Relatório de Estágio na Farmácia Ferreira de Pinho
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i Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Ferreira de Pinho janeiro de 2015 a julho de 2015 Ana Carlota de Oliveira Duarte Orientador: Dra. Maria Cristina do Carmo Duarte Ferreira ______________________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutora Susana Casal ______________________________________________ Julho de 2015
ii Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Declaração de Integridade Eu, Ana Carlota de Oliveira Duarte, abaixo assinado, nº 201106205, aluna do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 17 de julho de 2015 Assinatura: ______________________________________
iii Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 AGRADECIMENTOS Começo por fazer um especial agradecimento à Dra Maria Cristina Ferreira, a minha Orientadora de Estágio e Diretora Técnica da Farmácia Ferreira de Pinho, por quem tenho um grande carinho, pela oportunidade que me proporcionou, por toda a confiança que depositou em mim e por todos os conhecimentos cedidos ao longo destes 6 meses. Agradeço também à restante equipa da Farmácia Ferreira de Pinho, por todo o auxílio e compreensão, nomeadamente: Ao Dr. Claudio pela boa disposição e pelos conselhos / conhecimentos transmitidos, principalmente ao nível do receituário e sistema informático; À Dra Juliana que tão próxima se tornou de mim, com uma imensidão de dicas em relação a produtos de venda livre (cosméticos, puericultura,…) que tão importantes foram para mim; À Dra Cátia por cada palavra meiga, com um aconselhamento fora do comum, incluído de farmacologia detalhada. Não posso ainda, deixar de agradecer ao Dr. João Carlos Pinho, marido da Dra Cristina e responsável por parte da gestão da Farmácia Ferreira de Pinho, que me “abriu as portas” a um Estágio Extracurricular, no passado verão. Por último e não menos importante, um enorme agradecimento à Comissão de estágios da FFUP e, sobretudo, à minha Tutora, Prof. Dra Susana Casal, por toda a orientação e esclarecimentos cedidos, assim como pela enorme disponibilidade (onde se incluem respostas aos meus emails aos domingos)! Obrigada, Carlota Duarte.
iv Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Índice Declaração de Integridade ......................................................................................................... ii AGRADECIMENTOS ................................................................................................................. iii Índice de Figuras ....................................................................................................................... vi Índice de Tabelas ...................................................................................................................... vi Índice de Anexos ....................................................................................................................... vi PARTE 1 – Apresentação dos Temas desenvolvidos ................................................................. 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1 1. OSTEOPOROSE ................................................................................................................ 3 1.1. Seleção do tema .......................................................................................................... 3 1.2. Osteoporose na Europa: contextualização ................................................................... 3 1.3. Definição ...................................................................................................................... 5 1.4. Remodelação óssea..................................................................................................... 5 1.5. Factores de risco .......................................................................................................... 7 1.6. Aconselhamento Farmacêutico/ Medidas Preventivas ................................................. 7 1.7. Diagnóstico .................................................................................................................. 8 1.8. Tratamento ................................................................................................................... 8 1.9. Osteoporose e Menopausa ........................................................................................ 10 1.10. Conclusão............................................................................................................... 11 2. DISFUNÇÃO ERÉTIL ....................................................................................................... 12 2.1. Seleção do tema ........................................................................................................ 12 2.2. Definição .................................................................................................................... 12 2.3. Fisiologia da ereção ................................................................................................... 12 2.4. Causas ....................................................................................................................... 14 2.5. Diagnóstico ................................................................................................................ 14 2.6. Tratamento ................................................................................................................. 15 2.7. Efeito dos esteróides anabolizantes na DE ................................................................ 16 2.8. Conclusão .................................................................................................................. 18 3. MENOPAUSA ................................................................................................................... 19 3.1. Seleção do tema ........................................................................................................ 19 3.2. Definição .................................................................................................................... 19 3.3. Causas ....................................................................................................................... 19 3.4. Sintomatologia ........................................................................................................... 20 3.5. Diagnóstico ................................................................................................................ 20 3.6. Prevenção .................................................................................................................. 21 3.7. Tratamento ................................................................................................................. 21 3.8. Cuidados de pele ....................................................................................................... 22 3.9. Menopausa precoce ................................................................................................... 24 3.10. Conclusão............................................................................................................... 24 PARTE 2 – Descrição das atividades desenvolvidas no Estágio .............................................. 26
v Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 1. A Farmácia Ferreira de Pinho como Local de Estágio ...................................................... 26 2. Encomendas e aprovisionamento ..................................................................................... 27 2.1. Fornecedores ............................................................................................................. 27 2.2. Realização de Encomendas ....................................................................................... 27 2.3. Receção de encomendas ........................................................................................... 28 2.4. Armazenamento ......................................................................................................... 29 2.5. Temperatura e Humidade .......................................................................................... 29 2.6. Controlo de prazos de validade .................................................................................. 29 3. Atendimento ..................................................................................................................... 29 3.1. Medicamentos sujeitos a Receita médica ................................................................... 30 3.1.1. A Receita Médica ................................................................................................ 30 3.1.2. NOVIDADE: a Receita Médica Eletrónica ........................................................... 31 3.1.4. Legislação especial ............................................................................................. 32 3.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica ............................................................. 32 3.3. Manipulados / Produtos homeopáticos ....................................................................... 33 3.4. Medicamentos de Uso Veterinário .............................................................................. 33 3.5. Produtos cosméticos .................................................................................................. 33 3.6. Outros Produtos ......................................................................................................... 34 3.7. Serviços ..................................................................................................................... 34 3.7.1. Tensão Arterial .................................................................................................... 34 3.7.2. Glicémia, Colesterol Total e Triglicerídeos .......................................................... 34 3.7.3. Administração de vacinas e injetáveis ................................................................. 34 3.7.4. Teste de gravidez ................................................................................................ 35 4. O SIFARMA 2000 como Sistema Informático ................................................................... 35 4.1. Ferramenta de Atendimento ....................................................................................... 35 4.2. Ferramenta de Gestão ............................................................................................... 36 4.2.1. Conferência de receitas e faturação .................................................................... 36 5. Fornecimento de Medicação ............................................................................................. 36 6. Marketing .......................................................................................................................... 37 7. Valormed .......................................................................................................................... 38 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 39 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................ 40 ANEXOS .................................................................................................................................. 42
vi Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Índice de Figuras Figura 1. Índice de envelhecimento, Portugal, 2001-2060. Figura 2. Remodelação óssea. Figura 3. Alterações da densidade mineral óssea com a idade, em homens e mulheres. Figura 4. Anatomia do pénis. Figura 5. Vias reflexas da ereção. Figura 6. Vista exterior da Farmácia Ferreira de Pinho. Figura 7. Fases de uma Encomenda. Figura 8. Página do Facebook da Farmácia Ferreira de Pinho. Índice de Tabelas Tabela 1: Custos associados a fraturas osteoporóticas em 2010, Prevalência da Osteoporose na população em 2010 (homens e mulheres) e Estimativa da variação do nº fraturas entre os anos 2010 e 2015. Tabela 2: Fatores de risco de maior e menor imporância na osteoporose (major e minor, respetivamente). Tabela 3: Classificação da OP segundo a OMS. Índice de Anexos Anexo 1. Folheto Informativo Osteoporose. Anexo 2. Panfleto Disfunção Eréctil. Anexo 3. Folheto Menopausa. Anexo 4. Passatempo do Dia do Pai lançado na página do Facebook. Anexo 5. Exterior da FFP, com o balão em formato de 2. Anexo 6. Montra do Dia dos Namorados.
1 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 PARTE 1 – Apresentação dos Temas desenvolvidos INTRODUÇÃO Este relatório é parte integrante do Estágio Curricular em Farmácia Comunitária, inserido no 2º semestre do 5º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. O principal objetivo é aplicar os conhecimentos teóricos previamente adquiridos nos semestres académicos anteriores, através da realidade profissional na Farmácia Comunitária. É de realçar o papel do Farmacêutico Comunitário na prestação de cuidados de saúde, pois é este que estabelece o elo de ligação entre a cedência de medicamentos ao utente e a prescrição médica: é da responsabilidade deste (farmacêutico) proporcionar ao utente um tratamento com qualidade, eficácia e segurança. S dos utentes, promovendo a sua saúde, o seu bem-estar e a sua qualidade de vida. Só assim é reconhecido o seu papel como Profissional de Saúde capaz de esclarecer todas as dúvidas, desde contra-indicações, reacções adversas e interações medicamentosas à escolha do fármaco mais adequado. De um ponto de vista pessoal, considero este estágio de altíssima relevância dado que permite colocar em prática os conhecimentos teóricos adquiridos, à priori, durante o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e, ainda, adquirir outros no sentido mais prático. Sinto-me motivada desde bastante jovem uma vez que a prestação de cuidados de saúde sempre foi o meu objetivo, tendo sempre dirigido o meu interesse para o contacto com os doentes e aconselhamento farmacêutico. Deste modo, a propensão em trabalhar numa farmácia foi, desde sempre, um desejo bastante presente que mantive mesmo antes de iniciar este Mestrado. O presente relatório consiste em duas partes: a primeira parte é constituída pela elucidação de três temas, por mim desenvolvidos, que mostram o seu cariz prático e que, de certa forma, colaboraram para a consciencialização dos utentes da Farmácia Ferreira de Pinho; a segunda parte é composta por uma breve descrição das tarefas que realizei na Farmácia, bem como pelas competências que adquiri durante esta formação.
2 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Com o claro aumento do índice de envelhecimento da população portuguesa (Figura 1), avaliado pela razão entre a população idosa (65 ou mais anos) e a população jovem (0 aos 14 anos, inclusivé) [1], pareceu-me pertinente abordar temas mais direcionados para a faixa etária adulta / idosa, com o intuito de promover o conhecimento de determinados temas, nomeadamente os que por mim foram abordados, objetivando ainda a formação da atual geração jovem. Saliento, ainda, que grande parte dos utentes da Farmácia Ferreira de Pinho pertence a esta fasquia populacional, sendo de extrema importância, para a Farmácia Ferreira de Pinho, a abordagem de temas vocacionados para os seus utentes. Assim, escolhi temas como a Osteoporose (OP), a Disfunção Eréctil (DE) e a Menopausa, uma vez que representam patologias que se manifestam em ambos os sexos, no sexo masculino e no sexo feminino, respetivamente. Figura 1. Índice de envelhecimento, Portugal, 2001-2060. Adaptado [1]
3 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 1. OSTEOPOROSE 1.1. Seleção do tema A escolha deste tema deve-se essencialmente à sua importância ao nível da Saúde Pública, já que define uma patologia que representa elevado impacto, ao nível da morbilidade e mortalidade, e acarreta elevados encargos sociais e económicos, onde se incluem os custos hospitalares. Apostar na prevenção e no correto tratamento da osteoporose, permite evitar o surgimento de fraturas, que induzam imobilidade, bem como reduzir os custos associados. [2] Pelos motivos expostos anteriormente, e como Estagiária em Farmácia Comunitária, pareceu-me fulcral ceder informação aos utentes da Farmácia Ferreira de Pinho, através de um folheto informativo (Anexo 1). Assumi como objetivos não só dar a conhecer a patologia e sinais associados, mas também batalhar o mais possível na sua prevenção. 1.2. Osteoporose na Europa: contextualização Estima-se que, na União Europeia (UE27), uma em cada três mulheres, e, pelo menos, um em cada seis homens sofrem de fraturas osteoporóticas ao longo da sua vida e, ainda, que mais do que dez milhões de homens e mulheres, se encontram atualmente em risco de fratura. Apesar de se manifestar em qualquer idade, a sua incidência aumenta nitidamente com o envelhecimento. [3] As fraturas osteoporóticas estão diretamente relacionadas com morte precoce, com uma média anual na europa de aproximadamente, 43.000 mortes. [3] Custos A soma dos gastos económicos em cuidados de saúde, na União Europeia, ascendeu os 1,260 biliões de euros, em 2010, sendo que, 3% destes representam custos associados às fraturas osteoporóticas (37,4 biliões de euros). Em Portugal, igualmente, 3% dos custos em cuidados de saúde encontram-se associados às fraturas osteoporóticas (Tabela 1): realço que este valor se situa dentro da média entre os países da UE27, reforçando a ideia de que os cuidados de saúde portugueses são razoáveis; contudo é fundamental atuar ao nível da prevenção das fraturas osteoporóticas, para que os custos associados reduzam. [3] Prevalência Em 2010, registam-se aproximadamente 27,6 milhões casos de osteoporose, na UE27, sendo que 5.500.000 correspondem ao sexo masculino e 22.100.000 ao sexo feminino – quatro vezes mais nas mulheres do que nos homens. Esta diferença substancial regista-se em todos os países da UE27 e deve-se, essencialmente, à
10 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Denosumab: é anticorpo monoclonal humanizado (anti-RANKL), com grande afinidade e especificidade para o RANK ligando (RANKL) - aprovado pela EMA para o tratamento da OP pós-menopáusica.[7] o ncia dos osteoclastos. Um aumento da atividade . Assim, ao evitar a interação do RANKL com o RANK na superfície dos OCs, o denosumab induz a disrupção da sinalização celular da reabsorção óssea mediada pelos OCs. [10] 1.9. Osteoporose e Menopausa A osteoporose representa uma grande preocupação para as mulheres pósmenopáusicas, pois apresenta uma significativa morbidade e mortalidade. A manutenção da massa óssea é determinante para evitar o desenvolvimento desta patologia. O pico de massa óssea é atingido, geralmente, por volta dos 30 anos de idade, sendo que, há um declínio lento, durante os anos reprodutivos. Na mulher, verifica-se uma taxa acelerada de perda de massa óssea, devido à menopausa (cerca de dez vezes mais), dada a privação de estrogénio (Figura 3). Esta hormona é responsável pela promoção da atividade osteoblástica e, também, pela inibição da remodelação óssea. Assim, como há uma diminuição dos níveis do estrogénio, na menopausa, ocorre também uma redução da densidade mineral óssea, favorecendo a osteoporose. [11,12] Figura 3. Alterações da densidade mineral óssea com a idade, em homens e mulheres. Adaptado de [12]
11 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 1.10. Conclusão Uma correta abordagem da OP tem como objetivo a redução de fraturas, de forma a diminuir a morbilidade, a mortalidade e os respetivos custos associados. Com o aumento da esperança média de vida em particular na europa, prevê-se um aumento consequente do número de fraturas osteoporóticas, bem como dos custos associados ao seu tratamento. [3] É, portanto, imperativo intervir na educação da população, quer a nível de medidas preventivas, quer em relação às consequências que a osteoporose acarreta. Como Estagiária, pareceu-me uma boa aposta para os utentes da Farmácia Ferreira de Pinho, que se demonstraram pouco informados, mas interessados no tema. Em relação aos utentes com osteoporose, optei mesmo por abordá-los relativamente à toma da medicação (nomeadamente terapêutica com bifosfonatos, para perceber se realmente a faziam corretamente), e relativamente à adoção de medidas preventivas (alimentação e exercício físico), com o intuito de minimizar o impacto na sua mobilidade. Realço ainda que o Farmacêutico toma um papel fulcral na adesão à terapêutica dos utentes com osteoporose, ao alertar para as consequências que a “não toma” proporciona, na sua qualidade de vida e bem-estar.
12 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 2. DISFUNÇÃO ERÉTIL 2.1. Seleção do tema Decidi escolher este tema, visto que ainda se trata de um assunto ‘tabu’, na sociedade portuguesa, abordado com alguma dificuldade pelos utentes. Pareceu-me pertinente, uma vez que me fui apercebendo de alguns casos na Farmácia Ferreira de Pinho. Achei ainda curioso o facto de cerca de 30% dos medicamentos ilegais comprados online, corresponderem aos utilizados para tratamento de disfunção eréctil, segundo uma campanha da Cooprofar. [13] No âmbito do meu Estágio em Farmácia Comunitária, elaborei folhetos informativos (Anexo 2) acerca do tema, com o propósito de demonstrar aos utentes que deve ser um assunto encarado com naturalidade. Não foi meu objetivo chegar apenas aos utentes masculinos da FFP; informar as utentes femininas é também, no meu ver, muito importante, por forma a aumentar o seu conhecimento em relação ao tema e a saber lidar com ele, nomeadamente no caso do parceiro ser afetado pela patologia. 2.2. Definição Também denominada de impotência, a disfunção erétil é um distúrbio comum, que se caracteriza pela incapacidade consistente em alcançar ou manter uma ereção de rigidez suficiente para um intercurso sexual, durante um período de, pelo menos, 3 meses. A DE pode atingir homens de qualquer idade, sendo mais frequente com o avançar da idade. Apresenta uma prevalência de cerca de 13%, em Portugal, e de 19,2%, a nível mundial. [14, 15] 2.3. Fisiologia da ereção A função erétil depende de interações complexas, entre fatores fisiológicos e psicológicos. A ereção corresponde a um evento neurovascular, modulado a nível psicológico e hormonal: o pénis (Figura 4) é inervado, quer por nervos autónomos quer somáticos. A componente somática é controlada pelo nervo pudendo, responsável pela contração e relaxamento dos músculos estriados cavernosos, que regulam o fluxo sanguíneo durante a ereção.
13 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 A estimulação sexual provoca a libertação de neurotransmissores (sendo o óxido nítrico (NO) o principal mediador - Figura 5), a partir dos terminais nervosos não adrenérgicos - não colinérgicos cavernosos e das células endoteliais, nos corpos cavernosos. O NO ativa a enzima guanilciclase (GC), fazendo aumentar as concentrações intracelulares de guanosina monofosfato cíclico (cGMP). O cGMP, por sua vez, ativa uma proteínaquinase específica deste, que fosforila determinadas proteínas e canais de iónicos, resultando: na abertura dos canais de potássio e hiperpolarização; influxo de cálcio intracelular para o retículo endoplasmático; e inibição dos canais de cálcio, bloqueando o seu influxo intracelular. Provoca, por isso, uma redução no teor de cálcio citosólico, que origina o relaxamento do músculo liso e a vasodilatação das artérias e arteríolas que irrigam o tecido erétil. Deste modo, ocorre um aumento no fluxo sanguíneo, com um aumento concomitante no comprimento dos sinusóides do músculo liso cavernoso, que se encontra relaxado. Isto facilita o enchimento rápido e expansão do sistema sinusoidal contra a túnica albugínea. Assim, os plexos venulares são comprimidos entre os sinusoides e a túnica albugínea, resultando numa oclusão do fluxo venoso. Com o aprisionamento de sangue dentro dos corpos cavernosos, o pénis flácido torna-se ereto, com pressões intracavernosas a atingir 100 mmHg (fase de ereção completa). Com o clímax sexual ou a cessação da excitação, o pénis retorna ao seu estado flácido. A flacidez é retomada por hidrólise do GMPc pela fosfodiesterase tipo V. Outras fosfodiesterases também são encontradas nos corpos cavernosos, mas não parecem desempenhar um papel importante na detumescência. Esta detumescência também é mediada, em parte, pela descarga simpática, durante a ejaculação, levando a vasoconstrição e interrupção da libertação de NO ao nível dos corpos cavernosos. Os canais venosos abrem (com a contração do músculo liso), permitindo a saída de sangue e restaurando-se a flacidez. [16] Figura 4. Anatomia do pénis. Adaptado de [14]
14 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 2.4. Causas A disfunção erétil pode ter origem em diferentes causas: psicogénica, orgânica (neurogénica, hormonal, arterial ou induzida por drogas), ou mista, sendo esta última a mais frequente. Alguns tratamentos cirúrgicos podem, também, estar na origem da DE, como, por exemplo, a prostatectomia radical (risco de lesão dos nervos erigentes, baixa oxigenação dos corpos cavernosos e insuficiência vascular). [16] 2.5. Diagnóstico O diagnóstico de disfunção erétil deve ser feito por um médico especialista (urologista/andrologista), o qual deve recolher toda a informação clínica do doente, solicitar um exame físico completo (incluindo avaliação dos genitais externos), bem como exames complementares de diagnóstico (necessários à correta avaliação de cada caso em particular). Podem ainda ser efetuadas análises sanguíneas, incluindo doseamentos hormonais, assim como exames específicos, como a rigidometria, o eco-doppler peniano, a cavernosometria e a cavernosografia. [14] Figura 5. Vias reflexas da ereção. Adaptado de [8]
15 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 2.6. Tratamento O tratamento prescrito para a DE varia quer com a causa quer com o perfil de cada utente. [6,16,17] Terapia de primeira linha Terapia Hormonal de Substituição: administração de testosterona, em caso de hipogonadismo, na tentativa de reposição dos níveis plasmáticos normais da hormona. Inibidores da Fosfodiesterase tipo V liso e no aumento do fluxo de sangue nos tecidos penianos, produzin . Não são suficientes para causar a ereção - dependem do desejo sexual -, no entanto, aumentam a resposta erétil, através do estímulo sexual. Encontram-se disponíveis 4 fármacos: Sildenafil (Viagra®), Tadalafil (Cialis®), Vardenafil (Levitra®) e Avanafil (Spedra®), os quais devem ser tomados com alguma antecedência da atividade sexual. Têm duração de ação de, aproximadamente, 4 a 6 horas, podendo o tadalafil atingir as 36h - não significando que a ereção se mantenha neste intervalo de tempo, mas sim que se obtenha mais facilmente a ereção. Estão contraindicados em doentes que façam terapêutica cardíaca, com nitratos. São contraindicações absolutas, ainda, a angina instável, AVC e enfarte de miocárdio recentes, e insuficiência hepática grave (metabolização pelo citocromo P450). Terapia de segunda linha Dispositivos de ereção por vácuo: o pénis é submetido a uma pressão negativa, que faz o sangue percorrer os corpos cavernosos, provocando a ereção. Assume particular interesse em doentes com contraindicações específicas para o tratamento farmacológico, tendo como inconveniente o artificialismo do método. Terapêutica intracavernosa: sob a forma injetável, é administrado Alprostadil (Caverject®), hormona que provoca o relaxamento do músculo liso peniano e consecutivamente o aumento do fluxo sanguíneo. O seu efeito pode ser potenciado com Papaverina e/ou Fentolamina. A resposta erétil é bastante rápida, entre 1-2h e o risco de ereção prolongada exige avaliação prévia da dose adequada. A injeção é feita geralmente pelo próprio doente, havendo necessidade de ensino da técnica, ministrado pelo médico especialista. Incluem-se nos efeitos secundários, a dor peniana e a fibrose local.
16 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Terapêutica Intrauretral: hormona Alprostadil (Muse®), sob a forma de um “supositório”, aplicado localmente, sendo rapidamente absorvido na mucosa da uretra (absorção favorecida por massagem peniana). Tem início de ação ao fim de alguns minutos, sendo que ocorre maior efeito entre os 15-20 minutos após administração. Possui duração total de 1 hora. Dor uretral, como efeito secundário. Terapia de terceira linha Cirurgia Vascular Arterial: indicada em jovens, com impotência arterial congénita, ou em consequência de lesão traumática pélvica, perineal ou peniana. Venosa: consiste na laqueação da circulação venosa de retorno, para corrigir a insuficiência veno oclusiva. indicação quase exclusiva a jovens com DE traumática, onde o problema não reside em alterações da estrutura miocavernosa, mas em anomalias anatómicas venosas extracavernosas. Implantação de próteses penianas: representam o último recurso terapêutico para os indivíduos com DE orgânica, devendo ser garantida a irrecuperabilidade do tecido cavernoso. Existem 2 tipos de próteses: hidráulicas e semirrígidas, sendo as primeiras mais facilmente aceitáveis. A satisfação dos doentes deve-se à capacidade destas permitirem ereções espontâneas e repetidas, sem necessidade de recorrer a medicação externa. Infecção e rejeição da prótese representam complicações graves da cirurgia, exigindo por vezes a extração. Para minorar o risco de infecção pós-operatótria, as próteses modernas encontram-se impregnadas de antibiótico. Como complemento das terapias para a DE, temos o aconselhamento psicológico e terapia sexual, como forma de reforçar o conhecimento do doente acerca da função sexual e, até mesmo, como intervenção educativa e psicológica para o doente / casal. [6,16,17] 2.7. Efeito dos esteróides anabolizantes na DE Os esteróides androgénicos anabolizantes (AAS - do inglês Anabolic Androgenic Steroids), representam uma classe de hormonas esteróides, geralmente derivadas da testosterona, que promovem o crescimento celular, resultando no desenvolvimento de diversos tecidos, essencialmente o tecido muscular (devido à sua ação anabólica). Atualmente são utilizados não só por atletas de alta competição, como também com o intuito de uma melhor aparência física (frequentemente em adolescentes). [18]
17 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Supressão da espermatogénese Visto que a testosterona endógena é o principal regulador do eixo hipotálamohipófise-testicular, não é surpreendente que a testosterona exógena e os AAS exerçam um efeito supressor no sistema hipotálamo-hipófise, resultando numa supressão das hormonas luteinizante (LH) e folículo estimulante (FSH) e consequente diminuição da testosterona intratesticular. Estes eventos provocam diminuição da espermatogénese e produção de esperma. Assim sendo, os níveis de LH e FSH estão directamente relacionados com a quantidade de esperma, ou seja, quanto menor a concentração de gonadotrofinas, menores os níveis de esperma. Até à data, não há nenhum registo científico de que o abuso de AAS cause danos permanentes quanto à espermatogénese. No entanto, a sua supressão pode causar azoospermia transitória e a sua recuperação pode demorar até dois anos. Considerando o grande número de adolescentes que ingerem AAS, é fulcral saber se a sua utilização, na puberdade, poderá ser prejudicial para a espermatogénese. [18] Hipogonadismo induzido por esteróides anabolizantes Além da diminuição do esperma, o abuso de AAS provoca falta da libido e disfunção erétil, bem como outros sinais de hipogonadismo. Isto ocorre especialmente com AAS aromatizáveis, por aumento dos níveis de estrogénio. Embora os níveis fisiológicos de estrogénio sejam necessários para a função sexual normal, doses extremamente elevadas e o desequilíbrio entre testosterona e estradiol, aparentam ser a causa da disfunção sexual, nestes casos. Pode ocorrer, também, durante a fase de recuperação, após a interrupção da toma de AAS, quando a produção endógena não retomou ainda a sua atividade plena. Este tipo de hipogonadismo é referido como “hipogonadismo induzido por esteróides anabolizantes” (ASIH). Um estudo efetuado por um departamento de urologia nos EUA, demonstra que de 6033 pacientes com hipogonadismo, 96 referem-se a consequência de toma de AAS (ASIH) - 1,6%. A principal medida para tratar ASIH é eliminar o abuso de AAS. Além disso, várias tentativas terapêuticas estão em investigação para ultrapassar os ASIH e acelerar a consequente recuperação. A hormona hCG tem sido prescrita individualmente, e, também, combinada com tamoxifeno ou clomifeno, de modo a contrariar o aumento dos níveis de estrogénio. No entanto, em atletas de alta competição, a administração de hCG, simultaneamente com AAS, com o fim de manter a fertilidade, resulta num aumento morfologicamente anormal de esperma, em comparação com um grupo de controlo. Assim, a fertilidade
18 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 pode ainda estar comprometida devido à morfologia deteriorada do esperma. Nos casos com disfunção erétil, os inibidores de PDE-V são também prescritos. A contínua falta de estudos conclusivos impede recomendações claras sobre a forma como tratar ASIH, excepto parar de ingerir AAS. Continua também a ser eticamente questionável se as consequências do abuso de AAS devam ser contrabalançadas com tratamento hormonal adicional, quando as condições normais podem ser restituídas por interrupção permanente do consumo (e posterior recuperação). Apenas se nenhuma melhoria for observada, no prazo de 24 meses, pode ser justificado o tratamento, recorrendo a gonadotrofina. [18] 2.8. Conclusão Com o conhecimento dos mecanismos básicos da função erétil a progredir, continuarão certamente a surgir terapias inovadoras para a gestão da DE. Temos assistido a uma mudança dramática no tratamento de homens com disfunção erétil, ao longo dos últimos 30 anos. As opções de tratamento têm progredido, desde próteses penianas e terapia psicossexual na década de 1970, a meios de revascularização arterial, dispositivos de vácuo e terapia de injeção intracavernosa na década de 1980, até à terapêutica transuretral e oral (sendo que esta tem ampliado extraordinariamente as soluções de tratamento) na década de 1990 e no novo milénio. Tem sido, ainda, alvo de elevado interesse terapia com células estaminais e genes. [18] Muito há ainda por descobrir... Independentemente das modalidades utilizadas, a recuperação da capacidade erétil e da sexualidade satisfatória continuarão a representar uma meta importante para os homens e seus parceiros sexuais. Como Estagiária, é difícil avaliar até que ponto esta abordagem foi vantajosa para a Farmácia Ferreira de Pinho, já que, conforme referido anteriormente, a DE continua a ser um tema constrangedor para os utentes masculinos, que expõem muito raramente as suas dúvidas. Relativamente ao impacto nas utentes femininas, pareceu-me razoável, não se mostraram intimidadas com o tema, embora abordando o farmacêutico sempre com alguma discrição.
19 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 3. MENOPAUSA 3.1. Seleção do tema Decidi escolher o tema da Menopausa, porque representa um processo biológico que ocorre em todas as mulheres, com o decorrer do envelhecimento e pelo que, com o envelhecimento global da população, se estima que as mulheres viverão aproximadamente um terço da sua vida em pós-menopausa[19]. É fundamental que o Farmacêutico Comunitário saiba reconhecer a sintomatologia da menopausa, assim como o seu impacto na qualidade de vida da mulher. Como Estagiária, optei pela elaboração de panfletos informativos, colocados à disposição dos utentes da FFP (Anexo 3), com o intuito de esclarecer as imensas questões que se colocam em relação ao tema, nomeadamente no alívio dos sintomas e na melhor forma de gerir toda a sequência de eventos fisiológicos. 3.2. Definição A menopausa corresponde a um evento fisiológico, que ocorre com o decorrer do envelhecimento, na mulher. Designa-se como o momento da última menstruação, após 12 meses consecutivos de amenorreia (desde que não derive de uma causa patológica ou fisiológica). Fisiologicamente, surge como falha na resposta dos ovários face ao estímulo das hormonas (hipofisárias) luteinizante (LH) e folículo estimulante (FSH), resultando na incapacidade (ovárica) de produzir estrogénios e consequente cessão da ovulação. [19, 20] A menopausa ocorre entre os 45 e os 55 anos, em, aproximadamente, 90% das mulheres, representando os 51 anos a idade média para a ocorrência da menopausa. [21] 3.3. Causas A menopausa pode ser de origem fisiológica, como consequência do processo biológico natural de cada mulher, ou iatrogénica, como resultado de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Esta última (iatrogénica) associa-se normalmente a um quadro clínico mais severo, sendo por isso necessário um maior cuidado na saúde da mulher. [20] A menopausa pode ainda ser afetada por outros factores externos, nomeadamente tabagismo (sendo antecipada em média 2 anos), obesidade e alcoolismo (que provocam um atraso na sua incidência). [19]
26 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 PARTE 2 – Descrição das atividades desenvolvidas no Estágio 1. A Farmácia Ferreira de Pinho como Local de Estágio A Farmácia Ferreira de Pinho (Figura 6) localiza-se na Avenida Vale do Caima, porta nº116, em Vale de Cambra (Aveiro). O horário de funcionamento é das 9h00 às 20h00, em dias úteis, e das 9h00 às 13h00, ao sábado. Em dias de serviço (de 4 em 4 dias, há uma rotatividade entre quarto farmácias), o horário vai desde 9h00 às 24h, incluindo serviço de disponibilidade durante a noite, sendo que, neste período, a Farmácia apenas abre na presença da GNR. A Direção Técnica da Farmácia Ferreira de Pinho (FFP) é assumida pela Drª Maria Cristina Carmo Duarte Ferreira, que conta com a colaboração do Farmacêutico adjunto (Dr Cláudio Saraiva), bem como de mais uma Farmacêutica (Drª Cátia Bastos), uma Técnica de Farmácia (Drª Juliana Costa) e uma pessoa responsável pela limpeza do espaço (D. Elvira). O espaço físico da Farmácia Ferreira de Pinho comporta uma zona de atendimento ao balcão (quatro balcões); um laboratório; uma casa de banho; um gabinete (onde são prestados os serviços e administradas injeções); uma área de receção de encomendas; um armazém; e um escritório. A Farmácia Ferreira de Pinho foi a minha primeira opção para realizar o estágio curricular em Farmácia Comunitária. Esta escolha prendeu-se, essencialmente, ao facto de ter efetuado um estágio extracurricular (de três semanas) no verão passado, nesta farmácia. Toda a equipa fez um esforço por me acolher da melhor maneira, ensinar-me o Figura 6. Vista exterior da Farmácia Ferreira de Pinho.
27 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 máximo possível, no menor tempo possível, sempre com boa disposição. O mesmo se passou durante os últimos seis meses, onde sempre me foi dado o máximo auxílio. A FFP encontra-se equipada de um robô e de um cash logy, o que proporciona um atendimento mais eficaz (sem enganos), quer ao nível da dispensa de medicação, quer ao nível do pagamento, beneficiando ainda de um maior contacto com o utente. O robô contem uma série de medicamentos que são dispensados de acordo com o pedido, apresentando a vantagem desta cedência ser efetuada de acordo com o prazo de validade (FEFO – first expired first out). O cash logy corresponde a um instrumento, onde é feito o pagamento: o montante é depositado e é cedido, automaticamente, o troco correto. Os idosos representam a principal faixa etária que procura a FFP, quer ao nível de cuidados de saúde, quer ao nível de veterinária. 2. Encomendas e aprovisionamento 2.1. Fornecedores A Farmácia Ferreira de Pinho recebe encomendas de diferentes fornecedores, tais como Cooprofar (principal fornecedor), OCP, Plural e Alliance Healthcare. É importante a existência de um fornecedor principal, com o propósito de melhores condições para a gestão da farmácia, no entanto apercebi-me que os restantes não devem ser excluídos, já que muitas vezes o armazenista principal falha com alguns produtos (esgotados), sendo necessário recorrer a outras fontes. Relativamente aos produtos veterinários, a FFP opta por realizar encomendas de maior escala junto da Pencivet. A desvantagem encontra-se no facto deste fornecedor exigir um montante mínimo na realização de cada encomenda. Figura 7. Fases de uma Encomenda. 2.2. Realização de Encomendas Em regra geral, a Farmácia Ferreira de Pinho efetua, diariamente, duas encomendas. A encomenda diária é criada pelo próprio sistema informático, Sifarma 2000, que seleciona os produtos em falta, de acordo com o stock mínimo e máximo definido para cada produto (na ficha do produto no Sifarma). No entanto, cabe ao Realização da Encomenda Receção Armazenamento
28 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 profissional responsável pela gestão das encomendas, neste caso a Dra. Cristina, avaliar a lista cedida pelo Sifarma e proceder às alterações desejadas (retirar produtos e até mesmo adicionar outros). Em último lugar, esta encomenda é enviada diretamente ao fornecedor, por via informática. É de realçar ainda que, muitas vezes, a lista de produtos esgotados no fornecedor em questão, é enviada para um outro fornecedor. Na falta de medicamentos / produtos durante o atendimento, é da responsabilidade do próprio Farmacêutico / Técnico fazer a encomenda específica, por meio de chamada telefónica ou através do gadjet do armazenista, sendo que é dada informação imediata ao Profissional: a encomenda é feita com sucesso ou o produto encontra-se esgotado, não sendo possível garanti-lo ao utente. A Farmácia Ferreira de Pinho também recebe diariamente Delegados representantes de diversos laboratórios, onde também se efetuam notas de encomenda, que correspondem às ditas encomendas diretas, onde é possível obter uma maior quantidade do produto, com melhor condição (descontos “dados” pelo próprio laboratório). A responsável, mais uma vez, é a Dra. Cristina. 2.3. Receção de encomendas A entrega das diferentes encomendas na Farmácia Ferreira de Pinho segue horários específicos, por norma. Por exemplo: a Cooprofar entrega por volta das 8h30 e das 17h30, ao passo que a Alliance Healthcare entrega às 9h30 e 18h00. Quando ocorre alguma falha no horário da rota, geralmente o armazenista em questão entra em contacto com a Farmácia para dar conhecimento do sucedido. A receção das encomendas é feita num local específico da farmácia, através do sistema informático Sifarma 2000. Aquando da entrada da encomenda, os preços são conferidos, por forma a que no final, o total da encomenda corresponda com o valor da fatura; é também importante a aplicação de margens estipuladas pela Farmácia nos produtos de venda livre. Na recepção das encomendas é necessária atenção redobrada a produtos que não sejam armazenados no robô devido ao prazo de validade dos mesmos. É obrigatório o registo deste (prazo de validade) no sistema, de forma que não ocorra a venda de produtos fora da validade. Durante o meu estágio, foi vulgar a ocorrência de algumas anomalias presentes nas encomendas: como é o caso de produtos a derramar, embalagens danificadas, faturação de produtos não recebidos, etc... O primeiro passo é entrar em contacto com o armazenista por via telefónica, a relatar o sucedido, procedendo-se posteriormente à devolução do produto ao mesmo armazenista (através do Sifarma 2000), com o intuito deste efetuar o respectivo crédito à farmácia.
29 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 2.4. Armazenamento O armazenamento representa uma etapa extremamente exigente. Os produtos cujo armazenamento é feito no robô são de fácil arrumação: apenas é necessário verificar a sua validade e indicá-la ao robô (é importante referir que para o mesmo produto com validades diferentes, o robô dispensa em primeiro lugar os produtos de validade mais curta - FEFO). Relativamente aos produtos arrumados em prateleiras e gavetas, o sistema de armazenamento também segue as regras FEFO. Existem ainda produtos armazenados no frigorífico, é o caso das vacinas, anéis vaginais, alguns injetáveis, etc. 2.5. Temperatura e Humidade É importante cumprir requisitos de temperatura e humidade na Farmácia, salvaguardando a correta conservação dos produtos. Deste modo, existem sondas que garantem os requisitos estipulados, de forma que quando os valores não se encontram no intervalo especificado, a sonda emite um sinal de alerta. 2.6. Controlo de prazos de validade Mensalmente são analisados os prazos de validade de todos os produtos: são emitidas listagens quer dos produtos armazenados no robô quer armazenados externamente. Assim, os produtos que apresentam validade curta são excluídos das vendas e procede-se à sua devolução, junto dos armazenistas ou até mesmo dos Delegados de informação médica. É de realçar que alguns produtos têm de ser devolvidos antes seis meses do limite da sua validade, como é o caso das insulinas. 3. Atendimento O atendimento representa a área fulcral na Farmácia Comunitária, é a etapa onde o Farmacêutico pode intervir junto do utente, essencialmente ao nível do aconselhamento e da adesão à terapêutica, e, até mesmo, fidelizá-lo à Farmácia. Acarreta alguma complexidade, pelo que requer alguma experiência e conhecimento em quase todas as áreas. O atendimento pode ser feito apenas com o intuito de esclarecer dúvidas que o utente possua ou através de uma venda, estando, quer numa quer noutra, sempre presente o aconselhamento farmacêutico. A venda podem ser dividida em: Venda comparticipada: onde existe, obrigatoriamente, uma receita médica, com a respectiva prescrição médica.
30 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Venda não comparticipada: pode haver ou não receita médica, no entanto o medicamento/ produto não apresenta qualquer tipo de comparticipação. Venda suspensa: quando o utente leva a medicação e se compromete a apresentar, mais tarde, a receita médica, de modo a que seja reembolsado o valor da comparticipação. A venda suspensa pode também ser efectuada na presença de receita médica, de modo parcial, ou seja, quando o utente não quer aviar toda a medicação da receita no momento, mas ambiciona fazê-lo mais tarde (relativamente à medicação excedente): assim efetua-se uma venda suspensa (com comparticipação) na medicação que o utente deseja levar; é de alertar o utente relativamente à data limite de aviamento da restante medicação, bem como informá-lo de que a receita tem de permanecer obrigatoriamente na farmácia. 3.1. Medicamentos sujeitos a Receita médica A dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica requer especial concentração do farmacêutico: é importante perceber se já é medicação habitual do utente ou se é medicação nova, avaliar se esta se ajusta ao mesmo, de modo a esclarecer o utente que tipo de medicação representa, quais os eventuais efeitos adversos, assim como explicar a posologia e determinados cuidados a ter. 3.1.1. A Receita Médica Uma receita médica VÁLIDA tem de se encontrar dentro da validade especificada aquando da prescrição médica: a validade pode variar desde 30 dias até 6 meses (no caso de medicação crónica prolongada, onde são prescritas um máximo de 3 vias). A receita médica deve, ainda, obedecer a uma série de parâmetros, alguns dos quais: Nome e número de utente (por vezes o número de utente não está identificado na receita, sendo obrigatoriedade do Farmacêutico pedir ao utente uma cópia do cartão de utente ou do cartão de cidadão – onde este também está identificado, de modo a que a medicação possa ser comparticipada). Vinheta do médico prescritor (no caso de receita manual) e rubrica do mesmo. O médico pode prescrever, por receita médica, um máximo de 4 medicamentos diferentes, correspondendo a um total de 4 embalagens, e pode atingir um máximo de 2 embalagens por medicamento, ou seja, não é permitida a prescrição de 3 ou mais embalagens do mesmo medicamento numa só receita. Aquando do aviamento da receita, procede-se à leitura dos códigos de barras referentes à medicação, e é dada saída da mesma no Sifarma; seleciona-se o regime de comparticipação, de acordo com a entidade responsável da mesma; e, por último, é
31 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 impresso um resumo da dispensa no verso da receita (código dos medicamentos dispensados, valor da comparticipação, preço de venda a público, etc). Neste verso, são recolhidas as assinaturas, quer do utente que adquiriu a medicação, quer do farmacêutico, e é ainda obrigatória a presença do carimbo da farmácia e da data de aviamento. 3.1.2. NOVIDADE: a Receita Médica Eletrónica Uma iniciativa do Ministério da Saúde, apoiada pela Glintt e pelas Farmácias Portuguesas e patrocinada pela Mylan (farmacêutica norte-americana líder em medicamentos genéricos), visa simplificar o processo de dispensa dos medicamentos. Um processo gradual que tem início em Fevereiro de 2015 e que se prolonga por 6 meses. Representa um suporte inovador, seguro e sustentável, através do qual a prescrição médica é acessível a partir do cartão de cidadão. Na farmácia, com o leitor Smart Card (onde é introduzido o cartão de cidadão) e através da leitura do código de acesso (presente no guia de tratamento disponibilizado ao utente pelo médico), a medicação é fornecida. A receita electrónica é prática, já que há possibilidade do seu aviamento em qualquer altura, sem que haja possibilidade de esquecimento ou perda; mas sobretudo inovadora – é uma mais valia na conferência de receitas -, e sustentável (não há desperdícios de papel). 3.1.3. Sistemas de comparticipação , sendo o escalão, de cada utica. Existem quatro escalões diferentes: o escalão A (90% de comparticipação), B (69%), C (37%) e D (15%) – dependendo do escalão, o utente paga apenas o valor remanescente do preço do medicamento. [27] Esta é feita, sempre, de acordo com o Sistema Nacional de Saúde (SNS). No entanto existem diversos suborganismos que proporcionam uma comparticipação adicional à do SNS (por exemplo SAMS), no entanto, esta comparticipação só é feita na presença do cartão correspondente à mesma entidade, sendo necessário agrupar uma cópia do mesmo a uma cópia da receita original. Existem ainda alguns medicamentos com uma Comparticipação Especial, sujeitos a legislação específica. Nestes casos, é obrigatória a presença de Despachos, Portarias ou Decretos-lei a que o medicamento esteja sujeito.
32 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 3.1.4. Legislação especial o Protocolo Diabetes Os doentes diabéticos têm direito a um protocolo especial, facilitando a acessibilidade quer a medicação antidiabética quer a dispositivos no controlo da glicemia. Desta forma, todos os dispositivos à exceção das tiras, são comparticipados em 100% pelo SNS (85% para as tiras), em função da presença de receita médica. Relativamente à farmacoterapia, a insulina possui uma comparticipaçãoo de 100% ao passo que os antidiabéticos orais são comparticipados em 90%. o Medicamentos estupefacientes e/ou psicotrópicos Por representarem medicação com efeitos ao nível do Sistema Nervoso Central, estão sujeitas a um controlo apertado pelo INFARMED. Por este mesmo motivo, sempre que numa encomenda existam substâncias destas classes farmacoterapêuticas, existem obrigatoriamente requisições a acompanhá-las. Destas requisições (sempre em duplicado), uma é arquivada e outra é enviada. Aquando da dispensa destas substâncias, o sistema não deixa avançar até que seja preenchido um questionário, com o nome do médico, nome e morada do doente e ainda nome, morada e identificação do adquirente (que poderá corresponder ao doente, desde que nunca menor do que 18 anos). O INFARMED controla mensalmente as saídas dos psicotrópicos e trimestralmente a sua entrada. Anualmente, esta entidade exige o movimento de entradas e saídas desta medicação. 3.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica Os medicamentos não sujeitos a receita médica correspondem a produtos que são adquiridos sem necessidade de receita médica. São de venda livre, pelo que não têm qualquer preço estipulado. Cabe à gestão da Farmácia definir a margem de lucro a adotar, no caso da FFP. Esta margem deve ser definida de acordo com a concorrência (farmácias e parafarmácias vizinhas), já que os clientes têm uma enorme tendência por comparar preços e optar pelos mais baratos. O farmacêutico, mais uma vez, acarreta uma grande responsabilidade, já que deve ceder o produto que melhor se adequa à procura/ necessidade do utente, conjugando interações com medicação habitual/ problemas de saúde do utente, se for o caso.
33 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 3.3. Manipulados / Produtos homeopáticos A procura por medicamentos manipulados e produtos homeopáticos na FFP é bastante reduzida, pelo que são apenas preparados manipulados simples (como por exemplo, pomada de ureia). Quando são procurados manipulados mais complexos e produtos homeopáticos, visto que não é rentável, a FFP recorre à Farmácia Lemos ou à Farmácia Matosinhos Sul. 3.4. Medicamentos de Uso Veterinário A Farmácia Ferreira de Pinho é uma farmácia de “aldeia”, pelo que, há uma enorme procura de medicamentos de uso veterinário. Senti bastante dificuldade nesta área: em primeiro lugar porque o metabolismo de um animal é distinto do humano, em segundo lugar porque nunca tinha tido qualquer contato com a área de veterinária durante os semestres anteriores. Com a ajuda dos colegas já me vou conseguindo orientar melhor neste ramo, no entanto é necessária muita atenção e conhecimento para as diferentes espécies. Os medicamentos de uso veterinário mais procurados na FFP são os desparasitantes externos e internos (quer para animais de estimação quer para animais de grande porte), pílulas contraceptivas, vacinas (sendo as mais procuradas as da febre hemorrágica e mixomatose para coelhos), antibióticos (como por exemplo terramicina) e até mesmo insulina canina. 3.5. Produtos cosméticos Atualmente verifica-se uma grande preocupação por parte dos utentes em relação à sua aparência, mais especificamente a aparência da pele. Neste campo, apliquei os conhecimentos adquiridos quer na Tecnologia Farmacêutica quer em Dermofarmácia e Cosmética. A maior dificuldade prendeu-se, em particular, na distinção entre as diversas marcas de cosméticos e, dentro da mesma marca, nas diferentes gamas. São alvos de maior procura, na FFP, os cremes antirrugas, anticelulíticos, de hidratação corporal e de combate ao acne. É essencial ter presente um bom aconselhamento terapêutico, tendo em conta o tipo de pele e o principal objetivo do tratamento. Alguns exemplos de aconselhamento: - creme anticelulítico: aplicar o creme sempre a favor da circulação sanguínea, para evitar o retorno venoso; - precauções no tratamento para o acne: limpar a pele com um tónico ou gel de limpeza antes da aplicação do creme hidratante, e uso de um protetor solar adequado – pouca oleosidade -, já que a pele em tratamento se encontra mais sensível;
34 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 - creme antirrugas: para além do creme é essencial o uso de um sérum, que atua nas camadas mais profundas da pele, bem como de um contorno de olhos. 3.6. Outros Produtos Existe ainda uma panóplia de produtos na FFP, no que se refere a temas como puericultura (leites, papas, brinquedos, acessórios), geriatria (fraldas, bengalas, etc), ortopedia (meias elásticas e de compressão, joelhos e pulsos elásticos, colares cervicais, entre outros), dispositivos médicos (tomando maior relevo placas e sacos para doentes ostomizados, que para mim eram quase desconhecidos), produtos dietéticos (que na altura de verão são bastante procurados), suplementos alimentares e muitos outros, onde a minha aprendizagem foi gradual ao longo dos meses. 3.7. Serviços Existe uma variedade de serviços disponível na FFP, é o caso da medição da tensão arterial, da glicemia, do colesterol total e dos triglicerídeos, administração de injetáveis e realização de testes de gravidez. 3.7.1. Tensão Arterial A tensão arterial elevada representa um problema de saúde pública, como fator de risco cardiovascular. É importante que os utentes tenham noção disto, e o farmacêutico toma aqui um papel fundamental. Na maioria das medições que realizei, os valores situaram-se quase sempre acima do considerado normal, sendo que alertei para o fato da redução de sal na alimentaçãoo, prática de exercício físico e alterações de estilo de vida. 3.7.2. Glicémia, Colesterol Total e Triglicerídeos Durante o estágio, realizei todos estes testes uma série de vezes. A técnica utilizada é a mesma, e recorre a sangue capilar. É conveniente que o utente esteja em jejum, de forma a que os resultados sejam viáveis. Por norma, questionava os utentes acerca de medições anteriores, medicação habitual e até mesmo estilo de vida, por forma a perceber se se enquadrava no resultado. Valores elevados destes 3 parâmetros quase sempre representam risco para o utente, fazendo parte do aconselhamento farmacêutico alertar para o tipo de alimentação mais adequada, prática de exercício físico e até mesmo alteração de hábitos (tabagismo, por exemplo), dependendo dos resultados obtidos. 3.7.3. Administração de vacinas e injetáveis
35 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 A FFP é bastante procurada para a administração de injetáveis. Assim sendo, é importante que os Farmacêuticos se mantenham devidamente informados em relação às mesmas e aos respetivos modos de administração, bem como possíveis reações à administração. 3.7.4. Teste de gravidez O princípio do teste baseia-se na pesquisa da hormona coriónica humana (hCG), cuja concentração se apresenta elevada na gravidez. Tive oportunidade, não só de realizar este teste, como também explicar a técnica a utentes que optavam por fazê-lo em casa. É importante que o teste seja feito com a primeira urina da manhã. 4. O SIFARMA 2000 como Sistema Informático O sistema informático disponibilizado na FFP corresponde ao Sifarma 2000. É uma ferramenta de extremo interesse quer a nível de informação científica quer a nível de faturação. É necessário um código individual de acesso ao sistema informático, e as informações disponíveis a cada utilizador são mais ou menos restritas consoante a responsabilidade de cada um e consoante o definido pela Diretora Técnica. 4.1. Ferramenta de Atendimento É através do Sifarma 2000 que se concretizam vendas. Permite o fácil acesso ao preço dos medicamentos, simulação de comparticipação de medicamentos sujeitos a receita médica e consulta do stock dos medicamentos presentes na farmácia. No caso da Farmácia Ferreira de Pinho permite ainda verificar o stock no interior do robot, bem como “puxar” a medicação pretendida e efetuar pagamentos através do cash logy. No meu ver a maior utilidade deste sistema está no suporte científico que disponibiliza acerca de cada medicamento: Posologia, possíveis interações medicamentosas, efeitos secundários, etc. Como estagiária, representa um grande apoio de forma a que o aconselhamento possa ser feito da melhor forma possível. Representa, assim, um instrumento complementar a todo o conhecimento adquirido anteriormente. O Sifarma 2000 tem a vantagem ainda de fornecer o histórico de cada doente de acordo com o seu nome e número de contribuinte, permitindo verificar qual a medicação anteriormente cedida ao utente. Isto representa grande utilidade ao nível dos laboratórios que o utente costuma utilizar (no caso de medicação crónica), pois na maioria das vezes o utente opta pelo mesmo laboratório, evitando a ocorrência de erros na toma dos fármacos e erros de dosagem.
42 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 ANEXOS Anexo 1. Folheto Informativo Osteoporose.
43 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Anexo 2. Panfleto Disfunção Eréctil.
44 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Anexo 3. Folheto Menopausa.
45 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Anexo 4. Passatempo do Dia do Pai lançado na página do Facebook.
46 Ana Carlota de Oliveira Duarte Aluna nº 201106205 Anexo 5. Exterior da FFP, com o balão em formato de 2. Anexo 6. Montra do Dia dos Namorados.