Protocolo de criação à mão de psitaciformes para a Baby Station do Loro Parque
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Relatório de Estágio Final Mestrado Integrado em Medicina Veterinária Protocolo de criação à mão de psitaciformes para a Baby Station do Loro Parque Miguel Morais Rodrigues da Rocha e Sousa Orientador: Dr. Paulo Vaz-Pires Co-orientador: Dr. Nuhacet Fernández Porto 2014
Relatório de Estágio Final Mestrado Integrado em Medicina Veterinária Protocolo de criação à mão de psitaciformes para a Baby Station do Loro Parque Miguel Morais Rodrigues da Rocha e Sousa Orientador: Dr. Paulo Vaz-Pires Co-orientador: Dr. Nuhacet Fernández Porto 2014
i Resumo O presente trabalho aborda unicamente o tema de Neonatologia e Pediatria em Psitaciformes, fazendo uma revisão sobre os artigos dos principais autores de referência nesta área e por fim propondo um protocolo que pretende ser de boas práticas baeadas em evidência científica para a maternidade (Baby Station) do Loro Parque. Este protocolo pretende responder a uma necessidade que se impõe dados os avanços científicos que vão surgindo nesta área e porque esta maternidade pretende ser o centro de criação à mão de Psitaciformes mais conceituado do mundo, onde se criam à mão espécies em risco ou ameaçadas de extinção, como por exemplo: Anadorinchus leari, arara de leari, Anadorynchus hyacintinhus arara jacinta; Ara ambiguus arara ambígua; Ara macao; Ara glaucugularis; Calyptorinchus funereus, entre muitas outras espécies. Deste modo buscou-se estar na vanguarda do conhecimento e utilizar as técnicas mais avançadas na área de Neonatologia em Psitacíformes. Ambiciona-se, no final deste trabalho, a implementação deste protocolo na nova Baby Station do Loro Parque Fundación.
ii Índice 1 Introdução................................................................................................................................................. 1 2 Reprodução em cativeiro ....................................................................................................................... 4 3 Criação à mão ......................................................................................................................................... 5 3.1 Incubadora ............................................................................................................................................ 6 3.2 Contentores e substrato...................................................................................................................... 7 3.2 Método de alimentação ....................................................................................................................... 8 Transição alimentar/ ”desmame” ........................................................................................................... 12 3.4 Limpeza e desinfeção ....................................................................................................................... 14 3.5 Registos de peso corporal ................................................................................................................ 14 4. Patologias Neonatais mais comuns .................................................................................................. 15 4.1 Atrofia do crescimento, nanismo ..................................................................................................... 15 4.2 Infecções microbianas ...................................................................................................................... 16 4.3 Estase do Papo .................................................................................................................................. 18 4.4 Ingestão de corpos estranhos.......................................................................................................... 20 4.4 Desvio lateral da maxila .................................................................................................................... 20 4.5 Deformação por compressão da mandíbula ................................................................................. 21 5. Protocolo Baby Station Loro Parque ................................................................................................. 21 5.1 Incubadoras ........................................................................................................................................ 21 5.2 Processo de alimentação à mão com fórmula comercial ............................................................ 22 5.3 Tarefas diárias e seus pontos críticos de controlo ....................................................................... 23 5.4 Tarefas semanais e seus pontos de controlo ................................................................................ 24 5.5 Tarefas mensais e seus pontos de controlo/ Veterinários .......................................................... 25 5.6 Procedimentos de limpeza ............................................................................................................... 25 5.7 Higiene biossegurança e maneio de crias na Baby Station ........................................................ 26 6 Discussão do protocolo ........................................................................................................................ 27 7 Conclusão............................................................................................................................................... 28 Bibliografia ................................................................................................................................................. 29 Anexo I – Tabelas para consulta............................................................................................................ 31 Anexo II – Fotografias Baby Station ............................................................................................................ 37
1 1 Introdução Este estágio decorreu no Loro Parque em Tenerife. Este parque foi fundado em 1972, concebido inicialmente como um paraíso para papagaios. Com o decorrer dos anos converteuse numa das instituições zoológicas e reservas genéticas mais respeitadas e conhecidas em todo o mundo, pela sua beleza, excelência de instalações e respeito pela natureza. É ainda uma das maiores atrações das ilhas Canárias e já superou desde a sua abertura 44 milhões de visitantes. O Loro Parque criou a Loro Parque Fundación que possui, atualmente, a maior reserva de espécies e subespécies de psitaciformes do mundo. O seu centro de criação, especialmente criado para a reprodução de psitaciformes, rapidamente se converteu na entidade líder a nível internacional na criação, nutrição e maneio de psitaciformes. A sua reserva chega aos 4000 psitaciformes de 350 espécies e subespécies diferentes. A maioria encontra-se no centro de criação, denominado “La Vera”, situado a 2 km do Parque. Com uma área de 30 000 m2 as aves são mantidas e criadas nas melhores condições, em quase 1200 aviários rodeados de uma exuberante vegetação e cobertos por malhas que filtram a luz solar, mimetizando as diferentes condições dos habitats originários de cada espécie. Com este ambiente ideal, a Loro Parque Fundación regista em cada ano diferentes records de nascimentos de psitaciformes criados em cativeiro com êxito. Nos últimos anos foram criados cerca de 1500 psitacídeos / ano, muitos deles em perigo de extinção na natureza. Com este trabalho de criação mantém-se segura uma população em cativeiro, o que permite ter uma reserva genética auxiliar que poderá ser usada na conservação e proteção das espécies na natureza. Os psitaciformes são uma grande e diversa ordem aviária que inclui mais de 360 espécies e de 80 géneros divididos em 3 famílias: Kea (Strigopidae), Catatuas (Cacatuidae) e todos os restantes papagaios, araras, etc. (Psitacidae), a maior parte concentrados na zona tropical do hemisfério sul. As modificações de habitats, a caça furtiva e o comércio ilegal são ameaças significativas: 85 espécies estão na lista vermelha como criticamente ameaçadas, em perigo ou vulneráveis e 19 espécies como extintas pela International Union for Conservation of Nature. De forma geral, os psitaciformes caracterizam-se pelo bico encurvado, com a mandíbula superior recurvada sobre a inferior. Esta forma de bico é uma adaptação à alimentação à base de sementes e frutos. Estas aves são, normalmente, muito coloridas e algumas espécies são capazes de aprender a reproduzir sons como a voz humana.
2 As 21 espécies de catatuas atualmente aceites são diferenciadas pela sua variação em plumagem e diferem da família Strigopidae e Psitacidae em várias características morfológicas: possuem uma crista móvel e são maiores do que a maioria dos Nestoridae e Psitacidae. As catatuas estão restritas à região da Australásia (excetuando Nova Zelândia), e ocorrem desde as Filipinas e o leste da Indonésia até à Nova Guiné (White et al. 2011). O Brasil é o país com o maior número de representantes da família Psitacidae, tendo sido denominado, na época dos descobrimentos, por Portugal como "Terra dos Papagaios". Esta família é composta por papagaios, araras, periquitos, conures, pionus, etc. A Loro Parque Fundación é coordenadora oficial de vários Programas Europeus de espécies ameaçadas e de alguns stud-book de espécies em risco e ameaça de extinção, como a arara glaucogularis (Ara glaucogularis) e o amazona rhodocorytha (Amazona rhodocorytha). A Loro Parque Fundación, como método de financiamento, comercializa espécies mais comuns em cativeiro, investindo 100 % dos fundos obtidos em projetos de conservação. Este fornecimento de psitacídeos ao mercado ajuda a reduzir o comércio ilegal de aves capturadas na natureza. Graças ao trabalho conjunto com colaboradores em mais de 30 países, o Loro Parque Foundación já levou a cabo mais de 90 projetos de conservação para a proteção de 70 espécies de psitacídeos e zonas florestais onde habitam. Até 2013 já tinham sido investidos mais de 13.75 milhões de dólares em atividades de conservação por todo o mundo. O tratamento de pacientes pediátricos está a tornar-se um segmento cada vez mais importante da medicina aviária, na medida em que, com as restrições impostas pela legislação CITES que proíbe a importação de psitacídeos capturados na natureza (Altman et al. 1997), e faz com que, atualmente, todas as aves que entram no circuito comercial como animais de estimação, ou no comércio entre criadores e colecionadores provenham da criação em cativeiro, exigindo um grande desenvolvimento na área de Neonatologia e Pediatria Aviária. Por outro lado, na vertente dos Parques e Coleções Zoológicas, em que o principal objetivo é a preservação e a sobrevivência de espécies em vias de extinção, são necessários para acompanhamento e consultadoria veterinários especializados, e dedicados à Medicina Aviária, com experiência na reprodução destes espécimenes e sua criação à mão. Os casais reprodutores de papagaios são, sem dúvida, quem melhor sabe criar a sua descendência (Sweeney et al. 2000). Por este motivo, no Loro Parque, as crias são, na sua grande maioria, deixadas com os progenitores. É necessária a intervenção humana quando o processo natural não funciona corretamente, devido ao elevado risco de ovos partidos ou mutilação das crias (Sweeney et al. 2000). Por este motivo, a alimentação à mão tornou-se
3 numa prática corrente utilizada para o aumento da taxa de sobrevivência de crias em psitaciformes, tanto para o mercado de animais de estimação como para programas de conservação (Tschudin et al. 2010). A criação pelos pais é bem-sucedida em muitos casais reprodutores de várias espécies, mas o cuidado artificial do neonato é necessário numa percentagem significativa de casos. Nestas circunstâncias as pequenas crias das diferentes espécies de psitaciformes são enviadas à denominada Baby Station ou zona de criação à mão do Loro Parque. É nestas instalações, modernamente equipadas que ocorrem os cuidados intensivos apropriados para que as pequenas crias possam ser alimentadas e crescer corretamente até à idade do “desmame”. Este importante centro nevrálgico na criação à mão das aves do parque possui uma sala de incubadoras, equipamentos que albergam as crias, e que as mantêm à temperatura e humidade necessárias nas diferentes fases do desenvolvimento, para que estas possam crescer e desenvolver-se de forma ideal. Dentro das incubadoras, as crias são alojadas em pequenos contentores plásticos de fácil higienização e de tamanho variável, conforme o crescimento e tamanho atual da cria. A sala de incubadoras está ainda climatizada e tem acesso muito restrito: apenas o pessoal especializado na alimentação à mão e os Veterinários que acompanham diariamente as crias têm autorização para entrar. Dentro da sala de incubadoras há ainda uma zona onde as crias são alimentadas à mão, processo que pode ser observado, através de um vidro, pelos visitantes do parque. A Baby Station possui uma zona de “pré-desmame” onde as crias são alojadas em contentores plásticos com cerca de 90 cm de altura por 40 de diâmetro, que proporcionam o ambiente de penumbra que mimetiza o que ocorre nos ninhos, na natureza. O termo desmame é comum nesta área, representando o período de transição entre a alimentação da ave à mão e a fase em que a ave se começa a alimentar sozinha. Uma outra sala é destinada à fase de “desmame”. Possui gaiolas de rede galvanizada, próprias para uma fácil lavagem e desinfeção, onde as crias são alojadas, numa fase que corresponde à idade de saída do ninho, e aí permanecem até se tornarem praticamente independentes. Como zona final de recria, anexa ao edifício da Baby Station, há uma zona onde se alojam as crias recém-desmamadas, em grandes voadeiras divididas por géneros, onde as distintas aves podem exercitar a sua musculatura e treinar as suas aptidões para o voo de forma segura. A Baby Station possui ainda uma zona de lavagem e desinfeção de material bem como uma zona de armazenamento de mercadorias.
4 2 Reprodução em cativeiro As aves podem ser classificadas de acordo com seu estado de maturidade à eclosão. Aves precoces, como faisões, avestruzes e aves aquáticas são capazes de ver, andar e de se alimentar após a eclosão. Espécies altriciais como psitacídeos, aves canoras e pombos são totalmente dependentes dos seus pais após a eclosão. A maioria das aves altriciais nasce sem penas e com os olhos fechados e depende totalmente dos pais para a alimentação e manutenção da temperatura. Os recém-nascidos não têm um sistema imunológico plenamente competente e são mais suscetíveis a patologias do que as aves mais velhas. Por serem indefesos, as condições em que têm que ser mantidos, a dieta com que são alimentados e os cuidados parentais que recebem têm uma profunda influência sobre a sua saúde. Porém, a genética, o processo de incubação e a nutrição influem diretamente na capacidade de sobrevivência e crescimento da cria. Uma ave com um mau início de vida pode,mais tarde, desenvolver problemas clínicos durante o seu desenvolvimento (Branson et al. 1994). Muitas espécies de aves tornaram-se extremamente raras na natureza. A reprodução dessas espécies em cativeiro é, em muitos casos, um passo muito importante para a sua conservação. Com a finalidade de alcançar uma maior taxa de sucesso na criação de espécies raras, a criação à mão pode ser adotada por várias razões: (1) aumentar a produção, incentivando um casal de aves a colocar posturas adicionais num só ano reprodutivo, (2) salvar aves doentes ou ninhadas abandonadas, (3) evitar ou reduzir a transmissão de doenças dos pais para os recém-nascidos e (4) aumentar o número de ovos incubados artificialmente (Tschudin et al. 2010). A criação pelos pais apresenta as seguintes vantagens: (1) os pais fornecem um aporte de alimento contínuo às crias e adequado ao seu crescimento, (2) poupança de tempo considerável comparado com o tempo dispendido pelo criador no mesmo processo criando a ave à mão (Branson et al. 1994), (3) as crias alimentadas pelos pais atingem geralmente um peso e tamanhos superiores, desenvolvendo-se até ao seu estado de independência, em menos tempo que os criados à mão *(4) estas aves podem ainda adquirir traços comportamentais específicos da sua espécie, que eventualmente não surgem em aves criadas à mão (Branson et al. 1994). No entanto, a criação pelos pais apresenta também as seguintes desvantagens: (1) os progenitores em cativeiro nem sempre fornecem um ótimo cuidado às crias se houver algum tipo de distúrbio ou alteração ao redor do seu aviário, (2) comportamento alimentar
5 inconsistente (3) possibilidade de transmissão de algumas patologias de país para filhos (Barros & Soye 2012). (*Este tema irá ser posteriormente desenvolvido por mim, em colaboração com o Loro Parque, tendo em vista tratar os dados respeitantes a algumas das espécies em risco ou em ameaça de extinção, criadas à mão na Baby Station do Loro Parque, fazendo a comparação com os mesmos dados de aves criadas na natureza. Prevê-se que deste trabalho resulte um artigo científico.) 3 Criação à mão O objetivo principal da criação à mão é fornecer à cria uma nutrição adequada que permita à mesma um ótimo crescimento e desenvolvimento (Cornejo et al. 2013). As crias de psitaciformes são altriciais, isto é, são incapazes de fazer termorregulação e de se alimentarem e têm um sistema imunológico pouco desenvolvido (Branson et al. 1994). Uma vez nascidas, as crias devem ser alojadas em incubadoras (Romagnano 2005), (Branson et al. 1994) a fim de estarem em condições de temperatura e humidade controladas, factores essenciais para o seu desenvolvimento. As técnicas de criação à mão, a genética e nutrição vão afetar a viabilidade e crescimento das crias (Altman et al. 1995). Assim, é essencial para o Médico Veterinário Aviário avaliar cuidadosamente os cinco componentes principais para o sucesso do processo de criação à mão: a composição da dieta, a quantidade de alimento consumido, temperatura e humidade apropriada, protocolo de higiene e registos de pesos diário (Abramson et al 1995). A criação à mão traz várias vantages: (1) produzir uma ave dócil (2) aumentar a produção de um casal numa época de reprodução, (3) salvar filhos doentes ou abandonados ou de um valor genético elevado, (4) reduzir o peso do cuidado parental quando o casal tem uma ninhada volumosa. Portanto, num projeto de conservação dentro de uma longa série de medidas, a criação à mão deve ser considerada como o primeiro passo para o aumento do número de indivíduos (Tschudin et al. 2010). As desvantagens da criação à mão têm também devem ser consideradas: (1) trabalho intenso que exige mão-de-obra e tecnologia especializada, (2) propagação facilitada de surtos de patologias (3) influência no seu comportamento natural como aves adultas, (4) aves criadas à mão raramente ganham peso mais rapidamente do que as criadas pelos pais (Tschudin et al. 2010).
12 papagaio do nascimento ao desmame. Em vez disso, uma série de dietas específicas a cada idade, pode ser mais apropriado, como proposto por Cornejo et al. (2013). Alternativamente, dois produtos podem ser suficientes: um com baixa densidade para as crias mais velhas e uma fórmula com alta densidade nutricional para as crias mais jovens. As duas fórmulas podem ser misturadas quando as crias já são bastante mais velhas. A variação na densidade de nutrientes nas fórmulas comerciais sugere que não há consenso sobre a nutrição correta entre os fabricantes de fórmulas de crescimento para psitacídeos. Deste modo a indústria beneficiará com a pesquisa nesta área. Variações na dieta para as diferentes espécies As dietas comercias são formuladas para optimizar o crescimento de um número elevado de espécies. Algumas espécies, por vezes, requerem dietas significativamente diferentes a nível nutricional para um crescimento ideal. Por exemplo, crias de cacatuas spp. e amazonas spp. exibem um melhor crescimento alimentados com dietas com percentagens de gordura mais baixos que crias das mesmas espécies alimentados com dietas com alta percentagem de gordura, podendo vir a desenvolver lipidose hepática. A maioria das araras requer uma dieta com altos teores de gordura ou grandes quantidades de alimento para suprir os seus requisitos calóricos para o seu normal crescimento. A Arara jacinta (Anodorhynchus hyacinthinus), Arara cloroptera (Ara chloroptera) e Guarouba (Guaruba guarouba) têm um crescimento ideal com fórmulas de criação à mão com um teor de gordura de 15% (Abramson et al. 1995). O conceito que as araras necessitam um teor elevado de gordura do que outros psitaciformes não se aplica a arara de spix, que não é uma verdadeira arara mas está mais próxima de grupo das aratingas (Tschusdin et al. 2010). Um grupo de Araras de spix (cyanopsitta spixii) realça as conclusões do estudo de Cornejo et al. (2013), demonstrando que o grupo criado com nutribird A21® até aos 99 dias e em seguida com nutribirds A19® até ao desmame (120 dias) obteve melhores resultados no seu desenvolvimento. Adicionalmente, este grupo recebeu uma fórmula de bebé de maçã e vegetais misturados na sua fórmula comercial numa percentagem de 10% da dieta base, a partir do dia 26 até ao desmame (Tschusdin et al. 2010). Cada espécie tem timings de desenvolvimento diferentes e o conhecimento do mesmo e fundamental para aferir sobre a normal antropometria das crias (ver anexo I tabela - 8,9). Transição alimentar/ ”desmame”
13 Transição alimentar ou “desmame” é o processo em que a ave aprende a se alimentar por si mesmo sem necessitar da alimentação dos seus progenitores ou criadores (Low 1990). O processo de “desmame” é um dos mais frustrantes aspectos da criação à mão de psitaciformes. A ave está a tentar aprender a voar, a alimentar-se por si mesmo e assim rapidamente perde peso. Por outro lado a ave só tem capacidade para aceitar pequenas tomas de alimento e demonstra sinais de que está com fome. A transição alimentar é por isso um período de stress para a ave e para o criador da mesma. Só com registos fiáveis de aves criadas da mesma espécie de anos anteriores podemos avaliar se a ave está a realizar um desmame dentro dos valores normais de peso (Low 1990). Os fatores que afetam a duração deste período de transição são: o caracter individual da ave, a idade a que o “desmame” foi iniciado, os alimentos oferecidos durante este período, o número de tomas de fórmula que são oferecidos por dia, se a ave foi mudada do seu local habitual (Low 1990). Quando a cria começa a mostrar interesse em pequenas manchas no chão, sobre as paredes da chocadeira ou do recipiente onde se encontra, nesse ponto do desenvolvimento o “desmame” pode começar. Devem ser colocados uma grande variedade de alimentos para que a cria os possa começar a provar. Dentro dos recipientes plásticos grandes, fora da criadeira, devem ser fornecidos alimentos sólidos às crias, tais como, misturas de sementes adequadas ao porte da ave em questão, frutas e legumes, e algumas nozes, pinhões e amêndoas. A curiosidade natural da ave vai levá-la a experimentar cada um dos alimentos. Estes não devem ficar mais que um par de horas à disposição da ave e devem depois ser substituídos por alimentos frescos (Romagnano 2005). As crias totalmente emplumadas estão aptas a voar e devem ser transladadas para jaulas onde possam exercitar o voo e onde tenham alimento e água sempre disponíveis para que comecem a comer alimento sólido e assim possam ser “desmamados” na totalidade. A água deve ser introduzida em tigelas quando as aves são alimentadas uma vez ao dia. Logo que as aves comam e bebam por de uma forma independente devem ser movidas para gaiolas de grandes dimensões onde possam exercitar o voo e sociabilizar com outras espécies (Sweeney 2000) (Romagnano 2005) (Tschusdin et al. 2010) . As aves devem ser sempre acompanhadas de perto durante o processo de “desmame” e devem ser pesadas uma vez por semana (Romagnano 2005). Cada cria deve ser tratado como um ser individual que tem que passar por este difícil período ao seu ritmo e nunca deve ser forçado (Low 1990). Alguns períodos de regurgitação de fórmula
14 imediatamente após alimentação são normais durante o “desmame” e indicam a necessidade de reduzir a quantidade de fórmula em cada toma. Quando se fornecem poleiros a um psitaciforme em “desmame” estes devem estar a baixa altura para permitir um fácil acesso ao alimento por parte da cria (Gallagher & Loughlin 2013). No Loro Parque, como exemplo, dois ou três Catatua das molucas (Cacatua moluccensis) são alojados em conjunto nesta fase e qualquer outra espécie que tenha crescido sozinha é colocada em conjunto sempre que possível. O contato humano com as aves jovens é mantido ao mínimo. São fornecidos grandes pedaços de alimento, que é colocado à altura do poleiro, para permitir um melhor acesso pelas aves. Como alimento é fornecido milho em espiga, várias frutas e cenoura. É ainda oferecido granulado e a dieta de adultos (Sweeney 2000). 3.4 Limpeza e desinfeção A limpeza e desinfecção são um dos pontos fundamentais para a prevenção de patologias neonatais em psitaciformes. A esterilização dos utensílios de alimentação, desinfecção de bancadas, chocadeiras e lavagem frequente das mãos são essenciais para que o processo de alimentação à mão decorra sem problemas para as crias. Todas as superfícies devem ser higienizadas após cada alimentação (Reillo et al. 2011). Lavar todos os utensílios com água e detergente, em seguida passar por água limpa e por fim desinfetar. São recomendadas soluções anti-bacterianas adequadas para biberões. O ideal seria um utensílio de alimentação individual para cada ave. Assim, devem ser usados e pré-carregadas as seringas, limpas e desinfectadas, com fórmula de alimentação necessária para cada animal antes de começar o processo de alimentação. As seringas ou sondas nunca devem ser reintroduzidos na fórmula que em seguida vai ser utilizada para outra cria. Todos os utensílios de alimentação, incluindo misturadoras, recipientes devem ser desmontados, lavados com água quente e sabão, em seguida enxaguados, desinfetados e posteriormente mantidos num local limpo e seco, até à próxima utilização (Gallagher &Loughlin 2013). 3.5 Registos de peso corporal O desenvolvimento do recém-nascido é monitorizado pela observação da sua condição física geral e pela pesagem e anotação do seu peso corporal diário. A pesagem é feita antes da
15 primeira toma diária de alimento (Sweeney 2000) para que o papo esteja vazio (Carciofi et al. 2010). Há um desenvolvimento típico da curva de crescimento de um psitaciforme criado à mão. O padrão típico de crescimento é uma curva sigmoide até a um pico, onde o peso decresce em seguida gradualmente nos próximos 50 dias até ao peso normal do psitacídeo adulto (Tschusdin et al. 2010). De acordo com a literatura (Ritchie et al., 1994 cit. Tschusdin et al. 2010), o ganho de peso de um psitaciforme pode ser mais elevado que 17 % por dia durante a primeira semana de vida. O autor Reinschmidt (2000) cit. (Tschusdin et al. 2010) refere que as crias podem duplicar de peso na primeira semana de vida. As observações de Tschusdin et al. (2010) mostram que as Araras da spix (Cyanopsitta spixii) criados em Al Wabra Wildlife Preservation aumentaram o seu peso entre 5 % a 23 % por dia durante a primeira semana. Em média, as crias abrandam ligeiramente o seu ganho de peso para 10 % por dia, até ao 16º dia de vida. As curvas de crescimento de psitaciformes tem um período de perda de peso, crescimento negativo, que ocorre após o pico de peso máximo que é atingido aos dois terços do período em que a ave deve estar no ninho; este peso é maior do que o peso da ave adulta (Tschusdin et al. 2010). O peso corporal máximo é geralmente alcançado entre 7 e 9 semanas de vida em psitaciformes (Tschusdin et al. 2010). Durante o “desmame”, a perda de peso pode ser entre 10 % a 20 % do seu peso máximo. Actualmente, embora se conheçam as diversas curvas médias de crescimento de diferentes espécies de psitacídeos ainda não há um estudo que compare as diferentes curvas e que lhes atribua uma base científica (Tschusdin et al. 2010). Figura 1 - Exemplo de uma curva de crescimento de um psitaciforme, neste caso Amazona imperialis, com a expecificação do volume de fórmula consumido ao longo dos dias e o número de tomas ao longo de toda a sua alimentação à mão até ao “desmame”. 4. Patologias Neonatais mais comuns 4.1 Atrofia do crescimento, nanismo Um desenvolvimento inadequado ou um crescimento atrofiado é um dos problemas mais comuns em psitaciformes jovens, quer sejam criados pelos pais ou alimentados à mão. Qualquer fator que interfira na homeostase da cria pode alterar o seu crescimento. As principais causas de nanismo são: má nutrição crónica, infeções bacterianas, fúngicas e viricas.
16 As causas relacionadas com a alimentação inadequada são devidas ao fornecimento de uma dieta desequilibrada quer em quantidade e ou frequência, bem como, esta conter baixo teor de sólidos totais. As causas relacionadas com condições ambientais são temperatura e humidade baixa. Para além disto, qualquer patologia primária pode causar um gasto de energia excessivo e esta deixar de ser usada para o crescimento da ave. Patologias microbianas clínicas e sub-clínicas causadas por bactérias Gram-negativas e leveduras estão por norma relacionadas. Bactérias Gram-negativas e fungos podem também estar presentes secundariamente a qualquer fator que provoque imunossupressão, tais como infecções virais, ou nutrição inadequada (Branson et al. 1994) e temperatura abaixo do recomendado (Altman et al. 1997). Espécies como a Arara jacinta (Anodorhynchus hyacinthinus), Cacatua das palmeiras (Probosciger aterrimus), ou Guarouba (Guaruba guarouba) parecem apresentar frequentemente uma maior incidência de nanismo, possivelmente porque têm necessidades diatéticas que não são supridas pelas dietas comumente usadas. Aves desnutridas são muitas vezes recuperadas através da correcção dos problemas subjacentes e ajustando gradualmente seu plano de nutricional. Aves que apresentem nanismo moderado apresentam menores dimensões, cabeça globosa desproporcional com o resto do corpo (Altman et al. 1997) e têm bico fino (Branson et al. 1994). Se o nanismo é severo e só detetado num estado avançado, a ave pode sobreviver por um longo período de tempo sem se desenvolver nas proporções corretas, mas acaba, na maioria das vezes, por não sobreviver. Os sinais clínicos de um recém-nascido com nanismo incluem: ganho de peso abaixo do normal, redução da massa muscular sem depósitos de gordura subcutânea, dedos finos, má conformação corporal (cabeça desproporcionalmente grande em relação ao resto do corpo) (Altman et al. 1997)(Branson et al. 1994), problemas de penas, atraso de desenvolvimento da plumagem em determinadas áreas, um padrão em espiral das penas da nuca e um excessivo número de marcas de stress, ocorrência de infecções microbianas recorrentes, comportamento geral anormal (pouca reatividade a estímulos), desidratação, cor de pele pálida; vocalização constante pedindo comida (Branson et al. 1994). 4.2 Infecções microbianas Infecções microbianas do trato digestivo e do trato respiratório estão entre os problemas mais comuns entre crias de psitaciformes. O seu diagnóstico é feito por colheita e cultivo de microbiologias da coana, papo e cloaca, e também por observação de citologias coradas com diff-quick ou coloração de Gram.
17 A interpretação do resultado de uma cultura de microbiologia de uma ave em cativeiro é sempre uma área controversa (Branson et al. 1994). A microflora “normal” de jovens psitaciformes tem vindo a ser estudada e é constituída por bactérias Gram-positivas incluindo Lactobacillus, Corynebacterium, Sreptococcus, Micrococus, Staphylococcus epidermidis e também por bactérias Gram-negativas tais como Escherichia coli., klebsiella, Enterobacter, Pseudomonas e Salmonela spp. que são consideradas genericamente potencialmente patogénicas (Altman et al. 1997). Alguns destes microrganismos como: E. coli, Klebsiella e Enterobacter spp. variam muito na sua patogenicidade, muitos destes causam patologias, mas algumas estirpes também são isoladas em crias sem qualquer tipo de sintomatologia (Branson et al. 1994). Foram também isoladas na microflora de crias e adultos clinicamente saudáveis, não requerendo necessariamente terapia (Altman et al. 1997). A Escherichia coli é uma das bactérias que com mais frequência se isola em aves. O seu processo de patogenicidade e influência na patologia aviária está actualmente a ser posta em causa, pesando o facto de terem sido isoladas E.coli em ninhadas de Amazonas spp. saudáveis na natureza como fazendo parte da sua flora normal até mesmo no estado selvagem (Abramson et al. 1995). Alguns Médicos Veterinários acreditam que as bactérias Gram-negativas e leveduras devem ser tratadas somente se a cria apresenta sintomatologia clínica. Outras opiniões acreditam que todas as bactérias Gram-negativas e fungos são potencialmente patogénicos e deve ser sempre feita terapia antimicrobiana. A opinião de Branson et al. (1994) encontra-se no meio-termo. Se são cultivados alguns microrganismos potencialmente patogénicos numa cria aparentemente saudável, o tratamento deve ser adiado a menos que os sinais clínicos sejam evidentes. Algumas infecções microbianas ligeiras podem ser assintomáticas num estágio inicial de crescimento da ave e podem depois tornar-se sintomáticas se a ave é sujeita a stress por exemplo na altura do “desmame”. As crias de psitaciformes são relativamente fáceis de medicar, particularmente antes do “desmame”, e é prudente tratar e eliminar infecções leves durante a fase de crescimento, especialmente se criados à mão. A medicação é mais facilmente administrada por via oral, per os, pois as crias já estão habituadas ao procedimento de alimentação à mão. Se possível, o antibiótico deve ser administrado quando o tubo digestivo está relativamente vazio. Alimento no trato digestivo reduz a absorção da maioria dos antibióticos, bem como cálcio proveniente da dieta reduz significativamente a absorção de tetraciclinas. No entanto, alguns antibióticos per os podem causar irritação gastro intestinal local, (por exemplo: combinações de trimetoprim/sulfonamida e doxiciclina), podendo as aves regurgitar. Uma forma de contornar esta situação é a administração do fármaco com uma pequena quantidade de fórmula de alimentação à mão. Se for necessária a utilização de fármacos injetáveis, a via subcutânea deve ser a preferencial, pois as crias mais jovens tem pouca massa muscular. Para evitar infecções fúngicas
18 secundárias devem ser feitas também citologia fecal de controlo. Caso haja a presença de hifas deve ser admistrado antifúngico per os, como por exemplo Nistatina 300.000 IU/kg BID durante 5 a 10 dias, repetindo posteriormente a citologia fecal. 4.3 Estase do Papo A dificuldade em esvaziar o papo é normalmente um sinal clínico comum de patologia em aves recém-nascidas. Este problema está geralmente relacionado com colonização do intestino por leveduras ou infeção por bacterias Gram-negativas d por isso não é uma causa primária, mas a maior parte das vezes consequência de outras patologias. Muitas vezes, o alimento permanece no interior do papo demasiado tempo, fermenta e apresenta um odor característico. Etiologias de estáse do papo Corpos estranhos, infeção microbiana no papo, atonia causada por distenção, queimadura, impactação causada por alimentos fibrosos, fragmentos de alimento ou acúmulo de substrato da cama, desidratação do alimento levando à formação de um concentrado pastoso que retarda ou impede o trânsito intestinal, infecção intestinal generalizada, dilatação ventrículo, causas virais, corpos estranhos ao longo do sistema gastro intestinal, hipotermia e alimentação com papa fria. A motilidade normal do papo, livre de agentes infeciosos, não deve ser alterada pela consistência do alimento fornecido à ave. O papo deve ser examinado por palpação de uma forma cuidadosa para determinar se apresenta atonia, algum tipo de queimadura, corpo estranho ou impactação. Como exames complementares de diagnóstico temos: culturas cloacais e de papo, citologia do conteúdo do papo e das fezes, Rx ou RX contrastado, bioquímica sérica e hematologia. Um psitaciforme com problemas de estase do papo deve ser alimentado cuidadosamente, de modo a que o papo não seja sobrecarregado com alimento em excesso, mas sim com pequenas quantidades (Altman et al. 1997). Os casos de resolução mais simples são provocados por alimento que ficou desidratado no papo. Por vezes são resolvidos com a administração de água morna, com uma sonda directamente até ao papo e posterior massagem suave. Se o alimento não progride em três a cinco horas, o papo deve ser esvaziado e lavado com uma solução salina morna. A lavagem do papo pode ser feita também com chá de sementes de cominhos. Esta lavagem remove o alimento ainda exitente que está a actuar como meio de cultura para a proliferação microbiana.
19 Para a lavagem do papo devemos ter alguns aspetos em atenção: como a lubrificação prévia da sonda e o não danificar a parede do papo com a pressão negativa exercida pela seringa (Altman et al. 1997). Se a estase é causada por uma infecção microbiana (leveduras, bactérias) o tratamento é por norma eficaz e deve ser iniciado o quanto antes. O tratamento consiste em terapia antimicrobiana com antibiótico de largo espectro até que se obtenham resultados do antibiograma, correção da desidratação e das carências nutricionais. Pode ser administrados Lactobacillus para estimular a colonização e motilidade gastrointestinal (Altman et al. 1997). Protocolo de tramento para estase do papo 1. Esvaziar e lavar o papo com uma solução morna fisiológica, utilizando um tubo de alimentação. Repetir a cada seis a doze horas, se o papo não esvaziar o seu conteúdo. Muitas vezes, a administração de enzimas digestivas por via oral, é benéfica. 2. Fluídos podem ser administados subcutâneos ou intravenosos. A maioria das aves com estase de papo está desidratada e exigem administração de fluidos. Uma colheita de conteúdo do papo e posterior cultivo e antibiograma, bem como uma citologia do mesmo dão informações importante sobre os agentes microbianos que estão presentes. 3. Se há uma suspeita de infecção microbiana e ou fúngica generalizadas, está indicado iniciar o tratamento com um antibiótico de largo espectro e antifúngico. A antibioterapia injetável (IM) deve ser usada se a estase for muito grave, pois os antibióticos orais não poderiam absorvidos adequadamente. Quanto aos antifúngicos, estão indicados por via oral (per os) como por exemplo a Nistatina na dose de 300.000 IU/kg BID durante 5 a 10 dias. 4. Um estimulante da motilidade gastro intestinal como a metoclopramida pode ser administrada por via oral 0,2 a 0,4 mg/kg BID ou TID de dois a três dias. A resposta de cada organismo é bastante variável. 5. Uma vez que o papo comece a ficar vazio e que o paciente estiver estabilizado, deve começar a ser alimentado com quantidades bastante reduzidas. A fórmula deve ter consistência líquida, e de fácil digestão até que o papo esvazie normalmente. Posto isto, a fórmula deve voltar à concentração indicada pelo fabicante para que seja nutricionalmente mais adequada. Este passo é importante, pois as dietas demasidado diluídas não fornecem a nutrição suficiente para um crescimento adequado. Administração de fluídos por via subcutânea e de antibioterapia devem continuar até que a ave esteja clinicamente normal.
20 6. Se o papo está demasiado destendido ou atónico é benéfico aplicar uma banda de suporte que vai facilitar o seu esvaziamento (Altman et al. 1997), (Branson et al. 1994). Esta banda de suporte pode ser construída a partir de ligadura elástica ou de uma gola que pode ser vestida à cria e deve ser aplicada quanto o papo está cheio para ter a certeza que não é fica demasido justa. 4.4 Ingestão de corpos estranhos Os psitaciformes jovens são aves muito curiosas e por vezes ingerem corpos estranhos. O avicultor que alimenta estas aves deve ser muito selectivo nos objectos que coloca ao alcance das aves. Se a cria ingere um objecto e este está localizado no papo, a ave deve ser tratada imediatamente, prevenindo assim que o objecto entre para o proventrículo pois é mais fácil a sua remoção do papo do que do proventrículo. Em algumas aves, os objectos conseguem ser manipulados externamente pelo Médico Veterinário até ao esófago para depois serem retirados pela cavidade oral com uma pinça. Pode ser necessária a introdução de uma pinça até ao papo com ou sem ajuda de um endoscópio. No caso de nenhuma destas abordagens ser possível, pode ser necessária uma ingluviotomia. Objectos no proventrículo e ventrículo podem ser tolerados por um longo período, mas devem ser removidos pois podem ulcerar as cavidades gástricas ou ser tóxicos quando digeridos. Os corpos estranhos nesta zona podem ser removidos por endoscopia com a ajuda de uma canal de trabalho e pinças de biópsia. O acesso teria que ser por ingluviotomia, com a utilização de injecção de ar para poder dilatar ligeiramente o aparelho digestivo. 4.4 Desvio lateral da maxila Desvio lateral do bico superior é mais frequentemente diagnosticado em araras, (Branson et al.1994) mas também ocorre noutros psitaciformes. Na maior parte dos casos, esse desvio não interfere na alimentação do animal quando adulto, mas é um problema estético bastante relevante e muito frequente. A etiologia é desconhecida e pode ser multifatorial. Desde a diminuição ou desequilíbrio de cálcio na dieta, doenças virais, trauma, a pressão aplicada pelo avicultor quando alimenta a cria à mão, alterações na oclusão da superfície mandibular (Branson et al. 1994) e pela abordagem constante pelo mesmo lado da cavidade oral para alimentar a ave (Altman et al. 1997). O reconhecimento precoce do início do desvio é fundamental para uma correção fácil e bemsucedida.
21 Diferenças na altura das superfícies oclusão da mandíbula, devem ser corrigidas aplicando pressão digital no bico duas a quatro vezes por dia para voltar a colocar esta estrutura na posição corecta (Branson et al. 1994) (Altman et al. 1997). Se o bico já está calcificado e/ou se o tratamento conservador falha, pode ser tentada a colocação de um ponto de fixação na mandíbula, como malha de aço inoxidável e compósito de acrílico e, assim, travar o desvio da maxila ou bico superior, aplicando uma pressão constante que levará o bico à sua posição original (Branson et al. 1994) (Altman et al. 1997). Este dispositivo deve ser deixado no local por uma a doze semanas, dependendo da idade do animal e da gravidade do defeito (Branson et al. 1994). 4.5 Deformação por compressão da mandíbula Esta deformação ocorre com muita frequência em psitaciformes criados à mão. O avicultor ao alimentar a ave comprime as faces laterais da parte inferior do bico devido à forma como contém a ave durante este processo de alimentação. Se esta deformação for observada antes que o bico calcifique, pode ser corrigida pela aparação corretiva das paredes laterais do bico inferior. Uma vez que o bico calcifique, é de difícil reparação. 5. Protocolo Baby Station Loro Parque 5.1 Incubadoras Humidade A humidade relativa dentro incubadora deve estar sempre acima dos 50 % a 60 %. Para aumentar a humidade relativa do ar numa incubadora deve ser colocada uma taça com água dentro da incubadora e certificar-se que o reservatório da incubadora, próprio para o efeito, se encontra também com água. Para diminuir a humidade, remover a taça de água ou deixar por alguns momentos a porta da incubadora ligeiramente aberta. Todas as incubadoras devem conter dentro um higrómetro e um termómetro (idealmente de mercúrio). Os Pionites devem ser mantidos entre 80 % – 90 % de humidade relativa, durante as primeiras 3 semanas de vida. Temperatura Todas as incubadoras devem conter dentro um termómetro (idealmente de mercúrio) e as temperaturas mantidas dentro dos valores recomendados (ver tabela 1 abaixo).
28 Existência de várias salas para criação à mão: (1) aves valiosas e/ou em perigo de extinção, (2) animais provenientes de ovos chocados e nascidos no ninho, (3) animais chocados e nascidos artificialmente, (4) salas de isolamento no caso de haver uma patologia infeciosa ou surto. Controlo adequado de temperatura e humidade nas salas da maternidade. Locais para lavagem das mãos dispersos pela maternidade. Zona limpa em cada sala para preparação de papas. Zona suja estanque para lavagem e desinfeção de todo o material (máquina de lavar louça e um pequeno autoclave). Cobertura ou pintura das paredes com uma superfície lavável e de alta resistência, não porosa que possa ser facilmente desinfetada Criação e manutenção de uma organização das salas que permita limpeza eficiente. Exitência de um plano de ação e evacuação em caso de falha energética com recurso a alarme e gerador. Afixação das diversas tabelas presentes em anexos no Protocolo nas diferentes zonas da maternidade, havendo uma referência para os Médicos Veterinários e restantes trabalhadores da maternidade, durante o cuidado aos neonatos. Utilização de seringas reutilizáveis e procedimentos corretos para a sua limpeza e desinfeção. Formação permanente do pessoal que trabalha na maternidade do Loro Parque, bem como o acompanhamento diário por um supervisor dedicado em exclusivo à Baby Station. A maternidade deve ser separada de qualquer contato com aves adultas. As rotinas diárias são importantes, especialmente quando o tempo é reduzido para realizar cada tarefa. Boas práticas estabelecidas de uma forma rotineira vão melhorar a eficiência, mas não substituem a necessidade de cada membro da equipa pensar sempre cuidadosamente “o quê” e “o porquê” de como cada tarefa deve ser realizada. 7 Conclusão A realização deste estágio na Clinica Veterinária do Loro Parque foi a realização de um sonho há muito desejado e que veio exceder as minhas melhores expetactivas.
29 Tive a oportunidade de, para além de trabalhar diariamente com milhares de aves, realizando Medicina de Urgência e Cirurgia de tecidos moles, e realização de endoscopia como meio auxiliar de diagnóstico para sexagem de aves. Tive ainda a oportunidade de trabalhar na Baby Station do Loro Parque, onde tive o privilégio de, ao longo de 4 meses acompanhar o crescimento diário e a prestação de assistência veterinária às centenas de crias de psitaciformes que por lá foram alimentadas. Para além disso, tive a oportunidade de fazer exames de estado geral e alguns testes de diagnóstico a toda a coleção, exame este que é realizado uma vez por ano a todas as aves do Loro Parque Fundación: mais de 5000 mil aves, na base de um protocolo implementado anualmente de verificação do estado hígio-sanitário de toda a colecção. Para além da Medicina Aviária tive a oportunidade de prestar cuidados Médico Veterinários diários a todos os animais do zoo, Pinguinário e Aquário: entre eles acompanhamento diário dos mamíferos marinhos: Orcinus orca, Zalophus californianus,Tursiops truncatus. Várias espécies de pinguins e acompanhar a sua reprodução (Spheniscus humboldtii, Aptenodytes patagonicus, Eudyptes chysocome, Pygoscelis antarcticus, Pygoscelis papua). Mamíferos terrestres tais como: Gorilla gorila, Pan troglodytes, Panthera tigris, Panthera onca, Choloepus didactylus, Suricata suricatta, sua anesteia e cirurgia, bem como o seguimento diário de todo o aquário e sua quarentena e detecção e tratamento das principais patologias piscículas. O Estágio Final veio assim despertar ainda mais a minha paixão pelos Psitaciformes e com a realização deste trabalho, explorar alguma da investigação científica que se faz nesta área, desenvolvendo vontade de contribuir para alguns dos campos e temas ainda quase inexplorados cientificamente, dando-me assim alento para iniciar a pesquisa e desenvolvimento de alguns temas relacionados com os psitaciformes em parceria com o Loro Parque Fundación. Bibliografia Abramson J., Thomen J.B., Speer B.L. (1995) "The Nursery" in The large macaws : their care, breeding and conservation,1ªed., Fort Bragg, 186-235 Altman R., Club .L., Dorrestein G.M., Quesenberry K. (1997)"Psittacine Pediatric Husbandry and Medicine" in Avian Medicine and Surgery, 1ªed., Saunders, 73-95 Barros Y.M., Soye Y. (2012)"Plano de ação Nacional para a conservação da ararinha azul Cyanopsitta spixii”, Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Branson W. R., Harrison G.R., Harrison L.R. (1994 ) “Neonatology” in Avian Medicine Principles and Application, 1ª ed., Wingers Publishing, 805-838
30 Carciofi A.C., Sanfilippo L.C., Oliveira L.D., Amaral P.P., Prada F. (2008) "Protein requirements for Blue-fronted Amazon (Amazona aestiva) growth" in Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition 92 363-368. Cornejo J., Clubb S. (2005) “Analysis of the maintenance diet offered to lories and lorikeets at Loro Parque Fundación, Tenerife.” in International Zoo Yearbook 39, 85-98. Cornejo J., Dierenfeld E.S., Bailey C.A., Brightsmith D.J. (2013) “Nutritional and Physical Characteristics of Commercial Hand‐Feeding Formulas for Parrots.” In Zoo Biology 32, 469475. Gallagher A., Loughlin K. (2013) “http://www.brisbanebirdvet.com.au/.” Brisbane Bird Vet.. (acedido em 10 de Dezembro de 2013). Low, R. (1990) “Hand rearing” in Macaw: a complete guide, 1ªed, Merehurst, 65-78 Reillo P.R., Durand S., Burton M. (2011 ) "First captative Breeding of the Imperial Parrot (Amazona imperialis)" in Zoo Biology 30, 328-341. Romagnano, A. (2005)."Reproduction and Paediatrics" in Manual of Psitacine Birds Editado por Chitty J. Harcourt-Brown N., British Small Animal Veterinary Association, 2ª ed., 222-233 Sweeney, R. G. (2000) “Husbandry, breeding and hand-rearing of Salmon-crested cokatoo at Loro Parque Fundacion, Puerto de la Cruz.” in International Zoo Yearbook 37, 137-146. Tschusdin A, Rettmer H., Waton H., Clauss M., Hammer S.( 2010) “Evaluation of hand-Rearing Records for Spix’s macaw Cyanopsitta spixii at the AlWabra Wildlife Preservation from 2005 to 2007” in International Zoo Yearbook 44, 201-211. White N., Phillips M.J., Gilbert, M.T.P., Núnez A.A., Willerlev E. (2011) “The evolutionary history of cockatoos (Aves Psitaciformes: Cacatuidae).” in Elsevier - Molecular Phylogenetics and Evolution, 1-8.
31 Anexo I – Tabelas para consulta Estado de desenvolvimento aproximado Temperatura da incubadora Psitaciformes recém-nascidos 33.3 ºC - 34.4 ºC Crias sem penas 32.2 ºC - 33.3 ºC Crias com alguns folículos de penas 29.4 ºC - 32.2 ºC Crias emplumadas totalmente 23.8 °C - 26.6 °C Crias desmamadas 20 ºC - 23.8 ºC Tabela 1-Variação da Temperatura ambiente para a maioria das espécies de psitacídeos mediante o seu desenvolvimento. Idade dos recém-nascidos (dias) Temperatura (ºC) 1 a 3 36ºC 4 a 14 33ºC 14 ao aparecimento de folículo das penas 30ºC Abertura dos folículos da penas 28ºC Emplumado Temperatura da sala Tabela 2-Temperaturas usadas na Baby Station Loro Parque Valor nutricional KT A19 A21 Proteína bruta 19 % 19 % 21 % Gordura bruta 13 % 12 % 8 % Fibra bruta 5 % 3 % 3 % Cinza bruta 7 % 6 % 6 % Tabela 3Fórmulas comerciais mais utilizadas na Baby Station do Loro Parque: KT,Kaytee macaw exact hand feeding formula®; A19, Nutribird A19®; A21, Nutribird A21®.
32 Estádo de desenvolvimento da ave em dias de vida Nº de refeições por dia Intervalo (horas) entre refeiçõs 1 a 5 Mínimo 8 1 a 2.5 5 Mínimo 7 2.5 6 Mínimo 7 3 10 a 20 Mínimo 6 3 20 a 29 Mínimo 5 3 30 ao aparecimento dos folículos das penas Mínimo 4 6 Foliculos das penas abertos Mínimo 3 8 Começam a comer 2 12 Comem bem sozinhos Máximo 1 Fím do dia Tabela 4-Regime anteriormente usado para a alimentação no Loro Parque, tabela representa a idade e número de tomas por dia de fórmula de alimentação à mão. Idade Nº de tomas por dia de fórmula 12 h após o nascimento Cada 2 horas, até 10 vezes por dia 2 a 4 dias 6 vezes por dia Dia 5 a 6 5 vezes por dia Dia 7 a 24 4 vezes por dia Dia 25 a 55 3 vezes por dia Dia 56 a 101 2vezes por dia Dia 101 ao “desmame” (124 dias) 1 vez por dia Tabela 5-Regime de alimentação à mão de arara de spix, Cyanopsitta spixii, nascidas em Al Wabra Wildlife Preservation (Tschusdin et al 2010). Tabela 6-Preparação de alimento de criação à mão e frequência de alimentação por dias de vida, retirado das guidlines de alimentação para cacatua molucensis. Idade (dias) % sólidos /dieta Nº de alimentações/dia 1 10 10 2 12 10 3 15 10 4 18 10 5 20 10 6 23 8 7 a 14 25 7 a 8 14 a 21 25 7 28 a 35 25 5 35 a 42 25 4 42 a 49 25 2 a 3 49 a 77 25 2 77 a +100 25 1
33 Fórmulas de alimentação à mão % de sólidos 1 semana de vida % de sólidos 6 semanas de vida Hagen Tropican Breeding Mash B 2262 ® 20 20 Harrison’s Birds Foodsb Neonate formula ® 23 - Harrison’s Birds Foodsb Juvenile formula ® 23 33 Kaytee Exact Hand‐Feeding Formula—Macaw ® 27,5 30 Kayteec Exact Hand‐Feeding Baby Bird ® 27,5 30 LafeberCompanyd Nutri‐Start Baby Bird Formula ® 25 25 Scenic Bird Food High Energy Hand‐Feeding ® 25 25 Mazurif Hand‐Feeding formula 5d1w ® 10 30 Mazurif Hand‐Feeding formula 5TMX ® 10 30 Pretty bird handrearing 19/15 ® 20 30 Pretty birds handrearing 19/8 ® 20 28 Roudybushh Formula 3/Optimum Handfeeding Diet ® 10 30 Ziegler Brosi Hand‐feeding formula ® 30 40 ZuPreem Embrace Plus ® 25 33 ZuPreemj Embrace Hand‐Feeding Formula ® 25 33 Tabela 7Percentagens de sólidos recomendada pelas marcas de fórmulas comercias de criação à mão (Cornejo et al. 2013). Espécies Anodorhynchus hyacinthinus Ara chloroptera Ara macao Ara ambiguus Ara militaris Ara ararauna Abertura dos olhos (dias) 10-18 d 10-20 d 12-19 d 12-16 d 12-16 d 9-16 d Idade à anilhagem (dias) 15-24 d 11-22 d 12-21 d 17-20 d 14-19 d 12-20 d Peso à anilhagem (gramas) 285-384 g 282-468 g 224-385 g 350-468 g 276-316 g 224-406 g Pico de peso (gramas) 1435-1695 g 1230-1708 g 1010-1490 g 1265-1430 g 972-1118 g 1140-1380 g Idade ao pico de peso (dias) 58-81 d 51-73 d 47-66 d 48-60 d 44-55 d 47-61 d Início de fornecimento de alimento sólido 57-80 d 52-71 d 49-63 d 58-62 d 52-61 d 51-64 d Idade para fornecimento de um poleiro 71-88 d 56-81 d 54-72 d 64-69 d 62-70 d 59-76 d Primeiro voo 93-107 d 78-93 d 75-88 d 78-82 d 75-81 d 73-90 d Independência 141-182 d 102-121 d 85-117 d 110-127 d 85-111 d 90-124 d Tabela 8Representação dos diferentes estádios de desenvolvimento das principais espécies de araras de grande porte (Abramson et al 1995).
34 Tabela 9representação das variações de peso que foram obtidos a partir dos registros de ganho de peso das aves criadas à mão da eclosão até o desme. Os dados deste quadro deve ser combinados com a observação da conformação e da condição física da cria antes de decidir se um indivíduo está abaixo da média do crescimento previsto para a espécie. Todos os pesos são fornecidos em grama (Branson et al. 1994). Idade (dias) 0 3 7 14 21 28 35 42 49 Adulto N.hollandicus 4-6 5-6 12-14 45-65 72-108 80-120 80-90 80-95 90-110 90-110 Garuba garouba 7-11 10-12 12-23 20-25 30-100 45-150 90-240 125-270 180-310 262 A.viridigenalis 10-14 15-22 30-50 90-135 200-250 225-310 280-350 290-350 **** 360 Amazona finchi 11-13 15-20 25-35 75-140 160-240 250-300 300-350 310-350 *** 360 Amazona aestiva 14-17 20-25 35-60 100-170 240-280 280-370 350-420 380-440 380-430 432 Amazona oratrix 12-21 16-30 25-50 75-200 140-300 230-450 270-580 310-560 380-565 568 A. ochrocephala 12-15 15-33 25-55 70-170 175-260 250-360 350-440 400-480 **** 500 A.auropalliata 11-18 16-35 28-75 60-200 170-360 275-500 420-600 500-650 500-650 596 Ecletus spp. 12-20 16-35 23-60 60-150 110-240 190-350 260-440 300-450 320-480 432 Psittacus erithacus 11-17 15-21 25-40 70-120 135-250 240-335 300-440 380-470 435-500 554 C.haematuropygia 11 16-20 25-30 70-100 145-200 230-280 250-300 275-350 230-350 298 C.s.citrinocristata 12-15 15-23 26-84 78-144 148-265 208-366 292-430 319-445 320-464 357 Cacatua sanguinea 8-14 11-35 16-70 48-170 99-308 167-363 238-415 283-410 289-415 375 Cacatua goffini 8-11 10-15 20-45 70-100 125-240 175-275 220-325 250-350 250-350 255 Cacatua sulphurea 8-15 12-22 25-60 65-120 140-250 225-320 280-340 315-380 320-410 450 Eolophus roeicapilla 7-12 10-17 14-40 35-100 70-200 115-300 175-370 220-400 240-423 403 Cacatua galerita 12-15 18-25 35-70 65-140 160-250 240-350 340-450 400-525 450-550 465 L. leadbeateri 9-13 13-22 25-55 65-140 140-220 210-300 270-375 290-450 340-500 423 Cacatua alba 12-20 15-20 25-55 55-130 170-300 280-400 350-530 450-600 500-725 577 C. galerita triton 11-19 15-30 30-70 75-150 200-325 290-475 400-650 450-750 490-800 643 C. moluccensis 16-22 21-30 35-55 90-170 190-300 330-450 470-650 600-750 680-825 853 C. galerita galerita 16-20 18-35 35-80 90-170 220-330 370-525 450-625 500-725 550-880 843 Primolius auricollis 9-15 12-20 25-35 100-200 110-160 190-240 230-280 250-290 270-300 250 Ara rubrogenys 12-16 18-25 25-45 60-90 140-250 230-360 330-470 405-530 465-580 490 Ara glaucogularis 14-22 19-25 30-45 70-130 165-250 275-420 420-600 520-725 600-800 752 Ara militaris 17-26 24-45 35-170 70-120 220-425 360-650 500-800 600-950 680-1050 925
35 Agapornis pullarius A21 + Proteina Agapornis spp A21 Alipiopsitta xanthops A21 Alisterus spp A21 Amazona spp A21 Anodorhynchus spp A19E + Macadamia Aprosmictus spp A21 Ara a ambiguus & A chloroptera A19E Ara ararauna, A militaris, A macao, A glaucogularis, A severus A19E/A19 Ara rubrogenys A19E(7d) A19 Aratinga (grande): A acuticaudata, A auricapillus, A jandaya, A mitrata, A frontata A19 Aratinga (pequneno): A aurea, A canicularis, A cactorum, A pertinax, A nana A21 Barnadius spp A21 Bolborhynchus spp A21 Brotogeris spp A21 Cacatua ducorpsii, C sanguinea, C goffinianus, C haematoropygia A19E(7d) A21 Cacatua moluccensis A19E/Kaytee 1:1 Cacatua ssp A21/Kaytee 1:1 Callocephalon fimbriatum A21/Kaytee 1:1 Calyptorhynchus spp. A21 Chalcopsitta spp. Lori or A21/dextrose Charmosyna spp. Lori or A21/dextrose Coracopsis spp. A21 Cyanoliseus patagonus ssp A21 Cyanopsitta spixii A21 Cyanoramphus spp. A21 Cyclopsitta spp. Lori or A21/dextrose Deroptyus accipitrinus ssp A21 Diopsittaca nobilis ssp A21 Eclectus roratus ssp A21 Enicognathus spp A21 Eolophus roseicapilla A21/Kaytee 1:1 Eos spp Lori or A21/dextrose Eunymphicus spp A21 Forpus spp A21 Glossopsitta concinna Lori or A21/dextrose Graydidascalus brachyurus A21 Guarouba guarouba A19E(10d) A19 Lathamus discolor A21 Loriculus spp Lori or A21/dextrose Lorius spp Lori or A21/dextrose Melopsittacus undulatus A21 Myiopsitta monachus A21 Nandayus nenday A21 Neophema spp A21 Neopsephotus bourkii A21 Neopsittacus spp Lori or A21/dextrose Nestor notabilis A21 Northiella haematogaster ssp A21 Nymphicus hollandicus A21/Kaytee 1:1 Oreopsittacus arfaki major Lori or A21/dextrose Orthopsittaca manilata A21 Phigys solitarius Lori or A21/dextrose Pionites spp A21/dext (10d) A21 Pionopsitta pileata A21/dext (10d) A21 Pionus spp A21/dext (10d) A21 Platycercus spp A21 Poicephalus spp A21
36 Polytelis spp A21 Primolius spp A19 Probosciger aterrimus ssp Especial Palmera Prosopeia spp A21 Psephotus spp A21 Pseudeos fuscata Lori or A21/dextrose Psittacula spp A21 Psittaculirostris spp Lori or A21/dextrose Psittacus spp A21 Psitteuteles spp Lori or A21/dextrose Psittinus cyanurus Lori or A21/dextrose Psittrichas fulgidus A21/dextrose/Papaya Purpureicephalus spurius A21 Pyrrhura spp A21 Rhynchopsitta spp A21 Tanygnathus spp A21 Trichoglossus spp Lori or A21/dextrose Triclaria malachitacea A21 Vini australis Lori or A21/dextrose Tabela 10 - Fórmulas de alimentação à mão Verse-laga®/Kaytee® para os diferentes Psitaciformes Tabela 11 – Tabela de desinfetantes Desinfetante Concentração Lavagem de seringas, tubos de alimentação Lavagem de contentores, jaulas Incubadoras superfícies Pedilúvio Lavagem de solo Desinchlor®Mês:1/4/7 /10 10 ml / litro de água X F-10®Mês: 2/5/8/11 4 ml / litro de água X X X Virkon®Mês: 3/6/9/12 5 g / litro de água X X Anios d.d.s.h® Pronto a utilizar X Anioxy-spray WS® Pronto a utilizar X Hexanios G+R ® Bomba doseadora X Hipoclorito de sódio® 200ml/5000ml água X Surfanios® Bomba doseadora X
37 Anexo II – Fotografias Baby Station Fotografia 1 – Crias de Kea (Nestor notabilis) Crias de Kea (Nestor notabilis) Fotografia 2 – Incubadoras na Baby Station Fotografia 3 - Calyptorhynchus funereus em fase de “desmame Fotografia 4 – Alimentação à mão de Arara macao (Ara macao). Fotografia 5 – Cria de Papagaio cinzento (Psittacus erithacus) com 3 dias de vida. Arara macao (Ara macao).