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As Arquiteturas do milho e do trigo: diálogos circunstanciais com a luz do lugar

Abstract

A arquitetura vernacular constitui uma forma de construção que nasce de um conjunto de conhecimentos adquiridos a partir da vivência e interpretação do lugar, pelo que a sua forma é a síntese construtiva dos fatores circunstanciais do seu ambiente. Esta arquitetura é materialização naturalista da experiência humana acerca do território, a forma mais genuína da sua posição face à natureza do seu habitat. A arquitetura vernacular é uma elaboração específica, dado que diferentes lugares demonstram uma resposta particular à questão do habitar, soluções próprias incitada por razões de sobrevivência, de adaptação às circunstâncias do lugar. A presente dissertação centra-se na mutabilidade formal e construtiva de elementos vernaculares dispostos em pontos do território português com diferentes características, de forma a indagar a relação estabelecida entre a arquitetura e o seu lugar. De um ponto de vista mais restritivo, a investigação ambiciona a análise das do milho e do trigo que a arquitetura vernacular portuguesa desenvolve na adaptação ao ambiente no qual se encontra inserida. O estudo fenomenológico do lugar presume a compreensão inicial dos principais aspetos sob os quais são inquiridos os casos de estudo. Entre todos os aspetos enunciados, a luz é indubitavelmente a característica mais perene de um lugar. A configuração de um território pode alterar-se ao longo do tempo, espaços abertos podem ser reconfigurados, os materiais de construção podem deixar de ser constringidos a um local, porém a luz natural não pode ser exportada ou estandardizada, será sempre uma constante imutável. Assim sendo, a luz solar, com os seus distintos padrões e ritmos, possui um papel essencial na construção da atmosfera característica de um lugar. Segundo esta premissa conduz-se uma análise comparativa entre duas tipologias arquitetónicas vernaculares, relacionadas com a cultura do milho e do trigo, com programas e funções semelhantes, mas que devido às suas condições geográficas, apresentam características formais e construtivas completamente distintas. O sequeiro e o celeiro português são duas tipologias arquitetónicas relacionadas com circunstâncias próprias da atividade agrícola, nomeadamente o cultivo do milho e do trigo, presentes no norte e no Centro do país, subjacentes a paisagens com condições espaciais particulares. O confronto destas duas formas tipológicas de regiões distintas que exibem programas semelhantes empreende-se na construção de um corpo teórico e crítico sobre a interpretação do espaço pela necessidade do Homem.

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As Arquiteturas do milho e do trigo: diálogos circunstanciais com a luz do lugar

Author: Catarina Alexandra Pedro Machado
Year: 2016
DOI: 10.34626/96cy-th75
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/85303/2/142141.pdf
1
Ca a ina Machado
Disse ação de Mes ado In eg ado em A qui e u a
Faculdade de A qui e u a da Uni e sidade do Po o
O ien ado : P o esso a Dou o a Cla a Pimen a do Vale
2016
AS ARQUITETURAS DO MILHO E DO TRIGO
Diálogos Ci cuns anciais com a Luz do Luga
3
Es ou e e namen e g a a a odas as pessoas que, di e a ou indi e amen e, con ibuí am pa a a
ealização des e abalho, em especial,
à P o esso a Dou o a Cla a Pimen a do Vale pela o ien ação e discussão cons u i a ao longo da
elabo ação do abalho,
aos meus pais, pela dedicação e es o ço, sem os quais udo is o não se ia possí el,
ao B uno pelo acompanhamen o cons an e e pela e isão cuidada do ex o,
aos meus amigos, pela pa ilha de uma expe iência comum e pelos deba es que semp e en iquecem
o abalho.
AGRADECIMENTOS
Ve nacula a chi ec u e cons i u es a o m o cons uc ion bo n om a se o capabili ies acqui ed
om he in e p e a ion o he place. The o m is he cons uc i e syn heses o he ci cums an ial alues
o i s en i onmen . The e nacula cons uc ion is he na u al ma e ializa ion o he human expe ience
abou he e i o y, an ins ance ela ion wi h he na u e o is habi a . This a chi ec u e is a speci ic
elabo a ion; di e en places c ea e di e en esponses, pa icula a chi ec onic solu ions inci ed by
means o adap a ion o ins inc s o su i al and com o .
The p esen hesis ocus on he o mal and cons uc i e mu abili y o e nacula elemen s disposed
in opposi e landscapes o he Po uguese e i o y, wi h pa icula se s o physical cha ac e is ics, wi h
he aim o analyse he di e en shapes o shading, illumina ion and en ila ion ha he Po uguese
e nacula a chi ec u e de elops on he adap a ion o he buil en i onmen on wi ch i s inse ed.
The phenomenological s udy o he place p esumes he unde s anding o he p incipal aspec s
o e which a e inqui ed he s udy cases. Among all he physical aspec s, he ligh is he mos pe ennial
elemen om a place. The con igu a ion o a e i o y can change h oughou ime, open spaces can be
econ igu ed, he cons uc ion ma e ials can no longe be es ic ed o a si e, bu na u al ligh canno be
expo ed o changed, i ’s a cons an sou ce o ene gy. Na u al ligh is he e o e, wi h i s dis inc pa e ns
and hy hms, and essen ial piece on he cons uc ion o he place’s a mosphe e.
Acco ding o his p emise i s conduc ed a compa a i e analysis be ween o a chi ec onic ypes,
ela ed o he co n and oa p oduc ion, whose p og am and unc ion a e simila , bu due o hei
geog aphic condi ions hey p esen o mal and cons uc i e cha ac e is ics comple ely di e en . The
Po uguese sequei o and he ba nya d a e wo a chi ec onic ypes bounded o speci ic ci cums ances
o he u al ac i i y, p esen in he No h and cen e o he coun y, connec ed o landscapes wi h spa ial
condi ions p ede e mined by his unc ion. The con on a ion o hose wo egions, he No h o A lan ic
in luence and he cen e o Medi e anean in luence pe mi s he cons uc ion o a c i ical and heo e ic
basis o he in e p e a ion o na u al space by he need o Man.
ABSTRACT
5
A a qui e u a e nacula cons i ui uma o ma de cons ução que nasce de um conjun o de
conhecimen os adqui idos a pa i da i ência e in e p e ação do luga , pelo que a sua o ma é a sín ese
cons u i a dos a o es ci cuns anciais do seu ambien e. Es a a qui e u a é ma e ialização na u alis a
da expe iência humana ace ca do e i ó io, a o ma mais genuína da sua posição ace à na u eza
do seu habi a . A a qui e u a e nacula é uma elabo ação especí ica, dado que di e en es luga es
demons am uma espos a pa icula à ques ão do habi a , soluções p óp ias inci ada po azões de
sob e i ência, de adap ação às ci cuns âncias do luga .
A p esen e disse ação cen a-se na mu abilidade o mal e cons u i a de elemen os e nacula es
dispos os em pon os do e i ó io po uguês com di e en es ca ac e ís icas, de o ma a indaga a elação
es abelecida en e a a qui e u a e o seu luga . De um pon o de is a mais es i i o, a in es igação
ambiciona a análise das do milho e do igo que a a qui e u a e nacula po uguesa desen ol e na
adap ação ao ambien e no qual se encon a inse ida.
O es udo enomenológico do luga p esume a comp eensão inicial dos p incipais aspe os sob os
quais são inqui idos os casos de es udo. En e odos os aspe os enunciados, a luz é indubi a elmen e
a ca ac e ís ica mais pe ene de um luga . A con igu ação de um e i ó io pode al e a -se ao longo do
empo, espaços abe os podem se econ igu ados, os ma e iais de cons ução podem deixa de se
cons ingidos a um local, po ém a luz na u al não pode se expo ada ou es anda dizada, se á semp e
uma cons an e imu á el. Assim sendo, a luz sola , com os seus dis in os pad ões e i mos, possui um
papel essencial na cons ução da a mos e a ca ac e ís ica de um luga .
Segundo es a p emissa conduz-se uma análise compa a i a en e duas ipologias a qui e ónicas
e nacula es, elacionadas com a cul u a do milho e do igo, com p og amas e unções semelhan es,
mas que de ido às suas condições geog á icas, ap esen am ca ac e ís icas o mais e cons u i as
comple amen e dis in as. O sequei o e o celei o po uguês são duas ipologias a qui e ónicas
elacionadas com ci cuns âncias p óp ias da a i idade ag ícola, nomeadamen e o cul i o do milho e
do igo, p esen es no no e e no Cen o do país, subjacen es a paisagens com condições espaciais
pa icula es. O con on o des as duas o mas ipológicas de egiões dis in as que exibem p og amas
semelhan es emp eende-se na cons ução de um co po eó ico e c í ico sob e a in e p e ação do
espaço pela necessidade do Homem.
RESUMO

A a qui e u a e nacula é o p odu o das elações do Homem com o meio na u al em que i e,
uma ação que se aduz que pela u ilização dos ma e iais locais na cons ução, como pela adoção de
soluções o mais e cons u i as ajus adas a essa mesma na u eza. Uma a qui e u a do senso comum,
in eg ada e acional, onde não su ge a opo unidade pa a adoção de soluções g a ui as. P e alece a
aus e idade, a adap ação ao meio, a adição en aizada que le a à adoção de ipos mu á eis, nunca
soluções eplicadas. Os modelos e nacula es espondem a si uações e necessidades conc e as,
c iando-se um diálogo a i o en e as o mas e o e i ó io.
O abalho dedica-se à p ocu a iden i á ia dos elemen os sob e os quais se unda a a qui e u a
e nacula po uguesa, undamen os sob e os quais a a qui e u a con empo ânea se possa apoia pa a
es abelece uma elação especí ica com a sua en ol en e. Ques iona-se a pe inência de anspo os
alo es e p ocessos da expe iência e nacula , numa e a de globalização e dependência ecnológica, na
qual a endência é pa a a homogeneização das cul u as e consequen emen e dos modos de cons ui .
Emp eende-se a en a i a de econhece e ep esen a uma sín ese das o mas a qui e ónicas ou
disposi i os que ap esen am uma adap ação da a qui e u a e nacula u al po uguesa às condições
luminosas do espaço. O obje o de es udo passa po uma seleção de casos cuja o ma demons a uma
p eocupação com a p o eção sola em di e en es pon os de ocupação do e i ó io, sendo possí el
disce ni ,dos exemplos e a ados, as mu ações egionais associadas à localização dos obje os. Pelo que
se desen ol e um es udo ipológico de um elemen o p esen e na a qui e u a e nacula po uguesa,
eco en e em egiões ca ac e is icamen e an agónicas, com a unção de secagem e a mazenamen o
do milho e do igo, duas das p incipais on es de subsis ência da população em e i ó io de in luência
a lân ica e de in luência medi e ânica.
No p imei o capí ulo p ocu a-se iden i ica as ca a e ís icas que condicionam as o mas
e nacula es. A de inição do concei o de Genius Loci inci a a p ocu a de uma conjun u a sob e a qual
se pode ealiza um inqué i o à a qui e u a e nacula po uguesa. Um es udo ipológico le an a
uma ques ão me odológica. Pa a a in es igação não se limi a a desc e e aspe os ac uais como
e idências empí icas susce í eis de uma in e p e ação na u al, oi necessá io iden i ica um c i é io que
es u u asse o p opósi o do le an amen o: a luz na u al. A ap oximação da a qui e u a e nacula e do
luga sob o pon o de is a analí ico da luz, le a ao deb uça sob e a enomenologia da luz e do luga .
No segundo capí ulo posiciona-se o es udo ace aos abalhos p é-exis en es na ma é ia da
a qui e u a e nacula , a ní el in e nacional e nacional. Desc e e-se uma ap oximação gene alizada ao
campo de es udo, examinando-se as ca ac e ís icas endógenas da a qui e u a e nacula po uguesa
INTRODUÇÃO
7
como o clima, os ma e iais, a opog a ia e os modos de ida. Deco en es des a análise são iden i icadas
as p incipais o mas a qui e ónicas que nascem em diálogo com as p op iedades endógenas dos
di e en es luga es.
O e cei o capí ulo e qua o cons i ui o le an amen o imp essi o da adap ação ipológica
do sequei o e do celei o em dois pon os do e i ó io po uguês, cuja paisagem admi e di e en es
ca ac e ís icas ísicas, modos de ida e es u u as económicas. O campo de in es igação coincide a
no e com um espaço de in luência A lân ica, a aixa de e i ó io en e o io Dou o e o io A e onde é
eco en e a p esença de sequei os, e a sul com um espaço de in luência Medi e ânica, posicionados
na bacia inundá el das ma gens do Tejo, ica em es u u as de celei o. A con ex ualização da
o ma ipológica na conjunção da explo ação u al e da casa da la ou a po uguesa, assim como o
econhecimen o do p ocesso de cul i o, ecolha, secagem e a mazenamen o dos ce eais são pon os
ele an es pa a co elaciona a o ma com a unção, na jus i icação dos espaços e ca ac e ís icas das
ipologias. O le an amen o imp essi o é ma e ializado em ichas de análise, onde os casos de es udo
são o denados segundo unidades de paisagem e e a ados de aco do com os c i é ios que desc e em
a elação ci cuns ancial com o luga .
No quinn o capí ulo conduz-se uma sis ema ização dos dados ep esen a i os de cada caso, o
c uzamen o de semelhanças e dispa idades, en e sequei os e celei os, le ando à composição dedu i a
de ipologias o mais a qui e ónicas cujas ca ac e ís icas se jus i icam pelas ca ac e ís icas do luga . O
in ui o de pe cebe o po quê egionalis a de algumas soluções a qui e ónicas, o igina uma sín ese de
disposições, o mas e ma e iais da adap ação.
Espe a-se que es a disse ação se o ne num egis o dos esquícios de uma o e p esença da
explo ação ag ícola do e i ó io, de obje os em c escen e uína, cuja o ma ap esen a uma po encial
condição de ap endizagem. Um pequeno le an amen o que p e ende ein oduzi es as es u u as
na memó ia a qui e ónica e nacula e pa alelamen e ap op ia -se do p ocesso como a a qui e u a
e nacula in e p e a a luz do luga . A in es igação em po obje i o econhece as p emissas sob e as
quais a a qui e u a e nacula do milho e do igo se apoia pa a es abelece um diálogo sus en ado com
a sua en ol en e. Como obje o do es udo pe manece o sequei o en e o Dou o e o Cá ado e o celei o
na bacia de alu ião do Tejo, analisado sob uma me odologia quali a i a ep esen ada na o ma de um
le an amen o imp essi o p ocessado em ichas de es udo onde se con on am os casos egis ados.
1DIÁLOGOS CIRCUNSTANCIAIS COM A LUZ DO LUGAR
9
Figu a 3- Caixa de G anada, Espanha, Albe o Campo Baeza, 2001

17
8BAEZA, Albe o Campo - La ideia con uida: La A qui ec u a a la luz de las palab as. Mad id: Colegio O icial de A qui ec os de Mad id,
1996 (pág.22)
9Segundo o a qui e o, a ca ego ização des es di e en es ipos de luz es á ine en e à posição ela i a do sol pe an e os espaços
i adiados po essa luz. Uma luz ho izon al se ia causada pelo a a essamen o dos aios luminosos ao longo de uma abe u a no
plano e ical, uma luz e ical se ia ecebida po uma abe u a concebida no plano de cobe u a, e uma luz diagonal co esponde ia
a um ipo de iluminação que a a essa ia an o o plano e ical como o plano ho izon al.
A luz na u al, em con aposição com um sen ido mais abs a o, cons i ui uma on e de ene gia,
mensu á el e classi icá el em e mos ísicos. A luz sola é um ipo de adiação p opagada pelo sol, sob
a o ma de ondas ele omagné icas. Es a adiação é compos a em pa e po um ipo de ene gia isí el
(a luz sola ) e in isí el (a adiação ul a iole a e adiação in a e melha). O enxe o de adiação sola
isí el ep esen a o ema cen al do p oje o a qui e ónico. Albe o Campo Baeza, em La Idea Cons uida,
conside a que “La luz es componen e esencial pa a oda posible comp ensión de la cualidad del Espacio.
(…) La luz es el ma e ial básico imp escindible, de la A qui ec u a. Con la mis e iosa pe o eal capacidad
mágica de pone el espacio en ensión pa a el homb e.”8
A luz cons i ui uma ealidade con ínua, p ecisa, como uma ma é ia-p ima que pode se moldada
e medida po meio de ins umen os imp escindí eis ao p ocesso p oje ual. A inclinação, a di eção e a
in ensidade luminosa são as p incipais e amen as que pe mi em pe cebe e con ola a disposição
de uma abe u a em de e minado espaço. Es as g andezas possibili am ao a qui e o a e igua a o ma
como uma janela i á a e a a luz que pene a o espaço e ilumina as o mas e supe ícies. Campo Baeza,
chega a enuncia a exis ência de di e en es ipos de luz, co esponden e a di e en es ipos de abe u a
e consequen emen e molda a di eção dos aios luminosos (Luz Ho izon al, Luz Diagonal e Luz Ve ical)
e a sua qualidade (Luz Sólida e Luz Di usa).9
Em e mos quali icá eis, es e conside a duas exp essões que a luz pode adqui i num espaço.
Uma exp essão di usa de ca ác e homogéneo, no malmen e conseguida po e ação da luz di e a ou
ob ida po abe u as a no e, alcançado um ambien e de cla idade espacial, onde não se dis ingue a
on e luminosa. E po con aposição, uma exp essão sólida de ca ác e linea e di ecionado, alcançada
po uma abe u a iden i icá el, que p oduz uma imagem conc e a e pa i da qual é possí el assis i ao
isí el mo imen o da luz ao longo do empo.
Des e modo, a luz dis ingue-se como algo quan i icá el e quali icá el, como ma é ia papá el, passí el
de se con olada com p ecisão pa a con o ma in enções espaciais, po meio de elemen os analí icos
como ca as sola es, abelas, e ins umen os de medição lumínea. Po consequência dep eende-se que
a luz deixa de se apenas comp eendida como qualidade da ma é ia, pa a se en endida enquan o
ma e ial. Uma p emissa in ensamen e explo ada pelo abalho do a is a plás ico James Tu ell.
A ob a de Tu ell pe sc u a a o ma como a expe iência da luz e le e a complexa na u eza da
pe ceção humana. As suas ins alações c iam si uações onde a luz pode se expe ienciada como uma
subs ância isolada, quase ác il. Cada pe o mance c ia ci cuns âncias p opícias à con emplação da
na u eza do enómeno luminoso, o obse ado em a possibilidade de com empla a mu ação das
ca ac e ís icas in ínsecas da luz como a sua anspa ência, a sua opacidade, o seu olume, a sua co .
1.1.1. LUZ COMO MATÉRIA E MATERIAL
Figu a 4- Mon agem da Ins alação “A en Reign“, Guggenheim Museum, No a Yo k, James Tu el, 2013
19
10“My wo ks a e no abou looking a , bu looking in o; no he displacemen o space, wi h mass, bu he wo king o space; no objec s
in a oom, bu he oom. The o ma is no hings wi h in space, bu space i sel .” GOVAN, Michael & KIM, Ch is ine - James Tu ell: A
Re ospec i e. New Yo k: Los Angeles Coun y Museum o A , 2013 (pág. 2)
11 h p://web.guggenheim.o g/exhibi ions/ u ell/(16.5.2015)
As escul u as luminosas de James Tu ell êm po obje i o usa a luz como um ma e ial e a
pe ceção como um meio, cons ui uma expe iência com luz e espaço na qual a p esença ísica da
luz se mani es a de o ma senso ial.10 Es a capacidade de manipulação da luz na u al cons a a-se em
inúme as expe iências, en e as quais se des aca a ins alação “A en Reign”, onde o au o ans o ma
o espaço cen al do Museu Guggenheim, em No a Yo k, num conjun o de cinco anéis elíp icos em
cons an e mu ação em e mos de opacidade e co , que elemb am o pad ão das ampas do edi icado. A
luz do óculo da o unda de F ank Lloyd W igh disco e sob e um maciça es u u a de cones suspensos,
p eenchidos po um sis ema de iluminação LED, que e ela e ampli ica a na u eza luminosa do espaço.
O in ui o da expe iência se ia p opo uma no a ap oximação ao edi ício, e aindo a a enção do
obse ado dos limi es do ambien e cons uído pa a o in e io de “uma a qui e u a de espaço c iada
com luz”.11
Sus en a-se a p emissa de que a luz é simul aneamen e ma é ia e ma e ial, necessá io pa a a
comp eensão da de inição do espaço e sucessão do empo, que pode se explo ada como elemen o
e elado ou como ma e ial de composição em si. Na condição de ma é ia a luz é uma subs ância
axiomá ica que ca ac e iza e es u u a o espaço; na condição de ma e ial a luz é um obje o pe ce ual
passí el de se olume icamen e esculpido.
Figu a 5- Sem Tí ulo, Ins alação de Donald Judd, Ma a, Texas, 1984
21
12 O luxo luminoso (un.: lúmen) ep esen a a quan idade de ene gia adian e emi ida po segundo po uma on e de luz que consegue
sensibiliza o sis ema isual. Es á di e amen e co elacionado com a in ensidade luminosa dessa mesma on e. O luxo luminoso
quan i ica a capacidade de adap ação da pe ceção isual à sensação de b ilho, de aco do com o comp imen o de onda de um aio
luminoso.
13A in ensidade luminosa (un.: candela) de uma on e é medida pela quan idade de ene gia luminosa emi ida po segundo em
conside ada di eção. Es a g andeza es á co elacionada com a iluminância (un.: lux) do espaço. A iluminância cons i ui a densidade
do luxo luminoso inciden e em de e minado pon o de uma supe ície. A a és des a e e ência é possí el es ima a quan idade de
lumens e le idos po me o quad ado ao longo de plano de e lexão.
14A luminância (un.: candela/m2) é uma g andeza associada às p op iedades da p óp ia supe ície de e lecção. A luminância
co esponde à medição dos es ímulos isuais que p oduzem a sensação de b ilho num obje o10, es a co esponde à quan idade de
luxo luminoso eemi ido po uma supe ície numa dada di eção, ou seja, a alia a capacidade de e lexão de um ma e ial po unidades
de á ea. A dis inção isual de odos os obje os e supe ícies ab angidos po um campo isual, de e-se ao índice de luminância dos
elemen os pe cecionados. A luminância dos ma e iais e supe ícies é a condição que p oduz a sensação de cla idade num obje o
ou ambien e iluminado. A qualidade e le i a é uma p op iedade cons an e de qualque supe ície, dependendo da in ensidade da
iluminação, um obje o i á e le i mais ou menos luz segundo uma pe cen agem de luminância.
15 Um pad ão de somb eamen o é o mado pela dis ibuição de iluminância de uma supe ície, p oduzida pela in e ação do olume
com a dis ibuição idimensional de iluminância ge ada po um ambien e luminoso, po ou as pala as, consis e na somb a p óp ia
dos obje os.
1.1.2. LUZ ENQUANTO FENÓMENO FÍSICO
A luz como concei o ísico, cons i ui um ipo de ene gia ele omagné ica i adiada po uma on e
luminosa, emi ida com de e minada in ensidade em ce a di eção, cuja incidência espacial ma e ializa
um ambien e luminoso conc e o. As p op iedades de um luxo luminoso12 são po sua ez quan i icá eis
po meio de g andezas ísicas com as quais se medem as ca ac e ís icas de de e minado ambien e
luminoso, como a in ensidade luminosa 13, a iluminância e a luminância14. A pe ceção da luz é na
ealidade o disce nimen o das di e enças de luminância no espaço.
A análise da enomenologia ísica a qui e ónica da luz eside na capacidade de e lexão dos
ma e iais. Po ou o lado a e lexão não cons i ui a única condicionan e do p oje o, a na u eza di ecional
da luz ambém es á di e amen e co elacionada com a o ma como a iluminação in luência a apa ência
isual das supe ícies idimensionais. A ans o mação da apa ência isual de um obje o den o de
um campo luminoso es á inculada à mu abilidade da posição ela i a do obje o em elação à on e
luminosa. A e dadei a análise da in e ação en e o ma e luz apoia-se na capacidade que uma o ma
de iluminação em de p oduzi dis in os pad ões de somb eamen o.
Pa a além do pad ão de somb eamen o15 exis em ou os pad ões ge ados pela in e ação en e
ma é ia e luz, denominados de pad ões de iluminação. O pad ão de b ilho, o pad ão de somb a e o
pad ão de somb eamen o, são os ês e ei os luminosos di ecionais de uma o ma em con ac o com
um campo luminoso.
O e ei o de somb eamen o em a capacidade de e ela a geome ia espacial de uma o ma
a qui e ónica, ao p o oca a sensação de p o undidade isual. A a iação da inclinação e in ensidade
dos aios luminosos implica uma ans o mação na o ma como um obje o a qui e ónico é pe cebido.
A di eção da luz é a qualidade ísica que con ola a apa ência olumé ica da o ma a qui e ónica. As
ca ac e ís icas de iluminação que ge am os pad ões de somb eamen os, são bas an e dis in as daquelas
que ge am os pad ões de somb a e b ilho. Um pad ão de somb a implica ob iga o iamen e a exis ência

Figu a 6- Ins alação Viewing Space and Sensing Space de James Tu el, Kuns museum de Wol sbu g, Alemanha, 2010
23
16 Num ambien e onde a on e luminosa é um pon o de luz compac o de g ande in ensidade lumínica, as somb as p ojec adas i ão se
in ensamen e p onunciadas, com um con o no bem de inido, cuja di ecção denuncia a p óp io sen ido da luz. ida, num caso onde
a on e de iluminação é múl ipla, as somb as de um obje o endem a acciona -se, nes e caso o pad ão de somb a o na-se mais
complexo, e pe de algum con as e mas conse a a sua ni idez.
17 O enómeno de e lexão es á ligado à capacidade de luminância de uma supe ície, es e supõe a pe cen agem de e lec ância do
ma e ial em co elação com a co e acabamen o do mesmo. Po an í ese, o enómeno de ansmissão cons i ui a pa e de ene gia
que a a essa o co po in e pos o. A e lecção oco e quando pa e da ene gia inciden e é eemi ida pela supe ície de e lecção,
sendo que os aios luminosos edi ecionados são a on e dos es ímulos isuais. Enquan o pa e da ene gia inciden e é e le ida, ou a
pa e é abso ida pelo co po in e pos o. A abso ção es á na o igem do enómeno pe ce ual da co , que oco e de aco do com as
p op iedades de de e minado ma e ial.
18 MILLET, Ma ie a - Ligh and Ma e ials. London: VELUX, 2006 (pág.89)
de planos ou massas olumé icas que p oje em o nega i o da adiação ecebida. A somb a p oje ada
desc e e po sua ez o g au de ni idez que um ipo de iluminação ence a.16 Os a ibu os mani es ados
pelos pad ões de iluminação são di e izes pa a a comp eensão do ipo de luz que con igu a um
ambien e. Num p ocesso pu amen e in e p e a i o da qualidade e ni idez da on e de iluminação,
o p oje o a qui e ónico alcança o con olo da ensão luminosa, c iada pela disposição dinâmica dos
planos iluminados de uma o ma idimensional, ao diligencia a posição e di eção da on e luminosa.
A é es e momen o a luz oi de inida como uma o ma de ene gia que iaja no espaço, obedecendo
a uma p opagação e ilínea inal e á el, po ém quando es a colide com a ma é ia, o ca ác e da sua
p opagação so e uma sé ie de al e ações. As p op iedades e aje ó ias do aios luminosos são
ans o madas segundo enómenos de e lecção, e ação, ansmissão e abso ção, ao in e agi em
com as supe ícies.17
Es es ês pequenos p ocessos, de in e ação en e luz e ma é ia, são a on e dos inúme os e en os
no ambien e luminoso que in o mam a pe ceção do obse ado . Dep eende-se que os ma e iais são
po an o um elemen o ulc al pa a a comp eensão da luz na a qui e u a, po que a pa i dos mesmos
o obse ado oma conhecimen o dos a ibu os e ca ac e ís icas do espaço, e consuma a expe iência
a qui e ónica.
“Ligh and ma e ials a e insepa ably connec ed, (…) g ea a chi ec s ha e always also allowed hemsel es
o be di ec ed by he ligh in he choice o hei building ma e ials. They use ligh o d aw ou con as s
be ween di e en ma e ials and hey use ma e ials ha allow hem o c ea e a e y speci ic dis ibu ion o
ligh in a oom.”18
Os ma e iais en a izam a luz e p omo em a sua p opagação. A na u eza ísica dos ma e iais
cons u i os a e a a qualidade e quan idade de luz que ca ac e iza um espaço, da mesma o ma que
a na u eza ísica da luz in luência as qualidades dos ma e iais. As ca ac e ís icas que mais in e e em
nes a elação de in e dependência são nomeadamen e a co e o acabamen o dos ma e iais .
A co é a ca ac e ís ica ma e ial que de e mina a quan idade de luz e le ida e a pe cen agem
de luz abso ida, sendo que en e os p incipais a ibu os da co (ma iz, luminância e sa u ação) que
Figu a 7- Sala de Lei u a da Biblio eca de Viipu i, Vybo g, Russia, Al a Aal o,1935
25
19BAEZA, Albe o Campo - La idea cons uida: La A qui ec u a a la luz de las palab as. Mad id: Colegio O icial de A qui ec os de Mad id,
1996 (pág. 47)
20SCHILDT, Gö an - Al a Aal o : de palab a y po esc i o. Mad id: El c oquis, 2000 (pág. 145)
con ibuem pa a a e lecção, a luminância, ou o g au de ela i idade luminosa da co , é o alo que
de e mina a po ção de luz abso ida. Enquan o uma pa ede b anca consegue e le i g ande pa e da
luz inciden e, uma pa ede azul ou e de apenas consegue e le i uma pequena pa e dessa ene gia.
Po conseguin e, o b anco cons i ui o meio mais simples de se aumen a o ní el de iluminação de um
espaço e de se con ola a cadência luminosa do mesmo. Uma supe ície b anca pe mi e c iação de
di e en es ambien es, e di e en es g adações de sa u ação, de aco do com a con igu ação da on e
de luz inciden e, dado que um espaço b anco pode se escu ecido pela diminuição de luz den o do
ambien e.
“El colo blanco en la A qui ec u a, (…) es algo mas, mucho mas que una me a abs acción. Es una base
i me y segu a, e icaz, pa a esol e p oblemas de Luz: pa a a apa la, pa a e leja la, pa a hace la incidi ,
pa a hace la esbala . Y con olada la Luz e iluminados los blancos planos que lo con o man, el espacio
queda con ola.”19
O acabamen o e a ex u a de uma supe ície são duas p op iedades que con olam a o ma de
di usão da luz inciden e ao longo do espaço. As supe ícies baças, como a ped a na u al, a madei a
e o es uque, e le em a luz de o ma di usa, dis ibuindo-a igualmen e em odas as di eções. Es a
p op iedade das supe ícies pode se essencialmen e es udada em p og amas que enham g andes
exigências do pon o de is a écnico, em elação ao con o o isual.
Na Biblio eca de Municipal de Viipu i, de Al a Aal o o p oje o a qui e ónico dep eende-se com a
ques ão da elação do espaço de lei u a com o olho humano. O ema ulc al de e lexão no p oje o de
Aal o ma e ializa-se no desenho da sala de lei u a e equisição. Pa a consegui um ipo de iluminação
cuja dimensão humana osse a endida, es e p oje a um espaço di idido em dois ní eis pe co íeis,
onde os planos e icais de cada piso são en ol idos po es an es de madei a com uma p opo ção
alcançá el, à semelhança de um lamb il, enquan o o plano b anco da cobe u a é pe u ado po
inúme os lan e nins ci cula es que dis ibuem a luz na u al uni o me- e pelo ecin o.
Es e sis ema de iluminação é humanamen e acional, dado que p opo ciona um ipo de luz
zeni al indi e a, onde odas as somb as inciden es são eliminadas. A luz é ha monizada median e
as e lexões que se p oduzem nas supe ícies b ancas das cla aboias ci cula es. Os cones de be ão
es ão cons uídos pa a que a luz sola seja semp e indi e a, pa a que as supe ícies dis ibuam a luz
em odas as di eções. Des a o ma, a luz incide sob e os li os, e a ada, e i ando que as páginas
b ancas o usquem o olho humano, amo izando um ce o g au da adiga causada po es a a e a.20
Supe ícies polidas e le em a luz da mesma o ma que um espelho, concen a pon os luminosos
sob e o seu plano. A í ulo de exemplo con oca-se a ação de conciliação das co es e ex u as dos
Figu a 10- Logia da celas de La Tou e e, É eux, F ança, Le Co busie , 1957

33
28HOLL, S e en - Ques ions o Pe cep ion: Phenomenology on A chi ec u e. A+U a chi ec u e and u banism, 1994 (pág. 25)
29“You can say he ligh he gi e o all p esences, is he make o a ma e ial, and he ma e ial was made o cas a shadow, and he
shadow belongs o he ligh . “ h p://www.a chdaily.com/362554/ligh -ma e s-louis-kahn-and- he-powe -o -shadow/(15.05.2015)
30 ARNHEIM, Rudol - A e e Pe cepção Visual : Uma Psicologia da Visão C iado a. São Paulo: Biblio eca Pionei a de A e A qui ec u a e
U banismo, 1985 (pág.306)
“The pe cep ual spi i and me aphysical s eng h o a chi ec u e a e d i en by he quali y o ligh and
shadow shaped by opaci ies, anspa encies and anslucencies. Na u al ligh , wi h i s e he eal a ie y o
change, undamen ally o ches a es, he in ensi ies o a chi ec u e and ci ies. Wha he eyes see and he
senses eel a e o med acco ding condi ions o ligh and shadow.” 28
A luz na u al, enquan o elemen o abs a o, mani es a a ma e ialidade e o ma do espaço
a qui e ónico. A in e ação en e luz e somb a conduz a expe iência do empo, do luga e do pe cu so;
e ela os aspe os o mais, ma e iais e es u u ais do edi icado; de ine o limi e en e in e io e ex e io e
exp ime o signi icado con empla i o, ea al, me a ó ico e simbólico da a qui e u a.
O espaço a qui e ónico desenha-se no limi e des e ma e ial in angí el. Segundo a o ganização do
p ocesso da pe ceção isual, o sis ema isual in e p e a ins in i amen e a o ma a qui e ónica a a és
do con as e c iado en e cla o e escu o, en e luz e somb a. A somb a pe mi e o econhecimen o
idimensional do espaço a a és da g adação da cla idade de uma supe ície, e oca olumes,
composições e i mos espaciais.
À imagem da ideologia de Kahn29, a luz enca a-se como um ma e ial que des ela odos ou os
ma e iais p esen es na na u eza. A luz, c iado a de ma é ia, em o p opósi o de incindi sob e as o mas,
que po sua ez êm o desígnio de p oje a somb a. A somb a se á po an o o nega i o da ma é ia, a
an í ese da luz. A oposição en e luz e somb a ma e ializa-se, po exemplo, ao longo de um pe cu so
in e io de um pó ico onde as colunas cons i uem o espaço posi i o onde a ausência de luz pe manece
em somb a p oje ada, e o in e alo en e os apoios o espaço iluminado. A es u u a compõe, po an o,
um co po denso que abso e e e le e a luz c iando in e s ícios espaciais.
A dis ibuição da luz ajuda a de ini a o ien ação e posicionamen o dos obje os no espaço po
condições de somb a. Cada o ma ap esen a somb as que podem se p óp ias ou p oje adas. A
somb a p óp ia de i a di e amen e da iluminação da supe ície p óp ia do obje o, indicando o seu
olume, o ien ação espacial e dis ância da on e luminosa. Uma somb a p oje ada é uma sob eposição
da silhue a de um obje o sob e ou o obje o ou supe ície. Es a p ojeção pode de ini o ca ác e da
supe ície inciden e, como plana, ho izon al, cu a ou inclinada. Em simul âneo, a somb a p oje ada
e somb a p óp ia dos obje os a qui e ónicos modelam o espaço, suge em a idimensionalidade e
p o undidade do mesmo.30
Na ob a de Khan, o desen ol imen o de uma o ma alude ao o ques a ha monioso de espaços,
que na sua génese de e iam se de inidos pela sua es u u a e pela sua luz na u al. Se po um lado se
pode suben ende que o ascínio da somb a, na ob a de Kahn, es á in imamen e ligado a uma in ensão
de silêncio e deslumb amen o, de exace bação d amá ica de uma a qui e u a de olumes monolí icos.
1.2. CONDIÇÕES DE LUZ E DE SOMBRA
Figu a 11- In e io do Ins i u o Indiano de Ges ão, Bangladesh, India, Louis Kahn, 1974
35
Nou o momen o, a sua a qui e u a em con ac o com ex emas condições clima é icas, como cons i ui
o exemplo do Ins i u o Indiano de Ges ão no Bangladesh, en a p o ege a in eg idade da somb a. Sem
solici a g andes manipulado es sola es, o a qui e o cons ói um sis ema de a e ecimen o na u al com
ecu so a uma maciça achada po osa que age como il o pa a a luz e como g elha de en ilação4.Da
conjugação en e a a qui e u a mode na e a cul u a e nacula indiana, nasce um sis ema de dupla
achada que p o ege o espaço in e io do á ido clima ex e io local.
Cons a a-se que o enómeno da luz es a á semp e ligado ao da somb a. A somb a o na-se num
elemen o essencial pa a e ela o sen ido da o ma, a ex u a da supe ície, a ensão de um espaço e a
a mos e a ambien al do mesmo. A luz, po an í ese, inco po a o papel de e ela o sen ido e ca ác e
da somb a.
A luz cons i ui nes e abalho um modo de ema ização da a qui e u a e nacula do milho e do
igo. A luz ep esen a uma ma é ia sob e a qual se pode ge a um no o olha sob e a a qui e u a
e nacula po uguesa. O Nacionalismo, as condições de higiene e de salub idade, as po encialidades
mode nas da a qui e u a popula e as suas unções p odu i os aduzem os g andes en oques que
p o oca am an e io men e o es udo da “a qui e u a sem a qui ec o”. O Mo imen o da Casa Po uguesa,
o Inqué i o à Habi ação Ru al, o Inqué i o à A qui e u a Popula e as in es igações de E nes o Veiga
de Oli ei a e dos seus colabo ado es ep esen a am qua o o mas di e en es de olha a a qui e u a
popula . Es a disse ação em po objec i o obse a a a qui e u a e nacula sob o pon o de is a do
diálogo ci cuns ancial com a luz, de o ma comple a o campo de conhecimen o e nacula e egis a a
p esença des as es u u as no empo.
Figu a 12- A expe iência do Luga , Helena Almeida, 2001
37
A ualmen e a impe a i idade de iluminação de um espaço sucumbe, em mui os casos, à alician e
es é ica da a qui e u a de id o. A anspa ência a a és do uso do id o nasce de uma e olução
a qui e ónica con a o ecle ismo de uma época de pensamen o con u bado, e da apo eose pela p ocu a de
uma e dade cons u i a co esponden e a uma e dade a qui e ónica. Es a imagem de anspa ência e
le eza, obje i o ou moda de algumas a qui e u as con empo âneas, pe ece sob o desmensu ado amanho
das suas abe u as, desp o egidas em ex emos climá icos insus en á eis.32
Delibe a a p opo ção de anspa ência e opacidade, que ma e ializa os limi es do cons uído, cons i ui
um pon o undamen al na composição a qui e ónica. A luz e a somb a, e a anspa ência e a opacidade,
são dualismos ine en es à pe ceção do espaço e ao açado de um ão. Uma abe u a cons i ui assim um
elemen o mediado en e o clima in e io e o clima ex e io . Es a acu a como um il o que an o pode
bloquea ou admi i a luz, o a , o calo e o som. Uma abe u a pode admi i di e en es g aus de complexidade,
con o me as exigências do p oje o e do seu con ex o. A manipulação das condicionan es ex e nas de
de e minado luga , pode aba ca di e en es soluções de modo a co esponde a di e en es ní eis de
in ensidade luminosa e é mica, isão de ex e io e p o eção do in e io . A unção que a simples aplicação
de uma caixilha ia não consegue ul apassa , pode se anspos a com ecu so a disposi i os in e io es
ou ex e io es de somb eamen o, ege ação ou es a égias de p o eção sola pa a a edução dos ganhos
sola es, o aumen o do con o o isual, in imidade e segu ança. No con ex o da a qui e u a e nacula , o
desenho des es sis emas subo dina-se a uma o dem de composição ine en e às ci cuns âncias ísicas e
cul u ais do local, c iando-se exemplos ex ao diná ios de uma cons ução holís ica e in e disciplina . Es a
cons ução esponde aos desa ios ambien ais, a a és do uso de écnicas simples e ma e iais locais, mas
ambém modela as suas abe u as de aco do com c enças, cos umes e hábi os das comunidades.
Ao mesmo empo que em ce os pon os do e i ó io a somb a é conside ada um luxo, nou os a
insolação é um ecu so essencial pa a o con o o da habi ação. Onde o ão é anspa en e coabi a uma
sociedade abe a, a ás de uma abe u a o ulada esconde-se um co po social mui o ese ado. Pe an e
es a mul iplicidade de ci cuns âncias, que a p o eção sola con empla, é inóspi o e simplis a eduzi , no
sen ido con empo âneo, a janela a um pano de id o duplo compensado po sis emas de clima ização. A
gene alização da composição de uma abe u a, abandona séculos de en a i a/e o que em á ios casos
con e giu num sis ema de p o eções acilmen e g aduá eis, que dão aos in e io es uma qualidade de luz
e somb a.
Com exemplo na adição medi e ânica, a a qui e u a e nacula pa ece esidi em cla os exemplos
de como odas es as condicionan es coexis em ha moniosamen e: a pe siana que g adua a en ada de
calo e luz; os oldos o ien á eis que se a uma am po jus aposição; pos igos e co inas, pa a o habi an e
manusea a luz sem se is o. As achadas es a am p o egidas po um sem núme o de il os que
ma iza am as elações com o ex e io . Um conjun o de il os que se podiam combina pa a da luga a
p ecisas condições de con o o que cada local e cada a i idade pode iam e na sua i ência.
32“T anspa ency is de ini ely one o ou objec i es.(…) We can do i wi h he means we ha e, wi h ou ma e ials, wi h ou hea ing sys ems,
wi h e e y hing, bu anspa ency also needs solidi y. And no only o aes he ic easons- bu also because o al anspa ency lea es
ou such conside a ions as p i acy, e lec ing su aces, ansi ion om o de o diso de , u nishings, a backg ound o you, o you
e e yday li e.” 2G nº17 Ma cel B eue : casas ame icanas, Gus a o Gilli:. 2001 Sun and Shadow, (pág 13)
1.3. PARÂMETROS PARA UM LEVANTAMENTO IMPRESSIVO

Figu a 13- Casa de Ja dim Ni ola, Be na d Rudo sky, 1950
39
33 MOITA, F ancisco - Ene gia Sola Passi a. Lisboa: Imp ensa Nacional-Casa da Moeda, 2010 (pág 17)
À semelhança de uma cons ução endógena, a a qui e u a apenas oma um signi icado in ínseco
ao luga , quando a sua composição demons a ela i a a enção a ce as condicionan es ísicas. Es as
condicionan es ísicas são p op iedades an o do con ex o e i o ial ou u bano, do edi icado, do ipo
de solo e dos ma e iais disponí eis. As condicionan es são dados que in luenciam ou denunciam a
qualidade de ce a o mas a qui e ónicas. Analisa o p incípio undado de ce as o mas de adap ação
climá icas e nacula es signi ica pa i da análise des as ca ac e ís icas pa a econhece a adequada
es u u a a qui e ónica pa a um luga .
A dis ibuição da adiação sola sob e a supe ície e es e é um dado que conside a a oscilação
da in ensidade de luz e calo ecebidos po de e minado luga ao longo do empo. O modo como a
ene gia sola a inge a a mos e a e es e sob a o ma de ondas ele omagné icas, a ia de aco do
com os mo imen os de o ação da e a. Es a ene gia é emi ida sob um alo cons an e, mas a
in ensidade com que a inge a supe ície oscila consoan e a inclinação do eixo da e a. Es a inclinação
es á em cons an e al e ação pelo que são conside ados ce os pon os de e e encia onde o ângulo
dos aios a inge medidas ex emas (equinócios e sols ícios). O alo da inclinação do eixo e es e
em de e minados momen os do ano pe mi e de e mina o in e alo quan i a i o da in ensidade da
insolação p oje ada sob e as cons uções em de e minado luga e desenho p oduzido pela somb a
p óp ia dos olumes a qui e ónicos.33
O enómeno de o ação e es e, mo imen o elíp ico da e a em o no do sol e o eixo de o ação
diá io em elação ao plano de anslação anual da e a, são ês g andes a o es que condicionam a
quan idade de ene gia cons an e i adiada pelo sol que a inge a supe ície. No en an o a in ensidade
de adiação úl ima, des ela-se de aco do com mais a o es. A a mos e a e es e é a camada que
se in e põe en e o cons uído e a adiação sola . A luz sola ao a a essa a a mos e a so e uma
diminuição na sua in ensidade de ido aos enómenos de di usão, e lexão e abso ção. Pa alelamen e
as di e en es condições climá icas que se mani es am na a mos e a em ce as egiões, são a o es
condicionan es adjacen es. A a iação des as condições em po consequência di e en es o mas
de di usão e abso ção da ene gia sola , c iando-se di e en es qualidades luminosas, de aco do com
pe cen agens de adiação di e a e di usa.
A al u a sola de e mina a posição do sol na sua aje ó ia apa en e em o no da e a e co esponde
ao alo do ângulo o mado en e o as o e a linha do ho izon e. Es e alo de e mina a inclinação com
que os aios sola es a ingem uma achada e espassam os seus ãos. A al u a sola co esponde a uma
g andeza com g ande in luência no p ocesso de manuseamen o da luz na a qui e u a. Nomeadamen e
no disce nimen o do desenho da al u a e posição do ão, ou na c iação de disposi i os de iluminação
di usa e na de e minação de sis emas de somb eamen o dos ãos. A a iação da al u a sola ao longo do
empo, co esponde à o mação de di e en es ângulos de incidência dos aios sola es, o que o igina dias
de di e en es empe a u as ao longo do ano. A ampli ude do ângulo da adiação sola com a supe ície
1.3.1. RELATIVOS AO LUGAR
de incidência condiciona a in ensidade de ene gia i adiada; quan o mais p óximo da pe pendicula o
ângulo maio se á a in ensidade de adiação. Quando o ângulo do sol é mais p óximo da pe pendicula
à supe ície e es e mais in ensa é a adiação, dando-se uma luz mais in ensa, quan o meno o o
ângulo de incidência dos aios, meno se á a ene gia ansmi ida.
A la i ude é uma e e encia ine en e à posição dos luga es em zonas de maio ou meno exposição
sola . A in ensidade da adiação é um alo de a iação cons an e subo dinando à época do ano, à pa e
do dia, às condições a mos é icas, ao ângulo de incidência com a supe ície e p incipalmen e sujei o à
la i ude. Dependendo da la i ude geog á ica do luga , o p oje o lida com di e en es di eções e al u as
dos aios sola es.
A ap oximação às ca ac e ís icas ísicas do local é ão impe a i a como a análise da a mos e a
e es e, pa a a conceção de somb eamen os. A opog a ia é um a o que in luência decisi amen e
as condições mic oclimá icas. Pa a uma in eg ação ela i a da cons ução no meio ci cundan e, é
necessá io o econhecimen o das elações que o e eno de implan ação pode es abelece com o
edi icado. De aco do com a al i ude e decli e do local, a cons ução i á ica mais ou menos empo
expos a à adiação sola . Num e eno íng eme a penden e expos a a sul se á mais insolada ao longo
do dia, do que a penden e expos a a no e. Na obse ação da a qui e u a de sen ido e nacula é
possí el e i ica a concen ação da cons ução em locais p o egidos do en o, com meno somb a
e humidade, ou seja mais a o á eis em e mos de ixação es a égica. A água ambém é um g ande
a o de in luência opog á ica, dado que a sua p esença causa ans o mação mic o climá icas. De ido
à sua iné cia é mica, g andes massas de água, eduzem ampli ude da empe a u a do a ao longo do
dia num de e minado local, c iando climas amenizados não obs an e a sua la i ude ou al i ude, mas
ambém de e minam en os mais o es.
A o ma do edi ício e dos elemen os que o odeiam são igualmen e a o es que in luenciam
a p odução de um ambien e luminoso. Quan o mais compac a o o edi ício e mais eduzida o a
supe ície de con ac o com o ex e io , meno se ão as pe das de calo e ganhos é micos. Numa
ci cuns ância ambien al com exigências con á ias, olumes e a ados, com een âncias e saliências
pe mi em a p ojeção de somb as p óp ias sob e a o ma, que p o egem da adiação excessi a em
ambien es de ele ada insolação. O desenho do edi ício cons i ui po an o um meio a pa i do qual se
pode ap eende a quan idade de luz necessá ia e dissipa a sua p esença excessi a. Es a condicionan e
i e em co elação com o ien ação da cons ução e da p oximidade de ou os edi ícios en ol en es. Na
sua condição u bana, a insolação diá ia do edi ício sujei a-se às p opo ções da malha u bana, à elação
en e dis ância en e edi ícios e al u a dos mesmos, que causa a sob eposição de somb a.
A o ien ação das achadas con o me uma implan ação es a égica do edi ício é um p incípio
de e minan e no es udo da p o eção sola . A o ien ação da p óp ia abe u a demanda di e en es ipos
de p o eção. Pos e io men e à analise das aje ó ias do sol, com ecu so a ca as sola es, pa a se
41
34 PARÍCIO, Ignácio - La p o ección sola . Ba celona: Bisag a, 1999 (pág. 24)
de e mina quando é possí el e i a ou deixa passa o sol, de e mina a o ma de somb eamen o
ainda depende de mais um a o , a o ien ação. Uma abe u a o ien ada a sul depende á de uma
p o eção ho izon al pa a con ola a en ada dos aios sola es a no e e á de con a apenas com a
adiação sola di usa, a Es e e a Oes e a inclinação dos aios sola es adqui e alo es ão baixos que
apenas uma solução de somb eamen o opaca ou com ecu so a elemen os e icais i á edi eciona a
luz. A implan ação mais a o á el a um boa p o eção sola das suas abe u as, implica que as achadas
com maio supe ície se o ien em a no e e sul.
A ege ação é um elemen o de ex ema impo ância na egula ização e equilíb io das condições
climá icas ex emas, assim como o es abelecimen o de elações mic o climá icas. As ca ac e ís icas e as
espécies de ege ação, o ipo e a densidade da olhagem, débi o de e apo ação e posição no e eno.
A c iação de somb a e amenização do clima é con o mado po di e en es ipos de ege ação de aco do
com a necessidade local. A ege ação de olhagem densa e pe sis en e é ap op iada pa a a cons ução
de ba ei as p o e o as do en o. A ege ação de olhagem caduca é ap op iada pa a a p o eção sola
de uma achada.
“(…)la p o ección ideal debe se ex e na, en ilada, sin e lexiones, e icaz en e ano e inexis en e en
in e no, ba a a y de escaso man enimien o, la mejo somb a se á p oyec ada po un elemen o ege al
de hoja caduca su icien emen e densa.”34
A composição do solo, ou das supe ícies adjacen es a uma abe u a, podem in luencia a
qualidade da iluminação de um luga de aco do com as suas p op iedades de e lexão. A luz sola ao
incidi sob e solos g aní icos, se á g ande pa e abso ida, não con ibuindo es es pa a uma a mos e a
luminosa. A incidência sob e solos calcá ios, c ia um enómeno de maio e lecção da luz, dando mais
luminosidade ao ambien e. Comp eende-se que o solo ou qualque ou a supe ície adjacen e a uma
abe u a, i á in luencia a pe ceção da quan idade e co do p ocesso de iluminação na u al.
A conceção da p o eção de e se enca ada de o ma holís ica e in eg ada, com is a à o imização
da es a égia de p o eção.
44TANIZAKI, Junichi õ - Elogio da Somb a. Japão: Relógio D’Água, 2008 (pág. 16)
45 TANIZAKI, Junichi õ - Elogio da Somb a. Japão: Relógio D’Água, 2008 (pág. 46)
46 PLUMMER, Hen y - Ligh in Japonese A chi ec u e. Japan: A chi ec u e and U banism, 1995 (pág.55)
di usos e lexos, co es suspensas ou di usas e somb as opalinas na composição do espaço. Po ém a luz
pe u an e e delapidada que ad êm de uma supe ície anspa en e, não êm o mesmo alo que uma
que pe u a um ma e ial anslúcido.
Junichi o Tanikazi, na sua na a i a sob e a esidência p óp ia do es ilo japonês, e e e a impo ância
da u ilização exímia dos “shoji” na composição de uma simplicidade e depu ação espacial in ínseca aos
p incípios da sua cul u a. Na cul u a japonesa, es es painéis de abique mó eis o ados po um espesso
e anslúcido papel b anco c iam um jogo de luzes indi e as que causam uma a iação de somb as,
al u as e penumb as. O “shoji” é um disposi i o des inado à edução da luz a um ní el desejado,
il ando-a a a és do papel, c iando uma luz pálida e ia.44 A supe ície do papel pe manece iluminada
mas não o uscada dado que a cla idade é a enuada pela sua composição ma e ial. Pa alelamen e
a opacidade do ma e ial em o in ui o de deixa passa a luz, mas não pe mi i a isão do ex e io ,
apelado aos es an es sen idos do habi an e pa a in e p e a a na u eza.
“Como se os aios de sol indos com di iculdade do ja dim a é ali, após e em deslizado sob o bei al
e a a essado a a anda i essem pe dido a o ça de ilumina , como se hou essem icado anémicos ao
pon o de não e em ou o pode pa a além do de sublinha a b ancu a do papel dos shõji.”45
A qualidade luminosa que a anspa ência do papel p oduz não pode se igualmen e conc e izada
pelo id o, po que as p op iedades anslúcidas da p o undidade ib osa do ma e ial cons oem um
ipo de iluminação di usa e con olada que anula as oscilações do clima, subjugado a o ça dos aios
luminosos quando es es pene am o in e io , dispe sando-os apidamen e no espaço.
A pe meabilidade é uma ca ac e ís ica do disposi i o de p o eção sola , p óp ia não an o de uma
necessidade de iluminação como de en ilação. Es a p op iedade ad ém da in enção de cons ução de
um plano de p o eção sola pe u ado, que nasce da composição de uma malha mais ou menos densa
con o me o ipo do ma e ial modelado e desenho da sua ama. O modo como o ma e ial é apa elhado
pa a o ma uma supe ície, o espaço en e as suas ligações e jun as, de e mina a capacidade do plano
de en ila e dispe sa a adiação sola .
“The obscu ed ou lines and ex u es become so o he eye, losing esolu ion, making objec s less clea
and less solid. Colo s a e aded, and b igh ness and con as educes, emp ying he ou e landscape, la ening
he dis ance be ween hings.”46
Subjacen e ao a o p imá io de di usão da luz, a pe meabilidade dos disposi i os es abelece uma
conjun u a ambígua e in ospe i a. Em pleno dia o obse ado consegue desde o in e io des ela
o ex e io sem se is o, mas a imagem é pe colada; do ex e io a supe ície pe u ada o na-se

49
47 RASMUSSEN, S een Eile - Vi e a <a - Sca pa : la a qui ec u a en el de alle. Ba celona: Gus a o Gili, 1989 (pág.52)
pe ce ualmen e opaca, uma ex u a sob e um undo p e o, c iada pelo b ilho e con as e da luz e o
indi iduo que passa não em conhecimen o da es e a p i ada, en e o dia e a noi e es a elação in e e-
se. Delicadas ilig anas e amas i madas ma e ializam-se em g ande pa e no cená io luminoso
agmen ado da a qui e u a e nácula japonesa e no e a icana na o ma de gelosias e o ulados.
A ex u a e o acabamen o do ma e ial de composição do disposi i o sola di a a o ma como
es e dispe sa a luz ou a p opaga pa a o in e io . A qualidade de ex u a pode depa a -se com duas
endências de composição: uma e en e udimen a do p óp io ma e ial ainda pouco abalhado ou
uma e en e polida e uni o me que esconde a es u u a do ma e ial. A pe ceção isual é o emen e
a e ada po pequenas di e enças no ca ác e ex u al dos obje os, o sis ema isual apu a o delapida de
uma ex u a i me e nob e e um acabamen o ude, pelo pad ão das disc epâncias de luminância e pelo
a o. A ex u a in o ma sob e as alhas, a i meza e ca ác e do ma e ial. Des a o ma ma e iais com
qualidades ex u ais pob es ganham com a sua aplicação com ele o acen uado enquan o ma e iais
mais nob es podem sus en a uma supe ície polida e uni o me e po an o podem se emp egues sem
ele o ou o namen o. 47
A noção de ma e ialidade da supe ície depende in ei amen e do modo como o ma e ial é a ado,
e es á subo dinada à espécie de ex u a que es e possui. Obse ando o exemplo de uma supe ície
de ped a ex emamen e polida pelo desgas e do empo, a sua ma e ialidade o na-se bem de inida e
ag adá el ao a o pelo seu uso. O poli de uma ped a o na a sua supe ície mais b ilhan e e no en an o
mais imp ecisa, dado que em secção, a ace ex e na subdi ide-se em duas camadas: uma camada
ex e io e le o a e uma camada in e io opaca. Quando a luz a inge a supe ície ex e io semelhan e ao
id o, na qual pene a maio pa e da luz que a espassa a é se sus en ada pelas pa ículas que o mam
uma camada mais i egula consubs anciada. Es e e ei o mani es a-se igualmen e em supe ícies de
madei a polidas. Face ao desgas e a madei a e idência ou as al e ações, quando expos a à o ça do
empo, a ex u a do ma e ial des aca-se, os seus eios icam mais p o undos, o pad ão do seu ele o
o na-se mais disce ní el e a sua co al e a-se. A conside ação do ipo de ma e ial e co esponden e
ex u a é um dado undamen al pa a a aplicabilidade de uma solução de p o eção po que i á de ini a
comp eensão pe ce ual da mesma e a sua capacidade de e lecção da luz.
“ elaciones en e di e en es g ados de g anulome ía en un e ocado, la p oximidad de lo ugoso y lo
e so, un ma e ial ex año que se insinúa po con as e, al e nancias c omá icas, impe cep ibles a iaciones
de ono en una misma pied a. “48
O acabamen o de uma supe ície az no malmen e pa e de uma in enção de e o ço ou p o eção
dos ma e iais. A lacagem e a pin u a podem po ém ge a uma camada que inusi adamen e con e e
Figu a 16- De alhe de uma po a no Banco Popula de Ve ona, Ca lo Sca pa, 1973
51
ou as ca ac e ís icas à supe ície. Quando a condição na u al de um ma e ial não esponde aos
pa âme os de aplicabilidade ou não causa o e ei o lumínico desejado, o e es imen o i á ans o ma
a pe ceção ap azí el e o seu desempenho, pa a que o p óp io disposi i o seja o imizado em unção da
p o eção sola .
O conjun o de pa âme os e e idos ep esen am as p incipais p emissas a e em con a du an e
o p ocesso de conceção de um disposi i o que manipula a luz de um luga . Po ou o lado, nes as
condições igu am sinais de e e ência pa a a in e p e ação e comp eensão analí ica das cons uções
que manipulam a luz sola . Es es elemen os cons i uem uma base undamen ada, a pa i da qual
se i á conduzi a análise das lições da a qui e u a e nacula . A he ança e nacula ep esen a uma
g ande on e de conhecimen o que êm po encial signi ica i o pa a de ini os p incípios pa a o design
con empo âneo, a pa i da qual se pode a e i p incípios sis ema izados sob e a in eg ação adequada
de o mas de con olo da luz de um luga .
2 A ARQUITETURA VERNACULAR PORTUGUESA
53

Figu a 17- Me cado de No a Gou na, Egip o, Hassan Fa hy, 1945
55
49 LEAL, Joana, MAIA, Ma ia & CARDOSO, Alexand a - TO AND FRO: Mode nism and he Ve nacula A chi ec u e. Po o: CEAA, 2013
(pág. 16)
O ema da a qui e u a e nacula em sido deba ido ao longo do empo po inúme os au o es de
di e en es á eas disciplina es, com di e en es en oques e obje i os.
Num con ex o in e nacional, o in e esse pela a qui e u a e nacula e o dado econhecimen o
su ge em pa alelo com a eme gen e co en e mode nis a, no início do século XX. Dado que a pe ceção
a qui e ónica do e nacula no passado p esidia numa ideia pin u esca ou mesmo pa adisíaca das suas
ca ac e ís icas, a é um econhecimen o condescenden e das i udes do “p imi i o”. Em e mos de
alo a ís ico, es a a qui e u a, aos olhos da in es igação his o icis a não ap esen a casos de excecional
in e esse de ido à sua índole ulga , no en an o es as cons uções comuns in o mam p ecisamen e
sob e a cul u a e adição do luga onde o se humano expe iencia a sua ida mais in imamen e- o
ogo. A mode nidade ê na a qui e u a anónima es e po encial de exp essão na sua ma e ialidade
e con igu ação, a essência cul u al e iden i á ia de di e en es po os e cul u as. A plas icidade o mal
depu ada dos olumes e nacula es, p esen es na singula idade Medi e ânica, alicia a mode nidade a
es abelece pos ulados. Es a a qui e u a comuni á ia co espondia ao p incípio da “ e dade ma e ial”,
às implicações do axioma em que “a o ma de e segui a unção”.
“This is pu e and clean a chi ec u e, ee o indulgen design. Buildings ha espond o echnical necessi ies
and whose las mean is o se e and o become unc ion.”49
A in es igação no campo da a qui e u a e nácula, desen ol e-se a pa i des a busca de p incípios
i e u á eis pa a uma no a a qui e u a. Nes e clima de e o ma es ilís ica, o mode nismo acha nas
o mas e náculas ensinamen os mais e dadei os e p eciosos daqueles que encon a na a qui e u a
academicis a. Des a o ma o mula-se a ques ão sob e o que é se pode ap eende com a a qui e u a
e nacula . Lis a as ca ac e ís icas e nacula es de o ma a acionaliza o econhecimen o e es udo de
uma o ma o nou-se uma p á ica comum. A documen ação de alhada de uma especí ica adição local,
e a classi icação da sua ipologia, is o udo oco ia mais equen emen e sob a o ma de um inqué i o
com uma me odologia assen e na ecolha de secções e ele ações e ou os egis os imp essi os.
No en an o, es a ap oximação sup ime a comp eensão da a qui e u a e nacula como um
p odu o da in e ação do homem com o seu ambien e, sendo que os e dadei os c i é ios de a aliação
des es casos são a exp essão do local e do clima, a exp essão da o ma e da unção e a exp essão dos
ma e iais e das écnicas. Sybil Moholy-Nagy, no seu es udo de 1957 “Génios Na i os na A qui e u a
Anónima”, con es a es es mé odos de análise em p ol de uma ap oximação an opológica e cul u al ao
es udo da a qui e u a e nacula .
Um dos p incipais p oje os de in e p e ação do conhecimen o e nacula , em p ol de um no a
a qui e u a in luenciada pela adição, é ep esen ada pela expe iência do Egip o u al de Hassan Fa hy.
O seu pa icula in e esse pelos assen amen os núbios e pela ecnologia das abóbadas em adobe, e o
2.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO DA ARQUITETURA VERNACULAR
Figu a 18- Cidade Sub e ânea, Assen amen o pe o de Tungkwan, in A chi ec u e Wi hou A chi ec s, 1964
57
50OLIVER, Paul - Dwellings: The Ve nacula House Wo ld Wide. Phaidon P ess Limi ed: London, 2003 (pág.
51TEIXEIRA, Má io - A qui ec u as do G ani o. A cos de Valde ez: Municipio de A cos de Valde ez, 2013 (pág. 8)
52BASTO, E. A. Lima & BARROS, Hen ique de - Inqué i o à Habi ação Ru al Lisboa: Uni e sidade Técnica de Lisboa 1942 (pág. 2)
53Sindica o Nacional dos A qui ec os- A qui ec u a Popula em Po ugal. Lisboa: Sindica os Nacional dos A qui ec os, 1961 (pág.10)
ímpe o espei o pela p ese ação da cul u a cons u i a islâmica que len amen e ia sendo subs i uída,
le ou à condução de um es ilo edi ica ó io, sob p incípios es i amen e e nacula es. Em 1946 o
assen amen o u bano de No a Gu na cons i ui um a e ac o onde es e demons a a sua pesquisa sob e
como a a qui e u a islâmica se e os p oblemas climá icos, numa união da unção, es é ica e cul u a.
“ he esul o he human en i onmen in e ac ion cons i u es cul u e, and has lead o he de elopmen
o a mul i ude o cul u es by di e en people in di e en en i onmen s. Ve nacula a chi ec u e is one o he
mos conc e e mani es a ion o his in e ac ion.”50
Em 1964, Be na d Rudo sky ealiza a i ine an e exposição “A chi ec u e Wi hou A chi ec s”, onde
es e ap esen a uma p o unda elação o og á ica da a qui e u a e nacula medi e ânica, apoiado
po Wal e G opius, José Luis Se , Richa d Neu a, Richa d Neu a, Gio Pon i e Kenzo Tange. O seu
in e esse pelas o mas anónimas, especialmen e a a qui e u a ma cada po uma o e componen e
local, adap ada ao clima e ao luga , culmina numa no a manei a de olha pa a a adição. De um pon o
de is a es é ico a a qui e u a e nacula co espondia a algo quase imu á el, não e a in luenciada
pelos es ilos das épocas, po que a sua o ma se e o seu p opósi o a é à pe eição.
Em Po ugal, o es udo da es e a e nacula oi explo ada ,en e ou os, po Ma ins Sa men o, em
e mos a queológicos, Lei e Vasconcelos e Veiga de Oli ei a, em e mos e nog á icos, Amo im Gi ão
e O lando Ribei o em e mos geog á icos e Raul Lino e Fe nando Tá o a, Ped o de Almeida e Keil de
Ama al em e mos a qui e ónicos.51 Sendo que en e os p incipais es udos conduzidos sob e es a
ma é ia, des aca-se o Inqué i o à Habi ação Ru al, em 1943, coo denado po Lima Bas os e A onso
de Ba os, onde a pesquisa se deb uça sob e as condições básicas de saneamen o nas habi ações
popula es, endo “po im conhece as condições do alojamen o das amílias dos abalhado es e dos
pequenos ag icul o es nas di e sas egiões de Po ugal e de e mina como se de e melho a a habi ação
u al”.52 O Inqué i o à a qui e u a Popula Po uguesa, ealizado em 1960, oi conduzido pelo Sindica o
Nacional dos A qui e os sob a p esidência de Keil do Ama al, cujo obje i o se ma e ializou na épica
a e a de egis o documen al. Po on ade de uma a i mação cul u al do Es ado No o, oi conduzido
um “es udo obje i o e sis emá ico da A qui e u a Popula Po uguesa uma espécie de “in es igação
sis emá ica dos elemen os a qui e ónicos adicionais nas di e sas egiões do país”53. Es a in es igação
p e ia a alo ização da a qui e u a po uguesa, econhecendo o ca ác e e olu i o das o mas que
esul a am de condicionalismos peculia es do clima, dos ma e iais de cons ução, dos cos umes e das
condições de ida.
Figu a 22- Ca a dos Ma e ias Endógenos P edominan es
0
100 km
Xis o
Calcá io, A eni os
A gilas
G ani o

65
2.2.3. O SOLO
58 MENÉRES, An ónio - A qui ec u as Popula es : Memó ias do Tempo e do Pa imónio Cons uído. A cos de Valde ez: Município de
A cos de Valde ez, 2013 (pág. 11)
59AMORIM GIRÂO, A is ides de - Esboço duma Ca a Regional de Po ugal. Coimb a: Imp ensa de Uni e sidade de Coimb a, 1933
(pág. 10)
“A cons i uição do solo, passando dos e enos a gilosos do Sul, aos g aní icos do No e, condiciona o uso
dos ma e iais disponí eis pa a as cons uções necessá ias à ida das suas populações, dando ao homem de
hoje uma lição magní ica da c ia i idade e da adap ação do se humano ao meio ambien e que se e a sua
exis ência.”58
A sul os ele os calcá ios secos e desga ados, onde o gado e a queimada, asso eiam o solo,
ma cam nas egiões onde se le an am um aço de uma incon undí el me idionalidade. Na bacia
do Tejo concen am-se ochas calcá ias e a gilas. A Es emadu a e o Riba ejo a na u eza do solo e as
pa icula idades da ege ação azem su gi uma sé ie de ambien es dis in os que e alham a paisagem,
como a eais, planícies e a ibas. Na Bei a In e io , oda a aia alen ejana é ica em sedimen os xís icos
e má mo es. Como não é ão p óp ia a cons ução em al ena ia de ped a, nes a egião é dominan e
o emp ego da aipa, do ijolo e da cal. A composição dos solos no Baixo e Al o Alen ejo in luência a
cons ução do edi icado. A ped a é ecu so comum a odo o Alen ejo, o g ani o, o xis o e o calcá io
são u ilizados como e o ço de pa edes de adobe, no e es imen o de achadas e na cons ução das
undações na u ais de pa edes de aipa e ijolo. A zona do Alga e, Li o al e Baixo Alen ejo ap esen a em
cons i uição geológica ambém mui o a iada, que condiciona os ma e iais de cons ução. O in e io
é agmen ado po machas de sedimen os ulcânicos, in e calada po e enos xís icos, enquan o o
li o al é compos o po a lo amen os calcá ios, a eni os, g és, ma gas e a eias. Em e mos cons u i os
a p esença de e enos calcá ios e a gilosos esul a na manu a u a da cal e ma e iais ce âmicos, como
e es imen o, o namen o e na c iação de ebocos e a gamassas. Po ém o calcá io não só é ans o mado
como cons i ui um gua necimen o dos ãos e na pa imen ação das cons uções. Apesa da p esença
do xis o e calcá io nes as egiões, a a qui e u a e nacula op a mais pelo emp ego ácil da aipa e de
elemen os ce âmicos na cons ução de es u u as po an es como abóbadas.
A no e, p edomina na egião do Dou o mon anhosos a lo amen os g aní icos, al como nas
es an es zonas de ele o aciden ado. Na zona do Minho, Dou o Li o al e Bei a Li o al a pe meabilidade
dos solos g aní icos e o denso e es imen o ege al c ia consequen emen e uma p o usão de nascen es
na u ais. A aixa dominan e g aní ica, é in e ce ada po um segmen o xis oso, no sen ido no e-sul que
acompanha as se as an es des as a ingi em a planície. Na aixa li o al no en an o, su gem a pa i
de Espinho, e enos de o mação sedimen a , como depósi os de a gilas, na zona da ia de A ei o.
No en an o á ias aixas do e i ó io de in luência a lân ica ap esen am como ma e ial p edominan e
o xis o. A egião das Bei a In e io e T ás-os-Mon es no que diz espei o à geologia é dominada na
paisagem po es e ma e ial. Na egião da Bei a Al a que se esconde a no e da Se a da Es ela, de
e enos aciden ados e amo os, p edominam os solos com p op iedades g aní icas, p opícios ao cul i o
de ce eais como o cen eio, mas es a con inuidade é in e ompida a Les e, onde se es ende uma zona
de e enos xis osos, nos quais despon a a inha, a oli ei a e a amendoei a.59 O inqué i o à a qui e u a
popula conside a es a egião, pelas suas ca ac e ís icas climá icas, económicas e opog á icas com um
ca ác e de ansição, en e a condição medi e ânica e a lân ica.
Figu a 23- Ca a da dis ibuição dos Cul i os
Cen eio
Milho
T igo
0
100 km
67
2.2.4. A CULTURA E OS MODOS DE VIDA
60 RIBEIRO, O lando - Po ugal : o Medi e âneo e o A lân ico. Lisboa: Coimb a Edi o a, 1993 (pág.92)
61 Sindica o Nacional dos A qui ec os- A qui ec u a Popula em Po ugal. Lisboa: Sindica os Nacional dos A qui ec os, 1961 (4ºedição
2º ol.) (pág. 17)
A p incipal on e de subsis ência elacionada com a a qui e u a e nacula se ia a a i idade u al ,
como O lando Ribei o de ende, a ag icul u a e a o aspe o dominan e da economia e ida po uguesa.60
Es a a i idade que omou di e en es umos, condicionada pelo clima e pelas p op iedades do solo,
o iginou di e en es o mas de explo ação e di isão do e i ó io, ais como di e en es dependências
ag ícolas. A ans o mação u al é a hones a demons ação da elação do homem com o luga . Os
aços essenciais da ag icul u a po uguesa são u o da in luência medi e ânea, no p edomínio dos
ce eais, em pa icula o milho e o igo, a impo ância das cul u as a bó eas, das o mas de i igação e
do egime de p op iedade. O campo, como unidade de p odução ag ícola des inada à ge minação do
ce eal, é que imp ime um aço igo oso na paisagem ag ícola. Como o pão, o inho e o azei e são as
bases da alimen ação medi e ânica, a cul u a do milho, igo e cen eio acompanha po oda a pa e as
ins alações humanas, no ale, na planície, na encos a ou na mon anha.
“um No e populoso, policul i ado e de p op iedade di idida, que se opõe a um Sul pa co de gen es,
monocul i ado e la i undiá io”.61
A o ganização comuni á ia dos campos nasce de um duplo egime de p op iedade que exime
a es ema agmen ação mini undiá ia ou a endência de g andes p op iedades la i undiá ias, duas
escalas de cul i o que oscilam en e uma o ma de subsis ência e uma explo ação ex ensi a com
obje i os come ciais.
No no oes e po uguês, onde o e i ó io é ico em água, nasce um ipo especial de campo-p ado,
que no In e no dá pas agem e no Ve ão adap a-se à explo ação p é-exis en e do milho. A di isão da
p op iedade e o ipo de explo ação desen ol eu-se a pa i ans o mação do e i ó io ag es e, em
á eas cul i á eis, pelo domínio omano, subs i uindo a uição comuni á ia da e a cas eja em unidades
ag á ias bem de inidas, que se acionam in e io men e em pa celas. É ca ac e ís ica a pequena
explo ação com um pa celamen o mini undiá io dependen e do espaço c a ado na opog a ia. Os
e i ó ios pa a lá da aixa mon anhosa pe manecem impá idos a es as ans o mações, a p op iedade
di ide-se mas a explo ação pe manece cole i a.
No e i ó io de in luência medi e ânica, incluindo a zona ansmon ana, os ce eais de sequei o
desen ol em-se num ipo de campo as o, quase sem limi es de ido ao ele o pouco acen uado. O
igo e cen eio ge minam em g andes p op iedades de campos abe os, sujei os ao a olhamen o e à
deco en e economia pas o il. A cul u a oma uma eição ex ensi a, sendo que no In e no o solo é
egene ado pelo pousio, po an o a p op iedade é di idida em pa celas pa a que haja uma al e nância de
cul u as. À ace des as ci cuns âncias a o ma mais comum de di isão do e i ó io é o g ande la i úndio,
que ambém emo a à época omana. Na e a as a e uni o me, alha am os p imei os comandos
égios o limi e das eno mes p op iedades doadas a o dem mili a es pa a explo ação, a é aos con a os
62 RIBEIRO, O lando - Po ugal : o Medi e âneo e o A lân ico. Lisboa: Coimb a Edi o a, 1993 (pág. 65)
de a o amen o. O absen ismo, o baixo endimen o e as disc epâncias sociais, são consequências de um
ipo de p op iedade impe ei a, e ogada pela implan ação da policul u a egada que eio ins ala um
pa celamen o meno de ido à necessidade de implan ação de sis emas de ega.
No sen ido comuni á io, as cole i idades que se man i e am num isolamen o pe sis en e
desen ol e am uma elação de in e dependência e isão pa ilhada dos p ocessos ag ícolas. Enquan o
as á eas de densa população, ou de po oamen o disseminado, de in ensi a explo ação, a eg a do
indi idualismo senho ial a i ma-se. A comunidade u al que se jun a na pequena aldeia isolada, que
ag upa as explo ações dos campos, co esponde em ce a medida à ei o ia das g andes p oduções no
Sul. A di e ença é que a aldeia p oduz pa a se alimen a e o g ande p op ie á io pa a ende .62
O egime das cul u as de egadio e sequei o elaciona-se com a humidade do solo. Os ce eais
que são semeados no In e no com as p imei as chu as, colhidos na in e upção das p imei as al as
empe a u as, co espondem às cul u as de sequei o, onde o homem es á à comple a me cê do clima.
As cul u as maio es que não dispensam a manipulação a i icial da água ab angem-se sob denominação
de la as de egadio. A ega a i icial des ina-se a in ensi ica a p odução ou a compensa o p óp io clima.
No no e A lân ico é eco en e a ega de abundância que a o ece a p odução inin e up a do milho.
O milho de egadio aloja-se em socalcos e que queb am os maio es decli es, nas encos as, no undo de
ales e na ma ginal dos cu sos de água. Em e mos de ou as cul u as nes a egião coexis em o cen eio,
que se o na abundan e nas egiões mon anhosas e esca padas, o igo, nas egiões mais húmidas, e
o a oz, nas planícies inundá eis das bacias do Mondego e do Vouga. Na zona da aia ansmon ana o
homem imp ime sob e a e a ês g andes manchas de cul i o onde p edomina o cen eio: a policul u a
de egadio de encon o com o Vale do Dou o, a cul u a de mon anha e de sequei o. Nou o momen o,
a cul u a na Bei a Al a so e g ande di iculdade na explo ação da e a. As diminu as p op iedades, de
escala amilia moldam-se sob mé odos p imi i os à policul u a de egadio e ao cen eio e milho em
sequei o. Na Bei a Baixa as condições modi icam-se, a explo ação ag ícola adqui e ex ensões maio es,
ap oximando-se ao sis ema la i undiá io do sul.
No sul o egadio sup e as ca ências do e eno, elacionado no clima medi e ânico aos a ozais,
poma es e ho as. No in e io da Es emadu a e no limia do Alen ejo as á eas de explo ação
ag ícola es ão ligadas às o mas de assen amen o da população, ap esen a-se uma di e sidade de
cul u as, ca ac e izada numa imagem de pa celas colo idas que des anecem de encon o ao li o al.
Na Es emadu a a á ea do milho es ende-se do no e do país e mis u a-se com a cul u a do igo de
ca ác e medi e ânico. A no e do Tejo, a policul u a de egadio exige um cuidado igiado, dando-se
uma comunhão en e a e a e o Homem. A sul, na mais pequena és ia de e a plana, ou em g andes
ex ensões de la ou a p a ica-se a monocul u a do igo e do a oz. No caso do Alen ejo, a ag icul u a
êm um papel ulc al na cons ução da ida quo idiana, dado que dá emp ego às g andes massas.
Nes a zona domina a g ande p op iedade em egime de p odução ex ensi a de cul u a de sequei o,
como o igo, a ce ada, a a eia e o cen eio. Po im, na zona de encon o com o Medi e âneo, em
69
63 MENÉRES, An ónio - A qui ec u as Popula es : Memó ias do Tempo e do Pa imónio Cons uído. A cos de Valde ez: Município de
A cos de Valde ez, 2013 (pág.
64 RIBEIRO, O lando - Po ugal : o Medi e âneo e o A lân ico. Lisboa: Coimb a Edi o a, 1993 (pág.55)
de imen o da opog a ia e de ecu sos na u ais al e na i os, a a i idade ag ícola é um ins umen o da
economia amilia , p a icada em pequena escala, onde p edominam os ce eais de sequei o, poma es
egados e as ho as.
A oda es a iqueza de ambien es o mados pelo conjun o de condicionan es do e i ó io po uguês
co esponde uma as a expe iência de a qui e u as p oduzidas no mundo u al. A mais do que um
modo de ida a a qui e u a e le ia uma o ma de ci ilização que ansmi ia a complexa es u u a das
suas ações na ha moniosa conceção do seu espaço.63 No mundo u al e nacula , as ca ac e ís icas
na u ais de uma economia de subsis ência, po oposição a uma economia de me cado, condicionam
o pe il das o mas a qui e ónicas que são a exp essão do abalho e dos modos de ida de encon o
à paisagem. A paisagem po uguesa esume-se a uma dualidade geog á ica numa p eposição mui o
concisa, “Po ugal é medi e ânico po na u eza, a lân ico po oposição.”64 Po consequen e a a qui e u a
e nacula ambém i e es a dualidade, no en an o a sua o malização cons u i a encon a-se de
al o ma di e si icada pa a que a sua mul iplicidade se encaixe den o des es pa âme os. Obse a
uma ipologia o mal, que ab ange uma mesma a i idade ou unção, é um modo de analisa como se
desen ol em as ca ac e ís icas o mais da a qui e u a e nacula in e cede a na u eza, e cons i ui uma
o ma de des ela o impac o das ci cuns âncias locais na composição cons u i a.

Figu a 24- Edi icio de P o eção dos Achados A queológicos do assen amen o medie al de Gu enWe h, O on Jugo ec, Eslo énia
71
65 Sindica o Nacional dos A qui ec os- A qui ec u a Popula em Po ugal. Lisboa: Sindica os Nacional dos A qui ec os, 1961
O p ocesso de cons ução da a qui e u a e nacula não é in insecamen e in ui i o. O desenho
de um modelo ansmi ido pelo sabe adicional so e adap ações de aco do com as di e en es
necessidades, ge ando di e sas soluções. A mesma es u u a pode adap a -se a si uações díspa es, o
que a molda é a sua o ma de ap oximação ao luga . A o ma de um elemen o e nacula assemelha-se
a um pad ão em cons an e mu ação. O seu desenho é di ado pelas ci cuns âncias p e alen es, como o
clima e a elação com o seu ambien e.
Reconhece-se o po encial eó ico e c í ico das o mas de exp essão da a qui e u a e nacula ace
ao clima do luga , numa in es igação ipológica sob e os disposi i os de somb eamen o, iluminação
e en ilação p esen es na a qui e u a e nacula po uguesa. A inclemência ou a amenidade da luz
sola , a equência das chu as ou a aspe eza das b isas são enómenos que o homem obse a de
o ma a cons ui . Como o clima de ine inexo a elmen e as condições de ida e as a i idades labo ais
humanas, é de e minan e examina as ca ac e ís icas o mais com que a a qui e u a e nacula il a
os ambien es na u ais.
Reco endo ao ma e ial expos o pelo Inqué i o à A qui e u a Regional de 196065, desen ol e-se um
apu amen o e lei u a c í ica das o mas e nacula es que es abelecem elações p óp ias com o ambien e
no campo da iluminação e somb eamen o. Es a seleção cons i ui o pon o de pa ida de sis ema ização
das cons uções elacionadas com di e en es unidades de paisagem, en e as quais se comp eendem
as a qui e u as do milho e do igo. As o mas são analisadas ao ní el das es a égias de implan ação,
elemen os e disposi i os a qui e ónicos, que em elação ao espaço a qui e ónico que moldam e
de inem. A espos a que o e nacula ansmi e a uma qualidade de luz em cada caso en en ada.
Na o ma de sela ão con a o clima, su gem inúme os ipos de soluções que uncionam de manei a
comple amen e di e en e, de aco do com hos ilidade do seu luga na u al. Des a o ma p ocede-se
à sis ema ização des e ma e ial segundo ês pa âme os: o mas da implan ação (con igu ação da
plan a e o ien ação), elemen os a qui e ónicos e disposi i os cons u i os.
2.3. FORMAS VERNACULARES EM DIÁLOGO COM AS CARATERÍSTICAS DO LUGAR
Figu a 25- (da esq. pa a a di .) a) Pano ama do Po oado de Pon e de Lima b) Pano âmica do Po oado de Vale da Figuei a, Golegã
c) Casa u al de T a assos, Lindoso d) Casa u al de Melinde, Alcanena
73
Relacionadas com a con igu ação planimé ica do edi ício e sua es a égia de disposição no e i ó io,
as o mas de implan ação a i mam-se como p incípios de sub e úgio às condições ambien ais e aos
ecu sos na u ais.
Desenho U bano
A p imei a o ma de adap ação da a qui e u a ao clima es á elacionada com o desenho u bano
e a o ien ação do edi ício. O espaçamen o dado en e os edi ícios e a o ma como es es se ajus am à
opog a ia, in o ma sob e os cuidados exibidos pa a a amenização da na u eza. O homem escolhe a
o ien ação mais con enien e pa a a sua casa. No no e o po oado assim o mado é pequeno: um dúzia
de casas de habi ação, a enda, a escola, a ig eja, as uas com um ou ou o la guinho e as e as em
o no. Nes as ou naquelas encos as, onde exis e água e o solo é p opicio à cons ução de lei as , se
es abelece o se humano. E guendo ep esas e socalcos, po que os luga es são acanhados e odeados
de aciden es opog á icos, as casas ap oximam-se ou a as am-se, e cons oem-se consoan e as
con ingências do e i ó io. A composição u bana oscila en e o po oamen o dispe so e o po oamen o
concen ado. A igu a 25 a) ep esen a a con igu ação de um pequeno po oado de Pon e de Lima que
se expande e comp ime segundo eco es da opog a ia.
O desenho u bano nas egiões de in luência medi e ânica ende a se mais compac o, o necendo
mais somb a p oje ada en e edi ícios, minimizando a incidência do calo nas habi ações. Ruas es ei as
a mazenam o a esco da noi e, pa a que o dia seja mais ameno. No exemplo do po oado de Vale da
Figuei a, em plena Lezí ia, o desenho u bano concen a o seu edi icado em o no um e ei o, e pouco
se expande pelos campos ci cundan es.
Volume ia/O ien ação
Fala da olume ia signi ica ala sob e o desenho compac o ou pa ido das o mas e nacula es.
A casa no enha é po no ma uma cons ução de plan a e angula de aspe o maciço, com dois pisos: o
supe io sob ado pa a a habi ação e o in e io pa a as lojas de animais e a mazenamen o de p odu os
ag ícolas, subindo-se ao p imei o anda a a és de uma escada ex e io de ped a que dá acesso a uma
a anda que dis ibuía pa a as es an es di isões. A casa de T a assos, da igu a 25 c), é um exempla
que segue o esquema de uma a anda se dispõe na achada mais ex ensa e com maio exposição
sola e p o egida do en o. A cons ução de dois pisos é ambém jus i icada pela ques ão do clima,
a as ando a habi ação da humidade do solo ap o ei a a-se o calo das lojas como aquecimen o dos
compa imen os da habi ação.
“No Riba ejo, as habi ações, cons uídas de ijolo, u o e adobe, desen ol em-se num único piso,
segundo um esquema mui o simples- di isões em sucessão e comunicando en e si- implicando as
ca ac e ís icas de um e ângulo alongado.” A olume ia comp eendida na pa e medi e ânica, ab e os
ãos em núme o e nos locais que en ende po mais con enien es, deixando as achadas mais expos as
pelo sol e en o, quase sem abe u as. Po ém a casa de um piso pa ece jus i ica -se nes a egião pelos
2.3.1. FORMAS DE IMPLANTAÇÃO
Figu a 29- (da esq. pa a a di .)a) Casa com gelosia, Guima ães b) Casa com gelosia, Beja c) Ro ulados sob e ão, B aga d) Ró ula
sob e janela, Fa o

81
70 Á semelhança da gelosia o o ulado cons i ui uma o ma de subs i uição da caixilha ia de uma janela, po páineis ixos ou mó eis,
compos os po pequenas es u u as de ipas de madei a sob epos as diagonalmen e ou pe pendicula men e, são elemen os adja-
cen es à supe ície do ão. OLIVER, Paul -The Encyclopedia o Ve nacula Wo ld.Camb idge: U.P,1997 (pág. 450)
71 In imamen e ligada à cul u a islâmica a gelosia “é um ipo de janela em consola, abe a na pa ede onde se ixa uma p o eção de
madei a endilhada que penei a e adoça a luz(...) FATHY, Hassan - A qui e u a pa a os pob es: uma expe iência no Egip o u al,
Lisboa: A gumen um, 2009 (pág. 85)
De o dem e éme a, esidem os disposi i os cons u i os que demons am a elação da a qui e u a
e nacula com o clima. Pois a sua composição não ab ange uma unção es u u al, mas associa-se a
uma o ma de complemen a o ão adicional. Es es elemen os das cons uções e nacula es, po
ezes p e alecem como in luências ex e nas à p óp ia cul u a.
O o ulado
Os o ulados70 são po no ma emp egues na p o eção pos e io dos ãos de janela ou nos pos igos
das po as, em mui os casos di undidos na zona medi e ânica, em con ex o u bano. São elemen os de
de esa da in imidade da habi ação, e são equen es localiza em-se nos pisos in e io es, pois pe mi em
du an e os es ios secos e quen es a en ilação do in e io pela sua supe ície pe u ada. Em Ta i a
encon amos es e exempla na mais pu a o ma de encaixe no ão, com a mesma a iculação que
uma janela de guilho ina. Nes a egião, não só p edomina a sua u ilização em janelas como ambém
em po as de ba en e, em bandei as e gua das. A sua aplicação mui o ezes é ei a em de imen o de
uma on ade es é ica e de ges ão da luminosidade. Num con ex o comple amen e opos o, na cidade
de B aga, deno a-se a p esença de uma casa u bana bu guesa onde oda a achada, é e es ida po um
pad ão de o ulas, pi o an es, que dissimula a di isão do núme o de pisos do lo e. Uma ex ao diná ia
es u u a de abique, que se ap oxima da gelosia. A achada o ma moldu as pa a o apoio de inúme os
painéis de madei as, a ás dos quais as janelas se escondem do ex e io .
En e os dois ambíguos con ex os o disposi i o não pa ece so e g andes al e ações na sua
composição, apenas na o ma como é aplicada. No No e a sua u ilização não se elaciona com ambien e,
elaciona-se com uma moda, uma in luência cul u al, nos séculos XVII e XVIII, das o dens eligiosas que
e es iam as janelas dos con en os, uma o ma empolada de g andes ges os a qui e ónicos.
A gelosia
A peça de a qui e u a isolada que le a um habi an e a de ende -se da aspe eza p óp ia do clima,
com ecu so a um simples e belo elemen o cons u i o como a gelosia71. Es a o ma olumé ica apa ece
mais es i amen e em si uação u banas onde a sua disseminação azia pa e de uma e en e e udi a.
Desde a cidade de Guima ães, onde ainda se encon a um exempla de g andes dimensões que ocupa
oda a supe ície da achada do piso supe io , a gelosia cons i ui um complexo conjun o de paneis
de madei a pi o an es, sendo um espaço habi á el do p óp io ogo. Em Beja, a peça de madei a, que
cons i ui a gelosia, ajus a-se escul o icamen e apenas às dimensões do ão que p o ege. Nes e caso,
as suas p opo ções não pe mi em a ci culação den o da mesma, a sua p o undida é ela i amen e
pouca, em compa ação com o o iginal. Na mesma condição que os o ulados, as gelosias pe du am
pelo e i ó io como in luências de ca iz es é ico, subjacen es a uma ideia de clausu a e con o o
habi acional.
2.3.3. DISPOSITIVOS CONSTRUTIVOS
Figu a 30- (da esq. pa a a di .)a) G elha em g ani o de espiguei o, Lindoso b) G elha de madei a em po a, Óbidos c) Po ada em
Madei a, Vila Real d) Pos igo em Madei a, Sil es
83
G elhas
O emp ego gene alizado do ijolo em odo o Riba ejo e Es emadu a, az de ce a o ma su gi em
p og amas de unções pa icula es, como áb icas, celei os, o nos, laga es e adegas o apa ecimen o
de edações e pa edes pe u adas na o ma de g elhas, que i am pa ido dos cheios e azios e dos
cla os e escu os pa a se i de somb a e en ilação dos espaços. A p odução de elemen os ce âmicos,
conduzida po uma escassez de al ena ia em ce as zonas do sul, gene alizou uma aplicação modula
ab angen e sob e a cons ução de planos de pa ede em edi ícios e nacula es onde é bené ica
a en ilação c uzada. Em palhei os da zona da Es emadu a encon a-se exemplos de aplicação do
ijolo em cons ução de adobe e aipa de o ma a o ganiza em pequenas pe u ações nos mu os que
descu am abe u as, pa a a eja em con oladamen e as cul u as a mazenadas. Na cons ução dos
luga es de secagem do p óp io ma e ial, como na áb ica de ce âmica si uada na Asseicei a, onde uma
es u u a na o ma de pó ico, de dois pisos, na qual o espaço en e pila es é p eenchido po uma ama
de al ena ia.
Nas zonas de in luência a lân ica, a ped a é um ma e ial ans o mado de o ma a c ia es es
elemen os ca ac e ís icos em cons uções especí icas. F es as compos as po g andes lâminas de
g ani o essu gem das cons uções no ex emo dos limi es nacionais, dos espiguei os de Lindoso. Uma
aplicação dece o mais nob e e pe ene do que nas e as menos in e io es. Na casa de la ou a, a casa
da ei a ou sequei o, admi e que um dos seus planos inin e up os seja compos o po uma pa ede
pe meá el, compos a po um i mo con ínuo de p umos e icais, em con aposição à achada de
pilas as expos o ao sol.
As po adas e pos igos
A po ados e pos igos são disposi i os a qui e ónicos que supo am o desempenho da janelas da
habi ação e nacula . Em ce os momen os de escassez do ma e ial anspa en e pa a a o mação de
caixilha ias, as po adas agiam como sepa ado do clima. As po adas in e io es jogam com dob adiças
de e o c a adas nas omb ei as de g ani o das janelas que lhes pe mi em gi a sob e gonzos. A
espessu a da pa ede in e ém no ajus e des e elemen o ao ão. Em si uações mais isoladas, e com
menos ecu sos, que as janelas que as po as de madei a são somen e cobe as po po adas ou
pos igos, sendo o id o uma a idade. Es e aço é e iden e em ce as po oações de índole medi e ânica,
como po exemplo Sil es e Beja, onde a en ilação é bené ica, mas a insolação p o ocada pelo id o
é dispensá el. Como o ma de iluminação do in e io esco ence ado pelas po adas, desenham-
se pequenos painéis, esca ados nesse elemen o, que pe mi em uma en ada con olada da luz. Em
p o íncias no in e io do e i ó io pe manece uma exp essão ude e a caica des e disposi i o, com
dema cações da pob eza de meios da egião de Idanha-a-No a e Giões, se indo es es apenas pa a
isola o ogo.
Figu a 31- Sequei o com sis ema de empanadas basculan es, Pon e do Po o, Ama es, 1955
85
As empanadas/painéis
Em locais húmidos, com g ande plu iosidade, o sequei o é um ab igo indispensá el à ecolha e
exposição dos ce eais ao sol. As abe u as des as es u u as de g ani o, que em caso de mau empo
necessi am de se ence adas apidamen e, pelo que es as são p eenchidas po empanadas ou po adas
de madei a ixadas na a es a supe io , sus idas abe as pa a den o, po in e médio de e agens ou
incos de madei a que as ixam ao e o, sendo descaídas quando necessá io. Es es elemen os dão uma
exp essão inequí oca à achada do sequei o das casas de la ou a en e Minho e Dou o. Es es painéis
de ábua, com jun a espaçada ou inin e up a pela dimensão dos p umos e icais que os cons i uem,
c iam i mos alician es de somb a, pequenos o i ícios po onde o a pode ci cula sem deixa expos a
a colhei a. As a andas habi acionais, po ezes ambém usu uem de po adas mó eis da mesma
condição do sequei o que p o egem es e qua o ex e io da agilidade do clima.
As empanadas são ca ac e ís icas de uma necessidade de ápida adap ação ao clima, p esen e
no ambien e a iá el de in luência a lân ica. Pelo que es e disposi i o a qui e ónico não se aplica a
cons uções de con ex o medi e ânico, que se depa am com um ambien e cons an e benigno, pelo
que nos egis os do inqué i o à a qui e u a popula não se encon a a dispe são do elemen o nessa
egião.

Figu a 33- Sín ese das Fo mas, Elemen os e Disposi i< os da A qui e u a Ve nacula Po uguesa em diálogo com o con ex o
Alpend e Pa ede La ada Pá io Volume Desenho U bano
87
G elha Gelosia Ró ulado Empanadas Pos igo Va anda
3 AS ARQUITETURAS DO MILHO E DO TRIGO
89
Figu a 35- O abalho na ei a, B aga, 1955

97
O MILHO E O TRIGO
74 BRÁS, Alda - Colhei a e Conse ação do Milho-G ão. Minis é io da Ag icul u a do Desen ol imen o Ru al e das Pescas, 2002 (pág.1)
O milho é um ce eal de egadio, p edominan e na egião de in luência A lân ica que se ecolhe
em espiga, e eque secagem con enien e an es de se a mazenado. As unidades ag ícolas da á ea em
ques ão, comp eendem po an o ins alações adequadas pa a es a secagem, como a ei a, o alpend e,
o sequei o e espiguei o, en e ou os locais elacionados di e amen e como o ipo a qui e ónico,
nomeadamen e a a anda. A secagem do milho cons i ui uma ope ação de múl iplos aspec os, onde
o homem necessi a concilia o empo com as condições do seu espaço. Es e p ocesso de ce a o ma
cul u al, que implica a colhei a manual e a secagem em espiguei o, ealiza-se na zona no e num
momen o em que o ce eal ap esen a um ele ado g au de humidade. As colhei as dão-se mui o cedo,
pa a que as espigas sejam a mazenadas a é a ingi em alo es p opícios á debulha, es abelecendo-se
uma boa conse ação. O p ocesso de secagem dos ce ais, den o do espiguei o esul a da passagem de
co en es de a aquecidas po en e as espigas, e não apenas da simples exposição sola . 74 Como o clima
é mui o húmido o ce eal êm de se de idamen e seco, an es do g ão es a p on o pa a a u ilização ou
a mazenamen o. Po isso o p ocesso de colhei a p olonga-se do Ve ão a é ao Ou ono, o ciclo a as a-se
po um longo pe íodo de apanhas pa ciais, em is a às necessidades do momen o e de aco do com a
capacidade do espaço de secagem. No sul, a colhei a do ce eal é ei a o mais a de possí el, conduzida
quando o g ão ap esen a um eo de humidade mui o baixo, o que elimina o pe íodo de secagem,
e anspõe a ação de a mazenamen o de ini i o. O g ão, nes e clima adqui e uma maio esis ência
mecânica e melho qualidade inal, o que pe mi e a conse ação imedia a, eliminando-se o espaço e o
empo de secagem.
A p incipal ca ac e ís ica di e encial das cons uções en e as duas á eas de compa ação é o
p ocesso e empo de secagem dos ce eais. A necessidade de secagem p olongada na á ea a lân ica
conduz a uma associação de á ios elemen os à unidade ag ícola. A elação en e a ei a, o sequei o e o
espiguei o, a associação de espaços abe os a espaços cobe os ou ence ados, onde se podem ab iga
as espigas das in empé ies equen es da egião, mesmo du an e a época es i al.
A ei a é um espaço delimi ado des inado à debulha e secagem e p epa ação pa a o
a mazenamen o de ini i o dos ce eais. As espigas depois de debulhadas são p o iso iamen e expos as
ao sol na ei a, numa camada ho izon al, o menos sob epos as possí el, ou igualmen e gua dadas num
espaço in e mediá io, o sequei o. Es e elemen o adqui e á ias ca a e ís icas o mais e uncionais na
zona de in luência a lân ica. O seu desenho oscila en e um espaço bem delimi ado po um mu e e,
po ezes i egula , p opo cional à dimensão da casa de la ou a, e um a lo amen o ochoso. A ei a
é po ezes uma ob a de can a ia , compos a pela al ena ia p edominan e da zona, ou um simples
assen amen o do solo. Na egião en e Dou o e Minho, p edominam ei as abalhadas em g ani o e xis o,
sendo que em locais a caizan es e isolados, como na Se a Minho a, as ei as são apenas a lo amen os
ochosos na u ais, g andes lajes i egula es, que se u ilizam com ligei as adap ações.
O sequei o é um local cobe o de dimensões a olumadas, com dois ou mais pisos, i ados a sul
sob a ei a, uma achada asgada de po adas que deixam en a o sol, e achadas de a doz mui as ezes
Figu a 36- Fachada Sul de Celei o, Ma ingança, Lei ia, 2015
99
75 OLIVEIRA, E nes o & GALHANO, Fe nando - A qui ec u a T adicional Po uguesa. Lisboa: Publicações Dom Quixo e 1992
em ipado. As suas unções êm um ca ác e mais eclé ico, sendo que es e anexo complemen a de
secagem, apenas se e quando a ei a êm uma condição inu ilizá el, an es da a mazenagem de ini i a.
Den o des a con enção exis em inúme os ipos de espos as a es e mesmo p oblema de secagem e
a mazenamen o, de aco do com a iqueza e ex ensão da casa de la ou a.
Vemos assim na á ea a lân ica a ei a associada no malmen e, a um ou mais edi ícios, com
dimensões e o mas di e en es, en e alpend es, a andas, sequei os, casas da ei a, bei ais e a andões,
que demons am uma e iden e poli alência uncional. Es e dado acen ua a elação do elemen o com as
condições peculia es do seu clima e do seu ce eal.
O igo e o cen eio, são cul u as que não eque em locais de secagem, po an o as dependências
que lhe dizem espei o es ão apenas elacionadas com a debulha e a mazenamen o do mesmo, pelo
dizem espei o a es a a i idade a ei a e o celei o. A ei a do sul co esponde a um ipo pu amen e omano.
Es a é um me o espaço sem qualque p epa ação especial, onde o ce eal é ba ido em g andes á eas
abe as de e a calcada com um con o no imp eciso. No Alen ejo as ei as são elemen os indi iduais,
in eg adas na unidade ag ícola da egião, podendo se mo idas de aco do com a con eniência da
explo ação e dos a olhamen os. Uma o ma pa icula des e elemen o no clima medi e ânico é um
ac o comum da casa alga ia, a açoi ei a ou e aço, que é equipa ado à ei a, como local de secagem,
de ecolha de águas pa a a cis e na e local de con í io ex e io pa a os seus mo ado es.
O celei o ex e io é uma ins alação p óp ia no ecin o da casa, ou anexa à unidade u al, que
pode i de g andes edi ícios a pequenas cons uções, ou apenas silos, es es possuem um ca ác e
ge al que se e pa a odos os p odu os da egião. Os celei os são epo ados na ob a, A qui ec u a
Popula Po uguesa, como locais de a mazenamen o da p odução e, ocasionalmen e, como uma
dependência habi acional, quando o espaço da casa é diminu o. En e as a ian es ge ais e locais, o
es udo ap esen a o celei o como uma dependência ex e io à casa, com apenas um piso alumiado po
exíguas abe u as, que comp eendem óculos, pequenos asgos de iluminação no opo das cons uções,
e pequenos pos igos la e ais. Es as cons uções são po no ma implan adas no en iamen o da achada
da habi ação, com abe u as mui o semelhan es a es a, sem po isso impo qualque di e ença na
es u u a do desenho do alçado da casa.75
Resumindo o ela o da in luência de uma a i idade u al sob e a a qui e u a e nacula , egis a-
se a exis ência de ca ac e es p óp ios e dis in os no no e a lân ico e no sul medi e ânico. Depa a-
se com uma zona de e as secas, de adição comuni á ia, ou onde a g ande p op iedade c ia uma
explo ação ex ensi a de ce eais que não eque em secagem especial, a mazenados em de o mas com
ce a adap abilidade uncional. Opondo-se a zona a lân ica, uma egião de e as escas e húmidas, de
pequena p op iedade e in ensi a explo ação, zona onde com a in odução do milho, ce eal olumoso e
de eno me p odu i idade, oi necessá io desen ol e em-se e amplia em-se no os ipos de ins alações,
c iando-se no as soluções especializadas.
Figu a 37- “The pe sis ence o o m”, Lynn Da ies, 2010
101
76
As somb as p ojec adas o am calculadas pa a o Sols ício de In e no e Sols ício de Ve ão, onde a al u a sola a inge os seus es emos,
espec i amen e dia 21 de Dezemb o e 22 de Julho.
77 A al u a sola ep esen ada na ca a sola calcula-se a i me icamen e segundo a o mula (90º-la i ude do luga )-+23º
Um inqué i o a qui e ónico cons i ui um p ocesso de aquisição de conhecimen o, cuja pesquisa e
análise es abelecem e amen as c í icas. Mais do que um simples in en á io de o mas e de écnicas
cons u i as, p opõem-se um le an amen o imp essi o com uma ap oximação às qualidades do luga ,
às o mas de assen amen o e às o mas de ap op iação do espaço. A p ocu a de e e ências locais, que
dão luga a egionalismos, o olha sob a a qui e u a na busca de elemen os au ên icos, desp o idos de
ecle ismos, es ilos ou gene alismos. O p incípio de espei o sob e a cul u a e luga dá o igem a uma
a iedade de desenhos e soluções. O le an amen o imp essi o p ocu a egis a he e ogeneidade das
cons uções do milho e do igo com que se depa a.
O le an amen o imp essi o da a qui ec u a e nacula elacionada com a p odução do milho e do
igo, que p e ê a con on ação en e duas zonas, o ganiza a sua pesquisa po unidades de paisagem
elacionadas den o um limi e e i o ial. A ep esen ação dos casos de es udo à pequena escala es á
elacionada com o luga e à g ande escala elacionada com o e i ó io. O le an amen o ep esen a
duas egiões e i o iais que os en a dis in as ca ac e ís icas. A zona a lân ica é ep esen ada pela
egião en e Dou o e Cá ado, e a zona medi e ânica ep esen ada pela paisagem iba ejana a no e e
a sul do Tejo.
As ichas de análise que egis am as o mas no e i ó io o ganizam-se sob os pa âme os
susci ados no p imei o capí ulo. Pa a uma compa ação co esponden e com o p essupos o do ge al
pa a o pa icula , o es udo con empla uma p imei a abo dagem a uma escala e i o ial onde são
apon adas á ias unidades de paisagem na zona de in luência a lân ica e medi e ânica, os casos
são si uados em e mos ela i os. Em cada unidade ope a i a são ag upados á ios exemplos. A
ap oximação ao luga a pa i de uma ampla escala pe mi e con empla a mo ologia opog á ica do
luga e a adap ação das o mas. Indi idualmen e, cada exemplo é obse ado numa planime ia mais
p óxima ao seu con ex o onde se apon a os maio es picos de incidência sola a a és o desenho das
somb as p ojec adas 76 .A achada sul e a achada no e são espec i amen e ep esen adas pa a
obse ação da adap ação dos planos ace à p esença e ausência da luz sola , e ambém demos am a
es u u a olumé ica dos casos. O co e ans e sal in o ma sob e a incidência dos aios sola es den o
dos olumes dependendo do ipo de abe u a. A inclinação do aio sola es e o ien ação dos mesmos
calcula-se segundo a ep esen ação da ca a sola 77. Pa a a ep esen ação esquemá ica da elação
en e a p opo ção de á ea dos planos de achada e abe u as cons ói-se pequenos apon amen os dos
alçados que culminam na ansmissão isual de pe cen agem de pe meabilidade sola dos exemplos.
Po im o desenho de po meno comple a a análise o sis ema de somb eamen o e en ilação dos casos
de es udo. O g au de po osidade ace ao clima, a ep esen ação da adap abilidade ao luga no desenho
das pequenas e udimen a es soluções cons u i as. Es as ichas de análise que acompanham o ex o
co en e ao longo des e p imei o olume dispõem de exempla es a uma escala supe io es, disponí eis
pa a consul a no segundo olume des a disse ação.
3.4. LEVANTAMENTO IMPRESSIVO DAS FORMAS NO TERRITÓRIO

4. NO TERRITÓRIO DE INFLUÊNCIA ATLÂNTICA
103
Figu a 38- Mapa Te i o ial da Região de In luência A lân ica
0 30km
0 30km
UO_13
UO_14
UO_15
UO_16
UO_17
UO_18
UO_19
UO_20 UO_21
UO_1
UO_2 UO_4
UO_3
UO_5
UO_6
UO_7
UO_9 UO_8
UO_10
UO_11
UO_12
R.Mondego
R.Zêze e
R.Nabão
R.Cei a
R.Co o
R.Al a
PORTO
BRAGA
VILA REAL
VIANA DO CASTELO
R.Leça
R.Vizela
R.Sousa
R.Tâmega
R.Fe ei a
R.A e
R.Sousa
R. Cá ado
LISBOA
ÉVORA
COIMBRA
R.So aia
R.Alpia ça
R.Real
R.Al iela
R.Lis
R.Alcôa
R.Guadiana
105
78 TORGA, Miguel - Po ugal. Coimb a: Edições de Au o , 1993 (pág. 45)
79 d’Ab eu, coo d. Alexand e Cancela - Con ibu os pa a a iden i icação e ca ac e ização da paisagem em Po ugal. Lisboa: Di-
ecção-Ge al do O denamen o do Te i ó io, 2004 (pág.20)
4.1. O SEQUEIRO ENTRE O CÁVADO E DOURO
Num e i ó io de acen uadas di e enças opog á icas, causadas pelo ompe da hid og a ia, ”da
sua con igu ação in ima e isionómica, de simples aciden e co og á ico ascende à anscendência dum
pu ga ó io, com almas “ 78. As unidades de paisagem ab angidas pela in luência do io Dou o e do io
Cá ado são dema cações de um Po ugal elú ico e lu ial, de con as es luminosos d amá icos, onde o
plano é conquis ado a cus o pelo co po humano.
G upo de unidades que em e mos mo ológicos pode se desc i o como um g ande an i ea o
i ado pa a o A lân ico, em decli e das se as da Peneda e Ge ês, uma sequência de ales sepa ados
po zonas de maio decli e. Es a disposição do ele o demons a uma g ande in luência sob e o clima e
sob e a iden idade de cada compa imen o ísico. Po oda a egião os usos di e si icados, o ganizam-
se segundo um ape ado pad ão das di e en es cul u as e da di isão dos campos. Um in enso e ilha
de a i idades, sob epos as en e a habi ação e a p odução ag ícola, co esponden e à di e si icada
explo ação do solo e ele ada densidade populacional.
O supo e bio ísico ca ac e iza-se po um clima ma í imo, de ampli ude é mica a enuada, com
in ensa plu iosidade. Mas o clima não é uni o me, so e uma di e enciação esul ado dos ios se
desen ol e em pe pendicula men e ao oceano, e i icando-se o esba imen o des as ca ac e ís icas
a lân icas e o acen ua da con inen alidade in e io . Es e g upo de unidades es á associado a uma
paisagem ag á ia ex emamen e o iginal, sendo possí el es abelece uma elação di ec a en e a
explo ação e a mo ologia dos ales, a p esença dos elemen os na u ais e a o ma sub il como se
abalha am e molda am as encos as, ao longo de séculos. Os solos xis osos e g aní icos e a eição
da paisagem molda um ipo de cons ução de ele ado alo a qui e ónico. As cons uções possuem
alguma he e ogeneidade que em na sua o igem os di e en es ma e iais u ilizados e exp ime-se
essencialmen e na o ma desconce ada como se jogam com os olumes, como se induzem os ãos e
a andas, no uso da al ena ia e no ipo de cobe u a.
O po oamen o é dispe so, dispos o em pequenos po oados u banos, ou luga es de casas isoladas
po en e campos, p ados e a o edos. A ixação acompanha densamen e os eixos iá ios, onde a
unidade ag ícola não ul apassa os 10 hec a es. Todo o conjun o opog á ico é in ensamen e alo izado
pela iqueza sensi i a, onde se salien a o c oma ismo associado às á eas ag ícolas e às supe ícies
lu iais.
UNIDADE OPERATIVA 3-FUNDO DE VILA
3A 3B 3C
3A
3B
3C
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
la i ude 41° 9.44’N
longi ude 8° 18.3’E
al i ude 210m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
10m
10m
O ien ação /Con ex o
10m
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia

113
4.4. UNIDADE 3_ FUNDO DE VILA
No mesmo pa alelo ca esiano, a Es e dos casos pos e io es casos, a a essando o Tâmega, em
di ecção a Pena iel, encon a-se um conjun o mui o pa icula de sequei os, cujos e enos se elacionam
com a ia. Es e luga , de qualidade excepcionalmen e plana, ab iga um sis ema de di isão do e i ó io
ex emamen e epa ido, a p op iedade é de al o ma explo ada no âmbi o u al, que cada casa quase
possui o seu p óp io sequei o e ei a e espiguei o.
A as ado da ma gem do pe cu so, o ien ado a sudoes e-no des e, encon a-se uma cons ução
e nacula de excepcional o iginalidade. O exemplo 3A na sua implan ação adoça um dos seus opos
ao mu o limi e da p op iedade. A ei a, cujo desenho é de dúbia o ma, nasce do pe íme o do sequei o
e do mu o da p op iedade e esp aia-se no campo. Es a é compos a po uma g ande laje de xis o,
azulada, um ma e ial com g andes capacidades e le o as da luz sola . Os dois elemen os encon am-
se dis anciados da casa de la ou a, não en am con igu a qualque espaço com es a.
Um pó ico de g ani o ao ní el do piso é eo sus en a um segundo piso de abique que se apoia
nos lin éis de ped a, com g andes o os de madei a no sen ido ans e sal. Nes e mesmo caso, a
in e secção en e a cobe u a e o olume, é disseminada po uma aixa de ipado, onde se apoia o
bei al. As aixas de madei a, ligei amen e espaçadas na e ical e na ho izon al, al e nam o sen ido da
en ilação. A cons ução em si é mui o osca, exis indo á ios emendos com chapas de e o e madei a,
como nas po as in e io es. O espaço in e io , ambém subdi idido con o me a achada, em a umos
sepa ados.
Na p op iedade, anexa ma ginal à es ada, o sequei o é um elemen o que ad êm de uma
combinação en e o sequei o e o espiguei o. O exemplo 3B o ien a uma achada compos a po um
pó ico p eenchido po po adas de chapa me álicas. A cons ução implan a-se no é ice no e da
p op iedade, e a i ma po uma caminho sob epos os po inhas de en o cado o caminho da ua pa a a
casa. Adjacen e a es a, a ei a g ani o cons i ui o im dos campos la á eis.
Sob um elhado de ce âmica, une-se um olume po icado, com uma g elha de en ilação na
ep esen ação de um segundo piso, e a Oes e um olume de madei a apoiado em pila es de g ani o,
ele ado do solo, onde se esgua da, na segu ança do seu isolamen o, um molhe de espinhas debulhadas.
A sepa a os dois co pos uma osca escada de g ani o que acanhamen e dá acesso ao espiguei o e ao
piso supe io do sequei o.
Na achada pos e io à ei a, a cons ução ap esen a ou o piso, semien e ado, à al u a do mu o
limi e, onde se deno a um apa elho miúdo, sob e qual assen a a al ena ia b u a, de jun a seca do
p imei o piso do sequei o. Ao ní el da ei a são asgadas duas janelas, que na adequação das g andes
peças de al ena ia de g ani o, são ence adas po po adas de madei a opacas.
igu a 43- po meno da achada No e de sequei o 3C, Fundo de Vila, Pena iel, 2015
115
Pa alelamen e a es e caso, do ou o lado da inha de en o cado, nasce um sequei o mais pequeno,
com uma implan ação na mesma o ien ação. No caso 3C o mu o ace à es ada pa ece se an e io
a qualque ou a cons ução. Ou a ez, o sequei o de alhada al ena ia, assen a sob e o apa elho
mais i egula do mu o, onde assen a na pe eição a pesada al ena ia pesada. Nes e caso a ei a es á
encaixada ao longo da achada sul e o opo es e. No opo ab e-se pa a a ei a, um po al de duas
olhas e uma janela, que ap o ei a o decli e das águas da cobe u a, com duas po adas de madei a
ingidas de e de. Não se p e ê uma zona de en ilação da achada semelhan e ao an e io , an es
uma desma e ialização do bei al, que em ês ou qua o p umos adjacen es que sepa am o g ani o da
ce âmica.
10m 10m 10m
5
la i ude 41° 9'12.73"N
longi ude 8° 9'47.47"W
al i ude
inc. aios sola es
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
UNIDADE OPERATIVA 4_ MARCO DE CANAVESES
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
20
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
4A
4B 4C
4A
4B
4C
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
117
A unidade de paisagem, encaixada en e o ale do Dou o e do Tâmega, ab ange um pa icula ipo
de a qui e u a associada à cul u a do milho, ce amen e elacionada com o isolamen o ca ac e ís ico
da zona, limí o e aos p imei os aciden es opog á icos que sepa am o li o al a lân ico da planície
asmon ana. Po en e as ias eme en es ao pe íodo omânico, o Ma co de Cana ezes, cons i ui o luga
onde a ans o mação do ma e ial na u al em a qui e u a se e de ab igo ao man imen o. Os casos
econhecidos sob e es e e i ó io ap esen am-se como olumes de um g ani o pob e de pequenas
dimensões e ex emamen e echados.
Nes e luga a explo ação ag ícola de imensamen e eduzidas dimensões ocupa quase apenas o
espaço de um socalco. Em A essadas, ês sequei os a menos de in e me os en e si, acomodam-se
no opo de uma pequena colina, em di e en es co as, onde b o a um a lo amen o ochoso, o ien ando
as suas achadas de maio es dimensões a sudoes e-no des e. O elhado de duas águas cob e dois
opos cegos e um plano on al, de dois pisos acanhos, onde se asga uma pequena po a e duas
abe u as supe io es. A achada i ada a nascen e ap esen a apenas um pequeno ão, a descobe o
consequência de uma alha no apa elho de g ani o. As abe u as são ence adas po ipado de madei a
ho izon al escamo eado, cuja co é modi icada pela adiação sola . Os ão ap esen am uma disposição
ipa ida, que pe mi e a mu abilidade dos painéis de madei a que cob em os mesmos.
Po no ma a sua implan ação é acompanhada pelo desenho luido de uma ei a, na con inuação
do comp imen o da achada i ada a poen e, apoiada con a o decli e po um pequeno mu e e, que
dela az um e aço pa a o ale. A ei a é compos a po g andes elemen os de xis o, ao con á io das
pa edes do sequei o. A sua á ea, à exceção de um caso, é duas ezes supe io ao in e io do sequei o. A
homogeneidade é um ac o en e es es casos, que não possuem qualque disco dância no seu modelo,
al ez odos u o do mesmo mes e de cons ução.
Den o de um e eno e alhado, não mui o longe do cen o u bano de Ma co de Cana ezes,
numa p op iedade ex ensa, com uma penden e pa a poen e ap esen a-se o caso 4B. O sequei o
encon a-se à co a mais al a, sob ancei o à casa de la ou a, que na co a mais baixa se desen ol e
em dois olumes pa alelos da mesma ex ensão. A es u u a do sequei o é bas an e longa, o seu opo
o ien ado a nascen e con igu a uma escada que se ap op ia da opog a ia pa a da acesso ao segundo
piso sob ado. A achada a sul é desma e ializada po ês po ais de acesso à ei a, sob epos os po ês
abe u as que no seu desenho na o mam um pó ico.
O in e io é di idido po ágeis pa edes de abique que o ganizam ês espaços, de a mazenamen o
de di e en es cul u as, ou pe encen e a di e en es p op iedades. A cons ução, pela composição do
apa elho, algum de jun a seca ou a es ucada, pa ece e so ido uma e olução adi i a a poen e. A
es u u a da sua achada é i egula , es á p esen e uma di isão ipa ida sem p opo ções ixas. O sol
en a il ado pelas echas de um ipado de madei a, quando duas po adas não pe mi em a insolação
di e a. Na achada pos e io , um ipado con ola a in e secção en e a cobe u a e a pa ede po an e
4.5. UNIDADE 4_ MARCO DE CANAVESES

Figu a 45- Po meno de achada dian ei a de sequei o, Ma co de Cana ezes, 2015
119
de g ani o.
A no e inse ido, num po oado sob e o Tâmega, encon asse o sequei o 4C des a mesma unidade
de paisagem, um ipo mais desen ol ido, imedia amen e jun o à casa de la ou a, apenas sepa ado
des a po um e ei o ou ei a egula , den o de uma p op iedade es ei a e i egula , con o nada po
dois eixos iá ios. O con ex o geog á ico al e a-se, dado que es a cons ução não se isola no meio do
campo, mas adossa-se ao limi e da p op iedade de con ex o u bano. A con igu ação des e modelo
di e e em al u a, o ien ação, no desenho de achada e em plan a. Ao comum olume adossa-se uma
adiposidade, um anexo no opo nascen e, de apenas um piso comple amen e cego.
A o ganização do sequei o ace ao ogo demons a a cons ução pensada de um espaço abe o
de inido po á ios elemen os, ag ícolas e habi acionais, de condição mis a, não apenas des inado ao
abalho como às i ências u ais. A es u u a de secagem o ien a-se a sudes e- no oes e. A ei a a sul
do sequei o, ecebe uma achada com dois pó icos, ence ados po po adas em abuado e ical
de madei a, que ipa idamen e p eenchem o ão supe io . A po ada do meio oscila sob e um eixo
la e al, con igu ado a mu abilidade do obje o. Na achada pos e io , a no e, as mesmas pe u ações na
al ena ia, são comple amen e echadas po um abuado la go, ingido pela luz.
la i ude 41° 15.5’N
longi ude 8°6.49’E
al i ude 280m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
10m 10m 10m
2m 2m 2m
5A 5C 5B
5A
5B
5C
UNIDADE OPERATIVA 5- SOUTO
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
121
Caminhado pa a no e do e i ó io, no luga do Sou o em F egim, ainda em e enos coligados
ao Tâmega, pe du a a ipologia de sequei o exíguo, de ex e io comple amen e ence ado à exceção
de dois po ais in e io es opacos, com os quais se alinha uma sub ação do g ani o p eenchida po
uma g elha de madei a a ada po um p umo ho izon al. Ao iso imó el é seccionado um canal de
escoação das espigas. À semelhança de alguns modelos an e io es, uma escada no opo nascen e é
o único acesso ao luga de secagem ab igada. O sequei o 5A adop a odas as an e io es condições e
so e uma implan ação a meia encos a, sob e um pequeno a lo amen o, que apa en a se alea ó ia,
ins alada no cen o a p op iedade na in e secção dos á ios ipos de cul u as.
No alinhamen o da unidade ag ícola, na ma gem da ia, onde uma casa de la ou a explo a os planos
de maio al i ude, en en a-se um sequei o ca ac e ís ico associado a uma ipologia de casa ambém
em si ca ac e ís ica, cuja a iculação de qua o olumes o ma um pequeno pá io. A sul dispos o no
alinhamen o de um dos olumes, encon a-se o sequei o 5B.
O ien ado a sudoes e-no des e, o sequei o não encon a a maio pe cen agem de achada
pe meá el o ien ada pa a sul. O embasamen o de g ani o cob e maio pa e da achada, à exceção da
in e secção da cobe u a e pa ede. Além dos pon os de in e secção es u u al das asnas da cobe u a
com a pa ede de g ani o, a pa i de ce o pon o uma es u u a de madei a comple a a supe ície
ex e io a é aos planos das águas. Nos opos o sequei o adqui e uma maio á ea de en ilação. Um
i mo alician e de p umos e icais na penumb a de um bei al cons i ui uma ba ei a anslúcida do
in e io . O olume com apenas uma en ada no piso in e io i ada a nascen e.
Con inuando o pe cu so des e le an amen o imp essi o das o mas no seu con ex o, obse a-se a
p esença de um obje o u al semelhan e ao p imei o exemplo, o sequei o 5B. Um sequei o exp op iado
da p oximidade da habi ação, num pon o de con olo da sua paisagem de la ou a, sob um es ei o
elhado de duas penden es e supo ado po g ossas pa edes de al ena ia de g ani o. A sul a achada
os en am dois g andes po ões de e o, supo adas po ex ensas dob adiças, que pe co em dois
e ços da la gu a des e painéis de ba en e, peças mui o o namen adas pa a a unção em ques ão.
Po cima das padiei as des es painéis duas po as de p opo ções es ei as, des azem uma á ea da
pa ede de g ani o caiada, pa a compo em uma g elha de ina ca pin a ia. O desenho dos planos é
ex emamen e pensado, os ãos encon am-se cons uídos sob e um eixo de sime ia e espei am os
seus alinhamen os. No po al da achada poen e, encon a-se um po meno no g ani o, que disce ne
uma padiei a salien e, ma cada po uma somb a dis in amen e p oje ada. O pé-di ei o da cons ução
apa en a se pouco al o pa a dois pisos, mas dece o que a en ada la e al conduz ao compa imen o
a ejado supe io .
A ei a apa en a se um espaço inde inido, sem ma gens salien es pela ausência do habi ual
mu e e, ul apassa os alinhamen os do sequei o e adqui e uma o ma um pouco o gânica. O mu o
limi e, da p op iedade, a sul do espaço, ago a caído, não in e ém na sepa ação da es ada e no campo.
4.6. UNIDADE 5_ SOUTO
10m10m 10m
8C
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
la i ude 41° 27’8N
longi ude 8° 6.13’E
al i ude 180m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
UNIDADE OPERATIVA 8-FREIXO
8A 8B 8C
8B
8A
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º

129
Na mul iplicidade de o mas encon adas, começa a se eco en e um ipo de sequei o
plu i uncional, que jun a numa o ma a conse ação p olongada e secagem do ce eal. No cimo do ale,
em con olo das á eas de cul i o sedia-se a peça 8A com a al i ez de um pó ico expos o a sul cujos
azios são p eenchidos po i mos de di e en es imb es de madei a. Encon a-se de no o um olume a
poen e, co espondendo ao sequei o, di idido em ês amos, com dois pisos, o de cima comp imido,
e o in e io p eenchido po po adas de abuado e ical. As po adas in e io es de ba en e dão acesso
ao espaço de p o eção das e amen as u ais e do ce eal em espe a na ei a, es as são ab igadas
do a po chapas de me al na pa e in e io . A meio das abe u as supe io es, po adas de madei a
sus em o con ac o com o ex e io . O balanço do bei al p o ege es a g elha de adiação di e a. No sec o
nascen e, apoiada em ês pila es de be ão, imp o isados na subs i uição dos de g ani o, uma es u u a
pala i a, cob e um g ande ão. Nes e es u u a que ocupa a posição de espiguei o, disseminados no
i mo alician e do ipado, escondem-se painéis oscilan es no opo e a sul. Pa a comple a o modelo, a
ligação ao piso supe io conduz-se po uma escada no opo somb io a nascen e. A ei a é a ex ensão do
pa imen o in e io do sequei o pa a bené ica exposição sola , ap oximadamen e o dob o da sua á ea.
Na p op iedade adjacen e, apesen a-se caso 8B que admi e g andes semelhas ao an e io , à
exceção da in e seção do olume com a o ma do espiguei o. Encon a-se um pó ico de cinco amos,
p o egido da exposição di e a po po adas de madei a cobe as po olhas de e o. O alinhamen o
dos supo es de g ani o não se es ende à cobe u a, na pa e supe io da achada p esencia-se uma
es ei a g elha de en ilação impene á el e imó el. Ambos os opos ap esen am uma en ada ao
ní el supe io , mas nenhum elemen o de ligação se lhe ap esen a. A ca ac e ís ica mais p oeminen e
do sequei o 8B ma e ializa-se na achada pos e io . Um plano com um apa elho mui o egula , onde
a al ena ia de g ani o se p oduz um e ei o d amá ico que po no ma só se p esenceia com o ijolo
ce âmico. As peças de al ena ia deixam azios p oposi ados no plano e ical pa a a passagem do a no
in e io . A ei a é compos a po laje as de g ani o que nascem do solo e mis u am os seus limi es com a
ege ação ci cundan e.
Num luga que domina a paisagem, semp e sola engo, p o egido a no e pela ege ação
sel agem, é escolhido como espaço de implan ação do caso de es udo 8C. Na e en e de um explíci o
a lo amen o ochoso, nasce a ei a do p óp io ma e ial do solo, da na u eza en ol en e com apenas uns
ajus es cons u i os. O sequei o apoiado na opog a ia, i a-se pa a sudes e-no oes e, ap o ei ando-
se da mesma pa a c ia um acesso ao piso supe io sob e uma peça de g ani o suspensa. Pe manece
o embasamen o de g ani o es u u ado em ês amos, selados po desgas as po adas da madei a
escu a. Os opos pe manecem semp e como apoios da alongada abe u a e o plano no e opaco. A
achada sul pe mi e com que o espaço en e os lin éis de g ani o e o bei al ab anja uma maio á ea de
asquio, cuja p esença se espalha pela achada nascen e, no esbel o con o no das águas da cobe u a.
Espo adicamen e, dois planos mó eis, do mesmo ma e ial in e ompem a g elha de madei a.
4.9. UNIDADE 8-FREIXO
10m 10m 10m
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
la i ude 41° 22.11’N
longi ude 8° 15.55’E
al i ude 170m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
UNIDADE OPERATIVA 9-TAGILDE
9A 9B
9C
9A
9B
9C
131
Nos planal os em con ac o com o io de Vizela, a paisagem de ab up os decli es emb andece em
con ac o com a linha de água. Nes e milleux na u al, a colonização dos campos é in ensi a, pelo que a
p esenças de o mas no mesmo luga é exponencial. O seu egis o é ex emamen e semelhan e, en e
obje os den o des e mesmo con ex o. Iniciando-se o inqué i o des e luga à co a al a, o obse ado
depa a-se com o sequei o 9A uma cons ução de secagem e gue-se p o egida sob a cobe u a de duas
águas adjacen e à habi ação. O imponen e sequei o ap esen a-se um pouco desconec ado da unidade
ag ícola pela agmen ação da mesma. A ei a expos a à es ada con ida li emen e ao pe cu so do
espaço p i ado. O ce ne das i ências elacionadas com a casa é dispos o na di eção con á ia, ao
sequei o e ei a. O sequei o de cinco amos sus en ados po pila es de g ani o e lin éis de madei a
supe io es cons i ui a cla a imagem de um pó ico. Ao alcance dos opos, o mu o ganha exp essão e
as pa edes la e ais enquad am os g andes ãos. Os amos azios são ocupados po abuados la gos
e in e calados po painéis de chapa de me álica, ou esgua dados na somb a do bei al. En e a casa e
o sequei o e guem-se os p oeminen es deg aus de g ani o que guiam ao segundo sob ado a ejado.
No dec esce da penden e, jun o à linha de água, e guem-se os casos de maio po e. Na con inuação
de uma ei a o gânica nasce um esbel o pó ico de se e esguios amos, o ganizados numa es i a
mé ica, de ma e ialidade nada osca que co esponde ao exemplo 9B. Pelo que se o comp imen o
da achada aumen a ambém a p o undidade do sequei o. A á ea de secagem in e io é p olongada
pa a o ex e io , uma ez que se ab em os painéis opacos de chapa me álica com g ande capacidade
de e lexão pa a a ei a. A elação en e a casa de la ou a e o anexo u al pe de-se no empo pela
in odução de no os olumes, u o da ida con empo ânea.
Pe encen e à casa de la ou a adjacen e, uma cons ução com qua o águas, com uma
con igu ação mais abe a ep esen a o caso 9C. Di idida em cinco pa es a achada o ien ada a
sudoes e-no des e, ap esen a um piso supe io mais cu o, esgua dado em somb a pelo alonga
do bei al. Os painéis basculan es compos os po uma es ei a a mação em ipado são compensados
em e mos de pe meabilidade pela ex ensão das abe u as supe io es pa a os opos. Em con ac o
com uma ei a dis o me, os ãos in e io es p o egidas po po adas de ba en e são cons i uídos po
ipados ho izon ais. O acesso e ical não é disce ní el, o sequei o é um a o isolado, um olume pu o.
A habi ação e os seus anexos, dispos os a no e, são o núcleo da ida u al, o sequei o é o cen o da
p odução ag ícola, a in e secção das di e en es cul u as.
4.10. UNIDADE 9- PEDREGAIS
UNIDADE OPERATIVA 10-POMBEIRO RIBAVIZELA
11A 11B
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
11A
11B
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
la i ude 41° 22.16’N
longi ude 8° 13.55’E
al i ude 300m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
10m 10m
133
Nos a edo es da paisagem e dejan e do Mos ei o de Riba izela, de campos com la gas
p opo ções, en a-se em con ac o com exemplos de p opo ções igualmen e maio es. No p imei o
exemplo denominado 10A, as dependências u ais são dispos as no limi e es e da p op iedade. Uma
ex ensa la ada es abelece a elação en e a co a da es ada e o plano da habi ação e do sequei o. A
implan ação do conjun o es abelece um pe íme o das a i idades u ais, a casa, no limi e mais isolado
demons a uma o ganização em ês alas, que quase o mam um pá io, no alinhamen o de um dos
b aços da habi ação, o ien ado a sul assen a um sequei o sem ei a disce ní el.
A achada do sequei o é di idida em se e amos, a esbel eza dos pó icos demons a a e olução
cons u i a do sequei o de cinco pa a se e amos, no opo poen e. Es a ação e olu i a anspa ece
na di isão no in e io em dois espaços, dado que a an igo opo não oi des uído. Con a iamen e
à qualidade e p ecisão do apa elho de al ena ia a é ao pon o egis ado, a es u u a des e pó ico é
compos a po peças de can a ia desenhadas e cinzeladas com g ande p ecisão. O sequei o c esce em
al u a, o piso supe io não é apenas espaço sub aído à penden e do elhado. As habi uais po adas de
madei a e chapa me álica, alojam-se sob e os in e alos da es u u a, idên icas na sua ma e ialidade
e desenho: duas moldu as de madei a, di ididas em dois espaços onde supos amen e se encon am
alhadas almo adas de madei a, são obs uídas na pa e in e io po uma olha me álica e po um ino
ipado e ical na pa e supe io , ambos os ma e iais ingidos po e melho eneg ecido. Uma escada de
g ani o no opo nascen e le a a uma en ada supe io na cons ução.
O exemplo 10B incula-se ao complexo u al em consonância com a modelação das penden es
opog á icas. O conjun o ab ange qua o olumes, o ien ados a sudes e-no oes e, a casa e o sequei o
concomi an e a no e e o ex enso espiguei o de o igens mais con empo âneas a sul. A cons ução de
apoio à secagem é compos a po uma es u u a de g ani o com cinco ãos e dois pisos, com pé-di ei o
idên ico. Es e modelo de sequei o des aca-se pela con igu ação dos elemen os de p o eção e en ilação
e a sua o ma de manipulação. Às habi uais po adas, deslocá eis sob e um eixo e ical, jun a-se
ou o ipo de disposi i o que dá mais libe dade espacial ao in e io do edi icado. Os painéis de ipado
ho izon al são suspensos po e agens c a adas nos lin éis de g ani o, ecolhem-se pa a o in e io e
ixam-se ao sob ado ou à cobe u a com ganchos. A escada no opo nascen e cons i ui a o ma como
se acede ao piso supe io é elemen o amo í el e empo á io. A ei a como esul ado da humanização do
solo não se en e ê nas b umas da eap op iação da na u eza des e espaço.
4.11. UNIDADE 10-POMBEIRO RIBAVIZELA

N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
UNIDADE OPERATIVA 11-NESPREIRA
12A 12B
10m 10m
12B
12A
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
la i ude 41° 24.8’N
longi ude 8° 19.13’E
al i ude 180m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
135
O pe cu so o ien a-se cada ez mais pa a no e o sequei o começa a i ma a sua imagem den o dos
assen amen os u banos. Na localidade de Nespe ei a, à co a mais baixa do ale, aloja-se um conjun o
11A. Nes e exemplo a casa de la ou a desen ol e-se numa planime ia o gânica, que o ma uma espécie
de b aço que en ol e o sequei o a no e. O sequei o é um olume independen e num pá io cen al. A
es u u a o ien a-se a sul, di ecção pa a qual ab e qua o pó icos p o egidos po abuados e icais
ingidos. A ei a cons i ui um polígono i egula de g ani o que se es ende pa a sudoes e de encon o
à ege ação a bó ea. A es u u a mui o egula e g ani o alhado ap esen a dois pisos, acessí eis po
uma escada in e io . Os es an es plano olumé icos são cegos. O sis ema de in e p e ação do clima
compo a po adas basculan es que admi em uma ápida ecolha do ce eal esp aiado.
À ma gem da ia nacional de ligação a Guima ães, o obse ado depa a-se um sequei o o ien ado
a sul, o exemplo 11B. A casa de la ou a é um olume ans e sal ao sequei o que se o ien a no sen ido
da penden e di ecionada pa a a paisagem. A ei a ap esen a as mesmas p opo ções do que o sequei o,
encon ando-se de inida po es e a no e e pela casa de la ou a a sul. Em e mos es u u ais, o sequei o
é compos o po um pó ico de qua o amos e pa edes po an es de al ena ias de g ani o com eco e
bas an e p eciso. A pa ede po an e no e é eco ada no opo po dois ãos ho izon ais supe io es, que
se in e sec am com a cobe u a a a és de g andes lin éis de ped a. Nos opos desenham-se pequenas
janelas supe io es descobe as à passagem do a . Todos os es an es ão são p o egidos po um ipado
e ical escu o de madei a. Nos ãos da achada semp e em somb a os disposi i os de madei a são
imó eis e o i mo en e elemen os opacos é comp imido. Na achada sob ancei a à ei a, os disposi i os
que il am o clima são dispos os na ace in e io do pó ico. As po adas basculan es ecolhem-se pa a
o in e io , desimpedindo acilmen e o espaço pa a o a mazenamen o p ecipi ado dos ce eais. O seu
desenho implica a disposição de um abuado e ical, um pouco espaçado, que isola comple amen e
o ão.
4.12. UNIDADE 11- NESPREIRA
N
S
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
11A 11B 11C
12C
UNIDADE OPERATIVA 12- SÃO MARTINHO DE CANDOSO
12B
12A
la i ude 41° 22.11’N
longi ude 8° 15.55’E
al i ude 180m
inc. aios sola es máx. 62º min.16º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
10m10m
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
10m
137
A sucessão de e en os comple a-se com a análise de casos en e o io Tâmega e o io A e. Ainda
na e en e e i o ial de in luência do Vizela, abo da-se um caso isolado pela disseminação u bana
do e i ó io. O caso de es udo 12A dá início a um conjun o sis ema izado de exemplos, que se pa ece
co elaciona com o ac o de cul u a do milho se de p odução in ensi a nes e espaço. A disposição do
sequei o e ei a é mui o a i mada, o ien ados a sul de á eas exa amen e idên icas. A achada pe meá el
é o ganizada em qua o amos, sob um en alhe pe ei o de g andes peças de al ena ia. Nes e caso
os ãos in e io es possuem uma exp essão e ical em compa ação com os supe io es. As po adas
de ba en e são subs i uídas po painéis basculan es únicos, que oscilam sob e eixos ho izon ais. Es es
planos de p o eção con inuam a se di ididos em duas ma e ialidades, o e o e a madei a. Os opos
do sequei o são a con inuidade dos mu e es que delimi am a ei a, com apenas a in e e ência de uma
pequena janela alinhada com o pó ico supe io . No plano i ado a no e anspa ecem duas abe u as,
adjacen es ao bei al, que se cob em de um es ei o ipado pa a p opósi os de en ilação.
A pa i des e momen o, o sequei o é eap o ei ado pa a inúme as unções da ida con empo ânea,
pelo que as mesmas cons uções são in ensamen e modi icadas, a análise ica comp ome ida. Em
São Ma inho de Candoso depa amo-nos com o sequei o implan ado no limi e en e campo e ma a.
A mo ologia dos socalcos en ol en es é mui o mais geomé ica, em con aposição com o desenho
o gânico dos elemen os mais isolados no e i ó io. Uma o ganização do espaço mais sis emá ica
conduz ambém a uma me ódica composição das olume ias. O exemplo 12B cons i ui um elemen o
compac o o ien ado a sudoes e-no des e. A achada e iculada do sequei o de qua o amos é
exumada po painéis me álicos basculan es. A ei a é um espaço eco ado pelo caminho em la ada, a
ligação en e es a e a casa de la ou a, é um espaço se en e.
A nascen e, o mesmo modelo ins ala-se adjacen e a uma linha de água. O exemplo 12C cons i ui
uma o ma es au ada mas que esponde às p op iedades o iginais do ipo de sequei o nes e con ex o.
As empanas no seu luga habi ual, ajus am-se ao eco e das abe u as de g ani o, semp e e o çadas
na pa e in e io po ma e iais mais esis en es ao desgas e que a madei a. Os opos são panos cegos
e não dispõem de qualque abe u a pa a o piso supe io . A achada a no e sucumbe ao es ala do
apa elho de al ena ia pa a a cons ução de pequenas pe u ações, p o undas e es ei as a pa i das
quais é impossí el obse a o in e io . A ei a sem es u u as que a delimi em ocupa em plano a mesma
á ea que a es u u a.
4.13. UNIDADE 12-SÃO MARTINHO DE CANDOSO
10m 10m
UNIDADE OPERATIVA 14- MUGE
14A 14B
la i ude 39° 6.26’"N
longi ude 8°42.4’E
al i ude 8m
inc. aios sola es max. 74º min.29º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
N
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
S
14A
14B
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia

145
No exemplo 14A si uado na quin a da Casa do Cada al, o celei o cons i ui um dos á ios anexos
ag ícolas de g ande lexibilidade uncional, que albe ga desde a colhei a do igo ao a mazenamen o
do inho, de aco do com uma p á ica dis ibuição do in e io . Sepa ado da casa da quin a pela es ada
p incipal, o celei o encon a-se em conjun o com ou as dependências, adjacen e a um canal ibei inho,
desenhado pa a a dis ibuição de água em empo de secas sob e as g andes unidades de p odução
ag ícola. O conjun o de anexos u ais e ege ação o ma uma alameda singula que conduz ao ce ne da
explo ação. O celei o, o ien ado a sul, ap esen a as incondicionais janelas e icais seladas com pos igos
pin ados e uma en ada cen al com po ada de ba en e opaca. O opo nascen e é condeco ado com
um óculo ado nado e po ão com bandei a semici cula pe meá el, e duas janelas p o egidas po
g ades de e o. Apesa des e exemplo apenas ap esen a um piso demons a um conside á el pé-
di ei o, de uso o ui o no caso de empilhamen o de a do de palha ou albe gue de al ais ag ícolas. O
edi ício ap esen a de ce a o ma uma cons ução mais cuidada, como a p esença de uma pla ibanda e
on ão. O namen os concedidos pela plas icidade da cal.
No pe cu so da es ada nacional que co e pa alelamen e ao io Tejo, depa amonos com um
conjun o de g andes unidades ag ícolas, cujo complexo de cons uções quase se assemelha a uma
pequena aldeia. A Quin a da Alo na é complexo ag ícola que inclui desde o conjun o habi acional dos
abalhado es, à pada ia a é à adega e celei o. O caso 14B cons i ui um exemplo onde, a explo ação
ag ícola se desen ol e num conjun o de pá io simé ico em o no de um eixo cen al disce nido pelo
pe cu so que liga a es ada ao campo. O ien ado a sudoes e, no limi e sul do complexo, nasce uma
es u u a mis a, da combinação en e celei o e silo. Um g ande pó ico o ien ado a no e, com oi o
amos, p o ege um mu o a as ado da es u u a que não a inge a cobe u a. A achada sul é um plano
b anco imaculado, pe u ado po elemen os de ijolo em al a no mu o de al ena ia de ce âmica caiada.
En e os dois elemen os de supo e da cobe u a de duas águas, ab iga-se um pe íme o in e io
que se dis ância do pó ico, mas não a inge o plano da cobe u a, pa a o ma pequenos espaços
compa imen ados de a mazenamen o dos p odu os ag ícolas. Nes a pa ede ab igada em secundo
plano, ins alam-se abe u as a dois ní eis pa a o mo imen o e escoação dos p odu os no in e io .
Es e celei o não ap esen a um disposi i o de en ilação do espaço ou de p o eção con a a luz sola
excessi a, a o ma é na sua génese p óp ia à en ilação do espaço.
5.3. UNIDADE 14_ MUGE
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
UNIDADE OPERATIVA 15-ALMEIRIM
15B
20m
15B
la i ude 39° 12.48’N
longi ude 8° 37.4’E
al i ude 12m
inc. aios sola es
max. 74º min.29º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
N
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
S
147
In eg ada no limi e da malha u bana com os campos inundá eis anspa ece, o exemplo 15A
sac i ica a sua o ien ação pa a es e-oes e pa a se inse i no desenho da ua. O celei o implan a-se no
alinhamen o das cons uções ci adinas, enquan o as es an es dependência ag ícolas ou habi acionais
pa ecem desen ol e -se no in e io da pa cela u bana, o mando um pequeno pá io a nascen e do
olume. Es e a mazém de secagem e a mazenamen o possui uma es u u a de adobe ou al ena ia
miúda de calcá io caiado, que é eco ada a poen e po seis janelas e icais, seladas po painéis
pe meá eis de e o, compos os no opo po lâminas ho izon ais de chapa me álica c a adas numa
espécie de bandei a, desenhada pela p óp ia es u u a que encaixa po baixo duas po adas de ba en e.
No opo no e desobs uído das cons uções adjacen es, ins ala-se um po ão de co e ambém de
me al, que apa en a se um elemen o cons u i o ecen e. A pa e supe io des e on ão de adobe é
condeco ado po um óculo sem qualque elemen o de isolamen o do ão. As pa edes de adobe caiadas
pa ecem apenas o ma um único piso onde se dispõe os elemen os ag ícolas sob a se enidade esca
do único compa imen o esgua dado.
5.4. UNIDADE 15_ ALMERIM
UNIDADE OPERATIVA 16-SANTARÉM
16A
16B
16B
N
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
S
la i ude 39° 15.23’N
longi ude 8° 40.3’E
al i ude 52m
inc. aios sola es max. 74º min.29º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
16A
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
20m
20m
149
O exemplo 16A é uma cons ução o a do con ex o u bano, pe encen e a um conjun o com
um g ande alo composi i o. A casa da Quin a da Nossa Senho a da Saúde é de ca iz eclé ico, po
oposição ao desenho da sua e en e ag ícola. A habi ação isolada do con ex o u al comanda à
dis ância a explo ação dos campos adjacen es à linha de água que di ide o no e e o sul. O celei o az
pa e de conjun o de dependências dos casei os, que se o ganizam num pá io ol ado pa a a es ada.
O b aço nascen e des e pá io se e as necessidades diá ias da casa eudal pelo a mazenamen o dos
p odu os ag ícolas dos campos colocados em co as mais baixas. O lado poen e é compos o po á ias
dependências, sendo que o opo da ala é ocupado po um espaço de a mazenamen o empo á io dos
p odu os ag ícolas. A achada es e do celei o 16B é cons i uída po um pó ico imp o isado de madei a,
de es ado pe ecí el, que cons i ui o único pon o de en ada da luz na u al no espaço. A achada poen e
é comple amen e opaca. Os opos pe ecem no conjun o de compa imen os que se em como co e e
a mazenamen o das al aias ag ícolas. O espaço de secagem compos o pela ei a, ins au a-se li emen e
sob e o esguio pá io desenhado pela composição.
O caso 16B desen ol e-se ao longo de um eixo iá io ele an e em e mos de ligação en e a egião
da Es emadu a e Riba ejo. A quin a onde o exemplo de encon a inse ido desen ol e-se igualmen e em
pequenos pá ios. O celei o é uma es u u a adjacen e à ede iá ia, o ien ado a sudes e- no oes e, com
uma achada desenhada sob e a ua com dois pequenos óculos pe o do bei al e duas po as in e io es,
enclausu adas po po adas de ba en e opacas, caídas pelo mesmo pigmen o que os alsos lamb is do
conjun o. Os opos demons am o mesmo ipo de abe u a ci cula o namen ada po uma moldu a
e es ida a cal, o único elemen o que asga a se enidade das pa edes da adobe. A pa ede da cons ução
pa ece e sido demolida, ampli icando o espaço in e io , pa a uma dependência que isola a a sua
pa ede caduca de qualque ipo de insolação. O espaço da ei a pe manece ambíguo nes e caso, an o
os ecin os an e io es e pos e io es à casa e ao sequei o podem admi i a empo á ia debulha do igo.
5.5. UNIDADE 16_ SANTARÉM

17B17A
UNIDADE OPERATIVA 17-ALCANHÕES
20m
17A
17B
N
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
S
la i ude 39° 16.5’N
longi ude 8° 39.6’E
al i ude 27m
inc. aios sola es
máx. 74º min.29º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
20m
151
A Quin a da Comenda é um conjun o que se acha já en e as planícies de alu ião e as pequenas
colinas a no e que de inem o ale do Tejo. Nes a explo ação ag ícolas de ele ada ex ensão, implan a-se
adjacen e aos campos de cul i o do igo e do milho o exemplo 17A. Es a pequena es u u a encon a-
se co elacionada com um as o espaço sem limi es em e a ba ida, onde se debulha a os ce eais,
que se encaixa nos pa âme os da ei a do lado sul. O celei o é uma cons ução compos a po dois
olumes pa alelos o ien ados a sudoes e-no des e. O olume a sul, que se conside a se o espaço de
apoio à debulha, ap esen a um pó ico de seis amos onde se apoiam g andes asnas de madei a que
supo am uma cobe u a de elha ce âmica de duas águas. No opo nascen e do celei o um g ande
po al com um lin el em a co, o almen e desp o egido, agua da o paci icamen e o a mazenamen o das
al aias ag ícolas. Adjacen e ao olume po icado acha-se ou a es u u a comple amen e ence ada,
onde apenas sob essai a nascen e o mesmo ão em a co que o olume adjacen e. No en an o, du an e
a comp eensão da unção das á ias pa es da unidade u al, en e a co e, a capela, a adega, a p ensa
e o palhei o, encon a-se ou a cons ução ambém execu ada com o in ui o de conse a e ab iga os
p odu os ag ícolas a longo ou cu o p azo. Es a cons ução de a mazenagem encon a-se dissimulada
na uni o midade do conjun o. No limi e nascen e da composição, um ex enso olume de ine, em
conjun o com ou os um pá io in e io adjacen e à habi ação. Esse olume, ambém denominado
po celei o conduz o a mazenamen o de alimen o em segmen os sepa ados, sob um único sob ado
de e a ba ida. O en elope da cons ução é pe u ado po pequenas abe u as semici cula es, que
en ilam o espaço a a és da disposição de um ipado ho izon al de madei a sob e os ãos. Um g ande
po al cen al dà acesso a esse in e io obscu o e esco.
O exemplo 17B elaciona-se mais com o eixo iá io, na medida em que a sua achada sul conc e iza
o limi e en e o p i ado e o público, não se encon ando implan ada apenas no cen o do campo,
abandonando a posição cen al ace aos e enos de explo ação. Es a cons ução de admi á el ex ensão
demons a uma con olada composição da achada e olume ia. O plano que ecebe a dimensão pública
ap esen a apenas um piso com pé-di ei o ele ado, p o egido po uma es u u a de asnas de madei a
onde assen am peças de ce âmica. Es a achada ap esen a doze ãos dis ibuídos sime icamen e em
o no de uma en ada cen al encimada po uma bandei a semici cula de p eenchimen o pe meá el.
A achada no e é obli e ada po um olume de pé-di ei o in e io , com apenas uma água, um espaço
comunican e com o celei o apenas po um po al alinhado com a en ada do a mazém. No en an o,
como a achada a no e não é comple amen e isolada pelo olume adjacen e ab em-se pequenos ãos
jun o ao limi e da pa ede com a cobe u a. Em elação aos disposi i os egulado es do clima, p esencia-
se a cons ução sis ema izada de pos igos de madei a de um alhe osco e exp essi o, alojadas na pa e
in e io do ão. A ei a ap esen a-se a no e da cons ução como um espaço de e a ba ida, dis in o
pelo con as e en e o e eno limpo e o solo em pousio colonizado po espécies ege ais au óc ones.
5.6. UNIDADE 17_ ALCANHÕES
O ien ação /Con ex o
Fo ma/Dis ibuição
Es u u a da Fachada
Incidência Sola / Núme o de Pisos
Núme o de Faces Opacas
Geome ia
UNIDADE OPERATIVA 18-REGUENGO DO ALVIELA
la i ude 39° 19.5’N
longi ude 8° 35.3’E
al i ude 23m
inc. aios sola es máx. 74º min.29º
cul u a
clima
ma e iais do solo
ma e ias da composição
18B18A
18B
18A
N
90º
80º
70º
60º
50º
40º
30º
20º
10º
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
S
20m
20m
153
5.7. UNIDADE 18_ REGUENGO DO ALVIELA
O Reguengo do Al iela é uma pequena zona de campos alagá eis que ecebem uma i igação
po um pequeno a luen e do Tejo, o io Al iela. Num luga adjacen e ao a luen e, des aca-se o
exemplo iden i icado po denominação 18A, onde a cul u a in ensa do igo e do milho dá o igem
a uma no a o ma a qui ec ónica. O silo su ge em casos de sis ema ização da cul u a e da iqueza
das unidades ag ícolas. A quin a em análise cons i uí um conjun o dependências que o ganizam
pá ios odeados de pó icos à medida de claus os despojados de o namen os. A ala poen e
o ien ada em ex ensão a es e-oes e aglome a as dependências da co e e do celei o a oes e. A ala
es e des a composição é compos a po seis silos de ce eais. O opo da ala sul desenha o im des a
composição de olumes pu os, com uma abe u a de g andes dimensões que auxilia a en ada de
al aias do e eno pa a o espaço esgua dado. O celei o obedece ao i mo con inuo dos pó icos
do pá io, apenas se de e ência das es an es alas pelo a sua al u a supe io . A achada a no e não
ap esen a qualque apa ência de abe u as que es abeleçam uma en ilação c uzada do espaço.
A ei a é um local incógni o, de ido ao es ado de uina do local. Não exis e uma a i mação conc e a
desse espaço, po ém a o ganização do pá io da casa de la ou a demons a a possí el exis ência
de um local de debulha e secagem.
A Quin a de Alompé i e de uma dinâmica de olumes única, co elacionada com o desen ol e
das a i idades u ais. O conjun o di ide-se em ês pa es, a habi ação, a en ada e as co es dos
animais. O celei o é um dos olumes que de ine o espaço de en ada. Es e exemplo iden i icado
pela e e ência 18B, admi e uma disposição ex emamen e pa icula , o seu opo liga a en ada da
quin a ao in e io do piso supe io , enquan o as achadas de maio ex ensão, o ien adas a es e-
oes e lidam com o decli e opog á ico, e ansmi em a ligação a um piso in e io semien e ado.
O exemplo con igu a-se sob e um olume de dois pisos bas an e ex enso, onde a no e se
adossa ou a cons ução. A achada é di ida em qua o amos supe io es, compos os po peças
de can a ia de calcá io. Os ãos são ence ados po g ades me álicas, a ás das quais se ajus a
uma ede me álica pa a p e eni a en ada de insec os. O espaço da ei a nes e caso ese a-se
a qualque luga onde se compac a o solo e se encon a espaço pa a ecebe a p odução. No
en an o odos locais em o no do sequei o pa ecem se espaços de ci culação, o que di icul a
a suposição da ixação desse luga . A ma e ialidade da cons ução pe manece semelhan e aos
es an es exemplos, as pa edes são compos as po al ena ia de adobe e os ãos são gua necidos
com al ena ia de calcá io.