Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o
III sé ie, ol. I, 2012, pp. 83-96
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em
Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os
de inundação e na iden i icação de elemen os
expos os
Inês Ma a uz
1
Ped o Gonçal es
2
Albe o Gomes
3
Ca los Ba ei a
4
RESUMO
As cheias em Po ugal, sob e udo em pequenas bacias hid og á icas,
implicam p ocessos des u i os de in aes u u as, pessoas e bens,
es ando ge almen e associadas a uma espos a ápida a e en os
plu iosos in ensos e de cu a du ação. Es es e ei os êm aumen ado
signi ica i amen e nas úl imas ês décadas em á eas que
expe imen a am uma in ensa u banização. Os Planos Di e o es
Municipais (PDM) são egulados po um quad o legisla i o que
implica a delimi ação de zonas ameaçadas pelas cheias e es ições à
ocupação des as á eas. Na sua de inição, o uso de mé odos hid o-
me eo ológicos igo osos jun amen e com dados geomo ológicos é
a o, em pa e, de ido à escassa disponibilidade de in o mação
al imé ica de alhada capaz de sus en a uma modelação
hid ogeomo ológica e icien e. Seguindo os p essupos os da Di e i a
Floods e aplicando mé odos hid o-me eo ológicos, ealiza am-se
es udos nas bacias hid og á icas dos ios A da, Leça e Caima (No e
de Po ugal), pa a se ob e em os pe íme os de inundação segundo
á ios pe íodos de e o no. Os esul ados, quando compa ados com
as á eas ameaçadas pelas cheias de inidas nos PDM’s, e elam mui as
di e enças ela i amen e às á eas classi icadas como á eas inundá eis,
ac o alidado du an e o abalho de campo. Também se obse ou
que mui os elemen os expos os, pa icula men e pon es, casas,
pessoas e ou as in aes u u as, localizadas em á eas inundá eis, não
são conside adas nos Planos Di e o es Municipais
Pala as-Cha e
Di e i a 2007/60/2007, pe íme os de inundação, elemen os
expos os, o denamen o do e i ó io
ABSTRACT
Floods in Po ugal, mos ly in small wa e sheds, implying des uc i e
p ocesses in in as uc u es, people and goods, a e gene ally
associa ed wi h a apid esponse o in ense ain episodes o sho
du a ion. These e ec s inc eased signi ican ly o e he las h ee
decades in a eas ha ha e expe ienced an in ense u baniza ion. The
1
Bolsei a de In es igação, Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
2
Bolsei o de In es igação, Labo a ó io Nacional de Ene gia e Geologia, ped ommg[email p o ec ed]
3
P o esso Auxilia do Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
4
P o esso Associado do Depa amen o de Geog a ia da FLUP, [email p o ec ed]
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do
Po o III sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
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Municipal Mas e Plans (PDM) a e guided by a legisla i e amewo k
ha en o ces he delimi a ion o a ec ed a eas by loods, conside ing
es ic ions o he occupa ion o hose a eas. In i s de ini ion, he use
o igo ous hyd o-me eo ological me hods coupled wi h
geomo phological da a is a e, in pa , due o he poo a ailabili y o
de ailed al ime y da a capable o sus aining an e icien
hyd ogeomo phological modelling. Following he Floods Di ec i e
assump ions and applying hyd o-geomo phological me hods, h ee
case-s udies we e pe o med in he wa e sheds o he A da, Leça and
Caima i e s (No he n Po ugal), o ob ain lood-p one a eas o
se e al e u n pe iods. The esul s, when compa ed wi h he a eas
h ea ened by loods de ined in he Municipal Mas e Plans, e ealed
many di e ences in he land classi ied as lood-p one a ea, ac s ha
we e alida ed h ough ieldwo k. I was also ound ha mul iple
exposed elemen s, pa icula ly b idges, houses, people and o he
in as uc u es, loca ed in loodplains we e no conside ed in he
Municipal Mas e Plans.
Keywo ds
Cen al EU Floods Di ec i e, lood-p one a eas, exposed elemen s,
land use planning
85
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
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sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
1. In odução
As cheias em Po ugal, sob e udo nas pequenas bacias hid og á icas, são
ca ac e izadas pela espos a ápida a e en os plu iosos in ensos e de cu a du ação
(Fe ei a & Zêze e, 1997; Ramos & Reis, 2002). Esses episódios es ão ge almen e
associados a dep essões con ec i as, go as de a io especialmen e a i as e esul an es
de in asões de a io pola ou á ico em al i ude, que se es endem a é la i udes
sub opicais, ou dep essões que esul am da in e ação na en e pola das massas de a
pola e opical (Ramos & Reis, 2002).
Os episódios de cheias que implicam pe das humanas e p ocessos des u i os de
in aes u u as, bens e se iços, são equen es em odo o mundo (EM-DAT, Jonkman
& V ijing, 2008), e a endência pa a o aumen o dos p ejuízos associados a es es e en os,
u o da in ensa u banização que algumas á eas expe imen a am (Hollis, 1975), é
p eocupan e. Em Po ugal, oi desen ol ida uma base de dados no âmbi o do p oje o
DISASTER (h p:// iskam.ul.p /disas e /) que disponibiliza dados ao público e e en es a
odos os e en os hid ogeomo ológicos, ou seja, cheias/inundações e mo imen os de
e en e, que p o oca am mo os, e idos, e acuados e desalojados no pe íodo en e
1865 e 2010 (Soa es e al., 2012). Os esul ados ge ais mos am que as cheias
co espondem a 85,2% do o al de e en os con idos nessa base de dados, pe azendo
1622 oco ências. Segundo os au o es, du an e os 146 anos analisados, egis a am-se 1071
mo os, 13372 e acuados e 40283 desalojados, í imas des es e en os (Zêze e, e al.
2013).
Nes e sen ido, a Di e i a 2007/60/CE (Floods Di ec i e) do Pa lamen o Eu opeu e
do Conselho da União Eu opeia, de 23 Ou ub o de 2007, es abelece um quad o
legisla i o pa a a a aliação e ges ão dos iscos de inundação, com a inalidade de
minimiza as suas consequências sob e a população, os seus bens, as in aes u u as, o
pa imónio cul u al, as a i idades económicas e o ambien e. Segundo essa Di e i a, odos
os es ados memb os de e ão elabo a mapas de pe igo (p obabilidade e/ou magni ude
dos episódios) e de isco de cheias (consequências) a é ao inal de 2013. Es es mapas
se i ão de base pa a os u u os planos de ges ão de isco de cheia, os quais de e ão es a
concluídos a é 2015. Os mapas de pe igo de cheia de em con empla á eas de baixa
p obabilidade de oco ência de inundações, média p obabilidade com pe íodos de
e o no iguais ou supe io es a cem anos e de ele ada p obabilidade de oco ência com
pe iodicidade in e io a cem anos. Os mapas de isco e e idos na Di e i a 2007/60/CE
são de maio complexidade, de endo con empla as consequências das cheias,
nomeadamen e o núme o de pessoas po encialmen e a e adas, os ipos de a i idade
económica, as á eas p o egidas a e adas, en e ou os. No ge al, os mapas que êm sido
p oduzidos dizem espei o à ex ensão da cheia e, com meno exp essão, à al u a da coluna
de água (Moel e al., 2009).
O p incipal obje i o des e es udo é analisa os p oblemas e limi ações exis en es na
aplicação de me odologias igo osas pa a a delimi ação de pe íme os de inundação no
con ex o po uguês, azendo-se uma a aliação p elimina das suas implicações em e mos
de iden i icação dos elemen os expos os. Pa a se conc e iza es e obje i o, analisam-se
ês se o es das bacias hid og á icas do io A da, Leça e Caima, seguindo-se os
p essupos os da Di e i a Floods e do Dec e o-Lei n.º 166/2008 de 22 de Agos o, da
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
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Rese a Ecológica Nacional, que engloba as zonas ameaçadas pelas cheias. P e endeu-se
ainda compa a os esul ados ob idos na modelação com as á eas ameaçadas pelas cheias
já de inidas nos Planos Di e o es Municipais dos concelhos analisados ( igu a 1).
Figu a 1. Visão ge al do abalho desen ol ido endo em con a os p essupos os da Di e i a
2007/60/CE pa a os se o es de es udo de Vá zea, Leça do Balio e Ossela.
1.1. Conside ações ge ais sob e os se o es em es udo
As á eas de es udo localizam-se na Península Ibé ica, mais especi icamen e, no
No e de Po ugal ( igu a 2A). O sec o de Vá zea, em A ouca, é d enado pelo io A da,
um a luen e da ma gem esque da do io Dou o ( igu a 2B) e em um comp imen o de
42,6 km, em que o oço modelado ap esen a uma ex ensão de 1,47 km. Apesa da á ea
da bacia hid og á ica do io A da e 168 km2, apenas 34,5 km2 con ibuem com
escoamen o pa a o se o modelado. A planície alu ial do io A da, nes e se o , é bas an e
la ga e aplanada ap esen ando um al i ude média de 238 me os e o uso do solo é
essencialmen e ag ícola. Segundo Da eau (1977), a p ecipi ação média anual nes a á ea
a ia en e os 1400 e os 1600 mm. Os caudais máximos de cheia, es imados pela ó mula
de Lou ei o, são de 205,8 m3/s pa a um pe íodo de e o no de 10 anos, 273,2 m3/s em
50 anos e 320,9 m3/s numa cheia cen ená ia (Ma a uz, 2011).
O segundo se o em es udo localiza-se em Leça do Balio, concelho de Ma osinhos,
a uma al i ude média de 63 me os. Inse e-se num con ex o de planície alu ial ampla e
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bas an e egula , cuja ocupação do solo é maio i a iamen e ag ícola, com exceção do
Cen o Emp esa ial da Leonesa e de algumas habi ações dispe sas no e i ó io. O oço
io Leça que oi modelado si ua-se mui o p óximo do sec o e minal da bacia
hid og á ica (189,5 km2) e ap esen a uma ex ensão de 3,8 km, d enando uma á ea de 148
km2. Nes a á ea, os caudais de pon a de cheia o am calculados com base na ó mula de
Giando i, cujos esul ados ob idos co espondem a um caudal de 223,7 m3/s em 10 anos,
285,8 m3/s em 50 anos e 314,3 m3/s pa a um pe íodo de e o no de 100 anos (Velhas,
1991). Em e mos climá icos, es e é o se o que ap esen a os meno es alo es de
p ecipi ação média anual, na o dem dos 1000 a 1200 mm (Da eau, 1977).
O úl imo se o em es udo ab ange um oço do io Caima, em Ossela (Oli ei a de
Azeméis), com 7 km de comp imen o, numa ex ensão o al de 55 km. A bacia
hid og á ica do io Caima é a maio das ês bacias em es udo, com 197 km2, sendo que
apenas 124 km2 con ibuem pa a o se o modelado ( igu a 2B). A planície alu ial no se o
em es udo em uma al i ude média de 220 me os e ap esen a uma con igu ação mui o
semelhan e à do se o de Leça do Balio, e idenciando alguns es angulamen os
mo ológicos no ale, sob e udo a jusan e. Os caudais máximos de cheia, ob idos pela
ó mula es a ís ica de Lou ei o, no se o de Ossela são de 356,4 m3/s pa a um pe íodo
de e o no de 10 anos, 508,2 m3/s em 50 anos e 578,4 m3/s em 100 anos. Nes e se o do
io Caima, a p ecipi ação média a ia essencialmen e en e os 1600 e os 1800 mm po
ano (Da eau, 1977).
Figu a 2. Localização geog á ica dos se o es em es udo: A – localização no con ex o da
Península Ibé ica, B – localização no no oes e po uguês.
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2. Me odologia
2.1. Conside ações ge ais
Em Po ugal, pa a além da Di e i a 2007/60/CE anspos a pa a a legislação
nacional pelo Dec e o-lei n.º 115/2010, ambém exis e a Lei n.º 166/2008 da Rese a
Ecológica Nacional (REN), que inclui as zonas ameaçadas pelas cheias (ZAC). Es as
á eas são delimi adas pela linha da cheia com pe íodo de e o no de 100 anos ou pela
maio cheia conhecida no caso de não exis i em dados que pe mi am iden i ica a cheia
cen ená ia. A Plan a de Condicionan es, uma das p incipais componen es dos Planos
Di e o es Municipais, é egulada po um quad o legisla i o que de e mina, no con ex o
da REN, a delimi ação de á eas a e adas po cheias, conside ando á ias es ições à
ocupação do solo. Assim, de aco do com a Lei n.º 166/2008 “…a delimi ação das zonas
ameaçadas pelas cheias de e se apoiada em es udos hid ológicos e hid áulicos, pela
obse ação de ma cas de cheia e egis os dos e en os his ó icos, e ambém, a a és da
análise dos dados geomo ológicos, pedológicos e opog á icos”.
Con udo, a escassa disponibilidade de in o mação al imé ica a uma escala supe io
a 1/2000, capaz de sus en a uma modelação hid áulica igo osa, bem como, a al a de
dados me eo ológicos com uma sé ie con ínua de pelo menos 30 anos e de dados
hid omé icos, comp ome e, em pa e, a aplicação de mé odos hid ome eo ológicos e
hid áulicos igo osos. De aco do com es e quad o legisla i o, ez-se um exe cício de
modo a p oduzi á ios mapas pa a os ês casos de es udo, endo em con a os equisi os
e p essupos os da Di e i a 2007/60/CE e da in o mação disponí el.
2.2. Ma e iais e mé odos
A in o mação al imé ica - cu as de ní el e pon os co ados, u ilizada e disponí el
em Po ugal é, na gene alidade, à escala 1/10000, com cu as de ní el equidis an es 5
me os. Alguns municípios dispõem de ca og a ia a escalas maio es, nomeadamen e
1/2000 ou supe io es, que possibili am modelações opog á icas mais igo osas. Ou as
on es de in o mação al imé ica como os dados LIDAR p a icamen e não exis em no
país ou nos casos em que exis em, não es ão disponí eis. Assim, pa indo dos dados de
base disponí eis pa a os se o es do io A da, Leça e Caima, seguiu-se duas me odologias
di e en es pa a delimi a os pe íme os de inundação ( abela 1).
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na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
Tabela 1. Dados de base e me odologias u ilizadas na de inição dos pe íme os de inundação
nos ês se o es em es udo.
Se o em
es udo
Dados de base
Me odologia
Pe íme os de inundação
Rio A da
Dados al imé icos ob idos
a a és do le an amen o
opog á ico;
O o o omapas.
Medições no so wa e Au oCad;
cálculo de pa âme os
hid áulicos; ex ensão Sol e
do Excel.
Delimi ação das á eas
a e adas de o ma expedi a
– ex ensão da cheia,
mo ologia local, egis os
em jo nais locais e da
p o eção ci il.
Rio Leça
Al ime ia (cu as de ní el e
pon os co ados) e planime ia
(escala 1/1000 –
equidis ância de 1m);
O o o omapas.
C iação de dados geomé icos
(Hec-GeoRas, uma ex ensão do
A cGis); medições de campo a
habi ações, mu os, pon es;
modelação no so wa e HEC-
RAS.
Delimi ação au omá ica das
á eas a e adas (ex ensão da
cheia, coluna de água,
elocidade da água) a a és
da ex ensão Hec-GeoRas.
Rio Caima
Al ime ia (cu as de ní el e
pon os co ados) e planime ia
(escala 1/2000 –
equidis ância de 2m);
O o o omapas.
C iação de dados geomé icos
(Hec-GeoRas, uma ex ensão do
A cGis); modelação no so wa e
HEC-RAS.
Delimi ação au omá ica das
á eas a e adas (ex ensão da
cheia, coluna de água,
elocidade da água) a a és
da ex ensão Hec-GeoRas.
No se o de Vá zea, a in o mação al imé ica disponí el, à escala 1/10000, não
possibili ou a modelação da opog a ia da planície alu ial do io A da com de alhe
su icien e. Po es e mo i o, oi ealizado o le an amen o opog á ico de 15 secções
ans e sais pe pendicula es ao io e à planície alu ial. Es e p ocesso oi e e uado com
uma es ação o al de ele ada p ecisão (milíme os) e, nos locais de eduzida isibilidade,
com ecu so a um GPS, cuja p ecisão em pós-p ocessamen o com uma an ena ex e na,
pode a ingi os 10 a 15 cm. Du an e o le an amen o, ano ou-se a al u a da água a pa i
do al egue e o ipo de e es imen o das ma gens pa a cada secção pa a, pos e io men e,
se de e mina o coe icien e de ugosidade do canal. De seguida, oi c iado um sis ema de
e e ência local baseado no le an amen o opog á ico de ês é ices geodésicos mui o
p óximos da á ea de es udo, de o ma a ajus a os pon os ob idos po ambos os
le an amen os. Es es pon os o am p ocessados no so wa e Au oCad, onde se aça am
os pe is ans e sais e onde se ize am algumas medições. Pos e io men e, o am
calculados os pa âme os hid áulicos como a secção molhada, o pe íme o molhado, o
aio hid áulico, elemen os necessá ios pa a a de e minação da supe ície li e de
escoamen o a a és da ó mula de Manning-S ickle (Ma a uz, 2011, Ma a uz e al., 2013).
Pa a a p ede e minação dos caudais de pon a de cheia pa a os pe íodos de e o no
de 10, 50 e 100 anos, aplicou-se a ó mula es a ís ica de Lou ei o (Lou ei o, 1984). A
ó mula esul ou de inúme os es udos ealizados pelo au o pa a odo o país, onde
co elacionou os caudais de pon a de cheia de e minados pela dis ibuição de Gumbel com
a á ea da bacia hid og á ica, endo de inido zonas com o mesmo egime hid ológico
A implemen ação da Di e i a 2007/60/CE em Po ugal: p oblemas na de inição de pe íme os de inundação e
na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do
Po o III sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
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(Lou ei o, 1984, Lencas e & F anco, 1984). Es a ó mula conside a a á ea da bacia
hid og á ica (em km2) e dois pa âme os egionais es abelecidos pa a cada zona
delimi ada pelo au o e de aco do com os di e en es pe íodos de e o no. Depois de
odos os cálculos acima mencionados, u ilizou-se uma ex ensão de o imização disponí el
no Excel, o Sol e , pa a se ob e a al u a a ingida pela água em cada secção. Os pe íme os
de inundação o am depois delimi ados de o ma expedi a endo em con a a al u a da
coluna de água, a con igu ação da mo ologia da planície de inundação e os egis os
his ó icos de oco ência de cheias, ob idos a a és da pesquisa em jo nais locais e dos
egis os dos se iços de p o eção ci il (Ma a uz, 2011).
No se o de Leça do Balio, com a ca og a ia de base exis en e, nomeadamen e a
al ime ia e planime ia à escala 1/1000 com cu as de ní el equidis an es um me o, e
com ou os elemen os geomé icos como a ede hid og á ica, ede de es adas, habi ações
e in aes u u as, oi c iado o modelo digi al de ele ação (MDE). A a és do MDE e com
o auxílio do so wa e Hec-GeoRas o am en ão desenhados os elemen os necessá ios pa a a
modelação hid áulica, a sabe : o cen o geomé ico do canal, as ma gens, a di eção do
luxo, os pe is ans e sais, as obs uções, os mu os, as pon es e o uso do solo que
pe mi em uma co e a ep esen ação do e eno (Cook & Me wade, 2009). Es es dados
o am p ocessados pelo so wa e Hec-Ras pois não é possí el adiciona di e amen e o MDE
no cálculo e e uado. A geome ia do canal/planície alu ial é apenas um dos inpu s do
modelo hid áulico, salien ando-se a impo ância dos caudais máximos de cheia. Es es
o am ob idos com base na ó mula cinemá ica de Giando i (Giando i, 1953; Velhas,
1991) cujos esul ados, após alidação de campo, mos a am se p óximos do obse ado
num episódio de cheia em Ma ço de 2001. Os dados geomé icos e de caudal máximo
o am p ocessados no so wa e Hec-Ras, escolhendo-se a simulação S eady Flow pa a o
cálculo dos esul ados. (Gonçal es, 2012).
Os esul ados ob idos pela modelação no Hec-Ras o am expo ados pa a o A cMap,
onde o am ge adas as shape iles com os limi es das cheias pa a os di e en es pe íodos de
e o no, a al u a da coluna de água e ou os esul ados opcionais que podem se ge ados,
como a elocidade da água (B unne , 2008; Acke man, 2011). Pos e io men e à
modelação, e i ica am-se algumas inconsis ências en e os dados obse ados no campo
e os esul ados ob idos, de ido à ausência de elemen os an ópicos exis en es na planície
alu ial que não se encon a am ep esen ados na ca og a ia de base e que unciona am
como ba ei as à li e ci culação da água do io. Assim, o am e e uadas medições no
e eno a elemen os como mu os e habi ações p óximas do io e ainda a açudes e pon es,
com ecu so a um dis ancióme o. De seguida oi c iado um no o MDE que incluiu esses
elemen os a a és da al e ação do açado de algumas cu as de ní el com exceção das
pon es, incluídas no Hec-Ras. Es e p ocedimen o oi essencial uma ez que pe mi iu c ia
um modelo com maio p ecisão al imé ica e ge a esul ados mais iá eis e
ep esen a i os dos e en os de cheias que oco em (Gonçal es, 2012). Des e modo,
quan o mais de alhada e a ualizada a ca og a ia de base, melho o so wa e i á modela as
cheias nas á eas de es udo.
Es a me odologia oi ambém emp egue no se o de Ossela, pa a o qual
dispúnhamos de ca og a ia de base à escala 1/2000 e que nos pe mi iu ge a um MDT
mui o de alhado. Após a c iação dos dados geomé icos, ez-se a modelação em Hec-Ras
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na iden i icação de elemen os expos os. Re is a da Faculdade de Le as – Geog a ia – Uni e sidade do Po o III
sé ie, ol. 2, 2013, pp. 83–96
e delimi a am-se de o ma au omá ica os pe íme os de inundação a a és da ex ensão
Hec-GeoRas.
3. Resul ados e discussão
3.1. Compa ação dos pe íme os de inundação ob idos e dos limi es da REN
(PDM)
Os esul ados ap esen ados na igu a 3A, B e C e idenciam os pe íme os de
inundação ob idos pa a os pe íodos de e o no de 10, 50 e 100 anos. Pode-se dize que
exis e uma cla a elação en e os esul ados ob idos e os dados de base que pe mi i am
desen ol e a modelação. No caso do se o de Vá zea, a al a de in o mação al imé ica
de alhada implicou a necessidade de se e e ua o le an amen o opog á ico, um p ocesso
demo ado e dispendioso. Es e p ocedimen o pe mi iu ob e dados opog á icos mui o
p ecisos is o que se podem escolhe o núme o de secções ans e sais, o dis anciamen o
en e elas e a quan idade de pon os co ados que se conside em pe inen es. No en an o,
o p ocesso pa a delimi a os pe íme os de o ma expedi a não pe mi e ob e esul ados
ão igo osos quan o os que de i am da modelação semiau omá ica.
A c iação do MDE/MDT o na-se mais ácil e ápida, quando se u iliza ca og a ia
e o ial com cu as de ní el equidis an es de 2 me os ou menos. A possibilidade de se
melho a em e a ualiza em os dados al imé icos a a és de medições expedi as no e eno
pe mi em ainda e ina os MDT e, des a o ma, aze modelação hid áulica mais ealis a
e igo osa.
Foi ainda obje i o des e abalho compa a os pe íme os de inundação ob idos pela
modelação e e uada com os limi es conside ados pela REN e que se encon am na Plan a
de Condicionan es dos PDMs das á eas em es udo. Es es limi es o am incluídos nos
mapas inais de o ma a possibili a uma isualização ácil e imedia a das di e enças
exis en es. Analisando os esul ados e e en es ao caso do se o de Vá zea ( igu a 3A),
e i ica-se que as di e enças em e mos de á eas são pouco e iden es, sendo que os
polígonos delimi ados pela REN ap esen am apenas mais 417,3 m2 do que os modelados
( abela 2). Os pe íme os de inundação delimi ados pa a o se o de Leça do Balio são
mais igo osos, uma ez que após as medições ealizadas no e eno oi possí el
ap imo a e o na mais ealis a o modelo ( igu a 3B). Compa ando es es esul ados com
os polígonos da REN, as di e enças são assinalá eis. As á eas da REN são menos
e inadas e indi e enciadas, não disc iminando as zonas ameaçadas pelas cheias dos
ou os elemen os que pe encem à REN. No en an o, a á ea dos pe íme os de inundação
ob idos pela modelação co esponde a ce ca de 329278 m2 enquan o a á ea da REN é de
385254 m2, o que signi ica uma di e ença de 55976,4 m2 ( abela 2).
No caso do se o de Ossela, o pe íme o de inundação delimi ado pa a o pe íodo de
e o no de 100 anos ap esen a 721989 m2, menos 287275,8 m2 do que os limi es
conside ados pela REN ( abela 2). Assim sendo, e i ica-se que o núme o de elemen os
expos os ab angidos pela REN é mais signi ica i o ( igu a 3C).