Impacto da interação trabalho-família na satisfação profissional dos enfermeiros
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IMPACTO DA INTERAÇÃO TRABALHO-FAMÍLIA NA SATISFAÇÃO PROFISSIONAL DOS ENFERMEIROS Ana Mónica Pereira1,2, Luís Sousa1,3, Elizabete Borges4 & Cristina Queirós1,2 1. Introdução 2. Objetivos 3. Metodologia 5. Conclusões A conciliação entre o trabalho e a família constitui um desafio para inúmeros profissionais (OSHA, 2007, 2014), tendo consequências na saúde e no bem-estar dos profissionais, quer nos locais de trabalho, quer na família (Amstad et al., 2011; Mcnall et al., 2010). Uma das principais consequências reside na satisfação profissional, verificando-se que a interação trabalho-família negativa reduz a satisfação profissional (Allen et al., 2000), enquanto a interação trabalho-família positiva aumenta a satisfação profissional (Mcnall et al., 2010; Tang et al., 2014). Este estudo de tipo transversal, correlacional e analítico tem como objetivos conhecer os níveis de interação trabalho-família (positiva e negativa) e de satisfação profissional de enfermeiros a trabalhar em hospitais públicos, e conhecer a relação entre estas variáveis no sentido de verificar se a interação trabalho-família constitui um preditor significativo da satisfação profissional. Encontrou-se (Tabela 1) moderada interação trabalho-família negativa, baixa interação famíliatrabalho negativa, e moderadas interação trabalho-família positiva e interação família-trabalho positiva, bem como moderadas satisfação intrínseca com o trabalho, satisfação com os benefícios recebidos, satisfação com o ambiente físico do trabalho, e satisfação com a participação. Verificam-se correlações negativas entre todas as dimensões da satisfação profissional e as duas direções da interação trabalho-família negativa, e correlações positivas entre a interação trabalho-família positiva e a satisfação com os benefícios, a satisfação intrínseca e a satisfação com a participação, bem como entre a interação família-trabalho positiva e a satisfação intrínseca. A interação trabalho-família prediz apenas cerca de 5 a 11% da satisfação com o trabalho, verificando-se o contributo mais evidente no sentido trabalho-família do que no sentido família-trabalho. (Tabela 2) Participantes: Foram inquiridos 419 enfermeiros, estando 85% a trabalhar por turnos, 40% a trabalhar mais de 35h semanais e tendo 85% licenciatura e os restantes pós-graduação ou mestrado. As médias foram de M=34,3 anos para idade e M=11,2 para anos de serviço, sendo 84% mulheres, 60% casados e 50% com filhos. Instrumentos: Survey Work-Home Interaction Nijmegen (SWING, Geurts et al., 2005; Pereira et al., 2014); Cuestionario de Satisfacción Laboral (QSL, Meira & Peiró, 1989; Pocinho & Garcia, 2008). Procedimento: Após autorização formal das instituições foram distribuídos os questionários impressos pelos profissionais e devolvidos em envelopes fechados. Questionário de autopreenchimento, de forma voluntária, anónima e confidencial. 1 Laboratório de Reabilitação Psicossocial (FPCEUP/ESTSPIPP), Porto, Portugal 2 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal 3 Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Porto, Portugal 4 Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal [email protected] [email protected] A influência da interação trabalho-família na satisfação profissional dos enfermeiros encontrada neste estudo é consistente com a literatura (Amstad et al., 2011; Mcnall et al., 2010) e os resultados alertam para a importância de uma adequada conciliação entre o trabalho e a família, que passa não só por reduzir a interação negativa, mas também por promover uma interação positiva (Mcnall et al., 2010). Neste sentido, as organizações desempenham um papel fundamental, pelo que a implementação de medidas que favorecem um ambiente de trabalho family-friendly irá beneficiar os profissionais e a própria organização (Mcnall et al., 2010). 6. Referências - Allen, T. D., Herst, D. E., Bruck, C. S., & Sutton, M. (2000). Consequences associated with work-to-family conflict: A review and agenda for future research. Journal of Occupational Health Psychology, 5, 278–309. - Amstad, F., Meier, L., Fasel, U., Elfering, A., & Semmer, N. (2011). A meta-analysis of work-family conflict and various outcomes with a special emphasis on cross-domain versus matching-domain relations. Journal of Occupational Health Psychology, 16(2), 151-169. - Geurts, S., Taris, T., Kompier, M., Dikkers, J., Hoof, M., & Kinnunnen, U. (2005). Work-home interaction from a work psychological perspective: Development and validation of a new questionnaire, the SWING. Work & Stress, 19(4), 319-339. - Mcnall, L., Nicklin, J. & Masuda, A. (2010). A meta-analytic review of the consequences associated with work-family enrichment. Journal of Business and Psychology, 25, 381-396. - Meliá, J. L., & Peiró, J. M. (1989). La medida de la satisfacción laboral en contextos organizacionales: el Cuestionario de Satisfacción S20/23. Psicologemas, 3 (5), 59-74. - OSHA, European Agency for Safety and Health Work (2007). European Risk Observatory Report – Expert forecast on emerging psychosocial risk related to occupational safety and health. Belgium: European Agency for Safety and Health Work. - OSHA, European Agency for Safety and Health at Work (2014). Priorities for occupational safety and health research in Europe for the years 2013–2020 Summary report – (updated Jan 2014). Luxembourg: Publications Office of the European Union. - Pereira, A.M., Queirós, C., Gonçalves, S., Carlotto, M.S. & Borges, E. (2014) Burnout e Interação Trabalho-Família em Enfermeiros: estudo exploratório com o Survey Work-Home Interaction Nijmegen (SWING). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, 11, 24-30. - Pocinho, M. & Garcia, J. (2008). Impacto psicosocial de la tecnologia de información y comunicación (TIC): tecnoestrés, danos físicos y satisfacción laboral. Acta Columbiana de Psicologia, 11(2), 127-139. - Tang, S., Siu, O. & Cheung, F. (2014). A study of work-family enrichment among Chinese employees: the mediating role between work support and job satisfaction. Applied Psychology: An International Review, 63 (1), 130-150. 4. Resultados