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A implementação da Diretiva 2007/60/CE em Portugal : problemas na definição de perímetros de inundação e na identificação de elementos expostos

Abstract

As cheias em Portugal, sobretudo em pequenas bacias hidrográficas, implicam processos destrutivos de infraestruturas, pessoas e bens, estando geralmente associadas a uma resposta rápida a eventos pluviosos intensos e de curta duração. Estes efeitos têm aumentado significativamente nas últimas três décadas em áreas que experimentaram uma intensa urbanização. Os Planos Diretores Municipais (PDM) são regulados por um quadro legislativo que implica a delimitação de zonas ameaçadas pelas cheias e restrições à ocupação destas áreas. Na sua definição, o uso de métodos hidro-meteorológicos rigorosos juntamente com dados geomorfológicos é raro, em parte, devido à escassa disponibilidade de informação altimétrica detalhada capaz de sustentar uma modelação hidrogeomorfológica eficiente. Seguindo os pressupostos da Diretiva Floods e aplicando métodos hidro-meteorológicos, realizaram-se estudos nas bacias hidrográficas dos rios Arda, Leça e Caima (Norte de Portugal), para se obterem os perímetros de inundação segundo vários períodos de retorno. Os resultados, quando comparados com as áreas ameaçadas pelas cheias definidas nos PDMs, revelam muitas diferenças relativamente às áreas classificadas como áreas inundáveis, facto validado durante o trabalho de campo. Também se observou que muitos elementos expostos, particularmente pontes, casas, pessoas e outras infraestruturas, localizadas em áreas inundáveis, não são consideradas nos Planos Diretores Municipais

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A implementação da Diretiva 2007/60/CE em Portugal : problemas na definição de perímetros de inundação e na identificação de elementos expostos

Author: Marafuz, Inês,Gonçalves, Pedro,Gomes, António Alberto,Bateira, Carlos
Year: 2013
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/83158/2/123611.pdf
Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o
III sé ie, ol. I, 2012, pp. 83-96
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em
Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os
de inundação e na iden i icação de elemen os
expos os
Inês Ma a uz
1
Ped o Gonçal es
2
Albe o Gomes
3
Ca los Ba ei a
4
RESUMO
As cheias em Po ugal, sob e udo em pequenas bacias hid og á icas,
implicam p ocessos des u i os de in aes u u as, pessoas e bens,
es ando ge almen e associadas a uma espos a ápida a e en os
plu iosos in ensos e de cu a du ação. Es es e ei os êm aumen ado
signi ica i amen e nas úl imas ês décadas em á eas que
expe imen a am uma in ensa u banização. Os Planos Di e o es
Municipais (PDM) são egulados po um quad o legisla i o que
implica a delimi ação de zonas ameaçadas pelas cheias e es ições à
ocupação des as á eas. Na sua de inição, o uso de mé odos hid o-
me eo ológicos igo osos jun amen e com dados geomo ológicos é
a o, em pa e, de ido à escassa disponibilidade de in o mação
al imé ica de alhada capaz de sus en a uma modelação
hid ogeomo ológica e icien e. Seguindo os p essupos os da Di e i a
Floods e aplicando mé odos hid o-me eo ológicos, ealiza am-se
es udos nas bacias hid og á icas dos ios A da, Leça e Caima (No e
de Po ugal), pa a se ob e em os pe íme os de inundação segundo
á ios pe íodos de e o no. Os esul ados, quando compa ados com
as á eas ameaçadas pelas cheias de inidas nos PDM’s, e elam mui as
di e enças ela i amen e às á eas classi icadas como á eas inundá eis,
ac o alidado du an e o abalho de campo. Também se obse ou
que mui os elemen os expos os, pa icula men e pon es, casas,
pessoas e ou as in aes u u as, localizadas em á eas inundá eis, não
são conside adas nos Planos Di e o es Municipais
Pala as-Cha e
Di e i a 2007/60/2007, pe íme os de inundação, elemen os
expos os, o denamen o do e i ó io
ABSTRACT
Floods in Po ugal, mos ly in small wa e sheds, implying des uc i e
p ocesses in in as uc u es, people and goods, a e gene ally
associa ed wi h a apid esponse o in ense ain episodes o sho
du a ion. These e ec s inc eased signi ican ly o e he las h ee
decades in a eas ha ha e expe ienced an in ense u baniza ion. The
1
Bolsei a de In es igação, Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
2
Bolsei o de In es igação, Labo a ó io Nacional de Ene gia e Geologia, ped ommg[email p o ec ed]
3
P o esso Auxilia do Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
4
P o esso Associado do Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do
Po o III sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
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Municipal Mas e Plans (PDM) a e guided by a legisla i e amewo k
ha en o ces he delimi a ion o a ec ed a eas by loods, conside ing
es ic ions o he occupa ion o hose a eas. In i s de ini ion, he use
o igo ous hyd o-me eo ological me hods coupled wi h
geomo phological da a is a e, in pa , due o he poo a ailabili y o
de ailed al ime y da a capable o sus aining an e icien
hyd ogeomo phological modelling. Following he Floods Di ec i e
assump ions and applying hyd o-geomo phological me hods, h ee
case-s udies we e pe o med in he wa e sheds o he A da, Leça and
Caima i e s (No he n Po ugal), o ob ain lood-p one a eas o
se e al e u n pe iods. The esul s, when compa ed wi h he a eas
h ea ened by loods de ined in he Municipal Mas e Plans, e ealed
many di e ences in he land classi ied as lood-p one a ea, ac s ha
we e alida ed h ough ieldwo k. I was also ound ha mul iple
exposed elemen s, pa icula ly b idges, houses, people and o he
in as uc u es, loca ed in loodplains we e no conside ed in he
Municipal Mas e Plans.
Keywo ds
Cen al EU Floods Di ec i e, lood-p one a eas, exposed elemen s,
land use planning
85
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
1. In odução
As cheias em Po ugal, sob e udo nas pequenas bacias hid og á icas, são
ca ac e izadas pela espos a ápida a e en os plu iosos in ensos e de cu a du ação
(Fe ei a & Zêze e, 1997; Ramos & Reis, 2002). Esses episódios es ão ge almen e
associados a dep essões con ec i as, go as de a io especialmen e a i as e esul an es
de in asões de a io pola ou á ico em al i ude, que se es endem a é la i udes
sub opicais, ou dep essões que esul am da in e ação na en e pola das massas de a
pola e opical (Ramos & Reis, 2002).
Os episódios de cheias que implicam pe das humanas e p ocessos des u i os de
in aes u u as, bens e se iços, são equen es em odo o mundo (EM-DAT, Jonkman
& V ijing, 2008), e a endência pa a o aumen o dos p ejuízos associados a es es e en os,
u o da in ensa u banização que algumas á eas expe imen a am (Hollis, 1975), é
p eocupan e. Em Po ugal, oi desen ol ida uma base de dados no âmbi o do p oje o
DISASTER (h p:// iskam.ul.p /disas e /) que disponibiliza dados ao público e e en es a
odos os e en os hid ogeomo ológicos, ou seja, cheias/inundações e mo imen os de
e en e, que p o oca am mo os, e idos, e acuados e desalojados no pe íodo en e
1865 e 2010 (Soa es e al., 2012). Os esul ados ge ais mos am que as cheias
co espondem a 85,2% do o al de e en os con idos nessa base de dados, pe azendo
1622 oco ências. Segundo os au o es, du an e os 146 anos analisados, egis a am-se 1071
mo os, 13372 e acuados e 40283 desalojados, í imas des es e en os (Zêze e, e al.
2013).
Nes e sen ido, a Di e i a 2007/60/CE (Floods Di ec i e) do Pa lamen o Eu opeu e
do Conselho da União Eu opeia, de 23 Ou ub o de 2007, es abelece um quad o
legisla i o pa a a a aliação e ges ão dos iscos de inundação, com a inalidade de
minimiza as suas consequências sob e a população, os seus bens, as in aes u u as, o
pa imónio cul u al, as a i idades económicas e o ambien e. Segundo essa Di e i a, odos
os es ados memb os de e ão elabo a mapas de pe igo (p obabilidade e/ou magni ude
dos episódios) e de isco de cheias (consequências) a é ao inal de 2013. Es es mapas
se i ão de base pa a os u u os planos de ges ão de isco de cheia, os quais de e ão es a
concluídos a é 2015. Os mapas de pe igo de cheia de em con empla á eas de baixa
p obabilidade de oco ência de inundações, média p obabilidade com pe íodos de
e o no iguais ou supe io es a cem anos e de ele ada p obabilidade de oco ência com
pe iodicidade in e io a cem anos. Os mapas de isco e e idos na Di e i a 2007/60/CE
são de maio complexidade, de endo con empla as consequências das cheias,
nomeadamen e o núme o de pessoas po encialmen e a e adas, os ipos de a i idade
económica, as á eas p o egidas a e adas, en e ou os. No ge al, os mapas que êm sido
p oduzidos dizem espei o à ex ensão da cheia e, com meno exp essão, à al u a da coluna
de água (Moel e al., 2009).
O p incipal obje i o des e es udo é analisa os p oblemas e limi ações exis en es na
aplicação de me odologias igo osas pa a a delimi ação de pe íme os de inundação no
con ex o po uguês, azendo-se uma a aliação p elimina das suas implicações em e mos
de iden i icação dos elemen os expos os. Pa a se conc e iza es e obje i o, analisam-se
ês se o es das bacias hid og á icas do io A da, Leça e Caima, seguindo-se os
p essupos os da Di e i a Floods e do Dec e o-Lei n.º 166/2008 de 22 de Agos o, da
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
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Rese a Ecológica Nacional, que engloba as zonas ameaçadas pelas cheias. P e endeu-se
ainda compa a os esul ados ob idos na modelação com as á eas ameaçadas pelas cheias
já de inidas nos Planos Di e o es Municipais dos concelhos analisados ( igu a 1).
Figu a 1. Visão ge al do abalho desen ol ido endo em con a os p essupos os da Di e i a
2007/60/CE pa a os se o es de es udo de Vá zea, Leça do Balio e Ossela.
1.1. Conside ações ge ais sob e os se o es em es udo
As á eas de es udo localizam-se na Península Ibé ica, mais especi icamen e, no
No e de Po ugal ( igu a 2A). O sec o de Vá zea, em A ouca, é d enado pelo io A da,
um a luen e da ma gem esque da do io Dou o ( igu a 2B) e em um comp imen o de
42,6 km, em que o oço modelado ap esen a uma ex ensão de 1,47 km. Apesa da á ea
da bacia hid og á ica do io A da e 168 km2, apenas 34,5 km2 con ibuem com
escoamen o pa a o se o modelado. A planície alu ial do io A da, nes e se o , é bas an e
la ga e aplanada ap esen ando um al i ude média de 238 me os e o uso do solo é
essencialmen e ag ícola. Segundo Da eau (1977), a p ecipi ação média anual nes a á ea
a ia en e os 1400 e os 1600 mm. Os caudais máximos de cheia, es imados pela ó mula
de Lou ei o, são de 205,8 m3/s pa a um pe íodo de e o no de 10 anos, 273,2 m3/s em
50 anos e 320,9 m3/s numa cheia cen ená ia (Ma a uz, 2011).
O segundo se o em es udo localiza-se em Leça do Balio, concelho de Ma osinhos,
a uma al i ude média de 63 me os. Inse e-se num con ex o de planície alu ial ampla e
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na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
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bas an e egula , cuja ocupação do solo é maio i a iamen e ag ícola, com exceção do
Cen o Emp esa ial da Leonesa e de algumas habi ações dispe sas no e i ó io. O oço
io Leça que oi modelado si ua-se mui o p óximo do sec o e minal da bacia
hid og á ica (189,5 km2) e ap esen a uma ex ensão de 3,8 km, d enando uma á ea de 148
km2. Nes a á ea, os caudais de pon a de cheia o am calculados com base na ó mula de
Giando i, cujos esul ados ob idos co espondem a um caudal de 223,7 m3/s em 10 anos,
285,8 m3/s em 50 anos e 314,3 m3/s pa a um pe íodo de e o no de 100 anos (Velhas,
1991). Em e mos climá icos, es e é o se o que ap esen a os meno es alo es de
p ecipi ação média anual, na o dem dos 1000 a 1200 mm (Da eau, 1977).
O úl imo se o em es udo ab ange um oço do io Caima, em Ossela (Oli ei a de
Azeméis), com 7 km de comp imen o, numa ex ensão o al de 55 km. A bacia
hid og á ica do io Caima é a maio das ês bacias em es udo, com 197 km2, sendo que
apenas 124 km2 con ibuem pa a o se o modelado ( igu a 2B). A planície alu ial no se o
em es udo em uma al i ude média de 220 me os e ap esen a uma con igu ação mui o
semelhan e à do se o de Leça do Balio, e idenciando alguns es angulamen os
mo ológicos no ale, sob e udo a jusan e. Os caudais máximos de cheia, ob idos pela
ó mula es a ís ica de Lou ei o, no se o de Ossela são de 356,4 m3/s pa a um pe íodo
de e o no de 10 anos, 508,2 m3/s em 50 anos e 578,4 m3/s em 100 anos. Nes e se o do
io Caima, a p ecipi ação média a ia essencialmen e en e os 1600 e os 1800 mm po
ano (Da eau, 1977).
Figu a 2. Localização geog á ica dos se o es em es udo: A – localização no con ex o da
Península Ibé ica, B – localização no no oes e po uguês.

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Po o III sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
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2. Me odologia
2.1. Conside ações ge ais
Em Po ugal, pa a além da Di e i a 2007/60/CE anspos a pa a a legislação
nacional pelo Dec e o-lei n.º 115/2010, ambém exis e a Lei n.º 166/2008 da Rese a
Ecológica Nacional (REN), que inclui as zonas ameaçadas pelas cheias (ZAC). Es as
á eas são delimi adas pela linha da cheia com pe íodo de e o no de 100 anos ou pela
maio cheia conhecida no caso de não exis i em dados que pe mi am iden i ica a cheia
cen ená ia. A Plan a de Condicionan es, uma das p incipais componen es dos Planos
Di e o es Municipais, é egulada po um quad o legisla i o que de e mina, no con ex o
da REN, a delimi ação de á eas a e adas po cheias, conside ando á ias es ições à
ocupação do solo. Assim, de aco do com a Lei n.º 166/2008 “…a delimi ação das zonas
ameaçadas pelas cheias de e se apoiada em es udos hid ológicos e hid áulicos, pela
obse ação de ma cas de cheia e egis os dos e en os his ó icos, e ambém, a a és da
análise dos dados geomo ológicos, pedológicos e opog á icos”.
Con udo, a escassa disponibilidade de in o mação al imé ica a uma escala supe io
a 1/2000, capaz de sus en a uma modelação hid áulica igo osa, bem como, a al a de
dados me eo ológicos com uma sé ie con ínua de pelo menos 30 anos e de dados
hid omé icos, comp ome e, em pa e, a aplicação de mé odos hid ome eo ológicos e
hid áulicos igo osos. De aco do com es e quad o legisla i o, ez-se um exe cício de
modo a p oduzi á ios mapas pa a os ês casos de es udo, endo em con a os equisi os
e p essupos os da Di e i a 2007/60/CE e da in o mação disponí el.
2.2. Ma e iais e mé odos
A in o mação al imé ica - cu as de ní el e pon os co ados, u ilizada e disponí el
em Po ugal é, na gene alidade, à escala 1/10000, com cu as de ní el equidis an es 5
me os. Alguns municípios dispõem de ca og a ia a escalas maio es, nomeadamen e
1/2000 ou supe io es, que possibili am modelações opog á icas mais igo osas. Ou as
on es de in o mação al imé ica como os dados LIDAR p a icamen e não exis em no
país ou nos casos em que exis em, não es ão disponí eis. Assim, pa indo dos dados de
base disponí eis pa a os se o es do io A da, Leça e Caima, seguiu-se duas me odologias
di e en es pa a delimi a os pe íme os de inundação ( abela 1).
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na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
Tabela 1. Dados de base e me odologias u ilizadas na de inição dos pe íme os de inundação
nos ês se o es em es udo.
Se o em
es udo
Dados de base
Me odologia
Pe íme os de inundação
Rio A da
Dados al imé icos ob idos
a a és do le an amen o
opog á ico;
O o o omapas.
Medições no so wa e Au oCad;
cálculo de pa âme os
hid áulicos; ex ensão Sol e
do Excel.
Delimi ação das á eas
a e adas de o ma expedi a
– ex ensão da cheia,
mo ologia local, egis os
em jo nais locais e da
p o eção ci il.
Rio Leça
Al ime ia (cu as de ní el e
pon os co ados) e planime ia
(escala 1/1000 –
equidis ância de 1m);
O o o omapas.
C iação de dados geomé icos
(Hec-GeoRas, uma ex ensão do
A cGis); medições de campo a
habi ações, mu os, pon es;
modelação no so wa e HEC-
RAS.
Delimi ação au omá ica das
á eas a e adas (ex ensão da
cheia, coluna de água,
elocidade da água) a a és
da ex ensão Hec-GeoRas.
Rio Caima
Al ime ia (cu as de ní el e
pon os co ados) e planime ia
(escala 1/2000 –
equidis ância de 2m);
O o o omapas.
C iação de dados geomé icos
(Hec-GeoRas, uma ex ensão do
A cGis); modelação no so wa e
HEC-RAS.
Delimi ação au omá ica das
á eas a e adas (ex ensão da
cheia, coluna de água,
elocidade da água) a a és
da ex ensão Hec-GeoRas.
No se o de Vá zea, a in o mação al imé ica disponí el, à escala 1/10000, não
possibili ou a modelação da opog a ia da planície alu ial do io A da com de alhe
su icien e. Po es e mo i o, oi ealizado o le an amen o opog á ico de 15 secções
ans e sais pe pendicula es ao io e à planície alu ial. Es e p ocesso oi e e uado com
uma es ação o al de ele ada p ecisão (milíme os) e, nos locais de eduzida isibilidade,
com ecu so a um GPS, cuja p ecisão em pós-p ocessamen o com uma an ena ex e na,
pode a ingi os 10 a 15 cm. Du an e o le an amen o, ano ou-se a al u a da água a pa i
do al egue e o ipo de e es imen o das ma gens pa a cada secção pa a, pos e io men e,
se de e mina o coe icien e de ugosidade do canal. De seguida, oi c iado um sis ema de
e e ência local baseado no le an amen o opog á ico de ês é ices geodésicos mui o
p óximos da á ea de es udo, de o ma a ajus a os pon os ob idos po ambos os
le an amen os. Es es pon os o am p ocessados no so wa e Au oCad, onde se aça am
os pe is ans e sais e onde se ize am algumas medições. Pos e io men e, o am
calculados os pa âme os hid áulicos como a secção molhada, o pe íme o molhado, o
aio hid áulico, elemen os necessá ios pa a a de e minação da supe ície li e de
escoamen o a a és da ó mula de Manning-S ickle (Ma a uz, 2011, Ma a uz e al., 2013).
Pa a a p ede e minação dos caudais de pon a de cheia pa a os pe íodos de e o no
de 10, 50 e 100 anos, aplicou-se a ó mula es a ís ica de Lou ei o (Lou ei o, 1984). A
ó mula esul ou de inúme os es udos ealizados pelo au o pa a odo o país, onde
co elacionou os caudais de pon a de cheia de e minados pela dis ibuição de Gumbel com
a á ea da bacia hid og á ica, endo de inido zonas com o mesmo egime hid ológico
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do
Po o III sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
90
(Lou ei o, 1984, Lencas e & F anco, 1984). Es a ó mula conside a a á ea da bacia
hid og á ica (em km2) e dois pa âme os egionais es abelecidos pa a cada zona
delimi ada pelo au o e de aco do com os di e en es pe íodos de e o no. Depois de
odos os cálculos acima mencionados, u ilizou-se uma ex ensão de o imização disponí el
no Excel, o Sol e , pa a se ob e a al u a a ingida pela água em cada secção. Os pe íme os
de inundação o am depois delimi ados de o ma expedi a endo em con a a al u a da
coluna de água, a con igu ação da mo ologia da planície de inundação e os egis os
his ó icos de oco ência de cheias, ob idos a a és da pesquisa em jo nais locais e dos
egis os dos se iços de p o eção ci il (Ma a uz, 2011).
No se o de Leça do Balio, com a ca og a ia de base exis en e, nomeadamen e a
al ime ia e planime ia à escala 1/1000 com cu as de ní el equidis an es um me o, e
com ou os elemen os geomé icos como a ede hid og á ica, ede de es adas, habi ações
e in aes u u as, oi c iado o modelo digi al de ele ação (MDE). A a és do MDE e com
o auxílio do so wa e Hec-GeoRas o am en ão desenhados os elemen os necessá ios pa a a
modelação hid áulica, a sabe : o cen o geomé ico do canal, as ma gens, a di eção do
luxo, os pe is ans e sais, as obs uções, os mu os, as pon es e o uso do solo que
pe mi em uma co e a ep esen ação do e eno (Cook & Me wade, 2009). Es es dados
o am p ocessados pelo so wa e Hec-Ras pois não é possí el adiciona di e amen e o MDE
no cálculo e e uado. A geome ia do canal/planície alu ial é apenas um dos inpu s do
modelo hid áulico, salien ando-se a impo ância dos caudais máximos de cheia. Es es
o am ob idos com base na ó mula cinemá ica de Giando i (Giando i, 1953; Velhas,
1991) cujos esul ados, após alidação de campo, mos a am se p óximos do obse ado
num episódio de cheia em Ma ço de 2001. Os dados geomé icos e de caudal máximo
o am p ocessados no so wa e Hec-Ras, escolhendo-se a simulação S eady Flow pa a o
cálculo dos esul ados. (Gonçal es, 2012).
Os esul ados ob idos pela modelação no Hec-Ras o am expo ados pa a o A cMap,
onde o am ge adas as shape iles com os limi es das cheias pa a os di e en es pe íodos de
e o no, a al u a da coluna de água e ou os esul ados opcionais que podem se ge ados,
como a elocidade da água (B unne , 2008; Acke man, 2011). Pos e io men e à
modelação, e i ica am-se algumas inconsis ências en e os dados obse ados no campo
e os esul ados ob idos, de ido à ausência de elemen os an ópicos exis en es na planície
alu ial que não se encon a am ep esen ados na ca og a ia de base e que unciona am
como ba ei as à li e ci culação da água do io. Assim, o am e e uadas medições no
e eno a elemen os como mu os e habi ações p óximas do io e ainda a açudes e pon es,
com ecu so a um dis ancióme o. De seguida oi c iado um no o MDE que incluiu esses
elemen os a a és da al e ação do açado de algumas cu as de ní el com exceção das
pon es, incluídas no Hec-Ras. Es e p ocedimen o oi essencial uma ez que pe mi iu c ia
um modelo com maio p ecisão al imé ica e ge a esul ados mais iá eis e
ep esen a i os dos e en os de cheias que oco em (Gonçal es, 2012). Des e modo,
quan o mais de alhada e a ualizada a ca og a ia de base, melho o so wa e i á modela as
cheias nas á eas de es udo.
Es a me odologia oi ambém emp egue no se o de Ossela, pa a o qual
dispúnhamos de ca og a ia de base à escala 1/2000 e que nos pe mi iu ge a um MDT
mui o de alhado. Após a c iação dos dados geomé icos, ez-se a modelação em Hec-Ras
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A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
e delimi a am-se de o ma au omá ica os pe íme os de inundação a a és da ex ensão
Hec-GeoRas.
3. Resul ados e discussão
3.1. Compa ação dos pe íme os de inundação ob idos e dos limi es da REN
(PDM)
Os esul ados ap esen ados na igu a 3A, B e C e idenciam os pe íme os de
inundação ob idos pa a os pe íodos de e o no de 10, 50 e 100 anos. Pode-se dize que
exis e uma cla a elação en e os esul ados ob idos e os dados de base que pe mi i am
desen ol e a modelação. No caso do se o de Vá zea, a al a de in o mação al imé ica
de alhada implicou a necessidade de se e e ua o le an amen o opog á ico, um p ocesso
demo ado e dispendioso. Es e p ocedimen o pe mi iu ob e dados opog á icos mui o
p ecisos is o que se podem escolhe o núme o de secções ans e sais, o dis anciamen o
en e elas e a quan idade de pon os co ados que se conside em pe inen es. No en an o,
o p ocesso pa a delimi a os pe íme os de o ma expedi a não pe mi e ob e esul ados
ão igo osos quan o os que de i am da modelação semiau omá ica.
A c iação do MDE/MDT o na-se mais ácil e ápida, quando se u iliza ca og a ia
e o ial com cu as de ní el equidis an es de 2 me os ou menos. A possibilidade de se
melho a em e a ualiza em os dados al imé icos a a és de medições expedi as no e eno
pe mi em ainda e ina os MDT e, des a o ma, aze modelação hid áulica mais ealis a
e igo osa.
Foi ainda obje i o des e abalho compa a os pe íme os de inundação ob idos pela
modelação e e uada com os limi es conside ados pela REN e que se encon am na Plan a
de Condicionan es dos PDMs das á eas em es udo. Es es limi es o am incluídos nos
mapas inais de o ma a possibili a uma isualização ácil e imedia a das di e enças
exis en es. Analisando os esul ados e e en es ao caso do se o de Vá zea ( igu a 3A),
e i ica-se que as di e enças em e mos de á eas são pouco e iden es, sendo que os
polígonos delimi ados pela REN ap esen am apenas mais 417,3 m2 do que os modelados
( abela 2). Os pe íme os de inundação delimi ados pa a o se o de Leça do Balio são
mais igo osos, uma ez que após as medições ealizadas no e eno oi possí el
ap imo a e o na mais ealis a o modelo ( igu a 3B). Compa ando es es esul ados com
os polígonos da REN, as di e enças são assinalá eis. As á eas da REN são menos
e inadas e indi e enciadas, não disc iminando as zonas ameaçadas pelas cheias dos
ou os elemen os que pe encem à REN. No en an o, a á ea dos pe íme os de inundação
ob idos pela modelação co esponde a ce ca de 329278 m2 enquan o a á ea da REN é de
385254 m2, o que signi ica uma di e ença de 55976,4 m2 ( abela 2).
No caso do se o de Ossela, o pe íme o de inundação delimi ado pa a o pe íodo de
e o no de 100 anos ap esen a 721989 m2, menos 287275,8 m2 do que os limi es
conside ados pela REN ( abela 2). Assim sendo, e i ica-se que o núme o de elemen os
expos os ab angidos pela REN é mais signi ica i o ( igu a 3C).