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Relatório Final de Estágio Profissional

Gustavo André Neves Carvalho

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL Relatório de Estágio Profissional, apresentado com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro) Gustavo André Neves Carvalho Setembro de 2012 Orientadora: Teresa Lacerda O abrir das portas para o futuro O primeiro passo do Professor Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro). Orientadora: Professora Doutora Teresa Lacerda Gustavo Carvalho Porto, Setembro de 2012 II CARVALHO, G. (2012). O abrir das portas para o futuro – O primeiro passo do Professor. Porto: G. Carvalho. Relatório de estágio profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Palavra-chave: REFLEXÃO; LÚDICO; LECCIONAR; FORMAÇÃO; MOTIVAÇÃO. III Dedicatória Ao meu PAI, Alexandrino Pereira de Carvalho V Agradecimentos A toda a minha família, em especial aos meus pais, irmãs, cunhados e sobrinhos que me encorajaram e apoiaram a atingir todos os objetivos a que me propus. Aos meus grandes amigos que deram cor ao meu percurso. À Professora Maria Manuel Friães e restante grupo de estágio, nomeadamente a Joana Santos e Pedro Costa, por me terem acompanhado e ajudado a evoluir como professor de Educação Física. À Professora Doutora Teresa Lacerda, pelo apoio disponibilizado neste ano letivo. À comunidade da Escola Secundária Carolina Michaëlis por me ter recebido de braços abertos e ter permitido experienciar a vida escolar enquanto docente. VII Índice Dedicatória ........................................................................................................ III Agradecimentos ................................................................................................. V Índice de Figuras ............................................................................................... IX Resumo ............................................................................................................. XI Abstract ........................................................................................................... XIII Abreviaturas .................................................................................................... XV 1) Introdução ...................................................................................................... 1 2) Dimensão Pessoal ......................................................................................... 3 2.1. Identificação/dados pessoais ................................................................ 3 2.2. Expectativas e entendimento relativo ao estágio profissional ............... 5 2.3. Impacto com o contexto de estágio ...................................................... 8 3) Enquadramento da prática profissional ........................................................ 11 3.1. O Grande Porto ................................................................................... 11 3.2. Caracterização da Escola Secundária Carolina Michaelis .................. 13 3.3. Caracterização da turma 11º LH1 ....................................................... 16 3.4. Núcleo de Estágio ............................................................................... 22 4) Realização da prática profissional ................................................................ 23 4.1 Área 1Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem ................. 23 4.1.1. Primeiras Impressões ................................................................ 23 4.1.2. Planeamento .............................................................................. 25 4.1.3. Sentimento a leccionar .............................................................. 27 4.1.4. A Minha Turma .......................................................................... 29 4.1.5. O melhor sistema para a leccionação de Ginástica ................... 37 4.1.6. A falta de formação na disciplina de Dança ............................... 43 4.2. Área 2 – Participação na Escola ......................................................... 47 4.2.1. Torneio Grandes Jogos Populares ............................................ 47 4.2.2. Acção de Formação de Orientação e Escalada......................... 52 4.2.3. O convite para leccionar a outras turmas .................................. 56 4.2.4. As reuniões ................................................................................ 61 4.3. Área 3 – Relação com a Comunidade ................................................ 63 4.3.1. A união do grupo de Professores de Educação Física .............. 63 4.3.2. “Olha os estagiários" .................................................................. 66 4.3.3.Os alunos da Escola ................................................................... 68 XV Abreviaturas FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura ESCM – Escola Secundária Carolina Michaëlis s.d. – Sem Data 1 1) Introdução O Relatório de Estágio Profissional realiza-se no âmbito da disciplina Estágio Profissional I e II, integrada no plano de estudos do 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O Estágio Profissional desenrolou-se na Escola Secundária Carolina Michaëlis, sendo o núcleo de estágio constituído pela Professora Cooperante Maria Manuel Friães, os Professores Estagiários Joana Santos e Pedro Costa, e a Professora Orientadora Teresa Lacerda. Este documento tem como objetivo proporcionar aos estudantes uma oportunidade de contar a sua história, num ano letivo que envolve muitos sentimentos, oportunidades de aprender, de descobrir novos limites e colocar em prática os conhecimentos obtidos. Este Relatório de Estágio é um documento único, que procura refletir o meu percurso, que mostra as minhas singularidades, preocupações e necessidade de encontrar soluções para os problemas encontrados. Pretendo descrever a minha aprendizagem e evolução, e o alcançar de vários objetivos. Tive a oportunidade de ser docente da turma 11ºLH1, para a qual necessitei de realizar todos os trabalhos imprescindíveis à lecionação, como por exemplo o planeamento ou as avaliações. Este documento está dividido em cinco capítulos, Introdução, Dimensão Pessoal – o Autor do Relatório de Estágio, Enquadramento da Prática Profissional, Realização da Prática Profissional e Conclusões Gerais e Perspetivas para o Futuro. São caracterizados pela apresentação de episódios marcantes, estando sempre presente a reflexão. A introdução é o primeiro capítulo, onde procurei representar o trabalho realizado. No segundo fez-se uma reflexão autobiográfica, na qual se focou o “eu pessoal” no “eu profissional”, ou seja, procurei descrever o meu percurso até entrar no estágio profissional, contando as razões que me levaram a tomar esta opção e quais os principais objetivos e preocupações para este ano letivo. Por sua vez, no terceiro foi realizada uma caracterização do contexto de estágio, procurando descrever as características específicas (escola, meio, turma, núcleo de Introdução 2 estágio), sendo que na minha opinião enquadra-se melhor no capítulo quatro a descrição de falta de conhecimentos num determinado conteúdo, ou possíveis dificuldades de integração e os sentimentos que tive nos vários períodos. Portanto, no quarto capítulo, procurei fazer uma reflexão sobre a minha prestação em todos os domínios da atividade do professor estagiário, enumerando situações marcantes pela positiva ou negativa, estando divido em quatro áreas. A Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, Área 2 – “Participação na Escola”, Área 3 – “Relação com a Comunidade” e Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. Em cada área foram desenvolvidos vários temas, que, na minha opinião, foram os mais importantes e que mereceram especial atenção e reflexão da minha parte. Por fim, no quinto e último capítulo elaborei uma análise sobre o meu crescimento profissional e preparação para o futuro, essencial para o culminar deste caminho sinuoso. 3 2) Dimensão Pessoal 2.1. Identificação/dados pessoais Nesta primeira fase do enquadramento pessoal faço referência aos meus dados pessoais e ao meu percurso académico até à atualidade. Chamo-me Gustavo André Neves Carvalho, nasci no dia 13 de Julho de 1987 em Leiria. Até ingressar no ensino superior vivi na Marinha Grande. Nos meus primeiros anos de vida, até entrar para a pré-primária, estive numa creche durante um curto espaço de tempo, de seguida fui para casa da minha avó. Isto devido ao facto de os meus pais trabalharem e ser impossível para eles tomarem conta de mim durante esse período, motivo pelo qual possuo poucas lembranças desta fase da minha vida. Entrei no Jardim de Infância da Boavista aos 3 anos, durante esta fase fiz amigos com os quais ainda possuo uma grande relação e que pertenceram à minha turma até entrar para o ensino superior. Frequentei a Escola 1º ciclo do Engenho. Nesta fase é de realçar a notável Professora Conceição que me proporcionou uma ilustre formação e me conferiu as bases necessárias para todo o meu processo de aprendizagem. Foi no 1º ano da escolaridade que iniciei a minha vida como praticante de natação, o que durou sete anos. Desde este momento que idealizei o que é um professor modelo, o qual pretendo alcançar e dei início à minha paixão pelo desporto. A Escola Básica 2º/3º Ciclo Guilherme Stephens foi o passo seguinte na minha formação e crescimento como indivíduo, a que se sucedeu a frequência da Escola Secundária Acácio Calazans Duarte, na qual terminei o que para mim seria a escolaridade obrigatória. Durante estes anos o desporto esteve sempre presente, dado que após deixar a natação pratiquei equitação, futebol, voleibol, mergulho, ténis e ténis de praia. Com o fim deste processo decidi passar um ano a trabalhar para poder optar pelo melhor caminho a percorrer. A minha conclusão foi rápida e não houve dúvidas de que pretendia continuar os estudos e que tinha de seguir desporto. Uma vez que a minha média me possibilitava várias escolhas optei pela melhor escola na área do desporto, ou seja, a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, na qual concluí a Dimensão Pessoal 4 licenciatura em Ciências do Desporto e decidi realizar o mestrado. Com o finalizar do ensino básico, constatei que o mais fascinante na minha vida era o desporto e que os meus estudos seriam neste ramo. Sempre tive o apoio incondicional da minha família em seguir o que me cativava e foi um aspeto que me fez lutar ainda mais para concretizar este objetivo. O estágio profissional ocorreu na Escola Secundária Carolina Michaëlis, com os meus amigos estagiários Joana Santos e Pedro Costa, a nossa Professora cooperante foi a Dra. Maria Manuel Friães e a minha orientadora foi a Professora Teresa Lacerda. Antes de iniciar o estágio profissional não conhecia nenhum destes elementos, mas ao longo do ano letivo desenvolvi uma boa relação e aprendi bastante. Dimensão Pessoal 5 2.2. Expectativas e entendimento relativo ao estágio profissional As minhas expectativas em relação ao estágio profissional eram relativamente elevadas, dado que a minha formação me permitia sentir confiante para a lecionação. Mas para tal, necessitei demonstrar todas as minhas capacidades. Dado tratar-se do último passo como estudante e passar a docente, esperava conseguir aplicar todos os conhecimentos que obtive através da minha formação inicial. Uma vez que se trata de colocar em prática os conhecimentos, esperava conseguir fazê-lo de forma simples e de modo a que os alunos acedam ao prazer que eu tinha aquando as aulas de Educação Física. Para tal, esperava ser capaz de transmitir os sentimentos que tenho sobre o desporto e a atividade física, para que os estudantes possam disfrutar, e ao mesmo tempo, aprender e evoluir nas mais diversas modalidades lecionadas. Como professor pretendia conseguir ser eu mesmo, ou seja, sentir-me à vontade a lecionar, de forma calma e alegre. Com estes sentimentos acredito que os alunos consigam ter boas vivências com a prática desportiva e que comecem a praticar desporto fora da escola. Este aspeto foi difícil, mas tentei chegar aos alunos de modo a fazê-los compreender as vantagens que o desporto pode oferecer. Para conseguir atingir estes objetivos necessitei dos ensinamentos da minha professora cooperante, Doutora Maria Manuel Friães. Deste modo consegui mais facilmente corrigir os erros que ocorreram no planeamento das aulas, na sua realização e fui estimulado a não negligenciar tudo o que envolve a atividade de ser professor além de lecionar. Outro apoio fundamental nesta formação foi a professora orientadora, a Professora Teresa Lacerda, dado que se trata de um pilar essencial, uma vez que também observou as aulas e corrigiu os trabalhos, desta forma, facultou-me outros pontos de vista que me permitiram adotar as soluções de aperfeiçoamento mais adequado. De não esquecer algo fulcral, os meus amigos de estágio, ou seja, trabalhei com os professores estagiários Joana Santos e Pedro Costa ao longo de todo o ano letivo e, na minha opinião, a boa relação foi de extrema importância para que conseguisse demonstrar todo o meu potencial. Dimensão Pessoal 6 Foi-me atribuída a turma LH1 do 11º ano da área de Letras e Humanidades, a qual demonstrou ser empenhada, ou seja, realizava de forma afincada todos os exercícios propostos. Este fator levou a que pudesse propor práticas de complexidade superior, dado que os alunos procuravam continuamente encontrar as respostas para os problemas que iam surgindo e não desistiam até alcançar o objetivo. Desta forma, consegui realizar aulas dinâmicas e que se enquadravam com as capacidades e habilidades de todos os alunos. É de realçar que os estudantes eram bastante unidos e que se motivavam uns aos outros nas mais diversas tarefas. Por isso, tive de corresponder às potencialidades da turma e ser capaz de realizar um bom trabalho. Para tal necessitei de criar uma boa relação professor-aluno, que se baseava no respeito mútuo, para que pudesse existir uma boa dinâmica em todas as aulas. Pretendia conseguir conhecer os meus alunos fora da tarefa, dado que se trata de algo fundamental para uma boa relação. Uma vez que uma boa relação professor-aluno era fundamental para conseguir motivar a turma, tentei estimular nestes a vontade de aprender nas aulas de acordo com a minha ideologia do docente. Mas foi necessário que existisse uma distinção clara de papéis e coube ao professor enquadrar os ensinamentos às capacidades de aprendizagem e evolução dos discentes. Para mim, o estágio assinalava o começo da minha vida como docente, o que implicava a necessidade de evoluir e aprender com todos os erros, que eu ou os meus amigos de estágio cometemos, refletindo sobre eles e encontrando estratégias mais adequadas para que não se repetissem. Deste modo, a procura de soluções para os problemas e as respostas encontradas teriam de ser as mais corretas, de acordo com os vários estímulos e o meio em que me encontrava. Ser professor não é só dar aulas, é uma profissão a tempo inteiro e, sendo assim, precisava de me preparar psicologicamente para tal. Na minha opinião, ser professor é uma vocação que não se consegue aprender, mas sim desenvolvesse com a experiência. A formação pessoal que recebi na FADEUP durante a licenciatura não me preparou para ser docente, mas sim treinador de alta competição. Apenas no 2º ciclo comecei a ter uma pequena noção do que era ser professor e todas as tarefas que acarreta. Penso que foram muitos os Dimensão Pessoal 7 conteúdos novos aprendidos no ano anterior, que possivelmente deveriam ter sido mais desenvolvidos, para que no início deste ano, quando fosse recebido pela comunidade escolar, conseguisse realizar a ponte entre os conhecimentos teóricos da minha formação e a realidade, ou seja, a prática. Este foi um excelente ano letivo para aprender, testei as minhas capacidades e conhecimentos como professor, para que no futuro seja o docente com que sempre me idealizei. Com o avançar do ano letivo novas barreiras foram surgindo, mostrando assim que é necessário estar sempre a aprender e a evoluir, sendo que com a ajuda da Professora Maria Manuel Friães e colegas estagiários consegui facilmente transpor todas as dificuldades que iam despontando. Realização da Prática Profissional 14 Nesta Escola de Ensino Oficial são ministrados, atualmente, o 3º Ciclo do Ensino Básico, o Ensino Secundário, Cursos Profissionais e Cursos Tecnológicos. Presentemente, a escola possui 877 alunos distribuídos por trinta e sete turmas, das quais apenas cinco são do 3º ciclo (uma do 7º ano, duas do 8º ano e duas do 9º ano). Dez turmas pertencem ao 10º ano, treze ao 11º ano e as restantes, ao 12º ano. A área disciplinar de Educação Física é constituída por quinze excelentes Professores, mais dois grupos de estágio, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e do Instituto Piaget, tendo cada um destes três elementos. Trata-se de um grupo coeso e caracterizado pelo bom sentido de humor, acabando por contagiar todos os que os rodeiam. Inicialmente receberam-me e ao restante grupo de estágio de braços abertos e propensos a ajudarem em todas as matérias. Apesar de apenas raramente termos recorrido a este auxílio, esta atitude demonstrou que os Professores contavam connosco, além disso senti que teriam todo o prazer em nos ajudar a evoluir, a tornarmo-nos bons profissionais e a fazer com que nos sentíssemos parte integrante do meio escolar. No que concerne às condições para a prática desportiva a Escola apresenta excelentes condições, isto devido às já referidas obras de restauro e requalificação. Atualmente possui um pavilhão multiuso, um ginásio, uma sala desportiva e um campo exterior. Mas, apesar das circunstâncias apresentadas, é necessário realizar algumas alterações para que melhorem principalmente as condições de segurança no campo exterior e a colocação de cortinas separadoras no pavilhão, dado que por vezes encontram-se até três turmas no seu interior. Deste modo existiria uma redução do ruído, das distrações e possíveis lesões devido à presença de bolas inesperadas pertencentes a outras modalidades. No que se refere ao material a Escola existem deficiências, dado que não existe em grande quantidade. O principal problema ocorre no momento em que duas turmas se encontram a lecionar a mesma modalidade. Apesar de atualmente existir uma preocupação na renovação deste, torna-se Realização da Prática Profissional 15 imprescindível uma constante reposição do material de elevado desgaste, ocorrendo nos momentos de extrema necessidade. No entanto, os fatores positivos são muito superiores aos negativos, o que torna as condições para a lecionação excelentes, proporcionando desta forma uma oportunidade de boa prática desportiva e de convívio aos alunos, sendo que o principal papel cabe ao Professor por conseguir facultar tal possibilidade. Realização da Prática Profissional 16 3.3. Caracterização da turma 11º LH1 No início do ano letivo foi-me atribuída a lecionação da turma 11ºLH1, sendo que na aula de apresentação distribuí uma ficha de caracterização individual. Isto permitiu-me obter várias informações referentes a todos os alunos, que passarei de seguida a referir. Algumas das características que sobressaíram na primeira aula foram importantes e tidas em conta no processo de ensino-aprendizagem da turma pois, como refere Albuquerque et. al. (2008) a capacidade reflexiva, a competência de ensino e a integração social são as qualidades que definem um profissional reflexivo que assume teorias sobre os currículos, sobre o ensino, sobre alunos, sobre as comunidades, escolar e envolvente, sobre os aspetos socioprofissionais, sobre as relações humanas e institucionais. Assume, também, o seu desenvolvimento autónomo, a reflexibilidade da sua prática, toma as decisões necessárias, emite juízos, enfim, torna-se responsável e protagonista do desenvolvimento do seu próprio conhecimento prático. a) Género dos alunos Figura 2 – Representativo do número de alunos por sexo. A turma é constituída por 22 elementos onde 16 alunos são do sexo feminino com uma percentagem de 72% e 6 são do sexo masculino com percentagem de 28%. Sendo assim, a turma é constituída maioritariamente por alunos do sexo feminino. Realização da Prática Profissional 17 b) Idade dos alunos Figura 3 - Representativo do número da idade dos Alunos. Em relação à idade, a maioria dos alunos nasceu no ano de 1995, 13 alunos. Posteriormente existe cinco alunos que nasceram em 1994, três em 1993 e outro em 1991. c) Deslocação para a escola A grande maioria utiliza os transportes públicos para se deslocar para a escola. Figura 4 - Representativo do meio de transporte utilizado para se deslocar para a escola. O tempo médio de viagem varia entre os 12 minutos e os 50 minutos de viagem para a escola, sendo que a utilização do carro leva mais tempo e a pé menos, mas também se deve à distância que se mora da escola. Figura 5 - Representativo do tempo médio de deslocação para a escola. Realização da Prática Profissional 18 A residência dos alunos é uma informação bastante útil ao professor, não só para questões de pontualidade e assiduidade, mas também para a perceção de comportamentos, atitudes que se encontram relacionadas com o ambiente contextual a que o aluno está inserido. d) Desportos praticados pelos alunos Em relação ao desporto praticado fora do contexto da escola, apenas cerca de 18% dos alunos pratica atividade fora das aulas. e) Problemas de saúde A maioria dos alunos da turma é saudável, cerca de 77% sendo então 17 alunos saudáveis, não tendo referenciado qualquer tipo de doença. f) Habilitações dos pais A grande maioria dos pais tem um o 3º ciclo ou o ensino secundário. Figura 6 - Representativo das habilitações literárias dos pais. g) Reprovações Quase todos os alunos não tiveram reprovações ao longo do percurso escolar, sendo que três alunos reprovaram uma vez e outros três alunos reprovaram duas vezes. Figura 7 - Representativo das reprovações dos alunos. Realização da Prática Profissional 19 h) Atividades extracurriculares As atividades extracurriculares são as mais diversas entre os alunos, sendo as mais praticadas. Por exemplo ver televisão, estar no computador, passear, ouvir música, etc… i) Escala de 0-10 de gostar de Educação Física Figura 8 - Representativo do gosto dos alunos por Educação Física. O gráfico demonstra que varia muito o gosto pela Educação Física, sendo que existem mais alunos com nota positiva (6 a 10) do que alunos que não gostam (0 a 5), mas na aula de apresentação a grande maioria afirmou que não gostava de praticar desporto. j) Modalidades Preferidas Figura 9 - Representativo das modalidades preferidas. Os alunos têm os mais diversos gostos pelas modalidades, mas a maioria afirmou que a preferida é Futebol. Realização da Prática Profissional 20 k) Tarefas domésticas Figura 10 - Representativo dos alunos que realizam ou não tarefas domésticas. A grande maioria dos alunos afirma que realiza tarefas domésticas, cerca de 77%. Enquanto apenas 23%, ou seja, 5 alunos não fazem qualquer tipo de tarefa em casa. l) Disciplinas de que mais gostam Figura 11Representativo das disciplinas que os alunos mais gostam. A disciplina de que os alunos mais gostam é História, cerca de 43%. Estando ainda contemplado nas disciplinas que os alunos mais gostam o Português, MACS, Filosofia, Geografia, Educação Física e Inglês. m) Disciplinas de que menos gostam Figura 12Representativo das disciplinas de que os alunos menos gostam. Realização da Prática Profissional 21 As disciplinas de que os alunos menos gostam são Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) e Inglês, cerca de 35% e 27% respetivamente. Estando ainda contemplado nas disciplinas que os alunos menos gostam o Filosofia, Geografia e Educação Física. Realização da Prática Profissional 22 3.4. Núcleo de Estágio Os membros constituintes do núcleo de estágio da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto na Escola Secundária Carolina Michaëlis são os Professores estagiários Joana Santos e Pedro Costa, a Professora Cooperante Maria Manuel Friães e a Professora Orientadora Teresa Lacerda. A Professora Maria Manuel Friães foi um alicerce na minha formação e evolução ao longo do estágio, sendo que a sinceridade e a relação de amizade que rapidamente se formou foi fundamental para que me sentisse sempre apoiado e acarinhado neste percurso sinuoso e longo que tive de percorrer. Desde a primeira reunião senti que a Professora Maria Manuel Friães iria estar sempre presente em todos os momentos fundamentais, além disso, protegernos-ia e ao mesmo tempo mostraria que é necessário refletir sobre todos os pormenores, dado que a preparação é basilar para o sucesso e a prevenção de eventuais erros. Assim, percebi que tornar-se-ia fulcral tentar sempre ter várias perspetivas sobre a realidade para que pudesse encontrar a melhor resposta a um dado estímulo. Relativamente aos Professores estagiários Joana Santos e Pedro Costa apenas tive a possibilidade de estabelecer uma relação de amizade neste ano letivo, dado que os nossos caminhos não se cruzaram nos tempos em que estudámos juntos na faculdade. Para o sucesso no estágio profissional, um dos aspetos fundamentais era a harmonia e a possibilidade de trabalhar em grupo dentro dos moldes estabelecidos, sendo que facilmente entrámos em uníssono e desde logo criámos um espírito de união robusto. Na minha opinião somos todos diferentes na maneira de ser e como tal atuamos distintamente, mas sinto que nos completámos, tornando-nos mais fortes cada dia que passou e dado que tínhamos o mesmo a percorrer, a estrada tornou-se não tortuosa, mas sim, relaxante e possível de disfrutar dos bons momentos que foram propiciados. Tudo isto possibilitou-me ser mais reflexivo e discutir sobre a melhor forma de atuar perante uma situação, dado que sabia que conseguiria obter a melhor resposta perante o núcleo. 23 4) Realização da prática profissional 4.1 Área 1Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem 4.1.1. Primeiras Impressões A frase ilustre “a primeira impressão é que fica” enquadra-se neste caso, dado que foi muito importante para mim o sentimento de que iria ser feliz neste difícil percurso. O momento em que tive conhecimento da Escola em que iria estagiar e dos meus colegas, identificou-se como sendo o começo de uma nova aventura. O facto de não conhecer a escola nem pessoalmente nenhum dos elementos do grupo de estágio foi um parâmetro que inicialmente me levou a refletir, chegando a colocar a hipótese de trocar de escola e grupo de estágio. Mas decidi encarar como um desafio a superar. A deslocação à Escola Secundária Carolina Michaëlis no dia 1 de Setembro de 2011 foi o primeiro contacto com a realidade educativa. A receção foi feita pela direção, fazendo uma visita guiada pela escola e fazendo-nos sentir como membros integrantes da comunidade. De frisar que foi a primeira vez que os estagiários tiveram de se deslocar à escola no dia 1 de Setembro, dado que por norma apenas se conhecem os Professores Cooperantes na reunião geral que se realiza na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Devido a este fator o grupo teve de esperar um pouco para que a Professora Maria Manuel Friães pudesse deslocar-se à escola para a primeira reunião. No primeiro contacto com a Professora Maria Manuel Friães foi possível verificar que era uma pessoa sociável, sincera e simpática, mas o principal aspeto da reunião foram os trabalhos a realizar para o início do ano letivo. Desta forma, pude concluir que o estágio profissional seria uma tarefa assídua, longa e bastante fatigante no que concerne à realização de trabalhos. Na minha opinião foi fundamental um aspeto da reunião: o apelo à honestidade e à capacidade de ser autocrítico. Desta forma, torna possível uma melhor aprendizagem e reflexão. A conjugação de todos os fatores permitiu-me sentir que era um membro integrante da comunidade escolar e que tinha superado o primeiro obstáculo. Realização da Prática Profissional 30 extrínseca é estranha ao indivíduo e introduz-se artificialmente na situação, como meta ou objetivo a alcançar: incentivos, prémios e recompensas. Já a motivação intrínseca radica-se no próprio sujeito: curiosidade, interesse ou necessidades. Ferreira (1995) afirma que a motivação extrínseca refere-se a fatores que de alguma forma motiva e que provem do exterior. Como por exemplo, as recompensas dadas pelos pais, elogios verbais vindos do professor, as instalações onde decorrem as aulas de Educação Física, o material que os alunos têm disponível ou os próprios colegas de turma. Se estes são rebeldes podem motivar os outros colegas a adotar essa rebeldia ou, se pelo contrário, forem alunos empenhados nas tarefas, atentos e interessados podem perfeitamente despertar nos outros a vontade de se lhes igualarem, avivando, deste modo, o caracter competitivo, podendo a competição, nestes casos, ser considerada um fator motivante nas aulas de Educação Física. A escola apresenta condições excelentes para a prática desportiva e o material necessário, portanto segundo Ferreira colmatando com a presença constante do professor e emissão de feedbacks conseguiria aumentar os níveis motivacionais. Apenas necessitava de motivar “alguns” alunos para contagiar a turma, pois esta demonstrou ao longo do ano letivo ser muito coesa e solidária. Os níveis de capacidades e habilidades apresentados pela turma foram razoáveis em todas as modalidades, apresentando muitos erros nos exercícios específicos, mas não se pode confundir experiências desagradáveis com erros na tarefa. O aluno que erra não terá necessariamente que estar a passar por uma experiência desagradável se entender, e para isso é preciso que o professor suscite esse entendimento, que o erro faz parte da aprendizagem, isto é, faz parte da evolução e que, o que está a ser valorizado, não é o que faz mal, mas sim aquilo que realiza com qualidade. Logo a minha preocupação foi demonstrar que as aulas serviam para experimentar e errar, dado que só assim é possível aprender. Uma das frases célebres de Albert Einstein (1879-1955) enuncia que “alguém que nunca cometeu erros, nunca tentou fazer algo novo”, logo os alunos não podem ter medo de tentar e vergonha do possível erro. Após a turma constatar este facto, foi possível verificar um aumento exponencial na aprendizagem e mudança na dinâmica de aula, consequentemente começou a existir entreajuda nos exercícios e apesar de se Realização da Prática Profissional 31 rirem dos colegas, conseguiam rir-se de si próprios, o que é fundamental para admitir os seus erros. O ritmo de trabalho apresentado era muito baixo, afetando pela negativa todo o trabalho realizado na aula, logo tive de procurar soluções para resolver esse problema. Um dos aspetos que sobressaiu nas primeiras aulas foi o facto de a competição revelar uma face da turma que anteriormente ainda não tinha sido relevada. Através do meu diário de bordo é possível constatar que é referido muitas vezes a boa reação a este aspeto, por exemplo no dia 30 de Setembro “o fator competição resulta bastante bem, sendo que todos se aplicam para que nunca percam. Nas próximas aulas continuarei com a mesma forma de dar aula, dado que até este momento tem resultado.” Ou dia 18 de Novembro “A “mega estafeta” voltou a resultar, mas ao contrário das anteriores, esta foi realizada aos pares, criando desta forma ainda mais competição entre os alunos, sendo que me pediram mais variantes durante o exercício para verem quem ganhava mais vezes.” Acabando por fazer parte do quotidiano das aulas, dia 29 de Fevereiro “Como já referi anteriormente, a competição funciona de forma muito positiva nesta turma e esta aula não foi exceção, dado que os alunos mostram um empenho diferente para conseguirem ganhar e os alunos com mais capacidades “puxam” pelos colegas com mais dificuldades, para que estes não sejam o fator que levou a equipa a perder.” Proporcionando momentos como os vivenciados dia 9 de Março “Mais uma vez o fator da competição a ser preponderante para que a dinâmica da aula fosse elevada e que os alunos fizessem de tudo para ganhar. Outro aspeto de salientar foi que tiveram um elevado tempo de prática desportiva sem se aperceberem, tornando-se esta uma das aulas mais fatigantes que realizaram e na realidade apenas realizaram um exercício.” Como referi a competição nos exercícios proporcionava momentos de elevado tempo de prática desportiva e dado que no parecer da turma era preponderante a vitória, os alunos que apresentavam melhores habilidades e capacidades motivavam os colegas e “obrigavam-nos” a que se aplicassem. Nestes momentos a turma ficava recetiva a toda a informação que fosse emitida por mim, tornando-se numa ocasião excelente para corrigir erros tático-técnicos, dado que qualquer possível vantagem naquele instante poderia corresponder à vitória final, ou Realização da Prática Profissional 32 seja, os alunos aprendiam e divertiam-se enquanto faziam atividade física “sem se aperceberem”. No meu entender um aspeto fundamental para que a turma mudasse de opinião relativamente às aulas de Educação Física foi a parte inicial da aula como referi variadíssimas vezes no diário de bordo. Logo na primeira aula prática no dia 21 de Setembro, “na parte inicial decidi realizar um jogo lúdico, dado que em meu entender a preparação para a atividade física deve ser sempre animada e que envolva toda a turma, para que desta forma além dos alunos se divertirem e encontram-se a fazer atividade física. Assim a ideia do aquecimento tradicional, que envolvia correr à volta do campo, enquanto rodava braços desaparece e esta monotonia desmotivadora é substituída por boa prática desportiva e motivacional. O jogo lúdico escolhido foi a apanhada, dado que todos os alunos se encontram familiarizados com esta atividade e desta forma qualquer inibição que possa existir por se tratar da primeira aula prática desaparece. Acabando o jogo por ter o resultado esperado, com bastante dinâmica e notava-se na cara dos alunos que se estavam a divertir. O único reparo que existiu foi que os alunos não recorriam à possibilidade de se salvarem, ou seja, não se colocavam ao colo uns dos outros, este aspeto pode ter ocorrido devido a algum constrangimento devido à necessidade de contacto físico entre os alunos ou simplesmente não estarem familiarizados com esta possibilidade.” O sucesso alcançado foi o esperado inicialmente, dado que a turma conseguia envolver-se nas atividades lúdicas propostas e uma vez que existia a preocupação de fazer a ligação com os conteúdos a lecionar na aula, desde a parte inicial da aula que existia exercitação dos conteúdos. Como refere no diário de bordo, no dia 7 de Outubro “o exercício lúdico escolhido para esta aula foi o futebol sem bola, dado que os princípios básicos deste jogo aplicam-se no andebol e os aspetos defensivos se assemelham-se aos conteúdos que pretendia introduzir nesta aula, os deslocamentos e o enquadramento correto para se encontrar sempre de frente para o adversário e assim impedir ou dificultar a finalização que neste caso não é rematar mas sim passar por entre os postes da baliza. Este exercício correu bem e os alunos perceberam logo a dinâmica e aplicaram-se bastante procurando sempre atingir o objetivo.” Realização da Prática Profissional 33 Apesar de muitos exercícios lúdicos realizados nas aulas serem uma nova experiência para a turma, fiquei surpreendido com a rapidez que esta era percebia e como alcançavam rapidamente os objetivos propostos. Como referi no diário de bordo no dia 28 de Outubro, “um dos jogos lúdicos que propus (jogo do espião) é necessário que os alunos se encontrem atentos à explicação devido a nunca o terem realizado e ser muito diferente de tudo o que fizeram até então. Mas correu melhor do que estava à espera e os alunos perceberam rapidamente como deveriam proceder para ter sucesso e ganhar à equipa adversária. Este aspeto é muito importante dado que na minha opinião não é só saber jogar mas como jogar de acordo com as situações que aparecem e para tal acontecer é necessário que os alunos pensem nas atitudes a tomar. Desta forma é preciso criar situações a que não estejam habituados para que necessitem de encontrar uma resposta adequada e assim vão ganhar um maior leque de experiência e boas vivências desportivas.” Como esta referência existem inúmeras no diário de bordo, demonstrando que os resultados alcançados são muitos superiores aquando a utilização de jogos lúdicos em detrimento do aquecimento tradicional. As rotinas de trabalho foram aparecendo com o evoluir das aulas, dado que inicialmente a turma não possuía nenhuma. Colocado este problema foi fundamental para os alunos perceberem as suas obrigações nas aulas, por exemplo recolher e arrumar o material. No princípio não demonstravam o respeito pela manutenção do material enquanto o arrumavam, mas após a chamada de atenção começaram a fazê-lo adequadamente, até se tornar uma rotina. De referir que a recolha de material entre os exercícios era realizada sempre pelos mesmos alunos, mas depois de valorizar quem tinha essa atitude, acabou por ser uma tarefa executada pela turma, possibilitando uma transição rápida e desta forma reduzindo os tempos mortos. O elevado número de faltas, a não realização das aulas ou a falta de pontualidade foi outro dos problemas com que me deparei. Este aspeto verificou-se devido ao facto de não gostarem de Educação Física, mas com o avançar das aulas e envolvimento da turma nas atividades propostas foi possível verificar, de acordo com os mapas de assiduidade, que os números de faltas diminuíram drasticamente, deixaram praticamente de existirem alunos sem realizar aulas e os atrasos foram em situações excecionais, como referi no Realização da Prática Profissional 34 dia 7 de Outubro no diário de bordo, “…alunos que chegaram atrasados não levaram falta de atraso dado que foi a primeira vez e apenas pretendo marcar falta de atraso quando forem casos recorrentes ou caso o atraso seja bastante grande, dado que os alunos já apresentam uma idade em que devem ter responsabilidades e penso que já devem ter noção de que é uma falta de respeito chegar atrasado constantemente e que apenas em situações excecionais deve ocorrer.” De concluir que consegui mudar a opinião da turma relativamente às aulas de Educação Física e que apesar de não ser inicialmente a disciplina preferida, essa opinião mudou e consegui cativá-los a praticar desporto enquanto se divertiam. Um aspeto que achei interessante diz respeito aos alunos chegarem antes da aula de acordo com as preferências das modalidades. Uma vez que eu me encontrava sempre no local de aula antes da hora prevista para o início, os alunos aproveitavam para praticar livremente a modalidade que seria lecionada. No diário de bordo faço algumas referências a este aspeto, por exemplo no dia 28 de Outubro “os alunos chegam à aula bastante cedo quando se trata de andebol, por vezes antes da hora de entrada. Dado que assim podem ficar a rematar à baliza enquanto os restantes alunos não chegam. Mais uma vez demonstra o quanto eles estão a gostar da modalidade e que estes momentos são importantes para eles.” Mas no segundo período já pude comparar com outras modalidades, sendo que no dia 24 de Janeiro, “algo que notei ao longo da abordagem das várias modalidades, os primeiros da turma a chegar vão variando, dado as suas preferências e os gostos dos alunos. Tornase engraçado pelo facto de quando chegam todos têm a mesma preocupação, ou seja, procurar uma bola e começar a praticar. Isto demonstra que têm gosto pelo desporto e se sentem felizes em praticá-lo. Para mim este aspeto é muito gratificante e simboliza que se sentem bem nas aulas.” Ao longo de todo o ano letivo os amantes das modalidades lecionadas chegavam antes da hora para puderem usufruir das excelentes instalações da escola enquanto praticavam desporto, sendo que “arrastavam” alguns colegas que no princípio chegavam na hora para lhes fazerem companhia e conviverem. A relação professor-aluno que se desenvolveu ao longo do ano possibilitou-me um maior entrosamento na turma, levando a que existisse sempre uma boa dinâmica de aula e que os alunos estivessem sempre bem Realização da Prática Profissional 35 dispostos e unidos nas atividades. Um dos fatores que despoletou esta situação foi simplesmente a circunstância de sempre que possível, eu realizava os exercícios em conjunto com a turma. Do início ao fim do ano letivo foi possível verificar, como referi no diário de bordo, no dia 14 de Outubro o seguinte aspeto, “dado que um dos grupos apenas possuía dois elementos eu integrei esse grupo e realizei o exercício com os restantes alunos, demonstrando assim a atitude que eu espero da parte deles e com todos a observarem puderam constatar o correto posicionamento e como se deve proceder de acordo com disposição dos atacantes. Penso que este aspeto é fundamental para a boa relação com os alunos dado que assim demonstro que gosto de jogar com eles de igual para igual, que me preocupo e que quero ter uma boa relação com todos. Ao longo de todo o exercício os alunos estiveram motivados e tentaram aplicar todos os conhecimentos obtidos até agora para conseguirem finalizar, o que demonstra a vontade que estes apresentam quando jogam andebol e que pretendem ser cada vez melhores.” Já no dia 2 de Dezembro “participei na aula como aluno, mas sem nunca esquecer as minhas funções e que era necessário distinguir bem o papel de professor e de aluno.” Esta segunda citação é muito importante dado que apesar de me encontrar a jogar nunca me podia esquecer que a minha função era ser professor. Rosado e Ferreira (2009), afirmam que a otimização do ambiente de aprendizagem exige a consideração do sistema de relação entre o professor e o aluno, sendo num ambiente caloroso e vivencial, de consideração e cuidado, numa orientação clara para o aluno, que os níveis mais elevados de participação podem ser conseguidos. É necessário compreender e encarar o ambiente relacional, na sala de aula, como determinado por diversas variáveis, entre as quais sobressai a afetividade e, em particular, a perceção do ambiente afetivo existente. Esta perceção representa um fator que pode afetar o processo de ensino, influenciando variáveis como a motivação, o ambiente humano e relacional, a estrutura e coesão dos grupos, a gestão de conflitos e de emoções, o empenhamento, a participação e o desenvolvimento pessoal e social. Um ambiente de aceitação, de compreensão, de genuína preocupação com os problemas dos alunos deve ser construído para poder potenciar a sua adesão ao programa de ação do professor. Realização da Prática Profissional 36 A turma tornou-se bastante empenhada e motivada, isto possivelmente devido à junção de todos os aspetos referidos anteriormente. Assim, foi possível desenvolver um trabalho conciso e com objetivos mais sublimes. Uma das preocupações que tive, para que existisse uma melhor aprendizagem, foi referente à apresentação dos objetivos dos exercícios durante a explicação e explicar-lhes o porquê da sua realização, permitindo posteriormente um melhor enquadramento no momento de aplicar em jogo os conteúdos a desenvolver. Além disso os alunos demonstravam dificuldades no jogo formal nas modalidades coletivas, para solucionar este problema coloquei as equipas que se encontravam a descansar, a observarem o jogo se decorria. Desta forma, os alunos podiam observar os erros dos colegas e propor correções, para que quando fossem jogar conseguissem executar corretamente os objetivos propostos. No final do ano letivo foi possível verificar pelos comentários realizados que gostaram muito das aulas, chegando a dizer que foi o ano letivo que mais gostaram das aulas de Educação Física e pediram para ser professor no próximo ano letivo, mas para meu desgosto não será possível. Apesar de todos os aspetos referidos terem sido trabalhosos, o facto de ter conseguido marcar a turma pela positiva, significa que fui recompensado, sendo que na minha opinião as turmas são a imagem do professor, ou seja, o ritmo de trabalho e as rotinas tem de ser o professor a implementar, mas é necessário verificar qual a melhor forma de atingir os objetivos propostos. Caso o professor não demonstre desde o início que pretende que os alunos mudem a sua forma de atuar, não será possível ou muito dificilmente conseguirá manter a turma unida e de acordo com os seus princípios. Apenas de referir que a turma 11ºLH1 demonstrou ser uma turma unida e muito divertida, à qual tive o maior dos prazeres em lecionar, sendo que agora no final posso olhar para o trajeto e com orgulho dizer que não mudava nenhum aspeto ou atitude que tive, dado que os resultados alcançados foram melhores do que inicialmente pretendia. A frase do célebre livro The Jungle Book, de Rudyard Kipling, “a força do lobo está na matilha e a força da matilha está no lobo”, simplesmente caracteriza na totalidade o que ocorreu ao longo do ano letivo. Realização da Prática Profissional 37 4.1.5. O melhor sistema para a lecionação de Ginástica A Ginástica é uma modalidade que quando era aluno sentia dificuldades na realização dos exercícios propostos pelos meus professores, acabando por me lesionar no braço direito, mais concretamente parti o cúbito, no momento em que executava um salto de eixo no plinto. Esta situação causou-me algum transtorno nos restantes anos de Educação Física, sendo que necessitei de superar alguns fantasmas na preparação e realização dos pré-requisitos para entrar para a faculdade. Durante a licenciatura não foi abordado em qualquer momento como lecionar, neste caso refiro-me à Ginástica, apesar de ser um caso comum a todas as modalidades. Apenas no ano transato é que tive a possibilidade de aprender como ensinar Ginástica, mas posso neste momento constatar que existe um grande erro na abordagem que é feita, dado que as aulas que nos permitem lecionar na escola no primeiro ano de mestrado são em grupo, podendo apenas experienciar pequenos momentos como professor líder e passa-se grande parte do tempo como observadores. Este fator não possibilita vivenciar a realidade escolar, dado que é possível atribuir funções pelos vários membros do grupo e acaba-se por ter um plano de aula, com um esquema e uma distribuição que no momento em que nos tornamos professores estagiários é impossível de colocar em prática. Ou seja, no ano transato, quando me desloquei com os restantes membros do meu grupo à Escola E.B. 2/3 da Areosa para lecionar Ginástica, os exercícios presentes no plano de aula possuíam várias estações e para cada uma destas um membro do grupo, que faziam de “assistentes” ao professor líder, que podia circular livremente pelo espaço emitindo feedbacks. Mas este professor líder apenas tinha esta função durante um exercício ao longo de toda a aula e existia a possibilidade de ter de repartir esta função com um colega caso não fosse possível um exercício para cada um. Tenho conhecimento que é impossível cada aluno do mestrado ter a possibilidade de lecionar sozinho para uma turma e que desta forma possibilita mais tempo de contacto com os alunos mesmo não sendo professor líder, dado que no caso da ginástica era responsável por uma das estações. Mas deverse-ia enquadrar com a realidade escolar, ou seja, apenas permitir a realização Realização da Prática Profissional 38 de planos de aula executáveis no contexto escolar em que apenas existe um professor, sem assistentes para uma turma. Este aspeto levou a que este ano sentisse dificuldades na lecionação de ginástica, dado que os planos de aula eram de acordo com o que tinha experienciado anteriormente e que no meu entender se enquadravam com o que pretendia ensinar. Mas rapidamente percebi que não era possível manter a disposição dos exercícios e trabalhar por estações como era hábito no primeiro ano de mestrado. Apesar de eu e a Professora Maria Manuel Friães propormos várias soluções para os problemas que surgiam, parecia que nenhuma surtia efeito, acabando por se tornar um caso de investigação-ação, no qual colocava em prática uma situação e verificava os resultados, necessitando uma reflexão e proposta de nova resolução do problema, até conseguir alcançar os níveis esperados. Esta forma de pesquisa não se torna necessário seguir procedimentos formais bem definidos, mas considera-se que o processo tem, pelo menos, tanta importância quanto os resultados e que o sucesso depende de uma autocrítica permanente e de uma abertura de espírito articuladas com uma exposição das razões que fundamentam as conclusões. Como está descrito no diário de bordo as várias fases e evolução da situação penso que servem na perfeição para a descrição do problema, dado que narra as propostas de soluções, a colocação em prática e nova reflexão sobre as novas circunstâncias vivenciadas, até conseguir solucionar os problemas sentidos. Tudo começou no dia 19 de Outubro em que refiro que “o aspeto negativo foi a necessidade de os outros professores estagiários serem necessários, dado que quando estiver a dar aula sozinho não poderei ter tal ajuda, mas devido aos factos apresentados anteriormente acho que foi indispensável tal assistência, sendo que nas próximas aula continuarei a recorrer aos professores estagiários, para puder proporcionar aos alunos uma maior possibilidade de aprendizagem na mesma aula, uma vez que é possível tal auxílio porque não utilizar dado que me melhora a qualidade de aula.” Este aspeto ocorreu devido ao facto de usar a mesma disposição dos exercícios do primeiro ano de mestrado e necessitei da ajuda dos meus colegas estagiários para que a aula possuísse a dinâmica que pretendia. No dia 21 de Outubro referencio que “ao contrário das aulas de ginástica até agora, decidi trabalhar Realização da Prática Profissional 39 em circuito e não em estações. Com isto pretendia que os alunos rodassem rapidamente por todos os exercícios, para que não estivessem muito tempo na mesma estações a realizar sempre a mesma tarefa, mas a realidade é que os alunos dispersaram a acabavam por formar pequenos grupos e só passavam para o exercício seguinte quando todos o realizavam e não era isto o pretendido.” Portanto, no dia 9 de Novembro coloquei em prática uma nova proposta, sendo que a reflexão constata que “durante a execução do circuito idealizado surgiu um problema. Os alunos aglomeraram na sequência da ginástica de solo. Este facto levou a que a turma se encontrasse quase toda nesse local e os outros praticamente vazios. A solução passa por colocar dois corredores de colchões, assim torna possível a realização do exercício com o dobro dos alunos e consequentemente dar mais dinâmica a este local. Devido à aglomeração existente, criou-se um clima de brincadeira. Este problema foi resolvido com a minha presença e redistribuição dos alunos uniformemente pelos diferentes locais.” Na aula seguinte de ginástica, ou seja, no dia 18 de Novembro voltei a tentar a nova proposta de solução, mas o problema não ficou resolvido, como é possível observar na seguinte citação menciono que “apesar de os alunos terem o dobro do espaço para a ginástica de solo, voltou a haver aglomeração neste local. No final da aula perguntei aos alunos o que sentiram a realizar o circuito, sendo que as respostas basearam-se no facto de terem tido pouca exercitação e consequentemente menor aprendizagem e evolução. A solução para este problema será simples, realizaram circuito mas diferente do habitual. Dividirei a turma em dois grupos. Um grupo realiza circuito no Mini-trampolim (salto em extensão, engrupado, pirueta, carpa e encarpado) e Plinto (salto de eixo e entre-mãos), ou seja, assim que efetuam um salto deslocam-se para o aparelho seguinte. O outro grupo realiza Sequência de Solo (avião, AFI com rolamento à frente, ponte, rolamento à retaguarda e roda), enquanto um aluno executa, dois colegas realizam a ajuda, conforme executam a sequência trocam de funções. Ao fim de 10 minutos os grupos trocam de local à minha ordem. Com esta proposta procuro solucionar um problema que me atormenta desde que iniciei a lecionação de ginástica. Assim espero que os alunos tenham bom tempo de prática desportiva e uma vez que são alunos do 11º ano, concedo-lhes autonomia. Penso que os alunos já são conscientes de que necessitam de praticar para aprender e que não é Realização da Prática Profissional 46 vergonha.” Ou no dia 30 de Maio, em que “muitos alunos queixaram-se que dança não deveria ser considerado desporto e que deveria ser banida do programa nacional, mas acabaram sempre por se exprimir e demonstrar que irão enfrentar este pequeno desafio que necessitam de superar.” Este aspeto surge devido ao facto de a maioria dos Professores de Educação Física não ensinar dança apesar de ser obrigatória no programa nacional. Pude constatar este ano letivo que não existe a formação necessária nos Professores de Educação Física para ensinarem dança, levando a encontrar formas de “se esquivarem”, sendo que os alunos agradecem este facto. Levando a que não seja considerado “normal” o seu ensinamento. No dia 1 de Junho terminei as aulas de dança e refleti no diário de bordo que “com o culminar da aula conclui a modalidade de dança, constatei que evolui e aprendi muito na sua lecionação, conseguindo criar aulas dinâmicas e desafiadoras para os alunos. Na minha opinião estou pronto para ensinar dança aos alunos nos anos vindouros, apesar de ter perfeita noção que necessito ainda de muita formação na área. Portanto quando surgir uma oportunidade, irei aproveitar para que consiga dar mais um passo grande na minha formação.” Após a batalha feroz que realizei com o ensino de dança, pude constatar que é possível encontrar sempre soluções para os problemas que surgem, sendo essa decisão baseada no que eu pretendo alcançar e uma vez que eu quero ser um professor cada vez melhor, a dança fará parte do meu futuro e para isso lutarei para conseguir lecioná-la para que haja aprendizagem e evolução nos alunos. Além disso, pretendo que se sintam à vontade e se divirtam, numa modalidade que não é exigente, mas sim desafiadora. Realização da Prática Profissional 47 4.2. Área 2 – Participação na Escola 4.2.1. Torneio Grandes Jogos Populares O torneio Grandes Jogos Populares (GJP) foi o primeiro a ser organizado em exclusivo pelo núcleo de estágio da FADEUP. Teve lugar no final do segundo período, na chamada “semana aberta”, nesta semana os alunos não frequentam as aulas estando livres para participem nas atividades organizadas por todas as áreas disciplinares. Apesar de se chamar “semana aberta” apenas tem a duração de dois dias. No final do primeiro período não foi possível organizar o corta-mato em conjunto com o núcleo de estágio do instituto Piaget, devido ao conflito gerado entre a direção e o grupo de Educação Física tornando-se assim impossível a sua realização. As propostas feitas não satisfizeram as condições impostas pela direção, levando ao cancelamento do que seria a primeira prova de fogo em termos organizativos para toda a comunidade escolar. De seguida, realizámos em conjunto com o núcleo de estágio do instituto do Piaget, o Mega-Sprinter, que incluía o Mega-Sprint e o Mega-Salto. Apesar do elevado esforço na organização, faltaram alguns pormenores que poderiam ter sido evitados caso tivéssemos tido o apoio necessário do restante grupo disciplinar de Educação Física. Pode-se constatar que os professores estagiários encontram-se na escola para aprender e os erros fazem parte desse processo, mas na minha opinião o grupo de Educação Física poderia ter dado o seu contributo, dado que sabiam de antemão que normalmente ocorrem certos erros, poderiam ter sido evitados caso nos informassem desses possíveis percalços. Aprofundarei mais este assunto na área 3 – Relação com a comunidade. No início do ano letivo o grupo de estágio propôs várias atividades à Professora Maria Manuel Friães, sendo uma delas os GJP. O torneio foi apresentado ao conselho pedagógico e consequentemente aprovado. O nome surgiu quando elaborávamos o projeto e simboliza as iniciais do primeiro nome de cada membro do grupo de estágio (Gustavo, Joana e Pedro), dando origem ao nome formal Grandes Jogos Populares. A razão que nos levou à realização deste torneio foi a necessidade de efetuar uma atividade que envolvesse a comunidade escolar, sendo assim, Realização da Prática Profissional 48 decidimo-nos por um torneio inter-escolas. Pretendíamos organizar um evento lúdico, no qual promovíamos a Escola Secundária Carolina Michaëlis e proporcionava a troca de experiências entre as escolas. A preparação do evento foi longa e dolorosa, sendo que cometemos um erro crasso no processo, ou seja, após o convite formal das escolas não obtivemos nenhuma resposta e demorámo-nos a deslocar às escolas para as obter. No momento em que chegámos às escolas apercebemo-nos que os convites não tinham chegado ao conhecimento dos grupos de Educação Física, possivelmente devido ao facto de termos feito o convite dirigido à direção e não termos entrado em contacto com o responsável pela área disciplinar. Este facto levantou-nos problemas dado que até muito próximo do evento não possuíamos as três escolas pretendidas para a realização, estando apenas a nossa confirmada. No entanto, a Escola E.B. 2/3 Pêro Vaz de Caminha e a Escola Secundária Filipa de Vilhena confirmaram a sua presença e consequentemente participaram no torneio. Como é referido na reflexão final torneio GJP, realizada pelo grupo de estágio, “o núcleo fez uma preparação atempada, sobretudo do ensaio da prova, com atenção especial aos pormenores. Houve um cuidado acrescido com a cerimónia de entrega dos prémios, uma vez que se tratava de um momento formal e de maior exposição. Posto isto, tratamos de encontrar patrocínios para os prémios dos participantes, com a intenção de inovar e ser um dos pontos fortes do evento. De facto, conseguimos prémios apelativos que englobaram diferentes instituições desportivas próximas da ESCM, para proporcionar novas experiências aos alunos. Ainda neste ponto, para divulgar o trabalho da nossa Escola, inicialmente convidámos os alunos de Artes para construírem as medalhas para cada lugar, mas como o pedido foi feito com pouca antecedência, não foi possível concretizar esta ideia. Porém, os professores de Artes tiveram a amabilidade de se predispor a construir as medalhas e, sem dúvida, que este facto veio glorificar o evento e permitir que o objetivo fosse cumprido.” Como é possível constatar existiu uma preparação muito refletida sobre os pormenores que falharam no Mega-Sprinter e conseguimos corrigi-los, sendo o único problema a constituição das equipas, será referenciado posteriormente. Realização da Prática Profissional 49 O evento GJP foi tema principal em muitas reuniões de núcleo de estágio para debater sobre a melhor escolha, sendo o dia 14 de Março um dos exemplos de reflexão no diário de bordo, no qual cito que “a reunião de núcleo de estágio foi muito importante para a evolução nos Grandes Jogos Populares, dado que tínhamos muitos assuntos pendentes, uma vez que necessitamos da aprovação da Professora Maria Manuel Friães para avançarmos e surgiram dúvidas relativamente à melhor opção a tomar. Neste momento encontro-me bastante ansioso para o início do torneio, dado que já trabalhámos e pensámos tanto sobre os pormenores que parece que já sei como irá decorrer todo o torneio, mas é sempre necessário uma última revisão e reflexão para que não falte nada.” Na reunião de área disciplinar de dia 1 de Fevereiro, houve a necessidade de mudar a data do evento, para que esta coincidisse com a “semana aberta”, devido à falta de atividade do grupo de Educação Física. Refleti no diário de bordo sobre o tema, referindo que “a proposta do meu núcleo de estágio recaiu sobre alterar a data da atividade dos GJP, dado que ela iria ter lugar um dia antes da “semana aberta”. Coube-me a mim falar pelo núcleo e explicar o porquê da alteração, sendo que foi rapidamente aprovada pelo grupo de professores de Educação Física. As razões enunciadas para a alteração foram relativas ao espaço, dado que não ocorreram aulas, possibilitando a disponibilização de todo o espaço destinado à prática de desporto para a atividade GJP. Relativamente aos alunos, não terão de faltar às aulas e como se trata de um torneio interescolar, torna-se uma possibilidade de demonstrar um dia diferente na Escola Secundária Carolina Michaëlis.” Posto isto, apenas vantagens se verificavam, sendo que uma das razões dos convites das escolas terem sido declinados, deve-se ao facto de ser comum realizar atividades nos últimos dias do segundo período. Para a realização do evento foi necessário procurar patrocínios e apoio por parte dos professores de Educação Física. Relativamente aos patrocínios fiquei surpreendido pela positiva, dado que conseguimos vários, em troca realizámos publicidade gratuita junto da população alvo das várias empresas, as quais tiveram uma total disponibilidade em ajudar e agradecemos muito a sua ajuda. No que concerne ao apoio do Professores já não foi tão evidente, dado que foram poucos que se prontificaram a ajudar, sendo que um Professor Realização da Prática Profissional 50 sempre se manteve a par da evolução dos acontecimentos e outro Professor disponibilizou uma das suas turmas para ajudar no dia do evento. Ainda da ajuda do núcleo de estágio do instituto Piaget, o qual referimos na reflexão de grupo que “ainda como colaboradores, simpaticamente assumiu funções na fotografia e vídeo, libertando-nos para resolver outras questões de organização.” Também mencionámos que “como colaboradores do evento podemos contar com a preciosa ajuda da turma de Desporto 11ºTD1 e da Professora Marial Manuel. Para que os ajudantes estivessem a par do evento, atempadamente reunimos com a turma para distribuir funções, esclarecer o programa do evento e os respetivos locais de cada prova. Desta forma, abonamos o cumprimento das tarefas essenciais à realização do evento, promovendo igualmente a filiação dos mesmos à atividade.” Esta ajuda surge, pois faz parte do planeamento anual a organização de uma atividade desportiva. Relativamente ao impacto do evento, constatámos que houve mais público da parte da manhã do que na parte da tarde, uma vez que decorreu simultaneamente o torneio de futsal da associação de estudantes. Ainda assim, na hora do almoço as equipas usufruíram de algum tempo livre para conviver, conhecer a Escola e as diferentes atividades paralelas da “semana aberta”, dando mais dinamismo ao evento. Foi-lhes também possível assistir a uma apresentação de Hip-Hop, promovida por um dos patrocinadores. Nesta apresentação não foi possível reunir todos os elementos da organização, porque foi necessário cumprir tarefas para a parte da tarde e a vinda do grupo não nos foi confirmada até à véspera. A seleção dos alunos para a equipa que representaria a escola foi o erro crasso que já referi anteriormente. Como é referido na reflexão de grupo, “este ponto veio desequilibrar a competição e criar algumas desavenças entre as equipas convidadas e a nossa Escola. Estas foram perfeitamente compreensíveis, pelas diferenças dos alunos em termos físicos e nível de performance. Houve ainda algumas críticas por parte da professora cooperante de uma das Escolas, que nosso parecer foram desnecessários, até porque o convívio e a partilha eram os aspetos primordiais do evento. Para colmatar este desacerto, poderíamos ter feito uma equipa mais equilibrada utilizando elementos das nossas três turmas (estagiários).” Este desequilíbrio surge no Realização da Prática Profissional 51 momento em que a nossa equipa era a seleção dos melhores e as restantes equipas eram os alunos das turmas dos professores estagiárias das respetivas escolas. “Apenas conseguimos a participação de duas turmas de diferentes Escolas, não cumprindo o objetivo da equipa ser a representação “dos melhores” de cada Escola. No nosso ponto de vista esta foi a falha mais grave em termos de organização, com a qual aprendemos bastante.” A boa organização ao longo do torneio e a correta distribuição das tarefas permitiu um cumprimento rigoroso do horário estabelecido, também conseguido pela facilidade em utilizar os espaços da Escola, por ser um dia sem aulas. A minha prestação durante o torneio foi quase despercebida, dado que não me encontrava no local de prova, mas sim, a preparar o passo seguinte. Desta forma, possibilitava que existisse uma rápida transição e iniciar as atividades no horário estabelecido e nas devidas condições. Foi pena não ter tido oportunidade de apreciar de perto o trabalho desenvolvido, contentandome apenas pelos comentários e fotografias. Mas foi o suficiente para sentir que cumpri o meu dever. O convívio gerado durante o torneio foi evidente, como referido na reflexão de grupo, “foi visível um convívio muito agradável entre as Escolas convidadas, ao contrário da relação com a equipa da nossa Escola, pelos motivos já referidos, mas também pela inconsistência na utilização dos jogadores. Na parte da tarde, devido à participação simultânea no torneio de futsal, os participantes da equipa da ESCM falharam ao último jogo, sendo necessário convocar outros alunos.” O balanço final é de cumprimento dos objetivos, da passagem de uma imagem de organização positiva para a Escola e para o outro grupo de estágio, na certeza que melhorámos em relação ao evento anterior e que estivemos à altura do desafio. Realização da Prática Profissional 52 4.2.2. Ação de Formação de Orientação e Escalada As modalidades de Orientação e Escalada são consideradas alternativas no programa nacional de Educação Física. Por vezes são desvalorizadas pelos professores ao longo do ano, privando, assim, os alunos de vivenciar uma vasta gama de experiências desportivas, essenciais para o seu desenvolvimento global. No entanto, são modalidades em crescimento e evolução em Portugal, com constante acréscimo de participante e amantes destes desportos. A ideia da realização desta ação de formação surgiu no momento em que o grupo de estágio constatou que a escola possui as infra-estruturas necessárias para a sua lecionação, apesar dos professores de Educação Física não usufruíam dado que não possuíam os conhecimentos necessários. Os objetivos principais desta ação de formação eram desenvolver e incentivar a práticas destas modalidades, assim como contribuir para a formação contínua dos Professores. O núcleo de estágio concluiu que a ação de formação deveria ser dada pelos professores estagiários da FADEUP. Assim, foi possível demonstrar ao professores participantes que não era necessário ser um especialista da modalidade para lecioná-la. Os conhecimentos nestas modalidades foram adquiridos ao longo da formação académica. No meu caso está incluído na minha área de especialização, ou seja, exercício e saúde, na vertente de desportos de ar livre. Possibilitando um sólido ensinamento dos princípios básicos essenciais à lecionação, com uma sequência lógica de progressão e tendo a preocupação pela segurança dos alunos durante a prática desportiva. Inicialmente, o projetado passava por efetuar duas ações distintas para cada modalidade e temos consciência que teria sido muito mais produtivo. Contudo, como programámos a ação de Escalada em primeiro lugar, foi necessário esperar que a Escola obtivesse o material mínimo necessário para a segurança e realização da ação. A espera, fora do nosso alcance, acabou por se alongar demasiado e pela proximidade da ação de Orientação, considerámos pertinente juntar as duas e, desta forma, não marcar mais datas, nem importunar os docentes com mais idas à Escola fora do horário letivo. Esta situação ocorreu devido às obras de restauração realizadas na escola, levando Realização da Prática Profissional 53 à mudança de local da parede de escalada. Para ser possível a sua utilização tem de cumprir as normas de segurança, para tal era necessário a vistoria por uma entidade que assegurasse as suas condições e que fosse aceite pelo Parque Escolar. Infelizmente esta situação demorou demasiado tempo e o impasse proporcionou a que a ação de formação de escalada fosse repetidamente adiada. Para a preparação da mesma apenas utilizámos o material existente na Escola para que fosse exequível, nos anos seguintes, lecionar estas modalidades. Por outras palavras, pretendíamos mostrar como é possível ensinar Escalada e Orientação com as condições reais da Escola. Logicamente que a parede teve de ser homologada e foi necessário comprar corda e capacetes, mas estes são materiais indispensáveis para a lecionação e, no nosso entender, são um bom investimento futuro. Para a Orientação obtivemos os mapas através do Google Maps, edificámos questões específicas para substituir as balizas e utilizamos papel para criar os jogos, sendo tudo isto de baixo custo. Apesar de a Escola ter gasto dinheiro no material para Escalada, já existia algum material, mas que era obsoleto sem a corda e os capacetes, que acabaria por, com o tempo, se estragar e não ter o devido uso. Embora tivéssemos projetado a intervenção dos três estagiários na formação, acabei por ser apenas eu a ministrar toda ação. Esta alteração surgiu porque durante a parte da Escalada, a ligação criada com os participantes foi tal, que achámos por bem mantê-la e dar continuidade a uma intervenção segura, confiante e de qualidade. Porém, apesar de possuir mais formação na área e já se prever uma maior intervenção da minha parte, acho que deveria ter tido mais apoio por parte dos meus amigos estagiários. Podendo eles liderar a parte da Orientação para me libertar e mostrarem o seu trabalho. Esta situação proporcionou um cansaço muito elevado da minha parte, sendo descrito no diário de bordo, mais concretamente no dia da ação de formação, “senti um grande desgaste físico e psicológico, dado que tive de ser eu a dar toda a formação, ou seja, quase três horas seguidas a falar, a exemplificar e a corrigir. Na minha opinião poderia ter tido mais ajuda dos meus colegas de estágio, dado que foi planeada pelos três, mas como era eu que possuía mais conhecimentos acabei por ter a função de “formador”.” Realização da Prática Profissional 54 O lanche foi outro pormenor da ação que tivemos bastante em conta, pela necessidade de criar um momento de pausa com qualidade e alguma formalidade, recorrendo para isso à ajuda da professora Maria Manuel Friães. Este momento proporcionou um convívio agradável, onde se puderam discutir ideias, conversar, descansar um pouco e adoçar a boca. Acabou por sobrar alguma comida, mas apreciámos que não foi pela baixa qualidade da mesma, mas sim pela demasiada quantidade existente Os professores presentes foram muito interventivos e colocaram muitas dúvidas. Isto demonstra que se encontravam interessados pelo assunto e que no futuro pretendiam colocar em prática os conhecimentos obtidos. Existiram situações que achámos que seria pertinente a realização prática e os Professores participaram com grande empenhamento. Este momento permitiu alguma diversão e relaxamento entre os participantes. De frisar, que apesar de a ação de formação ser aberta a toda a comunidade docente da escola, apenas os professores de Educação Física participaram, demonstrando que os docentes apenas se interessam pela sua área de lecionação. No que se refere à Escalada considerámos que a intervenção teórica foi objetiva e de qualidade, apoiada com exemplos e experiências reais que acarretaram uma grande interação dos participantes com o formador e com o conteúdo. Foi possível aos participantes treinarem quatro tipos de nós e compreender a sua utilização; conhecer, tocar e aprender a vestir o material; realizar ajuda em top rope de duas formas distintas; aos mais aventureiros, foi possível escalar na parede e viver de perto as emoções da modalidade. Demos mais tempo para a prática do que propriamente à instrução, mostrando-se pertinente e motivante para todos. Para nós foi um prazer constatar o interesse dos participantes em aprender, poder suprimir as dúvidas, poder dar a vivenciar novas sensações e erradicar algum receio em escalar. No final, foi possível constatar que como lapsos apenas tivemos a apontar o esquecimento em explicar a melhor forma de colocar a corda em Top rope na parede e de como proceder à sua arrumação e pelo facto dos dois elementos do grupo terem apenas uma intervenção de gestão do material e auxílio aos participantes. Durante toda a ação conseguiu-se um clima bastante positivo, informal, de interação constante entre todos, sendo muito enriquecedor para o convívio e para a promoção de aprendizagens. A vertente Realização da Prática Profissional 55 prática foi muito enriquecedora e pertinente, vindo dar todo o sentido à ação e proporcionar vivências significativas. Estimamos que todos os objetivos gerais propostos foram alcançados e foi com muito agrado que recebemos os parabéns por parte dos professores, mas sobretudo por constatarmos a utilidade da ação para os mesmos, num sentimento de grande recetividade. O sentimento final foi sem dúvida de dever cumprido. Sentimos que ganhámos o respeito do grupo e que valeu a pena a insistência pela parede, pois pudemos contribuir para que, no futuro, haja Escalada na ESCM e todos os alunos possam ganhar com esta mudança. Tornou-se uma vitória pessoal, por tudo o que foi referido anteriormente e devido à possibilidade de poder demonstrar diretamente ao grupo de Educação Física alguns dos meus conhecimentos, evidenciando que possuo uma formação consolidada. Ainda de referir que os participantes nos deram os parabéns pela ação de formação e pela forma como se encontrava estruturada, fazendo com que toda a preparação e degaste fossem apreciadas e proporcionassem um sentimento de vitória. Realização da Prática Profissional 62 muito mal aproveitado, dado que teve início as 8h30, mas realmente só começaram a ser debatidos os temas 9h. Isto deveu-se a que a diretora de turma apenas lançou as notas nesse momento. Penso que poderia ter chegado um pouco mais cedo e ter tido a preocupação de resolver logo essa situação para que a reunião fosse mais dinâmica. Mas à conclusão que começo a chegar é que os professores não querem fazer nada mais do que são obrigados e sendo assim é complicado que haja avanços e melhorias na educação.” Já na reunião de 2º período a reflexão no diário de bordo incidiu no mesmo assunto, no dia 26 de Março, “mais uma vez o tempo foi muito mal aproveitado, dado que mais uma vez a diretora de turma apenas lançou as notas nesse momento. Mas dado que pelos vistos é uma situação recorrente penso que não vale a pena refletir mais sobre isso.” E no terceiro período voltou a verificar-se a mesma situação, sendo que neste caso o facto do programa informático apresentar várias lacunas não contribuiu para uma melhor dinâmica na reunião. Penso que os Professores deveriam previamente dar as notas ao diretor de turma para que este antes da reunião proceda ao seu lançamento, promovendo desta forma uma maior dinâmica e possibilidade de debater outros assuntos pertinentes. Um maior esforço por parte dos Professores na sua organização poderia proporcionar a um avanço na educação e consequentemente uma melhor aprendizagem, mas como são poucos a tentar “remar contra a maré” torna-se difícil a sua prevalência, levando a que todos acabem por optar pelo caminho menos trabalhoso. Na minha opinião os Professores não gostam de se apresentar nas reuniões, uma vez que grande parte são assuntos irrelevantes. Mas como são de caracter obrigatório poderiam fazer um esforço para que estas fossem dinâmicas e que existisse cumplicidade em resolver os problemas existentes. Para não referir que existiria respeito pelo trabalho do orador e organizador, sendo que este teve trabalho na sua preparação e preocupação em apresentar soluções aos diferentes problemas. Mas apenas quando iniciar a minha vida como docente me poderei realmente pronunciar relativamente a este assunto, uma vez que ainda me apresento muito “verde perante a fruta madura”. Realização da Prática Profissional 63 4.3. Área 3 – Relação com a Comunidade 4.3.1. A união do grupo de Professores de Educação Física O provérbio popular a união faz a força caracteriza o grupo de Professores de Educação Física da Escola Secundária Carolina Michaëlis. Liderado por um professor que, na minha opinião, é o grande impulsionador para o sucesso do grupo na escola, que tem como principal preocupação os alunos e a realização de atividades. Todos os membros são unidos na proteção dos interesses referentes à Educação Física na Escola, existindo um clima de amizade. Devido às características da Escola não é possível a convivência permanente com os restantes Professores das diferentes áreas, mas não impede que exista uma relação e se desloquem aos restantes espaços da Escola além dos destinados à Educação Física. O convívio era fundamental para todos e os almoços e jantares eram uma constante, sendo um exemplo o dia 27 de Janeiro do diário de bordo, no qual “após a arrumação do material os professores de Educação Física convidaram os estagiários a ir almoçar, o convívio gerado neste almoço foi fundamental para o entrosamento na comunidade educativa, mais propriamente com os professores de Educação Física.” Estes momentos ao longo do ano letivo foram fundamentais para me sentir parte integrante do grupo da área disciplinar e que apesar de estagiário era igual aos restantes membros. Ao longo do ano letivo surgiram algumas quezílias, mas na minha opinião é normal dentro de um grupo de colegas de trabalho surgirem pequenos conflitos de opinião até se chegar a um veredicto concreto. Como referi anteriormente, no meu entender os Professores apenas realizam as atividades às quais são obrigados e não pretendem fazem esforços complementares. No diário de bordo está explicito que esta foi uma das razões para a não realização do corta-mato escolar. No dia 9 de Novembro, refleti sobre a reunião de área disciplinar na qual se decidiu sobre a realização do corta-mato e o esforço que foi necessário para se chegar à conclusão que não existiam condições para a sua prática, “mas a verdade é que os professores de Educação Física queriam deslocar-se em massa para o palácio de cristal e Realização da Prática Profissional 64 passar toda a manhã com o corta-mato, isto devido à escola não proporcionar condições dignas após as obras de requalificação para a sua realização. Eu percebo que todos queiram participar, mas a noção que fiquei é que nenhum deles quer lecionar neste dia.” Ao longo da reunião foi possível verificar quem realmente pretendia a sua realização, dado que “apenas três ou quatro professores em quinze mostraram interesse na realização e tentaram todas as hipóteses para que tal acontecesse, enquanto os outros se limitavam a negar todas as possibilidades que existissem além da proposta inicial. Isto devido a simplesmente não lhes causasse transtorno. Com esta reflexão posso estar a ser injusto, mas foi a impressão com que fiquei no final da reunião. Na realidade passaram-se horas a discutir sem se chegar a qualquer tipo de conclusão além da não realização do corta-mato, isto devido à inflexibilidade dos professores presentes na reunião.” Durante a realização de outra reunião foi possível verificar a despreocupação existente no grupo na apresentação de atividades para o plano anual de atividades e verificar os erros presentes na planificação anual para o presente ano, uma vez que este foi igual ao ano letivo transato, alterando apenas os erros verificados. No diário de bordo tive a possibilidade de refletir sobre este facto, mais concretamente no dia 26 de Outubro, no qual foram aprovados estes dois documentos fundamentais, sendo que “a planificação anual sofreu as alterações propostas na reunião anterior e foi aprovada em grupo. Algo curioso é que apenas a planificação do 11º ano, a qual o meu grupo de estágio ficou encarregue é que sofreu alterações, devido a várias incoerências. Na minha opinião deveriam existir mais erros nos outros anos mas simplesmente não me parece que os professores se preocupem muito com esses pormenores. Aconteceu o mesmo com os critérios de avaliação e o regimento de Educação Física, mas neste caso não existiu qualquer tipo de alteração. Foi dada extrema importância ao plano anual de atividades, mas para meu espanto todas as atividades propostas foram feitas e serão realizadas pelos grupos de estágio. Apenas existirá um torneio de basquetebol que não terá a participação dos estagiários, por incrível que isto possa soar, mas que a organização será da responsabilidade dos representantes do Compail-air. Isto pode demonstrar que a maioria dos professores não se preocupa em criar atividades extracurriculares para os Realização da Prática Profissional 65 alunos e que é necessário os estagiários terem essa iniciativa. Mas depois durante a sua realização certamente gostaram de estar presentes e serem também glorificados pela atividade. Na minha opinião acho que isto não são tarefas exclusivas dos estagiários mas sim do grupo de Educação Física e que todos deviam participar ativamente e mostrar interesse no seu sucesso. Portanto venho desta forma mostrar o meu desagrado e esperar que quando eu for professor não tenha este tipo de atitudes.” Após estes exemplos é possível verificar que nem todos os Professores ajudaram nas atividades nem as propuseram, à espera que os estagiários tomassem a iniciativa, mas este processo faz parte do meu crescimento e preparação para o futuro como professor. Portanto, posso afirmar neste momento que lhes agradeço este facto, uma vez que tenho a perfeita noção do trabalho que exige a planificação e realização de uma atividade que envolva a comunidade escolar e da necessidade de várias reflexões sobre os possíveis erros que ocorrem no processo. Apesar destes aspetos menos positivos tenho de referir que a maioria dos Professores se mostraram dispostos a ajudar-me e estiveram presentes na minha evolução como docente, aos quais tenho de agradecer. Realização da Prática Profissional 66 4.3.2. “Olha os estagiários” No momento em que a comunidade escolar teve conhecimento que era estagiário, adquiri um rótulo do qual necessitei de muito esforço para ultrapassar e ganhar o respeito pelos membros da escola. No princípio senti a necessidade de ganhar o respeito do grupo de Educação Física. Este facto ocorreu para que me conseguisse sentir totalmente integrado e esta sensação começou no momento em que as atividades presentes no plano anual de atividades eram realizadas, dado que era neste momento que conseguia demonstrar diretamente as minhas capacidades e conhecimentos. O facto de ser professor estagiário dificulta muitos processos na escola. Isto sucede devido ao facto de necessitar sempre de uma autorização, neste caso da Professora Maria Manuel Friães, para realizar as tarefas mais simples, como por exemplo tirar fotocópias, em que era necessário o cartão da Professora Cooperante, ou para abrir a porta do gabinete de Educação Física, dado que nunca possuí a chave. Senti inicialmente que os próprios funcionários não me viam como docente, possivelmente por demonstrar por vezes o aluno que ainda existe em mim e por ao contrário de muitos Professores, ter a amabilidade de pedir e não ordenar. O facto de ter a preocupação de arrumar o material e preferir ser eu a escolher o meu material da aula pode apontar para alguma falta de amadurecimento, mas foi assim que fui educado e faz parte da minha maneira de ser. Na minha opinião tudo mudou com o evoluir do tempo e demonstração que possuo o necessário para me tornar um profissional na área da educação. No final do ano letivo o respeito já era recíproco e possibilitou alcançar os objetivos mais facilmente. O reconhecimento do trabalho do grupo de estágio ficou bem implícito no agradecimento formal por parte do grupo disciplinar de Educação Física na última reunião na qual estivemos presentes. Este facto é de extrema importância para mim pelo simples facto de ter conseguido transmitir conhecimentos e marcar a escola com a minha presença. Realização da Prática Profissional 67 Este processo faz parte integrante do Estágio Profissional e é necessário percorrê-lo para adquirir confiança e experiência. Os factos apresentados anteriormente contribuíram na minha preparação como docente e no futuro estarei melhor preparado para as possíveis situações menos positivas que possam ocorrer. Ao refletir sobre este tema, posso concluir que é possível alcançar o respeito. Portanto, no entender da comunidade escolar o rótulo de estagiário desapareceu e já era considerado como um do grupo. Esta circunstância apenas é possível através do trabalho árduo e da honestidade durante a aprendizagem, neste ano de novas experiências e do testar das nossas capacidades. Realização da Prática Profissional 68 4.3.3.Os alunos da Escola A comunidade escolar é imensa, mas os alunos são o principal alvo de todas as atividades desenvolvidas e uma boa relação professor-aluno é fundamental para atingir os objetivos propostos. A motivação e empenho elevam-se, e ao mesmo tempo existe um bom clima de aula, sucedendo que no caso da Educação Física boas vivências desportivas e consequentemente uma melhoria na qualidade de vida. A relação professor-aluno criada não se limitou à minha turma. Muitos dos alunos com os quais criei uma ligação é referente ao momento em que tive a possibilidade de lecionar a outras turmas, enquanto outros foi através do desporto escolar ou na conversa no bar. Esta situação proporcionou a que quando passassem por mim me cumprimentassem. É uma situação normal e que acontece com frequência, todavia no meu caso é totalmente nova. Pela primeira vez tive a possibilidade de me encontrar do outro lado da medalha, dado que quando era aluno apenas cumprimentava os docentes não pertencentes à minha turma que conhecia e de que gostava. Logo agora que sou docente e os alunos me saúdam, sinto que eles têm o sentimento que eu tinha. Esta ligação professor-aluno permitiu-me usufruir de bons momentos, os quais me fazem ter boas recordações. Por exemplo, o facto de alunos que não pertenciam à minha turma me convidarem para jogar futsal com eles após as aulas às sextas-feiras nas instalações da escola. Aceitei este convite com muito agrado e até ao final do no letivo não faltei a nenhum jogo. Estes momentos permitiram-me aproximar dos alunos e sentir-me cada vez mais Professor. Com o evoluir do ano letivo já existiam brincadeiras entre nós e metiamse comigo mesmo fora das instalações escolares, provando que existia cumplicidade. No final do ano letivo um grupo de alunos com os quais tinha uma relação próxima, veio falar comigo e perguntaram-me se iria ficar na Escola para o ano e após resposta ficaram desiludidos, chegando a dizer “Os stôres de que gostamos nunca ficam!” Este aspeto foi importantíssimo para mim e para o meu bem estar, sucedendo a que mais uma vez provasse que consegui Realização da Prática Profissional 69 chegar aos alunos e demonstrei que os Professores podem ser próximos e atenciosos. Esta sensação de alunos gostarem de mim é excelente e pretendo, no momento em que for docente reforçar este comportamento e tentar ter uma relação afetiva com o máximo de alunos. Assim conseguirei um dos objetivos de ser docente, ou seja, mesmo não me encontrando em tempo letivo posso ter uma relação professor-aluno e continuar a ensinar através de pequenas brincadeiras. Desta forma, conseguirei tirar o máximo proveito da profissão enquanto eu e os alunos nos divertimos aprendendo. Realização da Prática Profissional 70 4.4 Área 4Desenvolvimento Profissional 4.4.1 A necessidade de refletir “A reflexão serve o objetivo de atribuição de sentido com vista a um melhor conhecimento e a uma melhor atuação.” (Alarcão, 1996, p.180) Um fator preponderante para o sucesso do estágio profissional é ser-se reflexivo sobre todos os aspetos, o que permite uma evolução concisa e uma melhor aprendizagem para os alunos. Ser reflexivo é um conceito que no ano transato já fazia parte da minha formação de como ser professor. Tornando a reflexão uma atitude docente indispensável à lecionação, que provoca alterações nas estratégias e planeamento de um ensino de qualidade. Através da reflexão consegui melhorar muitos aspetos na minha atuação a lecionar, possibilitou-me ponderar sobre a minha relação com a comunidade educativa, permitiu-me retratar a organização das atividades realizadas. Isabel Alarcão (1996, p.175), afirma que “ser-se reflexivo é ter a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentido”. No meu entender esta frase apesar de simples, tem uma complexidade profunda, uma vez que ao refletir consegue-se perceber o significado das atitudes tomadas e encontrar uma solução para problemas. É necessário refletir sobre todos os aspetos, tanto positivos, como negativos, dado que tal procedimento permite perceber na totalidade o fator que levou uma dada situação ao sucesso inesperado, ou ao fracasso. Assim possibilita que se aprenda com os erros, para que não se volte a repetir, e reforça os procedimentos positivos para que se consiga manter o êxito. O ato de refletir requer a capacidade de autocrítica, no caso em que somos intervenientes ou de observação quando nos encontramos a supervisionar. Isto supõe que existem conhecimentos relativos ao tema abordado e que se procura encontrar uma forma de interpretação, ou seja, avaliar o procedimento e entender a razão que levou à atitude ou ação. Para Alarcão (1996, p.179), “refletir sobre uma ação, uma atitude, um fenómeno, temos como objeto de reflexão a ação, o fenómeno e queremos compreendê- Realização da Prática Profissional 71 los. Mas para os compreendermos precisamos de os analisar à luz de referentes que lhe dêem sentido. Estes referentes são os saberes que já possuímos, fruto da experiência ou da informação, ou os saberes à procura dos quais lançamos por imposição da necessidade de compreender a situação em estudo.” Um dos principais objetivos a que me propôs alcançar como professor estagiário foi conseguir a autonomia dos alunos. Isabel Alarcão (1996, p.187), refere que “educar para a autonomia implica fazer um ensino reflexivo que, por sua vez, se baseia numa postura reflexiva do próprio professor.” Ou seja, para se conseguir obter este patamar, a reflexão é um ato implícito e que requer dedicação. O estágio profissional tem como intenção tornar o professor cooperante desnecessário à prática da docência por parte do professor estagiário. Na minha opinião, este patamar apenas é alcançado posteriormente após a autonomia da turma, portanto o professor estagiário encontra-se pronto para ser docente, no momento em que consegue a autonomia da turma e consequentemente “independência” do professor cooperante. Após conclusão da minha formação inicial como docente, é possível afirmar que adquiri uma excelente experiência e uma nova perspetiva sobre a lecionação. O ato de refletir sobre a docência tornou-se uma rotina, uma parte integrante e necessária para melhorar a minha prestação e reforçar os aspetos positivos. Consegui perceber a sua utilidade e necessidade, sendo que posso assegurar que o principal beneficiário, não sou eu, o docente, mas sim os alunos e toda a comunidade escolar, tornando a escola um local onde se aprende, existe convívio e diversão. Realização da Prática Profissional 78 um carácter de novidade, o que promove fundamentalmente um despertar e um interesse à medida que se vai jogando, permitindo aos participantes um melhor conhecimento, construindo interiormente o seu mundo. Este tipo de atividades são um excelente meio para a construção do conhecimento. Neves, refere que o lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. Assim, na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. A criança e o jovem opõem uma resistência à escola e ao ensino, porque acima de tudo não é lúdica e não promove o prazer. O lúdico, demonstra ser importante para a saúde mental do ser humano, sendo que necessita de mais atenção dos pais e educadores, dado é um momento de expressão genuína do ser, é o espaço e o direito de toda a criança e jovem para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos. Luckesi (2000), evidencia que o lúdico torna o ser humano mais amplo, que não se relaciona apenas através de brincadeiras ou jogos, mas também a um sentimento, a uma atitude do sujeito envolvido na ação. Refere-se ao prazer de celebrar em função do envolvimento com a atividade e da sensação de grandeza. Através de atividades lúdicas pedagógicas, as pessoas, principalmente as crianças, desenvolvem o senso de organização, o espírito crítico e competitivo, o respeito mútuo, além de aprenderem e fixarem conteúdos com muito mais facilidade. A maior aprendizagem está na oportunidade de aplicar os conhecimentos obtidos na atividade lúdica noutra situação. O brincar é um fator muito importante do desenvolvimento, pois possibilita e favorece transformações internas. A qualidade do trabalho pedagógico está associado à capacidade de promoção de avanços no desenvolvimento do aluno, destacando-se a importância das atividades lúdicas no processo ensino/aprendizagem, assim como a importância da proposta pedagógica adotada pela escola. Segundo Kishimoto (1999), a dimensão educativa surge quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas com vista a estimular certos tipos de aprendizagem, sendo que para Costato e Sponda (2009), a atividade lúdica é tanto fonte de lazer como de conhecimento. O ludismo das situações Realização da Prática Profissional 79 educativas possibilita uma grande melhoria no desenvolvimento físico e psicomotor da criança e jovens após as atividades. Silva, Mettrau e Barreto (2007), referem que através do lúdico, tanto a criança quanto o adolescente são livres para determinar as suas ações. A essência do brincar é a criação de uma nova relação entre as situações pensadas e as situações reais e possíveis. Segundo Balestro (2001), desenvolver o aspeto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, ou seja, os processos de socialização, expressão e construção do conhecimento. Alves (2003), afirma que a utilização do lúdico na escola como recurso pedagógico é riquíssima, pois o brinquedo desperta interesse e curiosidade, aspetos que contribuem na aprendizagem. Enquanto Teles (1999), reforça que a brincadeira, o jogo e o humor colocam o individuo em estado criativo. Entretanto, se a brincadeira que estimula a criatividade só pode nascer num estado de liberdade e flexibilidade psicológica, de busca de prazer, de auto-realização, de motivação. Pode-se concluir que o desenvolvimento encontra-se profundamente vinculado aos objetivos educacionais. Já Brougère (1995), reflete sobre a questão da comunicação, um acordo entre os que brincam, para que a mesma possa acontecer. E isso acontece ao longo das atividades lúdicas, quando os participantes discutem entre si sobre os assuntos e chegam a um acordo sobre a resposta certa. O lúdico estimula a criatividade e imaginação. No espaço de aula é enriquecedor trazendo bons resultados na aprendizagem. É muito significativo, pois o lúdico desenvolve a criatividade, a cooperação e o bom humor, necessário ao educando e de grande valor para a sua formação pessoal. Segundo Oliveira (1985), o lúdico é um recurso metodológico capaz de proporcionar uma aprendizagem espontânea e natural. Estimula a crítica, a criatividade, a sociabilização, sendo, portanto reconhecido como uma atividade significativas pelo conteúdo pedagógico social. Tal é reforçado por Salomão (2007), ao comprovar que estas atividades funcionam como exercícios necessários e indispensáveis para que haja uma aprendizagem com divertimento, por proporcionar prazer no ato de aprender e facilitar as práticas pedagógicas na sala de aula. Realização da Prática Profissional 80 Segundo Fenalti (2004), o lúdico não se encontra institucionalizado, não é uma atividade restrita à idade dos indivíduos. A autora refere que o lúdico está presente nos mais diversos momentos da vida, em qualquer lugar e a qualquer hora, de acordo com o desejo de cada um. A importância das atividades lúdicas para o desenvolvimento dos aspetos cognitivo, físico e emocional dos indivíduos se torna algo inquestionável, pois é por meio do lúdico que as crianças e jovens, em muitas das vezes, se expressam, conhecem e transformam a realidade que lhes é apresentada. De salientar que o lúdico tem o carácter de jogos, brinquedos e divertimento. Com isto, é possível dizer que o lúdico provoca gosto pela prática, que envolve fantasias, diversão e simbolismo. É muito importante que a criança e jovem estejam sempre envolvidas com o lúdico, pois no momento em que são afastadas dele, tudo se torna triste e sem graça. A atividade física lúdica, além do já referido prazer, é também um artifício para que se possa atingir o hábito de uma vida mais saudável. No momento em que o indivíduo aprende a ter hábitos saudáveis desde da infância, através do lúdico, aumenta a probabilidade deste manter esses hábitos durante toda a sua vida inteira, elevando a qualidade de vida e consequentemente a perspetiva de vida. As atividades lúdicas, por meio de seus conteúdos educativos, despertam nas crianças comportamentos e valores que serão reproduzidos em uma fase mais tardia no contexto social em que se encontram inseridas. O lúdico pode ser uma excelente ferramenta para estimular as crianças. Desta maneira, vários profissionais podem usá-la como instrumento para incitar nas crianças a vontade de executar alguma tarefa. Segundo Carvalho (2003), a utilização técnica da atividade lúdica pode variar de acordo com os objetivos específicos de cada área, com as necessidades de cada criança e a formação dos profissionais. Realização da Prática Profissional 81 4.4.3.3. A Motivação na Educação Física O conceito de motivação é muito abrangente e de difícil definição, dado que este tem sido utilizado com diferentes sentidos. Para Chiavenato (1999), a motivação é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a uma propensão a um comportamento específico, podendo este impulso à ação ser provocada por um estímulo externo ou também ser gerado internamente nos processos mentais do indivíduo. Existem várias teorias para a motivação, que irão ser retratadas mais à frente. Inicialmente torna-se importante de realçar que pode ser considerada intrínseca ou extrínseca. Morris e Maisto (2004), definem motivação intrínseca respeitante às recompensas que se originam da atividade em si e a motivação extrínseca refere-se às consequências dessa atividade. A motivação intrínseca resulta na aprendizagem de alta qualidade e criatividade, é especialmente importante no detalhe de fatores e forças que engendram ou a comprometem (Ryan e Stiller, 1991; Deci e Ryan, 2000, cit. por Ryan e Deci, 2000b). Descrevem ainda que um tipo de regulação comportamental é a motivação. Consideram que tanto a motivação intrínseca e como extrínseca representem diferentes intensidades de vontade, representando a ausência de motivação. Ntoumanis (2005), afirma que a motivação é evidente quando indivíduos necessitam de intenção e vontade de se envolver em um determinado comportamento e muitas vezes resultam de sentimentos de incompetência e falta de habilidade. Cruz (1996), refere que a motivação extrínseca vem de outras pessoas ou fatores externos, sob a forma de reforços positivos e negativos. Mas, a motivação intrínseca pode levar as pessoas a serem mais competentes, a quererem aprender mais. Estes casos são alusivos a indivíduos que procuram a ação ou excitação, de forma a divertir-se e aprenderem o máximo que forem capazes. Martinez e Chirivella (1995), refletem sobre a relação entre motivação intrínseca e extrínseca, que a maior parte dos estudos leva à conclusão de que as recompensas extrínsecas podem prejudicar a motivação interna, a menos quando esta última seja elevada. Realização da Prática Profissional 82 Castuera (2004), refere que as teorias da motivação podem apresentarse como um contínuo desde o mecanicista até ao cognitivo. Assim, aparecem teorias que concebem ao indivíduo posição mecanicista como um ser passivo sujeito às influências do meio, até teorias que desde uma perspetiva cognitivista destacam o papel ativo dos indivíduos como indicadores da ação através da interpretação subjetiva do contexto de execução. Tresca e De Rose Jr. (2000), realizaram um estudo comparativo da motivação intrínseca no meio escolar, sendo que a maioria dos alunos aprecia as aulas, julgando-as ótimas ou boas. As razões fundamentais apresentadas por um dos grupos investigados foram a figura do professor e seu modo de ensinar, a possibilidade de aprender e praticar desportos e atividades diferentes, considerar as aulas uma prática saudável e divertida, o prazer de se movimentar e fazer novas amizades. O outro grupo justificou-se principalmente por acreditar ser uma prática saudável, gostar de aprender atividades novas, exercitar-se e aprender diferentes desportos. O relato de Rocha (2009), demonstra que “o desportista com níveis de motivação intrínseca muito baixa, a participação em atividades desportivas pode aumentar mediante recompensas externas. As recompensas extrínsecas parecem afetar a motivação intrínseca de duas maneiras: diminuindo-a, quando as pessoas percebem uma mudança no locus de controlo de interno a externo, ou aumentando-a, quando a recompensa externa proporciona ao sujeito informação que lhe permite aumentar seu sentimento de competência.” Portanto na escola é fulcral a incidência sobre a motivação dos alunos e dos próprios professores, uma vez que nas situações de aprendizagem, a motivação do aluno está intimamente relacionada com a motivação do professor. Mas, para motivar o aluno, há a necessidade de um senso de compromisso com a educação, por parte do professor, mais ainda, de um entusiasmo e até mesmo de uma paixão pelo seu trabalho. Freitas, Costa e Faro (2003), defendem que o estilo motivacional do professor, promotor da autonomia de seus alunos, deve estar presente em todas as situações de ensino, como, por exemplo, nas propostas e organização de tarefas, pois, assim, possibilitam sua autodeterminação e perceção de competência. Rocha (2009), aponta para os fatores que levam a Educação Física a ser considerada como uma disciplina altamente motivadora, o professor Realização da Prática Profissional 83 constitui, sem dúvidas, um dos mais importantes, devido a ser o elemento que vai pôr em prática esse processo. No caso de Pereira (2006), refere que a importância do professor seja conhecedor das necessidades dos adolescentes, favoreça e os incentive a participar nas aulas de Educação Física é fundamental para o seu desenvolvimento. Marante e Ferraz (2006), reforçam que para se alcançarem os objetivos na escola, o docente é um elemento fundamental no processo de ensino/aprendizagem. A motivação nas aulas de Educação Física é determinada através do comportamento e das atitudes do educador durante sua prática. Paes (2002), mais uma vez refere que é fulcral o professor na condução do processo educacional, no qual destaca três aspetos fundamentais. Primeiro, a educação é uma área de intervenção e o professor deverá sempre promover intervenções positivas, ou seja, mostrar para o aluno o certo e não simplesmente comentar e criticar o errado. Segundo, o professor deverá sempre incentivar e motivar todos os alunos a praticar desportos. Por último, o docente necessita de promover e administrar a relação de ensino/aprendizagem do desporto na escola. Castuera (2004), defende que o professor de Educação Física se vê fortemente condicionado pela influência de outras variáveis como as socioeconómicas, ambientais, familiares e culturais, por isso, tem um papel não desprezível como um elemento de mudança social e não só como mero transmissor de conhecimentos. Martins Jr (2000), em pesquisa realizada preveniu que o conhecimento das teorias da motivação deveria ser um dos pressupostos dos professores de Educação Física, para que o seu ensino fosse mais interessante para os alunos, muito embora só esse conhecimento não lhe garantisse uma efetiva aplicação no seu ensino e, tão pouco, os efeitos desejados. No estudo realizado por Perez et al (2004), assume-se, de acordo com os resultados encontrados, que conhecer o pensamento e as cognições dos alunos é muito necessário, analisá-los à luz das suas diferenças culturais, de etnia ou de género. Realização da Prática Profissional 84 Reforçar a motivação dos estudantes, entender como a motivação tem sido associada à participação em atividades físicas fora da escola e intenções futuras à prática de exercício, são objetivos importantes na Educação Física. A motivação para a prática da Educação Física é um tema que desperta grande interesse atualmente. Compreender os processos de otimização da motivação para as aulas de Educação Física tornou-se de suma importância, na esperança de contribuir para o desenvolvimento integral dos alunos que desta prática fazem parte. Morris, Clayton, Power e Jin-Song (1995), reforçam que o entendimento da motivação na Educação Física é importante no processo educativo para despertar a ação ou sustentar a atividade. Todos estes pontos referenciados demonstram que a motivação é essencial nas aulas de Educação Física e que o docente necessita de identificar as necessidades dos discentes para colocar em prática as atividades letivas. Realização da Prática Profissional 85 4.4.3.4.Jogos lúdicos como motivação para as aulas de Educação Física Para Lara (2004), os jogos começam a ter impacto nas escolas, numa tentativa de trazer o lúdico para dentro da sala de aula. Refere que a intenção dos docentes com a sua utilização realizar uma lecionação mais agradável e com o intuito de tornar a aprendizagem mais fascinante. Outro aspeto, é alusivo ao facto das atividades lúdicas poderem ser consideradas como uma estratégia que estimula o raciocínio, levando o aluno a enfrentar situações de conflito relacionadas com o seu quotidiano. As crianças e os jovens quando se envolvem nas atividades lúdicas é-lhes estimulada a curiosidade, ou seja, a motivação é utilizada como estímulo à descoberta. Assim, o docente estabelece o seu trabalho de acordo com as capacidades e necessidades dos alunos, gerando um ambiente motivador no qual o discente é levado a agir para satisfazer a curiosidade que foi despoleta pela atividade. Cazela (2009), refere no seu estudo que o lúdico desenvolve a motivação dos alunos para que aprendam realmente o que é ensinado, ou seja, aprendam com disposição e responsabilidade. Os resultados demonstraram que durante as atividades lúdicas os alunos se apresentavam motivados e queriam saber cada vez mais. O lúdico motiva os alunos e faz com que estes queiram superar os desafios colocados. Na presença do lúdico os alunos aprendem enquanto brincam sem se aperceberem, pois o que os motiva são os desafios propostos pelas atividades lúdicas. De mencionar que existiu uma elevada união entre os participantes, que se manifestava na ajuda mútua para a superação dos obstáculos. Segundo Borba (2006), a atividade lúdica mostra-se uma excelente forma de combater a obesidade. Além disso, um dos aspetos positivos referese à permanência da atividade física, dado que o lúdico apresenta elevados níveis de satisfação no momento em que se realizam as atividades físicas propostas, consequentemente existirá mais motivação, o que produzirá maior vontade de se exercitar. Assim, o exercício físico deixa de ter uma conotação negativa, para se tornar parte integrante do quotidiano. O conceito de socialização que o lúdico possibilita, tem um carácter de participação para um convívio com o outro, assim, o interesse do professor pela atividade não se limita a uma ferramenta pedagógica, mas como Realização da Prática Profissional 86 possibilidade de estabelecer relações entre os alunos promovendo uma participação mais efetiva nas aulas. O ato de refletir sobre a motivação como instrumento de aprendizagem através do lúdico é importante, dado que existe falta de interesse escolar por parte dos alunos, alto nível de reprovação, abandono escolar, indisciplina e outros. Portanto, a falta de estímulos no ambiente escolar faz com que muitos discentes desvalorizem a escola, logo, as atitudes, as decisões e as ações dos docentes são essenciais para criar um ambiente motivador. Assim é possível constatar que a motivação é peça chave da aprendizagem, pois desenvolvida nas aulas, possibilita impulsionar os praticantes, ou seja, neste caso os alunos a alcançar os objetivos propostos, principalmente através de atividades lúdicas. A motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. Através desta definição, pode-se constatar que estar motivado é estar animado ou entusiasmado. Para tal, é necessário ter motivos para se chegar a esse estado, logo, o professor necessita de encontrar recursos didáticos que possibilitem motivar para as suas aulas, dado que a motivação parte da necessidade de estratégias na sua prática pedagógica. No estudo realizado por Miranda (2001), a motivação é o conjunto das seguintes ações observadas nas aulas, o estímulo, a alegria, o ânimo e o entusiasmo. A motivação é uma ponte para o ensinamento, ou seja, a ligação professor-aluno no meio escolar possibilita a animação, a alegria como possibilidade de aprendizagem. Santos (2001) constata que o jogo é o método de aprendizagem mais eficaz para a construção do conhecimento, independente da idade cronológica do aluno. Motivar, possibilita ao aluno desfrutar do prazer que o lúdico promove durante a sua prática. O principal objetivo pedagógico ao utilizar jogos lúdicos é estimular a aprendizagem com motivação, logo, deve-se ter como proposta de trabalho a sua implementação independentemente da idade dos alunos. Este ato torna as aulas dinâmicas, ajuda a alcançar resultados positivos com o intuito de que na escola é possível aprender a brincar. Um aspeto que é preocupante em várias escolas, é o facto de não possuírem um espaço adequado à prática da Educação Física. Este fator prejudica as aulas, uma vez o professor idealiza sempre a lecionação num pavilhão ou ginásio, com todo o material à sua disposição. 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