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DQA VS Funcionamento do Ecossistema: exemplo da Barragem Crestuma-Lever

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DQA VS Funcionamento do Ecossistema: exemplo da Barragem Crestuma-Lever

Author: Nelson Luís Ramos Ferreira da Silva
Year: 2013
DOI: 10.34626/xymx-zz29
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/70054/2/24155.pdf
DIRETIVA QUADRO
DA ÁGUA VS.
FUNCIONAMENTO
DO ECOSSISTEMA:
EXEMPLO DA
BARRAGEM
CRESTUMA-LEVER
Nelson Luís Ramos Fe ei a da Sil a
Mes ado em Biologia e Ges ão da Qualidade da Água
Depa amen o de Biologia
2013
O ien ado
Dou o a Sa a C is ina Fe ei a Ma ques An unes, P o esso a Auxilia
Con idada do Depa amen o de Biologia da Faculdade de Ciências da
Uni e sidade do Po o
Coo ien ado
Dou o a Ma ia da Na i idade Viei a, P o esso a Associada com
Ag egação do Depa amen o de Biologia da Faculdade de Ciências da
Uni e sidade do Po o
FCUP
Di e i a Quad o da Água s. Funcionamen o do ecossis ema: exemplo da Ba agem C es uma-Le e
1
Todas as co eções de e minadas
pelo jú i, e só essas, o am e e uadas.
O P esiden e do Jú i,
Po o, ______/______/_________
FCUP
Di e i a Quad o da Água s. Funcionamen o do ecossis ema: exemplo da Ba agem C es uma-Le e
2
Disse ação subme ida à Faculdade de Ciências da Uni e sidade do
Po o, pa a a ob enção do g au de Mes e em Biologia e Ges ão da
Qualidade da Água, da esponsabilidade do Depa amen o de
Biologia.
A p esen e ese oi desen ol ida sob a o ien ação cien í ica da
Dou o a Sa a C is ina An unes, P o esso a Auxilia Con idada do
Depa amen o de Biologia da FCUP; e co-o ien ação cien í ica da
Dou o a Ma ia Na i idade Viei a, P o esso a Associada com
Ag egação do Depa amen o de Biologia da FCUP.
FCUP
Di e i a Quad o da Água s. Funcionamen o do ecossis ema: exemplo da Ba agem C es uma-Le e
3
“Só é impossí el se o pa a on em.”
FCUP
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4
Ag adecimen os
Às minhas o ien ado as, P o esso a Dou o a Sa a An unes e P o esso a Dou o a Na i idade
Viei a, pelas saídas de campo, ajudas no labo a ó io, pela disponibilidade o al, mo i ação e
apoio não só académico mas ambém pessoal;
Aos meus amilia es pelas p eocupações pa ilhadas, pelo mau ei io supo ado, pelas
is ezas e angús ias a enuadas;
Ao Daniel Fe az, Enio Pimen a, Ru e Fe az, Joana Malhei o, Ch is ophe A onso, Ca la
Soa es, Lisa Teixei a, Joana Mo eno e Zoé Sá (en e mui os ou os) pelas noi es bem
passadas, pela o ça incu ida, pelo ab aço, pelo empo despendido de bom g ado, e pelos
so isos a ancados;
A odos os colegas de labo a ó io pela louça la ada, pela ajuda p eciosa nos ensaios, pelas
con e sas e po odos os de alhes que embo a não ela ados nunca se ão esquecidos;
Ao Eng.º F ancisco an Zelle , Eng.º João Paulo G aça e ao Nelson Pascoal pelo empo
cedido pa a a execução da ese, pela en eajuda mas p incipalmen e po me aze em
ac edi a que “só é impossí el se o pa a on em”;
Àqueles que não o am mencionados e que di e a ou indi e amen e in luencia am o
apa ecimen o des e abalho;
Um eno me ob igado! “Sozinhos chegamos mais ápido… jun os chegamos mais longe!”.

FCUP
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Resumo
A Di e i a Quad o da Água (DQA) iniciou um no o egime na polí ica eu opeia de ges ão da
qualidade da água, es endendo a p o eção a odas as águas na u ais, com o obje i o de
consegui alcança o seu bom es ado e conse ação a é 2015. De aco do com es a Di e i a
odas as águas de em se obje o de es udo e p o eção, in oduzindo-se o concei o de
ges ão baseada em bacias hid og á icas, a noção de uso sus en á el da água (p incípio do
u ilizado /pagado ) e o con olo da poluição. Pa a es a a aliação, e de aco do com es udos
que pe mi i am implemen a e de ini as ações p e is as na DQA, de ini am-se indicado es
de qualidade nomeadamen e os elemen os de qualidade biológica, os elemen os químicos e
ísico-químicos.
A água é um ecu so na u al com ca ac e ís icas mui o especiais, indispensá el ao homem e
aos ou os se es i os, sendo assim de ex ema impo ância assegu a a boa qualidade da
mesma. Des e modo, o obje i o da p esen e disse ação oi a alia o es ado ecológico da
água da albu ei a de C es uma-Le e (do No e de Po ugal), a a és de duas abo dagens
complemen a es. Po um lado, oi ealizada a ca a e ização ísica e química às amos as de
água ecolhidas, de aco do com os elemen os ísicos e químicos de supo e ge al p opos os
pela DQA. Numa pe spe i a complemen a , e no in ui o de a alia a uncionalidade do
ecossis ema o am ealizados ensaios de alimen ação com Daphnia magna, em que se
a aliou a axa de inibição alimen a de D. magna quando es a oi expos a a amos as de
água ecolhidas na albu ei a. Assim, e du an e o pe íodo de ou ub o de 2012 a se emb o de
2013, o am ecolhidas amos as de água, com uma pe iodicidade mensal, em dois pon os
na albu ei a de C es uma-Le e (na ma gem opos a à ETA de C es uma-Le e e den o da
Ma ina Ang a do Dou o).
Os esul ados dos pa âme os ísicos e químicos de supo e ge al, ob idos in si u e em
labo a ó io (abo dagem DQA) indicam que a água ecolhida nos dois pon os de amos agem
den o da albu ei a, ap esen a uma classi icação in e io a bom na maio ia dos meses
amos ados. Os esul ados ob idos com os es es de inibição alimen a demons a am que a
qualidade da água da albu ei a não ap esen a al e ações nega i as pa a os cladóce os.. No
en an o, a albu ei a de C es uma-Le e de e á con inua a se al o de moni o ização e
acções de p ese ação no sen ido de man e ou melho a a qualidade da água.
Pala as-cha e: Albu ei a de C es uma-Le e , Daphnia magna, moni o ização sensu
DQA, ensaios de alimen ação, pa âme os ísico-químicos, qualidade da água.
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Abs ac
The Wa e F amewo k Di ec i e (WFD) began a new egime in he Eu opean managemen o
wa e quali y, ex ending p o ec ion o all na u al wa e s, in o de o achie e i s good condi ion
and conse a ion un il 2015. Acco ding o his Di ec i e all na u al wa e s should be s udied
and p o ec ed, in oducing he concep o managemen based on i e basins, he no ion o
sus ainable wa e use (p inciple o use /paye ) and pollu ion con ol. Fo his e alua ion, and
acco ding o s udies ha allowed he implemen a ion and de ini ion o he ac ions o eseen by
he WFD, quali y indica o s we e de ined including he biological quali y elemen s, chemical
and physicochemical elemen s.
Wa e is a na u al esou ce wi h e y special ea u es, essen ial o humans and o he li ing
beings and i is o u mos impo ance o ensu e i s good quali y. Thus, he aim o his hesis
was o e alua e he ecological s a us o C es uma-Le e ese oi (No h o Po ugal),
h ough wo complemen a y app oaches. On one hand, he physical and chemical
cha ac e iza ion o wa e samples was pe o med acco dingly o he gene al physical and
chemical pa ame e s p oposed by he WFD. In a complemen a y pe spec i e, and in o de o
e alua e he ecological s a us acco ding o a unc ional pe spec i e eeding ials we e
conduc ed wi h Daphnia magna, which e alua ed he a e o eeding inhibi ion when Daphnia
was exposed o wa e samples collec ed in he ese oi . Thus, du ing he pe iod oc obe
2012 o sep embe 2013, wa e samples we e collec ed, on a mon hly basis, a wo poin s on
he C es uma-Le e ese oi (on he opposi e ma gin o he ETA C es uma-Le e , and wi hin
he Ma ina Ang a do Dou o).
The esul s o he gene al physical and chemical pa ame e s ob ained in si u and in
labo a o y (app oach WFD) indica e ha wa e collec ed in he wo sampling poin s wi hin
ese oi showed a less han good classi ica ion in almos mon hs. The esul s ob ained wi h
eeding inhibi ion assays e ealed ha ese oi wa e quali y does no show nega i e
modi ica ions in cladoce ans communi y. Howe e , he C es uma-Le e ese oi should
con inue being a a ge o moni o ing and conse a ion ac ions in o de o main ain o
imp o e i s wa e quali y.
Keywo ds: C es uma-Le e ese oi , Daphnia magna, WFD moni o ing, eeding
inhibi ion, physicochemical pa ame e s, wa e quali y.
FCUP
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Índice
1. INTRODUÇÃO 12
1.1 Ca a e ização das albu ei as 14
1.1.2 Albu ei as em Po ugal 18
1.2 Di e i a Quad o da Água 19
1.3 A aliação da qualidade da água em albu ei as 22
A aliação biológica 22
A aliação hid omo ológica 24
A aliação química e ísico-química 25
1.4 Me odologias al e na i as e/ou complemen a es à DQA 29
1.5 Obje i os 33
2. MATERIAL E MÉTODOS 35
2.1 Ca a e ização do local de es udo 35
2.2 Amos agem 38
2.3 P ocedimen os labo a o iais 38
2.4 Ensaios de inibição alimen a 39
2.5 Análise es a ís ica 42
3. RESULTADOS 44
4. DISCUSSÃO 51
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 60
FCUP
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Lis a de igu as
Pág.
Figu a 1.
E olução do p ocesso de eu o ização de lagos e albu ei as.
Associação en e o uso e ocupação do solo e a eu o ização
(adap ado de Von Spe ling, 1996).
16
Figu a 2.
Vis a ge al da ba agem de C es uma-Le e ( o og a ia de Nelson
Sil a, 2013).
35
Figu a 3.
Vis a ge al da ETA de Le e (adap ado de h p://www.addp.p /)
36
Figu a 4.
Vis a ge al da Ma ina Ang a do Dou o (adap ado de
h p://www.ma inaang adodou o.p /).
37
Figu a 5.
Localização geog á ica da Ba agem de C es uma-Le e e sua
posição ela i a à Ma ina Ang a do Dou o e ETA de Le e (adap ado
de Google maps).
37
Figu a 6.
Classi icação axonómica. Daphnia magna (S aus, 1820)
40
Figu a 7.
Va iação dos pa âme os ísicos e químicos medidos in si u nos dois
pon os de amos agem ao longo do pe íodo do es udo.
45
Figu a 8.
Va iação dos nu ien es quan i icados nas amos as de água
ecolhidas nos dois pon os de amos agem ao longo do pe íodo do
es udo. Os dados ap esen ados são e e en es à média de 3
éplicas e as ba as co espondem ao des io pad ão calculado.
46
Figu a 9
Va iação da axa alimen ação de D. magna quando expos a às
amos as de águas na u ais ecolhidas nos dois pon os de
amos agem ao longo do pe íodo do es udo em elação ao con olo.
Os dados ap esen ados são e e en es à média e as ba as
co espondem ao des io pad ão calculado.
48
FCUP
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sílica (Si) (F iedl, 2002). O aumen o do empo de esidência, a a és da diminuição da
e apo ação, do ac éscimo da empe a u a da água e da diminuição do oxigénio, conduz a
um aumen o da concen ação de sais dissol idos. Pa a além dis o, que o aumen o do
empo de esidência, que a p odução au óc one de biomassa, ão al e a a biogeoquímica
dos sedimen os e podem conduzi à libe ação de me ais pesados. A libe ação de me ais
e idos em solos e sedimen os es á di e amen e elacionada às o mas ísico-químicas de
e enção, que po sua ez são con oladas po eações químicas e p ocessos ísicos que
dependem do pH, da capacidade de oca ca iónica, do eo de ma é ia o gânica, bem como
da cons i uição mine alógica do solo (Plassa ds e al., 2000; Alleoni e al., 2005; Ma os e al.,
2001; Lace da, Solomons, 1998).Todas es as ans o mações e al e ações no equilíb io do
ecossis ema aquá ico in luenciam a qualidade da água.
O a mazenamen o de água em albu ei as pe mi e que se a inja um equilíb io mais ou
menos es á el ao longo de odo o ano en e a água exis en e e as necessidades de
consumo da mesma. Assim, exis e uma necessidade eduzida da dependência do egime
na u al da água, an o em caso de escassez como em caso de g andes excessos. Es as
ese as de água são ambém g andemen e a e adas po con aminação di usa ecebendo,
po ezes, e luen es domés icos e indus iais sendo ambém o úl imo ece o da esco ência
de solos ag ícolas e lo es ais (subs ancialmen e icos em pes icidas). Es es "inpu s" nos
ecossis emas aquá icos, nomeadamen e nas albu ei as, le am ao aumen o de concen ação
de nu ien es, ma e iais sólidos e ma é ia o gânica, que conduzem à de e io ação
signi ica i a da qualidade da água. A en ada excessi a desses nu ien es no ecossis ema
le a a que es e seja incapaz de epo o equilíb io pelos ní eis ó icos supe io es oco endo
um aumen o acele ado da p odu i idade p imá ia (nomeadamen e i oplânc on), oco endo o
enómeno de eu o ização. A edução da anspa ência da água, a al e ação da sua
colo ação, odo e sabo são ambém algumas consequências esul an es do aumen o de
concen ação de nu ien es e consequen e acili ação de blooms de mic oalgas (Aub y &
Ellio , 2005). O i oplânc on necessi a de uma g ande a iedade de nu ien es pa a c esce
mas, ge almen e, apenas o ós o o e/ou o azo o es ão em dé ice nos sis emas aquá icos
sendo, po isso, os a o es que limi am o seu c escimen o. Des e modo, o p ocesso de
eu o ização esul a, na maio ia das ezes, do aumen o excessi o des es nu ien es
(sob e udo do ós o o) que pe mi e um inc emen o mui o ápido do i oplânc on, com a
incapacidade do zooplânc on de epo à mesma elocidade o equilíb io no ecossis ema
(Le in on, 2001).
A eu o ização pode e o igem na u al ou se uma consequência da a i idade humana
(Figu a 1). Quando a o igem é na u al, o sis ema aquá ico o na-se eu ó ico mui o
len amen e e o ecossis ema man ém-se em equilíb io. Ge almen e, a água man ém-se com

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boa qualidade pa a o consumo humano e a biodi e sidade man ém-se es á el. Nos casos
em que a eu o ização esul a de a i idades an opogénicas, o p ocesso é bas an e mais
ápido, os ciclos biológicos e químicos podem se in e ompidos e, na maio pa e dos
casos, o sis ema en a num ápido p ocesso de de e io ação (Le in on, 2001). As on es de
nu ien es mais comuns ge adas pelas a i idades humanas são a lixi iação dos campos
ag ícolas (de ido à u ilização de e ilizan es), os e luen es indus iais, os e luen es das
á eas u banas e a des lo es ação. Todas elas p o ocam a libe ação pa a os ecossis emas
aquá icos de g andes quan idades de nu ien es que icam disponí eis pa a o c escimen o
do i oplânc on.
Figu a 1- E olução do p ocesso de eu o ização de lagos e albu ei as. Associação en e o uso e ocupação do solo
e a eu o ização (adap ado de Von Spe ling, 1996).
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O Índice do Es ado T ó ico em po inalidade classi ica co pos de água em di e en es
g aus de o ia, ou seja, a alia a qualidade da água quan o ao en iquecimen o po nu ien es
e seu e ei o elacionado ao c escimen o excessi o das algas ou ao aumen o da in es ação
de mac ó i as aquá icas (ANA, 2013).
Pa a a a aliação do es ado ó ico das albu ei as eco e-se no malmen e à
ca a e ização de ce os pa âme os ísicos e químicos na água, nomeadamen e a
concen ação de ós o o o al, clo o ila a e p o undidade isí el do disco de Secchi.
As Tabelas 1 e 2, ap esen am um esumo de c i é ios de classi icação do es ado ó ico
de massas de água, segundo di e sas en idades. Po úl imo, em Po ugal, quando se u iliza
o c i é io da Unesco pa a classi icação do es ado ó ico, não se u iliza o pa âme o auna
piscícola, po ques ões biogeog á icas, nem o pa âme o de pe cen agem de sa u ação de
oxigénio, po ques ões climá icas, pelo que na Tabela 2, es es dois pa âme os não o am
mencionados.
Tabela 1 - C i é ios de Classi icação do es ado ó ico de massas de água o emen e modi icadas.
Pa âme o
Oligo o ia
Meso o ia
Eu o ia
Classi icação do es ado ó ico segundo o Plano Nacional da Água (PNA) (2002)
Fós o o o al (mg P/m3)
< 10,0
10,0 - 50,0
> 50,0
Biomassa clo o ilina (mg/m3)
< 2,5
2,5 - 15,0
> 15,0
Classi icação do es ado ó ico, INAG –Di e i a das Águas Residuais U banas
Fós o o o al (mg P/m3)
< 10,0
10,0 - 35
> 35
Biomassa clo o ilina (mg/m3)
< 2,5
2,5 - 10,0
> 10,0
% Sa u ação de O2
-
-
< 40
Classi icação do es ado ó ico segundo OCDE (1982)
Fós o o o al (mg P/m3)
< 10,0
10,0 - 35
> 35
Biomassa clo o ilina (mg/m3)
< 2,5
2,5 - 8
> 8
Máximo biomassa clo o ilina (mg/m3)
< 8
8 - 25
< 25
P o undidade de Secchi (m)
> 6
6 - 3
< 3
P o undidade mínima de Secchi (m)
> 3
3 - 1,5
< 1,5
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Tabela 2 - C i é io de Classi icação do es ado ó ico segundo UNESCO, 1992 (adap ado de Debo ah Chapman).
Pa âme o
Ul aligo o ia
Oligo o ia
Meso o ia
Eu o ia
Hipe o ia
Fós o o o al (mg P/m3)
4,0
10,0
10,0 - 35
35 - 100
100,0
Média biomassa clo o ilina (mg/m3)
1,0
2,5
2,5 - 8
8 - 25
25,0
Máximo biomassa clo o ilina (mg/m3)
2,5
8,0
8 - 25
25 - 75
75,0
P o undidade média de Secchi (m)
12,0
6
6 - 3
3 - 1,5
1,5
P o undidade mínima de Secchi (m)
6,0
3,0
3 - 1,5
1,5 - 0,7
0,7
Assim, e de aco do com as abelas ap esen adas, os c i é ios de classi icação do es ado
ó ico di idem-se essencialmen e em:
Oligo ó ico – co esponde a lagos ou albu ei as limpas, de baixa p odu i idade
p imá ia, e em que não oco em in e e ências indesejá eis sob e o uso da água.
Meso ó ico – co esponde a lagos ou albu ei as com p odu i idade p imá ia
in e média, com possí eis implicações sob e a qualidade da água, mas em ní eis acei á eis,
na maio ia dos casos.
Eu ó ico – co esponde a lagos ou albu ei as com al a p odu i idade p imá ia em
elação às condições na u ais, de baixa anspa ência, em ge al a e ados po a i idade
an opogénicas, em que oco em al e ações indesejá eis na qualidade da água e
in e e ências nos seus múl iplos usos.
1.1.2 Albu ei as em Po ugal
A pa i da década de 50 do século XX oi p omo ida a cons ução de nume osos
ap o ei amen os hid oelé icos (Lei ão & Lopes, 2000). As águas a mazenadas após es as
cons uções - ba agens - êm no malmen e como inalidades p incipais a i igação ag ícola,
a p odução de ene gia elé ica e o abas ecimen o de água pa a consumo humano. No
en an o, p opo ciona ambém ou os usos, nomeadamen e a cons ução de
es abelecimen os ho elei os, casas de é ias, pa ques de campismo, bem como o
desen ol imen o de a iadas a i idades ec ea i as e despo i as. Ao ní el indus ial e e e-
se a endência pa a ins alação de piscicul u as. Na u almen e, as a i idades que su gem
como consequência da c iação da albu ei a não podem pô em causa as a i idades pa a as
quais, p io i a iamen e es a oi cons uída, apesa de ine i á eis incompa ibilidades (Casado,
2007). No en an o, a qualidade da água de uma albu ei a, além dos seus usos, depende das
a i idades que se desen ol em nas suas ma gens. Pode-se dize que a mesma es á
in imamen e elacionada com o uso que se az do solo em seu edo (Mo a, 1981).
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À medida que o ambien e é u banizado, a con aminação das águas supe iciais,
ca a e izada pelos ios e albu ei as, oco e de ido aos seguin es a o es:
a) Esco ências de poluen es de esgo os domés icos ou indus iais, a a és das
ligações clandes inas;
b) Esco ências plu iais ag egadas a lixo u bano;
c) Escoamen o supe icial que d ena á eas ag ícolas a adas com pes icidas ou ou os
compos os;
d) D enagem de águas sub e âneas con aminadas (Tucci, 2002).
Po ugal ap esen a um núme o eduzido de massas de água doce na u ais, sendo que
os ecossis emas aquá icos po ugueses his o icamen e dominan es são os lu iais. Con udo,
de ido à i egula idade da p ecipi ação, c ia am-se a i icialmen e massas de água lên icas
(albu ei as) pa a acumulação e uso da água, exis indo a ualmen e mais de uma cen ena de
g andes albu ei as e milha es de pequenos ep esamen os (açudes e pequenas ep esas),
cons uídos ao longo dos úl imos dois séculos.
1.2 Di e i a Quad o da Água
A Di e i a Quad o da Água (DQA) (Di e i a 2000/60/CE do Pa lamen o Eu opeu e do
Conselho, ap o ada em se emb o de 2000) é o p incipal ins umen o da Polí ica da União
Eu opeia ela i a à água. Es a es abelece um quad o de ação comuni á ia pa a a melho ia e
p o eção da qualidade das águas de supe ície in e io es, das águas de ansição, das
águas cos ei as e das águas sub e âneas, ga an indo que odos os ecossis emas que
dependam da água enham um uncionamen o adequado e que odos os usos da água só
possam se acei es se não coloca em em causa o bom uncionamen o dos ecossis emas. A
Di e i a 2000/60/CE (Di e i a Quad o da Água) oi anspos a pa a a o dem ju ídica nacional
pela Lei n.º 58/2005 de 29 de dezemb o (Lei da Água - LA) e pelo Dec e o-Lei nº 77/2006,
de 30 de ma ço. Ao ní el nacional, os desen ol imen os mais impo an es pa a o
planeamen o e ges ão dos ecu sos híd icos comp eendem o Plano Nacional da Água (PNA)
e os Planos de Bacia Hid og á ica (PBH).
O Plano Nacional da Água é elabo ado de aco do com o Dec e o-Lei nº 45/1994 de 22
de e e ei o e é um documen o que de ine o ien ações de âmbi o nacional pa a a ges ão
in eg ada dos ecu sos híd icos, undamen adas em diagnós ico a ualizado da si uação e na
de inição de obje i os a alcança a a és de medidas e ações (INAG, 2001). Es e plano em
como obje i os a de inição de es a égias nacionais pa a a alo ização e p o eção dos
ecu sos híd icos, no quad o de o denamen o ju ídico nacional e comuni á io, bem como a
a iculação de es a égias de planeamen o das bacias hid og á icas. A iculados com o PNA
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su gem os Planos de Bacia Hid og á ica, que êm po obje o espacial as bacias
hid og á icas, dis inguindo-se os PBH das bacias luso-espanholas (Minho, Lima, Dou o, Tejo
e Guadiana) e os PBH das bacias hid og á icas o almen e in eg adas no e i ó io nacional
(Cá ado, A e, Mondego, Lis, Mi a, Leça, Vouga, Sado e ainda as pequenas bacias
hid og á icas das egiões do Oes e e Alga e). Com a en ada em igo da DQA em 2000,
oi necessá io e e ua uma e isão da legislação nacional, endo sido publicado a Lei da
Água (Lei nº 58/2005) que assegu a a sua ansposição. Es a lei es abelece as bases e o
quad o ins i ucional pa a a ges ão sus en á el das águas em Po ugal. Es as polí icas
en ol em a ges ão in eg ada dos ecu sos híd icos no quad o das bacias hid og á icas
de inidas pelos espe i os limi es opog á icos independen emen e dos limi es
adminis a i os, englobando, assim, odos os meios híd icos de uma bacia hid og á ica: ios
e canais, lagos e albu ei as, aquí e os, es uá ios e águas cos ei as (Di e i a 2000/60/CE).
As águas supe iciais, em pa icula os ios, cons i uem uma das p incipais on es de
abas ecimen o de água e di e a ou indi e amen e cons i uem o supo e da ida das mais
a iadas espécies de lo a e auna, pelo que a p ese ação da qualidade é undamen al pa a
sa is aze a p ocu a e as necessidades das á ias a i idades e o ganismos que dela
dependem (Viei a, 2007). O es ado das águas de supe ície é a exp essão global do es ado
em que se encon a um de e minado meio híd ico de supe ície, de inido em unção do pio
dos es ados, ecológico ou químico, desse meio. Assim, o bom es ado das águas de
supe ície é o es ado em que se encon a uma massa de água quando os seus es ados
ecológicos e químico são conside ados como pelo menos, “bons” (INAG, 2009).
O es ado ecológico de uma massa de água de supe ície de um dado ipo é de inido
p incipalmen e pelo des io en e as ca a e ís icas das comunidades de o ganismos
aquá icos ( lo a aquá ica, in e eb ados ben ónicos e peixes) que es ão p esen es em
condições na u ais (condições de e e ência) e as ca a e ís icas dessas mesmas
comunidades quando sujei as a uma p essão (desca ga de um e luen e u bano, ex ação de
a eias, e c.). O es ado ecológico é ainda ca a e izado po pa âme os ísico-químicos
( empe a u a, oxigénio dissol ido e nu ien es, en e ou os), e po ca a e ís icas
hid omo ológicas ( ege ação ibei inha, caudal, p o undidade do io, e c.) (Hen iques e al.,
2000).
O es ado químico depende da p esença em quan idades signi ica i as de subs âncias
denominadas subs âncias p io i á ias, ais como me ais pesados, hid oca bone os
pe sis en es e alguns pes icidas. Os limi es máximos admissí eis pa a es as subs âncias,
conside adas como ap esen ando um isco signi ica i o pa a o ambien e aquá ico, e as
no mas de qualidade ambien al são es abelecidos a ní el comuni á io (DL nº103/2010).
Des e g upo de subs âncias des acam-se as designadas po subs âncias pe igosas

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p io i á ias, cuja concen ação no meio híd ico se p e ende elimina o almen e (DL
nº103/2010).
A DQA de ine Massa de Água Fo emen e Modi icada como sendo um ecossis ema
aquá ico onde se e idenciam al e ações ísicas signi ica i as, como consequência de
a i idades an opogénicas que p o oca am al e ações biológicas, hid omo ológicas e ísico-
químicas impo an es em ios, lagos, águas sub e âneas, de ansição ou cos ei as. Pa a as
massas de água designadas como o emen e modi icadas o concei o de Bom Es ado
Ecológico é subs i uído na DQA pelo concei o de Bom Po encial Ecológico. As condições
ge ais pa a um Bom Po encial Ecológico passam po os elemen os de qualidade ísica e
química, as concen ações de nu ien es, a empe a u a e o pH se encon a em den o dos
alo es es abelecidos como admissí eis, de o ma a ga an i o uncionamen o do
ecossis ema (INAG, 2009). Des e modo, os p incipais obje i os ambien ais es abelecidos na
DQA/LA ( abela 3) são a ingi a é 2015 o bom es ado de odas as águas de supe ície ( ios,
lagos, águas cos ei as e de ansição) e sub e âneas e ambém alcança o Bom Po encial
Ecológico e o Bom Es ado Químico das massas de água a i iciais ou o emen e
modi icadas, a a és da execução de p og amas de medidas especi icados em Planos de
Ges ão de Região Hid og á ica (PGRH) (A igo 4º, DQA).
Tabela 3 - Obje i os ambien ais da Di e i a Quad o da Água (adap ado de INAG, 2009).
Obje i os ambien ais da Di e i a Quad o da Água
Águas
Supe iciais
E i a a de e io ação do es ado das massas de água
P o ege , melho a e ecupe a odas as massas de água com o obje i o de alcança o bom
es ado das águas – bom es ado químico e o bom es ado ecológico
P o ege e melho a odas as massas de água o emen e modi icadas e a i iciais com o
obje i o de alcança o bom po encial ecológico e o bom es ado químico
Reduzi g adualmen e a poluição p o ocada po subs âncias p io i á ias e elimina as
emissões, as desca gas e as pe das de subs âncias pe igosas p io i á ias
Águas
Sub e âneas
E i a ou limi a as desca gas de poluen es nas massas de água e e i a a de e io ação do
es ado de odas as massas de água
Man e e alcança o bom es ado das águas – bom es ado químico e quan i a i o ga an indo o
equilíb io en e cap ações e eca gas
In e e qualque endência signi ica i a pe sis en e pa a aumen a a concen ação de
poluen es.
Zonas
P o egidas
Cump i as no mas e os obje i os p e is os na Di e i a-Quad o da Água a é 2015, excep o nos
casos em que a legislação que c iou as zonas p o egidas p e eja ou as condições
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1.3 A aliação da qualidade da água em albu ei as
De aco do com a DQA e uma ez que uma albu ei a é um ecossis ema onde se
e idenciam al e ações p o ocadas po ações an opogénicas, es as enquad am-se nas
"massas de água o emen e modi icadas".
Um dos obje i os da DQA é in oduzi uma pe spec i a ecológica na a aliação da
qualidade da água como complemen o aos pa âme os ísico-químicos adicionalmen e
u ilizados na ca a e ização e quali icação do es ado das águas. Des a o ma, a p esen e
di e i a de ine um conjun o de elemen os biológicos, hid omo ológicos e ísico-químicos de
supo e aos elemen os biológicos como o ma de a alia o es ado ecológico das massas de
água de supe ície. De seguida se ão desc i os os pa âme os de qualidade do es ado
ecológico das massas de água de aco do com o anexo V da DQA (INAG, 2009), bem como
os índices analí icos que ca a e izam cada um dos di e en es pa âme os de qualidade, que
a é ago a o am desen ol idos e se encon am no malizados de aco do com a DQA. Es es
o am adop ados e di ulgados pelo INAG em se emb o de 2009 num documen o in i ulado
de “C i é ios de classi icação do es ado das massas de água supe iciais – ios e albu ei as”.
A aliação biológica
Os mé odos biológicos êm como unção o nece uma isão ge al do que se passa no
ecossis ema, sendo essenciais pa a a a aliação ci o óxica e geno óxica dos o ganismos
expos os. No en an o, es a a aliação de e se acompanhada de a aliações ísico-químicas,
de modo a se ob ida uma a aliação quali a i a e quan i a i a dos compos os p esen es no
ecossis ema.
De aco do com a DQA, os elemen os biológicos a conside a na a aliação do es ado
ecológico pa a as di e en es ca ego ias de massas de água são o i oben os (e.g.
dia omáceas), as mac ó i as (e.g. junco e elódea), os in e eb ados ben ónicos (e.g.
moluscos, inse os, nema odes e oligoque as) e a auna piscícola (e.g. u as).
É de salien a que cada elemen o biológico ap esen a ca a e ís icas singula es, cada
um com an agens e des an agens associadas, não só ela i amen e ao p ocesso de
amos agem e espe i o p ocedimen o labo a o ial a ealiza , mas ambém, pa a alguns dos
pa âme os, a sua ole ância à poluição é ainda um pouco desconhecida (INAG, 2009). Po
ou o lado, a espos a empo al e espacial de cada um dos elemen os biológicos às
p essões an opogénicas é bas an e a iá el em consequência da du ação do ciclo de ida
e mobilidade de cada elemen o.
A espos a aos di e en es ipos de p essão e idenciada pelos di e en es elemen os
biológicos, em ios e lagos, es á ep esen a na abela 4.
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Tabela 4 - Sensibilidade dos elemen os de qualidade biológica a di e en es p essões an opogénicas em ios e lagos (adap ado
de INAG, 2009).
PRESSÃO
Fi oplânc on
Fi oben os
Mac ó i as
In e eb ados
ben ónicos
Fauna
Piscícola
Lagos
Rios
Lagos
Rios
Lagos
Rios
Lagos
Rios
Lagos
Nu ien es
X
×
X
×
x
x
X
Poluição o gânica
X
X
x
×
x
×
X
Poluen es especí icos,
subs âncias p io i á ias e
p io i á ias pe igosas
×
x
Hid ológica
X
×
×
x
×
x
×
X
Mo ológica
×
x
×
x
×
X
Acidi icação
×
X
×
x
×
X
Deg adação ge al
X
×
x
O i oplânc on é cons i uído po o ganismos unicelula es o oau o ó icos que i em
li emen e na coluna de água sendo sensí eis às a iações das condições de escoamen o,
bem como às al e ações ísico-químicas do meio. A excessi a p esença des es o ganismos
a e a g a emen e a p odu i idade global do sis ema, pois al e a os pad ões no mais de
oxigénio dissol ido e u ação da água, podendo ambém a e a a qualidade da água
aquando do desen ol imen o de blooms de i oplânc on óxico. De aco do com a DQA, es e
elemen o biológico apenas se á um pa âme o de qualidade pa a albu ei as, uma ez que
em ios de meno dimensão a oco ência des e elemen o não é de odo comum.
As mac ó i as são plan as ascula es dependen es de um subs a o pa a se ixa em,
pelo que são pa icula men e sensí eis às al e ações hid omo ológicas do egime lu ial,
sendo po isso um bom indicado do g au de al e ação dos ecossis emas, nomeadamen e
da p esença de nu ien es na água como o azo o e o ós o o ou poluen es como me ais ou
biocidas.
Os i oben os, onde se incluem as algas unicelula es como as dia omáceas, são, a pa
do i oplânc on, os p incipais p odu o es p imá ios nos ecossis emas lu iais e lacus es.
De ido à sua simplicidade isiológica o nam-se indicado es impo an es na a aliação da
qualidade da água, pois são bas an e sensí eis às al e ações an opogénicas, são
acilmen e encon adas ao longo do cu so de água e colonizam uma g ande a iedade de
habi a s sendo ácil a sua moni o ização e consequen e elação en e a sua abundância no
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meio e a qualidade da água, pois espondem apidamen e ao aumen o de nu ien es,
diminuindo signi ica i amen e a biodi e sidade aquá ica.
Os in e eb ados ben ónicos são o ganismos que habi am no subs a o de ios e
lagos, sendo uma impo an e on e de alimen ação pa a peixes. En e eles, des acam-se
á ios g upos de animais, como anelídeos, c us áceos e moluscos. De ido à sua mobilidade
eduzida, ciclos de ida longos e uma pe manência ela i amen e ele ada nos
ecossis emas, os mac oin e eb ados são o ganismos ex emamen e sensí eis aos a o es
abió icos do meio pois o ipo de subs a o, a empe a u a da água, o ipo de ege ação e
disponibilidade de alimen o condicionam d as icamen e a sua abundância e di e sidade
sendo po isso conside ados bons índices de qualidade ecológica da água (Gus a d e al.
1997).
Enquan o elemen o de qualidade biológica, a auna piscícola é um g upo impo an e
pa a a a aliação ecológica de ios e lagos uma ez que pe ence a ní eis ó icos
supe io es, sendo, po isso, um bom indicado de possí eis pe u bações que possam e
oco ido em ní eis ó icos in e io es da cadeia alimen a (Ba bou e al. 1999). Pa a além
disso, algumas espécies com ele ado empo de ida, podem se indicado es impo an es
das sucessi as al e ações e i icadas no meio, em pe íodos de empo conside á eis,
pe mi indo assim, ob e uma isão global, sis émica e in eg ada da e olução da qualidade
dos ecossis emas nos di e en es ní eis ó icos (We zel, 1993). Po ou o lado, mui as
espécies piscícolas são bas an e sensí eis às al e ações hid omo ológicas e idenciadas
nos sis emas lu iais, pa a além de se em as p incipais í imas da descon inuidade
longi udinal p o ocada pelas in a-es u u as ans e sais, sendo po isso undamen ais na
análise de moni o ização aquando da a e ição de es ado de qualidade dos cu sos de água.
A aliação hid omo ológica
Segundo a DQA, os elemen os hid omo ológicos são um dos p incipais elemen os de
classi icação do es ado ecológico das massas de água. Es e ac o de e-se a que mui as
ezes es es assegu am um supo e abió ico imp escindí el pa a o es abelecimen o de
a iadas espécies. Pa a além disso, a sua he e ogeneidade p omo e a di e sidade de
habi a s suscep í eis de se em colonizados pelos di e sos o ganismos.
A análise e moni o ização dos seguin es pa âme os é de ele ada impo ância pa a a
auna e lo a dos ecossis emas lu iais:
O egime hid ológico de ine-se como a a iação das dis ibuições sazonais do caudal
dos cu sos de água, em que se desc e e a equência na u al da oco ência de cheias e
es iagens numa de e minada bacia hid og á ica e que e le e os pad ões climá icos da
egião.
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1997; Tessie e al., 2001). Des e modo, o e ão é ca a e izado pelo c escimen o e
di e si icação da comunidade i oplânc ónica, bem como um declínio na anspa ência. O
c escimen o ilimi ado do i oplânc on le a, en e an o, ao esgo amen o p og essi o dos
nu ien es necessá ios ao seu c escimen o ( ós o o, sílica, azo o), o que o igina uma in e na
compe ição en e as espécies i oplanc ónicas (We zel, 1983). Já quando chega o ou ono,
de ido à diminuição da empe a u a, há um eabas ecimen o de nu ien es e no o aumen o
da p odução i oplanc ónica. Assim, dá-se o es abelecimen o de ecu sos de boa qualidade
e a edução da p edação, o que le a ao eapa ecimen o de picos de comunidades
zooplanc ónicas, incluindo zooplânc ones de g andes dimensões (Daphnia).
A qualidade da água, a sua cons i uição e a mis u a na coluna de água dos
ecossis emas lên icos, são a o es essenciais pa a um bom desen ol imen o dos
o ganismos aquá icos (Wei ho e al., 2000). Assim, as comunidades planc ónicas são
elemen os indicado es impo an es, do es ado ecológico de um sis ema aquá ico, uma ez
que e le em a disponibilidade de nu ien es e a p odu i idade desse ambien e (DeSan o,
1978).
O i oplânc on é o elo base da eia alimen a , sendo o p imei o g upo a se a e ado pela
disponibilidade de nu ien es no meio. Qualque desequilíb io nes as componen es, dá
o igem à des egulação da base da eia ó ica de lagos e lagoas. O en iquecimen o
excessi o de nu ien es le a a um c escimen o excessi o de alguns axa i oplanc ónicos
opo unis as (po ezes óxicos pa a os zooplanc on es) que ao não se em consumidos
podem p o oca a mo e em massa de ou os elos na eia alimen a (Ba os, 1994; Fe ão-
Filho e al., 2000). Po ou o lado, es e p ocesso le a equen emen e a uma edução
signi ica i a de oxigénio na água podendo p o oca a mo e de o ganismos de ní eis
supe io es da eia alimen a (e.g. mo e em massa de peixes). As comunidades
zooplanc ónicas e i oplanc ónicas são do mesmo modo a e adas a a és de uma edução
d ás ica na sua di e sidade, pela mo e das espécies mais sensí eis e pelo aumen o das
espécies opo unis as com capacidade de i a an agem da ele ada disponibilidade de
nu ien es (Ba os, 1994).
Po ou o lado, o aumen o da p odu i idade p imá ia e da ege ação ipícola p o oca
uma edução da p o undidade do lago de ido à ele ada deposição de ma é ia o gânica
eduzindo assim o espaço, po ezes essencial, pa a que oco am de e minados enómenos
como as mig ações “ op-down” e “bo om-up” de cladóce os. O zooplânc on dulçaquícola é
mui o di e si icado, sendo maio i a iamen e cons i uído po cladóce os (e.g. Daphnia,
Ce iodaphnia, Bosmina), copépodes e o í e os. Como já desc i o an e io men e, a sucessão
ecológica des es o ganismos é e i icada ao longo do ano sendo as espécies subs i uídas
consoan e as condições ambien ais exis en es (Cas o & Gonçal es, 2007). O zooplânc on é

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o g upo cha e no con olo da p odução i oplanc ónica e a sua impo ância eside no papel
cen al na ans e ência de massa e ene gia ao longo da eia ó ica pelágica, bem como no
seu po encial como indicado do es ado ó ico (Ca amujo & Boa ida, 2000b) e da qualidade
da água (Colome , 1996). Nes a pe spe i a, cladóce os de g andes dimensões,
nomeadamen e Daphnia ( il ado não-sele i o), possuem a capacidade de inge i uma maio
gama de células algais (em e mos de dimensões), em compa ação com as espécies
zooplanc ónicas mais pequenas (B ooks & Dodson, 1965; Tessie e al., 2001). Po ou o
lado, Daphnia ca a e iza-se po possui uma alimen ação mui o a iada indo desde a
inges ão de pa ículas inas de ma é ia o gânica em suspensão (Lampe , 1987; Ojala e al.,
1995), a bac é ias e mic oalgas (Ojala e al., 1995; Michels & De Mees e , 1998). Apesa
des a ca a e ís ica, o maio impac o que Daphnia em sob e o i oplânc on esul a da sua
e iciência enquan o il ado , uma ez que é capaz de eduzi a biomassa algal a ní eis
ex emamen e eduzidos (Gliwicz, 1990; K eu ze & Lampe , 1999).
Di e en es ipos de mic oalgas (Mon el e Lai , 1997), bac é ias (Sande s & Po e , 1990;
Wylie & Cu ie, 1991) e o í e os são os p incipais elemen os da die a alimen a de Daphnia
(Ry he , 1954; Mon el &Lai , 1997; Repka, 1998). No en an o, as mic oalgas são o alimen o
p imo dial pa a Daphnia e a sua u ilização como alimen o pa a manu enções de cul u a de
Daphnia em labo a ó io, é amplamen e u ilizado pois es as possuem um c escimen o ápido
e ap esen am áceis condições de cul i o.
A die a alimen a dos o ganismos do géne o Daphnia, à semelhança de ou os
cladóce os, em sido obje o de alguns es udos (e.g. An unes e al. 2003) e os ensaios mais
u ilizados baseiam-se na inibição na alimen ação após exposição a si uações de s ess.
Vá ios au o es já de e mina am que a concen ação de con aminan es a e a a inibição da
alimen ação (McWilliam & Bai d, 2002).
Uma ca e ís ica in e essan e na de e minação da inibição de alimen ação é que es a
pode se ob ida apidamen e (<24h), sem p é-exposição e que no malmen e é
signi ica i amen e a e ada quando os o ganismos são expos os a p odu os de ação
an opogénica. A inibição da alimen ação após exposição a con aminan es o e ece um
diagnós ico bas an e sensí el e ecologicamen e ele an e pa a uso em sis emas de
a aliação da qualidade da água (McWilliam & Bai d, 2002)
Isso az com que a de e minação da inibição alimen a seja um pa âme o ideal pa a a
moni o ização (Allen e al., 1995) e po isso es es pa âme os de em se quan i icados de
modo a a alia o uncionamen o dos se iços do ecossis ema.
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1.5 Obje i os
De aco do com a e isão bibliog á ica aqui e e uada e na pe spe i a de aumen a o
conhecimen o sob e os ecossis emas aquá icos, nomeadamen e das albu ei as, o p esen e
abalho e e como p incipal obje i o:
 A alia a qualidade da água da albu ei a C es uma-Le e , ao longo de um ano.
Pa a esponde a es e obje i o ge al de ini am-se um conjun o de obje i os especí icos,
de modo a in eg a da melho o ma a in o mação ob ida. Assim, os obje i os especí icos
o am:
 Ca a e iza a água da albu ei a de C es uma-Le e em e mos de pa âme os
ísicos e químicos, de aco do com a legislação igen e (Di e i a 2000/60/CE);
 Ca a e iza a água da albu ei a de C es uma-Le e , ao longo de um ano, a a és
da ealização de um es e eco oxicológico, nomeadamen e na a aliação da
pe cen agem de inibição alimen a do mic oc us áceo Daphnia magna, após
exposição a água da albu ei a de C es uma-Le e ;
 Ve i ica a possí el exis ência de alguma co elação en e os esul ados ob idos,
na a aliação da qualidade da água da albu ei a de C es uma-Le e , a a és das
duas abo dagens (DQA s. es e de inibição alimen a de D. magna).
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Ma e ial e Mé odos
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2. Ma e ial e Mé odos
2.1 Ca a e ização do local de es udo
A bacia hid og á ica do Dou o é a maio da Península Ibé ica, d enando ce ca de 17 %
do e i ó io combinado de Po ugal e Espanha. A bacia hid og á ica do Dou o ab ange
quase oda a ex ensão da Mese a Ibé ica, possuindo uma á ea o al de 97603 Km2, 81 % da
qual (78960 Km2) se si ua no e i ó io espanhol e os es an es 19 % (18643 Km2) em
Po ugal. No e i ó io po uguês o io Dou o es á seccionado a cada 30km,
ap oximadamen e, po ba agens, o iginando ce ca de 10 albu ei as a i iciais.
A albu ei a de C es uma (Figu a 2) o mou-se em 1985 após o ence amen o da
ba agem, endo sido conside ada desde en ão como uma massa de água meso ó ica
(POACL, 2004).
Figu a 2 - Vis a ge al da ba agem de C es uma-Le e ( o og a ia de Nelson Sil a, 2013).
A albu ei a de C es uma-Le e si ua-se no oço inal do io Dou o e le indo des e modo
na qualidade da sua água, as in luências so idas ao longo de oda a sua bacia hid og á ica.
O caudal de água doce a luen e ao ese a ó io de C es uma-Le e é con olado pelas
necessidades hid oelé icas dos dois lados da on ei a e ambém pela necessidade de
i igação no e i ó io espanhol, in oduzindo assim a iações anuais, sazonais, diá ias e
ambém ho á ias, ao egime na u al de caudais (Magalhães e al., 2005).
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A água é cap ada na albu ei a de C es uma-Le e e encaminhada pa a um ese a ó io
de água b u a. Pos e io men e, a água cap ada é a ada na Es ação de T a amen o de
Água de Le e (ETA Le e ) com is a à sua u ilização pa a o consumo humano. A ETA
(Figu a 3), esponsá el pelo a amen o de água de ce ca de milhão e meio de habi an es,
ab angida po odo o sis ema da ADP (Águas do Dou o e Pai a), oi cons uída en e
se emb o de 1997 e ma ço de 2000, u ilizando no momen o as mais mode nas ecnologias
no p ocesso de a amen o de água. A água supe icial é cap ada, acumulada num
ese a ó io de água b u a e ou o de água a ada, uma unidade de p é- a amen o, uma
unidade de a amen o de lamas, uma es ação ele a ó ia e um labo a ó io de p ocesso
(consul ado em h p://www.addp.p /, em 15/11/2012)
Figu a 3 – Vis a ge al da ETA de Le e (adap ado de h p://www.addp.p /)
Na ma gem opos a à ETA, e jun o à ba agem de C es uma-Le e localiza-se a Ma ina
Ang a do Dou o (Figu a 4 e 5). Con a iando os es an es po os de ab igo e/ou ma inas, a
Ma ina Ang a do Dou o, além da na egação du an e odo o ano, es á imune às in empé ies
ma í imas, dado que es a se si ua a mon an e da ba agem de C es uma-Le e , que con ola
o luxo das co en es (consul ado em h p://www.ma inaang adodou o.p / em 15/11/2012).

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Di e i a Quad o da Água s. Funcionamen o do ecossis ema: exemplo da Ba agem C es uma-Le e
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Figu a 4 - Vis a ge al da Ma ina Ang a do Dou o (adap ado de h p://www.ma inaang adodou o.p /)
Figu a 5 - Localização geog á ica da Ba agem de C es uma-Le e e sua posição ela i a à Ma ina
Ang a do Dou o e ETA de Le e (adap ado de Google maps).
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38
2.2 Amos agem
O abalho de campo pa a a ealização do p esen e es udo, deco eu du an e o pe íodo
de ou ub o de 2012 a junho de 2013, com a pe iodicidade mensal. Den o da bacia
hid og á ica da albu ei a de C es uma-Le e o ma escolhidos dois pon os de amos agem:
um em en e à ETA de Le e (La 41º04′38.2”, Long 8º28′20”), no lado di ei o do Rio Dou o,
denominado daqui em dian e po C es uma) e ou o den o da Ma ina Ang a do Dou o (La
41º04′44”, Long 8º27′57.5”), denominado po Ma ina). Mensalmen e, em cada pon o de
amos agem o am ecolhidas amos as de água. A amos agem oi e e uada passando as
ga a as de água 3 ezes pela água do local e depois enchendo a é e e , des e modo
e i ando as ocas de oxigénio e p ese ando as condições ísicas e químicas da água. Em
cada saída de campo o am ecolhidos 6 li os de água dis ibuídos po 4 ga a as de
plás ico de 1,5 L po local de amos agem. Es as o am anspo adas numa mala é mica
pa a o labo a ó io pa a pos e io quan i icação de nu ien es, a aliação de alguns
pa âme os ísicos e químicos e pa a a ealização de ensaios de inibição alimen a com
Daphnia magna.
Adicionalmen e, o am medidos in si u alguns pa âme os que auxiliam na ca a e ização
da água. A anspa ência oi medida a a és da p o undidade de isão com o disco de
Secchi. O pH, a empe a u a da água, o oxigénio dissol ido, a condu i idade e o con eúdo
em sólidos suspensos dissol idos o am de e minados com o auxílio de uma sonda
ele oquímica (HI 9828 mul ipa ame e me e wi h GPS).
2.3 P ocedimen os labo a o iais
Após chegada ao labo a ó io as amos as o am imedia amen e p ocessadas de aco do
com os pa âme os de inidos an e io men e., ou seja os p opos os pela DQA pa a massas
de água o emen e modi icadas.
Ca ência Bioquímica de Oxigénio (CBO5) – A de e minação des e pa âme o a alia a
quan idade de oxigénio necessá ia pa a oxida a ma é ia o gânica biodeg adá el
p esen e na água. O p ocedimen o labo a o ial consis e na medição do oxigénio (mg/L)
na amos a no dia da colhei a, e após incubação du an e 5 dias, a 20oC., e
pos e io men e medido o alo com uma sonda ele oquímica.
Ni a os, Ni i os, Fos a os e Fós o o o al – Na quan i icação des es compos os oi u ilizado
um espe o o óme o de bancada, modelo C200 da Hanna Ins umen s. As
quan i icações e e uadas po es e ki baseiam-se nos seguin es mé odos:
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39
Tabela 7 –Mé odos u ilizados pa a a quan i icação de ni i os, ni a os, os o o.
Ni i os
Mé odo da diazo ização
Ni a os
Mé odo da edução do cádmio
Fos a os
Mé odo do ácido ascó bico
Azo o – Pa a medi a quan idade de azo o oi u ilizado um espe o o óme o de bancada,
modelo C220 da Hanna Ins umen s.
Tu bidez e Sólidos Suspensos o ais – A u bidez de uma amos a de água é o g au de
a enuação de in ensidade que um eixe de luz so e ao a a essá-la e é p o ocada
pela p esença de sólidos suspensos. Es a oi medida a a és de um espe o o óme o.
Os sólidos suspensos o am medidos com o auxílio de uma sonda ele oquímica (HI
9828 mul ipa ame e me e wi h GPS)
Clo o ila a – A clo o ila a é um dos pigmen os esponsá el pelo p ocesso o ossin é ico e é
conside ada a p incipal a iá el indicado a de es ado ó ico dos ambien es aquá icos.
A clo o ila a oi medida a a és de um espe o o óme o.
2.4 Ensaios de inibição alimen a
O ganismo es e
Daphnia magna (S aus, 1820), é um mic oc us áceo de água doce (Figu a 6),
ep esen an e impo an e da comunidade ben ónicas e zooplanc ónica dos ecossis emas de
água doce (Ruppe e al., 2004). Ap esen a, como odos os c us áceos, uma ca apaça que
no seu caso so e muda de dois em dois dias. Esses o ganismos possuem coxas p o idas
de epípodos acha ados que se em como b ânquias, são la e almen e comp imidos, com a
cabeça li e e o onco echado den o de uma ca apaça bi al e que e mina pos e io men e
em um espinho apical. A ex emidade da pon a do onco, o pós-abdómen, i a-se
en almen e e pa a en e, ap esen ando ga as e espinhos especiais pa a a limpeza da
ca apaça (B en ano, 2006). É ulga men e designada po pulga-de-água, de ido aos
mo imen os especí icos das segundas an enas que lhe dão a apa ência de se desloca em
pequenos sal os, sendo que o mo imen o é p edominan emen e e ical. As pequenas
ce das plumosas que possuem nas an enas agem como es abilizado as. O olho se e pa a
o ien a o animal na na ação. Alimen a-se a a és da cap u a de pa ículas em suspensão
na coluna de água (ses on) e a exc eção é ealizada po glândulas. Habi an e comum das
águas doces in e io es do globo, es e o ganismo alimen a-se de algas e encon a-se na
base da cadeia ó ica e é essencial ao bom desen ol imen o de um ecossis ema aquá ico
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de oda a cadeia alimen a , uma ez que qualque pe u bação no o ganismo ai a e a as
cadeias ó icas supe io es (Ruppe & Ba nes, 1996).
Daphnia magna é um o ganismo pad ão em ensaios eco oxicológicos, po ap esen a
inúme as an agens, en e elas a acilidade de manipulação e manuseamen o em
labo a ó io e um cu o ciclo de ida (Rand, 1995). É um o ganismo il ado a i o, e elando-
se assim se uma espécie pad ão em es udos e bioensaios oxicológicos, nomeadamen e
em es es eque idos pela legislação nacional e eu opeia pa a a a aliação eco oxicológica
de no os agen es químicos, de e luen es u banos e indus iais e de ecossis emas de água
doce (Walke e al., 2001).
Figu a 6 - Classi icação axonómica. Daphnia magna (S aus, 1820)
Alguns es udos e elam que as condições ambien ais são das p incipais causas pa a a
al e nância de ep odução assexuada e sexuada em cladóce os (Be ne e al., 1991; Spaak,
1995). Consoan e as condições ambien ais em que se encon a, Daphnia pode ep oduzi -
se assexuadamen e ( ep odução pa enogené ica) ou sexuadamen e ( ep odução bissexual-
p odução de machos).
Du an e a maio pa e do ano, as populações na u ais de Daphnia magna são
cons i uídas maio i a iamen e po êmeas, sendo os macho apenas abundan es na
p ima e a e ou ono, ou quando oco em condições ambien ais des a o á eis como, po
exemplo, baixas empe a u as, g ande densidade populacional e subsequen e acumulação
de p odu os de exc eção. Algumas espécies de copépodes e cladóce os en am em
diapausa (es ado de quiescência) em ez de se sujei a em a essas mesmas condições
(Pijanowska & S olpe, 1996). Es e es ado de ina i idade pa ece se a única es a égia que
es es o ganismos desen ol e am de modo a sob e i e em a si uações indesejadas (Dahms,
1995). Con udo, em labo a ó io, onde as condições ambien ais podem se man idas
a o á eis e cons an es, a ep odução sexuada no malmen e não oco e, e Daphnia magna
ep oduz-se apenas pa enogene icamen e, o iginando nume osos descenden es
Reino
Animalia
Filo
A h opoda
Sub- ilo
C us acea
Classe
B anchiopoda
O dem
Cladoce a
Família
Daphniidae
Géne o
Daphnia
Espécie
Daphnia magna (S auss, 1820)
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Figu a 8 – Va iação dos nu ien es quan i icados nas amos as de água ecolhidas nos dois pon os de amos agem ao longo
do pe íodo do es udo.
A igu a 9 e a abela 8 e e em-se aos esul ados ob idos no ensaio de inibição alimen a
ealizado com as águas na u ais amos adas em cada mês ao longo do pe íodo de es udo.
Numa p imei a obse ação dos dados (Figu a 9) é pe ce í el uma di isão dos esul ados
ob idos na axa de inibição alimen a de D. magna quando expos a às águas na u ais
ecolhidas nos p imei os 6 meses de amos agem (co esponden es à amos agem no
pe íodo do in e no) e nos úl imos 6 meses ( ela i os ao e ão). Ainda nes a obse ação é
possí el egis a o mês de ab il que se ap esen a como um pa ama de di e enciação, onde
se egis ou um inc emen o signi ica i o da axa alimen a de Daphnia magna,
nomeadamen e em C es uma (Figu a 9 e Tabela 8). Numa in e p e ação dos esul ados
mais minuciosa oi possí el egis a di e enças signi ica i as da axa de inibição alimen a de
D. magna nalguns pe íodos de amos agem (Figu a 9 e Tabela 8). No mês de no emb o
egis ou-se um dec éscimo signi ica i o da axa de alimen ação de D. magna quando
expos a à água ecolhida em Ma ina (Figu a 9 e Tabela 8). Es a edução signi ica i a oi
ainda obse ada nos meses de janei o e maio, no mesmo pon o de amos agem. Apenas no
mês se emb o se egis ou um aumen o signi ica i o da axa alimen a de D. magna quando
expos a a água p o enien e de Ma ina. Obse ando os esul ados ob idos com as amos as
de água ecolhidas em C es uma, oi possí el egis a um aumen o signi ica i o da axa de
alimen ação de D. magna nos meses janei o, e e ei o e ab il (Figu a 9 e Tabela 8).
In e samen e, nos meses de maio e se emb o egis ou-se um dec éscimo signi ica i o des a
quan i icação (Figu a 9 e Tabela 8).

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Figu a 9 - Va iação da axa alimen ação de D. magna quando expos a às amos as de águas na u ais ecolhidas nos dois
pon os de amos agem ao longo do pe íodo do es udo em elação ao con olo. Os dados ap esen ados são e e en es à média
e as ba as co espondem ao des io pad ão calculado.
Tabela 8 – Tabela esumo da análise de a iâncias de uma- ia (ANOVA one-way) aplicada à axa de inibição alimen a
(“ eeding”) de D. magna após exposição às águas na u ais de C es uma e Ma ina du an e o pe íodo de es udo (g.l. g aus de
libe dade, QM – quad ados médio, F - F es a ís ico (QM ac o /QM esidual), P p obabilidade). Os alo es a neg i o e idenciam
os pa âme os pa a os quais se egis am di e enças signi ica i as.
Pa âme o
g.l.
QM
F
P
Taxa de inibição alimen a
“Feeding”
ou ub o
2, 9
2,2E8
0,528
0,607
no emb o
2, 11
1,5E9
4,173
0,045
dezemb o
2, 10
9,7E8
3,242
0,082
janei o
2, 11
4,5E9
26,69
<0,001
e e ei o
2, 8
9,8E9
24,38
<0,001
ma ço
2, 9
6,8E9
5,929
0,023
ab il
2, 10
9,3E10
45,66
<0,001
maio
2, 10
8,0E9
7,976
0,008
junho
2, 8
9,8E9
0,755
0,501
julho
2, 10
4,5E8
2,440
0,137
agos o
2, 9
3,3E9
1,438
0,287
se emb o
2, 11
3,1E10
19,95
<0,001
Pe íodo de amos agem
Ou 12 No 12 Dez12 Jan13 Fe 13 Ma 13 Ab 13 Maio13 Jun13 Jul13 Ago13 Se 13
Taxa de alimen ação (cels/o g/h)
0
1e+5
2e+5
3e+5
4e+5
5e+5
C es uma
Ma ina
Con olo *
*
*
*
**
*
*
*
Pe íodo de amos agem
Ou 12 No 12 Dez12 Jan13 Fe 13 Ma 13 Ab 13 Maio13 Jun13 Jul13 Ago13 Se 13
Taxa de alimen ação (cels/o g/h)
0
1e+5
2e+5
3e+5
4e+5
5e+5
C es uma
Ma ina
Con olo *
*
*
*
**
*
*
*
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Em suma, e de aco do com os dados ob idos, e segundo a abo dagem da DQA, num
dos elemen os u ilizados pa a a a aliação biológica (clo o ila a - i oplânc on) oi possí el
es ima a classi icação da massa de água ( abela 9). Con udo o obje i o do abalho e a
elaciona a a aliação e espe i a pe spe i a da DQA com a abo dagem da a aliação do
uncionamen o do ecossis ema a a és de ensaios biologicos, ao longo do ano de
amos agem.
A a és da análise da abela 9 pode-se conclui que com base nos alo es p opos os
pela DQA, a água na u al da Ma ina e de C es uma ap esen am um po encial ecológico
in e io a bom na maio ia dos meses amos ados. No en an o, quando obse amos os
esul ados ob idos nos ensaios biológicos é possí el pe cebe que as águas amos adas não
ap esen am al e ação signi ica i a nos hábi os alimen a es de Daphnia magna, e le indo
assim que o uncionamen o do ecossis ema não pa ece es a al e ado.
Tabela 9 – Resumo dos pa âme os ob idos - DQA s. Funcionamen o do ecossis ema.
ABORDAGEM SEGUNDO A DQA
ABORDAGEM SOBRE O
FUNCIONAMENTO DO
ECOSSISTEMA
CLOROFILA
A
RQE
RQE
NORMALIZADO
CLASSIFICAÇÃO
TESTE DE INIBIÇÃO
ALIMENTAR
CRESTUMA-LEVER
ou ub o
9,256
0,216
0,603
Bom ou supe io
=
no emb o
1,068
0,078
0,223
In e io a Bom
=
dezemb o
10,32
0,008
0,023
In e io a Bom
↓
janei o
3,738
0,022
0,064
In e io a Bom
↑*
e e ei o
0,801
0,104
0,297
In e io a Bom
↑*
ma ço
1,187
0,070
0,200
In e io a Bom
↑
ab il
2,136
0,039
0,111
In e io a Bom
↑*
maio
7,476
0,011
0,032
In e io a Bom
↓*
junho
1,175
0,071
0,203
In e io a Bom
↑
julho
0,801
0,104
0,297
In e io a Bom
↓
agos o
0,332
0,251
0,621
Bom ou supe io
↑
se emb o
0,534
0,156
0,446
In e io a Bom
↓*
MARINA
ou ub o
25,63
0,078
0,223
In e io a Bom
=
no emb o
20,83
0,096
0,274
In e io a Bom
↓*
dezemb o
16,02
0,005
0,015
In e io a Bom
=
janei o
22,07
0,004
0,011
In e io a Bom
↓*
e e ei o
18,16
0,005
0,013
In e io a Bom
↓
ma ço
8,544
0,010
0,028
In e io a Bom
↓
ab il
14,95
0,006
0,016
In e io a Bom
↓
maio
15,66
0,005
0,015
In e io a Bom
↓*
junho
22,43
0,004
0,011
In e io a Bom
↑
julho
5,340
0,016
0,046
In e io a Bom
=
agos o
8,544
0,010
0,028
In e io a Bom
↑
se emb o
14,24
0,006
0,017
In e io a Bom
↑*
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Discussão
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4. Discussão
A albu ei a de C es uma-Le e em sido al o de á ios es udos (e.g. Edna e al, 2009)
que ao ní el de pa âme os ísicos e químicos que ao ní el da a aliação de e ei os dos
con aminan es na massa de água (INAG, 2009). Con udo, em odos esses es udos a
a aliação da componen e biológica é eduzida. É nes e con ex o que su ge es e abalho
que consis iu em a alia a água de aco do com alguns pa âme os p opos os pela DQA e
a a és de ensaios biológicos (inibição alimen a ) de modo a e e ua uma a aliação
in eg ada do es ado do uncionamen o do ecossis ema. O p esen e es udo deco eu ao
longo de uma ano de amos agem e os esul ados ob idos o necem in o mação impo an e
sob e as condições ísicas, químicas e biológicas nos dois locais de amos agem.
O pH é uma g andeza que indica a in ensidade da condição ácida, neu a ou alcalina de
uma solução aquosa cons i uindo, assim, uma medida da concen ação dos iões H+ (Pa on
e al., 2011). Es e pa âme o é uma das e amen as mais impo an es pa a explica um
as o leque de equilíb ios ísicos e químicos que acon ecem no meio aquá ico (Co es e al.,
1997). O lançamen o de ácidos ou bases nos co pos de água pode al e a o alo de pH da
água, de al o ma que a pode o na imp óp ia pa a uso, p incipalmen e pa a a manu enção
da ida aquá ica que necessi a de um alo de pH em o no da neu alidade (Dezo i, 2008).
O alo de pH, além de e e ei o sob e a isiologia de di e sas espécies, ambém in luencia
a solubilidade de di e sas subs âncias, na o ma em que es as se ap esen am na água e a
sua oxicidade (Helle , e al., 2006). Valo es de pH en e 5,0 e 9,0 cons i uem limi es
ole á eis pa a a maio pa e da auna e lo a (Co es e al., 1997), con udo, na maio pa e
dos casos, a gama de a iações dos alo es de pH si ua-se en e 6,5 e 8,5 (Mendes &
Oli ei a, 2004). Os alo es de pH egis ados no p esen e es udo, o am semp e p óximos da
neu alidade, dados que se mos am conco dan es com os dados his ó icos de pH da água
da albu ei a C es uma-Le e (SNIRH,
h p://sni h.p /index.php?idRe =MTM4Ng==& indes acao=c es uma, consul ado em
1/11/2013). No en an o, egis a am-se alo es de pH mais ele ados no inal da p ima e a,
início de e ão, alo es que podem se jus i icados pela a i idade biológica de mic oalgas,
dando o igem a alo es ano malmen e ele ados (Mendes & Oli ei a, 2004). Também em
junho de 1995 se egis a am alo es mais alcalinos na albu ei a com alo de pH=9,1
(SNIRH, h p://sni h.p /index.php?idRe =MTM4Ng==& indes acao=c es uma, consul ado em
1/11/2013).
A condu i idade elé ica é um pa âme o que pe mi e conhece o g au de mine alização
de um sis ema aquá ico. Exis e uma elação en e a quan idade de sais mine ais dissol idos
e a esis ência que a mesma o e ece à passagem de co en e elé ica (Mendes & Oli ei a,
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2004). Quan o maio o núme o de iões dissol idos na água, maio a sua condu i idade. A
o igem des es iões pode se a iada, esul ando de p ocessos de lixi iação, p o i de
e luen es domés icos e indus iais (Mendes & Oli ei a, 2004). Segundo Nisbe & Ve neaux
(1970), a condu i idade aumen a g adualmen e, de mon an e pa a jusan e dos ios, sendo
as di e enças mais signi ica i as quando a mine alização inicial é baixa. Na maio ia das
águas piscícolas, os alo es de condu i idade a iam en e 150 e 450 µS/cm (AGRI-PRO
AMBIENTE, 2009). No p esen e es udo obse ou-se um dec éscimo dos iões dissol idos na
água en e e e ei o a ab il (C es uma ≈150 µS/cm e Ma ina a egis a ≈100 µS/cm). Es a
diminuição de condu i idade es e e, p o a elmen e associada à p ecipi ação, sendo que a
sua ausência se e le iu em alo es de condu i idade mais ele ados e o seu su gimen o em
alo es mais baixos. Po sua ez, o aumen o dos alo es de condu i idade no inal da
p ima e a pode es a associado à diminuição do caudal do io, o que ez com que exis isse
uma acumulação de sedimen os icos em sais mine ais p o enien es da lixi iação dos
e enos ag ícolas p óximos do io. Também es es alo es ap oximam-se dos já egis ados
em anos an e io es pa a a albu ei a de C es uma-Le e , no en an o com uma média
ligei amen e mais baixa. O alo médio da condu i idade elé ica egis ado no ano de 2011
oi de ≈251 µS/cm, enquan o que du an e o p esen e es udo oi de ≈210 µS/cm (SNIRH
(h p://sni h.p /index.php?idRe =MTM4Ng==& indes acao=c es uma, consul ado em
1/11/2013).
Quan o ao oxigénio dissol ido, não se egis ou g ande a iação en e os locais
amos ados, ac o que pode á de e -se a elocidades idên icas de co en e. Concen ações
de oxigénio dissol ido abaixo de 5 mg/L podem a e a ad e samen e o uncionamen o e
sob e i ência de comunidades biológicas, sendo que abaixo de 2 mg/L pode le a a uma
mo alidade excessi a de peixes (Helle , e al., 2006). Segundo a DQA o alo mínimo
pe mi ido de oxigénio dissol ido pa a massas de água o emen e modi icadas – albu ei as é
de 5 mg/L, al não oi e i icado no mês de ma ço, an o pa a Ma ina (4,38 mg/L), como pa a
C es uma (3,7 mg/L). Uma ez que o oxigénio se di unde len amen e na água, à exceção de
quando há co en es ou mo imen os de água ou en os, supõem-se que al a de água
co en e pode á e sido a esponsá el pelos baixos alo es egis ados nes e mês pa a os
dois locais. Po ou o lado, os alo es ob idos pa a o mesmo pa âme o em axa de
sa u ação, em ambos os pon os, são de ≈ 65,00 % pelo que, em média, se ap esen a am
den o dos alo es es abelecidos pela DQA em elação ao alcance do Bom Po encial
Ecológico pa a albu ei as ipo No e (en e 60 % e 120 %) (INAG, 2009). Compa ando com
es udos ísicos e químicos ealizados na albu ei a de C es uma-Le e en e 1992 e 2001 po
Bo dalo e al. (2006), podemos e i ica que os alo es de oxigénio dissol ido (em axa de
sa u ação) o am mais ele ados (≈ 91,00 %) aos egis ados no p esen e es udo. A

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quan idade em solução des e gás aumen a com as baixas empe a u as e diminui com as
al as, enómeno amplamen e discu ido na li e a u a (Nisbe & Ve neaux, 1970; Co es, 1997;
Odum, 1997) pelo que e am espe ados alo es mais ele ados de oxigénio dissol ido no
in e no, enquan o os alo es mais baixos e am espe ados no e ão. No en an o, os alo es
mais ele ados de oxigénio dissol ido egis a am-se no im da p ima e a, início do e ão (em
maio na Ma ina (9,32 mg/L) e em julho em C es uma (10,7 mg/L), quando a empe a u a
endia a aumen a e no mês de ma ço egis ou-se um baixo eo em oxigénio dissol ido (nos
dois locais), coinciden e com uma diminuição da empe a u a, o que não e a de espe a .
Nes e caso, os alo es mais baixos oco e am com baixas empe a u as, de ido,
p o a elmen e, ao lançamen o de e luen es de o igem domés ica ou indus ial icos em
ma é ia o gânica, o que esul a na maio axa de espi ação de mic o ganismos e,
consequen emen e na diminuição dos alo es de oxigénio dissol ido.
Nos cu sos de água a a iação da empe a u a de ine um ciclo diá io e um ciclo sazonal.
Embo a es a a iação seja mínima, in e e e sob e o desen ol imen o das comunidades
aquá icas (Co es, 1997), uma ez que es a de e mina á ios p ocessos ísicos, químicos e
biológicos que oco em nos sis emas aquá icos, ais como o me abolismo dos o ganismos e
a deg adação da ma é ia o gânica (Zuin e al., 2009). No mês de julho, no local de
amos agem de inido como Ma ina, o alo da empe a u a da água ul apassou o Valo
Máximo Admissí el (25 ºC) de inido pelo Dec e o-Lei 236/98, no âmbi o da qualidade das
águas doces supe iciais des inadas à p odução de água pa a consumo humano (sendo o
alo egis ado de 27,2 ºC). Es e aumen o da empe a u a da água pode se explicado pelo
aumen o signi ica i o da empe a u a do a no mês de julho ( e ão) e à diminuição do luxo
de água.
O Disco de Secchi pe mi e-nos medi a anspa ência da coluna de água a a és da
p o undidade alcançada pela pene ação da luz. Es a p o undidade é de ex ema
impo ância uma ez que a luz é essencial pa a a p odução i oplanc ónica, pa a o
c escimen o e ixação de mac ó i as bem como pa a a p edação isual de peixes. Uma ez
que es e pa âme o mede a anspa ência da água, indi e amen e ambém a alia o
pa âme o da u bidez, sendo os alo es des e úl imo in e samen e p opo cionais aos da
anspa ência. Des e modo, uma eduzida anspa ência co esponde a uma ele ada
u bidez da água, que su ge na p esença de ma e ial o gânico, compos os ino gânicos ou
ou os compos os em suspensão ou dissol idos na coluna de água. As medições da
anspa ência a a és do disco de Secchi ealizadas no local de amos agem da Ma ina
indicam ele ada anspa ência e baixa u bidez, no en an o, uma ez que a coluna de água
e a mínima e quase nunca ul apassou os 50 cen íme os, pode se es a a causa pela qual
oi possí el obse a o undo em odos os meses de amos agem. Já pa a o local de
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amos agem de C es uma a anspa ência apenas a ingiu um máximo de 3 m, o que indica
ele ada u bidez de ido a ma e iais em suspensão na coluna de água.
Em es udos de qualidade de água, os compos os de azo o (ni a os, ni i os e amónia)
são elemen os essenciais a quan i ica e não de em se in e p e ados isoladamen e (Nisbe
& Ve neaux, 1970). Em caso de poluição di usa, os ni a os e ni i os ap esen am
concen ações maio es, sendo es as o mas menos óxicas que a amónia (B anco, 2008).
De en e as di e en es o mas, os ni a os, jun amen e com a amónia, assumem g ande
impo ância nos ecossis emas aquá icos, uma ez que ep esen am as p incipais on es de
azo o pa a os p odu o es p imá ios (Es e es, 1998). Tal como os ni a os, os ni i os podem
es imula o c escimen o planc ónico, mas são semp e mais óxicos pa a a auna aquá ica,
especialmen e pa a a comunidade piscícola (Co es e al., 1997). Ge almen e o ião ni i o
encon a-se em concen ações mui o eduzidas (ap oximadamen e 0,001 mg/L), con udo a
ausência des e nu ien e não signi ica, necessa iamen e, que a água es eja li e de poluição
(Nisbe & Ve neaux, 1970; Co es e al., 1997). A amónia apenas exis e em águas icas em
ma é ia o gânica em decomposição, quando o eo de oxigénio é insu icien e pa a ga an i a
sua ans o mação (Nisbe & Ve neaux, 1970). Des a o ma, o azo o amoniacal ap esen a
concen ações ele adas em locais p óximos a e luen es u banos, sendo po isso
conside ado um bom indicado de con aminação o gânica ecen e (B anco, 2008). Assim, a
análise des e compos o me ece especial a enção po ap esen a uma ele ada oxicidade
pa a a ida aquá ica, mesmo quando em baixas concen ações (Co es e al., 1997). Os
compos os de azo o que no malmen e oco em na água são p o enien es de p ocessos
deg ada i os de o igem na u al ou de a i idades an opogénicas, ais como a desca ga de
águas esiduais, domés icas ou indus iais e da u ilização de e ilizan es azo ados nos solos
(Mendes & Oli ei a, 2004). Pela análise dos dados ob idos pa a os ni i os é possí el
e i ica que, nos dois pon os de amos agem, os alo es man i e am-se ela i amen e
baixos ao longo da maio ia do ano o que de aco do com Nisbe e Ve neaux (1970), signi ica
que a água ap esen a uma au odepu ação a i a. No en an o, oco e am picos de ni i os
egis ados nos dois locais de amos agem pa a o mês de e e ei o que podem e o igem na
u ilização de e ilizan es em alguma explo ação ag ícola na á ea adjacen e à albu ei a, e
que a a és de p ocessos de lixi iação dos solos enham en ado no ecossis ema aquá ico
(Mendes & Oli ei a, 2004). O mesmo pode jus i ica o aumen o signi ica i o dos alo es de
concen ação de ni a os egis ados nos meses de ma ço e maio nos dois locais de
amos agem. O aumen o subs ancial de amónia e i icado na Ma ina no úl imo mês
(se emb o) pode es a elacionado com um g ande incêndio que oco eu na á ea en ol en e,
que, aliado às o es chu as oco idas no dia an e io ao da amos agem, p o ocou a
con aminação da água a a és da lixi iação dos solos.
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Quando compa ados os alo es de ni a os ob idos du an e es e ano de es udo com o
ano de 2011, podemos e i ica que os ni a os so e am uma edução subs ancial, sendo
em media de ≈ 5,9 mg/L em 2011 e os alo es médios ob idos pa a C es uma ≈ 0,34 mg/L e
pa a a Ma ina ≈ 0,18 mg/L. Os alo es de ni i os man i e am-se idên icos, com uma média
de ≈ 0,07 mg/L em 2011 e de ≈ 0,04 mg/L pa a a C es uma e 0,07 mg/L pa a a Ma ina no
deco e des e abalho. O mesmo se e i icou pa a a concen ação de amónia, que em
2011 a ingiu uma média de 0,05 mg/L e du an e es e ano de es udo egis a am-se alo es
médios de ≈ 0,09 mg/L pa a C es uma e ≈ 0,05 mg/L pa a a Ma ina (dados de 2011
e i ados de SNIRH h p://sni h.p /index.php?idRe =MTM4Ng==& indes acao=c es uma,
consul ado em 1/11/2013).
O ós o o é um mac onu ien e que no malmen e é menos abundan e do que ou os
mac onu ien es, sendo des e modo o p imei o elemen o a limi a a p odu i idade p imá ia
(We zel, 1993). Em conjun o com o azo o, endo sido apon ado como o p incipal esponsá el
pela eu o ização a i icial dos ecossis emas aquá icos (Es e es, 1998). Des e modo, a
de e minação dos os a os pe mi e a alia o impac o da poluição u bana, bem como es ima
o g au de o ia de um cu so de água (Nisbe & Ve neaux, 1970). As oscilações de os a os
egis adas ao longo do ano de amos agem pa a os dois locais, podem e o igem em
desca gas de e luen es domés icos ou indus iais, con endo os a os o gânicos. Os alo es
de os a os ob idos encon am-se maio i a iamen e na Classe 4 de inida po Nisbe &
Ve neaux (1970), sendo indicado es de o e p odu i idade e de eu o ia.
A concen ação de clo o ila a pode se u ilizada como um indicado de biomassa
i oplanc ónica, sendo a ualmen e uma das mé icas con empladas na Di e i a Quad o da
Água no âmbi o da a aliação do es ado e po encial ecológico das massas de água. De
aco do com os limi es p opos os pelo c i é io nacional pa a a aliação do es ado ó ico de
albu ei as com lu uações, que em po base o c i é io de classi icação de inido pela OECD
(1982) (INAG, 2002), a água de C es uma encon a-se maio i a iamen e meso ó ica (2,5-10
mg/m3) ao longo do ano e a água da Ma ina maio i a iamen e eu ó ica (> 10 mg/m3). A
maio p odu i idade no local de amos agem da Ma ina, dada pela concen ação em clo o ila
a pode se jus i icada pela dep essão pouco p o unda do local, o que p o oca uma maio
in e ação en e os sedimen os e a água, com maio agi ação dos mesmos e
consequen emen e esuspensão de nu ien es na coluna de água. Es es esul ados ão de
encon o aos esul ados ob idos po Lopes (2002) no pe íodo de no emb o de 2000 a
no emb o de 2001, que apon am ambém pa a um ecossis ema com ca a e ís icas
endencialmen e eu ó icas. Pa a a a aliação do Po encial Ecológico oi necessá io
es abelece sis emas de classi icação a ní el nacional. Nesse sen ido, pa a os ese a ó ios
do No e de Po ugal o am p opos os alo es de on ei a en e as classes de qualidade
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Bom/Razoá el pa a o indicado clo o ila a (9,5 mg/m3 equi alen e a 0,21 em alo de RQE)
(INAG, 2009). A pa i da análise dos esul ados do pa âme o da clo o ila a (Tabela 9) pode
conclui -se que de aco do com os limi es es abelecidos pela DQA e com os esul ados
ob idos nes e abalho, a albu ei a de C es uma-Le e não se encon a com um Bom
Po encial Ecológico, uma ez que ul apassa os alo es es abelecidos pa a es e pa âme o.
Do pon o de is a da me odologia de a aliação da DQA, uma massa de água de e
ap esen a ca a e ís icas homogéneas ga an indo assim um bom po encial ecológico. A
análise ealizada nes e es udo pe mi iu conclui que a ca ga di usa de nu ien es que a lui ao
io Dou o, nomeadamen e na massa de água da albu ei a de C es uma-Le e , de e á e
o igem em a i idades humanas de o igem ag ícola e lo es al, endo uma in luência
de e minan e sob e a qualidade da água da albu ei a C es uma-Le e (EDP, 2009). Ou os
au o es ambém já desc e e am si uações análogas às desc i as no p esen e es udo em
que oco e am picos de clo o ila a em janei o (12,3 mg/L), maio (20,5 mg/L), no ano de 1989
(Fidalgo, 1990). An es da en ada em uncionamen o da albu ei a, num abalho ealizado
em 1981/83 po Fidalgo (1988), a concen ação de clo o ila a ap esen ou um alo médio de
8,66 mg/L, com um alo mínimo de 0,39 mg/L em janei o de 1982 e um alo máximo de
39,2 mg/L em agos o de 1981. Em análises e e uadas em 1995/96 po Gil (1997), es e
e e e que a clo o ila a, na albu ei a de C es uma-Le e , ap esen ou um alo mínimo de 3,2
mg/L e um alo máximo de 27 mg/L.
Rela i amen e à a aliação do uncionamen o do ecossis ema, ealiza am-se ensaios de
inibição alimen a com Daphnia magna. Es es ensaios são uma medida de a aliação da
aquisição de ene gia pelo o ganismo, uma ez que a a i idade alimen a es á ligada a
componen es da ap idão como axa de c escimen o, ecundidade e sob e i ência (Mal by e
al., 2001). Daphnia p opo ciona um impo an e elo en e os di e en es ní eis ó icos das
comunidades dulçaquícolas, pois cons i ui o elo in e médio da cadeia alimen a (consumido
p imá io) (Ruppe & Ba nes, 1996). Des e modo, uma al e ação na dinâmica populacional
de Daphnia sp., de ido à edução da axa alimen a é ecologicamen e ele an e pois pode
p e e e ei os, indi e os, sob e a es u u a e unções das di e en es comunidades aquá icas.
Consequen emen e, es as al e ações podem le a ao aumen o da biomassa i oplanc ónica
e a p ocessos de eu o ização (McWilliam & Bai d, 2002). Quan o à sua sensibilidade, á ios
au o es já demons a am que a inibição alimen a em Daphnia sp., é uma espos a à
exposição a óxicos (e.g. inse icidas como ca bama os, o gano os a os e pi i óides e
pes icidas) (Pes ana e . al., 2009) que pode se de e ada apidamen e (Allen e al, 1995;
McWilliam & Bai d, 2002).
Dos esul ados ob idos nos es es de inibição alimen a , oi possí el obse a que no
mês de ab il oco e um pa ama de di e enciação, onde se egis ou um inc emen o
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