ap endizagem pa a a comunicação que pe mi e p incipalmen e que os
alunos ap endam a g amá ica a a és do uso. Em segundo luga , acili a os
ap enden es u iliza o mas adequadas da língua pa a desen ol e as di e en es ações
iden i icadas e incluídas no p og ama de ensino, com menos ên ase na g amá ica.
Finalmen e, o ensino comunica i o consis e em o nece aos alunos a i idades
en ol endo comunicação.
É indiscu í el que os p ocessos de in e ação social e negociação de
signi icados es ejam p esen es em odas as a i idades desen ol idas po p o esso es,
o que ap esen a uma abo dagem comunica i a (Koch, & Oes e eiche , 2013). Nes e
!
132
caso, o aluno en ol e-se na u almen e na comunicação e nas eg as de uncionamen o
da língua, o que exige uma maio pa icipação do aluno no p ocesso de ap endizagem.
E o p o esso desempenha o papel de acili ado do p ocesso de comunicação en e os
alunos e as a i idades desen ol idas na aula.
Pa a Souza (2005, p. 57), o ensino de línguas na abo dagem comunica i a es á
concen ado nas seguin es unções:
l como pedi in o mações;
l como da in o mações;
l como aze con i es;
l como exp essa o in e esse;
l como exp essa paciência;
l como muda de assun o no diálogo.
Segundo Almeida Filho (2002, p. 36), exis em á ios mé odos comunica i os:
l mé odos com oco na o ma g ama ical e comunica i idades;
l mé odos incen i ado es de uma p á ica de linguagem sem ha e a
implicação de emas e ópicos educacionalmen e cons u i os ou con adi ó ios;
l mé odos comunica i os p og essis as, incluindo a i idades de
au oconhecimen o, in e ação e dadei a sob e ópicos ideologicamen e eais.
Fishe e al. (1989)10 o necem uma lis agem de ca a e ís icas da abo dagem
comunica i a:
Ø Ao ní el do aluno - é uma abo dagem cen ada no aluno, p econizando a
o ien ação do ensino das línguas es angei as pa a si uações de i ência conc e as dos
ap enden es, pa a os seus in e esses p esen es e pa a as suas necessidades u u as. Daí o
ele o dado à análise de necessidades e ao es udo das di e enças en e a c iança e o
adul o como sujei os da ap endizagem.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10 Re e ido po Ne es (2009, p. 17). E demais au o es, cujos nomes não o am mencionados na on e.
!
133
Ø Ao ní el do cu ículo - p i ilegia um cu ículo nocional/ uncional, a língua
necessá ia pa a exp imi e comp eende di e en es ipos de unções, ais como: pedi
in o mações, exp imi desejos, e c., dando ên ase aos ac os da ala, à análise do discu so,
aos ní eis de compe ência (p o iciência) e à língua pa a ins especí icos.
Ø Ao ní el dos ma e iais - p i ilegia os ex os au ên icos, a u ilização de ma e iais
abe os e a iados, de aco do com os in e esses, es ilos e i mos de ap endizagem.
Ø Ao ní el das elações humanas - en a iza o p ocesso de comunicação, in e acção
(usa a língua adequando-a a cada si uação de comunicação), a au onomia do ap enden e
e a ap endizagem indi idualizada.
Ø Ao ní el da in es igação sob e o ensino das línguas es angei as - são á eas
p i ilegiadas nes e campo a ap endizagem da p imei a e da segunda línguas, a
dico omia ap endizagem/aquisição de uma língua, a análise do e o e es udos sob e a
in e língua. (p. 37)
Em sín ese, uma pa e das aulas do mé odo p og essis a concen a-se em
explo a ópicos escola es ou dilemas mo ais, p opo ciona aos alunos opo unidades
de o ma em as suas p óp ias opiniões. Ou as ainda azem ópicos que pe mi em
si uações hipo é icas, po exemplo, diálogos em lojas, ho el, e c., possibili ando uma
p á ica de linguagem. Conside ando as ca a e ís icas do ensino comunica i o
ap esen adas, pe cebemos que se a a de uma p opos a de ensino e ap endizagem de
língua es angei a p omisso a e e icaz.
No en an o, Almeida Filho (2002) ale a-nos sob e as á ias aces do ensino
comunica i o, “que ai desde o also comunica i o a é o ul a comunica i o ou
comunica i o espon aneís a, passando pelo comunica i o uncionalizado,
comunica i o inocen e e comunica i o p og essis a” (p. 8). Con o me Almeida Filho
(2002), o p o esso nem semp e al e ou suas a i udes pa a se comunica i o, mui as
ezes, o p o esso “ uncionaliza” uma pa e do seu ma e ial ou o ma de ensina com
aje comunica i o. A comunicação e a in e ação são p io izadas no comunica i o
inocen e, mas o discu so no ní el sócio-his ó ica é igno ado. O ul a comunica i o ou
!
134
espon âneo conside a que se comunica i o é se espon âneo. O p o esso que ado a
al pos u a dispensa planeamen o e p eocupa-se em p omo e a comunicação em
g ande quan idade em sala de aula.
Nes e sen ido, Le a (1988) ez a mesma ad e ência. Pa a ele:
a abo dagem comunica i a em seguido o mesmo pad ão his ó ico das abo dagens
an e io es: eação à abo dagem igen e na época (áudio-lingualismo), di usão da ideia
de que a solução oi inalmen e encon ada, dogma ismo dou iná io, imp ecisão
e minológica, al a de e idência baseada em a os. É possí el pe cebe que a
abo dagem comunica i a não ence a o ciclo da his ó ia do ensino de línguas iniciada
com a abo dagem beha io is a ou adicional. (p. 229)
Le a (1988) apon a que a abo dagem comunica i a não de e i con a as
abo dagens an e io es, po que a solução não é acei a incondicionalmen e a no a
abo dagem ou ade i sem ecuo a uma e dade que não é de ninguém. Pois, como o
au o conclui “nenhuma abo dagem con ém oda a e dade e ninguém sabe an o que
não possa e olui . Nesse con ex o a a i ude sábia é inco po a o no o ao an igo” (p.
230).
Dian e do expos o, podemos a i ma que a abo dagem comunica i a exige
uma pos u a comunica i a po pa e do p o esso . O p o esso em opo unidade de
aumen a a cu iosidade e a mo i ação dos alunos pa a ap ende e conhece a
língua-al o e ambém a cul u a-al o. A inal, ensina uma LE é p incipalmen e
p omo e o acesso a uma no a cul u a. Assim sendo, a o mação comunica i a e
in e cul u al dos p o esso es de língua é undamen al, pa a pode em da o a amen o
adequado às di e enças e semelhanças in e cul u ais. Po im, impo a salien a que o
p o esso de línguas de e ap o ei a ecle icamen e as di e en es eo ias linguís icas e
eo ias sob e o ensino e a ap endizagem de línguas, a im de adqui i compe ência
comunica i a e in e cul u al.
!
135
3.3 - As no as TIC no p ocesso de ensino e de ap endizagem
É ac o inegá el que as ge ações no as e mais dinâmicas nascem numa e a
digi al, num ambien e media izado e dominado pelas TIC, em que uma g ande pa e
dos con a os são es abelecidos pelas ecnologias (San os, 2006).
Con o me o documen o do ONU de 2001, as TIC são o mo o p incipal da
sociedade con empo ânea, que é denominada como “sociedade da in o mação”,
“sociedade do conhecimen o”, “sociedade em ede” (p. 35). As TIC, especi icamen e
os compu ado es e a In e ne , ans o ma am a geog a ia mundial, ap oximando
e i ó ios e pessoas, e queb a am ba ei as an igamen e di íceis de anspo : “as
ba ei as ao conhecimen o”, “da pa icipação” e “da opo unidade económica” (p. 36).
As TIC al e a am ambém a cul u a popula , os cidadãos não são mais os
úl imos na hie a quia de decisão, a sua no a posição de pa icipação no me cado e na
sociedade exige que os indi íduos enham não só compe ências e conhecimen os
sob e as TIC, mas ambém consciencialização sob e o que F ei e (1990) e e e -
capacidade da ação humana.
Nes e sen ido, as li e acias mais comuns (capacidade de lei u a e esc i a) já
não são su icien es pa a usa odos os meios disponí eis, mui o menos pa a a posição
pa icipa i a na sociedade a ual. Como indica Cos a (2011),
comunicação ele ónica, gene icamen e, pe mi e a combinação de á ias componen es
da in o mação, como o som e a imagem, apa ecendo como mais comple os do que o
ma e ial esc i o. En e os aspec os especí icos da in o mação supo ada po elemen os
digi ais con am-se a ince eza da pe sis ência da in o mação, deco en e da ápida
e olução e do pouco empo de exis ência de mui os supo es e a ácil mo imen ação. É
nes e con ex o que su ge a noção de li e acia digi al. (p. 173)
Assim sendo, o na-se cada ez mais necessá io que as ins i uições escola es
p epa em os alunos pa a lida em com as TIC e pode em i a o máximo p o ei o das
!
136
suas po encialidades.
Na China, a in odução das TIC na sala de aula é um consenso en e os
p o issionais da educação, p incipalmen e os do ensino supe io . Com e ei o e em
p imei o luga , é um esul ado de p essões o iundas da sociedade, que de p essões
económicas e come ciais, que de p essões sociais, polí icas e ecnológicas. Pe an e o
equisi o do P og ama de Re o ma e Desen ol imen o da Educação Nacional
(2010-2020), o go e no chinês exige que a escola a ualize os mé odos e as
e amen as de ensino e de ap endizagem, se indo não só como uma o ma de
melho a o sis ema educa i o, mas ambém no sen ido de p epa a os jo ens pa a as
no as imposições da sociedade e do me cado de abalho.
Em segundo luga , os docen es êm consciência das e o mulações das p á icas
pedagógicas causadas pelas no as TIC: a possibilidade de acede mais apidamen e a
mais in o mação em di e en es supo es; a complemen ação aos supo es adicionais;
a simulação de si uações; o es ímulo à “au oap endizagem” (Ríos, & Ceb ián, 2000) e
à c ia i idade.
Te cei o, as no as TIC azem uma con ibuição impo an e ao p ocesso de
ensino e de ap endizagem: a in e a i idade - elemen o ausen e nas aulas adicionais
da China, ep esen ando uma ans o mação na es a égia de ap endizagem. De
aco do com Fazendei o (1998), a in e a i idade “pe mi e que, hoje, o dia de um aluno
se p olongue pa a além do espaço da sua escola” e “po encia ou o ipo de elação
mui o mais a i a em que o conhecimen o deixa de se adqui ido somen e numa
posição neu a e passa a se adqui ido de uma o ma mui o i a” (p. 25).
Mesmo que as no as TIC agam mui as an agens ao p ocesso de ensino e de
ap endizagem, é p eciso p es a a enção a um ac o undamen al: as TIC são apenas
e amen as e não subs i u as do p o esso . A u ilização das ecnologias ocasiona uma
me odologia de ensino di e en e da adicional, mas o p o esso con inua a se a igu a
essencial no p ocesso de ensino e de ap endizagem. Além disso, não são as TIC que
ão al e a o p ocesso de ensino e de ap endizagem, mas as escolhas do p o esso
ela i amen e às ecnologias que p e ende u iliza e de que o ma ai u ilizá-las.
!
137
Finalmen e, a qualidade do ensino não pode depende dos p og amas in o má icos
educa i os mais a ançados, caso con á io, a educação pe de a sua unção social.
Quando in oduzem as TIC em sala de aula, é impo an e que os docen es
enham consciência da di e ença en e educação a a és das ecnologias, educação
sob e as ecnologias e educação pa a as ecnologias. Como de ende Buckingham
(2005):
a di e ença en e as ês p opos as es á no ac o de que a p imei a ensina os alunos a
explo a os ambien es ecnológicos e digi ais como e amen as da “cul u a popula ”
p óp ia da con empo aneidade; a segunda p opõe-se ao desen ol imen o de uma
e lexão c í ica sob e o papel das TIC na sociedade ac ual; enquan o, a e cei a
es inge-se à aquisição das habilidades ins umen ais. (pp. 278-279)
Apesa de cada uma das p opos as es a associada a obje i os dis in os, o ce o
é que odas ês, sem exceção, são indispensá eis pa a a o mação comple a de um
cidadão c í ico que i e na sociedade de in o mação e do conhecimen o.
Sob e os p og amas in o má icos educa i os e a melho escolha dos p og amas,
Rod iguez (2000, pp. 198-199) conside a que os pon os seguin es são undamen ais:
a) os p og amas in o má icos educa i os não de em se usados em qualque
ci cuns ância, e sim somen e quando o momen o e o ema p opiciam a sua aplicação;
b) sabe se o p og ama de e se abalhado indi idualmen e, em pa es ou em g upo;
c) se os concei os ansmi idos pelo p og ama es ão de aco do com o que se p e ende
que os alunos ap endam;
d) se o p og ama esponde de manei a adequada às acções do aluno, e, quando es e
e a, consiga en ende po que e ou;
e) se acompanha a e olução do aluno, aumen ando o g au de di iculdade dos
p oblemas;
) se pe mi e que o aluno se au oa alie, de o ma a e consciência dos p óp ios
p og essos.
!
240
desa ia os alunos a pensa , apoiá-los no seu abalho, a o ece a di e gência e a
di e si icação dos pe cu sos de ap endizagem, o nando-se des a o ma em a o
acili ado de um p ocesso de mudança.
6.1.1 - Fo mação de p o esso es de po uguês em Tianjin/China
No que diz espei o à educação e à o mação, a emá ica de o mação de
p o esso es chineses de po uguês é pouco explo ada na China. Po um lado, o
desen ol imen o do ensino de po uguês na China em apenas duas décadas, e mesmo
que os jo ens p o esso es chineses de po uguês enham consciência de que p ecisam
de aze mui a o mação con ínua, não exis e ainda um o ganismo onde se possam
euni e discu i e aze um p og ama de o mação. Po ou o, é di ícil aze um
p og ama comum pa a oda a China, dado os obje i os ambém a iam de
uni e sidade pa a uni e sidade.
No en an o, a globalização e o ça o lado mais uni icado da escola. As
polí icas educa i as ligadas à globalização ede inem o cu ículo do seguin e modo
(Ma inand, 2001): alo ização da o ien ação escola e p o issional na con ibuição
pa a a cons ução de ep esen ações obje i as dos con eúdos e dos con ex os écnicos
de abalho; abo dagem do mundo ecnicis a. A sociedade con empo ânea isa-se à
ap op iação das TIC e à p omoção de uma pedagogia de ação.
Assim sendo, espe amos que a nossa in es igação em pa adigmas de o mação
de p o esso es possa in oduzi uma e e ência no sen ido de elabo a p og ama de
o mação de p o esso es de po uguês na China.
De aco do como a nossa in es igação eó ica, concluímos que os p og amas
a uais de o mação de p o esso es de LP cen am-se no e lexi o e comunica i o. A
o mação de p o esso de língua es angei a p es a cada ez mais a enções ao
desen ol imen o c í ico, e lexi o e comunica i o, à cons ução au ónoma, em ez de
acumulação monó ona de eo ias e conhecimen os, que le a os p o esso es a p ocu a
os melho es caminhos e as melho as soluções na sua p á ica quo idiana,
ajudando-lhes a exe ce a sua unção na sociedade da globalização e lida com os
!
241
no os desa ios.
Combinando com a si uação da China, ac edi amos que o cu ículo do cu so
de o mação de e se bem mais o ganizado e e o mulado, no sen ido de p opicia o
con a o do p o esso , desde o início do cu so, com as disciplinas de base eó ica e
p á ica. Assim, o cu so ai se capaz de p opicia aos seus o mandos as condições
pa a o ma em o inómio: eo ia-p á ica- e lexão. Em qualque domínio, a eo ia e a
p á ica são indissociá eis, pois a p imei a ap esen a hipó eses e a segunda e i ica-as,
comp o ando ou modi icando.
Pa a ap oxima a base eó ica, o e ecida ao p o esso em o mação, à ealidade
escola , p opomos, com base nas ideias de Libâneo e Pimen a (1999), que a
uni e sidade:
desde o ing esso dos alunos no cu so, in eg e os con eúdos das disciplinas em si uações
da p á ica que coloquem p oblemas aos u u os p o esso es e lhes possibili em
expe imen a soluções. Isso signi ica e a p á ica, ao longo do cu so, como e e en e
di e o pa a con as a seus es udos e o ma seus p óp ios conhecimen os e con icções a
espei o. Ou seja, alunos p ecisam conhece o mais cedo possí el os sujei os e as
si uações com que i ão abalha . Signi ica oma a p á ica p o issional como ins ância
pe manen e e sis emá ica na ap endizagem do u u o p o esso e como e e ência pa a a
o ganização cu icula . (pp. 267-268)
Pa a ap oxima a base p á ica, suge imos, como p opõe Nó oa (1996), a o ma
como os p o esso es melho am as suas p á icas passa po qua o aspe os:
1. Es udo ap o undado de cada caso, sob e udo dos casos de insucesso
escola ;
2. Análise cole i a das p á icas pedagógicas;
3. Obs inação e pe sis ência p o issional pa a esponde às necessidades e
anseios dos alunos;
4. Comp omisso social e on ade de mudança.
!
242
Es as p á icas êm de se ei as en e pa es e den o da escola. A pe manência
dos docen es nas suas escolas é um a o de e minan e pa a que es as me odologias
possam e êxi o. Como a i ma o p esiden e da Fede ação Nacional dos P o esso es
(Fenp o ), Noguei a (2017), “um p o esso in es i á an o mais na escola, e em oda a
comunidade en ol en e, quan o saiba que é esse o seu luga em pe manência”. A
ins abilidade do p o esso é inimiga da in es igação, do conhecimen o e da p óp ia
cul u a, podemos conclui .
Na China, no con ex o da globalização, a o mação con ínua exige o
le an amen o das necessidades dos p o esso es uni e si á ios e a p oposição de
sessões con ínuas de discussão e e lexão sob e as possibilidades de mudança. O que
pode ha e de mais ú il e po encializado nas no as ecnologias, nas edes
compu acionais e comunicacionais são po encialidades de p o esso es de dinamiza
in e ações, p ese a e disponibiliza memó ias e não, de alguma o ma, suas
po encialidades de ep oduzi e edis ibui p odu os milag osos (Belin ane, 2002).
O século XXI ainda exige dos p o issionais a ein enção de écnicas de
abalho que possibili em usu ui dos ganhos de p odu i idade e e iciência que as
no as ecnologias pe mi em.
As TIC azem uma maio acilidade pa a a in es igação em coope ação. A
possibilidade de in es igado es de di e en es escolas, países e egiões pode em
es abelece in e câmbios ica, po es a ia, acili ado. Nes e sen ido, é p eciso o ma
“no os” p o esso es pa a a ua nes e ambien e elemá ico, em que a ecnologia se e
como mediado do p ocesso de ensino-ap endizagem.
De aco do com Sampaio e Lei e (2011), o p o esso em de so e uma
al abe ização ecnológica. Assim, o docen e pode ap ende con ínua e c escen emen e,
a usa c i icamen e os médias exis en es no ambien e escola e na sociedade. Podemos
dize , as TIC e as suas linguagens exigem um modelo didá ico di e en e, con o me
Sampaio e Lei e (2011), de o ma pa icipa i a, a i a, con ex ualizada e in e a i a,
que possibili a a cons ução de no os modelos de ap ende e pensa .
!
243
Os no os meios da o mação de p o esso es cons i uem o pon o cha e pa a a
mode nização do ensino. Como e e imos, segundo Kenski (2008), a necessidade de
a ualização cons an e do p o esso c esce, não só em elação à sua disciplina
especí ica, como ambém no que se e e e às me odologias de ensino e às no as
ecnologias. Assim sendo, a p epa ação do p o esso p ecisa de a ende aos mesmos
equisi os dos demais sec o es da sociedade: o ma um p o esso au ónomo, não um
ece o de in o mações p é-moldadas, epe ido de modelos es á icos na sua a uação
p o issional.
A inclusão das TIC nas aulas e ela uma abe u a a um po encial de
ap endizagem, onde são mais as an agens que as des an agens. O p o esso de e se
c í ico em elação às suas p á icas pedagógicas e domina o uso da ecnologia. De e
conside a que as ecnologias são e amen as que auxiliam na cons ução do
conhecimen o, do aciocínio e in e p e ação, ou e amen as que o se humano u iliza
pa a p oduzi bens ma e iais, ou seja, ans o mações que demons am a e olução do
pensamen o humano.
Nes e sen ido, os alunos não se limi am aos adicionais de e es escola es,
passam a se sujei o da cons ução dos p óp ios conhecimen os, a a és da e lexão
c í ica, deixando, assim, de se um agen e passi o no p ocesso. Su ge, en ão, o no o
aluno: sujei o da sua o mação, cu ioso, au ónomo, mo i ado pa a ap ende ,
disciplinado, o ganizado e solidá io.
Um aspe o impo an e da inse ção das TIC na educação é a u ilização da ede
elemá ica. Valen e (2003) explicou que, quando o p o esso in e age com seus alunos
em sala de aula na u ilização da in o má ica, é possí el ge a indagações e p oblemas
que o p o esso não em condições de os esol e . Dian e dis o, a ede elemá ica pode
p opicia o “es a jun o” do especialis a com o p o esso , i enciando coope ações
(Valen e, 2003).
Pa a a mudança pa adigmá ica acon ece , é p eciso que os docen es abso am
ao máximo o con eúdo das o mações con ínuas e apliquem nas suas me odologias as
i ências que ali passa am. An es disso, o p o issional de educação necessi a de mais
!
244
opo unidades pa a se capaci a , com o apoio de ido do go e no e das uni e sidades.
O p o esso ainda p ecisa de e a opo unidade de se desen ol e no âmbi o pessoal e
de abalho, eunindo-se com os seus pa es e e le indo, semp e, sob e no os
caminhos e u gências (Webe , 2011). A pa i daí, p á icas pedagógicas ino ado as
apa ece ão e alunos c í icos, e lexi os e c ia i os su gi ão.
Assim sendo, a p o issão de p o esso em de en en a uma ápida mudança a
ní el da p ocu a, que eque cada ez mais no os conjun os de compe ências. De
ac o, as mudanças são ão g andes e ápidas que cada p o esso necessi a de uma
cons an e a ualização e espí i o c í ico. Po an o, o p o esso do século XXI necessi a
de mais e ac escidas compe ências.
No cu ículo do p o esso chinês de po uguês, pa ece-nos e ambém
conco dância en e odos os in e enien es na cons a ação de uma e olução de um
pa adigma - o pa adigma adicional de acionalismo académico, segundo o qual, o
bom p o esso e a o que conseguia mo i a os alunos pa a os con eúdos do p og ama,
que expunha e explica a de o ma a que eles os comp eendessem e ap endessem. No
Século XXI, o ensino o ien ado pa a o desen ol imen o e a aquisição de
compe ências, po exemplo, o ensino supe io , além de o nece in o mação, de e
ambém p epa a os alunos pa a sabe em p ocu a essa in o mação, sabe em a á-la,
c i icá-la, in eg á-la, ans o má-la, agi em em unção dela.
6.1.2 - Re lexões sob e a p á ica de ensino de língua po uguesa
em Tianjin/China
No campo p á ico, conside amos que as mudanças nos mé odos de ensino de
língua po uguesa são e lexos de mudanças eó icas da na u eza da linguagem e da
sua ap endizagem.
Combinando com a adição do ensino de línguas es angei as na China, os
p o esso es chineses não dão an a a enção ao desen ol imen o da compe ência
comunica i a in elec ual dos alunos, mas sim ao das habilidades linguís icas.
Enquan o a China ocalizou a abo dagem adicional, a Eu opa iu eme gi as
!
245
p imei as mani es ações da abo dagem comunica i a (Nunan, 1989; B own, 1994). A
abo dagem comunica i a cen aliza o ensino da LE na comunicação e a in eg ação da
cul u a da LE com o conhecimen o ge al do aluno. A língua é, en ão, analisada como
um conjun o de e en os comunica i os (Ne es, 1996).
Nes a pe spe i a, o p o esso deixa de exe ce o seu papel de o ien ado no
p ocesso de ensino e de ap endizagem, e assume o papel de acili ado e o ganizado
das a i idades na aula. Subo dina o seu compo amen o às necessidades de
ap endizagem dos alunos, mos a sensibilidade aos seus in e esses e le a-os à
pa icipação. O aluno, de aco do com Sousa (2005), pode ale -se das in e ências
possí eis sob e o que oi di o, pa i de um en endimen o mais amplo, e usa a
língua-al o pa a ealiza ações au ên icas na in e ação com ou os alan es-usuá ios.
Na China, há uma al a de conexão consis en e en e as eo ias que subjazem
às me odologias do ensino e a ap endizagem de uma LE à p á ica pedagógica. Pa a
aplica a abo dagem comunica i a nas aulas de PLE na China, além do
“conhecimen o do público-al o e do con ex o sociocul u al da ap endizagem”, é
necessá io conside a “os mé odos que melho se adequam aos compo amen os
e bais e às expe iências linguís icas an e io es dos ap enden es” (G osso, 1993, p.
852). Segundo a au o a (idem):
...ma cos eó icos, não dogmá icos, que esul em an es de mais, dos p incípios e das
écnicas de á ios mé odos de o ma a que o p ocesso de ensino/ap endizagem a inja o
sucesso e a ap endizagem se aduza na p á ica da língua em igo e luência. Mé odo,
que em esumo, se pode de ini como eclé ico, em eno ação con ínua, dando espos a
às mo i ações, às necessidades de comunicação do público e acompanhando as
mu ações que oco em no con ex o de ensino/ap endizagem. (p. 852)
No con ex o do ensino de po uguês na China, o p oblema é que os p o esso es
chineses êm al a de o mação con ínua pa a in e p e a os enómenos cul u ais e
sociais e os emas ele an es da língua-al o e da comunidade da língua-al o. A maio
pa e deles não é capaz de escla ece a di e ença p o unda en e as duas línguas e
cul u as e ap esen a os conhecimen os necessá ios que se em pa a acili a a
!
246
comunicação in e cul u al.
O le an amen o dos p oblemas educa i os bem como as di iculdades
e e en es ao po uguês como língua es angei a na China êm sido apon ados. As
di iculdades de escolha e de adequação dum mé odo pa a os alunos chineses, em
con ex o de não ime são linguís ica, como é o caso de Tianjin, esul am
undamen almen e dos ap enden es não e em uma o mação pedagógica especí ica
conco dan e com a ealidade complexa e mul icul u al.
“A udo is o se associa a necessidade de o mação cien í ica, não só no que diz
espei o à es u u a, uncionamen o e ní eis da língua a ensina , mas ambém a ní el
do conhecimen o ge al da g amá ica28 da língua ma e na do aluno”, a i mou G osso
(1993, p. 852).
Ap ende uma língua es angei a não signi ica apenas pa a ala a língua-al o,
mas ambém pa a comunica , pa a desen ol e a compe ência de comunicação da
língua es angei a que os alunos que em ap ende e, consequen emen e, pa a
con on a as ep esen ações do mundo di e enciadas.
No caso dos alunos chineses, pa a caminha em pa a o bilinguismo, é
necessá io desen ol e em e eno a em os es udos linguís icos e didá icos do
po uguês e do chinês. Pa a isso, con ibui o conhecimen o global das duas línguas,
dos dois sis emas e dos pad ões cul u ais ep esen ados, nomeadamen e dos domínios
sociais e das si uações de comunicação em que são usadas.
Assim sendo, pa a os p o esso es se em bilingues, não podem supe a a
ausência duma o mação que se eque cien í ica e pedagógica. Hoje em dia, não é
su icien e e compe ência linguís ica somen e pa a ensina uma língua es angei a;
além de capacidade de leciona uma língua, os p o esso es de em ambém se
p epa ados pa a pesquisa as suas p óp ias p á icas pedagógicas e in es iga as
ques ões sociais e psicológicas que en ol em a sua p á ica.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
28 Es e concei o ambém aba ca o conjun o de eg as psico-sócio-cul u ais que pe mi em a
comunicação.
!
247
No caso de Tianjin, a in es igação cien í ica sob e as duas línguas e cul u as
(po uguês/chinês), a o mação cien í ica e pedagógica daqueles que ensinam
po uguês como língua es angei a e a aplicação de mé odos esul an es da conexão
en e a p á ica pedagógica e a discussão das bases eó icas me odológicas ão aze do
po uguês uma língua de sucesso.
O ou o aspe o impo an e é a inse ção das TIC no p ocesso de ensino e de
ap endizagem. F en e às no as ecnologias, um no o pa adigma es á a su gi na
educação e no papel do p o esso . Com as no as ecnologias o p o esso pode
desen ol e um conjun o de a i idades com in e esse didá ico-pedagógico, como
in e câmbios de dados cien í icos e cul u ais de di e sa na u eza, pe mi indo o
desen ol imen o de ambien es de ap endizagem cen ados na a i idade dos alunos, na
impo ância da in e ação social e no desen ol imen o de um espí i o de colabo ação e
de au onomia nos alunos.
O p o esso , nes e con ex o de mudança, p ecisa de sabe o ien a os alunos
sob e como colhe in o mações, a á-las e u ilizá-las. O p o esso o na-se um
encaminhado da au op omoção e um conselhei o da ap endizagem dos alunos.
A im de es imula o abalho indi idual dos alunos e apoia o abalho de
g upos eunidos po á ea de in e esses, o p o esso p ecisa de es imula a pesquisa e
de es a abe o à iqueza da explo ação, da descobe a e do que pode ap ende com o
aluno. Nes e sen ido, na o mação do p o esso , é p eciso inco po a na sua
me odologia:
ü conhecimen o das no as ecnologias e da manei a de aplicá-las;
ü es ímulo à pesquisa como base de cons ução do con eúdo a se eiculado
a a és do compu ado , sabe pesquisa e ansmi i o gos o pela in es igação a alunos
de odos os ní eis;
ü capacidade de p o oca hipó eses e deduções que possam se i de base à
cons ução e comp eensão de concei os;
!
248
ü habilidade de pe mi i que o aluno jus i ique as hipó eses que cons uiu e
as discu a;
ü capacidade de conduzi a análise g upal a ní eis sa is a ó ios de conclusão
do g upo a pa i de posições di e en es ou encaminhamen os di e en es do p oblema;
ü capacidade de di ulga os esul ados da análise indi idual e g upal de al
o ma que cada si uação susci e no os p oblemas in e essan es à pesquisa.
As no as ecnologias podem e um signi ica i o impac o sob e o papel dos
p o esso es, pela eciclagem cons an e ecebida ia ede, em e mos de con eúdos,
mé odos e uso da ecnologia, apoiando um modelo ge al de ensino em que os
es udan es são pa icipan es a i os do p ocesso de ap endizagem e não ece o es
passi os de in o mações ou conhecimen o, incen i ando-se os p o esso es a u iliza
edes e a começa em a e o mula as suas aulas e a enco aja os seus alunos a
pa icipa em em no as expe iências.
Ac edi amos que o obje i o p incipal de qualque p á ica educa i a de a se o
de p omo e a ap endizagem signi ica i a pelo aluno. Po isso, a necessidade de uma
escolha adequada de abo dagem, écnicas ou me odologias que ão ao encon o dos
obje i os de ensino. Sendo assim, o p o esso p io iza ou desconside a uma
abo dagem, écnica ou me odologia de manei a ac í ica, pode le a o aluno, em
o mação p o issional, a ado a uma pos u a descomp ome ida e supe icial, sem
bases eó icos, que comp ome a a p odução de no os conhecimen os. Na nossa
opinião, a unção do p o esso , como o mado , é o e ece caminhos al e na i os aos
seus alunos pa a que consigam ag ega no as expe iências às an igas, sob uma
pe spe i a c í ico- e lexi a.
No im, um bom p o esso p ecisa de e semp e uma isão sob e a Educação e
o seu papel con ibu i o pa a um mundo melho . Assim, de e c ia , pe an e os seus
alunos, as janelas pa a esse mundo e ab i-las numa sequência que, pa a eles, seja
lógica e in eligí el. O obje i o é que os jo ens conheçam melho o mundo, pa a
melho o comp eende em e, sob e udo, in eg a em-no.
!
249
Mui as das janelas que se ab em p essupõem que ou as enham sido c iadas
an es. Es a abe u a ao mundo é, pois, um a o único e de g ande esponsabilidade em
que o p o esso desempenha um papel insubs i uí el. Vi emos numa sociedade em
que exis e um hipe es imulação, nomeadamen e a a és da ele isão e In e ne . Cabe
ao p o esso , semp e que possí el, aze com que os alunos dis ingam quais as janelas
ealmen e impo an es, das acessó ias e dispensá eis.
Podemos conclui que as ecnologias são indissociá eis do ensino de
po uguês e que no momen o a ual, mais do que nunca, de emos es a p epa ados pa a
lida com es as duas linguagens - ecnologia e po uguês -, indispensá eis pa a nos
desen ol e mos no mundo globalizado. En endemos ambém que o uso de quaisque
me odologias ou ecnologias de e se , an es de udo, c í ico.
Não p e endemos ap esen a soluções pa a as á ias si uações p oblemá icas
exis en es no p ocesso de ensino e de ap endizagem e o mação de p o esso es de
língua po uguesa. Espe amos susci a ques ionamen os, colabo a com os p og amas
de o mação de p o esso es e assim ge a no as aje ó ias pa a uma p á ica
pedagógica mais e icaz.
!
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32 E demais au o es, cujos nomes não o am mencionados na on e.
33 Es udo de C oss-cul u al
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!
275
ANEXOS
!
276
Anexo I - Ques ioná io pa a alunos
Es e ques ioná io az pa e do abalho de ese, ela i o ao Dou o amen o em Ciências
da Educação, in i ulado “Fo mação de P o esso es de Língua Po uguesa no Ensino
Supe io em Tianjin/China: As P á icas Pedagógicas no Con ex o Mundial da
Globalização”.
A ese es á a se ealizada sob a o ien ação da P o .ª Dou o a Ma ia do Ca mo Viei a
da Sil a da Uni e sidade No a de Lisboa, Po ugal.
O ques ioná io é anónimo e se á u ilizado apenas como on e de pesquisa.
1. Ano de escola idade
2. Géne o
Masculino Feminino
3. Você e e um p o esso de Língua Po uguesa que ma cou posi i amen e a sua
o mação escola ? Sim Não
4. Quais e am as ca a e ís icas ma can es des e p o esso ?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
5. Tendo em men e es e p o esso de Língua Po uguesa que ma cou a sua
aje ó ia escola , esponda às pe gun as abaixo. Assinale as ca a e ís icas des e
p o esso :
☐ G ande cul u a ge al. ☐ Acolhimen o.
☐ Acessibilidade. ☐ Respei o.
!
277
☐ Sabia explica bem. ☐ Ca isma pessoal.
☐ Es imula a a pa icipação dos alunos. ☐ Uso de ecu sos didá icos a iados.
☐ Domínio da ma é ia. ☐ Aulas o ganizadas.
☐ Possuía bom humo . ☐ Disposição pa a ou i os alunos.
☐ Abo dagem p oblema izado a e c í ica. ☐ Despe a a a on ade de sabe .
☐ Desen ol ia a i idades a iadas.
☐ En iquecia a aula con ando his ó ias e casos,
☐ U iliza a exemplos.
☐ Capacidade de o na os con eúdos signi ica i os.
☐ Ou a(s):
6. Das ca a e ís icas acima assinaladas, escolha a que conside a a p incipal.
Jus i ique.
Ca a e ís ica:_________________________________________________________
Jus i icação:__________________________________________________________
_____________________________________________________________________
7. Como a alia a in luência des e p o esso de Língua Po uguesa enquan o
uma das suas mo i ações pa a escolhe es e cu so?
☐ Fundamen al. Se não osse isso não e ia ei o es a opção.
☐ Apenas uma den e ou as, mas com um peso impo an e na minha decisão.
☐ Pequena e não de e minan e na opção.
!
278
☐ Não oi uma in luência.
8. Que di iculdades em en en ado na sua ap endizagem do Po uguês?
Lei u a________________
P odução o al___________
P odução esc i a_________
Ou as_________ Quais?__________________________________________
9. O que acha mais impo an e na ap endizagem da Língua Po uguesa?
Comp eende ________
Le _______
Fala _______
Esc e e _____
Ou os aspe os________ Quais?___________________________________
10.!Quais!dos!seguin es!mé odos!pedagógicos!cos uma!u iliza !na!sua!aula?!
Ve bais In ui i o A i o
Jus i ique a(s) sua(s) escolha.
_____________________________________________________________________
11. Quando sen e que ixou melho o con eúdo a se ensinado?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ !
Jus i ique
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
!
279
Anexo II - Ques ioná io pa a p o esso es
Es e ques ioná io az pa e do abalho de ese, ela i o ao Dou o amen o em Ciências
da Educação, in i ulado “Fo mação de P o esso es de Língua Po uguesa no Ensino
Supe io em Tianjin/China: As P á icas Pedagógicas no Con ex o Mundial da
Globalização”.
A ese es á a se ealizada sob a o ien ação da P o .ª Dou o a Ma ia do Ca mo Viei a
da Sil a da Uni e sidade No a de Lisboa, Po ugal.
O ques ioná io é anónimo e se á u ilizado apenas como on e de pesquisa.
1. Nacionalidade
Chinesa dos países de língua o icial po uguesa
2. Géne o
Masculino Feminino
3. Idade
!!!!!!!!anos
4. Habili ações Académicas
Licencia u a Mes ado Dou o amen o
5. Quali icação p o issional
P o esso auxilia P o esso associado
P o esso ca ed á ico
!
280
6. Si uação p o issional:
Nomeação De ini i a Nomeação P o isó ia
P o . Con a ado Ou a
7. Anos de se iço (em 31 de Dezemb o de 2016)
anos
8. Anos de se iço na uni e sidade onde abalha a ualmen e (em 31 de
Dezemb o de 2016)
anos
9. Ca go(s) que desempenha na uni e sidade:
10. Classes em que leciona:
11. Disciplina(s) que leciona (se aplicá el):
12. Acha impo an e a o mação de p o esso es de língua po uguesa pa a o
ensino supe io ?
Sim Um pouco Tan o az Não
Jus i ique_____________________________________________________________
13. Indique quan as ações equen ou de cu a e de longa du ação (nos úl imos
2 anos) :
Cu a du ação Longa du ação____________
14. Po a o , iden i ique o con eúdo/ emá ica das ações que equen ou:
!
281
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
15. As ações que equen ou nos úl imos dois anos o am o ganizadas po :
☐ uma uni e sidade ou ins i uição do ensino supe io
☐ uma escola e/ou ag upamen o
☐ um cen o de o mação de associação de escolas
☐ uma associação p o issional (e.g.APPF...)
☐ ou a en idade. Qual? ______________________________________________
16. Especi ique a(s) modalidade(s) de o mação con ínua que equen ou. Po
a o , indique o núme o de ezes que equen ou cada modalidade (caso enha
equen ado mais do que uma ez).
☐ cu so ☐ módulo ☐ o icina ☐ cí culo de es udos
☐ seminá io ☐ es ágio ☐ disciplina singula no ensino supe io
☐ p oje o ☐ ou a. Qual? ______________________________________
17. Quais o am as p incipais mo i ações que o(a) le a am a pa icipa em
ações de o mação e/ou de desen ol imen o p o issional con ínuo? U ilize a
escala de 1 a 3 pa a cada um dos i ens que se seguem: 1=não impo an e; 2= algo
impo an e; 3= mui o impo an e.
!
!
288
desen ol e pa a
se conside ado
ma can e?
10- O que conside a
posi i o na sua
p á ica?
11- O que conside a
como nega i o?
12- Qual (Quais)
compe ência(s)
p o issional
(p o issionais)
conside a que
p ecisa de
melho a ?
○
E O ensino e a
ap endizagem
1- Ve i ica a
si uação a ual
do ensino e a
ap endizagem
do PLE na
China;
2- Reconhece
elemen os
e e en es ao 3º
obje i o.
1- O que pensa sob e
os umos da
Disciplina de
Língua Po uguesa
na uni e sidade?
2- Conside a a
disciplina que
leciona alo izada
ou desp es igiada?
Po quê?
3- Que
me odologia(s)
u iliza no ensino
da PLE isando o
!
289
sucesso educa i o
dos seus alunos?
4- O que az pa a
en ol e os seus
alunos no p ocesso
de ensino e de
ap endizagem da
língua po uguesa?
5- Os seus alunos
acham que explica
bem? Se sim, pode
da um exemplo
de como é explica
bem um con eúdo?
Se não, pode
jus i ica a azão?
6- Os seus alunos
conco dam que
possui domínio da
ma é ia? O que é
e domínio da
ma é ia?
7- Exis e alguma
ação
didá ica/pedagógic
a que conside a
p imo dial pa a a
sua p á ica?
○
F Aspe os
Ve i ica a elação
1- Na sua opinião,
!
290
elacionados
en e a o mação de
p o esso es de LP e
a p á ica do ensino
e a ap endizagem
do PLE
qual é o obje i o
inal do ensino do
po uguês como
LE? Po quê?
2- Que no as
abo dagens
aplicadas ao
mul ilinguismo e
ao
mul icul u alismo?
Qual é a
abo dagem mais
e icaz pa a
p omo e a
ap endizagem do
aluno chinês?
3- Pe an e o
desen ol imen o
das no as
ecnologias, que
e o mas
implemen a pa a
e i a a
au o-as ixia?
4- Quais são as
agilidades a uais
no ensino e a
ap endizagem de
LP no ensino
!
291
supe io ? A azão
ou azões da sua
exis ência? Como
as ul apassamos?
5- Qual o papel do
p o esso nes e
con ex o? Que
conceção de
p o esso em ou
ep oduz? Que
pe il de p o esso
de LP?
○
G
Conside ações
Finais
Recolhe
in o mação que
o(a) en e is ado(a)
julgue se
pe inen e pa a o
es udo em Ques ão
Há mais alguma
in o mação que
conside e impo an e
ac escen a
elacionada com o
ema do es udo?
!
292
Anexo IV - Obse ação da aula de Língua Po uguesa
1. Unidade 21 - Saúde e bem-es a 37
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
37 Tex o do li o didá ico Po uguês Global 1 (Oli ei a e Coelho, 2011, p. 218).
!
293
2. P oduções de ex o dos alunos
!
294
3. Fichas de despo os
!
295
4. Fichas sob e conselhos pa a um co ação saudá el
!
296
Anexo V – Obse ação da aula de Língua Po uguesa, nº2
1. Tex o sob e aze comp as38
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
38 Tex o da Unidade 5 do li o didá ico Po uguês pa a Ensino Uni e si á io 2 (Zhiliang Ye, 2010, p. 105).
!
297
2. Folhe os dos me cados
!
304
Anexo VII – Obse ação da aula de Li e a u a Po uguesa
Poema “Ai que p aze ” - Fe nando Pessoa41
!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
41 Tex o do li o didá ico
葡萄牙语阅读教程
(Tu o ial de Lei u a em Po uguês) (Hongling Zhao,
2011, p.171).