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Excesso de peso e obesidade infantil: Influência das aptidões culinárias em contexto familiar

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Excesso de peso e obesidade infantil: Influência das aptidões culinárias em contexto familiar

Author: Ana Filipa Sá Pereira Machado
Year: 2016
DOI: 10.34626/2ymr-vj33
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/83418/2/127562.pdf
Excesso de peso e
obesidade in an il:
In luência das
ap idões culiná ias
em con ex o amilia
Ana Filipa Sá Pe ei a Machado
Disse ação de Mes ado ap esen ada à Faculdade de Ciências da
Uni e sidade do Po o, Faculdade de Ciências da Nu ição e
Alimen ação da Uni e sidade do Po o
Ciências do Consumo e Nu ição
2015
Excesso de peso e obesidade in an il: In luência das
ap idões culiná ias em con ex o amilia Ana Filipa Sá Pe ei a Machado
MSc
FCUP
FCNAUP
2015
2.º
CICLO
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Excesso de peso e obesidade in an il: In luência das ap idões culiná ias em con ex o amilia
III
Ag adecimen os
Ag adeço a odos aqueles que me apoia am ao longo des e ciclo académico e que di e a ou
indi e amen e con ibuí am pa a que es a disse ação osse possí el de ealiza .
“O único luga onde sucesso em an es do abalho é no dicioná io”
(Albe Eins ein)
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IV
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V
Abs ac
In oduc ion: The p e alence o o e weigh and obesi y in child en and adolescen s has
signi ican ly inc eased in he las decades. In Po ugal 31,6% o child en a e o e weigh and 13,9%
obese. The e a e well de ined causes o he de elopmen o o e weigh and obesi y bu , due o
he mul i ac o ial na u e o his condi ion, some associa ions need u he in es iga ion. Howe e ,
he inc ease o child en’s o e weigh and obesi y p e alence is mainly because o he in luence o
ex e nal ac o s on child en and adolescen s, such as amily en i onmen . The ela ion among
amily, cooking skills and die quali y is complex bu i can play an impo an ole on o e weigh and
obesi y p e en ion.
Aim: E alua e he ela ion among die quali y and cooking p ac ice and skills o pa en s o
ca egi e s, wi h child en/adolescen s nu i ional s a us.
Me hods: A o al o 153 pa en s o ca egi e s and hei espec i e child en/adolescen s we e
a ended in paedia ic consul a ion in Cen o Hospi ala En e o Dou o e Vouga (in San a Ma ia da
Fei a, Po ugal) du ing Ma ch 2015. Da a we e collec ed h ough a s uc u ed ques ionnai e di ec ly
applied o he pa icipan s. The die quali y o pa en s o ca egi e s was assessed h ough he
deg ee o adhe ence o he Medi e anean die a y pa e n (PREDIMED scale), he cooking skills
h ough he Ha mann e .al. adap ed scale, and he nu i ional s a us o child en and adolescen s
by calcula ing Body Mass Index (BMI) and espec i e a ing acco ding o Wo ld Heal h
O ganiza ion (WHO) c i e ia.
Resul s: I was ound ha 93.5% o pa en s o ca egi e s we e child en’s pa en s
( a he /mo he ), 87.6% we e emale, 81.0% we e ma ied/cohabi a ion, 51.0% comple ed
seconda y o highe educa ion, 66.9% we e employed, 54.9% ha e a household’s ne income pe
mon h o less han 1000€, had an a e age o 39.2 (±6.2) yea s old, a BMI a e age o 25.8 (±4.2)
Kg/m2, 31.5% had o e weigh and 15.4% obesi y. I was obse ed ha 53.6% o
child en/adolescen s we e male, had abou 10 yea s and 6 mon hs (±4 yea s and 6 mon hs) in
a e age, an a e age BMI o 19,8 (±4.2) Kg/m2, 25.5% had o e weigh and 17.0% obesi y. The
o al a e age sco e o PREDIMED ques ionnai e was 8.76 (±1.61) poin s and 13.7% had a g ea
adhe ence o de Medi e anean die a y pa e n. Mos pa en s o ca egi e s (77.1%) cooks 6 o
mo e imes pe week, 55.6% eel con iden when cooking, 82.4% like cooking, 16.3% conside
ha ing excellen cooking skills and he a e age o cooking skills was 4.95 (±1.00) poin s. Mos o
he sample is esponsible o he p epa a ion o child en/adolescen s meals, specially dinne . The
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VI
BMI and gende o pa en s and ca egi e s we e ound o ha e a signi ican e ec , ei he
independen ly o h ough an adjus ed model, on p e alence o o e weigh and obesi y in
child en/adolescen s. (Exp(B) independen : 1,12 (1,03 – 1,22) and adjus ed: 1,12 (1,01 – 1,25);
Exp(B) independen : 5,85 (1,57 – 21,74) and adjus ed: 19,71 (2,96 – 131,44), espec i ely)
Conclusions: The e wasn’ a signi ican ela ion be ween die quali y and cooking skills o
pa en s o ca egi e s, wi h he nu i ional s a us o hei child en/adolescen s. Howe e gende and
BMI o pa en s o ca egi e s we e iden i ied as one o he main ac o s ha in luence he isk o
de eloping o e weigh and obesi y in child en o adolescen s.
Keywo ds: Childwood obesi y, Family meals, Die quali y, Cooking skills;

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VII
Resumo
In odução: A p e alência de excesso de peso e obesidade em c ianças e adolescen es
aumen ou signi ica i amen e nas úl imas décadas e em Po ugal 31,6% das c ianças em excesso
de peso e 13,9% obesidade. Exis em causas bem de inidas pa a o desen ol imen o de excesso
de peso e obesidade, mas de ido à sua na u eza mul i a o ial, há elações que ainda ca ecem de
in es igação. No en an o, o aumen o da sua p e alência de e-se sob e udo à in luência de a o es
ex e nos sob e as c ianças/adolescen es, como po exemplo o ambien e amilia . A elação en e a
amília, ap idões culiná ias e qualidade alimen a é complexa mas pode desempenha um papel
impo an e na p e enção ou desen ol imen o de excesso de peso e obesidade.
Obje i o: A alia a elação en e a qualidade alimen a , as p á icas e ap idões culiná ias dos
pais ou cuidado es com o es ado nu icional das suas c ianças/adolescen es.
Mé odos: Fo am a aliados 153 pais ou cuidado es e espe i as c ianças ou adolescen es
que equen a am as consul as de Pedia ia do Cen o Hospi ala En e o Dou o e Vouga (unidade
de San a Ma ia da Fei a) du an e o mês de Ma ço de 2015. Os dados o am ecolhidos a a és de
um ques ioná io es u u ado aplicado de o ma di e a aos pa icipan es. A qualidade alimen a dos
pais ou cuidado es oi a aliada a a és do g au de adesão ao pad ão alimen a medi e ânico
(escala PREDIMED), as ap idões culiná ias a a és da escala adap ada de Ha mann e
colabo ado es, e o es ado nu icional das c ianças/adolescen es a a és do cálculo do IMC e
espe i a classi icação de aco do com os c i é ios da O ganização Mundial de Saúde.
Resul ados: Ve i icou-se que 93,5% dos pais ou cuidado es e a Pai/Mãe da c iança que
acompanha à consul a, 87,6% e a do sexo eminino, 81,0% e a casado(a)/união de ac o, 51%
comple ou o ensino secundá io ou supe io , 66,9% es a a emp egado, 54,9% ap esen a um
endimen o amilia líquido mensal in e io a 1000€, inha em média 39,2 (±6,2) anos, um IMC
médio de 25,8 (±4,2) Kg/m2, 31,5% ap esen a a excesso de peso e 15,4% obesidade. Obse ou-
se que 53,6% das c ianças/adolescen es e am do sexo masculino, inham em média ce ca de 10
anos e 6 meses (±4 anos e 6 meses), um IMC médio de 19,8 (±4,2) Kg/m2, 25,5% ap esen a a
excesso de peso e 17,0% obesidade. A média da pon uação o al do ques ioná io PREDIMED oi
de 8,76 (±1,61) pon os, sendo que 13,7% ap esen a am uma boa adesão ao pad ão
medi e ânico. A maio ia dos pais ou cuidado es (77,1%) cozinha 6 ou mais ezes po semana,
55,6% sen e-se con ian e ao cozinha , 82,4% gos a mui o de cozinha , 16,3% conside a as suas
ap idões culiná ias excelen es e a média da escala de ap idões culiná ias oi de 4,95 (±1,00)
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pon os. A maio ia da amos a e e iu se esponsá el pela p epa ação das e eições das
c ianças/adolescen es, p incipalmen e do Jan a . O IMC e o sexo dos pais/cuidado es e ela am
e um e ei o signi ica i o, que independen e que a a és de um modelo ajus ado, na p e alência
de excesso de peso e obesidade nas c ianças/adolescen es (Exp(B) b u o: 1,12 (1,03 – 1,22) e
ajus ado: 1,12 (1,01 – 1,25); Exp(B) b u o: 5,85 (1,57 – 21,74) e ajus ado: 19,71 (2,96 – 131,44),
espe i amen e).
Conclusões: Não oi obse ada uma associação signi ica i a en e a qualidade alimen a ,
as ap idões culiná ias dos pais/cuidado es com o es ado nu icional das suas
c ianças/adolescen es. No en an o o sexo e o IMC dos pais/cuidado es o am iden i icados como
a o es de isco no desen ol imen o de excesso de peso e obesidade nas c ianças/ adolescen es.
Pala as-cha e: Obesidade in an il, Alimen ação amilia , Qualidade Alimen a ,
Ap idões culiná ias;
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IX
Índice
Ag adecimen os .................................................................................................................... III
Abs ac ................................................................................................................................. V
Resumo ............................................................................................................................... VII
Índice .................................................................................................................................... IX
Índice de igu as ................................................................................................................... XI
Índice de abelas ................................................................................................................. XIII
Lis a de ab e ia u as ........................................................................................................... XV
P e ácio ............................................................................................................................ XVII
Capí ulo 1: In odução ............................................................................................................ 1
1.1 Obesidade in an il ........................................................................................................ 1
1.2 Alimen ação em con ex o amilia ................................................................................ 7
1.3 Qualidade alimen a .................................................................................................. 10
1.4 Ap idões culiná ias .................................................................................................... 12
Capí ulo 2: Me odologia ....................................................................................................... 17
2.1 Amos agem e pa icipan es ...................................................................................... 17
2.2 Recolha de dados ..................................................................................................... 17
2.3 Análise es a ís ica ..................................................................................................... 20
Capí ulo 3: Resul ados ......................................................................................................... 21
3.1 Ca ac e ização ge al dos pais ou cuidado es ............................................................ 21
3.2 Ca ac e ização ge al das c ianças/adolescen es ....................................................... 23
3.3 Ca ac e ização da amília das c ianças/adolescen es ............................................... 24
3.4 Qualidade alimen a dos pais ou cuidado es ............................................................. 24
3.5 P á icas e ap idões culiná ias dos pais ou cuidado es ............................................... 28
3.6 P epa ação das e eições pa a as c ianças/adolescen es ......................................... 31
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3.7 In luência de di e en es a iá eis no IMC das c ianças/adolescen es ........................ 33
Capí ulo 4: Discussão .......................................................................................................... 37
Capí ulo 5: Conclusões ........................................................................................................ 41
Re e ências bibliog á icas .................................................................................................... 43
Anexo A: Ques ioná io ......................................................................................................... 47
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XVII
P e ácio
A ualmen e a obesidade in an il ep esen a um p oblema de saúde pública a ní el mundial,
que em indo a a ingi núme os pa icula men e ala man es em Po ugal. Apesa de exis i um
acesso à in o mação cada ez maio e ha e uma disseminação de campanhas que p e endem
p omo e a alimen ação saudá el, as amílias não es ão a consegui a a es a epidemia.
Exis em a o es que es ão cla amen e elacionados com o desen ol imen o do excesso de peso e
obesidade, como o es ilo de ida “mode no”, o seden a ismo e a adoção da “die a ociden al”, e
que a ualmen e es ão en aizados na sociedade. Po isso, é undamen al pe cebe quais as
ba ei as e di iculdades conc e as que a ualmen e as amílias en en am pa a a adoção de uma
alimen ação e es ilo de ida saudá el. Só des a o ma é que é possí el desen ol e es a égias
pa a a p omoção da saúde in an o-ju enil que pe mi am aos p o issionais, não só da á ea da
saúde, como da indús ia alimen a , do ensino e educação, da comunicação, en e ou os, a ua
de o ma mais e icaz no seio das amílias pa a comba e o excesso de peso e a obesidade in an il.
A in es igação só mais ecen emen e começou a p ocu a a possí el elação en e as
ap idões culiná ias dos pais ou cuidado es com o desen ol imen o do excesso de peso e
obesidade, po isso, es e meu abalho e e como obje i o p ocu a possí eis associações en e a
alimen ação a ní el amilia , incluindo as ap idões culiná ias dos pais ou cuidado es, e o
apa ecimen o do excesso de peso e obesidade in an il. Des a o ma, apliquei um ques ioná io
es u u ado pa a a alia os pais ou cuidado es e as c ianças/adolescen es seguidos em consul as
de pedia ia no Cen o Hospi ala En e o Dou o e Vouga, E.P.E de o ma a p ocu a essa possí el
associação. Es e Cen o Hospi ala p es a cuidados de saúde a 340 000 habi an es de uma as a
á ea geog á ica e oi selecionado pa a a ealização da in es igação pelas condições p á icas e
disponibilidade que me o e eceu, uma ez que, à da a da aplicação do ques ioná io, e a o meu
local de abalho onde desempenha a unções como Nu icionis a.
Ao longo des e pe cu so académico á ios o am os con a empos e di iculdades que o
o na am um e dadei o desa io, no en an o espe o que, com es e abalho, enha con ibuído pa a
a discussão de um ema a ual e desa ian e pa a oda a sociedade e de e “abe o no os
caminhos” pa a a sua in es igação.

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XVIII
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Capí ulo 1: In odução
1.1 Obesidade in an il
Nas úl imas décadas a p e alência de excesso de peso e obesidade nas c ianças e
adolescen es dos países desen ol idos em odo o mundo, aumen ou signi ica i amen e1.
Segundo a B i ish Medical Associa ion exis em 155 milhões de c ianças com excesso de peso e
obesidade em odo o mundo2. Na Eu opa, em 2010, exis iam 40 a 50 milhões de c ianças com
excesso de peso, sendo es e alo 10 ezes supe io ao egis ado em 19703. Po ugal es á en e
os países eu opeus com o maio núme o de c ianças a e adas po es a epidemia e uma em cada
ês em excesso de peso ou obesidade2. Nos úl imos 10 anos, Po ugal ap esen ou uma das
maio es p e alências de obesidade in an il da Eu opa, po isso o comba e a es a epidemia o nou-
se ambém uma p io idade polí ica de ido à sua elação com a mo bilidade, mo alidade e
aumen o de cus os associados. Face a es e p oblema, su giu na Eu opa a necessidade de ins ala
e desen ol e um sis ema de igilância da obesidade in an il e, após a ap o ação da Ca a
Eu opeia da Lu a Con a a Obesidade em 2006, os es ados-memb o da egião eu opeia
jun amen e com a O ganização Mundial de Saúde (OMS), c ia am o p oje o eu opeu Childhood
Obesi y Su eillance Ini ia i e (COSI). Em Po ugal, al como nou os 16 países da Eu opa
(Bélgica, Bulgá ia, Chip e, República Checa, I landa, I ália, Le ónia, Li uânia, Mal a, No uega,
Eslo énia, Suécia, G écia, Hung ia, Macedónia e Espanha), oi desen ol ida uma ede de
in o mação, compa á el en e os di e en es países, sob e as ca ac e ís icas do es ado nu icional
de c ianças dos 6 aos 8 anos. Em Po ugal es e es udo oi coo denado pelo Ins i u o Nacional de
Saúde Dou o Rica do Jo ge (INSA) em pa ce ia com a Di eção Ge al da Saúde (DGS) eco endo
a uma amos a ep esen a i a nacional de escolas do 1º ciclo do Ensino Básico. U ilizando os
c i é ios de classi icação da OMS pa a a classi icação do es ado nu icional e i icou-se que, em
2010, 35,6% das c ianças a aliadas ap esen a am excesso de peso, e 14,6% obesidade3.
Rela i amen e aos dados de 2008, oco eu uma ligei a diminuição na p e alência de excesso de
peso e obesidade, no en an o as di e enças não o am es a is icamen e signi ica i as3. Os dados
mais ecen es do es udo COSI, de 2013, demons a am a mesma endência, ou seja, em
compa ação com os dados de 2010, oco eu uma diminuição da p e alência de excesso de peso
pa a 31,6%, e uma diminuição da p e alência de obesidade pa a 13,9% ( e igu a 1). Nes es
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úl imos dados, as di e enças o am es a is icamen e signi ica i as apenas nas egiões do No e e
Madei a e é de no a que, al como en e 2008 e 2010, oco eu um aumen o da p e alência de
baixo peso. Po an o, apesa da diminuição do excesso de peso e obesidade pa ece animado a,
é necessá io e em con a o con ex o socioeconómico que se i e em Po ugal a ualmen e, que
pode e in luência sob e o es ado nu icional in an il4.
Pa a a de inição de excesso de peso e obesidade é equen emen e u ilizado o Índice de
Massa Co po al (IMC) que é calculado a a és do peso (em Kg) a di idi pela es a u a (em m2). Os
limi es de classi icação u ilizados pa a os adul os não são u ilizados pa a de ini o excesso de
peso e obesidade em c ianças e adolescen es, uma ez que es es es ão numa ase de
c escimen o e ganho de peso na u ais1. Des a o ma o IMC é a aliado a a és das cu as de
c escimen o que são um ins umen o undamen al pa a moni o iza o c escimen o e es ado de
nu ição das c ianças e adolescen es. Em Po ugal, a é 2013, e am u ilizadas as cu as de
c escimen o do Cen e o Disease Con ol and P e en ion (CDC) na igilância da saúde in an il.
En e an o, em 2006, o am publicadas as cu as de c escimen o da OMS e, em 2007, as cu as
especí icas pa a a aixa e á ia dos 5 aos 19 anos. Po isso, em 2013, a DGS passou a u iliza as
cu as de c escimen o da OMS em Po ugal uma ez que a me odologia u ilizada na cons ução
des as cu as as o na mais p óximas a cu as-pad ão e é uma e amen a possí el de se
u ilizada a ní el mundial5. U ilizando as cu as do IMC pa a a idade, o excesso de peso é de inido
quando o seu alo é supe io ou igual ao pe cen il 85 e in e io ao pe cen il 97, e a obesidade
Figu a 1 - Es ado nu icional das c ianças dos 6 aos 8 anos em
2008,2010 e 2013 segundo o es udo COSI em Po ugal ( e i ado de3)
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quando é supe io ou igual ao pe cen il 976. No en an o é necessá io e a enção quando se
compa am es udos in e nacionais uma ez que exis em di e en es cu as e pon os de co e
dependendo das e amen as u ilizadas. Po exemplo, o pon o de co e u ilizado pa a de ini a
obesidade na maio pa e dos países da Eu opa é o pe cen il 97 (u ilização das cu as de
c escimen o da OMS), no en an o nos Es ados Unidos da Amé ica (EUA) é o pe cen il 95
(u ilização das cu as de c escimen o do CDC)1.
Pa a além do IMC ou as medidas an opomé icas êm sido suge idas pa a a alia a
adiposidade co po al, como o Pe íme o da Cin u a (PC) e a Razão Pe íme o da Cin u a/Es a u a
(RPCE). É impo an e econhece que es as medidas se e e em a di e en es aspe os da
obesidade. O IMC é uma medida indi e a da adiposidade, uma ez que apenas em em con a o
peso e a es a u a sem qualque medição di e a da adiposidade e dis ibuição da go du a
co po al7–9. Es á co elacionado com a go du a co po al, no en an o é ambém sensí el à massa
mag a, o que pode le a à classi icação e ada dos pe cen is de IMC9,10. Po sua ez, o PC é uma
medida da adiposidade cen al/abdominal que, quando elacionada com a es a u a (RPCE),
ansmi e um índice de p opo cionalidade. A adiposidade cen al ( e e ida como obesidade
and oide) ca ac e iza-se pela deposição da go du a a ní el isce al/in e no e es á elacionada com
um isco aumen ado pa a o desen ol imen o de co mo bilidades como a esis ência à insulina,
hipe insulinemia, dislipidemia e hipe ensão, aumen ando o isco do desen ol imen o de doenças
ca dio ascula es e diabe es9–11. Po an o, o IMC, o PC e a RPCE pa ecem unciona bem como
medidas isoladas pa a a alia a go du a co po al, no en an o como medidas de a aliação do isco
pa a o desen ol imen o de pa ologias elacionadas com a obesidade, podem e di e en es
in e p e ações7.
Na p á ica clínica pediá ica a medição do PC não é comum, não exis em pon os de co e
in e nacionalmen e acei es pa a a de inição de obesidade12. Em Po ugal oi c iado o “Guia de
A aliação do Es ado Nu icional In an il e Ju enil” pelo Ins i u o Nacional de Saúde Dou o Rica do
Jo ge (INSA) em colabo ação com o Conselho Cien í ico da Pla a o ma con a a Obesidade da
DGS, que eúne de uma o ma pad onizada os p ocedimen os mais a uais em an opome ia, pa a
auxilia a co e a igilância nu icional in an il em Po ugal. Nes e guia é o necida uma abela de
e e ência (elabo ada po Fe nandes e colabo ado es) com os pe cen is pa a a população
eu opeia-ame icana, dos 2 aos 18 anos e pa a ambos os sexos. Nes e guia, os au o es e e em
que apesa de não exis i um pon o de co e consensual pa a a de inição do isco ca dio ascula
em idade pediá ica, á ios au o es conside am o pe cen il 75 como limi e acima do qual se
conside a um isco aumen ado de obesidade abdominal e o pe cen il 90 como limi e acima do qual
se de ine a obesidade abdominal13.
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De qualque o ma, o IMC em sido o mé odo mais equen emen e u ilizado10. No es udo
longi udinal de G i i hs e colabo ado es, o am compa adas es as di e en es medidas de
adiposidade e e i icou-se que as c ianças e adolescen es num mesmo pe cen il de IMC
ap esen a am uma g ande a iação na dis ibuição da go du a co po al, e que as al e ações no
IMC podem não e le i al e ações ao ní el da adiposidade cen al. Po isso os au o es e e em
que o PC pa ece se melho do que o IMC no que diz espei o à p e isão da go du a abdominal,
no en an o não é an ajoso na p e isão da adiposidade no ge al – nes e caso o IMC pa ece mais
adequado7. Também McCa hy and Ashwell a i mam que o PC, que isoladamen e que
elacionado com a es a u a (RPCE), pode se uma medida mais sensí el na iden i icação do
excesso de peso e obesidade em c ianças que podem e um maio isco pa a o desen ol imen o
de complicações me abólicas9. Veldhuis e colabo ado es e e em ambém que, apesa de o IMC
e sus PC e o IMC e sus a RPCE e em mos ado es a mode adamen e em con o midade na
de inição do excesso de peso em c ianças de 5 anos, é necessá io conside a que u ilizando os
pon os de co e do IMC pa a a de inição de obesidade podem es a a se omi idas c ianças
classi icadas como obesas a a és do PC. Re e em ambém que o IMC pa ece se pouco sensí el
pa a c ianças ela i amen e mais al as ou mais baixas, po isso, suge em a u ilização do IMC em
conjun o com o PC pa a a de inição de obesidade nes as c ianças8.
A RPCE pa ece se uma medida an opomé ica mais adequada do que o IMC pa a p e e
os a o es de isco ca dio-me abólicos elacionados com a obesidade em adul os, uma ez que o
IMC não o nece in o mação ace ca da dis ibuição da adiposidade14 e, pa a além disso, o IMC e
PC são índices dependen es da idade, o que o na a sua u ilização menos p á ica15. A RPCE, uma
ez que em em con a o PC, é ambém uma medida pa a a aliação da go du a abdominal, mas
em como an agem o ajus e pa a a es a u a. Des a o ma, um indi íduo de ele ada es a u a, com
um PC igual a um ou o indi íduo de baixa es a u a, ap esen a menos a o es de isco ca dio-
me abólicos e menos 30% de p e alência de sínd ome me abólica. Pa a além disso, em adul os a
RPCE ap esen a um pon o de co e ge al pa a de ini a obesidade (0,5), e que pode se u ilizado
pa a homens ou mulhe es de di e en es e nias14.
Nos anos 90, Ma ga e Ashwell desen ol eu um g á ico – The Ashwell Shape Cha – pa a
se u ilizado pelos p o issionais de saúde (e/ou população em ge al), pa a a alia a RPCE e
e i ica em que ca ego ia es a se enquad a: Se a RPCE o in e io a 0,4, si ua-se na zona do
g á ico “Cuida ”; Se a RPCE o en e 0,4 e 0,5, si ua-se na zona do g á ico “OK”; Se a RPCE o
en e 0,5 e 0,6, si ua-se na zona do g á ico “Conside a a ua ” pa a adul os (idade supe io a 18
anos) e “A ua ” pa a as c ianças; Po im, se a RPCE o supe io a 0,6, si ua-se na zona do
g á ico “A ua ”. Segundo a au o a, es a e amen a es á bem co elacionada com a go du a

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isce al e pe mi e assim a alia de uma o ma simples, ba a a e não in asi a população que es á
em isco de desen ol e pa ologias como a diabe es, hipe ensão, en a e, dislipidemia e doenças
ca dio ascula es, pa a que seja possí el “A ua ”, p ocu ando o p es ado de cuidados de saúde no
sen ido de eduzi o PC e assim diminui a mo bilidade e mo alidade9,11.
Sij sma e colabo ado es e e em que, ao con á io dos adul os, na in ância e adolescência
não é possí el exis i apenas um pon o de co e uma ez que a RPCE é mui o a iá el a é aos 18
anos. Segundo es es mesmos au o es, pa ece que os es udos em c ianças mais elhas (dos 8
aos 16 anos) demons am que a RPCE es á melho co elacionada com a pe cen agem de
go du a co po al do que o IMC. No en an o, os es udos com c ianças mais no as (com menos de
10 anos) demons am que a RPCE não es á melho co elacionada com a pe cen agem de
go du a co po al do que o IMC e o PC. No que diz espei o aos a o es de isco ca dio-
me abólicos, exis em poucos es udos em c ianças mais no as, no en an o os au o es não
demons a am que a RPCE es i esse melho co elacionada que o IMC ou PC. Des a o ma os
au o es de endem que, ela i amen e ao IMC ajus ado pa a a idade e géne o, a RPCE não
con e e an agens pa a a de inição de obesidade e co elação com os a o es de isco ca dio-
me abólicos em c ianças mais jo ens14. McCa hy e Ashwell a alia am a RPCE em c ianças
B i ânicas, e ambém a i mam que es a azão é in luenciada pela idade (e po an o, pelo
c escimen o) e pelo géne o. Re e em ambém que exis e uma diminuição na RPCE média en e
os 5 e os 17 anos de ido à di e ença de elocidade de c escimen o em al u a e do PC com a
idade, mas que a pa i dos 18 anos oco e uma cessação do c escimen o, es abilizando a RPCE.
Nes e mesmo es udo, es es au o es e e em ambém que o pon o de co e de 0.5 u ilizado em
adul os, pa ece se ambém adequado pa a as c ianças, no en an o, al como já e e ido
an e io men e, em c ianças mais no as a RPCE pode não se adequada po que com es e pon o
de co e pode ha e uma sob es imação do núme o de c ianças em isco. Des a o ma o pon o de
co e 0.5 pode não se ideal pa a odas as idades. No en an o, a RPCE, com um pon o de co e de
0.5, u ilizada em con ex o de saúde pública, pode se u ilizada como e amen a pa a a alia
c ianças em isco de saúde aumen ado9.
O aumen o da p e alência da obesidade in an il nos úl imos anos em sido p eocupan e
po que algumas complicações elacionadas com a obesidade, e que a amen e e am obse adas
em c ianças, êm sido diagnos icadas nes a aixa e á ia, como po exemplo a apneia do sono e a
diabe es ipo 216. Exis e uma o e e idência cien í ica que con i ma ambém que um ele ado IMC
na in ância pode le a ao excesso de peso na idade adul a17. A maio pa e des as c ianças e
adolescen es con inua ão com excesso de peso ou obesidade pa a o es o da ida e es ima-se
que 60% das c ianças obesas se ão adul os obesos3. No en an o, o impac o da obesidade in an il
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na ida adul a pode acon ece independen emen e do peso na idade adul a16. Des a o ma, no
u u o a sociedade e á que lida com as consequências da obesidade in an il na saúde,
nomeadamen e, o desen ol imen o de diabe es ipo 2, doenças ca dio ascula es (como a
hipe ensão a e ial e en a e do miocá dio p ecoce), di iculdades espi a ó ias, p oblemas
os eoa icula es, es ea ose hepá ica, p oblemas psicossociais, en e ou os1,2,17,18. A obesidade
in an il pode, po isso, e impac o na diminuição da espe ança média de ida1, no aumen o da
mo bilidade e na edução da qualidade de ida numa idade mais a ançada16. Pa a além disso, os
cus os no se o dos cuidados de saúde se ão ambém mais ele ados1.
As possí eis causas pa a o desen ol imen o do excesso de peso e obesidade in an is que
êm sido discu idas na li e a u a são á ias, nomeadamen e ao ní el da p edisposição gené ica,
das al e ações nu icionais e alimen a es e dos hábi os de a i idade ísica (designadamen e o
desequilíb io en e a inges ão e o gas o ene gé ico), do ní el socioeconómico da amília, das
al e ações sociais e do es ilo de ida, en e ou as1. A obesidade é uma deso dem do balanço
ene gé ico, po isso, se o conside ado um modelo simplis a, a obesidade esul a de um aumen o
da inges ão ene gé ica, ou de uma diminuição do gas o ene gé ico, ou das duas si uações. No
en an o a e idência em indo a demons a que os desequilíb ios do balanço ene gé ico são
mui o mais complexos do que es a isão es á ica19, e pa ece que o enó ipo da obesidade su ge
quando os a o es gené icos in e agem com o ambien e20. Ou seja, a obesidade é conside ada
uma doença gené ica, no en an o, e uma ez que a he ança gené ica so eu poucas al e ações
nos úl imos anos, o aumen o da p e alência de obesidade in an il de e-se sob e udo à in luência
de a o es ex e nos, que podem exis i ainda em ambien e in au e ino, e que ão desde o
ambien e amilia a é às polí icas nacionais ( e igu a 4)16. Po exemplo, a in luência p o e o a da
amamen ação, a in luência de pad ões alimen a es como o aumen o do consumo de bebidas
açuca adas e a exis ência de espaços pa a
as - ood, a in luência pa en al po exemplo na
seleção alimen a , o es ilo de ida seden á io
como o aumen o de empo a e ele isão, a
in luência da publicidade, a in luência de
a o es psicossociais como o es ado
socioeconómico da amília, o acesso à
educação, o acesso à saúde, a
disponibilidade de espaços pa a a p á ica de
exe cício ísico, en e á ios ou os a o es16,20.
Figu a 2 - Modelo de in luência na obesidade in an il ( e idado de16)
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Exis em causas gené icas e ho monais que podem le a ao desen ol imen o de obesidade,
no en an o são a as, po exemplo, endoc inopa ias como o hipo i oidismo, sínd omes gené icos
como o sínd ome de P ade -willi ou al e ações gené icas que a e am o balanço ene gé ico como
as al e ações da ia de sinalização da lep ina16
1.2 Alimen ação em con ex o amilia
As e eições em amília são uma a i idade social impo an e que pode in luencia a inges ão
alimen a , a saúde21 e pe mi i o desen ol imen o de laços posi i os com a amília, que po sua
ez pode p omo e o con ac o com compo amen os p omo o es da saúde e o bem-es a
emocional22. Os es udos sob e a p e alência das e eições em amília en e as c ianças e
adolescen es ap esen am uma g ande a iedade de esul ados, no en an o, nos EUA po
exemplo, a maio ia dos jo ens jan a em amília 5 ou mais dias po semana. Apesa de ha e
e idências inconclusi as, o géne o, idade, e nia, ní el socioeconómico e a si uação p o issional
pa ecem in luencia a p e alência das e eições em amília. Os adolescen es em pa icula ,
compa ados com os seus pais, e elam aze menos e eições em amília. Es e esul ado pode
es a associado ao ac o de e em a i idades escola es, ex acu icula es, p o issionais e socais,
es ando assim mais a as ados das e eições amilia es mesmo quando os pais e os es an es
memb os da amília azem as e eições jun os. No en an o, as apa igas, jo ens adolescen es, de
um ní el socioeconómico supe io e que êm as suas mães numa si uação de desemp ego,
pa ecem consumi com mais equência as e eições em amília21.
A elação en e a equência das e eições amilia es e o peso co po al de c ianças e
adolescen es ambém em sido cada ez mais es udada, e elando uma possí el elação in e sa
en e es es indicado es23. Da mesma o ma, em-se e i icado uma associação in e sa en e as
e eições em amília e o consumo de e ige an es, alimen os icos em go du a e a obesidade nas
c ianças. No en an o, apesa de exis i em es udos que e elam que os pais es ão p eocupados
com o planeamen o e p epa ação das e eições, há uma endência pa a a diminuição da
equência das e eições amilia es. Fulke son e colabo ado es, o ganiza am um g upo ocal de
pais emp egados e com ilhos em idade escola pa a discu i ace ca das ba ei as pa a a
p epa ação de e eições amilia es. Os pais e e i am gos a da pa ilha às e eições, mas
e ela am que êm pouco empo pa a a sua p epa ação e que mui as ezes es ão a aze á ias
a e as a essa ho a. Nes e sen ido é impo an e pe cebe quais os obs áculos que os pais
a ualmen e en en am pa a a p epa ação das e eições em amília pa a que seja possí el
desen ol e ações de melho ia da equência, a mos e a e qualidade alimen a dessas e eições21.
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A quan idade e qualidade da alimen ação das c ianças é impo an e pa a o seu bem-es a e
saúde no u u o. As ca ac e ís icas amilia es, como o papel dos pais como modelado es da
alimen ação, o incen i o pa en al, o conhecimen o nu icional dos pais e as suas p e e ências e
p á icas alimen a es, são os p incipais de e minan es do consumo alimen a das c ianças. Pa a
além disso, os pais êm um papel de e minan e na decisão do ipo de alimen os que são
comp ados, po isso, os a o es que in luenciam os pais na escolha alimen a da amília são
impo an es e de em se a aliados uma ez que in luenciam a disponibilidade dos alimen os em
casa, o ipo de alimen os que os p óp ios consomem e o alo que di e en es alimen os êm no
seio amilia . Segundo Roos e colabo ado es os a o es que pa ecem in luencia a escolha
alimen a da amília, o am mais o emen e associados aos alimen os nu icionalmen e mais
densos do que aos alimen os com maio densidade ene gé ica o que, em conco dância com
ou os es udos, demons a que es es a o es es ão mais elacionados com as e eições
elabo adas em casa ou com os pequenos lanches mais saudá eis que se le am pa a a escola.
Po ou o lado os alimen os ene ge icamen e mais densos são associados ao consumo o a de
casa, ge almen e elacionados com os “pa es”. Quando exis em c ianças no seio amilia , os
a o es conside ados mais impo an es o am a “saúde e composição na u al”, “as ca ac e ís icas
senso iais” e a “con eniência”. O a o “saúde e composição na u al” oi o que os pais mais
o emen e associa am à sua inges ão alimen a , po isso, os ilhos de pais que conside am es e
mo i o o mais impo an e, ap esen a am uma maio inges ão de alimen os nu icionalmen e mais
densos e uma baixa inges ão de alimen os de ele ada densidade ene gé ica. As “ca ac e ís icas
senso iais” ambém se associa am de o ma posi i a à inges ão de alimen os nu icionalmen e
mais densos po pa e das c ianças, no en an o essa associação oi nega i a no que conce ne à
“con eniência”. É impo an e e em con a que nes e ipo de es udos as associações podem es a
en iesadas uma ez que os pais podem e endência a esponde o “poli icamen e mais co e o”,
como po exemplo, a i ma que os alimen os que comp am pa a os seus ilhos são os mais
saudá eis e que o a o “p eço” não é uma ba ei a pa a a comp a de alimen os saudá eis24.
As mães, pa icula men e, são uma das p incipais in luências na die a e saúde dos ilhos25,
sendo modelado as dos seus hábi os alimen a es, incluindo o seu au ocon olo e p e e ências
alimen a es, que podem pe manece no u u o26. Pa a as decisões diá ias elacionadas com o
planeamen o das e eições e a comp a e p epa ação de alimen os, as mães êm em con a as
necessidades da sua amília, nomeadamen e dos ilhos, e ou o ipo de cons angimen os, como o
empo e cus o despendidos26. Exis e, po isso, uma elação posi i a en e o ní el de
conhecimen os nu icionais das mães com a saúde e inges ão alimen a das suas c ianças, que
mos am consumi meno es quan idades de go du a, go du a sa u ada, coles e ol e sódio, e uma
maio inges ão de ib a. Es a elação es á associada ao ac o de se em as mães que
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en e ap idões culiná ias e a o ma como es as podem in luencia o compo amen o alimen a não
es á escla ecida, e isso de e-se ambém à al a de uma e amen a iá el que pe mi a a a aliação
das ap idões culiná ias. A in es igação em-se ocado no es udo dos hábi os culiná ios e écnicas
de p epa ação que são in luenciados pelos hábi os cul u ais, adições e p e e ências pessoais,
po isso Ha mann e colabo ado es decidi am desen ol e um índice pa a a aliação das ap idões
culiná ias que osse aplicá el à maio ia das populações. Es a escala oi u ilizada no âmbi o do
es udo sob e compo amen o alimen a da população suíça, com o obje i o de a alia os a o es
sociodemog á icos e psicológicos p omo o es das ap idões culiná ias, consequências da p esença
ou ausência de ap idões culiná ias e elação en e a equência de consumo de á ios g upos
alimen a es e as ap idões culiná ias. Os au o es e e em que nes a escala as ap idões culiná ias
são de inidas como “a habilidade de p epa a di e en es alimen os” e não de i ens alimen a es
especiais ou e eições especí icas po que esses dependem do con ex o cul u al em que es ão
inse idos, e po isso podem in luencia a pon uação na escala de ap idões culiná ias. Re e em
ainda que apesa de se quase impossí el desen ol e uma escala cul u almen e independen e, a
aplicação des a escala “é ilimi ada e adequada pa a a egião eu opeia”43.
A elação en e a amília, ap idões culiná ias e qualidade alimen a é complexa mas pode
desempenha um papel impo an e na p e enção ou desen ol imen o de excesso de peso e
obesidade. Des a o ma, o obje i o des e es udo oi a alia a elação en e a qualidade alimen a ,
as p á icas e ap idões culiná ias dos pais ou cuidado es com o es ado nu icional das suas
c ianças/adolescen es.

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Capí ulo 2: Me odologia
2.1 Amos agem e pa icipan es
Pa a es a in es igação oi ealizado um es udo obse acional ans e sal, e a amos a oi
selecionada a a és de um p ocedimen o não p obabilís ico, aciden al ou de con eniência, uma
ez que a ecolha de dados acon eceu alea o iamen e, en e dia 03/03/2015 e 24/03/2015, na sala
de espe a das consul as ex e nas de Pedia ia do Cen o Hospi ala En e o Dou o e Vouga, E.P.E
(CHEDV) – Unidade de San a Ma ia da Fei a, Po ugal. Du an e es e pe íodo, o am
alea o iamen e selecionados 180 pais ou cuidado es de c ianças/adolescen es com uma idade
mínima de 2 anos, no en an o o am excluídos os dados de 27 indi íduos po ap esen a em o
ques ioná io incomple o, pe azendo uma amos a pa a análise inal de 153 pais ou cuidado es e
c ianças/adolescen es. Fo am conside ados ques ioná ios incomple os aqueles que não o neciam
dados ela i os ao hábi os alimen a es, escala de ap idões culiná ias, g au de pa en esco, sexo e
idade dos pais ou cuidado es, po se em conside ados dados essenciais.
2.2 Recolha de dados
Es e p oje o de in es igação oi ap o ado pela comissão de é ica do CHEDV e a ecolha e
a amen o dos dados oi au o izada pelos pa icipan es no es udo a a és da assina u a do
consen imen o in o mado. Os dados o am ecolhidos a a és de um ques ioná io es u u ado –
e anexo A – aplicado de o ma di e a pelos pa icipan es. O ques ioná io engloba 4 g upos:
 G upo I – Hábi os alimen a es dos pais ou cuidado es
Es e g upo é cons i uído po 14 ques ões de escolha múl ipla adap adas do ques ioná io
PREDIMED40,41,47 que pe mi e a alia a qualidade alimen a dos pais ou cuidado es das
c ianças/adolescen es, a a és da a aliação da sua adesão ao pad ão medi e ânico. Pa a cada
opção de espos a há uma pon uação associada de 1 pon o caso sejam cump idos os c i é ios de
adesão à die a medi e ânica, e de 0 pon os caso, pelo con á io, esses c i é ios não sejam
cump idos – e abela 1. A pon uação o al é calculada a a és da soma das pon uações ob idas
em cada ques ão. Os au o es conside am que uma pon uação supe io a 10 es á associada a uma
boa adesão à die a medi e ânica40.
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É necessá io e e i que, de ido a um e o de imp essão não exis en e numa ase de p é-
es e e não de e ado p ecocemen e na ase de aplicação do ques ioná io, pa a análise dos
esul ados des as 14 ques ões as coinciden es opções de espos a “1 ou menos” e “1” ( e g upo I
do ques ioná io – Anexo A) o am undidas na opção “1 ou menos” (que engloba as duas opções).
Des a o ma, pa a o cálculo da pon uação o al e e ambém que ha e um ajus e, nomeadamen e
nas ques ões 5, 6 e 7, e em ez de se a ibui 1 pon o se a espos a osse “<1 po ção po dia”
(como se obse a na abela 1), a ibuiu-se 1 pon o se a espos a o “≤1 po ção po dia”.
Tabela 1 - Ques ioná io PREDIMED (adap ado de 40,41,47)
* - Pa a a análise de esul ados e cálculo da pon uação o al, nes a in es igação a ibuiu-se 1 pon o se “≤ 1 po ção po dia”
Responda às seguin es ques ões de aco do com aquilo que é a sua alimen ação habi ual
nos 7 dias da semana, indicando o núme o de ezes (po dia ou po semana) que consome
de e minados alimen os:
1 pon o se:
1. Usa o azei e como p incipal go du a pa a
cozinha ?
Não  Sim 
Sim
2. Que quan idade de azei e consome num dia
(incluindo uso pa a i a , empe a saladas,
e eições o a de casa, e c.)?
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de colhe es de sopa po dia)
≥ 4 colhe es sopa
3. Quan as po ções de p odu os ho ícolas consome
po dia? (1 po ção: 200 g; conside e
acompanhamen os como me ade de uma po ção)
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de po ções po dia)
≥ 2 po ções po dia
(ou ≥1 po ção c ua
ou em salada)
4. Quan as peças de u a (incluindo sumos de u a
na u al) consome po dia?
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de peças po dia)
≥ 3 po dia
5. Quan as po ções de ca ne e melha, hambú gue
ou p odu os cá neos (p esun o, salsicha, e c.)
consome po dia? (1 po ção: 100-150 g)
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de po ções po dia)
< 1 po ção po dia *
6. Quan as po ções de man eiga, ma ga ina, ou
na as consome po dia? (1 po ção: 12 g)
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de po ções po dia)
< 1 po ção po dia *
7. Quan as bebidas açuca adas ou gasei icadas
bebe po dia?
<1 1 2 3 ≥4
(núme o de po ções po dia)
<1 po ção po dia *
8. Quan os copos de inho bebe po semana?
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de copos po semana)
≥ 7 copos po
semana
9. Quan as po ções de leguminosas consome po
semana? (1 po ção: 150 g)
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de po ções po semana)
≥ 3 po semana
10. Quan as po ções de peixe ou ma isco consome
po semana? (1 po ção: 100-150 g de peixe ou 4-5
unidades ou 200 g de ma isco)
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de po ções po semana)
≥3 po semana
11. Quan as ezes po semana consome p odu os
de pas ela ia ou doces come ciais (não casei os),
como bolos, bolachas, biscoi os?
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de ezes po semana)
<3 ezes po
semana
12. Quan as po ções (de 30g cada) de oleaginosas
(nozes, amêndoas, incluindo amendoins) consome
po semana?
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de po ções po semana)
≥ 3 po semana
13. Consome p e e encialmen e ango, pe u ou
coelho em ez de aca, po co, hambú gue ou
salsicha?
Não  Sim 
Sim
14. Quan as ezes po semana consome ho ícolas,
massa, a oz ou ou os p a os con ecionados com
um e ogado (molho à base de oma e, cebola, alho-
ancês ou alho e azei e)?
<1 1 2 3 4 5 6 ≥7
(núme o de ezes po semana)
≥ 2 ezes po
semana
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 G upo II – P á icas culiná ias dos pais ou cuidado es
Nes e g upo o am a aliadas as p á icas culiná ias dos pais ou cuidado es, incluindo a
a aliação da equência e g au de con iança com que cozinham, com quem ap ende am a
cozinha e a aliação das suas ap idões culiná ias a a és da escala adap ada de Ha mann e
colabo ado es43. A cada 7 a i mações elacionadas com a habilidade de p epa ação de di e en es
alimen os, os inqui idos co espondem uma pon uação numa escala de 1 (“Disco do o almen e”) a
6 (“Conco do o almen e”) pon os - ( e abela 2). O cálculo da média dessa pon uação
co esponde ao seu g au de ap idões culiná ias.
Tabela 2 - Escala de ap idões culiná ias (adap ada de 43)
 G upo III – P epa ação das e eições pa a a c iança
Nes e g upo oi a aliada a in luência dos pais ou cuidado es na p epa ação e con eção das
e eições da c iança que acompanha à consul a, nomeadamen e quais as e eições que
ge almen e p epa am pa a a c iança. Na ques ão 24 des e g upo oco eu alguma con usão
ela i amen e às opções “ odas ou quase odas as e eições” e “algumas e eições” e al si uação
oi de e ada quando se analisou a ques ão 26. Po isso, na análise de esul ados es as duas
opções o am inco po adas na opção de espos a “Sim, de odas ou quase odas as e eições”.
 G upo IV – Dados ge ais
Es e g upo subdi ide-se em 3 pa a ob e os dados an opomé icos e sociodemog á icos (1)
dos pais ou cuidado es, (2) da amília a que a c iança pe ence e (3) da p óp ia c iança.
(1) No que diz espei o aos pais ou cuidado es o am ecolhidos dados ela i os ao g au de
pa en esco ela i amen e à c iança, sexo, idade, peso (em Kg) e al u a (em cm) (au o epo ados),
es ado ci il, g au de escola idade que comple ou, si uação p o issional e endimen o amilia
líquido mensal. O IMC dos pais oi pos e io men e calculado com os dados do peso e al u a
ecolhidos, de aco do com a ó mula: 𝐼𝑀𝐶 = 𝑃𝑒𝑠𝑜 (𝐾𝑔)
𝐴𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎2
48.
A i mações
Disco do
o almen e
1
2
3
4
5
Conco do
o almen e
6
1. Eu conside o que as minhas ap idões culiná ias são su icien es
2. Eu sou capaz de p epa a uma e eição quen e sem ecei a
3. Eu sou capaz de p epa a g a inados
4. Eu sou capaz de p epa a uma sopa
5. Eu sou capaz de p epa a um molho
6. Eu sou capaz de aze um bolo
7. Eu sou capaz de aze pão
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20
(2) Em elação à amília da c iança o am ecolhidos dados sob e o ipo de ag egado
amilia , núme o de elemen os e núme o de c ianças/adolescen es e idosos, no sen ido de
pe cebe a cons i uição amilia da c iança.
(3) As c ianças/adolescen es selecionados alea o iamen e na sala de espe a da consul a
ex e na de Pedia ia do CHEDV, desloca am-se ao se iço de en e magem pa a ecolhe os
dados an opomé icos necessá ios an es da consul a ma cada de Pedia ia, des a o ma os
úl imos dados ecolhidos pelo ques ioná io e e em-se à c iança/adolescen e, nomeadamen e o
egis o do sexo, idade (anos e meses), peso (em Kg), es a u a (em cm) e a aliação da p esença
de alguma pa ologia que ob igue ao seguimen o de uma “alimen ação especial”. O IMC da c iança
oi pos e io men e calculado e, de aco do com as cu as de c escimen o e limi es da OMS, cada
c iança oi classi icada ela i amen e ao seu es ado nu icional – des a o ma o am de e adas as
c ianças/adolescen es com excesso de peso ou obesidade5,6.
2.3 Análise es a ís ica
Pa a a elabo ação da base de dados, a amen o es a ís ico e ep esen ação g á ica dos
esul ados oi u ilizado o p og ama IBM SPSS® – S a is ical Package o Social Sciences – e são
23.0 pa a a Mic oso Windows®. Pa a análise desc i i a das a iá eis con ínuas p ocedeu-se ao
cálculo de médias, des ios-pad ão, alo es mínimos e máximos, e o cálculo de equências
absolu as pa a a análise das a iá eis nominais ou o dinais. Pa a a alia a in luência das
p incipais a iá eis em es udo no pe cen il de IMC das c ianças/adolescen es, p ocedeu-se ao
cálculo da co elação en e es a a iá el e as a iá eis: “Pon uação o al do ques ioná io
PREDIMED”, “Ap idões culiná ias” e “IMC dos pais ou cuidado es”. O coe icien e de co elação de
Spea man (p) oi u ilizado pa a medi o g au de associação en e a iá eis quan i a i as. Pa a
elaciona a in luência de a iá eis independen es na p obabilidade do desen ol imen o de
excesso de peso e obesidade nas c ianças/adolescen es ( a iá el dependen e) aplicou-se a
eg essão logís ica biná ia, com um in e alo de con iança de 95%. Pa a a alia a qualidade do
ajus e do modelo de eg essão eco eu-se ao R2 de Nagelke ke.

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21
Capí ulo 3: Resul ados
Nes e capí ulo se ão ap esen ados os p incipais esul ados ob idos com a aplicação do
ques ioná io acima de alhado e em anexo – e anexo A.
3.1 Ca ac e ização ge al dos pais ou cuidado es
No que diz espei o à ca ac e ização ge al dos pais ou cuidado es das
c ianças/adolescen es que pa icipa am no es udo, al como ap esen ado na abela 3, e i icou-se
que a maio ia (93,5%) e am ealmen e pais (Pai ou Mãe) das c ianças/adolescen es e que 87,6%
da amos a e a do sexo eminino (Mãe ou A ó ou Tia, e c). Dos 153inqui idos, 125 (81,7%) e am
Mães enquan o que apenas 18 (11,8%) e am Pais. No seguimen o da análise dos dados
ap esen ados na abela 3, é possí el obse a que a amos a e a maio i a iamen e casada ou em
união de ac o (81,0%), com o ensino secundá io ou supe io comple o (51%), emp egada (66,9%)
e com endimen os amilia es líquidos in e io es a1000€ po mês (54,9%). Ap esen ou uma média
de idade de 39 anos (±6,3), endo o indi iduo mais no o 22 anos e o mais elho 63 anos. Em
média, os pais ou cuidado es pesam 68,4 Kg (±11,8), medem 1,63m (±0,08) e ap esen am um
IMC de 25,8 Kg/m2 (±4,2). O indi íduo com o meno IMC (18,7 Kg/m2), de aco do com os c i é ios
de classi icação da OMS49, encon a-se den o de pad ões conside ados no mais, e o indi iduo
com maio IMC (39,3 Kg/m2) ap esen a uma obesidade de g au II. A segmen ação da amos a, de
aco do com os c i é ios da OMS pa a o IMC49, ap esen a-se na abela 4 e igu a 3. Ve i icou-se
en ão, que nenhum indi íduo se si ua a na ca ego ia de baixo peso nem na ca ego ia de
obesidade de g au III, e que a maio ia da amos a (53,1%) ap esen ou um IMC den o da
no malidade. No en an o, é de no a que 46,9% dos pais ou cuidado es ap esen ou um IMC
supe io ao conside ado no mal, sendo que 31,5% inha excesso de peso, 11,9% obesidade de
g au I e 3,5% obesidade de g au II. Quando se segmen a a amos a po sexo, e i ica-se que as
pe cen agens de mulhe es e homens com IMC no mal es ão p óximas (50,0% e 47,4%
espe i amen e), no en an o exis em mais homens com excesso de peso (36,8%) em compa ação
com as mulhe es (28,4%). No que diz espei o à obesidade e i ica-se que apenas 1 indi íduo
(5,3%) do sexo masculino se si ua nes a ca ego ia (mais especi icamen e na ca ego ia de
Obesidade g au I), mas ela i amen e ao sexo eminino, 21 mulhe es (15,6%) são obesas (11,9%
com obesidade g au I e 3,7% com obesidade g au II).
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Tabela 3 - Ca ac e ização ge al dos pais ou cuidado es de c ianças/adolescen es – San a Ma ia da Fei a, 2015
Va iá el
Ca ego ia
F equência n (%)
n o al
G au de Pa en esco em
elação à c iança que
acompanha
Pai / Mãe
143 (93,5%)
153
A ô / A ó
2 (1,3%)
I mão / I mã
1 (0,7%)
Pad inho / Mad inha
3 (2,0%)
Ou o
4 (2,6%)
Sexo
Feminino
134 (87,6%)
153
Masculino
19 (12,4%)
Es ado ci il
Sol ei o(a)
15 (9,8%)
153
Casado(a)/União de ac o
124 (81,0%)
Di o ciado(a)
12 (7,8%)
Viú o(a)
2 (1,3%)
G au de escola idade que
comple ou
Nenhum
0
153
Ensino p imá io
9 (5,9%)
Ensino básico (2ºciclo)
28 (18,3%)
Ensino básico (3ºciclo)
38 (24,8%)
Ensino secundá io
54 (35,3%)
Ensino supe io
24 (15,7%)
Si uação p o issional
Es udan e
0
148
Desemp egado(a)
42 (28,4%)
Emp egado(a)
99 (66,9%)
Re o mado(a)
1 (0,7%)
Ou a
6 (4,1%)
Rendimen o amilia líquido
mensal
In e io a 500€
27 (17,6%)
153
En e 501 e 1000€
57 (37,3%)
En e 1001 e 1500€
33 (21,6%)
En e 1501 e 2500€
17 (11,1%)
En e 2501 e 4500€
3 (2,0%)
Supe io a 4500€
0
Não sei / Não espondo
16 (10,5%)
Va iá el
Média
Des io
pad ão
Mínimo
Máximo
n o al
Idade (anos)
39,2
6,3
22
63
153
Peso (Kg)
68,4
11,8
48
103
151
Al u a (m)
1,63
0,08
1,40
1,85
143
IMC (Kg/m2)
25,8
4,2
18,7
39,3
143
Tabela 4 - Classi icação do IMC dos pais ou cuidado es de c ianças/adolescen es, segundo c i é ios da OMS49 – San a Ma ia
da Fei a, 2015
Ca ego ias de IMC
F equência
o al n(%)
F equência
mulhe es
n(%)
F equência
homens
n(%)
Baixo peso
0
0
0
No mal
76 (53,1%)
67 (50,0%)
9 (47,4%)
Excesso de peso
45 (31,5%)
38 (28,4%)
7 (36,8%)
Obesidade g au I
17 (11,9%)
16 (11,9%)
1 (5,3%)
Obesidade g au II
5 (3,5%)
5 (3,7%)
0
Obesidade g au III
0
0
0
Figu a 3 - Classi icação do IMC dos pais/cuidado es de
c ianças/adolescen es, segundo c i é ios da OMS – San a
Ma ia da Fei a 2015
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3.2 Ca ac e ização ge al das c ianças/adolescen es
Rela i amen e à ca ac e ização das c ianças/adolescen es, e i icou-se que a amos a
ap esen ou uma média de idade de 125,6 meses (±53,6) - ap oximadamen e 10 anos e 6 meses,
sendo a c iança mais no a de 23 meses (1 ano e 11 meses) e a mais elha de 18 anos – idade
limi e pa a a equência às consul as de Pedia ia. Em média, a amos a si ua a-se nos 41,9 Kg
(±19,5) de peso, 1,41m (±0,25) de al u a e ap esen ou um IMC de 19,8 Kg/m (±4,2). A maio ia das
c ianças/adolescen es (85,6%) não ap esen ou nenhuma pa ologia que ob igasse a qualque ipo
de “alimen ação especial”, no en an o 14,4% das c ianças/adolescen es e ela am e um ipo de
alimen ação mais cuidado de ido a pa ologias como a Diabe es ( ipo I), Doença Celíaca ou
Hipe coles e olemia Familia – e abela 5.
Tabela 5 - Ca ac e ização ge al das c ianças/adolescen es - San a Ma ia da Fei a, 2015
Uma ez que nes e g upo e á io o peso, al u a e consequen emen e o IMC, es ão
di e amen e elacionados com a idade das c ianças/adolescen es, a amos a oi segmen ada de
aco do com os pe cen is de IMC e classi icação da OMS5,6 como é possí el obse a na abela 6 e
igu a 4. A maio ia das c ianças/adolescen es (54,2%) ap esen a am um IMC den o dos alo es
conside ados no mais, no en an o 42,5% das c ianças/adolescen es ap esen a am excesso de
peso e obesidade (25,5% e 17,0% espe i amen e). Quando se p ocede à segmen ação da
amos a po sexo, e i ica-se que a pe cen agem de c ianças/adolescen es com um IMC no mal é
semelhan e en e apa igas e apazes (53,5% e 54,9% espe i amen e) mas, quando se
compa am os dois g upos, e i ica-se que exis em mais apazes com obesidade (22,0%) e mais
apa igas com excesso de peso (32,4%).
Va iá el
Média
Des io pad ão
Mínimo
Máximo
n o al
Idade (meses)
125,6
(ap ox. 10 anos e
6 meses)
53,6
(ap ox. 4 anos e
6 meses)
23
(1 ano e 11
meses)
216
(18 anos)
153
Peso (Kg)
41,9
19,5
12
93,2
153
Es a u a (m)
1,41
0,25
0,84
1,91
153
IMC (Kg/m2)
19,8
4,2
12,3
37,4
153
Va iá el
Ca ego ia
F equência n (%)
n o al
Sexo
Feminino
71 (46,4%)
153
Masculino
82 (53,6%)
Doença que ob igue
a “alimen ação
especial”?
Não
131 (85,6%)
153
Sim
22 (14,4%)
Qual?
Diabe es
9 (5,9%)
22
Doença Celíaca
3 (2,0%)
Hipe coles e olemia
2 (1,3%)
Ou as
8 (5,2%)
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Tabela 6 - Classi icação do IMC das c ianças/adolescen es – San a Ma ia da Fei a, 2015
3.3 Ca ac e ização da amília das c ianças/adolescen es
A maio ia (74,7%) das amílias das c ianças/adolescen es que in eg a am a in es igação e a
do ipo “T adicional” (2 P ogeni o es + Filhos) e cons i uída po 4 elemen os. De no a que 17,1%
das c ianças/adolescen es pe enciam a uma amília do ipo “Monopa en al” (1 dos P ogeni o es +
Filhos) e apenas 8,2% das amílias analisadas e am do ipo “Ex ensas” (P ogeni o es + Filhos +
Ou os memb os da amília). A cons i uição do ag egado amilia ambém oi a aliada no sen ido
de pe cebe quais os g upos e á ios que azem pa e da amília, e e i icou-se que 92,0% das
amílias são cons i uídas apenas po adul os e c ianças/adolescen es, sem a p esença de idosos
no ambien e amilia – e abela 7.
Tabela 7 - Ca ac e ização da amília das c ianças/adolescen es – San a Ma ia da Fei a, 2015
Va iá el
Ca ego ia
F equência n (%)
n o al
Tipo de ag egado amilia
T adicional
109 (74,7%)
146
Monopa en al
25 (17,1%)
Ex ensa
12 (8,2%)
Núme o de elemen os do
ag egado amilia
2 elemen os
11 (7,5%)
147
3 elemen os
44 (29,9%)
4 elemen os
74 (50,3%)
5 elemen os
15 (10,2%)
6 ou mais elemen os
3 (2,0%)
Cons i uição do ag egado
amilia
C ianças/Adolescen es + Adul os
126 (92,0%)
137
C ianças/Adolescen es + Idosos
4 (2,9%)
C ianças/Adolescen es + Adul os + Idosos
7 (5,1%)
3.4 Qualidade alimen a dos pais ou cuidado es
Na abela 8 é possí el analisa os esul ados ela i os às 14 ques ões adap adas do
ques ioná io PREDIMED. Numa amos a de 153 pais ou cuidado es (pa a odas ques ões), oi
Ca ego ias de IMC
F equência
o al n(%)
F equência
apa igas
n(%)
F equência
apazes
n(%)
Baixo peso
5 (3,3%)
2 (2,8%)
3 (3,7%)
No mal
83 (54,2%)
38 (53,5%)
45 (54,9%)
Excesso de peso
39 (25,5%)
23 (32,4%)
16 (19,5%)
Obesidade
26 (17,0%)
8 (11,3%)
18 (22,0%)
Figu a 4 - Classi icação do IMC das c ianças/
adolescen es, segundo c i é ios da OMS – San a Ma ia
da Fei a 2015
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inqui idos ambém conco dam o almen e em como são capazes de aze g a inados. A a i mação
que ap esen ou um g au de conco dância médio mais ele ado (5,73) oi “eu sou capaz de aze
sopa” com 85,0% da amos a a seleciona a opção 6 (conco do o almen e). A maio pa e dos
pais ou cuidado es ambém se sen em o almen e capazes de aze um molho ou um bolo,
ha endo 59,5% e 70,6% dos inqui idos ( espe i amen e) a conco da o almen e com essas
a i mações (g au de conco dância 6). No que diz espei o à capacidade de aze pão as espos as
já são mais dis ibuídas, e a espe i a a i mação ap esen a o g au de conco dância médio mais
baixo (3,35) uma ez que, pelo con á io, a espos a mais equen e (32,0%) ecai sob e a opção 1
(Disco do o almen e). Pa a cada indi íduo oi calculada a média do g au de conco dância em
elação às 7 a i mações, que co esponde às suas capacidades culiná ias. Es a a iá el
ap esen ou uma média de 4,95 e um des io pad ão de 1,00.
3.6 P epa ação das e eições pa a as c ianças/adolescen es
Em elação à p epa ação das e eições pa a as c ianças/adolescen es po pa e dos pais ou
cuidado es, e i ica-se que a maio ia (95,4%) em esponsabilidade pela p epa ação de “ odas ou
quase odas as e eições da c iança”, sendo o Jan a a e eição mais equen emen e p epa ada
(91,2%), seguindo-se o Pequeno-Almoço (85,7%), as Re eições In e médias (48,3%) e po im o
Almoço, sendo a e eição p epa ada pelos pais ou cuidado es com meno equência (38,8%).
Apenas 7 pa icipan es e ela am não e a esponsabilidade pa a p epa a as e eições da
c iança que acompanhou à consul a po que há ou a pessoa que em essa esponsabilidade ou
po que não êm empo nem disponibilidade pa a essa p epa ação – e abela 12.
Pa a se possí el a alia o pad ão diá io de p epa ação das e eições pelos pais ou
cuidado es a aliou-se a combinação das e eições p epa adas po cada um dos pais ou
cuidado es e e i icou-se que a combinação “Pequeno-almoço (P) e Jan a (J)” é a mais equen e
(29%), seguindo-se o “Pequeno-almoço, Re eições in e médias (I) e Jan a ” (20%), a combinação
“Pequeno-almoço, Re eições in e médias, Almoço (A) e Jan a ” (19%) e “Pequeno-almoço,
Almoço e Jan a ” (11%) – e igu a 6. Es es esul ados ão ao encon o dos ap esen ados na
abela 18 uma ez que o Pequeno-almoço e Jan a são as e eições mais equen emen e
p epa adas pelos pais ou cuidado es. Pa a a aliação da equência de p epa ação das p incipais
e eições pelos pais ou cuidado es pa a as c ianças/adolescen es analisa am-se as di e en es
combinações, mas apenas o am conside adas as e eições p incipais: Pequeno-Almoço, Almoço
e Jan a – os esul ados são ap esen ados na abela 13. Ve i ica-se que a maio ia dos inqui idos
(56,8%) p epa a 2 e eições p incipais po dia às c ianças/adolescen es que acompanha am,

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30,1% é esponsá el pela p epa ação de 3 des as e eições e 13,0% p epa a apenas uma das
e eições p incipais (Pequeno-Almoço ou Almoço ou Jan a ).
Tabela 12 - P epa ação das e eições pa a as c ianças/adolescen es po pa e dos pais ou cuidado es – San a Ma ia da Fei a,
2015
Ques ão
Opções de Respos a
F equência n
(%)
n o al
É esponsá el pela p epa ação das
e eições da c iança que
acompanha?
Sim, de odas ou algumas e eições
146 (95,4%)
152
Não
7 (4,6%)
Po que:
Há ou a pessoa que em essa
esponsabilidade
5 (71,4%)
7
Não enho empo/disponibilidade
3 (42,9%)
Ou os mo i os
0
Quais as e eições que
p epa a/cozinha pa a a c iança que
acompanha?
(pode assinala mais do que uma
espos a)
Pequeno-almoço
126 (85,7%)
147
Re eições in e médias
71 (48,3%)
Almoço
57 (38,8%)
Jan a
134 (91,2%)
Legenda: P – Pequeno-almoço; I – Re eições
In e médias; A – Almoço; J – Jan a
Tabela 13 - F equência de p epa ação das p incipais e eições pelos pais ou cuidado es pa a as c ianças/adolescen es - San a
Ma ia da Fei a, 2015
Va iá el
Ca ego ias
F equência n
(%)
n o al
Re eições p incipais p epa adas
pelos pais ou cuidado es pa a as
c ianças/adolescen es
1 Re eição
19 (13,0%)
146
2 Re eições
83 (56,8%)
3 Re eições
44 (30,1%)
Figu a 6 - Combinação das e eições que os
pais/cuidado es p epa am pa a as c ianças/
adolescen es – San a Ma ia da Fei a, 2015
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3.7 In luência de di e en es a iá eis no IMC das
c ianças/adolescen es
Pa a a alia o e ei o de algumas a iá eis no isco de desen ol imen o de excesso de peso
e obesidade, o am excluídos da análise os pais ou cuidado es que e e i am não e qualque
esponsabilidade na p epa ação das e eições pa a as c ianças/adolescen es. Des a o ma a
amos a analisada oi de 146 indi íduos com in luência di e a na p epa ação das e eições.
Na abela 14 e i ica-se que a elação en e as a iá eis “IMC dos pais ou cuidado es” e
“Pe cen il de IMC das c ianças/adolescen es” oi sa is a ó ia (0,25 – 0,5050) mas es a is icamen e
signi ica i a, ap esen ando um coe icien e de co elação igual a 0,28. Exis e uma endência pa a
que os pais ou cuidado es com um IMC ele ado, sejam esponsá eis po c ianças ou
adolescen es cujo IMC ambém é mais ele ado. O mesmo se e i icou en e as a iá eis
“Pon uação o al do ques ioná io PREDIMED” e “Ap idões culiná ias – escala de Ha mann e
colabo ado es”, que ap esen a am um coe icien e de co elação aco (<0,2550) mas
es a is icamen e signi ica i o exis indo, po isso, uma ligei a endência pa a que uma melho
adesão ao pad ão medi e ânico es eja elacionada com melho es ap idões culiná ias.
Tabela 14 – Associação (co elação de Spea man (p)) en e as p incipais a iá eis em es udo
Va iá el
Ap idões culiná ias – escala de
Ha mann e colabo ado es
IMC
(pais ou cuidado es)
Pe cen il IMC
(c ianças/adolescen es)
Pon uação o al do
ques ioná io PREDIMED
0,17*
- 0,04
0,05
Ap idões culiná ias –
escala de Ha mann e
colabo ado es
1
0,07
0,02
IMC
(pais ou cuidado es)
1
0,28*
* Valo de p o a<0,05
Ve i icou-se ambém que o e ei o independen e das a iá eis “IMC dos pais ou cuidado es”
e “Sexo dos pais ou cuidado es” oi es a is icamen e signi ica i o pa a o isco de desen ol imen o
de excesso de peso e obesidade – e abela 15. Rela i amen e ao IMC dos pais ou cuidado es
e o çam-se as e idências ap esen adas na abela 14, uma ez que as c ianças/adolescen es com
pais ou cuidado es com um IMC ele ado êm 1,12 ezes maio isco de desen ol imen o de
excesso de peso ou obesidade. No que diz espei o ao sexo dos pais ou cuidado es, exis em
e idências es a ís icas de que as c ianças/adolescen es com pais ou cuidado es do sexo
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masculino êm 5,85 ezes maio isco de desen ol e excesso de peso ou obesidade
ela i amen e aos pais ou cuidado es do sexo eminino.
Reco endo a um modelo ajus ado a odas as a iá eis em análise, e i ica-se que a elação
das a iá eis analisadas an e io men e com o isco de desen ol imen o de excesso de peso e
obesidade das c ianças/adolescen es, se man ém es a is icamen e signi ica i a. O po encial de
isco man e e-se inal e ado no caso do “IMC dos pais ou cuidado es”, mas aumen ou pa a 19,71
no que conce ne à a iá el “Sexo dos pais ou cuidado es”. Nes e modelo ajus ado a a iá el
“F equência de p epa ação das p incipais e eições” pelos pais ou cuidado es ambém se o nou
es a is icamen e signi ica i a. Assim sendo, e i icou-se que as c ianças/adolescen es de pais ou
cuidado es que p epa am apenas 2 e eições p incipais dia iamen e êm um maio isco de
desen ol imen o de obesidade ela i amen e a pais ou cuidado es que p epa am as ês
p incipais e eições diá ias. O modelo u ilizado ap esen ou um R2 de Nagelke ke igual a 0,31, o
que signi ica que 31% dos esul ados ob idos ela i amen e ao isco de desen ol imen o de
excesso de peso e obesidade das c ianças/adolescen es são iden i icados pelo modelo.
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Tabela 15 - Ca ac e ização do isco de desen ol imen o de excesso de peso e obesidade nas c ianças/adolescen es – San a
Ma ia da Fei a, 2015
Va iá el
Exp(B) b u o
(IC a 95%)
Exp(B) ajus ado pa a odas as
a iá eis (IC a 95%)
Pon uação o al do ques ioná io
PREDIMED
1,05 (0,84 – 1,30)
1,40 (0,99 – 1,97)
Ap idões culiná ias – escala de
Ha mann e colabo ado es
0,95 (0,67 – 1,36)
0,85 (0,50 – 1,46)
IMC
(pais ou cuidado es)
1,12 (1,03 – 1,22)*
1,12 (1,01 – 1,25)*
Idade
(pais ou cuidado es)
0,97 (0,92 – 1,02)
0,94 (0,87 – 1,01)
Sexo
(pais ou cuidado es)
Feminino (Re .)
Masculino
5,85 (1,57 – 21,74)*
19,71 (2,96 – 131,44)*
Rendimen o amilia líquido mensal
In e io a 500€ (Re .)
En e 501 e 1000€
0,90 (0,35 – 2,33)
0,97 (0,24 – 3,95)
En e 1001 e 1500€
0,78 (0,27 – 2,26)
0,84 (0,16 – 4,33)
Supe io a 1500€
1,49 (0,45 – 4,96)
1,38 (0,21 – 8,98)
Tipo de ag egado amilia
T adicional (Re .)
Monopa en al
1,03 (0,41 – 2,57)
1,17 (0,30 – 4,60)
Ex enso
2,35 (0,65 – 8,52)
3,41 (0,61 – 19,1)
Si uação p o issional
Sem emp ego (Re .)
Emp egado
0,90 (0,44 – 1,84)
0,49 (0,14 – 1,63)
F equência de p epa ação das
p incipais e eições (P, A, J)
3 Re eições (Re .)
2 Re eições
0,50 (0,16 – 1,55)
0,14 (0,02 – 0,88)*
1 Re eição
0,54 (0,26 – 1,15)
0,42 (0,16 – 1,10)
* Valo de p o a <0,05
Legenda: Exp(B) – Exponencial do coe icien e be a; IC – in e alo de con iança; Re . – ca ego ia de e e ência; P – Pequeno-
almoço; I – Re eições In e médias; A – Almoço; J – Jan a
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Capí ulo 4: Discussão
Pa a uma análise co e a dos esul ados des a in es igação é necessá io e em con a
algumas limi ações. Uma delas oi a amos a eduzida e não ep esen a i a, uma ez que os
pa icipan es o am selecionados po con eniência e em meio hospi ala . Um ou o a o limi an e
oi o ac o de o ques ioná io se aplicado de o ma di e a pelos pa icipan es, o que le ou a
algumas si uações de incomp eensão, p eenchimen o incomple o e desis ência, no en an o, uma
ez que a ecolha de dados oi ealizada po uma pessoa apenas, es e mé odo pe mi iu a
pa icipação de um maio núme o de pais ou cuidado es de c ianças/adolescen es em
compa ação com a ecolha indi e a de dados. Pa a além disso, o ac o de se a alia a adesão ao
pad ão medi e ânico, as ap idões e p á icas culiná ias a a és do au o ela o e não a a és da
obse ação eal des es pa âme os, pode á ambém se uma on e de e o. Uma ez que o
ques ioná io a alia a a alimen ação dos pais (ou cuidado es) bem como a sua in luência na
alimen ação dos seus ilhos/das suas c ianças, e apesa de se e e ido que o ques ioná io e a
anónimo, con idencial e de pa icipação olun á ia, um dos p oblemas da sua aplicação pode á e
sido a espos a “socialmen e acei á el” que in luenciou os esul ados ob idos em á ias ques ões.
No que diz espei o ao ema da obesidade in an il, e i icou-se que a p e alência de excesso
de peso e obesidade na amos a de c ianças a aliada, se assemelha ao pano ama nacional4
exis indo 25,5% de c ianças/adolescen es com excesso de peso e 17,0% com obesidade. Uma
ez que, pa a a consul a de Pedia ia as c ianças/adolescen es e am ob iga o iamen e pesadas e
medidas, uma das limi ações oi que o cálculo do IMC se o nou mais p á ico como o ma de
a aliação do es ado nu icional das c ianças/adolescen es e ou as medidas de a aliação do
es ado nu icional o am impossí eis de u iliza . No en an o, pa a u u as in es igações se ia
in e essan e a alia ou os pa âme os an opomé icos de a aliação como o PC e RPCE, uma
ez que pode ão a alia de uma o ma mais co e a o isco de desen ol imen o de pa ologias
elacionadas com a obesidade7.
Já oi e e ido an e io men e que as mulhe es da amília, p incipalmen e as mães, são uma
das p incipais in luências na alimen ação dos ilhos25, e es es esul ados ambém ão ao encon o
dessa endência uma ez que 87,6% da amos a é do sexo eminino, sendo 81,7% Mães
esponsá eis pela p epa ação das e eições das c ianças/adolescen es. É necessá io e em
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con a que es e desequilíb io pode in luencia e en iesa os esul ados, nomeadamen e
ela i amen e às p á icas culiná ias e p epa ação das e eições.
A maio ia dos pais ou cuidado es a i ma am se esponsá eis pela p epa ação das e eições
das c ianças/adolescen es, sendo o Jan a a e eição mais equen emen e p epa ada. Es e
esul ado pode es a elacionado com o ac o de a ualmen e, de ido a um es ilo de ida mode no
ca ac e izado, po exemplo, pelas e eições ealizadas o a de casa ou ake away29,51, a al a de
empo pa a a p epa ação de e eições21,29, e pela p esença das mães no me cado de abalho28, o
Jan a se a p incipal e eição ealizada em amília no inal de um dia de abalho/escola em que
pode á ha e mais empo e disponibilidade pa a a sua p epa ação. É de ealça ambém que uma
ou a possí el on e de e o nes a in es igação pode á se o ac o de os pais ou cuidado es
conside a em que êm esponsabilidade na p epa ação das e eições das c ianças/adolescen es
mas na ealidade não se em os p incipais in luenciado es da sua alimen ação.
Nes a in es igação e i icou-se que apenas 14% da amos a ap esen ou uma boa adesão
ao pad ão medi e ânico, po an o é possí el a i ma que a maio ia dos pais ou cuidado es (86%)
ap esen ou um pad ão alimen a de baixa qualidade de ido à p esença de hábi os alimen a es
conside ados pouco saudá eis e que não coincidem com as ca ac e ís icas da alimen ação
medi e ânica. No en an o, pa a análise des es esul ados é necessá io e em con a que es e
ques ioná io oi adap ado, nomeadamen e nas ques ões 5, 6 e 7 e espe i as pon uações, e que
po isso pode á não espelha os esul ados que se iam ob idos a a és do ques ioná io o iginal.
A escala u ilizada pa a a alia as ap idões culiná ias dos pais ou cuidado es, é independen e
do con ex o cul u al em que a amos a es á inse ida de o ma a se uma e amen a adequada
pa a oda a população eu opeia. Assim sendo pode á não se a melho e amen a pa a uma
análise mais po meno izada da habilidade pa a a p epa ação di e en es alimen os, écnicas
culiná ias e p a os ípicos mais elacionados com a cul u a po uguesa e/ou medi e ânica. Apesa
des as limi ações, quando se a aliou a elação da pon uação o al ob ida no ques ioná io
PREDIMED com as ap idões culiná ias dos pais/cuidado es, e i icou-se uma ligei a endência
pa a que uma melho adesão ao pad ão medi e ânico es eja elacionada com melho es ap idões
culiná ias dos pais ou cuidado es, no en an o sem qualque elação signi ica i a com o pe cen il
de IMC das c ianças/adolescen es. Es a associação posi i a en e qualidade alimen a e ap idões
culiná ias ambém em indo a se iden i icada nou os es udos. Ha mann e colabo ado es
e i ica am que mulhe es com melho es ap idões culiná ias consomem mais ho ícolas do que
mulhe es com meno es ap idões culiná ias43. Numa ou a in es igação com jo ens adul os,
e i icou-se ambém que aqueles que es a am mais en ol idos na p epa ação das e eições
a ingiam mais equen emen e as ecomendações alimen a es (nomeadamen e pa a o consumo
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de u a, ege ais e cálcio)51. Es a elação pode á se explicada pelo ac o de, com melho es
ap idões culiná ias, se possí el a p epa ação de uma maio a iedade de p a os e alimen os
aumen ando assim as escolhas alimen a es e a a iedade alimen a . Da mesma o ma, se ia de
espe a que o consumo mais equen e de p odu os de con eniência e p é p epa ados no
p esen e es udo es i esse elacionado com meno es ap idões culiná ias po pa e dos pais ou
cuidado es, uma ez que exigem meno es o ço e p á ica culiná ia43, mas al elação não se
e i icou uma ez que a maio ia dos pais ou cuidado es a i mou cozinha com base em
ing edien es básicos.
O isco de desen ol imen o de excesso de peso e obesidade nas c ianças/adolescen es
es á posi i amen e elacionado com o IMC dos pais ou cuidado es. Es e esul ado es á em
con o midade com á ios es udos que indicam que a obesidade dos pais aumen a o isco de
desen ol imen o de obesidade na in ância20,52–54. O e ei o do sexo dos pais ou cuidado es
ambém pa ece in luencia o isco de desen ol imen o de excesso de peso e obesidade, uma ez
que os pais ou cuidado es do sexo masculino es ão associados a c ianças/adolescen es com um
IMC mais ele ado. A azão pa a es e ac o não é cla a, no en an o, pa ece e su gido alguma
e idência ecen e que indica que as c ianças cuja Mãe ap esen a um peso saudá el, êm um isco
subs ancialmen e mais ele ado de se o na em obesas caso o Pai enha excesso de peso ou
obesidade, quando o con á io já não se e i ica. Po an o, apesa da in es igação incidi com
maio equência sob e a in luência das Mães no es ilo de ida e alimen ação das suas c ianças,
os Pais ambém desempenham um papel impo an e no seu es ilo de ida55. Pa a além disso,
a ualmen e (po que as mulhe es abalham a empo in ei o como não acon ecia an igamen e, po
exemplo), os homens cada ez es ão mais en ol idos nas a e as domés icas elacionadas com a
p epa ação das e eições e po isso de em se conside ados quando se p e ende c ia planos de
in e enção nu icional56, como é o caso do comba e à obesidade in an il.
Quando se eco e ao modelo ajus ado, a equência de p epa ação das p incipais e eições
ambém pa ece in luencia o IMC das c ianças/adolescen es, uma ez que a p epa ação de 2
e eições p incipais es á associada a um maio isco de desen ol imen o de excesso de peso e
obesidade em compa ação com a p epa ação de 3 e eições p incipais dia iamen e. O empo que
os pais passam a abalha (especialmen e as mães), pode á se um a o que explique a
diminuição no núme o de e eições p epa adas em casa. Exis em es udos que demons am que
as mães emp egadas passam menos empo a cozinha , a pa ilha as e eições e a b inca com os
seus ilhos, e são mais p opensas a comp a as e eições já p epa adas. Es e ac o pode ambém
le a a que as c ianças/adolescen es açam mais e eições o a de casa57. Po sua ez es as
e eições são um a o de e minan e da inges ão alimen a e do isco de desen ol imen o de
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obesidade uma ez que es e pad ão alimen a es á associado a uma meno qualidade alimen a 58,
no en an o o consumo alimen a o a de casa não oi a aliado nes a in es igação. Es a elação
não oi es a is icamen e signi ica i a ela i amen e à p epa ação de apenas 1 e eição p incipal po
dia, al ez po que o núme o de indi íduos den o des a ca ego ia e a meno não sendo possí el
obse a al e ei o.
Apesa de odas as limi ações ap esen adas, penso que es a in es igação oi ino ado a
de ido ao ac o de não exis i em ou os es udos que p ocu a am elaciona o impac o das ap idões
culiná ias em con ex o amilia no isco de desen ol imen o de excesso de peso e obesidade na
in ância, nomeadamen e em Po ugal. É impo an e con inua a in es iga nes a á ea no sen ido
de p ocu a as melho es es a égias de p e enção da obesidade in an il e p omoção da saúde
a a és de um es ilo de ida e de hábi os alimen a es saudá eis.
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Anexo A: Ques ioná io

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