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Hospital da Irmandade dos Clérigos do Porto (1754-1924). A memória dos doentes e profissionais de saúde

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Hospital da Irmandade dos Clérigos do Porto (1754-1924). A memória dos doentes e profissionais de saúde

Author: António Miguel da Silva Santos
Year: 2016
DOI: 10.34626/rhkc-nd67
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/82416/2/38004.pdf
An ónio Miguel da Sil a San os
Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o (1754-1924).
A memó ia dos doen es e p o issionais de saúde
Disse ação ealizada no âmbi o do Mes ado em His ó ia e Pa imónio, Ramo A: Es udos
Locais e Regionais – Cons ução de Memó ias, o ien ada pela
P o esso a Dou o a Helena Osswald
Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
Se emb o de 2015
Tí ulo da disse ação
An ónio Miguel da Sil a San os
Disse ação ealizada no âmbi o do Mes ado em His ó ia e Pa imónio Ramo A: Es udos
Locais e Regionais – Cons ução de Memó ias o ien ada pela
P o esso a Dou o a Helena Osswald
Memb os do Jú i
P o esso a Dou o a Inês Amo im
Faculdade de Le as - Uni e sidade do Po o
P o esso a Dou o a Ma ia Ma a Lobo de Aa újo
Ins i u o de Ciências Sociais – Uni e sidade do Minho
P o esso a Dou o a Ma ia Helena Ca doso Osswald
Faculdade de Le as - Uni e sidade do Po o
Classi icação ob ida: 18 alo es
Dedica ó ia ( acul a i o)

6
Sumá io
Ag adecimen os……………………………………………………………………....… 7
Resumo…………………………………………………………………………………. 8
Abs ac ………………………………………………….……………………………… 9
Índice de abelas .......................................................................................................................... 12
Lis a de ab e ia u as e siglas ....................................................................................................... 13
In odução ................................................................................................................................... 14
Capí ulo 1 – Dimensões do es udo .............................................................................................. 16
1.1. Obje o ............................................................................................................................... 16
1.2. Obje i os e hipó ese de abalho ...................................................................................... 17
1.3. As on es e o seu po encial ............................................................................................... 18
Capí ulo 2 – I mandade dos Clé igos do Po o: unções no âmbi o da cu a. .............................. 21
2.1. Fo mação da I mandade dos Clé igos do Po o ............................................................... 21
2.2. Noção de Doen e .............................................................................................................. 23
2.3. Os Clé igos e a p á ica da Medicina ................................................................................. 24
2.4. Cu a do co po e sus Cu a da Alma ................................................................................ 27
2.5. Pob eza ............................................................................................................................. 29
2.6. Hospi ais exis en es na cidade do Po o ........................................................................... 31
Capí ulo 3 – Hospi al da I mandade dos Clé igos ....................................................................... 34
3.1. Reque imen o pa a se admi ido no Hospi al ................................................................... 36
3.2. Pedido de Nicolau Nasoni pa a ecebe assis ência da I mandade. .................................. 40
3.3. En e mei o-Mo , Ajudan e de En e mei o e Médico ....................................................... 42
3.4. Recu sos pa a inanciamen o da a i idade hospi ala ...................................................... 46
Capí ulo 4 – Hospi al da I mandade dos Clé igos após 1828 ..................................................... 48
4.1. En e mo F ancisco Mo ei a Ca alho em 1843 ............................................................... 50
4.2. Médico Manoel Joaquim dos San os ................................................................................ 53
4.3. Médico Luís An ónio Pe ei a da Sil a ............................................................................. 56
4.4. Médico-Ci u gião An ónio José de Sousa ........................................................................ 59
4.5. Médico Ay es Bo ges ....................................................................................................... 63
4.6. Médicos com pagamen o de jóia ...................................................................................... 64
4.7. Ob as de eno ação no Hospi al em 1856 ........................................................................ 66
7
4.8. Hospi al e assis ência nos no os Es a u os de 1871 ......................................................... 68
4.9. Hospi al como ins umen o iscal ..................................................................................... 71
4.10. Fase inal da exis ência do Hospi al dos Clé igos .......................................................... 71
Conclusão (ou Conside ações inais) .......................................................................................... 75
Re e ências bibliog á icas ........................................................................................................... 77
5.1. Fon es a qui ís icas .......................................................................................................... 77
5.2. Bibliog a ia ...................................................................................................................... 79
Anexos......................................................................................................................................... 84
Anexo 1 Assis ência Domiciliá ia ao I mão Nicolau Nasoni .................................................. 85
Anexo 2 Lis a de odos os En e mei os-Mo e Médicos en e 1802 e 1871 ........................... 90
Anexo 3 Lis a de o denados de Ajudan es de En e mei o en e 1792 e 1816 de aco do com os
Recibos En e ma ia. ................................................................................................................ 93
Anexo 4 Salá ios dos Ajudan es En e mei o que es a am nou os Recibos ........................... 97
Anexo 5 Re e ência ao Hospi al em 1837 ............................................................................... 99
Anexo 6 I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho. Súplica de 1841 ........................................ 100
Anexo 7 Pedido de Admissão no Hospi al 1843 ................................................................... 101
Anexo 8 O ícios pelo I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho. .............................................. 103
Anexo 9 O ícios Religiosos pelo Médico Manoel Joaquim dos San os. ............................... 104
Anexo 10 Re a o do Dou o Luís An ónio Pe ei a da Sil a ................................................. 105
Anexo 11 Pedido o mal de Admissão do Médico An ónio José de Sousa. ......................... 106
Anexo 12 Admissão do Dou o José F u uoso Ai es de Gou eia Osó io como I mão da
I mandade dos Clé igos do Po o. ......................................................................................... 108
Anexo 13 Pagamen o da Jóia de Admissão pelo Dou o José F u uoso Ai es de Gou eia
Osó io. ................................................................................................................................... 109
Anexo 14 Re a o do Dou o José F u uoso Gou eia de Osó io ........................................... 110
Anexo 15 Pagamen o de jóia e esmola pa a se admi ido como I mão. Em 1771 pelo Médico
na u al do B asil. ................................................................................................................... 111
Anexo 16 Recibos das ob as de bene iciação do Hospi al em 1856. .................................... 112
Anexo 17 Con i mação do mon an e o al das ob as de 1856 ............................................... 116
Anexo 18 O ício emi ido pela I mandade dos Clé igos do Po o a a gumen a a con inuação
da isenção do pagamen o da décima de ju o. ........................................................................ 117
8
Ag adecimen os
A minha Mãe Ana Ma ia Lopes da Sil a San os e ao meu Pai An ónio Manuel Pinho San os
Bap is a. Possuo uma eno me dí ida de g a idão não só pelo apoio pa a a elabo ação da
Disse ação de Mes ado, mas ambém po odo o apoio ao longo da minha ida. Es e é ce amen e
um momen o impo an e pa a ambos, po que no seu empo, apesa de possuí em mui as
capacidades, a ida não lhes pe mi iu que p osseguissem os es udos académicos como gos a iam.
Po esse mo i o, es a Disse ação possui um signi icado mui o ele an e.
As minhas A ós Ana Celes e da Sil a Lopes e Deolinda Pinho dos San os a í ulo pós umo.
Acompanha am o meu pe cu so académico du an e o p imei o ano do Mes ado e e iam mui o
gos o em le es a ob a. Conside o que i iam sen i mui o o gulho po es e momen o. Apesa de
não pode em es a aqui p esen es nes a al u a ão signi ica i a, es ou-lhes p o undamen e g a o
po odo o seu a e o, ca inho, e nu a que me o e ece am ao longo de oda a sua ida.
A minha Tia I ene Bap is a. Aos meus amilia es Vi o San os, Fá ima Ma ques, ao meu
a ilhado Ra ael, a Sa a, ao San iago e a Ma a San os.
Ag adeço a Dou o a Rosa Viana uma mulhe in eligen íssima que me o e eceu um
inexcedí el apoio. É uma pessoa mui o gene osa e humilde e é a p o a de que a g andeza de uma
pessoa eside na sua humildade.
Ag adeço a Dou o a Ana Celes e Mesqui a. Rep esen a o que de melho exis e em
Medicina e é a p o a de que a Medicina Po uguesa em e e á semp e excelen es ep esen an es.
Adicionalmen e, é uma pessoa do ada de ele adas qualidades humanas. Ag adeço-lhe a sua
p eciosa ajuda, as suas pala as, o apoio que me o e eceu du an e o in e no mais igo oso da
minha exis ência. É a demons ação de que uma amizade pode se inesquecí el e insubs i uí el.
Pa a a P o esso a Dou o a Helena Osswald, o ien ado a des a disse ação, pela sua eno me
sapiência, al uísmo e gene osidade ao longo do meu pe cu so académico.
Pa a a P o esso a Dou o a Inês Amo im pelos seus conselhos e apoio.
Ag adeço a Ma ia Luísa, ao Hen ique Coelho, a Joana Seymou , ao Manuel Mou inho, a
Luzia Teixei a, ao Ca los Ranginha, a Joana Deusdado, a Raquel Ma ques.
9
Resumo
Es e abalho p e endeu es uda como a I mandade dos Clé igos se in e essou pela unção
assis encial, designadamen e a a és do espe i o Hospi al da I mandade dos Clé igos, e de que
o ma esse Hospi al se man e e em uncionamen o e cong egou p o issionais de Saúde da época.
Pala as-cha e:
Hospi al dos Clé igos
Po o
Médicos
Doen es
16
Capí ulo 1 – Dimensões do es udo
Nes e capí ulo en a ei explica o mo i o pelo qual escolhi o Hospi al da I mandade dos
Clé igos do Po o como obje o de es udo des a Disse ação.
1.1. Obje o
O obje o de es udo des a Disse ação se á o Hospi al da I mandade dos Clé igos. Ao
ealiza uma Disse ação de Mes ado p e endi que se desen ol esse sob e um obje o que
e en ualmen e i esse sido pouco es udado a é ao momen o na cidade do Po o. Ao analisa os
possí eis obje os de es udo e i iquei que exis iam escassos abalhos ealizados sob e o Hospi al
da I mandade dos Clé igos do Po o. Vá ios au o es êm desen ol ido abalhos sob e di e en es
ace as da I mandade dos Clé igos, cen ando em á ias ocasiões o seu obje o de es udo no
A qui e o Nicolau Nasoni, na To e dos Clé igos ou na beleza a qui e ónica do conjun o da Ig eja
e To e dos Clé igos. Designadamen e, incluído nas comemo ações dos 250 anos da To e dos
Clé igos, deco eu um Ciclo de Con e ências
5
com dis in os o ado es o iundos de di e sas á eas
de a i idade que abo da am es as emá icas. Con udo, en e os á ios aspe os analisados, não se
abo dou o Hospi al da I mandade dos Clé igos. De e se salien ado, que o Hospi al dos Clé igos,
jun amen e com a Ig eja e a To e dos Clé igos, cons i uem um edi icado no á el que alcançou a
sua consag ação mundial a a és da in eg ação na Lis a de Bens e Sí ios classi icados pela Unesco
com a designação de Pa imónio Mundial da Humanidade, a ibuição essa concedida no dia 5 de
dezemb o de 1996. Con udo, escassas pe sonalidades salien am que o Hospi al dos Clé igos do
Po o ecebeu igualmen e essa dis inção, con e indo uma maio ele ância pa a a Ig eja e a icónica
To e dos Clé igos que em a cidade do Po o a seus pés. Adicionalmen e, de e se ido em
conside ação, que es e Hospi al oi edi icado num local que não possuía como único p opósi o
e igi uma unidade hospi ala . Es a unidade hospi ala oi concebida e localizada no in e io de
um espaço onde e am exe cidas múl iplas alências p edominan emen e eligiosas.
Po es e conjun o de mo i os, es e abalho p e ende se um pequeno con ibu o
his o iog á ico pa a esse es udo. Cons i ui, no undo, os passos iniciais de um caminho onde ainda
exis e um as o campo in es igação de base a ealiza .
5
Foi um ciclo de con e ências de dez sessões que deco eu no in e io das Ins alações da Rei o ia da Uni e sidade do
Po o, em que cada sessão inicia a às 18H00, ha endo po ezes a possibilidade pa a o público p esen e de i isi a a
Ig eja dos Clé igos se assim o p e endesse.

17
1.2. Obje i os e hipó ese de abalho
O obje i o inicial se ia ealiza uma análise económico- inancei a ab angen e que pudesse
con ibui pa a pe cebe quais se iam as possí eis on es de ecei a que pe mi i iam sus en a o
uncionamen o da ins i uição hospi ala que uma I mandade designada de I mandade do Soco o
dos Clé igos Pob es do Po o c iou pa a in e namen o e a amen o dos I mãos pob es. Tendo em
conside ação de que se a a de uma en idade, que possui na sua designação o e mo de Soco o
dos Clé igos Pob es, e se ealmen e os I mãos e am pob es, de que o ma podiam a ai ecu sos
económicos, an o a ní el in e no da p óp ia I mandade, como a ní el ex e no na sociedade da
época em que es a am inse idos, que pe mi issem inancia , de uma o ma sus en ada, ao longo
do empo, a a i idade assis encial desen ol ida pelo Hospi al. Es es aspe os pe mi i iam
escla ece a azão de se des a ins i uição. O que le a a uma I mandade a c ia um Hospi al
unicamen e dedicado a um sec o social e “p o issional” numa época em que a expe iência
secula , sob e udo das Mise icó dias, aconselha a a pensa nou os pa âme os.
Con udo, ao longo do meu pe cu so de in es igação, cons a ei que es a é uma a e a
mo osa e abalhosa, incompa í el com o pe íodo de empo de um segundo ciclo, e que gos a ia
de i a desen ol e no u u o. O acesso aos undos documen ais de iniu a impossibilidade de
ealização do p oje o inicial. O espólio documen al mos ou se simul aneamen e de uma eno me
iqueza e de g ande ex ensão
6
. É um eposi ó io imenso de in o mação que eque um abalho de
análise p olongado no empo pa a se pode em ob e esul ados. Po esse mo i o, ao longo des e
abalho, os obje i os iniciais o am sendo modi icados. Assim o olha cen ou-se nas unções e
no uncionamen o de p es ação de cuidados da ins i uição. Pa a pode i a explo a de u u o
ou os aspe os, ha ia que escla ece a his ó ia na a i a mais p óxima dos acon ecimen os da ida
da ins i uição, econs i uindo os momen os cha e, inse idos na his ó ia da cidade e do eino. Num
segundo momen o, oi possí el en a desenha o pe il dos que abalha am no hospi al. A
ques ão da de inição de doença e cu a que se iu pa a es abelece os p incípios p ocessuais de
admissão e consequen e a amen o dos doen es oi ou o dos ins a a ingi nes e abalho.
A minha hipó ese de abalho, sem abandona a análise da in o mação de ca iz económico-
inancei o, acabou po salien a a p esença de alguns p o issionais de saúde e/ou doen es que
equen a am o Hospi al da I mandade dos Clé igos.
6
A I mandade dos Clé igos do Po o disponibilizou o icialmen e ao público, em inais de junho de 2015, odo o ace o
a qui ís ico.
18
1.3. As on es e o seu po encial
No que se e e e às on es bibliog á icas conside o que pa a se e um bom en endimen o
sob e o modo como su giu a I mandade dos Clé igos, o seu modo de uncionamen o, oda a sua
o gânica é undamen al consul a a ob a: A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os
pa a a sua His ó ia
7
da au o ia de Be na do de Xa ie Cou inho que se o mou inicialmen e em
Teologia, mas ambém se o mou em His ó ia e oi P o esso da Faculdade de Le as da
Uni e sidade do Po o. É uma ob a mui o bem edigida com inúme as on es que pe mi em ao
lei o sabe onde o au o oi ob e as in o mações pa a esc e e es a monog a ia.
Pos e io men e, como o obje o de es udo é o Hospi al da I mandade dos Clé igos é
undamen al le o P o esso Dou o He nâni Bas os Mon ei o na sua ob a: O igens da Ci u gia
Po uense
8
. Tal como a monog a ia e e ida an e io men e, es a é igualmen e uma ob a mui o
bem edigida em que o au o in o ma de alhadamen e as on es que consul ou pa a a ealiza .
In e essan e de no a , que apesa de se em au o es em épocas mui o p óximas, quando Be na do
de Xa ie Cou inho abo da o Hospi al, em nenhuma ocasião se e e e ao abalho e e uado
an e io men e po He nâni Mon ei o. De oda a bibliog a ia pesquisada em nenhuma se encon am
an os dados sob e o Hospi al quan o nes a, e a pa i da pe spe i a de um clínico.
Gos a ia de salien a , no que espei a ao discu so his o iog á ico, o papel que alguns
médicos i e am enquan o p incipais dinamizado es, di ulgado es, impulsionado es da His ó ia
da Medicina não só na Cidade do Po o, mas de odo o e i ó io nacional. Salien am-se os insignes
Médicos: o P o esso Dou o Maximiano Augus o de Oli ei a Lemos Júnio , o P o esso Dou o
He nâni Bas os Mon ei o e o P o esso Dou o Luís José de Pina Guima ães.
En e os séculos XVIII e XIX o luga da ciência passou a e cada ez mais peso
nas consciências de quem e le ia sob e o de i humano. A medicina pelo seu objec o de
a enção começou a ganha um luga cen al en e as ciências, que se o nou impa á el a é
ao dia de hoje. No passado, o seu p o agonismo inha sido bem meno . Es e no o sen ido
da impo ância das ciências é mui o cla o na seguin e ci ação da au o ia de A. J. de
Oli ei a p o e ida em 1883 nos seus Apon amen os pa a a His ó ia da Medicina em
Po ugal: “A his ó ia d’um po o não es á só nos g andes ei os, nas g andes conquis as,
7
COUTINHO, B. Xa ie – A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia. Po o:
Publicações da Câma a Municipal do Po o. Gabine e de His ó ia da Cidade, 1965. 674 páginas. Documen os e
Memó ias pa a a His ó ia do Po o – XXXVI
8
MONTEIRO, P o . He nâni – O igens da Ci u gia Po uense. Po o: A aújo & Sob inho, 1926.
19
es á ambém no abalho a ís ico e scien i ico, n’esse g ande mo imen o que en ol e
odas as nações na es ada ampla do p og esso à luz b ilhan e da ci ilização. Se um po o
pôde unda e man e a sua nacionalidade alen emen e pelos al os ei os de alo , de e
ambém demons a a sua homogeneidade pelo labo quo idiano no âmbi o da sciencia e
da a e. É assim que e á di ei o à exis ência li e, ainda que acas sejam as suas o ças
ma e iaes e acanhados os seus limi es geog aphicos; é assim que de e a es a a sua
independencia, inculcando não lhe al a em qualidades ca ac e ís icas pa a dignamen e se
ap esen a no con í io dos po os cul os, sem e necessidade de ag ega -se a ou os po os
ou de pedi u ela.”
9
Es a isão sob e o e ei o sal í ico da ciência no de i da humanidade,
c en e no p og esso e ci ilização, ão ípicos dos mo imen os cul u ais do século XIX,
essoa em pa e, se bem que bas an e ma izada, nos abalhos dos au o es acima ci ados.
No que se e e e às on es a qui ís icas, u ilizei essencialmen e o A qui o da
I mandade dos Clé igos do Po o. É um A qui o ex ao diná io, é um eposi ó io de
in o mação imenso. A I mandade ao longo dos séculos e e um especial cuidado e
a enção em p ese a com os melho es meios à sua disposição, em cada pe íodo de empo,
es e A qui o que demons a uma genuína p eocupação em p ese a um legado pa a
ge ações u u as. Tal ez não enha sido es e o p imei o obje i o do Ca o á io que inha
p eocupações de na u eza o gânico- uncional pa a uma ges ão de in o mação que
co espondesse às necessidades da ida quo idiana e obedecesse aos Es a u os.
Na sua g ande maio ia, as on es documen ais do A qui o da I mandade dos
Clé igos do Po o es ão edigidas “com limpeza”, com os ólios nume ados e ub icados,
os li os êm e mos de abe u a e ence amen o pe mi indo iden i ica as pessoas
esponsá eis e as da as de p odução. É um as o conjun o de in o mação, po que os
I mãos e am minuciosos e ano a am dados sob e as á ias á eas de uncionamen o da
I mandade (Mesa, Ig eja e Sac is ia, Co o, Hospi al). Em cada capí ulo i ei e e i um
pouco mais as on es que consul ei pa a a elabo ação des a Disse ação. Con udo, há
alguns aspe os a salien a . Designadamen e nos undos e e en es ao egis o con abilís ico
de ecei as, despesas, en e ou as, conside o que a exp essão mais adequada pa a
desc e e esses undos é: “A e o ma con abilís ica (…) em subs i ui as p á icas adicionais
9
MONTEIRO, P o . He nâni – O igens da Ci u gia Po uense. Po o: A aújo & Sob inho, 1926. Página 344.
20
de egis o/ o mulá io con abilís ico, como as pa idas simples (“dependen es do modo de
imagina ” dos esc i u á ios), po uma no a esc i u ação, baseada nas pa idas dob adas (“seguida
po odas as Naçoens pollidas da Eu opa, como a mais b e e, mais cla a e mais concluden e”)
10
A I mandade dos Clé igos es a a a pa do que oco ia na sua época e começou a u iliza as pa idas
dob adas, desc e endo com minúcia, em cada ub ica, as ecei as e as despesas ge adas. Ou o
aspe o a salien a é elacionado com os ecibos pa a os á ios anos. Os ecibos, apesa do eno me
olume de in o mação neles con ido, a maio ia das ezes não es ão nume ados nem ub icados e
nas ocasiões em que se encon am nume ados e ub icados podem não es a numa disposição
sequencial, o que o igina que a análise des es undos seja uma a e a á dua e mo osa, embo a
essencial pa a nos ape cebe mos da o gânica de uncionamen o da I mandade. Especi icamen e,
é a a és des es undos que se pode encon a in o mação sob e os I mãos que ecebiam
a amen o nas espe i as habi ações. As Ac as da Mesa pe mi em a alia a dinâmica da ida da
Ins i uição, ambém no que diz espei o ao Hospi al e ainda medi o modo como se espei a am,
ou não, os Es a u os que enquad a am o uncionamen o des a comunidade. Pa icula men e,
in e essan e do pon o de is a da ida económica- inancei a mos a am se as Con as e Recibos,
os Diá ios de Caixa, a co espondência ecebida, os óis de mul as. A ida do Hospi al pode se
as eada a a és dos li os de En e ma ia, que os de En ada, que os de Óbi os de doen es,
assim como os li os de ecibos de En e mei os e Médicos, os in en á ios da En e ma ia.
Também num ou o undo como o da Ig eja e Sac is ia se encon a in o mação sob e os
p o issionais do Hospi al, po exemplo, no li o das Desob igas e nos Te mos de Sepul u a.
10
COSTA, Pa ícia – Finanças e Pode na Cidade do Po o (1706-1777). Do egis o à iscalização, es abilidades e
u u as. Po o: Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, 2014. Tese de Dou o amen o. Página 30.
21
Capí ulo 2 – I mandade dos Clé igos do Po o: unções no
âmbi o da cu a.
2.1. Fo mação da I mandade dos Clé igos do Po o
A I mandade dos Clé igos do Po o su giu de ido à cong egação de ês I mandades,
p e iamen e exis en es no Po o, que euniam clé igos, dando a enção ao “cle o pob e”,
especialmen e da cidade e diocese. As ês I mandades que se undi am o iginando uma só
I mandade o am as seguin es: a con a ia de S. Ped o ad Vincula que oi es abelecida em 1655
na Capela ou Ig eja do Colégio dos Meninos Ó ãos, endo sido seu Juiz des a con a ia o Pad e
Bal asa Guedes em 1676. A pa i de 1701 es a con a ia decidiu passa a euni -se na Ig eja da
San a Casa da Mise icó dia do Po o na ua das Flo es. A Cong egação de S. Filipe de Ne i oi
undada em 1665 pelo Pad e Bal asa Guedes e inicialmen e uncionou na Capela de Nossa
Senho a da G aça que se localiza a onde a ualmen e es á a Rei o ia da Uni e sidade do Po o. A
pa i de 1673 unciona am na en ão designada Ig eja de San o An ónio da Po a de Ca os, que
inha es a denominação po que em épocas ecuadas uma das Po as da Mu alha e a si uada em
en e a es a Ig eja. A ualmen e a Ig eja em a denominação de Ig eja dos Cong egados, sendo
ainda San o An ónio o seu p incipal San o Pad oei o. Em 1688 ambém decidi am muda -se pa a
a Ig eja da Mise icó dia. A e cei a con a ia e a designada de Nossa Senho a da Mise icó dia e
oi ins i uída em 1630 e que unciona a na Ig eja da Mise icó dia. E a a mais an iga. Foi es a
úl ima que e e a inicia i a de se jun a em as ês I mandades, o que acon eceu no ano de 1707,
su gindo a Con a ia da Mise icó dia, S. Ped o e S. Filipe Ne i que oi ap o ada pelo Pon í ice
Clemen e XI a a és de B e e de 6 de ou ub o de 1710
11
.
Se em 1707 pode ia e ha ido ozes con á ias a es a união, o apoio do Bispo e á sido
de e minan e: “O P elado da Diocese de e e sido pa idá io da união, pelo que o ecu so à San a
Sé oi um ac o consumado em b e e. Desde en ão, a I mandade dos Clé igos a o ou as a mas
pon i ícias, com a ia a e a c uz papal de ês b aços, an o mais que um dos seus Pad oei os e a
ambém S.Ped o.”
12
Desde 1707 que unciona am na Ig eja da Mise icó dia, mas como
p e endiam e uma sede p óp ia, em 1732, lança am os alice ces pa a a cons ução da u u a
Ig eja dos Clé igos, cuja plan a de cons ução inha sido encomendada ao a qui e o i aliano
11
PERES, Damião (Di eção); CRUZ, An ónio; BASTO, A. de Magalhães – His ó ia da Cidade do Po o. Ba celos:
Po ucalense Edi o a, 1964. Te cei o Volume. Página 131.
12
COUTINHO, B. Xa ie – A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia. Po o:
Publicações da Câma a Municipal do Po o. Gabine e de His ó ia da Cidade, 1965. Página 24.

22
Nicolau Nasoni. Nossa Senho a passa a se in ocada já não com o í ulo de Nossa Senho a da
Mise icó dia, mas sim como Nossa Senho a da Assunção.
O Sec e á io da I mandade, Teo ónio José Ma ia Quei ós, no seu ela ó io de
p es ação de con as em 1845, que se encon a no L.o Te mos dos De ini ó ios, ol. 81
13
az o seguin e his o ial:
“De ês I md.es de Cle igos Pob es q. exis ião nes a Cid.e do Po o, a p im.a e ec a na
Ig eja da S. a Casa da Mise icó dia com a in ocação da Sn .a da Mis ico dia no anno de 1642.-A
segunda na Ig eja do Collegio dos Meninos O aons com o í ulo de S. Ped o ad Vincula no anno
de 1655.- A e cei a na Ig eja de S. o An .o da Po a de Ca os com o í ulo de S. Filipe de Ne i
no ano de 16, se o mou huma só I mad.e pela união de odas ês na d.a Ig eja da S. a Casa,
debaixo da P o ecção dos m.mos Pad oei os, N.a S.a da Mise icó dia e S. Filipede Ne i, com o
í ulo do Soco o dos Cle igos Pob es, a qual a união se concluio no anno de 1707, po B e e
Apos ólico do S. o P.e Clemen e XI q. p ohibe ha e ou a I mand.e de Cle igos huma legoa em
ci cun e ência da Cid.e p.a segu a mais o es abelecimen o e p og esso da que se ins i uio, p.a
cujo Go e no se o ma ão Es a u os appo ados pelo O diná io os quaes pela sucessão do empo
oi necessá io e o ma seg.do as ci cuns ancias o pedi ão, nos anos de 1767 e 1782, com
ap o ação e con i mação do O diná io. Unidas assim em huma só as ez I mad.es, p.a oco e
aos g a es incómodos q. es a padecia em huma Ig eja alheia, aonde não podiam exe ce li em. e
odas as unçoens do seu Es a u o, ezol e ão os I mãos edi ica uma Ig eja p óp ia que he a q.
exis e p esen em. e em o si io chamado naquele empo a C uz da Cassoa, a qual p incipia ão em
23 de ab il de 1732”.
A á ea de a uação da I mandade ab angia o cul o, a espi i ualidade e a assis ência no campo
do Cle o. Es a assis ência ma e ializou-se em ações de apoio aos I mãos, que em apoios de
sus en ação, que em auxílio nas doenças.
Ao inaliza es e subcapí ulo gos a ia igualmen e de e e i que ha ia ou as I mandades
semelhan es: “Ha ia ou as i mandades des e géne o em Guima ães, Ama an e, A cos de
Valde ez, Vila Real de T ás-os-Mon es, Viseu, Reci e e Rio de Janei o.”
14
Na p oximidade da
cidade do Po o, exis iu em Vila No a de Gaia, na eguesia de San a Eulália de Oli ei a que
a ualmen e se designa po eguesia de Oli ei a do Dou o pe manecendo San a Eulália uma das
13
COUTINHO, B. Xa ie – A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia. Po o: Publicações da
Câma a Municipal do Po o. Gabine e de His ó ia da Cidade, 1965. Página 15.
14
SMITH, Robe C. – Nicolau Nasoni. A qui ec o do Po o. Lisboa: Li os Ho izon e, 1967. Página 198. No a de odapé 2.
23
suas San as Pad oei as, a Cong egação da Oli ei a
15
, que oi undada em 1679 pelo cónego
An ónio Lei e de Albuque que, na u al do Alga e, cuja p incipal inalidade e a igualmen e
p es a assis ência aos clé igos pob es, cegos e doen es, endo pa a isso undado o Hospi al de
Nossa Senho a da Conceição. Possuiu um único es abelecimen o que es e e subo dinado à O dem
Te cei a da Peni ência.
2.2. Noção de Doen e
Pa a pe cebe qual se ia a noção de Doen e e de En e mo u ilizada no século XVIII,
conside ei necessá io eco e ao Dicioná io elabo ado po uma pe sonalidade da época, Raphael
Blu eau. Nes a ob a enciclopédica é e e ido que o signi icado de doença
16
é: “ Indisposição
na u al, al e ação do compo amen o, que o ende immedia amen e alguma pa e do co po. Há
doenças b e es, & dila adas, g a es, & le es, simples, & compos as, agudas, sepa adas, &
complicadas, epidémicas ma e iaes, & imma e iaes.(…) Hum doen e, enc a ado na cama, &
esignado na on ade de Deos, he hum e a o de Ch is o c uci icado; o lei o he o seu cal a io, a
en e midade a sua c uz, o seu co ação he o al a consag ado à peni encia, o seu co po he a ic ima,
& hos ia sac a icada às disposições da Di ina on ade. Mui as ezes as doenças do co po são
co ec i os dos achaques do Espi i o.”; “As doenças do co po nos podem i sem culpa nossa,
não a im as en e midades d’alma, que nacem do desp ezo que azemos da azão.”
Ainda na de inição da en ada do e mo doença exis e es a designação pa a os médicos:
“hoje a Medicina, não só he ciência, mas nem consciência he. Ra o he o medico, que não seja
homicida.”
É igualmen e e e ido que o signi icado de doen e: “Doen e. En e mo.” Exis e
inclusi amen e um adágio ela i amen e ao e mo doen e: “Adagios Po uguezes do doen e.
Quando o Doen e diz Ay, o Físico diz, dai. Quando os Doen es b adão, os Fízicos ganhão. Quando
o Medico he piedoso, he o Doen e pe igoso.”
Sob e En e ma ia e e e que é: “ O luga onde se cu ão os doen es em hum Con en o, ou
em hum Hospi al.” A noção de En e mei o é a seguin e. “ Aquelle, que em a seu ca go a
En e ma ia, & os en e mos.” A noção de En e midade é: “ Fal a de saúde”
15
OLIVEIRA, Pad e Miguel de – His ó ia Eclesiás ica de Po ugal. Lisboa: Publicações Eu opa-Amé ica, Lda,1994.
Página 213.
16
BLUTEAU, Raphael. Vocabula io Po uguez e La ino…Coimb a, Colégio das A es da Compnahia de Jesus, 1712-
1728, olume 3, páginas 280 e 281.
24
Gos a ia de e e i que apesa de na língua po uguesa e em caído em desuso as exp essões
en e mo e en e midade, na língua cas elhana, na época con empo ânea, ainda se u iliza o ocábulo
en e mo pa a designa uma pessoa doen e e o ocábulo en e medad pa a designa uma doença,
con o me se pode cons a a a a és do ecu so ao Dicioná io de Língua Espanhola da Real
Academia Espanhola. Segundo es e Dicioná io o ocábulo en e mo, ma. em o igem na pala a
la ina in i mus. Possui os seguin es signi icados adjec i o que padece en e medad e signi icado
de en e mizo. O ocábulo en e medad em o igem na pala a la ina in i mi as, -a is que possui o
seguin e signi icado en e ou os: al e ación más o menos g a e de la salud. O signi icado de
en e medad em igualmen e e e ido na monog a ia: En e medad y población. In oducción a
los p oblemas y mé odos de la epidemiologia his ó ica da au o ia de Josep Be nabeu Mes e no
capí ulo VI e e en e a Glosá io de é minos epidemiológicos: “En e medad, nomb e gené ico
de odo p oceso mo boso conside ado desde la causa inicial o causas iniciales has a las úl imas
consecuencias.”
17
Pa a inaliza , gos a ia de salien a que na e minologia médica anglo-saxónica ambém
exis e uma dis inção en e os ocábulos disease e illness que oi o necida pelo P o esso Dou o
João Lobo An unes
18
: “A dis inção é mais ní ida na língua inglesa, que ala de disease e de illness,
a p imei a com o sen ido de doença, a segunda mais p óxima de «dolência» ou so imen o.”
19
Des as de inições de doen e e de doença, no con ex o de uma I mandade de Clé igos,
di icilmen e pode ia se igno ado pelo in es igado , o ca á e múl iplo do concei o. Uma análise
dos doen es e da a i idade da I mandade nes a á ea ob iga a equaciona os aspe os espi i uais,
eligiosos do es a doen e e do cu a doen es.
2.3. Os Clé igos e a p á ica da Medicina
A impo ância que o Cle o e os Clé igos de inham na cidade do Po o, nomeadamen e
du an e o pe íodo da Época Mode na, pode se a e ida a a és da seguin e a i mação do P o esso
17
BERNABEU MESTRE, Josep – En e medad y población. In oducción a los p oblemas y mé odos de la
epidemiologia his ó ica. València: Semina i d’Es udis sob e la Ciència, 1995. Página 106.
18
O P o esso Dou o João Lobo An unes nasceu a 4 de junho de 1944. Licenciou-se em Medicina pela Uni e sidade
de Lisboa em 1968 e ob e e o Dou o amen o em Medicina em 1983 pela mesma Uni e sidade. É, a ualmen e, P o esso
Ca ed á ico de Neu oci u gia da Faculdade de Medicina da Uni e sidade de Lisboa, Di c o do Se iço de
Neu oci u gia do Hospi al de San a Ma ia e P esiden e do Ins i u o de Medicina Molecula , do qual oi undado . En e
1971 e 1984 abalhou no Ins i u o Neu ológico da Uni e sidade de Columbia em No a Io que, onde oi Fellow da
Fundação Fulb igh e da Fundação Ma heson, sendo nomeado P o esso Associado dessa Uni e sidade. En e as á ias
unções que desempenha e gala dões que lhe o am a ibuídos salien am-se as seguin es: desde 2006 que é Conselhei o
de Es ado po nomeação do P esiden e da República P o esso Aníbal Ca aco Sil a. Em 1996 oi-lhe a ibuído o
P émio Pessoa. Em 2003, ecebeu a Medalha de ou o de mé i o do Minis é io da Saúde e, em 2004, oi ag aciado pelo
senho P esiden e da República com a G ã-C uz da O dem do In an e D. Hen ique.
19
ANTUNES, João Lobo – O Eco Silencioso.1.ª Edição. Lisboa: G adi a – Publicações, S.A., 2008. Página 141.
25
Dou o F ancisco Ribei o da Sil a, na sua ob a designada: O Po o e o seu e mo 1580-1640: os
homens, as ins i uições e o pode
20
na p imei a pa e Aspec os Es u u ais, Capí ulo IV – A
Sociedade pon o 2 O Cle o e e e que: “ O Es ado eclesiás ico cons i uía o p imei o do Reino e
ocupa a na cidade luga de indiscu í el p ojecção, pelo núme o, pelo p es ígio ins i ucional, pelo
pode económico e pela in luência que exis ia jun o dos c en es.”
21
Con udo, aos Clé igos não e a pe mi ido o exe cício da p á ica da Medicina como se
pode cons a a a a és dos exemplos e e idos na ob a: His ó ia da Medicina em Po ugal.
Dou inas e Ins i uições
22
, da au o ia de Maximiano Lemos
23
. Nes a ob a o au o examinou as
cons i uições
24
de de e minados Bispados Po ugueses, en e as quais se encon a o Bispado do
Po o: “Finalmen e, é de no a ainda a p oibição absolu a que se az aos clé igos de se en ega em
ao es udo das ciências médicas, ao que eles semp e se sub aí am. «Mandamos», dizem as úl imas
Cons i uições que ci ámos, «que nenhum clé igo de o dens sac as ou Bene iciado des e nosso
A cebispado, de qualque es ado e qualidade que seja, use de Medicina, nem de Ci u gia, nem
mande sang a , nem pu ga , nem co a memb o, nem pa e dele, nem mesmo po si o aça, nem
o aconselhe».”
25
Con udo, apesa des as ecomendações podem su gi exceções. Veja-se o caso de F ancisco
Be na do de Lima. Na u al do Po o desempenhou um papel ele an e na p omoção do jo nalismo
médico. Nascido em 1727, o nou-se Cónego Secula de S. João E angelis a, e oi o esponsá el
pelo pe iódico Gaze a Li e a ia cuja impo ância se pode comp o a : “ É es e pe iódico um as o
eposi ó io de in o mações sob e odas as ciências, e en e elas não oi esquecida a medicina. Ali
saí am as análises bibliog á icas do T a ado Physiologico da Ci culação, de Alexand e da Cunha,
do Hyppoc a es Lusi ano, de F ancisco Daniel Noguei a, da Ci u gia Clássica Lusi ana, de
An ónio Gomes Lou enço, e c., odos esc i os com no á el c i é io e sensa ez. Con inha, além
dis o, a no ícia de casos pa ológicos a iados, ex aídos dos jo nais es angei os. Começando a
20
SILVA, F ancisco Ribei o da – O Po o e o seu e mo 1580-1640: os homens, as ins i uições e o pode . Po o: Edi o Câma a
Municipal do Po o. A qui o His ó ico. 1988. P imei o Volume e Segundo Volume
21
SILVA, F ancisco Ribei o da – O Po o e o seu e mo 1580-1640: os homens, as ins i uições e o pode . Po o: Edi o Câma a
Municipal do Po o. A qui o His ó ico. 1988. P imei o Volume. Página 237
22
LEMOS, Maximiano – His ó ia da Medicina em Po ugal. Dou inas e Ins i uições. 2.ª Edição. Lisboa: Edi o Publicações D.
Quixo e, Lda./O dem dos Médicos,1991. Volume I e Volume II
23
Maximiano Augus o de Oli ei a Lemos Júnio , usualmen e conhecido po Maximiano Lemos. Publicou es a ob a
em 1899, que e e uma segunda edição em julho de 1991. O papel que desempenhou ao longo da sua ida oi ão
ele an e que o Museu de His ó ia da Medicina da Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o, possui o seu
nome
23
. Es a ob a possui inúme as no as de odapé, possui índice onomás ico, índice ideog á ico que não é comum
apa ece nou as ob as e índice sis emá ico.
24
O au o na sua ob a não e e e as da as em que oco e am as cons i uições.
25
LEMOS, Maximiano – His ó ia da Medicina em Po ugal. Dou inas e Ins i uições. 2.ª Edição. Lisboa: Edi o Publicações D.
Quixo e, Lda./O dem dos Médicos,1991.Volume II. Página 56
32
Mi agaia, e á ios de Láza os, no Po o, em Gaia e em Bouças).
48
Vol ido o século e no decu so
do século XVII consolidou-se o hospi al da Mise icó dia, conhecido sob di e en es nomes, mas
man i e am-se ins i uições an igas a que se jun a am no as. A ques ão mais in e essan e nes a
e olução é ce amen e o ac o de algumas passa em a es a mui o mais p óximas nas suas unções
daquilo a que pos e io men e se chama á de hospi al, espaço po excelência pa a a a e cuida
de doen es e não mais pa a albe ga , agasalha , alimen a ., e c. ou os g upos na sociedade
Pa a se e uma noção das unidades hospi ala es que exis iam ou inham exis ido na
cidade do Po o po ocasião da cons ução da unidade hospi ala da I mandade dos Clé igos
pode eco e -se a es emunhos de quem e e in enção de in en a ia exis ências e ca ac e izá-
las pa cialmen e, como se pode le no í ulo do capí ulo IV – Dos Colégios, hospícios,
ecolhimen os, hospi ais e ou os edi ícios públicos, seção VIII – Hospi ais, da sua Desc ição
opog á ica
49
. O Pad e Agos inho Rebelo da Cos a
50
é con empo âneo da cons ução do
Hospi al dos Clé igos.
Na sua ob a e e encia os hospi ais “es abelecidos pa a ab igo dos pob es e emédio dos
en e mos são os seguin es: o Hospi al Real, na Rua das Flo es; o dos Expos os, na ua dos
Caldei ei os; o dos En e ados, em cima de Vila; o das En e adas, a San o Ilde onso; o dos
Láza os, no Campo de S. Láza o; o das Láza as, que lhe es á imedia o; o das Velhas, na ua dos
Me cado es.
Todos es es, como já se disse, pe encem à adminis ação da San a Casa da
Mise icó dia. Segue-se o de S. C ispim, na ua do mesmo nome; o das Mulhe es Pob es, na ua
da Biquinha; o dos Ingleses, em cima do Mu o, que, dizem, se ans e e pa a o sí io em que es á
o g andioso cemi é io dos lu e anos, cal inis as e p o es an es, bem semelhan e em magni icência
e g andeza ao cemi é io que êm em Lisboa; o da Senho a da Sil a, na Fe a ia de Cima; o dos
Te cei os de S. F ancisco, da Fe a ia de Baixo; o da Senho a da Ca idade, pa a os i mãos da
sua O dem; o dos Clé igos, nas casas da sua I mandade. A O dem Te cei a de Nossa Senho a do
Ca mo p e ende igualmen e unda um pa a seus i mãos, e já em emp azado no Campo dos
Fe ado es o p eciso e eno.
48
E emé ides - O T ipei o Re is a Mensal de Di ulgação e Cul u a ao Se iço da Cidade e das suas adições. Po o.
Edi o e P op ie á io An ónio Sa dinha. VI Sé ie. Ano IX. N.º 5 (Maio 1969), p. 156.
49
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da Cos a – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a
de Tomaz Modessan e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia
P og edio , 1945. Páginas 161 e 162.
50
O Pad e Agos inho Rebelo da Cos a e a na u al de B aga, sendo ilho de Manuel Rebelo da Cos a e Ma ia Viei a de
Aze edo. Foi p esbí e o secula , ca alei o p o esso na O dem de C is o, dou o em Teologia pela Uni e sidade de
Coimb a. Faleceu na cidade do Po o a 9 de janei o de 1791 e oi sepul ado na Ig eja do Con en o dos Ca meli as.

33
En e odos es es em o p imei o luga o Hospi al Real, não somen e pela sua g andeza,
núme o de doen es que ecebe, ca idade com que os a a, a ul adas despesas que az, de que já
alei quando desc e i a Ig eja da Mise icó dia, mas ambém pela assis ência de pe i os e
expe imen ados médicos, que isi am duas ezes no dia odos os en e mos, e assim mesmo os
ci u giões no que pe ence ao cu a i o da sua p o issão.”
51
. Dedica a enção especial à cons ução
do “Hospi al No o, digno de que eu dê ao público uma cla a no ícia da sua g andeza.”
52
Repa e-
se que o Pad e Agos inho Rebelo da Cos a e e e-se ao Hospi al de D. Lopo de Almeida como
Hospi al Real e e e e-se ao u u o Hospi al de San o An ónio como Hospi al No o. T a a-se do
mesmo hospi al, mas que, em i ude do pe íodo de cons ução, uncionou pa cialmen e em dois
espaços. Enquan o pe ença da Mise icó dia oi bap izado pelos di e en es p odu o es de
in o mação de modos dis in os, odos eles azoá eis.
O Pad e An ónio Ca alho da Cos a na sua ob a: Co og a ia Po ugueza ambém e e e
os hospi ais que exis iam na cidade do Po o: “Jun o a es e Con en o edi ica ão os Te cei os de
S. F ancisco huma sump uosa Ig eja com seu Hospi al”
53
; “ Os Hospi aes, que icão den o da
cidade, saõ o da Mise icó dia, que do ou Dom Lopo de Almeida, a que ulga men e chamão o
Hospi al de Roque Amado , aonde se cu ão mui os en e mos, & lhe assis em os I mãos da
Mise icó dia com g ande zelo, & cuidado, & lhe em oma con as dous I mãos das Mise ico dias
da Cidade de B aga, & Villa de Guima aens (…) O Hospi al de S. C ispim, jun o à ua das
Cangos as, aonde se ecolhem os pe eg inos; o de San a Cla a, em que se cu ão alguns doen es,
& o de cima de Villa, aonde se ecolhem mulhe es en e adas, & pob es; & ó a dos mu os o
Hospi al de S. Ilde onso ambem de mulhe es pob es, & o de S. Laza o, aonde se cu ão alguas
doenças con agiosas.”
54
51
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da Cos a – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a
de Tomaz Modessan e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia
P og edio , 1945. Páginas 161 e 162.
52
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da Cos a – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a
de Tomaz Modessan e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia
P og edio , 1945. Página 163. Co esponden e na monog a ia ao Capi ulo IV – Dos Colégios, hospícios, ecolhimen os,
hospi ais e ou os edi ícios públicos, seção IX – Desc e e-se a plan a do Hospi al No o.
53
COSTA, Pad e An ónio Ca alho da Cos a – Co og a ia Po ugueza, e desc ipçam opog á ica do amoso eyno
de Po ugal, com as no ícias das undações das Cidades, Villas & Luga es, que con em; a ões ilus es,
Genealogias das Famílias nob es, undações de Con en os, Ca alogos dos Bi pos, an iguidades, ma a ilhas da
na u eza, edi ícios & ou as cu io as ob e açoens. Lisboa: na o icina de Valen im da Cos a Deslandes,
1706.T a ado Sex o da Coma ca do Po o. Cap.I. Da de c ipção Topog á ica da Cidade do Po o. Página 352.
54
COSTA, Pad e An ónio Ca alho da Cos a – Co og a ia Po ugueza, e desc ipçam opog á ica do amoso eyno
de Po ugal, com as no ícias das undações das Cidades, Villas & Luga es, que con em; a ões ilus es,
Genealogias das Famílias nob es, undações de Con en os, Ca alogos dos Bi pos, an iguidades, ma a ilhas da
na u eza, edi ícios & ou as cu io as ob e açoens. Lisboa: na o icina de Valen im da Cos a Deslandes, 1706.
T a ado Sex o da Coma ca do Po o. Cap.I. Da de c ipção Topog á ica da Cidade do Po o. Página 353.
34
Capí ulo 3 – Hospi al da I mandade dos Clé igos
Na ob a: A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia, no
capí ulo VIII, e e en e A Cons ução da Casa, En e ma ia e To e é explicada a azão e a ocasião
que mo i a am a c iação da en e ma ia ou hospi al pa a os clé igos mais en e mos: “o B e e de
isenção da ju isdição pa oquial, concedido po Clemen e XII e expedido em 26 de Agos o de
1734, oi logo de idamen e execu ado. Mas, endo su gido ce as di iculdades, em 1748, em 7 de
Ma ço, de no o as egalias de isenção o am discu idas. Aliás oi, p ecisamen e, es e ac o que
p opiciou a ocasião pa a se cons ui a En e ma ia ou Hospi al que me ecesse, de quem de di ei o,
a ão ambicionada isenção. Ali se iam ecolhidos e a ados os I mãos necessi ados. E, pa a os
que não pudessem i , de seu pé, o am logo comp adas ês cadei inhas de mão que os
conduzissem”
55
A En e ma ia só se ia concluída em 1758. Con udo, con o me in o ma He nâni
Mon ei o, an es da conclusão do Hospi al inha oco ido a en ada do p imei o doen e em 2 de
ma ço de 1754
56
. Exis e uma desc ição de como e a a En e ma ia: “Sabe-se, além disso, que pe o
da En e ma ia ha ia um qua o no ão da Pa ede e um Gabine e de En e ma ia que de ia se
bas an e g ande pois con inha mobília de azoá eis dimensões: 1 cómoda ou caixão com ês
ga e ões e duas ga e as, e uma es an e en id açada, uma mesa iangula de pé, uma meia cómoda
de inhá ico com um ga e ão e duas ga e as, ês cadei as, en e ou os.”
57
Es a desc ição baseada
nos In en á ios da En e ma ia só pe mi e um olha ápido ao espaço e espe i os equipamen os.
No In en á io de 1793 dá-se con a da exis ência de uma Casa da En e ma ia, de uma cozinha, de
uma Sac is ia e de um Al a de En e ma ia. A Casa da En e ma ia possuía ês lei os de pau p e o.
Ao longo do empo os esponsá eis o am man endo e a ualizando os mesmos, in es indo pa e
dos undos disponí eis da I mandade nes a es u u a. Uma obse ação mais sis emá ica dos
In en á ios da En e ma ia em conjun o com os Li os do Tombo da I mandade e elam os i mos
a que acon eceu es a eno ação da En e ma ia e as no idades écnico uncionais inco po adas.
Em nenhum dos In en á ios oi possí el encon a desc ições dos u ensílios médicos ou ma e ial
de en e magem. Con udo, nos li os de ecibos oi possí el as ea a exis ência de alguns des es
bens e pe cebe o dispêndio e e uado, assim como alguns indicado es de ma e iais consumí eis.
55
COUTINHO, B. Xa ie – A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia. Po o:
Publicações da Câma a Municipal do Po o. Gabine e de His ó ia da Cidade, 1965. Página 171
56
MONTEIRO, He nâni – O igens da Ci u gia Po uense. Po o: A aújo & Sob inho, 1926. Página 135 e Página
137 no a de odapé 2.
57
COUTINHO, B. Xa ie – A Ig eja e a I mandade dos Clé igos. Apon amen os pa a a sua His ó ia. Po o:
Publicações da Câma a Municipal do Po o. Gabine e de His ó ia da Cidade, 1965. Página 201
35
O P o esso He nâni Mon ei o ao consul a o li o de en ada dos I mãos doen es cons a ou que
o mo imen o e a diminu o e que o úl imo egis o inha sido em 9 de junho de 1828. Pode ia
conclui -se a a és des e li o de en ada de I mãos doen es que o Hospi al uncionou du an e 74
anos no pe íodo comp eendido en e 1754 e 1828. Con udo, como i emos e e i em capí ulos
subsequen es hou e pelo menos o in e namen o e a amen o no Hospi al de, pelo menos, mais
um doen e após es a da a.
O Pad e Agos inho Rebelo da Cos a ci ado an e io men e nes e abalho az a seguin e
e e ência ao Hospi al dos Clé igos: “Uma espei á el co po ação de clé igos, em que são
admi idos alguns secula es dos mais benemé i os da cidade, é a que di ige o undo necessá io à
conse ação de oda es a ob a e despesas que se azem com um bem p o ido hospi al pa a clé igos
pob es.”
58
Con udo, nes a desc ição de emos e em conside ação o que e e e Tomaz Modessan na
ca a de 10 de ma ço de 1789 ende eçada ao edi o do Jo nal Encyclopedico sob e o alo que
es e de ia da no mesmo Jo nal ao li o Desc ipção Topog aphica da Cidade do Po o. Nes a
ca a o o au o salien a alguns aspec os e e idos no li o, du idando da sua c edibilidade.
Po exemplo, no que se e e e aos Clé igos: “Com igual al a de e dade diz o au o , que
na di a ig eja dos Clé igos há semp e missas a é uma ho a depois do meio dia; e is o não é menos
que uma men i a de a ais consequências pa a o po o que não ô da cidade e que se guia aos
dias san os po es a alsa no ícia, po que pa a os po uenses é bem no ó io, que nem o au o se az
em nada ac edi á el, nem os clé igos, depois que se apanha am icos, dizem na sua ig eja missas,
senão a é às onze e meia: em ou as ig ejas, sim, sup e-se es a al a com u ilidade pública.”
59
O
Pad e Agos inho Rebelo da Cos a inha esc i o: “As missas nos dias solenes e de gua da dizem-
se a é à uma ho a depois do meio dia, o que é de g ande comodidade pa a o po o, bem ce o de
acha missa a qualque ho a.”
60
Ao le o eo des a ca a, de emos u iliza o p incípio da p udência
sob e o que esc e e o Pad e Agos inho Rebelo da Cos a, não só em elação ao e e ido exemplo
sob e as Missas celeb adas na Ig eja dos Clé igos, mas ambém e en ualmen e em elação ao que
esc e eu sob e o Hospi al. Nes a ca a, ambém se ica com a pe ceção de que apesa de se em
58
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a de Tomaz Modessan
e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia P og edio , 1945. Página 131
co esponden e na monog a ia ao Capi ulo III – Das eguesias e mo ado es que em; o seu ca ác e , génio e cos umes; núme o dos
p incipais emplos e capelas, con en os de eligiosos e eligiosas, seção XV – Desc e em-se as ig ejas dos Clé igos e Mise icó dia.
59
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a de Tomaz Modessan
e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia P og edio , 1945. Página 439
60
COSTA, Pad e Agos inho Rebêlo da – Desc ição Topog á ica e His ó ica da Cidade do Pô o. Com a ca a de Tomaz Modessan
e algumas pala as p é ias de A. De Magalhães Bas o. 2.ª Edição. Po o: Tipog a ia da Li a ia P og edio , 1945. Página 131
co esponden e na monog a ia ao Capi ulo III – Das eguesias e mo ado es que em; o seu ca ác e , génio e cos umes; núme o dos
p incipais emplos e capelas, con en os de eligiosos e eligiosas, seção XV – Desc e em-se as ig ejas dos Clé igos e Mise icó dia.
36
uma I mandade de Clé igos Pob es se o na am icos e de pode em e en ualmen e e descu ado
algumas das suas unções o iginais.
O Hospi al su giu pois de uma necessidade de apoio nas si uações de al a de saúde, insc i a
já nas i mandades an e io es que se associa am nes a no a de inícios do século XVIII, mas
ambém do o e desejo e on ade pela Mesa da I mandade nos anos in e a in a de se excluí em
da au o idade pa oquial e adqui i em um es a u o de isenção.
3.1. Reque imen o pa a se admi ido no Hospi al
Os I mãos que padecessem de molés ias e necessi assem de eco e a a amen o
necessi a am de di igi um o ício ao P esiden e da Mesa, ela ando o mais minuciosamen e
possí el a en e midade de que so iam. O P esiden e da Mesa o dena a que osse a e iguada a
si uação em ques ão e após análise e a delibe ada a decisão pa a o pedido ealizado. Na Figu a
1, que co esponde ao p imei o o ício de pedido, emos acesso ao modo como um I mão desc e ia
a sua molés ia. Es e documen o
61
az pa e do undo En adas de I maons Accei aoens de
Cappelaens Licenas dos mesmos Va ias ca as que nada alem, que possui uma eno me
quan idade de documen os sob e os mais di e sos assun os. Con udo, os documen os não es ão
nume ados (nem ub icados no can o supe io di ei o) a maio pa e das ezes. Pode ia,
e en ualmen e, es a o denado a a és de uma o dem c onológica o que pode ia simpli ica a
a e a. A al a de o dem encon ada al ez co esponda a algum pe íodo de empo, mais ecen e,
em que pessoas ex e nas à I mandade “deso ganiza am”, na en a i a de pesquisa, a o dem
o iginal. Quando iniciei o meu abalho académico conside a a que um documen o elacionado
com a En e ma ia es a ia na Secção ela i a ao Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o.
Con udo, á ios documen os ela i os à En e ma ia es ão dis ibuídos po á ias secções. Es e
pedido de admissão é ele an e po que es e mesmo o ício con inua á a se u ilizado du an e um
la go pe íodo de empo, designadamen e ao longo do inal do século XVIII e ao longo do século
XIX, pelos I mãos, que i essem necessidade de eco e à ajuda da I mandade, po mo i os de
en e midade ou escassez de ecu sos económicos. Como o o ício de ia se ende eçado à Mesa
pa a ap eciação e ecolha de in o mação pos e io , a pesquisa des es dados e e que se ei a na
in o mação p oduzida pela Mesa. Es e mesmo o ício e a u ilizado pelos I mãos que i essem de
ecebe a amen o e in e namen o no Hospi al da I mandade dos Clé igos ou nas suas p óp ias
61
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, En adas de I maons Accei açoens de
Cappelaens Licenças dos mesmos Va ias ca as que nada alem, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT
IC/A/018/0001).
37
habi ações. Se i essem necessidade de ecebe ajuda pecuniá ia pa a aquisição de medicamen os
ou na ealização de a amen os, designadamen e, i a banhos de ma , e a es e o documen o que
de iam u iliza pa a o icializa o seu pedido jun o do P esiden e da I mandade, ou quando es e
não es i esse disponí el, pe an e o Sec e á io da I mandade dos Clé igos do Po o. Nes e o ício,
em especí ico, o I mão Luís Soa es An ónio de Albe ga ia em 1767, no co po do ex o, e e e que
se: ”encon a impossibili ado de le an a .”
62
No can o supe io esque do o P esiden e da
I mandade o dena que “o Nosso I mão En e mei o com o Nosso I mão Dou o Médico” inqui am
sob e a qualidade da molés ia”
63
Na Figu a 2 pode-se e i ica o diagnós ico que o Médico
ealizou sob e o es ado de saúde do I mão
64
Luís An ónio Soa es de Albe ga ia. Após a Mesa
ecebe o pa ece médico, no can o in e io esque do da Figu a 1 é possí el le -se que oi
delibe ado o e ece -se 4800$000 éis ao En e mei o-Mo pa a a a des e en e mo e es á assinada
com a assina u a de Albuque que, que desempenha a a unção Sec e á io da I mandade naquela
época. O doen e deu e e i amen e en ada, no Hospi al da I mandade dos Clé igos em 19 de maio
de 1768, de onde saiu a 31 de agos o de 1768. Es e p ocedimen o e a o u ilizado an o po I mãos
pob es como po I mãos mais no á eis, como se pode e i ica no capí ulo seguin e.
62
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, En adas de I maons Accei açoens de
Cappelaens Licenças dos mesmos Va ias ca as que nada alem, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT
IC/A/018/0001).
63
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, En adas de I maons Accei açoens de
Cappelaens Licenças dos mesmos Va ias ca as que nada alem, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT
IC/A/018/0001).
64
O I mão Luís An ónio Soa es Albe ga ia é um dos 26 I mãos que se encon am egis ados em En e ma ia En adas,
e Óbi os pa a o pe íodo de empo comp eendido en e 1754 e 1828. Du an e es e pe íodo o am egis adas 31 en adas,
po que alguns I mãos de am en ada mais do que uma ez, sendo que nes a análise em de se e em conside ação que
o I mão An ónio José Pe ei a de Souza oi egis ado duas ezes pa a o mesmo pe íodo de in e namen o.

38
Figu a 1: Pedido de assis ência do I mão Luís An ónio Soa es de Albe ga ia em 1767.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, En adas de I maons
Accei açoens de Cappelaens Licenças dos mesmos Va ias ca as que nada alem, ólio não nume ado (PT
ICPRT IC/A/018/0001).
39
Figu a 2: Diagnós ico do Médico ao I mão Luís An ónio Soa es de Albe ga ia em
1767.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, En adas de I maons
Accei açoens de Cappelaens Licenças dos mesmos Va ias ca as que nada alem, ólio não nume ado (PT
ICPRT IC/A/018/0001).
A consul a des a in o mação pe mi iu econs i ui o p ocesso especi icado den o da
Ins i uição pa a o acolhimen o de doen es. Há di e en es esponsá eis pela in o mação que a Mesa
exige pa a delibe a . Es e luxo de in o mação p essupõe um diálogo en e os di e sos e di e en es
agen es sociais que compõem a I mandade dos Clé igos. Es a in o mação de múl iplos p odu o es
e idencia um sis ema complexo de ecolha de dados que pe mi em à I mandade aze uma
a aliação da necessidade de apoio, po um lado, e do p eenchimen o das condições es ipuladas
nos Es a u os pa a ecebe esse apoio, po pa e de um candida o. É possí el, a pa i des es dados,
a alia o núme o de doen es que pedi am o apoio da Ins i uição, assim como aça o pe il das
doenças de que se queixam e dos Médicos e En e mei os chamados a emi i opinião. Es a análise
pe mi e islumb a que a o gânica de uncionamen o des a ins i uição assemelha-se a um
o ganismo i o que e olui a a és das elações que es abelece en e os di e en es agen es.
40
3.2. Pedido de Nicolau Nasoni pa a ecebe assis ência da I mandade.
Como e e ido an e io men e, o p ocedimen o de pedido de assis ência segue um pad ão
que em nada di e ge no que espei a à qualidade de Clé igo ou Secula do I mão, podendo
inclusi amen e e e i -se a uma pe sonalidade pouco ou mui o conhecida à época.
Sob e o A qui e o Nicolau Nasoni o am ealizados á ios abalhos sob e udo
elacionados com a sua ob a. A ualmen e, es á em cu so um abalho de in es igação po uma
equipa coo denada pela an opóloga o ense Eugénia Cunha, da Uni e sidade de Coimb a, com
o obje i o de es uda as ossadas encon adas na c ip a localizada p óxima do al a -mo , com o
in ui o de descob i a possí el sepul u a de Nicolau Nasoni. Um possí el con ibu o
his o iog á ico pa a se comp eende melho como se desen olou a ase inal da sua ida pode se
o necido pelos seguin es elemen os: an es do seu alecimen o o I mão Nicolau Nasoni encon ou-
se doen e e sen iu a necessidade de o maliza um pedido de assis ência à I mandade dos Clé igos
do Po o. Esse pedido oi o malizado a a és de um o ício semelhan e ao explicado no Capí ulo
p eceden e. Na Figu a 3 é possí el obse a -se o pedido o mal que Nicolau Nasoni ende eçou
em dezemb o de 1772 ao P esiden e e Depu ados da I mandade.
41
Figu a 3: Pedido de Nicolau Nasoni pa a se assis ido pela I mandade
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).
No co po do ex o é e e ido: “Diz Nicolau Nasoni I mão des a San a Vene á el I mandade
a qual se iu semp e com zelo, que ele suplican e se acha en e mo e indigen e, p ecisado a
ecolhe -se ao Hospi al des a San a I mandade pa a se a ado (…) deseja á que izessem a
48
Capí ulo 4 – Hospi al da I mandade dos Clé igos após 1828
“Não sabemos se há ou não o incomp eensí el, o incognoscí el. Apenas, na a en u a de
espí i o cien í ico, nunca desis imos de chega a comp eende o que ago a não conhecemos, de
chega a conhece aquilo que ago a não conhecemos."
Vi o ino Magalhães Godinho
70
, Da Di iculdade de Pensa o Nosso Tempo, 2001
Na ase inicial da minha análise ao Hospi al dos Clé igos inha como in enção desen ol e
uma in es igação a é o ano de 1828, po que esse e a o ano co esponden e ao egis o de en ada
do úl imo doen e como inha a i mado He nâni Mon ei o após e ido a possibilidade de consul a
o A qui o da I mandade dos Clé igos do Po o: “O p imei o en e mo en ou a 2-III-1754 e o
úl imo de que i egis o oi ecolhido em 9-VI-1828.”
71
Es a a i mação é álida e co e a de aco do
com o egis o de en adas e óbi os na En e ma ia
72
. Con udo, ao analisa in o mação nou as
secções do A qui o da I mandade dos Clé igos do Po o, depa ei com alguns indícios que me
ize am susci a a possibilidade do Hospi al e p osseguido a sua unção assis encial
nomeadamen e a a és do in e namen o pessoas en e mas ou de e eco ido ao co po clínico
num ho izon e empo al que se pode ia p olonga pa a além do inicialmen e p e is o na minha
in es igação. Um indício
73
ob ido oi o que se pode e i ica no Anexo 5. É o egis o do pedido
do I mão Joaquim José G aça di igido ao P esiden e da I mandade suplicando que po mo i o de:
“ainda não es a bom de odo da di a Su ocação po que es a ainda a a aca cons an emen e de nou e
na cama, de o ma que do me pouco p eciza de oma mais alguns emédios, e come algumas
couzas.”
74
No mesmo documen o, no can o in e io di ei o, é possí el le -se a seguin e a i mação:
“ Se dignem manda -lhe da com que se a e da dia molés ia, ou mandá-lo ecolhe ao Hospi al
des a Vene á el I mandade, e cazo não possa se nenhuma das duas couzas en ão se ê na
70
Vi o ino Ba bosa de Magalhães Godinho. Nasceu a 9 de junho de 1918 e aleceu a 26 de ab il de 2011. Foi um
insigne his o iado Po uguês. Pe enceu à escola his o iog á ica que se desen ol eu em o no da e is a “Re ue des
Annales” e p osseguiu os seus abalhos sob e udo em sin onia com Fe nand B audel na École P a ique des Hau es
É udes de Pa is. Foi au o de inúme as ob as e oi o undado em 1979 da Re is a de His ó ia Económica e Social.
[online]h p://www.bnpo ugal.p /index.php?op ion=com_con en & iew=a icle&id=613:mos a- i o ino-magalhaes-
godinho-1918-2011&ca id=157:2011&I emid=652 [Consul ado em 9 de e e ei o de 2015 às 8H50].
71
MONTEIRO, P o . He nâni – O igens da Ci u gia Po uense. Po o: A aújo & Sob inho, 1926. Página 137
72
ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, En e ma ia En adas, e Óbi os, l. 7 (PT ICPRT IC/C/0028)
73
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1834 a é 1841 pa a
1842, l. 166 (PT ICPRT IC/A/016/0005).
74
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1834 a é 1841 pa a
1842, l. 166 (PT ICPRT IC/A/016/0005).

49
necessidade de se ecolhe ao Hospi al da Mise icó dia, de onde o Suplican e ambém é I mão”
75
Es a a i mação da a de agos o de 1837, ou seja, quase 10 anos após a úl ima en ada egis ada. Na
espos a ambém é colocada a possibilidade do I mão se i a a no Hospi al da Mise icó dia po
aí se ambém I mão, mas p imei amen e é e e ida como hipó ese o in e namen o do I mão no
Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o. O le an amen o des a hipó ese co obo a a
suposição de es e Hospi al ainda se man e em unções. Es e eque imen o oi pos e io men e
di igido ao P esiden e da Mesa. A decisão inal da Mesa oi o e ece -lhe uma ajuda pecuniá ia no
mon an e de 4$800 éis.
Na pesquisa não oi possí el encon a a A a da Sessão de agos o de 1837, po que exis em
alguns in e alos empo ais
76
pa a os quais não há egis os sequenciais, nomeadamen e no ólio
77
20 onde é e e ido inicialmen e a A a da Sessão de 8 de janei o de 1836 e passa imedia amen e
a segui pa a a A a da Sessão de 27 de ab il de 1841, o que não nos pe mi e e i ica se o e mo
Hospi al dos Clé igos icou igualmen e egis ado na A a da Sessão de agos o de 1837.
Ou os dois indícios encon ados na documen ação que pode iam suge i que a a i idade
assis encial e a ainda uma componen e ele an e da I mandade dos Clé igos do Po o são os
seguin es documen os em que e e em o mon an e da ajuda pecuniá ia, mas sob e udo desc e em
a molés ia dos que ecebiam a ajuda. Na despesa egis ada em 18 de e e ei o de 1841, sob o
í ulo a: “Despesa com o Co is a Soa es que queb ou ês cos elas caindo do ono abaixo”
78
( e
Figu a 4) eme e pa a ação assis encial a um dos seus memb os em i ude de um aciden e de
abalho.
Figu a 4: Despesa de ês cos elas queb adas em 1841
Fon e: ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso
Hospi al, l. 85 (PT ICPRT IC/C/029/0003).
Mas a despesa é, po ezes, explici amen e, e e en e ao a o médico como é o caso de:
75
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1834 a é 1841 pa a
1842, l. 166 (PT ICPRT IC/A/016/0005).
76
Ou o exemplo de in e alo empo al oco e quando da A a da Sessão de 24 de ou ub o de 1829 se passa pa a o
egis o da A a da sessão de 16 de dezemb o de 1835. ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da
Mesa 1826-1849, l. 20 (PT ICPRT IC/A/034//0001).
77
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Meza 1826-1849, l. 20 (PT ICPRT IC/A/034/0001).
78
ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso Hospi al, l.
85 (PT ICPRT IC/C/029/0003).
50
“endi ei a duas cos elas que queb a ão ao se iço da I mandade.”
79
( e Figu a 5) Nes a
desc ição da despesa icamos a pe cebe que oi ao se iço da I mandade que su giu es a
oco ência, o que se pode ia designa po aciden e de abalho, e pe mi e ob e a noção não só do
mon an e do a amen o no alo de 1$200 éis como ambém o mon an e $360 que p o a elmen e
co esponde ia a uma pa e do seu encimen o sala ial. Es a despesa oi egis ada em 3 de ab il
de 1841.
Figu a 5: Cus o do T a amen o de duas cos elas em 1841.
Fon e: ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso
Hospi al, l. 90 (PT ICPRT IC/C/029/0003).
Em elação a es e pe íodo, oi possí el en a econs i ui alguns dados biog á icos de um
doen e e de á ios médicos.
4.1. En e mo F ancisco Mo ei a Ca alho em 1843
Se ecua mos um pouco no empo é possí el econs i ui mos um pouco da ida do I mão
F ancisco Mo ei a de Ca alho. Es e I mão e ia p o a elmen e de en en a di iculdades
inancei as, po que a a és da documen ação ela i a à desob iga
80
, oi possí el apu a -se que nos
anos 1831
81
, 1832
82
e 1833
83
e a um dos I mãos que esidia na I mandade e cump ia com os
p ecei os da Qua esma. Vi ia a se in e nado e a alece anos mais a de no Hospi al da I mandade.
De ido ao seu es ado de pob eza oi igualmen e possí el apu a -se que em no emb o de 1841,
po o dem da Mesa, oi de e minado o e ece -lhe uma esmola
84
no mon an e de 9$600 éis
85
(Anexo 6)
79
ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso Hospi al, l.
86 (PT ICPRT IC/C/029/0003).
80
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas (PT ICPRT IC/0040)
81
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas, l. 30 (PT ICPRT IC/0040)
82
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas, l. 30 (PT ICPRT IC/0040)
83
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas, l. 31 (PT ICPRT IC/0040)
84
Es a esmola não em e e ida em ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Róis de Mul as, Recei a e
Despeza. 1835 a 1841, (PT ICPRT IC/A/0085) po que es e Fundo inaliza em agos o de 1841.
85
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.4 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
51
A pa i do documen o
86
que o I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho em e e ei o de 1843
di ige ao P esiden e da I mandade dos Clé igos suplicando: “que se acha g a emen e en e mo e
sem meios de subsis ência alguma”. Ficamos a conhece o nome Médico e o diagnós ico e e uado.
No can o supe io esque do é e e ido o nome do Médico da I mandade dos Clé igos do Po o o
Dou o Manuel Joaquim dos San os, que i á se abo dado no Capí ulo subsequen e. No lado
di ei o do documen o é possí el e i ica o diagnós ico ealizado pelo Dou o Manuel Joaquim
dos San os ao I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho no dia 22 de e e ei o de 1843 após e sido
equisi ado pelo P esiden e da Mesa em 21 de e e ei o de 1843. (Anexo 7).
Após o diagnós ico o I mão F ancisco Mo ei a dos San os oi in e nado no Hospi al
con o me se pode comp o a a a és da seguin e documen ação. É possí el ob e -se in o mação
sob e os mon an es gas os com a amen o do I mão F ancisco Mo ei a Ca alho em cada mês do
ano de 1843 em que es e e em in e namen o, a é a da a do seu alecimen o. No mês de e e ei o
de 1843, mês em que oi in e nado após o seu diagnós ico, a I mandade gas ou no seu a amen o
87
o mon an e de 2$816. No mês de ma ço de 1843 oi despendido o mon an e de 7$155 no seu
a amen o
88
. Na con abilização da despesa
89
do e cei o imes e de 1843, co esponden e aos
meses de ma ço, ab il e maio desse mesmo ano, icou egis ado que se gas ou com o a amen o
a quan ia de 6$900 éis e com os emédios pa a o mesmo a quan ia de 2$790 éis. Também é
possí el comp o a -se que se encon a a no Hospi al nes e pe íodo de empo a a és do
documen o Dezob igas
90
em que apa ece e e enciado como: “F ancisco Lo delo”
91
. Du an e o
seu pe íodo de in e namen o o En e mei o-Mo
92
do Hospi al e a o Re e endo José Ma ia Hoye .
O I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho eio a alece no Hospi al como o comp o a o seguin e
documen o
93
que e e e: “ alleceo no nosso Hospi al ísico” ( e Figu a 6). Es e documen o
pe mi e-nos ob e a seguin e in o mação sob e o seu alecimen o: a da a, o local, o mo i o pelo
86
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Reque imen os Pa a esmolas pa a admissão
de Capellanias e a ios objec os. Fólio não nume ado nem ub icado. (PT ICPRT IC/A/018/0004).
87
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.16 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
88
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.17 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
89
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.18 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
90
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas, (PT ICPRT IC/0040). É uma
documen ação que os ólios se encon am ub icados, nume ados de o ma sequencial, com calig a ia legí el.
91
ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Dezob igas, l. 33 (PT ICPRT IC/0040)
92
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Te mos e ac as da eleições das Mesas, Te mos de Eleições das
Mesas 1804 a 1863, l. 45 -46 (PT ICPRT IC/A/033/0001)
93
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l. 357 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
52
qual eio a alece , que ecebeu os o ícios que inclusi amen e ica am egis ados no lado esque do
do documen o e que icou sepul ado no Cemi é io da I mandade.
Figu a 6: Regis o de óbi o no Hospi al dos Clé igos em 1843
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os
dos I mãos, l. 357 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
Po ocasião do seu alecimen o, a I mandade dos Clé igos do Po o, gas ou em: “ce a no
En e o do Nosso I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho o mon an e de 2$650 éis”
94
.
Pos e io men e, em julho de 1843, a I mandade egis ou que se gas ou: “em cem Missas pelo
Nosso I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho no Li o da Sac is ia
95
12$000 éis”
96
. No Anexo 8
é possí el obse a o documen o a comp o a que es e I mão ecebeu os Sac amen os e que e e
di ei o a cem missas.
No documen o que a I mandade dos Clé igos designa po Demons ação em que se
dispendeo Despesas não classi icadas exis e uma ub ica com a designação: “No a amen o do
Nosso I mão o Pad e F ancisco Mo ei a de Ca alho no nosso Hospi al 39$175”
97
Na Figu a 7
é possí el e i ica o egis o dessa despesa e da e e ência explíci a ao Hospi al.
94
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.20 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
95
Não oi possí el encon a o seu nome insc i o nos Li os da Sac is ia pelo ac o da sua da a de p odução e mina
no ano de 1836. ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos Clé igos do Po o, Missas da Sac is ia e Ig eja dos Clé igos
(PT ICPRT IC/B/028). Também não oi possí el encon a o seu nome em ICP, IC, Ig eja e Sac is ia da I mandade dos
Clé igos do Po o, Con as da Sac is ia da Ig eja da I mandade dos Clé igos, Caixa da Adminis ação da Sac is ia 1802
a 1844 (PT ICPRT IC/B/028).
96
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.20 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
97
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.21 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
53
Figu a 7: Rub ica egis ada como Despesas não classi icadas
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.21 (PT
ICPRT IC/A/017/0008).
Con udo, nes a análise não se de e conside a que oco e am somen e enca gos inancei os
com o I mão F ancisco Ca alho. De e se ido em conside ação que es e I mão ambém
ep esen ou uma pequena pa cela de ecei a pa a I mandade con o me se pode demons a na
ecei a do e cei o imes e co esponden e aos meses de ma ço, ab il e maio de 1843 em que
icou egis ado: “de dous annuaes do Nosso I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho…$800”
98
.
Adicionalmen e, icou igualmen e egis ada como ecei a co esponden e do mês de junho de
1843: “do Espólio do Nosso I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho…1$920”
99
. O egis o do
espólio é ele an e po que ou o documen o
100
( e Figu a 8) pe mi e con i ma o mon an e do
seu espólio e que aleceu no Hospi al: “Espólio do Nosso I mão alecido no nosso Hospi al o
Re e endo F ancisco Mo ei a de Ca alho…1$920”
Figu a 8: Espólio do I mão Re e endo F ancisco Mo ei a de Ca alho
Fon e: ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso
Hospi al, l. 90 (PT ICPRT IC/C/029/0003).
Pa a inaliza , gos a ia de e e i que em Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3 encon am-se
egis adas minuciosamen e odas as ecei as e odas as despesas que a I mandade dos Clé igos do
Po o em em odas as suas á eas.
4.2. Médico Manoel Joaquim dos San os
Como e e ido no Capí ulo p eceden e o Médico Manoel Joaquim dos San os oi o Médico
que ealizou o diagnós ico do I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho em e e ei o de 1843. Es e
Médico e a na u al da cidade do Po o e ob e e a sua o mação em Medicina na Uni e sidade de
98
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l. 18 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
99
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io n.º3, l.19 (PT ICPRT
IC/A/017/0008).
100
ICP, IC, Hospi al da I mandade dos Clé igos do Po o, Fundo do Hospi al, Li o 3 do Fundo do Nosso Hospi al,
l. 90 (PT ICPRT IC/C/029/0003).

54
Coimb a
101
. Desempenhou um papel ele an e na Sociedade de Sciências Médicas e de Li e a u a
do Po o
102
, pos e io men e designada de Sociedade Li e a ia Po uense, onde nos anos de 1834 e
1835 eio a desempenha as unções de P imei o Sec e á io.
Con o me se pode obse a na Figu a 9 oi admi ido como I mão da I mandade em 13 de
e e ei o de 1841 em que é e e ido: “pa a se admi ido pa a Nosso I mão g a ui amen e com
ob igação de a a os nossos Doen es I mãos Pob es, nas suas molés ias, que den o do Nosso
Hospi al, que em suas p óp ias casas da Habi ação.”
103
Figu a 9: Admissão como I mão do Médico Manoel Joaquim dos San os
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas
e Óbi os dos I mãos, l. 192 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
101
AUC, ELU/UC, Índice de alunos da Uni e sidade de Coimb a 1536/1919-10-08, Le a S, Manoel Joaquim dos
San os 1818-11-11/1821-10-15
102
CARVALHO, D . Augus o da Sil a – O Cul o de S. Cosme e S. Damião em Po ugal e no B asil. His ó ia das Sociedades
Médicas Po uguesas. Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade, 1928. Página 151.
103
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l. 192 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
55
Es e I mão cump iu com a sua ob igação comp o adamen e, pelo menos, numa ocasião,
no a amen o do I mão F ancisco Ribei o de Ca alho, con o me e e ido no Capí ulo
p eceden e.
Na I mandade dos Clé igos desempenhou ou as unções, designadamen e a de Mesá io da
I mandade con o me se comp o a a a és do da sessão de Mesa em 13 de janei o de 1843, onde
é e e ido: “o eque imen o do Nosso I mão Mezá io o Senho Dou o Manoel Joaquim dos
San os.”
104
O Médico Manoel Joaquim dos San os eio a alece em 19 de e e ei o de 1844 e
segundo o documen o de egis o do seu óbi o e a designado po : “I mão Médico Manoel Joaquim
dos San os”. Veio e e i amen e a ecebe odos os o ícios que êm mencionados no lado esque do
do documen o que se pode obse a na Figu a 10 e que igualmen e se podem cons a a no Anexo
9.
Figu a 10: Regis o de Óbi o do Dou o Manuel Joaquim dos San os
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o
das En adas e Óbi os dos I mãos, l. 358 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
Na desc ição
105
que se pode isualiza na Figu a 11 em e e ida a da a da sua admissão
na I mandade dos Clé igos do Po o que oco eu em 13 de e e ei o de 1841.
104
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Meza 1826-1849, l. 27 (PT ICPRT IC/A/034/0001).
105
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Documen os pa icula es de I mãos, Depu ados, l. 100 (PT
ICPRT IC/A/0059).
56
Figu a 11: Ou o Regis o de Óbi o do Dou o Manuel Joaquim dos San os
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Documen os pa icula es de I mãos, Depu ados, l.
100 (PT ICPRT IC/A/0059).
4.3. Médico Luís An ónio Pe ei a da Sil a
Após o alecimen o do Dou o Manoel Joaquim dos San os, a I mandade dos Clé igos do
Po o admi iu ou o Médico. Foi admi ido como I mão da I mandade o Médico Luís An ónio
Pe ei a da Sil a a 3 de ma ço de 1846 sem e a necessidade de paga jóia de en ada em i ude
de e de cump i com o p opósi o de: “ icando ob igado a a a do cu a i o dos nossos I mãos
Pob es, quando i e em doen es, ou seja, na nossa En e ma ia, ou nas suas p óp ias casas.”
106
. Ao
le mos es e documen o (Figu a 12) é possí el ica mos com a noção de que não i ia ob e
emune ação pelo exe cício das suas unções e de de e ia isi a egula men e os doen es: “sem
po isso ecebe emolamen os alguns, isi ando-os com a equência, que exigi em as
en e midades”
107
.
106
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os
dos I mãos, l. 198 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
107
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l. 198 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
57
Figu a 12: Regis o como I mão Dou o Luís An ónio Pe ei a da Sil a
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas
e Óbi os dos I mãos, l. 198 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
Ob e e a sua o mação em Medicina na Uni e sidade de Coimb a
108
. O Médico Luís
An ónio Pe ei a da Sil a oi das igu as médicas mais p oeminen es da sua época. Foi um dos
undado es da Gaze a Médica do Po o. Exe ceu a unção de docen e
109
da segunda cadei a de
Fisiologia e Higiene no pe íodo de empo comp eendido en e 1851 e 1862. A seguin e desc ição
ca ac e iza como e a enca ado en e os seus pa es: “A seu espei o esc e eu um dos mais dis in os
p o esso es da Escola Médico-Ci ú gica: “Digno de ocupa um luga hon oso no g upo dos que
conquis am o espei o dos seus con empo âneos, pela dis inção e hones idade com que se
desempenham dos ca gos que oma am sob e si, Pe ei a da Sil a impunha-se à es ima e simpa ia
de quan os o a a am de pe o, po um pe eg ino conjun o das mais ex emadas qualidades ””
110
.
108
AUC ELU/UC 001 Índice de alunos da Uni e sidade de Coimb a 1536/1919-10-08, Le a S, Luís An ónio Pe ei a
da Sil a 1824-10-30/1827-10-05.
109
RICON - FERRAZ, Amélia – A Real Escola e a Escola Médico-Ci ú gica do Po o. Con ibu o pa a a His ó ia
da Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o. Po o: Uni e sidade do Po o, 2013. Páginas 488 e 490.
110
LEMOS, Maximiano – His ó ia do Ensino Médico no Po o. Po o: Tipog a ia a Vapo da «Enciclopédia
Po uguesa», 1925. Página 135.
64
4.6. Médicos com pagamen o de jóia
Nos nomes da classe médica an e io men e e e idos e i ica-se que em nenhum dos casos
ci ados hou e luga ao pagamen o de uma jóia no momen o de admissão como I mão na
I mandade dos Clé igos do Po o em i ude do p essupos o desses mesmos médicos es a em
disponí eis pa a a a dos I mãos en e mos que iessem a exis i . Con udo, não se de e
conside a que odos os elemen os da classe médica que i essem a p e ensão de i em a o na -
se I mãos da I mandade es i essem isen os do pagamen o de uma jóia. Um dos mais insignes
médicos da Cidade do Po o, ao empo, oi o Dou o José F u uoso Ay es de Gou eia Osó io.
Es e Médico nasceu no Po o a 11 de maio de 1827 e ob e e igualmen e a sua o mação em
Medicina na Uni e sidade de Coimb a
129
. Exe ceu as unções de académico na Escola Médico-
Ci ú gica do Po o em i ude da ca a de lei de 1863 designa que a Medicina Legal cons i uísse
a 11.ª cadei a conjun amen e com a Higiene Pública. “O seu p imei o i ula oi o d . José
F u uoso, que oi despachado po dec e o de 22 de julho daquele ano, omando posse a 3 de
agos o. A ca a de me cê em a da a de 7 de ou ub o.”
130
Também publicou na Gaze a Médica
do Po o, al como o Médico Luís An ónio Pe ei a da Sil a e e ido an e io men e. Uma das
unções que desempenhou e que mais no o iedade lhe con e i am oi o exe cício de unções como
P esiden e da Câma a Municipal do Po o
131
no pe íodo de empo comp eendido en e 2 de janei o
de 1887 e 23 de agos o de 1887. Veio a alece
132
no exe cício do seu manda o.
Na ob a: Os P esiden es da Câma a Municipal do Po o: (1822-2013)
133
, na pa e dedicada
129
AUC ELU/UC 001 Índice de alunos da Uni e sidade de Coimb a 1536/1919-10-08, Le a O, José F u uoso Ai es
Gou eia Osó io.
130
LEMOS, Maximiano – His ó ia do Ensino Médico no Po o. Po o: Tipog a ia a Vapo da «Enciclopédia
Po uguesa», 1925. Página 153.
131
De e se e e ido que não oi o único insigne Médico da Cidade do Po o que exe ceu as unções de P esiden e da
Câma a Municipal do Po o. Ou o ele an e exemplo é o do Dou o Luís José de Pina Guima ães. En e as á ias
unções que desempenhou ao longo da sua ca ei a incluem-se o ac o de e sido dos mais ilus es ep esen an es da
His ó ia da Medicina em Po ugal, de e sido o p imei o Di e o da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
en e 1961 e 1966 e de an e io men e e desempenhado as unções de P esiden e da Câma a Municipal do Po o no
pe íodo de empo comp eendido en e 8 de ma ço de 1945 a 8 de no emb o de 1949. Luís de Pina In Uni e sidade do
Po o, An igos es udan es ilus es da UP, [online]
h ps://siga a.up.p /up/p /web_base.ge a_pagina?p_pagina=an igos%20es udan es%20ilus es%20-
%20lu%C3%ADs%20jos%C3%A9%20de%20pina%20guima %C3%A3es [Consul ado a 20 de se emb o de 2015 às
10h 22] e Luís de Pina In Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o, Museu de His ó ia da Medicina
Maximiliano Lemos, Sala Luís de Pina [online] h p://museumaximianolemos.med.up.p /index.php [Consul ado a 20
de maio de 2015 às 10h 30]
132
Não o am encon adas quaisque e e ências a o ícios ou o o de pesa pelo seu alecimen o em ICP, IC, Mesa da
I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io. 1887 a 1888, (PT ICPRT IC/A/017/0020) nem em
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Li o das Ac as e Delibe ações de Mesa, (PT
ICPRT IC/A/034/0004).
133
SOUSA, Fe nando (coo d.) – Os P esiden es da Câma a Municipal do Po o: (1822-2013). Po o: CEPESE –
Cen o de Es udos da População Economia e Sociedade, 2013. Páginas 299 a 304.

65
a sua pe sonalidade são e e idas as inúme as hon as com que oi gala doado assim como o as o
conjun o de ins i uições
134
a que pe enceu. Con udo, não é e e ido nes a ob a, nem em nenhuma
ou a o seguin e ac o. O Dou o José F u uoso Ay es de Gou eia Osó io oi igualmen e admi ido
I mão
135
da I mandade dos Clé igos do Po o
136
. Na Ac a da Sessão da Mesa de 25 de julho de
1874 é e e ido: “ Depois o i mão Sec e á io p opôs pa a i mãos (…) Dou o José F uc uoso Ay es
de Gou eia (…) o am unanimemen e ap o ados.”
137
Toda ia, como no seu pedido de admissão
não cons a a que iesse a u iliza os seus p és imos no auxílio a I mãos en e mos que i essem
necessidade, o Dou o e e de paga uma jóia de admissão
138
no mon an e de 30$000 éis. (Anexo
12). É de e e i que em Admissão dos I mãos, num ólio não nume ado nem egis ado, es e
mon an e oi egis ado como endo sido pago no dia 24 de Agos o de 1873 (Anexo 13). Con udo,
no Li o de Ma ículas e En adas é e e ido que só oi admi ido como I mão a 24 de agos o de
1874. Apesa de se uma igu a conhecida da sua época em i ude de desempenha á ios ca gos
em di e sas ins i uições e de o seu nome su gi egula men e nos pe iódicos po uenses da época,
o ac o de se um I mão da I mandade dos Clé igos do Po o, pode i a se um con ibu o
adicional pa a se conhece mais ap o undadamen e es a pe sonalidade médica. É igualmen e
possí el ica a conhece -se a igu a des a pe sonalidade médica a a és de um desenho que se
pode obse a no Anexo 14.
De e igualmen e se salien ado que es e não oi o único caso de um Médico que pagou uma
jóia de admissão pa a se admi ido como I mão da I mandade dos Clé igos. No deco e da
segunda me ade do século XIX, oi admi ido como I mão da I mandade dos Clé igos o Ba ão de
Cas elo, An ónio da Cos a Pai a, que oi ap o ado em Sessão da Mesa de 14 de se emb o de
1872, con o me se pode cons a a no elemen o documen al En adas e Óbi os dos I mãos, Li o
134
“Segundo Maximiano Lemos, o p incipal se iço de Gou eia Osó io p es ado à ciência e à cul u a nacionais
elacionou-se com a undação e o desen ol imen o da Sociedade de Ins ução do Po o (1880).” RICON - FERRAZ,
Amélia – A Real Escola e a Escola Médico-Ci ú gica do Po o. Con ibu o pa a a His ó ia da Faculdade de
Medicina da Uni e sidade do Po o. Po o: Uni e sidade do Po o, 2013.Páginas 187 e 188.
135
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o de Ma ículas e En adas,
l. 34 egis o 66 (PT ICPRT IC/A/004/0003).
136
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o de Ma ículas e En adas, (PT
ICPRT IC/A/004/0003) A admissão de i mãos obedece a uma o ma p é-de inida. Cada olha es á di idida em ês
colunas, sendo cada uma das colunas co esponden e espe i amen e a Nomes dos I mãos, Da a da Admissão,
Obse ações. Os ólios não se encon am ub icados e encon am-se nume ados no can o supe io esque do. Numa no a
esc i a localizada no lado esque do é possí el le : “Pagou de Jóia Réis 30$000”
137
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa , Li o das Ac as e Delibe ações de Mesa, l.
46 (PT ICPRT IC/A/034/0004).
138
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Casas da Rua de Redemoinhos, Admissão dos I mãos, ólio
não nume ado nem ub icado.
(PT ICPRT IC/A/0097).
66
de Ma ículas e En adas, l. 16 egis o 30. Te e a necessidade de paga uma jóia de admissão no
mon an e de 30$000 pa a se admi ido como I mão da I mandade dos Clé igos. Só oi possí el
sabe que es a pe sonalidade desempenhou o o ício de Médico a a és de lei u as con ex uais, que
pe mi i am inclusi amen e ob e a in o mação de que a pa i de 1880 oi ins i uído um p émio
escola a a és do legado, com a sua designação, do Ba ão de Cas elo de Pai a, que de e ia se
a ibuído ao aluno da Escola Médico-Ci ú gica Po uense que demons asse maio des eza nas
ope ações ci ú gicas ou nas dissecações ana ómicas do co po humano.
Con udo, o p imei o caso egis ado de um Médico que e e de paga pa a pode i a se
admi ido como I mão, oco eu num pe íodo an eceden e. O pedido o mal pa a se admi ido como
I mão oi o seguin e: “Aos no e de agos o de mil se ecen os e se en a e um annos ap esen ou (…)
despacho Alexand e Sil es e de Fa ia e Cas o o mado em Medicina, na u al da eguesia de S.
José de Fe mi as de Tocan ins, Bispado do Rio de Janei o, e mo ado na Rua das Taipas, eguesia
da Vic o ia des a cidade.”
139
No seu pedido de admissão e e e explici amen e: “ eque endo
que ia assigna e mo de I mão na o ma dos Secula es, is o es a admi ido e que além dos
duzen os mil éis da a de esmola cinquen a mil éis”
140
Nes e seu pedido de admissão não é
e e ido que pode á e como unção a assis ência a I mãos que se encon assem na condição de
en e mos. No documen o de admissão que é possí el e i ica no Anexo 15 ambém se cons a a
que na coluna do lado di ei o oi esc i o pa a dissipa quaisque dú idas que pudessem exis i : “
En ada 200$000 Esmola 50$000”
141
Pa a inaliza gos a ia de e e i que es e médico sendo
na u al do B asil, ob e e a sua o mação em Medicina na Uni e sidade de Coimb a
142
.
Es es são os ês únicos casos conhecidos e egis ados de memb os da classe médica que
pa a e em a possibilidade de se o na em I mãos da I mandade dos Clé igos do Po o i e am de
paga uma jóia de admissão.
4.7. Ob as de eno ação no Hospi al em 1856
Ao le mos a ob a: “O igens da Ci u gia Po uense” da au o ia do P o esso He nâni
Mon ei o podemos depa a com o seguin e egis o: “O p imei o en e mo en ou a 2-III-1754 e o
139
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l. 31 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
140
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l. 31 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
141
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, En adas e Óbi os dos I mãos, Li o das En adas e Óbi os dos
I mãos, l.31 (PT ICPRT IC/A/004/0002).
142
AUC ELU/UC Índice de alunos da Uni e sidade de Coimb a 1536/1919-10-08, Le a C 1537/1912-01-03,
Alexand e Sil es e de Fa ia e Cas o
67
úl imo de que i egis o oi ecolhido em 9-VI-1828. Como há mui os anos já aquela dependência
es i esse o almen e abandonada e bas an e de e io ada.”
143
Ao le mos es a passagem pode emos
ica com a ideia de que após 1828 não oco e am mais nenhumas ob as de manu enção ou de
eno ação no espaço do Hospi al.
Con udo, oco e am algumas ob as de melho ia do espaço ísico do Hospi al como o
comp o am as seguin es medidas. Na A a da Sessão da Mesa de 8 de ma ço de 1856 oi e e ido
que: “O I mão Sec e á io pediu au o ização pa a se comp a em camas de e o pa a a nossa
En e ma ia inu ilizando-se as que p esen emen e há po se acha em mui o dani icadas ao que a
Mesa anuiu, assim como ambém pa a que se a e de a anja a En e ma ia o quan o an es.”
144
Es a decisão oi ão ele an e que na A a da Sessão da Mesa de 28 de maio de 1856 se:
“De e minou a mesma Mesa que o I mão Sec e á io ap on asse o quan o an es a nossa En e ma ia
a im de se acha capaz de unciona em qualque e en ualidade, izesse ecolhe à mesma odos
os as es que lhe pe encessem e se acham ex a iados, assim como não consen isse que as cha es
da mesma es i essem o a da Sec e a ia nem que possa pessoa alguma de as u iliza e das salas
des inadas unicamen e des inadas ao cu a i o de Nossos I mãos.”
145
Es as ob as o am e e i amen e ealizadas con o me o comp o am os ecibos
146
que podem
se consul ados no Anexo 16.
Es as ob as co esponde am a uma despesa o al de 35$010 co esponden es à soma de ês
ecibos: o ecibo n.º 11 de agos o de 1856 no mon an e de 11$130 p eço pago po ês a essei os
e ês a essei inhas e o ecibo n.º 12 de agos o de 1856 no mon an e de 15$000 que co esponde
a con a do Ensamblado assim como o ecibo n.º 13 de agos o de 1856 no mon an e de 8$880
despendido no d oguis a, com in as pa a a En e ma ia. Todos es e ecibos azem as despesas po
pa cela e é possí el e i ica o quan o oi gas o e em que ma e iais. O mon an e o al de 35$010
é igualmen e con i mado po ou a on e documen al
147
que e e e especi icamen e: “Repa os na
En e ma ia…35$010” Es e documen o ambém é possí el obse a no Anexo 17.
143
MONTEIRO, P o . He nâni – O igens da Ci u gia Po uense. Po o: A aújo & Sob inho, 1926. Página 137
144
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as 1849 a 1863, l. 20 (PT ICPRT
IC/A/034/0002)
145
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as 1849 a 1863, l. 22 . (PT ICPRT
IC/A/034/0002)
146
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólios não
nume ados nem ub icados (PT ICPRT IC/A/016/0014).
147
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Con as de 1854 a 1867, l.7 (PT ICPRT
IC/A/017/0011).
68
Adicionalmen e, hou e a despesa de 20$320 que é a con a do Pin o pela ob a
148
da
En e ma ia e do Edi ício que é igualmen e possí el de se cons a a no Anexo 17. T a a-se do
ecibo n.º 9 de agos o de 1856 no mon an e de 20$320.
É possí el ob e igualmen e in o mação de que po ocasião da Celeb ação da Fes i idade
de Nossa Senho a da Assumpção em agos o de 1856 gas ou-se a quan ia de $960 éis de la a o
Co inado da En e ma ia e a quan ia de $900 paga aos homens que es i e am de gua da na
En e ma ia, Sec e a ia e ao Relógio da To e.
Com es es documen os p e ende-se demons a que após 1828 a I mandade exp essou
alguma p eocupação com as condições o e ecidas pela En e ma ia aos seus possí eis en e mos e
en ou e i a a sua de e io ação com os ecu sos que inha à sua disposição. Após es as ob as a
que oi sujei a a En e ma ia, a impo ância da I mandade p ossegui com a sua ob a assis encial
é exp essa na A a da Sessão da Mesa de 18 de e e ei o de 1861: “de manei a alguma pode echa
as po as do seu Edi ício a Eclesiás icos que enham necessidade de ab igo, é es e o mo i o,
po que a I mandade em empos emo os concedeu asilo den o do seu edi ício (…) aos mino is as
José dos San os, F ancisco Mo ei a de Ca alho Lo dello”
149
4.8. Hospi al e assis ência nos no os Es a u os de 1871
A I mandade dos Clé igos do Po o sen ia uma necessidade de e e e a ualiza os seus
Es a u os
150
. Essa necessidade é possí el de cons a a na A a da Sessão da Mesa de 10 de ou ub o
de 1870 onde é e e ido: “ O mesmo Senho P esiden e ponde ou mais a impossibilidade de se
da cump imen o a uma g ande pa e do Es a u o po que a ualmen e se ege es a I mandade,
impossibilidade econhecida po di e en es Mesas ansa as, como se dep eende de algumas a as
das suas sessões, em que chega ão a nomea Comissão pa a a e isão do mesmo Es a u o e
con eção de um no o, e po an o julga a necessá io e a é indispensá el que o mesmo osse
e o mado ou elabo ado um no o”
151
Foi nes a Sessão da Mesa o am designados os memb os
que e iam como Missão e o mula ou elabo a um no o Es a u o: “Depois de la ga discussão
148
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io 3. 1841 a é 1863, l. 148 (PT
ICPRT IC/A/017/0009).
149
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as 1849 a 1863, l. 54 (PT ICPRT
IC/A/034/0002). No inal da ansc ição é e e ido o nome de F ancisco Mo ei a de Ca alho que inha sido e a ado
no Capí ulo 4.1.
150
Os Es a u os mais an igos da I mandade dos Clé igos que são possí eis de acede e consul a e e em-se ao ano de
1782 con o me se pode e i ica no ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade,
Es a u os da I mandade, (PT ICPRT IC/A/026/0001).
151
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Li os das Ac as e Delibe ações de Mesa, l.
18 (PT ICPRT IC/A/034/0004).
69
esol eu-se que o mesmo osse e o mado ou elabo ado um no o, e pa a isso p opunha que se
nomeasse uma Comissão. Depois de la ga discussão esol eu-se po unanimidade que o Es a u o
ca ecia de e o ma, e que desse abalho icassem enca egados o Senho P esiden e, eu
Sec e á io, com mais ês Mesá ios da escolha do mesmo Senho P esiden e”
152
.
Os no os Es a u os
153
o am ap o ados na sessão do De ini ó io ge al de odos os I mãos
em 26 de julho de 1871 onde icou exp esso que: “E logo o Re e endíssimo P esiden e o denou
ao Sec e á io que p ocedesse à lei u a do e e ido p oje o, a igo po a igo, subme endo-se à
discussão do De ini ó io, e depois dele igo osamen e discu i oi publicamen e ap o ado com
pequenas al e ações, icando compos o de onze capí ulos e in e e oi o a igos e seus pa ág a os
(…) e mo de ap o ação que oi assinado po odos os I mãos p esen es.”
154
Na possibilidade do Hospi al e da sua unção de assis ência ao I mãos En e mos não
de i essem nes e pe íodo uma ele ância simila a que possuí am em épocas an e io es se ia de
supo que nos no os Es a u os, elabo ados e ap o ados, não ossem dignos de menção. Con udo,
ao analisa mos os Es a u os de 1871 é possí el cons a a que o Hospi al é explici amen e e e ido
no Capí ulo II e e en e aos Di ei os e ob igações de odos os I mãos no A igo 1.º alínea 6.º: “A
se admi ido no Hospi al, quando doen e, ou aos soco os de médico e bo ica e de um subsidio
que a Mesa lhe a bi a , quando p e i a se a ado em casa.”
155
. É igualmen e abo dado no A igo
1.º alínea 8.º: “A assis ência de um Capelão
156
nas suas doenças g a es ou es eja no Hospi al ou
em sua casa.”
157
Adicionalmen e, o Capí ulo V compos o po qua o a igos e espe i as alíneas é
exclusi amen e dedicado aos Clé igos Pob es e Hospi al con o me se pode e i ica : “A igo 1.º
alínea 1.º Os Clé igos pob es, ainda mesmo que não sejam I mãos, de em se soco idos, quando
152
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Li os das Ac as e Delibe ações de Mesa, l.
18 (PT ICPRT IC/A/034/0004).
153
Os Es a u os de 1871 podem se consul ados em ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da
I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos do Po o 1871, (PT ICPRT IC/A/026/0005) e em ICP, IC, Mesa da
I mandade dos Clé igos, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade, (PT ICPRT IC/A/026/0006).
154
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Li os das Ac as e Delibe ações de Mesa, l.
20 (PT ICPRT IC/A/034/0004).
155
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1871, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/026/0005).
156
Os Es a u os de 1871 ambém são possí eis de se em consul ados em ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do
Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos do Po o 1871, (PT ICPRT IC/A/026/0006). Nes e
Fundo no l. 5 que se e e e ao Capí ulo II A igo 1.º alínea 8.º o e mo Capelão é subs i uído pelo e mo P esby e o: “
A assis ência de um P esby e o nas suas doenças g a es, es eja no Hospi al ou em sua casa.” Idên ica subs i uição do
e mo Capelão pelo e mo P esby e o oco e no Capí ulo V, A igo 1.º, alínea 2.º con o me se e i ica no ICP, IC, Mesa
da I mandade dos Clé igos do Po o, – Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos do Po o 1871,
l. 7 (PT ICPRT IC/A/026/0006).
157
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1871, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/026/0005).

70
a I mandade o possa aze . Alínea 2.º Assis indo-lhes nas duas doenças g a es um capelão. Alínea
3.º Fazendo-lhes o seu en e o, segundo a esc i u a exa ada nas no as de abelião des a cidade,
João Rod igues Cha es, em 16 de se emb o de 1649. A igo 2.º Todos os nossos I mãos pob es
se ão a ados e soco idos nas suas doenças em suas casas, ou admi idos no nosso Hospi al,
quando elas não sejam con agiosas. A igo 3.º Ao P esiden e e Sec e á io incumbe admi i
qualque I mão ou Clé igo pob e, quando assim lhe seja eque ido e e i icada a iden idade da
pessoa, e a qualidade de molés ia. A igo 4.º O Hospi al es a á debaixo da imedia a iscalização
do P esiden e, Sec e á io e de um I mão depu ado
158
, que no seu mês o isi a á dia iamen e.”
159
Pa a inaliza no Capí ulo IX ela i o a Mesa, Jun a Consul i a e De ini ó io no A igo 1.º alínea
n.º 8 e e e: “ À Mesa (…) cump e: (…) A elabo ação dos egulamen os in e nos, designadamen e
(…) do Hospi al, no que semp e se á ou ida a Jun a Consul i a.”
160
Con udo, nes es Es a u os de 1871 em nenhum pon o ou alínea é e e ido a designação de
En e mei o ou de En e mei o-Mo , o que e en ualmen e, pode á cons i ui uma possí el
explicação pa a o ac o de a pa i de 1871 não mais e sido elei o algum En e mei o-Mo , como
abo dado num Capí ulo p eceden e. As únicas e e ências a En e mei o-Mo oco em na pa e
inal do documen o
161
, nas assina u as dos I mãos que es i e am p esen es na Sessão, em que
icou egis ado que An ónio José Soa es En e mei o-Mo e José Joaquim Ba bosa Lima ex-
En e mei o-Mo ap o a am es es no os Es a u os.
No e-se que a e e ência ao Hospi al desapa ece nos Es a u os
162
de 1911 em que
nomeadamen e o Capí ulo V se passa a designa po Bene iciência, designação essa que pe du a
nos Es a u os
163
de 1913.
158
A pa e inal des a ase oi modi icada pa a: “de um dos I mãos depu ados, que o isi a á dia iamen e nos mezes
que lhe o em designados.” con o me se pode e i ica em ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os
da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos do Po o 1871, l. 8 (PT ICPRT IC/A/026/0006).
159
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1871, ólio não nume ado nem ub icado (Código de e e ência PT ICPRT IC/A/026/0005).
160
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1871, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/026/0005).
161
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1871, l.17-18 (PT ICPRT IC/A/026/0006).
162
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1911, ólios não nume ados nem ub icados (PT ICPRT IC/A/026/0007).
163
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Es a u os da I mandade, Es a u os da I mandade dos Clé igos
do Po o 1913, l.4 (PT ICPRT IC/A/026/0008).
71
4.9. Hospi al como ins umen o iscal
O Hospi al pode ia não possui doen es in e nados, mas se ia como elemen o undamen al
pa a que a I mandade in ocasse a isenção do pagamen o de impos os jun o das ins âncias
compe en es, nes e caso o Bai o O ien al do Po o, con o me o demons a o seguin e documen o
de 1883 (Anexo 18). São duas as azões em que se baseia a pe ição da I mandade dos Clé igos
do Po o pa a in oca a isenção do pagamen o da décima dos ju os, sendo que a p imei a azão
in ocada se baseia p ecisamen e no ac o de possui um Hospi al, que ambém o designa pelo
e mo albe gue.
“São dous os undamen os des a isempção: 1.º - po que como ins i uição de ca idade e
bene icência, a I mandade é des inada a soco e uma classe nos casos de indigência, ha endo po
isso no Edi ício da I mandade um hospi al ou albe gue, des inado a ecolhe e a a os clé igos
pob es, mesmo que não sejam i mãos, sal o quando es es p e i am ecebe os soco os em seus
domicílios, es ando po isso a I mandade p o egida a I mandade p o egida pelas leis que isen am
de décima de ju os os capi ais dos hospi ais e albe ga ias.”
164
Nes e undamen o é explicado o
modo de uncionamen o da unidade hospi ala . A I mandade p ossegue a explanação das suas
azões in ocando que inham: “sido a é hoje isen os da décima de ju os e nunca os mu uá ios
o am po al mo i o incomodados. Pe manecendo pois os mesmos undamen os, bem como a
legislação aplicá el, que não oi al e ada, e ac escendo que, embo a a décima seja lançada aos
de edo es, e não à I mandade, em odo o caso em es a a se indi e amen e p ejudicada.”
165
Como se e i ica, o Hospi al nes a al u a desempenha a a ele an e unção de
ins umen o iscal, independen emen e de e ou não doen es, num con encioso ju ídico, pa a que
a I mandade pudesse con inua a usu ui do bene ício iscal de isenção do pagamen o da décima
de ju o como inha acon ecido a é essa ocasião.
4.10. Fase inal da exis ência do Hospi al dos Clé igos
A ualmen e, as e e ências ao Hospi al dos Clé igos oco em no sen ido do pa imónio
que ep esen a, mas as unções pa a as quais oi o iginalmen e concebido desapa ece am nos anos
in e do século XX. Um a o que con ibuiu de o ma decisi a pa a que o Hospi al dos Clé igos
164
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Di e sos O icios di igidos à Mesa, ólios não
nume ados nem ub icados (PT ICPRT IC/A/018/0003).
165
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Di e sos O icios di igidos à Mesa, ólios
não nume ados nem ub icados. (PT ICPRT IC/A/018/0003).
72
deixasse de se uma unidade hospi ala oi a decisão omada na Sessão de 18 de agos o de 1924
sob a P esidência do Cónego An ónio Joaquim Pe ei a. Nessa Sessão oi omada a seguin e
delibe ação: “O Re e endíssimo P elado p eocupado com a ideia de consegui casa pa a alguns
sace do es, que deseja conse a nes a cidade, onde di icilmen e encon a iam habi ação, isi a a
como P esiden e da I mandade o nosso edi ício e ao e a in e ma ia e sac is ia anexa
comple amen e inu ilizadas e bas an e de e io adas, se lemb a a de as ap o ei a pa a di idi em
qua os e ealiza assim o seu desejo.”
166
No e-se que es a ans o mação da uncionalidade do
espaço ísico da en e ma ia não i ia aze cus os pa a a I mandade: “Comp ome ia-se a aze
odas as ob as necessá ias sem despesa alguma pa a a I mandade, mas necessi a a do
consen imen o da Mesa.”
167
O necessá io consen imen o oi ob ido: “Discu ido o assun o
esol eu-se po unanimidade secunda os desejos do Re e endíssimo P elado, sem enca go algum
pa a a I mandade”
168
Na Sessão de Mesa de 12 de ma ço de 1925 ica a-se a sabe a e olução
das ob as e o espe i o cus o: “ A in e ma ia oi oda soalhada e di idida em 3 qua os; da sac is ia
da in e ma ia ize a-se um qua o e e o ma a-se a cozinha
169
desse co edo que se encon a a
em péssimo es ado. Fica am, pois, nesse co edo , além do qua o do Capelão, uma cozinha, sala
de jan a e qua o qua os. Em es as ob as dispendia o Re e endíssimo P elado 9886$68 escudos,
sendo 780$68 escudos na ins alação elé ica, e o es o nas ou as ob as.”
170
Adicionalmen e, o
Bispo ac escen ou um desejo ao pedido que inha e e uado na Sessão da Mesa de 18 de agos o de
1824 que se elaciona a com o di ei o de p e e ência dos sace do es que pode iam habi a nessas
ins alações: “Que ia, po ém, ago a Seu Re e endíssimo que esses qua os ossem ese ados de
p e e ência pa a P o esso es do Seminá io ou pa a Sace do es
171
que i essem p es ado ou ainda
p es em se iços ao seminá io.”
172
Es e seu desejo oi ap o ado pelos memb os da Mesa.
Con udo, apesa des a ap o ação al não signi ica que enha sido des a o ma p ocessado como se
166
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l. 75 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
167
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l. 75 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
168
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l. 75 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
169
Es a cozinha, em i ude da sua localização, mui o p o a elmen e de e e sido a cozinha u ilizada pa a se aze em
as e eições pa a os ocupan es doen es da En e ma ia. A ualmen e, uma pessoa ao isi a a Ig eja e a To e dos Clé igos
não encon a nenhuma e e ência po que não exis e nenhuma indicação do espaço ísico onde se localiza a es a
cozinha. Pe cebe-se é que es a cozinha oi o único compa imen o do espaço da en e ma ia que não oi modi icado na
sua unção.
170
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l.76 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
171
Con udo, es es Sace do es ambém e iam de supo a algumas despesas con o me inha sido es ipulado na mesma
Sessão da Mesa: “os sace do es esiden es nesses qua os que não pode iam ap o ei a pa a seu uso objec os da
I mandade ou ou as dependências sem au o ização da Mesa, de endo paga a luz e a água que consumissem bem como
uma quan ia que lhes osse es ipulada, pa a emune a os emp egados pelos se iços que e ão de p es a aos sace do es
dos e e idos qua os.” ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l.76 (PT ICPRT
IC/A/034/0005).
172
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l. 76 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
73
pode cons a a a a és do o ício de 5 de junho de 1925 em que é possí el ob e mos conhecimen o
de um possí el li ígio en e o Bispo da Diocese e a Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o
mo i ado pela escolha da p imei a pessoa a usu ui do di ei o de esidi nas no as ins alações:
“Pa a bene icia os p o esso es ex e nos dos Seminá ios, en endi-me com a Mesa da I mandade
dos Clé igos, e à cus a da Diocese, manda aze e epa a , nas dependências da Ig eja da
I mandade, alguns qua os, cozinha, e c. Não e a, nem podia se minha in enção bene icia mais
ninguém, sob e udo pessoas secula es (…) Sei ago a que já mais alguém lá se encon a ins alado,
sem au o ização minha, e sem disso me se dado conhecimen o. Venho po isso nes e o ício, o
seguin e: 1.º As ob as o am ei as com dinhei o da Diocese; 2.º Os qua os só de em se
u ilizados po p o esso es ex e nos dos Seminá ios, ou ainda po qualque sace do e, que, em
i ude de se iços que es eja enca egado pelo P elado, seja julgado digno de ecebe al
bene ício.”
173
No início des e o ício o P elado não e e e o espaço ísico da En e ma ia que oi o
local que so eu as maio es ans o mações. Es e possí el li ígio oi comple amen e esol ido
con o me se pode cons a a na A a da Sessão da Mesa de 7 de junho de 1925: “ Lido o o ício,
esol eu-se o icia a Sua Re e endíssima Excelência pa icipando que inham sido cump idos os
seus espei á eis desejos.”
174
Es a campanha de ob as é o culmina de uma ans o mação uncional do espaço que inha
sido o iginalmen e concebido pa a acolhe uma ins i uição hospi ala .
Pouco empo após a En e ma ia deixa a sua uncionalidade a I mandade dos Clé igos
ecebe um o ício de 6 de junho de 1925 emi ido pelas Jun as de F eguesia do Po o a pedi
au o ização pa a a To e dos Clé igos se iluminada e dessa o ma a I mandade dos Clé igos ica
associada à celeb ação do cen ená io da Régia Escola Médica do Po o
175
que se i ia celeb a a 25
de junho de 1925.
Na a ualidade é possí el isi a o espaço ísico que co espondia à an iga en e ma ia,
ago a ans o mado em Museu. Inse ido no âmbi o das comemo ações dos 250 anos da To e dos
Clé igos, o complexo a qui e ónico compos o pela Ig eja e To e dos Clé igos, oi sujei o a um
as o conjun o de ob as de equali icação no pe íodo de empo comp eendido en e 23 de
dezemb o de 2013 e 12 de dezemb o de 2014, da a da sua eabe u a ao público. En e os á ios
espaços que uma pessoa pode pe co e no seu in e io encon a-se a an iga en e ma ia que se
173
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Co espondência Recebida, O icios di igidos à I mandade, l.
209 (PT ICPRT IC/A/027/0004).
174
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Ac as da Mesa, Ac as, l. 77 (PT ICPRT IC/A/034/0005).
175
ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Co espondência Recebida, O icios di igidos à I mandade, l.
210 (PT ICPRT IC/A/027/0004) e au o ização concedida em ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos,
Co espondência Recebida, O icios di igidos à I mandade, l. 213 (PT ICPRT IC/A/027/0004).
80
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nob es, undações de Con en os, Ca alogos dos Bi pos, an iguidades, ma a ilhas da
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.
83
84
Anexos
85
Anexo 1 Assis ência Domiciliá ia ao I mão Nicolau Nasoni
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).

86
Gas os com o anspo e do Co po de Nicolau Nasoni no mon an e de 2$460
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).
87
Gas o com a a mação da casa pela mo e de Nicolau Nasoni no mon an e de 1$600
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).
88
Gas o com a mo alha que en ol eu o co po de Nicolau Nasoni
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).
Acompanhamen o de Nicolau Nasoni a é a sua sepul u a
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1759 a é
1783, ólio nume ado 12 não ub icado (PT ICPRT IC/A/A016/0001).
89
96

97
Anexo 4 Salá ios dos Ajudan es En e mei o que es a am nou os Recibos
98
99
Anexo 5 Re e ência ao Hospi al em 1837
Re e ência em 1837 a admi i in e namen o do I mão Joaquim Jozé da G aça no Hospi al
da I mandade dos Clé igos do Po o.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Recibos dos annos de 1834 a é
1841 pa a 1842, l. 166 (PT ICPRT IC/A/016/0005).
100
Anexo 6 I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho. Súplica de 1841
Fon e: Fundo IC - I mandade dos Clé igos do Po o, Secção A – Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o,
Sé ie 016 – Con as e Recibos, Documen o compos o 0005 –Recibos dos annos de 1834 a é 1841 pa a 1842,
(PT ICPRT IC/A/016/0005).
101
Anexo 7 Pedido de Admissão no Hospi al 1843
Pedido do I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho de Fe e ei o de 1843 em que in o ma:
“que se acha g a emen e en e mo e sem meios de subsis ência alguma” No can o supe io
esque do é e e ido o nome do Médico da I mandade o Dou o Manuel Joaquim dos San os. No
lado di ei o do documen o é possí el e i ica o diagnós ico ealizado pelo Dou o Manuel
Joaquim dos San os ao I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho no dia 22 de e e ei o de 1843 após
e sido equisi ado pelo P esiden e da Mesa em 21 de e e ei o de 1843.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Reque imen os Pa a esmolas pa a
admissão de Capellanias e a ios objec os. Fólio não nume ado nem ub icado. (PT ICPRT IC/A/018/0004).

102
Imagem ampliada do diagnós ico ealizado pelo Dou o Manoel Joaquim dos San os
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Reque imen os Pa a esmolas pa a
admissão de Capellanias e a ios objec os. Fólio não nume ado nem ub icado. (PT ICPRT IC/A/018/0004).
103
Anexo 8 O ícios pelo I mão F ancisco Mo ei a de Ca alho.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Documen os Pa icula es de I mãos, Óbi os, l. 5
(PT ICPRT IC/A/0052).
104
Anexo 9 O ícios Religiosos pelo Médico Manoel Joaquim dos San os.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e Recibos, Di e sas con as e Recibos, ólio
não nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0006).
105
Anexo 10 Re a o do Dou o Luís An ónio Pe ei a da Sil a
Fon e: LEMOS, Maximiano – His ó ia do Ensino Médico no Po o. Po o: Tipog a ia a Vapo da «Enciclopédia
Po uguesa», 1925. Página 135. Desenho da au o ia do P o esso Dou o Abel Salaza .
112
Anexo 16 Recibos das ob as de bene iciação do Hospi al em 1856.

113
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e ecibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólio não
ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0014).
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e ecibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólio não
ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0014).
114
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e ecibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólio não
nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0014).
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e ecibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólio não
ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0014).
115
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Con as e ecibos, Di e sas Con as 1855 a 1856, ólio não
nume ado nem ub icado (PT ICPRT IC/A/016/0014).
116
Anexo 17 Con i mação do mon an e o al das ob as de 1856
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Con as de 1854 a 1867, l.7 (PT
ICPRT IC/A/017/0011).
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Diá ios e Caixa Ge al, Diá io 3. 1841 a é 1863, l. 148 ( PT
ICPRT IC/A/017/0009).
117
Anexo 18 O ício emi ido pela I mandade dos Clé igos do Po o a a gumen a
a con inuação da isenção do pagamen o da décima de ju o.
Fon e: ICP, IC, Mesa da I mandade dos Clé igos do Po o, Reque imen os, Di e sos O icios di igidos à Mesa, ólios

118
não nume ados nem ub icados (PT ICPRT IC/A/018/0003).