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Arte e utopia: a condição im-possível do exílio

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Arte e utopia: a condição im-possível do exílio

Author: Fernando José Pereira
Year: 2002
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/64506/2/46619.pdf
A e e u opia: a condição im-possí el do exílio
Fe nando José Pe ei a
(Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o)
PEREIRA, Fe nando José – A e e u opia: a condição impossí el do exílio. E- opia: Re is a
Ele ónica de Es udos sob e U opia. Po o. ISSN 1645-958X. Nº 2 (2004). Disponí el em:
h p://www.le as.up.p /upi/u opiaspo uguesas/e- opia/ e is a.h m
A a ual p odução a ís ica, a chamada a e con empo ânea, deba e-se com
p oblemas de undo que lhe ad êm do seu es ado de in e io idade compulsi a.
As al e ações in oduzidas pelo ala gamen o e i o ial ap esen a am-se,
ambém, p opícias a uma quase o al des igu ação das p emissas
essencialis as de ul apassagem espacial – a amosa noção de “expanded
ield” a ançada a pa i dos anos sessen a encon a-se ago a ins i ucionalizada
na p á ica “no malizada” da ins alação. A cumplicidade hoje exis en e en e as
á ias componen es iden i icado as da ins i uição a ís ica e os mecanismos de
socialização do sensí el pe mi e econhece a a ualidade como p a icamen e
isen a da po encialidade desejan e da u opia. O p agma ismo dos ní eis de
audiência, a co ida desen eada pela espe acula idade e sucesso mediá ico, e,
inalmen e, a ideia de que a plu alidade é o egis o da ausência da ideia
angua dis a, po enciam uma espécie de apo ia que se apode a das si uações
o nando-as pe igosamen e ac í icas e inócuas. O egis o desejan e e u ópico
pa ece a as ado pa a p emissas empo ais passadas. O que undamen almen e
nos in e essa é ques iona ou, pelo menos, p ocede à en a i a de
iden i icação des a cons a ação. In enciona e en ende os po quês de uma
apa ia doen ia. O “algo que al a” a que se e e ia E ns Bloch e que po encia o
desejo pa ece e sido subs i uído pela apo ia, aquela espécie de con ingência
que impossibili a a possibilidade e é, cu iosamen e, acei e de o ma olun á ia.
A ideia de que a u opia e odos os seus desen ol imen os passados se
ap esen am como essência do p oblema, is o é, a noção gene alis a de que os
desen ol imen os angua dis as es abelecem um pa alelismo cla o com as
p á icas u ópicas e o ali á ias do séc. XX— eja-se A hu C. Dan o — e ela-
se, an es de mais, como uma o ma simpli icada de soluciona o p oblema.
Pa a nós a solução encon a-se numa desmon agem mais ap o undada da
ques ão u ópica e, al ez aí, se encon e uma p oposição desejan e que
pe mi a a ein odução das suas p emissas nas es u u as de pensamen o
a ís ico con empo âneo.
Diz, com a i onia que o ca ac e iza, Luís Cas o Noguei a: “É no ó io que não
enha ha ido a é ago a nenhuma u opia que seja das azões mas apenas da
Razão.” (Noguei a, 1986: 70 – adução minha) O que es e eó ico espanhol
es á a e e i com cla eza é a pe manência, quase absolu a, no pensamen o
u ópico de uma adição iluminis a que ope a no seio da Razão. O que pa ece
se apenas uma ques ão linguís ica e ela-se, con udo, bem mais complexa.
Classicamen e as ideias de u opias êm sido imaginadas como ilhas, encla es
ou colónias: espaços delimi ados (Ande son 2004) mas que êm a
pa icula idade de se ex e io es. O que aze em época de in e io idade
compulsi a? Pa ece se já um luga -comum a ideia p agmá ica e
apa en emen e dis ópica de que nada é possí el aze . Dizia-nos Jean F ançois
Lyo a d, há já uns anos a ás, que o capi alismo não e a in odu í el no seu
esquema de alência das g andes na a i as exa amen e po se ap esen a
como algo ine en e à condição humana. As si uações en e an o c iadas
pude am se es emunhas de um echamen o e olu i o po enciado pela sua
pa adoxal expansibilidade. O p ognós ico ma xis a de que o capi al en a ia em
c ise quando se depa asse com a sua impossibilidade expansi a aí es á pa a o
p o a .
Pa eciam e passado os dias das con ulsões sociais, dos an agonismos
iolen os, Fukuyama a icinou o inal da His ó ia. Mas cedo se a ependeu. Os
acon ecimen os ecen es unda am uma no a ase que se ca ac e iza po um
ealinhamen o es a égico das a iadas oposições em jogo. Uma coisa é,
con udo, ce a: a mode nidade cons i ui-se, como a i ma o sociólogo polaco
Bauman, como undamen almen e líquida, is o é, não adap á el a esquemas
ígidos de pensamen o ideológico e, pelo con á io, de uma g ande
pe meabilidade a odas as es u u as de pene ação, ago a, endógenas. A c ise
do capi alismo a dio mani es a-se nes a al a de se mani es a . Apa en emen e
as ques ões são semp e ou as.
Encon amos, en ão, uma si uação de ilusó io apaziguamen o, aquela acalmia
a que se e e e F ed ic Jameson no seu ex o in insecamen e dedicado à
ques ão da u opia e assim designado. Re e e-se o au o ame icano a es es
pe íodos como aqueles em que as po encialidades do pensamen o u ópico se
desen ol e se encon am mais sensí eis. Tal ez o nosso empo e o nosso
espaço es ejam em condições p opícias pa a a p odução des es pensamen os.
É o mesmo au o que e e e: “Já suge i que o pensamen o da o alidade – o
sen imen o u gen e da p esença em nosso edo de algum sis ema globalizan e
que ao menos possamos nomea – em o bene ício palpá el de nos ob iga a
concebe , pelo menos, a possibilidade de sis emas al e na i os, algo que ago a
podemos iden i ica como o nosso elho amigo: o pensamen o u ópico.”
(Jameson 2000: 70 – adução minha)
Se as possibilidades de dis anciamen o ex e io se quedam, en ão, pela
impossibilidade, elegemos a possibilidade do desejo como única o ma de
con inua a man e dis anciamen o da condição apo é ica da apa ia.
P opomos, en ão, uma posição de ques ionamen o do p oblema da u opia.
Como a ás imos, es e não é de ácil esolução, posicionando-se como uma
das noções que a u am a sociedade - daí que exis a, ambém, uma
necessidade de explici ação daquilo que p e endemos ao con oca al noção.
An es de mais, é necessá io que se escla eça o equí oco que po oa, an as
ezes, o imaginá io social quan o à exis ência de uma an inomia en e u opia e
dis opia, que pode á co po iza um des io ela i amen e à oposição que nos
in e essa oca : u opia s. apo ia. São noções que não se a i mam como pólos
de uma mesma condição. Colocam-se, an es, na mesma linha de
dis anciamen o que Deleuze p opõe, no seu li o sob e Sade e Masoch, pa a a
p e ensa elação en e as duas noções.
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To na-se necessá ia es a dis inção en e u opia e dis opia, po se ,
e adamen e en endida, como uma oposição que se a i ma, inclusi e, no
âmbi o do polí ico. O a al, e e i amen e, não acon ece.
A g ande di e ença e a o de dis anciamen o exis en e en e a noção de u opia
e dis opia p ende-se com o ca á e não na a i o da p imei a, aqui sim, opos o
à opção na a i a da segunda. A u opia undamen a-se em mecanismos de
cons ução dos desejos de libe dade – em seu nome an os c imes o am,
en e an o, come idos. O mecanismo con igu a, de ce a o ma, a on e
ope a i a do o ali a ismo, eja-se Ka ka, po exemplo – que se a as a de
con igu ações na a i as de p og amas isí eis a cu o p azo. O que, aliás, az
a noção de dis opia ao p omo e na a i as de ca ás o es, inibido as do desejo
de mudança.
P e endemos p o a a não oposição en e as duas noções po dis anciamen o
de posições, o que implica, an es de mais, uma e isão dos an agonismos
semp e necessá ios à sua exis ência. Nes e momen o in e essa-nos a
de e minação da alidade da u opia en e à apo ia, uma ez que es a se a i ma
de o ma angí el como oposição e dadei a àquela.
Si uamos a u opia no campo das possibilidades em abe o pelo desejo. Ao
p ocede des a o ma es amos a encaminha a nossa a gumen ação pa a o
campo da psicanálise. Aqui, a ques ão da u opia é necessa iamen e olhada de
uma pe spe i a di e en e que, con udo, nos in e essa.
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P o a, o au o ancês, que não exis e qualque elação en e uma condição e a ou a. Aliás nas úl imas
linhas do seu ex o edi ica onze p oposições pa a p o a a inexis ência daquilo que denomina o mons o
semiológico do sado-masoquismo (Deleuze, 1967).
Pa a a isão psicanalí ica, nomeadamen e a isão lacaniana, a elação que é
possí el es abelece com a u opia é impossí el. Exis em demasiadas
condicionan es que não pe mi em a sua adoção. A ques ão cen al le an ada
po es a ciência p ende-se, não com a hipó ese u ópica, mas an es, com o seu
po encial esul ado. Têm do seu lado a iados exemplos his ó icos que
con i mam a endência que o pensamen o u ópico – aquele que se liga à Razão
– em pa a a p odução de sis emas o ali á ios de pensamen o, e po enciam,
nos ac os, a cons ução de uma eo ia que se opõe, po comple o, ao modelo
único de pensamen o. Mas não que dize que a opção seja ealizada em o no
do modelo apo é ico. Pelo con á io, exis e pa a a escola de pensamen o
lacaniano a cons a ação da apo ia como causa di e a da si uação de apa ia e
p esen e pe pé uo em que nos encon amos.
O que nos p opõem é, an es, uma eo ia que pelas suas especi icidades se
ap esen a como pós-u ópica. O que isso signi ica é o que e emos
seguidamen e.
Lacan en endia a noção de u opia como uma di iculdade que, pelas suas
implicações sociais, se ap esen a a como uma mui o p oblemá ica á ea.
Segundo a isão que a psicanálise nos p opõe, exis em algumas p emissas
undamen ais pa a que es ejam c iadas as condições de apa ecimen o do que
designa po sonho u ópico. A p incipal delas é a ins abilidade social que, a
pa i da sua insu gência po encia o con li o e, como al, o an agonismo. Su ge,
en ão, a necessidade de ul apassagem da con ingência e a u opia ap esen a-
se como solução. Simplesmen e, na isão lacaniana, a u opia, que como imos
se ge a no in e io do con li o, p oduz semp e o seu nega i o que se ap esen a
como elemen o pe u bado e, como al, necessa iamen e al o de eliminação.
Daí a consag ação de odos os p e ensos sonhos u ópicos que são conhecidos
e o nados ealidade – nazismo e es alinismo co po izam es a e en e no
século XX – pela eliminação do an agonismo.
O a gumen o psicanalí ico é iniciado a pa i da cons a ação de que só exis e
an asia de ido a uma deslocação eal da si uação de an agonismo p oje ada
em e mos sociais: “Fan asy nega es he eal by p omising o ‘ ealise i ’, by
p omising o close he gap be ween he eal and eali y, by ep essing he
discu si e na u e o eali y’s p oduc ion.”(S a akakis, 1999: 107)
É sabido que pa a Lacan o eal é o impossí el, daí que a enunciação, mesmo
que an asiosa, da sua ealização, apa eça aos seus olhos p oblemá ica. Ou
seja, pa a Lacan a impossibilidade é a a i mação do polí ico. Essa
impossibilidade co po iza-se em sis emas que e i am a an asia. Teo icamen e
a democ acia, mas ambém, pe igosamen e, o p agma ismo libe al. A
a gumen ação de De ida em o no da ideia de impossibilidade em coloca
algo de no o nes a p oposição lacaniana. Pa a o au o ancês a
impossibilidade ap esen a-se, ambém, como pon o de pa ida, nomeadamen e,
do polí ico. Mas em la i udes di e gen es, aqui a impossibilidade ab e a
hipó ese de possibilidade. O que es a p opos a que in oduzi na sua
in encionalidade descons u i a é a ca ga desejan e que a nega i idade do
impossí el inc emen a. A al e ação lexical pa a im-possí el ans igu a-a em
posi i idade. Ao con á io da apo ia, a condição desejan e da u opia in oduz a
dualidade cons i u i a de im-possibilidade da possibilidade. Po ce o um
desa io, de ce eza uma condição necessa iamen e expe imen al. Uma
con ingência de p oximidade en e as p á icas a ís icas e o pensamen o
polí ico con empo âneos.
A a gumen ação psicanalí ica ap esen a-se, apa en emen e, como opos a à
p oposição de Jameson. Se os p imei os êm o con li o e o an agonismo como
on e essencialis a da ideia u ópica já o segundo nos a isa da sua ma u ação
em pe íodos de acalmia polí ica. Em nosso en ende ambas as posições
con ibuem pa a a desmon agem con empo ânea des a noção. A g ande
di e ença en e as duas p opos as encon a-se na sua condição de iabilidade.
A escola lacaniana p eocupa-se es i amen e com os esul ados e em do seu
lado, como e i icámos, odo o manancial de acon ecimen os que po oa am
d ama icamen e o século XX. Jameson p opõe, apenas a possibilidade
desejan e. Não como enunciação de solução mas, an es, como hipó ese em
abe o. De e e e i -se, ambém a es e p opósi o, o excelen e con ibu o
o necido pela dupla de in es igado es polí icos Chan al Mou e e E nes o
Laclau em o no da sua noção de democ acia adical. Uma po enciação da
incomple ude do sis ema democ á ico a a és da exal ação da condição
an agonis a como essência sis emá ica.
Os ac os ap esen ados como esul ados dos sonhos u ópicos podem se
con es ados, à luz da noção que de endemos. Mais uma ez, a ques ão cen al
da p e ensa con usão exis en e en e os p odu os a ibuídos ao sonho u ópico
passa pela a gumen ação e ada da noção de o alidade. Es a oi semp e
ap esen ada como esul ado comple o de uma necessidade de ha monia
cole i a. Aqui se encon a o p oblema, pois não exis e qualque possibilidade
de ha monia cole i a, po á ias azões, que ão desde a ca ac e ís ica
humana pa a o an agonismo e a di e ença, a é à sua necessá ia ep essão e
eliminação. Con udo, de em pode coexis i possibilidades — e es a é, como
emos indo a insis i , a pala a undamen al – de o ganiza o sonho u ópico
o a do cen alismo o alizado e que man enham uma elação com a noção de
o alidade que as dis ancie da an e io . A noção de di e ença, como co olá io da
subs i uição do cen alismo, p opõe uma elação não quan i a i a com a
ealidade po enciado a do an agonismo. A opção passa, en ão, pela
cons i uição de pequenos g upos que p oduzem uma iden idade p óp ia
baseada na sua di e ença, mas que logo se ans o ma, no amen e, po

a i mação sepa a is a em ou a iden idade, is o é, em di e ença. O p oblema
man ém-se nas dualidades que se e e em mu uamen e. O caso mais ex emo
da dualidade es a á, cu iosamen e, na ace do p óp io capi alismo a dio e da
sua a ual expansão o alizado a. Implemen ada segundo p opos as de sonhos
de iden idade p opulso as de di e enças, o omen a das necessidades do
me cado e a moda são p oduzidas, des e pon o de is a, de aco do com as
p emissas da, ão c i icada, u opia. Daí o ca á e agilizado da denúncia do
sonho u ópico como o ma, unicamen e, o ali á ia.
T a a-se, en ão, da ques ão cen al da possibilidade e da sua es u u ação
como im-possibilidade e jamais in e essada na pa adoxal cons ução angí el
do sonho, is o é, ob iamen e a negação da in encionalidade desejan e.
Uma possibilidade não negligenciada em a o de p opos as da adas. Uma
econcep ualização da noção de u opia, despida de oda a ca ga nega i a que
lhe oi sendo inco po ada. Uma adap ação a um p esen e que, exa amen e, po
se a i ma e e no, necessi a de se epensado em e mos de desejo de
mudança. Ob iamen e, no in e io de um pensamen o democ á ico que pela
sua na u al ca ac e ís ica de incomple ude (Laclau, 1996) se ap esen a como o
mais in e essan e. Ou seja, do pon o de is a lacaniano, uma possibilidade pós-
an asmá ica, que a as e, de ez, a an asia da ha monia e econheça odos os
mecanismos de an agonismos essenciais à pa icipação e desejo de mudança.
A i ma o in e esse na econcep ualização da noção, em di eção a p emissas
que a ap oximem da sua essência semân ica pode á e um in e esse
ac escido na sua cla i icação con empo ânea. Se á necessá io eco da que a
e imologia da pala a se con igu a como ligada a noções de espaço: opos –
luga ; u – não; u opia – em luga algum (Calinescu, 1987). A sua ealização,
não conc e izá el, senão ao ní el do desejo, ans o ma-a em uma alidade
não o ali á ia. Po que não, en ão, da azão a Cas o Noguei a quando se
ecusa a en ende a u opia como Luga mas, an es, como luga es — opoi. Diz
es e pensado espanhol que indaga das ex u as des es luga es se á, sem
dú ida, o ema dos nossos empos.
Mas é, exa amen e, o espaço e os luga es que p oblema izam a elação que
p opomos pa a a A e Con empo ânea, no seu desejo de con inua a pode
pensa o inde e minismo da sua inclusão e pa alisia e i o ial, is o é, o desejo
de uma exis ência exilada.
A noção de exis ência exilada é con igu ada po Jean-Luc Nancy a pa i de
algumas conside ações ilosó icas de o igem heidegge ianas. E que nos
in e essam como possí el pon o de pa ida pa a a sua econ igu ação ao
campo de que nos ocupamos.
Em Nancy exis e uma al e ação na noção de exílio, que passa de uma
condição de passagem pa a a si uação de não e o no. Pa a al, p ocu a
exempli ica a noção com o exemplo do Dasein de Heidegge , o se que
consis e na exis ência humana. Segundo o ilóso o ancês, o que ago a es á
em causa é apenas a p imei a pa e da pala a, is o é o ex. A ins ância,
segunda pa e da pala a, pa ece e sido abandonada a pa i da
agmen ação e e uada no sujei o, pa a co po iza uma espécie de exílio, um
es a o a de, ex solum, o igem la ina da pala a que pode íamos a ualiza pa a
o a do seu luga . A noção de exis ência exilada apa ece, en ão, como um
compos o semân ico, que se a i ma uni ocamen e e que, pa adoxalmen e, se
ap op ia de um ca á e posi i o que anula o nega i ismo que se lhe encon a,
adicionalmen e, associado. É, aliás, cu iosa a elação que exis e em e mos
de p oximidade semân ica, en e as noções de u opia e exílio: em luga algum /
o a do seu luga . Esc e emos em ex o an e io que o mais ascinan e na
condição do exilado é a possibilidade de e de o a (Pe ei a, 1997). Man emos
a p emissa. Só que, o e de o a e ela-se impossí el nas a uais condições,
daí a condição de possibilidade do desejo.
Es a é a condição de e minan e pa a a exis ência da A e Con empo ânea,
depois de an as ezes e sido dec e ada a sua mo e. Uma espécie de e úgio
con a e en uais sen enças de mo e – Dan o não ala de mo e, mas ala de
im – que se mani es a longe da nega i idade que lhe é a ibuída. Po encia,
inclusi e, uma possibilidade em abe o de con inuidade. Não um eg esso, não
um in e egno, an es, um es a di e ido (Fos e , 1996) que lhe pe mi e a lucidez
c í ica, is o é, o dis anciamen o possí el pa a ence a os no os caminhos com
que ago a se con on a.
O desejo u ópico de alcança a ex e io idade – a posi i idade do exílio baseia a
sua es u u ação cons i u i a na descobe a con ínua das ex u as dos no os
luga es – encaminha o pensamen o da a e con empo ânea pa a la i udes
dis an es da sua condição apo é ica e endógena. Sabemos que po e sido
con inada a um plano in e no – que pa ilha, aliás, com oda a es an e
a i idade humana – não possui qualque ca ac e ís ica emancipado a, is o é, o
g au de independência que lhe pe mi a uma isibilidade ex e na aos
an agonismos da dico omia necessá ia.
As p emissas que a ançamos em di eção a uma u opia de exis ência exilada
só pode ão se , en ão, comp eensí eis se en endidas segundo a pe spe i a
lacaniana da possibilidade. A u opia que p opomos é baseada numa espe ança
undada na legi imação democ á ica que lhe ad ém da sua ecusa in ínseca
de eliminação do con li o. O a, en endida no uni e so es i o da p á ica
a ís ica, es a condição con li uosa é, an es de mais, a elação complexa que é
es abelecida em o no da noção de expe imen ação. Aqui eside a
possibilidade da u opia. A possibilidade de uma exis ência exilada, is o é, uma
exis ência que po se ex a e i o ial – mesmo que e só ao ní el do desejo – se
ap esen a como ap a a expe imen a e a a isca .
Ao de e mina mos a u opia como possibilidade encon amos a gumen os que
co po izam o desejo de uma exis ência num espaço de “ex a e i o ialidade”
que lhe pe mi a um cons an e dis anciamen o lúcido pe an e os esquemas de
pode , nomeadamen e na a ual obsessão com o con olo do imaginá io
ope ado a pa i da massi icação digi al. A u opia como possibilidade en a
esol e o p oblema da exis ência no ex e io , an es de mais, po eme e
di e amen e pa a o campo das hipó eses expe imen ais em abe o e não pa a a
consecução de um qualque p oje o an asmagó ico de ap op iação do
nega i o. A noção, segundo a que emos en ende , de idamen e
con ex ualizada no âmbi o das p á icas a ís icas con empo âneas, p opõe o
econhecimen o de uma ensão cons i u i a e de uma espécie de
ins i ucionalização da desa monia que a o na, semp e, num p oje o
incomple o, abe o. Que dize , u ópico.
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