Caracterização das Suspeitas de Envenenamento em Animais Domésticos (cães e gatos) no Norte e Centro de Portugal durante o período de 2004 a 2011
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Caracterização das suspeitas de envenenamento em animais domésticos (cães e gatos) no norte e centro de Portugal durante o período de 2004 a 2011 Luísa Maria Torres Nogueira Dissertação de Mestrado em Medicina Legal 2013
Luísa Maria Torres Nogueira Caracterização das suspeitas de envenenamento em animais domésticos (cães e gatos) no norte e centro de Portugal durante o período de 2004 a 2011 Dissertação de candidatura ao grau de mestre em Medicina Legal – submetida ao Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto Orientador – Professora Doutora Justina Prada Oliveira Categoria – Professora auxiliar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Afiliação – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Co-orientadores: Mestre Carla Lima* / Doutora Leonor Orge** Categoria – *Técnica Superior do Setor de Diagnóstico Anatomohistopatológico e EET’s II, Laboratório de Patologia, Campus Vairão, **Investigadora Auxiliar Setor de Diagnóstico de EETs, Laboratório de Patologia, Campus Lisboa Afiliação – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, IP
“Todo o ato que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida” Declaração universal dos direitos dos animais, artigo 11 “Chegará um dia no qual os homens conhecerão o íntimo dos animais; e nesse dia, um crime contra um animal será um crime contra a humanidade” Leonardo Da Vinci
Agradecimentos AGRADECIMENTOS Quero manifestar a minha dívida de gratidão a todos quantos colaboraram comigo e estiveram sempre disponíveis para ajudar no meu trabalho, de modo a que este conseguisse chegar ao fim. Assim, agradeço desde já: Ao Doutor Nuno Canada pela possibilidade de realizar o trabalho na instituição que dirige - Laboratório Nacional de Investigação Veterinária. Às minhas orientadoras Professora Doutora Justina Oliveira, Dra. Carla Lima e Doutora Leonor Orge pelas facilidades concedidas, pela disponibilidade em transmitir os seus conhecimentos e pela confiança depositada para que este trabalho fosse possível. Um especial “obrigado” à Dra. Carla Lima pela forma como orientou este trabalho e pela simpatia com que sempre me tratou. Agradeço o seu empenho, paciência e confiança. Ao professor Gérald Quatrehomme e à advogada Dra. Susana Teixeira pelo apoio e orientações dadas. À Dra. Cristina Ochôa, às técnicas de laboratório Fátima Falcão e Cláudia Capela, à Dª. Teresa Coelho e ao Afonso Marques por toda a preciosa ajuda na realização deste trabalho e amizade demonstradas. Aos funcionários do Centro de Gestão e Informação ao Cliente, em especial à Dª Diamantina e à Dª Manuela pela disponibilidade e preciosa ajuda no levantamento de dados. Aos funcionários do setor de Toxicologia, em especial à Dra. Sílvia Barros e à Dª Elsa Santos pela disponibilidade e preciosa ajuda no levantamento de dados. Um especial reconhecimento à minha família e aos meus amigos, em especial à Rosalina Rodrigues, pelo apoio, ajuda e motivação dados.
Resumo RESUMO Os animais domésticos, sobretudo cães e gatos, constituem o grupo de animais que mais frequentemente são vítimas do uso indiscriminado, acidental ou intencional, de substâncias tóxicas. As intoxicações constituem uma séria causa de morbilidade e mortalidade nestes animais, sendo a intoxicação intencional a mais frequente. No mercado existe uma grande variedade de produtos tóxicos (legais ou ilegais), que pela facilidade de acesso são perigosos para os animais. Contudo, é difícil determinar o número de crimes cometidos pois, na maioria das vezes passam despercebidos ou não são relatados. O exame toxicológico é um dos exames mais importantes de diagnóstico pós morte, na medida em que os seus resultados analíticos constituem uma prova legal em tribunal. Com o intuito de caracterizar as suspeitas de envenenamento foram analisados os dados referentes a 247 casos com suspeita de envenenamento que deram entrada no Laboratório de Patologia e no Laboratório de Toxicologia, do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, Campus Vairão, durante o período de 2004 a 2011. Nas amostras em estudo, 19 casos resultaram positivos à pesquisa de substâncias tóxicas, sendo o agente tóxico mais comum a estricnina, seguida dos organoclorados, da bromadiolona, dos carbamatos e dos organofosforados. Todos os casos positivos ocorreram na espécie canina, na sua maioria animais do género masculino. Em relação à idade, os animais com idades compreendidas entre os 1 e 9 anos foram os mais afetados. Os animais sem raça definida registaram um maior número de casos positivos. De entre os casos positivos com raça definida destaca-se a raça Podengo. Este estudo retrospetivo permitiu identificar quais os tipos de tóxicos mais frequentes, destacando-se o papel do exame toxicológico que foi fundamental para confirmar as suspeitas e é crucial para o estabelecimento de um diagnóstico de morte por intoxicação. Palavras-chave: envenenamento, substâncias tóxicas, exame toxicológico
Abstract ABSTRACT The domestic animals, especially dogs and cats, constitute the group of animals more frequently affected by the indiscriminate use, accidental or intentional of toxic substances. Poisonings are a serious cause of morbidity and mortality in these animals, being the intentional poisoning those that occur more frequently. In the market there is a wide variety of toxic products (legal or illegal), that by ease of access are dangerous to animals. However, it is difficult to determine the number of crimes committed, since in most cases they go unnoticed or unreported. The toxicological analysis stands from other post mortem diagnostic tests, to the extent that their analytical results constitute legal evidence in court. In order to characterize the suspected poisoning it was analyzed information relating to 247 cases of suspected poisoning that was received at the Pathology Laboratory and Laboratory of Toxicology, of the National Laboratory of Veterinary Research during the period 2004 to 2011. Only 19 cases were positive (all dogs), being the most common toxic agent the strychnine, followed by organochlorines, bromadiolone, carbamates and organophosphates. Regarding to sex, the animals were mostly male. The animals aged between 1 and 9 years were the most affected. The animals without defined breed reported a greater number of positive cases. Among the positive cases with breed definition, standed the Podengo. This retrospective study identified the most frequent types of toxic, highlighting the role of toxicology that was important to confirm the suspicions and essential for establishing a diagnosis of death by poisoning. Keywords: intentional poisoning, toxic substances, toxicology
Índice ÍNDICE RESUMO ............................................................................................................................ IV ABSTRACT .......................................................................................................................... V ÍNDICE DE FIGURAS ....................................................................................................... VIII ÍNDICE DE TABELAS ........................................................................................................ IX ÍNDICE DE GRÁFICOS ...................................................................................................... XI ABREVIATURAS E SIGLAS .............................................................................................. XII 1.INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1 2.OBJETIVOS ....................................................................................................................... 7 3.MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................................. 8 3.1.Amostragem ................................................................................................................... 8 3.2.Metodologia .................................................................................................................... 8 3.2.1.Dados clínico-patológicos ............................................................................................ 8 3.2.2.Necrópsia com colheita de amostras para exame histopatológico e/ou toxicológico .. 9 3.2.3.Exame histopatológico e exame toxicológico ............................................................ 12 3.3.Análise estatística ......................................................................................................... 12 4.RESULTADOS ................................................................................................................ 13 4.1.Distribuição do número de casos com suspeita de envenenamento ........................... 13 4.2.Definição racial ............................................................................................................. 16 4.3.Entindade requisitante ................................................................................................. 17 4.4.Distribuição mensal e geográfica .................................................................................. 18 4.5.Sinais clínicos ............................................................................................................... 19 4.6.Tipo de exames requisitados ........................................................................................ 21 4.7.Tóxicos suspeitos ......................................................................................................... 21 4.8.Lesões macroscópicas ................................................................................................. 25 4.8.1.Lesões de hábito externo .......................................................................................... 25 4.8.2.Lesões de hábito interno ........................................................................................... 25 4.8.2.1.Trato respiratório .................................................................................................... 26 4.8.2.2.Coração ................................................................................................................. 27 4.8.2.3.Tubo digestivo ....................................................................................................... 27 4.8.2.4.Trato génito-urinário ............................................................................................... 28 4.8.2.5.Fígado e vesícula biliar ........................................................................................... 30 4.8.2.6.Baço ........................................................................................................................ 31 4.8.2.7.Crânio e sistema nervoso central .......................................................................... 31 4.8.3.Resultado do exame anatomopatológico .................................................................. 32 4.9.Lesões microscópicas .................................................................................................. 34
Índice 4.9.1.Pulmão ....................................................................................................................... 34 4.9.2.Coração ..................................................................................................................... 34 4.9.3.Estômago ................................................................................................................... 34 4.9.4.Intestino ..................................................................................................................... 35 4.9.5.Rins ............................................................................................................................ 35 4.9.6.Fígado ........................................................................................................................ 36 4.9.7.Baço........................................................................................................................... 37 4.9.8.Sistema nervoso central ............................................................................................ 37 4.9.9.Outras alterações microscópicas ............................................................................... 38 4.9.10.Resultado do exame histopatológico ...................................................................... 38 4.10.Exame toxicológico ..................................................................................................... 39 4.10.1.Distribuição do resultado do exame toxicológico ..................................................... 39 4.10.2.Lesões macroscópicas observadas de acordo com os tóxicos identificados .......... 43 5.DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................................. 51 6.CONCLUSÃO .................................................................................................................. 65 7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. ............................................................................... 67 ANEXOS ............................................................................................................................. 79
Índice de Figuras ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1-Exemplo de um saco de transporte ........................................................................ 9 Figura 2-Recipiente de plástico evidenciando o selo da cadeia de custódia ..................... 12 Figura 3-Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina .......................................... 44 Figura 4-Hematoma muscular e do tecido subcutâneo presente num caso positivo para a bromadiolona ...................................................................................................................... 45 Figura 5-Pulmões congestivo-hemorragicos. Caso positivo para a estricnina ................... 46 Figura 6-A.Hepatomegalia observada num caso positivo para os carbamatos.B. Congestão visceral. Caso positivo para a bromadiolona. ................................................... 48
Introdução proibição do uso de venenos também é expressa na Legislação de Proteção dos Animais, nomeadamente no decreto-lei nº 315/03, que refere que estes nunca podem ser eliminados com recurso ao uso de venenos 35 . Os artigos 478º a 481º do Código Penal Português de 1886 contemplavam e puniam a violência exercida sobre animais (incluindo o envenenamento): “A destruição ou danificação de efeitos ou propriedades moveis ou quaisquer animais pertencentes a outra pessoa, ou ao Estado, que se cometer voluntariamente, (...), empregando substâncias venenosas ou corrosivas, (...),será punida com prisão maior celular de dois a oito anos, ou, em alternativa, com degrêdo temporário” (artigo 478º, alínea 2) 36 . Atualmente, o termo “animal”, no ordenamento jurídico português é entendido como uma “coisa” 37 ou seja, uma cadeira, uma caneta ou um animal têm exatamente a mesma natureza jurídica. O mesmo não se passa em países como a Áustria, a Alemanha, a França e a Suíça, cujos ordenamentos jurídicos referem que os animais não são considerados meros objetos 38 . De acordo com o artigo 212-1º do Código Penal Português de 1995, o envenenamento de um animal está previsto como crime de dano e como tal é punido por lei 14,39 . A família de um animal de companhia é considerada a “proprietária ou detentora legal” desse animal. Desta forma, esta condição pode ser usada para o proteger, uma vez que, se o animal dessa família ou pessoa for ferido ou morto por ação ou omissão de outrem, tal poderá, além de contraordenação, ser também crime punível com pena de prisão 37 . Assim, o ato de envenenar um animal (de acordo com o Código Penal Português de 1995, artigo 213-1°) é o mesmo que “Destruir, danificar, desfigurar ou tornar não utilizável coisa alheia” 39 e para que haja um processo em tribunal é necessário que o dono do animal faça uma queixa ao órgão competente 37 . Assim, se esta conduta puser em causa a vida ou dignidade da pessoa detentora do animal, poderá originar uma indeminização civil, ou seja, a pessoa que praticou tal facto terá de dar ao dono do animal o valor que este vale. Sempre que haja suspeita de envenenamento intencional de um animal, e se o proprietário desejar, pode colher-se amostras, uma vez que estas funcionam como provas perante o sistema de Justiça Português. As participações devem ser feitas ao Ministério Público (MP), à Policia de Segurança Pública (PSP) ou à Guarda Nacional Republicana (GNR), para que seja aberto um inquérito e se proceda à recolha de indícios para acusação formal do eventual suspeito 14 . Tendo em conta a constante ocorrência de envenenamentos em Portugal, foi criado em 2001 o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), uma especialização da GNR que tem como missão, entre outras, “Velar pela observância das disposições legais no âmbito sanitário e de proteção animal” (de acordo com o decreto-lei
Introdução n.º 22/2006, de 02 de fevereiro, alínea d) 40 . Dando continuidade ao trabalho iniciado pelo SEPNA e para travar o uso ilegal de venenos, em 2003, foi criado o Programa Antídoto Portugal. Este programa visa identificar e caracterizar as substâncias mais utilizadas nos envenenamentos, identificar as zonas mais críticas e as motivações de quem pratica tais atos, de forma a conhecer a real dimensão do uso de venenos 41,42 . Nos últimos anos, tem-se verificado uma crescente consciencialização no campo da veterinária forense 43,44,45 . A maioria das situações de veterinária forense envolve casos em que se suspeita que a morte foi causada por elementos externos 44 , sendo o envenenamento o tipo de crime mais comum 46,47 , praticado com o intuito de eliminar animais indesejados de locais públicos ou de propriedades privadas 48 . Devido há existência de numerosas substâncias tóxicas, a perícia toxicológica deve ter em conta a informação do evento (história clínica, informação sob a possível substância tóxica, informação do local e a forma como terá ocorrido a morte) 2,4,16,17 e os achados da necrópsia, de forma a pesquisar os tóxicos que melhor se enquadram na informação disponível 2,4,16,43,49 . O diagnóstico de uma morte por intoxicação, não se deve basear somente nas informações clínicas, que por si só não são suficientes para estabelecer um diagnóstico de intoxicação dado que outras afeções patológicas também podem apresentar sintomas semelhantes 1,14 , mas também nos resultados obtidos aquando da realização de determinados exames como a necrópsia e o exame histopatológico 1,14,20,43,50 . A realização do exame necrópsico é fundamental para confirmar ou estabelecer um diagnóstico 51 . Nos humanos, a morte por intoxicação é considerada uma morte violenta e como tal é obrigatória a realização da autópsia médico-legal 52 e da perícia toxicológica 4 . No âmbito veterinário, a necrópsia só é realizada quando solicitada por parte dos proprietários, a quem o animal morreu de forma súbita e inesperada e que, por alguma razão, suspeitam de que a morte possa ter sido provocada por causas externas 53,54 . A necropsia forense é um componente primordial na investigação criminal 10,55 . A sua principal função é fundamentar as causas que motivaram a morte do animal e, quando possível, estabelecer a sua causa jurídica, a identificação do cadáver, o tempo de morte e tudo o que possa contribuir para auxiliar o direito na aplicação da justiça 10,22,49,56,57,58 . A necrópsia realizada num animal com suspeita de intoxicação criminosa, portanto uma necrópsia forense, implica uma atenção especial a todo um conjunto de elementos tão ou mais importantes quanto o resultado de outros exames 10 . Desta forma, os métodos e as técnicas de diagnóstico utilizados na patologia forense, nomeadamente os princípios referentes aos casos de intoxicações humanas são aplicados às situações de
Introdução envenenamento em animais 22,23,43,50 . Podem referir-se alguns desses princípios como por exemplo a tonalidade dos livores cadavéricos, do sangue e das vísceras bem como o tipo de odor que se possa perceber, e deve dar-se especial atenção ao fígado e aos rins (avaliar se existem lesões degenerativas) dado que estes órgãos estão envolvidos na biotransformação e excreção dos agentes tóxicos respetivamente 4,10 . Nos cadáveres animais os livores devem ser avaliados nas mucosas (conjuntiva oral, vulvar, anal, etc) e nas zonas de pele glabra (axilas, região inguinal) 59 . Na patologia forense, todas as amostras são recebidas como evidência 60,61 , as quais serão analisadas e o seu resultado, apresentado na forma de relatório que será utilizado no processo judicial 60 . As amostras devem ser manuseadas de forma cautelosa, para evitar alegações de adulteração ou má conduta que possam comprometer as decisões relacionadas ao caso em questão 4,10,19,20,22,62,63 . Assim, é necessário que se estabeleça um controlo sobre todas as partes do processo, para rastrear a posse e o manuseamento da amostra, desde o transporte, receção, armazenamento, realização do exame de necrópsia, colheita e transferência de amostras para outros serviços 60 . É também importante, que os laboratórios assegurem o controlo e qualidade de todos os procedimentos e equipamentos de forma a obter resultados com fiabilidade 64 . A cadeia de custódia é um processo usado para manter e documentar a história cronológica da evidência, de modo a garantir a idoneidade e o rastreamento das evidências utilizadas em processos judiciais. Nestes casos forenses a cadeia de custódia permite ao perito garantir e provar a integridade do processo ao qual a amostra foi submetida 2,17,43,62,65,66 . Como a cadeia de custódia é usada para registar as informações de campo, de laboratório e das pessoas que manusearam a amostra, pressupõe-se um trabalho de equipa que envolve todas a partes, internas e externas ao laboratório 67 . Assim, viabiliza o controlo sobre o trâmite da amostra, com identificação nominal das pessoas envolvidas em todas a fases do processo, caracterizando as suas responsabilidades. Para que seja mantida a cadeia de custódia, torna-se necessário registar toda a história cronológica da amostra 60 . A interpretação médico-legal baseia-se na determinação da forma da morte, isto é, determinar se a morte ocorreu de forma acidental ou intencional 5 . Na maioria das vezes não há indícios da causa da morte pelo que tanto os resultados da necrópsia, da histopatologia e da toxicologia são importantes e decisivos para o estabelecimento da mesma 5 . Contudo, a análise toxicológica é dotada de maior importância visto que permite evidenciar o ingresso do tóxico no organismo e determinar a quantidade de tóxico que causou a morte. Os achados macroscópicos e microscópicos também são importantes mas, na maioria das vezes, não são específicos 5 . A interpretação irá depender da identificação do tóxico, da determinação da sua concentração nas amostras biológicas,
Introdução do estabelecimento da relação causa e efeito e da via de entrada, como também da estimação do tempo desde a administração até à morte 2,5,16 . A análise laboratorial não deve incidir só no cadáver mas também nos iscos, que quando encontrados constituam agravantes nos processos judiciais 68 . O número de mortes por envenenamento é difícil de determinar, dado que a maioria destes casos passam despercebidos 22 ou então não são denunciados às autoridades competentes 25 . De acordo com Campbell A et al, apenas os casos mais complexos com sinais clínicos inexplicáveis é que são notificados 69 . Em Portugal ocorrem anualmente vários casos de mortes suspeitas de envenenamento, intencional ou acidental, em animais 25 . Ao contrário de outros países, a mortalidade de animais por envenenamento tem sido pouco estudada, o que dificulta a recolha de informação para estudos epidemiológicos 25 .
Objetivos 2. OBJETIVOS O presente trabalho pretende caracterizar as suspeitas e os casos efetivos de envenenamento em animais domésticos (cães e gatos), ocorridos no período de 2004 a 2011 no norte e centro de Portugal. Nesse sentido foram definidos os seguintes objetivos: • Caracterizar a população de animais domésticos (cães e gatos), recebidos no Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), com suspeita de envenenamento, em termos de espécie, raça, idade e género; • Caracterizar a entidade requisitante das amostras recebidas (clínicas, hospitais, GNR, particulares); • Caracterizar a época do ano e a distribuição geográfica da morte; • Identificar os principais tóxicos suspeitos referidos nas requisições; • Averiguar a forma como ocorreu a morte (acidental, intencional); • Caracterizar os principais sinais clínicos (referidos nas requisições); • Descrever o procedimento da técnica de necrópsia para cães e gatos; • Caracterizar as lesões macroscópicas e correlacionar com os resultados do exame toxicológico; • Descrever o procedimento de colheita de amostras para exame histopatológico e toxicológico; • Caracterizar as lesões microscópicas e correlacionar com os resultados do exame toxicológico; • Determinar os principais tóxicos na causa de envenenamento de animais domésticos (cães e gatos); • Comparar os resultados obtidos com as referências bibliográficas e dados de outros trabalhos.
Materiais e Métodos 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Amostragem Para a realização deste estudo retrospetivo, procedeu-se ao levantamento de dados referentes a 247 casos suspeitos de envenenamento, cães e gatos, recebidos nos setores de diagnóstico Anatomohistopatológico-Porto (AHP-P) do Laboratório de Patologia, e no setor de Toxicologia do Laboratório de Resíduos, do LNIV (Campus de Vairão), entre os anos de 2004 a 2011. Os dados retirados foram mantidos no anonimato. 3.2. Metodologia 3.2.1. Dados clínicos-patológicos Foi realizado o levantamento de dados clínicos referentes aos casos com suspeita de envenenamento, que deram entrada no LNIV, com o intuito de realizar o exame necrópsico e outros exames complementares. Desta forma, foram recolhidos os seguintes dados: • Espécie, raça, idade e género; • Entidade requisitante, mês e distrito; • Sinais clínicos; • Tóxicos suspeitos; • Exames complementares requisitados; • Principais lesões macroscópicas; • Resultado da necrópsia; • Principais lesões microscópicas; • Resultado da histopatologia; • Resultado da toxicologia. Nas amostras recebidas apenas no setor de toxicologia só foi requisitado o exame toxicológico não se dispondo de dados necrópsicos e histológicos.
As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: • • • ano, 1 não especificada. HCS e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo prima os meses 3.2.2. custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: • Espécie o Felina o Canina • Raça o Com raça definida o Sem raça definida • Género o Masculino o Feminino o Não especificado aquando da realização do exame necrópsico As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em ano, 1 - 9 anos e não especificada. HCS et al 13 e Fighera RA e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo prima vera/verão incluiu os meses de março até a os meses de setembro a f 3.2.2. Necrópsia com colheita de toxicológico Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: Espécie Felina Canina Com raça definida Sem raça definida Género Masculino Feminino Não especificado aquando da realização do exame necrópsico As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em 9 anos e > 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi não especificada. O agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de e Fighera RA e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo vera/verão incluiu os meses de março até a de setembro a f evereiro. Necrópsia com colheita de toxicológico Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). Figura 1 As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: Espécie Com raça definida Sem raça definida Não especificado - quando não f aquando da realização do exame necrópsico As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de et al 70 . Para avaliar a relação e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo vera/verão incluiu os meses de março até a evereiro. Necrópsia com colheita de Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). Figura 1 - Exemplo de um saco de transporte. As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: quando não f oi referido na requisição de aná aquando da realização do exame necrópsico As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de Para avaliar a relação e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo vera/verão incluiu os meses de março até a Necrópsia com colheita de amostras para exame histopatológico e/ou Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). Exemplo de um saco de transporte. Fonte: LNIV. As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: oi referido na requisição de aná aquando da realização do exame necrópsico As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de Para avaliar a relação estatística entre a época do ano e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo vera/verão incluiu os meses de março até a gosto. O grupo outono/inverno englobou amostras para exame histopatológico e/ou Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). Exemplo de um saco de transporte. Fonte: LNIV. Materiais e Métodos As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: oi referido na requisição de aná As idades dos animais necropsiados foram agrupadas em 3 classes etárias: <1 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de estatística entre a época do ano e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo gosto. O grupo outono/inverno englobou amostras para exame histopatológico e/ou Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de custódia dos sacos de transporte dos cadáveres (figura 1). Exemplo de um saco de transporte. Materiais e Métodos As variáveis espécie, raça e género foram organizadas da seguinte forma: oi referido na requisição de aná 3 classes etárias: <1 9 anos. Quando a idade não foi referida na requisição foi considerada agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de estatística entre a época do ano e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo gosto. O grupo outono/inverno englobou amostras para exame histopatológico e/ou Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de Materiais e Métodos oi referido na requisição de aná lises ou 3 classes etárias: <1 considerada agrupamento das classes etárias foi baseado nos estudos de Assis estatística entre a época do ano e a positividade, os meses do ano foram agrupados em dois grupos. O grupo gosto. O grupo outono/inverno englobou amostras para exame histopatológico e/ou Antes de se iniciar o exame necrópsico foram verificados os selos da cadeia de
Materiais e Métodos O exame de necrópsia foi realizado segundo o procedimento em vigor no LNIV. Ao longo do exame de necrópsia foi recolhida documentação fotográfica para atestar a: Identificação do cadáver; Presença ou ausência de alterações no hábito externo; Presença ou ausência de alterações no hábito interno; Presença ou ausência de alterações nos órgãos. Foram registadas as alterações ou ausência de alterações a nível do hábito externo e do hábito interno e em cada um dos órgãos e sistemas: trato respiratório, coração, tubo digestivo, trato génito-urinário, fígado e vesícula biliar, baço, crânio e sistema nervoso central (SNC). Dado que se tratavam de suspeitas de intoxicação, ao longo do exame necrópsico, foram tidos em conta determinados procedimentos, nomeadamente: • A existência de lesões de ação local ao nível da boca, do esófago e do estômago e possíveis queimaduras, como também a existência de lesões degenerativas no fígado e nos rins; • A existência de lesões tóxicas inespecíficas de ação indireta, nomeadamente a congestão visceral generalizada, o edema cerebral e pulmonar, as hemorragias petequiais no epicárdio e pleuras, e a fluidez e coloração sanguínea; • A evisceração em bloco dos órgãos do pescoço e do tórax; a dupla laqueação ao nível do cárdia e do piloro para a obtenção do conteúdo gástrico; a laqueação do intestino ao nível do piloro, do ceco e do reto; • Abertura do crânio com colheita do SNC (de acordo com o procedimento interno do LNIV). A colheita de amostras para exame histopatológico foi feita de acordo com o seguinte procedimento: • Foram colhidas amostras representativas de todos os órgãos; • A colheita do material foi feita de um só golpe usando todo o gume do instrumento cortante, de modo a evitar o esmagamento dos tecidos (o tamanho dos fragmentos variou entre os 3 e 5 cm, e 0.5 cm de espessura); Evitaram-se colher amostras necrosadas, purulentas ou hemorrágicas;
Materiais e Métodos • As amostras foram conservadas numa solução de formol a 10% (cerca de 10 a 20 vezes o volume da amostra) num período mínimo de 24 horas. As amostras de encéfalo foram fixadas em formol salino a 10% durante cerca de um mês. Para o exame toxicológico foi colhida a totalidade do órgão (salvaguardando uma pequena quantidade para o exame histopatológico) de acordo com o expresso na tabela 1. Tóxico suspeito Amostras Organofosforados/Organoclorados/Carbamatos Estômago e conteúdo gástrico Fígado Rim Raticidas anticoagulantes cumarínicos Estômago e conteúdo gástrico Fígado Rim Estricnina Estômago e conteúdo gástrico Fígado Rim Paraquat Pulmão Estômago e conteúdo gástrico Fígado Rim As amostras destinadas ao exame toxicológico não se lavaram nem foram diluídas e foram congeladas sem adição de antissépticos, fixadores ou conservantes. Cada amostra, órgão isoladamente ou grupo de órgãos, foi colocada num recipiente individual de plástico de boca larga (figura 2), que depois de bem fechados foram identificados no exterior em relação à natureza do órgão ou tecido, número de análise, nome do proprietário, data de colheita e quantidade (com letra legível e tinta indelével) de forma a evitar a adulteração das amostras e obedecer aos critérios de garantia da cadeia de custódia. Tabela 1 - Amostras a colher de acordo com os tóxicos suspeitos.
Materiais e Métodos 3.2.3. Exame histopatológico e exame toxicológico As amostras destinadas ao estudo histopatológico foram processadas e coradas através da metodologia de rotina (Hematoxilina e Eosina). Neste estudo, as lesões microscópicas foram caracterizadas de acordo com o tipo de lesão observada. As amostras destinadas ao estudo toxicológico foram processadas no setor de toxicologia de acordo com os métodos em vigor. O resultado da toxicologia foi classificado em negativo ou positivo. 3.3. Análise estatística Os dados clínicos foram organizados numa base de dados através do programa Excel. Posteriormente, a análise estatística foi efetuada usando o programa Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 16.0, tendo sido elaborados gráficos e tabelas descritivas. Para avaliar possíveis associações foi utilizado o teste do qui-quadrado, com correção de Yates quando necessário, utilizando como significativo um valor de p <0,05. Figura 2Recipiente de plástico evidenciando o selo da cadeia de custódia. Fonte: LNIV.
Resultados Relativamente à distribuição geográfica dos casos recebidos com suspeita de envenenamento, o Porto foi o distrito onde ocorreram mais mortes com suspeita de envenenamento, seguido do distrito de Braga e do distrito de Viana do Castelo (gráfico 6). 4.5. Sinais clínicos Foram descritos sinais clínicos nas requisições de análises em 60/247 (24.3%) casos remetidos com suspeita de envenenamento. Em 187/247 (75.7%) requisições não havia qualquer referência a sinais clínicos. Dos 60 casos com referência a sinais clínicos, 52 (86.7%) foram referenciados na espécie canina e 8 (13.3%) na espécie felina. Os sinais clínicos mais frequentemente descritos nas requisições de cães com suspeita de envenenamento foram as convulsões, os vómitos, as ororragias e a salivação (tabela 7). .1' *', *',2 $ *' /)'3 4' &'$ 3 $ 0 ) Número de casos suspeitos (n) Localização geográfica Gráfico 6 - Distribuição do número de casos suspeitos de acordo com a distribuição geográfica.
Resultados Sinais clínicos – canídeos Casos Convulsões 19 Vómitos 9 Ororragias 6 Salivação 6 Rigidez muscular 5 Diarreia 4 Melena 4 Hematemeses 4 Tremores 4 Dispneia 3 Anorexia 3 Fraqueza/Prostração 3 Dor abdominal 2 Icterícia 2 Anemia 2 Hemorragias 2 Gastroenterite hemorrágica 2 Desidratação 2 Edema pulmonar 1 Nasorragias 1 Cianose das mucosas 1 Hematúria 1 Descoordenação motora 1 Os sinais clínicos mais frequentemente descritos nas requisições de gatos com suspeita de envenenamento foram os vómitos, a desidratação e as nasorragias (tabela 8). Tabela 7 – Distribuição dos sinais clínicos na espécie canina (n=52).
Resultados Sinais clínicos – felinos Casos Vómitos 3 Desidratação 2 Nasorragias 2 Salivação 1 Ororragias 1 Fraqueza/Prostação 1 Convulsões 1 Incoordenação motora 1 4.6. Tipo de exames requisitados No que reporta ao tipo de exames requisitados, dos 247 casos recebidos com suspeita de envenenamento, 144 requisitaram o exame anatomopatológico. O exame histopatológico apenas foi pedido em 14 casos. A análise toxicológica foi requisitada em 203 casos. Dos 144 casos com requisição do exame anatomopatológico, 14 deles tiveram requisição do exame histopatológico e 100 requisição da análise toxicológica. Houve apenas 4 casos recebidos no setor de diagnóstico AHP-P em que não foi requisitado o exame anatomopatológico nem exame o histopatológico mas só o exame toxicológico. Dos 14 casos que requisitaram o exame histopatológico, apenas 10 requereram o exame toxicológico. 4.7. Tóxicos suspeitos O gráfico 7 ilustra a percentagem de casos com referência ao tóxico suspeito, sendo que em 84.6% (209/247) dos casos houve referência aos tóxicos suspeitos na requisição de análises. Tabela 8 – Distribuição dos sinais clínicos na espécie felina (n=8).
estricn (70/209) (gráfico 8). suspeito em 3/7. referenciados como suspeitos Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a estricn ina (139/209), os inseticidas (70/209) (gráfico 8). suspeito em 3/7. De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m referenciados como suspeitos Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a ina (139/209), os inseticidas (70/209) (gráfico 8). Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat suspeito em 3/7. De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m referenciados como suspeitos Gráfic Gráfico 8 Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a ina (139/209), os inseticidas (118/209) e os raticidas anticoa Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m referenciados como suspeitos (gráfico 9) Gráfic o 7 – Referência ao tóxico suspeito. Gráfico 8 – Tóxicos Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a (118/209) e os raticidas anticoa Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m (gráfico 9) . Referência ao tóxico suspeito. suspeitos referidos nas requisições Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a (118/209) e os raticidas anticoa Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m $' $ 3 0$ 3$ ,)$ )5 ' "'6 3 7 )$' Referência ao tóxico suspeito. suspeitos referidos nas requisições Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a (118/209) e os raticidas anticoa gulantes cumarínicos Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m -5 8 $' $ 3 0$ 3$ ,)$ )5 ' "'6 3 7 )$' Referência ao tóxico suspeito. suspeitos referidos nas requisições Resultados Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a gulantes cumarínicos Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat De entre os inseticidas, os organofosforados (115/118) foram os m ais vezes -5 8 0$ 3$ ,)$ Resultados Os tóxicos mais vezes referidos como suspeitos nas requisições foram a gulantes cumarínicos Em 7/209 casos houve referência a herbicidas, sendo o paraquat ais vezes
nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), arsénico/cianeto (1/209) e a lixivia (1/209). com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como suspeito. Foram também arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua vez, na espécie felina vezes referenciados como suspei Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), arsénico/cianeto (1/209) e a lixivia (1/209). O gráfico 10 mostra com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como suspeito. Foram também arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua vez, na espécie felina vezes referenciados como suspei Gráfico 9 Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), arsénico/cianeto (1/209) e a lixivia (1/209). O gráfico 10 mostra com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como suspeito. Foram também arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua vez, na espécie felina , os raticidas anticoagulantes vezes referenciados como suspei Gráfico 9 – Tipo de Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), arsénico/cianeto (1/209) e a lixivia (1/209). O gráfico 10 mostra os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como suspeito. Foram também referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua os raticidas anticoagulantes vezes referenciados como suspei tos. Tipo de inseticidas Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), arsénico/cianeto (1/209) e a lixivia (1/209). os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua os raticidas anticoagulantes tos. inseticidas suspeitos referidos nas requisições Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua os raticidas anticoagulantes cumarínicos 7 ',99'3 7 ', '3 '65 $ suspeitos referidos nas requisições Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos nomeadamente, o cianeto (4/209), os moluscicidas (4/209), produtos químicos (2/209), o os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua cumarínicos foram os tóxicos mais 7 ',99'3 7 ', '3 '65 $ suspeitos referidos nas requisições Resultados Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos produtos químicos (2/209), o os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua foram os tóxicos mais 7 ',99'3 7 ', '3 suspeitos referidos nas requisições Resultados Também foram referidos nas requisições de análises outros tóxicos produtos químicos (2/209), o os tóxicos referenciados nas suspeitas clínicas de acordo com a espécie. Nos cães, a estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como referenciados como suspeitos na espécie canina o arsénico/cianeto, a lixivia, os moluscicidas, o cianeto e os produtos químicos. Por sua foram os tóxicos mais
104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin espécie felina (gráfico 11). um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães D os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin espécie felina (gráfico 11). um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães Número de casos suspeitos (n) Número de casos suspeitos (n) Gráfico 11 Gráfico 10 os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin espécie felina (gráfico 11). um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães 7 ',99'3 Gráfico 11 - Distribuição do tipo de Gráfico 10 - Distribuição os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin espécie felina (gráfico 11). Os três casos em que se regis um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães Tipo de tóxicos suspeitos 7 ',99'3 7 ', '3 Tipo de insecticidas suspeitos Distribuição do tipo de Distribuição do número de os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin Os três casos em que se regis um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães Tipo de tóxicos suspeitos 7 ', '3 Tipo de insecticidas suspeitos Distribuição do tipo de inseticidas espécie. do número de tóxicos suspeitos de acordo com a espécie. os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin Os três casos em que se regis tou como suspeita um herbicida, neste caso o paraquat, ocorreram em cães . Tipo de tóxicos suspeitos 7 ', '3 '65 $ Tipo de insecticidas suspeitos inseticidas suspeitos espécie. tóxicos suspeitos de acordo com a espécie. os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin tou como suspeita '65 $ suspeitos de acordo com a tóxicos suspeitos de acordo com a espécie. Resultados os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por sua vez, os carbamatos foram suspeitos em 15 casos na espécie canin a e em 1 caso na tou como suspeita específica de acordo com a tóxicos suspeitos de acordo com a espécie. Resultados os 115 casos em que os organofosforados foram o inseticida tido como suspeito, 104 casos correspondiam à espécie canina e 11 casos à espécie felina. No que diz respeito aos organoclorados, foram suspeitos 53 casos em cães e 5 casos em gatos. Por a e em 1 caso na específica , tóxicos suspeitos de acordo com a espécie.
Resultados 4.8. Lesões macroscópicas As lesões macro e microscópicas foram apenas descritas nos casos com suspeita de envenenamento que deram entrada no setor de diagnóstico AHP-P. Dos 144 exames anatomopatológicos requisitados, 3 deles foram prejudicados devido a avançadas alterações de decomposição cadavérica. 4.8.1. Lesões do hábito externo A tabela 9 expressa as principais lesões no hábito externo observadas, sendo as nasorragias (36 casos) as mais frequentes, seguidas das ororragias (29 casos) e da palidez das mucosas (29 casos). Lesões no hábito externo Casos Nasorragias 36 Ororragias 29 Palidez das mucosas 29 Congestão das mucosas 11 Mucosas ictéricas 7 Sinais de diarreia 7 Timpanismo abdominal 6 Necrose da ponta da língua 4 Hemorragias vaginais 3 Edema bilateral da córnea 2 Terra na cavidade oral 2 Conteúdo líquido nas fossas nasais 1 Sinais de vómito 1 4.8.2. Lesões do hábito interno Os principais achados de necrópsia no exame de hábito interno foram os hematomas musculares e do tecido subcutâneo (55 casos), seguidos do hemotórax (35 casos) e do hemoperitoneu (34 casos) (tabela 10). Tabela 9 - Principais lesões de hábito externo (n=141).
Resultados Lesões do hábito interno Casos Hematomas musculares e do tecido subcutâneo 55 Hemotórax 35 Hemoperitoneu 34 Hematomas e sufusões hemorrágicas no mediastino 24 Hematomas e sufusões no timo 14 Fluidez sanguínea 10 Congestão dos músculos 8 Hidrotórax 8 Adenomegalia dos gânglios linfáticos 6 4.8.2.1. Trato respiratório A tabela 11 expressa as principais lesões macroscópicas encontradas ao nível do trato respiratório. O edema pulmonar (84 casos), a congestão e hemorragia pulmonar (80 casos) e o enfisema pulmonar (35 casos) foram as mais frequentes. Trato Respiratório Casos Edema pulmonar 84 Congestão /hemorragia pulmonar 80 Enfisema pulmonar 35 Textura arenosa dos pulmões 10 Hematomas pulmonares 10 Congestão da traqueia 9 Pneumonia 7 Antracose pulmonar 5 Edema da glote 3 Calcificação dos brônquios 3 Pulmões de aspeto variegado 2 Pulmões de aspeto colapsado 2 Pulmões de consistência aumentada 2 Congestão da laringe 2 Fibrose 2 Rotura lobo pulmonar 2 Focos coloração branca no parênquima pulmonar 1 Tabela 10 – Lesões de hábito interno (n=141). Tabela 11 - Lesões macroscópicas ao nível do trato respiratório (n=141) .
Resultados Em 12/141 casos, foi evidenciado conteúdo na traqueia. O tipo de conteúdo mais frequente foi o conteúdo alimentar (41.7%), muco (33.3%) e conteúdo sanguinolento (25%). 4.8.2.2. Coração A tabela 12 expõe as principais lesões macroscópicas encontradas ao nível do coração. Os aspetos lesionais mais frequentes foram os indicativos de cardiomiopatia hipertrófica (47 casos), a distrofia do miocárdio (33 casos) e o hemopericárdio (32 casos). Coração Casos Cardiomiopatia hipertrófica 47 Distrofia do miocárdio 33 Hemopericárdio 32 Sufusões e hemorragias do miocárdio 27 Endocardiose verrugosa 13 Palidez do miocárdio 12 Cardiomiopatia dilatada 9 Hidropericárdio 8 Endocardite 3 Epicardite 3 Miocardite 2 Enfarte miocárdio 2 Dirofilariose 1 Calcificação das válvulas cardíacas 1 4.8.2.3. Tubo digestivo A tabela 13 expressa os principais aspetos macroscópicos encontrados ao nível do tubo digestivo, com a congestão e hemorragia da mucosa gástrica (33 casos), a enterite hemorrágica (31 casos) e a enterite catarral (21 casos), descritos com maior frequência. Tabela 12 - Lesões macroscópicas do coração (n=141).
Resultados Tubo digestivo Casos Congestão e hemorragia da mucosa gástrica 33 Enterite hemorrágica 31 Enterite catarral 21 Sangue no esófago 18 Gastroenterite hemorrágica 12 Timpanismo intestinal 12 Timpanismo gástrico 11 Parasitismo intestinal 11 Gastrite ulcerativa 9 Gastrite hemorrágica 9 Congestão da parede intestinal 9 Enterite inespecífica 8 Sangue nos intestinos/hemorragia intestinal 6 Gastrite hipertrófica 5 Parasitismo gástrico 4 Adenomegalia dos linfonodos mesentéricos 3 Impactação gástrica 2 Torção intestinal 2 Impactação intestinal 1 Torção gástrica 1 Megaesófago 1 Coloração anémica da mucosa gástrica 1 O conteúdo gástrico foi descrito em 80/141 casos. Observou-se com maior frequência o conteúdo alimentar normal (32 casos), conteúdo hemorrágico (15 casos) e conteúdo granulado verde turquesa (3 casos). 4.8.2.4. Trato génito-urinário A tabela 14 expressa os principais aspetos macroscópicos encontrados ao nível do trato urinário. Os mais frequentes foram a hemorragia e congestão renal (78 casos) a congestão e hemorragias na bexiga (18 casos) e as depressões na superfície cortical (16 casos). Tabela 13 - Aspetos macroscópicos do tubo digestivo (n=141).
Resultados 4.9.4. Intestino A tabela 22 exprime as lesões microscópicas ao nível do intestino, sendo que as mais frequentes foram a enterite necrosante (4 casos), a descamação do epitélio intestinal (4 casos) e as hemorragias (2 casos). Intestino Casos Enterite necrosante 4 Descamação do epitélio intestinal 4 Hemorragias 2 Enterite 1 Hiperplasia do tecido linfoíde 1 Nematodíase intestinal 1 4.9.5. Rins A tabela 23 expressa as lesões microscópicas ao nível dos rins. Foram observadas alterações em 12 casos. As mais frequentes foram as hemorragias e congestão renal (16 casos), seguidas das glomerulonefrites (10 casos) e da degenerescência do epitélio tubular (6 casos). Estômago Casos Erosão da mucosa gástrica 4 Gastrite hemorrágica 2 Congestão da parede gástrica 2 Hemorragias e colonização bacteriana 1 Tabela 22 - Lesões microscópicas ao nível do intestino (n=6). Tabela 21 – Aspetos lesionais microscópicos ao nível do estômago (n=6).
Resultados Rins Casos Hemorragias e congestão renal 16 Glomerulonefrites 10 Degenerescência do epitélio tubular 6 Calcificação tubular 4 Edema 2 Quistos renais 1 Nefropatia 1 Trombose vascular dos capilares glomerulares 1 Hiperplasia estromal 1 4.9.6. Fígado A tabela 24 expressa as lesões microscópicas ao nível do fígado. Foram observadas alterações microscópicas em 11 casos, sendo as mais frequentes o edema (7 casos), as hemorragias (6 casos) e a degenerescência hepatocelular (6 casos). Fígado Casos Edema 7 Hemorragias 6 Degenerescência hepatocelular 6 Congestão hepática 5 Hepatopatia 4 Focos de necrose 4 Hepatite 2 Pigmento biliar nas células de Kupffer 2 Fibrina no espaço sinusoidal 1 Colangioectasias 1 Êmbolos bacterianos 1 Fibrose periportal 1 Linfagiectasias 1 Hepatoxidade aguda 1 Tabela 24 – Lesões microscópicas ao nível do fígado (n=11). Tabela 23 - Lesões microscópicas ao nível dos rins (n=12).
Resultados Fígado (continuação) Casos Trombose vascular 1 Pigmentos de hemosiderina 1 Telangiectasias 1 4.9.7. Baço A tabela 25 expressa as alterações microscópicas ao nível do baço. Foram observadas alterações apenas em 2 casos. Baço Casos Hiperplasia da polpa branca 1 Depleção da polpa branca 1 Congestão 1 Necrose 1 Hemorragias 1 Degenerescência fibrinóide da polpa vermelha 1 Trombose vascular 1 4.9.8. Sistema Nervoso Central As lesões microscópicas mais frequentes ao nível do SNC foram a perda de células de Purkinge (2 casos), a satelitose (2 casos) e as micro-hemorragias (2 casos) (tabela 26). SNC Casos Perda de células de Purkinge 2 Satelitose 2 Micro-hemorragias 2 Perda neuronal 1 Alterações espongiformes 1 Edema e congestão 1 Tabela 25 – Alterações microscópicas ao nível do baço (n=2). Tabela 26 - Lesões microscópicas ao nível do SNC (n=2).
Resultados 4.9.9. Outras alterações microscópicas Em 4 casos foram observadas alterações na bexiga, vesícula biliar, gânglios linfáticos e língua (tabela 27). Outras alterações microscópicas Casos Atrofia e congestão do urotélio da bexiga 1 Edema da parede da vesícula biliar com necrose da mucosa 1 Edemas dos gânglios linfáticos 1 Glossite ulcerativa necrosante 1 4.9.10. Resultado do exame histopatológico A tabela 28 expressa os resultados do exame histopatológico compatíveis com o quadro anatomopatológico observado. Resultados Casos (%) Falência cardiovascular 2 (15.4) Coagulopatia 1 (7.7) Colangite Crónica 1 (7.7) Enterite infeciosa (virica) 1 (7.7) Hepatite aguda e glomerulonefrite 1 (7.7) Hepatotoxicidade aguda fatal 1 (7.7) Inconclusivo 1 (7.7) Meningoencefalite não supurativa 1 (7.7) Necrose hepática focal 1 (7.7) Processo de etiologia virica com infeções bacterianas secundárias 1 (7.7) Quadro congestivo-hemorrágico subagudo generalizado e glomerulonefrite seromembranosa 1 (7.7) Rim poliquistico 1 (7.7) Total (%) 13 (100) Tabela 27 - Outras alterações microscópicas (n=4). Tabela 28 – Resultados do exame histopatológico.
Resultados 4.10. Exame toxicológico Dos 247 casos recebidos com suspeita de envenenamento apenas 203 requisitaram o exame toxicológico (104 recebidos pelo setor de diagnóstico AHP-P e 99 recebidos apenas no setor de toxicologia). Dos 203 exames toxicológicos requisitados apenas 177 foram realizados, uma vez que 18 foram dispensados face ao resultado do exame anatomopatológico. Em 6 casos não foi realizado o exame toxicológico pela amostra ter sido considerada insuficiente. Um caso foi prejudicado por falta de método analítico e em outro caso o exame toxicológico foi dispensado face ao resultado do exame de virologia (tabela 29). Exames toxicológicos Casos (%) Realizados 177 (87.2) Dispensados face ao resultado anatomopatológico 18 (8.9) Prejudicados por amostra insuficiente 6 (3.0) Dispensado face ao resultado do exame de virologia 1 (0.5) Prejudicado por falta de método analítico 1 (0.5) Total (%) 203(100) 4.10.1. Distribuição do resultado do exame toxicológico O gráfico 12 mostra o resultado do exame toxicológico de acordo com a espécie. Em 158 dos casos o resultado do exame toxicológico foi negativo. Os 19 casos positivos ocorreram na espécie canina. A espécie felina não registou nenhum caso positivo. Tabela 29 – Distribuição dos exames toxicológicos.
a definição racial maioritariamente em cães sem raça definida seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), Rotweiller (1/19) e Serra da Estrela (1/19). Podemos verificar que a masculino (52.6%) do que no gé especificado o género. A tabela 30 definição racial maioritariamente em cães sem raça definida seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), Rotweiller (1/19) e Serra da Estrela (1/19). O gráfico 13 Podemos verificar que a masculino (52.6%) do que no gé especificado o género. Número de casos (n) Gráfico 12 A tabela 30 apresenta definição racial . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados maioritariamente em cães sem raça definida seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), Rotweiller (1/19) e Serra da Estrela (1/19). Defi Sem raça definida Com raça definida Total (%) Continuity correction= 3,059 g.l=1 p=0,08 O gráfico 13 expõe a percentagem de casos positivos Podemos verificar que a masculino (52.6%) do que no gé especificado o género. 0)$3#$1 Gráfico 12 - Resultado do exame toxicológico de acordo com a Tabela 30 apresenta a distribuição d . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados maioritariamente em cães sem raça definida seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), Rotweiller (1/19) e Serra da Estrela (1/19). Defi nição racial Sem raça definida Com raça definida Total (%) Continuity correction= 3,059 g.l=1 p=0,08 expõe a percentagem de casos positivos Podemos verificar que a percentagem de casos positivos foi masculino (52.6%) do que no gé nero feminino (21.1%). Em 26.3% 0)$3#$1 Resultado do exame toxicológico Resultado do exame toxicológico de acordo com a Tabela 30 – Distribuição do número de casos positivos de acordo com a definição racial. a distribuição d o número de casos positivos de acordo com . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados maioritariamente em cães sem raça definida (68.4%) seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), Rotweiller (1/19) e Serra da Estrela (1/19). nição racial C asos positivos (%) Sem raça definida Com raça definida Continuity correction= 3,059 g.l=1 p=0,08 expõe a percentagem de casos positivos percentagem de casos positivos foi nero feminino (21.1%). Em 26.3% 0)$3#$1 0)$3,$1 Resultado do exame toxicológico Resultado do exame toxicológico de acordo com a Distribuição do número de casos positivos de acordo com a definição racial. o número de casos positivos de acordo com . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados (68.4%) . Os casos positivos ocorreram nas seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), asos positivos (%) 13 (68.4) 6 (31.6) 19 (100) Continuity correction= 3,059 g.l=1 p=0,08 expõe a percentagem de casos positivos percentagem de casos positivos foi nero feminino (21.1%). Em 26.3% 0)$3,$1 Resultado do exame toxicológico Resultado do exame toxicológico de acordo com a Distribuição do número de casos positivos de acordo com a definição racial. o número de casos positivos de acordo com . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados Os casos positivos ocorreram nas seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), asos positivos (%) 13 (68.4) 6 (31.6) 19 (100) Continuity correction= 3,059 g.l=1 p=0,08 expõe a percentagem de casos positivos de acordo com percentagem de casos positivos foi mais elevada no género nero feminino (21.1%). Em 26.3% 0)$3,$1 Resultado do exame toxicológico de acordo com a espécie. Distribuição do número de casos positivos de acordo com a definição racial. Resultados o número de casos positivos de acordo com . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados Os casos positivos ocorreram nas seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), de acordo com o género. mais elevada no género dos casos não foi espécie. Resultados o número de casos positivos de acordo com . Podemos verificar que os casos positivos foram detetados Os casos positivos ocorreram nas seguintes raças, Podengo (2/19), Branco Alemão (1/19), Husky Siberiano (1/19), o género. mais elevada no género casos não foi
idade. Em 8 ano e > 9 anos regist dos casos positivos teve como proveniência o MP Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 idade. Em 8 dos casos positivos não foi especificada a idade ano e > 9 anos regist A tabela 32 dos casos positivos teve como proveniência o MP Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 dos casos positivos não foi especificada a idade ano e > 9 anos regist aram apenas um caso positivo Classe etária (anos) A tabela 32 expressa a dos casos positivos teve como proveniência o MP Entidade requisitante Clínica/Hospital Parque Natural : Gráfico 13 Tabela 31 classes etárias e nos casos sem idade especificada. Tabela 32 Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 dos casos positivos não foi especificada a idade aram apenas um caso positivo Classe etária (anos) <1 1-9 >9 NE Total (%) expressa a distribuição da dos casos positivos teve como proveniência o MP Entidade requisitante MP/GNR Clínica/Hospital Parque Natural Total (%) : : Gráfico 13 – Distribuição dos casos Tabela 31 - Distribuição dos casos positivos nas diferentes classes etárias e nos casos sem idade especificada. Tabela 32 - Distribuição da proveniência dos casos positivos. Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 dos casos positivos não foi especificada a idade aram apenas um caso positivo Classe etária (anos) distribuição da proveniência dos casos positivos. A maioria dos casos positivos teve como proveniência o MP Entidade requisitante Clínica/Hospital Parque Natural : Distribuição dos casos género. Distribuição dos casos positivos nas diferentes classes etárias e nos casos sem idade especificada. Distribuição da proveniência dos casos positivos. Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 dos casos positivos não foi especificada a idade aram apenas um caso positivo (tabela 31 C asos positivos (%) 1 (5.3) 9 (47.3) 1 (5.3) 8 (42.1) 19 (100) proveniência dos casos positivos. A maioria dos casos positivos teve como proveniência o MP -GNR. C asos positivos (%) 8 (42.1) 6 (31.6) 5 (26.3) 19 (100) % ) 5 8# 9 3 Distribuição dos casos positivos de acordo com o Distribuição dos casos positivos nas diferentes classes etárias e nos casos sem idade especificada. Distribuição da proveniência dos casos positivos. Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 dos casos positivos não foi especificada a idade (NE) . As classes etárias <1 (tabela 31 ). asos positivos (%) 1 (5.3) 9 (47.3) 1 (5.3) 8 (42.1) 19 (100) proveniência dos casos positivos. A maioria asos positivos (%) 8 (42.1) 6 (31.6) 5 (26.3) 19 (100) % ) 5 8# 9 3 positivos de acordo com o Distribuição dos casos positivos nas diferentes classes etárias e nos casos sem idade especificada. Distribuição da proveniência dos casos positivos. Resultados Os casos positivos ocorreram na sua maioria na faixa etária dos 1 - 9 anos de . As classes etárias <1 asos positivos (%) proveniência dos casos positivos. A maioria asos positivos (%) 8# 9 3 positivos de acordo com o Distribuição dos casos positivos nas diferentes Distribuição da proveniência dos casos positivos. Resultados 9 anos de . As classes etárias <1 proveniência dos casos positivos. A maioria
Resultados O gráfico 14 expressa a distribuição do número de casos positivos ao longo dos meses do ano. Foi durante o mês de março que se registaram mais casos positivos (pearson chi-square=0,049; g.l.=1; p=0,826). O gráfico 15 expressa a distribuição do número de casos positivos por diferentes localizações geográficas. O Porto (5 casos) e Viana do Castelo (5 casos) foram os distritos com mais casos positivos seguidos do distrito de Aveiro (3 casos). : : : : : Número de casos positivos (n) Meses do ano &'$ 3 $ .1' *', *',2 0 Número de casos positivos (n) Localização geográfica Gráfico 15 – Distribuição dos casos positivos por diferentes localizações geográficas. Gráfico 14 – Distribuição do número de casos positivos ao longo dos meses do ano.
mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo id entificados requisições a bromadiolona. referenciados num caso positivo para organoclorados. referenciado num caso que se rev 4.10.2. identificado positivo à estricnina. Hábito externo Congestão das mucosas O gráfico 16 mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo entificados em um caso cada Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas requisições . As ororrag a bromadiolona. referenciados num caso positivo para organoclorados. referenciado num caso que se rev 4.10.2. Lesões macroscópicas observadas de ac A tabela 3 identificado . Na figura 3 pode observar positivo à estricnina. Tóxico identificado Hábito externo Nasorragias Ororragias Palidez das mucosas Congestão das mucosas Tabela 33 gráfico 16 mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo em um caso cada Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas . As ororrag ia s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po a bromadiolona. A des coordenação motora e a salivação foram referenciados num caso positivo para organoclorados. referenciado num caso que se rev Lesões macroscópicas observadas de ac A tabela 3 3 expressa as alterações de hábito externo Na figura 3 pode observar positivo à estricnina. Tóxico identificado Hábito externo Nasorragias Ororragias Palidez das mucosas Congestão das mucosas : : : Gráfico 16 Tabela 33 - Alterações de hábito mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo em um caso cada . Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po coordenação motora e a salivação foram referenciados num caso positivo para organoclorados. referenciado num caso que se rev elou positivo para a estricnina. Lesões macroscópicas observadas de ac 3 expressa as alterações de hábito externo Na figura 3 pode observar Tóxico identificado BR (t 1( 2 0 (2) Palidez das mucosas 1( 2 Congestão das mucosas 0( 2 : : Gráfico 16 - Tipo de tóxicos identificados. Alterações de hábito mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po coordenação motora e a salivação foram referenciados num caso positivo para organoclorados. elou positivo para a estricnina. Lesões macroscópicas observadas de ac 3 expressa as alterações de hábito externo Na figura 3 pode observar - se o aspeto geral de um animal que resultou BR (t otal) EST (t 2 ) (2) 2 ) 2 ) : Tipo de tóxicos identificados. Alterações de hábito externo de acordo com o tóxico identificado. mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados (15.7%) e da bromadiolona (10.5%). Os organo fosforados Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po coordenação motora e a salivação foram referenciados num caso positivo para organoclorados. As convulsões foram o sinal clí elou positivo para a estricnina. Lesões macroscópicas observadas de ac ordo com os tóxicos identificados 3 expressa as alterações de hábito externo se o aspeto geral de um animal que resultou EST (t otal) 0(4) 1(4) 1(4) 1(4) : Tipo de tóxicos identificados. externo de acordo com o tóxico identificado. mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados fosforados e os carbamatos foram Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po coordenação motora e a salivação foram As convulsões foram o sinal clí elou positivo para a estricnina. ordo com os tóxicos identificados 3 expressa as alterações de hábito externo de acordo com o tóxico se o aspeto geral de um animal que resultou OC (total) 0(1) 0(1) 0(1) 0(1) $' 7 ', '3 *'5 3 '65 $ 7 ',99'3 Tipo de tóxicos identificados. externo de acordo com o tóxico identificado. Resultados mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados e os carbamatos foram Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas s foram o sinal clínico referido no caso que resultou po sitivo para coordenação motora e a salivação foram os sinais clínicos As convulsões foram o sinal clí ordo com os tóxicos identificados de acordo com o tóxico se o aspeto geral de um animal que resultou CAB (t otal 0(1) 0(1) 1(1) 0(1) $' 7 ', '3 *'5 3 '65 $ 7 ',99'3 externo de acordo com o tóxico identificado. Resultados mostra o tipo de tóxicos identificados nos 19 casos positivos. O tóxico mais frequentemente encontrado foi a estricnina (63.2%) seguido dos organoclorados e os carbamatos foram Dos 19 casos positivos, apenas em três houve referência aos sinais clínicos nas sitivo para sinais clínicos As convulsões foram o sinal clí nico ordo com os tóxicos identificados de acordo com o tóxico se o aspeto geral de um animal que resultou otal )
Hábito externo (c tóxico identificado. Na figura 4 pode e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. Hábito externo (c ontinuação Sinais de diarreia Conteúdo líquido nas fossas nasais Legenda: A tabela 3 tóxico identificado. Na figura 4 pode e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. Tóxico identificado Habito interno Hematomas musculares e do tecido subcutâneo Hematomas e sufusões no Hematomas e sufusões hemorrágicas no mediastino Hemotórax Hemoperitoneu Fluidez sanguínea Congestão dos músculos Legenda: Tabela 34 Hábito externo ontinuação ) Sinais de diarreia Conteúdo líquido nas fossas nasais Legenda: BR – Bromadiolona; A tabela 3 4 expressa as lesões de hábito interno observadas tóxico identificado. Na figura 4 pode e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. Tóxico identificado Habito interno Hematomas musculares e do tecido subcutâneo Hematomas e sufusões no timo Hematomas e sufusões hemorrágicas no mediastino Hemotórax Hemoperitoneu Fluidez sanguínea Congestão dos músculos Legenda: BR – Bromadiolona; Figura 3 - Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Tabela 34 - Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. BR (t 1( 2 Conteúdo líquido nas 0( 2 Bromadiolona; EST – 4 expressa as lesões de hábito interno observadas tóxico identificado. Na figura 4 pode observar e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. Tóxico identificado BR(t Hematomas musculares e do tecido subcutâneo Hematomas e sufusões no Hematomas e sufusões hemorrágicas no Fluidez sanguínea Congestão dos músculos Bromadiolona; EST – Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. BR (t otal) EST (t 2 ) 2 ) – Estricnina; OC 4 expressa as lesões de hábito interno observadas observar - se um exemplo de um hematoma muscular e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. BR(t otal) EST(t 1(2) 0(2) 0(2) 0(2) 1(2) 1(2) 1(2) – Estricnina; OC Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Fonte: LNIV Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. EST (t otal) 0(4) 1(4) Estricnina; OC – Organoclorados; CAB 4 expressa as lesões de hábito interno observadas se um exemplo de um hematoma muscular e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. EST(t otal) OC(t 3(4) 0(4) 1(4) 0(4) 2(4) 1(4) 0(4) Estricnina; OC – Organoclorados; CAB Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Fonte: LNIV Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. OC (total) 0(1) 0(1) Organoclorados; CAB 4 expressa as lesões de hábito interno observadas se um exemplo de um hematoma muscular e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. OC(t otal) 0(1) 1(1) 0(1) 1(1) 0(1) 0(1) 0(1) Organoclorados; CAB Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. Resultados CAB (t otal 0(1) 0(1) Organoclorados; CAB - Carbamatos 4 expressa as lesões de hábito interno observadas de acordo com o se um exemplo de um hematoma muscular e do tecido subcutâneo, num animal que resultou positivo à bromadiolona. CAB (t otal 0(1) 0(1) 0(1) 0(1) 0(1) 1(1) 0(1) Organoclorados; CAB - Carbamatos Aspeto geral de um animal positivo para a estricnina. Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado. Resultados otal ) Carbamatos de acordo com o se um exemplo de um hematoma muscular otal ) Carbamatos Lesões de hábito interno observadas de acordo com o tóxico identificado.
Discussão dos Resultados 5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os animais domésticos, sobretudo cães e gatos, constituem o grupo de animais mais afetados por substâncias tóxicas 21,40,48,71-74 . As intoxicações constituem uma séria causa de morbilidade e mortalidade nestes animais 75 , sendo que as intoxicações intencionais são as mais frequentes 44,46,47,75,76 . Durante o período do nosso estudo (2004-2011) deram entrada no LNIV 247 casos com suspeita de envenenamento. Dos 247 casos, 148 (cadáveres) foram recebidos no setor de AHP-P e 99 (iscos e vísceras) no setor de toxicologia. A maioria dos casos com suspeita de envenenamento foi remetida para análise através de clínicas e hospitais veterinários. A espécie que mais levantou suspeitas de envenenamento foi a canina, sendo o género masculino mais frequente. A classe etária dos 1-9 anos de idade foi a mais representativa, embora em 58 casos a idade não tivesse sido especificada. Na espécie canina, a raça Podengo foi a mais frequente, seguida das raças Boxer e Rottweiler. A raça Europeu Comum foi a mais frequente nos gatos. Os casos suspeitos recebidos foram na sua maioria oriundos dos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo, maioritariamente durante os meses de março, fevereiro, agosto e setembro. Os tóxicos mais vezes mencionados como suspeitos nas requisições foram a estricnina, os inseticidas e os raticidas anticoagulantes cumarínicos. A estricnina foi o tóxico mais vezes referenciado como suspeito na espécie canina. Nos gatos, os raticidas anticoagulantes cumarínicos foram os tóxicos mais vezes referenciados. Dos 247 casos que deram entrada no LNIV com suspeita de envenenamento, foi realizado o exame anatomopatológico em 141 casos, o exame histopatológico em 13 casos e o exame toxicológico em 177 casos. As alterações macroscópicas observadas no decorrer da necrópsia nem sempre são suficientes para determinar a natureza do processo patológico envolvido e estabelecer a causa de morte do animal 20 . Assim, o estudo microscópico das amostras colhidas aquando da necrópsia pode auxiliar no diagnóstico de intoxicação 20 . Contudo, o exame histopatológico foi requisitado em poucos casos para minimizar os custos. Dos 203 casos em que foi requisitado o exame toxicológico, apenas em 177 foi realizado dado, que apesar de inicialmente requisitado, foi posteriormente cancelado tendo em conta o resultado obtido na necrópsia que apontava para outras causas de morte. Em 44 casos não foi requisitado este tipo de exame possivelmente devido ao seu custo. A não realização do exame toxicológico condiciona o diagnóstico de morte por suspeita de envenenamento, dado que muitas substâncias tóxicas não produzem lesões patológicas típicas e a sua deteção e confirmação apenas é possível através deste exame 2,16 .
Discussão dos Resultados O exame toxicológico resultou positivo em 19 casos. Todos os casos positivos ocorreram em cães, na sua maioria sem raça definida, sendo o género masculino o mais afetado. No que reporta à idade, os casos positivos foram mais frequentes na faixa etária dos 1-9 anos de idade. O tóxico mais vezes detetado foi a estricnina (12/19), seguida dos inseticidas organoclorados (3/19) e da bromadiolona (2/19). Os inseticidas organofosforados e os carbamatos foram identificados em um caso cada. Dados semelhantes, aos obtidos no presente estudo, apontam de igual forma a espécie canina como a principal espécie envolvida em situações de envenenamento. No ano de 2010, o Centro de Informação Anti-Venenos (CIAV) recebeu 21.980 chamadas, referentes a casos de intoxicação, das quais 802 envolveram animais, na sua maioria da espécie canina 77 . De acordo com Bulcão R et al, entre os anos de 1980 e 2006, foram registados, no Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul 10.400 casos de intoxicação em animais, dos quais 72% ocorreram em cães 78 . Estudos realizados pelo Veterinary Poisons Information Service corroboram os dados anteriores, apontando a espécie canina como a mais atingida 79 . Um maior número de envenenamentos na espécie canina também foi observado em um estudo realizado pelo Centre National d’Informations Toxicologiques Vétérinaires. A percentagem de gatos afetados por intoxicações foi de 7.4% 80 . De acordo com o Servicio de Antencíon Toxicológica Veterinaria de la Universidad de Santiago de Compostela, os casos de envenenamento são, na sua maioria, mais comuns em cães do que em gatos 81 . Dados semelhantes também foram observados nos estudos de Assis HCS et al 13 , Dallegrave E et al 48 , Forrester MB et al 76 , Medeiros RJ et al 82 , Taylor MJ et al 83,84 , Wang Y et al 85 , Motas-Guzman M et al 86 e Caloni F et al 87 . Um outro estudo realizado em países da Europa (Bélgica, Grécia, Itália) obteve resultados semelhantes aos nossos 88 . No entanto, os resultados deste estudo são discordantes do nosso no que se refere ao género, uma vez que descrevem como mais frequentes os envenenamentos em fêmeas 88 . Resultados semelhantes foram também obtidos no estudo de Spinosa HS et al, que encontrou uma percentagem de casos de envenenamento superior em fêmeas 75 . O estudo efetuado por Fighera RA et al, evidenciou que as intoxicações foram mais frequentes em machos (56.4%) do que em fêmeas (43.6%), sendo a faixa etária dos 1 aos 9 anos de idade a que registou maior número de intoxicações, seguida da faixa etária dos 0-1 anos de idade e por fim os animais com idades superiores a 10 anos 70 . Estes dados vão de encontro aos obtidos no presente estudo. Dados semelhantes foram também obtidos pelo Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (Brasil), entre os anos de 2005 a 2009 89 e, no estudo realizado por Assis HCS et al 13 .
Discussão dos Resultados O comportamento felino 48,72,82,90,91 poderá explicar os resultados obtidos (casos positivos apenas na espécie canina), dado que os gatos são mais seletivos na ingestão de substâncias 48,72,91 , e como têm um olfato mais apurado não ingerem alimentos que apresentem um odor que não lhes agrade 82 . Além disso, na maioria dos casos, os gatos intoxicados, não regressam a casa, uma vez que procuram locais de difícil acesso para se refugiarem e para se proteger, acabando por morrer nesses mesmos locais 13,92 . Assim, é possível que o número real das intoxicações em gatos seja superior ao diagnosticado 90 . De acordo com Medeiros RJ et al, a existência de poucos casos reportados na espécie felina é considerado um fator positivo, uma vez que os gatos apresentam peculiaridades metabólicas que podem favorecer um quadro de intoxicação quando comparados com outras espécies animais 82 . A frequência de casos na espécie canina também pode estar associada com a atividade cinegética 68,93 O número de casos na espécie canina, na sua maioria cães com idades compreendidas entre os 1 e 9 anos, provavelmente deve-se ao facto de estes animais apresentarem um apetite voraz 72,75 , serem animais mais ativos 48,72,75 , que ingerem todo o tipo de substâncias a que têm acesso 69,72,80,86 . Além disso, o seu temperamento e latidos também podem contribuir para a elevada frequência 46 . A maior frequência de intoxicação nos animais jovens também pode estar relacionada com a forma de metabolismo e transporte de substâncias xenobióticas que nestas idades estão condicionados pela falta de maturidade do sistema enzimático microssómico 94 . As intoxicações são mais comuns no sexo masculino 89,95 talvez devido ao facto de as fêmeas permanecem mais tempo em casa do que os machos 96 . Os machos têm tendência para abandonar as suas casas sobretudo em época de acasalamento 96 . Além disso, em comparação com as fêmeas, apresentam um comportamento territorial mais vincado e tendem a ser mais agressivos. Apesar das suspeitas de envenenamento serem mais frequentes em canídeos de raça definida, os casos positivos afetaram um maior número de cães sem raça definida, num total de 13 casos (9 positivos a estricnina, 2 positivos aos organoclorados, 1 positivo aos organofosforados e 1 positivo aos carbamatos), não se tendo verificado uma associação estatisticamente significativa entre os casos positivos e a raça (p = 0,08). Encontramos dois casos de envenenamento em Podengos, um positivo a estricnina e outro positivo aos organoclorados, um Branco Alemão e um Husky Siberiano positivos à estricnina, um Rottweiler e um Serra da Estrela positivos para a bromadiolona. Estes resultados são diferentes dos obtidos por Spinosa HS et al segundo a qual, as principais raças de cães envolvidas em situações de envenenamento foram o Pastor Alemão, o Caniche e o Pinscher 75 . Estes resultados podem estar relacionados com a preferência
Discussão dos Resultados dos proprietários por determinado tipo racial ou pela frequência de determinado tipo de raças nos dois países. De acordo com o estudo de Khan SA et al, o envenenamento por estricnina é mais comum em cães do género masculino e com raça definida 97 . No nosso estudo, dos 12 casos positivos para a estricnina, 9 ocorreram em cães sem raça definida. Os Rotweiller são considerados cães de guarda/alerta e, por isso, são raças mais propícias para os envenenamentos, por exemplo em situações de assalto 13,78 . Por sua vez, nos Podengos, cães de caça 98 , a morte por envenenamento poderá estar relacionada com a atividade cinegética 68 ou com a ingestão de grânulos encontrados em locais onde existam roedores 69,99,100 . No que reporta à entidade requisitante, a maioria dos casos com suspeita de envenenamento foi remetida para análise através de clínicas ou hospitais veterinários. Contudo, os casos confirmados, na sua maioria, foram requisitados pelo MP-GNR (8/19) e retratam o número de casos em que existiu queixa formal. Dos 19 casos positivos, 6 foram remetidos pelas clínicas e hospitais veterinários. Este resultado sugere que existe preocupação por parte dos proprietários quando encontram os seus animais doentes, prestando-lhes assistência médica mesmo que seja tardia. Motas-Guzman M et al, verificaram que a maioria dos casos positivos foi remetida por clínicas e hospitais veterinários 86 . Os casos positivos verificaram-se nos meses de janeiro (1 de organoclorados), fevereiro (1 de carbamatos, 1 de organofosforados), março (4 de estricnina), abril (1 estricnina), maio (1 estricnina, 1 organoclorados), agosto (1 estricnina, 2 bromadiolona), outubro (2 de estricnina, 1 de organoclorados) e dezembro (3 de estricnina). Se analisarmos os meses com maior número de casos suspeitos (março, janeiro, fevereiro, agosto e setembro) verificamos que os resultados positivos são concordantes com exceção do mês de setembro onde não foi registado nenhum caso positivo. Os meses de primavera/verão registaram em conjunto um maior número de casos positivos, no total de 10 em comparação com os meses de outono/inverno onde ocorreram 9 casos positivos. Os resultados obtidos não encontraram relação significativa entre a época do ano e o número de casos positivos (p=0,826). De acordo com o Programa Antidoto Portugal, a época com maior número de registos de mortes por envenenamento é entre outubro e dezembro, seguida da época entre janeiro e março 68 . No nosso estudo, a época de outubro a dezembro registou 6 casos positivos e a época de janeiro a março 7 casos positivos. O período de outubro a dezembro é apontado como o período onde se regista um maior número de cães envenenados, coincidindo com o período de caça em Portugal, com episódios de rivalidade e conflitos entre caçadores, ou entre as populações locais e
Discussão dos Resultados os caçadores 68 . Outros estudos apontam também a época de outono/inverno como a mais propícia para a ocorrência de envenenamentos 86,92,101 , dado que nessa altura há uma maior disponibilidade e facilidade de acesso a tóxicos, por coincidir com a altura de exterminação de roedores 92,101 . Março foi o mês com maior número de casos positivos, no total de 4/19. Este mês coincide com o final da época de caça e o número de mortes registado poderá estar relacionado com o abandono dos cães 68 . Outros autores associam com a época do cio, uma vez que, os animais saem de casa 96 . O número de casos registados no mês de agosto (3/19) poderá também estar relacionado com a atividade cinegética, nomeadamente com início da caça para espécies migratórias 102 . De acordo com o Centre National d'Informations Toxicologiques Vétérinaires, a mortalidade atinge o pico nos meses de verão sobretudo entre maio e junho e decresce nos meses de inverno 80 . O decréscimo nos meses de inverno por ser explicado pelo facto de os animais serem mantidos mais tempo dentro de casa e por isso não estão tão expostos a tóxicos 80 . Estudos realizados em Espanha, entre 1990 e 2001, indicaram que a época com registo de maior número de ocorrências foi a época da primavera (entre março e junho), com 65% dos casos relacionados com a atividade cinegética 68 . Como já foi referido anteriormente, os meses de primavera/verão registaram apenas mais um caso positivo comparativamente aos meses de outono/inverno, sendo o mês de março aquele em que ocorreram mais mortes. Os casos positivos ocorreram nos distritos do Porto (2 de bromadiolona, 1 de organoclorados, 1 de estricnina e 1 de carbamatos), Viana do castelo (5 de estricnina), Aveiro (2 de estricnina, 1 de organoclorados), Braga (2 de estricnina), Bragança (1 de organofosforados, 1 de organoclorados) e Vila Real (2 de estricnina). Os distritos com maior número de suspeitas apresentaram casos positivos. De acordo com o Programa Antidoto Portugal, os casos de envenenamento em animais domésticos são mais frequentes nos distritos de Viana do Castelo, Bragança e Vila Real 68,71 . Ainda segundo um estudo intitulado “Estudo consumidor 2005” elaborado pela empresa Marktest, no ano de 2005, a região norte foi a região do país que registou um número mais elevado de animais domésticos 103 . Estes resultados poderão explicar o elevado número de mortes ocorridas nos distritos desta região. No nosso estudo, os distritos de Viana do Castelo, Bragança e Vila Real, estão entre os distritos com mais casos positivos. Quanto ao tipo de tóxico que mais apresentou positividade, os resultados obtidos corroboram o descrito nos estudos de Fighera RA et al 70 e Blakley BR 96 . Dados semelhantes são também mencionados pelo Programa Antidoto Portugal, que aponta a
Discussão dos Resultados estricnina como responsável por cerca de 60% dos casos de envenenamento 104,105 . Segundo as análises realizadas na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, pelo Laboratório de Farmacologia e Toxicologia, no ano de 2003, os envenenamentos mais comuns em Portugal foram causados sobretudo pela estricnina 106 . Um estudo do Animal Poison Control Center's no período compreendido entre 1992-2008, demonstrou a ocorrência de 161 casos de envenenamento por estricnina, dos quais 132 ocorreram em cães 97 . Estes resultados vão de encontro aos obtidos no presente estudo. No entanto são discordantes de estudos referenciados na literatura. No estudo de Bulcão R et al, o aldicarbe foi o tóxico mais frequentemente detetado, seguido da estricinina e da warfarina 78 . Por sua vez, nos estudos de Talyor MJ et al, os raticidas anticoagulantes cumarínicos foram os mais comuns 83,84 . Já no estudo de Medeiros RJ et al, os carbamatos, nomeadamente o aldicarbe, foram os tóxicos mais vezes detetados nas análises toxicológicas, seguidos dos raticidas anticoagulantes cumarínicos 82 . Resultados semelhantes foram também observados por Sipnosa HS et al 75 . No estudo de Wang Y et al os principais tóxicos detetados foram os carbamatos, seguidos dos raticidas anticoagulantes e dos organofosforados. A estricnina teve uma frequência baixa 85 . Campbell A et al referem nos seus estudos que os tóxicos mais comuns são os herbicidas seguidos dos raticidas anticoagulantes cumarínicos 69 . Ao contrário de Haro MM et al, que referem os herbicidas como tóxicos pouco frequentes 107 . Por sua vez, Lorgue G et al, indicam que os raticidas anticoagulantes cumarínicos são os mais comuns seguidos dos herbicidas e dos inseticidas 80 . Outros estudos apontam os inseticidas como os tóxicos mais frequentes 75,88,89,107,108 . A explicação para estes resultados tão diferentes pode estar relacionada com o tipo de agricultura de cada região, o tipo de produto usual (conhecimento da toxicidade), a disponibilidade no mercado e a percentagem da substância ativa 107 . A estricnina, que durante muito tempo foi comercializada para o controlo de roedores 1,5,10,97,109 , continua a ser uns dos tóxicos mais utilizados para o envenenamento de animais domésticos, apesar de atualmente a sua comercialização ser proibida 104 . Este alcaloide apresenta uma elevada toxicidade que, aliada à fácil utilização leva a que muitas pessoas ainda o utilizem 104 . Contrariamente ao que acontece em Portugal, na Áustria o facto de ser estritamente proibida faz com que a sua incidência seja muito pequena 85 . A Animal Poison Control Center's refere que as intoxicações por estricnina ocorrem de igual forma ao longo do ano, apesar de serem reportados mais casos no verão 97 . No presente estudo os casos positivos estavam distribuídos ao longo do ano, embora se tenham registado mais casos nos meses de primavera/verão (7/12).
Discussão dos Resultados No que reporta aos inseticidas foram detetados 3 casos positivos para organoclorados, um caso positivo a organofosforados e um caso positivo aos carbamatos. De acordo com estudo de Xavier FG et al, os organoclorados não são tóxicos muito frequentes, ao contrário dos organosfosforados e carbamatos 108 . Os organoclorados apresentam baixa toxicidade, comparativamente aos dos inibidores da acetilcolinesterase, e, por essa razão talvez não sejam utilizados com tanta frequência 110 . Os inseticidas carbamatos e os inseticidas organofosforados apresentam elevada toxicidade e são uns dos principais inseticidas usados em intoxicações intencionais 75,78,82,111,112 , embora no presente estudo só tenha sido detetado um caso de cada. A bromadiolona foi o terceiro tóxico mais detetado nas análises toxicológicas. Esta substância é um dos compostos anticoagulantes de segunda geração mais utilizados 99,101 no combate a pragas de roedores 100,101,113,114 . No estudo realizado em países europeus como a Bélgica, França e Itália, a bromadiolona foi o raticida mais comum em casos de envenenamento 88 . Os compostos anticoagulantes de segunda geração são um dos tóxicos de eleição para o envenenamento de animais domésticos 69,99,100,115,116 , sobretudo cães 69,99,100,116 , uma vez que, para além de serem comercializados legalmente em Portugal 113 , portanto fáceis de usar e adquirir 1,21,69,100,113,117 , são muito mais potentes do que os de primeira geração, podendo causar a morte com apenas uma ingestão 69,100,113,118 . Este tipo de intoxicações, segundo Lorgue G et al, é mais frequente em cães e na época do outono/inverno 80 . Por sua vez, Motas-Guzman M et al referem que os anticoagulantes são utilizados principalmente no inverno, mas também se verificam casos na primavera e no outono 86 . No nosso estudo, os casos positivos para a bromadiolona ocorreram apenas durante o mês de agosto. Este resultado poderá ser explicado pela atividade cinegética. Comparando os diferentes tóxicos identificados, verificamos que a estricnina foi o mais frequente talvez por ser um composto com elevada toxicidade, cuja sintomatologia se inicia entre 10 minutos a uma hora após a ingestão, sendo por isso mais difícil de reverter 10,92,105 . Os raticidas anticoagulantes cumarínicos são menos tóxicos e requerem mais tempo para que se manifestem os sinais clínicos 75 (12 a 24 horas após a ingestão) 100,117 podendo ser reversíveis se o tratamento for adequado e a tempo 75 . Talvez por isso sejam menos utilizados, apesar da facilidade de acesso. Os carbamatos comparativamente à estricnina produzem efeitos clínicos mais tardios 92 (30 minutos a 3 horas após a ingestão) 119-123 , e um quadro menos incapacitante para o animal 92 . Têm um modo de ação semelhante ao dos organofosforados, embora sejam menos potentes 1,10,105 , uma vez que, a ligação não covalente entre o carbamato e
Discussão dos Resultados acetilcolinesterase é espontaneamente reversível, com regeneração da enzima após descarbamilação, o que faz com que a sintomatologia seja de pouca duração, após o início do quadro 10 . 74 . Por sua vez, os inseticidas organofosforados produzem uma sintomatologia que pode iniciar-se entre 12 a 24 horas após a ingestão e pode durar dias ou até algumas semanas 124 . São compostos mais tóxicos que os carbamatos dado que são considerados inibidores irreversíveis da acetilcolinesterase 1,10,74,115 . Os sinais clínicos manifestados pelos animais foram referidos na folha de requisição de análises em apenas 60 casos. A falta de informação nas requisições em relação aos sinais clínicos manifestados antes da morte poderá dever-se ao facto de que na maioria dos casos os proprietários têm dificuldade em fornecer informações precisas ao veterinário sobre a ocorrência. Em algumas situações, os proprietários encontram os seus animais já cadáveres pelo que não observam nenhum tipo de sintomatologia. A falta de informação acaba por dificultar a elaboração de um diagnóstico presumível quanto ao tipo de tóxico a pesquisar, ou até direcionar a suspeita para uma outra causa de morte que não a intoxicação. De entre os casos positivos, apenas em 3 deles houve referência aos sinais clínicos apresentados. Em um caso foram referidas as ororragias. Este caso que apresentava ororragias no exame antes da morte foi positivo para a bromodiolona. As ororragias constituem um sinal externo de hemorragia descritas em situações de envenenamento por raticidas anticoagulantes 99,100,106,117,125 . As convulsões foram o sinal clínico descrito num caso que foi positivo para a estricnina, o que corrobora com a sintomatologia descrita na literatura em situações de envenenamento envolvendo esta substância 1,92,105 . A descoordenação motora e a salivação foram sinais clínicos referenciados no caso positivo a organoclorados, sendo a salivação um sinal clínico descrito em situações de envenenamento por este composto 126 . Nos casos positivos à estricnina, o exame pós-morte evidenciou algumas das lesões descritas na literatura como as hemorragias pulmonares e cardíacas 97,109 . No entanto, a maioria das lesões descritas nos casos positivos para a estricnina foram inespecificas o que corrobora o descrito na literatura 5,97,109 . As lesões macroscópicas demonstradas nos casos em que foi detetada a bromadiolona foram semelhantes às lesões que estão descritas na literatura como as mais frequentes, nomeadamente o hemoperitoneu e as hemorragias pulmonares 69,114,118 . O hemotórax descrito como uma das lesões macroscópicas mais frequentes 69,114,118 , não foi observado em nenhum dos casos positivos do nosso estudo. Outras lesões macroscópicas descritas em casos de envenenamento, com este tipo de raticida anticoagulante, incluem o hemopericárdio, as hemorragias subendocardicas com flacidez
Discussão dos Resultados do coração, sangue em natureza no lúmen dos intestinos, sangue na bifurcação da traqueia, petéquias na serosa dos pulmões e hemorragias na mucosa da bexiga 69,118 . No caso positivo aos organoclorados, não foram observadas lesões macroscópicas sugestivas, nem ao nível do hábito externo nem ao nível do hábito interno. No que respeita às lesões macroscópicas presentes no caso positivo para carbamatos, foram observadas algumas das lesões descritas como frequentes neste tipo de envenenamento como o edema pulmonar 5,108,119,121 e a congestão hepática 108,121 . Contudo, estas lesões também foram evidenciadas em alguns dos casos positivos para a estricnina. A presença de grânulos de coloração enegrecida, no conteúdo gástrico, está descrita nas intoxicações por carbamatos 108 . No nosso caso positivo para carbamatos foi observado um conteúdo gástrico normal o que poderá indicar o uso deste composto sob outra forma, por exemplo a líquida 1,119,122 . Hemopericárdio e pulmões de aspeto hemorrágico foram lesões observadas em três tóxicos diferentes (estricnina, bromadiolona e organoclorados). As seguintes lesões foram comuns nos casos positivos à estricnina e à bromadiolona: hematomas musculares e do tecido subcutâneo e hemoperitoneu. A congestão e hemorragias pulmonares e rins hemorrágicos foram observados nos casos positivos para a estricnina, bromadiolona e organoclorados. A palidez das mucosas foi evidenciada na estricnina, na bromadiolona e nos carbamatos. A fluidez sanguínea só não foi evidenciada no caso positivo para os organoclorados. O edema e o enfisema pulmonar, assim como a congestão hepática foram verificados tanto nos casos positivos para a estricnina como no caso positivo para os carbamatos. A congestão visceral, o edema pulmonar e a fluidez sanguínea, foram algumas das lesões tóxicas inespecíficas de ação indireta 4,5 observadas em alguns casos positivos. As lesões macroscópicas observadas não foram específicas de um determinado tipo de tóxico, o que não nos permitiu fazer o diagnóstico de intoxicação apenas com o exame anatomopatológico tendo sido fundamental a realização do exame toxicológico. Ao longo do presente estudo registaram-se 4 casos nos quais o exame necrópsico resultou num diagnóstico compatível com intoxicação por raticidas anticoagulantes, dois dos quais requisitaram o exame toxicológico. Um deles foi positivo para a bromadiolona, e o outro foi negativo. Neste último caso, foram observadas lesões macroscópicas descritas nos casos de envenenamento por raticidas anticoagulantes como o hemotórax, as hemorragias pulmonares 69,114,118 e o conteúdo sanguinolento nos intestinos 69,118 . Nestes casos, devem ser tidos em consideração outros dados, como a história pregressa, o exame clínico completo, com análises sanguíneas e exame histopatológico, para se
Discussão dos Resultados poder elaborar um diagnóstico diferencial com outras patologias causadoras de coagulopatias 127 . O resultado negativo da toxicologia pode dever-se à falta de especificidade das técnicas utilizadas 5,14 , a processos inadequados de colheita, à contaminação das amostras, à ocorrência de reações cruzadas, como também à decomposição do tóxico durante o armazenamento ou então devido à sua eliminação antes de ocorrer a morte 5 . As alterações transformativas também podem influenciar a deteção dos tóxicos 5,65 , dado que entre a morte e o momento da necrópsia podem ocorrer alterações da concentração dos tóxicos nos tecidos (devido a fenómenos químicos, físicos ou bioquímicos) potenciando a degradação ou produção de substâncias que se podem confundir com o tóxico 5 . Além disso, os processos de decomposição cadavérica podem mascarar lesões, condicionar resultados ou mesmo induzir interpretações erróneas 51 . Contudo, um resultado negativo não exclui a ocorrência de uma intoxicação 65 . De acordo com Oliveira P et al, “(…), existem compostos químicos com elevada toxicidade, cujas concentrações nos tecidos é impossível de detetar e quantificar pelos métodos analíticos existentes atualmente” 14 . Deve também ter-se em conta que os tóxicos presentes nas amostras podem decompor-se durante o processo de armazenamento e como tal podem não ser detetados 5,22 . O processo de congelação-descongelação pode reduzir alguns metabolitos pelo que, as concentrações iniciais e finais do tóxico poderão ser diferentes. O êxito da investigação toxicológica depende assim da qualidade, quantidade e grau de conservação das amostras 5,22 . O exame anatomopatológico foi prejudicado por decomposição cadavérica em três casos, sendo que dois deles resultaram negativos para os tóxicos pesquisados (apesar da decomposição cadavérica o exame toxicológico foi realizado). O exame anatomopatológico foi inconclusivo em sete casos, três deles, devido à decomposição cadavérica. Em dois casos apenas foi requisitado o exame necrópsico, logo a insuficiência de exames complementares, não permitiu esclarecer a causa de morte. Em 4 dos 7 casos, o exame toxicológico foi negativo (o que não exclui a possibilidade de envenenamento), o qual poder dever-se a causas já acima mencionadas. Um caso inconclusivo por decomposição cadavérica foi positivo para a bromadiolona. Este resultado demonstrou que as alterações transformativas não influenciaram a deteção do tóxico. O exame toxicológico foi positivo em 3 dos 30 casos de quadro congestivohemorrágico, 2 casos positivos para à estricnina e um caso positivo aos organoclorados.
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Anexo II Por sua vez, as esterases do tipo B, como é o caso da acetilcolinesterase, hidrolisam os organofosforados e os carbamatos mas são inibidas por eles 12 . Assim, a acumulação da acetilcolina leva à ocorrência de perturbações do foro nervoso 2,5 e à ativação de recetores nicotínicos no músculo-esquelético, nos gânglios autónomos e no sistema nervoso central, e à ativação de recetores muscarínicos na musculatura lisa e nos sistemas de secreção endócrina e exócrina 2 . Alguns compostos organofosforados podem levar a ocorrência de neurotoxicidade, que consiste na degeneração axonal (distal e simétrica) que ocorre no sistema nervoso periférico e no sistema nervoso central. Este processo é designado de axonopatia distal-central periférica onde se verifica a inibição de outra enzima a esterase neurotóxica 3,5 . A toxicidade varia consoante a dose e a espécie animal, sendo que os gatos são os animais mais sensíveis 1,3 . A acetilcolinesterase fosforilada é relativamente estável e a sua hidrólise é lenta, dado que os organofosforados só se ligam a um local ativo da enzima 1,3 . Desta forma, os organofosforados são considerados inibidores irreversíveis da acetilcolinesterase 1,3 . A sinapse volta a normalidade quando uma nova enzima é sintetizada. Em comparação com os carbamatos, a sua reativação é muito mais lenta 1 . Os organofosforados podem ser absorvidos através do trato gastro-intestinal, da pele e em situações de exposição a elevadas concentrações a absorção pode ocorrer através dos pulmões 2,3,5 . São compostos pouco hidrossolúveis, solúveis em solventes orgânicos e lípidos, o que facilita a absorção através da pele 4 . Após a absorção, os organofosforados são distribuídos pelo organismo, mas não se acumulam em tecidos específicos 4 . São metabolizados no fígado, por oxidação ou por hidrólise através de uma esterase ou transferindo porções para a glutationa 2,3 . Os compostos organofosforados só terão ação inibidora das esterases depois de biotransformados no fígado 4 por oxidação microssomal 7 . A maioria destes compostos é rapidamente excretada 2,14 por via urinária ou fecal 3 . Os efeitos clínicos resultam da acumulação excessiva de acetilcolina e da estimulação do sistema nervoso parassimpático, através dos efeitos nos recetores colinérgicos 4,8,14 . A sintomatologia pode iniciar-se entre as 12 a 24 horas após a ingestão e pode durar dias ou até algumas semanas 2 . Os principais efeitos muscarínicos incluem, no aparelho respiratório, hipersecreção brônquica, broncos espasmos com consequente dispneia 2,5,8,10,11 , tosse com expetoração, cianose e edema pulmonar 14 . Também estão descritos sinais como polaquiuria e incontinência urinária 14 por relaxamento dos esfíncteres 2,8,10,11 . No aparelho digestivo os sintomas muscarínicos incluem náuseas, vómitos, diarreia, tenesmos, incontinência fecal, anorexia 14 e cólicas
Anexo II abdominais 2,8,10,11,14 . A médio prazo os vómitos, a diarreia e os tremores musculares podem provocar desequilíbrios hidroelectrolíticos 10 . A nível glandular ocorre aumento da sudação, lacrimejamento e salivação 2,8,10,11,14,15 . É comum a ocorrência de sialorreia, observada com maior frequência nos gatos 3 . Por sua vez, os efeitos nicotínicos (predominantemente neuromusculares) incluem hiperestimulação com fasciculação muscular local e espasmos generalizados, depressão, fraqueza 2,8 , cãibras, hipotonia 14 e finalmente paralisia por exaustão muscular 2,8 . Os efeitos neurológicos englobam a depressão, prostração ou coma, com possibilidade de ataques convulsivos 2,8,14 , ataxia, ansiedade e astenia 14 . A neurotoxicidade tardia, que pode ocorrer em alguns casos 2,3 , manifesta-se 2 a 4 semanas após a fase aguda de intoxicação 2 , e pode induzir ataxia, fraqueza muscular progressiva, diminuição dos reflexos tendinosos e paralisia dos membros 2,3 . A morte ocorre por asfixia devido a insuficiência respiratória 4,8,14,15 associada à constrição e ao aumento das secreções brônquicas, paralisia dos músculos respiratórios e depressão do centro respiratório 4 . Não se observam lesões características na intoxicação por organofosforados. No entanto podem observar-se alterações pulmonares como edema e aumento das secreções brônquicas 2,4,5,8 , cianose, hemorragias na musculatura esquelética, congestão e edema cerebral 4 . Também se pode observar dilatação capilar e hiperemia sobretudo nos pulmões e no encéfalo (mas também pode ocorrer em outros órgãos) 5 . Pancreatite 5 , hemorragias e edema intestinais também podem estar presentes 8 . São também descritos outros achados como a congestão generalizada, as hemorragias gástricas e cardíacas e a enterite 8 . O estudo microscópico do encéfalo demonstra a existência de hemorragias de extravasão abundantes e generalizadas tanto na substância branca como na cinzenta, e dilatação dos espaços perivasculares, com alteração das células piramidais, caracterizando um quadro de edema cerebral 5 . Nos casos de neurotoxicidade tardia pode observar-se degeneração axonal no sistema nervoso central e periférico, e degeneração secundária da mielina 2,4,8 . Inseticidas carbamatos Os carbamatos, à semelhança dos organofosforados, são compostos inibidores da enzima acetilcolinesterase capazes de causar intoxicações em animais domésticos 9,12,16 , devido não só à sua toxicidade 17,18 , mas também à facilidade de aquisição e à ineficiente fiscalização da sua comercialização 17 . De entre os inseticidas carbamatos, destacam-se o aldicarbe e o carbofurão,
Anexo II compostos de alta toxicidade, vendidos de forma clandestina e usados ilegalmente como raticidas domésticos 6,16 . Os carbamatos existem sob a forma líquida, em sprays 19,20 ou em grânulos 17 e em algumas preparações agrícolas encontram-se combinados com os organofosforados 19 . Estes compostos são facilmente acrescentados em iscos ou misturados com alimentos com a finalidade de intoxicar intencionalmente animais 17 . Tal como os organofosforados, os carbamatos atuam inibindo a ação da enzima acetilcolinesterase mas por carbamilação 1,3,5,9,16,17,18,19,20,21 . O processo de carbamilação envolve a ligação dos carbamatos a dois locais ativos da enzima acetilcolinesterase 3,18 levando à acumulação da acetilcolina e à consequente estimulação dos seus recetores colinérgicos (nicotínicos e muscarínicos) 5,16,17,18,19,20,21 . Os recetores nicotínicos atuam em determinados locais como os músculos esqueléticos e os recetores muscarínicos na musculatura lisa, nas junções mioneurais e nos sistemas de secreção endócrina e exocrina 5,16,17,18,19,20,21 . Após cessar o processo de carbamilação, a acetilcolinesterase pode ser rápida e espontaneamente hidrolisada, recuperando rapidamente a sua atividade 3,5,12,15,18,19,20,21 . Por isso, os carbamatos, ao contrário dos organofosforados, são considerados inibidores reversíveis da acetilcolinesterase 1,3,5,15,18,19,20,21 . Desta forma, os efeitos resultantes da exposição têm uma duração mais curta em comparação com os organofosforados 3,5,15,19,20,21 . A reativação espontânea da enzima é muito lenta em gatos jovens e inexistente em gatos idosos 17 . Os carbamatos são compostos lipofílicos e podem ser absorvidos pelo trato gastro-intestinal e pela pele. Em concentrações elevadas, a absorção também pode ocorrer através dos pulmões 5,19 .Têm uma excreção relativamente rápida 19 . Os sinais clínicos resultam da estimulação dos recetores colinérgicos, o que induz uma crise colinérgica 16 , caracterizada por salivação, hipersecreção brônquica, ataxia, diarreia, miose, fasciculação dos músculos, tremores, debilidade, hiperestasia, pirexia e incontinência urinária 16,20,21,22,23 . Nos casos de intoxicação severa pode observa-se cianose e dispneia 17 . A morte ocorre por hipoxia resultante da depressão respiratória e da bradicardia 17 . Os carbamatos estão também associados à ocorrência de neuropatia periférica tardia predominando sintomas como dores musculares, fraqueza muscular progressiva e diminuição dos reflexos tendinosos, que ocorrem após duas a três semanas ou até meses após a exposição 17 . A síndrome intermediária também pode ocorrer e é caracterizada pela paralisia da musculatura proximal dos membros, da musculatura flexora do pescoço e da musculatura respiratória que ocorre 24 a 96 horas após a crise colinérgica aguda 17 .
Anexo II Neste tipo de intoxicações não se observam lesões características. Contudo podem observar-se alterações pulmonares como secreções brônquicas, edemas 5,17,19,21 e hemorragias pulmonares 17 . Também se podem encontrar sinais de pancreatite 5,17,19 , vestígios de saliva na cavidade oral, congestão dos órgãos e necrose hemorrágica no intestino delgado 17 . No conteúdo gástrico podem encontrar-se grânulos de coloração enegrecida 17 . O estudo histopatológico demonstra congestão renal, pulmonar e hepática, com distrofia granular do fígado e necrose hemorrágica do intestino delgado 16,21 . Inseticidas organoclorados Os inseticidas organoclorados são pesticidas utilizados em todo o mundo 24 , tanto no âmbito agrícola como no âmbito doméstico 5,25 , e incluem uma variedade de compostos que contêm carbono, hidrogénio e cloro 25 . De entre os organoclorados, destacam-se o endosulfão, o lindano e o dicloro-difenil-tricloroetano (DDT) 25 (atualmente proibido em Portugal) 15 . Os organoclorados são compostos estáveis, lipossolúveis 3 e bioacumuláveis 15 . Além disso, o facto de serem pouco biodegradáveis faz com que permaneçam no meio ambiente durante muitos anos e por isso também são considerados contaminantes ambientais 3 . A bioacumulação e a lenta degradação, associada à elevada toxicidade fazem deles pesticidas de uso restrito 24,25 . Todas as espécies animais são suscetíveis à intoxicação por organoclorados (nos gatos a suscetibilidade está aumentada), sendo as intoxicações intencionais as mais frequentes 25 . A intoxicação acidental pode ocorrer através da ingestão de produtos tratados com este composto ou através da inalação de partículas aquando das pulverizações 25 . Também podem ocorrer intoxicações pelo uso de produtos para o tratamento de ectoparasitas que contem alguns organoclorados, por exemplo, o lindano 24,25 . Os organoclorados podem ser absorvidos por via oral, dérmica ou respiratória depositando-se nos tecidos com elevado teor de lípidos 3,5,24 , onde permanecem durante longos períodos de tempo originando desta forma intoxicações crónicas 5,15 . A maior parte dos seus metabolitos é excretada por via biliar podendo ocorrer um ciclo enterohepático 3,24 . A semi-vida destes compostos é de meses a anos e os seus resíduos podem ser detetados na gordura vários anos após a última exposição 26 . O tempo de semi-vida do DTT pode ir de meses a anos, enquanto outros organoclorados, como o lindano têm uma semi-vida de cerca de 21 horas 24 .
Anexo II Os organoclorados são considerados estimulantes gerais e difusos do sistema nervoso central 3,24,26 e os mecanismos de ação variam consoante o tipo de compostos 3 . Na literatura estão descritos alguns dos possíveis mecanismos de ação, que contribuem para a despolarização da membrana neuronal, aumentado assim a sensibilidade dos neurónios a pequenos estímulos 3 . Os organoclorados podem alterar a cinética dos canais de sódio nas membranas neuronais e inibir a ligação do ácido-γ-aminobutírico (GABA) e dos seus recetores 3,24,26 . Contribuem também para o aumento da libertação de neurotransmissores 3,25 . Também inibem enzimas que facilitam o transporte de cálcio como a enzima sódio-potássio e a enzima cálcio-magnésio ATPase dependente 3 . Estas alterações podem levar a descargas neuronais repetitivas induzindo tremores e/ou convulsões 3 , agitação e confusão 24 . Os principais sintomas incluem fasciculações musculares da face e do pescoço com tremores, agitação, salivação e ataxia 25 . Podem observam-se náuseas, vómitos, dores abdominais e diarreias. Ao longo do tempo pode instalar-se um síndrome neurológico caracterizado por tremores, irritabilidade, ansiedade, cefaleias e vertigens. Nos casos mais graves observam-se convulsões, idênticas às observadas nas intoxicações por estricnina 5,15 . A nível cardíaco pode ocorrer taquicardia e fibrilação ventricular 26 . A morte pode ocorrer após algumas horas, durante a fase convulsiva ou depois de vários dias 25 . Em determinadas espécies (por exemplo gatos) as características dominantes de envenenamento são a depressão, a fraqueza, a prostração, coma e morte 25 . Nas intoxicações por organoclorados não se observam lesões específicas 25 . Contudo, pode observar-se uma congestão generalizada dos órgãos, com petéquias no coração, pulmões e intestinos. O edema do encéfalo e da espinal medula também pode estar presente 25 . Em situações crónicas a degenerescência do fígado e dos rins é comum 25 . Raticidas anticoagulantes Cerca de 95% dos raticidas utilizados nos Estados Unidos da América são substâncias anticoagulantes 27,28 . São de fácil aquisição e preparação e são eficientes no combate a pragas de roedores e outras pestes 27,29,30 . Estão disponíveis para o público em geral, em concentrações variáveis, sob a forma de grânulos 1,28,31 . Os raticidas anticoagulantes são derivados de constituintes ativos como o 4hidroxicumarinico e o indane-1,3-diona 31 , e por essa razão são agrupados em dois
Anexo II grupos: os derivados da cumarina, chamados de cumarínicos ou warfarinicos e os derivados da idantiona 3,27,28,30,31 . Atualmente, os mais utilizados são os derivados da cumarina 3,9,27,28,30,31 . Os compostos derivados da cumarina são ainda divididos em raticidas cumarínicos de primeira e de segunda geração 3,27,30,31 . Os raticidas de primeira geração incluem compostos como o dicumarol, a warfarina, a pindona, a valona e a clorfaciona. Por sua vez, o brodifacume, a bromadiolona e a difacinona são exemplos de compostos de segunda geração 3,32,33 . Os raticidas anticoagulantes são assim designados, uma vez que, interferem com o ciclo da vitamina K levando à ocorrência de hemorragias e consequentemente à morte do animal 3,9,15,27,28 . A segunda geração de raticidas anticoagulantes cumarínicos foi desenvolvida face à resistência apresentada pelos roedores aos compostos de primeira geração 27,30,34,35 . Basicamente têm a mesma estrutura que os de primeira geração, mas algumas partes da molécula foram alteradas para aumentar a sua toxicidade 3 . Desta forma, os anticoagulantes de segunda geração são os mais utilizados 27,34,36 sobretudo no envenenamento de animais domésticos, na sua maioria em cães 27,36,37 . Os compostos de primeira geração têm um efeito curto, tempo de vida cerca de 14 horas, e como tal, necessitam de múltiplas doses para exercerem os efeitos tóxicos 27,34 . Os compostos de segunda geração, ao contrário dos anteriores, têm um tempo de vida muito mais longo (4 a 5 dias) e um efeito mais tardio que pode variar entre 12 a 30 dias dependendo da dose ingerida. A ingestão de apenas uma dose é suficiente para provocar sinais de hemorragia 27,31,34 . A intoxicação poder ser acidental, pela ingestão de grânulos que podem ser encontrados em locais onde existam roedores 36 , ou através da ingestão de roedores que por sua vez já tivessem ingerido o veneno 27,31 . Já a intoxicação intencional ocorre quando estes compostos são colocados em iscos ou misturados com a comida dos animais 36 . Os compostos anticoagulantes atuam bloqueando a vitamina K no fígado 3,10,27,31,33,36,38 , o que se traduz numa redução da vitamina K (necessária para a síntese de fatores de coagulação) e dos níveis de protrombina, com consequente diminuição da capacidade de coagulação do sangue 10,27,29,33 . A vitamina K é responsável pela síntese de fatores de coagulação no fígado através do processo de carboxilação 27 . A vitamina K ativa é oxidada em vitamina K epóxido, na conversão da carboxiprotrombina em protrombina que é um fator essencial aos fenómenos de coagulação 10 . Para que a vitamina K possa ser novamente utilizada nesta reação é necessária que seja reativada por uma enzima a epóxi-reductase com a conversão do NADH em NAD + 10,27 . Os compostos anticoagulantes atuam bloqueando esta enzima e,
Anexo II consequentemente não ocorre a reativação da vitamina K no fígado 10,27,31,33,36,38,39 . Desta forma, a vitamina K inativa, leva à ocorrência de coagulopatia 27,29,39,40 , por redução dos fatores de coagulação (II, VII, IX e X) 28,29,31 o que ocorre cerca de 3 a 5 dias depois da ingestão (mais cedo nos animais imaturos) 39 . Os raticidas anticoagulantes de segunda geração têm uma absorção lenta no trato gastro-intestinal. O tempo de semi-vida destes compostos no plasma pode variar 5 . Por exemplo, os anticoagulantes como a warfarina têm um tempo de vida no plasma de 14.5 horas, a difacinona 4 a 5 dias e a bromadiolona de 5 dias 5 . Os anticoagulantes são metabolizados, lentamente, em metabolitos inativos e excretados na urina 5 . Como os raticidas anticoagulantes não são ativados em bloco, os sinais de intoxicação só se iniciam 12 a 24 horas depois 27,29,33 . Os sinais clínicos podem ser inespecíficos dado que podem ocorrer hemorragias em qualquer local e incluem debilidade, letargia e dispneia 33,40 . A hemorragia é mais comum nos pulmões, observando-se tosse e dificuldades respiratórias 36,40 . Hemorragias craniais também podem ocorrer (embora não sejam tão comuns) 27 e induzir sinais neurológicos 40 . Também podem ocorrer hemorragias ao nível dos tecidos subcutâneos, da bexiga e dos rins 36 . Os sintomas podem durar entre 12 a 15 dias 31 e incluem sinais externos de hemorragia como melena, mucosas com hemorragias petequiais, hematemese, epistaxis e hematúria. Também pode ocorrer hiperemia 10,27,29,36,39 e palidez das mucosas 29 . As hemorragias internas (hemotórax, hemoperitoneu, hemomediastino, hematomas ventrais) são comuns nos raticidas de segunda geração 10,27,29,36,39 e podem conduzir rapidamente à morte 29 . Sonolência e sintomas respiratórios são os mais comuns e os primeiros a ocorrer com compostos de segunda geração 27,29,33,34 . Os exames radiográficos podem revelar edema pulmonar e efusão pleural 27 . A presença de grandes hematomas e sangramento persistente em locais de punção venosa e/ou sangramento persistente durante uma cirurgia sugerem fortemente intoxicação por raticidas anticoagulantes 27 . Os achados macroscópicos mais frequentes incluem o hemoperitoneu, o hemotórax, as hemorragias pulmonares 31,33,34 , o hemopericárdio com hemorragias subendocardicas e flacidez do coração 31,34 , podendo também ocorrer o tamponamento cardíaco 27,33 . Podemos também encontrar sangue em natureza no lúmen dos intestinos, sangue na bifurcação da traqueia, petéquias na serosa dos pulmões e hemorragias na mucosa da bexiga 31,34 .
Anexo II Podem ainda ser observadas hemorragias vaginais, uterinas e cerebrais, hematomas abdominais, hematomas e hemorragias do parênquima renal 33 . Os compostos de primeira geração provocam calcificação dos vasos sanguíneos 33 . As lesões microscópicas são de acordo com as alterações macroscópicas e indicativas de coagulopatia 34 . As lesões incluem hemorragias intersticiais e difusas no coração, miocardite auricular, congestão aguda centrolobular do fígado, vacuolização dos hepatócitos, intensa congestão e edema pulmonar, edemas na mucosa do trato urinário e na serosa da bexiga e nefrose hemoglobinúrica 34 . Estricnina A estricnina é um alcalóide 1 indólico, extraído de sementes de uma planta designada de Strychnos nux vómica 3,41,42,43 , originária do sudoeste da Ásia e norte da Austrália 42 . A maioria das substâncias alcaloides é constituída por nitrogénio, sendo insolúveis em água mas solúveis em compostos como álcool, éter e clorofórmio 5 . Desde o século XVI 3 que este alcaloide é utilizado como raticida para o controlo de roedores 1,3,42,43 . Todas as espécies animais são suscetíveis a este tipo de intoxicação. Porém são os cães os mais afetados sobretudo em envenenamentos intencionais 1,42,43 , nos quais a estricnina é colocada em iscos 42 . Em 1978, a Environmental Protection Agency classificou a estricnina como um pesticida de uso restrito, exceto para formulações que contenham concentração a 0.5% deste alcalóide 42 . Atualmente, em Portugal continua a ser o tóxico mais usado apesar da sua comercialização ser proibida 41 . A estricnina atua no sistema nervoso central como antagonista competitivo e reversível nos recetores da glicina da espinal medula e do tronco cerebral 5,10,22,43 . Desta forma, bloqueia competitivamente os recetores pós-sinápticos da glicina nos neurónios motores da medula ventral, reduzindo a ligação da glicina com os seus recetores e desencadeando a excitação da espinal medula e do tronco cerebral 3 . Assim não ocorrendo a união dos recetores pós sinápticos dos neurónios motores com a glicina, ocorre uma estimulação incontrolada dos músculos esqueléticos manifestando-se uma intensa rigidez e os animais apresentam a clássica postura de cavalete 1,5 . A estricnina é relativamente estável, podendo persistir nos alimentos ou no ambiente por um período relativamente longo 3 . Após a ingestão, é rapidamente absorvida no trato gastro-intestinal 3,5 , na sua maioria no intestino delgado, uma vez que é ionizada em pH ácido 42 . A absorção deste alcaloide também pode ocorrer na mucosa nasal e por exposição dérmica 3 . Uma vez no sangue distribui-se por todo o
Anexo II organismo acumulando-se essencialmente no sistema nervoso central 5 . O processo de metabolização ocorre no fígado 3,42 pela via do citocromo P450 monooxigenase e o principal metabolito resultante é designado de estricnina-N-oxido. O sangue, o fígado e os rins apresentam elevadas concentrações deste alcalóide 42 . A estricnina e os seus metabólitos são excretados pelos rins 3,5,42 , sendo que cerca de 20% a 30% é encontrada na urina em 24 horas. Dependendo da quantidade ingerida e do tratamento administrado a estricnina é eliminada entre 24 a 48 horas após exposição. A dose letal nos cães é cerca de 0.75 mg/Kg e nos gatos 2mg/Kg 3,42 . Os sintomas manifestam-se entre 10 minutos a uma hora após ingestão 1,3,22 e incluem convulsões 1,15,22 com apneia 1 , e rigidez por estimulação reflexa e incontrolada dos neurónios motores que afetam os músculos estriados. A rigidez faz com que o animal adquira uma posição típica - “posição de cavalete” 42,43 , com os membros anteriores em extensão 42 . A estimulação dos neurónios motores resulta numa sintomatologia caracterizada por uma hiper-reatividade a estímulos externos com contrações musculares violentas e tónicas que ocorrem em crises cíclicas 10 . As convulsões podem aparecer espontaneamente ou podem iniciar-se por estímulos externos como o toque ou a luz e podem durar minutos a segundos 3,42 . Durante as convulsões ocorre dilatação da pupila, cianose das mucosas 3,42 , e o animal apresenta-se nervoso e apreensivo 42,43 . Entre as crises convulsivas ocorrem períodos de relaxamento, que se tornam menos frequentes com o avançar da evolução clínica 42 . Também se podem observar tremores, palpitações, hipertermia, vómitos, ataxia e hiperestesia 42 . A morte ocorre por anoxia e exaustão respiratoria 1,3,10,42,43 , uma vez que, o músculo diagramático fica comprometido 3 . Quer no hábito externo quer no hábito interno não se observam lesões características neste tipo de intoxicação 5,42,43 . A rigidez cadavérica é mais precoce, intensa e duradoura, devido à ocorrência de convulsões 5,22,43 . Podem observar-se pequenos focos hemorrágicos na superfície corporal produzidos aquando das crises convulsivas 5 . Os focos hemorrágicos também podem resultar de mecanismos de anoxia. No hábito interno observam-se hemorragias cardíacas e pulmonares 43 e lesões gerais de asfixia, como a cianose e a congestão visceral 5 . Microscopicamente destaca-se a presença de numerosos e diminutos focos de enfarte no coração 5 . Os rins apresentam um quadro de nefrite tóxica degenerativa com congestão glomerular e citólise 5 .
Anexo II Referências Bibliográficas 1. Roder J. Manual de Toxicología Veterinaria. Obtido em 26-09-11 em http://downloadmedicinebooks.blogspot.com/2009/04/manual-de-toxicologiaveterinaria-roder.html. 2. Bates N, Campbell M. Organphosphate (2000). In Campbell A, Chapman M, Handbook of poisoning in dog and cats. BlackWell Science. Acedido em 10-10-11. Disponível em http://fr.scribd.com/doc/36628579/Handbook-of-Poisoning-in-Dogsand-Cats. 3. Spinosa HS, Górniak SL, Neto JP et al (2008). Toxicologia Aplicada à Medicina Veterinária (1ª Edição). São Paulo, Brasil. Editora Manole. 4. Santos PG, Costabile D, Batista JC et al (2004). Intoxicação por organofosforados. Revista científica electrónica de Medicina Veterinária. 3. 5. Calabuig JA, Cañadas EV (1998). Medicina Legal y Toxicología (6ª Edicíon). Barcelona. Masson. 6. O Programa Antídoto Portugal: Inseticidas. Acedido em 04-10-11. Disponível em: http://www.antidoto-portugal.org/portal/PT/29/default.aspx. 7. Gupta RC (2012). Organophosphates Toxicity. The Merck Veterinary Manual. Acedido em 04-03-12. Disponível em http://www.merckmanuals.com/vet/toxicology/insecticide_and_acaricide_organic_t oxicity/organophosphates_toxicity.html. 8. Lorgue G, Lechenet J, Riviere A (2002). Clinical Veterinary Toxicology: Organophosphorous. Acedido em 11-10-11. Disponível em http://www.provet.co.uk/lorgue/. 9. Vandenbroucke V, Van Pelt H, De Backer P et al (2010). Animal poisonings in Belgium: a review of the past decade. Vlaams Diergeneeskundig Tijdschrift. 79 : 259-268. 10. Almeida JM (2004). Toxicologia Clínica-Sintomas e Tratamentos de Emergência em animais envenenados. UTAD. Obtido em 28-09-11 em http://www.antidotoportugal.org/portal/PT/64/DID/6/default.aspx. 11. US EPA (2000). The Use of Data on Cholinesterase Inhibition for Risk Assessments of Organophosphorous and Carbamate Pesticides. Office of Pesticide Programs Science Policy. US Environmental Protection Agency Washington DC 20460. Obtido em 06-10-11 em http://www.epa.gov/oppfead1/trac/science/cholin.pdf.