O ema des e Dossiê em um inegá el aço clássico. Nos esc i os de Ma x e En-
gels, as classes sociais, en endidas como posições den o das elações de p odução,
igu a am como os p incipais agen es de ans o mação social. A amosa passagem
d’O mani es o comunis a (Ma x e Engels, 1998, p. 8), em que se lê que “[a] his ó ia
de odas as sociedades a é ago a em sido a his ó ia da lu a de classes”, é bas an e
elucida i a da impo ância das elações de classe, da pe spec i a ma xiana, pa a a
comp eensão da dinâmica dos con li os polí icos e da mudança social.
Max Webe ambém con e iu cen alidade à análise de classe pa a a comp eensão
da dis ibuição de pode e das elações de dominação na sociedade. Em Economia
e sociedade, o au o ap esen a uma pe spec i a mul idimensional da es a i icação
social, em que a classe (mais especi icamen e, a “si uação de classe”) é en endida, ao
lado de s a us e pa ido, como um de e minan e causal das opo unidades ípicas
dos indi íduos de se ap op ia dos bens ma e iais e ima e iais escassos e alo izados,
sob e udo no con ex o de sociedades capi alis as com economia de me cado. Em
seus es udos empí icos e esc i os polí icos, Webe nos o e ece análises p imo osas
das conexões empi icamen e obse á eis en e essas di e en es o mas de dis ibuição
de pode e das elações de dominação que as sus en am.
O ema das classes sociais, po an o, es á i memen e anco ado na adição clássica
da sociologia. E mais: esse ema es á p o undamen e imb icado à gênese de es ilos de
in es igação que ma ca am a o igem de di e en es adições sociológicas nacionais.
No B asil, a análise de classe su giu como um “es ilo de aze sociologia”, dominan e
Ap esen ação
Edison Rica do Be oncelo e Vi gílio Bo ges Pe ei a
Tempo Social, e is a de sociologia da USP, . 28, n. 2
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en e as décadas de 1960 e 1970, que consis ia em “in e p e a e explica os enôme-
nos sociais a pa i do compo amen o e das a i udes de a o es cole i os, e e idos,
di e a ou indi e amen e, às classes sociais […] (Guima ães, 2012, pp. 14-15). Uma
dinâmica simila ma cou a gênese da sociologia b i ânica, con o me se pode á le no
a igo de Mike Sa age publicado nes e Dossiê. A sociologia po uguesa, não obs an e
as di iculdades a que a plena in eg ação do concei o es e e sujei a no pe íodo da sua
gênese an e io à Re olução de Ab il de 1974, e á ambém no abalho em o no
das classes sociais, e uma ez ins i ucionalizada a disciplina na uni e sidade, um dos
seus domínios undado es (Machado, 2009).
As pe spec i as analí icas que es u u am o campo de es udos de classe a ualmen-
e ap op iam-se de elemen os di e sos dessa adição clássica (Be oncelo, 2009).
Po isso, é mui o equen e que ais pe spec i as sejam designadas po e mos que
eme em a uma iliação p imo dial, quali icados pelo p e ixo “neo” (neowebe iana,
neoma xis a e neodu kheimiana). Es as, ao lado da pe spec i a de análise in luencia-
da pelos es udos de Pie e Bou dieu, dão co po às p incipais linhas de in es igação
empí icas nesse campo de pesquisa. Apesa desse solo comum, que po encialmen e
c ia mui as opo unidades pa a in e locução, o a o é que ais pe spec i as êm
se desen ol ido em di eções mui o di e en es. Po isso, o concei o de classe (e os
p ocessos e as elações que se buscam ap eende po meio dele) passou a signi ica
coisas mui o di e en es, dependendo da pe spec i a emp egada (C omp on, 2003).
Impõe-se, nessa pe spec i a, da con inuidade a essa lei u a a en a dos caminhos
que a sociologia das classes sociais em p osseguido no país e o a des e, com obje-
i os de sis ema ização eó ica e de es abilização de p ocedimen os me odológicos,
mas ambém de compa ação de esul ados de pesquisa empí ica e de cla i icação dos
deba es cien í icos que a a essam a disciplina, não pe dendo de is a a impo ância
social in es ida no ema. O conjun o de abalhos que compõem es e Dossiê pode
se en endido como um con ibu o, necessa iamen e p elimina , pa a esse es o ço
de con inuidade – combinando e lexões e es udos ecen es, com múl iplas pe s-
pec i as, sob e o B asil e sob e ou as ealidades nacionais – e, ao mesmo empo,
como uma demons ação do alo heu ís ico e da i alidade dos pe cu sos analí icos
assim pe co idos.
O a igo de Edison Rica do Be oncelo, “O espaço das classes sociais no B asil”,
explo a um a gumen o cen al à pe spec i a bou dieusiana, que é a ideia de que a
sociologia se ap esen a, num p imei o momen o, como uma espécie de “ opologia
social”. Isso signi ica que a sociedade é ep esen ada sob a o ma de um espaço,
cons uído com base nos p incípios de di e enciação cons i uídos pelo conjun o de
p op iedades a uan es em um uni e so social e que con e em pode a seus de en o-
es. Essas p op iedades co espondem às di e en es o mas de capi al (econômico,
Ap esen ação, pp. 1-9
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cul u al, social e simbólico). O espaço social a igu a-se como mul idimensional, em
que as posições são elacionalmen e de inidas con o me se dis ibuem os di e en es
capi ais possuídos pelos agen es, em e mos de olume, composição e modalidade de
ap op iação. Classes sociais são, nesse p imei o momen o da análise, conjun os de
agen es que ocupam posições ela i as izinhas no espaço social. São, po an o, “classes
no papel” (cons uc os analí icos), mas ambém classes p o á eis. As classes sociais
assim cons uídas não exis em como g upos eais, embo a possam cons i ui -se
como g upos p á icos (Bou dieu, 1987). Em seu a igo, Be oncelo az uma en a i a
de econs ução do espaço das classes sociais no B asil, en endido como es u u a
de elações obje i as que es á na o igem dos esquemas de pe cepção, classi icação e
ação que o ien am a p á ica e ambém como um conjun o de luga es es a égicos a
pa i dos quais os agen es lu am em o no da ap op iação (e alo ização) do capi al
e da imposição dos p incípios de classi icação e de (di) isão do mundo. Os dados
u ilizados são ex aídos da pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade. Embo a
seja uma on e secundá ia (po an o, não cons uída con o me a p oblemá ica que
o ien a o es udo), a pesquisa possibili a a cons ução de indicado es que pe mi i ão
econs ui as posições ocupadas pelos agen es de um pon o de is a elacional. O
mé odo de análise combina análise de co espondências múl iplas (acm) e análise
hie á quica de clus e , combinação que pe mi e ao es udo delimi a indu i amen e
as p o á eis on ei as que sepa am conjun os de agen es no espaço social.
Em “Gos o musical e pe encimen o social: o caso do samba e do cho o no Rio
de Janei o e em São Paulo”, Dmi i Fe nandes e Ca olina Pulici subme em à p o a
empí ica a gumen os cen ais aos es udos de classe de Pie e Bou dieu, que dão con-
a da exis ência de homologias en e o espaço social e o espaço simbólico e do gos o
como uma espécie de e adução simbólica de di e enças obje i amen e insc i as
nas condições de exis ência dos agen es (Bou dieu, 1979). Além disso, o a igo az
uso de ou o concei o cen al à ob a de Pie e Bou dieu, que é o concei o de campo
(Bou dieu, 2005). Um campo e e e-se a um mic ocosmo ela i amen e au ônomo da
p á ica social (campo da polí ica, da economia, da a e e c., po exemplo), es u u ado
po eg as ( áci as) que egulam a acumulação e a alocação dos ecu sos (capi ais)
en e os agen es, eg as que exp essam, em um dado momen o, as elações de o ça
que se es abelecem em o no do alo dos capi ais e da axa de con e são en e eles.
No a igo em ques ão, os au o es emp egam esse concei o pa a econs ui o espaço
da p odução do samba e de seus di e sos subgêne os, chamando a enção pa a as dis-
pu as (en e p odu o es e consumido es, com mais ou menos pode den o do campo) em
o no da legi imidade dessas di e en es mani es ações do samba e pa a a hie a quia
cul u al en e esses subgêne os esul an e dessas dispu as. Con o me a hipó ese dos
au o es, cons uída em diálogo c í ico com a ainda ecen e mas já as a li e a u a sob e
Edison Rica do Be oncelo e Vi gílio Bo ges Pe ei a
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oni o ismo cul u al, o espaço de p odução do samba es a ia em elação de homologia
com o espaço das classes sociais, o que signi ica que as mani es ações ( idas como)
mais legí imas do samba, o cho o e o samba adicional, ende iam a se ap op ia-
das po agen es do ados de capi ais escassos no espaço social. Em con apa ida, os
subgêne os desquali icados como menos legí imos pelas au o idades simbólicas do
campo (como o pagode) ende iam a ec u a como consumido es p e e enciais os
agen es mais des i uídos dos capi ais ele an es nesse espaço. Os dados u ilizados no
es udo o am p oduzidos pela aplicação de ques ioná ios es u u ados a uma amos a
não ep esen a i a (mas eo icamen e pe inen e) dos públicos equen ado es de
casas de espe áculo nas cidades do Rio de Janei o e de São Paulo, ol adas à di usão
dos di e en es subgêne os do samba.
Ca los An onio Cos a Ribei o e Vinicius Pinhei o Is ael a ualizam, em seu a igo
“Vo o assimé ico, classes e mobilidade social no B asil”, uma p oblemá ica clássica das
ciências sociais, que em a e com “a elação en e o mação e ação de classe, de um
lado, e a ex ensão da mobilidade en e posições sociais, de ou o” (Gold ho pe e al.,
1987, p. 5). Essa p oblemá ica oi inicialmen e abo dada po Ma x ([1852] 1978),
como mencionam os p óp ios au o es no a igo, quando ele a a das consequências
que a luidez das on ei as de classe nos Es ados Unidos de seu empo e iam pa a a
o ganização e consciência de classe do p ole a iado. Tal p oblemá ica es á igualmen e
p esen e em Webe , sob e udo quando ele inco po a a ques ão da mobilidade social à
de inição de classe social, como sendo “a o alidade daquelas si uações de classe en e
as quais uma mudança pessoal [ou] na sucessão das ge ações é acilmen e possí el e
cos uma oco e ipicamen e” (Webe , 2012, p. 199). E mais: dialogando com Ma x,
Webe suge ia que a unidade de classe do p ole a iado se ia “ acili ada” pelo meno
ânsi o da condição de abalhado assala iado pa a a condição de pequeno-bu guês.
Re omando as discussões em o no dessa p oblemá ica que se desdob a am em es udos
mais ecen es, Ribei o e Is ael in es igam a impo ância das expe iências de mobi-
lidade e imobilidade social pa a o o o no segundo u no da eleição p esidencial de
2006 (dispu ado po Lula e Alckmin). O a igo cons ói um ico diálogo com eo ias
ecen es sob e o o o, buscando esponde a ques ões que su gem do con on o en e
essa li e a u a e aquela sob e mobilidade social – o que é mais de e minan e pa a o
o o de um indi íduo que expe imen ou mobilidade social: sua posição de o igem
ou de des ino? Faz di e ença o sen ido da mobilidade, pa a cima ou pa a baixo, na
o mação do o o? As espos as a essas e a ou as ques ões são c i e iosamen e sub-
me idas à p o a empí ica, po meio de uma análise quan i a i a ino ado a de dados
ex aídos da pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade.
Po im, a seção nacional des e Dossiê inclui um a igo do sociólogo An onio
Sé gio Al edo Guima ães, “Fo mações nacionais de classe e aça”, que a a das
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in e seccionalidades en e classe social e aça. O a igo insc e e-se em um conjun o
c escen e (embo a ela i amen e ecen e) de es udos que in es igam as conexões
empi icamen e obse á eis en e p incípios de di e enciação social. Essa p oblemá-
ica, como a desc i a no pa ág a o an e io , ambém nos eme e, de algum modo, à
adição clássica da sociologia, como o p óp io au o econhece quando a i ma que,
seguindo a ilha abe a po Webe , “ ica cla o […] que a o mação dos g upos sociais
cons i ui p ocesso his ó ico complexo […] que, no mundo con empo âneo, em cada
sociedade nacional em seus p essupos os”. Ou seja, pa a o au o , se quise mos da
con a dos “p ocessos sociais eais”, de emos conside a que a o mação de g upos
sociais se dá num con ex o de múl iplas de e minações e in e ações. En ão, cabe ia
à pesquisa empí ica in es iga como os p incípios de di e enciação social (gêne o,
aça, e nia, classe, ge ação) conco em ou con e gem na delimi ação de on ei as
sociais e simbólicas e como ais p incípios são mobilizados nas dispu as polí icas
em o no das classi icações sociais e da di isão do mundo social. De a o, quando o
au o dis ingue os p ocessos de acialização e de o mação acial, ele es á chamando
a enção, en e ou as coisas, pa a as dispu as classi ica ó ias, que são eminen emen e
lu as polí icas. E pa a pensa esses p ocessos de o mação de g upos sociais (com base
nas in e seccionalidades de classe, aça e c.), o au o de ende que sejam conside a-
dos os pe encimen os nacionais. A con o é sia em o no da unidade de análise dos
es udos de classe (e ambém de es a i icação social) em só aumen ado nos úl imos
anos. Pa a o au o , “ainda que pa a o desen ol imen o de uma eo ia analí ica mais
ab angen e seja necessá io pensa ansnacionalmen e, as análises his ó icas p ecisam
se dema cadas po con ex os nacionais”. En ão, os p ocessos de o mação de g upos
sociais de em a en a pa a as especi icidades nacionais. Ao mesmo empo, essa escolha
não descuida da na u eza p ocessual e dinâmica da o mação dos g upos sociais. De
a o, es e é um dos p incipais a gumen os que o a igo discu e: as mudanças nos
signi icados simbólicos das ca ego ias de aça/co na sociedade b asilei a são p odu o
de uma cons ução polí ica que ende a p i ilegia a o mação acial em con on o
com ou os ipos de pe encimen o ou de laços de solida iedade.
Em “The all and ise o class analysis in B i ish sociology, 1950-2016”, Mike
Sa age, um dos mais p o ícuos sociólogos b i ânicos da a ualidade e, ao mesmo
empo e nessa qualidade, um dos mais pe sis en es es udiosos de classes sociais que
a sociologia conheceu nas úl imas décadas, ap esen a e discu e uma lei u a sob e a
aje ó ia que a análise de classes sociais seguiu na ciência social e, em pa icula , na
sociologia b i ânica desde o pós-Segunda Gue a Mundial. Sal agua dando a ele-
ância da elação en e a cons ução acadêmica e a pe cepção pública – ambi alen e
e com ine i á eis implicações polí icas – do concei o de classe, ao analisa as mo-
dalidades da espec i a cons ução em ês ge ações de cien is as sociais b i ânicos,
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Mike Sa age demons a a gama di e enciada de p io idades analí icas que es e e
subjacen e à dinamização do concei o. Pa a a ge ação “he oica” de cien is as sociais
b i ânicos que desen ol e os seus abalhos en e o inal da gue a e meados dos anos
de 1970 (com os quais e em cuja adição Sa age a á sua o mação inicial, sendo
p o a elmen e um dos úl imos a p o agoniza al p ocesso), o concei o de classe es á
o emen e inculado a uma lei u a da classe ope á ia como agen e de ans o mação
social. A adição de es udos undada nessa pe spec i a se á, en e meados dos anos de
1970 e o inal dos anos de 1990, p og essi amen e, subs i uída po uma ou a linha
de análise que, sensí el às ecomposições na es u u a social b i ânica e às mudan-
ças p o undas na cul u a de classe ope á ia, eo ien a suas p io idades de pesquisa,
de inindo e cons uindo o concei o de classe como a iá el disc e a, a as ada das
elações de explo ação e dominação, a pa i de ope ações de g ande complexidade
écnica que, en e ou os e ei os, e ainda que ga an indo ganhos em ma é ia de com-
pa ação in e nacional, a á diminui pa e da capacidade analí ica do concei o no
es udo da desigualdade econômica, po exemplo, e o p óp io in e esse e a a enção
pública de que as di isões de classe são al o. Coincidindo, en e ou os aspe os, com
o econhecimen o cien í ico e público do c escimen o das desigualdades econômicas
e de sua inculação com p ocessos de c ise de ep odução de iden idades de classe,
a ecepção mais in ensa e sis emá ica dos abalhos de Pie e Bou dieu sob e classe
e cul u a (Bou dieu, 1979) na sociologia b i ânica, no início dos anos 2000, se á
con empo ânea de uma al e ação signi ica i a no a amen o do concei o de classe,
ab indo-se à pesquisa, nomeadamen e, na sequência dos abalhos que conduzi ão
à p odução de Cul u e, class, dis inc ion (Benne e al., 2009), de que Mike Sa age
é um dos coau o es, não só a uma análise in ensa dos aspec os cul u ais e simbóli-
cos de o mação das classes, mas ambém aumen ando e eno ando o in e esse de
audiências mais as as pelos deba es deco en es do uso do concei o, como o G ea
B i ish Class Su ey e o ecém-publicado Social class in he 21s cen u y (Sa age e
al., 2015) demons am.
O a igo de F édé ic Leba on e Phillippe Bonne , “L’espace des p a iques cul u-
elles: de la cons uc ion de l’espace social à l’é ude de sous-g oupes pa l’analyse spé-
ci ique de classes”, e oma o deba e sob e as elações en e classe e cul u a e examina a
a ualidade das p oposições eó icas deco en es das eses ap esen adas e discu idas em
La dis inc ion (Bou dieu, 1979) a pa i da análise dos dados de um g ande inqué i o
o icial ancês sob e p á icas cul u ais ealizado em 2003. Cons uído com base na
dinamização da mesma écnica de análise de dados u ilizada po Bou dieu, a écnica
de análise de co espondências múl iplas, Leba on e Bonne implemen am a sua
análise explo ando as po encialidades con idas na écnica e em seus desen ol imen os
sob a o ma de análise geomé ica de dados, em que são especialis as econhecidos
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(Leba on e Le Roux, 2015). De a o, o a igo p opõe a cons ução de um espaço de
p á icas cul u ais com base na e e ida écnica e examina, com de alhe, suas lógicas
cons i u i as e elando, en e ou os aspec os, di isões ele an es en e p á icas cul-
u ais “in ensas” e “ ágeis”, en e cul u as “jo ens” e “ adicionais” e en e cul u as
de o ien ação pa a o espaço “domés ico” e ou as de o ien ação pa a o “ex e io ”. Em
a iculação com esse p ocedimen o, a in es igação analisa as elações com a cul u a
a pa i do espaço dos indi íduos e discu e, em seguida, as elações en e cul u a e
pe ença de classe, ele ando a impo ância de que se e es em os di e en es esque-
mas de análise de classes pa a o pe il de conclusões p oduzido. O encadeamen o
a gumen a i o ab e o es udo a uma a ian e da análise geomé ica de dados, a análise
especí ica de classe, aplicada, nes e caso, a ope á ios e quad os, que pe mi e e i ica
a iações inas no in e io de cada uma das classes assim pe spec i adas. Mais que
conclusões, os e e enciais cons uídos são enca ados como pon os de pa ida pa a
no as explo ações analí icas que apelam ao abalho quali a i o suplemen a .
É ambém a pa i do legado sociológico de Pie e Bou dieu que Vi gílio Bo ges
Pe ei a, em “Classes sociais e simbolização na cidade do Po o: elemen os eó icos
e esul ados de pesquisa empí ica”, desen ol e a sua análise, p ocu ando salien a ,
nes e caso, a impo ância de que se pode e es i o abalho do au o ancês pa a o
conhecimen o dos p ocessos de es u u ação de classe e da espec i a elação com
a cul u a na cidade con empo ânea. Pa a além de e isi a alguns dos e e enciais
heu ís icos que, pa a es e e ei o, se podem encon a na ob a em ques ão, o a igo
demons a o po encial de pesquisa associado à sua mobilização no desen ol imen o
de um abalho sociológico sob e a cidade do Po o, no No e de Po ugal, ealizado
no início dos anos 2000. Conjugando o e e ido legado com a adição de análise
sociológica das classes sociais desen ol ida em Po ugal (Pin o, 1985; Almeida, 1986;
Cos a, 1999), o a igo ap esen a uma sín ese de esul ados sob e a lógica cons i u i a do
espaço social, de inido em e mos de olume e de composição de capi ais, e do espaço
dos es ilos de ida da cidade, de inido em e mos homólogos, a que ac escen a uma
análise mais po meno izada sob e a con igu ação do espaço social de um dos bai os
ci adinos inqui ido em 2009. O ecu so ao inqué i o e à análise de co espondências
múl iplas e ela-se aqui ambém p odu i o, demons ando-se a pe inência dos pon os
de is a elacionais pa a conhece as elações en e di isões sociais e simbólicas e os
seus “e ei os de luga ” na cidade (Bou dieu, 1993).
Pa a inaliza o conjun o de a igos do Dossiê, Gé a d Mauge , em “‘Jeunes
de ci és’: délinquance, émeu es e adicalisa ion islami e”, e i a, p ecisamen e,
consequências do pa imônio de análise sociológica disponí el sob e os “e ei os
de luga ” e p opõe uma lei u a que, pa indo dos mais ecen es desen ol imen os
sob e a sociologia das classes popula es ancesas (Siblo e al., 2015), es uda os
Edison Rica do Be oncelo e Vi gílio Bo ges Pe ei a
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encon os en e as di isões sociais e simbólicas insc i os nas idas dos jo ens que
habi am as zonas pe i é icas da F ança con empo ânea. Não escamo eando o ca á e
con o e so que es á in es ido no ema den o da sociedade ancesa e eu opeia da
a ualidade, Mauge ci cunsc e e as condições sociais e simbólicas que es ão sub-
jacen es à eme gência da iolência ísica e da adicalização en e segmen os mui o
p ecisos dos jo ens, que são es udados com base em ex enso, e mui íssimo exigen e,
abalho de campo (Mauge , 2006). Alia, pa a esse e ei o, o conhecimen o sob e
as p incipais p op iedades da c ise de ep odução das classes popula es na F ança
con empo ânea – de inidas em o no das ans o mações no me cado de abalho,
no sis ema escola , no espaço esidencial e no p óp io espaço dos enquad amen os
sociais quo idianos dos jo ens que esidem nos con ex os em análise – ao es udo da
sociogênese da “cul u a de ua” e ao luga da “inemp egabilidade” nela. Com de alhe
suplemen a , a e em-se as condições, bem mais p á icas do que da o dem da doxa,
que o nam possí el a delinquência, os mo ins e a adicalização islami a en e esses
g upos mino i á ios de jo ens.
Po im, o Dossiê az uma en e is a com John Sco , um sociólogo inglês que
em ei o con ibuições mui o pe inen es pa a di e sas á eas nas ciências sociais
( eo ia sociológica, eo ia das classes sociais e da es a i icação social, análise de e-
des). Sco é au o de um dos li os mais impo an es na á ea de es a i icação social,
S a i ica ion and powe : s uc u es o class, s a us and command (1996). O au o já
p oduziu di e sos es udos sob e a o mação das classes p op ie á ias e eli es b i ânicas
(Sco , 1997; Mu ay e Sco , 2012). Na en e is a, ele ala, en e ou as coisas, sob e
a pe spec i a mul idimensional que in o ma seus es udos de classe, pe spec i a cuja
gênese eside em uma lei u a mui o c ia i a e inspi ado a da ob a webe iana.
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Edison Rica do Be oncelo é p o esso de sociologia da Faculdade de Filoso ia, Le as e
Ciências Humanas da Uni e sidade de São Paulo. E-mail: edison_ ica [email protected] .
Vi gílio Bo ges Pe ei a é p o esso do Depa amen o de Sociologia da Faculdade de Le as
da Uni e sidade do Po o. E-mail: jpe ei a@le as.up.p .
Edison Rica do Be oncelo e Vi gílio Bo ges Pe ei a