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A construção de um instrumento de avaliação das emoções para a anorexia nervosa

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A construção de um instrumento de avaliação das emoções para a anorexia nervosa

Author: Sandra Torres,Marina Prista Guerra
Year: 2003
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/5524/2/82169.pdf
PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2003, 4 (1), 97-110
A CONSTRUÇÃO DE UM INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO
DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA
Sand a To es*& Ma ina P is a Gue a
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Uni e sidade do Po o
RESUMO: Es udos desen ol idos em o no da ano exia ne osa e da alexi imia
apon am pa a a exis ência de uma elação en e es es dois quad os, sendo de salien a
a equen e p esença de alexi imia em doen es com pa ologia alimen a . Apesa de
algumas in es igações p ocu a em analisa es a elação, es á ainda pouco cla o o
p ocesso que ca ac e iza a i ência emocional des e ipo de doen es. Nes e abalho é
desc i a a cons ução do Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a Ano exia
Ne osa (QAE-AN). Es e ins umen o oi elabo ado com base na Teo ia Di e encial
das Emoções e o mulada po Iza d (1991) e na ca ac e ização de alhada das emoções
p imá ias nela econhecidas (in e esse, aleg ia, su p esa, cóle a, nojo, desp ezo, medo,
angús ia, e gonha, is eza e culpa). Es a medida de a aliação az e e ência a
si uações, compo amen os e pensamen os comuns na ano exia ne osa e como al
pode á con ibui pa a uma a aliação mais adequada das emoções expe ienciadas po
es e ipo de doen es.
Pala as cha e: Ano exia ne osa, Alexi imia, Emoções, Ins umen o de a aliação.
CONSTRUCTION OF AN ASSESSMENT INSTRUMENT
FOR THE EMOTIONS IN ANOREXIA NERVOSA
ABSTRACT: S udies ha analyse he ela ionship be ween ano exia ne osa and
alexi hymia sugges a ela ion be ween hem, poin ing ou he equen p esence o
alexi hymic diagnosis in ano ec ics’ subjec s. Despi e he exis ence o some
in es iga ions a ound his ela ion, i ’s s ill unclea he ano ec ic’s emo ional p ocess.
In his a icle a cons uc ion o he Emo ional Assessmen Ques ionnai e o Ano exia
Ne osa (QAE-AN) is desc ibed. The Emo ions Di e en ial Theo y e o mula ed by
Iza d (1991) and i s p ima y emo ions de ailed cha ac e iza ion (in e es , joy, su p ise,
anguish, ange , disgus , con emp , ea , shame, sadness and guil y), we e he suppo
o his measu e. I includes common ano exia ne osa si ua ions, beha io s and
hough s, con ibu ing o an adequa e assessmen o he emo ions el by hese
pa ien s.
Key wo ds: Ano exia ne osa, Alexi hymia, Assessmen ins umen , Emo ions.
As pe u bações do compo amen o alimen a êm su gido com equência
nos con ex os clínicos sendo conside adas das doenças mais comuns em
adolescen es do sexo eminino (Whi ake , 1992).
A ano exia ne osa ca ac e iza-se po uma es ição alimen a se e a da
qual esul am complicações que conduzem a uma signi ican e mo bidez
biológica, psicológica e social e que, po ezes, pode a é conduzi à p óp ia
*Con ac a pa a E-mail: s o espsi.up.p
mo e. Há e idência de que a incidência da ano exia ne osa aumen ou ao
longo das úl imas décadas em apa igas na aixa e á ia en e os 15 e os 24
(Taylo , Bagby, & Pa ke , 1997). A comunidade cien í ica em acompanhado o
aumen o da incidência da doença desen ol endo á ios es udos em o no dos
ac o es e iológicos e da co-mo bilidade associada. No en an o, e apesa da
signi ica i a quan idade de es udos ealizados é ainda pouco cla o o
“mecanismo” de desen ol imen o da ano exia ne osa e os ac o es que nela
in e êm. Taylo e al. (1997) salien am inclusi amen e que se sabe mui o pouco
sob e as causas des a doença. Segundo es es au o es a e iologia mul i ac o ial
que é de endida po á ios in es igado es, e que en ol e a iá eis biológicas,
psicológicas, amilia es e sócio-cul u ais, bem como ulne abilidades, pode se
álida se o in eg ada numa pe spec i a eó ica que conceba a ano exia
ne osa como uma deso dem ao ní el da au o- egulação, sendo a al e ação na
egulação dos a ec os a componen e mais salien e. Ou seja, es es au o es
conside am a diminuição da capacidade cogni i a pa a p ocessa e egula
emoções como um dis ú bio egula ó io p imá io das deso dens alimen a es.
Es a elação en e os p oblemas alimen a es e as emoções não em, de
ac o, passado despe cebida ao ní el das eo ias, sendo equen emen e apon ada a
exis ência duma o e pe u bação na i ência emocional des e ipo de doen es.
Nomeadamen e a eo ia de H. B uch (1973, ci . in Laqua a & Clop on, 1994),
au o a de e e ência no campo das deso dens alimen a es, associa es as doenças
a di iculdades na comp eensão e iden i icação de sensações co po ais in e nas
associadas às emoções.
Es es con ibu os eó icos êm impulsionado os in es igado es a es uda em a
elação exis en e en e as pe u bações do compo amen o alimen a e a alexi imia.
A alexi imia é de inida como um conjun o de dé ices cogni i o-a ec i os
ca ac e izados po : (a) di iculdade em iden i ica e desc e e sen imen os; (b)
di iculdade em dis ingui os sen imen os de sensações co po ais deco en es da
ac i idade emocional; (c) p ocessos imagina i os limi ados (poucos sonhos ou
an asias); e (d) es ilo cogni i o o ien ado pa a o ex e io (Taylo , 1994).
A alexi imia é conside ada, ac ualmen e, um ac o de isco pa a o
desen ol imen o de á ias pe u bações clínicas. No que conce ne à ano exia
ne osa, embo a não se possa a i ma que a alexi imia es eja di ec amen e
elacionada com o desejo de emag ece , exis e e idência empí ica de que es e
ipo de doen es ap esen am com equência um quad o alexi ímico (Beales &
Dol on, 2000; Laqua a & Clop on, 1994; Smi h, Amné , Johnsson, & F anck,
1997; Taylo , Pa ke , Bagby, & Bou ke, 1996).
Taylo e al. (1996) salien am que desde que oi publicado o es udo
p elimina que desen ol e am com mulhe es ano éc icas, no qual oi de ec ada
a p esença de alexi imia em 77,1% da amos a (Bou ke, Taylo , Pa ke , &
Bagby, 1992, ci . in Taylo e al., 1996), os es udos que se ealiza am
seguidamen e ob i e am p e alências na o dem dos 48% e os 63%, com es a
mesma população.
98 S. TORRES & M.P. GUERRA
AVALIAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA 99
Es es ní eis ele ados de alexi imia desa ia am, pos e io men e, os
in es igado es a es uda não apenas a equência com que es e quad o apa ece
nas pe u bações alimen a es, mas ambém as elações exis en es en e a
alexi imia e as ca ac e ís icas psicológicas e compo amen ais mais comuns
nes as pe u bações. Laqua a e Clop on (1994) desen ol e am um es udo em
con ex o uni e si á io, com es udan es do sexo eminino, e concluí am que a
di iculdade em iden i ica sen imen os es a a associada à deso dem alimen a ,
mas não se elaciona a, no ge al, com o pensamen o o ien ado pa a o ex e io e
com a ausência de imaginação e an asia.
Taylo e al. (1996) le a am a cabo um es udo semelhan e, mas
engloba am na sua amos a um g upo de ano éc icas, e os esul ados que
ob i e am indica am uma associação posi i a en e a alexi imia e á ios aços
psicológicos e cogni i os ca ac e ís icos de doen es com pe u bações
alimen a es, bem como a inexis ência de elação en e a alexi imia e os
compo amen os especí icos elacionados com o pad ão alimen a , o peso e a
imagem co po al. Nes e es udo o am encon adas ambém co elações
posi i as en e a alexi imia e a ine icácia, suge indo que a alexi imia es á
elacionada com um sen imen o ge al de al a de con ole sob e a ida.
Es es es udos indicam en ão que a Alexi imia es á elacionada com á ios
aços psicológicos desc i os po B uch (1962, ci . in Taylo e al., 1997) como
sendo ac o es cen ais nas deso dens alimen a es, em conc e o: (a) a
di iculdade em econhece es ados emocionais, (b) a di iculdade em exp essa
sen imen os e (c) um o e sen imen o de ine icácia.
No en an o, Taylo e al. (1997) e Laqua a e Clop on (1994) salien a am a
necessidade de se ealiza em mais in es igações em o no des a elação. Es es
au o es cons a a am que mui os dos es udos ealizados an e io men e não
ap esen a am igo me odológico, na medida em que u iliza am ins umen os
sem p op iedades psicomé icas acei á eis pa a a a aliação da Alexi imia e
pa a a cla i icação dos p oblemas alimen a es dos sujei os.
B uch (1985, ci . in Taylo e al., 1997) e o çou ambém a impo ância da
ealização des es es udos e e indo que os esul ados que des es ad iessem
pode iam conduzi a uma mudança signi ica i a na in e enção psicológica nas
deso dens alimen a es; mudança es a que pa ece necessá ia, a a alia pelos
ele ados índices de eincidência associados à doença. De aco do com as suas
in es igações es a au o a ecomendou uma abo dagem e apêu ica que
acili asse a consciencialização e a iden i icação de sen imen os e impulsos
(B uch, 1962, 1982-1983, ci . in Taylo e al., 1996).
Beales e Dol on (2000) econhece am, igualmen e, as implicações que a
p esença da alexi imia pode ia e no cu so dos dis ú bios alimen a es,
salien ando o longo pe cu so exis en e a é ao seu conhecimen o na globalidade.
Pa a e o ça es a ideia os au o es desen ol e am um es udo com o objec i o
de compa a os aços de pe sonalidade e o g au de alexi imia num g upo de
mulhe es com dis ú bios alimen a es ac i os (ano exia ne osa e bulimia
ne osa) e num g upo de mulhe es ecupe adas des as pe u bações. Os
esul ados ob idos en a iza am a di e ença exis en e en e es as duas amos as,
ap esen ando o g upo de mulhe es com a pa ologia alimen a ac i a alo es
mais ele ados de solidão, in o e são e alexi imia. Beales e Dol on (2000)
suge i am que e a essencial e u gen e que se examinasse e se a aliasse
e icazmen e os sin omas e as necessidades des as doen es pa a que osse
possí el da uma espos a e apêu ica mais ap op iada.
Taylo (1994) salien ou, a es e p opósi o, que se alexi ímico pode ia es a
associado a uma maio di iculdade no a amen o do dis ú bio alimen a ,
incando des a o ma a impo ância da in e enção ao ní el dos sen imen os e
das emoções e a p é ia in es igação em o no des as á eas.
É no c uzamen o en e es es dados dos es udos, e undamen almen e da
econhecida associação en e o dis ú bio alimen a e a á ea emocional, que
nasce a necessidade de c ia um ins umen o pa a a aliação des a e en e em
doen es ano éc icos.
B e es conside ações sob e as emoções
A emoção, concebida como uma mo i ação pa a a cognição e pa a o
compo amen o, é conside ada como sendo p imo dial no desen ol imen o
humano acili ando o uncionamen o e a o ganização de á ios sis emas
o ganísmicos (Iza d, 1984). Apesa do es udo das emoções se e desen ol ido
ecen emen e no campo da psicologia, exis em já alguns cien is as que as
conside am como o p incipal sis ema mo i acional do se humano (Iza d,
1991).
Uma emoção é de inida como a in eg ação de conjun os pa icula es de
p ocessos neu oquímicos, mo o es e men ais. Conside a-se que os p ocessos
neu oquímicos de uma dada emoção êm algumas ca ac e ís icas es u u ais
subjacen es que os dis inguem de qualque ou a. Es a e idência, po sua ez, é
assinalada po ep esen ações mo o as e men ais ambém elas especí icas e
únicas (Iza d, 1984, 1991). A de inição de emoção az e e ência a uma
componen e exp essi a/mo o a mas ambém inclui a componen e expe iencial,
uma ez que as al e ações no sis ema ne oso que conduzem à i ência das
emoções são desencadeadas po acon ecimen os ex e nos ou in e nos (Iza d,
1991).
As emoções são enómenos psico isiológicos b e es que êm um ca iz
adap a i o em elação às mudanças do meio. Em e mos psicológicos as
emoções al e am a a enção, mudam ce os compo amen os nas hie a quias de
espos a, e ac i am edes associa i as ele an es na memó ia. As emoções
in luenciam di ec amen e as pe cepções a a és dos sen idos, a ec ando os
p ocessamen os de in o mação e as acções subsequen es. O compo amen o
humano é assim o emen e de e minado pelas emoções (Damásio, 1995; Iza d,
1991; Le enson, 1994).
100 S. TORRES & M.P. GUERRA
AVALIAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA 101
No que conce ne a al e ações isiológicas, as emoções apidamen e
o ganizam as espos as de di e en es sis emas biológicos ais como a exp essão
acial, o ónus muscula , a oz, a ac i idade do sis ema ne oso au ónomo e a
ac i idade endóc ina. Es as al e ações isam p oduzi , em e mos co po ais, as
melho es condições pa a uma espos a e icaz (Iza d, 1991; Le enson, 1994).
As emoções êm ainda uma ou a unção pa a além da es abilização do
indi íduo ela i amen e ao meio: elas compilam in luências ina as e in luências
esul an es da ap endizagem, da e olução e da cul u a, di e enças es as
suscep í eis de p oduzi em uma conside á el a iação en e os indi íduos e os
g upos.
Em sín ese, conside a-se que as emoções exe cem uma in luência ma can e
na i ência do se humano, in luenciando á ios aspec os do uncionamen o
biológico, psicológico e social.
É de ealça que es e p essupos o de que as emoções in e agem com as
á ias dimensões do uncionamen o humano em-se es endido a di e en es
es udos e eo ias que p ocu am especi ica o seu e dadei o papel e delimi a o
seu campo de in luência. O es udo da iden idade e da pe sonalidade e a sua
elação com as emoções su ge nes e seguimen o. Com Kohu (1977, ci . in
Ha iland & Kahlbaugh, 1993), au o que elacionou o desen ol imen o do
na cisismo com a dis o ção e a negação de emoções, eme giu o in e esse pelo
es udo das emoções na o mação, mudança e manu enção da iden idade. Hoje
conside a-se que as emoções e a iden idade in e agem o necendo in o mações
uma da ou a e le ando a in e p e ações an o ao ní el pessoal como concep ual.
A pe sonalidade, po sua ez, pa ece ambém es a elacionada com as
emoções. Apesa de não ha e um conside á el desen ol imen o eó ico e
empí ico no que conce ne à elação en e emoção, cognição, acção e
pe sonalidade, conside a-se que os a ec os1 êm um papel cen al na
o ganização do uncionamen o do indi íduo. A di iculdade na comp eensão do
seu e dadei o papel eside, po um lado, na g ande di e sidade de a ec os que
podem se expe ienciados numa si uação especí ica, e po ou o lado, na
na u eza complexa e mul ide e minada da elação exis en e en e os a ec os e
ou as á eas da o ganização da pe sonalidade (Pe in, 1993).
Face à ampla in luência das emoções na i ência humana, a qual Iza d
(1991, p. 20) cla amen e e ac ou com a exp essão “You emo ions a ec you
body, mind, and i ually e e y aspec o you exis ence”, é e o çado o
in e esse do es udo des a á ea em indi íduos cujo uncionamen o biológico,
psicológico e social ap esen e sé ias pe u bações. Nes e enquad amen o a
a aliação emocional de doen es ano éc icos o na-se ambém ela pe inen e.
O objec i o do p esen e es udo é o desen ol imen o concep ual e o
desen ol imen o de i ens pa a um ques ioná io de a aliação das emoções na
ano exia ne osa.
1Te mo ge al, não especí ico, mais global ela i amen e ao e mo “emoção”, que inclui odos os es ados e
p ocessos mo i acionais an eceden es. O domínio dos a ec os inclui emoções básicas, pad ões de emoções,
impulsos e as in e acções en e eles.

CONSTRUÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO
DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA (QAE-AN)1
Racional eó ico de base
As emoções, na medida em que se ca ac e izam po es ados complexos
que en ol em expe iências subjec i as, podem se in e idas a pa i de á ios
ipos de e idências ais como ela os subjec i os, mani es ações compo a-
men ais, compo amen os di eccionados pa a de e minados objec i os,
al e ações isiológicas, medidas p ojec i as, ques ioná ios, en e ou os. Pa a se
pode escolhe os indicado es que pode ão ac ua como medida de a aliação
das emoções num de e minado es udo é undamen al e como base um modelo
eó ico que explici e qual a elação en e o es ado designado po “emoção” e
esses mesmos indicado es (Plu chik, 1989).
Pa a a cons ução do “Ques ioná io de A aliação das Emoções pa a a
Ano exia Ne osa” (QAE-NA) oi ap o undada a Teo ia Di e encial das
Emoções (TDE) e o mulada po Iza d. Es a eo ia, desen ol ida inicialmen e
po Tomkins e Iza d (1965) ap esen a como mais alia uma isão global das
emoções. De aco do com Quei ós (1997), os e e idos au o es in e ela-
ciona am as emoções com o p ocessamen o de in o mação, as cognições e a
consciência (nomeadamen e a pe cepção e consciencialização das sensações
co po ais). O pon o de pa ida cen al des a eo ia é que as emoções cons i uem
o p incipal sis ema mo i acional da cognição e da acção humana. Con a ia-
men e às eo ias que conside am que as emoções exis em em unção de
a aliações pe cep uais-cogni i as p é ias de si uações-es ímulo, a TDE
en a iza a in e acção en e a emoção e a pe cepção-cognição.
Es a eo ia oi pos e io men e e o mulada po Ca ol Iza d, sendo
ac escen adas ca ac e ís icas sis émicas que a o na am mais ab angen e e
comple a. Segundo es a au o a, as emoções cons i uem um subsis ema da
pe sonalidade, sendo que es a esul a da complexa in e acção de seis g andes
sis emas: homeos á ico, pulsional, emocional, pe cep i o, cogni i o e mo o
(Iza d, 1991; Quei ós, 1997).
O sis ema homeos á ico inclui os sis emas endóc ino e ca dio ascula e
auxilia o sis ema emocional a egula e sus e as emoções uma ez ac i adas.
Es e sis ema, jun amen e com o sis ema pulsional2cons i uem os dois p imei os
esponsá eis pela sob e i ência biológica do se humano. O sis ema cogni i o
ca ac e iza-se como sendo o p incipal sis ema de comunicação e, po
conseguin e, o sis ema mo o de ine-se como o p incipal sis ema de acção.
Nes e con ex o o sis ema das emoções é conside ado o p incipal sis ema
mo i acional pois compe e-lhe a ele amplia os sinais emi idos pelas pulsões e
102 S. TORRES & M.P. GUERRA
1Ins umen o elabo ado no âmbi o da in es igação pa a ob enção do g au de dou o .
2Inclui as pulsões como a ome, a sede e o sexo. Es as ca ac e izam-se po es ados mo i acionais que, apesa
de possuí em algumas das ca ac e ís icas das emoções, são mais limi adas no iming da oco ência e na
libe dade de al e na i as pa a a sua sa is ação (Iza d & Buechle , 1980).
AVALIAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA 103
eagi à in o mação p ocessada pelo o ganismo (em unção de impulsos
in e nos ou es ímulos ex e nos), mo i ando e dando sen ido ao compo amen o
do sujei o. As emoções o ganizam, mo i am e o ien am, ainda, a pe cepção e o
pensamen o (Quei ós, 1997).
De aco do com a TDE exis em emoções que são undamen ais pa a a
mo i ação humana: as emoções p imá ias. Es as eme gem cedo no
desen ol imen o do indi íduo, são ina as e anscul u ais, e pe manecem como
uma pa e es á el no leque das emoções humanas (Doughe y, Abe, & Iza d,
1996; Iza d & Buechle , 1980). Elas são conside adas independen es, pois
apesa de se em equen emen e ac i adas pela a aliação ou in e p e ação
cogni i a, ope am ambém em espos a a ou os ac i ado es não cogni i os
(e.g. al e ações nos ní eis ho monais, an ecipação à do ).
Es as emoções são de inidas, segundo es a eo ia, como p ocessos complexos
com aspec os neu onal/a alia i o, neu omuscula /exp essi os e expe ienciais.
O p imei o aspec o aduz as es u u as en ol idas no p ocesso de
a aliação senso ial dos es ímulos in e nos e ex e nos. Es a componen e ac i a
p ocessos que conduzem a aspec os expe ienciais e exp essi os das emoções.
O aspec o exp essi o e e e-se aos pad ões aciais, ges uais e ocálicos
que são a aliados socialmen e. Es e aspec o ambém con ibui pa a a ac i ação
e egulação da expe iência subjec i a da emoção a a és de p ocessos de
eedback senso ial.
O aspec o expe iencial e e e-se à qualidade do es ado de consciência que
inclui a mo i ação pa a a expe iência ou a expe iência com signi icado
imedia o pa a a pessoa, e pode ac i a cognições especí icas (Doughe y e al.,
1996; Iza d, 1991; Iza d & Buechle , 1980).
Apesa des es ês aspec os das emoções es a em al amen e in e -
- elacionados, eles de em se enca ados como endo uncionamen os dis in os,
uma ez que o p ocesso desen ol imen al pode di e i nes es ês aspec os
(Doughe y e al., 1996). Assim, cada emoção p imá ia/básica em uma
endência mo i acional única, uma o ganização neu onal pa icula ,
con igu ações exp essi as dis in as e p op iedades expe ienciais especí icas
(Iza d, 1991).
A TDE de ende que a consciência é o ganizada pelas emoções p imá ias
que di eccionam os p ocessos senso iais, pe cep i os e cogni i os (Iza d &
Buechle , 1980).
As 11 emoções p imá ias são o in e esse, aleg ia, su p esa, cóle a, nojo,
desp ezo, medo, angús ia, e gonha, culpa e is eza ( endo sido es a úl ima
ac escen ada pos e io men e). Apesa de nenhuma des as expe iências pode
se ca ego izada como eminen emen e posi i a ou nega i a, uma ez que os
seus e ei os e as suas causas dependem de aspec os in aindi iduais e da
in e acção en e o indi íduo e o meio, equen emen e classi ica-se, po
con eniência, as emoções como posi i as ou nega i as de aco do com a meno
ou maio p obabilidade, espec i amen e, de aca e a em consequências
indesejá eis pa a o sujei o. Como posi i as são conside adas o in e esse, a
aleg ia, e a su p esa, e como nega i as são conside adas as es an es oi o
emoções (Iza d, 1991; Iza d & Buechle , 1980). Segundo Iza d (1991) o mais
co ec o se ia a i ma que exis em algumas emoções que endem a conduzi a
uma en opia psicológica e ou as que endem a acili a um compo amen o
cons u i o e o ganiza i o.
Vejamos seguidamen e, de aco do com Iza d (1991), Iza d e Buechle
(1980) e Quei ós (1997) uma b e e desc ição das ca ac e ís icas ge ais de cada
emoção p imá ia e das suas p incipais causas.
O in e esse mo i a a ap endizagem, o desen ol imen o de compe ências e
o en ol imen o do se humano no meio. As causas des a emoção são inúme as,
a iando com as ca ac e ís icas da pessoa, nomeadamen e a pe sonalidade e a
idade. No ge al, o g ande desencadeado des a emoção é a no idade da si uação,
podendo ambém es a na base a a enção e a cu iosidade em elação a algo. O
in e esse apa ece equen emen e associado a ou as duas emoções p imá ias: a
aleg ia e a su p esa.
A emoção aleg ia é ca ac e izada po um sen ido de con iança e con en-
amen o que pode oco e du an e uma an asia, um sonho ou quando o
indi íduo se encon a em es ado de ale a. Ela pode se desencadeada po
di e en es causas desde a sa is ação de necessidades básicas, ao sucesso, à
compe ência em ce as a e as, e mesmo ao desapa ecimen o de de e minadas
di iculdades. A aleg ia es á associada essencialmen e ao in e esse.
Quan o à su p esa es a ca ac e iza-se po um es ado ansi ó io, ipica-
men e elacionado com um acon ecimen o súbi o e inespe ado, que momen a-
neamen e domina a consciência. Es a emoção é desencadeada po uma
ino ação ou um aumen o súbi o na es imulação e es á associada a si uações
ag adá eis. A sua p incipal unção é p epa a o sujei o pa a algo no o. Quando
a si uação é desag adá el, a su p esa su ge equen emen e associada ao medo.
A cóle a, po sua ez, é equen emen e es imulada po um sen imen o de
es ição ísica ou psicológica que cons i ui um obs áculo que impede o
indi íduo de a ingi os seus objec i os. Pode ainda se desencadeada po ou as
si uações como a es imulação desag adá el ou a e si a (e.g. do ), a exis ência
de cenas mo almen e nega i as ou o ac o do indi íduo e sido al o de uma
o ensa ou injus iça. A cóle a pode su gi associada à e gonha (após a
exp essão da cóle a), ao nojo e ao desp ezo (se as si uações são a aliadas como
us an es), à is eza e à e gonha (em si uações de desapon amen o ou
insucesso) e ambém à is eza, à culpa e ao medo.
Rela i amen e ao nojo, es e pode se uma espos a a algo ísico ou
psicologicamen e de e io ado. Pa ece, no en an o, e uma dimensão
psicológica eduzida eme endo pa a algo mais ins in i o e neu oquímico.
Quan o às causas, do pon o de is a ísico os alimen os pa ecem se po enciais
desencadeado es, e do pon o de is a psicológico, egis am-se as si uações ou
os indi íduos mo almen e a e si os. Es a emoção associa-se mais equen e-
104 S. TORRES & M.P. GUERRA
AVALIAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA 105
men e ao desp ezo e à cóle a e pode associa -se ambém à is eza, ac o es e
que é bas an e comum na ano exia ne osa.
O desp ezo é uma emoção associada ao sen imen o de supe io idade que
pode conduzi a um ipo de compo amen o ag essi o que pode se di eccionado
pa a um al o despe sonalizado. É a emoção mais associada aos p econcei os,
eme endo pa a uma dimensão mo al. O desp ezo cons i ui, jun amen e com a
cóle a e o nojo, a íade da hos ilidade.
No que conce ne ao medo, es a é uma emoção pa icula men e nega i a,
expe ienciada como ap eensão, ince eza e sensação de ameaça ou pe igo pa a
a in eg idade pessoal. Nes e sen ido, o medo desempenha um papel impo an e
em e mos adap a i os na medida em que pe mi e ao indi íduo ac ua no sen ido
de eduzi es a ameaça. Em e mos isiológicos conside a-se que as
necessidades básicas podem desencadea medo (e.g. di iculdade em espi a ).
Conhecem-se ainda ou as causas ais como o medo de se abandonado, a
ap oximação ápida de alguém, e ainda si uações que despe am medo po
an ecipação, como o medo de pe de o con ole (que aliás é bas an e comum na
ano exia ne osa), o medo de alha e o medo do sucesso. Em e mos de
associações com ou as emoções es as podem se á ias: com a su p esa
(essencialmen e se o uma su p esa desag adá el), com a aleg ia (ao sen i
alí io após o medo), com o in e esse (po explo a uma si uação no a), e com a
culpa (em elação a de e minado ac o).
A angús ia eme e pa a um es ado de ap eensão e p eocupações di usas
sem causas especí icas. Ca ac e iza-se po um medo menos in enso mas
p olongado no empo. Es a emoção es á cla amen e associada ao medo.
A e gonha é sen ida como uma sob e-exposição de aspec os ulne á eis
do sel e uma ma can e au o-consciência ela i amen e à inadequação de uma
acção especí ica. Ela é desencadeada apenas em si uações que êm signi icado
pa a o sujei o. Es a emoção pode es a associada ao medo, à cóle a, à culpa, ao
nojo (como o ma de dis a ça a exp essão da e gonha) e ao desp ezo (po e
demons ado sen i e gonha).
Quan o à is eza, es a é a emoção nega i a mais comum e pode inclui
sen imen os de solidão, desânimo, ejeição e insa is ação pessoal. As causas
mais equen es são a sepa ação ísica ou psicológica e o insucesso. Es a
emoção pa ece es a associada à culpa, à cóle a, ao medo e à e gonha (po
exp essa a is eza).
Po úl imo, a culpa, que se de ine como uma emoção associada à
esponsabilidade pessoal pela iolação de eg as in e nas. Ca ac e iza-se pela
sensação de e come ido um ac o ep o á el, como po exemplo e
des espei ado algo ou alguém, e ansg edido alo es an e io men e acei es ou
e pe dido jus amen e a con iança de alguém. A culpa pode es a associada ao
medo, à e gonha e à cóle a.
Es as emoções, apesa de se em conside adas po Iza d como sendo
independen es, o am ag upadas pela p óp ia au o a no seguimen o dos seus