Desenho na e a da Web 2.0: os desa ios do ensino e ap endizagem do
desenho ace à ecnologia digi al
Síl ia Simões
(Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o)
SIMÕES, Síl ia – Desenho na e a Web 2.0: os desa ios do ensino e ap endizagem do desenho
ace à ecnologia digi al. In: Simpósio Dou o al CISTI’2010 – A as da 5ª Con e ência Ibé ica de
Sis emas e Tecnologias de In o mação. San iago de Compos ela: A.I.S.T.I., 2010. ISBN 972-
989-96247-3-3.
Abs ac – Pa indo do pa adigma de que a ecnologia a e ou as elações de
ensino/ap endizagem do desenho an o na cons ução de con eúdos de es udo como
na elação dos pa icipan es (p o esso es e es udan es), p opomos iden i ica e
e i ica quais as implicações e al e ações p o ocadas pela ecnologia no ensino do
desenho.
Pala as-cha e – Comunicação, in o mação, ensino, desenho e ecnologia.
I. INTRODUÇÃO
A e lexão cen a-se essencialmen e na obse ação e análise da ep esen ação
em di e en es con ex os e cená ios de abalho no âmbi o do ensino
/ap endizagem da Disciplina de Desenho no ensino supe io a ís ica, mais
p op iamen e na Faculdade de Belas A es do Po o. Es e ex o su ge na
sequência da insc ição em dou o amen o com o í ulo “Pe spe i as do ensino
a ís ico ace aos desa ios da Tecnologia Digi al”, insc i o de ini i amen e em
2008, na Faculdade de Belas a es da Uni e sidade do Po o.
A minha con ibuição pa a a discussão nes e encon o enquad a-se
especi icamen e nos p oblemas e desa ios do desenho na e a da Web 2.0.
O assun o da in es igação pa ece-nos pe inen e no con ex o da ealidade
social, polí ica e económica onde se enquad am as ques ões do ensino. A
ans e salidade da á ea emá ica de in es igação exigiu uma a iculação en e
as p oblemá icas comunicacionais e educa i as e a undamen ação ilosó ica
dos concei os em análise, sob e udo no que conce ne ao papel p imo dial das
ecnologias de in eligência nos p ocessos de cons ução de comunicação.
Nes e sen ido, e com a consciência de que o ipo de ensino implica ques ões
pa a além da ope a i idade, p opomos uma análise c í ica às implicações do
uso des as e amen as enquan o mediado as e p odu o as de
con eúdos/imagens. Sabendo que nenhuma ecnologia é isen a, assim como o
p óp io sis ema de ensino, en a emos esponde aos p incipais obje i os des a
in es igação.
II. OBJETIVOS
Tendo como obje i o a ca ac e ização e comp eensão do uso das ecnologias
digi ais enquan o elemen o mediado na p oblemá ica do ensino/ap endizagem
do desenho p opomos:
• Ve i ica os con ex os de desenho na ep esen ação digi al.
• In e p e a o ipo de in e e ências que oco em nos sujei os de educação que
na in e p e ação, que na c iação de imagens, em unção dos di e en es
supo es/ média e das linguagens que u ilizam.
• Analisa e e i ica de que modo o diálogo sob e a ma é ia inc emen a e al e a
os p ocessos de cons ução na p á ica do desenho.
• Ve i ica qual o con ibu o das e amen as Web 2.0. pa a o desen ol imen o
de compe ências da a gumen ação, jus i icação e e lexão sob e a
conc e ização p á ica nos es udan es do ensino supe io .
• Obse ação de mudanças/des ios no p ocesso de cons ução e de esolução
do p oje o.
III. ENQUADRAMENTO DO PROBLEMA
É nossa ob igação de docen es es a mos a en os aos sinais ex e io es de
mudança e se mos capazes de o nece aos es udan es mecanismos,
e amen as e es a égias capazes de os muni em de compe ências, que lhes
pe mi am p oduzi e aplica e desen ol e os conhecimen os em p á icas
u u as. Ve i ica as al e ações p o ocadas pela ecnologia nos esul ados e
p ocessos de cons ução das na a i as de desenho são obje o do nosso
es udo. Apesa de e i ica mos que a ecnologia digi al es á p esen e em odas
as á eas da sociedade, ap oximamo-nos do e e encial eó ico p opos o po
Raymond William que p opõe uma elação da ecnologia in insecamen e ligada
à p á ica e às necessidades do sujei o, ap oximando-se da pe spe i a do sócio
cons u i ismo que conside amos se o modelo epis emológico que melho se
adequa ao es udo. Pa a William, a ecnologia é mais do que um a e ac o. De
ac o, se p ocu a mos na o igem g ega da pala a, não exis e nenhuma
e e ência à pala a a e ac o. Techne, signi ica o ício, e logos signi ica
conhecimen o. Tecnologia é um e mo que en ol e o conhecimen o écnico e
cien í ico das e amen as, p ocessos e ma e iais c iados e/ou u ilizados a pa i
de al conhecimen o. O p óp io signi icado da pala a implica uma elação en e
a p á ica e conhecimen o. O a no ensino a ís ico, o sabe p á ico e sabe
eó ico são indissociá eis e são dependen es um do ou o.
Abo dando a ques ão do desenho enquan o linguagem, é o desenho na sua
unção ope a i a e especula i a do pensamen o ao se iço da ep esen ação,
que nos in e essa pa a o nosso es udo.
O desenho desempenhou ao longo dos séculos um papel undamen al na
ep esen ação isual, o que pe mi iu se con ocado a á ias á eas do sabe
desde as á eas cien í icas ao conhecimen o a ís ico. Como odas as
linguagens, o desenho é condicionado pelo seu empo, é p odu o da educação
e da cul u a. Cada ez mais o meio condiciona a mensagem, ejam-se os
exemplos das mu ações da linguagem esc i a u ilizada em SMS, ou em cha s
po exemplo. O que nos pe gun amos é como são as imagens de desenho
numa época em que a ealidade i ual e o digi al es ão cada ez mais
p esen es. Como pensamos nós e ep esen amos a ealidade? É ou não o
desenho a e ado pelo meio que o p oduz? Quais as implicações do compu ado
enquan o mediado nos p ocessos de cons ução da imagem? Es as são
algumas das pe gun as a que que emos da espos as com o nosso abalho.
Pa alelamen e, ou melho em simul âneo, p opomos a u ilização das
e amen as disponí eis na Web 2.0., como uma o ma de ecupe a e amplia
o espaço do ensino e ap endizagem do desenho.
Ve i icamos que a u ilização das e amen as digi ais como a Web 2.0., cha s,
ó uns, e c., que pode ão con ibui em mui o pa a uma maio p oximidade e
con ibuição na dis ibuição e implemen ação de con eúdos. A ede in o má ica
e mediá ica é uma das possibilidades de comunicação exis en es e cada ez
mais p esen es no nosso quo idiano, como al p opícia ao uso com ins
educa i os. Como a i ma Pie e Lé y no seu li o As Tecnologias da
In eligência: “Conhece-se há mui o o papel undamen al do en ol imen o
pessoal do aluno na ap endizagem. Quan o mais a i amen e pa icipa na
aquisição de um sabe , melho uma pessoa in eg a e e ém aquilo que
ap endeu. O a, g aças à sua dimensão e icula ou não linea , a mul imédia
in e a i a a o ece uma a i ude explo a ó ia ou mesmo lúdica, ace ao ma e ial
a assimila . É po an o um ins umen o bem adap ado a uma pedagogia a i a.”1
Tendo como obje i o p incipal pa a o nosso es udo a e i icação de possí eis
al e ações nos p ocessos de ep esen ação, aquando a inco po ação e
u ilização de de e minado meio, pa ece-nos pode mos desen ol e e
inc emen a o uso das e amen as Web 2.0. no apoio do ensino do desenho. A
u ilização des as e amen as e po conseguin e a u ilização do compu ado
como meio de di ulgação, pode á ajuda -nos a pe cebe de que o ma as
1P.Lé y,“AsTecnologiasdaIn eligência.OFu u odopensamen onaE aIn o má ica”,Lisboa:Ins i u o
Piage ,pp.149,1990.
linguagens se adap am e ans o mam de aco do com o meio de comunicação
u ilizado.
IV. METODOLOGIA
A opção do modelo de in es igação ado ado, ez-se de aco do com o assun o e
obje i o do nosso es udo. Sendo o nosso obje o de es udo a análise do
compu ado enquan o mediado in e enien e nas es a égias do ensino, mais
p op iamen e no ensino do desenho da Faculdade de Belas A es do Po o,
pa eceu-nos que o pa adigma in e p e a i o onde se inse em as me odologias
quali a i as se ia o mais adequado à in es igação que p e ende comp eende e
in e p e a elemen os da p odução c ia i a e p ocessual na cons ução de
imagens, sendo elas ou não, imagens de sín ese.
A me odologia u ilizada no es udo oi do pon o de is a p ocessual da
cons ução de con eúdos undamen al. Não exis indo p e iamen e um conjun o
de ques ões às quais p e endemos ob e espos as, a elação en e sujei o
(in es igado ) e obje o de es udo oi indissociá el em odo o p ocesso de
in es igação e na cons ução do conhecimen o. De aco do com o mé odo de
es udo, o modelo epis emológico cons u i is a pa eceu-nos o que mais se
adequa ao ipo de in es igação des e abalho, onde a elação in es igado
(sujei o) pa icipan e e c í ico da ealidade en ol en e, (obje o) são
undamen ais pa a o p opósi o de se ob e conhecimen o.
A epis emologia cons u i is a p ocu a cons i ui -se como al e na i a ao
obje i ismo e ao subje i ismo, p opondo pa a o conhecimen o uma co elação
en e sujei o e obje o (hipó ese enomenológica), esol endo assim a
hie a quização do alo do obje o (Obje i ismo) e sus sujei o
(subje i ismo). Con apõe-se ao pa adigma posi i is a do obje i ismo,
ans e indo o oco de es udo do obje o, pa a o a o de cons ui conhecimen o,
p ocu ando uma elação sujei o/obje o mais dinâmica e in e a i a de o ma
iden i ica a complexidade do enómeno.
A implicação da opção me odológica p essupõe uma lógica indu i a no
p ocesso da in es igação. O que signi ica que, não exis indo uma hipó ese p é-
de inida, que se en a p o a ou es a , os p óp ios elemen os ecolhidos
du an e a in es igação, são eles p óp ios mo o es e dinamizado es da ese.
Assume-se que o conhecimen o p o undo de um enómeno e dos seus
esul ados “só podem se ob idos com “insigh s” sob e as expe iências
pessoais dos in e enien es/pa icipan es”.2
2D.Sco ,R.Ushe ,“Unde s andingeduca ional esea ch”,No aIo que,Rou ledge,1996.
Na sequência da me odologia ado ada, op ou-se po u iliza o es udo de caso
de amos a ep esen a i a, cujos pa icipan es escolhidos pa a a ecolha de
in o mação, o am es udan es do 2º ano dos cu sos de A es Plás icas que
equen am as disciplinas de Desenho 3. A disciplina em como con eúdos
p og amá icos a p á ica e me odologia de p oje o. A seleção des a disciplina
ecaiu na necessidade de obse a p ocessos, es a égias e soluções de
ep esen ação na u ilização de meios e ecnologias dis in as, assim como
e i ica as al e ações p o ocadas pela ex ensão da sala de aula pa a
ambien es on-line. O ac o de se uma disciplina de ca á e eó ico-p á ico que
em como assun o o desen ol imen o e conc e ização de p oje os onde a
imagem é o canal de comunicação oi um dos a o es undamen ais.
O es udo e á inicio no segundo semes e do ano le i o 2009/2010. Numa
p imei a ase do abalho eco e am-se a ins umen os de ecolha de
in o mação do ipo inqué i o de ca ac e ização, a im de e mos p esen e a
ealidade do uso das e amen as digi ais, como as TIC e Web 2.0, no que diz
espei o à pa ilha de in o mação e comunicação na ap endizagem e
conhecimen o cole i o na p á ica le i a. Numa segunda ase, após a ins alação
e incen i o de disposi i os de comunicação on-line, como o cha , página Web
da Secção au ónoma de Desenho e Geome ia, omen ação da u ilização de
pla a o mas de ensino, eco eu-se a ins umen os como en e is a,
obse ação, no as de campo com o obje i o de ecolhe in o mações pa a
nosso es udo pe mi indo-nos uma maio p oximidade e igo nos con eúdos
e nos esul ados ob idos.
Figu e 1. Mapa concep ual - Ap esen ação dos
p
a icipa
n
es
e
in e enien es no ensino da disciplina de
dese
nho
A obse ação di e a e o cade no diá io pe mi iu-nos o egis o do g au de
implicação da ecnologia nas á ias ases do p oje o.
V. RESULTADOS ESPERADOS
Es ando o nosso abalho di e amen e ligado à ecolha de elemen os do es udo
de caso, não emos elemen os que nos pe mi am adian a esul ados e e i os.
Podemos no en an o, a i ma que um dos esul ados p e endidos é a
sensibilização e inc emen ação do uso das TIC di ecionadas ao apoio do
ensino das disciplinas de Desenho, pois emos como a expec a i a de que os
disposi i os ecnológicos ao nosso dispo possam con ibui pa a um ensino
mais colabo a i o e pa icipa i o. Como podemos e no esquema ap esen ado
na ig. 1., com base nes e p incípio da pa ilha e do con ibu o pa a a ampliação
do sabe , as TIC colocam-nos pe an e um no o pa adigma sob e as elações
en e aluno/sabe /p o esso numa pe spe i a sócio cons u i is a que p econiza
es a égias de ensino e ap endizagem, o nando o aluno mais a i o na
cons ução dos seus p óp ios conhecimen os.
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SUBMETIDO A: 11 DE FEVEREIRO DE 2010
ACEITE A 25 DE MARÇO DE 2010