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Estimulação elétrica e corpo humano: estimulação elétrica do nervo tibial no tratamento da bexiga hiperativa

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Estimulação elétrica e corpo humano: estimulação elétrica do nervo tibial no tratamento da bexiga hiperativa

Author: Joana Isabel Portela Dias
Year: 2016
DOI: 10.34626/87m2-nc82
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/82222/2/37804.pdf
I
Disse ação ap esen ada ao Ins i u o de Ciências Biomédicas Abel Salaza pa a ob enção do g au
de Mes e em Medicina
TÍTULO:
Es imulação Elé ica e Co po Humano: Es imulação Elé ica do Ne o Tibial no T a amen o da
Bexiga Hipe a i a
ESTUDANTE:
Nome comple o: Joana Isabel Po ela Dias
Nº de aluno: 200908140
Con ac o Tele ónico: +351934665068
Co eio Ele ónico: [email protected]
ORIENTADOR:
Nome comple o: Ma ia João No ais de Sousa And ade
G au académico: Dou o ada em Ciências Médicas pelo Ins i u o de Ciências Biomédicas Abel
Salaza
Tí ulo p o issional: P o esso a Associada Con idada
Junho de 2015
II
Resumo
INTRODUÇÃO: A es imulação elé ica uncional consis e na aplicação de co en es elé icas a
ecidos po encialmen e exci á eis de o ma a subs i ui ou ajuda a ecupe a unções pe didas,
em pa ologias di e sas. Uma das o mas de ecupe ação oco e a a és da indução de al e ações
isiológicas pe manen es, melho ando o es ado de exci abilidade dos ecidos a longo p azo. A
bexiga hipe a i a é uma pa ologia que a e a milhões de pessoas, cujas di iculdades no a amen o
a macológico le a am à in es igação do e ei o e apêu ico da es imulação elé ica, com
esul ado a o á eis.
OBJETIVOS: Elabo a uma e isão ace ca das aplicações e apêu icas das co en es elé icas no
co po humano, numa pe spe i a a ual e u u a. Como exemplo p á ico se á desen ol ida a
u ilização da es imulação elé ica pe cu ânea do ne o ibial no a amen o da bexiga hipe a i a.
METODOLOGIA: Foi ealizada uma pesquisa na base de dados PubMed, seleção e análise de
a igos cien í icos publicados nes a á ea.
DESENVOLVIMENTO: Os bene ícios da aplicação de co en es elé icas ao co po humano são
conhecidos há séculos e êm sido amplamen e u ilizados. Uma das aplicações da es imulação
elé ica uncional, ecen e, mas com e icácia comp o ada, é a es imulação pe cu ânea do ne o
ibial pa a a amen o de bexiga hipe a i a. A explicação cien í ica pa a os esul ados ob idos
con inua, no en an o, em in es igação. O aumen o do conhecimen o a a és de á ias á eas de
in es igações em e elado no as aplicações po encialmen e e apêu icas pa a as co en es
elé icas.
CONCLUSÃO: O campo das aplicações das co en es elé icas ao co po humano encon a-se em
cons an e e olução. Mui as des as aplicações e ela am-se bené icas, mas mais es udos são
necessá ios pa a melho comp eensão da isiologia subjacen e.
PALAVRAS-CHAVE: Es imulação Elé ica Te apêu ica, Es imulação Elé ica Funcional, Bexiga
Hipe a i a, Es imulação Pe cu ânea do Ne o Tibial, Es imulação T anscu ânea, Pe spe i a
His ó ica, Fu u as Aplicações
III
Abs ac
INTRODUCTION: Func ional elec ical s imula ion is he applica ion o elec ic cu en s o
po en ially exci able issues o eplace o help eco e los unc ions in mul iple diseases. One o
he ways o eco e y occu s h ough induc ion o pe manen physiological changes, imp o ing
he issue exci abili y in long e m. O e ac i e bladde is a condi ion ha a ec s millions o
people and whose di icul ies in he pha macological ea men led o he in es iga ion o he
he apeu ic e ec o elec ical s imula ion, wi h good esul s.
OBJECTIVES: This s udy aims o de elop a e iew o he he apeu ic applica ions o elec ical
cu en s in he human body, in cu en and u u e pe spec i es. As a p ac ical example we will
de elop he use o pe cu aneous elec ical s imula ion o he ibial ne e in he ea men o
o e ac i e bladde .
METHODS: A sea ch o scien i ic a icles published in his a ea was made in PubMed da abase,
ollowed by i s selec ion and de ailed analysis.
DEVELOPMENT: The bene i s o applying elec ical cu en o he human body a e known
cen u ies ago and hese ha e been widely used. One o he ecen applica ions o unc ional
elec ical s imula ion, wi h p o en e icacy, is pe cu aneous ibial ne e s imula ion o
ea men /symp oma ic elie in pa ien s wi h o e ac i e bladde . Howe e , he scien i ic
explana ion o hese esul s is s ill in esea ch. Inc eased knowledge h ough scien i ic esea ch
has e ealed new po en ial he apeu ic applica ions o he elec ic cu en s.
CONCLUSION: The ield o elec ic cu en s applica ion in he human body is cons an ly e ol ing.
Many o hese applica ions ha e p o en o be bene icial, bu mo e s udies a e needed o be e
unde s and he unde lying physiology.
KEYWORDS: Elec ic S imula ion The apy, Func ional Elec ical S imula ion, O e ac i e
Bladde , Pe cu aneous Tibial Ne e S imula ion, T anscu aneous S imula ion, His o ical
Pe spec i e, Fu u e Di ec ions
IV
Ag adecimen os
À minha o ien ado a, P o . Dou o a Ma ia João And ade, pela disponibilidade e
o ien ação, e pelo con ibu o pa a a minha o mação.
À minha amília, po odo o amo e alo es de empenho e dedicação que semp e me
incu i am.
Aos meus amigos, pela o ça, ajuda e paciência, indispensá eis pa a a conc e ização des a
e apa.
V
Índice
In odução .............................................................................................................................. 1
Es imulação Elé ica e Co po Humano: Pe spe i a His ó ica ............................................... 2
P incípios da Es imulação Elé ica Funcional ....................................................................... 3
Aplicações Te apêu icas da Es imulação Elé ica ................................................................. 4
Bexiga Hipe a i a e Es imulação Elé ica do Ne o Tibial Pos e io ................................... 7
Fu u as Aplicações Te apêu icas da Es imulação Elé ica .................................................. 12
Conclusão ............................................................................................................................ 15
Re e ências .......................................................................................................................... 16

1
In odução
A es imulação elé ica uncional (EEF) é a u ilização de co en es elé icas em ecidos
po encialmen e exci á eis de o ma a subs i ui ou ecupe a unções pe didas em indi íduos
com pa ologias di e sas, essencialmen e do o o neu ológico. A e olução ecnológica em sido
de al o ma acen uada que, de momen o, exis em já di e sos disposi i os em come cialização,
que pe mi em a es au ação de unções das ex emidades supe io es, ex emidades in e io es,
bexiga, in es ino, sis ema ca dio ascula e sis ema espi a ó io. Po ezes, a es imulação elé ica
uncional pe mi e ainda uma melho ia a longo p azo do es ado de exci abilidade dos ecidos,
a a és da indução de al e ações isiológicas que pe manecem após a es imulação. A es e
p ocesso dá-se o nome de neu omodulação, is o é, modulação elé ica ou ísica de um ne o,
com o obje i o de in luencia o compo amen o isiológico de um ó gão [1,2].
A “In e na ional Socie y o Con inence” (ICS) de ine bexiga hipe a i a como a p esença
de u gência u iná ia, habi ualmen e acompanhada de equência e noc ú ia, com ou sem
incon inência u iná ia de u gência, na ausência de in eções do a o u iná io ou ou a pa ologia
ób ia [3]. A p e alência da bexiga hipe a i a a ia en e os 7% e os 27% pa a o sexo masculino e
en e 9% e 43% pa a o sexo eminino, a e ando assim milhões de indi íduos em odo o mundo.
[4] Es a pa ologia é habi ualmen e a ada a a és de á macos an i-musca ínicos ou eeducação
do pa imen o pél ico; no en an o, em mui os casos, os sin omas pe sis em ou os e ei os la e ais
dos á macos são in ole á eis, o que le a a uma diminuição conside á el na qualidade de ida
des es doen es e abandono da e apêu ica. Assim, é ácil comp eende a necessidade da p ocu a
de opções e apêu icas e icazes e pouco in asi as, como a es imulação elé ica pe cu ânea do
ne o ibial e elou se em di e sos es udos, azão pela qual es a écnica neu omodulado a oi
ap o ada pela FDA (Food and D ug Adminis a ion), em 2010, pa a o a amen o da bexiga
hipe a i a [3,5].
Es e abalho isa desen ol e uma e isão ace ca das di e en es aplicações
po encialmen e e apêu icas das co en es elé icas ao co po humano ac uais e u u as e
ocaliza -se, como exemplo p á ico, na es imulação do ne o ibial no a amen o da bexiga
hipe a i a.
2
Es imulação Elé ica e Co po Humano: Pe spe i a His ó ica
A capacidade de alguns animais em ge a ele icidade e a conhecida e explo ada pa a
e ei os cu a i os desde a An iguidade. Sc ibonius La gus (14-54 d.C.), na Roma An iga, u iliza a
choques elé icos p oduzidos po aias, pa a a a di e sos sin omas e doenças, incluindo
ce aleias, go a e di e en es ipos de pa alisia [7].
O uso e apêu ico da ele icidade e a, em meados do século XVIII, algo ela i amen e
ecen e. A explo ação de possí eis aplicações medicinais iniciou-se após a demons ação da
acumulação de ca ga elé ica na denominada ga a a de Leyden, po Pe e Musschenb oek, em
1746. Em Pa is, Nolle (1700-1770) publicou as suas obse ações dos e ei os biológicos da
ele icidade, nomeadamen e após a ealização de di e sas expe iências com elinos e a es,
cons a ando que es es pe diam peso após o p ocesso de “ele i icação”. En e an o, Jean Jallabe
(1712-1768), em Geneb a, ela a a o a amen o bem sucedido da pa alisia com a u ilização de
choques elé icos [6].
Em 1791, Luigi Gal ani (1737-1798) publica um documen o, no qual desc e e di e sas
expe iências que le am a c e que a p odução de con ação muscula é possí el a a és de
es ímulos elé icos. Assim, su ge o denominado gal anismo, de inido na época como a
"ele icidade animal", ou seja, a aplicação e/ou u ilização de co en es elé icas po o ganismos
i os. Gio ani Aldini, sob inho e de enso acé imo de Gal ani, passou uma g ande pa e da sua
ida a ealiza expe iências com o obje i o de p o a a e acidade das a i mações p o e idas
pelo seu io, su p eendendo os seus con empo âneos com as espe acula es demons ações de
“ eanimação gal ânica”. Aldini ela ou ambém a eabili ação comple a de doen es com
dis ú bios de pe sonalidade após adminis ação ansc aniana de co en es elé icas. Em 1804, é
publicado, em Pa is, o “Essai Théo ique e Expe imen al su le Gal anisme”, com desc ições e
ilus ações das di e sas expe iências le adas a cabo po Aldini du an e a úl ima década do século
XVIII, inspi ando assim di e sos cien is as a desen ol e no as écnicas de ele o e apia [7].
A séne d’A son al (1851-1940), p o esso de bio ísica em Pa is, in es igou as espos as
biológicas às co en es elé icas e oi o esponsá el pela c iação da p imei a unidade clínica pa a
a amen os com co en es elé icas de al a equência, já em 1895, ma cando assim o
apa ecimen o da ele o e apia mode na [6].
Du an e a década de 1940, o depa amen o de gue a dos Es ados Unidos da Amé ica (US
Wa Depa men ) in es igou a aplicação da es imulação elé ica pa a e a da e p e eni a a o ia
muscula , a a és da aplicação dos denominados exe cícios gal ânicos, que aplica am uma
3
co en e di e a com onda mono ásica, às mãos a o iadas de doen es após lesão ci ú gica do
ne o cubi al [8].
Em 1961, su ge o p imei o es imulado elé ico uncional, c iado po Libe son, pa a
p e enção da queda do pé em doen es hemiplégicos, iniciando-se en ão o ad en o da es imulação
elé ica uncional [9]. A pa i des a da a, o am iniciados di e sos ensaios, com o obje i o de
desen ol e um es imulado uncional pa a uso humano com capacidade pa a p o oca a i idade
siné gica em á ios músculos. Es es es o ços o am acele ados nos inais da década de 80 e
início da década de 90. No en an o, se o obje i o inicial des a ecnologia e a ga an i a
possibilidade de uma maio mobilidade a doen es com lesões medula es incapaci an es,
pos e io men e, com os a anços da engenha ia biomédica, o umo da es imulação elé ica
uncional al e ou-se conside a elmen e, endo de momen o uma g ande a iedade de aplicações,
a a és de disposi i os desen ol idos pa a es imulação dos sis emas musculo-esquelé ico,
ca dio ascula , espi a ó io, gas oin es inal, u iná io e sis ema ne oso cen al [1,8].
P incípios da Es imulação Elé ica Funcional
Impulsos elé icos aplicados aos ne os êm capacidade de inicia po enciais de ação,
a a és da despola ização das memb anas celula es dos neu ónios que se encon am mais
p óximos do local onde oco e a es imulação. Se a despola ização a ingi o ní el c í ico
necessá io, o in luxo de iões de sódio do componen e ex acelula pa a o espaço in acelula
p oduz um po encial de ação, com capacidade de p opagação. Os po enciais de ação que se
p opagam dis almen e são ansmi idos a é à junção neu omuscula , p o ocando con ação das
ib as muscula es. Pa a que a es imulação elé ica seja e icaz é necessá io que os neu ónios
pe i é icos aos quais o es ímulo é aplicado es ejam in ac os, desde os co nos da medula espinal
a é à junção neu omuscula [1].
Os p incipais componen es de um sis ema de es imulação elé ica uncional são a on e de
ele icidade po á il (ba e ia eca egá el), mic op ocessado (unidade de con olo), o
es imulado , ios, elé odos e/ou senso es [10].
A es imulação elé ica pode se ealizada a a és de elé odos supe iciais/ anscu âneos
(segu os e ba a os, mas o seu co e o posicionamen o pode se di ícil e a pele a ua como a o de
impedância), pe cu âneos (baixo isco de in eção e o mação de g anuloma) ou implan á eis
(melho es pa a uso a longo-p azo; exigem in e enção ci ú gica pa a colocação) [10]. A
4
es imulação elé ica eque a p esença de, pelo menos, dois elé odos, pa a p odução de um luxo
de co en e elé ica: um elé odo a i o, colocado p óximo do ne o pe i é ico que se p e ende
es imula e um elé odo de e e ência, colocado numa á ea com ecido menos exci á el, como
endão ou áscia (con igu ação monopola ) ou colocado p óximo do elé odo a i o (con igu ação
bipola ) [1].
O componen e p incipal de um sis ema de es imulação elé ica uncional é o
mic op ocessado , que de e mina como e quando a es imulação é ealizada, sendo capaz de ge a
uma sé ie de impulsos elé icos que, de manei a ge al, imi am os impulsos ne osos que
a a essam no malmen e a medula espinal e os ne os pe i é icos ap op iados [9].
Os pulsos de co en e elé ica aplicados na es imulação sob a o ma de onda
ca ac e izam-se essencialmen e po ês pa âme os, nomeadamen e a equência do pulso, a
ampli ude e a sua du ação, sendo que os esul ados ob idos são con olados a a és da
manipulação des es ês pa âme os. Uma equência mui o baixa esul a na p odução de uma
sé ie de pequenas con ações (“ wi ches”); acima de uma de e minada equência ( equência de
usão; equen emen e, acima de 12 a 15 Hz) a espos a passa a se uma con ação sua e, mas
equências mais al as (ge almen e acima dos 70 Hz), além de p oduzi em con ações muscula es
mais o es, ambém podem conduzi a uma axa mais ele ada de adiga muscula , azão pela
qual es as equências mais ele adas são, ge almen e, e i adas. O aumen o da ampli ude e/ou da
du ação do es ímulo, po sua ez, é capaz de aumen a o núme o de unidades mo o as a i adas,
aumen ando consequen emen e a o ça da con ação muscula [1].
Rela i amen e às o mas de onda dos es ímulos elé icos aplicados, es as são ge almen e
mono ásicas (pulsos epe idos unidi ecionais, ge almen e no sen ido do cá odo) ou bi ásicas
(pulsos epe idos com uma ase ca ódica/nega i a, que p oduz po enciais de ação nos axónios
p óximos, seguida de uma ase anódica/posi i a, que equilib a a ca ga do p imei o pulso, com o
obje i o de e e e os p ocessos ele oquímicos po encialmen e ne as os pa a os ecidos que
podem oco e na in e ace elé odo- ecido du an e o es ímulo p imá io) [1].
Aplicações Te apêu icas da Es imulação Elé ica
Hoje em dia, com o desen ol imen o de no os e so is icados disposi i os, a es imulação
elé ica em múl iplas aplicações e apêu icas comp o adas e com u ilização co en e,
11
sessões de es imulação êm uma du ação de 30 minu os, sendo ealizadas com uma equência
semanal, du an e 10-12 semanas [18,19,27].
A es imulação pe cu ânea do ne o ibial é conside ada uma écnica e icaz, com melho ia
sin omá ica compa á el à dos á macos an i-musca ínicos [28], e ela i amen e inócua, uma ez
que não ap esen a e ei os ad e sos majo ; na e dade, os únicos e ei os ad e sos ela ados na
li e a u a são, do ligei a a mode ada e equimose no local de inse ção da agulha e pa es esias
[18,27]. A maio pa e dos es udos de ende, ainda, a necessidade de a amen o de manu enção
ocasional, com base nos sin omas desen ol idos pelos doen es ao longo do empo, após o
a amen o inicial [18,29]. Um es udo publicado em 2011, ealizado em ga os, demons ou que a
es imulação epe ida de cu a du ação do ne o ibial induz um e ei o inibi ó io que pe sis e após
a es imulação e aumen a a capacidade esical, o que pa ece esul a da modulação di e a do
cen o pon ino da micção ou da sup essão do inpu a e en e desse mesmo ci cui o [30]. Os
esul ados do es udo STEP, publicado em 2013, e ela am que a es imulação pe cu ânea do
ne o ibial é uma e apêu ica segu a e e icaz na edução dos sin omas da bexiga hipe a i a, a é
um pe íodo de 3 anos, com uma média de um a amen o mensal, após o p o ocolo inicial de 12
semanas [31].
A es imulação pe cu ânea do ne o ibial em, con udo, um incon enien e, uma ez que
exige equen emen e a deslocação dos doen es a é ao gabine e médico, com uma equência
semanal du an e um pe íodo conside á el de empo, o que pode se um impo an e a o de
abandono da e apêu ica. Como al, di e sos es udos p ocu a am a alia a possí el e icácia da
es imulação anscu ânea do ne o ibial, a qual pode ia se ealizada no domicílio. Nes e caso, o
campo elé ico é c iado en e dois elé odos de supe ície, sendo necessá ia uma maio co en e
elé ica, de o ma a ul apassa a impedância da pele [29]. Um es udo de 2014 demons ou que a
es imulação anscu ânea dos ne os do pé e o nozelo em a capacidade de adia a sensação de
p eenchimen o da bexiga e aumen a signi ica i amen e a capacidade esical em indi íduos
saudá eis (sem sin omas de bexiga hipe a i a) [32]. A es imulação anscu ânea do ne o ibial
pa ece, pois, se uma opção e apêu ica p omisso a e não in asi a, após alha do a amen o an i-
musca ínico; no en an o, a u ilização de uma in ensidade supe io pode le a ao ec u amen o de
uma maio quan idade de ne os a e en es, conduzindo à sensação de do que, po sua ez, pode
se esponsá el po uma es imulação subó ima [29,33]. São, po an o, necessá ios mais es udos
nes e con ex o, pa a de e minação da du ação, in ensidade e pad ão ideais de es imulação.

12
Fu u as Aplicações Te apêu icas da Es imulação Elé ica
Com o ápido desen ol imen o ecnológico que se e i ica a ualmen e, é ácil
comp eende a cons an e in odução de no os e so is icados sis emas de Es imulação Elé ica
Funcional, nomeadamen e com componen es cada ez mais minia u izados, elé odos mais
e icazes e con igu ações de sis ema aplicá eis a uma eno me a iedade de si uações clínicas,
no a elmen e mais complexas. Os disposi i os de EE, po exemplo, são cada ez mais
uncionais e, ambém, cada ez mais a aen es es e icamen e, es ando em desen ol imen o
sis emas a ançados de con olo das mesmas, nomeadamen e sis emas de con olo sem ios [1,10].
Po ou o lado, a cons a ação da p esença e impo ância undamen al dos campos
elé icos endógenos du an e o desen ol imen o p ecoce, nomeadamen e du an e o
desen ol imen o do Sis ema Ne oso em e eb ados e na cica ização de e idas conduziu à
p opos a e pos e io in es igação da possíbilidade de u ilização da es imulação elé ica no campo
e apêu ico egene a i o [9,34,35]. Na e dade, os campos elé icos in luenciam uma g ande
di e sidade de p ocessos celula es in i o, como con olo do ciclo celula , mig ação e
p oli e ação celula , c escimen o axonal, epa ação epi elial de e idas, egene ação ecidual,
es abelecimen o da assime ia co po al, en e ou os [35,36].
Co en es Elé icas e Neu o egene ação
Após uma lesão ne osa, os axónios que o am a ancados do co po celula so em um
p ocesso, denominado degene ação Walle iana, com agmen ação e desin eg ação celula , que
le a alguns dias. Es e p ocesso oco e an o no Sis ema Ne oso Pe i é ico como no Sis ema
Ne oso Cen al e é seguido de in il ação de células do sis ema imunológico que êm como
p incipal papel a limpeza dos es os celula es. No Sis ema Ne oso Pe i é ico, as células de
Schwann ci cundan es exp essam p o eínas que es imulam e guiam o c escimen o axonal e
consequen e eine ação; no en an o, es e mecanismo é mui as ezes inadequado, conduzindo a
uma egene ação incomple a, aquando de lesões de la ga escala ou quando es ão p esen es
g andes quan idades de es ígios celula es e eações in lama ó ias [34].
Po ou o lado, no Sis ema Ne oso Cen al, a ecupe ação após lesão pa ece se mui o
mais a a e di ícil, o que le ou mui os cien is as a conside a a p esença de um dé ice in ínseco
de egene ação ne osa a ní el cen al. No en an o, há ce ca de um século, o neu ologis a
espanhol Ramon y Cajal concluiu que a incapacidade de egene ação do Sis ema Ne oso
Cen al se de ia à ausência de ce os a o es p omo o es de c escimen o [9,34]. Es a conclusão
13
ab iu um eno me leque de possibilidades e conduziu a uma g ande di e sidade de in es igações
e ensaios com o obje i o de pe mi i uma egene ação axonal ápida e e icaz, p incipalmen e ao
ní el da medula espinal.
A aplicação de co en es elé icas às lesões medula es oi, en ão, p opos a como uma
o ma de p omo e e guia o c escimen o axonal. Es a ideia oi apoiada po di e sos es udos in
i o e in i o, pos e io men e ealizados, endo-se concluído que a aplicação de um g adien e de
ol agem em e ei os ó icos, com capacidade de di eção do c escimen o de neu i os (p ojeções
p ecoces dos neu ónios) em di eção ao cá odo e, ainda, de acele ação do c escimen o ne oso
[37]. Es es e ei os pa ecem se mediados ia ece o es de memb ana e mensagei os secundá ios,
como adenilciclase e neu opép idos. A di eção do campo elé ico pa ece se c ucial pa a o e ei o
bené ico e i icado; o cá odo pa ece in luencia posi i amen e a ecupe ação a a és de edução
dos e ei os ci odes u i os das co en es endógenas de cálcio que se e i icam nos neu ónios
lesionados [9,34].
Os esul ados a o á eis em modelos animais, nomeadamen e em cobaias e cães, le a am
ao desen ol imen o de um ensaio clínico de ase 1, com 10 doen es, endo como p incipal
obje i o a a aliação da segu ança do p ocedimen o. Uma ez que a colocação do cá odo medial
ou dis almen e à lesão apenas pe mi i ia a egene ação numa di eção, oi desen ol ido e
u ilizado um es imulado implan ado com pola idade oscilan e a cada 15 minu os, p e iamen e
es ado em modelo canino. Concluiu-se, pois, que o p ocedimen o e a segu o e os esul ados
posi i os a ní el sensi i o e mo o p e êem a po encial e icácia do mé odo, embo a a amos a
seja bas an e in e io ao necessá io pa a in e i conclusões. Como al, a FDA pe mi iu o
ec u amen o de mais doen es [38]. Es e segundo ensaio clínico, com 14 doen es, assegu ou mais
uma ez a segu ança do p ocedimen o, com esul ados p omisso es, salien ando-se a necessidade
de mais ensaios clínicos com amos as maio es [39].
Co en es elé icas e Canc o
Já no século XXI, abalhos na á ea do canc o, e ela am que campos elé icos com
co en e al e nada (1 V/cm, 100-300 kHz) e am capazes de inibi o c escimen o de cul u as de
células umo ais e melanomas de a os e, a é mesmo, de células de glioblas omas al amen e
malignos em humanos, o que pa ece de e -se a uma in e e ência com a polime ização de
mic o úbulos, que, po sua ez, conduz a inibição do ciclo mi ó ico [36,40]. Embo a ainda
ela i amen e pouco se saiba ace ca da in luência da aplicação de co en es elé icas no con olo
14
da p oli e ação, di e enciação e mig ação de células umo ais, uma maio in es igação nes e
campo é impo an e pa a a c iação de no as e p omisso as abo dagens e apêu icas ao canc o.
Co en es elé icas e Bioengenha ia de ecidos
A es imulação elé ica, a a és da sua capacidade de alinhamen o e o ien ação do
c escimen o celula , pode se aplicada à c iação e desen ol imen o de ecidos biológicos,
ab indo assim no as possibilidades na á ea da bioengenha ia e pe mi indo uma maio
complexidade no design des es ecidos. Po ou o lado, a sua capacidade de induzi a p odução e
libe ação de a o es de c escimen o po pa e das células eduz a necessidade de u ilização
des es a o es de c escimen o e/ou de ou os es ímulos mais dispensiosos na p odução de ecidos
biológicos, eduzindo assim os cus os de odo o p ocesso [41].
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Conclusão
O conhecimen o dos e ei os bené icos e e apêu icos das co en es elé icas no se
humano em já uma ampla his ó ia. Esse conhecimen o aliado ao desen ol imen o cien í ico
pe mi e, a ualmen e, comp eende um pouco melho a sua a uação e as suas possí eis aplicações.
A ualmen e, a es imulação elé ica é u ilizada pa a o a amen o ou alí io de uma g ande
a iedade de sin omas e pa ologias, com aplicações a quase odos os sis emas do co po humano,
que pa a subs i uição ou ecupe ação da unção, que po mecanismos de neu omodulação, is o
é, a a és da indução de al e ações isiológicas que pe manecem após a es imulação, conduzindo
a uma melho ia a longo p azo do es ado de exci abilidade dos ecidos.
No en an o, mui as das aplicações e apêu icas da es imulação elé ica pe manecem sem
explicação cien í ica conc e a, apesa dos seus esul ados comp o ados e da sua u ilização
ecomendada po guidelines in e nacionais, como é o caso da es imulação pe cu ânea do ne o
ibial pa a o a amen o da bexiga hipe a i a.
Hoje em dia, as po encialidades da es imulação elé ica con inuam em cons an e
e olução, nomeadamen e com o desen ol imen o de apa elhos de EEF com ele ada
complexidade, capazes de es au a di e sas unções, mas ambém com possí eis aplicações a
ní el de neu o egene ação, abo dagens e apêu icas do canc o e bioengenha ia de ecidos. São
necessá ios mais es udos pa a melho a a comp eensão dos mecanismos de ação subjacen es a
es es e ei os bené icos, assim como pa a o melho en endimen o das condições ideais da sua
u ilização, de modo a acili a a sua u ilização em g ande escala.
De qualque modo, es a se á, sem dú ida, uma á ea de g ande desen ol imen o num
u u o mui o p óximo; daí a impo ância do seu es udo e conhecimen o, de endo-se conside a
se iamen e a inclusão da sua abo dagem nos cu sos de Medicina.
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