Alimen ação Humana · 2014 · Volume 20 · N.ºs 2 e 3 60
DETERMINANTES DA ESCOLHA ALIMENTAR NO
TRABALHO: ESTUDO EXPLORATÓRIO NO SETOR DE
PRODUÇÃO DE REFEIÇÕES
Fa ia NI, Poínhos RII, Mendes SIII, Rocha AII
Resumo
Di e sos es udos ealizados ale am pa a uma ele ada p opo ção de colabo ado es no se o de Alimen a-
ção Cole i a com excesso de peso, o que equen emen e em sido associado à mudança de hábi os alimen a-
es após início de a i idade nes e se o . Fo am obje i os des e es udo: a alia o es ado ponde al de colabo a-
do as do se o de p odução de e eições; iden i ica os p incipais de e minan es da sua escolha alimen a ; e
compa a es es esul ados com dados ep esen a i os da população po uguesa.
Fo am en e is ados 300 colabo ado es de unidades de alimen ação concessionadas da zona no e do país,
incluindo os se o es hospi ala , emp esa ial e escola . De ido ao seu eduzido núme o, o am excluídos os
dados dos colabo ado es do sexo masculino (n = 11), sendo analisados dados de 289 colabo ado as (34,6%
do se o hospi ala , 31,8% do emp esa ial e 33,6% do escola ).
As pa ologias mais equen emen e epo adas o am a obesidade e a obs ipação. As colabo ado as ap e-
sen a am um IMC médio de 26,8 kg/m2 ( alo médio supe io ao da população eminina da egião no e),
sendo que ce ca de 60% ap esen a am excesso de peso. Os de e minan es da escolha alimen a e e idos
mais equen emen e o am: “Ten a aze uma alimen ação saudá el”, “Sabo dos alimen os” e “Qualidade
e escu a dos alimen os”. As pa ologias mais epo adas di e em das epo adas pela população po uguesa,
bem como os de e minan es da escolha alimen a .
Sendo es e um es udo explo a ó io, pode á se i como base pa a u u os es udos endo em is a a ca ac e-
ização des a população e con ibui pa a delinea es a égias de p omoção de hábi os alimen a es saudá-
eis e de melho ia do es ado nu icional e da composição co po al des es abalhado es.
Pala as-cha e:
Se o de p odução de e eições; Hábi os alimen a es; Índice de Massa Co po al; De e minan es da escolha
alimen a .
Abs ac
Se e al s udies highligh he high p opo ion o meal p oduc ion se ices’ wo ke s wi h o e weigh , which
has been associa ed wi h he change in ea ing habi s a e he beginning o ac i i y in his sec o . The aims
o his s udy we e: o e alua e he weigh s a us o employees in he meal p oduc ion sec o ; o iden i y he
main de e minan s o hese wo ke s’ ood choice; and o compa e hese esul s wi h da a ep esen a i e o
he Po uguese popula ion.
Th ee-hund ed employees o leased ood p oduc ion uni s o he No h a ea o Po ugal we e in e iewed,
including he medical, business and schola sec o s. Due o i s educed numbe (n = 11), male wo ke s we e
excluded om analysis. The analysis was he e o e pe o med on da a om 289 emale wo ke s (34.6% om
he medical sec o , 31.8% om he business sec o , and 33.6% om he schola sec o ).
The mos epo ed diseases we e obesi y and cons ipa ion. The wo ke s had an a e age BMI o 26.8 kg/m2
(highe han he emale popula ion om he no he n egion), abou 60% being o e weigh ed. The mos e-
quen ly e e ed de e minan s o ood choice we e: “T ying o make a heal hy die ”, “Food la o ” and “Food
quali y and eshness”. The pa hologies mo e equen ly epo ed by ood wo ke s di e om hose epo ed
by he o e all Po uguese popula ion, as well as he ood choice de e minan s.
I Engenhei a Alimen a .
II Faculdade de Ciências da
Nu ição e Alimen ação,
Uni e sidade do Po o.
III Ins i u o Técnico de
Alimen ação Humana.
[email p o ec ed]
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Being an explo a o y s udy, his wo k may be used as a basis o u u e esea ch in o de o cha ac e ize his
popula ion, wi h he aim o de eloping s a egies o p omo e heal hy ea ing habi s and o imp o ing nu i-
ional s a us and body composi ion among meal p oduc ion se ices’ wo ke s.
Keywo ds:
Meal p oduc ion se ices; Ea ing habi s; Body Mass Index; De e minan s o ood choice.
INTRODUÇÃO
O se o da Alimen ação Cole i a o na-se a cada dia um me cado mais ele an e na economia mundial, sendo
que o i mo de ida mode no con ibuiu signi ica i amen e pa a a conquis a des e espaço1,2. O núme o de e-
eições ealizadas o a de casa já é bas an e signi ica i o em países desen ol idos da Eu opa Ociden al e Es ados
Unidos da Amé ica3-5. Na Eu opa, a Alimen ação Cole i a desde 2000 ap esen a uma axa de c escimen o médio
anual de 6,6%, com 600 mil emp egos ge ados, endo a ingido 6,3 biliões de e eições p oduzidas em 2005 e
se indo dia iamen e e eições a 67 milhões de consumido es6. Em 2013 em Po ugal, o am se idas mais de
14 milhões de e eições, apenas em can inas sociais7.
A p eocupação com a saúde dos colabo ado es o nou-se mais e iden e após a consciencialização da elação
posi i a en e as condições de abalho e saúde, incluindo uma alimen ação adequada, p odu i idade e desem-
penho nas unções dos abalhado es nas unidades de alimen ação8-10. Apesa do conhecimen o do es ado pon-
de al dos colabo ado es de unidades de alimen ação se undamen al, es e ainda é pouco discu ido, embo a
alguns es udos enham e elado um al o índice de excesso de peso em ope ado es de Unidades de Alimen ação
e Nu ição (UAN)9-11. Segundo Sca pa o, Ama o e Oli ei a12, a mudança de hábi os alimen a es após o início das
a i idades nas Unidades de Alimen ação Cole i a pode se um dos a o es elacionados com o aumen o de peso
dos uncioná ios.
A mudança d ás ica dos hábi os alimen a es oco ida nas úl imas décadas de ido à globalização ca ac e iza-se
pela edução na p e alência de subnu ição com aumen o gene alizado da p e alência de excesso de peso13.
A escolha alimen a so e a in luência de a o es de di e sas o dens, nomeadamen e biológicos, psicológicos,
ísicos, económicos e sociais14.
A Sociedade Po uguesa de Ciências da Nu ição e Alimen ação (SPCNA), no âmbi o de um p o ocolo de mece-
na o cien í ico com a Nes lé, desen ol eu ecen emen e o es udo “Alimen ação e Es ilos de Vida de População
Po uguesa”15, em que um dos obje i os oi iden i ica os a o es que mais in luenciam a escolha alimen a dos
adul os po ugueses e a sua elação com ca a e ís icas sociodemog á icas e de saúde16. O “Sabo ” oi o de e -
minan e mais escolhido, seguido pelo “P eço” e, em e cei o luga , “Ten a aze uma alimen ação saudá el”. Os
compo amen os e hábi os alimen a es assumem um luga de des aque na e iologia de di e sas doenças c óni-
cas não- ansmissí eis, cuja p e alência ende a man e -se ou mesmo a aumen a , nomeadamen e a obesidade,
a diabe es melli us, as doenças ca dio ascula es, en e ou as13,17,19.
Es ando comp o ada a elação en e excesso de peso e diminuição do endimen o no abalho e qualidade
de ida13, e i ica-se exis i uma escassez de es udos que a aliem o es ado ponde al e os a o es de e minan-
es da escolha alimen a em abalhado es da á ea da p odução de e eições. No nosso país es a escassez é
pa icula men e e iden e. Assim, o am p incipais obje i os do p esen e es udo a alia o es ado ponde al de
colabo ado as do se o de p odução de e eições, iden i ica os p incipais de e minan es da escolha alimen a
das colabo ado as, e compa a es es esul ados com dados ep esen a i os da população po uguesa.
AMOSTRA E METODOLOGIA
Es e es udo explo a ó io oi ealizado em pa ce ia com uma emp esa p i ada de es au ação cole i a. Foi cons-
i uída uma amos a de con eniência compos a po 300 colabo ado es de unidades de alimen ação concessio-
nadas da zona No e do país, de 3 se o es de a i idade dis in os: escola , hospi ala e emp esa ial (100 colabo-
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ado es de cada á ea). Uma ez que apenas 11 colabo ado es (3,7%) e am do sexo masculino, o am excluídos
da análise. A amos a inal oi cons i uída po 289 abalhado es do sexo eminino.
Cada colabo ado oi en e is ado indi idualmen e, endo sido usado um guião c iado especi icamen e pa a es e
es udo. P e iamen e ao início da ealização das en e is as o am ealizadas en e is as-pilo o com os obje i os
de e i ica a adequação do guião (nomeadamen e em e mos de comp eensão po pa e dos en e is ados),
p ocede a al e ações do mesmo no sen ido de melho a es a adequação, e uni o miza os p ocedimen os.
As en e is as o am ealizadas en e No emb o de 2012 e Ma ço de 2013. Inicialmen e as pa icipan es e am
ques ionadas e egis ados dados demog á icos (sexo, idade e escola idade), sec o de ac i idade, unção de-
sempenhada e núme o de anos desde o início da ac i idade. O ní el de a i idade no local de abalho oi
a aliado pe gun ando “Du an e o empo que passa a abalha , qual das seguin es ases ep esen a melho
o ipo de a i idade que em?”, sendo hipó eses de espos a “Passo a maio pa e do empo sen ada”, “Passo a
maio pa e do empo de pé e a amen e me desloco” e “Passo a maio pa e do empo a desloca -me de um
lado pa a o ou o”. Os colabo ado es o am ques ionados quan o ao seu peso e al u a, seguindo-se a medição
des es pa âme os. Pa a es e e ei o, odos o am pesados com a a da de abalho e sem calçado, e medidos
descalços e segundo o plano de F ank u 18. O Índice de Massa Co po al (IMC) oi calculado com base nos
alo es au o- epo ados (“IMC epo ado”) e medidos (“IMC medido”) e classi icado de aco do com as no -
mas da O ganização Mundial de Saúde19. A p esença de pa ologias oi a aliada po iden i icação com base na
ap esen ação da lis a de pa ologias semelhan e à u ilizada no es udo da SPCNA15,16, e que incluía as pa ologias
e e idas na Tabela 2 (à excepção da obesidade, conside ada quando o IMC medido ap esen a a alo igual ou
supe io a 30,0 kg/m2). De igual modo, a iden i icação dos a o es com maio in luência na escolha alimen a
ambém seguiu o p ocedimen o u ilizado no es udo da SPCNA16, de endo de uma lis a de 14 i ens (Tabela 5)
se iden i icados os ês conside ados mais ele an es. As pa icipan es o am ambém ques ionadas quan o ao
núme o de e eições diá ias inge idas habi ualmen e.
Apesa de e em sido ecolhidos dados sob e a ca ego ia p o issional e a unção desempenhada pelo colabo-
ado , apenas se desc e e a amos a em e mos de unção desempenhada, pois em mui os casos es a não co -
esponde à ca ego ia p o issional e p e endia-se que a análise osse ei a com base na unção desempenhada e
não na a i idade egis ada, ca ego ia ou ca go a ibuído. No caso dos esul ados e e en es a di e en es unções,
op ou-se po não u iliza es a ís ica in e encial, dado a g ande dispa idade nos amanhos dos g upos. Salien am-
-se apenas os esul ados que conside amos mais ele an es do pon o de is a de in e enção nas unidades. A
análise es a ís ica oi desc i i a, consis indo no cálculo de equências absolu as e ela i as, endo sido e e uada
no p og ama SPSS e são 20.0 pa a Windows.
RESULTADOS
Das 289 colabo ado as, 100 (34,6%) pe encem ao se o hospi ala , 92 (31,8%) ao se o emp esa ial e 97 (33,6%)
ao se o escola . A idade máxima é de 63 anos e a mínima de 20 anos. Se en a e uma colabo ado as (24,6%)
inham escola idade igual ou in e io ao 4.º ano do ensino básico, 47 (16,3%) inham comple ado o 6.º ano, 91
(31,5%) concluí am o 9.º ano, 58 (20,1%) concluí am o ensino secundá io e as es an es 22 (7,6%) possuíam
es udos supe io es. A média de anos de abalho na á ea de p odução de e eições é de 12 anos, a iando en e
2 semanas e 45 anos.
Pa a a desc ição das unções, es as o am ag upadas em 8 g upos consoan e as suas semelhanças, sendo que
ap oximadamen e me ade da amos a em como unção “emp egada de ba , ca e a ia, de copa ou de e ei ó io”,
seguindo-se a unção de “emp egada de dis ibuição pe sonalizada de alimen os” (apenas encon ada na á ea
hospi ala ) e a de “cozinhei a ou pas elei a” (Tabela 1).
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Tabela 1 — Funções desempenhadas
Função desempenhada n %
Emp egada de ba , de ca e a ia, de copa, de e ei ó io 127 43,9
Emp egada de dis ibuição pe sonalizada de alimen os 51 17,6
Cozinhei a ou pas elei a 42 14,5
Despensei a, enca egada ou sub-enca egada 23 8,0
Adminis a i as e a ins 18 6,2
Nu icionis a ou die is a (ou es agiá ia de uma des as ac i idades) 13 4,5
Ajudan e de cozinha ou p epa ado a de alimen os 11 3,8
Che e de copa ou de cozinha 4 1,4
Rela i amen e às pa ologias epo adas, a obesidade oi a mais p e alen e, seguindo-se a obs ipação, a hipe co-
les e olemia e a hipe ensão a e ial (Tabela 2).
Tabela 2 — P e alência das pa ologias epo adas po se o de a i idade
Pa ologia n %
Obesidade 127 43,9
Obs ipação 61 21,1
Hipe coles e olemia 56 19,4
Hipe ensão a e ial 56 19,4
Hipe iglice idemia 20 6,9
Anemia 15 5,2
Diabe es 15 5,2
Doenças ca dio ascula es* 14 4,8
Hipe u icemia 7 2,4
* Excep o hipe ensão a e ial
As colabo ado as ap esen a am um IMC medido médio de 26,8 kg/m2. Analisando a dis ibuição po classes
de IMC calculado com base no peso e al u a au o- epo ados e medidos (Tabela 3), a classe de IMC com maio
p opo ção de colabo ado es é a co esponden e à no moponde abilidade. É de salien a que a maio ia das
colabo ado as ap esen a excesso de peso (IMC ≥ 25,0 kg/m2).
Tabela 3 — Dis ibuição po classes de “IMC epo ado” e “IMC medido”
Classes de IMC “IMC epo ado”
(%)
“IMC medido”
(%)
Mag eza (< 18,5 kg/m2) 1,4 0,7
No moponde abilidade (18,5 a 24,9 kg/m2) 48,4 40,5
Sob eca ga ponde al (25,0 a 29,9 kg/m2) 31,8 36,3
Obesidade g au I (30,0 a 34,9 kg/m2) 14,9 17,0
Obesidade g au II (35,0 a 39,9 kg/m2) 2,4 4,2
Obesidade g au III (≥ 40,0 kg/m2) 1,0 1,4
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C uzando as classes de IMC (medido) com as classes de escola idade, pode-se e i ica que a p opo ção de
colabo ado as no moponde ais aumen a com o aumen o da escola idade (Tabela 4).
Tabela 4 — Classes de “IMC medido” po ní el de escola idade
Ní el de escola idade Classes de IMC (kg/m2)
<18,5 18,5 a 24,9 25 a 29,9 30,0 a 34,9 35 a 39,9 ≥ 40,0
4.º ano ou in e io (n = 71) 0,0% 23,9% 49,3% 15,5% 5,6% 5,6%
6.º ano comple o (n = 47) 0,0% 38,3% 34,0% 23,4% 4,3% 0,0%
9.º ano comple o (n = 91) 1,1% 40,7% 34,1% 19,8% 4,4% 0,0%
12.º ano comple o (n = 58) 0,0% 48,3% 32,8% 15,5% 3,4% 0,0%
Licencia u a ou mes ado (n = 22) 4,5% 77,3% 18,2% 0,0% 0,0% 0,0%
Tendo em con a as unções desempenhadas na unidade, as que ap esen am maio p opo ção de colabo ado as
com excesso de peso são “Cozinhei a ou pas elei a”, “Emp egada de ba , ca e a ia, de copa, de e ei ó io” e
“Ajudan e de cozinha e p epa ado a de alimen os” (dados não ap esen ados).
Mais de me ade das colabo ado as az um núme o de e eições diá ias in e io ao ecomendado (5 e eições po
dia)19, sendo que mais de 40% azem apenas 4 e eições dia iamen e.
A a i idade das colabo ado as é ca a e izada pela maio ia (84,1%) como a “Desloca -se de um lado pa a o ou-
o”. Das que passam a maio pa e do empo a mo imen a em-se, ce ca de me ade são emp egadas de ba ,
ca e a ia, copa ou de e ei ó io (51,4%), e das que passam maio pa e do empo sen adas, mais de 60% são
adminis a i as e com a i idades a ins.
Ce ca de ês qua os das colabo ado as (74,4%) e e i am não e aumen ado de peso desde que inicia am o
abalho no se o de p odução de e eições.
Quan o aos a o es que mais in luenciam a escolha alimen a das colabo ado as no se o de p odução de e ei-
ções, o mais escolhido oi “Ten a aze uma alimen ação saudá el”, seguido do “Sabo dos alimen os”, e e idos
po mais de me ade da amos a (Tabela 5).
Tabela 5 — De e minan es da escolha alimen a
De e minan es da escolha alimen a %
Ten a aze uma alimen ação saudá el 58,5
Sabo dos alimen os 52,6
Qualidade e escu a dos alimen os 31,1
P eço dos alimen os 29,8
Con ola o peso 28,4
Hábi o ou o ina 21,5
Disponibilidade de alimen os 18,0
Ap esen ação ou embalagem 18,0
Facilidade ou con eniência de p epa ação 13,8
Die a aconselhada pelo médico 10,0
Alimen ação ege a iana ou ou os hábi os especiais 8,0
Con eúdo em adi i os, co an es e conse an es 5,5
Ou a pessoa decide a maio pa e dos alimen os que eu como 3,1
As minhas aízes cul u ais, eligiosas ou é nicas 1,7
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DISCUSSÃO
Um dos pon os o es des e abalho é o seu amanho amos al, supe io ao da gene alidade dos es udos eali-
zados em amos as com ca ac e ís icas semelhan es12,21,22. Dos indi íduos inicialmen e en e is ados a maio ia
e a do sexo eminino (96,3%); o p edomínio de colabo ado es do sexo eminino nes e se o de a i idade oi já
epo ado po ou os au o es23,24.
A g ande ampli ude de idades encon ada pode es a elacionada com as di e en es unções exe cidas nas uni-
dades, que eque em di e en es ap idões: algumas eque em mais agilidade enquan o nou as, como a unção
de cozinhei a, são alo izadas a p á ica e a expe iência. Es e a o pode ainda es a elacionado com a baixa
o a i idade de pessoal e i icada nes a emp esa. Os esul ados e e en es aos anos de abalho na emp esa
indicam que, con a iamen e à endência nes e se o , há uma baixa o a i idade das colabo ado as25. Is o pode
de e -se a uma maio p eocupação dos esponsá eis pelas condições de abalho dos colabo ado es, no sen ido
de melho e maio adap ação dos pos os de abalho, o que é e idenciado pela exis ência o mal na emp esa
de uma polí ica emp esa ial nesse sen ido. Des a o ma ende a diminui a incidência de aciden es de abalho
e de doenças p o issionais, os colabo ado es icam mais sa is ei os com as condições exis en es, ge ando um
melho ambien e de abalho, con ibuindo pa a um aumen o de p odu i idade e diminuição da o a i idade
do pessoal26. Es as pa icula idades de em se idas em conside ação quando in e p e ados os esul ados e no
delineamen o de es udos u u os.
A escassez de es udos sob e os abalhado es do se o de alimen ação colec i a, sob e udo em Po ugal, di i-
cul a compa ações, pa icula men e em elação à escola idade, que é semp e apon ada como uma di iculdade
pa a o es abelecimen o da qualidade do se o 10,27,28.
A pa ologia mais epo ada pelas colabo ado as oi a obesidade, seguida da obs ipação, da hipe coles e olemia
e da hipe ensão a e ial. Que a hipe coles e olemia que a hipe ensão a e ial, são doenças equen emen e
elacionadas com o aumen o de peso29 pelo que, apesa de não se objec i o do abalho o es udo das como -
bilidades, al de e á se ido em conside ação na in e p e ação des es esul ados. Num es udo ealizado numa
amos a ep esen a i a da população po uguesa em ambos os sexos15, as pa ologias mais epo adas o am a
hipe ensão e a hipe coles e olemia, sendo que a obesidade não azia pa e da lis a de pa ologias ( endo sido
a aliada, al como p esen e abalho, di ec amen e pelo cálculo do IMC). Sob essai como p incipal di e ença a
maio e e ência à obs ipação po pa e da nossa amos a. O a o da obs ipação se a segunda pa ologia mais
p e alen e pode es a associado a uma baixa inges ão de água e a uma alimen ação pa icula men e desequi-
lib ada, o que pode se consequência das exigências des e se o , nomeadamen e a di iculdade de e e ua uma
alimen ação eg ada em e mos de ho á ios e composição das e eições10.
As colabo ado as ap esen a am um IMC medido médio supe io ao da população eminina da egião no e, e a
sua maio ia ap esen a a excesso de peso. A maio p e alência de excesso de peso endo po base o IMC medido
es á de aco do com dados publicados num es udo de e isão em 200320 e com o es udo da SPCNA15,30. Es e a o
pode se jus i icado pelo e ei o da desejabilidade social, associada à endência global pa a uma subes ima i a do
peso co po al31. Compa a i amen e à população po uguesa, o mesmo es udo conclui que 30% da amos a do
sexo eminino em excesso de peso, ap oximadamen e me ade da pe cen agem encon ada no p esen e es udo
(58,9%), sendo 67,8% no moponde ais, alo ambém dis an e dos 40,5% encon ados nes e es udo.
Ao elaciona as classes de IMC com os ní eis de escola idade, os nossos esul ados ão ao encon o dos de
ou os abalhos, em que se e i ica que o isco de desen ol e obesidade é maio em indi íduos de meno
escola idade31. Uma possí el explicação se á o a o de as colabo ado as menos escola izadas se em de en o as
de menos conhecimen os ace ca da saúde e alimen ação32,33. Po ou o lado o a o de au e i em o denados mais
baixos, pode á omen a a aquisição de alimen os mais ba a os e que endem a ap esen a maio densidade
ene gé ica34. A unção “Cozinhei a ou pas elei a” es á elacionada com uma maio p e alência de excesso de
peso, p o a elmen e, pa a além de ou os a o es, como a baixa escola idade des e g upo, po nes as unções
as colabo ado as manipula em alimen os que es ão a se con ecionados, es ando po an o, p on os pa a consu-
mo21,35, e po se exigido no decu so da a i idade a p o a do alimen o que es á a se cozinhado.
A ele ada p e alência de excesso de peso é uma ca ac e ís ica do se o da Alimen ação Cole i a nos ês se o es
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es udados10,21,28. Nes e es udo explo a ó io, apenas ce ca de um qua o das colabo ado as ela ou e aumen a-
do de peso desde o início da a i idade em unidades de alimen ação cole i a, sendo que a maio ia das colabo a-
do as com excesso de peso já se encon a ia nessa condição quando iniciou a i idade. De e no en an o ambém
se conside ada a associação posi i a en e peso e idade na população em ge al30.
A maio ia das colabo ado as e e e que as unções desempenhadas são “Em pé e a desloca -se de um lado
pa a o ou o”. Apesa da o ma simplis a e não quan i icada como se a aliou a p á ica de ac i idade ísica,
es e esul ado pode á se ele an e, dada a possibilidade de as colabo ado as pe cepciona em es a ac i idade
como su icien e pa a um balanço ene gé ico neu o, o que cons i ui á uma ba ei a à manu enção de um peso
adequado. O gas o ene gé ico no local de abalho e espec i a pe cepção de e á, pois, se al o de análise em
abalhos u u os.
Conside ando os a o es que mais in luenciam a escolha alimen a das colabo ado as do p esen e es udo,
en ende-se que seja possí el que as colabo ado as enham pe ceção do seu peso e das poucas e eições que
ealizam de ido às exigências do abalho nes e se o e, consequen emen e, en em aze uma alimen ação
saudá el e equilib ada, nos aspe os em que al lhes seja possí el, pa a con a ia a endência de aumen o de
peso. É ambém um bom indicado o a o de se alo izada a qualidade e escu a dos alimen os, a qual es á
di e amen e ligada com a segu ança alimen a . Tal a o pode de e -se à o mação especí ica na á ea que as cola-
bo ado as ecebem, sendo que es ão mais sensibilizadas pa a os cuidados ine en es à p odução de alimen os.
Relacionando com o es udo da SPCNA, a di e ença dos de e minan es da escolha alimen a , bem como a sua
o denação, pode es a elacionada com o se o p o issional dos inqui idos, assim como com a sua condição
socio económica. Pa a alguém que não enha con ac o egula com alimen os e com a sua con eção ou que
não enha o mação na á ea, o a o p imo dial de acei ação e escolha quando p o a um alimen o se á o seu
sabo . Apenas se a ap eciação des e a o o a o á el i á conside a as ou as a iá eis. A impo ância a ibuída
ao p eço dos alimen os (segundo a o mais e e ido na população ge al e qua o no nosso abalho) pode se
um e lexo da si uação económica pela qual o país es á a passa , sendo indicado de que a condição económica
pode in luencia bas an e a escolha alimen a 36,37.
Como limi ação des e es udo é de e e i e em sido incluídos nu icionis as e die is as, o que pode á e in o-
duzido um iés nos esul ados uma ez que es es p o issionais possuem mais conhecimen os nes a á ea que os
es an es colabo ado es.
CONCLUSÃO
A maio ia das colabo ado as de unidades de alimen ação cole i a a aliadas ap esen a excesso de peso, ac o que
co obo a es udos ealizados nou os países. Ní eis de IMC mais ele ados es ão associados a ní eis de escola-
idade mais baixos e, das ac i idades a aliadas, as que ap esen am maio pe cen agem de colabo ado as com
excesso de peso são “Cozinhei a ou pas elei a” e “Emp egada de ba , ca e a ia, de copa, de e ei ó io”.
Os ac o es mais iden i icados como in luenciando a escolha alimen a o am “Ten a aze uma alimen ação
saudá el”, o “Sabo dos alimen os” e a “Qualidade e escu a dos alimen os”. A di e ença ace a esul ados ela i-
os à população po uguesa é o ac o de, no p esen e es udo, o “Sabo dos alimen os” não e sido o ac o mais
apon ado e de o “P eço dos alimen os” não es a con emplado nos ês mais e e idos.
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