A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
i
Helena Isabel Almeida Viei a
A Disciplina de His ó ia no Ensino
Técnico (1926-1973)
Pe cu so en e a Teo ia e a P á ica
Tese de dou o amen o ap esen ada à Faculdade de Le as da
Uni e sidade do Po o, pa a ob enção do g au de Dou o em His ó ia,
sob a o ien ação do P o esso Dou o Luís Albe o Ma ques Al es.
Uni e sidade do Po o
Faculdade de Le as
Po o, dezemb o de 2013
Helena Viei a
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A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
iii
Es a ese é dedicada aos meus pais po que
sem eles ela nunca e ia sido possí el.
Helena Viei a
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A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
- Índice Ge al
- Índice Ge al ...............................................................................................................................
- Índice de Quad os .................................................................................................................... ix
- Índice de G á icos ......................................................................................................................x
- Índice de Rep esen ações G á icas ........................................................................................... xi
- Siglas ....................................................................................................................................... xi
- Resumo .................................................................................................................................. xiii
- Abs ac ...................................................................................................................................xi
- Ag adecimen os ....................................................................................................................... x
Pa e I - Conside ações Iniciais e Ro ei o de In es igação ...........................................................1
P eâmbulo ................................................................................................................................3
1. Delimi ando o Espaço de In es igação .................................................................................4
2. Pe cu so de In es igação ......................................................................................................6
Pa e II - En e a His ó ia do Ensino Técnico, Disciplinas Escola es e His ó ia nos Liceus ....... 13
Capí ulo 1. A Filoso ia do Ensino Técnico (1926 – 1973) – Re isão de alguma Bibliog a ia
Recen e....................................................................................................................................... 15
1.1 As in es igações sob e o Ensino Técnico em Po ugal ..................................................... 15
1.2 As Expec a i as ela i amen e ao Ensino Técnico ........................................................... 23
1.2.1 A C iação do Ensino Técnico e a Expec a i a do Es ado Educado .......................... 24
1.2.2 A A i mação das Expec a i as Funcionalis as ........................................................... 26
1.2.3 En e as Expec a i as Funcionalis as e a Eme gências das Expec a i as Fo mado as
........................................................................................................................................... 29
1.2.4 O Incump imen o das Expec a i as de Igualdade e Ascensão Social e a Ex inção do
Ensino Técnico ................................................................................................................... 31
1.2.5 A No a Realidade Económica e a Ascensão do Pa adigma do Neop o issionalismo 33
1.3 Da ex inção à e alo ização do ensino écnico em Po ugal ............................................. 35
Capí ulo 2. His ó ia das Disciplinas Escola es ........................................................................... 45
2.1 A His ó ia das Disciplinas Escola es em Po ugal ............................................................ 56
2.2 A His ó ia da Disciplina de His ó ia em Po ugal ............................................................. 63
Capí ulo 3. A Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal ............................................................... 77
3.1 Enquad amen o da Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal ............................................. 77
3.2 Os Manuais da Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal ................................................... 81
3.3 A Didá ica da Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal..................................................... 87
Pa e III - A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico .............................................................. 91
Capí ulo 1. Espaço Cu icula da Disciplina de His ó ia ............................................................ 93
Helena Viei a
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1.1 A disciplina de His ó ia no con ex o da e o ma de 1918 ................................................. 95
1.1.1 A disciplina de His ó ia no ensino indus ial ............................................................. 98
1.1.2 A disciplina de His ó ia nos cu sos p epa a ó ios indus iais e come ciais .............. 100
1.1.3 A disciplina de His ó ia nos ins i u os indus iais .................................................... 103
1.1.4 A disciplina de His ó ia nos cu sos das escolas e ins i u os come ciais ................... 104
1.1.5 A disciplina de His ó ia nos cu sos ag ícolas .......................................................... 106
1.2. A disciplina de His ó ia no con ex o da e o ma de 1931 .............................................. 109
1.2.1 A disciplina de His ó ia nos cu sos indus iais ........................................................ 111
1.2.2 A disciplina de His ó ia nos cu sos come ciais........................................................ 115
1.2.3 A disciplina de His ó ia nos cu sos ag ícolas .......................................................... 118
1.3 A disciplina de His ó ia no con ex o da e o ma de 1948 ............................................... 120
1.3.1 A disciplina de His ó ia nos cu sos indus iais ........................................................ 123
1.3.2 A disciplina de His ó ia nos cu sos come ciais........................................................ 126
Capí ulo 2. Con eúdos Escola es da Disciplina de His ó ia ...................................................... 131
2.1 Con eúdos Escola es da Disciplina de His ó ia en e 1926 e 1948 ..................................... 133
2.2 Con eúdos Escola es da Disciplina de His ó ia en e 1948 e 1973 ..................................... 163
Capí ulo 3. A Didá ica da Disciplina de His ó ia ..................................................................... 193
3.1 A De esa da Didá ica A i a nas aulas de His ó ia .......................................................... 200
3.2 Os Recu sos Didá icos.................................................................................................... 203
3.2.1 Recu sos Ma e iais Técnicos e Cade nos Diá ios ........................................................ 210
3.2.2 Os Manuais Escola es de His ó ia do Ensino Técnico ................................................. 225
3.2.2.1 De 1926 a 1948..................................................................................................... 228
3.2.2.2 De 1948 a 1972..................................................................................................... 237
3.2.3 Os Recu sos de Explo ação Didá ica ........................................................................... 248
3.3 Exposições, Visi as de Es udo e D ama izações no Âmbi o da Disciplina de His ó ia ... 257
3.4 Ins umen os de A aliação dos Alunos .......................................................................... 268
Capí ulo 4. A Fo mação P o issional dos P o esso es de His ó ia do Ensino Técnico ............. 275
4.1 Dos anos 30 a 1969 ........................................................................................................ 277
4.2 De 1969 a 1974 .............................................................................................................. 296
Pa e IV - Conclusões e Conside ações Finais ......................................................................... 303
Pa e V - Fon es e Bibliog a ia ................................................................................................. 311
1. Fon es P imá ias ............................................................................................................... 313
1.1 AHME ............................................................................................................................ 313
1.2 Bole im Escolas Técnicas............................................................................................... 314
1.3 Manuais Escola es .......................................................................................................... 316
1.4 Documen ação Legal ...................................................................................................... 317
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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2. Bibliog a ia ...................................................................................................................... 321
Pa e VI – Anexos .................................................................................................................... 335
- Índice de Anexos em CD ....................................................................................................... 337
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- Índice de Ilus ações
Ilus ação 1 - Capa do Manual His ó ia de Po ugal pa a uso das escolas indus iais, 1ª edição,
1953 ......................................................................................................................................... 169
Ilus ação 2 - Recu so iconog á ico p esen e no manual de His ó ia de Po ugal pa a uso das
escolas indus iais de An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................ 170
Ilus ação 3 - Recu so iconog á ico p esen e no manual de His ó ia de Po ugal pa a uso das
escolas indus iais de An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................ 176
Ilus ação 4 - Capas dos manuais de His ó ia Ge al e Pá ia, 1966 ........................................... 187
Ilus ação 5 - Capas dos manuais de His ó ia Ge al de Pá ia, 1972 ......................................... 187
Ilus ação 6 - Capas de Cade nos Diá ios do Ensino Técnico .................................................. 212
Ilus ação 7 - Página de um cade no diá io de His ó ia com sumá ios ..................................... 214
Ilus ação 8 - Página de um cade no diá io de His ó ia Ge al e Pá ia com um exe cício de cópia
ou di ado de on es his ó icas ................................................................................................... 215
Ilus ação 9 - Página de um cade no diá io de His ó ia Ge al e Pá ia ...................................... 216
Ilus ação 10 - Página de um cade no diá io de His ó ia com exe cícios de c iação de mapas . 218
Ilus ação 11 - Página de um cade no diá io de His ó ia com uma ilus ação emá ica ............ 219
Ilus ação 12 - Página de um cade no diá io de His ó ia com ilus ações emá icas ................. 220
Ilus ação 13 - Exemplos de exe cícios de sín eses esc i as acompanhadas po ilus ações
ealizados po alunos do ensino écnico ................................................................................... 221
Ilus ação 14 - Dupla página do manual de Lau eano de B i o Resumo de His ó ia Ge al e
Pá ia pa a uso das Escolas Come ciais.................................................................................. 228
Ilus ação 15 - Página de abe u a de lição do Manual de Jo ge An unes, Lições de His ó ia de
Po ugal pa a o Ensino Técnico............................................................................................... 230
Ilus ação 16 - Dupla página do manual de Ma celo Gal ão, His ó ia de Po ugal e His ó ia
Uni e sal pa a as Escolas Técnicas ......................................................................................... 231
Ilus ação 17 - Dupla página do manual de Ma celo Gal ão, His ó ia de Po ugal e His ó ia
Uni e sal pa a as Escolas Técnicas ......................................................................................... 232
Ilus ação 18 - Dupla página de abe u a de unidade do manual His ó ia de Po ugal.
Apon amen os pa a uso das Escolas Come ciais e Indus iais de Ca los Se a ....................... 233
Ilus ação 19 - Dupla página de explo ação de con eúdos do manual His ó ia de Po ugal.
Apon amen os pa a uso das Escolas Come ciais e Indus iais de Ca los Se a ....................... 233
Ilus ação 20 - Recu so iconog á ico do manual - His ó ia de Po ugal. Apon amen os pa a uso
das Escolas Come ciais e Indus iais de Ca los Se a.............................................................. 234
Ilus ação 21 - Página de abe u a de unidade do manual His ó ia Pá ia pa a uso das Escolas
Come ciais de Edua do C uz ................................................................................................... 235
Ilus ação 22 - Dupla página do manual de Edua do C uz, His ó ia Pá ia pa a uso das Escolas
Come ciais ............................................................................................................................... 236
Ilus ação 23 - Sín ese esquemá ica p esen e nos manuais de His ó ia de Po ugal, pa a os alunos
do ensino indus ial, de An ónio Ma oso e An onino Hen iques ............................................. 238
Ilus ação 24 - Recu sos didá icos que pe mi em explo a as di e enças en e o omânico e o
gó ico ....................................................................................................................................... 239
Ilus ação 25 - Dupla página de abe u a de á ea emá ica do manual His ó ia de Po ugal de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................................................... 241
Ilus ação 26 - Dupla página de abe u a de unidade do manual His ó ia de Po ugal de An ónio
Ma oso e An onino Hen iques ................................................................................................. 241
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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Ilus ação 27 - Mapa p esen e no 1º olume do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................................................... 242
Ilus ação 28 - F isos c onológicos p esen es no 1º olume do Compêndio de His ó ia Ge al e
Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................................... 243
Ilus ação 29 - Recu sos iconog á icos ela i os a pa imónio imó el e mó el, p esen es no
Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................ 243
Ilus ação 30 - Recu sos de sín ese p esen e no Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................................................... 244
Ilus ação 31 - Página de abe u a de á ea emá ica do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques ................................................................................... 246
Ilus ação 32 - Dupla página de abe u a de unidade do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia
de An ónio Ma oso e An onino Hen iques .............................................................................. 247
Ilus ação 33 - Dupla página de explo ação de con eúdos com ex o de au o e ecu sos
iconog á icos do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino
Hen iques ................................................................................................................................. 247
Ilus ação 34 - Fo og a ia de uma exposição do ensino écnico sob e o In an e D. Hen ique... 259
Ilus ação 35 - Fo og a ia de uma d ama ização ealizada no âmbi o da disciplina de His ó ia no
ensino écnico ........................................................................................................................... 264
Ilus ação 36 - Mascá as pa a ea alizaçõs .............................................................................. 266
- Índice de Quad os
Quad o 1 - Sín ese dos momen os de e olução de uma disciplina escola segundo Lay on ....... 54
Quad o 2 - Disciplinas e ca gas ho á ias - Cu so P epa a ó io Indus ial e Come cial (1918).. 101
Quad o 3 - Plano de es udos dos cu sos minis ados nos ins i u os come ciais - 1918 ............. 105
Quad o 4 - Plano de es udos dos cu sos de comé cio - 1931 .................................................... 116
Quad o 5 - Plano de es udos do cu so complemen a de comé cio (diu no) - 1931 .................. 117
Quad o 6 - Plano de es udos e ca ga ho á ia do ciclo p epa a ó io do ensino écnico - 1948 ... 122
Quad o 7 - Plano de es udos e ca ga ho á ia do Cu so Complemen a de Ap endizagem
indus ial de Se alhei o -1948 ................................................................................................. 123
Quad o 8 - Plano de es udos e ca gas ho á ias do Cu so Complemen a de Ap endizagem
indus ial de Composi o e Imp esso Tipóg a o -1948 ............................................................ 124
Quad o 9 - Plano de es udos e ca ga ho á ia do Cu so Complemen a de Ap endizagem
indus ial de Can ei o e Olei o -1948 ....................................................................................... 125
Quad o 10 Disciplinas da Secção P epa a ó ia pa a os Ins i u os - 1948 .................................. 125
Quad o 11 - Plano de es udos e ca ga ho á ia do Cu so Complemen a de Ap endizagem de
Comé cio - 1948....................................................................................................................... 126
Quad o 12 - Plano de es udos e ca gas ho á ias do Cu so Ge al de Comé cio – 1948.............. 127
Quad o 13 - Pe íodos da His ó ia de Po ugal es abelecidos no manual His ó ia de Po ugal e
His ó ia Uni e sal pa a as Escolas Técnicas de Ma celo Gal ão............................................ 158
Quad o 14 - O ganização dos con eúdos es abelecidos no p og ama de 1952 de His ó ia Ge al e
Pá ia ........................................................................................................................................ 182
Quad o 15 - Ap esen ação compa a i a dos í ulos dos p incipais con eúdos do capí ulo "A c ise
po uguesa do im do século XIV" nos compêndios de His ó ia Ge al e Pá ia de 1958 e de 1966
................................................................................................................................................. 190
Quad o 16 - Núme o de ecu sos didá icos de explo ação p esen es nos manuais de His ó ia do
Ensino Técnico 1926-1948 ....................................................................................................... 226
Helena Viei a
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qual es a ese nunca se ia possí el. Mesmo sem sabe como, semp e quise am ajuda -me
e es i e am semp e p esen es nas longas ho as de pesquisa e esc i a.
Exis em e iden emen e inúme as o mas de ag adece a odas es as pessoas. Nes e
espaço ese o apenas uma simples pala a que, apesa de pequena, exp ime de o ma
e dadei a e comple a o que me ai na alma. A odas elas…
Ob igado!
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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Pa e I - Conside ações Iniciais e
Ro ei o de In es igação
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A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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P eâmbulo
“Desde logo, po ém, F ei Ped o no ou, com ce a es anheza, a ci cuns ância
de na biblio eca do mos ei o ha e lei o es es anhos ao con en o, a qualque
o dem monás ica e a é ao p óp io sace dócio, p edominando jo ens en e os 14 e
os 18 anos.
Mas mais su p eendido se sen iu ao epa a no since o en usiasmo e no
in ulga desemba aço com que esses apazes abalha am em in es igação
his ó ica, embo a sob e emas acima da média dos in e esses do p og ama
secundá io. (…)
O que aziam? Po que o aziam? Quem os le a a ali? Quem os di igia? Quem
e am?
Foi escla ecido pelo i mão po ei o, p o undo conhecedo de odos os
seg edos con en uais e a é das edondezas.
Na cidade p óxima ha ia di e sos es abelecimen os de ins ução, o iciais e
pa icula es. Di e sas ins i uições cien í icas oma am a seu ca go a simpá ica
a e a de desen ol e neles o gos o pelas ac i idades a que se dedica am
especialmen e. Não podia deixa de p ocu a di undi e desen ol e o gos o pelo
es udo da His ó ia.
Ve i icou-se que a Escola Come cial da e a o e ecia melho ambien e pa a o
que aquela ins i uição monás ica inha em is a, não só po que a a e a pa ecia
mais en ado a po se mos a mais di ícil (g aças às condições em que i ia),
mas ambém po que, de ido à ci cuns ância de se a a de Escola Come cial,
alguns ac o es a es uda su gi iam mais cla os, mais in ui i os, mais
con enien es a é, pelas elações a assinala com ou as disciplinas e a é com os
p óp ios objec i os e assun os das ma é ias lá es udadas. (…)
Ao sabe de ão simpá ico emp eendimen o do mos ei o, F ei Ped o não
descansou enquan o não conseguiu momen os disponí eis e licenças
indispensá eis que lhe pe mi issem desloca -se a é à escola da cidade e nela
obse a , com seus p óp ios olhos, como o ensino da His ó ia aí se azia.”1
1 MACHADO, José Ped o – Como ei Ped o de S. Se e iano iu ensina His ó ia. In “Escolas
Técnicas”, nº 2, 1947, pp.89-91.
Helena Viei a
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F ei Ped o de S. Se e iano, pe sonagem imaginá ia c iada po José Ped o Machado,
p o esso es agiá io do 10º g upo do ensino écnico, le ou a cabo um emp eendimen o
no sen ido de comp eende como e a lecionada a disciplina de His ó ia numa escola do
ensino écnico. Semelhan e emp eendimen o é aquele que o ien a es a in es igação.
1. Delimi ando o Espaço de In es igação
Enquad ada num espaço in es iga i o da His ó ia da Educação que mui o em
en iquecido nos úl imos anos – a His ó ia das Disciplinas Escola es - es a in es igação
p ocu a aze eme gi ealidades po ezes di íceis de desco ina . Se a escolha da
disciplina de His ó ia p endeu-se com mo i ações in e nas e pessoais po se es a a
disciplina que ocupa as minhas p á icas p o issionais quo idianas, a escolha do ensino
écnico enquan o subsis ema de ensino de eu-se a um azio his o iog á ico.
P imei amen e po que o ensino écnico em sido cons an emen e secunda izado ace a
ou os subsis emas como o ensino p imá io, liceal e a é uni e si á io. Em segundo luga
po que o es udo das disciplinas escola es no ensino écnico em-se mos ado pouco
exp essi o, pese embo a os excelen es es o ços ealizados ul imamen e, onde des aca ia
desde logo, a ese de Lígia Penim - A alma e o engenho do cu ículo: His ó ia das
disciplinas de Po uguês e de Desenho no ensino secundá io do úl imo qua el do século XIX a
meados do século XX.2. Finalmen e, po que es udos sólidos e consis en es sob e a
disciplina escola de His ó ia êm su gido no âmbi o do ensino liceal, o subsis ema de
ensino secundá io pa cei o do ensino écnico, mas nenhum es udo su giu ainda sob e a
mesma disciplina no ensino écnico. Compa a o luga da His ó ia no ensino écnico e
no ensino liceal é po an o um caminho que pode á ajuda a comp eende melho as
di e enças e ap oximações en e es es dois subsis emas de ensino.
Comp eende , da o ma mais consis en e possí el, um ema como o ensino da
His ó ia no ensino écnico, exigi ia em p imei o luga um es udo de longa du ação,
desde 1886, ano da p omulgação do Plano de O ganização Indus ial e Come cial, po
Emídio Na a o, que se cons i ui como a “p imei a o ganização ge al do ensino
indus ial e come cial, incluindo os ins i u os de Lisboa e Po o, as escolas indus iais
2 PENIM, Lígia - A alma e o engenho do cu ículo: His ó ia das disciplinas de Po uguês e de Desenho
no ensino secundá io do úl imo qua el do século XIX a meados do século XX. Tese de dou o amen o em
Ciências da Educação. Lisboa: Uni e sidade de Lisboa, 2008.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
5
e de desenho indus ial, c iadas ou a c ia ”3, a é 1973, ano em que e e início um
p ocesso i e e sí el que conduziu ao im do ensino écnico undindo-o com o ensino
liceal, na sequência da e o ma de Veiga Simão, dando o igem ao ensino secundá io.
Po ou o lado, demanda ia ambém a análise de múl iplas pe spe i as: his ó icas,
polí icas, sociais, económicas, cul u ais, educacionais e pedagógico-didá icas, bem
como o es udo de múl iplos agen es: polí icos, legislado es, eó icos da educação,
agen es da a i idade económica, au o es de manuais, p o esso es e alunos. Um mundo
in es iga i o que não compo a o limi e empo al que delimi a es a in es igação.
To nou-se necessá io po isso ci cunsc e e o ema e uma ez mais aze opções.
A p imei a limi ação na u almen e p endeu-se com as opções espaciais e empo ais.
Se a ealidade in es iga i a semp e se p endeu com o espaço nacional, a limi ação
empo al mos ou-se mais complexa e oi sendo ei a à medida que as on es
disponí eis se mos a am insu icien es pa a a ealização de um es udo de longa
du ação. Se inicialmen e se p ocu ou delimi a o es udo aos pe íodos da I República e
do Es ado No o, uma ez mais as on es disponí eis encu a am ainda mais es e
pe íodo empo al ixando-o en e 1926, ano da p omulgação do no o p og ama da
disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia no seguimen o da e o ma do ensino écnico de
1918, e 1973, ano da ex inção do ensino écnico.
Analisa o luga da disciplina de His ó ia em odo o ensino écnico e a igualmen e
uma a e a cuja dimensão não se ia possí el es uda de idamen e no limi e empo al de
ealização des a in es igação. Não se pode igno a que o ensino écnico não e a uma
ealidade una, mas an es uma amálgama de cu sos come ciais, indus iais, ag ícolas e
a ís icos, odos eles com in ui os especí icos e cu ículos di e sos. Inicialmen e, op ou-
-se po ci cunsc e e a in es igação aos cu sos come ciais, indus iais e ag ícolas,
embo a o a ança da in es igação enha e elado di e enças ão signi ica i as en e
es es cu sos que de e mina am uma no a ede inição, ixando o es udo apenas pa a o
ensino indus ial e come cial.
Po ou o lado, em e mos emá icos, as escolhas ei as pa i am de in es igações já
ealizadas. Es uda as unções da disciplina de His ó ia se ia epe i es udos já
ealizados pa a chega às mesmas conclusões: ambém no ensino écnico a disciplina de
3In Dec e o 30de Dezemb o de 1886, In odução. Ci ado po ALVES, Luís Albe o Ma ques – O
a anque do ensino indus ial na segunda me ade do século XIX in “Es udos em homenagem a João
F ancisco Ma ques”. Coo d. RAMOS, Luís A. de Oli ei a, RIBEIRO, Jo ge Ma ins e POLÓNIA,
Amélia. Po o: Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, s.d., p.98.
Helena Viei a
6
His ó ia inha unções in o ma i as, o ma i as e pa ió icas4, assim como e a o ien ada
supe io men e pelo egime que p ocu a a a a és dela inculca nos jo ens alo es de
amo à pá ia, obediência e manu enção da o dem es abelecida.
Nes e sen ido, op ou-se po descen a a in es igação do campo da His ó ia da
Educação e das Ideias pa a a o ien a mais pa a o campo da His ó ia das Disciplinas
Escola es, es udando mais a His ó ia como uma disciplina do cu ículo escola do
ensino secundá io, sem nunca descu a po ém os di e sos con ex os que a
condiciona am.
Assim, hou e a necessidade de ci cunsc e e a in es igação colocando-lhe balizas
empo ais, espaciais e emá icas. Es as esul a am uma ez mais de opções, escolhas
omadas em unção do empo disponí el e das di iculdades encon adas ao longo do
pe cu so, sendo as p incipais o ca á e ab e iado e po ezes mesmo omisso de on es
legais no que conce ne à disciplina de His ó ia, assim como a al a de acesso a on es
essenciais, cuja exis ência é sabida em Cama a e, no A qui o His ó ico do Minis é io
da Educação (AHME), ais como ela ó ios anuais de p o esso es de His ó ia e de
p o esso es es agiá ios. Es as úl imas a iam à in es igação a densidade capaz de
sedimen a o es udo desen ol ido assim como p opo ciona compa ações mais
p o undas en e o ensino écnico e o ensino liceal.
2. Pe cu so de In es igação
Como odo o pe cu so in es iga i o em His ó ia, ambém es e es udo seguiu ases
especí icas, endo semp e de undo o modelo de in es igação de Raymond Qui y5. A
p imei a de odas oi es abelece como pe gun a de pa ida a ques ão: Como e a a
disciplina escola de His ó ia no ensino écnico po uguês en e 1926 e 1973? Es a
ques ão inicial, pela sua ab angência exigiu desde logo o seu desdob amen o nou as
ques ões capazes de esponde de o ma mais conc e a à ques ão de pa ida.
Qual e a o espaço cu icula que a disciplina de His ó ia ocupa a nos cu sos
écnicos do ensino secundá io? Que con eúdos e am lecionados? Que ipo de ensino se
p e endia pa a a disciplina de His ó ia? Que me odologias de ensino seguiam os
p o esso es de His ó ia? Que ecu sos didá icos u iliza am? Que ipos de a i idades
4 MENDES, A mando – O alo o ma i o da His ó ia no Ensino Técnico. In “Escolas Técnicas”, nº 34,
1963, p.35.
5 QUIVY, Raymond – Manual de In es igação em Ciências Sociais. Lisboa: G adi a, 1998.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
7
desen ol iam com os seus alunos? Que o mação p o issional inham os p o esso es de
His ó ia? Es as o am as ques ões secundá ias que guia am odo o pe cu so conducen e
à comp eensão da disciplina escola de His ó ia no ensino écnico. Mui as ou as
ques ões pode iam e -se le an ado, po ém es as o am as selecionadas endo em is a o
empo e os ecu sos disponí eis pa a os ês anos que compõem o espaço empo al
des e cu so de dou o amen o.
No seguimen o da de e minação de linhas o ien ado as, pa iu-se pa a uma segunda
ase de explo ação, ma cada essencialmen e pela e isão de li e a u a, que cons i ui a
pa e II des a ese, p ocu ando comp eende melho as p oblemá icas le an adas em
o no do ensino écnico, assim como nos campos da His ó ia das Disciplinas Escola es
(HDE) e da p óp ia His ó ia da disciplina de His ó ia.
Iden i ica e explo a as p oblemá icas ap esen adas nos es udos mais ecen es sob e
o ensino écnico pe mi iu não só comp eende es e subsis ema de ensino e as
expec a i as que o o ien a am, mas ambém cons a a a sua cons an e secunda ização
ace ao ensino liceal e os eduzidos es udos ealizados no campo pa icula e especí ico
da HDE. Es a oi ou a á ea que dominou a ase de explo ação a é po que é nela que se
inse e es a in es igação. As lei u as desen ol idas pe mi i am iden i ica os es udos
mais ecen es desen ol idos nes e campo assim como a sua ligação aos domínios da
cul u a escola e da ansposição didá ica. Em e mos de abalhos de HDE em
Po ugal, des aca am-se os abalhos desen ol idos e coo denados po Joaquim
Pin assilgo6, e o des aque pa a es udos elacionados com as disciplinas de Ma emá ica e
Ciências, embo a se egis em abalhos de p a icamen e odas as es an es disciplinas.
Es as po ém alo izam semp e quase exclusi amen e o ensino p imá io e liceal. A
disciplina escola de His ó ia ambém egis ou di e sos es udos embo a es es e li am
essencialmen e sob e a sua ligação à ideologia e sob e a sua ealidade escola ao ní el
do ensino liceal. No inal des a ase de explo ação, as ob as de Raquel Hen iques e
Paulo Gomes7 o na am-se elemen os cha e no es abelecimen o das p incipais
6 PINTASSILGO, Joaquim – His ó ia do Cu ículo e das Disciplinas Escola es: Balanço da in es igação
po uguesa. In PINTASSILGO, Joaquim, ALVES, Luís Albe o, CORREIA, Luís G osso e
FELGUEIRAS, Ma ga ida Lou o (O g.) “A His ó ia da Educação em Po ugal. Balanços e pe spec i as.”.
Po o: Edições ASA, 2007, pp.111-146.
PINTASSILGO, Joaquim, TEIXEIRA, Anabela, BEATO, Ca los e DIAS, Isabel – A His ó ia das
Disciplinas Escola es de Ma emá ica e Ciências. Con ibu os pa a um campo de pesquisa. Lisboa:
Edi o a Escola , 2010.
7 HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e ensina His ó ia
(1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian / Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010.
Helena Viei a
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p oblemá icas a abo da e na cons ução de modelos de análise pa a a comp eensão do
espaço cu icula ocupado pela disciplina de His ó ia no cu ículo do ensino
secundá io, dos con eúdos da disciplina e da o ma como e am lecionados e da
o mação p o issional de p o esso es, agen es de e minan es no p ocesso de ensino e
ap endizagem.
Pa a da con inuidade ao p ocesso de in es igação oi necessá io encon a e analisa
um conjun o de on es que dessem espos a às ques ões de pa ida. Fo am
p edominan emen e cinco os g andes g upos iden i icados: 1) legislação ela i a à
o ganização e o ien ação do ensino écnico; 2) p og amas disciplina es da disciplina de
His ó ia pa a os di e sos cu sos do ensino écnico; 3) manuais escola es e ecu sos
didá icos usados na disciplina de His ó ia; 4) a igos de imp ensa pedagógica
di e amen e elacionada com o ensino écnico; e 5) documen ação elacionada com a
o ganização e uncionamen o da disciplina de His ó ia no espaço escola como po
exemplo a as, li os de sumá ios, ela ó ios de p o esso es, cade nos diá ios, es es e
abalhos ealizados po alunos, que e idenciassem p á icas e e i as das aulas de
His ó ia do ensino écnico.
Legislação e p og amas o am um pon o de pa ida pa a comp eende a isão que os
legislado es inham sob e e pa a a disciplina. O acesso a es a legislação o nou-se mais
ácil de ido à disponibilização on line dos Diá ios do Go e no e da República no si e
h p://d e.p . Po ém as pesquisas nos índices ge ais o na am o p ocesso len o de ido à
impossibilidade de pesquisa po assun o. Pe co e lis as de dec e os po imes es
o nou o p ocesso mais mo oso mas a disponibilização dos dec e os em o ma o pd
acili ou em mui o o acesso à in o mação neles p esen e. Dessa pesquisa esul ou o
anexo 1, no qual su ge uma lis agem dos documen os legais consul ados.
Encon adas e analisadas as p incipais e o mas do ensino écnico, o am lidas com
pa icula a enção as icas e longas in oduções que jus i icam as al e ações ealizadas, o
que pe mi iu comp eende um pouco mais a iloso ia subjacen e a es e subsis ema de
ensino. Po ou o lado, a análise dos cu ículos dos á ios cu sos, o nou possí el e
iá el a a e ição do luga da disciplina de His ó ia no ensino écnico, a a és das suas
ca gas ho á ias. Con udo, a al a de po meno ização e a di e si icação da maio pa e
HENRIQUES, Raquel Pe ei a – A e olução no ensino da His ó ia – Con on o en e o pe íodo an e io
e pos e io a Ab il de 1974 in PROENÇA, Ma ia Cândida – “Um século de ensino da His ó ia”. Lisboa:
Edições Colib i, 2001.
GOMES, Paulo – A disciplina de His ó ia e o seu ensino nos liceus de Po ugal de 1895 a 1968. Tese de
Mes ado em Ciências da Educação. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Uni e sidade de Lisboa, 2005.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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dos planos de es udo colocou alguns en a es à sua análise assim como o ac o de
du an e mui o empo a disciplina e es ado associada a ou as como a Geog a ia ou o
Po uguês. Po ém, des a legislação oi possí el conhece o p ocesso de a i mação da
disciplina de His ó ia nos di e sos cu sos come ciais, indus iais e ag ícolas
e idenciando di e enças e semelhanças que são ap esen adas no p imei o capí ulo da
pa e II, no qual, pa indo do anexo 2, cons i uído pelos planos de es udo su gidos após
cada e o ma, se egis am as p incipais conclusões sob e o luga ocupado pela disciplina
de His ó ia nos cu ículos dos á ios cu sos do ensino écnico.
A análise dos p og amas da disciplina de His ó ia, sis ema izados no anexo 3,
pe mi iu iden i ica con eúdos, obje i os e algumas me odologias da disciplina de
His ó ia nos á ios cu sos. Po ém as expec a i as c iadas em o no dos p og amas não
se cump i am. Conhecendo p e iamen e a iqueza dos p og amas da disciplina de
His ó ia do ensino liceal, a a és dos abalhos desen ol idos nes a á ea po Raquel
Hen iques, logo após o p imei o con ac o com os p og amas do ensino écnico
an e io es a 1952, oi no ó io que es es não esponde iam a á ias ques ões que
ínhamos em men e pa a a nossa in es igação ais como: Quais os in ui os da disciplina?
Que me odologias e am apon adas pa a o ensino da His ó ia? Como se iam ge idos os
con eúdos da disciplina? ou Que ecu sos didá icos e am aconselhados pa a o ensino da
His ó ia? Cons a amos que a maio pa e dos p og amas limi a a-se a enume a um
conjun o de ub icas a leciona sem quaisque ou as ecomendações ou obse ações.
Ten ando colma a es a agilidade, a ançamos pa a ou as on es que nos pudessem
comple a o conhecimen o e sa is aze as dú idas. Sabíamos que a a e ição dos
con eúdos p opos os pa a a disciplina de His ó ia, apesa de impos os pelos p og amas,
e am po ém abalhados pelos au o es dos manuais e e a a a és des es úl imos que
chega am à maio pa e dos alunos e p o esso es. O c uzamen o dos con eúdos
ap esen ados nos p og amas com os con eúdos p esen es em manuais escola es,
sis ema izados no anexo 4, pe mi iu-nos ealmen e a e i o g au de conco dância e
co espondência en e os con eúdos p econizados nos p og amas e os con eúdos
cons an es nos manuais escola es. As p incipais conclusões desse c uzamen o su gem
espelhadas no segundo capí ulo da pa e II.
Nes e abalho, a pesquisa de manuais especí icos de His ó ia do ensino écnico
ambém se e elou uma a e a complexa pois as bases de dados da po base ainda não
ap esen am a o alidade de li os exis en es nas biblio ecas públicas.
Helena Viei a
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concei os, acon ecimen os e ins i uições. Es a ob a é econhecida como um ma co
de e minan e na aplicação em Po ugal das no as abo dagens his o iog á icas dos
Annales de Ma c Boch e Lucien Feb e in oduzidas po Joel Se ão, a pa de Oli ei a
Ma ques e Magalhães Godinho. Es a ob a oi al o de uma eedição ala gada em 1999,
sob a di eção de An ónio Ba e o e Ma ia Filomena Mónica, na qual su gem ês no os
olumes cen ados no pe íodo con empo âneo e em pa icula no século XX. Ou a
ob a de e e ência é o Dicioná io de His ó ia do Es ado No o, edi ado em 1996 e
di igido po Fe nando Rosas e J.M. B andão de B i o, que seguindo a mesma lógica da
ob a an e io ap esen a um conjun o de en adas ela i as a pe sonalidades, concei os,
ma cos his ó icos e ins i uições, mas elacionados exclusi a e especi icamen e com o
pe íodo do Es ado No o.
Embo a con endo a igos de dimensão eduzida e de sín ese que não são su icien es
pa a a cons ução de e lexões p o undas sob e o ensino écnico em Po ugal, êm a
g ande mais- alia de no inal dos mesmos ap esen a on es bibliog á icas especí icas
que se cons i uem como e e ências e g andes pon os de pa ida pa a a sua
comp eensão e pa a es udos mais consis en es. Con udo, se compa a mos o núme o e a
ex ensão das en adas ela i as ao ensino écnico p esen es nes es dicioná ios com os
a igos neles cons an es sob e ensino p imá io e liceal, é ácil de dep eende as
di e en es dimensões e impo ância que lhes são a ibuídos, essal ando a
secunda ização do ensino écnico ace aos ou os subsis emas de ensino.
Pa a uma in es igação de ní el ge al em o no do ensino écnico são igualmen e
indispensá eis e e ências às His ó ias de Po ugal coo denadas po José Ma oso e Joel
Se ão e Oli ei a Ma ques. Embo a se possa conside a que es as ob as ap esen am
isões ge ais, elas são no amen e sin omá icas da secunda ização do ensino écnico
ace ao ensino p imá io, ao ensino liceal e ao ensino uni e si á io. Po ém, es as ob as
de e e ência inicial são ou o pon o de pa ida que du an e mui os anos oi
incon o ná el pa a a comp eensão do ensino écnico em Po ugal e que, po essa azão,
me ecem uma e e ência na abo dagem das p imei as in es igações de consis ência
publicadas sob e o ensino écnico em Po ugal.
O olume 5 da His ó ia de Po ugal di igida po José Ma oso, coo denado po Luís
Reis To gal e João Lou enço Roque, em um pequeno capí ulo, mui o esumido sob e a
ins ução pública nos seus di e sos g aus. Rela i amen e ao ensino écnico, e e e-o
apenas como uma “in enção pombalina” que se ins i ucionalizou numa pe spe i a
mode na du an e o pe íodo libe al, de ido à necessidade de écnicos, e ap esen a a
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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egene ação como o empo do desen ol imen o do ensino écnico momen o no qual se
egis ou um g ande su o com a ação do minis o das ob as públicas, comé cio e
indús ia – Fon es Pe ei a de Melo. O olume 6, coo denado po Rui Ramos, des aca
apenas o ensino p imá io no pe íodo da P imei a República, igno ando a educação nos
ou os g aus de ensino. O olume 7, coo denado po Fe nando Rosas, não az qualque
e e ência ao ensino no egime di a o ial de Salaza .
Con a iamen e à escassez de in o mação ela i a à educação na ob a di igida po
José Ma oso, a No a His ó ia de Po ugal, di igida po Joel Se ão e Oli ei a Ma ques
ap esen a já uma con ex ualização sólida da educação nos pe íodos em análise. No
olume X, su ge um capí ulo dedicado à educação, edigido po Luís Albe o Ma ques
Al es, que con ém in o mação de g ande ele o pa a o es udo da educação no pe íodo
da egene ação. Ap esen a de o ma consis en e as ca ac e ís icas e as mudanças que se
egis a am nos á ios subsis emas de ensino, ap esen ando já in o mações bas an e
impo an es pa a a ca ac e ização do ensino écnico. No olume XI, su ge o capí ulo
“Escolas e Ensino”, da au o ia de Oli ei a Ma ques, que seguindo o ilho açado no
olume an e io , dedica a enção às ques ões elacionadas com o anal abe ismo e
o og a ia, o ensino in an il, o ensino p imá io, o ensino secundá io liceal, o ensino
écnico e o ensino supe io , ap esen ando um quad o ge al sob e os á ios subsis emas
de ensino. Já no olume XII, coo denado po Fe nando Rosas, é ap esen ado um
capí ulo da au o ia de An ónio Nó oa designado “A Educação Nacional”. Nes e, o
au o começa po eco da a polí ica educa i a do Es ado No o, assinalando as ês
g andes ases da polí ica educacional au o i á ia. Mos a a o ganização dos á ios
subsis emas de ensino, incluindo o ensino écnico, e ca ac e iza já a classe dos
p o esso es no pe íodo em análise. Ainda nes e pon o, o au o abo da já, embo a mui o
suma iamen e, ques ões elacionadas com o ensino e a pedagogia, in e ligando es es
aspe os com as ques ões ideológicas que condiciona am a educação na época.
Ao longo da análise des as ob as ge ais de e e ência inicial e i ica-se que os
es udos sob e o ensino écnico são quase semp e sumá ios e eduzidos
compa a i amen e com o ensino p imá io liceal e a é mesmo com o ensino supe io .
Rela i amen e a ob as especí icas e de e e ência sob e o ensino écnico, são
incon o ná eis algumas ob as de Sé gio G ácio nomeadamen e “Polí ica educa i a
como ecnologia social. As e o mas do ensino écnico de 1948 e 1983”, de 1986, e
“Ensinos écnicos e polí ica em Po ugal 1910/1990”, de 1998. A p imei a, pa e da
análise de duas g andes e o mas do ensino écnico pa a ap esen a a polí ica educa i a
Helena Viei a
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salaza is a como ecnologia social, ou seja, “um conjun o de medidas o ien adas, no
caso dos u ilizado es da escola, não pa a in lui na sua ajec ó ia social mas na
ep esen ação que os sujei os inham do seu des ino e po an o ambém o ien ado as
pa a in lui no ajus amen o da expec a i a subjec i a ao des ino objec i o”12. Es a ob a
ca ac e iza ainda a e o ma de 1948 como ino ado a num quad o de uma sociedade
adicional ao mesmo empo que demons a como es a e o ma e e e ei os cla os na
expansão do ensino écnico que a ní el social que a ní el económico. Po ou o lado,
e le e sob e a passagem do o imismo inicial da e o ma de 1948 pa a a ase do
desencan o das aspi ações e do no o modo de in eg ação social que conduziu à
uni icação do ensino e, mais a de, à p óp ia e o ma de 1983, que ap esen ou o ensino
p o issional como uma no a al e na i a.
Na ob a “Ensinos écnicos e polí ica em Po ugal 1910/1990”, o au o az uma
abo dagem c onológica do ensino écnico em Po ugal di idindo-a em ês pa es: uma
p imei a dedicada ao pe íodo da p imei a epública, uma segunda inciden e no pe íodo
comp eendido en e os inais da p imei a epública e a década de se en a e, inalmen e,
uma e cei a e úl ima pa e ela i a às décadas de se en a, oi en a e no en a do século
XX.
Nes a ob a, o au o começa po expo os con li os su gidos no inicio do século XX
en e engenhei os e os es udan es do Ins i u o Supe io Técnico com os es udan es
diplomados do ensino indus ial das escolas médias. Ap esen a o ensino écnico como
um subsis ema em expansão e a o ecido pela p imei a epública ao mesmo empo que
e e e as suas o igens.
Rela i amen e ao ensino écnico du an e o egime au o i á io de Salaza , o au o
ca ac e iza os ês g aus des e subsis ema de ensino: elemen a , médio e supe io .
Começa po e e i a inicia i a go e namen al na i agem pa a o no o egime e as
condições que a o ece am a no a e o ma dos anos in a e a sua in enção de ni ela o
ensino po baixo. Con a iamen e às medidas da p imei a ase do go e no, ap esen a a
e o ma de 1948 como ousada ao mesmo empo que aumen ou a dis ância en e o
ensino indus ial médio e supe io . O au o analisa igualmen e as ans o mações
sociais egis adas nas décadas de cinquen a e sessen a que c ia am um no o con ex o
que e mina á com a uni icação do ensino secundá io.
Já no inal da ob a, dedicada ao pe íodo após o inal da di adu a, o au o eme e pa a
12GRÁCIO, Sé gio - Polí ica educa i a como ecnologia social. As e o mas do ensino écnico de 1948 e
1983. Lisboa, Li os Ho izon e, 1986, p. 38.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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a explosão escola que se egis ou nesse pe íodo, pa a a uni icação do ensino
secundá io e pa a o ecomeço do ensino écnico já na década de oi en a. Es a ob a
adqui e g ande ele ância na medida em que nos aça um pano ama ge al mas
de alhado da e olução do ensino écnico no século XX.
De igual o ma, a ob a “O sis ema de ensino em Po ugal séculos XIX e XX” (1998),
coo denado po Ma ia Cândida P oença, ambém ap esen a uma isão mais
po meno izada sob e o ensino écnico, sendo de des aca o a igo de Sé gio G ácio
“Ensino écnico e indús ia. Uma pe spec i a de sociologia his ó ica”. Es e a igo
e ela o pe cu so ascenden e do ensino écnico a é à p imei a epública, o
a o ecimen o das escolas indus iais e come ciais na p imei a epública e a
popula idade do ensino écnico no pe íodo inicial do Es ado No o que não ob e e um
in es imen o do go e no de Salaza a é 1948, al u a em que a expansão indus ial c iou
o con ex o a o á el pa a es e subsis ema de ensino. Es e a igo su ge en ão como ou a
on e de in o mação ele an e na cons ução de uma con ex ualização sob e o ensino
écnico.
No que se e e e ao ensino secundá io o a de Po ugal, e incluindo nes e o ensino
écnico, é de des aca a ob a de Joaquim Aze edo, “O ensino secundá io na Eu opa”
(2000). Es a ob a analisa as e o mas educa i as emp eendidas na Eu opa nos anos 90
em alguns países eu opeus como a Dinama ca, a Finlândia, a F ança, a Holanda, a
I ália, a No uega, a Suécia e a Suíça. O abalho inse e o ensino écnico e p o issional
num espaço mais ala gado de in e p e ação pelo seu enquad amen o no ensino
secundá io eu opeu dando pa icula ele o às ques ões que ligam educação e
economia. Es a ob a eme e-nos pa a as eo ias do capi al humano mos ando a
impo ância do ensino écnico pa a a o mação dos écnicos especializados necessá ios
ao mundo do abalho.
Ainda no campo de on es bibliog á icas ge ais que incluam in o mações sob e o
ensino écnico, não se pode deixa de e e i a “His ó ia do Ensino em Po ugal. Desde
a undação da nacionalidade a é o im do egime de Salaza -Cae ano”, de Rómulo de
Ca alho (2001) que ap esen a uma e olução de e o mas nos á ios subsis emas de
ensino, incluindo do ensino écnico. Con udo, es as úl imas são expos as de o ma
mui o sumá ia e sin é ica.
Pa a uma comp eensão mais po meno izada e o ganizada do ensino écnico em
Po ugal é de e minan e a ob a de Luís Al es, “O Po o no a anque do ensino
indus ial (1851-1910)”, (2003), nomeadamen e a pa e II ela i a ao enquad amen o
Helena Viei a
20
ju ídico do ensino indus ial en e 1750 e 1910. Nes a pa e em pa icula , o au o
começa po ap esen a as o igens do ensino écnico em Po ugal, as p imei as apos as
nes e ipo de ensino e os p imei os ensaios com as e o mas de Passos Manuel, de
1836, e de Cos a Cab al, em 1844. Seguidamen e, são analisadas, de o ma compa a i a
e com po meno , as e o mas do ensino écnico de 1852, 1864 e 1869 ao ní el das suas
jus i icações, dos cu ículos, dos cu sos ins i uídos, dos es abelecimen os de ensino
c iados, dos alunos, dos p o esso es, das despesas e das e e ências inais das e e idas
e o mas. Na decomposição do ensino écnico na década de oi en a do século XIX, o
au o começa po des aca as inicia i as de An ónio Augus o de Aguia e de Emídio
Júlio Na a o ap esen ando as jus i icações das suas medidas legisla i as, os cu ículos
das e o mas de 80, as no as escolas que c ia am, o acesso dos alunos e o luga dos
p o esso es nes e subsis ema de ensino. Pa a a úl ima década do século XIX, o au o
ol a a aze uma análise compa a i a mas das e o mas de 1891, 1893 e 1901,
igualmen e ao ní el das jus i icações, dos cu ículos, da ede escola , dos alunos e dos
p o esso es. Em o ma de sín ese, e o ça as pe manências mais signi ica i as da
e olução do ensino écnico en e 1759 e 1910, ca ac e izando-a como um pe cu so
a ibulado. Es a segunda pa e ap esen a ainda como aspe o de des aque os á ios
o ganig amas que pe mi em uma ácil e ápida lei u a e comp eensão da o ganização do
ensino écnico nas á ias e o mas que oi so endo. Já na pa e III, dedicada à adesão
ao ensino indus ial en e 1851 e 1910, o au o demons a que a a dia es u u ação do
ensino indus ial não impediu a adesão a es e subsis ema de ensino em á ias egiões
do país, o que comp o a a a enção que os polí icos dos inais do século XIX lhe
dedica am e a exis ência de público in e essado numa o mação écnica e p o issional.
No quad o es i amen e polí ico da decisão, hou e a p eocupação de in en a ia
p oblemas e implemen a al e ações sem nunca esquece as expec a i as p o issionais,
sociais e económicas de odos aqueles que passa am pelo ensino écnico. Ou a pa e
des a ob a que não podemos elega é a lis agem inal de on es e bibliog a ia que
o nece um ins umen o de abalho mui o ú il pa a os in es igado es do ensino écnico.
Olhando o ensino écnico num ou o p isma e saindo do âmbi o da sua His ó ia e das
sucessi as e o mas legisla i as que o de e mina am, é de des aca a ese de
dou o amen o de José Manuel Resende “O eng andecimen o de uma p o issão: os
p o esso es do ensino secundá io público no Es ado No o” (2003). Es a ob a em um
ca ác e dis in o das ob as a é aqui mencionadas po dois mo i os: p imei o po que
en a no campo de análise das p á icas e o mação p o issional dos p o esso es e
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
21
segundo po que az uma compa ação exaus i a en e os p o esso es do ensino écnico e
do ensino liceal. A g ande conclusão des a ob a é p ecisamen e a di e ença abismal
en e os p o esso es des es dois subsis emas de ensino. Se os p o esso es do ensino
liceal i e am uma ce a no o iedade e i am a sua p o issão “eng andecida”, os
p o esso es do ensino écnico man i e am-se disc e os acabando po cai no
esquecimen o13. O au o ai ainda mais longe e a i ma a exis ência de “um mu o de
silêncio”14 en e os p o esso es do ensino écnico e liceal apesa de ambos leciona em o
ensino secundá io. Pa a jus i ica es e ac o, o au o apon a azões como as di e enças
de o mação e de acesso ao p o esso ado. Es a ob a apesa de não es a di e amen e
elacionada com o ema cen al da in es igação o na-se um pon o de e e ência
incon o ná el po que abo da um dos a o es de e minan es no p ocesso de ensino
ap endizagem que é o p o esso .
Numa ou a pe spe i a, a abo dagem do ensino écnico não pode descu a -se de
ques ões elacionadas com a quali icação e a p epa ação dos abalhado es. A ob a de
José Edua do Ca dim “Do ensino indus ial à o mação p o issional – as polí icas
públicas de quali icação em Po ugal” (2005) é ou a ob a de e e ência que, pa a além
de aze uma e olução do ensino écnico e p o issional em Po ugal desde o an igo
egime a é ao século XX a a és das sucessi as e o mas que ma ca am es e subsis ema
de ensino, es abelece uma elação en e a o mação escola izada e a o mação não
o mal, azendo pa a e lexão ques ões que ainda hoje es ão a uais.
Pe an e on es bibliog á icas ão dispe sas, mais ecen emen e, o ensino écnico oi
al o de in es igações mais ap o undadas e de sín ese. É o caso da ob a ecen e e
incon o ná el, “O ensino écnico (1756-1973)”, publicado em 2009, abalho conjun o
de Luís Albe o Ma ques Al es, Ped o Rod igues de Sousa, Te esa To inhas Mo ais e
F ancisco Miguel Veloso A aújo. Es a é uma in es igação que p ocu a da isibilidade
a um subsis ema de ensino que du an e mui o empo oi a as ado pa a segundo plano e
a é mesmo igno ado em p ol do ensino p imá io, liceal e a é mesmo supe io . É uma
ob a de sín ese que começa com uma b e e ap esen ação his ó ica do ensino écnico
desde a segunda me ade do século XVIII a é ao século XX, que se e ela undamen al
pa a quem se dedica à in es igação des e subsis ema de ensino. De o ma cla a e
in eligí el, es a ap esen ação his ó ica ajuda a comp eende melho os p essupos os que
13RESENDE, José Manuel – O Eng andecimen o de uma p o issão: os p o esso es do ensino secundá io
público no Es ado No o. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 2003, p.981.
14 Idem, p.1045.
Helena Viei a
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es i e am na o igem e na e olução do ensino écnico no nosso país. A pa da e lexão
sob e jus i icações e implicações do ensino écnico ao longo dos empos, es a ob a aça
ainda um b e e pano ama de con ex ualização sob e as suas p incipais e o mas.
Finalmen e, con ém ainda uma pa e inal de e iden e impo ância pa a um his o iado
que se inicie no es udo do ensino écnico. Numa an ologia inal, são ap esen adas
algumas das p incipais on es his ó icas pa a o es udo des e subsis ema de ensino,
alguns ins umen os de pesquisa e uma bibliog a ia de e e ência. De igual impo ância
é o conjun o de ma e iais, essencialmen e as bases de dados, que se encon am no
CD-ROM que acompanha a ob a. Es as sim são um ins umen o de ines imá el alo
que o ien a cla amen e os in es igado es que se quei am dedica a es a emá ica.
Pa a conclui , pode e e i -se que ao ní el do ensino écnico su giu nos úl imos anos
um conjun o de eses de mes ado e de dou o amen o que ão dando consis ência a um
espaço in es iga i o que pe mi a um melho conhecimen o do ensino écnico em
Po ugal.15 Con udo, e i ica-se que os á ios es udos ealizados sob e o ensino écnico
êm-se excluído de uma análise mais po meno izada sob e o seu cu ículo escola ,
sob e as disciplinas e os espe i os con eúdos que o compunham, assim como as
15 Des acam-se a í ulo de exemplo as seguin es eses: ALHO, Albé ico A onso - Sob a u gência da
écnica, ce zi as almas em empos de mudança: con ibu os pa a o es udo da e o ma do ensino écnico
de 1948. Lisboa: Tese de Mes ado, Uni e sidade No a de Lisboa, 2001; ALHO, Albé ico A onso - Sob
o c onóme o de Taylo , ades a a mão e co igi o olha . Lisboa: Tese de Dou o amen o, Uni e sidade
No a de Lisboa, 2006; ANDRADE, Fe nando de Aze edo - Ensino Técnico P o issional (1756-1991):
con ibu o pa a o es udo da sua o ganização e uncionamen o. Coimb a: Tese de Mes ado, Uni e sidade
de Coimb a, 1991; BAPTISTA, Ana C is ina - Dias de escola: pa icipação local e cu ículo écnico na
Escola Secundá ia de Alcanena (1965/1992). Lisboa: Tese de Mes ado, Uni e sidade de Lisboa, 2002;
BRANCO - An ónio Manuel da Sil a Mo ais - Ensino écnico-p o issional: es udo de caso. Lisboa: Tese
de Mes ado, Uni e sidade de Lisboa, 1998; BUSTORFF, An ónio - Ensino écnico p o issional:
con ibu o pa a o es udo da sua o ganização e do seu uncionamen o nos úl imos 40 anos (1948 a 1988).
Lisboa: Tese de Mes ado, Uni e sidade de Lisboa, 1988; CARAMELO, João Ca los Pe ei a - As
(des)o dens da disciplina: análise da ques ão disciplina numa escola de ensino écnico (1950-1970).
Po o: Tese de Mes ado, Uni e sidade do Po o, 2000; CARVALHO, Al edo Tomé - O ensino écnico
p o issional em Po ugal : con ibu o pa a o es udo da sua o ganização e da e olução dos pe is
p o issionais, nos úl imos 50 anos (1948-1998). É o a: Tese de Mes ado, Uni e sidade de É o a, 1998;
FERREIRA, Césa Augus o Figuei edo - Os Salesianos e o ensino p o issional em Po ugal de 1894 a
1910. Lisboa: Tese de Mes ado, Uni e sidade Ca ólica Po uguesa , 1995; FERREIRA, João Filipe
E angelis a - A Escola Ma quês de Pombal: um es udo écnico em Po ugal. Lisboa: Tese de Mes ado,
Uni e sidade Ca ólica Po uguesa , 1999; HENRIQUES, Raquel Pe ei a - A a e de ensina uma
p o issão: o ensino écnico e p o issional na Casa Pia de Lisboa (1930-1950). Lisboa: Tese de Mes ado,
Uni e sidade No a de Lisboa, 2002; MORAIS, Ma ia José de Fa ia - O Ensino P o issional no século
XVIII: o exemplo do Po o. Po o: Tese de Mes ado, Uni e sidade do Po o, 1995; PEREIRA, José
Manuel - O caixei o e a ins ução come cial no Po o oi ocen is a: pe cu sos, p á icas e con ex os
p o issionais. Po o, Tese de Mes ado, Uni e sidade do Po o, 2001; ROCHA, Ge mano Fe nandes -
Ensino Técnico em Vila Real: “Os e lexos polí icos e sociopedagógicos da e o ma de 1931 no ensino
come cial” B aga, Tese de Mes ado, Uni e sidade do Minho, 2001; SILVA, Ma ia An onie a Viei a
F ei as - A Escola Rocha Peixo o: Memó ia de um espaço do Ensino Técnico (1942-1951. Po o: Tese de
Mes ado, Uni e sidade do Po o, 2009; TAVARES, Ma ia Manuel Valada es - A o mação écnico-
p o issional em Po ugal no pe íodo da mona quia. Lisboa: Tese de Mes ado, Uni e sidade No a de
Lisboa, 1997.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
23
p á icas escola es que ma ca am o seu quo idiano.
1.2 As Expec a i as ela i amen e ao Ensino Técnico
En e os séculos XVIII e XX, a sociedade po uguesa conheceu p o undas
ans o mações que al e a am não só a ealidade polí ica, económica e social mas
ambém a p óp ia o ma de e e en ende a educação em ge al e o ensino écnico em
pa icula . Rela i amen e a es e úl imo, su gi am di e sas expec a i as sociais,
escola es e a é p o issionais. Ao longo dos empos, os indi íduos desen ol e am um
conjun o de espe anças undadas em supos os di ei os e p omessas sendo uma das
p incipais a expec a i a de ascensão social median e uma maio ins ução, educação e
o mação p o issional.
Po ém, as expec a i as c iadas in e namen e pelos indi íduos o am condicionadas
po meios ex e io es a eles, ais como as polí icas educa i as e as di iculdades
económicas que coloca am en a es à sua aplicação. Às expec a i as in e nas de
ascensão social da maio pa e da população que equen a a as escolas écnicas
jun a am-se as expec a i as uncionalis as e mais a de o mado as dos go e nos e
polí icos que ize am da educação um meio de ga an i o a a es abilidade e
con inuidade da o dem social o a o desen ol imen o económico de Po ugal.
A é à segunda me ade do século XVIII, o ensino e a en endido como um meio de
ansmi i conhecimen os essencialmen e eó icos que de e iam se memo izados após
uma ins ução p imá ia que isa a a al abe ização median e o ensino da lei u a, da
esc i a e da a i mé ica simples. Es e ensino e a po ém en endido como uma cul u a de
eli es acessí el a poucos. Apenas as pessoas mais a o ecidas inham acesso a ele, dado
que as menos a o ecidas, de o ma a ga an i a sua subsis ência, desde cedo inham de
inicia a i idades p o issionais, ossem elas ag ícolas ou a esanais. A maio pa e da
população po uguesa, que não azia pa e das eli es e que não inha acesso ao ensino,
ob inha uma o mação p o issional p á ica e sem qualque undamen o eó ico ou
ideológico jun o da amília ou en ão nas adicionais co po ações que, especializadas
num de e minado o ício e do adas de es a u os com leis e egulamen os p óp ios,
goza am de um g ande econhecimen o social e ga an iam uma o mação unicamen e
p o issional especializada numa dada a e.
Helena Viei a
24
1.2.1 A C iação do Ensino Técnico e a Expec a i a do Es ado Educado
Em 1759, o Ma quês de Pombal p ocedeu à expulsão dos jesuí as que du an e
séculos ha iam dominado o ensino em Po ugal. Nessa al u a, o Es ado e e de assumi
a ga an ia do ensino, chamando pa a si uma unção e esponsabilidade que a é en ão
inha es ado ese ada à Ig eja. A pa i desse momen o, o Es ado esponsabilizou-se
pela cons ução de uma ede de escolas onde se ia minis ado o ensino público.
Po ugal mos a a-se assim “pionei o en e os países eu opeus na c iação de um
sis ema público de ensino, es ingindo o papel da Ig eja a a és do a as amen o
compulsi o da companhia de Jesus dos cen os de ins ução”16.
Po ém, o Ma quês de Pombal não se limi ou a e o ma o ensino ge al libe ando-o
de pa e da es e a eligiosa que o en ol ia. No mesmo ano de 1759, ele se ia
esponsá el pela in odução do ensino écnico em Po ugal a a és da c iação da Aula
do Comé cio, em Lisboa. Es a cons i uía-se como uma en a i a de melho a o
“desempenho das a i idades come ciais no que espei a ao conhecimen o de eg as
con abilís icas”17 e no inal da ap endizagem concedia uma “ce idão” que ga an ia
an agens no acesso a um abalho ou emp ego.
Es e p imei o ensino de ca ác e écnico p e endia en ão o nece aos seus alunos
uma melho p epa ação pa a esponde a necessidades p o issionais do país ao mesmo
empo que aumen a a a expec a i a de ascensão social pois a “ce idão” ob ida no inal
da ap endizagem pe mi i ia alcança um melho emp ego e assim melho a o es a u o
social do indi íduo que a de i esse.
Nos inais do século XVIII e inícios do século XIX, já sob a in luência dos ideais
da Re olução F ancesa e da a i mação dos p incípios libe ais, que de endiam, en e
ou os alo es, a igualdade de ensino e o mação a p opo ciona a odos os cidadãos, o
Es ado consolidou o seu con olo sob e a educação em ge al e sob e o ensino écnico
em pa icula .
16FERNANDES, A. Sousa - Descen alização, desconcen ação e au onomia dos sis emas educa i os:
uma pano âmica eu opeia. in FORMOSINHO, João, FERNANDES, Sousa, “Adminis ação da
Educação, lógicas bu oc á icas e lógicas de mediação”, Po o: Edições ASA, 2005, p. 68
17 CARVALHO, Rómulo - His ó ia do Ensino em Po ugal. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian,
1986, p. 458.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
25
Su gia en ão o Es ado Educado 18 que, pa a além de ins ui os jo ens, inha ainda
a esponsabilidade de despe a neles ap idões na u ais e capacidades in elec uais,
ísicas e mo ais. Po ém o Es ado já não p e endia apenas ga an i o ensino das
populações median e um p ocesso de ansmissão e aquisição de conhecimen os e
sabe es. Deseja a an es educa a população ga an indo um p ocesso de ans e ência e
aquisição de alo es necessá ios ao con í io, manu enção e desen ol imen o da
sociedade den o dos no os quad os de e e ência do Es ado Nação. P ocu ando
ansmi i alo es que in luencia am o se humano e a sua pe sonalidade, o Es ado,
a a és da escola, p e endia en ão ga an i a educação e já não apenas o ensino,
assumindo-se en ão como Es ado Educado . Simul aneamen e, e idencia a-se a
expec a i a que a educação se ia da esponsabilidade do Es ado e que es e de e ia
assegu á-la a oda a população de o ma iguali á ia. A g ande in e enção que o Es ado
chamou pa a si ela i amen e à educação oi con udo uma opção po uguesa que iu na
inicia i a es a al uma o ma de c ia uma massi icação do ensino p o issional e écnico
den o do sis ema público de ensino.19
De igual o ma, o Es ado enquan o esponsá el pela educação, não se limi ou
apenas a in e e i na educação ge al p imá ia e secundá ia. Es endeu os seus en áculos
ao ensino écnico que con inua a a pe ence maio i a iamen e à es e a amilia e às
co po ações. Nesse sen ido, os go e nos libe ais ex ingui am as co po ações em 1834.
O Es ado Educado p e endia po an o a i ma -se ambém como esponsá el e
o ganizado da educação e o mação p o issional.
Em 1836, po inicia i a dos go e nos libe ais, e a c iado em Lisboa o
Conse a ó io de A es e O ícios, com o obje i o de minis a uma ins ução p á ica em
odos os p ocessos indus iais po meio de imi ação. Com a mesma inalidade oi
c iado, em 1837, o Conse a ó io Po uense de A es e O ícios. Os polí icos libe ais
inham a expec a i a de a a és de uma ins ução simples ans o ma os ope á ios
anal abe os em ope á ios capazes de lida com a no a ealidade ecnológica do século
18FERNANDES, A. Sousa - Descen alização, desconcen ação e au onomia dos sis emas educa i os:
uma pano âmica eu opeia. In FORMOSINHO, João, FERNANDES, Sousa, “Adminis ação da
Educação, lógicas bu oc á icas e lógicas de mediação”, Po o: Edições ASA, 2005, p. 194.
19 No e-se con udo que a opção de in e enção es a al no sis ema de ensino écnico oi uma opção
po uguesa e ancesa que não oi eg a na Eu opa. Países como a Alemanha, a Ingla e a, a I ália ou a
Dinama ca, op a am po p ojec os de na u eza di e en e, baseados mais numa inicia i a p i ada que
passa a po uma o mação p o issional di igida po emp esas ou po locais em pe ei a ligação com elas.
ALVES, Luís Albe o Ma ques – Ensino écnico (1756-1973). Lisboa: Edi o ial Minis é io da Educação,
2009, p. 20.
Helena Viei a
32
quali icação mais ele ada e um econhecimen o p o issional que lhes ab i ia po as
pa a um melho emp ego ou pos o de abalho. Apesa des a ia e adqui ido a
possibilidade de p osseguimen o de es udos pa a um ní el de maio quali icação, po
exemplo a a és dos Ins i u os de Ag icul u a, Come ciais ou Indus iais, não e a essa a
sua inalidade. Es e aspe o da con inuidade de es udos mos a a-se po an o como uma
ou a o ma de di e enciação en e os alunos dos dois subsis emas de ensino secundá io
po uguês.
O desencan o com a escola, que se mos a a incapaz de diminui as desigualdades
sociais e de ga an i a ascensão social, e a a ibuição dessa incapacidade à bi u cação
en e ensino liceal e ensino écnico acaba ia po aze eme gi a de esa de uma
uni icação do ensino capaz de p opo ciona a odos os alunos um pe cu so educa i o
mais alongado e iguali á io com o mação écnica, a ís ica, mo al e cien í ica que
es i esse na base da o mação de cidadãos mais comple os.
Embo a a desilusão com a educação di e encial no ensino secundá io já se izesse
sen i du an e a p imei a República, que sus en a a a ideia de que as classes ope á ias
necessi a am de ins ução básica an es de pode em a ança pa a a o mação écnica e
de que a ins ução e a um a o de o mação cí ica e p epa a ó ia da ida a i a
enquad ada den o dos p incípios nacionais, a e dade é que somen e no Es ado No o,
com a e o ma de 1948, se al e ou a si uação e a o ma de pensa e en ende o ensino
écnico em Po ugal de ido, em pa e, à necessidade de libe a os liceus do seu ele ado
núme o de alunos e à necessidade de desen ol e o país e a ingi as me as económicas
de inidas pelos planos de omen o da década de 1950.
A expec a i a social de ascensão e ob enção de uma ida melho median e um maio
ní el de escola ização inha-se en aizado na sociedade po uguesa e o núme o de
alunos que equen a a o ensino liceal em Po ugal e a cada ez maio . O Es ado No o
p e endia po an o coloca “cada um no seu luga ” o ien ando di e en es alunos pa a
di e en es subsis emas de ensino na en a i a de man e a o dem es abelecida,
enquad ando e con olando as expec a i as de ascensão social. Assim, as al e ações
legisla i as subsequen es à e o ma de 1948 con ibuí am pa a o aumen o do núme o de
alunos no ensino écnico.
O Es ado No o não abandonou po ém a ideia de aze uso do ensino écnico pa a
o ma a mão-de-ob a quali icada e necessá ia pa a o desen ol imen o do país, mas
pe ceciona a já a necessidade de esse mesmo ensino écnico e um ca iz de meno
especialização p o issional e maio o mação in eg al do cidadão.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
33
Con udo, o no o egime di a o ial, ao e o ça a es u u ação dual do ensino
secundá io en e ensino écnico e ensino liceal c iou e acen uou um es igma social que
p e aleceu du an e mui os anos na sociedade po uguesa. A maio pa e da população
deseja a que os seus ilhos acedessem ao ensino liceal e ao alo social que lhe e a
a ibuído, enquan o o ensino écnico e a a solução pa a os “ ilhos dos ou os”, pois
apesa de se um subsis ema de ensino secundá io e a des alo izado ela i amen e ao
ensino liceal.
O ag a a des a men alidade que en endia a di isão en e ensino liceal e ensino
écnico como uma o ma de p olonga as di e enças sociais em ez de as a enua ,
acabou po de e mina a ex inção do ensino écnico e a uni icação do ensino secundá io
em 1973 no sen ido de ele a no amen e a educação à p omoção da igualdade e não à
di e enciação social.
1.2.5 A No a Realidade Económica e a Ascensão do Pa adigma do
Neop o issionalismo
Ao longo da segunda me ade do século XX, o me cado e a ealidade económica
nacional al e a am-se e com elas e minou ou a expec a i a ela i amen e ao ensino
écnico segundo a qual a posse de um diploma se ia uma ga an ia pa a a ob enção de
um pos o de abalho. A ideia de que um indi íduo diplomado encon a ia um emp ego
na sua á ea de o mação e abalha ia nele pa a o es o da sua ida desapa eceu.
A ins abilidade do me cado de abalho di ou a lexibilidade labo al e isso
de e minou a ansição pa a o no o pa adigma do neop o issionalismo ge ado pela
necessidade de uma o mação ge al e p o issional dis in a.
O p o issionalismo que ha ia sido p econizado como uma o mação essencialmen e
écnica e p o issional dos indi íduos, pensada e es u u ada de o ma a sa is aze as
necessidades da economia e a esponde à e olução do me cado de emp ego, do
abalho e das p o issões, deu luga a uma no a isão, a um neop o issionalismo que
de ende uma edução da especialização écnica e a c iação de cu ículo mais lexí el
em o no de um onco comum de o mação ge al e académica.
A escola enquan o ins i uição de ensino passou en ão a se is a como um local de
o mação elemen a , capaz de o nece compe ências ge ais e acili ado as de
Helena Viei a
34
pos e io es o mações e especializações ao longo da ida, adequadas às ealidades
p o issionais pelas quais cada indi íduo pudesse op a .
A educação deixa a de se is a como um meio pa a p epa a ecnicamen e os
indi íduos pa a uma u u a ida p o issional e passa a a se en endida an es como uma
cons ução pessoal e social que se az ao longo da ida e que pode passa pela escola ou
não, is o que ela é en endida como um luga de passagem e de o mação p epa a ó ia
pa a u u as especializações.
No inal des a análise e i ica-se po an o que do século XVIII ao século XX as
expec a i as ela i amen e ao ensino em ge al e ao ensino écnico em pa icula
e oluí am e al e a am-se.
As expec a i as sociais ela i amen e ao ensino cen a am-se semp e na espe ança
de que a escola, enquan o ins i uição que ga an ia a educação, se mos asse como um
meio de desen ol imen o e in e ação social ao mesmo empo que assegu a a a
igualdade de opo unidades e a mobilidade social. Po ém, na p á ica es a expec a i a
nunca chegou a se cump ida de o ma ab angen e o que o iginou g andes desencan os
e desilusões.
Po ou o lado, as expec a i as escola es que os indi íduos c ia am, quan o ao
pe cu so académico a segui , e ela am-se condicionadas po polí icas não só
educa i as mas ambém económicas. Simul aneamen e, o Es ado Educado
desen ol eu ou as expec a i as, o a uncionalis as, o a o mado as, que se a i ma am
ambém elas con o me a in luência do me cado e da economia. A no a ealidade da
segunda me ade do século XX de e minou um no o pa adigma segundo o qual já não é
expec á el que a escola p omo a um ensino essencialmen e écnico que o me um
capi al humano al amen e especializado p o issionalmen e numa á ea especí ica mas
que inc emen e an es o desen ol imen o pessoal e social dos alunos pelo omen o das
suas capacidades, ape ências e aspi ações assim como pelo desen ol imen o de
compe ências mobilizá eis pa a ap endizagens cons an es ao longo da ida, adap á eis
às no as ealidades económicas e sociais.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
35
1.3 Da ex inção à e alo ização do ensino écnico em Po ugal
Con o me se e i icou an e io men e, as expec a i as sociais ela i amen e ao
ensino écnico, em Po ugal, não o am cump idas. Se é ce o que du an e o Es ado
No o o núme o de escolas écnicas aumen ou assim como o núme o de alunos que as
equen a a, ambém é ce o que g ande pa e da população en endia a di isão en e
ensino liceal e ensino écnico como um p olonga das di e enciações sociais. Es a
pe ceção oi-se consolidando na sociedade po uguesa, apesa do ensino écnico e
uncionado ambém como um mecanismo de ascensão social que pe mi iu a mui os
po ugueses das classes di as in e io es o p olongamen o dos seus es udos e melho a o
seu ní el de ida a a és do acesso a melho es emp egos.
Com a chegada de Veiga Simão ao minis é io da educação, em 1970, lança am-se as
bases pa a uma mudança no sis ema do ensino écnico.
Veiga Simão p e endia “co igi o início p ema u o da o mação p o issional sem
apoio numa cul u a ge al mínima e exclusi amen e elacionada com abalhos de
o ina o icial”31 o que i ia a aze a a és da Lei 5/73 de 25 de julho. Com es a
e o ma, al e a a a o mação inicial dos alunos que se ia comum pa a odos,
in oduzindo uma escola idade básica ob iga ó ia de oi o anos, cons i uída po qua o
anos de ensino p imá io, que unciona a como o p imei o ciclo com a designação de
cu so ge al, e qua o anos de ensino p epa a ó io, que cons i uíam o segundo ciclo com
a designação de cu so complemen a .
A o mação p o issional ou liceal inicia a-se en ão após oi o anos de uma o mação
mais ge al ou básica. Es a mudança p e endia o malmen e do a os alunos de uma
cul u a ge al comum mas p e endia ambém in o malmen e diminui as di e enciações
sociais que e am pe cecionadas na al u a pela sociedade po uguesa.
Es a p imei a en a i a pode e ela uma in enção in e na de mudança que i ia no
en an o a p ecipi a -se após o 25 de Ab il de 1974, com a ex inção do ensino écnico e a
c iação do ensino uni icado que p ocu a a c ia “uma ia única, abe a, sem dis inção,
que aos que enham a ing essa na ida ac i a, que aos que p e endam p ossegui os
31 SANTOS, Isabel C is ina de Almeida - Fo mação e emp ego: Rep esen ações de alunos e p o esso es
de uma Escola P o issional de Viseu sob e a elação Escola/Emp ego – Um es udo de caso. Tese de
mes ado ap esen ada à Uni e sidade Po ucalense In an e D. Hen ique. Po o: 2008, p. 21. Disponí el
em h p:// eposi o io.upo u.p /jspui/bi s eam/123456789/208/2/TME%20347.pd , consul ada em 09-09-
2013.
Helena Viei a
36
es udos supe io es”32. Ambiciona a-se ainda “pô im à disc iminação ep esen ada
pela exis ência, a es e ní el, de um pa alelismo de ias escola es com objec i os mui o
di e enciados, p essupondo que uma p epa ação ge al básica comum a odos pode e
de e pe mi i o desen ol imen o indi idual, undamen o de opções escla ecidas nos
domínios escola es e p o issionais”33
Rui G ácio ap esen a es a uni icação como esul ado “de uma decisão polí ica de
anspa en e inspi ação democ á ica” 34 à semelhança do que ha ia oco ido nou os
países eu opeus e de ecomendações de o ganismos in e nacionais ligados à educação.
Segundo es e au o , as inalidades da uni icação do ensino secundá io e am: adia a
escolha do umo escola ; ompe com a dualidade ensino liceal s ensino écnico que
no con ex o polí ico-social an e io exp imia as di e enças en e abalho in elec ual e
abalho manual e en e dominan es e dominados; e ompe com as dualidades escola s
comunidade, educação o mal s educação não o mal35. S oe , S o elo e Co eia,
indo mais longe, a i mam que a uni icação do ensino secundá io oi uma en a i a “de
in e e o papel da escola na ep odução das desigualdades sociais”36.
Após a uni icação do ensino secundá io, su giu um no o cu ículo com uma no a
disciplina - Educação Cí ica Poli écnica - que, no en ende de Rui G ácio inha como
obje i os: con ibui pa a a educação da ju en ude escola , implicando-a pela
in e enção ans o mado a na comunidade imedia a, mobilizando as suas ene gias
c iado as pa a uma dimensão cí ica; con ibui pa a a supe ação da an inomia en e um
sabe alienado do seu in es imen o p á ico, dominan e nos cu sos liceais, e um aze
alienado do seu supo e eó ico, dominan e nos cu sos écnicos; e con ibui pa a a
a iculação en e o es udo escola e o abalho social, designadamen e o abalho da
p odução, dimensão poli écnica.37
A á ea cu icula de Educação Cí ica, “de eição ma cadamen e in e disciplina ” e
en endida como um espaço “especialmen e p opício a e o ça a unção social da
32 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Ci cula nº 3/75 de 27 de junho.
33 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Despacho minis e ial nº 523/75 de 31 de dezemb o.
34 GRÁCIO, Rui - E olução polí ica e sis ema de ensino em Po ugal: dos anos 60 aos anos 80. In:
Lou ei o João E angelis a (coo d.). “O u u o da educação nas no as condições sociais, económicas e
ecnológicas”. A ei o. Uni e sidade de A ei o, 1985, p. 87.
35 Idem, pp. 106-107.
36 STOER, S., STOLEROFF, A. & CORREIA, J. - O No o Vocacionalismo na Polí ica Educa i a em
Po ugal e a Recons ução da Lógica da Acumulação. In “C í ica de Ciências Sociais”, nº 29, 1990, pp.
23-24.
37 GRÁCIO, Rui - E olução polí ica e sis ema de ensino em Po ugal: dos anos 60 aos anos 80. In:
Lou ei o João E angelis a (coo d.). “O u u o da educação nas no as condições sociais, económicas e
ecnológicas”. A ei o. Uni e sidade de A ei o, 1985, p. 113.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
37
escola”38, ambém oi en endida como “a ma e ialização da p eocupação de e o ça a
elação da escola com o mundo da p odução”39.
No deco e da década de 1980 o am ei as á ias expe iências no âmbi o do ensino
écnico e p o issional de ido à necessidade de ees u u ação do sis ema de
ap endizagem do ensino ecnológico e p o issional. Em 1983, o minis o José Augus o
Seab a a a és do despacho no ma i o nº 194-A/83 de 19 de Ou ub o, ein oduzia no
sis ema egula de ensino po uguês o ensino écnico e c ia a dois ipos de cu sos a
ealiza após a conclusão do 9º ano de escola idade: os cu sos écnico-p o issionais e os
cu sos p o issionais.
Os cu sos écnico-p o issionais, inham a du ação de ês anos e isa am a o mação
de p o issionais quali icados de ní el in e médio. Incluíam nos planos de es udo
componen es de o mação ge al, o mação especí ica e o mação écnico-p o issional
podendo con e es ágios de ap oximação à ida a i a. Es es cu sos con e iam um
diploma do ensino secundá io, um diploma de o mação écnico-p o issional e
pe mi iam o acesso ao ensino supe io .
Os cu sos p o issionais, inham a du ação de um ano, comple ado po um es ágio
p o issional de seis meses. Des ina am-se à quali icação p o issional de abalhado es
pa a os di e en es sec o es de a i idade e con e iam um diploma de o mação
p o issional. Po conseguin e, ap esen a am cu ículos essencialmen e cen ados na
o mação p o issional e pe mi iam ambém o acesso ao ensino supe io embo a os seus
i ula es necessi assem de mais ês anos de escola idade em egime no u no.
A e o ma de 1983, ao elança o ensino écnico-p o issional no ensino secundá io,
isa a um melho ajus amen o dos p oje os p o issionais dos jo ens e p ocu a a um
meio que “pe mi isse a sa is ação das necessidades do país em mão-de-ob a
quali icada, bem como a p ossecução de uma polí ica de emp ego pa a os jo ens”40
Pa a Joaquim de Aze edo (1991) es a e o ma “de eu-se undamen almen e à
conjugação de uma sé ie de a o es de p essão que de o dem in e na ao p óp io
sis ema e ao país, que de o dem ex e na”41. P e endia-se que o ensino p o issional
osse di igido pa a p o issões de ca iz écnico mas alice çado numa base cul u al e
humanis a; que osse acompanhado po um se iço de o ien ação escola e p o issional,
38 Idem , p. 110.
39 STOER, S., STOLEROFF, A. & CORREIA, J. - O No o Vocacionalismo na Polí ica Educa i a em
Po ugal e a Recons ução da Lógica da Acumulação. In “C í ica de Ciências Sociais”, nº 29, 1990, p.
24.
40 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Despacho No ma i o nº 194-A/83, de 21 de ou ub o.
41 AZEVEDO, Joaquim - Educação Tecnológica: anos 90. Po o: Edições Asa, 1991, p.22.
Helena Viei a
38
que implicasse o desen ol imen o do ensino supe io poli écnico e ga an isse o
empenho do Minis é io da Educação na elabo ação e ealização de p oje os de
o mação p o issional ex aescola com ou os depa amen os do Es ado e ins i uições
não es a ais.
Con udo, as expec a i as c iadas em o no des e no o ensino écnico não o am
cump idas. Alguns dos cu sos não chega am a en a em uncionamen o de ido à
escassa p ocu a e ou os unciona am com uma eduzida equência apesa de o núme o
de alunos que os equen a am egis asse uma e olução c escen e.
Joaquim de Aze edo, e e e que o modelo de ensino écnico e p o issional de 1983
mos ou-se “sem au onomia e sem dinâmica p óp ia”42 e apon a como azões pa a
explica a al a de a a i idade do ensino écnico e p o issional: o “ an asma” da ia
p o issionalizan e e os medos ge ados pela us ação de sucessi as expe iências
pedagógicas; a al a de “coe ência social” e de ce i icação das o mações; a si uação
de hos ilidade do me cado de emp ego; a “p essão” do p es ígio social do ensino
supe io ; os p og amas inadequados aos cu sos e as ca gas ho á ias excessi as; o
inconsis en e sis ema de di ulgação de in o mações sob e as escolhas ocacionais e os
cu sos écnicos e p o issionais o e ecidos pelo sis ema educa i o.43
No início dos anos 80 e i ica am-se as p imei as ações no sen ido de econs ui
uma ilei a écnica, no âmbi o do sis ema de ensino, e de desen ol e a o mação
p o issional inicial e con ínua inse ida no me cado de abalho.
Em 1986 su giu a Lei de Bases do Sis ema Educa i o que de iniu um no o
enquad amen o pa a a educação, nomeadamen e o luga do ensino écnico e
p o issional de ní el secundá io. Nesse mesmo ano, a in eg ação de Po ugal na
Comunidade Económica Eu opeia mos ou-se uma g ande aliada do ensino écnico na
medida em que i ia con ibui pa a o inanciamen o des e subsis ema de ensino.
Na sequência do p ocesso de econs ução de uma o e a de o mação p o issional
inicial, a Lei de Bases do Sis ema Educa i o eio possibili a a exis ência de Escolas
P o issionais que se des ina am p e e encialmen e a jo ens que i essem concluído o
9º ano de escola idade. Enquad adas numa conceção de polí ica educa i a que de endia
a igualdade de opo unidades, es as escolas isa am a o mação de écnicos
in e médios e p o issionais quali icados, de modo a esponde a ca ências dos me cados
de abalho locais e egionais ao mesmo empo que ga an iam uma ce i icação
42 Idem, p.25.
43 Idem, p.43.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
39
a ibuída po um diploma de ap idão p o issional de ní el III. Em simul âneo, da am
acesso ao p osseguimen o de es udos pa a o ensino supe io a a és da a ibuição de um
diploma de equi alência escola do 12º ano.
Em 1989 su gia uma no a e o ma do ensino que elimina a os cu sos p o issionais e
subs i uía os cu sos écnico-p o issionais pelos cu sos secundá ios p edominan emen e
o ien ados pa a a ida a i a ou cu sos ecnológicos, simpli icados, com meno ca ga
ho á ia e uma es u u a cu icula mais p óxima da dos cu sos secundá ios. Pa a além
dos cu sos ecnológicos, a o e a o ien ada pa a a inse ção na ida a i a, no ensino
secundá io, compo a a ainda os cu sos écnicos do ensino eco en e. Es es
man inham a ga an ia de p osseguimen o de es udos ao mesmo empo que do a am os
alunos de quali icação p o issional de ní el III.44
Con udo, apesa do seu c escimen o, o ensino écnico-p o issional man inha-se num
con ex o ad e so que lhe e aía a p ocu a. Aze edo apon a como mo i os des e
con ex o a ma iz liceal das escolas secundá ias, a cul u a p o issional liceal da maio
pa e dos p o esso es, as debilidades dos ecu sos a ibuídos, o ac o de não es a
o ien ado pa a as mais al as c edenciais escola es e a al a de di ulgação empenhada
des a o e a o ma i a jun o da população45. Já Sé gio G ácio apon a que al con ex o
ad e so pode e ido o igem em alguns sec o es da opinião pública que conside am o
ensino écnico como uma boa opção, na condição de se des ina aos ou os ou aos
ilhos dos ou os 46, à semelhança do que já acon ece a an e io men e no inal do Es ado
No o.
Não obs an e, após um pe íodo de g ande ins abilidade e de ince eza, o ensino
écnico e p o issional de ní el secundá io, ecupe ou uma posição mais es á el no
sis ema de ensino de ido à gene alização e ao melho amen o do ensino p o issional e a
es a égias que pe mi iam “ esponde às necessidades da sociedade, à he e ogeneidade
de escolhas ocacionais dos jo ens e à necessidade de melho ia do sucesso académico
no ensino supe io ”47.
44 Con ém e e i que o ensino écnico, no inal dos anos oi en a, ambém se desen ol eu o a do sis ema
escola u elado pelo Minis é io da Educação, a a és dos cu sos minis ados pelo Ins i u o de Emp ego e
Fo mação P o issional dependen e do Minis é io de Emp ego.
45 AZEVEDO, Joaquim - Sai do Impasse. Os Ensinos Tecnológico e P o issional em Po ugal. Po o:
Edições ASA, 1999.
46 GRÁCIO, Sé gio - Polí ica Educa i a como ecnologia social: as e o mas do ensino écnico de 1948
a 1983. Lisboa. Li os Ho izon e, 1986.
47 TAVARES, Luís - Educação. In : TAVARES, Luís Valada es; MATEUS, Abel & CABRAL;
F ancisco Sa s ield. (o g.). “Re o ma Po ugal: 17 es a égias de mudança”. Lisboa: O icina do Li o,
2002, p.82.
Helena Viei a
40
Já mais ecen emen e, no ano le i o de 2004-2005, o am implemen adas al e ações
signi ica i as no domínio do ensino ecnológico e p o issional. O documen o o ien ado
da e isão cu icula do ensino p o issional elabo ado pa a aquele ano le i o deu
o igem a uma no a e o ma que isa a: a acionalização, a iculação e anspa ência da
o e a de o mação p o issionalmen e quali ican e, a a és da c iação de um “Ca álogo
Modula de Fo mação P o issional” e a conceção de “Re e enciais de Fo mação” que
ga an issem a aquisição de compe ências ans e sais e especí icas. 48
A p io idade cen a -se-ia nos cu sos de quali icação p o issional, de ní el III, de
equi alência ao 12º ano, co esponden e ao ensino secundá io, não igno ando a
impo ância dos cu sos de educação e o mação, de ní el II, que concedem
equi alência ao 9º ano de escola idade co esponden e ao ensino básico.49
Rela i amen e à ma iz cu icula dos cu sos p o issionais, oi p opos a
undamen almen e a edução do núme o de disciplinas e ca ga ho á ia o al. Nos ês
anos de o mação, a ca ga ho á ia o al passou pa a 3100 ho as, em ez das 3600,
dis ibuídas po uma componen e de o mação sociocul u al, cien í ica e componen e
de o mação écnica. Ado ou-se nes es cu sos uma es u u a modula na qual “cada
módulo é en endido como uma unidade de ap endizagem au ónoma, in eg ada num
odo coe en e”50, de o ma a acili a a supe ação de di iculdades na consecução dos
obje i os da o mação, “pe mi indo aos alunos a capacidade de pa icipa em na ges ão
das suas p óp ias ap endizagens, a a és da negociação com o p o esso ou o mado ,
se a conclusão dos módulos aconselha soluções di e enciadas”51. No e-se que pa a a
conclusão de cada módulo, o p o esso em au onomia pa a de e mina o modo de
a aliação que mais se adequa aos seus alunos, podendo es es epe i as p o as quan as
ezes o em necessá ias.
O p ocesso de a aliação p e endia adap a -se aos i mos p óp ios de cada aluno,
o ien ando as suas ap endizagens em unção das compe ências a adqui i , o nando-se
indu o da cons ução de um pe cu so de au o ealização culminando com a ealização
de uma P o a de Ap idão P o issional com ca ác e suma i o inal.52
48 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - Documen o o ien ado da e isão cu icula do ensino p o issional.
2003. Disponí el em h p://www.sp a.p /download/sp a/sm_doc/mid_115/Doc_58/Anexos/
e p o issional.pd , consul ado em 12 de Fe e ei o de 2013, pp.18-19.
49 Idem, p.20.
50 Idem, p.23.
51 Idem, p.23.
52Idem, p.23.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
41
O ensino p o issional con inha ainda a ealização de um es ágio p o issional,
desen ol ido em pa ce ias en e as escolas e o mundo do abalho de o ma melho a a
qualidade e a imagem do ensino écnico-p o issional.
Em no emb o de 2012, o minis o da educação Nuno C a o a i mou a in enção de
implemen a em Po ugal um no o sis ema de ensino p o issional, endo po base o
modelo Alemão. A i mou en ão que "gos a íamos que den o de um ou dois anos
i éssemos mais 50% de alunos nes e sis ema de ensino. Se á ambém uma o ma de
eduzi o desemp ego jo em”.53
Numa al u a em que Po ugal egis a os mais ele ados ní eis de desemp ego, nos
inícios do século XXI, o go e no coloca no ensino p o issional uma no a expec a i a: a
edução do desemp ego jo em. P e ende c ia um sis ema dual de ensino, à semelhança
do que acon ecia no Es ado No o, embo a ga an a o acesso ao ensino supe io ,
condição imp escindí el pa a não aze à memó ia o elho es igma des a á ea
educa i a e de o mação.
Mudam-se os empos mas, quase qua en a anos após a ex inção do ensino écnico,
ol a-se a ecupe a es e ipo de ensino, com um no o sis ema em que a a és de cu sos
de educação e o mação, de ní el básico, e cu sos p o issionais, de ní el secundá io, se
p ocu a quali ica os jo ens pa a acede em mais cedo ao mundo de abalho.
Po ou o lado, não pode deixa de se equacionado a al a de écnicos especializados
que se egis ou em Po ugal no inal do século XX, u o da c escen e o mação
uni e si á ia que se gene alizou e expandiu em Po ugal, em de imen o de uma
o mação p o issional.
Após um egime que condicionou o acesso ao ensino supe io , seguiu-se-lhe ou o
que o ab iu de o ma a cump i expec a i as di icul adas an e io men e e ex inguiu
p ecipi adamen e um ensino écnico que, apesa de c ia dis inções sociais, es a a já
es u u ado e em e o ma pa a se adap a aos no os empos.
No as expec a i as de quali icação p o issional, o mação de écnicos
especializados pa a sup i necessidades de desen ol imen o e comba e ao desemp ego
jo em são no en an o condicionadas pela memó ia passada. E mudam-se os empos
mas nem semp e se mudam as on ades e o mesmo minis o in o ma a sua ideia de
53 CAMPOS, Anabela - Po ugal que mais 50% de jo ens no ensino p o issional em dois anos. In
“Exp esso”, 12 de no emb o de 2012. Consul ado em h p://exp esso.sapo.p /po ugal-que -mais-50-de-
jo ens-no-ensino-p o issional-em-dois-anos= 766371#ixzz2L30zQdc8, consul ado em 16/02/2013.
Helena Viei a
48
ans o mados em disciplinas escola es59. Essa alquimia en ol e uma mis u a de
p á icas egulado as e de ins ução e oco e em ês ní eis. O p imei o isa os
con eúdos do cu ículo, o segundo dá ên ase a de e minados ecu sos ex uais,
especialmen e o uso de li os didá icos, e o e cei o ele a a ligação do conhecimen o
com a subje i idade dos alunos e i icada a a és de es es e a aliações.
Disco dando da opinião de Che alla d, Che el60 apon a a escola como um local de
p odução de conhecimen o com ca ac e ís icas o iginais en endendo des a o ma os
con eúdos das disciplinas escola es como cul u a escola na medida em que a
au onomia ela i a das disciplinas escola es ge a um conhecimen o p óp io da escola.
Apesa de os con eúdos das disciplinas e em o igem na sociedade e nas cul u as que
odeiam a escola, es es não se ligam di e amen e às ciências de e e ência.
Che el de ende ainda o concei o de disciplina- ulga ização jus i icando que a
disciplina escola simpli ica ou ulga iza os sabe es enquan o a pedagogia é o
lub i ican e que az gi a a máquina educacional.
Indo ao encon o do concei o p opos o po Che el, Julia de ende cul u a escola
como o “conjun o de no mas que de inem conhecimen os a ensina e condu as a
inculca , e um conjun o de p á icas que pe mi em a ansmissão desses conhecimen os
e a inco po ação desses compo amen os, no mas e p á icas coo denadas a inalidades
que podem a ia segundo as épocas ( inalidades eligiosas, sociocul u ais ou
simplesmen e de socialização) ”61.
O concei o de cul u a escola oi so endo á ios con ibu os de au o es como
Ba oso, Che el, Vidal62 e Vinão F ago endo es e úl imo de inido cul u a escola
como um “conjun o de eo ias, ideias, p incípios, no mas, modelos, i uais, iné cias,
hábi os e p á icas ( o mas de aze e pensa men alidades e compo amen os)
sedimen ados ao longo do empo em o ma de adições, egula idades e eg as de
59POPKEWITZ, T. - Lu ando em de esa da alma. A polí ica do ensino e a cons ução do p o esso . Po o
Aleg e: A es Médicas, 2001, p. 105.
60 CHERVEL, And e – La Cul u e scolai e. Un app oche his o ique. Pa is, Belin, 1998, p.5.
61 JULIA, Dominique – A cul u a escola como objec o his ó ico, in “Re is a B asilei a de His ó ia da
Educação”, nº 1. Campinas, 2001, p.10.
62 BARROSO, J. – Cul u a, cul u a escola , cul u a de escola. In FERREIRA, A.G. (o g.) “Escolas,
Cul u as e Iden idades. Comunicações. III Cong esso Luso-B asilei o de His ó ia da Educação” , pp.
103-111. Coimb a: Sociedade Po uguesa de Ciências da Educação, 2004.
CHERVEL, And e – La Cul u e scolai e. Un ap oche his o ique. Pa is, Belin, 1998.
VIDAL, D. – Cul u as escola es. Es udo sob e p á icas de lei u a e esc i a na escola pública p imá ia
(B asil e F ança, inal século XIX). Campinas: Au o es associados, 2005.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
49
jogo não in e di adas e epe idas pelos seus ac o es, no seio das ins i uições
educa i as”63.
Nes a pe spe i a, a cul u a escola em em conside ação dimensões da ida escola
como espaço, empo, cu ículo, a o es (p o esso es e alunos), disciplinas e i uais ao
mesmo empo que pe mi e e a escola não apenas como um espaço de ep odução mas
ambém como um espaço de c iação o iginal de en o a de uma au onomia ela i a.
A isão opos a dos concei os de ansposição didá ica e de cul u a escola pode e
sido uma ealidade nos inícios do seu deba e em o no da HDE mas não de e á se uma
opção edu o a no que se e e e ao es udo de uma disciplina escola . Es as duas isões
não de em se es udadas apenas pela sua oposição mas en endidas como mecanismos
complemen a es que podem coexis i . Comp eende as elações conjun as que as duas
pe spe i as de endem é uma o ma de conhece melho o es abelecimen o e
consolidação das disciplinas escola es median e a cons ução dos seus sabe es. Es e
pensamen o pode se esquema izado na ep esen ação g á ica que se segue e que
mos a as di e sas elações de endidas que pela ansposição didá ica, que pela
cul u a escola , que não se excluem mu uamen e mas complemen am-se na
comp eensão das in luências que as disciplinas escola es so em e nas in luências que
as disciplinas escola es exe cem sob e o conhecimen o académico-cien í ico e sob e a
p óp ia cul u a.
63 VINÃO FRAGO, A. – Sis emas educa i os, cul u as escola es e e o mas. Mangualde: Edições
Pedago, 2007, p. 87.
Rep esen ação G á ica 1 In luências na Cons ução das Disciplinas Escola es
Aluno
T ansposição
Didá ica
Cul u a
Escola
Disciplinas
escola es
Cul u a
Ge al
Ciência de
Re e ência
Helena Viei a
50
A pa i da ep esen ação esquemá ica an e io dep eende-se que a disciplina escola
é um elemen o cen alizado das ocas de in luências en e o sabe
académico-cien í ico e a cul u a. Nes a pe spe i a, as disciplinas escola es não se
de em eduzi aos concei os de cul u a escola e ansposição didá ica.
Os con eúdos de ensino não são apenas uma me a simpli icação dos sabe es
cien í icos como de ende a ansposição didá ica, nem somen e uma ulga ização dos
sabe es, p oduzidos e ansmi idos pela escola. As disciplinas escola es sis ema izam
conhecimen os ge ando uma cul u a o iginal da escola que em uma au onomia ela i a
que em elação às ciências de e e ência, que à cul u a em ge al. As disciplinas
escola es não se limi am ao cump imen o de p og amas e inalidades p opos as po
agen es polí ico-sociais, como legislado es e au o es de manuais, mas p oduzem e ei os
eais nos alunos.
Nes e p ocesso não é possí el esquece o papel essencial do p o esso na elabo ação
das disciplinas escola es. Se po um lado o p o esso é in luenciado pelas ideias da
ansposição didá ica, na medida em que e az os seus conhecimen os cien í icos de
o ma a simpli icá-los pa a os adap a ao ní el e á io e desen ol imen o dos seus
alunos, po ou o lado, o p o esso so e in luências da sua p óp ia cul u a pessoal,
ad indas da cul u a ge al, pa a eelabo a e ele a os sabe es que leciona na sua
disciplina.
Os con eúdos escola es ansmi idos pelos docen es nas disciplinas escola es,
eelabo ados po in luências da cul u a ge al, da o mação inicial e con ínua, das
eco dações do seu p ocesso de ensino e da p óp ia ap endizagem com os pa es,
acabam po ans o ma as es u u as in e nas do aluno. As ap op iações p e is as e não
p e is as que os alunos azem dos conhecimen os escola es, ansmi idos pelos
p o esso es, i ão depois in luencia a isão que o aluno em da cul u a e da ciência.
A e cei a in luência que con ibuiu pa a a HDE assumi -se como um espaço de
in es igação especí ico oi a da His ó ia Cul u al. Pe e Bu ke, inspi ado nas ideias dos
Annales, de ende uma no a His ó ia-P oblema que não se limi a a aze na a i as
adicionais e que p e ende aze mais do que uma desc ição de ac os polí icos.
De ende an es o es udo de elemen os de oda a a i idade humana e p ocu a in eg a a
His ó ia com ou as disciplinas das ciências sociais64. No in e io des a no a His ó ia,
des aca-se a His ó ia Cul u al e em pa icula a No a His ó ia Cul u al que se
64BURKE, Pe e – A escola dos Annales (1929-1989): A e olução ancesa na his o iog a ia. São Paulo:
FEU, 1997.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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desen ol eu a pa i de inais dos anos se en a do século XX e que se di undiu a pa i
dos anos oi en a. Pa a Bu ke, a His ó ia não se ia obje i a mas sujei a a e e ências
sociais e cul u ais de uma de e minada época assim como às múl iplas ap op iações
cul u ais que a in luenciam. Um dos pa adigmas da no a His ó ia Cul u al p opos a po
es e au o é o es udo das ep esen ações, en endidas como cons uções do imaginá io
social que são ep esen ações da p óp ia es u u a social e da c iação de ideias de uma
“ ealidade”65.
A His ó ia Cul u al deb uçou-se ambém sob e o p ocesso de escola ização e sob e a
His ó ia das elações en e cul u as o ais e cul u as esc i as. Pa a Héb a d, a escola não
pode se conside ada o único luga “onde se cons oem e ansmi em os equipamen os
in elec uais de uma sociedade” mas em um papel impo an e na medida em que
“enuncia as no mas legí imas do seu uso”66 a o ecendo ou a ando a sua di ulgação
em di e en es g upos sociais.
A HDE su ge ainda in eg ada no con ex o mais amplo da His ó ia da Educação que
es uda a o ganização dos sis emas de ensino, o ideá io dos discu sos pedagógicos e as
in enções que o Es ado e os in elec uais êm em elação à educação, median e a análise
de on es como legislação, e o mas educacionais e ob as de e e ência. Con udo, a
His ó ia da Educação, p ocu ando iden i ica o que de ia se ensinado e a o ma como
de ia se ensinado em de imen o do que e e i amen e oi ensinado, deixou um pouco
de pa e as p á icas escola es e o quo idiano escola . Des a o ma, a isão mac oscópica
da o ganização escola ele ou pa a segundo plano a o ganização e o uncionamen o
in e no da escola.
Po ou o lado, dedicando-se a es a in e nalidade da escola, a HDE ganhou uma
au onomia que a o ece análises mul idisciplina es, ao mesmo empo que: p ocu a
desc e e a conquis a de espaços cu icula es; analisa os con eúdos que de e iam se
ensinados con apondo-os com os con eúdos e e i amen e ensinados; comp eende a
o ma como esses conhecimen os se ans o ma am e es abiliza am no meio escola ; e
en ende a cul u a escola median e a análise de no as on es como o og a ias,
li e a u a, imp ensa educacional, manuais escola es e His ó ia o al.
A HDE a o ece um no o olha sob e a escola do passado e pe mi e i além dos
ideá ios, dos discu sos pedagógicos e das polí icas educacionais. Tal como elemb a
65 BURKE, P. – O que é a His ó ia cul u al?. Rio de Janei o: Jo ge Zaha Edi o , 2005, p.87.
66 HÉBRARD, Jean - T ês igu as de jo ens lei o es: al abe ização e escola ização do pon o de is a da
His ó ia Cul u al. In ABREU, M. (O g.) – “Lei u a, His ó ia e His ó ia da Lei u a”. Campinas, Me cado
de Le as, 1999, p.37.
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Che el, a HDE pe mi e comp eende a elação en e as inalidades dos con eúdos a
ensina e os con eúdos que o am e e i amen e ensinados pelos p o esso es e
ap eendidos pelos alunos.
A HDE ap esen a á ias po encialidades. A p imei a consis e em o nece um campo
pa a di e en es á eas e disciplinas encon a em um espaço comum pa a discu i em as
suas aje ó ias, a sua p esença na escola e a posição que cada uma ocupa nos
cu ículos. Em simul âneo, a HDE pe mi e ambém analisa a génese, a unção e o
uncionamen o de cada disciplina escola espondendo a ques ões essenciais pa a o seu
es udo: Como são p oduzidas as disciplinas na escola? Quais são as inalidades das
disciplinas? Como uncionam as disciplinas e quais são os esul ados do ensino? Es as
ques ões eme em pa a uma análise da ealidade in e na das escolas ao mesmo empo
que ão sepa ando a HDE da His ó ia da Educação em ge al, au onomizando-a.
Po ou o lado, a HDE: possibili a a ob enção de in o mações sob e a seleção
cul u al e cien í ica ei a pela escola e a o ma como essas opções se ans o ma am em
sabe escola ; pe mi e iden i ica o que é que em de e minado momen o oi
comp eendido como o que de ia se ensinado às ge ações u u as; cap a elemen os da
conquis a de legi imidade de uma dada disciplina escola ; p ocu a en ende a
cons ução do es a u o epis emológico de uma disciplina escola ; isa comp eende as
lu as en e di e sas disciplinas po delimi ações e i o iais den o do cu ículo escola e
de espaços nos ho á ios; iden i ica modi icações de con eúdos e mé odos de ensino ao
longo do empo ab angendo di e en es pe íodos; e ocaliza as ca ac e ís icas peculia es
de cada ní el e subsis ema de ensino: elemen a , básico, secundá io (liceal e écnico –
no âmbi o da in es igação) e uni e si á io.
Con udo, a in es igação no campo da HDE exige alguns cuidados. O p imei o é a
necessidade de e i a anac onismos e comp eende que aquilo que designamos de
disciplina escola nem semp e e e o mesmo sen ido que lhe é a ibuído nes e con ex o
de in es igação, pois o concei o de disciplina escola adqui iu di e en es sen idos
a a és dos séculos dada a di e sidade de en oques que o am sendo dados à noção de
disciplina. Segundo Che el, o e mo disciplina enquan o con eúdos de ensino só
apa eceu nas p imei as décadas do século XX67. A é aos inais do século XIX, a
disciplina e a en endida como a igilância dos es abelecimen os de ensino em elação
às condu as p ejudiciais à sua boa o dem e à pa e da educação dos alunos que con ibui
67CHERVEL, And é – His ó ia das disciplinas escola es: e lexões sob e um campo de pesquisa, in
“Teo ia &Educação” nº 2, pp. 177-229, Po o Aleg e, 1990.
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pa a al o dem. A é es e pe íodo, as e e ências às disciplinas escola es e am ei as
a a és de e mos como obje o, pa e ou ma é ia de ensino. Após a I gue a mundial, o
e mo disciplina al e ou-se e su giu como o concei o que classi ica as ma é ias de
ensino embo a não se enha des inculado po comple o do sen ido que inha
an e io men e. Es a dualidade de sen ido ainda hoje se man ém.
O segundo cuidado que se exige no es udo da HDE é a sua con ex ualização. As
disciplinas escola es não podem se is as nem es udadas sem conside a as suas
in enções sociais, os seus in e esses e os seus p ocessos de es abilização e mudança
cu icula . O his o iado de disciplinas escola es não pode, po isso, en ende as
disciplinas como p oduções es á icas e neu as pois elas são o esul ado de um p ocesso
his ó ico que so eu, e so e, di e amen e in luências sociais, económicas e polí icas.
Nes e sen ido, as disciplinas de em se en endidas como um p isma com di e sas aces
que cons i uem um odo in encional.
Po ou o lado, a HDE exige um cuidado ao ní el da sua comp eensão e in eg ação
no cu ículo escola . Es uda uma disciplina escola exige o en endimen o das azões e
e ei os sociais an o da sua inclusão como da sua exclusão no cu ículo escola de
de e minada época his ó ica, pelo que de e -se-á p ocu a esga a as posições que
pe de am as lu as pela conquis a de legi imidade das disciplinas, a comp eensão dos
con li os oco idos e econs i ui os p ocessos de cons ução daquilo que, em dado
momen o his ó ico, oi de inido como o que é e o que não é escola .
Nos seus esc i os sob e HDE, Goodson baseia-se no modelo p o isó io de inido po
Lay on pa a da con a da e olução da disciplina escola de Ciências. Esse modelo
p o isó io es abelece ês momen os linea es da e olução das disciplinas escola es
sendo que cada momen o em como pon os de e e ência os con eúdos das disciplinas,
p o esso es e alunos.
O p imei o momen o su ge quando “o in uso ima u o ocupa um luga no quad o de
ho á ios, jus i icando sua p esença po mo i os como pe inência e u ilidade. Du an e
esse es ágio, os alunos são a aídos pela disciplina po causa da sua elação com
p oblemas que dizem espei o a eles. Ra amen e os p o esso es são especialis as
einados, mas azem o en usiasmo missioná io dos pionei os em suas a e as. O
c i é io dominan e é a ele ância dada às necessidades e aos in e esses dos alunos”.
O segundo momen o, su ge quando, “eme ge uma adição de abalho e udi o na
disciplina, jun amen e com um g upo de especialis as einados, de onde mui os
p o esso es podem se ec u ados. Os alunos ainda sen em-se a aídos pelo es udo,
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mas an o pela sua epu ação e c escen e s a us académico quan o pela sua ele ância
pa a seus p óp ios p oblemas e p eocupações. A lógica in e na e a o dem da
disciplina es ão se o nando cada ez mais in luen es na seleção e o ganização dos
emas”.
Já no e cei o e úl imo momen o, “os p o esso es cons i uem ago a um co po de
p o issionais com eg as e alo es es abelecidos. A seleção dos emas é de e minada,
em g ande medida, pelos julgamen os e p á icas dos especialis as que conduzem as
in es igações nesse campo. Os alunos são iniciados nessa adição, suas a i udes
ap oximam-se da passi idade e da esignação, um p elúdio do desencan amen o”.68
O Quad o 1 sin e iza os ês momen os de cons ução e e olução de uma disciplina
escola segundo Lay on de aco do com seus pon os de e e ência.
Quad o 1 Sín ese dos momen os de e olução de uma disciplina escola segundo Lay on
Momen os
Con eúdos
P o esso es
Alunos
P imei o
Momen o
In odução de con eúdos
no cu ículo jus i icados
pela sua necessidade.
En usias as pionei os, os
p o esso es ainda não são
especialis as nos con eúdos que
lecionam.
Alunos in e essados
po abo da em
ques ões do seu
in e esse.
Segundo
Momen o
Con eúdos selecionados
e o ganizados pela sua
lógica in e na.
Os p o esso es são especialis as
einados pa a a leciona os
no os con eúdos.
Alunos a aídos pela
impo ância c escen e
da disciplina.
Te cei o
Momen o
Con eúdos de e minados
po académicos da á ea.
Os p o esso es cons i uem um
quad o p o issional com eg as
e alo es p óp ios.
A adição da
disciplina conduz à
passi idade dos alunos.
Assim dep eende-se que, numa p imei a ase, qualque disciplina es a a mais
ol ada pa a ques ões ligadas à ealidade dos alunos, às suas necessidades e in e esses,
com a i idades mais p á icas, ao mesmo empo em que os p o esso es a amen e
inham o mação especí ica na á ea em que leciona am. A disciplina encon a a-se
num momen o de ma ginalidade de endo um es a u o in e io no conjun o disciplina
que compunha o cu ículo.
Na ase in e média, as disciplinas passa am a adqui i um ca á e mais académico,
iniciando-se um p ocesso de o mação de p o esso es especialis as. A disciplina su ge
como u ili á ia pa a o desen ol imen o escola dos alunos.
68LAYTON, D. Science as gene al educa ion. In “T ends in Educa ion”, . 25, p. 11-15, 1972.Ci ado po
GOODSON, I. - Cu ículo, na a i a e o u u e social, in “Re is a B asilei a de Educação” .12 n. 35
Maio/Agos o 2007, p. 246 in h p://www.scielo.b /pd / bedu/ 12n35/a05 1235.pd , consul ado a 6 de
Ma ço de 2012.
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Na úl ima ase a disciplina já es á es abilizada, con ando com p o esso es o mados
e eg as de uncionamen o es abelecidas. A disciplina adqui iu já um es a u o p óp io e
con igu a-se a pa i de um conjun o exa o e igo oso de conhecimen os.
Con udo, o modelo de Lay on e a sua linea idade, ap esen ados pa a a disciplina de
Ciências, podem se ques ionados pois, p o a elmen e, nem odas as disciplinas
passam po odas es as e apas na sua aje ó ia. Po ém, na ausência de ou o modelo, é
um bom pon o de pa ida pa a es uda a e olução das disciplinas escola es
Baseado no modelo de Lay on, Goodson es abeleceu ês hipó eses pa a o
en endimen o da e olução das disciplinas escola es no cu ículo. A p imei a conside a
que as disciplinas não são en idades monolí icas, mas an es cons an emen e mu á eis,
esul an es de amálgamas de subg upos e adições. Esses g upos, den o da p óp ia
disciplina, in luenciam e mudam on ei as e p io idades. A segunda conside a que
du an e o p ocesso, a consolidação de uma disciplina no cu ículo segue o caminho de
uma adição pedagógica u ili á ia pa a uma adição mais académica. Finalmen e, a
e cei a conside a que as disciplinas escola es en ol em con li os e lu as po s a us,
espaços, ecu sos e in e esses.69
Ainda no âmbi o da de inição e es abelecimen o das disciplinas escola es, Julia70
e e e que es as de inem-se an o pelas suas inalidades como pelos seus con eúdos. A
análise dos con eúdos das disciplinas escola es é um dos elemen os cen ais da HDE
que pe mi e ecupe a o p ocesso de ins i uição de ce os con eúdos académicos em
disciplinas cu icula es, iden i icando e comp eendendo assim a sua e olução.
Po ou o lado, o es abelecimen o de uma disciplina escola depende de um conjun o
de a o es ex e nos, como in luências sociais, económicas e polí icas, e de um conjun o
de a o es in e nos como a o mação cien í ica da disciplina, a o ganização p o issional
dos docen es e os a anços bibliog á icos ela i os a essa disciplina.
San os71 e e e que é undamen al econhece que as elações en e os a o es
in e nos e ex e nos no desen ol imen o de uma disciplina escola não são uma
cons an e. Es e au o menciona como a o es in e nos de e minan es pa a a cons ução
de uma disciplina escola a eme gência de g upos de lide ança in elec ual, o su gimen o
de cen os académicos de p es ígio na o mação de p o issionais, a o ganização e
69GOODSON, I. - Cu ículo: eo ia e his ó ia. Pe ópolis: Vozes, 1995.
70JULIA, D. Disciplinas escola es: obje i os, ensino e ap op iação. In: LOPES, A. & MACEDO, E.
(o gs.) “Disciplinas e In eg ação Cu icula : his ó ia e polí ica”. Rio de Janei o: DP&A, 2002.
71 SANTOS, L.L. – His ó ia das disciplinas escola es: pe spec i as de análise. In “Teo ia e Educação”,
nº2, 1990, pp. 21-29.
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e olução das associações p o issionais e o a anço da polí ica edi o ial na á ea.
Con udo, e e e igualmen e que se de em analisa as in luências sociais e económicas,
o ní el e o ipo de desen ol imen o de um país e o seu egime polí ico pois es es
a o es ex e nos ambém condicionam as disciplinas, concluindo que “quan o maio é o
ní el de ma u idade de uma disciplina e a o ganização dos seus p o issionais, maio
se á o peso dos ac o es in e nos no seu desen ol imen o”72 em elação ao peso dos
a o es ex e nos.
2.1 A His ó ia das Disciplinas Escola es em Po ugal
A His ó ia das Disciplinas Escola es (HDE) em Po ugal em egis ado alguns
a anços de ido a es udos de sín ese e ao desen ol imen o de eses de mes ado e
dou o amen o que êm su gido nes e campo de es udos. Pin assilgo e Moga o e e em
mesmo que “a His ó ia das Disciplinas Escola es é, segu amen e, uma das mais
dinâmicas linhas de pesquisa no pano ama po uguês dos anos ecen es, como se pode
e pelas eses e disse ações em elabo ação ou pelos a igos e comunicações que êm
sido al o de ap esen ação pública”73. Pa a es es au o es os a anços egis ados na HDE
e le em o desen ol imen o de pe spe i as de análise quase odas esul an es de
abalhos académicos.
Uma ou a ob a de e e ência no es udo da HDE em Po ugal é o es udo pionei o
His ó ia do Cu ículo e das Disciplinas escola es: Balanço da in es igação
po uguesa, de Joaquim Pin assilgo74, de 2007, no qual o au o az um balanço da
p odução po uguesa no âmbi o da HDE a pa i da análise de um conjun o de eses de
mes ado e dou o amen o ealizadas em Po ugal sob e di e sas disciplinas. Na sua
análise, o au o e e e as in luências eó icas de Che ell, Julia, Viñao, Popkewi z e
Goodson, a iculando di e amen e a HDE com His ó ia do Cu ículo. No que conce ne
à in es igação po uguesa sob e HDE, Pin assilgo des aca os abalhos pionei os de
Luís Reis To gal75e de Sé gio Campos Ma os76 ealizados nos anos oi en a. Es es
72 Idem, p.26.
73 PINTASSILGO, Joaquim e MOGARRO, Ma ia João – His o iog a ia Po uguesa da Educação:
Balanço da p odução ecen e (2008-2010) in “Cade nos de His ó ia da Educação”, .10, nº2, jul/dez
2011, p.90.
74 PINTASSILGO, Joaquim – His ó ia do Cu ículo e das Disciplinas Escola es: Balanço da
in es igação po uguesa. In PINTASSILGO, Joaquim, ALVES, Luís Albe o, CORREIA, Luís G osso e
FELGUEIRAS, Ma ga ida Lou o (O g.) “A His ó ia da Educação em Po ugal. Balanços e pe spec i as.”.
Po o: Edições ASA, 2007, pp.111-146.
75 TORGAL, Luís Reis – His ó ia e Ideologia. Coimb a: Li a ia Mine a, 1989.
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esul a am de in es igações de dou o amen o e dedica am-se à His ó ia do ensino da
His ó ia num con ex o eó ico que os in eg a a na His ó ia Cul u al e des aca am os
elemen os ideológicos e o con ibu o da disciplina de His ó ia pa a a cons ução de uma
memó ia his ó ica e pa a o e o ço da iden idade nacional, median e a c iação de uma
“mi ologia sob e o sen ido e o des ino da colec i idade e uma gale ia de he óis de
inques ioná el exempla idade cí ica ou mo al”77. Embo a enquad ados cien i icamen e
no campo da His ó ia da Cul u a, es es abalhos pionei os o am de e minan es pa a o
início do es udo da HDE em Po ugal pois in luencia am as in es igações que se
ealiza am nos anos no en a do século XX e nos p imei os anos do século XXI sob e a
His ó ia de di e sas disciplinas escola es.
No seu balanço, Pin assilgo des aca qua en a e duas eses sob e disciplinas
escola es, das quais onze são de dou o amen o e in a e uma de mes ado. Concluiu
que as disciplinas mais es udadas o am as de Educação Cí ica, com seis eses,
Ma emá ica, ambém com seis eses, His ó ia, com cinco eses, as Línguas e Li e a u as
Es angei as, ambém com cinco eses, das quais qua o são dedicadas ao ensino do
F ancês e apenas uma ao ensino do Alemão - e a Língua e Li e a u a Po uguesa, com
qua o eses.
Ou as disciplinas que o am al os de in es igações cien í icas o am a Educação
Física, com ês eses, as Ciências Físico-Químicas, a Geog a ia e o La im odas com
duas eses e as de Biologia, Geologia, Filoso ia, Can o Co al e Desenho e os T abalhos
odas com uma ese ealizada.
Seguindo o c i é io de exclusão de eses baseadas na didá ica especí ica das
disciplinas e as eses sob e His ó ia do Cu ículo, e i ica-se que no as eses e
in es igações êm su gido no campo da HDE e, nes as, no a-se uma in e são da
endência inicialmen e apon ada po Pin assilgo, em especial no que diz espei o à
disciplina de His ó ia que, no âmbi o especí ico da HDE, egis ou apenas duas eses de
76MATOS, Sé gio Campos – His ó ia, mi ologia e imaginá io nacional. Uma p ospecção nos manuais
dos liceus (1895-1939). Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de
Lisboa, 1988.
77 PINTASSILGO, Joaquim – His ó ia do Cu ículo e das Disciplinas Escola es: Balanço da
in es igação po uguesa. In PINTASSILGO, Joaquim, ALVES, Luís Albe o, CORREIA, Luís G osso e
FELGUEIRAS, Ma ga ida Lou o (O g.) “A His ó ia da Educação em Po ugal. Balanços e pe spec i as.”.
Po o: Edições ASA, 2007, p.121.
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pa a a His ó ia da educação no século XIX” (1978) e “His ó ia da Educação em
Po ugal” (1988), Rogé io Fe nandes “O pensamen o pedagógico em Po ugal” (1978),
An ónio Nó oa “Ré lexions su enseignemen e éduca ion”(1971), “Do mes e-escola
ao p o esso do ensino p imá io: subsídios pa a a his ó ia da p o issão docen e em
Po ugal (séculos XVI-XX)” (1986), “A his ó ia do ensino p imá io em Po ugal:
balanço da in es igação ealizada nas úl imas décadas”(1988), “A epública e a escola
das in enções gene osas ao desengano das ealidades”(1988), en e ou os.
Po ou o lado, To gal e e e que se desen ol e am ambém alguns es udos no
con ex o da análise das elações es abelecidas en e a educação e a ideologia salaza is a
onde se des acam os es udos de Ma ia Filomena Mónica “Educação e sociedade no
Po ugal de Salaza : a escola p imá ia salaza is a 1926-1939” (1978) e Áu ea Adão
“A c iação e ins alação dos p imei os liceus po ugueses: o ganização adminis a i a
e pedagógica (1836-1860): con ibuição monog á ica” (1982) e “O es a u o
sócio-p o issional do p o esso p imá io em Po ugal (1901-1951) ” (1984).
Rela i amen e ao ensino da disciplina de His ó ia ou ao seu es udo, Luís Reis To gal
elemb a que as in es igações desen ol idas êm-se cen ado em o no dos obje i os
des a disciplina, da His ó ia dos cu ículos escola es e dos p og amas, das conceções
que es i e am na base da o ganização cu icula e p og amá ica, dos deba es que
p o oca am, dos manuais escola es, das me odologias de ensino e das ep esen ações
que p oduzi am e que se ep oduzi am.96
Ainda nes e capí ulo, Luís Reis To gal az uma b e e ap esen ação sob e o ensino da
His ó ia em Po ugal. No en an o, o au o abo da es a emá ica apenas pa a o ensino
p imá io, pa a o ensino liceal e pa a o ensino supe io deixando incógni a a ealidade da
disciplina de His ó ia no ensino écnico, como se a disciplina não osse lecionada nes e
subsis ema de ensino.
No que se e e e ao es udo do ensino da His ó ia des aca-se o papel pionei o de
Sé gio Campos Ma os, au o da ese “His ó ia, Mi ologia e Imaginá io Nacional”
(1988), e de Luís Reis To gal, au o da ob a “His ó ia e Ideologia” (1989).
Ainda no domínio da His ó ia, podem e e i -se ou as disse ações impo an es, ais
como “A His ó ia e o Liceu no Es ado No o” (1993) de Ma ia de Jesus Sil a, “O
Ensino da His ó ia nos Liceus – 1836-1888” (1993) de Alexina Vila Maio , “O Ensino
96Idem, p. 86.
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da His ó ia no Po ugal de Salaza ” (1998) de Ma ia C is ina Bas os e “O Ensino da
His ó ia no Es ado No o 1969-1940” (2000) de Ma ia Manuela Ca alho.
No que se e e e ao es udo do ensino da His ó ia de e e e i -se a g ande
dinamização da Uni e sidade do Minho e da o ien ação da p o esso a Isabel Ba ca em
es udos sob e a cons ução do conhecimen o his ó ico a pa i de manuais escola es,
dos quais se des acam, a í ulo de exemplo, as eses “As on es his ó icas p opos as no
manual e a cons ução do conhecimen o his ó ico” (2004), de Ma ia Go e e Mo ei a, e
“A cons ução do conhecimen o his ó ico a pa i das ac i idades p opos as pelos
manuais” (2007) de Rica do Sil a.
Pode e i ica -se assim que os p imei os es udos cen a am-se na e olução do
ensino da His ó ia numa pe spe i a de es ei a ligação en e His ó ia, ideologias e
nacionalismo. Os es udos seguin es e e em-se mais especi icamen e ao ensino da
disciplina de His ó ia, dos seus con eúdos e p á icas educa i as no ensino liceal e os
úl imos cen am-se no es udo de manuais escola es pa a comp eende a cons ução do
conhecimen o his ó ico. Con udo, de e e -se em a enção que es es úl imos es udos da
Uni e sidade do Minho são mui o ecen es e su gi am numa al u a que se p ocu a a
a e i os pon os de chegada dos alunos às compe ências his ó icas.
Ainda no campo de es udos pa icula es e especí icos sob e a e olução da disciplina
de His ó ia, na ob a Po ugal Con empo âneo, di igida po An ónio Reis, no olume
III, su ge um a igo de Sé gio Campos Ma os, in i ulado “P og esso e decadência nos
Manuais de His ó ia”. Es e a igo, de g ande ele o pa a o es udo da His ó ia da
disciplina de His ó ia pa e da análise de manuais escola es pa a comp eende a
cons ução his o iog á ica dos concei os de p og esso e decadência que o am
ensinados nos liceus nas p imei as décadas do século XX. Uma ez mais es e a igo,
como ou os especi icamen e elacionados com o es udo sob e a disciplina de His ó ia,
em como pon o de e e ência o ensino liceal não azendo e e ência à disciplina de
His ó ia lecionada no ensino écnico.
Po ou o lado, na ob a His ó ia de Po ugal Con empo âneo, di igida po João
Medina, su ge um a igo de Gus a o Co dei o Ramos, in i ulado “Po ugal acima de
udo ou como se de e ensina His ó ia”. Es e a igo, embo a mais não seja que a
ep odução do dec e o nº 21 103 de 1932, onde são ap esen adas as linhas o ien ado es
do que se de ia ensina na disciplina de His ó ia, p o a inequi ocamen e a in e e ência
do Es ado No o na lecionação da disciplina de His ó ia e a é mesmo no o ício do
his o iado .
Helena Viei a
66
Em odas as ob as an e io es, no a-se pa icula men e uma p imazia dos es udos da
disciplina de His ó ia no ensino liceal, não se egis ando in es igações sob e a His ó ia
da disciplina de His ó ia no ensino écnico.
Ainda ao ní el especí ico do ensino da His ó ia em Po ugal não se pode deixa de
e e i a ob a de e e ência “Um século de ensino da His ó ia”97, coo denada po Ma ia
Cândida P oença (2000). Es a ob a, compos a po um conjun o de a igos de á ios
au o es, cen a-se na e olução do ensino da His ó ia no úl imo século e abo da a
emá ica sob e dois g andes eixos: o p imei o eixo e le e sob e uma pe spe i a
diac ónica do ensino da His ó ia desde a sua es ei a ligação com a ideologia e
pa icula izando à sua e olução no pe íodo inal da Mona quia, na República, no
Es ado No o e no pe íodo pós 25 de Ab il, enquan o o segundo eixo abo da o ensino da
His ó ia cen ado já nos p og amas escola es, nos manuais escola es, nas ino ações
écnicas e na pe spe i a sob e a His ó ia que se de e ensina hoje.
Rela i amen e ao pe íodo inal da mona quia es a ob a analisa o ensino secundá io
mas apesa de algumas b e es e e ências ao ensino écnico cen a-se maio i a iamen e
no ensino liceal, des acando as e o mas que se egis a am nesse pe íodo, a al a de
p epa ação dos p o esso es des e subsis ema de ensino de i ada da al a de o mação de
p o esso es, ap esen a uma lis a de con eúdos abo dados ao longo dos á ios anos
liceais que inham a disciplina de His ó ia e acaba ap esen ando a di ícil en a i a de
implemen a a u ilização de um manual único nos inais do século XIX.
No que se e e e ao pe íodo da p imei a epública, ap esen a um es udo cen ado no
ensino da His ó ia no ensino p imá io ligando mui o o ensino da His ó ia a ques ões de
o mação cí ica e pa io ismo mui o embo a aça uma b e e incu são pelo cu ículo do
ensino p imá io e a seleção dos seus compêndios.
Pa a o pe íodo do Es ado No o, no a-se um eg esso ao ensino liceal mas
cen alizado apenas nas e o mas que o ma ca am, p ocu ando di e encia o pe íodo
an es da segunda gue a mundial e o pe íodo que se seguiu.
A e olução do es udo do ensino da His ó ia em Po ugal, à semelhança do que
oco eu nou os países, cen ou-se inicialmen e na ex e io idade da disciplina de
His ó ia. Analisa a-se o po quê do ensino da disciplina no cu ículo escola e o que
de ia se ensinado. As ques ões in e nas do uncionamen o da disciplina escola de
97 PROENÇA, Ma ia Candida (o g.) – Um século de ensino da His ó ia. Lisboa: Edições Colib i, 2001.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
67
His ó ia em Po ugal só começa am a eme gi no século XXI na en a i a de
comp eende o que é e e i amen e ensinado e como é ensinado.
A His ó ia da Disciplina de His ó ia em Po ugal, no ensino secundá io, é um campo
de es udo que se encon a ainda num es ado inicial. A in es igação cien í ica que a é à
da a se pode enquad a nes e campo é a ese de Mes ado de Paulo Gomes in i ulada “A
Disciplina de His ó ia e o seu ensino nos liceus de Po ugal de 1895 a 1968”, de 2005.
Po ou o lado, a ese de dou o amen o de Raquel Hen iques, apesa de elacionada com
a o mação dos p o esso es de His ó ia, ambém en a já den o da in e nalidade da
disciplina. Embo a com ca á e e obje i os dis in os, es es es udos o nece am
in o mações impo an es pa a o es udo da disciplina escola de His ó ia no ensino
liceal.
A ese de mes ado de Paulo Gomes encon a-se no campo emá ico da His ó ia da
Educação em Po ugal, con ibuindo mais especi icamen e pa a a His ó ia das
Disciplinas do ensino secundá io, nomeadamen e a a és da disciplina de His ó ia e do
seu ensino.
Dada a ex ensão do ema p incipal da in es igação, o au o es inge o seu âmbi o,
cen ando-o num subsis ema de ensino especí ico, o ensino liceal. Em e mos espaciais,
o au o delimi a o es udo à ealidade nacional mui o embo a analise especi icamen e
apenas casos pa icula es e de e e ência de liceus de Lisboa e Coimb a. Po ou o lado,
em e mos empo ais, o au o si ua o seu es udo en e 1895, ano em que a disciplina de
His ó ia se o na au ónoma no ensino liceal na sequência da e o ma de Jaime Moniz, e
1968, ano em que se dá a c iação do ciclo p epa a ó io. Des a o ma ealizou um es udo
de longa du ação que a a essou á ias épocas e egimes, p ocu ando “analisa de
o ma c í ica as up u as e as con inuidades, as semelhanças e dissemelhanças, as
ases (as c onologias) da disciplina”98 desde 1895 a é 1968.
A delimi ação do ema de in es igação é ei a em o no de uma g ande in e ogação
- que educação his ó ica se e e em Po ugal en e 1895 e 1968- analisada median e um
as o conjun o de ou as ques ões complemen a es99, e o ganizadas em ês eixos de
98GOMES, Paulo – A disciplina de His ó ia e o seu ensino nos liceus de Po ugal en e 1895 e 1968.
Lisboa: Tese de Mes ado, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Uni e sidade de Lisboa,
2005, p. 24.
99Na sua ese, Paulo Gomes le an a as seguin es ques ões complemen a es de pesquisa: Como é que a
disciplina oi a ada pelos di e en es egimes?; Como é que a disciplina oi a ada pelos di e en es
go e nos e minis é ios?; Que papel oi a ibuído à disciplina de His ó ia?; Qual o luga da His ó ia nos
á ios planos de es udo do ensino liceal?; Quais as in enções e inalidades p og amá icas da disciplina?;
Que mé odos e es a égias o am ecomendados?; Que o mação i e am os docen es?; A His ó ia
disciplina acompanhou a mode nidade da His ó ia ciência ou man e e a mesma ma iz de o ma
Helena Viei a
68
análise essenciais: a disciplina em si mesma, de e minada po o ien ações legisla i as e
ins i ucionais; o p o esso enquan o agen e do sis ema de ensino-ap endizagem; e os
manuais escola es enquan o ins umen o p i ilegiado no p ocesso. O au o ap esen a
ainda um qua o eixo de análise possí el – o aluno. Po ém, desca a-o po conside a
que os alunos “es ão semp e p esen es, mas igo osa e his o iog a icamen e
ausen es”100. Apesa de admi i o papel cen al dos alunos no ensino, uma ez que es e
é pensado pa a eles, Paulo Gomes a i ma que “deles, seu p odu o di ec o, on es
his ó icas p oduzidas po si, não emos e du idamos que alguém as enha em núme o,
em empo e em qualidade cien i icamen e iá eis”101. Pode ia se acilmen e en endido
que, po opção ou po não encon a on es su icien es, o au o não abo dasse a ques ão
de in es igação na pe spe i a do aluno. No en an o, o na-se mais incomp eensí el que
o au o negue à pa ida a exis ência dessas on es, ao a i ma que al é “uma
impossibilidade cien í ica is o que os ma e iais dos alunos pu a e simplesmen e não
exis em (po exemplo, cade nos diá ios, abalhos esc i os, e c….) ou ainda pela
impossibilidade humana e c onológica de se en e is a em alunos liceais de empos ão
ecuados”102.
Pa a es uda es a emá ica da pe spe i a do aluno pode -se-ão encon a algumas
di iculdades e a é mesmo cons angimen os mas al não signi ica que não exis am
on es. Num emp eendimen o semelhan e pa a es uda a o ma como os alunos
i encia am o ensino da disciplina de His ó ia no ensino écnico, ambém p ocu amos
documen os e on es capazes de aze pa a es a in es igação a dimensão do aluno.
Embo a as pesquisas ealizadas não enham ob ido os esul ados espe ados, pois não
o am encon adas on es em quan idade su icien e pa a aze es udos sólidos, su gi am
no en an o alguns abalhos de alunos ealizados no âmbi o da disciplina de His ó ia
ais como jo nais escola es ou abalhos o og a ados em exposições escola es. Po ém,
o ac o de es e ipo de on es não ap esen a em su iciência pa a aze es udos de ca á e
ge al, são impo an es pa a aze es udos de caso que podem p eenche alguns azios
em o no da dimensão do aluno no ensino da His ó ia.
conse ado a?; Como se p ocessou a educação his ó ica do pon o de is a do mé odo, da no ma de
ensino, da didác ica e suas es a égias?; Que con inuidades e up u as se e i ica am?;Que elações de
causa/e ei o se es abelece am ao ní el das o ien ações me odológicas e didác icas, en e os p o esso es,
as ins i uições de o mação docen e, as o ien ações e eg as ins i ucionalmen e es abelecidas, os
compendia is as e os seus manuais? Idem, pp.19-28.
100Idem, p. 25.
101Idem ,p. 25.
102 Idem, pp.329 e 330.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
69
Igualmen e di ícil de encon a , mas não impossí el como anspa eceu Paulo
Gomes, os cade nos diá ios dos alunos ambém são uma on e impo an e pa a
comp eende o abalho dos alunos nas aulas de His ó ia. Ves ígios des es cade nos
su gem ocasionalmen e quando os seus donos os azem pa a o conhecimen o público
ou os disponibilizam pa a in es igações103. O ac o de es e ipo de on es não se
encon ado no p esen e, não signi ica que eles não possam se localizadas no u u o.
De o ma a sus en a documen almen e os ês e o es da sua in es igação, o au o
seleciona um conjun o de on es especí icas di idindo-as em duas ipologias: as
ins i ucionais e as dos p o esso es.
Rela i amen e às on es ins i ucionais, que englobam diplomas legais, pode
conside a -se que o au o é um pouco ac í ico uma ez que conside a logo à pa ida que
es e conjun o de documen os legais é “inques ioná el”104, pelo que se limi ou a ecolhe
odos os documen os que o Es ado po uguês p oduziu em o ma o no ma i o no
âmbi o da sua in es igação e a aze apenas uma análise he menêu ica dos mesmos, não
ques ionando o po quê de algumas e o mas e de alguns documen os legais no sen ido
de comp eende as in enções dos legislado es e daquilo que eles p e endiam pa a o
ensino liceal e em especial pa a a disciplina de His ó ia.
Ainda no que se e e e a on es ins i ucionais capazes de o nece in o mação sob e
o ensino da His ó ia, se ia in e essan e eco e , po exemplo, aos deba es
pa lamen a es em o no das p incipais e o mas ou documen os legais pa a
consegui mos desco ina a gumen os, jus i icações e opções omadas. Também a
imp ensa e a igos que su gem po al u a dessas g andes “discussões” podiam ajuda a
pe cebe o con ex o ideológico das mudanças.
Rela i amen e às on es dos p o esso es, o au o p ocedeu ao c uzamen o dos
discu sos o iciais e no ma i os do Es ado com os discu sos dos p o esso es de His ó ia
e as suas p á icas. No sen ido de iden i ica os discu sos dos p o esso es e comp eende
as suas p á icas, u ilizou qua o on es essenciais: ela ó ios de p á ica docen e dos
p o esso es auxilia es e ag egados da Inspeção do Ensino Liceal; abalhos de
p o esso es es agiá ios do Cu so Supe io de Le as/Cu so de Habili ação ao Magis é io
Secundá io e Cu so de T ansição, da Escola No mal Supe io /Cu so de Habili ação ao
103 No e-se po exemplo a publicação on-line de páginas de um cade no diá io de His ó ia do ensino
Liceal em h p://neno a aicon a.wo dp ess.com/2012/08/29/liceu-nacional-in an e-d-hen ique-cade no-
dia io/ publicação de agos o de 2012, consul ado em 01/09/2013.
104GOMES, Paulo – A disciplina de His ó ia e o seu ensino nos liceus de Po ugal en e 1895 e 1986.
Lisboa: Tese de Mes ado, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Uni e sidade de Lisboa,
2005, p. 31.
Helena Viei a
70
Magis é io Liceal; abalhos, ensaios e planos de aula dos p o esso es es agiá ios dos
liceus no mais Ped o Nunes em Lisboa e D. João III em Coimb a e a igos de opinião
de p o esso es de His ó ia o mados ecnicamen e pa a a p o issão.
In eg ando a disciplina de His ó ia no cu ículo do ensino liceal, o au o analisa a
ca ga ho á ia semanal da disciplina.
Pa a aze uma análise da ca ga ho á ia da disciplina de His ó ia nos liceus,
ap esen a, de o ma g á ica, o núme o de ho as po classe do cu so ge al e
complemen a , o o al da ca ga ho á ia po disciplina em odas as classes e o o al de
ho as po disciplina no cu so ge al e complemen a . Seguidamen e, compa a o o al do
núme o de ho as semanais a ibuídas às disciplinas de His ó ia e Geog a ia, po
e o ma do ensino liceal.
Rela i amen e às in encionalidades p og amá icas da disciplina de His ó ia nos
liceus, Paulo Gomes, p ocu a a e i o p opósi o da disciplina a a és da análise dos
obje i os e inalidades cons an es no p og ama cu icula da mesma nas sucessi as
e o mas educa i as que ma ca am o ensino liceal en e 1895 e 1968. Pa a al o au o
de iniu dois pe íodos empo ais: um p imei o libe al moná quico/ epublicano e um
segundo di a o ial que inclui os egimes da Di adu a Mili a e do Es ado No o.
Como c i é ios jus i ica i os do p imei o pe íodo de análise, o au o assume as
igências das á ias e o mas educa i as que se sucede am. Po ou o lado, o pe íodo
inal da mona quia e da p imei a epública são incluídos na mesma ca ego ia uma ez
que, na pe spe i a do au o , a ní el de obje i os e inalidades a disciplina de His ó ia
não egis ou g andes mudanças, aspe o que já não se e i ica no segundo pe íodo,
ma cado po g andes di e enças ela i amen e aos pe íodos an e io es.
Pa a comp eende de que o mas as e oluções his o iog á icas da His ó ia ciência se
ize am sen i na disciplina de His ó ia do ensino liceal, Paulo Gomes es abeleceu duas
conceções his ó icas: Posi i is as e Mode nizan es. A p imei a, Posi i is a, engloba
duas subdi isões: E udi a, que se subdi ide numa p imei a ase nacionalis a e uma
segunda ac í ica e sociologis a. A segunda, Mode nizan e, engloba ês subdi isões:
His ó ia o al/p oblema izan e, que se subdi ide numa p imei a ase p og essis a e uma
segunda in eg alis a; His ó ia-No a e No a-His ó ia.
As suas conclusões apon am pa a uma ce a ino ação e a ualidade dos discu sos
sob e His ó ia ciência que não co esponde a um discu so pedagógico igualmen e a ual.
O au o e e e que, nas décadas de cinquen a e sessen a, a mode nidade do discu so da
His ó ia ciência co espondia de ac o a um discu so pedagógico mode no onde e am
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
71
isí eis já mé odos a i os que da am hipó ese ao desen ol imen o de abalhos de
g upo, abalhos de pesquisa, deba e, diálogo e inse ção de meios de p ojeção.
Finalmen e, con on a o ac o de, a discu sos adicionalis as ma cados pelo
nacionalismo his ó ico de alguns p o esso es co esponde em modelos pedagógicos
ino ado es e a uais.
Rela i amen e aos modelos e discu sos da His ó ia ciência nos manuais de His ó ia
do ensino liceal, o au o elemb a os ês momen os que ma ca am a e olução do
manual escola en e 1895 e 1968. Nes e con ex o, mos a que numa p imei a ase,
en e 1895 e 1905, a His ó ia oi ma cada pelo uso de um manual único ado ado em
odos os liceus; uma segunda ase, en e 1905 e 1936, em que p edominou um egime
li e em que os liceus pode iam escolhe o manual a ado a e, inalmen e, uma e cei a,
e úl ima ase, en e 1936 e 1968, em que se e oma a polí ica do manual único de inido
pelo Es ado No o.
Pa a a análise dos manuais da disciplina de His ó ia do ensino liceal, o au o u iliza,
no amen e, as ca ego ias que de e minou an e io men e pa a as conceções his ó icas
dos abalhos e a igos dos es agiá ios e p o esso es do ensino liceal.
Con udo, o au o não p ocedeu à análise de alguns aspe os que se iam in e essan es
es uda na abo dagem dos manuais escola es ais como a co espondência dos
con eúdos abo dados com os emas de inidos no p og ama da disciplina, a p óp ia
o ganização in e na do manual, os ecu sos u ilizados e as a i idades p opos as, como
izemos nes a in es igação e cujos esul ados es ão ap esen ados na pa e III.
No que conce ne às conceções pedagógicas e o ien ações didá icas aplicadas na
lecionação da disciplina, o au o ap esen a ês mé odos pedagógicos u ilizados pelos
p o esso es de His ó ia do ensino liceal: o Modelo M 1 – Ex-Ca ed a; o Modelo
M 2 – Maiêu ico/Soc á ico e o Modelo M 3 – A i o.
Pa a a análise es a ís ica des es modelos, num p imei o momen o, o au o con abiliza
po ins i uição os ela ó ios, disse ações, ensaios e con e ências de p o esso es
es agiá ios que se inse em nos modelos pedagógicos an e io men e iden i icados; num
segundo momen o o au o con abiliza já o núme o de abalhos dos p o esso es
es agiá ios po ases empo ais p é es abelecidas pelo au o .
Uma ou a in es igação que se e ela essencial no es udo da disciplina escola de
His ó ia no ensino liceal é o a igo de Raquel Hen iques in i ulado “A Re olução no
Helena Viei a
72
ensino da His ó ia - con on o en e o pe íodo an e io e pos e io a Ab il de 1974”105,
de 2001. Es e analisa de que o ma a disciplina de His ó ia se in eg ou na polí ica
global do sis ema educa i o após o 25 de Ab il de 1974 a endendo à e olução dos seus
obje i os especí icos, dos con eúdos p og amá icos da disciplina e as me odologias
p opos as nos p og amas pa a a disciplina de His ó ia.
Pa a a conc e ização des e g ande obje i o, a au o a eco eu essencialmen e a duas
on es p imá ias: legislação e p og amas de His ó ia cons an es do cu ículo do ensino
secundá io liceal. Se po um lado a au o a eco e a legislação pa a comp eende as
di e izes no ma i as que egula am a disciplina de His ó ia, po ou o lado, c uza essa
in o mação com os con eúdos cons an es nos p og amas da disciplina po conside a
que es es e idenciam a u ilização da memó ia his ó ica enquan o e lexo de polí icas
educa i as, das necessidades do país, das limi ações socioeconómicas do meio e da
me odologia cien í ica da disciplina
A au o a conside a igualmen e que a comp eensão dos p og amas/cu ículos da
disciplina são essenciais pois assumem-se como a pon e en e o que se p e ende po
pa e dos di igen es polí icos e a p á ica le i a. Simul aneamen e, os p og amas
exp essam aquilo que os alunos de em ap ende e in e io iza , uncionando assim
como um ins umen o de con olo social.
Em e mos me odológicos, a au o a p ocede à compa ação en e p og amas de
His ó ia an es e depois da Re olução de 1974 no sen ido de iden i ica al e ações no
ensino em ge al e do ensino da His ó ia em pa icula . Pa a al a au o a começa po
iden i ica os pe íodos empo ais a analisa e es abelece as seguin es di isões
empo ais: 1930 a 1935; 1936; 1937 a 1969; 1970 a ab il de 1974 e 1974 a 1980.
Seguidamen e, p ocede à sis ema ização da in o mação em quad os compa a i os. Num
p imei o momen o, é ei a uma análise e e en e ao Es ado No o e, pos e io men e,
analisa o pe íodo imedia amen e a segui à e olução dos c a os.
Rela i amen e ao pe íodo do Es ado No o, a in o mação é sis ema izada em ês
g andes eixos: a o ganização do sis ema educa i o, os obje i os e me odologia e os
p og amas da disciplina, iden i icando os con eúdos po classe.
Já pa a o pe íodo da Democ acia, a au o a analisa os p og amas de His ó ia e das
disciplinas onde es a se in eg ou en e 1974-1976, iden i icando os con eúdos
105 HENRIQUES, Raquel Pe ei a - A Re olução no ensino da His ó ia - Con on o en e o pe íodo
an e io e pos e io a Ab il de 1974. In PROENÇA, Ma ia Cândida (coo d.) - “Um Século de Ensino da
His ó ia”. Lisboa: Edições Colib i, 2001, pp. 93-128.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
73
es ipulados pa a o ensino p epa a ó io (His ó ia e Geog a ia de Po ugal – ano le i o
1974-1975), pa a o ensino liceal (His ó ia – ano le i o 1974-1975) e pa a o ensino
secundá io uni icado (His ó ia 1975-1976).
A ese de dou o amen o de Raquel Hen iques, in i ulada “Discu sos legais e p á icas
educa i as – Se p o esso e ensina His ó ia (1947-1974)”, de 2010, é ou a
in es igação de ele o pa a o es udo da disciplina escola de His ó ia no ensino liceal
en e 1947, ano em que é p omulgada a e o ma e o es a u o do ensino liceal, e 1974,
ano em que Vi o ino Magalhães Godinho eno ou du an e um ano e a í ulo
expe imen al os planos dos cu sos dos di e en es g aus de escola idade. Embo a a
au o a enha ci cunsc i o, no í ulo, o seu es udo ao pe íodo en e 1947 e 1974, ecuou o
seu es udo à p imei a epública e a ançou a é à década de 80 do século XX
enquad ando já a e o ma educa i a de 1986.
A a és da disciplina escola de His ó ia, a au o a cen a a sua in es igação em ês
e o es de análise que se en ec uzam: aquele que co esponde aos diplomas legais que
egulam o uncionamen o do ensino e da p óp ia disciplina, o que elaciona os
con eúdos especí icos da disciplina com con eúdos pedagógicos e, inalmen e, o campo
das p á icas escola es eais que ma ca am o quo idiano de p o esso es e alunos.
A in es igação ap esen a como obje i o “pe cebe que ensino pa a a disciplina de
His ó ia oi sendo o jado de 1947 a meados dos anos se en a do século XX em
Po ugal, u ilizando os olha es daqueles p o esso es do ensino liceal”106. Des a o ma
a au o a em como pon o de pa ida a disciplina de His ó ia do ensino liceal e como
pon os e pon es de chegada os locais de abalho dos p o esso es.
Associado a es e obje i o ge al, a au o a ap esen a ou os obje i os, já de ca á e
especí ico ais como: analisa as elações exis en es en e polí icas educa i as,
o mação académica e p o issional dos p o esso es e analisa pe spe i as e p á icas
p o issionais.
Começando po e le i sob e “A His ó ia do empo p esen e” e sob e as
condicionan es que se colocam pelo ac o de esc e e sob e um empo ão p óximo, a
au o a elemb a o excessi o núme o de on es a consul a e seleciona assim como a
necessidade de e semp e em conside ação que as in e p e ações eó icas e as e lexões
106HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e ensina
His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010,
p. 24.
Helena Viei a
80
Po ou o lado, a disciplina de His ó ia ia o seu luga no cu ículo consolida -se à
medida que se a i ma a como um sabe au ónomo e “se libe a a dos es e eó ipos e
es igmas nega i os que azia das aulas de c onologia do século XIX”113. Con udo, a
His ó ia nunca se conseguiu libe a o almen e dos es e eó ipos que a ca ac e iza am
como uma disciplina de memo ização e ep odução de ac os e biog a ias.
Em 1967, a a és do Dec e o-Lei 47 480 de 2 de janei o de 1967, su giam no as
al e ações pa a o ensino liceal a implemen a a pa i do ano le i o de 1968/1969. Nes a
no a al e ação, a disciplina de His ó ia pe deu ela i amen e a sua au onomia e uniu-se
no amen e à Geog a ia. Su gia en ão a disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal,
com uma ca ga ho á ia de ês ho as semanais no p imei o ano e duas ho as no segundo
ano, enquad ada no conjun o de disciplinas de o mação espi i ual e nacional.114
Pa a Raquel Hen iques, es a oi a p imei a en a i a sé ia de in eg a á eas de sabe
dis in as, numa junção que, como dizia o ex o legal e a, “ undamen almen e
me odológica”115, is o que a p imei a en a i a de in eg a os con eúdos de His ó ia
Pá ia com a disciplina de Língua Po uguesa não ha ia sido o almen e conseguida.
Como jus i icação pa a a junção das duas disciplinas apon a am-se inalidades “a
p og essi a omada de consciência da o igem e alo da comunidade nacional” a
pa i de “1) O condicionalismo geog á ico inicial (…); 2) A ans o mação do meio
ambien e inicial pelo homem; 3) O no o condicionalismo geog á ico esul an e dessa
ans o mação”116.
Em 1972, a disciplina de His ó ia pe dia de ini i amen e a au onomia, assim como a
Geog a ia, dando luga à disciplina de Ciências Sociais. A au onomia da disciplina
se ia apenas ecupe ada em 1974, após uni icação do ensino secundá io.
Os con eúdos escola es da disciplina de His ó ia e am es abelecidos nos espe i os
p og amas que o am su gindo ao longo dos anos. Con udo, al como nos indica Rui
G ácio, não podemos igno a que os p og amas escola es e am “ins umen os de
113 Idem, p. 107.
114 No Dec e o nº 48 572, de 9 de Se emb o, de 1968, que ap o ou o Es a u o do Ciclo p epa a ó io do
ensino secundá io, eo ganizou-se o ensino p epa a ó io em cinco conjun os lec i os: A) Fo mação
espi i ual e nacional; B) Iniciação cien í ica; C) Fo mação plás ica; D) Ac i idades musicais e
gimnodespo i as; E) Línguas es angei as.
115 Po a ia nº 23 601, de 09 de Se emb o de 1968. Diá io do Go e no, 2º Suplemen o, Iª Sé ie, nº 213,
p.1387 ci ado po HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e
ensina His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian Fundação pa a Ciência e
Tecnologia, 2010, anexo 2, p. 93.
116 Idem , p. 93.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
81
in e enção no sen ido de adap a a educação escola à e olução das necessidades”117
da época. Pa a além de es abelece os con eúdos da disciplina, os p og amas do ensino
liceal da am igualmen e indicações de ca á e didá ico indicando me odologias a segui
e ecu sos a u iliza .
Ao analisa uma disciplina escola é necessá io e semp e p esen e que an o os
p og amas escola es como os con eúdos de ensino nele cons an es são cons uções
sociais que e le em o con ex o social, cul u al e polí ico da época pois são
de e minados po g upos de pode , no malmen e ligados ao minis é io de en o da pas a
da educação, que conscien e ou inconscien emen e azem opções sob e os
conhecimen os e alo es que as disciplinas de em ansmi i .
Como Ma ia Manuela Ca alho ealça, no ensino liceal os con eúdos da disciplina
de His ó ia, ma e ializados nos manuais da mesma, o am sendo cons uídos à medida
que a bu guesia libe al e o Es ado-Nação se a i ma am no nosso país e eicula am uma
comp eensão do passado segundo um modelo de acionalidade e pa io ismo.
Cons uí am modelos de memó ia do passado que exe ce am unções in eg ado as e
iden i ica ó ias jun o dos jo ens que equen a am as escolas liceais.118
3.2 Os Manuais da Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal
Na his o iog a ia ecen e, no âmbi o da His ó ia da Educação e da HDE, os manuais
escola es êm-se des acado numa dupla pe spe i a. En endidos simul aneamen e como
on es his ó icas documen ais e/ou obje os de es udo, os manuais escola es ab i am
no os campos emá icos de in es igação ais como o es udo da sua p odução,
ci culação, ap o ação e adoção; a comp eensão do seu con ole e uso pelo pode
polí ico; a análise das ep esen ações neles con idas, a sua ap op iação po alunos e
p o esso es e as in luências que so em e exe cem.
Enquan o on e his ó ica, os manuais escola es ap esen am uma na u eza ipla:
pedagógica, cul u al e ideológica.119 Pa a Augus o José Mon ei o, po aquilo que
ansmi em e po aquilo que omi em, os manuais escola es são o “espelho no qual se
117 GRÁCIO, Rui – Sob e p og amas de ensino escola . Lisboa: Cen o de In es igação Pedagógica da
Fundação Calous e Gulbenkian, 1970, p.10.
118 CARVALHO, Ma ia Manuela – Pode e Ensino. Os manuais de His ó ia na Polí ica do Es ado No o
(1926-1940). Lisboa: Li os Ho izon e, 2005, p.80.
119 MONTEIRO, Augus o José – A (Re) alo ização de ou as on es his ó icas – A p oblemá ica dos
manuais escola es. In “Ou os comba es pela His ó ia”, Ma ia Manuela Ribei o (coo d).Coimb a:
Imp ensa Uni e sidade de Coimb a, 2010, p.345.
Helena Viei a
82
e le e a imagem que a sociedade que da dela p óp ia (…) um e lexo de o mado,
incomple o, mui as ezes idealizado”120.
Nos manuais es ão con idos os con eúdos escola es que uma de e minada sociedade,
ou o pode que a con ola, conside a se em impo an es e imp escindí eis pa a ga an i
a con inuidade dos seus alo es. Assim, os manuais o nam-se simul aneamen e um
supo e e um eículo de alo es, ideologias e da cul u a de um de e minado pe íodo
his ó ico.
A de inição de manual escola é, po si só um obje o da in es igação em o no des as
on es his ó icas. O senso comum le a à de inição adicional que en ende o manual
escola como um li o in encionalmen e edigido pa a ensina e ap ende de e minados
con eúdos de uma de e minada disciplina. Isabel Cab i a, indo mais além, a i ma que
um manual escola é um li o que abo da in e p e a i amen e o p og ama de uma
de e minada disciplina escola e de um dado ano escola “não só em e mos
concep uais como ambém me odológicos e ainda polí icos, cul u ais e sociais”121.
Embo a seja es e o concei o que i á conduzi a in es igação des a ese, impo a e e i a
exis ência de ou as noções de manual escola e a necessidade de en ende as unções
des es li os.
Gé a d e Roegie s en endem o manual escola como “um ins umen o imp esso,
in encionalmen e es u u ado pa a se insc e e num p ocesso de ap endizagem, com o
im de lhe melho a a e icácia”122. Pa a es es au o es, o im do manual é p omo e uma
ap endizagem bem sucedida embo a ele enha simul aneamen e mui as ou as unções
dependen es do seu des ina á io (aluno ou p o esso ), da disciplina e do con ex o em
que o manual é p oduzido.123
A ep esen ação esquemá ica que se segue ap esen a as p incipais unções dos
manuais escola es, na pe spe i a dos seus des ina á ios, apon adas po Gé a d e
Roegie s. Con udo, essal a-se que as unções ap esen adas não são únicas, ha endo
mui as pe spe i as, con o me o obje o de es udo com que se analisa o manual escola .
120 Idem, p.346.
121 CABRITA, Isabel – U ilização do manual escola pelo p o esso de ma emá ica. In CASTRO, Rui
(O g). - “Manuais escola es. Es a u o, unções, His ó ia. Ac as do p imei o encon o in e nacional sob e
manuais escola es”. B aga: Uni e sidade do Minho, 1990, p.149.
122 GÉRARD, F ançois-Ma ie e ROEGIERS, Xa ie - Como Concebe e A alia Manuais Escola es.
Po o: Po o Edi o a, 1998, p. 19.
123 Idem, p. 74.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
83
Po ou o lado, os manuais escola es êm uma unção uni o mizado a enquan o
eículo de cul u a uma ez que es es êm uma g ande di iculdade em escapa aos
de e minismos da cul u a di a o icial, o ma ada nos cu ículos e nos p og amas que
de e minam as inalidades da educação.
Pa a Ana B i o, os manuais endem “a eicula a ideologia dominan e e, embo a
nem semp e se p es e mui a a enção à sua “música”, po que é, demasiado silenciosa,
a e dade é que ela é “ou ida” e “di ulgada”, sensi i amen e, na escola, ins i uição
que, nes e p ocesso, desempenha um papel p edominan e”124.
Recupe ando os concei os de cul u a escola e ansposição didá ica, os manuais
ilus am a o ma como a escola ep oduziu e ansmi iu o capi al cul u al da sua época e
as di e enças sociais dos agen es que nela e po ela a ua am, sob e udo se a ende mos
no peso ins i ucional que o manual escola e e no p ocesso de escola ização ao longo
dos séculos XIX e XX.
124 BRITO, Ana - A P oblemá ica da Adopção dos Manuais Escola es. C i é ios e Re lexões. In
CASTRO, Rui e al (O g). “I Encon o In e nacional Sob e Manuais Escola es. Manuais Escola es.
Es a u o, Funções, His ó ia”. B aga: Uni e sidade do Minho, 1999, p. 139.
Funções do Manual Escola
Aluno
P o esso
Ap endizagem
T ansmissão de
conhecimen os
Desen ol imen o
de capacidades e
compe ências
Consolidação das
aquisições
A aliação das
aquisições
In e ace com a ida
quo idiana e p o issional
Ajuda na in eg ação
das aquisições
Re e ência
Educação social e
cul u al
Fo mação
In o mação cien í ica
ge al
Fo mação pedagógica
Ajuda nas
ap endizagens e na
ges ão das aulas
Ajuda na a aliação
Rep esen ação G á ica 2 As unções do manual escola na pe spec i a dos seus des ina á ios
Helena Viei a
84
Rela i amen e aos manuais de His ó ia no ensino liceal, Ma ia Manuela Ca alho
elemb a o pode ideológico que sob e eles oi exe cido e o a ibulado p ocesso que
conduziu à adoção do manual único no Es ado No o.125
O es udo dos manuais escola es no ensino liceal, não pode dissocia -se do con ex o
de discussão ge ado em o no de dois eixos: a adoção de um li o único ace à
libe dade de escolha do manual a ado a e a adoção ou não de manuais es angei os.
Es as emá icas o am la gamen e deba idas no III Cong esso do Ensino Secundá io
O icial, ealizado em 1929.
Os de enso es do li o único, que já ha ia sido in oduzido aquando da e o ma de
Jaime Moniz, de endiam que es a modalidade pode ia o na aquele ins umen o de
abalho mais ba a o, com a an agem de uni o miza a in e p e ação o icial dos
p og amas. Deba iam no en an o se de e ia cons i ui -se uma comissão pa a elabo ação
do manual ou se de e iam ab i um concu so pa a a sua escolha.
Po ou o lado, os oposi o es ao manual único de endiam que a única o ma de
o na os manuais mais ba a os e a a conco ência de á ios li os escola es e pelo
ala gamen o do pe íodo de adoção do manual. Con udo, conside a am que mais
impo an e do que elabo a um manual único e a p ocede a e o mas no ensino e a uma
e isão ge al do p og ama.
Em simul âneo, a discussão sob e a adoção ou não de manuais es angei os,
conside ou-se que e am p e e í eis bons manuais es angei os a más aduções.
Des e III Cong esso do Ensino Secundá io O icial esul ou a ecusa do manual
único, a ap o ação de manuais po concu sos e a admissão de li os es angei os.126
A pa i de 1930, o nou-se mais e iden e a en a i a de con olo dos p o esso es.
Su giu um no o enquad amen o legisla i o que de e mina a no os cu ículos,
des acando-se a junção da His ó ia e da Geog a ia, no as ca gas ho á ias, o uso
ob iga ó io do cade no diá io, a p oibição do ecu so a apon amen os, a ob iga o iedade
de cump i o p og ama, o uso de li os de pon o e sumá ios con olados pelos ei o es.
O não cump imen o des as no mas co esponde ia a sanções.
A pa da en a i a e iden e de con olo dos p o esso es, oi sin omá ica a
di ulgação da no a ideologia a a és de uma p opaganda cons an e em ases e mapas
que de e iam se colocados nas salas de aula.
125 CARVALHO, Ma ia Manuela – Pode e Ensino. Os manuais de His ó ia na Polí ica do Es ado No o
(1926-1940). Lisboa: Li os Ho izon e, 2005.
126 Idem, p.45.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
85
Rela i amen e ao manual escola , es abelecia-se que es e se ia escolhido pelos
conselhos escola es a pa i de uma lis a de li os ap o ados o icialmen e que es a iam
em consonância com o no o p og ama e com a ma é ia que se ia al o de exame.
Con udo, con o me Ma ia Manuela Ca alho demons a, os p imei os concu sos de
manuais o am um acasso is o que odos os manuais ap esen ados a concu so o am
ep o ados. A incapacidade do minis é io con ola a p odução e adoção de manuais
le ou à demissão do en ão minis o Co dei o Ramos. O go e no con inua a a con a
com a esis ência dos p o esso es e con inua a incapaz de ap o a um manual único.
A segunda en a i a de adoção de um li o de His ó ia único iniciou-se com no as
eg as concu sais, com a en a i a de um maio con olo ideológico e com um no o
p og ama, embo a pouco al e ado. Não obs an e, o que o egime não conseguia com a
ap o ação de um manual único, alcançou-o com a p opaganda. Assim apos ou
no amen e em o ça na cons ução de ecu sos didá icos como ca azes, mapas, sessões
cinema og á icas, p omoção de pales as e exposições. Po ém, “ao mesmo empo que se
impulsiona a a di ulgação da ideologia o icial, ep imiu-se a oposição que lhe
pudesse se mo ida”127.
Apenas em 1936, após uma no a ees u u ação cu icula e o su gimen o de no os
p og amas oi possí el impo um manual único pa a a disciplina de His ó ia que i ia
du a a é 1974.
Po ou o lado, ao ní el do uncionamen o da disciplina, en e 1895 e 1968, a
His ó ia oi ma cada po uma e olução len a na qual a p edominância de con inuidades
oi acompanhada pela len idão da conc e ização de u u as.
Ao ní el no ma i o da disciplina e das conceções de His ó ia ansmi idas nos
manuais escola es, Paulo Gomes apon a um conjun o de con inuidades. O au o
concluiu que, ao longo dos 73 anos analisados, a legislação ela i a à disciplina de
His ó ia man e e-se quase inal e á el no que se e e e aos obje i os, inalidades e
in enções da disciplina. Es a polí ica oi acompanhada pela de esa de um ensino
sus en ado em manuais, quase imu á eis, com conceções posi i is as da His ó ia
enquad adas num conse ado ismo nacionalis a, inculcado e ac í ico, quase nunca
p oblema izan e, na qual p e alecia a His ó ia polí ica, ins i ucional, diplomá ica e
mili a que apon a a o documen o simul aneamen e como um meio e como um im. A
His ó ia acon ecimen o basea a-se na exposição na a i a de ipo adicional, e a ei a
127 Idem, p.69.
Helena Viei a
86
de he óis e exemplos, e a uma His ó ia de eis e ainhas, ba alhas e i ó ias, de g andes
ei os de um po o.
De o ma a ansmi i de o ma exequí el es a His ó ia nacionalis a, apologé ica e
ac í ica, em e mos de ansposição da His ó ia ciência pa a a educação his ó ica, o
p o esso eco ia à o a ó ia, a um manual ipo seben a, a um quad o p e o e a
chamadas o ais. Assim, a His ó ia o na a-se uma disciplina pe ei a pa a a
memo ização e pa a a inculcação de qualque ideá io polí ico.
Na sua ese, Paulo Gomes des aca igualmen e uma sólida con inuidade ao ní el dos
manuais escola es, em especial a pa i do momen o em que su gem os manuais únicos
du an e o Es ado No o. Nes e pe íodo des acam-se An ónio Ma oso e Ma ins A onso
como os dois au o es de e e ência ao ní el dos compêndios de His ó ia no ensino
liceal. O p imei o, oi uma “au o idade” nas aulas de His ó ia po se o au o dos
compêndios únicos publicados en e 1938 e 1968 enquan o o segundo edi ou os seus
compêndios já numa ase inal do egime salaza is a en e 1956 e 1974. Embo a seja
econhecida alguma e olução ao ní el do g a ismo dos manuais e do campo
his o iog á ico, ao ní el do a amen o dos con eúdos, o pa adigma posi i is a
con inuou a aze p e alece os a o es polí icos, mili a es e ins i ucionais p esc i os
nos p og amas. Da mesma o ma, os compêndios man i e am as in e p e ações
ap o adas o icialmen e e ma cados po uma educação his ó ica mui o pouco c í ica,
o emen e nacionalis a, des inada à memo ização a a és do manual.
Des a o ma e o ça-se a con inuidade dos pa adigmas his o iog á icos posi i is as
a é 1968 não po que os p o esso es de His ó ia os desconhecessem, mas sim pela
insis ência dos legislado es, que os p esc e iam nos p og amas escola es apesa de se
egis a em algumas nuances de mode nização en e 1948 e 1968, e pela acei ação e
ep odução dos au o es de manuais.
Paulo Gomes apon a a pe manência des as opções, po pa e dos legislado es, po
se em as que melho se iam os egimes na medida em que e am apologé icas, áceis
de domina e de escola iza . Já os au o es de manuais, dominados po uma au ocensu a,
seguiam as mesmas conceções a é po que, elemb e-se, ha ia um manual único que
pa a se acei e de e ia i ao encon o dos obje i os e in enções das conceções
de endidas pelo legislado .
Em e mos de con eúdos p esen es nos manuais de His ó ia no ensino liceal,
apenas se des aca o es udo Ma ia Manuel Ca alho ela i amen e às ep esen ações de
sociedade. No seu es udo concluiu que a o ganização da sociedade não e a uma ub ica
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
87
indi idualizada nem ap esen a a e e ências sis emá icas, u o da adição na a i a
oi ocen is a que incidia pa icula men e sob e os egimes, as ins i uições e os ac os
polí icos128. Con udo, no ou que es a e a pe ce í el nas ca ac e ís icas a ibuídas a cada
ci ilização, ge almen e nos capí ulos da o ganização polí ica e social e dos cos umes.
A au o a concluiu ainda que se egis a am duas linhas undamen ais de
ap esen ação e in e p e ação da es u u a e e olução das sociedades: uma demolibe al
que pe du ou a é 1935 e ou a adicionalis a, ca ólica e conse ado a impos a
poli icamen e após 1936.
À luz da linha in e p e a i a demolibe al, a sociedade é cons i uída po elemen os
sepa ados, dis in os e jus apos os, an o pela sua elação com o pode e as o mas
p odu i as como pelos modos de ida e ní eis de cul u a. Na desc ição da sociedade
su gem equen es oposições en e g upos de pode , adminis ação e cul u a, de en o es
de bens e p i ilégios, e g upos ligados a es u u as p odu i as, sem p i ilégios e acesso
ao pode . O mo o da e olução da sociedade é o desen ol imen o económico e a lu a
das classes p odu i as po di ei os e acesso ao pode .
Po ou o lado, na linha in e p e a i a adicional, ca ólica e conse ado a,
egis ada em especial nos manuais de An ónio Ma oso egis a-se uma mudança
no ó ia, em especial na ap esen ação da sociedade medie al, que passa a se
ap esen ada como um odo e com an agens ecíp ocas pa a cada um dos seus
elemen os. Nes a in e p e ação alo iza-se a o dem, a disciplina, a o ganização, a
au o idade, a mo al, a i ude, o nacionalismo e o amo à pá ia. Os ideais
e olucioná ios já não são ap esen ados como o mas de lu a das classes p odu i as
mas an es como queb as na o ganização adicional.
3.3 A Didá ica da Disciplina de His ó ia no Ensino Liceal
As u u as iden i icadas ao ní el da disciplina de His ó ia no ensino liceal su gidas
após 1948, e sob e udo após 1954, segundo Paulo Gomes, de am-se sob e udo ao ní el
do deba e cien í ico e pedagógico sob e as opções e p á icas de docência.
O su gimen o da His ó ia No a, o alizan e e p oblema izan e, oi ei a ao a epio da
no ma, is o é, dos cu ículos e p og amas o iciais das di e izes e imposições
go e namen ais que semp e en a am con ola o ensino des a disciplina.
128 Idem, p.132.
Helena Viei a
88
Com a acei ação dos no os es udos, em especial os da escola dos Annales, alguns
p o esso es, ge almen e de sólida o mação ancó ona, inco po a am o no o e
e olucioná io pa adigma his o iog á ico que cons i uiu o mo imen o da
His ó ia-No a, sob e udo, a a és das ob as de his o iado es como Ma c Bloch, Lucien
Féb e e Fe nand B audel.
Rela i amen e aos discu sos dos p o esso es de His ó ia sob e o ensino e p á icas
le i as da sua disciplina, Paulo Gomes chegou a ês g andes conclusões.
A p imei a e e e que a um discu so mode no dos p o esso es sob e a His ó ia
ciência, nem semp e co espondeu um discu so pedagogicamen e mode no. Mui os
p o esso es inham um discu so mode nis a/cien í ico quan o à no a His ó ia mas as
suas p á icas con inua am p o undamen e adicionalis as baseando-se quase
exclusi amen e no mé odo exposi i o e no manual.
A segunda conclusão de Paulo Gomes mos a que ambém se e i icou o in e so, ou
seja, alguns p o esso es inham um discu so bas an e adicionalis a sob e a His ó ia
ciência, ma cado pelo nacionalismo his ó ico, mas es e con on a a-se com discu sos
mui o mode nos quan o às p á icas pedagógicas.
Finalmen e concluiu que exis i am p o esso es cujos discu sos sob e His ó ia ciência
e p á icas pedagógico-didá icas e am simul aneamen e mode nas. Nes es casos, os
p o esso es seguiam a No a His ó ia e a Escola-No a colocando em p á ica mé odos
a i os como: abalhos de g upo, abalhos de pesquisa, isi as de es udo, deba es,
diálogo e meios de p ojeção.
Rela i amen e à didá ica e aos mé odos de ensino da His ó ia nos liceus, Paulo
Gomes apon a ês g andes modelos pedagógico-didá icos: o Modelo
M 1 – Ex-Ca ed a; o Modelo M 2 – Maiêu ico/Soc á ico e o Modelo M 3 – A i o.
O modelo M 1 co esponde a uma pedagogia cen ada quase exclusi amen e na
exposição do p o esso , ma cado po uma comunicação unila e al na qual o p o esso lê
o manual e ala enquan o o aluno, is o como se passi o, deco a a lição e é in e pelado
pa a “debi a ” os conhecimen os. Os ecu sos u ilizados limi am-se po an o ao quad o
neg o e ao manual da disciplina. Con udo, o au o não a ende nem equaciona o ipo de
ecu sos que podem es a con emplados no manual.
O modelo M 2 co esponde a uma pedagogia que pe ceciona já dois momen os
dis in os da aula: um p imei o ma cado pela passi idade do aluno que se limi a a ou i
a explicação do p o esso e um segundo ma cado po uma in e enção a i a do aluno a
quem já é pe mi ido coloca ques ões ao p o esso e é-lhe inclusi amen e pe mi ido
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
89
pa icipa em pequenos pe íodos de deba e in e -alunos mode ados pelo p o esso .
Nes e modelo a comunicação al e na-se en e a unila e alidade e a bila e alidade. O
p o esso u iliza al e nadamen e o mé odo exposi i o e o mé odo in e oga i o
pe mi indo uma descobe a pela dedução e pelo mé odo indu i o u ilizado de o ma
in ui i a.
O úl imo, o modelo M 3 p essupõe que oda a aula se cen e maio i a iamen e no
aluno conjugando uma pequena exposição do p o esso com a a i idade do aluno
a a és da análise de documen os. A sín ese inal da aula é ei a com a ajuda dos alunos
e seguida da a e ição e escla ecimen o de dú idas. Po ém, o au o e e e que es e
mé odo não deixa de se um modelo M 2 embo a com um pouco mais de pa icipação
do aluno, deixando algumas dú idas ela i as à linha de ansição en e os modelos.
Iden i ica as isões e ideias que os p o esso es de His ó ia inham sob e a sua
disciplina enquan o ciência assim como as suas isões e ideias pedagógicas e didá icas
que inham pa a ela é um dos caminhos que melho conduz à comp eensão da e olução
de uma disciplina escola , sob a pe spe i a de um dos p incipais agen es do p ocesso de
ensino ap endizagem. Os es udos de Paulo Gomes o am, nesse sen ido, um abalho
pionei o pa a o ensino liceal e des acam-se sob e udo pelos caminhos que açam e
pelas hipó eses de abalho que lançam em unção das on es disponí eis: abalhos e
planos de aula de p o esso es es agiá ios; ensaios c í icos e con e ências de p o esso es
es agiá ios; disse ações e ela ó ios de p á ica docen e pa a o Exame de Es ado; e
ela ó ios de p o esso es de His ó ia auxilia es e ag egados.129
Comp eende a ealidade dos modelos pedagógicos e didá icos de endidos pa a a
disciplina de His ó ia no ensino liceal pe mi iu e i ica uma coexis ência de conceções
e p á icas di e sas pa a um mesmo pe íodo e pa a um mesmo subsis ema de ensino.
Compa a as mesmas com a ealidade e i icada no ensino écnico é po an o uma das
in enções des a in es igação e os es udos de Paulo Gomes são um excelen e pon o de
pa ida pa a essa compa ação. Po ém, a ideia o iginal de aze um abalho semelhan e,
nos mesmos moldes e com on es idên icas pa a o ensino écnico, que ambém exis iam
na época, capazes de alida essa compa ação não se mos ou iá el de ido à al a de
acesso aos ais abalhos, ensaios, con e ências e ela ó ios de es agiá ios e p o esso es
de His ó ia do ensino écnico. Assim, oi necessá io in e e o caminho de in es igação
129 GOMES, Paulo – A disciplina de His ó ia e o seu ensino nos liceus de Po ugal en e 1895 e 1986.
Lisboa: Tese de Mes ado, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Uni e sidade de Lisboa,
2005, pp. 458-461.
Helena Viei a
96
O ensino elemen a e a minis ado nas escolas de a es e o ícios. Os seus planos de
es udo, a du ação dos cu sos e os seus p og amas a ia am segundo as localidades
onde e am es abelecidos de modo a esponde às necessidades p o issionais e écnicas
de cada egião. O ensino básico p osseguia nas escolas indus iais onde e am
minis ados cu sos de ap endizagem o ganizados em ês g aus. As escolas indus iais
isa am p epa a ap endizes em cu sos de ap endizagem e ope á ios em cu sos de
ape eiçoamen o. Es as escolas indus iais di idiam-se ambém elas em ês g aus: o
p elimina , que azia a ligação en e a escola p imá ia e o g au ge al; o g au ge al, que
o ma a ap endizes; e o g au complemen a , que o ma a ope á ios e a ibuía a ca a
pa en e ou ce i icado p o issional. As escolas p epa a ó ias minis a am um ensino
ge al e aplicado de ca ác e p epa a ó io pa a ca ei as écnicas e pa a u u as
admissões aos ins i u os. As escolas de a e aplicada isa am an es o nece um ensino
especializado nas a es indus iais.
O ensino di o secundá io e a minis ado nos ins i u os indus iais que o ma am
auxilia es de engenhei os, che es indus iais e condu o es. Es es ins i u os minis a am
cinco cu sos p o issionais: o cu so de cons ução ci il e ob as públicas, o cu so de
minas, o cu so de máquinas, o cu so de ele o ecnia e o cu so de indús ia química.
O ensino écnico p osseguia, inalmen e, pa a o ní el supe io que e a minis ado
nos ins i u os supe io es écnicos e que acolhiam um cu so ge al de ês anos e cu sos
especiais igualmen e com ês anos de du ação, sendo possí el op a pelos cu sos de
engenha ia de minas, engenha ia ci il, engenha ia mecânica, engenha ia ele o écnica e
engenha ia químico indus ial. A Faculdade Técnica do Po o, mais a de de
Engenha ia, e a ambém um espaço educa i o onde e a possí el ealiza o mação de
ní el supe io , à semelhança do que acon ecia em Lisboa com o Ins i u o Supe io
Técnico c iado em 1911.
Po ou o lado, o ensino come cial e a lecionado ao ní el básico nas aulas
come ciais e nas escolas elemen a es de comé cio, ao ní el secundá io nos ins i u os
come ciais e ao ní el supe io no ins i u o supe io de comé cio. O ensino come cial
isa a sob e udo o ma caixei os de balcão, caixei os- iajan es, auxiliado es de
esc i ó io, auxilia es de con abilidade, uncioná ios secundá ios da adminis ação
pública e uncioná ios supe io es aduanei os e consula es.
O ensino a ís ico e a minis ado nas Escolas de A e Aplicada e, em 1918, exis ia
uma em Lisboa, a escola Fonseca Bene ides, e ou a no Po o, a escola Fa ia
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
97
Guima ães.132 Es as escolas isa am p opo ciona o ensino de desenho especializado e
o o icinal necessá io aos a is as das a es indus iais.
Em 1918, po meio do dec e o 4 151, de 26 de ab il de 1918, oi igualmen e
eo ganizado o ensino écnico ag ícola que deixou de aze pa e do Minis é io da
Ins ução Pública e passou a es a na dependência do Minis é io da Ag icul u a. Es e
subsis ema de ensino passou a ap esen a duas g andes di isões: a di isão da ins ução
ag ícola supe io e a da ins ução ag ícola média e elemen a . A segunda di isão,
aquela que se p ende di e amen e com o âmbi o des a in es igação, ga an ia a
exis ência de cu sos écnicos nas escolas elemen a es e secundá ias, p omo ia a c iação
de escolas especializadas, p opunha a ins alação de escolas emininas ag ícolas e
o ganiza a o ensino ag ícola mó el.
Se o ensino indus ial, come cial e a ís ico e a da esponsabilidade da Sec e a ia de
Es ado do Comé cio, o ensino ag ícola pe encia ao Minis é io da Ag icul u a e e a
esponsabilidade da Di eção da Ins ução Ag ícola. A eo ganização des e ensino oi
es abelecida pelo dec e o 5 627, de 10 de maio de 1919, de ido à “necessidade de
p omo e a in ensi icação da p odução ag ícola nacional, conside a elmen e
diminuída em consequência das no as condições sociais c iadas pela ecen e gue a”
[a p imei a gue a mundial – 1914/1918]133. A iqueza da in odução des e dec e o pode
se equipa ada à iqueza da in odução da eo ganização do ensino indus ial, come cial
e a ís ico de 1918, pois e ela cla amen e não só a jus i icação da e o ma mas os seus
in ui os.
A no a o ganização do ensino ag ícola elemen a e médio su giu igualmen e na
sequência da e o ma do ensino supe io ag ícola minis ado no ins i u o supe io de
ag onomia e na escola supe io de medicina e e iná ia e isa a “a execução co idiana
dos p ocessos cul u ais e ecnológicos mais adequados a cada egião pa a que a e a
possa p oduzi mais e melho , [e que] exigem a p esença de ou os agen es écnicos
auxilia es do engenhei o ag ónomo, aos quais seja con iada a di ecção imedia a do
abalho que numa p op iedade ag ícola de g ande ou média ex ensão de e se ei o
pa a a ingi al im”134.
132 CAETANO, F ancisco – O ensino a ís ico no po o du an e o Es ado No o – 1948-1973. Disse ação
de Mes ado em His ó ia e Educação ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, 2009,
pp. 42-43.
133 Diá io do Go e no I Sé ie, Dec e o 5 627 de 10 de maio de 1919, p. 994.
134 Idem, p. 994.
Helena Viei a
98
No a-se assim que o ensino elemen a e médio ag ícola su giu com o im de o ma
écnicos auxilia es de engenhei os ag ónomos e que, pa a al, se iam necessá ias
escolas especí icas. Cu iosamen e, con a iamen e ao que se sucedia com o ensino
indus ial, come cial e a ís ico, o ensino ag ícola inha uma simila idade ao ensino
liceal, pois como e emos pa ilhou disciplinas com ele e pe mi iu inclusi amen e
mudanças di e as do ensino ag ícola pa a o ensino liceal.
1.1.1 A disciplina de His ó ia no ensino indus ial
As escolas indus iais, na sequência do egulamen o es abelecido no dec e o 6 286,
de 19 de dezemb o de 1919, minis a am um ensino elemen a e des ina am-se a
p epa a ap endizes em cu sos de ap endizagem e a p epa a ope á ios em cu sos de
ape eiçoamen o. O ensino des as escolas epa ia-se po se e anos e di idia-se em ês
g aus - p elimina , ge al e complemen a - e o ganiza am-se sepa adamen e cu sos
masculinos e emininos que di e iam apenas na disciplina de abalhos o icinais.
Enquan o os cu sos masculinos inham duas disciplinas de abalhos o icinais, uma de
madei a e e o e ou a de modelação e pin u a, os cu sos emininos inham apenas uma
de cos u a, bo dados e endas.
O p imei o g au, p elimina , es abelecia a ligação en e a escola p imá ia e o g au
ge al. E a compos o po cinco disciplinas p ees abelecidas, inha a du ação de um ano e
uma ca ga ho á ia o al de 21 ho as semanais. As disciplinas mais impo an es e am as
de T abalhos O icinais, cujo ho á io em conjun o ep esen a a 42,8% do cu so.
Seguia-se a disciplina de Elemen os de Desenho Ge al, que possuía seis ho as
semanais, co esponden es a 28,6% do cu so, e, inalmen e, num e cei o luga ,
ica iam as disciplinas de ca ác e mais ge al de Língua Pá ia e Noções de A i mé ica e
Geome ia.
O segundo g au, ge al, o ma a ap endizes e inha igualmen e um conjun o de oi o
disciplinas, ambém elas p ees abelecidas. Tinha a du ação de qua o anos e nele
man inha-se a p imazia da disciplina de T abalhos O icinais que a ingia quase me ade
da ca ga ho á ia do cu so (48,3%)135, seguida de pe o pelas disciplinas de Desenho
Ge al e Especializado com 31% da ca ga ho á ia. O segundo g au con inha, ainda, um
conjun o de disciplinas de ca ác e mais eó ico e ge al compos o po Língua Pá ia,
135 Valo es ap esen ados com base na análise dos cu sos masculinos. Os cu sos emininos, embo a
ap esen em alo es ligei amen e di e en es, egis am a mesma endência.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
99
A i mé ica e Geome ia, P incípios de Física e Química e Noções de Tecnologia,
Geog a ia e His ó ia e Língua F ancesa. Es as disciplinas inham odas ês ho as
semanais du an e dois anos do cu so, podendo a i ma -se, com base nes e c i é io, que
nenhuma inha mais ele ância ela i amen e às ou as. Na sua o alidade, as disciplinas
ge ais ep esen a am ce ca de 21% do cu so.
De um modo ge al, e i ica-se que as escolas indus iais, de aco do com a
eo ganização de 1919, p i ilegia am as disciplinas de ca ác e p á ico e
p o issionalizan e que, pa a além de de e em uma maio ca ga ho á ia semanal,
aumen am o seu olume quan i a i o do p imei o pa a o segundo g au. Embo a não
enham sido ecolhidas in o mações sob e as disciplinas que compunham o e cei o
g au, se á de supo que a endência se ia a mesma: a diminuição da ca ga ho á ia ou a é
possí el eliminação das disciplinas de o mação ge al e o aumen o das disciplinas de
ca ác e écnico.
O e cei o g au, o g au complemen a , o ma a ope á ios, concedia a ca a pa en e e
inha a du ação de dois anos. A sua o ganização e a a iá el segundo as p o issões
exe cidas nas localidades e especializada segundo a na u eza de cada escola. As
disciplinas que o compunham e am ixadas em egulamen o especial e designadas no
quad o de cada escola.
Rela i amen e à disciplina de His ó ia, de e e e i -se que es a su gia ligada à
disciplina de Geog a ia e e a lecionada no e cei o e qua o ano do segundo g au das
G á ico 3 - Pe cen agem de disciplinas, ag upadas em
classes, do 1º g au do cu so das escolas indus iais em
1919
G á ico 4 - Pe cen agem das disciplinas, ag upadas em
classes, do 2º g au do cu so das escolas indus iais em
1919
Helena Viei a
100
escolas indus iais, com uma ca ga ho á ia semanal de ês ho as. A disciplina
inse ia-se no g upo de disciplinas de ca ác e ge al e mais eó ico, sendo que, con o me
já oi e e ido an e io men e, as disciplinas des e g upo con inham odas ês ho as
semanais du an e dois anos. Pode conclui -se assim que a disciplina de His ó ia,
associada à Geog a ia, es a ia ao mesmo ní el das es an es, sendo ob iamen e
secunda izada ela i amen e às disciplinas p incipais de T abalhos O icinais e de
Desenho. Es a secunda ização é acilmen e comp eendida se a ende mos ao ac o de os
cu sos écnicos e em como obje i o cen al o ma ope á ios. Con udo é de essal a
que a exis ência da disciplina de Geog a ia e His ó ia pode es a elacionada com a
ideia da necessidade de começa a o ma cidadãos conscien es do alo da Nação,
conhecendo a sua mo ologia geog á ica e a sua cons ução e e olução his ó ica.
1.1.2 A disciplina de His ó ia nos cu sos p epa a ó ios indus iais e come ciais
O ensino écnico indus ial e come cial p epa a ó io e a lecionado nas escolas
p epa a ó ias que isa am minis a um ensino ge al e aplicado não só pa a ca ei as
p o issionais mas ambém pa a uma u u a admissão aos ins i u os indus iais e
come ciais.
Nes e sen ido o ensino écnico indus ial e come cial, sob supe isão do Minis é io
do Comé cio e das Comunicações, e egulamen ado no dec e o 6 285, de 19 de
dezemb o de 1919, es abelecia um cu so p epa a ó io com qua o anos de du ação e
com onze disciplinas cujas lições e iam uma ho a.
No quad o que se segue, são ap esen adas as disciplinas do ensino p epa a ó io
indus ial e come cial e as espe i as ca gas ho á ias semanais p e is as na sequência
da e o ma de 1918.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
101
Quad o 2 - Disciplinas e ca gas ho á ias - Cu so P epa a ó io Indus ial e Come cial (1918)
Disciplinas
1º
Ano
% 1º
Ano
2º
Ano
% 2º
Ano
3º
Ano
% 3º
Ano
4º
Ano
% 4º
Ano
To al
% o al
Cu so
Desenho Ge al
4 17,4 3 11,1 3 10,0 3 10,0 13 11,8
Língua pá ia
4 17,4 3 11,1 3 10,0 3 10,0 13 11,8
A i mé ica, geome ia e elemen os de álgeb a
4 17,4 3 11,1 3 10,0 3 10,0 13 11,8
Língua ancesa
3 13,0 3 11,1 3 10,0 3 10,0 12 10,9
Língua Inglesa
3 11,1 3 10,0 3 10,0 9 8,2
P incípios de ísica e química
2 7,4 2 6,7 4 13,3 8 7,3
Elemen os de ciências na u ais
3 13,0 3 11,1 2 6,7 8 7,3
Geog a ia ge al, elemen os de His ó ia Uni e sal e His ó ia Pá ia
28,7 27,4 26,7 65,5
Noções de comé cio, esc i u ação e con abilidade come cial
2 7,4 3 10,0 4 13,3 9 8,2
Es enog a ia e dac ilog a ia
3 10,0 3 10,0 6 5,5
T abalhos manuais
3 13,0 3 11,1 3 10,0 4 13,3 13 11,8
To al
23 100,0 27 100,0 30 100,0 30 100,0 110 100,0
Plano do Cu so P epa a ó io Indus ial e Come cial
O plano de es udos do cu so p epa a ó io indus ial e come cial ap esen a a qua o
disciplinas com alguma ele ância: Desenho Ge al, Língua Pá ia, A i mé ica,
Geome ia e Elemen os de Álgeb a e T abalhos Manuais. Es as es a am p esen es nos
qua o anos do cu so e cons i uíam, cada uma delas, 11,8% do mesmo, assumindo
quase me ade da o alidade da ca ga ho á ia do cu so (47,2%).
A impo ância des as qua o disciplinas pode ia jus i ica -se po á ios mo i os. A
disciplina de Língua Pá ia e a na u almen e p i ilegiada po se essencial à o mação
dos es udan es que de e iam conhece a sua língua e econhecê-la como elemen o
nacional. As disciplinas de Desenho Ge al, A i mé ica, Geome ia e Elemen os de
Álgeb a e T abalhos Manuais são aquelas que se des aca am pelo seu ca ác e écnico.
Não se pode esquece que es e cu so p e endia o ma ope á ios e écnicos compe en es
G á ico 5 - Pe cen agens das ca gas ho á ias o ais das disciplinas do Cu so P epa a ó io Indus ial e
Come cial (1918)
Helena Viei a
102
capazes de omen a o desen ol imen o do país e supe a a al a de mão-de-ob a
especializada que se egis a a.
Seguindo o c i é io da ca ga ho á ia como elemen o de impo ância de uma
disciplina den o do cu so, pode-se ap esen a um segundo g upo de disciplinas, as
línguas. As disciplinas de Língua F ancesa e Língua Inglesa, no seu conjun o
ep esen a am 19,1% da ca ga ho á ia o al do cu so. A p imei a inha uma ca ga
ho á ia de ês ho as semanais em odos os anos do cu so enquan o a segunda
ap esen a a igualmen e ês ho as semanais mas somen e nos ês úl imos anos do
cu so. Es a impo ância dada às línguas pode en ende -se pela necessidade dos u u os
écnicos domina em duas línguas que se iam ú eis pa a comunica com écnicos
es angei os sob e as no idades ecnológicas da época no sen ido de as omen a em
Po ugal mas ambém possi elmen e pa a le e comp eende os manuais de ins uções
que as máquinas impo adas do es angei o a iam consigo. Pode le an a -se ainda a
hipó ese da necessidade da comp eensão des as duas línguas pa a o p óp io
desen ol imen o dos es udos do cu so uma ez que, mais a de, su gi á legislação
ela i a à adoção de manuais pa a o ensino écnico que apela pa a a escolha de manuais
nacionais semp e que possí el. Se a legislação apon a es a di e iz, o mais ce o é que
se enha egis ado a adoção de manuais es angei os no ensino écnico e daí a
necessidade de alo iza o ensino das línguas no cu so p epa a ó io.
Ap oximadamen e ao mesmo ní el de impo ância das línguas pode-se encon a um
e cei o g upo de análise onde podem se ag upadas as disciplinas de ca ác e mais
especí ico, de Noções de Comé cio, Esc i u ação e Con abilidade Come cial; P incípios
de Física e Química e Elemen os de Ciências Na u ais, que em conjun o ep esen a am
22,8% da ca ga ho á ia do cu so136. Es as disciplinas conduzem no amen e pa a o
ca ác e écnico do cu so. Valo iza-se a disciplina de Noções de Comé cio,
Esc i u ação e Con abilidade Come cial, de e minan e pa a os es udan es que op a iam
pelas á eas come ciais enquan o as ou as duas disciplinas adqui i iam ele ância pa a
os u u os ope á ios indus iais. Es as disciplinas, embo a não ão alo izadas a ní el da
ca ga ho á ia como as qua o disciplinas ge ais do p imei o g upo de análise, acabam
po e idencia signi icado no cu so po se em aquelas que do a iam os es udan es das
especi icidades écnicas que os ca ac e iza iam u u amen e.
136 Embo a en e o al seja supe io ao das línguas de e essal a -se que isoladamen e es as disciplinas
inham meno pe cen agem ho á ia que as línguas.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
103
Finalmen e, num qua o e úl imo g upo de análise, encon am-se as disciplinas de
Es enog a ia e Dac ilog a ia e Geog a ia Ge al e Elemen os de His ó ia Uni e sal e
His ó ia Pá ia. Es as disciplinas de inham 5,5% da ca ga ho á ia o al do cu so, embo a
a p imei a, de Geog a ia, i esse ês ho as du an e os dois úl imos anos do cu so
enquan o a segunda, de His ó ia, ap esen a a uma ca ga ho á ia semanal de duas ho as
du an e os ês p imei os anos do cu so. As duas disciplinas acabam po se
enquad adas ao mesmo ní el de impo ância po que se a p imei a em maio ca ga
ho á ia ( ês ho as semanais) mas é lecionada numa meno du ação (dois anos), a
segunda em uma meno ca ga ho á ia (duas ho as semanais) mas é lecionada numa
maio du ação ( ês anos).
Na sequência da análise do plano de es udos e i ica-se que, em 1918, a His ó ia
su gia po an o associada à Geog a ia e e a es udada na sua e en e nacional e
uni e sal. Des a o ma, pode conclui -se que a His ó ia ainda não e a uma disciplina
au ónoma e que se alo iza a não só a His ó ia nacional mas ambém a His ó ia
uni e sal.
Po ou o lado, a disciplina Geog a ia Ge al, Elemen os de His ó ia Uni e sal e
His ó ia Pá ia su gia nos ês p imei os anos do cu so com duas ho as semanais,
co espondendo a 5,5% do o al do cu so. Como é na u al, dada a na u eza p á ica e os
in ui os do ensino écnico es a e a a disciplina com meno impo ância em odo o cu so.
Con udo não deixa de se signi ica i o egis a -se a sua exis ência em ês dos qua o
anos do cu so.
1.1.3 A disciplina de His ó ia nos ins i u os indus iais
No âmbi o da eo ganização do ensino écnico de 1918, os cu sos médios indus iais
passa am a se minis ados nos ins i u os indus iais e isa am o ma auxilia es de
engenhei os, che es de indús ia e condu o es de abalho.
Es e ensino indus ial o ganiza a-se em duas pa es: uma p imei a com uma
componen e ge al aplicada a odos os cu sos, com du ação de dois anos, e uma segunda
componen e mais especí ica, su gindo cinco cu sos especializados, igualmen e com
dois anos de du ação.
Após a análise do dec e o 5 029, de 5 de dezemb o de 1918, que o ganiza es e
subsis ema de ensino, e i ica-se que apenas são ap esen adas as disciplinas que
compunham o cu ículo dos cu sos indus iais e que não são ap esen adas as ca gas
Helena Viei a
104
ho á ias semanais das mesmas. Es a on e embo a mui o p ecisa pa a conhece o
cu ículo dos cu sos indus iais supe io es acaba po se e ela , po es a azão,
incomple a. Após a análise do plano de es udos do cu so ge al e dos cinco cu sos
especializados minis ados nos ins i u os indus iais conclui-se que es es não inham a
disciplina de His ó ia, nem nenhuma disciplina com con eúdos elacionados com a
His ó ia.
Con udo, é necessá io essal a que na componen e ge al do cu so são es udadas
apenas disciplinas di e amen e elacionadas com os cu sos e, como al, não é es udada
nenhuma disciplina ligada às ciências sociais e humanas. Tal pode le an a a hipó ese
de que são alo izadas apenas as disciplinas essenciais à o mação p o issional dos
es udan es ligadas às á eas da Ma emá ica, Física, Química, Tecnologia e T abalhos
O icinais.
Na componen e ge al e especializada, su gem ambém as disciplinas de Língua
Inglesa, no p imei o e segundo ano, e de Língua Alemã, nos ês úl imos anos de cu so,
que o nece iam aos alunos compe ências linguís icas p o a elmen e, con o me já oi
e e ido an e io men e, pa a comp eende manuais de ins uções de máquinas e
dialoga com os écnicos especializados que inham de ou os países eu opeus pa a
ins ui sob e as no as écnicas capazes de desen ol e o país a ní el indus ial e, des a
o ma, cump i os desejos de p omoção e desen ol imen o indus ial ão desejado na
época.137
Após es a análise, pode-se conclui que nos cu sos indus iais, a His ó ia inha
apenas um in ui o de o mação ge al no ensino elemen a de modo a ansmi i aos
alunos algum enquad amen o cí ico dado que não e ia qualque con inuidade numa
u u a o mação secundá ia, nem na o mação de ní el supe io nos ins i u os
supe io es écnicos.
1.1.4 A disciplina de His ó ia nos cu sos das escolas e ins i u os come ciais
No con ex o da e o ma de 1918, o ensino come cial elemen a , lecionado nas
escolas come ciais, inha a du ação de ês anos e e a compos o pelas disciplinas
eó icas de Língua Pá ia; Língua F ancesa; Língua Inglesa; A i mé ica Come cial;
137 Cu iosamen e, na o ganização do ensino come cial, as línguas pe dem alguma da sua ele ância is o
que o seu plano de es udos apenas con empla a a disciplina de Língua Inglesa nos ês p imei os anos de
cu so.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
105
Elemen os de Teo ia do Comé cio, de Di ei o Come cial e de Economia Polí ica;
Geog a ia Come cial, Vias de Comunicação e T anspo es; Esc i u ação Come cial e
Con abilidade Come cial e Noções de Tecnologia e Me cado ias. As escolas come ciais
elemen a es con empla am ainda disciplinas de abalhos p á icos de Calig a ia,
Es enog a ia e Dac ilog a ia.
A p imei a conclusão e i ada des e plano de es udos é não só a ausência da
disciplina de His ó ia mas a di e ença ela i amen e ao ensino elemen a indus ial que
inha His ó ia no seu plano de es udos.
Po ou o lado, os alunos que seguissem as escolas p epa a ó ias come ciais e
indus iais, con o me já oi analisado an e io men e inham His ó ia no seu plano de
es udos.
Já no âmbi o da eo ganização do ensino écnico de 1918, os cu sos écnicos
come ciais de ní el secundá io se iam lecionados nos ins i u os come ciais que e iam a
du ação de qua o anos.
Quad o 3 - Plano de es udos dos cu sos minis ados nos ins i u os come ciais - 1918
1º Ano
2º Ano
3º Ano
4º Ano
Ma emá icas
Elemen a es
Ma emá icas
Elemen a es
Análise Química
Ma é ias-P imas –
Me cado ias
Física Ge al
Física Ge al
Con abilidade Ge al
Con abilidade
Aplicada
Química Ge al e
Elemen os de
Análise Química
Química Ge al e
Elemen os de Análise
Química
A i mé ica Come cial
Álgeb a Financei a
Tecnologia
Mine alogia e Geologia
Di ei o Polí ico,
Adminis a i o e Ci il
Di ei o Come cial e
Ma í imo
Língua Inglesa
Geog a ia e His ó ia
Económicas
Geog a ia e His ó ia
Económicas
Noções de Higiene
T abalhos no
Esc i ó io
Come cial
Língua inglesa
Língua inglesa
Ciência Económica
T abalhos no Esc i ó io
Come cial
T abalhos no
Esc i ó io Come cial
T abalhos no
Esc i ó io Come cial
Após a análise do dec e o 5 029, de 5 de dezemb o de 1918 nos pon os que se
e e em à o ganização dos cu sos come ciais de ní el secundá io, e i icamos que
exis ia a disciplina de Geog a ia e His ó ia Económicas no segundo e e cei o ano. Tal
como já oi e e ido an e io men e, es a on e legal ap esen a apenas as disciplinas que
compunham o cu ículo dos cu sos come ciais, não ap esen ando po ém as ca gas
ho á ias semanais das mesmas, o que di icul a a comp eensão do luga da disciplina de
His ó ia compa a i amen e com ou as disciplinas do cu ículo do ensino come cial.
Helena Viei a
112
cu sos masculinos e emininos dis inguiam-se apenas nas disciplinas de T abalhos
O icinais, sendo igual o es an e plano de es udos, al não se e i ica em 1931, já que
nes a e o ma encon am-se múl iplos cu sos com os mais a iados planos de es udos
que a ia am en e os cinco e os seis anos.
No sen ido de comp eende o luga da disciplina de His ó ia nes e con ex o,
começou-se po iden i ica os cu sos que a incluíam no seu plano de es udos.147 Após a
análise dos planos de es udo dos cu sos indus iais de 1931 e i icou-se que a disciplina
de His ó ia con inua a a su gi associada à Geog a ia. Con udo, sabe-se a a és do
p og ama da disciplina que a Geog a ia e a His ó ia e am lecionadas em anos di e en es
e au ónomos, ou seja, exis ia apenas uma disciplina, Geog a ia e His ó ia, que e a
lecionada no segundo e e cei o ano de alguns cu sos indus iais mas a Geog a ia e a
lecionada au onomamen e no segundo ano e a His ó ia no e cei o ano. Embo a es as
duas á eas pe encessem à mesma disciplina não e am lecionadas em conjun o. Po esse
mo i o, conside a-se que embo a a His ó ia con inuasse ligada à Geog a ia inha já uma
ce a au onomia disciplina no con ex o do ensino écnico.
Rela i amen e aos cu sos que inham a disciplina de Geog a ia e His ó ia, e i ica-
se que dos 61 cu sos indus iais apenas 24 inham His ó ia no e cei o ano. De o ma a
analisa as ca gas ho á ias des es, oi necessá io aze uma dis inção en e os cu sos
emininos e os cu sos masculinos cujos planos de es udos e am conside a elmen e
di e en es.
Dado o ele ado núme o de cu sos indus iais masculinos e a al a de homogeneidade
nos seus planos de es udo, compos os po disciplinas e ca gas ho á ias dis in as, de
o ma a acili a a análise dos cu ículos e encon a neles o luga da disciplina de
His ó ia, op ou-se po ag upá-los de aco do com disciplinas e ca gas ho á ias comuns.
Assim, após análise dos seus planos de es udo, da e i icação das disciplinas que os
compunham, da a e ição das espe i as ca gas ho á ias e da compa ação des as com as
es an es disciplinas do e cei o ano, aquele que con inha a disciplina de His ó ia,
es abelece am-se ês g upos de análise.
O p imei o g upo148 em ca ac e ís icas mui o homogéneas. Todos os cu sos inham
cinco disciplinas no e cei o ano: Po uguês, Ma emá ica, His ó ia, Desenho e O icina.
147 No anexo dois encon a-se a lis a de cu sos indus iais que, na sequência da e o ma de 1931, inham
His ó ia no seu plano de es udos e os que não inham.
148 O p imei o g upo inclui os cu sos de Ca pin ei o de Moldes, Fundido , Se alhei o-mecânico;
To nei o-mecânico, F esado , Maquinis a, Mecânico de Mo o es, Mecânico de Au omó eis; Fe ei o-
o jado , Se alhei o Ci il, Ca pin ei o ci il e Composi o Tipóg a o.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
113
A disciplina de O icina, com 18 ho as semanais, na u almen e dado o ca ác e p á ico
dos cu sos écnicos, ep esen a a 50% da ca ga ho á ia, podendo des a o ma se
conside ada uma disciplina nuclea . Seguia-se a disciplina de Desenho, com 10 ho as
semanais, co espondendo a ce ca de 28% da ca ga ho á ia semanal o al. Seguindo a
lógica dos cu sos écnicos con inua a-se a alo iza as disciplinas mais p á icas. Os
es an es 22% da ca ga ho á ia dis ibuíam-se po disciplinas de ca ác e mais eó ico e
de o mação ge al. As disciplinas de Po uguês e Ma emá ica inham ês ho as
semanais cada uma e a disciplina de His ó ia inha duas ho as semanais.
O segundo g upo de análise149, ca ac e iza-se pela inexis ência da disciplina de
Ma emá ica e pela p esença da disciplina de Modelação e Composição. Es e g upo
egis a ês disciplinas de componen e mais écnica e apenas duas de o mação ge al:
Po uguês com 3 ho as semanais e His ó ia com 2 ho as semanais. Cu iosamen e
assis e-se à manu enção da disciplina de His ó ia em de imen o da Ma emá ica.
O e cei o g upo de análise150 pau a-se pela i egula idade dos seus planos de
es udos. Os cu sos que compõem es e g upo inham um plano de es udos mui o
de inido pelas suas especi icidades. O cu so de “Auxiliado Químico” ap esen a no
e cei o ano as disciplinas de Labo a ó ios de Física e Química e In odução à Física e
Química, assim como a disciplina de F ancês que os es an es cu sos do p imei o e
segundo g upo não ap esen am. O cu so de “G a ado de Aço” ap esen a igualmen e a
disciplina de F ancês em subs i uição da disciplina de Ma emá ica is o que as es an es
man êm a mesma ca ga ho á ia do g upo um. Os cu sos de “Desenhado Li óg a o” e
“Pin o Deco ado ” des acam-se pela ausência da disciplina de O icina, subs i uída pela
de Pin u a e Tecnologia mas com uma ca ga ho á ia semanal conside a elmen e
in e io . As i egula idades das ca gas ho á ias e disciplinas des es cu sos acabam po
aze a ia a pe cen agem da disciplina de His ó ia no e cei o ano. Embo a man endo
duas ho as semanais em odos os cu sos, compa a i amen e com as es an es
disciplinas su gem pe cen agens di e en es. No cu so de “Auxiliado Químico” a
His ó ia ap esen a 11,8% da ca ga ho á ia semanal do e cei o ano, cu so em que a
His ó ia pa ece adqui i alguma ele ância, mas nos es an es man ém ce ca de 7%
ainda assim ligei amen e supe io à dos g upos de análise um e dois. Con udo dada a
i egula idade des es cu sos que, de um modo ge al êm uma média o al de ho as
149 O segundo g upo inclui os cu sos de Ma cenei o, En alhado , Se alhei o- e ei o A ís ico, Cinzelado
e Ou i es.
150 O e cei o g upo inclui os cu sos de Auxiliado de Labo a ó io Químico, Pin o Deco ado ,
Desenhado Li og á ico, Ele icis a e G a ado de Aço.
Helena Viei a
114
semanais in e io e não ap esen am o p edomínio da disciplina de O icinas, apesa de
os alo es se em ligei amen e supe io es pode-se conside a que es á ao ní el dos
g upos de análise um e dois.
De um modo ge al conclui-se en ão que, na sequência da e o ma de 1931, odos os
cu sos indus iais com His ó ia no e cei o ano inham duas ho as semanais des a
disciplina. Es a e a a que inha meno ca ga ho á ia semanal mas em algum ele o
po que se man e e no cu ículo do ensino indus ial.
Compa a i amen e com o plano de es udos da e o ma an e io , e i ica-se que
hou e uma edução do núme o das disciplinas de componen e ge al po ano. As
disciplinas de línguas es angei as e de ciências na u ais desapa ece am do plano de
es udos, man endo-se apenas Po uguês e Ma emá ica, nos ês p imei os anos do cu so,
Geog a ia e His ó ia, espe i amen e no segundo e e cei o ano, e Física e Química, nos
dois úl imos anos do cu so.
Assis iu-se, po isso, a uma cla a pe da de in luência das línguas es angei as, que na
e o ma an e io inham algum des aque, e a His ó ia man ém a sua pe cen agem de
ce ca de 5,5%. Con udo não se pode deixa de a ende ao ac o de os cu sos indus iais
com His ó ia se em in e io es aos cu sos sem es a disciplina.
Rela i amen e aos cu sos indus iais emininos, apenas dois inham a disciplina de
His ó ia: o cu so de Bo dado a- endei a e o cu so de La o es Femininos. Es es cu sos
inham uma du ação de seis anos e, uma ez mais, a disciplina de His ó ia su gia no
e cei o ano com duas ho as semanais co espondendo a 7% do o al da ca ga ho á ia
desse ano. Os cu sos emininos inham apenas qua o disciplinas, sendo a His ó ia
acompanhada pelas disciplinas de Po uguês, que ep esen a a 11% da ca ga ho á ia
semanal, a de Desenho 27% e a de O icina 55%. Po es a azão pode-se conclui que no
e cei o ano dos cu sos emininos man inha-se a mesma endência dos cu sos
masculinos, ou seja, alo iza am-se as disciplinas écnicas de O icina e Desenho e das
disciplinas de ca ác e ge al apenas o Po uguês e a His ó ia.
Ainda na en a i a de comp eende o luga da His ó ia no âmbi o dos cu sos
indus iais na sequência da e o ma de 1931, p ocu ou-se en ende o mo i o de alguns
cu sos e em His ó ia e ou os não. Logo à p imei a is a des acou-se o ac o de alguns
cu sos como os de se alhei o, ca pin ei o, e ei o e en alhado e em His ó ia mas os
mesmos cu sos nas p o íncias não e em a disciplina. No e-se o caso pa adigmá ico do
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
115
cu so de Se alhei o- e ei o a ís ico151 que p e ia no seu plano de es udos a
disciplina de Geog a ia e His ó ia mas o mesmo cu so na p o íncia, não.
No mesmo sen ido, os cu sos de Ca pin ei o Ci il e Ca pin ei o de Moldes,
lecionados em Po o e Lisboa inha a disciplina de Geog a ia e His ó ia mas os cu sos
de Ca pin ei o, Ca pin ei o-ma cenei o e Ca pin ei o-seguei o, lecionados pelo es o
do país152, não con inham a disciplina. Es e aspe o e ela desde logo uma ce a
di e ença egional na o ganização dos planos de es udo dos cu sos.
1.2.2 A disciplina de His ó ia nos cu sos come ciais
Rela i amen e aos cu sos come ciais, a e o ma de 1931 es abeleceu ês cu sos: o
cu so complemen a de comé cio (diu no), o cu so complemen a de comé cio
(no u no) e o cu so de comé cio (diu no ou no u no). A p imei a conclusão e i ada da
análise das disciplinas que compunham es es cu sos compa a i amen e aos cu sos
indus iais, é o ca ác e mais eó ico, ge al e humanís ico das mesmas. De um o al de
ca o ze disciplinas, apenas ês são ap esen adas como p á icas (Calig a ia,
Dac ilog a ia e Es enog a ia).
Os cu sos complemen a es de comé cio diu no e no u no inham um plano de
es udos com as mesmas disciplinas e ca gas ho á ias o ais, dis inguindo-se apenas na
sua du ação. Enquan o o cu so diu no inha a du ação de qua o anos, o cu so no u no
inha cinco anos. O cu so de comé cio ap esen a a um g upo de disciplinas meno e
uma ca ga ho á ia o al mais eduzida.
O cu so de comé cio inha a du ação de ês anos e e a cons i uído po oi o
disciplinas de ca ác e ge al e eó ico e apenas ês de ca ác e p á ico, o que
con as a a com a maio dimensão p á ica a ibuída aos cu sos indus iais. Embo a
nes e cu so não exis isse a disciplina de His ó ia, é de essal a , no en an o, que exis ia
uma disciplina de Geog a ia Ge al.
151 De aco do com o dec e o 20420, de 21 de ou ub o de 1931, o cu so de Se alhei o- e ei o a ís ico e a
cons i uído pelas disciplinas de Po uguês, Ma emá ica, Geog a ia e His ó ia, Desenho Ge al, Desenho
O namen al, Modelação e Composição, F ancês e O icina. Já o cu so de Se alhei o- e ei o a ís ico
(p o íncia) e a cons i uído apenas pelas disciplinas de Po uguês, Ma emá ica, Desenho Ge al, Desenho
P o issional, Modelação e Composição e O icina.
152 De aco do com o dec e o 20420, de 21 de ou ub o de 1931, os cu sos de Ca pin ei o, Ca pin ei o-
ma cenei o e Ca pin ei o-seguei o e am lecionados em A ei o, Águeda, Oli ei a de Azeméis, B aga,
B agança, Figuei a da Foz, Fa o, Lagos, Lei ia, Vila Real, Viseu, Sil es, Toma , Cha es, Pon a Delgada,
Ang a do He oísmo, Funchal, Gondoma e Po aleg e.
Helena Viei a
116
Cu iosamen e, se os cu sos de comé cio não con empla am a disciplina de His ó ia,
os cu sos complemen a es de comé cio con inham já uma disciplina de His ó ia
au ónoma, a disciplina de His ó ia Pá ia e Ge al, no e cei o ano do cu so, com uma
ca ga ho á ia semanal de ês ho as, embo a con inuasse a egis a -se uma maio ca ga
ho á ia no cu so da disciplina congéne e de Geog a ia Económica, Vias de
Comunicação e T anspo es que se egis a a no p imei o e segundo ano igualmen e
com ês ho as semanais.
Quad o 4 - Plano de es udos dos cu sos de comé cio - 1931
O ganização Cu so de Comé cio – 1931
Disciplinas
pa e
1º
ano
2º
ano
3º
ano
To al
Po uguês
3
3
3
9
F ancês
3
3
3
9
A i mé ica come cial e geome ia elemen a
3
3
6
Elemen os de di ei o come cial e de economia
polí ica
3
3
Geog a ia ge al
3
3
Noções ge ais de comé cio
1ª
3
3
Con abilidade e esc i u ação come cial
2ª
6
6
Cu sos p á icos
0
Calig a ia
3
3
6
Dac ilog a ia
3
3
Es enog a ia
3
3
To al
15
18
18
51
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
117
Quad o - 5 Plano de es udos do cu so complemen a de comé cio (diu no) - 1931
O ganização do Cu so Complemen a de Comé cio (Diu no)
Disciplina
1º
ano
2º
ano
3º
ano
% 3º
ano
4º
ano
To al
%
To al
Po uguês
3
3
3
12,0
3
12
13,8
F ancês
3
3
3
12,0
3
12
13,8
Inglês
4
4
16,0
4
12
13,8
A i mé ica come cial e geome ia elemen a
3
3
6
6,9
Elemen os de di ei o come cial e de economia
polí ica
3
3
3,4
Geog a ia económica, ias de comunicação e
anspo es
3
3
6
6,9
His ó ia Pá ia e Ge al
3
12,0
3
3,4
Noções ge ais de comé cio
3
3
3,4
Con abilidade e esc i u ação come cial
3
12,0
6
9
10,3
Elemen os de ísica, química e his ó ia na u al
3
12,0
3
3,4
Noções e ecnologia e me cado ias
3
3
3,4
Calig a ia
3
3
6
6,9
Dac ilog a ia
3
12,0
3
3,4
Es enog a ia
3
12,0
3
3
3,4
To al
15
22
25
100,0
25
87
100,0
Habili ações complemen a es pa a ma ícula nos ins i u os come ciais
Elemen os de álgeb a
3
Física e química
3
To al
31
Fazendo uma p imei a lei u a ge al da ca ga ho á ia do cu so complemen a de
comé cio, conclui-se que ha ia ês g upos de disciplinas: as disciplinas de ca á e
ge al, que cons i uíam 55% do cu ículo; as disciplinas come ciais que cons i uíam
28% do cu ículo e as disciplinas p á icas, que cons i uíam 17% do cu ículo. Pe an e
es es alo es e i ica-se cla amen e o p edomínio das disciplinas de ca á e ge al
compa a i amen e com as disciplinas especí icas da á ea come cial e com as disciplinas
p á icas.
Nes e plano de es udos, a disciplina de His ó ia apa ece no g upo das disciplinas
com meno ca ga ho á ia no cu so a pa das disciplinas de Elemen os de Di ei o
Come cial e de Economia Polí ica, Noções Ge ais de Comé cio, Elemen os de Física,
Química e His ó ia Na u al e Noções e Tecnologia e Me cado ias.
As disciplinas que egis a am uma maio ca ga ho á ia semanal e am as línguas –
Po uguês, Inglês e F ancês - seguidas pela disciplina de Con abilidade e Esc i u ação
Come cial. Es a di e ença de alo ização disciplina pode á es a elacionada com a
p óp ia na u eza do cu so come cial que não se des ina a a o ma ope á ios mas sim
come cian es e écnicos come ciais que lida am com um público mais ala gado e
Helena Viei a
118
ab angen e e inham um abalho mais in elec ual necessi ando po isso de uma
o mação mais ge al.
Po ou o lado, analisando apenas a ca ga ho á ia do e cei o ano, aquele que inha a
disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia, e i ica-se uma ce a homogeneidade da
o ganização do ho á io semanal. À exceção da disciplina de Inglês que egis a a qua o
ho as semanais, odas as es an es disciplinas inham apenas ês ho as semanais
podendo conside a -se que es a am ao mesmo ní el.
Ainda no que conce ne aos cu sos come ciais, e al como se e i icou nos cu sos
indus ias, é in e essan e e i ica a localização das escolas onde e am lecionados que
os cu sos de comé cio que os cu sos complemen a es de comé cio.
Ao odo, em Po ugal exis iam oi o cu sos complemen a es de comé cio (qua o em
Lisboa, dois no Po o, um em Coimb a e um no Funchal) e dezoi o cu sos de comé cio.
Ve i ica-se en ão que os cu sos come ciais, sem His ó ia, p oli e am um pouco po
odo o país (A ei o, Águeda, B aga, Guima ães, Figuei a da Foz, Fa o, Sil es, Lei ia,
Caldas da Rainha, Pó oa de Va zim, Se úbal, Toma , Viana do Cas elo, Vila Real,
Cha es, Viseu, Ang a do He oísmo e Pon a Delgada) enquan o os cu sos
complemen a es de comé cio, com His ó ia, cen am-se nas p incipais cidades do país
Lisboa, Po o e Coimb a e na cidade do Funchal na Região au ónoma da Madei a.
Uma ez mais assis e-se a uma polí ica egional, que cen a a a o mação com
maio ca ga ho á ia e núme o de disciplinas nas p incipais zonas indus iais do país -
Lisboa e Po o.
O egime de Salaza começa a a ala ga os cu sos come ciais a odo o país é ce o
mas não concedia uma o mação igual em odas as egiões sendo e iden e uma
di e enciação egional do ensino écnico.
1.2.3 A disciplina de His ó ia nos cu sos ag ícolas
Em 1933, o dec e o 22 427, de 8 de ab il, eo ganiza a o ensino nas escolas de
egen es ag ícolas, no amen e ein eg ado no Minis é io da Ins ução Pública. Os
cu sos ag ícolas nes a e o ma seguem a mesma endência da an e io man endo as
ap oximações ao ensino liceal.
Em 1933, de e mina a-se que as escolas ag ícolas de e iam o nece aos seus alunos
uma cul u a écnica ge al alo izando uma o mação mais eó ica semelhan e à
p opo cionada pelos liceus. O obje i o das escolas e a habili a alunos pa a di igi e
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
119
adminis a explo ações ag ícolas e auxilia os se iços écnicos nos es abelecimen os
o iciais. Dep eende-se po an o que o ensino ag ícola não se des ina a a o ma
“ope á ios u ais” mas sim quad os écnicos supe io es que u u amen e in eg assem o
Ins i u o Supe io de Ag onomia e a Escola Supe io a de Medicina Ve e iná ia e que
necessi a am de uma o mação mais comple a ao ní el eó ico.
As escolas de egen es ag ícolas minis a am cu sos com a du ação de se e anos e,
nos cinco p imei os, leciona a-se o cu so ge al dos liceus. O seu plano de es udos
o ganiza a-se em o no de disciplinas liceais e écnicas que se di idiam em eó icas e
p á icas.
Após a análise do plano de es udos das escolas de egen es ag ícolas, e i ica-se que
nos cinco p imei os anos do cu so os alunos equen am apenas disciplinas liceais
(Po uguês, La im, F ancês, Inglês, Geog a ia e His ó ia, Ins ução Mo al e Cí ica)
dis ibuindo-se as es an es dezano e disciplinas écnicas pelos úl imos qua o anos do
cu so.
Ao longo de odo o cu so, man êm-se semp e a p imazia das aulas eó icas sob e as
aulas p á icas mesmo nas disciplinas di as écnicas. Pe an e es a si uação pode-se
conclui que os cu sos ag ícolas e am subs ancialmen e dis in os dos cu sos come ciais
e indus iais não só de ido à sua semelhança e equipa ação ao ensino liceal mas
ambém de ido à alo ização das disciplinas eó icas compa a i amen e com as
disciplinas p á icas.
G á ico 7 - Dis ibuição de aulas eó icas e p á icas pelos se e anos dos cu sos do ensino ag ícola - 1933
Helena Viei a
120
1.3 A disciplina de His ó ia no con ex o da e o ma de 1948
A e o ma de 1948 oi ins i uída pelo Dec e o-Lei 37 029, de 25 de agos o de 1948,
que p omulgou o es a u o do ensino p o issional indus ial e come cial. Es a e o ma oi
cuidadosamen e p epa ada po comissões especiais e ob e e á ios pa ece es da
Assembleia Nacional e da Câma a Co po a i a. Pela sua ino ação, es a e o ma acabou
po se conside ada a mais es u u an e do ensino écnico da segunda me ade do século
XX.
A pa i de 1948, o ensino écnico em Po ugal conheceu uma no a ase de ida
sob e udo à necessidade de p omo e o desen ol imen o económico e social do país. A
ní el polí ico, 1945 ouxe uma g ande u u a, com o im das di adu as na Eu opa
cen al. No nosso país, Salaza soube adap a -se aos no os empos e en ou aze
anspa ece uma no a abe u a man endo o egime quase inal e á el. Con udo, a ní el
social e económico não e a possí el man e os ideais do passado. A necessidade de
desen ol e o país exigia uma mão-de-ob a quali icada com uma sólida o mação de
base. A consciência da necessidade da o mação de um capi al humano capaz de
p omo e o desen ol imen o do país le ou o Es ado No o a pensa o ensino écnico
com mais a enção e a aze uma e dadei a e o ma nes e subsis ema de ensino.
Assim, o Es ado No o epensou o luga e a impo ância da escola, ou seja, epensou
o luga e a unção de cada um. As pala as de Ca los P oença são bas an e sin omá icas
des a mudança de men alidade quando e e e “es o çamo-nos a sepa a o abalho
in elec ual do abalho manual. Que emos que uns homens i am exclusi amen e a
pensa e ou os exclusi amen e a abalha manualmen e: àquele chamamos uma
pessoa cul a e a es e um ope á io. No en an o, o ope á io de ia ambém pensa e a
pessoa cul a abalha manualmen e e assim, ambos se iam pessoas no melho
sen ido”153. Po se sus en a nes e p incípio e po en a cons ui um ipo de ensino que
ao mesmo empo o masse ope á ios quali icados e os p epa asse pa a a e as mais
nob es e esponsá eis c iando uma no a di isão social do abalho, a e o ma de 1948
encon ou á ios oposi o es que a conside a am demasiado p og essis a.
De modo a a e i as eais necessidades de o mação écnica do país, c iou-se uma
comissão de e o ma do ensino écnico, a a és do dec e o-lei 31 431, de 29 de junho
de 1941, coo denada po Lei e Pin o. O p imei o ela ó io des a comissão oi en egue
153 PROENÇA, Ca los – O Ensino no Quad o da Educação Nacional. In, “Escolas Técnicas”, nº 1, 1947,
p. 13.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
121
no minis é io em 1944 mas os es udos p ossegui am e apenas em 1947 o p oje o de
e o ma oi deba ido na Assembleia Nacional. Es e ans o mou-se em lei a a és dos
dec e os n.º 37 028, de 25 de agos o de 1948, e n.º 37 029, da mesma da a, que
ins i uí am o no o es a u o do ensino p o issional indus ial e come cial.
Se a e o ma an e io , de 1931, inha o obje i o cla o de habili a ope á ios, a no a
e o ma de 1948 p ocu a a i mais além e em ez de ins ui e ce i ica ope á ios
p ocu ou o má-los. Nes e sen ido, su giu uma no a o ganização do ensino écnico com
a c iação do ciclo p epa a ó io, com a du ação de dois anos; de cu sos complemen a es
de ap endizagem, com a du ação de qua o anos; de cu sos de o mação com a du ação
de ês anos podendo os alunos op a po mais um ano da secção p epa a ó ia pa a os
ins i u os; de cu sos de especialização em egime de o mação, com a du ação de um
ano; de cu sos de especialização em egime de ape eiçoamen o, que podiam du a um,
dois ou ês anos; e de cu sos de mes ança que a ia am en e dois e qua o anos.
O ciclo p epa a ó io, como o p óp io nome indica, p ocu a a p epa a os es udan es
pa a p ossegui es udos. Es e no o ciclo de dois anos, que se seguia ao ensino p imá io,
inha um ca ác e mais ge al e menos écnico que aumen a a a escola idade di a
ob iga ó ia. Visa a-se que, na sequência des e, os alunos p osseguissem es udos.
Pa a ing essa no ciclo p epa a ó io do ensino écnico os alunos e am subme idos a
um exame de admissão compos o po ês p o as: p o a esc i a, p o a p á ica e p o a
o al154.
No ciclo p epa a ó io, a His ó ia su gia ligada ao Po uguês na disciplina de Língua
e His ó ia Pá ia. Es a ligação alo iza a la gamen e a His ó ia no cu ículo is o que
os jo ens ape eiçoa am a lei u a, a in e p e ação, a comp eensão e a comunicação
esc i a e o al a a és de conhecimen os his ó icos. Em e mos de ca ga ho á ia a
His ó ia su gia assim numa das p incipais disciplinas do ciclo p epa a ó io do ensino
écnico.
Na u almen e, sendo um cu so de p epa ação pa a p ossegui es udos no âmbi o do
ensino écnico, as p incipais disciplinas do ensino écnico, de aco do com a ca ga
ho á ia a ibuída, e am as de Desenho e T abalhos Manuais que, conjun amen e,
ep esen a am 44% do cu so. A disciplina de maio ele ância imedia amen e a segui
154 A p o a esc i a e a cons i uída po um di ado de um ex o de 120 a 150 pala as, po uma edação
sob e um ema co en e do conhecimen o di e o dos alunos e pela espos a a dez pe gun as de A i mé ica.
A p o a p á ica pelo desenho de um obje o de uso comum e a p o a o al consis ia na lei u a e análise
ideológica de um echo simples, num in e oga ó io sob e noções mui o sumá ias de His ó ia e Geog a ia
de Po ugal e po im, pe gun as sob e A i mé ica e Geome ia. In Diá io do Go e no, I Sé ie, Dec e o
37029, de 25 de agos o de 1948, a igo 16º.
Helena Viei a
128
o ganização cu icula dos cu sos. A e o ma de 1918, limi ou-se a ap esen a uma lis a
de disciplinas sem qualque e e ência às suas ca gas ho á ias enquan o as e o mas de
1931 e 1948, egis am já po meno izadamen e disciplinas, ca gas ho á ias e o seu
enquad amen o cu icula nos á ios cu sos e nos planos de es udo comple os. Po
ou o lado, es as e o mas não e e em a jus i icação das escolhas das disciplinas.
Uma segunda conclusão p ende-se com a di iculdade de encon a uma linha de
análise compa a i a en e as á ias e o mas dos cu sos indus iais dado que elas se
e elam odas dis in as, sem uma linha sólida comum de e olução. A o ganização
p econizada em 1918 é bas an e di e en e da e o ma de 1931. Se na p imei a ha ia
apenas um plano de es udos pa a os cu sos indus iais de aco do com o g au de ensino,
a segunda, ao mul iplica os cu sos dando-lhes especi icidades p o issionalizan es,
e ela-se mais complexa de analisa di icul ando a c iação de g upos de e e ência pa a
análise. A e o ma de 1948, apesa de man e a mul iplicidade de cu sos e e o cuidado
de ap esen a a localização, planos de es udo e ca gas ho á ias dos mesmos, di ide o
ensino écnico em á ios g aus que di icul am o delinea de pon os de e e ência pa a
compa ação com as e o mas an e io es.
No ou-se igualmen e a di e ença da homogeneidade que ca ac e izou a e olução do
ensino liceal compa a i amen e com a di e sidade e u u as que ca ac e iza am a
e olução do ensino écnico. Se o p imei o e elou desde cedo uma ce a linha de
o ien ação es abilizada, e elando apenas ligei as di e enças e olu i as, o ensino
écnico, ao longo do século XX, es e e em pe manen e e olução e oi ma cado po
u u as acen uadas na o ma de o ganiza os á ios cu sos ossem eles indus iais,
come ciais, a ís icos ou ag ícolas.
Con udo es as di e enças no ma i as e de o ganização cu icula e ela am
igualmen e ou as conclusões ela i as à p óp ia polí ica educa i a po uguesa do
século XX. Se é de longa da a e ce a a dis inção ei a, ao ní el do ensino secundá io,
en e o ca ác e eó ico e clássico do ensino liceal e o ca ác e p á ico e
p o issionalizan e do ensino écnico, ambém é ce o que não se pode e e i a o al
sepa ação en e os dois subsis emas nem se pode aze uma dis inção linea .
Re ela am-se ap oximações en e os dois subsis emas nomeadamen e no ensino
ag ícola que, apesa de écnico, inha uma ce a equipa ação ao ensino liceal, pois
ap esen a am disciplinas comuns e a ibuía, inclusi amen e, uma quali icação
co esponden e ao ensino liceal a é ao 5º ano, al u a em que, caso desejassem, os alunos
do ensino ag ícola pode iam ansi a pa a o ensino liceal.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
129
To nou-se ainda mais e iden e que a polí ica educa i a ela i amen e ao ensino
écnico é mais complexa do que se pode ia pensa . O ensino écnico não oi pensado
como um odo, como se e i icou no ensino liceal, mas oi pensado à medida que as
necessidades económicas do país exigiam écnicos especializados ou mão-de-ob a
quali icada e enquad ada social e mo almen e. De 1918 pa a 1948 no am-se não só
di e enças de o ganização cu icula mas essencialmen e mudanças de in enções que
acabam po se e le i nas p óp ias disciplinas. Se na e o ma de 1918 há uma
p edominância das disciplinas de ca ác e p á ico, na e o ma de 1931 começam a
egis a -se mais disciplinas de ca ác e eó ico e na e o ma de 1948 encon am-se já
mais disciplinas ge ais e um g upo cla o de disciplinas de o mação mo al e cí ica
como as disciplinas de Religião Mo al, Fo mação Co po a i a e Noções de Higiene.
No con ex o do ensino indus ial, em 1918, a His ó ia su gia nas escolas indus iais,
no g au ge al, associada à Geog a ia e com uma ca ga ho á ia semanal de ês ho as
du an e dois anos. Nos ins i u os indus iais, onde se leciona a o ensino secundá io, a
His ó ia já não e a con emplada no cu ículo. Con udo, se os alunos p e endessem
p ossegui es udos, ing essa iam nos cu sos p epa a ó ios onde e iam a disciplina de
Geog a ia Ge al, Elemen os de His ó ia Uni e sal e His ó ia Pá ia, com uma ca ga
ho á ia semanal de duas ho as du an e ês anos.
Em 1931, os cu sos indus iais ol am a egis a a disciplina de Geog a ia e His ó ia
mas sabe-se já que es as são lecionadas sepa adamen e apesa de aze em pa e da
mesma disciplina. A Geog a ia inha uma ca ga ho á ia de duas ho as num ano e a
His ó ia ou as duas ho as no ano seguin e. Es e aspe o é já de e minan e pa a a e i
uma ce a au onomia da His ó ia embo a es a con inuasse o icialmen e ligada à
Geog a ia.
Em 1931, e i icou-se que ha ia mais cu sos indus iais sem His ó ia do que com
ela e que es es se localiza am, maio i a iamen e, nas g andes cidades de Lisboa e
Po o, le an ando no amen e a ideia de uma polí ica educa i a egional que p ocu a a
da uma o mação mais comple a nos locais mais populosos onde se ia necessá io um
maio cuidado na o mação dos u u os abalhado es indus iais.
Em 1948, os cu sos indus iais ganham uma no a o ganização e, uma ez mais,
mul iplicam-se. Foi o mado o ciclo p epa a ó io onde a His ó ia oi sepa ada da
Geog a ia mas associada à Língua Po uguesa. Nes e cu so, a disciplina ia-lhe se
a ibuída uma ca ga ho á ia de cinco ho as semanais du an e os dois anos do cu so. A
His ó ia nes e g au se ia eiculada a a és da lei u a e do conhecimen o das g andes
Helena Viei a
130
na a i as his ó icas do nosso país, sendo assim alo izada. A ançando pa a os cu sos
complemen a es de ap endizagem, a disciplina de His ó ia Pá ia con inua a ligada à
disciplina de Po uguês com duas ho as semanais du an e ês anos. Nos cu sos de
o mação, nas especializações e nos cu sos de mes ança, a His ó ia desapa ecia do
cu ículo.
Nos cu sos come ciais a si uação já e a dis in a pois ha ia uma maio impo ância
dada à His ó ia nos cu ículos. Em 1918, em dois anos, su gia a disciplina de Geog a ia
e His ó ia Económicas. A ançando pa a 1931, o ensino come cial de ní el secundá io
au onomiza a já a disciplina de His ó ia que se sepa a comple amen e da Geog a ia,
su gindo a disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia, com uma ca ga ho á ia de duas ho as
no segundo ano do cu so.
Ao ní el básico, a e o ma de 1948 man inha a ligação es ei a en e as disciplinas
de His ó ia e de Po uguês. Já na e o ma do ensino come cial, man inha-se a
au onomia da disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia e a sua ca ga ho á ia oi aumen ada
pa a duas ho as semanais du an e dois anos do cu so.
Des a o ma conclui-se que nos cu sos come ciais a His ó ia sepa ou-se no ensino
secundá io da Geog a ia ganhando um luga p óp io e que, pela p imei a ez, no ensino
básico, aliou-se à disciplina de Po uguês.
O ensino ag ícola, con o me já oi e e ido, inha uma dinâmica di e en e pois
con inha disciplinas iguais aos cu sos liceais e a é equi alências. A disciplina de
His ó ia su gia, que em 1919, que em 1931, ligada à Geog a ia, com uma ca ga
ho á ia ligei amen e supe io à dos es an es cu sos écnicos, ap oximando-se assim do
subsis ema de ensino congéne e, pelo que se op ou po limi a nes e momen o o es udo
da disciplina de His ó ia apenas aos cu sos indus iais e come ciais.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
131
Capí ulo 2. Con eúdos Escola es da Disciplina de His ó ia
Pa a o es udo de uma disciplina escola é undamen al iden i ica os con eúdos que
ela ansmi e. A seleção dos assun os que de e iam se ensinados às ge ações u u as,
a a és das disciplinas escola es, pe mi e desco ina não só que emá icas da á ea
cien í ica de e e ência e am alo izados mas ambém as escolhas que cada egime
polí ico ez numa de e minada época his ó ica assim como as in enções que le a am à
seleção ou exclusão de de e minado con eúdo escola .
Po ém é necessá io e como pon o de pa ida a noção que es es con eúdos são
pensados e in e p e ados de aco do com a isão dos di e en es a o es educa i os que
in e êm na disciplina.
Nos pe íodos em análise, o p imei o a o que de inia os con eúdos de uma disciplina
escola e a o pode legisla i o, sob p opos a do pode polí ico e, no malmen e depois de
algumas comissões e em abalhado na elabo ação dos p og amas du an e algum
empo. De e minados os emas que de e iam se abo dados nas di e en es disciplinas
escola es e egulamen ados em Diá io do Go e no, po ezes, su giam ambém
indicações me odológicas sob e a o ma como os mesmos de e iam se in e p e ados e
lecionados.
A sua implemen ação e a depois da esponsabilidade de au o es de manuais e,
sob e udo, dos p o esso es que, em con ex o de sala de aula, os pa ilha am com os
alunos.
Os au o es de manuais, baseados nos p og amas o iciais, ap esen a am a sua isão e
in e p e ação dos con eúdos escola es que e iam de se lecionados a a és da
cons ução de um ex o his o iog á ico de au o assim como um conjun o de ecu sos
educa i os que p ocu a am simul aneamen e i ao encon o da isão do legislado e
adap a os conhecimen os da sua á ea cien í ica de e e ência aos alunos que os i iam
es uda . Na u almen e, os au o es de manuais escola es acaba am po ansmi i as suas
p óp ias isões, ep esen ações e in e p e ações nos ex os que esc e iam,
cons i uindo-se assim como agen es que con ibuíam di e amen e pa a a cons ução dos
con eúdos escola es.
Po ou o lado, os p o esso es e am o e cei o agen e que abalha a os con eúdos
especí icos da disciplina que de iam se ansmi idos aos alunos. Eles pa iam das
di e izes o iciais dos p og amas mas depois inham como ecu so indispensá el e
Helena Viei a
132
incon o ná el de ensino o manual ou manuais da sua disciplina que se iam de base
pa a o seu abalho. Assim o p o esso abso ia à pa ida pelo menos duas isões sob e
os con eúdos escola es da sua disciplina. Po ém, o p o esso inha ainda uma ou a
isão sob e os con eúdos a leciona : a sua p óp ia in e p e ação do p og ama. Fazendo
uso dos seus conhecimen os cien í icos, da sua expe iência p o issional, das
in es igações que azia na p epa ação das aulas e do diálogo com os seus pa es, o
p o esso cons uía uma pe spe i a pessoal sob e os con eúdos escola es que inha de
abalha e ansmi i aos seus alunos.
Finalmen e, não podemos deixa de menciona que, em úl ima análise, os con eúdos
escola es e am analisados, abalhados e in e io izados pelos p óp ios alunos que, no
inal da sua ap endizagem, de e iam e adqui ido um conhecimen o no o pa a si a
pa i dos con eúdos escola es que es uda am e ap ende am.
Simul aneamen e, os con eúdos escola es e le em não apenas as isões dos agen es
educa i os mas ambém pe mi em analisa o g au de acei ação ou esis ência dos
agen es educa i os às di e izes supe io es impos as pelos p og amas o icias. Assim,
nes e capí ulo, após a iden i icação dos con eúdos p og amá icos da disciplina de
His ó ia no ensino écnico, p ocu a -se-á ambém e i ica o g au de con o midade
en e os con eúdos escola es p opos os nos p og amas o mais e os con eúdos
cons an es nos manuais do ensino indus ial e come cial.
Num ou o pon o de is a, ao ní el da disciplina de His ó ia, a análise dos con eúdos
escola es p esen es, que nos p og amas que nos manuais escola es, pe mi em ainda
comp eende a p óp ia e olução his o iog á ica da época e i icando se a endência
ge al da his o iog a ia da His ó ia enquan o ciência é, ou não, a mesma da
his o iog a ia da His ó ia enquan o disciplina escola . Simul aneamen e, es a análise
pe mi e e i ica que emá icas his ó icas são ansmi idas e quais as que são deixadas
de pa e is o que na análise dos con eúdos de uma disciplina escola são ão
impo an es os con eúdos que es ão p esen es como aqueles que es ão ausen es.
Es e capí ulo, baseado essencialmen e nos con eúdos p og amá icos da disciplina de
His ó ia pa a o ensino indus ial e come cial e nos con eúdos p esen es nos seus
espe i os manuais, encon a-se subdi idido em duas pa es: uma p imei a que abo da
o pe íodo empo al en e 1926 e 1948, pe íodo em que ha ia uma ce a libe dade na
adoção do manual escola is o que ainda não o a es abelecido o manual único; e uma
segunda que abo da o pe íodo empo al en e 1948 e 1974, desde a adoção de ini i a
nos cu sos indus iais e come ciais do manual único, na sequência da e o ma de 1948,
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
133
a é à ase de ansição pa a o ensino uni icado. Ao longo da análise p ocu a -se-á
e i ica que con eúdos e am mais abo dados e quais e am os excluídos, assim como
a e i o g au de co espondência en e os con eúdos p econizados no p og ama e os
con eúdos e e i amen e p esen es nos manuais. 163
2.1 Con eúdos Escola es da Disciplina de His ó ia en e 1926 e 1948
Na sequência da lei 1 822, de 14 de ou ub o de 1925 que ixa a a o ganização do
cu so elemen a de comé cio minis ado nas escolas dependen es da Di eção Ge al do
Ensino Indus ial e Come cial, o ensino come cial passou a e a disciplina de
Geog a ia Come cial, Vias de Comunicação e T anspo es e His ó ia Ge al e Pá ia
no p imei o, segundo e e cei o ano. Con udo, a disciplina que se cons i uía como uma
só pa a a ealização do exame de admissão aos Ins i u os Come ciais, es a a na
ealidade di idida em duas pa es como o comp o a a sín ese da sua ca ga ho á ia, que
a di idia numa p imei a pa e de Geog a ia Come cial, Vias de Comunicação e
T anspo es, com ês ho as semanais du an e o p imei o e segundo ano, e numa
segunda pa e de His ó ia Ge al e Pá ia, com uma ca ga ho á ia de ês ho as
semanais no e cei o ano.
O p óp io p og ama es abelecido no dec e o 11 490, de 9 de ma ço de 1926, e le e
es a di isão pois ap esen a sepa adamen e os con eúdos p e is os pa a a disciplina. Es a
p imei a di isão e idencia já uma ce a au onomia da disciplina de His ó ia apesa de
ainda es a ligada o icialmen e à disciplina de Geog a ia.
O p og ama de 1926 da disciplina de His ó ia pa a os cu sos come ciais es abelecia
os á ios con eúdos p e is os, assim como algumas obse ações, embo a mui o
eduzidas se as compa a mos com as o ien ações es abelecidas em ou as disciplinas do
ensino écnico como as de Língua F ancesa e Inglesa. Es e ca á e eduzido o na-se
ainda mais e iden e se compa a mos o seu con eúdo e ex ensão com as indicações
cons an es nos p og amas da disciplina de His ó ia no ensino liceal que e e iam mais
indicações sob e a o ma como os con eúdos de e iam se abo dados em con ex o
educa i o.
163 As lis agens de con eúdos que se i am de base a es e capí ulo assim como o seu espe i o
abalho de análise quan i a i a encon am-se nos anexos 3 e 4.
Helena Viei a
134
Nas obse ações sob e a disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia164, es abelecia-se que
es a e ia qua o g andes ins: o conhecimen o de ac os; a ligação dos ac os no empo
e no espaço; o desen ol imen o do aciocínio com base nos ac os; e a compa ação da
His ó ia nacional com a His ó ia uni e sal.
Es as inalidades do ensino da His ó ia nas escolas come ciais e elam que a
His ó ia de e ia alo iza os aspe os ac uais, con ex ualizando-os em duas e en es
o ien ado as: o empo e o espaço. Po ém, não se p e endia que o ensino da His ó ia se
limi asse à memo ização de da as, biog a ias ou de g andes ba alhas, a é po que essas
e e ências não su gem explíci as na lis a de con eúdos p econizadas pelos legislado es.
Espe a a-se ambém que a disciplina escola de His ó ia con ibuísse pa a o
desen ol imen o do aciocínio a pa i dos ac os his ó icos, p ocu ando semp e aze
análises compa a i as en e a His ó ia de Po ugal e a His ó ia Uni e sal.
Po ou o lado, embo a a nomencla u a da disciplina osse His ó ia Ge al e Pá ia,
podendo induzi que a His ó ia de esse p imei amen e se abo dada sob o pon o de
is a ge al e só depois nacional, o p og ama não dá nenhuma indicação nesse sen ido
mencionando apenas que no ensino da disciplina de e -se-ia e como im o es udo
compa ado da His ó ia de Po ugal com a His ó ia Uni e sal.
Analisando o p og ama numa pe spe i a global, a p imei a imp essão que essal a a
qualque p o esso de His ó ia é a sua g ande ex ensão empo al pa a um ão eduzido
núme o de ho as (3 ho as semanais) e pa a um único ano le i o, ag a ado pelo ac o de
exigi uma abo dagem simul aneamen e da His ó ia nacional e da His ó ia ge al.
Rela i amen e aos con eúdos p opos os no p og ama, a dis ibuição dos mesmos
o ien a a-se po qua o eixos es u u an es: P elimina es, Idade Média; Idade Mode na
e Idade Con empo ânea, ou seja, p edomina a a di isão po épocas his ó icas.
O p og ama de 1926 limi a a-se no en an o à enume ação c onológica de um
conjun o de emas a abo da não dando qualque indicação do empo ou p o undidade
que de ia se des inado a cada um. Tal pode indicia que o p o esso inha uma ce a
lexibilidade na sua ges ão cu icula , podendo à sua on ade explo a de o ma mais
164 Diá io do Go e no, I Sé ie , Dec e o 11 490, 9 de ma ço de 1926. Nas obse ações ao p og ama da
disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia pode le -se: “O p o esso e á semp e em is a no ensino da his ó ia
habi ua o aluno a conhece os ac os, a sabe ligá-los no empo e no espaço, a aciocina com eles e a
compa a bem a his ó ia nacional com a his ó ia ge al. O p o esso de e aze na sua escola, du an e o
ano, uma sé ie de con e ências aos seus alunos sob e alguns dos ac os que, sendo impo an es, não ão
indicados no p og ama po os alunos não e em empo pa a os es uda . Essas con e ências de e ão se
acompanhadas de p ojecções luminosas, de o og a ias, de manei a a o na mais p o ícuo, mais
a aen e e mais pedagógico o ensino da his ó ia. A imagem objec i a acompanha á semp e a exposição
do p o esso .”
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
135
exaus i a ou mais ab e iada um ou ou o con eúdo p e is o no p og ama, embo a não
pudesse es a em causa o seu cump imen o já que ele e a obje o de uma a aliação inal
em exame.
Nas obse ações do p og ama su gia ainda a seguin e indicação: “o p o esso de e
aze na sua escola, du an e o ano, uma sé ie de con e ências aos seus alunos sob e
alguns dos ac os que, sendo impo an es, não ão indicados no p og ama po os
alunos não e em empo pa a os es uda 165”. Es a a i mação é sin omá ica não só da
au onomia dos p o esso es que podiam abo da nas e e idas con e ências emas e
con eúdos não p e is os no p og ama como, implici amen e, acei a a g ande ex ensão
do p og ama. Po ou o lado, é ainda isí el a consciência da impossibilidade de
abo dagem, den o do empo le i o p e is o, de assun os his ó icos ele an es mas
secunda izados na explici ação dos con eúdos p og amá icos.
O p imei o eixo ela i o aos P elimina es e ela que o ensino da His ó ia não se
limi a a apenas à ansmissão de ac os sob e as g andes épocas his ó icas mas de ia
con empla igualmen e um conjun o de con eúdos p é ios e in odu ó ios de ca ác e
in o ma i o que dessem a conhece a disciplina e alguns aspe os essenciais sob e a sua
o ganização, de o ma a p epa a os alunos pa a o es udo e comp eensão dos con eúdos
que i ia ap ende . Nes e sen ido o p og ama exp essa a que no eixo P elimina es de ia
es uda -se a dis inção en e His ó ia e P é-His ó ia, a noção de c onologia his ó ica e as
g andes di isões e subdi isões da His ó ia, salien ado con udo o seu ca ác e ela i o,
con o me se pode obse a nos cinco p imei os con eúdos apon ados no p og ama –
“Noções de P é-His ó ia; Noções de His ó ia; A c onologia His ó ica; As g andes
Di isões e Subdi isões da His ó ia e Ca ác e Rela i o dessas Di isões e
Subdi isões”166. Con udo, apesa da ela i idade das di isões das épocas his ó icas, são
es as que de e minam a o ganização do p og ama pois os ou os ês eixos do p og ama
são p ecisamen e as ês úl imas g andes épocas: Idade Média, Idade Mode na e Idade
Con empo ânea.
Os p imei os con eúdos apon am po ém pa a uma ase in odu ó ia de comp eensão
da disciplina e da impo ância dada à empo alidade. O p og ama a ibuía ambém dois
pon os pa a as di isões da His ó ia e a sua ela i idade. Cu iosamen e, nes a p imei a
ase, o p og ama não az e e ência à impo ância da espacialidade que é ou a e en e
de e minan e no es udo da His ó ia e que inclusi amen e es á p e is a nas inalidades
165 Diá io do Go e no, I Sé ie , Dec e o 11 490, 9 de ma ço de 1926.
166 Idem. .
Helena Viei a
136
da disciplina. Es a ausência pode con udo explica -se se i e mos em conside ação que
os alunos já an e io men e inham es udado po meno izadamen e noções de espaço na
p imei a pa e da disciplina dedicada à Geog a ia nos dois anos le i os an e io es. De
aco do com o p og ama, nas p imei as aulas p e endia-se po an o ansmi i ao aluno
um conjun o de in o mações de ca ác e me odológico sob e a e olução e o ganização
da disciplina de His ó ia.
Ainda nes a pa e in odu ó ia e a a ibuído um pon o pa a a análise de udimen os
sob e an iguidade o ien al e an iguidade clássica g eco-la ina, sem a indicação de quais
e quan as ci ilizações des es pe íodos de e iam se es udadas. Se po um lado es e
pon o az-nos c e que o p og ama de e mina a uma diminu a a enção à an iguidade
clássica e p é-clássica, limi ando-a a uma pequena abo dagem sin é ica, ambém
e o ça a ideia de que o p o esso inha uma ce a libe dade pa a seleciona as
ci ilizações que lhe pa ecessem mais adequadas.
Os es an es ês eixos do p og ama e am dedicados a ês épocas his ó icas
conc e as: Idade Média, Idade Mode na e Idade Con empo ânea. Es as ap esen a am
con eúdos de análise que pa a a His ó ia de Po ugal, que pa a a His ó ia Uni e sal.
Ainda numa p imei a ase de obse ação dos con eúdos p opos os do p og ama
no a-se o seguimen o de uma linha c onológica da e olução his ó ica cen ando-se
maio i a iamen e em aspe os elacionados com a o mação e o ganização dos es ados
eu opeus. O ca ác e eu ocên ico do p og ama é no ó io pois na e en e de His ó ia
ge al, à exceção da o mação dos Es ados Unidos da Amé ica, odo o es an e p og ama
cen a-se na His ó ia eu opeia.
Po ou o lado, é ainda no ó io o p edomínio no p og ama da His ó ia polí ica,
nacional e ge al, embo a es e ap esen e já uma pequena abe u a pa a o es udo da
His ó ia económica, nomeadamen e no que se e e e aos ês úl imos con eúdos a
abo da pa a a Idade Média: “Recu sos económicos de Po ugal. Noção sob e a
ag icul u a, a indús ia e o comé cio e a o ganização do abalho na Idade Média”167.
Es a abe u a po ém não apa en a se uma ino ação his o iog á ica mas uma en a i a
de ap oxima o p og ama à ealidade dos alunos do ensino écnico cuja ap endizagem
e a essencialmen e di ecionada pa a e en es p o issionais ag ícolas, indus iais e
come ciais.
167 Diá io do Go e no, I Sé ie, Dec e o 11 490, 9 de ma ço de 1926. No a-se nes e con eúdo o
anac onismo no uso do e mo Indús ia aplicado pa a a idade média. Con udo, após a lei u a de di e sos
manuais de His ó ia do ensino écnico e i icou-se que es e e mo é u ilizado como sinónimo de
a esana o.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
137
Analisando com mais po meno os con eúdos ap esen ados no p og ama e endo
como e e ência a dis ibuição dos mesmos po épocas his ó icas e pela His ó ia
nacional e ge al pa ece-nos pe inen e algumas conclusões. No en an o, essal e-se que
es a análise em apenas po im i a as endências do legislado e a ende -se a uma
g ande limi ação que é a ausência de o ien ações sob e o núme o de empos le i os e
ní eis de desen ol imen o de cada con eúdo p opos o no p og ama
A p imei a conclusão é a ap esen ação sumá ia das noções de His ó ia e suas
di isões (12% do o al dos con eúdos ap esen ados), que são abo dadas apenas em
cinco pon os do p og ama mas que in oduzem o âmbi o, a o ganização e a
me odologia da His ó ia enquan o ciência. Depois é igualmen e no ó ia a
p edominância da His ó ia de Po ugal (48%) sob e a His ó ia Ge al (40%). A
alo ização da His ó ia nacional no a-se ainda pelo ac o de ela ese a pa a si quase
me ade de odos os con eúdos p e is os no p og ama. Es a p edominância da His ó ia
de Po ugal é acilmen e en endida se no a mos nela uma en a i a de c iação de um
nacionalismo a a és dos g andes exemplos da His ó ia po uguesa, aspe o que e a cada
ez mais de endido en e os his o iado es da época que aziam uma de esa da His ó ia
nacional pa a inspi a o amo à pá ia.168
Se analisa mos a dis ibuição dos á ios con eúdos es abelecidos no p og ama po
épocas his ó icas, as conclusões o nam-se igualmen e cu iosas. Po e um maio
núme o de con eúdos exp essos no p og ama, é isí el uma alo ização da Idade
Mode na (43% do o al dos con eúdos ap esen ados), pe íodo em que deco e am os
descob imen os e a expansão ul ama ina po uguesa, e que na isão dos legislado es
e le ia a g andeza de Po ugal no mundo e, como al, in e essa a ensina e enal ece ,
mui o embo a nes a mesma época se enha egis ado ambém a união ibé ica, pe íodo
da His ó ia nacional que in encionalmen e não e a alo izado. Seguidamen e, as Idades
Média (23% do o al dos con eúdos ap esen ados) e Con empo ânea (20 % do o al dos
con eúdos ap esen ados), que e mina o seu es udo em 1918 com o inal da I gue a
mundial, pa ilha am uma impo ância semelhan e no p og ama.
A ausência de e e ência à P é-His ó ia e a eduzida abo dagem ela i amen e à
Idade An iga (14% do o al dos con eúdos) de e-se não só ao seu ca ác e in odu ó io
168 TORGAL, Luís Reis, MENDES, José Amado e CATROGA, Fe nando – His ó ia da His ó ia em
Po ugal. Séculos XIX-XX. Da His o iog a ia à Memó ia His ó ica. SL: Temas e Deba es, 1998, pp.103-
131.
Helena Viei a
240
documen os iconog á icos, como os ep esen ados an e io men e inham já unções de
explo ação de con eúdos especí icos.
Nas di e sas edições do manual His ó ia de Po ugal, pa a os cu sos indus iais, os
documen os iconog á icos domina am semp e, embo a se des aque uma no a ub ica, a
das Lei u as, p esen e no inal de cada ema e na qual su giam documen os esc i os
que his ó icos, ou p imá ios, que his o iog á icos, ou secundá ios. Os ex os des a
secção ap esen a am semp e assun os elacionados com o ex o de au o , com isões
co esponden es, no sen ido de ap o unda mais os conhecimen os dos alunos e
abalha as p óp ias on es.
O ac o de os manuais passa em a con e es a secção de on es his ó icas, é
sin omá ica da a i mação do ex o esc i o como on e de abalho na aula de His ó ia
pois, caso con á io, es e ipo de ecu sos con inua ia ausen e como se e i icou nos
manuais a é 1948. Po ou o lado, a co obo a es a ideia es á o aumen o consecu i o
des e ipo de ecu sos nas di e sas edições do manual, como se pode e i ica no
g á ico que se segue.
G á ico 17 - E olução do núme o de documen os esc i os na secção de Lei u as e Documen os
His ó icos dos manuais His ó ia de Po ugal de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Em e mos de es u u a in e na, os manuais de His ó ia de Po ugal pa a o ensino
indus ial, man i e am uma uni o midade ao longo das á ias edições. Os con eúdos
encon a am-se di ididos em g andes á eas emá icas, iniciadas po um ex o de sín ese
que se cons i uía como uma linha o ien ado a que in oduzia os alunos nas di e sas
unidades que as cons i uíam.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
241
As unidades emá icas o ganiza am-se po nume ação omana e ap esen a am no
início o espe i o í ulo e uma espécie de sumá io dos p incipais con eúdos da mesma.
As emá icas de cada unidade e am ap esen adas no ex o de au o e complemen adas
com os ecu sos de di e en es ipologias.
Ilus ação 25 - Dupla página de abe u a de á ea emá ica do manual His ó ia de Po ugal de An ónio
Ma oso e An onino Hen iques
Ilus ação 26 - Dupla página de abe u a de unidade do manual His ó ia de Po ugal
de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Helena Viei a
242
No inal de cada unidade, su gia a já e e ida ub ica das Lei u as, con o me se pode
obse a na ilus ação 25, que inclui um ex os de ca iz his o iog á ico assim como uma
on e his ó ica p imá ia.
Nos compêndios de His ó ia Ge al e Pá ia, dos alunos dos cu sos come ciais,
e le ia-se a mesma endência dos manuais de His ó ia de Po ugal, embo a com
ligei as di e enças.
O núme o de ecu sos p esen es nos dois olumes do manual egis ou semp e um
aumen o conside á el. Na edição de 1951, su gia um o al de 528 ecu sos enquan o na
edição de 1972 su gia já um o al de 735 ecu sos. Den o des e uni e so con inua a a
egis a -se um p edomínio cla o dos ecu sos iconog á icos, embo a osse já exp essi o
o núme o de ecu sos de sín ese e de enquad amen o empo al, como c onologias, e
espacial, como mapas.
Ilus ação 27 - Mapa p esen e no 1º olume do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
243
Ilus ação 28 - F isos c onológicos p esen es no 1º olume do Compêndio de His ó ia
Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Ilus ação 29- Recu sos iconog á icos ela i os a pa imónio imó el e mó el, p esen es no
Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Helena Viei a
244
G ande pa e dos ecu sos do manual de His ó ia de Po ugal, pa a os alunos das
escolas indus iais, e a igual aos que su giam no Compêndio de His ó ia Ge al e
Pá ia, pa a os dos cu sos come ciais, semp e que es e abo da a emá icas da His ó ia
de Po ugal. O mesmo acon ecia com o ex o de au o .
Rela i amen e aos documen os esc i os p esen es nos manuais de His ó ia Ge al e
Pá ia, e i ica-se a mesma endência dos manuais de His ó ia de Po ugal. Também
exis ia, no inal de cada capí ulo, uma secção de ecu sos esc i os, embo a es a osse já
designada de Lei u as e Fon es His ó icas. Embo a es a ambém não i esse e e ência
no ex o de au o , ap esen a a isões co esponden es ao con eúdo ap esen ado no ex o
de au o e pe mi ia uma explo ação mais ap o undada de alguns con eúdos.
Ilus ação 30 Recu sos de sín ese p esen e no Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia
de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
245
G á ico 18 - E olução do núme o de documen os esc i os na secção de Lei u as e
Documen os His ó icos nos Compêndios de His ó ia Ge al e Pá ia de An ónio
Ma oso e An onino Hen iques
A e olução do núme o dos ecu sos esc i os comp o a uma ez mais a c escen e
impo ância dada a es e ipo de ecu sos e ao abalho desen ol ido com base neles.
Não é ao acaso que es a ub ica em uma impo ância c escen e ao longo das á ias
edições como se e i ica no g á ico an e io . Ou o aspe o que jus i ica es a impo ância
é a inclusão de documen os esc i os o a da secção de Lei u as e Fon es His ó icas,
associados a ou os ecu sos jun o aos ex os de au o , a pa i da edição de 1958.
Assim pode conclui -se que a pa i dos anos 60, já es a a consolidada a impo ância
dos documen os esc i os nas aulas de His ó ia po meio da sua inse ção c escen e nos
manuais.
Con udo, se nos cen a mos na na u eza dos documen os esc i os no a-se que nos
compêndios de His ó ia Ge al e Pá ia ha ia uma cla a p e e ência pelos documen os
his ó icos ou p imá ios sob e os documen os his o iog á icos ou secundá ios, sendo que
essa p imazia es á cla amen e a i mada a pa i da edição de 1966 a é 1972, con o me
ambém se pode e i ica no g á ico 18. Es a é uma endência opos a à que se
e i ica a nos manuais de His ó ia de Po ugal pa a os cu sos indus iais, nos quais o
núme o de documen os his o iog á icos ou secundá ios é semp e supe io aos
documen os his ó icos ou p imá ios, con o me se e i ica no g á ico 17.
Ao ní el dos documen os his ó icos ou p imá ios, p edomina am exce os de
c ónicas, de a ados, de o denações, de o ais, de cons i uições ou de ou os
Helena Viei a
246
documen os legais, con o me se pode e i ica no anexo 5, no qual são lis ados odos
os documen os da secção de Lei u as e Fon es His ó icas. A pa i desse anexo ambém
se pode conclui que os manuais iam ao encon o do que es a a de e minado no
p og ama quando es e aconselha a a consul a de “c ónicas e na a i as coe as, de ão
sabo oso e suges i o encan o e de ão g ande p o ei o pedagógico, bem como a lei u a
de ob as de econs i uição his ó ica, páginas de Fe não Lopes, da His ó ia
T ágico-Ma í ima, de Os Lusíadas, de ei Luís de Sousa, de Alexand e He culano, de
Oli ei a Ma ins”298.
Em e mos de es u u a in e na, os manuais escola es de His ó ia Ge al e Pá ia
ap esen a am uma egula idade semelhan e aos manuais de His ó ia de Po ugal,
con ando com páginas de in odução da á ea emá ica e de unidades, seguidas de
páginas de ex o de au o com ecu sos de explo ação didá ica a iculados.
298 Diá io do Go e no, I Sé ie, Po a ia 13 800 de 12 de janei o de 1952, obse ações ao p og ama de
His ó ia de Pá ia, da disciplina de Língua e His ó ia Pá ia.
Ilus ação 31 - Página de abe u a de á ea emá ica do Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de
An ónio Ma oso e An onino Hen iques
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
247
Ilus ação 32 - Dupla página de abe u a de unidade do Compêndio de His ó ia
Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Ilus ação 33 - Dupla página de explo ação de con eúdos com ex o de au o e ecu sos iconog á icos do
Compêndio de His ó ia Ge al e Pá ia de An ónio Ma oso e An onino Hen iques
Helena Viei a
248
As páginas de abe u a de unidade emá ica, co espondiam às g andes épocas
his ó icas e e am compos as po documen os iconog á icos di e amen e elacionados
com a época co esponden e. Po ou o lado, as duplas páginas de abe u a de unidade
ap esen a am uma egula idade, ma cada pela p esença de uma imagem la e al
elacionada com a unidade em es udo, con inha o sumá io, ou seja os ópicos dos
assun os desen ol idos no manual e um exce o do p og ama ela i amen e à mesma.
Já na ou a página su gia uma sín ese da unidade ealizada pelos au o es.
As páginas de con eúdos inham a p eocupação de des aca semp e os í ulos pa a
o ien a o es udo do aluno e conjuga am já in imamen e o ex o de au o com ecu sos
di e sos.
A pa i de 1948, é possí el conclui que o ensino da His ó ia já não e a ei o apenas
pela memo ização dos con eúdos do manual e da exposição dos p o esso es. Tal é
no ó io na e olução dos ecu sos didá icos cons an es no manual que ao longo dos anos
egis a am semp e um aumen o que em e mos de quan idade que em e mos de
di e sidade. Se es es não ossem conside ados impo an es e essenciais no ensino da
His ó ia, eles e -se-iam man ido p a icamen e ausen es como acon ecia a é à década se
1940.
Po ou o lado, os ecu sos inse idos nos manuais o am a iando ao longo do empo
enquan o o ex o de au o p a icamen e se man inha in ac o, egis ando apenas
mudanças pon uais. Es e aspe o e idencia que ao longo dos empos a p eocupação dos
au o es dos manuais não e a an o o seu ex o his o iog á ico mas sim os ecu sos que
pode iam con ibui pa a uma no a didá ica no ensino da His ó ia, mais a i a e menos
cen ada na meno ização.
3.2.3 Os Recu sos de Explo ação Didá ica
Numa das ichas bibliog á icas publicadas no bole im sob e didá ica especial da
His ó ia, especi ica a-se os p incipais ecu sos didá icos da disciplina: o manual
escola e o cade no diá io assim como ou os ecu sos de explo ação didá ica ais como
ca as e a las, ábuas c onológicas, li os de lei u a e meios audio isuais.
Os mapas e am is os como u ensílios que pe mi iam ao aluno “ ixa impo an es
ac os his ó icos de modo isual”299. Aconselha a-se que cada aluno cons uísse o seu
299 GOMES, Aldónio - Didá ica especial. “Escolas Técnicas”, nº 66, 1963, p.51.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
249
p óp io a las his ó ico, po isso, cada p o esso le a ia pa a a aula mapas his ó icos que
e am analisados.
No a igo Como F ei Ped o de S. Se e iano iu ensina His ó ia, José Ped o
Machado, p o esso es agiá io do 10º g upo do ensino écnico, desc e e um exemplo de
u ilização de mapas num con ex o de sala de aula sob e as consequências dos
descob imen os. Pa a al, o p o esso mos ou à u ma ês mapas.
“Todos eles e am planis é ios; inham, no en an o, cada qual o seu
objec i o. Via-se num, a b anco, o acanhado mundo conhecido no início do
século XV; nou o a é onde ia o conhecimen o da e a pelo homem nos ins
da cen ú ia seguin e. O e cei o, po sua ez, mos a a as p incipais
iagens de descob imen os daqueles dois séculos: as de Ba olomeu
Pe es elo, Gil Eanes, Ba olomeu Dias, Pê o da Co ilhã, A onso de Pai a,
Vasco da Gama, Tomé Pi es, Da id Melguei o, Fe não Mendes Pin o,
Ped o Ál a es Cab al, Fe não de Magalhães e Colombo”300.
Con inuando o ela o da aula de His ó ia, José Ped o Machado, desc e e ou as
a i idades subsequen es ais como a exposição de in o mações de ele o sob e a
ma é ia em es udo e a análise de g a u as nas quais apa eciam os di e sos ipos de
na ios dos descob imen os, “desde a us a ou do ba inel à nau de al o bo do, as
a ilha ias, a bales ilha e o as olábio, explicando igualmen e a sua o ma de
manuseamen o”301.
A pa i des e ela o e i ica-se que os mapas podiam se u ilizados como ecu sos
de ido ao seu con eúdo, mas ambém como pon o de pa ida pa a ou o ipo de
a i idades, conjugando-os a é com ou o ipo de ecu sos.
Não obs an e, os mapas pa a além de ecu sos explo ados pelo p o esso ambém
de iam se cons uções dos alunos. Po isso, na sequência das a i idades an e io men e
desc i as, o p o esso dizia em con ex o de aula pa a os seus alunos que: “se ia a é
abalho in e essan e pa a qualque de ocês aze : elabo a um mapa des e géne o (e
apon ou o de Pidal [mapa nº 24 do A las His ó ico Español de Gonçalo Menéndez
300 MACHADO, José Ped o – Como F ei Ped o de S. Se e iano iu ensina His ó ia. In “Escolas
Técnicas”, nº2, 1947, p. 98.
301 Idem, p. 99.
Helena Viei a
256
ap endizagem do assun o que se es á a es uda ”323, que es e de e se p oje ado de
o ma con ex ualizada, no seguimen o da ma é ia a leciona nas aulas an e io es e nas
aulas seguin es e sob e udo de ia e em a enção que “um bom ilme didác ico é aquele
que es á ei o pa a ensina , e não unicamen e pa a ec ea ”324.
Po ou o lado, a ap esen ação do ilme aos alunos nunca de ia se uma su p esa. O
p o esso inha de expo p e iamen e os con eúdos do ilme, ocando os aspe os nos
quais os alunos inham de oca a sua a enção pois, caso con á io, es es podiam
pe de -se e a en a apenas em aspe os secundá ios e/ou i ele an es.
Após a p ojeção, o p o esso de ia concede um espaço pa a os alunos aze em
ques ões, escla ecendo de seguida as dú idas colocadas. Podia ainda usa o ilme pa a
omen a uma discussão sob e os assun os e sados no ilme.
A impo ância c escen e em o no dos ilmes didá icos le ou o minis é io a en ia
pa a as escolas écnicas a ci cula nº 4/63, de 31 de janei o de 1963, que solici a a o
en io pa a a DGETP de uma elação disc iminada dos ilmes e diaposi i os pa a
u ilização didá ica exis en es na escola. O anexo 6 ap esen a os ilmes mencionados, na
espos a a essa ci cula , de algumas escolas. A pa i deles podemos conclui que
exis ia uma g ande a iedade de ilmes pa a a disciplina, que pa a a e en e de
His ó ia de Po ugal, sendo de des aca a coleção “His ó ia de Po ugal”, com ilmes
sob e odos os eis, que pa a a e en e de His ó ia Ge al.
Nes e pe íodo os ilmes didá icos e am ão ele an es que a emp esa P odução de
Filmes Educa i os Limi ada, en iou, em 1958, pa a a DGETP uma elação de possí eis
ilmes des inados ao ensino écnico. Nes a elação encon a-se um único ilme pa a a
disciplina de His ó ia de Po ugal, in i ulado D. Hen ique, o na egado . Po ém,
salien a a que “apesa do as íssimo campo de in e esse que a His ó ia o e ece,
limi amo-nos a ap esen a “D. Hen ique – O na egado ”, pelo p óximo cen ená io da
sua mo e, não só pelas di iculdades de econs i uição que o e ece, mas p incipalmen e
pelo ele ado dispêndio a que ob iga”325.
323 Idem, p. 63.
324 Idem, p. 63.
325 Ca a en iada à DGET. In AHME, DGEH, caixa 41/748. A lis a de ilmes p opos os e o guião do
ilme “D. Hen ique – O Na egado ” encon a-se no anexo 7.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
257
3.3 Exposições, Visi as de Es udo e D ama izações no Âmbi o da Disciplina de
His ó ia
Con o me se pode e i ica a a és de di e sos a igos do bole im Escolas Técnicas,
pa a além das aulas, os p o esso es dinamiza am ainda ou as a i idades com os seus
alunos ais como a ealização de exposições, isi as de es udo e d ama izações, no
sen ido de implemen a um e dadei o mé odo a i o de ensino mui o semelhan e ao
que hoje se p e ende no ensino da His ó ia.
As exposições escola es podiam se de di e en es ipologias e não e am ealizadas ao
acaso pois ha ia em o no da sua p epa ação inúme as p eocupações e cuidados.
De aco do com a ci cula 303 de 16 de junho de 1951, exis iam qua o ipos de
exposições:
a) A exposição cons i uída pelos abalhos p oduzidos pelos alunos
numa só disciplina ou o icina no decu so de um pe íodo escola ;
b) A exposição cons i uída pelos abalhos p oduzidos pelos alunos
nas di e sas disciplinas e o icinas no decu so de um pe íodo
escola ;
c) A exposição cons i uída po abalhos selecionados ela i os a um
ano lec i o;
d) A exposição des inada a documen a , no seu conjun o, a a i idade
da escola.326
Pa a além des as qua o o mas de exposições, a mesma ci cula ap esen a a uma
no a modalidade: as exposições po cen os de in e esse pois ecomenda a “a en a i a
de o ganiza as exposições em unção de cen os de in e esse de p e e ência
elacionados com as ca ac e ís icas da egião onde se si ua a escola”327.
Ruy Manuel Bap is a, no a igo do bole im Escolas Técnicas - "Fundamen os das
exposições escola es", ap esen a a ou as ipologias possí eis de exposições:
- A exposição escola ela i a a um cen o de in e esse;
- A exposição escola ealizada em unção dum acon ecimen o;
- A exposição de ac i idades ci cum-escola es;
326 DGETP - Ci cula nº 303 de 16 de junho de 1951.
327 Idem.
Helena Viei a
258
- A exposição de ma e ial didá ico duma disciplina ou de di e sas
disciplinas;
- A exposição de ca á e pe manen e, cons i uída pelos museus e pela
deco ação p óp ia do edi ício escola .328
Na sua exposição o al sob e didá ica especial, o p o esso es agiá io A elino Lima
e e de disse a sob e o ema das exposições escola es, e elando aspe os in e essan es
sob e es a emá ica. A pa i do plano que es e p o esso en egou ao jú i de exame,
e i ica-se que pa a es e p o esso as exposições ealizadas no âmbi o da disciplina de
His ó ia e am a i idades de g ande “ alo o ma i o e in o ma i o”329. Fo ma i o po
en ol e a pa icipação do aluno e in o ma i o na medida em que pe mi ia ansmi i
aos alunos conhecimen os di e sos sob e o ema especí ico de cada exposição.
A elino Lima apon a ambém as exposições escola es como “mé odo de ensino”330,
o ma de p omo e o “in e câmbio escola ”331 e o “p olongamen o da escola”332 pa a
o es o da comunidade, unções que ainda hoje são econhecidas a es e géne o de
a i idades desen ol idas no meio escola .
No plano da exposição o al que en egou ao jú i, A elino Lima ques iona a-se sob e
a au o ia e esponsabilidade na cons ução des as exposições - “Quem de e o ganiza
as exposições?”333 – os alunos, ou os p o esso es. Po ém não ap esen a espos a a es a
in e ogação.
Po ou o lado, A elino Lima de endeu ambém que na ealização de uma exposição
escola os aspe os écnicos e am essenciais, de endendo que os p o esso es de iam e
em a enção aspe os como “o melho local pa a a ealização da exposição”, “a
qualidade e a quan idade de ma e ial a se expos o”334 e a o ma como os ma e iais
de iam se dispos os e ap esen ados, aspe os que ce amen e de e iam se
esponsabilidade dos p o esso es.
328 BAPTISTA, Ruy Manuel - Fundamen os das exposições escola es. In “Escolas Técnicas”, nº 30,
1962, p.24. A base desde a igo oi o abalho e o esul ado inal de uma sessão de didá ica ge al,
ealizada no dia 11 de e e ei o de 1962, na Escola Técnica Elemen a F ancisco A uda, sob a o ien ação
do p o esso me odólogo Cal e de Magalhães. Du an e a sessão es i e am expos as es an es com
o og a ias, a documen a odos os ipos de exposições escola es. Idem, p. 31.
329 AHME, Fundo DGET, caixa 2/119, a a núme o 15.
330 Idem.
331 Idem.
332 Idem.
333 Idem.
334 Idem.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
259
Ilus ação 34 - Fo og a ia de uma exposição do ensino écnico sob e o In an e D. Hen ique
Po ou o lado, as exposições escola es e am e dadei os momen os de
in e disciplina idade no ensino écnico. Pa a a ealização de exposições nas escolas do
ensino écnico ecomenda a-se um abalho conjun o e a iculado en e as á ias
disciplinas, em especial nas exposições baseadas em cen os de in e esse.
“Uma exposição com es as ca ac e ís icas não de e á pe de a
unidade, implíci a nas condições de um ensino o ma i o, pois os
conhecimen os a iculam-se num odo o gânico, e os p odu os do
abalho escola de em si ua -se ha monicamen e nesse odo. As
ma é ias que cons i uem o co po de ensino in e pene am-se, e as
a e as escola es, mui as ezes, só êm possibilidade de comple a -se
pelo concu so dado pelas ap idões c iadas nas á ias disciplinas.
[…] Uma exposição baseada nos cen os de in e esse não de e á
ap esen a -se sob a o ma de compa imen os, ese ados, cada um, à
sua disciplina – ac os desligados en e si. É uma alsa noção das
condições de abalho. Na ealidade as coisas não se passam assim.
Uma exposição des a na u eza onde pudesse dize -se, ou deduzi -se:
“acabámos de e os abalhos da aula de Po uguês... Ago a amos
Helena Viei a
260
ap ecia o Desenho”, es a ia e ada. A unidade consegue-se po uma
a iculação que in eligen emen e elacione as di e sas a i idades. A
es a unidade pode -se-ia chama ha monia do conjun o.”335
Con udo a in e disciplina idade não se de ia limi a à ealização das exposições pois
aconselha a-se o seu ala gamen o às a i idades quo idianas das escolas écnicas.
Cal e de Magalhães, pa indo da disciplina de Desenho de endia o abalho conjun o
das á ias disciplinas ilus ando á ios exemplos de á ias possibilidades de
in e disciplina idade.336 Pa a es e p o esso me odólogo:
“Não há jus i icação da na u eza ou da azão pa a qualque
depa amen alismo ígido na o ganização ho izon al do ensino. Que
dize , a con enção educa i a de acei a uma coleção de assun os de
compe ição ensinados po especialis as sepa ados, é ão g o esca que
não pode ep esen a qualque p incípio de o ganização, mas, apenas
acumulação caó ica dum p ocesso his ó ico não di igido. Nada
pode ia se concebido, no mé odo educa i o, ão inadequado, ão
despedaçado como o sis ema de salas de aula, cada uma limi ada a
uma disciplina”337.
De endendo a a iculação da disciplina de His ó ia com as disciplinas de Desenho e
T abalhos Manuais, Cal e de Magalhães des aca a a impo ância e o g ande alo das
ilus ações. Po ém, es as não de iam se somen e cópias de ob as a ís icas já exis en es
nem desenhos li es sem igo . O p o esso de ia ap o ei a o desenho pa a in e io iza
con ex os e espaços his ó icos depois de es udados.
“O ensino da His ó ia en ol e o p oblema do quad o his ó ico.
Copia-se “Pombal es udando o plano de eedi icação de Lisboa” de
Miguel Lupi ou a “Implan ação da República” de Veloso Salgado?
Se á p eciso dize que is o é abalho inú il e pe da de empo? Ou
muda-se subi amen e pa a ou a o ma de ilus ação: “desenhem a
335 Exposições Escola es. In “Escolas Técnicas”, nº 12, 1952, pp. 460-461.
336 MAGALHÃES, M. Cal e de - O Desenho e as ou as disciplinas do ciclo p epa a ó io. In “Escolas
Técnicas”, nº 12, 1952.
337 Idem. p. 327.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
261
en e is a en e D. Nuno Ál a es Pe ei a e D. João I nas ma gens do
io Nabão”? Não há ninguém capaz de a ibui à c iança um sen ido
do passado bas an e pene an e pa a impedi-la de coloca um ono
no in e io duma enda de acampamen o. É pedi -lhe que imagine em
His ó ia e cul i e ideias alsas. O que se pode exigi dela é o
conhecimen o pelo desenho do cená io da ida e da ci ilização de
ou o a: mobiliá io, u ensílios, ajes e a qui e u a.”338
As isi as de es udo, po seu lado, e am ap esen adas em di e sos a igos do bole im
Escolas Técnicas como uma modalidade de implemen ação dos no os mé odos a i os
p econizados pela Escola No a339. Es as não e am en endidas como me as saídas da
escola ou passeios pois exigiam um igo oso abalho me odológico que de
p o esso es, que de alunos.
No bole im Escolas Técnicas núme o 20, su gia um a igo in i ulado Visi as de
Es udo. Es e, a pa de uma in odução de enso a dos no os mé odos a i os, ap esen a a
um plano de uma isi a de es udo a Sin a, ealizada no âmbi o da disciplina de His ó ia
no ano le i o de 1950/51, pois de endia que “uma isi a de es udo não é
pedagogicamen e ú il se não o p epa ada de idamen e”340.
A p imei a p eocupação des e a igo e a ale a os p o esso es pa a a necessidade de
e as isi as de es udo não apenas como um momen o ec ea i o mas acima de udo
como um meio de ap endizagem e não somen e de laze .
338 Idem. p. 354.
339 Visi as de es udo: Esboço do plano de uma isi a a Sin a. In “Escolas Técnicas”, nº 20, 1956.
GOMES, Aldónio - A p opósi o do ensino da his ó ia pá ia no ciclo p epa a ó io. In “Escolas
Técnicas”, nº 23, 1958.
HENRIQUES, An ónio - Ins uções esc i as n.º 6. Visi as de es udo. In “Escolas Técnicas”, nº 25, 1960.
ROBERTO, F ancisco Xa ie - Ci cula : Visi as de es udo. In “Escolas Técnicas”, nº 25, 1960.
FIRMINO, Ma ia da Gló ia Pi es - Visi as de es udo. Museu de Adminis ação Ge al dos Co eios,
elég a os e ele ones. In “Escolas Técnicas”, nº 27, 1960.
COSTA, Albe o Almeida Elias da - Fundamen ação pedagógica das isi as de es udo e das sessões
cul u ais. In “Escolas Técnicas”, nº 28, 1961.
LOUREIRO, Manuela Ma ia Fe nandes - A p opósi o de isi as de es udo. In “Escolas Técnicas”, nº 35,
1964.
BENTO, Ca los - Po e as da Es emadu a e da Andaluzia. In “Escolas Técnicas”, nº 35, 1964.
SILVA, José An unes da - Os alunos do ciclo p epa a ó io e as isi as de es udo. In “Escolas Técnicas”,
nº 37, 1966.
MIGUEL, Ca los Mon eneg o - Visi as de es udo e excu sões. In “Escolas Técnicas”, nº 38, 1966.
340 Visi as de Es udo. In “Bole im Escolas Técnicas”, nº 20, 1956, p.87.
Helena Viei a
262
“Tendo em is a que se a a de uma isi a de es udo e não de uma
excu são, hou e necessidade de elabo a um plano des inado a elimina o
ca ác e o ui o do passeio e a ex ai dele o maio endimen o pedagógico
possí el. De ac o, nos monumen os his ó icos de Sin a es ão ep esen adas
algumas épocas da His ó ia nacional. Mas ha ia ainda a conside a , além
do elemen o ins u i o, o elemen o ec ea i o e es é ico da paisagem, que a
pedagogia mode na não desp eza, e que, no caso p esen e, em ambém
in e esse his ó ico, po anda ligado à p óp ia o igem e unção daqueles
monumen os”341.
No mesmo a igo, suge ia-se uma me odologia de abalho con endo as seguin es
ases após a escolha do local a isi a :
1) Exame p é io do local – no sen ido de “ ecolhe in o mações pa a
inclui no p og ama, pa a explo a con enien emen e odos os ecu sos
possí eis342”.
2) O ganização de um p og ama e es abelecimen o de um ho á io exequí el.
3) Lições de p epa ação cujo assun o es i esse in imamen e ligado com o
p og ama o icial. Es as de iam despe a a cu iosidade do aluno le ando-o a
in e essa -se de o ma mais a i a, colocando ques ões e egis ando
apon amen os.
4) Realização da isi a segundo o ho á io e o p og ama es abelecido.
No caso ap esen ado de uma isi a de es udo a Sin a, o sumá io da lição
p epa a ó ia pe mi e e i ica que os con eúdos da aula seguiam a emá ica cen al
da cidade de Sin a embo a es a se desen ol esse de o ma c onológica em unção
da a uação de á ios eis na cidade e da cons ução dos á ios monumen os
exis en es na cidade.
Sumá io: Função His ó ica de Sin a
a) Época á abe; a posição ác ica do cas elo e os es ígios á abes:
mesqui a e paço
341 Idem, p.86.
342 Idem, pp.86-87.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
263
b) D. A onso Hen iques e a econquis a
c) D. Dinis e a aquisição do palácio pela co oa
d) D. A onso IV e o “senão, não”
e) D. João I e a econs ução do palácio; o mapa de Ceu a
) D. Manuel e a ampliação do Palácio; os se ões manuelinos
g) D. João II e D. Sebas ião; a lei u a dos Lusíadas; o úl imo
conselho
h) D. A onso VI e a sua p isão no palácio
i) D. Fe nando e a econs ução do Cas elo e da Pena
j) D. Luís e D. Ca los; as caçadas eais343
O p og ama da isi a incluía o seu ho á io, cuidados a e e ma e iais a le a como
papel e lápis pa a apon amen os e esboços. A isi a p e ia a deslocação de comboio a é
Sin a, onde os alunos isi a am o palácio da Pena, o cas elo de Sin a e o paço eal.
Pa a cada local, o p og ama ap esen a a um ex o in o ma i o po meno izado.
No inal do p og ama su giam as a e as a ealiza pelos alunos após a isi a.
“O aluno de e á:
1º Esc e e um ela ó io des a isi a de es udo, expondo as suas
imp essões, con ando o que iu, dizendo o que sabe elacionado com aquilo
que iu e decla ando o que ap endeu nes a isi a.
2º Expo ancamen e dú idas, di iculdades e igno âncias, que deseja ia
sup idas ou escla ecidas; o mule, no inal daquele seu ela ó io as suas
pe gun as, o mais conc e amen e e concisamen e possí el, que os
p o esso es lhe esponde ão numa aula.
3º Desen ol e um assun o que enha ligação com es a isi a de es udo
( abalho esse que en ega á, jun amen e com o ela ó io a é ao dia 4 de
Junho); pode escolhe o ema que lhe ap ou e , mas se nenhum lhe acudi ,
eleja um dos que ão indicados a segui nes e p og ama.
Assun o nº 1 – A A qui ec u a de Sin a
Assun o nº 2- Os Cas elos
Assun o nº 3 – Polí ica Ma oquina”344
343 Idem, pp. 87-88.
344 Idem, p.94.
Helena Viei a
264
Ve i ica-se assim que as isi as de es udo de iam se cuidadosamen e pensadas
e es u u adas pelos p o esso es que p epa a am di e sos ma e iais de apoio e
que, acima de udo, de iam incen i a o aluno a pa icipa nelas a i amen e. No
inal, a a i idade e a a aliada median e os abalhos ealizados pelos alunos a é
pa a que es es não caíssem na en ação de e somen e a isi a de es udo como um
passeio no qual não inham de aze nada. No e-se uma ez mais que a
me odologia ap esen ada se mos a ainda hoje bas an e a ual, desde as ases de
p epa ação, às aulas p é ias de enquad amen o, à elabo ação de um p og ama não
só com o ho á io, o ien ações e in o mações de con ex ualização, mas ambém
com p opos as de a i idades a ealiza pelo aluno, a é mesmo à ase inal com a
aula de escla ecimen o de dú idas e sín ese da isi a.
Ou as a i idades di e amen e elacionadas com a disciplina de His ó ia do ensino
écnico e am as d ama izações. Aldónio Gomes, ci ando And é Lang e e e que “o
ea o his ó ico deslumb a odos os públicos, po que é uma das o mas mais sedu o as
e mais pi o escas do espec áculo d amá ico”345.
345 GOMES, Aldónio – A Escola e o Tea o. In “Escolas Técnicas”, nº 27, 1960, p. 25.
Ilus ação 35 - Fo og a ia de uma d ama ização ealizada no âmbi o da disciplina de
His ó ia no ensino écnico
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
265
Pe mi indo ec ia acon ecimen os, espaços e indumen á ias, as d ama izações
aziam pa a a disciplina de His ó ia inúme as mais alias, en e elas a mo i ação dos
alunos pa a os conhecimen os his ó icos pois “além do e ei o psicológico, espi i ual e
mo al que ica á a pe du a , ac escen emos que assim se elimina um óbice do ensino
de His ó ia”346.
As d ama izações e am igualmen e a i idades que p opo ciona am momen os de
in e disciplina idade e de abalhos de g upo na cons ução ísica dos cená ios da
d ama ização. Cal e de Magalhães ques iona a-se mesmo: “e po que não a íamos
abalha um g upo de alunos desejosos de desenha , pin a e eco a , como no
cená io dum ea o, uma ca a ela ou um cas elo o e, uma cabana, uma ua da Idade
Média, um cas elo dos ice- eis ou um salão do século XVIII, enquan o ou o g upo
compunha as pe sonagens?”347
Pa a além das adicionais d ama izações ipo ea alização, nas aulas de His ó ia do
ensino écnico aziam-se ou as a i idades simila es mas de meno dimensão ais como
lei u as co ais, nas quais “o jogo consis e apenas em in e essa a u ma in ei a como
co o, e em emp ega o maio núme o possí el de solis as na lei u a o emen e
exp essi a do ex o”348.
Nes as a i idades, os alunos, indi idualmen e e em g upo, liam em oz al a de o ma
exp essi a echos de ex os cénicos en egues pelo p o esso c iando a i idades p á icas
e mo i ado as que assim ica am mais p edispos os pa a abo da os conhecimen os
his ó icos que eles ela a am. Pa a o na as lei u as co ais mais ealis as, po ezes
a icula a-se a a i idade com as disciplinas de Desenho e T abalhos Manuais pa a c ia
másca as pa a as pequenas ep esen ações com as que se obse am na ilus ação349 que
se segue que ap esen am másca as c iadas pa a es e p opósi o na Escola Indus ial e
Come cial de Toma 350.
346 Idem, p. 25.
347 MAGALHÃES, M. Cal e de - O Desenho e as ou as disciplinas do ciclo p epa a ó io. In “Escolas
Técnicas”, nº 12, 1952, p. 354.
348 FIALHO JUNIOR, Albe o – Subsídios pa a o cade no diá io de Língua e His ó ia Pá ia. In
“Bole im Escolas Técnicas”, nº 21, 1956, p. 250.
349
350 MAGALHÃES, M. Cal e de - O Desenho e as ou as disciplinas do ciclo p epa a ó io. In “Escolas
Técnicas”, nº 12, 1952, p. 329.
Helena Viei a
272
II
Como sabe as duas p incipais cidades es ados da G écia o am A enas e
Espa a.
a) Es abeleça a di e ença que hou e en e Espa a e A enas debaixo do
pon o de is a polí ico e ace ca da educação da mocidade. (60 pon os)
III
Como sabe hou e c uzadas o ien ais e peninsula es.
a) Quais as p incipais causas das c uzadas o ien ais? (15 pon os)
b) Ti e am as c uzadas peninsula es alguma in luência no
desen ol imen o da população po uguesa? (10 pon os)
c) Quais as consequências p incipais das c uzadas o ien ais? (15 pon os)
A segunda chamada, ealizada na Escola Indus ial e Come cial de B agança em
julho de 1960, ambém inha a du ação de uma ho a e meia e ap esen a a o seguin e
enunciado:
I
Uma das ci ilizações que se desen ol eu no c escen e é il oi a Fenícia.
a) Po que azão i e am necessidade os enícios de se ans o ma num
po o de na egado es? (10 pon os)
b) Quais as p incipais indús ias da Fenícia? (30 pon os)
c) Como sabe os enícios descob i am o al abe o.
Quais as azões que le a am a es a impo an íssima descobe a? (20
pon os)
II
Embo a a G écia nunca i esse ido uma unidade polí ica, ha ia uma ce a
a inidade en e os g egos.
a) Quais os p incipais elemen os de união en e os g egos? (40 pon os)
b) Quais as e dadei as causas das gue as pé sicas ou Médicas? (40
pon os)
III
a) Quais as p incipais causas da e o ma eligiosa? (60 pon os)
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
273
A pa i dos enunciados an e io es pode e i ica -se que as p o as e am ambas
cons i uídas po ês g upos e seis ques ões na o alidade, abo dando con eúdos
p og amá icos de odo o ano. Cada g upo de ques ões e a an ecedida po uma pequena
ase de con ex ualização mas não con empla a nenhum documen o de supo e.
As ques ões seguiam um g au de di iculdade g adual pa indo das ques ões mais
simples pa a as mais complexas e seguiam uma o dem c onológica dos con eúdos.
Na p imei a chamada, su giam ques ões que exigiam o domínio dos con eúdos po
pa e dos alunos e uma comp eensão his ó ica e e i a. No e-se po exemplo as ques ões
pa a compa a os modos de ida no neolí ico e no paleolí ico e pa a compa a as
di e en es o mas de educação em A enas e em Espa a. Es as pe gun as exigiam não só
conhecimen os his ó icos de di e en es pe íodos e ci ilizações, mas ambém capacidade
pa a os elaciona e dis ingui , pelo que a sua espos a exigia mais do que simples
memó ia.
No seu ela ó io, An ónio Saldanha, jú i da p o a, essal ou que “alguns alunos
i e am di iculdades na in e p e ação de algumas pe gun as po es as elaciona em
á ios conhecimen os e se em mais à in eligência do que à memó ia”, aspe o que
demons a como os alunos não es a am habi uados ou p epa ados pa a es e ipo de
ques ões, p o a elmen e po que du an e o ano os seus exe cícios de equência e am
mais di e os, apelando somen e à memó ia e não à capacidade de aciocina sob e os
conhecimen os es udados.
Es a si uação não e a con udo exclusi a do ensino écnico mas an es uma ealidade
do ensino da época pois e i ica a-se o mesmo no ensino liceal onde os exames e am
“uma sé ie de quinze ques ões, odas elas di igidas à memó ia e ao pode de ixação
dos alunos, sem apela ao seu aciocínio ou o seu espí i o de obse ação e de
análise”356.
No seu ela ó io sob e o exame da p imei a chamada, An ónio Saldanha menciona a
que a p o a não inha “di iculdades exage adas” e “as pe gun as são cla as e pouco
ex ensas”, podendo se ealizadas no pe íodo de empo de e minado pa a a sua
ealização. Conside ou ainda que as co ações, com um o al de 200 pon os, o am
co e amen e a ibuídas à p o a pois “as pe gun as mais ex ensas êm maio es co ações
356 HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e ensina
His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010,
p. 376.
Helena Viei a
274
do que as ou as”. Em e mos de esul ados inais o exame saldou-se po mais no as
posi i as, iguais ou supe io es a 100 pon os, do que nega i as.
A segunda chamada, ap esen a a já um g au de di iculdade in e io pois odas as
ques ões apela am mais à memó ia, não ha endo já nenhuma ques ão que exigisse o
elacionamen o de ac os a é po que, a segunda chamada e a ambém uma segunda
opo unidade pa a os alunos que não inham ob ido posi i a na chamada an e io .
Cu iosamen e no ela ó io de An ónio Saldanha são apon adas exa amen e as mesmas
conside ações da chamada an e io .
No mesmo ano le i o, na Escola Come cial Pa ício P aze es ealizou-se um exame
o al pa a a disciplina de His ó ia Ge al e Pá ia no qual “os alunos o am subme idos a
in e oga ó ios, ei os com a maio cla eza e impa cialidade pelos p o esso es de
His ó ia, em se iço nes a escola, os quais p ocu a am, pela in eligência das
pe gun as o muladas, le a os examinandos a esponde sob e oda a ma é ia do
p og ama igen e”357.
A escolha des a o ma de exame oi de e minada p e iamen e pelo jú i da p o a
cons i uído pelos p o esso es Júlio Bas o, Jo e Noguei a e Be na dino Ca doso. Es es
op a am pela ealização de “in e oga ó ios sob a o ma dialogada, sendo semp e
g aduados a pa i de ques ões mãos áceis pa a as mais di icul osas, a é
de e mina -se a ex ensão dos conhecimen os do examinando e a sua comp eensão dos
ac os his ó icos”358.
No inal das p o as, o jú i elabo ou o espe i o ela ó io e concluiu que os
esul ados o am mais posi i os po “nes e exame exclusi amen e o al, não ha e em
en ado como elemen o de ap eciação quaisque dos abalhos esc i os usualmen e
ealizados pelos alunos e que, pela di iculdade de edacção, po eg a diminuem a
alo ização do aluno”359.
Conclui-se po an o que a es u u a dos exames inais e a uma opção de cada escola,
não ha endo um único modelo idên ico pa a odas as escolas. Umas p e e iam os
adicionais exames esc i os, embo a es es pela sua exigência e pelas di iculdades de
edação dos alunos, se mos assem mais di íceis pa a os alunos. Ou as op a am an es
po exames o ais, nos quais os alunos podiam de o ma mais lexí el mos a os seus
conhecimen os.
357 Júlio Bas o, Jo e Noguei a e Be na dino Ca doso.AHME, DGETP, caixa 48/756.
358 Idem.
359 Idem.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
275
Capí ulo 4. A Fo mação P o issional dos P o esso es de
His ó ia do Ensino Técnico
Os p o esso es são agen es indispensá eis e peças cha e no p ocesso de cons ução
de uma disciplina escola . Assim, de o ma a en ende melho a disciplina de His ó ia
no ensino écnico, é necessá io comp eende como é que os p o esso es de His ó ia
acediam à ca ei a, como e oluíam nela, qual e a o seu con ex o no subsis ema de
ensino écnico e que ipo de o mação académica e p o issional inham, p ocu ando
en ende a é que pon o a sua o mação di e gia ou se ap oxima a dos p o esso es de
His ó ia do ensino liceal.
A in luência dos p o esso es jun o dos alunos e a de al o dem que, desde cedo, os
go e nos de di e en es egimes p ocu a am con ola o p o esso ado. Du an e a
p imei a epública, se p o esso exigia mesmo um conjun o de equisi os p é ios que
não se limi a am à posse de um cu so supe io numa de e minada á ea cien í ica. Pa a
se en a na ca ei a e a necessá io um ce i icado de bom epublicano, an imoná quico
e an icle ical e um a es ado passado pela jun a de eguesia de esidência; uma
decla ação de comp omisso polí ico com o egime epublicano e um egis o c iminal
passado pela coma ca.360
Embo a com nomes e con o nos dis in os, es as exigências pe manece am no Es ado
No o quando o go e no impôs, que a p o esso es do ensino écnico que a p o esso es
do ensino liceal, a en ega de um a es ado de bom compo amen o mo al e cí ico e um
ce i icado do egis o c iminal361 do candida o à docência, assim como uma decla ação
comp ome endo-se a não pe ilha dou ina ou ideologia con á ia ao egime.
A pa des as exigências bu oc á icas e de enquad amen o ideológico, os p o esso es
de His ó ia do ensino secundá io écnico e liceal de iam ainda e uma o mação
académica e p o issional especí ica que, desde cedo, oi egulamen ada o icialmen e.
Recuando à segunda me ade do século XIX, Luís Al es362 mos a que o ensino
écnico ca ecia u gen emen e de p o esso es. As es a égias en ão ado adas pa a
360 HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e ensina
His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010,
p. 97.
361 Diá io do Go e no, I Sé ie, Dec e o 37029, de 24 de agos o de 1948, a .º. 204.
362 ALVES, Luís Albe o Ma ques – Os p o esso es e o ensino indus ial (úl imo qua el do século XIX a
meados do século XX). Sísi o, Re is a de Ciências da Educação, 11, 2010, pp. 35-44, disponí el em
h p://sisi o. pce.ul.p /pd s/Re is a%2011%20PT%20d4.pd , consul ado em 21/05/13.
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276
esol e es e p oblema, ais como a pouca sele i idade na con a ação de docen es e a
o e a de condições a a i as pa a os p o esso es, poucos e ei os su iam, o que
impunha a con a ação de docen es es angei os. Es a solução ambém não esol ia o
p oblema is o que es es não in eg a am nem pa icipa am na o mação em escolas
no mais que o massem u u os p o esso es. Po essa azão, os sucessi os egimes
en a am semp e c ia legislação especí ica capaz de eabili a o es a u o dos
p o esso es do ensino écnico, con ola a sua con a ação e melho a a sua o mação.
Es as in enções inham po ém subjacen es a en a i a de ga an i p o esso es
habili ados e compe en es que o nassem o ensino écnico mais c edí el, incen i ando a
adesão de alunos a es e subsis ema de ensino.
Na legislação do inal da mona quia, os docen es do ensino écnico su giam
di ididos em duas g andes ca ego ias: os p o esso es e os mes es, hie a quizados
pos e io men e de aco do com os con eúdos das disciplinas que leciona am,
eó icos/cien í ico-humanís icos ou p á icos/ écnicos, e com as unções que
desempenha am. Ainda no seguimen o des e in ui o, p ocu ou-se, sem sucesso,
eabili a o es a u o do p o esso do ensino écnico en ando aze uma equipa ação em
e mos de encimen os, ca ego ias e p e oga i as en e eles e os p o esso es do ensino
liceal.
Po ém, somen e no pe íodo da p imei a epública, su gi am as p imei as medidas
consis en es no âmbi o da o mação de p o esso es do ensino écnico, c iando escolas
no mais, como a Escola No mal pa a o Ensino do Desenho, em Lisboa, e es abelecendo
pe cu sos o ma i os que passa am po “dois anos de es udos eó icos e p á icos de
pedagogia, didác ica, ecnologia, a es indus iais e, em simul âneo, o exe cício
docen e numa das escolas de Lisboa, sob o ien ação de um p o esso e e i o”363.
Po ou o lado, os p o esso es das es an es disciplinas cien í ico-humanis as, nas
quais se incluía a His ó ia, inham de passa po um es ágio de dois anos de idamen e
supe isionado e po concu sos de p o as que mais a de i iam a se subs i uídas po
concu sos documen ais.
No ensino liceal, os p o esso es cons i uíam apenas uma classe não ha endo
di isões de aco do com o ca ác e eó ico ou p á ico das disciplinas que leciona am,
como oco ia no ensino écnico. A sua o mação de p o esso es oi egulamen ada em
1901 e e a compos a po duas pa es: uma p imei a com a du ação de ês anos e cuja
363 Idem, p. 41.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
277
inalidade e a o desen ol imen o de uma o mação de ní el supe io na á ea da
His ó ia ciência e uma segunda, com a du ação de um ano, ela i a à o mação
pedagógica e p á ica docen e364.
Em 1911, os go e nos da p imei a epública al e a am es e ipo de o mação que
passou a se minis ado pelas Escolas No mais Supe io es que es a am anexas às
aculdades de Le as e de Ciências das Uni e sidade de Coimb a e de Lisboa. Con udo,
embo a o uncionamen o des as escolas enha sido egulamen ado po dec e o lei em
21/5/1911, elas apenas começa am a unciona qua o anos mais a de demons ando
assim “alguma inconsis ência pe an e as opções que de e iam oma -se em p ol da
o mação de p o esso es”365. Con o me salien ou Raquel Hen iques, a al a de ecu sos
inancei os e a inexis ência de obje i os educa i os conc e os e iam con ibuído pa a a
inconsis ência e i icada du an e o início da p imei a epública.
4.1 Dos anos 30 a 1969
As p imei as leis sólidas da o mação de p o esso es que do ensino écnico que do
ensino liceal su gi am apenas nos anos in a, do século XX, já no pe íodo da di adu a
mili a , a pa das no as e o mas do sis ema de ensino secundá io.
Em 1930, e i icou-se a ex inção das Escolas No mais Supe io es, endo o minis o
Co dei o Ramos delineado um no o modelo de o mação de p o esso es pa a o ensino
liceal baseado na di isão en e a Cul u a Pedagógica, adqui ida nos Cu sos de Ciências
Pedagógicas lecionados em secções especí icas das uni e sidades, e a P á ica
Pedagógica, adqui ida após dois anos de es ágio ealizados num liceu no mal.
Seguindo a in es igação de Raquel Hen iques, a pa i de 1930, a o mação de
p o esso es de His ó ia do ensino liceal passou a aze -se em ês ní eis de o mação
con ínuos e cumula i os.
364 PARDAL, An ónio – Fo mação de p o esso es do ensino secundá io (1910-1988). A ei o:
Uni e sidade de A ei o, 1992, p.13-17.
365 HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e p á icas educa i as. Se p o esso e ensina
His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010,
p. 206.
Helena Viei a
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Rep esen ação G á ica 6 - Ní eis de o mação de p o esso es do ensino liceal segundo Raquel Hen iques366
O cu so de Ciências Pedagógicas que compunha o segundo ní el ela i o à Cul u a
Pedagógica não inha ligação às disciplinas de e e ência da licencia u a de cada u u o
p o esso e e a compos o po qua o disciplinas anuais: Pedagogia e Didác ica;
His ó ia da Educação, O ganização e Adminis ação Escola es; Psicologia Ge al e
Psicologia Escola e Medidas Men ais; e a disciplina semes al de Higiene Escola . O
sucesso des e cu so dependia da ap o ação num exame inal em algumas disciplinas e
abalhos p á icos nou as.
As aulas des e cu so de on a am-se com o p oblema do ele ado núme o de alunos
po u ma que di icul a a as aulas p á icas. A o mação eó ica e a gené ica e ala gada,
abo dando emas di e sos e con ibu os de á ias ciências. Po ou o lado, as aulas
p á icas ab iam algum espaço à discussão de emas especí icos elacionados com a
didá ica de cada disciplina.
Após a ap o ação no Cu so de Ciências Pedagógicas, os u u os p o esso es de
His ó ia do ensino liceal e am subme idos a um exame de admissão ao es ágio que
consis ia numa p o a pública ealizada no salão nob e de um liceu no mal pe an e um
jú i de cinco elemen os. As p o as e am esc i as e o ais, sem qualque auxílio, e
e sa am emas sob e a ciência de e e ência. Segundo Raquel Hen iques, es e exame
e a ma cado pela imp e isibilidade das ques ões e não e sa a qualque i em que
a aliasse a ap idão à docência.
366 Idem, p. 207.
Habili ação
académica
uni e si á ia
Nes e ní el de o mação, os u u os p o esso es adqui iam p epa ação
cien í ica nas uni e sidades com a ob enção de uma licencia u a num
de e minado campo de conhecimen o
Nes e ní el de o mação, os p o esso es ob inham uma o mação
ela i a à cul u a pedagógica na Secção de Ciências Pedagógicas anexa
à Faculdade de Le as
Nes e ní el de o mação, os u u os p o esso es ealiza am um es ágio
de dois anos.
Cul u a
Pedagógica
P á ica
Pedagógica
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
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Quad o 18 - Temas e sados no Exame de Admissão ao Es ágio de p o esso es de
His ó ia do ensino liceal e espe i a du ação367
Temas Ve sados no Exame de Admissão ao
Es ágio de p o esso es de His ó ia
Du ação
P o a
Esc i a
P o a
O al
His ó ia Ge al
1h30
1h00
His ó ia de Po ugal
1h30
1h00
Filoso ia
2h00
00h30
His ó ia da Filoso ia
-
00h30
O ganização Polí ica e Adminis a i a da Nação
-
00h30
To al
5h00
3h30
Passado o exame de admissão, os p o esso es inicia am um es ágio não emune ado
que inha a du ação de dois anos. No p imei o, os p o esso es es agiá ios con inua am
a equen a a Uni e sidade, ob endo a o mação ela i a à cul u a pedagógica, e em
liceus especí icos desen ol iam a P á ica Pedagógica, assis indo a lições modelo que
e am pos e io men e deba idas. Já no segundo ano, os p o esso es es agiá ios inicia am
a p á ica docen e com a o ien ação de um p o esso me odólogo.
Du an e o p imei o ano de es ágio, o p o esso es agiá io pa a além de assis i a
lições do me odólogo, eunia-se com es e uma ou duas ezes po semana pa a discu i
planos de aulas, exe cícios esc i os, es es, plani icações de a i idades a ealiza em
aula ou o a dela. De ia ambém leciona alguns empos semanais em duas u mas do
p o esso me odólogo. Po ou o lado, inha ainda o de e de pa icipa no se iço de
exames, assis i e pa icipa em con e ências, assis i a euniões de conselhos e ou as
euniões de ca á e pedagógico.
No segundo ano do i ocínio, o p o esso es agiá io inha a ob igação de leciona
doze ho as semanais em u mas que lhe e am a ibuídas mais no e ho as dis ibuídas
en e assis ências ou lecionação nas aulas do p o esso me odólogo. Pa a além des as
a i idades, de e ia con inua a pa icipa em con e ências, euniões e a i idade ci cum
escola es. No inal, inha de elabo a um ela ó io sob e as a i idades ealizadas, um
ela ó io de di eção de u ma e um ela ó io de a i idades ci cum escola es.
A a aliação do es agiá io dependia da sua assiduidade, do g au de cump imen o das
a e as que lhe ha iam sido a ibuídas e do zelo, dedicação e es o ço nelas
demons adas. A alia a-se ambém a compe ência cien í ica e pedagógica do es agiá io
e a colabo ação que es e demons a a pa a com os demais colegas e p o esso es.
367 Quad o elabo ado com in o mações cons an es em HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e
p á icas educa i as. Se p o esso e ensina His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e
Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010, pp.230-231.
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280
Te minado o es ágio, os u u os p o esso es e am ainda subme idos ao exame de
es ado. Es e e a ou a p o a pública ealizada pe an e um jú i, no malmen e o mesmo
do exame de admissão ao es ágio, e e a cons i uída igualmen e po p o as o ais e
esc i as. Os examinandos e am sujei os a uma p o a esc i a sob e mé odos de ensino de
um pon o dado no p og ama liceal e p o as o ais sob e didá ica ge al e didá ica
especial. A es as p o as ac escia a obse ação e a aliação de uma lição lecionada a
uma u ma escolhida pelo jú i e comunicada ao candida o com 24 ho as de
an ecedência. Após a aula p ocedia-se à discussão da mesma. P es adas es as p o as o
jú i a alia a-as.
Pa a ap o ação, os candida os de iam e uma classi icação de dez ou mais alo es e
apenas podiam se ep o ados uma ez pois à segunda ep o ação ica am
impossibili ados de leciona nos liceus.
Quad o 19 - Temas e sados no Exame de Es ado de p o esso es de His ó ia
do ensino liceal e espe i a du ação368
Temas Ve sados no Exame de Es ado de p o esso es
de His ó ia
Du ação
P o a
Esc i a
P o a
O al
Mé odos de Ensino
2h00
-
Didá ica Ge al
-
00h30
Didá ica especial
-
00h30
Lição
-
1h00
Discussão da lição
-
00h30
To al
2h00
2h30
A classi icação p o issional do p o esso e a uma ponde ação en e as qua o
componen es da sua o mação: a classi icação da licencia u a, a média das disciplinas
do Cu so de Ciências Pedagógicas, a classi icação do es ágio p á ico e a classi icação
do exame de es ado.
Pe an e es e modelo, é comp eensí el o eduzido núme o de p o esso es que
adqui iam quali icação p o issional dada a di iculdade económica em sus en a an os
anos sem emune ação e dada a g ande exigência das p o as a que os candida os a
p o esso es a am sujei os.
Os anos in a ambém ouxe am uma no a e o ma na o mação de p o esso es do
ensino écnico, na qual o Es ado e e igualmen e a p eocupação de es abelece um
368 Quad o elabo ado com in o mações cons an es em HENRIQUES, Raquel Pe ei a – Discu sos legais e
p á icas educa i as. Se p o esso e ensina His ó ia (1947-1974). Lisboa: Fundação Calous e
Gulbenkian Fundação pa a Ciência e Tecnologia, 2010, pp.232-233.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
281
conjun o de eg as des inadas a de ini a o ma como os p o esso es e am
hie a quizados e ec u ados, assim como es abelece as condições do acesso à p o issão
e as habili ações necessá ias. Su gia assim uma en a i a es a al de a ibui aos
p o esso es do ensino écnico o mesmo sen ido p o issional que já inha sido
egulamen ado pa a os p o esso es do ensino liceal.
O dec e o 18 420, de 4 de junho de 1930, um ano depois subs i uído pelo dec e o
20 420, de 21 de ou ub o de 1931, que e o ma a o ensino écnico e dec e a a as eg as
elacionadas com a ca ego ização, p o issionalização e ec u amen o do seu pessoal
docen e.
Assim, em 1930, o pessoal docen e das escolas écnicas passa a a o ganiza -se
hie a quicamen e de aco do com a es u u a ap esen ada esquema icamen e na
ep esen ação g á ica que se segue.
O pessoal docen e das escolas écnicas o ganiza a-se po an o em dois g andes
g upos hie a quizados in e namen e: os p o esso es que leciona am as disciplinas
cien í icas e humanís icas e os mes es que se ocupa am das disciplinas écnicas e
egiam as aulas das o icinas.
Os p o esso es e e i os pe enciam aos quad os p i a i os de cada escola. E am
ec u ados po concu so documen al, de endo ap esen a um ce i icado de empo de
se iço, um ce i icado de qualidade de se iço p es ado passado po um conselho
escola e um diploma de ensino supe io . Es es inham “p e e ência qualque que seja
Rep esen ação G á ica 7 - O ganização do pessoal docen e das Escolas Técnicas - 1930
Pessoal docen e das escolas écnicas
P o esso es
Mes es
P o esso es E e i os
P o esso es Ag egados
P o esso es Con a ados
Mes es E e i os
Mes es Con a ados
Mes es P o isó ios
P o esso es P o isó ios
Helena Viei a
288
Os p o esso es de His ó ia, enquan o docen es das disciplinas de cul u a ge al,
pe enciam ao 10º g upo – His ó ia, mui o embo a ambém es i essem in eg ados no 8º
g upo – Língua e His ó ia Pá ia, Po uguês e F ancês.
À semelhança dos es an es p o esso es, caso quisessem ing essa nos quad os de
nomeação de ini i a, os p o esso es de His ó ia inham de possui o mação pedagógica
e subme e -se a um exame de es ado. A o ganização e o uncionamen o des a o mação
man inham-se mui o semelhan es à da década de 1930 e ap oxima a-se mui o da
o mação dos p o esso es liceais.
Assim os p o esso es que desejassem e habili ação p o issional pa a leciona a
disciplina de His ó ia e ing essa no 10º g upo inham de e uma licencia u a em
Ciências His ó icas e Filosó icas, ealiza as cadei as da Secção Pedagógica das
Faculdades de Le as e aze um es ágio de dois anos numa escola écnica de Lisboa ou
Po o. Po ou o lado, caso os p o esso es p e endessem in eg a o 8º g upo e ocupa o
luga de p o esso e e i o, de iam e uma licencia u a em Filologia Românica ou
Clássica. Já pa a ocupa o luga não e e i o de p o esso adjun o, e a su icien e e
concluído algumas cadei as uni e si á ias nomeadamen e as cadei as de Filologia
Po uguesa, Li e a u a Po uguesa, F ancês, His ó ia de Po ugal, His ó ia Medie al,
His ó ia Mode na e Con empo ânea, His ó ia dos Descob imen os e Colonização
Po uguesa.
Pa a acede em ao es ágio, os u u os p o esso es inham de ap esen a uma ce idão
de habili ações, uma ce idão de idade, um ce i icado do egis o c iminal e policial, um
a es ado de bom compo amen o mo al e cí ico, um ce i icado comp o a i o de e
sa is ei o a lei do se iço mili a caso a ele es i essem sujei os, inham de passa na
inspeção médica e se ap o ados no exame de admissão ao es ágio.
No dia do exame de admissão ao es ágio, os u u os p o esso es inham de i a uma
jun a de ês médicos escola es na escola onde ealiza am o exame a im de a e i se
es es inham ube culose, de o midade ou de iciência ísica que p ejudicasse o
exe cício da docência e se possuíam sanidade e equilíb io men al pa a esse mesmo
exe cício. Só depois de passa em na inspeção médica os candida os podiam ealiza o
exame de acesso ao es ágio que con inha duas pa es: a p imei a ge al, igual pa a odos
os candida os a odos os g upos, compos a po “uma edação sob e assun o capi al de
His ó ia de Po ugal”375, e a segunda especial que es a a di e amen e elacionada com
375 Diá io do Go e no, I Sé ie, Dec e o 37 029, de 24 de agos o de 1948, a . 237.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
289
a disciplina sob e a qual incidi ia o es ágio. A edação sob e um assun o de His ó ia,
aplicá el a odos os candida os, p e endia a e i o uso co e o do egis o esc i o assim
como aze um con olo de idoneidade mo al e cí ica dos candida os e i icando pelo
discu so his ó ico se es es es a am ambém enquad ados ideologicamen e.
Os candida os ao exame pa a o 10º g upo – His ó ia, na pa e especial, de iam
ealiza um desen ol imen o esc i o, com a du ação de duas ho as, sob e um assun o de
His ó ia Ge al e ou o sob e His ó ia de Po ugal, so eados pelo jú i no início de cada
p o a. Depois inham de aze uma exposição o al, com a du ação de in a minu os,
sob e um assun o de li e a u a po uguesa, so eado pelo jú i qua o ho as an es da
p o a. Após a ealização da exposição seguia-se um in e oga ó io que não de ia
excede os in e minu os. Finalmen e aziam a lei u a e análise linguís ica, li e á ia e
ideológica de um ex o de au o po uguês, com a du ação de 30 minu os, ap esen ado
no início da p o a e seguido de in e oga ó io caso o jú i en endesse necessá io.376
O esul ado inal do exame e a compos o pela média a i mé ica das classi icações
ob idas nas di e sas p o as numa escala de ze o a in e alo es, ap oximado às
décimas. A ob enção de uma classi icação in e io a dez alo es em qualque uma das
p o as di a a a exclusão do candida o.
O jú i dos exames de admissão ao es ágio e a nomeado pelo minis é io e cons i uído
po cinco p o esso es das escolas écnicas, de p e e ência p o esso es me odólogos, que
não podiam ecusa -se a pa icipa pois es e se iço inha p e e ência sob e odo o
es an e se iço educa i o377.
Os p o esso es me odólogos e am nomeados pelo minis é io po p opos a do di e o
ge al do ensino écnico. Es es inham de se p o esso es e e i os habili ados com
o mação p o issional e exame de es ado com classi icação inal de ca o ze ou mais
alo es e e am nomeados po cinco anos, não de endo ul apassa essa du ação em
exe cício de unções. Pa a além de in eg a os jú is de a aliação dos exames, es es
p o esso es me odólogos e am ainda chamados a ealiza nas escolas écnicas onde se
ealiza am es ágios lições sob e didá ica especial ou con e ências sob e p oblemas de
in e esse pedagógico, ecebendo emune ações especí icas pa a esse e ei o.
Após ap o ação no exame de admissão ao es ágio, os candida os inham de paga
uma p opina e subme e -se a um es ágio de dois anos numa escola écnica, sendo que
376 Idem, a . 237, pon o 3, alínea j).
377 Idem, a . 237, pon os 5 e 6.
Helena Viei a
290
no p imei o ano cumula i amen e inham de aze as cadei as da secção pedagógica das
Faculdades de Le as.
Ao longo do i ocínio, os es agiá ios assis iam às aulas dos p o esso es me odólogos
que p e iamen e analisa am com eles os planos das lições que se iam usadas como
exemplo a segui . Também de iam leciona aulas com a assis ência do p o esso
me odólogo endo p e iamen e en egue o plano da espe i a aula e ealizado a
co eção de e os que i essem sido apon ados. No inal, as aulas e am discu idas en e
o es agiá io, o p o esso me odólogo e ou os es agiá ios que ambém i essem
assis ido à aula.
Po ou o lado, os es agiá ios de iam assis i a sessões de es udo ou con e ências
pedagógicas e assis i às sessões de abalho p omo idas pelos o ien ado es. Es as
podiam e emas di e sos como didá ica ge al ou especial; inalidades e ca á e do
ensino écnico; a iculação da escola com o meio. Sob es es as sessões de abalho, os
p o esso es me odólogos podiam exigi ela ó ios e es udos p á icos. Os es agiá ios
de iam ainda assis i a euniões de ca ác e pedagógico378.
Po ém, pa a o sucesso do i ocínio os es agiá ios es a am sujei os “à mais pe ei a
assiduidade e pon ualidade”379. Todo o egis o de al as e a a qui ado a é à ealização
do exame de es ado e a ausência não de idamen e jus i icada a mais de uma semana de
aulas ou a duas sessões de es udo380 implica a a ep o ação no es ágio.
O es ágio e a igualmen e classi icado numa escala de ze o a in e alo es, sendo que
a ap o ação exigia um mínimo de dez alo es. A segunda ob enção de classi icação
in e io a dez alo es no inal do es ágio implica a uma exclusão e a não ob enção de
habili ação p o issional pa a a docência.
Os es ágios de p o esso es do ensino écnico e am po an o longos e não p e iam
qualque ipo de emune ação, o que exigia uma ce a capacidade inancei a pa a
supo a p opinas e abalha du an e dois anos sem ou as on es de endimen o. A
legislação p e ia ambém que a equência do es ágio e a incompa í el com o exe cício
de a i idade docen e no ensino pa icula , sob pena imedia a de exclusão dos
in a o es381.
378 Idem, a . 262.
379 Idem, a . 264.
380 Não su gem especi icados no dec e o os con eúdos des as sessões de es udo/ abalho. Con udo já
e i icamos nos capí ulos an e io es que es as se dedica am a emá icas pedagógicas e didá icas, que
ge al, que especial, e cujos esul ados inais o am po ezes publicados no bole im Escolas Técnicas.
381 Diá io do Go e no, I Sé ie, Dec e o 37 029, de 24 de agos o de 1948, a . 269.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
291
Pa a a ealização do es ágio e a necessá io o pagamen o de uma p opina di idida em
ês p es ações pagas no a o da ma ícula e no inal do p imei o e do segundo
pe íodo.382 Po ém, os es agiá ios com mais di iculdades económicas podiam pedi ao
di e o da escola onde se ealiza a o es ágio uma isenção de p opina caso p o assem
ca ece de ecu sos. Con udo e a exigida uma no a mínima de doze alo es no exame
de admissão ao es ágio. Caso con á io a isenção não se ia concedida.383
A o mação p o issional dos u u os p o esso es de His ó ia não ica a con udo
concluída com a inalização do es ágio. Os candida os inham ainda de ealiza o exame
de es ado que e a eque ido nos ês dias subsequen es à publicação dos esul ados
inais do segundo ano de es ágio.
O jú i dos exames de es ado e a nomeado pelo minis é io e e a cons i uído po cinco
memb os. O p esiden e do jú i e a um ogal da Jun a Nacional de Educação e os
es an es qua o memb os e am os p o esso es me odólogos ou e e i os dos g upos do
exame a ealiza .
O exame de es ado e a compos o po ês p o as: uma p o a esc i a, uma exposição
o al e uma lição. A p o a esc i a igual pa a odos os candida os, inha a du ação de
duas ho as e insidia sob e mé odos de ensino de um pon o dado no p og ama da
disciplina. O jú i es abelecia uma ques ão que apenas e a comunicado aos candida os no
momen o da p es ação da p o a.
A exposição o al e a sob e didá ica ge al e inha a du ação de meia ho a. Os emas
des a exposição e am de e minados pelo jú i e so eados pelos candida os com in e e
qua o ho as de an ecedência. Após a exposição o al, o jú i azia um in e oga ó io
sob e a mesma pelo empo que conside asse necessá io. Man inha-se assim uma
o ganização semelhan e à dos anos 1930 que apenas oi al e ada no inal dos anos 60.
A lição e a dada a uma u ma de alunos do ensino écnico escolhida pelo jú i. Es a
e a anunciada ao es agiá io com in e e qua o ho as de an ecedência e es e inha a
incumbência de e i ica qual o assun o que de ia se a ado em ace do
desen ol imen o an e io da ma é ia e do espe i o p og ama da disciplina. Te minada
a aula ha ia uma discussão da mesma com a du ação de meia ho a.
A classi icação do exame de es ado e a a ibuída numa escala de ze o a in e alo es
a edondados às unidades e pa a e sucesso na p o a os candida os de iam ob e um
mínimo de dez alo es em odas as p o as.
382 Idem, a . 256.
383 Idem, a . 270.
Helena Viei a
292
Mui o embo a a o ganização e o uncionamen o da o mação pedagógica e
p o issional dos p o esso es de His ó ia, e de ou as disciplinas, do ensino écnico osse
semelhan e à dos p o esso es no ensino liceal, o g au de exigência não e a o mesmo nos
dois subsis emas de ensino.
Enquan o o exame de es ado dos p o esso es do ensino liceal p e ia qua o p o as, o
exame de es ado dos p o esso es do ensino écnico apenas p e ia ês, excluindo a
p o a o al de didá ica especial. Es a ausência pode de e -se a uma lógica mais
p agmá ica dos es ágios no ensino écnico. Es a simpli icação na didá ica especial no
exame de es ado é assim sin omá ica da edução da impo ância que lhe e a con e ida
no ensino écnico compa a i amen e com o ensino liceal.
Ou a g ande di e ença esidia na ausência de p o esso es uni e si á ios na
cons i uição dos jú is dos exames que de admissão ao es ágio, que de es ado. A não
p esença de p o esso es uni e si á ios nas p o as cha e da o mação de p o esso es do
ensino écnico é po ou o lado sin omá ica da desigualdade en e o p es ígio e o
espei o a ibuídos a um p o esso liceal compa a i amen e a um p o esso do ensino
écnico.
Todo o p ocesso da ealização do exame de es ado e a p olongado du ando ce ca de
um mês e incluía di e sas euniões e p o as. De o ma a comp eende melho o
p ocesso do exame de es ado da disciplina de His ó ia (10º g upo) do ensino écnico,
e e-se como e e ência as a as do jú i de exame de es ado da Escola Come cial Veiga
Bei ão, do ano de 1949384, encon adas no AHME.
A composição dos in e enien es nes e p ocesso de exame de es ado em um aspe o
de p eciosidade que me ece se des acado. No a-se a p esença no jú i de An ónio
Gonçal es Ma oso que se á mais a de o au o do manual único de His ó ia de Po ugal
dos cu sos indus iais e de His ó ia Pá ia e Ge al do ensino come cial e do seu coau o
An onino Hen iques enquan o candida o ao exame de es ado, p es es a inaliza a sua
o mação p o issional.
384 AHME, Fundo DGET, caixa 2/119 – Exames de Es ado. A escolha des a on e p imá ia e a não
u ilização de nenhuma ou a on e simila de eu-se ao ac o de es as a as se em as únicas ca alogadas e
disponí eis pa a consul a no AHME, numa caixa com documen os di e sos e miscelâneas ela i os a
exames de es ado de á ias disciplinas.
A Disciplina de His ó ia no Ensino Técnico (1926-1973)
293
Quad o 20 - In e enien es no p ocesso de exame de es ado do 10º g upo ealizado na Escola
Come cial Veiga Bei ão no ano de 1949385
Elemen os do Jú i
Candida os ao exame de es ado
P esiden e
Manuel Domingos
Heleno Júnio
An onino Hen iques
A elino Pe ei a Lima
Emídio Albe o Pi es P aça
José Sal ado Sampaio
P o esso Me odólogo
Vi gílio Amé ico da
Sil a Cou o
P o esso Me odólogo
Amé ico Sil ino
Palma
P o esso E e i o
An ónio Gonçal es
Ma oso
P o esso E e i o
Magnus Alb eck
Be gs üm
A composição do jú i da p o a seguiu os p essupos os da legislação e e a compos o
po p o esso es me odólogos e p o esso es e e i os sendo que Vi gílio Cou o oi o
esponsá el pela lide ança dos abalhos.
A a és da documen ação e i icou-se que a ealização do exame de es ado seguiu
as no mas de e minadas no es a u o do ensino p o issional indus ial e come cial e que
os abalhos i e am a du ação de in a dias, endo o jú i ei o in e e uma euniões,
ealizando po ezes duas euniões no mesmo dia.
A lei u a de odas as a as demons a o seu ca ác e sin é ico sendo que nenhuma
ap esen a ap eciações ou desc ições das p o as nem a desc ição especí ica ou
pa icula izada das mesmas, limi ando-se a expo emas e sumá ios que são no en an o
elemen os undamen ais pa a i a ilações sob e o que e a espe ado a ní el cien í ico e
pedagógico dos candida os ao exame de es ado.
Quad o 21 - Lis agem dos assun os a ados nas euniões do jú i do exame de es ado do 10º g upo ealizado na
Escola Come cial Veiga Bei ão ealizado no ano de 1949386
Nº de
A a
Da a
Assun o
1
25-05-1949
Escolha do ema pa a a p o a esc i a sob e mé odo de ensino
2
30-05-1949
Aplicação da p o a esc i a aos qua o candida os com a du ação de duas
ho as
3
06-06-1949
T oca de imp essões sob e as p o as esc i as ealizadas pelos
es agiá ios. In o mação ao licenciado An onino Hen iques da da a da
sua lição.
4
07-06-1949
Escla ecimen o da dú ida sob e o a igo 279º do Es a u o do Ensino
P o issional Indus ial e Come cial. Al e ação da da a da lição do
licenciado An onino Hen iques.
5
09-06-1949
In o mação do sumá io e discussão da lição do licenciado An onino
Hen iques.
385 AHME, DGET, caixa 2/119.
386 Idem.
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