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A influência das visitas íntimas na vivência da reclusão feminina

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A influência das visitas íntimas na vivência da reclusão feminina

Author: Rita Isabel de Sousa Pinto
Year: 2016
DOI: 10.34626/rknm-g429
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/83294/2/119658.pdf
Uni e sidade do Po o
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
A INFLUÊNCIA DAS VISITAS ÍNTIMAS NA VIVÊNCIA DA RECLUSÃO
FEMININA
Ri a Isabel de Sousa Pin o
Junho, 2015
Disse ação ap esen ada no Mes ado In eg ado de Psicologia,
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do
Po o, o ien ada pela P o esso a Dou o a Alexand a Oli ei a
(FPCEUP)
ii
A isos legais
O con eúdo des a disse ação e le e as pe spe i as, o abalho e as in e p e ações do
au o no momen o da sua en ega. Es a disse ação pode con e inco eções, an o
concep uais como me odológicas, que podem e sido iden i icadas em momen o
pos e io ao da sua en ega. Po conseguin e, qualque u ilização dos seus con eúdos
de e se exe cida com cau ela.
Ao en ega es a disse ação, o au o decla a que a mesma é esul an e do seu p óp io
abalho, con ém con ibu os o iginais e são econhecidas odas as on es u ilizadas,
encon ando-se ais on es de idamen e ci adas no co po do ex o e iden i icadas na
secção de e e ências. O au o decla a, ainda, que não di ulga na p esen e disse ação
quaisque con eúdos cuja ep odução es eja edada po di ei os de au o ou de
p op iedade indus ial
iii
Ag adecimen os
À P o esso a Dou o a Alexand a Oli ei a, po me e p opo cionado uma
excelen e o ien ação, po oda a sua disponibilidade na ealização de um abalho conjun o
e pela dedicação e empenho semp e demons ados ao longo des a in es igação. A si,
mui o ob igada!
À di eção do Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo po me e
au o izado ealiza a ecolha de dados na sua ins i uição.
Aos meus amigos, pela nossa amizade e po me e em acompanhado ao longo de
mais um ciclo.
À minha amília po odo o in e esse, con iança e mo i ação que semp e sen i da
ossa pa e. Po se em os melho es!
Aos meus pais, po udo, po que nem o maio dos ag adecimen os se á ep esen a i o
de quão g a a os es ou po udo o que ize am po mim. Só espe o um dia pode e ibui -
os da mesma o ma.
Às eclusas do Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo Feminino, pois sem
elas, sem as suas his ó ias de ida, sem as suas pa ilhas, nada se ia possí el.
i
Resumo
A cons a ação de um índice de eclusão eminina em Po ugal cada ez mais
exp essi o (Ma os & Machado, 2007) e a escassa in es igação em o no des e enómeno,
o nam impo an e a comp eensão do modo como as expe iências in amu os in luenciam
a i ência da eclusão eminina. Tendo is o em con a, es e es udo em como obje i os
conhece as a i udes, pe ceções e signi icados que as eclusas insc i as e não insc i as no
egime de isi as ín imas êm sob e es e egime e comp eende em que medida
pe cecionam a in luência des e na i ência da eclusão eminina.
Consequen emen e, ado ando uma me odologia quali a i a, ealizamos en e is as
semies u u adas, a qua en a eclusas ( in e eclusas insc i as no egime de isi as ín imas
e in e eclusas não insc i as no egime de isi as ín imas), de idas no Es abelecimen o
P isional de San a C uz do Bispo Feminino, que o am sujei as a análise de con eúdo.
Concluímos que odas as eclusas en e is adas possuem an o a i udes posi i as como
nega i as em elação à isi a ín ima. Não obs an e, de uma o ma ge al,
independen emen e de usu uí em ou não do egime de isi as ín imas, a maio ia das
mulhe es en e is adas enca a as isi as ín imas na p isão como um p og ama
signi ica i o e posi i o, com uma in luência a o á el na i ência da eclusão eminina
ao ní el da melho ia compo amen al e do bem-es a psicológico.
A única di e ença encon ada en e os dados de ambos os g upos diz espei o à
possibilidade de oco ência de iolência du an e as isi as ín imas, sendo que a maio ia
das eclusas insc i as no egime de isi as ín imas a i mou e conhecimen o de algumas
si uações de iolência du an e as isi as ín imas, ao con á io da pe ceção da maio ia das
eclusas não insc i as nes e mesmo egime.
Espe amos que os esul ados des e es udo, ao o nece uma maio comp eensão
sob e es e ipo de isi as, possa con ibui pa a ape eiçoa es e ipo de egime, de o ma
a melho se i os obje i os do mesmo. Além dis o, a nossa in es igação ao demons a ,
do pon o de is a da maio ia das en e is adas, uma con ibuição das isi as ín imas ao
ní el do equilíb io psicoa ec i o e compo amen al das eclusas, suge e que melho a es e
egime pode aumen a a qualidade de ida de oda a comunidade p isional.
PALAVRAS-CHAVE: Reclusão eminina, isi as ín imas, a i udes, pe ceções,
signi icados.
Abs ac
The emale imp isonmen a e in Po ugal is inc easing (Ma os & Machado, 2007)
and he e has been li le esea ch on he phenomenon, so i ´s e y impo an o unde s and
how he p ison expe iences in luence he expe ience o emale imp isonmen .
The p esen s udy aims o know which a i udes, pe cep ions and meanings ha
inma es wi h and wi hou p i a e isi a ion ha e abou his p og am and unde s and i
hey hink ha conjugal isi s in luences he expe ience o emale imp isonmen .
Consequen ly, by adop ing a quali a i e me hodology, we conduc ed semi-
s uc u ed in e iews o o y p isone s ( wen y inma es wi h conjugal isi a ion and
wen y inma es wi hou conjugal isi a ion), a es ed in San a C uz do Bispo emale
p ison. Fo he analysis o he in e iews we used he con en analysis
In gene al, in spi e o all he p isone s in e iewed ha ing posi i e and nega i e
a i udes owa d conjugal isi s, mos o he women in e iewed see he conjugal isi s in
p ison as a signi ican and posi i e p og am, wi h a good in luence on he expe ience o
emale imp isonmen by imp o ing hei beha io and inc easing hei psychological
well-being.
The only di e ence obse ed be ween bo h g oups o da a conce ning wi h he
occu ence o iolence du ing in ima e isi s. Mos inma es en olled in in ima e isi s
egime claimed o ha e knowledge o he exis ence o some cases o iolence du ing
conjugal isi s, unlike he pe cep ion o mos inma es no en olled in he same egime.
We hope ha he esul s o his s udy may con ibu e o imp o e his ype o
p og am, in o de o mee hei goals. As i ou esea ch has shown, om he poin o
iew o mos in e iewed, conjugal isi s con ibu es o he psycho-a ec i e and
beha io al balance o inma es. So, we sugges ha imp o ing his p og am can enhance
he quali y o li e o he en i e p ison communi y.
KEYWORDS: Female imp isonmen , conjugal isi s, a i udes, pe cep ions, meanings.

i
Résumé
La cons a a ion de aux d'inca cé a ion des emmes au Po ugal es de plus en plus
exp essi e (Ma os & Machado, 2007) e ayan peu de eche che su ce phénomène,
l'in es issemen dans la comp éhension de la açon don les expé iences a l’in é ieu des
mu s in luencen l'expé ience de la éclusion des emmes de ien de plus en plus
impo an e.
Dans ce e pe spec i e, la p ésen e é ude ise à connaî e les a i udes, les
pe cep ions e les signi ica ions que les dé enues insc i es e non-insc i es à la isi e in ime
on su ce égime e de comp end e dans quelle mesu e elles s’ape çoi en ou non une
in luence de l'expé ience des isi es in imes dans la éclusion des emmes.
Pa conséquen , adop an une mé hodologie quali a i e, nous a ons mené des
en e iens semi-s uc u és à qua an e p isonniè es ( ing p isonniè es insc i es à la isi e
in imes e ing p isonniè es non insc i es dans les isi es in imes), dé enues dans la
p ison de San a C uz do Bispo Féminine. Lín e p é a ion des en e iens a é é e ec uée en
u ilisan lánalyse de con enu.
En géné al, quel que soi les p isonniè es in e ogées ayan des a i udes posi i es
e néga i es conce nan les isi es in imes, la plupa des emmes in e ogées oi les
isi es conjugales en p ison comme un p og amme signi ica i e posi i , a ec une
in luence a o able su l'expé ience de la éclusion des emmes au ni eau de
l'amélio a ion du bien-ê e compo emen al e psychologique.
La plupa des dé enues insc i es à une isi e in ime on décla é a oi connaissance
de ce ains cas de iolence au cou s des isi es in imes, con ai emen à la pe cep ion de
la plupa des dé enues non insc i es dans ce égime.
Nous espé ons que les ésul a s de ce e é ude peu en con ibue à amélio e ce ype de
isi es a in de mieux a eind e ses objec i s. Comme la eche che a mon é, du poin de
ue de la plupa des in e iewés, les isi es in imes con ibuen à l´équilib e
psychoa ec i e compo emen al des dé enues. Pa conséquen , amélio e ce sys ème
peu con ibue à acc oî e la quali é de ie de la communau é ca cé ale.
MOTS-CLÉS: éclusion éminine, isi es in imes, a i udes, pe cep ions, signi ica ions.
ii
Índice
1. In odução ............................................................................................................ 1
2. Re isão da Li e a u a
2.1.C iminalidade Feminina .................................................................................. 3
2.2.Adap ação à Reclusão ...................................................................................... 5
2.3.Visi as Ín imas ................................................................................................. 8
3. Es udo Empí ico
3.1.Obje o e Obje i os de In es igação ............................................................... 14
3.2.Mé odo ........................................................................................................... 15
3.2.1. Ins umen o de Recolha de In o mação: En e is as Semies u u adas
........................................................................................................... 15
3.2.2. Pa icipan es ...................................................................................... 16
3.2.3. P ocedimen os ................................................................................... 17
3.2.4. T a amen o dos Dados: Análise de Con eúdo de Tipo Ca ego ial .... 18
4. Análise dos Resul ados
4.1. Reclusas insc i as no Regime de Visi as Ín imas ......................................... 19
4.1.1. C iminalidade Feminina ................................................................. 19
4.1.2. Adap ação à Reclusão ..................................................................... 22
4.1.3. Visi as Ín imas .................................................................................. 24
4.2. Reclusas não insc i as no Regime de Visi as Ín imas .................................. 31
4.2.1. C iminalidade Feminina .................................................................. 31
4.2.2. Adap ação à Reclusão .................................................................... 33
4.2.3. Visi as Ín imas ................................................................................. 34
5. Análise In eg a i a e Compa a i a das Na a i as das Reclusas Insc i as e
não Insc i as no Regime de Visi as Ín imas ................................................................ 39
6. Conside ações Finais e Conclusão ...................................................................... 43
7. Re e ências Bibliog á icas ................................................................................... 46
8. Anexos .................................................................................................................... 51
iii
Índice de ab e ia u as
RVI: Regime de Visi as Ín imas
EP: Es abelecimen o P isional
EPSCB-F: Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo Feminino
DGRSP: Di eção-Ge al de Reinse ção e Se iços P isionais
1
1. In odução
Num con ex o ca a e izado pela disciplina e pelo con olo sob e os co pos dos/as
eclusos/as, a inibição, o condicionamen o e a egulação da in imidade pa ece se uma
ques ão pa adoxal den o da es e a penal (G anja, Cunha & Machado, 2014).
T adicionalmen e, a p i ação de elações he e ossexuais den o da p isão le ou os eclusos
a conside a em es a a p incipal di iculdade sen ida du an e a i ência da eclusão ( e Sykes,
1958). A pa i des e dado, a pesquisa ela i a a es e ópico cen ou-se maio i a iamen e na
cons ução de elações homossexuais den o da p isão e pouca a enção em sido dada à
expe iência da sexualidade en e casais he e ossexuais no con ex o de eclusão. A pouca
pesquisa exis en e oca-se nas azões da implemen ação das isi as ín imas e na análise das
eações dos gua das p isionais em elação a es e ipo de p og ama (G anja e al., 2014).
Con udo, con inua a se escassa a in o mação sob e como os eclusos, em pa icula as
mulhe es eclusas, cons oem, expe ienciam, pe cecionam e dão signi icado às suas elações
sexuais. Em Po ugal, a in es igação sob e es e ema é p a icamen e inexis en e.
Tendo udo is o em con a, e admi indo que exis em múl iplos a o es que in luenciam
a i ência da eclusão, nes e es udo p e endemos iden i ica e analisa as a i udes das
eclusas em elação às isi as ín imas, que usu uam des as que não, e examina os
signi icados da isi a ín ima pa a as suas pa icipan es e não pa icipan es, de o ma a
explo a em que medida pe cecionam ou não uma in luência das isi as ín imas na i ência
da eclusão eminina. P e endemos, po úl imo, compa a as espos as das eclusas de ambos
os g upos, p ocu ando i ências pa ilhadas e únicas e pon os de is a simila es ou dis in os
que nos pe mi am comp eende de o ma mais ap o undada a i ência da eclusão eminina.
Pa a a conc e ização do nosso es udo, ado amos uma posição enomenológica e
heu ís ica, de comp eensão das i ências, a i udes, pe ceções e signi icados das eclusas
insc i as e não insc i as no egime de isi as ín imas.
Es e es udo e ela-se pe inen e pela exiguidade de dados sob e es as ques ões an o
em Po ugal, como a ní el in e nacional, ainda mais a ando-se duma amos a cons i uída
po mulhe es, quando a maio ia dos es udos nes e âmbi o em amos as compos as po
homens. No nosso en ende , a pe inência do nosso es udo eside, ainda, na impo ância de
en a comp eende a o ma como de e minadas expe iências na p isão in luenciam o modo
como as eclusas i enciam a sua eclusão, na medida em que ac edi amos que melho a o
8
2.3. Visi as Ín imas
“A p isão de e p ocu a espelha an o quan o possí el a sociedade em dimensões
essenciais da exis ência humana, ais como as dimensões a e i a e a sexual” (Cunha,
2008).
Segundo cons a no Dec e o-Lei nº115/2009 de 12 de Ou ub o, e e en e ao Código
de Execução das Penas, a execução das penas e medidas de segu ança p i a i as da libe dade
não isa a me a punição do agen e, mas a einse ção des e na sociedade, p epa ando-o pa a
conduzi a sua ida de modo socialmen e esponsá el, sem come e c imes. Tendo al como
p essupos o basila , as eo ias a a o do isolamen o e da sepa ação com base no
cump imen o das polí icas e p á icas de punição e segu ança das p isões e oluí am
g adualmen e pa a a comp eensão a ual da impo ância da amília e dos amigos na
eabili ação da pessoa eclusa (Casey-Ace edo & Bakken, 2002).
De aco do com Hensley, Ru land e G ay-Ray (2000) as isi as ín imas su gi am em
1918, pela p imei a ez, no es ado do Mississippi, como uma o ma de con ola a ag essão
dos eclusos con a os uncioná ios e ou os eclusos, sendo que es e p og ama es a a apenas
acessí el aos eclusos do sexo masculino neg os, como es a égia pa a os con ola e ga an i
que es es se es o ça am no abalho nos campos de algodão. Segundo os mesmos au o es,
al es ição de i a a de dois es e eó ipos aciais: da noção de que os homens neg os e am
p omíscuos e não conseguiam con ola os seus impulsos, e de que es es possuíam uma o ça
sob e-humana.
Em Po ugal, as isi as ín imas en e casais he e ossexuais su gi am em 1998, na
sequência das isi as da p o edo ia da jus iça aos es abelecimen os p isionais (P. M.
Ca alho, comunicação pessoal, 06 de No emb o, 2014). Des as esul ou a ealização de um
ela ó io, no qual e am abo dadas di e sas emá icas, sendo uma delas a p opos a de
in odução do Regime de Visi as Ín imas (RVI) nos es abelecimen os p isionais po ugueses
(P. M. Ca alho, comunicação pessoal, 06 de No emb o, 2014). Em 2009, com a ap o ação
do no o Código da Execução das Penas e Medidas P i a i as da Libe dade passa am a se
pe mi idas as isi as ín imas en e casais do mesmo sexo (Dec e o-Lei nº115/2009).
Con udo, a é 2010, não ha iam ins alações disponí eis nos es abelecimen os p isionais
po ugueses emininos pa a pe mi i a ealização de isi as ín imas, sendo que, as eclusas
apenas inham isi as ín imas se os seus companhei os ambém es i essem p esos (G anja,

9
Cunha & Machado, 2014). Em Ou ub o de 2010 ealizou-se a p imei a isi a ín ima no
Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo Feminino (EPSCB-F).
O p imei o al o do RVI o am os eclusos casados, com penas de p isão longas e
sem medidas de lexibilização da pena, uma ez que o ac o de es es não i em ao ex e io
p o oca a o desgas e das suas elações e, consequen emen e, a pe da de con ac o com a sua
amília (P. M. Ca alho, comunicação pessoal, 06 de No emb o, 2014).
Desde a en ada em igo do RVI em Po ugal a é aos dias de hoje, es e já so eu
al e ações, nomeadamen e nos equisi os necessá ios à possibilidade de admissão ao mesmo.
Po exemplo, a ualmen e pode se au o izada a ecebe isi as ín imas não só a eclusa que
se encon e casada ou man enha elação análoga à dos cônjuges, como aquela que, não sendo
casada, inicie elação a e i a com pessoa isi an e, desde que enha ecebido, da mesma,
isi as egula es ao longo de um ano (Dec e o-Lei nº115/2009). Nes e mesmo dec e o pode,
ainda, le -se que a eclusa pode bene icia de uma isi a ín ima mensal, com a du ação
máxima de ês ho as, sendo que o es abelecimen o p isional assegu a o o necimen o das
condições logís icas e ma e iais necessá ias à sua oco ência.
De aco do com Lima (2006), a in odução da isi a ín ima nas p isões emininas az
pa a o espaço público da p isão, o espaço p i ado da sexualidade conjugal e a o ma como
as mulhe es lidam com es e dualismo. Es a o ma de di usão do domínio da in imidade na
a ualidade az eme gi , segundo a mesma au o a, uma ou a ques ão: o con olo espacial e
de au o idade sob e a ida ín ima. Tendo as elações na p isão ca ac e ís icas como a ges ão
puni i a, a in e dição e a igilância, es as acabam, necessa iamen e, po in e e i nes as
ligações ín imas que oco em num espaço ca a e izado pela al a de p i acidade, como é o
da eclusão. A pe manência de ínculos pa a além e no in e io das on ei as penais az com
que, não a as ezes, o meio co ecional se ans o me num ins umen o egulado que se
o na pa e in eg an e do uncionamen o das elações (Com o , 2007).
De aco do com as his ó ias de ida das mulhe es en e is adas po G anja, Cunha e
Machado (2012), as elações ín imas em conjugação com es e con olo penal pa en eiam a
econ igu ação da in imidade e das suas dinâmicas a e i as e sexuais. Nes e sen ido, o
con ole ins i ucional sob e a ida ín ima eminina não ecai apenas sob e a de enção da
mulhe , mas ab ange a sua i ência conjugal mais as a (G anja, e al., 2012).
Segundo Hensley e al. (2000), os es udos sob e o ema das isi as ín imas inicia am-
se na 2ª me ade do século XX, com o abalho de Hoppe in i ulado “Sexo na P isão”. Desde
aquela época, os de enso es des es p og amas de isi as ín imas êm a gumen ado que es as
man êm a es abilidade amilia (e.g., Casey-Ace edo & Bakken, 2002), eduzem o
10
compo amen o iolen o sexual e não sexual na p isão (e,g., D’Alessio, Flexon &
S olzenbe g, 2013; Siennick, Mea s & Bales, 2013), diminuem o isolamen o social na p isão,
aumen ando o bem-es a psicológico da pessoa eclusa (e.g., Tewksbu y & DeMichele,
2005), ajudam a con ola a homossexualidade no ambien e de eclusão, diminuem a
p obabilidade do indi íduo eincidi (e.g., Mea s, Coch an, Siennick & Bales, 2012) e
p omo em uma einse ção social mais posi i a (e.g., Vishe & O'Connell, 2012). De e-se
salien a que a maio ia dos es udos êm como amos a homens eclusos, daí que a aplicação
des es esul ados à população eclusa eminina de e se cau elosa, sendo necessá ios es udos
compa a i os (Eina & Rabino i z, 2012).
No que conce ne ao p imei o aspe o, a es abilidade amilia , no es udo de F inhani e
Souza (2005) as eclusas mencionam que o ac o de es a em p esas p o ocou mudanças
d ás icas nas elações amilia es. Assim, as isi as ín imas su gem aqui como algo posi i o,
na medida em que á ios es udos êm supo ado a ideia de que es as man êm o equilíb io da
amília, an o pa a eclusos do sexo masculino como pa a eclusos do sexo eminino
(Hensley e al., 2000).
No es udo de Eina e Rabino i z (2012), as mulhe es eclusas que ecebem isi as
ín imas alo izam mais a sa is ação emocional ad inda da isi a com o seu cônjuge, do que
a elação sexual pe si, esul ado es e que su giu no amen e no es udo de G anja e al. (2014).
Ou o a gumen o é o de que as isi as, no ge al, e as isi as ín imas, em pa icula ,
eduzem o compo amen o iolen o na p isão, incluindo as ag essões sexuais. Es as, ao
pe mi i em a manu enção dos laços com a amília, amigos e memb os da comunidade,
uncionam como um ins umen o de con ole in o mal, podendo con ibui pa a desenco aja
a má condu a ins i ucional do/a ecluso/a (Jiang & Win ee, 2006). Es as ligações amilia es
podem se impo an es num con ex o onde a pessoa eclusa en en a uma p essão
conside á el pa a a con o midade com as subcul u as des ian es da p isão, uma ez que se
as conexões com a comunidade en aquecem, o/a ecluso/a pode começa a iden i ica -se
mais com a cul u a da p isão (Coch an, 2012). No seu es udo, Coch an (2012) suge e que
uma explicação plausí el pa a al pode se a de que o con a o egula com amigos e amilia es
pe mi e que a pessoa man enha o seu papel na amília ou como memb o da comunidade,
iden i icando-se em meno g au com a subcul u a da p isão. Nes e sen ido, Mea s, Coch an,
Siennick e Bales (2012) suge em que a manu enção ou a c iação de laços sociais, incluindo
as elações com cônjuges, ou os signi ica i os, amilia es e amigos pa ece se um
mecanismo undamen al a a és do qual as pessoas na p isão podem e i a a in luência
po encialmen e c iminógena do pe íodo de eclusão, incluindo as ensões e hos ilidades que
11
su gem du an e e que podem a e a a p opensão pa a o c ime, aumen ando, ambém, a
p obabilidade de uma einse ção de sucesso.
Como os es udos sob e a adap ação à p isão suge em, uma das p eocupações cen ais
que os eclusos exp essam é o isolamen o das edes sociais às quais pe enciam e
pa icipa am an e io men e (Mea s e al., 2012). Assim, a isi a pode eduzi os sen imen os
de pe da e us ação e a al a de espe ança associados à queb a dos laços com a amília,
amigos e comunidade (Bales & Mea s, 2008). Além disso, a isi a pode sus en a ou c ia
edes sociais que, após a libe ação, pe mi em aos ex- eclusos/as lida com os desa ios que
se opõem a uma een ada de sucesso e assim eduzi as ensões com que são con on ados/as
(Mea s e al., 2012).
Uma ou a e idência su ge no es udo de Vishe e O'Connell (2012), no qual
ealiza am en e is as a 800 eclusos de ambos os sexos ace ca das suas pe ceções sob e o
eg esso à ida em libe dade e onde suge em que os p og amas p isionais que acili am o
apoio da amília du an e o pe íodo de eclusão êm um papel impo an e no aumen o do
o imismo de homens e mulhe es eclusos/as no seu e o no à comunidade. Segundo es es
au o es, os laços amilia es, a a és do apoio pe cebido, con ibuem pa a o ien a os/as
eclusos/as no sen ido de uma pe spe i a o imis a sob e a sua einse ção social. Também
Casey-Ace edo e Bakken (2002) de endem que a manu enção dos laços amilia es po meio
de p og amas de isi ação pode ajuda a o alece as elações en e a pessoa eclusa e a sua
amília, o que, p o a elmen e, i á aumen a a possibilidade de uma adap ação bem-sucedida
à p isão e à ida após a mesma, bem como con ibui pa a a euni icação com amigos e
amilia es.
O es udo de Eina e Rabino i z (2012), o qual ealizou en e is as a oi o eclusas de
Ne e Ti za (Is ael) insc i as no RVI, com o in ui o de conhece as suas a i udes e signi icados
em elação a es e, concluiu que as pa icipan es demons am an o a i udes nega i as como
posi i as em elação às isi as ín imas. Po um lado, as eclusas enca am as isi as ín imas
na p isão como um p og ama signi ica i o e posi i o, de endendo que es as pe mi em não
só a g a i icação sexual, como ambém con ibuem pa a uma expe iência de p i acidade
empo á ia, pa a uma sensação de libe dade e pa a o es abelecimen o da in imidade, o que
a enua as suas do es de p isão e o i ica as suas elações com os seus pa cei os (Eina &
Rabino i z, 2012). Po ou o lado, du an e as isi as, odas elas c i icam o mau es ado das
ins alações onde as isi as deco em e pa ilham um ce o descon o o causado pelas
condições a i iciais, as quais o nam uma expe iência de in imidade num acon ecimen o
público, dando azo a comen á ios po pa e das ou as eclusas (Eina & Rabino i z, 2012).
12
Segundo as au o as, a maio ia das pa icipan es des e es udo des acam, ainda, o sen imen o
de ambi alência expe ienciado pelas p óp ias no inal de cada isi a, na medida em que a
sepa ação do seu companhei o é angus ian e e a ansição ex ema daquele momen o de
p i acidade pa a a o ina da p isão é di ícil de supo a . No en an o, de aco do com as
mesmas au o as, no im da isi a ín ima as eclusas sen em-se mais elaxadas e com uma
sensação de i alidade eno ada.
Lima (2006), num es udo em que ealizou g upos ocais com dois g upos de mulhe es
eclusas, um insc i o no RVI e ou o não, concluiu que no g upo de mulhe es que op ou pela
isi a ín ima, es as apon a am que a mesma es á elacionada com a manu enção dos laços
conjugais e com o medo de pe de o elo de conjugalidade. Es e g upo ambém de endeu que
a isi a ín ima é impo an e do pon o de is a das necessidades do homem, o qual oi
ep esen ado como endo um desejo sexual na u almen e supe io ao da mulhe e que
necessi a de se saciado (Lima, 2006). No en an o, a au o a a i ma que as mulhe es do g upo
com isi a ín ima enunciam, ambém, di iculdades, ais como o ac o de o encon o sexual
do casal não ep esen a pa a elas uma on e de p aze , na medida em que es á associado a
uma sé ie de p eocupações e de ansiedade em elação à o ma como o companhei o a ai
ecebe e ao ac o de es a a ende às expe a i as do mesmo. Po sua ez, o g upo de mulhe es
que p escindiu da isi a ín ima jus i ica am-no como uma o ma de ecusa de ce as
imposições, an o do companhei o como do es abelecimen o p isional, as quais enca am
como um des espei o pelo desejo da mulhe , e e indo que não gos am de sexo p og amado,
nem do ac o de a mulhe e de es a disponí el pa a o homem, cump indo um pad ão
de inido pela ins i uição (Lima, 2006). Nes a medida, ques ões como o ho á io, dia p é-
es abelecido, local e as condições o e ecidas pa a a oco ência da isi a ín ima são a o es
que es as mulhe es associam a sen imen os de humilhação e de cons angimen o, enca ando
a isi a ín ima como uma edução da in imidade a algo mecânico, espondendo a um impulso
biológico, a uma ob igação que as mulhe es êm que cump i (Lima, 2006).
Segundo a mesma au o a, ambos os g upos apon am a ausência de in imidade
p isional como um cons angimen o associado à isi a ín ima, na medida em que, segundo
as mesmas, isso signi ica o na público o que é en endido como p i ado e, num con ex o
em que já di idem espaços, eg as e con i ências, di idi a sua in imidade é cons angedo ,
chegando mesmo as não pa icipan es do p og ama a de ende que al e i a signi icado ao
p óp io concei o de in imidade.
Es as podem se enca adas como c í icas mais ecen emen e apon adas ao egime de
isi as ín imas, mas na li e a u a o am su gindo ou as c í icas ace a es es p og amas,
13
algumas já ul apassadas, ais como a al a de ins alações pa a as isi as e o ac o de só as
pessoas casadas e em acesso à isi a ín ima (Hensley e al., 2000).
Concluindo, de aco do com Lima (2006) e com o meu p óp io pon o de is a, o
espaço da eclusão, no ge al, e as isi as ín imas, em pa icula , podem aze um no o olha
da ealidade ali ci cunsc i a, no que conce ne à i ência da sexualidade eminina nes e
con ex o e à comp eensão do pa adoxo exis en e en e o sexo impos o e a libe dade sexual
na p isão, seja pela negação ou pela opção de ealiza a isi a ín ima nas condições impos as
pela ins i uição, como ambém pe cebe a é que pon o e em que medida as isi as ín imas
in luenciam a i ência da expe iência de eclusão eminina.

14
3. Es udo Empí ico
3.1. Obje o e Obje i os de In es igação
Tal como an e io men e e e ido, o nosso obje o de es udo é a i ência da eclusão
eminina, com o obje i o de comp eende a pe ceção que as eclusas insc i as e não
insc i as no egime de isi as ín imas êm ace ca da in luência des e ipo de egime na
o ma como as mulhe es i enciam a sua eclusão.
P ocu amos, pa a al, conhece , em p o undidade, as a i udes, pe ceções e
signi icados que as eclusas insc i as e não insc i as no egime de isi as ín imas êm sob e
es e, acede às mo i ações das en e is adas pa a a sua adesão ou não adesão às isi as
ín imas e comp eende em que medida odas es as pe cecionam a in luência das isi as
ín imas na i ência da eclusão eminina. P e endemos, ainda, compa a as a i udes,
pe ceções e signi icados que as en e is adas insc i as e não insc i as no egime de isi as
ín imas possuem sob e es e, bem como sob e a sua in luência na i ência da eclusão
eminina. Quando alamos em in luência das isi as ín imas es amos a e e i -nos aos
possí eis e ei os pe cecionados pelas eclusas ao ní el da i ência diá ia da eclusão de
quem usu ui des e ipo de isi as.
Assim, os nossos obje i os mais especí icos são:
 Conhece as a i udes e pe ceções das eclusas insc i as no RVI em elação a es e;
 Conhece as a i udes e pe ceções das eclusas não insc i as no RVI sob e es e;
 Explo a os signi icados que a isi a ín ima em pa a quem dela usu ui;
 Explo a os signi icados do RVI pa a as eclusas não insc i as nes e;
 Acede às mo i ações pa a a adesão ou não das eclusas a es e egime;
 Comp eende a in luência das isi as ín imas na i ência da eclusão eminina,
sen ida pelas mulhe es que usu uem des as isi as e pe cecionada pelas eclusas
não insc i as nes e egime.
 Compa a as a i udes, pe ceções e signi icados que as en e is adas insc i as e não
insc i as no RVI possuem sob e es e, bem como sob e a sua in luência na i ência
da eclusão eminina.
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3.2. Mé odo
Tendo em con a que a escolha do mé odo de e á deco e essencialmen e dos nossos
obje i os em cada momen o e do ipo de in e ogação a que p e endemos esponde a a és
da in es igação, ac edi amos que a me odologia quali a i a é a mais indicada pa a es a
in es igação, na medida em que nos pe mi i á iden i ica as a i udes e pe ceções que as
eclusas en e is adas possuem ace ca do egime de isi as ín imas, acede aos seus
signi icados em elação ao mesmo e pe cebe se es e exe ce in luência na o ma como
i enciam a sua eclusão.
A me odologia quali a i a u iliza di e en es es a égias de in es igação e mé odos de
ecolha e análise de dados, sendo, em g ande pa e, um p ocesso de in es igação em que o
in es igado en a no mundo dos pa icipan es do seu es udo e p ocu a acede às pe spe i as
e signi icados des es (C eswell, 2003). No nosso caso, a opção oi pelo uso da en e is a
semies u u ada, na medida em que nos pe mi e acede ao discu so e signi icados das
pa icipan es.
Nas pe spe i as cons u i is as, onde se enquad a es e es udo, o concei o de alidade
da in es igação al e a-se e é nesse sen ido que as p opos as pa a assegu a a alidade dos
esul ados eme gen es dos es udos quali a i os passam, an es de mais, pela desc ição
de alhada de odo o p ocesso de in es igação (Ma os, 2008). Tal como acon eceu no es udo
de Ma os (2008), ambém na nossa in es igação a manu enção da p oximidade com os
signi icados eme gen es nos discu sos das mulhe es da amos a, que assegu ámos ao u iliza
uma abo dagem indu i a e ao usa exce os das en e is as na desc ição e análise dos dados,
pode se conside ada uma o ma de alidação dos esul ados ob idos.
À semelhança do suge ido pela mesma au o a, ambém nes e es udo não p e endemos
ei indica pa a os esul ados que ob i emos um es a u o de e dade ou de ealidade
ap eendida, na medida em que es es são in e p e ações cons uídas a pa i dos dados sem
des espei a o pon o de is a das mulhe es da amos a.
3.2.1. Ins umen o de Recolha de In o mação: En e is as Semies u u adas
Ba din (2006) a i ma que a u ilização da en e is a enquan o mé odo de ecolha de
in o mação pe mi e ao en e is ado ap esen a , de o ma li e e espon ânea, aquilo que
i eu, pensou e sen iu em elação a um de e minado ema. Tendo is o em con a, e
conside ando que se p e endia nes e es udo acede aos discu sos sob e o egime de isi as
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ín imas e a in luência des e na i ência da eclusão eminina, o ins umen o que se
con igu ou mais adequado pa a a ecolha de dados oi a en e is a quali a i a.
Pa a esponde aos obje i os da in es igação, op amos po ealiza en e is as em
p o undidade a eclusas do Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo – Feminino.
Especi icamen e pa a a ealização des a in es igação o am elabo adas duas
en e is as semies u u adas, uma pa a cada g upo de pa icipan es, con endo ques ões que,
depois de ealizada a indispensá el e isão da li e a u a, o am conside adas impo an es
pa a o es udo da in luência das isi as ín imas na i ência da eclusão eminina. Cada
en e is a e a compos a po ques ões ela i as a ês g andes emas, escolhidos como uma
o ma de a unila a abo dagem ao obje o de es udo: 1. A c iminalidade eminina que incluía
ques ões ge ais sob e a p á ica do(s) c ime(s) que o iginou(a am) a eclusão, 2. A adap ação
à eclusão com ques ões que nos pe mi issem ap eende o modo como cada en e is ada
i encia a sua eclusão e 3. As isi as Ín imas. Cada guião con inha exa amen e as mesmas
pe gun as no que espei a aos dois p imei os emas, di e gindo em alguns aspe os no ema
espei an e às isi as ín imas, de modo a es a de aco do com os obje i os da in es igação e
com as ca a e ís icas do g upo em ques ão, is o é, a endendo a que me ade usu uía de isi as
ín imas e a ou a me ade não - os anexos 1 e 2 con êm os dois guiões, espe i amen e.
O ac o de es e ipo de en e is a se baseada em di e izes ge ais, pe mi e-nos ga an i
que odas as en e is adas es a iam sujei as a es ímulos semelhan es, pe mi indo assim uma
base comum pa a a análise de dados. Nes a medida, cada guião de en e is a oi cons uído
com lexibilidade su icien e pa a acede ao nosso obje o de es udo, nomeadamen e
pe mi indo a explo ação de ou os ópicos que se e elassem pe inen es e a al e ação da
o ma e do momen o em que as ques ões o am colocadas, embo a globalmen e enhamos
man ido a sequência dos ês g andes emas da en e is a (C iminalidade eminina;
Adap ação à eclusão; Visi as Ín imas).
3.2.2. Pa icipan es
Ao delinea uma in es igação quali a i a, um dos passos essenciais consis e na seleção
dos indi íduos ou g upos de indi íduos que nos pe mi am comp eende a p oblemá ica em
ques ão. Tendo em con a o nosso obje o de es udo, op amos po ecolhe dados jun o de dois
g upos de eclusas: eclusas insc i as no egime de isi as ín imas e eclusas não insc i as no
egime de isi as ín imas.
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A in es igação exis en e em Po ugal sob e as a i udes, pe ceções e signi icados que
as eclusas com egime de isi as ín imas êm sob e es e egime é quase inexis en e e não
exis e qualque es udo no nosso país sob e as a i udes, pe ceções e signi icados que as
eclusas não insc i as no egime de isi as ín imas possuem sob e o mesmo. Tendo is o em
con a, op amos po inclui na nossa amos a an o as mulhe es que usu uem de isi as
ín imas, como aquelas que não es ão insc i as nes e egime e compa a as suas espos as.
Assim, a nossa amos a é cons i uída po 40 eclusas, sendo que 20 inham isi as ín imas
e 20 não usu uíam des e ipo de isi as. Des as 40, ês são de nacionalidade es angei a. A
média de idades é de 37 anos, endo a eclusa mais no a 21 anos e a eclusa mais elha 54
anos. Da o alidade da amos a emos 21 eclusas p imá ias e 19 eclusas einciden es, com
uma média de ês anos de eclusão. Das en e is adas, seis es a am em p isão p e en i a e
as es an es es a am condenadas, sendo que a maio ia cump e pena pelo c ime de á ico de
es upe acien es. Das eclusas insc i as no RVI, 11 inham os companhei os p esos e das
eclusas sem RVI eze não es a am, à da a das en e is as, num elacionamen o amo oso.
O mé odo de seleção da amos a oi alea ó io endo po base duas lis as disponibilizadas
pela di eção do EPSCB-F: a p imei a com as eclusas insc i as no egime de isi as ín imas
(62 mulhe es no o al, à da a das en e is as) e a segunda com as es an es eclusas de idas
nesse mesmo EP (278 eclusas sem RVI).
3.2.3. P ocedimen os
Depois de elei a a p isão como o campo de ecolha dos dados e de concedidas as de idas
au o izações po pa e da DGRSP e di eção do EPSCB-F, demos início à ealização das
en e is as, as quais o am g a adas em áudio.
Com o in ui o de ga an i o cump imen o dos p incípios é icos da in es igação, no início
da in e ação com cada en e is ada e a ei o um escla ecimen o sob e os obje i os do es udo,
o p ocesso de ecolha dos dados e as condições em que a en e is a i ia oco e , sendo
assegu ado o anonima o. Após es a elucidação e ob endo a conco dância das eclusas, es as
assina am um consen imen o in o mado no qual es a am explicadas as ques ões
sup aci adas e a au o ização das p óp ias pa a se p ocede à g a ação áudio das en e is as
(c . Anexo 3).
As en e is as deco e am en e o dia 27 de Janei o e o dia 4 de Ma ço do ano co en e,
num gabine e p i ado do es abelecimen o p isional, endo a sua du ação a iado en e quinze
minu os e uma ho a e meia.
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Uma ou a es a égia acili ado a da i ência da eclusão que eme ge dos discu sos
de duas en e is adas é a esc i a, a qual oi apon ada como um con ibu o pa a o seu bem-
es a psicológico: “Olhe, como me en e enho na minha cela é a esc e e poemas e e sos.
E quando es ou assim mui o is e, sen o-me lá e esc e o. Às ezes quando es ou zangada,
pego num papel e aço… p on os, esc e o o que me ape ece aze e depois asgo! Fico
ali iada!” (R8).
Quando ques ionadas sob e se a expe iência da eclusão lhes p o ocou alguma
modi icação pessoal, a maio ia das en e is adas esponde a i ma i amen e, associando a
es a modi icação aspe os elacionados com a sua o ma de se , de es a e de pensa sob e a
ida, conside ando, especi icamen e, que passa am a alo iza aspe os aos quais
an e io men e não da am impo ância (“Sim, sim, po que eu c esci mui o. (…) Is o ez com
que eu ab isse os olhos e desse mais alo a pequenas coisas, aos po meno es, ao dinhei o,
po que eu não da a alo ao dinhei o (…) Há semp e qualque coisa de posi i o.”, R4).
4.1.3. Visi as Ín imas
A maio ia das eclusas, à da a das en e is as, inha um elacionamen o ín imo longo
iniciado an es da eclusão e ês das eclusas e e i am e em iniciado uma elação du an e o
pe íodo de eclusão. Com a exceção de seis eclusas que ade i am ecen emen e ao RVI, as
es an es es a am, à da a das en e is as, há mais de um ano nes e egime, com um pe cu so
sem in e upções.
Todas as eclusas en e is adas a i ma am que a opção pela adesão ao RVI oi uma
decisão omada em conjun o com o companhei o, embo a des as, se e enham ei o
e e ência ao ac o de e em sido as p óp ias a da o p imei o passo e ês en e is adas
e e i am que a p imei a abo dagem ao RVI pa iu do companhei o.
A maio ia das mulhe es en e is adas apon a como p incipal azão pa a a adesão ao
RVI o ac o de a isi a ín ima pe mi i uma con i ência mais ín ima e p olongada com o seu
companhei o, num ambien e sem igilância di e a, como nos e e iu a en e is ada R10: “No
meu caso, po que eu acho que as ês ho as pa a ala mos mais à on ade, po que a isi a
no mal é uma ho a. Eu acho que é mais pelo con í io, pelo pode ala mais à on ade,
pe cebe? Não es á ali ninguém como na sala de isi a a e ”. Algumas eclusas, pa a além
des as azões, salien am alguns aspe os pa icula es como mo i ação pa a a sua adesão ao
egime, sejam aspe os elacionados com as necessidades do casal, sexuais ou não (e.g.,
“Po que a gen e es á uma ez po mês jun os, uma ho a, nes e caso es amos ês. E ambos

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p ecisamos de udo, o casal. Não de con e sa , mas de sexo, de udo”, R2), sejam aspe os
ligados com as necessidades sexuais do companhei o, de o ma a en a e i a a sua
in idelidade (“De ele não i e com as ou as. (…) Eu pe gun ei-lhe «Tu os e onde?» e ele
começa a-se a i e eu «Olha, eu já e conheço! Já os e e com ou a mulhe ?» e ele «Oh
mo , não es ás lá, sabes como é que é» e eu disse-lhe «A pa i de ago a não ais mais,
po que eu ou bo a a isi a ín ima.”, R8).
No caso das ês eclusas cuja inicia i a pa a e em isi as ín imas pa iu do espe i o
companhei o, o mo i o da sua adesão ao RVI consis iu em ag ada a es e (“Po causa dele,
po que se não, não inha…es i e dois anos sem isi a ín ima. Só quando ele pediu é que eu
me i. (…) ele pediu-me a isi a ín ima… ê que eu me i a isi a, não é… po ele (…) oi uma
p o a de amo que lhe dei”, R12). No caso da en e is ada R13, pa a além da mo i ação
sup aci ada, es a ac escen ou que a sua en ada pa a o RVI oi uma o ma de man e a
es abilidade da elação e ga an i o apoio aos ilhos, al como explica: “Eu só acei ei mesmo
po causa dele (…) Ele e e uma con e sa comigo e eu i e que op a . Ou eu ica a com a
isi a ín ima ou ele inha que a anja alguém lá o a (…). E eu en ão op ei po e a isi a
ín ima. Mais ambém po causa dos meus ilhos, po que senão os meus ilhos iam ica
sozinhos lá o a”.
Quando ques ionamos es as ês en e is adas sob e o mo i o pelo qual não que iam
ade i ao RVI caso o companhei o não i esse insis ido, es as azem e e ência a um aspe o
elacionado com o uncionamen o des e egime e que lhes desag ada, is o é, a e is a po
desnudamen o de que são al o à en ada e à saída do qua o de isi a, al como nos explica
a en e is ada R13: “Eu só acei ei mesmo po causa dele, po que po mim eu não inha. Se
e is ada a i pa a a isi a ín ima e depois o na a se e is ada e udo… é mui o
complicado. Po que uma pessoa não se sen e à on ade.”.
Es es sen imen os de e gonha e cons angimen o associados à e is a an es e depois
da isi a ín ima su gem nas na a i as da maio ia das es an es en e is adas inse idas no
RVI quando as ques ionamos sob e a sua opinião ela i amen e ao modo de uncionamen o
des e egime, esul ado es e que es á de aco do com os dados de G anja e al (2014). As
eclusas conco dam com a ob iga o iedade da e is a, mas não com os p ocedimen os
le ados a cabo pa a a sua ealização (e.g., “São semp e as mesmas gua das aqui na ala e lá.
(…) Po exemplo aquela gua da que me chamou pa a eu i aqui…Já não consigo olha
pa a a gua da, po que sei que ela já me iu… oda nua p on os (…) Não sei po que é que
emos que aze o s ip à ida e à inda. Se ao menos elas depois saíssem e nos deixassem
es i ou a ez a oupa sozinhas…mas icam ali especadas a olha . Eu ico ão ne osa que
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pa ece que nem sei ape a o sou ien!”, R18). Algumas das mulhe es en e is adas e e em,
ainda, uma meno conco dância ela i amen e à ealização da e is a no que espei a à
en ada pa a a isi a ín ima (“Ao i mos pa a den o a é conco do, is o que i emos con a o
com a pessoa que eio de o a, mas an es de i mos, nós es amos a sai da ala! O que é que
a gen e es á a le a pa a a isi a ín ima pa a nos ob iga em a i a a oupa, aze
agachamen os…?”, R12) e um descon o o mais acen uado du an e a e is a ealizada à
saída do qua o de isi a, após a elação sexual (“O a é i pa a den o e se e is ada…mas
uma pessoa es á com o ma ido, az o que em a aze , que é mesmo assim, depois ai oma
banho, em de i pa a ás e se e is ada ou a ez, não sei, não me sin o bem”, R13).
Um ou o aspe o elacionado com o uncionamen o do RVI e que é mencionado po
algumas en e is adas é a al a de p i acidade des e, que ace às ou as eclusas, ge ando
comen á ios que são sen idos com descon o o, que em elação à gua da que ica de
igilância à po a do qua o, o que az com que algumas mulhe es en e is adas não se sin am
o almen e à on ade du an e a isi a, como explica a en e is ada R9: “Há pessoas que,
cla o, começam logo a dize «Ah, ai pa a a isi a…», cla o que uma pessoa sen e-se um
bocado mal. E uma pessoa nunca es á à on ade… sabe que es ão ali as senho as
gua das…”. Assim, pa ece ha e uma ansposição pa a o espaço público da p isão a es e a
p i ada da sexualidade conjugal, o que ans o ma uma expe iência de in imidade num
acon ecimen o público (Lima, 2006). Como explica R10, du an e a sua isi a ín ima, ela não
deixa de e p esen e que a es an e população p isional em conhecimen o da sua isi a, o
que in e e e nessa expe iência de o ma nega i a: “Eu acho que ninguém se sen e à on ade
ali. (…) É uma cadeia! Von ade uma pessoa em semp e, mas não es amos cem po cen o à
on ade, pe cebe? A gen e sabe que uma cadeia in ei a sabe que a gen e es á ali e pa a quê.
Acho que de ia de se uma coisa mais ese ada”.
Segundo o es udo de G anja, Cunha e Machado (2012), o qual es á de aco do com o
abalho de Com o (2007), as elações ín imas em conjugação com o con olo penal
pa en eiam a econ igu ação da in imidade e das suas dinâmicas a e i as e sexuais. Também
nes a in es igação, as na a i as de algumas das mulhe es en e is adas pa ecem suge i que
o con olo penal du an e a e is a po desnudamen o e a al a de p i acidade ins i ucional
sup aci ada, c ia uma di e ença na o ma como as mulhe es i enciam as elações amo osas
e acaba po in e e i nas suas ligações ín imas e na o ma como exp essam a sua sexualidade
num espaço ca a e izado pela al a de p i acidade, como é o da eclusão. Pe an e is o,
algumas eclusas e e i am sen i que es ão di e en es na elação sexual com o seu
companhei o, como é o caso da en e is ada R11: “Se e is adas…ui, sen i-me mal da
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p imei a ez. E em elação ao meu ma ido ambém sen i-me mal, po que há um ano e meio
que não es á amos jun os, não é? (…) Ficamos di e en es, já não somos o que e amos p on o
(…) po se ali, daquela manei a, po sabe que as gua das es ão ali, que as gua das es ão
a anda pa a ás e pa a a en e… não… Sin o-me mal”.
No deco e das en e is as, ela i amen e ao uncionamen o do egime e na
sequência dos aspe os que conside am nega i os, algumas eclusas conside a am que e a
possí el in oduzi al e ações com is a a melho a es e egime, nomeadamen e no que
espei a ao ambien e do qua o onde deco e a isi a. As eclusas e e em-se à impo ância
da ep odução de som no qua o, osse po meio de ele isão ou de ádio, pa a que o espaço
icasse mais acolhedo e, simul aneamen e, minimizasse o impac o do uído indo do
ex e io (“Eu gos a a que i esse uma ele isão ou um ádio, po que ica assim azio…É
como nós es a mos aqui as duas caladas. Ou e-se gen e à ol a, ou máquinas a abalha e
nós ali em silêncio…ao menos que i esse uma musiquinha, nem que osse um ádio
olei o”). Es e úl imo aspe o pa ece ambém liga -se com as ques ões da p i acidade, ou da
al a dela. Ou i o uído que em dos ou os espaços do es abelecimen o p isional an o se e
pa a lhes lemb a que es ão p esas – e algumas mulhe es e e em isso mesmo: a incapacidade
pa a se abs aí em do con ex o onde se encon am e de como isso in e e e na isi a ín ima -
, como pode se sen ido como uma in asão do espaço ísico onde deco e a isi a ín ima, o
que, de alguma o ma, con ibui pa a ans o ma um espaço p i ado num local público. No
en an o, a maio ia das en e is adas e e iu que a isi a ín ima lhes p opo ciona um escape à
p isão, o que lhes é acili ado pelas condições ísicas do qua o de isi a, como e e iu a
en e is ada R9: “Es a ali lemb a-me quando eu es a a na Suíça, que ambém inha um
es údio. É al e qual, al e qual. Não pa ece se uma cadeia, since amen e ali não pa ece.
Você en a ali e não pa ece. Dá mesmo pa a esquece ”.
Quando ques ionadas sob e que expe a i as êm quando ão e uma isi a ín ima, as
en e is adas ocam-se nas emoções expe ienciadas e no seu es ado psicológico nos
momen os an e io es à mesma, sendo que a maio ia e e e sen i aleg ia (e.g., “Sin o uma
aleg ia!”, R11), ansiedade e ne osismo. Quan o ao ne osismo, ele an o é elacionado com
a an ecipação e ap oximação do momen o em que ai es a com o companhei o (e.g., “Fico
semp e ne osa, semp e (…) É pela isi a em si, po que é uma coisa que me ai aze bem
e eu es ou ansiosa pa a lá chega ”, R14), como se elaciona com a ince eza associada ao
e ou não a isi a ín ima, como no caso de R16: “Eu ainda sin o à mesma aquele io na
ba iga… chega a me da ânsia, sabe? (…) Só em uma ez po mês e se u pe de, u ai
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ica dois meses sem e ele… po que u só ai e no ou o mês”. Duas das eclusas e e em
não e qualque expec a i a quando ão pa a a isi a ín ima.
Rela i amen e às dinâmicas da isi a ín ima, odas as eclusas en e is adas e e em
ês elemen os p esen es du an e a isi a ín ima: a con e sa com o companhei o, que sob e
a sua elação e sob e os ilhos, que sob e a o ma como cada um passou o úl imo mês; a
oca de ca inho e o apoio emocional mú uo e, inalmen e, a elação sexual. Tal como
desc e e a en e is ada R4: “Eu chego à isi a, nós con e samos sob e udo, sob e como é
que passamos o mês, se i e mos discu ido po algo amos escla ece aquilo, alamos sob e
a nossa ilha, depois alamos sob e como é que es amos, como é que não es amos, damos
ca inho, damos miminhos e en ão depois aí a gen e ambém em elações sexuais”.
Do empo que passam com o companhei o na isi a ín ima, odas as eclusas
en e is adas a i ma am alo iza mais a con e sa com o companhei o e o apoio que
ecebem des e do que a elação sexual (“Eu se calha dou mais alo a es a meia ho a
ab açada a ele e es a a con e sa com ele, do que es a a e elações com ele. (…) Aqui
uma coisa mínima, mesmo um simples ab aço, um simples olha , um simples ca inho nós
damos mui o mais alo .”, R5), o que es á de aco do com o suge ido pela li e a u a
ela i amen e a es e ópico (e.g., Eina e Rabino i z, 2012; G anja e al, 2014).
O im da isi a ín ima é desc i o pela maio ia das mulhe es en e is adas como
dolo oso e is e (e.g., “T is eza. Eu acho que quando chega ao im ico ainda pio do que
quando ou pa a lá. Depois ica um azio”, R14). À semelhança do que acon eceu no es udo
de Eina e Rabino i z (2012), na nossa in es igação no a-se nas na a i as da maio ia das
mulhe es en e is adas um sen imen o de ambi alência expe ienciado no inal de cada isi a,
na medida em que es ão elizes po e em con i ido com o companhei o, mas, em
simul âneo, sen em-se angus iadas de ido ao ac o de se em no amen e sepa adas des e,
como podemos pe cebe pela na a i a de R16: “No im a dú ida é do ipo… Tu chega e é
assim um alí io e no im é ou a sepa ação e é dolo oso e eu sou cho ona e ele ambém é
cho ão e aí odo o mundo é «ah, mas po que é que u á cho ando?» e eu «po que pa a mim
é ou a sepa ação, é dolo oso ambém»”.
A maio ia das mulhe es en e is adas de ende que o RVI em uma in luência
posi i a, que na sua i ência da eclusão, que na elação com os seus companhei os. Em
elação à in luência das isi as ín imas sob e a sua i ência da eclusão, a maio ia das
eclusas en e is adas a i ma que es a é exe cida que sob e o seu es ado psicológico, que
sob e o seu compo amen o, sendo que a maio ia das eclusas a i ma que a sua pa icipação
no RVI a o ece o seu bem-es a psicológico (“Ajuda à gen e e mais o ça e a anda mais
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bem dispos os. Faz a gen e anda mais pa a cima, com mais o ça”, R2), acili ando a sua
i ência da eclusão (“Dá-me o ça pa a con inua a segui em en e. Acho que sem isso
is o ia se mui o mais complicado.”, R14). Em e mos compo amen ais, a maio ia das
en e is adas a i ma que as isi as ín imas e i am o seu mau compo amen o ins i ucional,
como nos explica a en e is ada R7: “In luencia. Po que is o, se não hou esse isi a ín ima
is o ha ia mui a po ada, mui a po ada! E ali a isi a ín ima az-nos pensa duas ezes,
po que a gen e sabe que se ai e um cas igo podemos ica sem a isi a ín ima”. Es es
esul ados es ão de aco do com o suge ido pela li e a u a, na qual cons a que a isi a ín ima
não só diminui o isolamen o social na p isão, aumen ando o bem-es a psicológico da pessoa
eclusa (e.g., Tewksbu y & DeMichele, 2005), como ambém, ao pe mi i a manu enção dos
laços com a amília, unciona como um ins umen o de con ole in o mal, podendo
con ibui pa a desenco aja a má condu a ins i ucional da eclusa (Jiang & Win ee, 2006).
No a-se nas na a i as que a pa icipação no RVI pe mi e, di e a ou indi e amen e,
uma a enuação das do es de p isão das mulhe es en e is adas, ais como a sua p eocupação
com o isco de se em abandonadas pela amília e cônjuges em consequência da eclusão e a
al a de companhei ismo e apoio emocional. Como suge e a en e is ada R7:“A gen e
consegue le a os dias mui o melho (…) po que é mui o is e, eu penso po mim, uma
mulhe se abandonada numa cadeia po um homem. (…) Eu não es ou a ala em…nas
p óp ias elações. Não. É aquele a e o, po que a gen e aqui, p on os, az-nos al a aquele
ca inho, aquele a e o… é semp e o nosso ma ido.”.
Duas das en e is adas conside am que a isi a ín ima não in luencia a sua i ência
da eclusão, sendo di e en es as jus i icações que adian am pa a al. Uma das eclusas
elaciona essa ques ão com a al a de qualidade do seu elacionamen o conjugal, que es a ia
em c ise mesmo an es da eclusão. A ou a eclusa elaciona-o com a al a de qualidade da
p óp ia isi a deco en e da al a de p i acidade associada.
A in luência que a maio ia das eclusas ac edi a que as isi as ín imas exe cem sob e
a sua elação p ende-se com ês aspe os: pe mi e o apoio mú uo en e o casal (“Ajuda, ajuda
mui o. Ajuda imenso. Dá-nos o ça (…) apoiamo-nos um ao ou o, desaba amos um com o
ou o”, R1), con ibui pa a a es abilidade da elação, como a i mam as en e is adas R15:
“Sim, pa a melho cla o. Não deixamos de e aquele elo, po que aqui queb am-se mui os
laços, se uma pessoa deixa ” e R7: “Sim, sim, sim. Melho a mui o. Eu acho que se não
hou esse isi a ín ima udo se esquece. (…) Es amos semp e unidos. A gen e sabe que odos
os meses es á jun os (…)”; e, inalmen e, e i a a in idelidade do companhei o, como e e e
R12: “Sem a isi a ín ima a elação muda a… muda a (…) Se calha nem me inha isi a

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(…) Po que ele é um apaz que…p on o…que gos a... não ale a pena es a a dize … E eu
me i a isi a ín ima pa a ele não anda com as ou as, es á a pe cebe ?”.
Excecionalmen e, a en e is ada R10 é da opinião que as isi as ín imas não êm
in luência na sua elação com o companhei o, a i mando “Since amen e é assim, eu acho
que, e o meu ma ido já em alado mui as ezes nisso, a gen e ali na isi a ín ima é a mesma
coisa que nas isi as no mais (…) Não em nada a e . Nada mesmo, since amen e”.
Finalmen e, quando ques ionadas sob e se alguma ez o am al o de algum ipo de
iolência du an e a isi a ín ima ou se já sen i am es a a aze algo po ob igação no deco e
da mesma, odas as eclusas esponde am nega i amen e (e.g., “Não. Nisso posso dize que
nunca ui ob igada a aze sexo…de manei a nenhuma. Se eu disse não, é não. Não é
daqueles que «ah eu enho pa a aqui, são ês ho as que eu enho pe de , emos que…»”,
R12). Con udo, duas das eclusas a i ma am já e em ido elações sexuais com o
companhei o, du an e a isi a ín ima, sem on ade (e.g., “Desde que i e a p imei a isi a
nunca gos ei. Já iz mui as ezes sem on ade. Ele ape cebe-se disso, mas há ezes que nem
ala disso. (…) Ele diz que es ou di e en e, que já não sou a mesma, que já não gos o
dele…Mas não é nada disso! (…) Não sei o que se passa comigo, mas eu acho que é de es a
nes e sí io”, R20).
Em con apa ida, a maio ia das eclusas en e is adas a i ma e conhecimen o de
ou as colegas eclusas que, du an e a isi a ín ima, êm elações sexuais com o companhei o
po ob igação e algumas en e is adas e e em, ainda, se conhecedo as de colegas que ão
à isi a ín ima pa a aze a on ade aos companhei os e po eceio que, caso ecusem a
mesma, es es as abandonem (“Uma apa iguinha oi à isi a ín ima e disse-me «Tu gos as
de i à isi a ín ima?» e eu disse «Eu gos o, po quê?» e ela «Po que eu não gos o!» e eu
disse-lhe «En ão se não gos as, não ás!» e ela «Ah enho que i , po que ele senão ica
cha eado». Eu acho que essa apa iga quando ai, não ai po que que , não ai po que
gos a. (…) Tem medo que ele a deixe ou…não sei”, R14). A opção des as eclusas pelo RVI
pode es a elacionada com uma das do es de p isão já mencionadas, a p eocupação das
eclusas com o isco de se em abandonadas pela amília e cônjuges em consequência da
eclusão. Nes e caso, a adesão ao RVI e ia como mo i o a en a i a de e i a um e en ual
abandono do pa cei o em consequência de uma ecusa da isi a ín ima.
31
4.2. Desc ição e análise dos dados do g upo de eclusas não insc i as no egime de
isi as ín imas
4.2.1. C iminalidade Feminina
O p incipal mo i o apon ado pelas en e is adas pa a e em come ido o c ime pelo
qual es ão p esas é económico, es ando es e associado, p incipalmen e, a dois a o es: às
despesas com a casa e com os ilhos ou ao consumo de d ogas. T ês das en e is adas e e em
a in luência exe cida po pa es como o p incipal mo i o pa a a p á ica do c ime (“Aos in a
anos conheci umas pessoas e elas con ida am-me”, R38). Duas das en e is adas não
apon am o mo i o, po que não conside am e come ido um c ime. Excecionalmen e, uma
das en e is adas ecusou-se a indica qual o mo i o que a le ou a p a ica o c ime (“Disso
eu não que o ala ”, R39).
Analisando as na a i as das en e is adas quan o ao c ime que come e am,
pe cebemos a exis ência de jus i icações, a pa i das condições económicas des a o á eis e
omando-as como de e minan es, is o é, como o ças impulsionado as que negam a sua
in encionalidade (“Es a a a passa ome, não conseguia a anja abalho, não me de am
endimen o mínimo, não me de am casa… Fui ob igada”, R24). Pa a a maio ia das mulhe es
en e is adas, a p á ica do c ime su ge como um úl imo ecu so ace a uma si uação de
necessidade económica (“E a a única manei a que inha de ganha dinhei o”, R29) ou é
jus i icada po um descon olo emocional associado a momen os de ex ema deso ganização
psicológica (“Se eu pudesse dize que o cé eb o o ceu odo, o meu cé eb o o ceu odo na
al u a. (…) Na al u a, olhe, oi a minha cabeça. Eu não es a a mui o bem, de ce eza”, R31).
Pelo que oi expos o pode-se ainda conclui , pela p esença de en a i as de
acionalização do c ime come ido, uma neu alização da culpabilidade associada ao
compo amen o ansg essi o, a a és da “negação da esponsabilidade” colocando o locus
de con olo ex e no a si (“Eu de ia es a bêbeda, não sei o que se passou. (…) Naquele
momen o pa ecia que eu não es a a cá”, R31) e do “apelo a lealdades supe io es” que são
mais impo an es do que o cump imen o da lei (“Fazemos is o pa a da de come aos
ilhos”, R39). Es as acionalizações ambém ajudam a que es as mulhe es legi imem o c ime
come ido po o enca a em como um úl imo ecu so ace a uma si uação de necessidade
económica.
Quando ques ionámos as mulhe es sob e o que pensam ela i amen e a e em
come ido um c ime, a maio ia das en e is adas conside a que oi um e o, mas no a-se que
32
al não se de e ao ca á e ansg essi o da p á ica em si, mas sim às consequências nega i as
que daí ad ie am, mui o pa icula men e a p isão. Como a i ma a en e is ada R29:“Se osse
hoje não azia, mas o mal já es á ei o…não compensa, en ão eu enho ês ilhos, enho uma
i mã que e a eu que es a a a c iá-la e que chama-me mãe. Ago a uma pessoa ê-se aqui
com qua o c ianças lá o a, que es ão com o meu pai…é complicado”.
Rela i amen e ao que pensam se a pe ceção social sob e quem es á p eso, a maio ia
das mulhe es que en e is amos conside a que mesmo depois de saí em da p isão, se ão pa a
semp e is as como ex- eclusas, o que as liga á pa a semp e à a i idade c iminal (“Somos
semp e umas ex- eclusas”, R30) e e á implicações na sua einse ção labo al (“Vamos
encon a obs áculos e di iculdades (…) Eu ac edi o que eu não ou abalha como
emp egada de ninguém”, R24).
Tal como acon eceu com as eclusas no egime de isi as ín imas e que cons i uem a
p imei a pa e da nossa amos a, cinco das eclusas en e is adas des e segundo g upo
exp essa am g andes di iculdades em esponde à ques ão “O que é pa a si se mulhe ?”,
como nos e e e explici amen e a en e is ada R34 “Ai az-me pe gun as ão di íceis… Dê
exemplos”. Mais uma ez, al pode á de e -se ao ac o de as en e is adas não se
consegui em abs ai do con ex o onde es ão (“Eu não sei se ocê me es á a aze a pe gun a
em ques ão ao EP, mas eu es ou a esponde em elação ao EP”, R40) e descen a da sua
condição de eclusa (“Aqui den o se mulhe é como somos lá o a. Somos dignas”, R32),
o que az com que, embo a ais elemen os não es ejam p esen es na o mulação da ques ão,
a associação a es es é au omá ica. Es ando as mulhe es en e is adas habi uadas a e le i
sob e a sua iden idade enquan o eclusa, icam hesi an es quando são le adas a e le i sob e
algo mais ab angen e, como é o se mulhe .
Apesa de su gi equen emen e nas suas na a i as uma de esa pela igualdade en e
homens e mulhe es (“Tem de ha e igualdade. Pa a mim uma mulhe é igual ao homem”,
R37), as mulhe es en e is adas con inuam a a ibui de e minados papéis à mulhe ,
salien ando a sua ligação à amília e aos ilhos (“Enquan o mulhe alo izo o meu ilho, a
minha mãe, a minha amília. (…) A mulhe oi c iada pa a da à luz um ilho, acho que isso
é o mais impo an e”, R31), bem como a ibuindo-lhe de e minadas ca a e ís icas de
pe sonalidade (“As mulhe es a é são mais sensí eis do que os homens”, R31).
33
4.2.2. Adap ação à eclusão
A li e a u a suge e que a i ência da eclusão eque modi icações nos pad ões
básicos de ida e de uncionamen o dos indi íduos (Gonçal es & Gonçal es, 2012), o que
o na, po ezes, a adap ação à p isão uma expe iência s essan e e o seu ajus amen o c í ico
(Islam-Zwa e Vik, 2004). O p imei o esul ado que eme ge das en e is as às eclusas sem
egime de isi as ín imas no que se e e e à adap ação à p isão es á em consonância com
es as a i mações, na medida em que a maio ia das en e is adas a i ma que a sua adap ação
à eclusão oi algo psicologicamen e pe u bado (“O começo oi di ícil, mui o di ícil.
Passa a o dia echada, cho a a, en ei em dep essão”, R21). Excecionalmen e, duas das
en e is adas e e em que a sua adap ação oi posi i a (“A é oi boa, po acaso oi mui o
boa”, R22).
Face a es a expe iência p isional, o a as amen o da amília, em pa icula dos ilhos,
é a p incipal di iculdade apon ada pelas en e is adas. Pa alelamen e, a solidão no pe íodo
de eclusão é o ou o a o que mais angus ia as eclusas en e is adas (“Den o de uma cela
é uma solidão mui o g ande”, R32), sendo es a sen ida maio i a iamen e no pe íodo no u no
(“À noi e em semp e lemb anças lá de o a e é o que cus a mais”, R22).
Das es an es do es de p isão enunciadas na li e a u a, as mulhe es en e is adas,
quando ques ionadas sob e qual é a sua maio di iculdade na p isão, azem e e ência à
p i ação da libe dade (“O es a echada, não e libe dade…”, R31) e da au onomia, que
em elação às suas o inas (“Chega àquela ho a e enho que se echada, e ho as pa a
come (…) Lá o a se me ape ecesse come à uma ou às duas comia e aqui não. Aqui chega
ao meio dia e emos que es a ali pa a come ”, R37), que na esolução dos seus p oblemas
pessoais no ex e io (“Olha a maio di iculdade é es a mos aqui e não pode mos aze nada,
não pode mos esol e os nossos p oblemas (…) Ago a es ou mais em baixo do que quando
en ei, po que ago a ejo mais di iculdades em esol e os meus p oblemas lá o a,
en ende?”, R24).
Du an e o pe íodo de eclusão, as en e is adas ado am es a égias de o ma a lida
com es as di iculdades, sendo que a opção po uma a i idade labo al é e e ida pela maio ia
das eclusas en e is adas (“O abalho. (…) é um escape a is o udo. A gen e a abalha
pa ece que esquece”, R40). Nas na a i as das mulhe es en e is adas su gem ambém
ou os a o es como a equência da escola e a c ença numa eligião (“Eu me apeguei mui o
a Deus, sabe? Me dá o ça a cada dia”, R23) como algo que con ibui pa a o seu bem-es a .
40
Quan o aos dados ela i amen e ao seu posicionamen o no que espei a ao RVI, a
nossa in es igação cons a ou an o a i udes posi i as como nega i as em elação à isi a
ín ima, que po pa e das mulhe es insc i as nes e egime, que daquelas que decidi am não
ade i ao mesmo, sendo que os aspe os posi i os e os nega i os são coinciden es en e os
g upos. Ambos os g upos, com e sem RVI, salien am como p incipais aspe os posi i os o
ac o de a isi a ín ima, ao pe mi i o con a o da eclusa com o companhei o num ambien e
de maio in imidade, e i a a in idelidade des e e con ibui pa a a manu enção da es abilidade
amilia . Como p incipais aspe os nega i os, as eclusas de ambos os g upos azem
e e ência a aspe os elacionados com o modo de uncionamen o do RVI, nomeadamen e ao
descon o o e à humilhação sen idos du an e a e is a po desnudamen o, bem como o ac o
de a ida à isi a ín ima da azo a comen á ios jocosos das es an es eclusas, que são sen idos
com descon o o e como pe da da sua in imidade.
O ac o de as espos as se em mui o semelhan es en e os g upos, mos a, an es de
mais, que usu ui ou não do RVI não em in luência nas a i udes em elação às isi as
ín imas. Tal signi ica, ambém, que a isi a ín ima é bem conhecida po odas,
independen emen e de usu uí em des a ou não. A di e ença, al como já e e imos, é que,
pa a algumas das mulhe es não insc i as no RVI, os aspe os nega i os são mo i o pa a que
não p e endam ade i ao egime, ao in és do que oco eu no ou o g upo de en e is adas,
pa a as quais as c í icas que apon am não são impedi i as da sua adesão a es e egime.
Em ambos os g upos, as en e is adas ocam-se em dois aspe os: no ca á e elacional
das isi as ín imas ou no seu ca á e ins i ucional. Compa ando os discu sos das eclusas de
ambos os g upos, podemos suge i que, po um lado a maio ia das mulhe es que ade i am
ao RVI, ou que p e endiam azê-lo, salien a as an agens que a isi a ín ima az pa a a
elação com o seu companhei o. Po ou o lado, as en e is adas que c i icam o RVI ocam-
se na oco ência da isi a ín ima no espaço ins i ucional e no que isso implica em e mos de
pa ilha da in imidade, o que as az des alo iza es e ipo de isi a ou mesmo ecusa usu ui
dela.
Ou seja, as a i udes das en e is adas pe an e a isi a ín ima, independen emen e de
usu uí em des a ou não, es ão elacionadas com os signi icados que es as a ibuem à mesma.
Po um lado, po ás de uma a i ude de c í ica ao RVI, que po pa e de quem passa pela
expe iência da isi a ín ima, que daquelas que omen am os seus a gumen os colocando-se
no papel das mulhe es que o azem, es á a a ibuição de um signi icado de pe da de
in imidade com a ida à isi a ín ima, p o ocada pela ansposição dessa in imidade da es e a
p i ada pa a o domínio público, que na e is a po desnudamen o, que com os comen á ios

41
jocosos das ou as eclusas. Po ou o lado, as en e is adas que êm uma a i ude posi i a em
elação à isi a ín ima, que usu uam ou não des a, a ibuem-lhe um signi icado assen e
p incipalmen e na an agem des e ipo de isi a ao acili a a manu enção do elo de
conjugalidade, po pe mi i uma con i ência mais du adou a e num con ex o mais isolado
com os companhei os, o que, po sua ez, e i a a in idelidade dos mesmos, na opinião das
p óp ias.
Ao compa a mos as azões das en e is adas pa a a sua alo ização da isi a ín ima,
pe cebemos que, em ambos os g upos, as mulhe es colocam a sua g a i icação sexual em
segundo plano, que quando a mo i ação pa a a adesão ao egime é a en a i a de e i a em
a in idelidade dos companhei os, que quando e e i am alo iza o apoio emocional que
ecebem do companhei o du an e a isi a ín ima em de imen o da elação sexual, que pode
ou não acon ece .
A opção pelo RVI e as jus i icações ap esen adas pa a al suge em que, embo a
p i adas da libe dade, as mulhe es assumem uma posição de pode nas elações com os seus
pa cei os. Assim, no g upo sem RVI es ão mulhe es que não acei am a isi a ín ima po não
a deseja em, mesmo que haja insis ência pa a al po pa e dos seus companhei os, e no
g upo com RVI odas as mulhe es o azem pelas an agens que es e egime az pa a si,
independen emen e da insis ência dos companhei os.
No que espei a à nossa ques ão de in es igação, podemos a i ma que a maio ia das
mulhe es en e is adas es á de aco do quan o à in luência exe cida pelas isi as ín imas na
sua i ência da eclusão. Que alando po expe iência p óp ia, que a a és da obse ação
das ou as eclusas, g ande pa e das en e is adas a i mou que a isi a ín ima exe ce uma
in luência posi i a na o ma como a expe iência da eclusão é i ida pelas mulhe es com
RVI. Segundo as eclusas, es a in luência é exe cida, que sob e o bem-es a psicológico das
mulhe es que ão à isi a ín ima, a a és do apoio que ecebem dos seus companhei os, que
sob e o seu compo amen o, na medida em que es as mulhe es e i am condu as nega i as
que possam e como cas igo a pe da da isi a ín ima.
No nosso en ende , es a elação en e o compo amen o ins i ucional e a possibilidade
de au o ização ou não das isi as ín imas acaba po se mais um ins umen o de ges ão
peni enciá ia que o es abelecimen o p isional em ao seu dispo pa a man e a o dem. Tal ez
o obje i o úl imo das isi as ín imas seja c ia nas eclusas uma mo i ação adicional e
ex ínseca pa a o seu bom compo amen o. Is o é, o que le a as eclusas a au o egula em o
seu compo amen o não é apenas a on ade in ínseca de e em bom compo amen o, mas
ambém a on ade de conc e iza em a isi a ín ima, pelos con ibu os posi i os que es a em
42
sob e o seu bem-es a emocional. Assim, a isi a ín ima acaba po se mais um mecanismo
disciplina pa a assegu a a boa condu a ins i ucional.
É e iden e nas en e is as que a expe iência da eclusão implica, de o ma mais ou
menos acen uada, a queb a nas elações sociais das eclusas de ambos os g upos, o que, ace
à sua cla a alo ização da es e a a e i a, é algo i ido com g ande angús ia po odas as
en e is adas. Pe an e es a cons a ação, podemos suge i que a in luência que a isi a ín ima
em na i ência da eclusão das mulhe es en e is adas, p ende-se com o ac o de, com es e
egime, se p opo cionado um espaço de maio p i acidade, possibili ando à eclusa uma
expe iência de in imidade com o companhei o. Es a expe iência de in imidade, ao se
pe cecionada po odas as eclusas como uma o ma de manu enção do elo de conjugalidade,
e i a a do de p isão associada à pe da de laços a e i os com quem lhes é mais p óximo o
que, consequen emen e, lhes p opo ciona um maio bem-es a no decu so da pena de p isão.
Logo, pa a não pe de em es a an agem, as eclusas e i am o mau compo amen o.
Po úl imo, podemos ambém cons a a que pa a as en e is adas que ecusam que a
isi a ín ima possa e qualque in luência na i ência da eclusão, al se elaciona com a
ap eciação nega i a que azem des a isi a, po não a alo iza em e como al não e em
ganhos ou pe das associados à pe ença a es e egime.
.
43
6. Conclusões
Nes e capí ulo p e endemos e le i sob e os esul ados mais ele an es do nosso
es udo, ex aindo algumas conclusões, bem como p e endemos e le i sob e as
po encialidades, limi ações e aspe os a melho a da nossa in es igação, e e indo suges ões
pa a u u os es udos.
Deco idas a desc ição e análise dos dados de ambos os g upos e ealizadas as
de idas compa ações en e es es, podemos a i ma que as a i udes, pe ceções e signi icados
que as eclusas êm sob e o RVI, que usu uam des e ou não, são conco dan es en e si e
quan o a um en endimen o da isi a ín ima como uma expe iência que acili a a i ência da
eclusão das mulhe es que usu uem desse egime. Es a in luência é en endida pela maio ia
das mulhe es como sendo exe cida que sob e o bem-es a ge al da eclusa que usu ui de
isi as ín imas, que em e mos compo amen ais, uma ez que a eclusa e i a o mau
compo amen o pa a não pe de o di ei o à isi a ín ima.
Em con as e com um dia-a-dia odeado pelas mesmas cen enas de pessoas, den o
da mesma ins i uição, com o inas p é-de e minadas e compo amen os al amen e
moni o izados, as ês ho as mensais de isi a ín ima são alo izadas pela g ande maio ia
das en e is adas dos dois g upos. Em ambos os g upos, o apoio emocional p opo cionado
pelos companhei os às mulhe es com RVI é sen ido po es as e pe cecionado pelas eclusas
sem RVI como endo mais alo do que a elação sexual que pode oco e du an e a isi a
ín ima. Além dis o, é ei a e e ência, pela maio ia das mulhe es de ambos os g upos, a
con ibuição das isi as ín imas pa a e i a a in idelidade dos companhei os. Assim, pe cebe-
se que a maio ia das mulhe es en e is adas coloca a g a i icação sexual em segundo plano.
Re le indo sob e as na a i as ela i as a es a ques ão, pensamos que al pode de e -se a dois
aspe os. P imei o, às ca a e ís icas do con ex o, as quais le am as mulhe es, po não se
sen i em comple amen e à on ade, a des alo iza o a o sexual. Segundo, o impac o da
p óp ia expe iência da eclusão, na medida em que a al a de a e o e companhei ismo é uma
das g andes di iculdades sen idas pela maio ia das en e is adas, o que as le a a uma
econ igu ação das suas p io idades, p e alecendo a dimensão a e i a sob e a dimensão
sexual (“Desde que eu en ei pa a a cadeia não é uma coisa que eu dou an o alo . (…) Lá
o a se calha damos mais alo ao sexo, mas aqui den o uma coisa mínima, mesmo um
simples ab aço nós damos mui o mais alo ”, R5).
44
No que espei a às an agens das isi as ín imas, em ambos os g upos, a maio ia das
en e is adas de ende que es as p omo em a p oximidade com os companhei os, num
ambien e onde a al a de igilância di e a e a ap oximação das condições logís icas do qua o
de isi a a um qualque qua o no ex e io , acili am uma expe iência de p i acidade e
libe dades empo á ias. Con udo, ao guia -se po mecanismos de igilância e punição, o
sis ema p isional expande o seu con olo penal a é à es e a da sexualidade, o que é sen ido
pelas mulhe es como uma exposição e pa ilha da sua in imidade na si uação de isi a ín ima.
Num con ex o onde o espaço já é pa ilhado, as o inas já es ão açadas e os passos
já são con olados, a pe ceção das eclusas de ambos os g upos de uma ansposição pa a o
domínio público do que elas en endem como pe encendo unicamen e à sua es e a p i ada,
is o é a sua in imidade, é comp eensí el que possa se enca ado como a maio das
in omissões. As mulhe es en e is adas de endem, de o ma unânime, que as isi as ín imas
nunca são o almen e ín imas, na medida em que exis e semp e alguma publicidade associada
a esse egime. Só o ac o de se sabe que ce a mulhe , num de e minado dia e ho a, e á a
sua isi a ín ima, o na esse a o menos ín imo. Num egime echado, em que udo é igiado,
es e é mais um compo amen o sob con olo, o que não ag ada às mulhe es eclusas, es ejam
ou não no RVI. De aco do com as mulhe es en e is adas, é impe a i o conse a ín imo o
que pe ence à in imidade, o que nem semp e é espei ado nas isi as ín imas (“Acho que
ninguém inha que sabe que ela oi pa a a isi a ín ima ou que ai pa a a isi a ín ima. Isso
é a ida pa icula , é a in imidade dela! (…) Eu acho que é uma coisa que inha que se
mais ín ima, sabe? Eu acho que uma coisa ín ima não em que es a di ulgando pa a odo
o mundo.”, R24).
No que espei a aos pon os posi i os da nossa in es igação, conside amos que a
écnica de ecolha de dados a que eco emos se e elou a mais adequada aos obje i os de
in es igação. Além dis o, pensamos e assegu ado a alidade dos dados, ao u iliza uma
abo dagem indu i a e ao usa exce os das en e is as na desc ição e análise dos dados, sendo
iéis aos pon os de is a das pa icipan es do nosso es udo, al como eles são desc i os e
cons uídos discu si amen e pelas p óp ias. Ao longo do es udo, demos oz às suas
p o agonis as, acedemos às suas a i udes, pe ceções e signi icados e conc e izamos os
obje i os p opos os, endo sido alcançada a sa u ação empí ica.
Espe amos que os esul ados des e es udo possam i a ajuda os agen es
peni enciá ios a en ende melho o signi icado des e ipo de isi as pa a as eclusas e, assim,
con ibuam pa a ape eiçoa es e ipo de egime, de o ma a melho se i os obje i os do
mesmo. Além dis o, ao demons a que, do pon o de is a da maio ia das eclusas, o RVI é
45
uma con ibuição pa a o equilíb io psicoa ec i o e compo amen al de quem dele usu ui,
du an e o cump imen o da sua pena de p i ação da libe dade, a nossa in es igação suge e
que melho a es e egime pode ajuda a melho a a ida de oda a comunidade p isional.
Embo a en endamos que colabo amos pa a ala ga o conhecimen o e a comp eensão
exis en e sob e a ealidade das mulhe es na p isão, pa icula men e sob e a dinâmica das
isi as ín imas, des acamos algumas limi ações ao nosso es udo. O uso do g a ado , embo a
enha sido essencial pa a a conse ação das espos as al como elas o am cons uídas
discu si amen e pelas en e is adas, e apesa de e sido consen ido po elas, pode e inibido
algumas espos as, pois no amos algum cons angimen o associado ao uso des e apa elho.
Além dis o, apesa das eclusas e em sido escla ecidas, an es do início das en e is as, que
o es udo não inha qualque ligação ou in luência nas ques ões judiciais e de cump imen o
de pena, admi imos a possibilidade de e ha ido a inibição de algumas e lexões po pa e
das en e is adas com base numa suposição de que a en e is a pode ia de alguma o ma e
epe cussões no seu cump imen o de pena.
Pa a u u as in es igações sob e o mesmo ema, conside amos que se ia uma mais
alia ala ga o obje o de es udo a ou o ipo de pa icipan es, nomeadamen e aos eclusos do
sexo masculino, de o ma a conhece mos as semelhanças e di e enças no modo como
homens e mulhe es p i ados da libe dade enca am a isi a ín ima. Po exemplo, embo a no
nosso país al ainda não es eja in es igado, os esul ados da in es igação in e nacional sob e
as isi as ín imas de eclusos do sexo masculino indicam que, con a iamen e ao que
ob i emos com as nossas pa icipan es, es es pe cebem o componen e sexual como o
elemen o mais impo an e das isi as ín imas, supe ando de longe a impo ância do diálogo
e do apoio emocional (Hensley e al, 2000).
Ao e le i sob e as na a i as das en e is adas, o na-se e iden e que, num espaço
ca a e izado pela al a de p i acidade, como o é o da eclusão, a i ência da in imidade e o
exe cício da sexualidade são ques ões complexas. Assim, endo su gido nas en e is as a
e e ência à p esença cada ez mais nume osa de elações homossexuais in amu os,
en endemos que, no u u o, es e ambém pode ia se um obje o de es udo ele an e, com o
obje i o de comp eende as a i udes, pe ceções e signi icados que es as elações êm pa a as
suas p o agonis as e a in luência na sua i ência da eclusão, bem como de que o ma são
enca adas pelos es an es a o es peni enciá ios, nomeadamen e eclusas e/ou p o issionais
de igilância.

46
7. Re e ências Bibliog á icas
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Idade:
Nacionalidade:
Escola idade:
Pena:
Tipo de c ime:
Há quan o empo es á p esa:
É a p imei a ez que es á p esa?
Sim
Não De quan o empo oi a pena an e io ?
Companhei o ecluso ou em libe dade?
Da minha pa e é udo. Gos a ia de ac escen a mais alguma coisa? Ob igada pela
sua colabo ação. Quando eu ap esen a os esul ados do meu es udo, se ambém
es i e in e essada, e ei odo o gos o em pa ilhá-los consigo.

Anexo 2: Guião das en e is as ealizadas às eclusas não insc i as no RVI
Chamo-me Ri a Pin o, sou aluna da Uni e sidade do Po o e es ou ago a no úl imo
ano do mes ado em Psicologia e es ou a ealiza um es udo sob e as isi as ín imas. Pa a
en a comp eende melho es e ema, eu decidi que o melho se ia en e is a as p óp ias
mulhe es eclusas pa a ou i o seu es emunho.
Es a en e is a é anónima e udo o que me disse se á usado apenas nes e es udo e
não em qualque in luência nas suas ques ões judiciais e de cump imen o da pena.
Gos a ia que me espondesse com since idade, pois eu es ou aqui pa a a ou i e não pa a a
julga . Se em algum momen o se sen i descon o á el, não quise esponde ou quise
e mina a en e is a sin a-se à on ade pa a me dize , assim como se eu não o cla a
naquilo que es ou a dize ou a pe gun a . Tem alguma dú ida? Podemos começa ?
Eu du an e es a en e is a ou aze -lhe ques ões sob e ês emas: a c iminalidade
eminina, a sua adap ação à eclusão e, po úl imo, sob e a sua pa icipação no egime de
isi as ín imas. Comecemos en ão pelo ema da c iminalidade eminina.
1º Tema: C iminalidade eminina
1. Qual oi pa a si o p incipal mo i o que a le ou a come e o c ime pelo qual es á
condenada?
2. Como é que acha que a sociedade ê a mulhe que come e c imes?
3. Qual é sua opinião sob e a mulhe que come e c imes?
4. O que é pa a si “se mulhe ”?
2º Tema: Adap ação à eclusão
5. Como é que oi a sua adap ação à eclusão?
• Pensamen os, sen imen os, expe a i as
• Maio di iculdade
6. O que pensa que mais a ajudou a adap a -se à ida na p isão?
7. A expe iência da eclusão p o ocou alguma modi icação em si? Se sim, qual ou
quais?
8. De que o ma enca a ago a a sua eclusão?
9. Quais são as suas maio es di iculdades na p isão?
10. Do que sen e mais al a du an e es e empo em que es á eclusa? Como az pa a
ul apassa isso?
11. Quais são os aspe os que mais in luenciam a sua i ência da eclusão?
• O que é que mais con ibui pa a o seu bem-es a na p isão
• Supo e social pe cebido (apoio que sen e po pa e dos seus amilia es e
amigos)
• Relação com as es an es eclusas
• Expe iências e a i idades na p isão
3º Tema: Visi as Ín imas
12. Já alguma ez es e e no egime de isi as ín imas?
13. Se sim, po que é que já não es á?
14. No caso de e sido opção sua, po que é que op ou po não e isi as ín imas?
15. O que pensa do egime de isi as ín imas? (Van agens, c í icas, o que muda ia)
16. Como é que enca a a isi a ín ima?
17. Sabe se alguma eclusa já so eu de algum ipo de iolência du an e a isi a
ín ima?
18. Pensa que a isi a ín ima pode in luencia a i ência da eclusão?
Idade:
Nacionalidade:
Escola idade:
Pena:
Tipo de c ime:
Há quan o empo es á p esa:
É a p imei a ez que es á p esa?
Sim
Não De quan o empo oi a pena an e io ?
Nes e momen o es á numa elação?
Sim Companhei o ecluso ou em libe dade?
Não
Da minha pa e é udo. Gos a ia de ac escen a mais alguma coisa? Ob igada pela
sua colabo ação. Quando eu ap esen a os esul ados do meu es udo, se ambém
es i e in e essada, e ei odo o gos o em pa ilhá-los consigo.
Anexo 3: Consen imen o in o mado
Decla o que comp eendi as in o mações que me o am o necidas o almen e po
Ri a Pin o ela i amen e ao seu p oje o de in es igação sob e o egime de isi as ín imas,
inse ido no Mes ado In eg ado em Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Uni e sidade do Po o.
Decla o, ainda, que acei ei ealiza uma en e is a incluída nes a in es igação e que
es a oi g a ada com o meu consen imen o, endo conhecimen o que podia li emen e
abandona a en e is a a qualque momen o sem consequências pa a mim, nomeadamen e
no que espei a a ques ões judiciais e de cump imen o da pena.
Assim, decla o que acei o pa icipa nes e es udo de o ma olun á ia e pe mi o que
os meus dados sejam u lizados nes a in es igação, con iando que se á espei ado o
anonima o que me oi ga an ido pela in es igado a.
Es abelecimen o P isional de San a C uz do Bispo (Feminino), ______________
Assina u a: ________________________
Anexo 4: Ca ego ias de análise segundo os emas de in es igação
Tema: C iminalidade Feminina
Ca ego ia de
análise
Desc ição
Obje i o
Exemplo de espos a à
ca ego ia
Mo i o
Razão que as
eclusas
iden i icam como
sendo aquela que
mo i ou a sua
p á ica c iminosa
- Pe cebe se as
mulhe es
pe cecionam uma
Au o ou He e o
de e minação no
c ime come ido
- Iden i ica o modo
como o se
delinquen e se
cons ói ao longo da
aje ó ia de ida da
eclusa
“O mo i o oi o que e
dinhei o. O não e e
que e …pa a come , pa a
es i .”
Mulhe que
come e
c imes
Pe ceção da eclusa
sob e a o ma
como a sociedade
enca a a mulhe
c iminosa
- Iden i ica , do
pon o de is a das
en e is adas, a
pe ceção que êm da
eação social à
mulhe que come e
c imes
“Eu acho que somos
disc iminadas.”
C ime
Como enca a o
c ime come ido
- Iden i ica a
pe ceção que a
eclusa em do seu
compo amen o
ansg essi o
“A ependo-me do c ime
que come i, não é? Só
uma pessoa es ando cá
den o é que ê a asnei a
que nós azemos. ”
“Se mulhe ”
Signi icados e
associações que as
eclusas a ibuem
ao ac o de se em
mulhe es
- Iden i ica se as
eclusas conseguem
des incula a
e lexão do se
mulhe do con ex o
de eclusão
- Explo a as
ques ões de géne o
“Eu acho que a mulhe é
o se mais impo an e
po que emos á ias
capacidades que os
homens não êm. Se mos
mães. É o mais
impo an e.”

Tema: Adap ação à eclusão
Ca ego ia de
análise
Desc ição
Obje i o
Exemplo de espos a
à ca ego ia
P ocesso
Como deco eu a
adap ação da
eclusa à p isão
- Iden i ica como se
p ocessou a adap ação
à ida na p isão
“Mal, mui o mal.”
Con ibu os
Quais os aspe os
que mais
acili a am a
adap ação da
eclusa
- Iden i ica as
es a égias u ilizadas
pa a lida com os
cons angimen os
“O abalho.”
Di iculdades
Di iculdades
sen idas du an e a
expe iência de
eclusão
- Iden i ica as «do es
de p isão» de cada
eclusa e compa a
com a li e a u a
“A al a dos meus
ilhos.”
Modi icação
Modi icações
pessoais que são
econhecidas ou
não, deco en es da
expe iência da
eclusão
- Pe cebe qual o
impac o da eclusão
em cada eclusa
“Es ou mui o mais
calma, coisa que eu
não e a.”
Tema: Visi as Ín imas
G upo com RVI
Ca ego ia de
análise
Desc ição
Obje i o
Exemplo de
espos a à
ca ego ia
Razões
Mo i o(s) que
le ou/le a am a
eclusa a pedi
admissão ao
RVI
- Pe cebe as p incipais
mo i ações das eclusas
pa a e em isi as ín imas
“Ele es á p eso e
semp e são ês
ho as pa a
es a mos jun os.”
Pe cu so
Iden i ica como
deco eu o
pe cu so da
eclusa no RVI
- Pe cebe se ao longo do
seu pe cu so no RVI já
su giu algum momen o
em que i esse desis ido
e, no caso de o e ei o,
sabe as azões da sua
desis ência e do pos e io
pedido de admissão ao
RVI
“Ti e semp e
isi as, sem
in e upções.”
Expe a i as
Expe a i as da
eclusa nos
momen os que
an ecedem a
oco ência da
isi a ín ima
- Iden i ica como são
i idos os momen os
an es da isi a ín ima
“Sin o uma
aleg ia!.”
Dinâmicas
Dinâmicas das
ês ho as da
isi a ín ima
- Pe cebe o que acon ece
em cada isi a ín ima
“Eu aço udo.
Faço elações,
con e so, b inco,
aço udo.”
Fim da isi a
Sen imen os
expe ienciados
no inal de cada
isi a ín ima
- Pe cebe como é que
cada eclusa lida com o
momen o em que a isi a
ín ima e mina
“Fico a cho a .”
Valo ização
O que cada
eclusa mais
alo iza na
isi a ín ima
- Pe cebe , do que
acon ece du an e a isi a
ín ima, as eclusas
a ibuem maio
impo ância
“É o ca inho.
Damos apoio um
ao ou o.”
Van agens
Aspe os
posi i os da
isi a ín ima
- Pe cebe se as eclusas
êm aspe os posi i os na
isi a ín ima e quais
“Esqueço udo,
esqueço mesmo
que es ou p esa.”
Des an agens
Des an agens da
isi a ín ima
- Pe cebe se as eclusas
êm alguma
des an agem na
ealização da isi a
ín ima
“Não enho nada
a dize . ”
Funcionamen o
Pe ceções sob e
o modo de
uncionamen o
do RVI
- Pe cebe o g au de
conco dância ou
disco dância das eclusas
com as eg as e modo de
uncionamen o do RVI
“Acho que
de íamos de e
de quinze em
quinze em dias e
não só uma ez
po mês.”
In luência na
eclusão
In luência das
isi as ín imas
na i ência da
eclusão
- Pe cebe se a eclusa
pensa que o ac o de e
isi as ín imas exe ce
alguma in luência na
o ma como i e a
expe iência da eclusão
e, se sim, em que medida
“Dá-me o ça
pa a con inua a
segui em en e.”
In luência na
elação
In luência das
isi as ín imas
na elação
conjugal
- Pe cebe se as eclusas
pensam que o ac o de
e em isi a ín ima
con ibui ou não de
alguma o ma pa a as
suas elações amo osas e,
se sim, em que aspe os
“Eu acho que se
não hou esse
isi a ín ima udo
se esquece.”
Violência con a
si
Expe iência
pessoal de
iolência
du an e a isi a
ín ima
- Pe cebe se alguma
eclusa já oi í ima de
iolência domés ica
du an e a isi a ín ima
“Não, nunca.”
Violência com
ou as
Conhecimen o
da exis ência de
iolência nas
isi as ín imas
- Pe cebe se as eclusas
êm conhecimen o de que
ou as colegas já o am
ag edidas du an e a isi a
ín ima
“Sim. Hou e uma
que já oi embo a,
que i e am que a
i i a lá do
qua o. O ma ido
ba eu-lhe.”
Tema: Visi as Ín imas
G upo sem RVI
Ca ego ia de
análise
Desc ição
Obje i o
Exemplo de
espos a à
ca ego ia
An eceden es
Exis ência ou não de
alguma pa icipação
an e io no RVI e, se
sim, quais as azões
de já não es a
- Iden i ica mo i os de
desis ência do RVI
“Não, nunca
i e.”
Razões
Mo i os da eclusa
pa a não es a
insc i a no RVI
- Conhece as azões das
eclusas pa a não es a em
insc i as no RVI
“Eu en ei cá
sozinha, es ou
sepa ada.”
Van agens
Aspe os posi i os da
isi a ín ima
- Pe cebe se as eclusas,
mesmo não endo isi as
ín imas, êm aspe os
posi i os nas mesmas e
quais
“Eu acho que
jun a mais o
casal.”
C í icas
Aspe os nega i os
da isi a ín ima
Pe cebe quais as c í icas
que as eclusas não
insc i as ao RVI azem a
es e
“Acho que de e
se
cons angedo a
e is a.”
In luência na
eclusão
In luência que as
isi as ín imas êm
na i ência da
eclusão na opinião
das mulhe es não
insc i as no RVI
Pe cebe se as eclusas
não insc i as no RVI
pe cecionam que alguma
in luência das isi as
ín imas na o ma como
as mulhe es insc i as
nes e egime i em a
expe iência da eclusão
“Elas não se
po am mal pa a
não i em pa a o
cas igo e
pe de em a
isi a.”
Violência
Conhecimen o da
exis ência de
iolência domés ica
nas isi as ín imas
Pe cebe se as eclusas
êm conhecimen o de
mulhe es que já o am
ag edidas du an e a isi a
ín ima
“Não, não.”