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Percursos Turísticos e mobilidade reduzida o exemplo do município de Santo Tirso

Maria Inês Ferreira Vieira da Silva

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Maria Inês Ferreira Vieira da Silva Percursos Turísticos e Mobilidade Reduzida – o exemplo do Município de Santo Tirso Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Turismo, orientada pelo Professor Doutor Rui Manuel Nunes Corredeira e coorientada pelo Professor Doutor Luís Paulo Saldanha Martins Faculdade de Letras da Universidade do Porto julho de 2015 Percursos Turísticos e Mobilidade Reduzida – o exemplo do Município de Santo Tirso Maria Inês Ferreira Vieira da Silva Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Turismo, orientada pelo Professor Doutor Rui Manuel Nunes Corredeira e coorientada pelo Professor Doutor Luís Paulo Saldanha Martins Membros do Júri Professora Doutora Maria Inês Ferreira de Amorim Brandão da Silva Faculdade de Letras - Universidade do Porto Professora Doutora Tânia Cristina Lima Bastos Faculdade de Desporto – Universidade do Porto Professor Doutor Rui Manuel Nunes Corredeira Faculdade de Desporto - Universidade do Porto Classificação obtida: 15 valores 5 Sumário Agradecimentos ............................................................................................................ 6 Resumo ......................................................................................................................... 7 Abstract ........................................................................................................................ 8 Índice de Ilustrações ..................................................................................................... 9 I – Introdução.............................................................................................................. 11 1.1 – Justificação e Objetivos .................................................................................... 11 1.2 - Opções metodológicas ...................................................................................... 12 II – Conceito e evolução do turismo e a sua importância no desenvolvimento local ..... 14 2.1– Evolução do turismo em Portugal ...................................................................... 14 2.2 – Turismo como fator de dinamização local, regional e nacional ......................... 15 III – Desporto, Turismo e Percursos Pedestres............................................................. 17 3.1 – Conceitos de Desporto Adaptado e Turismo ..................................................... 17 3.2 – Turismo Acessível e Turismo Inclusivo ........................................................... 18 3.2.1 – Perfil e motivações dos turistas ............................................................... 19 3.2.2 – Impactos do turismo ............................................................................... 21 3.3 – Percursos Turísticos/Percursos Pedestres e a sua articulação com o turismo ..... 22 3.3.1 – O papel das autarquias ............................................................................ 23 3.3.2 – Casos de sucesso em Portugal................................................................. 25 IV – Estudo de caso: Percursos Turísticos no Município de Santo Tirso ...................... 30 4.1 - Caracterização da área de estudo ....................................................................... 30 4.2 - Oferta turística de Percursos Turísticos e de Percursos Pedestres no Município. 37 V – Percurso projetado para futura implementação...................................................... 57 5.1 – Caracterização do percurso .............................................................................. 57 5.2 – Normas técnicas de acessibilidade universal ..................................................... 59 5.3 - Identificação das lacunas existentes na cidade ao longo do percurso e proposta de correções a efetuar ...................................................................................................... 64 5.4 – O percurso como fator de animação turística .................................................... 88 5.5 – Veículo a utilizar no percurso: Joëlette ............................................................. 89 5.6 - Possível integração em atividades desportivas e/ou recreativas existentes no Município de Santo Tirso e áreas envolventes ............................................................. 92 Referências Bibliográficas .......................................................................................... 96 6 Agradecimentos Para a elaboração da presente dissertação de Mestrado em Turismo foram várias as entidades e instituições que deram da melhor forma o seu contributo. Em primeiro lugar, agradeço ao Professor Doutor Rui Corredeira, meu orientador e ao Professor Doutor Luís Paulo Saldanha Martins, meu coorientador, por toda a disponibilidade e abertura demonstradas ao longo de todo o processo de investigação, bem como por todo o apoio e sugestões que me transmitiram. Em segundo lugar, agradeço ao Departamento de Desporto da Câmara Municipal de Santo Tirso, nomeadamente ao Dr. Vítor Matos e restante equipa por me terem recebido e fornecido informações e pistas importantes para a elaboração da dissertação. Um outro agradecimento dirige-se à Dr.ª Ana Sistelo, Arquiteta Paisagista na Câmara Municipal de Santo Tirso e à Dr.ª Lúcia Rodrigues, Chefe da Divisão de Planeamento e Projetos da Câmara Municipal de Santo Tirso por todo o apoio e atenção concedidos, pelo bom atendimento que me prestaram e pelos dados estatísticos, documentais e cartográficos fornecidos sobre a área em estudo. A todos os colegas e amigos da Licenciatura em Geografia e dos Mestrados em Turismo, Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território e do Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território, expresso o meu apreço e gratidão pelos “contributos cartográficos” indispensáveis à realização desta dissertação, bem como pela motivação que me deram e pelas horas de companheirismo passadas na Mapoteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Por último, mas não menos importante, quero agradecer a toda a minha família por acreditarem sempre no sucesso do meu projeto e no meu percurso académico. 7 Resumo A presente dissertação de Mestrado em Turismo centrou-se no estudo e análise de percursos turísticos para pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada no Município de Santo Tirso. A pertinência deste estudo prende-se com a necessidade de divulgar as ofertas que o Município disponibiliza no que diz respeito a percursos pedestres, adaptando-os a um nicho de mercado mais específico, neste caso, às pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada. Apesar de existirem várias hipóteses para a realização dos percursos, este estudo apresenta o veículo adaptado Joëlette. As técnicas de recolha de dados utilizadas para a realização deste estudo foram as entrevistas exploratórias, a recolha de dados estatísticos sobre a população com mobilidade reduzida através do Instituto Nacional de Estatística (INE), e por último, o levantamento dos percursos existentes em Santo Tirso. Foi ainda realizada cartografia com o intuito de serem identificados as variações de relevo e os percursos turísticos deste Município. Também foi efetuada uma caracterização da evolução do turismo em Portugal, e o modo como este constitui um fator de dinamização local, regional e nacional. Faz parte desta dissertação igualmente, uma abordagem relativamente aos temas Desporto Adaptado, Turismo Acessível e Turismo Inclusivo. Com a intenção de facilitar uma melhor perceção do tipo de turistas que procuram esta forma de turismo, foram abordados o perfil e motivação dos mesmos, tendo-se considerado ainda importante estudar os diferentes impactos do turismo. A análise dos percursos turísticos e pedestres e a sua articulação com o turismo foram outros dos temas abordados nesta dissertação, bem como o papel das autarquias e os casos de sucesso em Portugal. Por último, realizou-se uma caracterização da área de estudo, sendo feito o levantamento dos percursos existentes na mesma, a identificação das lacunas neles existentes e as propostas para a sua melhoria e/ou correção. Palavras-Chave: Turismo, Percursos Pedestres, Mobilidade Reduzida, Turismo Inclusivo 8 Abstract This Master's thesis on tourism focused on the study and analysis of tourist routes for people with reduced or limited mobility in Santo Tirso municipality. The relevance of this study is related to the need of divulging the offers that the municipality provides with regard to walking trails, adapting them to a more specific group, in this case, people with reduced or limited mobility. Although there are several hypotheses to do the routes, this study presents the adapted vehicle Joëlette. The data collection techniques used for this study were the exploratory interviews, the collection of statistical data on the handicapped population by the National Statistics Institute, and lastly, the inventory of the existing trails in Santo Tirso. It was also done cartography in order to identify the variations of slope and the tourist routes of this city. A characterization of the evolution of tourism in Portugal, and how this is a factor of local, regional and national dynamics was also made. It is also part of this work an approach to the issues Adapted Sports, Accessible Tourism and Inclusive Tourism. In order to facilitate a better perception of the type of tourists seeking this form of tourism, it was analysed the profile and motivation of these people. It was also considered important to study the different impacts of tourism. The analysis of tourist and pedestrian routes and their articulation with tourism in general was another of the issues addressed in this work, as well as the role of municipalities and the cases of success in Portugal. Finally, the study area was characterized, the trails on it were inventoried, the problems on these were identified and some proposals for improvement and/or correction were suggested. Keywords: Tourism, Walking Trails, Reduced Mobility, Inclusive Tourism 9 Índice de Ilustrações Ilustração 1 - Enquadramento Geográfico do Município de Santo Tirso, em 2015 ....... 30 Ilustração 2 - Enquadramento Geográfico do Município de Santo Tirso em 2015, por freguesia ..................................................................................................................... 31 Ilustração 3 - Enquadramento Hipsométrico do Município de Santo Tirso ................... 32 Ilustração 4 – Rede Hidrográfica do Município de Santo Tirso .................................... 33 Ilustração 5 - Mapa de Declives do Município de Santo Tirso ..................................... 34 Ilustração 6 - Mapa de Exposição de Vertentes no Município de Santo Tirso .............. 35 Ilustração 7 - Densidade populacional do Município de Santo Tirso, por freguesia, em 2011 ............................................................................................................................ 36 Ilustração 8 - Requalificação das Margens do Ave ...................................................... 38 Ilustração 9 – Percursos Turísticos no Município de Santo Tirso ................................. 39 Ilustração 10 - Mapa do PR 1 ST - Histórico Pré-Industrial ......................................... 41 Ilustração 11 - Mapa do PR 2 ST - Padrão ................................................................... 43 Ilustração 12 - Mapa do PR 3 ST - Rio Leça ............................................................... 45 Ilustração 13 - Mapa do PR 5 ST - Moinhos do Fojo ................................................... 49 Ilustração 14 - Mapa do PR 6 ST - Vale do Leça ......................................................... 51 Ilustração 15 - Mapa do PR 7 ST - Entre Mosteiros ..................................................... 53 Ilustração 16 - Mapa do PR 8 ST................................................................................. 56 Ilustração 17 - Percurso projetado para futura implementação ..................................... 57 Ilustração 18 - Alameda da Ponte, margem direita do Ave, Paragens de autocarros ..... 65 Ilustração 19 - Pavimento do passeio pedonal da Alameda da Ponte, margem esquerda do Ave ........................................................................................................................ 65 Ilustração 20 - Rotunda Alameda da Ponte/Av. Unisco Godiniz .................................. 66 Ilustração 21 - Rotunda Av. Soeiro Mendes Maia/Av. Sousa Cruz .............................. 67 Ilustração 22 - Caldeiras das Árvores na Av. Sousa Cruz ............................................ 67 Ilustração 23 - Passadeira na Av. Sousa Cruz .............................................................. 68 Ilustração 24 - Passeio público na Av. Sousa Cruz ...................................................... 68 Ilustração 25 - Rua Dr. Francisco Sá Carneiro ............................................................. 69 Ilustração 26 - Pavimento do Parque D. Maria II ......................................................... 70 Ilustração 27 - Atravessamento do Parque D. Maria II Rua Dr. Francisco Sá Carneiro 70 Ilustração 28 - Rua Francisco Moreira ......................................................................... 71 Ilustração 29 - Rua Francisco Moreira ......................................................................... 72 16 ou tentam criar a sua marca promocional, 96% contempla o turismo nas suas estratégias de desenvolvimento, 83% considera ter fortes potencialidades turísticas e 58% vê o turismo como eixo prioritário de desenvolvimento. Mais de 60% considera necessário criar infra-estruturas, mas apenas 15% refere a vantagem de se integrar numa estratégia regional.” Como refere Silva (2010), “o impacto do turismo no desenvolvimento da economia é um facto, e muitas vezes uma questão de sobrevivência, com influência em diversos sectores de serviços. O peso do turismo na economia nacional tem vindo a crescer, sendo actualmente considerado uma “componente estratégica de primeira importância para a reformulação do modelo de desenvolvimento económico em Portugal” (CTP, 2005, cit. por Silva, 2009, p.9). Ainda o mesmo autor sublinha que “o crescimento da actividade turística está estritamente associado à importância que o lazer tem vindo a assumir, como forma de preenchimento do tempo livre que as sociedades contemporâneas tanto reclamam.” 17 III – Desporto, Turismo e Percursos Pedestres 3.1 – Conceitos de Desporto Adaptado e Turismo Entre os séculos XVIII e XIX começou a comprovar-se que a prática de desporto era fundamental para a reabilitação das pessoas com deficiência. O maior boom do Desporto Adaptado surgiu depois da 2ª Guerra Mundial para auxiliar todos os feridos e pessoas de alguma forma incapacitadas a nível físico em consequência da mesma. Como é do conhecimento geral, a prática de desporto contribui para o desenvolvimento cognitivo, para o aumento da comunicação, a integração social e para o aumento da qualidade de vida. E se o desporto é benéfico para toda a sociedade também se tem verificado um grande investimento e interesse no bem-estar e qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais, por isso, tem-se incentivado cada vez mais estas pessoas para praticar desporto e têm sido realizadas cada vez mais investigações e estudos sobre este tema tão pertinente. Lembra-se que a Lei de Bases do Desporto, Lei n.º 30/2004, de 21 de julho, aborda o desporto como “fator cultural indispensável na formação plena da pessoa humana e no desenvolvimento da sociedade, referindo também a prática desportiva pelo cidadão portador de deficiência”. 1 Segundo esta lei, compete aos organismos do Estado, pôr em prática medidas e ações que não comprometam o acesso a atividades desportivas por parte de todos os cidadãos com deficiência. Sendo assim, também é necessário investir no Turismo Desportivo para estas pessoas. Para pessoas com necessidades especiais, o desporto ou o lazer não são somente uma forma de “passar o tempo” mas também uma forma de inclusão na própria sociedade, tanto que elas se veem frequentemente privadas do acesso a alguns serviços de lazer, cultura e entretenimento. A este propósito, Standeven e Knop (1999) defendem que as pessoas com necessidades especiais que sejam capazes de praticar um desporto, seja ele qual for, são potenciais consumidores do turismo desportivo. 1 Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P. (s.d.). Lei n.º 30/2004, de 21 de Julho - Lei de Bases do Desporto. Obtido em novembro de 2014, de Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P.: http://www.idesporto.pt/DATA/DOCS/LEGISLACAO/Doc05_031.pdf 18 Com efeito, sempre que atletas das várias modalidades desportivas se deslocam juntamente com os seus técnicos, familiares e amigos, há, consequentemente, uma acentuada procura de alojamento, alimentação e animação, promovendo o turismo nessas localidades, quer seja por um dia, quer seja por períodos mais prolongados. Outra das vantagens do desporto é valorizar as capacidades dos desportistas, dando-lhes reconhecimento e visibilidade, o mesmo acontecendo a desportistas com necessidades especiais. Neste sentido, lembra-se que em relação às modalidades do Desporto Adaptado que se praticam em Portugal, há dezanove que entram em competições paraolímpicas: atletismo; basquetebol em cadeira de rodas; boccia (lançamento de bolas); ciclismo; hipismo; esgrima em cadeira de rodas; futebol de 5 para cegos; futebol de 7 para cegos; goalball; halterofilismo; judo; natação; rugby em cadeira de rodas; ténis de mesa; ténis em cadeira de rodas; tiro; tiro com arco; vela ou iatismo e voleibol. 3.2 – Turismo Acessível e Turismo Inclusivo O envelhecimento da população, que se tem acentuado nos últimos anos, levou ao surgimento dos termos Turismo Acessível e Turismo Inclusivo. Segundo a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (2013), “o turismo acessível é um segmento significativo do mercado turístico, com enorme potencial de crescimento, dado o acentuado envelhecimento da população.” “O turismo acessível é uma questão fundamental para a realização pessoal de todos os cidadãos e para o desenvolvimento económico de Portugal” (Gouveia et. Al., 2010, p.7). Segundo Stainback (1990), “inclusão é uma consciência de comunidade, uma aceitação das diferenças e uma co-responsabilização para obviar às necessidades de outros”. O turismo inclusivo é um nicho do mercado turístico cada vez mais em crescimento, uma vez que a população europeia está a envelhecer e a sociedade atual está a exigir mais e melhores condições para estes cidadãos, bem como para as pessoas com mobilidade reduzida uma vez que a sua maioria não faz turismo por falta de oferta acessível e/ou adaptada. Segundo as estatísticas mais recentes, estima-se que o turismo inclusivo movimente mais de 130 milhões de pessoas na Europa, o que corresponde 19 aproximadamente a 20% da população europeia, e que cerca de 15% das receitas turísticas anuais da Europa sejam equivalentes a um volume de negócios superior a 80 mil milhões de euros por ano. A oferta turística inclusiva deve ser dotada de profissionais de turismo qualificados e de equipamentos e instalações bem adaptados. Associado ao turismo acessível e turismo inclusivo destaca-se outro conceito de extrema importância - a acessibilidade inclusiva. Esta “é um direito fundamental estabelecido na Constituição da República Portuguesa e como tal deve ser garantida a todos em situação de igualdade. Todas as barreiras impostas à acessibilidade inclusiva constituem um acto discriminatório à luz da legislação nacional, sendo por outro lado causadoras de preconceitos e de atitudes discriminatórias na população em geral, em especial a juvenil, contra as pessoas com deficiência, os mais idosos, os obesos, entre outros, promovendo a exclusão social” (Babo et al., 2011, p.2). Ainda os mesmos autores sublinham que “a temática da acessibilidade inclusiva em meio físico tem vindo a impor-se trazendo importantes mudanças aos parâmetros dimensionais de desenho do espaço público. São novos parâmetros que importa introduzir e estabilizar, iniciando um processo de revisão profunda dos hábitos de desenho, adoptando a questão da acessibilidade inclusiva como premissa fundamental no trabalho de projecto” (Babo et al., 2011, p.2). Ao longo da revisão de literatura sobre o tema, foi possível constatar, de facto, que “ao conceito de Turismo Acessível podem ser associadas outras terminologias, são elas: Turismo para pessoas com necessidades especiais, Turismo para Todos, Turismo livre de barreiras e Turismo Acessível para Todos” (Nunes, 2011, p.15). 3.2.1 – Perfil e motivações dos turistas Vários autores apontam a importância de se conhecerem as características e necessidades dos turistas que frequentam determinado destino. Este é um fator essencial para o seu sucesso ou insucesso ao nível da melhoria da oferta de produtos e serviços turísticos. No geral, a maioria dos turistas viaja por motivos inicialmente apontados e estudados por Krapf, entre os quais: “a busca de conhecimentos, o repouso, a cura, a religião, ver paisagens diferentes” (Krapf, 1962, p. 111), para além de simplesmente se 20 viajar por prazer ou por determinado destino turístico “estar na moda” ou por ser frequentado por pessoas conhecidas ou com importância na sociedade. Outros fatores são ainda apontados: sentimento de superação por parte dos turistas com algum tipo de deficiência e sensação de que o facto de se conseguir viajar transmite liberdade e autonomia. Crompton e McKay (1997) estabelecem sete motivações principais (fatores “Push” do modelo dos fatores “Push” e “Pull” de Crompton), justificativas para se viajar: a novidade, a socialização, o prestígio/status, o repouso/relaxamento, o valor educacional/enriquecimento, o reforço do parentesco e das relações/família junta e a regressão, sendo que esta última se traduz no “desejo de encontrar um comportamento reminiscente da juventude” (Crompton e McKay, 1997, cit. por Cunha, 2006, p. 119). Este modelo dos fatores “Push” e “Pull” de Crompton parece ser o mais adequado para representar e descrever o perfil dos turistas com algum tipo de deficiência. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2011), 15% da população mundial possui alguma incapacidade quer seja física, mental ou sensorial. O número de turistas de turismo acessível e inclusivo tem vindo a aumentar, pelo que a procura de um “ambiente acessível” ao nível das infraestruturas, dos transportes e dos serviços neste segmento segue a mesma tendência de crescimento. Os consumidores deste tipo de turismo normalmente têm estadias longas nos locais que visitam e ao contrário de outros tipos de turistas preferem viajar numa “época baixa”. Os praticantes de turismo acessível e inclusivo, por norma, viajam acompanhados por familiares, amigos ou por profissionais especializados em acompanhamento de pessoas com deficiência, pelo que os números referentes a este tipo de turismo tendem a ser consideravelmente elevados. Este grupo específico da população pode também incluir todas as pessoas que por algum motivo tenham uma incapacidade temporária, bem como famílias com crianças e a população idosa. Esta última tem tido bastante influência nos valores relativos ao turismo inclusivo, uma vez que atualmente se está a registar em muitos países um acentuado envelhecimento da população. Segundo o INR (2007, cit. por Nunes, 2011, p.15), “os turistas com deficiência têm sempre, e em todas as circunstâncias, a necessidade de informação relativa aos 21 serviços em oferta e às condições de acessibilidade, visto que estas, abarcam um conjunto muito diverso que vai desde as ajudas técnicas ao acesso dos edifícios.” 3.2.2 – Impactos do turismo Os destinos de turismo acessível podem atualmente assumir uma grande vantagem competitiva ao nível da economia ligada à indústria do turismo, uma vez que o público que adere é cada vez maior e os serviços relacionados com este tipo de turismo são cada vez melhores e mais adequados às necessidades e desejos dos clientes. A tendência, ao nível da procura, prende-se com a imagem do destino que está relacionada com a perceção que o turista tem sobre as suas condições de acessibilidade. O aumento da procura pode trazer impactos económicos muito positivos para o destino, como por exemplo: aumento de benefícios económicos nas áreas de destino e desenvolvimento de bens e serviços turísticos. Um impacto económico muito importante é o das despesas do turista (Santana, 1997), que se distribuem geralmente entre alimentação, alojamento, transporte, compras e outras (Pérez, 2009). Os impactos da atividade turística sobre o meio ambiente podem ser divididos em impactos positivos tendo-se, como exemplo, a restauração de monumentos e a conservação de restos arqueológicos e de recursos naturais, e negativos, tais como, a aglomeração de população, massificação e ruído. Atualmente, verifica-se uma maior sensibilização para os impactos ambientais, uma vez que a maioria da população mundial vive em cidades e a pressão sobre o território é, por esse motivo, cada vez maior. No que se refere aos impactos socioculturais, Santana (1997), afirma que “O turismo permite viajar e participar em culturas alheias à do turista, criando assim impactos socioculturais” (Santana, 1997, p. 90). 22 3.3 – Percursos Turísticos/Percursos Pedestres e a sua articulação com o turismo Podem identificar-se na literatura relacionada com o tema, essencialmente, duas formas de movimentos pedonais: as deslocações pendulares e as deslocações de lazer ou de turismo, dentro das quais encontramos, entre outros, os percursos pedestres. O pedestrianismo é uma atividade de desporto de natureza que valoriza a preservação ambiental e paisagística do território pelo que a maior concentração de percursos pedonais se localiza em áreas naturais e espaços rurais. “Nos últimos anos, as atividades ao ar livre têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos, que retiram grande satisfação em percorrer a pé ou de bicicleta trajetos sinalizados, em contacto com a natureza e usufruindo de uma diversidade enriquecedora a nível turístico, cultural, ambiental e até desportivo.” 2 Segundo Ferreira (2011), “os percursos pedestres apresentam-se como uma forma de actividade ao ar livre, aparecendo associado ao montanhismo devidamente marcado e sinalizado, desenvolvendo-se tanto em cotas altas como em cotas baixas, junto de vales fluviais e zonas costeiras. A marcação e sinalização dos percursos pedestres arrancou em França na década de 50, tendo constituído um exemplo para as restantes comunidades europeias, incluindo Portugal, que adoptou sinalização semelhante” (Ferreira 2011, p. 19). Ainda o mesmo autor refere que “os movimentos pedonais constituem uma forma de andar a pé, sendo considerada uma actividade ancestral, ou seja, desde sempre se realizaram estas actividades. Existem actualmente algumas formas de lazer que têm por base fazer caminhadas. As caminhadas tanto se podem desenvolver ao nível dos movimentos pendulares, deslocando-nos durante a nossa vida quotidiana, como também se podem desenvolver como forma de lazer e de turismo” (Ferreira 2011, p. 18). Os movimentos pedonais podem ser deslocações pendulares ou de lazer. Nestes últimos, podem incluir-se os percursos pedestres aos quais se dará maior destaque nesta investigação. No que diz respeito a legislação portuguesa sobre o tema em investigação, esta aborda-o referindo que está fortemente ligado ao contacto com a natureza e aproxima a população do meio ambiente. É exemplo a Portaria nº 1465 de 17 de dezembro de 2004, que inclui a seguinte definição de pedestrianismo: “actividade de percorrer distâncias a 2 Câmara Municipal de Santo Tirso. (s.d.). Percursos. Obtido em maio de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/57 23 pé, na natureza, em que intervêm aspectos turísticos, culturais e ambientais, desenvolvendo-se normalmente por caminhos bem definidos, sinalizados com marcas e códigos internacionalmente aceites” (Ferreira, 2011, p.30). Segundo a Fédération Européene de la Randonée Pédestre (2009, cit. por Ferreira 2011, p. 30), “o conceito de pedestrianismo associa-se ao desenvolvimento do acto de andar a pé e proporciona o contacto com o meio ambiente, tendo em conta a preservação e/ou a protecção do ambiente. É uma forma de participação na protecção e valorização do património cultural, quer em áreas rurais, quer em áreas urbanas. O seu principal papel passa pela protecção, manutenção dos caminhos e salvaguarda do património natural.” Como forma de valorizar o património histórico, cultural, religioso, natural e paisagístico de que Portugal dispõe, é de uma extrema importância promover o desenvolvimento de itinerários/circuitos turísticos, bem como a qualificação das atrações turísticas e a melhoria do acesso à informação acerca dos serviços e produtos turísticos de cada região. 3.3.1 – O papel das autarquias As autarquias locais, na sua maioria, consideram o turismo como atividade de desenvolvimento do território, e tendem a desenvolver estratégias concertadas com vista à criação de equipamentos e infra-estruturas, considerando-as fundamentais para a construção de motivações turísticas (Ferreira, 2011, p.2) para além de terem a responsabilidade de fiscalização e regulação das atividades de pedestrianismo. A população com necessidades especiais deveria ser integrada em todos os estudos e planos realizados pelas autarquias, mas para isso seria necessário haver uma “mudança de mentalidades e de atitudes (…) de todos os que “fazem” a cidade” (Constantino, J. M., 2000, p. 99), uma vez que a maioria das autarquias não mostra sensibilidade nem interesse para se tornar destino turístico mais acessível e inclusivo. Um dos maiores problemas discutidos entre as autarquias e os organismos que representam todos os cidadãos com algum tipo de deficiência é a questão das acessibilidades. As autarquias têm um papel fundamental no que diz respeito à integração da população com mobilidade reduzida em atividades ligadas à cultura, ao lazer e à prática desportiva, devendo para isso respeitar alguns requisitos, entre os quais: 24  Conhecer a realidade social especificamente dos cidadãos com deficiência.  Fomentar acordos com as organizações locais com o objetivo de aumentar “a sua capacidade de prestação de trabalho social” (Constantino, J. M., 2000, p. 98).  Disponibilizar equipamentos de recreação e lazer adequados a um público específico, facilitando a sua utilização e acessibilidade.  Promover a coesão social através da “redução das desigualdades no plano económico, cultural, social, mas também físico” (Constantino, J. M., 2000, p. 98). Para que estas medidas tenham algum efeito positivo, devem estar envolvidas na sua implementação os órgãos dos domínios social, cultural e desportivo da autarquia em causa. “As políticas de cada Estado nestas matérias e a portuguesa também, têm de ser concebidas para que o turismo seja uma realidade acessível em custos, em facilidades de alojamento e transporte, mas fundamentalmente acessível em termos físicos (sem barreiras) e em termos de informação e de comunicação” (INR, 2007, cit. por Nunes, 2011, p.28). Para Trindade (2009, cit. por Nunes, 2011), Secretário de Estado do Turismo em 2009-2011, “o Governo considera o Turismo uma actividade prioritária e estratégica para a dinamização da economia portuguesa. Presentemente o Turismo representa 11% do PIB e emprega mais de 500.000 pessoas, constituindo inquestionavelmente um sector fundamental no combate às assimetrias regionais, pela capacidade de que demonstra para gerar riqueza e criar emprego” (Trindade, 2009, cit. por Nunes, 2011, p.28). “O Estado devia ser um exemplo para a sociedade. As acessibilidades são uma matéria de cultura cívica, não basta agirmos passivamente a este problema, temos que “lutar” para um mundo melhor e acessível a Todos” (Nunes, 2011, p.33). 25 3.3.2 – Casos de sucesso em Portugal Neste ponto achou-se oportuno referir alguns exemplos de autarquias que têm implementado projetos associados a Turismo Acessível. São os casos dos Municípios da Lousã, de Penafiel, da Póvoa de Varzim, de Santa Maria da Feira, de Alvaiázere e das Aldeias do Xisto do Gondramaz em Miranda do Corvo. O projeto de “Destino de Turismo Acessível” da Lousã teve o seu arranque em 2007 no Congresso Nacional de Turismo Acessível que se realizou no mesmo Município. Os seus promotores foram: a Câmara Municipal da Lousã, a Provedoria Municipal, o INR (Instituto Nacional de Reabilitação), a ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra), a DRE – Centro (Direção Regional de Economia do Centro), a ARCIL (Associação de Recuperação dos Cidadãos Inadaptados da Lousã) e a DUECEIRA (Associação de Desenvolvimento do Ceira e Dueça). “Após este congresso, o Município da Lousã apostou em se tornar no primeiro destino de Turismo Acessível de Portugal, assumindo assim, a primeira candidatura ao POPH Programa Operacional de Potencial Humano, que tendo sido aprovada, foi apoiada economicamente com fundos comunitários entre 2008 e 2011” (Nunes, 2011, p.6). Para a implementação do projeto foram criados vários protocolos e parcerias, nomeadamente entre a Câmara Municipal da Lousã e a ARCIL, com a Proasolutions (especialista da Acessibilidade para Todos), que, segundo a Câmara Municipal da Lousã (2011 cit. por Nunes, 2011, p.91), “elaborou um estudo orientador e estratégico denominado PSIAT – Plano de Soluções Integradas de Acessibilidade para Todos, que tem como fundamento a abordagem da acessibilidade no espaço público, edifícios municipais, transportes, comunicação e info-acessibilidade. Este documento (PSIAT), permitiu ao Município da Lousã realizar diversos estudos e executar vários projectos por diferentes técnicos, (…) como guia de boas práticas no desenvolvimento de soluções integradas de Arquitectura e Urbanismo, com o Design for All como ferramenta de trabalho transversal ao desenho das Cidades e dos edifícios”, com a Essentia, que desenvolveu a gestão do projeto e com a Accessible Portugal (Agência de Viagens especializada em turismo acessível). Esta última teve como objetivo principal fomentar a “integração da oferta no mercado do turismo acessível” (Nunes, 2011, p.91). O mesmo autor salienta ainda que para analisar o projeto em vigor na Lousã foi “pertinente aproveitar o evento “Descida da Serra da Lousã em Cadeira de Rodas” para 32 No que concerne à caracterização do Município de Santo Tirso foi feita primeiramente uma abordagem aos aspetos físicos e seguidamente aos aspetos humanos. Em relação a aspetos orográficos no Município, este apresenta grandes diferenças na distribuição das cotas, sendo que entre o ponto mais baixo e o ponto mais alto se regista a discrepância de 502 metros. O valor mais baixo localiza-se no vale do rio Ave, na freguesia de Santo Tirso (30 metros) e o ponto mais alto situa-se no lugar do Pilar, em Monte Córdova (532 metros). As principais formações montanhosas do Município são o planalto de Monte Córdova, a Serra da Agrela e o Monte Pisão. Algumas das oscilações de altitude que se podem visualizar através da cartografia nas freguesias a nascente, devem-se ao “desenho” da rede hidrográfica. Ilustração 3 - Enquadramento Hipsométrico do Município de Santo Tirso 33 O Município de Santo Tirso é dividido por duas bacias hidrográficas, a Bacia Hidrográfica do Ave e a Bacia Hidrográfica do Leça. “O rio Ave, com uma direcção predominante Este-Oeste, tem como principal afluente, no concelho de Santo Tirso, o rio Vizela. O rio Leça, com uma direcção predominante Nordeste-Sudoeste, nasce em Monte Córdova, a cerca de 420 m de altitude. No território concelhio o seu principal tributário é a Ribeira do Pisão.” 5 Ilustração 4 – Rede Hidrográfica do Município de Santo Tirso 5 Disponível em Caracterização: Física: Hidrografia. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em abril de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/104 34 Relativamente aos declives, pode referir-se que no Município de Santo Tirso há registo de situações opostas, isto é, declives muito acentuados assim como declives muito suaves. As freguesias onde se registam em simultâneo as situações referidas anteriormente são as que delimitam o concelho a sudeste: Água Longa, Agrela, Reguenga, Refojos e Monte Córdova. No limite sul das freguesias de Vilarinho, S. Mamede de Negrelos, Roriz, São Tomé de Negrelos, São Salvador do Campo e São Martinho do Campo, bem como em toda a vertente do planalto do Monte Córdova e nas vertentes da Serra da Agrela e da Serra de Covelas podemos encontrar os declives maiores do Município, que correspondem normalmente a áreas planas com espaços agrícolas e espaços florestais. Podemos encontrar os declives mais baixos nas freguesias de Lama, Sequeirô, Areias e Palmeira e ainda no vale do rio Leça. Ilustração 5 - Mapa de Declives do Município de Santo Tirso Fonte: Câmara Municipal de Santo Tirso. (s.d.). Caracterização: Física: Declives. Obtido em abril de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/105 35 Ainda, no que diz respeito à caracterização física do Município de Santo Tirso, destaca-se a exposição de vertentes. As vertentes viradas a norte que na sua maioria se localizam na parte nascente do concelho, são as mais húmidas porque só recebem luz solar direta quando a altura do sol é superior ao declive da vertente. As vertentes viradas a sul, mais soalheiras, localizam-se na área oeste do concelho tendo-se como exemplos o planalto de Monte Córdova, as freguesias além-rio e Vila das Aves. Por fim, as vertentes viradas a oeste, localizam-se na Serra da Agrela (situada no limite sudeste do concelho) e no Monte de Nossa Senhora da Assunção. Ilustração 6 - Mapa de Exposição de Vertentes no Município de Santo Tirso 36 A caracterização humana do Município em estudo foi feita através de duas referências essenciais: o povoamento e a população residente. Relativamente ao povoamento, pode dizer-se que este marca vivamente a paisagem, uma vez que se distribui de forma dispersa no território e por isso pode constatar-se que tem uma forma original e que a população vive “entre cidades”. 6 No Município de Santo Tirso, o povoamento reparte-se em duas grandes áreas: o Vale do Rio Ave e o Vale do Rio Leça. A primeira acolhe cerca de 75% da população residente e é marcada pelo facto de serem as vias de comunicação que definem a forma e a distribuição do povoamento existente e a segunda é abundantemente rural, possui um povoamento disperso e pouco denso sendo o rio Leça e a Estrada Nacional 105 que definem a forma e distribuição da povoação. Ilustração 7 - Densidade populacional do Município de Santo Tirso, por freguesia, em 2011 Fonte: Conselho Local de Ação Social de Santo Tirso. (maio de 2014). Diagnóstico Social de Santo Tirso - Cadernos temáticos. Recortes sociodemográficos. (D. d. Tirso, Ed.) Obtido em junho de 2015, de http://www.cmstirso.pt/uploads/writer_file/document/1375/caderno_demografia.pdf 6 Disponível em Caracterização: Humana: Povoamento. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em abril de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/108 37 Em termos evolutivos, a população residente do Município em estudo sofreu um crescimento mais acentuado entre 1940 e 1960, devido ao crescimento natural (elevada taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade). O mesmo não aconteceu na década de 60, período em que se verificou uma queda no crescimento populacional provocada pela elevada emigração que se registou. Após a revolução do 25 de abril de 1974, verificouse o retorno dos militares das ex-colónias portuguesas e dos portugueses que tinham emigrado devido à conjuntura política que se vivia em Portugal no Estado Novo. Estes foram fatores essenciais para que na década de 70 se voltasse a registar um crescimento demográfico acentuado. Como se tem verificado em todo o território nacional, o Município de Santo Tirso não foge à regra no que toca ao abrandamento no crescimento populacional que se tem verificado desde 1981, sobretudo devido à diminuição da taxa de natalidade, sendo que o crescimento registado nos censos de 2001 foi de apenas 3,8%. Segundo os últimos censos, realizados em 2011, a população residente era de 71530 habitantes. 4.2 - Oferta turística de Percursos Turísticos e de Percursos Pedestres no Município Com o objetivo de se conhecer a oferta turística ao nível dos percursos existentes no Município de Santo Tirso, procedeu-se ao seu levantamento e análise com o apoio do website da Câmara Municipal. Com a realização recente da Requalificação das Margens do Ave, foram criadas uma ciclovia e áreas de repouso, entre o Parque Urbano da Rabada e a cidade de Santo Tirso. “O Passeio das Margens do Ave é uma nova zona de lazer na cidade de Santo Tirso que pode ser utilizada para caminhadas a pé ou para passeios de bicicleta. O Passeio une o Parque Urbano da Rabada ao coração da cidade e estende-se por 1,4 km. É possível passear, correr ou andar de bicicleta e aceder às margens em diversos pontos ao longo do Passeio, onde existem pesqueiros. Efetuou-se uma reconstituição da galeria ripícola para manutenção da biodiversidade da frente ribeirinha. A criação do 38 Passeio teve como objetivos fomentar as práticas desportivas informais e contribuir para a preservação e valorização da história e da memória coletiva local.” 7 Segundo informações recolhidas junto das entidades responsáveis pelo projeto da Câmara Municipal, “os objectivos desta intervenção são tornar as frentes ribeirinhas do Rio Ave um espaço de sociabilidade e fruição para todos os habitantes, turistas e visitantes de Santo Tirso, introduzindo para tal significativas melhorias ao nível dos espaços naturais e das infra-estruturas culturais e sociais existentes no local e criando um centro de actividades económicas urbanas inovadoras e competitivas.” Fonte: Visitar Santo Tirso: Percursos Pedestres. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/71 Para além deste, os habitantes do Município de Santo Tirso e todos os visitantes têm ainda ao seu dispor outros oito percursos pedestres, numerados e classificados pelo Município, onde podem apreciar a diversidade de património e de biodiversidade existentes ao longo dos percursos. “Em Santo Tirso estes percursos, cada vez mais valorizados, atraem pessoas de todas as idades, pequenos aglomerados familiares e até turistas que procuram conhecer o espaço rural, as suas gentes, costumes e tradições, ao mesmo tempo que observam o meio natural.” 8 7 Disponível em Visitar Santo Tirso: Percursos: Pedonal e Ciclável. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/713 8 Disponível em Visitar Santo Tirso: Lazer: Percursos. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em maio de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/57 Ilustração 8 - Requalificação das Margens do Ave 39 Estes, no que diz respeito à sua extensão, são todos classificados como sendo de “pequena rota - PR”, porque “apresentam rotas com menor extensão, não ultrapassando os 30km” (Ferreira, 2011, p.26). Seguem-se a identificação e a descrição de cada um dos oito percursos, representados no mapa que se segue, salientando-se o facto de nenhum deles possibilitar na atualidade o usufruto por pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, com a sugestão da utilização da Joëlette, como mais à frente se verá, estes percursos tornar-se-ão viáveis e acessíveis aos turistas com mobilidade reduzida. Ilustração 9 – Percursos Turísticos no Município de Santo Tirso 40 “PR 1 ST - Histórico Pré-Industrial Tipo de percurso: Circular de pequena rota Extensão e Duração: 11,00 Km – 3 a 4 Horas Grau de Dificuldade: Médio Âmbito do percurso: Histórico, ambiental, paisagístico, cultural e desportivo Época aconselhada: Todo o ano Localização: Carvalhal de Valinhas; Pereiras; Castro do Monte Padrão. Pontos de Partida / Chegada: Carvalhal de Valinhas; Pereiras; Monte Padrão. Pontos de Interesse: Serra Hidráulica de Pereiras; Azenhas de Valinhas; Quedas de Fervença; Castro do Monte Padrão; Rio Leça. Acessos: EN 105 e A3 Descrição geral Percurso circular com partida e chegada num dos seguintes pontos: Carvalhal de Valinhas; Pereiras; Capela do Monte Padrão. Este percurso entronca com o “PR 2 ST – Padrão” junto da Quinta de Linhares.” 9 9 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 1 ST - Histórico Pré-Industrial. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/715 41 Ilustração 10 - Mapa do PR 1 ST - Histórico Pré-Industrial Fonte: Percursos: Percursos Pedestres: PR 1 ST - Histórico Pré-Industrial. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/715 48 “PR 5 ST - Moinhos do Fojo Tipo de percurso: Circular de pequena rota Extensão e Duração: 10,00 Km – 3 a 4 Horas Grau de Dificuldade: Médio Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo Época aconselhada: Outono; Inverno; Primavera Localização: São Tomé de Negrelos, Roriz Pontos de Partida / Chegada: São Tomé de Negrelos (Igreja) Pontos de Interesse: São Tomé de Negrelos – Igreja Paroquial, Capela do Santíssimo Sacramento, Casas Solarengas de Vilela, a do Paço e a de Leiras, Coutada, Ribeira do Fojo, Castro de Santa Margarida, Pedreiras de Bustelo, Moinhos da Ribeira do Fojo. Acessos: EN 105 e A3 Descrição geral Este trilho caracteriza-se pela influência da Ribeira do Fojo, que já fez mover uma vintena de moinhos de água e um lagar de azeite, na agricultura local, situando-se, em quase toda a sua extensão, na Freguesia de São Tomé de Negrelos. O percurso inicia-se junto ao Infantário, próximo da Igreja matriz, e termina junto à referida Igreja. Passa e percorre parte do leito da Ribeira do Fojo, até às Pedreiras de Bustelo, com uma subida um pouco acentuada, percorrendo, desde aí, a crista do monte até Coutada, descendo suavemente, permitindo uma soberba vista dos Rios Ave e Vizela, Vila das Aves e São Tomé de Negrelos. Dirige-se depois para o Castro de Santa Margarida, povoado fortificado que se localiza em pequena elevação a Norte de São Tomé de Negrelos, sobre o Rio Vizela e com uma altura de 300 metros, continuando depois para a Igreja Paroquial de São Tomé de Negrelos, onde termina. Daí o grau de dificuldade ser considerado Médio. A povoação de São Tomé de Negrelos chegou a ser vila e Couto, tendo pertencido ao Concelho de Negrelos, o qual, depois de extinto, foi integrado no Concelho de Santo Tirso. São dignos de visita a Igreja Paroquial, a Capela do Santíssimo Sacramento com abóbada de Nós, uma “loggia” quinhentista, exemplar único na região. Quem vai a São 49 Tomé de Negrelos não pode deixar de visitar também as quintas onde se produz alguns dos melhores vinhos verdes da região.” 13 Ilustração 13 - Mapa do PR 5 ST - Moinhos do Fojo Fonte: Percursos: Percursos Pedestres: PR 5 ST - Moinhos do Fojo. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/719 13 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 5 ST - Moinhos do Fojo. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/719 50 “PR 6 ST - Vale do Leça Tipo de percurso: Linear com alternativa de circular de pequena rota Extensão e Duração: 16,7 km – 5 a 6 Horas Grau de Dificuldade: Moderado / Médio Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo Época aconselhada: Inverno; Primavera; Outono Localização: Guimarei, Lamelas, Água Longa, Agrela, Reguenga, Refojos Pontos de Partida / Chegada: Guimarei e Refojos Pontos de Interesse: Guimarei – Campo de Jogos, Igreja Matriz e Quinta da Picaria; Lamelas – Casa de Santa Eulália, Capela de Santo António e Alto da Vela; Água Longa – Afluentes e Bacia do Rio Leça, Quinta e Ribeira do Pisão, Igreja Matriz; Agrela – Alto do Cornadinho, Igreja Matriz, Quinta da Agrela; Reguenga Capela da Senhora das Dores, Vale Agrícola do Rio Leça, Igreja Matriz; Refojos – Quinta do Casal, Igreja Matriz, Quedas de Fervença do Rio Leça. Acessos: EN 105 e A3 Descrição geral O Trilho Vale do Leça permite percorrer o espaço correspondente às Freguesias que ladeiam o respetivo Vale, facultando a sua observação e o acompanhamento do leito do Rio Leça desde as Quedas da Fervença até próximo da sua saída do Concelho em Água Longa. O Percurso pode ser iniciado junto ao campo de Futebol de Guimarei e terminar na Ponte das Cabras em Refojos, ou vice-versa. Existe um percurso circular intermédio entre o Campo de Futebol de Guimarei, passando pelo Lugar de Sobradelo – Água Longa, Lamelas e termina na Igreja de Guimarei. Este Percurso permite a observação das áreas agrícolas das Freguesias que circundam o Vale do Leça, o Outeiro Alto, nos limites das Freguesias de Guimarei e Lamelas, Quintas da Peneda e Pisão que foram aglutinadas pelo Campo de Golfe de Água Longa, (empreendimento Turístico e Lazer), Alto Catorze e Cornadinho (ponto mais alto da área do Vale do Leça – desafiando os mais afoitos a trepar), as águas cristalinas do Rio Leça e as Quedas de Fervença em Refojos. 51 Este trilho caracteriza-se pelas tradições agrícolas ainda bem presentes neste início de século XXI, sendo de pequena rota (PR), apresentando um traçado linear, (existe opção circular), com um declive pouco acentuado tornando-o de média dificuldade, facultando ao pedestrianista a plena fruição e contacto ambiental.” 14 Ilustração 14 - Mapa do PR 6 ST - Vale do Leça Fonte: Percursos: Percursos Pedestres: PR 6 ST - Vale do Leça. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/720 14 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 6 ST - Vale do Leça. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/720 52 “PR 7 ST - Entre Mosteiros Tipo de percurso: Linear de pequena rota Extensão e Duração: 12,7 km – 4 a 5 Horas Grau de Dificuldade: Moderado / Médio Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo Época aconselhada: Inverno; Primavera; Verão; Outono Localização: Roriz, S. Mamede de Negrelos, Vilarinho Pontos de Partida / Chegada: Roriz e Vilarinho Pontos de Interesse: Roriz – Igreja de S. Pedro de Roriz; Mosteiro de Santa Escolástica; Mosteiro Beneditino; S. Mamede de Negrelos – Igreja Matriz; Capela de S. Roque; Casa dos Barrosos; Vilarinho – Igreja Matriz; Igreja de São Miguel de Vilarinho, antigo Mosteiro; Casa do Burgo; Acessos: EN 105, 209-2, 644, 613 e A3 Descrição geral “Entre Mosteiros” é o trilho que percorre as freguesias de Roriz, S. Mamede de Negrelos e Vilarinho, estabelecendo a ligação entre os Mosteiros de Roriz e Vilarinho. Em todo o seu percurso podemos observar a forte vocação predominantemente agrícola das três freguesias, embora se registem também pequenas unidades fabris do sector têxtil. O Mosteiro de Roriz com a sua torre sineira, igreja e residência conventual são elementos a observar e apreciar todos os seus elementos construtivos e decorativos. Ali perto podemos visitar o Mosteiro de Santa Escolástica onde as bolachas de Roriz nos proporcionam delicados sabores. No Mosteiro Beneditino temos à nossa espera o Licor de Singeverga, único em Portugal, de origem monástica, fabricado pelos monges. É obrigatória uma visita à adega onde o cheiro fino e adocicado se respira logo à entrada. A Igreja Matriz de São Mamede de Negrelos é um templo moderno, de invulgar traça, construído em granito. A Capela de S. Roque, que serve de Cruzeiro às procissões da freguesia, é o miranete aberto, sobre esta linda bacia do Rio Vizela, a todos os que desejem gozar um formoso panorama. A Casa dos Barrosos, embora bastante degradada, é um interessante exemplar de casa senhorial. 53 Vilarinho é a mais oriental das freguesias de Santo Tirso, situando-se a Sul do rio Vizela. Ali se situa o antigo Mosteiro de Vilarinho com a sua antiga Igreja paroquial. A Nordeste da referida Igreja situa-se o Monte de São Pedro, de formato cónico onde se encontra um marco geodésico, de onde se pode apreciar uma paisagem agrícola e industrial com o rio Vizela a percorrê-la. O percurso pode ser iniciado junto à Igreja de Roriz e terminar junto ao Mosteiro de Vilarinho, ou vice-versa, apresentando um traçado linear, com um declive acentuado em alguns pontos, tornando-o de média dificuldade, facultando ao caminheiro a plena fruição da paisagem e do património construído.” 15 Fonte: Percursos: Percursos Pedestres: PR 7 ST - Entre Mosteiros. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cmstirso.pt/pages/721 15 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 7 ST - Entre Mosteiros. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/721 Ilustração 15 - Mapa do PR 7 ST - Entre Mosteiros 54 “PR 8 ST Tipo de percurso: Circular de pequena rota Extensão e Duração: 9 km – 3 Horas Grau de Dificuldade: Moderado Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo Época aconselhada: Todo o ano. Localização: Santo Tirso; Burgães Pontos de Partida / Chegada: Câmara Municipal; Parque Urbano da Rabada Pontos de Interesse: Santo Tirso – Jardins e Parques da Cidade de Santo Tirso; Museu Internacional de Escultura Contemporânea; Igreja Matriz; Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento; Parque Desportivo Municipal; Parque do Ribeiro do Matadouro; Burgães – Parque Urbano da Rabada; Quinta da Cerdeira; Quinta da Cerqueda; Acessos: EN 105, A3, A41 Descrição geral O PR 8 ST estabelece um circuito circular, unindo todos os parques urbanos da cidade de Santo Tirso, tendo como referência estruturante o Rio Ave” 16 . Quer nestes parques urbanos, quer em vários jardins da cidade, podem encontrar-se inúmeras obras de arte que integram o Museu Internacional de Escultura Contemporânea. Em frente à já referida Quinta da Escola Conde S. Bento, do lado oposto à rotunda mencionada anteriormente, encontra-se o Mosteiro de São Bento, que sendo uma das principais atrações turísticas do Município de Santo Tirso, está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e é atualmente candidato a Património Mundial da UNESCO 17 . Atualmente, ao lado deste mosteiro, embora seja já um pouco afastado do percurso que tem vindo a ser descrito, encontra-se o Museu Municipal Abade 16 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 8 ST. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/722 17 (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) 55 Pedrosa que está, atualmente, a ser alvo de requalificação juntamente com a criação da sede do Museu Internacional de Escultura Contemporânea. 18 “Elaboradas a partir dos mais diversos materiais – como o granito, típico da região, ou aço, mármore ou ferro –, as esculturas inserem-se numa exposição permanente ao ar livre (…), proporcionando a fruição pública das obras, que transformam os verdes espaços comuns de Santo Tirso em tertúlias de comunicação, nas quais se estabelece uma relação privilegiada e íntima entre a escultura, o meio e o seu público. Este pode ser o ponto de partida para um passeio pela atualidade de Santo Tirso, promovido pela Câmara Municipal de Santo Tirso, sob direção artística nacional de Alberto Carneiro e internacional de Gérard Xuriguera. O Parque D. Maria II e os Jardins Adjacentes – Largo Abade Pedrosa e Jardins Ribeiro de Miranda constituem, no seu conjunto, espaços verdes públicos estruturantes da cidade de Santo Tirso. A finalidade deste espaço – Parque D. Maria II - serviria para melhoria das comunicações com os órgãos centrais do Município, as trocas comerciais da feira de Santo Tirso, para além do aproveitamento das potencialidades paisagísticas. De traçado naturalista e com uma vegetação arbórea opulenta, o Parque D. Maria II constitui um espaço privilegiado de fruição com um ritmo de utilização diário. O Parque Urbano da Rabada – insere-se numa área de 96 274 m2. Está assente numa mata de carvalhos e sobreiros, sobranceira ao Rio Ave. O objetivo principal é potenciar as características naturais existentes, criando infraestruturas e equipamentos que permitam a fruição dum espaço verde público inserido na Estrutura Verde Urbana da cidade de Santo Tirso e no plano de Recuperação das Margens do Rio Ave. O programa assenta na revitalização do espaço através da criação de percursos pedonais, áreas de estadia e lazer.” 19 18 Disponível em Santo Tirso propõe à UNESCO mosteiro que o ajudou a ser concelho. Jornal Público. Obtido em junho de 2015: http://www.publico.pt/local-porto/jornal/santo-tirso-propoe-a-unesco-mosteiroque-o-ajudou-a-ser-concelho-26997537 19 Disponível em Percursos: Percursos Pedestres: PR 8 ST. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/722 56 Ilustração 16 - Mapa do PR 8 ST Fonte: Percursos: Percursos Pedestres: PR 8 ST. Obtido em novembro de 2014, de Câmara Municipal de Santo Tirso - Visitar Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/722 57 V – Percurso projetado para futura implementação 5.1 – Caracterização do percurso O percurso que será referido neste capítulo foi especialmente projetado para cidadãos com mobilidade reduzida bem como qualquer outro tipo de incapacidade. Trata-se de um percurso citadino. Tem início na ciclovia lúdica das Margens do Ave prosseguindo até à Praça General Humberto Delgado, passando pela Loja do Cidadão, Parque D. Maria, Largo Coronel Baptista Coelho e Praça Conde S. Bento. A ligação à Praça do Município, ao Complexo Desportivo, Centro de Atendimento da Portugal Telecom e Parque da Ribeira do Matadouro é assegurada por um segundo eixo com início na Rua Sousa Trepa. Para melhor apresentação e descrição do percurso, recorreu-se ao documento cedido pela Câmara Municipal de Santo Tirso, Plano Local de Promoção da Acessibilidade - Programa de Mobilidade Sustentável para a cidade de Santo Tirso (Vols. Volume I - Estudo de Acessibilidade Inclusiva e Manual de Boas Práticas). O percurso foi dividido em seis partes como se pode verificar pela ilustração. Ilustração 17 - Percurso projetado para futura implementação Fonte: Babo et al. (2011, p.8) 64 5.3 - Identificação das lacunas existentes na cidade ao longo do percurso e proposta de correções a efetuar Algumas das lacunas que foram possíveis detetar ao longo dos percursos descritos no ponto 5.1 são: inexistência de passeios; faixa livre do passeio com largura inadequada (< 1,2 em vias locais e < 1,5 em vias distribuidoras); pavimento inadequado (irregular ou desagregado); obstáculos em altura (> 2,4m); obstáculos no pavimento – estruturas fixas; obstáculos no pavimento – estruturas amovíveis, por ex: esplanadas; inexistência de passadeira; passadeira sem rampas de ligação aos percursos pedonais; passadeira sem sinalização visual e táctil; passadeira desviada do percurso pedonal lógico (e de difícil leitura); pendente longitudinal inadequada (> 5%); pendente transversal inadequada (> 2%); inexistência de corrimãos em rampas e de guardas em desníveis; rampa sem sinalização visual e táctil; rampa de passadeira com pendente superior a 8%; caldeiras de árvores sem proteção de chão, ou com proteção inadequada e vegetação inapropriada. Pode constatar-se que uma das questões centrais da acessibilidade inclusiva, a pendente longitudinal dos percursos, não pode ser corrigida em grande parte dos espaços urbanos, existindo inúmeras situações em que esta não cumpre com o desejável ou necessário. Assim, perante as normas técnicas descritas no ponto 5.2, serão de seguida referidas as correções que devem ser efetuadas ao longo dos percursos de Santo Tirso tendo como sequência as seis partes referidas e tendo sempre por como referência bibliográfica o documento que tem sido alvo de análise neste ponto V, intitulado Plano Local de Promoção da Acessibilidade - Programa de Mobilidade Sustentável para a cidade de Santo Tirso (Vols. Volume I - Estudo de Acessibilidade Inclusiva e Manual de Boas Práticas). Na parte 1 registou-se que na Alameda da Ponte, margem direita do rio Ave “não existe percurso acessível (com pendente inferior a 5%) entre a Alameda da Ponte (margem esquerda do Ave) e a ciclovia lúdica. Esta situação parece, por observação, ser passível de fácil correção através da construção de uma rampa acessível de ligação entre estes dois pontos” (Babo et al., 2011, p.9). Como se pode verificar pela ilustração que de seguida se apresenta, “as duas paragens de autocarros aqui existentes estão implantadas num tramo do arruamento com pendente longitudinal superior a 5%, tornando impossível ou muito dificultada a sua 65 utilização por parte de pessoas com dificuldade de locomoção. Considera-se necessária uma intervenção de deslocação das paragens para um local com menores pendentes e integrado na rede de percursos pedonais” (Babo et al., 2011, p.10). Fonte: Babo et al. (2011, p.10) Na Alameda da Ponte, Margem esquerda do rio Ave, registou-se que “o pavimento do passeio pedonal da Alameda da Ponte, incluindo a área em frente ao antigo portal de entrada na Quinta da Escola Conde S. Bento, em lajeado de granito, apresenta diversas irregularidades, carecendo de intervenção de manutenção” (Babo et al., 2011, p.10). Ilustração 19 - Pavimento do passeio pedonal da Alameda da Ponte, margem esquerda do Ave Fonte: Babo et al. (2011, p.10) Ilustração 18 - Alameda da Ponte, margem direita do Ave, Paragens de autocarros 66 Na passagem da Rotunda Alameda da Ponte para a Avenida Unisco Godiniz, “o passeio pedonal na área em frente ao antigo portal de entrada na Quinta da Escola Conde S. Bento tem uma pendente longitudinal de 7,5%. Não sendo uma situação regulamentar, entende-se no entanto que tratando-se de um pequeno troço do percurso (cerca de 15 m) e considerando o valor patrimonial desta construção, não se justifica a proposta de qualquer intervenção de correção, preconiza-se, no entanto, que a Câmara Municipal execute um estudo de cotas (com base em levantamento topográfico) no sentido de averiguar se existe a possibilidade de diminuição desta pendente sem interferências de maior com a arquitetura do portal. Esta situação deverá ser objeto de sinalização de desconformidade, assinalando-se que se trata de um local de repouso (oportunidade por conveniência) ” (Babo et al., 2011, p.11). Ilustração 20 - Rotunda Alameda da Ponte/Av. Unisco Godiniz Fonte: Babo et al. (2011, p.11) Na passagem da Rotunda Av. Soeiro Mendes Maia para a Avenida Sousa Cruz, verifica-se que “esta rotunda apresenta um desnível acentuado no sentido SO-NE, assinalando-se a necessidade de uma intervenção de redefinição dos percursos de atravessamento pedonal no sentido de garantir a acessibilidade universal, 67 nomeadamente no que respeita às pendentes já referidas anteriormente. As novas passadeiras terão de apresentar sinalização visual e táctil nos seus limites” (Babo et al., 2011, p.12). Ilustração 21 - Rotunda Av. Soeiro Mendes Maia/Av. Sousa Cruz Fonte: Babo et al. (2011, p.11) Na parte 2 do percurso, o registo das lacunas iniciou-se na Avenida Sousa Cruz, sendo que as caldeiras das árvores aqui existentes “não respeitam o disposto no n.º 4.7.4 do DL 163/2006, na medida em que possuem espaços que permitem a passagem de uma esfera rígida com um diâmetro superior a 0,02 m, devendo assim ser substituídas” (Babo et al., 2011, p.12). Ilustração 22 - Caldeiras das Árvores na Av. Sousa Cruz Fonte: Babo et al. (2011, p.12) 68 Na mesma Avenida, verificou-se que “no atravessamento da Rua do Olival, a passadeira está desviada do percurso pedonal, não sendo visível a partir do mesmo, devendo assim ser construída uma nova passadeira acessível” (Babo et al., 2011, p.12). Ilustração 23 - Passadeira na Av. Sousa Cruz Fonte: Babo et al. (2011, p.12) A ilustração seguinte demonstra que “existe um pequeno troço da Av. Sousa Cruz, frente à Loja do Cidadão, em que a pendente longitudinal é de 6,8%. Dado tratarse de um passeio público que dá acesso a diversos edifícios não parece viável a alteração de cotas, pelo que se admite uma solução de compromisso com a colocação de corrimãos de apoio à marcha, e de sinalização de aviso da situação de desconformidade. No início e/ ou fim deste troço de pendente acentuada deverão ser previstos locais de repouso equipados com bancos (nivelados)” (Babo et al., 2011, p.13). Ilustração 24 - Passeio público na Av. Sousa Cruz Fonte: Babo et al. (2011, p.13) 69 Na Rua do Dr. Francisco Sá Carneiro, registou-se que “a passadeira existente no início da Rua Dr. Oliveira Salazar está localizada num local com pendente transversal não regulamentar, não existindo passadeira do lado oposto do cruzamento, ou seja no final da Rua Dr. Francisco Sá Carneiro. Parece assim necessário intervir executando uma passadeira no final da Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, local de menor pendente longitudinal” (Babo et al., 2011, p.13). Fonte: Babo et al. (2011, p.13) Ilustração 25 - Rua Dr. Francisco Sá Carneiro 70 Na parte 3 do percurso em análise constatou-se que tendo o Parque D. Maria II o pavimento composto por solo compactado, é “necessária uma intervenção de manutenção ou de alteração (por exemplo, faixa em solo agregado) visando garantir as boas condições do piso durante todo o ano (incluindo dias de chuva), dando assim cumprimento às normas técnicas da acessibilidade universal. As pendentes longitudinais deste troço são entre 5,4% e 5,5%, valores que já integram a classificação de rampa, e que deverão ser compensados aqui com a previsão de locais de paragem e descanso” (Babo et al., 2011, p.14). Fonte: Babo et al. (2011, p.14) No fim da travessia deste parque, verifica-se que “a passadeira existente no topo Sul da Rua Dr. Francisco Sá Carneiro não apresenta sinalização táctil e visual, nem as suas rampas parecem respeitar a pendente máxima admitida de 8%, pelo que se justifica uma intervenção de correção” (Babo et al., 2011, p.15). Fonte: Babo et al. (2011, p.15) Ilustração 26 - Pavimento do Parque D. Maria II Ilustração 27 - Atravessamento do Parque D. Maria II Rua Dr. Francisco Sá Carneiro 71 A Rua Francisco Moreira, “apresenta uma pendente longitudinal de 6,5%. Tratando-se de um passeio público que dá acesso a diversos edifícios não parece viável a alteração de cotas, pelo que se admite uma solução de compromisso com a colocação de corrimãos de apoio à marcha, bem como sinalização de aviso da situação de desconformidade e previsão de áreas de repouso” (Babo et al., 2011, p.15). Ilustração 28 - Rua Francisco Moreira Fonte: Babo et al. (2011, p.15) Constata-se pela análise das ilustrações que de seguida se apresentam que “A passadeira que atravessa a Rua Dr. Carneiro Pacheco, de ligação entre o Largo Coronel Baptista Coelho e a Rua Francisco Moreira, está bastante desviada em relação à trajetória percorrida pelos peões, não sendo visível a partir de nenhum dos dois arruamentos referidos. Não possui, por outro lado, sinalização táctil e visual. Parece assim necessária uma intervenção com objetivo de colocar a passadeira no alinhamento do passeio poente da Rua Francisco Moreira e executada de acordo com as normas técnicas de acessibilidade” (Babo et al., 2011, p.16). 72 Fonte: Babo et al. (2011, p.16) Outra das anomalias assinaladas pelos autores “é a inexistência de elementos de proteção nas caldeiras das árvores (grelha ou murete de 0,3m), situação que será necessário corrigir. Tratando-se de uma área de desenho irregular na qual se encontram diversos obstáculos (canteiros, árvores, postes, marcos de correio, esplanadas, etc.), dispostos com alguma aleatoriedade, considera-se necessário inserir no pavimento elementos de cor contrastante e com sinalização táctil formando uma guia linear e contínua ao longo de todo o percurso acessível. Preconiza-se também a deslocação de elementos pontuais que se encontrem fora dos alinhamentos existentes, como por exemplo a árvore mais próxima da Rua Dr. Carneiro Pacheco” (Babo et al., 2011, p.17). Ilustração 30 - Largo Coronel Baptista Coelho Fonte: Babo et al. (2011, p.17) Ilustração 29 - Rua Francisco Moreira 73 É de salientar que “na parte superior do Largo Coronel Baptista Coelho verificou-se a existência de uma pendente transversal de 2,5%, que justifica uma ação de correção, de modo a garantir a existência de uma faixa livre de 1,2m de largura com pendentes regulamentares” (Babo et al., 2011, p.17). Ilustração 31 - Largo Coronel Baptista Coelho Fonte: Babo et al. (2011, p.17) “Apesar de estar deslocado em relação ao percurso acessível definido, salientase a existência no passeio oposto de uma Caixa Multibanco inacessível, situação que deverá ser corrigida pelo privado, preconizando-se que para tal o Município proceda a um aviso” (Babo et al., 2011, p.18). Ilustração 32 - Rua de Sousa Trepa Fonte: Babo et al. (2011, p.18) 80 Fonte: Babo et al. (2011, p.23) Como percurso alternativo a este, propõe-se ainda “a construção de uma rampa de ligação entre a cota do início da Rua do Casal Velho e a cota da Praça 25 de Abril, pelo interior do jardim, com pendentes e características de percurso acessível” (Babo et al., 2011, p.23). Outra das inconformidades assinaladas neste levantamento é o facto de que “não existe passadeira entre a Rua Ângelo de Andrade e a Rua do Casal Velho, sendo assim necessária a construção de uma passadeira no alinhamento do passeio nascente da Rua do Casal Velho, e da rampa proposta acima” (Babo et al., 2011, p.24). Ilustração 43 - Atravessamento da Rua Ângelo de Andrade/Rua do Casal Velho Fonte: Babo et al. (2011, p.24) Ilustração 42 – Rua de Ângelo de Andrade/Jardim do Município 81 “O passeio nascente da Rua do Casal Velho possui características compatíveis com o percurso acessível – pendente de 5,5% no início, e 5% a chegar ao Complexo Desportivo Municipal, largura de 1,2m e 1,25 respetivamente, parcialmente encoberta em 0,09m pelo capeamento do muro – no entanto a proximidade dos veículos estacionados poderá causar a diminuição da largura útil (os retrovisores são obstáculos), pelo que se considera aconselhável o alargamento do passeio” (Babo et al., 2011, p.24). Ilustração 44 - Rua do Casal Velho Fonte: Babo et al. (2011, p.24) A ilustração seguinte, demonstra que “Chegando ao início da Rua do Tapado existe a necessidade de atravessar para o lado oposto da Rua do Casal Velho (seguindo, o percurso, pelo interior do Complexo Desportivo). Verifica-se no entanto que neste local não existe passadeira, sendo assim necessária a construção de uma passadeira acessível, devendo procurar-se uma solução para a pendente longitudinal da Rua do Casal Velho neste ponto - atinge os 9% - valor que, como pendente transversal (da passadeira), parece claramente excessivo” (Babo et al., 2011, p.25). 82 Ilustração 45 - Atravessamento Rua do Casal Velho/Complexo Desportivo Municipal Fonte: Babo et al. (2011, p.25) A parte 5 do percurso acessível inicia-se na Rua do Casal Velho que “apresenta aqui pendentes longitudinais de 9%, 11,4% e 15%, valores que impossibilitam a sua utilização como corredor acessível, tornando assim necessária a proposta da alternativa já referida, ou seja o atravessamento do Polidesportivo Municipal. O Polidesportivo Municipal, inaugurado em Fevereiro de 2009, implantado numa área de declive acentuado, é composto por um conjunto de campos de jogos ligados entre si e aos restantes equipamentos do Complexo Desportivo Municipal por meio de rampas” (Babo et al., 2011, p.27). Ilustração 46 - Rua do Casal Velho Fonte: Babo et al. (2011, p.26) 83 As referidas rampas não dispõem dos corrimãos exigidos nas normas técnicas de acessibilidade, pelo que se assinala a necessidade da colocação dos mesmos e também não têm o seu início e fim marcados por sinalização táctil e visual, situações que necessitam de correção. “O conjunto de rampas existente não faz, no entanto, ligação ao troço da Rua do Casal Velho de cota mais baixa, sendo assim necessária a construção de uma extensão das rampas de modo a prosseguir com o corredor acessível até ao Parque da Ribeira do Matadouro. A extensão proposta consiste na construção de uma nova rampa (sobre a área atualmente ocupada por um relvado) que faça a ligação ao ângulo noroeste do centro de Atendimento da PT, no qual se irá propor a construção de um elevador” (Babo et al., 2011, p.28). Fonte: Babo et al. (2011, p.27) “A passadeira existente na Rua do Casal Velho, entre o Polidesportivo Municipal e o Centro de Atendimento da PT, está ligada ao passeio pedonal por meio de uma rampa que diminui a faixa livre do passeio para uma largura inferior à regulamentar (< 1,2m). Também não possui sinalização táctil ou visual” (Babo et al., 2011, p.28), como se pode verificar pela ilustração que se segue. Ilustração 47 - Passagem através do Polidesportivo Municipal 84 Fonte: Babo et al. (2011, p.28) Junto à rampa referida anteriormente “propõe-se a construção de uma passadeira acessível, garantindo assim uma ligação direta entre as partes 5 e 6 do corredor acessível. (…) Esta nova passadeira constitui uma alternativa acessível à passadeira atualmente existente mais abaixo, e que apresenta as desconformidades já referidas” (Babo et al., 2011, p.29). Ilustração 49 - Atravessamento da Rua do Casal Velho Fonte: Babo et al. (2011, p.29) Ilustração 48 - Atravessamento da Rua do Casal Velho 85 Por fim, serão referidas as anomalias existentes na parte 6 do percurso acessível. Assim, verifica-se que “a Rua do Casal Velho inclui dois troços com pendente longitudinal de 10,5% e 16%. No ponto de viragem da rua existe um estrangulamento do passeio provocado por uma caixa de infraestruturas – que reduz o passeio a 0,95m – e mais abaixo assinala-se a presença de uma boca-de-incêndio desalinhada em relação ao restante mobiliário urbano. Estes dois obstáculos deverão ser removidos. Na chegada à plataforma de entrada do edifício da Portugal Telecom, o passeio da Rua Casal Velho não faz ligação a nenhum percurso pedonal marcado no pavimento (por qualquer tipo de diferenciação), o que dificulta a orientação dos peões, nomeadamente no que respeita ao acesso ao futuro Parque da Ribeira do Matadouro” (Babo et al., 2011, p.30). Fonte: Babo et al. (2011, p.30) O Parque da Ribeira do Matadouro tem entrada a partir da praça de estacionamento do Centro de Atendimento da Portugal Telecom. Uma das entradas para esta área é na Rua do Casal Velho e, como já foi referido, ainda não possui todas as características necessárias para ser um local acessível. “No local não existem áreas disponíveis que permitam a construção de rampas alternativas a esse troço da Rua Casal Velho, também não existem outras vias públicas de ligação ao local. Aproveitando a Ilustração 50 - Rua do Casal Velho - chegada à plataforma de entrada do Centro de Atendimento da Portugal Telecom 86 passagem existente do lado poente da parcela do Centro de Atendimento da PT, propõese aqui a construção de um elevador que faça a ligação entre a cota da entrada do Parque (e do Centro de Atendimento) e a Rua do Casal Velho. Poderá ser viável uma negociação com a Portugal Telecom no sentido de esta empresa construir o referido elevador e financiar a obra do percurso acessível entre o parque da Ribeira do Matadouro e os Paços do Concelho” (Babo et al., 2011, p.31). A criação deste parque teve como objetivos principais “requalificar ambientalmente uma área com fortes aptidões paisagísticas, em terrenos que integram a antiga “Quinta do Tapado”, uma unidade agrícola encaixada no vale da ribeira do Matadouro. Esta área que se insere na proposta de estrutura verde urbana da cidade e estrutura ecológica municipal, colmata a zona central da cidade de Santo Tirso, e constitui conjuntamente com os terrenos pertencentes ao Mosteiro de S. Bento e do vale do Rio Ave uma cintura verde da área construída. (…) criar um espaço verde voltado para a interpretação da Natureza, aberto à população e estimulando formas ativas e passivas de recreio. (…) a articulação deste espaço com o Museu Internacional de Escultura Contemporânea.” 21 Fonte: Babo et al. (2011, p.31) 21 Disponível em Início: Temas: Grandes Projetos: Slow Fast Landscape: Parque Urbano da Ribeira do Matadouro. (s.d.). (Câmara Municipal de Santo Tirso) Obtido em maio de 2015, de Câmara Municipal de Santo Tirso: http://www.cm-stirso.pt/pages/128 Ilustração 51 - Área de entrada do Parque da Ribeira do Matadouro 87 “Face às dificuldades de estacionamento automóvel na zona de entrada da PT, o percurso acessível em causa é também do interesse da própria empresa, na medida em que incentiva a acessibilidade a pé dos seus trabalhadores, incrementando também a utilização de transportes públicos” (Babo et al., 2011, p.31). Ilustração 52 - Centro de Atendimento da Portugal Telecom Fonte: Babo et al. (2011, p.30) “Esta área possui um pavimento partilhado sobre o qual circulam peões, bicicletas e automóveis, e no qual desemboca a Rua do Casal Velho. No âmbito da construção do corredor acessível, considera-se necessária a diferenciação dos percursos de peões por meio visual e táctil, de modo a constituir orientação a pessoas com todo o tipo de necessidades especiais. Partindo da entrada no parque, o corredor acessível deverá desdobrar-se em dois, dirigindo-se para a Rua do Casal Velho como também para o elevador proposto. Deverá ser colocada sinalização informando das pendentes longitudinais excessivas da Rua do Casal Velho” (Babo et al., 2011, p.32). 88 Ilustração 53 - Plataforma de entrada do Edifício Centro de Atendimento da Portugal Telecom Fonte: Babo et al. (2011, p.32) 5.4 – O percurso como fator de animação turística Como forma de rentabilizar o percurso, achou-se por bem integrá-lo na divulgação da animação turística do Município. “A animação turística relacionada com a prática de actividades desportivas e de desporto-aventura deriva de um conjunto específico de factores inerentes às necessidades da procura, nomeadamente, a necessidade de bem-estar e de boa forma física, (tendencialmente escalões etários mais elevados); a procura de experiências e aventura (escalões etários menos elevados); o gosto pela prática de actividades desportivas com infra-estruturas em pleno desenvolvimento como o caso do golfe, da caça, da pesca desportiva, da equitação... e a busca do contacto com o ar livre e a natureza como fuga à crescente predominância de vivências urbanas” (IQF, 2005, cit. por Silva, 2010, p.24). Ainda o mesmo autor, citando Almeida (2004), refere que “a animação turística emerge no turismo pelo despertar do novo turista, mais exigente e mais activo, que impõe a prática de actividades de animação dentro do espaço de lazer, criando um novo conceito de turismo activo” (Silva, 2010, p.25). 89 5.5 – Veículo a utilizar no percurso: Joëlette A Joëlette é um equipamento de transporte de pessoas com mobilidade reduzida que pode ser usado onde as cadeiras de rodas não conseguem circular. Trata-se de “uma cadeira de todo-o-terreno, que permite a prática do pedestrianismo e o acesso a áreas montanhosas ou com pisos mais irregulares, a todas as pessoas com mobilidade reduzida, crianças ou adultos ou até mesmo aqueles que apresentam maior grau de dependência, podem desfrutar do contacto com a natureza, com o auxílio de dois acompanhantes. Esta prática estende-se também às pessoas de idade que podem alternar pequenas caminhadas com o passeio na Joëlette. Concebida para passeios familiares e utilizações desportivas, o limite da Joëlette só depende das capacidades dos acompanhantes” (Empresa Floema®, 2009). Este equipamento foi construído em 1980 por um guia de montanha francês, Joël Claudel, daí o nome que lhe foi atribuído ser Joëlette, e teve como objetivo levar a passear pelos Alpes o seu sobrinho, portador de uma deficiência. Segundo o que refere uma das suas utilizadoras em Portugal, “a joëlette é uma máquina infernal, uma liteira do séc. XXI arraçada de riquexó, que serve para levar a passear por montes e vales, por cima de toda a folha, qualquer pessoa que tenha dificuldade em pôr um pé à frente do outro”. 22 Este equipamento também tem sido utilizado em provas desportivas, em modalidades como Orientação. 22 Disponível em EXPERIENCE.NATURE – ECOTURISMO INCLUSIVO. Obtido em outubro de 2014, de EXPERIENCE.NATURE – ECOTURISMO INCLUSIVO: http://ppl.com.pt/pt/prj/experience-nature 96 Referências Bibliográficas Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha - Escola Básica Serra da Gardunha - Fundão. (2011). Turismo. Obtido em novembro de 2013, de: http://www.slideshare.net/ssrr/turismo-10370142 Almeida, R. K., & Souza Nunes, P. M. (2010). POLÍTICAS PÚBLICAS DE LAZER PARA A PESSOSA COM DEFICIÊNCIA, (p. 11). Laranjeiras - SE - Brasil. Almeida, P. (2004). A gestão da animação turística como sustentação do aumento das taxas de ocupação. Revista Turismo & Desenvolvimento, 1, p. 23-30. Braga, Teófilo (2007) – Pedestrianismo e Percursos Pedestres – Manual de Formação, Açores: Amigos dos Açores – Associação Ecológica, versão 1.0. Obtido em março de 2015, de Pedestrianismo e Percursos Pedestres: http://pedestrianismo.blogspot.pt/2007/05/um-til-manual-sobre-pedestrianismo-e.html Babo, A., Sofia, R., & Oliveira, M. (2011). 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