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O caos emocional do corpo: estudo das emoções primárias, alexitimia e dificuldades na regulação emocional nas perturbações do comportamento alimentar

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O caos emocional do corpo: estudo das emoções primárias, alexitimia e dificuldades na regulação emocional nas perturbações do comportamento alimentar

Author: Joana Sofia Pereira Ribeiro
Year: 2015
DOI: 10.34626/ha5v-w697
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/80548/2/30283.pdf
UNIVERSIDADE DO PORTO
FACULDADE DE PSICOLOGIA E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
O CAOS EMOCIONAL DO CORPO
Es udo das Emoções P imá ias, Alexi imia e Di iculdades na Regulação
Emocional nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
Disse ação de Tese de Mes ado In eg ado em Psicologia Clínica e da Saúde
ap esen ada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Uni e sidade do Po o, pela aluna Joana So ia Pe ei a Ribei o, sob o ien ação
da P o esso a Dou o a Sand a To es.
PORTO - 2009
Resumo
As pe u bações do compo amen o alimen a (PCA), nomeadamen e a ano exia
ne osa e a bulimia ne osa, êm adqui ido axas de p e alência cada ez mais ele adas,
nomeadamen e na população eminina e jo em adul a. Apesa de as mani es ações mais
isí eis des as pe u bações ab ange em a dimensão compo amen al, di e sos es udos êm-
lhes a ibuído di iculdades signi ica i as no uncionamen o a ec i o, nomeadamen e na
egulação dos a ec os.
Assim, o objec i o ge al des a in es igação oi o de ap o unda o es udo da á ea
emocional nas pe u bações do compo amen o alimen a . A um ní el especí ico, isou-se:
1) analisa a equência com que os indi íduos com pe u bações do compo amen o
alimen a sen em as emoções p imá ias no dia-a-dia; 2) compa a a alexi imia, as
di iculdades na egulação emocional e a dep essão en e indi íduos com PCA e indi íduos
do g upo de con ole; 3) analisa a elação en e a alexi imia, as di iculdades na egulação
emocional e a dep essão.
Nes e es udo pa icipa am dois g upos, com pa icipan es do géne o eminino, en e
os 14 e os 40 anos. O g upo clínico oi compos o po 38 indi íduos com ano exia ne osa e
bulimia ne osa, de aco do com os c i é ios do DSM-IV (g upo PCA) e ou o oi
cons i uído po 38 indi íduos saudá eis (g upo de con ole).
Ambos os g upos o am a aliados quan o à equência com que sen em as emoções
p imá ias, às di iculdades na egulação emocional, à alexi imia e à dep essão.
Os esul ados ob idos indicam que, na equência de emoções sen idas, no g upo
PCA exis e uma p edominância de emoções nega i as, ao con á io do g upo de con ole,
em que p edominam as emoções posi i as. En e os g upos exis em di e enças
es a is icamen e signi ica i as quan o à alexi imia, di iculdades na egulação emocional e
dep essão, endo o g upo PCA ap esen ado semp e alo es supe io es aos do g upo de
con ole. Em ambos os g upos e i icou-se a exis ência de uma elação signi ica i a en e a
alexi imia, as di iculdades na egulação emocional e a dep essão; odas as di iculdades na
egulação emocional se sob essaí am como sendo mais acen uadas nas PCA. Os esul ados
encon ados ão ao encon o da eo ia e is a e e o çam a necessidade de se o ien a a
in e enção psicológica pa a a á ea emocional.
II
Abs ac
The ea ing diso de s, speci ically ano exia ne osa and bulimia ne osa, ha e
gained p e alence a es e e highe , pa icula ly among women and young adul hood.
Al hough he mos isible mani es a ions o hese diso de s co e he beha io al
dimension, se e al s udies ha e assigned signi ican di icul ies in emo ional unc ioning,
including he egula ion o emo ion.
Thus, he o e all objec i e o his esea ch was o deepen he s udy o he emo ional
dis u bances in ea ing diso de s. A a speci ic le el, i was aimed o: 1) examine he
equency wi h which indi iduals wi h ea ing diso de s eel he p ima y emo ions in he
day- o-day, 2) compa ing alexi hymia, di icul ies in emo ional egula ion and dep ession
among indi iduals wi h ea ing diso de s and indi iduals in he con ol g oup, 3) examine
he ela ionship be ween alexi hymia, di icul ies in emo ional egula ion and dep ession.
In his s udy he e we e wo g oups p esen , wi h emale pa icipan s be ween 14
and 40 yea s. The clinical g oup comp ised 38 indi iduals wi h ano exia ne osa and
bulimia ne osa, acco ding o he DSM-IV diagnose c i e ions (ea ing diso de s g oup) and
ano he consis ed o 38 heal hy subjec s (con ol g oup).
Bo h g oups we e e alua ed o he equency wi h which hey eel p ima y
emo ions, di icul ies in emo ional egula ion, alexi hymia and dep ession.
The esul s indica e ha in he equency o emo ions expe ienced in he ea ing
diso de s g oup he e is a p edominance o nega i e emo ions, unlike he con ol g oup,
whe e he e a e p edominan ly posi i e emo ions. I was obse ed, among he g oups,
s a is ically signi ican di e ences as o alexi hymia, di icul ies in emo ional egula ion
and dep ession, and he ea ing diso de s g oup p esen ed always highe alues han he
con ol g oup. In bo h g oups i was ound ha he e was a signi ican ela ionship be ween
alexi hymia, di icul ies in emo ional egula ion and dep ession; all o he di icul ies in
emo ional egula ion s and ou as being mo e p onounced in he ea ing diso de s. The
esul s a e in line wi h he e ised heo y and ein o ce he need o di ec psychological
in e en ion o he emo ional a ea.
III
Résumé
Les oubles de l'alimen a ion, spéci iquemen l'ano exie ne euse e la boulimie,
on gagné les aux de p é alence oujou s plus éle ées, pa iculiè emen chez les emmes e
les jeunes adul es. Bien que les mani es a ions les plus isibles de ces oubles cou e es la
dimension compo emen ale, plusieu s é udes on a ec é d'impo an es di icul és dans le
onc ionnemen a ec i y la églemen a ion de l'émo ion.
Ainsi, l'objec i géné al de ce e eche che é ai d'app o ondi l'é ude des oubles
émo ionnels dans le compo emen alimen ai e. À un ni eau spéci ique, isan à: 1)
examine la équence a ec laquelle des indi idus qui sou e de oubles alimen ai es
essen les émo ions p imai es de la jou née à jou , 2) compa e l'alexi hymie, des
di icul és dans la égula ion émo ionnelle e la dép ession chez les pe sonnes p ésen an
oubles de l'alimen a ion e des indi idus dans le g oupe con ôle, 3) examine la ela ion
en e l'alexi hymie, les di icul és de la égula ion émo ionnelle e la dép ession.
Dans ce e é ude exis en deux g oupes, a ec les pa icipan s au éminin en e 14 e
40 ans. Le g oupe de oubles de l'alimen a ion on inclus 38 pe sonnes sou an d'ano exie
ne euse e de la boulimie, selon le DSM-IV c i è es de diagnos ique ( oubles de
l'alimen a ion g oupe) e une au e se composai de 38 suje s sains (g oupe émoin).
Les deux g oupes on é é é alués pou la équence a ec laquelle ils se sen en les
émo ions p imai es, les di icul és de la égula ion a ec i e, l’alexi hymie e la dép ession.
Les ésul a s indiquen que la équence des émo ions essen ies dans le g oupe de
oubles de l'alimen a ion, il y a une p édominance des émo ions néga i es, con ai emen
au g oupe émoin, où les émo ions é aien majo i ai emen posi i es. Pa mi les g oupes il y
a des di é ences s a is iquemen signi ica i es quan à l'alexi hymie, les di icul és dans la
égula ion émo ionnelle e la dép ession, e le g oupe de oubles de l'alimen a ion a
oujou s p ésen é des aleu s plus éle ées que le g oupe émoin. Dans les deux g oupes, on
a cons a é qu'il y a ai une ela ion signi ica i e en e l'alexi hymie, les di icul és de la
égula ion émo ionnelle e la dép ession; ou es les di icul és dans la égula ion des
émo ions esso en comme é an plus ma quée dans le g uope de oubles de l'alimen a ion.
Les ésul a s son en ligne a ec la héo ie é isée e en o cen la nécessi é d'o ien e
l'in e en ion psychologique pou le domaine a ec i .
IV
Ag adecimen os
Em p imei o luga dedico es a ese e udo o que semp e alcancei aos meus pais, pela
paciência, pela ajuda em “si uações de c ise”, pelas e isões o og á icas humo ís icas mas
sob e udo pelo apoio incondicional, pelo amo e po aze em de mim quem eu sou.
À minha o ien ado a de mes ado, D a. Sand a To es, pelas ho as de euniões, pela
disponibilidade cons an e, pelo apoio e pela boa-disposição, o nando a ealização des a
ese um objec i o cump ido.
A oda a minha amília e mad inha, pelo enco ajamen o em i mais além e pela
união que nos az a es abilidade emocional.
Aos meus amigos, psicólogos e não-psicólogos, po que são uma pa e essencial de
mim e com quem semp e posso con a , na aleg ia e na is eza, na saúde e na doença.
Po úl imo, e po que es es se ealçam mais, ao meu a ô, po que udo is o é pa a i,
es ejas onde es i e es, e a eco dação do eu so iso é uma lemb ança cons an e.
V

Ab e ia u as
AN Ano exia Ne osa
BN Bulimia Ne osa
DERS Escala de Di iculdades na Regulação Emocional
DSM-IV Diagnos ic and S a is ical Manual o Men al Diso de s, Fou h
Edi ion
PCA Pe u bações do Compo amen o Alimen a
QAE-AN Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a Ano exia Ne osa
SDS Escala de Au o-A aliação da Dep essão de Zung
TAS-20 Escala de Alexi imia de To on o de 20 I ens
VI
Índice Ge al
II Resumo
III Abs ac
IV Résumé
V Ag adecimen os
VI Índice de Ab e ia u as
1 Índice Ge al
3 Índice de Quad os
4 Enquad amen o Teó ico
4 1. Pe u bações do Compo amen o Alimen a
4 1.1. Ano exia Ne osa
6 1.2. Bulimia Ne osa
8 1.3. E iologia das Pe u bações do Compo amen o Alimen a
11 2. Emoções e Pe u bações do Compo amen o Alimen a
13 2.1. Regulação Emocional nas Pe u bações do Compo amen o
Alimen a
15 2.2. Alexi imia nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
19 3. Dep essão nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
22 Pe inência do Es udo e Objec i os
24 Mé odo
24 4. Pa icipan es
24 5. Ma e ial
25 5.1. Escala de Alexi imia de To on o de 20 i ens (TAS-20)
26 5.2. Escala de Di iculdades na Regulação Emocional (DERS)
27 5.3. Escala de Au o-A aliação da Dep essão de Zung (SDS)
1
27 5.4. Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a Ano exia
Ne osa (QAE-AN)
28 6. P ocedimen o
30 Resul ados
30 7. Resul ados dos ins umen os nas amos as
30 7.1. Compa ação en e g upos ela i amen e às emoções p imá ias,
alexi imia, di iculdades na egulação emocional e dep essão
30 7.1.1. Emoções P imá ias
31 7.1.2. Alexi imia
32 7.1.3. Di iculdades na Regulação Emocional
33 7.1.4. Dep essão
33 7.2. Relação en e alexi imia, di iculdades na egulação emocional e
dep essão
38 Discussão
43 Conclusão Ge al
45 Re e ências Bibliog á icas
51 Anexos
Anexo A – Pa ece de ap o ação da Comissão de É ica do Hospi al de São
João
Anexo B – Consen imen o In o mado
Anexo C – Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a Ano exia
Ne osa (QAE-AN)
Anexo D - Escala de Alexi imia de To on o de 20 i ens (TAS-20)
Anexo E – Escala de Di iculdades na Regulação Emocional (DERS)
Anexo F – Escala de Au o-A aliação de Dep essão de Zung (SDS)
2
Índice de Quad os
Resul ados
Tabela 1.1: Compa ação das emoções p imá ias do QAE-AN en e o g upo PCA e
o g upo de con ole.
Tabela 1.2: Compa ação da TAS-20 e seus ac o es en e o g upo PCA e o g upo de
con ole.
Tabela 1.3: Compa ação da DERS e seus ac o es en e o g upo PCA e o g upo de
con ole.
Tabela 1.4: Co elação en e a TAS-20, DERS e ZUNG no g upo PCA.
Tabela 1.5: Co elação en e a TAS-20, DERS e ZUNG no g upo de con ole.
3
ecu so à inges ão compulsi a e aos compo amen os compensa ó ios unciona ia como
uma es a égia de coping pa a lida com a si uação (Wonde lich e al., 1996). Ou as
si uações como mudanças na amília e na escola, di iculdades ma cadas de in eg ação no
g upo de pa es, up u as a ec i as, doenças ísicas do p óp io ou de amilia es, de e minam
um pe cu so indi idual po ezes ma cado po di iculdades elacionais, que podem
con ibui pa a a ulne abilidade já e e ida. A adolescência o nece, na maio ia dos casos,
o con ex o psicossocial onde ai eme gi a AN (Sampaio e al., 1999).
Os ac o es amilia es o am apon ados como impo an es pa a a génese e/ou
manu enção dos quad os de PCA. Minuchin oi o p imei o a de ende a exis ência de
al e ações da dinâmica das amílias que se iam especí icas das doenças psicossomá icas,
pa icula men e das PCA (ib id). Es as amílias são ca ac e izadas pela con usão elacional
en e os memb os da amília, en e indi íduos e en e ge ações; pela p oximidade excessi a
ou pela in ensidade desp opo cionada das in e acções; pela supe p o ecção; pela igidez ou
pela al a de adap abilidade, an o no in e io do uni e so amilia como no mundo ex e no;
pela incapacidade de aze ace às c ises e pela in ole ância aos con li os, op ando pelo
des io e a sua não esolução (Ap eldo e , 1997).
As mães de c ianças com PCA endem a se mulhe es ágeis, ansiosas, insa is ei as,
des alo izadas e endencialmen e dep essi as (es udos indicam que 75% das mães de
ano éxicas i e am uma dep essão) (ib id). A es e ní el S eige e al. (1996 ci in Bacha e
al., 2008) encon ou co espondências en e os aços psicopa ológicos de jo ens com PCA
e os seus pais. Es as mães são mais alexi ímicas do que as mães de pessoas não-doen es, ou
seja, são menos capazes de di e encia as emoções e a alexi imia se ia não só um p oblema
indi idual, mas o sin oma de uma amília que em di iculdade em e baliza expe iências
emocionais; es e bloqueamen o de emoções isa a e i a os con li os e man e o mi o da
ha monia amilia .
Segundo Poli y e He man (2002), os p oblemas de iden idade e con ole pessoal são
ambém cen ais nas pe u bações do compo amen o alimen a po ém, pa a a eme gência
da pe u bação, são necessá ios ou os ac o es de isco indi iduais como dé ice de au o-
es ima, ca ac e ís icas especí icas da pe sonalidade, expe iências in e pessoais, ac o es de
s ess da his ó ia de ida, aspec os cogni i os, in luências biológicas, humo dep essi o e
i i abilidade, en e ou os. A ní el da pe sonalidade, aços como obsessi idade,
10

pe eccionismo, passi idade e in o e são são comuns em pacien es com AN, enquan o que
a BN ap esen a ca ac e ís icas como sociabilidade, compo amen o g egá io,
compo amen os de isco e impulsi idade (Mo gan e al., 2002).
Su ge, ambém, uma in luência de ca iz sócio-cul u al, nomeadamen e a ní el da
p essão social pa a a mag eza e da idealização de o mas co po ais. O sujei o in e naliza
es e ideal le ando à insa is ação co po al, ao compo amen o o ien ado pa a a pe da de peso
e à e en ual oco ência de sin oma ologia e e en e a uma PCA (Poli y & He man, 2002),
desen ol endo-se assim uma disciplina co po al au o-des u i a (Chan & Ma, 2002).
Quando con on ados com as causas da AN, a pe spec i a dos indi íduos a ia de
aco do com a ase da doença em que se encon am, sendo que, numa ase inicial, endem a
au o- esponsabiliza em-se pela doença, associando-a a ele ados ní eis de pe eccionismo e
de exigência pessoal. Numa ase inal, exis e uma maio endência em a ibui a doença a
ac o es amilia es como a di iculdade em exp essa emoções na amília, a p essão sen ida
pa a a ob enção de esul ados escola es ele ados e a a ibuição de uma esponsabilidade
excessi a (Nilsson e al., 2007).
Os múl iplos ac o es indicados são impo an es mas p o a elmen e não su icien es
pa a a génese das PCA, sendo que cada um deles, isoladamen e, pode não cons i ui isco
eal. À medida que o desen ol imen o indi idual se p ocessa, con udo, a ulne abilidade
pode ixa -se, a é que um ou á ios ac o es p ecipi an es ca alize a ans o mação do isco
em pe u bação (Sampaio e al., 1999).
2. Emoções e Pe u bações do Compo amen o Alimen a
A emoção, concebida como uma mo i ação pa a a cognição e pa a o
compo amen o, é conside ada um enómeno psico- isiológico que o ganiza o
compo amen o em manei as e icien es de adap ação às exigências dinâmicas do ambien e
(P imi, 2003). A de inição de emoção az e e ência a uma componen e exp essi a/mo o a
mas ambém inclui a componen e expe iencial, uma ez que as al e ações no sis ema
ne oso que conduzem à i ência das emoções são desencadeadas po acon ecimen os
ex e nos ou in e nos (Iza d, 1991 ci in To es & Gue a, 2003).
11
Um p imei o aspec o impo an e é o ca ác e uncional e adap a i o das emoções.
As emoções são um conjun o o ganizado de eacções p og amadas no cé eb o pa a
en en a si uações-p oblema que ameaçam a sob e i ência do o ganismo. Um segundo
aspec o é que os di e en es ipos de emoções es ão associados a di e en es pad ões ligados à
sob e i ência, sendo que as eacções c iadas po es as es ão elacionadas com as si uações
especí icas que oco em. Um e cei o aspec o é que uma pa e do p ocessamen o da
emoção, basicamen e o p ocessamen o inicial, oco e em es u u as mais p imi i as do
cé eb o e de manei a au omá ica e inconscien e. Nes e sis ema há uma unidade de a aliação
que é sensí el às mudanças ambien ais ligadas aos aspec os undamen ais da sob e i ência.
Se algo o pe cepcionado, es a unidade c ia um conjun o de eacções emocionais; a pa i
daí omamos consciência de que algo impo an e oco eu e a a és dos p ocessos cogni i os
supe io es p ocu amos en ende melho a si uação e molda a espos a (ib id).
Em sín ese, conside a-se que as emoções exe cem uma in luência ma can e na
i ência do se humano, in luenciando á ios aspec os do uncionamen o biológico,
psicológico e social.
Vá ios au o es suge em a de inição de emoções p imá ias e secundá ias. As
emoções p imá ias se iam uma espos a au oma izada do sis ema biológico, associadas à
ca ga gené ica do se em ques ão, ou seja não são adqui idas pelo indi íduo como esul ado
de in e acção com o ambien e. Es amos p og amados pa a eagi emocionalmen e de modo
p é-o ganizado quando ce o conjun o de es ímulos, do mundo ou do nosso co po, é
de ec ado em conjun o ou indi idualmen e (Tomaz & Giugliano, 1997; Pie ocola &
Pinhei o, 2000)
Exis em no en an o, ambém, emoções do ipo secundá io, que não se cons i uem
em eacções ina as, mas o iginadas de sen imen os an e io men e cons i uídos. Se iam
ap endidas e en ol e iam ca ego izações de ep esen ações de es ímulos, associadas a
espos as passadas (ib id).
12
2.1. Regulação Emocional nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
Thompson (1994 ci in Ma ins, 2007) conside a que a egulação emocional consis e
num conjun o de p ocessos in ínsecos e ex ínsecos esponsá eis pela moni o ização,
a aliação e modi icação da espos a emocional; é o p ocesso segundo o qual os sujei os
in luenciam a o ma de expe iencia e exp essa as suas emoções (G oss & Muñoz, 1995 ci
in Taylo , Bagby & Pa ke , 1997).
Embo a a dis inção en e emoção e egulação emocional não seja consensual,
Cicche i, Ganiban, e Ba ne (1991 ci in Ma ins, 2007), conside am que ambos são
p ocessos adap a i os, mas enquan o que a emoção em como unção o acesso aos es ados
in e nos (pelo p óp io e, de ido à sua unção exp essi a, pelos ou os), o da signi icado à
si uação e o mobiliza o indi íduo pa a a acção, a egulação emocional em como unção
eo ganiza o o ganismo no sen ido de al e a o seu es ado ac ual, de o ma que a ac i ação
emocional (emoção) seja canalizada e/ou con olada pe mi indo o uncionamen o do
indi íduo de o ma adap a i a.
De uma o ma global, di e en es au o es conco dam com a a i mação de que a
egulação emocional adap a i a não diz espei o à sup emacia das emoções posi i as e
sup essão das emoções nega i as, mas an es en ol e a capacidade de expe iencia emoções
genuínas, posi i as e nega i as, e u iliza mecanismos egula ó ios adequados, pe mi indo
assim, man e o seu compo amen o o ganizado na in e acção com o meio (S ou e, 1996,
Cicche i e al., 1991, B idges e al., 2004 ci in Ma ins, 2007).
Po oposição, a des egulação emocional co esponde a um conjun o de es a égias
que, u ilizadas de o ma con inuada e de o ma não lexí el, não a o ecem a adap ação do
indi íduo; é pad ão egula ó io que em um impac o nega i o nou os sis emas
compo amen ais impedindo, a a iados g aus, a manu enção dos objec i os pessoais, da
in e acção com o ambien e ou da sua in eg idade e bem-es a emocional (Dodge & Ga be ,
1991 ci in Ma ins, 2007).
Di e sos es udos êm apon ado como causa da PCA a p esença de pe u bações
emocionais, sendo suge ido que as PCA e as pe u bações do humo possuem ac o es
causais comuns (Doll e al., 2005). Como oi e e ido an e io em pon os an e io es, B uch
(1962) já conside a a que es es indi íduos ap esen am, a ní el emocional, uma de iciência
13
na iden i icação e desc ição de es ados e espos as a ec i as. Assim, as PCA pa ecem es a
elacionadas não só com o compo amen o alimen a e imagem co po al, mas ambém com
di iculdades signi ica i as no uncionamen o a ec i o (Gilboa-Schech man e . al, 2006).
Ac ualmen e es ima-se que os p oblemas compo amen ais dos indi íduos com AN e
BN em elação à comida sejam consequência da incapacidade de con ola emoções a a és
de p ocessos ísicos e ep esen am uma o ma de lida com a ec os nega i os, como
ansiedade e dep essão (Taylo , 1997; Van V eckem & Vande eycken, 1995 ci in
Bydlowski e al., 2005). A pe u bação aduz-se numa en a i a de alcança um equilíb io
emocional e numa compensação da baixa au o-es ima e dos sen imen os de in e io idade e
insegu ança (Ge lingho & Backmund, 1997).
Es as di iculdades na egulação emocional êm sido ambém associadas à BN, sendo
os ciclos de inges ão compulsi a e de compo amen os pu ga i os o mas de egulação do
humo nega i o, diminuindo a consciencialização de es ados cogni i os e psicológicos
dolo osos (Taylo , 1997; S ice e al., 1998, E e ill e al., 1995 ci in Gilboa-Schech man e .
al, 2006). Na AN o exe cício excessi o e a es ição alimen a endem a su gi igualmen e
como o mas de egula os es ados a ec i os dis ó icos (Taylo , 1997; Peñas-Lledó e al.,
2002 ci in Gilboa-Schech man e . al, 2006), nomeadamen e a egulação do sen imen o de
al a de con olo e de emoções nega i as adjun as (Rezek & Lea y, 1991 ci in Gilboa-
Schech man e . al, 2006).
Pa a B uch (1985 ci in Becke -S oll & Ge lingho , 2004) an o a AN como a BN
ap esen am a mesma es u u a de egulação emocional desadap ada, usando o come ou
não-come , pa a egula os seus sen imen os nega i os, deslocando o oco de a enção pa a o
peso co po al e nu ição.
Ine en e a es a des egulação emocional, equen emen e os pacien es desc e em
ex ema con usão sob e os seus es ados in e nos ou apa en am es a desp o idos de
pensamen os e sen imen os que e lic am as suas expe iências pessoais. Es e enómeno em
sido designado como alexi imia e a ia na sua se e idade, sendo uma pe u bação bas an e
comum na PCA (Ga inkel & Ga ne , 1982) e uncionando, ambém, como ac o de
ulne abilidade pa a a oco ência da mesma (T oop, Schmid & T easu e, 1995).
Alguns es udos de endem que a des egulação emocional e a alexi imia não são apenas
aços da pe sonalidade mas o esul ado da his ó ia indi idual do sujei o, da sua
14
ap endizagem em como lida com emoções, especialmen e os es ados emocionais
nega i os. Ou os au o es conside am que, segundo a eo ia da inculação, a egulação
emocional é ap endida no con ex o das in e acções com as igu as de inculação, que le a à
ap endizagem de di e sas o mas de egulação (Becke -S oll & Ge lingho , 2004).
2.2. Alexi imia nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
A alexi imia indica uma pe u bação especí ica no uncionamen o psíquico de um
indi íduo, mani es ando-se, p incipalmen e, no seu es ilo de pensamen o e de comunicação,
ca ac e izado po uma acen uada diminuição ou mesmo ausência de pensamen o simbólico.
A alexi imia consis e, p incipalmen e, na incapacidade em iden i ica e desc e e
sen imen os (em si e nos ou os), a incapacidade em di e encia sen imen os de sensações
co po ais ( Bydlowski e al., 2005; Wheele , G eine & Boul on, 2005) a di iculdade em
dis ingui en e di e en es géne os de a ec os, a escassez ou ausência de an asias, a
p eocupação com os acon ecimen os ex e nos, mais do que com as expe iências in e nas
(designado de “pensamen o o ien ado pa a o ex e io ”), a ap esen ação de modos ígidos e
o mais, na exp essão co po al, e a possibilidade da oco ência de b e es mas iolen as
explosões do compo amen o a ec i o (sem que o sujei o mos e conhece ou possa explica
o a ec o en ol ido) (Nemiah & Si neos, 1970 ci in T oop, Schmid & T easu e, 1995;
Bagby & Taylo , 1997).
Em indi íduos alexi ímicos es á p esen e uma incapacidade pa a associa as suas
p óp ias imagens, an asias e pensamen os com es ados emocionais especí icos. A al a de
capacidade pa a cap a e o na conscien e a expe iência emocional em si é acompanhada
de uma di iculdade na comp eensão dos es ados emocionais e desejos das ou as pessoas,
sendo a elação es abelecida com es es, p agmá ica e desp o ida de empa ia (Bydlowski e
al., 2005); as elações in e pessoais são, eg a ge al, pob es, com endência à dependência
ex ema ou ao isolamen o (Taylo , 1987 ci in Bagby & Taylo , 1997).
Di e sos es udos apon am ambém a incapacidade de an asia sendo que, segundo
Bagby e al. (1991 ci in Bagby & Taylo , 1997), quando as an asias oco em endem a
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ca ac e iza -se pela culpabilidade e pelas an asias dis ó icas, mais do que po an asias
cons u i as e ag adá eis; a is o ac esce a escassez e pob eza da ida oní ica.
Os indi íduos alexí imicos apa en am se em bem adap ados e mos am um al o g au
de con o midade social mas desde a in ância desen ol em uma adap ação mecânica às
exigências da ealidade ex e na e o seu uncionamen o emocional e ida psíquica in e io
dis uncionais são po ezes e idenciados pela igidez e iné cia da pos u a, pela al a de
mo imen os da exp essão acial e ges ual e pela al a de ca ác e emocional do discu so
(Nemiah e al., 1976; Si neos, 1988 ci in Fon e, 1993).
A alexi imia é conside ada ac ualmen e um ac o de isco pa a o desen ol imen o
de á ias pe u bações clínicas. No que conce ne às PCA, embo a não se possa a i ma que
a alexi imia es eja di ec amen e elacionada com o desejo de emag ece , exis e e idência
empí ica de que es e ipo de doen es ap esen a com equência um quad o alexi ímico
(Beales & Dol on, 2000, Laqua a & Clop on, 1994, Smi h e al., 1997, Taylo e al., 1996
ci in To es & Gue a, 2003; T oop, Schmid & T easu e, 1995).
Es udos de Nemiah e Si neos (1970 ci in Fon e, 1993; Bydlowski e al., 2005;
Wheele , G eine & Boul on, 2005) obse a am, em doen es psicossomá icos, uma ma cada
di iculdade em exp essa e balmen e ou em desc e e os seus sen imen os e uma ausência
ou diminuição de an asias; es es doen es u iliza am exp essões simples e não desc i i as
pa a ca ac e iza os seus es ados a ec i os (ex.: “ is e” ou “ eliz”) mas e am incapazes de
uma elabo ação mais de alhada, su gindo o e mo de alexi imia – “sem pala as pa a as
emoções”-, pa a designa es a de iciência das unções a ec i as e simbólicas.
Di e sos es udos êm discu ido a dimensão con ínua ou a iá el da alexi imia: se
es a é uma ca ac e ís ica es á el, um aço da pe sonalidade ou uma ca ac e ís ica
si uacional-dependen e, uma o ma de es ado da pessoa. Nemiah (ci . in Fon e, 1993) de ine
a alexi imia como uma ca ac e ís ica pe manen e do uncionamen o men al e dependen e de
al e ações es u u ais e uncionais ao ní el do cé eb o; Taylo e al. (1997) de endem que a
alexi imia é uma dimensão es á el da pe sonalidade, e e ida a um dé ice na capacidade de
di e enciação e ep esen ação das emoções. Di e en emen e, ou os es udos de endem a
alexi imia como um aço de pe sonalidade, após obse a em que sujei os com pe u bações
ansiosas ou dep essi as, após ecebe em a amen o psiquiá ico, demons a am eduções
16
signi ica i as na sin oma ologia ansiosa e/ou dep essi a, mas não oco ia uma mudança
signi ica i a no sco e de alexi imia (Salminen e al., 1994, Chiaie, 1994 ci in Pa ke &
Taylo , 1997).
Ac ualmen e conside a-se que a alexi imia pode se eac i a e secundá ia, oco endo
após de e minados aumas ou es ições ao desen ol imen o; didác ica e in e accional,
como uma o ma especí ica de comunicação, e ambém ina a e p imá ia, como um aço de
pe sonalidade, um ac o disposicional (Von Rad, 1977 ci in Fon e, 1993; F eybe ge ,
1977 ci in Bagby & Taylo , 1997).
A e iologia da alexi imia em sido conside ada a pa i de di e sos ac o es como
gené icos, neu o isiológicos, psicodinâmicos e sociocul u ais.
Den o da hipó ese gené ica su gem es udos dos aços alexi ímicos em gémeos
monozigó icos e dizigó icos, e elando os esul ados uma di e ença es a is icamen e
signi ica i a en e as pon uações médias dos dois g upos (Heibe g & Heibe g, 1978 ci in
Fe nandes & Tomé, 2001).
Na hipó ese neu o- isio-ana ómica, suge iu a possí el exis ência de uma lesão nas
ligações en e as á eas do cé eb o que egulam os impulsos e os a ec os (sis ema límbico) e
as á eas do neocó ex, subjacen es à ep esen ação conscien e dos sen imen os e an asias.
De ido a es a alha nas conexões adequadas, os sujei os podem agi de o ma semelhan e a
e lexos e apesa de se em capazes de pensa , não são capazes de e pensamen os
ap op iados às emoções que es ão a i encia (Nemiah (1975 ci in Fon e, 1993; Pa ke &
Taylo , 1997).
Na hipó ese psicodinâmica à medida que o indi íduo se desen ol e isicamen e, o
p ocesso de desen ol imen o emocional se ia in luenciado e limi ado po um auma de
in ância, oco ência de pe u bações p ecoces na elação mãe- ilho ou al a de
esponsi idade po pa e des a (Wheele , G eine & Boul on, 2005; Bagby & Taylo , 1997).
Es es pais di am quais os es ados emocionais pe mi idos e econhecidos e condenam, an o
os aspec os psicológicos como ísicos das eacções emocionais. Nes e con ex o, a
alexi imia se ia uma eg essão ou pa agem no desen ol imen o a ec i o e cogni i o
(Fe nandes & Tomé, 2001).
17
Na hipó ese cogni i o-compo amen al, em sujei os alexi ímicos, a di iculdade no
conhecimen o emocional le a à incapacidade de iden i ica si uações ou acon ecimen os
como s essan es; a di iculdade na exp essão emocional e o modo de acção p imá io e
gene alizado comp ome em o uso de p ocedimen os o ien ados pa a a modi icação da
si uação s essan e, oco endo es a égias ine icazes ou inadap adas (Bydlowski e al.,
2005). As di iculdades em si uações sociais se iam causadas po es u u as complexas
esponsá eis pelo p ocessamen o da expe iência social (Kessle e al., 2006).
Na hipó ese sócio-cul u al á ios es udos êm p ocu ado elaciona os aços
alexi ímicos com as ca ac e ís icas do meio social en ol en e. Lesse (1981, ci in Fon e,
1993) e i icou que as pessoas de países desen ol idos demons am uma maio
di e enciação de es ados emocionais do que as pessoas de países em desen ol imen o,
apon ando que algumas línguas impõem cons angimen os à exp essão da emoção.
Apesa das di e enças en e as di e sas hipó eses, odas elas enca am a pe u bação
nas á eas cogni i as e a ec i as da alexi imia como esul an e da in e enção de ac o es
como os mecanismos de ensi os, neu o isiológicos, psicológicos ou cul u ais, que
bloqueiam o acesso à consciência de espos as a ec i as (Fe nandes & Tomé, 2001).
No que diz espei o ao es udo des e dé ice a ec i o nas PCA, á ios êm sido os
es udos que e o çam a p esença de uma o e associação en e ambos. Especi icamen e, as
de iciências na consciência emocional p esen es na AN êm sido is as como uma
ca ac e ís ica undamen al des a pe u bação e o am encon adas di e enças signi ica i as
en e a AN e os g upos de con olo nos ac o es da Escala de Alexi imia de To on o (TAS-
20, a escala mais u ilizada pa a a alia as ca ac e ís icas alexi ímicas), apesa de não se
e i ica em di e enças no pensamen o ex e nalizado; os indi íduos com AN êm
ap esen ado maio di iculdade na iden i icação de emoções e na desc ição de sen imen os
(Taylo e al., 1996 ci in Gilboa-Schech man e al., 2006). A alexi imia ap esen a uma axa
de p e alência a é 77% em pacien es com AN (Bou ke e al., 1992 ci in Becke -S oll &
Ge lingho , 2004), con i mando a ideia de que es es sujei os ap esen am dé ices no
econhecimen o de es ímulos in e nos e es ados a ec i os (Becke -S oll & Ge lingho ,
2004). À BN êm sido associada, sob e udo, a di iculdade na egulação do humo nega i o
18
apesa de es a ambém ap esen a uma elação com a alexi imia (Gilboa-Schech man e al.,
2006).
Di e sos es udos êm suge ido que a alexi imia é uma ca ac e ís ica comum da
egulação emocional de ambas as PCA – AN e BN, após não e em encon ado di e enças
quan o aos esul ados ob idos po cada pa ologia na TAS-20 (Taylo e al., 1997; Becke -
S oll & Ge lingho , 2004; Bydlowski e al., 2005; Wheele , G eine & Boul on, 2005). No
en an o, es e ac o não é consensual.
A p esença de alexi imia nas PCA é discu ida po di e en es au o es e is a como
uma eacção ao mal-es a psicológico e ísico, que não diminui com a melho ia dos
sin omas, assim como é conside ada um ac o de ulne abilidade pa a a oco ência de PCA
(T oop, Schmid & T easu e, 1995), mas ambém um ac o que con ibui pa a a
manu enção da mesma.
Em di e sos es udos o am encon adas di e enças signi ica i as en e as PCA e o
g upo de con ole nos ac o es a ec i os da TAS-20, sendo que os indi íduos com PCA
ap esen a am alo es de alexi imia mais ele ados, em compa ação com o g upo de
con olo de sujei os saudá eis, e maio di iculdade na iden i icação de emoções e na
desc ição de sen imen os (Schmid , Jiwany, & T easu e, 1993, Taylo e al., 1996 ci . in
Gilboa-Schech man e . al, 2006; T oop, Schmid & T easu e, 1995; Kessle e al., 2006).
3. Dep essão nas Pe u bações do Compo amen o Alimen a
Como já e e imos nos pon os an e io es, á ios au o es conside am que os p oblemas
compo amen ais dos indi íduos com AN e BN em elação à comida são consequência da
incapacidade de con ola emoções a a és de p ocessos ísicos (Taylo , 1997) e
ep esen am uma manei a de desca ega a ec os nega i os, como ansiedade e dep essão
(Van V eckem & Vande eycken, 1995 ci in Bydlowski e al., 2005). Con udo, es a
des egulação emocional e a alexi imia êm apa ecido associadas a uma pe u bação
dep essi a, cujos sin omas es ão la gamen e p esen es nas PCA (Taylo , 1997; Buyukgoze-
Ka as, 2007; Wheele , G eine & Boul on, 2005). Di e sos es udos demons am a
co elação exis en e en e a dep essão e a alexi imia (Bydlowski, 2005). A alexi imia
19
5.2. Escala de Di iculdades na Regulação Emocional (DERS)
O objec i o p esen e na cons ução des e ins umen o oi desen ol e e alida uma
medida de a aliação de di iculdades clínicas ele an es na egulação emocional, baseada
numa concep ualização comp eensi a e in eg a i a da egulação de emoções. A Di icul ies
in Emo ion Regula ion Scale (DERS) oi cons uída po G a z e Roeme (2004) e a e são
po uguesa des e ins umen o encon a-se ac ualmen e em es udo po Fe nandes, Cou inho
e Fe ei inha, no Depa amen o de Psicologia da Uni e sidade do Minho.
Tendo em con a as di e en es concep ualizações do concei o de egulação emocional,
es e ins umen o con empla a egulação emocional como en ol endo: a) consciência e
comp eensão de emoções; b) acei ação de emoções; c) capacidade de con ola
compo amen os impulsi os e adop a compo amen os di eccionados pa a objec i os,
quando expe iencia emoções nega i as; d) capacidade de u iliza , de o ma ap op iada e
lexí el, es a égias de egulação emocional, endo em con a objec i o indi iduais e
exigências si uacionais (G a z & Roeme , 2004).
A escala é compos a po 36 i ens, aos quais o sujei o eponde, indicando com que
equência se aplicam a si (“quase nunca”; “algumas ezes”; “me ade das ezes”; “a
maio ia das ezes”; “quase semp e”). Os i ens ocam-se p ima iamen e na egulação de
es ados emocionais nega i os, is o que é p o á el que as di iculdades nes e domínio
enham maio ele ância clínica. Os mesmos o am escolhidos de o ma a e lec i em as
di iculdades nas di e en es dimensões da egulação emocional (ib id).
Fo am iden i icados 6 ac o es, a a és da análise ac o ial explo a ó ia, cada um
e lec indo uma dimensão da egulação emocional onde podem oco e di iculdades: ac o
1, “Não-acei ação de espos as emocionais”; ac o 2, “Di iculdades em adop a
compo amen os di eccionados pa a objec i os”; ac o 3, “Di iculdades no con olo de
impulsos”; ac o 4, “Fal a de consciência emocional”; ac o 5, “Acesso limi ado a
es a égias de egulação emocional”, e ac o 6, “Fal a de ce eza emocional”.
Es udos ealizados indicam que a DERS, assim como odas as suas sub escalas,
ap esen a uma ele ada consis ência in e na, boa p ecisão es e- e es e e alidade p edi i a
(a é que pon o a escala es á associada a esul ados compo amen ais clinicamen e
ele an es). Em elação à alidade de cons uc o, odas as co elações en e o esul ado
26

ge al da DERS e os cons uc os eo icamen e elacionados, ap esen a am-se como
es a is icamen e signi ica i as (G a z & Roeme , 2004).
5.3. Escala de Au o-A aliação da Dep essão de Zung (SDS)
Zung desen ol eu, em 1965, a “Sel -Ra ing Dep ession Scale”, endo como objec i o
a de inição ope acional quali a i a das pe u bações dep essi as e a cons ução de uma
escala de a aliação, que quan i icasse a sin oma ologia, mas ambém a sua alidação em
á ios con ex os clínicos e a a és de es udos anscul u ais (Diegas & Ca doso, 1986). O
p e endido e a desen ol e uma escala pa a a alia a dep essão, em pacien es cujo
diagnós ico p imá io osse uma pe u bação dep essi a, se cu a e simples, quan i a i a e
não quali a i a, de au o-adminis ação e a espos a do pacien e de e ia se aplicada à al u a
em que a escala se ia p eenchida (Zung, 1965).
A escala é cons i uída po 20 i ens, que de em se a aliados pelo sujei o em elação à
manei a como se aplicam a si p óp io na al u a do es e, u ilizando uma escala de espos a
ipo Like : “ a amen e”, “po ezes”, “mui as ezes” e “quase semp e”. A escala oi
delineada de o ma a que, dos 20 i ens u ilizados, 10 es i essem cono ados de o ma
sin omá ica posi i a e 10 de o ma sin omá ica nega i a (ib id).
A adap ação po uguesa oi ealizada em 1986, po Diegas e Ca doso que
encon a am uma co elação signi ica i a en e a escala de Zung e ou as semelhan es,
como po exemplo o In en á io da Dep essão de Beck. Vá ios es udos comp o am que a
Escala de Au o-a aliação da Dep essão de Zung pe mi e, a um ní el es a ís ico
signi ica i o, dis ingui pacien es com pe u bações dep essi as, de ou as ca ego ias de
diagnós ico (Diegas & Ca doso, 1986).
5.4. Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a Ano exia Ne osa (QAE-AN)
Es e ins umen o em como objec i os ge ais a a aliação mais ap o undada do
cons uc o de alexi imia, o mulado po Nemiah e Si neos, da dimensão do pensamen o
o ien ado pa a o ex e io e da á ea emocional de indi íduos com ano exia ne osa. Es e
27
ques ioná io pe mi e ambém especi ica que emoções são sen idas com maio e meno
equência e o ipo e in ensidade das emoções despole adas po di e en es
es ímulos/si uações, nomeadamen e si uações conside adas comuns no cu so da doença
(To es & Gue a, 2003).
O QAE-AN é compos o po duas pa es dis in as, con udo, pa a o p esen e es udo
apenas oi aplicada a pa e I.B. Es a p ocu a iden i ica a equência com que a pessoa
sen e, no seu dia-a-dia, as 10 emoções p imá ias de inidas po Iza d: 1) “In e esse”, 2)
“Aleg ia”, 3) “Su p esa”, 4) “Cóle a”, 5) “Nojo”, 6) “Desp ezo”, 7) “Medo”, 8)
“Ve gonha”, 9) “T is eza” e 10) “Culpa”. Conside am-se 5 pon os de espos a numa escala
ipo Like en e “Nunca” e “Quase semp e”, pe mi indo a alia se a p edominância é nas
emoções “posi i as” ou nas “nega i as”. Como emoções posi i as conside am-se a aleg ia,
a su p esa e o in e esse, e odas as es an es como emoções nega i as (ib id).
6. P ocedimen o
Es e es udo ob e e ap o ação pa a aplicação no Hospi al de São João, po pa e da
Comissão de É ica, do Di ec o do Se iço de Psiquia ia e do psiquia a esponsá el pelos
doen es pa icipan es, endo a ecolha de dados nes a ins i uição oco ido du an e o ano
lec i o de 2008/2009.
No g upo PCA cada pa icipan e assinou um consen imen o in o mado, p e iamen e
disponibilizado pela ins i uição, sendo que a cada sujei o o am explicados os objec i os da
in es igação, o p ocedimen o e o ca ác e olun á io e con idencial da sua pa icipação. No
anexo 3 encon a-se o modelo de consen imen o in o mado u ilizado nes e es udo, em
pa icipan es adul os e meno es de idade. A aplicação dos ins umen os deco eu, na sua
maio ia, du an e o empo de espe a dos sujei os an es das consul as ou após o é mino da
consul a e odas as aplicações o am ealizadas indi idualmen e, com acompanhamen o do
in es igado .
Ao g upo de con ole o am o necidas as mesmas in o mações desc i as
an e io men e pa a o g upo PCA, ela i amen e ao ca ác e da sua pa icipação e do es udo
em causa. Dada a ausência de o malidade e o ac o de a pa icipação se olun á ia e
28
con idencial, não oi eque ido o p eenchimen o do consen imen o in o mado apesa de
odo o seu con eúdo e sido abo dado e balmen e. Es e g upo cons i uiu-se como uma
amos a de con eniência, seleccionada segundo o mé odo de “bola de ne e”. A aplicação
dos ins umen os deco eu de o ma semelhan e ao PCA, indi idualmen e e em locais
a iados.
Tendo em con a as a iá eis em es udo, o am ealizadas análises a a és do es e
pa amé ico de S uden pa a amos as independen es com o objec i o de e ec ua a
compa ação das médias en e o g upo PCA e o g upo de con ole, ela i amen e à
equência das emoções p imá ias, à alexi imia, às di iculdades na egulação emocional e à
dep essão. Foi igualmen e e ec uada uma análise de co elação bi a iada a a és do
coe icien e de co elação de Pea son, de o ma a analisa a elação en e a alexi imia, as
di iculdades na egulação emocional e a dep essão.
29
Resul ados
7. Resul ados dos ins umen os nas amos as
7.1. Compa ação en e g upos ela i amen e às emoções p imá ias, à alexi imia, às
di iculdades na egulação emocional e à dep essão
Fo am ealizadas análises a a és do es e pa amé ico de S uden pa a amos as
independen es com o objec i o de e ec ua a compa ação das médias en e o g upo PCA e o
g upo de con ole, endo em con a as a iá eis em es udo.
7.1.1. Emoções P imá ias
Tendo em con a as 10 emoções p imá ias de inidas pelo QAE-AN e a equência
com que os pacien es as sen em, a abela 7.1 e ela que as di e enças en e as médias do
g upo PCA e do g upo de con ole são es a is icamen e signi ica i as pa a odas as
emoções.
Ve i ica-se que as emoções nega i as são mais equen es no g upo PCA, enquan o
que no g upo de con ole exis e uma p edominância das emoções posi i as, sendo es as as
sen idas mais equen emen e.
Tabela 7.1: Compa ação das emoções p imá ias do QAE-AN en e o g upo PCA e o g upo
de con ole.
Emoção PCA (N = 38)
M (DP)
Con ole (N = 38)
M (DP)
(d ) p *
In e esse 3.32 (0.93) 4.03 (0.97) -3.25 (74) .002
Aleg ia 2.74 (0.98) 4.16 (0.95) -6.44 (74) < .001
Su p esa 2.53 (0.89) 3.05 (0.73) -2.81 (74) .006
30
Cóle a 2.84 (1.24) 1.55 (0.76) 5.46 (61.33) < .001
Nojo 2.21 (1.07) 1.50 (0.56) 3.63 (55.73) .001
Desp ezo 2.71 1.33) 1.58 (0.68) 4.66 (55.16) < .001
Medo 3.53 (1.45) 2.63 (1.08) 3.06 (68.34) .003
Ve gonha 3.76 (1.17) 2.39 (1.03) 5.41 (74) < .001
T is eza 3.76 (1.20) 2.42 (0.98) 5.36 (74) < .001
Culpa 3.89 (1.27) 2.11 (0.92) 7.03 (74) < .001
No a. PCA - g upo de pa icipan es com ano exia ne osa e bulimia ne osa; Con ole –
g upo de con ole.
* Valo es signi ica i os de p encon am-se a bold.
7.1.2. Alexi imia
No que oca ao esul ado o al da TAS-20 e aos seus ac o es, a abela 7.2 indica que
as di e enças en e as médias do g upo PCA e do g upo de con ole são es a is icamen e
signi ica i as, ap esen ando o g upo PCA alo es supe io es de alexi imia.
Tabela 7.2: Compa ação da TAS-20 e seus ac o es en e o g upo PCA e o g upo de
con ole.
Medida PCA (N = 38)
M (DP)
Con ole (N = 38)
M (DP)
(d ) p *
TAS-20 63.97 (10.07) 47.26 (11.14) 6.86 (74) < .001
TAS-20 (F1) 25.37 (6.08) 15.39 (5.63) 7.42 (74) < .001
TAS-20 (F2) 17.26 (4.37) 12.92 (3.57) 4.74 (74) < .001
TAS-20 (F3) 21.34 (4.06) 18.95 (4.84) 2.34 (74) .022
31

No a. TAS-20- To al da Escala de Alexi imia de To on o (20 i ens); TAS-20 (F1)-
Di iculdade em iden i ica sen imen os e em dis ingui-los das sensações co po ais da
emoção; TAS-20 (F2)- Di iculdade em desc e e os sen imen os aos ou os; TAS-20 (F3)-
Es ilo de pensamen o o ien ado pa a o ex e io ; PCA- g upo de pa icipan es com ano exia
ne osa e bulimia ne osa; Con ole- g upo de con ole.
* Valo es signi ica i os de p encon am-se a bold.
7.1.3. Di iculdades na Regulação Emocional
No que oca à classi icação ob ida pelo g upo PCA e pelo g upo de con ole no
esul ado o al e nos seis ac o es da DERS, a abela 7.3 e ela que a di e ença de médias
en e os g upos, pa a o esul ado o al e pa a os ac o es, é es a is icamen e signi ica i a,
ap esen ando o g upo PCA alo es mais ele ados.
Tabela 7.3: Compa ação da DERS e seus ac o es en e o g upo PCA e o g upo de
con ole.
Medida PCA (N = 38)
M (DP)
Con ole (N = 38)
M (DP)
(d ) p *
DERS 111.21 (23.43) 71.74 (15.01) 8.74 (62.99) < .001
Não-acei ação 19.21 (6.37) 11.61 (4.45) 6.04 (66.14) < .001
Objec i os 17.87 (4.42) 12.32 (3.76) 5.90 (74) < .001
Con olo de
Impulsos 17.16 (5.75) 10.08 (3.24) 6.61 (58.34) < .001
Consciência
emocional 17.26 (5.23) 14.55 (3.92) 2.56 (68.64) .013
Es a égias de
Regulação 25.47 (7.67) 14.03 (4.57) 7.90 (60.31) < .001
Ce eza
Emocional 14.24 (4.01) 9.16 (2.65) 6.52 (64.09) < .001
No a. DERS- To al da Escala de Di iculdades na Regulação Emocional (36i ens); Não-
acei ação- Não-acei ação de espos as emocionais; Objec i os- Di iculdades em adop a
compo amen os di eccionados pa a objec i os; Con olo de Impulsos- Di iculdades no
32
con olo de impulsos; Consciência Emocional- Fal a de consciência emocional; Es a égias
de Regulação- Acesso limi ado a es a égias de egulação emocional; Ce eza Emocional-
Fal a de ce eza emocional; PCA- g upo de pa icipan es com ano exia ne osa e bulimia
ne osa; Con ole- g upo de con ole.
* Valo es signi ica i os de p encon am-se a bold.
7.1.4. Dep essão
Aplicou-se igualmen e o es e pa a amos as independen es pa a compa a os
alo es médios ob idos pelos dois g upos na SDS, nomeadamen e à classi icação o al
ob ida pelo g upo PCA e pelo g upo de con ole nes e ins umen o.
Pode-se conclui que a di e ença de médias en e o g upo PCA e o g upo de
con ole, é es a is icamen e signi ica i a [ (74)=7.94, p<.001]. Em média, o g upo PCA
ob e e uma pon uação o al mais ele ada (M= 53.21; DP= 10.99) do que o g upo de
con ole (M= 35.45; DP= 8.32).
7.2. Relação en e alexi imia, di iculdades na egulação emocional e dep essão
Conside ando o g upo PCA e o g upo de con ole, sepa adamen e, oi ealizada uma
análise de co elação bi a iada a a és do coe icien e de co elação de Pea son, de o ma
a analisa a elação en e a alexi imia, as di iculdades na egulação emocional e a
dep essão.
Na abela 7.4 es ão desc i os os alo es de co elação ob idos no g upo PCA e a
análise da mesma suge e-nos que os sco es o ais das escalas de alexi imia, di iculdades na
egulação emocional e dep essão se co elacionam posi i a e signi ica i amen e en e si.
Com base na classi icação p opos a po Cohen (1988 ci in Pallan , 2001), as
co elações ap esen adas en e es as a iá eis são ele adas.
33
Tabela 7.4: Co elação en e a TAS-20, DERS e ZUNG no g upo PCA.
TA
S-
20
TAS-
20
(F1)
TAS-
20
(F2)
TAS-
20
(F3)
DER
S Não-
acei a
ção
Objec
i os Con
olo
de
Impu
lsos
Cons
ciênc
ia
emo
cion
al
Es a
égias
de
Regul
ação
Ce e
za
Emoc
ional
TAS-20
(F1) .82
*
TAS-20
(F2) .75
* .47**
TAS-
20 (F3) .45
** .03 .08
DERS .58
* .73* .44** -.12
Não-
acei ação .27 .56* .12 -.30 .78*
Objec i
os .14 .23 .33** -
.37** .67* .38**
Con olo
de
Impulsos
.46
** .62* .21 -.03 .87* .70* .59*
Consciên
cia
emocion
al
.50
** .21 .33** .56* .13 -.28 -.13 -.03
Es a égi
as de
Regulaçã
o
.48
** .62* .43** -.21 .93* .78* .67* .77* -.07
Ce eza
Emocion
al
.61
* .76* .46** -.11 .67* .42** .24 .47** .24 .53**
ZUNG .54
* .70* .33** -.06 .65* .59* .31 .63* -.09 .62* .52**
34
No a. TAS-20- To al da Escala de Alexi imia de To on o (20 i ens); TAS-20 (F1)-
Di iculdade em iden i ica sen imen os e em dis ingui-los das sensações co po ais da
emoção; TAS-20 (F2)- Di iculdade em desc e e os sen imen os aos ou os; TAS-20 (F3)-
Es ilo de pensamen o o ien ado pa a o ex e io ; DERS- To al da Escala de Di iculdades na
Regulação Emocional (36i ens); Não-acei ação- Não-acei ação de espos as emocionais;
Objec i os- Di iculdades em adop a compo amen os di eccionados pa a objec i os;
Con olo de Impulsos- Di iculdades no con olo de impulsos; Consciência Emocional-
Fal a de consciência emocional; Es a égias de Regulação- Acesso limi ado a es a égias de
egulação emocional; Ce eza Emocional- Fal a de ce eza emocional; PCA- g upo de
pa icipan es com ano exia ne osa e bulimia ne osa; Con ole- g upo de con ole.
* p< .001; ** p < .05
Conside ando os ês ac o es da alexi imia, es es ap esen am di e en es pad ões de
co elação com as ou as a iá eis em es udo. O F1 e o F2 co elacionam-se com o sco e
o al da DERS e a dep essão, enquan o que o F3 não ap esen a uma elação com es as
a iá eis.
No g upo de con ole, a abela 1.5 e ela que os sco es o ais da alexi imia, das
di iculdades na egulação emocional e da dep essão se co elacionam posi i a e
signi ica i amen e en e si.
As co elações ap esen adas en e es as a iá eis são mode adas en e a alexi imia e
a dep essão e ele adas nas es an es.
35
No g upo de con ole e i ica-se que os sco es o ais da alexi imia, das di iculdades
na egulação emocional e da dep essão se co elacionam posi i a e signi ica i amen e en e
si, sendo a co elação mode ada en e a alexi imia e a dep essão e ele ada nas es an es.
Conside ando os ês ac o es da alexi imia, nem odos ap esen am co elações
signi ica i as; embo a odos se elacionem de o ma mode ada com as di iculdades na
egulação emocional, apenas o F1 se co elaciona com a dep essão. Con udo é de salien a
que, al como no g upo PCA, o ac o que mais se co elaciona com a dep essão e as
di e en es di iculdades da egulação emocional é o F1.
Es es esul ados pe mi em-nos conclui que, no g upo de con ole, as di iculdades
na egulação emocional que os sujei os ap esen am, es ão elacionadas com odos os ês
ac o es da alexi imia, inclusi amen e com o es ilo de pensamen o o ien ado pa a o
ex e io . Em sujei os saudá eis, pa ece que es e ac o da alexi imia não ende a adqui i um
ca ác e es á el e independen e. Cu iosamen e, F2 e F3 não ap esen am co elação com a
dep essão, suge indo-nos que es a, nos sujei os saudá eis, es á sob e udo associada à
di iculdade em iden i ica sen imen os.
É de salien a que os pa icipan es com PCA ap esen am di iculdades ac escidas em
odas as es a égias de egulação emocional analisadas, o que ealça a impo ância de se
in es i nes a á ea ao ní el do a amen o psico e apêu ico. A alexi imia, as di iculdades na
egulação emocional e a dep essão ap esen am ní eis ele ados no g upo PCA e elacionam-
se en e si po an o, a ní el da in e enção, melho ando uma des as a iá eis, pode -se-ão
melho a as ou as. De aco do com os esul ados, e ela-se impo an e in e i em F1 e F2
no a amen o das PCA, com esul ados mais imedia os. Con udo, a in e enção em F3
pode á e ela -se mais di ícil dada a hipó ese le an ada des a dimensão se encon a mais
es abilizada, c is alizada em doen es de maio g a idade. Nes es casos, é possí el que F3
cons i ua o indicado mais objec i o da alexi imia e, como al, seja um al o p imo dial de
in e enção psicológica.
42

Conclusão
O p esen e es udo pe mi iu ap o unda a á ea da egulação emocional em indi íduos
com PCA. Os esul ados le an a am in o mação sob e as di e en es di iculdades de
egulação emocional exis en es nas PCA, a associação des a dimensão da egulação e dos
seus ac o es com a dep essão e com a alexi imia, sendo que pode ão cla i ica o p ocesso
segundo o qual a PCA e a pe u bação na egulação das emoções in e agem. Ve i icou-se
que os esul ados e o ça am a pe spec i a de que exis e uma pe u bação ao ní el da
egulação dos a ec os nas PCA, nomeadamen e na capacidade de iden i icação e desc ição
de es ados emocionais e na capacidade de a enua e adap a emoções nega i as o es.
Ve i icou-se, igualmen e, a p esença de dep essão nas PCA, assim como a co elação en e
es a, a alexi imia e as di iculdades na egulação emocional. Nas PCA as di iculdades na
egulação emocional es ão associadas às di iculdades em iden i ica sen imen os e a
exp essá-los aos ou os e não à p esença de um es ilo de pensamen o o ien ado pa a o
ex e io . Em sujei os saudá eis, pa ece que es e ac o da alexi imia não ende a adqui i um
ca ác e es á el e independen e, sendo que as di iculdades na egulação emocional es ão
elacionadas com odos os ês ac o es da alexi imia, inclusi amen e com o es ilo de
pensamen o o ien ado pa a o ex e io . No en an o, a dep essão apa ece associada,
sob e udo, à di iculdade em iden i ica sen imen os.
O es udo le an a algumas ques ões que de em se idas em con a em es udos
u u os. Como p imei o pon o, o ac o de a DERS ainda não es a adap ada pa a a
população po uguesa. O eduzido amanho da amos a in iabilizou a ealização de análises
es a ís icas complemen a es que pe mi i iam explo a com maio ap o undamen o a elação
en e as a iá eis e a de inição do pode p edi i o das mesmas no diagnós ico de PCA.
Em es udos u u os se ia pe inen e a inclusão de pa icipan es com o diagnós ico
clínico de dep essão, pa a analisa se a elação en e a alexi imia e a dep essão é igual numa
amos a de PCA e numa amos a de dep essão. Dado que, segundo a eo ia, a egulação
emocional pode á e um papel não só nas PCA, mas ambém no desen ol imen o e
manu enção de ou a sin oma ologia psicopa ológica e/ou pe u bações clínicas, pode ão se
43
implemen ados mais es udos jun o de di e en es amos as, sob e udo clínicas, e com
mé odos al e na i os de alidação.
Di e sos au o es apon am, equen emen e, uma elação en e as PCA e as emoções,
em que es es indi íduos ap esen a iam uma pe u bação na i ência emocional, e an o as
di iculdades na egulação emocional, como a alexi imia, e iam um papel undamen al no
cu so de uma PCA e no seu a amen o. Os esul ados des e es udo, assim como de odos os
ou os que abo dem es a dimensão emocional, adqui em implicações pa a a p á ica, na
medida em que pode ão o ien a as abo dagens e apêu icas u u as nas PCA e ealça a
impo ância de uma in e enção a ní el dos sen imen os e das emoções, como a
consciencialização e a iden i icação de sen imen os e impulsos.
Como já oi e e ido an e io men e, a in e enção nes a á ea não se jus i ica apenas
pela p esença de di iculdades ac escidas em odas as es a égias de egulação emocional
analisadas, nos pa icipan es com PCA, mas ambém pelo ac o de es as se associa em à
alexi imia e à dep essão, podendo os e ei os bené icos de uma in e enção numa dimensão,
ala ga em-se às es an es dimensões. Na alexi imia se ia de ealça a in e enção no es ilo
de pensamen o o ien ado pa a o ex e io , dado que es e se mani es a como o ac o mais
es á el.
44
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50
Anexos
Anexo D
– Escala de Alexi imia de To on o de 20 i ens (TAS-20)

Anexo E
– Escala de Di iculdades na Regulação Emocional
(DERS)
Anexo F
– Escala de Au o-A aliação da Dep essão de Zung (SDS)