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Antigas cartas marítimas e terrestres

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Antigas cartas marítimas e terrestres

Author: Garcia, João,Moreira, Luís Miguel
Year: 2015
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/81686/2/108036.pdf
ANTIGAS CARTAS MARÍTIMAS E TERRESTRES
A ep esen ação da o ganização do espaço az-se a a és do “mapa” desde há mui as
cen enas de anos. Os exemplos que nos chega am da Mesopo âmia, do Egip o ou da Amé ica
an es do con ac o com os eu opeus são as p o as do in e esse em comunica ao Ou o a
es u u a e as ca ac e ís icas de um e i ó io e mesmo a conceção do Mundo.
En e os no á eis mapas exis en es no A qui o Dis i al e na Biblio eca Pública de B aga, um
dos p imei os modelos ca og á icos imp essos é a da Te a ipa ida medie al (Eu opa-Ásia-
Á ica), como su ge epe idamen e nas cópias das E imologias de San o Isido o de Se ilha, o a
se esumindo ainda mais em esquemas simples de T-O, que po oam as iluminu as ou os
incunábulos, o a se ampliando com elabo ados de alhes de cadeias mon anhosas, cidades e
seus habi an es ou ilhas imaginadas. Tendo como base a na a i a bíblica, na sua elabo ação é
deixada ao pin o alguma ma gem de libe dade e c iação. En e os manusc i os ou na p odução
imp essa, as silhue as apenas esboçadas do Mundo ou de um país, se indo apa en emen e
de me a ilus ação signi icam, con udo, conhecimen o e posse de e i ó ios e mesmo
p e ensões expansionis as e colonizado as.
O mapa ap esen a-se como pa icula símbolo de pode , seja o polí ico e diplomá ico, o mili a
ou o eclesiás ico. Todos eco em in a ia elmen e à His ó ia, em busca de modelo inspi ado
ou explicação do p esen e, he ança que glo i ica as Nações e c edibiliza os Es ados. A elação
en e espaço e empo, en e Geog a ia e His ó ia é singula men e es ei a: “Como a Geog a ia,
e a Ch onologia são os dous olhos da His o ia, he p eciso que odos os Esc i o es se
con o mem nellas pelas mui as opinioens, em que se di idem os Au ho es, nos cálculos, e
épocas do empo, e nas al u as, e si uações dos luga es. Es as de em examina em odas as
memo ias os Academicos des inados pa a a Geog a ia, assim nas di isões da an iga Lusi ania,
como nas obse ações As onomicas, e dis ancias i ine á ias.” - diz-se no Sys ema da His o ia
Ecclesias ica, & Secula de Po ugal, que há de esc e e a Academia Real da His o ia
Po ugueza, em 1720. Daqui esul a ão as polémicas en e “an igos e mode nos”, en e
e udi os académicos e emp eendedo es engenhei os, e esul a ão, ambém, an o mapas de
gabine e como le an amen os opog á icos de campo.
A a e da gue a ou os i ine á ios ma í imos não podem es a p esos ao discu so ba oco. Os
mapas p oduzidos com o obje i o de p epa a uma ba alha ou planea uma iagem implicam
necessa iamen e escalas de alhadas e igu ações p ecisas e conc e as dos enómenos em
análise. Já disse a F ancisco de Holanda em meados do século XVI: "Se e o debuxado na
gue a g andíssimamen e pa a mos a em desenho o sí io dos luga es apa ados e eição das
mon anhas e dos po os, assim o das se as, como os das baías e po os dos ma es, pa a a
eição das cidades e o alezas al as e baixas, as mu alhas e as po as e o luga delas, pa a
mos a os caminhos e os ios e as p aias e as lagoas e pauis […] udo is o de ou a manei a
se á mal en endido, e no debuxo e desenho mui o cla o e in eligí el, o que udo são cousas
g andes nas emp esas da gue a, e que g andemen e azem e ajudam es es desenhos do
pin o aos p opósi os e desenhos do capi ão".
Os capi ães de e a ou ma não p escindem assim dos seus c oquis e plan as, is as e mapas.
Mui os des es, p epa ado es das campanhas bélicas e das emp esas de conquis a e
colonização, se ão mais a de chamados da anquilidade dos a qui os pa a a mesa das
negociações onde se pa ilham e dispu am cidades, egiões e con inen es.
A i ma o 2º Visconde de San a ém em 1851, no quad o da epa ição de e i ó ios da Á ica
ociden al, en e as po ências coloniais eu opeias: "...possuindo Po ugal mui as Colonias na
A ica, na Asia, e no Ma A lan ico, p oximas dos es abelecimen os das g andes Po encias
ma i imas, ou as em posição que ellas nos dispu am, ou pode ão de u u o dispu a -nos, os
unicos meios que emos de p o a os nossos di ei os, e de ad oga a nossa jus iça pe an e
ellas e pe an e o mundo, consis em na p odução dos documen os e i ulos de i e aga el
au ho idade, que a es em a p io idade do descob imen o, conquis a e posse deles […] En e
as p o as des es di ei os as mais genuinas e impo an es são: 1º as an igas ca as ma i imas e
e es es an e io es e pos e io es aos nossos descob imen os; 2º a combinação das mesmas
ca as com os ex os das elações dos descob ido es, e dos que esc e e am sob e es as ma e ias".
Os esul ados des as decisões polí icas, mili a es e diplomá icas chega ão ao “g ande público”
ambém a a és dos mapas, que os de di ulgação e p opaganda, que os di undidos pelo
ensino nas escolas. A o mação do cidadão do Es ado mode no passa pela omada de
consciência da sua pe ença a um e i ó io, que se ap eende obse ando um mapa. O que só
é possí el pela mul iplicação dos exempla es ca og á icos a a és da imp ensa. A
ans o mação do documen o único, p ecioso e mui as ezes sec e o, que é o mapa
manusc i o, pa a a cópia mul iplicada e possí el de possui po p eço acessí el, e oluciona a
p óp ia imagem ca og á ica. O mapa do ei es á ago a ao alcance de quase odos.
Dada a ab angência empo al da coleção de mapas imp essos da Biblio eca Pública de B aga,
comp eendida en e os inais do século XV e o p incípio do século XX, o na-se possí el
acompanha as p incipais e apas da e olução da ciência e da écnica de g a ação e de
imp essão de mapas.
Assim, as imagens mais an igas, da adas dos séculos XV e XVI, o am g a adas com ecu so à
xilog a u a, que não pe mi ia g ande de inição na composição das imagens, ge almen e, de
meno es dimensões. Es a ase coincidiu com o pe íodo das g andes iagens de descobe a
ma í ima, pelo que, os mapas que mos a am as no as e as habi adas o am comple ados
com abundan e in o mação sob e a auna, a lo a e os cos umes dos po os. Foi assim com o
p imei o mapa imp esso do B asil, p o a elmen e da au o ia de Giacomo Gas aldi, mas
di ulgado em meados do século XVI na ob a de Gio anni Ba is a Ramusio Na iga ione e
iaggi, e que ap esen a ampla iconog a ia sob e o B asil, con ibuindo pa a a cons ução da
imaginação geog á ica eu opeia sob e os po os da Amé ica.
En e meados do século XVI e o início do século XIX, p imei o em I ália mas apidamen e
di ulgada po oda a Eu opa, desen ol eu-se uma no a écnica de g a ação e de imp essão
de mapas, eco endo a chapas de cob e. Es a ino ação pe mi ia um aço mais ino e mais
p eciso, possibili ando maio de alhe na igu ação de enómenos como o ele o ou a
ege ação, o iginando imagens mais apela i as e de inidas, e undamen almen e, mais
adequadas aos p ecei os da “Re olução Ca og á ica”, enquan o pa e da Re olução Cien í ica
dos séculos XVII e XVIII.
As no as descobe as, já não ma í imas, mas deco en es de g andes iagens de explo ação
do in e io dos con inen es, o am di ulgadas a a és de mapas que, em nome do igo
cien í ico, já não con inham imagens de pessoas ou animais mais ou menos an asiosos. No
seu luga o am su gindo mis e iosos espaços em b anco, g andes azios e i o iais que só a
pa i da segunda me ade do século XIX o am p eenchidos. Es e pe íodo co espondeu,
ambém, ao desen ol imen o da ca og a ia come cial, di undida a pa i dos p incipais cen os
de p odução eu opeia, si uados nos Países Baixos, mas p og essi amen e es endendo-se a
ou as cidades como Pa is ou Lond es.
Es es mapas ci cula am in eg ados em li os de Geog a ia, co og a ias ou ela os de iagens,
bem como em a las ou sob a o ma de olha sol a e, não obs an e se em c i icados pela
apa en e al a de igo e de cien i icidade, o am esponsá eis pela di ulgação da expansão
geog á ica eu opeia, jun o de um público cada ez mais ala gado.
A pa i do século XIX, no as écnicas de g a ação e de imp essão o am aplicadas com
sucesso na p odução ca og á ica: a li og a ia, que em Po ugal pe mi iu a g a ação das olhas
do p imei o le an amen o opog á ico nacional, com mui o maio igo e p ecisão no aço; a
imp essão a pa i de chapas de me al mais esis en es do que as de cob e, como o aço, que
possibili a am a imp essão de um maio núme o de exempla es; o uso da o og a ia, a pa i de
inais de Oi ocen os, que le ou à aplicação de écnicas o omecânicas na imp essão,
con ibuindo pa a o declínio da p odução a esanal e impulsionado as mode nas écnicas de
g a ação e de imp essão. Toda es a e olução não pode se dissociada das ino ações
in oduzidas na p odução de papel, que o na am o p ocesso de edição de mapas cada ez
mais ápido e com meno cus o e os documen os acessí eis a públicos mais as os e
di e si icados.
João Ca los Ga cia
Depa amen o de Geog a ia da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o Cen o
In e uni e si á io de His ó ia das Ciências e da Tecnologia da Uni e sidade de Lisboa
Luís Miguel Mo ei a
Depa amen o de Geog a ia da Uni e sidade do Minho
Cen o de Es udos Geog á icos da Uni e sidade de Lisboa