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Suporte social e individuação em jovens de diferentes configurações familiares

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Suporte social e individuação em jovens de diferentes configurações familiares

Author: Ana Raquel Silva,Olga Melo,Catarina Pinheiro Mota
Year: 2016
DOI: 10.9788/TP2016.4-07
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/102575/2/170925.pdf
ISSN 1413-389X T ends in Psychology / Temas em Psicologia – 2016, Vol. 24, nº 4, 1311-1327
DOI: 10.9788/TP2016.4-07
Supo e Social e Indi iduação em Jo ens
de Di e en es Con i gu ações Familia es
Ana Raquel Sil a1
Olga Melo
Ca a ina Pinhei o Mo a
Depa amen o de Educação e Psicologia da Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o,
Vila Real, Po ugal
Cen o de Psicologia da Uni e sidade do Po o, Po o, Po ugal
Resumo
O es abelecimen o de laços com a amília, amigos ou mesmo p o esso es é c ucial pa a o desen ol i-
men o dos adolescen es e jo ens adul os. Uma indi iduação bem-sucedida na adolescência implica
qualidade de elação. O p esen e es udo em como obje i o analisa as di e enças na pe cepção do
supo e social e p ocesso de indi iduação em unção da con i gu ação amilia , bem como analisa o pode
p edi o da con i gu ação amilia , do gêne o, da idade e da pe cepção do supo e social dos jo ens no
p ocesso de indi iduação. A amos a oi cons i uída po 827 jo ens a equen a em o ensino secundá io
e uni e si á io, com idades en e os 13 e os 25 anos. A cole a de dados oi ealizada no No e de Po ugal,
median e ques ioná ios de au o- ela o: Social Suppo App aisals (SSA) e Munich Indi idua ion Tes
o Adolescence (MITA). Os esul ados mos a am que jo ens de amílias in ac as ap esen a am uma
indi iduação mais bem-sucedida compa a i amen e com jo ens de amílias di o ciadas, e ainda
e idencia am o pode p edi o da pe cepção do supo e da amília no desen ol imen o da indi iduação.
Nes e sen ido, e i i cou-se a impo ância da con i gu ação e do supo e amilia pa a uma indi iduação
bem-sucedida.
Pala as-cha e: Supo e social, indi iduação, di ó cio.
Social Suppo and Young People Indi idua ion
in Di e en Family Con i gu a ions
Abs ac
The es ablishmen o bonds wi h amily, iends o eache s is c ucial o he de elopmen o adolescen s
and young adul s. A success ul indi idua ion in adolescence in ol es he quali y o ela ionships. This
s udy aims o analyze he di e ences in he pe cep ion o social suppo and indi idua ion p ocess
acco ding o he amily se ing and o analyze he p edic i e powe o amily s uc u e, gende , age
and pe cei ed social suppo o young people in he p ocess o indi idua ion. The sample consis ed o
827 young people o a end seconda y school and uni e si y, aged be ween 13 and 25 yea s. The da a
collec ion was ca ied in no he n Po ugal, h ough sel - epo ques ionnai es: Social Suppo App aisals
1 Ende eço pa a co espondência: Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o, Depa amen o de Educação
e Psicologia, Edi ício do Complexo Pedagógico, Quin a dos P ados, Vila Real, Po ugal 5001-801. E-mail:
[email p o ec ed], [email p o ec ed] e [email p o ec ed]
Es a in es igação oi pa cialmen e supo ada pela Fundação pa a a Ciência e Tecnologia – FCT a a és do
p ojec o: PEs -C/PSI/UI0050/2011 e ainda pelos undos FEDER a a és do p og ama COMPETE com a
e e ência: FCOMP-01-0124-FEDER-022714.
Sil a, A. R., Melo, O., Mo a, C. P.
1312
(SSA) and Munich Indi idua ion Tes o Adolescence (MITA). The esul s showed ha young peole o
in ac amilies had a mo e success ul indi idua ion compa ed o young people om di o ced amilies,
and showed he p edic i e powe o amily suppo pe cep ion in he de elopmen o indi idua ion. In
his sense, his s udy showed he impo ance o se ing and amily suppo o a success ul indi idua ion.
Keywo ds: Social suppo , indi idua ion, di o ce.
El Apoyo Social y la Indi iduación en Jó enes
de Dis in as Con i gu aciones Familia es
Resumen
El es ablecimien o de ínculos con la amilia, amigos o p o eso es es c ucial pa a el desa ollo de
los adolescen es y adul os jó enes. El éxi o del p oceso de indi iduación en la adolescencia implica
calidad en las elaciones. Es e es udio iene como obje i o analiza las di e encias en la pe cepción de
apoyo social y el p oceso de indi iduación de acue do con el en o no amilia y analiza la capacidad
de p edicción de la es uc u a amilia , el géne o, la edad y el apoyo social pe cibido de los jó enes en
el p oceso de indi iduación. La mues a consis ió en 827 jó enes que asis en a la escuela secunda ia y
la uni e sidad, con edades comp endidas en e 13 y 25 años. La ecolección de da os se ealizó en el
no e de Po ugal, a a és de cues iona ios de au oin o me: Social Suppo App aisals (SSA) e Munich
Indi idua ion Tes o Adolescence (MITA). Los esul ados mos a on que los jó enes de amilias in ac as
enían una mejo indi iduación en compa ación con los jó enes de amilias di o ciadas, y mos a on
el pode p edic i o de la pe cepción de apoyo amilia en el desa ollo de la indi iduación. En es e
sen ido, es e es udio demos ó la impo ancia del en o no y del apoyo amilia en el éxi o del p oceso de
indi iduación de los jó enes.
Palab as cla e: Apoyo social, indi iduación, di o cio.
A pe cepção do supo e social implica uma
a aliação global que en ol e as á ias á eas
sociais da ida do indi íduo. Dessa a aliação
pode esul a a c ença de que se é amado (Helle ,
Swindle, & Dusenbu y, 1986).
Coob (1976) de i ne supo e social em ês
classes: a p imei a e e e-se à pe cepção que
o sujei o em de que é amado e que ecebe a
p eocupação po pa e dos ou os, a segunda
diz espei o à c ença que o sujei o em de que
é ap eciado e alo izado, e a e cei a epo a ao
sen imen o de pe ença a uma ede de comunica-
ção e de ob igações mú uas.
An unes e Fon aine (1995) e e em que o
desen ol imen o de uma ede social oco e ao
longo da ida de cada indi íduo, sendo que es e
in l uencia e é in l uenciado pelo con ex o e o
meio social. Con udo, mais impo an e do que
o apoio social e e i o que cada indi íduo ecebe
é a pe cepção que ealiza do mesmo (An unes
& Fon aine, 2005). As edes sociais e o apoio
social são impo an es a o es num pe íodo de
desen ol imen o como a adolescência, onde
oco e um aumen o das edes sociais, podendo o
apoio e a in l uência dessas edes a ia ao longo
do empo (An unes & Fon aine, 2005). O es udo
de Homb ados-Mendie a, Gomez-Jacin o, Do-
minguez-Fuen es, Ga cia-Lei a, e Cas o-T a é
(2012) com 447 adolescen es com idades en e
os 12 e os 18 anos, analisou as di e enças exis-
en es en e os á ios sis emas de supo e social,
dis inguindo en e o supo e o necido pela amí-
lia e pela escola. Os au o es cons a a am que na
adolescência há uma endência pa a a diminui-
ção da pe cepção de supo e dos pais e aumen o
da pe cepção de supo e dos colegas de escola.
Pa a Fu man (2001) as elações de amiza-
de, apesa de não unciona em como bases se-
gu as de inculação, uncionam como “ i gu as
de a i liação”, onde à semelhança da inculação a
a i liação é desc i a como um sis ema de compo -
amen os que p opo ciona ao indi íduo elações
de supo e, p o eção, coope ação, mu ualidade
e ecip ocidade. No deco e da cons ução da
Supo e Social e Indi iduação em Jo ens de Di e en es Con i gu ações Familia es. 1313
iden idade su ge um maio ecu so ao supo e
dos pa es, onde se e idencia uma maio in e a-
ção social que ai pa a além da amília (Sé gio,
2006).
Assim, e i i ca-se que an o a ligação com
a amília, como com os pa es, e ainda com os
p o esso es, ambém eles is os como impo an-
e on e de supo e social (An unes 2006), são
e elan es na au o alo ização do adolescen e,
bem como no desen ol imen o de p ocessos
de sepa ação e au onomia mais ou menos sau-
dá eis. Segundo Meeus, Iedema, Maassen e
Engels (2005), a sepa ação en e i lhos e pais e
a indi iduação são dois p ocessos desen ol i-
men ais que oco em em pa alelo du an e a ado-
lescência, não se a ando, po an o, a sepa ação
como uma p é-condição pa a a indi iduação.
Apesa da o igem do e mo indi iduação e
su gido com Ma g e Mahle , em 1930 (Mahle ,
Pine, & Be gman, 1975), oi Blos (1967) que
cla i i cou o concei o de segunda indi iduação,
que oco e na adolescência. Sendo que é nes-
a ase que o adolescen e ganha de e minadas
compe ências, nomeadamen e, ao ní el da sua
au onomia, ha endo uma sepa ação mú ua ela-
i amen e aos pais.
Den o do concei o de indi iduação na
adolescência, Blos (1967) e e e a impo ância
de dois enômenos, nomeadamen e, a pe da da
dependência emocional e a e i idade amilia e
a mudança das elações obje ais que se di ecio-
na am pa a os pais e ago a es ão mais ol adas
pa a os pa es. A indi iduação na adolescência
ca ac e iza-se pelo es o ço dos adolescen es em
alcança a au onomia e o a o dos pais concede-
em libe dade aos i lhos, sendo pa a isso neces-
sá io abdica em do con ole pa a lhes p opo -
ciona essa mesma au onomia, o que, po ezes,
causa a as amen o en e pais e i lhos. Es e a o
pode di i cul a o p ocesso de indi iduação, pois
o apoio dos pais pa a a aquisição de au ono-
mia é undamen al (Walpe , K use, Noack, &
Schwa z, 2009).
Todos os desejos ine en es ao p ocesso de
indi iduação (desejo pela au onomia, desejo
de “se adul o” e desejo de explo a ) azem-
se acompanha de um sen imen o de medo em
en en a a no idade. Assim, o na-se impo an e
ealça nes e pon o a impo ância da qualidade
da elação pa en al com os i lhos pa a que es e
p ocesso se desen ol a de modo a pe mi i ao
jo em sen i -se su i cien emen e segu o pa a
explo a o meio, o nando-se mais au ônomo e
pode cons ui a sua iden idade (Fleming, 2005).
A p esen e in es igação p e ende i além do
pe íodo da adolescência e alcança o início da
ida adul a, que A ne (2007) designa como a
adul ez eme gen e que onda os 18 e os 25 anos
c onológicos. Também nes a ase o p ocesso
de indi iduação se desen ol e, me ecendo um
olha a en o de au o es como A ne (2006) e
Bynne (2005) que conside am que o mesmo
di e e em unção de a o es con ex uais que o-
deiam os jo ens.
Exis em alguns a o es passí eis de in e -
e i no desen ol imen o da au onomia nos
adolescen es e jo ens adul os, como as descon-
inuidades emocionais. O di ó cio pa en al é
uma das mui as si uações que podem a e a o
desen ol imen o que acompanha a adolescên-
cia e a ase inicial da ida adul a, ealçando-
-se, o p ocesso de indi iduação. F eeman e
Newland (2002) apon am que em si uação de
di ó cio exis e uma endência pa a os adoles-
cen es desen ol e em uma p ema u a inde-
pendência ace à amília de uma das i gu as
pa en ais, o que pode p ejudica de o ma sig-
ni i ca i a o desen ol imen o da indi iduação.
S o ksen, Roysamb, Moum e Tambs (2005)
e e em que c ianças cujos pais a a essam
um di ó cio êm um maio isco de i a e
p oblemas de adap ação du an e a in ância, a
adolescência e a é mesmo na ida adul a. Se-
gundo Ama o (2000), os i lhos de amílias que
so em um di ó cio podem desen ol e mais
di i culdades no en ol imen o social. Con udo,
de aco do com Ama o e Cheadle (2008) es a
ideia não pode se gene alizá el, dado que nem
odas as c ianças expos as a si uação de di ó -
cio ou con l i os pa en ais desen ol em p oble-
mas. Logo, al como apon am Souza e Rami es
(2006), não é possí el a i ma uma elação de
causa-e ei o en e o di ó cio e consequências
nega i as. Pelo con á io, é impo an e com-
p eende oda a mul iplicidade e complexidade
de a o es en ol idos no p ocesso de desen ol-
Sil a, A. R., Melo, O., Mo a, C. P.
1314
imen o, podendo assumi con o nos mais ou
menos adap a i os.
A sepa ação pa en al é uma si uação que
pode en ol e um núme o conside á el de
indu o es de s ess nos memb os da amília,
p incipalmen e nos p imei os dois anos, onde
deco em as p imei as ans o mações no que
diz espei o às o inas, esidência e con i gu a-
ção amilia (Ama o & An hony, 2014). Dadas
as expe iências ine en es a es a si uação, como
os con l i os in e pa en ais e sepa ações, Ama o
e Do ius (2010) suge em a possibilidade de os
i lhos desen ol e em uma sé ie de p oblemas
no deco e das suas idas. Os mesmos au o es
apon am que i lhos de pais di o ciados endem a
ap esen a mais di i culdades no campo emocio-
nal, compo amen al, social, saúde e acadêmico.
Ou a das consequências do di ó cio dos pais é
o a as amen o en e os i lhos e umas das i gu as
pa en ais, ge almen e o pai, con udo impo a e-
e i que es a endência em indo a diminui ,
sendo que a equência de con ac o en e pais
di o ciados, que não possuem a u ela dos me-
no es, e i lhos em indo a aumen a nos úl i-
mos anos (Ama o & Do ius, 2010). Uma sepa-
ação en e as i gu as pa en ais implica mui as
ezes mudanças de es ilos de ida, de local de
esidência e mudança de meio en ol en e, que
podem cons i ui a o es s essan es pa a os i -
lhos (Ama o, 2000). Ao longo do p ocesso de
di ó cio é comum a p ocu a de supo e jun o
do g upo de pa es (Mou a & Ma os, 2008), un-
cionando como um po o segu o pa a os ado-
lescen es e jo ens adul os, o que não subs i ui
a elação de ínculo com os pais. O g upo de
pa es pode p opo ciona aos jo ens que a a-
essam um p ocesso de di ó cio pa en al apoio
ísico e social, pe mi indo-lhes des e modo um
melho desen ol imen o do p ocesso de indi i-
duação (Fleming, 2005). Ainda assim, a quali-
dade da inculação aos pais é ele an e pa a o
bem-es a dos i lhos numa si uação de di ó cio
(Rami es, 2004), o que e idencia a impo ância
da inculação em de imen o do ipo de con i -
gu ação amilia pa a o desen ol imen o dos
adolescen es e jo ens. Hack e Rami es (2010)
essal am ambém a impo ância da qualidade
da elação en e pais e i lhos e a manu enção
da mesma du an e e após o di ó cio. F eeman e
Newland (2002) ac escen am a impo ância de
ealiza uma ges ão en e a manu enção da ela-
ção com os pais e o alcance da au onomia, p ó-
p ia da indi iduação.
Pa a além do ipo de con i gu ação amilia ,
ambém o sexo e a idade dos adolescen es e jo-
ens pode se associa à exis ência de di e enças
no desen ol imen o das suas elações, na pe -
ceção do supo e social e au onomia. A li e a-
u a apon a maio i a iamen e, que são as meni-
nas que ap esen am maio pe cepção de supo e
social compa a i amen e com os meninos. Um
es udo de Ikiz e Caka (2010) com uma amos-
a de 257 adolescen es mos a que são as me-
ninas que ap esen am maio pe cepção do su-
po e social dos amigos compa a i amen e com
os apazes. Ou os es udos sob e gêne o e su-
po e social (Pinhei o & Fe ei a, 2005; Rama-
lho, 2008) ob i e am esul ados semelhan es,
e idenciando que as meninas possuem maio
supo e social da amília e dos amigos compa-
a i amen e com o sexo masculino. An unes e
Fon aine (2005), numa análise das qualidades
psicomé icas da Escala de Pe cepção do Supo -
e Social com 1963 es udan es do 7º ao 12º ano,
e idencia am que as meninas e os jo ens mais
elhos ap esen a am em ge al ní eis mais ele-
ados de supo e social, compa a i amen e com
jo ens mais no os e do sexo masculino. O que
ai ao encon o ambém do es udo de Ramalho
(2008) com 200 indi íduos en e os 18 e os 25
anos, que, da mesma o ma, cons a ou que são
os jo ens mais elhos que possuem maio pe -
ceção do supo e social. Bea o (2008) no seu
es udo com 200 elemen os, com idades en e
os 17 e os 21 anos, apon a pa a a endência dos
apazes ap esen a em uma meno exp essão a e-
i a em á ias á eas da ida a e i a, sendo mais
e ac i os e menos en ol idos a e i amen e.
Pa a o mesmo au o es a al a de exp essi idade
pode á es a elacionada com as p á icas educa-
i as o ien adas pa a o alo p óp io e não pa a
as elações com os ou os (Bea o, 2008), o que
pode á aduzi p ocessos de indi iduação mais
bem-sucedidos pelas meninas.
Com o p esen e es udo p e ende-se analisa
as di e enças na pe cepção do supo e social e
Supo e Social e Indi iduação em Jo ens de Di e en es Con i gu ações Familia es. 1315
p ocesso de indi iduação em unção da con i gu-
ação amilia , bem como analisa o pode p edi-
o da con i gu ação amilia , do gêne o, da idade
e da pe cepção do supo e social dos jo ens no
p ocesso de indi iduação.
Mé odo
Pa icipan es
A p esen e amos a oi cons i uída po 827
adolescen es e jo ens adul os po ugueses, sendo
253 (30,6%) do sexo masculino e 574 (69,4%) do
sexo eminino, com idades comp eendidas en e
os 13 e os 25 anos (M = 17,17; DP = ±3,28).
No que se e e e ao ní el de escola idade 296
(35,8%) sujei os equen am o 3º ciclo (ensino
undamen al no 7º, 8º e 9º ano, no B asil), 213
(25,8%) equen am o ensino secundá io (ensino
médio, no B asil) e 318 (38,5%) equen am o
ensino supe io (M=10,70; DP= ±2,14). No que
espei a à con i gu ação amilia da amos a 574
(69,4%) jo ens pe encem a amílias in ac as,
cujos pais es a am casados ou em união de a o
(união es á el, no B asil), 245 (29,6%) jo ens
pe encem a amílias di o ciadas, cujos pais es-
a am di o ciados ou sepa ados e 8 (1%) jo ens
em que os pais são iú os ou sol ei os.
Ins umen os
Foi elabo ado um ques ioná io sociodemo-
g á i co com is a à ecolha de in o mação e e-
en e a dados sociodemog á i cos, nomeadamen-
e, idade, sexo, ano de escola idade, escola ou
uni e sidade que equen a e con i gu ação do
ag egado amilia .
Pa a a alia a a iá el supo e social oi
u ilizada uma adap ação da Escala “Social Su-
ppo App aisals” (SSA), de Vaux e colabo a-
do es (1980), ealizada po An unes e Fon aine
(1995). A p esen e escala a alia a pe cepção do
apoio social dos adolescen es a qua o ní eis,
nomeadamen e, o apoio emocional dos ami-
gos com 7 i ens, po exemplo, “os meus amigos
espei am-me”, o apoio emocional da amília
com 8 i ens, po exemplo, “a minha amília es-
ima-me mui o”, o apoio emocional ge al com
8 i ens, po exemplo, “as pessoas, de um modo
ge al, gos am de mim”, e ainda, o apoio emocio-
nal dos p o esso es com 8 i ens, po exemplo,
“ enho p o esso es que se p eocupam bas an e
comigo”, concluindo-se um o al de 30 i ens na
e são po uguesa depois de ala gada, onde oi
ac escen ada a sub-escala apoio emocional dos
p o esso es com 8 i ens. T a a-se de uma escala
que a alia em 4 pon os (“conco do o almen e”,
“conco do”, “disco do”, “disco do o almen-
e”), de endo-se e em conside ação que me a-
de dos seus i ens são posi i os e ou a me ade
nega i os. Rela i amen e às suas p op iedades
psicomé icas a escala ap esen a um bom pode
disc imina i o e uma boa consis ência in e na
global (α =0,91; An unes & Fon aine, 1995). Na
p esen e amos a o am encon ados os seguin es
alo es de consis ência in e na, pa a a dimensão
amigos 0,85, pa a a dimensão amília 0,88, pa a
a dimensão p o esso 0,82 e pa a a dimensão
ge al 0,64, sendo o alo de consis ência in e -
na da escala comple a de 0,89. A análise a o-
ial con i ma ó ia à escala SSA demons a que
es a ap esen a um ajus amen o adequado 2(44) =
321,02, p=0,001; CFI=0,94, RMSEA=0,09; (S)
RMR=0,05.
Pa a medi o p ocesso de indi iduação u i-
lizou-se o Munich Indi idua ion Tes o Ado-
lescence (MITA) de Walpe , Schwa z, e Ju asic
(1996), nomeadamen e a e são de in es igação
de Ma os e Hüsgen (2009) pa a a população po -
uguesa. A escala e e ida encon a-se di idida
de igual o ma pa a o adolescen e a alia a mãe
e o pai e é cons i uída po 27 i ens, ag upados
em 6 dimensões: manu enção do laço, negação
do desejo de ligação, indi iduação bem sucedi-
da, ansiedade de usão e medo de con ole, medo
da pe da de amo e ambi alência. Os ês p i-
mei os dizem espei o ao elacionamen o e os
ês úl imos às insegu anças em elação aos pais
(K use & Walpe , 2008). É de e e i que na p e-
sen e in es igação se ão u ilizadas apenas ês
dimensões que dizem espei o ao elacionamen-
o (“ ela edness”): manu enção do laço com 3
i ens, po exemplo, “gos a ia de i e coisas em
conjun o com os meus pais”, negação do dese-
jo de ligação com 5 i ens, po exemplo, “ i co
insegu o(a) quando emos opiniões di e en es”
e indi iduação bem-sucedida com 4 i ens, po
exemplo, “os meus pais con inuam a se impo -

Sil a, A. R., Melo, O., Mo a, C. P.
1316
an es pa a mim, apesa de eu segui os meus
p óp ios in e esses”. De aco do com K use e
Walpe (2008) as escalas mos am consis ência
in e na adequada que a ia de al a de C onbach
α = 0,65 a α = 0,84. Na p esen e amos a o am
encon ados os seguin es alo es de consis ên-
cia in e na pa a as dimensões e e en es à mãe:
manu enção do laço 0,69, negação do desejo
de ligação 0,67 e indi iduação bem-sucedida
0,77. No que espei a ao pai, ob i emos os se-
guin es alo es de consis ência in e na: manu-
enção do laço 0,77, negação do desejo de li-
gação 0,65 e indi iduação bem-sucedida 0,85.
A análise a o ial con i ma ó ia à e são Mãe da
escala MITA demons a que es a ap esen a um
ajus amen o adequado 2(17) = 35,73, p= 0,005;
CFI=0,98; RMSEA=0,03; (S)RMR=0,04. No
que espei a à e são Pai e i i ca-se que am-
bém ap esen a um ajus amen o adequado 2(17) =
98,65, p= 0,001; CFI=0,97; RMSEA=0,05; (S)
RMR=0,08.
P ocedimen os
Cole a de Dados. A p esen e in es igação
de na u eza ans e sal ealizou uma cole a de
o ma alea ó ia no No e de Po ugal em ins i ui-
ções como Escolas Secundá ias e Escolas P o i s-
sionais em u mas do 7º ao 12º ano, e ainda na
Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o
e em população do No e de Po ugal, a ando-
-se de uma amos a de con eniência. A cole a
de dados, a a és da adminis ação do p o ocolo,
oi ealizada, após a de ida au o ização e con-
sen imen o in o mado dos ep esen an es das
ins i uições e dos pa icipan es. Du an e a cole a
de dados a equipe de in es igação p ocedeu ao
o necimen o de uma ins ução pad ão, que es-
cla eceu os obje i os e a i nalidade do es udo.
Todas as ques ões é icas o am ga an idas, como
a con i dencialidade, anonima o e olun a iedade
da pa icipação.
Análise de Dados. Os dados o am anali-
sados com ecu so ao p og ama es a ís ico Sa-
is ical Package o he Social Sciences, e são
22. P ocedeu-se à limpeza dos dados (missings e
ou lie s) e ainda à análise das p op iedades psi-
comé icas, como a con i mação da no malida-
de da amos a, bem como consis ência in e na e
análises a o iais con i ma ó ias dos ins umen-
os. Pa a a ob enção dos esul ados p ocedeu-se
a análises es a ís icas eco endo às análises de
a iância en e g upos a a és do es - e análises
de eg essão múl ipla hie á quica.
Resul ados
Pe cepção do Supo e Social
e do P ocesso de Indi iduação
em Função da Con i gu ação Familia
Ao compa a as dimensões da pe cepção do
supo e social em unção da con i gu ação a-
milia , oi possí el in e i que não exis em di-
e enças signi i ca i as en e jo ens de amílias
in ac as e di o ciadas nas dimensões amigos,
p o esso e ge al, enquan o na dimensão amí-
lia oco em di e enças signi i ca i as en e jo-
ens de di e en es con i gu ações amilia es, sen-
do que os jo ens pe encen es a amílias in ac as
ap esen am ní eis supe io es de pe cepção do
supo e amilia compa a i amen e com os jo-
ens de amílias di o ciadas (Tabela 1). No que
conce ne à p esença de di e enças signi i ca i as
ao ní el do p ocesso de indi iduação em unção
da con i gu ação amilia (jo ens de amílias in-
ac as e di o ciadas) ealiza am-se análises di e-
enciais pa a mãe e pai sepa adamen e.
Rela i amen e à análise do p ocesso de in-
di iduação à mãe, na dimensão manu enção
do laço à mãe e i i ca-se que exis em di e en-
ças signi i ca i as en e os jo ens de amílias in-
ac as e di o ciadas, deno ando-se que os jo ens
de amílias in ac as ap esen am maio manu en-
ção do laço com a mãe compa a i amen e aos
jo ens de amílias di o ciadas. Na dimensão
negação do desejo de ligação à mãe deno a-se
a exis ência de di e enças, sendo que os jo ens
que pe encem a amílias di o ciadas ap esen-
am maio negação do desejo de ligação em e-
lação à mãe compa a i amen e com os jo ens
de amílias in ac as. Analisando a indi iduação
bem-sucedida à mãe e idenciam-se di e enças
signi i ca i as, sendo que maio es ní eis de in-
di iduação bem-sucedida à mãe pe encem aos
jo ens que êm uma es u u a amilia in ac a
compa ando com os jo ens de amílias di o -
ciadas (Tabela 1).
Supo e Social e Indi iduação em Jo ens de Di e en es Con i gu ações Familia es. 1317
No que espei a ao p ocesso de indi idua-
ção di ecionado ao pai oi ambém possí el e-
i i ca di e enças signi i ca i as. Na manu enção
do laço ao pai e i i ca-se que os dois g upos
de jo ens ap esen am di e enças signi i ca i as,
deno ando-se que os ní eis mais al os pe encem
aos jo ens de amílias in ac as compa a i amen-
e com os jo ens de amílias di o ciadas. Ana-
lisando a negação do desejo de ligação ao pai
deno a-se que do mesmo modo exis em di e en-
ças signi i ca i as en e g upos, sendo que são os
jo ens de amílias di o ciadas que ap esen am
ní eis supe io es aos jo ens de amílias in ac as.
Finalmen e, analisando a indi iduação bem-su-
cedida em elação ao pai, e i i ca-se que am-
bém exis em di e enças signi i ca i as nas médias
en e g upos, e i i cando-se que são os jo ens de
amílias in ac as que ap esen am ní eis supe io-
es de indi iduação bem-sucedida ao pai compa-
ando com os jo ens de amílias di o ciadas.
P edição do P ocesso de Indi iduação:
Papel do Sexo, Con i gu ação Familia ,
Idade e Pe cepção do Supo e Social
Pa a analisa o pode p edi o das a iá eis
sexo, con i gu ação amilia , idade e da pe cep-
ção do supo e social no p ocesso de indi idua-
ção eco eu-se à análise de eg essão múl ipla
hie á quica. No que espei a às a iá eis sexo,
con i gu ação amilia e idade o am c iadas a-
iá eis dummys.
P edição da Manu enção do Laço à Mãe e
ao Pai. Analisando os esul ados e i i ca-se que
o modelo da dimensão manu enção do laço à
mãe pode se p edi o signi i ca i amen e po al-
gumas das a iá eis independen es in oduzidas.
Nes e sen ido o sexo (bloco 1) em um con i-
bu o signi i ca i o F(1, 821)=4,39; p=0,037,
explicando 0,5% da a iância o al (R2=0,005),
con ibuindo indi idualmen e com 0,5% da a-
iância pa a o modelo (R2change=0,005). No
Tabela 1
Di e enciação da Pe cepção do Supo e Social e P ocesso de Indi iduação em Função da Con i gu ação Familia
Dimensões
1-Família In ac a 2-Família Di o ciada
95% IC p
(n=574) (n=245)
M±DP M±DP
SSA
Amigos 4,94±0,75 4,92±0,79 [-0,09; 0,14] (81) =0,36 0,716
Família 5,23±0,73 4,89±0,97 [0,23; 0,47] (366)=5,06 0,001
P o esso 4,00±0,86 3,95±0,98 [-0,09; 0,19] (414)=0,74 0,459
Ge al 4,37±0,58 4,30±0,66 [-0,03; 0,16] (410)=1,35 0,179
MITA MÃE
Manu enção do Laço 3,33±0,56 3,14±0,78 [0,09; 0,30] (356)=3,54 0,001
Negação do Desejo
de Ligação 1,83±0,56 1,98±0,64 [-0,24; -0,05] (415)=-3,07 0,002
Indi iduação
bem sucedida 3,54±0,46 3,35±0,72 [0,08; 0,28] (332)=3,64 0,002
MITA PAI
Manu enção do Laço 3,29±0,61 2,78±0,96 [0,38; 0,64] (330)=7,67 0,001
Negação do Desejo
de Ligação 1,88±0,58 2,18±0,67 [-0,39; -0,20] (404)=-6,06 0,001
Indi iduação
bem sucedida 3,45±5,29 2,92±0,97 [0,39; 0,66] (308)=8,06 0,001
No a. SSA- escala da pe cepção do supo e social; MITA- Munich Indi idua ion Tes o Adolescence.
Sil a, A. R., Melo, O., Mo a, C. P.
1318
bloco 2, su ge a con i gu ação amilia que
ambém con ibui signi i ca i amen e pa a a
a iância do modelo F(2, 820)=9,66; p=0,001
e explica 2,3% da a iância o al (R2=0,023),
ap esen ando um con ibu o indi idual de 1,8%
(R2change=0,018). Também a pe cepção do
supo e social (bloco 4) con ibui signi i ca i a-
men e pa a o modelo F(7, 815)=14,11; p=0,001
e explica 10,8% da a iância o al (R2=0,108),
ap esen ando um con ibu o indi idual de 8,4%
(R2change=0,084).
Realizando uma análise mais po meno i-
zada de cada a iá el independen e e i i ca-se
que o modelo da a iá el manu enção do laço
à mãe ecebe uma con ibuição signi i ca i a de
ês a iá eis que explicam 10,8% do modelo.
As a iá eis são as ap esen adas po o dem de
impo ância: pe cepção do supo e da amí-
lia (β=0,297; p=0,001); amílias in ac as (β=-
0,075; p=0,029); e pe cepção do supo e do p o-
esso (β=0,073; p=0,046; Tabela 2).
Tabela 2
Reg essões Múl iplas Hie á quicas pa a P ocesso de Indi iduação
Manu enção do laço à mãe R2R2 Change BSE β p
Bloco 1- Sexo 0,005 0,005
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,023 0,018 -0,104 0,048 -0,075 2,187 0,029
Bloco 3 – Idade 0,024 0,001
Bloco 4 – SSA 0,108 0,084
Amigos
Família 0,233 0,032 0,297 7,189 0,001
P o esso 0,053 0,026 0,073 1,999 0,046
Ge al
Manu enção do laço ao pai R2R2 Change BSE β p
Bloco 1 - Sexo 0,001 0,001
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,086 0,085 -0,417 0,056 -0,251 7,477 0,001
Bloco 3 – Idade 0,086 0,000
Bloco 4 – SSA 0,132 0,046
Amigos
Família 0,222 0,038 0,237 5,819 0,001
P o esso
Ge al
Negação do desejo de ligação à mãe R2R2 Change BSE β p
Bloco 1 – Sexo 0,068 0,068 0,251 0,042 0,196 6,020 0,001
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,077 0,074
Bloco 3 – Idade 0,082 0,005 -0,084 0,040 -0,068 2,066 0,039
Bloco 4 – SSA 0,179 0,097
Amigos
Família -0,251 0,028 -0,349 8,809 0,001
P o esso
Ge al 0,137 0,043 0,140 3,178 0,002
Supo e Social e Indi iduação em Jo ens de Di e en es Con i gu ações Familia es. 1319
Negação do desejo de ligação ao pai R2R2 Change BSE β p
Bloco 1 – Sexo 0,048 0,048 0,213 0,044 0,158 4,826 0,001
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,093 0,045 0,209 0,044 0,155 4,723 0,001
Bloco 3 – Idade 0,094 0,002
Bloco 4 – SSA 0,169 0,074
Amigos
Família -0,235 0,030 -0,310 7,779 0,001
P o esso
Ge al 0,125 0,046 0,122 2,747 0,006
Indi iduação bem-sucedida à mãe R2R2 Change BSE β p
Bloco 1 – Sexo 0,011 0,011
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,031 0,020 -0,085 0,040 -0,070 2,145 0,032
Bloco 3 – Idade 0,034 0,004
Bloco 4 – SSA 0,180 0,145
Amigos
Família 0,232 0,027 0,340 8,600 0,001
P o esso
Ge al
Indi iduação bem-sucedida ao pai R2R2 Change BSE β p
Bloco 1 – Sexo 0,000 0,000
Bloco 2 - Con i gu ação . 0,109 0,108 -0,441 0,051 -0,280 8,575 0,001
Bloco 3 – Idade 0,109 0,000
Bloco 4 – SSA 0,183 0,075
Amigos
Família 0,243 0,035 0,274 6,935 0,001
P o esso
Ge al
No a. B, SE pa a um ní el de signi i cância de p <0,05; Bloco 1- Sexo; Bloco 2- Con i gu ação Familia ; Bloco 3 – Idade; Bloco
4- Dimensões da pe cepção do supo e social (SSA).
Rela i amen e à dimensão manu enção do
laço ao pai e i i ca-se que a con i gu ação ami-
lia (bloco 2) con ibui signi i ca i amen e pa a a
a iância do modelo F(2, 820)=38,38; p=0,001,
explicando 8,6% da a iância o al (R2=0,086),
e ap esen ando um con ibu o indi idual de
8,5% (R2change=0,085). Também a pe cepção
do supo e social con ibui signi i ca i amen-
e pa a o modelo F(7, 815)=17,66; p=0,001 e
explica 13,2% da a iância o al (R2=0,132),
ap esen ando um con ibu o indi idual de 4,6%
(R2change=0,046). A a és de uma análise mais
ap o undadamen e de cada a iá el independen-
e e i i ca-se que o modelo da a iá el manu-
enção do laço ao pai ecebe uma con ibuição
signi i ca i a de duas a iá eis que explicam
13,2% da a iância do modelo. Assim, a con i -
gu ação amilia – amílias casadas con ibui de
Sil a, A. R., Melo, O., Mo a, C. P.
1326
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Recebido: 18/02/2015
1ª e isão: 17/10/2015
2ª e isão: 04/11/2015
Acei e i nal: 12/11/2015