1. INTRODUÇÃO
O dé ice de nomeação de ca ego ias especí i-
cas e e e-se à incapacidade pa a nomea obje-
c os de uma ca ego ia semân ica pa icula , es-
ando p ese ada a capacidade de nomeação em
ou as ca ego ias (e.g., Wa ing on & Shallice,
1984; Humph eys & Fo de, no p elo). Es e dé-
ice su ge no con ex o de lesões ce eb ais, an o
ocais como di usas, e a ec a p edominan emen e
ca ego ias semân icas animadas, como animais
ou plan as, em oposição a ca ego ias inanimadas,
como e amen as, u ensílios domés icos ou ins-
umen os musicais. O dé ice in e so, em que a
di iculdade é p edominan e pa a as ca ego ias
inanimadas, pa ece se menos equen e (Fo de,
1999; K emin, 1988; Temple, 1977).
As eo ias explica i as des e dé ice o gani-
zam-se em o no de dois pólos. Num ex emo,
encon am-se aquelas que p opõem que o sis-
ema semân ico es á di idido, uncional e neu-
oana omicamen e, num conjun o de módulos de
p ocessamen o, cada um deles esponsá el po
uma ca ego ia di e en e. De aco do com es a hi-
pó ese, as duplas dissociações – casos de dé ice
na ca ego ia A, com ca ego ia B p ese ada; e
casos de dé ice na ca ego ia B, com ca ego ia A
p ese ada – se iam causadas pela lesão em um
des es módulos, ou nas conexões en e eles. No
ou o ex emo es ão as eo ias que de endem que
o sis ema semân ico é uma as a ede dis ibuí-
da, sem compa imen os p é-de inidos ou igida-
men e dema cados. Numa al abo dagem, as dis-
sociações duplas são explicadas a a és das p o-
p iedades eme gen es da ede neu onal, que
cap am egula idades es a ís icas associadas às
ca ego ias (po exemplo, quan o à complexidade
isual, ou à equência, dos seus espécimens).
Wa ing on e Shallice (1984) ap esen a am a
149
Análise Psicológica (2002), 1 (XX): 149-160
Tes e de nomeação de ca ego ias especí icas:
Es udo de adap ação po uguesa (*)
LUÍSA S. MARTINS (**)
MARINA P. GUERRA (***)
SÃO LUÍS CASTRO (***)
(*) Ag adecemos à P o esso a Paula Cou inho (Che-
e de Se iço de Neu ologia do Hospi al de São Sebas-
ião em San a Ma ia da Fei a) e ao Dou o Seab a
(Che e de Se iço de Medicina In e na do Hospi al
São Ped o Pescado na Pó oa do Va zim) po oda a
gen ileza e disponibilidade, e po nos e em acul ado
o acesso aos espec i os se iços. Ag adecemos am-
bém a odos aqueles que pa icipa am nes e es udo, es-
pecialmen e a odos os pacien es in e nados. Es e es u-
do oi subsidiado em pa e pela FCT, a a és do inan-
ciamen o ao Cen o de Psicologia da Uni e sidade do
Po o, G upo Linguagem.
(**) Psicóloga.
(***) Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação, Uni e sidade do Po o.
p imei a hipó ese explica i a do dé ice de no-
meação de ca ego ias especí icas apelando à
exis ência de dois a mazéns semân icos dis in-
os: um con endo in o mação senso ial, e ou o
con endo in o mação uncional. A iden i icação
de coisas i as depende ia da ecupe ação de in-
o mação senso ial, pelo que uma lesão no a ma-
zém senso ial conduzi ia a um dé ice especí ico
pa a as ca ego ias animadas. O econhecimen o
de en idades não- i as depende ia da ecupe a-
ção de in o mação uncional; assim, uma lesão
no a mazém uncional e ia como consequência
um dé ice pa a as ca ego ias inanimadas. Wa -
ing on e McCa hy (1987) desen ol e am es a
eo ia p opondo a exis ência de canais especí i-
cos pa a as di e en es modalidades de in o ma-
ção (e.g., um canal isual pa a a in o mação i-
sual, e um canal mo o pa a in o mação uncio-
nal), subdi ididos em canais ela i amen e espe-
cializados (e.g., o canal isual e ia um sub-canal
pa a a co , ou o pa a a o ma, e c.). A especiali-
zação do sis ema conduzi ia a uma o ganização
ca ego ial do conhecimen o, e es a ia na o igem
de dé ices ca ego iais mui o especí icos. Es a hi-
pó ese, pos e io men e denominada sensó io-
- uncional, oi simulada po Fa ah e McClelland
(1991) num modelo compu acional, que con i -
mou a elação en e as lesões nos di e en es a -
mazéns semân icos e os dé ices especí icos pa a
as ca ego ias animadas e pa a as ca ego ias ina-
nimadas. C í icas a es e ipo de modelo chamam
a a enção pa a ou os ac o es, não con olados,
que pode iam es a na o igem da especi icidade
dos dé ices, como a complexidade isual (as coi-
sas i as pode iam se mais complexas isual-
men e do que as inanimadas), a equência das
pala as, a sob eposição dos con o nos, ou ou-
as a iá eis (pa a uma e isão, eja Fo de,
ibid.). No en an o, o am desc i os casos ecen es
de dé ices especí icos pa a a nomeação de ca e-
go ias animadas em que o ma e ial usado pa a a
nomeação oi cuidadosamen e selecionado de
modo a esponde àqueles po enciais p oblemas
– e a selec i idade do dé ice man e e-se (Roge s
& Plau , no p elo).
A in es igação mais ecen e ende, no en an o,
pa a uma ca ac e ização da memó ia semân ica
enquan o sis ema uni á io. Os modelos conexio-
nis as, e pa icula men e a simulação do compo -
amen o de edes de p ocessamen o pa alelo e
dis ibuído, cons i uem o mé odo de in es igação
p i ilegiado. Es es modelos pe mi em es a hi-
pó eses baseadas unicamen e nas ca ac e ís icas
de in e ac i idade e plas icidade da ede, sem
qualque e e ência a uma o ganização ana omo-
uncional do có ex p é-exis en e. Di e sos au-
o es apon am a exis ência de di e enças quan o
às p op iedades das edes associadas às di e en-
es ca ego ias, que de e mina iam a sua obus ez
ou agilidade pe an e lesão ce eb al (De lin,
Gonne mann, Ande sen & Seidenbe g, 1998;
Du an -Pea ield, Tyle , Moss & Le y, 1997;
Gonne man, Ande son, De lin, Kemple & Sei-
denbe g, 1997; Moss, Tyle & De lin, no p elo;
Roge s & Plau , ibid.).
Tan o no quad o de uma a qui ec u a modula ,
como no quad o de uma a qui ec u a conexionis-
a, o ac ual es ado da in es igação é consensual
ao admi i que o dé ice de nomeação de ca ego-
ias especí icas não é um a e ac o expe imen al,
a ando-se an es de um dé ice cogni i o eal.
To na-se assim impo an e dispo de um ins u-
men o de a aliação neu opsicológica que a ele
seja sensí el, e que pe mi a de e mina com al-
gum po meno os seus con o nos. O Tes e de
Nomes de Ca ego ias Especí icas, desen ol ido
po McKenna (1997), esponde p ecisamen e a
es as p eocupações. Usa qua o ca ego ias se-
mân icas, duas animadas e ou as duas inanima-
das: Animais, F u os e Legumes, Objec os P á-
xicos (cujo uso en ol e uma acção de coo dena-
ção especí ica, po exemplo, uma colhe ou um
da do) e Objec os Não-p áxicos (em que a an e-
io não se e i ica, po exemplo, um passapo e,
uma lan e na). A e são o iginal do es e con-
empla uma o ma p odu i a – a nomeação de
imagens, e duas o mas de comp eensão – o e-
conhecimen o da imagem, num conjun o de cin-
co al e na i as, a pa i da pala a esc i a; e o
mesmo a pa i da pala a alada. A o ma de no-
meação consis e em ap esen a ao pa icipan e,
em qualque o dem, qua o pequenos li os
co esponden es às qua o ca ego ias, com 30
imagens cada um (120 imagens no o al). Cada
imagem mos a um espécimen da ca ego ia em
ques ão, em desenho no caso dos Animais e em
o og a ia nos casos es an es. As imagens são
mos adas aos pa icipan es uma a uma, sendo-
lhes pedido pa a iden i ica o que mos am («O
que é is o?», «Como é que is o se chama?»,
«Qual é o nome dis o?»). Não há empo limi e
pa a a espos a. O es e oi es anda izado com
150
400 pa icipan es sem lesão neu ológica (223 ho-
mens, 177 mulhe es), e alidado com 75 doen es
com lesão unila e al (50 no hemis é io esque do,
25 no di ei o). O es e oi ainda aplicado a 80
c ianças com idades comp eendidas en e os
qua o e os onze anos, de es a u o sócio-cul u al
a iado. O desempenho dos sujei os saudá eis
oi, g osso modo, equi alen e pa a as qua o ca-
ego ias embo a se enha e i icado uma in e -
acção com o sexo: as mulhe es o am melho es a
nomea F u os e Legumes, e os homens a no-
mea Animais. Os doen es neu ológicos ob i e-
am esul ados mais baixos do que os sujei os
saudá eis, sendo a di e ença ancamen e mais
ma cada pa a os doen es com lesão esque da. A
análise do desempenho das c ianças e elou
uma p og essão desen ol imen al no núme o
de nomeações co ec as, com an agem das ca e-
go ias na u ais ela i amen e às manu ac u adas,
na o dem Animais, F u os e Legumes, Objec os
P áxicos e Objec os Não-p áxicos.
Tan o quan o sabemos, não exis e nenhuma
p o a de a aliação neu opsicológica adap ada à
população po uguesa que a alie especi icamen-
e a nomeação de ca ego ias. O nosso objec i o é
p epa a uma e são po uguesa do Tes e de
Nomes de Ca ego ias Especí icas desen ol ido
po McKenna (ibid.). Es e es udo, de ca ác e
explo a ó io, isa apenas a adap ação da e são
de nomeação.
2. MÉTODO
2.1. Es ímulos e Ma e ial
Fo am u ilizados os qua o li os de imagens
de McKenna (1997) pa a a e são de nomeação.
Todas as imagens são ep oduções de o og a ias
a co es dos objec os, is os numa pe spec i a co-
mum, com excepção das imagens da ca ego ia
Animais, que são desenhos. Cada uma das ima-
gens oi nomeada po duas das au o as (LM e
SLC), e a pala a esul an e oi compa ada com
a adução da lis a de pala as do o iginal inglês.
Os casos di íceis o am ap eciados um a um pe-
las au o as, e ainda po um jú i cons i uído po
qua o in es igado es do Labo a ó io de Fala da
FPCE-UP (IG, RA, SV e LC). Pa a os casos de
imagens de espécimens menos equen es (po
exemplo: o a u, o ucano ou o lince nos Ani-
mais; o uiba bo, a endí ia ou as líchias nos F u-
os e Legumes; o decan ado , a plaina, ou a a a
de a ames nos Objec os P áxicos; o lico ei o, o
cama eu, ou o ba il nos Objec os Não-p áxicos),
e pa a aqueles em que a imagem se p es a a a
mais do que uma possibilidade de nomeação
(po exemplo, da do, se a ou lance a), op ou-se
po ecolhe os dados no conjun o de pa icipan-
es no mais, e só depois elabo a uma lis a com
as espos as acei á eis e com as espos as inco -
ec as mais comuns. Essa lis a encon a-se em
Apêndice (c . Apêndice Es ímulos, Nomeações
Inco ec as e Respec i a F equência).
2.2. Pa icipan es
Fo am obse ados 56 pa icipan es saudá eis
do pon o de is a neu ológico, 33 homens e 23
mulhe es, e 24 doen es neu ológicos (13 mulhe-
es e 11 homens; 16 com lesão esque da e 8 com
lesão di ei a), a que nos e e i emos como g upo
con olo o al e g upo clínico, espec i amen e.
O g upo de con olo oi ec u ado en e olun-
á ios do conhecimen o da p imei a au o a e al-
guns doen es, saudá eis do pon o de is a neu o-
lógico, in e nados no Hospi al de São Sebas ião
em San a Ma ia da Fei a e no Hospi al de São
Ped o Pescado na Pó oa do Va zim. Es es pa -
icipan es inham idades que a ia am en e os
18 e os 86 anos (média de 46.5, des io-pad ão,
dp, de 19.8), e uma escola idade de 8.4 anos, em
média. Os pa icipan es do g upo clínico o am
seleccionados com base no c i é io usado po
McKenna (ibid.): a exis ência de lesão ce eb al
unila e al mac oscópica de e iologia a iada.
Fo am doen es in e nados e u en es da consul a
ex e na do Se iço de Neu ologia do Hospi al de
São Sebas ião. A sua idade a iou en e os 28 e
os 81 anos (média de 63, dp = 13.7), e a escola-
idade en e ze o e 12 anos (média de 3.5, dp =
2.38). Todos consen i am exp essamen e a sua
pa icipação no es udo.
Tendo em con a o ac o de o g upo clínico se
compos o po pessoas ge almen e idosas e de
ní el de escola idade baixo, oi cons i uído um
subg upo de con olo empa elhado, com 24 pa -
icipan es saudá eis com idade e escola idade se-
melhan es ( espec i amen e, 63.0 e 3.46 anos).
151
2.3. P ocedimen o
Os pa icipan es o am obse ados indi i-
dualmen e em ambien e sossegado. E a-lhes pe-
dido que dissessem o nome co esponden e às
imagens que lhes iam sendo ap esen adas. Indi-
ca a-se-lhes que se não conhecessem o nome ou
a imagem, ou se não se lemb assem, o pode iam
exp essa com ‘não conheço’ e ‘não me lemb o’,
espec i amen e.
3. RESULTADOS
Os p incipais esul ados podem se obse a-
dos no Quad o 1, onde po ques ão de con eni-
ência se ap esen am odos os alo es ele an es
pa a a análise (g upo con olo sepa ado po sexo
e po subg upo; g upo clínico sepa ado po lado
da lesão). Ap eciemos os esul ados do g upo
saudá el p imei o, e os do g upo clínico depois.
As nomeações co ec as do g upo con olo
ondam, em média, os 40% (ce ca de 13 em 30).
Homens e mulhe es ap esen am alo es p óxi-
mos pa a as duas ca ego ias de Objec os, e pa-
ecem di e i nas duas ca ego ias animadas, com
as mulhe es a nomea melho os F u os e Legu-
mes, e os homens a nomea melho os Animais.
De ac o, uma análise de a iância ao núme o de
espos as co ec as, com Ca ego ia como ac o
in asujei o e Sexo como ac o in e sujei o, e-
elou uma in e acção signi ica i a en e os e ei-
os de Sexo e Ca ego ia [F(3,162) = 10.603,
p < .001]. Re elou ambém um e ei o signi ica-
i o de Ca ego ia [F(3,162) = 7.406, p < .001],
com os F u os e Legumes a sob essaí em en e
os Animais e os Objec os (só a supe io idade dos
F u os e Legumes ela i amen e a qualque uma
das ou as ca ego ias a ingiu a signi icância em
es es pos -hoc). O e ei o de Sexo não oi signi-
ica i o (F < 1), o que indica que não hou e su-
pe io idade sis emá ica de nenhum dos sexos a a-
és das qua o ca ego ias.
A endendo às ca ac e ís icas dos pa icipan es
do subg upo de con olo empa elhado, mais ido-
sos e menos escola izados do que os es an es
con olos (63.9 s. 33.5 anos de idade, e 3.5 s.
12.1 anos de escola idade, espec i amen e),
op ámos po calcula uma segunda ANOVA com
os mesmos ac o es do que a an e io , e um
ac o adicional, Subg upo (Empa elhados s.
Não-empa elhados). Es a análise eplicou os
esul ados an e io es, a sabe , a in e acção en e
Sexo e Ca ego ia, e o e ei o p incipal de Ca ego-
ia, ambos signi ica i os ([F(3,156) = 9.943, e
F(3,156) = 7.141, ambos p < .001, espec i a-
152
QUADRO 1
Média dos esul ados co ec os e des ios pad ão, en e pa ên esis, nas qua o ca ego ias,
po g upo (c . ex o)
G upo N Animais F u os e Legumes P áxicos Não-P áxicos
Con olo Mulhe es To al 33 11.0 (6.1) 16.0 (5.7) 11.7 (4.3) 12.1 (4.4)
Con olo Homens To al 23 13.7 (6.9) 13.0 (5.1) 13.0 (5.1) 13.2 (5.5)
Con . Mulhe es Não-empa . 20 12.9 (5.6) 18.1 (5.2) 13.3 (4.0) 13.9 (3.3)
Con . Homens Não-empa . 12 17.1 (4.0) 15.0 (3.5) 15.4 (3.0) 17.0 (2.5)
Con . Mulhe es Empa elhado 13 8.0 (5.5) 12.7 (5.1) 9.4 (4) 9.3 (4.6)
Con . Homens Empa elhado 11 10.1 (7.7) 10.8 (5.7) 10.3 (5.7) 9.1 (4.8)
Clínico Lesão Esque da 16 4.1 (3.2) 7.3 (4.7) 5.6 (2.7) 4.9 (3.4)
Clínico Lesão Di ei a 8 5.8 (5.3) 9.9 (5.1) 6.2 (3.9) 6.8 (4.3)
No a. As co elações da nomeação nas á ias ca ego ias são odas signi ica i as (p < .001, n = 56): en e Objec os P áxicos, OP, e
Objec os Não-p áxicos de .814; en e OP e Animais, .781; en e OP e F u os & Legumes, .701; en e Animais e Objec os Não-
p áxicos, .741; en e F u os & Legumes e Animais, .664; en e F u os & Legumes e Objec os Não-p áxicos, .588.
men e]. Con i mou ambém o que a inspecção
dos esul ados suge e, que o subg upo Empa e-
lhado em esul ados signi ica i amen e mais
baixos do que o subg upo Não-empa elhado
(33% s 51% de nomeações co ec as, espec i-
amen e; pa a o e ei o de Subg upo, F(1,156) =
22.627, p < .001). Nem o ac o Sexo, nem ne-
nhuma ou a in e acção, o am signi ica i os.
Fo am ambém calculadas as co elações en e
as á ias ca ego ias, pa a o g upo de con olo o-
al. Es ão mais al amen e co elacionadas as ca-
ego ias de Objec os (P áxicos s. Não-p áxicos,
= .81), e menos as ca ego ias de F u os e Le-
gumes com Objec os Não-p áxicos ( = .58), mas
odas as co elações dois-a-dois são signi ica i-
as (c . No a do Quad o 1). Também o am
signi ica i as as co elações obse adas en e o
o al de nomeações co ec as e a escola idade
( = .666, p < .0001, n = 56) e en e o o al de no-
meações co ec as e a idade (es a uma co elação
nega i a, -.542, p < .0001, n = 56). No en an o,
escola idade e idade es a am ambém associadas
en e si ( = -.627, p <.001): os pa icipan e de
mais idade são simul aneamen e os menos esco-
la izados ( ol a emos mais à en e a es a ques-
ão).
As nomeações co ec as do g upo clínico
ondam, em média, os 20% (ce ca de 6 em 30).
Foi calculada uma ANOVA ao núme o de nome-
ações co ec as com G upo (Clínico s. Empa e-
lhado) e Sexo como ac o es in e sujei o, e Ca e-
go ia como ac o in asujei o. Es a análise con-
i mou que os doen es neu ológicos êm esul-
ados mais baixos do que indi íduos com idade e
escola idade semelhan es, mas neu ologicamen e
saudá eis (pa a o e ei o de G upo, F(3,132) =
10.04, p = .0028). Mais uma ez, o ac o Ca e-
go ia eme giu como signi ica i o, F(3,132) =
14.08, p < .001, de ido à supe io idade dos F u-
os e Legumes. Nem o Sexo, nem nenhuma in-
e acção a ingi am a signi icância ( odos com
F < 1, excep uando a in e acção das Ca ego ias
com o Sexo, em que F(3, 132) = 2.29, p = .0807).
Quan o ao e ei o do lado da lesão, obse a-se
que os doen es com lesão à esque da pa ecem e
esul ados in e io es aos dos pacien es com lesão
à di ei a. No en an o, o ac o de e mos só 8 ca-
sos com lesão di ei a impede um es e mais i-
go oso àquela di e ença. Foi calculada uma
ANOVA análoga às an e io es com os ac o es
in asujei o Ca ego ia, e in e sujei o Lado da
Lesão (não se en ou como ac o Sexo po só
ha e ês mulhe es com lesão di ei a). Es a
análise con i mou, mais mais uma ez, o e ei o
p incipal da Ca ego ia (F u os e Legumes com
8.2 espos as co ec as, em média, con a 5.8 nos
Objec os P áxicos, 5.5 nos Objec os Não-p áxi-
cos e só 4.6 nos Animais; F(3,44) = 10.75, p < .001).
No en an o, o e ei o do Lado da Lesão não a in-
giu a signi icância, F(1,44) = 1.248, ns), nem in-
e agiu com a Ca ego ia (F < 1).
Foi ainda calculada uma medida da di e ença
en e as ca ego ias animadas e inanimadas pon-
de ada pelo ní el ge al de pe o mance, denomi-
nada índice de disc epância (McKenna, 1997).
T a a-se do a io en e a di e ença in e -ca ego-
ias e o o al de espos as co ec as ( o al co -
ec o em [F u as e Legumes + Animais] – [Ob-
jec os P áxicos + Objec os Não-p áxicos]/ o al
co ec o o al); um alo posi i o indica supe io-
idade das ca ego ias na u ais, e um alo nega-
i o uma supe io idade das ca ego ias manu ac u-
adas. Os índices ob idos a ia am en e .54 e
-.32 no g upo de con olo, e en e .33 e -.37 no
g upo clínico.
4. DISCUSSÃO
Nes e es udo, obse ámos nos pa icipan es
sem lesão neu ológica uma supe io idade emi-
nina na nomeação de F u os e Legumes, e uma
supe io idade masculina na nomeação de Ani-
mais. Es e esul ado oi ambém ob ido po
McKenna (1997) no seu es udo com um núme o
subs ancialmen e mais as o de pa icipan es
(400 s. os nossos 56). O ac o de e mos epli-
cado aquele esul ado com menos pa icipan es,
e de nacionalidades di e en es (ingleses s.
po ugueses) mos a a a -se de uma di e ença
obus a en e os sexos, que apa en emen e se so-
b epõe a ou as possí eis in luências cul u ais.
No e-se que es e e ei o de sexo é especí ico, não
se a ando de uma supe io idade eminina ou
masculina na nomeação de qualque ca ego ia.
Ainda ou o esul ado em comum com McKenna
(ibid.) é o e ei o de Ca ego ia, que se obse ou
an o nos pa icipan es do g upo con olo como
nos do g upo clínico. Embo a o emen e co e-
lacionados en e si, os esul ados ob idos na no-
meação das qua o ca ego ias são signi ica i a-
men e di e en es. No nosso es udo, os F u os e
153
Legumes o am melho nomeados do que as
es an es ca ego ias, po odos os g upos consi-
de ados. No en an o, no es udo inglês oi a ca e-
go ia dos Objec os P áxicos, jun amen e com a
dos Animais, que a ingiu os melho es esul ados.
Es as a iações quan o ao ní el de pe o mance
nas á ias ca ego ias podem se um ac o de
complicação no es e, onde se ia p e e í el dis-
po de um ní el cons an e nas á ias ca ego ias
ela i amen e ao qual se pudessem con apo as
de e io ações de pe o mance, e assim diagnos-
ica um dé ice, nomeadamen e um dé ice espe-
cí ico a uma ca ego ia. McKenna não discu e es-
e po encial p oblema, mas salien a ou as aná-
lises es a ís icas que apon am pa a um ní el de
di iculdade equi alen e nas qua o ca ego ias
(po exemplo, a ampli ude en e o alo mínimo
e máximo oi semelhan e nas qua o ca ego ias,
o que indica que o seu g au de di iculdade a ia
den o dos mesmos limi es). Reconhece, oda ia,
que exis i á alguma independência em como um
mesmo indi íduo nomeia ca ego ias di e en es
(ibid., p. 2).
Os nossos esul ados e idenciam um ou o
ac o esponsá el pelo ní el de nomeação: a es-
cola idade. A compa ação en e os dois subg u-
pos de pa icipan es sem lesão neu ológica e-
elou uma di e ença signi ica i a de quase 20%
no ní el de pe o mance: os mais escola izados
(e ambém mais jo ens) i e am ce ca de 51% de
espos as co ec as, mas os menos escola izados
(e ambém mais idosos) ica am-se pelos 33%.
Como nos nossos pa icipan es ha ia uma o e
co elação nega i a en e es as duas a iá eis,
an o se pode ia a gumen a que o ac o associa-
do ao declínio de desempenho se ia a idade, co-
mo a escola ização. No en an o, c emos que se
jus i ica uma in e p e ação apelando a es e úl i-
mo ac o . A azão empí ica que nos conduz a
essa con icção é o ac o de nos esul ados de
McKenna (ibid.) não se e obse ado nenhuma
co elação en e idade e ní el de nomeação, em
pa icipan es adul os. A escola idade pode á
ambém se o ac o esponsá el po uma ou a
di e ença en e os nossos esul ados e os de Mc-
Kenna: enquan o a pe cen agem média de espos-
as co ec as nos adul os sem lesão neu ológica
a iou en e 77% (homens a nomea Animais) e
65% (homens a nomea F u os e Legumes), os
alo es equi alen es no es udo po uguês são
conside a elmen e mais baixos, 57% (mulhe es
a nomea F u os e Legumes) e 43% (mulhe es a
nomea Animais).
A compa ação do subg upo de con olo empa-
elhado, com ca. 33% de nomeações co ec as,
com o g upo clínico, que se icou pelos 20%, e-
elou que há um dec éscimo signi ica i o asso-
ciado à lesão ce eb al. Po ém, es e dec éscimo é
mais salien e nos doen es com lesão esque da
(18% de nomeações co ec as) do que nos doen-
es com lesão di ei a ( alo equi alen e de 23%).
Es a elação, ambém e i icada po McKenna
(1997), é consis en e com os achados de imagio-
logia ce eb al que apon am o p edomínio de le-
sões no hemis é io esque do nos sujei os com
dé ice de nomeação de ca ego ias (po exemplo,
de imagiologia ce eb al: Ma in, Wiggs, Unge -
leide & Haxby, 1996, ci ados po Humph eys &
Fo de, no p elo). Um ou o esul ado me ece e-
e ência: há uma p eponde ância de índices de
disc epância mais nega i os en e os pacien es
com lesão esque da do que nos con olos empa-
elhados; espec i amen e, 7 em 24 casos, con a
4 em 24. Como quan o mais nega i o o índice
maio a an agem das ca ego ias manu ac u adas
ela i amen e às na u ais, is o pode á indica
que a lesão pe u ba mais a nomeação das ca e-
go ias animadas do que as inanimadas.
Em suma, a e são adap ada do es e de no-
meação de ca ego ias ap esen a-se como um
ins umen o ú il pa a a alia as capacidades de
nomeação das ca ego ias conside adas, que pe -
mi e dis ingui en e sujei os saudá eis neu olo-
gicamen e e sujei os com lesão ce eb al de sexo,
idade e escola idade semelhan es. Se á necessá-
io p ocede , u u amen e, ao es udo da e são de
comp eensão ( econhecimen o de imagens a pa -
i da pala a alada ou esc i a). Conside amos a
possibilidade de e ec ua algumas al e ações nas
imagens das ca ego ias de Objec os P áxicos e
Não-p áxicos, nomeadamen e naquelas que
i e am alo es de econhecimen o ex emamen-
e baixos (c . Apêndice). Na sua o ma ac ual,
es a p o a é ú il pa a aze a de ecção de p o-
blemas de nomeação, que podem ou não se es-
pecí icos de ca ego ia. É ambém um meio ade-
quado pa a aze o as eio da capacidade cogni-
i a, com a an agem de p opicia uma aplicação
ag adá el po se a a de uma p o a simples.
Como não eque que o sujei o seja capaz de
comp eende uma a e a complicada, pode se
usada com doen es com de e io ação cogni i a,
154
que não enham condições de esponde a ou as
a e as de a aliação.
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RESUMO
O p esen e es udo isa o desen ol imen o de uma
e são adap ada pa a a população po uguesa do Tes e
de Nomes de Ca ego ias Especí icas (McKenna, 1997).
T a a-se de um ins umen o de as eio e a aliação
neu opsicológica que pe mi e iden i ica um dé ice
ca ac e izado po uma di iculdade em nomea objec os
das qua o ca ego ias semân icas seguin es: Animais,
F u os e Legumes, Objec os P áxicos e Objec os Não-
p áxicos. O o iginal inglês ap esen a-se sob duas o -
mas: uma p odu i a – a nomeação de imagens, e
ou a ecep i a – o econhecimen o de imagens, po-
dendo es e se ei o a pa i da pala a alada ou da pa-
la a esc i a. Foi desen ol ida em po uguês a e são
de nomeação, que oi aplicada a 56 indi íduos saudá-
eis do pon o de is a neu ológico (g upo de con olo
o al) e a um g upo de 24 pacien es neu ológicos com
lesão ce eb al unila e al (g upo clínico). O g upo clí-
nico oi empa elhado com um subg upo de con olo
cons i uído po indi íduos com ca ac e ís icas seme-
lhan es em e mos de idade, escola idade e sexo. Os
esul ados ob idos no g upo de con olo o al mos am
um in e acção en e ca ego ia e sexo, e um e ei o p in-
cipal de ca ego ia. Ve i icou-se ambém que o g upo
clínico ob e e, em odas as ca ego ias, esul ados
signi ica i amen e mais baixos do que o subg upo de
con olo empa elhado, o que nes e es udo explo a ó io
indicia a alidade do ins umen o.
Pala as-cha e: Ca ego ias semân icas, nomeação,
dé ice de nomeação de ca ego ias, a aliação neu opsi-
cológica.
ABSTRACT
We p esen a s udy based on he Ca ego y-Speci ic
Names Tes de eloped by McKenna (1997), ha we
a e p esen ly adap ing o Po uguese. This es exami-
nes naming and iden i ica ion o i ems in ou ca ego-
ies, wo o li ing hings and wo o manu ac u ed ob-
jec s: Animals, F ui s & Vege ables, P axic Objec s
and Non-p axic Objec s. I allows he de ec ion o
naming and iden i ica ion di icul ies, ha may be ca-
ego y-speci ic. We p epa ed a e sion o he naming
ask in Po uguese and examined 54 adul s wi hou
b ain damage (con ol g oup; 33 males) and 24 pa-
ien s wi h unila e al b ain lesions (16 le -, 8 igh -
hemisphe e pa ien s). A subg oup o he heal hy adul s
was ma ched on a one- o-one basis o he b ain lesio-
ned pa ien s, such ha age, sex and yea s schooling
we e equi alen in bo h g oups ( he pa ien s we e
o e all olde and less schooled). The esul s o he
155
con ol g oup showed a main e ec o ca ego y –
F ui s & Vege ables eached highe pe cen co ec
esponses – and an in e ac ion be ween sex and ca e-
go y: women we e be e wi h F ui s & Vege ables,
men we e be e wi h Animals. A di e ence o 20% in
o e all pe o mance was obse ed be ween younge
adul s wi h mo e yea s o schooling and olde , less
schooled, adul s. We p opose ha his di e ence is an
e ec o schooling. The compa ison o he ma ched
con ols and he b ain lesioned pa ien s e ealed a
signi ican dec ease in he pa ien g oup.
Key wo ds: Seman ic ca ego ies, naming ca ego y-
-speci ic de ici s, neu opsychological e alua ion.
156
157
Apêndice
Es ímulos, Nomeações Inco ec as e Respec i a F equência: Ap esen a-se o es ímulo po o dem dec escen e de
di iculdade, a pe cen agem de pa icipan es do g upo con olo que o nomea am co ec amen e, e as nomeações
inco ec as com a espec i a equência, po ca ego ia
Animais
1. Mo cego 84%; ampi o (2); pássa o (1); águia (1); co uja (1)
2. Raposa 82%; cão (7); lobo (1)
3. Águia 80%; papagaio (3); pássa o (2); alcão (1); milha e (1); gai o a (1); a a uga (1)
4. Hipopó amo 77%; inoce on e (2); po co (2)
5. Rinoce on e 68%; hipopó amo (11); eado (1); ele an e
6. Esquilo 66%; ga o (4); leb e (3); coelho (2); a dilha (1); cas o (1); a o (1)
7. A es uz 66%; pe u (5); cegonha (1); cangu u (1)
8. Leb e 57%; coelho (20); eado (1)
9. Enguia 54%; cob a (11); lamp eia (3); peixe (2); peixe-espada (1); se pen e (1); peixe ca ilagíneo (1);
sa io (1); lisc anço (1); u a (1); cong o (1)
10. Toupei a 52%; a o (2); o ni o inco (1); u a (1); doninha (1); lon a (1)
11. Baleia 52%; uba ão (7); cachalo e (6); o ca (1); peixe (2)
12. Hiena 45%; lobo (6); aposa (4); eado (1); cão (1); a e (1)
13. Ou iço-cachei o 43%; po co-espinho (20); espinho (1); oupei a (1); a u (1); doninha (1); a o (1)
14. Abu e 41%; águia (7); alcão (6); papagaio (1); pa ão (1)
15. Flamingo 39%; cegonha (6); ganso (4); gi a a (1); ga ça (1); galinha oado a (1); pelicano (1); a es uz (1)
16. Po co-espinho 39%; ou iço-cachei o (4); exugo (1); ou iço (1); espinhão (1)
17. Lince 36%; ig e (10); ga o b a o (5); ga o (3); leão (3); cão (2); a o (1); ga o sel agem (2)
18. Go ila 32%; macaco (20); o ango ango (5); chimpanzé (3); chi a (1); babuíno (1); ca alo (1); cão (1);
ele an e (1)
19. Faisão 32%; pa ão (10); passa inho (5); a a a (1); pe diz (1); pi iqui o (1); papagaio (1)
20. Mo sa 45%; leão ma inho (12); oca (12); ele an e ma inho (2)
21. Tucano 20%; pelicano (7); papagaio (5); pássa o (2); a a a (2); caná io (1); eado (1); ca a ua (1);
mel o (1)
22. Gnu 18%; bú alo (14); eado (3); aca b a a (2); aca (2); boi (2); bison e (1); cab a do mon e (1);
ca alo (1); aca elha (1)
23. Ta u 18%; papa- o migas (4); a o (2); ca a ua (1)
24. Texugo 18%; a o (3); doninha (3); guaxinim (2); a u (2); u ão (2); oupei a (1); amanduá (1); po co (1);
cas o (1); papa- o migas (1); oca (1)
25. Lon a 16%; doninha (5); a o (3); cas o (2); u ão (1); ma a (1); oupei a (1); esquilo (1); oca (1);
elino (1)
26. Cas o 13%; a o (21);esquilo (2); hams e (2); doninha (1); lon a (1); a azana (1); oupei a (1)
27. Me gulhão 13%; papagaio (5); pinguim (3); cas o (1); papagaio das ne es (1); mel o (1)
28. Pisco 11%; pássa o (15); pin assilgo (12); pa dal (4); ouxinol (3); pi iqui o (3); a o e (2); beija- lo
(1); a e (1); mel o (1); papa- igos (1); pin alhão (1)
29. O ni o inco 11%; pa o de água (1); pa o (1); jaca é (1); a o (1); ou iço (1)
30. Kiwi 4%; pássa o (6); beija- lo (2); pe u (1); a a a (1); ga ça (1); pe iqui o (1); pin ainho (1);
a es uz pequenina (1)