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Casa Protótipo: afirmação de um caminho experimental em arquitectura

Abstract

Uma Casa Protótipo foi construída em Portugal em 1957, com a responsabilidade de Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu da Costa Cabral. Decorrentes da história da arquitectura moderna, os autores propõem um novo conceito de modernidade, compondo uma espécie de ajuste/adaptação a um novo contexto, a um novo imaginário: o da passagem de um conceito de família, para um de grupo doméstico, tendo um curioso impacto na disposição dos espaços da casa. A Casa Protótipo acolhe uma série de experimentações técnicas, funcionais e formais, proporcionando uma atmosfera nova que importa percorrer.

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Casa Protótipo: afirmação de um caminho experimental em arquitectura

Author: Maria Tavares
Year: 2010
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/56310/2/46368.pdf
RESDOMUS
pla a o ma edi o ial de c uzamen o e de di ulgação de cul u a a qui ec ónica
g upo I&D A las da Casa | Cen o de Es udos de A qui ec u a e U banismo | 2009
Casa P o ó ipo: a i mação de um caminho expe imen al
em a qui ec u ai
Ma ia Ta a es (a qui ec a FAUP/PDA)
Pala as cha e: casa p o ó ipo; habi a ; Associação dos Inquilinos Lisbonenses; coope a i ismo
habi acional; Nuno Teo ónio Pe ei a; Ba olomeu da Cos a Cab al.
Resumo
Uma Casa P o ó ipo oi cons uída em Po ugal em 1957, com a
esponsabilidade de Nuno Teo ónio Pe ei a e Ba olomeu da Cos a Cab al.
Deco en es da his ó ia da a qui ec u a mode na, os au o es p opõem um no o
concei o de mode nidade, compondo uma espécie de ajus e/adap ação a um
no o con ex o, a um no o imaginá io: o da passagem de um concei o de
amília, pa a um de g upo domés ico, endo um cu ioso impac o na disposição
dos espaços da casa.
A Casa P o ó ipo acolhe uma sé ie de expe imen ações écnicas, uncionais e
o mais, p opo cionando uma a mos e a no a que impo a pe co e .
*
1. Uma Exposição, Uma Encomenda
Lisboa, 30 de Ma ço a 7 de Ab il, 1957, Sociedade Nacional de Belas-A es.
Uma impo an e expe iência no campo da habi ação oi le ada a cabo pela
AILii, Associação dos Inquilinos Lisbonenses, com a o ganização de uma
exposição sob e o «Coope a i ismo Habi acional no Mundo» [Fig.1]. Uma das
g andes a acções des a exposição, se ia a ap esen ação de um modelo à escala
eal de uma célula habi acional pa a uma Unidade de Habi ação Coope a i a,
p ojec ada pelos a qui ec os Nuno Teo ónio Pe ei a e Ba olomeu da Cos a
Cab al, encomenda da AIL.
1. olhe o de ap esen ação da
exposição
Casa P o ó ipo. Fo o de g upo na
gale ia da casa.
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A Casa P o ó ipo, como lhe chamamos, cons i ui-se como um enómeno
expe imen al no campo da a qui ec u a da habi ação em Po ugal, não só pela
es a égia de ap oximação do u en e ao campo disciplina da a qui ec u a, mas
ambém, pelo media ismo que o modelo em si ap esen ou jun o das en idades
públicas e polí icas.
In e essa-nos en ende o signi icado des e p opósi o expe imen al e a a i ude de
quem p ojec ou e lançou es e desa io, pela es a égia mode na que ap esen a.
An es de me gulha na pe inência que a Casa P o ó ipo susci a, é impo an e
que se en enda o con ex o da exposição, o egis o sob e o qual es e enómeno se
p oduz.
A é à época, as coope a i as de habi ação exis en es, di igiam-se cla amen e às
classes médias, com a cons ução das suas casas isoladas, não endo assim,
nenhuma exp essão social. A AIL, na década de 50, enquan o pla a o ma de
en endimen o en e o Pa ido Comunis a e os Ana quis as, es a a mui o
in e essada em p omo e o chamado «inquilina o coope a i o»iii em al e na i a
à casa isolada.i Ac edi a am no no o modelo em al u a, a Unidade de
Habi ação Coope a i a, como apos a no apoio à esolução do p oblema
habi acional.
UM LAR PARA CADA FAMÍLIA, lema da exposição que, amplamen e
di ulgada pela comunicação social [Fig.2], ap esen ou a solução coope a i a
como um exemplo a segui , e com o “ im de consegui es ímulos e
ensinamen os pode osos pa a a de e minação de soluções cons u i as do
g a e p oblema da exis ência de um la ” i. Tendo como p incipal objec i o
chama a a enção do público em ge al, mas undamen almen e das en idades
o iciais e polí icas ii pa a os a iados aspec os exempla es do coope a i ismo
habi acional, a exposição, o ien ada pelo a qui ec o F ede ico Geo ge com a
colabo ação de Nuno Teo ónio Pe ei a, Ba olomeu da Cos a Cab al e Nuno
Po as, con a a com a ep esen ação de dezasse e países iii, que con o me o
bole im da AIL sob e o e en o, cons i uiu um:
2. ca az de di ulgação da exposição
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"(...) escla ecedo e suges i o documen á io o og á ico e es a ís ico
ela i amen e a cada país e ainda elemen os e e en es a o ganizações
in e nacionais que ao p oblema êm consag ado especial a enção, como a
O ganização das Nações Unidas, o Bu eau In e nacional do T abalho e a
Aliança Coope a i a In e nacional."ix
A solução coope a i a, ao possibili a a habi ação pa a o maio nume ox, " á-lo
pela conjugação dos es o ços de odos, is o é, ao mesmo empo que p ocu a
consegui «um la pa a cada amília», não o ob ém pela ia da dádi a ou
benesse, e ealiza assim a educação do indi íduo, na medida em que o ensina a
uni o seu es o ço ao de ou os pa a o bem comum e pa a o seu p óp io"xi.
Cons a que 10.000 isi an es pe co e am o salão das Belas-A es, não só pa a
conhece o que se passa a pelo mundo em ma é ia de coope a i ismo
habi acional, mas ambém pa a e a cu iosa p opos a que a AIL ap esen a a
pa a uma solução a cons ui em e enos cama á ios na Ajuda [Fig.3].
Agendadas pa a os úl imos diasxii, es a am 3 con e ências pa icula men e
conco idas: Fe nando Tá o a, sob e o ema: "O que é uma Casa" que, embo a
não ha endo egis o do con eúdo da comunicação, dá segu amen e con inuidade
a uma pe inência já le an ada pelo au o no ex o de 1947, sob e "O P oblema
da Casa Po uguesa”; Eng.º Lino Ne o, sob e "O P oblema da Habi ação em
Po ugal"; F ancisco Fe ei a sob e "O P oblema da Habi ação e as Soluções
Coope a i is as".
A Nuno Teo ónio Pe ei a, que man inha uma elação es ei a com os di igen es
da AIL, oi en ão encomendada a expos a Unidade de Habi ação Coope a i a
com 100 ogos, com o in ui o de pô em p á ica o no o es a u o do «inquilina o
coope ado ». A p opos a, elabo ada em conjun o com Ba olomeu da Cos a
Cab al, es a a o ganizada em 4 blocos de 25 ogos cada, com dis ibuição ei a
po gale iaxiii. Um co po p incipal com 4 pisos e um secundá io com 2,
pe pendicula ao p imei o, e ia a " an agem de da maio in e esse à
dis ibuição dos olumes da cons ução, queb ando a igidez esul an e da
o ien ação única"xi .
O p ojec o ealizado e ia como pon o de pa ida um es udo p e iamen e ei o
pelos a qui ec os pa a a «Coope a i a de Cons ução e Habi ação», de que
aziam pa e. Segundo a memó ia desc i i a e jus i ica i a do an e-p ojec o,
3. Unidade de Habi ação
Coope a i a, plan a de implan ação
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a endendo às condições económicas de oda a massa associa i a da AIL, e aos
p opósi os de p og esso social a p a ica , se ia condição que as habi ações
i essem um eduzido cus o, não condicionando no en an o, os p incípios de
qualidade do p ojec o que, como e emos, se enquad am em ou as p opos as
ealizadas pelos mesmos au o es.
Uma maque a com a p opos a podia se is a na exposição, mas a g ande
no idade se ia a ap esen ação de uma das células à escala eal. Es e modelo,
susci ou uma eno me cu iosidade a odos os isi an es, e e indo-se
"elogiosamen e à ideia de ap esen a um ogo- ipo, al como pode iam se os
la es do conjun o esidencial que a AIL se p opõem cons ui "x .
2. Uma Casa
A Casa P o ó ipo [Fig.4], o almen e equipadax i e cons uída pela emp esa
Amadêu Gaudêncio, p opõe explo a a elação en e a o ma da casa, seus
disposi i os espaciais, e os no os modos de habi a , e e enciados a uma
p odução e mecanismos mode nos. Pa a que se en enda essa elação, p opomos
que se isi e a casa, que se pe co am os seus espaços, e undamen almen e que
se conheçam os elemen os que a compõem e ca ac e izam.
O p og ama, ine i a elmen e menos ex enso, pelas condições económicas que o
de e minam, p opo cionou que se explo assem no as o mas de p ojec a o
espaço domés ico, não se dis anciando no en an o, con o me já e e ido, de
ou as expe iências dos au o es.
Essa con inuidade su ge anco ada às p emissas de uma c í ica a uma p á ica
disciplina ainda comum nes es p og amas de âmbi o social, e que aqui se
e idencia pela o ma como são aplicados os códigos mode nos (aliás,
de e minan es da a i ude dos au o es nas expe iências pa a as HE-FCPx ii onde
abalha am).
Pelo ex e io , a gale ia de acesso po encia a a cu iosidade. Espaço de ci culação
po excelência, mas ambém de sociabilização “desempenha a um papel
4. Casa P o ó ipo, plan a da célula
ap esen ada na exposição
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impo an e na ida social dos habi an es (…) local de encon o e de
con í io”x iii [Fig.5]. O espaço público aplicado em al u a, cons i uí o p imei o
ciclo des e habi a , um habi a conjun o, igualmen e u ilizado no bloco das
Águas Li es 2 anos an es [Fig.6], nas To es dos Oli ais com os seus g andes
pa ama es de dis ibuição com bancos pa a con í io, ou mesmo em con ex o
u al, nos Ag upamen os de Renda Económica de Ba celos e Famalicão com os
balcões de acesso aos pisos e, de Vila do Conde com as suas complexas
dis ibuições ex e io es...
Da gale ia acedia-se à célula habi acional, em que dois deg aus p opo ciona am
a essencial di e ença de co a pa a ins de p i acidade, al como no bloco das
Águas Li es. A po a ecuada des a segunda achada, ma ca o início do
segundo ciclo de habi a . Um ciclo, que embo a com um p og ama pouco
ex enso como já o a e e ido, p opõe uma complexidade espacial p óp ia da
p á ica disciplina dos au o esxix.
Após a en ada na casa, um cu o espaço de ci culação con ém já uma sé ie de
unções ag upadas, con a iando o concei o de hall apenas como espaço de
ecepção e dis ibuição. É o p imei o disposi i o espacial aglu inado de á ias
unções indispensá eis à ida domés ica: acesso à ins alação sani á ia única na
casa, acesso à cozinha, um a umo/dispensa e o indispensá el bengalei o. Es e
espaço pe mi e que se in e ogue o seguin e: po quê a ins alação sani á ia no
espaço de ecepção da casa, no possí el hall, … aliás c i icada pelos isi an es
no inal da isi a? Pa a além dos aspec os de acionalização do espaço e de á ea,
pensamos cons i ui um dos pon os à c í ica aos p og amas de âmbi o social que
se ala a. Con o me con e sa com os au o es, a casa e a pa a se i ida, pa a
se usada, uncional e abe a à ida domés ica, dis an e dos modelos que o
Es ado No o p opunhaxx e p óxima das expe iências in e nacionais di ulgadas
nas e is as e nos Cong essos.
Ao pe co e es e p imei o momen o da casa, emos a pe cepção de um
segundo, o g ande espaço cen al p opos o, o espaço de con í io amilia po
excelência. Conseguimo-lo cu iosamen e a a és da po a da cozinha,
p ojec ada pa a es a abe axxi (que pelo ac o de se de ole, ompia com o
adicional ão que isola um espaço) e pelo g ande asgo a odo a la gu a des e
5. Unidade de Habi ação
Coope a i a, co e esquemá ico
com a gale ia
6. Bloco das Águas Li es, co e
pela gale ia

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disposi i o [Fig.7], deixando p e e o ambien e da sala comum. Chegamos a é
ela, po um ão sob edimensionado que se encon a no inal do hall.
O segundo momen o des e ciclo do habi a o na-se assim híb ido… é um odo
que o ca ac e iza. A casa, p ojec ada pa a uma amília mode na, sem c iadas,
p opõe que a ida amilia seja pa ilhada po odosxxii. A cozinha comunica
com a sala e a sala com a cozinha. Fazem pa e de um odo, o almen e
pe meá el isualmen e. A di isão é ei a po uma mesa de e eições, p á ica e
desenhada pa a esse im [Fig.8], aliás, como nos Oli ais, em Ba celos,
Famalicão, Vila do Conde... e a é segundo Nuno Po as, se iu de exemplo pa a
ou os au o es, nomeadamen e em Pon e da Ped a dos a qui ec os A ménio Losa
e Cassiano Ba bosaxxiii.
Tal como Nuno Teo ónio Pe ei a salien a, há um "p i ilegia da «zona diu na»,
que mis u a a a zona de abalho com a zona de es a . E a con a o esquema
habi ual de ha e uma en ada com um co edo e depois uma sé ie de
compa imen os es anques. Nós uni icámos os espaços"xxi .
Es e momen o do habi a , le a-nos a in e oga sob e a cons i uição e
ca ac e ização dos disposi i os p opos os… A inal que espaço é es e? Um
disposi i o complexo, mas único. É pa a se i ido po odos, é a es u u a base
da casa, é nela que se supo a a ida domés ica. A p opos a Co busiana pa a
Ma selha, ambém o explo a. A g ande sala comum, o espaço maio da casa, em
objecção à casa compa imen ada, com a sua sala de jan a e de es a sepa adas
e echadasxx . Um disposi i o conjun o, aglu inado de di e sas unções
essenciais a um espaço domés ico des a na u eza.
Mas ainda um ou o cu ioso espaço se associa a es e. Con íguo à sala comum,
oi con emplado uma complexa zona de abalho, des inada ao a amen o de
oupas [Fig.9], o almen e abe a pa a es e núcleo cen al e dele azendo pa e.
Uma comple a con inuidade espacial en e a cozinha, zona de es a e a amen o
de oupas... o ino ado concei o de sala comum. Jus i icam os au o es, que pelo
ac o de não ha e c iadas, “ o na a-se desaconselhá el o isolamen o des a
zona de es a ”xx i, pela p e isí el simul aneidade de usos, conduzindo a uma
7. Casa P o ó ipo, o o da cozinha,
is a da sala a a és do balcão
8. Casa P o ó ipo, po meno do
desenho do balcão
9. Casa P o ó ipo, po meno da
zona de oupas
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sensação de espaciosidade e unidade da casa. Ficou no en an o, p e is a uma
co ina, pa a que pon ualmen e pudesse se ence ada.
Es a á ea p e ia, máquina de cos u a, ábua de engoma (que pa a ques ões de
economia de espaço, e a eba í el al como na Unidade de Ma selha), um
a má io pa a oupas e no inal, uma pequena zona ex e io , com um anque de
la agem suspenso igual ao usado no bloco das Águas Li es. Es a a ainda
p e is o um es endal ex e io , mas p o egido das is as po p o ecções
adequadas. O e dadei o pa aíso de uma mulhe mode na [Fig.10].
Do lado opos o e, “pa a sa is aze as necessidades de eca o da ida indi idual
dos memb os de uma amília”xx ii, su gem os dois qua os de cama, com
o ien ações opos as, equipados com oupei os.
In e essa ainda e o ça que, pa a além des e jogo complexo de unções, ou os
a ibu os ize am des a casa uma expe iência única.
Toda a casa oi de alhadamen e equipada. Os ma e iais, o am escolhidos com a
p eocupação da a i mação de uma mode nidade [Fig.11], desde o pa imen o
em ijolei a na sala, ao equipamen o da cozinha que con emplou o ino ado
la a-loiças em inox. As janelas que con ina am com a gale ia, possuíam um
es o e de en ola especialmen e desenhado pa a man e a p i acidade no in e io
da habi ação: em ez de en ola em cima, en ola a jun o ao pei o il com o
auxílio de guias.
O mobiliá io expos o oi escolhido, segundo os mesmos p incípios. A o og a ia
da sala comum [Fig.12], pode ia es a pe ei amen e expos a na página cen al
do Diá io de Lisboa, des inada à mulhe . Aliás, denominada mesmo po
«Página da Mulhe », onde se assis e a uma o o de um “in e io mode no”,
com um “ ecan o de uma sala de es a onde udo é sób io e de bom gos o
mode no”xx iii.
Os ec os baixos ambém susci a am cu iosidade.
No inal da isi a, os pon uais habi an es e am con idados a p eenche um
b e e inqué i o – espondendo às pe gun as que se seguem pode á con ibui
10. Casa P o ó ipo, o o da zona
de oupas
11. Casa P o ó ipo, plan a de abalho,
comen ada
p
elos a
q
ui ec os
12. Casa P o ó ipo, o o da sala
comum
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pa a uma habi ação melho xxix – onde se solici a a a opinião, não só sob e os
disposi i os p opos os, mas ambém sob e os no os ma e iais, ha endo a
possibilidade de deixa um comen á io pessoalxxx. Apon a-se especialmen e a
sa is ação pe an e a ligação da sala com a cozinha, po se mui o p á ico, o
espaço dedicado ao a amen o de oupas, a iluminação e os ec os baixos. A
localização da ins alação sani á ia e a ijolei a na sala, o am objec os de c í ica.
No en an o, odos são da opinião que uma casa como es a, pode ia o nece
uma ida melho .
Todo es e discu so apon a pa a uma desc ição in e io , mas não nos podemos
esquece , que a inal es amos a ala de uma Casa P o ó ipo, de um modelo à
escala eal, que igu ou numa exposição den o de uma salão.
A casa e a ei a de ma e iais le es. Chamamo-lhe p o ó ipo, po que o concei o
eme e pa a um p imei o modelo, um o iginal... nes e caso, uma expe iência
que se ap oxima do u en e. Foi um es e, um modelo pa a expe imen a e
p o oca eacções.
Re ela essencialmen e uma abe u a concep ual.
3. A i mação de um caminho expe imen al em a qui ec u a
Du an e a década de 50 em Po ugal, os con ex os u banos e u ais,
ans o ma am-se em e dadei os labo a ó ios de expe iências habi acionais,
pa a uma no a ge ação que ac edi a a que a a qui ec u a inha o pode
ans o mado do compo amen o das pessoas.
Na Eu opa do pós-gue a, a ideia uncionalis a da casa-máquina de habi a ,
empenhou-se em abalha pa a uma no a es u u a amilia ... adop a-se a ideia
de célula mínima, al e ando-se os códigos e as ag egações dos espaços.
P opõem-se no os disposi i os: salas comuns, cozinhas abe as po passa-
p a os, a má ios encas ados, pés-di ei os baixos, pés-di ei os duplos...
acionalizando ao máximo a cons ução e condensando odos es es p incípios
p incipalmen e na o ganização in e na da casa. A casa ame icana do pós-gue a
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ambém p opõe no os disposi i os, como p o ó ipos de um no o es ilo de ida,
po exemplo, as Case S udy Houses, com no os ambien es e no as ecnologias.
Em Po ugal, as e is as anspo a am es es no os modelos, en usias icamen e
ecebidos pelos a qui ec os. Reclamando assim os p incípios ideológicos do
Mo imen o Mode no, cons i ui-se um momen o de e lexão sob e a p odução
a qui ec ónica nacional.
Se nos cen a mos no es udo da casa, e endo po base es e pe íodo
pa icula men e complexo, su gem acon ecimen os signi ica i os numa ápida
sequência empo al, não só na Eu opa onde o pós-gue a se az sen i com ou a
exp essão, mas ambém em Po ugal, pelo impulso dado pela on ade dos
nossos a qui ec os em expe imen a esses no os p incípios ap eendidos, na
esolução po exemplo, do p oblema habi acional. Vá ias disciplinas se cen am
no es udo da casa, cabendo aos a qui ec os aze a sua sín ese, p opondo assim,
no as o mas de habi a .
O p ocesso de p ojec o des a casa, esul a de um ce o conjun o de
ci cuns âncias. O p og ama es abelece uma di ecção exac a: p ojec a pa a uma
amília ipo, com ca ac e ís icas económicas p ecisas. O no o con ex o cul u al,
eme e pa a a negação de um es ilo. Há o assumi cla o de um «ideá io
mode no». No seu ex o, “Making he Modi ied Mode n” xxxi, Da id Smiley
e a a-nos uma no a cul u a domés ica que su ge com o pós-gue a, associada à
casa mode na. Imagens de modelos à escala eal e de maque es, o am
amplamen e di ulgadas pa a aze passa es a mensagem, e elando
essencialmen e a expansão da indus ia após as es ições da gue a. No os
ma e iais, no os equipamen os, ... no os disposi i os.
Que mode no é es e que se enuncia em Po ugal?
Os códigos e os p incípios es ão cla os, mas os au o es in e p e am e conduzem
es es mesmos p incípios a uma p á ica disciplina p óp ia, a a és de uma
“ on ade de con ex ualização que se ap oxima que da en ol en e ísica, que
da dimensão social”xxxii.
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xxi Es a passagem, segundo os au o es, e a mesmo pa a es a abe a, mais uma ez uncional,
p opo cionando um pe cu so luído e con ínuo.
xxii “Sendo a casa o supo e ísico da ida amilia e po ou o lado a exp essão dessa mesma
ida, p ocu ou-se nes e p ojec o aze ob a conc e a (…) des inam-se es as casas a pessoas de
ida modes a, sem se içais, pa a quem a ida de casa cons i ui abalho pesado que impo a
acili a ”, c . Memó ia Desc i i a e Jus i ica i a do an e-p ojec o, Espólio Nuno Teo ónio Pe ei a,
SIPA, Fo e de Saca ém.
xxiii “Es a disposição é semelhan e à ap esen ada no ogo expe imen al da exposição sob e o
Coope a i ismo Habi acional no Mundo (...) onde o balcão se des ina a di ec amen e às
e eições, equipado com iluminação ap op iada (...)”, PORTAS, Nuno, “Habi ações Ope á ias
em Pon e da Ped a”, A qui ec u a, n.º63, Dezemb o de 1958.
xxi O comen á io de Nuno Teo ónio Pe ei a, não é especi ico à ob a em causa. Ele e e e-se a
odo um conjun o de ob as, p ojec adas pa a um maio nume o e a oda uma expe iência
acumulada com o abalho desen ol ido pa a as HE e os es udos nos Oli ais (que con empla
ambém casos cons uídos pelas HE). MILHEIRO, Ana Vaz, SALEMA, Isabel, “Que íamos C ia
um Espaço pa a a Vida Mode na”, Jo nal Público, supl. Mil Folhas, Lisboa, 26 Junho 2004, p.5.
xx C . en e is a a Nuno Teo ónio Pe ei a po José An ónio Bandei inha (23.06.98). Espólio José
An ónio Bandei inha, Cen o de Documen ação 25 de Ab il, Uni e sidade de Coimb a, Coimb a.
xx i C . Memó ia Desc i i a e Jus i ica i a do an e-p ojec o, Espólio Nuno Teo ónio Pe ei a,
SIPA, Fo e de Saca ém.
xx ii Idem.
xx iii Diá io de Lisboa, 16 de Ma ço de 1957.
xxix Inqué i o em anexo.
xxx Ve icha de inqué i o em anexo.
xxxi SMILEY, Da id, “Making he Modi ied Mode n”, Pe spec a, 32, 2001, p. 39-54.
xxxii TOSTÕES, Ana, “Ob a abe a: en e expe imen alismo e con ex o, um sen ido de escola”, in
AA/VV, A qui ec u a e Cidadania, a elie Nuno Teo ónio Pe ei a, Quime a edi o es, Lisboa,
2004.

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xxxiii COLOMINA, Bea iz, “Una i e aún no espi ado, 1956”, in HEUVEL, Di k Van Den,
RISSELAFA, Max, Alison Y Pe e Smi hson De La Casa del Fu u o a la casa de hoy, Ediciones
Políg a a, Ba celona, 2007, p. 53.