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Nu e Cru

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Nu e Cru

Author: Maria do Carmo de Sousa Pinto
Year: 2010
DOI: 10.34626/qdpd-ef23
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/67915/2/23851.pdf
Faculdade de Belas A es | Uni e sidade do Po o
Mes ado em Pin u a | Disse ação de T abalho de P ojec o
Nu e C u
Ma ia do Ca mo de Sousa Pin o
T abalho e ec uado sob o ien ação do P o esso Pin o F ancisco La anjo
Po o - 2009
1
2
RESUMO
A necessidade de desen ol e e ap o unda uma p eocupação a ís ica
conduziu odo es e abalho de p ojec o, pa a a con inuidade do ema que em
acompanhado o meu pensamen o na p á ica da pin u a.
P e ende-se esboça a cons ução de uma es é ica que eduz a imagem a uma
linguagem silenciosa e p ocu a nas pequenas pe cepções a coe ência
pic ó ica, que es u u a o isí el, pa a e o in isí el.
Pa a assegu a a conc e ização des as p eocupações, desen ol e-se uma
me odologia que o ien e o p ocesso c ia i o, no sen ido da sub acção dos
elemen os que compõem a pin u a.
O p ocesso é conduzido pa a a cons ução sis ema izada dos objec os,
omando a unidade pa a cons ui um odo.
Pa a isso eco e à in es igação que sus en a a cons ução de uma es é ica
não ep esen a i a do eal, que elege o quad o como objec o de pe cepção.
Apoia-se numa e lexão g adualmen e edi icada, à medida que os esul ados
plás icos su gem, na pe spec i a de c ia uma imagem p agmá ica, depu ada,
cons uída pela sua p óp ia sub acção. Es a p ocu a con e e uma espécie de
desapa ecimen o de in enções, ma cada pela insono ização isual.
3
A in es igação elaciona momen os his ó icos, e e ências e es emunhos de
a is as e desen ol e a e lexão ine en e às p eocupações plás icas, que
incidem sob e udo na p oblemá ica da supe ície pic ó ica, quando es a se
libe a da o ça da ep esen ação e se assume como pa e in eg an e do
objec o.
4
ABSTRACT
The basis o his wo k is he desi e o de elop and deepen a is ic in e es , wi h
a iew o u he ing he heme which has been cen al o my pain ing, bo h in
e ms o execu ion and philosophy.
My in en ion is o cons uc an aes he ic ha educes he image o a “silen
language”, and ha seeks, h ough he smalles o pe cep ions, a isual
consis ency ha s uc u es he isible in o de o see he in isible.
In o de o achie e hese objec i es, a me hodology is de eloped o manage he
c ea i e p ocess, owa ds he sub ac ion o all he elemen s cen al o pain ing.
The p ocess is ca ied ou by sys ema ically cons uc ing he objec s, aking he
a ious componen pa s in o de o build he inal objec .
Wi h his in mind, an in es iga ion is equi ed o suppo he cons uc ion o an
aes he ic which does no ep esen he eal, and which de ines he pain ing as
an objec o pe cep ion.
This wo k is based on a g adually buil e lec ion, as angible esul s eme ge,
wi h a iew o c ea ing a pu e, p agma ic image, buil ia i s own sub ac ion.
This ques goes beyond he simple ques ion o angible esul s, and is de ined
by i s isual ha mony.

5
The in es iga ion ela es his o ic momen s, e e ences and commen s by a is s
and p omo es a e lec ion inhe en in a is ic conce ns, which ocus essen ially
on he p oblem o he a is ic su ace, when i ees i sel om he need o “mean
some hing” and ins ead shows i sel as an in eg al pa o he objec i sel .
6
ÍNDICE
Pág
RESUMO / ABSTRACT............................................................
2/4
INTRODUÇÃO..........................................................................
7
1. DEPOIS DO REAL................................................................
9
1.1 A Essência da Pin u a....................................................
9
1.2 O Quad o como Objec o de Pe cepção.........................
11
1.3 Fo ma - E olução do Concei o.......................................
13
2. A REDUÇÃO DA IMAGEM NA PINTURA.............................
17
2.1 Tes emunhos de A is as...............................................
17
2.2 Agnes Ma in – Uma Re e ência....................................
24
3. O VISÍVEL PARA VER O INVISÍVEL....................................
28
3.1 Es azia pa a Libe a a Supe ície.................................
30
3.2 Silencia a Supe ície Pic ó ica......................................
32
3.3 Insono iza a Composição.............................................
33
4. CONCLUSÃO.......................................................................
38
5. BIBLIOGRAFIA.....................................................................
40
5.1 Web Bibliog a ia……………...........................................
43
6. DESENHOS……………………………………………………..
46
7. PINTURAS……………………………………………………….
61
7
INTRODUÇÃO
Nes e es udo p ocu a-se abo da a pin u a de uma o ma bem comp eendida,
sem cai na sua in ini a dimensão.
Expõem-se p eocupações a ís icas e desen ol em-se capacidades de
pesquisa e de e lexão, sob e um momen o especí ico da his ó ia da pin u a.
P e ende-se sensibiliza e desencadea pensamen os, a i udes e con icções.
A incidência des a disse ação no pe íodo designado po abs accionismo
undamen a-se, sob e udo, pelo ac o de se nes a ase que oco e uma das
maio es ans o mações do p ocesso c ia i o a ís ico.
Ao libe a -se da na u eza como imagem, a pin u a ob ém a necessá ia
abe u a pa a a mudança. Assim, p opõe no os desa ios, c ia no os concei os,
eicula no as a i udes e p ocessos de pensa e aze a e. Es imula e
es abelece no os p opósi os, de o ma a c ia uma iden idade p óp ia, que se
deseja incessan e no p ocesso c ia i o. Caminha no sen ido de con a ia o
con o mismo e a acei ação de no mas.
Na ida, como na a e, nada é pe ene. Cabe ao a is a e a capacidade de
sonha sem se deixa ado mece ou ex asia pelo ins i uído. Cabe-lhe ambém
o ien a o seu pode in e en i o no sen ido de pa icipa no p ocesso c ia i o,
sem glo i ica o a i ício, que o pode conduzi à alienação das suas con icções.
8
Conside a-se undamen al exp essa uma a i ude p óp ia e con ic a, que
ga an a a indi idualidade enquan o p ocesso de a i mação no mundo das a es,
man endo a capacidade de desen ol e p ocedimen os conscien es, que
e idenciem esul ados pic ó icos adequados a uma in enção.
Encon a-se na epíg a e, Nu e C u, a o ma que o meu p ojec o p ocu a; eduzi
a imagem isual a uma linguagem silenciosa. Pa i pa a a esolução des a
p opos a con ic a da con inuidade do meu p ojec o. P eocupa a-me sob e udo
a minha en ol ência com o supo e. Deixa a nu o p ocesso e eco e aos
ma e iais clássicos da pin u a.
Abo da os p ocessos adicionais da pin u a, não signi ica es a me gulhada no
passado e consequen emen e o a do con ibu o da e olução a ís ica. Pelo
con á io, oi undamen al não e eceio de usa esse ipo de e amen as, pois,
o que es e e semp e em causa não oi a pin u a pela pin u a, mas sim, o que a
pa i dela se pode aze , pa a se chega à imagem que se p ocu a.
P e endi, des e modo, não des i ua as minhas con icções. Pa a es e desa io
segui com a ce eza de da sen ido ao Nu e C u que idealizei. Uma pin u a
assumidamen e c omá ica mas con ida na o ma e nos elemen os isuais.
P ocu ei no azio, a ausência de uído; a p esença da imagem não é mais do
que a p ocu a da sua p óp ia ausência.
15
explo a a sua p óp ia linguagem, ex aindo o eal, enquan o linguagem pic u al
con encional.
Embo a o eal pe manecesse de algum modo na cons ução men al do a is a,
es e quis desliga -se da ep esen ação da ealidade e ans o ma as ideias
eais em concei os.
Es a no a linguagem eio al e a o concei o de gos o, que, pa a Kan “…é a
p esença da na u eza na a e que ga an e a legi imidade do desejo de aco do
en e os gos os, a uni e salidade plu al que ca ac e iza o im do mode nismo
es emunha o des anece da p esença da na u eza.”5
Ao con ibui pa a a al e ação do concei o de gos o, o a is a eno a
concepções no modo de ep esen a a o ma e a ma é ia, impõe eg as de
adequação, i aliza com os alo es es é icos ins i uídos, ab e-se à c ia i idade,
mas isola-se na comp eensão.
Apesa de as a es se e em abe o pa a as massas, a a e se á en endida
apenas po uma pa e es i a da sociedade.
Es e a as amen o e idencia-se pelo ac o do g ande público não comp eende
as o mas que as no as p opos as ap esen am, e elando assim, a di iculdade
na in e p e ação das mesmas.
No en an o, a pesquisa pa a a ingi a ino ação é cons an e, não há luga pa a a
epe ição. Cada es ilo ou mo imen o que apa ece ao longo da his ó ia
desen ol e p opos as que se di igem em odos os sen idos. Mas chega a ase
5 Gil, José, «SEM TÍTULO» Esc i os sob e a e e a is as, 2005, Relógio D’ Água, p. 75

16
em que a capacidade c ia i a en a numa espécie de “esgo amen o”. O a is a
ê-se en ão ob igado a segui nou as di ecções. In e essa-lhe sob e udo i
con a a ealidade. P opõe-se al e á-la, queb a o seu aspec o iden i ica i o
com o mundo eal. P opõe-se c ia uma no a es é ica.
O cidadão comum c ê que des ia o pensamen o da ealidade é uma pos u a
ácil, quando se a a da a i ude mais ambiciosa do mundo. É ácil dize ou
pin a uma coisa que ca eça po comple o de sen ido, que seja inin eligí el ou
nula. Bas a á lança manchas de co sem nexo ou aça iscos ao acaso. Mas
consegui cons ui algo que não ad enha do eal e que, con udo, possua
alguma subs ancialidade, implica algo de sublime.
O apa ecimen o das no as ecnologias, especialmen e a o og a ia, o iginou
ques ões ao ní el da ep esen ação, que inha a e com a in e p e ação da
na u eza. O exe cício que se impunha eio a mani es a -se em á ias co en es
a ís icas da época. O exp essionismo e o cubismo o am en a i as pa a al e a
o p ocesso de pin a , ocando especialmen e a sua a enção na pe cepção da
imagem. Deixou-se de pin a a ealidade pa a pin a as ideias. O a is a igno ou
o mundo ex e io e i ou o olha pa a as paisagens in e io es e subjec i as. Ao
mesmo empo, o nou-se ambém e iden e a di iculdade que o g ande público
em de ajus a a isão a es a pe spec i a.
17
2. A REDUÇÃO DA IMAGEM NA PINTURA
2.1 Tes emunhos de A is as
Em oposição à necessidade da ep esen ação de imagens, su ge a nudez
plás ica, sem alusão ao igu a i o, sem ilus a ideias ou pin a uma alego ia. A
pin u a p ocu a se um p incípio à e lexão.
Es a mudança de a i ude p oduziu um choque ou eacção en e sensibilidade e
ealidade, en e objec o de pe cepção e objec o enquan o concei o. Ao
es azia -se do supé luo, a pin u a passa a exis i sem anscendência, é
apenas a e.
Pa a es a no a abo dagem analí ica, um quad o é um objec o ma e ial que
p oduz e ei os su p eenden es e di íceis de en ende . A análise des e
enómeno o na-se mo i o cen al e ob iga a pin u a a o na -se au o- e lexi a,
i ada pa a o seu in e io .
A pin u a já não em como objec i o p incipal algo pa a se lido, mas sim pa a
se is o, já não é a imagem que em de se in e p e ada, mas sim um objec o
de a e, que em de se pe cepcionado.
18
A up u a oco e de ini i amen e com as ob as e documen os esc i os de Vasili
Kandinsky6, Kazimi Male i ch7 e Pie Mond ian8, os p incipais p ecu so es do
mo imen o abs ac o. Es e não su giu de uma ansição g adual, pelo con á io
esul ou de uma mudança b usca de a i ude que p essupôs a up u a da
comp eensão da pin u a.
Ago a, o espaço isual é mais abs ac o, mais concep ualis a. A o ma e i ada
do objec o passa a ocupa o luga das o mas e oca i as da na u eza, a inge a
objec ualidade plena.
Pa a Pie Mond ian, a pin u a, e a um modelo eó ico que o necia concei os e
in en a a p ocedimen os pa a lida com a ealidade. Não e a apenas uma
in e p e ação do mundo, mas a mani es ação a ís ica de uma unção das a es
plás icas que não é desc i i a.
6 Wassily Kandinsky (1866 - 1944) Nasceu na Rússia. Pin o e eó ico. P o esso na Bauhause de 1922 a 1937. Em
1913 ela a as suas memó ias em (Ruckblicken). Au o de ob as como: “Pon o – Linha - Plano”, publicado em 1926,
pela edi o a Albe Langen, Munique. “Do Espi i ual na A e” ob a esc i a em 1910 e edi ada em Janei o de 1912.
“Cu so da Bauhaus“ cons i uída pelos ex os do cu so.
7 Kazimi Male ich (1879 -1935) Nasceu na Rússia - Pin o e eó ico de a e, p ecu so da a e abs ac a geomé ica,
au o da A an -ga de. mo imen o sup ema is a . Em 1927, expôs as suas ob as pela p imei a ez em Be lim. Na
Alemanha deixou 70 quad os e um manusc i o “O sup ema ismo ou o mundo sem objec o”, publicado pela Bauhaus.
8 Pie Mond ian, (1872-1944) Pin o Holandês. Desen ol eu uma não- o ma de ep esen ação que ele chamou
Neoplas icismo. “Pie and Oceam”, um dos quad os pin ados en e 1916 e 1917 que ma ca a mudança de a i ude pa a
a abs acção,
19
No in ui o de da con inuidade aos no os concei os es é icos, Daniel Bu en9,
conduziu a sua pin u a no sen ido do absolu o. Tudo inha de se começado do
ze o, an o na pin u a como na o ma de a obse a .
"Eu p ocu a a uma solução isual que es i esse p óxima daquilo que eu
conside a a se o pon o ze o da pin u a. Descob i-a no momen o em que i um
de e minado ecido às iscas nos a mazéns Sain -Pie e. De um golpe, es e
ecido os en a a aos meus olhos odas as qualidades que eu não inha
encon ado na minha p óp ia pin u a" (…).
“A a és des a edução ao pon o ze o, o abalho isí el o na-se ins umen o
da análise da pe cepção; já não dá a e algo de de e minado, an es coloca
ques ões sob e a o ma como é pe cepcionado” 10
Do mesmo modo, F ank S ella11 in es iga e conc e iza a sua pin u a, de modo
a concede -lhe uma iden idade p óp ia, ejei ando a pin u a como p ocesso
deco a i o. Desen ol e uma es é ica o mal do quad o, con e e-lhe o des aque
da sua p óp ia isibilidade.
"O meu p incipal in e esse e a o na aquilo que é habi ualmen e denominado
pin u a deco a i a e dadei amen e iá el em e mos cla amen e abs ac os.
Deco a i o num bom sen ido, no sen ido em que é aplicado a Ma isse”. T a a-
se pois de não nega a ealidade do objec o ma e ial "quad o", mas sim de a
9 Daniel Bu en, nasceu em 1938 (Boulogne-Billancou , p óximo de Pa is) é um a is a concep ual ancês. Em 1986
c iou uma escul u a de 3.000 m² no g ande pá io do Palais Royal, em Pa is: "Les Deux Pla eaux", mais comummen e
chamado de "Colonnes de Bu en". Es e abalho, p o ocou um in enso deba e sob e a in eg ação da a e
con empo ânea nos edi ícios his ó icos.
10Meinha d , Johannes, Pin u a: Abs acção depois da Abs acção, Colecção de A e Con empo ânea, Público
Se al es, 2005, p 50. In Daniel Bu en, Con e sa iones a ec Anne Baldassa i, ob a ci ., p 12
11 F ank S ella nasceu em 1936, é um dos a is as con empo âneos mais impo an es e eclé icos dos Es ados Unidos.
O seu abalho ab ange pin u a, objec os, a es g á icas e p ojec os a qui ec ónicos.
20
des aca e simul aneamen e o na isí el a singula ealidade enomenal do
quad o; an o a au onomia e a o alidade idealis as do quad o como ainda a
au ologia da simples coisa de e iam se des uídas”12.
Con inuando a necessidade de le a a pin u a à sua essência, eme endo odos
os alo es pic ó icos pa a a ma e ialidade do quad o como uma simbiose de
odos os elemen os que o cons i uem, Joseph Ma ioni13 a i mou: "O quad o
conc e o mode no em a unção de ap esen a a sua o ma ma e ial, ou seja, a
sua exis ência ísica enquan o objec o eal na pa ede. Nem ep esen a
qualque ou a coisa, nem é uma 'ideia' abs ac a de ou a coisa; o p óp io
quad o é a ob a (…) O quad o conc e o baseia-se na es u u a do seu ma e ial
pa a es abelece a iden idade pic ó ica da sua o ma”. Pa a a pin u a analí ica a
in a, a ma é ia c omá ica, ambém não possuía qualque alo p óp io: nenhum
alo de pe cepção ou de expe iência, nenhum alo semân ico nenhum alo
exp essi o. Tin a é uma condição ma e ial do quad o que pode se analisada,
cujo e ei o o pin o olha de ce o modo com cu iosidade, al como acon ece com
ou os ac o es ma e iais do quad o, como a ela, a g ade e a acção da mão, o
supo e e o e es imen o. O quad o enquan o ealidade pe cep i a complexa
plu i ace ada su ge quase po si só a pa i dos modos de ope a e dos
ma e iais aplicados”. 14
12 Meinha d , Johannes, Pin u a: Abs acção depois da Abs acção, Colecção de A e Con empo ânea, Público
Se al es, 2005, p 59. In S ella, in Rubin, ci ., p 149
13 Joseph Ma ioni nasceu em 1943 em Cincinna i, Ohio. Vi e em No a Io que desde 1972, ep esen a uma o ça
impo an e no mundo da pin u a monoc omá ica.
14 Meinha d , johannes, Pin u a: Abs acção depois da Abs acção, Colecção de A e Con empo ânea, Público
Se al es, 2005, p 86. In Blasse Schmme , Sammlung Monds udio, Colónia, 2001, p. 2007.

21
A pe sis ência do quad o como objec o de pe cepção é condição especí ica na
ob a de Robe Ryman15. Es e con e e à in e acção dos ma e iais, a p incipal
condição do p ocesso. Todas as ca ac e ís icas ma e iais da pin u a, são elas
p óp ias o nadas isí eis.
“A pin u a não possui uma essência sup a-his ó ica, não possui qualque
e dade encobe a que possa se e elada. Ao ní el da sua exis ência ma e ial
ela é uma espécie de pin u a de pa ede. Dis ingue-se da pe cepção de uma
pin u a de pa ede apenas a a és da sua au o- e lexi idade e au o-
e e encialidade: ela analisa a isibilidade dos elemen os ma e iais cuja
in e acção é a condição p imei a que possibili a a pe cepção es é ica-
ma e ialis a”16
“Nunca se a a daquilo que se pin a, mas semp e da o ma como se pin a. O
"como" do p ocesso de pin a é, em úl ima análise, aquilo que az o quad o – o
“p odu o” (…) “O pin o a a de espalha a in a na supe ície e de ans o má-la
numa imagem. Eu abo do o quad o de manei a di e en e: começo pelo
ma e ial. O pin o adicional di ia que a ela es á azia, aplica ia in a e a ia
uma imagem com a in a. Quando eu me ap oximo de um quad o digo que a
supe ície que u ilizo, seja ela ou qualque ou a coisa, não es á azia; ela
p óp ia é algo. De ce a manei a, a in a em a missão de cla i ica isso”.17
15 Robe Rayman nasceu em 1930. Vi e em No a Io que, explo a a supe ície pic ó ica a a és de um ocabulá io
ex emamen e eduzido.
16Meinha d , Johannes, Pin u a: Abs acção depois da Abs acção, Colecção de A e Con empo ânea, Público
Se al es, 2005, p 60
17Meinha d , Johannes, Pin u a: Abs acção depois da Abs acção, Colecção de A e Con empo ânea, Público
Se al es, 2005, p 61. In Robe Rayman. Ca álogo da Whi echapel A Galle y, Lond es, 1977, p. 1
22
Numa ou a dimensão e e e enciando o sublime como algo que anscende a
capacidade do isí el que não pode se mos ado, “ «Os meus quad os não se
p es am nem à manipulação do espaço, nem da imagem, mas a uma sensação
do empo», esc e e Newman num «Monólogo» inacabado de 1949 e que em
po nome: P ologue o a New Es he ic”. 18
Newman explo a o concei o de pin u a na sublimação da ma é ia, quando
e e e, “O que é sublime é que exis a esse quad o, em ez do nada.” 19
A consciência do a is a libe a-se de odas as eg a e con enções, ele a o
pensamen o aos limi es do conhecimen o. Tes emunha a a és da ma é ia o
que não pode se exp imí el.
Libe a-se do simbolismo da imagem, apode a-se do objec o o mal, az ale a
supe ície isí el numa espécie de assunção do seu mu ismo. Sai do plano
exis encial pa a o plano enomenal.
O p ocesso c ia i o e idencia o objec i o do a is a. Es e e elou-se num
es o ço cons an e po exclui o elemen o de e e ência, p ocu ando in e p e a o
con eúdo da ob a, na explo ação da o ma e dos ma e iais. Es a a i ude ez
com que a ob a libe asse a in ensa sono idade emanada do seu in e io .
Pa a comp eende es e géne o de pin u a é necessá io o ajus e aos alo es
plás icos dominan es. Exige a ma u ação concep ual, que o objec o
comp eende.
18Lyo a d, Jean-F ançois, O Inumano, Conside ações Sob e o Tempo, 1989, Colecção ma gens – Edi o ial Es ampa,
p.92
19Idem, p.98
23
As ci ações que menciono e o çam a esis ência ao ins i uído, conquis am uma
ealidade possí el, mani es am a pe sis ência na descobe a, o nam iá el a
ino ação do ac o c ia i o a ís ico.
A a e já não pode se en endida, como uma ac i idade anscenden e, é an es
uma explicação en e o Homem e o mundo.
24
2.2 Agnes Ma in – Uma Re e ência
Pa a Agnes Ma in20 a pin u a é uma e lexão da ida. Es a o ma de esumi o
ac o de pin a o ien a o meu p ocesso c ia i o. Es a elação a ec i a com a
pin o a No e Ame icana dá-se du an e a ase de in es igação como aluna do
cu so de pin u a e con inua p esen e ainda hoje, assumindo ele an e
impo ância no p ocesso com que me elaciono com a pin u a.
O seu abalho é in luenciado pela paisagem do No o México, onde i eu
g ande pa e da sua ida. Embo a seja negado o ca ác e e e encial a
qualque coisa do mundo eal, o seu abalho é an es uma alusão ao es ado de
espí i o e às suas endências e in e esses pela iloso ia o ien al.
A sua in enção é exp essa os es ados supe io es posi i os da exis ência
humana.
Agnes Ma in, que ia su p eende o espec ado e expe imen a os seus
sen imen os quando es ão em en e à sua pin u a.
A sua ob a es á associada a um ipo de abs acção de simples o mas
geomé icas, pin adas com um igo oso aço de p ecisão, jun amen e com uma
20 Agnes Ma in (1912 – 2004). Pin o a de o igem Canadiana, na u alizada No e Ame icana. O seu abalho o nou-se
conhecido nos anos 70 pelas suas elas de linhas geomé icas. Du an e se e anos dedica-se exclusi amen e à esc i a.
31
A supe ície é o plano onde se mo em as o ças que o mam o quad o. Onde
c io os momen os de a enção e anspo o o obse ado pa a além do que é
imedia o, do que é eal. C io a necessidade de pa a , e lec i , e e
comp eende o que es á pa a além do isí el.
Desen ol o os p ocedimen os necessá ios pa a le a a pu eza da ma é ia e da
o ma ao essencial. P ocu o es abelece as eg as adequadas às p opo ções
do supo e, de modo a ga an i o equilíb io e a ha monia dos elemen os
necessá ios a odo o p ocesso.
A espessu a da g ade é in encionalmen e a iá el, de o ma a acau ela um
i mo de ap oximação ou a as amen o da supe ície pic ó ica com o obse ado
e da pa ede que a supo a.
Assim o i mo c omá ico dado pelos di e en es ons das supe ícies é e o çado
pelo a anço e ecuo, que a espessu a da g ade o nece.
A ex u a da ela é o os o da pin u a que se p e ende limpo e uni o me, que
abso e a in a e a deixe en ol e , ealçando as pa ículas da co que a
compõe.
A co pa icipa na cons ução da supe ície como um aglu inado na simbiose
dos componen es que a cons i ui – é a pele do quad o.
Ao elaciona odos es es elemen os p e endo assegu a o essencial e, com
isso, ga an i a unidade que cons i ui o quad o.
A sis ema ização do p ocesso p ocu a essa elação. Re o ça a necessidade de
eduzi pa a es azia .

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3.2 Silencia a supe ície pic ó ica
A ela é o supo e onde insc e o as minhas emoções, onde ala go a minha
capacidade de ansmi i sensações e silencio o uído isual que in ade o dia-
a-dia. P ocu o c ia o silêncio pela ausência de con as e e pelo egis o énue e
sub il dos elemen os da composição.
O abalho é desen ol ido no sen ido de uma p ocu a de ons, encon ados
numa pale a, de um modo ge al limi ada pelas co es p imá ias: ama elo, azul,
magen a e o e melho ca mim.
Ao aplica as co es po camadas sucessi as, p e endo com elas p ocu a o om
exac o das di e en es supe ícies. P imei o começo pelo ama elo, a co mais
luminosa des a pale a, seguindo-se o magen a e depois o azul. Es e p ocesso
de o denação das co es é inicialmen e in a iá el, ao con á io das seguin es
que se apu am no sen ido de consegui o om desejado. Acen uo o magen a
pa a a ingi o iole a, ou assegu o a onalidade cas anha dada pelo e melho
ca mim. Desen ol o uma lógica capaz de cons ui um p ocesso que egis e os
di e en es ons den o da mesma co .
O pigmen o ac ílico é especialmen e diluído e espalhado na ela com a incha,
num ges o ápido e con ínuo, de modo a deixa isí eis as pa ículas de co
dadas nas camadas an e io es. Não pe mi e o e o ou a hesi ação, o na
mo osa e complexa a execução. No en an o es e p ocesso pe mi e-me
abalha duas ou mais elas em simul âneo, o que me possibili a egula o
i mo de al e nância na aplicação da co .
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Pa a assegu a o empo e a qualidade de secagem do pigmen o ac ílico,
abalho as elas sob e um plano ho izon al, ga an indo des e modo a
es abilidade necessá ia pa a a secagem uni o me do mesmo.
P ocu o na co a sua plena exp essão quando a u ilizo no seu es ado mais
pu o, quando o seu b ilho não é al e ado ou diminuído po mis u as opos as à
sua na u eza. Cump e plenamen e o que p ocu o, quando nego a mis u a das
co es na pale a e o deno a sua cadência, pa a a ingi a supe ície desejada.
A anspa ência da co pu a exal a a densidade do pigmen o, conjuga o alo
c omá ico com a luminosidade. Faz sen i as pa ículas c omá icas, como sons
que se a iculam na sua p ecisa acepção ímb ica, de modo a pa en ea ao
máximo a ca ga sono a de cada co , sem deixa al e a o olume silencioso
que p ocu o.
3.3 Insono iza a composição
A co , os pon os, as linhas, es u u am e o ganizam o olha , assumem-se como
e e en es do isí el e despe am as o ças que cons oem o in isí el. Su gem
em esul ado da composição, não pa a aze em pa e dela, mas pa a libe a em
a ene gia que há den o do quad o.
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A ex u a da ela es u u a e abso e a in a como pa ículas que escla ecem a
imagem na cons ução da supe ície. A ocagem é eal, é uni o me, nada
pe u ba, nada é alea ó io ou supe icial.
O que esul a é o silêncio de um uni e so pic ó ico que se ab e aos olhos do
espec ado , numa a i ude de plena pu eza da o ma e da supe ície.
A ha monia é es abelecida na elação exac a en e a dimensão do supo e e o
con eúdo.
A o ma quad ada assume o sen ido da e icalidade e ho izon alidade, na
mesma p opo ção, eme endo-a pa a o equilíb io da composição.
A o ma ec angula , assumida na e ical ou na ho izon al, esul a da p ocu a
do equilíb io e ib ação das o ças, que cons oem o quad o.
Toda a composição é o ganizada segundo es udo p é io, como p eocupação
de que cada egis o g á ico o ien e o obse ado e es abeleça o con ac o
isual.
O ângulo de isão é o ien ado de o ma global numa p imei a ase, enquan o
p ocu a o en endimen o. É des iado pa a a pa icula idade quando en a no
mundo pa a o qual é abso ido e encon a a p o undidade ou a ex ensão do
seu in e io .
A p o undidade e asi a dos pon os pe u ados anspo a o olha pa a o in ini o,
nas pequenas pe cepções que se decla am de o ma sub il e silenciosa.
A dimensão dos u os é es abelecida de modo a não deixa pe u ba a isão
pela luz, ou pelo obs áculo da supe ície da pa ede que supo a o quad o. É
necessá io que o alcance do in ini o não seja pe u bado po o ças ex e io es à
pin u a.
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O açado o denado ,24 es u u a o es udo da composição, que assen a numa
g elha geomé ica pe cep í el, que o ganiza a pe u ação dos pon os. Cada
o i ício é ei o na dimensão exac a e num i mo cadenciado, de o ma a ga an i
a in eg ação de odos os elemen os.
O olha p ocu a a o ma ob ida pelo conjun o dos pon os. O in ini o é dado pela
ap oximação do obse ado à supe ície da ela, pondo a nu o que es á pa a
além do plano do quad o.
Nas composições que alo izam a linha, es as êm como in enção e o ça o
impac o com o p imei o plano. O ganizam a isão enquan o pausas, que se
desen ol em numa es u u a ambém o denada, deixada isí el pelo egis o
explíci o esul an e da anspa ência da co , ou aplicada no momen o p óp io,
que o p ocesso exige.
As linhas que es u u am a composição são açadas na base do plano, ou no
deco e do p ocesso, de o ma a ga an i uma dis ibuição equilib ada
con e indo peso e ensão que elacionam os elemen os. Es as são açadas
com espacejamen os sis emá icos, cump em a necessá ia geome ia que
p ocu o no p ocesso.
24 T açado o denado - Es udos de composição “La Geome ie Sec è e des Pein es” Bouleau, Ca pen es Cha les,
1963, Seuil Edi o a.
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O a as amen o en e as linhas mul iplica-se semp e a pa i da unidade,
subdi idem-se ou ampliam-se num i mo que p ocu o de o ma in encional.
En ol em-se na supe ície, c iam o espaço necessá io pa a a linha c omá ica.
O des aque deixado pelas linhas de co é o esul ado do a amen o sub il e
especí ico, egis ado sob e a supe ície c omá ica, já pin ada. Es as salien am-
se e o ien am-se sob e o açado de linhas, que ga an em o sen ido es é ico do
quad o.
A linha enquan o es u u a apa ece e desapa ece, en ol e-se com o undo e é
e omada pela acen uação da co que cons i ui a supe ície, numa conjugação
de o ças que o ganizam o espaço pic ó ico.
Todos os elemen os da composição, o ma, pon o, linha ex u a e co , en am
no p ocesso cons u i o do quad o, numa usão de odos os elemen os sem
pa icula iza nenhum deles. O esul ado é a soma do odo, pa a encon a o
odo que é o quad o.
Reduzi a imagem ao essencial, p ocu a o equilíb io en e o ma e supe ície,
acen ua a p esença pela ausência
P ocu a na nudez do quad o os alo es e lexi os que daí esul am. Es u u a
os elemen os da composição de modo a ga an i o aco de o necido po odos
os componen es.
O nu é apenas o ex e io de um in e io que não conhecemos. É a o ma isí el
que nos ca i a ou epugna. É a capacidade de e o in e io que dá sen ido à
o ma nua que p ocu o. É na pe sis en e busca pa a encon a a conco dância
das o ças do in e io que p ocu o azão pa a libe a a supe ície de uma
oupagem que es a pode esconde .

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A co , a o ma, são elemen os pe cep í eis, azem pa e do conhecimen o do
Homem, são eiculados pelos seus sen idos, enquan o o en endimen o da
o ma limpa anscende os sen idos da pe cepção.
A pin u a é mais do que uma eacção à sua apa ência, é uma eacção ín ima,
que nos como e ou nos o na indi e en es, que nos enche de sensações e
emoções e nos o na di e en es enquan o uido es ou in e enien es no
p ocesso.
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4. CONCLUSÃO
Realizei es e abalho com a ce eza que mui o ica ia po explo a , no en an o,
a on ade de in es iga e e lec i sob e es a ma é ia, ez das di iculdades a
mo i ação pa a con inua .
Uma in es igação p é ia ao momen o em que a his ó ia da pin u a se al e a de
modo signi ica i o oi undamen al, não só pa a comp eende as bases dessa
mudança, como ambém, pa a pe mi i es abelece uma elação sub il com o
p esen e.
A i alidade des a elação e e como objec i o ques iona a subs ância
in empo al nas cons an es e a iadas ino ações, ou seja, se há ou não, algo de
imu á el na a e.
O expos o é o esul ado da análise e pesquisa, sob e o p ocesso e a i ude do
ac o de pin a e, de algum modo, um con ibu o pa a a con inuidade da p á ica
da pin u a.
Um es emunho que p ocu a analisa a ob a den o da sua p óp ia isibilidade e
assegu a uma condu a esponsá el e coe en e, na en a i a de encon a o
no o sem se necessa iamen e o iginal.
Todo o plano de es udos es á cen ado na pesquisa de in o mação e
enquad amen o empo al do pensamen o, que supo a as p eocupações
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a ís icas do quad o como objec o de pe cepção e não como supo e pa a uma
pin u a de imagem como ilusão.
Des e modo, p ocu ei na ma é ia a elabo ação de um concei o que se de ine a
c u, no azio e na nudez pic ó ica.
Sen i a ene gia, a ausência do empo e do uído isual. Sen i na o ça da
pin u a, o silêncio, que su ge do seu in e io .
T abalhei a supe ície c omá ica, nua e c ua, não con empla i a, mas que
eque algum empo de obse ação, pa a me gulha no con eúdo in ospec i o
dado pelas pequenas pe cepções.
Encon ei na insono idade da pin u a o p ocesso de aze e conjuga os
elemen os que es u u am a supe ície, e idenciando de o ma pa icula uma
es u u a especí ica pa a a co , como o ma de assegu a a con ínua e
in a iá el “sono idade” do silêncio.
Como in e enien e no p ocesso c ia i o, p ocu o a in e acção com o público,
dando especial a enção à cons ução de uma pe spec i a c í ica, no sen ido de
me conduzi à e lexão sob e odas as expe iências e daí e i a conclusões
que a o eçam a cons ução do meu pensamen o.
A bibliog a ia mencionada o neceu as e e ências undamen ais, que a iculam
conhecimen o e a gumen os, pa a a conc e ização des a disse ação.
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5. BIBLIOGRAFIA
Ado no, Thodo W., Teo ia Es é ica, a e e comunicação, 1970, edições 70
Bouleau, Ca pen es Cha les,” La Geome ie Sec è e des Pein es”, 1963, Seuil
Edi o a
Bu en, Daniel, Les Couleu s: Sculp u es les o ms: Pa is, Cen e Geo ge
Pompidou, 1981
Deleuze, Gilles, A Filoso ia C í ica de Kan , 1963, Edições 70
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Gasse , José O ega y, A Desumanização da A e e ou os Ensaios de
Es é ica, 2003, Almedina
Gil, José, A Imagem-Nua e as Pequenas Pe cepções, Es é ica e
Me a enomenologia, 2005, Relógio D´Agua
Gil, José, «SEM TÍTULO» Esc i os sob e a e e a is as, 2005, Relógio D’ Água
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