Uma Casa na Aldeia
P ojec o de Reabili ação
JOÃO PEDRO DE CARVALHO BELO
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA
À FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM
ARQUITECTURA
DOCENTE ACOMPANHANTE: ARQUITECTO CARLOS PRATA
Ao meu o ien ado , A q.º Ca los P a a, pela disponibilidade e c í icas
indispensá eis pa a a conc e ização des e abalho.
Ao A q.º Joaquim Sil a, pela disponibilidade.
Ao meu p imo, Da id, pela opo unidade.
Aos meus amigos, que me acompanha am nes e pe cu so.
Ao meu pai, A u , pelas longas discussões sob e o p ojec o.
À minha mãe, Ilda, pelo apoio incondicional.
À minha i mã, Vânia, po es a semp e p esen e.
À minha amília.
À Ma iana, po udo.
AGRADECIMENTOS
O p esen e abalho consis e na ealização de um p ojec o de eabi-
li ação e ecupe ação de um edi ício de habi ação de ca ác e u al de
meados do século XX. P ocu amos cons ui uma espos a sob a o ma
de p ojec o inal, p on o a execu a , pa indo de uma análise e in e p e-
ação das condicionan es da p é-exis ência e alice çados na de inição de
uma me odologia de in e enção.
A e en e p á ica su ge em simul âneo com a in es igação e análise
eó ica, sem que exis a uma di isão empo al en e eles. Des a o ma,
p ocu amos e lec i sob e as hipó eses que melho espondem à neces-
sidade de elaciona o exis en e com as exigências p og amá icas e de
con o o a que um edi ício de habi ação es á ob igado ac ualmen e.
É pon o essencial e cen al des e abalho adap a o edi ício às no as
necessidades, ao mesmo empo que es as são condicionadas pela p é-
-exis ência.
RESUMO
Resumo
5
The p esen wo k consis s in he execu ion o a p ojec o he eha-
bili a ion and eco e y o a u al habi a ion building o mid- wen ie h
cen u y. We seek o cons uc a esponse in he o m o a inal p ojec ,
eady o build, s a ing om he analysis and in e p e a ion o he cons-
ain s o he p e-exis ence and ancho ed in he de ini ion o a me hodo-
logy o in e en ion.
The p ac ical componen eme ges simul aneously wi h he in es i-
ga ion and heo e ical analysis, wi hou he e being a empo al di ision
be ween hem. Thus, we e lec on he hypo heses ha bes espond he
need o ela e he exis en wi h he p og ama ic and com o needs a
esiden ial building demands in he p esen .
I is key and cen al poin o his wo k o adap he building o he
new needs, he same ime ha hese a e condi ioned by he p e-exis en-
ce.
ABSTRACT
Abs ac
7
ÍNDICE
Resumo
Abs ac
In odução
PARTE 1: Análise e In e p e ação
Localização
Desc ição do edi icado
Le an amen o
Desc ição do sis ema cons u i o
PARTE 2: Condicionan es e P incípios da In e enção
O clien e
A encomenda
P incípios de in e enção
PARTE 3: P opos a de In e enção
P ocesso de p ojec o
Solução inal
Soluções cons u i as
P opos a de in e enção
Conside ações inais
Bibliog a ia
Índice de igu as
9
Índice
5
7
11
19
23
27
43
65
69
73
83
97
107
119
161
163
167
PARTE 1
Análise e In e p e ação.
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
0 1 5km
A28N13 A27
A28N13 M540
N203
N202
Viana do Cas elo
Subpo ela
Rio Lima
Po o
Pon e de Lima
Fig. 1
Localização da aldeia de Sub-
po ela.
Fig. 2
Alcance isual a No oes e.
18
O objec o de es udo des e abalho si ua-se na eguesia de Subpo e-
la, uma aldeia do Minho pe encen e ao dis i o e concelho de Viana do
Cas elo. Si ua-se a Es e des a mesma cidade, a ce ca de 9km, na ma -
gem opos a do io Lima, a Sul.Fig1 A eguesia em como limi es as e-
guesias de Deoc is e a nascen e, de Vila F anca a poen e, Vila de Punhe,
Mujães e Po ela Susã a Sul e o io Lima a No e. O opónimo ac ual
ad ém de Po ela, que no sen ido opog á ico signi ica uma dep essão
en e cumes de mon anhas. No en an o não é assim po a eguesia se
si ua numa po ela, mas an es pa a a dis ingui da eguesia adjacen e
de Po ela Susã, que o ma e ec i amen e uma po ela, e se localiza
numa á ea de e eno mais ele ada. Po is o o nome ac ual signi ica, não
uma Po ela de Baixo (como o nome Subpo ela pode ia indica ), mas
uma po oação que se si ua abaixo da Po ela. Ac ualmen e, a eguesia
em uma á ea ap oximada de 5,25km2 e ce ca de 1200 habi an es, e es á
di idida em ês luga es, Co egaça, Lomba e Mon e.
A á ea de in e enção localiza-se no luga do Mon e, a a essado
pela es ada M540, denominada ua da Ig eja, e encon a-se a uma co a
mais ele ada em elação aos ou os dois luga es mencionados. A sua
posição ele ada, ainda que poucos me os em elação à en ol en e, pe -
mi e um alcance isual ex enso, nomeadamen e a No oes e.Fig2
O e eno de in e enção em uma o ma i egula , e es ende-se po
uma ex ensa á ea com ce ca de 17.500m2, dos quais apenas ce ca de
1570m2 co espondem à á ea passí el de se cons uída, enquan o o
es an e é des inado à p á ica da ag icul u a.Fig3 O desní el en e a co a
mais ele ada e a co a mais baixa é de ce ca de 7m, o que, dada a longa
ex ensão do e eno, az com que es e seja p a icamen e plano.
É na ua da Ig eja que encon amos os acessos p incipais à quin a,
an o pedes es como a eículos, que pe mi em a en ada no log adou o
ou di ec amen e à habi ação. O acesso di ec o à habi ação pode se ei o
po uma po a, e po duas ga agens, com espaço pa a um au omó el
LOCALIZAÇÃO
19
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 3
Limi e do e eno e da á ea com
capacidade cons u i a.
Fig. 4
Acessos pela Rua da Ig eja.
20
cada, com ligação di ec a ao in e io ao ní el do és-do-chão. Ainda a
pa i da mesma ua, podemos acede di ec amen e ao log adou o, que
seja po um pequeno po ão que se e quem chega pelo p óp io pé, que
seja po ou o po ão, mais la go, que se e a eículos mo o izados.Fig4
Como acessos secundá ios, emos mais dois, ambos no Caminho do
C uzei o, com ca ac e ís icas di e en es da ua da Ig eja. T a a-se de um
caminho mais es ei o, em e a ba ida u ilizado quase exclusi amen e
pa a acesso às habi ações que lhe são adjacen es.
21
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 5
Volume da habi ação.
Fig. 6
Volume anexo e elação com a
habi ação.
Fig. 7
Adega no piso é eo.
Fig. 8
Cozinha.
22
O edi icado é cons i uído po dois olumes, um p incipal que albe ga
o p og ama p incipal, a habi ação,Fig5 e um ou o cons uído mais ecen-
emen e, com uma qualidade cons u i a paupé ima,Fig6 que acolhe os
anexos que êm indo a se necessá ios à p a ica da ag icul u a.
A a qui ec u a do conjun o e lec e ainda hoje o ca ác e ag ícola da
egião, que de e mina mui as ezes a o ma de cons ui e o ganiza os
espaços.
“Ou a mancha, mais a No e, so e acen uada in luência a lân ica.
Di e ge daquela de modos sensí el, quan o ao clima e ambém quan o
ao ele o ge al, aos cul i os, à economia, ao po oamen o e à p óp ia o -
ganização social. Não podia deixa , assim, de ap esen a ca ac e ís icas
a qui ec ónicas di e en es, ...”2
A á ea da casa p op iamen e di a, é de ap oximadamen e 431m2 di-
ididos igualmen e po dois pisos, com ce ca de 215,5m2, sendo que
no piso supe io , ap oximadamen e 74,5m2 são á ea ex e io descobe -
a. Os dois pisos, es ão cla amen e di ididos quan o às suas unções,
uma ez que o piso in e io é exclusi amen e dedicado à ag icul u a,
enquan o que o piso supe io pode se is o como independen e. Es e
úl imo, não só não em qualque ligação ísica pelo in e io ao piso in-
e io , como é aqui que encon amos odos os di e en es espaços com
as di e en es unções indispensá eis ao ac o do habi a .
O piso é eo albe ga ainda hoje o p og ama pa a o qual oi conce-
bido, o a mazenamen o de p odu os e u ensílios ag ícolas, que nes e
caso es á o emen e elacionado com a p odução de inho em pequena
quan idade, pa a uso pessoal, uma ez que con inua a exis i uma o e
elação com a p á ica da ag icul u a po pa e do p op ie á io.
É compos o po um g ande espaço de loja e adegaFig7 e pelas duas
ga agens, já e e idas, ligados di ec amen e ao in e io . No piso supe-
io emos a cozinha,Fig8 uma ins alação sani á ia, e ou as se e di isões
que albe gam unções como salas, qua os e a umos. A ap op iação dos
espaços, excep uando a cozinha e a ins alação sani á ia, oi so endo
2. AAP - “A qui ec u a Popula
em Po ugal” 2ª ed. Lisboa: As-
sociação a qui ec os Po ugue-
ses, 1980, pág XX
DESCRIÇÃO DO EDIFICADO
23
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 9
Co edo de dis ibuição.
Fig. 10
Escada ex e io com ca ác e
cénico.
Fig. 11
Vis a in e io do anexo.
Fig. 12
Relação en e os dois olumes.
24
á ias al e ações de aco do com as necessidades de cada momen o da
his ó ia da casa. No en an o, sabemos que mais ecen emen e, a sala
e a a di isão mais p óxima da cozinha, não só pela comodidade da dis-
ância en e as duas, mas ambém po se a di isão com as dimensões
mais adequadas a es a unção. A cozinha, oi sendo cada ez mais o
espaço de eunião da amília e amigos, p o a elmen e po que se a a
do p imei o espaço de ecepção na casa, que unciona como um hall de
en ada, acessí el po uma escada ex e io encos ada ao edi ício. Da
cozinha, podemos acede a um co edo cen al de dis ibuição que az
odo o comp imen o da casa, ligando odas as di isões, e que desembo-
ca em duas po as, uma em cada ex emo, a a és das quais acedemos
a dois pá ios ele ados si uados po cima das ga agens.Fig9 No opo Sul,
exis e uma escada ex e io , em g ani o, que az o acesso ao pá io do piso
supe io , mas que apesa de e as ca ac e ís icas ideais pa a se a en a-
da p incipal na casa, dada a sua g ande p oximidade com a en ada na
quin a e o ac o de liga ao co edo de dis ibuição e não di ec amen e
à cozinha, sabemos que nunca oi u ilizada como al. É uma escada
com um ca ác e mui o mais cénico e composi i o do que uncional, e
que sal o excepções como celeb ações es i as ou a p esença de um ou
ou o con idado mais ilus e não e a u ilizada.Fig10
O olume dos anexos oi cons uído mui o depois da habi ação, de
uma o ma ilegal, acompanhando a necessidade de albe ga os ma e-
iais e p odu os que ad êm do abalho ag ícola, que ainda se az nes a
quin a, que no cul i o de u as e legumes, que na p odução de inho.
A es u u a das pa edes é de ijolo simples, sem acabamen o que pelo
in e io que pelo ex e io , com uma cobe u a de elha assen e numa
es u u a de meias-asnas de madei a.Fig11 T a a-se de uma cons ução
que isou apenas as necessidades, sem que hou esse qualque p eocu-
pação com a composição a qui ec ónica do conjun o, que ao ni el da
linguagem, que ao ní el da elação olumé ica e espacial.Fig12
25
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 19
Habi ação e anexo.
Fig. 20
Habi ação e log adou o.
32
A’
A
B
C’ C
D D’
E E’
B’
F’
F
N
0 1 5m
213
4
1. Adega - 113,25m2
2. Ga agem 1 - 23,00m2
3. Ga agem 2 - 14,30m2
4. Anexo - 102,46m2
Plan a Piso Té eo
33
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 21
Qua o.
Fig. 22
Acesso ao pá io No e.
Fig. 23
Qua o de banho.
34
Plan a Piso Supe io
A’
A
B
C’ C
D D’
E E’
B’
F’
F
N
0 1 5m
1 2 3 4 5
6789
10
11 12
1. Cozinha - 10m2
2. Qua o de banho - 7,5m2
3. Qua o 1 - 8m2
4. A umos - 7,8m2
5. Qua o 2 - 12,3m2
6. Qua o 3 - 11,9m2
7. Qua o 4 - 10,9m2
8. Qua o 5 - 10,6m2
9. Sala de es a - 15,4m2
10. Co edo dis ibuição - 20,6m2
11. Pá io 1 - 42,6m2
12. Pá io 2 - 31,7m2
35
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 25
Ga agem Sul.
Fig. 24
Acesso à ga agem Sul.
36
0 1 5m
0 1 5m
Co e AA’
Co e BB’
37
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 26
Ga agem No e.
Fig. 27
Acesso ao anexo pela ga agem
No e.
38
0 1 5m Co e CC’
Co e DD’
0 1 5m
39
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 28
Adega.
Fig. 29
Adega.
40
Co e EE’
Co e FF’
0 1 5m
0 1 5m
41
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 37
Soalho em madei a e ec o e-
bocado.
Fig. 38
Po meno do sis ema es u u al
da cobe u a.
1. Telha
2. Ripa
3. Va a
4. Ba ba e
5. F echal
6. Mad e
7. Calço
8. Filei a
9. Pe na
10. Pendu al
11. Esco a
12. Linha
13. Ba o e
14. Fasquio
15. Es uque
48
e e am ence adas de modo a aumen a o seu embelezamen o e a ga-
an i a sua p o ecção e conse ação.”13 O e es imen o dos ec os, que
no nosso edi ício de in e enção exis e apenas no piso supe io , é ei o
a a és da aplicação do asquiado em ba o es, sendo depois e es ido
com eboco de a gamassa de cal e saib o, pos e io men e emboçado e
es ucado.Fig37
Telhado
“A es u u a des es elhados é de o igem ances al, endo a sua o ma
udimen a pe du ado e a é coexis ido com soluções de asnas mais com-
plexas, de ido à simplicidade da sua cons ução e ao ac o de pe mi i o
ap o ei amen o do ão da cobe u a que se encon a libe o de elemen-
os es u u ais. Es a es u u a é cons i uída po uma a mação simples
de duas ba as ou pe nas, dispos as em o ma de esou a (unidas supe-
io men e a meia madei a) e apoiadas numa iga ans e sal ou linha
que, po sua ez, se apoia nas pa edes de meação. (...) Pa a a amen o
longi udinal, localizam-se supe io men e, ao ní el da cumeei a e a meio
do ão das duas pe nas, o pau de ilei a e as mad es, espec i amen e.
Na ansição das e en es p incipais com a acaniça, emos uma iga
- incão - que se apoia na ilei a e no con a echal si uado en e as pa e-
des de meação e as pa edes das achadas. Todas as ba as que compõem
es a a mação são em udo semelhan es às igas dos sob ados - paus
olados - embo a alguma ap esen em diâme os in e io es.”14 No nosso
caso de es udo é u ilizada a asna complexa, com a linha, o pendu al e
as esco as. Todas as as peças da asna ão de encon o às ca ac e ís icas
das igas es u u ais do piso supe io , uma ez que são ambém elas
esquad iadas.Fig38 “Sob e es a es u u a são p egadas as a as ou cai-
b os, ambém ealizadas com oncos de madei a de meno dimensão,
apa ados em duas aces, sob e os quais es á p egado longi udinalmen e
o abuado de gua da-pó, ao qual é inalmen e p egado um ipado, pa a
o apoio das elhas.”15 O acabamen o pelo ex e io é execu ado em elha
13. id., ibid., pág 93.
14. TEIXEIRA, Joaquim; PÓ-
VOAS, Rui Fe nandes - “Ma-
nual de Apoio ao P ojec o de
Reabili ação de Edi ícios An i-
gos”, Coo denação Ge al: Vas-
co Peixo o de F ei as, Po o:
OERN, 2012, pág 45.
15. id.,ibid., pág 45.
49
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 39
Po meno do bei ado do elha-
do.
Fig. 40
Po as de acesso aos compa i-
men os
50
po uguesa (aba-canudo) ema ado no encon os com as pa edes das
achadas po um bei ado o mado po duas iadas de elhas de canal
apoiadas na co nija de g ani o.Fig39 “A dimensão des as elhas pe mi e
p ojec a su icien emen e o bei ado, di igindo a água das chu as o mais
possí el pa a o meio da ua.”16
Pa edes in e io es
As pa edes in e io es do piso supe io , são execu adas com a habi ação
assoalhada, na ase de acabamen os. São pa edes de abique simples
“(...) cons i uídas po ba o es com 7cm de lado, (...) dispos os em o -
ma de echais, p umos e e gas, p eenchida po um abuado com 4
a 5 cm espessu a, no malmen e de ábuas cos anei as, a as adas 1cm,
colocadas na e ical e p egadas aos echais. Em ambas as aces des e
abuado é p egado um asquiado, a é à al u a do odapé, pa a ecebe
os e es imen os de a gamassa.”17 Es es e es imen os e os espec i os
acabamen os são ealizados “da mesma o ma que as es an es pa edes
da habi ação, ga an indo assim a con inuidade necessá ia dos e es-
imen os e acabamen os dos espaços in e io es.”18 A espessu a média
des as pa edes é de 10cm. O encon o com os ec os é esol ido com
um boleado que pe mi e uma con inuidade ao ní el dos acabamen os
sem a exis ência de a es as. O ema e com o soalho é ei o a a és de
um odapé de pe il simples, com 7cm de al u a e 1,5cm de espessu a.
Ca pin a ias
As po as de acesso aos compa imen os a pa i do co edo cen al
são de uma olha, comple amen e lisa, e bandei a com caixilho de i-
d o, pa a pe mi i ilumina o co edo com a luz p o enien e dos ãos
das achadas.Fig40 “Os a os, o mados po uma esquad ia de ábuas com
o pe il de ba en e e espessu as que onda am os 3cm, e am ixos di ec-
amen e aos p umos e às e gas das pa edes de abique e ema ados po
ma a jun as ou aliza es.”19 No piso in e io exis em duas po as de duas
16. id.,ibid., pág 45.
17. TEIXEIRA, op. ci , pág
120.
18. id., ibid., pág 121.
19. id., ibid., pág 160.
51
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 41
Po a em duas olhas de madei-
a de acesso à ga agem Sul.
Fig. 42
Po meno de pa ede de achada
com ão de janela.
Fig. 43
Duas janelas ex e io es.
52
olhas de ba en e, sendo que uma é em madei a, cons i uída po po uma
esquad ia de a essas, coucei as e a essas in e médias p eenchidas
po almo adas,Fig41 e a ou a que conside amos como sendo bas an e
mais ecen e, em e o. Usam ambas os lancis de g ani o como a os,
com as suas dob adiças ixas po meio de chumbadou os.
Caixilha ia
“As omb ei as dos ãos e am cons i uídas po lancis de g ani o, com a
la gu a co esponden e à espessu a das pa edes, com um pe il eco a-
do em o ma de ba en e, con o mando o a o de gola. O seu comp imen-
o é ixo, pois es a a limi ado às dimensões mais económicas da ped a.
Po es a azão, ap esen am-se equen emen e ac escen ados, adap an-
do-se des e modo às á ias al u as dos ãos. Os lancis de omb ei a, de
o mas mais simples, são ambém os de maio dimensão, sendo ainda
os únicos que se epe em em odos os ãos da casa, conjugando-se com
os es an es lancis. As e gas dos ãos de po as e janelas são semp e
o madas po dois lancis, um ex e io e ou o in e io , dispos os de ma-
nei a a o ma em ba en e, cons i uindo assim o a o de gola da padiei a.
Os lancis ex e io es podem a ia em unção da iqueza dos seus po -
meno es deco a i os, enquan o os in e io es man êm semp e a mesma
o ma, mui o mais simples, suscep í el de se combina com qualque
dos casos an e io es.
Os pa apei os das janelas de pei o são o mados apenas po um único
lancil, que pode se igual ao u ilizado na padiei a.
É de no a ainda que, nes es ãos, os lancis si uados en e o pa i-
men o e o pa apei o êm o mesmo pe il dos lancis in e io es usados nas
padiei as.”20 Fig42e43
Iden i icamos á ios ipos de ãos, mais conc e amen e po as, ja-
nelas e po ões, e consequen emen e di e sos ipos de caixilha ias ade-
quados a cada um. No en an o, não da am odas da mesma época, das
20. TEIXEIRA, Joaquim; PÓ-
VOAS, Rui Fe nandes, op. ci ,
pág 54.
53
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig. 44
Po a em duas olhas de madei-
a de acesso ao ex e io .
Fig. 45
Pos igo.
Fig 46
Po a em e o
Fig. 47
Po a em duas olhas de madei-
a de acesso ao pá io No e.
Fig. 48
Janela de uma olha.
Fig 49
Janela de duas olhas.
Fig 50
Janela de ês olhas.
54
quais des acamos cla amen e duas po as em p c de co cas anha, am-
bas no piso supe io , comple amen e desenquad adas com a linguagem
da casa.
No piso é eo iden i icamos qua o caixilha ias di e en es. Exis em
duas po as de madei a de duas olhas de ab i o almen e echadas,
compos as po ês a essas, duas coucei as e duas almo adas cada,
que es ão ol adas pa a a ua,Fig44 sendo que exis em dois ãos adja-
cen es a es as que se encon am ac ualmen e ence ados com ecu so a
cimen o. Ainda nes a achada emos dois po ões me álicos com duas
olhas, que êm como unção o acesso a duas ga agens. Do lado do
log adou o exis em duas janelas (pos igos) que eco em igualmen e
a uma can a ia de lancis de g ani o e são isoladas a a és de g ades de
e o o jado e um pequeno caixilho ixo de madei a,Fig45 e uma po -
a compos a po duas olhas de ba en e lisas em e o.Fig46 Todas es as
caixilha ias uncionam a a és de udimen a es dob adiças, ixas com
chumbo na can a ia dos ãos.
No piso supe io , excluindo as já e e idas caixilha ias de p c, obse -
amos a exis ência de uma po a, cons i uída po duas olhas o almen-
e ence adas,Fig47 e janelas de pei o de ba en e que a iam desde uma
única olha, a é ês olhas.Fig48,49e50 Des as janelas, em odos os casos,
cada uma das olhas é cons i uída po uma esquad ia de a essas e cou-
cei as, di ididas po pinázios, que o mam uma quad ícula p eenchida
po id os. Con a iamen e ao que sucede nas caixilha ias do piso é -
eo, as olhas são ixas a um a o de madei a que po sua ez se ixa aos
lancis. A es e a o são p egadas duas peças de madei a, uma pelo in e io
e ou a pelo ex e io , os ma a jun as. O pa apei o das janelas é e es ido
po uma peça de g ani o que az a pingadei a pelo ex e io . Realçamos
que em nenhum des es ãos exis em po adas de madei as que pe mi-
am o ence amen o dos ãos. Tal ez po isso, mais ecen emen e, oi
adicionada uma caixa de es o e ixa pelo ex e io em cada um dos ãos
das janelas.
55
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig 51
Lancil de padiei a ex e io do
ão mais salien e que os lancis
de omb ei a.
Fig 52
Lancil de pa apei o do ão
mais salien e que os lancis de
omb ei a.
56
Nos ãos das janelas da achada ol ada pa a a ua e da achada Sul,
as peças de can a ia que desenham o pa apei o e a padiei a ex e io es-
ão mais salien es em elação às omb ei as ce ca de qua o cen íme os.
Fig51e52
57
Análise e In e p e ação
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig 57
Es u u a mon ada pelo clien e
pa a simula a elocalização da
escada de g ani o.
Fig 56
Desenho ealizado pelo clien e
onde p opõe a elocalização da
escada de g ani o.
64
Um dos p incipais objec i os da execução des e p ojec o como ema
de disse ação, p ende-se com a on ade de aze uma ansição do ac o
de p ojec a como um exe cício de p ojec o in eg ado numa disciplina
da Faculdade de A qui ec u a, pa a o ac o de p ojec a algo que se á
e ec i amen e execu ado e cons uído. Uma pon e en e exe cício e e-
alidade.
A necessidade de da espos a a um p og ama p e iamen e de inido,
oi semp e uma condicionan e p esen e nos exe cícios de p ojec o, o
que não é di e en e quando lidamos com um p ojec o eal.
“Quando se az um edi ício, há o çosamen e um p og ama com
condicionan es que emos que admi i . Esses são aliás pon os de apoio
necessá ios. Não abalhamos no azio, não é e dade? Mas quando
as ques ões de unção começam a se esol idas, começam a apa ece
ideias de o ma, em ligação com as condicionan es e po ezes com
modelos. Pos o is o, uma espos a uncional pe ei a não p oduz, no
en an o, uma o ma cla a. Começa nesse momen o um ou o ipo de
desen ol imen o que consis e em libe a a o ma do ca ác e uncio-
nal.”21
A exis ência de um clien e, que não o p o esso de p ojec o, su ge
assim como uma das p incipais di e enças que se nos depa am na ea-
lização de um p ojec o, em compa ação com odos os ou os exe cícios
ealizados nos anos an e io es do cu so de A qui ec u a. Do ou o lado
passa a es a alguém que eba e qualque aço que azemos, qualque
ges o que omamos, mui as das ezes po que sim, po que não consegue
esquece as imagens que in e io iza à p io i; po que que uma cozinha
igual à do amigo, uma sala com uma mesma dis ibuição da do izinho.
Temos de lida com as mudanças de humo , de opinião, de desejo. O
que on em e a de uma o ma, amanhã pode á se comple amen e di e-
en e.Fig56e57 E se não podemos igno a essas on ades, e essas ideias,
21. SIZA, Ál a o - “Ál a o
Siza: Uma ques ão de medida”,
Casal de Camb a: Caleidoscó-
pio, 2009, pág 210.
O CLIENTE
65
Condicionan es e P incípios da In e enção
de emos ainda assim p o ocá-las, pa a que, em aco do, se ob enha a
melho solução pa a mim, enquan o au o , e pa a o clien e, enquan o
u en e.
“ Como p o issional, ocê em a ob igação de aduzi o p og ama
do clien e em espaços pa a a ins i uição a que se e o edi ício. Você
di ia que se a a de uma o dem espacial ou do domínio espacial de
uma a i idade humana, o que é a sua esponsabilidade p o issional. Não
se pode eco e a um p og ama, e simplesmen e en egá-lo ao clien e
como se se p eenchesse uma p esc ição médica.”22
Mais do que nunca, não nos podemos limi a , enquan o a qui ec os,
a esponde de o ma mecânica aos espaços que nos são pedidos, ao
p og ama p opos o. É necessá io ep og ama o que nos é suge ido.
“É no a o de esc e e o p og ama que se pode de ec a a a qui ec-
u a, não na me a manipulação de espaços. Na me a manipulação de
espaços, não há nada que pe ença ao a qui ec o, ainda que ele possa
con ibui pa a essas ealizações, como um sujei o que de ine as mais
e inadas especi icações. Mas isso não o o na um bom a qui e o. Isso o
o na um bom p o issional, mas não um bom a qui e o, es á cla o?”23
22. KAHN, Louis - “LOUIS
I. KAHN, Con e sa com es-
udan es”, Ba celona: Gus a o
Gili, 2002, pág 34 e 35.
23. KAHN, Louis, op. ci , pág
59.
67
Condicionan es e P incípios da In e enção
“O P oblema de desenha uma casa, é pe cebe mos a iden idade,
que do clien e, que do sí io, pa a pode mos in en a um “he e óni-
mo”.
A Nossa Capacidade de nos epe i , depende da nossa disposição na
al u a, e da pe sonalidade do “luga ”.”24
O objec i o ge al da encomenda, é in e i numa habi ação exis en e,
o nando-a capaz de cump i as necessidades ac uais de habi abilidade.
No en an o, não são apenas os p oblemas das condições de con o o que
ob igam a uma in e enção. É ob iga ó ia uma e o mulação do pon o
de is a das unções, a a és da in odução de um no o p og ama, que
isa p incipalmen e ede ini odos os espaços e as a iculações des es
en e si e com o ex e io . Su ge como imp escindí el, o eap o ei a-
men o do piso é eo, ac ualmen e dedicado ao abalho ag ícola, pa a
unções sociais e esol e a a iculação e ical en e os dois pisos pelo
in e io , algo que hoje é inexis en e. É ambém pedido pelo clien e, e de
g ande impo ância, a demolição do anexo ac ual e a cons ução de um
no o, de idamen e pensado e a iculado com a casa exis en e.
Es e p ojec o de eabili ação em como p incipais objec i os a edis-
ibuição do p og ama, bem como a c iação de espaços com o ní el de
con o o exigido ac ualmen e.
O clien e p opõe um p og ama que di ide os dois pisos em duas á e-
as dis in as, com o és-do-chão a albe ga na sua gene alidade as á eas
comuns, e o piso supe io as á eas ín imas.
No és-do-chão uma cozinha, que em como p incipal exigência se
de g andes dimensões pa a que uncione como p incipal espaço de e-
eições; uma sala de jan a que lhe seja con ígua, mas que possa uncio-
na , semp e que necessá io, como espaço au ónomo; uma sala de es a
que de e assumi um ca ác e cen al na casa, e se i de pon o de en-
con o social dos elemen os que lá ie em a habi a ; um esc i ó io com
24. SOUTO de MOURA, Edu-
a do - “TC Cuade nos: Edua do
Sou o de Mou a, Ob a ecien-
e”, Valencia: Ediciones Gene-
ales de la Cons ucción, 2012,
pág 10.
A ENCOMENDA
69
Condicionan es e P incípios da In e enção
capacidade de assumi a unção de qua o, assim que al seja necessá io;
uma ins alação sani á ia de se iço comple a, que se e de apoio a odo
o piso é eo; uma la anda ia, p e e encialmen e localizada jun o da
cozinha, ainda que com ca ác e au ónomo, e com um acesso ela i a-
men e ácil ao ex e io .
A escada in e io (ac ualmen e inexis en e) de acesso ao p imei o
piso, de e e uma p esença mui o o e, uncionando como elemen o
escul ó ico.
No p imei o piso um qua o p incipal des inado ao casal, di idido
em espaço de do mi , espaço de es i e uma ins alação sani á ia p i a-
da comple a; dois qua os, pa a os u u os ilhos, ambos com espaço de
do mi e de es i ; uma ins alação sani á ia comple a, comum a es es
dois qua os; e um espaço de es a comum, com ligação ao pá io sul que
é se ido pela escada com ca ác e cénico e e ida an e io men e.
No anexo uma zona de come /es a com uma cozinha de apoio, uma
ins alação sani á ia com base de chu ei o pa a apoio ao ex e io ; uma
di isão des inada a a umos; uma ga agem que p o idencie es aciona-
men o pa a um núme o de ês au omó eis, que seja cobe a e echada
e que se a icule, se possí el, com a casa a a és de pe cu so cobe o.
71
Condicionan es e P incípios da In e enção
A ealização de um p ojec o le an a semp e uma ques ão essencial,
como in e i ?
No nosso caso de es udo, e a ando-se de um p ojec o de eabili a-
ção, é comple amen e imp escindí el econhece o objec o em que a-
mos in e i . E são dois os p incipais ac o es a e em con a: o objec o
em si, nomeadamen e o seu alo his ó ico ou pa imonial, e o seu es-
ado de conse ação. A p imei a conclusão que podemos i a da obse -
ação do objec o, é que se a a de um edi ício u al com ca ac e ís icas
da a qui ec u a popula po uguesa do século XIX, com as pa edes em
al ena ia de g ani o, os ãos em can a ia apa elhada e um elhado de
qua o águas. No en an o, sabendo a a -se de uma cons ução ela i a-
men e ecen e (década de 40), podemos conclui que es amos pe an e
um exemplo a dio des e ipo de a qui ec u a. Es a disc epância empo-
al pode se explicada pelos hábi os e os cos umes ine en es ao ac o de
habi a nas aldeias, uma ez que , “a A qui ec u a popula egional não
é u bana de o igem nem de endências. Pode “u baniza -se”, melho a
de cuidados cons u i os e apu os o mais, mas, se lhe co am as aízes
que a p endem o emen e à e a e aos seus p oblemas, des i ua-se,
pe de a o ça e a au en icidade.
Po ou o lado, uma ce a imunidade à inquie ação espi i ual que
subme e as eições e udi as da A qui ec u a a equen es eno ações;
uma acomodação ao descon o o e à desbeleza, de que se nu e uma
iné cia pode osa; e o hábi o dos mesmos ges os de semea , de plan a ,
de a a e de colhe , ge ação após ge ação, udo isso imp imiu à ida
dos u ais, às suas ideias e às suas inicia i as, uma ma cada endência
pa a a es abilidade que a al nou os meios, com ou as ocupações - e
que a A qui ec u a popula e lec e ielmen e.”25
“Pode ia dep eende -se do que a é aqui se disse que a A qui ec u a
popula em Po ugal se man e e e man ém isen a de mudanças de umo.
As pala as com que se salien ou a in ulne abilidade do homem u al
25. AAP - id., ibid., pág XIX
PRINCÍPIOS INTERVENÇÃO
73
Condicionan es e P incípios da In e enção
PARTE 3
P opos a de In e enção
A iculações e p og ama
O eap o ei amen o do piso é eo como á ea com unção habi acio-
nal, que co esponde a ap oximadamen e cinquen a e no e po cen o da
á ea o al, aliado ao desejo do clien e, le a am a uma comple a e o -
mulação na dis ibuição dos espaços, passando o núcleo compos o po
cozinha, sala de jan a e sala de es a a localiza -se nes e piso. Assim, a
hie a quização do p og ama e e ido p e iamen e é ei a, de uma ma-
nei a ge al, pela dis ibuição dos espaços sociais no piso é eo e dos
espaços p i ados, os qua os, no p imei o piso.
Es a eo ganização dos espaços em dois pisos, aliada à inexis ência
de uma ligação in e io en e os dois pisos ob iga à in odução de uma
escada como elemen o a iculado de co as.
Pa a o olume do anexo p e ê-se a sua demolição e a cons ução de
um no o, de aíz, que esponda às necessidades e ao p og ama p opos-
o, e que, ao mesmo empo, se elacione com o olume já exis en e.
Hipó eses
“Uma a qui ec u a p o ém de uma sucessão de in es igações, de
hipó eses e de espos as cuja alidade necessi a de se es ada e que,
pouco a pouco, se aglome am pa a se encaminha pa a uma o ma.”37
“No começo enho semp e em men e o que se ai passa num edi í-
cio e posso apoia -me - se o necessá io - sob e modelos exis en es. Há
oda ia um momen o em que é con enien e libe a -se, emancipa -se
daquilo pa a o que a unção nos anspo a, nos ob iga. Não é ácil. O
p ocesso de c iação a qui ec ónica habi a um labi in o e as pesquisas
p og idem em zig-zag. Quando pensamos e encon ado uma pon a da
esolução; e i icamos. Se unciona; gua da-se. Se não unciona; eco-
meça-se.”38
Seguidamen e, expomos as ases mais signi ica i as do p ocesso de
p ojec o.
37. SIZA, Ál a o - “Ál a o
Siza: Uma ques ão de medida”,
Casal de Camb a: Caleidoscó-
pio, 2009, pág 204.
38. id., ibid., pág 204.
PROCESSO DE PROJECTO
83
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
N0 1 5m
N0 1 5m Plan a do piso é eo da ase 1
Plan a do piso supe io da ase 1
84
A p imei a ase do p ocesso de p ojec o incide na dis ibuição p o-
g amá ica pelos dois pisos, numa en a i a p é ia e mui o supe icial de
pe cebe se é possí el esponde ao p og ama p opos o nos limi es da
olume ia ac ual. Con i mada es a possibilidade, de di idi o p og ama
dos dois pisos em espaços sociais no piso é eo, e espaços p i ados no
piso supe io , a ançamos pa a uma p imei a hipó ese de p ojec o.
O p imei o caminho apon a pa a uma di isão dos espaços com uma
o ien ação pe pendicula às achadas ol adas pa a a ua e pa a o ja -
dim. O objec i o, é o de c ia uma sucessão de espaços pe meá eis e
pe co í eis, sem que se p e enda um ence amen o de cada um deles
en e qua o pa edes. A ma cação dos limi es des es espaços é, po isso,
ei a a a és da exis ência de ês a má ios, endo cada um deles uma
unção di e en e. Um que se e a cozinha, e que az a ansição des a
pa a a sala de jan a ; um que se e an o a sala de es a , como a sala de
jan a , onde se pode á inco po a o ecupe ado de calo / ogão de sala;
um que de ine o hall de en ada e o di ide das á eas comuns e e idas
an e io men e. Es a solução esul a ambém da p ocu a de uma elação
mais di ec a com o ja dim. De o ma a a i ma ainda mais essa in enção,
e dado que o iginalmen e exis em apenas ês abe u as pa a o log a-
dou o, p opõe-se a abe u a de ês no os ãos, alinhados com os já
exis en es na achada opos a.
Nes a solução, a escada, que, como já e e imos an e io men e, de-
e á assumi um ca ác e escul ó ico, independen e, encon a-se in e-
g ada na á ea da sala de es a , com a mesma di ecção pe pendicula
às achadas p incipais. A pa i des a ase, é e ec uado um es udo de
di e sos exemplos de escadas que se des acam pelas mesmas azões
p e endidas nes e p ojec o. Es udo es e que ai acompanha oda a ase
de p ocesso, a é à solução inal.
Ainda no piso é eo, emos uma ins alação sani á ia de se iço ad-
jacen e ao hall de en ada e que se e as á eas comuns; um esc i ó io/
qua o, que u iliza odo o espaço de uma das ga agens la e ais da casa,
Fase 1
85
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
Fig 67
O ganização espacial ans e -
sal às achadas.
86
Fig 68
Pe spec i a da casa Sumiyoshi
(1976).
e que se ol a pa a a ua de o ma a ap o ei a o ão exis en e; uma
la anda ia que se localiza no ex emo opos o e que co esponde à ou a
ga agem. Nes e úl imo espaço, p opõe-se que seja abe o um pá io em
oda a á ea da an iga ga agem (possibili ando ambém a en ada de luz
pa a a cozinha) no qual su ge depois um olume au ónomo com ce ca
de um e ço da á ea o al, como zona de la anda ia. A zona descobe a
pode á se i an o pa a a secagem da oupa ao sol, como pa a um ag a-
dá el espaço de e eições ex e io , adjacen e à cozinha.
Uma das pa icula idades des a solução eside na sala, que com um
pé-di ei o duplo, ganha um ca ác e de g ande impo ância, assumindo-
-se como o pon o cen al da habi ação, zona social de eunião de odos
os que lá habi am.
Es e pé-di ei o ele ado pe mi e a c iação de um pa ama que ecebe
a escada, e que se de ine não só como um espaço de ci culação de aces-
so aos qua os, mas ambém como uma pequena á ea de es a , de lei u-
a, e que, ao mesmo empo que se elaciona isualmen e com o ja dim
ex e io , em uma g ande ligação à sala de es a . Es a solução pe mi e
ambém, sepa a o qua o p incipal com qua o de banho p i a i o, dos
ou os dois qua os, c iando um núcleo pa a os pais independen e do
núcleo dos ilhos. Com es a solução, os dois pá ios supe io es icam
es i amen e ligados aos dois qua os localizados nos ex emos do olu-
me. Pa a além des a dinâmica no piso supe io , es e pa ama de ine no
piso é eo, uma á ea cobe a de ansição en e o hall de en ada e os
espaços de e eição (sala de jan a e cozinha).
Es a implan ação eme e pa a uma e e ência di ec a: a Row House
Sumiyoshi (1976) de Tadao Ando em Osaka. Nes a, podemos obse a
uma passagem supe io que liga aos qua os, e que os sepa a, ao deixa
um azio no meio. Também nes e caso, a passagem supe io unciona
como uma passagem cobe a no piso in e io .Fig68
Nes a p imei a ase, o olume a cons ui em anexo encon a-se
ainda em ase mui o emb ioná ia, sendo que man ém uma localização
87
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
88
Fig 69
O ganização espacial e co e-
do supe io .
idên ica ao exis en e, encos ado ao limi e do e eno, a aze cos as ao
anexo do izinho. A as a-se da casa, ao con á io do anexo an igo que
lhe e a con íguo, o que pe mi e c ia um espaço de ansição en e as
duas peças. A sua linguagem al e a-se, passando de um olume de g an-
de al u a com cobe u a inclinada e es ida a elha, pa a um olume
bas an e mais baixo com uma cobe u a plana.
Su ge, nes a ase, como pon o de p eocupação, a necessidade que
es a solução ap esen a, de se em al e ados g ande pa e dos ãos (que
seja o ence amen o de ãos exis en es ou a abe u a de no os), uma
ez que, mesmo sem es a de inido um p incípio no qual é necessá io
man e odas as abe u as al qual como es ão, pa ece-nos que pode á
se pe inen e i em busca de uma solução mais pací ica pa a com o
exis en e.
89
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
96
0
N
5 25m
12
1. Habi ação
2. Anexo
Plan a de Implan ação
A p opos a de p ojec o, ep esen a o culmina de odo o p ocesso de
abalho desc i o an e io men e numa solução inal de idamen e es u-
dada e ponde ada. T a a-se de uma p opos a inal, que se á le ada a é
aos po meno es cons u i os, desde a sua es u u a a é aos puxado es
das po as.
A solução inal, p e ê a al e ação do mu o ex e io . Se an es ele nas-
cia na con inuidade da casa, deixando-a expos a pa a a ua, ago a em
a é ao limi e do e eno, ab indo um pequeno espaço e de en e ele e a
achada p incipal. Des a o ma p e ende-se esponde à necessidade u -
gen e de da p i acidade aos espaços in e io es da casa, p incipalmen e
no és-do-chão. É um mu o em g ani o, em con inuidade com o que lá
exis e, com uma al u a in e io de dois me os, com duas abe u as; uma
pa a os au omó eis, e ou a pa a as pessoas. O acesso à casa é ei o,
pelas duas en adas, num pa imen o em blocos de g ani o, i egula es,
que con e em uma con inuidade plás ica com o g ande mu o ex e io .
“O chão ex e io pa ece uma pa ede dei ada a p ese a a cons ução.”39
O hall de en ada, que an es inha a pe de de inição, assume-se ago-
a como uma a ia que ocupa oda a la gu a da casa, pa a que o acesso
possa se ei o an o pela ua, como pelo log adou o. Daqui, emos a
pe cepção imedia a de oda a á ea social da casa no és-do-chão; cozi-
nha, sala de jan a e a sala de es a . A cozinha, localizada a no des e,
ocupa uma á ea de ce ca de in e e seis me os quad ados e usu ui de
uma g ande abe u a ho izon al pa a o log adou o. É cons i uída po
uma bancada de qua o me os e oi en a cen íme os (equipada com o-
gão e o no a lenha, pa a além dos ou os equipamen os comuns), e po
um a má io a é ao ec o com o mesmo comp imen o, que az cos as
com a sala de jan a . Es a, com uma á ea de ce ca de dezoi o me os
quad ados, si ua-se no ex emo no oes e e em ligação di ec a à cozinha
po in e médio de uma po a.
A sala de es a , ap oximadamen e de in a e ês me os quad ados
39. BRANDÃO COSTA, Nuno
- “TC Cuade nos: Nuno B an-
dão Cos a, A qui ec u a 1998-
2009”, Valencia: Ediciones
Gene ales de la Cons ucción,
2009, pág 13.
SOLUÇÃO FINAL
97
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
98
N
0 1 5m Plan a Piso Té eo
ocupa oda a la gu a da casa e em uma o e elação, an o com o espa-
ço e de en e a casa e o no o mu o, como com o log adou o; algo que
é possí el a a és de uma no a abe u a de g andes dimensões. É limi-
ada po um lado pela pa ede que di ide da sala de jan a e da cozinha,
onde es á embu ido o ogão de sala, e pelo ou o lado, pela escada que
limi a ambém o hall de en ada de ap oximadamen e ca o ze me os
quad ados. Ainda que enha ligação ísica e isual com a sala de jan a ,
assume-se como uma zona au ónoma, que pe mi e sepa a o momen o
de e eição do momen o de es a e descanso.
Do hall de en ada acedemos a dois espaços; o p imei o a a-se de
uma á ea com dois a má ios que aumen am a á ea de a umação; o se-
gundo em como unção se i de espaço de dis ibuição pa a o esc i ó-
io com ce ca de dezasseis me os quad ados e pa a o qua o-de-banho,
com se e me os quad ados. Des a manei a conseguimos esol e a e-
lação en e o hall de en ada e a sala de es a , com o qua o-de-banho e
o esc i ó io. Es es dois compa imen os so em uma e lexão ela i a-
men e à solução an e io de modo a que o qua o-de-banho ique ol a-
do pa a o mu o, e o esc i ó io se ab a pa a o amplo ja dim. No ex emo
opos o, man ém-se a la anda ia com onze me os quad ados mas anula-
-se o pá io ex e io . Des a o ma c iamos um espaço de ansição en e a
cozinha e a la anda ia, ao mesmo empo que assumimos es a no a á ea
ence ada como uma en ada de se iço ligada ao anexo que albe ga a
ga agem, e que se á a que maio u ilização e á pelos p op ie á ios no
seu uso diá io.
A escada que liga ao p imei o piso delimi a o hall de en ada ao
mesmo empo que az as cos as da sala de es a . Es a di isão é apenas
ísica, uma ez que, como já oi e e ido, o ca ác e anspa en e da es-
cada pe mi e que desde o momen o de en ada na habi ação pela po a
p incipal se enha uma pe cepção imedia a de odas as á eas sociais co-
muns que se localizam no és-do-chão. T a a-se de uma escada de i o,
sem ecu so a pa ama in e médio, que em a pa icula idade de su gi
99
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
100
N
0 1 5m Plan a Piso Supe io
num asgo na laje que ocupa oda a la gu a da casa, e que em acen ua
ainda mais a de inição dos espaços. Es e desenho eme e pa a a solução
u ilizada pelo a qui ec o Nuno B andão Cos a no p ojec o pa a a Casa
em Lou osa (2006) em San a Ma ia da Fei a. Aqui, ambém é a escada
que su ge como elemen o di isó io en e o hall de en ada e a sala de
es a .Fig73
No piso supe io , a escada le a a uma sala comum com in e e cinco
me os quad ados, in imamen e ligada com o pá io ex e io o ien ado
a sul, e com a g ande escada ex e io em g ani o. Des a o ma, e con-
a iamen e ao que inha acon ecendo nas soluções an e io es, é c iado
um espaço de ecepção não apenas pa a a escada in e io , mas ambém
pa a a escada ex e io , que, ainda que não enha p e is a uma u ilização
mui o egula , e a um dos desejos exp essos pelo clien e ao longo de
odo o p ocesso de p ojec o. Daqui acedemos ao hall de dis ibuição dos
qua os.
Localizada jun o à achada, es a á ea de dis ibuição, bene icia de
ês janelas exis en es que pe mi em uma iluminação na u al du an e
odo o dia, e pe mi e o acesso aos ês qua os e ao qua o-de-banho
pa ilhado exis en es nes e piso. Dois deles, com dezasse e me os qua-
d ados, são o ganizados em zona de es i jun o à en ada e que un-
ciona ambém como espaço de ecepção e em zonas de do mi e po-
encialmen e abalho. Usu uem cada um deles, de uma g ande janela
já exis en e ol ada pa a poen e. Pa a apoio à sala do piso supe io e a
es es dois qua os exis e uma ins alação sani á ia comple a localizada
en e as duas zonas de es i de cada um deles. O ou o com in e e se e
me os quad ados, é o qua o p incipal, e des ina-se aos clien es. É um
qua o equipado com um qua o-de-banho p i a i o comple o e janela
pa a o ex e io . Con udo, a con igu ação des e espaço bem como a dis-
ibuição dos ãos exis en es, le am-nos a inclui um a má io embu ido
no espaço do qua o, em de imen o da c iação de uma zona de es i ,
con o me e a desejado pelo clien e. No que e e e a abe u as pa a o
101
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
102
Fig 74
Pa cela és-do-chão.
Fig 73
Pe spec i a da Casa em Lou o-
sa (2006).
ex e io , exis em qua o: ês janelas de pei o (uma a no e, ou a a nas-
cen e e ou a a poen e), e uma po a, a a és da qual podemos acede ao
pá io a No e da casa, que p olonga a á ea do qua o pa a o ex e io .
A p incipal al e ação des a solução inal, em elação às duas ap esen-
adas an e io men e, em que e com a anulação do pé-di ei o duplo na
á ea da sala de es a . Des a o ma, é possí el e um maio con olo no
desenho do és-do-chão, uma ez que as pa edes que limi am a sala não
êm de es a alinhadas com as pa edes dos qua os do piso supe io .
A e o mulação do piso supe io pe mi iu esol e uma das p eo-
cupações p esen es an e io men e, e e en e à manu enção dos ãos
exis en es. Com es a solução, podemos man e p a icamen e odas as
abe u as exis en es, apenas com in e enções pon uais (abe u a, en-
ce amen o e e o mulação de ãos). Foi ambém possí el, após diálogo
com o clien e, p omo e a elação do piso é eo com o ja dim a nas-
cen e, a a és da abe u a de g andes ãos ol ados pa a o in e io do
e eno, an o na cozinha, como na sala de es a e no esc i ó io.
O anexo , como já oi e e ido, comp eende ês luga es de ga agem,
um qua o-de-banho, uma á ea de a umos e uma zona social de e ei-
ções apoiada po uma cozinha. De ca o, en ando pelo po ão p incipal,
pe co emos um caminho em blocos de g ani o i egula es que le a a é
ao anexo, na pa e mais a as ada da casa. Daqui, pe co e-se um co e-
do cobe o, de pé-di ei o mais baixo, desde a ga agem a é à en ada de
se iço jun o à cozinha. Es e co edo dá ainda acesso aos a umos, ao
qua o-de-banho e ao espaço ex e io cobe o, de eunião e in e acção
social. No que diz espei o à linguagem, p e endemos que es e olume
se dema que do edi ício exis en e, mas que ao mesmo empo não en e
em con li o nem assuma uma posição de des aque ela i amen e a es e.
Assim, o concei o seguido, é o de duas pa edes e guidas em be ão, que
comp eendem en e elas es e no o p og ama. A unção e plas icidade
103
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
104
Fig 76
Volume do anexo.
Fig 75
En ada do qua o p incipal.
des e ma e ial pe mi em um diálogo com os mu os e as pa edes an igas
de g ani o ao ní el da ex u a e da co , ao mesmo empo que ma ca a
in odução de um no o olume com uma no a linguagem.
105
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
112
0 20 100cm
0 20 100cm
Secção e ical da pa ede in e io
Secção e ical da po a in e io
Isolamen o acús ico
Caixa-de-a
Caixa-de-a
Dupla placa de gesso ca onado
Dupla placa de gesso ca onado
de be ão, uma ho izon al, que az o ec o do p imei o piso, e qua os
inclinadas, que o mam as qua o águas do elhado. Como espos a às
necessidades é micas dos dias de hoje, aplica-se uma ba ei a pá a-
apo e uma camada de isolamen o é mico em placas de polies i eno
ex udido de 40mm de espessu a. Po cima de udo is o, é colocada
uma es u u a de modo a ixa as no as elhas. O acabamen o no bei al
é ealizado com a u ilização de elhões em meia cana.
Pa edes in e io es
Com a comple a al e ação das di isões, o na-se impossí el man e
as pa edes in e io es exis en es. Como solução são u ilizadas pa edes
com es u u a me álica e gesso ca onado com isolamen o acús ico pelo
in e io . São cons i uídas po uma dupla calha me álica com 4,8cm de
la gu a cada pa a uma pos e io ixação de uma dupla camada de placas
de gesso ca onado de 15mm de espessu a cada, po ambos os lados.
Pelo in e io exis e uma dis ância de 4cm en e as duas calhas me álicas
pa a a colocação de isolamen o acús ico em ib a de côco. Des e modo,
quaisque in aes u u as que sejam necessá ias, não necessi am de as-
ga es e isolamen o. Em alguns casos, no luga da placa ex e io de
gesso ca onado é colocada uma placa de md lacado pa a acabamen o.
Nas pa edes dos qua os de banho e cozinha, é ida em con a o maio
ní el de humidade, pelo que se u ilizam placas hid ó ogas e es idas a
ma e ial ce âmico nos locais adequados. O ema e com o soalho p e ê
a colocação de odapé embu ido e lacado à co da pa ede.
Ca pin a ias
As po as in e io es de acesso às di isões, são lisas e na sua gene -
alidade lacadas, e posicionam-se à ace ex e io da pa ede, de modo
a c ia panos con ínuos nas pa edes. Exis em ainda po as de co e ,
nomeadamen e no acesso à cozinha e ao esc i ó io, de o ma a pe mi i
que es es espaços iquem pe manen emen e ligados aos espaços que
113
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
114
Janela de ba en e com duas olhas:
Co e e ical, co e ho izon al e alçado ex e io .
0 10 50cm
lhes são con íguos.
Caixilha ia
“Os ãos e as caixilha ias são elemen os undamen ais na his ó ia
da a qui ec u a e da cons ução, elemen o de mediação in e io /ex e io
e de uição das necessidades elemen a es do habi a : p o ecção das
ag essões ex e io es e egulação da luz na u al, uído e a iações de
empe a u a.”42 Daí, que seja de ex ema impo ância ponde a o ca-
minho a segui e a o ma de in e enção nes es elemen os. No nosso
caso de es udo, e como já oi p e iamen e desc i o, as caixilha ias são
maio i a iamen e em madei a pin ada a b anco, com uma, duas ou ês
olhas de ab i . No en an o, is o só se e i ica no p imei o piso, e ainda
assim não comple amen e, uma ez que no és-do-chão nenhum dos
ãos exis en es possui o mesmo ipo de caixilha ia. Aliado a is o a abe -
u a de no os ãos nas achadas, implica à pa ida, uma in odução de
uma no a caixilha ia, adap ada a es es. Pos o is o, emos duas hipó eses
de caminho a segui : conse a a caixilha ia exis en e, ou subs i uí-la
in oduzindo uma no a. A simples conse ação da caixilha ia exis en-
e, apenas com ecu so ao seu es au o, não nos pa ece iá el, dadas
as necessidades na melho ias das condições de desempenho, an o ao
ní el hig omé ico, como ao ní el acús ico e é mico. Assim, “quando
exis e a possibilidade ísica de in oduzi uma segunda caixilha ia pelo
in e io , es a solução pode á e ela -se como a que globalmen e melho
co esponde às exigências de desempenho e necessidades de conse a-
ção a qui ec ónica da p eexis ência.”43 No en an o, e endo em con a a
ob iga o iedade impos a à p io i de in odução de uma no a caixilha ia
em alguns dos ãos exis en es e em odos os que se ão ab i , pa ece-
-nos necessá io segui ou o caminho, de o ma a uni o miza e da uma
linguagem uni á ia à caixilha ia do edi ício. Des e modo, e desca ada
a hipó ese de man e a caixilha ia exis en e pelas ques ões já e e idas,
decidimos op a po subs i ui a caixilha ia exis en e, in oduzindo uma
42. LOPES, Nuno Valen im -
“Reabili ação de Caixilha ias
de Madei a em Edi ícios do
Século XIX e Início do Sécu-
lo XX. Do es au o à selecção
exigencial de uma no a cai-
xilha ia: o es udo do caso da
habi ação co en e po uense.”
Disse ação de Mes ado em
Reabili ação do Pa imónio
Edi icado. Po o: FEUP, 2006,
pág 1.
43. id.,ibid., pág 76.
115
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
116
No a janela de ba en e com duas olhas:
Co e e ical, co e ho izon al e alçado ex e io .
0 10 50cm
caixilha ia com desenho de au o . “Em mui os casos pode á se a solu-
ção que melho esponde à in enção do p ojec is a, pois (à semelhança
das soluções adicionais) ela se á o co olá io lógico dos p ocessos de
eabili ação do edi ício, mui as ezes p o undamen e in e enciona-
do.”44 É de no a que no caso das no as abe u as op ámos po não u ili-
za a solução exis en e em lancis de g ani o de manei a a imi a os ãos
exis en es. P e endemos an es in oduzi uma no a linguagem no que
a es e aspec o diz espei o po o ma a ma ca a di e ença en e an igo
e no o. Assim, o a o que ma ca a no a abe u a é em madei a com ês
cen íme os de espessu a, pin ada à co do caixilho (b anco po den o
e azul escu o po o a).
O desenho de uma no a caixilha ia ambém nos pe mi e esol e um
p oblema que em que e com a p o ecção sola e com a segu ança, que
passa pela in odução de po adas, incluídas no desenho da caixilha ia,
que possibili am o ence amen o comple o dos ãos.
A no a caixilha ia é em madei a pin ada a b anco po den o e a azul
escu o po o a, com duas olhas de ab i , excepção ei a à janela da co-
zinha, que com uma g ande dimensão sob e a ho izon al, é cons i uída
po uma olha de ab i e ou a ixa. As po adas, em md lacado a b an-
co, u ilizam como supo e o a o da caixilha ia, e ecolhem no eco e da
omb ei a de g ani o.
Escada
A escada su ge como o elemen o cen al na casa, e ao mesmo empo
que se dis ingue como peça escul ó ica, unciona como elemen o o ga-
nizado do espaço. Como solução oi escolhida uma escada em es u-
u a me álica e deg aus compos os apenas po cobe o es em madei a
maciça de ca alho, igual à do pa imen o, de o ma a do a es e ele-
men o de alguma capacidade de anspa ência e pe meabilidade isual,
ao mesmo empo que e o ça o seu ca ác e escul ó ico. É compos a
po duas igas me álicas IPE 180, ixas ao chão e à pa ede po in e -
44. id., ibid., pág 86.
117
P opos a de In e enção
Uma Casa na Aldeia: P ojec o de Reabili ação
0 20 100cm
1 2 3 4
Po meno da escada
1. Cobe o es em madei a
2. Chapa me álica
3. Pe il T
4. Viga IPE 180
118
P opos a de In e enção
médio de chumbadou os em e os, às quais são ixos pe is T em e o
de 40x40x5mm que ecebem as chapas de 8mm de espessu a onde as-
sen am os deg aus de madei a em ca alho com 3cm de espessu a. O
p imei o deg au apoia igualmen e nos mesmos pe is T, que es ão nes e
caso di ec amen e assen es no chão, de manei a a desenha de o ma
mais sua e a ansição en e o pa imen o e o elemen o da escada. A
gua da consis e num pe il ubula A40 em inox que apoia nas igas
me álicas I, ao qual se ac escen a uma chapa com 1cm de espessu a e
com a mesma la gu a pa a p o ecção in e média.
119
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
01 Plan a de Implan ação, esc. 1:200
02 Alçado Poen e, esc. 1:50
03 Alçado No e, esc. 1:50
04 Alçado Nascen e, esc. 1:50
05 Alçado Sul, esc. 1:50
06 Plan a do Piso 0, esc. 1:50
07 Plan a do Piso 1, esc. 1:50
08 Co e AA’, esc. 1:50
09 Co e BB’, esc. 1:50
10 Co e CC’, esc. 1:50
11 Co e DD’, esc. 1:50
12 Co e EE’, esc. 1:50
13 Co e FF’, esc. 1:50
14 Plan a do Anexo, esc. 1:50
15 Co e GG’, esc. 1:50
16 Co e HH’, esc. 1:50
17 Co e II’, esc. 1:50
18 Maque e
121
P opos a de In e enção
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Bibliog a ia
165
ÍNDICE DE FIGURAS
Fig. 1 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 2 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 3 - Esquema ealizado pelo au o a pa i de imagem de sa éli e, in
h p://maps.google.p .
Fig. 4 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 5 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 6 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 7 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 8 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 9 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 10 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 11 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 12 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 13 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 14 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 15 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 16 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 17 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 18 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 19 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 20 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 21 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 22 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 23 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 24 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 25 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 26 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 27 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 28 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 29 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 30 - in TEIXEIRA, Joaquim José Lopes - “Desc ição do Sis ema
Índice de Figu as
167
Cons u i o da Casa Bu guesa do Po o en e os séculos XVII e XIX.”
P o as de ap idão pedagógica e capacidade cien í ica (...) Po o: FAUP,
2004, pág 107.
Fig. 31 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 32 - in TEIXEIRA, Joaquim José Lopes - “Desc ição do Sis ema
Cons u i o da Casa Bu guesa do Po o en e os séculos XVII e XIX.”
P o as de ap idão pedagógica e capacidade cien í ica (...) Po o: FAUP,
2004, pág 110.
Fig. 33 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 34 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 35 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 36 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 37 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 38 - Desenho ealizado pelo au o .
Fig. 39 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 40 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 41 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 42 - in TEIXEIRA, Joaquim José Lopes - “Desc ição do Sis ema
Cons u i o da Casa Bu guesa do Po o en e os séculos XVII e XIX.”
P o as de ap idão pedagógica e capacidade cien í ica (...) Po o: FAUP,
2004, pág 111.
Fig. 43 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 44 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 45 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 46 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 47 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 48 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 49 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 50 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 51 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 52 - A qui o pessoal de João Belo.
Índice de Figu as
169
Fig. 53 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 54 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 55 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 56 - Desenho ealizado pelo clien e.
Fig. 57 - A qui o pessoal de João Belo.
Fig. 58 - in “Ál a o Siza: a econs ução do Chiado” Lisboa / edição de
Ca los Cas anhei a e Luís Mendes, Po o: ICEP, 1997, pág 55.
Fig. 59 - in “Ál a o Siza: a econs ução do Chiado” Lisboa / edição de
Ca los Cas anhei a e Luís Mendes, Po o: ICEP, 1997, pág 57.
Fig. 60 - in “Ál a o Siza: a econs ução do Chiado” Lisboa / edição de
Ca los Cas anhei a e Luís Mendes, Po o: ICEP, 1997, pág 139.
Fig. 61 - in “Ál a o Siza: a econs ução do Chiado” Lisboa / edição de
Ca los Cas anhei a e Luís Mendes, Po o: ICEP, 1997, pág 143.
Fig. 62 - in “Ál a o Siza: a econs ução do Chiado” Lisboa / edição de
Ca los Cas anhei a e Luís Mendes, Po o: ICEP, 1997, pág 145.
Fig. 63 - in SOUTO de MOURA, Edua do in “San a Ma ia do Bou o -
Cons ui uma Pousada com as ped as de um Mos ei o. Edua do Sou o
de Mou a” 1ªed. Lisboa: Whi e & Blue, 2001, pág 51.
Fig. 64 - in SOUTO de MOURA, Edua do in “San a Ma ia do Bou o -
Cons ui uma Pousada com as ped as de um Mos ei o. Edua do Sou o
de Mou a” 1ªed. Lisboa: Whi e & Blue, 2001, pág 68.
Fig. 65 - in SOUTO de MOURA, Edua do in “San a Ma ia do Bou o -
Cons ui uma Pousada com as ped as de um Mos ei o. Edua do Sou o
de Mou a” 1ªed. Lisboa: Whi e & Blue, 2001, pág 65.
Fig. 66 - Esquisso ealizado pelo au o .
Fig. 67 - Esquisso ealizado pelo au o .
Fig. 68 - in JODIDIO, Philip, ANDO, Tadao - “Ando: Comple e Wo ks”.
Hong Kong: Taschen, 2007, pág 47.
Fig. 69 - Esquisso ealizado pelo au o .
Fig. 70 - Esquisso ealizado pelo au o .
Fig. 71 - Esquisso ealizado pelo au o .
Índice de Figu as
171