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O modelo extra-escultural

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O modelo extra-escultural

Author: Miguel Leal
Year: 2000
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/62499/2/46554.pdf
O modelo ex aescul u al *
Miguel Leal
(Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o)
LEAL, Miguel – O modelo ex aescul u al. Ma gens e Con luências: um olha con empo âneo sob e as
a es. Guima ães: ESAP- Guima ães. Nº 1, junho 2000, pp. 25-45.
*
Comunicação ap esen ada no I Ciclo de Con e ências Ma gens e Con luências, que se ealizou em
ab il de 1998 na cidade de Guima ães.
1. Duas ap op iações
Como in odução a es a comunicação, e an es mesmo de desen ol e as suas
ques ões cen ais, gos a ia de começa po lança duas no as mais ou menos
a ulsas que, suge idas cada uma pela sua imagem, pode ão ajuda a de ini o
campo de he e odoxia em que se mo em as con es ações aos modelos de
con inamen o disciplina :
(a) Em p imei o luga , escolhi es a imagem de um abalho de An ónio A eal [ ig.1],
ap esen ado em 1969 na Gale ia Quad an e, em Lisboa, po que me pa eceu
in e essan e eco e a um exemplo a ípico. É que es a ei p o a elmen e a aze
uma ap op iação abusi a des a ob a, mas, como a i ma a Foucaul , "de e-se
concebe o discu so como uma iolência que azemos às coisas, como uma p á ica
que lhes impomos". E o des io que eu p oponho des a ob a de An ónio A eal
insc e e-se exa amen e nessa o dem de ideias.
Fig. 1 – An ónio A eal, Caixa nº 6: Em cima, um a qué ipo di ino com a ibu os iconog a icamen e o mulados, 1969.
Caixa de madei a pin ada com ace em id o (coleção do CAMJAP da FCG, Lisboa).
Pa a aquilo de que nos amos ocupa po ago a in e essa-me não an o o uni e so
pa icula em que se mo e es a ob a, mas an es aquilo que o seu azio objec ual nos
pode o e ece . Se olha mos a en amen e es a caixa acaba emos po conside á-la
um obje o, pa e do nosso mundo enomenológico, mas dis an e daquilo que
espe a íamos de um obje o de a e, na medida em que ela se ap esen a
simplesmen e como ece áculo e local pa a as nossas p óp ias p ojeções. A eal
e e e-se a esses obje os como «con inen es» p oje i os, chamando-lhes ambém,
num ex o que acompanha a a exposição
1
, caixas azias de obje os ou, ainda,
caixas-con eúdos.
Fo am ap esen adas na al u a um o al de dez caixas legendadas, mas nem odas
o almen e azias
2
. A uma delas co espondia a seguin e legenda
3
:
Obje o mui o ci cuns ancial, igu ando uma caixa na pa ede da Gale ia Quad an e
em Lisboa. Em edo pode e -se a gale ia.
4
É es a ase, mais do que o p óp io obje o, que acaba po eme e pa a a negação
da au onomia do obje o a ís ico e pa a a in eg ação do espaço en ol en e na ob a.
Consegue-o ao anco a o obje o a um de e minado espaço (a Gale ia Quad an e em
Lisboa), ampu ando assim a ob a quando ap esen ada em di e en es ci cuns âncias,
eme endo simul aneamen e pa a o espec ado pela suges ão de en ol imen o e
pelo con i e à pa icipação. Repi o que se a a aqui de um des io des e abalho
pa a se i uma in enção decla ada, já que pa a A eal es e azio objec ual se ia
an es como p imei o plano do anscenden e. O que lhe in e essa a e a a
possibilidade de ins au ação me a ísica da ob a, e não a sua elação com o mundo
ísico en ol en e ou a negação de uma a e echada sob e si mesma
5
. Mas, po
ou o lado, não eme ia já uma pa e da ob a de An ónio A eal pa a uma "si uação
assaz ambígua en e o espaço adicionalmen e «pic ó ico» e o espaço
«escul ó ico»"
6
? E não pode á se igualmen e u ilizada pa a si ua a discussão sob e
1
C . AREAL, An ónio, Tópicos bas an e con essionais de caixas azias de obje os, in An ónio A eal: P imei a
Re ospe i a, Po o, Fundação de Se al es, 1990, pp. 113-114.
2
BRONZE, F ancisco, Exposições, in Colóquio, nº 54, Lisboa, FCG, junho de 1969, p. 35: “Dez caixas de
dimensões idên icas, uni o memen e pin adas de cinzen o e echadas po um id o que não se opõe à
anspa ência do in e io azio. Po que, se algumas das caixas gua dam ainda ce as o mas (inquie an es
semp e, na sua ex ema simplicidade), pequenas es e as ou al os e ou as igu as pic o icamen e simuladas –
ou as dessas caixas ap esen am-se in ei amen e azias, numa e dadei a si uação-limi e.”
3
C . ibid.
4
Sob e essas mesmas caixas esc e ia, em 1969, E nes o de Sousa: “Mas e am e dadei amen e azias as caixas
de An ónio A eal? Fo og a ei-as uma a uma e copiei-lhes os í ulos, a en amen e. Tudo lá es á, ausen e. E a é o
que nou as ci cuns âncias se pode ia chama uma poé ica: is o é, uma caixa endo à ol a o espaço da Gale ia
Quad an e…Le al poé ico da solidão” (SOUSA, E nes o, Uma imensa solidão, in Opção, 13/7/1978).
5
C . AREAL, An ónio, idem, p. 114: “Sendo assim, uma p opos a di e a de medi ação, esses í ulos […] p opõem
me amen e es a simples complexidade: exe cícios espi i uais. Po que a expe iência es é ica […] já não é
bas an e, e al ez nem seja in encionada po es as ob as. Ou o ní el de i ência é es emunhado, como
inquie ação, como p eocupação, como inalidade, como p esença, que ab ange á po en u a o e eno sob e o
qual se pode á iden i ica a possibilidade de ins au ação me a ísica.”
6
BRONZE, F ancisco, Exposições de a e, in Colóquio, nº 45, Lisboa, FCG, ou ub o de 1967, p. 30.
a ecupe ação de ce as a i udes ligadas a uma ideia de angua da
7
, ainda pa a
mais man endo um io condu o que a liga à adição su ealis a em Po ugal? Sendo
assim, o des io p opos o al ez não se e ele ão he é ico quan o isso.
(b) Ago a, pa indo de uma ou a imagem [ ig.2], em que emos Jackson Pollock no
seu es údio, numa o og a ia ealizada em 1950 po Hans Namu h, gos a ia de
in oduzi um ex o de Allan Kap ow, a quem é a ibuída a pa e nidade do Happening
e espe i os desen ol imen os.
Fig. 2 – Jackson Pollock em abalho no es údio, 1950 ( o . de Hans Namu h).
Esse ex o, de 1958, in i ulado The Legacy o Jackson Pollock
8
, pa a além de se o
p imei o ealmen e impo an e de Kap ow, dema ca um e i ó io de ação onde o
p ocesso se sob epõe à ob a acabada, o ansi ó io ao pe ene e onde à p e ensa
ins an aneidade da eceção se opõe a dimensão empo al e enomenológica. Como
i emos e mais à en e, ao decla a que nem odos os desen ol imen os da a e
7
O mesmo F ancisco B onze (A eal na Gale ia Quad an e, in Vida Mundial, Lisboa, 9 de maio de 1969) le an a
sé ias dú idas ela i amen e à a i ude de An ónio A eal: “Qual a opo unidade, o sen ido de e icácia que
pode á ealmen e e aqui e ago a a p o ocação de A eal?” Es a ques ão es á indele elmen e ligada à
discussão a que se aludiu no p imei o capí ulo sob e a mo e das angua das. Isso ica cla o se eco e mos a
uma ou a passagem da c í ica publicada na Vida Mundial: “[…] se o espec ado é alguém p e enido, pensa
logo com os seus bo ões e sem su p esa: «Bom, é o A eal e a sua p o ocaçãocinha dadaís a».
8
KAPROW, Allan, The Legacy o Jackson Pollock, in Essays on he Blu ing o A and Li e, Be kley, Uni e si y o
Cali o nia P ess, 1996, pp. 1-9 (o ig. Publ. In A News 57, nº 6, 1958, pp. 24-26 e 55-57).
mode na esul a am necessa iamen e em ideias ligadas a p incípios de inalidade, e
lemb ando que Pollock pode á e c iado magní icas pin u as mas que em ce a
medida e á con ibuído pa a a des uição da p óp ia pin u a
9
, Kap ow es á
exa amen e a a aca alguns dos p essupos os básicos do con inamen o disciplina .
O que ele acaba po des aca na ob a de Pollock é o seu ca á e dia ís ico e i ual,
is o é, o seu lado pe o ma i o e p ocessual. O ac o de Pollock abalha li e almen e
den o da ob a, colocada num plano ho izon al, pe mi indo uma o al iden i icação do
espec ado com o co po do a is a a a és das ma cas p ocessuais, le a ia a que o
a is a, o espec ado , e o mundo ex e io en assem em comple a in e ação nessas
pin u as
10
. Es a ideia e ela uma especial acu ilância, undamen almen e se
p ocu a mos es abelece um a co elacional com algumas das p incipais apo ias da
angua da que se ão desenhando a pa i das p e ensas ensões en e a e e ida,
e que pode ão se igualmen e con ocadas pa a o enquad amen o concep ual des a
comunicação.
A pin u a de Pollock ambém e ia conseguido uma libe ação da ideia usual de
o ma, is o é, de um odo com p incípio, meio e im — "anywhe e is e e ywhe e, and
we dip in and ou when and whe e we can"
11
. A cons a ação de que es as ob as
pa ecem desen ol e -se in ini amen e suge e uma anulação dos limi es
con encionais do campo e angula associado à pin u a, negando-se assim a di isão
adicional en e o mundo do a is a ( echado isicamen e no in e io da ob a) e o
mundo do espec ado e da ealidade en ol en e. Tudo is o, conjugado com o
impo an e a o da escala, pe mi e que as pin u as de Pollock enham deixado de o
se pa a se o na em pu os en ol imen os ambien es ("en i onmen s"). E, numa
alusão à incomple ude da ob a, deixa íamos desse modo de se espec ado es pa a
nos o na mos pa icipan es
12
.
Es a eclamação da he ança de um a is a como Pollock (pa a além da mi i icação —
mui o ame icana — que uma mo e p ema u a e ágica semp e p o oca) pa ece
e ela a é que pon o uma ce a he e odoxia analí ica pe mi e joga com as
ambiguidades disciplina es em que as ca ego ias a ís icas, mui o em especial no
campo da pin u a, se inham en edando desde há longo empo.
A ge ação de Kap ow
13
, ao de ende uma a e assumidamen e baseada no p ocesso
e na con ingência, numa con aminação en e as a es e en e a a e e a ida,
eco eu amiúde a essa igu a emblemá ica pa a p ocu a es abelece uma
9
C . Ibid., p. 2.
10
C . Ibid., p. 5.
11
Ibid.
12
C . Ibid., pp. 5-6.
13
A í ulo de exemplo, pode ão ainda se e e idos alguns ex os de Robe Mo is que azem igualmen e essa
ecupe ação da igu a de Pollock, mesmo sabendo-se que ge acionalmen e ep esen am já um g upo pos e io
ao de Kap ow: An i Fo m (in A o um, ol. 6, nº 8, Ap il 1968, pp. 33-35) e Some No es on he Fenomenology o
Making: he Sea ch o he Mo i a ed (in A o um, ol. 8, nº 8, Ap il 1970, pp. 62-66), ambos eunidos in
MORRIS, Robe , Con inuos P ojec Al e ed Daily: he W i ings o Robe Mo is, Camb idge, Massachuse s,
MIT P ess, 1993.
genealogia endógena (o ou o pe cu so genealógico possí el en anhando-se no
p óp io quo idiano da ida mode na, à imagem das angua das do início do século).
T a a a-se ainda da elha lu a angua dis a con a a adição, ep esen ada aqui
pelo con inamen o disciplina de que a pin u a e a o exemplo maio . Não deixa de
se in e essan e e i ica como a ge ação que ma ca ia decisi amen e os anos 60 é
compos a po um núme o signi ica i o de a is as com uma o mação de pin o es.
Uma boa pa e deles i iam en ão a e ela -se "dese o es das ilei as da pin u a",
como o am os casos de Dan Fla in, Donald Judd, Sol LeWi ou mesmo Robe
Mo is
14
. E mesmo aqueles que escolhe am abalha ainda den o dos limi es
possí eis da pin u a, como Rauchenbe g, ize am-no des uindo (condicional ou
incondicionalmen e) a in eg idade das on ei as disciplina es que lhe e am
comummen e a ibuídas.
No undo, mais do que o me o apelo ao p ocessual e ao con ingen e e à in eg ação
do espec ado na ob a, o obje i o de Kap ow e a a eclamação da possí el usão
en e a e e ida, e que essa apo ia se ia esol ida a a és de uma p emonição:
Young a is s o oday need no longe say, "I am a pain e " o "a poe " o "a dance ". They a e
simply "a is s". All o li e will be open o hem. They will disco e ou o o dina y hings he
meaning o o dina iness. They will no y o make hem ex ao dina y bu will only s a e hei
eal meaning. Bu ou o no hing hey will de ise he ex ao dina y and hen maybe
no hingness as well. People will be deligh ed o ho i ied, c i ics will be con used o amused,
bu hese, I am ce ain, will be he alchemies o he 1960's.
15
Es as alquimias, que se i iam sem dú ida a con i ma , p olongam-se mui o pa a lá
do ho izon e empo al da década de sessen a, e, mais do que isso, ep esen am um
luxo sub e âneo que encon a como palco odo o século XX, e a sua maio
isibilidade a pa i dessa década depende apenas da sua con e são numa co en e
maio i á ia e em ias de acei ação e ins i ucionalização.
Assim, depois des es dois pa ên eses in odu ó ios, o p imei o de edo do ascínio
que aquelas caixas azias semp e exe ce am sob e mim, o segundo da impo ância
dos concei os in oduzidos po Kap ow: a ideia de pe o ma i idade e ea alização
da a e e a on ade o alizado a de usão en e a ida e a a e — ques ões
ca ac e ís icas duma on ade conc e izado a da u opia angua dis a da
in e a i idade e da negação da au omia da a e —, p ocu a -se-á en ão luga pa a
uma discussão do concei o que, à al a de melho , designa ei aqui como modelo
14
C . CRIMP, Douglas, The End o Pain ing, in On The Museum’s Ruins, Camb idge, Massachuse s, MIT P ess,
1993, p. 99.
15
KAPROW, Allan, ibid., p. 9.

ex aescul u al
16
. Es e e mo con ém em si mesmo os ge mes da con adição,
eme endo pa a um posicionamen o ex e io ao campo escul u al e, po ou o lado,
não deixando de man e um elacionamen o umbilical com aquilo que pa ece se o
seu obje o de negação.
Como o p óp io e mo indica, p e ende-se delimi a um conjun o de p á icas a ís icas
que já não sendo es i amen e escul u a, uncionam ainda nas suas ma gens; is o é,
e seguindo a delimi ação p opos a na in odução a es e abalho, omando semp e
como e e ência cons i u i a o modelo escul u al — uma ca ego ia algo complexa —
sem con udo deixa de se lhe opô . Assim, é-lhe ine en e uma ce a nega i idade, já
que imedia amen e eme e pa a uma apa en e de inição po oposição. O a, não é
exa amen e disso que se a a mas an es da análise de um conjun o de enómenos
que se colocam nesse espaço in e s icial que esul a de uma nega i idade po
con ac o — um pouco como no ab ico de um qualque molde. Po azões
me odológicas ób ias ica emos semp e na p oximidade dessa linha de on ei a
en e o escul u al e o não-escul u al, escapando assim a um ala gamen o
incon olá el do campo de análise.
Nes a comunicação, en a ei, ainda que sob uma o ma mais ou menos
esquemá ica, dis ingui os dois momen os que ma cam a a i mação des e modelo e
que pode emos designa a a és de ou os an os e mos que se opõem e
comple am: desmemb amen o e econs ução, en endendo o p imei o na li e alidade
do seu signi icado — o desman elamen o do modelo escul u al cons i u i o —, e o
segundo como esul ado da ede inição no ma i a das on ei as es ilhaçadas, na
medida em que seja possí el uma ão g ande sis ema ização.
Pelo meio ica á ainda a ideia de desma e ialização do obje o a ís ico, concei o ão
con o e so (e con adi ó io, mas simul aneamen e usado em p o usão) que e á
con ibuído como poucos pa a o exa o des anecimen o não só do obje o de a e
mas ambém do conjun o de no mas e modelos que sus en a am de algum modo a
p á ica a ís ica.
Re i o-me en ão a odo o p ocesso de cons ução do pa adigma, pois esse modelo
ex aescul u al e -se-á guindado exa amen e a essa condição e, hoje, os concei os
que en ol e encon am-se pe ei amen e assimilados. O olha que possamos lança
e ospec i amen e sob e esses acon ecimen os não deixa á nunca de es a
condicionado po aquilo que acon eceu depois, especialmen e se e i ica mos que,
sob um modelo econs u i o e po ezes algo dis anciado, mui as des as ques ões
em sido implaca elmen e ecupe adas e ea aliadas po algumas das mais
in e essan es p opos as da con empo aneidade.
16
Es a designação esul a ambém de uma ap op iação, de edo a como é do excelen e ex o de Benjamin
Buchloh, Cons ui e (l’his oi e de) la sculp u e (in Qu’es -ce que la scul u e mode ne?, Pa is, Cen e Geo ges
Pompidou, 1986, pp. 254-274).
Aquilo que se p opõe é um ecuo (anos 60/70) pa a análise do p ocesso dessa
assimilação, quando ainda e a possí el ala , mesmo que de o ma limi ada, de
ansg essão de um modelo, de uma no ma. Nesse ecuo, e mesmo a iscando o
ca á e edu o de qualque classi icação, gos a ia de pensa o momen o — o al
p imei o empo — do desmemb amen o do concei o de escul u a como ligado
in imamen e à a e dos anos 60, mui o em especial ao minimalismo e depois ao
chamado pós-minimalismo; e associa a ideia de econs ução — o segundo empo
— à ixação de um no o modelo, de um no o pa adigma (ou pa adigmas), que se
e ia e e uado de um modo ex ensi o ao longo da década de 70. Pa a isso escolhi
dois ex os que se podem conside a incon o ná eis nes e caso, o que nos pe mi e
pensa ambém sob e a impo ância que omam os p óp ios discu sos que en ol em
a a e, numa lógica de e o e sões cons an es en e a p á ica e a eo ia a ís icas.
São eles "A and Objec hood"
17
de Michael F ied, publicado em 1967 na A o um, e
"Sculp u e in Expanded Field"
18
de Rosalind K auss, um ex o de 1979. Com es e
ecu so à eo ia da a e não que o p ocu a nenhuma análise ad li e am mas an es,
e po que é disso que se a a, p ocu a comp eende os mecanismos de assimilação
e ans o mação em no ma de compo amen os apa en emen e des ian es.
2. A ea alização das a es
Começando com o ex o de Michael F ied, não deixa de se cu ioso que, apesa da
ine i abilidade da escolha, "A and Objec hood" enha su gido como um dos a aques
mais e ozes ao minimalismo e que os p incipais a gumen os que aí são usados pa a
deneg i a ob a dum conjun o de en ão jo ens a is as si am igualmen e pa a de ini
com p op iedade as suas p incipais p eocupações. Como Hal Fos e mui o bem
assinalou, F ied é um excelen e c í ico do minimalismo especialmen e po que pa a
se pe suasi o na sua a gumen ação oi ob igado a comp eendê-lo
19
.
Logo no início do seu ex o F ied a i ma que o minimalismo é um emp eendimen o
la gamen e ideológico e que deseja ocupa um espaço em dupla elação com a
pin u a e a escul u a mode nis as, mas p ocu ando simul aneamen e es abelece um
e i ó io p óp io e em oposição às duas úl imas
20
. Es a ideia, em pa e con á ia a
mui as das análises que lhe o am dedicadas, que o conside am no malmen e não-
17
FRIED, Michael, A and Objec hood, in HARRISON, Cha les e WOOD, Paul, A in Theo y, 1900-1990, Ox o d,
Blackwell, 1992, pp. 822-834 (o ig. publ. In A o um, Summe 1967).
18
KRAUSS, Rosalind, Sculp u e in he Expanded Field, in FOSTER, Hal (ed.), The An i- Aes he ic, Essays on
Pos mode n Cul u e, Sea le, Washing on, Bay P ess, 1983, pp. 31-42 (o ig. publ. In Oc obe nº 8, Sp ing 1979).
19
C . FOSTER, Hall, The Re u n o he Real: he A an -Ga de a he End o he Cen u y, Camb idge,
Massachuse s, MIT P ess, 1996, p. 53.
20
C . FRIED, Michael, idem, pp. 822-823.
ideológico, ma cado pela negação do con eúdo e pela exal ação da o ma, con i ma
desde logo duas ques ões undamen ais: po um lado a pe ceção da sua ameaça
aos cânones mode nis as e, po ou o, a sua in enção de ma ca uma posição cla a,
passí el de se o mulada em pala as
21
. Aliás, o que ela acaba ambém po
con es a é a p óp ia p e ensão dos a is as a e em uma oz, a dema ca em um
e i ó io de ação a a és da esc i a. A and Objec hood su ge en ão como uma
espos a di e a não apenas aos obje os minimalis as mas ambém aos esc i os
publicados po Donald Judd
22
(Speci ic Objec s) e Robe Mo is
23
(No es on
Sculp u e).
Tal como Judd já inha ei o na abe u a do seu ex o in i ulado Speci ic Objec s,
F ied cons a a que o minimalismo de ine-se po oposição às disciplinas adicionais
da escul u a e da pin u a, colocando-se num espaço algu es en e elas. Expõe-se
assim, a a és des a posição ambígua ela i amen e ao ins umen o de con olo do
discu so
24
que são as disciplinas a ís icas, a con aminação do minimalismo po
elemen os es anhos ao campo mais es i o da a e, e em pa icula da a e
mode nis a.
É ce o que ha e ia di e enças subs anciais no posicionamen o desses a is as
ela i amen e à pin u a e à escul u a: enquan o que ace à p imei a o sen imen o
se ia essencialmen e de oposição, numa omada de consciência da sua eminen e
exaus ão, pe an e a escul u a o posicionamen o se ia um pouco mais ambíguo,
p opondo o p óp io Mo is uma espécie de econs ução in e na
25
. F ied acaba po
des aca a impo ância dada po ambos (Judd e Mo is) à o ma (shape), pa indo
dessa p oblemá ica pa a lemb a a sua a ibuição cen al pa a a pin u a mode nis a,
ea i mando con udo que es a (a o ma) não pode deixa de se eminen emen e
pic ó ica sob isco de se o na me amen e objec ual, ou li e al:
Wha is a s ake in his con li is whe he he pain ings o objec s in ques ion a e expe ienced
as pain ings o as objec s [...]. O he whise hey a e expe ienced as no hing mo e han objec s.
This can be summed up by saying ha mode nis pain ing has come o ind i impe a i e ha i
de ea o suspend i s own objec hood, and ha he c ucial a o in his unde s anding is shape,
bu shape mus belong o pain ing — i mus be pic o ial, no , o no me ely, li e al. Whe eas
li e alis a s akes e e y hing on shape as a gi en p ope y o objec s, i no , indeed, as a kind
o objec in i s own igh .
26
21
Ibid.
22
JUDD, Donald, Speci ic Objec s, in HARRISON, Cha les e WOOD, Paul, A in Theo y, 1900-1990, Ox o d,
Blackwell, 1992, pp. 809-813 (o ig. publ. In A s Yea Book, 8, New Yo k, 1965, pp. 74-82).
23
MORRIS, Robe , No es on Sculp u e pa s 1-2-3, in Con inous P ojec Al e ed Daily: he W i ings o Robe
Mo is, Camb idge, Massachuse s, MIT P ess, 1993, pp. 1-32 (o ig. publ. In A o um en e e e ei o de 1966 e
junho de 1967).
24
Ve FOUCAULT, Michel, A O dem do Discu so, ad. de Lau a F. de Almeida Sampaio, Lisboa, Relógio d’Água,
1997.
25
C . FRIED, Michael, idem, pp. 823-824.
26
FRIED, Michael, idem, p. 824.
A a e li e alis a e ia en ão como maio pecado a edução da ob a à sua me a
objec ualidade que a en anha ia assim no ecido da ealidade pu amen e
enomenológica, quando uma das suas ca ac e ís icas essenciais de e ia se
exa amen e o ac o de ecusa a banalidade da me a exis ência objec ual. Es a linha
de pensamen o em como e e ência os esc i os de Clemen G eenbe g, que é de
ce o modo um pai undado das eo ias de F ied, e le an a já não apenas o
p oblema das on ei as en e as disciplinas a ís icas, mas sob e udo o das elações
an i é icas que se possam es abelece com a p óp ia a e.
G eenbe g, em “Recen ness o Sculp u e”
27
, já le an a a essa mesma ques ão e
coloca a-a ambém no plano de um con on o desigual en e a pin u a e a escul u a:
Gi en ha he ini ial look o non-a was no longe a ailable o pain ing, since e en an
unpain ed can as now s a ed i sel as a pic u e, he bo de line be ween a and non-a had o
be sough in he h ee-dimensional, whe e sculp u e was, and whe e e e y hing ma e ial ha
was no a also was.
28
O p oblema não e a sabe da oposição dos minimalis as à pin u a, mas an es
ea i ma que a sua opção pelo idimensional ad inha de essa se uma qualidade
pa ilhá el com udo aquilo que não é a e. Assim, G eenbe g p opunha nesse
mesmo ex o, e numa passagem ambém ecupe ada po F ied, que as ob as
minimalis as e am a e como o e a en ão i ualmen e qualque obje o, e que
di icilmen e se pode ia pensa um ipo de a e mais p óximo da condição da não-a e.
Se ia essa a e dadei a aição es é ica do minimalismo: o ac o das suas ob as
apenas c ia em su p esa enquan o me os enómenos
29
.
F ied pa e dessa p oposição pa a encon a os mo i os que le am o minimalismo a
coloca -se nessa posição an i é ica à a e. A ese cen al do seu ex o baseia-se pois
na acusação de ea alização da a e ope ada pelo minimalismo, ou a e li e alis a,
como ele p e e ia chama -lhe. A objec ualidade minimalis a não se ia mais do que
um no o géne o de ea o e o ea o uma negação da a e
30
. Is o pe mi e-lhe
a ança a ideia de que essa ea alidade es á in imamen e ligada às ci cuns âncias
em que o espec ado encon a a ob a: " he expe ience o li e alis a is o an objec
in a si ua ion — one ha , i ually by de ini ion, includes he beholde "
31
. O p óp io
27
GREENBERG, Clemen , Recen ness o Sculp u e, in BATTOCK, G ego y, Minimal A : a C i ical An hology,
Be kley, Uni e si y o Cali o nia P ess, 1995, pp. 180-186 (o ig. publ. in Ame ican Scul u e o he Six ies, Los
Angeles Coun y Museum o A , 1967).
28
Ibid., p. 182.
29
C . Ibid., p. 183-184.
30
C . FRIED, Michael, idem, p. 825.
31
Ibid.
Na ealidade, K auss insu gia-se con a um his o icismo la en e que p e ende ia
jus i ica a exis ência do no o numa linha de con inuidade com as o mas do
passado, esul ando daí uma anulação das di e enças e a é do seu ca á e
sub e si o ela i amen e às no mas
56
. Mas es e posicionamen o e ela a-se
ambém algo con adi ó io, p opondo em simul âneo uma acei ação da di e ença e
do no o e um eenquad amen o ins umen al dos limi es ge ados no in e io da
p óp ia escul u a. T a a a-se ainda de um campo, abe o e econduzido em unção
da p á ica a ís ica mas, con udo, ainda um ins umen o de con olo do discu so
57
.
A lógica da escul u a se ia en ão insepa á el da lógica do monumen o
58
. Essa
unção — ep esen a /simboliza algo e ma ca /de ini um luga — e ia sido
colocada em causa pelo nomadismo e pela au onomização objec ual da escul u a
mode nis a e essa se ia uma ou a his ó ia da escul u a, mais ligada ao declínio do
monumen o e à a e i o ialidade do obje o
59
. Con udo, a pa i do inal dos anos 50
esse modelo de au onomização mos a a-se já exaus o e a uma ce a ecupe ação
da escala monumen al e da elação com o luga (mesmo se sob di e en es
p essupos os) jun a a-se "p ecisamen e a dissolução do escul u al enquan o al"
60
.
Daí a necessidade de ees u u a o campo e epensa o modelo.
A escul u a e -se-ia o nado du an e a década de sessen a uma combinação de
exclusões —"uma si uação de pu a nega i idade". Essa lógica da in e são (não-
a qui e u a; não-paisagem) e ia po sua ez so ido uma no a e o e são
ans o mando essa mesma nega i idade numa pola idade posi i a (in eg ação da
a qui e u a e da paisagem). Daí o campo expandido de possibilidades, ob igando a
epensa o conjun o das ca ego ias es é icas ociden ais e a acei a o
eposicionamen o da escul u a nessa es u u a
61
. Pa a isso, K auss az a de esa das
ca ac e ís icas p óp ias da escul u a e, logo, das dis inções possí eis em elação às
ou as ca ego ias que p opõe:
56
C . Ibid., pp. 31-32.
57
Como Fos e já inha in uído, num ex o de 1982: “ […] he wo k is eed om he e m «sculp u e»… bu
only o be bound by o he e ms, «landscape», «a chi ec u e», e c. Though no longe de ined in one code,
p ac ice emains wi hin a ield. Decen e ed, i is ecen e ed: he ield is (p ecisely) «expanded» a he han
«descons uc ed»” FOSTER, Hal, Re: Pos , in WALLIS, B ian, A A e Mode nism: Re hinking Rep esen a ion,
New Yo k, The Museum o Con empo a y A , 1984, p. 195.
58
Uma lei u a que i ia mais a de a se desen ol ida mais ex ensamen e po Rosalind K auss. Pa a es a
ques ão, um bom complemen o se á o seu ex o Échelle/monumen ali é; Mode nisme/pos mode nisme; La
use de B ancusi, já e e ido na no a 51.
59
C . Ibid., pp. 247-248.
60
C . Ibid., p. 253.
61
C . KRAUSS, Rosalind, Sculp u e in he Expanded Field, pp. 36-38.

A escul u a apa ece assim como "apenas um e mo na pe i e ia de um campo onde
há ou as possibilidades di e en emen e es u u adas", o ganizadas em ol a de um
esquema algo ígido e que cede à en ação de p ocu a classi ica pa a assim
escapa ao e e ido des azamen o en e o discu so da his ó ia da a e e a p á ica
a ís ica. E de qualque modo, es e esquema acaba ambém po se encon a
echado nessa mesma igidez. Excessi amen e ma cado po um pensamen o
es u u alis a
62
, limi a-se a libe a um conjun o de enómenos a ís icos do e mo
escul u a pa a de imedia o os delimi a no amen e po ou os e mos. O campo
acaba po não se colocado e dadei amen e em causa
63
, podendo-se a é pensa
em úl ima análise que Rosalind K auss, ao mos a eceio pelo es ilhaça do modelo
escul u al, não es á assim ão dis an e quan o isso do pensamen o de um
G eenbe g.
A impossibilidade de de ini a p á ica a que chama pós-mode na em unção de um
de e minado medium — aqui, a escul u a — mas an es em " elação com as
ope ações lógicas num dado conjun o de e mos cul u ais"
64
que esul a des a
p opos a, echa o cí culo iniciado com a e e ência a Allan Kap ow e à sua c í ica,
ainda incipien e, à pu eza e au onomia das disciplinas a ís icas adicionais.
62
Bas a e es a passagem no inal do ex o: “I ha e been insis ing ha he expanded ield o pos mode nism
occu s a a speci ic momen in he ecen his o y o a . I is a his o ical e en wi h a de e minan s uc u e”. E
a ema a odo o ex o, ao e e i -se ao ipo de abalho que p ocu ou le a a cabo: “I p essupposes he
accep ance o de ini i e up u es and he possibili y o looking a his o ical p ocess om he poin o iew o
logical s uc u e” (ibid., p. 42).
63
Ve FOSTER, Hal, Re: Pos , in WALLIS, B ian, A A e Mode nism: Re hinking Rep esen a ion, New Yo k, The
New Museum o Con empo a y A , 1984, pp. 194-196. E passo a ci a uma pa e do ex o: “[…] he wo k is
eed om he e m «sculp u e»…bu only o be bound by o he e ms, «landscape», «a chi ec u e», e c.
Though no longe de ined by one code, p ac ice emains wi hin a ield. Decen e ed, i is ecen e ed: he ield is
(p ecisely) «expanded» a he han «descons uc ed». The model o his ield is a s uc u alis one […]” (p.
195).
64
C . Ibid., p. 41.
Na ealidade, es a abe u a ao mundo, es a con aminação da a e po a o es que
lhe são apa en emen e exógenos, acaba po se cons i ui , pa a aseando Kap ow,
como a alquimia de mui os dos mais in e essan es desen ol imen os da a e das
úl imas décadas. Aquilo que eu p ocu ei ap esen a aqui é apenas uma pa e dessa
his ó ia, e elado a de um emp eendimen o que é hoje impe a i amen e a ual: a
ap oximação en e a a e e a ida, en e a a e e o mundo ao qual a ob a em de
pe ence .
Sem um g ande des io pode-se pois iden i ica es e campo expandido da escul u a
com o modelo ex aescul u al que me se iu aqui de ins umen o me odológico e
concep ual. Aliás, o campo abe o do escul u al que o esquema de Rosalid K auss
p opõe não é mais do que o edesenha dos limi es disciplina es, ala gando assim as
possibilidades ins umen ais do con olo do discu so e mos a-se ex emamen e ú il
quando se a a de discu i o in e io e o ex e io possí el da escul u a. De emos
a ende , é ce o, à pa icula idade da discussão de K auss, demasiado cen ada num
modelo e numa p á ica a ís ica essencialmen e no e-ame icana, e que se exclui à
pa ida da plu alidade de desa ios que o escul u al inha so endo, mui o em
especial na Eu opa
65
. Toda ia, é impo an e sublinha que Sculp u e in he
Expanded Field nunca e ia su gido se a p á ica a ís ica não se e elasse ão
esco egadia quando se a a de p ocu a ins umen os de classi icação e con olo, e,
nessa medida, é ambém um exe cício exempla de eadap ação da eo ia à p á ica.
65
Não posso e i a , a é po azões de jus iça aos acon ecimen os, deixa aqui uma no a inal ela i a à
excessi a ame icanização da discussão. Toda a análise que desen ol i ao longo des e ex o pa e de uma
colocação das ques ões a pa i de um ângulo que pa ece igno a os impo an es desen ol imen os e
con ibu os p o enien es des e lado do A lân ico, mas se esse ac o deno a, po um lado, uma ela i a
pa cialidade, acaba igualmen e po eco da o quan o se al e a am os pólos de a ação no campo da a e após
a II Gue a Mundial. De qualque modo, pa ece-me azoá el assinala aqui uma ou a ace des a his ó ia ( al ez
não ão di e en e quan o isso), pa a o que me i ei soco e das p opos as da exposição G a i y and G ace – The
Changing Condi ion o Sculp u e 1965-1975 (Ha a d Galle y, London, 1993), onde se p e endeu aze uma
ecensão dos impo an es ac os acon ecidos num pe íodo que é em g ande pa e sob eponí el com os
ho izon es empo ais da discussão que aqui p ocu ei le a a cabo.
No p imei o ex o do ca álogo, Jon Thompson (New Times, new hough s, new sculp u e, pp. 11-34) o e ece
uma lei u a desses acon ecimen os que des ia o cen o das a enções de uma excessi a ame icanização,
p ocu ando assim e i a o e ei o de o uscamen o que de ou o modo se e idencia ia. Sendo a sua in enção
decla ada ilumona “ he ansi ion which ook place in 1960s, when minimalism ga e way o he Pos -
Minimalis endency in Ame ica and Eu ope” (p. 11). Thompson eco da de imedia o que as elações en e a
Amé ica e a Eu opa es a am nesse pe íodo, a é no campo es i amen e polí ico, bas an e ensas e que isso
e e uma necessá ia co espondência nos c uzamen os es é icos en e os dois con inen es. Daí que Thompson
julgue necessá io epo alguns ac os e edesenha o mapa desses anos no que espei a à condição mu an e da
escul u a. Mas, logo após es as conside ações (que ez acompanha de exemplos inequí ocos) o ex o passa a
se cons uído com ecu so a um conjun o de au o es de e e ência que se ap oximam mui o daqueles que eu
u ilizei pa a es a a gumen ação. A sabe : G eenbe g, K auss, F ied, Mo is, Judd (…), escapando al ez Umbe o
Eco a es e ol. Ou seja, Thompson iu-se con on ado com a ine i abilidade de eco e a e e ências
essencialmen e ame icanas quando se a ou de analisa o discu so c í ico sob e as mu ações a que p e endia
aludi , o que não in alidando a necessidade de se p ocede a uma ea aliação do papel “eu opeu” nes e
con ex o pa icula , pode ajuda a jus i ica as opções omadas na cons ução des a comunicação.