Resumo
Pe spec i a sócio-cogni i a da mo i ação: con ibu os eó icos e desen ol imen os
empí icos
A pe spec i a sócio-cogni i a da mo i ação iden i icou a o igem de pad ões de ealização
(de pe sis ência s. de desis ência), que si ua na adopção de objec i os de ealização opos os
(cen ados na ap endizagem s. cen ados no esul ado) e em concepções pessoais di e encia-
das ace ca da in eligência (dinâmica s. es á ica). O cons u o concepções pessoais de in eli-
gência cons i ui o pon o al o da pe spec i a sócio-cogni i a de Dweck, pelo seu pode explica-
i o dos p ocessos psicológicos subjacen es ao compo amen o em con ex os de ealização.
A pa da e isão eó ica des a pe spec i a ap esen a-se a cons ução de um ins umen o pa a
a alia as concepções pessoais de in eligência, baseado nas in es igações de Dweck. O ins u-
men o des ina-se a adolescen es, em mais i ens do que o o iginal e engloba no os aspec os,
ais como a impo ância do es o ço e da compe ência e as suas elações com as concepções
pessoais de in eligência. Os esul ados de uma análise ac o ial e idencia am a exis ência de
dois ac o es dis in os - um “es á ico” e ou o “dinâmico” -, que explicam conjun amen e
31.7% da a iância o al dos esul ados. A consis ência in e na das escalas ap esen ou coe i-
cien es alpha en e .74 e .80. Os esul ados de um es udo da idelidade es e- e es e (com um
mês de in e alo), ap esen a am-se melho es pa a a escala es á ica do que pa a a dinâmica, bem
como os esul ados do es udo da alidade ex e na das escalas (co elações com a média das
no as escola es). Es udos di e enciais e idencia am a exis ência de di e enças nas concepções
pessoais de in eligência em unção do ano de escola idade (5º ao 11º): os alo es aumen a am
do 5º ao 11º ano, demons ando que os alunos de anos supe io es se ap esen am menos “es á-
icos” (mais “dinâmicos”), bem como em unção do NSE (al o s. baixo): os sujei os de NSE
al o ap esen am-se menos “es á icos” (mais “dinâmicos”) do que os de NSE baixo.
Pe spec i a sócio-cogni i a da mo i ação:
con ibu os eó icos e desen ol imen os empí icos
Lu í s a Fa i a *
* P o esso a Auxilia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o. Memb o do
Cen o de Pisologia Di e encial e Ecológica do Desen ol imen o no Insi u o de Consul a Psicológica, Fo mação e
Desen ol imen o.
Es e es udo baseia-se, em pa e, na disse ação ap esen ada pela au o a pa a p o as de dou o amen o em Psicologia, na
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o.
A co espondência e e en e a es e a igo de e á se en iada pa a: FPCE-UP, Rua do Campo Aleg e, nº 1055 4150
PORTO/PORTUGAL.
Pala as cha e
Concepções pessoais de in eligência; objec i os de ealização; pad ões de ealização; a a-
liação; adolescência.
Resumen
Pe spec i a socio-cogni i a de
la mo i ación: con ibuciones eó icas y p og esos empí icos
La pe spec i a socio-cogni i a de la mo i ación ha iden i icado el o igen de los pa ones de
endimien o (de pe sis encia s. de desis encia), en la adopción de dis in os obje i os de eali-
zación (cen ados en la ap endizaje s. cen ados en el esul ado) y en las concepciones pe so-
nales de la in eligencia (dinámica s. es á ica). És as ep esen an el pun o más al o en la pe s-
pec i a socio-cogni i a de Dweck, ya que explican los p ocesos psicologicos subyacen es al
compo amien o en con ex os de ealización.
A la pa de la e isión eó ica de la pe spec i a se p esen a la cons ucción de un ins u-
men o pa a e alua las concepciones pe sonales de la in eligencia con base en las in es iga-
ciones de Dweck. El ins umen o se des ina a adolescen es, iene más i ems que el o iginal y
eune nue os aspec os como la impo ancia del es ue zo y de la compe encia y sus elaciones
con las concepciones pe sonales de la in eligencia.
Los esul ados de un análisis ac o ial han e idenciado la exis encia de dos ac o es
dis in os —uno “es á ico” y o o “dinámico”—, que explican en conjun o 31.7% de la a ian-
za o al de los esul ados. La consis encia in e na de las escalas ha p esen ado coe icien es
alpha en e .74 y .80. Los esul ados de un es udio de la iabilidad es - e es (con un mes de
in e alo), ue on mejo es pa a la escala es á ica que pa a la dinámica, así como los esul ados
del es udio de la alidez ex e na de las escalas (co elaciones con la media de las no as en la
escuela). Es udios di e enciales apun an hacia la exis encia de di e encias en unción del año
de enseñanza (5º al 11º) sob e las concepciones pe sonales de la in eligencia. Así, los alo es
aumen an del 5º al 11º año y demues an que los alumnos de años supe io es apa ecen como
menos “es á icos” (más “dinámicos”) que los alumnos de años in e io es. Lo mismo ocu e en
unción del ni el socio-económico (NSE), ele ado s. bajo: los indi iduos del NSE ele ado
son menos “es á icos” (más “dinámicos”) en elación a los indi iduos de NSE bajo.
Palab as cla e
Concepciones pe sonales de la in eligencia; obje i os de ealización; pa ones de endi-
mien o; e aluación; adolescencia.
Abs RAc
Social-cogni i e app oach o
mo i a ion: heo e ical de elopmen s and empi ical e idence
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The social-cogni i e app oach o mo i a ion iden i ied he o igin o achie emen pa e ns o
beha io (mas e y-o ien ed s. helpless) in he adop ion o di e en achie emen goals (lea -
ning s. pe o mance) and in di e en pe sonal concep ions o in elligence (dynamic s. s a ic).
Pe sonal concep ions o in elligence ep esen he mos impo an cons uc o his app oach
due o i s capaci y o explain he psychological p ocesses unde lying beha io in achie emen
con ex s.
In his s udy we'll p esen a heo e ical e ision o his app oach, as well as he building o
an ins umen o e alua e pe sonal concep ions o in elligence in he Po uguese con ex . The
ins umen is di ec ed o adolescen s, has go mo e i ems han he o iginal one and inco po a es
new aspec s, such as he impo ance o e o and abili y in ela ion wi h pe sonal concep ions
o in elligence. The esul s o a ac o analysis e idenced he exis ence o wo dis inc ac o s
- a s a ic and a dynamic one - ha explain oge he 31.7% o he o al a iance. The in e nal
consis ency o he scales e idenced alpha coe icien s be ween .74 and .80. The esul s o a
es - e es eliabili y s udy (wi h a mon h in e al) p o ed o be be e o he s a ic scale han
o he he dynamic one, as well as he esul s o an ex e nal alidi y s udy (co ela ions wi h
g ade poin a e age). Some di e en ial explo a o y s udies showed di e ences in pe sonal
concep ions o in elligence ela ed o school g ades (5 h o 11 h): he sco es inc eased om he
5 h o he 11 h g ade, showing ha olde s uden s we e less “s a ic” (mo e “dynamic”), and also
ela ed o he socio-economic s a us (high s low): he highe SES subjec s appea ed less “s a-
ic” (mo e “dynamic”) han he lowe SES subjec s.
Key wo ds
Pe sonal concep ions o in elligence; achie emen goals; achie emen pa e ns o beha io ;
e alua ion; adolescence.
A pe spec i a sócio-cogni i a da mo i-
ação ap esen a-se como uma pe spec i a
comp eensi a, já que engloba num mesmo
sis ema aspec os cogni i os, a ec i os e com-
po amen ais, e os o ganiza em o no de
cons u os mais globais, como os objec i os
de ealização e as concepções pessoais de
in eligência. O desen ol imen o des a pe s-
pec i a a a essou ês ases dis in as que
esumi emos de seguida, cen ando-nos pa i-
cula men e na úl ima ase de desen ol imen-
o e no cons u o “concepções pessoais de
in eligência”, em elação ao qual se ão ap e-
sen ados es udos empí icos com o objec i o
de cons ui um ins umen o de a aliação
adap ado ao con ex o Po uguês.
FAses de desen ol imen o dA
PeRsPec i A sócio-cogni i A
Numa p imei a ase o am in es igados,
em con ex o labo a o ial, os pad ões de cog-
nição-a ec o-compo amen o que sujei os
com a mesma capacidade in elec ual adop am
pe an e si uações de acasso e de sucesso
(Diene & Dweck, 1978; Diene & Dweck,
1980; Dweck & Reppucci, 1973). A sis ema-
ização de dois pad ões dis in os, de pe sis-
ência s. de desis ência, independen es da
capacidade de ealização dos sujei os, em
labo a ó io, oi ala gada e aplicada a con ex-
os na u ais como a sala de aula. Fo am
obse adas as suas mani es ações di e encia-
das, em ma é ias escola es que con on am os
sujei os com ní eis de di iculdade e obs ácu-
los di e en es no início das no as ap endiza-
gens (Lich & Dweck, 1984). Os dois pad ões
de ealização dis inguem-se ao ní el da qua-
lidade da ealização e idenciada após o con-
on o com acassos, das explicações a ibu-
cionais pa a os esul ados, dos a ec os susci-
ados, das e balizações p oduzidas e das
expec a i as de sucesso pa a a ealização
u u a.
Assim, pad ões di e en es de compo a-
men os, cognições e a ec os, adop ados po
sujei os que se con on am com si uações de
ealização conc e as, são equen emen e
obse ados no domínio educa i o. Com e ei-
o, os pad ões de ealização cons i uem enó-
menos essenciais que es e modelo da mo i-
ação p e ende p e e e explica (Dweck,
1991). A mani es ação de um ou ou o pad ão
de ealização, não depende da capacidade
eal dos sujei os e dis ingue-se pa icula -
men e pela p odução de espos as di e encia-
das pe an e si uações de acasso (Bandu a &
Dweck, 1985).
Um dos pad ões ca ac e iza-se pela escol-
ha de a e as desa iado as e po ele ados
ní eis de ealização e pe sis ência pe an e
obs áculos. Os sujei os que adop am es e
pad ão de ealização são designados po
o ien ados pa a a mes ia, e idenciando
pad ões de pe sis ência. O ou o pad ão
ca ac e iza-se pelo e i amen o das si uações
pe cebidas como di íceis e pela de e io ação
da ealização pe an e o acasso. Os sujei os
que adop am es e pad ão são designados po
o ien ados pa a o acasso, e idenciando
pad ões de desis ência (Bandu a & Dweck,
1985; Diene & Dweck, 1978; Diene &
Dweck, 1980; Dweck & Legge , 1988). Na
desc ição e análise dos dois pad ões de eali-
zação, as componen es cogni i a, a ec i a e
compo amen al são concep ualizadas como
aspec os in e elacionados de um p ocesso
coe en e (Dweck & Legge , 1988). No
Quad o 1 encon a-se a ca ac e ização de
ambos os pad ões ao ní el dos compo amen-
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Quad o 1.—ca ac e ização: de desis ência e de pe sis ência
PADRãO DE DESISTêNCIA PADRãO DE PERSISTêNCIA
SUjEITOS o ien adoS Pa a o acaSo SUjEITOS o ien adoS Pa a a meS ia
1. compo amen os de ealização após con on o com obs áculos/ acasos
• Realização debili ada • Realização cons an e ou melho ada
• U ilização de es a égias não e icazes na esolução • U ilização de es a égias e icazes e mais so is ica-
de p oblemas das na esolução de p oblemas
• Baixa pe sis ência pe an e as di icul ades • Ele ada pe sis ência pe an e as di icul ades
• Desis ência p ecoce (an es de esgo a as á ias • Ausência de compo amen os de desis ência
al e na i as)
• A enção e concen ação diminuídas • A enção e concen ação aumen adas
2. cognições
• Subes imação do n´pume o de p oblemas • Es amação eal do núme o de p oblemas
esol idos p e iamen e com sucesso esol idos p e iamen e com sucesso
• Sob es imação do núme o de acassos p é ios • Es imação eal do núme o de acassos p é ios
• A ibuições pa a o acasso à al a de capacidade • Ausência de a ibuições; quando p esen es,
(causa in e na, es á el e incon olá el) a ibuições pa a o acasso à al a de es o ço
• P ocu a da causa do acasso • P ocu a da solução pa a o p oblema
• A ibuições pa a o sucesso a causas ex e nas • A ibuições pa a o sucesso a causas in e nas
como a acilidade da a e a ou a boa on ade como a capacidade e o es o ço
do expe imen ado
• P esença de e balizações i ele an es pa a a • P esença de e balizações que e idenciam
a enção,
esolução da a e a, cen adas sob e si p óp io concen ação e es o ço na esolução da a e a
• Ausência de e balizações que e idenciem • P esença de e balizações que e idenciam
es a égicas de supe ição da ealização p ópia supe ição da ealização, como au o-ins uções
e e en es à esolução da a e a
• Des alo ização do sucesso enquan o ac o • Valo ização do sucesso enquan o p edi o de
p edi i o de ealizações u u as ealizações u u as
• Expec a i as de sucesso nega i as e baixas • Expec a i as de sucesso posi i as e al as
• Des alo ização da ealização p óp ia quando • Valo ização da ealização p óp ia quando
compa ada com a dos pa es compa ada com a dos pa es
3. a ec os
• P edominan emen e nega i os: au o-es ima • P edominan emen e posi i os: au o-es ima
nega i a e des alo ização pessoal posi i a e con iança na capacidade p óp ia
en suma, após con on o com obs áculos e di icul ades, emos:
• Focalização no passado • Focalização no u u o
• Ên ase nos aspec os nega i os da ealização • Ên ase nos aspec os posi i os da ealização
• Ten a i as pa a e i a a si uação ou pa a desis i • Es o ços edob ados, pe sis ência
Adap ado de Fa io (1990)
os e idenciados após acasso, das cognições
e dos a ec os.
Numa segunda ase, p ocu ou-se in es i-
ga quais os p ocessos psicológicos que es ão
subjacen es à mani es ação dos dois pad ões
di e enciados de ealização. Chegou-se assim
à concep ualização de objec i os de eali-
zação (cen ados no esul ado s. cen ados
na ap endizagem), enquan o cons u os o ga-
nizado es e in eg ado es, que englobam num
mesmo sis ema in e ac i o cognições, a ec os
e compo amen os. Os objec i os de eali-
zação es ão na base da adopção de di e en es
pad ões de ealização de aco do com a
seguin e elação: os objec i os cen ados no
esul ado p omo em a adopção de pad ões de
desis ência e os objec i os cen ados na
ap endizagem p omo em a adopção de
pad ões de pe sis ência. Es a elação oi com-
p o ada, que em con ex o labo a o ial
(Bandu a & Dweck, 1985; Ellio & Dweck,
1988; Legge & Dweck, 1988), que em
con ex o na u al (Fa ell & Dweck, 1985).
Os objec i os cen ados na ap endizagem
implicam a p eocupação em adqui i e domi-
na no os conhecimen os e compe ências,
enquan o que os objec i os cen ados no
esul ado implicam a p eocupação em ob e
juízos a o á eis da compe ência p óp ia e
e i a juízos des a o á eis da mesma. Des e
modo, o es udo da mo i ação pa a a eali-
zação pode se concep ualizado como o es u-
do dos ac o es psicológicos que, pa a além
da capacidade eal, a ec am a adopção e p os-
secução de objec i os, a de e minação do
ipo de objec i os escolhidos, a in ensidade e
a du ação com que são p osseguidos. Es es
ac o es, em conjun o com a capacidade dos
sujei os, de e minam a qualidade das suas
ap endizagens e das suas ealizações (Dweck
& Ellio , 1983).
Numa e cei a ase oi ap esen ada a con-
cep ualização baseada em duas concepções
pessoais de in eligência, enquan o c enças
implíci as e di e enciadas ace ca da na u eza
da in eligência, à ol a das quais se o gani-
zam objec i os de ealização, compo amen-
os, a ec os e cognições.
As concepções pessoais de in eligência
são po ezes designadas po eo ias, pa a
ansmi i a ideia de que as pe cepções dos
sujei os ace ca da na u eza da capacidade
in elec ual são ela i amen e sis emá icas e
coe en es, e são quali icadas de implíci as
( eo ias implíci as), já que apesa de pode em
não es a cla amen e exp essas, in luenciam
o compo amen o de o ma sis emá ica e
podem se al o de a aliação explíci a (Cain
& Dweck, 1989; Dweck, 1986; Dweck &
Legge , 1988).
Uma das concepções, denominada es á i-
ca, en ol e a c ença de que a in eligência é
um aço global e es á el, limi ado em quan-
idade e incon olá el. Os sujei os que adop-
am es a concepção ac edi am que possuem
uma quan idade ixa e especí ica de in eli-
gência, demons á el a a és da ealização, e
que os esul ados ob idos a pe mi em a alia .
A ou a concepção, denominada dinâmica e
desen ol imen al, en ol e a c ença de que a
in eligência é um conjun o dinâmico de com-
pe ências e conhecimen os, suscep í el de
desen ol imen o a a és de es o ços e in es-
imen os pessoais, po an o con olá el. Os
sujei os que adop am es a concepção de in e-
ligência cen am-se mais na p omoção do seu
desen ol imen o do que na sua demons-
ação (Dweck & Bempecha , 1983; Fa ia,
1990; 1995).
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Po ol a do im da escola idade básica
odos os sujei os conseguem pe cebe os
aspec os undamen ais de ambas as conce-
pções, mas endem a o ien a -se p e e encial-
men e po uma delas quando pensam ace ca
da in eligência (Dweck & Bempecha , 1983;
Dweck & Ellio , 1983; Ellio & Dweck,
1988). O a, os sujei os com di e en es conce-
pções de in eligência pa ecem ambém adop-
a objec i os de ealização di e en es: a
concepção es á ica, ao ge a p eocupações
com a imagem pessoal de compe ência e com
os aspec os a alia i os da ealização (asso-
ciados a juízos posi i os ou nega i os da
capacidade), p omo e a adopção de objec i-
os cen ados no esul ado, mais suscep í eis
de p o ege a imagem pessoal, p ocu ando
juízos posi i os e e i ando juízos nega i os;
pelo con á io, a concepção dinâmica da in e-
ligência, ao ge a p eocupações elacionadas
com o domínio da a e a e o desen ol imen o
de compe ências a a és do in es imen o de
es o ço, p omo e a adopção de objec i os
cen ados na ap endizagem, mais adequados
à p omoção da compe ência p óp ia. Es a
elação oi empi icamen e comp o ada a a-
és de es udos em con ex o labo a o ial, que
as concepções pessoais de in eligência en-
ham sido a aliadas (Bandu a & Dweck,
1985; Legge , 1985) ou manipuladas expe i-
men almen e (Bempecha , London & Dweck,
1991; Dweck, Tenney & Dinces, 1982).
Es es es udos demons a am como a o ien-
ação pa a uma concepção pa icula de in e-
ligência, ainda que empo á ia, alida a
elação causal p e is a en e concepções pes-
soais de in eligência e objec i os de eali-
zação. Chamam ainda a a enção pa a a impo -
ância dos ac o es si uacionais na de e mi-
nação da concepção de in eligência adop ada:
os sujei os podem adop a concepções de
in eligência di e en es em di e en es
si uações, sendo al ez mais ap op iada uma
concep ualização das concepções pessoais de
in eligência que in eg e ambas as o ien ações,
es á ica e dinâmica, enquan o aspec os ou
o mas quali a i amen e di e en es de um
mesmo cons u o, o au o-concei o (Dweck &
Quad o 2.—concepções de in eligência, escolha de objec i os de ealização
e ipo de pad ões de ealização
ConCEPçõES DE inTEligÊnCiA ESColhA DE oBjECTiVoS DE REAlizAção PADRõES DE REAlizAção
Obje i os cen ados no esul ado O ien ado pa a o F acasso
(ob e juízos de compe ência Pad ão de Desis ência
es á ica a o á eis; e i a juízos de compe ência
nega i os)
dinâmica e Obje i os cen ados na ap endizagem O ien ado pa a a Maes ia
desen ol imen al (aumen a a compe ência) Pad ão de Pe sis ência
Adap ado de Dweck & Bempecha (1983)
Ellio , 1983; Dweck & Legge , 1988).
Assim, as concepções pessoais de in eligên-
cia e os objec i os de ealização que aquelas
p omo em, podem se conside ados como
sis emas quali a i amen e di e en es do sel ,
cada um com as suas eg as, alo es, lógica e
coe ência in e nas: a concepção es á ica con-
cep ualiza o sel como um conjun o de aços
es á icos sucep í eis de se em a aliados,
enquan o que a concepção dinâmica concep-
ualiza o sel como um sis ema dinâmico, que
pode se desen ol ido. A ob enção de ele a-
dos ní eis de au o-concei o no “sis ema es á-
ico” depende á da a aliação a o á el de
aços como a in eligência, ou seja, da p os-
secução de objec i os cen ados no esul ado.
Pelo con á io, no “sis ema dinâmico”, a
p ossecução de acções que p omo am o des-
en ol imen o de a ibu os alo izados pelo
sujei o, ou seja, de objec i os cen ados na
ap endizagem, p omo e á o au o-concei o.
En ão, as di e enças indi iduais podem se
in e p e adas como p edisposições pa a ope-
a den o de um sis ema ou de ou o (Dweck,
1991). No Quad o 2 encon a-se uma sis e-
ma ização ge al da elação en e concepções
pessoais de in eligência, objec i os de eali-
zação e pad ões de ealização.
Be gen e Dweck (1989) sis ema iza am es e
modelo de ês ases, p opondo uma es u u a
em ês ní eis. No p imei o ní el, que desig-
nam po es u u al, es ão comp eendidas as
concepções pessoais dos sujei os ace ca da
in eligência, bem como de ou os a ibu os po
eles alo izados. No segundo ní el, designado
po mo i acional, encon am-se os objec i os
que os sujei os adop am em elação aos a ibu-
os que alo izam (po exemplo, a in eligên-
cia), cuja escolha é de e minada pelas conce-
pções pessoais ace ca desses a ibu os. No
48
Figu a 1.—modelo sócio-cogni i o da mo i ação em ês ní eis
ní el es uc u al ní el mo i acional ní el Real
concepções Pessoais ou
implíci as
Concepção dinâmica ou
es á ica em elação aos
a ibu os alo izados
objec i os
Cen ados na ap endiza-
gem ouno esul ado:
o mas po enciais de
canaliza as ene gias
Pad ões de cognição
a ec o-compo amen o
Concepção dinâmica ou
es á ica em elação aos
a ibu os alo izados
Adap ado de Be gen & Dweck (1989)
e cei o ní el, designado po eal, encon am-
se pad ões coe en es e dis in os de cognição-
a ec o-compo amen o, mani es ados na p os-
secução dos objec i os de ealização, que se
o iginam e o ganizam em o no des es mesmos
objec i os (Figu a 1). Uma das po encialidades
des e modelo é a sua aplicabilidade a ou os
a ibu os pa a além da in eligência (Chiu,
Hong & Dweck, 1994). Assim, é suge ido que
os sujei os, em qualque domínio da sua exis-
49
ência (social, ísico, in elec ual), podem ap e-
sen a um de dois sis emas básicos de c enças
ace ca de si p óp ios e do que os odeia: podem
ac edi a na possibilidade de muda aspec os
de si p óp ios ou do que os odeia de modo a
ha e adap ação (concepção dinâmica e desen-
ol imen al) ou, pelo con á io, ac edi a que é
impossí el muda aspec os de si e do que os
odeia (concepção es á ica). A iden i icação das
concepções adop adas pe mi e p e e os objec-
i os e os pad ões de ealização.
A impo ância das concepções pessoais de
in eligência na p e isão dos objec i os e dos
pad ões de ealização conduziu os au o es a
desen ol e em abalhos de cons ução de
ins umen os pa a a sua a aliação.
Ap esen a emos seguidamen e uma e isão
desses es udos, bem como a cons ução de
uma escala pa a o con ex o Po uguês.
A aliação das concepções pessoais
de in eligência
O desen ol imen o de ins umen os pa a
a alia as concepções pessoais de in eligên-
cia, conduziu Dweck e colabo ado es, numa
p imei a ase, a usa em escalas de a aliação
com um o ma o dico ómico, u ilizando pa es
de noções con as an es ace ca do signi icado
da in eligência (Bandu a & Dweck, 1985;
Dweck & Hende son, 1988; Legge , 1985).
Nes es pa es, um pólo de ine a in eligência
como uma qualidade es á ica (concepção
es á ica) e o ou o como uma qualidade dinâ-
mica (concepção dinâmica): po exemplo,
“podes ap ende coisas no as, mas a ua in e-
ligência pe manece igual” (concepção es á i-
ca) s. “a in eligência é algo que podes
aumen a quan o quise es” (concepção dinâ-
mica), (Dweck & Bempecha , 1983), sendo
pedido aos sujei os pa a escolhe em a a i -
mação que conside am mais e dadei a. A
cons a ação de que os sujei os endiam a
selecciona a i mações p og essi amen e
mais elacionadas com a concepção dinâmi-
ca, à medida que p og ediam na ealização
do ques ioná io, o iginou a con icção de que
os i ens elacionados com a concepção dinâ-
mica se iam mais desejá eis socialmen e,
apesa dos au o es não e em incluído no
ins umen o qualque medida di ec a de des-
ejabilidade social (Dweck & Hende son,
1988). De modo a con ola es e iés, os
au o es desen ol e am um no o o ma o,
que ap esen a apenas i ens que espelham a
concepção es á ica de in eligência. Nes e
o ma o são ap esen ados ês i ens elaciona-
dos com a concepção es á ica de in eligência e
os sujei os êm que indica o seu g au de aco -
do, numa escala de Like de seis pon os (de
“disco do o almen e” a “conco do o almen-
e”), po exemplo: “a ua in eligência é uma
qualidade que não podes muda mui o”
(Dweck, 1993). Segundo Dweck e colabo a-
do es, nes e no o o ma o, os sujei os com
uma concepção dinâmica de in eligência
pode ão disco da com os i ens, enquan o que
aqueles que e idenciam uma concepção es á-
ica pode ão conco da com eles. Assim, a
disco dância com os i ens “es á icos” se ia
sinónimo da adopção de concepções dinâmi-
cas de in eligência.
O no o ins umen o inclui apenas ês
i ens, mas Dweck e idencia o ac o de e
conseguido ob e dis ibuições de alo es
bimodais, a pos e io i, apoiando a capacida-
de do ins umen o pa a disc imina os sujei-
os quan o às concepções pessoais de in eli-
gência (Hende son, Cain & Dweck, 1987;
Hende son & Dweck, 1988). Salien a-se
ainda o ac o dos á ios es udos de Dweck e
co elações ap esen a am-se acas, especial-
men e pa a a escala dinâmica ( = .10, p <
.001), embo a supe io es pa a a escala es á i-
ca ( = .24; p < .001).
es udos di e enciais: di e enças de g upo
nas concepções pessoais de in eligência
Fo am obse adas di e enças nas conce-
pções pessoais de in eligência em unção do
ano de escola idade e do NSE. Os esul ados
de análises de a iância e de es es de Sche é
a alia am a signi icância dos esul ados pa a as
escalas es á ica e dinâmica. Assim, obse a am-
se di e enças signi ica i as nas concepções
pessoais de in eligência en e sujei os de di e-
en es NSE pa a a escala es á ica (Quad o 6): os
sujei os de NSE al o ap esen a am-se menos
“es á icos” do que os dos NSE médio e baixo.
Obse a am-se, ainda, di e enças em unção do
ano de escola idade na escala es á ica: os sujei-
os de anos supe io es ap esen a am-se menos
“es á icos” do que os dos anos in e io es. Não
se obse a am di e enças de sexo nas conce-
pções pessoais de in eligência.
No que se e e e aos esul ados ob idos
com a escala dinâmica, não se obse a am
quaisque di e enças signi ica i as (Quad o
7). Finalmen e, obse a am-se e ei os de
in e acção signi ica i os en e o NSE e o ano
de escola idade pa a a escala es á ica: as di e-
enças signi ica i as nas concepções pessoais
de in eligência en e NSE nos anos de escola-
idade in e io es (5º e 7º) desapa ecem nos
anos de escola idade supe io es (9º e 11º),
(Figu a 2).
discussão
O cons u o “concepções pessoais de
in eligência” ep esen a o pon o al o da
pe spec i a de Dweck e colabo ado es,
pelo alcance do seu pode de explicação e
de análise dos p ocessos psicológicos sub-
jacen es ao compo amen o em con ex os
de ealização. Assim, ealizámos e isões
com p eocupações de explo ação me odo-
lógica nes e domínio, cons a ando a al a
de ins umen os adap ados ao con ex o
Po uguês. Po ou o lado, a exis ência de
uma escala de a aliação das concepções
pessoais de in eligência comp eendendo
apenas 3 i ens, num domínio onde a in es-
igação eó ica e empí ica se e ela u-
uosa, le ou-nos a inicia um es udo de
cons ução de uma no a escala adap ada
aos adolescen es Po ugueses e comp een-
dendo ou as ques ões eó icas a é aí igno-
adas, como o papel do es o ço nes e
con ex o. No e-se que os es udos empí i-
cos p é ios le ados a e ei o po nós, indi-
ca am a ele ância de inclui na escala
ou os aspec os, di ec amen e ligados com
as concepções pessoais de in eligência,
bem como com a impo ância do es o ço,
es a égias pa a e i a um ó ulo de incom-
pe ência, o mas de demons a compe ên-
cia, alo do sucesso, o mas de e i a o
acasso. Es as ques ões são impo an es
po que são alo izadas pelos adolescen es
e podem pe mi i o le an amen o de pis as
ace ca da di e enciação p og essi a das
concepções pessoais de in eligência du an-
e a adolescência. A elabo ação cuidada do
ins umen o, que oi p ecedida de es udos
empí icos jun o de adolescen es, pe mi e-
nos a i ma que o no o ins umen o nas-
ceu do abalho conjun o da eo ia e da
p á ica.
A escala es á ica do ins umen o e iden-
cia uma boa consis ência in e na e os esul-
ados da análise ac o ial e idenciam uma
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es u u a cla a de dois ac o es. O es udos
de idelidade es e- e es e e os es udos de
alidade ex e na ap esen a am-se sa is a ó-
ios. O núme o supe io de i ens des a
escala eduz a a iância “e o”, usualmen e
p esen e em escalas com um eduzido
núme o de i ens. A escala dinâmica neces-
si a de uma maio cla i icação a ní el de
alguns dos seus i ens.
Os es udos di e enciais e idencia am a
capacidade da escala pa a di e encia g u-
pos de sujei os em unção do NSE e do ano
de escola idade. A exis ência de e ei os de
in e acção signi ica i os en e o NSE e o
ano de escola idade demons a que es as
a iá eis não êm apenas um e ei o adi i o
no desen ol imen o di e encial das conce-
pções pessoais de in eligência.
Se á impo an e explo a as ca ac e ís-
icas do con ex o escola e do meio de
pe ença do sujei o, incluindo o meio
amilia , is o se em suscep í eis de p o-
mo e o desen ol imen o di e encial das
concepções pessoais de in eligência e
salien a os aspec os mais ele an es pa a
a p omoção de concepções mais adap a-
das, conducen es a pad ões adap a i os de
ealização.
Em e mos de pis as pa a u u os es u-
dos, se ia ainda impo an e planea um
p og ama de p omoção das concepções
pessoais de in eligência, no sen ido do des-
en ol imen o de concepções mais adap a i-
as. Tal p og ama de ia e em con a, não
apenas as e idências empí icas nos domí-
nios, mas ambém as ca ac e ís icas do
con ex o escola , nomeadamen e ao ní el
dos seus aspec os de p essão a alia i a e de
compe i i idade. Concluindo, pa ece
impo an e p omo e nos alunos uma con-
cepção de in eligência dinâmica, pois es a
pe mi e concebe o desen ol imen o do
es o ço de o ma pa alela e complemen a
ao desen ol imen o da capacidade e, en a-
izando o papel ac i o do sujei o nes e
p ocesso, pe mi e ainda concilia a necessi-
dade de adop a objec i os cen ados no
esul ado, em ce os con ex os, com o
objec i o de desen ol e a capacidade a a-
és da ap endizagem e do es o ço.
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