Alice Semedo e Pa ícia Cos a (O g.)
ENSAIOS E PRÁTICAS
EM MUSEOLOGIA 01
ENSAIOS E PRÁTICAS
EM MUSEOLOGIA Volume 01
1
Ensaios e p á icas em museologia / 01
Alice Semedo e Pa ícia Cos a (O g.)
Uni e sidade do Po o / Faculdade de Le as /
Depa amen o de Ciências e Técnicas do Pa imónio
Edição: Uni e sidade do Po o / Faculdade de Le as /
Biblio eca Digi al
TÍTULO
ENSAIOS E PRÁTICAS
EM MUSEOLOGIA
ORGANIZAÇÃO
Alice Semedo
Pa icia Cos a
EDITOR
Uni e sidade do Po o / Faculdade de Le as /
Depa amen o de Ciências e Técnicas do Pa imónio
EDIÇÃO
Uni e sidade do Po o / Faculdade de Le as /
Biblio eca Digi al
LOCAL DE EDIÇÃO: Po o
ANO: 2011
ISBN: 978-972-8932-82-4
VOLUME: 1
ARRANJO GRÁFICO DA CAPA: Elisa No onha
FOTOGRAFIA DA CAPA: © José An onio Lace da, 2010
3
Pag. nº
Sumá io
Ap esen ação
A impo ância da documen ação e ges ão das colecções na qualidade 5
e ce i icação dos Museus
Alexand e Ma os
In es iga en educación museís ica 23
Amaia A iaga
P o issionais de Educação em Museus: caso de es udo na cidade do Po o 41
Ana Bá ba a da Sil a Magalhães Ve íssimo de Ba os
Os Museus e o Pa imónio Cul u al Ima e ial. Algumas conside ações 73
Ana R. Ca alho
Museus de Ciências Físicas e Tecnológicas: con ibu os pa a a ges ão 101
das suas colecções
Ca los Albe o Lou ei o
Museu Mili a de B agança / Fundação 123
Emília Noguei o
Museusicologia: o luga da música no museu de a e 156
Giles Teixei a
As Salinas de Alcoche e – Um Pa imónio a musealiza 178
Ma ia Dulce de Oli ei a Ma ques
Se u is a num museu - Especi icidades de um público 198
Helena Dinamene Bal aza
Museus pa a o Po o Po uguês 218
O Museu de A e Popula e o discu so e nog á ico do Es ado No o
Joana Damasceno
La polí ica museís ica municipal en el con ex o español: la Red 238
de Museos del Ayun amien o de Mu cia
Luz Gilabe
Os Museus e o ensino indus ial: pe cu sos e colecções 260
Pa ícia Ca la R. Mo a Cos a
A heu ís ica do objec o médico 282
Sónia Cas o Fa ia
Museus Inclusi os: ealidade ou u opia? 306
Sónia San os
4
Ap esen ação
O olume que ago a se ap esen a e e como p incipal mo i ação a di ulgação de
alguns es udos de museus já ap esen ados du an e o I Seminá io de In es igação em
Museologia pa a os Países de Língua Po uguesa e Espanhola (Po o 2010), em o ma o
de Pos e , e que me ecem, no nosso en ende , uma melho di ulgação. A maio pa e
des es es udos o am ealizados no âmbi o das disse ações do Cu so de Mes ado em
Museologia da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, en e 2008 e 2009.
Incluem-se, ainda, nes e olume, alguns a igos que pa em de disse ações de mes ado
ou de dou o amen o ap esen adas nou as uni e sidades e que apoiam es a cons ução
de um campo p o undamen e in e -disciplina . Os di e en es ex os mos am bem a
di e sidade dos ópicos de in es igação em museologia e, no seu conjun o, ma e ializam
di e sas isões e o ien ações da museologia con empo ânea, gizando não só um
e i ó io de p o issionais-em-acção mas p omo endo, igualmen e, espaços e lexi os e
de discussão c í ica.
5
A impo ância da documen ação e ges ão das colecções na qualidade e ce i icação
dos Museus.
Alexand e Ma os
Resumo
A no malização documen al nos sis emas de in o mação dos museus em sido, nos úl imos se e anos, a nossa
p incipal á ea de ac i idade p o issional e de in es igação. Ve i icamos que dada a inexis ência de uma no malização
de es u u a dos sis emas de in o mação de museus, em Po ugal são inúme os os casos de c iação de bases de dados
especí icas que se o nam, em pouco empo obsole as. O objec i o da p esen e disse ação é ap esen a uma p opos a
de no ma de es u u a de dados que si a os museus, independen emen e do ipo de colecções, as emp esas de
so wa e e o Ins i u o de Museus e Conse ação na e i icação da qualidade do in en á io e ges ão das colecções, no
âmbi o da ce i icação de museus em cu so.
S anda ds in museum documen a ion and Collec ion Managemen Sys ems (CMS) ha e been in he las se en yea s
ou main a ea o in es iga ion and expe ise. Po ugal has no adi ion de eloping da a s uc u e s anda ds o
documen objec s o collec ions, so ou p incipal aim in his pape , as well as in ou hesis, is o p opose some
undamen al aspec s ha museums and documen a ion specialis s should be awa e when choosing ou c ea ing a
CMS. Ano he objec i e o he cu en esea ch is o gene a e an impo an and u gen discussion on he inclusion o
documen a ion as a ele an pa o he museums acc edi a ion scheme ca ied ou by Ins i u o de Museus e
Conse ação (IMC).
Pala as-cha e – Key Wo ds
Documen ação, No malização, Ges ão de colecções
Documen a ion, S anda ds, Collec ions Managemen
6
A impo ância da documen ação e ges ão das colecções na
qualidade e ce i icação dos Museus
1
Alexand e Ma os
2
In odução
O í ulo des e a igo, elabo ado com base no es udo que desen ol emos na
disse ação de mes ado que de endemos em Ou ub o de 2007, p e ende sublinha o
impo an e papel da documen ação das colecções que no uncionamen o do Museu
que no desen ol imen o da sua missão. Es a a e a mui as ezes negligenciada pelos
esponsá eis de e ia se , na nossa opinião, a a e mes a que supo a odo o es an e, e
não menos impo an e, abalho desen ol ido naquelas ins i uições. Senão ejamos: que
museu pode ia concebe uma exposição sem conhece as suas colecções? Que lógica
exposi i a se ia dada aos isi an es sem sabe mos o que ínhamos pa a lhes mos a ?
Que p io idades pode amos de ini pa a uma polí ica de conse ação ou de
inco po ações sem sabe o es ado eal dos objec os ou as ipologias mais e menos
ep esen adas na nossa colecção? Que abalho no museu pode se ei o sem conhece a
colecção que aquele de ém?
A espos a a es as pe gun as ainda hoje nos inquie a, não é simples e eque uma
abo dagem complexa e p o unda do abalho de in en á io, documen ação e ges ão de
colecções que se ai azendo em Po ugal e, como elemen o de compa ação, nou os
países como o Reino Unido, os Es ados Unidos ou o Canadá que de êm as melho es
p á icas nes a ma é ia.
Na in es igação que le ámos a cabo em 2006-2007 iniciámos a nossa
abo dagem com a ecolha de alguns dados especí icos sob e documen ação de
colecções, con on ando-os com a in o mação e es a ís icas ela i as ao uni e so dos
1
A igo baseado na disse ação de Mes ado, o ien ada po Rui Manuel Sob al Cen eno, ap esen ada na
Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o: MATOS, Alexand e (2007), Os sis emas de in o mação na
ges ão de colecções museológicas: Con ibuições pa a a ce i icação de museus Disse ação de Mes ado
do Cu so In eg ado de Es udos Pós-g aduados em Museologia ap esen ada à Faculdade de Le as da
Uni e sidade do Po o.
2
Di ec o do depa amen o de Fo mação e In es igação da Sis emas do Fu u o, Lda.,
alexand [email protected], www.mouseion.me.
7
museus po ugueses publicadas pelo Ins i u o de Museus e Conse ação (an igo
Ins i u o Po uguês de Museus). Os esul ados des e abalho pe mi i am-nos
complemen a e jus i ica a pe cepção da ealidade museológica nacional, deco en e do
con ex o da nossa ac i idade p o issional. Essa oi aliás uma das p incipais azões que
nos le ou a segui es a linha de es udo: conhece melho a ealidade po uguesa em
elação à documen ação das colecções nos museus.
A análise que izemos em 2007 le an ou ou o p oblema que se p ende com a
qualidade dos in en á ios e com as e amen as disponí eis pa a que os museus ou as
u elas possam con ola de o ma e ec i a a qualidade do abalho p oduzido nes e
domínio.
Não a as ezes somos con on ados com in en á ios ei os em soluções
in o má icas casei as e inadequadas ao exigen e abalho de ges ão de colecções; ou em
p og amas in o má icos des inados a ou os ins – Excel da Mic oso , po exemplo –
que no malmen e, e a as ezes com sucesso, sup em a al a de e amen as ap op iadas.
O uso des as e amen as ende a se o p imei o passo pa a um conjun o de e os
comuns: a epe ição de e e ências bibliog á icas, a c iação de di e en es egis os pa a a
mesma en idade (ex. o mesmo au o com nome e apelido apenas, ou com o nome in ei o
esc i o), ou a desc ição de di e sos egis os de dimensões na mesma célula/campo.
Escudamo-nos de e e i si uações de comple a pe da de empo como os in en á ios
ei os em documen os de Wo d.
Reconhecemos que es e ipo soluções são ine i á eis ace à si uação económica
que os museus êm i ido nos úl imos anos em Po ugal. Os museus, que p ecisam de
o na mais e icaz e simples o abalho de egis o e in en á io das suas colecções, pelo
menos numa ase inicial, endem a p ocu a soluções ao meno cus o possí el.
Acon ece que é possí el que es e ipo de soluções seja cons uído com c i é ios
baseados nas no mas in e nacionais do In e na ional Commi ee o Documen a ion
(CIDOC), nomeadamen e nas CIDOC In o ma ion Ca ego ies
3
que cons i uem um
conjun o de g upos de in o mação simples e básicos, essenciais a qualque base de
dados de ges ão de colecções.
Es e a igo p e ende ap esen a , ainda que de o ma sucin a, as conclusões e
p opos as que izemos na ese sob e es a ma é ia e que, en endemos, são um con ibu o
3
C . Página Web das CIDOC In o ma ion Ca ego ies em
h p://cidoc.mediahos .o g/con en /a chi e/cidoc_si e_2006_12_31/guide/guide.h ml. Consul ada em 24-
03-2010.
14
colecções? Tendo os museus ecu sos humanos quali icados e meios écnicos não se ia
de espe a melho es esul ados? Qual é en ão o p oblema? O que alha?
A espos a que encon ámos elaciona-se di ec amen e com algo que emos
indo a a i ma como essencial na plani icação, desen ol imen o e na op imização de
esul ados do p ocesso de in en á io, a no malização. Es e não é ce amen e o único
ac o de sucesso, mas a u ilização de no mas em cada pon o des e p ocesso é c ucial
pa a o desen ol imen o de e amen as ap op iadas, pa a a cons ução de e minologia a
adop a , pa a a u ilização ap op iada e e icien e dos meios e, mais impo an e ainda,
pa a a ce i icação quali a i a e quan i a i a dos esul ados ob idos.
Nes es e mos esol emos ap esen a uma p opos a de no mas que possa ajuda o museu
e as u elas a ob e um maio endimen o do es o ço inancei o e humano que dedicam a
le a es e na io a bom po o.
Uma no ma simpli icada
Os museus eco em a duas possibilidades no p ocesso de ges ão e
documen ação das colecções: a c iação de um sis ema pe sonalizado ou a aquisição de
um sis ema de ges ão de colecções exis en e no me cado. Pese embo a a p imei a se
demons e na p á ica pouco exequí el a endendo às a iadas des an agens que
ap esen a, uma e ou a possibilidades são álidas. De qualque modo, sublinhamos, a
base do sucesso e sus en abilidade p á ica de um p ocesso de in o ma ização das
colecções depende quase exclusi amen e da u ilização de no mas na cons ução de um
sis ema, seja ele um p odu o come cial ou desen ol ido po écnicos do museu.
Pa a al é essencial que os museus disponham de um conjun o de c i é ios nos quais
possam con ia e sus en a a opção que oma em na aquisição ou cons ução do sis ema
que i ão u iliza . A p opos a de no ma que ap esen ámos em 2007 p e ende se um
con ibu o álido pa a es a opção, bem como pa a a ce i icação, à pos e io i, do
esul ado do abalho de in en á io desen ol ido. Temos a noção cla a que a nossa
p opos a, apesa de não ab ange odas as si uações com que os museus se depa am na
ecolha e a amen o de dados sob e as suas colecções, ep esen a a in o mação
essencial que de e cons a numa base de dados de modo a acul a ao museu o
conhecimen o da sua colecção e a di ulgação jun o dos seus públicos.
A sua cons ução en ol eu a análise de um conjun o de no mas in e nacionais de
que dispúnhamos, como as já e e idas CIDOC In o ma ion Ca ego ies, o SPECTRUM
ou a No malización Documen al de Museos espanhola, às quais se jun a a análise ei a
15
dos dados ecolhidos em inqué i o no âmbi o da nossa ese de mes ado. Es a análise oi
cen ada essencialmen e nas CIDOC In o ma ion Ca ego ies que omámos como pon o
de pa ida pa a a discussão da de inição do modelo de dados a adop a pa a ce i ica a
qualidade do abalho de documen ação e ges ão de colecções.
Esse modelo de dados p econizado pelo CIDOC é cons i uído po um o al de 22
g upos de in o mação que, po sua ez, ep esen am pelo menos uma ca ego ia de
in o mação. Na pe spec i a do CIDOC es as são absolu amen e necessá ias pa a um
abalho p o ícuo e de qualidade. Es e modelo con ém a in o mação que comummen e
designamos po ― icha de in en á io‖. Se a en a mos na sua es u u a e i icamos que
al am campos pa a in o mações que se podem ecolhe nos objec os ou no seu es udo
ap o undado, po ém a sua cons ução e e como p incípio a ecolha de dados comuns a
um uni e so ala gado de ipos de objec os e não a si uações especí icas de objec os de
a e, a queologia, e nologia, an opologia ou qualque ou a á ea.
Analisado o modelo do CIDOC e as espos as do inqué i o sob e os ipos de
in o mação mais u ilizados nos museus po ugueses ob i emos um modelo de dados
que, espei ando as no mas in e nacionais, melho se adap a às aspi ações e
necessidades dos museus em Po ugal.
A nossa p opos a assen a numa base de dados elacional, ou seja, assen a num
p incípio de não duplicação ou epe ição da in o mação espei an e a um i em, seja ele
um objec o, uma exposição, um documen o ou uma pessoa que se elacione com a
colecção.
A es u u a de dados de e se o ganizada em di e en es eposi ó ios de aco do
com a sua na u eza, sendo que a nossa p opos a di ide-se da seguin e o ma: eposi ó io
de in en á io, que con ém oda a in o mação ela i a a objec os; eposi ó io de
e minologia, que de e á con e oda a in o mação ela i a aos e mos u ilizados na
aplicação; eposi ó io de en idades (pessoas ou o ganizações) que se elacionam com a
colecção; eposi ó io de documen ação, que con ém odos os documen os que sus en am
a in o mação ecolhida ou são ge ados na ges ão das colecções; eposi ó io de e en os
que oco em e se elacionam com os objec os (ou ou os eposi ó ios) como as
exposições, acções de es au o, emp és imos, e c; e, po im, o eposi ó io onde são
egis ados odos os elemen os mul imédia associados ao sis ema de ges ão de colecções.
Es es eposi ó ios compõem a base de dados elacional e são a es u u a basila
de odo o sis ema. Neles de e se egis ada oda a in o mação ecolhida pelos écnicos
do museu e a a és des es eposi ó ios de e se possí el es abelece os pon os de
16
ligação en e egis os que, di ec a ou indi ec amen e, se elacionam. Um esquema
possí el de ep esen ação des a es u u a pode se o ap esen ado em seguida:
G á ico 2 – Esquema de es u u a de dados
Sublinhamos dois po meno es impo an es no esquema ap esen ado. Um é a
in e ligação en e odos os eposi ó ios, na base da qual es ão as e e idas elações en e
egis os que, semp e que se jus i ique, de e ão se c iadas pelos u ilizado es. Ou o é a
cen alidade do eposi ó io de objec os que, uma ez que se a a do elemen o p incipal
do sis ema de ges ão de colecções, ep esen a a p eocupação maio que es a a e a de e
e em elação às es an es.
Es a es u u a de e á obedece ainda a dois p incípios básicos: a sal agua da do
his ó ico da in o mação e a possibilidade de c iação de mais do que um egis o em
de e minados g upos de in o mação. Es es dois p incípios pe mi em man e um his o ial
e e en e a es ados de conse ação, assim como pe mi em o egis o de odas as medidas
necessá ias pa a a co ec a iden i icação dos objec os, apenas pa a ci a dois exemplos.
Um ou o aspec o, ainda que mais ecnológico, p ende-se com a necessidade de
ga an i a in o mação sob e a edição dos egis os em oda a base de dados e a ges ão das
pe missões dos u ilizado es, ma é ia bas an e sensí el hoje em dia.
17
De inidos es es p essupos os, bem como a o ganização ge al da base de dados,
impo a sabe qual é en ão a p opos a que p econizamos como modelo de dados pa a a
a e a de objec os.
No âmbi o des e a igo não se jus i ica a ap esen ação indi idual de odos os
campos que compõem as abelas des a a e a. Suma iamen e con emplámos 19 g upos
de in o mação, cada qual com uma ou mais ca ego ias de in o mação, à semelhança do
modelo do CIDOC, sendo que uma delas con a com um maio des aque uma ez que
ep esen a os dados que pe mi em o egis o da in o mação gené ica dos objec os. É a
que designamos po Objec o e con a com os campos de Designação, Desc ição, Imagem
e Da a de egis o, pa a além do essencial núme o de in en á io que de e se o código de
iden i icação dos objec os em qualque ci cuns ância.
Na sua dependência di ec a, es u u ados des a o ma pa a esponde à
sal agua da do his ó ico de in o mação e à exis ência de mais do que um egis o pa a
cada ca ego ia de in o mação, es ão os es an es 18 g upos de in o mação que englobam
aspec os como as au o ias, as classi icações dos objec os, a sua p o eniência, ma e iais,
écnicas ou c onologia, apenas pa a ci a alguns dos exemplos que podemos isualiza
no esquema seguin e:
G á ico 3 – P opos a de es u u a de dados – Objec os
18
A es e ipo de es u u a ac esce uma an agem. Pe mi e, sem qualque p oblema
com os dados egis ados, ac escen a no os g upos de in o mação que sejam ú eis pa a
ques ões especí icas dos museus e ainda acompanha e en uais al e ações no ma i as
que enham a oco e no u u o.
Na ese ap esen ámos, a pa des a es u u a um esquema de uncionamen o das
es an es a e as que, con endo ca ego ias de in o mação dis in as, é mui o semelhan e
ao dos objec os. Com elação a essas a e as impo a e e i que semp e que exis a
no malização especí ica, caso da documen ação de a qui os ou de bibliog a ia, o
sis ema de e á espei a essas no mas, ainda que o p opósi o num sis ema de ges ão de
colecções não seja o mesmo que é o de um sis ema de a qui o ou de biblio eca.
Um ou o pon o que de e se al o de a enção edob ada na c iação/aquisição de
um sis ema de ges ão de colecções é a o ma como se ge em os e mos u ilizados no
egis o da in o mação. A exis ência de campos con olados com ecu so a abelas de
e mos ou a hesau i, é uma condição que po encia o sucesso da documen ação de
colecções. Um sis ema baseado em campos de ex o li e, sem qualque con olo,
pe mi e e aumen a a possibilidade de e os oco idos na digi ação da in o mação e
di icul a as pesquisas sob e a base de dados. Tan o quan o possí el, o sis ema de e es a
do ado de e amen as que possibili em a es u u ação dos e mos, as suas dependências,
as elações en e dis in os e mos, as suas de inições e ambém o con olo da sua
u ilização po pa e dos in en a ian es. Es as e amen as de ges ão de hesau i, mais
comple os e complexos do que as lis as de e minologias, podem se cons uídas
segundo as no mas ISO 2788:1986 e ISO 5964:1985 pa a hesau i monolingue e
mul ilingues, espec i amen e.
10
Como imos, a es u u a usada pa a gua da os dados num sis ema de ges ão de
colecções é essencial no p ocesso de documen ação do pa imónio. A sua c iação com
base em no mas in e nacionais aumen a o alo dos dados, na medida em que pe mi e a
sua disseminação e a cons ução do conhecimen o a a és de di e sos meios e
pla a o mas a ingindo cada ez mais públicos. Ac esce que a exis ência de no mas
es u u ais dá alguma libe dade de escolha aos museus na ho a de op a po um sis ema
come cial. É, na nossa opinião, um sólido indicado da qualidade de in o mação
10
Pode ão se encon adas mais in o mações na página da In e na ional S anda ds O ganiza ion em
www.iso.ch.
19
exis en e nos eposi ó ios digi ais dos museus e po isso de e se cada ez mais
conside ada pelos seus esponsá eis.
Te minologia e P ocedimen os
Ou os dois pon os ex emamen e impo an es na documen ação de colecções
p endem-se com a c iação e u ilização de no mas de p ocedimen os e hesau i que
possam se u ilizados, pelo menos à escala nacional, mas p e e encialmen e à escala
in e nacional.
A u ilização de hesau i, e minologia con olada po an o, pe mi i á uma melho
comp eensão da in o mação egis ada nes e ipo de bases de dados. Caso o hesau us
seja mul ilingue ainda ob emos mais bene ícios, po que pode emos ob e in o mação na
nossa língua, (ainda que de o ma simpli icada), sob e objec os que são egis ados
o iginalmen e em inglês, alemão, ancês ou a é em línguas mais dis an es como o
usso, po exemplo.
Re e imos a ás o es o ço que o Ge y Ins i u e e a Di ección de Biblio ecas,
A chi os y Museos do Chile (DIBAM) es ão a aze com o p ojec o de adução do A
& A chi ec u e Thesau us pa a espanhol. Es e é, na nossa opinião, o melho caminho.
Usa e amen as que es ão desen ol idas e es adas po ou os museus (o B i ish
Museum desen ol eu alguns hesau i ambém) e ins i uições de e e ência e aduzi os
e mos pa a a maio quan idade de línguas possí el. O ac o de es a mos in eg ados na
União Eu opeia de e ia se acili ado , mas es amos cien es de que es es p ocessos são
mo osos e complexos, con udo há que iniciá-los.
Ou o ac o de sucesso é a c iação de no mas que pe mi am aos u ilizado es dos
sis emas, cump i um conjun o de p ocedimen os p é-es abelecidos pa a egis a
qualque ipo de in o mação na base de dados. Desde a simples inco po ação na
colecção, a é ao egis o de mo imen os ou de emp és imos, a in o mação ecolhida de e
se ac escen ada na base de dados segundo eg as que e i em a duplicação de a e as ou
in o mação edundan e e que assegu em a inexis ência de alhas na documen ação e
ges ão das colecções.
O melho exemplo des e ipo de no ma é, na nossa opinião, o SPECTRUM. Es a
no ma, o iginá ia do Reino Unido e desen ol ida inicialmen e pela MDA, é um
documen o de e e ência na g ande pa e dos museus mundiais. Há alguns anos a
20
Collec ions T us
11
, o ganismo esponsá el pela ges ão e desen ol imen o do
SPECTRUM, decidiu ans o má-lo num open s anda d passí el de se u ilizado pelo
maio núme o de ins i uições possí el. A sua polí ica de in e nacionalização ez com
que o SPECTRUM enha sido já adop ado a ní el nacional, com as espec i as
aduções, pela Holanda, Bélgica e mais ecen emen e pela Uc ânia. Em nosso en ende ,
e à semelhança do p opos o pa a os hesau i, se ia de g ande u ilidade a adução e
adap ação da no ma à legislação nacional em igo , p opondo-se a adopção dos
p ocedimen os desc i os como eg a pa a a documen ação a ní el nacional. É
exac amen e es e p opósi o que di ige uma pa e do p ojec o de dou o amen o que emos
ago a em cu so: aduzi o SPECTRUM pa a po uguês e p opo a sua u ilização
gene alizada em Po ugal.
Conclusão
O egis o e a documen ação das colecções êm impo ância undamen al
enquan o ins umen os ao se iço das mais di e sas ciências cujo objec o de es udo é a
cul u a ma e ial, mas ambém, e desde logo, ao se iço de odas as a e as desen ol idas
no abalho diá io no museu. Es as a e as es ão, po isso, en e os p incipais objec i os
dos museus. O nosso abalho p opõe-se con ibui pa a o cump imen o des a missão,
ajudando no conhecimen o do pa imónio à gua da dos museus e, p incipalmen e, na
o ma como esse conhecimen o é ob ido e sal agua dado.
Ao longo dos empos, em Po ugal, os museus êm gua dado a in o mação sob e
os objec os de o ma um pouco alea ó ia, sem co espondência com qualque eg a, o
que esul a em g ande ine icácia no domínio da sua in o ma ização. Com e ei o, como
se pode á e i ica nos dados ob idos em inqué i o, desc i os no capí ulo ―Inqué i o
sob e documen ação e ges ão de colecções‖ da nossa ese de mes ado (Ma os, 2007),
no que conce ne a documen ação das colecções o pano ama po uguês não é o melho .
Con udo, egis amos que começam a su gi impo an es con ibu os em alguns ó uns de
deba e ace ca da c iação de no mas p ocessuais de egis o de in o mação, o ganizados
pelo IMC ou pela Rede Po uguesa de Museus, bem como com a c iação de p og amas
de apoio à execução de in en á ios inanciados po undos comuni á ios, en e ou as
inicia i as, como os Encon os de U ilizado es p omo idos pela Sis emas do Fu u o.
11
A Collec ions T us assegu ou a con inuidade do abalho da MDA no desen ol imen o do
SPECTRUM.
21
Não obs an e, o p oblema cen al man ém-se. Em Po ugal, con inuam a não
exis i documen os no ma i os na á ea da ges ão do pa imónio cul u al, o que, na nossa
opinião, jus i ica a eduzida pe cen agem de museus com a documen ação de colecções
concluída.
Man endo-se o p oblema, é nossa ob igação man e ambém o espí i o c í ico e
os ale as que emos indo cons an emen e a aze sob e es e assun o nos di e sos
ó uns em que pa icipamos.
Na nossa opinião impo a que se siga o exemplo de ou os países, cons i uindo-
se cen os de deba e e p odução no ma i a. En endemos que omando como e e ência o
pano ama in e nacional, es es cen os de e iam p opo no mas, adap adas ou no os
documen os, passí eis de se em u ilizadas po qualque museu, sob e qualque
colecção, onde se incluíssem as p eocupações com o egis o do pa imónio ima e ial e
ainda a p odução de hesau i. Idealmen e, es a inicia i a de e pa i do o ganismo
nacional com compe ência de egulamen a o uni e so museológico po uguês, mas
de e ia se abe a, an o quan o possí el e como acon ece nou os casos, à pa icipação
de odos os in e essados - museus, associações de p o issionais de museus, emp esas
que desen ol em os SGC e in es igado es em museologia e ciências de in o mação
dedicados à documen ação e ges ão de colecções em museus.
A p azo, es amos con encidos que es a inicia i a a ia bene ícios impo an es
pa a a in o mação e ida nos in en á ios dos museus, disseminando as melho es
p á icas, p opondo mé odos de abalho mais e icazes, acili ando consul o ia
especializada aos museus, en e ou as acções de apoio, mas ambém ixando c i é ios
de alidação quali a i a e quan i a i a da documen ação das colecções no p ocesso,
mais amplo e em cu so, de ce i icação de museus.
22
Bibliog a ia
CARRETERO, A. (1998). No malización documen al de museos : elemen os pa a una aplicación
in o má ica de ges ión museog á ica. (2ª, Ed.) Mad id, Espanha: Di ección Gene al de Bellas A es y
Bienes Cul u ales.
MATOS, A. (2007). Os sis emas de in o mação na ges ão de colecções museológicas: Con ibuições
pa a a ce i icação de museus. Disse ação de Mes ado do Cu so In eg ado de Es udos Pós-g aduados
em Museologia ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o.
NAGEL, L. (2009). TESAURO DE ARTE & ARQUITECTURA: Genesis y aplicación . Consul ada em
28-03-2010, CIDOC Con e ence 2009: h p://www.koalawebhos ing.com/cidoc/016.pd
SANTOS, M. d. (2005). O pano ama museológico em Po ugal: 2000- 2003. Lisboa, Po ugal:
Obse a ó io das Ac i idades Cul u ais e Ins i u o Po uguês de Museus.
SILVA, R. H. (2000). Inqué i o aos museus em Po ugal. Lisboa, Po ugal: Ins i u o Po uguês de
Museus.
23
In es iga en educación museís ica: Analizando las concepciones de a e e
in e p e ación de la gale ía Ta e B i ain
Amaia A iaga
Resumo
Es e a ículo ealiza un eco ido c onológico sob e la his o ia de la eme gencia y ans o mación del ol
educa i o del museo, y en ec uza la explicación de es e desa ollo con o o ela o sob e las na a i as que
los museos han cons uido. Se señalan así mismo las endencias en educación a ís ica que se han
co espondido o se siguen co espondiendo con es as g andes o mas de en ende el museo. En la
desc ipción c onológica de la e olución del ol educa i o del museo se in en a, aunque sea b e emen e,
hace e e encia a los con ex os his ó icos, polí icos, sociales, in elec uales y pedagógicos que han
in luido en los cambios en la na u aleza de las eo ías y p ác icas educa i as de la educación a ís ica en
museos.
This a icle akes a ch onological jou ney h ough he his o y o he eme gence and ans o ma ion o he
museum's educa ional ole, and in e wea es he explana ion o his de elopmen wi h ano he discou se
abou he na a i es museums ha e buil . T ends in a educa ion ha ha e co espond o a e s ill
co esponding wi h hese ways o unde s anding he museum a e also poin ed ou . When desc ibing he
ch onological de elopmen s o he educa ional ole o he museum, he a icles ies o e e , b ie ly, o
he his o ical, poli ical, social, in ellec ual and pedagogical con ex s ha ha e in luenced and changed he
educa ional heo ies and p ac ices o a educa ion in museums.
Pala as-cha e – Key Wo ds
Museu / modelos educacionais / His ó ia
Museum / Educa ional models / His o y
30
conocimien o que pueda gene aliza se y se asladable como e dade o a o os casos
simila es. El conocimien o y la p ác ica se es udia on como conocimien o único (Van
Manen, 1990) y localizado (Gee z, 1983), cons uyendo así una na ación local y
empo almen e si uada (Flick, 2007) en e a las g andes na a i as uni e salizan es de
la in es igación adicional.
Todas las ciencias sociales poses uc u alis as, a pa i de las e lexiones de
G ego y Ba eson en el epílogo de Na en (1958) o pos e io men e en o as publicaciones
(1972, 1979), echazan la idea de la exis encia de una ealidad ija y cognoscible que un
obse ado impa cial pueda egis a y ep esen a obje i amen e. En palab as de
Ge gen y Ge gen (2000:1026): “Los desa ollos poses uc u alis as en semió ica,
eo ía li e a ia y eo ía e ó ica han desa iado la asunción de que las explicaciones
cien í icas pueden ep esen a el mundo como es, con p ecisión y obje i amen e”.
De acue do con es a idea, hemos sido conscien es de que lo que se p esen a en
nues o es udio doc o al no es la desc ipción e dade a del uncionamien o de una
ins i ución o de la o ma de pensa y ac ua de las pe sonas que la con o man. Más bien
se a a de una ― e dad‖ si uada, es o es, una ― e dad‖ localizada en unas comunidades
pa icula es en un iempo pa icula a la que, pa a ep esen a su condición, le hemos
impues o una ca ego ización que p ocede de nues as p opias posiciones
epis emológicas (Ba eson, 1958, Ge gen y Ge gen, 2000).
Es po odo ello, que la me odología de in es igación que se u ilizó pa a la
ealización de la esis doc o al a la que es amos haciendo e e encia, no es u o de inida
po un posicionamien o conc e o y p ede e minado. Es o es, no se siguie on las pau as
de alguna escuela, endencia o au o /a de e minado/a. La elección de los mé odos y el
p oceso de in es igación siguió dos c i e ios: El c i e io de e ec i idad y el c i e io de
anspa encia.
Se buscó que los mé odos de indagación ue an los más adecuados pa a ealiza
las búsquedas y análisis de los da os. Así, pa a la ecogida de da os se u iliza on
mé odos e nog á icos como la búsqueda documen al, la en e is a, la obse ación no
pa icipan e o el egis o a a és de no as de campo y g abaciones sono as y pa a el
análisis de los da os el mé odo undamen al ue el análisis de discu so.
Pe o el c i e io de e ec i idad nos obligó a ealiza muchas modi icaciones en el
apa a o de análisis en unción de los cambios que su ió la p opia in es igación, en
elación al obje o de es udio, las p egun as que guia on la in es igación y los di e en es
emas o cen os de in e és que ue on eme giendo.
31
A es e espec o es p eciso señala que es os cambios en el p oceso no
espondie on a c i e ios de ajus es de los da os con la in ención de la in es igado a, sino
que o ma on pa e de los p ocesos habi uales en es e ipo de in es igaciones que se
si úan en la he menéu ica más que en la adición analí ico-deduc i a.
El segundo c i e io que guió el es udio ue el de hace siemp e explici o el
p oceso de in es igación, po que los mé odos cuali a i os no se pueden conside a
independien emen e del p oceso de es udio que es, en cada caso, pa icula y especí ico.
En palab as de Flick (2007: 15) los mé odos cuali a i os “es án inc us ados
especí icamen e en el p oceso de in es igación y se comp enden y desc iben mejo
u ilizando una pe spec i a de p oceso”. Po ello, a lo la go del ela o de la esis
doc o al, se a o siemp e de explica cómo se desa olló un p oceso que es u o lleno de
cambios, modi icaciones, dudas y so p esas.
Obje o de es udio, mues a y mé odo de ecogida da os
Como hemos comen ado, nues o obje i o e a conoce las concepciones de a e e
in e p e ación que subyacen en los discu sos y p ác icas educa i as de la gale ía Ta e
B i ain de Lond es. Po ello, pa a conoce la pos u a ins i ucional de la gale ía,
decidimos analiza las di e en es oces que la con o man, an o documen os esc i os
como pe sonas que nos podían apo a in o mación. En el p ime caso, as consul a en
los p opios a chi os de la gale ía múl iples lib os y documen os elacionados con las
polí icas educa i as e in e p e a i as, se selecciona on los siguien es documen os pa a
se analizados en p o undidad:
- el manual pa a p o eso es The A Galle y Teache ’s Handbook: A
Resou ce o Teache s
17
(Cha man e al ., 2006) que es á di igido a que
los p o eso es ap endan a u iliza los museos de a e como ecu so u
opo unidad educa i a.
- el documen o in e no de las gale ías Ta e i ulado In e p e a ion
Policy
18
en el que se acue dan los p incipios y es a egias que deben
17
El manual pa a p o eso es, The A Galle y Handbook, es á edi ado po Helen Cha man, Ca he ine
Rose, y Gilliam Wilson y esc i o con la colabo ación de di e en es pe sonas inculadas a las gale ías
Ta e. El manual es p obablemen e el documen o educa i o que mejo mues a la iloso ía educa i a y
es é ica de las di e en es gale ías Ta e y en él se a an muchos emas que apo an una impo an e
in o mación sob e las cues iones que nos in e esaba analiza en es a in es igación.
18
El ex o In e p e a ion Policy, es un documen o de abajo in e no (no publicado), que ue discu ido y
consensuado du an e el o oño del año 2000 po a ios p o esionales que abajan en las di e en es gale ías
32
guia la c eación de los ecu sos de mediación ( ex os de pa ed,
ca elas, audio-guías, e c.) en las di e en es gale ías Ta e.
Además, pa a ab i la posibilidad de in es iga emas no an icipados, conside amos
in e esan e y necesa io con as a los posicionamien os que es os documen os mues an
con en e is as a es de las esponsables de los di e en es p og amas del Depa amen o
de In e p e ación y Educación. En conc e o, la esponsable del Á ea de In e p e ación,
que se dedica al diseño de los ecu sos de mediación (ca elas, wall ex s, e c.), la
esponsable de los P og amas Educa i os pa a Jó enes y la cu ado a de los P og amas
pa a Escuelas.
Con el in de alcanza los obje i os de nues a in es igación, conside amos
necesa io ambién conoce de p ime a mano las opiniones y posiciones de las
educado es/as de la gale ía Ta e B i ain. Pa a ello ealizamos en e is as a sie e
educado es/as du an e el o oño de los años 2006 y 2007.
Finalmen e, de las en e is as ealizadas a los sie e educado as se selecciona on las
ealizadas a cinco de ellas, conc e amen e las de las en e is adas cuyas ac i idades
educa i as ue on escogidas pa a se analizadas.
Todas es as en e is as, a las que nos hemos e e ido, se ealiza on con el
obje i o que señala Bisque a (2004: 336): ―ob ene in o mación de o ma o al y
pe sonalizada sob e acon ecimien os i idos y aspec os subje i os de la pe sona como
las c eencias, las ac i udes, las opiniones, los alo es, en elación con la si uación que
es á es udiando”. Po ello, aunque las en e is as ealizadas a las esponsables de los
p og amas educa i os y a las educado as p esen aban cie as p egun as es uc u adas,
ue on plan eadas de mane a abie a, po lo que se con i ie on en una con e sación
menos di igida. De es a o ma, el p ime plan eamien o de p egun as ue modi icándose.
Algunas p egun as desapa ecie on, o as se eplan ea on o ma iza on en unción
de las espues as que se iban ecibiendo y se hizo necesa ia la o mulación de p egun as
no p e is as, al hilo de la con e sación y las nue as cues iones que iban su giendo.
Es e ipo de en e is as son ap opiadas pa a in es igaciones de ca ác e
cuali a i o po que o ecen la posibilidad de indaga en emas no an icipados; maximiza
la posibilidad de que la ―p opia oz‖ del en e is ado sea conse ada en los da os;
Ta e. En es e ex o se acue dan los p incipios y es a egias que deben guia la c eación de los ecu sos de
mediación en las di e en es gale ías Ta e y es po ello que apo a mucha in o mación sob e la concepción
de la in e p e ación de las ob as de a e acep ada en las gale ías Ta e.
33
analiza cómo los en e is ados cuen an sus expe iencias; y consegui p o undidad en
emas conc e os (Weinbe g, 2002).
Se diseña on dis in as en e is as en unción de la pe sona a la que es aban di igidas,
sin emba go, odas ellas compa ie on una g an pa e de p egun as di igidas a deba i
sob e los siguien es emas:
a) La o mación académica y expe iencia p o esional de los en e is ados.
b) El abajo, unciones y a eas de los en e is ados en la gale ía Ta e B i ain.
c) La opinión de los en e is ados sob e la eo ía y me odología educa i a de
la gale ía Ta e B i ain.
d) La opinión de los en e is ados sob e cues iones ela i as a la
in e p e ación de las ob as de a e, como las siguien es: Las azones pa a
in e p e a las ob as de a e, los lími es y c i e ios de la in e p e ación, el
en oque de al in e p e ación en o no a los aspec os de la ob a, la
au o idad y legi imidad en la in e p e ación, los cambios en las
concepciones y p ác icas de in e p e ación en unción de a iables como la
edad del g upo isi an e o el ipo de a e a in e p e a .
Hemos sido conscien es de que, como a i ma Es e be g (2002), la na u aleza
mediado a del ex o de las en e is as es la debilidad cla e de es e mé odo de ecogida
de da os, po que, es di ícil es ablece la con ianza en la ― e dad‖ de las in e p e aciones
que el en e is ado ealiza sob e sus acciones, c eencias o pensamien os. Además es
común que haya incong uencias o incohe encias en e las palab as de los en e is ados
y sus ac i udes o ac uaciones eales (Es e be g, 2002). Las en e is as pueden e ela las
c eencias y ac i udes de los en e is ados pe o no pueden e i ica si es as se dan en la
ida eal.
Po ello, especialmen e en el caso de las educado as, ambién se obse a on y
g aba on las ac i idades educa i as que desa ollan en salas. Po que, como en a izan
Azu mendi (1994) o Weinbe g (2002), en los ela os en ciencias sociales, las acciones
hablan más al o que las palab as, an o que la obse ación di ec a e ela cie as
cues iones que las pe sonas conside an signi ica i as e impo an es y que no pueden
explíci amen e aduci las a palab as. Así, en endimos que g aba y analiza ac i idades
educa i as e a una mane a adecuada de conoce la o ma en la que los educado es
lle an a la p ác ica lo que a i man en sus discu sos, y una mane a complemen a ia de
34
obse a los encuen os, coincidencias, con adicciones o desajus es en e los discu sos
de la ins i ución y de los educado es y las p ác icas que se desa ollan en salas.
A es e espec o, si bien, du an e las dos es ancias de in es igación en la gale ía
Ta e B i ain, se ecogie on 37 in e acciones educa i as median e g abaciones de oz,
decidimos cen a el análisis en cinco de ellas. El c i e io de selección ue el de analiza
las ac i idades pa a g upos escola es que el museo o ece pa a isi as de un solo día,
po que nos daban la posibilidad de obse a abajando educado es con di e en e
o mación académica y expe iencia p o esional, y ene una isión más global de la
mane a en la que la eo ía educa i a y es é ica de la gale ía Ta e B i ain es asladada a
la ealidad po aquellas mismas educado as a quienes habíamos en e is ado. Las
ac i idades seleccionadas pe mi ían ambién obse a y analiza cómo cambian las
nociones de a e e in e p e ación del a e en unción de di e en es a iables como la
edad de los g upos isi an es o el ipo de ob as que se abajan.
Dado el olumen de in o mación que nos p opo ciona on las 34 ac i idades
educa i as obse adas, en el es udio doc o al se decidió analiza cinco de ellas, según
los siguien es c i e ios:
- Que ue a una ac i idad po cada uno de los educado es en e is ados
- Que ue an ac i idades pa a g upos escola es de p ima ia y secunda ia.
- Que la selección de las ac i idades incluye a a iedad en cuan o a la edad
del g upo escola al que es án di igidas y en cuan o al ema que ienen
como eje, pa a que en a an en juego más a iables a la ho a de ealiza el
análisis.
Diseño y aplicación del mé odo de análisis
Pa a el análisis de los ex os y de los da os ob enidos de las g abaciones y
en e is as ealizadas, decidimos u iliza como mé odo el análisis de discu so. Es e
mé odo se si úa en la he menéu ica, po lo que, como ya decía Ba eson (1958) y
man iene Meye y Wodak (2003), no puede aza se una línea cla a en e la ecogida de
da os y el análisis.
Pa a la ealización de un análisis de discu so de las in o maciones seleccionadas
e a necesa io es ablece cie os í ems sob e las cues iones que nos in e esaban y decidi
los indicado es que nos ayuda ían en el análisis. Es a cons ucción del apa a o desde el
que ―mi a ‖ los da os, ue uno de los mayo es desa íos a los que nos en en amos al
35
ealiza es a in es igación, ya que, como es no mal en un es udio de ipo cuali a i o,
es os í ems ue on modi icándose con inuamen e.
Conc e amen e el apa a o de análisis se ue cons uyendo en el cu so de la
aplicación del mismo, en un p oceso de cons ucción – aplicación – econs ucción
na a i a, en el que los emas, so p esas y dudas que ue on su giendo y los ex os
académicos que se ue on consul ando y es udiando a lo la go de la esis hicie on que el
apa a o me odológico y el ela o mu a a, se de inie a con más p ecisión y se ma iza á.
La cons ucción del apa a o me odológico y el análisis de da os ue on dos ca as
de la misma moneda, dos obje i os que se cons uye on en un p oceso de eedback
con inuo que sólo inalizó cuando se dio po acabada la edacción inal de la esis
doc o al.
Es o es, se puede deci que ue en el momen o de la edacción de esul ados
cuando llega on a comple a se, simul áneamen e el apa a o me odológico, los análisis,
las conclusiones y el p opio ela o de in es igación. Así se concluye, coincidiendo con
in es igado es como Ge gen y Ge gen, 2000 y Van Manen, 1990, que el análisis de los
da os y la edacción del in o me de in es igación es u ie on inex icablemen e
en elazados.
Igualmen e, en el momen o de la edacción inal del ela o de la in es igación,
nos u imos que en en a a la di icul ad na a i a de sen i nos y exp esa nos
simul áneamen e como obse ado es y au o es (Gee z, 1988) del ela o que
p esen amos, po que el p opio ac o de obse a e in e p e a implica al obse ado con
el obje o de es udio.
Cua o mane as de concebi el a e y la in e p e ación
Hechas es as ap eciaciones, podemos explica que nues o apa a o me odológico
y la edacción de los esul ados se o ganizó en o no a cua o g andes mane as de
concebi el a e y la in e p e ación de las ob as de a e, que se pueden da y
habi ualmen e se dan en con ex os educa i os
19
.
19
Es e apa a o de análisis ha sido ampliamen e explicado en un a ículo que es á pendien e de publicación
en el núme o 53 de la Re is a Ibe oame icana de Educación. Re e encia: A iaga, A y Agui e, I. (2010)
―Un apa a o me odológico pa a analiza las ideas de a e e in e p e ación que subyacen en discu sos y
p ác icas educa i as de museos de a e‖ Re is a Ibe oame icana de Educación, 53 (mayo/agos o 2010)
36
Las cua o g andes mane as de en ende el a e y la in e p e ación se de inie on a
pa i de lo encon ado en los da os analizados. Pe o las lec u as ealizadas de ex os de
di e sos ámbi os especialmen e la Teo ía e His o ia del A e, la Es é ica o la Filoso ía,
pe o ambién la Educación A ís ica, la Museología, los Es udios Cul u ales y Visuales
o la Pedagogía C í ica nos ayuda on a en iquece y a ma iza la clasi icación de las
ideas de a e e in e p e ación que han eme gido del análisis de los da os
Es as cua o concepciones sob e el a e y la in e p e ación a las que nos
acabamos de e e i o dena on el es udio de acue do a unos posicionamien os que an
desde ap oximaciones más isualis as o pe cep i as has a las más expe iencialmen e
complejas. Así, los cua o apa ados que o ganiza on la edacción de esul ados u ie on
inalmen e los siguien es í ulos, con di e en es ma ices, según se a e de los discu sos
ins i ucionales, los discu sos de los educado es o las p ác icas de los educado es:
1. La ob a de a e como acon ecimien o y ep esen ación isual y la
in e p e ación como iden i icación.
2. La ob a de a e como signo o mensaje a des ela y la in e p e ación
como descodi icación
3. La ob a de a e como hecho in elec ual, his ó ico y cul u al y la
in e p e ación como opo unidad pa a la e lexión, c í ica cul u al o la
comp ensión c í ica
4. La ob a de a e como ma e ialización de una expe iencia y la
in e p e ación como c uce de expe iencias y opo unidad pa a la
cons ucción iden i a ia
Den o de cada una de es as concepciones se de alla on di e en es
aspec os como:
a) La idea de a e
b) La noción de in e p e ación: haciendo e e encia a las uen es, c i e ios,
obje i os y lími es de la in e p e ación
c) Las es a egias de ap oximación a al ob a
d) La apo ación del espec ado al p oceso de enseñanza-ap endizaje y a la
in e p e ación.
Conside amos que es as cua o na a i as sob e el a e y la in e p e ación del a e
ep esen an unas ca ego ías con enien es desde las que discu i la iloso ía y abajo
educa i o que se da en los museos y los alo es y c eencias en los que és os se basan y
37
ue on ú iles pa a o dena los én asis y de ec a las incohe encias y coincidencias en las
que incu en los discu sos y p ác icas educa i as de un museo. Sin emba go, en la
p ác ica, es as concepciones no son ―aplicadas‖ de mane a ígida y aislada de o as
concepciones, de hecho, en muchos casos, son concepciones que, conscien e o
inconscien emen e, apa ecen con ecuencia mezcladas en e sí.
Resumen de las conclusiones
En los capí ulos oc a o, no eno y décimo de la esis doc o al se mos a on los
esul ados ob enidos a pa i de la aplicación del apa a o me odológico a los da os
ecogidos, es o es, se mos a on los esul ados del análisis de los da os que con o man el
discu so ins i ucional de la gale ía Ta e B i ain, el discu so de los educado es y las
p ác icas educa i as que desa ollan los educado es, espec i amen e.
20
El capí ulo dedicado a las conclusiones inales de la in es igación doc o al se
ese ó pa a esumi los hallazgos y conclusiones más in e esan es ya expues os en los
es ela os de in es igación a los que nos acabamos de e e i y además pa a es ablece
un c uce en e las ideas que eme gie on en los di e en es discu sos y en las p ác icas,
con el in de señala pa alelismos, di e encias, desencuen os o coincidencias.
Pa a ello las conclusiones se o dena on en o no a las es cues iones
undamen ales que guia on la in es igación: la idea de a e que se maneja en el con ex o
educa i o de la gale ía Ta e B i ain, la o ma en la que los discu sos y p ác icas
esponden a cues iones undamen ales sob e la in e p e ación de la ob a de a e y, más
b e emen e, las opiniones y ac uaciones que apa ecen en o no a los p ocesos de
enseñanza y ap endizaje.
A con inuación enuncio esquemá icamen e, las conclusiones a las que llegamos
en es e es udio doc o al y que se i án publicando en di e en es a ículos y monog a ías
de in es igación:
Conclusiones sob e la idea de a e
- Se da una p edominancia de una idea cul u alis a del a e en los discu sos
ins i ucionales
20
Capí ulo 8. La idea de a e e in e p e ación en el discu so ins i ucional // Capí ulo 9. La idea de a e e
in e p e ación en le discu so de los educado es // Capí ulo 10. La idea de a e e in e p e ación en las
p ác icas educa i as
38
- Se da una p edominancia de una idea isualis a y ep esen acionis a del a e
en las p opues as p ác icas y ac i idades educa i a
- La idea del a e como exp esión de un mensaje compa e p o agonismo con
una idea isualis a del a e en los discu sos y p ác icas educa i as
- La concepción del a e como expe iencia apa ece sob e odo en el discu so
ins i ucional y de mane a ci cuns ancial y sólo anecdó icamen e en las
p ác icas educa i as
Conclusiones sob e cues iones ela i as a la in e p e ación de las ob as
de a e
- Los discu sos y las acciones educa i as mues an di e en es c i e ios de
in e p e ación
- No hay una posición de inida o de ini i a sob e dónde eside el signi icado
de las ob as de a e
- La gale ía Ta e B i ain in oduce y legi ima la plu alidad de oces y
signi icados, ompiendo el c i e io adicional que, sin emba go, sigue
eme giendo en ac i idades y discu sos
- La gale ía Ta e B i ain econoce la au o idad del espec ado en la
in e p e ación de las ob as de a e, aunque hay di e en es mane as de
en ende su apo ación y espues a pe sonal
- Tan o en los discu sos como en las p ác icas educa i as se es ablecen
ma ices a la ho a de in e p e a el a e con empo áneo
Conclusiones sob e cues iones ela i as al p oceso de enseñanza-
ap endizaje
- F en e a plan eamien os eó icos cons uc i is as, la es a egia
me odológica p edominan e es el ap endizaje po descub imien o
- El ap endizaje se p oduce cuando la in e p e ación coincide con los
signi icados conside ados pe inen es
- Una idea simpli icado a del niño con ibuye a que se pie dan opo unidades
educa i as en las ac i idades educa i as de la gale ía Ta e B i ain
Apo ación de la esis doc o al al campo de la educación museís ica
Como hemos comen ado an e io men e, in es igado es y p o esionales
in oluc ados en la educación museís ica han abogado po que se examinen las p ac icas
de in e p e ación que se omen an desde las ac i idades y ecu sos educa i os de los
39
museos, pa a conoce qué modelos de in e p e ación se ponen en p ác ica y decidi si se
quie e segui u ilizándolos y así pe pe ua los (Mesza os, 2007b).
En nues a opinión el es udio doc o al al que se e ie e es e ex o con ibuye a
es e in, ya que no se han ealizado apenas es udios que analicen de mane a an
de allada las adiciones de c eación de signi icado en las que, conscien e o
inconscien emen e, se apoyan y omen an en los discu sos y p ác icas educa i as de un
museo de a e.
Nues o es udio puede ayuda a acla a el ol que el museo juega en la
cons ucción de la opinión de los espec ado es, y ayuda le a se conscien e de su
esponsabilidad pa a con los alo es, ideas y epe o ios de c eación de signi icado que
p oduce en la cul u a (Mesza os, 2007a, 2007b).
Igualmen e, c eemos que puede ayuda a la ins i ución es udiada, y a o as
simila es, a epensa su ac i idad, con el in de ealiza , si ue an necesa ios, ajus es
en e sus posiciones ins i ucionales y la ealidad de sus acciones educa i as.
Po o a pa e, la in es igación ha dado ambién como esul ado el diseño y
alidación de un apa a o concep ual y me odológico que puede se i como modelo,
abie o a se modi icado, pa a analiza discu sos y p ác icas educa i as de o as
ins i uciones que u ilicen ob as de a e con obje i os educa i os, como pueden se
escuelas, museos o cen os de a e.
Conside amos inalmen e que, al y como de ienden in es igado as an
in luyen es como Hoppe -G eenhill (1999), es a in es igación apo a más da os pa a
cla i ica el ínculo en e cul u a y pedagogía, ijándonos en los oles sociales y
cul u ales que el museo juega y a iculando la elación en e los museos como
o ganizaciones cul u ales y como luga es de ap endizaje.
46
O g upo p o issional es udado po es a in es igação, nes a pe spec i a
epis emológica, não cons i ui uma massa homogénea, passi a e amo a; pelo con á io,
são p ecisamen e as di e enças de signi icados que cons ói que se p ocu a ap eende .
Assim, p i ilegia-se o con ex o de descobe a e não de p o a, is o é, o objec i o
p incipal não é a e i icação de uma dada eo ia p é-es abelecida; o in es igado p ocu a
espos as pa a á ias ques ões, le an a uma di e sidade de hipó eses que podem ou não
se con i madas no decu so, ou no im da pesquisa, e pode ainda e o seu con eúdo
en iquecido com uma in o mação inespe ada e igualmen e pe inen e.
Pa a Poupa , es e p ocesso p o undamen e indu i o, em que o p ocesso de
in es igação não possui c i é ios esc upulosamen e p é-de inidos mas an es cons uídos
cons an emen e (POUPART, 1990: 99).
Tendo po base es e quad o concep ual p o agonizado pelas me odologias
quali a i as num mo imen o ―con inuun‖ de incu são às abo dagens quan i a i as e a
algumas écnicas que lhe são p óp ias, decidiu-se eco e à pesquisa explo a ó ia pa a
p opo ciona uma isão ge al que escla eça concei os e ideias e o mule p oblemas mais
p ecisos e, pa alelamen e à pesquisa desc i i a pa a es uda de e minadas
ca ac e ís icas, ac i idades, opiniões e elações en e as a iá eis da população-al o.
T a a-se de ecolhe não só uma his ó ia de ida mas, mul iplicá-la de o ma a
ap eende os acon ecimen os sociais, o seu sen ido e o seu impac o sob e os indi íduos.
Também designado po mé odo biog á ico indi ec o
23
, es e p ocu a cap a o não
explicado, o não e ido pa a se si ua nes a enc uzilhada da pessoa e da sociedade que é
a p óp ia ida. A sociedade engend a ideologias, alo es e as écnicas mas, são os
homens que as azem, anspo am e i em e is o ao longo do desen ola diá io de cada
exis ência. A biog a ia pode cap a essa quo idianidade da exis ência (POIRIER,
CLAPIER-VALLADON, RAYBAUT, 1995: 145)
No mé odo biog á ico os sujei os são enca ados como ―ac o es sociais‖, is o é,
sujei os cujo compo amen o não é passi o, nem é esul ado de um jogo de
de e minismos que se esume ao es ímulo-acção. Também não é conside ado
in ei amen e li e na medida em que é po ado de um pon o de is a p óp io, que
depende da posição que ocupa no social e na his ó ia que oi a sua e, dos p ojec os em
o no dos quais se o ganiza a sua ac i idade (COLECTIVO, 1997: 205-206). E, es e é
23
Dis ingue-se o mé odo biog á ico indi ec o do di ec o po que, enquan o que o p imei o implica a
p esença de dois in e enien es, o na ado e o na a á io, o segundo, em em conside ação apenas o
locu o e a sua memó ia, sem a p esença de qualque es anho; ambém se denomina es e úl imo mé odo
po au obiog a ia.
47
o maio con ibu o que o sujei o pode aze à in es igação, é o de e p esen e o seu
p ocesso pessoal único.
T a a-se de um mé odo já an igo que, endo ecupe ado o seu in e esse nos
úl imos anos, é cada ez mais u ilizado em inúme os es udos ealizados em di e sos
sec o es sociais. Po exemplo, numa in es igação sob e a p o issão do p o esso ,
F ancine Muel-D ei us mos a como a abo dagem biog á ica elucida pa icula men e o
es udo das ins i uições; pa a es a in es igado a, não é possí el analisa his ó ica e
sociologicamen e as ins i uições sem abo da os sujei os que as cons oem
(ALBARELLO, 1997: 206).
Fo am ecolhidas, não só as in o mações necessá ias, como mui as ou as
inespe adas que en iquece am a análise inal. Es a abundância de in o mação deixa em
abe o ou os caminhos explo a ó ios dos es emunhos, pe spec i ados sob ou os
ângulos emá icos, ou a é mesmo como his ó ias indi iduais.
Após a ecolha, e ec uou-se a ansc ição ipsis e bis das en e is as, ou seja,
egis ando li e al e ielmen e o ela o dos indi íduos, pala a a pala a, não eliminando
e os de cons ução g ama ical, epe ições e in e jeições.
A análise dos dados oi ealizada a a és do p og ama QSRNVi o, uma e amen a das
no as ecnologias mui o u ilizada na in es igação quali a i a, que pe mi iu enquad a as
na a i as dos en e is ados, segundo ca ego ias emá icas p é-de inidas.
Geog a icamen e, o campo de acção da in es igação limi ou-se aos museus da
cidade do Po o, po que es e ap esen a um núme o signi ica i o de ins i uições e
p o issionais com ca ac e ís icas bem di e enciadas como a na u eza de colecções, o
ipo de u elas e seus es a u os ju ídicos. Assim, p ocedeu-se ao le an amen o de odas
as ins i uições museológicas da cidade, o alizando 24 museus, excluindo-se assim, as
biblio ecas, a qui os, ja dins bo ânicos e zoológicos.
24
O núme o ele ado de museus co obo a os dados do ela ó io Inqué i o aos
Museus em Po ugal le ado a cabo em 2000, o qual e e e que o No e do país ap esen a
uma g ande concen ação de museus, pe azendo uma média supe io a 10 museus
(IPM, 2000: 49).
Após es a selecção, cons i uiu-se a amos a desejada com apenas 15
p o issionais, sendo um deles a p óp ia in es igado a des e es udo e, como al, excluído
24
Le an amen o ealizado a pa i do olhe o de di ulgação do p og ama Famílias nos Museus,
p omo ido pela C.M.P., 2007, do Ro ei o de Museus, I.P.M./R.P.M, 2004 do si e Po o Digi al, WWW.
po odigi al.p .
48
au oma icamen e.
25
Es e núme o não co esponde à ac i idade educa i a dos museus
acima lis ados, pelo con á io, a maio ia ap esen a um p og ama de ac i idades di e so
mas, que eco e a ecu sos humanos ex e nos median e as solici ações, e que po isso
não o am incluídos na cons ução da amos a.
TOTAL DE MUSEUS E DE PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO.
Nº DE MUSEUS
Nº DE PROFISSIONAIS
TOTAIS
24
15
Tabela 1: To ais de museus e de p o issionais de educação na cidade do Po o
MUSEUS DA CIDADE DO PORTO, SEUS ESTATUTOS JURÍDICOS, TIPO DE COLECÇÕES E
NÚMERO DE PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO.
Nome
Es a u o Ju ídico
Tu ela
Tipo/Na u eza de colecções*
P o issionais de educação
A queo-sí io da ua D. Hugo
Público
Câma a Municipal do Po o
A queologia
Não
Casa-Museu Eng.º An ónio de Almeida
P i ado
Fundação
A es Deco a i as
Não
Casa Museu Gue a Junquei o
Público
Câma a Municipal do Po o
A es Deco a i as
Sim
1 p o issional
Casa Museu Ma a O igão Sampaio
Público
Câma a Municipal do Po o
A es Deco a i as
Sim
1 p o issional
Casa-O icina An ónio Ca nei o
Público
Câma a Municipal do Po o
A e
Não
Gabine e Numismá ica
Público
Câma a Municipal do Po o
Numismá ica
Não
Museu de A e Sac a e A queologia
P i ado
Diocese do Po o
A e Sac a e
A queologia
Não
Museu de A e Con empo ânea de
Se al es
P i ado
Fundação
A e Con empo ânea
Sim
2 p o issionais
Museu das Belas A es
Público
A e
Não
25
O p o issional de educação da Casa Museu Gue a Junquei o, au o da in es igação em cu so, exe ce as
mesmas unções educa i as no a queo-sí io da ua D. Hugo, não endo sido conside ado na abela nº1. Po
ou o lado, há que e e i que no momen o da cons ução da amos a e ealização de en e is as, ou o
p o issional de educação – a exe ce unções no Museu Vinho do Po o - não oi ab angido po se
encon a em mudança labo al.
49
Uni e sidade do Po o
Museu do Ca o Eléc ico
P i ado
Sociedade de T anspo es
Colec i os do Po o
Sim
1 p o issional
Museu da Casa do In an e
Público
Câma a Municipal do Po o
A queologia
Sim
2 p o issionais
Museu da Ciência e Indús ia
P i ado
Associação
Ciência
Não
Museu de Engenha ia
Público
Uni e sidade do Po o
Ciência
Não
Museu Ma ia Isabel Gue a Junquei o e
Luis Mesqui a de Ca alho
P i ado
Fundação
A es Deco a i as
Não
Museu Mili a
Público
Minis é io da De esa
Especializado
Não
Museu Nacional de Imp ensa
P i ado
Associação
Especializado
Sim
1 p o issional
Museu Nacional Soa es dos Reis
Público
Ins i u o Po uguês de Museus
A es Deco a i as
Sim
1 p o issional
Museu Papel Moeda
P i ado
Fundação
Especializado
Sim
1 p o issional
Museu Pa ada Lei ão
Público
Uni e sidade do Po o
Ciência
Não
Museu Român ico da Quin a da
Maciei inha
Público
Câma a Municipal do Po o
His ó ia
Sim
2 p o issionais
Museu de S. F ancisco do Po o
P i ado
Mise icó dia
A e Sac a
Não
Museu dos T anspo es e
Comunicações
P i ado
Associação
Sim
3 p o issionais
Museu Vinho do Po o
Público
Câma a Municipal do Po o
His ó ia
Não
Museu de His ó ia Na u al
Público
Uni e sidade do Po o
His ó ia Na u al
Não
Tabela 2 – Museus da cidade do Po o, seus es a u os ju ídicos, ipo de colecções e núme o de
p o issionais de educação.
* De aco do com as ipologias de inidas pelo ICOM
50
Os museus que pa icipam na amos a são os seguin es: Casa Museu Ma a
O igão Sampaio, Museu do Ca o Eléc ico, Museu Nacional de Imp ensa, Museu
Nacional Soa es dos Reis, Museu Papel Moeda, Museu da Casa do In an e, Museu de
A e Con empo ânea de Se al es, Museu Român ico da Quin a da Maciei inha, Museu
dos T anspo es e Comunicações. A maio ia des es espaços possui no sec o de
educação um p o issional, sendo de des aca , os úl imos qua o, cujas equipas são
o madas po dois a ês elemen os.
Logo numa p imei a lei u a, de ec a-se que e ec i amen e a maio ia dos museus
não em nos seus quad os de pessoal p o issionais que se dediquem exclusi amen e à
missão educa i a, ão bem pa en e na de inição de museu.
Ainda segundo o ela ó io de 2000, os se iços educa i os são e e enciados
como um dos se iços de acolhimen o mais impo an es, 59% dos museus do e i ó io
nacional a i mou possui ais unções, não sabendo con udo, se ais dados se epo am
às ac i idades ealizadas ou a um quad o de p o issionais que as o ganiza e ealiza
(I.P.M., 2000: 114,115).
En e is a am-se ca o ze p o issionais
26
in eg ados nos sec o es de educação.
Conside ou-se po ―se iço de educação‖ um sec o o ganizado, do ado de ecu sos
mínimos, designadamen e pessoal (com um ou mais p o issionais), insc i o
o ganicamen e no museu que desen ol e acções di igidas ao público, com objec i os
educa i os.
De aco do com es a noção, excluí am-se os museus que não inham ads i os
quaisque ecu sos especí icos pa a o desen ol imen o de ac i idades de na u eza
educa i a, embo a pudessem ealiza de o ma pon ual algumas ac i idades nes a á ea.
Numa p imei a lei u a obse a-se que, apesa de se assis i a um c escen e
aumen o do núme o de se iços de educação em Po ugal, impulsionado, em pa e pela
Lei-Quad o de 2004 que de ine a ão p oclamada missão educa i a des as ins i uições
cul u ais, é eduzido o núme o de p o issionais de educação, compa a i amen e ao
núme o o al de museus ( in e e qua o). Con udo, cons uiu-se uma amos a
ep esen a i a da cidade, po ap esen a di e en es na u ezas de colecções pe encen es a
á ias u elas p i adas e públicas.
26
As en e is as deco e am en e 1 de Ma ço e 11 de Ab il de 2007. A maio ia op ou po ealizá-las nos
seus p óp ios locais de abalho, à excepção de dois en e is ados que decidi am azê-lo um, na sua
p óp ia esidência e, ou o no local de abalho do in es igado .
51
Ca ac e ização sócio-demog á ica e o ma i a
Exclusi amen e eminino e maio i a iamen e jo em, o g upo e lec e os
mo imen os do mundo con empo âneo, no qual as mulhe es ão ocupando, cada ez
mais, luga es no me cado de abalho, e demons a que a á ea educa i a em museus,
apesa da sua madu a exis ência, em indo a se uma apos a. A esidi na g ande á ea
me opoli ana do Po o, são á ios os casos cujos ajec os o am pe co idos o a des e
pe íme o e inalizados nes a cidade, mo i ados pela p ocu a de opo unidades, que na
o mação académica, que no meio labo al.
Cons a a-se que se a a de um g upo cada ez mais quali icado, ap esen ando
o mação académica, no mínimo, ao ní el da licencia u a. Des aca-se uma maio
p eponde ância das á eas mais clássicas, como a His ó ia (em odas as suas e en es), a
Sociologia e, uma p esença signi ica i a de no as licencia u as elacionadas com as
e en es da comunicação cul u al, da educação, ealizadas pela ge ação mais jo em.
São sinais de mudança que p o am que os museus es ão a ab i -se pa a o mundo, pa a
ou os sabe es, na expec a i a de p opo ciona no as lei u as das suas colecções e,
assim, ca i a um maio núme o de isi an es.
A p óp ia legislação dos museus de Fe e ei o de 2001 (D.L. nº55/2001) ab e a
ca ei a dos p o issionais de museus a no as á eas de o mação. O no o diploma
insc e e-se no ala gamen o da base de ec u amen o e na mobilidade en e as ca ei as.
P e ende ab i os museus a o mações di e si icadas, diminuindo ao máximo as
ca ei as especí icas. O en endimen o de que a pe meabilidade das ca ei as é
undamen al ao desempenho do museu jus i ica que, po exemplo, aos se iços
educa i os não seja a ibuída uma ca ei a especí ica, conside ando que a o mação
especializada em de e minada á ea é pe igosamen e edu o a.
O pe cu so o ma i o não se esgo a, con udo, na aquisição do diploma
uni e si á io. A p eocupação cons an e em ac ualiza os conhecimen os, e e en es que
aos espólios, que aos públicos, comp o am uma pos u a in e essada, au o-didac a,
c í ica e ac i a dos en e is ados. P ocu a am, sob e udo, espos as a ques ões p á icas
do dia-a-dia, como o domínio de algumas écnicas das exp essões a ís icas, a
in o mação sob e a his ó ia das colecções, suas écnicas e ma e iais, pa icipando pa a
isso em inúme as acções, seminá ios, wo kshops, con e ências. É su p eenden e o
núme o ele an e de pós-g aduações e mes ados a se em equen ados e, ou os, já
concluídos que, ixando um ní el cien í ico especializado, aba cam á eas como a
museologia, a sociologia dos públicos, a educação, as exp essões a ís icas e a
52
a aliação. Com a abe u a dos museus a no os papéis, o con ínuo aumen o de isi an es
e o su gimen o de no os públicos, e elam-se no os desa ios que os p o issionais,
a en os, p ocu am ab aça . Pa a al, p ocu am apoio eco endo a no as o mações que
su gem, po exemplo, no âmbi o da inclusão social, do es udo de públicos e da
a aliação. Pa alelamen e, em de e minados museus assis e-se a um c escimen o das
equipas educa i as nume osas e poli alen es, das quais azem pa e colabo ado es
in e nos e ex e nos, o nando-se necessá io coo dená-las e ge i-las, não só em e mos
humanos mas, ambém inancei os. Assim, são exigidos conhecimen os de ges ão
aplicados em di e sas e en es, como a con abilidade, ecu sos humanos, di ei o,
in o má ica, inancei a, en e ou os.
Se, po um lado, as u elas pa a as quais abalham conco dam e de endem a
o mação con ínua, seja a que ní el o , esse apoio eó ico não é, po ém, o almen e
acompanhado na p á ica, a a és da compa icipação inancei a e na disponibilização de
empo necessá io pa a a sua conclusão.
Expe iência p o issional: pe cu sos passados e enquad amen o ac ual
No que diz espei o às expe iências labo ais an e io es, a maio ia iniciou a sua
ida p o issional em con ex os da cul u a/a e e comunicação/educação, desen ol endo
p ojec os nou os museus, ins i uições simila es e leccionando no ensino o mal. Pa a
alguns, a p esen e si uação labo al é a única que conhecem, endo sido in eg ados
au oma icamen e após os es ágios académicos e p o issionais. Ou os ainda, depa am-se
inespe adamen e com es a unção, passando a explo a um lado desconhecido que acaba
po se ans o ma numa e dadei a ocação.
São pe cu sos alguns ainda cu os, ou os mais longos, que e lec em uma
a i ude lu ado a e de conquis a pelo seu sonho, nascido já em empos de in ância e
adolescência e es imulado po i ências e pessoas que idas, ou despole ados po
descobe as ecen es, mas em odos eles se adi inha uma en ega de co po e alma a es a
p o issão, assumindo um espí i o de missão mui o o e.
Ing essando nos luga es a a és de concu sos públicos, di ulgados nos meios de
comunicação, de en e is as, de p ocessos mais echados e es ei os possibili ados po
um con ac o já amilia es abelecido du an e es ágios ou abalhos pon uais, e i ica-se
que alguns en e is ados i e am um início u bulen o e di ícil, sujei ando-se a
di e en es con a os empo á ios, de e mo ce o e a si uações mais p ecá ias, como os
ecibos e des. Toda ia, ac ualmen e, odos gozam de uma ce a segu ança po
53
possuí em ínculo pe manen e, ainda que seja ilusó io, pe encendo ao quad o de
pessoal da o ganização, nomeadamen e aqueles que se encon am in eg ados em
ins i uições da adminis ação pública.
Se o p esen e se mos a aos olhos dos p o issionais es á el, po ou o lado,
mos a-se desmo i ado quando ques ionados sob e a p og essão/p omoção de ca ei a.
A maio ia conside a-se mal emune ada. A ibuem a culpa aos limi ados
o çamen os dis ibuídos pela á ea da cul u a que acaba po se e lec i ,
ob iga o iamen e, nas espec i as u elas. Obse a-se um desconhecimen o pelo
p ocesso, o que le a a c e a a -se de um campo especí ico de cada o ganização, cujos
c i é ios e eg as são pouco anspa en es e a iá eis, con o me a ges ão e o momen o e,
po isso, nada pa ilhadas pelos colabo ado es. Apesa de udo isso, es as condições
menos a o á eis não são ac o es de e minan es nas escolhas e pos u as p o issionais,
o que demons a o ―amo à camisola‖, o mesmo é dize o amo à p o issão.
Ac i idades desen ol idas
No que diz espei o à ―p axis‖, são di e en es as unções e ac i idades
desen ol idas pelos p o issionais, alguns em equipa, ou os indi idualmen e. São
nume osos os exemplos que incluem a exis ência de mais do que um elemen o nos
sec o es educa i os, sendo uns pe encen es aos quad os do museu e ou os,
colabo ado es ex e nos, com uma ligação pon ual, mais ou menos e éme a, con a ados
pa a desen ol e em de e minadas ac i idades, de que são exemplo os moni o es e
consul o es especializados. São si uações esul an es o a do núme o de icien e de
luga es nas ins i uições, o a de opções conscien es de ges ão de ecu sos humanos, com
o objec i o de expandi o leque de acções, di e si icando a o e a pa a o público. São
se iços especializados que ul apassam a es e a de acção dos p o issionais e, quando
possí el, o na-se necessá io adqui i-los. Salien a-se, ainda, a p esença nes e g upo de
colabo ado es, como os es agiá ios e os olun á ios que, apesa de não se em
con a ados man êm, de ce a o ma, uma elação com a en idade labo al apoiando em
la ga medida os p og amas deco en es. Fo mam-se assim equipas mul idisciplina es
capazes de concebe , a icula e ealiza ac i idades di e si icadas e adap adas a á ios
públicos.
Como consequência do aumen o das equipas de abalho e do olume de
abalho, alguns en e is ados são chamados às esponsabilidades da coo denação,
a as ando-se cada ez mais das unções do e eno. Dis ingui am-se duas dimensões do
54
abalho desen ol ido pelo p o issional de educação, uma ligada ao abalho de
gabine e/bas ido es e ou a elacionada com o e eno/campo de acção, sendo, es a
úl ima, o con ex o de excelência e o mais alician e pa a a gene alidade.
É o con ac o di ec o com o público que é alo izado pelos en e is ados, é o que
os es imula e mo i a, que os az p ocu a melho a , ac ualiza , ap ende ambém pa a
pode em o e ece maio qualidade. O abalho de gabine e é pa a quase odos um ―mal
necessá io‖, que são ob igados a cump i mas, semp e que podem, e i am.
Tabela 3 – Iden i icação das unções e ac i idades dos p o issionais de educação em museus da cidade do
Po o. (ac i idades ―de e eno‖ sob e undo osa e ac i idades ―gabine e‖ sob e undo azul, as mais
equen es a neg i o)
A concepção dos p og amas in e p e a i os, a di ulgação a pa i dos meios
disponí eis localmen e ou a a és dos gabine es de comunicação das ins i uições, o
cons an e es udo sob e as colecções, educação ou públicos e, po im, a cap ação de
pa ce ias, que pa a possí eis inanciamen os, que pa a apoia humanamen e as acções,
são ac i idades desen ol idas e pa ilhadas po odos. Salien a-se a p esença do
E.1
E.2
E.3
E.4
E.5
E.6
E.7
E.8
E.9
E.10
E.11
E.12
E.13
E.14
Coo denação
X
X
X
X
X
X
-
-
-
-
-
-
-
X
Ges ão
Recu sos humanos
X
X
X
-
X
X
-
-
-
-
-
-
X
X
Financei a
X
X
-
-
X
X
-
-
-
-
-
-
-
-
O ganiza i a
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
In e p e ação
P og amação
Vá ias ac i idades
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
In e p e ação
Execução
Visi as
X
-
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
X
O icinas
X
-
X
X
X
-
X
X
X
X
-
-
X
X
Ci cui os ex e io es
X
-
-
-
-
-
-
-
X
-
X
X
X
-
Cu sos/
wo kshops/colóquios
X
-
-
-
X
-
X
X
-
-
-
-
-
X
P og amas especí icos
X
-
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
X
Ma e iais de apoio
X
-
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
X
I ine âncias
X
-
-
-
X
-
X
X
-
X
X
X
X
-
Di ulgação
Acções ex e nas
-
-
X
-
X
-
X
X
X
X
-
-
X
-
Acções in e nas
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
A aliação
Fo mal
X
-
X
X
X
-
X
-
X
-
-
-
X
-
In o mal
X
X
X
X
X
X
X
X
X
-
-
-
-
X
Es udos/pesquisas
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Pa ce ias
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Fo mação
X
X
-
-
X
X
X
X
-
-
-
-
-
-
Ou as ac i idades
-
-
X
-
X
-
X
X
X
-
-
-
-
-
55
p o issional em odo o p ocesso: desde o su gimen o e desenho da ideia, a sua
consolidação a a és do es udo de con eúdos e in e p e ação p og amá ica, a p ocu a de
meios auxilia es pa a a execução e, inalmen e, a sedução de público.
É de sublinha a poli alência cada ez mais exigida aos p o issionais que se
êem pe an e a necessidade de acumula unções di as educa i as com ou as que se
dis anciam da emá ica. A al a de ecu sos humanos e inancei os e a p essão de man e
ac i os odos os se iços ins i ucionais azem com que os en e is ados enham de
cump i em sec o es como audi ó ios, biblio ecas, cen os de documen ação, p odução e
manu enção de exposições, loja, in en á io da colecções, en e ou as.
En e as ac i idades in e p e a i as que isam di e en es públicos, cons a a-se
uma maio equência de isi as, sob di e en es o ma os, as o icinas, a p odução de
ma e iais de apoio, como as edições didác icas, jogos, as acções i ine an es, em que se
e idenciam as male as pedagógicas e as exposições i ine an es e os p og amas
especí icos nos quais se inse em as inicia i as sazonais e enquad adas nos di e en es
pe íodos do ano são ambém comuns.
A a aliação é ainda uma a e a pouco in es ida nos museus, cons i uindo um
me o apon amen o numé ico pa a sa is aze as p essões ins i ucionais. Es udos
quali a i os e con ínuos são a os, pa a não dize nulos. Pelo con á io, a o mação é um
papel assumido po alguns en e is ados que no sen ido de en iquece os seus pa es ou
esponde a solici ações de cu sos sob e a á ea educa i a em museus de de e minadas
escolas e uni e sidades, pa ilham expe iências e conhecimen os em cong essos,
seminá ios, cu sos ou mesmos em isi as especí icas.
Públicos
São, sob e udo, os g upos escola es os p incipais ―clien es‖ dos museus, com
pa icula incidência pa a o 1.º ao 3.º ciclo e secundá io, com menos a iedade o p é-
escola e o uni e si á io.
A pa ce ia Museu/Escola semp e oi, e con inua a se , uma ligação p i ilegiada
po ambas as pa es. Os alunos são le ados aos museus pelos p o esso es com o
objec i o de ilus a , no e eno, os con eúdos cu icula es das suas disciplinas, de
p opo ciona ac i idades pedagógico-lúdicas, de es imula a o mação do aluno
enquan o se ac i o e c í ico, abe o ao mundo, conhecendo espaços que de ou a o ma
di icilmen e o a iam. Po seu lado, os museus acolhem com ag ado es es g upos
62
Os museus são espaços de ap endizagem e de encon o, que ajudam a
po encializa , pe an e os objec os, as aculdades de cada um, es imulando a e lexão, a
obse ação, a imaginação, incu indo sen ido es é ico e c iando pon os de equilíb io e
associações com a ealidade ex e io .
Explo adas as conside ações eó icas que os en e is ados des a in es igação
ap esen am sob e a educação em museus, suas missões e objec i os, in e essa ambém
conhece o papel que, segundo os mesmos, o p o issional de educação de e assumi
nesse con ex o.
P ocu a-se descob i as ideias que os na ado es êm de um p o issional de
educação em museus pa a pode se possí el aça um pe il, como se obse a á mais
a de, com conhecimen os, ap idões, compe ências e qualidades humanas, essal ando os
pon os posi i os sem, con udo, esquece de aze e e ência aos pe igos a que es á
sujei o o mesmo.
Excep uando algumas na a i as que ainda es ão um pouco p esas à ideia
clássica da educação o mal, da sua associação à ins i uição escola e ao p o esso , a
gene alidade dos en e is ados dão con inuidade aos seus discu sos concep uais que, se
nes es demons am alguma di iculdade em e baliza , em elação a es e ópico
desen ol em com mais acilidade, e lec indo as co en es e es udos ac uais.
Op ou-se po uma lis agem o ganizada em ês g andes dimensões do
conhecimen o – do sabe , do aze e do se , po ou as pala as, as capacidades
in elec uais, as compe ências p á icas e, po im, as qualidades humanas.
Assim, sucin amen e, ao p o issional de educação em museus cabe á:
O domínio da dimensão do sabe :
De ini concei os, p ocessos e me odologias de comunicação;
Conhece bem as colecções e a missão do museu;
Es uda e in es iga pe manen emen e as emá icas elacionadas com o
espólio;
T abalha as iden idades das comunidades;
Conhece os públicos;
Sabe que o se humano ap ende de di e en es o mas.
O domínio da dimensão do aze :
Assumi a unção de mediado en e o con eúdo do museu e as pessoas;
63
Faze com que os ou os usu uam da beleza das colecções;
P opo ciona códigos de lei u a e e amen as pa a es imula o olha e o
sen i ;
O e ece in o mação ac ualizada e in e essan e;
Sabe o ien a a in o mação;
Explo a di e en es pe spec i as de um só objec o;
U iliza di e en es es a égias de mediação eco endo às á ias á eas do
conhecimen o que a ís icas como o ea o, música, exp essão plás ica,
o og a ia, li e a u a, como cien í ica, como po exemplo a ciência
expe imen al;
Ajuda cada um a i a o máximo pa ido das suas compe ências,
alen os, ocando a indi idualidade de cada um;
P omo e a pa icipação c í ica e a in e ac i idade;
O e ece opo unidades de ap endizagem;
Deixa o isi an e cons ui os seus signi icados;
Acompanha no p ocesso de cons ução de signi icados do isi an e;
Sabe aze espei a as no mas e eg as;
Lança chama izes pa a se o isi an e a cons ui a sua ap endizagem;
Ensina , pa ilha com o museu.
Faze associações com a ealidade ex e io ao museu;
Desa ma ideias p é-concebidas;
Es imula a e lexão, a obse ação, a imaginação, a sensibilidade, a
cu iosidade, a descobe a, o gos o;
Cap a pa ce ias e cong ega es o ços pa a que o abalho seja mais
comple o e p o undo (a p o issão do educado do museu é aze udo);
Obse a e ou i a en amen e o eedback dos isi an es.
O núme o de e e ências ela i as à dimensão do aze e do se é, sem dú ida
alguma, maio e di e si icado compa a i amen e ao sabe , e lexo da p e e ência dada
pelos p o issionais à o ma como se liga a eo ia à p á ica, ou se ap oxima o isi an e
dos objec os e da alo ização do con ex o in a e in e pessoal das expe iências
oco idas.
Fazendo uma análise das na a i as, sob um p isma p ocessual, é possí el
obse a que, jun ando os con ibu os de odas as na ações, algumas mais comple as
que ou as no que diz espei o a es a emá ica, a pe cepção concep ual dos en e is ados
quan o à unção do educado em museus, na gene alidade acompanha as conside ações
eó icas que êm em elação à comunicação, educação e ap endizagem analisadas
an e io men e:
O domínio da dimensão do se :
64
Es a p óximo da pessoa pa a conhece as suas mo i ações, objec i os,
conhecimen os e expe iências passadas;
Te o engenho de c ia laços com a in o mação;
Valo iza o indi íduo;
P omo e momen os de sucesso;
Apoia a o mação comple a do sujei o;
Con ibui pa a a in eg ação social, em p ol do desen ol imen o da
sociedade;
Ab i ho izon es pa a o mundo, con on ando-se com a di e ença e a
semelhança;
Seduzi os isi an es;
Faze os isi an es sen i em-se bem acolhidos, e em p aze nas
ac i idades que desen ol em en iquecendo-os a a és de conhecimen o
e emoções;
Da inspi ação a ajuda a c ia pessoas de pensamen o li e;
Incen i a hábi os cul u ais;
C ia empa ia
Responsabiliza o indi íduo pela sua he ança;
Deseja , a a és do museu, que as pessoas se o nem mais conhecedo as
de si mesmas e dos ou os;
Ajuda as pessoas a o na em-se mais icas;
C ia o p aze pelo museu;
Se o a au o da colecção;
Se apaixonada pelos objec os e pelas pessoas;
Es imula o sen ido c í ico, de ques ionamen o.
Uma ce eza sob essai em odos os en e is ados que é a consciência que o
p o issional de educação em museus se si ua en e dois eixos undamen ais: as
colecções e o público. Po ezes, e i ica-se que uns ap oximam-se mais de um ec o
do que de ou o mas, assumem a indissociabilidade dos dois, es aziando-se de qualque
sen ido a missão educa i a quando se alo iza apenas um dos lados.
Seguindo a mesma linha de pensamen o, o p o issional assume assim o papel de
mediado cul u al, enquan o elemen o ag egado dos dois mundos, de duas co-cul u as
equi a i as (WILLIGEN, 1993: 127), que se complemen am, sem subjuga uma à ou a,
c iando es a égias que acili em e p omo am a ap oximação dos públicos às colecções.
É a acção de se i de in e mediá io en e duas dimensões, independen es,
aguçando a discussão, a in e acção, p o ocando a cu iosidade, a descobe a, o
encan amen o, encon ando elações en e o que acon ece na expe iência museal e o
quo idiano do isi an e, le ando em con a o seu luga social e cul u al.
65
Obse e-se, ainda, o esquema seguin e:
Fig. 6 – Pe spec i as dos en e is ados sob e o p o issional de educação
Visi an e
Como?
Objec o
Colecção
Educação
Comunicação
Mediação
Cons ução
O p o issional de e:
Es uda
Conhece
In e p e a
Po que as colecções são a ma é ia
b u a da qual depende a missão
museológica
- Reconhecendo que o isi an e cons ói os seus signi icados;
- P omo endo a in e acção e pa icipação ac i a;
- Valo izando os conhecimen os p é ios e as expe iências passadas;
- Obse ando e escu ando;
- Con ex ualizando a a és associações;
- Ap esen ando di e sas pe spec i as do mesmo objec o;
- Disponibilizando e amen as de apoio;
- Reco endo a di e en es es a égias de ap endizagem que en ol am á ias linguagens;
- Cap ando pa ce ias e colabo ações;
- O e ecendo um ambien e e condições a o á eis;
- A a és do lúdico, do p aze , da descon acção.
“Se apaixonada pelos objec os e pelas pessoas”
O p o issional p e ende:
- Es imula a e lexão, a obse ação, a imaginação, a
sensibilidade, a cu iosidade, a descobe a, o gos o;
- C ia hábi os cul u ais;
- Valo iza o se , po encializando alen os e aculdades;
- Fo mação in eg al ao ní el do conhecimen o e dos a ec os;
- Ab i ho izon es, con on ando o di e en e e o semelhan e;
- P omo e pos u as ac i as, pa icipa i as, c í icas;
- Con ibui pa a a in eg ação e desen ol imen o social;
- Responsabiliza o indi íduo pela sua he ança;
66
O mediado é um e cei o elemen o num p ocesso de cons ução de uma
qualque ealidade o emen e comunicacional no qual desempenha o papel
simul aneamen e de adu o , acili ado , negociado , an i ião, embaixado , pa cei o,
mode ado , descodi icado , o ien ado , ca alisado e in e mediá io en e dois ou mais
in e locu o es, endo como cená io di e en es con ex os de sociabilidade, sendo po isso
a sua iden idade ede inida cons an emen e.
Pa a cump imen o des a missão, exige-se do mediado equilíb io, sensibilidade,
abe u a pa a cap a a essência dos ace os, ―não i ando cos as à he ança‖ que os az
di e encia de odos os ou os espaços museológicos, e colocá-los ao alcance e usu u o
das pessoas, ge indo as eacções que daí ad enham.
Fig. 7 – Dimensão idimensional dos equisi os pa a o p o issional de educação em museus, segundo os
en e is ados
No que diz espei o à o mação in elec ual do p o issional de educação em
museus, à excepção apenas de um só elemen o, odos os es an es de inem a licencia u a
como equisi o mínimo podendo se , pa a algumas opiniões, ex ensí el à pós-
g aduação, mes ado e dou o amen o.
Fo mação In elec ual
Ca ac e ís icas Pessoais
Compe ências
PERFIL PROFISSIONAL
67
A o mação supe io é undamen al pa a quem coo dena um se iço de educação
uma ez que é necessá io e lec i sob e a polí ica e objec i os do museu a es e ní el.
Não signi ica que odos os que abalham nes a á ea de am e es e ní el de o mação;
po exemplo, aos moni o es que colabo am em alguns museus não lhes é exigida a
licencia u a, pois as necessidades p endem-se sob e udo com o sabe aze . É nes e
aciocínio que a espos a de ce a inqui ida se enquad a quando não es ipula nenhum
equisi o académico po que pensa que, pa a esboça e ealiza uma isi a ou uma
o icina, não é p eciso e uma licencia u a, mas sim compe ências écnicas.
São, sob e udo, os p o issionais esponsá eis po le a a cabo a missão
educa i a, pela o ganização e coo denação da p og amação, e pela o ien ação das
ac i idades, que de em se o mados ao ní el da licencia u a.
Os dados não causam es anheza uma ez que, ac ualmen e, a população
po uguesa caminha pa a uma c escen e escola ização e o mação ao ní el académico e,
p o a disso é o desemp ego que se e i ica no seio dos licenciados. É comum um
candida o a um emp ego ap esen a es e ní el de o mação e, como al, os p o issionais
em es udo não são excepção quando, na maio ia, conside am impo an e a licencia u a
como base pa a abalha na á ea educa i a.
Os p o issionais ap esen am espos as di e sas quan o à á ea emá ica das
o mações académicas. Se uns conside am que é impo an e an es de udo a na u eza do
museu e das suas colecções, odos op am po de ende o ca ác e mul idisciplina das
equipas educa i as, quando es as exis em. A di e sidade de o mações é um ac o
de e minan e no en iquecimen o de cada p o issional que, ao pa ilha as expe iências,
ai ap eendendo no os conhecimen os e compe ências, demons ando uma eno me
plas icidade que, pos e io men e, pode aplicá-los na p á ica.
Os cu sos supe io es, como His ó ia ( e en e A e e e en e Educacional),
Sociologia, Ciências da Educação – os mais o ados – e, ainda a Animação
Sociocul u al, Ges ão de Pa imónio, Comunicação Cul u al e Li e a u a, com menos
e e ências. No undo, odos se in eg am no mundo das ciências sociais e cul u ais.
Cu iosamen e, e i ica-se uma ce a endência dos p o issionais de ini em os
seus cu sos académicos como as o mações de e e ência pa a o pe il do p o issional de
educação em museus. Po ou o lado, dado que a maio ia dos museus expõe colecções
a ís icas e que a unção aqui e a ada é a da educação, é na u al que o campo da
His ó ia da A e e a e en e educacional sejam as mais mencionadas. Mas es a
hegemonia é c i icada po algumas ozes que acusam es as á eas, po um lado, de se
68
escola izada e, po ou o, demasiado e udi a, com pe spec i as a uniladas que p o ocam
o dis anciamen o do púbico.
A possibilidade de exis i uma o mação exclusi a em se iço educa i o não é
i al, nem necessá ia pa a os inqui idos, cons a ando que a ealidade p o issional
po uguesa em museus ainda não se encon a num pa ama de amanha especialização
como acon ece nou os países ociden ais.
Enquan o que as habili ações académicas se o nam necessá ias sob e udo pa a
alo iza em e mos de es a u o a ac i idade, as compe ências cons i uem um campo
ulc al e denso no pe il do p o issional de educação em museus. Reunidas ao longo da
ida a a és de expe iências de abalho ou das o mações écnicas e ap endizagens
p á icas, es as ap idões consubs anciam-se no sabe - aze . Independen emen e da
o mação base que se enha, es as ap idões adqui em-se po gos os pessoais, como os
passa empos e as ac i idades ex a-cu icula es, ou po necessidades labo ais; de
qualque o ma, odas con ibuem pa a uma imensa iqueza indi idual.
São conclusões mui o in e essan es quando compa adas com a in es igação de
Alice Semedo que analisa, en e mui as, a ques ão dos equisi os necessá ios pa a o
acesso à ca ei a de educação em museus. Baseado ambém em es emunhos
p o issionais, ap esen a dois modelos de acesso que de endem di e en es alo es e que,
po isso, p o ocam uma c ise de iden idade: um alo iza a quali icação a pa i da
o mação o mal, enquan o que o ou o sublinha a compe ência adqui ida a a és da
expe iência. Segundo a au o a, al obse ação e lec e a clássica oposição en e a eo ia
e a p á ica (SEMEDO, 2002: 253).
Os aços da pe sonalidade e os alo es mo ais são pa a odos os en e is ados
undamen ais e incon o ná eis. Não se e i icou a ausência de e e ências a es e
domínio em nenhuma das na ações, e elando que, e ec i amen e, es e e a o mais
ín imo das pessoas é que de ine a indi idualidade de cada um e cons i ui aquele peso
que az desequilib a a balança. São á ios os aços de pe sonalidade e gos os, pelo que
se op ou po desenha uma lis a global indicado a dos p e e enciais dos na ado es.
69
Fig. 8 – Pe il do p o issional de educação: ca ac e ís icas pessoais, segundo os en e is ados
Com o objec i o de sin e iza os con eúdos aqui ap esen ados nes e capí ulo,
desde os concei os sob e a educação em museus e a o ma como os p o issionais se
de em enquad a a eo ia na p á ica diá ia, p ocu ou-se, numa abela única, de ini um
pe il único do p o issional de educação em museus, baseado nas ês dimensões:
o mação in elec ual, compe ências e ca ac e ís icas pessoais.
Ca ac e ís icas
pessoais
Disponí el
Cu ioso
C í ico
In e essado
Solíci o
Au o-didac a
Ac ualizado
In o mado
Dinâmico
Poli alen e
Ve sá il
C ia i o
Imagina i o
Comunica i o
Sociá el
Espí i o de
equipa
Sensí el
Apaixonado
Sensa o
Equilib ado
Compe en e
Abe o
Ca i an e
Adap á el
Ino ado
Empá ico
70
PERFIL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO EM MUSEUS
Fo mação In elec ual
Ní el Supe io
Sabe -sabe
Ní el Colecções
Ní el Visi an es
Licencia u a:
- His ó ia: e en e A e e e en e
Educacional
- Sociologia
- Ciências da Educação
- Animação Sociocul u al
- Ges ão de Pa imónio
- Comunicação Cul u al
- Comunicação
Pós-licencia u a: Pós-g aduação, Mes ado,
Dou o amen o.
- Museologia
- A e
- Educação
- Comunicação
Compe ências
Sabe - aze
Ní el Colecções
Ní el Visi an es
Ní el Pessoal
Adqui idas ao longo da ida
Mo i ações:
- gos os pessoais
(hobbies e as ac i idades ex a-
cu icula es)
- po necessidades labo ais
A a és:
- expe iências de abalho
- o mações écnicas
- ap endizagens p á icas
Todas as á eas emá icas:
- línguas es angei as, incluindo a ges ual
- écnicas a ís icas e ma e iais adjacen es
- p á icas pe o ma i as ( ea o, música, dança)
- In o má ica
- Ou as
Ca ac e ís icas pessoais
Sabe -se
Ní el pessoal
Adap á el, disponí el, empá ico, c í ico, cu ioso, in e essado, solíci o, au o-didac a,
ac ualizado, in o mado, dinâmico, poli alen e, e sá il, c ia i a, imagina i o,
comunica i o, sociá el, com espí i o de equipa, sensí el, apaixonado, sensa o,
equilib ado, ino ado , compe en e, abe o, ca i an e.
Tabela 9 – Pe il do p o issional de educação em museus
Concluindo, a maio ia dos inqui idos pa ilha a ideia de que as quali icações
in elec uais, alcançá eis sob e udo pela educação o mal ao ní el da licencia u a, não
são su icien es; alo izam igualmen e, as compe ências que cada um ai eunindo ao
71
longo da ida a a és de expe iências ou o mações p á icas e sublinham, sob e udo, as
ca ac e ís icas pessoais. É a conjunção des es ês elemen os que dá o igem a uma
ó mula explosi a que de e mina o pe il do p o issional.
Da ealidade e a ada, uma e dade eme ge: a paixão e o gos o em lida com as
pessoas e os objec os, cons i uem as p incipais mo i ações dos na ado es que os azem
esquece di iculdades e us ações e con inua a in es i nes a á ea museológica.
En egues ―de co po e alma‖ a es a ac i idade, mui os são incapazes de
pe spec i a o seu u u o nou os espaços e unções que não sejam os museus e a
educação que, apesa de es a em ac ualmen e en ol idos numa conjun u a di ícil,
mos am-se op imis as, ac edi ando que es as ins i uições cul u ais assumi ão uma
impo ância c ucial na sociedade indou a.
78
Endange ed languages e A las o he Wo ld's Languages in Dange o Disappea ing.
Também em 1993 é lançado o p og ama Tesou os Humanos Vi os, que isa o
econhecimen o o icial de pessoas de en o as de conhecimen os e sabe es no domínio
do PCI, com o objec i o de es imula a con inuidade da ansmissão des es sabe es às
ge ações u u as num con ex o de p o ecção e sal agua da. O p og ama P oclamação
das Ob as-P imas do Pa imónio O al e Ima e ial da Humanidade (1998), inspi ado,
em g ande medida, no mecanismo das Lis as de Pa imónio Mundial, ainda que de
o ma simpli icada e a uma escala mais eduzida, e e como g ande inalidade
incen i a go e nos, o ganizações não go e namen ais, comunidades, indi íduos, en e
ou os, a iden i ica , p ese a , p o ege e p omo e o seu pa imónio o al e ima e ial,
aqui en endido como um eposi ó io da memó ia colec i a das comunidades (UNESCO,
1998). A dis inção à escala in e nacional de elemen os no á eis do PCI, incluindo
espaços cul u ais, e e ês edições (2001, 2003 e 20005), dis inguindo no en a
mani es ações cul u ais. Es e p og ama acabou po se um campo de expe imen ação
u í e o pa a a c iação da u u a Con enção, anga iando mui os en usias as.
Tendo como pano de undo a e lexão sob e o luga da cul u a na elação com o
desen ol imen o económico, impo a ci a o ela ó io Ou C ea i e Di e si y da Wo ld
Commission on Cul u e and De elpmen (1996) pelas conclusões que ap esen a em
bene ício de uma maio alo ização do PCI. En e ou os aspec os, es e ela ó io
assinala a impo ância do PCI e econhece que a Con enção de 1972 é inadequada pa a
p o ege es e pa imónio, suge indo a necessidade de se de ini em ou os ins umen os
que ga an am o seu econhecimen o.
Assim, no os con ex os sociais, polí icos, cul u ais e económicos, a pa com a
expe iência en e an o adqui ida em ma é ia de sal agua da do PCI, de e mina am o
eposicionamen o da es a égia da UNESCO na década de no en a do séc. XX em
di ecção a um no o ex o ju ídico de p o ecção do PCI. Nes e con ex o, se ia
de e minan e a a aliação em o no da aplicabilidade da Recomendação de 1989,
deco idos, pois, dez anos após a sua adopção. Des e modo, pode en ende -se a
con e ência in e nacional o ganizada, em 1999, pela UNESCO em colabo ação com o
Smi hsonian Ins i u ion como um momen o cha nei a
32
. Des e encon o concluiu-se que
a Recomendação 1989 não inha alcançado os esul ados espe ados, sendo adop ada po
32
A con e ência ―A Global Assessmen o he 1989 Recommenda ion on he Sa egua ding o T adi ional
Cul u e and Folklo e: Local Empowe men and In e na ional Coope a ion‖ e e luga em Washing on,
en e 27 e 30 de Junho 1999.
79
poucos países. Uma di ulgação pouco e icaz e á sido uma das azões des e insucesso.
Po ou o lado, do pon o de is a concep ual, uma das c í icas mais apon adas à
Recomendação 1989 esidia no ac o de se cen a a impo ância da p o ecção do PCI na
documen ação e c iação de a qui os, em de imen o de maio en oque sob e os
de en o es des as p á icas. No sen ido de con a ia es a endência oi de endido um
maio equilíb io en e a necessidade de documen a e a necessidade de p o ege as
exp essões cul u ais, p i ilegiando-se o papel da p o ecção nas comunidades (UNESCO
2001b). Pa a além disso, alguns especialis as de ende am que o e mo ― olclo e‖
ap esen a a cono ações pejo a i as, sendo suge ido a escolha de ou o e mo. Es as e
ou as e lexões o am de e minan es pa a que se a aliasse mais ap o undadamen e a
pe inência de um no o ins umen o no ma i o de p o ecção pa a o PCI, despole ando
um p ocesso ela i amen e ápido pa a coloca em ma cha o p ojec o da Con enção
pa a a Sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial.
Nes e con ex o impo a sublinha a adopção da Decla ação Uni e sal da
Di e sidade Cul u al que em 2001 deu um impulso posi i o pa a o econhecimen o da
impo ância da di e sidade cul u al como Pa imónio da Humanidade, conside ada ão
necessá ia como a di e sidade biológica e um elemen o impo an e pa a o
desen ol imen o. Sendo o PCI um pila da di e sidade cul u al, a ideia de o p omo e e
sal agua da sai ia e o çada a a és des a Decla ação da UNESCO.
O abalho p epa a ó io que se seguiu pa a de ini a u u a Con enção oi
ma cado po di e sas euniões de abalho que de ini am os p incipais emas e
con eúdos da Con enção 2003. Um dos momen os pa icula men e ele an es nes e
p ocesso e que impo a ambém e e i oi a e cei a Mesa- edonda in e nacional de
Minis os da Cul u a, ealizada em Is ambul, na Tu quia (16 e 17 Se emb o 2002).
Subo dinada ao ema The In angible Cul u al He i age: a Mi o o Cul u al Di e si y,
des e encon o esul ou a Decla ação de Is ambul, que sublinha a a impo ância do PCI
como elemen o undamen al pa a a cons ução da iden idade cul u al, sendo con i mado
o apoio ao p ojec o da no a Con enção.
A Con enção pa a a Sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial oi
inalmen e adop ada a 17 de Ou ub o de 2003, em Pa is, no âmbi o da 32.ª Con e ência
ge al da UNESCO
33
. Tendo apidamen e en ado em igo a 20 de Ab il de 2006, após a
33
A adopção da Con enção ealizou-se com a pa icipação de 120 es ados-memb os sem nenhum o o
con a, sendo de egis a apenas algumas abs enções, nomeadamen e da Aus ália, Canadá, Es ados
Unidos, Reino Unido e Suíça.
80
a i icação de in a Es ados-Pa es
34
, pode dize -se que es e em sido um p ocesso bem
sucedido. De ce o modo, es a Con enção eio ajus a a si uação que a Con enção de
1972 inha causado, is o é, um e iden e desequilíb io geog á ico de bens insc i os na
lis a de Pa imónio Mundial, si uados sob e udo a no e, e cuja lis a não sinaliza a as
exp essões cul u ais localizadas mais a sul (Ma ssu a 2004: 4). Mais conc e amen e,
eio con i ma a necessidade de se c ia em medidas de p o ecção e p omoção dis in as
daquelas que são aplicadas pa a os monumen os, sí ios ou paisagens cul u ais.
Da lei u a des e documen o, são objec i os cen ais, em p imei o luga , a sal agua da
do PCI, o espei o e econhecimen o do pa imónio das comunidades e indi íduos e a
sensibilização ela i amen e à sua impo ância a uma escala local, egional e
in e nacional a a és da coope ação in e nacional.
No ol de p eocupações subjacen es a es e documen o es ão as ameaças a que
es e pa imónio es á sujei o, o isco de se igno ado, os con li os a mados, o êxodo u al,
mo imen os mig a ó ios, a sua agilidade, a ausência de apoio, en e ou as. Além dos
aspec os mencionados, ac escem p eocupações no que espei a à p ese ação da
di e sidade cul u al. A globalização e os e ei os ni elado es que p o oca na cul u a são,
assim, en endidos como uma ameaça à di e sidade cul u al.
De aco do com a Con enção 2003, en ende-se po PCI ―as p á icas, ep esen ações,
exp essões, conhecimen os e ap idões – bem como os ins umen os, objec os, a e ac os e
espaços cul u ais que lhes es ão associados – que as comunidades, os g upos e, sendo o caso, os
indi íduos econheçam como azendo pa e in eg an e do seu pa imónio cul u al‖ (a . 2.º).
A Con enção 2003 ac escen a que o PCI pode mani es a -se em á ios
domínios, mui o embo a, es a seja uma lis a que não se p e ende exaus i a e acabada:
T adições e exp essões o ais (inclui a língua como ec o do PCI), A es do
espec áculo, P á icas sociais, i uais e e en os es i os, Conhecimen os e p á icas
elacionados com a na u eza e o uni e so e Ap idões ligadas ao a esana o adicional.
A sal agua da é um dos eixos cen ais da acção p opos a pela Con enção e
comp eende uma isão bas an e ala gada. Desde logo, a ―sal agua da‖ é de inida como
o conjun o de ―medidas que isem assegu a a iabilidade do pa imónio cul u al
ima e ial‖ (a . 2.º, 3). Nes e conjun o de medidas es ão incluídas ac i idades de
―iden i icação, documen ação, pesquisa, p ese ação, p o ecção, p omoção, alo ização,
ansmissão, essencialmen e a a és da educação o mal e não o mal, bem como a
e i alização dos di e en es aspec os desse pa imónio‖ (a . 2.º, 3). Nes e con ex o,
34
O p imei o país a ap o a es e ins umen o oi a A gélia a 15 de Ma ço de 2004.
81
en ende-se que a sal agua da não se esume à p ese ação dos elemen os do PCI em
a qui os e colecções de museus. Sob e es e aspec o, a Con enção dema ca-se da sua
p edecesso a, a Recomendação 1989, que oca a a sua a enção na p ese ação a a és
da documen ação, esponsabilizando os in es igado es e as ins i uições nes a a e a. A
Con enção em da ên ase ao papel das ins i uições, mas p incipalmen e con e e um
papel de supo e ou de acili ado aos p a ican es das adições e à p omoção da
c ia i idade (Bo olo o 2006: 2). Mas em boa e dade, es a não é uma a e a ácil. Pa a
Richa d Ku in (2004c: 62) o en ol imen o das comunidades pode á e ela -se
complicado sob á ios pon os de is a (sociológico e logís ico), só podendo se
ul apassado a a és da mediação, sensibilidade polí ica e bom senso.
À semelhança da Con enção 1972, es a Con enção inclui a c iação de duas
lis as: a Lis a Rep esen a i a do Pa imónio Cul u al Ima e ial da Humanidade (a .
16.º) e a Lis a do Pa imónio Cul u al Ima e ial que necessi a de uma Sal agua da
U gen e (a . 17.º). Es as lis as p e endem, a pa com a Con enção, ale a e sensibiliza
pa a a impo ância da sal agua da des e pa imónio e daqueles que o de êm e p a icam,
em pa icula as exp essões cul u ais em isco de desapa ece . As no en a Ob as-
P imas do Pa imónio O al e Ima e ial da Humanidade p oclamadas en e 2001 e 2005
se ão au oma icamen e in eg adas na Lis a Rep esen a i a.
A Con enção econhece que o PCI ap esen a o mesmo alo em qualque pa e
do globo, no en an o, a exis ência das lis as de PCI eme e pa a a ideia de que de ac o
exis em algumas p á icas que são objec o de maio des aque do que ou as, quiçá mais
impo an es do que ou as e, po sua ez, jus i icam maio dis ibuição de ecu sos pa a
a sua sal agua da. O con on o en e o ex o da Con enção e a c iação das lis as salda-
se ambíguo. Daqui pode esul a ine i a elmen e numa espécie de ins umen alização
das lis as, no sen ido em que pa a ob e maio es ecu sos inancei os algumas
o ganizações pode ão ap esen a candida u as com base não na impo ância que es as
exp essões possam e pa a a iden idade de uma comunidade, mas sim em unção de
c i é ios menos coe en es com os p incípios da Con enção, nomeadamen e a sua
popula idade (Ku in 2004c: 65).
Uma das medidas mais impe a i as subjacen es às ob igações de um Es ado
Pa e é a c iação de um ou mais in en á ios no seu e i ó io com o objec i o de
―assegu a a iden i icação com is a à sal agua da…‖ (a . 12.º). Assim, cada país
de e á conduzi a implemen ação de in en á ios à escala nacional, com a implicação
das comunidades e ou as o ganizações pe inen es, bem como assumi um p og ama
82
es a égico cons i uído po planos de acção que isem a sal agua da e sensibilização do
PCI.
Pa a o e ei o, a Con enção deixa alguma libe dade de acção no que diz espei o
à c iação e implemen ação de in en á ios. Po ou o lado, ambém não dá indicações
ela i amen e a sis emas de classi icação, pe mi indo que cada país possa es u u a os
seus in en á ios da o ma que lhe con ie , adap ando-os às suas necessidades. Tudo
apon a pa a que cada país op e po di e en es abo dagens na ealização dos seus
in en á ios, seja ao ní el dos domínios, dos pa âme os de o ganização, ní el de de alhe
e p o undidade, al como já o demons am alguns in en á ios já desen ol idos:
In en o y o in angible cul u al he i age o Cambodia (Cambodia Minis y o Cul u e
and Fine A s, and In angible Cul u al He i age Commi ee 2004), I Censo del
Pa imonio Cul u al Venezolano (Ins i u o del Pa imonio Cul u al 2005) e Ca álogo de
Danzas T adicionales del Pací ico de Nica agua (Valle 2007).
Não sendo ob iga ó ias, ou as medidas de sal agua da são ecomendadas aos
Es ados-Pa es, nomeadamen e a implemen ação de p og amas educa i os, a a és de
sis emas o mais ou não o mais de ansmissão, que em, úl ima ins ância, p omo am o
econhecimen o e impo ância do PCI jun o das comunidades e ambém a sensibilização
pa a as ameaças que conco em pa a o seu desapa ecimen o.
Os mecanismos adop ados na Con enção 2003 são em mui o idên icos aos
u ilizados na Con enção 1972. Pa a a ope acionalidade da Con enção exis em os
seguin es ó gãos: a Assembleia-ge al dos Es ados-Pa es, que é o ó gão sobe ano da
Con enção (A igo 4.º), o Comi é In e go e namen al pa a a Sal agua da do
Pa imónio Cul u al Ima e ial (daqui em dian e designado po Comi é) pa a p omo e a
aplicação des e ins umen o (A igo 6.º), o Sec e a iado e o Fundo do Pa imónio
Cul u al Ima e ial, c iado pa a assegu a assis ência e coope ação in e nacional.
Depois de 2003 descob imos com es a Con enção uma ou a pla a o ma de
en endimen o pa a a a o PCI, endo o documen o con ibuído pa a a o ganização dos
p oblemas nes e domínio e colocando a ónica sob e uma possí el di ecção a segui no
que conce ne a um pa imónio ão complexo quan o es imulan e como é o PCI. Po udo
o que se e e iu, a Con enção 2003 de e se en endida, não como um documen o
acabado e echado, mas sim como o início de um pe cu so.
83
Po ugal: enquad amen o no ma i o e ins i ucional em ma é ia de Pa imónio
Cul u al Ima e ial
A legislação especi icamen e di igida ao PCI é pa a mui os países um assun o
ela i amen e ecen e. Na maio ia dos casos p e alece a exis ência de ins umen os de
p o ecção pa a o pa imónio cul u al na sua dimensão ma e ial: objec os, monumen os,
sí ios. Toda ia, alguns exemplos são a excepção a es a ― eg a‖. Países como o Japão e a
República da Co eia desde mui o cedo oma am consciência da impo ância do PCI,
aplicando-lhe legislação especí ica. Mas, em g ande medida, a e lexão em o no da
c iação de ins umen os de p o ecção de ca ác e ão especí ico êm sido le ada a cabo
pela UNESCO. Esse abalho em indo a epe cu i -se, pouco a pouco, na ac uação das
polí icas cul u ais dos países que, na u almen e, ão abso endo as o ien ações di adas
em con ex o in e nacional.
Pa a comp eende a legislação po uguesa sob e pa imónio cul u al e, em
pa icula no que diz espei o ao PCI, há que ecua a é à década de oi en a do século
passado. Nes e con ex o, a Lei 13/85 de 6 de Julho ep esen a um ma co impo an e na
medida em que econhece uma no a abo dagem ao concei o de pa imónio cul u al.
Cla a Camacho a es e p opósi o assume como de e minan e o papel da comunidade
in e nacional (Conselho da Eu opa, ICOMOS, UNESCO) pa a a ede inição do quad o
no ma i o po uguês ela i o ao pa imónio, sob e udo a pa i de 1974, que de ce a
o ma e lec e as no as endências nes e domínio (Camacho 1999: 19). Com e ei o, es e
documen o e e e-se ao pa imónio cul u al num sen ido mais ala gado do e mo e
inclui, pela p imei a ez, a noção de elemen os ima e iais associados ao pa imónio
cul u al, al como se pode le no a . 1.º: ―O pa imónio cul u al po uguês é cons i uído
po odos os bens ma e iais e ima e iais que, pelo seu econhecido alo p óp io, de am
se conside ados como de in e esse ele an e pa a a pe manência e iden idade da cul u a
po uguesa a a és do empo‖ (Lei nº 13/85).
Apesa de cons i ui um passo impo an e e a é ino ado , es e diploma limi ou-se
a in oduzi o ema, indicando de e es e e en uais medidas de p o ecção de ca ác e
ago, sublinhando uma pe spec i a cen ada na impo ância da sua p ese ação a a és
do egis o e ixação documen al. Consequen emen e, não se obse a am consequências
p á icas na o mulação de polí icas de sal agua da do pa imónio cul u al que
incluíssem o PCI. Po ou o lado, pelo ac o de nunca e sido egulamen ada, es a lei
de audou algumas expec a i as.
84
Em 2001, o pano ama ge al sob e o pa imónio cul u al al e ou-se
signi ica i amen e com a Lei n.º 107/2001, de 8 Se emb o. Uma no a de inição sob e o
pa imónio cul u al é sublinhada ao longo do a . 2.º, onde o concei o é amplamen e
ala gado e inclui á ias e e ências aos ―bens ima e iais‖ (especialmen e no pon o 4 e
6). Toda ia, pode dize -se que es a de inição ende a epe i os concei os, elencados em
o ma de lis a, o que o na a no ma menos ge al e sis emá ica. Es a legislação
es abelece, ainda, um egime de p o ecção pa a os ―bens ima e iais‖ (a . 91.º), que se
inse e no con ex o da p o ecção ge al p e is a pa a os bens cul u ais (bens mó eis e
imó eis) e que se cen a, sob e udo, no le an amen o e egis o documen al. Ao con á io
do que acon ece ela i amen e aos bens mó eis e imó eis, pa a os quais exis em ês
ní eis de classi icação e, consequen emen e, di e en es ní eis de p o ecção: Bens de
In e esse Nacional, Bens de In e esse Público e Bens de In e esse Municipal, não
econhece uma di e enciação hie á quica ela i amen e às exp essões de PCI, sal o
aquelas exp essões que enham supo e em bens mó eis e imó eis (c . a . 91.º, 3).
Mais ecen emen e, o am publicados os p imei os diplomas com is a ao
desen ol imen o da Lei n.º 107/2001. En e eles inclui-se o Dec e o-Lei n.º 139/2009,
de 15 de Junho, que aqui assume especial ele o, pois es abelece o egime ju ídico de
sal agua da do PCI. Em linhas ge ais, es e diploma em ei e a alguns dos
conside andos es abelecidos em documen os legisla i os an e io es ela i os à de inição
da u ela do PCI
35
e em, po ou o lado, in oduzi elemen os no os pa a a de inição de
uma polí ica de sal agua da do PCI.
Logo no início, são de inidos os domínios do PCI (a . 1.º, 2) e que
co espondem ielmen e aos cinco domínios do PCI o mulados na Con enção 2003. A
iden i icação, documen ação e es udo do PCI com o objec i o de implemen a
es a égias de sal agua da, a igualdade en e mani es ações de PCI, a pa icipação das
comunidades na sal agua da e ges ão do PCI, a ansmissão do PCI; o acesso ao
conhecimen o de elemen os do PCI e espec i a di ulgação são e e idos como sendo os
p incípios undamen ais des e diploma (a . 2.º). No que espei a à in en a iação, es e
dec e o sublinha a ob igação do Es ado po uguês no que oca à elabo ação de um
In en á io Nacional do Pa imónio Cul u al Ima e ial, icando o IMC esponsá el pela
ges ão. Nes e con ex o, é de inida a c iação de uma base de dados online que iabiliza á
o acesso ao in en á io e e ido. Assen e na p emissa da pa icipação democ á ica, es e
35
C . Dec e o-Lei n.º 97/2007, que se e e e à missão e a ibuições do IMC e a Po a ia n.º 377/2007, que
es ipula a o ganização in e na do mesmo ins i u o.
85
sis ema in o má ico pe mi e que qualque pessoa ou ins i uição possa subme e
in o mação ela i amen e a elemen os do PCI, median e o p eenchimen o de um
o mulá io (a . 8.º). Toda ia, de aco do com o a . 10.º, pa a que um elemen o do PCI
cons e nes e in en á io são idos em conside ação alguns c i é ios essenciais
36
. Mui o
embo a se p e enda uma decisão objec i a, os pa âme os de inidos implicam uma
decisão alo a i a. Em boa e dade, a Con enção 2003 insis e numa ques ão que se
e ela undamen al, o PCI é o que ―as comunidades, os g upos e, sendo o caso, os
indi íduos econheçam como azendo pa e in eg an e do seu pa imónio cul u al‖ (a .
2.º).
Do pon o de is a das ins i uições com compe ências em ma é ia de sal agua da
do PCI, es e diploma ap esen a uma no idade ela i amen e aos dec e os-lei e po a ias
an e io es. Além do IMC e DRC, a Di ecção-ge al das A es passa a e
esponsabilidades nes a á ea, designadamen e ao ní el do ―apoio écnico pa a a
sal agua da de mani es ações do pa imónio cul u al ima e ial semp e que adequado.‖
(a . 4.º, 4).
Es e dec e o-lei in oduz, ainda, um no o p ocedimen o adminis a i o com
elação ao egis o de elemen os do PCI no In en á io Nacional do Pa imónio Cul u al
Ima e ial, com a c iação da Comissão pa a o Pa imónio Cul u al Ima e ial. Es a
Comissão em como objec i o alida os elemen os que in eg am o in en á io nacional,
sendo ambém esponsá el po decidi se uma mani es ação de e ou não se candida a à
Lis a Rep esen a i a e Lis a de Sal agua da U gen e da UNESCO (a . 21.º). T a a-se
de um ó gão independen e, compos o po á ias pe sonalidades com abalho
desen ol ido na á ea do PCI (a . 22.º).
Em Po ugal, a Con enção 2003 oi o ca alizado pa a a adopção de medidas
legais de p o ecção e alo ização do PCI, que se conc e iza am com a publicação do
Dec e o-Lei n.º 139/2009, espondendo, assim, à necessidade de ap o undamen o do
36
―A impo ância da mani es ação do pa imónio cul u al ima e ial enquan o e lexo da espec i a
comunidade ou g upo;‖ (a . 10.º, a); ―Os con ex os sociais e cul u ais da sua p odução, ep odução e
o mas de acesso, designadamen e quan o à espec i a ep esen a i idade his ó ica e espacial;‖ (a . 10.º,
b); ―A e ec i a p odução e ep odução da mani es ação do pa imónio cul u al ima e ial no âmbi o da
comunidade ou g upo a que se epo a;‖ (a . 10.º, c); ―A e ec i a ansmissão in e ge acional da
mani es ação do pa imónio cul u al ima e ial e dos modos em que se p ocessa;‖ (a . 10.º, d); ―As
ci cuns âncias suscep í eis de cons i ui pe igo ou e en ual ex inção, pa cial ou o al, da mani es ação do
pa imónio cul u al ima e ial;‖ (a . 10.º, e); ―As medidas de sal agua da em elação à con inuidade da
mani es ação do pa imónio cul u al ima e ial;‖ (a . 10.º, ); ―O espei o pelos di ei os, libe dades e
ga an ias e a compa ibilidade com o di ei o in e nacional em ma é ia de de esa dos di ei os humanos;‖
(a . 10.º, g); ―A a iculação com as exigências de desen ol imen o sus en á el e de espei o mú uo en e
comunidades, g upos e indi íduos;‖ (a . 10.º, h).
86
enquad amen o ge al da Lei n.º 107/2001. Mas, em boa e dade, a c iação de legislação
pode á não esol e odos os aspec os que se p endem com a sal agua da des e
pa imónio, se não se a icula com uma polí ica ge al de alo ização do pa imónio
cul u al mais ala gada que p omo a a di e sidade cul u al. Po ou o lado, a exis ência
de mani es ações do PCI elencadas numa base de dados nacional, ― alidadas‖ po
especialis as, pa ece es abelece uma di e enciação en e as mani es ações que po al
econhecimen o podem se objec o de apoio (designadamen e inancei o) e as que não
igu ando nes a lis a não pode ão se . Nes e quad o, o p oblema é mui o semelhan e ao
que se passa com o pa imónio ma e ial.
Os Museus e Pa imónio Cul u al Ima e ial: que es a égias?
Pode dize -se que as p eocupações ela i amen e ao ima e ial acompanham o
ICOM desde o início, em g ande medida, de ido a Geo ges Hen i Ri iè e (ICOM
2009). Mas à luz de p eocupações mais ecen es, sob e udo com as con ibuições da
UNESCO, o PCI em assumido pa icula ele o na agenda de abalho do ICOM. Em
2002, no âmbi o da 7.ª Assembleia Regional da Ásia e Pací ico do ICOM – ASPAC que
incluía um wo kshop subo dinado ao ema Museums, In angible He i age and
Globalisa ion
37
, esul a a Ca a de Shanghai (2002). Es e documen o o mula algumas
ecomendações ela i amen e à acção dos museus nes a á ea, das quais se des aca: o
en oque dado à impo ância da in e disciplina idade na abo dagem dos á ios
pa imónios (mó el, imó el, ma e ial e ima e ial, na u al e cul u al); a c iação de
ins umen os de abalho pa a a documen ação, isando abo dagens p á icas mais
holís icas; a implemen ação de p ojec os de in en á io que incluam a pa icipação das
comunidades; o incen i o à inco po ação do PCI nas á ias ac i idades do museu
(conse ação, p ese ação e in e p e ação, e c.); e, inalmen e, ecomendações pa a a
u ilização das no as ecnologias.
Em 2004, o ICOM conduziu algumas inicia i as que ele a am o deba e em o no
do PCI a uma escala mais global. P imei amen e, pela escolha do ema Museums and
In angible He i age pa a assinala o Dia In e nacional dos Museus
38
e como mo e da
37
A sé ima Assembleia Regional da Ásia e Pací ico do ICOM e e luga em Shanghai (China), en e 20 e
25 de Ou ub o de 2002.
38
Também nes e con ex o, em Po ugal se jun a am a es as comemo ações á ios museus. Uma das
inicia i as oi p o agonizada pelo Museu da Pól o a Neg a (Ba ca ena), que o ganizou uma pales a
in i ulada ―O Papel dos Museus na P ese ação do Pa imónio Ima e ial – Modos de Agi e Sen i ‖, onde
á ias pe sonalidades da museologia e an opologia o am con idadas a e lec i sob e es e ema. Só mais
ecen emen e, o ema oi e omado po inicia i a do IMC, endo em con a a a i icação da Con enção
87
discussão pa a a igésima Assembleia-ge al do ICOM, que em Ou ub o desse ano se
ealizou em Seoul. Des a con e ência esul ou uma esolução que ica ia conhecida
como a Decla ação de Seoul. Sob e os aspec os mais ele an es, es e documen o
con i ma a impo ância dos museus na p ese ação do PCI e ad e e pa a que uma
a enção especial seja dada à documen ação des e pa imónio, nomeadamen e a a és de
egis os em supo e elec ónico; des aca a p oblemá ica dos di ei os de au o e a
esponsabilidade dos museus em assegu a em os in e esses dos de en o es do PCI;
e e e o papel do ICOM (comi és nacionais, o ganizações egionais, e c.) no apoio à
c iação de ins umen os legais de p o ecção do PCI e na o mação dos p o issionais;
ainda sob e es e ema, insis e-se na impo ância de in eg a o PCI nos planos de
o mação dos p o issionais e, nes e sen ido, eclama-se uma ac ualização das
o ien ações do ICOM pa a o desen ol imen o p o issional (ICOM 2004).
Po udo o que se e e iu, no discu so do ICOM é pe cep í el o econhecimen o
de que os museus de em inclui es a égias di eccionadas pa a o PCI. A p o a disso é a
al e ação de que oi objec o ecen emen e a de inição de museu:
―A museum is a non-p o i , pe manen ins i u ion in he se ice o socie y and i s
de elopmen , open o he public, which acqui es, conse es, esea ches,
communica es and exhibi s he angible and in angible he i age o humani y and i s
en i onmen o he pu poses o educa ion, s udy and enjoymen ‖ (ICOM, 2007).
Es a ac ualização eio subs i ui a pala a ma e ial e idence po angible and
in angible he i age, ampliando signi ica i amen e o objec o de es udo e de abalho dos
museus, em con o midade com os desa ios ac uais.
Toda ia, o p agma ismo de Richa d Ku in ela i amen e ao papel dos museus na
sal agua da do PCI plasma-se na seguin e ase: ―Museums a e gene ally poo
ins i u ions o sa egua ding in angible cul u al he i age — he only p oblem is ha
he e is p obably no be e ins i u ion o do so‖ (2004b: 8). Es a a i mação le a-nos a
e lec i sob e alguns dos aspec os que podem condiciona a acção dos museus no
domínio do ima e ial.
Desde logo se cons a a a ausência de e e ências ao ima e ial na missão da maio
pa e dos museus, o que em a e com uma adição museal p o undamen e en aizada
na cul u a ma e ial. Pa a além disso, a pa com a e olução do concei o de pa imónio
2003 pelo Es ado po uguês, a a és da ealização de um ciclo de colóquios – ―Museus e Pa imónio
Ima e ial: Agen es, F on ei as, Iden idades‖ que deco eu du an e o ano de 2008.
94
Um segundo aspec o elaciona-se com o papel dos objec os e a necessidade de
aplica es a égias menos ocadas na ma e ialidade dos objec os e mais nos signi icados
que anspo am.
Da conhece o PCI é ambém uma o ma de se e oca o quo idiano das pessoas,
das suas c enças e alo es, i ao encon o das comunidades, dos seus in e esses e
in e ogações. Como de endeu John Kina d ―The g ea his o ical and scien i ic u hs o
he pas mean no hing o he a e age man unless hey a e shown in ela ionship o wha
is happening oday and wha may happen omo ow‖ (1971: 54). Es a a i mação
pe manece ainda hoje ele an e no mundo dos museus. Ap esen a emas elacionados
com as p á icas e adições de uma comunidade, não apenas na pe spec i a da memó ia
do que omos, mas sob e udo do que somos pode á se uma o ma de anspo algumas
ba ei as cul u ais en e o museu e comunidade.
Sob e o discu so exposi i o cabe ainda sublinha a necessidade de se explo a e
in oduzi no as lei u as e pe spec i as, dando espaço e oz (ou ozes) às comunidades
e pe mi indo a sua pa icipação na na a i a. Es a ideia, de endida po Eilean Hoope -
G eenhill a p opósi o da eme gência de um no o concei o de museu, o pos -museum
(2000: 152), em, de algum modo, con a ia um discu so monolí ico e echado do
museu adicional pa a da luga a abo dagens mais plu ais que dão palco à di e sidade
cul u al.
A exposição é ambém um impo an e ins umen o da educação pa imonial,
po enciado da e lexão e da acção em o no dos p oblemas que a ec am as
comunidades. Disso é exemplo a exposição i ine an e – Pa lons du B e on!, o ganizada
em 2003 po uma associação na B e anha com o objec i o de sensibiliza pa a a
impo ância do PCI e ale ando, po sua ez, pa a a pe da do pa imónio linguís ico
des as comunidades (c . Jadé 2006: 211).
Da isibilidade ao PCI numa exposição implica conside a o papel das no as
ecnologias, uma ez que o e ecem amplas possibilidades pa a cap a e comunica o
ima e ial. O ídeo, o som e a imagem são ecu sos que podem o na os objec os mais
i os, con ibuindo pa a a sua con ex ualização (ex. egis o do sabe - aze , dos usos,
e c.) como ambém pela po encialidade de susci a emoções, o nando uma isi a ao
museu mais senso ial ou a é mais ele an e e signi ica i a. A exposição Fado, Vozes e
Somb as, ealizada pelo Museu Nacional de E nologia, em 1994, é um bom exemplo da
cons ução de uma na a i a, em o no de uma o ma de exp essão do PCI, que se
o ganizou não apenas com ecu so aos objec os, mas ambém a a és de sono idades, de
95
imagens e do ídeo, que no seu conjun o pe mi i am da con a da mul iplicidade de
aspec os que ca ac e iza es a mani es ação cul u al. No en an o, a u ilização des as
e amen as, de o ma mais ala gada, cons i ui ainda um desa io pa a mui os museus,
mui as ezes po não dispo em de compe ências écnicas e de ecu sos pa a esse e ei o.
É hoje consensual que a unção educa i a dos museus ai pa a além das
adicionais isi as guiadas (Hoope -G eenhill 1999: 3). Hoje, o papel da educação é
ans e sal a odas as ac i idades do museu, sob e udo em ma é ia de educação não
o mal. No que diz espei o à alo ização do ima e ial a a és dos p og amas
educa i os, pode dize -se que ep esen a um eno me po encial, desde a sensibilização à
possibilidade de se ansmi i em adições e sabe es em con ex o museológico. O
p ojec o T adi ional C a s in he Class oom, desen ol ido pelo Museu de E nologia do
Vie name, um es udo de caso publicado no In e na ional Jou nal o In angible He i age
é um dos á ios exemplos que pode iam aqui se ci ados (Huy 2006). O p ojec o oi
desen ol ido com o objec i o de po encia a ansmissão de écnicas e conhecimen os
sob e ola ia aos mais jo ens, cujas p á icas es a am em isco de desapa ece . Toda ia,
es e ipo de inicia i as só azem sen ido se in eg adas numa es a égia mais ala gada do
museu e numa pe spec i a de in e disciplina idade e, po ou o lado, se em a iculação
com o e i ó io e as comunidades.
Conclusão
Sendo os museus ins i uições in insecamen e ligadas ao pa imónio, não são
indi e en es ao PCI, cabendo-lhes um papel undamen al na sua sal agua da, como oi
possí el con i ma ao longo des e es udo. Mas em boa e dade, pode a i ma -se que na
p á ica a maio pa e dos museus não em expe iência com o ima e ial. As azões de al
deside a o p endem-se com uma longa adição de alo ização da cul u a ma e ial.
Sendo es e um campo de acção ainda pouco explo ado, a endendo às
expe iências mais ou menos agmen adas e pon uais que ão eme gindo no ecido
museológico po uguês, pa ece ambém cla o que es e se á um campo de ac uação a se
desen ol ido no u u o. No caso po uguês, o papel dos museus nes e domínio é
o emen e condicionado pelo ac o de esidi no IMC a u ela do PCI, po enciando,
po en u a, uma maio consciência de ac uação, esponsabilização e en ol imen o com
es e pa imónio.
Os museus pode ão se as ins i uições mais bem posicionadas pa a abo da o
PCI, mas nem odos os museus eúnem condições que ga an am a aplicabilidade dos
96
objec i os p omo idos pela Con enção 2003. Como az no a Joaquim Pais de B i o, ―a
as idão do ema, e oma os g andes capí ulos dos manuais de e nologia, em ambém
mui o de u opia‖ (2006: 51). Pe an e um as íssimo campo de abalho que inclui o
ima e ial, se ia imp uden e pensa que os museus pudessem esponsabiliza -se po odo
es e pa imónio. T a a-se, a inal, de uma a e a imensa e que de e á se pa ilhada.
Nes e sen ido, exigem-se no as o mas colabo ação, nas quais os museus podem
se ac o es p i ilegiados, mas semp e que possí el em coope ação com ou os agen es,
nomeadamen e com as escolas e uni e sidades, a qui os, biblio ecas, associações, e c.
Po ou o lado, nem odo o pa imónio p ecisa de se sal agua dado, sendo
necessá io mapea p io idades em a iculação com as comunidades no sen ido de se
pe cebe o que se que p ese a ou não.
Em g ande medida, as p eocupações ac uais com o ima e ial, pe mi em, em
nosso en ende , amplas possibilidades de eno ação e de expe imen ação, seja do pon o
de is a da documen ação e ac ualização das colecções em a iculação com o p esen e
ou encon a no as o mas de pe spec i a o pa imónio, que exigem uma e lexão, caso
a caso, em unção de um e i ó io e das suas comunidades. Um caminho que em pouco
de linea , que mui o possi elmen e e á de se alice ça na expe imen ação em pequenos
p ojec os. Po ou o lado, o alcance das inicia i as dos museus ace ao PCI es á à pa ida
mui o dependen e das condicionan es p óp ias de cada museu, desde logo a sua
ocação, ab angência emá ica e geog á ica, ecu sos disponí eis (ma e iais e humanos)
e acima de udo da sua missão es a égica.
Tomando em conside ação o ala gamen o de compe ências dos museus ace aos
desa ios mais ecen es, es e pa ece se um sinal de que os museus pode ão e que
epensa as suas p á icas ou explo a no as o mas de in e i . Podemos es a a assis i a
uma mudança de pa adigma que ad oga maio a enção pa a as elações que se
es abelecem en e os objec os e as pessoas, em de imen o de uma abo dagem
demasiado cen ada na cul u a ma e ial. Conco damos com Hoope -G eenhill quando
de ende a ideia do pos -museum. Ou seja, um museu mais in e essado no PCI e mais
cen ado nas comunidades, um museu que celeb a a di e sidade cul u al (2000: 152).
Algumas des as ques ões eme em-nos pa a uma museologia mais ep esen a i a
e di e sa, inclusi a e pa icipa i a.
Abo da o PCI le an a ques ões que não êm uma espos a ácil, mui as delas
não êm uma única espos a, mas pa eceu-nos undamen al si ua es a ques ão no mundo
97
dos museus, espe ando e con ibuído, enquan o pon o de pa ida pa a a discussão e
e lexão de es a égias nes a á ea.
98
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Museus de Ciências Físicas e Tecnológicas: con ibu os pa a a ges ão das suas
colecções
Ca los Albe o Lou ei o
Resumo
O p esen e abalho em como base a in es igação desen ol ida nos anos de 2007 e 2008 no âmbi o da disse ação de
mes ado em Museologia na Faculdade de Le as da Uni e sidade da Uni e sidade do Po o, in i ulada Modelos de
Ges ão de Colecções em Museus de Ciências Físicas e Tecnológica.
P e ende-se com es e a igo escla ece alguns concei os ine en es à ges ão de colecções e aos museus de ciências
ísicas e ecnológicas, bem como ap esen a algumas p opos as que con ibuam pa a uma e icaz ges ão des e ipo de
colecções.
This pape is abou collec ions managemen models in Museums o Science and Technology. The pape in ends o
cla i y and e lec upon ele an and inhe en concep s, associa ed wi h collec ions managemen in hese museums.
The a icle also in ends o p esen some p oposals o imp o e he managemen o his kind o collec ions.
Pala as-cha e - Key-wo ds:
museus de ciência; ges ão de colecções
science museums; collec ions managemen
102
Museus de Ciências Físicas e Tecnológicas: con ibu os pa a
a ges ão das suas colecções
40
Ca los Albe o Lou ei o
41
In odução
A ges ão de colecções de e se um elemen o cen al na plani icação e
o ganização das ins i uições museológicas. Pe an e es e ac o, e endo em conside ação
as ca ac e ís icas especí icas que as colecções de ciências ísicas e ecnológicas
possuem – jun amen e com o ac ual a anço ecnológico e cien í ico – os museus
deposi á ios des e ipo de colecções en en am alguns p oblemas na de inição da ges ão
dos seus ace os.
Pa a que haja um en endimen o minimamen e escla ecido sob e es e ema, o na-
se imp escindí el o escla ecimen o e deba e p elimina de á ios concei os e p oblemas
ine en es às colecções e museus. P ocu a-se, assim, numa p imei a ase cla i ica o
concei o de museu e as unções que lhe es ão adjacen es, seguindo-se uma abo dagem
mais especí ica em o no dos museus de ciências ísicas e ecnológicas. Ainda numa
lógica de de inição e dis inção de concei os p ocu a-se cla i ica as di e en es
concepções associadas à ges ão de colecções, com des aque pa a os concei os de
polí icas, p ocedimen os, ges ão e colecções.
A e mina ap esen am-se alguns modelos e p á icas de ges ão de colecções a
aplica em museus de ciências ísicas e ecnológicas. Ambiciona-se des a o ma
esponde a algumas ques ões que con ém aqui sis ema iza :
Elucidação e ca ac e ização dos museus de ciências ísicas e
ecnológicas, bem como das suas especi icidades e inclusão na
sociedade con empo ânea nas mais a iadas e en es;
40
A igo baseado na disse ação de Mes ado, o ien ada po Alice Semedo, ap esen ada na Faculdade de
Le as da Uni e sidade do Po o: LOUREIRO, Ca los Albe o Fe nandes, Modelos de Ges ão de
Colecções em Museus de Ciências Físicas e Tecnológicas. Disse ação de Mes ado do Cu so In eg ado
de Es udos Pós-g aduados em Museologia ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o,
2008.
41
Empa ia – A queologia, Lda., museólogo, in es igado e esponsá el pela ges ão documen al,
lou ei o.ca[email p o ec ed].
103
De inição, pe cepção e dis inção dos di e en es concei os
ine en es à ges ão das colecções em museus;
Ap esen ação de ins umen os e p opos as conc e as pa a uma
boa e e ec i a ges ão das colecções nos museus de ciências ísicas e
ecnológicas.
Os Museus de Ciências Físicas e Tecnológicas
An es de abo da a emá ica em o no dos museus de ciências ísicas e
ecnológicas, é de odo pe inen e con e i a noção de museu, amplamen e discu ida ao
longo das úl imas décadas e que ac ualmen e pa ece se comummen e acei e po oda a
comunidade museológica. A museologia con empo ânea pa ece es a de aco do que a
de inição a ibuída pelo ICOM, no a igo 2º do seu Código Deon ológico Pa a os
Museus, é a mais ajus ada, a i mando que um museu é uma ins i uição pe manen e, sem
ins luc a i os, ao se iço da sociedade e do seu desen ol imen o, abe o ao público, e
que adqui e, conse a, es uda, comunica e expõe es emunhos ma e iais do homem e do
seu meio ambien e, endo em is a o es udo, a educação e a uição.
Pe an e o que oi es abelecido é undamen al e i a equí ocos en e colecções
isi á eis e museu. A colecção isi á el é um conjun o de bens cul u ais conse ados
po uma pessoa singula ou po uma pessoa colec i a, pública ou p i ada, expos o
publicamen e em ins alações especialmen e a ec as a esse im, mas que não eúna os
meios que pe mi am o pleno desempenho das es an es unções (Lei Quad o dos
Museus Po ugueses, a . 4º, n.º 1). Que is o dize que uma en idade que possui uma
colecção abe a ao público pode não se museu, sendo condição pa a al o não
cump imen o de uma das unções ine en es à ins i uição museológica.
Em 1971 o ICOM na IX Con e ência Ge al deb uçou-se sob e o papel dos
museus, concluindo que es es, pa a além da sua unção essencial de colecciona ,
conse a , es au a , in es iga e comunica , de iam ambém começa a p a ica uma
sucessão de mu ações nas suas o ien ações, impulsionando uma sé ie de no as
ac i idades e p opos as que demons assem a sua impo ância e esponsabilidade na
educação, acção cul u al e p og esso da comunidade em que se inse em. Is o é, o museu
não de e se i apenas o isi an e adicional, endo que amplia as suas uncionalidades
a uma ce a dimensão social que pode o ien a -se em á ios sen idos.
110
a iedade, mui as ezes pe dido ou mal conse ado. Es es são documen os
undamen ais pa a o conhecimen o da his ó ia do ensino e da ciência em Po ugal,
cabendo po isso aos museus uni e si á ios in es iga as ci cuns âncias e os objec os
que ma e ializam esse capi al in elec ual e in e p e á-los, o nando-os acessí eis ao
público.
Reco dando o papel dos museus de ciências ísicas e ecnológicas no passado, os
museus uni e si á ios de ciência de em p ocu a ap esen a -se como pa cei os ideais
pa a ― enegocia o con a o‖ en e a ciência e a sociedade. Numa época em que se
deba em as implicâncias nega i as do conhecimen o cien í ico, es es museus êm a
opo unidade de acau ela a in es igação ans e sal e mul idisciplina necessá ia à
discussão sob e essas ques ões e en ol e nela oda a comunidade.
Pa a que es e ipo de museu possa cump i es as a e as, ou ou as a que se
p oponha, e ge i os con li os que ine i a elmen e ão su gindo, é essencial um
planeamen o ajus ado que en ol a a de inição e acesso da missão, objec i os,
p io idades, polí icas e p ocedimen os do museu. A sua conc e ização de e se ealizada
de uma o ma objec i a e acilmen e in eligí el.
A implemen ação de um bom sis ema de ges ão de colecções az consigo um
conjun o de an agens que pe mi e assegu a e acili a o e icaz uncionamen o do
museu, c iando uma polí ica de con inuidade e es abilidade, mas ambém uma
e amen a de de inição dos limi es de ole ância que con ibuem pa a a es abilização do
p ocesso de abalho, a aliação e e icácia do mesmo. Numa pe spec i a di e en e
comp o a a c edibilidade do museu ao admi i a comunicação abe a da sua ges ão de
colecções, demons ando que es e é um espaço em que o público pode deposi a a sua
con iança.
Um sis ema e ec i o de ges ão de colecções não de e apenas e lec i as p á icas
de abalho do museu, de e an es es a o almen e in eg ado nele, sus en ando odas as
ac i idades e ec uadas pelo museu e que a ec am as colecções, em ez de imp o isa
(ROBERTS 1988: 53).
A p epa ação de um plano de ges ão de colecções, ou a sua e isão, não de e se
uma a i ude bu oc á ica, mas an es uma o ma de enca a on almen e as ince ezas que
o u u o aca e a, ali iando as di iculdades que daí possam ad i . As ins i uições de em
ambém de ini uma es a égia global pa a a ges ão do seu ace o e uma cul u a
o ganizacional como o ma de acili a o enquad amen o dos seus abalhado es.
111
A ges ão das colecções de e se conduzida po pessoas que di ec amen e
con olam e abalham com os objec os, implicando uma ac i idade p o-ac i a na sua
ges ão (Idem: 10). A equipa escolhida de e inclui elemen os mais expe ien es, mas
ambém pessoas mais no as como o ma de ansmissão de conhecimen o e ga an ia de
uma boa execução das p á icas. As a e as e objec i os a alcança de em se dispos os
em di e en es g aus de impo ância e p io idade pa a acili a o abalho e o na a
ges ão mais e icaz.
Nes e p ocesso de e me ece especial a enção a c iação de um depa amen o de
ges ão de colecções. No caso de se in iá el de e se c iada a igu a do egis a (a
solução que mais se adequa à maio ia dos museus nacionais), que no malmen e em a
esponsabilidade p imá ia do planeamen o, ges ão e manu enção do in en á io (CASE
1988: 151).
No en an o as suas unções e enca gos êm um alcance mais ala gado, de endo
e amplas esponsabilidades no desen ol imen o e e o ço das polí icas e
p ocedimen os ela i os à aquisição, ges ão e disposição das colecções. A
mo imen ação dos objec os é ambém da esponsabilidade do egis a , assim como a
de e minação e p epa ação dos melho es mé odos de manuseamen o, embalamen o e
anspo e. De e igualmen e se capaz de a alia as capacidades e condições dos
emp és imos (Idem: 229).
Pa a acili a o desempenho da sua unção oi c iado o Código É ico do
Regis a , no qual es e se de e apoia , sendo um es emunho da impo ância que o
egis a assume na ges ão das colecções museológicas (Ibidem).
Os museus de em igualmen e ge i o seu ace o de aco do com os códigos
é icos já es abelecidos e a legislação em igo . Es a ges ão e icaz e e ec i a p essupõe o
es abelecimen o e de inição de um conjun o de polí icas e p ocedimen os num ou á ios
documen os, sujei os a ap o ação pela di ecção do museu ou en idade que o u ela.
Pa a um museu o g ande passo nes a á ea inicia-se com a elabo ação das
polí icas de ges ão de colecções, que de e es a em consonância com a missão e
p opósi os do museu, e assumi -se como um documen o de plani icação básico pa a a
sua comp eensão e in e p e ação. Po es e ac o, an es da de inição das polí icas o
museu em que dec e a a sua missão e objec i os.
A missão de e jus i ica a exis ência da ins i uição, desc e e as suas unções e
qual o in en o das suas acções, assumindo-se como um guia dos objec i os de uma
ins i uição museológica (EDSON e DEAN 1994: 26). De e esponde a á ias ques ões:
112
iden i ica a ins i uição; explica a sua o mação (museu p i ado, público, mis o,
uni e si á io, e c.) e a sua base de supo e; especi ica o ipo de objec os a colecciona ;
de e mina os pe íodos ou épocas his ó icas que ep esen am; de ini a o igem dos
objec os; e, inalmen e, explica as azões pa a os colecciona (EDSON e DEAN: 28).
Es e documen o de e se simples e cla amen e a iculado, de o ma a não
possibili a di e en es in e p e ações. Mal seja ap o ado de e se imedia amen e
dis ibuído pelos uncioná ios, mecenas e au o idades locais, egionais, e se o caso
disso, nacionais. Sendo museus uni e si á ios é undamen al a sua discussão com as
á ias sensibilidades da uni e sidade onde es á inse ido, e pos e io men e di ulgado
jun o da comunidade académica.
O objec i o des as acções passa po demons a a p eocupação e sen ido de
esponsabilidade do museu jun o das á ias pa es en ol idas no p ocesso de o mação
da ins i uição e do público em ge al.
Cump ida es a ase segue-se a adopção e publicação de um documen o esc i o
sob e as polí icas. É p a icamen e consensual en e os á ios au o es e es udiosos da
museologia que as mesmas sejam al o de uma e isão cíclica a cada cinco anos (pelo
menos), ou semp e que a ins i uição conside e necessá io.
No momen o da sua conclusão a polí ica de ges ão de colecções de e inclui
in o mação dis in i a que conglome e di e sos aspec os: acla ação do alcance das suas
colecções, desc ição do uso das colecções, es a égias de aquisição, condições de
alienação, na ação das polí icas de emp és imo e depósi o, no mas de documen ação e
delineação do mé odo de disposição dos objec os das colecções (EDSON e DEAN: 68).
Os museus de ciências ísicas e ecnológicas pela especi icidade das suas
colecções e pelo g ande a anço ecnológico que apidamen e o nam obsole os
de e minados equipamen os, es ão pa icula men e suscep í eis a conjun u as p óp ias.
Es e ac o é ainda mais acen uado quando es ão ligados a ins i uições de ensino.
Nes as si uações de e-se apela à lexibilidade das polí icas igen es endo semp e
p esen e o bom senso dos esponsá eis. O seu cump imen o, bem como de odas as
polí icas, de e se execu ado com desc ição pelos p o issionais dos museus den o dos
limi es de ole ância es abelecidos.
As polí icas não de em expo pa adigmas p o issionais i ealis as em e mos da
capacidade inancei a do museu, espaço, ecnologias usadas ou pessoal disponí el, mas
de em delinea ní eis de excelência em cada uncionalidade (LORD e LORD 1997:
52). Após a sua ap o ação de em se implemen adas, moni o izadas e supe isionadas.
113
A análise e a aliação das polí icas de em se ealizadas po uma comissão
c iada pa a o e ei o (KNELL 2004:13), e nunca se es a a edigi as p óp ias polí icas,
man endo assim um ce o dis anciamen o e independência ace ao seu p ocesso de
elabo ação. A sua composição de e a ia de aco do com as singula idades da
ins i uição em causa, no en an o de e se he e ogénea, in eg ando supe iso es,
memb os da di ecção, elemen os das u elas e uncioná ios sem unções de supe isão.
No caso pa icula de e inclui , se o p a icá el, p o esso es e/ou cien is as das di e sas
á eas do sabe po e em um maio conhecimen o das peças à gua da dos museus.
Finalizadas as polí icas seguem-se os p ocedimen os, que de em se elabo ados
endo em conside ação as polí icas de inidas, não de endo em caso algum exis i
con adição en e es as e as p á icas de inidas. Da mesma o ma não podem con a ia
e/ou di icul a a missão da ins i uição.
O manual de p ocedimen os de e a a os mesmos assun os que as polí icas. A
sua implemen ação de e comp eende uma pe manen e e inin e up a comunicação com
os uncioná ios dos museus, a a és de acções de o mação e eino supe isionados po
pessoas habili adas e especializadas.
Inco po ação
A aquisição é o p ocesso de adqui i objec os pa a o museu. Os objec os a
inco po a de em se ecomendados pelo museólogo ou conse ado esponsá el da
colecção ao di ec o do museu (EDSON e DEAN 1994:30) e acompanhados pela
assina u a de um documen o que comp o e a sua aquisição.
As modalidades de inco po ação podem se á ias e de em se assumidas de
aco do com o es abelecido na Lei-quad o dos Museus e Código Deon ológico do ICOM
Pa a os Museus. Cada uma das modalidades exige cuidados e p ocedimen os p óp ios
que de em se seguidos de aco do com as suas polí icas
45
.
Em Po ugal os museus de ciências ísicas e ecnológicas, maio i a iamen e
ligados a uni e sidades ou ins i uições simila es, êm no malmen e na ecolha di ec a
uma das o mas mais comuns pa a en iquece as suas colecções. Es a modalidade exige
45
Na escolha da modalidade de inco po ação de e-se p ocu a enquad a a mesma na legislação nacional,
endo em conside ação as o ien ações do Código Ci il Po uguês (2002) e ou as ques ões do di ei o
pa imonial (NABAIS e SILVA, 2003) e das ob igações (COSTA, 2000).
114
habi ualmen e um abalho de campo e pesquisa mui o ab angen e que en ol e a análise
bibliog á ica e documen al, o egis o o og á ico, es udo e desc ição do objec o.
46
A doação implica a g a ui idade do objec o a adqui i , o que na p á ica é uma
o e a. Só de em se acei es sem qualque ipo de es ição, e os museus nunca se
de em coloca em si uação de e que exibi ce o objec o só po que quem o e eceu
assim o exigiu. O e as de qualidade ques ioná el ou uso limi ado ambém não de em
se acei es
47
.
A comp a é mui as ezes a melho manei a pa a expandi ce as colecções, mas
ambém são no malmen e as mais di íceis, po que exigem undos imedia os. Na comp a
de objec os o museu é esponsá el po a alia a sua legalidade e condição é ica. O
con a o de e á e a o ma esc i a.
A comp a de objec os pode se p ecedida da assina u a de um pac o de
p e e ência en e museus pa es. Nes es casos é aconselhá el a ealização de pac os com
museus que enham objec os do in e esse da ins i uição, com is a a pode adqui i-los
u u amen e a a és de uma comp a.
Ou as modalidades de inco po ação de em se conside adas: legado, he ança,
achado, pe mu a e dação em pagamen o. Es as o mas de aquisição de objec os são
menos usuais nes e ipo de museus, mas se su gi em a sua aplicação de e se semp e
mui o bem ponde ada, jus i icada, documen ada e supo ada ju idicamen e.
Alienação
Um núme o de azões pode c ia a necessidade de emo e objec os das
colecções dos museus. Apesa de um museu inco po a objec os com uma pe spec i a
pe pé ua e de in e esse público não pode ica es á ico, de endo-se execu a
ea aliações pe iódicas.
A alienação pode se p a icada a a és de á ias o mas: doação, enda, oca e
des uição
48
(Código Deon ológico do ICOM Pa a os Museus 2003: 8). No en an o
46
Mui os museus podem conside a es a modalidade de inco po ação como uma ans e ência,
p incipalmen e quando as uni e sidades são ambém p op ie á ias dos objec os, e i icando-se a
ans e ência de um de e minado depa amen o pa a o museu. Es as si uações e ão que se analisadas
indi idualmen e de aco do com o enquad amen o, egulamen o in e no e polí icas de cada ins i uição.
47
A a i ude de acei a odo o ipo de objec os só pa a "enche espaço" não é a mais aconselhá el, is o
po que o cus o de manu enção de objec os de má qualidade é o mesmo – ou maio – do que os objec os de
boa qualidade.
48
A alienação po des uição só de e oco e em si uação ex ema. A sua escolha só é acei á el nas
seguin es condições: quando a peça já não em qualque possibilidade de epa ação; o objec o ep esen a
um pe igo pa a os uncioná ios do Museu, público em ge al e es an es colecções; e quando os ou os
mé odos pa a aliena o objec o não pude em se aplicados.
115
nenhum objec o de e se emo ido do museu sem an es exis i uma a aliação cuidada e
igo osa de odo o p ocesso elacionado com o objec o a aliena .
Há dois aspec os que se de e e em con a na alienação: a lei e a é ica (AMBROSE e
PAINE 1993: 131). Todos os museus êm que se sujei a às leis dos seus países, não
de endo em ci cuns ância alguma iola essas mesmas leis, sucedendo o mesmo com as
leis comuni á ias e in e nacionais. Po es e mo i o, é da esponsabilidade de cada museu
assegu a que os seus uncioná ios es ão amilia izados com os di e en es aspec os
legisla i os como o ma de ga an i que as leis são cump idas (AMBROSE e PAINE
1993).
Todo es e p ocesso de e se mui o bem documen ado po esc i o e gua dado
pe manen emen e no museu. Es a documen ação de e inclui : nome e í ulo das pessoas
en ol idas no p ocesso de alienação; ecomendação inicial do esponsá el pela peça;
azões pa a a alienação; desc ição do objec o alienado; núme o de in en á ios e ou os;
p o as de que o museu é p op ie á io do objec o e o og a ias. Em caso de necessidade
de e inclui nome e localização da ins i uição ecep o a do objec o alienado, e
documen os que ans e i am o í ulo de p op iedade.
Na icha do objec o de e es a assinalado "alienado", com a da a em que al
sucedeu. Apesa de o objec o não es a p esen e isicamen e no museu, é aconselhá el
que o seu núme o de in en á io se man enha.
Emp és imo
Os emp és imos de em se p á icas ine en es aos museus e eque em
p ocedimen os especí icos pa a assegu a a ges ão do objec o. Não en ol em a
ans e ência dos í ulos de p op iedade, mas são a deslocação empo á ia do objec o de
um local pa a ou o ex e io ao museu. O emp és imo de uma peça não de e se omada
de ânimo le e, p incipalmen e se en ol e anspo e e conse ação (WARE 1998: 6).
A ealização de um con a o esc i o en e odos os in e enien es é condição ob iga ó ia.
A sua assina u a de e se conc e izada an es do início do emp és imo (GRANT 1994) e
de e inclui : du ação do emp és imo e possí el eno ação; cuidados a e com os
objec os emp es ados; eque imen os de emba que (caso seja necessá io); p epa a i os
de segu ança a e du an e o anspo e, a mazenagem ou exposição; de inição das
esponsabilidades; cobe u as em caso de insegu ança; di ei os de au o e di ei os de
publicação.
116
Aspec o p imo dial na deslocação dos objec os pa a o a do museu é a apólice do
segu o, de endo se semp e assinadas apólices que enham em con a ac o es como o
alo da peça, dis ância pe co ida, local de des ino e empo de ausência
49
.
Depósi o
O Depósi o é o con a o pelo qual uma das pa es en ega à ou a uma coisa,
mó el ou imó el, pa a que a gua de, e a es i ua quando o exigida (A igo 1185º do
Código Ci il Po uguês). Sendo assim o con a o de depósi o em po objec o a gua da
de uma coisa, sendo es a a ob igação dominan e nes e ipo de con a o. O sujei o que
ica esponsá el pela gua da do objec o assume a designação de deposi á io, assumindo
a ou a pa e a denominação de deposi an e.
Du an e a aplicação do depósi o é aconselhá el que as pa es en ol idas enham
em a enção os mesmos p essupos os que nas si uações de emp és imo, com algumas
pa icula idades: o depósi o em uma na u eza g a ui a; as despesas, de aco do com o
a igo 1196º do Código Ci il Po uguês (2002: 290) icam semp e a ca go do
deposi an e; só de em se ealizados se os objec os o em deposi ados po um pe íodo
de empo ala gado; o subdepósi o e a u ilização da peça deposi ada são p oibidos; só
de e se ealizado com objec os p o enien es de ins i uições simila es sem ins
luc a i os e a sua conc e ização só de e e ec ua -se após a assina u a de um con a o.
Uma ins i uição só de e pensa em se deposi an e quando não dispo das
condições humanas, écnicas e inancei as pa a conse a de e minadas peças no seu
equipamen o.
Na posição de deposi á ia a ins i uição de e conside a as seguin es condições:
as peças a deposi a não podem cons i ui um pe igo pa a a saúde pública e pa a o
es ado de conse ação das colecções exis en es na ins i uição; o museu em que possui
as condições humanas, inancei as e écnicas pa a gua da con enien emen e os
objec os; e o depósi o das peças não coloque em causa o no mal uncionamen o da
ins i uição deposi á ia.
Todos os depósi os de em se mui o bem documen ados, o que implica a
abe u a de um p ocesso indi idual pa a cada objec o que é deposi ado
50
.
49
Es a condição aplica-se ambém nos depósi os.
50
Es e p ocesso de e con e uma cópia do con a o, da a de en ada, p o eniência, documen o
comp o a i o da ecepção, a desc ição po meno izada da peça, a sua condição e alo .
117
Documen ação
A documen ação é uma ac i idade do qual mui as ou as dependem, sendo
igualmen e a a e a mais di ícil, labo iosa e ampla do museu (DÍAZ BALERDI 1994:
140). De e se a coluna e eb al da ins i uição, já que a sua unção é con ola odo o
espólio do museu e suas mo imen ações, sejam elas e icais (in e nas) ou ho izon ais
(ex e nas), e a icula oda a ac i idade p oduzida em elação ao egis o, con olo e
segu ança das peças (ALONSO FERNÁNDEZ 2006: 162).
Assume-se como uma das mais impo an es unções do museu, já que os
objec os/colecção insu icien emen e documen ados de pouco se em a um museu. Pelo
con á io, uma adequada ecolha e a amen o da in o mação con ibui á pa a uma
e ec i a ges ão das colecções.
O sis ema de documen ação adop ado de e se lexí el, ajus ando-se à
di e sidade e à mudança (HOLM 1991: 2). De e se álido no exe cício das di e en es
ambi alências do museu, ajudando-o a e noção do que possui, a localiza as suas
peças, acili a a in es igação, simpli ica a o ganização de exposições e publicações,
delinea planos de conse ação p e en i a e documen a odas as in e enções sob e as
peças.
A documen ação de e igualmen e p o ege o museu de e en uais acções legais
ela i as ao í ulo de p op iedade das peças, bem como p o idencia uma desc ição dos
objec os pe didos, oubados ou aciden ados, ga an indo simul aneamen e a ansmissão
da in o mação independen emen e das lu uações do quad o de pessoal.
Pa a que seja e icaz é undamen al que o sis ema de documen ação inclua
documen os a ec os á inco po ação e alienação, icha de in en á io, localização nas
ese as, egis o de acções de conse ação e mo imen os.
De e ambém exis i uma cópia de odos os egis os e ec uados num local
di e en e do o iginal, p eca endo des a o ma acções desas osas deco en es de
ca ás o es na u ais, andalismo ou oubo.
A documen ação não de e se algo e e no e es á ico, is o que o conhecimen o
al e a-se, bem como os c i é ios a espei o da in o mação que em de se conse ada,
exigindo uma ac ualização cons an e dos dados.
O p ocesso de documen ação de e inicia -se an es da en ada do objec o no
museu, al u a em que se p ocessa a ecepção do objec o. Es a úl ima acção de e ag ega
a emissão de um ecibo de en ega, seguindo-se um conjun o de p ocedimen os mínimos
118
que incluem uma ecepção, uma iden i icação básica do objec o, um exame inicial da
peça, uma análise da sua condição e o egis o de localização.
Quando a ecepção do objec o p o ém de uma aquisição de e-se p ocede ao seu
egis o no Li o de In en á io Ge al. Pa a além des e, os museus de em possui
igualmen e um Li o de Dia ( egis a odos os mo imen os oco idos no museu, sejam
eles ho izon ais ou e icais) e um Li o de Saídas (insc e e odas as pa idas de
objec os da ins i uição)
51
.
Uma das a e as mais impo an es do p ocesso de documen ação é o in en á io,
que se pode de ini como a elação de odos os objec os que cons i uem o ace o
p óp io de uma ins i uição, independen emen e do seu modo de inco po ação, que es ão
egis ados no sis ema de documen ação do museu.
O p incipal objec i o do in en á io num museu é iden i ica qualque objec o
dessa mesma ins i uição, ou conhece odo o espólio independen emen e do seu
signi icado cien í ico ou a ís ico (ALONSO FERNÁNDEZ, 2006: 161), baseado nos
p incípios básicos da no malização in e nacionalmen e assumidos no âmbi o da
museologia, essal ando en e an o as pa icula idades do ace o e as ca ac e ís icas
dis in as que a ins i uição con e e.
À semelhança do que se encon a desc i o na Lei-quad o dos Museus
Po ugueses (Lei n.º 47/2004 de 19 de Agos o), de e se elabo ada uma icha de
in en á io pa a cada bem cul u al inco po ado, independen emen e da modalidade de
inco po ação. A sua ac ualização de e se sis emá ica
52
.
A a ibuição do núme o de in en á io é uma a e a imp escindí el e ob iga ó ia
no p ocesso de in en a iação. Es e núme o de e se único, singula e sequencial, já que
a ibui ao objec o uma iden idade única, icando pe manen emen e ligado à peça, sendo
um meio de iden i ica e co elaciona oda a in o mação a ela associada.
Recomenda-se que o núme o seja al anumé ico, com as inicias do museu e o
núme o sequencial a a ibui ao objec o. De e es a semp e con inan e à peça a a és de
uma e ique a segu a mas de ácil emoção, cons i uída po ma e iais que não
p ejudiquem os objec os.
51
Ambos os li os de em se p eenchidos manualmen e, de modo a e i a a dis o ção dos dados, cosidos
e com e mo de abe u a. As olhas de em se nume adas de o ma sequencial e ub icadas pelo
esponsá el da colecção, assegu ando a e i icação dos dados in oduzidos.
52
Pa a o co ec o p eenchimen o dos campos de in o mação do sis ema de in en á io é undamen al
elabo a um manual de p ocedimen os que de e mine o ipo de in o mação a se inse ida em cada campo.
Es e documen o acili a o abalho dos uncioná ios esponsá eis po es e ipo de a e a, ga an indo uma
no malização e con inuidade do p ocesso.
119
Num ou a e en e o ICOM ecomenda a u ilização das múl iplas ace as da
In e ne nos museus, insis indo pa a que se in o ma ize os se iços des as ins i uições.
Es a o ien ação em museus de ciências ísicas e ecnológicas ainda se e ela mais
impe a i a, já que es es museus são ambém cen os de p omoção e di ulgação da
ciência e no as ecnologias. É undamen al que es ejam na angua da da u ilização e
desen ol imen o das ecnologias associadas à museologia.
O egis o mul imédia é uma das o mas de u ilização das no as ecnologias. A
sua u ilização é ob iga ó ia já que é uma o ma de documen ação que ajuda a iden i ica
o objec o. Es e ipo de egis o de e inclui necessa iamen e a o og a ia, que de e
acon ece no momen o em que o objec o dá en ada no museu, aconselhando-se
igualmen e o ecu so ao ídeo e às simulações compu o izadas em ês dimensões dos
objec os que azem pa e das suas colecções, ou de ma é ias com eles elacionados.
Sendo o museu um deposi á io de ma e iais e objec os ela i os ao conhecimen o
do Homem, uma das suas unções indispensá eis pe an e a sociedade ac ual é a
in es igação cien í ica desses mesmos ma e iais. Es a de e co esponde a objec i os
ins i ucionais e segui as p á icas legais, deon ológicas e académicas de inidas pela
legislação nacional e in e nacional em ma é ia de di ei os de au o (Código
Deon ológico do ICOM Pa a os Museus, 2003: 13). De e se ei a, p io i a iamen e, po
uncioná ios da ins i uição, con udo de e-se salu a a abe u a da colecção a
in es igado es ex e nos, indos de ins i uições c edenciadas, que em mui o podem
con ibui pa a o desen ol imen o do conhecimen o.
Conclusão
As polí icas de ges ão e os seus p ocedimen os de em se capazes de muda ,
e lec i e adap a -se pe an e as exigências do mundo globalizan e e as ques ões que se
elacionam com o desen ol imen o local e egional (SEMEDOb 2005: 267-268), sejam
unicamen e museus de ciências ísicas e ecnológicas ou ambém uni e si á ios. De em
e lec i as p io idades que esul am do museu pa a com o indi íduo, pa a com as suas
esponsabilidades e em elação às polí icas de ges ão de ou os museus. O ní el de
cuidado a e com os objec os de e se ajus ado às necessidades que ce i iquem a sua
exis ência no u u o.
A ges ão do ace o de e e em con a a p odução de abo dagens in e e
ansdisciplina es, ao in és de compa imen a as suas ac i idades ao âmbi o es i i o
disciplina , ac o que mui as uni e sidades endem em man e . Es a es a égia assume
126
p ojec o de ensi o que ainda hoje exis e da a de 1409 a 1449, du an e o einado de D.
João I (RODRIGUES, 1997:472).
Já o Abade de Baçal a i ma a (ALVES, 2000:258, 261):
(…) «as janelas em ogi a do nosso cas elo, bipa idas po pinásios encimados de
o na os adian es e osáceos, pe encem ao segundo pe íodo da a qui ec u a ogi al
ou gó ica, que ai desde o século XIV ao XV, e a es a época em de se adsc e e a
sua cons ução.»
Assumindo que:
(…) «o cas elo de B agança oi mandado cons ui po D. João I, pelos anos de 1409,
e a sua áb ica assumiu ais p opo ções de g andeza, que ao ala -se em ob as já se
en endia se em as do cas elo. Du a am, an es de concluídas, passan e de in a anos,
ab angendo os einados de D. João I, seu ilho D. Dua e e ne o D. A onso V.»
Fig.1 – Cas elo de B agança (alçado Sul e Es e)
A cons ução da o e de menagem oi iniciada no pe íodo de D. João I sob e
uma alcáço a da época de D. Dinis de inais do século XIII, é odeada po uma linha de
mu alhas obus ecida com cubos e ambo es semici cula es abobadados a ijolo. A o e
de menagem é de cons ução ipicamen e medie al, al a e espessa de mu os di ei os e a
pa e in e io ca ada de cis e na (que ambém pode ia se cá ce e ou a mazém). A
en ada na o e oi asgada no piso in e médio, inicialmen e acedia-se ao in e io po
uma escada olan e. Sob e a en ada, emos, no cimo da o e, um balcão de ma a cães
ou bes ei a machicoulis apoiada po obus os cacho os e abe o no chão, que pe mi ia
a ingi o a acan e que en asse en a pela po a p incipal.
Nos ângulos supe io es há qua o gua i as de secção ci cula , po meno
possi elmen e de in luência espanhola. Conjun amen e com as ameias, as gua i as, a
127
po a em al o posicionamen o e as obus as pa edes cons i uem o sis ema de ensi o da
o e.
Ou o a a o e inha elhado que pe mi ia o ap o ei amen o das águas plu iais
pa a a cis e na.
José Ca doso Bo ges, na Desc ipção Topog aphica da cidade de B agança,
ci ado pelo Abade de Baçal, (ALVES, 2000: 265) a i ma que, (…) «sobe hua bem
a e iciosa escada a que se comunica odas as cazas a é o mais al o, e des e descem
aquedu os pa a hua g ande cis e na.»
É possí el que a escada de ca acol que hoje conduz ao piso da cis e na i esse
con inuidade a é ao co oamen o pondo em comunicação os di e sos pisos.
O abade de Baçal (ALVES, 2000: 264) e e e que:
(…) «a sua di isão in e io não é a p imi i a e que oi modi icada, como se ê pelo
açado da escada que põe em comunicação os pa imen os que em pa es ai co a
as en adas que dão pa a alguns compa imen os. Tal ez es a modi icação osse ei a
em 1671 em que o p íncipe egen e, po ca a da ada de Lisboa de 11 de Janei o, e
sendo alcaide-mo Ped o de Ma iz Sa men o, manda ecolhe no cas elo os p esos
po a cadeia es a em mau es ado.»
A p esença de janelas o namen adas deno a que além da unção mili a a o e de
menagem de inha ambém unção habi acional. Os g andes ãos deco ados de es ilo
gó ico são indicado es do con o o in e io u o de no as concepções de comodidade.
Fig. 2 – De alhe da janela do alçado sul da o e de menagem
128
A o e de menagem e a en ol ida po ou o a o de ensi o que ambém ab iga a
a alcáço a de que hoje nada es a:
«De o ma quad angula , em as suas aces o ien adas pelos qua o pon os ca deais e
é o mado de ped a sol a e a gamassa à excepção da base, ângulos, ameias,
mi adou os e uma cin u a que em a meia al u a que são de g ani o g ossei o. Tem
dezasse e me os de lado e in a e ês de al u a, ap oximadamen e.» (ALVES, 2000:
263).
Ap o ei ando os ma e iais na u ais da egião o Cas elo e a o e de menagem
es ão cons uídos em g ani o, nos cunhais no e o ço dos ãos e piso é eo, sendo que
os panos de mu alhas bem como a es an e cons ução é maio i a iamen e cons i uída
po se pen ini o, ocha ul a-básica do g upo das me amó icas, que lhe con e e o om
azulado, (segundo in o mação do P o esso Luís Filipe, docen e na á ea de geologia na
ESEB), en e a ped a sol a unida com a gamassa é possí el obse a ambém ochas de
xis o, mas em meno quan idade.
A alcáço a es a a cons uída en e a o e de menagem e a o e da p incesa,
com a ca ia num dos lados e duas o es no lado no e, a o e da p incesa e ou a o e
semici cula , já desapa ecida.
Fig. 3 – Desenho de Dua e D‘A mas, c. 1509 (ARMAS, 1997) Obse a-se ainda o
edi ício da alcáço a en e a o e de menagem e a o e da p incesa.
Em 1831, a alcáço a, em a ançado es ado de deg adação, já desabi ada, oi
mandada echa a ped a e cal pela câma a. Se bem que 50 anos an es, o alcaide-mo
129
enha ec i icado o seu uso legí imo, pe an e a eminen e ocupação do espaço po pa e
do egimen o de in an a ia.
Segundo o Co onel Rod igues, num a igo publicado pela e is a B igan ia
(RODRIGUES, b, 1995), B agança em egis o de aqua ela unidades mili a es desde
1664, ainda no escaldo da gue a da es au ação. Po ém só em 1710 é que há no ícia de
exis i um qua el, ei o à cus a do e á io égio. Des e edi ício p imi i o já nada es a.
Fig. 4 – Plan a do Cas elo e da zona in amu os, a á ea no des e es a a ocupada
pelo Qua el do Bç 3 ( undo documen al SIPA)
Em 1800, o Tenen e Gene al Manuel Jo ge de Sepúl eda, na sua qualidade de
Go e nado de A mas da p o íncia de T ás-os-Mon es, mandou cons ui um qua el no
cas elo de B agança, des inado a uma unidade de In an a ia. Pa a o e ei o mandou
demoli á ios edi ícios, ap o ei ou pa e das mu alhas pa a cons ui as case nas, e,
pa a melho o dena a pa ada, oi desman elada pa e da casa do alcaide.
Fig. 5 – Fo og a ia aé ea do Cas elo, (década de 60, século XX) e zona en ol en e,
sob e a mu alha é possí el obse a o edi ício do qua el e o campo da pa ada
mili a ( undo documen al SIPA)
130
Um século mais a de a Unidade de In an a ia ocupa a não só o qua el do
cas elo mas ambém o o e de São João de Deus, que albe ga a a é ao p incípio do
século XX a unidade de Ca ala ia. Em simul âneo exis iam ou os ó gãos de apoio
mili a , como o hospi al mili a e a a mácia.
Fundação do Museu
Em 1929 é publicada a au o ização pa a a undação do museu,
«(…) em i ude da au o ização do Comando da Região, ansmi ida pelo Comando
Mili a des a gua nição, oi es e egimen o au o izado a o ganiza um Museu
Mili a ».
56
Fig. 6 - Cas elo ocupado pelo Qua el do Bç 3 ( undo documen al SIPA)
A inicia i a pa e do Regimen o de In an a ia nº 10, comandado na época pelo
Co onel An ónio José Teixei a. T a a-se de uma inicia i a local, que esul a da on ade
e do empenho de mili a es ads i os ao egimen o. Es a in o mação ac escen a um dado
no o ao his ó ico, a é à da a ecolhida, ela i o à undação do museu. Com alguma
insegu ança, a i ma a-se que o Museu Mili a de B agança inha sido undado em 8 de
Julho de 1938, (FELGUEIRAS, 1960) no en an o, a ecolha de elemen os publicadas
nas O dens de Se iço do qua el e elam que es a da a é imp ecisa e pos e io à da a
eal da undação do museu.
Desde a sua undação a é ao momen o, podemos dis ingui a iações na
iden idade cul u al que o museu ma e ializa, e ambém na iden idade do público a que
se des ina.
56
O dens de Se iço (1929) Regimen o de In an a ia Nº 10.
131
O museu mili a enquan o exp essão e ins umen o de iden i icação, so eu
al e ações, u o das ans o mações que se ope a am na comunidade onde se inse e. A
comunidade a que inicialmen e es a a des inado o museu e a a comunidade mili a . As
O dens de Se iço das unidades mili a es aqua eladas no cas elo consul adas no âmbi o
des a pesquisa, pe mi em-nos segui a diá io as p eocupações e acções le adas a cabo
no in e io do qua el.
O objec i o da pesquisa des es documen os oi segui o his ó ico do museu, no
en an o, oi ine i á el a ende mos a ou os aspec os elacionados com o quo idiano do
qua el. Uma ez que, na época a cidade de B agança ca ecia de biblio eca pública, oi
su p eenden e cons a a a o e p eocupação com o aumen o cons an e da biblio eca do
qua el. A biblio eca es a a gua dada numa sala con ígua à sala do museu, e são
equen es as e e ências aos no os li os ac escen ados à ca ga da biblio eca, são li os
de emas mili a es, mas ambém de geog a ia, his ó ia, e de his ó ia local, iloso ia e
ag icul u a.
A pa i da década de 30 do século XX é cons an e o aumen o da biblio eca com
ob as publicadas pelo Minis é io de P opaganda, Sec e a iado da União Nacional.
Aquando da ex inção da úl ima unidade mili a aqua elada em B agança, a biblio eca
oi ans e ida pa a Lisboa, onde se man ém a é hoje. É igualmen e incon o ná el o
papel da Escola Regimen al como agen e de desen ol imen o social. A escola
lecciona a di e en es á eas elacionadas com a p á ica mili a , em pa alelo egula a os
pa âme os compo amen ais e cí icos dos mili a es que a ela acudiam.
São inúme as as ecomendações exp essas nas O dens de Se iço que p opõem
al e a compo amen os, não só den o do espaço mili a mas ambém com implicações
no espaço ci il. Os aspec os pessoais de higiene, como o uso e dis ibuição de esco as
dos den es, a ob iga o iedade do banho, de saúde, com acesso a consul as de di e en es
especialidades médicas, bem como os aspec os públicos de higiene e saúde, os as eios,
as acinas, a p e enção de doenças e do seu con ágio, a é as p eocupações ecológicas na
p oibição do uso de eneno pa a os peixes são igualmen e ques ões cla i icadas den o
do qua el.
Es e ac o pe mi e-nos pensa na ampli ude dos conhecimen os disseminados
den o do qua el, o que nos deixa pe cebe o p o undo impac o ao ní el do
desen ol imen o social num espaço in e io ansmon ano que na época so ia de pio
acesso à educação e à cul u a, que o que se sen e ac ualmen e.
132
Ou o aspec o que nos pa eceu des acá el oi a p eocupação com a o mação
musical. No qua el e a ensinada música com di e en es ins umen os musicais, exis ia
mesmo uma banda musical, inúme as ezes equisi adas po o ganizações ci is e
eligiosas.
Es e ac o conduz-nos, mais uma ez, pa a a impo ância, ambém no
quo idiano, da p esença do qua el mili a na cidade. O acesso a mui as mani es ações
cul u ais e a ei o a a és do qua el, e não apenas pa a o público que di ec amen e
es a a elacionado com a ida mili a mas pa a oda a comunidade, que nas es i idades
uía da música in e p e ada pela banda.
A ní el económico, a elação en e a comunidade e o qua el ainda hoje é
lemb ada, pois, os sapa ei os, as la adei as e oda a es an e comunidade que di ec a ou
indi ec amen e endia bens e p es a a se iços ao qua el, so eu um g a e golpe
quando a unidade mili a oi desman elada.
O qua el p es a a ainda apoio social - são inúme as as O dens de Se iço que
encon amos que egulam a dis ibuição dos “ es os do ancho pelos pob es‖, e ainda
hoje es a memó ia pe du a sob e udo na comunidade que habi a a zona da ila, den o
do ecin o amu alhado.
Rela i amen e à elação es abelecida en e o qua el, com odas as suas
alências, e a comunidade da cidade, c emos se um assun o digno de mais p o undas
pesquisas, de melho es ecolhas ma e iais e ima e iais que pe mi am, com a in e enção
ac i a da comunidade, euni uma colecção passí el de se expos a. A es e assun o
aludi emos mais conc e amen e no ex o ela i o à exposição do segundo capí ulo.
Den o do qua el mili a , o museu cons i uía mais um elemen o di uso de
cul u a. O objec i o da cons i uição do museu é cla o p e ende-se que o museu dê
«maio enc emen o a es e eposi ó io de gló ias mili a es o que i á a es a não só a
cul u a in elec ual da gua nição mas ainda o desejo de caminha a pa das nações mais
ci ilisadas».
57
E a assim expos o o objec i o do museu pelo Comandan e da Unidade,
esponsá el pela undação do Museu, o Co onel José An ónio Teixei a. Es as pala as
e idenciam a p eocupação p imá ia em consolida o ace o como um conjun o de bens
cul u ais, que de e ia se alo izado com objec i os educa i os, passí eis de p omo e
o indi íduo e a sociedade. É e iden e, nes e exce o, a p eocupação em mos a e
57
O dens de Se iço (1932) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 292.
133
alo iza os objec os expos os de modo a que o museu cons i ua, não só um eposi ó io
de gló ias mili a es, mas que a p ese ação dessa memó ia pe mi a a es a a cul u a
in elec ual da gua nição, que na época se es abelecia como um dos públicos al o da
ins i uição. No á el é ambém o cuidado em acompanha as nações mais ci ilizadas, no
sen ido de impo a os caminhos pedagógicos e lúdicos já ins i uídos e c edenciados
nou os países mais desen ol idos.
Na época exis ia já em B agança o Museu do Abade de Baçal, que ecebe o
nome do seu ilus e di ec o após a sua jubilação em 1925. No en an o a sua undação
emon a aos inais do século XIX, mais conc e amen e a 1897. Nes e pe íodo o museu
designa a-se po Museu Municipal de B agança, e a sua undação es e e
in insecamen e ligada à igu a do a queólogo Co onel Albino Lopo. É in e essan e
cons a a a coincidência na o mação mili a do Co onel Albino Lopo e do Co onel
An ónio José Teixei a, igu as de maio ele ância na undação dos mais signi ica i os
espaços museológicos da cidade.
O Museu Mili a logo se di e enciou do Museu Abade de Baçal, na sua missão e
nos objec i os que se p opunha alcança . De ca ác e emá ico mais es i i o, as gló ias
e ei os mili a es, mas coinciden e no aspec o egional, pois ambas as ins i uições
alo iza am, desde a sua o igem, a comunidade onde se inse iam e o espaço geog á ico
humano que ep esen a am.
Logo no p imei o momen o, o que se p e endia e a que o museu mili a
cons i uísse um espaço po enciado da educação em pa alelo à biblio eca e em
complemen o à escola egimen al, o que pe mi i ia aos mili a es, p incipais u ilizado es
do museu, o acesso a um mais as o leque de ecu sos educacionais, ge ado es de uma
melho o mação cul u al, consequen emen e, uma educação mais ica.
Simul aneamen e p e endia-se que o Museu Mili a expusesse a um público mais
as o o eposi ó io de gló ias mili a es, ma e ializando o p es ígio daquela unidade
mili a em conc e o, bem como de igu as ilus es do passado mili a da egião. Assim,
o nam-se e iden es os dois públicos al o da ins i uição logo no seu p imei o momen o:
o público mili a , que di ec amen e uía do espólio expos o, e a es an e comunidade
local, que podia acede ao museu median e solici ação, es a a sal agua dado o acesso
público, mas com es ições. Em 1932 de ine-se o c i é io de en ada no museu,
«Cob a de cada isi an e, median e o espec i o bilhe e, a impo ância de 1$00 dando
134
con as, mensalmen e, ao sn . O icial esou ei o do Muzeu, das impo ancias cob adas
em p esença dos espec i os e be es»
58
.
No en an o, além do pagamen o o isi an e de e ia ainda cump i com ou o
c i é io, na O dem de Se iço de 1936 podemos le «semp e que apa eçam pessoas que
desejem isi a a To e de Menagem – elas sejam ap esen adas ao sn . o icial de dia
que depois de se in ei a da sua idoneidade da á as suas ins uções pa a se em
acompanhadas na isi a pelo gua da da To e».
59
A idoneidade dos isi an es e a condição undamen al pa a assegu a o acesso ao
museu.
F
i
g
.
7
-
A
po a da Alameda isí el nes a o og a ia oi echada du an e as ob as da
década de 60 de século XX, como se pode obse a na o og a ia da
di ei a, nas mesmas ob as o am es i uídas as ameias à o e que a
aloja a. ( o og a ias do undo documen al SIPA)
Uma ez que o museu es a a no in e io do qua el, a en ada e saída de
isi an es e a con olada de modo a e i a que os isi an es en assem em espaços de
uso exclusi o dos mili a es, daí que, ambém e a egulamen ado o pe cu so que os
isi an es de iam segui den o do museu, «Recomenda-se que a en ada e saída dos
isi an es do Cas elo de e se ei a pela po a da Alameda sendo exp essamen e
p oibido azê-lo pela cozinha.»
60
Du an e o ano de 1939 e i icamos que momen aneamen e é p oibida a en ada
de isi an es «Que se chama a a enção dos sn . O iciais de dia à unidade pa a o
de e minado no a º 11º da O. R. nº 25, de 25 de Janei o úl imo, não sendo pe mi idas
en adas no aqua elamen o com o im de isi a o Cas elo.»
61
58
O dens de Se iço (1932) Regimen o de In an a ia Nº 10
59
O dens de Se iço (1936) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 256.
60
O dens de Se iço (1939) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 25.
61
O dens de Se iço (1939) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 193.
135
Na e dade, o no a º 11º da O. R. nº 25, ansc i o em pa e no an e io
pa ág a o, não exp essa a p oibição de en ada, apenas a es ição de en ada pela
cozinha, possi elmen e o museu e a sua di ulgação não cons i uíam pa a o en ão
di ec o (Co onel Teó ilo de Mo ais), uma p io idade, al como acon ecia du an e a
di ecção do Co onel José An ónio Teixei a.
Mais a de, e de no o sob a di ecção do Co onel José An ónio Teixei a, o
c i é io de idoneidade dos isi an es é e o çado,
«Que se chama à melho a enção dos Senho es O iciais de dia ao Ba alhão, no
sen ido de es ingi em as isi as, ao Cas elo e Mu alhas, somen e a pessoas idóneas,
que possam se acompanhadas po senho es O iciais ou Sa gen os, não a acul ando
a quan os o desejam que, na maio ia, apenas ali ão po me a cu iosidade que se não
jus i ica e sem qualque im educa i o, obs ando-se, semp e, que as dependências
sejam de assadas, e conspu cadas e se oque nos objec os expos os… Somen e em
dias de gala e quando da O. B. al cons a , se ão aquelas dependências acul adas à
en ada do público, omando-se, en ão, as indispensá eis medidas de igilância.»
62
Apesa da p oximidade de alguns concei os ela i os à unção e objec i os do
museu mili a com as noções ac uais, é e iden e nes as linhas a di e ença abissal en e a
ideia da unção de um museu ac ual e a ideia associada à unção des e museu na década
de 50 do século XX. Pa a o en ão di ec o do museu o na a-se cla o que a en ada na
di a ins i uição não de e ia se abe a a odos os públicos, pois que, na g ande maio ia,
os isi an es apenas ali iam po «me a cu iosidade», a i ude que e a conside ada como
sendo desp o ida de inalidade educa i a. A cu iosidade da comunidade pelo museu é
hoje uma ques ão o emen e abalhada jun o dos públicos, e nunca desp ezada pois
cons i ui um eículo mais de ap oximação en e público e ins i uição. No en an o, es a
elação, que hoje nos pa ece p imo dial na unção de qualque ins i uição museológica,
não o e a en ão. O museu mili a , u o da p óp ia es u u a mili a onde se inse e, bem
como do espaço geog á ico onde se localiza, suge e-nos alguma pe sis ência nos
modelos mais adicionalis as e ambém alguma elu ância na mudança. Nes e sen ido,
in e p e amos a disposição de es ição de públicos como uma a i ude en ol a em
p incípios que p econiza am o museu como espaço de p es ígio, disponí el apenas pa a
uma população p i ilegiada, modo de ac ua ca ac e ís ico do An igo Regime, que na
década de 50 do século XX ainda pe du a a. Po ém, é igualmen e no ó ia a
62
O dens de Se iço (1951) Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 122.
142
No mesmo mês egis am-se os de e es do 1º cabo iel do museu, a que já
aludimos ela i amen e à conse ação, mas impo a des aca na ín eg a o documen o
pois expõe de o ma p á ica e conc e a as unções des e p o issional,
«Além de cump i com o que lhe o de e minado pelo sn . O icial Di ec o de Mez é
o p imei o esponsá el po odos os a igos, li os e quad os que cons i uem o
echeio do Muzeu e A qui o e em po de e es: 1º Faze ba e e limpa i a ege ais
e c. duas ezes po semana, pelo menos, odas as dependências da To e de Menagem
pa a o que pode á equesi a ao sn . O icial de dia ou qualque dos sn s. O iciais
Di ec o es os homens necessá ios. 2º Faze conse a odos os a igos nos seus
espec i os loga es, semp e limpos desen e ujados e bem acondicionados, não
pe mi indo que os isi an es lhes oquem. 3º En ega ao sn . O icial sec e á io,
qualque a igo que eceba, pa a se de idamen e ca alogado e comunica a o e a
ao sn . Di ec o de Mez. 4º Ap esen a o li o dos isi an es, que es a á sob a sua
gua da e esponsabilidade, a odas as pessoas de ca ego ia que desejem insc e e os
seus nomes. 5º Cob a de cada isi an e, median e o espec i o bilhe e, a impo ancia
de 1$00 dando con as, mensalmen e, ao sn . O icial esou ei o do Muzeu, das
impo ancias cob adas em p esença dos espec i os e be es. 6º Ce i ica -se
diá iamen e de que odas as po as e janelas da To e icam pe ei amen e echadas e
en ega ao oque da o dem odas as cha ês ao sn . Ajudan e que as a á gua da no
local a isso des inado.»
75
As unções do 1º cabo iel do museu são á ias mas p endem-se sob e udo com a
conse ação e a segu ança do ace o e do edi ício.
No ano de 1938 e a egis ado no o quad o de uncioná ios
«Que os co pos di ec i os des e eposi ó io de elíquias mili a es do nosso egimen o
passe a se di igido pelos seguin es mili a es da unidade:
P esiden e – Sn . cap. A. J. Machado
Di ec o es
Conse ado – Sn . en. A. E. O. Fa ia
Sec e á io – 1º sa gen o A. S. Sub il
Zelado – 1º cabo da C. A. Nº 3 / E J. G. Ma alhei o
Dia iamen e se á pos a à disposição do 1º cabo zelado uma achina egimen al pa a
a espec i a limpeza da o e de menagem e suas dependências.
75
O dens de Se iço (1932) Regimen o de In an a ia Nº 10.
143
As ins uções elabo adas pelo sn . Di ec o Conse ado en am desde já em
execução.
76
O cabo zelado su ge com no a designação, po ém ao não cons a em as suas
unções p esumimos que se man êm as que já inham sido de inidas pa a o 1º cabo iel
do museu. É de no a que lhe oi pos a à disposição a ajuda de «uma achina
egimen al» o que deno a a o e ca ga de esponsabilidades e unções que lhe es a am
inicialmen e ads i as.
No ano seguin e é de no o publicado o quad o de uncioná ios do museu
«Que de ha monia com o de e minado no a . 5º do Cap. II do Regulamen o do
Museu, supe io men e ap o ado, é nomeado pa a as seguin es unções o pessoal:
Di ec o , o sn . Tenen e A. E. de O. Fa ia; Adjun o, o sn . Al e es M. A. Ta a es;
Amanuenses, o Fu iel M. A. Do Nascimen o; Che e de gua das (1º gua da) o 1º
Cabo nº 3 / E, da C. A., J. G. Ma alhei o e Gua da o soldado da mesma companhia
nº 236 / E a. Fe nandes.
77
Nes a o dem de se iço su ge a designação ―Gua da‖, sendo que se nos
ap esen a com a hie a quia de 1º Gua da e Gua da, ce i icando a c escen e impo ância
da ins i uição como local de isi a, mo men e da comunidade local.
T ês anos mais a de é publicada ou a o dem, onde e i icamos que é
no amen e nomeado di ec o do museu o Co onel An ónio José Teixei a.
78
Qua o anos
mais a de, em 1945, no a o dem de se iço in o ma das al e ações no quad o de
uncioná ios a ec os ao museu.
79
Em 1950 é publicado o ex o e e en e às al e ações dos
uncioná ios do museu.
80
É cons an e a publicação de O dens de Se iço ela i as aos
76
O dens de Se iço (1938) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 49.
77
O dens de Se iço (1938) Regimen o de In an a ia Nº 10, o dem egimen al nº 235.
78
«MUSEU MILITAR: Que pa a os de idos e ei os, se ansc e e a no a nº 163/1 Pº 1 da 4ª Rep. Do
Comando da Região, de 20 do co en e:
“Sua Exº o Gene al, Comandan e da Região, enca ega-me de comunica a V. Exª que ap o ou as
al e ações espei an es ao Regulamen o do Museu Mili a da o e de Menagem dessa cidade que
acompanhou a no a dessa unidade nº 535, de 21 de Fe e ei o indo.
Ao assun o se e e e a no a da 4ª Repa ição des e Comando, nº 145 de 10 do co en e, ende eçada ao
Comando Mili a , ambém dessa Cidade, e em que oi comunicado e sido ap o ada a p opos a de
nomeação pa a Di ec o do mesmo Museu, do Sn . Co onel de In an a ia, no Q. R. An ónio José Teixei a,
ao qual es e comando in o mou di ec amen e do assun o» O dens de Se iço do Ba alhão de Caçado es
Nº 10, o dem nº 84, 1941
79
Que seja nomeado Di ec o e Conse ado do Museu Mili a , ins alado na To e de Menagem do
Cas elo, o Sn . Tenen e miliciano L. dos S. Gou eia, em subs i uição do Sn . Capi ão A. E. O. Fa ia, que
ma chou pa a os Aço es, como expedicioná io.» O dens de Se iço do Ba alhão de Caçado es Nº 3,
o dem nº 233, 1945
80
MUSEU MILITAR –
144
ecu sos humanos dedicados ao museu. Es e aspec o pe mi e-nos, sem dú ida, supo a
impo ância do museu den o da comunidade mili a onde es a a inse ido e a
p eocupação que cons i uía a seu co ec o e bem de inido uncionamen o.
Nas úl imas O dens de Se iço, já nas éspe as da dissolução da unidade mili a ,
as de e minações ela i as ao museu e lec em exclusi amen e ques ões elacionadas
com a ges ão e nomeação de ecu sos humanos. Em 1956, de no o são publicadas as
al e ações do quad o de uncioná ios.
81
Ainda no mesmo ano sai no a o dem de se iço
onde se podem consul a mais de alhadamen e os no os elemen os ag egados às unções
do museu
«MUSEU MILITAR – NOMEAÇÃO DE PESSOAL: Que de ha monia com o
de e minado no despacho de sua Ex.ª o B igadei o, 2º Comandan e da Região, de 19
do co en e, lançado no espec i o egulamen o, publicado na O. B. de 21 ambém do
co en e, é nomeado o seguin e pessoal pa a di igi e adminis a o Museu Mili a da
To e de Menagem do Cas elo des a unidade.
- Di ec o – Sn . Capi ão An ónio A onso Veigas Vaz,
- Adjun o – Sn . Al e es Mº He nâni Luciano Vila es,
- Amanuense – 2º sa gen o – Cândido do Nascimen o,
- Che e de Gua das – 1º cabo nº 226 / 55/ E. P. An ónio Manuel A onso,
- Gua da, Soldado nº 244 / 55/ E. P. João Manuel Es e es,
O o iginal de egulamen o do Museu, que en e em execução, desde hoje, e nes a
da a en egue ao Di ec o .»
82
No mesmo ano é ainda nomeado o adjun o ao museu «Que passe a exe ce as
unções de Adjun o do Museu Mili a , o sn . Aspi an e a o icial miliciano, Ca los
a) - Di ec o – Conse ado ; Que segundo comunicação do Comando da Região, em no a nº 375 –
Pº 1 da 4ª Repa ição, de 17 do co en e, ende eçada ao Comando Mili a , oi ap o ada, po sua Ex.ª o
Gene al Comandan e, a p opos a pa a con inua com Di ec o – Conse ado do Museu Mili a , o
Senho Capi ão Joaquim Augus o Co dei o, Comandan e da 5 ª Companhia da Gua da Fiscal
aqua elada nes a cidade.
b) Adjun o; Que passa a exe ce as unções de adjun o do mesmo Museu, o Senho Al e es José
An ónio Fe nandes Fu ado, em subs i uição do Senho Tenen e do Q. R. F ancisco Inácio Mo ei a»
O dens de Se iço do Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 82, 1950
81
«MUSEU MILITAR - Di ec o – Conse ado : Que segundo comunicação do Comando da Região, em
no a nº 138 da 4ª Repa ição, de 1 do co en e, ende eçada ao Comando Mili a , o Qua el Gene al
conco dou com a p opos a ei a em no a nº 26 de 27 de Janei o indo pa a o Sn . Capi ão José An ónio
Fe nandes Fu ado Mon anha, Comandan e da 5 ª Companhia do Ba alhão 3 da Gua da Fiscal,
aqua elado nes a cidade, passa a exe ce as unções de Di ec o – Conse ado do Museu Mili a da
Gua nição, em subs i uição do Exmo. Majo , Joaquim Augus o Co dei o, que oi colocado na D. A. I.»
O dens de Se iço do Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 34, 1956
82
O dens de Se iço (1956) Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 55.
145
Madu ei a de Cas o Teixei a, em subs i uição Sn . Tenen e miliciano He nâni Luciano
Vila es, que ma chou em diligência.
83
Já no ano de 1958 é publicada a nomeação do úl imo di ec o an es da
dissolução da unidade mili a de B agança e a consequen e asladação do ace o do
museu pa a Lisboa
«Que desde 15 do co en e passou a desempenha as unções de Di ec o do Museu
Mili a , o Sn . Asp. Milº Emílio Augus o Pi es, em subs i uição do Sn . Asp. O . Milº
He nâni José Es e es, que passou à disponibilidade.»
84
Na consul a das O dens de Se iço depa amo-nos com a e e ência ao
«Regulamen o do Museu Mili a » em 1938 que não de e passa despe cebida pois al
documen o cons i ui na ac ualidade um documen o ob iga ó io den o de odas as
ins i uições museológicas e consolida-se como documen o guia. Lamen a elmen e, a
dissolução da unidade mili a de B agança e a ecen e ees u u ação das Regiões
Mili a es p o oca am a dispe são de alguns undos documen ais, o que nos impede de
sabe se o di o egulamen o se e e ia apenas a assun os ela i os aos ecu sos humanos
do museu, ou, se numa a i ude pe ei amen e con empo ânea, p econiza a já
p ocedimen os no ma i os ac uais.
Em 1941 su ge ou a ez a e e ência ao ―Regulamen o‖ e epe e-se, mais uma
ez, já no ano de 1956 ambém elacionado com no a nomeação de pessoal, e po im,
no mesmo ano é egis ada uma o dem onde se lê
«REGULAMENTO DO MUSEU MILITAR DA TORRE DE MENAGEM DO
CASTELO DE BRAGANÇA: Que de ha monia com o de e minado na no a
con idencia nº 10 – B, da 2ª Repa ição, do Comando da egião, de 25 do co en e, o
a igo 6º da O. B., nº 52, de 21 ambém do co en e, passa a e a seguin e edacção:
“Que po de e minação do Comando da egião, seja publicado o Regulamen o do
Museu Mili a da To e de menagem do Cas elo de B agança.”
85
A elação en e o ― egulamen o‖ e a nomeação de uncioná ios pa ece-nos
e iden e, o que al ez a as e a ideia de se a a de um documen o no ma i o mais
ab angen e, no en an o, o desconhecimen o do documen o não nos pe mi e a i ma es a
elação com segu ança.
83
O dens de Se iço (1956) Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 230.
84
O dens de Se iço (1958) Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 42.
85
O dens de Se iço (1956) Ba alhão de Caçado es Nº 3, o dem nº 59.
146
Sob e as O dens de Se iço es a-nos apenas e e i o egis o que é ei o sob e o
Li o de suges ões e eclamações. A es e espei o, a O dem de Se iço ela i a às
unções do o icial do museu menciona: «Ap esen a o li o dos isi an es, que es a á
sob a sua gua da e esponsabilidade, a odas as pessoas de ca ego ia que desejem
insc e e os seus nomes».
86
É inques ioná el a di e ença en e o concei o de ―Li o de suges ões e
eclamações‖ ac ual e a exp essa na o dem de se iço do Regimen o de In an a ia Nº 10,
em 1932. Nes e, o li o des ina a-se apenas a ―pessoas de ca ego ia‖ e não pa a
eclama em ou suge i em mas sim e apenas pa a ―insc e e os seus nomes‖. Mais uma
ez são coinciden es os p incípios p econizados nas O dens de Se iço, que cons i uem
indubi a elmen e um alioso conjun o de documen os, com as no mas e p ocedimen os
ac uais, embo a o concei o que en ol e es es p incípios seja desp o ido da
con empo ânea ca ga democ á ica.
A é ao úl imo momen o da pe manência do qua el na cidade de B agança, o
museu oi incon es a elmen e al o de p eocupação e de cuidados expos os nas di e sas
O dens de Se iço publicadas. O que nos pe mi e a i ma , que, apesa do museu não
cons i ui uma p io idade den o das unções do Exé ci o, é inques ioná el a
impo ância que de inha den o da unidade mili a que o ge ia que osse o Regimen o
de In an a ia nº 10, esponsá el pela sua undação, que osse o Ba alhão de In an a ia
nº 10, e po im o Ba alhão de Caçado es nº 3. Todas as unidades que i e am à sua
gua da o Museu Mili a se es o ça am po consolidá-lo e po egula o seu bom
uncionamen o. Es e in e esse é de sob emanei a e lexo do desen ol imen o social que
o qua el p omo eu enquan o es e e na cidade.
No inal da década de 50 do século XX, com a saída da unidade mili a
aqua elada em B agança, pe demos o egis o do museu nas O dens de Se iço, pois
queb a-se de ini i amen e o elo en e o museu e o qua el.
Como já a i mamos a saída do qua el mili a de B agança não oi pací ica,
sob e udo no seio da comunidade local que bene icia a de á ias an agens económicas,
sociais e cul u ais com a pe manência dos mili a es na cidade. Es e li ígio ainda hoje se
sen e, ainda hoje é comum ou i queixas e lamen os ela i amen e à saída dos mili a es
da cidade. Pa a consolida es a pe cepção, man endo o Museu Mili a como objec o de
es udo, op amos po consul a as e is as e publicações cul u ais da egião. Nes e
86
O dens de Se iço (1932) Regimen o de In an a ia Nº 10.
147
sen ido, consul amos a e is a ―B igan ia‖ e o Bole im dos ―Amigos de B agança‖, em
ambas as publicações as e e ências ao Museu Mili a são a as.
Fig. 8 - Demolição do Qua el mili a do Ba alhão de Caçado es nº 3,
1964 ( o og a ias do undo documen al SIPA)
Sendo o Bole im dos ―Amigos de B agança‖ a mais an iga publicação de
ca ác e cul u al a impo -se, desde 1955 se bem que com in e upções, se á nes a que
p imei o nos ixa emos.
É p ecisamen e ês anos mais a de da p imei a publicação do Bole im dos
―Amigos de B agança‖ que o Ba alhão de Caçado es nº 3 é desac i ado. A pa i de
Se emb o de 1960 deixa de ini i amen e de unciona o qua el e os úl imos egis os são
publicados pela Comissão Liquida á ia do Ba alhão de Caçado es nº 3.
No mesmo ano ecoa a opinião sob e es a al e ação na cidade, de o ma pungen e
e in ensamen e sen ida (FELGUEIRAS, 1960)
«Nes a ho a de is eza pa a a egião b agançana, em que um pedaço da
nossa alma, o melho do nosso pa imónio mo al e ma e ial, debili ando os
nossos pa cos ha e es, nos é a ancado, pa a en iquece os de ou os
dis i os, de ou as cidades, já icas de p o ecção e ubé imas de ha e es,
c iando p oblemas g a íssimos à nossa e a, ão pa ca de ha e es e ão
alheia à p o ecção, ninguém es anha á que abe amen e se ex e io ize o
g ande o gulho que sen imos como b igan inos, pela aliosa ob a u dida,
pelo nosso glo iosos Ba alhão de Caçado es 3 (…) Po isso, epe imos e
epe i emos: B agança, como mãe es emosa, com os olhos embaciados pela
saudade e a alma ansbo dan e de espe ança, man e á, suplican e, os seus
b aços es endidos a é ao eg esso do ilho que ido, que po jus o nos pa ece
se á b e e. C emos em Deus e nos homens que assim se á.»
148
Mas não oi, apesa da é em Deus e nos homens, o qua el do Cas elo não
ol ou a ins ala o Ba alhão de Caçado es 3, que ainda ol ou pa a B agança en e 1966
75, mas ica ia no qua el do Fo e de São João de Deus. É cu ioso le nes as linhas
ei indicações que com ou a e minologia ainda são hoje p o e idas. Na e dade a e a
man ém-se ―pa ca de ha e es” pois a pob eza ma e ial é ca ac e ís ica da e a ia
ansmon ana, e de alguma manei a ambém ―alheia à p o ecção”, desde que essas
linhas o am edigidas inúme os se iços o am paula inamen e e i ados à cidade po
al a de habi an es que jus i ique a sua pe manência.
Ainda no mesmo ano, encon amos ou o a igo, edigido pelo mesmo au o ,
(FELGUEIRAS, 1960) mais esignado já pela saída da unidade mili a de B agança,
mas que ainda e e e «B agança, em lapso bem es i o, achou-se desapossada do que,
po eleidade nossa, se epu a a como seu pa imónio: a Gua nição Mili a ». Pe an e a
ine i abilidade da saída da Gua nição Mili a , o au o , no a igo di igido ao en ão
p esiden e da câma a Ad iano Augus o Pi es, p opõe que o espaço ou o a ocupado pela
unidade mili a seja eabili ado pa a ans o ma a cidade em Cidade Museu. Pa a al o
que se p e endia e a a demolição comple a de «casas e casinho os, desse aglome ado
mise ando, ajoujado den o do cí culo de mu alhas, que cons i uem um a en ado con a
odos os p ecei os de higiene, de u banismo e de saúde ísica e mo al.»
(FELGUEIRAS, 1960)
Fig. 9 - P opos a de ans o mação da Vila. Bole im do g upo ―Amigos de B agança‖
A ila, ou cidadela da cidade de B agança esis iu a es e ímpe o es au ado da
―saúde ísica e mo al”, no en an o, o sonho de ans o ma a cidade em cidade museu
149
não des aneceu e a demons á-lo es ão os ecen es espaços, qua o no o al, no os e
es au ados pela au a quia, a ec os a unções museológicas.
Mas o g i o ei indica i o se ia mais o e quando se soube da no ícia da
ans e ência do Museu Mili a (FELGUEIRAS, 1960).
«Fala-se ago a, da eliminação p óxima de mais um pedaço alioso do
pa imónio da nossa e a: o Museu Mili a de B agança, pela ans e ência
do seu echeio pa a ou os museus do país! »
Com a saída da unidade mili a esponsá el pelo Museu, a ans e ência des e
o nou-se ine i á el, pois e a a unidade mili a quem de inha a esponsabilidade da
ges ão e sal agua da dos bens a ec os ao museu. No en an o, o museu consolida a-se na
época como um o íssimo conjun o pa imonial e documen al das memó ias mili a es
dos b agançanos (FELGUEIRAS, 1960)
«Olhemos o in e essan e eposi ó io de coisas de a e, de coisas de his ó ia.
Aos nossos olhos ão-se desbobinando belezas p eciosas, a os ensinamen os
que os li os não nos podem da ! Fala-nos do passado e do p esen e; dessas
páginas cheias de luz i idas na Eu opa e nos Domínios Ul ama inos, onde
se ou iu a oz e sen iu o es o ço he cúleo da gen e b agançana (…) As
magní icas iquezas que os nossos olhos podem con empla , embe ecidos,
gua da-os esse o mosíssimo co e, a To e de Menagem (…) Ali nasceu e ali
de e i e po odo o semp e o Museu Mili a de B agança (…) Se o Museu
Mili a de B agança é (…) uma ealidade, de e-se à nob eza de sen imen os
dos seus o iciais, ilhos que são da nossa e a; de e-se á comp eensão, à
ga a pa ió ica e egionalis a de odos os b agançanos; de e-se como já oi
di o, ao seu undado , o Co onel An ónio José Teixei a e (não podemos
esquecê-lo) aos seus p eciosos colabo ado es (…) Que injus iça, que
ing a idão se ia queima o es o ço de an os de o ados em p ol da sua e a
e da sua gen e! (…) Não! As en idades compe en es sabe ão ponde a a
azão que nos assis e! (…) E po que assim é, con iados es amos que as
nossas au o idades, dis i ais e concelhias, semp e since amen e
in e essadas, não esquece ão de que jus iça nos assis e.»
Apesa da con iança nas au o idades que o au o deno a, a ealidade oi ou a, o
Museu oi ence ado e asladada a colecção pa a o Museu Mili a de Lisboa.
150
Dois anos mais a de, num a igo sob e o Co onel An ónio José Teixei a é de
no o publicado o lamen o e a e ol a pela saída do Museu da To e de Menagem do
Cas elo e a asladação da sua colecção pa a Lisboa, (FELGUEIRAS, 1962):
«Ins alado na To e de Menagem da o aleza, e a es abelecimen o de
ins ução que os nossos mili a es e as au o idades ci is b agançanas
de e iam gua da eligiosamen e. Ninguém melho que esse Museu nos
ala a das Campanhas do Ul ama em que lida am os nossos an epassados,
nessa sala de gló ias a icanas.»
Quase dez anos mais a de, é publicado ou o a igo onde se e o ça o
descon en amen o público pela saída do qua el mili a , mas, sob e udo pela asladação
do Museu, (FELGUEIRAS, 1971)
«O luga des e Museu é apenas em B agança (…) A eliminação do Museu
Mili a de B agança, pedaço alioso do pa imónio da nossa e a, se á uma
injus iça. Mas o Exe ci o Po uguês não deseja que injus iças sejam ei as.
Po isso, um dia, jus iça condigna se á ei a.»
É o úl imo a igo e e en e ao Museu Mili a publicado no Bole im do g upo dos
Amigos de B agança. Du an e a década de 60, (1964) do século XX a Di ecção Ge al de
Edi ícios e Monumen os Nacionais – DGEMN demoliu o qua el de in an a ia nº 10 e
e ez inúme as co inas e o es da mu alha, impondo no cas elo o aspec o que ainda
hoje podemos con empla .
A Di ecção Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais (DGEMN) eio
in e e a uína de nume osos monumen os em odo o país. Como a maio ia dos
es au os e ec uados po es a ins i uição, o plano não se limi ou a uma consolidação do
edi icado, mas sim a uma ein enção e e-monumen alização do conjun o.
Assim se explica a econs ução de ameias em oda a ce ca, a demolição do
qua el oi ocen is a, a eposição de oços de mu alhas e o desa ogamen o dos mu os de
inúme as cons uções p i adas que, ao longo dos empos, a eles se o am adossando
87
.
O seguin e a igo ela i o ao Museu Mili a de B agança amos encon á-lo na
e is a B igan ia. É um a igo assinado pelo Co onel Miguel Rod igues, di ec o do
Museu desde 1982 a é 1991. O Co onel Miguel Rod igues é, jus amen e, conside ado o
e- undado do Museu, pois após a asladação do Museu pa a Lisboa, oi g aças à sua
pe sis ência que o Museu ol ou a se ins alado no seu luga de o igem.
87
c . disponí el em: h p://www.ippa .p em 08-2009
151
Em 1979 com a ex inção do Des acamen o do Regimen o de In an a ia de Vila
Real, úl ima Unidade Mili a sedeada em B agança, oda a á ea do Dis i o de B agança
ica de ini i amen e sem qualque ó gão ou es abelecimen o mili a . Em compensação
oi supe io men e decidido eac i a o an igo Museu Mili a , que ha ia exis ido na
To e de Menagem do Cas elo e cujo espólio se encon a a gua dado no Museu Mili a
de Lisboa, con o me se pode le no b e e his ó ico disponibilizado no sí io do Exé ci o
Po uguês
88
.
Em 22 de Agos o de 1983 oi eac i ado o no o Museu, e assinado um p o ocolo
en e a Di ecção de Documen ação e His ó ia Mili a como ep esen an e do Es ado-
Maio do Exé ci o e a Câma a Municipal de B agança
89
.
A o ganização da colecção, que es e e du an e mais de in e anos deposi ada no
Museu Mili a de Lisboa, es e e a ca go dos se iços écnicos do Museu Mili a de
Lisboa.
Desconhece-se documen ação que egis e es a asladação, que p oduzida em
Lisboa de onde a colecção eio, que p oduzida em B agança onde a colecção oi
epos a.
O Co onel Miguel Rod igues omen ou localmen e o aumen o de doações de
pa icula es, mili a es de o igem b agançana, o que pe mi iu ac escen a à colecção
expos a, uma sala que se consolidou como a ―Sala das O e as‖, único espaço que oi
al e ado desde a eposição do Museu na o e de menagem em 1983, cons i uiu po isso
o modelo de implemen ação das p á icas museológicas abo dadas na componen e
expe imen al do p esen e es udo.
O museu man ém-se como espaço u elado pelo Exé ci o, com uncioná ios
ads i os à mesma ins i uição. O Comando do Pessoal, que comp eende no seu quad o
o gânico a Di ecção de Documen ação de His ó ia Mili a – DDHM, exe ce a
au o idade uncional sob e o MMB, (AMADO RODRIGUES, 2005).
88
h p://www.exe ci o.p - Exé ci o Po uguês em 05-2009
89
P o ocolo en e a Di ecção de Documen ação e His ó ia Mili a como ep esen an e do Es ado-Maio
do Exé ci o e a Câma a Municipal de B agança CRIA, COM DATA DE 22 DE AGOSTO DE 1983, O
MUSEU MILITAR DE BRAGANÇA (MMB), AFECTO AO EXÉRCITO, CUJAS MISSÕES
FUNDAMENTAIS SAO: - PROMOVER A VALORIZAÇÃO, O ENRIQUECIMENTO E A
EXPOSIÇÃO DO PATRIMÓNIO HISTORICO-MILITAR, - GUARDAR, INVENTARIAR E
CONSERVAR O PATRIMÓNIO QUE LHE ESTEJA ATRIBUIDO, - DIVULGAR OS VALORES
CULTURAIS RESULTANTES DA INVESTIGAÇÃO E ESTUDOS LIGADOS A HISTÓRIA MILITAR,
- COLABORAR, CONFORME LHE FOR AUTORIZADO OU DETERMINADO, EM CERIMONIAS
E MANIFESTAÇÕES DE INTERESSE HISTORICO-MILITAR OU COM RELEVANTE
SIGNIFICADO HISTORICO-CULTURAL. Diá io da Republica, po a ia nº 106/87.
254
una iden idad o iginal y única den o del mismo sis ema. Tan sólo compa e la
ealización de ac i idades conjun as en la celeb ación del Día In e nacional de los
Museos, la Nui des Musées, las C uces de Mayo o la ealización de isi as guiadas y
alle es en las campañas de Na idad y e ano, en e o as.
Como se puede comp oba , la Red Municipal de Museos es á cons i uida po un
núme o muy escaso de museos, si enemos en cuen a que Mu cia es una ciudad his ó ica
con un ico legado cul u al y pa imonial. Además, odos sus museos municipales son
de ecien e c eación, ya que ue on abie os al público como ales a lo la go de la década
de los no en a del siglo XX. Es os dos aspec os se deben p incipalmen e a que el
Ayun amien o de Mu cia no ha enido una adición de coleccionismo ins i ucional que
haya pe mi ido el omen o y la c eación de nue os museos a lo la go de su his o ia.
Téngase en cuen a que el municipio cuen a desde el siglo XIX con ins i uciones
museís icas, pe o ninguna de ellas ges ionadas po su ayun amien o. Po ello, es
indudable que los dis in os equipos de gobie nos que han con igu ado la his o ia del
consis o io de Mu cia han p e endido, a a és de la c eación de nue os museos, amplia
y comple a la o e a museís ica de la ciudad jun o con aquellos cen os de ges ión
au onómica y nacional.
Conclusión
El pano ama museís ico de la Región de Mu cia es un cla o ejemplo de la
si uación que a a iesan hoy, en mayo o en meno medida, odas las comunidades
au onómicas de España en cues ión de museos. En el año 2008, Ma ía Bolaños ya se
hacía eco del especial aumen o que las colecciones museog á icas y los museos de es a
pequeña comunidad unip o incial habían su ido en an sólo un pe íodo de diez años y,
des acando de ella, la g an a iedad ipológica de sus ins i uciones municipales.
224
Es e c ecimien o, como se ha podido comp oba a lo la go de nues o discu so,
ha sido u o de la impo ancia que el museo local ha ido adqui iendo en la sociedad
posmode na. Es e iden e, que las ci cuns ancias his ó icas, polí icas, sociales y
e i o iales que encie a es e modelo de museo mo i a on el inicio de una ges ión
museís ica municipal en Mu cia, que con el iempo se ue ex endiendo a o os
municipios de la egión. Como ya ecopiló Sanz Pas o , es a p o incia únicamen e
con aba en 1986 con cinco museos ges ionados po los ayun amien os de dis in as
224
Bolaños, M. [2008] His o ia de los museos en España. Memo ia, cul u a, sociedad. 2ª ed. Gijón, T ea,
p. 470.
255
poblaciones: el Museo A queológico Municipal de Ca a aca de la C uz, el Museo
A queológico Municipal de Ca agena, el Museo A queológico de Cehegín, el Museo
Je ónimo Molina de Jumilla y el Museo A queológico de Yecla, pe o cu iosamen e
ninguno de ellos es aba ubicado en Mu cia, ni di igido desde el consis o io de es a
ciudad.
225
La aspi ación de las localidades mu cianas de ene un es ablecimien o donde
conse a los es os de su pa imonio cul u al ue, en ocasiones, más allá de sus
posibilidades eales pa a el buen man enimien o de es os cen os museís icos, ya que
muchos de ellos ca ecían de pe sonal écnico o de las adecuadas ins alaciones. Pa a
esol e és as y o as cues iones, la Conseje ía de Educación y Cul u a p esen ó una Ley
de Museos a la Asamblea Regional de Mu cia, que ue ap obada en pleno, el 3 de ab il
de 1990, pe o que ni sus de e minaciones más elemen ales llega on a pone se en
p ác ica.
Años después, la ca encia de una ed de museos a la al u a del pa imonio
cul u al de la egión hizo necesa ia la ap obación y en ada en igo de la Ley 5/1996,
de 30 de julio, de Museos de la Región de Mu cia y cuyo aspec o más des acado ue la
c eación del Sis ema Regional de Museos
226
, pe o aho a bajo una e dade a polí ica
museís ica aco de a las nue as exigencias museológicas y museog á icas del país.
227
Es a ley u o una inmedia a epe cusión en los museos de ámbi o municipal,
g acias a la pues a en ma cha del sis ema museís ico, con el que se p e endía inicia una
con oca o ia de sub enciones pa a su aga los gas os de uncionamien o, equipamien o
e in aes uc u as de aquellos museos ges ionados po los p opios municipios
228
.
Muy p on o, solici a on su inclusión, los museos que con aban con ondos
a queológicos en depósi o de la Comunidad Au ónoma de Mu cia y del Es ado español,
como las en idades de Calaspa a, Ca a aca, Ca agena, Cehegín, Cieza, Jumilla, La
225
Sanz-Pas o Fe nández de Pié ola, C. [1986] Museos y colecciones de España. Mad id, Minis e io de
Cul u a, pp. 367-377.
226
Ac ualmen e, el Sis ema de Museos de la Región de Mu cia es el conjun o o ganizado de museos,
colecciones museog á icas, o ganismos y se icios que se con igu a como ins umen o pa a la
o denación, coope ación y coo dinación de los mismos.
227
En ley de 1990 ya enía e lejada la c eación de un sis ema egional de museos, pe o que apenas llegó
a desa olla se más allá del papel.
228
Nogue a Celd án, J. M. [2006] La ges ión museís ica en la Región de Mu cia: log os y pe spec i as.
Ac as del IV Cong eso de Museos del Vino: La ecnología y la comunicación museís ica. Mu cia,
Comunidad Au ónoma de la Región de Mu cia, p. 21.
256
Unión, Lo ca y Yecla, en e o os
229
. Pe o, no u o acogida en los museos ges ionados
po el Ayun amien o de Mu cia, pues ese mismo año la co po ación local decidió c ea
una ed municipal de museos, al y como había sucedido en o as capi ales de p o incia
como Ba celona.
Toda es a labo e ec uada po el Ayun amien o de Mu cia en la ges ación,
o ganización y man enimien o de una pa e de los museos exis en es en la ciudad
ob u o, en el año 2000, un econocimien o en el medio académico y cul u al. Según el
in o me edac ado po los museólogos San iago Palome o y Víc o An ona, la ed
museís ica municipal ue cali icada de sob esalien e como esul ado de una ―polí ica de
museos‖
230
, en compa ación con el Sis ema Regional de Museos de la Comunidad
Au ónoma de Mu cia.
231
En cualquie caso, mucho ha llo ido desde en onces, y no sólo ha mejo ado la
si uación de los museos au onómicos y es a ales de la egión, sino y muy especialmen e,
los museos municipales, g acias al impulso de los di igen es polí icos que han is o en
es e modelo cul u al una ía de desa ollo y de di usión de sus p opias iden idades
locales. En es a nue a e alo ización de la ins i ución municipal, los museos del
consis o io mu ciano han se ido de ejemplo y de mo o de a anque pa a la c eación de
nue as polí icas museís icas municipales en o as poblaciones de la Región de Mu cia.
En de ini i a, el museo municipal se ha con e ido en la p incipal ins i ución de
la polí ica cul u al del municipio po que p ese a, di unde y exhibe la memo ia his ó ica
local. Además, su p oli e ación en el e i o io a o ece el cumplimien o del impo an e
papel sociocul u al del museo en el siglo XXI, g acias a su na u aleza conec o a en e
pa imonio y comunidad local.
229
Ga cía Cano, J. M. [1997] La no ma i a au onómica en ma e ia de museos en Mu cia.
Adminis aciones au onómicas y museos. Hacia un modelo acional de ges ión. San iago de Compos ela,
Xun a de Galicia, p. 61.
230
En dicho in o me, se añade además que la polí ica del Ayun amien o de Mu cia se ía de ma ícula de
hono en ma e ia de museos, si no uese po la si uación de la a queología y po el cie e del en onces
Cen o de Es udios A queológicos. Palome o Plaza, S. & An ona del Val, V. [2000] In o me sob e los
Museos en la Región de Mu cia. Re is a Museo. Asociación P o esional de Museólogos de España, 5, p.
224.
231
En esas echas, la si uación del Sis ema Regional de Museos p esen aba bas an es ca encias, que en la
ac ualidad han sido supe adas, po que la mayo ía de sus cen os se encon aban ce ados con mo i o de
un plan de e o ma pa a adap a los a los nue os c i e ios museog á icos como ue el caso del Museo de
Bellas A es y el Museo A queológico de Mu cia.
257
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258
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Ley 2/1984, de 9 de ene o, de Museos de Andalucía.
Ley 7/1985, de 2 de ab il, Regulado a de las Bases del Régimen Local.
Ley 16/1985, de 25 de junio, del Pa imonio His ó ico Español.
Ley de 4/1990, de 30 de mayo, del Pa imonio His ó ico de Cas illa La Mancha.
Ley 17/1990, de 2 de no iemb e, de Museos de Ca aluña.
Ley 10/1994, de 8 de julio, de Museos de Cas illa y León.
Ley 5/1996, de 30 de julio, de Museos de la Región de Mu cia.
Ley 4/1999, de 15 de ma zo, del Pa imonio His ó ico de Cana ias.
Ley 9/1999, de 9 de ab il, de Museos de la Comunidad de Mad id.
Ley 1/2001, de 6 de ma zo, de Pa imonio Cul u al del P incipado de As u ias.
Ley 7/2006, de 1 de diciemb e, de Museos de Euskadi.
Ley 8/2007, de 5 de oc ub e, de Museos y Colecciones museog á icas de Andalucía.
Real Dec e o, de 24 de julio de 1913, sob e la c eación de museos p o inciales y municipales.
Real Dec e o, de 18 de oc ub e de 1913, sob e el eglamen o de los museos p o inciales y municipales.
Real Dec e o 620/1987, de 10 de ab il, del Reglamen o de Museos de Ti ula idad Es a al y el Sis ema
Español de Museos.
259
Os Museus e o ensino indus ial: pe cu sos e colecções
Pa ícia Ca la R. Mo a Cos a
Resumo
Em 1852 oi c iado em Po ugal o ensino indus ial po delibe ação do Minis é io das Ob as Públicas Comé cio e
Indús ia, u elado po An ónio Ma ia de Fon es Pe ei a de Melo (1819-1887), ins alando o Ins i u o Indus ial em
Lisboa e a Escola Indus ial no Po o.
Associado e es e no o ipo de ensino, que se p e endia que osse p edominan emen e p á ico, su gi am impo an es
es abelecimen os auxilia es de ensino, que em mui o con ibuí am pa a o desen ol imen o da ciência no nosso país.
Um deles oi o museu, que in olun a iamen e lançou os alice ces pa a o desen ol imen o dos museus de ciência.
En e sucessos e acassos es es es abelecimen os o am subsis indo du an e odo o século XIX, sendo ainda hoje um
ma co a ní el museológico.
In 1852 Po ugal was c ea ed in he indus ial educa ion, by esolu ion o he Minis é io das Ob as Públicas Comé cio
e Indús ia, unde leade ship o An ónio Ma ia de Fon es Pe ei a de Melo (1819 -1887), ins alling Indus ial Ins i u e
in Lisbon and he Indus ial School in Po o.
Associa e and his new ype o eaching, which was in ended o be p edominan ly p ac ical, he e we e impo an
es ablishmen s eaching assis an s, which con ibu ed g ea ly o he de elopmen o science in ou coun y.
One was he museum, who unwi ingly laid he ounda ions o he de elopmen o science museums.
Be ween successes and ailu es o hese es ablishmen s we e subsis ing du ing he XIX cen u y, and oday is s ill a
landma k a museum
Pala as-cha e – Key Wo ds:
Ensino indus ial, Museus, Es abelecimen os de ensino p á ico
Indus ial educa ion, Museums, p ac ical educa ion es ablishmen s
260
Os Museus e o ensino indus ial: pe cu sos e colecções
232
Pa ícia Ca la R. Mo a da Cos a
233
In odução
Es e a igo baseia-se na in es igação elabo ada no âmbi o do meu mes ado ―Os
Museus e o ensino indus ial: pe cu sos e colecções‖, que p e endeu da uma
pe spec i a dos museu exis en es em Po ugal, no segunda me ade do séc. XIX,
associados ao ensino indus ial.
Após e iniciado, em 1998, os meus es udos em museologia, pude ape cebe -me
da impo ância des as ins i uições e e i ica que o abalho num museu ia mui o pa a
além das exposições que isi amos.
No decu so do meu abalho diá io no Museu do Ins i u o Supe io de
Engenha ia do Po o ape cebi-me da iqueza do seu ace o e da sua impo ância como
es emunho de um ensino p á ico, que ca ac e izou o ensino indus ial da segunda
me ade século XIX.
Uma das componen es mais impo an es no meu es udo oi, sem dú ida, a
documen ação que exis e no A qui o His ó ico do Ins i u o.
Apesa de, du an e a minha in es igação, e encon ado alguns a igos e monog a ias
sob e es e ema, e i iquei que as e e ências ao museu exis en e do Ins i u o do Po o
e am escassas, ao con á io do que se passa a com as ques ões elacionadas com o de
Lisboa, uma ez que es a am mui o melho a adas e documen adas. Face a is o, o
objec i o do meu es udo oi p eenche al lacuna no campo museológico.
Embo a não es em dú idas que a ní el legisla i o, os Ins i u os de Lisboa e
Po o es i essem semp e a pa , na p á ica não i e am um pe cu so simila .
232
A igo baseado na disse ação de Mes ado, o ien ada po A mando Coelho Fe ei a da Sil a,
ap esen ada na Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o: Cos a, Pa ícia, Disse ação de Mes ado
do Cu so In eg ado de Es udos Pós-g aduados em Museologia ap esen ada à Faculdade de Le as da
Uni e sidade do Po o, 2007.
233
Museóloga no Museu do ISEP desde 1999, Pa ícia Cos a é licenciada em Ciências His ó icas – Ramo
Pa imónio pela Uni e sidade Po ucalense. Iniciou a sua especialização em 1998 com a Pós-g aduação
em Museologia leccionada Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o. Em 2007 concluiu o mes ado,
na mesma aculdade, onde abo dou o ema dos museus no ensino indus ial du an e o séc. XIX.
[email p o ec ed].p
261
A documen ação só eio e ela que a p á ica e a, mui as ezes, bem di e en e da eo ia,
en o e i icado que em ce as al u as exis i am g andes di e enças en e as duas
escolas.
A co espondência (expedida e ecebida), ac as do Conselho Escola , li os de
mo imen os de caixa, e mos de posse, en e ou os documen os, o am es udados pela
p imei a ez a ní el de uma in es igação nes a á ea, o nando-se es emunhos
e elado es de uma no a a i ude ace aos museus de ciência.
O apa ecimen o de um no o minis é io, lide ado po An ónio Ma ia de Fon es
Pe ei a de Melo (1819-1887), desempenhou um papel impo an e como dinamizado da
economia nacional e oi mui o ele an e pa a a c iação des e ipo de ensino em Po ugal.
Des e modo, oi pelas suas mãos que o ensino indus ial oi c iado em 1852
234
,
so endo a iadíssimas al e ações ao longo dos anos, semp e com o objec i o de
melho a , dando espos as às no as exigências ei as po uma no a indús ia que
necessi a a de ope á ios quali icados em no as p o issões.
Na o mação dos alunos a componen e p á ica oi conside ada essencial pa a a
aquisição de no os conhecimen os, ins umen os e écnicas. Nes a o mação os
es abelecimen os de ensino auxilia i e am um papel impo an e, já po que pe mi i am
aos alunos um con ac o mais di ec o com no as ealidades. Des es es abelecimen os
des acamos os museus.
A p imei a ins i uição dedicada às a es e o ícios oi o Conse a ó io de A es e
O ícios
235
, p imei o em Lisboa e pos e io men e no Po o. E am ins i uições de ca ác e
p á ico, u ilizado como depósi o ge al de máquinas, modelos, u ensílios, desenhos,
desc ições e li os ela i os às di e en es a es e o ícios.
O de Lisboa acabou po se ex in o após a c iação do Museu Indus ial no
Ins i u o de Lisboa, em 1852. A pa i desse momen o es es espaços o am e oluindo
nos 50 anos subsequen es.
Du an e al pe íodo os museus i e em al os e baixos, sucessos e acassos,
esul an es de á ios ac o es que o am in luenciando, de o ma di ec a e/ou indi ec a, a
sua es u u a e o ganização.
Mas apesa de alguns con a empos ais es abelecimen os não deixa am de se
uma on e de ensinamen os pa a os alunos do Ins i u o Indus ial do Po o e pa a o
234
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, Dec e o de 30 de Dezemb o de 1852, pp. 864-870.
235
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, Dec e o de 18 de No emb o de 1836, pp. 140-142.
262
público em ge al, após a c iação do Museu Indus ial e Come cial, localizado no Cí culo
Olímpico do Palácio de C is al.
A disseminação das no as ideias e descobe as e am di icul adas, nes a al u a,
po á ios ac o es, mas o su gimen o das exposições uni e sais ouxe am um g ande
impulso na aquisição de no os meios u ilizados nos países di os indus ializados, na
indús ia, comé cio e mesmo ag icul u a.
E am uma ocasião ímpa pa a que os países pudessem mos a ao es o do
mundo o que de melho aziam em de e minadas á eas, o que ambém possibili a a aos
países mais a asados ecnologicamen e, equipa em-se de ecnologia que pe mi isse o
desen ol imen o das suas economias.
A exis ência de museus na es u u a in e na do ensino indus ial deixou uma
he ança magní ica aduzida não só em ques ões de pe cu sos como a ní el de espólio
de ins umen os cien í ico-didác icos.
O ensino indus ial do séc. XIX e os seus es abelecimen os auxilia es de ensino
O ensino indus ial su giu no nosso país num con ex o mui o especí ico. A pa i
de 1851 Po ugal encon ou um ce o equilíb io polí ico que lhe o a p opo cionado po
uma mona quia cons i ucional, em que os pa idos polí icos dominan es (Regene ado es
e P og essis as) se p epa a am pa a exe ce o pode de o ma al e nada.
A si uação económica inha sido, a é en ão, um pouco con u bada, de ido à
in odução de no as ecnologias indus iais em países que e am nossos o necedo es,
pela dependência das inanças ex e nas, que já inha de ou as épocas, pela pe da
de ini i a do B asil em 1822 e, ob iamen e, pelas lu as libe ais.
Em meados do séc. XIX Po ugal en a o seu desen ol imen o económico
seguindo a ia capi alis a e de cla o nacionalismo, p ocu ando acompanha os i mos
económicos eu opeus, que domina am na al u a, mais acele ados e melho es u u ados.
Com o pode nas mãos dos libe ais en ou-se mode niza o país e explo a as suas
po encialidades económicas, minimizando a dependência inancei a do ex e io .
O p imei o Go e no Regene ado , que se i ia man e no pode a é 1856, e e em
Fon es Pe ei a de Melo um dinâmico in e en o polí ico.
À semelhança do que ou os já o ha iam ei o apos a na indús ia, que deseja a
e desen ol ida. Pa a se alcança esse objec i o en ou-se a in odução de no os
in en os e mais maquina ia, o mando igualmen e os espec i os ope á ios, mes es e
di igen es.
263
A maio ia des as pessoas e a anal abe a, al como g ande pa e da população
nacional, embo a o ensino p imá io o icial exis isse desde 1772. Assim, em 1850 não
exis ia em Po ugal um subsis ema de ensino indus ial.
Depois de e mos ele ado a nossa indús ia no séc. XVIII com o Ma quês do
Pombal, os in elec uais e os polí icos da p imei a me ade do séc. XIX não ha iam
conseguido implan a um ensino o icial que omb easse com o ensino p imá io o icial.
Com o inal do apoio legal ao con olo da o mação po ia co po a i a, em
1834, com a ex inção das co po ações de a es e o ícios, os ope á ios e mes es
con inua am, de um modo ge al, a o ma -se pela ia adicional do on job aining.
Em luga de e mos um ensino o icial egula , em escolas do amo indus ial, em
meados do séc. XIX Po ugal possuía, apenas dois conse a ó ios de A es e O ícios,
um na cidade de Lisboa e ou o na cidade do Po o.
Um pouco mais a de, com o su gimen o na cidade do Po o da Associação
Indus ial Po uense e a sequen e edacção dos seus es a u os, su gia a necessidade de
ins ui e educa as classes labo iosas. Es e oi um dos objec i os da e e ida
associação a pa com o desen ol imen o e ape eiçoamen o da indús ia.
O ano de 1853 oi, assim, de p epa ação de es u u as pa a o a anque e ec i o
do ensino indus ial o icial no país.
Es e ipo de ensino p e endeu alcança dois planos dis in os:
1. O omen o à Indús ia ab il
Es e inha com objec i o o desen ol imen o nacional. T a a a-se de uma opção no
domínio da polí ica económica ei a no início do Go e no Libe al do Duque de
Saldanha. Após a calma ia social que sucede a ao mo imen o da Pa uleia (1849) o país
podia e de ia pensa em acompanha a ma cha pa a a indus ialização que se p ocessa a
na Eu opa e cujos a anços o am mos ados ao mundo na espec acula Exposição
Uni e sal de Lond es, em 1851.
2. Ins ução e o mação p o issional
Pa a a ingi o omen o indus ial num meio em que as disponibilidades
inancei as não e am abundan es e a in odução de no os in en os e de mais máquinas,
ap esen a a-se mui o len a, o Go e no esol eu dedica a sua a enção à p epa ação dos
ecu sos humanos aplicá eis.
270
ensino p á ico compa í el com a pequena e ba que lhe inha sido au o izada pa a esse
im.
248
Já no ano de 1874, o museu me eceu da pa e do Conselho Escola alguma
a enção especial. Com a consciência de que es a a ainda udo no p incípio adqui iu-se
algum ma e ial
249
, ha endo a ideia de, no mesmo ano económico, con inua em a
emp ega uma g ande pa e da e ba au o izada pa a a ampliação des e es abelecimen o
de ensino p á ico.
250
Semp e com os olhos pos os nas an agens que os ins umen os adqui idos
pode iam aze às indús ias, em 1875 emos e e ência a uma comp a pa a o museu de
um o no de guilhocha , de José Bap is a, hábil a is a da cidade do Po o. Foi mui o
impo an e pelo desen ol imen o na cidade da indús ia de objec os de me ais
p eciosos. Es a máquina pe mi ia exe ci a os a is as, que e am alunos no Ins i u o, em
ais abalhos.
251
Com o passa dos anos as colecções do museu o am aumen ando assim como as
secções que o compunham como, po exemplo a c iação da secção de ma e iais de
cons ução, conside ada na al u a de ex ema impo ância.
252
Fo am assim pa a ali
comp adas ochas, madei as, ijolos e a gilas.
Em 1877 ez-se a aquisição de uma mui o escolhida e a iada colecção de
e amen as pe encen es aos o ícios de modelado em ba o e es ucado , uma se a
mecânica mui o ape eiçoada pa a aza madei a.
253
Apesa do no ó io in es imen o nes e es abelecimen o, es e con inua a a se o
menos desen ol ido, não só pela al a de ecu sos mas, ambém, pela con inuada al a
de espaço pa a a sua ins alação, causa conside ada pelo di ec o o p incipal obs áculo
pa a o seu desen ol imen o.
254
Pa a além des es ac o es, po ezes a e ba anual do ada pa a a aquisição de
modelos, máquinas e apa elhos e a u ilizada pa a liquida pagamen os de aquisições
248
Rela ó io en iado pelo di ec o do Ins i u o pa a a Di ecção Ge al do Comé cio e Indús ia, em
Ou ub o de 1873.
249
O ma e ial adqui ido oi um o no mecânico e uma máquina de aplaina e, pa a a secção de ma é ias-
p imas, uma impo an e colecção de ipos de sedas, lãs, linhos e algodões de di e en es p ocedências.
250
Ca a en iada pelo di ec o do Ins i u o pa a a Di ecção Ge al do Comé cio e Indús ia, em Se emb o
de 1874.
251
Ca a en iada à Di ecção Ge al do Comé cio e da Indús ia pelo di ec o do Ins i u o, em 16 de
Se emb o de 1875.
252
Ca a en iada à Di ecção Ge al do Comé cio e Indús ia pelo di ec o do Ins i u o, em 2 de Agos o de
1876.
253
Es es objec os o am odos comp ados na Exposição Uni e sal de Filadél ia.
254
Ca a en iada à Di ecção Ge al do Comé cio e Indús ia pelo di ec o do Ins i u o, em 18 Ou ub o de
1877.
271
ei as nos anos an e io es, ou pa a o pagamen o do alugue das casas, iluminação,
o denados dos se en es e despesas de expedien e.
255
Mui o embo a ais ac o es, es es não o am impedimen o pa a o len o
c escimen o do Museu Tecnológico.
Es a a i mação é sus en ada a a és das in o mações o necidas pelo di ec o à
Di ecção Ge al do Comé cio e da Indús ia, pois são quase semp e e e enciadas
comp as de objec os
256
, mui os deles ainda hoje são conside ados mui o impo an es
como a colecção de modelos de cinemá ica, sis ema Reuleaux, comp ada em 1883,
ac ualmen e em exposição no Museu do Ins i u o Supe io de Engenha ia do Po o.
Fig. 1 – Modelos de cinemá ica do Sis ema Reuleaux comp ados pa a o Museu Tecnológico em 1883
(Museu do ISEP, Colecção de Objec os, nº in . MPL411OBJ e MPL381OBJ)
Pa a além des as comp as o museu bene icia a de algumas o e as como oi o
caso de uma colecção de lad ilhos de mosaico o e ecida po Ville oy Boch.
257
Pa alelamen e à exis ência do Museu Tecnológico, que como acabamos de e i ica ,
unciona a no espaço ísico do Ins i u o emos, em 1883
258
a c iação dos Museus
Indus iais e Come ciais.
Mais uma ez é c iado um em Lisboa e ou o no Po o e segundo o dec e o
conside ando que o p og esso incessan e da Indús ia e comme cio, os no os in en os e
os no os p odu os, os p ocessos mode nos con inuamen e modi icados e a abe u a de
255
Ca a en iada à Di ecção Ge al do Comé cio e Indús ia pelo di ec o do Ins i u o, em 3 de Se emb o
de 1878.
256
Exis em e e ências a comp as em 1879, 1880, 1881, 1882, 1883.
257
Ca a en iada a Ville oy Boch pelo di ec o do Ins i u o, em 6 de Julho de 1881.
258
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, Dec e o de 24 de Dezemb o de 1883, pp. 399-400.
272
ecen es me cados o nam inadiá el a c eação de museus indus iais e comme ciais,
que sejam o complemen o indispensá el dos conhecimen os ob idos nas escolas
especiaes.
Es es ica iam ins alados em edi ícios do Es ado e a di ecção do museu do Po o
se ia compos a po ês memb os:
1. O P esiden e – da Associação Indus ial do Po o
2. Um delegado – do Ins i u o Indus ial do Po o
3. Um indi íduo – que eunisse os do es necessá ios pa a o bom
desempenho des as unções.
O p o esso do Ins i u o que oi escolhido pa a aze pa e da di ecção oi o
p o esso p op ie á io da 7ª cadei a, de seu nome Manuel Rod igues Mi anda Júnio .
259
Um dado in e essan e nes e museu e a a sua o ganização e classi icação. Es e inha
uma classi icação sis emá ica que oi mesmo publicada no Diá io do Go e no em 19 de
Janei o de 1885. Os objec os e am dis ibuídos po di isões e es as po secções, que
inham á ios g upos e classes.
Nes e mesmo ano pode-se le num pe iódico da al u a – A Ac ualidade:
260
Museu Indus ial do Po o
Reuniu-se an e-hon em a di ecção do museu indus ial.
Foi esol ido ep esen a à cama a municipal pa a manda ilumina a ua
do Palácio, que dá acesso à escola. (…)
Es á mui o adian ada a cons ução das i ines. Con inuam a a lui mui os
p oduc os.
Espe a-se que a abe u a do muzeu se ealise em p incípios de se emb o.
A imp ensa e a um dos melho es meios de di ulgação que do espaço que do
que aqui se podia e .
As euniões da di ecção e os a anços da ins alação do museu ia sendo ela adas,
com maio ou meno des aque, a é à ho a da abe u a das suas po as, em 1886, po an o
só ês anos após a sua c iação.
Assim podemos le , em 19 de Ma ço de 1886, a no ícia que ocupa uma pa e da
1ª página e mais de me ade da 2ª página no mesmo pe iódico:
259
Ca a en iada a João Ped o Ma ins pelo di ec o do Ins i u o, em 15 de Janei o de 1884.
260
No ícia publicada na segunda página em 6 de Agos o de 1885.
273
Sob e o Museu Indus ial do Po o
Visi amos hon em, apidamen e es e impo an e es abelecimen o que se á
anqueado domingo ao público. Não nos demo a emos a enca ece as
an agens da ins i uição. Impõe-se ellos de sob a pa a que nos en e enhamos
a desdob al-as e a sopesa-las. Falando da nossa isi a ao Museu Indus ial e
Comme cial do Po o, só emos em is a espicaça a cu iosidade dos nossos
lei o es p ocu ando aze -lhes sen i ao mesmo empo a impo ância da
exposição. Toda ia não en a emos na desc ição do ecin o e na ennume ação
dos p oduc os exhibidos sem lhes dize mos que es e ab aço de odas as
Indús ias do nosso paiz – pois que a digna di ecção em-se de e as
empenhado em que o museu seja ão comple o quan o possí el – se á ecundo
em esul ados, de uma u ilidade não só de an agens pa a a enda de
p oduc os mas ambém pa a a ilus ação ge al do publico, sob e udo pa a se
en a de ez na acquisição de noções p á icas, que, em e dade, só se
adqui em po ia d’ es e géne o de es abelecimen os. Depois a educação
Indus ial em immenso a ganha com es es museus que complemen am
ma a ilhosamen e o ensino das escolas de desenho que lhes icam anexas.
Uma ideia ge al do Museu
T abalha-se ainda na acommodação dos objec os collecionados. Ha ia
hom em um mo imen o desencon ado de homens que desciam e subiam
escadas pa a a disposição dos p odu os – o que emba aça a singula men e a
ha monia da imp essão pa a a ideia o al do conjunc o.
É domingo, como acima dissemos, a abe u a do museu, e en ão pode -se-ha
a alia o aspec o socegado, anquillo, imposi i o, ala dean e, de odo aquella
massa de coisas, massa pi o esca, animada, i a, massa que pa ece insu lada
do sop o i al das mãos de quem saiu. Calculamos, pois, que o conjunc o do
museu de e se um encan o es on ean e.
Aquella mul idão de objec os, cada qual na sua exp essão de cô e de o ma,
p ende-nos o olha , en ei iça-o, ascina-o, e, como elle é po igual solici ado,
d’ ali p o em o seu ligei o des ai amen o nessa ambição ené ica de que e
e examina , palpa , es uda , decompo e ecompo cada um d’ esses bellos
specimens dos indus iais nacionais e es angei os.
274
Sen indo não lhes pode mos da a elação comple a do que se encon a
espalhado po aquellas i inas, po que nem e mos espaço, nem empo, nem,
e dade, e dade, a p ecisa paciencia, p ocu a emos oda ia, apon a -lhes o
que mais se nos a ul ou ou que a nossa is a opou ao accaso, n’ es a
solici ação picaçado a e o u an e da cu iosidade.
Penden es da a anda da gale ia supe io e nos in e allos das 12 columnas
que sus en am o ec o do ci co, êm-se as di e en es ypos de ede de pesca
usadas ao no e do Mondego. As pa edes es ão coalhadas de ca azes,
especimens e ep oduções pho og a icas e li hog aphicas de Indús ias
nacionais e es angei as. Em cada um de oi o dos ângulos da pa ede da sala
eêm-se, sob e penhas, em amanho na u al, ep oduções dos ypos mais
ca ac e is icos dos po uguezes do no e: o homem e a mulhe de A ei o, o
homem e a mulhe do al o Minho, o homem e a mulhe da Se a do Ca amulo
e inalmen e o homem e a mulhe de T az-os-Mon es. Ves em odos ajos
au hen icos colligidos nas localidades e sob e capa de hon as. É cu iosissimo
es a p imei a amos a de uma collecção de ypos e hnog a icos.
Pa a não sahi mos das Indús ias popula es do paiz, menciona emos an es de
udo as iquíssimas endas das po oações do li o al, cuja delicadeza e p imo
as o nam mui as ezes compa á eis ao mais ino pon o de B uxellas. Vimos
ambém cu iosíssimos exempla es de e a ia, caldei a ia de Coimb a, se não
nos enganamos, mui o dignos de epa o. Vimos as bae as, os cobe o es, os
el os da se a da Es ella, as linhas c us e cu ela ias de Guima ães e mui os
ou os p oduc os impossí eis de e e de memó ia, mas e i am-nos a is a as
ocas e usos de B agança, com uns la o es polych onicos absolu amen e
egypcios ou p ussianos.
As exposições das colónias po uguezas ocupam mais de uma i ina e n’
ou as se êem p oduc os coloniaes es angei os. A collecção de madei as de
San o Domingo é su pehenden e de belezza.
Das ab icas nacionaes lemb a-nos a bella i ina da companhia de a e ac os
de malha, as das chapela ias da ab ica Social e de Cos a B aga & Filhos, a
de ecidos de algodão da Companhia de Thoma e Alcobaça, as ecidos de
seda dos S s. Gue a e F ancisco José Noguei a & Filho. No amos a ce âmica
das De ezas, a louça de Saca ém, os id os da Ma inha G ande e do cabo
275
Mondego, as po cellanas da is a aleg e, a igos da iagem do S . Da id, e c.,
e c.
Já no ano de 1886, a 30 de Dezemb o, oi publicado a mando da Di ecção Ge al
do Comé cio e da Indús ia, o plano de o ganização do ensino indus ial e come cial.
O capí ulo X, dedicado aos es abelecimen os anexos, e e e mais uma ez a
exis ência de uma museu comp enendendo os modelos, ins umen os, appa elhos,
desenhos, p odu os, amos as e ma e iaes necessá ios pa a as demons ações nas aulas
dos di e en es cu sos e pa a as expe iencias de que a a o § 4º.
Tal como se inha acon ecido an e io men e o museu di idia-se em secções,
con o me as especialidades das di e sas cadei as e e a des inado, não só a o nece
ma e ial necessá io pa a o ensino das disciplinas p o essadas no Ins i u o como, ambém
a ensaia apa elhos, ma e iais e p ocessos suscep í eis de emp ego na Indús ia, po
o dem do Go e no ou a pedido de pa icula es.
A igu a do conse ado ambém es a a p esen e no Museu Indus ial e
Come cial do Po o, a es e compe ia: a gua da e conse ação do museu e suas
dependências; a execução dos egulamen os e esoluções supe io es ela i as às
di e en es secções do mesmo museu; a p epa ação dos elemen os necessá ios pa a a
o ganização dos in en á ios das di e en es secções do museu.
Em 1888 Joaquim de Vasconcellos oi nomeado pa a conse ado do Museu
Indus ial do Po o. É de essal a que es e já exe cia o ca go algum empo an es des a
nomeação.
Recuando um pouco, emos em 1887 a subs i uição do ep esen an e do Ins i u o
Indus ial do Po o na di ecção do museu. De 1887 a 1889 passou a se o p o esso da 9ª
cadei a, Domingos Agos inho de Sousa.
261
Pa a pode mos a alia com mais ealidade o núme o de isi an es e daí o
dinamismo que o p óp io museu exe cia, podemos le num dos pe iódicos da época:
No mez de Ma ço, es e es abelecimen o oi equen ado po 1:689 pessoas, o
que dá uma média de 67 isi an es pa a cada um dos 25 dias em que es e e
abe o. A equencia em Ab il oi ap oxidamen e egual. O museu oi, no mez
passado, isi ado po 1:687 pessoas.
261
Ca a en iada à Di ecção Ge al pelo di ec o do Ins i u o, em 19 de Janei o de 1887.
276
O dia 17 oi o de maio conco encia em que o nume o de isi an es a ingiu as
215.
262
No inal do ano 1888, hou e necessidade de modi ica alguns pon os na
o ganização dos museus, numa en a i a de os ap oxima do ensino que se p o essa a
no Ins i u o.
263
Es es inham um ca ác e pe manen e, expondo ao público ma é ias-p imas, de
p odu os e modelos, o e ecidas po pa icula es ou o ganizadas pelo p óp io Es ado,
com as seguin es in enções: in o ma os ab ican es onde podiam ob e de o ma
an ajosa as ma é ias-p imas que necessi a am, e da a conhece os seus p odu os,
acili ando des a o ma a sua enda nos me cados es angei os; in o ma os ab ican es e
negocian es nacionais sob e o andamen o dos negócios nos países es angei os e
escla ece-los sob e udo o que se elacionasse com ansacções come ciais com
p odu o es e consumido es de países es angei os; mos a aos come cian es nacionais e
es angei os, assim como aos consumido es, onde e como podiam ob e com maio
an agem os p odu os que necessi a am; p opo ciona ins ução p á ica a a és da sua
exposição pe manen e de bons pad ões e modelos das a es indus iais de odos os
países e de odos os es ilos, educando o gos o do p odu o e do consumido e azendo
ap ecia o que ha ia de alioso, de o iginal e de ca ac e ís ico nas adições a ís icas da
Indús ia nacional; pa en ea a his ó ia das indús ias e a es indus iais e, sob e udo, a
his ó ia das indús ias nacionais, suas o igens, seus p og essos e p ocessos de abalho,
po meio de colecções e ospec i as de e amen as, u ensílios, maquinismos e
p odu os; mos a o es ado da ins ução indus ial em Po ugal.
Também oi e is a a o ganização dos museus. Se ia o p óp io a p ocu a ob e ,
com o auxílio dos minis os e cônsules po ugueses nos países es angei os, colecções
de amos as de ma é ias-p imas e de p odu os de países es angei os cuja expo ação
osse impo an e pa a Po ugal.
Em cada museu exis i ia: uma biblio eca come cial, indus ial e de a e indus ial
e um gabine e de es udo pa a os isi an es.
262
A Ac ualidade, de 7 de Maio de 1887. (a igo de 2ª página)
263
Colecção O icial da Legislação Po ugues de 18 de Dezemb o de 1886, Regulamen o dos museus
indus iais e come ciais, pp. 534 a 538.
277
A ques ão das colecções e suas espec i as aquisições o am, de no o,
ea aliadas. A í ulo de exemplo e e-se semp e em a enção a o igem das colecções,
como as comple a , quem inha au o idade pa a comp a objec os, en e ou os.
O papel do di ec o oi igualmen e ede inido, a cons i uição do seu quad o de
pessoal e das suas unções. Com a publicação des e egulamen o ica am e ogadas as
disposições o dec e o de 24 de Dezemb o de 1883.
Mas ou as p eocupações es i e am na mi a dos esponsá eis como, po
exemplo, o público:
A di ecção d’ es e es abelecimen o, semp e desejosa de a ende aos in e esses
os exposi o es e as commodidades que se podem o e ece aos isi an es sem
p ejuízo do se iço, mandou colloca na sala e na galle ia um ce o nume o de
cadei as, des inadas ao publico. As senho as, e p incipalmen e os isi an es
mais idosos, aplaudi ão, ce amen e, es a medida, que lhes pe mi i á gosa as
exposições com oda a commodidade. As cadei as pa a se iço do publico
es ão ma cadas.
Também icou ins allado há dias um ele one, pa a o se iço do museu e dos
exposi o es.
264
Conside o se mui o in e essan e que es es aspec os ossem uma p eocupação
naquela al u a e a ideia que lhe es á subjacen e, pe mi am-me a ousadia da a i mação,
mui o ac ual!
Em 1891 e em sequência de uma no a e o ma do ensino indus ial e come cial,
os Museus so e am de no o algumas mexidas
265
, inclusi e a delibe ação da c iação de
uma o icina, jun o do museu do Po o, des inada à ep odução de modelos de a e e a e
indus ial em gesso, o og a ia e p ocessos g á icos co ela i os, gal anoplas ia, e c.
Uma ques ão in e essan e é a ideia da exis ência de um museu ambulan e,
alimen ando a ideia da impo ância da ci culação des e ipo de colecções, numa
en a i a de chega a um maio núme o de pessoas possí el.
Es es i iam pe co e pequenos cen os indus iais de odo o país e as suas
colecções modi icadas median e as necessidades e os in e esses das indús ias onde se
ealiza am as exposições. Pa a uma melho o ganização os esponsá eis in ei a am-se
p imei o das a iedades das ma é ias-p imas das indús ias locais, dos no os p ocessos
264
O P imei o de Janei o de 17 de Janei o de 1888 (no ícia de 2ª página).
265
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, 8 de Ou ub o de 1891, Re o ma do ensino indus ial e
come cial, pp. 595 a 617.
278
de ab ico, dos melho es pad ões nacionais e es angei os, modelos his ó icos, das
a ian es e das co en es da moda.
Tinham ins uções egulamen a es especiais que de e mina am o modo de
o ganiza e de expo o museu ambulan e, assim como odos os po meno es
266
ela i os à
manei a de acili a a ins ução p á ica que al museu de ia p opo ciona .
Es a modalidade de museu oi inspi ada em p á icas já exis en es em Ingla e a.
(Cos a, 1990: 115)
Embo a enha ha ido, sem dú ida, um es o ço que po pa e do Go e no que
po pa e daqueles que es a am en ol idos no desen ol imen o des e ipo de ensino em
1899, ambos os museus o am ex in os, po es a em longe de sa is aze os p incípios
pa a os quais o am c iados. Pa a p eenche a lacuna deixada pelos Museus Indus iais e
Come ciais, oi c iada a denominada Comissão Supe io de Exposições, à qual compe ia
o ganiza al e nadamen e exposições anuais ag ícolas e indus iais, em Lisboa e no
Po o, de modo que pa a cada especialidade só se epe isse em pe íodos de qua o em
qua o anos em cada uma das cidades.
Também e iam de o ganiza , a í ulo excepcional, exposições, ag ícolas ou
indus iais, em qualque cidade do eino, supe in ende na o ganização das exposições
que se ealizassem no país ou no es angei o, emi i pa ece es sob e exposições
nacionais ou es angei as, en e ou as compe ências.
267
O espólio pe encen e aos Museus Indus iais e Come ciais o a dis ibuído pelas
escolas indus iais exis en es.
Conclusão
Podemos cons a a que os museus e o ensino indus ial e come cial
desen ol e am-se pa alelamen e, num con ex o mui o di e en e do que o e i icado no
desen ol imen o de ou o ipo de museus.
Es es museus, conside ados de ciência e ecnologia, inham uma unção
pedagógica mui o mais acen uada, a impo ância de expo o que de mais ecen e se
ab ica a e, ao mesmo empo, di ulga os no os in en os e maquina ias que
con ibuíam assim pa a o desen ol imen o económico do país, e a um dos pon os mais
impo an es des es es abelecimen os.
266
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, Regulamen o dos Museus Indus iais e Come ciais,
publicado em 18 de Dezemb o de 1888, p. 536.
267
Colecção O icial da Legislação Po uguesa, Dec e o de 23 de Dezemb o de 1899, pp. 817 e 818.
279
Inicialmen e, emos os museus a unciona em como pa e in eg an e do ensino,
es es e am mais um en e ou os an os es abelecimen os auxilia es de ensino p á ico.
Os Museus Indus iais e Come ciais, embo a enham ido um papel ele an e,
não subs i uí am os museus que unciona am den o da escola do Po o.
A comp o a is o mesmo emos semp e e e ência a es es es abelecimen os
du an e a exis ência dos Museus Indus iais e Come ciais, mesmo após da da a sua
ex inção o que, na minha opinião, não deixa de se um dado cu ioso.
Des e ac o, podemos conclui que, apesa de se em de g ande impo ância pa a
o ensino indus ial, os Museus Indus iais e Come ciais al ez po se encon a em a
unciona num espaço isicamen e dis in o das escolas, enham p opo cionado a
con inuação de uma á ea simila in e namen e.
As aquisições e ec uadas du an e quase meio século
268
pa a o Museu
Tecnológico do Ins i u o do Po o demons am a p eocupação de passa uma ideia de
mode nidade de udo aquilo que ali es a a expos o.
Podemos a i ma que, mesmo no deco e do século XX, a ideia da exis ência de
um museu na escola nunca se dissipou, acabando se c iado em 1998 de ini i amen e
um museu na escola, não com os objec i os e p incípios do século XIX, cla o es á, mas
que é, sem somb a de dú ida, o espelho das ideias do ensino indus ial c iado em 1852.
Os museus associados ao ensino indus ial e come cial exis en es no século XIX
apesa de e em sido c iados com objec i os mui o conc e os não se consegui am
man e , que o a da es u u a do ensino, como oi o caso do Museu Indus ial e
Come cial do Po o, que den o des a, como oi o caso do Museu Tecnológico.
Sem o seu apoio, p incipalmen e o inancei o, os museus não pode iam
sob e i e . O mesmo se passou com o museu ecnológico. Po exemplo, em 1869
p ocu a am diminui , em ez de aumen a , as despesas com o ensino.
Uma das á eas lesadas oi o museu ecnológico, a pa dos labo a ó ios de química e de
ísica, não obs an e se em conside ados de absolu a necessidade pa a o ensino mais
e icaz.
Consequen emen e oi, sem somb a de dú ida, um conjun o de ac o es que
le a am à ex inção des e museu nos moldes pa a que o am c iados.
268
Pe íodo que ai de 1852 a 1900.
286
Du an e g ande pa e da p imei a me ade do século XX os museus de medicina
o am amplamen e u ilizados como e amen as pa a a educação pública em saúde,
saneamen o e higiene - sendo que equen emen e b o a am de colecções didác icas das
uni e sidades, u ilizadas no passado po alunos e p o esso es em expe iências e
demons ações, - passando nos anos 70 a se em enca ados como meios pa a a au o-
consciência da His ó ia da Medicina, enquan o pa e signi ica i a do es o ço humano.
No pano ama po uguês des aca-se, de en e os di e sos núcleos museológicos,
pa icula men e com o cunho de memó ia ins i ucional, a c iação em 1933 do Museu de
His ó ia da Medicina Maximiano Lemos da Faculdade de Medicina da Uni e sidade do
Po o, e em Se emb o de 2003 a eo ganização do Núcleo Museológico da Faculdade de
Medicina da Uni e sidade de Lisboa, p imei o passo pa a a c iação do espec i o
Museu de Medicina.
Ao longo des es dois séculos o am sendo c iados museus a ní el mundial, endo
no en an o as escolas b i ânicas conquis ado a lide ança na museologia médica ao longo
do séc. XX.
Aliás conside a-se que o Hun e ian Museum o Royal College o Su geons o
England, e o Wellcome His o ical Medical Collec ion o am o pon o de pa ida da
ac ual museologia médica, não só pela signi icação quan i a i a e quali a i a dos seus
undos, mas sob e udo po in e elaciona em museologicamen e a á ea cien í ica com
uma isão di ulgado a bem ma cada e, pela alo ização, en ão ino ado a, do objec o
médico.
Des e modo, ao longo do séc. XX, a pa dos p og essos médicos e da ac ualidade
écnica e cien í ica, que o iginou uma e olução ao ní el dos a senais médico-
ci ú gicos, e i icou-se um ce o desen ol imen o e consolidação dos museus médicos,
apesa do núme o eduzido em compa ação com ou as ipologias museológicas,
ocupando es es, con udo, um luga secundá io den o do pano ama museológico.
Como se pode á analisa na classi icação p opos a pela ICOM os museus de
medicina in eg am-se na ipologia museus cien í icos, sub- ipologia museus de ciência e
ecnologia -museus ela i os a uma ou á ias ciências exac as ou ecnológicas, como
as onomia, ma emá ica, ísica, química, ciências médicas, incluindo plane á ios e
cen os de ciência, ocupando assim um comedido segundo plano nos sabe es
museológicos, o que apesa dos pon os comuns e simili udes, não é su icien e, pois em
úl ima ins ância os sabe es médicos cons uí am-se pa a conhece a complexa biologia
287
do se humano, as causas que man êm a sua exis ência e aquelas que aciden almen e
podem al e á-la (CID, 2007: 27).
Tipologia museológica ecen e, que assume como que uma ob igação de
iden i ica e conhece os objec os e os a icula com o seu espec i o uso nas p á icas
clínicas e/ou expe imen ais, são con udo á ias as azões e ac o es que de e minam que
a museologia médica, apesa de alguns museus possuí em undos imp essionan es, se
man enha em segundo plano:
» ocupando os sabe es cien í icos ainda uma pa cela bas an e eduzida na ideia de
cul u a, as colecções médicas acabam po se menosp ezadas uma ez que não são
conside adas como azendo pa e das A es Nob es;
» di iculdade da museologia médica em se a icula com o conjun o da di ulgação
museológica, con inuando os museus de medicina a se em isi ados mais pela
cu iosidade que despe am;
» necessidade de conhecimen os especí icos, o que le a a que os museus de medicina
sejam maio i a iamen e p ezados pelos p o issionais de medicina, e não pelo isi an e
em ge al;
» in es igação de ici á ia, le ando a que os conhecimen os sob e os seus espólios sejam
es á icos;
» …
A museologia médica ca ac e izada po es uda , de e mina e ap esen a a
e olução de um ma e ial des inado a e i ica , po seus p incípios e causas, a ealidade
dos enómenos biológicos no seu es ado no mal ou pa ológico e ence ando sabe es
me odicamen e o mados e o denados, ci cunsc i os à heu ís ica do mundo
ins umen al, que cons i uem um amo pa icula nas ipologias cien í icas, uma ez que
a Medicina e seus ins umen os e écnicas ope am sob e se es i os; enquan o o es o
de ciências posi i as o azem sob e a ma é ia ine e (CID, 2007: 352), de e á eclama
pa a si, endo em conside ação as di e enças museológicas especí icas, um luga
de inido e indi idualizado no conjun o das ipologias museológicas.
Óp ica igualmen e de endida po Ken A nold (2004: 165) que ac edi a que es es
museus de em e ine i a elmen e um papel dominan e na p ese ação do signi icado
his ó ico da cul u a ma e ial da Medicina, ap esen ando e de endendo dois en oques
museológicos complemen a es: po um lado, o papel his o iog á ico na ap esen ação
dos objec os, e po ou o, o ac o das suas p óp ias his ó ias ins i ucionais o nece em
288
in o mações con ex uais undamen ais na complemen ação dos exe cícios académicos
des a na u eza.
Tan o que em pala as de A nold (2004: 167) much mo e is possible by ocusing
on ypes o ma e ial ha ha e hei own s o y o ell, and in pa icula by he
imagina i e use and jux aposi ion o his ma e ial and he insigh s i ca ies wi hin
hema ic empo a y exhibi ions. I medical objec s a e held o ha e a his o ical oice,
he ole o museums is no jus o keep hem audible bu , a he , o make hem sing.
O Museu do Cen o Hospi ala do Po o: Um P ojec o
A c iação e e ec i ação des e p ojec o desen ol e-se en e inais de 2006 e 2007,
aquando do es abelecimen o de um p o ocolo de pa ce ia en e o Hospi al de San o
An ónio (HSA)
273
e a Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o.
Enquad ada no le an amen o e de ecção de massa pa imonial ele an e desen ol ida
em ce ca de qua en a se iços do HSA en e Janei o e Maio de 2007, é concebida a
Exposição "Olha o Co po, Sal a a Vida" (Junho de 2007), na qual se p e endeu
e a a a his ó ia des a ins i uição bicen ená ia, suas e en es ocacionais, linhas
es u u an es e di e sas á eas e se iços que espelhassem o desen ol imen o do
conhecimen o médico, escola , cien í ico e ecnológico da ins i uição (ALVES, 2007).
273
Desde Se emb o de 2007 que o Hospi al San o An ónio in eg a, jun amen e com ou as duas unidades,
nomeadamen e a Ma e nidade Júlio Dinis e o Hospi al Ma ia Pia, o Cen o Hospi ala do Po o (CHP).
Fig. 1 – Science Museum's His o y o Medicine Websi e
Fon e: h p://www.sciencemuseum.o g.uk/b ough oli e.aspx
289
Na al u a a consciencialização pa imonial despole ada pela mesma o iginou na
di ecção ins i ucional uma on ade de o icializa um p ojec o há mui o pensado mas
nunca conc e izado e ec i amen e, nomeadamen e, a c iação de um Museu.
Apesa dos seus mais de duzen os anos de p á ica clínica, a pa e subs ancial do
undo pa imonial do HSA, cons i uído sob e udo po peças de ca iz écnico-cien í ico
dispe sas ac ualmen e pelos di e sos se iços e á eas hospi ala es, emon a
undamen almen e a um pe íodo c onológico que se es ende desde inícios do séc. XX
a é aos anos 90 e é, em g ande medida, o esul ado da colabo ação desin e essada de
mui os p o issionais, que apesa das limi ações e cons an es emodelações de espaços,
colabo a am e colabo am quase que in ui i amen e na sal agua da e p o ecção de
ins umen os, objec os, documen ação e ou os ma e iais que nos chegam a é hoje às
nossas mãos.
Embo a mui os dos objec os di ec amen e elacionados com a memó ia da
ins i uição não es ejam hoje à sua gua da, o ace o em ques ão e lec e con udo um
pe íodo impo an e da sua his ó ia e pa imónio, ab angendo milha es de a e ac os que
ajudam a cons ui uma iden idade da ins i uição, enquan o es emunho de écnicas
médicas e sua u ilização em épocas dis in as, isando assim da a conhece o p og esso
da Medicina em e mos cien í icos, écnicos, ecnológicos e a sua elação com ou as
ciências que pe mi i am essa e olução.
Pa a além de ins umen os de ca ác e Médico-Ci ú gicos, Labo a o ial, de
Imagiologia, Fa macêu icos e di e sos u ensílios de apoio hospi ala , o seu espólio
con empla ainda colecções de Pin u a, na sua g ande maio ia, alusi a a ben ei o es da
San a Casa da Mise icó dia do Po o; Mobiliá io; Escul u a, de âmbi o ci il e eligioso;
Fo og a ia; e Medalhís ica.
Apesa de o Museu, o icializado no egulamen o de Ab il de 2008, não dispo
co en emen e de á ea exposi i a p óp ia, encon ando-se o seu ace o dispe so po
dis in as á eas hospi ala es, em indo po ém a cons ui e desen ol e as suas linhas de
o ien ação que de u u o lhe pe mi i á assumi -se como um espaço iden i á io,
educacional e de pa ilha.
274
274
―Es e espaço museológico não de e á se comp eendido como um me o luga - eposi ó io de
ins umen os médicos mas sim um espaço p o undamen e iden i á io e educacional, de pa ilha de um
pa imónio; é, ambém, um espaço de memó ia mas de uma memó ia necessa iamen e mul i ocal que
implica os u en es / doen es; assume-se como um espaço de ap endizagem pa a a ida, que in o ma,
elaciona, in e oga e mobiliza sabe es e compe ências que p omo am a educação pública em o no dos
emas da saúde.‖ (In SEMEDO, 2008: 3).
290
Assen e na sua missão de celeb ação da memó ia da ins i uição e da Medicina,
dando a conhece po um lado, os sucessos, os desa ios, a his ó ia e os sonhos de
milha es de pessoas que azem pa e des a na a i a e da His ó ia da Medicina/ciências
da saúde em Po ugal, bem como, des aque da capacidade de lide ança e comp omisso
des a ins i uição pa a com a educação e a in es igação, em desen ol ido a sua acção
apos ando numa mul iplicidade de eixos p og amá icos, dos quais se des aca:
1. P odução de documen os o ien ado es, que con emplem as di e en es á eas de
in e enção, pa a a execução dos no ma i os necessá ios pa a o co ec o e no malizado
uncionamen o do Museu, nomeadamen e, Regulamen o In e no, Polí ica de
Inco po ação, No mas e P ocedimen os de Documen ação e Conse ação P e en i a;
en e ou os.
2. Ges ão de colecções, eixo es u u an e da ac i idade museológica. O Museu em
dedicado uma especial a enção ao es udo e in o ma ização das colecções e à p omoção
de inco po ações a a és da cap ação de colecções e espólios p i ados.
3. Manu enção e conse ação das colecções, desen ol endo-se ela ó ios pe iódicos
de a aliação com ponde ação das condições ambien ais moni o izadas dia iamen e,
assim como po implemen ação de o inas de manu enção e melho amen o de
es a égias de acondicionamen o dos objec os.
4. Di ulgação e comunicação, sendo de salien a o e o ço de acção que o seu po al
(h p://www.museu.chpo o.p ) lhe pe mi e que ao ní el da disseminação de
in o mação do seu espólio, da idelização de públicos p óp ios e sob e udo da p ojecção
e isibilidade do abalho de p ese ação da memó ia em que se em in es ido.
Fig. 2 – Websi e do Museu do Cen o Hospi ala do Po o
Fon e: h p://www.museu.chpo o.p
291
No sen ido de con ibui pa a o o alecimen o da imagem in e na e ex e na do
CHP, cons i uindo um alo ac escen ado à memó ia da ins i uição e da medicina,
p omo endo a li e acia em o no dos emas da saúde, em apos ado em exposições
empo á ias emá icas, acções de sensibilização e publicação de a igos, numa
colabo ação e coope ação es ei a não exclusi amen e com os di e sos se iços e
unidades do CHP, mas igualmen e de p omoção de mecanismos de pa ce ias
ins i ucionais com o ganismos nacionais e in e nacionais.
Ainda ela i amen e a es e eixo p og amá ico da -se-á a cu o p azo p io idade
às seguin es á eas de acção:
- Adição de Língua Inglesa no po al do Museu, com o objec i o de di e si ica o
público-al o do MCHP, inc emen a o elacionamen o com in es igado es es angei os
e sob e udo possibili a a di ulgação do Museu em ins i uições in e nacionais da á ea da
saúde e da cul u a;
- Implemen ação de um P ojec o de P ese ação da Memó ia Ins i ucional
Conscien es da impo ância que o pa imónio ima e ial em numa ins i uição
cen ená ia como o Cen o Hospi ala do Po o, cons a a-se a necessidade de desen ol e
um p ojec o de p ese ação da memó ia ins i ucional a a és de ecolhas de His ó ia de
Vida ou de ou as on es de in o mação, dada a ulne abilidade e eminência da sua
pe da.
Pa a além da sal agua da dos es emunhos pessoais, a ins i uição es a á ambém
com es e p ojec o a documen a os conhecimen os, os p ocessos, os objec os e a o ma
como e am aplicados, c iando assim as condições necessá ias pa a a sua adequada
p ese ação e alo ização.
Fig. 3 – Inalado de É e de Omb édanne
P o eniência: Museu do CHP - Se .
Anes esiologia
@ Cen o Hospi ala do Po o
Fo og a ia: Egídio San os / Agência Meio
Fo ma o
Fig. 4 - Hospi al Ge al de San o An ónio, En e ma ia de
Clínica Médica - Sala do Espí i o San o.
Fon e: ALMEIDA, 1927: 12.
292
DESCOBRIR E INTERPRETAR O OBJECTO MÉDICO: APRESENTAÇÃO DE UM MODELO DE
ESTUDO
No sen ido de ab i caminho à in es igação de colecções médicas e se i de
ins umen o de in es igação não só ao Museu do Cen o Hospi ala do Po o, mas
ambém a museus congéne es, os quais mui as ezes pa a além dos pa cos ecu sos
inancei os não possuem os ecu sos humanos adequados à colma ação das de iciências
encon adas nes a e nou as e en es da ges ão de colecções, desen ol emos um
modelo de es udo pensado e ocacionado na ma e ialização do objec o médico, pa indo
da análise e e lexão do espólio do Museu do CHP, modelo esse que e ela a
singula idade de p opo uma classi icação no malizada do objec o médico.
No con ex o museológico, o objec o médico em compa ação com ou os undos
museológicos e sal o a as excepções, goza de um baixo es a u o e es e e, se ainda não
es a á, mui as ezes enegado e associado a objec o meno . Con udo há que essal a
que ma ca am o espí i o de á ias ge ações e que po qualque lado que se enca e a
colecção, clínico, cien í ico, ecnológico, ou unicamen e pelo pon o de is a
documen al, o es udo e análise da ins umen a ia médica, e ela-se uma on e de
in o mação impo an e uma ez que es es são a exp essão da época a que pe encem,
ma cos de descobe as expe imen ais e in e ogações cien í icas e, neles podemos colhe
dados ú eis em di e en es domínios.
No sen ido de se em c iadas condições pa a e oca elações que melho
pe mi issem pe cebe a uncionalidade dos objec os médicos ao longo das épocas, bem
como enquan o es emunhos da e olução de écnicas médicas, en ou-se euni o
máximo de in o mação associada aos mesmos e seus con ex os en ol en es, começando
assim po apoia a nossa me odologia numa pa e eó ica, iniciada po uma e isão de
bibliog a ia nacional e in e nacional, endo po base ca álogos de ab ican es; bases de
dados online; monog a ias de enquad amen o, en e ou as.
É con udo pa en e a caducidade do sis ema con encional com o qual é
comummen e abo dado o objec o médico no con ex o museológico, abo dagem es a que
nunca acompanhou e dadei amen e o ac ual pa adigma dominan e das ciências
médicas, podendo mesmo a isca mo-nos a a i ma que g aças à endência museológica
gene alizada de musealisa os "p odu os" esul an es de um pa adigma ansac o, es e
sis ema se encon a mais in imamen e indexado e en aizado a esses alo es, eo ias,
293
abo dagens e modelos cessan es, do que ao p óp io pa adigma dominan e. O ien ação
que o p esen e es udo isa con a ia .
Numa segunda ase, abo dando com qualidade cien í ica a pa icula idade da
museologia médica, iniciamos a concepção do modelo de es udo, endo po base
algumas o ien ações e p emissas, dos modelos de es udo de objec os e colecções
ap esen ados po Susan Pea ce, Ba chelo e Felip Cid
275
.
Re e i ainda que o modelo que se á aqui exe ci ado é o esul ado de um
abalho com uma e en e de ele ada densidade de in es igação, ala gada pelo diálogo
com museus congéne es e sem po em causa no as possibilidades de o ap o unda , uma
ez que ac edi amos que a mensagem ou signi icado que o e ece o objec o se á semp e
incomple o e cada in es igado p eenche á as lacunas no seu p óp io caminho.
Sendo o objec o inesgo á el, se á p ecisamen e essa inesgo abilidade que o ça á
o in es igado /obse ado nas suas decisões.
Tendo em conside ação a complexidade do objec o médico o na-se necessá io
inicia o es udo do mesmo endo já po base um backg ound ace ca dos p óp ios
objec os e con ex os en ol en es e elacioná eis.
Assim suge e-se que uma ez iden i icado o objec o se p oceda ao en endimen o
do seu posicionamen o e sua co elação com os di e en es con ex os nos quais o mesmo
se inse e, pa indo-se de um quad o ge al pa a aspec os mais pa icula es, sendo de
dis ingui en e Mac o-con ex o - concei o mais ala gado que pode se ão amplo como
se julga necessá io pa a o es udo - e Mic o-con ex o - e e en e ao ambien e mais
p óximo do objec o de es udo e os seus condicionalismos.
Mac o-Con ex o
De e á assim o in es igado ap o unda o seu campo de es udo ao con ex o
médico em ge al mas ambém e sob e udo à co elação do objec o com os con ex os
económicos, polí icos e sociais, no sen ido de pe cepciona a sua alocação com as
necessidades sociais que su gi am ao longo de séculos e que se o na am de e minan es
pa a os a anços na á ea das ciências da saúde, pois como e e e Amélia Ricon Fe az
(1992: 12):
275
Thinking abou hings de Susan Pea ce; No looking a ke les p opos o po Ray Ba chelo (PEARCE
1994; 1996) -, e o modelo de es udo pa icula men e ocacionado e di eccionado ao es udo do objec o
médico da au o ia de Felip Cid na sua ob a Museología Médica, Aspec os Teó icos y Cues iones P á icas.
294
O ins umen o b o ou de uma exigência humana, sinal de uma no a e apa no
p ocesso de hominização. O domínio das suas si uações, que co en es que inédi as,
mos a a-se insa is a ó io semp e que a in e enção de uma pa e co po al e a o único
agen e de acção. Cedo econheceu o homem a an agem de p olonga o seu espaço
ísico, de o ma a alo iza o im da sua on ade. Inúme as ezes ê-lo como solução
pa a as múl iplas necessidades pessoais e mais a de, de g upo…
Mic o-Con ex o
No p óp io con ex o médico há que pe cepciona os eixos e ci cuns âncias que
in luencia am a c iação do objec o, uma ez que es e exe ce uma unção de e minada
an e um p oblema conc e o, não sendo u o de uma causalidade (BERNARD, 1978;
KIRKUP, 1982), o seu pe cu so his ó ico e e en uais al e ações de unção, assim como
assinala -se as causas que le a am à inope a i idade do mesmo, sendo nes es casos um
exe cício de g ande impo ância en a , se al ainda o possí el, iden i ica nos objec os
ac uais a es u u a o iginá ia.
Numa segunda e apa de e á o in es igado , endo o objec o como pon o de
pa ida da sua abo dagem, descob i a e olução de ideias, in enção ou descobe a que
se encon am a ele a iculadas, de endo não só se em ap eendidos os enómenos e os
concei os cien í icos, mas ambém o modo como o conhecimen o cien í ico é cons uído
e as suas aplicações e implicações numa en a i a de c iação de a i udes posi i as pa a
com a ciência.
Con ex o Tecnológico
Sendo a Medicina uma ciência in e ac i a
276
o in es igado de e á en a
pe cepciona a in e ligação en e o objec o e os p incípios écnicos que os de inem, no
sen ido de comp eende a in e disciplina idade na ecnologia médica e de como as
p óp ias descobe as alcançadas em di e sos sec o es das ciências exac as, como a
Ma emá ica, a Química, a Física, assim como o p og esso em ou as ciências médicas,
como a Fisiologia, a Bioquímica, e c., con ibuí am pa a da espessu a ao conhecimen o
do mesmo, pe mi indo o seu desen ol imen o sucessi o ou a sua subs i uição.
276
“A Medicina é uma ciência in e ac i a com as ou as ciências, das quais ecebe in o mação pa a o
seu p óp io desen ol imen o, mas às quais o nece conhecimen os sob e capacidades do co po humano
que podem se i de modelo à elabo ação écnica de ou os amos cien í icos “.(In CORREIA, 2000:
24).
295
Den o da p óp ia ciência médica di e sas descobe as ac ua am de um modo
indi ec o no desen ol imen o dos ins umen os. Se não ejamos a í ulo demons a i o:
a descobe a da anes esia pe mi iu, uma ez e adicada a do , que a ci u gia deixa-se de
es a eduzida a ope ações ex e nas, como a ampu ação e ex i pação, ala gando o seu
campo de in e enção, o que o iginou po um lado o ape eiçoamen o de ins umen os
ci ú gicos básicos, como as pinças de p essão e igualmen e a ap op iação de no as
peças.
Numa pe spec i a de ca ác e sociológico, pode á cons i ui -se como condição
ele an e a explanação da co elação en e a e olução dos ins umen os e o p og esso
ecnológico, e espec i a melho ia da qualidade de assis ência p es ada aos pacien es.
O p óximo passo e e i -se-á à ca ac e ização ma e ial do objec o, ou seja, à análise dos
ma e iais, o ma como são usados e seus pad ões de dis ibuição no objec o.
Ma e iais
A comp eensão da e olução e ape eiçoamen o das ma é ias-p imas aplicadas no
ab ico dos ins umen os, como a maio duc ilidade e esis ência do ma e ial, pode á
o e ece uma melho pe cepção do modo como pe mi iu a ha monização das o mas e
dimensões das peças, ajus ando-as à sua uncionalidade, bem como dados empo ais
iden i ica i os (da ação c onológica).
Salien a-se o ac o de não se econhece de o ma alguma líci a a conside ação
de apenas es a ca ac e ís ica como o ien ação classi icado a de da ação do objec o, uma
ez que, como cons a a á apidamen e o in es igado menos a en o, de e minado
ma e ial, apesa de se iden i icado como usado em de e minados pe íodos, não a as
ezes encon a-se em espécies pe encen es a épocas di e en es.
Pa a além de se p ocede à iden i icação do ma e ial
277
de e -se-á igualmen e
analisa a azão da sua escolha. Nes a o dem se á de odo ele an e elaciona com o
con ex o médico da época a ins au ação de ce os p ocedimen os, como acon eceu com
a iniciação da assepsia, a qual o iginou ans o mações na composição ma e ial
sob e udo dos ins umen os ci ú gicos, p esc e endo a eliminação ulminan e de
277
Apesa de o Homem e usado nos p imei os ins umen os que p oduziu di e sos ma e iais na u ais,
o gânicos ou mine ais, como a madei a, ma im e a a uga, os quais acaba am po se mos a limi ados
pa a o alcance p e endido, pelo que o am sendo subs i uídos, como se encon a ap esen ado nos es udos
de Amélia Ricon Fe az, po duas ipologias de ma e ial manu ac u ado: ma e iais não e osos (p a a;
ou o; es anho; cob e; b onze; la ão; alumínio; pla ina; i ânio…) e e osos ( e o, aço…). Não
esquecendo ainda a goma elás ica, subs i uída, no decu so da segunda me ade do séc. XIX, pela bo acha
mui o mais esis en e e elás ica assim como as di e sas a iedades de plás icos, hoje ão em oga nos
di e sos ma e iais.
302
Na alo ização e ap esen ação das suas colecções ao seu público de e ão es es
museus aze e e ência e apela aos desa ios sociais nos quais se in eg am, eac i ando
alo es a a és dos quais se econhece, ques iona e in eg a a sociedade, con e endo-se
em e dadei os espaços públicos de e lexão e de deba e como meio de p odução de
o mas de au onomia e de cidadania c í ica, o nando o seu público mais ac i o na
es e a pública.
O museu de medicina de e á igualmen e c ia as condições de acessibilidade à
in es igação na á ea da saúde, p omo endo não só uma unção educacional de
di ulgação e con ex ualização da ac i idade médica mas, sob e udo, p opo cionando
expe iências capazes de mo i a a pa icipação e o en ol imen o ac i o do público que
se e, desen ol endo inicia i as que apoiem opo unidades pa a a in eg ação des e
conhecimen o na ida das pessoas (CAULTON, 1998).
Nes e âmbi o, é de cabal impo ância que an es de mais a museologia médica
passe a pa icipa no pano ama da di ulgação museológica, e apos e na inc emen ação
de in es igação, ac o que, excep uando alguns abalhos especí icos, con inua a se
mui o de ici á ia, de endo se p o ícuo o es abelecimen o de pon es de comunicação e
abalho em equipa en e os museólogos, os his o iado es, p o issionais das ciências da
saúde e ou os agen es, bem como o in e câmbio com ou os museus simila es ou
ins i uições cien í icas. Cien es da al a de apoio inancei o sus en ado es e in e câmbio
pe mi i á não só en en a a ealidade o çamen al, mas ambém p opo ciona á
expe iências dis in as uma ez que possibili a á abalha com di e en es pessoas
ab indo diálogos e in e câmbios com ou as es u u as ex e io es.
Conside ando que os museus de medicina se de em o na mais do que espaços
de exposição de equipamen os cuja comp eensão e in e esse só se á sensí el pa a os
iniciados, e pa a que passem a o e ece aos seus isi an es uma explanação que
co elacione o objec o expos o com as suas aplicações e modo de uncionamen o, a sua
e olução, o igem e enquad amen o com os seus con ex os ecnológicos e cien í icos,
de e ão es es inc emen a exposições in e disciplina es em que o con ex o médico se á
in e p e ado na sua in e - elação com ou as á eas e disciplinas, demons ando como a
His ó ia da Medicina é ans e sal, lexí el e in e ligada, habili ando a oca de
concei os e me odologias, e sob e udo conseguindo uma ap oximação en e sociedade e
ciência, a pa i dos signi icados e usos da "cul u a ma e ial".
É es e o ac ual desa io des as ins i uições.
303
É igualmen e o momen o da implemen ação de no os espaços museológicos,
po ém mais dinâmicos e in e ac i os, econs u o es de sen idos e con ex os.
Com es e im, eme ge a ideia de uni es o ços e compa ilha me odologias e aplicações
com o objec i o de se ob e uma maio expansão da museologia médica e
consequen emen e um melho en endimen o das suas colecções, só possí el com
ecu so ao es udo e in es igação das mesmas.
Se ia also de ende que o modelo aqui ap esen ado, desen ol ido numa
en a i a museológica de comp eensão do objec o médico, cons i ui-se como p incipal
o ma de in e p e ação do mesmo, nem de o ma alguma e emos a p esunção de o
en ende como e dade absolu a e inal, mas sim como um modelo álido e
ep odu í el, coadunando-se não só ao espólio do MCHP, mas igualmen e a ou as
colecções de museus congéne es. Tal como acon ece com as eo ias cien í icas, es e
assume-se como explicação p o isó ia da e idência exis en e a é ao momen o,
e idenciando-se na ap esen ação de no os mé odos de análise e encon ando-se abe o à
c í ica, ao deba e e à mudança.
Rela i amen e à ques ão que equen emen e se le an a ela i amen e ao ac o
dos museus de medicina con inua em ou não o ados a um luga secundá io den o do
pano ama museológico, conside amos que só o empo pode á esponde . Po ém, a nossa
con ibuição com es e abalho é p ecisamen e aguça a on ade dos museus de
medicina em se em mais do que me os eposi ó ios, assumindo ou as esponsabilidades
adequadas à p ese ação, conse ação, es udo e in e p e ação de espécimes em
bene ício do público, ga an indo assim la ga exis ência aos mesmos.
Idealiza-se assim um museu de medicina como um espaço de in e câmbio, um
espaço abe o a in luências, um espaço de p ojecção não só pa a o ex e io mas pa a o
mundo, não sendo pa a nós de odo p oceden e o concei o, ainda ac ualmen e mui o
en aizado, de um museu que se az uma ez e que pe manece á imu á el
pe pe uamen e.
É endo es e io condu o em men e que se p e ende da desen ol imen o ao p ojec o
e discu so museológico do Museu do Cen o Hospi ala do Po o, assumindo o mesmo
um es o ço na en a i a de posição de lide ança na á ea da educação pa a a saúde,
o e ecendo conhecimen os, opo unidades de ap endizagem e expe iências que se
elacionem com ques ões da con empo aneidade, la gamen e acessí eis e
consis en emen e de al a qualidade, p e endendo-se que enha a e uma o e
304
componen e hands-on, he s-on e ou a igualmen e di e enciado a: a componen e minds-
on, o e dadei o sen ido no con ex o do objec o médico.
305
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306
Museus Inclusi os: ealidade ou u opia?
Sónia San os
Resumo
A consciencialização pa a a acessibilidade museológica em indo a aumen a e o na-se imp escindí el que os
museus, enquan o espaços sociocul u ais, acei em e in eg em, no âmbi o das suas missões, a inclusão de odos os
públicos. A in eg ação e a comunicação são elemen os ulc ais e de em cons a das agendas e p og amação dos
museus des e século, dada a sua ligação à sociedade di e si icada, he e ogénea e consumido a cul u al. Nes e
con ex o, a inclusão não pode á cingi -se em exclusi o à á ea a qui ec ónica, mas, ambém, a udo o que se elaciona
com as e en es comunica i a, in o ma i a e elec ónica. Concei os como abe u a e acesso de em se en endidos
como concepções amplas e globais que não se e e em apenas a de iciência, mas p e endem exe ce um e dadei o
papel de inclusão, onde odos cabem.
The le el o awa eness ega ding he museums accessibili y has been inc easing and i is becoming indispensable o
he museums, as socio – cul u al spaces o accep in hei missions he inclusion o all audiences and o ega d people
wi h disabili ies as a ge audiences o be conque ed and no as a mino i y ha needs o be sa is ied. In eg a ion and
communica ion a e key ac o s which mus be included in he p og amming agenda o his cen u y museums since
hey unc ion as connec i e elemen s o a di e si ied socie y which p esen s i sel as a cul u e consume . This way,
he inclusion will no only co e he a chi ec onic aspec bu also he communica ional, in o ma ics and elec onics
aspec s. I is impo an conside hese aspec s as a ma e o gi ing access o all ci izens and no jus o he ones ha
ha e a disabili y.
Pala as-cha e - Key-wo ds:
museu, acessibilidade, de iciência
museum, accessibili y, disabili y
307
Museus Inclusi os: ealidade ou u opia?
280
Sónia San os
281
Melho a o acesso à cul u a, aos museus e às suas colecções, po pa e dos isi an es
com necessidades especiais, cons i ui um objec i o essencial po odos pa ilhado?
(Collwell, 2004:5)
In odução
O p esen e a igo baseia-se numa in es igação ealizada no âmbi o de uma
disse ação de mes ado in i ulada ―Acessibilidade em Museus‖ que p e endeu deba e a
in eg ação de pessoas com de iciência nas ac i idades e espaços museológicos. A
in es igação não p e endeu esul a numa pe spec i a de di e enciação de públicos, mas
sim, na c iação e es abelecimen o de condições necessá ias a odos os cidadãos, enham
eles, ou não, necessidades especiais (pe manen es ou empo á ias). Aspi ou ale a pa a
a consciencialização e p omoção da inclusão de odos os cidadãos, a aliando as
ac i idades e es a égias u ilizadas. Ambicionou e o ça a necessidade de
ap o undamen o da e lexão sob e a emá ica, ampliando a sua discussão, en ol endo os
ac o es (inclusi e os ep esen an es e odos os ab angidos na o mação de p o issionais
da á ea).
Es es o am os p incípios que no ea am a concepção do p ojec o, o qual, a a és
do ap o undamen o, do conhecimen o e da e lexão sob e á ios ac o es ligados à
exclusão cul u al, ouxe à o dem do dia as pessoas com de iciência e odos os
obs áculos que en en am na en a i a de pa icipação na ida cul u al.
280
A igo baseado na disse ação de Mes ado, o ien ada po Alice Semedo, ap esen ada na Faculdade de
Le as da Uni e sidade do Po o: SANTOS, Sónia, Acessibilidade em Museus. Disse ação de Mes ado
do Cu so In eg ado de Es udos Pós-g aduados em Museologia ap esen ada à Faculdade de Le as da
Uni e sidade do Po o, 2009
281
Museu do Papel Moeda da Fundação D . An ónio Cupe ino de Mi anda, Responsá el do Se iço de
Educação, www. acm.p . h p://acessibilidadeemmuseus.blogspo .com.
308
Con ex ualização emá ica: a eme gência de um no o modelo cul u al
Séculos sepa am os empos ac uais do an igo museion g ego dos empos
imemo iais da época helenís ica, em que o ecolhe e o gua da dos objec os se p endia
com a p ese ação de documen os que es emunha am o sabe e a cul u a, ou do,
igualmen e, ancião hesau us, em que a sac alização do espaço dá início à cons i uição
de colecções. A Re olução F ancesa eio ab i as po as dos museus, ace aos no os
di ei os de cidadania e aspi ação de igualdade. Com ela eio uma ou a e olução que
acaba ia po con e e os museus naquilo que hoje são e que Ca los Guima ães (2004:
42) conside a e dadei os ―supe me cados de cul u a‖, p o ocados pela democ a ização
das massas e pela abe u a de ho izon es e ambições.
Os museus cul i ados pelas eli es, que neles exe ciam o dile an ismo cul u al,
o am sendo subs i uídos po museus poli izados, ace ao acesso à cul u a e à de esa dos
bens cul u ais, como pa imónio de oda a comunidade. Que, po p incípio, ab em
po as a odos, embo a, na ealidade, con inuem echados pa a alguns. A busca de uma
no a linguagem com que se exp essa e de uma no a dinâmica na pa icipação
sociocul u al é p econizada pela no a museologia, o que p essupõe uma no a ipologia
de museu (Fe nández, 1999: 8). É, cada ez mais, da esponsabilidade dos museus
acolhe os seus isi an es, independen emen e das suas necessidades. No en an o, as
campanhas publici á ias pa a a ai público não são e icien es se esse público não se
sen i in eg ado e com as suas necessidades sa is ei as.
À unção de sal agua da pa imonial associa am-se ou as unções, ais como a
educa i a e a social, às quais se impuse am c escen es desa ios ace à o ganização,
a i ude e comunicação. Também o c escen e núme o de museus p o ocou uma al e ação
nos discu sos. A busca de isibilidade, o es abelecimen o de pa ce ias, a p ocu a de
mecena o e a p eocupação po uma ―no a‖ ges ão, ca ac e izam o museu i ado pa a o
ex e io e o nascimen o de uma en idade comunica i a e in e en i a. Es a mudança de
pa adigma, e o ça as compe ências de p og amação, ma ke ing e comunicação que
o nam o museu num pólo a ac i o à sociedade, al como o p óp io Ins i u o dos Museu
e da Conse ação salien a, o museu não em azão de se se não se ab i à comunidade,
se não desen ol e acções di eccionadas pa a di e en es públicos a a és de mediação
que eelabo e a in o mação, o nando-a acessí el mesmo na o ma de ac i idade lúdicas
e o icinais.
Nas úl imas décadas os museus êm so ido inúme as al e ações o que se em
e lec ido num inc emen o de popula idade que lhes incu e de e minados papéis na
309
sociedade ac ual. A p eocupação com os públicos o nou-se num dos pila es da missão e
a necessidade do ala gamen o des es em núme o e di e si icação a i ma-se uma
ealidade eme gen e. É p ecisamen e com o acolhe da e en e social que o museu
ecebe uma no a missão. Sem enuncia às ca ac e ís icas de p ese ação do
pa imónio, de e omen a inicia i as cul u ais inclusi as, impulsiona a di e enciação e
a inse ção de no os públicos que, a as ados du an e décadas, azem ale os seus
di ei os de pa icipação na ida cul u al da sociedade ac ual. Pa a que essa inclusão se
ma e ialize é necessá io equipa isicamen e os museus pa a ecebe os ―no os‖
isi an es e p epa a as suas equipas pa a um acolhimen o e seguimen o adequado. É,
igualmen e, necessá io ansmi i a in o mação, com o o ma o adequado, cump i
no mas, disponibiliza con eúdos, p epa a ac i idades… em suma, é necessá io
espei a a di e ença e acei á-la! Se a inclusão social signi ica alguma coisa, en ão
signi ica á a p ocu a e emoção de ba ei as
282
e a consciencialização pa a com as
pessoas que es ão a se pos as de pa e há ge ações e p ecisam de uma ajuda adicional,
numa a iedade de o mas, pa a consegui em exe ce os seus di ei os de pa icipação
(Sandell, 2002: 37-38). Cabe aos museus consegui comunica com odos os seus
públicos, de o ma co ec a e assídua.
Pe emp o iamen e, o público adqui e uma impo ância sup ema, desa iando,
inclusi amen e, a sal agua da pa imonial. Tal como expõe Alonzo Fe nández (1999:
15) os museus, independen emen e da sua ipologia, só se podem jus i ica social e
cul u almen e em unção do des ina á io, is o é, do público, e des aca ainda a
impo ância da comunidade na consag ação des as ins i uições como ins umen o de
desen ol imen o cul u al, social e económico. A no a isão museológica p eocupa-se
com os públicos e planeia a sua p ojecção social, en ol e-se em iloso ias democ á icas,
p e enindo-se con a o esc u ínio do público e desen ol e es a égias de ma ke ing, de
o ma a al e a as endências, em p ol das necessidades das di e sas audiências, cada
ez mais exigen es e conscien es dos seus di ei os enquan o público cul u al.
Ci ando Rod igues (2003: 17) ―as di e enças assumi am-se como agência e
deixa am de acei a passi amen e os discu sos sob e elas (…) es e discu so (da
di e ença e não sob e a di e ença) não é uni icá el numa na a i a coe en e, em que
odos os ou os se pudessem econhece e e a i mados como unidade. O que
282
Po ba ei as en endam-se odos os ac o es de exclusão social que acen uam p econcei os e c iam
condições p opícias a p á icas disc imina ó ias, p ejudicando as pessoas com de iciência ou incapacidade,
dando-lhes, assim, o di ei o ao acesso e à pa icipação aos mais a iados meios e con eúdos exis en es na
sociedade po uguesa.
310
ca ac e iza as di e enças e as suas elações é p ecisamen e a he e ogeneidade‖. Com a
consciencialização des e no o modelo cul u al, o público passa de espec ado passi o
pa a ac o in e en i o e o apa ecimen o des e público cul u al (des)es u u a o museu
na sua o ma p é-concebida pa a o p ojec a num u u o mais ab angen e, mul i ace ado
e di e si icado. A sociedade enca a cada ez mais o u ismo e o laze como o mas de
e asão sócio-cul u al, é undamen al que a uga à ida quo idiana pe mi a o con í io, a
cul u a e a descobe a. Jus amen e po isso, a acessibilidade assume um papel p imo dial
e, com al ascensão, não pode disc imina de e minados sec o es ou g upos sociais
(SNRIPD, 2007: 8-9). O cidadão do Século XXI i e e abso e a e a ecnológica que
desa ia odos os concei os de comunicação e di ulgação de in o mação conhecidos a é
en ão e, des a o ma, es e cidadão omou consciência dos seus di ei os e deixou de
pe mi i que es es con inuem a se negados po ausência das condições mínimas de
acessibilidade.
Enquad amen o do concei o de “De iciência”
A concepção do signi icado do e mo ‖de iciência‖ oi c iada no século XVIII,
endo os mesmos pa âme os sido man idos a é à década de 60 do século XX, al u a em
que se epensou a o ganização social, sob o pon o de is a da ma ginalização e da
op essão que le am à subal e nização das pessoas com de iciência. A al e ação de
alo es, oco idos no pe íodo que ai desde 1960 a 1980, de eu-se, sob e udo, aos
mo imen os es udan is em p ol dos di ei os humanos, que ees u u a am os alo es e as
p á icas, bem como, a noção de cidadania como p incípio de igualdade.
A Classi icação In e nacional da Funcionalidade e Incapacidade p o agoniza um
no o sis ema de classi icação mul idimensional e in e ac i o que não classi ica a pessoa
nem es abelece ca ego ias diagnos icadas, passando a in e p e a as suas ca ac e ís icas,
nomeadamen e as es u u as e unções do co po, incluindo as unções psicológicas e a
in e acção pessoa / meio ambien e (ac i idades e pa icipação), o que ai pe mi i
desc e e o es a u o uncional da pessoa. Es a no a abo dagem implica, em e mos de
polí ica, que se p i ilegiem as acções e in e enções di eccionadas pa a a p omoção de
meios acessí eis e ge ado es de compe ências, de a i udes sociais e de polí icas
posi i as, que conduzam a opo unidades de pa icipação e a in e p e ações posi i as
pessoa / meio, a as ando-se, assim, da pe spec i a es i amen e eabili a i a e de
a amen o da pessoa.
311
A p omoção do alo da pessoa e da ga an ia dos di ei os humanos de odos os
cidadãos con ibuiu pa a que p o undas mudanças se enham p ocessado nas úl imas
décadas. O modelo explica i o do enómeno da de iciência, al como indicado no I
Plano de Acção pa a a In eg ação das Pessoas com De iciência ou Incapacidade
283
,
assen a em dois modelos: o médico e o social. O p imei o ―es á na base de uma
cons ução social de uma imagem que ende a des alo iza a pessoas com de iciência‖.
O segundo, o modelo social, ―assen a no econhecimen o de que a incapacidade
não é ine en e à pessoa, conside ando-a com um conjun o complexo de condições,
mui as das quais c iadas pelo ambien e social (…) nes a pe spec i a, es á bem pa en e a
alo ização da esponsabilidade colec i a no espei o pelos di ei os humanos, na
cons ução de uma sociedade pa a odos e no ques ionamen o de modelos
es igma izan es ou pouco p omo o es da inclusão social‖.
Feliciano (2006: 60) chama a a enção pa a uma ou a e dade: ―ao con á io do
que se pensa as pessoas com de iciência ep esen am uma pe cen agem exp essi a da
população eu opeia e, con o me é e idenciado po alguns es udos ealizados nou os
países, uma a ia do consumo de se iços u ís icos. Ao mesmo empo, é econhecido
que o po encial de c escimen o des e segmen o de consumido es é ele ado na jus a
medida em que a acessibilidade a es es bens e se iços es á ainda o emen e
condicionada po ba ei as ísicas e sociais. Remo e essas ba ei as a igu a-se, pois,
como a uma impo an e opo unidade pa a in ensi ica a ep esen a i idade des e
me cado‖. Segundo dados do ENAT – Eu opean Ne wo k o Accessible Tou ism,
exis em ce ca de 130 milhões de pessoas na União Eu opeia com necessidades
especiais. O en elhecimen o demog á ico da população e a co elação en e idosos e
de icien es o nam a acessibilidade uma necessidade pa a o sec o u ís ico. Em
con as e com as posições ac uais, den o de alguns anos, a maio pa e dos p o issionais
de u ismo encon a ão an agens sociais apoiadas na sus en abilidade económica, desde
que sejam bem-sucedidos na p omoção da inclusão. Pa a além dos bene ícios
económicos que acilmen e a aem es es sec o es, emos o su gimen o de uma no a
legislação a ní el nacional e Eu opeu que começa a impo o cump imen o de ce as
ob igações que deixa ão de se a ―excepção‖ pa a se a i ma em como a ― eg a‖. É
283
O I Plano de Acção pa a a In eg ação da Pessoa com De iciência ou Incapacidade, 2006-2009 é
compos o po dois capí ulos, o p imei o es á di idido em ês eixos de in e enção, o p imei o eixo,
Acessibilidade e In o mação, des aca es a égias pa a a cons ução de uma ―Sociedade pa a Todos‖, as
polí icas e as acções ela i as à Acessibilidade, à Comunicação, à Cul u a, ao Despo o, ao Laze e à
Sensibilização / In o mação que con ibuem pa a a inclusão social e a i mação des e g upo de cidadãos
como pessoas de pleno di ei o.
318
quando eco e aos indi íduos como on e de in o mação, é sabe que em ais condições
as espos as são a ec adas po um ce o núme o de en iesamen os, pelo menos
po enciais, deco en es da consciência que os sujei os êm de que es ão a se obse ados
ou es ados‖. No sen ido de con o na esse p oblema, es abeleceu-se um plano de
en e is a in o mal pós-expe imen al, median e a qual os sujei os alam sob e a sua
expe iência.
A in es igação apoiou-se na aplicação de di e en es mé odos: mé odo
expe imen al, educionis a e de pesquisa no e eno. De aco do com o mé odo
expe imen al, ―o objec o de in es igação cien í ica é não só descob i e desc e e
acon ecimen os e enómenos, mas ambém explica e comp eende po que eles
oco em‖ (San os Sil a, 2007: 215). A aplicação do mé odo educionis a pe mi iu a
comp eensão das eacções indi iduais em unção das in e acções en e elemen os. Foi,
igualmen e, u ilizado o mé odo de pesquisa no e eno, a a és da obse ação di ec a.
Os Museus assim como as Ins i uições Pa icula es de Solida iedade Social e ela am-
se impo an es on es de ecolha de in o mação. O abalho de campo e ec uado o nou
possí el a análise dos compo amen os in loco e a pesquisa pe mi iu a obse ação no
local dos compo amen os adop ados de o ma indi idual.
Recolha de expe iências museológicas: a ap eensão de acon ecimen os sócio-
cul u ais
Tendo em con a a ealidade complexa e di e si icada da acessibilidade
museológica que ai sendo p econizada, de aco do com abo dagens p óp ias ou
ins i ucionais, conside ou-se o enómeno social e cada indi íduo como p odu o de
conhecimen o e signi icado. P ocedeu-se à ecolha de in o mação numa pequena
amos agem, limi ado a, é ce o, mas ep esen a i a do g upo que se p e ende analisa .
No en an o, não se p e endeu com es a in es igação a ibui alo es es a ís icos,
uncionando es es como complemen os me odológicos. Salien a-se, ainda, que a
inalidade oi explo a uma emá ica e não o desen ol imen o de uma sondagem
ep esen a i a.
Es e ipo de in es igação, designada po E ickson (1986, p.119-161) como sendo
in e p e a i a, aduz-se numa me odologia que a ibui signi icados às acções
desempenhadas pelos sujei os, cujo p ocesso de in e p e ação adqui e uma impo ância
p imo dial na ealidade. Com es a abo dagem, p e ende-se comp eende di e en es
319
ní eis de o ganizações sociais, conside ando os di e sos signi icados que os
acon ecimen os pode ão adqui i .
Es udando-se ealidades humanas e p á icas sociais (e as p óp ias in e p e ações
dos ac o es sociais que nelas in e êm), o mulam-se cons uções de conhecimen os a
pa i de sabe es do senso comum, ela i os a odos os campos da e ol en e humana.
Fo am, p ecisamen e, as di e enças de signi icados que se p e endeu ap eende .
Tendo em con a a homogeneidade do g upo p o issional es udado na
in es igação, eco eu-se à pesquisa explo a ó ia, cujo objec i o oi a o mulação de
p oblemas eais conc e os e à pesquisa desc i i a pa a se decompo em de e minadas
ca ac e ís icas, opiniões e elações. Pa a a conc e ização das in enções da in es igação,
aplicou-se a écnica da en e is a, que se p e endia in o mal e explo a ó ia, omando em
conside ação as limi ações e pe igos associados a es a écnica. Ainda assim, a
possibilidade de ecolhe dados a a és da exp essão co po al, do om e ên ase impos os
nas espos as e, sob e udo, na lexibilidade de encadea os assun os e de os ap o unda ,
demons ou se a melho base pa a a ecolha das in o mações p e endidas. Concedeu-se
libe dade e abe u a ao en e is ado de o ma a, não só, p es a as decla ações inqui idas
mas, e sob e udo, exp essa os seus sen imen os em elação ao ema, eco endo a
mani es ações de eceios e dú idas. P omo eu-se, ambém, o ecu so à memó ia e a
na a i as de expe iências em que o en e is ado c ia o seu p óp io discu so.
Não se p e endeu ecolhe apenas ―expe iências p o issionais‖ mas ap eende
acon ecimen os sociais, in e p e ando os seus impac os sob e os ac o es. A a és de
ela os i enciais e lec idos em p á icas sociais e cul u ais, os p o issionais de museus
mani es a am as suas expec a i as, us ações e eceios ace a uma p oblemá ica eal e
c escen e que se assume, cada ez mais, den o dos espaços cul u ais e espec i as
en ol ências. O campo de acção oi limi ado ao campo geog á ico dos museus da
cidade do Po o, a iando en e o ipo de colecções, u ela e es a u os ju ídicos, dos
quais se p i ilegiou o Se iço Educa i o
290
, endo em con a a p oximidade com o
objec o de es udo.
Dadas as condições de p oximidade que a o eciam o desen ol imen o da
in es igação, cons i ui-se como amos a qua o museus, ha endo sido incluído mais um,
290
De o ma a pe mi i a in es igação p opos a, o se iço de educação p essupunha-se como possuido de
um, ou mais, p o issionais, do ados de ecu sos mínimos pa a o desen ol imen o de acções di igidas ao
público.
320
dado o en ol imen o da in es igado a nas acções educa i as aí desen ol idas,
des inadas a pessoas com de iciência
291
.
Fo am seleccionadas as seguin es ins i uições:
Nome
Es a u o
Ju ídico
Tu ela
Colecção
Museu da Casa do In an e
Público
Câma a Municipal do Po o
A queologia
Museu Nacional Soa es dos
Reis
Público
Ins i u o Po uguês de Museus
A es
deco a i as
Museu do Papel Moeda
P i ado
Fundação D . An ónio Cupe ino de
Mi anda
Especializada
Museu Român ico da Quin a
da Maciei inha
Público
Câma a Municipal do Po o
His ó ia
Museu dos T anspo es e
Comunicações
P i ado
Associação pa a o Museu dos
T anspo es e Comunicações
Especializada
Tabela 5 – Iden i icação e classi icação da amos a
Com uma en e is a semi-di ec i a, em que o en e is ado se pode ap op ia da
mesma, deixando-se le a pela emoção e pelo desejo de pa ilha de expe iências,
eco eu-se a um guião pa a man e a na a i a cen ada na emá ica, sem que es e
deixasse esgo a a en e is a. As linhas o ien ado as cons i u i as do guião i ma am-se
sob pa âme os c uzado es do se iço de educação com a p óp ia ins i uição e seus
isi an es, no âmbi o de e e encia o concei o de acessibilidade e inclusão; indica as
ipologias de públicos e ac i idades do SE desen ol idas com públicos com de iciência;
pa ce ias e p o ocolos com associações e ins i uições de apoio à de iciência; ecu sos;
acções de o mação; a aliação do espaço; in e acção en e os isi an es com de iciência,
a colecção, a equipa e o espaço do museu; expe iências; aspec os posi i os e nega i os e
expec a i as.
Es e le an amen o e e como objec i o expo a o ma e os mé odos de abalho
p a icados pelos Se iços de Educação, ace a públicos com de iciência, sem, no
291
Cons i uída a me odologia a aplica , delimi ada a amos a e es abelecidos os ópicos pa a o guião,
inicia am-se as solici ações pa a en e is a. As en e is as o am ealizadas nos locais de abalho dos
en e is ados, eco endo-se a um g a ado digi al pa a egis o dos dados, após p é ia in o mação e
au o ização po pa e dos sujei os. Pediu-se, igualmen e, au o ização pa a o og a a os espaços. Após a
execução das mesmas, oi ei a a sua ansc ição, egis ando li e al e ielmen e o seu con eúdo. Toda ia,
elimina am-se algumas in e jeições e epe ições, de o ma a pe mi i uma melho uição da lei u a e
acili ação da in e p e ação. A eliminação de e os de cons ução g ama ical e ásica oi p a icamen e
inexis en e, e i icando-se, apenas, em algumas si uações pon uais.
321
en an o, c ia expec a i as ela i amen e às espos as ob idas, dado as mesmas e em
apenas con i mado a ealidade. Que ac i idades se ealizam? Com que ecu sos? Com
que apoios? Que di iculdades sen em? Que papéis assumem? Numa p imei a lei u a,
cons a ou-se que a c escen e in e enção dos chamados no os públicos, se encon a a
despe a as a enções dos p o issionais de museus. Apesa de a g ande maio ia não
p og ama especi icamen e pa a es es públicos, adap a, sem g ande es o ço, as
ac i idades ealizadas, o que deno a p eocupação na in eg ação e no a amen o não
di e enciado.
Os ecu sos não são abundan es e a concepção de p og amas, a di ulgação, a
explo ação da colecção em p ol de uma posição mais educa i a a ibui, cada ez mais,
uma poli alência a odos os que ab açam a museologia, e que se êm ob igados a se i
á ias á eas de ido à al a de a ec ação de o çamen os inancei os. Concluiu-se,
igualmen e, que o público escola con inua a lide a as isi as o ien adas. Po ém, mui as
associações de apoio a pessoas com de iciência e cen os de eabili ação a ançam
au onomamen e como pa icipan es e consumido es cul u ais. Da mesma o ma, os
museus oma am consciência da ampli ude dos seus se iços e es ão a en os às ques ões
de acessibilidade, azendo uso de odos os ins pa a alcança a inclusão. Já não se
p e ende, apenas, que o público á ao museu, p e ende-se que ele ol e.
Conclusões
As comunidades nacionais encon am-se globalizadas, não se jus i ica a
acei ação de no os ―po os‖ sem a acei ação da di e sidade, seja ela a ní el social,
cul u al, e nog á ico ou geog á ico. Con udo, con inua a exis i o p econcei o. As
pessoas são ca alogadas segundo os an igos p incípios da Re olução Indus ial: quem
não em o al capacidade ísica, não é conside ado ―ap o‖ a in e agi ac i amen e na
sociedade, seja essa incapacidade po mo i os de idade a ançada ou po qualque
de iciência limi a i a. Os museus de em ac ua como espaços de uição, conhecimen o,
au oconhecimen o e a i mação de iden idade sociocul u al de odos os seus
equen ado es; de em p opo ciona não apenas acessibilidade ísica e senso ial mas
ambém pe mi i a con i ência e a comp eensão das di e sidades exis en es nos
indi íduos, seus limi es e po encialidades – que podem e de em se ambém explo ados
nes as ins i uições, esul ando em melho ia da qualidade de ida e alo ização do se
humano. Os museus êm, assim, uma impo an e unção social a pa do seu papel na
p ese ação do pa imónio e iden idade his ó ico-cul u al.
322
Desde 1951 que o museu em indo a se ques ionado e em indo a de ini o seu
econhecimen o pe an e a sociedade, seguindo semp e pa âme os de abe u a que
modela am no as o mas de ac uação. O seu es o ço em acompanha as endências
sociais, não pode deixa de se econhecido mas o museu en en a no os desa ios que se
ele am pa a além da conse ação e exposição e que se c uzam com a cap ação de
públicos. Mui o empo sepa a os Gabine es de Cu iosidades do ago a complexo e
massi icado museu con empo âneo, que ê a sua sob e i ência ligada ao
desen ol imen o de écnicas de ―sedução‖, nos p ocessos de comunicação e di ulgação.
As ca ac e izações do museu des e século quali icam-no como um espaço de
ep esen ação pa a um público cada ez mais he e ogéneo e exigen e. Não bas a, pa a a
sua sob e i ência, a acumulação de his ó ia e de empo, em de se ac i o na busca e
sa is ação de necessidades que se p endem, igualmen e, com as das pessoas com
de iciência que não pode ão se esquecidas no planeamen o dos p og amas
museológicos ac uais.
Em con apon o com a as a expe iência de sucesso que os museus eu opeus,
como o Museu do Lou e, Ci é dès Sciences e de l‘indus ie, Ta e Mode n, e c.,
o e ecem, os museus po ugueses con inuam a adop a a i udes mais simplis as, sem
a aliação que quan i ique bene ícios e esul ados eais ob idos após as expe iências que
no malmen e não são eplicadas, o nando-se expe iências isoladas que icam apenas
pela inicia i a sem a implemen ação de con inuidade do abalho que omen a ia a
ap oximação das pessoas com necessidades especiais dos museus.
Há um con a censo no discu so o icial dos museus que conside am o pa imónio
como sendo de odos, se assim é, odos, sem excepção, de e iam e acesso a ele. Ainda
que exis am en a i as de ins ala boas p á icas, há uma g ande incong uência, já que
não exis e uma es a égia o e e de comp omisso po pa e dos museus que apenas
ecebem g upos com necessidades especiais pon ualmen e, o que não o na o museu
acessí el e inclusi o. Uma polí ica de inclusão cul u al de e incidi em ês aspec os:
es a égia, acção com mé odo e con inuidade de boas p á icas. Po esses pon os passa
ainda a o mação con ínua de uncioná ios e o en ol imen o da di ecção na
conc e ização de um plano es a égico que de ina acções e objec i os. Não e á mui a
u ilidade inicia um p ojec o sem o ma u a e conclui , bem como, sem o eplica em
caso de sucesso. T abalha a acessibilidade adqui indo boas p á icas de pedagogia se á
an ajoso não só pa a o público com incapacidade e necessidades especiais mas,
323
ambém, pa a o público em ge al, sendo ideal que es es públicos coexis am nos mesmos
espaços.
As a i udes da sociedade pe an e as necessidades especiais baseiam-se em
ac o es de in e io idade e ma ginalização da di e ença, o que se aduz cla amen e em
disc iminação de cidadãos que êm di ei os consag ados na lei. Po an o, não se a a
apenas de uma ques ão ins i ucional sendo necessá ia uma abo dagem go e namen al no
sen ido de inclui ealmen e as pessoas com necessidades especiais nas agendas. É,
igualmen e, necessá ia a mobilização das ins i uições museológicas no seu odo,
go e namen ais e não go e namen ais e em conjun o es abelece em-se es a égias pa a
acções conjun as. Ao abalha em isoladamen e di icilmen e chega ão ao sucesso de
inclusão do público com incapacidade. Es e público, al como odos os ou os, em de
se seduzido e idelizado a a és da implemen ação de es a égias que o en ol a. Os
isi an es que em mais espei o e menos ba ei as ao acesso, melho es o mas de
comunicação e uncioná ios bem p epa ados.
Ou a ques ão p ende-se com a sinalé ica. Em Po ugal u iliza-se uma
designação demasiado simplis a na quali icação dos espaços cul u ais, pelo que se ia
an ajoso, segui o caso ancês do Tou ism & Handicap, que a ibuiu pic og amas
di e en es consoan e as á ias de iciências e a acessibilidade pa a com as mesmas. A
in o mação dá libe dade e au onomia a quem a possui. Pa a o na as in o mações
disponí eis acessí eis é p eciso assumi -se um comp omisso con ínuo. Algumas
melho ias são mui o áceis de p o idencia e podem se p on amen e in oduzidas,
ou as podem exigi mais ecu sos e planeamen o.
A solução passa ia ambém pela c iação e disponibilização de um o çamen o
pa a a melho ia de acessibilidade, aplicado em o mação con ínua e p og amação
pe iódica. Países como Espanha, F ança, Ingla e a, Es ados Unidos da Amé ica e
Aus ália êm polí icas de acessibilidade cul u al que enco ajam museus a desen ol e
p og amas e acções inclusi as, en e essas polí icas encon a-se a ans e ência de
undos e subsídios pa a que os museus, cen os cul u ais, monumen os e ou os
equipamen os cul u ais possam implemen a ecu sos especí icos na inclusão de pessoas
com incapacidades. Apesa da ausência de subsídios des e géne o em Po ugal, há
ins i uições que já começa am a desen ol e os seus p óp ios p og amas de inclusão,
en ando ul apassa as á ias si uações ad e sas da á ea cul u al.
A necessidade de al e ação de alo es p ees abelecidos é enunciada po Gilles
G andjean (Founda ion, 1991:101) que eme e pa a a máxima do ―NÃO TOCAR‖ ípica
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